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ESTADO DE RONDÔNIA PREFEITURA MUNICIPAL DE VALE DO ANARI LEI DE CRIAÇÃO N.º 572 DE

ESTADO DE RONDÔNIA PREFEITURA MUNICIPAL DE VALE DO ANARI LEI DE CRIAÇÃO N.º 572 DE 22/06/1994 PROCURADORIA JURÍDICA

PARECER JURÍDICO

Interessado(a): SECRETARIA MUNICIPAL DE GABINETE

JURÍDICO Interessado(a): SECRETARIA MUNICIPAL DE GABINETE Objeto: TRANSPOSIÇÃO/ELEVAÇÃO DE NÍVEL POR TITULAÇÃO

Objeto: TRANSPOSIÇÃO/ELEVAÇÃO DE NÍVEL POR TITULAÇÃO PARA PROFESSORES

Assunto: LEGALIDADE E PROCEDÊNCIA DA ELEVAÇÃO DE NÍVEL PARA OS CARGOS PÚBLICOS PRISMA ADMINISTRATIVO E JUDICIAL APLICADO AOS SERVIDORES DO MUNICÍPIO DE VALE DO ANARI

Submete-se a esta Procuradoria Jurídica análise mediante emissão de parecer jurídico complementar sobre tema aventado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Vale do Anari/RO SINDSMUV, referente ao encaminhamento do Plano de Carreira Cargos e Salários dos Servidores em Educação, e aparente impasse decorrente do tema da elevação (TRANPOSIÇÃO) de nível, dos cargos, mediante aprimoramento do nível intelectual do servidor lotado na Educação.

PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO MUNICIPAL

A matéria da elevação de nível, outrora, também tratada como transposição de nívelno âmbito deste município, encontra-se disciplinada na Lei Municipal n.º 337/2006, através de seus artigos 9º e seguintes, in verbis:

Art. 9º Transposição é a passagem do servidor de um nível para outro imediatamente superior.

Parágrafo único A transposição será feita a requerimento do interessado, mediante comprovação da escolaridade para o nível pleiteado, cujo enquadramento será feito até 60 (sessenta) dias após a apresentação da nova habilitação.

Art.

12

A

qualificação

profissional,

objetivando

o

aprimoramento

permanente

do

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será

assegurada mediante comprovação de freqüência

de

de formação, aperfeiçoamento e

ensino

e

a progressão

na

carreira,

cursos

especialização, em instituições credenciadas, de programas de aperfeiçoamento em serviço e de outras atividades de atualização profissional, observados os programas prioritários, em especial o de habilitação dos professores até o nível de licenciatura plena.

(Grifo nosso). Artigo 10 - A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de
(Grifo nosso).
Artigo 10 - A nomeação para cargo de carreira
ou cargo isolado de provimento efetivo depende
de prévia habilitação em concurso públicos de
provas ou de provas e títulos, obedecidos a
ordem de classificação e o prazo de sua
validade.
Parágrafo Único·- Os demais requisitos para o
ingresso e o desenvolvimento do servidor na
carreira, mediante promoção, ascensão e acesso,
serão estabelecidos pela
lei
que fixar
as
diretrizes
do
sistema
de
carreira
na
administração
pública
municipal
e
seus
regulamentos.
(Grifo nosso).
Art. 50 – Compete privativamente ao Prefeito
Municipal a
iniciativa das leis
que versem
sobre:

A Lei Municipal n.º 046/98, que dispõe sobre o regime jurídico único dos servidores públicos de Vale do Anari, de forma muito genérica disciplina, in verbis:

Por sua vez a Lei Orgânica do Município, assim disciplina, in verbis:

I o regime jurídico dos servidores;

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II criação de cargos, empregos e funções na Administração direta e autarquia do Município ou aumento de remuneração dos mesmos;

Nessa seara, se tendo como sólida as seguintes constatações jurídicas: a) há norma municipal prevendo e disciplinando a elevação de nível dos professores do quadro municipal; b) a competência legal para tratar de tal matéria, é exclusiva da legislação municipal, consoante disposição da Lei Orgânica, supra transcrita.

de assuntos de interesse
de
assuntos
de
interesse

A decisão pelo envio da matéria em lei, ao lume do que foi analisado pela legislação municipal, cuida-se de prerrogativa exclusiva do Prefeito e, portanto, não tem qualquer condão com práticas exercidas e/ou aplicadas em outras esferas de governo.

Não se alegue supostas decisões do governo estadual e/ou federal obrigando e/ou vinculando a administração pública municipal, pois não se aplicam ao caso concreto do Município de Vale do Anari. Neste sentido, compete ressaltar o

teor claro e inafastável dos artigos 29 e 30, I da Constituição Federal, que conferem expressamente, COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO

MUNICÍPIO para tratar

local,

notoriamente, questões funcionais de seus servidores.

PRECEDENTES DO E.TJ/RO PELA INCONSTITUCIONALIDADE DA TRANSPOSIÇÃO DE NÍVEL DE PROFESSOR - MAGISTÉRIO

O E. TJ/RO, órgão judiciário competente para julgar interesses desta municipalidade, em análise da matéria específica, já teceu vários pareceres contrários à transposição de nível, ou progressão para professores, sem concurso público e apenas com titulação; nesse sentido, exortamos o seguinte aresto padrão, in verbis:

Apelação cível. Magistério. Conclusão curso superior. Progressão funcional automática. Lei municipal 158/2003. Concurso público. Ausência. Violação art.

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37, inciso II, da CF. Inconstitucionalidade. Remessa ao pleno. Desnecessidade. Aplicação do parágrafo único, art. 481 do CPC.

É inconstitucional o dispositivo de lei municipal que promove a progressão funcional do professor nível I para nível II, em razão de posterior conclusão do curso superior, sem prévia aprovação em concurso público. Já decidiu o Pleno desta colenda Corte pela impossibilidade de que haja progressão na carreira do magistério que implique a modificação para nível cuja carreira inicial deva ser preenchida por concurso público.

Nos termos do parágrafo único do art. 481 do CPC, os órgãos fracionários dos tribunais
Nos termos do parágrafo único do art. 481 do CPC, os
órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao
plenário
ou
ao
órgão
especial a
arguição de
inconstitucionalidade, quando já
houver
pronunciamento destes ou do plenário do Supremo
Tribunal Federal sobre a questão. ( Não Cadastrado,
N.
00331116220098220004, Rel. Des. Waltenberg Junior,
J.
19/07/2011).
CONCLUSÃO
O artigo 37 e seguintes da Carta Magna prevêem o
não pode,
salvo prévia aprovação em outro
concurso
tomar
posse em
cargo
de
nível superior
com maior
Todavia, o que a Lei Municipal n.º 337/2006, tem
ao
longo
de
sua vigência,
é
exatamente o

acesso a cargo público efetivo, somente por meio de concurso público, não importe o seu nível de escolaridade. Assim, quem presta concurso para cargo de nível médio é aprovado e toma

posse;

público;

salário.

possibilitado

contrário, e a situação é de vistosa ofensa ao ordenamento jurídico e muitos prejuízos financeiros tem causado; pois os professores de nível I, com o mero diploma ou certificado de especialização, têm galgado, automaticamente, por força da referida lei, a maior gradação de cargo e por conseguinte, de salário, inchando os gastos públicos municipais em total descompasso com a evolução de sua arrecadação, impossibilitando

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ainda, qualquer planejamento orçamentário adequado e pleno para o futuro.

Desta maneira, poucos ganham, em prejuízo de muitos, o que urge em ser discutido pela Câmara Municipal com mais profundidade e critérios técnicos, do que o foi em 2006, ano de aprovação da polêmica norma.

do que o foi em 2006, ano de aprovação da polêmica norma. Claramente, a Lei Municipal

Claramente, a Lei Municipal n.º 337/2006, que foi aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo Chefe do Executivo há época; é irregular, ilegal e inconstitucional, porém, consoante o ordenamento jurídico municipal, não pode ser desacatada, visto que foi regularmente, assim, aprovada. Desta maneira, a única forma de se estancaressa irregularidade, é mediante a aprovação de outra lei revogando o benefício, o que esta Procuradoria, inequivocamente é forçada a recomendar, para que não incorra o município em prejuízos orçamentários e financeiros indevidos e irreparáveis.

É preciso, porém, mediante tal complexo procedimento, ressalvar e atentar-se para a questão afeta ao direito adquirido1 e princípio da responsabilidade administrativa, pois aqueles professores que se beneficiaram da norma regularmente aprovada pela Casa de Leis Municipais, não têm culpa da escassez de discussão técnica e orçamentária na formulação da mesma, e, portanto, não podem como ocorreu em outros municípios que caçaram o benefício; serem compelidos a devolver os recursos que receberam, além de perderem o benefício irregular da transposição, visto que somente exerceram o direito previsto em lei.

Todos os que não tiveram o benefício financeiro incorporado aos seus rendimentos (princípio da irredutibilidade de vencimentos), devem ser rebaixados para o nível do cargo original para o qual foram aprovados em concurso público, com

1 Direito adquirido é o mesmo que irretroatividade das leis; se trata de um direito fundamental, alcançado constitucionalmente, sendo encontrado no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, bem como na Lei de Introdução ao Código Civil, em seu art. 6º, § 2º.

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decorrente reflexo em suas remunerações, tão logo, revogada a transposição mediante publicação da nova lei.

Igualmente, e a contar da remessa do projeto à Câmara Municipal para discussão, todos os processos administrativos com pedido de transposição de nível, devem ser

de encaminhamento da norma nova Vale do Anari/RO, 11 de agosto de 2011
de encaminhamento da norma nova
Vale do Anari/RO, 11 de agosto de 2011

sobrestados e suspensos por motivo de força maior e interesse público, e acaso, aprovada a revogação do benefício; prontamente indeferidos, para fins de resguardo da coisa pública e tendo em

conta o estágio

à Câmara

Municipal, cujo texto já se encontra há vários meses em discussão com as categorias interessadas.

Em vista de todo o exposto, principalmente, a autonomia legislativa deste ente municipal, deveras resguardada nos mais altos ordenamentos jurídicos, e pareceres judiciais do país. Esta Procuradoria Jurídica é de parecer DESFAVORÁVEL à

continuidade da dita transposição (ELEVAÇÃO) de nível na forma prevista na Lei Municipal n.º 337/2006, por entender, assim como

TJ/RO, inconstitucional, a elevação de nível por mera titulação.

o

É o parecer, encaminhe-se com nossas homenagens

ao

Excelentíssimo Senhor Prefeito, para análise e deliberação.