Tecnologia determina ou condiciona?

Luísa de Melo Porto1

Resumo Considerando a acelerada inserção das tecnologias emergentes de informação e comunicação que oferecem novas formas de relacionamentos em âmbito social e organizacional, aponta-se a necessidade de uma análise crítica quanto às implicações dessas tecnologias na sociedade: se elas seriam determinantes ou condicionantes da sociedade. A partir do pressuposto de que a comunicação é o espelho da cultura organizacional e está diretamente relacionada ao desenvolvimento empresarial, acreditase na validade da reflexão a respeito das implicações do uso das novas tecnologias de comunicação para as organizações que nelas investem, em especial sob a ótica do processo comunicacional. Palavras-chave: Tecnologias da informação, comunicação Este artigo pretende promover uma reflexão referente à realidade das organizações sob a perspectiva do uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC), ao questionar quem prevalece nas organizações: o imperativismo tecnológico2 ou o imperativismo organizacional3. Aliados a essa questão, estão outros questionamentos como, por exemplo, quem seria o responsável pela realidade interativa da comunicação: a tecnologia informática emergente ou o usuário? Em outras palavras, as tecnologias interativas determinam a interatividade do usuário ou permitem que os receptores tenham reações mais participativas? Os novos meios de informação e comunicação desempenham um papel determinante na formação dos valores da sociedade, ou apenas refletem estes valores? Tais questionamentos só são esclarecidos se um outro, maior, for compreendido: seriam as tecnologias da informação e comunicação as determinantes ou as condicionantes dessa nova sociedade? Considerando nova sociedade como aquela que surge com a revolução da tecnologia da informação. Crowston e Malone (apud Fleury e Silva, 2003) defendem a perspectiva interacionista que seria o equilíbrio entre o que a tecnologia proporciona e o que a organização necessita. Entretanto, os autores evidenciam a existência de outras duas realidades quanto ao posicionamento das tecnologias nas empresas. Há o imperativo tecnológico determinado quando a tecnologia assume alguns efeitos determinados sobre a estrutura organizacional e o imperativismo organizacional, que

inverte a direção de causalidade das mudanças. também as moldam. ao assumir que são as pessoas que fazem as mudanças organizacionais. Castells (1999a) afirma que se trata de uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que as tecnologias alteram o modo de vida dos homens. a inovação tecnológica condiciona os modos de viver e pensar da sociedade da mesma maneira que a sociedade condiciona o desenvolvimento da tecnologia dependendo das aplicações e usos que faz dela.25). 1999b. pois "a tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas" (Castells. inclusive aquelas relativas às tecnologias. Crowston e Malone (1994) sistematizam as perspectivas de interação entre a TI e as organizações. De acordo com seu ponto de vista. . o modo como os homens as vivenciam. Manuel Castells e Jean Lojkine apresentam uma alternativa de compreensão em relação à noção da influência tecnológica. nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica. a distinção entre tecnologia e sociedade não é tão nítida. conforme o seguinte quadro: Fonte: Adaptada de Crowston & Malone (1994) Autores como Pierre Lévy. Sua teoria defende. que a tecnologia não determina a sociedade. portanto. Segundo estes autores. p.

uma vez que a . de acordo com esse mesmo autor. Autores como esses. entretanto. Levy (1999) acredita que os indivíduos juntos inventam. E. Castells (1999a) afirma que a tecnologia é uma condicionante. essa “Sociedade em Rede” advém da revolução das tecnologias da informação e da reestruturação do capitalismo. É a interação entre tecnologia e sociedade que criam sentido e moldam a cultura da sociedade. O autor refere-se à sociedade em rede. em vez de pensar no impacto delas na sociedade. as tecnologias não seriam determinantes. ela pode sufocar ou acelerar seu processo de desenvolvimento. O autor sugere para que a sociedade enfatize as tecnologias como produtos de uma sociedade e de uma cultura. Embora haja os defensores da tecnologia como condicionante da sociedade. da sociedade. produzem. utilizam e interpretam de diferentes formas a tecnologia. que a tecnologia e a sociedade são poderosas no sentido de influências. Levy (1999) concorda com Castells (1999a). caracterizada pela globalização das atividades econômicas. a tecnologia pode não determinar a evolução histórica e transformação social da sociedade. principalmente por meio do Estado. que por mais que a sociedade não determine a tecnologia. ao mesmo tempo. segundo Castells (1999b). e não determinante. acreditando que a metáfora do impacto das tecnologias seja inadequada. Em outras palavras. mas sim condicionantes das transformações na sociedade.Nota-se. afirma que o mundo humano é. Vale lembrar que. Assim sendo. Pelo contrário. Portanto. percebe-se que. técnico. a habilidade ou inabilidade das sociedades dominarem a tecnologia é capaz de traçar seu destino. bem como os usos que as sociedades decidem dar ao seu potencial tecnológico. e que as transformações em curso na sociedade estão nos levando a uma nova estrutura social: a sociedade da comunicação mediada pelas novas aparelhagens de informação. pela flexibilidade e instabilidade do emprego. segundo Castells (1999b). construída a partir da mídia onipresente e pela transformação dos conceitos de espaço e tempo. portanto. no que se refere às tecnologias e à sociedade. Esse é um bom exemplo do conceito de mãodupla do autor. pela cultura de virtualidade do real. mas ela incorpora a capacidade de transformação das sociedades. que compartilham da visão de imperativismo organizacional entendem. Não se deve perceber a tecnologia como a causa e a cultura como aquela que sofre seus efeitos. assim. há outros que acreditam realmente na influência e nos efeitos determinantes das tecnologias nos ambientes e processos onde são incorporadas.

Marcuse (1982) acredita que a noção tradicional de neutralidade da tecnologia não pode ser mais sustentada. a atual sociedade como tecnocêntrica. E mesmo se não desempenharem um papel determinante no essencial. por seu próprio caráter formal. . Considerando pós-modernidade o momento em que a sociedade repousa sobre uma tecnologia extremamente avançada. viabilizada pelas TICs. A comunicação – agora em tempo real e independente do espaço físico – viabiliza uma série de mudanças e possibilidades tais como: comunicação rápida e fácil. inclusive. sobre um outro aspecto. Para que tal realidade seja possível. A velocidade e as tecnologias que ditam. o desenvolvimento da tecnologia repõe. A tecnologia não pode. percebemos que da mesma forma que a pós-modernidade presencia as influências das novas tecnologias da informação na sociedade. uma vez que as informações difundidas por meio de tais tecnologias servem de cimento social para as transformações. Na mesma perspectiva deste autor está a de Marcondes Filho (1994). apenas ressaltar que estas podem ou não ser os pontos centrais da história da humanidade. Esses autores acreditam. ao considerar. Segundo o autor. como tal. também interessante. a dominação social. a sociedade moderna se deparou com as implicações das mídias massivas. Trata-se do momento em que nos deparamos com a transformação do espaço-tempo. de forma a contribuir para o progresso da sociedade. Ainda segundo o autor. torna-se difícil acreditar que a tecnologia é neutra se a racionalidade presente nesta é a dos setores dominantes da sociedade. nesta reflexão. informações e serviços. que conduz ao processamento cada vez mais veloz das informações para a sociedade. ser isolada do uso que lhe é dado.econômica. o ritmo dos processos de comunicação. sobretudo. no impacto das tecnologias da informação e comunicação.tecnologia é desenvolvida através de processos exteriores aos homens e à sociedade. a sociedade tecnológica é um sistema de dominação que já opera no conceito e na elaboração das técnicas. continuam sendo importantes. Novos conceitos de espaço e tempo Vale ressaltar. que a tecnologia é fator determinante nos rumos do desenvolvimento humano em todas suas esferas . segundo o autor. Definir que as TICs e as mídias determinam ou condicionam as transformações da sociedade não significa reduzir sua importância. permitida pelas novas tecnologias. É a massificação da informação no meio social. política e social. há a socialização eletrônica de produtos.

um pouco mais determinista. presente e futuro podem ser programados para se interagirem simultaneamente. podendo impor-se com base nas mensagens que emitem. uma vez que passado. o mundo social. que acredita na introdução de uma nova mídia que reestrutura.usuário ativo no processo da comunicação. A outra visão considera que geografia e tempo continuam a ser determinantes na re-configuração de tempo e espaço. nessa discussão há uma visão simplista e outra aprofundada. está a opinião de Meyrowitz (1985). Compartilhando da idéia de Castells (1999a ou b) em sua obra A Sociedade em Rede. Segundo o autor. indicando até mesmo a desmaterialização da cidade. histórico e geográfico para se reintegrarem a um espaço de fluxos constantes (a rede). de fato. Neste contexto. o espaço e o tempo não são mais elementos fundamentais para que haja o processo de comunicação. onde os indivíduos podem interagir sem os constrangimentos do corpo. Diferente da concepção tradicional. os novos espaços de comunicação são percebidos como novos espaços sociais. A primeira inclui os autores que consideram que os novos serviços de comunicação realmente alteraram as relações espaciais. “as mídias eletrônicas vão mais longe: levam à quase total dissociação entre lugar físico e lugar social”. o tempo passa a ser intemporal. além de um ambiente de aprendizagem coletiva e cooperativa. embora admitam a influência dos novos espaços de interação nesse aspecto. Kitchin (1998) concorda com a afirmativa de Graham (1998). Segundo tal perspectiva. Em poucas palavras. Meyrowitz (1985. Conforme Graham (1998). rádio televisão ou computador. com uma geografia própria. . alguns autores também questionam sobre a forma como se articulam os novos serviços de comunicação em rede. em que localidades despreendem-se de seu sentido cultural. as interações e conseqüentemente a identidade. Quanto a esse tema espaço-tempo que é implícito da nova sociedade. Na primeira visão.115) esclarece quando afirma que ao “nos comunicamos via telefone. o espaço e o tempo estão sendo transformados sob o efeito combinado do paradigma da tecnologia da informação e das formas e processos sociais induzidos pela ação atual de transformação histórica. o espaço se torna um espaço de fluxos. onde estamos fisicamente presentes. já não se determina onde e quem somos socialmente”. à redução da sua importância. p. ao identificar duas posições antagônicas nessa reflexão. com os espaços e lugares físicos. conduzindo à re-configuração do lugar.

sua forma de trabalhar em grupo e de compartilhar seus conhecimentos.O compartilhamento do espaço físico comum já não é fator determinante para que ocorra o acesso e a troca de informações nessa nova sociedade. que se tornou intemporal. respeite seus valores. midiático e interativo. a evolução das tecnologias de comunicação deslocou as empresas da posição tradicional para um patarmar onde são pertencentes a um sistema interativo em permanente funcionamento. mas isso não as torna propriamente conversacionais” (Demo. muito menos o tempo. “As tecnologias oferecem novas oportunidades de relação conversacional. por meio de um ambiente em rede dinâmico. um processo de mudança desmancha tudo o que já estava estabelecido. livre das barreiras de tempo e espaço. 2002. Nesse contexto. inclusive os comunicacionais e culturais. surgem novas funções. Com efeito. modifica-se a validade de cada cargo e ainda torna-se necessária a aprendizagem a respeito da nova realidade até que se alcance novamente o ponto de equilíbrio e estabilidade organizacional” (Fleury e Silva. Tecnologia da informação e cultura organizacional A reflexão proposta neste artigo tem como hipótese que as tecnologias propiciam o envolvimento do usuário nesse novo processo comunicacional. já que a comunicação via novas tecnologias acontecem simultaneamente. o acesso à informação e as relações pessoais e comerciais adquiriram uma nova dimensão na sociedade e nas empresas.182). transformando radicalmente os antigos padrões. Entretanto. os benefícios trazidos pelos recursos tecnológicos devem ser entendidos como facilitadores – e não necessariamente determinantes .148). como por exemplo os funcionários. “No contexto das mudanças organizacionais. p. 2003. Pode-se afirmar que a tecnologia desempenha o papel essencial em dar suporte a uma verdadeira rede de informação e comunicação. . o conhecimento. p. sendo que tais tecnologias representam o marco definitivo dessa modificação pragmática da comunicação.do desenvolvimento de novas estratégias e práticas comunicacionais nas empresas. Os usuários das tecnologias em âmbito empresarial. embora não precisem ser necessariamente consideradas as determinantes dessa mudança. Porém. buscam sempre uma forma de usar a tecnologia que melhor atenda suas necessidades.

desenvolvendo formas de agir e ser que vão sendo incorporadas pelo grupo. é o desejo para o entendimento interno das estratégias empresariais”. está o desafio dos profissionais de comunicação. portanto. Paula (2003. conteúdo. uma vez que a cultura somente se forma a partir do momento em que as pessoas se relacionam e. à troca de informações e experiências e da participação em todos os níveis”. Kunsch (2003. Avaliando-se o relacionamento dentro das empresas em um momento de busca pela qualidade e liderança no mercado. estratégias. não se preocupando. p. elas estão se comunicando. de fato. evoluindo para uma comunicação de mão dupla. com esforços de persuasão ou sedução. pessoas responsáveis e. se elas se relacionam. que promovem alterações comportamentais nos funcionários de forma a influenciar a cultura organizacional. nota-se que as organizações devem. inclusive. que se configura na tarefa de manter um bom nível de relacionamentos com os grupos de interesse da empresa que representa ao mesmo tempo em que se deve criar estratégias que amenizem as possíveis implicações dos novos meio de comunicação. linguagem. “a comunicação interna permite que os colaboradores sejam bem informados e a organização antecipe respostas para suas necessidades e expectativas”. através do estímulo ao diálogo.83) concorda com Kunsch (2003) ao afirmar que “buscar um ponto comum para conciliar às necessidades de informação da empresa e as expectativas dos funcionários. E. construir relacionamentos.154) complementa suas afirmações ao mencionar que a “comunicação interna é uma ferramenta estratégica para alinhar os interesses dos funcionários e da empresa. Ressalte-se que a comunicação é uma fase fundamental nesse processo. só é possível quando se conhece e considera as pessoas envolvidas. p. Nota-se que o vínculo entre comunicação interna e relacionamento interpessoal existe pelo fato dos . entende-se por comunicação interna aquela que surge do esforço desenvolvido pela empresa em manter canais de comunicação que permitam o relacionamento ágil e transparente entre seus funcionários. sensibilizar seus colaboradores para o comprometimento profissional. Nesse contexto. que devem estar adequadas às inovações tecnológicas. deve estar relacionada com as políticas organizacionais. p. Para que essa comunicação alcance seus objetivos. com as novas mídias. Conforme Kunsch (2003. qualidade. Desta maneira.Nota-se que a cultura organizacional se forma através da atuação das pessoas que fazem parte da organização – elas se relacionam.159).

um conjunto de significados compartilhados sobre os artefatos. disponibilizando canais adaptados aos diferentes membros desse grupo de pessoas de forma a permitir a transparência e o diálogo – elementos essenciais para a comunicação interna que. por isso. De fato. Tratam-se de pressupostos básicos que determinam como os membros do grupo percebem. pensam e sentem. a cultura pode ser interpretada. 2003 p. Desta forma. a cultura organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou. 47). Ela é um processo de construção de significados. Para criar e manter essa cultura. A nova cultura empresarial requer processos de comunicação afinados com a agilidade das novas tecnologias e. ao longo do tempo. As culturas e tendências da organização delineiam a cultura organizacional de tal forma que a comunicação que ela processa se constitua no seu reflexo. . na sua forma mais simples de expressão. conseqüentemente. refletindo o processo de gestão” (Bueno. por meio da interação social. descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos. bem como dos fatores externos geradores de incerteza que levam à insegurança e à ansiedade ante o desconhecido. esses pressupostos básicos são afirmados e comunicados aos membros da organização. pessoas. influencia a cultura organizacional. basicamente. Isso significa considerar a diversidade do público interno. e a comunicação nesse contexto é primordial e natural.07). situações e fenômenos que as cercam. pensar e sentir em relação a esses problemas” (Schein apud Freitas. “a comunicação é o espelho da cultura organizacional. como uma maneira particular de viver. questões de ansiedade em face dos comportamentos imprevisíveis dos elementos do grupo ou da própria instituição. “estas melhores práticas podem ser ensinadas aos novos membros como a forma correta de perceber.relacionamentos interferirem de forma considerável no desempenho das atividades no âmbito profissional e. As pessoas constroem. na pré-disposição dos funcionários em trocar informações. é importante que o relacionamento seja trabalhado de modo a integrar este público à organização. Assim sendo. 1991. Na realidade. por sua vez. A busca por esse significado comum pretende evitar. p. interessados em promover relacionamentos e compartilhar conhecimentos dentro da organização. principalmente.

atitudes e valores e. O receptor não está mais em posição de recepção clássica. verdadeiros ciclos viciosos de comportamento são causados por crenças. portanto. 2003. Sem dúvida. 97 p. Sendo assim. Tais mudanças comportamentais implicam transformações permanentes na maneira de organizar as atividades profissionais e sociais. Para a análise de um processo de mudança organizacional como o da adoção de novas tecnologias. ao aumento da confiança e à ajuda aos trabalhadores que enxerguem aspectos positivos da mudança. p. baseado na relação unilateral emissor-mensagemreceptor. pois a partir dessa perspectiva é possível compreender quais os valores básicos estão sendo implicados com tal processo e como as pessoas envolvidas reagem a tal mudança. et. já não se enquadra no novo modelo comunicacional. fazendo surgir novos lideres que. é fácil compreender o rejuvenescimento do quadro gerencial e administrativo das organizações. a incorporação da dimensão cultural é essencial.26). Tapscott (1997. Nesse sentido. al. O clássico esquema da informação. de forma que a eficiência resulta em economia de tempo que. S. o receptor deixa se ser passivo e se torna co-criador da mensagem. E Dias (1998). nesse sentido. Ao se tornar uma tecnologia compartilhada. que “os novos valores sustentem as novas relações sociais que serão implementadas servindo-lhes como ponto de referência” (Rodrigues. por sua vez. que “os comportamentos de executivos e trabalhadores baseiam-se em crenças. requerendo estratégias no plano simbólico que visem à redução de incertezas. assim. provocam mudanças comportamentais consideráveis que influenciam a cultura organizacional. p.Entende-se. os computadores influenciam a dinâmica de trabalho e ingressam no domínio gerencial. É preciso. recordamos que a inserção das novas tecnologias de comunicação traz mudanças consideráveis.86) alerta que “a adoção de tecnologias de informação permite que as pessoas façam mais em menos tempo. o computador modificou a forma de comunicação e construção de significados. atitudes e valores” (Motta. A mensagem só toma todo o seu significado sob a sua intervenção. mudanças podem gerar uma série de ambigüidades e contradições. Sabemos que as novas tecnologias da informação têm sido adotadas como atalhos para o alcance de melhores resultados organizacionais e. em certa medida. por sua vez. caracterizado pela não linearidade e interatividade. já se preocupa com essas novas habilidades .10). No contexto do processo comunicacional nas organizações. pode ser reinvestida na eficácia pessoal”.

a implantação de novas tecnologias podem invalidar iniciativas de interação com os públicos. 1997. que merecem atenção diante de seu potencial influenciador na cultura organizacional. levando a um desequilíbrio na estrutura social existente. É preciso adequá-la ao perfil da empresa e. A complexidade desse processo de adoção das tecnologias da informação por parte das empresas fica evidente diante das recomendações de Dias (1998). É por esses e outros motivos que entende-se a interatividade não somente como uma comodidade técnica e funcional. veremos outras mudanças importantes. às suas necessidades comunicativas. a estrutura de interação via computadores implica a desconstrução. Sem pesquisa prévia. de muitas das ferramentas culturais que estão na base dos sistemas de interação mais convencionais. surgem grandes possibilidades: substitui-se a materialidade do impresso pela imaterialidade da imagem na tela. o resultado final da tecnologia da informação será uma maior produtividade e eficácia organizacional.82). mas suas implantações necessitam de estudos e estratégias que contemplem a cultura institucional. Entende-se. psicológica e sensivelmente o espectador/usuário.profissionais que surgem com o desenvolvimento das tecnologias. De fato. às relações de contigüidade estabelecidas opõem-se à livre organização . conforme as tecnologias emergentes vão sendo introduzidas. sua história em relação à utilização de tecnologia. Com as novas tecnologias da informação e comunicação. embora não seja o suficiente para que haja o compartilhamento de informações numa rede. os recursos disponíveis para seu uso e os conflitos a serem resolvidos. uma vez que transformam os critérios de qualificação dos indivíduos para as tarefas. “Toda estrutura da organização poderá ser modificada” (Tapscott. pois ela implica física. torna-se fundamental analisar a cultura organizacional face à adoção das novas tecnologias da comunicação – entendida como um processo de mudança organizacional. Em resumo. Nessa perspectiva de mudança. ameaçando os limites de tolerância de indivíduos e organizações. principalmente. que a boa tecnologia é necessária. entende-se que as tecnologias emergentes permitem novas formas de relacionamento. Nota-se que tais transformações podem ser entendidas como barreiras para os usuários. portanto. p. As novas mídias poderão ser facilitadoras das relações entre os públicos. que aconselha que o planejamento de medidas que gerenciem os impactos organizacionais respeite o momento da organização. Entretanto. por parte de seus usuários. Diante disso.

que devem se atentar para a possibilidade das TICs serem determinantes ou condicionantes do ambiente organizacional. Volkema (apud Ruben et al. Ao investigar o uso da tecnologia da informação nas organizações. Considerações Sendo as organizações responsáveis em atuar numa perspectiva profissional com as tecnologias da informação e comunicação. Com efeito. Por outro lado. desloca-lo. a utilização do e-mail como meio de comunicação pode reduzir barreiras entre os níveis hierárquicos e pode. 162) constatou que “a utilização do e-mail. forma de comunicação bem aceita nas organizações. a menos que não se preocupe em comprometer . ou melhor. p. por um lado. mas pela dificuldade em superar fatores organizacionais e institucionais. notadamente aqueles ligados à cultura organizacional (Ruben et al. haja vista o quão grande e complexa é a gama de fatores pessoais e coletivos que podem interferir na implantação e na permanência de um sistema que envolva tecnologias da informação. as pesquisas têm salientado. desmembra-lo. ainda. recompôlo. o esforço que elas têm feito no sentido de se modernizar tecnologicamente. 2003. podemos afirmar que o processo de incorporação de novas tecnologias exige mecanismos específicos de implantação. mas ainda tornar-se seu co-autor ao construir um novo texto a partir de fragmentos recortados e reunidos. Há de se considerar as pessoas envolvidas no processo. indefinidamente manipuláveis. Assim sendo. não pela deficiência técnica ou tecnológica. na medida em que as informações nas organizações se tornam mais acessíveis. tem-se discutido os obstáculos que estas têm encontrado para obter os resultados almejados. Não há como implantar processos desta natureza à revelia das realidades culturais locais. todavia. 2003. São elas. adequados à realidade sócio-cultural da empresa. anotar observações. p. copiá-lo. a organização em rede. 162). aumentar o grau de participação nos processos de trabalho. Além disso. Conforme o autor. o texto eletrônico permite ao seu leitor não apenas arquivá-lo.de fragmentos. pode alterar a natureza a diversidade das relações interpessoaIs e da estrutura organizacional”. a tecnologia não é fator impeditivo do sucesso da implantação de sistemas de informação. cabe-lhes intervir de uma forma adaptada às dinâmicas sociais que caracterizam a sociedade em rede. as empresas.

Afetando mutuamente. 162). E quanto mais há comunicação e interconexão entre os indivíduos. Caso seja absorvida sem considerar seus efeitos sobre a cultura. atingindo maior rapidez. portanto. mas a sociedade. p. possivelmente as tecnologias serão apenas condicionantes das transformações nela ocorridas. interagindo de forma adequada com ambiente de trabalho. mais rápida e rica a vida cultural se torna. interatividade e qualidade dos serviços. É ele quem tem reações mais participativas em relação ao processo de comunicação que. uma interessante dinâmica quando da sua interação (Ruben et al. Entende-se. possivelmente seu caráter determinista deixará marcas. . de fato. portanto. são elas que determinam a interatividade dos usuários. é facilitado pelas novas tecnologias da informação e comunicação. Cabe a cada um de nós saber como percorrê-la: com uma visão holística ou míope. a rede de comunicação possibilitada pelas novas tecnologias da informação gera uma sociedade mais complexa e diversa.irremediavelmente suas identidades. que as tecnologias da informação e comunicação inovadoras serão determinantes ou condicionantes de acordo com a sua forma de implantação e conseqüente utilização pelas organizações. a comunicação desempenha um papel chave. sejam elas positivas ou negativas. A comunicação. se houver um trabalho que considere a realidade da identidade cultural da organização. por sua vez. Cada empresa deve desenvolver suas próprias estratégias de incorporação das novas tecnologias que venham a integrar-se às diferenças culturais de seus funcionários. sem maiores implicações no processo de mudança. Não obstante. pelo contrário. E assim. Nota-se que o está mudando não é a comunicação em si. Nesse caso. pode-se considerar. o usuário se torna o responsável pela realidade interativa da comunicação. é um fator determinante da transformação cultural em curso. constituindo. de seus membros e de seu entorno. Com efeito. E nesse processo de transformação. que são as tecnologias da informação e comunicação as responsáveis pela realidade interativa da comunicação nas empresas. 2003. Temos que reconhecer que o argumento de que a comunicação é apenas um meio. é enganoso. portanto. as organizações e as tecnologias vão se ajustando.

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