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O AMBIENTE DO NOVO

TESTAMENTO
Prof.ª Mariana Venâncio
marianaavenancio@gmail.com
Antecedentes históricos

- O fim do Antigo Características dessa


Testamento é marcado dominação estrangeira:
pela sucessão de
dominações 1) Imposição da cultura e
estrangeiras sobre a do culto estrangeiro.
região da Palestina: 2) Divinização do rei.
após o exílio, se 3) Confusão entre o
sucedem a Pérsia, o poder político e
Império de Alexandre e o religioso.
Império Romano.
A dominação Romana
- Herodes, o Grande, - Os constantes conflitos
governa entre 37 e 4 levam à destruição do Templo
a.C. Ele reforma o em 70 d.C. e à expulsão dos
Templo de judeus da Palestina.
Jerusalém – daqui
vem o problema de - Indicação: Documentário
datação do Construindo um Império:
nascimento de Jesus Roma (History Channel,
que, situado no disponível no YouTube) e
reinado de Herodes, segundo episódio de A
não pode ter sido no história de Deus (Disney +).
ano 0.
Os Herodes Herodes Antipas (Galiléia
e Peréia) – ele é quem
mata João Batista

Filipe (Até 34 d.C., Ituréia


Herodes, o Grande e Traconítides. A ele e
(37 – 4 a.C.) deve o nome Cesaréia de
Filipe)

Arquelau será deposto e a


Judeia agregada à
Arquelau (Judeia, província da Síria, que é
Samaria, Iduméia) governada por
procuradores, dentre os
quais, Pôncio Pilatos.

A perseguição aos cristãos é iniciada por Agripa I, neto de Herodes,


que manda matar Tiago, após a ressurreição de Jesus.
As características do Império Romano são a violência e a perseguição,
que se destinará tanto aos cristãos como aos judeus. Não podemos
nos esquecer de que o governo de Nero é o pano de fundo dos anos
finais do NT, especialmente do Apocalipse.
70 d.C.
Marcos
120 d.C.
Apocalipse
1 Tessalonicenses Mateus e Lucas
50 d.C. 85 d.C.

30 d.C. 100 d.C.


2 Timóteo
Ressurreição de Jesus João
67 d.C.
Tiago 85 – 90 d.C.
1 e 2 Pedro Cartas Joaninas
Judas
Amadurecimento da Teologia Neotestamentária

Cartas Evangelhos Cartas Evangelho de


Sinópticos e Apocalipse
Paulinas Católicas João
Atos
Temas no Novo Testamento:
• Jesus histórico
Cristo da fé
Jesus
Jesus • Evangelhos

• Como anunciar o Evangelho?


Como a comunidade cristã deve se organizar?
A comunidade
Quais preceitos são essenciais?
cristã • Atos dos apóstolos + cartas paulinas + cartas católicas

• Qual a missão da comunidade cristã frente à perseguição?


Qual o destino escatológico aguarda a comunidade?
O destino Como Deus age em favor do povo agora, após a novidade de Jesus?
temporal e
escatológico
• Apocalipse
O Cristianismo não é
inventado por Jesus. Ele é
As principais dificuldades
um ocasionamento
giravam em torno da
posterior e inevitável, que
circuncisão, da
parte do anúncio e do
alimentação e do local
mistério de Jesus, mas se
de culto.
desenvolve com os
primeiros adeptos.

Surgem problemas de continuidade com o Judaísmo. De início, os


cristãos permaneciam ligados ao Judaísmo, porque eram judeus.
Mas como fazer com os novos cristãos advindos do paganismo? Era
necessário se inserir no Judaísmo antes de professar a fé em Jesus?
Será inevitável que o Cristianismo se organize como religião
independente. Paulo terá grande contribuição nessa organização,
definindo o que é fundamental ao cristão.
Jesus histórico Cristo da fé

A dificuldade em se compreender a unidade entre as duas


naturezas de Jesus daria origem a heresias importantes na
história do desenvolvimento cristão, como o monofisismo.

A heresia principal do primeiro século – que influencia o Novo


Testamento – é o gnosticismo. Deus salva por meio de um
conhecimento secreto e específico. Resultado da influência de
tradições pagãs e da filosofia grega.
OS ESCRITOS
PAULINOS
A particularidade dos escritos paulinos no
NT
• A literatura Paulina é produzida em meados da época do NT, antes
dos Evangelhos e do Apocalipse. Assim, ela representa o princípio da
organização de um pensamento sobre Jesus.
• O gênero das cartas é discursivo e exortativo, ou seja: Paulo não
pretende narrar a vida de Jesus, mas ensinar sobre o significado de
Jesus e, principalmente, da salvação que Ele oferece.
• Característica importante da Literatura Paulina é que ela é ocasional,
ou seja, motivada por ocasiões específicas enfrentadas pelas
comunidades. Paulo passa por diversas localidades fundando
comunidades e seus escritos são respostas posteriores aos desafios
que as comunidades precisaram enfrentar sozinhas.
A particularidade dos escritos paulinos no
NT
• Há que se perceber, também, que Paulo não se considera perito
o suficiente para falar do Jesus Histórico, porque não o
conheceu. Então ele concentra seu anúncio na figura de Jesus
sob o aspecto da fé.
• As tradições fundamentais que ele aborda: 1Cor 15,1.3-7.
• Na Síria, ele desenvolve uma compreensão que já havia nascido
lá: Jesus é Senhor precisamente por conta daquilo que o Pai fez
por seu intermédio: Rm 10,9.
O percurso da Igreja nascente:
Hebreus
(língua aramaica)

Comunidade de Jerusalém
Perseguidos, fugiram para
regiões helenizadas da Síria.
Helenistas
(língua grega)
Em Antioquia é que
passaram a ser chamados de
cristãos. Paulo uniu-se a
eles.
Paulo: estruturador de uma nova fé
• A questão a respeito da acolhida dos novos cristãos que vinham
do paganismo será importante, portanto, no início do ministério
de Paulo. Ele toma a iniciativa de acolher e pensar sobre a
conduta dessa parcela da Igreja primitiva e une-se aos Apóstolos
em sua defesa. Exemplo da controvérsia é o Concílio de
Jerusalém (At 15).
• Os problemas estavam ao redor dos sinais da identidade judaica:
circuncisão, alimentação, local de culto. Aos poucos, a
comunidade primitiva vai entendendo que o Cristianismo
precisará se reorganizar de maneira independente do Judaísmo,
principalmente com um ritual e uma liturgia. Se os pagãos vão
abandonar seus ritos e não podem frequentar o Templo,
precisam encontrar uma alternativa.
Paulo: estruturador de uma nova fé

• Assim, o Batismo torna-se, finalmente, o rito de admissão,


substituindo a circuncisão;
• A Eucaristia torna-se o rito cotidiano, de integração, substituindo as
refeições sacrificais.
• “O acordo conseguido no Concílio dos Apóstolos foi, posteriormente,
posto em questão por uma corrente judeu-cristã radical que
pretendia reintroduzir nas comunidades missionárias paulinas a
circuncisão e as regras alimentares para todos os cristãos. No
confronto com essa tendência, Paulo desenvolveu sua teologia. Visto
que seus adversários judeu-cristãos respaldavam-se na Torá, ele devia
pôr esta em questão muito mais profundamente do que o fizera até
então” (THEISSEN, 2009, p. 230).
Paulo: estruturador de uma nova fé

• Ao lado do problema da circuncisão, Paulo precisou também


enfrentar a oposição dos anúncios distintos feitos por outros
cristãos naquela época. É o problema de fundo das cartas aos
Gálatas e aos Coríntios. É importante perceber que tais anúncios
não são necessariamente antagônicos, não provém de outro tipo
de fé ou de um convite à idolatria, mas são feitos por cristãos
que também objetivam um anúncio do Evangelho, mas que têm
uma interpretação sutilmente diversa em alguns aspectos, que
acaba por causar uma ruptura muito grande na comunidade.
Cronologia do ministério de Paulo
• Ano 36 - Conversão de Saulo de Tarso (Atos 9).
• 46-48 d.C.: Paulo, como enviado da comunidade de Antioquia
ao Concílio dos Apóstolos, consegue que se aprove a renúncia à
circuncisão dos pagãos. Em contrapartida, promete coletar
donativos para Jerusalém.
• Sua primeira viagem tem como ápice a participação no Concílio
de Jerusalém.
Cronologia do ministério de Paulo
• 49 d.C.: na visita de Pedro a Antioquia, ele não consegue fazer
com que seja aprovada a renúncia às normas alimentares. Dá
início a uma missão independente na Ásia Menor e na Grécia.
Entrementes, o Cristianismo é levado a Roma, ocasionando ali
perturbações entre os judeus, perturbações que levam à
expulsão dos “líderes” pelo assim chamado “edito de Cláudio”.
Cronologia do ministério de Paulo
• 49-50 d.C.: Paulo funda comunidades na Galácia. Na Europa,
seu ponto de apoio passa a ser Filipos. A partir daqui ele
missiona Tessalônica. Os cristãos passam a encontrar
dificuldades em toda parte (inclusive em Roma), como
causadores de perturbações. Paulo é obrigado a fugir.
• Ano 50 – A Primeira Epístola aos Tessalonicenses é escrita.
Cronologia do ministério de Paulo
• 50-52 d.C.:Início da segunda viagem missionária de Paulo.
Paulo chega a Corinto e funda ali uma comunidade (At 18). Ali
encontra o casal Áquila e Priscila, expulsos de Roma, e escreve
em 50-51 a 1ª epístola aos Tessalonicenses (1Ts). Ocorrem
perturbações também em Corinto. Mas o Procônsul Galião, na
primavera de 52, rejeita abrir um processo contra Paulo.

• Ano 53 - A Segunda Epístola aos Tessalonicenses é escrita.


Cronologia do ministério de Paulo
• 52-55 d.C.: Paulo transfere para Éfeso o centro de sua atuação
(At 19). De lá ele viaja para Corinto (a “visita intermediária”, de
lamentáveis resultados) e para Jerusalém e Antioquia (At
18,22s). Em Éfeso ele escreve a maioria de suas cartas. Entre
1Cor e 2Cor ocorre uma grave crise: Paulo é preso e conta com a
possibilidade da morte, mas é absolvido. Ao mesmo tempo
ocorre um conflito entre ele e a comunidade de Corinto. Na
prisão, surgem a epístola aos Filipenses e a epístola a Filêmon.
• Anos 54-56 - A Epístola aos Gálatas é escrita.
Cronologia do ministério de Paulo
• Em 54 d.C. se inicia a sua terceira viagem missionária.
• Ano 57 - (Primavera) A Primeira Epístola aos Coríntios é
escrita. (Outono) A Segunda Epístola aos Coríntios é escrita
Cronologia do ministério de Paulo
• 55-56 d.C.: Após a reconciliação, ele visita novamente a comunidade
dos coríntios. Entrementes morre o Imperador Cláudio (54 d.C.); o
caminho para Roma agora está desimpedido. A partir de Roma ele
pretende missionar a Espanha. Como preparativo para esta visita a
Roma e para a missão da Espanha, ele escreve sua carta à
comunidade de Roma. Referindo-se a uma viagem a Jerusalém, ele
manifesta na carta que teme por sua vida. De Corinto, viaja com uma
delegação a Jerusalém, a fim de entregar a coleta. A viagem
transforma-se numa catástrofe, pois Paulo é preso como violador da
lei, sendo mantido pelos romanos na prisão por cerca de dois anos em
Cesaréia, e em seguida, transferido para a capital do Império.
Cronologia do ministério de Paulo
• 58-60 d.C.: última viagem missionária. Como prisioneiro em Roma,
ele pôde atuar na comunidade cristã. Alguns datam a Epístola aos
Filipenses e a Epístola a Filêmon desta prisão romana. Certo é que em
Roma ele sofre o martírio, como sabemos de 1Clem 5,4s.
• Ano 58 - (Primavera) A Epístola aos Romanos é escrita.

• Ano 62 - (Primavera) As Epístolas a Filemon, aos Colossenses e aos


Efésios são escritas. (Outono) A Epístola aos Filipenses é escrita.
• Ano 64 - Primeira Epístola a Timóteo; Epístola a Tito.

• Anos 64-67 - Segundo Epístola a Timóteo

• Ano 67 - O martírio de Paulo.


O ethos cristão para Paulo
• Paulo mesmo julga importante a constatação de que, em Cristo, a
Torá foi cumprida em sentido ético (Rm 13,8-10; Gl 5,14). Ele combate
como difamação a especulação que ele, à moda sofística, ensinaria a
praticar o mal, a fim de que o bem, a graça de Deus, se tornasse mais
potente (cf Rm 3,8). Certamente Paulo não ensinou nada disso. Era
preciso acreditar que Paulo via no mandamento do amor o
cumprimento de toda a Torá. Sua ética é também uma ética da Torá
— obviamente a ética de uma Torá colocada no coração das pessoas
pelo Espírito de Deus, de modo que a nova criatura faz,
espontaneamente, a partir de dentro, aquilo que exteriormente a
Torá prescreve (THEISSEN, 2009, p. 233).
Carta Jesus O Evangelho A comunidade
1 Tessalonicenses: a promessa de Deus e o futuro da Igreja . Em Cristo - tradução
2 Tessalonicenses: a recompensa de Deus e os adversários . Em Cristo - compensação
Romanos: o poder de Deus e sua mensagem . Em Cristo - justificação
1 Coríntios: a sabedoria de Deus e seu ministério . Em Cristo - santificação
2 Coríntios: o conforto de Deus e os seus ministros . Em Cristo - consolação
Gálatas: a justiça de Deus e os seus mutiladores . Em Cristo - libertação
Efésios: as riquezas de Deus e os seus lugares celestes . Em Cristo - exaltação
Filipenses: o caráter suficiente e os seus lugares terrestres Em Cristo - regozijo
Colossenses: a plenitude de Deus e as suas filosofias . Em Cristo - plenitude

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