Tecnologia determina ou condiciona?

Luísa de Melo Porto1

Resumo Considerando a acelerada inserção das tecnologias emergentes de informação e comunicação que oferecem novas formas de relacionamentos em âmbito social e organizacional, aponta-se a necessidade de uma análise crítica quanto às implicações dessas tecnologias na sociedade: se elas seriam determinantes ou condicionantes da sociedade. A partir do pressuposto de que a comunicação é o espelho da cultura organizacional e está diretamente relacionada ao desenvolvimento empresarial, acreditase na validade da reflexão a respeito das implicações do uso das novas tecnologias de comunicação para as organizações que nelas investem, em especial sob a ótica do processo comunicacional. Palavras-chave: Tecnologias da informação, comunicação Este artigo pretende promover uma reflexão referente à realidade das organizações sob a perspectiva do uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC), ao questionar quem prevalece nas organizações: o imperativismo tecnológico2 ou o imperativismo organizacional3. Aliados a essa questão, estão outros questionamentos como, por exemplo, quem seria o responsável pela realidade interativa da comunicação: a tecnologia informática emergente ou o usuário? Em outras palavras, as tecnologias interativas determinam a interatividade do usuário ou permitem que os receptores tenham reações mais participativas? Os novos meios de informação e comunicação desempenham um papel determinante na formação dos valores da sociedade, ou apenas refletem estes valores? Tais questionamentos só são esclarecidos se um outro, maior, for compreendido: seriam as tecnologias da informação e comunicação as determinantes ou as condicionantes dessa nova sociedade? Considerando nova sociedade como aquela que surge com a revolução da tecnologia da informação. Crowston e Malone (apud Fleury e Silva, 2003) defendem a perspectiva interacionista que seria o equilíbrio entre o que a tecnologia proporciona e o que a organização necessita. Entretanto, os autores evidenciam a existência de outras duas realidades quanto ao posicionamento das tecnologias nas empresas. Há o imperativo tecnológico determinado quando a tecnologia assume alguns efeitos determinados sobre a estrutura organizacional e o imperativismo organizacional, que

a inovação tecnológica condiciona os modos de viver e pensar da sociedade da mesma maneira que a sociedade condiciona o desenvolvimento da tecnologia dependendo das aplicações e usos que faz dela. De acordo com seu ponto de vista. conforme o seguinte quadro: Fonte: Adaptada de Crowston & Malone (1994) Autores como Pierre Lévy. Segundo estes autores. o modo como os homens as vivenciam. pois "a tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas" (Castells. Sua teoria defende. nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica.inverte a direção de causalidade das mudanças. . Manuel Castells e Jean Lojkine apresentam uma alternativa de compreensão em relação à noção da influência tecnológica. também as moldam. Crowston e Malone (1994) sistematizam as perspectivas de interação entre a TI e as organizações. portanto.25). p. 1999b. a distinção entre tecnologia e sociedade não é tão nítida. Castells (1999a) afirma que se trata de uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que as tecnologias alteram o modo de vida dos homens. inclusive aquelas relativas às tecnologias. ao assumir que são as pessoas que fazem as mudanças organizacionais. que a tecnologia não determina a sociedade.

Pelo contrário. da sociedade. afirma que o mundo humano é. a tecnologia pode não determinar a evolução histórica e transformação social da sociedade. Não se deve perceber a tecnologia como a causa e a cultura como aquela que sofre seus efeitos. Levy (1999) concorda com Castells (1999a). entretanto. percebe-se que. pela flexibilidade e instabilidade do emprego. e não determinante. Assim sendo. pela cultura de virtualidade do real. há outros que acreditam realmente na influência e nos efeitos determinantes das tecnologias nos ambientes e processos onde são incorporadas. as tecnologias não seriam determinantes. Embora haja os defensores da tecnologia como condicionante da sociedade. uma vez que a . principalmente por meio do Estado. Levy (1999) acredita que os indivíduos juntos inventam. portanto. O autor refere-se à sociedade em rede. segundo Castells (1999b). mas ela incorpora a capacidade de transformação das sociedades. de acordo com esse mesmo autor. técnico. Autores como esses. E. Em outras palavras. no que se refere às tecnologias e à sociedade.Nota-se. acreditando que a metáfora do impacto das tecnologias seja inadequada. a habilidade ou inabilidade das sociedades dominarem a tecnologia é capaz de traçar seu destino. O autor sugere para que a sociedade enfatize as tecnologias como produtos de uma sociedade e de uma cultura. Vale lembrar que. essa “Sociedade em Rede” advém da revolução das tecnologias da informação e da reestruturação do capitalismo. bem como os usos que as sociedades decidem dar ao seu potencial tecnológico. ao mesmo tempo. Esse é um bom exemplo do conceito de mãodupla do autor. ela pode sufocar ou acelerar seu processo de desenvolvimento. que compartilham da visão de imperativismo organizacional entendem. segundo Castells (1999b). que a tecnologia e a sociedade são poderosas no sentido de influências. utilizam e interpretam de diferentes formas a tecnologia. que por mais que a sociedade não determine a tecnologia. e que as transformações em curso na sociedade estão nos levando a uma nova estrutura social: a sociedade da comunicação mediada pelas novas aparelhagens de informação. É a interação entre tecnologia e sociedade que criam sentido e moldam a cultura da sociedade. Castells (1999a) afirma que a tecnologia é uma condicionante. produzem. caracterizada pela globalização das atividades econômicas. Portanto. assim. em vez de pensar no impacto delas na sociedade. construída a partir da mídia onipresente e pela transformação dos conceitos de espaço e tempo. mas sim condicionantes das transformações na sociedade.

ser isolada do uso que lhe é dado. Para que tal realidade seja possível.econômica. torna-se difícil acreditar que a tecnologia é neutra se a racionalidade presente nesta é a dos setores dominantes da sociedade. segundo o autor. o desenvolvimento da tecnologia repõe. E mesmo se não desempenharem um papel determinante no essencial. A velocidade e as tecnologias que ditam. que a tecnologia é fator determinante nos rumos do desenvolvimento humano em todas suas esferas . . que conduz ao processamento cada vez mais veloz das informações para a sociedade. uma vez que as informações difundidas por meio de tais tecnologias servem de cimento social para as transformações. A comunicação – agora em tempo real e independente do espaço físico – viabiliza uma série de mudanças e possibilidades tais como: comunicação rápida e fácil. política e social. inclusive. como tal. por seu próprio caráter formal. sobre um outro aspecto. Marcuse (1982) acredita que a noção tradicional de neutralidade da tecnologia não pode ser mais sustentada.tecnologia é desenvolvida através de processos exteriores aos homens e à sociedade. Ainda segundo o autor. ao considerar. Considerando pós-modernidade o momento em que a sociedade repousa sobre uma tecnologia extremamente avançada. permitida pelas novas tecnologias. Definir que as TICs e as mídias determinam ou condicionam as transformações da sociedade não significa reduzir sua importância. a sociedade moderna se deparou com as implicações das mídias massivas. sobretudo. Novos conceitos de espaço e tempo Vale ressaltar. É a massificação da informação no meio social. de forma a contribuir para o progresso da sociedade. apenas ressaltar que estas podem ou não ser os pontos centrais da história da humanidade. a atual sociedade como tecnocêntrica. A tecnologia não pode. no impacto das tecnologias da informação e comunicação. Esses autores acreditam. nesta reflexão. continuam sendo importantes. Na mesma perspectiva deste autor está a de Marcondes Filho (1994). a dominação social. viabilizada pelas TICs. informações e serviços. percebemos que da mesma forma que a pós-modernidade presencia as influências das novas tecnologias da informação na sociedade. também interessante. o ritmo dos processos de comunicação. há a socialização eletrônica de produtos. a sociedade tecnológica é um sistema de dominação que já opera no conceito e na elaboração das técnicas. Segundo o autor. Trata-se do momento em que nos deparamos com a transformação do espaço-tempo.

que acredita na introdução de uma nova mídia que reestrutura. Diferente da concepção tradicional. nessa discussão há uma visão simplista e outra aprofundada. uma vez que passado. Compartilhando da idéia de Castells (1999a ou b) em sua obra A Sociedade em Rede. ao identificar duas posições antagônicas nessa reflexão. onde os indivíduos podem interagir sem os constrangimentos do corpo. o mundo social. com os espaços e lugares físicos. já não se determina onde e quem somos socialmente”.115) esclarece quando afirma que ao “nos comunicamos via telefone. embora admitam a influência dos novos espaços de interação nesse aspecto.usuário ativo no processo da comunicação. o espaço e o tempo estão sendo transformados sob o efeito combinado do paradigma da tecnologia da informação e das formas e processos sociais induzidos pela ação atual de transformação histórica. rádio televisão ou computador. Segundo o autor. à redução da sua importância. as interações e conseqüentemente a identidade. com uma geografia própria. presente e futuro podem ser programados para se interagirem simultaneamente. Na primeira visão. está a opinião de Meyrowitz (1985). A primeira inclui os autores que consideram que os novos serviços de comunicação realmente alteraram as relações espaciais. Neste contexto. Quanto a esse tema espaço-tempo que é implícito da nova sociedade. o tempo passa a ser intemporal. um pouco mais determinista. onde estamos fisicamente presentes. os novos espaços de comunicação são percebidos como novos espaços sociais. em que localidades despreendem-se de seu sentido cultural. Conforme Graham (1998). Kitchin (1998) concorda com a afirmativa de Graham (1998). além de um ambiente de aprendizagem coletiva e cooperativa. A outra visão considera que geografia e tempo continuam a ser determinantes na re-configuração de tempo e espaço. p. “as mídias eletrônicas vão mais longe: levam à quase total dissociação entre lugar físico e lugar social”. Em poucas palavras. podendo impor-se com base nas mensagens que emitem. indicando até mesmo a desmaterialização da cidade. conduzindo à re-configuração do lugar. de fato. alguns autores também questionam sobre a forma como se articulam os novos serviços de comunicação em rede. histórico e geográfico para se reintegrarem a um espaço de fluxos constantes (a rede). Segundo tal perspectiva. o espaço e o tempo não são mais elementos fundamentais para que haja o processo de comunicação. Meyrowitz (1985. o espaço se torna um espaço de fluxos. .

muito menos o tempo. mas isso não as torna propriamente conversacionais” (Demo. o conhecimento. 2003. Com efeito. Entretanto. respeite seus valores. transformando radicalmente os antigos padrões. por meio de um ambiente em rede dinâmico. um processo de mudança desmancha tudo o que já estava estabelecido.do desenvolvimento de novas estratégias e práticas comunicacionais nas empresas. p. . os benefícios trazidos pelos recursos tecnológicos devem ser entendidos como facilitadores – e não necessariamente determinantes . que se tornou intemporal. Pode-se afirmar que a tecnologia desempenha o papel essencial em dar suporte a uma verdadeira rede de informação e comunicação. p. o acesso à informação e as relações pessoais e comerciais adquiriram uma nova dimensão na sociedade e nas empresas. sua forma de trabalhar em grupo e de compartilhar seus conhecimentos. Os usuários das tecnologias em âmbito empresarial. buscam sempre uma forma de usar a tecnologia que melhor atenda suas necessidades. Nesse contexto. inclusive os comunicacionais e culturais. “As tecnologias oferecem novas oportunidades de relação conversacional. livre das barreiras de tempo e espaço. surgem novas funções. 2002.148).O compartilhamento do espaço físico comum já não é fator determinante para que ocorra o acesso e a troca de informações nessa nova sociedade. midiático e interativo. como por exemplo os funcionários. já que a comunicação via novas tecnologias acontecem simultaneamente. Porém. Tecnologia da informação e cultura organizacional A reflexão proposta neste artigo tem como hipótese que as tecnologias propiciam o envolvimento do usuário nesse novo processo comunicacional. embora não precisem ser necessariamente consideradas as determinantes dessa mudança. modifica-se a validade de cada cargo e ainda torna-se necessária a aprendizagem a respeito da nova realidade até que se alcance novamente o ponto de equilíbrio e estabilidade organizacional” (Fleury e Silva. a evolução das tecnologias de comunicação deslocou as empresas da posição tradicional para um patarmar onde são pertencentes a um sistema interativo em permanente funcionamento. sendo que tais tecnologias representam o marco definitivo dessa modificação pragmática da comunicação.182). “No contexto das mudanças organizacionais.

linguagem. que devem estar adequadas às inovações tecnológicas.83) concorda com Kunsch (2003) ao afirmar que “buscar um ponto comum para conciliar às necessidades de informação da empresa e as expectativas dos funcionários. Kunsch (2003. só é possível quando se conhece e considera as pessoas envolvidas. Nota-se que o vínculo entre comunicação interna e relacionamento interpessoal existe pelo fato dos .159). nota-se que as organizações devem. sensibilizar seus colaboradores para o comprometimento profissional. p. é o desejo para o entendimento interno das estratégias empresariais”. evoluindo para uma comunicação de mão dupla. p. deve estar relacionada com as políticas organizacionais. pessoas responsáveis e. não se preocupando. elas estão se comunicando. Avaliando-se o relacionamento dentro das empresas em um momento de busca pela qualidade e liderança no mercado. portanto. Para que essa comunicação alcance seus objetivos. entende-se por comunicação interna aquela que surge do esforço desenvolvido pela empresa em manter canais de comunicação que permitam o relacionamento ágil e transparente entre seus funcionários. Desta maneira. de fato. com esforços de persuasão ou sedução. à troca de informações e experiências e da participação em todos os níveis”. estratégias. E. Ressalte-se que a comunicação é uma fase fundamental nesse processo.Nota-se que a cultura organizacional se forma através da atuação das pessoas que fazem parte da organização – elas se relacionam. que se configura na tarefa de manter um bom nível de relacionamentos com os grupos de interesse da empresa que representa ao mesmo tempo em que se deve criar estratégias que amenizem as possíveis implicações dos novos meio de comunicação. “a comunicação interna permite que os colaboradores sejam bem informados e a organização antecipe respostas para suas necessidades e expectativas”. construir relacionamentos. inclusive. Paula (2003. que promovem alterações comportamentais nos funcionários de forma a influenciar a cultura organizacional. Nesse contexto. qualidade. com as novas mídias. uma vez que a cultura somente se forma a partir do momento em que as pessoas se relacionam e. conteúdo. se elas se relacionam. desenvolvendo formas de agir e ser que vão sendo incorporadas pelo grupo. está o desafio dos profissionais de comunicação. p. através do estímulo ao diálogo. Conforme Kunsch (2003.154) complementa suas afirmações ao mencionar que a “comunicação interna é uma ferramenta estratégica para alinhar os interesses dos funcionários e da empresa.

Assim sendo. questões de ansiedade em face dos comportamentos imprevisíveis dos elementos do grupo ou da própria instituição. 47). 1991. disponibilizando canais adaptados aos diferentes membros desse grupo de pessoas de forma a permitir a transparência e o diálogo – elementos essenciais para a comunicação interna que. principalmente. “estas melhores práticas podem ser ensinadas aos novos membros como a forma correta de perceber. pessoas. por meio da interação social. pensar e sentir em relação a esses problemas” (Schein apud Freitas. refletindo o processo de gestão” (Bueno. Para criar e manter essa cultura. Tratam-se de pressupostos básicos que determinam como os membros do grupo percebem. a cultura pode ser interpretada. a cultura organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou. bem como dos fatores externos geradores de incerteza que levam à insegurança e à ansiedade ante o desconhecido. ao longo do tempo. basicamente. “a comunicação é o espelho da cultura organizacional. um conjunto de significados compartilhados sobre os artefatos. 2003 p. por isso. As pessoas constroem. Ela é um processo de construção de significados. De fato. conseqüentemente.07). por sua vez. p. A nova cultura empresarial requer processos de comunicação afinados com a agilidade das novas tecnologias e. influencia a cultura organizacional. esses pressupostos básicos são afirmados e comunicados aos membros da organização. Na realidade. na pré-disposição dos funcionários em trocar informações. Isso significa considerar a diversidade do público interno. é importante que o relacionamento seja trabalhado de modo a integrar este público à organização.relacionamentos interferirem de forma considerável no desempenho das atividades no âmbito profissional e. interessados em promover relacionamentos e compartilhar conhecimentos dentro da organização. situações e fenômenos que as cercam. e a comunicação nesse contexto é primordial e natural. . A busca por esse significado comum pretende evitar. pensam e sentem. na sua forma mais simples de expressão. como uma maneira particular de viver. As culturas e tendências da organização delineiam a cultura organizacional de tal forma que a comunicação que ela processa se constitua no seu reflexo. Desta forma. descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos.

É preciso. Tais mudanças comportamentais implicam transformações permanentes na maneira de organizar as atividades profissionais e sociais. fazendo surgir novos lideres que. por sua vez. 2003. assim. em certa medida. caracterizado pela não linearidade e interatividade. o computador modificou a forma de comunicação e construção de significados. que “os comportamentos de executivos e trabalhadores baseiam-se em crenças. et. Nesse sentido. Ao se tornar uma tecnologia compartilhada.86) alerta que “a adoção de tecnologias de informação permite que as pessoas façam mais em menos tempo. Tapscott (1997. ao aumento da confiança e à ajuda aos trabalhadores que enxerguem aspectos positivos da mudança. S. nesse sentido. atitudes e valores e. portanto. O receptor não está mais em posição de recepção clássica. os computadores influenciam a dinâmica de trabalho e ingressam no domínio gerencial. baseado na relação unilateral emissor-mensagemreceptor.10). requerendo estratégias no plano simbólico que visem à redução de incertezas. recordamos que a inserção das novas tecnologias de comunicação traz mudanças consideráveis. pode ser reinvestida na eficácia pessoal”. p. O clássico esquema da informação. pois a partir dessa perspectiva é possível compreender quais os valores básicos estão sendo implicados com tal processo e como as pessoas envolvidas reagem a tal mudança.26). al. o receptor deixa se ser passivo e se torna co-criador da mensagem. No contexto do processo comunicacional nas organizações. Sem dúvida. Para a análise de um processo de mudança organizacional como o da adoção de novas tecnologias. verdadeiros ciclos viciosos de comportamento são causados por crenças. provocam mudanças comportamentais consideráveis que influenciam a cultura organizacional. atitudes e valores” (Motta.Entende-se. A mensagem só toma todo o seu significado sob a sua intervenção. Sendo assim. 97 p. p. a incorporação da dimensão cultural é essencial. mudanças podem gerar uma série de ambigüidades e contradições. E Dias (1998). é fácil compreender o rejuvenescimento do quadro gerencial e administrativo das organizações. por sua vez. Sabemos que as novas tecnologias da informação têm sido adotadas como atalhos para o alcance de melhores resultados organizacionais e. já se preocupa com essas novas habilidades . que “os novos valores sustentem as novas relações sociais que serão implementadas servindo-lhes como ponto de referência” (Rodrigues. de forma que a eficiência resulta em economia de tempo que. já não se enquadra no novo modelo comunicacional.

veremos outras mudanças importantes. às suas necessidades comunicativas.profissionais que surgem com o desenvolvimento das tecnologias. embora não seja o suficiente para que haja o compartilhamento de informações numa rede. que aconselha que o planejamento de medidas que gerenciem os impactos organizacionais respeite o momento da organização. que merecem atenção diante de seu potencial influenciador na cultura organizacional. De fato. os recursos disponíveis para seu uso e os conflitos a serem resolvidos. psicológica e sensivelmente o espectador/usuário. às relações de contigüidade estabelecidas opõem-se à livre organização . de muitas das ferramentas culturais que estão na base dos sistemas de interação mais convencionais. principalmente. levando a um desequilíbrio na estrutura social existente. Nessa perspectiva de mudança. Nota-se que tais transformações podem ser entendidas como barreiras para os usuários. pois ela implica física. É por esses e outros motivos que entende-se a interatividade não somente como uma comodidade técnica e funcional.82). Sem pesquisa prévia. que a boa tecnologia é necessária. Em resumo. mas suas implantações necessitam de estudos e estratégias que contemplem a cultura institucional. o resultado final da tecnologia da informação será uma maior produtividade e eficácia organizacional. sua história em relação à utilização de tecnologia. por parte de seus usuários. conforme as tecnologias emergentes vão sendo introduzidas. Diante disso. 1997. p. a estrutura de interação via computadores implica a desconstrução. portanto. surgem grandes possibilidades: substitui-se a materialidade do impresso pela imaterialidade da imagem na tela. É preciso adequá-la ao perfil da empresa e. a implantação de novas tecnologias podem invalidar iniciativas de interação com os públicos. Entretanto. Entende-se. uma vez que transformam os critérios de qualificação dos indivíduos para as tarefas. A complexidade desse processo de adoção das tecnologias da informação por parte das empresas fica evidente diante das recomendações de Dias (1998). Com as novas tecnologias da informação e comunicação. torna-se fundamental analisar a cultura organizacional face à adoção das novas tecnologias da comunicação – entendida como um processo de mudança organizacional. entende-se que as tecnologias emergentes permitem novas formas de relacionamento. “Toda estrutura da organização poderá ser modificada” (Tapscott. ameaçando os limites de tolerância de indivíduos e organizações. As novas mídias poderão ser facilitadoras das relações entre os públicos.

Assim sendo. São elas. por um lado. Volkema (apud Ruben et al. pode alterar a natureza a diversidade das relações interpessoaIs e da estrutura organizacional”. ainda. tem-se discutido os obstáculos que estas têm encontrado para obter os resultados almejados. desloca-lo. 2003. adequados à realidade sócio-cultural da empresa. notadamente aqueles ligados à cultura organizacional (Ruben et al. anotar observações. desmembra-lo. podemos afirmar que o processo de incorporação de novas tecnologias exige mecanismos específicos de implantação. a organização em rede. p.de fragmentos. Com efeito. a utilização do e-mail como meio de comunicação pode reduzir barreiras entre os níveis hierárquicos e pode. mas pela dificuldade em superar fatores organizacionais e institucionais. as empresas. recompôlo. todavia. Não há como implantar processos desta natureza à revelia das realidades culturais locais. Considerações Sendo as organizações responsáveis em atuar numa perspectiva profissional com as tecnologias da informação e comunicação. a menos que não se preocupe em comprometer . ou melhor. Além disso. mas ainda tornar-se seu co-autor ao construir um novo texto a partir de fragmentos recortados e reunidos. aumentar o grau de participação nos processos de trabalho. 162). 2003. cabe-lhes intervir de uma forma adaptada às dinâmicas sociais que caracterizam a sociedade em rede. Há de se considerar as pessoas envolvidas no processo. indefinidamente manipuláveis. haja vista o quão grande e complexa é a gama de fatores pessoais e coletivos que podem interferir na implantação e na permanência de um sistema que envolva tecnologias da informação. 162) constatou que “a utilização do e-mail. Conforme o autor. copiá-lo. a tecnologia não é fator impeditivo do sucesso da implantação de sistemas de informação. na medida em que as informações nas organizações se tornam mais acessíveis. as pesquisas têm salientado. Por outro lado. Ao investigar o uso da tecnologia da informação nas organizações. o texto eletrônico permite ao seu leitor não apenas arquivá-lo. não pela deficiência técnica ou tecnológica. p. forma de comunicação bem aceita nas organizações. que devem se atentar para a possibilidade das TICs serem determinantes ou condicionantes do ambiente organizacional. o esforço que elas têm feito no sentido de se modernizar tecnologicamente.

a comunicação desempenha um papel chave. portanto. 162). constituindo. interagindo de forma adequada com ambiente de trabalho. atingindo maior rapidez.irremediavelmente suas identidades. E nesse processo de transformação. uma interessante dinâmica quando da sua interação (Ruben et al. p. mas a sociedade. são elas que determinam a interatividade dos usuários. Não obstante. 2003. interatividade e qualidade dos serviços. de fato. por sua vez. possivelmente as tecnologias serão apenas condicionantes das transformações nela ocorridas. é enganoso. Temos que reconhecer que o argumento de que a comunicação é apenas um meio. Entende-se. A comunicação. as organizações e as tecnologias vão se ajustando. mais rápida e rica a vida cultural se torna. pelo contrário. de seus membros e de seu entorno. Caso seja absorvida sem considerar seus efeitos sobre a cultura. que as tecnologias da informação e comunicação inovadoras serão determinantes ou condicionantes de acordo com a sua forma de implantação e conseqüente utilização pelas organizações. Nesse caso. que são as tecnologias da informação e comunicação as responsáveis pela realidade interativa da comunicação nas empresas. Com efeito. Cada empresa deve desenvolver suas próprias estratégias de incorporação das novas tecnologias que venham a integrar-se às diferenças culturais de seus funcionários. Cabe a cada um de nós saber como percorrê-la: com uma visão holística ou míope. É ele quem tem reações mais participativas em relação ao processo de comunicação que. portanto. E quanto mais há comunicação e interconexão entre os indivíduos. Nota-se que o está mudando não é a comunicação em si. a rede de comunicação possibilitada pelas novas tecnologias da informação gera uma sociedade mais complexa e diversa. se houver um trabalho que considere a realidade da identidade cultural da organização. portanto. Afetando mutuamente. sem maiores implicações no processo de mudança. é facilitado pelas novas tecnologias da informação e comunicação. E assim. . sejam elas positivas ou negativas. o usuário se torna o responsável pela realidade interativa da comunicação. pode-se considerar. possivelmente seu caráter determinista deixará marcas. é um fator determinante da transformação cultural em curso.

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