Comuncicação Empresaraial II

Professor: Armando Sermarini

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Índice
Noções básicas de argumentação e sua interseção com a comunicação empresarial Estrutura da argumentação ( a opinião e o fato )............................................................. 03 Métodos Indutivo e Dedutivo.............................. ............................................................ 08 Silogismo. ....................................................................................................................... 10 Vícios de raciocínio........................................................................................................ 12 Comunicação Informativa e Persuasiva..........................................................................1 6

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Noções Básicas de Argumentação e sua Interseção com a Comunicação Empresarial. Estrutura da Argumentação (a opinião e o fato).
Fatos não se discutem: opiniões, sim. Mas que é fato? É a coisa feita, verificada e observada. Mas convém não confundir fato com indício. Os fatos observados levam ou podem levar à certeza absoluta; os indícios nos permitem apenas inferências de certeza relativa, pois expressam somente probabilidade ou possibilidade. Inferir é concluir, é deduzir pelo raciocínio apoiado apenas em indícios. Dizer, por exemplo, que ³Fulano é ladrão, porque, de repente, começou a ostentar um padrão de vida que seu salário ou suas conhecidas fontes de renda não lhe poderiam jamais proporcionar´, é inferir, é deduzir pelo raciocínio a partir de certos indícios. O que se declara a respeito desse fulano é possível, é mesmo provável, mas não é certo porque não é provado. É evidente que o grau de probabilidade das inferências varia com as circunstâncias: há inferências extremamente prováveis e inferências extremamente improváveis. É extremamente provável que no verão chova com mais intensidade do que no inverno: mas é improvável que a precipitação pluvial no mês de janeiro deste ano seja maior do que a do mês de janeiro do ano próximo. É o maior ou menor grau de probabilidade que condiciona o nosso comportamento diário e o nosso juízo em face das coisas e pessoas. Se o céu está carregado de nuvens densas que obscurecem o Sol, é provável que chova: levo o guarda-chuva. Se o professor, que, durante anos, nunca faltou a uma aula, deixou de comparecer hoje, é provável que esteja doente: vamos visitá-lo ou telefonar-lhe. Se um aluno, durante a prova, se comunica com um dos colegas ou parece consultar caderno de notas sob a carteira, é provável que esteja colando: tomemos-lhe a prova e demos-lhe zero. Não obstante: pode não chover, o professor pode estar viajando, o aluno pode estar apenas pedindo ao colega que o espere após a prova, ou o caderno consultado pode não conter nenhuma relação com a matéria da prova. Nossa reação ou comportamento em face desses indícios foi de uma pura inferência: daí, os enganos em que verificamos ter incorrido, quando nos defrontamos com os fatos: não choveu (e o guarda-chuva se revela o trambolho ridículo que é em dia de Sol), o professor não está doente (e a nossa visita ou telefonema podem significar perda de tempo, se bem que não lastimável) e o aluno não estava colando (a punição foi injusta). Agimos por presunção, porque inferimos, baseados apenas em indícios. Posso provar que a água congela a 0oC basta servir-me do termômetro. O congelamento é um fato que pode ser verificado, testado, medido. Por isso prova. Pode-se provar que Fulano matou Beltrano: o fato foi testemunhado por pessoas dignas de crédito e o exame de balística provou que a bala, encontrada no corpo da vítima, foi indiscutivelmente disparada pela arma em que o acusado deixara suas impressões digitais. Mas não pode provar que o acusado tinha, realmente, a intenção de matar, pois os elementos disponíveis € como, por exemplo, saber a quem aproveitaria a eliminação da vítima € constitui apenas indícios, e não fatos ponderáveis e mensuráveis. Indícios podem persuadir, mas não provam. São argumentos persuasivos capaz de levar os jurados a presumir que o acusado é o criminoso; mas o grau de certeza desse julgamento é muito relativo: a sentença será possivelmente, mas não certamente justa. 3

quando utilizamos palavras para expressar esta forma de pensamento. ou inferimos conclusões (que são as novas informações) a partir de algo já posto como sabido antes e a partir de relações que estabelecemos entre elementos deste algo já sabido. ou. por isso. Ou é o processo do pensar através do qual nós conseguimos obter novos conhecimentos. podemos perceber se estão raciocinando/argumentando. chama-se processo de inferência. a partir de certas informações que já temos. Não é possível separar um do outro. Veja-se este exemplo relatado por uma professora a partir de uma conversa de uma menina de quatro anos com sua avó. pensando. para morar com ela. é processo de ³tirar´ ou inferir conclusões. portanto. o que temos é um argumento: o raciocínio é o processo mental. sabe de uma coisa também? A minha mãe jogou todas as minhas bonecas no lixo!. e o argumento é este processo enquanto falado. Na verdade. se eu lhe disser que minha mãe fez o mesmo com minhas bonecas. Avó: Mas que coisa! Está bem! Quando seu avô chegar. Os dois ocorrem juntos. ou obtemos novas informações ³de dentro´ das relações de informações anteriores. como a menina foi capaz de ³tirar´ (inferir) uma conclusão rapidamente a partir da resposta dada pela avó: o processo do seu pensamento (não dito nas palavras. Se cabe ou não cabe. jovens e adultos. por telefone: Menina: Vovó. então. Podemos avaliar se a conclusão é cabível. se é descabida. E é por isso que podemos observar a ocorrência de raciocínios/argumentos nas crianças. Nós ³tiramos´. Isto é. é chamado de premissa (pre-missa significa pré-posto. nós iremos até aí e vamos trazer seu irmão para morar conosco. Menina: Vovó. a partir de conhecimentos anteriores que já temos e a partir de certas relações que estabelecemos entre tais conhecimentos. Este processo de pensar pelo qual ³tiramos´. ou até menos. Ao utilizarem as palavras ³então´ e suas similares (como: portanto.. É um processo que realizamos com muita frequência no nosso dia-a-dia. E aí entra nosso papel de educadores com vontade de ajudar crianças e jovens a pensar melhor: podemos avaliar se o raciocínio/argumento foi válido ou não válido. 4 . na relação que foi estabelecida entre as informações anteriores e entre elas e a própria conclusão. realizam. isto é. porque já sabidas). Raciocinar. podemos avaliar se a conclusão inferida cabe. É um processo que crianças de quatro anos. se decorre ou não decorre das relações estabelecidas..Raciocínio é um processo de pensar pelo qual nós conseguimos obter novas informações. É fácil averiguar. ou não. ela me levará. afirmações já postas antes. também. como sabido antes. neste caso. O que está posto. meu irmão está muito triste porque minha mãe jogou todos os seus brinquedos no lixo. logo e outras). mas nelas implicado) foi o seguinte: se minha avó vai levar meu irmão para morar com ela porque minha mãe jogou seus brinquedos no lixo.

relações de reciprocidade. isto é. ou. é possível. Os tipos de relações possíveis são os mais variados: relações de grau (maior. etc. a afirmação de Lipman. especialmente a estabelecer relações entre ideias. três ou mais afirmações. verificar se têm alguma relação entre si. Tais habilidades são várias. nas aulas das mais diversas disciplinas. e. também. relações espaciais. Auxiliar em tudo isso é estar auxiliando no desenvolvimento de habilidades que favorecem o desempenho de raciocinar bem.Em constatando que o raciocínio/argumento não foi válido. estimular o estabelecimento e relações entre afirmações / juízos: isto é. de diferença. tanto para a constatação de relações que estão dadas (e nem sempre tão ³visíveis´). seja com textos nas aulas de Língua Portuguesa. tendo duas. Pense-se nas mais variadas situações 5 . Pense-se. frases com frases. Um bom caminho para a produção de bons juízos/boas afirmações. em todas as situações nas quais é exigido que se ³tire conclusões´. Temos que estimular crianças e jovens a estabelecer os mais variados tipos de relações entre coisas e coisas. seja com literatura infantil. mais estreito. relações sintáticas. Já comentamos o suficiente a seu respeito acima. relações de causa/efeito. relações de igualdade. Mas é importante. que auxiliar nesta avaliação e auxiliar quanto à melhor forma de estabelecer as relações entre as premissas o que implica auxiliar na avaliação do que cada premissa está afirmando. Ser capaz de inferir. nos mais diversos jogos e brincadeiras. pensar/afirmar alguma outra coisa que daí decorra? As brincadeiras de associar palavras com palavras. ou que sejam feitas inferências. Não só: temos que incentivar nossos educandos a p ensar relações novas. as mais urgentes a serem ³cuidadas´ educacionalmente sejam estas: Ser capaz de produzir bons juízos. obviamente. ou não afirmando. etc. supor. testar novas relações. provocando-os. etc. de situações com situações. neste sentido. As habilidades necessárias para tal. menor. relatando-as de algum modo. podemos pedir à criança e ao jovem que explicite melhor como chegou a tal conclusão. são muito úteis neste sentido. aqui. de semelhança. Os jogos e as brincadeiras são fertilíssimos em desafios. especialmente. para que avaliem se ela procede ou não procede. mais largo. foram indicadas acima. especialmente quando se pede às crianças e aos jovens que digam a razão pela qual estão associando palavras ou frases entre si. quanto para imaginar. ao mesmo tempo. tentar. a partir daí. Mas também são úteis. Se tiverem. Esta é a habilidade básica que permite o raciocinar. ser capaz de produzir afirmações bem sustentadas por boas razões. de ³tirar´ conclusões. relações sociais. de argumentar bem. relações de transitividade. se ela cabe ou não cabe. é o da realização de boas investigações. fatos e fatos. situações e situações. Convém lembrar. relações temporais. relações semânticas. mas talvez. relações de número. de fatos com fatos. relações não existentes. mas possíveis (hipotéticas). Teremos. etc). Nas atividades de leitura e interpretação de textos. isto é. relações parte-todo. as brincadeiras que exigem associações ou relações de coisas com coisas. de que: pensar é fazer associações e pensar criativamente é fazer associações novas e diferentes. é importante que se peça aos alunos que estabeleçam relações entre os vários textos ou entre passagens dos mesmos. etc. Isto deve ser estimulado. entre juízos. Ser capaz de estabelecer relações adequadas entre ideias e. relações de gênero.

Atividades práticas: O primeiro bloco de exercícios apresenta três atividades nas quais você precisará perceber os elos coesivos do texto. há sempre um campo fértil de possibilidades para estimular o processo de ³tirar conclusões´. e saiba provocá-lo. o uso da pontuação e a possível mudança / manutenção de sentido. Veja-se esta afirmação: A preguiça. quando se afirma algo. R____________________________________________________________________ __ ____ ____________________________________________________________________ __ ____ 6 . mas não inferindo por ele. eles se tornam ³professores´ uns dos outros. com textos das diversas disciplinas curriculares. como ³Não. ele não pode fazer o trabalho. Mas. o descaso. pois podemos pensar em enunciados típicos da oralidade. Juca está fazendo Pós graduação. Não só: na utilização de histórias. Quando os próprios alunos estão empenhados em ³prestar atenção´ às conclusões uns dos outros e em avaliar se as conclusões procedem ou não procedem. etc. a necessidade de repetir / omitir elementos. não´. com textos das mais variadas obras literárias.nas diversas disciplinas curriculares: não só na Matemática (em que a utilização de inferências é tão frequente). Daí a presença de tantos pobres em nossa sociedade. buscando o que está implícito. de acordo com os efeitos de sentido que se pretende. Trata-se de ser capaz de ³ler nas entrelinhas´. não é cuidadoso? É possível inferir isso do que está sendo afirmado? É possível fazer muitos exercícios. Há outra habilidade muito útil. isto é. caso não o esteja sabendo. sendo afirmado que pobre é pobre. Juca leciona na Faculdade Paz e Amor. Juca é professor. aí. ao trabalhar com Literatura Infantil. Com isso. quanto para o desenvolvimento do raciocínio: trata-se da habilidade de identificar ou perceber pressuposições subjacentes. tanto para a vida. a falta de vontade não geram riquezas. ou de inferir o que está ³sendo dito´. Na proposta da ³Comunidade de Investigação´ pede-se ao grupo que ofereça as ³dicas´. 1) Reduza o grupo de orações abaixo num só período: a) Juca é jovem. não apenas isso: é fundamental que o educador saiba avaliar se o educando está sabendo inferir. dando-lhe dicas. que todos estejam sempre atentos para oferecer dicas uns aos outros. todos aprendem muito mais. ou não. porque é preguiçoso. Estaria. aqui. Na verdade eles se tornam mediadores educacionais uns dos outros. de forma mais ou menos escondida. No exercício (2) também é possível mostrar as alterações que fazemos dependendo do contexto. não tem vontade. E. trabalha-se a leitura e a produção de textos (ainda que pequenos) e mostra-lhe que alterações podem e devem ser feitas quando se está elaborando um enunciado. sempre. Juca estudou na Alemanha. mas em todas.

O menino estava nervoso.b) O menino é esperto. em todas as posições que importem diferença de sentido: R______________________________________________ ________________________ ____ ____________________________________________________ __________________ ____ __________________________________________________________ ____________ ____ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __ ______ ______________________________________________________________________ ______ ______________________________________________________________________ ______ ______________________________________________________________________ ______ 3) Elimine a repetição dos "quês" encontrada nos períodos abaixo: a) A testemunha afirma que não percebeu que a vítima que estava caída no chão estava morta. O menino foi à polícia. R± ______________________________________________________________________ ____ 7 . R± ______________________________________________________________________ ___ ______________________________________________________________________ ____ 2) Introduza a partícula negativa na frase ELE PODE FAZER O TRABALHO. O menino relatou o que viu. O menino viu o assassinato.

R± ______________________________________________________________________ ____ b) Fiz a lista dos contribuintes marcando a respectiva situação de cada um R± ______________________________________________________________________ ____ c) Esta questão tem semelhança com a outra. mantendo a flexão verbal e transformando o adjetivo em advérbio ou substituindo-o por um pronome. _______________ Eu venho ________________ medo. a circunstância de ação do verbo: meio Eu venho de navio. no primeiro exercício. R± ______________________________________________________________________ ____ d) Façamos uma lista completa dos funcionários deste setor. usando corretamente o verbo relacionar. 1) Reescreva os períodos abaixo. mais especificamente regência e concordância. _______________________ Eu venho _____________________ receber o dinheiro. ao usar apenas o verbo relacionar na resposta. R± ______________________________________________________________________ ____ e) Isto tem a ver com o seu trabalho? R± ______________________________________________________________________ ____ 2) Complete com a preposição adequada e escreva. R± ______________________________________________________________________ ____ No segundo bloco de exercícios. _______________ Eu venho __________ Semana Santa.________________________________ ______________________________________ ____ b) São estes os estudos que fiz depois que terminei o curso. Eu venho ____________ janeiro. de tal forma que este seja o único verbo da nova oração: a) Fizeram a relação entre um tópico e outro. Por exemplo. O objetivo é fazer com que os alunos identifiquem as relações sintáticas entre os termos e as implicações semânticas decorrentes dessas relações. _______________ Eu venho _________________ meu irmãozinho. na frente. enfatiza-se a morfossintaxe. __________________ 8 . o aluno deverá perceber que precisará alterar a frase (d) para ³Relacionemos completamente » todos os funcionários deste setor´ .

diminuiria a depressão. retardaria o envelhecimento. No texto acima. fortaleceria o sistema imunológico. ______________________ 3) Indique a que termo se refere cada forma adjetiva: Na verdade. no exercício a seguir. (Veja. R± ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ 9 . 20 / 03 / 84) R± ____________________________________________________________________ __ ____ ____________________________________________________________________ __ ____ 4) Da mesma forma. sua causa principal deve ser o mau funcionamento provisório dos mecanismos recessivos acionados pelo governo para conter as importações nos níveis desejados. (Folha de São Paulo. substitua ³clorofila´ por ³clorofila e inhame´ e reescreva o texto fazendo as adaptações necessárias em outros elementos do texto. revitalizaria o cérebro. De uns tempos para cá. p.Eu venho _________________________ São Paulo. folha e frutos. 73). 10 » 4 » 2002. se temos alguns resultados positivos. evitaria a ressaca e ± pasme ± até ajudaria no tratamento de doenças como o câncer e a AIDS. no entanto. a ideia é fazer com que você perceba as relações de concordância nominal e verbal e as alterações necessárias ao substituir clorofila por clorofila e inhame. Ela limparia a corrente sanguínea. os ³naturebas´ começaram a divulgar que a clorofila é capaz de operar verdadeiro milagre também nos corpinhos que não têm caule.

Método implica. em que a indução e a dedução. que também contribuem para a descoberta e comprovação da verdade. adaptam o seu processo à natureza variável da realidade. Mostrar como uma conclusão é tirada da experiência sensível. perde tempo. a saber.. uma direção. e a Indução.____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ _________________________ ___________________________________________ __ ___ MÉTODOS INDUTIVO E DEDUTIVO Em linguagem vulgar. por isso. refaz e não realiza a contento os propósitos colimados. e tirando materialmente sua origem da realidade singular e concreta percebida pelos sentidos´. em outras palavras. por assim dizer subsidiários ou não fundamentais. regularmente seguido nas operações mentais. a descoberta e a comprovação da verdade. Quando se diz que alguém não tem método de trabalho.. resolver uma conclusão nos fatos dos quais nosso espírito a extrai como de uma matéria (resolutio materialis) é proceder por via indutiva. vale dizer. desperdiça esforço e energia. que procede a partir das verdades universais. é o conjunto dos meios ou processos empregados pelo espírito humano para a investigação. Etimologicamente. Além disso.) É nesse sentido que Aristóteles e Sto. assim. odos = caminho) é o caminho através do qual se chega a um fim ou objetivo. existem ainda os métodos particulares de algumas ciências. faz. dependendo formalmente todo o nosso conhecimento dos primeiros princípios evidentes por si mesmos. Assim se pode 10 . ou. a síntese. dois métodos fundamentais de raciocínio: a indução (que vai do particular para o geral) e a dedução (que parte do geral para o particular): ³Mostrar como uma conclusão deriva de verdades universais já conhecidas. é proceder por via dedutiva ou silogística (resolutio formalis). modo(s) de saber: a análise. que procede a partir dos dados singulares. o Silogismo. métodos que constituem o que se costuma chamar de modus sciendi. quer-se dar a entender que os meios de que se serve para realizar determinada tarefa não são os mais adequados nem os mais eficazes. método (meta = através de. Tomás ensinam que nós temos somente dois meios de adquirir a ciência. (. método é a melhor maneira de fazer as coisas. desfaz. Distinguem-se primordialmente dois tipos de operações mentais na busca da verdade. Mas há outros métodos. um rumo. sem desobedecer às leis imutáveis do conhecimento. a classificação e a definição. Do ponto de vista da Lógica.

colha os dados. normativo etc. à norma. regra. à generalização.dizer que cada ciência tem seu método próprio: demonstrativo. da seguinte forma: Todo candidato condenado por fraude é inelegível: ora. comparativo.. É método a priori: da causa para o efeito. da validade das declarações e dos fatos. confrontados antes de se chegar a uma conclusão: O estudante quer fazer um trabalho sobre. concretos. O método foi indutivo: chegou-se à conclusão . Aberto inquérito. sejam monografias ou ensaios mais alentados ² procure primeiro saber o que há. pelo dedutivo. um silogismo. Silogismo A expressão formal do método dedutivo é o silogismo. Como raciocinará o eleitor consciente antes de depositar seu voto na urna? Raciocinará pelo método dedutivo. para chegarmos à conclusão. partimos dos fatos particulares para a generalização. da generalização para a especificação. quer dizer. de um antecedente que une dois termos a um terceiro. candidato a presidente do Grêmio nas eleições do ano passado. as duas primeiras chamam-se 11 . Joaquim Carapuça é inelegível. específicos. pelo método indutivo. Método Dedutivo Se. enfim. observe os fatos. que é uma ³argumentação na qual. histórico. como se diz. Joaquim Carapuça foi condenado por fraude: logo. infere-se um consequente que une esses dois termos entre si´.. partimos da observação e análise dos fatos. o que se diz.Joaquim Carapuça fraudou realmente as atas ² pela análise dos fatos revelados durante o inquérito. analise-os. sem o saber talvez. Eis alguns fatos a serem observados. analisados. lei. É um raciocínio a posteriori. o que se faz. Método Indutivo O que já dissemos a respeito da generalização e da especificação. ³caminhamos´ em sentido inverso: do geral para o particular. princípio. de candidatar-se novamente ao mesmo cargo nas eleições deste ano. Das três proposições que constituem o silogismo. o que se fez. Pela indução. discuta-os e conclua. Parte do efeito para a causa. pode ajudar o estudante a fazer uma ideia do que é o método indutivo. foi acusado de fraudar as atas de votação. Em outros termos: o processo mental busca a verdade partindo de dados particulares conhecidos para princípios de ordem geral desconhecidos. classifique-os. a desfaçatez. ³armando´ . o que é. ficou provado o seu crime. o mesmo Joaquim Carapuça teve a coragem. O seu raciocínio ³se resolverá´. Ilustremos: o aluno Joaquim Carapuça. a reforma agrária? Sobre a vida nas favelas? Sobre a conveniência ou inutilidade dos exames orais? Se pretende fazer trabalhos dessa ordem ² sejam dissertações breves. do desconhecido para o conhecido. Ora.

isto é. tentaria ou conseguiria convencer-nos de que o Rio de Janeiro é uma cidade só porque tem igrejas. se as duas premissas. seu cabo eleitoral poderá tentar convencer-nos da conveniência da sua eleição. e verdadeiro. dessa espécie de silogismo muita gente se serve a todo momento. C. mas. quanto aos seus aspectos formais. a segunda. principalmente. é hábil. logo. E a menor? Sê-lo-á? Ficou provado que sim. Mas como se chegou a essa conclusão? Pelo método indutivo. O silogismo pode ser válido. armando maliciosamente. O fato de nenhum candidato acusado de fraude dever ser eleito é uma premissa verdadeira? Sem dúvida. se revelaram maus representantes ou maus presidentes de grêmios ou assembleias. J. No exemplo dado. a conclusão. C. o Rio de Janeiro tem igrejas. ora. sofismando enfim. em são juízo. A primeira premissa diz-se maior. portanto. a premissa maior deve ser universal: todo ou nenhum. ora. Vejamos. do fato de ter igrejas não se segue necessariamente. Esse é o termo médio. J. assim como pode haver igrejas onde não existam cidades.premissas. Por quê? Porque a conclusão só pode ser verdadeira. No entanto. uma série de silogismos do tipo non sequitur. é mineiro. logo. o Rio de Janeiro é uma cidade. que delas decorre naturalmente. de se ter verificado que outros candidatos nas mesmas condições sujeitos à mesma acusação. Além disso. menor. armando um silogismo como o seguinte: Toda cidade tem igrejas. J. pela experiência. quer dizer. por descuido ou por malícia. Todo indivíduo hábil é bom político. falaciosamente. integridade moral. não se pode concluir obrigatoriamente que o Rio é uma cidade: pode haver cidades que não tenham igrejas. Defendendo a candidatura de Joaquim Carapuça. quanto à matéria. conclusão. Admitamos. enfim. também o forem. Mas entre ambas deve haver uma ideia (ou termo) comum: condenado por fraude (no sujeito da primeira e no predicado da segunda). Se as duas premissas são verdadeiras. não apenas competência. é também verdadeira. logo. Esse silogismo traz no bojo um sofisma do tipo non sequitur (³que não se segue´). e a última. C. pela observação de um número suficiente de casos ou fatos. através do inquérito. é um indivíduo hábil. processados e condenados pelos mesmos motivos. Não pode ser alguns. Ninguém. pois sua característica é a universalidade. no qual se manipularam fatos. Todo mineiro é hábil. é bom político. C. de exemplos. 12 . que a premissa maior é verdadeira. o eleitor consciente não vota no Joaquim Carapuça. ou ser uma coisa sem ser outra. Silogismo do tipo non sequitur. ora. função para a qual se exige. J. Por conseguinte. condição indispensável ao silogismo verdadeiro. ele é uma coisa e outra: válido e verdadeiro.

Temos aí uma série de silogismos em que a conclusão do primeiro serve de bas à e premissa maior do segundo. a conclusão do segundo passa a ser a da maior do terceiro. Como a base da coerência está no relacionamento entre as ideias. é (será) bom administrador. É o que a lógica chama de polissilogismo. J. ora. logo. Eis alguns dos mais graves vícios de raciocínio: 13 . e assim sucessivamente. Epiquirema :premissas munidas de prova .. Ora. ou adjunto equivalente: Todos os professores devem saber um pouco de psicologia.cuja tarefa é conquistar pela palavra os jurados . preconceitos não funcionam como argumentos válidos. no caso. na medida em que encontra os ingredientes lógicos e psicológicos que a vão informando. chamase falácia. porém. porque o contato com mentalidades em formação exige deles certa capacidade de compreender o comportamento e as reações dos jovens para melhor orientá-los e educá-los. superstições. tabus. que se caracteriza por ter uma ou ambas as premissas seguidas ou munidas de prova. é bom político.poderá não obter sucesso se seu discurso contiver vícios de raciocínio. Outro tipo de silogismo também muito comum na vida prática é o chamado epiquirema. a menos que o raciocínio seja vicioso. Quando o vício de raciocínio é intencional. que pode ser falacioso ou não. Pura presunção. J.Todo bom político é bom administrador. decorre da ignorância ou imperícia de quem fala. Mesmo um excelente profissional de Direito . VÍCIOS DE RACIOCÍNIO O relacionamento entre as ideias que formam os vários enunciados deve interligá-las de tal modo que construam um caminho pelo qual a mente do leitor transite cada vez mais interessada e receptiva. em outras palavras: não podem servir como premissas. se. ali é que descobriremos os vícios que poderiam tornar ineficaz o discurso: confusão entre o geral e o particular. quer dizer acompanhadas de uma proposição causal ou explicativa.. pois incide num sofisma de non sequitur: o fato de ser indivíduo hábil não implica necessariamente a qualidade de bom político. entre o permanente e o eventual. evitar o emprego de silogismos desse tipo ou não se deixar iludir por eles. tautologias. não constituem princípios ou normas de que se possam tirar conclusões logicamente aceitáveis. é. logo. satisfazendo e conquistando. etc. é denominado paralogismo. generalizações falsas. precisa saber um pouco de psicologia. da mesma forma como ser bom político não significa que alguém seja ou venha a ser bom administrador. e presunções. C. Convém. C. você é professor. revela o propósito de conduzir ao erro o interlocutor. portanto.

1. O exemplo clássico é o famoso subir para cima ou descer para baixo. como indica a lista a seguir. e não prestava.:³Mulher não sabe mesmo dirigir automóvel. Generalização falsa. com palavras diferentes. mas com o mesmo sen tido. 14 . Ex. Consiste en repetir uma ideia. porque vendemos menos.Tautologia.´ 4. Quadro Ilustrativo de Tautologias Elo de ligação Acabamento final Certeza absoluta Quantia exata Nos dias 8. 9 e 10.: ³O romance que comprei é obra excelente.´ 2.´ ³Sabe por que seu carro bateu contra o poste? Porque é um carro nacional. Meu primo tinha um da mesma marca.´ 3. Ex.Veja só: minha vizinha do apartamento 16 já atropelou duas pessoas. porque ela é boa mesmo. Falsa analogia. porque tem capa vermelha. Conclusão não-decorrente.´ ³Nosso concorrente vendeu mais. A tautologia é um dos vícios de linguagem. Mas há outros.´ ³Você não pode garantir que esse relógio é bom. de forma viciada. inclusive Como prêmio extra Juntamente com Expressamente proibido Em duas metades iguais Sintomas indicativos Há anos atrás Vereador da cidade Outra alternativa Detalhes minuciosos A razão é porque Anexo junto à carta De sua livre escolha Superávit positivo Todos foram unânimes Conviver junto Ex.: Fato Encarar de frente Multidão de pessoas Amanhecer o dia Criação nova Retornar de novo Empréstimo temporário Surpresa inesperada Escolha opcional Planejar antecipadamente Abertura inaugural Continua a permanecer A última versão definitiva Possivelmente poderá ocorrer Comparecer em pessoa Gritar bem alto Propriedade característica Demasiadamente excessivo A seu critério pessoal Exceder em muito ³Minha escola é ótima.

( ) b) Todo brasileiro é católico. ora. ao fazer a sua redação. mais cedo ou mais tarde. você é católico.Ex. teorias. Não houve até agora nenhuma exceção. logo. você é brasileiro. princípio. logo.____________________________________________________________________ e) Mas.´ Atividades práticas: 1) Reconheça..) antes da principal e lhe acrescentar uma vírgula.____________________________________________________________________ b) As leis científicas. regras. enfim. você é rico. logo.: ³O marginal que assaltou a joalheria usava chapéu branco. ele é o assaltante. partindo do mais geral para o mais específico: a) Êxodo ( ) versículo ( ) Antigo Testamento ( ) livro ( ) Pentateuco 15 . regra) a um caso particular. nos textos abaixo.____________________________________________________________________ 2) Assinale com um V o(s) silogismo(s) válido (s). você é professor secundário. você é brasileiro. Neste ano. você puser uma oração concessiva (embora. o processo de raciocínio é dedutivo ou indutivo? R. você é diplomado por faculdade de filosofia. serei aprovado. o indivíduo que a polícia prendeu como suspeito também portava chapéu branco. raciocinou por? R. logo.____________________________________________________________________ d) Se você observar a pontuação adotada em relação às orações adverbiais antepostas à principal e concluir que elas vêm sempre seguidas de vírgula. seu raciocínio foi? R. R. logo. você é católico. ora.. ( ) e) Somente os ricos têm automóvel. logo.´ ³No ano passado. fiz a prova com caneta esferográfica verde e fui aprovado. todos os homens acabam morrendo. se o processo utilizado foi de indução ou dedução: a) Ao longo da história da humanidade. ora. com F o(s) falso(s) e com dois VV o(s) válido(s) e verdadeiro(s): a) Alguns brasileiros são católicos. se. ora. Ora. generalizações. Tal fato nos permite dizer que o homem é mortal. você é aluno da Faculdade de Direito. ( d) Todo aluno de escola superior tem curso fundamental completo. ( ) ) c) Alguns professores secundários são diplomados por faculdade de filosofia. você tem automóvel. tem sido verificado que. ora. resultam de um processo de raciocínio dedutivo ou indutivo? R-____________________________________________________________________ c) Quando se aplica um princípio (teoria. isto é. normas. ( ) 3) Reordenar os termos regressivamente. vou usar novamente caneta esferográfica verde. você tem curso fundamental completo.

16 . Tem olhos azuis. Ora. d) Planeta ( ) Ásia ( ) Tóquio ( ) Galáxia ( ) continente ( Universo ( ) Japão ( ) Terra ( ) Sistema Solar ( ).´ ( ) c) ³Fiz as provas de Física numa quarta-feira e fui bem-sucedido. logo. cabelos loiros e sabe nadar muito bem. ) ) ) b) Direito Penal ( ) furto ( ) ciência social ( ) Direito Público ( crime ( ) Direito ( ) Direito Nacional ( ) ciência ( ).( ) capítulo ( ) Bíblia ( ).´ ( ) Comunicação Informativa e Persuasiva A ARGUMENTATIVIDADE NA COMUNICAÇÃO INFORMATIVA Introdução. vou também ter o mesmo sucesso. logo. o carro apreendido pela polícia também tem a mesma característica.´ ( j) ³A datilógrafa é eficiente.´ ( ) g) ³Seu saldo bancário é superior ao salário que você recebe. c) Parte Especial ( ) capítulo ( ) parágrafo ( artigo ( ) livro ( ) inciso ( ) título ( ) seção ( ) alínea ( ) código ( ). vimos aquele mecânico fugindo das imediações. porque tem dedos ágeis. Neste ano. anda calmamente. (e) para raciocínio correto. (b) para conclusão não-decorrente.´ ( ) f) ³Cinco minutos depois que a bomba explodiu. (c) para tautologia.´ ( ) h) ³O jornal fez sucesso.´ ( ) d)³O automóvel que atropelou e matou o mendigo na BR.´ ( ) b) ³O candidato merece aprovação no vestibular. 4) Aponte os vícios de raciocínio nas frases que seguem. as provas de Física serão feitas também na quarta-feira. porque teve bom êxito. a) ³Carro preto dá azar.´ ( ) ) i) ³O novo chefe é. logo. Por isso. é o carro do criminoso. Meu colega tinha um e morreu num desastre. (d) para falsa analogia.´ ( ) e) ³Aquele profissional de vendas não terá sucesso em nossa firma: o terno dele é amarelo. foi ele que colocou a bomba no carro.116 tinha o pára-choque da cor do veículo. com certeza. você anda desviando dinheiro da firma. utilizando (a) para generalização falsa. bom patrão. Ele é gordo.

p. no seu dia-a-dia. várias formações em comunicação não são nada além de um aprendizado de processos que visam a colocar o outro em uma espécie de armadilha mental da qual ele sairá apenas se adotar a ação ou a opinião que lhe são propostas. Mas na verdade pouco importa se a mensagem é verdadeira ou falsa. Estas comunicações estão presentes em situações cotidianas tanto da vida privada quanto da pro fissional. Sendo assim. andando ao seu lado. pode ser rigoroso sem ser científico. hoje. O ato de convencer é usado como uma alternativa contrária ao uso da violência física. 1970). reportagem. Outros meios de convencer procuram utilizar a razão ou a demonstração. Argumentação Argumentar é. preocupar-se em ver o outro por inteiro. entender suas necessidades e se sensibilizar com suas emoções. os mais diversos meios são utilizados e um deles é chamado de argumentação. tendo como base a ética. onde há um conjunto de meios que permitem transformar uma afirmação em um fato estabelecido sem contestação. vencer junto com o outro. O estudo da argumentação foi feito por muito tempo por filósofos e por especialistas literários da linguagem. Já os literatos se preocuparam com a argumentação com uma finalidade mais estética. construindo um saber espontâneo e empírico que faz parte da cultura básica que todos podem adquirir por imitação. Uma nova visão de argumentação se deve ao fato de um filósofo do direito. o convencimento através da propaganda. às vezes. Assim. é confrontado com vários episódios de argumentação. É também saber persuadir. a não ser que seja contrário a algum fato anteriormente relatado. sempre se perguntaram tradicionalmente se a argumentação possui estratégias que permitem chegar à verdade ou provar a falsidade. O homem. Para que este ato de convencer aconteça. Pode-se também convencer através da sedução. seria a atitude dos políticos ou as figuras de estilo que deixam o discurso mais agradável e embelezável. por exemplo. saber ouvi-lo. Por outro lado. (ibid. de opiniões que são argumentadas e não verdades ou erros. isto é. os linguistas. pois se trata. representado por (Ducrot. mas ao ato de argumentar como. na maior parte dos casos. já que o orador utiliza meios mais suaves de convencimento. Isto porque se pode conseguir de alguém uma resposta que não seja atribuída à força em si. definindo a argumentação como o ³estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão das pessoas às teses que são apresentadas para seu assentimento. primeiramente. um público ou um auditório tenham um determinado comportamento ou que aceitem uma opinião específica. 5) O exercício de uma boa argumentação. convencer. etc.Várias são as possibilidades de comunicação que possuem como objetivo obter que uma pessoa. como um objeto de um programa de ensino. (Perelman. Os primeiros. argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: 17 . anúncio. assumir o conceito de que um raciocínio pode convencer sem ser cálculo. foi alterado pelas situações de manipulação da palavra e das consciências oriundas das técnicas de comunicação do século XX e com o poder da mídia faz-se necessário uma maior reflexão sobre a argumentação oposta à manipulação das massas. Como exemplo de sedução. uma vez que a argumentação é exposta.´. preocuparam-se mais com a língua em geral do que com as situações de comunicação que são provocad pela as divergência de opiniões. que seja cidadã. 1988).

Para uma boa condição de argumentação é necessário ter definidos vários aspectos como: uma tese e saber para que tipo de problema essa tese é resposta. é falar à razão do outro. deve-se argumentar com o outro de forma honesta e transparente para que haja maior credibilidade nos propósitos. ou melhor. seduzi-lo e tentar persuadi-lo em alguma convicção. pois não se argumenta contra a evidência. argumentar é a arte de gerenciar informações. Convencer é saber gerenciar informações. É construir algo no terreno das emoções. Este efeito foi colocado em primeiro plano pela definição neoclássica de (Perelman & Olbrechts-Tyteca. Embasada nas teorias de Aristóteles. A primeira começa dos fatos até chegar a um modelo e a segunda. é falar à emoção do outro. convencer e persuadir. este é o escopo básico da argumentação. Assim. ter uma linguagem comum ao auditório para que se fala. é construir algo no campo das ideias. para quem ³o objeto da teoria da argumentação é o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou ampliar a adesão dos espíritos às teses que se apresentam ao seu assentimento´. Entre os elementos da lógica argumentativa há alguns que são básicos como: a asserção inicial ou a premissa. Na verdade. Cabe. É saber integrar-se ao universo do outro para se obter aquilo que se quer. demonstrando ou provando alguma asserção. mas de modo cooperativo e construtivo. A origem desta está ligada à preposição ³per´ (por meio de) e a ³Suada´ (deusa romana da persuasão). ordenar ideias. justificá-las e relacioná-las ente si. argumentar é uma operação delicada. argumentar é a arte de convencer e persuadir. é 18 . levando-o a fazer alguma coisa que se deseja que ele faça. tornando-a assim um matéria viva. através da evolução da linguagem. traduzindo uma verdade dentro da verdade do outro. isto é. convencer o outro de alguma coisa no plano das ideias e persuadi-lo no plano das emoções. a asserção final ou a conclusão. e de maneira extra discursiva pelo efeito perlocucionário ao qual estaria vinculado. com o outro. ou seja. e. principalmente. mas o objeto da argumentação evoluiu mais rápido que a teoria. Desta forma. dos modos de comunicação e dos exemplos escolhidos.primeiro. nesta concepção é fazer algo por meio do auxílio divino. argumentar pressupõe que o indivíduo que se envolve na argumentação reconheça que ele faz parte de uma relação de comunicação e que se recuse a fazer uso de meios a qualquer preço para conseguir a eficácia de uma proposta. Segundo estes autores. 1970: 5). e algumas asserções intermediárias A argumentação pode ser através de indução ou dedução. buscar capturar o ouvinte. já que é necessário construir ideias e não uma realidade. é importante ter um contato positivo com o auditório. mostrar a diferença entre convencer e persuadir. Já persuadir é gerenciar relação. O discurso argumentativo foi caracterizado de maneira intradiscursiva por suas diferentes formas estruturais. segundo. a premissa menor e a conclusão. parte de um julgamento e tenta descobrir implicações específicas que a levam a três proposições: a premissa maior. mas sim através de técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão das pessoas às teses que se lhe apresentam ao assentimento. agora. agir de forma ética. Como já se observou acima. Argumentar. a argumentação pertenceu por um longo tempo à Retórica.

abalar a alma para que o ouvinte aja em conformidade com a convicção que lhe foi comunicada. todo ato de linguagem realiza-se dentro de um tipo específico de relação contratual implicitamente reconhecido pelos sujeitos e que define. Contrato de comunicação. Porém. Para ele. Aquele que quer persuadir deve saber previamente quais são os verdadeiros valores de seu interlocutor ou do grupo que forma o seu auditório. 2004: 374) ³a persuasão pode ser vista como o produto dos processos gerais de influência. seus objetivos. respectivamente. É preciso ressaltar que parceiros (emissor e receptor) são na concepção do autor desdobrados. O auditório é o conjunto de pessoas que se quer convencer e persuadir. o auditório particular. Este pode ser dividido em dois tipos: primeiro. ou seja. a persuasão acrescentaria à convicção a força necessária que é a única que conduziria à ação. Ele só é válido se os dois parceiros se submeterem mentalmente a certas condições discursivas que lhes permitam identificarem-se como verdadeiros parceiros de troca.´. um conjunto de pessoas cujas variáveis pode-se controlar. chamado de contrato de comunicação. 1997: 59). por um lado. em função da cultura. para se descobrir a hierarquia de valores do outro é necessário descobrir a intensidade de adesão a valores diferentes que sinalizam uma escolha hierárquica. Na realidade. este realiza aquilo que se deseja. o Euenunciador. Quando se consegue persuadir alguém. aspectos ligados aos planos situacional (a identidade dos parceiros. o Tu-interpretante e o Tu-destinatário. assim. ao mesmo tempo em que reconhecem a validade do ato de comunicação. da ordem do imaginário social. Persuadir refere-se à possibilidade de fazer com que o outro aceite as suas conclusões como verdadeiras. em dois ³eus´ e dois ³tus´: o Eu-comunicante. Para (Charaudeau.´ Persuadir é mais que convencer. sendo portanto. segundo. O eu-comunicante e o Tu19 . Desta forma. enquanto que convencer é uma primeira fase.tentar sensibilizar o outro para agir. mas como ele os hierarquiza. As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. das ideologias e da própria história pessoal. como parâmetros ou códigos implícitos sobre o modo de funcionamento das situações de comunicação e sobre os discursos prováveis em cada tipo de situação entre os parceiros. Perelman (1996: 22) define auditório como ³conjunto daqueles que o orador quer influenciar com sua argumentação. o assunto de que falam) e discursivo (maneiras de dizer). o essencial é persuadir. Contratos de comunicação funcional são. o que caracteriza um auditório não são os valores que o mesmo admite. O auditório. Assim. 1994: 35) que todo ato de comunicação social supõe um contrato. Conforme (Perelman. a eficácia das técnicas e de um argumento é sempre dependente do auditório que se tem e que se quer persuadir. o auditório universal que é um conjunto de pessoas sobre as quais não se tem controle das variáveis. Pode-se dizer com (Charaudeau. O contrato é um quadro de reconhecimento no qual se inscrevem os parceiros para que se estabeleça a troca e a intercompreensão.

pode se discutir sem parar na análise de um texto sobre qual é o tipo de argumento que está presente. na linguagem corrente. definido através destes sujeitos. seres do ³dizer´. isto é. Existem três razões para se aderir a uma opinião. A dinâmica argumentativa. uma nova apresentação dos fatos pode entrar em ressonância com a nossa visão mais geral do mundo. Em suma. Os moldes argumentativos possuem vários nomes como argumento quase lógico. permitindo que esta nova apresentação seja aceitável. b) a curiosidade ± o gosto pela exploração. do circuito interno do mesmo ato. às vezes. O termo argumento ainda é usado para designar. argumento ad hominem ou argumento pelo exemplo. de um espaço de restrições que constitui as condições que não podem ser infringidas pelos parceiros. Isto requer que se veja cada auditório como único e individual. mas cada um destes termos define uma forma específica na qual uma opinião defendida pode ser de certa forma encaixada. com isto a curiosidade nos levará a examinar com boa vontade uma nova maneira de ver as coisas ainda não vistas. A dinâmica da comunicação possui duas etapas. c) o interesse ± o interesse pode ser um formidável vetor de aceitação de uma visão de mundo que se poderia avaliar como algo que seria conveniente.interpretante são pessoas reais. formando um duplo gatilho argumentativo que designa o que parece ser o aspecto essencial desta dinâmica. dirigir-se ao outro. A aceitação desta 20 . Pode-se também constatar que se certos argumentos são próximos uns dos outros a ponto de se ter confusão e que existem grandes famílias de argumentos que se diferenciam pela essência do raciocínio que eles utilizam. O contrato de comunicação. tudo está em tudo e. propor-lhe boas razões para ser convencido a partilhar de uma opinião. tornando a argumentação em arte muito delicada. a saber: a) a ressonância ± a argumentação que se apoia em valores é um exemplo dos efeitos da ressonância. A primeira visa construir um real comum ao orador e ao auditório e a segunda se apoiará para construir um vínculo entre este acordo e a opinião proposta. compõe-se então. Argumentar é comunicar. o desejo de mudança levará a se admitir uma apresentação particular dos fatos e a examinar suas consequências. e um espaço de estratégias que compreende os diferentes tipos de configurações discursivas de que o sujeito comunicante dispõe para satisfazer as condições do contrato e atingir seus objetivos comunicativos. em seguida para lhes mostrar que a nova opinião proposta está de acordo com esta nova visão das coisas. sob pena de não haver a comunicação. do circuito externo do ato de linguagem e o Eu-enunciador e o Tu-destinatário são entidades do discurso. O primeiro objetivo de um argumento é modificar o contexto de recepção do auditório para a introdução de uma opinião. Assim se dirige aos outros para que eles mudem sua visão das coisas. com identidade psicossocial seres do ³fazer´. o conjunto constituído pelo argumento e seu conteúdo particular.

O enquadramento do real dita a ordem do mundo e propõe que a partilhemos. Valores e pontos de vista ± os valores comuns constituem uma base importante para desenvolver uma argumentação. contorna de outra forma. será invenção. um reenquadramento só tem validade se considerar as opiniões. A competência ± O argumento de competência supõe que haja previamente uma competência científica. valores e pontos de vista e reenquadramento. isto é. reenquadramento. à incerteza do acordo dos interlocutores sobre sua verdade. Assim. por causa do seu status de pressupostos e. então. O fato de estar em um acontecimento. Segundo Breton (1999). portanto. O reenquadramento ± o reenquadramento não ataca o problema. Distinguir-se-ão três tipos de raciocínio de autoridade. um valor de uso no interior de sua própria economia de pensamento. Os argumentos de reenquadramento serão divididos em três categorias: A definição. através de outros ângulos. moral. Enquadramento do real. 1993: 159) define -os como argumentos coercitivos e mostra seu caráter manipulador. 21 . se levar em consideração o conceito dos indivíduos cujos problemas se deseja modificar. Ele se apoia na partilha a priori de valores ou de crenças ou. em resumo. Dois casos são pertinentes: ou o orador apoia o enquadramento sobre a sua própria autoridade ou ele convoca uma autoridade externa à sua pessoa. expectativas e hipóteses. profissional ou técnica que vai legitimar o olhar sobre o real que deriva dela. O argumento da experiência é menos baseado em sua competência efetiva no domínio em que o orador se exprime. O argumento de testemunho. há duas técnicas bem relevantes em relação à argumentação: enquadramento do real e vínculos. combinação. confere ao orador uma autoridade segura que fundamenta este argumento de testemunho. Assim. Já os pontos de vista segundo (Robrieux. enfrentando mas o -o. Os valores e os pontos de vista possuem em comum o fato de serem hierarquias. A Experiência.referência apresentaria para o auditório um interesse. o enquadramento se divide em: afirmação pela autoridade. porque a pessoa que o descreve tem a autoridade para fazê-lo. A afirmação pela autoridade ± O real descrito é o real aceitável. pois fazem parte de um ser comum que constitui as bases da cultura e que as formas segundo as quais os indivíduos de um grupo vivem em um mesmo mundo.

é um mola-mestra de reenquadramento. Apresentação. b) Argumentos de reciprocidade ± trata-se de uma regra de justiça. A analogia. mas mais poderoso devido à convicção que provoca como resposta. a) Argumentos quase-lógicos ± os argumentos quase-lógicos usam um raciocínio próximo do raciocínio científico e isto que os torna difíceis de se distinguirem da demonstração. colocando-as em relação de maneira aceitável e produzindo através deste fato uma transferência de qualidade de uma realidade para a outra. A dedução. Os vínculos podem ser feitos por analogia ou dedução. já que implica em certa criação. pois quando usado para convencer. O uso da analogia é um vínculo menos garantido que a dedução. atualmente. b) Exemplo ± o exemplo é bem diferente de uma comparação. onde os indivíduos de uma mesma classe devem ser tratados da mesma forma. c) Metáfora ± a metáfora é uma elipse da analogia e só é um argumento quando serve para convencer ou é colocada a serviço da defesa de uma tese ou de uma opinião. O vínculo pela analogia pode ser feito através de três argumentos: a) Comparação ± a comparação é frequentemente usada na vida cotidiana para argumentar. A associação ± a similitude entre os fatos ou abordagens possibilita que existam comunidades de pensamentos de mesma natureza. de uma qualificação. A apresentação pode ser através de uma descrição. Comparar consiste em tecer um vínculo entre duas realidades. A dissociação ± o argumento por dissociação permite que se quebre a unidade de noções muito dogmáticas e induz uma melhor flexibilidade para se mover no real. O emprego de uma definição e a tentativa de impô-la como quadro de referência para avaliar o real não implica em que não existam outras definições possíveis. Vínculos.Definir para o ser humano. A associação e a dissociação. é muito observado numa sequência de argumentação. de uma amplificação. 22 .

da Revista Veja (08/11/06). 3.) Estive no Brasil em abril deste ano e participei de debates interessantes sobre o uso de menos carbono na economia.³Pretendo voltar ao Brasil para investir nas possibilidades de produção de energias limpas. No exemplo acima. observe: O inglês Nicholas Stern. Aqui. chefe do serviço econômico do governo de seu país.Na introdução da entrevista. do que em uma prática efetiva no domínio em que o orador se exprime. já se encontra o argumento da autoridade através da apresentação da competência do entrevistado. 4. Ex-economista chefe do Banco Mundial e diplomado pelas universidades de Cambridge e de Oxford. porque o país tem se mostrado original nessa área. Foi uma visita muito produtiva. O Brasil também está pensando e agindo na questão do desmatamento da Amazônia.. Stern.´ O argumento da experiência é menos baseado em uma competência. o economista possui a experiência de conhecer as ações do Brasil e pretende voltar para aprender mais. economista inglês. Stern lançou mão de modernos modelos econômicos. o entrevistado mostra que possui a competência para falar sobre o assunto através de sua experiência profissional e de sua formação acadêmica.. Entrevista com Nicholas Stern. O fato de o economista ter estado presente a estes debates.. suspeita de ser teórica. que na verdade.c) O argumento causal ± consiste em transformar a opinião que se quer manter em uma causa ou em um efeito de alguma coisa sobre a qual exista um acordo. confere-lhe uma autoridade que fundamenta o argumento de testemunho. O argumento da competência supõe que haja previamente uma competência científica. moral ou profissional que vai legitimar o olhar sobre o real que deriva dela.O enquadramento da autoridade pelo testemunho pode ser observado no fragmento da resposta abaixo: Veja. técnica.Logo abaixo desta mesma resposta o entrevistado apresenta o enquadramento do argumento da autoridade feito pela experiência para complementar o assunto. recebeu há dezesseis meses uma tarefa colossal: medir o impacto do aquecimento global na economia mundial. 1.Essa tecnologia está quase disponível.O enquadramento através da crença e dos valores está presente na resposta abaixo: Veja ± O que é preciso fazer? 23 . A argumentação necessita de bases éticas como a liberdade de adesão à opinião proposta. 2. (. com o título ³O alerta global´ feita pelo repórter Diego Escosteguy. à autenticidade dos argumentos usados e à relatividade das idéias que se defende.Existe tecnologia disponível para cultivar biocombustíveis em terras inférteis? Stern. são opiniões. no caso. ANÁLISE DO CORPUS..

Perelman (1970) vê este procedimento como um argumento essencialmente filosófico. por uma questão de soberania e. os países pobres dispõem de menos dinheiro para investir em formas de se proteger contra os efeitos do aquecimento global.. ressaltando assim o valor do comprometimento com este objetivo. 6. da acentuação de certas passagens. há menos dinheiro para gastar em infra-estrutura e na adaptação necessária para protegê-los. da acumulação de detalhes. deveria ajudar os países que estão fazendo esforços para cessar o desmatamento. Nesses lugares. o provável seria uma resposta afirmativa. O economista aqui apresenta uma resposta que foge à esperada. se começarmos a investigar seriamente em tecnologias limpas. e acho que as atitudes e as idéias dos americanos começam a mudar. E terceiro.) Mas o resto do mundo. que são responsáveis por 36 % das emissões? Stern ± Não. Países mais pobres têm economia centrada em atividades agrícolas. A apresentação através da amplificação é feita com a insistência para ressaltar a repetição.O reenquadramento através da definição apresenta uma tentativa de impor a definição como quadro de referência para avaliar o real. Porém.O reenquadramento do real pelo argumento da dissociação das noções é um método que.Outro fator é a limitação das atividades econômicas desses países. por volta de 2050 atingiremos um patamar de menor agressão ao meio ambiente. não implicando que existam outras definições possíveis. Uma é a geografia: os países mais próximos do Equador sofrerão duramente. o economista foi apresentando várias situações para confirmar a sua resposta.A presença do reenquadramento pelo argumento da apresentação/amplificação é observado abaixo no seguinte fragmento: Veja ± Por que os países pobres serão mais atingidos pelas mudanças climáticas? Stern ± Por várias razões. em segundo. já que apenas um país polui quase a metade. sozinho. que se beneficiaria do fim do desmatamento.. determinar sua forma de trabalhar. mas ele prefere negar e 24 . Em primeiro lugar. Eles estão desenvolvendo iniciativas significativas na Califórnia e em importantes cidades do nordeste. porque o país saberá bem melhor do que qualquer estrangeiro o que fazer. permite ³quebrá-lo´ e gerar dois universos distintos. a partir de uma noção que remete habitualmente a um único universo. E isso por duas razões. setor mais vulnerável às mudanças climáticas que sofreremos. 5. secretário do Meio Ambiente do governo britânico? Stern ± (. por azar geográfico. sobretudo a partir do binário ³aparênciarealidade´ que ³constitui o protótipo de toda dissociação nocional. sugerida por David Miliband.´ Veja ± O esforço global para reduzir a emissão de gases poluentes pode prescindir do apoio dos Estados Unidos.Stern ± O certo é que. 7. Neste caso. Nesta resposta há um apelo para que se utilize um meio considerado melhor para a vida do meio ambiente. É onde estão os países mais pobres. cabe ao país. Veja ± O que o senhor achou da proposta de ³internacionalizar´ a Amazônia. Claro que precisamos que os Estados Unidos se conscientizem da necessidade de diminuir as emissões de gases poluentes. porque são os mais quentes.

depois amenizar a afirmativa através de sua opinião, realçando a mudança da atitude dos Estados Unidos. Os argumentos por vínculos podem ser de natureza análoga ou dedutiva. Deduz-se que uma opinião parte da realidade assim enquadrada, ou se propõe que a realidade enquadrada constitui um dos termos de uma analogia. O uso da analogia constitui o vínculo que a argumentação tece entre a opinião e o contexto de recepção. 8Observe-se o exemplo abaixo:

Veja ± O senhor está otimista quanto à perspectiva de conservação da Floresta Amazônica? Stern ± (...) Essa pressão permanente junto com o papel do país no desenvolvimento de biocombustíveis e o esforço para proteger as florestas, faz do Brasil um ator extremamente importante na luta pela diminuição das emissões de gases poluentes. Neste exemplo, o entrevistado utiliza o argumento dedutivo da onipotência para mostrar a responsabilidade do Brasil para o assunto tratado. Este argumento supõe que o Brasil ainda não tenha pensado que a convocação de seu poder o obriga a aceitar uma tese com a qual ele não estaria necessariamente de acordo. 9- O vínculo dedutivo de reciprocidade trata-se de uma regra de justiça, de natureza puramente formal segundo a qual ³os seres de uma mesma categoria essencial devem ser tratados da mesma maneira´ (Perelman, 1988, p. 80). Veja ± Dentro de quanto tempo o mundo começará a sentir os efeitos do aquecimento global? Stern ± Dentro de quarenta a cinquenta anos sentiremos o impacto do que já fizemos contra o planeta. São efeitos que aparecerão na forma de desastres naturais, como secas, enchentes e furacões progressivamente mais intensos. Não importa o que fizermos agora, esses efeitos serão sentidos, eles já são inevitáveis. A reciprocidade existe na medida em que se deduz que quanto maior o problema, maior será a consequência. Isto é, o que o ser humano fizer ao planeta, ele devolverá ao ser humano. 10- O argumento pertencente ao vínculo analógico está presente na comparação abaixo: Stern ± O Brasil tem grandes áreas de terra pobre, assim como a Ásia Central e a América do Norte. Comparar consiste em tecer um vínculo entre duas realidades, colocando-as em relação de maneira aceitável e produzindo através deste fato uma transferência de qualidades de uma realidade para outra. 11- Já no trecho abaixo, percebe-se uma analogia através do argumento do exemplo.

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Stern ± Apesar de não terem apoiado o Tratado de Kioto, os Estados Unidos estão começando a mudar. E não são os únicos. A Índia e a China também estão mudando. Na China já foram definidas fortes metas de eficiência no uso de energia. O uso do exemplo para convencer é freqüente, pois se observa que muitas vezes a pessoa está à procura de um exemplo para justificar a sua argumentação. No fragmento acima, a Índia e a China estão seguindo o exemplo dos Estados Unidos em relação à mudança. A função argumentativa consiste em analisar o funcionamento de um texto cujo objetivo é convencer de uma opinião. Para isto, é preciso verificar se o texto em questão é realmente argumentativo e depois identificar os grandes argumentos usados bem como seu encadeamento. No texto da revista Veja, as respostas dadas pelo economista Nicholas Stern possuem o objetivo de convencer o leitor de que o problema do aquecimento global é grave e que isto afetará seriamente o Brasil. Não há presença de figuras de estilo, pelo contrário, o entrevistado trabalha muito com dados científicos baseados em estatísticas e exemplos. ³Se deixarmos as coisas tal como estão hoje, o planeta vai perder entre 5 % e 20 % do PIB mundial. Estamos falando, portanto, de perdas que podem chegar a cerca de 7 trilhões de dólares.´ Nas respostas está presente um grande número de argumentos diferentes, já demonstrados anteriormente como os enquadramentos e os vínculos. A entrevista se dirige aos cidadãos do Brasil, precisamente, aos políticos e empresários que precisam mudar o comportamento em relação ao meio ambiente. ³Não falta tanto tempo assim. Pode acontecer durante a vida de nossos filhos e netos. Temos de agir fortemente nos próximos vinte anos para reduzir os riscos de que isso aconteça.´

ARGUMENTAÇÃO.
Sabemos que todo texto parte de um produtor/emissor que pretende persuadir o seu leitor/receptor, usando, para tal propósito, vários recursos da natureza lógica e linguística que levem o leitor a crer no que o texto diz e a fazer o que ele propõe. A esses recursos chamamos procedimentos argumentativos.

Recursos argumentativos.
Um dos mais importantes desses procedimentos é a unidade textual, isto é, o texto deve tratar de um só assunto que será o seu objeto central. Um texto repleto de informações desencontradas torna-se dispersivo, ininteligível. Isso não significa que não haja variedade, desde que essa variedade explore a mesma matéria, ou seja, inicie, desenvolva e termine dentro do mesmo tema central. Outro recurso importante é a comprovação das teses defendidas com citações e referências a autores e/ou textos autorizados, que darão maior peso e validade às afirmações feitas. É o recurso que se costuma chamar argumento de autoridade. 26

Os recursos de natureza lógica não poderão ser desprezados. Através do raciocínio e da razão estabelecem-se correlações lógicas entre as partes do texto, apontando as causas e os efeitos das alternativas produzidas. Isso dará consistência ao texto, ligando os seus segmentos e aumentando a sua força persuasiva. Não esqueçamos ainda que idéias gerais e abstratas terão maior força se puderem vir acompanhadas de dados da realidade observável, de exemplos concretos adequados, que darão confiabilidade ao que for afirmado. Ao tratarmos de temas polêmicos, que apresentem versões divergentes, é importante a refutação de argumentos contrários . Deve-se expor com clareza as objeções conhecidas e contra-argumentar solidamente. Esses são alguns recursos que podem ser explorados pelo produtor do texto para tentar persuadir o leitor.

Atividades práticas:
1) As frases dos seguintes parágrafos estão desordenadas. Confira-lhes uma seqüência, numerando-as convenientemente: a) ( ) E, caso se pretenda a promessa feita, em 1955, pelo então Ministro dos Transportes, Bernardo Mattarella, de dotar Roma de um metrô tão extenso quanto os de Paris ou de Londres, a cerimônia não se dará antes de 150 anos.( ) E isso já terá sido uma façanha, pois a inauguração de todo o sistema, tal como foi replanejado em 1962, não ocorrerá nos próximos cinquenta anos. ( ) Nesse ritmo, foram construídos, nos últimos doze anos, apenas 14 quilômetros de linhas, o que permite prever a inauguração da totalidade das duas primeiras linhas para dentro de dois ou três anos.( ) Por enquanto, a escavação de seus túneis avança a uma velocidade bem mais modesta ² 1200 metros por ano.( ) Quando ficar pronto, o metrô de Roma correrá a 50 quilômetros horários, em média. b) ( ) Calor é uma modalidade de energia que nos causa as sensações de quente e de frio.( ) Quando um corpo é aquecido, diz-se que sua temperatura se eleva. ( ) Essas sensações são interdependentes do estado de aquecimento dos corpos.( ) Quandoum corpo é resfriado, diz-se que sua temperatura baixa. ( )A grandeza que representa esse estado de aquecimento é a temperatura.( ) Avaliam-se as temperaturas, aproveitando-se o fenômeno calor-dilatação.

Comunicação informativa e persuasiva. PERSUASÃO E ARGUMENTAÇÃO.
Em geral, quem toma a palavra não quer apenas comunicar alguma coisa. Quer persuadir outro. Quer convencê-lo de que está certo ou de que suas razões são melhores (ou simplesmente boas) e interferir na ação do outro. Muitas vezes, pretende vender uma ideia, imagem, um estilo de vida.

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é didática porque evidencia a existência de dois níveis de ³convencimento´: um lógico. ed. dirigindo-se. (KOCH. Em outras palavras. assim. sendo. e tem caráter ideológico. nos enlatados da TV. outro subjetivo e ideológico. Ingedore G. na propaganda. objetivo. capaz de atingir um ³auditório universal´. A separação feita pela autora. Essas produções vêm carregadas de ideologia: não desejam apenas mostrar produtos . é difícil desvincular o ato de convencer do ato de persuadir. São Paulo: Cortez. ao passo que o segundo leva a inferências que podem levar esse auditório ² ou parte dele ² à adesão aos argumentos apresentados´. Villaça. meios econômicos. subjetivo. Observe o que diz a estudiosa da linguagem Ingedore G. nas telenovelas. mas vender ideias e modos de viver. Nos dias de hoje. o sentimento do(s) interlocutor(es). a um ³auditório particular´: o primeiro conduz a certezas. Argumentação e linguagem. outro muitas vezes subliminar. pois. para que a persuasão surta efeito. que quase sempre se resume na utilização de uma argumentação convincente e de uma linguagem competente e adequada ao interlocutor. pois.Para tanto.) Ingedore Koch explica o ato de persuadir comparando-o com o ato de convencer: enquanto o segundo é lógico. não há apenas o desejo de convencer o leitor. procura atingir a vontade. 4. atemporal e universal (o melhor exemplo é o do raciocínio matemático). expor conceitos ou apresentar histórias. através de um raciocínio estritamente lógico e por meio de provas objetivas. a intenção de tal forma que faça esse leitor consumir certo produto ou assumir determinada ideia como verdadeiros e únicos. o anúncio publicitário e qualquer discurso que queira interferir em nossa vontade e em nossa ação). o ato de persuadir. Nelas. Villaça Koch sobre o ato de persuadir: ³Enquanto o ato de convencer se dirige unicamente à razão. objetivo. o consumidor ou o cidadão de que um produto ou uma idéia são bons. como ocorre no raciocínio matemático). por meio de argumentos plausíveis ou verossímeis. Veja na tira de humor apresentada a seguir um exemplo claro de persuasão. por sua vez. há uma intenção de interferir na vontade e na ação do interlocutor que se deseja atingir. é necessário passar pelo convencimento. Na prática. na persuasão. elas procuram atingir as pessoas em sua vontade e ação. basta uma boa fórmula de ³venda´. o primeiro é ideológico. subjetivo. 28 . no entanto. 1996. Explica ainda que. possuindo caráter puramente demonstrativo e atemporal (as conclusões decorrem naturalmente das premissas. temporal e particular (são bons exemplos o discurso político. temporal. Uma definição e um exemplo. um claro. somos bombardeados pelo discurso persuasivo na política.

Observe. Calvin acredita que algo está realmente acontecendo com ele (³Estou me sentindo estranho.. Não apresenta motivos lógicos para que o filho compreenda a necessidade de tal alimento. O ato de persuadir. Calvin O Estado de S Pau/o. capaz de interferir na vontade e na ação do garoto. explorando o universo e os valores do interlocutor€ no caso. sem dar trabalho e sem desejar intrometer-se no mundo masculino. ou as funções das pessoas. Uma forma de mantê-la feliz e ³importante´ onde sempre esteve. Calvin. subjetivo (os argumentos apresentados são de ordem subjetiva: o pai os escolheu por saber que influiriam na vontade do filho) e particular(os argumentos são eficazes apenas naquela situação específica). y o pai apresenta um argumento que atende a essas expectativas. dita ³rainha´ no lar. essa expressão sempre foi utilizada para a mulher dona-de-casa. na tira que você acabou de ler. Pagando o pato. o pai apresenta ao filho um argumento mais do que convincente. tempo-(o ato se dá num momento específico da vida do pai e do filho). y o pai interfere na vontade do filho (este come o alimento). o ato persuasivo atinge profundamente o interlocutor. Na tira em questão um efeito psicológico tão completo que. A admiração de que elas estejam reivindicando num congresso é acompanhada pela expressão ³rainha do lar´. A persuasão é bem-sucedida. y o pai sabe que um argumento convencional do tipo ³coma que tem vitaminas´ ou ³coma porque isso é bom para a saúde´ não funcionaria para o ³público´ que deve ser ³convencido´ (o filho).(WATTERSON. a resposta às mulheres que reivindicam participação e melhores condições na sociedade. é ideológico (ideia de que é preciso ingerir aquele alimento). Ora. sim. Outros recursos de persuasão: Leia a tira a seguir: (CIÇA. Partindo do conhecimento das fantasias de Calvin. São Paulo: Circo Editorial. 7 mar 2000) O pai pretende convencer o filho a comer um alimento do qual não gosta. uma forma de fazê-la desejar continuar ali. monstros e animais falantes).´).. pode ser um momento de persuasão. 29 . y o pai conhece as fantasias do filho em relação a um mundo criado por sua imaginação (com mutantes. utiliza. na tira. após ingerir o alimento. 1986.) O vocabulário que se escolhe para designar as coisas. Bill. um discurso persuasivo. pois apresenta o alimento fundamentado no conhecimento das expectativas do filho. Observe as características do discurso persuasivo posto em prática pelo pai nesta tira: y o pai deseja ³vender´ a idéia de que aquele alimento é bom. Quando bem arquitetado. mas sem voz fora de seus domínios domésticos.

Observe a diferença que há entre dizer nacional-socialismo e nazismo! A propaganda política com o nome original certamente criou adeptos incautos e desinformados.99. na sua argumentação. não procurou apresentar provas.. trata-se de palavras que vendem uma imagem limpa e tranquila ² indolor ² de uma situação na verdade dolorosa para o trabalhador. Com certeza você já ouviu o trocadilho ³Fulano apelou para um argumento de força e não a força do argumento!´. [as empresas] adotaram a prática do melhor resultado ao menor custo possível. em que as mulheres organizam-se para reivindicar algumas coisas. Um exemplo: o partido nazista nasceu com o nome Nationalsozialist. a terceirização.O uso dessa expressão sempre pretendeu provocar determinadas reações emocionais nas mulheres que se dedicavam aos serviços domésticos: sentimentos de satisfação e plenitude que tais serviços por si não trariam. (grifo dos autores) Enfim. Isso significa que o tal fulano. Portanto. a reengenharia . exemplos. Alguns exemplos atuais. etc. Na área das vendas quem nunca foi atraído por preços do tipo R$ 1. dados. que nada mais são do que formas de persuasão. depoimentos. De 30 . temos uma figura de linguagem ² eufemismo ² sendo trabalhada como recurso persuasivo. diz o seguinte: ³Lançadas numa competição feroz. Não houve persuasão. A persuasão ² democracia e autoritarismo.99 ou R$ 99. Instauraram-se o downsizing. Mais uma vez. O mesmo ocorre com a palavra ³reengenharia´.. Da abreviação nazi mais o sufixo-ismo formou-se nazismo. Quando se fala em ³enxugamento da máquina administrativa´. de ³felicidade´ e silêncio. o ³apelido´ do partido. a revista Veja. 2000. 5 abr. Nessa tira. nacional-socialismo. sem permitir diálogo. que mostra uma situação nova. está-se usando uma expressão delicada para a temida ³dispensa de pessoal´. o nome com o qual se denomina a mulher serve para colocá-la no lugar em que se deseja que ela fique. no entanto. muito conhecidos nossos. Há muitas outras situações em que o vocabulário é utilizado com o objetivo de ³dourar a pílula´ e influenciar ideologicamente um determinado interlocutor ou público. aceitam-se bem certos termos amenos para designar realidades não tão amenas.. sua utilização sempre fez parte de um discurso persuasivo. mas se impôs pela força. porque não têm o impacto da casa dos 2 ou dos 100 reais? Na área econômica. a contestação. em certa altura. Já se disse que a persuasão é um dos muitos frutos da sociedade democrática grega. a expressão remete-se à situação anterior. Repare como isso se manifesta na prática. já desnudava o verdadeiro significado de sua ideologia. Nesse caso. autoritariamente. com toda a carga negativa que conhecemos hoje e que muitos conheciam na época. também podem ser citados. Em reportagem sobre emprego e horas de trabalho.processos que levam à redução de pessoal´. (Veja.

mas está aludindo claramente a um mundo regido por leis que permitirão homem matar uma mulher. a mulher. Pode até votar nele. Pense bem!´ . pode achar que ele está dizendo a verdade. apenas um fala: o homem. Ele demonstra saber de antemão que as coisas funcionam dessa maneira. de uma forma mais drástica. o livre consentimento é um jogo democrático. paternalmente. (CIÇA. A conjunção condicional (se) atenua o tom operativo. principalmente se essa força é amparada. pois por trás do conselho há a experiência paterna pairando sobre a experiência do filho. Por isso. alego motivo de paixão. São Paulo: Circo Editorial. que está certo: ³Você pode até considerar as promessas de Fulano boas. Pagando o pato. alegar motivo de paixão e ser absolvido. O outro personagem. essa tira é um pouco antiga e muitas coisas mudaram de lá para cá. porque os argumentos e a realidade conhecida pelos dois são suficientes para mostrar que não se trata de um conselho e sim de um desejo que exige ser cumprido. O discurso autoritário está nas palavras do pai que impede o filho de fazer algo e até do pai que aconselha o filho a não fazer algo. ela mostra um contexto de dominação do mais fraco pelo mais forte. mas depois vai se arrepender. pois vêm sempre 31 . Quando o homem diz: ³Te mato. apenas ouve e é assim que ela deve permanecer: ouvindo e aceitando o que lhe é dito. autorizada pela sociedade. encontra-se nas palavras do chantagista e do tirano. está na boca do político que exige: ³Vote em mim!´ ou que tenta mostrar.Não há um diálogo. está falando em seu nome. Mas o discurso persuasivo se tinge de cores autoritárias se não permitir a intervenção do outro. mas a intimidação é indiscutível. Nessa tira ocorre um tipo de persuasão muito comum entre desiguais: a persuasão pela força e pelo poder autorizado. apesar de autoritário. é preciso atentar a duas condições fundamentais: a situação em que se produz o discurso e a intencionalidade. E. O discurso autoritário torna-se persuasivo na medida em que não deixa alternativa a quem se vê submetido pela força do outro. Um discurso de intimidação que pode ser utilizado em qualquer situação em que haja fortes e fracos.fato o diálogo.É isso que entendemos ao ler a tira e é isso que a cartunista quer criticar. o discurso se reveste de um certo tom de conselho: ³se você fizer besteira. 1986. há um monólogo. não conte comigo pra divorciar´. Felizmente. No entanto. No caso dessa tira. sou absolvido e pronto´. ³Fica avisada´ . a troca de argumentos com a intenção de obter adesão. Fala e não permite réplica.) Embora haja dois personagens nessa tira. se a intenção de seu autor for a dominação ou a manutenção do poder.

todo cidadão é visto como um consumidor em potencial. São. em linhas gerais. não esfrega roupa. hipérboles. de belas mulheres. y criação de trocadilhos. yemprego do modo imperativo dos verbos. de paisagens maravilhosas. exemplos). A persuasão e a propaganda. mas acenando com a perspectiva do arrependimento ou inferioridade em relação a outros consumidores. sucesso. A propaganda normalmente trabalha com as expectativas do público ao qual se dirige. belos homens. enraizar hábitos. mais racional (motivos. Sob uma aparência de descontração e brincadeira.acompanhadas de promessa de castigo físico ou moral. eufemismos. nem sempre se utiliza de argumentos em sua forma clássica. por isso. que vão desde a 32 . Os objetivos: vender o produto. observamos a utilização de recursos como: y figuras de linguagem (comparações. razões. etc. um modo autoritário de expressão (basta ver as insistentes propagandas de telemarketing. criar necessidades. autoritários. na maior parte das vezes. que prenunciam grandes aventuras. fazendo referência a um programa chamado ³Gente que faz´. etc. são de carros magníficos. a linguagem da propaganda. As imagens das propagandas. felicidade. Apela para formas mais sutis. o coração não sente´). os anúncios procuram criar necessidades. Para conseguir persuadir. metáforas. famílias felizes.. Para as agências de propaganda. Assim. jogos de palavras. numa referência ao dito popular ³O que os olhos não veem. podemos apresentar em lugar de destaque. utilizando várias linguagens para pôr em prática seu discurso persuasivo.². que não deixam opção ao espectador: ³Não perca esta oportunidade.. ou ainda prometendo o paraíso aqui na Terra. manipuladores da vontade do consumidor. portanto. Ligue já! As primeiras cinqüenta pessoas que ligarem ganharão. lazer. que prometem beleza. fotografados dos ângulos que mais os valorizam. o discurso persuasivo da propaganda. etc. Veremos aqui. chegar à dependência. agindo sobre seus desejos mais profundos. induzindo as pessoas a acreditarem que são infelizes se não adquirirem determinado bem de consumo. Na linguagem. apropriaram-se de forma tão eficiente do discurso persuasivo que hoje persuasão e propaganda tornaram-se praticamente sinônimos.). São técnicas de envolvimento. yalusão ao mundo conhecido do público-alvo (uma certa marca de sabão em pó diz que apresenta ³gente que não faz´ ² não passa horas na lavanderia. metonímias.´). como isso se dá em relação à linguagem verbal e à imagem. uma marca de esponja de lavar louça que promete acabar com a sujeira e também com as bactérias diz: ³O que os olhos não veem ela extermina´. Sem promessa de castigo físico ou moral.

de generalidades (expressões que parecem dizer tudo. o desejado secretamente pelo consumidor).. Fulano recomenda. O parlamentarismo deve ser implantado no Brasil. que soa familiar ² e as pessoas acreditam no que lhes é familiar). não dizem nada: ³isso é que é . R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Em muitos casos. Escreva nos parênteses o número correspondente a cada caso. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2. argumento de autoridade (³o Dr. Indique duas premissas de cada conclusão dada a seguir. ³o mais rico´. ³raro prazer´. o fino.utilização de uma linguagem muito próxima da utilizada pelo consumidor (uso do padrão coloquial. as letras exóticas k. entre outros. ( 2 ) a conclusão não é uma decorrência lógica da premissa.). bem-humorado..As provas de múltipla escolha devem ser proibidas. o agradável. R-____________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______ 4. e você?). consomem tal produto. Assim. 33 . na verdade. Devemos comprar sempre carros nacionais. ( 3 ) a premissa não é suficiente para a conclusão. recusamos a conclusão tirada da(s) premissa(s). Os alunos devem usar cadernos de papel reciclado. filha da democracia capitalista. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 3. a propaganda comercial. mas. mais de você em você´. atletas. passando pela criatividade na construção de seus textos (as pessoas apreciam o que é criativo. inteligente) até as mais diversas formas de sedução (o belo. justamente por estar em jogo o interesse econômico. etc. etc. Atividades práticas: 1) Às vezes. comparações com países do chamado Primeiro Mundo). Os argumentos abaixo podem ser recusados por várias razões: ( 1 ) a premissa não é verdadeira. o saboroso.). ³o mais vendido´. globalizações (³9 em cada 10 usam . uma conclusão é fruto de uma série de premissas. comunicadores. transferência de prestígio (artistas.³segundo o especialista Fulano estrangeirismos (marcas e rótulos usando palavras estrangeiras. o elegante. assim. ³o nº1´ etc. Os argumentos e recursos persuasivos se revestem. acabou por se transformar numa das formas mais agudas de dominação. 1. w e y.

( ) 3. A ortografia da língua portuguesa é de difícil aprendizagem. ( 7. 1. É muito melhor gastar quinhentos dólares nos Estados Unidos do que no Nordeste. O Ibope indica que o candidato X terá mais de cinquenta por cento dos votos de todos os eleitores. Os alunos acham a prova muito difícil. O povo deve votar com o PCB. ( ) 2.O livro sobre a vida e a obra de Nélson Rodrigues é muito grosso e caro. relação de causa / efeito (C) ou analogia (A). Os camelôs vendem mais barato. O PCB protege o povo contra a exploração. Os funcionários da empresa devem entrar em greve. Os camelôs apresentam deficiências físicas. Deve ser permitida a presença de camelôs nas ruas. por isso 34 ) ) . 1. A empresa não paga devidamente aos funcionários. temos inferências indutivas. ( ) 9. Muitos pivetes assaltam nos grandes centros. ( ) 3. por isso acho perda de tempo votar em qualquer outro. Em todos os casos a seguir. O analfabetismo decresceu no Governo Brizola. ( 4. Os camelôs devem ser protegidos. Uma pesquisa demonstrou que as águas das praias cearenses estão poluídas. Os alunos têm que apelar para a cola. por isso devemos evitá-las. Os alunos deviam ser proibidos de usar bermuda nos colégios. ( ) 3) As premissas de um raciocínio são normalmente de três tipos: fatos(F). ( ) 4. ( ) 5. ( ) 2. por isso acho urgente uma revisão no sistema ortográfico. ( ) 8. ( ) 4) As inferências são de dois tipos: indutivas (do particular para o geral) e dedutivas (do geral para o particular). Tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. As máquinas de escrever custam cada vez mais caro. O governo Brizola construiu muitas escolas. julgamentos (J) ou testemunhos de autoridade (T). ( ) 6. Devemos escrever com canetas esferográficas. por isso os aviões para Miami estão cheios.1. Bermuda não é traje indecente. Classifique as premissas dos argumentos a seguir de acordo com esses três tipos. Devemos copiar as leis americanas. verifique se elas são fruto de generalização (G). ( ) 5. por isso considero aconselhável que se reveja a lei de proteção ao menor.

( ) 3. ( ) 2. ( ) 2. Virou-se para o soldado e disse: € Veja. Collor foi eleito por mais de cinquenta por cento dos eleitores. soldado.Um dia. o que lhe dava política para resistir a pressões. uma gema de ovo e o resultado foi uma goma asquerosa. já que nenhum outro entre nós conseguiu igualar-se a ele. o que você pretende fazer? € Nunca mais vou comer ovo! 1) Que tipo de inferência indutiva foi usada pelo sargento? R-__________________ __________________________________________________ 2) Por que a inferência surpreendeu? R-____________________________________________________________________ 3) Analise os raciocínios a seguir e identifique as possíveis falhas. pôs. Machado de Assis é. seu pai! ( ) força 5. ( ) 35 . por isso as mulheres devem evitar casar-se com eles. o melhor escritor da literatura brasileira. que são muito preguiçosos e festeiros. como os seres humanos. classificando-as de acordo com o código: 1 ) círculo vicioso ( 6) generalização excessiva 2 ) estatística tendenciosa ( 7 ) estereótipo 3 ) fuga do assunto ( 8 ) simplificação exagerada 4 ) argumento autoritário ( 9 ) falsa analogia 5 ) confusão causa / efeito 1. eu. no mesmo copo. e morrem. oferecendo pratos a preços mais baratos. Todos os problemas do mundo desapareceriam se os homens se dedicassem mais à religião. Os animais também amam.deve vender pouco. ( ) 4. mostroulhe um copo onde colocou cachaça. ( ) 5) Leia o texto e responda às perguntas: Contam que um soldado vivia sempre bêbado. Medindo grupos de cidadãos brasileiros de várias partes do país. inferimos que os nordestinos são mais baixos que os sulistas. Os marinheiros têm uma namorada em cada porto. sentem dor e prazer. em seguida. Os restaurantes estão fazendo como as lojas de roupas. por isso estão vendendo mais. sem dúvida. o que acontece com seu estômago quando você bebe! Depois de ver isso. ( ) 3. Não é conveniente instalarmos uma fábrica na Bahia pois certamente teremos problemas com os operários. Eu não acredito que você esteja me dizendo essas coisas. o sargento o chamou. ( ) 4. Por que falar de crueldade quando se defendem? ( ) 5.

Eu tenho dificuldades no aprendizado de língua estrangeira. Portugueses não são bons em matemática. Os professores são diferentes de qualquer outro tipo de gente do planeta. pois parece que nunca se preocupam com o dinheiro que recebem por seu trabalho. decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar. isto é. As notas de dez estudantes nas provas foram 94. Embora haja oito portugueses em cada dez alunos do curso.( ) 7. (FERREIRA. A própria língua. a afirmação básica que o autor aceita como verdadeira e defende nesse trecho. o choque ou oposição situam-se normalmente na linha divisória do novo e do antigo. ela absorve e integra a seu modo de ser. não há nada que o professor possa fazer. Vergílio. Foi decepcionante! ( ) 9. podemos levar o camelo até a água. até o limite das origens da língua. 1.. 61.] Ora. uma tarefa ambígua e até certo ponto inútil. R-_____________ _______________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Transcreva o argumento no qual o autor se baseia para defender sua tese. as quatro maiores notas são de brasileiros e as quatro piores. todos os membros da minha família apresentam o mesmo problema. como ser vivo que é. 56.(Unicamp-SP) Defender a língua é. [.( ) 10. de portugueses. ( ) 8. 66. 62. Uma análise dos resultados mostra que a média foi de 63. 64. ln: Estão a assassinar o português! (trecho adaptado). 59. Outros.6. a) Transcreva a tese de Vergílio Ferreira. Se os estudantes não querem estudar. 60. Afinal de contas.6 e que setenta por cento dos alunos não conseguiram atingi-la. Mas fixar no antigo a norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo. 58. R±_______________________________________________ _____________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Texto para as questões de 1 a 4. A língua mastiga e joga fora inúmeros arranjos de frases e vocábulos. mas não podemos obrigá-lo a beber. no que se refere à língua.( ) Argumentação e persuasão nos exames. de modo geral. 36 . Em defesa da língua. Mas também é quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens de uma perspectiva adulta e no entanto todo o adulto cumpre o que julga seu dever..

quando pressionado. caminhar pelas grandes avenidas europeias era sair para ser expulso da rua pelo tráfego. c) O mundo moderno só admite pessoas que sabem operar as máquinas com perícia. O homem da rua incorporou-se ao novo poder. ³ Numa rua verdadeiramente moderna´ € diziam. d) O homem antigo e o moderno. dá mais importância a ela do que a si próprio. e) A modernidade e o poder da máquina. mas corrompeu-o e dele foi expulso.´ 1)(PUC-SP) Assinale a alternativa correspondente ao tema em torno do qual se organiza o discurso apresentado: a) O paraíso urbano e a máquina. para demonstrar que: a) O homem tornou-se moderno quando trocou o andar a pé. alia-se às forças adversas e incorpora-se ao seu poder. enquanto os cavalos e veículos passavam suavemente . o espaço que acolhia os homens. cedeu seu espaço à máquina. os especialistas ² ³nada de pessoas exceto as que operam as máquinas.³No meio da década de 20. O homem sentia-se diretamente ameaçado e vulnerável. aliando-se à máquina. uma vez cruzada a soleira da porta. dizem as pessoas quando fazem referência a essa época. b) O homem e o espaço urbano. que lhes permitia se moverem à vontade. pouco tempo antes. que passou a orientar os planejamentos urbanos daí por diante. c) A integração perfeita do homem à rua antiga foi abandonada quando ele se 37 . acabou identificando ±se por inteiro com as forças que o estavam pressionando . tornando-se o homem no carro.A rua era. pelo andar de automóvel nas grandes avenidas. quando o automóvel tinha feito sua aparição com força total. d) A utilização do espaço pelo homem depende de sua ação com o mundo. b) O homem. nada de pedestres desprotegidos e desmotorizados para retardar o refluxo¶. portanto. discutíamos nela. b) O homem. então. na rua. A perspectiva desse novo homem no carro gerou uma nova concepção de rua. as ruas passaram a pertencer ao tráfego. ³Foi como se o mundo tivesse subitamente enlouquecido´. em um ritmo que podia acolher tanto as discussões quanto a música . homens. tornandose o homem no carro. por esse motivo. no texto. e) O homem. e o homem sobreviveu a esse tipo de mudança. no passado. 3) (PUC) ³O homem da rua incorporou-se ao novo poder. Chocadas e desorientadas. µDeixar nossa casa significava que.Acontece que esse idílio terminou. animais e veículos coexistiam pacificamente em uma espécie de paraíso urbano. ³A rua nos pertencia: cantávamos nela. descobriu um novo ser e deu novo ritmo a todos os seus atos.´ Essa afirmação foi utilizada. no mundo moderno. Depois de esquivar-se e lutar contra o tráfego. c) O tráfego no mundo moderno. conheceu uma espécie de paraíso urbano. 2) (PUC-SP) O texto defende a tese de que: a) O homem. nós estávamos em perigo e podíamos ser mortos pelos carros que passavam. as pessoas comparavam a rua de então com a de sua juventude.

com elementos descritivos e dissertativos. ainda hoje é corrente este pressuposto. Ainda há bem pouco tempo. gerando. 4) (PUC-SP) Observando-se o tipo de composição do texto. russo. Exigência a que só poderiam aspirar em teoria um grupo muito restrito de poliglotas. o ensino da filosofia e o acesso da população em geral à filosofia foram sempre encarados de modo muito elitista. Em alguns casos. os operadores e conectores encontrados no artigo ³Universalismo´. agora. surgem com freqüência obras em latim. quando falamos ou escrevemos. Em Portugal. grifamos esses conectores. inglês. Todas as traduções eram encaradas como traições ao espírito e à letra da obra. latim. Compreender o pensamento de um filósofo implicou sempre a exigência de uma renúncia ainda que temporária ao português. A coesão seqüencial apresenta palavras que atuam especificamente na junção dos elementos do discurso. c) Descritivo. ou de edições raríssimas no mercado internacional. cujo acesso lhes era vedado na sua língua materna. conclui-se que ele é: a) Dissertativo. A filosofia dirige-se a todos os homens e não a nenhum em particular. inclusive. etc). 38 . excelentes traduções. com exclusão de argumentos. e) Dissertativo. O acesso à universalidade do debate filosófico pressupunha assim o domínio de uma multiplicidade de línguas. com exclusão de descrições. Já os operadores argumentaivos são responsáveis pela sinalização da argumentação. d) O carro deu ao homem novas perspectivas de vida. com exclusão de argumentos. um tipo de urbanização que protege o pedestre. francês. persuadir nosso interlocutor. Universalismo. Observaremos. No corpus. Nos próprios manuais escolares do ensino secundário. os textos que os alunos tinham que comentar. d) Narrativo. A grande maioria dos leitores e amantes da filosofia contentava com comentários em português sobre obras escritas noutras línguas. alemão e outras línguas pouco faladas entre nós. chega-se a fazer referências bibliográficas de manuscritos apenas acessíveis em recônditos arquivos no estrangeiro. TIPOS DE CONECTORES E MARCADORES ARGUMENTATIVOS A argumentação faz parte da linguagem na medida em que desejamos . no ensino superior. O filósofo expressa ainda que de modo singular a voz de um Homem. deteminando o modo pelo qual se conectam as porções que se sucedem. com elementos narrativos e descritivos. tinham quase sempre que ser feitos na língua usada pelos respectivos autores (grego.identificou por inteiro com a máquina. Nas bibliografias que são indicadas para os alunos que iniciam os seus estudos por volta dos 15 anos. Tudo isto apesar de existirem em português. b) Narrativo. por vezes. por exemplo.

todavia. Tomemos como ponto de partida um texto simples: A polícia conseguiu prender todos os ladrões. continuarem a não existirem traduções acessíveis de muitos dos grandes clássicos da filosofia. contudo. Estamos perante uma prática. Resquícios de uma tradição elitista e profundamente antidemocrática que ainda percorre muitas universidades portuguesas e que só recentemente se tem vindo a esbater. mas as jóias ainda não foram recuperadas. é possível utilizar todos os outros articuladores: porém. entretanto. no entanto.Chegamos ao ponto. entretanto. No lugar do mas. todavia. (Carlos Fontes) Operadores Argumentativos introduz um argumento a Ainda favor marca de oposição ainda que orienta no sentido da Apenas negação marca de oposição apesar de liga elementos de duas ou E mais escalas orientadas no mesmo sentido marca de oposição Mas orienta no sentido da Pouco afirmação Por exemplo ajusta e esclarece a afirmação anterior e Conectores Argumentativos coesão sequencial por junção relação de restrição relação de alternância que ou para relação de mediação Articulação sintática de oposição: Esse tipo de articulação se faz por meio de dois processos: a coordenação adversativa e a subordinação concessiva. entretanto as jóias ainda não foram recuperadas. A coordenação adversativa implica a utilização dos articuladores: mas. O texto anterior poderia ter uma versão como: A polícia conseguiu prender todos os ladrões. no entanto. de numa língua falada por mais de 215 milhões de pessoas em todo o mundo. porém. 39 . que traduz não o conceito de universalização da filosofia o tornar acessível a todas as grandes questões da humanidade-. mas um modo singular de entender o saber como um instrumento de poder. contudo.

O que é interessante é que esses outros articuladores são móveis, dentro da oração em que estão, ao contrário do mas, que tem uma posição fixa, no início dela. Uma sequência como: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias mas ainda não foram recuperadas. é flagrantemente malformada. Outras sequências, utilizando um articulador como entretanto, em qualquer posição, serão perfeitamente bem-formadas: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas. A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram, entretanto, recuperadas. A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram recuperadas, entretanto. Esse fato se deve a que, no português antigo, esses outros articuladores eram apenas advérbios que só apareciam, inicialmente, junto ao articulador mas, com o propósito de acrescentar a ele uma força ilocucional adicional. No português antigo, dizia-se: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, mas, porém, as jóias ainda não foram recuperadas. Decorrido algum tempo, em função da contiguidade sintática, essas palavras, como porém, contudo, entretanto etc., que tinham uma função puramente ilocucional, passaram a adquirir também o significado de oposição. Dessa maneira, passaram a poder, sozinhas, desempenhar o papel de conectores. Mas, como eram advérbios, e os advérbios podem, geralmente, ocupar qualquer lugar em uma sentença (podemos dizer Hoje houve festa no clube ou Houve, hoje, festa no clube, por exemplo), tais articuladores, apesar da mudança de status, continuaram a ter a liberdade sintática de advérbios. Mesmo hoje em dia, é perfeitamente possível utilizar estes elementos acrescentados ao articulador mas: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, mas as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas. Neste caso, a palavra mas funciona sintaticamente como articulador sintático de oposição e a palavra entretanto, apenas como um reforço ilocucional. O segundo processo de realização da articulação sintática de oposição acontece, como dissemos, por meio da subordinação concessiva, utilizando articuladores como: embora, muito embora, ainda que, conquanto, posto que, que são conjunções ou locuções conjuntivas concessivas, e também apesar de, a respeito de, não obstante, que são locuções prepositivas. Vejamos uma versão do texto anterior, utilizando a subordinação concessiva. 40

Embora a polícia tenha conseguido prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram recuperadas. Quando fazemos uso da coordenação adversativa, obviamente, faz um encaminhamento argumentativo contrário ao da oração anterior, frustrando, assim, a expectativa do destinatário. Imaginemos que um funcionário de uma empresa tenha solicitado suas férias ao Departamento de Pessoal do funcionário e passando por lá, ouça do funcionário encarregado a seguinte sentença: ² Fizemos o possível para conseguir as suas férias... Até esse momento, ele não sabe se conseguiu ou não as férias. A conclusão tanto pode ser no sentido de encaminhamento favorável por meio de uma sequência como: . . . portanto, você poderá entrar em férias a partir do dia 13. ou de encaminhamento desfavorável, frustrando sua expectativa, por meio de uma sequência como: . . . mas você não poderá ter suas férias ainda neste ano, por motivo de força maior. Vejamos agora o efeito da utilização da subordinação concessiva. Imaginemos aquele mesmo funcionário, passando pelo Departamento de Pessoal e ouvindo a seguinte sentença: Embora tenhamos feito o possível para conseguir as suas férias... Imediatamente, mesmo sem ter ainda ouvido a sequência da mensa gem, ele já estará sabendo que essa seqüência fará um encaminhamento contrário àquilo que está posto na sentença introduzida por embora. A continuação: . . . você não poderá ter suas férias ainda, neste ano, por motivo de força maior. confirmará, apenas, aquilo que já foi ³telegrafado´ pela oração concessiva. Podemos dizer que a articulação sintática de oposição utilizando a subordinação concessiva tem um efeito de modalização, uma vez que prepara, com antecipação, o destinatário, para uma conclusão contrária ao inicialmente esperado.

Articulação sintática de causa.
Os principais articuladores sintáticos de causa são: Conjunções e locuções conjuntivas: porque, pois, como, por isso que, já que, visto que, uma vez que; Preposições e locuções prepositivas: por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em consequência de, por motivo de, por razões de. Tomemos como ponto de partida o seguinte texto: 41

Não fui até Roma porque estava com pressa de regressar ao Brasil. Poderemos perceber que, utilizando as conjunções e locuções conjuntivas, o verbo se mantém em seu tempo finito. Utilizando, entretanto, as locuções prepositivas, o verbo da oração assume a forma do infinitivo: Não fui até Roma, em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil. Na articulação sintática de causa, a oração causal pode preceder a oração principal: Porque estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. Em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. É interessante notar que a conjunção como só tem valor causal quando é feita essa inversão. Enquanto a seqüência: Como estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. é perfeitamente bem-formada, uma outra, utilizando o como, mas sem a inversão, não o será: Não fui até Roma, como estava com pressa de regressar ao Brasil. O contrário acontece com a conjunção pois. Ela só pode ser utilizada quando não há inversão: Não fui até Roma, pois estava com pressa de regressar ao Brasil. Invertendo, com essa conjunção, teremos uma sequência malformada: Pois estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma.

Articulação sintática de condição.
O principal articulador sintático de condição é o se. E o único que leva o verbo ao futuro do subjuntivo, quando a oração principal está no futuro do presente ou no presente do indicativo com valor de futuro: Se você viajar hoje à noite, poderá descansar mais amanhã. Se você viajar hoje à noite, pode descansar mais amanhã. Os outros articuladores são: caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que. Esses outros articuladores, na mesma condição, levam o verbo da oração que introduzem ao presente do subjuntivo: Caso você viaje hoje à noite, poderá descansar mais amanhã. A menos que e a não ser que incorporam a marca de negação de uma oração 42

por isso. usará. A maneira mais comum de manifestar finalidade é utilizando a preposição para. Articulação sintática de fim. As outras podem ser empregadas antes ou depois do verbo. entretanto. como logo. Já uma sequência como: Os salários precisam subir com o objetivo de haver uma recuperação do mercado consumidor. pois. logo só poderá viajar de carro. por conseguinte. assim. Uma seqüência como: Se você não prestar atenção. com o objetivo de. de modo que. pois (posposto ao verbo).condicional. portanto têm a propriedade de cancelar o advérbio não. Entre os outros articuladores de finalidade. sua moto com maior segurança. A conjunção pois só se emprega depois do verbo. destacam-se: a fim de. Algumas destas conjunções. Seqüências. Agnaldo comprou um capacete. fica menos aceitável. com a intenção de. com o fito de. na oração principal. Esses articuladores somente se aplicam em orações condicionais negativas. com o intuito de. usará. É perfeitamente aceitável. vai errar. sua moto com maior segurança. Seqüências textuais como as seguintes serão bem-formadas: Agnaldo comprou um capacete. de modo que usará sua moto com maior segurança. manifesta a negação por intermédio do advérbio não. teremos: A menos que você preste atenção. só se empregam antes do verbo. Sidney vendeu sua moto prateada. portanto. então. haja uma construção agentiva. em vista disso. Os principais articuladores de conclusão são logo. de modo que. Assim. por exemplo. vai errar. com o objetivo de angariar mais votos. com a condicional negativa iniciada pelo articulador se. Se utilizarmos a menos que. por isso. Normalmente. uma sequência textual como: Ricardo promoveu Carlos. que inverterem a ordem dos articuladores ou serão malformadas ou terão outros sentidos: 43 . em sequências como: Os salários precisam subir para que haja uma recuperação do mercado consumidor. Agnaldo comprou um capacete. estes outros articuladores se utilizam em situação em que. com o propósito de. onde o não fica sendo desnecessário. Articulação sintática de conclusão. Os salários precisam subir para haver uma recuperação do mercado consumidor.

pois usará sua moto com maior segurança. a fim de reforçar-lhe a guarda dos paços. usará de modo que. Atividades práticas: 1) Redija novas versões do texto abaixo. bastando para tanto deixar o verbo da oração subordinada no gerúndio. Em muitos dos casos anteriores.Agnaldo comprou um capacete. utilizando-se. R±____________________________________________________________________ 44 . utilizando os articuladores sintáticos de fim: O imperador não lhe prestou inteiro crédito à narração e ordenou-lhe que expedisse para São Cristóvão dois batalhões de primeira linha. dos articuladores de oposição por subordinação concessiva. R . sua moto com maior segurança. desta vez.___________________________________________________________________ 2) Utilizando o texto básico do exercício anterior. utilizando os articuladores sintáticos de conclusão: Aquele que sobe por favor deixa sempre rastro de humilhação. Articulação sintática de fim: Ricardo promoveu Carlos. logo devemos ter sempre coragem e confiança em nosso próprio esforço. R-____________________________________________________________________ 3) Redija novas versões do texto abaixo. porque a Polícia Federal estava sem os formulários e sem os impressos. redija novas versões dele. não fui até Roma. utilizando os articuladores sintáticos de oposição (coordenação adversativa) em várias posições dentro da sentença em que aparecem. R-______________________________________________________ ______________ 4) Redija novas versões do texto abaixo. mas os navios de Barroso já estavam a caminho. objetivando angariar mais votos. preparados para o combate. R-__________________________________________________________________ 5) Redija novas versões do texto abaixo. Exemplos: Articulação sintática de causa: Estando com pressa de regressar ao Brasil. A esquadra paraguaia largou de Humaitá à meia-noite. você poderá descansar amanhã. é possível estabelecer uma articulação sintática sem usar especificamente os articuladores. Articulação sintática de condição: Viajando hoje. Agnaldo comprou um capacete. utilizando os articuladores sintáticos de causa: Não consegui tirar meu passaporte nesta semana.

A maior parte das organizações independentemente do porte. Para a vertente que busca o Bem Comum pautado na Ética. a Harvard Business School está mais cautelosa na seleção de seus alunos. Na maioria das vezes. Seus valores. cada um dos estudantes aprovados é entrevistado individualmente. agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela. Nos Estados Unidos. na Atividade Empresarial. Os escândalos da Enron e outras companhias dos Estados Unidos mostraram que esquecer-se da ética pode ser um mau negócio. o Diálogo Social e a Formação de Novas Alianças. após o escândalo envolvendo a Enron. atua em quatro grandes vertentes que visam a mobilizar a sociedade civil brasileira na busca do Bem Comum: o Balanço Social. Além disso. fundações também estão desenvolvendo estudos em ética organizacional. nota-se uma modificação gradativa nos currículos com a inclusão e ênfase ao estudo da ética. os sócios. formou-se em Harvard em 1979. obter vantagens competitivas. a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamento mais ético no mundo dos negócios para poder sobreviver e. rumos e expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamentos e seu desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã. A famosa escola de negócios passou a incluir um questionário de ética na prova aplicada aos candidatos a uma vaga no curso MBA. Um dos campos mais carentes. Hoje.A Importância da Ética nas Organizações. no que diz respeito à aplicação da ética é o do trabalho e exercício profissional. Ter padrões éticos significa ter bons negócios a longo prazo. Uma empresa é considerada ética se cumprir com todos os compromissos éticos que tiver. culturais e religiosos. é indiscutível que as boas decisões empresariais resultem de decisões éticas. ou seja. desde a sua fundação em 1986. A sociedade contemporânea está resgatando comportamentos que possibilitem o cultivo de relações éticas. Nas universidades e escolas brasileiras. como um todo. contudo. Estão envolvidos nesse grupo. executivos e teóricos em administração de empresas voltaram a se debruçar sobre as questões éticas. A Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES). São freqüentes as queixas sobre a falta de ética na sociedade. Jeffrey Skilling. na indústria e até mesmo nos meios esportivos. obviamente. Por esta razão. O ex-diretor geral da Enron. os funcionários. Percebe-se. 45 . o governo e a sociedade como um todo. também se beneficia deste movimento. As organizações necessitam investir continuamente no desenvolvimento de seus funcionários por meio da educação. pode desenvolver mecanismos para contribuir para a satisfação dos funcionários. as empresas e organizações reagem a situações de curto prazo. claramente. A sociedade. a Ética na Atividade Empresarial. Existem estudos indicando a veracidade dessa afirmativa. se adotar uma postura ética como estratégia de negócios. os fornecedores. na política. os clientes.

onde todos estão dispostos a dar de si para a realização das tarefas. Os líderes empresariais descobriram que a ética passou a ser um fator que agrega valor à imagem da empresa. transparência. etc. colaboradores. com a adoção de padrões éticos para suas organizações. Sem dúvida. eficiência do serviço. no sentido de respeito ao meio ambiente. fala-se em empresa cidadã. Ética Empresarial. tendo como base um conjunto de princípios e valores. incentivo ao trabalho voluntário. sob a perspectiva de seu público mais próximo. A reputação das empresas e organizações é um fator primário nas relações comerciais. Nessa dimensão ética. cada vez mais comum hoje em dia. Nas atuais economias nacionais e globais. se a empresa quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial. onde as tradições de fidelidade e cuidado são marcantes. honestidade. os integrantes dessas organizações serão analisados através do comportamento e das ações por eles praticadas. respeito ao consumidor. realização de algum benefício para a comunidade. as práticas empresariais dos administradores afetam a imagem da empresa para qual trabalham. De outro lado. Quando as pessoas trabalham para uma organização que acreditam ser justa. quer estas digam respeito à publicidade. acionistas. Da mesma forma que o indivíduo é analisado pelos seus atos. entre os empresários. ao desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas aos recursos humanos. será importante manter uma sólida reputação de comportamento ético. concluiu que as empresas norteamericanas que renderam dividendos por cem anos ou mais. não medem esforços para a 46 .O Center for Ethics da Universidade do Arizona. em termos de projeção de seus valores para o exterior. Os valores ao seu redor passam a fazer parte delas e elas vêem o cliente como alguém a quem devem o melhor produto ou serviço possível. as pessoas trabalham em um nível mais elevado. empregados. formais ou informais. as empresas (que são formadas por indivíduos) passaram a ter sua conduta mais controlada e analisada. qualidade do produto. eram exatamente aquelas que viam na ética uma de suas maiores prioridades. distinguem-se dois grandes planos de ação que são propostos como desafio às organizações: de um lado. Eis a razão da crescente preocupação. entre outros. sobretudo após a edição de leis que visam à defesa de interesses coletivos. dificultando o estabelecimento de parcerias. A integridade e o desempenho não são extremidades opostas de um contínuo. fornecedores. Assim. A credibilidade de uma instituição é o reflexo da prática efetiva de valores como a integridade. Bons negócios dependem essencialmente do desenvolvimento e manutenção de relações de longo prazo e falhas éticas levam as empresas a perderem clientes e fornecedores importantes. como executivos. responsabilidade social.

a fim de encorajar a conduta ética entre seus empregados. Daí o motivo de muitas empresas terem adotado elevados padrões pessoais de conduta para seleção de seus empregados. qualidade e eficiência de produtos e serviços. em apenas um dia. produtividade. afirmam uma coisa. tais como: honestidade. sempre respeitando a filosofia da organização e os princípios do direito. prudência. implantam códigos de ética. Com efeito. O TEXTO E SUA COERÊNCIA. são exemplos desses ônus. que emerge de uma convicção interior. excelente fator de competitividade. Sob a proteção desses postulados. terá. que pouco a pouco vão se disseminando por toda a organização. além de outras ações. agregada à sua imagem. Multas elevadas. resultados. atualmente.criação de um sistema que assegure um modo ético de operar. despreocupadas com a ética. Adquirem a consciência de que a ética nasce de um imperativo. quebra da rotina normal. mas. enfrentam situações que muitas vezes. justiça. idealizam programas (hoje em dia programas virtuais) de treinamento para seus executivos e empregados. cooperação. elegem princípios e valores que são levantados como baluartes da organização. as empresas que se utilizam de todos estes instrumentos. compreensão. reclamando coerência entre os princípios defendidos e as atitudes tomadas. 47 . tenacidade. deparamos com pessoas ou entidades comerciais que em seu discurso. Por essa razão muitas empresas de respeito empreendem um esforço organizado. a integridade nos negócios exige profissionais altamente capazes de compaginar princípios pessoais e valores empresariais. cientes de que. com valores pessoais. conquistam um clima muito favorável à assimilação. na prática. criam comitês de ética. Nessa perspectiva. Para tanto. entre outros. fazem o contrário do que apregoam. destroem uma imagem que consumiu anos para ser conquistada. Procedimentos de Coesão. empregados desmotivados. exigência. capacitam líderes que percorrem os estabelecimentos da organização incentivando o desenvolvimento de um clima ético. Frequentemente. É perfeitamente plausível e absolutamente necessário aliar lucros. preocupando-se com a criação e desenvolvimento de clima ético no ambiente de trabalho. fraude interna. perda da confiança na reputação da empresa. A Construção do Texto Escrito como Ferramenta Básica no Processo Comunicacional. a empresa que desenvolve programas de ética. por parte de todos os seus colaboradores. além de outros valores típicos de empresa. daqueles princípios e valores. São muito pesados os ônus impostos às empresas que.

Nos últimos três meses. 48 . 44 mil domicílios só na Grande São Paulo. percebe que ele não funciona. Caso contrário. pronomes. pois percebe que foi vítima de uma propaganda enganosa. a) Que é Ibope? R±____________________________________________________________________ b) Em que sentido a palavra ibope é utilizada no título da matéria? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Apesar de constituírem fenômenos distintos. nas relações linguísticas (emprego de conectivos. Ao produzirmos nossos textos. devemos sempre estar atentos à coerência. do encadeamento das ideias. motivado por um anúncio publicitário que exalta as qualidades de um medicamento para emagrecer. (Tudo o que eu quero. a coesão se manifesta no plano da superfície do texto. Já nas livrarias. Está certo que um ponto de audiência na TV representa. Afinal. com inicial maiúscula. Nesse caso. antes de a minissérie a mesma obra vendia míseros 3 mil exemplares por ano. o mercado editorial agradece a ótima audiência. Mesmo assim. sinônimos. segundo o Ibope. isto é . Um grande ibope nas livrarias.).Quando alguém. coesão e coerência são complementares na construção de sentido dos textos. A adaptação televisiva de Os Maias. do escritor português Eça de Queiroz. A emissora que no horário ultrapassa facilmente os 20 pontos no Ibope em São Paulo. mal tem chegado aos 15 com a exibição da minissérie. a perda da confiança e da credibilidade ocorre porque se diz uma coisa e se faz outra. os resultados surpreenderam.nº 3. sente-se lesado e não mais confia na empresa que o forneceu. não há adequação entre o discurso e a realidade dos fatos ² o discurso é incoerente. 2001) 1) O termo ibope aparece três vezes no texto: no título. ou seja. houve um estouro: alcançou a marca dos 40 mil livros vendidos. se revelou mais promissora a editoras de livros do que para a Rede Globo. l8 fev. grafado com inicial minúscula: no corpo da matéria. perderemos a credibilidade e a confiança do leitor. advérbios. etc. Enquanto a coerência se manifesta no plano do conteúdo. depois de usá-lo. compra o produto e.

elementos linguísticos que operam essa amarração. no texto. Qual? R-______________________________________________________ ______________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O termo Os Maias é retomado em dois universos distintos. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Ao referir-se à vendagem do livro Os Maias antes da apresentação da minissérie pela TV Globo.a) No texto. entre outras coisas.] se revelou mais promissora para as editoras de livros do que para a Rede Globo ´ encontra justificativa coerente no texto? Justifique. Essa amarração é realizada com o emprego dos elementos de coesão.. o autor utiliza o adjetivo míseros para caracterizar o número de exemplares do livro vendidos. Quais são esses universos e que palavras o utiliza para retomá-lo? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) A coerência resulta. de uma perfeita amarração dos diversos segmentos que compõem o texto.. R±____________________________________________________________________ 49 . O emprego desse adjetivo é coerente? Justifique. a palavra emissora retoma um termo anteriormente expresso. Destaque. R-____________________________________________________________________ 3) A afirmação de que ³a adaptação televisiva de Os Maias [.

o mercado editorial agradece a audiência da minissérie? R-__________________________________________________________ __________ 50 . e: a) Descubra qual é o total de domicílios da Grande São Paulo considerado pelo Ibope. isso significa que 20% dos domicílios da região estão sintonizados no programa.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __________________________________ __________________________________ 5) Segundo o texto. Levando em conta os dados fornecidos pelo texto. aproximadamente quantos domicílios da Grande São Paulo deixaram de sintonizar a emissora no horário da minissérie? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __________________________ __________________________________________ ____________________________________________________________________ 6) Se os dados apresentados no texto demonstram que a audiência da minissérie ficou abaixo da que costumava ocorrer no horário. com a exibição da minissérie Os Maias. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 8) Por que. além das contidas no texto. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Faça uma estimativa do número total de telespectadores que assistiu à minissérie Os Maias. quando o Ibope divulga uma audiência de 20 pontos para certo programa na Grande São Paulo. embora abaixo da média do horário. Use essa informação. Isto é. a Globo perdeu audiência no horário. é coerente o emprego do adjetivo ótima na última frase do texto para caracterizar a audiência? R-___________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 7) Os pontos do Ibope são pontos percentuais.

o exemplo acima poderia fazer sentido. explicar. O Texto: Produção de Leitura e Escrita. A coerência é também resultante da adequação entre o que se diz e o contexto extraverbal (aquilo que o texto faz referência. discordar. perde-se a coerência textual. Sabemos que. divertir. formando uma cadeia em que todos eles estejam harmonicamente concatenados. inserido numa narrativa ficcional fantástica. Ao ler uma frase como ³No verão passado. Ele era tão fraquinho. na medida em que a frase inicial (Foi um verdadeiro milagre!) instrui o tom para a anormalidade do fato narrado. percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realidade e o que se relata. que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de amendoim. por sua vez. o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. temos um texto em que há coerência. convencer. ainda mais no verão! Claro que. que precisa ser conhecido pelo receptor). Quando há quebra nessa concatenação ou quando um segmento textual está em contradição com um anterior. No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a realidade ³normal´ pré conhecida. influindo sobre eles. considerada uma realidade ³normal´. para guardar a coerência o texto deve apresentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade. quando estivemos na capital do Ceará. um motorista. Observe o texto que segue: Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. o texto também não é uma simples sucessão de frases. que. dando coerência ao texto ² nesse caso.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ COERÊNCIA TEXTUAL. ou seja. Um dia. em Fortaleza não neva. Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras. não pudemos aproveitar a praia. Produzimos textos porque pretendemos informar. Uma afirmação como: ³Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão. pois o frio era tanto que chegou a nevar ´. ordenar. Quando isso ocorre.´ é coerente. Fortaleza. A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmentos textuais: cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte. 51 . será pressuposto para o(s) que lhe suceder(em). mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores. na esquina em que ficava. o contexto seria a ³anormalidade´ e prevaleceria a coerência interna da narrativa.

por exemplo. Esse texto. Mas nem todos explicitam de maneira clara em que consiste essa coerência. Outros casos de incoerência narrativa podem ocorrer. 2) coerência figurativa. sempre se aponta a coerência das ideias como uma qualidade indispensável para qualquer tipo de texto. isto é. Sabemos que a estrutura narrativa tem quatro fases distintas:(manipulação. portanto. é claro que esse outro deixou de possuí-lo. a fase em que de fato se realiza a ação. Vamos partir de exemplos de incoerências. competência. nada ilógico. Assim.que vinha em alta velocidade. Resumidamente. Essas quatro fases se pressupõem. nada contraditório. Um texto coerente é um conjunto harmônico. a fase em que se recebe a recompensa ou o castigo por aquilo que se realizou. nada desconexo. é incoerente relatar. mais simples de perceber. que roubaram de uma senhora um 52 . É incoerente narrar uma história em que alguém está descendo uma ladeira num carro sem freios. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. um sujeito só pode fazer alguma coisa (performance) se souber ou puder fazê-la (competência). Constitui. Vamos mostrar apenas três dos níveis em que a coerência deve ser observada: 1) coerência narrativa. parou um carro e levou o homem para o hospital. quando uma criança lhe corta a frente. salvou-lhe a vida. sanção. Se. a fase em que esse alguém adquire um poder ou um saber para realizar aquilo que ele quer ou deve. Todos os elementos do texto devem ser coerentes. performance. Carregou-o até a calçada. performance e sanção). que para imediatamente. perdeu a direção. como conseguiu carregar um homem corpulento até o carro? Quando se fala em redação. e como se pode consegui-la. 3) coerência argumentativa. sobre a qual tanto se insiste. O menino não pensou duas vezes. apresenta uma incoerência: se o menino era tão fraco que quase não podia carregar a cesta de amendoins. Coerência narrativa. depois de ser brecado. por exemplo. uma incoerência narrativa relatar uma ação realizada por um sujeito que não tinha competência para realizá-la. numa certa altura da narrativa. Coerência deve ser entendida como unidade do texto. Assim. a posterior depende da anterior. que era um homem corpulento. Correu para o carro e tirou de lá o motorista. competência. para mostrar o que é coerência. em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante. não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais. um personagem adquire um objeto de outro. vamos lembrar que manipulação é a fase em que alguém é induzido a querer ou dever realizar uma ação. Assim. de uma redação escolar. No texto coerente.

valiosíssimo colar de pérolas e, numa passagem posterior, sem dizer que ela o tenha recuperado, referir-se ao mesmo colar envolvendo o pescoço da mesma senhora numa recepção de gala. Um outro tipo de incoerência narrativa pode ocorrer em relação à caracterização dos personagens e às ações atribuídas a eles. No percurso da narrativa, os personagens são descritos como possuidores de certas qualidades (alto, baixo, frágil, forte), atribuem-se a eles certos estados de alma (colérico, corajoso, tímido, introvertido, apático, combativo). Essas qualidades e estados de alma podem combinar-se ou repelir-se, alguns comportamentos dos personagens são compatíveis ou incompatíveis com determinados traços de sua personalidade. A preocupação com a coerência e a unidade do texto pressupõe que se conjuguem apropriadamente esses elementos. Se na narrativa aparecem indicadores de que um personagem é tímido, frágil e introvertido, seria incoerente atribuir a esse mesmo personagem o papel de líder e agitador dos foliões por ocasião de uma festa pública. Obviamente, a incoerência deixaria de existir se algum dado novo justificasse a transformação do referido personagem. Uma bebedeira, por exemplo, poderia desencadear essa mudança. Muitos outros casos de incoerência desse tipo podem ser apontados. Dizer, por exemplo, que um personagem foi a uma partida de futebol, sem nenhum entusiasmo, pois já esperava ver um mau jogo, e, posteriormente, afirmar que esse mesmo personagem saiu do estádio decepcionado com o mau futebol apresentado é incoerente. Quem não espera nada, não pode decepcionar-se. É incoerente ainda dizer que alguém é totalmente indiferente em relação a uma pessoa e caiu em prantos quando soube que ela casou-se e viajou para o exterior. As incoerências podem ser utilizadas para mostrar a dupla face de um mesmo personagem, mas esse expediente precisa ficar esclarecido de algum modo no decorrer do texto.

Coerência figurativa.
Suponhamos que se deseje figurativizar o tema ³despreocupação´. Podem-se usar figuras como ³pessoas deitadas à beira de uma piscina´, ³drinques gelados´, ³passeios pelos µshoppings¶´. Não caberia, no entanto, na figurativização desse tema, a utilização de figuras como ³pessoas indo apressadas para o trabalho´, ³fábricas funcionando a pleno vapor´. Por coerência figurativa entende-se a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que mantêm entre si. As várias figuras que ocorrem num texto devem articular-se de maneira coerente para constituir um único bloco temático. A ruptura dessa coerência pode produzir efeitos desconcertantes. Todas as figuras que pertencem ao mesmo tema devem pertencer ao mesmo universo de significado.

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Suponhamos, a título de exemplo, que se pretenda figurativizar o tema do requinte e da sofisticação para caracterizar um certo personagem. Para ser coerente, é necessário que todas as figuras encaminhem para o tema do requinte. Pode-se citar, ao descrever sua casa: a lareira, o tapete persa, os cristais da Boêmia, a porcelana de Sèvres, o doberman ressonando no tapete, um quadro de Portinari e outras figuras do mesmo campo de significado. Constituiria incoerência figurativa gritante incluir nesse conjunto de elementos Agnaldo Timóteo cantando num CD um bolero sentimentalóide. Essa ruptura se justificaria se a intenção fosse o humor, a piada, a ridicularização, ou mostrar o paradoxo de que o requinte é apenas exterior. Sem essas intenções definidas de denunciar o paradoxo ou de ridicularizar, as figuras pertencentes a um mesmo tema devem articular-se harmoniosamente. Um último exemplo. Suponhamos que se queira mostrar a vida no Pólo Norte. Podemse para isso usar figuras como ³neve´, ³pessoas vestidas com roupas de pele´, ³renas´, ³trenós´. Não se podem, porém, utilizar figuras como ³palmeiras´, ³cactos´, ³camelos´, ³estradas poeirentas´.

Coerência argumentativa.
Quando se defende o ponto de vista de que o homem deve buscar o amor e a amizade, não se pode dizer em seguida que não se deve confiar em ninguém e que por isso é melhor viver isolado. Num esquema de argumentação, joga-se com certos pressupostos ou certos dados e deles se fazem inferências ou se tiram conclusões que estejam verdadeiramente implicados nos elementos lançados como base do raciocínio que se quer montar. Se os pressupostos ou os dados de base não permitem tirar as conclusões que foram tiradas, comete-se a incoerência de nível argumentativo. Se o texto parte da premissa de que todos são iguais perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem obrigadas a pagar imposto de renda. O argumentador pode até defender essas regalias, mas não pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei. Assim também é incoerente defender ponto de vista contrário a qualquer tipo de violência e ser favorável à pena de morte, a não ser que não se considere a ação de matar como uma ação violenta.

A ambiguidade.
A ambiguidade ocorre quando não se atenta para o fato de que uma construção frásica possibilita mais de um entendimento. Na maior parte das vezes, escreve-se sem perceber que a estrutura se tornou ambígua. Observe a seguinte frase: O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho. 54

Para quem redigiu a frase, com certeza, a ideia é clara; mas, para quem a lê, não há como saber o que de fato se deseja comunicar. Quem viajará para Belém? Da forma como a frase está redigida, não é possível afirmar se será Ronaldo, a equipe ou o coordenador. Um procedimento eficaz para evitar ambiguidades é a releitura e a revisão de tudo o que se escreve. Tal hábito não só evitará que erros grosseiros acabem passando , mas também permitirá que o texto ganhe em precisão vocabular e clareza nas opções sintáticas. Como resolver a ambiguidade citada acima? O problema está no uso do pronome relativo QUE sem uma delimitação concreta do seu antecedente.

O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho.
Sendo Ronaldo o antecedente, a mensagem é que ele viajará para Belém.

O coordenador da equipe de Ronaldo, apresentou as diretrizes do trabalho.

que viajará para a filial de Belé m,

Sendo a equipe o antecedente, a mensagem é de que ela viajará para Belém.

O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho.
Sendo o coordenador o antecedente, a mansagem é que ele viajará para Belém. Dessa forma, embora o pronome QUE esteja na preferência de uso dos pronomes relativos, não convém usá-lo em caso de ambiguidade, devendo-se optar pela forma equivalente O QUAL e suas flexões. Vale lembrar que não se devem usar indistintamente as formas com marca de gênero e número do pronome relativo, reservando-se para serem aplicadas nos casos de possíveis ambiguidades. Veja o exemplo a seguir:

O coordenador de Maria, que viajou ontem, já enviou os relatórios.
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A coordenadora de Maria. já enviou os Assim. a ambiguidade não se resolve. No caso acima. o qual viajou ontem. Vejamos a frase anterior: O coordenador da equipe de Ronaldo. qual.No caso acima. Ao se substiuir o QUE por O QUAL. a relatórios. Repare que a ambiguidade se mantém. já enviou os relatórios. apresentou as diretrizes do trabalho. esta. já enviou os relatórios. Há. utilizando os pronomes ESTE e AQUELE e suas flexões. Com o uso de A QUAL. Nesse caso. Contudo. então. aqu ela. viajou ontem. três possibilidades de redação para dar fim à ambiguidade: O coordenador da equipe de Ronaldo. Assim. pois continua-se sem saber quem enviou os relatórios. a qual viajou ontem. se o coordenador ou Ronaldo. 56 . O coordenador de Maria . é preciso igualmente especificar a quem o pronome relativo se refere. A coordenadora de Maria. apresentou as diretrizes do trabalho. fica claro que quem viajará será toda a equipe. por exemplo. Nesse caso. a ambiguidade também não se resolve. em função anafórica. é preciso especificar a quem o pronome relativo se refere. não resta dúvida de que foi Maria quem viajou. nem sempre é possível resolver a ambiguidade apenas substituindo o pronome relativo QUE. a qual viajará para a filial de Belém. se não houvesse oposição de gênero. já enviou os relatórios. Ao substituir o QUE por A QUAL. a qual viajou ontem. basta substituir o pronome relativo QUE por O QUAL (se se desejar dizer que quem viajou foi o coordenador) ou por A QUAL (se se desejar dizer que quem viajou foi Maria). que viajará para a filial de Belém. A coordenadora de Maria. a substituição do QUE por O QUAL / A QUAL não solucionaria o problema. se a coordenadora ou Maria. já enviou os relatórios. viajou ontem. a qual. uma vez que se continua sem saber quem viajou para Belém. O coordenador de Maria. não resta dúvida de que foi a coordenadora quem viajou.

viajará para a filial de Belém. adicionando-se o pronome ESTE. Entretanto. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Os relatórios dos funcionários. o qual. chegarão amanhã. Observe a frase a seguir e procure . enviaram os documentos necessários. viajará para a filial de Belém. o qual. a quem entregamos o livro. foi comprada recentemente. este. apresentou as diretrizes do trabalho. R-____________________________________________________________________ ______________________________ ______________________________________ ___________________________________________________________________ c) As secretárias das repartições. isso não será possível em todas as situações. adicionando-se o pronome AQUELE. que se encontra paralisada. aquele. Com o uso de O QUAL. resolver a falta de clareza. apresentou as diretrizes do trabalho. R±__________________________________ __________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ d) Os amigos de Mariana. fica claro que quem viajará será Ronaldo. é provável que se prefira reescrever a frase a acrescentar eleme ntos apositivos para eliminar a ambiguidade. realizando alterações. que precisavam ser cadastrados. Atividades práticas: 1) Elimine a ambiguidade das frases a seguir: a) A máquina da seção. O coordenador da equipe de Ronaldo. Em alguns casos. O tio de Pedro pediu a Paulo que encomendasse seus remédios. Com o uso de O QUAL. daí a necessidade de conhecer bem as possibilidades de evitá-la. 57 . que foram informadas. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Outro caso comum de ambiguidade ocorre com o pronome SEU. fica claro que quem viajará será o coordenador.O coordenador da equipe de Ronaldo. continham informações importantes a respeito da negociação.

De quem são os remédios? Do tio? De Pedro? De Paulo? R±_____________________________________________________ _______________ ____________________________________________________________________ 3) A partir das soluções encontradas no exercício anterior. Sérgio disse a Marcos que sua vaga estava garantida. duas maneiras de errar: raciocinando mal com dados corretos ou raciocinando bem com dados falsos. tira-se uma conclusão falsa. sendo resultado de uma argumentação mal formada.) O erro pode. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Antes que apresentasse seus papéis. e podem ser materiais. Para Garcia. na verdade. de modo a evitar a ambiguidade. Logo. Muitas vezes. Outro problema bastante grave na composição textual ocorre quando a argumentação se torna incoerente pelo uso de falácias. Este ocorre voluntariamente. portanto. a) O pai disse ao filho que não se esquecesse de seus documentos. mesmo que o raciocínio pareça coerente.(Haverá certamente uma terceira maneira de errar: raciocinando mal com dados falsos. Aquela. resultar de um vício de forma ± raciocinar mal com dados corretos ± ou de matéria ± raciocinar bem com dados falsos. corrija as frases a seguir. O bueiro está entupido. Othon Moacir Garcia aponta a natureza da falácia. quando se deseja propositalmente induzir o interlocutor a um pensamento enganoso. constituídas por raciocínios inválidos de natureza dedutiva ( ou seja. Entende-se por falácia um raciocínio falso. só há. ³ainda que cometamos um número infinito de erros. caindo no pensamento falacioso . que pode simular veracidade no discurso. quando ocorre erro por se ter apreciado erroneamente a matéria (os fatos). Exemplo: Se chover muito. quando ocorre erro resultante de um vício de forma). ignorando as demais possibilidades. peca-se pelo desvio do foco argumentativo. choveu muito.´ As falácias podem ser formais. quando se constroem os argumentos para comprovar as idéias num texto. fruto de um erro. do ponto de vista lógico. os bueiros entopem. contudo. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ As falácias. diferenciando-a do sofisma. ocorre involuntariamente. 58 . Vejamos os tipos de falácia: 1) Falácia da afirmação do consequente : De premissas possivelmente verdadeiras. Em seu livro Comunicação em Prosa Moderna.

5) Raciocínio circular (círculo vicioso) ou petição de princípios : Quando se apresenta a própria declaração como prova dela. vou usar óculos. O problema do falso axioma reside em criar máximas e frases feitas. Logo. acabam servindo de um raciocínio com verdade aparente. 6) Falácia do acidental : Ocorre quando se confunde o acidental com o essencial e vice-versa. 7) Falácia de ignorância da questão : Quando se deixa que a emoção. Exemplo: Meu vizinho costumava ter dores de cabeça.. Exemplo: Temperar carne de porco na hora de assar não dá bons resultados. Exemplo: A andorinha voa. a paixão e até mesmo a veemência desloquem a atenção do assunto. Exemplo: O réu não merece ser condenado por homicídio. Logo. pode levar a uma conclusão imperfeita. não choveu muito. temperar carne de porco é inútil. Exemplo: Depois de ir ao cinema. pois é um homem trabalhador. ou seja. fugindo aos fatos. 9) Falsa analogia : Como a analogia é uma semelhança. Logo. marido dedicado. é desnecessário comprovar por demonstração. nunca mais sentiu nada. 4) Falácia de oposição : Como no caso anterior. 8) Falácia da ignorância da causa : Quando se toma qualquer circunstância acidental como causa de um fato. tudo o que voa é andorinha. o cinema causa apendicite. O bueiro não está entupido. Exemplo: A verdade sai da boca das crianças.2) Falácia da negação do antecedente : Semelhante à anterior. Essa máxima pode ser empregada 59 . as pessoas tomarem para si explicações a partir do que aconteceu a outrem. que. É comum. quando se afirma a mesma ideia com outras palavras. para apelar a algo que comova ou irrite o interlocutor. gerando uma conclusão falsa.. ao raciocínio objetivo. Se eu tiver dor de cabeça. Logo. ela teve uma crise de apendicite. por causarem impacto. negando-se a primeira premissa. Logo. os bueiros entopem. Exemplo: É falso que toda criança mente. Quando se diz que o todo é maior que a parte. Exemplo: Se chover muito. Exemplo: Investir na Bolsa de Valores é perigoso porque é imprevisível e arriscado. nenhuma criança mente. não são respeitadas as leis da oposição. 10) Falsos axiomas: Por axioma entende-se um princípio de demonstração desnecessária. cumpridor de seus deveres civis. Depois que começou a usar óculos. pai de família. não se respeitam as leis de oposição. 3) Falácia de conversão : Neste caso. por ser evidente. no dia-a-dia.

ou Queríamos duas modificações: que a data de entrega fosse antecipada e que o orçamento fosse revisto. na língua escrita. deve-se reescrever a frase de uma das maniras a seguir: Queríamos duas modificações: a antecipação da data de entrega e a revisão do orçamento. a leitura do texto. Ou se mantém a estrutura nominal ou a estrutura oracional. assim se se focaliza apenas a significação externa das palavras concentrada no radical. ou seja. Observe a frase a seguir: A administração de empresas se apresenta hoje como uma boa opção de carreira porque há excelente remuneração no mercado e porque seu pai 60 . ou morfologia. na língua oral. Trataremos. não apontar elementos incongruentes como adição ou oposição. da necessidade de se manter o paralelismo sintático e semântico. para evitar um discurso falacioso. Em regra. deve-se procurar manter o paralelismo semântico. Mais precisamente é o estudo dos morfemas. e. que permitem a apreensão linguística pela distinção acústica dos elementos enunciados. Observe a frase a seguir: Queríamos duas modalidades: a antecipação da data de entrega e que o orçamento fosse revisto. que é DETERMINADO). se for apresentada como irrefutável de demonstração. e da grafia correspondente. Assim. e dos processos de estruturação do sintagma (conjunto binário em que um elemento DETERMINANTE cria um elo de subordinação com outro elemento. Sempre deve haver correlação sintática e semântica entre termos que se somam ou se opõem num texto.para manipular a verdade. Entendendo: 1) Sintaxe ± estudo de uma língua examinada como sistema de meios de expressão. e carente Paralelismo Sintático e Semântico. Os termos que se relacionam mantêm paralelismo semântico. Pode-se acrescentar o estudo dos traços fônicos. Da mesma forma. aqui. mas não sintático. 2) Semântica ± estudo da significação das formas linguísticas.

bem como textos que apresentam mecanismos de coesão. fome. não serve de justificativa para a carreira de administrador de empresas ser uma boa opção. Corrupção. unidas por ³e´. mas é a coerência que lhe dá sentido. o que não ocorre com a segunda. Mas o paralelismo semântico não é mantido. violência. A coesão textual é elemento facilitador para a compreensão do texto. mas coerentes.sempre gostou de finanças.. Podemos ter textos desprovidos de elementos de coesão.. Atividades práticas: 1) Complete as frases a seguir com dois elementos. Cuidado para não construir falácias! a) Votamos em candidatos honestos porque ___________________________________ e ___________________________________ b) Escolhemos dois comportamentos que você precisa adotar: ____________________ __________________ e ___________________________________ 2) Complete as frases a seguir com argumentos sólidos. observando os paralelismos sintático e semântico. Observe: Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar Um homem vai devagar. não-falaciosos: a) É necessário diminuir as horas de improdutividade na empresa porque ____________ _______________________ _______________________________________________ b) Nunca nadamos duas vezes nas mesmas águas de um mesmo rio porque __________ _____________________________________________________________________ c) É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço destinado a ele porque _________ ____________________________________________________________________ COERÊNCIA E COESÃO. as janelas olham. O novo milênio começa mal! Texto de abertura de um grande telejornal. facilmente se cai num raciocínio falacioso. A primeira justificativa constitui um verdadeiro argumento para afirmativa anterior. criminalidade. ( O fato de seu pai sempre ter gostado de finanças.) Como o paralelismo semântico não é mantido. mas que não são coerentes. 61 . Repare que ocorre um paralelismo sintático. Um cachorro vai devagar Um burro vai devagar Devagar. guerras. pois são construídas duas orações causais.

1967. o sentido dos textos deve-se à coerência global.Êta vida besta. como. a coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que foi anteriormente apresentado. qualquer que seja a tese que defendamos. expusermos argumentos. sejam eles narrativos. a legalização do aborto. opiniões. dermos exemplos e dados contrários à privatização de empresas estatais. meu Deus. ou seja. que decorre da situação de comunicação (telejornal) e do gênero textual (poesia). ed. descritivos ou dissertativos. No entanto. No entanto. tornando o texto incoerente. Se. exemplos. estabelecendo um tipo de relação entre as duas orações. pois tal conclusão estaria em contradição com os pressupostos apresentados. 3a. mas da própria concatenação das ideias apresentadas na argumentação. o texto é incoerente. temos a conjunção mas funcionando como importante elemento coesivo. em que estão presentes convicções de natureza étnica e religiosa que variam de indivíduo para indivíduo. a pena de morte. nas relações semânticas e gramaticais entre as partes do texto. a coerência se manifesta no plano das ideias. O que importa nesse caso não é a tese em si. A coerência deve estar presente em todos os tipos de texto. num texto dissertativo. Rio de Janeiro: José Aguilar. Portanto. não poderemos apresentar como conclusão que o Banco do Brasil deva ser imediatamente privatizado. mas perdeu. dos conceitos. Na produção de textos dissertativos. mas a coerência textual ou seja. pois não há relação de adversidade pelo fato de o time não ter jogado bem e o de ter perdido. Tanto o texto de abertura do telejornal como o poema de Carlos Drummond de Andrade são estruturados a partir de enumerações. por exemplo. ANDRADE. pois como vimos as pessoas têm ² felizmente ² opiniões diferentes sobre um mesmo tema. muitas vezes discutimos assuntos polêmicos. Poesia completa & prosa. o que dispensa os elementos coesivos. Carlos Drummond de. a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação. Coerência dissertativa. Já em: O time não jogou bem. Na dissertação apresentamos argumentos. Enquanto a coesão se manifesta no plano linguístico. Nesse tipo de texto. dados. Atividades práticas: Textos para as questões 1 e 2: 62 . sempre haverá pessoas que discordarão dela. a fim de defender determinada ideia ou questionar determinado assunto. por exemplo.

1) 1) O texto faz referência às incoerências ocorridas na apresentação de um capítulo da novela Porto dos Milagres. e Félix se molha de novo. Cláudia. batatas fritas. Já as longas madeixas de Lívia. o rosto e a roupa de Félix ficam secos. encharcada. Enquanto empresários. cumprimentando-o. da Rede Globo. 2001. se esquece da continuidade. 25 fev. sob uma tempestade. que estava no mar. Enquanto isso. crianças comemoravam um aniversário com hambúrgueres. sob a tempestade. em um elegante e caro restaurante em que era o preferido dos altos executivos de empresas do ramo de telecomunicações. Cena 2: A chuva para. Folha de S. encharcado. Leu no jornal que seu amigo havia entrado na faculdade e acordou bem cedo. um grupo musical cantava música sertaneja e pagode. Paulo ligou para o amigo. apesar de investir em tecnologia para dar realismo à tempestade no mar. mostram que a Globo. selavam o acordo.³Secador dos milagres´ estraga cena de chuva. Sua tarefa será apontá-la e explicá-la. a) Naquela manhã. Aponte essas incoerências. ³ducha fria´ ? R-____________________________________________________________________ 3) Os textos seguintes apresentam algum tipo de incoerência. como que por milagre. Lívia (Flávia Alessandra) está no mar revolto. ³banho de desatenção´ . estão praticamente secas. exibidas segunda em ³Porto dos Milagres´. (CROITOR. O homem se vai. O paletó de Félix já está seco.Paulo. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Com que intenção a autora empregou as expressões ³secador dos milagres ´. R-____________________________________________________________________ ___________________________________________________ _________________ b) A reunião para o acerto da venda das ações ocorreu num jantar. Novo milagre. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 63 . sobre as quais colocavam bastante catchup. Seu capataz chega no guarda-chuva e. Que banho de desatenção! Esse continuista bem que poderia tomar uma ducha fria para acordar. em voz baixa. Na mesa ao lado. embora seus cabelos ainda estejam molhados. As cenas. Cena 1: Félix (Antonio Fagundes) está no cais.

recebi uma carta repleta de conselhos. a)³Pela tarde chegou uma carta a mim endereçada. já que conselhos não interessam para mim pois sei cuidar da minha vida. como também tem por cenário outras regiões do país. 30 mar. Folha de S. É o que se pode observar em seus romances regionais. sem dúvida. Dentro só tinha uma folha. pois sua obra não só é a vida urbana do Rio de Janeiro. estava vazio. R-____________________________________________________________________ 64 .Paulo.´ R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) ³Eu não ganhei nenhum presente. em branco.´ R-____________________________________________________________________ _________________________________ ___________________________________ 4) A tira seguinte retrata mais uma cena do atribulado cotidiano de Jon e seu guloso Gato Garfield. meu retrato de pôster e um CD dos Beatles. DAVIS. R-___________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Nos textos seguintes há algum tipo de incoerência. 2000.c) Machado de Assis é.´ R-____________________________________________________________________ _____________________________________________________ _______________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) ³ Pela manhã. O envelope não tinha nada dentro. Aponte-a e comente-a. Jim. Era uma carta em branco e não liguei para os conselhos. só ganhei uma folha em branco. um dos maiores escritores brasileiros. abri-a correndo sem nem tomar fôlego. Garfield. a) Explique em que está centrado o humor da tira.

Como o sistema não podia prescindir da mão-de-obra escrava. as quais são chamadas conectivos ou elementos de coesão. pois. mas estritamente interligados entre si: ao se ler.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O texto falado por Jon é gramaticalmente coeso? Por quê? R-____________________________________________________________________ _______________________________________ _____________________________ ____________________________________________________________________ c) Sem alterar a estrutura gramatical. que um texto tem coesão quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si. Sua função no texto é exatamente a de pôr em evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. Essas relações de sentido são manifestadas sobretudo por certa categoria de palavras. os enunciados desse texto não estão amontoados caoticamente. isto é. Diz-se. Como se pode observar. sobretudo para a produção agrícola. nem perdemos a noção de conjunto. a conexão entre os vários enunciados obviamente não é fruto do acaso. observe-se o texto que vem a seguir: É sabido que o sistema do Império Romano dependia da escravidão. substitua a conjunção portanto por outra coordenativa. É sabido ainda que a população escrava era recrutada principalmente entre prisioneiros de guerra. percebe-se que há conexão entre cada uma das partes. mas das relações de sentido que existem entre eles. foi necessário encontrar outra forma de manter inalterada essa população. quando há concatenação entre eles. R-____________________________________________________________________ Coesão textual (1. de modo a tornar a fala de Jon mais coerente. não nos perdemos por entre os enunciados que o constituem. a pacificação das fronteiras fez diminuir consideravelmente a população escrava. Em vista disso.) Quando lemos com atenção um texto bem construído. Com efeito. é possível perceber a conexão existente entre os vários segmentos de um texto e compreender que todos estão interligados entre si. 65 . A coesão de um texto. A essa conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto dá-se o nome de coesão. A título de exemplificação do que foi dito.

como o nome indica. A coesão no período composto. e a oração principal é: devem abandonar a cidade. quando. A palavra ainda no primeiro parágrafo (³ É sabido ainda que ´. ela. quando não. O segundo parágrafo inicia-se com a expressão em vista disso.. isto é: foi necessário encontrar outra forma de fornecimento de escravos porque o sistema não podia prescindir deles. devem abandonar a cidade. é a conjunção se). vamos comentar sua funcionalidade em algumas situações concretas da língua e mostrar como o seu mau emprego pode perturbar a compreensão..) serve para dar continuidade ao que foi dito anteriormente e acrescentar um outro dado: que o recrutamento de escravos era feito junto dos prisioneiros de guerra. lá. aquele. embora. São várias as palavras que. produzem um sentido obscuro. 66 . que estabelece uma relação de implicação causal entre o dado anterior e o que vem a seguir: a pacificação das fronteiras diminui o fornecimento de escravos porque estes eram recrutados principalmente entre os prisioneiros de guerra. por. tornando certas passagens incompreensíveis. para. que manifesta uma outra relação causal. Para dar ideia da importância desses elementos na construção das frases e do texto. assumem a função de conectivo ou de elemento de coesão: as preposições: a. que indica a finalidade que se quer atingir com a expulsão das indústrias poluentes (o conectivo é a conjunção para que). que. depois da oração principal segue uma terceira oração. etc. O uso adequado desses elementos de coesão confere ao texto e contribui consideravelmente para a expressão clara das idéias. para que as boas condições de vida sejam preservadas. que. de acordo com as regras do sistema linguístico. etc. se não estiverem estruturadas com coesão. Esse período consta de três orações. mas. antes da principal vem uma oração que estabelece a condição que vai determinar a obrigação de as indústrias abandonarem a cidade (o conectivo. os advérbios: aqui. aí. assim. incompreensível. e. pode-se observar a função de alguns desses elementos de coesão. seu. as conjunções: que. O terceiro parágrafo inicia-se pelo conectivo como. O uso inadequado sempre tem efeitos perturbadores. para que. no caso. os pronomes: ele. é constituído de várias orações.No caso do texto citado acima. O período composto. ou. esse. num texto. este. o qual. de. sua.. com. O período que segue é plenamente compreensível porque os elementos de coesão estão bem empregados: Se estas indústrias são poluentes.

a quarta à terceira. não é preciso analisar sintaticamente cada período que se constrói. No segundo período. os alunos constroem períodos incompreensíveis. (4) Cínica porque a sonegação. Ao escrever. A segunda oração está subordinada àquela que seria a primeira. TEXTO COMENTADO. nas suas redações. 2) que tenta mostrar a todos: oração subordinada adjetiva. Para evitar deslizes como o apontado. uma vez escrito o enunciado. Um argumento cínico. (2) Como pretexto. referindo-se ao termo homem. A escolha do conectivo adequado é importante. uma vez que seu pai se opusera à realização. A primeira oração está incompleta. no entanto. por descuidarem dos princípios de coesão. 3) que a corrida armamentista é uma loucura: oração subordinada substantiva objetiva direta. por exemplo. No primeiro período temos: 1) o homem. é ele que manifesta as diferentes relações entre os enunciados. a invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. como nos exemplos que seguem: O homem que tenta mostrar a todos que a corrida armamentista que se trava entre as grandes potências é uma loucura. O aluno colocou o termo a que se refere a segunda oração. A escrita não exige que os períodos sejam longos e complexos. mas que sejam completos e que as partes estejam absolutamente conectadas entre si. é cínica e improcedente. graves porque o período fica incompreensível. Basta usar a intuição linguística que todos os falantes possuem e reler o que se escreveu. (3) Como argumento. devemos ter claro o que pretendemos dizer e. Ao dizer que todo o desejo de que os amigos viessem à sua festa desaparecera. já que é ele que determina a direção que se pretende dar ao texto. a terceira é subordinada à segunda. Não é raro. ocorrerem períodos desprovidos da oração principal. preocupado com verificar se tem sentido aquilo que acabou de ser redigido. não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que 67 .Muitas vezes. Falta-lhe o predicado. que nesse caso se pratica. (1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. só ocorrem orações subordinadas. começou uma sucessão de inserções e ³esqueceu-se´ de desenvolver a ideia principal. todos sabemos que uma oração subordinada pressupõe a presença de uma principal. Ora. devemos avaliar se o que foi escrito corresponde àquilo que queríamos dizer. 4) que se trava entre as grandes potências: oração subordinada adjetiva.

como pretexto (falsa razão).os que vivem de salário. mesmo querendo. vamos fazer o comentário dos vários argumentos tomando por base cada um dos períodos que compõem o texto: 1º período: Expõe o argumento que os sonegadores invocam para não pagar impostos: eles alegam que não os pagam porque o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores desonestos e incompetentes. é preciso pagar. (8) Antes. longe de fazer melhores os maus governos. uma falsa justificativa usada em proveito próprio. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda. 2º período: O enunciador admite que. sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento. além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que. (9) É muito cômodo. não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação. uma hipocrisia. essa justificativa é insuperável e tem aparência de elevado espírito cívico. (6) E sem serviços públicos essenciais. isto é. ( VILLELA. por exemplo. 6º período: O conectivo ³e´ introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior. sejam eles bem ou mal administrados. 68 . reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. 25 set. 1985) O produtor desse texto procura desmontar o argumento dos sonegadores de impostos que não os pagam sob a alegação de que os administradores do dinheiro público são incompetentes e desonestos. mas não deixa de ser. Observe-se que o produtor do texto começa a desautorizar esse argumento ao considerá-lo um ³confortável pretexto´. como argumento. estimula-os à prepotência e ao arbítrio. o enunciador expõe a causa pela qual considera cínico o argumento: é cínico porque a sonegação não é substituída por outro tipo de contribuição que atenda à necessidade de recursos do Estado.atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários. Por uma razão prática. 5º período: O conectivo ³ora´ dá início a uma argumentação que se manifesta contrária à ideia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos. 4º período: Através do conectivo ³porque´. é cínica e improcedente. não há escolas ou hospitais. não há transportes. 3º período: O conectivo ³no entanto´ (de caráter adversativo) introduz uma argumentação contrária ao que se admite no período anterior: a justificativa para sonegar impostos. Veja. até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. não têm como dela fugir . João Baptista. (5) Ora. no fundo.

R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Uma seca desoladora assolou a região sul. estabelece uma relação de contradição entre as duas passagens: de um lado. Quando caem as chuvas. como os assalariados. usando para isso os elementos de coesão adequados.7º período: Depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico. Vai faltar alimento e os preços vão disparar. Retire o ponto final e estabeleça entre eles o tipo de relação que lhe parecer compatível. 10º período: O conectivo ³ ou ´ inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita: é hipocrisia reclamar do mau uso de um dinheiro para o qual nossa colaboração foi abaixo daquilo que devia ser. é cômodo reclamar contra o mau uso do dinheiro público. o que já foi afirmado no terceiro período. estimula-os à prepotência e ao arbítrio. 1) O solo do nordeste é muito seco e aparentemente árido. O motivo da improcedência vem expresso por uma oração causal iniciada pelo conectivo ³porque : a justificativa para sonegar é improcedente porque a sonegação. 9º período: O conectivo ³mas´ (adversativo). os períodos compostos bem estruturados e os conectores usados de maneira adequada dão coesão ao texto e consistência à argumentação. que liga a oração ³É muito cômodo´ à oração ³não deixa de ser uma hipocrisia´. Como se vê. que inicia o período. apresentamos alguns segmentos de discurso separados por ponto final. ao invés de contribuir para melhorar os maus governos. o conectivo ³além de´ introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação: ela agrava a carga tributária dos que. de outro. não têm como fugir dela. isso não passa de hipocrisia quando não se colaborou com a arrecadação desse dinheiro. No mesmo período. imediatamente brota a vegetação. Atividades práticas: Questões de 1 a 4: Nas questões de 1 a 4. 8º período: O conectivo ³antes´. significa ³ao contrário´ e introduz um argumento a favor da necessidade de pagar impostos. principal celeiro do pais. o enunciador passa a demonstrar que é também improcedente. R-____________________________________________________________________ ______________________________________________________ ______________ 69 . O conectivo ³até mesmo´ dá início a um argumento que reforça essa necessidade.

como se não existisse perigo algum. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 6) As pessoas caminham pelas ruas. mas o policial continua folgadamente tomando o seu café no bar. despreocupadas. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) O trânsito em São Paulo ficou completamente paralisado dia 15. Fortíssimas chuvas inundaram a cidade. das 14 às 18 horas. Uma seca desoladora assolou a região sul. apesar de que já se pense em racionamento de água e energia elétrica. A palavra ou expressão conectiva inadequada vem em destaque. pois o estado do gramado do Maracanã não é dos piores. isto é. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 7) Talvez seja adiado o jogo entre Botafogo e Flamengo.____________________________________________________________________ 3) Inverta a posição dos segmentos contidos na questão 2 e use o conectivo apropriado: Vai faltar alimento e os preços vão disparar. principal celeiro do país. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Questões 5 a 8: As questões de 5 a 8 apresentam problemas de coesão por causa do mau uso do conectivo. 5) Em São Paulo já não chove há mais de dois meses. Procure descobrir a razão dessa impropriedade de uso e substituir a forma errada pela correta. da palavra que estabelece a conexão. R-____________________________________________________________________ 70 .

R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Coesão textual (2). O que se coloca como mais importante no uso desses elementos de coesão é que cada um deles tem um valor típico. Nesta lição. O porém. Ao escrever. 1) O papel dos elementos de coesão.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 8) Uma boa parte das crianças mora muito longe. dando continuidade à anterior. ao redigir. faz sentido o uso do porém. conclusão. criando. Observe-se o exemplo que segue: Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura. mas. a exportação de produtos agrícolas não pode ser vista como a causa de Israel ter um solo árido. Muitas pessoas. não atentam para as diferentes relações que os elementos de coesão manifestam e acabam empregando-os mal. vamos ainda tratar da coesão do texto e do uso dos elementos linguísticos adequados para estabelecer conexões entre os vários enunciados do texto. 71 . Dessa forma. manifesta que um contraria o outro. estabelecem entre elas um certo tipo de relação semântica: causa. dessa forma. porém chega a exportar certos produtos agrícolas. por exemplo. De fato. paradoxos semânticos. isto é. No caso. com efeito. cada elemento de coesão manifesta um tipo de relação distinta. assim. onde ocorre o grande número de desistências. deve-se ter o cuidado de usar o elemento apropriado para exprimir o tipo de relação que se quer estabelecer. com isso. Consideramos como elementos de coesão todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos. condição. daí. portanto. já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. que serve para indicar causa. para criar relações entre segmentos do discurso tais como: então. aí. contradição. ora. vai à escola com fome. já que. Seria descabido permutar o porém pelo porque. embora e tantas outras. finalidade. presta-se para manifestar uma relação de contradição: usado entre dois enunciados ou entre dois segmentos do texto. etc. porque. Além de ligarem partes do discurso.

d) Aliás. Ao dizer: Este trator serve para arar a terra e para fazer colheitas o e introduz um segmento que acrescenta uma informação nova. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos. f) Mas. A coesão do texto é afetada quando se usa o elemento de coesão inadequado. de um uso inadequado. isto é. Vejamos. constitui pura repetição e deve ser evitada. e) Isto é. Porém. são formas linguísticas portadoras de significado e exatamente por isso não se prestam para ser usadas sem critério. O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. Quer dizer. Se não acrescentar nada. Por isso seu uso é apropriado. Trata-se. confirmar ou ilustrar o que se disse antes. Ou seja. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar. as relações que alguns elementos de coesão estabelecem: a) Assim. Em outras palavras: introduzem esclarecimentos. ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer. Mas. a título de exemplo. ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes. Contudo e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre 72 . acrescenta algum dado novo. Pelo contrário. c) Ainda: serve. para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão. retificações ou desenvolvimentos do que foi dito anteriormente. de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade. O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. como se fosse desnecessário. Além disso: introduzem um argumento decisivo. indica uma progressão semântica que adiciona. Além do Mais. portanto. desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. sem nenhuma consequência. ao dizer: Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar o segmento introduzido pelo e não adiciona nenhuma informação nova.Esses elementos não são formas vazias que podem ser substituídas entre si. entre outras coisas. Muitos jornais fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos. b) E: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes. Assim. Além de Tudo. apresentado como acréscimo. justamente para dar o golpe final no argumento contrário.

ou. O homem é ambicioso. Pode-se conseguir. Como se nota. que. a moradia. O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição. sem negar as possíveis objeções. o mas passa a estabelecer uma relação de contradição entre ser mulher e ser capaz. como mesmo. pés velozes como o raio. cria-se o paradoxo semântico provocando determinados efeitos de sentido. até. a cultura. pressupõe-se que as mulheres não sejam capazes. Não se podem ligar. Observe-se o exemplo: Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis. h) Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. do próprio semelhante. até mesmo do futuro e da morte. mas não o suficiente para se começar o plantio. Sirva de exemplo uma passagem como esta: Ela é mulher. afirma-se uma desvantagem maior. como ao menos. convém dizer que. mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência. Para encerrar essas considerações sobre o uso dos elementos de coesão. Nos dois casos. deixa o enunciado descabido. no entanto. um efeito de humor ou de ironia ou revelar preconceitos estabelecendo-se uma relação de contradição entre dois segmentos que. pelo menos. Ainda que. vamos resolver o problema da fome. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso. até mesmo. se não houver. afirma-se um ponto de vista contrário. mas é capaz. a oposição se faz entre significados implícitos no texto. Exemplo: Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis. não são vistos como contraditórios. no mínimo. segmentos que não se opõem. Essa relação revela humor ou preconceito do enunciador. ou É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer. g) Embora. o alimento e a saúde. olhos de longo alcance e asas para voar. Mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. não resolveram o problema das injustiças. a liberdade. Alguns. às vezes.dois enunciados ou dois segmentos do texto. da ciência. por exemplo. usualmente. 73 . Choveu na semana passada. Às vezes. Quer ser dono de bens materiais. no mínimo. Como se nota. situam alguma coisa no topo da escala. outros. com esses relatores. situam-na no plano mais baixo.

cujo). este é calmo. Quando um elemento anafórico está empregado num contexto tal que pode referir-se a dois termos antecedentes distintos. 2) A retomada ou a antecipação de termos. dessa feita. sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra ³ José ´. por exemplo. como na frase que segue: Via ao longe o sol e a floresta. ³ Este ´ e ³ aquele ´ são chamados anafóricos.É claro que o uso desses paradoxos deve ser feito com cuidado e dentro de um contexto que não dê margem a ambiguidades. São anafóricos. Anafórico. Na escrita. O termo este retoma o nome próprio ³ Renato ´. aquele é explosivo. esse. Para desfazer a ambiguidade. como. Outros exemplos de ambiguidade: Encha seu filho de bolachas! E prefira Aymoré! O garçom pergunta a um sujeito que entra no bar: O senhor. são muito diferentes. apesar de serem gêmeos. que tingia a paisagem com suas variadas cores. etc. o qual. apela-se para outras formas de construção da frase. acima. onde. os pronomes demonstrativos (este. atrás). Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário. genericamente. Por exemplo. isso provoca ambiguidade e constitui uma ruptura de coesão. No caso. aquele). pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto. o pronome que pode estar se referindo a sol ou a floresta. No caso. o que toma? 74 . por exemplo: A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou descordo com o PMDB. é preciso tomar cuidado para que o leitor perceba claramente a que termo se refere o elemento anafórico. ou também para antecipar termos que virão depois. os pronomes relativos (que. O uso do pronome relativo pode também provocar ambiguidade. Observe o trecho que segue: José e Renato. advérbios e expressões adverbiais (então.

Há frases das redações escolares em que simplesmente não há coesão nenhuma. o salário aqui é muito baixo.. Qualquer que seja a causa. 75 . Ah.. aos sábados. Diante desse quadro. o médico tem o dever de alertar a população para os perigos ocultos em cada remédio. bom! Vamos ver. Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para combater doenças de fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional. sem que. Cerca de 40% das vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a pessoas que se automedicam.. A indústria farmacêutica de menor porte e importância retira 80% de seu faturamento da venda ³livre´ de seus produtos . uma cervejinha com os amigos. estou me sentindo sozinho. TEXTO COMENTADO Um arriscado esporte nacional. faça junto com essas advertências uma sugestão para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas médicas. mas esse problema jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente. que é que você tem? Eu? Nada. citada pela Profa. É o que ocorre nesta frase.isto é. de ter casa na praia. Maria Tereza Fraga no seu livro sobre redação no vestibular: Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da sinceridade de quem as escreveu.o que eu perguntei é o que o senhor gostaria! Ah. o enunciado fica desconexo porque o pronome o qual não recupera antecedente algum. fascinação pelo mundo maravilhoso das drogas ³novas´ ou simplesmente para tentar manter a juventude.diz o garçom . necessariamente. remédio para combater minha dor nas costas e. bom! Eu gostaria de ser rico. leitura. só um pouco chateado porque o meu time perdeu. Acredito que a maioria das pessoas se automedica por sugestão de amigos. já que de médico e louco todos temos um pouco....Ele responde: Eu tomo uma vitamina pela manhã. Como se vê. Acho que o senhor não me entendeu . das vendas realizadas sem receita médica. os resultados podem ser danosos. Os leigos sempre se medicaram por conta própria. não. de viajar bastante. O que eu quero saber é o que o senhor quer para beber! Diz o garçom já irritado.

é um anafórico. É evidente que este comentário estudará então apenas um aspecto do texto. Opõe-se a pouco. - Linha 1: e . cálcio. o advérbio jamais nega a existência dessa igualdade e põe à mostra o fato de que o fenômeno hoje é mais preocupante do que era antes. Como a finalidade desta lição é o estudo dos elementos coesivos.marca uma relação de alternância (e/ou): todos os elementos podem ocorrer.introduz uma justificativa para o que se disse na oração anterior. Geraldo. Veja. como .introduz uma interrogação retórica que retoma a argumentação desenvolvida anteriormente. por exemplo. - Linhas 2 e 3: tão.indica a exclusão de um fato que poderia constituir um argumento contrário ao que se afirmou anteriormente. 1985) No comentário deste texto.coloca um argumento mais forte em favor do que foi dito: os leigos sempre se automedicam. Quem age assim está ensinando bactérias a se tornarem resistentes a antibióticos. E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega a uma farmácia e pede ao rapaz do balcão que lhe aplique uma ³bomba´ na veia. Linha 7: isto é . que um simples resfriado ou uma gripe banal leve um brasileiro a ingerir doses insuficientes ou inadequadas de antibióticos fortíssimos. 18 dez. 76 . Há uma oposição de intensidade entre as duas orações. mas hoje se automedicam mais. Linha 22: tudo isso . Linha 10: sem que . Linha 1: já que . poderá receber na corrente sanguínea soluções de glicose. - Linha 2: mas . a orientação seria no sentido da restrição da propriedade. Um dia. - Linha 6: que . Se se dissesse ³de médico e louco todos temos pouco´.É comum. este não funcionará. Linha 15: ou . vamos nos limitar à análise do uso de alguns conectivos e anafóricos.é um marcador de comparação: o fenômeno da automedicação jamais foi tão preocupante como o é atualmente.liga dois atributos que ocorrem simultaneamente. produtos aromáticos . . reservados para infecções graves e com indicação precisa.é um anafórico e um afirmador de totalidade universal. para cortar a gripe pela raiz? Com isso. quando realmente precisar do remédio. vitamina C.introduz uma explicação a respeito do que é a venda ³livre´ dos produtos farmacêuticos.orienta no sentido da afirmação da propriedade. Retoma os elementos citados no contexto imediatamente anterior: todos os elementos da ³bomba´ para cortar a gripe são perigosos. Embora se trate de um comparativo de igualdade. Linha 2: um pouco . seu objetivo se cumpre em nossos comentários. (MEDEIROS. embora não simultaneamente.tudo isso sem saber dos riscos que corre pela entrada súbita destes produtos na sua circulação. . Linha 19: E . cujo antecedente é pessoas.

77 . algodão entre outros _____________________ não se escolha o removedor errado. ______________________não estragam nem tampouco alteram a cor do tecido. Atividades práticas: 1) Preencha os espaços do texto. lã. farinha de trigo e mata-borrão) podem ser utilizados em qualquer tipo de roupa. ________________________________. e que sirvam de conectores de coesão para os períodos e parágrafos. que roupas de tecido muito fino ou delicado não fiquem expostas diretamente ao sol ___________________________ estão secando. 5-7-92) que ± como ± se ± para que ± porque ± dessa forma ± por outro lado ± já ± apenas ± por isso ± quando ± outros ± assim como ± pois ± portanto.Releia o texto e observe que uma consistente coesão textual é um poderoso expediente de argumentação. esta ficará impregnada e dificilmente será removida. A água sanitária. é indispensável ____________ se faça um teste. ácido acético. houver alguma sujeira no tecido. ____________ podem alterar a cor do tecido ___________ os descolorantes tipo amônia. ATENÇÃO: Nenhuma se repete e nem é omitida! Manchas podem ser eliminadas. _________________a seda. água oxigenada e sanitária devem ser aplicados com bastante cautela. a caneta estourou e o chiclete grudou? Não desanime. seda. ____________ por acaso. estes e muitos outros problemas de manchas! O primeiro passo é identificar o tipo de sujeira. A remoção da mancha deve ser efetuada antes da lavagem. O molho sujou. ou solucionar problemas que atormentam as donas-de-casa ___________________________. Existem. (City News. deve ser usada ____________________ em roupa branca. removedores absorventes (talco. ____________________________. Sugere-se. livros como Sebastiana Quebra -Galhos estão sempre esgotados nas prateleiras das livrarias. várias técnicas bem caseiras para eliminar manchas. ______________________ cuidados precisam ser considerados. _______________________ o tecido-linho. pó de giz branco. Os solventes não devem ser usados em tecidos finos. adequadamente. 2) Transforme o par de períodos simples em composto. Uma boa dica para os marinheiros de primeira viagem é nunca passar a ferro uma roupa que já foi usada pelo menos uma vez. utilizando-se das expressões indicadas abaixo. por completo. __________________________. Da mesma forma. prevenindo um erro ou até a danificação de toda a peça. utilizando conjunções ou pronomes relativos adequados. Alguns segredos podem sanar. por exemplo. na costura interna ou em uma amostra do tecido.

O pássaro que vi. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ g) Fomos ao jardim. A menina gosta do rapaz. discutiu-se a candidatura. usando para isso os elementos de coesão adequados. R-____________________________________________________________________ f)Essa empresa de comunicação foi premiada. O técnico Luís Felipe precisará de muita competência para resolvê-los. morreu. Retire o ponto e estabeleça entre eles o tipo de relação que lhe parecer compatível. R-____________________________________________________________________ h) Estive na reunião. a) A atual seleção brasileira começou a temporada com problemas. O jornal da empresa deu a grande notícia. O projeto do engenheiro foi premiado.________________________________________________ ____________________ i) O filho agora está viajando. R-____________________________________________________________________ j) O engenheiro é muito competente.Modelo: O pássaro morreu. R-____________________________________________________________________ e) O rapaz é dentista. Através do jardim vê-se o mar. O pai do rapaz é famoso. R-________________________________________________ ____________________ c) Eu vi o rapaz. O homem é feliz. R-____________________________________________________________________ b) O colégio é grande. Estudei nesse colégio. O diretor não perdoa desaforos. a) O homem trabalha. R-____________________________________________________________________ d) O jardim é bonito. R-____________________________________________________________________ 3) Seguem discursos separados por ponto final. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O diretor é capaz de engolir sapos. A mãe não deixa de pensar no filho. Na reunião. R-____________________________________________________________________ 78 . Nos canteiros do jardim havia belas flores. R. Eu vi o pássaro.

as pessoas expõem-se ao sol. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Leia o texto que segue e responda às questões propostas: João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina. viu um cavalo que descia para a sua casa. R-____________________________________________________________________ e) Seleção de vôlei vence Estados Unidos. Na noite em que completava trinta anos. correu até ele. verificou que o cavalheiro era seu filho Guilherme. R-__________________________________ __________________________________ f) Meu filho mais velho é diplomata. que há vinte anos tinha partido para alistar-se no exército. Ao olhar de mais perto. Um incêndio atingiu suas casas. As árvores e as folhagens não o permitiam ver distintamente. Desde o pé da colina. O sol traz malefícios à pele. desmontou imediatamente. entretanto observou que o cavalo era manco. ao ver seu pai. se espalhava em todas as direções. todos sabem dos prejuízos que o sol traz à pele. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ j) Para ganhar um bronzeado irresistível. lançando-se nos 79 . até o horizonte. chegou pontualmente. João. e em todo esse tempo. Ela. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ d) Ninguém acreditava. Ela fará uma viagem ao redor do mundo. não havia dado sinal de vida.´ R-____________________________________________________________________ g) Ela tem muitos dólares. Guilherme. O incêndio alcançou toda a costa leste da Austrália. cuja frente dava para o leste. No verão. R-____________________________________________________________________ h) "Metade da humanidade passa fome. As pessoas esquecem-se disso. olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. que sempre atrasava. De repente. O do meio não tem "papas na línguas. Seleção está fora da final. sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua casa. uma planície coberta de areia. A outra metade faz regime". na Austrália. R-____________________________________________________________________ i) Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casa em Sydney.c) As pessoas não dispensam um bronzeado.

o filho que retorna saíra de casa havia vinte anos para alistar-se no exército. R-____________________________________________________________________ c) Dois exemplos de marcadores temporais que dão ideia de sequência dos fatos. Villaça e Luiz C. No entanto. o texto apresenta sérios problemas de coerência.p. São Paulo: Cortez. no qual uma palavra (substantivo. No entanto. se o texto apresenta vocabulário e construções cultas ou raras. 4a. responda: y Considerando que pessoas com mais anos de escolaridade geralmente apresentam menos problemas de incoerência. sentado à frente de sua casa? R-_____________________________________ _______________________________ y João está completando trinta. qual é a idade do filho? Levante hipóteses: que idade aproximadamente deve ter João? R-____________________________________________________________________ _____________________________________ _______________________________ d)João morava numa colina. Destaque do texto: Um exemplo de coesão. pronome.seus braços e começando a chorar. 32-33) a) Observe se o autor emprega adequadamente sinais de pontuação. A fim de constatar os problemas de coerência do texto. Levando em conta os tipos de incoerência do texto. o que o torna inadequado.Travaglia. numeral. o texto também apresenta marcas de coesão. R-____________________________________________________________________ d) Um conector que estabeleça uma relação de oposição entre duas idéias.) retome um termo já expresso. diante de um cenário desértico. R-____________________________________________________________________ e) Apesar de aparentemente bem-redigido. Em seguida. Texto e Coerência. 1995. o que João olhava. etc. Portanto. Apud Ingedore G. levante hipóteses: que idade é provável que o autor do texto tenha? R-____________________________________________________________________ 80 . responda: y A cena narrada ocorre à noite (³Na noite em que completava trinta anos´). Que elementos do texto contrariam essa informação? R-____________________________________________________________________ e) O texto em estudo foi produzido numa situação escolar. (Texto cedido pela professora Mary Kato. R±____________________________________________________________________ __________________________________________________________ __________ b) Além do domínio vocabular e sintático da língua. conclua: o autor do texto demonstra ter domínio da linguagem escrita ou não? Justifique sua resposta com elementos do texto. ed.

o texto pode ser considerado coerente Por quê Rd) O anúncio não deseja vender diretamente um produto. por exemplo. Rio de Janeiro. Os assaltantes levam uma carteira com R 100. qual deve ser o tipo de produção a que se refere a parte verbal do anúncio R c) Levando em conta o tipo de público da revista. E DEREÇADA A PÚBLICO NIVERSITÁRIO A PET OB Á BATE UM NOVO RE ORDE DE PRODUÇÃO E NÃO É DE PETRÓLEO ) Relacione a parte visual com a parte verbal do anúncio: a) A montagem das imagens sugere alguns tipos de manifestação artística Quais R b) Com base nas imagens. dizendo ser um assalto. Após o assalto.00 e meu 81 .00 e um relógio. gasolina ou outros derivados do petróleo. com armas. Estava na Rua dos Andradas quando dois rapazes me ameaçaram. como. Mas se deram mal: levaram minha carteira com R 100. a vítima vai à polícia prestar queixa e faz um dos seguintes relatos ao delegado: I. O que o anúncio então deseja promover R6) Imagine a seguinte situação: m senhor é assaltado por dois rapazes na Rua dos Andradas.y A que causas podemos at ibui al umas dessas i coerências R REV STA BRAVO! .

a paráfrase repousa sobre o texto-base. Na escola. E agora. com R$ 100. não posso construir um enunciado que permita dupla interpretação.relógio. R-____________________________________________________________________ Paráfrase. O que se inclui são comentários.Fui vítima de um assalto na Rua dos Andradas. quando o professor. que resultam em diferentes tipos de textos: aqueles que permitem uma única interpretação e aqueles que permitem várias interpretações.Estava na Rua dos Andradas quando dois rapazes armados. há diferentes níveis de elaboração. por exemplo. Acrescenta-se o fato de possibilitar um diálogo intertextual. Quem produz o texto usa determinados recursos com a intenção de produzir efeitos. O leitor deverá fazer uma leitura cuidadosa e atenta e. as ideias centrais de um texto. Estando armado. o que vou fazer? III. obriguei rapazes a me darem um relógio e uma carteira com R$ 100. A intenção do produtor do texto. 82 . uma vez que desenvolve o poder de síntese. ameaçando-me. acrescentando aspectos relevantes de uma opinião pessoal ou acercando-se de críticas bem fundamentadas. a partir daí. Na paráfrase. sempre se conservam basicamente as ideias do texto original. Consiste em um excelente exercício de redação. ideias e impressões de quem faz a paráfrase. Parafrasear consiste em transcrever. Como você pode perceber. por meio de uma linguagem mais longa.00. alongando-se em função do propósito de ser mais didático. levaram meu relógio e minha carteira. responda: dois esses a) Qual dos enunciados é aparentemente mais coerente com os fatos e com o contexto? R-____________________________________________________________________ b) Qual dos enunciados parece ser o mais absurdo? Por quê? R-____________________________________________________________________ c) Indique a incoerência existente no enunciado que não foi mencionado nos itens anteriores. Se eu quero dar uma ordem ou transmitir um conceito. condensando-o de maneira direta e imperativa. com novas palavras. clareza e precisão vocabular. inclui outras ideias. Se. II. desejo criticar um determinado dado da realidade ou expressar sentimentos em textos poéticos e dos de humor. E então temos um outro componente importante na construção dos textos: a intenção. doutor. ao comentar um texto. no entanto. Paráfrase é a reprodução explicativa de um texto ou de unidade de um texto.00. recurso muito utilizado para efeito estético na literatura moderna. Esse fato está ligado à situação em que diz algo e à finalidade com que se diz. Portanto. Considerando as informações a respeito do assalto e do contexto em que enunciados teriam sido produzidos. faz uma paráfrase. reafirmar e/ou esclarecer o tema central do texto apresentado.

saiu e voltou com meio litro de Chianti Ruffino. Ou seja.E fechou os olhos para se ver no palacete mais caro da Avenida Paulista.Os interlocutores e a situação. ao contrário. Dona Bianca pôs o Dino na caminha de ferro. do lado de lá do sujeito que fala há um sujeito que ouve e atribui significados (compreende. deu um soco na cômoda. dependendo da situação em que se encontre. Todo falante tem um certo conceito sobre que linguagem usar. corrige. E trouxe meia Pretinha. Esses interlocutores. Numa conversa. Antônio de Alcântara. Dona Bianca deitou-se sem apagar a luz. A mulher olhou para ele. ou escrito. modifica etc. A compreensão do texto dito. Isso significa que todo texto tem um interlocutor. Mais uma vez olhou muito para o Dino que mudara de posição. Perguntou por perguntar: € Arranjou? Natale segurou-a pelas orelhas. quase encostou o nariz dele no dela. Por isso. ele se cala ou se inibe se esse domínio não existe. Hesitou. formula hipóteses.). Armazém Progresso de São Paulo. Do lado de lá de um texto escrito também há um sujeito-leitor que atribui significados e interage com o texto. Saiu de novo. notamos que a linguagem é desenvolta quando o sujeito tem o domínio da situação e. ( MACHADO. Toda cheia de feridas. 1997.Rio de Janeiro: Imago. ele é dirigido a alguém e na sua presença se constitui. Então o Natale entrou assobiando a Tosca. Olhou muito para o Dino que dormia de boca aberta. como o texto que você irá ler a seguir. em situação de fala ou de escrita. Olhou muito para o Santo Antônio de Pádua col Jesù Bambino bem no meio da parede amarela. antecipa. Bexiga e Barra Funda. € Diga se eu tenho cara de trouxa! Deu na Dona Bianca um empurrão contente da vida. Por isso utiliza um registro formal em situação formal e um registro mais livre em situação menos informal. Olhou para a garrafa. deu uma volta sobre os calcanhares. retruca. Ele ficou com uma perna fora da coberta. muitas vezes se dá por causa dos elementos situacionais que o cercam. ) Atividades práticas: 1) Por que ela teria feito aquela pergunta? 83 . Brás. também. O interlocutor e a situação determinam o tipo de texto e de linguagem que o sujeito utiliza. Parou. utilizam a modalidade da língua mais adequada à comunicação. Percebeu tudo.

). Que situação é essa? R-______________________________________________________________ ______ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 3) Qual o significado da resposta do marido? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Que elementos dos dois últimos parágrafos confirmam a hipótese inicial? (Ou não confirmam? Se não. foi suficiente para que entendêssemos o que a mulher queria dizer. Esse é outro traço importante do ato de comunicação: a economia. Leia a tira de humor a seguir: 84 . aquele que não se diz. Nós inferimos que o casal estava à espera da condição de um negócio que lhes traria alguma vantagem. sem prejuízo do significado. porque eu sou muito esperto!´. No texto anterior. sob pena de considerar o texto € ou a leitura € incoerente). a frase constituída apenas pelo verbo (³Arranjou?´). A economia é a propriedade pela qual podemos usar um mínimo de palavras sem que isso prejudique o ato comunicativo. Por isso. Algumas palavras são ditas. sem o termo que completaria seu significado (Arranjou ³a compra´ ou ³o negócio´ ou ³o comprador´. as palavras ditas pelo marido foram: ³Diga se eu tenho cara de trouxa!´. a mulher e nós compreendemos: ³Sim. Assim. mas se sabe. a releitura deve levar-nos a uma hipótese. porque há uma situação que o sustenta... que deverá ser confirmada. outras ficam subentendidas. notamos que a situação é um elemento fundamental para apreensão de certos significados. Existe também o implícito propriamente dito: é o significado subjacente.R-____________________________________________________________________ 2) O contexto mostra que ela observou a situação antes de fazer aquela pergunta. A situação nos indica esse significado. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Implicitude.

A situação é muito clara: o filho está saindo para a prova do vestibular; a mãe € no seu papel de mãe € verifica com ele o material que deve levar. Observe o diálogo dos dois: a comunicação é perfeita com um mínimo de palavras. A mãe não precisa dizer: ³E a borracha, você está levando?´; nem o filho: ³ Opa! Esqueci a borracha!´. Será excessivo. O que não é necessário dizer fica subentendido e a comunicação é perfeita. Essa é uma característica muito forte dos diálogos. Note também o recurso utilizado para produzir humor. A expressão ³esquecer a cabeça´, que tem sentido figurado, é usada no sentido próprio: a formiguinha realmente está sem cabeça e volta para buscá-la. Além disso, há a sequência de coisas que podem ser esquecidas (lápis, caneta, identidade, borracha) junto com uma que não pode (a cabeça). Colocá-la na sequência é jogar com o conhecimento de mundo do leitor: todos sabem seu significado, daí o humor.

O Tópico Frasal.
O tópico frasal é a ideia central de um texto, a que se agregam ideias secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e coerentemente decorrentes dela. Faz-se necessário observar, no entanto, que esse conceito corresponde ao parágrafo considerado como padrão, pois, na prática, poderão aparecer diferentes tipos de estruturação, dependendo da natureza do assunto e sua complexidade, do gênero de composição, do propósito e da competência do autor, tanto quanto da espécie de leitor a quem o texto se destina. Leia com atenção as observações a esse respeito, feitas sobre os fragmentos a seguir, adaptadas de Othon M. Garcia: ³Estávamos em plena seca. Amanhecia. Um crepúsculo fulvo alumiava a terra com a claridade de um incêndio ao longe. A pretidão da noite esmaecia. Já começava a se individualizar o contorno da floresta, a silhueta das montanhas ao longe. A luz foi pouco a pouco tornando-a mais viva. No oriente assomou o Sol, sem nuvens que lhe vetassem o disco. Parecia uma brasa, 85

uma esfera candente, suspensa no horizonte, vista da ramaria seca das árvores. A floresta completamente despida, nua, somente esqueletos negros, tendo na fímbria aceso o facho que a incendiou, era uma eloquência trágica! Amanhecia, e não se ouvia o trinado de uma ave, o zumbir de inseto! Reinava o silêncio das coisas mortas. Como manifestação da vida percebiam-se os gemidos do gado, na agonia da fome, o crocitar dos urubus nas carniças.´
(Rodolfo Teófilo)

Esse é um trecho descritivo. O núcleo do parágrafo de descrição deve ser um quadro, isto é, um fragmento de paisagem ou ambiente num determinado instante, visto de determinada perspectiva. Já que o núcleo do primeiro trecho acima é o amanhecer, todas as frases do grupo deveriam constituir um só parágrafo, admitindo-se apenas que a primeira linha se isolasse das demais como uma espécie de introdução colocada em realce para enunciar o aspecto geral da paisagem. O segundo grupo de frases correspondem realmente a um parágrafo, pois seu núcleo já não é o amanhecer, mas a floresta despida, localizada mais de perto, com outra perspectiva. O trecho final deveria ter todas as frases grupadas no mesmo parágrafo já que o núcleo volta a ser o amanhecer.

Efeitos obtidos a partir dos grupamentos de frases.
Dando ao primeiro trecho aquela disposição tipográfica em pequenos blocos, o autor fracionou o que já era um fragmento de paisagem, separando das ideias secundárias correlatas à frase-núcleo de amanhecer, cuja característica principal é a mudança das cores e luzes ² crepúsculo fulvo; claridade de incêndio; pretidão da noite; luz mais viva; assomo do sol; ausência de nuvens ² e o delinear-se gradativo do perfil da paisagem ² contorno da floresta; silhueta das montanhas; ramaria seca das árvores. O segundo grupo demonstra, traduz, a repercussão emotiva da paisagem e não a impressão visual, como na primeira parte. Finalmente, o último grupo de frases demonstra que o propósito do autor é traduzir agora as impressões predominantemente auditivas ² trinado; zumbir; silêncio; gemidos; crocitar. Pode-se, dessa maneira, perceber que não é apenas a ideia-núcleo que justifica a paragrafação, mas também a perspectiva em que se coloca o autor.

ESTRUTURA PADRÃO DE UM PARÁGRAFO.
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INTRODUÇÃO: ² Representada, na maioria dos casos, por um ou dois períodos curtos iniciais, em que se expressa a ideia-núcleo de modo sintético (tópico frasal). DESENVOLVIMENTO: CONCLUSÃO: ² Explanação da ideia central.

€ Mais rara, principalmente em parágrafos menores ou em que a ideia central não apresenta maior complexidade.

Ex. Dizem as pessoas ligadas ao estudo da Ecologia que são incalculáveis os danos que o homem vem causando ao meio ambiente. (tópico frasal) O desmatamento de grandes extensões de terra, transformando-as em verdadeiras regiões desérticas, os efeitos nocivos da poluição e a matança indiscriminada de muitas espécies são apenas alguns aspectos a serem mencionados. (desenvolvimento) Os que se preocupam com a sobrevivência e o bem-estar das futuras gerações temem que a ambição desmedida do homem acabe por tornar esta terra inabitável. (conclusão).

Como desenvolver o parágrafo.
A ideia principal de um parágrafo terá de ser desenvolvida, ou seja, dever-se-á fazer a explanação dessa ideia: ³O lançamento de uma caixa com três CDs abre os festejos pelos noventa anos de Carmem Miranda. Os discos reúnem as melhores gravações da primeira fase da cantora, cujo talento foi prejudicado pela imagem extravagante de ³Pequena Notável´, com suas bananas e seus abacaxis. Além dos CDs, Carmem será lembrada em eventos no Rio e em Salvador.´ (O Globo, 23/1/1998, fl. 1) A ideia-núcleo (tópico frasal) se encontra na primeira frase: o lançamento de uma caixa... O desenvolvimento dessa ideia-núcleo vem a seguir: os discos reúnem as melhores gravações... A seguir, apresentamos as principais formas de desenvolvimento de um parágrafo, segundo lição de Othon Moacir Garcia ( Comunicação em Prosa Moderna). 1Enumeração ou descrição de detalhes. O desenvolvimento por enumeração ou descrição de detalhes é dos mais comuns. Ocorre de preferência quando há tópico frasal inicial explícito. Ex.: Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. (tópico frasal) Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes; as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d¶água passavam ruidosamente a todo instante, abalando os prédios e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas[calças] arregaçadas, invadiam sem cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes. Em certos pontos não se encontrava viva alma na rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar, ou andavam no ganho. (desenvolvimento) 87

substituídos. os lampiões. as justificativas em que se assenta a explanação de determinada ideia se disfarçam sob várias formas. A analogia é uma semelhança parcial que sugere uma semelhança oculta. Para dar à criança uma ideia do que é o Sol como fonte de calor. às vezes. Por meio dela. não raro. que inunda o espaço com luz e calor. Processo muito comum e muito eficaz de desenvolvimento é o que consiste em estabelecer confronto entre ideias. (Oswaldo Frota Pessoa. mas. que é como uma enorme bola incandescente.´). em essência. por isso. é porque a luz do Sol tornou possível o crescimento das florestas. apesar de sabermos produzir aqui tanto luz como calor. Na comparação. os motivos. observe-se o processo analógico adotado pelo autor do seguinte trecho: O Sol é muitíssimo maior do que a Terra. Mas a madeira que usamos veio de árvores. nem todas explicitamente 88 . 3- Analogia e Comparação. de preferência. porque.É um parágrafo descritivo bastante bom. sensíveis. 4- Razões e Consequências. que também faz parte dessa classe. ³assemelhar-se´: ³Esta casa parece um forno. ³dar uma ideia´. e está ainda tão quente que é como uma enorme bola incandescente. as semelhanças são reais. e as plantas não podem viver sem luz. é. A analogia. por expressões equivalentes (certos verbos como ³parecer´. fatos ou fenômenos. coisas. Assim. O desenvolvimento de parágrafo pela apresentação de razões é extremamente comum. ³lembrar´. p135) Sol tão quente. se tenta explicar o desconhecido pelo conhecido. uma oposição entre ideias isoladas. é uma analogia: tenta-se explicar o desconhecido (Sol) pelo conhecido (bola incandescente). as folhas etc. São detalhes que tornam mais viva a generalização. seres. Iniciação à ciência. como. baseia-se na semelhança entre ideias ou coisas. tanto. as paredes. A antítese é. as semelhanças são apenas imaginárias. expressa no tópico frasal (em itálico) e desenvolvida ou especificada através dos pormenores: as pedras. uma comparação. e o paralelo( que se assenta nas semelhanças). sendo a semelhança apenas parcial (há outras enormes diferenças entre o Sol e uma bola de fogo). tem grande valor didático. se temos lenha. o estranho pelo familiar. Suas formas habituais são o contraste (baseado nas semelhanças). expressas numa forma verbal própria. tal qual). quanto à forma. Na analogia. Realmente podemos acender uma fogueira para obtermos luz e calor. 2Confronto. do que. em que entram normalmente os chamados conectivos de comparação (tão. as razões. Nós aqui na Terra não poderíamos passar muito tempo sem a luz e o calor que nos vêm do Sol. Note-se a ideia núcleo. de tão quente que é. o que nos é estranho pelo familiar. procurando explicar o desconhecido pelo conhecido. mais completa.

No seguinte trecho. as razões são indicadas de maneira explícita: Tanto do ponto de vista individual quanto social. mas. amendoeira).. constituída pela primeira oração (que é o tópico frasal) seria inócua ou gratuita.introduzidas por partículas explicativas ou causais. Daí. A palavra causa serve para explicar fatos da área das ciências exatas e também da área das ciências naturais ou físico -químicas. Fatos ou fenômenos têm efeitos. Explico-me. Fal a. As ideias se vão desenrolando. como verdade reconhecida por todos. se bem que seja um penar jubiloso (tópico frasal). como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens.) (ANDRADE.). Há uma declaração inicial (tópico frasal) fundamentada por duas razões seguintes: o sofrimento alheio que a preocupa. o autor define as consequências: ³os problemas aparecem-lhe em cardume. Carlos Drummond de Andrade apresenta no trecho abaixo uma série de razões ou explicações para a sua declaração inicial. biológicas. apresentando-lhe as razões na série das orações explicativas seguintes. as causas históricas ou políticas. e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa (. extraído de trabalho de aluno. sem recurso.´ 5- Causação e Motivação. Os problemas aparecem-lhe em cardume. e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas. além das ciências sociais ou humanas (sociologia. só fenômenos físicos ou fatos têm causa. Todo sofrimento alheio a preocupa e acende nela o facho da ação. Não distingue entre gente e bicho. umas com apoio em outras. não a desenvolvesse. O autor divide a ideia-núcleo em duas ou mais partes. história. para o bem dos animais. é nesta última que gosta de militar. muitas vezes. 89 . e uma só. política etc. Podemos mencionar quatro ordens principais de condições desse gênero: geográficas. Carlos Drummond de. em virtude de todo o sofrimento alheio preocupá-la e (em virtude de ) não distinguir gente de bicho. Atos e atitudes apresentam consequências. quando tem de agir. razões ou explicações. mas também porque lhe evita o enfado e o desvia do vício e do crime. discutindo cada uma de per si. 6- Divisão e Explanação de Ideias em Cadeia. se o autor não a fundamentasse. A rigor. com detalhes ou exemplos.. que a torna feliz. confundindo-se. porque evidentemente óbvia. os atos ou atitudes do homem têm motivos. alargando e aprofundando a exposição das ideias: ³De várias espécies são as condições susceptíveis de influir sobre a literatura. sem indicá-las expressamente como tais: É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo. o trabalho é uma necessidade. A declaração inicial. A seguir. não só porque dignifica o homem e o provê do indispensável à sua subsistência.

´ (José de Alencar) O texto acima se caracteriza pela ação que. mostrando seus traços característicos. mas espinhento por dentro. exemplos e confrontos ou paralelos. 7- Definição. Geralmente.C. é comum aparecerem descrições de paisagens. paisagens. maciez.A narração se caracteriza pelo ambiente que serve de cenário. o autor desenvolve cada uma dessas condições. seus gestos.psicológicas e sociológicas. É muito comum na exposição didática: ³A retórica ou arte de bem falar não é muito prestigiada atualmente. consistia num conjunto de técnicas destinadas a regrar a organização do discurso. ³Peri lançou um olhar de desespero para as margens que se destacam a alguma distância sobre a corrente plácida do rio. Pode envolver a descrição de detalhes. ³Visto de baixo. A Pátria. dureza etc. assume um aspecto de sucessão de fatos: é uma narração. manso por fora. Era um meio de chegar ao domínio da arte verbal.. ele parava o riso no meio e virava o avesso do pano. objetos. desmanchada ao vento crespo que à noite regressa ao mar. impeliu-a para a terra com toda a força do remo que fendeu a água rapidamente. pelos personagens que se sucedem. o arvoredo é renda verde de luar. seu modo de pensar. sabores. suas palavras. segundo os objetivos a serem atingidos. aos poucos. Veiga) A descrição representa cenas. Numa narração. 90 . Quebrou o laço que prendia a canoa.´ (José J. procura-se focalizar a maneira de vestir. Na sua origem (que remonta ao século V a. utilizamos palavras ou expressões que impressionam os sentidos: cores. pessoas.´ MODALIDADES DE COMPOSIÇÃO.´ A seguir. Narração. Dissertação. Na descrição de pessoas. cheiros. sons. Descrição. os traços fisionômicos. Quando alguém lhe dizia alguma coisa que não caía bem. seu caráter.). pessoas etc. andar.´ (Cecília Meireles) ³Geminiano era um preto risonho.

ensinar. assumimos um caráter pessoal. efetivamente. cuja vida se perpetua em uma história. esses conjuntos se estruturam em sequências cuja ordenação é feita. Na língua escrita. Podem aparecer narrativas ou descrições como ilustração. assim. Na língua falada. Para perceber como esses elementos sonoros participam da organização na linguagem falada. a melodia e até mesmo os silêncios. estabelece a separação. Dessa forma. as tradições. Esses sinais são conhecidos como sinais de pontuação e desempenham na língua escrita papel semelhante ao dos elementos vocais da língua falada: participam da organização das frases na construção dos textos escritos. argumentos. As frases e a pontuação. basta observar alguém que está se comunicando em voz alta: você vai notar que essa pessoa controla os recursos vocais mencionados a fim de que suas frases se articulem significativamente . esses sinais participam da organização lógica do texto escrito da mesma forma que as pausas. Por isso. entoações e melodias participam da organização lógica dos textos falados. para aprender a usar os sinais de pontuação. O aprendizado do uso dos sinais de pontuação está ligado à percepção de seu papel organizador da língua escrita. (Coelho Neto). razões etc. Isso significa que não se aprende a usar sinais de pontuação partindo do pressuposto de que eles representam na escrita as pausas e melodias da língua falada. Numa dissertação. tanto que a flora e fauna de país viça e prolífera no que lhe fica contíguo. 91 . reforçando as afirmações. devemos nos basear na organização sintática e significativa das frases escritas e não nas pausas e na melodia das frases faladas. as frases faladas e os recursos vocais que as organizam constroem os textos falados. dando lugar a um sistema de sinais visuais que com eles mantêm alguma correspondência. Utilizam-se palavras de conteúdo abstrato. em grande parte. expor. o culto e a lei de um povo. que o conhecimento da organização sintática da língua portuguesa é um poderoso instrumento para se alcançar uma pontuação correta e eficiente.³É certa porção de terra onde soam as palavras de um idioma e persistem os hábitos. Tudo se baseia em ideias. O objetivo é convencer. as pausas. os elementos vocais da linguagem desaparecem. Você perceberá. Uma frase é um conjunto de elementos linguísticos organizados capaz de satisfazer uma necessidade comunicativa. Na dissertação. sem esquecer os pontos de vista que outras pessoas tenham. decidimos organizar o estudo da pontuação tomando como ponto de partida a sintaxe. O patriotismo é a dedicação a tudo que diz com a sorte do país natal e deve ser sincero como uma religião. não se procura narrar fatos nem há descrição de pessoas. mas a denominação varia e essa variante é que. por recursos vocais como a entoação. A natureza nem sempre estabelece diferenças entre territórios que confinam. Como já dissemos. lugares ou objetos. Considerando tudo isso.

Entre os elementos de uma oração. é usada geralmente: a) Para isolar o vocativo: Ex: Esta pomada. discriminação sexual. É o racismo. a ignorância. e) Em expressões repetidas: Ex: ³Meus olhos andavam mais longe do que nunca.: Se os sujeitos são diferentes. a arte.´ h) Para separar orações coordenadas assindéticas ou sindéticas: Obs. começou a fazer perguntas indiscretas. meus amigos. l) Para separar orações adverbiais que iniciam o período: Ex: Quando pôde entender tudo. a vírgula aparece quase sempre.´ ³E os negros aplaudiram e a turminha pegou o passo.´ j) Para isolar orações adjetivas explicativas: Ex: O casal de pretos. 92 . liam. a caminho do sertão. para ver a alma. insistia ele. houver termo com vários núcleos. voavam. g) Para indicar supressão de palavra ou palavras (elipse): Ex: ³Os espelhos são usados para ver o rosto. o ódio. Tem coisa mais obscena do que a guerra?´ (Madonna) d) Para separar termos que vêm na ordem inversa. que mandava na casa. liam o que jamais esteve escrito na solidão do tempo e sem qualquer esperança. Marca uma pausa de curta duração e serve para separar termos de uma oração (período simples) ou orações de um período composto. é muito mais necessária nas repúblicas do que nas monarquias. na ordem direta da frase. não trabalhava. Vírgula.qualquer. . os sinais que delimitam as frases no campo gráfico do papel. Ex: ³As minhas mãos tremiam.Veremos. independentes de mim e liam. a miséria. agitavam-se em direção a Madalena. é ideal para combate aos mosquitos. nem fechados nem abertos. como o adjunto adverbial deslocado: Ex: Pela janelinha. b) Para separar certos apostos: Ex: Diz a fábula que o leão. c) Quando. a vírgula será utilizada para separá-los: Ex: ³A obscenidade existe e está bem diante de nossas caras. foi salvo pelo ratinho. rei dos animais. 4 de março de 2002. fui olhando a paisagem. a seguir.´ i) Para separar orações intercaladas: Ex: ³A religião.´ f) Nas datas: Rio de Janeiro.

´ b) ponto de interrogação ² é o sinal que indica o fim de uma frase interrogativa direta: 93 . Nessa frase. interferirá no sentido da frase. 2) se devia ceder-lhe o lugar. a) Usado em certas orações coordenadas que já apresentem vírgula em seu interior. Ex: Com razão. mesmo antes de saber de quem se tratava. o nome do advogado é que não vem expresso. O emprego da vírgula está condicionado a razões de ordem sintática. b) Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos: Ex: Considerando: a) a alta taxa de juros. O advogado do jornalista João da Silva requereu ao Superior Tribunal de Justiça revogação da prisão temporária de seu cliente. a ausência das vírgulas indica que João da Silva é o nome do jornalista. João da Silva. a presença das vírgulas indica que João da Silva é o nome do advogado do jornalista.: Jamais use ponto e vírgula dentro de uma oração. os insensíveis burocratas.: O advogado do jornalista. Obs. d) as dificuldades de se obter financiamento. Lembre-se: ele só pode separar uma oração de outra. além de ser fundamental para determinar a função sintática exercida por um termo. em tempo algum. Nessa frase. c) o alto valor da matéria-prima. o nome do jornalista não está expresso. Ponto e Vírgula. porém. b) a carência de mão-de-obra. ou que tenham certa extensão. Já no segundo exemplo. a) ponto final .A Vírgula e o Sentido da Frase. A presença ou não desse sinal de pontuação. No primeiro exemplo. deram atenção a elas. embora haja muito desencontro pela vida.é utilizado para indicar o fim de uma frase declarativa: Ex: ³A vida é a arte do encontro. preocupado em saber: 1) de onde a conhecia. aquelas pessoas reivindicavam seus direitos. Ponto. resolvemos não aceitar a empreitada. requereu ao Superior Tribunal de Justiça revogação da prisão temporária de seu cliente. c) Para separar vários itens de uma exposição ordenada: Ex:´Fui olhando a paisagem pela janelinha.Veja: Ex.

Também se podem empregar vírgulas no lugar dos travessões intermediários: Ex. Conceitos básicos com frase. no entanto.: ² É melhor esquecer tudo. Como um texto é um conjunto articulado de frases. assim ninguém mais será prejudicado. você pode controlar criticamente seu trabalho de leitor e redator.) Construir uma frase é trabalho de pedreiro: cada tijolo apoia o que lhe é posto em cima e nenhum deve atrapalhar a harmonia do conjunto. utiliza-se o ponto final: Ex: Quero saber por que você não colabora. depois de um breve silêncio. constroem o texto. oração e período podem ser bastante úteis para a interpretação e produção de textos.. Sabendo que a frase é uma unidade de sentido que se pode organizar em orações. Frases e Produção de Textos. A frase deve ser curta. Se estiver encontrando dificuldades ao ler um texto. há verbos a partir dos quais se ordenam os demais elementos? Essas mesmas perguntas devem ser constantemente feitas quando é você quem redige. É importante perceber.: Depois de um longo silêncio.. disse ele. Na representação gráfica dos diálogos. É nesse ponto que os conceitos estudados neste capítulo se tornam úteis. ² É melhor esquecer tudo ² disse ele. ele disse: ² É melhor esquecer tudo. mas permitindo ao leitor assimilar uma ideia ou um fato de cada vez. que o sucesso desse trabalho de construção depende também da qualidade individual de cada uma das frases que. utilizam-se os dois-pontos ( : ) e os travessões (²): Ex. Não telegráfica. ou seja. tente observar a construção de suas frases: cada uma delas é uma unidade de sentido? A organização da frase em períodos foi feita satisfatoriamente. (.: É comum como recurso enfático a repetição do ponto de exclamação ou sua combinação com o ponto de interrogação. Ex: Quê? ! De novo?! Não suporto mais isso!!! Representação Gráfica dos Diálogos. organizadas. isso significa que entre essas frases há algo mais do que uma simples sequência ² há um constante jogo de referências mútuas e vamos continuar a estudá-los. c) ponto de exclamação ² é o sinal que indica o fim de frases exclamativas ou optativas (as que expressam desejo): Ex: Que pessoa esperta você é! Que Deus te acompanhe! Obs. Leia as recomendações do Manual de redação e estilo de O Globo e perceba como os profissionais do texto adotam esse procedimento para controlar a qualidade do trabalho.Ex: Até quando os brasileiros vão se negar a entender que miséria e desenvolvimento são inconciliáveis? Nas interrogativas indiretas. ² É melhor ² concordei. Quando 94 .

E agora?´ ³Antes de partir. Aquele cantor de ³country´ só usa ³playback´. com a consequ suspensão da melodia da frase. discrimina ou desenvolve uma ideia anterior. nostalgia). Por vezes. Dois Pontos.. derradeira conversa. Marcam uma sensível suspensão da melodia da frase. mas ela parece que preferia casar com um belga. são utilizadas para permitir que o leitor complemente um pensamento que ficou suspenso. Travessão. assinalam modulação de natureza emocional (dúvida. teve como padre uma .se trabalha direito. como quem não quer nada: µAliás. achando graça ² mas eu acho que você não está me reconhecendo. em palavras ou expressões que não pertençam à língua culta para realçá-las (gírias. quando não há noção do equilíbrio e continuidade. Ex. Em geral.. São usadas para isolar uma citação textual. hoje vou ao Jirau..´ Aspas. daí a dor de cotovelo que o consumia. Seu uso é constante em textos narrativos nos quais personagens dialogam: Ex: ²Tudo bem ² diz ela. Diz Thomas Mann em A Montanha Mágica: ³ Todo caminho que trilhamos pela primeira vez. a) serve para indicar que alguém fala de viva voz (discurso direto)... Ex: ³Estava gamado. São utilizados quando se vai iniciar uma sequência que explica. o cobrador dá aqueles gritos que chateiam todo mundo: µVamos chegando pra frente! Tem lugar na frente! Não acumula aqui atrás!¶ ´ ³E eu logo comuniquei.´ O passageiro ficou ³vidrado´ na jovem loira. 95 . cólera. Mas tinha sido há tanto tempo. Não quer ir?¶ ´ Respondo à saudação com esta fórmula sem sentido: €Tudo bem? Reticências. hesitação. neologismos). ou quando se quer dar início ou citação de outrem. identifica. é muito mais longo e difícil do que o mesmo caminho quando já o conhecemos. falas ou pensamentos de personagens em textos narrativos. faz-se um muro. As reticências marcam uma interrupção da sequência lógica do enunciado. tristeza. estrangeirismos. Ex: ³No Morro da Viúva. fica-se com uma pilha de tijolos.

recorri a um bacharel (trezentos mil-réis. aporrinhado. serve para indicar que ela é hipotética.. a) O mais importante de todos os sinais é a palavra sem a qual não seria possível a convivência humana e a própria sociedade inexistiria dada a impossibilidade de intercâmbio linguístico sem esse extraordinário suporte desapareceria a cosmovisão que o homem tem das coisas e nem se chegaria ao desenvolvimento com a ausência do código linguístico oral ou escrito sem ideias ou conceitos seria possível existir cultura progresso e civilização óbvio é que não pois as palavras são o sustentáculo de toda essa gigantesca arquitetura chamada civilização quando se destruiu a Biblioteca da Alexandria o mundo chorou mas por quê será preciso responder b) A ideia de que a violência provém da má índole dos indivíduos que a praticam é bastante generalizada ouvem-se com bastante frequência grupos de cidadãos que exigem maior eficiência da polícia e até mesmo a intervenção do Exército como forma de garantir a segurança dos indivíduos e de seu patrimônio mais raras são as vozes que se levantam para denunciar uma sociedade hipócrita em que aqueles que posam como pais de família exemplares se transformam em exterminadores sem escrúpulos assim que seguram o volante de um automóvel saliente-se que nesse caso a culpa é atribuída à neurose do trânsito das grandes cidades e não à má índole individual 96 .´ (Graciliano Ramos) Asterisco.. São usados para intercalar qualquer indicação. ³O que nos falta quase sempre são os olhos que possam e queiram ver ² olhos que saibam abrir-se ao esplendor de Deus!´ Parênteses. Quando repetido três vezes[***]. utilizando os sinais gráficos adequados ( vírgula. É um tal de Dr*** *Mevitevendo é título de obra literária. Atividades práticas: 1) Pontue os textos seguintes.b) para isolar palavras ou frases. Anteposto a uma palavra. Se houver paragrafação.. que indica uma remissão (encaminhamento do leitor para outra parte do texto) ou chamada para citação.. Sinal tipográfico em forma de estrela ( * ). não documentada. pontoe-vírgula. indique-a claramente com duas barras oblíquas ( // ). Ex: A notícia foi divulgada pelo jornal*. substituindo duas vírgulas. ou para enfatizá-las: Ex: Machado de Assis ² grande romancista brasileiro ² também escreveu contos. Não é necessário reescrever o texto. indica lacuna ou omissão de trecho numa citação ou transcrição. fora despesas miúdas com automóveis. ponto e outros) e efetuando a paragrafação devida. explicação ou comentários acessórios: Ex: ³Aborrecido. gorjetas etc) e embarquei vinte e quatro horas depois..

Muitos espíritos. 3) Explique a diferença de sentido entre as frases de cada um dos pares seguintes: a) O policial neurótico sacou a arma. a) O irracional e exagerado investimento em rodovias ridiculamente planejadas virou poeira com algumas horas de chuva. 1) Seres humanos animais e vegetais sofrem com a poluição.c) Há efetivamente um conjunto de brasileiros que se comportam como se as leis não lhes dissessem respeito o convívio social não passa de uma forma de lhes satisfazer os desejos as obrigações inerentes a qualquer forma de sociedade pertencem exclusivamente aos outros seria importante saber o que efetivamente produzem esses indivíduos para o bem da comunidade são eles seres verdadeiramente sociais a resposta a essa pergunta pode dar início à redescoberta da noção de bem-comum 2) Empregue as vírgulas necessárias à organização das frases. neurótico. ao c) Foram deixados de lado os antigos ressentimentos as rusgas medíocres a estupidez mútua. 97 . h) O Brasil país que via seus jovens como garantia de um grande futuro parece optar por simplesmente eliminar boa parte desses jovens. b) Têm progredido muito os agricultores que investem nas culturas voltadas consumo interno. e) Pedro ou Paulo será o novo líder do grupo. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) Os atletas desnutridos deixaram o clube. d) Andam lado a lado nas calçadas e ruas trabalhadores e malandros e policiais e pessoas sem teto e vendedores ambulantes. passarão a duvidar. sacou a arma. i) Acorde menino e vá ver a vida lá fora! j) Sob aquelas velhas árvores ali perto do poço repousam muitos dos meus sonhos. Há casos em que elas simplesmente não deverão ser usadas. deixaram o clube. Os atletas. desnutridos. sem dúvida. O policial. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Muitos espíritos sem dúvida passarão a duvidar. g) Desiludido rasguei minha ficha de filiação ao partido.

R-_________________________________________________________ __________ b) Era uma casa com dois dormitórios. metal líquido. nosso irmão nordestino. explique o porquê de o autor têlas usado em ³ambientalistas´. a) O retirante. cozinha e banheiro. 30. R-___________________________________________________________________ 7) Justifique os sinais de pontuação presentes nas frases abaixo. 31. R-___________________________________________________________________ d) Rapazes. imensas planícies verdes. mas nunca as encontra. possui muitas utilidades. vestuário e trabalho condigno. realizada no Rio. R ±______________________________ _____________________________________ ___________________________________________________________________ As relações entre textos. p. Não foi por outra razão que ³ambientalistas´ americanos iniciaram um movimento para declarar a Amazônia área de interesse mundial (essa questão foi a pauta não oficial da Eco-92. desce em busca de melhores condições de vida.´ Justifique o emprego dos travessões na passagem acima. R ± ___________________________________________________________________ 5) ³Os colegas ² o equilibrista. a) De uma janela enxergava-se o mar. desejam controlar a Amazônia. set. aqueles dois que conversaram em voz baixa. em julho de 1992). De acordo com as possibilidades de emprego das aspas. uma sala. há muito. R-______________________ _____________________________________________ 6) Justifique o uso das vírgulas nas frases abaixo. . R±____________________________________________________________________ b) Os nossos desejos são mínimos: uma casa para morar. espeto de pau. R-___________________________________________________________________ c) O mercúrio.R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Leia abaixo o fragmento extraído de Caros Amigos. alimentação. vamos ao trabalho! R-___________________________________________________________________ e) Casa de ferreiro. Observe os trechos que seguem: Do que a terra mais garrida 98 . no. da outra. Os Estados Unidos.todos enfim sabiam de sua história e não haviam preparado a mínima homenagem. 1999.

são necessários. para polemizar com ele. isso é feito de maneira explícita. b) para inverter. a esse diálogo entre textos dá-se o nome de intertextualidade.´ (Hino Nacional Brasileiro) Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Os versos do Hino Nacional retomam o texto de Gonçalves Dias para reafirmar esse sentido de exaltação da natureza brasileira. Num texto literário. Os versos do Hino Nacional. Os dados a respeito dos textos literários.Teus risonhos. enquanto o de Murilo Mendes encaixa-se no segundo. Quando um texto cita outro invertendo seu sentido. Gonçalves. (DIAS. basicamente. Canção do exílio) Os três textos são semelhantes. muitas vezes. Um texto cita outro com. Em relação ao texto de Gonçalves Dias. Para ele. Voltemos aos três textos colocados no princípio. ou seja. O texto citado vem entre aspas e em nota indica-se o autor e o livro donde se extraiu a citação. nossa pátria é sempre mais e melhor do que os outros lugares. os de Murilo Mendes 99 . mais amores. Murilo. pois pretendem ridicularizar o nacionalismo exaltado que pode ser lido no poema gonçalvino. (MENDES. Como o de Gonçalves Dias é anterior aos dois primeiros. Canção do exílio) Nosso céu tem mais estrelas. temos uma paródia. um poeta ou romancista não indica o autor e a obra donde retira as passagens citadas. ³Nossos bosques têm mais vida´ ³Nossa vida.O poema de Gonçalves Dias possui muitas virtualidades de sentido. Nossa vida mais amores. A essa citação de um texto por outro. Nossas várzeas têm mais flores. o Hino Nacional enquadra-se no primeiro caso. lindos campos têm mais flores. a exaltação ufanista da natureza brasileira. contestar e deformar alguns dos sentidos do texto citado. históricos. colocados no princípio desta lição. Com muita frequência um texto retoma passagens de outro. para compreensão global de um texto. Os dois primeiros citam o texto de Gonçalves Dias. a citação de outros textos é implícita. parafraseiam versos de Gonçalves Dias. duas finalidades distintas: a) para reafirmar alguns dos sentidos do texto citado. mitológicos. Quando um texto de caráter científico cita outros textos. no teu seio. pois pressupõe que o leitor compartilhe com ele um mesmo conjunto de informações a respeito das obras que compõem um determinado universo cultural. o que ocorre é que estes fazem alusão àquele. Nossos bosques têm mais vida. Entre elas. Já os versos de Murilo Mendes citam Gonçalves Dias com intenção oposta.

mais se amplia a competência para apreender o diálogo que os textos travam entre si por meio de referências. depende do repertório do leitor. Onde canta o sabiá: As aves.5) Tomando-se os dois versos iniciais isolados do contexto. No entanto. já que ³macieiras¶¶ e ³gaturamos´ representam. Por isso cada livro que se lê torna maior a capacidade de apreender. Não gorjeiam como lá. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista. os filósofos são polacos vendendo a prestações. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. respectivamente. pode-se pensar que o poema de Murilo vai fazer uma apologia do caráter universalista e cosmopolita da brasilidade. citações e alusões. os sargentos do exército são monistas. Murilo. a vegetação e o reino animal. Olympio. que começa com a seguinte estrofe: Minha terra tem palmeiras. de maneira mais completa o sentido dos textos. Poemas. a leitura dos outros versos do texto desautoriza essa hipótese de leitura. que aqui gorjeiam. Eu morro sufocado em terra estrangeira.1959. Essa hipótese interpretativa pode parecer plausível.p. o que se repete ao longo do texto são contradições que não concorrem para enaltecer 100 . Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! (MENDES. principalmente daquelas obras que constituem as grandes fontes da literatura universal.Rio de Janeiro: J. TEXTO COMENTADO. O solo pátrio abriga elementos provindos de outras terras. As contradições presentes no solo pátrio não têm um valor positivo. Ao contrário. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. das referências de um texto a outro. A percepção das relações intertextuais. os elementos estrangeiros presentes em µµminha terra¶¶. Daí a importância da leitura. do seu acervo de conhecimentos literários e de outras manifestações culturais. Quanto mais se lê. Canção do exílio.parodiam-nos. cubistas. In:€ Poesias (1925-1965). e ³Califórnia¶¶ e Veneza. seguindo a linha de glorificação da terra pátria. que pode ser lida no poema homônimo de Gonçalves Dias.

µµmonistas¶¶. Seu texto não parafraseia o texto de Gonçalves Dias. não celebra ufanisticamente a pátria.10-11). ridiculariza a oratória repetitiva dos políticos. ² µµos sargentos do exército são monistas. O poeta mostra que nem a natureza (v. principalmente. 14). Seu desejo é. ao mesmo tempo. mas para ridicularizá-la. mas instaura uma visão oposta a dele. µµcubistas´. Essas diferenças manifestam-se a partir da constituição do espaço do exílio. Registro Culto da Língua Portuguesa Sintaxe de Concordância Na elaboração da frase. as palavras relacionam-se umas com as outras. o exílio é sua própria terra. elas obedecem a alguns princípios: um deles é a concordância. ³Veneza´. 12-13).1-2) nem a cultura (v. vê-a de maneira crítica. é um país estrangeiro.3-9) têm um caráter genuinamente brasileiro. 101 . Em Gonçalves Dias. O texto de Murilo cita Gonçalves Dias com intenções paródicas. pois o poeta sabe que ele não se tornará realidade. percebe-se que a cultura brasileira é postiça e abriga uma série de contradições: ² µµos poetas são pretos¶¶ (elementos de condição social inferiorizada e oprimida) ² ³que vivem em torres de ametista´ alienados num mundo idealizado. O Brasil é uma miscelânea.ufanisticamente a brasilidade. O poeta critica com mordacidade a invasão da pátria por elementos estrangeiros. Analisando os diferentes versos. mas ironizaa. a Cruz e Souza). Seu texto. em Murilo. ² ³os filósofos são polacos vendendo a prestações´ (os amigos da sabedoria são prostituídos ² polaca é termo designativo de prostituta ² pela venalidade barata). Termina o poema desejando ter contato com coisas genuinamente brasileiras. desnaturada a ponto de parecer estrangeira(v. espaço desvalorizado. que não apresenta as mazelas do mundo real: (trata-se de uma referência irônica ao Simbolismo e. O poeta admite que alguma verdade há nas afirmações românticas (v. a terra do exílio. cubistas¶¶(os que têm a função de garantir a segurança do território têm pretensões de incursionar por teorias filosóficas e estéticas). um lamento. Ao identificar oradores e pernilongos como os que atrapalham o sono. diferentemente do poema gonçalvino. mas mostra que a prodigalidade da natureza brasileira não é acessível à maioria da população (v. representados por ³Califórnia´. uma mistura de elementos advindos de vários países. Ao se relacionarem. estabelece uma polêmica com ele. µµGioconda¶¶.

´ (Antônio Torres) b) Um só adjetivo referindo-se a mais de um substantivo de gênero ou número diferentes. Concordância do Adjetivo (na função de adjunto adnominal) com o Substantivo a) O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.concordância nominal e . c) Mais de um adjetivo referindo-se a um só substantivo. O vaqueiro e a moça apaixonados fugiram pelo sertão afora. o adjetivo pode: . nada podemos fazer. Quando vem antes dos substantivos.: Conheci os líderes africano e americano que lutavam contra o preconceito racial.Exemplos: O pequeno garoto perambulava pela cidade.: Os antigos postes e luminárias foram reconduzidos ao museu. A distância. Ex. O substantivo vai para o plural sem que se repita o artigo antes de cada adjetivo. Temos de decidir pelo caminho e pela vida mais tranquila.ir para o masculino plural. a mulher e o mar calmos pareciam uma pintura. Ex. Há dois tipos de concordância: .concordância verbal. As populações mineira e sulista participaram da feira de gado. verbo 1ª pessoa do singular O verbo concorda com o sujeito em pessoa ± primeira ± e em número ± singular. Endurecido o cimento e a cal. artigo adjetivo substantivo masculino masculino masculino singular singular singular Tanto o artigo quanto o adjetivo ± ambos adjuntos adnominais ± concordam com o gênero (masculino) e o número (singular) do substantivo. 102 . . sujeito predicado Eu saí cedo. o adjetivo concorda geralmente com o mais próximo. ³Braços abertos para a estrada amarela e suarenta que ia e vinha.concordam com o substantivo mais próximo. o cruzeiro abençoava os que chegavam e os que partiam. A remessa e o destinatário francês estavam detidos na alfândega. Quando vem após os substantivos.

: É italiana a revista e o jornal. Quando um sujeito é constituído de pronome de tratamento. Ex. podem ocorrer as seguintes concordâncias. Quando o predicativo aparece antes do sujeito constituído de substantivos de gêneros diferentes. O teatrólogo e a contista ficaram surpresos com o prêmio.: São italianos a revista e o jornal. Ex. . (com referência a um deputado) 103 . predicativo do sujeito b) Predicativo e sujeito composto.O substantivo fica no singular e se repete o artigo antes de cada adjetivo. Quando o predicativo aparece após o sujeito. . O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples. A população mineira e a sulista participaram da feira de gado. Estavam aflitos o homem e a mulher. a) Predicativo e sujeito simples.: Sua Alteza ficou revoltada com os jornalistas. podem ocorrer as seguintes concordâncias.se os substantivos são de gênero diferentes. Ex.: O ódio e o amor pareciam idênticos. Ex. Estava aflito o homem e a mulher.concordar com o substantivos mais próximo. o predicativo toma a forma plural no gênero dos substantivos. Concordância do Adjetivo (em função predicativa) com o Sujeito . predicativo do sujeito Ela sorria satisfeita. . o predicativo toma a forma masculina plural.: Os meus olhos permaneciam embaçados pela névoa.: A pulseira e o anel eram dourados como os cabelos.se os substantivos do sujeito composto são do mesmo gênero.: Conheci o líder africano e o americano que lutavam contra o preconceito racial. As malas e as sacolas estavam pesadas. é comum concordar o predicativo com o sexo da pessoa a quem se refere.ir para o masculino plural. . c) Predicativo e sujeito representado por pronomes de tratamento. (com referência a uma princesa) Sua Excelência é desonesto com o povo. Ex. Ex. Ex.

Concordância do Pronome com o Substantivo a) O pronome concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. São três horas da madrugada. . Ex. vai para o plural. A segunda e terceira séries foram à excursão.: Poucos homens acreditavam que aquelas medidas fossem justas. As séries segunda e terceira foram à excursão.: É uma hora.o substantivo fica no singular ou vai para o plural se os numerais forem precedidos de artigo. O primeiro e o segundo andares do edifício foram danificados. com os demais. Ex. mas um dia o serão.: Os andares primeiro e segundo do edifício foram danificados. apenas uma funcionária falou. .: O primeiro e segundo andares do edifício foram danificados.o substantivo irá para o plural se não houver repetição do artigo. Consideraram satisfeitas as moças e os rapazes. apenas duas mulheres. Na festa de despedida. O proprietário alugou a casa. Reencontrou os antigos vizinhos e suas filhas. 104 .: Agressões e tapas.o substantivo irá para o plural se aparecer antes dos numerais. Ex. Observação: O pronome demonstrativo o pode aparecer invariável em construção como: As condições humanas ainda não são iguais. Ex.Observação: Consideraram os rapazes e as moças satisfeitos. Consideraram satisfeitos as moças e os rapazes. Observação: Com o numeral um (uma) o substantivo fica no singular e. b) Quando mais de um numeral ordinal se referir a um mesmo substantivo: . na reunião. b) Se o pronome se referir a mais de um substantivo de gêneros diferentes. recebera-os sem saber o porquê.: Havia. Concordância do Numeral com o Substantivo a) Os numerais cardinais que sofrem flexões de gênero concordam com o substantivo a que se referem. com os quais brigou. Ex. vai para o masculino plural. Ex. mas antes a reformou.: O primeiro e o segundo andar do edifício foram danificados. Ex.

: Dado o sinal.: Os alunos mesmos organizaram o trabalho. Concordância Nominal: Outros Casos É preciso ± É necessário ± É bom ± É proibido Com expressões desse tipo podem ocorrer duas construções: . Terminadas as entrevistas. segue a fotocópia da Carteira de Identidade. estão os comentários do livro. Ex. todos se retiraram. 105 . .na voz passiva. . essas expressões ficam invariáveis. Foi encontrado o corpo do rapaz. Todos haviam anotado as reclamações. com o nome a que se referem. (voz passiva) 2ª ± O particípio não varia quando forma tempo composto.com sujeito acompanhado de elemento determinante. os desejos e as esperanças foram aumentados.Muito obrigado ± disse ele. Observações: 1ª ± Quando o particípio se refere a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes.: É preciso álcool para limpar a mesa. os políticos saíram.: Com a notícia. É necessária a tua denúncia no tribunal. Ex. É proibido entrada de pessoas estranhas neste setor.Muito obrigada ± respondeu ela. Anexa ao requerimento. É necessário segurança para se viver bem.nas orações reduzidas. Ex. .: Ninguém havia anotado as reclamações. Ex. toma a forma masculina plural. .com sujeito sem elemento determinante. geralmente. Anexos à página 7.: Seriam precisos vários conferencistas. Estou quite com as minha dívidas. Elas próprias decidiram a questão. Declaro ter recebido inclusa a escritura do imóvel. Mesmo ± Próprio ± Incluso ± Anexo ± Obrigado ± Quite Essas palavras concordam. Ex.Concordância do Particípio com o Substantivo O particípio concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: . É proibida a entrada de animais. É bom plantação de erva-cidreira para espantar formigas. essas expressões concordam com ele em gênero e número. É boa a plantação de erva-cidreira para espantar formigas.: Foram anotadas as reclamações do dia. Ex. Ex.

: Na classe há menos moças do que rapazes. pouco. Ex.advérbios. Bastante . Os alunos moram longe da escola. .: Ficaram a sós por um longo tempo. Só ± A Sós A palavra só pode aparecer como advérbio ou como adjetivo: . ficando invariáveis. os policiais ficam alerta. Ex. só eles não. Ex.como adjetivo equivale a sozinho. O dinheiro inflacionado desaparece a olhos vistos.: Fizeram bastantes perguntas sobre o assunto. 106 . Menos ± Alerta ± Pseudo ± A Olhos Vistos São invariáveis. numeral Observação: Ocorre o mesmo com: muito. Ex. Ex.Meio Essas palavras podem aparecer como: . advérbio adjetivo . sofrendo variações.adjetivo ou numeral fracionário ± no caso de meio ± . numeral substantivo Era meio-dia e meia. A expressão a sós é invariável. sendo variável. Andamos por longes terras. Trata-se de pseudo-especialistas. Ex. verbo advérbio A melancia estava meio estragada. Nos movimentos grevistas.: Todos concordaram. Meia adjetivo substantivo melancia estava estragada. Fiquei a sós por um longo tempo. caro. ficando invariável. Os carros caros são mais sofisticados.: Perguntaram bastante sobre o assunto.: As crianças permaneciam sós.como advérbio equivale a somente. longe.: Os carros custam caro.Estamos quites com as nossas obrigações. Ex.

era necessário o uso de camisa ou vestido branco.: O candidato tentou obter o maior número de votos possível. (seco) h) O sorriso. Ex. (desgostoso) e) No teatro eles ficaram com _____________________ lugar e companhia. encontrei-_________ abandonados. era necessário o uso de vestido ou camisa branca.: As notícias que trouxe são as melhores possíveis.: Para participar daquela festa. Ex. (andar) r) Meninos e meninas. . Ex. a) O honesto calabrês da quitanda não quis vender os limões ___________.tomar a forma masculina plural. o afeto e a emoção eram ______________ com dificuldade. (andar) p) A primeira e a segunda _______________ do Ensino Médio sairão mais cedo. Para participar daquela festa. 107 . (disposto) k) __________________ os meses. Recebemos o menor número de informações possível. era necessário o uso de camisa ou vestido brancos. (série) q) Os ________________________ quarto e quinto estão danificados. o curral. (demonstrado) i) Conhecemos o pasto. quando o artigo dessas expressões aparece no plural.invariável. (o) 2) Identifique e corrija as frases que apresentam concordância inadequada.concordar com o substantivo mais próximo. Atividades práticas: 1) Complete as frases com as palavras dos parênteses. . As costuras eram as mais perfeitas possíveis.(amarelado) b) O Bixiga e a Barra Funda são ____________________________ . (aprovado) o) O nono e o décimo _____________________ do prédio estão desocupados. (cuidado) j) Encontramos o professor e a diretora ________________________ a organizar afesta beneficente. Substantivos ligados por Ou Com substantivos de gêneros diferentes ligados por ou. Ex. fazendo a devida concordância. Ela deixou as portas o mais bem fechadas possível. quando usada em expressões superlativas com o artigo no singular.: Para participar daquela festa. e a casa de máquinas ________________________ pelo empregado-modelo. (proibido ± censurado) m) Um e outro jornal apresentaram os culpados e as vítimas_____________________ (entrevistado) n) Os bons políticos sentiram-se vitoriosos quando viram____________________ a lei e o regulamento para punição dos sonegadores de impostos. (péssimo) f) Procuravam demonstrar carinho e afeição ________________________ (materno) g) A vegetação rasteira e o cacto estavam _______________ pelo sol escaldante. Nós fazíamos trabalhos os mais completos possíveis.invariável. (populoso) c) Os festejos e as procissões são __________________ ao santo do dia. o adjetivo pode: . (passado) l) As rádios e os jornais que comunicaram a notícia __________________ continuavam ________________________ .Possível A palavra possível pode aparecer: . (oferecido) d) Pai e filha pareciam _______________________ . esqueceu-se da mulher que o abandonou.

sujeito composto A secretária e o diretor chegaram pontualmente. R ± ______________________ c) Muito obrigada ± disse o rapaz à moça. R ± ______________________ g) O primeiro e o segundo aluno desta fileira irão ao quadro.´ sujeito simples Tu a expulsarias de casa? sujeito simples Desapareceram no meio da mata os fugitivos. fazia misérias.: A sinceridade e a franqueza é uma virtude rara.a) Eu mesmo faço isso ± disse a garota. R ± ______________________ e) Os escritores português e espanhol tiveram suas obras traduzidas para o inglês. estando o sujeito antes ou depois do verbo.: ³Chico Bóia. a coceira. Ex. com toda a sua gordura. Ex. o mal-estar deixou-a nervosa. R ± ______________________ f) As casas e os sobrados antigos foram tombados pelo governo. (ou deixaram-na) 108 .se os núcleos aparecerem em sequência gradativa. a angústia levou-o ao bar. (ou marcavam) .: A falta de companhia. Ex: Ouro Preto e Mariana são cidades marcadas pela antiga mineração. (ou levaram-no) A picada. sujeito composto b) Admite-se também o verbo no singular: . onde se embriagou. (ou são) A casmurrice e a sisudez marcava o rosto do velho senhor. R ± ______________________ d) A namorada falava consigo mesmo. R ± ______________________ b) O pintor brasileiro e o argentino expuseram seus quadros juntos. Ex.se os núcleos forem sinônimos ou formados de palavras de um mesmo conjunto significativo. apaixonadíssima. a solidão. R ± ______________________ Concordância Verbal: casos gerais Com sujeito simples O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. sujeito simples Com Sujeito Composto Anteposto ao Verbo a) O verbo vai para o plural.

As boiadas do fazendeiro seguiam seu caminho. o verbo concordará com ele. Ex. A dona de casa. .: O cardume escapou da rede. o eleitor espera leis sociais mais justas.: Papel. Com Sujeito Composto de Pessoas Diferentes O verbo vai para o plural na pessoa que prevalecer: . Paulo. Cara feia. Com Sujeito Representado por um Coletivo a) Quando o sujeito é formado de um coletivo. Atiramos a pedra você e eu. de Jorge Amado. vivem no trapiche o Gato e o Pedro Bala. Ex. Ex. ninguém me dirá o que devo fazer. Pedro. Ex.: O cidadão brasileiro. tudo era instrumento de trabalho do escritor.se os núcleos se referirem à mesma pessoa ou coisa. A boiada do fazendeiro seguia seu caminho. Nesta casa. sujeito composto b) Admite-se também a concordância do verbo com o núcleo mais próximo. caneta. mora a viúva e seus três filhos.: Tu e ele fareis o trabalho. 109 . Os cardumes escaparam da rede. Deus e tu sois testemunhas. Tu e Maria recebereis a indenização. a mãe. lápis. Valdete e eu fotografamos tudo naquele passeio. sujeito composto Cambaleavam na rua Romeu dos Prazeres e Maria das Dores. beiço caído. a mulher é fundamental na mudança da sociedade. borracha.a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª. nada me fará mudar de ideia.: Na obra Capitães de Areia. Com Sujeito Composto Posposto ao Verbo a) O verbo vai para o plural. Ex. nada. Ex.: Eu.: Em um ano ocorreu a condenação do irmão e a perda da esposa. . José. ninguém.se os núcleos aparecerem resumidos por tudo.c) O verbo ficará no singular: . tu e ele faremos a proposta ao professor.a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª. Ex.

admitem-se duas concordâncias: . A equipe de cinegrafistas deixaram a televisão.se o nome for precedido de artigo.para dar ênfase ao adjunto adnominal. Campinas é um rico município paulista.: O bando de andorinhas contrastava com o céu azul. . concordando com o coletivo. Ex. admite-se o verbo no plural. mas suas montanhas aproximam o homem do infinito.de preferência.: O bando de andorinhas contrastavam com o céu azul. Um grupo de mães acompanhou o protesto dos estudantes. podem ocorrer as seguintes construções: . Ex.b) Quando o sujeito é formado de um coletivo singular seguido de adjunto adnominal plural. admite-se o plural ou o singular. Os Estados Unidos são uma grande potência. o verbo vai para o plural. Ex.: Fui eu que paguei a conta. o verbo fica no singular. Observação: Quando se trata de títulos de obras. 110 . sob protesto. Um grupo de mães acompanharam o protesto dos estudantes.: Minas Gerais não possui mar. A equipe de cinegrafistas deixou a televisão.: Vossa Excelência entrou em conflito com os parlamentares? Vossas Excelências entraram em conflito com os parlamentares? Vossa Senhoria se enganou na remessa de mercadoria? Vossas Senhoria se enganaram na remessa de mercadoria? Com Sujeito Constituído de Nomes Próprios que só Têm Plural Quando o sujeito é formado de um nome próprio plural. As Minas de Prata já foi adaptada como novela de televisão. Ex. Ex. sob protesto.: Os Lusíadas são (é) um grande poema que conta a história de Portugal.se o nome não for precedido de artigo. Ex. . o verbo fica no singular.: As Minas Gerais possuem excelentes escritores. o verbo concordará em número e pessoa com o antecedente desse pronome. Ex. Com o Sujeito Constituído pelos Pronomes Relativos Que e Quem a) Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo que. Com Sujeito Constituído de Pronomes de Tratamento Quando o sujeito for constituído por um pronome de tratamento. o verbo vai para a 3ª pessoa.

Fomos nós que pagamos a conta. poderão ocorrer as seguintes concordâncias: .: O conversar e o discutir são necessários para nosso amadurecimento. quando o pronome relativo quem aparece como sujeito. Observação: Na língua popular.: Conversar e discutir é necessário para nosso amadurecimento. oração sujeito da oração principal principal 1ª oração 2ª oração Decidiu-se todos saírem mais cedo. é comum o verbo concordar com o antecedente desse pronome. Fomos nós quem pagou a conta. Lutar. . reivindicar. oração sujeito da oração principal principal Com Sujeito Constituído de Infinitivos Quando os núcleos de um sujeito forem constituídos de infinitivos.: Não adianta vocês ficarem na fila do leite. o verbo fica na 3ª pessoa do singular. Ex. Foram eles que pagaram a conta. Fomos nós quem pagamos a conta.o verbo irá para o plural se os infinitivos aparecerem determinados.: Fui eu quem pagou a conta. o verbo irá para a 3ª pessoa do singular.: Fui quem paguei a conta. 111 . analisar os problemas é tão normal como respirar.o verbo poderá ficar no singular se os infinitivos não aparecerem determinados. Com Sujeito Oracional Se o sujeito for representado por uma oração. O trabalhar e o descansar são direitos de qualquer pessoa. 1ª oração 2ª oração Ex. b) Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo quem.Foste tu que pagaste a conta. Ex. Ex. Ex.

por nada. Observação: Admite-se o verbo no singular quando se quer enfatizar o primeiro elemento do sujeito.o verbo irá para o plural se não houver ideia de exclusão.Com Núcleos do Sujeito Ligados por Ou Quando os núcleos do sujeito forem ligados pela conjunção ou. verbo transitivo sujeito 112 . O velho senhor com sua filha reagiu contra o motorista de táxi. Verbo com o Pronome Se Apassivador Quando o verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto aparece apassivado pelo pronome se. Com Núcleos do Sujeito Ligados por Com Quando os núcleos do sujeito forem ligados por com.: O pedreiro com o marceneiro não terminaram o serviço a tempo. Ex.: Analisou-se o plano de reforma agrária. O excesso de trabalho ou o excesso de ginástica provocam dores.o verbo ficará no singular sempre que houver ideia de exclusão . concorda com o seu sujeito. O marginal ou os marginais arrebentaram a porta da escola. verbo transitivo direto sujeito Analisaram-se os planos de reforma agrária.: A bebida ou o fumo prejudicam a saúde. Ex. o verbo irá para o plural. Ex. Até agora não foi solicitada a passagem ou as passagens aéreas.o verbo concordará com o núcleo mais próximo se os núcleos representarem pessoas diferentes ou se houver ideia de retificação. o barulho do grilo ou o do vento na folha aumentavam a insônia de Anita. poderão ocorrer as seguintes concordâncias: . Ex. . Ex. No silêncio da noite. verbo transitivo sujeito direto Do lado de fora ouvia-se os gemidos do doente.: O ministro do Trabalho ou da Justiça anunciará a nova lei.: José ou eu casarei com Cláudia. O técnico com mais dois preparadores físicos pediram demissão.: A mulher com os filhos menores conseguiu a pensão alimentar. . José ou Gilberto casará com Cláudia. Ex.

Sempre uma ou outra levava a mãe ao médico.. um ou outro viaja a Brasília.direto Do lado de fora ouviam-se os gemidos do doente.. para o plural.o verbo vai. de preferência. Nem um nem outro quiseram pedir desculpas.: ? sujeito indeterminado ? sujeito indeterminado ?_______ sujeito indeterminado verbo objeto indireto transitivo indireto Assiste-se verbo transitivo indireto Descansa-se verbo intransitivo a belos espetáculos objeto indireto no Carnaval carioca. Ex. de preferência. Uma ou outra redação merecia críticas. adjunto adjunto adverbial adverbial de lugar de intensidade Com Sujeito Formado por Expressões a) Um ou outro ± o verbo fica no singular. 113 . c) Um dos que. adjunto adverbial de lugar muito em Peruíbe. Ex. uma e outra expunham os dentes contentes.. nem um nem outro..: Hoje. verbo sujeito transitivo direto e indireto Entregaram-se flores à mulher. Precisa-se de homens e mulheres corajosos. Nem a miséria nem a orfandade o abateram. ao plural. b) Um e outro. Depois do lanche. Ex. verbo transitivo sujeito direto Entregou-se uma flor à mulher.. verbo sujeito transitivo direto e indireto Verbo com Pronome Se (índice de indeterminação do sujeito) O verbo fica na 3ª pessoa do singular quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se com verbo transitivo indireto e verbo intransitivo.: Um e outro esculpiam a madeira na porta.nem. nem. uma das que ± o verbo vai.

: A maior parte dos professores sentem necessidade de bons livros. Observação: Essas expressões aparecem.: Quais de vós são humildes? Quantos de nós lutaram por melhores dias? Alguns de nós telefonaram à polícia. Mais de cem pessoas morreram no incêndio da Vila Socó. no singular. ficando na 3ª pessoa do plural. f) Quais de vós. muitas vezes.o verbo concorda com o pronome pessoal.: Algum de nós telefonou à polícia. . 114 .: Eu era uma das que mais brincavam na escola. Uma porção de alunos faltou à aula hoje. Observação: Se o pronome indefinido estiver no singular. d) Mais de. menos de ± o verbo concorda com o numeral que segue a expressão. com o verbo no plural. Muitos de nós assistimos à partida de vôlei. de preferência. Ex. a maioria de) ± o verbo fica. grande parte de.Ex. Ex. Ex.: Um por cento dos coveiros recebeu aumento salarial.: Mais de um tenista representou o Brasil nas Olimpíadas. alguns de nós ± admitem as seguintes concordâncias: . concordando com o substantivo plural que as segue. A maioria dos casos de infecção ocorre por falta de saneamento básico. Grande número de empresários nem se preocupou com as notícias.o verbo concorda com o pronome indefinido ou interrogativo.: Quais de vós sois humildes? Quantos de nós lutamos por melhores dias? Alguns de nós telefonamos à polícia. o verbo ficará na 3ª pessoa do singular.: A maior parte dos pesquisadores precisa de mais verbas. Ex. Com Sujeito Formado por Número Percentual a) O verbo poderá concordar com o numeral ou com o termo a que se refere a a porcentagem. quantos de nós. e) A maior parte de (ou uma porção de. Ex. O tradutor é dos que menos aparecem e mais trabalham. Muitos de nós assistiram à partida de vôlei. Ex. A editora parecia uma das que mais pagavam direitos autorais. Ex.

Bastar Esses verbos concordam com o sujeito. 115 . esses verbos concordam com o número de horas. 87% da produção de arroz foram vendidas. Ex.: Deu uma hora no relógio da matriz. (=vejam-se) Concordância dos Verbos Dar. Ex. Ex. sujeito Batiam dez horas e os bóias-frias abriam suas marmitas sob o sol forte. 87% da produção de arroz foi vendida.: Falta uma semana para terminar a competição.o verbo haver pode variar. Sobrar. Ex. se este aparecer com determinantes. que normalmente é o sujeito. Soar Na indicação de horas. sujeito Concordância dos Verbos Faltar. Bater.: Hajam vista os ladrões de colarinho branco. A não ser que sejam usadas outras palavras como sujeito.: Deu cinco horas o relógio da matriz. sujeito Naquele momento soavam oito horas. Ex: Os 87% da produção de arroz foram vendidas. Ex.Um por cento dos coveiros receberam aumento salarial. Aqueles 30% de lucro obtido desapareceram. (= atente-se) Haja vista os ladrões de colarinho branco.: Haja vista aos ladrões de colarinho branco. b) O verbo concordará com o numeral.a expressão fica invariável. com a qual devem concordar. sujeito Observação: Esses verbos podem ter outra palavra como sujeito. Concordância da Expressão Haja Vista Com a expressão haja vista podem ocorrer as seguintes construções: .(= por exemplo) .

sujeito Faltam quinze minutos para as duas horas. 3ª ± Na língua popular é comum o uso do verbo ter. em outros jardins.: Essas dores são o meu sofrimento. Faz cinco anos que nos separamos. Ex. As vozes trovejavam nos meus ouvidos. não pode haver borrões. Relampejavam contentes os olhos do menino diante da vitrina. faz invernos amenos. (auxiliar) Na prova. Choveu na sua horta. o verbo impessoal transmite ao auxiliar a sua impessoalidade. (auxiliar) Começou a haver cambalachos no jogo. o dinheiro para a condução. Ex. ora concorda com o predicativo. Havia três anos que Sílvia se mudara para a França. Observações: 1ª ± Quando acompanhado de verbo auxiliar. o verbo concordará com o que estiver no plural. sujeito Basta uma palavra sua para que tudo se resolva. Ex. Ex. 116 .: Tem gente nova no pedaço. sujeito Sobrou-me.: Choviam salivas da boca de Mariquita. Concordância do Verbo Ser O verbo ser ora concorda com o sujeito.: Não havia. no lugar de haver ou existir. No Nordeste. os verbos impessoais ficam na 3ª pessoa do singular. flores tão belas. Ex. impessoal. Tem dias que a gente se sente. Destacam-se os seguintes casos: a) Se o sujeito e o predicativo forem representados por nomes de coisa (abstrata ou concreta) e um deles estiver no plural. (auxiliar) 2ª ± Os verbos que exprimem fenômenos da natureza podem deixar de ser impessoais quando empregados em sentido figurado. apenas. mas na minha geou. sujeito Concordância dos Verbos Impessoais Por não possuírem sujeito.: Deverá haver feiras de artesanato nas férias.

de preferência. Minhas alegrias é esta criança. Ex. com o predicativo. b) Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) refere-se a pessoa.: Eu não sou ele. Aquilo eram cobras venenosas disfarçadas de gente. d) Se o sujeito for representado por pronomes neutros ± sem flexão de gênero e de número (tudo. o verbo concordará com ela. c) Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) for pronome pessoal. Observação: Nesse caso.A compra são uns retalhos coloridos. o verbo concordará com o pronome sujeito. admite-se a concordância no singular quando se deseja fazer prevalecer um elemento sobre o outro. eu sou o chefe. 117 .: As crianças abandonadas e os trabalhadores desempregados não somos nós. Você era os meus sonhos. aquilo. isso. Ele não é eu.: A vida é ilusões. com este concordará o verbo. Observação: Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) representados por pronomes pessoais.: Naquela loja. Ex. Ex. o verbo concordará. Muitas vitórias eram o meu sonho. tudo eram quinquilharias.: Minha vaidade são os meus filhos. o. Ex. No meu setor. No amor. O parlamentar sempre ausente sois vós. nem tudo são alegrias. isto) ± e o predicativo estiver no plural. Ex.

o verbo ser admite as seguintes concordâncias: . Observação: Pode ocorrer também o verbo no singular concordando com o pronome. . a maioria da população eleitora são mulheres. Seis litros de álcool é menos do que precisamos. Trezentos reais pela passagem é muito. g) Se o sujeito for representado por palavra ou expressão de sentido coletivo ou partitivo e o predicativo estiver no plural.: O restante eram verduras murchas. Observação: Na indicação de dia.no singular.no plural. quantidade e for seguido de palavras ou expressões como muito. Ex. o verbo ser concordará com o predicativo. são cinco quarteirões. medida.: Cinco quilos é pouco. Ex. Eram 23 de abril quando partimos no navio. h) Se o predicativo for o pronome demonstrativo o. concordando com o numeral.: Hoje são 2 de agosto. Ex. Ex. pouco. Nessa região. o verbo ser fica no singular. menos de. Ex. O vento e a brisa é o que os alimentam. Oito metros de elástico é mais do que pedi.: ³E tudo é chuvas que orvalham.´ (Fernando Pessoa) e) Como impessoal na indicação de horas.no singular. Concordância do Verbo Parecer a) O verbo parecer antes do infinitivo admite duas concordâncias: 118 . São oito e quinze da noite. Ex.: Dores é o que não sinto. o verbo ser ficará no singular. O resto foram cenas de terror..O que machuca bastante são as agressões verbais. Cartas amorosas e anônimas era o que mais escreviam.: Hoje é dia 2 de agosto. O mais são pérolas atiradas aos porcos. Da praia até nossa casa. o verbo ser concorda com o numeral. mais de etc.: É uma hora. Ex. sem a palavra dia explícita. f) Se o sujeito indicar peso. dias e distância. concordando com a palavra dia explícita. mesmo o sujeito estando no plural. Ex. concordando com a ideia implícita de dia. .: Hoje é 2 de agosto.

Ex.__________________ f) Menina e mulher reunia inocência e amadurecimento. as pessoas de casa pareciam emudecer. de acordo com o quadro abaixo: I ± Os núcleos do sujeito são sinônimos. (desaparece . R .__________________ c) A bondade e a benevolência não era sua qualidade.desaparecem) b) Um bando de pardais _________________ as sementesda horta. (Gostava-se ± Gostavam-se .__________________ g) O trabalho e a atividade profissional levava-o ao cansaço.. Ex. (comeu ± comeram) c) __________________ . o desmaio aconteceu de repente. ninguém. as pessoas de casa parecia emudecer.: Com a falta de notícias.__________________ 119 .varia o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo.: As paredes parece que têm ouvidos.) Seus olhos parecia que guardavam todos os segredos do mundo. R . a) Jornalista e professor trabalhava nos três períodos do dia.) Atividades práticas: 1) Complete os espaços com as formas verbais adequadas: a) Sempre __________________os carimbos da secretaria. As pescarias parecia darem vida nova ao meu pai. __________________ um homem e uma mulher. (Parece que as paredes têm ouvidos.__________________ b) A fraqueza.__________________ d) Poeta. telefonou ± telefonaram) 2) Leia as orações e justifique a concordância do verbo com o sujeito composto anteposto. (tomava ± tomavam . Ex. As cenas do palhaço pareciam alegrar acriançada. R . b) O verbo parecer fica no singular com oração desenvolvida. As pescarias pareciam dar vida nova ao meu pai. nada. a tontura. R.: Com a falta de notícias. carregava ± carregavam ) d) Enquanto ele __________________ banho. . mas __________________ o casal mágoas desde o começo do casamento. As cenas do palhaço parecia alegrarem a criançada. III ± Os núcleos do sujeito referem-se à mesma pessoa. (Parecia que seus olhos guardavam todos os segredos do mundo. IV ± Os núcleos aparecem resumidos por tudo. R . (Pareceu que suas palavras eram lamentos. pintor e cirurgião plástico fazia as coisas com perfeição.) Suas palavras pareceu que eram lamentos. e) R .não varia o verbo parecer e flexiona-se o infinitivo. II ± Os núcleos do sujeito forma sequência gradativa.

R . R . R . R . R . R .__________________ 4) Identifique as frases que apresentam concordância verbal inadequada e corrija-as.__________________ d) Pagam-se os carnês de Imposto Predial em dia. R .__________________ e) A cada palavra do policial vinha a resposta do comerciante e a ira das testemunhas. (necessitar ± presente do indicativo) b) __________________ -se fugirem os pássaros no inverno.__________________ c) Aspiram-se a bons cursos de veterinária. R . a) Vende-se casas. (ver ± pretérito imperfeito do indicativo) 120 . R . sorri pintadas de rosa as paredes da escola. R .__________________ d) Eu e você compraremos os ingressos amanhã. R .__________________ i) Cercavam o ministro uma dezena de jornalistas. R . R .__________________ b) Incomodava-lhe a gritaria do vizinho e os ensaios daquela banda. de acordo com o quadro abaixo: I ± Concordância com o núcleo do sujeito mais próximo. os vizinhos.__________________ 3) Justifique a concordância verbal. II ± Concordância com a pessoa que tiver prevalência.__________________ b) Precisa-se de vendedores com experiência.__________________ f) Podiam ser duas da madrugada quando houve os acidentes na usina nuclear.__________________ g) Eu e tu compreenderás que isso é um bom sinal dos tempos. R .__________________ e) Deviam haver mais voluntários para trabalhar na alfabetização de adultos. a) Elogiou-se a atitude do delegado e a rapidez dos bombeiros. R .__________________ i) Pedreiro e vigia noturno não descansava nunca. R .h) Os pais. R .__________________ h) Ali. Maria e Miro jantareis comigo.__________________ j) A vitória do time era seus sonhos. os avós.__________________ c) Tu. ninguém percebeu a criança saindo.__________________ 5) Complete as frases com os verbos dos parênteses no tempo pedido: a) Não só a área rural mas também a área urbana __________________ de mudanças.

que o verbo confiar rege em (confiar em alguém ou algo). a preposição contra pode relacionar-se a qualquer dos dois termos. (precisar . É disso que se ocupa a regência. Na língua culta. Surgiria a construção ³as denúncias contra Michael Jackson de abuso sexual´. e o coloquial é um dos principais objetivos do estudo da regência. (ordenar ± pretérito perfeito do indicativo) h) Fostes vós que ______________________ do zelador do prédio? (reclamar . que sejam corretas. Colocada depois de dois nomes (denúncias e abuso). por estar mais próxima de abuso. Outro aspecto que deve ser considerado é a mudança de significado que pode resultar das diferentes relações que se estabelecem entre um mesmo verbo e seus complementos: 121 . Regência Verbal A regência verbal se ocupa do estudo da relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). como estabelecer relações entre palavras. Vossa Excelência _________________ novos bombardeios. De réu. no Brasil. ( ser ± presente do indicativo) e) ____________________ -se os atores quando foram aplaudidos.se de homens e mulheres corajosos. o verbo ir rege as preposições a e para: ³Fui ao cinema´ ³Ele foi para a Grécia´. que expressem efetivamente o sentido desejado. seria necessário aproximar a preposição contra do termo que efetivamente a rege ± denúncia.pretérito imperfeito do indicativo) j) Quantos dentre vós _________________ os lucros? (repartir . (ser . E o verbo ir? No dia-a-dia. ambígua. que o verbo concordar rege com (concordar com alguém ou algo). no mínimo. Você percebe o que ocorre nessa construção? A frase é.pretérito imperfeito do indicativo) d) As saudades da pátria ____o que amargura os exilados. (aguentar .pretérito perfeito do indicativo) i) Nenhum de nós ___________________ mais aquela ladainha. Você sabe que o verbo gostar rege a preposição de (gostar de alguém ou de algo). ³Fui na praia´). um famoso cantor americano (Michael Jackson) foi acusado de assediar sexualmente menores de idade. Ao noticiar o fato. A diferença entre o uso culto. muitas emissoras de televisão falavam das ³denúncias de abuso sexual contra Michael Jackson´.presente do indicativo) g) Quando achávamos que a guerra estava próxima do final. é a esse termo que a preposição parece ligar-se. Isso faz Jackson passar a ser vítima do abuso. ou seja.c) Maria ___________________ suas alegrias.´ O termo regente da preposição contra passaria a ser feitas. Na verdade. Outra solução seria ³as denúncias de abuso sexual feitas contra Michael Jackson. formal. Jackson pode passar a vítima. para criar frases que não sejam ambíguas.presente do indicativo) Sintaxe de Regência Introdução Há algum tempo atrás. é muito comum ³ir em algum lugar´ (³Fui no cinema´. (curvar-se ± pretérito perfeito do indicativo) f) ____________________ . Para que a frase fosse clara e fiel ao sentido pretendido.

esses verbos funcionam exatamente como o verbo amar: Ex. São transitivos diretos. Chegar e ir ±são. Na língua culta. na. entre outros: abandonar abençoar aborrecer abraçar acompanhar acusar admirar adorar alegrar ameaçar amolar amparar auxiliar castigar condenar conhecer alegrar convidar defender eleger estimar humilhar namorar ouvir prejudicar prezar proteger respeitar socorrer suportar ver visitar Na língua culta. destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. Ex. nas (após formas terminadas em sons nasais). s ou z) ou no. No segundo (³A mãe agrada ao filho´). as.: Cheguei a Roma num domingo de Carnaval Fomos a Siena. ³satisfazer´. Verbos transitivos diretos Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos diretos. os. Isso significa que não exigem preposição para o estabelecimento da relação de regência. no entanto. los. a. Ronaldo foi para a Espanha. normalmente. Num último grupo. significa ³causar agrado ou prazer´. os verbos são agrupados de acordo com sua transitividade. as preposições usadas para indicar direção ou destino são a e para. lhes. 122 .: Amo aquele rapaz. Para estudar a regência verbal. nos. Os pronomes pessoais do caso oblíquo da terceira pessoa que atuam como objetos diretos são o. agradar significa ³acariciar´. Verbos intransitivos Os verbos intransitivos não possuem complementos. las (após formas verbais terminadas em r. / Amo-a. Ele deve chegar a Brasília no próximo sábado. No primeiro caso (³A mãe agrada o filho´). Esses pronomes podem assumir as formas lo. Não se devem usar como complemento desses verbos os pronomes lhe. acompanhados de adjuntos adverbiais de lugar. / Amam-no.³agradar alguém´ é diferente de ³agradar a alguém´. la. Amam aquele rapaz. É importante. Ele deve amar aquela mulher. Lembre-se de que a transitividade não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas em diferentes frases. ³contentar´. / Amo-o. Amo aquela moça. foram reunidos os verbo cujas mudanças de transitividade estão relacionadas com mudanças de significado. / Ele deve amá-la. Você verá a transitividade mais frequente ou mais problemática dos vários verbos estudados.

Com os objetos indiretos que não representam pessoas. lhes só acompanham esses verbos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais).: Antipatizo com aquela apresentadora. portanto. que têm complemento introduzido pela preposição com. Ex. (= prejudicaram sua carreira) Verbos transitivos indiretos Os verbos transitivos indiretos são complementados por objetos indiretos. R ± ___________________________________________________________________ c) Você não deve prejudicar os alunos. Ex.: A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para todos. a. que tem complemento introduzido pela preposição em. que têm complemento introduzido pela preposição a. Isso significa que esses verbos exigem uma preposição para o estabelecimento da relação de regência. São verbos transitivos indiretos. lhes. Não se devem usar os pronomes o. R ± ___________________________________________________________________ b) É preciso ajudar as crianças de rua. Lembre-se de que os verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva ± as poucas exceções serão apontadas a seguir. as como complementos de verbos transitivos indiretos. lhes. para substituir uma pessoa que funcione como complemento desses verbos. pode-se usar lhe ou a ele/ela: ³Obedeço ao mestre / Obedeço-lhe / Obedeço a ele´. (= beijar seu rosto) Prejudicaram-lhe a carreira. ³antipatizei-me com ela´ ou ³simpatizei-me com ela´. R ± ___________________________________________________________________ f) Ele gostaria de namorar Sílvia. ela) em lugar dos pronomes átonos lhe.´ Atividades práticas: 1) Faça a substituição dos termos destacados nas frases seguintes pelos pronomes oblíquos átonos apropriados: a) Não desejo incomodar aqueles rapazes. R ± ___________________________________________________________________ e) Vamos enviar estes pacotes de arroz aos flagelados. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são lhe. R ± ___________________________________________________________________ d) Vamos enviar estes pacotes de arroz aos flagelados. Ex.Os pronomes lhe.: Obedeço ao código de trânsito. entre outros: Antipatizar e simpatizar. Ex. só se pode usar a ele/ela: ³Obedeço ao código / Obedeço a ele. Consistir. Observe que.: Quero beijar-lhe o rosto. para substituir pessoas. Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria. os. Não se deve dizer. 123 . Obedecer e desobedecer. usam-se os pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele. Para substituir o que não for pessoa. Os brasileiros desobedecem aos sinais de trânsito. Esses verbos não são pronominais.

R ± ___________________________________________________________________ 2) Em cada item você encontrará uma frase típica da linguagem coloquial de várias regiões do Brasil. R ± ___________________________________________________________________ h) Ela já parou de lhe amolar? R ± ___________________________________________________________________ i) Faço questão de lhe abraçar. minha vida não é mais a mesma. R ± ___________________________________________________________________ Verbos indiferentemente transitivos diretos ou indiretos Alguns verbos podem ser usados como transitivos diretos ou transitivos indiretos. R ± ___________________________________________________________________ e)Não pude responder o bilhete que você me mandou. tudo vai dar certo. R ± ___________________________________________________________________ d) O marginal urbano não obedece sinal vermelho. querida: eu lhe amo muito. sem que isso implique alteração de sentido.em) consentir (em) deparar (com) desdenhar (de) gozar (de) necessitar (de) preceder (de) precisar (de) presidir (a) renunciar (a) satisfazer (a) versar (sobre) 124 . R ± __________________ _________________________________________________ h) Prezo muito aquele professor. R ± ____________________________________ _______________________________ g) Se Deus lhe amparar. R ± ___________________________________________________________________ b) Desde que lhe vi. para) cogitar (de. a) Fique tranquila. Alguns deles são: abdicar (de) acreditar (em) almejar (por) ansiar (por) anteceder (a) atender (a) atentar (em. Adapte cada uma dessas frases à regência verbal da língua culta. R ± _____________________ ______________________________________________ c) Não me simpatizo muito com esta tese. R ± ___________________________________________________________________ i) Por que você não obedece a seus pais? R ± ________________________________________________________ ___________ j) A comissão não respondeu aos inscritos no concurso.R ± ___________________________________________________________________ g) Espero poder alegrar os amigos. R ± ___________________________________________________________________ f) Que Deus lhe proteja.

Já perdoei aos que me acusaram. que apresenta objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa. / Não me lembro de nada. (= não me vem à lembrança) Lembrar. nesse grupo: Agradecer.: Agradeço aos ouvintes a audiência. ou vice versa: Ex. mas não me lembra a data de seu aniversário. é usado com objeto indireto de pessoa e objeto que indica a coisa a ser lembrada.: A empresa não paga aos funcionários desde setembro. Não lembro nada. perdoar. Merecem destaque. Agradeço a você. Lembre que nada acontece por acaso. Ex. / Paguei-as. Paguei minhas contas. há um detalhe importante: quando transitivos indiretos. que apresentam objeto direto para coisa e objeto indireto de pessoa. Ex. não me caem no esquecimento) Desculpe-me. pagar.: Agradeci o presente. mesmo que na frase não haja objeto direto. Ex. / Perdoei-a. (= não me saem da memória. Nesse caso. / Esqueci-me do livro.Também podem ser usados como transitivos diretos ou transitivos indiretos os verbos esquecer e lembrar. Perdoei ao agressor. Não esqueça os amigos. Observe. no sentido de ³advertir. Verbos transitivos diretos e indiretos Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um objeto indireto. Agradeço aos eleitores que confiaram em mim.: Esqueci o livro. Informe os clientes dos novos preços. Informar. / Lembre-se de que nada acontece por acaso. fazer recordar´. / Perdoei-lhe.: Não me esquecem aqueles beijos que trocamos. Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. Não esquecemos suas palavras. Ex. Esses verbos também apresentam uma outra possibilidade de construção. hoje restrita à língua literária. Observe. com esses verbos. esses verbos são pronominais.: Lembrei a todos que tudo ainda estava por fazer. / Não nos esquecemos de suas palavras. O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado. / Não se esqueça dos amigos. É importante notar que.: Informe os novos preços aos clientes. Ex. a pessoa deve sempre aparecer como objeto indireto. / Agradeço-lhe. Observe. (ou sobre os novos preços) 125 . Paguei o débito ao cobrador. / Agradeci-o. Observe as formas corretas de usá-los: Ex. Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador. porém. notar. Perdoei a ofensa.

Faça as alterações necessárias para torná-las adequadas ao padrão culto da língua portuguesa. R ± ___________________________________________________________________ c) Sempre se encontra um jeito de perdoar aos empresários inadimplentes. prevenir. R ± ___________________________________________________________________ d) Não perdoarei essa atitude grosseira. R ± ___________________________________________________________________ b) Nunca esqueci do que passamos juntos. ³Prefiro um asno que me carregue a um cavalo que me derrube. R ± ___________________________________________________________________ b) O banco não paga aos empregados desde maio.: Prefiro trem a ônibus. A ênfase jê é dada pelo prefixo existente no verbo(pre). Informe-os dos novos preços. Ex. um milhão de vezes. R ± ___________________________________________________________________ 2) Observe a regência verbal empregada nas frases seguintes. / Informe -lhes que os preços não são mais os mesmos. (ou sobre eles) No período composto. quando um dos complementos desse verbo é oracional. mil vezes.: Informe-os aos clientes.´ Esse verbo. certificar. Informe os clientes de que os preços não são mais os mesmos. podem-se obter as construções: Ex. R ± ___________________________________________________________________ d) Prefiro mil vezes ficar aqui do sair e enfrentar filas. Povo civilizado prefere democracia à ditadura. Preferir. na língua culta. valem as mesmas orientações. / Informe-os deles.: Informe os clientes que os preços não são mais os mesmos. notificar. / Informe-lhes os novos preços. antes. / Informe que os -os preços não são mais os mesmos. deve ser usado sem termos intensificadores como muito.´ (Raul Seixas) R ± ________________________________________________________________ ___ ___________________________________________________________________ Verbos cuja mudança de transitividade implica mudança de significado 126 . A mesma regência de informar cabe a avisar.Quando se utilizam pronomes como complementos. Atividades práticas: 1) Substitua os termos destacados pelo pronome pessoal oblíquo átono apropriado: a) Não deixe de pagar as contas. Ex. R ± ___________________________________________________________________ e)³Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. cientificar. a) Lembro sempre de você. R ± _________________ __________________________________________________ c) Ele se antipatizou comigo depois que lhe neguei apoio. que na língua culta deve apresentar objeto indireto introduzido pela preposição a.

Agradar. ³residir´. Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. é intransitivo e normalmente vem acompanhado de adjunto adverbial de lugar introduzido pela preposição em. é transitivo direto. ³pretender´. / Sempre o agrada quando o revê.Há verbos cujas modificações de transitividade produzem mudanças de significado. Ex. Ex. ³satisfazer´. Convém lembrar que não se pode fazer a passiva de verbos transitivos indiretos. Ex. rege complemento introduzido pela preposição a. de pessoa. ³presenciar´. no segundo. Ex. Não assisti às ultimas sessões.: As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. No sentido de ³desejar´. ³acariciar´. Não se deve usar lhe ou lhes como objeto indireto desse verbo. / Assisti a ele. O cantor não lhes agradou. ³estar presente a´ ou ³caber´. Veja a seguir os principais. Observe.´ No padrão formal. / Não assisti a elas. Em textos literários. Ex. Ex. 127 . no sentido de ³ajudar´. Nesse caso. esse verbo é usado como transitivo direto. No sentido de ³ver´.: Quem não fuma muitas vezes é obrigado a aspirar a fumaça dos cigarros de quem se acha dono do mundo. No padrão culto. Na linguagem corrente do Brasil. ³ser agradável a´. ³inalar´. Assistir. Aspirar. pode aparecer com o sentido de ³morar´. é transitivo direto. Exigir qualidade é um direito que assiste ao consumidor. ³prestar assistência a´. / Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo. no sentido de ³fazer carinho´. ³inspirar´. ³presenciar´. no sentido de ³sorver´.: Assisti a um ótimo filme. é transitivo indireto e rege complemento introduzido pela preposição a.: Sempre agrada o filho quando o revê.: O cantor não agradou aos presentes. / Exigir qualidade é um direito que lhe assiste. é transitivo indireto e rege a preposição a.: O médico se negou a assistir os idosos. no sentido de ³ver´. Nos dois casos. Quem não fuma muitas vezes é obrigado a aspirá-la. ³almejar´. é transitivo indireto. deve-se optar pela construção ativa: ³Apenas mil pessoas assistiram ao jogo. Ex. ³prestar assistência´.: Não assisti o jogo. portanto não se pode dizer: ³O jogo foi assistido por mil pessoas. no primeiro apresenta objeto indireto de coisa. No sentido ³causar agrado a´. Os brasileiros sensíveis aspiramos a ele. Ex.: Os brasileiros sensíveis aspiramos a um país mais justo. não se aceita essa construção.´ Alguns autores admitem que esse verbo seja usado como transitivo indireto com o sentido de ³ajudar´. ³pertencer´. O médico se negou a assistir-lhes. As empresas de saúde negam-se a assisti-los. é transitivo direto.

128 . no sentido de ³desejar´. no sentido de ³ter como consequência´. Ex. ³cobiçar´. são comuns construções como: ³Zico custou a chutar´ ou ³Custei para entender o problema´. vá chamá-la. custa para ti. e sim ³O que te custa acordar mais cedo?´. ³amar´. essas construções em que custar apresenta sujeito indicativo de pessoa são rejeitadas. Nenhum dicionário admite essa construção no padrão culto. Em seu lugar. Ex. é transitivo direto e indireto. ³apontar´ ou ³pôr visto´. é transitivo direto. ³acarretar´. Note que o sujeito de custar não é pessoa. no sentido de ³mirar´. o fato: não és tu que custas para acordar mais cedo. tem como sujeito uma oração subordinada substantiva reduzida. meu amor. No Brasil. Chamar. Implicar. ³trazer como consequência´. Querer. e sim a coisa. vá chamar sua prima.: Quero muito aos meus amigos. mas você não ouviu. No sentido de ³ter afeição´. é transitivo indireto e rege a preposição a. Despede-se o filho que muito lhe quer. Observe. Ex.: Qualquer pessoa sensível gostaria de assistir em Siena. / Chamei-o várias vezes. no sentido de ³ser custoso´.: Sua decisão implicou o cancelamento do projeto. ³comprometer´.Ex. Ex. ³ser penoso´.: Sua sogra implica muito com você? No sentido de ³envolver´. Ex. no sentido de ³convocar´.: Queremos um país melhor. No sentido de ³embirrar´.: Por gentileza. ³ter vontade de´. Custou-nos encontrar sua casa. mas você não ouviu. Chamei você várias vezes. Bruges ou Toledo. em que o verbo custar pode significar ³demorar´ ou ³ter dificuldade´ e apresenta como sujeito uma pessoa. Na língua culta. é transitivo direto. No Brasil. Ex. ³rubricar´.: Ainda me custa aceitar sua ausência. Quero muitos beijos. Custou-lhe entender a regência do verbo custar. é transitivo direto. Sua decisão implicou cancelar o projeto. ³solicitar a atenção ou a presença de. dizendo o nome em voz alta´. esse verbo é sistematicamente usado com a preposição em (³Sua decisão implica em cancelar o projeto´. Ex. é acordar mais cedo que te custa. / Por favor. ³estimar´. Visar. Se você estranhou essas construções. devem-se utilizar construções em que surja objeto indireto de pessoa: ³Custou a Zico chutar´ (= Custou-lhe chutar) e ³Custou-me entender o problema´. Recessão implica desemprego. ³ser difícil´. Custar. é transitivo indireto e rege a preposição com. ³ter implicância´. ³provocar´.: Acabaram implicando o ex-ministro em atividades criminosas. lembre-se de que você não diz ³Quanto tu custas para acordar mais cedo?´. na linguagem cotidiana. é transitivo direto.

Note o que acontece particularmente nas últimas frases.___________________________________________________________________ b) Almejo um futuro melhor para o povo do meu país.________________________________ ___________________________________ c) Não é recomendável acariciar cães violentos. quando empregadas no padrão coloquial: O cargo que aspiro. indica que. Por isso. O filme a que assisti é italiano. Em seu lugar. é transitivo indireto e rege a preposição a. Só um projeto que vise à eliminação dos vergonhosos contrastes sociais pode levar o Brasil à verdadeira modernidade.´.´.. devem ser usadas estruturas como: Ao toque da campainha.´. ³ter como objetivo´. O restaurante em que eu comia no tempo da faculdade foi fechado. Li o livro e gostei dele.. O restaurante que eu comia. (agradar) R . O gerente não quis visar o cheque. devem-se evitar construções como: Ao toque da campainha. 2ª ± Não se deve esquecer que.´ Essas construções devem ser corrigidas para: A rua em que moro é esburacada. no máximo.. ³O restaurante que eu comia no tempo da faculdade foi fechado.Ex. ³O cargo que eu aspiro é muito disputado. nem saia do trem. Observações: 1ª ± Na língua formal falada e escrita. ³O filme que assisti é italiano. nem saia dele. no padrão culto.. não entre no trem. indica que você gosta de comer tijolos. são condenáveis construções como: ³A rua que eu moro é esburacada. ³É o único amortecedor que eu confio. Os países a que fui são ricos. (aspirar) R . Li e gostei do livro. não entre. ³Os países que eu fui são ricos. (aspirar) R . (agradar) 129 . O cargo a que aspiro é muito disputado. No sentido de ³ter em vista´.: O caçador visou o corpo do animal. Assim.´. não se deve atribuir a verbos de regências diferentes um mesmo complemento. É o único amortecedor em que confio. você sentirá o cheiro do cargo.´.___________________________________________________________________ d) Ele fez tudo para satisfazer o inexorável sogro que Deus lhe deu. toalhas. Ex. mesas.: O ensino deve visar ao progresso social. ³ter como meta´. é preciso manter a regência determinada pelo verbo quando seu complemento ou modificador é um pronome relativo. Atividades práticas: 1) Substitua as palavras destacadas pela forma apropriada do verbo entre parênteses: a) Nunca sorvi perfume tão agradável.

obediência a algo / a alguém.___________________________________________________________________ c) Custei para notar a encrenca que eu me meti.___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ g)Esse é um direito que pertence a todos nós. Conhecer o regime de um verbo significa. Substantivos admiração a. Além disso.___________________________________________________________________ 2) Observe a regência verbal das frases seguintes e faça as modificações necessárias para que se tornem adequadas ao padrão culto da língua portuguesa: a) Ele custou para perceber o que estava acontecendo. diretor do memorável Cinema Paradiso. No estudo da regência nominal.___________________________________________________________________ Regência Nominal Regência nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo.___________________________________________________________________ e) As atuais condições do sistema escolar público implicarão em maior evasão de alunos a curto e médio prazo. Você vai encontrar. adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esses nomes.___________________________________________________________________ b) Custamos para enxergar o óbvio.___________________________________________________________________ d) Cidadania implica em direitos e deveres. (assistir) R .R . obedientemente a algo / a alguém. a seguir. por 130 medo a.___________________________________________________________________ e) Os melhores médicos foram convocados para cuidar do paciente. (assistir) R . R . conhecer o regime dos nomes cognatos. É o que ocorre. (assistir) R . para com.___________________________________________________________________ f) Não deixo de ver os filmes de Giuseppe Tornatore. R . obediência a algo / a alguém. Observe-os atentamente e compare o uso indicado com o uso que você tem feito. de . por devoção a.___________________________________________________________________ _____________________________________________________ ______________ _ ____________________________________________________________________ f) O juiz procedeu o exame dos documentos entregues pela testemunha. R . Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que regem. nesses casos. com obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a: obedecer a algo / a alguém. R . por exemplo. R . R . procure associar esses nomes entre si ou aos verbos cognatos.

de. afinal. introduz toda a oração. para compatível com contemporâneo a. para fácil de fanático por favorável a propício a próximo a. por proeminência sobre respeito a. É bom lembrar que o sujeito jamais é introduzido por preposição. de análogo a ansioso de. por atentados a. não se deve fazer a contração da preposição com o eventual sujeito desse infinitivo ± a preposição. em. para descontente com desejoso de diferente de entendido em equivalente a escasso de essencial a. de passível de preferível a prejudicial a prestes a contíguo a contrário a curioso de. de parco em. ( e não ³consiste nos´) Atividades práticas : 131 . em. para com agradável a alheio a. Ex.: Existe a possibilidade de eles participarem. por generoso com grato a. por apto a. sobre horror a impaciência com obediência a ojeriza a. relativamente a. de relacionado com relativo a satisfeito com. para ávido de benéfico a capaz de. por hábil em habituado a idêntico a impróprio para indeciso em insensível a liberal com natural de necessário a nocivo a paralelo a semelhante a sensível a sito em suspeito de vazio de Advérbios longe de perto de Os advérbios terminados em mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a. com. com afável a. para doutor em dúvida a cerca de. que Adjetivos acessível a acostumado a . para. para com. e não apenas o sujeito dela. Observação: Quando o complemento de um nome ou verbo tiver a forma de oração reduzida de infinitivo. paralelamente a. para. (e não ³deles participarem´) É hora de as noções de civilização contaminarem as mentes e gestos dos brasileiros. relativa a.aversão a. (e não ³das noções´) A questão consiste em os brasileiros adotarem posturas mais críticas e menos individualistas em relação ao Estado. contra bacharel em capacidade de.

Ex. eleito pelo povo. com a inicial dos pronomes aquele(s). R . Aprender a colocar o acento consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. aquela(s). R .____________________________________________________________________ d) Fui contrário que incluíssem meu nome num manifesto de apoio ao atual prefeito.____________________________________________________________________ f) Era um pequeno cão. Verificar a existência de uma preposição é. c) Ainda hoje minha ojeriza ____________certas atitudes preconceituosas causa frenesi. ou acento indicador da crase. g) Seu medo ______________ opressão é maior que sua obediência ___________ velhos dogmas. R . R . depende essencialmente da compreensão desse fenômeno. O uso apropriado do acento grave.____________________________________________________________________ O Uso do Acento Indicativo de Crase Crase é palavra de origem grega e significa ³mistura´.________________________________________ ____________________________ c) Estou ansioso que esse problema seja resolvido logo. R . Tem particular importância a crase da preposição a com o artigo feminino a(s). j) A aprovação dessa lei é fundamental __________________ a proteção de mananciais. ³fusão´. 2) É preciso acrescentar uma preposição a cada uma das frases seguintes para que se tornem adequadas ao padrão culto da língua portuguesa. cuja presença estávamos habituado. b) Tenho profunda aversão ________________________ ególatras. Em todos esses casos. aquilo e com o a do relativo a qual(as quais). Faça esse acréscimo. e) Existem muitos novos-ricos que ainda têm dúvidas _______________ utilidade dos estudos linguísticos. antes de mais nada. 132 . h) A ditadura é um verdadeiro atentado ______________ dignidade humana. não teve capacidade ________ governar o país satisfatoriamente. com o pronome demonstrativo a(s). i) Tenho admiração ________________ todos os que defendem seus direitos. d) Aquele moleque mimado. a fusão das vogais idênticas é assinalada na escrita por um acento grave. é o nome que se dá à fusão de duas vogais idênticas. a) Não há oposição que ele entre no grupo. R .____________________________________________________________________ e) O povo está desejoso que se encontre uma saída para a crise atual. Nos estudos de língua portuguesa.____________________________________________________________________ g)São crianças cujo futuro muita gente é insensível. f) Não tenho devoção ___________________ futebol.: Conheço a diretora. apl car os i conhecimentos de regência verbal e nominal que você acaba de obter. R .____________________________________________________________________ b) Está acostumado que eu lhe telefone todos os domingos pela manhã. Refiro-me à diretora.1) Complete adequadamente as frases seguintes: a) Não é possível viver em sociedade sem respeito _____________d ireitos dos outros.

o verbo é transitivo direto (conhecer algo ou alguém). a nenhuma pessoa aqui presente. na(s). Parabéns a você. Refiro-me ao diretor. Penso em você. portanto a crase é possível. / Prefiro a tela da direita à da esquerda. Não basta provar que existe a preposição a. Apaixonei-me por você.: Conheço o diretor. A crase obviamente não ocorre diante de palavras que não podem ser precedidas de artigo feminino.: Disponho-me a colaborar. ou que existe artigo a. ou seja. Note que o que vem a seguir consiste na aplicação prática dos conceitos e dos expedientes estudados.dos substantivos masculinos: Ex. podem-se utilizar dois expedientes práticos. Se essas preposições não se contraírem com o artigo. Cheguei a insistir. É preciso provar que existem os dois. Começou a chorar. Ex. / Refiro-me à diretora.: Mostre a ela. Para verificar a existência de um artigo feminino ou de um pronome demonstrativo após uma preposição a. ± Gosta de gritar. . Quero falar a todos. Optou por gritar. Prefiro o quadro da direita ao da esquerda. Se surgir a forma ao. O primeiro deles consiste em colocar um termo masculino de mesma natureza no lugar do termo feminino a respeito do qual se tem dúvida. Isso não interessa a ninguém. portanto não existe preposição e não pode ocorrer crase.dos verbos: Ex. ou pela(s). Refiro-me a Vossa Excelência.: Refiro-me a você. No segundo caso.: Tenho fogão a gás. Começou a gritar. 133 . . Tome muito cuidado com esses ³macetes´. ± Gosto de você. não haverá crase. a poucas pessoas.da maioria dos pronomes: Ex.No primeiro caso. Assisti a jogos memoráveis. / Conheço a diretora. Fui a pé. Insiste em gritar. Você vai ver agora alguns casos em que são comuns as dúvidas relativas ao emprego do acento indicador de crase. em. Não se esqueça de que é preciso olhar para os dois lados. Não compro a prazo. por). É o caso: . se não surgirem as formas da(s). Disse a mim. desde que o termo seguinte seja feminino e admita o artigo definido feminino a ou um dos pronomes já especificados. Pôs-se a gritar. o verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou alguém) e rege a preposição a. Outro recurso prático é substituir o termo regente da preposição a por um que seja outra preposição (de. ocorrerá crase antes do termo feminino. Ex.

ocorrerá então. A tripulação do cargueiro desceu a terra.: O estudo não se aplica a pessoas de índole nervosa. (terra se opõe à noção de ³estar em alto-mar´) A aeromoça chegou à terra de seus pais. Compare as frases seguintes: Ex. / Refiro-me a meu velho amigo. É um assunto relativo a jornalistas especializados.: Cheguei a casa. / Estou em casa. estados.: A pesquisa não se refere a mulheres casadas.: Vou à Bahia. O prêmio só foi concedido a cantoras estrangeiras.a essas poucas pessoas.: Estou me referindo à mesma pessoa. Nesses casos. a crase. Vou a Florença. Cheguei à casa do diretor. não há crase. Os poucos casos de pronomes que admitem artigo podem ser facilmente detectados pela aplicação dos métodos descritos há pouco. Não basta constatar que surge da ou na antes de Itália. se o termo antecedente reger a preposição a. / Vim da Itália. é garantia apenas de que existe artigo antes de Itália. / Venho de casa. Você está se referindo a secretárias? Você está se referindo às secretárias desta empresa? Com as expressões adverbiais de lugar formadas por nomes de cidades. Vou à Itália. e os substantivos estão sendo usados em sentido genérico. O estudo não se aplica às pessoas de que estávamos falando. países. Ex. (ao senhor Sílvio) Atenção! Antes dos possessivos. No caso de ³Visitei a Itália´. por exemplo. / Vim de Florença. / Vim da Bahia. já que visitar é verbo transitivo direto. Isso não é garantia de acento indicador de crase.de palavras femininas no plural precedidas de um a: Ex. Ex. / Estou na deslumbrante Florença. 134 . Refiro-me à minha velha amiga. Ex. Ex. passam a ser precedidos do artigo as. por exemplo. Tome cuidado! Não se esqueça de verificar os dois lados. / Estou na Bahia. (ao próprio Luís) Informo o preço à senhora Sílvia. Quando são usados em sentido específico. / Estou em Florença. / Vim da deslumbrante Florença. / Venho da casa do diretor. / A tripulação do cargueiro está em terra. (casa designa a residência de quem fala ou escreve). (ao mesmo homem) à própria Luísa. Observe com atenção o comportamento das palavras casa e terra nestas expressões. deve-se fazer a verificação da ocorrência da crase por meio da troca do termo regente.: Refiro-me a minha velha amiga. Vou à deslumbrante Florença. Portanto. o artigo definido é optativo. / Refiro-me ao meu velho amigo. / A aeromoça está na terra de seus pais. o acento grave será optativo. . / Estou na casa do diretor. Para que ocorra crase. é preciso que o termo anterior peça a preposição a. a qualquer pessoa. / Estou na Itália. o a é preposição .

/ Fez referências elogiosas a Machado de Assis. / Fui até os últimos motivos. que pode estar subentendida. Merece destaque a expressão à moda de. às últimas conseqüências. à Sílvia.O acento indicador de crase é usado nas expressões adverbiais. Ex. Fez referências elogiosas a Clarice Lispector. 135 . Estarei lá daqui a uma hora. ou se se tratar de personalidade pública. Fui até as últimas consequências. / Enviei a proposta a Sílvio de Araújo. / aos últimos motivos. Nesses casos.: Isso acontece a qualquer hora. Ex. aquela(s) e aquilo depende apenas da verificação da presença da preposição que antecede esses pronomes. Atrevia-se a escrever à (moda de) Drummond. Ex. A ocorrência da crase com os pronomes aquele(s).: à meia noite às duas horas à uma hora às três e quarenta Não confunda com as indicações não especificadas.: Enviei as flores a Sílvia. / Enviei as flores a Pedro. Ex. desde que o termo antecedente reja preposição a. / ao Pedro.: Enviei a proposta a Sílvia de Araújo. Ex. à escola.: corpo a corpo lado a lado passo a passo dia a dia A crase é facultativa diante dos nomes próprios femininos e após a preposição até que antecede substantivos femininos. / Vou até o colégio. Vou até a escola. Pedimos arroz à (moda) grega. / ao colégio. A crase não ocorrerá se o nome de pessoa for usado em situação formal. Basta usar expressões formadas por palavras masculinas. nas locuções prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas.: cara a cara gota a gota face a face frente a frente É fácil perceber por quê. não se usa artigo. Ex.: Pedimos uma pizza à moda da casa. Ex. à tarde à noite à direita às claras às escondidas à toa à beça à esquerda às vezes às ocultas à chave à escuta à deriva às avessas às moscas à revelia à luz à larga às ordens às turras à beira de à sombra de à exceção de à força de à frente de à imitação de à procura de à semelhança de à proporção que à medida que Incluem-se nessas expressões as indicações de horas especificadas. Não ocorre crase nas expressões formadas por palavras femininas repetidas.

n) Vamos a sua casa ou a minha? o) Vamos a Bahia ou a Santa Catarina nas próximas férias? p) Fui a Europa e depois a Ásia. Refiro-me àquele jardim. i) Direi a vocês o que sei. àquilo. àquela praça. q) Fui a Teresina e depois a Fortaleza. chegamos a Florianópolis das quarenta e duas praias.: Veja aquele monumento. Muitas das alunas às quais ele dedicou seus estudos estiveram presentes à homenagem de ontem.: Perguntei à que chegar primeiro. Sua proposta é semelhante à dele. / O professor ao qual devo meu aprendizado já se aposentou. t) Cheguei a casa tarde da noite ontem. Estou fora de moda. v) Fui a velha casa onde passei minha infância. Dificuldades Mais Frequentes da Língua Portuguesa. f) Não nego minha contribuição a cultura brasileira. aquilo. Atividades práticas: 1) Coloque o acento indicador de crase quando for necessário: a) Comunique nossos preços as empresas interessadas. / Perguntei ao que chegar primeiro.Ex. l) Não vou a festas. b) Enviei dinheiro a estas instituições beneficentes.: A professora à qual devo meu aprendizado já se aposentou. ver é transitivo direto: não há preposição referir-se é transitivo indireto: e rege a preposição a A crase com o demonstrativo a(s) é detectável pelo expediente da substituição do termo regido feminino por um termo regido masculino. m) Diga as pessoas que me procurarem que tive de sair. Ex. g) O atendimento a pacientes conveniados está suspenso. d) Sempre evitei comprar a crédito. r) Fui a Natal das praias inesquecíveis. / Sua projeto é semelhante ao dele. O mesmo expediente deve ser usado para detectar a crase com os pronomes a qual e as quais. h) Não há mais nada a fazer. j) Diga a Sua Excelência que não tenho nada a acrescentar as palavras que já disse. e) O governador nada pode fazer a curto prazo. / Muitos dos alunos aos quais ele dedicou seus estudos estiveram presentes à homenagem de ontem. u) Os pescadores queriam chegar a terra antes do anoitecer. não assisto a novelas e não aspiro a grandes posses. k)Transmita a cada um dos presentes as instruções necessárias a continuidade da sessão. 136 . c) Nunca disse nada a respeito disso. s) Finalmente. Ex. aquela praça.

que exprimem estado ou permanência.: Queres chegar aonde? Aonde vais tão tarde? Não sei aonde ir. o que permitirá vir acompanhado normalmente de uma palavra determinante (artigo). ‡ por quê . Tem como oposição o pronome donde. ‡ porque . 137 . c) Mas / mais. Ex.: Abaixo de Deus. Ex.no final de frase interrogativa ou não. Não foi difícil encontrar o porquê da briga. causal e finalidade (de uso pouco comum na linguagem atual ). ³entretanto´: Ex. b) A baixo ± contrário a ³de alto´.: Ainda não terminou? Por quê? Você ainda tem coragem de perguntar por quê? Ninguém sabe explicar por quê. equivalendo a ³porém´ . porque é perigoso. Ex. mas não obteve aprovação. ‡ onde .usado com verbos estáticos.: Por que você partiu tão depressa? Não se sabe por que foram feitas tantas mudanças. ³por qual motivo´: Ex.: Ele é o cidadão mais eminente daquele estado.: Estudou muito para o vestibular. Ex. Não mintas porque não te julguem. ‡ por que . em categoria inferior. ‡ mas.representa um substantivo.: Abaixo o orador! 2) advérbio = embaixo. d) Abaixo ± a baixo.empregado com verbos que indicam movimento.é conjunção adversativa . direção ou aproximação. b) Onde / aonde . Pegue lá abaixo. a) Abaixo: 1) interjeição. Não pude comparecer porque estava doente. que significa afastamento.a) Por que / porque / por quê / porquê.: Não vá .usado no início de frases interrogativas e quando subentende as palavras: ³por qual razão´.é pronome ou advérbio de intensidade: Ex. Ex. Ex. depois.: Onde você se esconde? Onde você vai estudar no próximo ano? ‡aonde .³contudo´.: Não entendi o porquê da sua desatenção. grito de indignação ou reprovação. ‡ mais . Ex. ‡ porquê .quando funciona como conjunção explicativa. os pais.

Ex. c) A cerca de ± ideia de distância. acima de tudo. Ex.: Muito acima dos bens materiais. c) Acerca de / Cerca de / A cerca de / Há cerca de. a) Acerca de ± a respeito de.Ex. a) Acima.: De quinze anos acima. à excessão de. 1) Atrás. 4) De preferência.: São duas pessoas afins. 5) Afora / A fora. b) Cerca de ± durante. de lugar superior. d) Acima / A cima. 5) De cima (interjeição). Ex. A fora ± com a ideia de ³para fora´. Ex. 2) Em grau ou categoria superior. a paz do espírito.: Falamos acerca de futebol.: Há cerca de mil alunos lá fora.: Nas minhas aulas.: Costurou a roupa de baixo a cima.: Estudou a fim de passar no vestibular. Ex. aproximadamente. Ex. d) Há cerca de ± existe aproximadamente. Ex. sobre. b) A fim de ± com o propósito de. 4) Afim / A fim de. parentesco. com o objetivo de.: Pela vida a fora. por cima. Ex.: Buscamos.: Todos irão. Ex. falo cerca de duas horas. 138 . afinidade. o reino de Deus.: Fiquei a cerca de três metros de distância. com a finalidade de. 3) Em graduação superior a. exceto.: Eia! Acima.: Exemplo citado acima. Ex. Alasão! b) A cima ± contrário a ³de baixo´. a) Afora ± o mesmo que ³fora´. Ex. Ex. afora você. Ex.: Rasgou as roupas de alto a baixo. Ex. a) Afim ± semelhança.

8) À-vontade / À vontade. tal à-vontade que se dirige aos subalternos.: O orador recebeu um aparte. Comi à vontade. Ex.: Isso será marcado à parte. a) Demais: 1) Pronome indefinido = outros. e ele ficou com tudo. sem rumo.: Ele é um homem que reclama à toa. porém. b) À parte ± locução adverbial = de lado. Ex.: Não parece chefe. contudo preferi ficar calado. Ex.: Não aparte os animais. 139 . sem valor. Ex. Ex. b) À vontade ± locução adverbial = sem preocupação.: Ele é um homem à-toa. a) Contudo ± não obstante. despresível. 7) À-toa / À toa. os abaixo assinados. negligentemente. 2) Advérbio de intensidade = excessivamente. Ex.6) Aparte / À parrte. Não me agrada esse à-vontade com que você fala. a) À-vontade ± substantivo = descuido. todavia.: Fique à vontade. 11) Demais / De mais. Ex. 9) Abaixo-assinado / Abaixo assinado. a) Abaixo-assinado ± documento. b) À toa ± locução adverbial = ao acaso. b) Com tudo ± preposição + pronome = total.: Ele fala demais. Ex. Ex.: Os alunos entregaram o abaixo-assinado ao diretor.: Nós.: Fui embora. sem razão. sem-cerimônia. b) Abaixo assinado ± quem assina abaixo. Sirva-se à vontade.: Poderia falar. 10) Contudo / Com tudo. Ex. 2) Substantivo ± interrupção. Ex. Ex. Estava à toa na vida. 1) Verbo = separar. a) À-toa ± locução adjetiva = ordinário. reclamamaos tal situação. Ex.: Chame os demais alunos. a) Aparte.

: Ele está em fim de carreira.: Tu dormes. sem pressa. Ex.: Fazemos tarefas dia a dia.: Chofer malcriado. Ex. 140 . a) Enquanto ± conjunção = ao passo que. Não tem nada de mais sair mais cedo. Ex. a) Em vez de ± em lugar de. Ex. b) Em fim ± no fim. a) Malcriado ± sem educação. finalmente. a) Dia-a-dia ± substantivo. Ex. quem trabalhou fui eu. Ex. 14) Em vez de / Ao invés de. b) Dia a dia ± locução adverbial = dia por dia. Ex.: Em lugar de comprar um sítio.: Toco meu contrabaixo nas horas de vagar. Ex.: Devagar se vai ao longe. 16) Enquanto / Em quanto. Ex. b) Em quanto ± preposição + pronome = qual. a) Enfim ± afinal.: O dia-a-dia é que preocupa. a) Devagar ± lentamente. b) De mais ± locução adjetiva = muito.: Comi pão de mais.3) Palavra continuativa = além disso. Ex.: Demais. 15) Enfim / Em fim. Ex. enquanto ele trabalha. saía dela. b) De vagar ± de descanso. Ex. 12) Devagar / De vagar.: Enfim vocês chegaram. por quanto. f) Ao invés de ± ao contrário de. Ex. 13) Dia-a-dia / Dia a dia. comprou três.: Ao invés de entrar em sala.: Em quanto tempo você vai? Em quanto pode ficar o conserto do meu carro? 17) Malcriado / Mal criado. b) Mal criado ± tratado mal.

. 20) Sobretudo / Sobre tudo. porquanto o tempo voa.: A quem. senão procuraria um médico. Ex. senão todos já saberiam. Ex. a) Porquanto ± conjunção = visto que. Ex. Ex.: Estudei muito. Ex. 141 . não entras. Ex. Ex.: O frio nos obrigou a usar sobretudo. sobretudo porque estou querendo passar no colégio. senão também me hospedou.: Não sei por quanto tempo posso contar com sua ajuda. Ex. b) Sobre tudo ± a respeito de tudo. Por quanto venderam a casa? 19) Se não / Senão.Ex. 5) Caso contrário. Não só me ajudou. 3) Palavra de exclusão = exceto.: Estude. a) Sobretudo: 1) Especialmente. senão não passarás no concurso. senão a meu pai. a) Se não: 1) Conjunção + advérbio = caso não. 2) Casacão. Ninguém te viu. 18) Porquanto / Por quanto. 2) Pronome + advérbio. 2) Mas também. b) Senão.. Ex. devo recorrer? 4)Depois de palavra negativa ou como segundo elemento dos pares aditivos não ou senão. b) Por quanto ± designa quantidade. Ex. Se não = não se.: Não me amoles senão eu grito.: O que se não deve dizer. principalmente. capa. 1) Substantivo = defeito.senão (também).: É um cafezal mal criado. Nada me dói.: Não só me ajudou. preço.: Ela não tem um senão de que possa falar.: Se não pagas. não só. Ex.: Apresso-me. senão defendeu-me.

: Eles conversavam sobre tudo. As minhas ideias.: O barco estava ao nível do mar. secamos nossa fonte. você queria que não houvesse um _______ d) __________________ele chegou tarde você também acha que pode chegar? e) Os caminhos __________________passamos refletem nossa existência. f) Ele disse__________________.: As minhas ideias vão ao encontro das suas. Por que sabemos algo que aparentemente poucos sabem devemos ficar calados? Porque temos tanta insegurança é o que queremos saber. 142 . Em nível de (=hierarquia). __________________? j) O motivo ___________________você não veio mais cedo não ficou claro para nós. morrendo de cabeça oca porquê fomos cabeças-ocas. de uma hora para outra. Ex. 2) Ao encontro de (=aproximação). 2) Corrija os porquês do texto a seguir: Todos se perguntam porque divulgar suas ideias é perigoso. Isso foi resolvido em nível de hierarquia. entre tantos. assim. De encontro a (= posição contrária). Ex. E.: Em princípio. passamos a vida tendo boas ideias e não as compartilhando. estando de posse das ideias criativas. concordo com tudo isso. A princípio (= no início). foi escolhido. Atividades práticas: 1) Complete as lacunas com a forma adequada do porquê: a) __________________você na pensa em ir embora? b) Queria saber __________________você quis ir embora. Ex. tememos que nolas roubem.: A luz do sol passou através da vidraça. em busca do por quê. Através a. Só use através de. i) Você não veio mais cedo. leciono língua portuguesa. 4) Através de. infelizmente. vão de encontro às suas. eu lecionava língua inglesa. c) Antes de entender__________________. Ex. 3) Em princípio (= em geral). A princípio. e não através a.Ex. e. agora. g) ___________ _______você não disse que viria mais cedo? h) Ele queria saber ______________você não veio mais cedo. Cuidado com as seguintes expressões: 1) Ao nível de (= à mesma altura). Porquê. e ainda sem entender porquê.

com suas variadas funções. o texto deve ser claro. 4 ± A urgência: y Normalmente. y Sem a necessidade de rebuscamento. tanto interna quanto externamente. simples. que sejam observados os traços característicos a seg uir: 1 ± Cordialidade versus intimidade: y Ser cordial na comunicação empresarial não significa criar laços de afetividade ou romper relações hierárquicas. Com o adevento da Internet e a otimização da comunicação nos ambientes empresariais. igualmente observáveis em outras formas de comunicação escrita ou oral. quanto no universo das comunicações externas com clientes e fornecedores. A Comunicação na Empresa. y Pressa significa falta de planejamento. ainda há um protocolo a ser seguido. Recomenda-se. 3 ± Vocativos e formas de tratamento: y Mesmo com toda a simplificação que ocorreu na comunicação empresarial nas últimas décadas. é importante que o profissional que usa o ³email´ como ferramenta de trabalho observe suas particularidades. não podendo a comunicação 143 .__________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ A Comunicação Oral e Escrita no Contexto Organizacional. como ao se convidar um colega de trabalho para um almoço. enfaticamente. Assim. y A urgência é uma situação cotidiana nas empresas. a mensagem eletrônica pode vir a ser usada tanto no universo das comunicações mais informais. Em função disso. y A intimidade é exclusiva das relações pessoais não-profissionais. objetivo e educado. culpa-se a pressa pelos erros cometidos nas comunidades das empresas. y Sempre vale o bom senso no momento da elaboração do texto. nota-se que o ³e-mail´ acabou assumindo vários papéis no dia-a-dia institucional. 2 ± Seleção vocabular: y A cordialidade ± e não a intimidade ± se expressa de imediato pela seleção das palavras utilizadas na comunicação empresarial. y O uso adequado das formas de tratamento delimita o grau de profissionalismo da empresa. O "e-mail´ na comunicação.

M. A respeito das formas de tratamento. vereadores. chefes da Casa Civil e da Casa Militar. Usado para Presidente da República. Outras patentes militares. cônsules.Exa. deputados federais e estaduais.as. Vossa Magneficência ou Magnífico Reitor Vossa Senhoria V. estaduais e municipais. vale lembrar. Atentese igualmente para as formas abreviadas. Autoridades civis Formas de tratamento Vossa Excelência Abreviatura V. deve-se usar Vossa Excelência. se a fala se referir à autoridade. Sua designa a pessoa de quem se fala (a terceira pessoa do discurso). Portanto. deve usar -se Sua Excelência. Reitores de universidades Diretores de autarquias federais. ministros de Estado.Sas. Entretanto.Sa. sucintamente.escrita se furtar de manter a qualidade mesmo nessas situações.Exa. Usado para Desembargadores da Justiça. prefere-se não colocar o ³a´ sobrescrito nas abreviaturas. Juiz Autoridades militares Formas de Tratamento Vossa Excelência Vossa Senhoria Abreviatura V. mas não for endereçada a ela. ao se dirigir a uma autoridade.M. promotores. ou V. embaixadores. governadores. Autoridades judiciárias Formas de Tratamento Vossa Excelência Meritíssimo Juiz Abreviatura V. o uso de Vossa ou Sua nesses casos. Vossa designa a pessoa com quem se fala (a segunda pessoa do discurso). M. flexione apenas o segundo elemento.Exa. . por exemplo. V. Juízes de direito.S. Autoridades eclesiásticas 144 Usado para Oficiais generais (até coronel). Exemplo: Vossas Senhorias ± V.Sa. curadores. Vejamos algumas formas de tratamento e com que pessoas devemos ser usadas. Reitor V. prefeitos. No caso de abreviaturas no plural. senadores da República. Atualmente.

Doutores. Ema. Com. R -___________________________________________________________________ e) As informações foram registradas em áudio-visual. que apresentam erros de grafia. Revma.Sa. Príncipes. Comendadores Professores.Ema. Abades. V. Autoridades monárquicas Forma de Tratamento Vossa Majestade Vossa Alteza Abreviaturas V. Dr. Usado para Reis e imperadores. outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral. Outras formas de tratamento Forma de Tratamento Vossa Senhoria Doutor Comendador Professor Abreviaturas V.M. V. V. Revma. V. Usado para Dom e funcionários graduados. superiores de conventos. Atividade prática: 1) Corrija as frases a seguir. R -________________________________________________________________ ___ b) Iniciou-se a campanha contra desinteria infantil. atribuídos à ³pressa´ na comunicação.A. R -___________________________________________________________________ 145 . Arcebispos e bispos. R -___________________________________________________________________ c) O anúncio das novas medidas gerou um reboliço entre os acionistas.S.Forma de Tratamento Vossa Santidade Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima Vossa Eminência Reverendíssima ou Vossa Excelência Reverendíssima Vossa Reverendíssima Abreviatura V. Usado para Papa. Ema. possivelmente. Revma. R -_____________________________________________________ ______________ d) A campanha procura aumentar a alto-estima dos funcionários. a) Temos de enviar os relatórios para o acessoramento parlamentar. Prof. Cardeais. V.

Um texto obscuro ou rebuscado deixa o leitor inseguro. não basta pensar o texto apenas como seu emissor. As frases curtas tendem a ser mais facilmente fixadas pelo leitor. Entretanto. gerando uma rejeição natural à ideia exposta. Na administração moderna. Repare que ³slogans¶. no âmbito da comunicação empresarial. os princípios que norteiam as decisões se baseiam nos conceitos de eficácia e eficiência. Entretanto. Em vez de esperar que seu interlocutor naturalmente entenda suas ideias. objetiva e sucinta corresponde à sua eficiência. Clareza e objetividade são sinais de eficiência do texto. pois a eficácia está condicionada essencialmente à adequação e à delimitação da mensagem. Uma mensagem pouco eficiente pode prejudicar sua eficácia. Também vale dizer que. é necessário: y Construir frases curtas e objetivas. O rebuscamento na comunicação no âmbito institucional esbarra em dois entraves à eficácia: o texto pode levar a crer que o emissor é pedante. Outra grande qualidade da comunicação escrita é a objetividade. com o objetivo de garantir a eficácia da comunicação. Pode-se estabelecer a eficácia como a segurança de que a mensagem alcançará seu propósito. multiplicidade de interpretações ou mal-entendidos. vale lembrar que uma mensagem bastante eficiente não implica que ela seja automaticamente eficaz. ou pode resultar em mau entendimento. frases de advertência ou comando costumam ser curtos. Qualidades da Comunicação. y Buscar a precisão vocabular. sem referência a pensamentos ou dados que possam afastar o leitor do cerne do texto. é importante ficar atento à recepção dele. Uma das grandes qualidades da comunicação escrita é a clareza. observando se o que se quis dizer foi 146 . tais princípios funcionam como meta a ser alcançada em qualquer modadlidade textual. sem condições de responder prontamente ao que é solicitado. y Articular logicamente as palavras. a eficiência da comunicação reside na opção por frases curtas. A objetividade de um texto começa por sua clareza. Nesse caso. A estruturação do texto de forma clara.Qualidades de uma Comunicação Eficaz. à definição prévia dos objetivos do texto e à precisão das ideias. Para garantir a clareza de um texto. destruindo todo o objetivo da comunicação. é melhor perguntar o que ele compreendeu. o texto pode facilmente alcançar seu objetivo. sem gerar ambiguidade. a terceira qualidade da comunicação escrita. servindo de base à eficácia. aliada à delimitação precisa do assunto. Com clareza e objetividade. y Evitar rebuscamento.

Não se esqueça das quatro qualidades da comunicação escrita. O ³e-mail´. Em outras palavras. Na verdade. sabe-se que se há pressa. Busque as quatro qualidades da comunicação escrita. refaça a comunicação de outra forma. ambos terão a certeza de que estão se referindo à mesma ideia. Com a necessidade de uma comunicação eficiente e eficaz. entrou-se no campo da coerência e da coesão textuais. sem perder a característica de correção gramatical ou discursiva. R ±___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ O ³e-mail´ e as escritas organizacionais. 147 . Atividades práticas: 1) Redija um e-mail para um funcionário da empresa destacando sua atuação em algum projeto recém-implantado e parabenizando-o pela iniciativa. 3 ± Se o ³e-mail´ for externo. buscando atender à necessidade de prontidão no entendimento e na resposta ao que é comunicado. objetivo. Caso contrário. A velocidade trouxe a ³pressa´. e sua comunicação é eficaz. Para a composição de ³e-mails´. A quarta qualidade da comunicação escrita é sua fluência. sua estética. os antigos modelos de redação comercial pouco têm validade hoje. 2 ± Se o ³e-mail´ for interno. e ela é a grande vilã das falhas de comuncação. pode ganhar um caráter de ³bilhete´. Parafraseando o que seu interlocutor disse. simples e objetivas. que depende igualmente de uma sólida estrutura gramatical. Se um texto é claro. Sua estrutura se modificou bastante. há grandes chances de se alcançar a fluência. 4 ± Como correspondência. é importante seguir estas recomendações: 1 ± Construa frases curtas. Tal procedimento vale também quando se recebe uma mensagem. é bom lembrar que toda a formalidade deve ser mantida.entendido perfeitamente. é porque há falhas estruturais no planejamento ou falta de competência linguística discursiva para que o texto seja fluente. o ³e-mail´ não deixa de ter igualmente sua forma apropriada. R -___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2) Redija um e-mail para um superior solicitando o agendamento de uma reunião para discutir problemas levantados no projeto que você lidera. eliminando todos os possíveis ruídos na comunicação.

então. dos ³sites´ de conversação da Internet. não se podia. com a finalidade de racionalizar e padronizar a redação das comunicações oficiais. em 1992. finalmente. Outros. para que se obtenha o melhor proveito possível. foi criada pela Presidência da República uma comissão que visava à uniformização e à simplificação das normas de redação de atos e comunicações oficiais. nem sequer dão conta ao trabalho de ³abrir´ as mensagens. inclusive para assuntos sérios e importantes. de 6 de março de 1992. ainda decidiram que os ³e mails´ devem ser absolutamente descontraídos e abusam da linguagem chula e vulgar. depois. até pouco tempo atrás. Porém. Desse estudo. Ofício. inadequadas à comunicação no ambiente de trabalho.5 ± Ao lado da estética e da maior ou menor formalidade. Especialmente. Uns mandam mensagens como se fossem cartas comerciais. que visa a consolidar aquelas normas e torná-las obrigatórias no âmbito federal. A Correspondência Oficial. está o que se convencionou chamar de ³netiqueta´. Uniformização da Correspondência Oficial. Vamos. e. O ³e-mail´ vem sendo tão maltratado que muitos profissisonais afirmam que. A partir do trabalho dessa comissão. estudar a nova padronização do ofício ± correspondência externa ± e. 148 . às vezes até desrespeitosa. o Manual de Redação da Presidência da República. Dependendo do emissor. muitas vezes. Tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da administração pública entre si e também com particulares. para que se respeite o tratamento. para que não se leve para o ³e-mail´ a excessiva descontração e informalidade. As recomendações a seguir são muito mais uma tentativa de ³profissinializar´ o uso desse meio eletrônico de comunicação escrita. A comunicação por ³e-mail´ vem sendo feita de maneira desordenada e desestruturada. em 1991. foi elaborado. No serviço público. a do memorando ± correspondência interna ± dos órgãos públicos. simplesmente excluem sem ler porque ³já sabem o que vem lá´. para que se considere o uso de linguagem polida e adequada ao meio de trabalho. Outros mandam cartas comerciais como se fossem simples memorandos. para que não se vá longe demais na informalidade. Forma de correspondência oficial trocada entre chefes ou dirigentes de hierarquia equivalente ou enviada a alguém de hierarquia superior à daquele que assina. resultou a Instrução Normativa nº 4. que têm regras próprias. falar em unidade dos padrões de correspondências relacionadas aos atos administrativos oficiais.

..................................................................................................................... a continuação se dará na página seguinte.. Presidente Antonio Carlos............................................................................................ 4 .................... estadual ou municipal...... 2 ................. Senhor Cargo do destinatário...............................Circula entre agentes públicos ou entre um agente público e um particular........................... ........................................... com o fecho e a assinatira........................ ....................... A linguafem deve ser formal sem ser rebuscada................................................................................................................... . Nome Cargo do signatário Como se pode observar............... .............................................................................................. Continuação do ofício: 2/2 ........................................................................ 149 ............................. pois ³ as comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todos e qualquer cidadão brasileiro´ (Manual de Redação da Presidência da República)..................................... .............................................................................................................de.................. ............... ................................ ............................................................................ Atenciosamente...... ...... ...... ...... ....................................... Modelo de Ofício: Ofício nº 1 / sigla do setor Rio de Janeiro....................... o que contraria a disposição federal de padronizar os documentos oficiais........................................................................................... ................................................... ............................... ......... ................................................... .. .......................................... há muita diferença em relação aos ofícios que vemos normalmente.......................................... 356 Rio de Janeiro ± RJ 20020-010 Observação: quando o ofício tiver mais de uma página................ .............................................................. ..... ............ 3 .............. utilizando-se do padrão culto da língua............................................................................ cria os seus modelos. .. ....................................... de 2000............. ................ ..................... ........ pois cada secretaria................ A finalidade é informar com o máximo de clareza e precisão....................... como este............................................................................ O destinatário e o endereçamento ficam sempre na primeira página........................................................................................... À Secretaria da Receita Federal do Estado do Rio de Janeiro Av...... .......

É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor´. terá a seguinte forma: Excelentíssimo Senhor Fulano de Tal Juiz de Direito da 10ª Vara Cível Rua ABC. inclusive o Presidente da República. que devem estar centralizados na folha. O vocativo segue a seguinte formalização: Senhor + Cargo (em maiúscula) do destinatário. 150 . A numeração dos outros parágrafos é feita a 2. foram simplificados e uniformizados da seguinte forma: 1. é seguida de ponto. é necessário dirigirse a ele como Vossa Senhoria. Exemplo: Senhor Chefe da Divisão de Serviços Gerais. Seu emprego deve restringir-se a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado´.. Quanto ao endereçamento no envelope. sim. nº 789 023401 ± Rio de Janeiro/RJ Conforme o texto da IN já citada. título acadêmico. sendo desnecessária a sua repetida evocação´. Há ainda uma observação muito interessante sobre o uso do já convencional título doutor: ³Acresecente-se que doutor não é forma de tratamento e. e deve-se alinhar o começo do parágrafo pelo primeiro.. Há ponto final após a data. O primeiro parágrafo e o último (que é o fecho) não são numeradods. e 2 ± Atenciosamente ± para autoridades da mesma hierarquia ou de hierarquia inferior.Respeitosamente ± para autoridades superiores.5 cm da margem esquerda da folha. ³fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. Não deve ser usado indiscriminadamente. e o endereçamento ficará assim: Senhor Eduardo Maia Secretário Municipal de Saúde Rua XYZ. Quando ao destinatário não se empregar o tratamento de Exclência. As principais observações são: Não há mais o ano junto à numeração do ofíciio. nº 123 01010 ± São Paulo/SP A IN nº 4/92 diz textualmente que ³fica abolido o uso do tratamento Digníssimo (.)´ . pois ³a dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público. O assunto é facultativo. se as comunicações forem dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência.A recomendação é a de que se passe agora a empregar esta padronização recomendada pela Secretaria de Adminstração Federal. Os fechos.

portanto. 151 . por fim. que a informatização dos trabalhos deste Departamento ensejará uma mais racional distribuição de tarefas entre os servidores e. 2 . Devo mencionar. tal como já vimos no ofício.O sinal de pontuação que se segue ao fecho é. O destinatário no memorando é mencionado pelo cargo que ocupa. Para evitar desnecessário aumento no número de comunicação e de papel. apenas. já foi mencionado na numeração e virá explícito na assinatura. Sem descer a mais detalhes técnicos. Sua principal característica é a agilidade. Trata-se. acrescento. que podem estar hierarquicamente em um mesmo nível ou em nível diferente. O memorando é uma modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão. obrigatoriamente. que o ideal seria que o equipamento fosse dotado de ³disco rígido´ e de monitor padrão ³EGA´. de uma forma de comunicação eminentemente interna. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela raiz e pela simpliciade de procedimentos burocráticos. Observações: Na numeração do documento não consta o ano. Nome Cargo do signatário Em 12 de abril de 2000. 3 . Memorando oficial. uma melhoria na qualidade dos serviços prestados. Atenciosamente. Quanto a programas. Consta o órgão de origem. haveria necessidade de dois tipos: um ³processador de textos´ e outro ³gerenciador de banco de dados´. Quanto ao emissor. Instalação de microcomputadores Nos termos do ³Plano Geral de Informatização´. Chefe do Departamento de Administração Assunto: Adminstração. solicito a Vossa Senhoria verificar a possiblidade de que sejam instalados três microcomputadores neste Departamento. a vírgula. A data deve figurar na mesma linha do número e da identificação do memorando. sobretudo. os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento. O assunto esclarece o teor da comunicação. Modelo de memorando oficial: Memorando nº 19/DJ Ao Sr.

subterfúgios. A carta moderna sofreu muita influência dos modelos americanos. Com a influência norte americana. devemos considerar que o correio eletrônico tornou-se o meio pelo qual são veiculadas as mensagens. tanto na forma quanto no etilo. A correspondeência empresarial é. A Carta. no final da década de 80. essa estética sofreu variações. por causa das aberturas de parágrafos. de seus valores e de seu fluxograma. e a utilização do papel tornou-se cada vez mais rara. interno ou externo. até que. no sentido de adequar as normas da correspondência à realidade da tramitação de informações em cada organização. hoje em dia. No início da década de 60. ele segue o mesmo padrão que o ofício. Bloco± uma única margem vertical do lado esquerdo. o modelo que vigorava entre nós era o chamado denteado. Disposição dos elementos Além disso. foi assimilado totalmente o estilo em bloco. pois se insere na realidade de um mercado competitivo em que todas as nuances de comprtamento adquirem sentido: a comunicação empresarial é a responsável pela imagem da organização perante seu público . A Correspondência Empresarial Moderna. O fecho também segue a mesma normatização que o ofício. conforme o quadro a seguir: Estilo Antes Prolixo ± uso e abuso de vocabulário mais sofisticado. em função de sua cultura interna. As mudanças mais importantes nos documentos empresariais das empresas privadas relacionam-se ao estilo da linguagem e à disposição dos elementos. Isso tem provocado adaptações que variam de empresa para empresa. 152 . não só um meio de comunicação. Denteado ± com espaços na margem esquerda e na abertura de parágrafos. Assim.Em relação ao texto.clichês. há um cuidado cada vez maior para compatibilizar a eficiência da me nsagem com a sua forma. Ela é um instrumento de marketing. Agora Objetivo ± apresntação das informações necessárias com clareza. A correspondência empresarial trem sofrido modificações ao longo do tempo ± tanto em relação à forma quanto ao estilo da linguagem ± impostas pelo dinamismo exigido pelas organizações modernas.

No ano. . sempre que ficar subentendida a palavra empresa. combinado so setor ou à abreviatura da espécie do documento: 657. 3 de maio de 2000. Pontuação aberta é um recurso norte-amerciano que consiste em não se colocar nenhum sinal de pontuação em três elementos: data.PETROBRAS Observe o uso do ³a´ com acento grave. SETRE ± 657. mesmo se tratando de letra maiúscula. esse recurso não foi bem aceito. portanto. Eis algumas variações de como se pode esruturar o destinatário: À facultativo Petróleo Brasileiro S. a não ser no envelope. Depois da data. tem sido posto à esquerda. SETRE/ 657.Nº de expedição. A única situação em que será pertinente o uso do endereço no próprio corpo da carta será no caso de envelopes janelados. por uma questão de lógica: por que a pessoa que recebe a correspondência precisa saber de seu próprio endereço? É claro que caberá a cada empresa organizar os seus arquivos de forma a associar o destinatário a seu endereço. não aconselhamos o seu uso. Em relação à data no meio do texto. mas também pode-se colocá-lo à direita. Pode aparecer isolado. Nome do mês em minúscula. Em nossa cultura. vocativo e fecho. ponto final. ou 153 . Na carta moderna. Só na carta com pontuação aberta ele será dispensável. Destinatário # endereçamento.A. para facilitar o arquivamento. inclusive a letra inicial: São Paulo. não há ponto nem espaço depois do milhar. pode-se optar por escrevê-la com dois dígitos ou com um só para dia e mês: Em resposta a sua carta de 03-5-2004 ou Em resposta a sua carta de 3-5-04. não se coloca o endereço do destinatário. Por tradição. Data: Dia sem o zero à esquerda: Porto Alegre. 1º de janeiro de 2004.

± PETROBRAS Setor de Treinamento At. ± PETROBRAS Setor de Treinamento At.A. quando uma terceira pessoa estiver envolvida na transmissão da informação. Eliana de Sousa 154 . significando atenção. ±não. A referência diz respeito ao número do documento mencionado enquanto o assunto se refere ao tema que será tratado na correspondência. a melhor solução será: Assunto: Instalação de microcomputadores. embora seja o que mais encontramos. Assim. At. ela recebe a carta e a direciona a quem de direito. como o próprio nome indica.: Sra.A. O certo é: Assunto: Instalação de microcomputadores. porque não estamos redigindo em língua inglesa. Referência # Assunto. Veja os exemplos: À Sul América Capitalização Setor de Treinamento Prezados Senhores. trata de uma invocação ao destinatário.: Sra.A. A/C ± este código deve ser utilizado somente no envelope.. ele deve concordar em gênero e número com este.Ao facultativo Banco do Brasil S. Quando houver a necessidade de colocar o assunto e a referência. em que a palavra é attention. Eliana de Sousa Observação: A abreviatura At. ± é a única abreviatura possível dentro da carta. Sua Carta-Proposta nº 22 Vocativo: Uma vez que o vocativo. Pode vir junto ao destinatário ou logo abaixo: À Petróleo Brasileiro S. pois nesse caso significaria ³atenciosamente´. ou A/C? Att. Agência Centro ou ainda À facultativo Sul América Capitalização Setor de Treinamento E quando se quiser dirigir a correspondência a uma pessoa específica? Usa-se Att. At. é errado: Referência: Instalação de microcomputadores. À Petróleo Brasileiro S. ou seja. nunca poderá vir ao final do texto.

Convém observarmos que o uso dos dois-pontos. o nome virá em letras maiúsculas). 155 . Observe que até mesmo o fecho ³Atenciosamente´ vem alinhado na mesma margem esquerda. pois basta clicar o ícone ³justificar´. até pouco tempo atrás. Como ela tem por objetivo a conferência dos documentos inclusos. Em muitas cartas é oportuno usar o vocativo personalizado quando se deseja fazer um apelo mais direto e que contenha maior força de venda. Nome e cargo/função: Modernamente não se coloca mais a linha para a anteposição da assinatura. pois a pessoa teria de ler todo o texto para . O memorando é o instrumento empresarial para as comunicações de caráter rotineiro. sendo esta usada em um fluxo descendente (da diretoria ou gerência para os demais funcionários) e aquele para o fluxo horizontal ou ascendente. de forma simplificada. por determinação da IN nº 4/92. estaria correto do ponto de vista gramatical. É importante ressaltar que. só depois. o mais lógico é colocar o nome do documento citado ou a quantidade dos documentos incluídos. Portanto. Não se deve deixar de registrar o nome de quem está assinando. nos ofícios. pois todos são capazes de assinar de forma correta independentemente da linha. embora não se tenha esse costume. Texto: O texto inica-se sempre sem abertura de parágrafo e não é mais imprescindível o alinhamento pela margem direita (conforme IN nº 133/82). saber se os documentos estão de acordo. usa-se a vírgula. anexos: Comunicado AMB nº 7 Tabela de Honorários Médicos ou anexos: 2 Memorando ou comunicação interna. Usava-se. não faz sentido o uso já disseminado da expressão os citados. depois do vocativo. pois a assinatura é sempre de uma pessoa e não de um setor ou divisão: Anexos: A palavra anexo no canto esquerdo da carta tem a finalidade de apontar. a inclusão de outros documentos. a distinção entre memorando e comunicação interna. embora não recomendado. constante do Manual de Redação da Presidência da República. embora depois do incremento do uso dos computadores seja mais usual esse alinhamento.(Como veremos mais adiante.Prezada Senhora. É importante ressaltar que não se antepõe o título ao nome do signatário. A separação dos parágrafos fica demonstrada por um espaço maior entre uma linha e outra.

um de memorando sintético e outro de memorando (ou comunicação interna) mais extenso. O mais consagrado pelo uso é ³Saudações´ ou ³Abraços´. clicando-se no ícone ³justificar´. Em relação à margem direita. Flávio de Castro Assunto: Padrão Datilográfico Prezado Senhor.A. Essa orientação é válida inclusive para o último parágrafo. Esta carta ilustra o preenchimento das novas correspondências das empresas. não estar alinhada. porém. estabelecida pelo correio eletrônico. a tendência é manter o alinhamento. começando-se com a data só terminando com a assinatura. a menos que o envelope seja janelado. At. não há mais essa distinção. Entretanto. o mais comum é usá-lo. no correio eletrônico. Observe-se que não se usa mais colocar o endereço do destinatário no corpo da carta. 156 . Registre-se que a entrada de cada parágrafo já deixou de existir e a separação entre parágrafos é feita por um espaçamento a mais. conforme instrução de 1982. A única margm aceita. ele pode ser mais descontraído. Porém.Hoje em dia. É importante ressaltar que essa correspondência interna já está . Modelos: Apresentaremos a seguir um modelo básico de carta moderna. Não deve haver nehum elemento do lado direito. À Empresa Tal S.: Dr. à excessão da padronização recomendada para o ofício e para o memorando das repartições públicas. com o uso do com putador cada vez mais desseminado. porém. em muitas empresas. Fecho: Não é preciso colocar o fecho formal. ela pode. 6 de março de 2004. Modelo de carta: Ct 23 ± DIVIRH Rio de Janeiro. é a da esquerda. responsáveis pela manutenção de imagem de modernidade da Empresa. cuja tendência é resumir-se na palavra ³atenciosamente´. Introdução: O texto pode ser iniciado sem o vocativo (pois este já estará presente no destinatário). a partir dos anos 90. sendo o memorando ou o comunicado interno usados de forma ampla para todos os fluxos de comunicação. pode ser discriminado o setor ao qual a carta está sendo enviada. As instruções que se seguem devem ser repassadas a todos os funcionários.

Encaminhamos. assim como todo o resto do texto. Prezados Gerentes. Grato. Modelo de memorando extenso: TIMBRE DA EMPRESA MEMO nº23/GEREC Porto Alegre. 5 de maio de 2000. veja a seguir um dos modelos mais utilizados em papel. Essa reformulação faz parte do processo de modernização que estamos implantando e trará implicações tanto na agilidade das tomadas de decisão internas quanto na melhoria de qualidade da relação com o cliente. desejamos sucesso. 157 . anexos. só no envelope. 7 ± Toda carta deve vir assinada por alguém que possa ser identificado. 3 ± O mês vem com inicial minúscula. Gostaria que você me desse seus comentários. Estou enviando os dados colhidos entre as secretárias da Empresa. Quanto ao memomorando de assuntos rotineiros. Obesrve: 1 ± Não é citado o ano junto à numeração da carta. Modelo de memorando sintético: Antonio. os novos padrões de correspondência interna e externa que serão utilizados por nossa Empresa. 2 ± A data vem à esquerda. Com a informatização dos escritórios. 5 ± Não se usa o pronome senhorita. muitas empresas utilizam só o correio eletrônico para tais mensagens. que vem com a sigla do departamento. 6 ± Não há abertura de parágrafos.Esperando que as novas normas reflitam o espírito de modernidade da Empresa. Miriam Gold. Atenciosmante. 4 ± Não se coloca o endereço na folha da carta. contudo. visando à elaboração do Manual da Secretária. e fecha-se com o ponto final.

Fernando Matos Ass. Solicitamos. Paulo Garcia Júnior Presidente Carta corrigida: D/VPES ± 43 Rio de Janeiro. Sem mais para o momento. são os senhores: CARLOS JOSÉ DA SILVA e JURANDIR DE SOUSA. fazendo as modificações necessárias. então.: suas cartas 113/03 1 117/03 ± reunião 22-4-03 Prezado Senhor. Paulo Garcia Júnior estará acompanhando a comitiva do Governo do Estado ao Chile. Em relação à solicitação de um coordenador para o projeto ³TURISMO ESPETACULAR´. Paulo Garcia Júnior não poderá estar presente à reunião de 22 de abril do corrente. Atenciosamente. Aplicação: Vamos modernizar a carta a seguir. a divulgação para todos os setores com a recomendação de utilização imediata. esclarecemos que para este prezado evento estaremos indicando o sr.: Sr. 158 . tanto nos aspectos formais quanto no texto. Antonio Moura Brasil. Atenciosamente. consequência dos estudos laborados pela consultoria externa em conjunto com nossos colaboradores internos. Ct ± 43/03 ± D/VPES 18 de Abril de 2003 ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE VITÓRIA A/C: Sr.Esclarecemos que cada novo padrão encontra sua aplicação detalhada. Fulano de Tal. Informamos que o Sr. Fernando Matos Ref. 18 de abril de 2003.: suas cartas 113/03 1 117/03 ± reunião 22 ABR 03 Prezado senhor Informamos que o Sr. pois estará acompanhando a comitiva do Governo do Estado ao Chile. Estaremos enviando dois representantes para a reunião referenciada. enviaremos dois representantes: os senhores Carlos José da Silva e Jurandir de Sousa. ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE VITÓRIA At. Assim. Agradecemos sua colaboração.

P. Comentário 3: os fechos do requerimento são bem específicos: Por extenso Nestes Termos.Em relação à solicitação de um coordenador para o projeto ³TURISMO ESPETACULAR´. Definição: Instrumento pelo qual se solicita algo a uma autoridade. Comentário 1: muitas vezes o requerimento traz a citação do amparo legal do pedido. (ou) Exemplo 1: Senhor Diretor da Faculdade de Economia da UFRJ: Nair de Sousa.T.T. indicamos o Sr. Data Assinatura Abreviados N. em virtude de problemas de saúde. Paulo Garcia Presidente A Correspondência Oficial. Comentário 2: é aconselhável deixar sete espaços entre o destinatário e o texto. em virtude de problemas de saúde. Características Materiais do Requerimento. N. N. venho requerer o trancamento de sua matrícula. P. venho requerer o trancamento de sua matrícula. Antonio Moura Brasil.D. aluna regularmente matriculada no segundo semestre de Economia desta Universidade.D. 1) Requerimento. 159 . Atenciosamente.T. E.D. Pede Deferimento. onde será redigido o despacho. aluna regularmente matriculada no segundo semestre de Economia desta Universidade. Exemplo 2: Senhor Diretor da Faculdade de Economia da UFRJ: Eu. Nair de Sousa. (ou) Espera Deferimento.

.00 (cinco mil reais) como sinal de compra do apartamento 504....00 (cento e cinquenta reais) referente ao valor da diária relativa ao seminário Comunicação Empresarial Escrita........ ...... Laranjeiras.. Rio de Janeiro..... Exemplo 1: RECIBO Recebi da empresa TOP EVENTOS a quantia de R$150.. ........... Antonio Flores a quantia de R$5................ .. O preço total é de R$155.....00 (cinquenta mil reais) nos dias 15 de outubro...... Comentário: só terá validade legal se a assinatura vier com firma reconhecida.. portador do RG nº . CPF n º. 30 de novembro de 2001.. . situado à Rua das Laranjeiras....P.............(nome) ......00 (cinco mil reais) e o restante será pago em três parcelas de R$50. residente na ..... Comentário: a quantia pode vir em destaque no lado esquerdo do documento. de minha propriedade..... em 28 de novembro de 2001. pelo presente instrumento de procuração constitui 160 .....000..D... Rio de Janeiro........ Definição: documento em que se declara o recebimento de algo ou de alguma quantia....................(nacionalidade) ..(estado)....(profissão) ....000.......000.. 10 de setembro de 2000.. Exemplo: Texto-base para qualquer procuração particular PROCURAÇÃO . ..........00 (cento e cinquenta e cinco mil reais)..000. ... 15 de novembro e 15 de dezembro de 2000.... Augusto Toledo de Barros 3) Procuração: Definição: é um documento em que uma pessoa passa a outra autorização para tratar ou agir em seu nome...... . dos quais foram pagos os presentes R$5... Data Assinatura 2) Recibo. Miriam Gold Exemplo 2: RECIBO Recebi do Sr.. Rio de Janeiro..........(cidade) ........ 350. realizado em São Paulo.... .(estado civil) .......................

comunico que não me responsabilizo por cheques emitidos nem pelo mau uso dos documentos........ agência Y.... Exemplo 2: DECLARAÇÃO Declaramos que o Sr..................... ... (dia) ......... não havendo nada que possa desaboná-lo................................ CIC........................ Exemplo 1: DECLARAÇÃO Eu....................../....... nº .... ............../..... da série.....................................................(cidade) ...... ... .................... portador da Carteira de Trabalho nº....... declaro que me foram furtados em ............ (cidade) ............................. ......... Informamos........... a....... B........... Local e data ...................................... ............................. para ... Exemplo 3: DECLARAÇÃO À PRAÇA .............................. ........ ................................................................ .................................... podendo....Texto específico Fecho fixo e nomeia seu bastante procurador ............................ Cartão Banco 24 Horas.... realizar todos os atos necessários para esse fim.... para tanto............... civil) ..........(nome) ...HOMÔNIMO 161 .. Ocorrência registrada em ..................(profissão) ........................... Local e data .. ainda......................................................................................................... bem como os cartões Credicard.................................................... (mês) ........... CNH.................. ...(estado) .... talões de cheques Banco X............................................................. firma reconhecida 4) Declaração: Definição: declaração é um depoimento..............O........(est............(assinatura) ... residente à ............... exerceu sua função a contento........ RG............ Fulano de Tal.......... American Express......... .......... portador do RG nº ............................................ exercendo a função de ..... (nacionalidade) .......... no mesmo dia....... que o referido empregado.... ........... ............. Assim.... de 20....... CPF nº............... foi nosso funcionário no período de ..................................... durante o tempo em que aqui trabalhou.... .................................................................. ..............

..... nesses casos.... Acionistas para participarem da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA que será realizada em 26 de janeiro de 2002.. São Paulo. .. .............. na sede social da Empresa......................de20........ 4 de janeiro de 2002........ Exemplo: 162 ................ CONVOCAÇÃO..... .... declara à praça e a quem possa interessar o seguinte: 1º) Que não se referem a sua pessoa a emissão de cheques sem fundos divulgados em aviso do Banco Bradesco.. reproduzida em muitos exemplares... portador do RG.... ............ às 15 horas... brasileiro.... Em muitos casos.... Definição: a circular carateriza-se como uma comunicação (carta.. à Av.. e do CIC ... de um homônimo a quem desconhece e com o qual não tem parentesco........ Convocamos os Srs.... não se referem a sua pessoa. para a reestruturação dos cargos do Conselho de Administração......... b) Fixação da nova remuneração dos membros do Conselho. residente em apartamento próprio à Rua ....de............... ..João da Silva... a fim de deliberarem sobre os seguintes assuntos: a) Alteração do artigo 12 do Estatuto Social........ 567.......... e sim administrativo./.... ... C01... Exemplo: ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA... aposentado... nos Distribuidores do Poder Judiciário do Rio de Janeiro e da Justiça Federal... é dirigida a muitas pessoas ou a um órgão.. o nome do destinatário é citado explicitamente no vocativo.. .... Álvaro de Sá Presidente do Conselho Administrativo 6) Circular............... 2º) Que quaisquer irregularidades surgidas por meio de certidões obtidas nos Cartórios de Protestos.... o receptor deve ter a impressão de que o texto foi redigido especialmente para ele........... manifesto ou ofício) que.. e de ...../.. São Paulo. .. Definição: a convocação é uma espécie de convite em que não há cunho social.. casado... filho de ...... nascido aos ............... Comentário: numa carta do tipo circular... João da Silva 5) Convocação... nesta Capital. Copacabana... nesta cidade...... tratando-se.. que sempre primou pela retidão de suas ações e pontualidades nos pagamentos de sua responsabilidade...........

Exemplo de aviso na empresa particular: 163 . Preciso que você me dê uma conferida nos números do relatório que deixei em sua mesa. Basta mencionar o código encontrado na capa de sua revista e imediatamente será oferecida a informação desejada. Nossa empresa desenvolve suas atividades de tratamento da informação na área jurídica e conta com a experiência de mais de 15 anos. Atenciosamente. dispomos de uma Central de Consultas que oferece orientações para os nossos assinantes sobre a melhor redação de determinado trecho de documento ou petição.Prezado Advogado. é necessário o uso do bom senso: não esquecer a boa educação e a gramática! Exemplo: Ana. Característica básica: texto breve e linguagem clara. Obrigada. estamos lhe oferecendo promocionalmente nossa revista bimestral Língua Jurídica. Comentário: o aviso. Com este número promocional da revista. basta ligar para (21) 2244-5566. convidar. colocamos a sua disposição uma consulta gratuita a nossa Central de Consultas durante o próximo período de três meses. Por ocasião de sua formatura. com a informatização dos escritórios. prevenir. Paulo Renato de Almeida Diretor-Presidente 7) Bilhete. ele é muitas vezes substituído pelo correio eletrônico. em que se informa algo de maneira bem informal. Teresa 8) Aviso ou comunicado. Definição: é um comunicado formal que serve para ordenar. Definição: é um texto simples e breve. cientificar. Comentário: hoje em dia. Além de informes periódicos sobre questões de linguagem na área jurídica. noticiar. Temos a certeza de que nosso trabalho propiciará habilidades e informações adicionais a seu desenvolvimento profissional. que trata especificamente do assunto. Para assinatura posterior da revista Língua Jurídica. Cuidado: quando for escrito em papel. tem características muito diferentes do aviso presente na adminstração pública. na empresa particular.

.... 164 . um documento firmado por uma autoridade em favor de alguém.. afirma...2001... no Grêmio.................... atesto que conheço...........) anos e que é pessoa de alto conceito.. assegura... no dia 20/11/2001.. G..... publicado no Diário Oficial da União..... (profissão)........... digna de toda confiança e que nada existe que possa desaboná-la... é mais fácil de ser elaborado.. 10) Ata... (nome)...... Por ser expressão de verdade... assembleia ou convenção.... Comentário: o atestado e a declaração são documentos semelhantes..A... Exemplo de aviso na administração pública: AVISO DE ALTERAÇÃO 1 ± FURNAS Centrais Elétricas S........... Exemplo: ATESTADO DE IDONEIDADE MORAL Eu.......(assinatura)....... há . Comentário: é um dos documentos mais difíceis de ser elaborado em virtude da necessidade de interpretar... DAQ. Requisito fundamental o redator de ata: analisar as informações expostas e saber distinguir as ideias principais e as secundárias....... selecionar e expressar informações geradas por vários emissores com a maior fidelidade e clareza possíveis....... de ........ de 20.......... . 2 ± Ficam mantidas as demais cindições do Aviso de Licitação........................... pois há tempo para reflexão e análise das informações... . ..... Departamento de Aquisição 9) Atestado.. para o dia 23-01-2002.... Definição: atestado é uma declaração...... ...AVISO O Departamento de Pessoal informa que as cestas de Natal de todos os empregados estarão disponíveis a partir do dia 18 de dezembro........... que certifica........... torna pública a alteração da data-limite para entrega das propostas relativas à Tomada de Preços TP......... Quando o texto é realizado posteriormente...... bem como para a correta estruturação da frase.... ........... não havendo nenhuma particularidade que os distinga. (....... firmo o presente atestado.. ..... demonstra alguma coisa que interessa a outrem......096.. Característica principal: a expressão das ocorrências da reunião de forma clara e precisa. Definição: é o regime escrito do que se passa ou do que se passou numa reunião...........

Exemplo: Em tempo: na linha onde se lê ³bata´. os senhores diretores. emprega-se a partícula corretiva ³digo´. Exemplo de ata moderna: ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA Data: 05-2-2002 Hora: 14 horas Local: na Rua dos Mananciais. depois de comentar os relatórios da Consultoria Dédalo sobre a necessidade de melhorias no Atendimento ao Cliente. Observação: Hoje em dia. sob a presidência do Sr. estando presentes todos os seus membros. reuniu-se a Diretoria da Jalento Industrial S. foi encerrada a reunião. Em caso de erro: Nos casos de erros constatados no momento de redigi-la.Elementos básicos: Dia.. deliberarm sobre a liberação de verbas para o treinamento da qualidade profissional daquele setor.SP Pauta: 1 ± Análise do relatório da Consultoria Dédalo. recorre à expressão ³em -se tempo´. Exemplo de ata tradicional: ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA Aos cinco dias do mês de fevereiro de 2002. Fecho. vai ser assinada por todos os presente. Nada mais havendo a tratar. Relação e identificação das pessoas presentes. lavrando-se a presente Ata. Antonio de Sousa. que convidou a mim. na sede da Rua dos Mananciais. nº 82 ± São Paulo . leia-se ³pata´. João Ângelo. mês. 5 de fevereiro de 2002. que. para secretário. nº 82 ± São Paulo. 165 . que é colocada após o texto. Assim reunidos. lida e achada conforme. Ordem do dia ou pauta. Local da reunião. às 14 horas.A. São Paulo. ano e hora da reunião. observa-se a tendência de modernizar as atas de forma que elas fiquem bem mais legíveis. Ficou resolvido também que cada Diretor efetuará uma previsão orçamentária sobre sua disponibilidade financeira para tal treinamento e o assunto será discutido na próxima reunião semanal de diretoria. conforme infra-assinados. Identificação do presidente e do secretário. Quando o erro for notado após a redação de toda a ata.

ELEIÇÃO DE SÍNDICO E CONSELHO CONSULTIVO. PRESTAÇÃO DE CONTAS . Sandra Vieira (aptº 301). Clarice Sá Considerações: 1 ± Há necessidade real de melhoria do Atendimento ao Cliente. Presentes: Presidente ± Sr. 166 . No segundo item. Deliberações: 1 ± Cada Diretor efetuará uma previsão orçamentária sobre sua disponibilidade financeira para a realização de treinamentos visando à melhoria no Atendimento ao Cliente. no próprio prédio deliberarem sobre a seguinte Ordem do Dia: 1) PRESTAÇÃO DE CONTAS. Aos vinte e dois dias do mês de março do ano de dois mil e dois. Síndico foram aprovadas. nesta cidade. João Ângelo Diretor de Produção e Comercialização ± Sr. as contas do Sr. por unanimidade. Germano Bracht Diretor Financeiro ± Sra. reuniram-se em Assembleia Geral Ordinária às vinte horas e trinta minutos em segunda e última convocação os Srs. Dr. Assinatura dos presentes: ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ Exemplo de ata tradicional de condomínio: ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO BARROS SÁ. representante da HOUSE & QUALITY. 2 ± Há necessidade de verbas para a realização de treinamento. que. Passou-se ao primeiro item. e. para. 3) PREVISÃO ORÇAMENT RIA. 2 ± As verbas disponíveis para os treinamentos e um cronograma de treinamento serão discutidos na próxima reunião semanal da Diretoria. aceitando. não se registrando nehuma reclamação ou impugnação. São Paulo. Sueli (aptº 601). convidou a Sra. foi reeleito por unanimidade para o cargo de síndico o Sr. mediante protocolo e/ou correspondência postal. Neide Gomes. 4) ASSUNTOS GERAIS. José Ribeiro (Cob. Marcos Nascimento (aptº 303) e Sra. previamente convocados por Edital distribuído aos interessados. Sra. Procedeu-se à leitura do Edital de Convocação. por não ter havido número legal de concôminos presentes às vinte horas em primeira concocação . para secretariar os trabalhos. Aberta a sessão foi indicada para presidir os trabalhos a Sra.02) e para compor o Conselho Consultivo foram eleitos os condôminos: SandraVieira (aptº 301 ± Presidente do Conselho).2 ± Deliberação sobre a liberação de verbas para treinamento do Setor de Atendimento ao Cliente. 5 de fevereiro de 2002. 2) ELEIÇÃO DE SÍNDICO E CONSELHO CONSULTIVO. REALIZADA NO DIA 22 DE MARÇO DE 2002. Condôminos do Edifício BARROS S . Regina Melo (aptº 906). situado à Rua Santa Clara nº 333. Antonio de Sousa Diretor Adminstrativo ± Sr.

. Nada mais havendo a ser tratado... num prazo de três dias úteis. . Síndico providenciará o conserto do barabará entupido na gragem... mantendo a mesma receita líquida no valor de R$7. Ainda neste item. foi decidido por unanimidade não reajustar a cota condominial.... foi apresntado ao plenário um estudo orçamentário.. No quarto e último item. .... a Sra.. ficou deliberado. de 23 de março de 1999. como também que seja verificado um local para colocação do escaninho. uma convenção de regras que servem às partes... da garagem.. 7) Foi informado que a unidade 1005 joga lixo pela janela.. Síndico poderá repassar para a conta do condomínio na House & Quality a verba da caderneta de Poupança do BANERJ. 6) Será colocado borrachão no elevador de serviço e corrimão nas escadas.. secretária..Finalizando este item.... fica a adminstração ora eleita empossada por um período de um ano.. proveniente de obras realizadas em seu apartamento. à . Definição: o acordo é um ajuste...... Rio de Janeiro. o qual consignava uma receita no valor de R$9. Síndico informou que está negociando o contrato com a empresa de elevadores no valor de R$780. conforme papel encontrado por moradores no lixo. eu. Exemplo: ACORDO Pelo presente acordo de trabalho... Presidente deu por encerrados os trabalhos.360. trezentos e sessenta reais)... Ficou também aprovado por unanimidade que o Sr. até o percentual de 30% (trinta por cento).. por unanimidade. de um lado.02 (sete mil. que o Sr. e seus empregados abaixo assinados. No terceiro item. 4) O Sr. estabelecida nesta cidade..00 (setecentos e oitenta reais) . lavrei a presente ata.. celebrado entre a firma . foram abordados os seguintes assuntos:1) Foi solicitado que a House & Quality comunique ao procurador da unidade 902 o dano causado na caixa do telefone do nono andar. 2) Os condôminos presentes solicitam aos moradores que seja feita uma manutenção nos aparelhos de ar-condicionado..74%. poderá reajustar a cota condominial quando julgar necessário. bem como do furado. dos quais.385. perfazendo um reajuste na atual receita de 26. o que é proibido conforme a Lei nº 2749. trezentos e oitenta e cinco reais e dois centavos) rateados pela fração ideal de cada unidade. Síndico.. a qual segue assinada por mim e pela Sra..00 (nove mil. PRESIDENTE: SANDRA VIEIRA SECRETÁRIA: NEIDE GOMES 11) Acordo. para evitar gotejamento irregular.. 22 de março de 2002. Colocada a matéria em votação... independentemente de aprovação de assembleia. bem como que seja retirado o entulho. com o Conselho Consultivo... PREVISÃO ORÇAMENT RIA. caso contrário o condomínio tomará as medidas necessárias. de outro. quando houver necessidade de cobrir o saldo devedor. 3) O Sr. Presidente.... 5) Foi solicitado que sejam lixadas e pintadas as portas dos elevadores. identificando a unidade. ASSUNTOS GERAIS. fica estipulado o seguinte: a) de segunda a sexta-feira os empregados terão seus horários prorrogados em uma hora 167 .

Testemunhas: Assinatura do representante dos trabalhadores Assinatura do representante da empresa Assinatura dos trabalhadores GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA Saiba o que mudou na ortografia brasileira Douglas Tufano Acordo Ortográfico O objetivo deste guia é expor ao leitor. yin. de 18 de abril de 1995. w e y. Brasil. Esperamos que este guia sirva de orientação básica para aqueles que desejam resolver rapidamente suas dúvidas sobre as mudanças introduzidas na ortografia brasileira. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. são usadas em várias situações. E. em 16 de dezembro de 1990. São Tomé e Príncipe. posteriormente. São Paulo. playboy. Guiné-Bissau.diária. w e y. kung fu. sem preocupação com questões teóricas. playground.Moçambique e. por Portugal. elaboramos um roteiro com o que foi possível estabelecer objetivamente sobre as novas regras. de maneira objetiva. 168 . firmam o presente contrato em 3(três) vias do mesmo teor. Esse Acordo é meramente ortográfico. Por exemplo: a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro). Cabo Verde. Foram reintroduzidas as letras k. que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua. assinado em Lisboa. yang. como ambas as partes de pleno acordo. as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. b) o presente contrato poderá ser denunciado por quaisquer das partes mediante aviso prévio de 15 (quinze) dias. O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z As letras k. kg (quilograma). Angola. o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54. W (watt). Como o documento oficial do Acordo não é claro em vários aspectos. Kafka. William. mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países. restringe-se à língua escrita. windsurf. Mudanças no alfabeto O alfabeto passa a ter 26 letras. a) os empregados perceberão o acréscimo de 10% (dez por cento) sobre o valor da hora normal durante a hora suplementar de trabalho. perante as testemunhas infra-assinadas. No Brasil. kafkiano. b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show. 15 de maio de 2001. portanto. por Timor Leste. não afetando nenhum aspecto da língua falada. kaiser.

Trema Não se usa mais o trema (¨). sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue. Exemplos: Müller. Como era agüentar argüir bilíngüe cinqüenta delinqüente eloqüente ensangüentado eqüestre freqüente lingüeta lingüiça qüinqüênio sagüi seqüência seqüestro tranqüilo Como fica aguentar arguir bilíngue cinquenta delinquente eloquente ensanguentado equestre frequente lingueta linguiça quinquênio sagui sequência sequestro tranquilo Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. qui. Mudanças nas regras de acentuação 1 . Como era Como fica alcalóide al-ca-loi-de alcatéia al-ca-tei-a andróide an-droi-de apóia (verbo apoiar) a-poi-a apóio (verbo apoiar) a-poi-o asteróide as-te-roi-de bóia boi -a celulóide ce-lu-loi-de clarabóia cla -ra-boi-a colméia col-mei-a Coréia Co-rei-a debilóide de-bi-loi-de epopéia e-po-pei-a estóico es -toi-co estréia es -trei-a estréio (verbo estrear) es-trei-o geléia ge -lei-a 169 . Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). gui. que. mülleriano.

170 . óis. tuiuiús. Esse gato tem pêlos brancos. Exemplos: papéis. Esse gato tem pelos brancos. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para. continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis. Nas palavras paroxítonas.heróico idéia jibóia jóia odisséia paranóia paranóico platéia tramóia he-roi-co i -dei-a ji -boi-a joi -a o-dis-sei-a pa-ra-noi-a pa-ra-noi-co pla-tei-a tra -moi-a Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. o acento permanece. Ele foi ao polo Norte. 3 . herói. Assim. éus. Comi uma pera. Piauí. troféus. heróis. 2 . Como era Como fica Ele pára o carro. ói. Ele gosta de jogar pólo. troféu. não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Ele foi ao pólo Norte. Ele para o carro. Como era Como fica abençôo abençoo crêem (verbo crer) creem dêem (verbo dar) deem dôo (verbo doar) doo enjôo enjoo lêem (verbo ler) leem magôo (verbo magoar) magoo perdôo (verbo perdoar) perdoo povôo (verbo povoar) povoo vêem (verbo ver) veem vôos voos zôo zoo 4 . Comi uma pêra. Exemplos: tuiuiú. pólo(s) / polo(s) e pêra / pera. péla(s)/ pêlo(s)/pelo(s). Ele gosta de jogar polo. Como era Como fica baiúca baiuca bocaiúva bocaiuva cauíla cauila feiúra feiura Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s). pela(s). éu.

(eles) arguem. Atenção: no Brasil. enxagues. enxaguam. Exemplo: Ontem. deter. Ele mantém a palavra.Atenção: ‡ Permanece o acento diferencial em pôde/pode. essas formas deixam de ser acentuadas. (ele) argui. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim. delinqua. delínquem. do presente do subjuntivo e também do imperativo. aquela com a e i tônicos. a pronúncia mais corrente é a primeira. conter. ‡Permanece o acento diferencial em pôr/por. assim como de seus derivados (manter. Ele convém aos estudantes. deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): ‡ verbo enxaguar: enxaguo. quar e quir. averiguar. 171 . mas hoje ele pode. advir etc. Pôr é verbo. delinquem. convir. essas formas devem ser acentuadas. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo. delínque. / Eles convêm aos estudantes. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo? 5 . Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis. na 3ª pessoa do singular. enxáguam. Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos. ‡ verbo delinquir: delinquo. obliquar. desaguar. Ele detém o poder. / Eles detêm o poder. Exemplos: Ele tem dois carros. delinques. / Eles mantêm a palavra. delinquam. enxaguem. enxágues. Exemplos: ‡ verbo enxaguar: enxáguo. na 3ª pessoa do singular. Por é preposição. para facilitar a compreensão dos leitores. Uso do hífen Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. / Eles vêm de Sorocaba. Ele vem de Sorocaba. b) se forem pronunciadas com u tônico. do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir. apaziguar. Em alguns casos. como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos. delinquir etc. ‡ É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma / fôrma. delinquas. enxágue. delinque. delínques. o uso do acento deixa a frase mais clara.). enxagua. / Eles têm dois carros. delínquam. delínqua. ele não pôde sair mais cedo. enxágua. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica. isto é. delínquas. / Eles intervêm em todas as aulas. Pode é a forma do presente do indicativo. 6 . intervir. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo). enxáguem. enxáguas. ‡ verbo delinquir: delínquo. Mas. Ele intervém em todas as aulas. como aguar. enxague. ‡Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir. apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns. enxaguas. enxaguar. assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar. reter.

pan. geo. hiper. mini. pluri. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. ultra. micro. super.As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos. cooperar. além. sobre. auto. Exemplos: anteprojeto antipedagógico autopeça 172 . coocupante etc. extra. co. pré. a palavra humano perde o h). Exemplos: anti-higiênico anti-histórico co-herdeiro macro-história mini-hotel proto-história sobre-humano super-homem ultra-humano Exceção: subumano (nesse caso. intra. supra. pseudo. hidro. anti. Com prefixos. sub. ex. mesmo quando este se inicia por o: coobrigar. 3 . cooperação. 1 . contra. multi. macro. infra. semi. neo. arqui. inter. como: aero. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. cooptar. coordenar. circum. vice etc. pós. entre. aquém. usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. coobrigação. retro. Exemplos: aeroespacial agroindustrial anteontem antiaéreo antieducativo autoaprendizagem autoescola autoestrada autoinstrução coautor coedição extraescolar infraestrutura plurianual semiaberto semianalfabeto semiesférico semiopaco Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento. pró. agro. eletro. tele. 2 . ante. proto.

usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Nesse caso. Exemplos: vice-rei. usa-se sempre o hífen. Quando o prefixo termina por vogal. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. duplicam-se essas letras. Exemplos: antirrábico antirracismo antirreligioso antirrugas antissocial biorritmo contrarregra contrassenso cosseno infrassom microssistema minissaia multissecular neorrealismo neossimbolista semirreta ultrarresistente. vice-almirante etc. ultrassom 5 . 4 .autoproteção coprodução geopolítica microcomputador pseudoprofessor semicírculo semideus seminovo ultramoderno Atenção: com o prefixo vice. Exemplos: anti-ibérico anti-imperialista anti-inflacionário anti-inflamatório auto-observação contra-almirante contra-atacar contra-ataque micro-ondas micro-ônibus semi-internato semi-interno 173 .

Exemplos: hiper-requintado inter-racial inter-regional sub-bibliotecário super-racista super-reacionário super-resistente super-romântico Atenção: ‡ Nos demais casos não se usa o hífen. usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m. sem. Quando o prefixo termina por consoante. Quando o prefixo termina por consoante. superinteressante. pan-americano etc. pró. usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: subregião. Exemplos: hiperacidez hiperativo interescolar interestadual interestelar interestudantil superamigo superaquecimento supereconômico superexigente superinteressante superotimismo 8 . n e vogal: circum-navegação. ‡ Com os prefixos circum e pan. 7 . usa-se sempre o hífen. intermunicipal. Exemplos: além-mar além-túmulo aquém-mar ex-aluno ex-diretor ex-hospedeiro ex-prefeito ex-presidente pós-graduação pré-história pré-vestibular pró-europeu 174 . aquém. superproteção. além. pré. não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. ‡ Com o prefixo sub. Exemplos: hipermercado. pós. Com os prefixos ex. usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.6 . sub-raça etc. recém.

antiaéreo. ultrassom. Observações 1 . ‡ Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal. superinteressante. ele deve ser repetido na linha seguinte. 2 .recém-casado recém-nascido sem-terra 9 . formando não propriamente vocábulos. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu. eixo Rio-São Paulo. ‡ Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque. supersônico. semicírculo. Exemplos: Na cidade. Exemplos: amoré-guaçu. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Com o prefixo sub. Exemplos: girassol madressilva mandachuva paraquedas paraquedista pontapé 12 . Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano. Resumo Emprego do hífen com prefixos Regra básica Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico. anajá-mirim. capim-açu. Prefixo terminado em vogal: ‡ Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola. micro-ondas. subumanidade. se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen. ‡ Sem hífen diante de r e s. O diretor recebeu os ex-alunos. ‡ Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto. guaçu e mirim. 11 . conta--se que ele foi viajar. Exemplos: ponte Rio-Niterói. ‡ Sem hífen diante de vogal: interestadual. super-homem. usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r subregião. sub-bibliotecário. 10 . sub-raça etc. 175 . Dobram-se essas letras: antirracismo. mas encadeamentos vocabulares. Para clareza gráfica. Prefixo terminado em consoante: ‡ Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional. Outros casos: 1 . antissocial.

& KOCK. recém. 3 . L. é um passo importante em direção à criação de uma ortografia unificada para o português. cooptar. Com os prefixos ex. 5) GOLD. Othon Moacir. 4 . 4) GARCIA. mandachuva. Villaça. Brasil. Com o prefixo vice. vice-almirante etc. aquém. São Tomé e Príncipe. lança o Guia Prático da Nova Ortografia. coocupante etc.redação Empresarial. 3) FURNHAM. Villaça. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. de maneira clara e objetiva. usa-se sempre o hífen: ex-aluno. 7) _______________________. A Coerência Textual. madressilva. Octaviano. A Editora Melhoramentos. 5 . aquém-mar. 1996. São Paulo: Contexto. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento. usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m. Este guia não tem por objetivo elucidar pontos controversos e subjetivos do Acordo. 2005. Moçambique e Timor Leste. mesmo quando este se inicia por o: coobrigação. Com os prefixos circum e pan. São Paulo: Contexto. Ingedore G. sem-terra. pontapé. Linguística Textual: introdução. recém-casado. cooperar. mas acreditamos que será um valioso instrumento para o rápido entendimento das mudanças na ortografia da variante brasileira. A implantação das regras desse Acordo. 1990. Rio de 176 . prevista para acontecer no Brasil a partir de janeiro de 2009. As dúvidas que porventura existirem após a leitura do Guia Prático da Nova Ortografia certamente serão resolvidas com a publicação de um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). pan-americano etc. São Paulo:Pearson. além.2. 1993. Comunicação nos Textos. Norma. Editora Melhoramentos agosto de 2008 Bibliografia Básica: 1) DISCINI. 6 . Guiné-Bissau. que mostra. Competência em Comunicação Organizacional Escrita. a ser usada por todos os países que tenham o português como língua oficial: Portugal. São Paulo: Contexto. paraquedas. n e vogal: circum-navegação. usa-se sempre o hífen: vice-rei. 2005. além-mar. A. Ingedore G. Rio de Janeiro: FVG. pró-europeu. 8) NETO. prévestibular. São Paulo: Cortez. Argumentação e Linguagem. pró. M. Cabo Verde. pós. coordenar. Comunicação em Prosa Moderna.2001. Miriam. cooperação. pós-graduação. como está previsto no Acordo. 6) KOCK. paraquedista etc.1996.L. sem. como girassol. sempre preocupada em auxiliar os estudantes brasileiros no seu aprendizado e crescimento pessoal. as alterações introduzidas na ortografia do português pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990). 2) FÁVERO. Linguagem Corporal no Trabalho. Angola. São Paulo: Nobel. pré.

Neuza Terezinha. 18) VANOYE. Curso de Gramática Aplicada aos Textos. 2ª edição. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 1996. Tratado de Argumentação. 2007. 1998. São Paulo: Scipione. São Paulo: Ática. 9) PERELMAN. 19) SANTOS. São Paulo: Martins Fontes. Ulisses. 1993. Francis. 2004. São Paulo: Scipione. Curso de Redação. Volnyr & MOTTA. 2001. 1998. Agostinho Dias.A. Celso & CINTRA. 1997. Enilde L. 22) FIORIN. Ulisses. São Paulo: Scipione. São Paulo: FTD. 5ª edição. Comunicação na Empresa. 17) INFANTE. Redação em Construção. de J. 16) INFANTE. São Paulo: Scipione. Rio de Janeiro: Nova Friburgo. 11) ABREU. São Paulo: Scipione. 1ª edição. 2001. Antônio Carlos (Coord. Rio de Janeiro: Vozes. Português Contemporâneo. 2003. Dicionário de Linguística e Gramática: referente à Língua Portuguesa. 2007. 2001. Usos da Linguagem: problemas e técnicas na produção oral e Escrita. 2000. Como Ler. São Paulo: Moderna. Rio de Janeiro: Lucerna. Gramática da Língua Portuguesa. 21) BECHARA. 1987. 12) CUNHA. Maria Aparecida & SPADOTO. Para Entender o Texto. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 1ª edição. 15) VIANA. 1ª edição. Entender e Redigir um Texto. Francisco Platão. 6ª edição. 26) PASCHOALIN. Lindley. Cahim. São Paulo: Ática. Ulisses. Adir de Souza.) Roteiro de redação: Lendo e Argumentando. 1996. Joaquim Mattoso Camara. Porto Alegre: Sagra S. Nova edição. Evanildo. Leonardo. 25) LEME. 10) TEIXEIRA. Linguagem. 2003. 6ª edição. José Luiz & SAVIOLI. 1999. 177 .. Petrópolis: Vozes. 23) JUNIOR. 3ª edição. 24) CARNEIRO. 26ª edição. Lições de Texto: Leitura e Redação. Do Texto ao Texto: curso prático de leitura e redação. Francisco Platão.Janeiro: Qualitymark. Gramática: teoria e exercícios. 20) NETO. 14) FIORIN. São Paulo: Martins Fontes. José Luiz & SAVIOLI. Rio de Janeiro: FGV. 1985. Pasquale Cipro & INFANTE. São Paulo: Ática. 13) FAULSTICH. 2ª edição. 7ª edição. Antônio Soares. Literatura e Redação. Odilson Soares.

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