INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO Triagem ou classificação de risco é uma ferramenta de manejo clínico de risco, empregada nos serviços de urgência por todo o mundo, para efetuar a construção dos fluxos de pacientes quando a necessidade clínica excede a oferta. Estas ferramentas pretendem assegurar a atenção médica de acordo com o tempo de resposta de acordo com a necessidade do paciente. As primeiras triagens nos serviços de urgência eram feitas de forma mais intuitiva que metodológica e não eram, portanto, nem replicáveis entre os profissionais, nem auditáveis. O Grupo de classificação de risco de Manchester foi formado em Novembro de 1994 com o objetivo de estabelecer um consenso entre médicos e enfermeiros do serviço de urgência para de um padrão de triagem ou classificação de risco. Ficou rapidamente claro que o objetivo do grupo podia ser focado em cinco tópicos:

NOMENCLATURA E DEFINIÇÕES Uma análise da nomenclatura e das definições atualmente em uso mostrou diferenças importantes entre os modelos existentes. Uma amostra destas diferenças se encontra na tabela abaixo:

Apesar desta enorme variabilidade, ficou claro que havia um número de tempos-resposta comuns entre os vários sistemas de triagem.

Uma vez identificados os critérios comuns de triagem, rapidamente chegou-se a um acordo quanto a um novo sistema de nomenclatura e de definição. A cada nova prioridade foram atribuídos um

uma cor e um nome. Prioridade e manejo É comum confundir prioridade clínica com manejo. Os discriminadores que indicam níveis de prioridade mais altos são os primeiros a serem procurados. Os sinais e sintomas que fazem a discriminação entre as prioridades clínicas são chamados de discriminadores e estão apresentados na forma de fluxogramas para cada condição apresentada – os fluxogramas de apresentação. O Grupo de classificação decidiu rapidamente que a metodologia de classificação de risco deveria ser planejada para definir uma prioridade clínica.É evidente que o diagnóstico clínico não está precisamente associado à prioridade clínica. por sua vez. METODOLOGIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO De forma geral. pode exigir uma compreensão mais profunda das necessidades do paciente e pode ser afetada por um grande . pacientes admitidos para procedimentos eletivos ou programados.O tempo da realização da classificação de risco é tal que qualquer tentativa de se fazer um diagnóstico do paciente nesse momento está fadado ao fracasso. a prioridade reflete aspectos de uma apresentação/queixa particular do paciente. o conceito das várias prioridades clínicas se mantém atual. uma exclusão diagnóstica ou uma prioridade clínica. conforme mostrado abaixo: Dez anos se passaram desde que a metodologia e escala de classificação de risco de cinco cores foram implementadas ao redor do mundo. Entretanto. etc. Por exemplo. e a sua prioridade clínica deve refletir esse contexto. a gestão clínica. a ausência de discriminador pertinente vai alocar a grande parte dos pacientes classificados como não urgentes. ou gestão clínica de um paciente. Portugal introduziu a cor branca para todos os pacientes com eventos ou situações/queixa não compatíveis com o serviço de urgência como. já apresentadas. Em linhas gerais. a metodologia de classificação de risco apresentada neste livro requer que o profissional defina a queixa ou o motivo que levou o cidadão a procurar o serviço de urgência. A prioridade clínica requer a coleta de informações que permitam enquadrar o paciente em uma das cinco prioridades definidas. procure um número limitado de sinais e sintomas em cada nível de prioridade clínica.número. então. retornos. 3º . Os tempos-resposta em cada região eram influenciados tanto por políticas de saúde como médicas principalmente em prioridades mais baixas. A decisão foi baseada em três grandes princípios: 1º . sendo cada uma delas definida consoante o tempo-resposta ideal até a primeira avaliação médica. e isto é melhor alcançado por meio da alocação exata de uma prioridade clínica. Foram realizadas reuniões de âmbito nacional no Reino Unido entre os representantes da enfermagem e dos médicos dos serviços de urgência para a discussão e apresentação do produto deste trabalho: uma escala nacional de triagem. Nesse caso deve-se registrar a cor branca e o motivo de tal classificação. um método de classificação de risco pode tentar fornecer ao profissional um diagnóstico. atestados. por exemplo. um doente com um diagnóstico final de distensão do tornozelo pode apresentar-se com dor intensa. 2º .O foco da realização da classificação de risco em um serviço de urgência é tanto facilitar a gestão da clínica de cada paciente como a gestão de todo o serviço. moderada ou nenhuma dor. selecione uma das várias apresentações e.

A auditoria da classificação de risco O Grupo de Triagem dedicou muito tempo na tentativa de pontuar situações/queixas de alarme. como é descrito no Capítulo 9. Para tal. mesmo após análises retrospectivas. por telefone na Atenção Primária à Saúde e nas Unidades de Pronto Atendimento 24h. numa matriz apresentação-prioridade de 50 × 5 alternativas. os fluxos de cada especialidade para determinados grupos de pacientes funcionam em tempos diferentes. para que seja demonstrada a sua possibilidade de replicação entre profissionais e entre os diversos serviços de urgência. Talvez seja possível identificar o padrão das prioridades clínicas que subseqüentemente estejam associadas a diagnósticos específicos. tanto de pessoal. As informações obtidas durante o processo de classificação de risco podem também ser usadas de outras formas para melhorar o cuidado do paciente. Capacitação em classificação de risco Este livro e o curso que o acompanha se propõem a fornecer a capacitação necessária para a realização de uma classificação de risco padronizada. O documento não foi feito para julgar se os pacientes devem estar num serviço de urgência. entretanto. Isto não altera a prioridade clínica definida. a procura do determinante e a escolha da prioridade – é colocar um determinado paciente em uma das 250 opções. Em algumas unidades como clínica médica. Muita demanda pode vir. Este processo. Pelas razões descritas. e o processo descrito neste livro (identificação da queixa de apresentação seguida pela procura de um discriminador) são aplicáveis em outros contextos. Estas questões serão melhor analisadas no Capítulo 5. Resumo A classificação de risco é uma parte fundamental da gestão do risco clínico em todos os serviços. Pode ser utilizado para monitorar cuidados e para identificar prioridades clínicas – o que será determinado por prestações locais e disponibilidade real. Uma modificação do Protocolo de Triagem de Manchester (PTM) pode ser usada para esse fim. tais como a hora do dia e a disponibilidade. logo ficou claro que. assim como a confiabilidade entre diversos serviços. por exemplo. Não se pretende que a mera leitura do livro e a freqüência em um curso impliquem a produção imediata de uma capacidade de se fazer a classificação. .número de fatores externos. sim. como de leitos. que os profissionais de saúde reconheçam o mais rapidamente possível qualquer agravamento no estado dos pacientes. Finalmente. nota-se que o resultado do processo de classificação de risco pelo Protocolo de Manchester – a seleção do fluxograma de apresentação. eventos que poderiam ser identificados retrospectivamente para serem usados como marcadores de uma classificação de risco bem feita. A classificação de risco pelo Protocolo de Manchester nos serviços de urgência para definição de uma prioridade clínica é uma metodologia que pode ser ensinada e auditada. Afeta. Este é o primeiro passo para a aptidão na utilização do sistema e deve ser seguido de avaliação e auditoria do processo de trabalho. mas para assegurar que aqueles que precisam de cuidados de urgência e emergência os recebam de forma adequada e rápida. pelo contrário. vai apresentar a metodologia e permitir aos profissionais o desenvolvimento da sua competência na utilização do material disponível. poderão ser feitos estudos para determinar um padrão de prioridades. foram pontuados sinais de alerta em muitos fluxogramas. ou seja. O uso de uma auditoria consistente é essencial para o futuro de qualquer metodologia padronizada. não se pode associar o diagnóstico final da doença à prioridade clínica de apresentação. É importante. Para além da classificação de risco no serviço de urgência O conceito de classificação (determinando a necessidade clínica como metodologia de gestão do risco clínico). a ordem de atenção médica dentro da especialidade mais do que entre elas neste sistema. quando a demanda por assistência ultrapassa os recursos disponíveis. cirúrgica ou pediátrica o sistema pode ser implementado da mesma forma como no Serviço de Urgência. Além disso. O Grupo identificou certo número de indicadores deste processo. Uma vez implementado o sistema. Auditoria é discutida em maiores detalhes no capítulo 6.

Projeção Nacional do Protocolo de Manchester O Hospital João XXIII da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram pioneiros na implementação do Protocolo de Manchester Julho de 2008 redefinindo a gestão do serviço de urgência a partir da organização da atenção desde a entrada do paciente e com o critério de prioridade clínica. Este Grupo constitui um consenso internacional e é responsável pela atualização contínua e adaptação. com a adesão as regras internacionais de utilização do Protocolo. Pernambuco. no Japão. São Paulo. Em 2005 foi constituído o Grupo Espanhol de Triagem (GET) com suporte do GPT que também apoiou. em hospitais. Projeção Internacional do Protocolo de Manchester Os autores ingleses e portugueses. um código de conduta para garantir a confiabilidade e a reprodutibilidade do sistema. e no Canadá. formaram o International Working Group. financiamento e custeio). validando os parâmetros de qualidade e o modelo de gestão. em 2007. A classificação de risco precisa ser reprodutível e auditável se for usada para tal fim. para compatibilizar o método do protocolo com os avanços da medicina. deve ser assinado um protocolo e uma declaração de princípios. criando-se assim um fórum de discussão e de melhoria contínua do sistema. onde aceitam as regras de sua implementação. depois no Espírito Santo. na Holanda. entre outros. na Nova Zelândia. na Itália. Para tal. Existe. Para as Instituições que demonstram interesse na implementação desta metodologia é celebrado um acordo que permite aos serviços integração com o Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR). na Alemanha. de forma uniforme nos diversos países com hospitais parceiros. a criação do Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR) para implementação da metodologia. inicialmente. não existindo qualquer pagamento por adesão. Esta internacionalização permitiu testar o Protocolo de Manchester e adaptá-lo a culturas diversas. Todas as Instituições são parceiras do GBCR. É possível usar este indicador não só em contratos de qualidade. . mas também como variável em contratualizações (pactuações. foi possível a implantação do protocolo também na Austrália. sim. e depois na Atenção Primária à Saúde no Estado de Minas Gerais.O futuro A prioridade clínica dos pacientes pode ser um indicador de um serviço. com a finalidade de formalizarem um fórum internacional de divulgação de conhecimentos. Santa Catarina. Através da internacionalização.

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