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Anna Martha Vaitses Fontanari

Biomedicina - Turma IV

Água

A água é considerada o solvente universal devido à sua estrutura polarizada – dois dipolos, sendo os

hidrogênios o positivo e o oxigênio o negativo –, com geometria angular e ligação entre o oxigênio e o hidrogênio de 104,5° (menor do que os 109,5° do tetraedro em razão dos elétrons não ligantes do O 2 ). Além disso, é uma molécula pequena. Com relação à polarização, apresenta a maior constante dielétrica (capacidade de separar dois íons), o que leva a dissociação dos compostos em meio aquoso, com sua hidratação. Tais características possibilitam sua interação por meio de quatro pontes de hidrogênio com outras águas por molécula. O que explica sua alta coesividade ou tensão superficial e seu elevado calor específico (precisa de bastante energia para mudar de temperatura, lembrando que a elevação envolve a separação de

moléculas). A água não dissolve somente compostos de natureza iônica, interagindo também com covalentes: solubilizando grupamentos carboxila, amino, hidroxila. Todavia, moléculas apolares não se relacionam com ela, evitando o contato através de clatratos (gaiolas de água cercando o soluto apolar), micelas, bicamadas (lipídios com duas caudas hidrocarbonadas, as quais formam, para a liberação de fármacos, lipossomos) – todas movidas por interações

hidrofóbicas. Embora as ligações de hidrogênio sejam bastante fortes, elas rearranjam-se muito rapidamente, o que faz da água um líquido muito pouco viscoso (viscosidade do sangue é maior, devido à presença de proteínas e gorduras), mas com enorme tensão superficial. Hipercolesterolemia familiar impossibilita o indivíduo de absorver o colesterol da circulação, aumentando a viscosidade do plasma, o que pode levar à insuficiência cardíaca. Estatinas de baixo peso molecular – sinvastatina, lovastatina e pravastatina – podem ser utilizadas no tratamento. Outra característica importante é o seu elevado calor de vaporização.

importante é o seu elevado calor de vaporização. A presença fisiológica de água auxilia numa série
importante é o seu elevado calor de vaporização. A presença fisiológica de água auxilia numa série

A presença fisiológica de água auxilia numa série de processos, como:

Transporte de moléculas, visto que os compartimentos corpóreos são aquosos;

Reações de hidrólise, nas quais a água age como agente nucleofílico (base de Lewis, potencial doador de elétrons), como a hidrólise de ATP em ADP;

Reações de condensação, por exemplo, a formação de ATP a partir de ADP;

Tensão superficial que, se não fosse os surfactante ou detergentes – cujas moléculas anfipáticas

posicionam sua região polar entre as de água, deixando a apolar voltada para o ar –, impediria a troca de gases nos alvéolos. O surfactante é composto principalmente por dipalmitoil lecitina e deve começar a ser produzido no terceiro mês de gestação, aproximadamente. Caso contrário, causa a cianose ou doença da membrana hialina do recém-nascido. Problema solucionado pela administração de surfactantes sintéticos em aerossol ou compostos tiólicos, como a N-acetilcisteína. Em nascimentos prematuros, pode-se ainda injetar grande quantidade de glicocorticóides, os quais aceleram a atividade dos pneumócitos II. Em função de acidose metabólica, edema pulmonar, afogamentos ou cirurgias cardíacas que fazem uso da circulação extracorpórea, adultos podem apresentar quadros agudos da doença anterior.

A tensão superficial permitiu a compartimentalização.

Regulação da temperatura corporal em homeotermos, graças ao seu alto calor específico, importante

também na eliminação do excesso de calor, através da sudorese, do ofego ou da perspiração insensível.

Determinação da densidade dos líquidos biológicos, visto que está presente em maior ou menor quantidade neles, faz com que apresentem densidade muito maior (menos água) ou apenas maior do que a sua.

Formação de compartimentos, com diferentes graus de consistência, interligados:

Intracelular (potássio e maior concentração de proteínas): interior das células (64%);

Transcelular: luz do trato gastrintestinal e urinário;

Extracelular (sódio e cloreto): espaço vascular (8%), vasos linfáticos, espaços aquosos menores –

líquido pleural, humor aquoso, líquor, líquido sinovial, lágrimas

– (3%) e interstício (25%).

As substâncias são transportadas do sangue para a região intersticial e, então, para o interior das células. Sendo que partículas excretadas também passam pelo interstício para alcançar o sangue.

A quantidade de água no organismo, aproximadamente 70% de sua massa, varia de acordo com a

idade (inversamente proporcional) – aumentando no compartimento intracelular e diminuindo no interstício, com a retração do espaço extracelular, devido ao desenvolvimento de novas células – e obesidade (inverso).

A manutenção do balanço hídrico dá-se pelo equilíbrio entre as vias de entrada – ingestão (ADH

promove a reabsorção de água no ducto coletor), produção endógena – e as de eliminação – excreção,

perspiração insensível, glândulas sudoríparas, ventilação pulmonar e ofego.

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Hiperparatireoidismo, assim como em queimaduras graves, leva ao aumento do metabolismo, com a elevação na necessidade de água. Já a velhice, infecções prolongadas, insuficiência renal e cardíaca e desnutrição reduzem sua necessidade. A necessidade de água é controlada por hormônios tireoidianos, sendo que sua secreção muito alterada leva a tempestade tireoidiana, na qual se bebe muito, mas perde-se bastante nas crises febris. Caso contrário, acontece no hipotireoidismo, em que, devido ao metabolismo demasiadamente lento, é possível acontecer a intoxicação hídrica. Na diabetes insipitus há redução na produção de ADH pelo hipotálamo ou defeito em seus receptores ou ainda em canais de aquaporina 2, causando poliúria e, conseqüentemente, polidipsia (muita sede), podendo levar a desidratação.

Desidratação É característica de diversas patológias – podendo levar ao choque hipovolêmico –, como:

Insuficiência suprarenal.

Diarréia (são mais graves em crianças do que em adultos, porque elas possuem mais líquido no interstício, facilitando sua perda).

Prostração pelo calor, ou pior, queimaduras graves, gera a perda de líquido, do espaço vasular, contínua

devido à lesão na barreira epitelial. Para tratamento, podem-se utilizar cremes hidratantes – os quais cedem água, porção aquosa, e evita sua perda, parte oleosa que forma uma barreira impermeável – ou umectantes de

barreira (vaselina

Febre, visando a evitar o superaquecimento, o indivíduo hiperventila.

Pacientes em coma que não recebam o suprimento de líquido necessário.

Disfunções no hipotálamo, centro da sede.

Rompimento de aneurismas (hemorragia interna). Hiperidratação ou intoxicação hídrica

Cirúrgias muito longas.

Migração anormal do volume de líquido entre os compartimentos

Fístula entérica (do transcelular para o extracelular, por uma abertura entre o trato digestivo e a cavidade abdominal)

Hemorragia gastrointestinal com catabolismo protéico intraluminal (do extra para o transcelular)

Vômitos

Choque Hipovolêmico A volemia representa o volume de sangue circulante, informação bastante útil nos casos em que sua redução pode levar ao óbito, como queimaduras graves, hemorragias e intensos traumas. É possível determinar o volume total – soro, fibrinogênio e células sangüíneas – a partir da quantidade de sódio do plasma. Quando algum dos compartimentos perde ou ganha líquido, o plasma é quem se adapta objetivando a reestabelecer o equilíbrio. Em casos extremos, não há mais conteúdo a ser bombeado, ocasionando um colapso da microcirculação e, em seguida, a parada cardíaca. Características do choque Hipovolêmico, tal qual a hipotensão, o taquicardia, o pulso fino e rápido, as extremidades e lábios de cor azulada – em razão da falta de O 2 (cianose) –, pele fria e pegajosa, sede intensa, palidez, hipotermia, respiração superficial rápida e irregular e alterações neurosensoriais. O tratamento envolve a reposição imediata de líquido por via oral (soro caseiro, água e soluções de

reposição oral) ou endovenosa (soro fisiológico, glicosado ou solução hipotônica de cloreto de sódio). Edema

Causados pelo aumento da pressão hidrostática vascular – carga de líquido no vaso e força com que é bombeado, redução da oncótica vascular (coloidosmótica vascular) – mantida pela presença de proteínas, como a albumina no plasma – ou obstrução linfática.

Edema pulmonar: acúmulo de líquido nos alvéolos, podendo ser ocasionado pela hipertensão arterial severa, a qual aumenta a pressão hidrostática. Sendo, aqueles gerados quando o coração não consegue suportar o retorno venoso, chamados de insuficiência cardíaca congestiva.

Edema cerebral: acúmulo de líquor.

Elefantíase: no interstício das regiões inferiores, devido à inflamação dos vasos linfáticos.

Ascite ou hidroperitônio: na cavidade peritoneal.

Hidrotórax: na pleural.

Glaucoma: defeito na drenagem do humor aquoso, podendo lesar a retina e o nervo óptico.

Edema generalizado ou anasarca: pode ser conseqüência de insuficiência renal ou quadros alérgicos intensos, em que o paciente apresenta retenção hídrica. Tumores e cirúrgias para retirar os linfonodos também pode gerar edemas. Assim como casos de desnutrição, insuficiência hepática (fígado incapaz de produzir albumina), síndrome nefrótica em estado avançado (perda de proteínas na urina) e queimaduras graves (gasto de aminoácidos para a reconstrução tecidual), devido a queda na pressão osmótica. Além disso, o aumento na permeabilidade capilar – reações

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imunológicas exageradas, queimaduras graves, toxinas e infecções bacterianas – é outra razão para o edema existir.

são locais

onde edemas acontecem com maior facilidade, visto que já têm algum conteúdo líquido entre camadas pouco resistentes.

Os chamados espaços em potencial (cavidade pleural, pericárdica, peritonial, sinoviais

)

O líquido que constitui o edema pode ser:

Exsudato: gerado de uma reação inflamatória, tem grande quantidade de proteínas, apresentando uma densidade bem maior.

Transudato: acumula-se por um processo mecânico, devido ao intenso bombeamento cardíaco, sendo constituído basicamente só de água.

Princípios Físicos da Movimentação entre Compartimentos

Difusão Trata-se do movimento aleatório, ou browniano, entre as moléculas, individual para cada tipo de soluto, visando a atingir o equilíbrio, o qual confere um estado de maior energia e, conseqüentemente, estabilidade. Entretanto, está limitado pela permeabilidade da membrana, que deve permitir a passagem do soluto em concetrações diferentes em dois compartimentos. Visto que ocorre a favor de um gradiente, não consome energia.

A velocidade de difusão depende, de acordo com a Primeira Lei de Fick, de uma constante do meio, da

área de superfície disponível (diretamente proporcional), da espessura da membrana ou distância entre as zonas (inversamente), do gradiente de concentração (diretamente), da massa molecular do soluto (inversamente), de sua carga elétrica e de seu estado físico (gasosa > líquida > sólida). Tais características explicam por que o intestino é o principal sítio absortivo do trato gastrintestinal, a enorme quantidade de

alvéolos, a forma longa e fina dos túbulos renais e o efeito praticamente imediato de fármacos (nitroglicerina,

nifedipina, isosorbida, vitamina B 12 , algumas vacinas

A membrana plasmática é facilmente atravessada por gases, por partículas apolares (lipofílicas) – curiosamente, por não interagirem com a água, elas são mais dificilmente difundidas – e por moléculas pequenas (menos de 0.6nm, espaço deixado entre os fosfolipídios), como CO 2 , N 2 , O 2 e H 2 O. Enquanto,

substâncias grandes ou polares só passam através de proteínas.

A medida do caráter de polaridade de uma molécula é dada pelo coeficiente de partição água/óleo e

auxilia a determinar se ela será rapidamente dissolvida pelo corpo (polar) ou atravessará a membrana com facilidade (apolar). O grau de ionização também é importante para verificar se passarão, sendo que, em pH ácido, moléculas de natureza ácida não se ionizam tanto, tendo sua absorção facilitada – anestésicos não ionizados no pH intersticial, 7.4, farão menos efeito se em pH ácido, como nas inflamações. Osmose No caso de uma membrana semipermeável (que o soluto não seja capaz de atravessar) somente passa o solvente, visando a diluir e equilibrar as concentrações. Osmolaridade (osmol/L) é a expressão das partículas totais do meio, independentemente de sua

natureza química. É controlada por osmoreceptores, localizados no hipotálamo, e pela ação do ADH. Para calculá-la, sabendo a molaridade de determinada substância, basta multiplicar a molaridade de cada soluto por seu fator de dissociação que, no caso de moléculas, é zero e, quando de ácidos, não se deve considerar o próton como partícula, pois ele não fica livre no meio.

A pressão osmótica é uma propriedade coligativa que representa a pressão exercida pelas partículas

entre elas e contra o recipiente. Ela aumenta com a quantidade de componentes e é similar a pressão hidrostática da solução:

)

administrados na região sublingual.

ã á çã í

çã

ã ó

A osmolaridade dos fluidos biológicos é 0,3osm, ou seja, eles contêm 0,3mol de partículas por litro.

Na intolerância à lactose, a criança não possui a enzima lactase. Logo, o principal açúcar do leite não pode ser clivado para ser absorvido pelo intestino, permanecendo em sua luz. Com isso, a osmolaridade aumenta, deslocando água para alcançar o equilíbrio, a qual deixa o organismo na forma de diarréia abundante. A toxina secretada pelo vibrião colérico bloqueia a absorção de sódio pelos enterócitos, induzindo também a liberação de cloro para a luz intestinal. Assim, sua osmolaridade aumenta, causando diarréia. Em casos de constipação, para promover a excreção é administrado enema fosfatado, cuja concentração é de 4osm, levando a migração de água para o intestino. Em edemas graves, um dos métodos terapeuticos é elevar a quantidade de urina, pela diurese osmótica, injetando-se manitol a 20%, o que aumenta a osmolaridade dos vasos sangüíneos, atraindo a água que será elimidada pela urina.

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O que torna a hemodiálise tão longa é a necessidade de retirar gradualmente as toxinas do plasma, evitando-se a queda abrupta da osmolaridade sangüínea – Síndrome do Desenquilíbrio. A osmolaridade plasmática encontra-se alterada em diversas patologias, como em:

Queimaduras graves: aumenta devido à perda excessiva de água;

Síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético: a reabsorção abudante de água leva a

diminuição da osmolaridade;

Diabete: o acúmulo de corpos cetônicos e glicose no sangue elevam consideravelmente a osmolaridade;

Desidratação: a perda de água intersticial pela diárreia aumenta sua osmolaridade e, por isso, o plasma doa-a, ficando com ela elevada.

Desidratação

Freqüência

Características

Causa

 

Sintomas

Hipertônica

Menor

Perda de água

Infusão

Febre alta;

entre

os

é

maior do que

endodvenosa

de

Sede

intensa,

diferentemente

 

das

três

a

de

soluções

outras;

eletrólitos.

hipertônicas;

Irritabilidade;

 

Diuréticos

Diurese quase ausente, enquanto que

osmóticos;

 

na isotônica é diminuída e na hipotônica

Diabetes

indiferente;

Insipidus

 

Convulsões;

 

Pele quente, enquanto nas outras está fria;

Coma (geralmente, não evoluem para choque hipovolêmico).

Isotônica

80%.

Perda

 

Diarréia;

 

Classificadas

de

acordo

com

a

sua

equivalente.

Vômitos.

gravidade

(leve,

moderada

e

grave),

   

quanto pior:

Menor o turgor da pele;

 

Mais seca, fria e inelástica a mucosa oral;

Enoftalmia acentuada;

 

Menos lágrimas;

Fontanela (espaço entre os osssos do crânio de recém-nascidos) muito deprimida;

Pulso muito aumentado (pressão arterial muito diminuída);

Ausência de urina;

Respiração profunda e suspirada.

 

Hipotônica

8 a 20%.

Perda

de

perda

Elevada

Edema.

eletrólitos

de suco gástrico;

(hiponatremia,

Vômitos

e

hipocalemia

)

diarréias

em

é

maior do que

pacientes

a

de

água,

desnutridos;

levando

a

Infusão

maior perda de

endovenosa

de

líquido

do

soluções

plasma.

hipotônicas.

Para tratamento de desidratação pode-se usar terapias de reidratação oral (TRO), como soro caseiro ou sais de reidratação, ou endovenosa (parental direta), com soro fisiológico (0,9% de sódio), glicosado (glicose a 5,4%), glicofisiológica (glicose e cloreto de sódio) e a solução de Ringer (alguns outros eletrólitos, sódio e cloro). Por não conterem proteínas ou compostos coloidais são denominadas soluções fisiológicas salinas ou cristalóides, porém, no caso de choque hipovolêmico, recomenda-se o uso delas. Pressão Vascular É o somatório da pressão das moléculas contra o vaso sangüíneo, da força de bombeamento cardíaco, da pressão osmótica e da oncótica ou coloidosmótica. A pressão osmótica é mantida por íons e pequenas moléculas no interior dos vasos, dependendo, principalmente, do sódio. A pressão oncótica é a pressão osmótica gerada especificamente pelas proteínas do plasma, prioritariamente pela albumina (proteína sérica) – além disso, é responsável pelo transporte de ácidos graxos e outras substâncias.

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Doenças renais degenerativas, perda de albumina pela urina (albuminúria), ou em pessoas desnutridas a ausência de albumina leva a diminuição da pressão oncótica nos vasos e, com isso, a saída de água, deixando-as inchadas. A albumina é utilizada no tratamento de choque hipovolêmico, assim como a infusão endovenosa de plasma humano, soluções de alguns polímeros sintéticos – como dextrano 70, dextranpo 40 ou amido hidroxietílico a 6% (expansores plasmáticos) – ou ainda soluções isotônicas.

Introdução à Regulação do pH do Fluido Extracelular

O pH dos fluidos biológicos é mantido constante, evitando modificações na estrutura de proteínas,

modificações em processos de excreção e absorção e impedindo a degradação de vários componentes celulares. Os principais ácidos do organismo são:

Gás carbônico:

CO 2 + H 2 O = H 2 CO 3 = H + + HCO 3 Anidrase carbônica O ácido formado é volátil, pois o gás carbônico é facilmente eliminado pela respiração, deslocando o equilíbrio.

Ácido sulfúrico

Ácido fosfórico

Ácido clorídrico

Ácido láctico

Ácido cítrico

Ácido úrico

Ácido betahidroxibutírico e acetoacético (corpos cetônicos): produzidos em grande quantidade na diabete

tipo I, levando a cetoacidose diabética.

Íons amônio (NH 4 ) são predominantemente ácidos em pH 7,4, pois não estão ionizados Para a manutenção do pH do organismo, funcionam os tampões biológicos e os órgãos enunctórios, pulmões que excretam ou captam ácido volátil e os rins que o fazem com os fixos. O tamponamento do citosol dá-se por aminoácidos livres, proteínas – grupamento ácido carboxílico é o doador de prótons, enquanto o amino é o receptor, sendo que quando o pH do meio coincide com o pKa de um deles, 50% se ioniza – e, principalmente, pelo tampão fosfato – o monobásico apresenta o pKa 6.8, possibilitando sua atuação no meio intracelular e na urina.

H 2 PO 4 - = HPO 4 -2 + H + Em pH maior que 6.8, ele se ioniza, tornando o meio mais ácido. O contrário ocorre com o pH menor. Isso acontece abundantemente nos túbulos renais, onde o pH é mais ácido que o extracelular (sangue, linfa e interstício), e também intracelularmente. Enquanto que o principal sistema de tamponamento extracelular acontece a partir do equilíbrio entre bicarbonato e ácido carbônico:

CO 2 + H 2 O = H 2 CO 3 = H + + HCO 3 Anidrase carbônica Ele apresenta pKa 6.1, sendo um bom tampão somente porque seus componentes tem suas

concentrações controladas pelos órgãos enunctórios – hiperventilação elimina CO 2 , tornando o pH mais básico, e o HCO 3 - pode ser excretado pelo rim, deslocando o equilíbrio no sentido oposto.

A quantidade de bicarbonato é um bom índice da quantidade de ácidos não-voláteis, de forma

inversamente proporcional. Por esse motivo, na gasometria arterial mede-se também sua concentração plasmática. No interior das células da parede do túbulo proximal renal, a anidrase carbônica une o gás carbônico com a água, transformando-lhes em ácido carbônico, o qual se dissocia em bicarbonato e próton. Esse último é

lançado na luz do ducto através de uma proteína trocadora de Na + e H + na urina (transporte ativo secundário), onde reage com ânions bicarbonato do filtrado, reconstruindo o ácido carbônico que retorna para a célula po difusão (lá, novamente dissocia-se pela ação da anidrase carbônica). Como lucro do processo, tem-se a reabsorção de sódio e bicarbonato e a manutenção de um baixo gradiente de prótons – sendo a secreção de H + limitada pelo pH mínimo urinário de 4.5, visando a evitar a queda para esse patamar, os íons são secretados juntamente com amônia, na forma de íons amônio, ou com íons fosfato (H 2 PO 4 - ).

O gás carbônico dirige-se para ser expirado também ligado a hemoglobina, impedindo a união da

molécula de oxigênio, embora posicionem-se em sítios diferentes. A junção de O 2 incita a liberação dos prótons

anteriormente unidos à hemoglobina, diminuindo o pH e diminuindo a absorção de oxigênio. O contrário acontece em meio alcalino, como o do pulmão, quando a proteína está mais receptiva ao oxigênio. Essa seqüência de acontecimentos é chamada de Efeito Bohr (também explica a liberação de oxigênio, no instante em que a hemoglobina entra em contato com o pH ácido dos tecidos). O CO 2 gerado pelo metabolismo oxidativo também pode adentrar as hemácias, nas quais a anidrase carbônica libera próton e bicarbonato. O próton é tamponado pela hemoglobina, enquanto o bicarbonato é transportado para fora da célula pela proteína

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Banda 3 (troca-lhe por um cloreto), sendo essa a principal forma de transporte do dióxido de carbono aos pulmões (83%) – onde se une com os prótons liberados da hemoglobina quando ele se junta com o oxigênio. pH alto leva a hiperventilação (liberação de CO 2 ), logo uma alcalose pode conduzir a uma acidose compensatória. pH baixo incita a hipoventilação (consumo de CO 2 ), portanto uma acidose, pode levar a uma alcalose compensatória. O gás carbônico total no plasma é a soma da pressão parcial de CO 2 com a concentração de HCO 3 . Através da Equação de Handerson-Hasselbach, pode-se relacioná-las com o pH:

6.1

log

0.0301

Os valores normais, em sangue arterial (contém mais cloretos e menos bicarbonatos que o venoso),

são:

pH = 7.4 [ ] = 24mM pCO 2 = 40 mmHg [CO 2 ] dissolvido no plasma = 1,2 mmol/L

Perturbações do Equilíbrio Ácido-Base Acidose

Acidose Respiratória O pH encontra-se reduzido devido a um déficit na função pulmonar, como:

Disfunção do SNC (córtex ou bulbo mais precisamente) graças ao uso de droga depressoras (sedativos,

anticonvulsivos, analgésicos opióides

Doenças no SNP, tal qual a polirradiculoneurite e a Síndrome de Guillain-Barré (inflamação aguda com perda de bainha mielina);

Intoxicações endógenas com bloqueadores neuromusculares;

Miastenia (defeito na transmissão do impulso ao músculo);

Lesão do nervo frênico;

Poliomielite;

DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), ocasionada pelo enfisema pulmonar, brônquite crônica, asma, edema pulmonar e pneumonia grave;

Traumatismo no tórax;

Alterações mecânicas das vias aéreas, como pelo broncoespasmo, corpo estranho, queda da língua, edema

de glote ou afogamento. Todas essas patológias levam a diminuição na expiração do CO 2 (hipoventilação), que libera próton e bicarbonato, acidificando o meio (visto que esse último é pouco alcalino, mas o primeiro é muito ácido).

),

isquemias ou traumatismos;

 

Não Compensada

Parcialmente Compensada

 

Totalmente Compensada

pH

<< 7.4

<

7.4

7.4

[ ]

24 mM

> 24 mM

 

> 24 mM

pCO 2

> 40 mmHg

<

40 mmHg (hiperventilação)

 

<< 40 mmHg

   

Rins

reduzem

 

a

absorção

tubular

de

 

bicarbonato

e

a

secreção

de

prótons na

urina.

 

Os sintomas iniciais são cefaléia e sonolência, podendo evoluir para o coma. Caso não se trate a fonte do problema ou regularize-se a respiração de outra maneira, com estimulantes ventilatórios (cafeína, aminofilina Acidose Metabólica Aumento da quantidade de ácidos fixos no plasma, os quais se dissociam, liberando prótons, que são neutralizados pelo bicarbonato, levando a sua redução; ou ainda depletação do bicarbonato. É ocasionada por distúrbios como:

Ingestão exógena de ácidos – álcool combustível (metanol), anticongelantes de combustíveis (etilenoglicol) e alguns fármacos (acetazolamida, ácido acetilsalicílico);

Aumento na produção endógena de ácidos, como o lático e o pirúvico, em resposta a diminuição na

oxigenação dos tecidos, característica de choque, redução do débito cardíaco, parada cardiorespiratória em que a recuperação da perfusão tecidual não é rápida. Produção de corpos cetônicos (ácido cetoacético e ácido beta-hidroxibutírico), na diabetes do tipo I leva a cetoacidose diabética e em severas condições de inanição.

Perda de bases em episódios como diarréia (perda considerável de bicarbonato e sódio), acidose tubular

renal, insuficiência renal crônica (rins perdem progressivamente sua capacidade de eliminar H + , deixando de

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reabsorver bicarbonato da luz de seus túbulos), colostomia e ileostomia (pacientes que perdem segmentos de seu intestino).

Uso de drogas, como inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida).

Defeitos na homeostase iônica, por exemplo, em hipercloremias, a absorção de bicarbonato é reduzida. Seus sintomas envolvem náuseas, vômitos, fadiga, respiração de Kussmaul (rápida e profunda, com períodos de dispnéia), fraqueza, sonolência, confusão mental, queda na pressão arterial, choque, coma e morte, se não tratada, de uma dentre as diversas formas: hidratação por meio de soluções fisiológicas (diluição das toxinas), infusão endovenosa de bicarbonato de sódio e eliminação das toxinas. Alcalose Caracterizada – ao contrário das acidoses, com desorientação e coma – por hiperexcitabilidade. Além disso, diferencia-se por relacionar-se com o potássio, devido:

A uma proteína trocadora entre o plasma e o interstício, a qual pega potássio do sangue e libera H + ;

A outra proteína trocadora de sódio, para o interior da célula, por prótons, para o exterior. Esse sódio é

retirado pela Bomba de Sódio e Potássio, que internaliza o K + , reduzindo sua concentração no meio extracelular;

Sob o efeito da aldosterona, o sódio é reabsorvido dos túbulos renais, em troca de outro íon positivo – potássio ou hidrogênio, dependendo do equilíbrio ácido-base e de suas disponibilidades. Nos casos de alcalose, a concenteção de H + está baixa, levando a eliminação prioritária de potássio (acidúria paradoxal) Alcalose Respiratória Causada por doenças que levam a hiperventilação pelas mais diversas vias:

Excitabilidade do SNC devido à ansiedade, dor e agitação psicomotora;

Febre elevada com calafrios;

Insuficiência hepática;

Meningoencefalite;

Sepse;

Encefalite;

Tumor cerebral;

Hipertireoidismo;

Doenças caracterizadas pela interferência na hematose, como a pneumonia e a fibrose pulmonar;

Hipóxia, gerada também pelas altas altitudes;

Uso excessivo de ventilação mecânica – nesse caso, um pouco de alcalose contribui para a sedação do paciente;

Hiperventilação intencional, visando a reduzir a pressão intracraniana.

A alcalose respiratória é a diminuição de prótons no plasma, induzindo a doação do interstício por meio

de uma proteína trocadora que capta potássio do sangue e libera H + . Por isso, pode conduzir à hipocalemia.

 

Não Compensada

Parcialmente Compensada

 

Totalmente Compensada

pH

>> 7.4

> 7.4

7.4

[ ]

> 24 mM

> 24 mM

 

>> 24 mM

pCO 2

40 mmHg

> 40 mmHg

 

> 40 mmHg

   

Rins

reabsorvem

bicarbonato

e

eliminam

Indivíduos asmáticos já se adaptaram a esse estado.

prótons.

 

Os sintomas são ansiedade, formigamentos na face, espasmos musculares e alucinação. Sendo o tratamento a redução da freqüência respiratória (ansiolíticos e leve sedação), forçar o paciente a respirar em um saco de papel (inspire o gás carbônico expirado), reinalação (espirômetro em circuito fechado) ou aumento do espaço morto (respiração através de um tubo de plástico). Alcalose Metabólica Suas causas estão relacionadas com concentrações muito altas de bicarbonato, perda excessiva de prótons ou distúrbios na homeostase do potássio, devido à:

Ingestão excessiva de bases (antiácidos efervescentes, produtos de limpeza a base de hidróxido de sódio,

infusão endovenosa de bicarbonato para a correção de uma acidose metabólica

ou aspiração do conteúdo

Perda excessiva de prótons, devido a vômitos prolongados (estenose pilórica

gástrico – as células estomacais produzem mais HCl, porém para cada uma, sintetizam uma molécula de bicarbonato também; Quando o vômito é acompanhado por diarréia, o que predomina é a acidose metabólica.

Uso de diuréticos espoliadores de potássio, como a furosemida e a hidroclorotiazida, levam a perda de

potássio pela urina e, quanto menos dele, mais alcalino o organismo.

Alcalose hipoclorêmica: envolve a maior reabsorção de bicarbonato e secreção de prótons;

Hiperatividade adrenal é o aumento da secreção de aldosterona, eleva a excreção de potássio e de prótons, ocasionada pela Síndrome de Cushing, pelo uso de glicocorticóides ou pelo hiperaldosteronismo primário.

);

)

Anna Martha Vaitses Fontanari

Biomedicina - Turma IV

Entre os sintomas está a irrita bilidade, contrações musculares prolongadas e cãibras. Pode ndo ser tratada pela reposição de água e eletrólitos, uso de di uréticos inibidores da anidrase carbônica e administração de á cido clorídrico diluído ou cloreto de amônio endovenoso. Distúrbios Mistos

Alcalose e acidose simultaneamente.

Duas acidoses ou duas alcaloses.

Um desequilíbrio primário leva visando sua compensação. Porém,

respondem mais lentamente que os pul mões, a correção de

uma acidose respiratória, por exemplo,

deixa o organismo com a alcalose meta bólica, num processo

conhecido como supercompensação. Para relacionar variações ent re pH, níveis de bicarbonato e pCO 2 usa-se o diagrama de Davenport.

por hiperventilação,

a um secundário, visto que os rins

de bicarbonato e pCO 2 usa-se o diagrama de Davenport. por hiperventilação, a um secundário, visto