Método Dialético e suas categorias O método dialético representa o caminho teórico que expressa à concepção de mundo como totalidade

e tem com categorias: (a) Totalidade compreende a realidade nas suas íntimas leis e revela as conexões internas e necessárias à compreensão da realidade. (b) Movimento - processo de permanente mudança: o devir ou o vir a ser do mundo, como totalidade; (c) Contradição luta dos contrários na processualidade histórica: superação ou momento predominante. (d) Superação - solução da contradição, a elaboração de sínteses que permite a passagem de um estado a outro (os termos em relação são opostos e antagônicos); (e) Momento predominante - a contradição se realiza e se resolve , ela não é excluída ou minimizada, mas se torna permanente, não implicando nem equilíbrio entre os termos, nem superação definitiva de um pelo outro; (f) Mediação categoria exclusiva do ser social, que se explica pelas categorias de análise do método dialético que a sustenta.

Metodologia da Mediação Dialética e a operacionalização do método dialético A proposição metodológica contida na Metodologia da Mediação Dialética expressa a síntese do estudo teórico realizado sobre o influxo do dialético em uma prática, ou seja, a questão metodológica da aplicabilidade do referido método. Constitui, assim, uma postura, um enfrentamento da realidade na busca de compreendê em sua totalidade (concretude), o -la próprio movimento dialético do real. Este estudo aponta que a questão metodológica se apresenta mais complexa do que aparenta ser, revestindo-se de significado político por realizar a articulação de uma teoria de compreensão da realidade com uma prática específica, tendo em vista o contexto histórico e social que as gerou. A proposição teórico-metodológica da "Metodologia da Mediação Dialética" é uma totalidade que envolve a operacionalização/aplicação do método dialético, a transformação do conceito científico em conceito para o ensino (conteúdo de ensino), a explicação dos processos de ensino e de aprendizagem e as relações entre ambos, em uma aula. A M.M.D. é um todo (totalidade mais abrangente) formado de etapas (totalidade menos abrangente), partes que se articulam entre si e com o todo: o Resgatando, o Problematizando, o Sistematizando e o Produzindo. Resgatando - Resgatar é buscar, momentaneamente e provisoriamente um mesmo ponto de partida para o início do processo de ensino e de aprendizagem, em uma aula, o planodo imediato do saber do aluno. Por intermédio de diferentes linguagens, os alunos expressam suas idéias iniciais sobre o conceito a ser trabalhado. É a representação do todo que, ainda de forma confusa, o aluno elaborou em sua vida cotidiana (plano do imediato). O professor, que estudou o conceito científico, como totalidade, investigando seus nexos internos e os externos, em relação ao contexto (plano do mediato), compara os dois planos e depreende a contradição que se estabelece entre eles, podendo, então, transformá-la em problematização, uma situação de ensino. Problematizando - Problematizar é colocar o aluno em uma situação de ensino desafiadora capaz de levá-lo a compreender as diferenças entre seu conhecimento (plano do imediato) e o conhecimento trabalhado pelo professor (plano do mediato): é a consciência de que precisa aprender. A problematização explicita as diferenças entre estes

o desenvolvimento M. a contradição opera a superação do imediato no mediato pretendido. se altera. Para o aluno expressar suas idéias elaboradas. como categoria do método dialético. a contradição opera o momento predominante. O suporte da mediação pedagógica é a linguagem. mas isso não é permanente. permitindo que o antes dominado passe a dominar arelação. A referida atividade. É o ponto dechegada do processo de ensino. Essa segunda situação deve também se inverter.M. quando ele compara o conteúdo de ensino preparado com as representações dos alunos. a discussão do conhecimento científico a eles relacionado. pela contradição. os conceitos. de tal sorte que um sobrepuja o outro. gerando motivações e criando possibilidades de investigação e busca de novas relações.M.D. o aluno e o professor. A atividade problematizadora é elaborada pelo professor. necessariamente.planos.M. para veicular o conhecimento produzido com base na lógica formal. potencializando a superação do imediato no mediato e a elaboração de sínteses. para ser percebida e compreendida pelo aluno. Os dois elementos desta relação reflexiva convivem no desequilíbrio. precisa não facilitar e nem dificultar o seu entendimento. distintas e articuladas.Produzir é o momento de o aluno expressar as sínteses cognitivas elaboradas no desenvolvimento da Metodologia da Mediação Dialética . um deles seja superado pelo outro na operacionalização das etapas da M. resultando novamente na primeira. podem manifestar-se ora na atividade do professor e. os dois elementos de uma relação reflexiva plano do imediato e plano do mediato . uma pela superação e outra pelo momento predominante. a relação de tensão que se estabelece entre os seres sociais nela envolvidos. A contradição na processualidade da proposição metodológica: superaçãoe momento predominante na M. gerando sínteses (aluno).contraditórios entre si.. Sistematizando . promovida pelo professor. favorece a explicitação dos aspectos da problematização. A mediação.D.Sistematizar é compreender os nexos e as relações do conceito. estimulando o aluno a buscar soluções para a questão-problema. Para o aluno elaborar as idéias no plano do mediato. . como totalidade. porque nela estão envolvidos professores e alunos que são seres sociais. No processo de aprendizagem. sem que. o professor desenvolve situações de ensino. depreende a contradição entre ambos e transforma-a em questão-problema. gera. O fundamento da relação pedagógica é ontológico. Essa situação o leva a perceber que seus conhecimentos iniciais não são suficientes para elaborar a resposta suscitada. Pela compreensão da aula como atividade humana. um conhecimento provisório que se torna imediatamente novo ponto de partida. constituindo-se em etapa imprescindível para avaliar o referido processo. em uma aula. o professor precisa desenvolver situações de ensino que possibilitem ao aluno compreender as relações de sentido entre aspectos do seu conhecimento imediato e elementos do conhecimento mediato pretendido. em suas diferentes modalidades. centrada na mediaçãopedagógica. Produzindo . No processo de ensino. tensionando-os pela contradição. Essa comunicação. ora na do aluno. o que permite ao professor e ao aluno estabelece relações de tensão entre os processos de ensino (professor) e de aprendizagem (aluno). em duas dimensões.D.

não são. Há traços de continuidade que articulam as três esferas entre si e. pela transformação do mundo de maneiraconscientemente orientada. tem por base três esferas ontológicas distintas e. afinal. considera as coisas e os conceitos no seu encadeamento e nas suas re lações mútuas. . a dialética é uma lógica que expressa um modo de compreender o mundo como realidade concreta e.o todo se cria a si mesmo na interação das partes e não pode ser petrificado na abstração . estruturados como totalidades. todos os fatos. mas consiste de partes. parciais. a totalidade. em que: . particulares: nesse princípio encontra-se a real essência ontológica do mundo. e sim.as partes se encontram em relação de interação e conexão entre si e com o todo. coisas e relações. segundo Lukács (1979). tornase necessário recorrer à célebre frase de Karl Marx. Uma realidade que não possui simplesmente uma constituição totalitária. o conjunto dos fatos. indissoluvelmente.Ontologia: Ciência do ser em geral. A dialética é a lógica do movimento. isto é. o modo e a possibilidade de conhecer a realidade dependem. de elementos que. Para Novack (2006). portanto. como totalidade concreta. neste aspecto. contraditória. porque a evolução é intrinsecamente autocontraditória. A unidade do ser não é destruída pela gênese e desenvolvimento das referidas esferas. Nesta perspectiva teórica. Lógica dialética e Ontologia do Ser Social: fundamentos do método dialético que informam uma concepção de realidade ou de mundo O conhecimento da realidade. segundo os fundamentos filosóficos da Lógica Dialética e da Ontologia do Ser Social. é fundamental para tê-la como pressuposto na interpretação do real e na elaboração da proposta de intervenção na realidade posta. são. Enfim. neste aspecto. A questão: como se pode conhecer a realidade? É sempre precedida por uma questão mais fundamental: que é a realidade? Karel Kosik: Explicitar a concepção de mundo. a estrutura significativa para cada fato. também. em ação recíproca. teleologicamente posta). quanto maior o número de novos campos que ela descobre e descreve. o mundo. Para Kosik (1995). um complexo dinâmico que expressa as relações de tensão entre parte e todo. a lógica das contradições. no sentido de transformá-la. Filos Parte da metafísica que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais . o concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações. Para o autor. da mudança e. da evolução. as quais são assim descritas por Lessa (2007): a esfera inorgânica (movimento incessante de tornar-se-outro mineral). adquire no plano ontológico umsignificado que antes não possuía. portanto. A categoria totalidade. tanto mais transparente se torna a unidade interna dos mais diversos e mais afastados campos do real na unidade das esferas ontológicas do mundo. de uma concepção da realidade. articuladas. assim. quanto mais a ciência se especializa e se diferencia. a dialética é a lógica da matéria em movimento e. O todo é uma totalidade que se constrói com inter-relações dinâmicas de totalidades relativas. o mundo é uma totalidade. por seu turno. a totalidade é a estrutura de fundo da construção formada pela realidade em seu conjunto. dinâmica e dialética e. explícita ou implícita. o concreto ou a realidade. portanto. o agrupamento de todos os aspectos. E. a unidade do diverso. o ser social pode existir e se reproduzir nesta contínua e ineliminável articulação com a natureza. por conseguinte. a esfera biológica ( repor-o-mesmo da reprodução da vida) e a esfera do ser social (incessante produção do novo .

apud LUKÁCS. definir a si mesmo.. o processo tem lugar no campo social. o autor discute o par imediaticidade e mediação e sua conexão indissociável (HEGEL. Estes pressupostos afirmam que o Ser é. Enciclopédia. Para Lukács (1979). não pode deixar de ser o resultado de um processo. a mediação é a relação de tensão (contradição). porintermédio do conhecimento. Segundo este pressuposto teórico que tem a totalidade concreta como princípio metodológico da investigação dialética da realidade humano-social. não exclui antes exige que o pensamento regresse a elementos abstratos. 1979... ainda que seja o ponto de partida efetivo da intuição e da representação (a imediaticidade). 1979. 90). objeto da Ontologia do Ser Social. necessariamente.) nem mesmo uma determinação tão especificamente social pudesse existir se não houvesse precursores dela na natureza.. como essenciais para o pensamento elaborar o concreto pensado. (. a pressuposição prévia e efetiva para toda ação humana. que conhecer é captar corretamente a dialética da natureza. mas não o caminho da própria realidade. reconhece-se neste processo a consciência e a abstração como instrumento teórico e analítico. portanto. integrante desta totalidade concreta. p.toda parte pertence a uma totalidade e. também os separa e os distingue. o plano do imediato constitui o ponto de partida para a compreensão da totalidade pretendida.. se segue necessariamente que esse resultado só pode ser compreendido adequadamente através desse processo. Segundo o autor. biológica e do ser social torna-se concreto pensado quando compreendido pelo pensamento do ser social.situada por cima das partes. E. (LUKÁCS. embora sela óbvio que as categorias e conexões que surgem nesse processo possuem enquanto reproduções da realidade caráter ontológico e não lógico.através de sua gênese.) é que a imediaticidade e a mediação se separam e se unificam (. criando uma realidade diferente da natural.totalidade que expressa a síntese de múltiplas determinações das esferas inorgânica. (p. é capaz de apresentá-lo em sua simultânea identidade e diferença com a ontologia da natureza. Ou seja: temos aqui uma conexão categorial que é característica do ser social e apenas dele. social e. cujos fundamentos foram desenvolvidos por Lukács (1979) e informam que a realidade objetiva da natureza é a base real do ser social e. ontologicamente primário. o fato de partir do complexo ainda não explicado. numa relação de trabalho. isto é. Segundo Lukács (1979). Segundo Lessa (2007). relativamente total. a máxima clareza sobre o fato de que o verdadeiro ponto de partida é a própria realidade. existe uma distinção ontológica nas formas concretas de ser e. a partir de seu relacionamento com a natureza. no ser social a consciência desempenha um papel fundamental. o plano do mediato. É necessária. Considerando que o mundo concreto . a realidade humano-social ou a práxis. ao mesmo tempo.). em que cada parte (complexo) é compreendida como momento de um determinado todo e desempenha uma função dupla. por isso. a única capaz de fazer o momento efetivamente histórico: de um lado. O homem. que a sua decomposição abstrativa conduz a categorias de reflexo. se a realidade. Neste aspecto. na medida em que o conhecimento permite uma intervenção ativa em sua dialética. embora (. e de outro. a força negativa que une o imediato ao mediato e. histórico e coletivo. por outro lado. como todo estruturado (o real concreto de Karl Marx). foi capaz de produzir os meios de produção dos bens que lhes são necessários. Esta realidade humanosocial. Entende-se. enquanto intercâmbio orgânico entre a sociedade e a natureza. p. então. porém. a totalidade representa a interação das partes entre si e das partes com o todo as abarca. o princípio metodológico da investigação dialética da realidade humanosocial é a totalidade concreta (complexo de complexos). O concreto se forma no pensamento como processo de síntese (resultado) e não como ponto de partida.. . em seu sentido ontológico. possibilitando que os homens respondam de maneira sempre distinta às novas situações postas pela vida. Apenas no ser especificamente humano. é um ser que. na qual vai se criando como ser social. por excelência. Ela é um dos . no ser social. embora seja pressuposto indispensável à captação correta da dialética da natureza. cuja construção sintética apresenta um caminho para conhecer a realidade. 91). definindo a imediaticidade como categoria da consciência. definir o todo. Nesta perspectiva. assim. portanto. 76).

ao contrário. . Por este motivo. o imediato seja superado no mediato sem que o primeiro seja anulado ou suprimido pelosegundo. a força inerente à superação não se manifesta nos pólos da relação. o imediato está presente no mediato e este está presente naquele. ela é uma propriedade da mediação. o modo pelo qual se realiza a superação. pois. pois. Portanto. foi considerada como categoria do método dialético e essencial para a proposição da Metodologia da Mediação Dialética. pela negação. sobretudo. a mediação não se restringe a uma relação pautada na negação e no reflexo. permite que.elementos da relação responsável por viabilizá-la. o imediato e o mediato. A mediação é a responsável pela reflexão recíproca de um termo no outro: o mediato não supera o imediato. quem o faz é a mediação. ela é.

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