Mitigação de Tensão de Restabelecimento Transitória em Equipamentos de Média Tensão

Wilker Victor S. Azevêdo, Washington L. A. Neves, Damásio Fernandes Jr., Karcius M. C. Dantas
Departamento de Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Av. Aprígio Veloso, 882 – Bodocongó, 58.429-140, Campina Grande – PB – Brasil

Rusângela R. G. Cavalcanti, Ricardo M. Soares
ENERGISA - PB, BR 230 km 25 – Cristo Redentor, 58.071-680, João Pessoa – PB – Brasil

Resumo  Concomitante à crescente expansão e interligação dos sistemas elétricos, torna-se fundamental a análise do desempenho de disjuntores e religadores frente às solicitações de Tensão de Restabelecimento Transitória (TRT). Este trabalho sintetiza as principais constatações obtidas no estudo sobre o redimensionamento dos equipamentos das subestações Cruz do Peixe e Tambaú, pertencentes à área de concessão do grupo ENERGISA. Simulações digitais comprovam condições adversas aos dispositivos durante a supressão de faltas trifásicas não aterradas e faltas quilométricas. A instalação de células de surto capacitivas é recomendada para redução da taxa de crescimento da TRT. Adicionalmente, o uso de dispositivos de ZnO como alternativa para mitigação do pico da TRT é avaliado sob condições dielétricas críticas e solicitações de alta frequência, proporcionando resultados satisfatórios. Palavras-chaves  Tensão de Restabelecimento Transitória, Mitigação, Sobretensões, Transitórios Eletromagnéticos.

aspectos inerentes à redução da taxa de crescimento da tensão de restabelecimento, com foco à localização e quantidade das células de surto empregadas. O uso de varistores de ZnO é investigado como alternativa mitigadora do pico da TRT sob a ótica de faltas trifásicas não aterradas e solicitações de alta frequência proporcionadas por faltas monofásicas quilométricas. Simulações digitais são realizadas com o programa ATP® (Alternative Transients Program) [5] no Regional Mussuré II da ENERGISA (PB) com o propósito de diagnosticar e redimensionar equipamentos de classe 15 kV, além de prover subsídios para definir apropriadamente o número de varistores necessários para limitar o valor de crista da TRT a patamares aceitáveis. II. FUNDAMENTOS E ESPECIFICAÇÕES a. Considerações Preliminares Em virtude da ocorrência de uma falta na rede elétrica, os equipamentos do sistema de proteção atuam promovendo celeridade no isolamento do trecho sob defeito, minimizando os efeitos da falta sobre restante do sistema. Disjuntores e religadores, neste foco, têm papel fundamental para o sucesso na desconexão dos circuitos elétricos responsáveis pelo fornecimento e consumo de energia. As solicitações térmicas na câmara de extinção dos equipamentos são bastante severas no período inicial que sucede a separação mecânica dos contatos. Após a extinção do arco, os mecanismos internos tentam recuperar as características dielétricas do meio isolante, ao passo que, simultaneamente, a solicitação de tensão entre os contatos atua em sentido contrário, podendo provocar reignição caso as solicitações da TRT sejam superiores à tensão disruptiva do meio isolante. b. Tipos de Falta Avaliadas A avaliação dos efeitos dos diferentes tipos de falta sobre a TRT presumida [1;6-12] evidencia cenários de máxima solicitação aos equipamentos de proteção e, neste escopo, faltas trifásicas não aterradas e faltas quilométricas tornam-se mais contundentes quanto aos estresses térmicos e dielétricos que podem provocar ao meio de extinção do arco elétrico. Faltas monofásicas quilométricas são curto-circuitos localizados nas linhas de transmissão a alguns quilômetros

I. INTRODUÇÃO NVESTIGAR o desempenho de equipamentos frente às solicitações de Tensão de Restabelecimento Transitória (TRT) é de notável relevância para a melhoria da confiabilidade na operação dos sistemas elétricos. No âmbito das propostas para mitigação de cenários de severidade desse tipo de sobretensão, quando a taxa de crescimento (TCTRT) ultrapassa o limite especificado por norma, recomenda-se a instalação de células capacitivas para redução da frequência de oscilação da TRT [1;2]. Em relação aos estresses dielétricos, resultado de um elevado valor de pico entre os contatos, quando o mesmo se encontra acima da referência normatizada, propõe-se normalmente a substituição do disjuntor/religador por outro de classe de tensão superior. Estudos pioneiros têm sugerido o uso de dispositivos de óxido metálico [3;4] como alternativa para redução do valor de crista da TRT. Este trabalho tem por objetivo verificar a adequabilidade de disjuntores e religadores de classe 15 kV, no que concerne a sua suportabilidade às solicitações de TRT. Destacam-se
Este trabalho é financiado pela CAPES através de bolsa de mestrado e pela ENERGISA através do projeto de Pesquisa e Desenvolvimento 0377011/2007. W. V. S. Azevêdo, K. M. C. Dantas, { wilker.azevedo, karcius}@ee.ufcg.edu.br , W. L. A. Neves, D. Fernandes Jr., {waneves, damasio}@dee.ufcg.edu.br , Tel. +55-83-3310-1140, R. M. Soares, R. R. G. Cavalcanti { ricardosoares, rusangela}@energisa.com.br , Tel. +55-83-21067104.
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I

9 18.8]. Para frequências elevadas no sinal da rede.8 kV das subestações sob estudo. apresentando três ramais principais: Mussuré. 2 – Setor de 13. Santa Rita e João Pessoa/Mangabeira.1 18.59 e.3 30. No caso das especificações adotadas pela norma ANSI.44 2. Parâmetros de Referência Os disjuntores das subestações Cruz do Peixe e Tambaú terão seus valores de TRT comparados com os critérios estabelecidos pela norma IEC 62271-100 [6]. sendo afetada por contribuições no lado da fonte e da carga.90 1.4 12.0 33. Estudos preliminares haviam mostrado que alguns equipamentos destas subestações apresentavam superação por TRT [14]. o modelo série se comporta como um circuito aberto Fig. Fig. 17 equipamentos serão avaliados quanto à TRT. enquanto que os religadores das referidas subestações apresentam especificações segundo a norma ANSI – série C37 [7.0 12. Regional Mussuré II As subestações Cruz do Peixe (CPX) e Tambaú (TBU). as seguintes considerações foram seguidas: Linhas de transmissão: Representadas através de modelo a parâmetros distribuídos (Bergeron) [15]. Este gradiente inicial reproduz altas taxas de crescimento da TRT nos primeiros microssegundos (<100 µs) que sucedem a separação física dos contatos do disjuntor.9 18. apresenta geralmente uma característica tipo dente de serra.60 0. No total.8 Tempo de Crista T2 (us) 36.52 Trifásica não aterrada Quilométrica 100 60 30 10 100 60 30 10 *Relação entre a corrente de falta e a capacidade de interrupção do equipamento.67 0.9 Tempo de Crista t3 (us) 31. havendo um fator multiplicativo de 1. Os valores de pico observados são superiores ao caso das faltas quilométricas. Fig. fazem parte do Regional Mussuré II do sistema elétrico da ENERGISA-PB (Fig.89 0.3 32. que incide em elevadas solicitações térmicas ao meio de extinção. TABELA II PARÂMETROS DE REFERÊNCIA DA TRT ESPECIFICADA PARA EQUIPAMENTOS DE CLASSE DE TENSÃO 15 KV – NORMA ANSI C37. As Figuras 2 e 3 exibem em detalhes os principais barramentos do setor de 13. Este regional tem suprimento a partir da subestação Goianinha 230 kV (GNN) da CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco).2 ( l ) dos equipamentos. d. . 1 – Diagrama simplificado: Regional Mussuré II.11. neste caso.0 TCTRT (kV/us) 0. TABELA I PARÂMETROS DE REFERÊNCIA DA TRT ESPECIFICADA PARA EQUIPAMENTOS DE CLASSE DE TENSÃO 15 KV – NORMA IEC 62271-100 [6]. localizadas na região da grande João Pessoa.0 12.0 36. Representação dos Componentes Quanto à representação da rede elétrica. A predominância de uma característica tipo (1-cos) é constatada em sistemas que apresentam em sua topologia transformadores imediatamente localizados à montante dos dispositivos de proteção [4. Cargas: Representadas por modelos RL série uma vez que produz respostas conservativas em comparação com o modelo RL paralelo.1 21. 1).138 que traduz a correção referente ao cálculo da tangente da envoltória tipo (1-cos).58 2.4 TCTRT (kV/us) 0. c.52 1.4 12.9 18. As oscilações no lado da carga são normalmente as responsáveis pela característica dente de serra da TRT.8 kV da SE Tambaú. 3 – Setor de 13.1 21.8 kV da SE Cruz do Peixe. Tipo de Falta (% CNI)* Valor de pico Uc (kV) 28.06 [7].4 31.91 1. sendo 1 disjuntor e 7 religadores da SE Cruz do Peixe.2 18. Tipo de Falta Trifásica não aterrada Quilométrica Valor de pico E2 (kV) 28. Os parâmetros de referência são apresentados nas Tabelas I e II. A forma de onda da TRT. 2 disjuntores e 7 religadores da SE Tambaú.13]. Faltas trifásicas não aterradas nos terminais dos equipamentos normalmente incidem em solicitações dielétricas severas. a taxa de crescimento é calculada não apenas pela relação direta entre valor de pico (E2) e tempo (T2).

13]. Instalação de Células Capacitivas A instalação de células de surto capacitivas de 150 nF foi analisada como alternativa para minimizar a taxa de crescimento da TRT.8 18. Transformadores: Representados por elementos RL sem acoplamento entre fases. As Figuras 6 e 7 exibem a forma de onda da TRT em virtude da instalação individual e em paralelo de células de surto de 150nF. Foram avaliados seus efeitos no contexto de eliminação de faltas quilométricas.3 devido ao crescimento da reatância indutiva.8 18.59 0. admitindo-se cenário de carga leve.7 21. apenas dois religadores (21L6 e 21L7) da subestação Tambaú apresentaram superação por valor de pico (Fig.59 0. Esta distância incidiu nas maiores taxas de crescimento na abertura sob concordância de fases. deste modo. III.2 kV Como pode ser visto na Tabela III.59 0.3 18.8 18.9 20.59 Cruz do Peixe IV.59 21.42 1.59 0. Fig.59 0.10 1.26 1. obedecendo aos requisitos mínimos necessários.59 0. Os equipamentos apresentam resistência zero quando conduzindo. Fig. Simulação Referência Subestação Equipamento Uc (kV) TCTRT Uc (kV) TCTRT (kV/us) (kV/us) 21L1 18.6 21. No caso de curto-circuito trifásico não aterrado. parte das atenuações da componente resistiva da carga. no que concerne ao desempenho dos dispositivos frente à eliminação de faltas quilométricas.59 0. 4). 4 – Valor de pico da TRT na eliminação de falta trifásica não aterrada: Religadores da subestação Tambaú.59 0.59 0.8 18. a impedância harmônica Z(jω) vista das subestações sob análise até a barra de 69 kV da subestação Mussuré (MRD 69) se superpõe com os demais espectros obtidos quando o equivalente se localiza em pontos mais distantes.6 20. Os religadores da subestação Cruz do Peixe e os disjuntores de ambas as subestações se mostraram apropriados a suprimir falta trifásica não aterrada. As capacitâncias de buchas e enrolamentos são incluídas.8 18.8 18.9 20.63 1.8 0.8 18. a. Neste caso. constata-se a superação simultânea por valor de pico e taxa de crescimento em praticamente todos os religadores.86 1. com passagem de zero a infinito instantaneamente após a abertura de seus contatos.59 0. 5 – Célula de surto para redução da taxa de crescimento da TRT.8 18.97 1. 5) e o número de células a serem utilizadas para reduzir a TCTRT. TABELA III DIAGNÓSTICO DOS RELIGADORES DAS SUBESTAÇÕES CRUZ DO PEIXE E TAMBAÚ – FALTA MONOFÁSICA QUILOMÉTRICA. Disjuntores e religadores: Representados por chaves ideais controladas no tempo. Inibe-se.7 1.8 0.26 1. São respeitadas as condições de regime permanente.1 19. Valor de referência = 28.8 18. o local em que o mesmo foi disposto obedece a uma distância mínima das subestações CPX e TBU.6 20. Foi avaliada a capacidade de abertura dos equipamentos mediante supressão de curto-circuito trifásico não aterrado em seus terminais assim como faltas monofásicas quilométricas nas linhas de distribuição a 2 km dos terminais dos religadores.59 0.05 0.4 20. Os cenários mais críticos constatados ocorreram na eliminação de falta quilométrica. Os resultados para o religador 21L1 da SE Cruz do Peixe são apresentados. sendo modelados por suas capacitâncias equivalentes.96 1. DIAGNÓSTICO DE DISJUNTORES E RELIGADORES As simulações digitais foram realizadas através do programa ATP®. MITIGAÇÃO DA TRT Devido à elevada demanda de recursos para a substituição dos equipamentos por outros de classe superior. investigando-se a localização (Fig.09 18.4 21.51 21L2 21L3 21L4 21L5 21L6 21L7 21L1 21L2 21L3 Tambaú 21L4 21L5 21L6 21L7 21.70 0.1 21.8 18. Os pontos evidenciados para localização dos capacitores foram: . Os valores presumidos por simulação foram superiores aos estabelecidos segundo as normas técnicas de referência.9 1.5 20.59 0. Equivalentes de curto-circuito: A fim de evitar erros da imprecisão das respostas dos equivalentes a 60 Hz sobre a TRT [16].8 18. Bancos de capacitores: Exibem configuração em estrela dupla.32 1. tanto para cada lado como entre as buchas de primário e secundário [12.8 18. Capacitâncias parasitas foram incluídas.59 0. verifica-se o uso de dispositivos mitigadores para redução da taxa de crescimento e do valor de pico da TRT a níveis aceitáveis.

97 9. entretanto com uma faixa de segurança.0 -10.51 21.59 18.00 Três (03) V (kV) 6.32 8. com espessura de 23 mm e diâmetro de 62 mm (padrão comercial).8 0.7 1.40 21. no terminal localizado no lado de suprimento da carga.15 8.31 19.223 [ms] 8. Uso de Varistores de Óxido de Zinco (ZnO) -15 -20 -25 8. caso fosse observada superação por TCTRT em condições de falta trifásica não aterrada.78 11.8 8. Localização Caso Base À montante do religador À jusante do religador Nº de células (150 nF) --1 2 3 6 1 2 3 6 Simulação E2 TCTRT (kV) (kV/µs) 21.6 1. Uma síntese dos resultados obtidos para o religador 21L1 da SE Cruz do Peixe é apresentada na Tabela IV.59 18.000.00 30. Uma solução investigada para redução do valor de pico da TRT nos equipamentos da subestação Tambaú é a instalação de uma associação série de varistores (pára-raios) entre seus terminais (Fig.8 10.80 25.92 19. 6 – Efeitos da inserção de células de surto sobre a TRT no religador 21L1: capacitores localizados no terminal à montante (falta quilométrica). verifica-se que a introdução de capacitores à montante do religador 21L1 não incide na redução efetiva da taxa de crescimento da TRT na eliminação de falta quilométrica.83 [ms] 9.39 21.00 Mediante análise dos casos.0000 100. b. 7 – Efeitos da inserção de células de surto sobre a TRT no religador 21L1: capacitores localizados no terminal à jusante (falta quilométrica). Nº de discos de ZnO (varistores) em série Dois (02) V (kV) 4.00 200.189 8. entre 3 e 6% na manobra de eliminação de falta quilométrica.40 22. TABELA V RELAÇÃO ENTRE TENSÃO (V) E CORRENTE (I) PARA A ASSOCIAÇÃO SÉRIE DE ELEMENTOS CILÍNDRICOS DE VARISTORES DE ZNO [17].8 18.59 18.7 1.0700 1. respectivamente.20 11.19 17.20 21.0 -17. esta recomendação é válida.2 0.26 Referência ANSI E2 TCTRT (kV) (kV/µs) 18.8 0.16 20.2 8. Entretanto.000.8 0.00 22.59 18. era previsível que a mesma não apresentasse Dados 1 2 3 4 5 6 7 8 9 I (A) 0.00 Sem células de surto Com 150 nF Com 300 nF Com 450 nF Com 900 nF Fig.4 9.206 8.7 0. para os casos estudados.0 9.155 8. As simulações digitais realizadas envolvem a utilização de varistores de óxido de zinco (ZnO) cilíndricos.8 0.18 0. foi verificada a minimização do pico da TRT a limites admissíveis.58 10. no terminal conectado via cabo ao Barramento Principal (BP) da subestação.37 15.6 9.0 [kV] 0 [kV] -5 -3.49 8.8 0.8 0. Em relação à disposição das células nos terminais do religador no lado da carga.59 18. estes elementos se comportam como uma alta resistência enquanto que uma característica de baixa resistência é constatada em condições de sobretensão.2 10.000.80 17.80 14. As Tabelas V e VI exibem.0030 0.24 16.32 22.4 0.172 8. Visto que a componente do lado da fonte apresenta uma frequência de oscilação (560 Hz) bem inferior ao correspondente espectro no lado da carga (15.4 À montante do religador.5 kHz).00 1.10 19.8 0.66 8.26 21.59 Disjuntor superado? SIM SIM SIM SIM SIM SIM NÃO NÃO NÃO Fig.5 -7. TABELA IV RESULTADOS DA ANÁLISE DO LOCAL E NÚMERO DE CÉLULAS CAPACITIVAS PARA REDUÇÃO DA TCTRT NO RELIGADOR 21L1. 0.95 14. -15 -20 -25 7.00 15.40 12.6 [ms ] 11.0 5. De modo complementar à redução da TCTRT. as informações da curva V-I das seções com dois.8 0. 0 [kV] -5 -10 Varistores de óxido de zinco apresentam uma propriedade não linear entre tensão e corrente.0 10.59 18.0 .5 8.04 15.59 18. três e quatro varistores em série e as características térmicas de cada elemento não-linear.60 28.240 notabilidade suficiente na mitigação da TCTRT. observa-se a possibilidade de abertura segura do equipamento quando da instalação mínima de 300 nF.0008 0.59 18.8 1.16 11.6 1. À jusante do religador.5 -10 -14.24 18.0 Sem células de surto Com 150 nF Com 300 nF Com 450 nF Com 900 nF Fig.52 7. Sob condições normais de operação.8 0. 8 – Dispositivo de ZnO para redução do valor de pico da TRT.50 Quatro (04) V (kV) 9. 8).

Além disso.00 e 1.80 mA.20 9. 9 – TRT entre os terminais do primeiro pólo a abrir: Religador 21L7 da subestação Tambaú (Falta trifásica não aterrada). 2 [kV] -2 -6 -10 -14 -18 -22 8. torna-se evidente a importância de dimensionar o número de pastilhas de ZnO a serem utilizadas na redução do valor de crista da TRT.592 8.62 8.240 Em relação aos resultados apresentados na Figura 11. respectivamente. a fim de avaliar um cenário de maior severidade.6 Fig.8 5.0 5.80 6.53 9. Para 3 e 4 varistores em cascata. 11. 10 – TRT entre os terminais do pólo sob falta: Religador 21L7 da subestação Tambaú (Falta quilométrica). respectivamente.4 (J/kg 0C)/ 0C 5258 kg/m3 As Figuras 9 e 10 exibem a TRT presumida obtida para o religador 21L7 da SE Tambaú quando da eliminação de falta trifásica não aterrada e falta quilométrica. ou seja.25 8.4 kV. A Figura 12 mostra a energia absorvida pelo pára-raios considerando sua utilização em paralelo com o religador 21L7 na eliminação de falta trifásica não aterrada. No primeiro caso.pl4: c:D1L72B-DJ_69B Com 3 discos de ZnO Com 4 discos de ZnO Fig.2 12.90 mA.5 TABELA VI CARACTERÍSTICAS TÉRMICAS DOS ELEMENTOS NÃO-LINEARES À BASE DE ÓXIDO DE ZINCO (VARISTORES) [17].1 kV enquanto que para 3 pastilhas a correspondente tensão foi de 6. 35. Tal circunstância é confirmada tanto sob condições de eliminação de curto-circuito trifásico não aterrado como em falta quilométrica.0 [kV] 27.00 tbu_21l7_3f_r_13kv_sc_3zno_p&e. . não é incluída a carga do alimentador referente ao religador sob análise.05 [ms] 12.35 Sem o dispositivo de ZnO Com 3 discos de ZnO Com 2 discos de ZnO Com 4 discos de ZnO Fig. o valor detectado para o pico da corrente de regime no dispositivo com 2 pastilhas de ZnO foi de 52 A. Condutividade térmica Calor específico Variação do calor específico com a temperatura Densidade 23 W/m 0C 456 J/kg 0C (a 0 0C) 4. Examina-se o número de discos de ZnO necessários para a redução adequada do pico da TRT. podendo danificar o dispositivo.648 [ms] 10. 5 Com base nas Figuras 9 e 10 pode-se verificar uma redução razoável do valor de pico da TRT nos terminais do religador 21L7 após a utilização dos varistores de ZnO em paralelo com o mesmo. indicando que este número de pastilhas é insuficiente na composição do dispositivo mitigador. A taxa de crescimento permanece praticamente inalterada em ambos os casos.000 15 tbu_21l7_1f_r_13kv_cl_2km_4zno. Uma síntese dos dados referentes ao valor de pico (Uc) da TRT extraído no cenário de falta trifásica para os religadores 21L6 e 21L7 é indicado na Fig. os máximos valores obtidos para a corrente de regime foram 3. 20.10 11. 11 – Valor de pico da TRT em condição de falta trifásica não aterrada: Uso de varistores de ZnO entre os terminais dos religadores 21L6 e 21L7.4 -2. Isto se deve a sua operação mesmo após o período transitório da TRT. Na utilização de 3 e 4 pastilhas. O uso de 4 pastilhas em série na composição do pára-raios se mostra mais apropriado e seguro que os demais casos. resultando na mesma conclusão reportada no caso anterior. três e quatro varistores entre os terminais dos equipamentos.71 7. Nos estudos de falta trifásica.944 9. respectivamente. 0 6.15 10. Admite-se o uso de dois. resultando em menores patamares de corrente residual e energia.pl4: v:D1L71A-D1L72A Sem o dispositivo de ZnO Com 3 discos de ZnO Com 2 discos de ZnO Com 4 discos de ZnO 10 Fig. 12 – Energia absorvida pelo dispositivo de ZnO em paralelo com o religador 21L7 – Eliminação de falta trifásica não aterrada. Em condições de falta quilométrica o maior valor de pico da corrente no elemento com 2 células de óxido de zinco foi 250 A. os valores verificados para a corrente foram 3.296 9.93 e 1.44 [ms] 10. na condição transitória mais severa a tensão máxima sobre cada pastilha foi de 6. 25 [kA] kJ 20 8.30 7. quando o sistema já se encontra sob regime acarretando em um alto consumo de energia.

. Souza. Brasil. ATP Alternative Transients Program Rule Book. Brasil. Damásio Fernandes Jr. L. [6] IEC International Standard 62271-100: High-Voltage Switchgear – Part 100: High-Voltage Alternating-current Circuit-breakers. L. June 2005. v. Campina Grande. e M. Wilson. D. e M. CONCLUSÕES O diagnóstico de disjuntores e religadores de classe 15 kV quanto às solicitações de Tensão de Restabelecimento Transitória (TRT) foi realizado. de setembro de 2004 a agosto de 2005 e na UBC de setembro a dezembro de 2005. J. Brasil. M. em 2008. Montreal. S. 2009. E. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). [17] Costa. “A Field Study of BusFault Transient Recovery Voltages”. G. Vecchiotti.. Muthumuni. em 1997 e 1999.. Trabalhou como pesquisador visitante na Universidade de Alberta. [16] Azevedo.6 V. Recebeu o título de B.. janeiro 2007. Recebeu os títulos de B. v. Concluiu o curso de Engenharia Elétrica em 1979 e Mestrado em 1982 pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)... Recebeu os títulos de B. O. “Efeitos da Representação de Equivalentes de Redes Elétricas em Análises de TRT: Estudo de Casos”. Atualmente é aluno em nível de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFCG. 1990. No que concerne à redução do valor de pico da TRT. Canadá. A realização de testes em laboratório com os dispositivos de ZnO. L. UFPB. Campina Grande. VII.. Beehler. M.. IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. W. VIII. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). T... December 1959. 1999. Atualmente exerce a gerência do Departamento de Operação da Transmissão na ENERGISA-PB... A. E. A. De 1982 a 1985 foi professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia de Joinville.Sc. [8] ANSI/IEEE C37. “The Effect of Capacitors on the Short-Line Fault Component of Transient Recovery Voltage”. X. em 2005 e 2007. Dissertação de Mestrado. W. Rusângela R. . 1979. New York. Atualmente é engenheira do Departamento de Operação da Transmissão na ENERGISA-PB e aluna em nível de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). AIEE Fall General Meeting. Neves nasceu em Itaporanga-PB. “Análise do Desempenho de Pára-Raios de Óxido de Zinco”. November/December 1976. R. “Analysis of Distribution Transformers under Faults Conditions for Determination of Transient Recovery Voltage”. IEEE Transaction on Power Apparatus and Systems.. [7] ANSI/IEEE C37. Despacho e Subdespacho pela Universidade Federal da Paraíba em 1989. Garrity. W... Farina. nasceu em Paulo Afonso-BA.011-1979. New York. October 2006. A. [5] Leuven EMTP Center (1987).. Soares. “Severe Rates of Rise of Recovery Voltage Associated with Transmission Line Short Circuits”.. L. n. proporcionar um aumento na vida útil de disjuntores e religadores além de minimizar os recursos normalmente aportados na aquisição de equipamentos de classe de tensão superior. Inc. [3] Nobre. G. Brasil. 1991. 138. E. Vancouver. n. Washington L. W. BIOGRAFIAS Wilker V. Neves. [14] SAELPA . Como consequência.. [4] Nobre. Lloyd. Desde 2003 é professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG. Brasil. P. Em condições de eliminação de faltas quilométricas sua efetividade é certificada quando da presença das células de surto no terminal do equipamento localizado no lado da carga. 1996. Edmonton.Sc. Tese de Doutorado. D. Brasil.06-1979. agosto. e o título de D. IEEE Application Guide for Transient Recovery Voltage for AC High-Voltage Circuit Breakers. Recebeu o título de B. “Transient Recovery Voltage Investigation of 15 kV Circuit Breaker Failure”. New York. R. Dantas nasceu em Campina Grande-PB.. 85 p. Kell. UFPB. respectivamente. Chicago.2. Buettner. B. K. October 1957. REFERÊNCIAS [1] Colclaser. “Determination of Transient Recovery Voltages on the Detroit Edison System”. Canada. IPST – International Conference on Power Systems Transients. [13] Greenwood. D. Lowie. em 1984. S. July. E.Sc. Electromagnetic Transients Program (EMTP) – Theory Book. IEE Proceedings-C.. Fernandes Jr. Portland: BPA.Sc. J..Sc. H.Sc. nº 6. Azevêdo nasceu em Campina Grande-PB. [12] Wang. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). o uso dos varistores pode permitir operações antes proibitivas. IEEE Standard Test Procedure for AC High Voltage Circuit Breakers Rated on a Symmetrical Current Basis. Brasil. E. UFPE. John Wiley & Sons Inc. De 1985 a 2002 trabalhou no Departamento de Engenharia Elétrica da UFPB. respectivamente. March/April. 2. W. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Departamento de Engenharia Elétrica (DEE) da UFCG pela infra-estrutura e à ENERGISA pela concessão dos dados. Crotti. Karcius M. V.. Cavalcanti nasceu em Recife-PE.. W. [11] Colclaser Jr.. D. Electrical Transients in Power Systems. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “An Alternative to Reduce Medium-Voltage Transient Recovery Voltage Peaks”. Zhou.8 kV – Regional Mussuré II (Volume 2 – Análise de cada subestação). Conferência Brasileira sobre Qualidade da Energia Elétrica (VIII CBQEE). Validação do Estudo de TRT Elaborado pela SAELPA: Disjuntores e Religadores de 13. Rio de Janeiro. em 1999... H.. D. G. Edition 1. 177 p. AIEE Winter General Meeting. Atualmente é aluno em nível de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFCG. Belgium. Titus.. Neves. H.. 4. M. G. Brasil. Ricardo M.Sc. W. [10] Falk. em 2004. Concluiu o Doutorado em 1994 pela Universidade de British Columbia (UBC). 1999. Berkebile.. PAS90. 1979. F. C. R. A instalação dos varistores em paralelo com os pólos do equipamento permite limitar as solicitações dielétricas na câmara de extinção tanto sob condições de eliminação de faltas trifásicas não aterradas quanto em cenário de supressão de faltas quilométricas. [2] Bottauscio. células capacitivas se mostraram essenciais na redução da taxa de crescimento da TRT. New York. VOL PAS 95. R. F. o uso de dispositivos de ZnO entre os terminais dos religadores se mostrou uma alternativa eficaz.. Em face da gravidade dos transitórios sob estudo e a constatação de equipamentos superados. VI. “Estudo de Adequabilidade de Disjuntores de Classe 15 kV às Solicitações de TRT”. Canadá. Brasil. D. G.. Blumenau. Inc. B. Wilson. A. Smith. L.Sc. Brasil. Desde 2002 é professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Soares nasceu em Campina Grande-PB. J. Especializou-se em Engenharia de Operação. Recebeu o título de B. C. Paper Nº IPST01-136/2001. 1971. A. A. a sua implementação em campo e a análise da aplicabilidade em equipamentos de alta tensão são aspectos que motivam a continuidade da pesquisa. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). G. [9] Skeats. em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco. IPST 2001. [15] Dommel.Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba – RP TRT 01/2007 – Versão 1... 751p. abril.

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