ATLAS DO POTENCIAL EÓLICO PARA

PORTUGAL CONTINENTAL





Paulo Alexandre da Silva Costa
Lic. em Ciências Geofísicas – Meteorologia e Oceanografia




Orientadores: Professor Doutor Pedro Miranda (FCUL)
Professora Doutora Ana Estanqueiro (INETI)



Dissertação submetida para a obtenção do grau de
Mestre em Ciências e Engenharia da Terra

Junho 2004
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

i
RESUMO
Nos últimos anos, tem-se verificado um esforço de caracterização do vento em Portugal
Continental, motivado pelo crescente interesse nos aproveitamentos da energia eólica. Várias
instituições de investigação e desenvolvimento com actividade na caracterização desta forma
de energia, têm vindo a apresentar estudos do potencial eólico em locais apropriados para o
aproveitamento da energia do vento, contribuindo para a caracterização do escoamento
atmosférico nesses locais. Contudo os resultados obtidos têm, até agora apresentado um
carácter pontual, restringido-se a areas de dimensões reduzidas (tipicamente 5×5km), não
permitindo, deste modo, conduzir ao mapeamento deste recurso energético para uma região
ou para a globalidade do território.
Neste trabalho, apresenta-se uma metodologia para o desenvolvimento de um atlas do
potencial eólico para Portugal Continental, com recurso a um modelo numérico de mesoscala
- MM5, o qual se insere, actualmente, no padrão mais avançado do estado da arte na
simulação da evolução do escoamento atmosférico junto da superfície terrestre, apresentado a
capacidade de mapeamento do recurso eólico num país inteiro.
Para o desenvolvimento deste trabalho, numa primeira fase, efectuaram-se simulações
numéricas ao escoamento atmosférico para aceder a uma distribuição espacial do potencial
eólico do nosso país, com base no ano completo de 1999, tendo os resultados sido
posteriormente corrigidos por um factor médio de desvio da variabilidade inter-anual,
utilizando-se quatro estações de referência e de longo termo do INETI, situadas em locais
propícios à geração de fenómenos de concentração do vento.
Posteriormente, numa segunda fase, recorreu-se ao processo clássico de uso de regimes de
circulação, para identificação dos padrões do escoamento atmosférico junto da superfície,
tendo sido simulados os dias representativos de cada regime. O atlas do potencial eólico
obtido por esta abordagem consiste no compósito dos mapas médios simulados para cada
regime, ponderados pelas respectivas frequências de ocorrência.
Espera-se com este trabalho, fornecer uma ferramenta que contribua para a avaliação prévia
do potencial do vento, e um auxiliar à decisão de futuros investimentos em campanhas
experimentais para caracterização do escoamento atmosférico, bem como de planeamento de
redes eléctricas e demais infra-estruturas.
Palavras-chave: Atlas, potencial eólico, modelação mesoscala, MM5
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

ii
ABSTRACT

In the last years there has been an increasing effort in characterizing the wind power in
Portugal due to growing interest in this renewable form of energy. Several institutions have
been presenting several wind power studies in places that are suited for the use of wind
power, but as these studies focus on limited areas, usually on squared area 5 km long, they do
not allow mapping the wind resource as a whole. The goal of this work is to provide a tool to
help decision makers as it allows choosing sites for a first wind power assessment as well as
planning the wind power network and other facilities.
This study presents a methodology to develop a wind power atlas for mainland Portugal,
using a state-of-the-art mesoscale numerical weather prediction model (MM5). The data used
in this work was the observed wind speed and direction at a station located in the west coast
of Portugal, in 1999. The interannual variability was assessed with the help of four reference
masts of INETI, so that the outputs can be representative of climate.
Two experiments were made to obtain the wind power: in the first, the whole year of 1999
was simulated and the climate was calculated as the mean value of the field. In the second
experiment, a weather type classification scheme was implemented, using the pressure at
mean sea level surface. The most representative day of each weather type was simulated and
the mean annual fields were obtained by a weighting average of the frequency of occurrence
and the respective mean daily fields.
Key-words: Atlas, wind power, mesoscale simulations, MM5
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

iii
Índice

1. Introdução 1
1.1 Energias renováveis em Portugal 1
1.2 Situação actual da energia eólica em Portugal 2
1.3 Objectivos 4
1.4 Organização da dissertação 5
2. Identificação do potencial eólico 6
2.1 Atlas Europeu do Vento 6
2.2 Estudos realizados em Portugal 10
2.3 Estudos recentes sobre o mapeamento do potencial eólico 13
3. O escoamento atmosférico 17
3.1 A circulação global da atmosfera 17
3.1.1 Vento geostrófico 20
3.1.2 Vento do gradiente 20
3.2 Circulações locais 22
3.2.1 Brisa marítima e brisa terrestre 23
3.2.2 Brisa de vale e de montanha 24
3.2.3 A depressão térmica na Península Ibérica 24
3.2.4 Efeitos locais da circulação atmosférica 25
3.2.5 Escoamentos sobre montanhas 26
3.3 Camada limite atmosférica 28
3.4 Turbulência atmosférica 32
3.5 Caracterização da energia do vento 35
4. Regimes de circulação em Portugal Continental 40
4.1 Metodologia de classificação 41
4.2 Escolha dos dias representativos para o ano de 1999 48
4.3 Escolha dos dias representativos para um período de 7 anos 53
5. Metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico de Portugal
Continental 61
5.1 Modelo atmosférico 64
5.2 Condições iniciais e de fronteira 65
5.3 Caracterização do terreno e da rugosidade 68

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

iv
6. Resultados da aplicação dos modelos e metodologias 69
6.1 Atlas do potencial eólico para o ano de 1999 70
6.1.1 Verificação dos resultados 80
6.2 Atlas do potencial eólico obtido pelos regimes de circulação 106
6.2.1 Verificação dos resultados 117
6.3 Comparação das estimativas do modelo com o Atlas Europeu do Vento 118
6.4 Análise dos resultados 119
7. Conclusões e trabalho futuro 123

Referências 126

ANEXO I – Classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros físicos para o
Verão e Inverno 130

ANEXO II – Mapas de precipitação acumulada e temperatura média a 2m para
o ano de 1999 – simulação MM5 131
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

v
Lista de tabelas

Tabela 1.I - Capacidade instalada em Portugal Continental e nas ilhas até
Dez.2003. .................................................................................. 3
Tabela 3.I - Coeficientes de atrito no solo. ................................................... 31
Tabela 4.I - Índices de circulação. ................................................................ 41
Tabela 4.II - 26 tipos de regimes de circulação. ............................................ 43
Tabela 4.III - Dias representativos de cada regime para 1999. ....................... 49
Tabela 4.IV - Dias representativos de cada regime para sete anos de dados. .. 53
Tabela 5.I - Geo-referenciação das estações anemométricas do INETI. ...... 63
Tabela 5.II - Altitude das estações e altura dos sensores de velocidade e
direcção das estações anemométricas do INETI. ...................... 63
Tabela 5.III - Data de início da campanha de monitorização. ......................... 63
Tabela 5.IV - Dimensões dos domínios e passo de tempo das simulações. .... 66
Tabela 5.V - Opções e parametrizações físicas utilizadas nas simulações. ............ 67
Tabela 6.I - Análise da variabilidade inter-anual para o ano de 1999. .................. 70
Tabela 6.II - Velocidades, desvios e erros médios quadráticos mensais dos
dados da velocidade entre valores observados e os dados do
atlas para o ano de 1999. ........................................................... 80
Tabela 6.III - Desvios mensais da direcção entre os dados observados e os
dados do atlas para o ano de 1999. ............................................ 81
Tabela 6.IV - Correlações (%), índices de ajuste das rectas (R
2
), desvios e
erro médio quadrático entre os dados observados e os dados
atlas para o ano de 1999. ........................................................... 82
Tabela 6.V - Gráficos de dispersão e declives de recta entre os dados
observados e os dados atlas para o ano de 1999. ...................... 82
Tabela 6.VI - Rosa de ventos entre os dados observados e os dados atlas para
o ano de 1999. ........................................................................... 83
Tabela 6.VII - Rosa de potencias entre os dados observados e os dados atlas
para o ano de 1999. .................................................................... 84
Tabela 6.VIII - Distribuição de Weibull entre os dados observados e os dados
atlas para o ano de 1999. ........................................................... 85
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

vi
Tabela 6.IX - Séries mensais para a estação IN01 – São João das Lampas,
entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. 86
Tabela 6.X - Séries mensais para a estação IN04 – Vila do Bispo, entre os
dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. ............ 90
Tabela 6.XI - Séries mensais para a estação IN32 – Gardunha, entre os dados
observados e os dados atlas para o ano de 1999. ...................... 94
Tabela 6.XII - Séries mensais para a estação IN33 – Arruda, entre os dados
observados e os dados atlas para o ano de 1999. ...................... 97
Tabela 6.XIII - Parâmetros globais da estação IN01 – São João das Lampas.
Resultados para o ano de 1999. ................................................. 100
Tabela 6.XIV - Parâmetros globais da estação IN04 – Vila do Bispo.
Resultados para o ano de 1999. ................................................. 101
Tabela 6.XV - Parâmetros globais da estação IN32 – Gardunha. Resultados
para o ano de 1999. ................................................................... 102
Tabela 6.XVI - Parâmetros globais da estação IN33 – Arruda. Resultados para
o ano de 1999. ........................................................................... 103
Tabela 6.XVII - Valores observados e simulados da velocidade do vento a 10m
acima do solo, para cada regime e estação anemométrica. ................ 117
Tabela 6.XVIII - Valores do desvio (º) da direcção calculados com base nos
valores observados e simulados em cada uma das estações
anemométricas do INETI a 10m acima do solo, para cada
regime e estação anemométrica. ................................................ 118
Tabela 6.XIX - Desvios calculados para as estações do IM, com base nos resultados
simulados com a metodologia presente neste trabalho e nas
estimativas (extrapoladas) do atlas europeu do vento, a 80m do solo. 119
Anexo I - Tabela com as classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros
físicos para o verão e inverno. ............................................................ 120

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

vii
Lista de figuras

Figura 1.1 - Potência eólica instalada em Portugal e estimativa de crescimento
da capacidade instalada até 2010. ................................................... 3
Figura 2.1 - Efeitos de concentração e turbulência do escoamento atmosférico
sobre colinas. ................................................................................... 6
Figura 2.2 - Atlas Europeu do Vento obtido para a cota dos 50m. ..................... 7
Figura 2.3 - Conjunto de modelos e informação de entrada para o modelo
WasP. ............................................................................................... 9
Figura 2.4 - Processamento de dados meteorológicos no Atlas Europeu do
Vento para quatro estações meteorológicas de Portugal no período
1970-1980. ....................................................................................... 9
Figura 2.5 - Mapa de rosas de vento da rede de estações sinópticas do Instituto
de Meteorologia, obtido para o período de 1951 a 1960 às 9h
TMG. ............................................................................................... 11
Figura 2.6 - Mapa de caracterização energética de Portugal Continental. .......... 12
Figura 2.7 - Mapa de ventos extremos calculado com base nas estações
sinópticas do Instituto de Meteorologia. ......................................... 13
Figura 2.8 - Mapa de ventos obtido com a metodologia KAMM/WAsP para as
regiões: Beira litoral e interior e zona oeste. ................................... 15
Figura 3.1 - Temperatura média aos 1000 hPa - junto da superfície em Janeiro
e Julho. Média de 30 anos. .............................................................. 18
Figura 3.2 - Pressão e vento médio junto da superfície em Janeiro e Julho.
Média de 30 anos. ............................................................................ 19
Figura 3.3 - Efeito da força de atrito. .................................................................. 22
Figura 3.4 - Brisas marítima e terrestre. .............................................................. 23
Figura 3.5 - Brisas de vale e montanha. .............................................................. 24
Figura 3.6 - Depressão térmica na península ibérica. ......................................... 25
Figura 3.7 - Escoamento sobre montanhas face a diferentes valores do número
de Froude. ........................................................................................ 27
Figura 3.8 - Representação da camada limite atmosférica. ................................. 29
Figura 3.9 - Efeito da rugosidade do solo na camada limite atmosférica. ........... 29
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

viii
Figura 3.10 - Estrutura da camada limite atmosférica. ......................................... 30
Figura 3.11 - Esquema de transferência de energia numa camada limite
turbulenta. ........................................................................................ 35
Figura 3.12 - Espectro de energia do vento apresentado por Van der Hoven. ...... 35
Figura 3.13 - Curva de potência de uma turbina com 2.0MW de potência
nominal. ........................................................................................... 38
Figura 4.1 - Grelha dos 16 pontos da pressão ao nível médio do mar,
considerados no cálculo dos índices de circulação. ........................ 42
Figura 4.2 - Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para 52
anos de dados (1951-2002). ............................................................ 43
Figura 4.3 - Frequência de ocorrências mensais para cada um dos 26 regimes
de circulação, utilizando-se 52 anos de dados (1951-2002). ........... 44
Figura 4.4 - Campo médio da pressão ao nível médio do mar para o regime
anticiclónico (H) e ciclónico (L) (1951-2002). ............................... 44
Figura 4.5 - Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002). ................................................................ 45
Figura 4.6 - Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002). ................................................................ 46
Figura 4.7 - Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002). .......................................................................... 47
Figura 4.8 - Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para o ano
de 1999. ........................................................................................... 48
Figura 4.9 - Campo da pressão ao nível médio do mar do dia representativo do
regime anticiclónico (H) e ciclónico (L) para o ano de 1999. ....... 49
Figura 4.10 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para 1999. .............................................. 50
Figura 4.11 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para 1999. .............................................. 51
Figura 4.12 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para 1999. .............................................. 52
Figura 4.13 - Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para sete
anos de dados. ................................................................................. 53


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

ix
Figura 4.14 - Comparação dos pesos das frequências dos regimes nos três
períodos em análise. ........................................................................ 54
Figura 4.15 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes anticiclónico (H) e ciclónico (L) para sete anos de
dados. ............................................................................................... 54
Figura 4.16 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para sete anos de dados. ....................... 55
Figura 4.17 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para sete anos de dados. ....................... 56
Figura 4.18 - Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos
dos regimes apresentados para sete anos de dados. ....................... 57
Figura 4.19 - Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada
regime apresentado (sete anos de dados). ....................................... 58
Figura 4.20 - Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada
regime apresentado (sete anos de dados). ....................................... 59
Figura 4.21 - Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada
regime apresentado (sete anos de dados). ....................................... 60
Figura 5.1 - Organigrama representativo da metodologia de desenvolvimento
do atlas do potencial eólico. ............................................................ 61
Figura 5.2 - Mapa com a localização das estações anemométricas do INETI
para o estudo do atlas do potencial eólico. ...................................... 62
Figura 5.3 - Domínios de simulação do MM5 para o desenvolvimento do atlas
do potencial eólico. ......................................................................... 65
Figura 5.4 - Orografia e parâmetro de rugosidade médio (z
0
) (m). .................... 68
Figura 6.1 - Curvas de potência para os conversores: GEWE 1.5sl de 1500kW de
potência nominal, VESTAS V80 de 2000kW e NORDEX N90 de
2300kW. .................................................................................................... 69
Figura 6.2 - Mapas médios simulados da intensidade do vento (m/s). ............... 72
Figura 6.3 - Mapas médios simulados do rumo e intensidade do vento. ............ 73
Figura 6.4 - Mapas médios do fluxo de potência (W/m
2
). .................................. 74
Figura 6.5 - Mapas médios simulados da intensidade de turbulência (%). ......... 75
Figura 6.6 - Mapas médios simulados do parâmetro de escala da distribuição
de Weibull (m/s). ............................................................................. 76

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

x
Figura 6.7 - Mapas médios do parâmetro de escala (adimensional) da
distribuição de Weibull. .................................................................. 77
Figura 6.8 - Mapas médios do número de horas anuais de funcionamento à
potencial nominal para os conversores GEWE 1500kW a 60m;
VESTAS V80 2000kW a 80m; NORDEX N90 2300kW a 80m. ... 78
Figura 6.9 - Mapas médios da velocidade vertical [m/s] a 80m do solo;
densidade do ar à superfície [kg/m
3
] e pressão atmosférica à
superfície [hpa]. ............................................................................... 79
Figura 6.10 - Rosas de vento processadas para a altura de 80m. Simulação 1999
- domínio 4 (3×3km). ...................................................................... 104
Figura 6.11 - Rosas de potências processadas para a altura de 80m. Simulação
1999 - domínio 4 (3×3km). ............................................................. 105
Figura 6.12 - Mapas compósitos simulados com base no peso das frequências de
ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a
2002) para a velocidade média do vento [m/s] e fluxo de potência
[W/m
2
] a 80m. ................................................................................. 106
Figura 6.13 - Mapas médios simulados para o regime H. ..................................... 107
Figura 6.14 - Mapas médios simulados para o regime NE. .................................. 108
Figura 6.15 - Mapas médios simulados para o regime N. ..................................... 109
Figura 6.16 - Mapas médios simulados para o regime W. .................................... 110
Figura 6.17 - Mapas médios simulados para o regime L. ..................................... 111
Figura 6.18 - Mapas médios simulados para o regime NW. ................................. 112
Figura 6.19 - Mapas médios simulados para o regime E. ..................................... 113
Figura 6.20 - Mapas médios simulados para o regime SW. ................................. 114
Figura 6.21 - Mapas médios simulados para o regime H+N. ............................... 115
Figura 6.22 - Mapas médios simulados para o regime H+NE. ............................. 116
Figura 6.23 - Mapas da velocidade média do vento a 80m para a simulação 1999
e compósito simulado com base no peso das frequências de
ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a
2002). ............................................................................................... 122
Anexo II - Mapas da precipitação acumulada e temperatura média a 2m do
solo para o ano de 1999 – simulação MM5. ................................... 131

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

xi
Lista de símbolos e/ou abreviaturas

ACP – Análise em Componentes Principais
CLA – Camada Limite Atmosférica
EDP – Electricidade de Portugal
GTOPO30 – Global 30 arc-second Topografic data
INEGI – Instituto de Engenharia e Gestão Industrial
INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação
IM – Instituto de Meteorologia
KAMM – the Karlsruhe Atmospheric Mesoscale Model
MM5 – Fifth-generation Mesoscale Model
NCAR – National Center for Atmospheric Research
PSU – Pennsylvania State University
TMG – Tempo Médio de Greenwich
USGS – United States Geological Survey
WAsP – Wind Atlas Analysis and Application Program
WGS84 – World Geodetic System 1984
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

xii
Agradecimentos
O resultado final de uma tese de mestrado é fortemente condicionado pelos apoios disponíveis
para a sua execução. Assim, começo por agradecer ao INETI, Instituto Nacional de
Engenharia, Tecnologia e Inovação, na pessoa do Senhor Director do Departamento de
Energias Renováveis, Doutor António Joyce, pelas condições disponibilizadas para a
realização deste trabalho. Agradeço também ao Departamento de Física da Faculdade de
Ciências, em particular ao grupo de Meteorologia, pela utilização do cluster de computadores
sem o qual não teria sido possível a execução deste trabalho em tempo útil.
Uma boa orientação técnica e científica de um trabalho é meio caminho andado para o seu
sucesso. Assim, agradeço à Doutora Ana Estanqueiro a sua excelente orientação, as valiosas
sugestões transmitidas durante este percurso, o grande incentivo manifestado quer a nível
profissional quer a nível pessoal e, o ter acreditado sempre no sucesso deste trabalho.
Agradeço também, ao Professor Doutor Pedro Miranda, pela orientação e pelas preciosas
sugestões transmitidas no decorrer deste trabalho.
A nível profissional, encontro-me inserido num grupo que prima pelo seu grande
companheirismo e excelente ambiente de trabalho, pelo que manifesto os meus maiores
agradecimentos ao Grupo da Energia Eólica da Unidade de Energia Eólica e dos Oceanos do
Departamento de Energias Renováveis, pela colaboração prestada nos momentos de “maior
aperto”. De entre estes, agradeço em particular à Teresa Simões e ao João Rio, pela preciosa
ajuda na revisão e formatação dos textos e figuras, e pelo incentivo e entusiasmo constantes
manifestado por ambos no decorrer deste trabalho. Agradeço ainda ao Nuno Lopes, pelo
apoio sempre presente quer a nível pessoal quer a nível profissional. Agradeço ainda aos
colegas do Departamento de Energias Renováveis, pelos momentos “bem dispostos”
proporcionados nos intervalos de lazer, parte que considero imprescindível no sucesso de
qualquer trabalho. Destes, destaco a Paula Candeias por me ter deixado ocupar a “sua
biblioteca” durante a fase de composição desta tese e a Vanda Caetano pela “boa vizinhança”
e pelo contagiante bom humor que lhe é característico.
Finalmente, agradeço aos meus pais e à minha irmã pelo apoio incondicional que me deram, e
por me terem “aturado” nas fase menos boas, e ainda, ao meu sobrinho pela sua alegria
natural que me proporcionou momentos valiosos de grande descontração.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

1
1. Introdução
Nos últimos anos tem-se verificado a nível mundial um crescente interesse pelas alterações
que o clima na Terra poderá sofrer num futuro não muito longíquo, relacionadas com o
transporte, extracção e manipulação da energia, com consequentes contribuições para o efeito
de estufa. A convenção de Quioto foi a prova de que a preocupação ambiental deixou de estar
restringida à comunidade científica passando a ter impacto nas tomadas de decisão nos planos
políticos, dada a relação evidente entre os níveis de desenvolvimento das sociedades e os
índices do consumo energético.
Neste cenário, o recurso às energias alternativas, poderá reduzir o impacto ambiental da
queima dos combustíveis fósseis, evitando as emissões gasosas de hidrocarbonetos e outros
compostos químicos para a atmosfera tais como o SO
2
, NO
x
e CO
2
prejudiciais à saúde
humana e directamente relacionados com a problemática do efeito de estufa. Desta forma,
vários países, entre os quais Portugal, contribuiram para o estabelecimento do protocolo de
Quioto, privilegiando o uso de energias renováveis no sistema produtor eléctrico em
detrimento das centrais térmicas.

1.1 Energias renováveis em Portugal
A incorporação das energias renováveis em Portugal no conceito da produção independente
de electricidade foram iniciadas com base nos aproveitamentos hídricos de pequena escala,
sobretudo a partir da década de 90. Embora se tenha verificado um crescimento interessante
na implantação desta forma de energia, em que se instalaram cerca de duas centenas de MW,
sucede-se actualmente uma fase de estagnação, em que prevalecem dificuldades de carácter
ambiental, sendo poucos os locais onde se prevê a possibilidade de promover novos projectos
[Rodrigues, 2004]. Contudo, o recurso à energia eólica começou a ser encarado como uma
possibilidade a ter em consideração, especialmente a partir do ano de 1996. Apesar de a
energia eólica ser, hoje em dia, a tecnologia energética com maiores taxas de crescimento na
Europa e no Mundo, verifica-se em Portugal, uma fraca disseminação desta tecnologia
[Rodrigues, 2004].


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

2
1.2 Situação actual da energia eólica em Portugal
Uma questão frequentemente abordada é, naturalmente, a do potencial eólico que Portugal
poderá deter, e a parte desse potencial que se encontra já identificada. Não sendo Portugal dos
países mais ventosos da Europa, tem condições bem mais favoráveis ao aproveitamento da
energia do vento do que, por exemplo, algumas zonas da Alemanha onde os projectos se
implementam a um ritmo impressionante.
Como é do conhecimento geral, o nosso país tem grandes tradições no aproveitamento da
energia do vento, desde a navegação à vela da era dos descobrimentos marítimos até à
moagem de cereais, sendo mesmo pioneiro na utilização desta tecnologia [Gonçalves et al.,
2002], existinto até um tipo de moínho de vento (moagem de cereais) que na literatura
aparece mencionado como “moínho português” [Gonçalves et al., 2002].
Na era actual, caracterizada pelos aproveitamentos destinados à geração de electricidade, não
se verificou, contudo, idêntico pioneirismo. Este facto deve-se sobretudo ao desconhecimento
de locais com características potencialmente favoráveis ao recurso energético do vento,
juntamente com a ausência de acções de caracterização do potencial eólico e a falta de
incentivos ao aproveitamento das energias renováveis em geral. Estes factores, em conjunto
com a fraca sensibilidade relativa aos problemas de natureza ambiental e as especificidades do
caso português no que respeita à produção e distribuição de electricidade, terão contribuido
fortemente para o estabelecimento deste atraso [Rodrigues, 2004].
Contudo, nos últimos anos houve alguns desenvolvimentos na implantação da energia eólica
em Portugal Continental, motivados pelo surgimento do programa Energia (1995), e pelas
alterações introduzidas ao quadro legislativo em 1999. Estas iniciativas do Governo Português
deram a oportunidade a alguns promotores para investirem na criação de parques eólicos mas,
ainda assim, as condições eram pouco aliciantes face às que se verificavam noutros países
europeus. Apesar das dificuldades, foram surgindo em Portugal vários parques eólicos,
havendo planos para a construcção de alguns dos maiores projectos da Europa [Gonçalves et
al., 2002].
Em 2001 surgiu a directiva comunitária 2001/77/CE para a promoção da electricidade gerada
a partir de fontes renováveis, para cada Estado-Membro. Quantificando, o texto refere que as
metas a estabelecer em cada país deverão ser compatíveis com o objectivo de as energias
renováveis satisfazerem 12% do consumo interno bruto de energia em 2010 e, com especial
ênfase, a quota de 22,1% do consumo de electricidade [Rodrigues, 2004].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

3
No caso Português, acordou-se em 39% para a parcela do consumo bruto de electricidade a
satisfazer por recurso a fontes renováveis de energia. Se tomarmos em consideração o
crescimento previsível do consumo, que até 2010 deverá implicar a construção de 4000 a
4500 MW de novos centros electroprodutores cabendo à energia eólica uma contribuição de
cerca de 3750MW [DGE, 2002], sendo este valor bastante ambicioso. Das novas centrais
hídricas e restantes energias – solar, biomassa e mini-hídricas, espera-se obter uma
contribuição conjunta de 1000MW aproximadamente para a geração de electricidade.
Face ao diferencial existente entre as metas previstas para 2010 e a produção eólica instalada
no final de 2001, os ministérios da Economia e do Ambiente e Ordenamento do Território
apresentaram o programa E4 (Eficiência Energética e Energias Endógenas), com vista a
modernizar o quadro legislativo e assim motivar a implantação de parques eólicos, suscitando
desta forma, um maior interesse de investimento por parte dos pequenos e médios
promotores. No final de 2003 estavam ligados à rede eléctrica cerca de 300MW, e cerca de
460MW em construção ou em fase de projecto. Na tabela 1.I apresentam-se os valores para
Portugal Continental e Insular. Na figura 1.1 ilustra-se a estimativa de crescimento da
capacidade de potência a instalar até 2010 – meta assumida pelo Governo Português.
Tabela 1.I – Capacidade instalada em Portugal Continental e nas ilhas até Dez.2003.
[Simões, 2004].
Capacidade total em operação
( Dez. 2003) [MW]
Nº total de turbinas em
operação (Dez. 2003) [nº]
Continente 273.6 287
Açores 5.3 22
Madeira 9.8 43
TOTAL 288.6 352

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9
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0
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0
Ano
0
1000
2000
3000
4000
C
a
p
a
c
i
d
a
d
e

e
ó
l
i
c
a

[
M
W
]
Estimativas crescimento
Meta 2010 - 3750 MW
Capacidade instalada

Figura 1.1 – Potência eólica instalada em Portugal e estimativa de crescimento da
capacidade instalada até 2010 [Simões, 2004].

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

4
Claramente se evidencia da figura 1.1 o desafio que se coloca ao sector das energias
renováveis, e à energia eólica em particular até 2010, visando a satisfação dos compromissos
que Portugal assumiu a esse respeito. Sendo um desafio, são também muitas as oportunidades
que se adivinham. A concretização dos 3.5 a 4 GW necessários exige investimentos de quase
5000 milhões de Euros, um dos maiores que se anunciam no nosso país para esta década.
[Rodrigues, 2004]
1.3 Objectivos
Face ao exposto, torna-se perceptível a necessidade da construção de um Atlas do Potencial
Eólico para Portugal Continental com vista a fomentar a avaliação prévia do potencial
energético do vento para as diversas regiões do país, constituindo-se como uma ferramenta
para o promotor no auxilio de decisão em futuros investimentos em campanhas experimentais
para a caracterização do escoamento atmosférico.
Dado o grande interesse de várias empresas privadas e institutos públicos na medição e
caracterização dos regimes de ventos no nosso país, espera-se vir a obter um grande
investimento nesta área. O INETI – “Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e
Inovação”, pioneiro nos estudos de avaliação do recurso eólico e na caracterização do
escoamento atmosférico em Portugal, tem vindo a desenvolver esforços nos últimos anos no
sentido de divulgar informação sobre o regime de ventos em Portugal Continental. Esses
esforços foram iniciados com a publicação da base de dados EOLOS [Simões e Estanqueiro,
2000], tendo esta alcançado um inesperado sucesso. Apesar de já se encontrar em fase de
publicação a nova versão da base de dados – EOLOS II [Estanqueiro, 2004], abrangendo
desta vez um maior número de estações anemométricas espalhadas pelo país (cerca de 57) não
deixa de ser, contudo, uma base de dados pontual, e muito embora tenha uma contribuição
relevante nas zonas abrangidas pelas medidas do escoamento, não permite a cobertura da
globalidade do território, pelo que na sequência deste trabalho se inicia o desenvolvimento de
uma metodologia de construção do Atlas do Potencial Eólico em Portugal. Espera-se com este
trabalho disponibilizar aos potenciais investidores mapas do recurso energético de Portugal
Continental, fomentando o crescente investimento a aplicar nesta forma de energia.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

5
1.4 Organização da dissertação
No capítulo 2, far-se-á a caracterização energética do vento sobre a Europa e sobre Portugal
Continental. Serão apresentados alguns estudos relevantes para o mapeamento do recurso
eólico, tal como o Atlas Europeu do Vento e sua metodologia de desenvolvimento, e alguns
resultados preliminares efectuados por alguns organismos de investigação e desenvolvimento
(e.g. INETI, INEGI-“Instituto de Engenharia e Gestão Industrial”, EDP-“Electricidade de
Portugal”) relativos ao potencial energético de Portugal Continental.
No capítulo 3 será dado destaque à descrição física do vento, onde se discutem alguns
processos físicos com importância às escalas sinóptica, regional e local. Efeitos de camada
limite e turbulência também serão considerados. Será apresentado o conceito de avaliação do
recurso energético e determinação de parâmetros relevantes para o sector da energia eólica.
No capítulo 4 apresenta-se uma classificação dos regimes de circulação em Portugal
Continental, efectuada com base no campo da pressão ao nível médio do mar, seleccionando-
se os dias mais representativos da climatologia dos regimes.
O capítulo 5 será dedicado à metodologia da construção do Atlas do Potencial Eólico de
Portugal Continental, onde se faz uso de um modelo numérico de mesoscala, capaz de simular
a variabilidade espacial e temporal do escoamento atmosférico.
No capítulo 6 serão apresentados os resultados obtidos para um ano de simulação com
elevada resolução espacial (3×3km) tendo sido efectuada a validação com dados de vento
provenientes de quatro estações anemométricas de referência do INETI. Os resultados da
simulação são posteriormente corrigidos por um factor de variabilidade inter-anual. Neste
capítulo será apresentado um cenário calculado com base nos regimes de circulação, de forma
a evidenciar a climatologia do escoamento atmosférico para o nosso país. Posteriormente
serão discutidos os resultados das simulações.
No último capítulo desta dissertação (capítulo 7) serão apresentadas conclusões e sugestões de
trabalho futuro no sentido de melhorar os resultados obtidos, nomeadamente no que se refere
ao Atlas do Potencial Eólico de Portugal Continental.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

6
2. Identificação do potencial eólico
Neste capítulo apresenta-se de forma simplificada, os estudos de potencial eólico mais
relevantes, em particular na Europa e em Portugal. Para efectuar um mapeamento de uma
grandeza eólica, tal como a velocidade do vento, torna-se necessário averiguar a sua
variabilidade espacial e temporal na superfície terrestre. Este procedimento, era de difícil
realização no início dos anos 80, dada a escassez de modelos numéricos capazes de lidar com
a turbulência atmosférica e outros fenómenos na camada limite, tais como os efeitos de brisa e
de concentração orográfica.
Desta forma, os estudos que estiveram na génese do mapeamento do recurso eram de base
pontual e recorriam ao uso de dados de estações meteorológicas, normalmente situadas em
zonas planas. A intensidade do vento era então extrapolada para locais de interesse energético
tais como os topos de colinas e montanhas (fig. 2.1). Nestas zonas, verificou-se que o
potencial eólico era subestimado, dada a dificuldade em reproduzir os efeitos de concentração
do vento [Meroney, 1991].

Figura 2.1 – Efeitos de concentração e turbulência do escoamento atmosférico sobre
colinas [Meroney, 1991].

2.1 Atlas Europeu do Vento
Para contornar este problema, e estimar o recurso energético em locais propícios onde não
existissem registos de medição de vento, foi proposta uma metodologia de avaliação do
recurso eólico, sendo esta o motor de desenvolvimento do Atlas Europeu do Vento [Troen et
al., 1989]. Este Atlas resultou de uma investigação conjunta de vários países da Comunidade
Europeia, tendo sido o Laboratório Nacional Risø na Dinamarca, responsável pela sua
coordenação e metodologia de construção.
Na figura 2.2 apresenta-se o Atlas Europeu de Vento processado para a cota dos 50m. Este
mapa combinado de velocidade e fluxo de potência foi modelado para cinco classes de
terreno, caracterizadas por diferente rugosidade [Troen et al., 1989].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

7

Figura 2.2 – Atlas Europeu do Vento obtido para a cota dos 50m [Troen et al., 1989].

A metodologia espacial de avaliação do recurso energético proposta pelo Risø serviu de base
para o desenvolvimento do modelo numérico WAsP – “Wind Atlas Analysis and Application
Program” [Mortensen et al., 1993]. O modelo WAsP, para além de permitir a avaliação do
recurso energético do vento de forma pontual no local de medida, possui modelos 3D de
terreno que conduzem à caracterização espacial da área em redor desse ponto de medida,
tendo assim a capacidade de estimar a produção energética de um parque eólico (incluindo as
perdas por efeito de esteira) servindo-se da informação meteorológica proveniente de um
mastro anemométrico. Hoje em dia, o WAsP tornou-se num modelo de referência para a
energia eólica, sendo o mais utilizado a nível mundial no sector.
A metodologia de produção do Atlas baseou-se num conjunto de modelos, capazes de
reproduzir, embora com grande simplificação, os princípios físicos da camada limite junto da
superfície terrestre. Mediante um conjunto de informações de entrada, os modelos utilizados
no WAsP, são capazes de corrigir para cada ponto do terreno o perfil vertical do vento quando
sujeito a efeitos de sombra derivados da presença de edifícios e outros obstáculos na região
em estudo, e também às variações impostas pelo terreno e rugosidade em redor do mastro
anemométrico (fig. 2.3). Os parâmetros físicos e equações utilizadas na construção do modelo
WAsP são disponibilizados no próprio Atlas [Troen et al. 1989].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

8
Convém referir que as estimativas energéticas do escoamento atmosférico obtidas pelo
modelo WAsP são feitas em função de uma distribuição de probabilidade de vento, a
distribuição de Weibull (descrita no secção 3.5), ajustada aos dados de vento monitorizados.
Esta distribuição é caracterizada por dois parâmetros estatísticos, muito utilizados no sector da
eólica, e tem a vantagem de reproduzir com boa aproximação a climatologia da ocorrência de
classes de vento no local em monitorização [Troen et al., 1989].
Muito embora o WAsP efectue estimativas energéticas para locais afastados do mastro
anemométrico, é de esperar que se realizem campanhas de medição nos locais onde o modelo
estime valores de energia aparentemente excessivos para confirmação das estimativas obtidas,
em especial nos locais situados em terreno complexo [Mortensen et al., 1993].
Convém realçar que o modelo WAsP não consegue caracterizar a variabilidade espacial e
temporal do escoamento, dada a simplicidade da sua concepção, no entanto consegue
extrapolar com alguma aproximação, as estimativas energéticas do local em estudo
utilizando-se topografia de elevada resolução espacial (ex. 10m). Uma das preocupações
centrais na construção do Atlas Europeu do Vento foi a definição do período de longo termo a
ser considerado. Por um lado seria difícil de arranjar várias estações com pelo menos 30 anos
de dados – definição de normal climatológica. Neste caso, teriam de ser utilizadas um número
muito restrito de estações meteorológicas, sendo esta uma situação a evitar.
Para contornar este problema, fez-se uso do trabalho de Larsen et al (1988) onde se evidencia
um estudo de variabilidade inter-anual ao fluxo de potência extraível do vento no período de
1970 a 1980, a 10m, com base em algumas estações meteorológicas europeias. Verificou-se
que esse período era representativo da média climatológica, no período de 1875 a 1975 para a
mesma altura. Desta forma, solicitou-se aos países envolvidos na investigação do Atlas, a
contribuição de dados de vento – velocidade e direcção no período compreendido entre 1970
e 1980, podendo os registos ser obtidos em mastros instalados em aeroportos, estações
sinópticas ou climatológicas.
Foram então seleccionadas 208 estações meteorológicas dos vários países europeus, entre os
quais Portugal, contribuindo o IM (Instituto de Meteorologia) com 15 estações (11 estações
no continente – Beja, Bragança, Cabo Carvoeiro, Coimbra, Faro, Ferrel, Lisboa, Porto,
Sagres, Sines e Viana do Castelo, e 4 estações nas ilhas – Flores, Funchal, Porto Santo e Santa
Maria). Na figura 2.4 encontra-se um extracto da informação processada no Atlas para quatro
estações de Portugal no período pretendido.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

9

Figura 2.3 – Conjunto de modelos e informação de entrada para o modelo WAsP [Troen
et al. 1989].

Figura 2.4 – Processamento de dados meteorológicos no Atlas Europeu do Vento para
quatro estações meteorológicas de Portugal no período 1970-1980 [Troen et al., 1989].

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

10
2.2 Estudos realizados em Portugal
Embora Portugal não tenha um mapeamento refinado do recurso eólico, convém salientar que
desde o final dos anos 1980 se verifica um esforço de caracterização do vento no nosso país.
Os primeiros estudos na área da energia eólica foram conduzidos por algumas instituições de
investigação e desenvolvimento tais como o INETI, INEGI, IM e pela EDP, tendo os seus
resultados suscitado interesse crescente nesta forma de energia. O INETI foi pioneiro na
criação de uma unidade piloto, na qual se instalou, em 1985, o primeiro aerogerador em
Portugal na região de Lourel/Sintra [Silva, 1986].
Embora o INETI tenha instalado, na sua unidade piloto do Lourel, a primeira estação
anemométrica para avaliação do recurso eólico em 1985, foi com recurso ao modelo numérico
WAsP que, no início dos anos 1990, instituições como o INEGI e o INETI, entre outras,
iniciaram de forma sistemática a caracterização do recurso energético do vento no nosso país,
inicialmente nas regiões montanhosas no norte e centro de Portugal Continental [Restivo,
1991; Silva,1992]. O IM também contribui para a avaliação do recurso eólico no país, tendo
efectuado um estudo sobre as potencialidades das energias renováveis para a EDP [INMG,
1991]. Esse estudo permitiu caracterizar o escoamento atmosférico em redor de 7 estações
sinópticas do IM. Mais tarde, este instituto publicou um mapa com rosas de vento (fig. 2.5)
para o período entre 1951 a 1960, para as 9h TMG [INMG, S. D.], motivando o interesse nas
energias renováveis.
Por outro lado, o IM publicou para diversas zonas de Portugal Continental, as normais
climatológicas [INMG, 1990, 1991a, 1991b, 1991c]. Estes dados, podem ser utilizados no
cálculo da variabilidade interanual do vento nos locais de monitorização do recurso
energético.
O INETI tem vindo a realizar um grande número de campanhas de medida e caracterização do
recurso eólico em Portugal. Estas actividades iniciaram-se no princípio dos anos 1990 sendo
financiadas por programas comunitários como o programa VALOREN no qual participou no
projecto PV/91/LVT/124 intitulado “Parque Eólico de 10 MW na Região de Lisboa e Vale do
Tejo” [Elkraft et al., 1992], JOULE, projecto “Avaliação do potencial Eólico na região sul de
Portugal” [Silva, 1992] e ALTENER [Simões e Estanqueiro, 1999] e internacionais como o
projecto PO-MISTRAL financiado pelo programa “SfS - Science for Stability” da Nato
[Ferreira de Jesus et al., 1992].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

11

Figura 2.5 – Mapa de rosas de vento da rede de estações sinópticas do Instituto de
Meteorologia, obtido para o período de 1951 a 1960 às 9h TMG. [INMG, S. D.].

Dentro destes programas foram realizados vários projectos de caracterização local do recurso
energético do vento no país baseados em campanhas experimentais. A partir de meados desta
década a caracterização da energia do vento deixou de ser financiada por projectos de
investigação passando, na sua maioria, a ser suportada pelo sector privado [EDP, 1987, 1989].
É de referir o projecto PO-Mistral [Ferreira de Jesus et al., 1992] que teve como objectivo
contribuir para o desenvolvimento da tecnologia na energia eólica e encorajar os produtores
privados a investir no ramo das energias renováveis. Dos trabalhos realizados no âmbito do
programa SfS destaca-se o mapa preliminar da caracterização energética de Portugal
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

12
Continental (fig. 2.6). Informação sobre ventos extremos (fig. 2.7) - de extrema relevância
para a segurança de estruturas por acção do vento - tinha sido já desenvolvida e publicada no
âmbito da regulamentação nacional produzida nesta área [Castanheta, 1985].

Figura 2.6 – Mapa de caracterização energética de Portugal Continental [Ferreira de Jesus
et al., 1992].

Em 2000, o INETI publicou uma base de dados do escoamento atmosférico em Portugal Continental –
EOLOS [Simões e Estanqueiro, 2000] apresentando a caracterização do recurso energético em 11
locais, monitorizados pelo INETI. No entanto, apesar de já existir informação e trabalho desenvolvido
nesta área, não se realizou a construção de mapas do potencial eólico à escala nacional suficientemente
refinados.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

13

Figura 2.7 – Mapa de ventos extremos calculado com base nas estações sinópticas do
Instituto de Meteorologia. [Castanheta, 1985].

Tanto o INETI como o INEGI têm vindo a utilizar o modelo WAsP para mapear áreas de
interesse, com dimensões aproximadas de 5×5km, de malha refinada, destinadas ao micro-
posicionamento optimizado de turbinas com modelos da especialidade [e.g. Garrad Hassan et
al., 2002]. Em 2003, o INETI apresentou uma metodologia multi-estação para cálculo de
combinação de mapas de recurso geradas pelo WAsP, para minimizar o erro nas estimativas
energéticas em terreno complexo [Costa e Estanqueiro, 2003], a qual se tem revelado uma
ferramenta eficaz nos estudos de avaliação energética e micro-posicionamento de
aerogeradores em terreno complexo.
Em 2004, o INETI publicou a segunda versão da base de dados do potencial energético do
vento em Portugal – EOLOS 2.0 [Estanqueiro, 2004] , contendo as características físicas e
energéticas do escoamento atmosférico num conjunto de 57 locais em Portugal Continental.
Face aos resultados animadores deste estudo, encontra-se em preparação uma nova base de
dados SIGEOLOS, sendo esta uma base de dados dinâmica e interactiva com o utilizador.
[Simões e Estanqueiro, 2003]

2.3 Estudos recentes sobre o mapeamento do potencial eólico
A metodologia usada no modelo WAsP permite fazer o estudo do potencial eólico com base
em registos de vento obtidos, por exemplo, de 10 em 10 min em estações anemométricas.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

14
Infelizmente, o número de estações a instalar está condicionado pelo custo do material, não
sendo possível cobrir uma região ou um país inteiro com uma rede de elevada resolução
espacial para este tipo de estudos. A este problema junta-se o facto de ser necessário realizar
uma campanha de colecta de dados, pelo menos durante um ano, para se estimar o potencial
eólico de cada local.
Por outro lado, já existem centros meteorológicos, especializados na assimilação de dados
colectados de várias fontes, tais como, radio-sondagens, satélites, observações de superfície e
resultados de modelos globais de previsão meteorológica. Esses dados constituem os campos
de análise meteorológica e são processados para qualquer região do mundo. [Kalnay et al.,
1996]. Contudo, essas análises não têm resolução suficiente para o mapeamento eólico, sendo
utilizadas como condição fronteira ou como forçamento para os modelos numéricos de
mesoscala. Estes modelos são capazes de discretizar a evolução espacial e temporal das
grandezas meteorológicas para áreas de dimensão considerável, com elevada resolução
espacial (e.g. 1×1km), chegando a cobrir um país inteiro. Por este motivo, os modelos de
mesoscala desde cedo prometeram ser uma ferramenta adequada à obtenção de estimativas do
potencial eólico em regiões de interesse. Desta forma, o mapeamento do recurso obtido pode
ser utilizado no domínio do ambiente e ordenamento do território, tornando-se uma
ferramenta eficaz na avaliação do potencial do vento, e um auxiliar à decisão de futuros
investimentos em campanhas experimentais para caracterização do escoamento atmosférico e
de planeamento de redes eléctricas e demais infra-estruturas.
O Risø, consciente destas vantagens, tem vindo a apresentar resultados de uma metodologia
de combinação do modelo numérico de mesoscala KAMM – “the Karlsruhe Atmospheric
Mesoscale Model” e o modelo de microescala WAsP. Esta combinação serve para estimar o
recurso energético para parques eólicos situados em regiões de topografia complexa. Estudos
preliminares deste método apontam desvios da ordem dos 25% para o fluxo de potência
incidente em terreno fortemente complexo [Helmut et al., 2001].
Os resultados promissores deste método levaram alguns países a testar esta metodologia,
apresentando Portugal, estudos preliminares do escoamento atmosférico (fig. 2.8) nas zonas
oeste, beira litoral e beira interior [Sousa, 2002]. Dada a enorme complexidade de cálculo
exigida, foi necessário utilizar uma abordagem a regimes de circulação, tendo-se classificando
10 regimes, para mapear as zonas de interesse. Os resultados obtidos, exclusivamente para o
campo da velocidade, mostram a existência de desvios muito pequenos, inferiores a 10%, face
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

15
aos registos de quatro estações de referência do INETI publicadas na base de dados EOLOS
1.0 [Simões e Estanqueiro, 2000] .


Figura 2.8 – Mapa de ventos obtido com a metodologia KAMM/WAsP para as regiões:
Beira litoral e interior e zona oeste [Sousa, 2002].

Um estudo recente aplicado ao desenvolvimento de um atlas do potencial eólico em terreno
complexo, com recurso a modelos numéricos de mesoscala, evidencia desvios da ordem dos
10% a 25% para a velocidade do vento, face a medidas no terreno. Resultados efectuados com
o modelo WAsP conduziram à ocorrência de desvios entre 30 e 60%. [Tammelin, 2001]
No Brasil estão a ser testadas metodologias de construção de Atlas do Potencial Eólico
[Feitosa et al., 2002; Amarante, 2001]. Neste país, o recurso eólico era praticamente
desconhecido, devido ao reduzido número de estações de medição para fins eólicos. Assim, os
estudos propostos aproveitam as vantagens dos modelos de mesoscala para preencher lacunas
no conhecimento do potencial eólico. Face às poucas estações de medição disponíveis
verificaram-se desvios inferiores a 10%.
Nos Estados Unidos da América foi apresentado um estudo de mapeamento do vento com
recurso a dois modelos de mesoscala e com várias resoluções de terreno, com base em dois
anos de análises meteorológicas. As conclusões preliminares a 10m do solo apontam para a
existência de desvios de 30% e 40º respectivamente para a velocidade e direcção face a
valores reais, sobretudo no noroeste do país [Mass et al., 2002].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

16
Outro estudo efectuado com 4 modelos de mesoscala, embora não sendo de referência para o
sector da energia eólica, mostra a existência de desvios consideráveis do vento, com valores
em torno dos 25%, sobretudo à altura de referência meteorológica de 10m, quando se utilizam
malhas de elevada resolução espacial, inferiores a 3×3km [Hanna et al., 2001]. Os autores
sugerem que as discrepâncias sejam devidas aos efeitos não lineares com origem na
turbulência atmosférica.
Embora não seja possível apresentar aqui, por limitação de espaço, todos os estudos de
potencial eólico que estão a ser levados a cabo pelo mundo inteiro, com recurso a modelos de
mesoscala, é de registar o forte impacto que este tipo de ferramenta está a ter no sector. São já
vários os países a tomar como referência o uso de modelos numéricos de mesoscala na
elaboração de mapas do potencial energético, sobretudo em regiões de grande dimensão, dado
o crescente interesse nesta forma de energia, e Portugal, tendo reunidas as condições para os
acompanhar, não pode “atrasar-se” neste tipo de estudos.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

17
3. O escoamento atmosférico
Neste capítulo pretende-se descrever, de forma simplificada, o comportamento do escoamento
atmosférico e sua contribuição para a caracterização energética do vento. De uma forma
genérica, o vento é o movimento da atmosfera relativo ao planeta Terra em constante rotação,
quando sujeito à acção de forças capazes de lhe induzir quantidade de movimento. Conhecer
as características do vento, foi um dos objectivos dos navegantes portugueses, na era dos
descobrimentos. Nessa altura já se tinha uma ideia de como se organizava a circulação global
do vento no planeta.

3.1 A circulação global da atmosfera
As características fundamentais da circulação global do vento foram conhecidas muito antes
do estabelecimento de uma rede mundial de observações, sendo motivadas pelos trabalhos de
Hadley em 1735 [Cook, 1985]. Este investigador apercebeu-se que o aquecimento solar no
globo se dá de forma diferencial, resultante da geometria esférica do planeta. Desse processo
resulta, a produção de massas de ar quente nas latitudes baixas – em que existe superávit
radiativo – e a produção de massas de ar frio nas latitudes elevadas – em que existe déficit
radiativo. A diferença de temperaturas entre aquelas massas de ar implica diferenças de
densidade, sendo o ar tropical menos denso do que o ar polar. Por acção da força da
gravidade, o ar tropical tenderá a deslocar-se para os polos e para cima, enquanto que o ar
polar tenderá a deslocar-se para o Equador e para baixo. Desta forma, Hadley propôs um
modelo de circulação – modelo unicelular ou célula de Hadley, com subida de ar quente e
descida de ar frio.
No ano de 1856, Ferrel [Cook, 1985] propôs um modelo de circulação mais complexo,
englobando os efeitos de rotação do globo. Neste caso a redistribuição de energia é
assegurada por três células em vez de uma. Desta forma, foi possível justificar a existência da
zona intertropical de convergência – ZITC, e também duas características adicionais da
circulação global: a existência de duas zonas de vento muito intenso de Oeste, em altitude – as
correntes de Jacto – e a existência de uma zona de forte gradiente de temperatura nas latitudes
médias – a frente Polar.
Muito embora o modelo de Ferrel possa contribuir para a justificação dos pressupostos atrás
descritos, verifica-se que a circulação global observada não tem as características de simetria
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

18
hemisférica e axial propostas. Tal facto deve-se à presença da orografia e rugosidade na
superfície do globo. Este facto é bem patente nas figuras (3.1) e (3.2), onde se apresenta,
respectivamente a distribuição observada da temperatura média, campo da pressão e do vento
à superfície nos meses de Janeiro e Julho.

Figura 3.1 – Temperatura média aos 1000 hPa - junto da superfície em (a) Janeiro e (b)
Julho. Média de 30 anos [Miranda, 2001].

No caso da distribuição da temperatura média, observa-se, tanto em Janeiro como em Julho,
um forte gradiente Norte-Sul, com máximo na zona equatorial e mínimos nos Polos. No
hemisfério Norte, no entanto, esse gradiente é muito deformado, devido à distribuição das
massas continentais. No Inverno, observam-se mínimos de temperatura no interior da Ásia
(Sibéria) e da América do Norte (Canadá), associados a anticiclones frios (fig. 3.1), enquanto
que a temperatura do ar se encontra relativamente elevada, à mesma latitude sobre o Oceano
Atlântico, devido à presença da corrente do Golfo. No Verão, observa-se a situação inversa,
com aquecimento continental, associado a depressões térmicas, e temperaturas mais baixas na
zona marítima, especialmente junto da costa oeste dos continentes. O ciclo anual é muito mais
forte no Hemisfério Norte e, aí, sobre os continentes [Miranda, 2001].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

19

Figura 3.2 – Pressão e vento médio junto da superfície em (a) Janeiro e (b) Julho. Média
de 30 anos [Miranda, 2001].

A distribuição da pressão à superfície também apresenta importantes diferenças inter-
hemisféricas e entre as zonas continentais e oceânicas. A cintura de anticiclones subtropicais
considerada no modelo de Ferrel é claramente visível na figura (3.2) no hemisfério Sul e nas
regiões oceânicas do hemisfério Norte, e a sua localização acompanha o movimento aparente
do Sol no ciclo anual [Miranda, 2001]. Sobre o Atlântico Norte, o anticiclone dos Açores
encontra-se por volta dos 30ºN em Janeiro, estendendo-se em direcção às Ilhas Britânicas em
Julho. No Hemisfério Norte, a zona depressionária associada à frente polar, encontra-se cerca
dos 60ºN sobre os oceanos, em Janeiro, tornando-se pouco evidente no período de Verão
deste hemisfério. Sobre os continentes, a distribuição da pressão é completamente diferente,
verificando-se uma substituição dos anticiclones frios, observados no período de Inverno, por
depressões quentes no período de Verão. No hemisfério Sul, no entanto, a pressão apresenta
uma distribuição muito menos perturbada, mais semelhante à do modelo tricelular de Ferrel.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

20
3.1.1 Vento geostrófico
O movimento do ar pode ser estudado recorrendo às leis da dinâmica, aplicadas a um fluído.
No caso de uma partícula de ar o movimento é determinado pela resultante das forças,
traduzidas pelo segundo príncipio de Newton – lei da variação da quantidade de movimento:
dt
u m d
F
) (
r
r
= (3.1)
sendo F
r
a resultante das forças actuantes no elemento de ar e u m
r
a quantidade de
movimento. As forças que actuam no elemento de ar e que dão origem, ou modificam, o
estado do movimento, devem-se à: força da gravidade ( g m
r
) ; força do gradiente de pressão
(
p
F
r
); força centrífuga (
cp
F
r
); força de Coriolis (
cor
F
r
) e força de atrito (
a
F
r
). Uma das soluções
mais simples da equação (3.1) obtém-se quando se considera a situação de equilíbrio puro
entre a força do gradiente de pressão e a força de Coriolis. Neste caso, admite-se que o
escoamento permanece estacionário – aceleração nula, e a equação (3.1) escreve-se:
0
1
0 =


ρ
− ⇒ = +
n
p
fv F F
p cor
r r

(3.2)
n
p
f
v


ρ
− =
1

(3.3)
onde f é o parâmetro de Coriolis ( ϕ Ω = sin 2 f , sendo Ω a velocidade angular da terra,
5
10 29 . 7

× = Ω rad s
-1
e ϕ a latitude do local), ρ a densidade do ar, p ∆ a diferença de pressão
de duas isóbaras contíguas e n ∆ a menor distância entre elas. A condição imposta pela
equação (3.2) traduz-se pelo equilíbrio geostrófico e o valor do vento que lhe corresponde –
equação (3.3), por vento geostrófico. Esta aproximação, apesar da sua extrema simplicidade,
fornece uma boa aproximação ao vento observado longe da superfície.
3.1.2 Vento do gradiente
Da análise de qualquer carta meteorológica, verifica-se facilmente que as isóbaras são quase
sempre linhas curvas, observando-se frequentemente sistemas de forma circular ou elíptica,
correspondendo a máximos e mínimos locais de pressão, designados, respectivamente por
anticiclones e depressões. Nestes sistemas, a aproximação do vento geostrófico deixa de ser
válida, pois a curvatura das trajectórias do ar implica necessáriamente uma aceleração. Uma
solução simples, embora pouco relevante para o sector da eólica, mas contendo o efeito de
curvatura, pode ser obtida, mesmo para movimento estacionário, se a aceleração do
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21
movimento for decomposta numa componente tangencial (a
t
) com a mesma direcção da
velocidade e numa componente normal (a
n
) correspondendo à aceleração centrípeta, como:
t n n n t t
u
dt
dv
u
R
v
u a u a a
r r r r r
+ = + =
2
(3.4)
onde R é o raio da curvatura da partícula ao centro do sistema. Se o movimento é estacionário,
v=const, fica só a existir aceleração centrípeta. Neste caso, a condição de equilíbrio para a
manutenção do vento do gradiente exprime-se através da equação (3.1) por:
0
2
= − +
n p cor
u
R
v
F F
r
r r
(3.5)
em que o terceiro termo negativo corresponde à força centrífuga, dirigida para o exterior da
curva, e de sentido contrário à força centrípeta. Dado que os centros de acção se constituem
por anticiclones ou depressões, implica que a força do gradiente de pressão seja de sentido
inverso nestes sistemas. Neste caso, obtém-se uma solução individualizada para cada sistema,
sendo as equações (3.6) e (3.7) as soluções obtidas para um anticiclone e depressão no
hemisfério norte:
n
p
R
fR fR
v


ρ

|
.
|

\
|
− =
4
2 2
2
(3.6)
n
p
R
fR fR
v


ρ
+ |
.
|

\
|
+ − =
4
2 2
2
(3.7)
As soluções físicas aqui apresentadas para o vento do gradiente, foram escolhidas sobretudo
pelo uso da força de Coriolis. Este princípio torna-se válido se nos restringirmos aos
movimentos de escala sinóptica, dado que a força de Coriolis é muito superior à força
centrífuga. No caso de pequenos turbilhões ou tornados, cujos diâmetros são da ordem de
1km, a força de coriolis torna-se desprezável. Neste casos, admitindo um regime de
movimento estacionário, chega-se à solução do vento ciclostrófico (eq. 3.8), correspondendo
ao equilíbrio entre a força do gradiente de pressão e a força centrífuga
n
p R
v


ρ
= (3.8)
As soluções para o vento geostrófico e do gradiente podem ser facilmente modificadas para
entrar em linha de conta com a representação do efeito do atrito, tornando-as utilizáveis na
zona da atmosfera próxima da superfície. Admitindo mais uma vez que existe equilíbrio e que
as isóbaras são rectas paralelas, pode facilmente concluir-se pela fig (3.3) que o vento deixa
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22
de ser paralelo às isóbaras, atravessando-as no sentido das baixas pressões, provocando
convergência de ar nos centros de baixas pressões e divergência nos centros de altas pressões.

(a) (b) (c)
Figura 3.3 – Efeito da força de atrito para: (a)-vento geostrófico, (b) e (c)- vento do
gradiente em regime anticiclónico e ciclónico, respectivamente. P
H
, e C representam a
força do gradiente de pressão e força de coriolis. F representa a força de atrito e R
representa a força resultante entre a força de coriolis e a força de atrito [Moran et al.,
1997].

Se não houvesse qualquer efeito de compensação, o atrito implicaria, ao fim de algum tempo,
a eliminação do gradiente horizontal de pressão nos anticiclones e depressões. Tal facto, não
se verifica na atmosfera, o que significa que tem de existir um efeito de compensação. A
única forma possível dessa compensação é a existência de movimento vertical. Assim, o ar
que converge à superfície sobre uma depressão é retirado para as camadas superiores e aí
diverge em altitude. O mecanismo inverso deve ocorrer nos anticiclones. O efeito do atrito
permite, por si só, explicar, de forma qualitativa, uma característica fundamental do tempo
meteorológico associado aos grandes sistemas de pressão. Os anticiclones, zonas de
divergência horizontal de ar à superfície, são normalmente zonas de subsidência (descida) de
ar, em que, devido ao aquecimento adiabático de ar das camadas superiores, se observa
frequentemente céu limpo ou pouco nublado. Nas depressões, devido à convergência
horizontal por atrito, é favorecido o movimento ascendente, justificando condições de
nebulosidade e até de precipitação.
3.2 Circulações locais
As soluções analíticas para os diversos tipos de vento tratados no sub-capítulo anterior,
ocorrem associados a sistemas de escala sinóptica, fazendo-se sentir a altitudes muito acima
da superfície terrestre. Contrariamente ao que se passa com esses sistemas, existem contudo
os sistemas de mesoscala ou microescala, que se fazem sentir junto da superfície terrestre,
possuindo dimensões espaciais mais reduzidas, sendo muito afectados pela sua interação com
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23
o solo. Essa interacção faz-se sentir sob diversas formas e envolve, em particular, a resposta
da temperatura da superfície e os efeitos do atrito. Em algumas regiões, no entanto, as
propriedades da superfície variam de forma abrupta que podem originar uma circulação
organizada, capaz de afectar o clima local. Essas circulações, produzidas em resposta à
existência de diferenças de temperatura entre superfícies próximas, são genericamente
designadas por brisas.
3.2.1 Brisa marítima e brisa terrestre
Os oceanos possuem um elevado calor específico, o qual impede a ocorrência de grandes
oscilações térmicas durante o ciclo diurno. Por outro lado, sobre os continentes o calor
específico é mais baixo, conduzindo a oscilações térmicas maiores que à superfície dos
oceanos o que faz com que os continentes sejam mais quentes que os oceanos durante o dia.
Desta forma, estão reunidas as condições para o desenvolvimento de brisas nas regiões
costeiras dos continentes. Ao longo do dia o ar aquecido e menos denso sobre estas regiões,
sobe, e o ar mais frio sobre o oceano circula de forma a substituí-lo. Este tipo de circulação
chama-se brisa marítima. Em altitude desenvolve-se uma circulação de retorno, o ar arrefece e
desce sobre o oceano, fechando a circulação principal. Neste tipo de circulação, a velocidade
do escoamento à superfície pode ir de 5 a 7 m/s. [Stull, 1988]. À noite, o arrefecimento da
superfície terrestre é mais acentuado, no qual as temperaturas descem abaixo da temperatura à
superfície do oceano, formando uma circulação inversa da que ocorre durante o dia. À
superfície o sentido do escoamento é agora da terra para o oceano, sendo este conhecido como
brisa terrestre. A circulação da brisa marítima/terrestre (fig. 3.4) estende-se em geral a poucas
dezenas de kms da costa nas duas direcções. Em condições favoráveis, no entanto, esta
circulação pode assumir um carácter regional definindo o clima de grandes áreas do mundo.

Figura 3.4 – Brisas marítima e terrestre [Moran et al., 1997].


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24
3.2.2 Brisa de vale e de montanha
Também a topografia pode dar origem a circulações de brisa, com inversão do sentido da
circulação entre a situação diurna e nocturna (fig. 3.5). Tal como no caso da brisa
marítima/terrestre, a superfície do solo funciona como fonte de aquecimento durante o dia e
de arrefecimento durante a noite. A um dado nível, a atmosfera sobre o vale encontra-se longe
do solo, sendo pouco afectada pelo ciclo diurno. Enquanto isso, na zona montanhosa a esse
mesmo nível, a atmosfera está em contacto directo com a superfície, trocando calor. Assim,
durante o dia a montanha comporta-se como uma fonte de calor, dando origem a uma
circulação de ar mais fresco vinda do vale - a brisa de vale. Durante a noite a montanha é uma
fonte de arrefecimento, tendo lugar uma corrente de ar frio da montanha para o vale, ao longo
da encosta - a brisa de montanha. O vento junto da superfície na circulação de brisa de
montanha é designado por vento catabático, podendo atingir velocidades muito elevadas. O
vento de superfície associado à brisa de vale é designado por vento anabático.

Figura 3.5 – Brisas de vale e montanha [Moran et al., 1997].

3.2.3 A depressão térmica na Península Ibérica
Quando as circulações de brisa dominam o escoamento atmosférico numa região extensa
podem dar origem à formação de depressões quentes sobre o continente, designadas por
depressões térmicas. A circulação de Verão na Península Ibérica é, frequentemente, deste
tipo. A prevalência deste regime de circulação na Península Ibérica deve-se à geometria da
península. O aquecimento do continente durante um dia de Verão dá início à circulação da
brisa marítima. Dado que a altitude do solo vai crescendo em direcção ao interior, a circulação
de brisa é reforçada por uma brisa de vale.
Como o sistema se mantém ao longo de muitas horas, o efeito da força de Coriolis faz-se
sentir, desviando a brisa para a direita, i.e., transformando uma circulação quase perpendicular
à costa numa circulação praticamente paralela. O resultado é uma circulação fechada no
centro da península, rodando no sentido ciclónico - contrário aos ponteiros do relógio, no caso
do Hemisfério Norte.
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25
A circulação da depressão térmica na Península Ibérica (fig.3.6) dá origem a vento de Norte
ou Noroeste em toda a costa ocidental, com uma intensidade crescente ao longo do dia,
atingindo um máximo ao fim da tarde: trata-se do regime da Nortada, caracterísitco do verão
português. Durante a noite, a nortada perde intensidade mas não ocorre, geralmente, uma
inversão da circulação, i.e., não se observa uma brisa de terra significativa. De facto, durante
o Verão, a temperatura no interior da Península baixa durante o período nocturno, mas
mantém-se quase sempre um pouco acima da temperatura da superfície do Atlântico, que é
relativamente baixa na vizinhança da Península, devido ao afloramento de água profunda que
aí tem lugar.

Figura 3.6 – Depressão térmica na península ibérica. As setas esquematizam o
movimento das partículas de ar junto da superfície [Miranda, 2001].

3.2.4 Efeitos locais da circulação atmosférica
Os efeitos de brisa descritos atrás constituem um exemplo de circulações atmosféricas
directamente devidas à existência de variações das propriedades da superfície, traduzidas,
nesse caso, pela criação de gradientes horizontais de temperatura. É possível produzir efeitos
semelhantes quando se encontram gradientes horizontais de vento, devidos, a alteração da
rugosidade da superfície. Um exemplo típico é o caso da circulação nas proximidades de um
lago.
Dado que a superfície do lago é, geralmente, muito mais lisa que a superfície envolvente,
especialmente se esta for florestada ou tiver construções, observa-se um aumento da
velocidade do vento sobre o lago e uma redução quando o ar volta a circular sobre a margem.
Em consequência, observa-se divergência horizontal do ar na transição terra/lago e
convergência na transição lago/terra. Tal como no caso da circulação atmosférica em
anticiclones e depressões, a zona de divergência à superfície vai forçar uma corrente
descendente, enquanto que a zona de convergência vai forçar uma corrente ascendente.
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26
Uma outra situação frequente é produzida pela presença de zonas urbanas. Estas zonas
caracterizam-se por grande rugosidade, devida à presença de edifícios, e também pelo facto de
serem, em geral, mais quentes que as zonas rurais circundantes. Nalguns casos, a diferença de
temperatura entre o interior da cidade e o ambiente rural próximo pode ultrapassar os 5ºC,
devido ao facto de a cidade absorver melhor a radiação solar - menor albedo, e possuir uma
menor superfície de evaporação. Este efeito é designado por ilha de calor urbana e pode
contribuir significativamente para a deterioração da qualidade do ar na zona urbana,
especialmente se existirem fontes de poluição nos arredores da cidade.
3.2.5 Escoamentos sobre montanhas
Em condições de estabilidade estática, uma partícula de ar oscila verticalmente com a
frequência de Brunt-Väisälä ) (
BV
N . Quando esta partícula acompanha uma massa de ar a
uma velocidade constante ) (u , a partícula segue uma trajectória oscilante. Este movimento
ondulatório tem um comprimento de onda vertical proporcional a
BV
N u / 2π . Se a partícula de
ar for obrigada a contornar uma colina ou montanha, o seu movimento irá sofrer uma
influência derivada da presença do obstáculo. Em particular, se a semi-largura da montanha
que perturba o movimento da partícula for D, então o comprimento de onda efectivo é igual a
2D. A razão entre os dois comprimentos de onda define uma grandeza adimensional,
vulgarmente designada por número de Froude interno [Stull, 1988] expressa pela seguinte
equação:
D N
u
F
BV
r
π
=
(3.9)
A figura (3.7a) mostra diversas situações do escoamento atmosférico a contornar obstáculos
orográficos do tipo montanha face a diferentes valores do número de Froude [Stull, 1988].
Para situações fortemente estáveis e ventos fracos (ie, 1 . 0 ≅
r
F ), o escoamento contorna a
montanha. O escoamento directamente incidente na montanha é bloqueado chegando mesmo
a estagnar.
Para ventos mais fortes, ou para situações de menor estabilidade ( 4 . 0 ≅
r
F ), uma parte do
escoamento contorna a montanha e outra parte passa por cima originando ondas de montanha.
O escoamento perturbado pelo topo da montanha tem um comprimento de onda menor que a
largura da montanha. Para um número de Froude igual a um, verifica-se que a estabilidade
atmosférica é fraca e/ou os ventos são mais fortes, e o escoamento passa em grande parte
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27
sobre o topo da montanha. As ondas de montanha amplificam-se devido a um efeito de
ressonância, podendo o comprimento de onda igualar-se à largura da montanha. Alguns
vórtices poderão formar-se na base a jusante da montanha. Neste caso, o escoamento pode
mesmo estagnar a intervalos periódicos e pode ocorrer inversão do sentido do escoamento à
superfície debaixo dos vórtices.
Em casos de ventos ainda mais fortes e/ou estabilidade mais fraca ( 7 . 1 ≅
r
F ), o comprimento
de onda natural é maior que as dimensões da própria montanha. Nesta situação ocorre
separação da camada limite atmosférica na encosta a jusante ao escoamento, criando
cavidades com inversão do sentido do escoamento à superfície, junto do sopé da montanha.

(a) (b)
Figura 3.7 – Escoamento sobre montanhas face a diferentes valores do número de Froude
–(a). Efeitos da estratificação térmica sobre montanhas – (b) [Stull, 1988]

Na situação de ventos fortes e estabilidade neutra
1
, o número de Froude tende para infinito. A
perturbação do escoamento começa-se a sentir a uma distância três vezes da largura da
montanha, a montante. Para além desta região de influência o escoamento deixa de “sentir” a
presença da montanha. Perto do topo, as linhas de corrente são comprimidas acelerando

1
Neste caso, o gradiente vertical da temperatura é praticamente nulo, ou seja, uma camada limite, dominada
pelos efeitos de corte da velocidade provocados pelas heterogenidades da superfície terrestre.
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28
significativamente o vento. Do outro lado da montanha, desenvolve-se uma esteira de
turbulência. Esta esteira, imediatamente a jusante da encosta tem aproximadamente as
dimensões da montanha. À medida que nos afastamos, a esteira cresce, mas a turbulência
diminui de intensidade. Na eventualidade da ausência de outros mecanismos de geração de
turbulência e longe da montanha, a turbulência decai de intensidade, podendo mesmo o
escoamento regressar ao estado anterior à perturbação [Stull, 1988].
Outros fenómenos, igualmente interessantes, podem ocorrer na presença de inversões no
gradiente de temperatura sobre montanhas (fig. 3.7b). Definindo o número de Froude
modificado [Stull, 1988] por:
) (
*
M BV
r
z z N
u
F

=
(3.10)
onde z
M
representa a altura do topo da montanha, e z a altura da base da inversão térmica. Para
M
z z > , podem ocorrer dois tipos de escoamentos dependentes da velocidade do vento. No
caso de ventos fracos ) 1 (
*
<<
r
F , verifica-se uma inversão do escoamento por acção do
mecanismo de Bernoulli, devido ao constrangimento das linhas de corrente no topo, ou seja,
da aceleração do escoamento. Na região de separação da camada limite encontram-se
velocidades do vento baixas. Na situação de ventos fortes ) 0 . 1 (
*

r
F e na presença de uma
inversão do gradiente de temperatura mais acentuada, a camada de mistura acelera
consideravelmente pela encosta. A jusante pode ocorrer um salto hidráulico, onde o
escoamento desacelera e a espessura da camada limite aumenta.
No caso
M
z z >> , o escoamento passa por cima da montanha não sendo fortemente
perturbado por esta. Este fenómeno verifica-se em particular na situação de ventos fracos e
forte convecção. No exemplo de uma montanha isolada, mas para uma camada limite fina
) (
M
z z < , o escoamento é forçado a passar em redor da mesma. A jusante forma-se uma
esteira de vórtices de von Karman. Estes efeitos devem ser avaliados com detalhe nos estudos
de potencial energético do vento em Portugal, nas regiões com média e elevada
complexidade, pois podem introduzir desvios não desprezáveis em relação às estimativas do
potencial energético num local.
3.3 Camada limite atmosférica
O atrito existente entre a superfície terrestre e o ar em movimento origina um efeito de
retardamento ao escoamento. De facto, a condição fronteira de não escorregamento obriga a
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

29
que a velocidade do vento seja nula ao nível do solo. Dado que a força de atrito decresce com
a distância ao solo, esta torna-se desprezável para alturas suficientemente elevadas nas quais a
velocidade do escoamento toma o valor do vento do gradiente. É a esta zona – na qual se
verifica um variação da velocidade do vento em altura que se dá o nome de camada limite
atmosférica - CLA, sendo a sua espessura normalmente representada por δ (fig. 3.8). Acima
da CLA diz-se, normalmente, que a atmosfera é livre.

Figura 3.8 – Representação da camada limite atmosférica [Simiu and Scalam, 1986;
Estanqueiro, 1997].

A espessura da CLA é da ordem de algumas centenas de metros e tipicamente entre de 600 a
1000m conforme é referido por vários autores [Saraiva, 1983; Simiu e Scalan, 1986]. Na
situação de ventos fortes para os quais se pode desprezar o efeito do gradiente de temperatura
– normalmente designada por condição de estabilidade/atmosfera neutra (ver comentário
atrás) – a espessura da CLA depende, tal como a sua forma, essencialmente do tipo de
fronteira, ou seja, da configuração da superfície terrestre. A orografia do terreno, ou, a uma
menor escala de comprimentos, a rugosidade do solo condiciona de modo determinante o
perfil da velocidade média que descreve a CLA. Na fig (3.9) apresenta-se o efeito da
rugosidade na CLA [Davenport, 1966].

Figura 3.9 – Efeito da rugosidade do solo na camada limite atmosférica [Davenport,
1966].

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

30
A CLA pode ser dividida em pelo menos duas sub-camadas [Estanqueiro, 1997; Saraiva,
1983; Simiu e Scalan, 1986], a sub-camada logarítmica, ou zona da parede, na qual as tensões
de corte são aproximadamente constantes e iguais às tensões de corte no solo, e a sub-camada
exterior, na qual as tensões de corte evoluem do valor constante assumido na sub-camada
logarítmica até se anularem no topo da CLA (fig. 3.10). É na zona da sub-camada logarítmica
(100 a 150m) que se situa o domínio dos aproveitamentos de energia do vento, revestindo-se
o seu estudo, por esta razão, de primordial importância. Nesta zona e na condição de
atmosfera neutra, o perfil da velocidade do vento pode ser descrito pela lei logarítmica de
Prandtl vulgarmente designada por “lei de parede” [Davenport, 1966]:
0
0
*
ln b
z
z
k
u
U
z
+ =
(3.11)
em que:
ρ τ = /
0 *
u (3.12)
onde,
z
U é a velocidade média do vento à altura z,
*
u a chamada velocidade de atrito, τ
0
é a
tensão de corte à superfície da terra, k a constante universal de von Karman ( 4 . 0 ≅ k ), b
0
uma
constante de integração e z
0
é o que se define como comprimento de rugosidade. A distância
acima do solo até à qual a lei de parede é considerada válida, é dada pela relação:
c
l
f
u
b z
*
' =
(3.13)
onde b’ é uma constante que toma valores entre 0.015 e 0.03 [Simiu and Scanlan, 1986] e f
c

representa o parâmetro de Coriolis.

Figura 3.10 – Estrutura da camada limite atmosférica [Estanqueiro, 1997; Davenport,
1966]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

31
Relacionado com a sub-camada logarítmica pode ainda definir-se o coeficiente de atrito do
escoamento no solo, κ, cujos valores são apresentados para vários tipos de rugosidade na
tabela 3.I [Simiu and Scanlan, 1986]:
2
0
z
U ρ
τ
= κ
(3.14)

Tabela 3.I – Coeficientes de atrito no solo [Simiu and Scanlan, 1986]
Tipo de terreno Z
0
(cm)
3
10 × κ
Areia 0.01 a 0.1 1.2 a 1.9
Superfície do mar* 0.0003 a 0.5 0.7 a 3.6
Neve 0.1 a 0.6 1.9 a 3.9
Relva baixa 0.1 a 1.0 1.9 a 3.4
Estepes 1.0 a 4.0 3.4 a 5.2
Descampados 3.0 a 4.0 4.1 a 4.7
Relva alta/Cereais 4.0 a 10.0 5.2 a 7.6
Arbustros 10.0 a 30.0 7.6 a 13.0
Terreno arborizado** 90.0 a 100.0 28.0 a 30.0
Subúrbios 20.0 a 40.0 10.5 a 15.4
Centro de povoações 35.0 a 45.0 14.2 a 16.6
Centro de grandes cidades 60.0 a 80.0 20.0 a 50.0
*função de velocidade do vento e da ondulação
**função da altura média das árvores (15m) aproximadamente 10
2
árvores/ha

substituindo na equação (3.14) as equações (3.11) e (3.12) obtém-se:
) / ( ln
0
2
2
2
*
z z
k
U
u
z
=
|
|
.
|

\
|
= κ (3.15)
É também possível aproximar empíricamente o perfil de velocidades do vento na sub-camada
logarítmica por uma lei de potências, embora o seu uso seja somente recomendado como
primeira aproximação:
α
|
|
.
|

\
|
=
1
2
1
2
z
z
U
U
z
z
(3.16)
onde o expoente α se pode ajustar ao tipo de terreno, tomando normalmente o valor de 1/9
para terreno aberto, sendo z
1
e
1 z
U a altura e velocidade de referência conhecidas, e
2 z
U a
velocidade extrapolada para a altura z
2
. Na sub-camada exterior, o perfil de velocidades
afasta-se do descrito pela lei logarítmica. Este afastamento é controlado pelo escoamento
exterior na zona de atmosfera livre que transfere energia para a zona de fronteira com o solo
através da sub-camada logarítmica. Esta zona é também denominada sub-camada de esteira
pela semelhança que apresenta com os escoamentos de esteira.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

32
3.4 Turbulência atmosférica
Alguns resultados experimentais permitem constatar que, na atmosfera, a taxa de dispersão
por turbulência é manifestamente superior à taxa de dispersão por efeitos de difusão
molecular. De facto, a turbulência é o processo primário pelo qual a quantidade de
movimento, calor e humidade são transferidos na atmosfera [Silva, 2003].
O regime turbulento ocorre num escoamento tipo camada limite, quando o número de
Reynolds
2
excede um valor crítico, (
5
10 3 Re × =
crit
). Na atmosfera, e em particular na CLA,
esta situação verifica-se quase sempre, pelo que o escoamento atmosférico é, matematica e
conceptualmente, abordado como escoamento turbulento apresentando números de Reynolds,
Re>10
8
[Estanqueiro, 1997].
O sistema de equações diferenciais que rege um escoamento turbulento está definido e tem
por base as equações que traduzem os princípios básicos da mecânica sendo, no entanto,
insolúvel quando não são introduzidas restrições de ordem empírica - equações de fecho.
Dado o seu carácter turbulento, é comum, à semelhança dos procedimentos correntes na
caracterização dos escoamentos deste tipo, tomar o vento como sendo a soma do seu valor
médio com o de uma flutuação:

i i i
u U U + = (i=1,2,3) (3.17)
na qual o índice i representa as direcções dos eixos ortonormados. Considere-se em primeira
análise, as equações gerais do movimento, aplicadas a um escoamento médio para um fluido
incompressível, de densidade ρ, viscosidade u e Newtoniano. Neste caso, vem:
- equação da continuidade (conservação da massa),
0 =


i
i
x
U

(3.18)
- equação de Navier-Stokes (conservação da quantidade de movimento):

j ij
j j
i
i j
i
j
i
U f g
x x
U
x
p
x
U
U
t
U
3 3
2
1 1
ε + δ −
|
|
.
|

\
|
∂ ∂

u
ρ
+


ρ
− =


+



(3.19)

2
Parâmetro característico de um escoamento que traduz a proporção entre as forças de inércia e as forças de
origem viscosa, onde L representa um comprimento característico do escoamento (desenvolvimento da camada
limite): υ = / Re UL
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

33
onde, o primeiro termo da equação (3.19) representa a tendência do campo da velocidade
(nula para escoamentos estacionários), e o segundo termo representa a advecção do campo da
velocidade. Após a igualdade, o primeiro termo representa o gradiente de pressão (engloba as
forças gravíticas), o segundo termo representa o transporte difusivo associado à viscosidade, o
terceiro termo representa a gravidade (actuando na vertical) e o último termo representa os
efeitos de Coriolis.
Procedendo à substituição dos termos das equações (3.18) e (3.19), pelos valores instantâneos
- equação (3.17), e tomando os valores médios das expressões, obtêm-se as equações que
regem o escoamento médio em regime turbulento. Ao conjunto de equações assim obtido dá-
se o nome de equações de Reynolds [Raudkivi and Callander, 1975]:
- conservação da massa (continuidade),
0 ; 0 =


=


i
i
i
i
x
u
x
U

(3.20)
- conservação da quantidade de movimento,
( )
j ij i
j
j i
j j
i
i j
i
j
i
U f g
x
u u
x x
U
x
p
x
U
U
t
U
3 3
2
1 1
ε + δ −
|
|
.
|

\
|

ρ ∂

∂ ∂

u
ρ
+


ρ
− =


+



(3.21)
sendo o termo
j i
u u ρ normalmente designado por tensor de Reynolds, associados à dissipação
de energia turbulenta, e representando a contribuição das flutuações da velocidade para a
difusão.
A grandeza meteorológica associada à medida da intensidade de turbulência do escoamento
atmosférico, denomina-se energia cinética turbulenta, e encontra-se directamente relacionada
com as trocas de calor, mistura e quantidade de movimento na camada limite. A equação que
rege o prognóstico da energia cinética turbulenta pode ser obtida à custa das equações (3.19) e
(3.21). Aplicando os termos instantâneos - equação (3.17) na equação de Navier – Stokes e
subtraíndo a equação da conservação da quantidade de movimento - equação (3.21), obtém-se
a equação de prognóstico para a componente
i
u [Stull, 1988]:
g
x
u u
x x
u
x
p
x
u
u
x
U
u
x
u
U
t
u
v
v
i
j
j i
j j
i
i j
i
j
j
i
j
j
i
j
i
|
|
.
|

\
|
θ
θ
δ +


+
∂ ∂

υ +


|
|
.
|

\
|
ρ
− =


+


+


+


3
2
) (
1
(3.22)
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

34
onde se fez uso da aproximação de boussinesq
3
no primeiro termo do lado direito da
igualdade, e agregando-se o termo da impulsão à aceleração da gravidade – último termo da
igualdade, sendo os termos
v
θ e
v
θ a temperatura potencial virtual média e perturbada.
Aplicando-so o produto interno entre a componente
i
u e a equação (3.22) e tomando o valor
médio da expressão obtida, obtém-se a equação de prognóstico da energia cinética turbulenta
[Stull, 1988]:
2
3
) (
) (
) ( 1
|
|
.
|

\
|


υ − θ
θ
δ +








ρ
− =


+


j
v i
v
i
j
i
j i
j
j
i
i
j
j
x
u
u
g
x
U
u u
x
e u
x
p u
x
e
U
t
e

(3.23)
onde
2
5 . 0
i
u e = representando a energia cinética turbulenta. Assim, o primeiro termo no
primeiro membro da equação (3.23) representa a tendência da energia cinética turbulenta e o
segundo termo a respectiva advecção. Os restantes termos do lado direito da igualdade
representam, respectivamente, a distribuição da energia associada às perturbações do campo
da pressão; dispersão de energia por acção dos turbilhões de pequena dimensão; produção da
energia associada às tensões de corte do escoamento médio; produção/destruição da energia
por efeitos de flutuação e dissipação da energia por acção viscosa.
Numa camada limite turbulenta bidimensional, estacionária, em regime de flutuação nula, a
equação (3.23) toma a seguinte forma [Silva, 2003],
( )
|
|
.
|

\
|
+


− +


+


− =


w
p
we
z
w u
z z
U
uw
z
e
U
ρ
ν
2 2
2
2

(3.24)
Na subcamada exterior da camada limite, onde os efeitos da viscosidade molecular são
pequenos, os termos contendo ν podem ser eliminados. A figura (3.11) representa uma
imagem global de uma camada limite turbulenta.
Sendo a turbulência um fenómeno inerente ao escoamento, tem contudo, grande importância
para o sector da energia eólica, sendo de realçar a estrutura do conversor. De facto, a zona de
interesse à captação do vento, está confinada à camada limite turbulenta. Se um determinado
local estiver sujeito a grandes flutuações do vento, ou seja, fortes rajadas, é provável que o
aerogerador sofra, ao fim de algum tempo, um desgaste com o impacto do vento, podendo
constituir um forte risco para a danificação das pás e da estrutura da torre. Conscientes do
problema, os fabricantes de aerogeradores, são capazes de fabricar modelos de aerogerador,

3
As perturbações do campo da densidade variam exclusivamente na vertical
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

35
classificados com base em índices de turbulência e velocidades máximas de rajada para um
período de retorno de 50 anos. Este processo permite adaptar os aerogeradores às diversas
condições adversas impostas pelo escoamento atmosférico [IEC 61400-1, 1998].

Figura 3.11 – Esquema de transferência de energia numa camada limite turbulenta
[Estanqueiro, 1997].

3.5 Caracterização da energia do vento
Nas aplicações eólicas interessa salientar as escalas espacial/temporal dos fenómenos
meteorológicos mais relevantes para a contribuição do recurso energético, assim como os
fenómenos condicionantes do escoamento local – orografia e rugosidade. Se o vento for
caracterizado por uma sobreposição de diferentes escalas temporais e independentes, torna-se
possível descrevê-lo à custa de um espectro de energia sendo normalmente utilizado o
espectro de Van der Hoven (fig. 3.12).

Figura 3.12 – Espectro de energia do vento apresentado por Van der Hoven [Hoven, V.
1957].
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

36
A zona do espectro entre os dez minutos e as oito horas representa a zona de vazio espectral
(reduzido conteúdo energético) sendo adequada ao período de cálculo da média da velocidade
entre medições. Nesta zona, os valores médios calculados com base em períodos dentro do
vazio espectral não sofrem, na maioria dos casos, grandes variações. [Simões, T., 1999]
Desta forma, para se proceder a uma avaliação do recurso eólico para um determinado local,
são necessários pelo menos 12 meses de dados consecutivos. Este período mínimo de tempo
“exigido” deve-se à variabilidade sazonal do vento, tal como patente na fig. (3.12). Em locais
onde se verifiquem condições atmosféricas rigorosas, tais como trovoadas, neve e gelo, é
aconselhável prosseguir com campanhas experimentais mais longas, pois nestes casos é
frequente ocorrerem avarias nos sensores.
O facto de o comportamento do vento também ser variável de ano para ano é também motivo
para a realização de campanhas experimentais mais longas, dado que, o ano escolhido pode
vir a ser atípico face a anos anteriores, justificando um estudo de variabilidade inter-anual
com dados de estações anemométricas de longo termo. Em suma, quanto mais longa for a
campanha experimental maior é a precisão nas estimativas de velocidade média de longo
termo do vento. Nas campanhas experimentais, é habitual registar valores médios de
velocidade do vento de dez em dez minutos, frequência de aquisição que se situa no vazio
espectral. Desta forma a velocidade média do vento é definida através de:

T
dt T u
T
u
0
) (
1
=
(3.25)
onde u representa o valor médio da velocidade e T o intervalo de tempo considerado. O fluxo
de potência do vento (W/m
2
) disponível num intervalo de tempo T é dado pela equação:
3
2
1
u E ρ = (3.26)
Se a velocidade instantânea for decomposta pela soma da velocidade média com as
flutuações, vem:
' u u u + = (3.27)
e têm-se as seguintes relações:
u u u u u
u u u
u
2 3 3 3
2 2 2
3
0
′ + ′ + =
− = ′
= ′
(3.28)
Assim, o fluxo de potência vem dado por:
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

37
( )
2 3
3 1
2
1
i u E + ρ ≅ (3.29)
onde
u
i
u
σ
≡ representa a intensidade de turbulência e
2 2
u
u
′ ≡ σ a variância da velocidade do
vento. A intensidade de turbulência depende da altitude e das condições da superfície.
Uma forma de caracterizar o vento local é recorrer a leis de distribuição de classes de vento.
Uma das funções de distribuição frequentemente utilizadas para o recurso eólico é a
distribuição de Weibull. A distribuição de Weibull é feita à custa de dois 2 parâmetros, A e k,
apresentando-se razoavelmente adequada para descrever a distribuição da frequência de
ocorrência de classes do módulo da velocidade do vento. Uma vez conhecidos os parâmetros
A e k a uma determinada altura do solo podem facilmente ser ajustados para outra altura
[Troen et al., 1989].
A lei de distribuição de Weibull exprime-se matematicamente através da expressão:
|
|
.
|

\
|
|
.
|

\
|

|
.
|

\
|
=
− k k
A
u
A
u
A
k
u f exp ) (
1

(3.30)
onde ) (u f representa a frequência de ocorrência da classe u . Os parâmetros A e k
representam respectivamente o parâmetro de escala (m/s) e o parâmetro de forma
(adimensional) da distribuição de Weibull.
O valor médio da velocidade v (m/s), pode ser dado por
|
.
|

\
|
+ Γ =
k
A v
1
1
(3.31)
Sendo a função gama (Γ) definida por:



− = Γ
0
1
) exp( ) ( dt t t x
x
, com x>0
(3.32)
O fluxo de potência E (W/m
2
) , pode ser facilmente calculado pela relação:
|
.
|

\
|
+ Γ ρ =
k
A E
3
1
2
1
3

(3.33)
sendo ρ a densidade do ar.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

38
Os parâmetros da distribuição de Weibull podem determinar-se de várias formas [Justus,
1980, 1996]. Uma vez conhecidos o valor médio e o desvio padrão da série de registos,
podem determinar-se através das equações aplicando-se métodos iterativos:
|
.
|

\
|
+ Γ =
k A
u 1
1 ,
2 / 1
2
1
1
1
2
1


|
.
|

\
|
+ Γ
|
.
|

\
|
+ Γ
=
σ
k
k
u
(3.34)
Sendo o desvio padrão dado por:
( )
2 / 1
2 2
u u − = σ
(3.35)
O cálculo da estimativa anual de produção de energia En (MWh
ano
) para um dado local é feita
através da integração do produto da função de distribuição de classes de vento ) (u f , pela
curva de potência de uma turbina, ) (u P
WT
[Justus, 1996]. Neste caso, obtém-se:

du u P u f En
WT
) ( ) ( 8760
0

=
(3.36)
Onde 8760 representa o número de horas ao ano. Na figura (3.13), apresenta-se uma curva de
potência de uma turbina de referência em energia eólica, com uma potência nominal de
2.0MW

Figura 3.13 – Curva de potência de uma turbina com 2.0MW de potência nominal

Se a função de distribuição do vento for a função de Weibull, então têm-se para a energia:
1
1


|
|
.
|

\
|
|
.
|

\
|
− |
.
|

\
|
|
.
|

\
|
=


0
1
) ( exp 8760 du u P
A
u
A
u
A
k
En
WT
k k

(3.37)
Embora a energia seja a quantificação pretendida no estudo da produção de parques eólicos, é
comum utilizarem-se indicadores de produção energética que retiram à informação da
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

39
produção a capacidade eólica instalada ou a instalar num local. Assim, calculando o quociente
entre a equação (3.37) e a potência nominal da(s) turbina(s) (MW), surge o índice NEP’S
[Decreto – Lei nº 339-c, 2001], com unidades h
ano
, representando o número anual de horas de
funcionamento do aerogerador à potência nominal. O valor deste índice torna-se
indispensável ao promotor no ramo da eólica, uma vez que o custo de distribuição da energia
na rede eléctrica nacional é calculado com base nesse índice. De uma forma geral, um parque
torna-se rentável ao promotor se o respectivo índice NEP’S for superior a 2000h
ano
.
Calculado o quociente entre o índice NEP’S e o número total de horas do ano, dá origem a um
índice adimensional, denominado por factor de capacidade (FC), sendo expresso em
percentagem. Neste caso, e tomando como referência valor de 2000h
ano
para o índice NEP’S,
vem:
% 8 . 22
8760
2000
= = FC (3.38)
Tal como anteriormente citado, um parque é considerado rentável se o factor de capacidade
for superior a 22.8%.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

40
4. Regimes de circulação em Portugal Continental
Neste capítulo pretende-se classificar a circulação atmosférica de escala sinóptica em Portugal
Continental. Embora a circulação, seja em grande parte explicada pela influência do
anticiclone dos Açores junto ao continente na maior parte ano, pode-se identificar um
conjunto de regimes adicionais representativos do escoamento, aliados a índices de circulação
com significado físico. Desta forma, cada dia pode ser classificado por um determinado
regime de circulação.
Se houver a possibilidade de arranjar um ano de dados – período típico de avaliação do
potencial eólico – de certas grandezas meteorológicas, e tendo presente o método de
classificação dos regimes, torna-se fácil identificar o peso das frequências de ocorrência dos
regimes nesse ano. Através de um critério de selecção apropriado, é possível determinar, o dia
mais próximo da média anual de um dado regime. Se este processo for repetido para as
restantes classes de regimes, obtém-se um conjunto de dias representativos da climatologia
desse ano. Todo este processo é válido para o longo termo, se existir suficiente
disponibilidade de dados meteorológicos. Neste caso, os dias seleccionados, poderão ser
representativos da climatologia real.
Dado que o presente trabalho se insere na modelação do atlas do potencial eólico, com
recurso a um modelo de mesoscala, a simulação do recurso energético com, pelo menos, um
ano de dados torna-se obrigatória. Contudo, este procedimento, obriga a um grande esforço
computacional, dada a complexidade física do modelo e a dificuldade em resolver os
fenómenos explícitos, bem como a vasta quantidade de dados meteorológicos exigidos para os
domínios de simulação, necessários a vários níveis de altitude.
Desta forma, se as simulações com o modelo de mesoscala ficarem restringidas aos dias
seleccionados pelos regimes, obtém-se uma redução substancial no tempo de cálculo. Os
campos de prognóstico do vento, obtidos para cada um dos regimes, podem ser
posteriormente multiplicados pelo peso da frequência respectiva, sendo o mapa climatológico
calculado com base no compósito dos campos obtidos.
Alguns métodos de cálculo foram propostos para abordar o problema da identificação dos
regimes de circulação. Os mais significativos recaem no estudo da análise de componentes
principais – ACP em algumas grandezas meteorológicas [Corte-Real et al., 1995] e em
métodos de identificação de padrões de circulação por centróides - “clusters” [Zhang et al.,
1997; Corte-Real et al., 1998]. Embora a aplicação do método ACP seja de fácil
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

41
implementação, gera classes de circulação atmosférica com pouco significado físico, tornando
difícil a interpretação dos resultados. Relativamente ao uso do método de centróides, torna-se
necessário definir, à priori, o número de classes de regimes. Este método conduz à ocorrência
de diferenças substanciais nos padrões de circulação, caso se altere o número de classes, para
uma mesma área de estudo.

4.1 Metodologia de classificação
Para realizar o atlas do potencial eólico de Portugal Continental, com recurso à classificação
de regimes de circulação, utiliza-se um conjunto de seis índices diários, dos quais dois estão
associados à direcção do escoamento (analogia com as componentes bidimensionais do vector
velocidade), outros dois relacionados com o tipo de circulação - anticiclónica e ciclónica, e os
restantes relacionados com a magnitude e vorticidade do escoamento. [Trigo and DaCamara,
2000]. Na tabela 4.I apresentam-se os índices de circulação.
Tabela 4.I – Índices de circulação [Trigo and DaCamara, 2000].


Estes índices calculam-se com base no campo da pressão atmosférica ao nível médio do mar,
através de 16 pontos de medida da pressão (figura 4.1), admitindo que a circulação do vento é
de forma quase-geostrófica. As expressões abaixo indicadas, correspondem à fórmula de
cálculo de cada índice [Trigo and DaCamara, 2000]:

| | ) 2 ( 25 . 0 ) 2 ( 25 . 0 305 . 1
12 8 4 13 9 5
p p p p p p SF + × + × − + × + × × =
(4.1)
| | ) ( 5 . 0 ) ( 5 . 0
5 4 13 12
p p p p WF + × − + × =
(4.2)
2 2
WF SF FT + =
(4.3)
Índice de circulação Movimento do escoamento
SF Norte – Sul
WF Oeste – Este
FT Magnitude
ZS Circulação ciclónica
ZW Circulação anticiclónica
ZT Vorticidade
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

42
|
| ) 2 ( 25 . 0 ) 2 ( 25 . 0
) 2 ( 25 . 0 ) 2 ( 25 . 0 85 . 0
11 7 3 12 8 4
13 9 5 14 10 6
p p p p p p
p p p p p p ZS
+ × + × + + × + × −
+ × + × − + × + × × =

(4.4)
| |
| | ) ( 5 . 0 ) ( 5 . 0 91 . 0
) ( 5 . 0 ) ( 5 . 0 12 . 1
2 1 9 8
9 8 16 15
p p p p
p p p p ZW
+ × − + × × −
+ × − + × × =

(4.5)
ZW ZS ZT + = (4.6)



Figura 4.1 – Grelha dos 16 pontos da pressão ao nível médio do mar, considerados no
cálculo dos índices de circulação [Trigo and DaCamara, 2000].

A classificação diária dos regimes foi elaborada com os seguintes pressupostos:
• A direcção do escoamento é dada por tan
-1
(WF/SF), somando-se 180º se WF for
positivo.
• Se |ZT|<FT, a magnitude domina a vorticidade, sendo o escoamento classificado
por 8 regimes de direcção em analogia com a rosa dos ventos
(N,NE,E,SE,S,SW,W e NW), com 45º por sector.
• Se |ZT|>2FT, a vorticidade domina a magnitude. Neste caso, se ZT>0, o regime é
do tipo ciclónico (L) , ou anticiclónico (H) se ZT<0.
• se FT<|ZT|<2FT, a circulação é designada como híbrida, sendo igualmente
dominada pela magnitude e vorticidade. Para este caso, passam a ser considerados
8×2 regimes de circulação.
No total, este método fornece um conjunto de 26 regimes de circulação, apresentados na
tabela 4.II
30ºW
10ºW
10ºE
30ºN
50ºN
~
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

43
Tabela 4.II – 26 tipos de regimes de circulação [Trigo and DaCamara, 2000].


Neste trabalho, recorreu-se aos dados do NCAR – “National Center for Atmospheric
Research” [Kalnay et al, 1996] para obter o campo diário da pressão atmosférica ao nível
médio do mar, no período compreendido entre Janeiro de 1951 a Dezembro de 2002. O
campo diário da pressão foi calculado pela média dos campos das 00h e das 12h.
Convém realçar que método aqui utilizado, classifica os regimes de circulação para o ponto
central da área em estudo (ver figura 4.1), com coordenadas WGS84 - (10ºW;40ºN). Na
figura 4.2, apresenta-se a frequência de ocorrência dos regimes de circulação para os 52 anos
de dados (1951 – 2002)
1951 a 2002
22.12
11.77
9.03
6.36 6.28
5.02
4.75
4.49
4.24
4.09
3.57 3.49
1.90 1.83
1.60 1.48 1.35
1.08 0.94 0.82 0.77 0.68 0.63 0.61 0.55 0.54
0
5
10
15
20
25
H
N
E N
W
L
N
W
E
S
W
H
+
N
H
+
N
E
H
+
W
H
+
N
W
S
E
H
+
S
W
S
H
+
E
L
+
N
E
L
+
N
L
+
E
L
+
W
L
+
S
W
L
+
N
W
H
+
S
L
+
S
E
H
+
S
E
L
+
S
Regimes
%

Figura 4.2 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para 52 anos de
dados (1951-2002)

Facilmente se conclui da figura (4.2) que o regime mais frequente em Portugal Continental é
o regime anticiclónico, com um peso de 22.12%. Na figura (4.3) apresenta-se as frequências
de ocorrência mensal para cada um dos regimes de circulação.
Direccionais Anticiclónicos Ciclónicos
N – norte HN LN
NE – nordeste HNE LNE
E – este HE LE
SE – sueste HSE LSE
S – sul HS LS
SW – sudoeste HSW LSW
W – oeste HW LW
NW - noroeste HNW LNW
H L
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

44
[Pa]
0%
20%
40%
60%
80%
100%
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
meses
1951 - 2002
H NE N W L NW E SW H+N H+NE H+W H+NW SE H+SW S H+E L+NE L+N L+E L+W L+SW L+NW H+S L+SE H+SE L+S

Figura 4.3 – Frequência de ocorrências mensais para cada um dos 26 regimes de
circulação, utilizando-se 52 anos de dados (1951-2002).

Da figura (4.3), observa-se que o regime anticiclónico é o mais frequente, excepto no período
do Verão, onde predominam os regimes de Nordeste e Norte, associados ao efeito da
brisa/nortada em Portugal Continental. Por outro lado, o regime ciclónco mantém uma
presença constante ao longo dos meses, tal como a maioria dos restantes regimes. Contudo,
alguns evidenciam reduções, ou acréscimos de frequência nos meses de verão. Nas figuras
(4.4) a (4.7) apresentam-se os campos médios da pressão ao nível médio do mar associados a
cada regime (1951 – 2002).
H
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

L
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70


Figura 4.4 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para o regime anticiclónico
(H) e ciclónico (L) (1951-2002).


Da figura (4.4) observa-se que os centros de acção dos regimes anticiclónico (H) e ciclónico
(L), estão localizados sobre o continente.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

45
[Pa]
N
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

E
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

S
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

W
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70


Figura 4.5 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002).


Na figura (4.5) é visível o carácter direccional imposto pelos centros de acção anticiclónica e
ciclónica, localizados nas proximidades do continente, aos regimes direccionais.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

46
[Pa]

HN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.6 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002).



A circulação dos regimes híbridos associados à circulação anticiclónica (figura 4.6) mostra
que o centro de acção dominante se extende até ao continente, induzindo a circulação
direccional.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

47
[Pa]
LN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.7 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (1951-2002).



Na figura (4.7), observa-se de novo a mesma situação, ou seja, o centro de acção dominante
(circulação ciclónica) extende-se até ao continente, induzindo circulação direccional.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

48
4.2 Escolha dos dias representativos para o ano de 1999
Aplicando o mesmo príncipio anteriormente descrito, foi possível obter a frequência de cada
regime, para o ano de 1999. Na figura (4.8), apresenta-se o respectivo gráfico.
1999
25.21
11.51
8.49
7.12
6.58
5.75
5.21
4.66
4.11 4.11
3.84
3.56
2.74
2.19
1.37
1.10
0.82
0.55
0.27 0.27 0.27 0.27
0.00 0.00 0.00 0.00
0
5
10
15
20
25
30
H
N
E N
W
L
N
W
E
H
+
N
E
S
W
H
+
N
H
+
N
W
H
+
W
H
+
E
L
+
N
E
H
+
S
W
L
+
N S
L
+
N
W
H
+
S
L
+
E
L
+
S
W
L
+
W
S
E
H
+
S
E
L
+
S
E
L
+
S
Regimes
%

Figura 4.8 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para o ano de 1999.

Na figura (4.8), destaca-se o domínio do regime anticiclónico, ocorrendo 25.21%, seguindo-se
dos regimes nordeste e norte, com uma frequência de 11.51% e 8.49% respectivamente. De
acordo com a metodologia de classificação dos regimes aqui apresentada, o ano de 1999 não
registou os regimes de SE, H+SE, L+SE e L+S.
Para o ano de 1999, foi seleccionado um dia por cada regime, sendo considerado o mais
próximo da média de 1999. Para realizar esta tarefa, guardou-se a data e os valores de pressão
nos 16 pontos de grelha (figura 4.1) para cada regime. Considere-se então o dia d de
determinado regime, e os respectivos pontos de grelha
j d
p
,
, onde j=1,...,16. Para o dia d
calculou-se a seguinte expressão

=
γ = δ
16
1
,
j
j d d
(4.7)
onde
2
,
,
|
|
.
|

\
|
σ

= γ
j
p
j j d
j d
p p
(4.8)
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

49
[Pa]
Sendo
j
p o valor médio da pressão no ponto j de todos os dias do regime, e
j
p
σ o desvio
padrão dessa amostra. Repetindo o processo de cálculo para todos os dias do regime,
seleccionou-se o que apresentava menores valores de
d
δ , sendo esse dia o mais próximo da
climatologia do regime considerado. Todo este processo se repete para os outros regimes. Na
tabela 4.III, mostra-se os dias representativos de cada regime para o ano de 1999.
Tabela 4.III – Dias representativos de cada regime para 1999.
H 18 Abril L 01 Maio
N 15 Maio NE 22 Julho
E 10 Outubro SE ---
S 06 Janeiro SW 24 Setembro
W 07 Maio NW 26 Abril
HN 20 Julho HNE 22 Maio
HE 13 Fevereiro HSE ---
HS 05 Novembro HSW 04 Janeiro
HW 22 Abril HNW 16 Setembro
LN 14 Novembro LNE 04 Setembro
LE 13 Março LSE ---
LS --- LSW 29 Maio
LW 20 Outubro LNW 25 Outubro

Nas figuras (4.9) a (4.12) mostra-se o campo da pressão dos dias representativos para cada
regime. Observam-se algumas semelhanças entre os dias seleccionados e a climatologia dos
regimes (figuras 4.4 a 4.7).

H
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

L
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.9 – Campo da pressão ao nível médio do mar do dia representativo do regime
anticiclónico (H) e ciclónico (L) para o ano de 1999.




Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

50
[Pa]




N
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

E
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SE
×
S
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

W
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.10 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para 1999.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

51
[Pa]





HN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSE
×
HS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.11 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para 1999.



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

52
[Pa]




LN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSE
×
LS
×
LSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.12 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para 1999.





Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

53
4.3 Escolha dos dias representativos para um período de 7 anos
Neste caso, aplica-se o mesmo procedimento de classificação, usando-se sete anos de dados,
nomeadamente os anos de 1992, 1994, 1998 a 2002. Esta selecção deve-se ao facto do INETI
ter operado nestes anos estações anemométricas no âmbito de projectos de investigação (cujas
dados não estão sujeitos a confidencialidade) permitindo assim a verificação e eventual
validação experimental dos trabalhos de mapeamento do recurso eólico. Deste modo foram
adquiridas ao NCAR todas as análises de 6 em 6h desses anos, para servirem de condição
fronteira para os domínios do modelo de mesoscala utilizado na construção do atlas do
potencial eólico. Embora se pretenda, numa fase futura deste trabalho, simular de “forma
contínua” todos esses anos, nesta fase simularam-se apenas os dias representativos dos
regimes para estes sete anos. Na figura (4.13) apresenta-se o gráfico com as frequências de
cada regime, e na tabela 4.IV os dias representativos.
1992;1994;1998-2002
25.42
10.68
7.82
6.65
5.12 5.01
4.58 4.54 4.50
4.11 3.87
3.25
2.11 1.84 1.64 1.45 1.37
0.94 0.90 0.74 0.66 0.66 0.59 0.59 0.51 0.47
0
5
10
15
20
25
30
H
N
E N
W
N
W
L
H
+
N
E
S
W
E
H
+
N
H
+
W
H
+
N
W
H
+
S
W
H
+
E
S
E S
L
+
N
E
L
+
N
L
+
W
H
+
S
L
+
S
W
L
+
N
W
H
+
S
E
L
+
E
L
+
S
L
+
S
E
Regimes
%

Figura 4.13 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para sete anos de
dados.

Tabela 4.IV – Dias representativos de cada regime para sete anos de dados.
H 31 Outubro 1998 L 01 Maio 1999
N 27 Julho 1998 NE 29 Julho 2001
E 04 Outubro 2002 SE 06 Novembro 1998
S 30 Novembro 1994 SW 22 Outubro 2001
W 24 Abril 2001 NW 31 Agosto 1992
HN 07 Julho 2001 HNE 30 Junho 2001
HE 24 Novembro 2001 HSE 29 Abril 1994
HS 19 Fevereiro 1998 HSW 23 Novembro 1992
HW 22 Abril 1999 HNW 27 Junho 1999
LN 09 Maio 2000 LNE 24 Agosto 2002
LE 20 Março 2000 LSE 17 Junho 2000
LS 20 Setembro 2002 LSW 15 Maio 1994
LW 25 Setembro 1998 LNW 31 Maio 1992
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

54
[Pa]
Na figura (4.14) apresenta-se o gráfico das frequências de ocorrência de cada um dos regimes,
comparando os três períodos aqui apresentados.
Comparação regimes
0
5
10
15
20
25
30
H
N
E N
W
L
N
W
E
S
W
H
+
N
H
+
N
E
H
+
W
H
+
N
W
S
E
H
+
S
W
S
H
+
E
L
+
N
E
L
+
N
L
+
E
L
+
W
L
+
S
W
L
+
N
W
H
+
S
L
+
S
E
H
+
S
E
L
+
S
Regimes
%
51-02
92;94;98-02
99

Figura 4.14 – Comparação dos pesos das frequências dos regimes nos três períodos em
análise.

Da figura (4.14) verifica-se que a maioria dos regimes, apresentam valores de frequência
muito semelhante nos três períodos em análise, exceptuando-se o regime anticiclónico, onde
se constata um desvio mais acentuado face à climatologia dos 52 anos de dados. É de salientar
a semelhança entre as frequências dos regimes do ano de 1999 face à climatologia de longo
termo, exceptuando-se mais uma vez, o regime anticiclónico. Salienta-se o facto dos regimes
híbridos associados à circulação ciclónica (L) nos sete anos, terem pesos idênticos face à
climatologia dos 52 anos.
As figuras (4.15) a (4.18) apresentam o campo da pressão dos dias representativos dos sete
anos, para cada regime. Nesta situação, observam-se de novo semelhanças entre os dias
seleccionados e a climatologia dos regimes (figuras 4.4 A 4.7).
H
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

L
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.15 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes anticiclónico (H) e ciclónico (L) para sete anos de dados.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

55
[Pa]




N
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

E
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

S
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

W
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.16 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para sete anos de dados.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

56
[Pa]




HN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.17 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para sete anos de dados.



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

57
[Pa]





LN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.18 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos
regimes apresentados para sete anos de dados.




Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

58
[Pa]
As figuras (4.19) a (4.22) apresentam a climatologia do campo da pressão para cada um dos
regimes correspondentes aos anos 1992, 1994, 1998 – 2002. Neste caso, observa-se que os
campos da pressão são praticamente coincidentes com os campos médios dos 52 anos de
dados.
H
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

L
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

N
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

E
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

S
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

SW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.19 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (sete anos de dados).

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

59
[Pa]
W
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

NW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

HNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.20 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (sete anos de dados).
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

60
[Pa]




LN
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSE
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LS
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LSW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

LNW
-40 -30 -20 -10 0 10 20 30
20
30
40
50
60
70

Figura 4.21 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime
apresentado (sete anos de dados).



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

61
5. Metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico
de Portugal Continental
Neste trabalho, a metodologia de desenvolvimento do atlas, baseia-se num conjunto de
simulações numéricas efectuadas ao campo do vento em Portugal Continental, com recurso a
um modelo de mesoscala para se obter uma representação estatística suficientemente
representativa da climatologia das grandezas meteorológicas e parâmetros relacionados com o
potencial eólico. Desta forma é possivel obter um mapeamento das grandezas representativas
do potencial eólico, sendo os resultados das simulações pontualmente comparados com os
valores de vento provenientes de quatro estações anemométricas do INETI. Na figura (5.1),
apresenta-se o organigrama da metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico.

Figura 5.1 – Organigrama representativo da metodologia de desenvolvimento do atlas do
potencial eólico.

Numa primeira fase, optou-se por simular o ano completo de 1999, tendo sido corrigido os
resultados obtidos com o factor médio de desvio da variabilidade interanual com base em
quatro estações do INETI. A selecção do ano de 1999 relaciona-se com a disponibilidade de
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

62
dados experimentais para verificação e eventual calibração das simulações numéricas. Numa
segunda fase, recorreu-se ao processo de identificação de regimes de tempo, calculados para o
ano de 1999, e para os sete anos de dados (1992,1994,1998-2002) simulando-se os dias
representativos de cada regime, e tendo-se efectuado o compósito do recurso com base no
peso das suas frequências de ocorrência. Para a situação de determinação dos valores médios
por ponderação de regimes não se efectuou qualquer ajuste de variabilidade inter-anual.
Na figura (5.2), apresenta-se o conjunto de estações de referência do INETI, utilizadas para a
verificação dos resultados, estando estas situadas em locais propícios aos efeitos de
concentração do vento no terreno e, como tal caracterizadas por um potencial eólico mais
elevado que a média.

Figura 5.2 – Mapa com a localização das estações anemométricas do INETI para o estudo
do atlas do potencial eólico.

Na tabela 5.I e 5.II apresentam-se respectivamente, as coordenadas das estações e
informações da área em redor destas. Na tabela 5.III apresenta-se a data de início da
campanha para cada estação.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

63
Tabela 5.I – Geo-referenciação das estações anemométricas do INETI.
SIST. WGS84
GEOGRÁFICAS (º)
SIST. HAYFORD -
GAUSS
DATUM LISBOA (m)
SIST. UTM
DATUM ED50 (m)
Estação Latitude Longitude Latitude Longitude Latitude Longitude
IN_01 - S. João Lampas 38º 52’ 50.3’’(N) 9º 24’ 8.9’’(W) 213323 089852 4303820 465211
IN_04 – Vila do Bispo 37º 4’ 46.6’’(N) 8º 52’ 43.8’’(W) 012909 133686 4103920 510891
IN_32 - Gardunha 40º 04’ 51.2’’(N) 7º 31’ 38.7’’(W) 345991 251662 4437988 625676
IN_33 - Arruda 38º 58’ 22.1’’(N) 9º 06’ 15.0’’(W) 223238 115845 4313976 491097


Tabela 5.II – Altitude das estações e altura dos sensores de velocidade e direcção das
estações anemométricas do INETI.
ALTURA DOS SENSORES
ESTAÇÃO
ALTITUDE
DA ESTAÇÃO
Velocidade Direcção
OBSERVAÇÕES
IN_01
S. João Lampas
152m 10m 10m
A estação IN01 fica situada num monte
de pequeno declive, orientado na
direcção predominante do vento a
152m de altitude. É uma zona costeira
e de vegetação essencialmente rasteira.
perto da Serra de Sintra.
IN_04
Vila do Bispo
104m 10m 10m
A estação IN04 fica situada numa
planície irregular a 104m de altitude. O
terreno que circunda o mastro é
utilizado essencialmente para pasto.
IN_32
Gardunha
1210m 10m 20m
A estação IN32 está situada numa zona
montanhosa de vegetação rasteira a
1210m de altitude.
IN_33
Arruda
398m 10m 20m
A estação IN33 está situada num
monte de declive médio caracterizado
por vegetação rasteira a 398m de
altitude.

Tabela 5.III – Data de início da campanha de monitorização.
Estação Início de campanha
IN_01 - S. João Lampas Fevereiro 1993
IN_04 – Vila do Bispo Março 1991
IN_32 – Gardunha Abril 1999
IN_33 – Arruda Maio 1999

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

64
5.1 Modelo atmosférico
Para desenvolver o atlas do potencial eólico de Portugal Continental, seleccionou-se o modelo
de mesoscala MM5 - “Fifth generation Mesoscale Model” [Grell et al., 1995] desenvolvido
pelo PSU/NCAR – “Pennsylvania State University / National Center for Atmospheric
Research, EUA”, na versão 3.6.0, sendo relativamente actualizado no que se refere à
formulação física, apresentando igualmente a vantagem de ser distribuído livremente
(“freeware”).
Dada a complexidade dos “pacotes físicos” de parametrização do modelo, é impossível
proceder à sua descrição, pelo que se apresentam, de forma sucinta, os sub-programas
necessários para efectuar qualquer simulação. O modelo MM5 é um modelo atmosférico de
mesoscala de acesso livre, sendo continuamente aperfeiçoado através da contribuição de
diversos utilizadores em universidades e institutos de investigação em todo o mundo.
Este modelo utiliza coordenadas sigma [e.g., Haltiner and Williams, 1980] que acompanham
o terreno, tornando-o capaz de simular e prever circulações de mesoscala ou escala regional.
O MM5 é composto por um conjunto de módulos independentes utilizando informação
adequada a cada um. O conjunto de informação processada por cada módulo constitui a base
de dados para as simulações do programa principal - MM5, que fornece os prognósticos dos
campos das grandezas meteorológicas. Os dados meteorológicos de superfície e as análises,
são interpolados através das sub-rotinas TERRAIN e REGRID para os domínios de
simulação. Estes programas definem o domínio (área em análise) e projecção dos mapas nos
quais são utilizadas as informações de topografia e uso do solo. É ainda possível definir
domínios aninhados com o objectivo de aumentar a resolução das simulações.
O módulo TERRAIN, permite processar a orografia e pode utilizar dados de várias fontes,
como por exemplo a base de dados geográficos de alta resolução GTOPO30, para processar
os dados de orografia e rugosidade. O modelo de orografia GTOPO30 tem resolução espacial
de 30” de arco (da ordem de 0.925 km), com informações que cobrem a totalidade do planeta.
O módulo REGRID utiliza os dados provenientes das análises como primeira inicialização
(“first guess”) do modelo e executa, posteriormente, interpolações dos parâmetros
meteorológicos para todos os pontos da grelha definidos para o domínio principal e sub-
domínios. O módulo INTERPF realiza a interpolação vertical dos níveis de pressão para o
sistema de coordenadas sigma que acompanham a superfície e permite criar as condições
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

65
fronteira para o MM5. No módulo NESTDOWN cria-se condições fronteira para iniciar o
modelo MM5 utilizando os campos de prognóstico produzidos pelo modelo.

5.2 Condições iniciais e de fronteira
Para realizar as simulações, construiu-se um conjunto de quatro domínios tri-dimensionais e
aninhados. Na figura (5.3) apresentam-se as respectivas áreas de simulação.


Figura 5.3 – Domínios de simulação do MM5 para o desenvolvimento do atlas do
potencial eólico.

Na tabela 5.IV apresentam-se as dimensões dos pontos de grelha para cada um dos domínios,
a resolução espacial e o passo de tempo de simulação considerado.


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

66
Tabela 5.IV – Dimensões dos domínios e passo de tempo das simulações
Dominio Dimensões de grelha
nx×ny×nσ
Resolução
espacial
Passo de tempo
(s)
D1 52×63×32 81 km 240
D2 54×72×32 27 km 81
D3 111×96×32 9 km 27
D4 276×171×32 3 km 9

As simulações numéricas são efectuadas com as análises do NCAR -“National Center for
Atmospheric Research” - (Projecto Reanalyis), contendo os campos tridimensionais das
variáveis meteorológicas
4
em 17 níveis verticais (ficheiros pgrb3d*) e 5 níveis de solo
5

(ficheiros grb2d*). É de salientar que os campos processados pelo NCAR contêm informação
horizontal numa malha de 2.5º x 2.5º (aprox. 275×275km) nos níveis obrigatórios em altitudes
padrão, os quais servem para a previsão numérica do tempo, e para fins aeronáuticos. Todas
as simulações foram efectuadas com recurso às análises das 00h, 06h, 12h e 18h TUC diárias,
servindo estas de condição fronteira para o domínio 1 (81km de resolução espacial).
Na primeira fase – simulação do ano completo de 1999, e por questões de tempo e logística
computacional, optou-se por simular separadamente cada um dos quatro domínios. Iniciou-se
o conjunto de simulações com o domínio 1, guardando-se os resultados de 2 em 2 horas. Após
o fim da simulação, os dados foram introduzidos no módulo NESTDOWN, gerando este as
condições fronteira para o domínio 2. Após este procedimento iniciou-se as simulações com
este domínio, guardando-se também os resultados de 2 em 2 horas. A partir daqui, o processo
torna-se cíclico até chegar à malha de maior refinamento espacial de 3×3km (domínio 4),
sendo os resultados deste domínio, os mapas do atlas do potencial eólico. Relativamente às
simulações dos regimes de tempo, optou-se por simular todos os domínios encadeados, dada a
capacidade do MM5 em realizar tal tarefa, sendo necessário simular um único dia por regime.
Neste caso, não se fez uso do módulo NESTDOWN. Para o domínio de maior refinamento,
foram criados ficheiros de saida, com dados de vento processados a cada passo de tempo, nos
pontos de grelha mais próximos das estações do INETI, com vista à verificação/validação dos
dados.

4
Temperatura, componentes horizontais do vento, humidade relativa , altitude e pressão atmosférica.
5
São processados dados sobre a temperatura e humidade do solo em cinco níveis abaixo da superfície.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

67
Dado que o recurso energético do vento se confina a poucas dezenas de metros acima da
superfície terrestre, realizou-se, numa fase inicial, um conjunto de simulações de controle com
o modelo de mesoscala, por forma a seleccionar o pacote de parametrizações da camada
limite mais adequado, para reproduzir, embora com alguma aproximação, a evolução do
escoamento atmosférico na superfície terrestre.
Desta forma, foram feitas algumas simulações de controle - não apresentadas neste trabalho,
somente para quatro dias do ano de 1999 (01-Março, 01-Julho, 01-Outubro, 01-Dezembro),
tendo-se simulando um período de 24 horas para saber qual das parametrizações disponíveis
no modelo, seria a mais adequada para representar o ciclo diário de vento na malha mais
refinada (3×3km), comparando-se os prognósticos do campo do vento com as medidas das
estações do INETI. Na tabela 5.V mostram-se as opções e parametrizações físicas incluidas
nas simulações do atlas do vento, para cada um dos domínios de simulação.

Tabela 5.V – Opções e parametrizações físicas utilizadas nas simulações [Grell et al.,
1995]
Domínios de simulação
D1 D2 D3 D4
Simulações
MM5 ver. 3.6.0
Atlas
81 km 27 km 9 km 3 km
Terreno USGS USGS USGS USGS
Rugosidade
USGS
(24 cat.)
USGS
24 cat.)
USGS
(24 cat.)
USGS
(24 cat.)
Dados 3D
NCAR
[2.5ºx2.5º]

Dados superfície e solo
NCAR
[2.5ºx2.5º]

Parametrização Cúmulos Grell Grell Grell -
Microfísica Simple Ice Simple Ice Simple Ice Simple Ice
Camada limite atmosférica MRF MRF MRF
Gayno-
Seaman
Radiação
Cloud-
Radiation
Cloud-
Radiation
Cloud-
Radiation
Cloud-
Radiation
Modelo solo NOAH NOAH NOAH NOAH
Assimilação de dados - - - -

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

68
5.3 Caracterização do terreno e da rugosidade
Para representar a topografia de Portugal Continental nas simulações numéricas, foi utilizado
o modelo digital de terreno proveniente da base de dados geográfica do projecto GTOPO30 -
“Global 30 arc-second TOPOgraphic data” desenvolvido pelo USGS – “United States
Geological Survey” [USGS, 2004a] no MM5. A orografia deste projecto tem,
aproximadamente, 1km de resolução espacial, tendo o módulo TERRAIN capacidade para
interpolar a topografia desde os 81km até aos 3km de resolução espacial.
A rugosidade utilizada nas simulações, foi proveniente do mesmo banco de dados [USGS,
2004b] classificando o uso do solo (resolução espacial de 1km) da superfície terrestre em 24
classes, como por exemplo: floresta, água e campo. No anexo I, apresenta-se a tabela com a
descrição das 24 classes do uso do solo e alguns dos parâmetros físicos para o hemisfério
Norte no período de Verão (15 de Abril a 15 de Outubro) e no período de Inverno (15 de
Outubro a 15 de Abril). Na figura (5.4) apresenta-se para a malha mais refinada, o terreno e o
parâmetro de rugosidade (z
0
) médio.


(a) (b)
Figura 5.4 – Figura (a) – orografia (m); figura (b) - parâmetro de rugosidade médio (z
0
)
(m).

m
m
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

69
6. Resultados da aplicação dos modelos e metodologias
Os mapas apresentados neste trabalho foram processados para três alturas: 10m (referência
meteorológica), 60 e 80m (níveis de referência em energia eólica). Para os regimes
característicos, consideraram-se apenas as alturas de 10m e 80m. Desta forma, calcularam-se
as seguintes grandezas relevantes para a avaliação do potencial eólico: rumo e intensidade do
vento, fluxo de potência, parâmetros de escala e forma da distribuição de Weibull, intensidade
de turbulência, e mapas com a distribuição espacial do número de horas anuais de
funcionamento à potencia nominal para três aerogeradores de referência em energia eólica,
nomeadamente:GEWE 1.5sl de 1500kW a 60m, VESTAS V80 de 2000kW a 80m e
NORDEX N90 de 2300kW a 80m. A figura 6.1 mostra as curvas de potência dos conversores
utilizadas nas simulações.
Curvas de Potência
0
500
1000
1500
2000
2500
0 5 10 15 20 25 30
velocidade (m/s)
P
o
t
ê
n
c
i
a

(
k
W
)
GEWE 1.5sl 1500kW
VESTAS V80 2000kW
NORDEX N90 2300kW

Figura 6.1 – Curvas de potência para os conversores: GEWE 1.5sl de 1500kW de
potência nominal, VESTAS V80 de 2000kW e NORDEX N90 de 2300kW.

A intensidade de turbulência (IT) foi calculada em cada instante, pela seguinte expressão
[Undheim, 2003]:
( )
U
TKE
IT
2 / 1
3
2
=
(6.1)
Sendo TKE a energia cinética turbulenta e U a velocidade horizontal do vento. Para a
simulação do ano de 1999, apresenta-se também os mapas médios da densidade e pressão
atmosférica junto do solo e a velocidade vertical aos 80m. No anexo II, apresenta-se a título
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

70
de curiosidade, o campo da precipitação acumulada à superfície e o campo da temperatura
média a 2m do solo, obtidos com o modelo MM5, na grelha mais refinada para o ano de
1999.
Relativamente aos regimes característicos de circulação, optou-se por simular para cada classe
as seguintes grandezas: o fluxo de potência e o rumo/intensidade do vento.
6.1 Atlas do potencial eólico para o ano de 1999
Para simular o ano completo de 1999, houve a necessidade de calcular o desvio dos valores
médios da intensidade de vento registados neste ano face aos valores médios de longo termo
(variabilidade inter-anual). Este procedimento é somente aplicado à intensidade e não à
direcção do vento. É de referir que, no que respeita à distribuição por classes desse parâmetro,
a mesma é afectada pelo factor de correção na mesma proporção da velocidade média sendo
alterado o parâmetro de escala da distribuição de Weibull da série, mas não a forma desta.
Para tal, efectuou-se um estudo pontual com base nas quatro estações de referência do INETI.
Na tabela 6.I, apresentam-se as velocidades médias das estações e os desvios face ao longo
termo.
Tabela 6.I – Análise da variabilidade inter-anual para o ano de 1999.
Estação Velocidade média
no ano de 1999
(m/s)
Velocidade de
longo termo
(m/s)
Desvio
(%)
IN01 – São João Lampas 4.74 4.91 -3.46
IN04 – Vila do Bispo 6.51 6.78 -3.98
IN32 – Gardunha 6.72 7.01 -4.14
IN33 - Arruda 6.96 7.17 -2.93
Desvio médio -3.63

Da tabela 6.I verifica-se que as velocidades médias das estações no ano de 1999 foram
inferiores à média de longo termo apresentando desvios reduzidos e muito semelhantes entre
si. Desta forma, optou-se por aplicar aos campos de prognóstico do vento o factor resultante
do desvio médio (correcção multiplicativa de +3.63%), sem necessidade de efectuar estudos
de interpolação espacial na aplicação do desvio.
A verificação dos dados simulados neste atlas é feita sob várias vertentes: comparam-se rosas
de vento e de potências, distribuições de Weibull, gráficos de dispersão, corrrelações, séries
de velocidade e direcção mensais, tabelas de desvios e erros médios quadráticos mensais e
anuais da velocidade e direcção e tabelas com parâmetros de Weibull e Fluxo de Potência por
sector. Este processo é efectuado com base na construção de ficheiros de saída do modelo,
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

71
registando, a cada passo de tempo, as componentes da velocidade e direcção nos pontos de
grelha mais próximos das estações. Posteriormente, é feita a média das séries temporais
(dados de 10 em 10 minutos), comparando-se com os resultados observados com a mesma
frequência de aquisição. É de realçar que, no estudo de verificação dos resultados, não se
entrou em conta com os dados provenientes dos pontos de grelha adjacentes às estações.
Espera-se corrigir este procedimento num trabalho futuro.
Nas figuras seguintes, apresentam-se os campos simulados das grandezas atrás referidas. Em
particular, na figura 6.2, mostram-se os mapas médios simulados da intensidade do vento
(m/s) para as alturas de 10m, 60m e 80m. Na figura 6.3 apresentam-se os mapas do rumo e
intensidade do vento para as mesmas alturas. Os mapas do fluxo de potência do vento (W/m
2
)
e intensidade de turbulência (%) são apresentados nas figuras 6.4 e 6.5 respectivamente.
Os parâmetros de escala (m/s) e de forma (adimensional) da distribuição de Weibull aparecem
mapeados nas figuras 6.6 e 6.7. Foram elaborados três mapas médios do número de horas
anuais de funcionamento à potência nominal para os seguintes conversores: GEWE 1500kW a
60m, VESTAS V80 2000kW a 80m e NORDEX N90 2300kW a 80m, apresentados na figura
6.8.
Na figura 6.9 ilustra-se o campo médio horizontal da velocidade vertical (m/s) a 80m de
altitude. Na mesma figura, incluem-se os mapas médios da densidade do ar (kg/m
3
) e pressão
atmosférica (hpa) junto do solo. Estas grandezas não têm, em geral, na fase de identificação
de potencial eólico, grande relevância neste sector. Contudo, e face à variação directa da
potência do escoamento incidente numa turbina com a densidade do fluido, nos estudos de
produção energética de parques eólicos e micro-posicionamento de turbinas são introduzidos
valores de densidade do ar observados localmente ou calculados de forma aproximada.



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

72




(a) (b) (c)
Figura 6.2 – Mapas médios simulados da intensidade do vento (m/s): (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.


[m/s]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

73




10 m/s

10 m/s

10 m/s

(a) (b) (c)
Figura 6.3 – Mapas médios simulados do rumo e intensidade do vento: (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.


[m]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

74




(a) (b) (c)
Figura 6.4 – Mapas médios do fluxo de potência (W/m
2
) : (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.


[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

75




(a) (b) (c)
Figura 6.5 – Mapas médios simulados da intensidade de turbulência (%): (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.

[%]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

76





(a) (b) (c)
Figura 6.6 – Mapas médios simulados do parâmetro de escala da distribuição de Weibull (m/s): (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.


[m/s]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

77




(a) (b) (c)
Figura 6.7 – Mapas médios do parâmetro de escala (adimensional) da distribuição de Weibull: (a) 10m; (b) 60m; (c) 80m.

[adim.]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

78



(a) (b) (c)
Figura 6.8 – Mapas médios do número de horas anuais de funcionamento à potência nominal para os conversores: (a) GEWE 1500kW a 60m; (b)
VESTAS V80 2000kW a 80m; (c) NORDEX N90 2300kW a 80m.


[h
ano
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

79



(a) (b) (c)
Figura 6.9 – Mapas médios: (a) velocidade vertical [m/s] a 80m do solo; (b) densidade do ar à superfície [kg/m
3
]; (c) pressão atmosférica à
superfície [hpa].

[Kg/m
3
] [hpa] [m/s]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

80
6.1.1 Verificação dos resultados
Apresenta-se de seguida, nas tabelas 6.II a 6.XVI, a verificação dos resultados obtidos com o
modelo para a altura de 10m, com base nos dados processados em médias de 10 minutos,
período este correspondente aos registos dos valores experimentalmente observados. Em
particular, as tabelas 6.XIII a 6.XVI evidenciam os resultados médios obtidos por sector e
global, para a velocidade média, fluxo de potência e parâmetros da distribuição de Weibull.
Tabela 6.II – Velocidades, desvios e erros médios quadráticos mensais dos dados da
velocidade entre valores observados e os dados do atlas para o ano de 1999.

VELOCIDADES MENSAIS – valores observados e simulados

IN01 IN04 IN32 IN33
obs sim obs sim obs sim obs sim
Jan 4.18 4.17 4.54 4.05 --- --- --- ---
Fev 4.87 4.75 6.64 4.34 --- --- --- ---
Mar 4.90 4.62 5.56 4.48 --- --- --- ---
Abr 5.13 4.76 6.53 4.68 7.06 5.12 --- ---
Mai 4.41 3.93 5.82 4.11 6.02 4.24 5.99 3.98
Jun 4.61 4.03 7.72 5.05 5.32 4.24 6.67 4.64
Jul 4.96 4.39 7.70 5.33 4.72 3.89 4.95 2.71
Ago 5.16 4.38 8.42 5.17 4.82 4.36 7.71 4.95
Set 4.43 4.00 5.24 3.52 5.67 3.92 6.59 4.51
Out 4.71 5.41 5.72 4.79 6.53 5.08 7.02 5.45
Nov 4.54 5.13 4.90 4.05 7.49 4.94 5.95 4.23
Dez 4.88 4.92 4.70 4.50 7.53 4.63 6.32 4.32
Anual 4.73 4.54 6.12 4.51 6.13 4.49 6.40 4.35

DESVIOS MENSAIS – VELOCIDADE

IN01 IN04 IN32 IN33
Dv* Rms** Dv rms dv rms dv rms
Jan +0.01 2.13 +0.49 2.97 --- --- --- ---
Fev +0.12 2.2 +2.3 3.17 --- --- --- ---
Mar +0.28 2.14 +1.08 2.87 --- --- --- ---
Abr +0.37 1.87 +1.85 3.13 +1.94 3.44 --- ---
Mai +0.48 1.94 +1.71 2.67 +1.78 3.02 +2.01 2.94
Jun +0.58 1.56 +2.67 3.61 +1.08 2.51 +2.03 3.1
Jul +0.57 1.6 +2.37 3.41 +0.83 2.28 +2.24 3.18
Ago +0.78 1.72 +3.25 4.23 +0.46 2.34 +2.76 3.57
Set +0.43 1.84 +1.72 2.99 +1.75 3.17 +2.08 3.06
Out -0.7 2.17 +0.93 3.32 +1.45 2.95 +1.57 2.92
Nov -0.59 2.08 +0.85 2.47 +2.55 3.93 +1.72 2.55
Dez -0.04 1.91 +0.2 2.51 +2.9 4.53 +2 2.98
Anual +0.19 1.93 +1.59 3.13 +1.66 3.22 +2.04 3.04
* desvio médio (m/s); ** erro médio quadrático (m/s)

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

81
Tabela 6.III – Desvios mensais da direcção entre os dados observados e os dados do atlas
para o ano de 1999.
DESVIOS MENSAIS – DIRECÇÃO
IN01 IN04 IN32 IN33
Jan +7.97 +6.59 --- ---
Fev +8.89 +7.46 --- ---
Mar +7.48 +7.87 --- ---
Abr +5.55 +7.13 --- ---
Mai +7.1 +1.78 --- +17.08
Jun +12.97 +13.38 +2.34 -26.74
Jul +22.79 +10.63 +4.27 -33.05
Ago +1.58 +2.53 +1.67 -18.9
Set +24.98 +14.22 +1.79 -21.76
Out +9.25 +3.73 +15.08 +19.48
Nov +6.94 +0.69 +14.53 +15.91
Dez +0.67 +4.13 +19.93 +4.12
Anual +9.63 +5.6 +6.91 +19.62

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

82

Tabela 6.IV – Correlações (%), índices de ajuste das rectas (R
2
), desvios e erro médio quadrático entre os dados observados e os dados atlas para
o ano de 1999. Dados processados em médias de 10 minutos.
RESULTADOS GLOBAIS – ANO 1999
Comparação entre os dados observados e dados atlas (h=10m)

Desvio médio
[m/s]
Erro médio
quadrático
[m/s]
Correlação
(%)
R
2

(%)
IN_01 – S. João Lampas +0.19 1.93 61 85
IN_04 – Vila do Bispo +1.59 3.13 54 83
IN_32 - Gardunha +1.66 3.22 58 83
IN_33 - Arruda +2.04 3.04 64 88

Tabela 6.V – Gráficos de dispersão e declives de recta entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.
IN_01 - S. João Lampas IN_04 - Vila do Bispo IN_32 - Gardunha IN_33 - Arruda


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

83
Tabela 6.VI – Rosa de ventos entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

ROSA DE VENTOS
10 10 10 10 %
2 a 5 6 a 20 21 a 50 > 51 km/h
<2


IN_01
S. João Lampas
IN_04
Vila do Bispo
IN_32
Gardunha
IN_33
Arruda
Dados
observados
(10 min.)








Dados
atlas
(10 min.)







Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

84
Tabela 6.VII – Rosa de potencias entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

ROSA DE POTÊNCIAS
<10
10 a 200 200 a 400 400 a 600 > 600 W/m2
10 10 10 10 %


IN_01
S. João Lampas
IN_04
Vila do Bispo
IN_32
Gardunha
IN_33
Arruda
Dados
observados
(10 min.)



Dados
atlas
(10 min.)




Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

85
Tabela 6.VIII – Distribuição de Weibull entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.
DISTRIBUIÇÃO DE WEIBULL
IN_01
S. João Lampas
IN_04
Vila do Bispo
IN_32
Gardunha
IN_33
Arruda
Dados
observados
(10 min.)


Dados
atlas
(10 min.)




Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

86

Tabela 6.IX – Séries mensais para a estação IN01 – São João das Lampas, entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 - S.JOÃO LAMPAS
JANEIRO FEVEREIRO MARÇO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E




D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

87

Tabela 6.IX – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 - S.JOÃO LAMPAS
ABRIL MAIO JUNHO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O







Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

88

Tabela 6.IX – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 - S.JOÃO LAMPAS
JULHO AGOSTO SETEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O





Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

89

Tabela 6.IX – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 - S.JOÃO LAMPAS
OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

90

Tabela 6.X – Séries mensais para a estação IN04 – Vila do Bispo, entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO
JANEIRO FEVEREIRO MARÇO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O








Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

91

Tabela 6.X – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO
ABRIL MAIO JUNHO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

92

Tabela 6.X – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO
JULHO AGOSTO SETEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

93

Tabela 6.X – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO
OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

94

Tabela 6.XI – Séries mensais para a estação IN32 – Gardunha, entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA
ABRIL MAIO JUNHO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

95

Tabela 6.XI – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA
JULHO AGOSTO SETEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

96

Tabela 6.XI – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA
OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

97

Tabela 6.XII – Séries mensais para a estação IN33 – Arruda, entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA
ABRIL MAIO JUNHO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E

n.d
*

D
I
R
E
C
Ç
Ã
O

n.d
*

*
dados não disponíveis.



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

98

Tabela 6.XII – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA
JULHO AGOSTO SETEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

99

Tabela 6.XII – continuação

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA
OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO
V
E
L
O
C
I
D
A
D
E


D
I
R
E
C
Ç
Ã
O






Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

100


Tabela 6.XIII – Parâmetros globais da estação IN01 – São João das Lampas. Resultados para o ano de 1999.
D
A
D
O
S

O
B
S
E
R
V
A
D
O
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 6.17 5.08 3.76 4.04 4.8 4.97 4.81 4.52 5.34 5.1 5.81 5.65 5.21 5.1 5.16 5.48 5.28
k 2.49 2.16 2.31 1.96 2.07 2.05 2.52 2.19 1.92 2.25 1.89 2.11 2.05 2.11 2.33 2.5 2.17
v (m/s) 5.57 4.52 3.37 3.59 4.2 4.37 4.08 3.76 4.46 4.51 5.26 5.24 4.69 4.47 4.65 5.21 4.73
P (W/m2) 158.25 98.17 39.43 57.51 89.32 97.53 67.23 65.28 123.71 95.23 170.77 138.82 111.43 97.13 103.67 124.74 112.35
Freq. % 16.72 7.46 4.59 3.88 4.74 4.44 5.51 2.37 2.84 3.9 5.16 6.14 5.47 5.18 9.13 12.47 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros

D
A
D
O
S

A
T
L
A
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 5.69 4.38 3.92 4.13 4.96 5.2 5.48 4.63 4.46 5.23 5.97 6.08 5.59 5.54 5.05 5.09 5.2
k 2.6 2.54 2.63 2.32 2.38 2.51 2.34 1.87 2.12 2.06 2.06 2.44 2.13 2.17 2.4 2.86 2.29
v (m/s) 4.82 3.74 3.52 3.68 4.52 4.67 4.8 3.9 4.01 4.76 5.31 5.51 4.97 5.04 4.48 4.74 4.54
P (W/m2) 103.09 51.01 40.51 52.49 90.37 94.06 113.36 77.33 70.34 111.17 160.01 157.12 134.81 137.12 87.47 89.16 95.32
Freq. % 13.41 10.28 6.68 4.52 6.27 5.07 4.99 2.66 2.64 3.51 4.74 5.57 4.77 5.07 7.11 12.7 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros








Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

101


Tabela 6.XIV – Parâmetros globais da estação IN04 – Vila do Bispo. Resultados para o ano de 1999.
D
A
D
O
S

O
B
S
E
R
V
A
D
O
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 8.57 4.71 3.37 3.97 4.46 5.96 4.82 3.89 4.36 4.55 5.75 5.61 5.61 5.7 5.99 8.12 6.48
k 2.65 2.11 1.89 1.78 2.01 1.65 1.65 1.63 1.71 1.93 1.73 1.6 1.91 1.94 2.16 2.68 1.99
v (m/s) 7.98 4.12 2.94 3.45 4.16 5.56 4.44 3.39 4.12 4.18 5.36 5.02 4.82 5.21 5.45 7.53 6.11
P (W/m2) 440.62 74.91 32.99 55.99 84.58 202.63 119.73 64.82 94.85 83.33 195.93 191.07 139.8 158.74 163.34 370.49 259.49
Freq. % 24.67 4.46 1.9 3.6 4.93 4.12 3.72 2.37 2.4 2.45 2.4 3.04 3.84 4.93 8.32 22.85 100
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência

D
A
D
O
S

A
T
L
A
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 5.28 3.73 3.51 4.32 5.39 5.25 4.51 3.75 4.47 4.72 5.3 5.12 5.28 4.85 4.76 5.71 5.18
k 3.26 2.67 2.4 2.81 2.15 1.83 1.4 1.34 1.41 1.84 1.91 1.95 2.15 2.32 2.53 3.21 2.27
v (m/s) 4.61 3.12 3.02 3.74 4.8 4.77 3.98 3.31 4.07 4.37 4.71 4.47 4.81 4.35 4.21 5.37 4.52
P (W/m2) 82.38 28.68 27.49 46.04 121.16 136.3 124.67 77.82 108.97 103.89 128.56 102.66 114.79 85.45 69.67 121.63 92.33
Freq. % 16.83 4.71 3.9 9.27 7.29 3.2 1.45 1.23 1.31 1.99 3.53 3.3 4.75 5.52 8.39 23.33 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros








Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

102


Tabela 6.XV – Parâmetros globais da estação IN32 – Gardunha. Resultados para o ano de 1999.
D
A
D
O
S

O
B
S
E
R
V
A
D
O
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 4.36 6.46 8.54 6.94 5.42 6.04 6.26 5.29 4.82 5.96 7.2 7.9 9.14 8.54 7.32 6.46 7.24
k 1.89 2.48 2.36 2.27 2.97 3 1.89 1.92 1.82 1.79 2.06 2.19 2.02 1.97 2.1 2.13 1.98
v (m/s) 3.33 5.61 7.75 6.02 4.89 5.33 5.49 4.77 3.92 4.88 6.28 7.29 8.63 7.26 5.85 5.58 6.1
P (W/m2) 47.79 185.58 478.41 266.29 101.41 134.29 215.73 136.59 80.32 148.13 300.35 404.89 702.69 514.69 227.33 204.91 289.25
Freq. % 3.29 6.11 9.48 4.19 6.5 5.94 3.6 2.34 2.9 4.19 6.66 5.81 7.7 6.85 12.54 11.9 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros

D
A
D
O
S

A
T
L
A
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 5.24 5.72 4.34 3.79 3.65 3.39 2.95 2.94 3.58 4.74 4.92 6.1 6.22 5.57 6.13 4.15 5.17
k 2.75 2.65 2.22 2.78 2.46 2.03 2.26 2.09 1.96 1.8 1.88 2.02 1.97 2.12 2.85 2.73 2.07
v (m/s) 4.48 5.39 3.84 3.33 3.33 3.05 2.58 2.64 3.01 4.01 4.16 5.61 5.67 5.05 5.54 3.64 4.51
P (W/m2) 84.49 135.77 58.75 32.97 35.46 33.1 18.36 20.95 33.82 80.11 89.91 205.59 198.23 134.49 151 44.54 103.76
Freq. % 8.09 12.07 3.89 5.93 5.17 3.42 2.76 2.68 3.9 5.09 5.57 5.82 5.9 5.13 19.11 5.47 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros








Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

103

Tabela 6.XVI – Parâmetros globais da estação IN33 – Arruda. Resultados para o ano de 1999.
D
A
D
O
S

O
B
S
E
R
V
A
D
O
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 5.88 4.28 5.03 5.22 4.5 5.16 6.14 4.92 6.13 8.13 7.86 8.18 7.51 7.58 8.67 7.79 7.36
k 2.08 2.3 2.48 2.64 2.38 1.82 1.83 2.14 2.48 2.36 2.34 2.32 2.32 3.02 2.99 2.62 2.35
v (m/s) 5.2 3.75 4.46 4.47 3.95 4.5 5.41 4.3 5.34 6.95 6.84 7.19 6.33 6.75 7.89 7.07 6.5
P (W/m2) 156.32 54.2 82.7 83.1 61.73 122.87 210.68 89.29 147.95 352.51 323.57 386.93 267.8 259.98 401.79 299.32 274.6
Freq. % 3.19 2.4 5.68 4.82 1.8 1.26 1.62 1.73 3.92 6.31 6.08 6.51 7.78 15.09 23.27 8.54 100
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros

D
A
D
O
S

A
T
L
A
S

0 22.5 45 67.5 90 112.5 135 157.5 180 202.5 225 247.5 270 292.5 315 337.5
A (m/s) 5.19 3.55 4.23 4.23 3.58 3.54 3.86 4.53 3.85 4.86 5.87 6.18 5.98 4.81 4.9 5.55 5.17
k 2.96 2.86 2.78 3.4 3.11 2.09 1.92 2.15 2.54 2.31 2.28 2.39 2.46 2.69 3.19 3.29 2.54
v (m/s) 4.48 3.16 3.5 3.75 3.1 3.17 3.21 3.73 3.4 4.2 5.13 5.51 5.4 4.23 4.52 5.12 4.45
P (W/m2) 84.81 26.77 43.74 45.62 25.16 37.06 44.86 72.25 39.41 80.41 146.19 163.04 154.18 67.43 73.41 105.82 85.87
Freq. % 7.43 2.95 4.55 6.7 4.3 1.59 1.81 2.57 3.08 5.05 5.12 5.5 5.59 6.8 14.34 22.61 100
Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.
A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull; v = Velocidade média; P = Fluxo de potência
Sectores (º)
TOTAL Parâmetros



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

104


Figura 6.10 – Rosas de vento processadas para a altura de 80m. Simulação 1999 -
domínio 4 (3×3km).


Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

105



Figura 6.11 – Rosas de potências processadas para a altura de 80m. Simulação 1999 -
domínio 4 (3×3km).

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

106
6.2 Atlas do potencial eólico obtido pelos regimes de circulação
Neste trabalho, tal como mencionado no capítulo 5, optou-se por simular os dias
representativos do conjunto de sete anos de dados (1992; 1994; 1998 a 2002). Processou-se,
para cada regime: o campo médio diário da velocidade do vento (m/s), o fluxo de potência
(W/m
2
) e o rumo/intensidade do vento para os 80m. Efectuaram-se os mapas compósitos
(com base no peso das frequências dos 52 anos de dados) para as grandezas descritas,
apresentando-se na figura 6.12 os resultados obtidos para o campo da velocidade média do
vento e fluxo de potência aos 80m.


(a) (b)
Figura 6.12 – Mapas compósitos simulados com base no peso das frequências de
ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002) para: (a)
velocidade média do vento [m/s] a 80m; (b) fluxo de potência [W/m
2
] a 80m.

Nas figuras (6.13) a (6.22) apresentam-se os mapas do campo médio do vento, fluxo de
potência e rumo/intensidade do vento, dos dez regimes mais significativos no período de 52
anos de dados (1951 a 2002), nomeadamente os regimes: H, NE, N, W, L, NW, E, SW, H+N
e H+NE. Todos os mapas foram processados para a altura de 80m acima do nível do solo.
[m/s] [W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

107


(a) (b) (c)
Figura 6.13 – Mapas médios simulados para o regime H: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

108



(a) (b) (c)
Figura 6.14 – Mapas médios simulados para o regime NE: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.

[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

109




(a) (b) (c)
Figura 6.15 – Mapas médios simulados para o regime N: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m

[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

110



(a) (b) (c)
Figura 6.16 – Mapas médios simulados para o regime W: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.


[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

111


(a) (b) (c)
Figura 6.17 – Mapas médios simulados para o regime L: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

112


(a) (b) (c)
Figura 6.18 – Mapas médios simulados para o regime NW: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

113


(a) (b) (c)
Figura 6.19 – Mapas médios simulados para o regime E: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

114


(a) (b) (c)
Figura 6.20 – Mapas médios simulados para o regime SW: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

115


(a) (b) (c)
Figura 6.21 – Mapas médios simulados para o regime H+N: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a
80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

116


(a) (b) (c)
Figura 6.22 – Mapas médios simulados para o regime H+NE: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento
a 80m.



[m/s]
[W/m
2
]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
117
6.2.1 Verificação dos resultados
A verificação dos resultados do mapeamento das grandezas obtido com base na ponderação
dos regimes característicos, é feita com base na comparação entre os valores de velocidade e
direcção observados (10m acima do solo) e simulados para cada regime. Os dados aqui
apresentados foram processados em médias de 10 em 10 minutos.

Tabela 6.XVII – Valores observados e simulados da velocidade do vento a 10m acima do
solo, para cada regime e estação anemométrica.
IN01 IN04 IN32 IN33
Regimes Obs* Sim** Desv*** Obs Sim Desv Obs Sim Desv Obs Sim Desv
H 1.73 2.2 +27.17 3.88 4.02 +3.61
L 3 2.99 -0.33 3.85 2.35 -38.96 3.99 2.51 -37.09 3.35 2.61 -22.09
N 3.5 3.14 -10.29 5.5 7.38 +34.18
NE 4.61 4.21 -8.68 5.86 5.61 -4.27 5.54 5.25 -5.23 5.79 5.1 -11.92
E 3.8 3.22 -15.26 4.86 4.21 -13.37 4.89 4.29 -12.27 3.86 3.6 -6.74
SE 5.87 6.46 +10.05 5.96 5.09 -14.60
S 7.58 5.88 -22.43 8.22 5.85 -28.83
SW 6.22 3.99 -35.85 4.15 3.51 -15.42 9.5 5.49 -42.21 6.18 3.88 -37.22
W 6.27 5.63 -10.21 4.63 4.13 -10.80 4.52 6.23 +37.83 8.21 5.28 -35.69
NW 6.29 4.45 -29.25
HN 4.98 3.74 -24.90 4.07 4.36 +7.13 5.39 3.96 -26.53 6.16 4.19 -31.98
HNE 6.5 6.02 -7.38 7.23 5.67 -21.58 6.96 5.03 -27.73 9.22 6.23 -32.43
HE 4.39 5.42 +23.46 4.18 5.01 +19.86 4.93 4.26 -13.59 5.08 5.03 -0.98
HSE 4.76 6.45 +35.50 8.55 9.05 +5.85
HS 3.63 4.36 +20.11 4.76 5.88 +23.53
HSW 3.04 2.89 -4.93
HW 5.68 5.11 -10.04 2.15 2.69 +25.12 4.14 4.6 +11.11
HNW 4.95 3.85 -22.22 4.92 5.34 +8.54 6.72 6.35 -5.51 6.12 4.21 -31.21
LN 2.29 2.27 -0.87 3.35 2.08 -37.91 2.77 2 -27.80 2.45 2.27 -7.35
LNE 4.09 4.46 +9.05 7.27 4.73 -34.94 4.52 3.56 -21.24 8.6 5.41 -37.09
LE 1.93 2.61 +35.23 2.02 2.4 +18.81 6.48 4.39 -32.25 4.1 2.9 -29.27
LSE 4.76 5.13 +7.77 5.22 4.1 -21.46 6.03 5.14 -14.76 5.57 4.37 -21.54
LS 5.07 4.32 -14.79 4.19 3.1 -26.01 3.3 3.17 -3.94 6.85 4.46 -34.89
LSW 4.91 6.31 +28.51 4.82 5.24 +8.71
LW 7.27 5.43 -25.31 6.92 4.7 -32.08
LNW 3.2 3.21 +0.31
MÉDIA 4.69 4.49 -4.26 4.97 4.50 -9.33 5.31 4.42 -16.88 5.82 4.25 -26.98
*valores observados (m/s); **valores simulados (m/s); ***desvio (%)



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
118
Tabela 6.XVIII – Valores do desvio (º) da direcção calculados com base nos valores
observados e simulados em cada uma das estações anemométricas do INETI a 10m acima
do solo, para cada regime e estação anemométrica.
Regimes IN01 IN04 IN32 IN33
H 16.96 9.99
L 12.45 24.48
N 5.66 11.59
NE 24.62 27.68 25.13
E 19.31 24.34 12.69
SE 11.21 16.74
S 18.86 17.75
SW 16.75 21.26
W 16.17 18.91 28.59
NW 21.38 9.47
HN 9.05 18.37
HNE 12.29 14.22
HE 26.34
HSE 15.35 11.52
HS 14.29 13.51
HSW 18.48
HW 19.38
HNW 16.43 12.57 16.16 20.6
LN 21.23 19.27 27.41
LNE 25.54 17.6 25.71 26.35
LE 28.63
LSE 23.16 24.12
LS 16.76 24.78 19.57 10.2
LSW 22.17
LW 9.86 20.67
LNW 19.52
6.3 Comparação das estimativas do modelo com o Atlas Europeu do Vento
Para finalizar as verificações dos resultados, pretende-se comparar as estimativas de vento
para as estações do Instituto de Meteorologia no Atlas Europeu do Vento (Troen et al. 1989)
com os resultados das simulações aqui presentes. É de referir que as estimativas presentes
nesse atlas são efectuadas para as alturas de 50m e 100m. Desta forma, realizou-se uma
interpolação linear para os 80m por forma a comparar resultados entre as diferentes
metodologias.
Na tabela 6.XIX, apresenta-se para cada estação do IM, a velocidade estimada pelo atlas
europeu do vento, e os resultados obtidos pela aplicação da metodologia presente neste
trabalho
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
119
Tabela 6.XIX – Desvios calculados para as estações do IM, com base nos resultados
simulados com a metodologia presente neste trabalho e nas estimativas (extrapoladas) do
atlas europeu do vento, a 80m do solo.
Estacao
IM
Velocidade*
Atlas
Europeu do
vento (m/s)
Atlas
1999
MM5
Grelha
refinada
Atlas
1999**
MM5
corrigido
Desvio%
(*)-(**)
Regimes 7
anos***
MM5
Grelha refinada
Desvio %
(*)-(***)
Beja 5.4 4.72 4.9 -9.26 4.4 -18.52
Bragança 4.3 4.05 4.2 -2.33 5.0 16.28
Cabo
Carvoeiro
6.1 7.23 7.5 22.95 6.1 0
Coimbra 4.2 4.05 4.2 0.00 3.7 -11.90
Faro 6.4 5.69 5.9 -7.81 5.2 -18.75
Ferrel 6.8 6.26 6.5 -4.41 5.9 -13.23
Lisboa 7.2 5.20 5.4 -25.00 6.4 -11.11
Porto 5.6 5.59 5.8 3.57 5.2 -7.14
Sagres 8.1 7.42 7.7 -4.94 7.1 -12.35
Sines 6.1 6.46 6.7 9.84 6.2 1.64
Viana do
Castelo
4.2 5.11 5.3 26.19 4.1 -2.38
MÉDIA 5.85 5.62 5.83 -0.34 5.39 -7.04

6.4 Análise dos resultados
Nesta secção, apresenta-se a discussão dos resultados obtidos. Relativamente à simulação do
ano completo de 1999, e comparando as estimativas observadas e simuladas para as estações
do INETI, observam-se bons resultados para a estação IN01 (São João das Lampas). Este
facto pode ser comprovado pelos desvios da velocidade e direcção mensais e anuais desta
estação, e também pela configuração semelhante das rosas de ventos e de potências. Para as
estações IN04, IN32 e IN33, verifica-se a existência de desvios mais acentuados na
velocidade média global, superiores a 1.5m/s, o que implica que os desvios são da ordem dos
30%. Este facto justifica-se pela localização destas estações, em locais de forte concentração
do escoamento atmosférico, não sendo representados de forma razoável pelo modelo
numérico aqui considerado. Por outro lado, os desvios globais na direcção para estas estações
são baixos (inferiores a 10º) excepto na estação IN33 – Arruda onde se verifica um desvio
global na direcção de 20º. Perante estes resultados, pode-se afirmar que em locais de forte
concentração energética do escoamento atmosférico, o modelo numérico aqui utilizado
consegue representar a direcção do escoamento, mas subestima a intensidade do vento. Ao
observar os desvios mensais da velocidade em todas as estações, verifica-se que estes tendem
a ser mais acentuados no Verão para as estações de costa IN01 e IN04 – Vila do bispo, e
menos acentuados para a estação de montanha IN32 – Gardunha. Este facto só pode ser
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
120
explicado pelos efeitos locais de concentração provocados pelas brisas marítima/terrestre e
brisa vale/montanha. De Inverno, os desvios na velocidade da estação IN32 são provocados
pelo forte escoamento de larga escala, dominante nas estações de montanha para essa altura
do ano. Na estação IN33 – Arruda, os desvios da velocidade apresentam-se constantes ao
longo do ano. Este facto pode ser explicado pelos efeitos de concentração induzidos pela
orografia do local, sendo esta demasiado complexa para ser representada na malha de maior
refinamento nas simulações aqui presentes.
Os desvios mensais na direcção apresentam comportamento idêntico. Nas estações de costa,
os desvios tendem a ser maiores nos meses de Verão, e na estação de montanha os desvios
tendem a ser maiores nos meses de Inverno. Na estação IN33, os desvios tendem a ser
menores nos meses de Inverno. As correlações entre os dados das velocidades observadas e
simuladas de 10 em 10 minutos apresentam valores da ordem dos 60%, para todas as estações.
Este valor de correlação é relevante, podendo mesmo considerar-se elevado nas presentes
condições, tendo em conta a resolução espacial das simulações (3×3km). Os coeficientes de
ajuste linear entre as velocidades observadas e simuladas, apresentam valores superiores a
80%, evidenciando a boa capacidade do modelo em descrever os ciclos diurnos.
Através das rectas de regressão, observa-se que o modelo numérico sobrestima os valores de
velocidade da estação IN01 e subestima fortemente os resultados para as estações restantes,
reforçando a ideia de este modelo não ser capaz de simular com eficiência os efeitos de
concentração orográficos na resolução espacial aqui utilizada.
As rosas de ventos observadas e simuladas apresentam aspectos semelhantes em todas as
estações. Observa-se, contudo, um desvio entre os sectores noroeste e norte-noroeste para as
estações de IN32 e IN33. Na estação IN04, o desvio torna-se patente nos sectores a norte e
norte-noroeste. As rosas de potência evidenciam desvios mais acentuados. Este facto deve-se
ao facto da caracterização da rosa de potência ser feita com base no cubo da velocidade
média, amplificando os desvios observados naquela grandeza. Relativamente à estação IN04,
verifica-se um desvio significativo nos sectores norte e norte-noroeste. Na estação IN33, o
desvio acentua-se nos sectores noroeste e norte-noroeste. Relativamente à estação IN32, a
rosa de potência evidencia um comportamento diferente. Os desvios centram-se em grande
parte nos sectores oeste/noroeste, e norte-nordeste/nordeste. Estes desvios podem ser
justificados pela localização da Serra da Gardunha, ficando o escoamento neste local sujeito
ao efeito de esteira provocado pela da Serra da Estrela, em especial, no sector a norte, dada a
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
121
fraca ocorrência de valores de velocidade neste sector nos dados observados face aos dados
simulados.
As distribuições de Weibull apresentam algumas diferenças na frequência de ocorrência das
classes de velocidade para as estações IN04, IN32 e IN33. Estes resultados são explicados
pela fraca capacidade do modelo numérico aqui utilizado em prever os fortes efeitos de
concentração do vento nestas estações. Relativamente à estação IN01, as distribuições de
Weibull mostram ser semelhantes entre os resultados observados e simulados.
Nas séries mensais da velocidade e direcção, com dados processados de 10 em 10 minutos,
pode observar-se, na maioria dos casos, a correcta representação do ciclo diurno, embora não
tendo a amplitude necessária em alguns meses e em algumas estações devido ao exposto
anteriormente.
Globalmente, os resultados simulados para o ano completo de 1999 indicam a existência de
desvios da ordem dos 30% para os valores das velocidades médias nas estações IN04, IN32 e
IN33, estando esses valores de acordo com os estudos publicados na aplicação de modelos de
mesoscala em terreno complexo (Mass et al., 2002). A ferramenta aqui utilizada, consegue
descrever os ciclos diurnos, não reproduzindo de forma satisfatória os efeitos orográficos de
concentração do vento. Os desvios na direcção foram sempre inferiores a 20º. Assim, os
mapas apresentados neste capítulo podem estar afectados destes desvios, sobretudo em locais
de forte complexidade orográfica. Deste modo, sempre que uma determinada região indicar
um bom potencial energético com base nas ferramentas ora apresentadas, reforça-se a
necessidade da instalação de estações de medida no local para confirmação experimental no
terreno.
Relativamente aos regimes de circulação [Trigo and DaCamara, 2000], observa-se para a
maioria dos casos, a existência de desvios inferiores a 30% para os valores de velocidade e
inferiores a 30º para os valores de direcção. Globalmente, essas diferenças acabam por se
compensar, uma vez que as simulações numéricas efectuadas aos regimes foram realizadas
com base num dia de simulação. A figura (6.23) apresenta os mapas da velocidade média para
o ano de 1999 e o compósito com base nos regimes de circulação, afectado pelo peso das
frequências de ocorrência dos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002) para a altura de
80m.
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
122

(a) (b)
Figura 6.23 – Mapas da velocidade média do vento a 80m para: (a) simulação 1999; (b)
compósito simulado com base no peso das frequências de ocorrência dos regimes nos 52
anos de dados (classificação 1951 a 2002).

É de realçar a semelhança entre os campos de velocidade obtidos pelas duas metodologias,
embora se verifiquem ligeiros decréscimos nos valores da velocidade média no mapa
compósito dos regimes. Esta tendência é tambem reforçada pelos mapas do fluxo de potência
(fig. 6.4c e 6.12b).
Em relação à comparação entre as estimativas fornecidas para as estações do IM com o atlas
europeu do vento e a metodologia de trabalho aqui presente, observa-se que os desvios da
velocidade média tendem a ser menores quando se utiliza as estimativas presentes no mapa do
atlas de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual. De uma forma global, este atlas apresenta
desvios da ordem dos 10% para a maioria das estações do IM, excepto em três delas, onde o
desvio é claramente acima dos 20%. É de realçar que o atlas compósito dos regimes evidencia
desvios inferiores a 20% em todas as estações. Além disso, este atlas realça outra
característica importante: apresenta menores desvios nas estações de Cabo Carvoeiro, Lisboa
e Viana do Castelo quando se compara com os desvios produzidos pelo atlas simulado com o
ano de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual.
[m/s] [m/s]
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
123
7. Conclusões e trabalho futuro
Neste trabalho apresentou-se uma metodologia de construção de um atlas do potencial eólico
para Portugal Continental numa malha de 3×3km. Embora se reconheça que no nosso país não
existe um mapeamento refinado do recurso eólico, convém frisar que, desde o final dos anos
80, se tem verificado um esforço de caracterização do vento em Portugal Continental
conduzidos por algumas instituições de investigação e desenvolvimento tais como o INETI –
Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, INEGI – Instituto de Engenharia e
Gestão Industrial, entre outros, cujos resultados suscitaram interesse crescente nesta forma de
energia, dando uma contribuição relevante para as zonas abrangidas pelas medidas do
escoamento. Contudo, a especificidade desses estudos não permite a cobertura da globalidade
do território.
Neste trabalho considerou-se que esse procedimento pode ser realizado à custa de um modelo
numérico de mesoscala. Estes modelos são capazes de discretizar a evolução espacial e
temporal das grandezas meteorológicas para áreas consideráveis, com elevada resolução
espacial (e.g. 1×1km), chegando a cobrir um país inteiro. Por este motivo, os modelos de
mesoscala prometem ser uma boa ferramenta na identificação e avaliação prévia do potencial
eólico nas regiões de interesse.
Neste trabalho, a metodologia de desenvolvimento do atlas baseou-se num conjunto de
simulações numéricas efectuadas para o campo do vento em Portugal Continental, com
recurso ao modelo numérico de mesoscala MM5 (versão 3.6.0) para se obter uma
representação estatística da climatologia das grandezas meteorológicas e parâmetros
relacionados com escoamento atmosférico. Desta forma foi possível obter um mapeamento
das grandezas representativas do potencial eólico, sendo os resultados das simulações
pontualmente comparados com os valores de vento observados em quatro estações
anemométricas do INETI, estando estas situadas em locais propícios aos efeitos de
concentração do vento no terreno.
Numa primeira fase, optou-se por simular o atlas com base no ano completo de 1999, tendo o
resultado sido posteriormente corrigidos com o factor médio de desvio da variabilidade inter-
anual, calculado com base nas estações do INETI. Na segunda fase, recorreu-se ao uso dos
regimes de circulação para identificar padrões do escoamento atmosférico junto da superfície.
Para determinar a frequência de cada um dos regimes, foi feita uma classificação com base
em 52 anos de dados (período 1951 a 2002 - dados NCAR), tendo-se posteriormente usado o
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
124
peso das frequências obtidas para calcular o atlas do potencial eólico, sendo este obtido pelo
compósito dos mapas médios simulados para cada regime, ponderados pelo peso das
frequências de ocorrência.
Globalmente, os resultados simulados para o ano completo de 1999, indicam a existência de
desvios da ordem dos 30% para os valores das velocidades médias nas estações IN04 – Vila
do bispo, IN32 - Gardunha e IN33 - Arruda, estando esses valores de acordo com os estudos
publicados na aplicação de modelos de mesoscala em terreno complexo [Hanna and Yang,
2001]. Contudo, convém realçar que estas estações estão situadas em locais de forte
concentração do escoamento atmosférico, as quais se concluiu não serem representadas de
forma razoável pelo modelo numérico aqui considerado. Na estação IN01 – São João das
Lampas, os desvios aproximaram-se dos 10%. Em relação à direcção, observaram-se desvios
inferiores a 20º em todas as estações. Perante estes resultados, pode-se afirmar que em locais
de forte concentração energética do escoamento atmosférico, o modelo numérico aqui
utilizado consegue representar a direcção do escoamento, mas falha na intensidade nos locais
com forte efeito de concentração do vento.
Assim, os mapas apresentados neste trabalho podem estar afectados destes desvios, sobretudo
em locais de forte complexidade orográfica. Deste modo, se uma determinada região
apresentar um bom potencial energético, realça-se a necessidade da instalação de estações de
medida no local para confirmação experimental das estimativas.
As correlações entre os dados das velocidades observadas e simuladas de 10 em 10 minutos
apresentam valores da ordem dos 60%, para todas as estações. Este valor de correlação é
relevante, tendo em conta a resolução espacial das simulações (3×3km). Os coeficientes de
ajuste linear entre as velocidades observadas e simuladas, apresentam valores superiores a
80%, evidenciando a boa capacidade do modelo em descrever os ciclos diurnos.
As rectas de regressão calculadas para cada estação, mostram que o modelo numérico aqui
utilizado neste trabalho sobrestima os valores de velocidade da estação IN01 e subestima
significativamente os resultados para as estações restantes. Desta forma reforça-se a ideia de
este modelo não ser capaz de simular com eficiência os efeitos de concentração orográficos na
resolução espacial aqui utilizada.
Relativamente às simulações efectuadas com os regimes de circulação, observa-se para a
maioria dos casos, a existência de desvios inferiores a 30% para os valores de velocidade e
inferiores a 30º para os valores de direcção. Globalmente, essas diferenças superiores ao
Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
125
“atlas de 1999” acabam por se compensar, uma vez que as simulações numéricas efectuadas
dos regimes apresentam um mapeamento final muito semelhante para o campo médio da
velocidade e fluxo de potência para os 80m.
Por fim, comparam-se neste trabalho as estimativas obtidas no atlas europeu do vento para
algumas estações do IM – Instituto de Meteorologia com os resultados da metodologia
apresentada. Os desvios obtidos para a altura de 80m permitem constatar que a metodologia
empregue neste trabalho conduz a desvios inferiores a 20% face ao Atlas Europeu, quer se
utilize o atlas gerado com o ano completo de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual, quer
se utilize o mapa compósito com base nos regimes de circulação.
Os resultados obtidos permitem, tal como era objectivo deste trabalho, disponibilizar aos
potenciais promotores de parques eólicos uma estimativa prévia do recurso energético de
Portugal Continental, apoiando o crescente investimento a aplicar nesta forma de energia. O
mapeamento do recurso assim obtido pode igualmente ser aplicado no domínio do ambiente e
ordenamento do território, podendo constituir um auxiliar à decisão de futuros investimentos
em campanhas experimentais para caracterização do escoamento atmosférico e de
planeamento de redes eléctricas e demais infra-estruturas.
No futuro, e face aos resultados obtidos, considera-se poder melhorar esta ferramenta
“encadeando” os resultados obtidos por modelos de mesoscala e por modelos de microscala,
estes capazes de lidar com orografia de alta resolução espacial (tipicamente com resoluções
superiores a 100m) e desta forma, estimar com maior rigor os efeitos de concentração do
vento em terrenos complexos. Espera-se também, com recurso a esses modelos, entrar em
conta com a presença de obstáculos e influencia detalhada da rugosidade na região de
simulação.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
126
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Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

130
Anexo I – Tabela com as classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros físicos para o Verão e Inverno.
Albedo
(%)
Humidade
(%)
Emissividade
(%) a 9um
Rugosidade
(cm)
Inércia Térmica
(cal cm
-2
K
-1
s
-1/2
) Classe Categoria
Ver. Inv. Ver. Inv. Ver. Inv. Ver. Inv. Ver. Inv.
1 Urbano 18 18 10 10 88 88 50 50 0.03 0.03
2 Culturas e pastagens sequeiro 17 23 30 60 92 92 15 5 0.04 0.04
3 Culturas e pastagens regadio 18 23 50 50 92 92 15 5 0.04 0.04
4 Culturas e pastagens sequeiro e regadio 18 23 25 50 92 92 15 5 0.04 0.04
5 Mosaico agrícola e relvado 18 23 25 40 92 92 14 5 0.04 0.04
6 Mosaico agrícola e florestal 16 20 35 60 93 93 20 20 0.04 0.04
7 Terreno relvado 19 23 15 30 92 92 0.12 0.10 0.03 0.04
8 Arbustros 22 25 10 20 88 88 10 10 0.03 0.04
9 Terreno relvado e Arbustros 20 24 15 25 90 90 11 10 0.03 0.04
10 Savana 20 20 15 15 92 92 15 15 0.03 0.03
11 Floresta folha larga e caduca 16 17 30 60 93 93 50 50 0.04 0.05
12 Floresta folha agulha e caduca 14 15 30 60 94 93 50 50 0.04 0.05
13 Floresta folha larga e perene 12 12 50 50 95 95 50 50 0.05 0.05
14 Floresta folha agulha e perene 12 12 30 60 95 95 50 50 0.04 0.05
15 Floresta mista 13 14 30 60 94 94 50 50 0.04 0.06
16 Água 8 8 100 100 98 98 0.01 0.01 0.06 0.06
17 Zonas húmidas herbáceas 14 14 60 75 95 95 20 20 0.06 0.06
18 Zonas húmidas florestais 14 14 35 70 95 95 40 40 0.05 0.06
19 Vegetação escassa 25 25 2 5 85 85 10 10 0.02 0.02
20 Tundra herbácea 15 60 50 90 92 92 10 10 0.05 0.05
21 Tundra florestal 15 50 50 90 93 93 30 30 0.05 0.05
22 Tundra mista 15 55 50 90 92 92 15 15 0.05 0.05
23 Tundra escassa 25 70 2 95 85 95 0.10 5 0.02 0.05
24 Neve ou gelo 80 82 95 95 95 95 0.01 0.01 0.05 0.05



Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

131
Anexo II – Mapas da precipitação acumulada e temperatura média a 2m do solo para o ano de 1999 – simulação MM5.
























(a) (b)
A.1 – Mapas médios anuais de 1999: (a) - precipitação acumulada (mm); (b) – temperatura a 2m do solo (ºC).


mm ºC

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

RESUMO
Nos últimos anos, tem-se verificado um esforço de caracterização do vento em Portugal Continental, motivado pelo crescente interesse nos aproveitamentos da energia eólica. Várias instituições de investigação e desenvolvimento com actividade na caracterização desta forma de energia, têm vindo a apresentar estudos do potencial eólico em locais apropriados para o aproveitamento da energia do vento, contribuindo para a caracterização do escoamento atmosférico nesses locais. Contudo os resultados obtidos têm, até agora apresentado um carácter pontual, restringido-se a areas de dimensões reduzidas (tipicamente 5×5km), não permitindo, deste modo, conduzir ao mapeamento deste recurso energético para uma região ou para a globalidade do território. Neste trabalho, apresenta-se uma metodologia para o desenvolvimento de um atlas do potencial eólico para Portugal Continental, com recurso a um modelo numérico de mesoscala - MM5, o qual se insere, actualmente, no padrão mais avançado do estado da arte na simulação da evolução do escoamento atmosférico junto da superfície terrestre, apresentado a capacidade de mapeamento do recurso eólico num país inteiro. Para o desenvolvimento deste trabalho, numa primeira fase, efectuaram-se simulações numéricas ao escoamento atmosférico para aceder a uma distribuição espacial do potencial eólico do nosso país, com base no ano completo de 1999, tendo os resultados sido posteriormente corrigidos por um factor médio de desvio da variabilidade inter-anual, utilizando-se quatro estações de referência e de longo termo do INETI, situadas em locais propícios à geração de fenómenos de concentração do vento. Posteriormente, numa segunda fase, recorreu-se ao processo clássico de uso de regimes de circulação, para identificação dos padrões do escoamento atmosférico junto da superfície, tendo sido simulados os dias representativos de cada regime. O atlas do potencial eólico obtido por esta abordagem consiste no compósito dos mapas médios simulados para cada regime, ponderados pelas respectivas frequências de ocorrência. Espera-se com este trabalho, fornecer uma ferramenta que contribua para a avaliação prévia do potencial do vento, e um auxiliar à decisão de futuros investimentos em campanhas experimentais para caracterização do escoamento atmosférico, bem como de planeamento de redes eléctricas e demais infra-estruturas. Palavras-chave: Atlas, potencial eólico, modelação mesoscala, MM5

i

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

ABSTRACT
In the last years there has been an increasing effort in characterizing the wind power in Portugal due to growing interest in this renewable form of energy. Several institutions have been presenting several wind power studies in places that are suited for the use of wind power, but as these studies focus on limited areas, usually on squared area 5 km long, they do not allow mapping the wind resource as a whole. The goal of this work is to provide a tool to help decision makers as it allows choosing sites for a first wind power assessment as well as planning the wind power network and other facilities. This study presents a methodology to develop a wind power atlas for mainland Portugal, using a state-of-the-art mesoscale numerical weather prediction model (MM5). The data used in this work was the observed wind speed and direction at a station located in the west coast of Portugal, in 1999. The interannual variability was assessed with the help of four reference masts of INETI, so that the outputs can be representative of climate. Two experiments were made to obtain the wind power: in the first, the whole year of 1999 was simulated and the climate was calculated as the mean value of the field. In the second experiment, a weather type classification scheme was implemented, using the pressure at mean sea level surface. The most representative day of each weather type was simulated and the mean annual fields were obtained by a weighting average of the frequency of occurrence and the respective mean daily fields. Key-words: Atlas, wind power, mesoscale simulations, MM5

ii

2.4 Efeitos locais da circulação atmosférica 3.2 Brisa de vale e de montanha 3.1 A circulação global da atmosfera 3.2 Escolha dos dias representativos para o ano de 1999 4.4 Turbulência atmosférica 3.3 Caracterização do terreno e da rugosidade 61 64 65 68 1 1 2 4 5 6 6 10 13 17 17 20 20 22 23 24 24 25 26 28 32 35 40 41 48 53 iii .1 Modelo atmosférico 5. Identificação do potencial eólico 2.4 Organização da dissertação 2.2. Regimes de circulação em Portugal Continental 4.1 Energias renováveis em Portugal 1.1 Brisa marítima e brisa terrestre 3.3 A depressão térmica na Península Ibérica 3.2.5 Escoamentos sobre montanhas 3.1 Metodologia de classificação 4.5 Caracterização da energia do vento 4.1 Atlas Europeu do Vento 2.2.1.2 Circulações locais 3.1.3 Camada limite atmosférica 3.3 Objectivos 1.2 Condições iniciais e de fronteira 5. Introdução 1.3 Estudos recentes sobre o mapeamento do potencial eólico 3.2 Vento do gradiente 3.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Índice 1. Metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico de Portugal Continental 5.2 Situação actual da energia eólica em Portugal 1.2 Estudos realizados em Portugal 2.3 Escolha dos dias representativos para um período de 7 anos 5.2.1 Vento geostrófico 3. O escoamento atmosférico 3.

1 Verificação dos resultados 6.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 6.4 Análise dos resultados 7. Conclusões e trabalho futuro Referências ANEXO I – Classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros físicos para o Verão e Inverno ANEXO II – Mapas de precipitação acumulada e temperatura média a 2m para o ano de 1999 – simulação MM5 131 130 69 70 80 106 117 118 119 123 126 iv . Resultados da aplicação dos modelos e metodologias 6.1 Verificação dos resultados 6.2.1 Atlas do potencial eólico para o ano de 1999 6.1.2 Atlas do potencial eólico obtido pelos regimes de circulação 6.3 Comparação das estimativas do modelo com o Atlas Europeu do Vento 6.

......... ........III Tabela 4.. ....II Tabela 5........................... ......... ................................V Tabela 6.......................... .... ............IV - Desvios mensais da direcção entre os dados observados e os dados do atlas para o ano de 1999..................... ................III Tabela 6.................IV Tabela 5........................................ Data de início da campanha de monitorização..........I Tabela 4.. índices de ajuste das rectas (R2)................................................... Dimensões dos domínios e passo de tempo das simulações................................................... . Dias representativos de cada regime para 1999.. v .. .... Índices de circulação.................... Dias representativos de cada regime para sete anos de dados...... ............Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Lista de tabelas Tabela 1............................. ..........I Tabela 5............ 80 81 Tabela 6.........VI Tabela 6........ Altitude das estações e altura dos sensores de velocidade e direcção das estações anemométricas do INETI...... 26 tipos de regimes de circulação................... . ............... Rosa de potencias entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999........................V Tabela 6..... Distribuição de Weibull entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.......... ........................III Tabela 5......... Opções e parametrizações físicas utilizadas nas simulações.........VIII - Gráficos de dispersão e declives de recta entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999......... 3 31 41 43 49 53 63 63 63 66 67 70 Velocidades.................VII Tabela 6... Geo-referenciação das estações anemométricas do INETI..... .I Tabela 3........ ..II Tabela 4. Correlações (%)............ desvios e erros médios quadráticos mensais dos dados da velocidade entre valores observados e os dados do atlas para o ano de 1999.. ..... Coeficientes de atrito no solo..... desvios e erro médio quadrático entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999...........................2003.........I Tabela 4.IV Tabela 5.........I Tabela 6........ Análise da variabilidade inter-anual para o ano de 1999............... 82 82 83 84 85 Tabela 6....................................... Rosa de ventos entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.. ...II Capacidade instalada em Portugal Continental e nas ilhas até Dez................... ..

... para cada regime e estação anemométrica.. . ........ entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999...... ..XI Tabela 6......X Tabela 6. .............................. ........XVIII Séries mensais para a estação IN01 – São João das Lampas.. 119 120 Anexo I - Tabela com as classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros físicos para o verão e inverno............. entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. 86 90 94 97 100 101 102 103 117 Valores do desvio (º) da direcção calculados com base nos valores observados e simulados em cada uma das estações anemométricas do INETI a 10m acima do solo......XII Tabela 6..XIII Tabela 6......... com base nos resultados simulados com a metodologia presente neste trabalho e nas estimativas (extrapoladas) do atlas europeu do vento..... Parâmetros globais da estação IN01 – São João das Lampas. vi .................... Resultados para o ano de 1999.... entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.. ... Resultados para o ano de 1999... para cada regime e estação anemométrica.......... ..... a 80m do solo..XV Tabela 6....................................... Séries mensais para a estação IN32 – Gardunha.. Parâmetros globais da estação IN04 – Vila do Bispo.. ......XIX - Desvios calculados para as estações do IM................................... Parâmetros globais da estação IN32 – Gardunha. 118 Tabela 6.. ................................. Séries mensais para a estação IN04 – Vila do Bispo.. Séries mensais para a estação IN33 – Arruda...................................XVI Tabela 6......... Resultados para o ano de 1999.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6......................... .....XIV Tabela 6............................ entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999............ Resultados para o ano de 1999..XVII Tabela 6..........................IX Tabela 6.................... Parâmetros globais da estação IN33 – Arruda............. Valores observados e simulados da velocidade do vento a 10m acima do solo...

......... obtido para o período de 1951 a 1960 às 9h TMG................................ Escoamento sobre montanhas face a diferentes valores do número de Froude. ..............1 Figura 2................4 Figura 3................6 Figura 2....................................................... Média de 30 anos..... 27 29 29 19 22 23 24 25 18 15 13 11 12 9 9 6 7 3 vii ................ ........... ..........8 Figura 3.......... Figura 2........................................ .............................. Temperatura média aos 1000 hPa ...............6 Figura 3...............................1 Figura 2.... ...... ................................................................ Representação da camada limite atmosférica........ Pressão e vento médio junto da superfície em Janeiro e Julho.................... ..4 Potência eólica instalada em Portugal e estimativa de crescimento da capacidade instalada até 2010....... .............3 Figura 3............. Processamento de dados meteorológicos no Atlas Europeu do Vento para quatro estações meteorológicas de Portugal no período 1970-1980....................... ............7 Figura 2.........................Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Lista de figuras Figura 1.......................................... ........... Mapa de ventos obtido com a metodologia KAMM/WAsP para as regiões: Beira litoral e interior e zona oeste.....................5 Figura 3....3 Figura 2... Depressão térmica na península ibérica..............2 Figura 3................................ Efeitos de concentração e turbulência do escoamento atmosférico sobre colinas...7 Figura 3................................ Efeito da rugosidade do solo na camada limite atmosférica.junto da superfície em Janeiro e Julho..........1 Figura 3.. ........8 Figura 3...... Média de 30 anos.................. Conjunto de modelos e informação de entrada para o modelo WasP....... ...................................................................... ..................................... ....5 Mapa de rosas de vento da rede de estações sinópticas do Instituto de Meteorologia....... Atlas Europeu do Vento obtido para a cota dos 50m... Figura 2................... ............ .............. Brisas marítima e terrestre........................................................... Efeito da força de atrito............... Brisas de vale e montanha.................................................................... Mapa de ventos extremos calculado com base nas estações sinópticas do Instituto de Meteorologia.... ........... ..2 Figura 2.9 Mapa de caracterização energética de Portugal Continental............

......................................5 Figura 4...... Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002).. ..................4 Figura 4.. ............ Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999..................... Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999...................12 Figura 3.............. ... ............... .............................. ... ....... ............................. viii ....... ................11 Figura 4. ......................................... Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para sete anos de dados.. .......13 Figura 4.........13 Estrutura da camada limite atmosférica.......... Frequência de ocorrências mensais para cada um dos 26 regimes de circulação...........................1 Figura 4............... Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002).......... Esquema de transferência de energia numa camada limite turbulenta........................................12 Figura 4.....7 Figura 4........... .................................................... Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999.................. ............................................ Espectro de energia do vento apresentado por Van der Hoven...... Curva de potência de uma turbina com 2..........11 Figura 3. Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002).... Campo médio da pressão ao nível médio do mar para o regime anticiclónico (H) e ciclónico (L) (1951-2002)................... . utilizando-se 52 anos de dados (1951-2002)................................... ........10 Figura 4................... Campo da pressão ao nível médio do mar do dia representativo do regime anticiclónico (H) e ciclónico (L) para o ano de 1999...6 Figura 4................................................................ Grelha dos 16 pontos da pressão ao nível médio do mar....... considerados no cálculo dos índices de circulação........................... .....10 Figura 3.....9 Figura 4.......8 Figura 4...........................................................3 Figura 4....... 30 35 35 38 42 43 44 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para o ano de 1999...... ...........................2 Figura 4.........Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 3.................. Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para 52 anos de dados (1951-2002)......0MW de potência nominal......................

. ...............3 Figura 6...........................17 Figura 4. .....6 - Mapas médios simulados da intensidade do vento (m/s).... Mapas médios do fluxo de potência (W/m )........................... Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes anticiclónico (H) e ciclónico (L) para sete anos de dados.................... 54 54 55 56 57 58 59 60 61 62 65 68 69 72 73 74 75 76 Figura 6................. VESTAS V80 de 2000kW e NORDEX N90 de 2300kW........................................... Mapa com a localização das estações anemométricas do INETI para o estudo do atlas do potencial eólico.................. Orografia e parâmetro de rugosidade médio (z0) (m).........Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 4........................................... Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados..................... Curvas de potência para os conversores: GEWE 1. .... .....4 Figura 6................... Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados........................... ............................................................16 Figura 4.. ......4 Figura 6............... Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados)................... .............. .. .................20 Figura 4......... ............ Figura 4.... ..1 Figura 5..............21 Figura 5......... ....5sl de 1500kW de potência nominal......15 Comparação dos pesos das frequências dos regimes nos três períodos em análise...... Organigrama representativo da metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico............................................................2 Figura 6......2 Figura 5............ 2 ix ................ ...18 Figura 4.. Mapas médios simulados da intensidade de turbulência (%)........... Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados)........................................ ........5 Figura 6.......19 Figura 4................... . . Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados)... Domínios de simulação do MM5 para o desenvolvimento do atlas do potencial eólico.14 Figura 4................ ............ Mapas médios simulados do parâmetro de escala da distribuição de Weibull (m/s)........... Mapas médios simulados do rumo e intensidade do vento.. ..........................................................................1 Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados.....3 Figura 5............

. ................. Mapas compósitos simulados com base no peso das frequências de ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002) para a velocidade média do vento [m/s] e fluxo de potência [W/m2] a 80m..domínio 4 (3×3km).......19 Figura 6.....21 Figura 6.... NORDEX N90 2300kW a 80m. Mapas médios simulados para o regime H+N.... .......18 Figura 6....................................22 Figura 6................. Mapas médios simulados para o regime L..16 Figura 6................................23 Mapas médios simulados para o regime H.....20 Figura 6..................10 Figura 6. ........................ Figura 6....... Mapas médios simulados para o regime NW................................13 Figura 6....domínio 4 (3×3km).................14 Figura 6...... densidade do ar à superfície [kg/m3] e pressão atmosférica à superfície [hpa].................. Simulação 1999 ................ ..............9 Mapas médios da velocidade vertical [m/s] a 80m do solo. .................. Mapas médios simulados para o regime N. Mapas médios do número de horas anuais de funcionamento à potencial nominal para os conversores GEWE 1500kW a 60m.....11 Figura 6.............7 Figura 6....................17 Figura 6.. Anexo II Mapas da precipitação acumulada e temperatura média a 2m do solo para o ano de 1999 – simulação MM5................. Mapas médios simulados para o regime W..... Mapas médios simulados para o regime SW......................... .............. Rosas de potências processadas para a altura de 80m............ Mapas médios simulados para o regime H+NE.............. ........... Simulação 1999 ... .....8 Mapas médios do parâmetro de escala (adimensional) da distribuição de Weibull.. .................... ................................................... ........Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 6........................15 Figura 6...... ...... .......... Mapas médios simulados para o regime NE............... Mapas da velocidade média do vento a 80m para a simulação 1999 e compósito simulado com base no peso das frequências de ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002).............. Figura 6............................................................................. ...... 131 122 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 105 104 79 78 77 x .......... VESTAS V80 2000kW a 80m.................... ................ Figura 6............................. .....12 Rosas de vento processadas para a altura de 80m...... .... ............................................................ Mapas médios simulados para o regime E.........................

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Lista de símbolos e/ou abreviaturas ACP – Análise em Componentes Principais CLA – Camada Limite Atmosférica EDP – Electricidade de Portugal GTOPO30 – Global 30 arc-second Topografic data INEGI – Instituto de Engenharia e Gestão Industrial INETI – Instituto Nacional de Engenharia. Tecnologia e Inovação IM – Instituto de Meteorologia KAMM – the Karlsruhe Atmospheric Mesoscale Model MM5 – Fifth-generation Mesoscale Model NCAR – National Center for Atmospheric Research PSU – Pennsylvania State University TMG – Tempo Médio de Greenwich USGS – United States Geological Survey WAsP – Wind Atlas Analysis and Application Program WGS84 – World Geodetic System 1984 xi .

Instituto Nacional de Engenharia. e pelo incentivo e entusiasmo constantes manifestado por ambos no decorrer deste trabalho. pela preciosa ajuda na revisão e formatação dos textos e figuras. Agradeço também. pela colaboração prestada nos momentos de “maior aperto”. Agradeço ainda aos colegas do Departamento de Energias Renováveis. xii . agradeço em particular à Teresa Simões e ao João Rio.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Agradecimentos O resultado final de uma tese de mestrado é fortemente condicionado pelos apoios disponíveis para a sua execução. parte que considero imprescindível no sucesso de qualquer trabalho. Assim. De entre estes. pelo que manifesto os meus maiores agradecimentos ao Grupo da Energia Eólica da Unidade de Energia Eólica e dos Oceanos do Departamento de Energias Renováveis. começo por agradecer ao INETI. Tecnologia e Inovação. Finalmente. Agradeço também ao Departamento de Física da Faculdade de Ciências. pelos momentos “bem dispostos” proporcionados nos intervalos de lazer. o ter acreditado sempre no sucesso deste trabalho. A nível profissional. e ainda. pelas condições disponibilizadas para a realização deste trabalho. ao meu sobrinho pela sua alegria natural que me proporcionou momentos valiosos de grande descontração. ao Professor Doutor Pedro Miranda. agradeço à Doutora Ana Estanqueiro a sua excelente orientação. Agradeço ainda ao Nuno Lopes. pela utilização do cluster de computadores sem o qual não teria sido possível a execução deste trabalho em tempo útil. Destes. destaco a Paula Candeias por me ter deixado ocupar a “sua biblioteca” durante a fase de composição desta tese e a Vanda Caetano pela “boa vizinhança” e pelo contagiante bom humor que lhe é característico. na pessoa do Senhor Director do Departamento de Energias Renováveis. em particular ao grupo de Meteorologia. encontro-me inserido num grupo que prima pelo seu grande companheirismo e excelente ambiente de trabalho. agradeço aos meus pais e à minha irmã pelo apoio incondicional que me deram. pelo apoio sempre presente quer a nível pessoal quer a nível profissional. e por me terem “aturado” nas fase menos boas. Uma boa orientação técnica e científica de um trabalho é meio caminho andado para o seu sucesso. pela orientação e pelas preciosas sugestões transmitidas no decorrer deste trabalho. as valiosas sugestões transmitidas durante este percurso. o grande incentivo manifestado quer a nível profissional quer a nível pessoal e. Assim. Doutor António Joyce.

evitando as emissões gasosas de hidrocarbonetos e outros compostos químicos para a atmosfera tais como o SO2. extracção e manipulação da energia. contribuiram para o estabelecimento do protocolo de Quioto. dada a relação evidente entre os níveis de desenvolvimento das sociedades e os índices do consumo energético. 1 . em que se instalaram cerca de duas centenas de MW. privilegiando o uso de energias renováveis no sistema produtor eléctrico em detrimento das centrais térmicas. a tecnologia energética com maiores taxas de crescimento na Europa e no Mundo.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 1. uma fraca disseminação desta tecnologia [Rodrigues. Introdução Nos últimos anos tem-se verificado a nível mundial um crescente interesse pelas alterações que o clima na Terra poderá sofrer num futuro não muito longíquo. com consequentes contribuições para o efeito de estufa. 1. Contudo. NOx e CO2 prejudiciais à saúde humana e directamente relacionados com a problemática do efeito de estufa. entre os quais Portugal. poderá reduzir o impacto ambiental da queima dos combustíveis fósseis. Embora se tenha verificado um crescimento interessante na implantação desta forma de energia. sucede-se actualmente uma fase de estagnação. vários países. hoje em dia. sendo poucos os locais onde se prevê a possibilidade de promover novos projectos [Rodrigues. em que prevalecem dificuldades de carácter ambiental. sobretudo a partir da década de 90.1 Energias renováveis em Portugal A incorporação das energias renováveis em Portugal no conceito da produção independente de electricidade foram iniciadas com base nos aproveitamentos hídricos de pequena escala. o recurso às energias alternativas. especialmente a partir do ano de 1996. 2004]. A convenção de Quioto foi a prova de que a preocupação ambiental deixou de estar restringida à comunidade científica passando a ter impacto nas tomadas de decisão nos planos políticos. o recurso à energia eólica começou a ser encarado como uma possibilidade a ter em consideração. Apesar de a energia eólica ser. Neste cenário. 2004]. verifica-se em Portugal. Desta forma. relacionadas com o transporte.

juntamente com a ausência de acções de caracterização do potencial eólico e a falta de incentivos ao aproveitamento das energias renováveis em geral.2 Situação actual da energia eólica em Portugal Uma questão frequentemente abordada é. em conjunto com a fraca sensibilidade relativa aos problemas de natureza ambiental e as especificidades do caso português no que respeita à produção e distribuição de electricidade. a do potencial eólico que Portugal poderá deter. foram surgindo em Portugal vários parques eólicos. tem condições bem mais favoráveis ao aproveitamento da energia do vento do que. 2002]. o nosso país tem grandes tradições no aproveitamento da energia do vento.. motivados pelo surgimento do programa Energia (1995). Na era actual. sendo mesmo pioneiro na utilização desta tecnologia [Gonçalves et al. não se verificou. por exemplo. Estes factores. as condições eram pouco aliciantes face às que se verificavam noutros países europeus.. 2004]. desde a navegação à vela da era dos descobrimentos marítimos até à moagem de cereais. existinto até um tipo de moínho de vento (moagem de cereais) que na literatura aparece mencionado como “moínho português” [Gonçalves et al. terão contribuido fortemente para o estabelecimento deste atraso [Rodrigues. Apesar das dificuldades. algumas zonas da Alemanha onde os projectos se implementam a um ritmo impressionante. 2002]..1% do consumo de electricidade [Rodrigues. a quota de 22. com especial ênfase. Como é do conhecimento geral. 2 . 2002]. 2004]. o texto refere que as metas a estabelecer em cada país deverão ser compatíveis com o objectivo de as energias renováveis satisfazerem 12% do consumo interno bruto de energia em 2010 e. Em 2001 surgiu a directiva comunitária 2001/77/CE para a promoção da electricidade gerada a partir de fontes renováveis. nos últimos anos houve alguns desenvolvimentos na implantação da energia eólica em Portugal Continental. Este facto deve-se sobretudo ao desconhecimento de locais com características potencialmente favoráveis ao recurso energético do vento.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 1. caracterizada pelos aproveitamentos destinados à geração de electricidade. contudo. Não sendo Portugal dos países mais ventosos da Europa. e pelas alterações introduzidas ao quadro legislativo em 1999. e a parte desse potencial que se encontra já identificada. idêntico pioneirismo. ainda assim. Contudo. Quantificando. para cada Estado-Membro. Estas iniciativas do Governo Português deram a oportunidade a alguns promotores para investirem na criação de parques eólicos mas. havendo planos para a construcção de alguns dos maiores projectos da Europa [Gonçalves et al. naturalmente.

2002].Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental No caso Português. 2003) [MW] operação (Dez. Capacidade total em operação Nº total de turbinas em ( Dez. 2004].1 ilustra-se a estimativa de crescimento da capacidade de potência a instalar até 2010 – meta assumida pelo Governo Português. 2004].1 – Potência eólica instalada em Portugal e estimativa de crescimento da capacidade instalada até 2010 [Simões.8 43 Madeira 288.6 352 TOTAL 4000 Capacidade instalada Capacidade eólica [MW] 3000 Estimativas crescimento Meta 2010 . os ministérios da Economia e do Ambiente e Ordenamento do Território apresentaram o programa E4 (Eficiência Energética e Energias Endógenas).3750 MW 2000 1000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Ano Figura 1. Das novas centrais hídricas e restantes energias – solar.I – Capacidade instalada em Portugal Continental e nas ilhas até Dez. 2003) [nº] 273. 3 . acordou-se em 39% para a parcela do consumo bruto de electricidade a satisfazer por recurso a fontes renováveis de energia.I apresentam-se os valores para Portugal Continental e Insular.2003.6 287 Continente 5. suscitando desta forma. e cerca de 460MW em construção ou em fase de projecto. No final de 2003 estavam ligados à rede eléctrica cerca de 300MW. um maior interesse de investimento por parte dos pequenos e médios promotores. com vista a modernizar o quadro legislativo e assim motivar a implantação de parques eólicos. Tabela 1. biomassa e mini-hídricas. espera-se obter uma contribuição conjunta de 1000MW aproximadamente para a geração de electricidade. Se tomarmos em consideração o crescimento previsível do consumo. que até 2010 deverá implicar a construção de 4000 a 4500 MW de novos centros electroprodutores cabendo à energia eólica uma contribuição de cerca de 3750MW [DGE.3 22 Açores 9. Na tabela 1. [Simões. Face ao diferencial existente entre as metas previstas para 2010 e a produção eólica instalada no final de 2001. sendo este valor bastante ambicioso. Na figura 1.

e muito embora tenha uma contribuição relevante nas zonas abrangidas pelas medidas do escoamento.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Claramente se evidencia da figura 1. 2000]. e à energia eólica em particular até 2010. constituindo-se como uma ferramenta para o promotor no auxilio de decisão em futuros investimentos em campanhas experimentais para a caracterização do escoamento atmosférico. pelo que na sequência deste trabalho se inicia o desenvolvimento de uma metodologia de construção do Atlas do Potencial Eólico em Portugal. contudo. uma base de dados pontual. tendo esta alcançado um inesperado sucesso. A concretização dos 3. Sendo um desafio. um dos maiores que se anunciam no nosso país para esta década. Apesar de já se encontrar em fase de publicação a nova versão da base de dados – EOLOS II [Estanqueiro. Espera-se com este trabalho disponibilizar aos potenciais investidores mapas do recurso energético de Portugal Continental. 4 . [Rodrigues. torna-se perceptível a necessidade da construção de um Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental com vista a fomentar a avaliação prévia do potencial energético do vento para as diversas regiões do país. abrangendo desta vez um maior número de estações anemométricas espalhadas pelo país (cerca de 57) não deixa de ser. tem vindo a desenvolver esforços nos últimos anos no sentido de divulgar informação sobre o regime de ventos em Portugal Continental. fomentando o crescente investimento a aplicar nesta forma de energia. 2004] 1. Dado o grande interesse de várias empresas privadas e institutos públicos na medição e caracterização dos regimes de ventos no nosso país. 2004].1 o desafio que se coloca ao sector das energias renováveis. pioneiro nos estudos de avaliação do recurso eólico e na caracterização do escoamento atmosférico em Portugal.3 Objectivos Face ao exposto. espera-se vir a obter um grande investimento nesta área. são também muitas as oportunidades que se adivinham. O INETI – “Instituto Nacional de Engenharia. Esses esforços foram iniciados com a publicação da base de dados EOLOS [Simões e Estanqueiro. Tecnologia e Inovação”. visando a satisfação dos compromissos que Portugal assumiu a esse respeito.5 a 4 GW necessários exige investimentos de quase 5000 milhões de Euros. não permite a cobertura da globalidade do território.

No capítulo 3 será dado destaque à descrição física do vento. Será apresentado o conceito de avaliação do recurso energético e determinação de parâmetros relevantes para o sector da energia eólica. onde se discutem alguns processos físicos com importância às escalas sinóptica.g. No último capítulo desta dissertação (capítulo 7) serão apresentadas conclusões e sugestões de trabalho futuro no sentido de melhorar os resultados obtidos. regional e local. Serão apresentados alguns estudos relevantes para o mapeamento do recurso eólico. No capítulo 6 serão apresentados os resultados obtidos para um ano de simulação com elevada resolução espacial (3×3km) tendo sido efectuada a validação com dados de vento provenientes de quatro estações anemométricas de referência do INETI. seleccionandose os dias mais representativos da climatologia dos regimes. Neste capítulo será apresentado um cenário calculado com base nos regimes de circulação. efectuada com base no campo da pressão ao nível médio do mar. Posteriormente serão discutidos os resultados das simulações. EDP-“Electricidade de Portugal”) relativos ao potencial energético de Portugal Continental. INEGI-“Instituto de Engenharia e Gestão Industrial”. Os resultados da simulação são posteriormente corrigidos por um factor de variabilidade inter-anual. O capítulo 5 será dedicado à metodologia da construção do Atlas do Potencial Eólico de Portugal Continental. capaz de simular a variabilidade espacial e temporal do escoamento atmosférico. far-se-á a caracterização energética do vento sobre a Europa e sobre Portugal Continental. 5 .4 Organização da dissertação No capítulo 2. onde se faz uso de um modelo numérico de mesoscala. Efeitos de camada limite e turbulência também serão considerados. INETI. nomeadamente no que se refere ao Atlas do Potencial Eólico de Portugal Continental. e alguns resultados preliminares efectuados por alguns organismos de investigação e desenvolvimento (e.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 1. tal como o Atlas Europeu do Vento e sua metodologia de desenvolvimento. de forma a evidenciar a climatologia do escoamento atmosférico para o nosso país. No capítulo 4 apresenta-se uma classificação dos regimes de circulação em Portugal Continental.

Desta forma.1 – Efeitos de concentração e turbulência do escoamento atmosférico sobre colinas [Meroney. Nestas zonas. A intensidade do vento era então extrapolada para locais de interesse energético tais como os topos de colinas e montanhas (fig. tendo sido o Laboratório Nacional Risø na Dinamarca. Este mapa combinado de velocidade e fluxo de potência foi modelado para cinco classes de terreno.1 Atlas Europeu do Vento Para contornar este problema. dada a escassez de modelos numéricos capazes de lidar com a turbulência atmosférica e outros fenómenos na camada limite. 6 .. torna-se necessário averiguar a sua variabilidade espacial e temporal na superfície terrestre. tal como a velocidade do vento. Este Atlas resultou de uma investigação conjunta de vários países da Comunidade Europeia. Este procedimento. foi proposta uma metodologia de avaliação do recurso eólico. os estudos de potencial eólico mais relevantes. era de difícil realização no início dos anos 80. 2. e estimar o recurso energético em locais propícios onde não existissem registos de medição de vento. verificou-se que o potencial eólico era subestimado. Figura 2. tais como os efeitos de brisa e de concentração orográfica. 1989]. 1991].. Identificação do potencial eólico Neste capítulo apresenta-se de forma simplificada. caracterizadas por diferente rugosidade [Troen et al. dada a dificuldade em reproduzir os efeitos de concentração do vento [Meroney.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 2.1). 1991]. normalmente situadas em zonas planas. Na figura 2.2 apresenta-se o Atlas Europeu de Vento processado para a cota dos 50m. 1989]. sendo esta o motor de desenvolvimento do Atlas Europeu do Vento [Troen et al. 2. Para efectuar um mapeamento de uma grandeza eólica. os estudos que estiveram na génese do mapeamento do recurso eram de base pontual e recorriam ao uso de dados de estações meteorológicas. responsável pela sua coordenação e metodologia de construção. em particular na Europa e em Portugal.

A metodologia espacial de avaliação do recurso energético proposta pelo Risø serviu de base para o desenvolvimento do modelo numérico WAsP – “Wind Atlas Analysis and Application Program” [Mortensen et al. Mediante um conjunto de informações de entrada.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 2.2 – Atlas Europeu do Vento obtido para a cota dos 50m [Troen et al. sendo o mais utilizado a nível mundial no sector. o WAsP tornou-se num modelo de referência para a energia eólica. Hoje em dia.3). 7 . capazes de reproduzir. 1989]. para além de permitir a avaliação do recurso energético do vento de forma pontual no local de medida. O modelo WAsP.. os modelos utilizados no WAsP. os princípios físicos da camada limite junto da superfície terrestre. tendo assim a capacidade de estimar a produção energética de um parque eólico (incluindo as perdas por efeito de esteira) servindo-se da informação meteorológica proveniente de um mastro anemométrico. embora com grande simplificação. possui modelos 3D de terreno que conduzem à caracterização espacial da área em redor desse ponto de medida. A metodologia de produção do Atlas baseou-se num conjunto de modelos. são capazes de corrigir para cada ponto do terreno o perfil vertical do vento quando sujeito a efeitos de sombra derivados da presença de edifícios e outros obstáculos na região em estudo.. 2. Os parâmetros físicos e equações utilizadas na construção do modelo WAsP são disponibilizados no próprio Atlas [Troen et al. 1993]. 1989]. e também às variações impostas pelo terreno e rugosidade em redor do mastro anemométrico (fig.

e tem a vantagem de reproduzir com boa aproximação a climatologia da ocorrência de classes de vento no local em monitorização [Troen et al.. muito utilizados no sector da eólica. 10m).. no entanto consegue extrapolar com alguma aproximação. a distribuição de Weibull (descrita no secção 3. estações sinópticas ou climatológicas. 8 . Porto. Uma das preocupações centrais na construção do Atlas Europeu do Vento foi a definição do período de longo termo a ser considerado. Para contornar este problema. Verificou-se que esse período era representativo da média climatológica.5). Cabo Carvoeiro. a 10m. 1993]. teriam de ser utilizadas um número muito restrito de estações meteorológicas. Neste caso. Bragança. Faro.4 encontra-se um extracto da informação processada no Atlas para quatro estações de Portugal no período pretendido. Desta forma. Por um lado seria difícil de arranjar várias estações com pelo menos 30 anos de dados – definição de normal climatológica. dada a simplicidade da sua concepção. em especial nos locais situados em terreno complexo [Mortensen et al. Convém realçar que o modelo WAsP não consegue caracterizar a variabilidade espacial e temporal do escoamento. as estimativas energéticas do local em estudo utilizando-se topografia de elevada resolução espacial (ex. contribuindo o IM (Instituto de Meteorologia) com 15 estações (11 estações no continente – Beja. fez-se uso do trabalho de Larsen et al (1988) onde se evidencia um estudo de variabilidade inter-anual ao fluxo de potência extraível do vento no período de 1970 a 1980. podendo os registos ser obtidos em mastros instalados em aeroportos. Muito embora o WAsP efectue estimativas energéticas para locais afastados do mastro anemométrico. Funchal. ajustada aos dados de vento monitorizados. entre os quais Portugal. Sagres. com base em algumas estações meteorológicas europeias. sendo esta uma situação a evitar. Esta distribuição é caracterizada por dois parâmetros estatísticos.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Convém referir que as estimativas energéticas do escoamento atmosférico obtidas pelo modelo WAsP são feitas em função de uma distribuição de probabilidade de vento. Ferrel. 1989]. Sines e Viana do Castelo. no período de 1875 a 1975 para a mesma altura. Porto Santo e Santa Maria). a contribuição de dados de vento – velocidade e direcção no período compreendido entre 1970 e 1980. Foram então seleccionadas 208 estações meteorológicas dos vários países europeus. Lisboa. e 4 estações nas ilhas – Flores. é de esperar que se realizem campanhas de medição nos locais onde o modelo estime valores de energia aparentemente excessivos para confirmação das estimativas obtidas. Coimbra. solicitou-se aos países envolvidos na investigação do Atlas. Na figura 2.

3 – Conjunto de modelos e informação de entrada para o modelo WAsP [Troen et al.4 – Processamento de dados meteorológicos no Atlas Europeu do Vento para quatro estações meteorológicas de Portugal no período 1970-1980 [Troen et al. 1989].Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 2. 9 . 1989].. Figura 2.

1991b. 1999] e internacionais como o projecto PO-MISTRAL financiado pelo programa “SfS . S.5) para o período entre 1951 a 1960. na qual se instalou. motivando o interesse nas energias renováveis. IM e pela EDP. 1991. as normais climatológicas [INMG. D. 1990.]. inicialmente nas regiões montanhosas no norte e centro de Portugal Continental [Restivo.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 2.2 Estudos realizados em Portugal Embora Portugal não tenha um mapeamento refinado do recurso eólico.1992]. 1992].Science for Stability” da Nato [Ferreira de Jesus et al. convém salientar que desde o final dos anos 1980 se verifica um esforço de caracterização do vento no nosso país. tendo os seus resultados suscitado interesse crescente nesta forma de energia. tendo efectuado um estudo sobre as potencialidades das energias renováveis para a EDP [INMG. O IM também contribui para a avaliação do recurso eólico no país. na sua unidade piloto do Lourel. projecto “Avaliação do potencial Eólico na região sul de Portugal” [Silva. iniciaram de forma sistemática a caracterização do recurso energético do vento no nosso país. instituições como o INEGI e o INETI. 1991a. Embora o INETI tenha instalado. O INETI foi pioneiro na criação de uma unidade piloto. foi com recurso ao modelo numérico WAsP que. podem ser utilizados no cálculo da variabilidade interanual do vento nos locais de monitorização do recurso energético. 1991]. Por outro lado. 10 . entre outras. Mais tarde. para as 9h TMG [INMG. em 1985. este instituto publicou um mapa com rosas de vento (fig. Estes dados. JOULE. 1986]. INEGI. no início dos anos 1990. 1992] e ALTENER [Simões e Estanqueiro. Silva. o primeiro aerogerador em Portugal na região de Lourel/Sintra [Silva. Esse estudo permitiu caracterizar o escoamento atmosférico em redor de 7 estações sinópticas do IM. Estas actividades iniciaram-se no princípio dos anos 1990 sendo financiadas por programas comunitários como o programa VALOREN no qual participou no projecto PV/91/LVT/124 intitulado “Parque Eólico de 10 MW na Região de Lisboa e Vale do Tejo” [Elkraft et al. o IM publicou para diversas zonas de Portugal Continental. a primeira estação anemométrica para avaliação do recurso eólico em 1985.. Os primeiros estudos na área da energia eólica foram conduzidos por algumas instituições de investigação e desenvolvimento tais como o INETI. 1992]. 2. O INETI tem vindo a realizar um grande número de campanhas de medida e caracterização do recurso eólico em Portugal. 1991c]..

. 1987. 1992] que teve como objectivo contribuir para o desenvolvimento da tecnologia na energia eólica e encorajar os produtores privados a investir no ramo das energias renováveis. S. D.]. A partir de meados desta década a caracterização da energia do vento deixou de ser financiada por projectos de investigação passando.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 2. [INMG.5 – Mapa de rosas de vento da rede de estações sinópticas do Instituto de Meteorologia. a ser suportada pelo sector privado [EDP. 1989]. Dos trabalhos realizados no âmbito do programa SfS destaca-se o mapa preliminar da caracterização energética de Portugal 11 . obtido para o período de 1951 a 1960 às 9h TMG. na sua maioria. É de referir o projecto PO-Mistral [Ferreira de Jesus et al. Dentro destes programas foram realizados vários projectos de caracterização local do recurso energético do vento no país baseados em campanhas experimentais.

não se realizou a construção de mapas do potencial eólico à escala nacional suficientemente refinados.7) . Figura 2. 1992]. monitorizados pelo INETI. 2000] apresentando a caracterização do recurso energético em 11 locais. 2.6).tinha sido já desenvolvida e publicada no âmbito da regulamentação nacional produzida nesta área [Castanheta. Informação sobre ventos extremos (fig.6 – Mapa de caracterização energética de Portugal Continental [Ferreira de Jesus et al.de extrema relevância para a segurança de estruturas por acção do vento .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Continental (fig. 2. 12 .. apesar de já existir informação e trabalho desenvolvido nesta área. o INETI publicou uma base de dados do escoamento atmosférico em Portugal Continental – EOLOS [Simões e Estanqueiro. No entanto. 1985]. Em 2000.

[Castanheta.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 2. destinadas ao microposicionamento optimizado de turbinas com modelos da especialidade [e. para minimizar o erro nas estimativas energéticas em terreno complexo [Costa e Estanqueiro. Garrad Hassan et al. 2003]. [Simões e Estanqueiro.3 Estudos recentes sobre o mapeamento do potencial eólico A metodologia usada no modelo WAsP permite fazer o estudo do potencial eólico com base em registos de vento obtidos. contendo as características físicas e energéticas do escoamento atmosférico num conjunto de 57 locais em Portugal Continental. por exemplo. 2002]. a qual se tem revelado uma ferramenta eficaz nos estudos de avaliação energética e micro-posicionamento de aerogeradores em terreno complexo. 2003] 2. sendo esta uma base de dados dinâmica e interactiva com o utilizador. 13 . o INETI publicou a segunda versão da base de dados do potencial energético do vento em Portugal – EOLOS 2. de 10 em 10 min em estações anemométricas. Em 2004. Em 2003. o INETI apresentou uma metodologia multi-estação para cálculo de combinação de mapas de recurso geradas pelo WAsP. encontra-se em preparação uma nova base de dados SIGEOLOS. Tanto o INETI como o INEGI têm vindo a utilizar o modelo WAsP para mapear áreas de interesse. com dimensões aproximadas de 5×5km. 1985].7 – Mapa de ventos extremos calculado com base nas estações sinópticas do Instituto de Meteorologia. de malha refinada. 2004] ..g. Face aos resultados animadores deste estudo.0 [Estanqueiro.

Por este motivo. para mapear as zonas de interesse. com elevada resolução espacial (e. mostram a existência de desvios muito pequenos. 1×1km). Estudos preliminares deste método apontam desvios da ordem dos 25% para o fluxo de potência incidente em terreno fortemente complexo [Helmut et al. essas análises não têm resolução suficiente para o mapeamento eólico. beira litoral e beira interior [Sousa.g. Por outro lado. satélites. consciente destas vantagens. Desta forma. tem vindo a apresentar resultados de uma metodologia de combinação do modelo numérico de mesoscala KAMM – “the Karlsruhe Atmospheric Mesoscale Model” e o modelo de microescala WAsP.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Infelizmente. Esta combinação serve para estimar o recurso energético para parques eólicos situados em regiões de topografia complexa. tais como. 2. inferiores a 10%. Os resultados obtidos. e um auxiliar à decisão de futuros investimentos em campanhas experimentais para caracterização do escoamento atmosférico e de planeamento de redes eléctricas e demais infra-estruturas. Os resultados promissores deste método levaram alguns países a testar esta metodologia. especializados na assimilação de dados colectados de várias fontes. estudos preliminares do escoamento atmosférico (fig. pelo menos durante um ano. face 14 .. tornando-se uma ferramenta eficaz na avaliação do potencial do vento. chegando a cobrir um país inteiro. 2001]..8) nas zonas oeste. o mapeamento do recurso obtido pode ser utilizado no domínio do ambiente e ordenamento do território. [Kalnay et al. os modelos de mesoscala desde cedo prometeram ser uma ferramenta adequada à obtenção de estimativas do potencial eólico em regiões de interesse. Dada a enorme complexidade de cálculo exigida. foi necessário utilizar uma abordagem a regimes de circulação. Esses dados constituem os campos de análise meteorológica e são processados para qualquer região do mundo. A este problema junta-se o facto de ser necessário realizar uma campanha de colecta de dados. exclusivamente para o campo da velocidade. Estes modelos são capazes de discretizar a evolução espacial e temporal das grandezas meteorológicas para áreas de dimensão considerável. já existem centros meteorológicos. sendo utilizadas como condição fronteira ou como forçamento para os modelos numéricos de mesoscala. para se estimar o potencial eólico de cada local. não sendo possível cobrir uma região ou um país inteiro com uma rede de elevada resolução espacial para este tipo de estudos. o número de estações a instalar está condicionado pelo custo do material. tendo-se classificando 10 regimes. 2002]. Contudo. apresentando Portugal. radio-sondagens. O Risø. observações de superfície e resultados de modelos globais de previsão meteorológica. 1996].

2002]. Um estudo recente aplicado ao desenvolvimento de um atlas do potencial eólico em terreno complexo. com base em dois anos de análises meteorológicas. Nos Estados Unidos da América foi apresentado um estudo de mapeamento do vento com recurso a dois modelos de mesoscala e com várias resoluções de terreno. Neste país. com recurso a modelos numéricos de mesoscala. face a medidas no terreno. As conclusões preliminares a 10m do solo apontam para a existência de desvios de 30% e 40º respectivamente para a velocidade e direcção face a valores reais. Face às poucas estações de medição disponíveis verificaram-se desvios inferiores a 10%. Resultados efectuados com o modelo WAsP conduziram à ocorrência de desvios entre 30 e 60%. 2002. 2001]. Amarante.8 – Mapa de ventos obtido com a metodologia KAMM/WAsP para as regiões: Beira litoral e interior e zona oeste [Sousa. evidencia desvios da ordem dos 10% a 25% para a velocidade do vento...0 [Simões e Estanqueiro.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental aos registos de quatro estações de referência do INETI publicadas na base de dados EOLOS 1. 2002]. sobretudo no noroeste do país [Mass et al. os estudos propostos aproveitam as vantagens dos modelos de mesoscala para preencher lacunas no conhecimento do potencial eólico. 15 . [Tammelin. o recurso eólico era praticamente desconhecido. Assim. devido ao reduzido número de estações de medição para fins eólicos. 2001] No Brasil estão a ser testadas metodologias de construção de Atlas do Potencial Eólico [Feitosa et al. Figura 2. 2000] .

é de registar o forte impacto que este tipo de ferramenta está a ter no sector. 2001]. São já vários os países a tomar como referência o uso de modelos numéricos de mesoscala na elaboração de mapas do potencial energético. mostra a existência de desvios consideráveis do vento. não pode “atrasar-se” neste tipo de estudos. Os autores sugerem que as discrepâncias sejam devidas aos efeitos não lineares com origem na turbulência atmosférica.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Outro estudo efectuado com 4 modelos de mesoscala. embora não sendo de referência para o sector da energia eólica. sobretudo em regiões de grande dimensão. todos os estudos de potencial eólico que estão a ser levados a cabo pelo mundo inteiro. sobretudo à altura de referência meteorológica de 10m. tendo reunidas as condições para os acompanhar.. por limitação de espaço. inferiores a 3×3km [Hanna et al. 16 . com valores em torno dos 25%. com recurso a modelos de mesoscala. e Portugal. quando se utilizam malhas de elevada resolução espacial. Embora não seja possível apresentar aqui. dado o crescente interesse nesta forma de energia.

O escoamento atmosférico Neste capítulo pretende-se descrever. De uma forma genérica. sendo motivadas pelos trabalhos de Hadley em 1735 [Cook. Conhecer as características do vento. com subida de ar quente e descida de ar frio. No ano de 1856. A diferença de temperaturas entre aquelas massas de ar implica diferenças de densidade. na era dos descobrimentos. Neste caso a redistribuição de energia é assegurada por três células em vez de uma. Desta forma. em altitude – as correntes de Jacto – e a existência de uma zona de forte gradiente de temperatura nas latitudes médias – a frente Polar. o ar tropical tenderá a deslocar-se para os polos e para cima.1 A circulação global da atmosfera As características fundamentais da circulação global do vento foram conhecidas muito antes do estabelecimento de uma rede mundial de observações. Este investigador apercebeu-se que o aquecimento solar no globo se dá de forma diferencial. foi um dos objectivos dos navegantes portugueses. foi possível justificar a existência da zona intertropical de convergência – ZITC. e também duas características adicionais da circulação global: a existência de duas zonas de vento muito intenso de Oeste. Hadley propôs um modelo de circulação – modelo unicelular ou célula de Hadley. Desta forma. Desse processo resulta. Muito embora o modelo de Ferrel possa contribuir para a justificação dos pressupostos atrás descritos. Nessa altura já se tinha uma ideia de como se organizava a circulação global do vento no planeta. enquanto que o ar polar tenderá a deslocar-se para o Equador e para baixo. Ferrel [Cook. quando sujeito à acção de forças capazes de lhe induzir quantidade de movimento.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 3. de forma simplificada. englobando os efeitos de rotação do globo. o comportamento do escoamento atmosférico e sua contribuição para a caracterização energética do vento. o vento é o movimento da atmosfera relativo ao planeta Terra em constante rotação. Por acção da força da gravidade. 3. 1985] propôs um modelo de circulação mais complexo. verifica-se que a circulação global observada não tem as características de simetria 17 . 1985]. resultante da geometria esférica do planeta. sendo o ar tropical menos denso do que o ar polar. a produção de massas de ar quente nas latitudes baixas – em que existe superávit radiativo – e a produção de massas de ar frio nas latitudes elevadas – em que existe déficit radiativo.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental hemisférica e axial propostas. à mesma latitude sobre o Oceano Atlântico. 2001].1) e (3. No caso da distribuição da temperatura média. respectivamente a distribuição observada da temperatura média. com máximo na zona equatorial e mínimos nos Polos. No Inverno. aí.1 – Temperatura média aos 1000 hPa . especialmente junto da costa oeste dos continentes. observa-se a situação inversa. 18 . observam-se mínimos de temperatura no interior da Ásia (Sibéria) e da América do Norte (Canadá). observa-se. No Verão. sobre os continentes [Miranda.2). Este facto é bem patente nas figuras (3. associados a anticiclones frios (fig.1). e temperaturas mais baixas na zona marítima. Tal facto deve-se à presença da orografia e rugosidade na superfície do globo. no entanto. 2001]. O ciclo anual é muito mais forte no Hemisfério Norte e. devido à distribuição das massas continentais. tanto em Janeiro como em Julho. onde se apresenta. associado a depressões térmicas. No hemisfério Norte. enquanto que a temperatura do ar se encontra relativamente elevada.junto da superfície em (a) Janeiro e (b) Julho. um forte gradiente Norte-Sul. devido à presença da corrente do Golfo. campo da pressão e do vento à superfície nos meses de Janeiro e Julho. esse gradiente é muito deformado. Figura 3. Média de 30 anos [Miranda. 3. com aquecimento continental.

2001]. mais semelhante à do modelo tricelular de Ferrel. A distribuição da pressão à superfície também apresenta importantes diferenças interhemisféricas e entre as zonas continentais e oceânicas. a zona depressionária associada à frente polar.2 – Pressão e vento médio junto da superfície em (a) Janeiro e (b) Julho. no entanto. A cintura de anticiclones subtropicais considerada no modelo de Ferrel é claramente visível na figura (3. observados no período de Inverno. o anticiclone dos Açores encontra-se por volta dos 30ºN em Janeiro. 2001]. No hemisfério Sul. e a sua localização acompanha o movimento aparente do Sol no ciclo anual [Miranda. em Janeiro. tornando-se pouco evidente no período de Verão deste hemisfério. verificando-se uma substituição dos anticiclones frios. a pressão apresenta uma distribuição muito menos perturbada. Sobre o Atlântico Norte. 19 . No Hemisfério Norte. estendendo-se em direcção às Ilhas Britânicas em Julho.2) no hemisfério Sul e nas regiões oceânicas do hemisfério Norte. por depressões quentes no período de Verão. Média de 30 anos [Miranda.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 3. Sobre os continentes. encontra-se cerca dos 60ºN sobre os oceanos. a distribuição da pressão é completamente diferente.

1) escreve-se: r r Fcor + F p = 0 ⇒ r r d (mu ) F= dt (3. ∆p a diferença de pressão de duas isóbaras contíguas e ∆n a menor distância entre elas. força de Coriolis ( Fcor ) e força de atrito ( Fa ). admite-se que o escoamento permanece estacionário – aceleração nula. designados. ρ a densidade do ar.2) traduz-se pelo equilíbrio geostrófico e o valor do vento que lhe corresponde – equação (3.1) obtém-se quando se considera a situação de equilíbrio puro entre a força do gradiente de pressão e a força de Coriolis. a aproximação do vento geostrófico deixa de ser válida. Neste caso. sendo Ω a velocidade angular da terra.3) v=− 1 ∆p ρf ∆n onde f é o parâmetro de Coriolis ( f = 2Ω sin ϕ . aplicadas a um fluído.2) (3. Nestes sistemas. respectivamente por anticiclones e depressões.1 Vento geostrófico O movimento do ar pode ser estudado recorrendo às leis da dinâmica. No caso de uma partícula de ar o movimento é determinado pela resultante das forças. mas contendo o efeito de curvatura. observando-se frequentemente sistemas de forma circular ou elíptica. Uma solução simples. As forças que actuam no elemento de ar e que dão origem. pode ser obtida. Ω = 7. por vento geostrófico. A condição imposta pela equação (3.1.3).2 Vento do gradiente Da análise de qualquer carta meteorológica. 3. embora pouco relevante para o sector da eólica. correspondendo a máximos e mínimos locais de pressão. devem-se à: força da gravidade ( mg ) .29 × 10 −5 rad s-1 e ϕ a latitude do local). ou modificam. e a equação (3.1. apesar da sua extrema simplicidade. Esta aproximação. mesmo para movimento estacionário. pois a curvatura das trajectórias do ar implica necessáriamente uma aceleração. força centrífuga ( Fcp ). força do gradiente de pressão r r r r ( F p ). Uma das soluções mais simples da equação (3. verifica-se facilmente que as isóbaras são quase sempre linhas curvas. o r estado do movimento.1) fv − 1 ∆p =0 ρ ∆n (3. traduzidas pelo segundo príncipio de Newton – lei da variação da quantidade de movimento: r r sendo F a resultante das forças actuantes no elemento de ar e mu a quantidade de movimento. se a aceleração do 20 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 3. fornece uma boa aproximação ao vento observado longe da superfície.

7) as soluções obtidas para um anticiclone e depressão no hemisfério norte: v= fR 4 ∆p  fR  −   − 2 ρR ∆n  2  2 2 (3. v=const. a força de coriolis torna-se desprezável. como: r r r v2 r dv r a = at u t + a n u n = u n + u t R dt (3. fica só a existir aceleração centrípeta. Neste caso. cujos diâmetros são da ordem de 1km.7) As soluções físicas aqui apresentadas para o vento do gradiente. pode facilmente concluir-se pela fig (3. dirigida para o exterior da curva. Admitindo mais uma vez que existe equilíbrio e que as isóbaras são rectas paralelas. 3. Neste casos.8) As soluções para o vento geostrófico e do gradiente podem ser facilmente modificadas para entrar em linha de conta com a representação do efeito do atrito. Se o movimento é estacionário. chega-se à solução do vento ciclostrófico (eq. e de sentido contrário à força centrípeta. admitindo um regime de movimento estacionário.4) onde R é o raio da curvatura da partícula ao centro do sistema. tornando-as utilizáveis na zona da atmosfera próxima da superfície. implica que a força do gradiente de pressão seja de sentido inverso nestes sistemas.6) fR 4 ∆p  fR  v=− +   + 2 ρR ∆n  2  (3.3) que o vento deixa 21 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental movimento for decomposta numa componente tangencial (at) com a mesma direcção da velocidade e numa componente normal (an) correspondendo à aceleração centrípeta. sendo as equações (3. No caso de pequenos turbilhões ou tornados. correspondendo ao equilíbrio entre a força do gradiente de pressão e a força centrífuga v= R ∆p ρ ∆n (3. a condição de equilíbrio para a manutenção do vento do gradiente exprime-se através da equação (3.5) em que o terceiro termo negativo corresponde à força centrífuga. Dado que os centros de acção se constituem por anticiclones ou depressões. Neste caso. obtém-se uma solução individualizada para cada sistema.8).6) e (3. dado que a força de Coriolis é muito superior à força centrífuga.1) por: r r v2 r Fcor + F p − u n = 0 R (3. Este princípio torna-se válido se nos restringirmos aos movimentos de escala sinóptica. foram escolhidas sobretudo pelo uso da força de Coriolis.

atravessando-as no sentido das baixas pressões. que se fazem sentir junto da superfície terrestre. O mecanismo inverso deve ocorrer nos anticiclones. zonas de divergência horizontal de ar à superfície. não se verifica na atmosfera. por si só. o que significa que tem de existir um efeito de compensação. justificando condições de nebulosidade e até de precipitação. ocorrem associados a sistemas de escala sinóptica. é favorecido o movimento ascendente. Nas depressões.vento do gradiente em regime anticiclónico e ciclónico. o atrito implicaria. F representa a força de atrito e R representa a força resultante entre a força de coriolis e a força de atrito [Moran et al. devido ao aquecimento adiabático de ar das camadas superiores.. Se não houvesse qualquer efeito de compensação. (a) (b) (c) Figura 3. A única forma possível dessa compensação é a existência de movimento vertical. 1997]. se observa frequentemente céu limpo ou pouco nublado.2 Circulações locais As soluções analíticas para os diversos tipos de vento tratados no sub-capítulo anterior. e C representam a força do gradiente de pressão e força de coriolis. uma característica fundamental do tempo meteorológico associado aos grandes sistemas de pressão.3 – Efeito da força de atrito para: (a)-vento geostrófico. o ar que converge à superfície sobre uma depressão é retirado para as camadas superiores e aí diverge em altitude. Os anticiclones. Tal facto. fazendo-se sentir a altitudes muito acima da superfície terrestre. explicar. existem contudo os sistemas de mesoscala ou microescala. Assim. PH. (b) e (c). em que.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental de ser paralelo às isóbaras. a eliminação do gradiente horizontal de pressão nos anticiclones e depressões. respectivamente. O efeito do atrito permite. sendo muito afectados pela sua interação com 22 . 3. ao fim de algum tempo. devido à convergência horizontal por atrito. Contrariamente ao que se passa com esses sistemas. possuindo dimensões espaciais mais reduzidas. provocando convergência de ar nos centros de baixas pressões e divergência nos centros de altas pressões. de forma qualitativa. são normalmente zonas de subsidência (descida) de ar.

o qual impede a ocorrência de grandes oscilações térmicas durante o ciclo diurno. A circulação da brisa marítima/terrestre (fig. a velocidade do escoamento à superfície pode ir de 5 a 7 m/s. em particular. produzidas em resposta à existência de diferenças de temperatura entre superfícies próximas.4) estende-se em geral a poucas dezenas de kms da costa nas duas direcções. no entanto. Este tipo de circulação chama-se brisa marítima. 3. Em altitude desenvolve-se uma circulação de retorno. esta circulação pode assumir um carácter regional definindo o clima de grandes áreas do mundo. À superfície o sentido do escoamento é agora da terra para o oceano. estão reunidas as condições para o desenvolvimento de brisas nas regiões costeiras dos continentes. e o ar mais frio sobre o oceano circula de forma a substituí-lo. formando uma circulação inversa da que ocorre durante o dia.. 23 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental o solo. Por outro lado. sendo este conhecido como brisa terrestre. 3. no qual as temperaturas descem abaixo da temperatura à superfície do oceano. sobre os continentes o calor específico é mais baixo.2. Essa interacção faz-se sentir sob diversas formas e envolve. são genericamente designadas por brisas. Ao longo do dia o ar aquecido e menos denso sobre estas regiões. Essas circulações. 1988]. conduzindo a oscilações térmicas maiores que à superfície dos oceanos o que faz com que os continentes sejam mais quentes que os oceanos durante o dia. Figura 3. as propriedades da superfície variam de forma abrupta que podem originar uma circulação organizada. [Stull. Desta forma. 1997]. capaz de afectar o clima local. o ar arrefece e desce sobre o oceano.1 Brisa marítima e brisa terrestre Os oceanos possuem um elevado calor específico. no entanto. o arrefecimento da superfície terrestre é mais acentuado. À noite. a resposta da temperatura da superfície e os efeitos do atrito. sobe.4 – Brisas marítima e terrestre [Moran et al. Em condições favoráveis. Em algumas regiões. Neste tipo de circulação. fechando a circulação principal.

contrário aos ponteiros do relógio.5 – Brisas de vale e montanha [Moran et al.e. trocando calor. i.2. a atmosfera está em contacto directo com a superfície. Assim.2 Brisa de vale e de montanha Também a topografia pode dar origem a circulações de brisa. frequentemente. Dado que a altitude do solo vai crescendo em direcção ao interior. 3. ao longo da encosta .. na zona montanhosa a esse mesmo nível. O resultado é uma circulação fechada no centro da península. O vento junto da superfície na circulação de brisa de montanha é designado por vento catabático. no caso do Hemisfério Norte. A prevalência deste regime de circulação na Península Ibérica deve-se à geometria da península.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 3. a atmosfera sobre o vale encontra-se longe do solo. durante o dia a montanha comporta-se como uma fonte de calor. Figura 3. deste tipo. a circulação de brisa é reforçada por uma brisa de vale. O aquecimento do continente durante um dia de Verão dá início à circulação da brisa marítima. rodando no sentido ciclónico .5).a brisa de vale.a brisa de montanha. tendo lugar uma corrente de ar frio da montanha para o vale. A um dado nível.. A circulação de Verão na Península Ibérica é. podendo atingir velocidades muito elevadas. Como o sistema se mantém ao longo de muitas horas. desviando a brisa para a direita. transformando uma circulação quase perpendicular à costa numa circulação praticamente paralela.2. Durante a noite a montanha é uma fonte de arrefecimento. 24 . dando origem a uma circulação de ar mais fresco vinda do vale . a superfície do solo funciona como fonte de aquecimento durante o dia e de arrefecimento durante a noite. 1997]. O vento de superfície associado à brisa de vale é designado por vento anabático. Tal como no caso da brisa marítima/terrestre. 3. sendo pouco afectada pelo ciclo diurno.3 A depressão térmica na Península Ibérica Quando as circulações de brisa dominam o escoamento atmosférico numa região extensa podem dar origem à formação de depressões quentes sobre o continente. o efeito da força de Coriolis faz-se sentir. Enquanto isso. designadas por depressões térmicas. com inversão do sentido da circulação entre a situação diurna e nocturna (fig.

a zona de divergência à superfície vai forçar uma corrente descendente. 3. mas mantém-se quase sempre um pouco acima da temperatura da superfície do Atlântico. As setas esquematizam o movimento das partículas de ar junto da superfície [Miranda. a alteração da rugosidade da superfície. Dado que a superfície do lago é. 25 . devido ao afloramento de água profunda que aí tem lugar.e.2. De facto. nesse caso. caracterísitco do verão português. durante o Verão. Um exemplo típico é o caso da circulação nas proximidades de um lago. enquanto que a zona de convergência vai forçar uma corrente ascendente. i. 2001]. a temperatura no interior da Península baixa durante o período nocturno. É possível produzir efeitos semelhantes quando se encontram gradientes horizontais de vento. Durante a noite. especialmente se esta for florestada ou tiver construções. observa-se um aumento da velocidade do vento sobre o lago e uma redução quando o ar volta a circular sobre a margem.3. muito mais lisa que a superfície envolvente. a nortada perde intensidade mas não ocorre. com uma intensidade crescente ao longo do dia. atingindo um máximo ao fim da tarde: trata-se do regime da Nortada. geralmente.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental A circulação da depressão térmica na Península Ibérica (fig. uma inversão da circulação. traduzidas. Figura 3. que é relativamente baixa na vizinhança da Península. devidos.6 – Depressão térmica na península ibérica.6) dá origem a vento de Norte ou Noroeste em toda a costa ocidental. Em consequência. Tal como no caso da circulação atmosférica em anticiclones e depressões. pela criação de gradientes horizontais de temperatura.4 Efeitos locais da circulação atmosférica Os efeitos de brisa descritos atrás constituem um exemplo de circulações atmosféricas directamente devidas à existência de variações das propriedades da superfície. geralmente. observa-se divergência horizontal do ar na transição terra/lago e convergência na transição lago/terra. não se observa uma brisa de terra significativa..

Estas zonas caracterizam-se por grande rugosidade. 3. uma parte do escoamento contorna a montanha e outra parte passa por cima originando ondas de montanha. Em particular.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Uma outra situação frequente é produzida pela presença de zonas urbanas. e possuir uma menor superfície de evaporação.2. o escoamento contorna a montanha. se a semi-largura da montanha que perturba o movimento da partícula for D. Este efeito é designado por ilha de calor urbana e pode contribuir significativamente para a deterioração da qualidade do ar na zona urbana. vulgarmente designada por número de Froude interno [Stull. então o comprimento de onda efectivo é igual a 2D. o seu movimento irá sofrer uma influência derivada da presença do obstáculo. Para ventos mais fortes. mais quentes que as zonas rurais circundantes. em geral. a partícula segue uma trajectória oscilante. Este movimento ondulatório tem um comprimento de onda vertical proporcional a 2πu / N BV . e também pelo facto de serem. verifica-se que a estabilidade atmosférica é fraca e/ou os ventos são mais fortes. ou para situações de menor estabilidade ( Fr ≅ 0. 1988]. Fr ≅ 0.9) A figura (3. Para situações fortemente estáveis e ventos fracos (ie. a diferença de temperatura entre o interior da cidade e o ambiente rural próximo pode ultrapassar os 5ºC. Quando esta partícula acompanha uma massa de ar a uma velocidade constante (u ) .4 ). A razão entre os dois comprimentos de onda define uma grandeza adimensional. devido ao facto de a cidade absorver melhor a radiação solar . O escoamento perturbado pelo topo da montanha tem um comprimento de onda menor que a largura da montanha. 1988] expressa pela seguinte equação: Fr = πu N BV D (3.menor albedo. e o escoamento passa em grande parte 26 . uma partícula de ar oscila verticalmente com a frequência de Brunt-Väisälä ( N BV ) . Se a partícula de ar for obrigada a contornar uma colina ou montanha. Para um número de Froude igual a um.5 Escoamentos sobre montanhas Em condições de estabilidade estática. O escoamento directamente incidente na montanha é bloqueado chegando mesmo a estagnar. especialmente se existirem fontes de poluição nos arredores da cidade.1 ). Nalguns casos. devida à presença de edifícios.7a) mostra diversas situações do escoamento atmosférico a contornar obstáculos orográficos do tipo montanha face a diferentes valores do número de Froude [Stull.

junto do sopé da montanha. o número de Froude tende para infinito. 1988] Na situação de ventos fortes e estabilidade neutra1. (a) (b) Figura 3. As ondas de montanha amplificam-se devido a um efeito de ressonância. podendo o comprimento de onda igualar-se à largura da montanha. dominada pelos efeitos de corte da velocidade provocados pelas heterogenidades da superfície terrestre. Para além desta região de influência o escoamento deixa de “sentir” a presença da montanha. o gradiente vertical da temperatura é praticamente nulo. A perturbação do escoamento começa-se a sentir a uma distância três vezes da largura da montanha.7 – Escoamento sobre montanhas face a diferentes valores do número de Froude –(a). Em casos de ventos ainda mais fortes e/ou estabilidade mais fraca ( Fr ≅ 1. Nesta situação ocorre separação da camada limite atmosférica na encosta a jusante ao escoamento.7 ). 1 27 . uma camada limite.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental sobre o topo da montanha. o comprimento de onda natural é maior que as dimensões da própria montanha. criando cavidades com inversão do sentido do escoamento à superfície. Perto do topo. Neste caso. o escoamento pode mesmo estagnar a intervalos periódicos e pode ocorrer inversão do sentido do escoamento à superfície debaixo dos vórtices. Efeitos da estratificação térmica sobre montanhas – (b) [Stull. as linhas de corrente são comprimidas acelerando Neste caso. a montante. ou seja. Alguns vórtices poderão formar-se na base a jusante da montanha.

10) onde zM representa a altura do topo da montanha. imediatamente a jusante da encosta tem aproximadamente as dimensões da montanha. a esteira cresce. Na situação de ventos fortes ( Fr* ≅ 1. e z a altura da base da inversão térmica. Na eventualidade da ausência de outros mecanismos de geração de turbulência e longe da montanha. podendo mesmo o escoamento regressar ao estado anterior à perturbação [Stull. A jusante pode ocorrer um salto hidráulico.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental significativamente o vento. Para z > z M . a condição fronteira de não escorregamento obriga a 28 . À medida que nos afastamos. igualmente interessantes. a camada de mistura acelera consideravelmente pela encosta. ou seja. 1988]. podem ocorrer dois tipos de escoamentos dependentes da velocidade do vento. onde o escoamento desacelera e a espessura da camada limite aumenta. 3. No caso z >> z M . mas para uma camada limite fina ( z < z M ) . nas regiões com média e elevada complexidade. No caso de ventos fracos ( Fr* << 1) . mas a turbulência diminui de intensidade. Na região de separação da camada limite encontram-se velocidades do vento baixas.7b).0) e na presença de uma inversão do gradiente de temperatura mais acentuada. pois podem introduzir desvios não desprezáveis em relação às estimativas do potencial energético num local. No exemplo de uma montanha isolada. De facto. Este fenómeno verifica-se em particular na situação de ventos fracos e forte convecção. A jusante forma-se uma esteira de vórtices de von Karman. Do outro lado da montanha. devido ao constrangimento das linhas de corrente no topo. o escoamento passa por cima da montanha não sendo fortemente perturbado por esta. podem ocorrer na presença de inversões no gradiente de temperatura sobre montanhas (fig. o escoamento é forçado a passar em redor da mesma.3 Camada limite atmosférica O atrito existente entre a superfície terrestre e o ar em movimento origina um efeito de retardamento ao escoamento. Estes efeitos devem ser avaliados com detalhe nos estudos de potencial energético do vento em Portugal. a turbulência decai de intensidade. 3. verifica-se uma inversão do escoamento por acção do mecanismo de Bernoulli. Esta esteira. desenvolve-se uma esteira de turbulência. Definindo o número de Froude modificado [Stull. da aceleração do escoamento. 1988] por: Fr* = u N BV ( z − z M ) (3. Outros fenómenos.

1966]. Na fig (3. tal como a sua forma. Dado que a força de atrito decresce com a distância ao solo. Simiu e Scalan. A espessura da CLA é da ordem de algumas centenas de metros e tipicamente entre de 600 a 1000m conforme é referido por vários autores [Saraiva. Figura 3. 1997]. Na situação de ventos fortes para os quais se pode desprezar o efeito do gradiente de temperatura – normalmente designada por condição de estabilidade/atmosfera neutra (ver comentário atrás) – a espessura da CLA depende. Estanqueiro. que a atmosfera é livre.9 – Efeito da rugosidade do solo na camada limite atmosférica [Davenport.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental que a velocidade do vento seja nula ao nível do solo. Figura 3. ou seja. 1966]. Acima da CLA diz-se.9) apresenta-se o efeito da rugosidade na CLA [Davenport. 1986]. É a esta zona – na qual se verifica um variação da velocidade do vento em altura que se dá o nome de camada limite atmosférica . 3.CLA. a rugosidade do solo condiciona de modo determinante o perfil da velocidade média que descreve a CLA. sendo a sua espessura normalmente representada por δ (fig. esta torna-se desprezável para alturas suficientemente elevadas nas quais a velocidade do escoamento toma o valor do vento do gradiente. 1983. 1986.8 – Representação da camada limite atmosférica [Simiu and Scalam. da configuração da superfície terrestre. a uma menor escala de comprimentos.8). essencialmente do tipo de fronteira. A orografia do terreno. ou. 29 . normalmente.

o perfil da velocidade do vento pode ser descrito pela lei logarítmica de Prandtl vulgarmente designada por “lei de parede” [Davenport. ou zona da parede. É na zona da sub-camada logarítmica (100 a 150m) que se situa o domínio dos aproveitamentos de energia do vento.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental A CLA pode ser dividida em pelo menos duas sub-camadas [Estanqueiro. e a sub-camada exterior. por esta razão. b0 uma constante de integração e z0 é o que se define como comprimento de rugosidade.10). na qual as tensões de corte são aproximadamente constantes e iguais às tensões de corte no solo. 3. é dada pela relação: z l = b' u* fc (3. de primordial importância. Simiu e Scalan.12) onde. 1983.10 – Estrutura da camada limite atmosférica [Estanqueiro.13) onde b’ é uma constante que toma valores entre 0. 1997. revestindo-se o seu estudo. a sub-camada logarítmica. u* a chamada velocidade de atrito. na qual as tensões de corte evoluem do valor constante assumido na sub-camada logarítmica até se anularem no topo da CLA (fig.11) em que: u* = τ 0 / ρ (3. τ0 é a tensão de corte à superfície da terra.03 [Simiu and Scanlan. Nesta zona e na condição de atmosfera neutra. 1966] 30 . Figura 3. Saraiva.4 ). Davenport. 1997. A distância acima do solo até à qual a lei de parede é considerada válida.015 e 0. U z é a velocidade média do vento à altura z. k a constante universal de von Karman ( k ≅ 0. 1986]. 1986] e fc representa o parâmetro de Coriolis. 1966]: Uz = u* z ln + b0 k z0 (3.

9 a 3.5 0.0 90.7 5.6 a 13.12) obtém-se: u κ= * U  z  k2  = 2  ln ( z / z 0 )  2 (3.0 28.1 0.0 10. 1986] Tipo de terreno Areia Superfície do mar* Neve Relva baixa Estepes Descampados Relva alta/Cereais Arbustros Terreno arborizado** Subúrbios Centro de povoações Centro de grandes cidades Z0 (cm) 0.0003 a 0.0 a 45.0 3. o perfil de velocidades afasta-se do descrito pela lei logarítmica. κ.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Relacionado com a sub-camada logarítmica pode ainda definir-se o coeficiente de atrito do escoamento no solo. sendo z1 e U z1 a altura e velocidade de referência conhecidas.2 a 1.0 60.4 a 5. e U z 2 a velocidade extrapolada para a altura z2.7 a 3.0 a 10.15) É também possível aproximar empíricamente o perfil de velocidades do vento na sub-camada logarítmica por uma lei de potências.0 a 30. 31 .0 20. Este afastamento é controlado pelo escoamento exterior na zona de atmosfera livre que transfere energia para a zona de fronteira com o solo através da sub-camada logarítmica.9 a 3.2 a 16.4 14.1 a 0.9 1. cujos valores são apresentados para vários tipos de rugosidade na tabela 3.0 a 4.0 4.14) as equações (3.2 a 7.6 0.01 a 0. embora o seu uso seja somente recomendado como primeira aproximação: U z2  z2  =  U z1  z1    α (3.1 a 1.0 35. Na sub-camada exterior.6 1.9 0. tomando normalmente o valor de 1/9 para terreno aberto.0 κ × 10 3 1.1 a 4.4 3.0 10.6 7.2 4.0 *função de velocidade do vento e da ondulação **função da altura média das árvores (15m) aproximadamente 102 árvores/ha substituindo na equação (3.0 a 50. 1986]: κ= τ0 ρU z2 (3.11) e (3.0 a 30.6 20.0 a 4. Esta zona é também denominada sub-camada de esteira pela semelhança que apresenta com os escoamentos de esteira.I – Coeficientes de atrito no solo [Simiu and Scanlan.0 1.I [Simiu and Scanlan.0 a 80.14) Tabela 3.5 a 15.0 a 40.16) onde o expoente α se pode ajustar ao tipo de terreno.0 a 100.

é comum.19) Parâmetro característico de um escoamento que traduz a proporção entre as forças de inércia e as forças de origem viscosa. à semelhança dos procedimentos correntes na caracterização dos escoamentos deste tipo.3) (3. tomar o vento como sendo a soma do seu valor médio com o de uma flutuação: U i = U i + u i (i=1. pelo que o escoamento atmosférico é. O regime turbulento ocorre num escoamento tipo camada limite. ( Re crit = 3 × 10 5 ).4 Turbulência atmosférica Alguns resultados experimentais permitem constatar que.equações de fecho. Dado o seu carácter turbulento. de densidade ρ.18) . Na atmosfera. na atmosfera. abordado como escoamento turbulento apresentando números de Reynolds. onde L representa um comprimento característico do escoamento (desenvolvimento da camada limite): Re =UL / υ 2 32 . viscosidade µ e Newtoniano. 2003]. a taxa de dispersão por turbulência é manifestamente superior à taxa de dispersão por efeitos de difusão molecular. insolúvel quando não são introduzidas restrições de ordem empírica . Re>108 [Estanqueiro.equação da continuidade (conservação da massa). e em particular na CLA. vem: . ∂U i =0 ∂xi (3. De facto. quando o número de Reynolds2 excede um valor crítico. as equações gerais do movimento.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 3. 1997]. matematica e conceptualmente.17) na qual o índice i representa as direcções dos eixos ortonormados. no entanto. Neste caso. aplicadas a um escoamento médio para um fluido incompressível. a turbulência é o processo primário pelo qual a quantidade de movimento. esta situação verifica-se quase sempre.2. calor e humidade são transferidos na atmosfera [Silva.equação de Navier-Stokes (conservação da quantidade de movimento): ∂U i ∂U i 1 ∂p 1  ∂ 2U i +U j =− + µ ∂t ∂x j ρ ∂xi ρ  ∂x j ∂x j    − δ 3 g + f ε ij 3U j   (3. O sistema de equações diferenciais que rege um escoamento turbulento está definido e tem por base as equações que traduzem os princípios básicos da mecânica sendo. Considere-se em primeira análise.

equação (3. o segundo termo representa o transporte difusivo associado à viscosidade. =0 ∂xi ∂xi . mistura e quantidade de movimento na camada limite. o primeiro termo representa o gradiente de pressão (engloba as forças gravíticas).21). associados à dissipação de energia turbulenta. Procedendo à substituição dos termos das equações (3. A equação que rege o prognóstico da energia cinética turbulenta pode ser obtida à custa das equações (3.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental onde.conservação da quantidade de movimento.17) na equação de Navier – Stokes e subtraíndo a equação da conservação da quantidade de movimento . obtém-se a equação de prognóstico para a componente u i [Stull. obtêm-se as equações que regem o escoamento médio em regime turbulento. Após a igualdade. A grandeza meteorológica associada à medida da intensidade de turbulência do escoamento atmosférico. o terceiro termo representa a gravidade (actuando na vertical) e o último termo representa os efeitos de Coriolis. e representando a contribuição das flutuações da velocidade para a difusão.22) 33 . 1975]: .21). e o segundo termo representa a advecção do campo da velocidade. denomina-se energia cinética turbulenta. o primeiro termo da equação (3. e tomando os valores médios das expressões.equação (3.19) e (3.equação (3.19) representa a tendência do campo da velocidade (nula para escoamentos estacionários). ∂U i ∂u i =0 .18) e (3.21) sendo o termo ρu i u j normalmente designado por tensor de Reynolds.19). ∂ ρu i u j ∂U i ∂U i 1 ∂p 1  ∂ 2U i +U j =− + µ − ∂x j ∂t ∂x j ρ ∂xi ρ  ∂x j ∂x j  (3. 1988]: ∂ (u i u j ) θ ∂ 2ui ∂u i ∂u i ∂U i ∂u i  1  ∂p +υ + + δ i3  v +U j +uj +uj = −   ρ  ∂x θ ∂x j ∂x j ∂x j ∂t ∂x j ∂x j ∂x j   i  v  g   (3.20) ( ) − δ    i3 g + f ε ij 3U j (3.17). pelos valores instantâneos . Aplicando os termos instantâneos .conservação da massa (continuidade). e encontra-se directamente relacionada com as trocas de calor. Ao conjunto de equações assim obtido dáse o nome de equações de Reynolds [Raudkivi and Callander.

Numa camada limite turbulenta bidimensional. A figura (3.23) onde e = 0. sendo os termos θv e θ v a temperatura potencial virtual média e perturbada. Se um determinado local estiver sujeito a grandes flutuações do vento. ao fim de algum tempo. está confinada à camada limite turbulenta. fortes rajadas. e agregando-se o termo da impulsão à aceleração da gravidade – último termo da igualdade. Aplicando-so o produto interno entre a componente u i e a equação (3. podendo constituir um forte risco para a danificação das pás e da estrutura da torre. Sendo a turbulência um fenómeno inerente ao escoamento. é provável que o aerogerador sofra. sendo de realçar a estrutura do conversor. Os restantes termos do lado direito da igualdade representam. onde os efeitos da viscosidade molecular são pequenos.22) e tomando o valor médio da expressão obtida.23) toma a seguinte forma [Silva. 1988]:  ∂u ∂U i ∂e ∂e g 1 ∂ (u i p) ∂ (u j e) +U j =− − − ui u j + δ i 3 (u i θ v ) − υ  ∂x ∂t ∂x j ρ ∂xi ∂x j ∂x j θv  j     2 (3.5 u i2 representando a energia cinética turbulenta. um desgaste com o impacto do vento. o primeiro termo no primeiro membro da equação (3. U ∂e p  ∂U ∂2 ∂  = −uw + ν 2 u 2 + w 2 −  we + w   ∂z ∂z ∂z  ρ  ∂z  ( ) (3. De facto.11) representa uma imagem global de uma camada limite turbulenta. os termos contendo ν podem ser eliminados. a equação (3. a zona de interesse à captação do vento. a distribuição da energia associada às perturbações do campo da pressão.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental onde se fez uso da aproximação de boussinesq3 no primeiro termo do lado direito da igualdade. estacionária. obtém-se a equação de prognóstico da energia cinética turbulenta [Stull. os fabricantes de aerogeradores. Assim. ou seja. 3 As perturbações do campo da densidade variam exclusivamente na vertical 34 .23) representa a tendência da energia cinética turbulenta e o segundo termo a respectiva advecção. Conscientes do problema. grande importância para o sector da energia eólica. produção/destruição da energia por efeitos de flutuação e dissipação da energia por acção viscosa. em regime de flutuação nula. respectivamente. tem contudo. são capazes de fabricar modelos de aerogerador. dispersão de energia por acção dos turbilhões de pequena dimensão. produção da energia associada às tensões de corte do escoamento médio. 2003].24) Na subcamada exterior da camada limite.

35 . assim como os fenómenos condicionantes do escoamento local – orografia e rugosidade.12). 1997]. Se o vento for caracterizado por uma sobreposição de diferentes escalas temporais e independentes. 1998].12 – Espectro de energia do vento apresentado por Van der Hoven [Hoven. Figura 3.5 Caracterização da energia do vento Nas aplicações eólicas interessa salientar as escalas espacial/temporal dos fenómenos meteorológicos mais relevantes para a contribuição do recurso energético. V. 3. Este processo permite adaptar os aerogeradores às diversas condições adversas impostas pelo escoamento atmosférico [IEC 61400-1. 1957].Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental classificados com base em índices de turbulência e velocidades máximas de rajada para um período de retorno de 50 anos. torna-se possível descrevê-lo à custa de um espectro de energia sendo normalmente utilizado o espectro de Van der Hoven (fig. Figura 3.11 – Esquema de transferência de energia numa camada limite turbulenta [Estanqueiro. 3.

12). para se proceder a uma avaliação do recurso eólico para um determinado local. os valores médios calculados com base em períodos dentro do vazio espectral não sofrem. o ano escolhido pode vir a ser atípico face a anos anteriores. O fluxo de potência do vento (W/m2) disponível num intervalo de tempo T é dado pela equação: E= 1 3 ρu 2 (3. Nas campanhas experimentais. Este período mínimo de tempo “exigido” deve-se à variabilidade sazonal do vento. é aconselhável prosseguir com campanhas experimentais mais longas. Desta forma a velocidade média do vento é definida através de: u= 1T ∫ u (T ) dt T0 (3.26) Se a velocidade instantânea for decomposta pela soma da velocidade média com as flutuações. neve e gelo. T. tal como patente na fig. o fluxo de potência vem dado por: (3. pois nestes casos é frequente ocorrerem avarias nos sensores. dado que.27) e têm-se as seguintes relações: u′ = 0 u′2 = u 2 − u 2 u 3 = u 3 + u ′ 3 + 3u ′ 2 u Assim. grandes variações. [Simões. é habitual registar valores médios de velocidade do vento de dez em dez minutos. tais como trovoadas. são necessários pelo menos 12 meses de dados consecutivos.. 1999] Desta forma. Nesta zona. O facto de o comportamento do vento também ser variável de ano para ano é também motivo para a realização de campanhas experimentais mais longas. (3. frequência de aquisição que se situa no vazio espectral. na maioria dos casos. vem: u = u + u' (3. Em suma. justificando um estudo de variabilidade inter-anual com dados de estações anemométricas de longo termo.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental A zona do espectro entre os dez minutos e as oito horas representa a zona de vazio espectral (reduzido conteúdo energético) sendo adequada ao período de cálculo da média da velocidade entre medições. quanto mais longa for a campanha experimental maior é a precisão nas estimativas de velocidade média de longo termo do vento.25) onde u representa o valor médio da velocidade e T o intervalo de tempo considerado.28) 36 . Em locais onde se verifiquem condições atmosféricas rigorosas.

A e k.29) σu 2 representa a intensidade de turbulência e σ u ≡ u ′ 2 a variância da velocidade do u vento. A lei de distribuição de Weibull exprime-se matematicamente através da expressão: f (u ) = k u    A A k −1   u k  exp −      A    (3.31) (3. A distribuição de Weibull é feita à custa de dois 2 parâmetros. Uma vez conhecidos os parâmetros A e k a uma determinada altura do solo podem facilmente ser ajustados para outra altura [Troen et al.33) 37 . com x>0 0 ∞ 1  k (3. 1 3  ρ A Γ 1 + 2  3  k (3. Os parâmetros A e k representam respectivamente o parâmetro de escala (m/s) e o parâmetro de forma (adimensional) da distribuição de Weibull.. O valor médio da velocidade v (m/s). pode ser dado por  v = AΓ1 +  Sendo a função gama (Γ) definida por: Γ( x) = ∫ exp(−t ) t x −1 dt .32) O fluxo de potência E (W/m2) . A intensidade de turbulência depende da altitude e das condições da superfície. Uma das funções de distribuição frequentemente utilizadas para o recurso eólico é a distribuição de Weibull. Uma forma de caracterizar o vento local é recorrer a leis de distribuição de classes de vento.30) onde f (u ) representa a frequência de ocorrência da classe u . 1989].Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental E≅ onde i ≡ 1 3 ρu 1 + 3i 2 2 ( ) (3. apresentando-se razoavelmente adequada para descrever a distribuição da frequência de ocorrência de classes do módulo da velocidade do vento. pode ser facilmente calculado pela relação: E= sendo ρ a densidade do ar.

com uma potência nominal de 2. 1980.36) Onde 8760 representa o número de horas ao ano.35) O cálculo da estimativa anual de produção de energia En (MWhano) para um dado local é feita através da integração do produto da função de distribuição de classes de vento f (u ) . pela curva de potência de uma turbina. apresenta-se uma curva de potência de uma turbina de referência em energia eólica. 1996]. podem determinar-se através das equações aplicando-se métodos iterativos:   2   Γ1 + k   σ  − 1 =  u  2 1    Γ 1 + k       1/ 2 u  = Γ1 + A  1  k . obtém-se: En = 8760 ∫ f (u ) PWT (u ) du 0 ∞ (3.37) Embora a energia seja a quantificação pretendida no estudo da produção de parques eólicos. Neste caso. PWT (u ) [Justus.13 – Curva de potência de uma turbina com 2. (3. Na figura (3. então têm-se para a energia: ⌠  k  u  k −1   u k  En = 8760    exp −    PWT (u ) du   A    A  A  ⌡   0 ∞ (3.0MW de potência nominal Se a função de distribuição do vento for a função de Weibull. 1996].0MW Figura 3.13).Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Os parâmetros da distribuição de Weibull podem determinar-se de várias formas [Justus. é comum utilizarem-se indicadores de produção energética que retiram à informação da 38 . Uma vez conhecidos o valor médio e o desvio padrão da série de registos.34) Sendo o desvio padrão dado por: σ = u2 − u 2 ( ) 1/ 2 (3.

um parque torna-se rentável ao promotor se o respectivo índice NEP’S for superior a 2000hano. O valor deste índice torna-se indispensável ao promotor no ramo da eólica. com unidades hano.37) e a potência nominal da(s) turbina(s) (MW). Assim. denominado por factor de capacidade (FC). representando o número anual de horas de funcionamento do aerogerador à potência nominal.38) Tal como anteriormente citado. De uma forma geral. vem: FC = 2000 = 22. e tomando como referência valor de 2000hano para o índice NEP’S. calculando o quociente entre a equação (3. 2001]. Neste caso. um parque é considerado rentável se o factor de capacidade for superior a 22. Calculado o quociente entre o índice NEP’S e o número total de horas do ano.8%. uma vez que o custo de distribuição da energia na rede eléctrica nacional é calculado com base nesse índice. surge o índice NEP’S [Decreto – Lei nº 339-c.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental produção a capacidade eólica instalada ou a instalar num local. sendo expresso em percentagem. dá origem a um índice adimensional. 39 .8% 8760 (3.

obtém-se um conjunto de dias representativos da climatologia desse ano. os dias seleccionados. Corte-Real et al.. sendo o mapa climatológico calculado com base no compósito dos campos obtidos. pode-se identificar um conjunto de regimes adicionais representativos do escoamento. Desta forma. podem ser posteriormente multiplicados pelo peso da frequência respectiva. Através de um critério de selecção apropriado. se as simulações com o modelo de mesoscala ficarem restringidas aos dias seleccionados pelos regimes. um ano de dados torna-se obrigatória. Os mais significativos recaem no estudo da análise de componentes principais – ACP em algumas grandezas meteorológicas [Corte-Real et al. Embora a circulação. obtidos para cada um dos regimes. com recurso a um modelo de mesoscala. 1995] e em métodos de identificação de padrões de circulação por centróides . aliados a índices de circulação com significado físico. Se este processo for repetido para as restantes classes de regimes.. Desta forma. Dado que o presente trabalho se insere na modelação do atlas do potencial eólico. o dia mais próximo da média anual de um dado regime. Alguns métodos de cálculo foram propostos para abordar o problema da identificação dos regimes de circulação. bem como a vasta quantidade de dados meteorológicos exigidos para os domínios de simulação. obriga a um grande esforço computacional. Regimes de circulação em Portugal Continental Neste capítulo pretende-se classificar a circulação atmosférica de escala sinóptica em Portugal Continental. necessários a vários níveis de altitude. torna-se fácil identificar o peso das frequências de ocorrência dos regimes nesse ano. Se houver a possibilidade de arranjar um ano de dados – período típico de avaliação do potencial eólico – de certas grandezas meteorológicas. Todo este processo é válido para o longo termo. 1997.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 4. 1998]. Embora a aplicação do método ACP seja de fácil 40 .. Os campos de prognóstico do vento. pelo menos. poderão ser representativos da climatologia real.“clusters” [Zhang et al. cada dia pode ser classificado por um determinado regime de circulação. Neste caso. Contudo. dada a complexidade física do modelo e a dificuldade em resolver os fenómenos explícitos. seja em grande parte explicada pela influência do anticiclone dos Açores junto ao continente na maior parte ano. a simulação do recurso energético com. e tendo presente o método de classificação dos regimes. este procedimento. obtém-se uma redução substancial no tempo de cálculo. se existir suficiente disponibilidade de dados meteorológicos. é possível determinar.

à priori.1). dos quais dois estão associados à direcção do escoamento (analogia com as componentes bidimensionais do vector velocidade). 2000]: SF = 1. outros dois relacionados com o tipo de circulação .1 Metodologia de classificação Para realizar o atlas do potencial eólico de Portugal Continental. As expressões abaixo indicadas. Este método conduz à ocorrência de diferenças substanciais nos padrões de circulação.2) (4. correspondem à fórmula de cálculo de cada índice [Trigo and DaCamara. torna-se necessário definir.25 × ( p5 + 2 × p9 + p13 ) − 0. [Trigo and DaCamara. o número de classes de regimes.anticiclónica e ciclónica. tornando difícil a interpretação dos resultados. 2000]. e os restantes relacionados com a magnitude e vorticidade do escoamento. caso se altere o número de classes. com recurso à classificação de regimes de circulação. utiliza-se um conjunto de seis índices diários.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental implementação.3) 41 .25 × ( p 4 + 2 × p8 + p12 )] WF = [0. admitindo que a circulação do vento é de forma quase-geostrófica.I apresentam-se os índices de circulação. 2000]. gera classes de circulação atmosférica com pouco significado físico. através de 16 pontos de medida da pressão (figura 4. Tabela 4. Índice de circulação Movimento do escoamento SF Norte – Sul WF Oeste – Este FT Magnitude ZS Circulação ciclónica ZW Circulação anticiclónica ZT Vorticidade Estes índices calculam-se com base no campo da pressão atmosférica ao nível médio do mar. Relativamente ao uso do método de centróides.1) (4. para uma mesma área de estudo.5 × ( p12 + p13 ) − 0.305 × [0. 4.I – Índices de circulação [Trigo and DaCamara. Na tabela 4.5 × ( p 4 + p5 )] FT = SF 2 + WF 2 (4.

25 × ( p 6 + 2 × p10 + p14 ) − 0.1 – Grelha dos 16 pontos da pressão ao nível médio do mar. apresentados na tabela 4.II 42 .SW.E. A classificação diária dos regimes foi elaborada com os seguintes pressupostos: • A direcção do escoamento é dada por tan-1(WF/SF).S. • se FT<|ZT|<2FT. Para este caso. • Se |ZT|>2FT.5 × ( p1 + p 2 )] ZT = ZS + ZW (4. a vorticidade domina a magnitude.25 × ( p 4 + 2 × p8 + p12 ) + 0.5 × ( p15 + p16 ) − 0.5) (4. • Se |ZT|<FT. se ZT>0.NE. ou anticiclónico (H) se ZT<0. a magnitude domina a vorticidade. a circulação é designada como híbrida.5 × ( p8 + p9 )] − 0. No total. 2000]. este método fornece um conjunto de 26 regimes de circulação. Neste caso. passam a ser considerados 8×2 regimes de circulação.12 × [0. considerados no cálculo dos índices de circulação [Trigo and DaCamara. o regime é do tipo ciclónico (L) .4) (4.6) 50ºN 30ºN 30ºW 10ºW 10ºE Figura 4.25 × ( p5 + 2 × p9 + p13 ) ZW = 1. sendo igualmente dominada pela magnitude e vorticidade. somando-se 180º se WF for positivo.5 × ( p8 + p9 ) − 0.91 × [0.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental ZS = 0.W e NW).25 × ( p3 + 2 × p7 + p11 )] − 0.85 × [0.SE. sendo o escoamento classificado por 8 regimes de direcção em analogia com a rosa dos ventos (N. com 45º por sector.

49 1 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 4.48 1 .94 0.24 4.68 0.08 0.noroeste HNW LNW H L Neste trabalho. classifica os regimes de circulação para o ponto central da área em estudo (ver figura 4.12%.03 6.77 0.36 6.28 5.82 0.90 1 .49 4.2) que o regime mais frequente em Portugal Continental é o regime anticiclónico. Na figura 4.II – 26 tipos de regimes de circulação [Trigo and DaCamara.2 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para 52 anos de dados (1951-2002) Facilmente se conclui da figura (4.09 3.61 0. 2000]. apresenta-se a frequência de ocorrência dos regimes de circulação para os 52 anos de dados (1951 – 2002) 1951 a 2002 25 22.35 1 . no período compreendido entre Janeiro de 1951 a Dezembro de 2002. recorreu-se aos dados do NCAR – “National Center for Atmospheric Research” [Kalnay et al.77 1 10 5 0 9. com um peso de 22.60 1 . O campo diário da pressão foi calculado pela média dos campos das 00h e das 12h.02 4. Na figura (4. Convém realçar que método aqui utilizado.83 1 .(10ºW.55 0.1). com coordenadas WGS84 .3) apresenta-se as frequências de ocorrência mensal para cada um dos regimes de circulação.63 0. L+NW L+S W SW NW 43 . 1996] para obter o campo diário da pressão atmosférica ao nível médio do mar.2.54 H+N H N H+E L+N L H+NE H+S H+SE SE NE E S L+E L+SE H+SW H+NW L+NE H+W L+W L+SW Regimes Figura 4.1 2 20 15 % 1 .57 3.40ºN).75 4. Direccionais Anticiclónicos Ciclónicos N – norte HN LN NE – nordeste HNE LNE E – este HE LE SE – sueste HSE LSE S – sul HS LS SW – sudoeste HSW LSW W – oeste HW LW NW .

ou acréscimos de frequência nos meses de verão. onde predominam os regimes de Nordeste e Norte.4) a (4.3). tal como a maioria dos restantes regimes. Nas figuras (4. utilizando-se 52 anos de dados (1951-2002). observa-se que o regime anticiclónico é o mais frequente. [Pa] Da figura (4. 44 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 1951 . Contudo. associados ao efeito da brisa/nortada em Portugal Continental. 70 70 60 60 50 50 H 40 L 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.4) observa-se que os centros de acção dos regimes anticiclónico (H) e ciclónico (L). alguns evidenciam reduções. Por outro lado.2002 100% 80% 60% 40% 20% 0% jan fev mar abr mai jun meses jul ago set out nov dez H NE N W L NW E SW H+N H+NE H+W H+NW SE H+SW S H+E L+NE L+N L+E L+W L+SW L+NW H+S L+SE H+SE L+S Figura 4. estão localizados sobre o continente.3 – Frequência de ocorrências mensais para cada um dos 26 regimes de circulação.4 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para o regime anticiclónico (H) e ciclónico (L) (1951-2002). excepto no período do Verão. Da figura (4. o regime ciclónco mantém uma presença constante ao longo dos meses.7) apresentam-se os campos médios da pressão ao nível médio do mar associados a cada regime (1951 – 2002).

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 N 40 NE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 E 40 SE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 S 40 SW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 W 40 NW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. localizados nas proximidades do continente. aos regimes direccionais.5) é visível o carácter direccional imposto pelos centros de acção anticiclónica e ciclónica. [Pa] Na figura (4.5 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002). 45 .

induzindo a circulação direccional.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 HN 40 HNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HE 40 HSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HS 40 HSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HW 40 HNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.6 – Campo médio da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002).6) mostra que o centro de acção dominante se extende até ao continente. 46 . [Pa] A circulação dos regimes híbridos associados à circulação anticiclónica (figura 4.

7). induzindo circulação direccional.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 LN 40 LNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LE 40 LSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LS 40 LSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LW 40 LNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. observa-se de novo a mesma situação. [Pa] Na figura (4.7 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (1951-2002). o centro de acção dominante (circulação ciclónica) extende-se até ao continente. ou seja. 47 .

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 4.. j  pd . foi seleccionado um dia por cada regime..8) L+S W NW SW 48 . Para o dia d calculou-se a seguinte expressão δd = onde γd. apresenta-se o respectivo gráfico.75 5. L+SE e L+S. H+SE. seguindo-se dos regimes nordeste e norte. para o ano de 1999.84 3. com uma frequência de 11.2 Escolha dos dias representativos para o ano de 1999 Aplicando o mesmo príncipio anteriormente descrito.21 4. Na figura (4.7) (4.1 2 6. ocorrendo 25. e os respectivos pontos de grelha p d . 1999 30 25 20 15 1 . De acordo com a metodologia de classificação dos regimes aqui apresentada. j − p j   =  σp  j   2 ∑γ j =1 16 L+NW L+W d.8 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para o ano de 1999.27 0.21%.27 0. destaca-se o domínio do regime anticiclónico.8).1 1 4. Para realizar esta tarefa.37 10 . j (4.16. j .55 0.58 5.66 4.82 0.1 1 3. sendo considerado o mais próximo da média de 1999.1 9 1 .27 0. Considere-se então o dia d de determinado regime.8).00 H+N N H+E L+N L H+S H+SE H+NE NE E SE L+SE S L+E L+NE L+SW H+NW H+W H+SW Regimes Figura 4.00 0.00 0..00 0.1) para cada regime. foi possível obter a frequência de cada regime.51 1 25. o ano de 1999 não registou os regimes de SE. Na figura (4.1 0. guardou-se a data e os valores de pressão nos 16 pontos de grelha (figura 4.27 0. onde j=1.56 2.21 % 10 5 0 H 8.51% e 8.74 2.49% respectivamente.49 7. Para o ano de 1999..

Tabela 4. Observam-se algumas semelhanças entre os dias seleccionados e a climatologia dos regimes (figuras 4. mostra-se os dias representativos de cada regime para o ano de 1999.7). e σ p j o desvio padrão dessa amostra.4 a 4. 70 70 60 60 50 50 H 40 L 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.9 – Campo da pressão ao nível médio do mar do dia representativo do regime anticiclónico (H) e ciclónico (L) para o ano de 1999. Todo este processo se repete para os outros regimes.III.III – Dias representativos de cada regime para 1999. seleccionou-se o que apresentava menores valores de δ d . [Pa] 49 . Na tabela 4.9) a (4. Repetindo o processo de cálculo para todos os dias do regime. H N E S W HN HE HS HW LN LE LS LW 18 Abril 15 Maio 10 Outubro 06 Janeiro 07 Maio 20 Julho 13 Fevereiro 05 Novembro 22 Abril 14 Novembro 13 Março --20 Outubro L NE SE SW NW HNE HSE HSW HNW LNE LSE LSW LNW 01 Maio 22 Julho --24 Setembro 26 Abril 22 Maio --04 Janeiro 16 Setembro 04 Setembro --29 Maio 25 Outubro Nas figuras (4.12) mostra-se o campo da pressão dos dias representativos para cada regime. sendo esse dia o mais próximo da climatologia do regime considerado.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Sendo p j o valor médio da pressão no ponto j de todos os dias do regime.

[Pa] 50 .10 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 N 40 NE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 50 E 40 SE × 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 70 60 60 50 50 S 40 SW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 W 40 NW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 HN 40 HNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 50 HE 40 HSE × 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 70 60 60 50 50 HS 40 HSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HW 40 HNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. [Pa] 51 .11 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 LN 40 LNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 50 LE 40 LSE × 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 70 60 50 LS × LSW 40 30 70 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LW 40 LNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.12 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para 1999. [Pa] 52 .

50 4.45 1 . numa fase futura deste trabalho.3 Escolha dos dias representativos para um período de 7 anos Neste caso.54 4.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 4.65 5. Tabela 4. Deste modo foram adquiridas ao NCAR todas as análises de 6 em 6h desses anos.59 0.66 0.1 2 5.64 1 . simular de “forma contínua” todos esses anos. Embora se pretenda. Na figura (4.1994.58 4.84 1 .13) apresenta-se o gráfico com as frequências de cada regime. 1998 a 2002.47 N H+N L+N L SE E S H+SE H+NE H+SW L+SW H+NW Regimes Figura 4.66 0. 1994.82 6.74 0.1998-2002 30 25 20 15 1 0. e na tabela 4. nesta fase simularam-se apenas os dias representativos dos regimes para estes sete anos.42 % 10 5 0 H 7. Esta selecção deve-se ao facto do INETI ter operado nestes anos estações anemométricas no âmbito de projectos de investigação (cujas dados não estão sujeitos a confidencialidade) permitindo assim a verificação e eventual validação experimental dos trabalhos de mapeamento do recurso eólico.01 4.51 0.94 0. usando-se sete anos de dados.IV os dias representativos. nomeadamente os anos de 1992.IV – Dias representativos de cada regime para sete anos de dados.37 0. para servirem de condição fronteira para os domínios do modelo de mesoscala utilizado na construção do atlas do potencial eólico.25 2. H 31 Outubro 1998 L 01 Maio 1999 N 27 Julho 1998 NE 29 Julho 2001 E 04 Outubro 2002 SE 06 Novembro 1998 S 30 Novembro 1994 SW 22 Outubro 2001 W 24 Abril 2001 NW 31 Agosto 1992 HN 07 Julho 2001 HNE 30 Junho 2001 HE 24 Novembro 2001 HSE 29 Abril 1994 HS 19 Fevereiro 1998 HSW 23 Novembro 1992 HW 22 Abril 1999 HNW 27 Junho 1999 LN 09 Maio 2000 LNE 24 Agosto 2002 LE 20 Março 2000 LSE 17 Junho 2000 LS 20 Setembro 2002 LSW 15 Maio 1994 LW 25 Setembro 1998 LNW 31 Maio 1992 L+NW L+SE H+S L+E H+E L+NE H+W L+W L+S NE W SW NW 53 .59 0.1 1 1 .90 0.13 – Frequência de ocorrência dos 26 regimes de circulação para sete anos de dados.87 3.1 1 3. 1992.68 25. aplica-se o mesmo procedimento de classificação.

comparando os três períodos aqui apresentados.18) apresentam o campo da pressão dos dias representativos dos sete anos. Nesta situação.14) apresenta-se o gráfico das frequências de ocorrência de cada um dos regimes.14 – Comparação dos pesos das frequências dos regimes nos três períodos em análise.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Na figura (4. Da figura (4.98-02 99 % H+NE H+NW H+N H+SW L+NW H+SE NE H+E L+NE H+W H+S NW N L+N E SE L+SE S L+E Regimes Figura 4.14) verifica-se que a maioria dos regimes. exceptuando-se o regime anticiclónico. Comparação regimes 30 25 20 15 10 5 0 H 51-02 92. Salienta-se o facto dos regimes híbridos associados à circulação ciclónica (L) nos sete anos. apresentam valores de frequência muito semelhante nos três períodos em análise.7). As figuras (4.15) a (4.15 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes anticiclónico (H) e ciclónico (L) para sete anos de dados.94.4 A 4. 70 70 60 60 50 50 H 40 L 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 L+SW L+W 0 10 L+S 20 SW W L 30 Figura 4. É de salientar a semelhança entre as frequências dos regimes do ano de 1999 face à climatologia de longo termo. [Pa] 54 . exceptuando-se mais uma vez. o regime anticiclónico. onde se constata um desvio mais acentuado face à climatologia dos 52 anos de dados. observam-se de novo semelhanças entre os dias seleccionados e a climatologia dos regimes (figuras 4. terem pesos idênticos face à climatologia dos 52 anos. para cada regime.

16 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 N 40 NE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 E 40 SE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 S 40 SW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 W 40 NW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. [Pa] 55 .

[Pa] 56 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 HN 40 HNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HE 40 HSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HS 40 HSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HW 40 HNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.17 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados.

18 – Campos da pressão ao nível médio do mar dos dias representativos dos regimes apresentados para sete anos de dados. [Pa] 57 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 LN 40 LNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LE 40 LSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LS 40 LSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LW 40 LNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.

observa-se que os campos da pressão são praticamente coincidentes com os campos médios dos 52 anos de dados.19) a (4. Neste caso.22) apresentam a climatologia do campo da pressão para cada um dos regimes correspondentes aos anos 1992. 70 70 60 60 50 50 H 40 L 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 N 40 NE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 E 40 SE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 S 40 SW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. 1994.19 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados).Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental As figuras (4. 1998 – 2002. [Pa] 58 .

20 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados). [Pa] 59 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 W 40 NW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HN 40 HNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HE 40 HSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HS 40 HSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 HW 40 HNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4.

21 – Campo climatológico da pressão ao nível médio do mar para cada regime apresentado (sete anos de dados).Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 70 70 60 60 50 50 LN 40 LNE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LE 40 LSE 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LS 40 LSW 40 30 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 70 -30 -20 -10 0 10 20 30 60 60 50 50 LW 40 LNW 40 30 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 20 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 Figura 4. [Pa] 60 .

Numa primeira fase.1). Metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico de Portugal Continental Neste trabalho. a metodologia de desenvolvimento do atlas. com recurso a um modelo de mesoscala para se obter uma representação estatística suficientemente representativa da climatologia das grandezas meteorológicas e parâmetros relacionados com o potencial eólico. baseia-se num conjunto de simulações numéricas efectuadas ao campo do vento em Portugal Continental. Desta forma é possivel obter um mapeamento das grandezas representativas do potencial eólico. optou-se por simular o ano completo de 1999. sendo os resultados das simulações pontualmente comparados com os valores de vento provenientes de quatro estações anemométricas do INETI. Figura 5.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 5. tendo sido corrigido os resultados obtidos com o factor médio de desvio da variabilidade interanual com base em quatro estações do INETI.1 – Organigrama representativo da metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico. Na figura (5. apresenta-se o organigrama da metodologia de desenvolvimento do atlas do potencial eólico. A selecção do ano de 1999 relaciona-se com a disponibilidade de 61 .

62 . Numa segunda fase.II apresentam-se respectivamente. apresenta-se o conjunto de estações de referência do INETI. calculados para o ano de 1999. estando estas situadas em locais propícios aos efeitos de concentração do vento no terreno e.1998-2002) simulando-se os dias representativos de cada regime. e para os sete anos de dados (1992. Figura 5. recorreu-se ao processo de identificação de regimes de tempo.I e 5.2). as coordenadas das estações e informações da área em redor destas. Na tabela 5. Na tabela 5.2 – Mapa com a localização das estações anemométricas do INETI para o estudo do atlas do potencial eólico.III apresenta-se a data de início da campanha para cada estação. como tal caracterizadas por um potencial eólico mais elevado que a média. Para a situação de determinação dos valores médios por ponderação de regimes não se efectuou qualquer ajuste de variabilidade inter-anual. e tendo-se efectuado o compósito do recurso com base no peso das suas frequências de ocorrência.1994. utilizadas para a verificação dos resultados. Na figura (5.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental dados experimentais para verificação e eventual calibração das simulações numéricas.

orientado na direcção predominante do vento a 152m de altitude. WGS84 GEOGRÁFICAS (º) Estação IN_01 .II – Altitude das estações e altura dos sensores de velocidade e direcção das estações anemométricas do INETI.S. É uma zona costeira e de vegetação essencialmente rasteira.9’’(W) 8º 52’ 43.III – Data de início da campanha de monitorização.0’’(W) SIST. O terreno que circunda o mastro é utilizado essencialmente para pasto. SIST. João Lampas IN_04 – Vila do Bispo IN_32 .6’’(N) 40º 04’ 51.2’’(N) 38º 58’ 22.1’’(N) Longitude 9º 24’ 8.7’’(W) 9º 06’ 15.I – Geo-referenciação das estações anemométricas do INETI.Gardunha IN_33 .8’’(W) 7º 31’ 38.3’’(N) 37º 4’ 46.S. ESTAÇÃO ALTITUDE DA ESTAÇÃO ALTURA DOS SENSORES Velocidade Direcção A estação IN01 fica situada num monte de pequeno declive. A estação IN32 está situada numa zona montanhosa de vegetação rasteira a 1210m de altitude. Estação IN_01 . OBSERVAÇÕES IN_01 S.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 5. João Lampas 152m 10m 10m IN_04 Vila do Bispo 104m 10m 10m IN_32 Gardunha 1210m 10m 20m IN_33 Arruda 398m 10m 20m Tabela 5. HAYFORD GAUSS DATUM LISBOA (m) Latitude 213323 012909 345991 223238 Longitude 089852 133686 251662 115845 SIST.Arruda Latitude 38º 52’ 50. A estação IN04 fica situada numa planície irregular a 104m de altitude. perto da Serra de Sintra. João Lampas IN_04 – Vila do Bispo IN_32 – Gardunha IN_33 – Arruda Início de campanha Fevereiro 1993 Março 1991 Abril 1999 Maio 1999 63 . A estação IN33 está situada num monte de declive médio caracterizado por vegetação rasteira a 398m de altitude. UTM DATUM ED50 (m) Latitude 4303820 4103920 4437988 4313976 Longitude 465211 510891 625676 491097 Tabela 5.

são interpolados através das sub-rotinas TERRAIN e REGRID para os domínios de simulação. 1995] desenvolvido pelo PSU/NCAR – “Pennsylvania State University / National Center for Atmospheric Research.MM5. O modelo MM5 é um modelo atmosférico de mesoscala de acesso livre. sendo relativamente actualizado no que se refere à formulação física. na versão 3. é impossível proceder à sua descrição. Estes programas definem o domínio (área em análise) e projecção dos mapas nos quais são utilizadas as informações de topografia e uso do solo. seleccionou-se o modelo de mesoscala MM5 . O conjunto de informação processada por cada módulo constitui a base de dados para as simulações do programa principal . posteriormente. EUA”. Haltiner and Williams.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 5.0. os sub-programas necessários para efectuar qualquer simulação.1 Modelo atmosférico Para desenvolver o atlas do potencial eólico de Portugal Continental. O módulo TERRAIN.“Fifth generation Mesoscale Model” [Grell et al. Dada a complexidade dos “pacotes físicos” de parametrização do modelo. Este modelo utiliza coordenadas sigma [e. O modelo de orografia GTOPO30 tem resolução espacial de 30” de arco (da ordem de 0. O módulo INTERPF realiza a interpolação vertical dos níveis de pressão para o sistema de coordenadas sigma que acompanham a superfície e permite criar as condições 64 .. como por exemplo a base de dados geográficos de alta resolução GTOPO30.925 km). Os dados meteorológicos de superfície e as análises. É ainda possível definir domínios aninhados com o objectivo de aumentar a resolução das simulações..6. O módulo REGRID utiliza os dados provenientes das análises como primeira inicialização (“first guess”) do modelo e executa. 1980] que acompanham o terreno. interpolações dos parâmetros meteorológicos para todos os pontos da grelha definidos para o domínio principal e subdomínios. de forma sucinta. apresentando igualmente a vantagem de ser distribuído livremente (“freeware”). para processar os dados de orografia e rugosidade. tornando-o capaz de simular e prever circulações de mesoscala ou escala regional. pelo que se apresentam. sendo continuamente aperfeiçoado através da contribuição de diversos utilizadores em universidades e institutos de investigação em todo o mundo. permite processar a orografia e pode utilizar dados de várias fontes.g. com informações que cobrem a totalidade do planeta. O MM5 é composto por um conjunto de módulos independentes utilizando informação adequada a cada um. que fornece os prognósticos dos campos das grandezas meteorológicas.

Figura 5. Na tabela 5.3 – Domínios de simulação do MM5 para o desenvolvimento do atlas do potencial eólico. Na figura (5.IV apresentam-se as dimensões dos pontos de grelha para cada um dos domínios. construiu-se um conjunto de quatro domínios tri-dimensionais e aninhados.2 Condições iniciais e de fronteira Para realizar as simulações. 65 . 5.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental fronteira para o MM5. No módulo NESTDOWN cria-se condições fronteira para iniciar o modelo MM5 utilizando os campos de prognóstico produzidos pelo modelo. a resolução espacial e o passo de tempo de simulação considerado.3) apresentam-se as respectivas áreas de simulação.

12h e 18h TUC diárias. A partir daqui. guardando-se os resultados de 2 em 2 horas. Iniciou-se o conjunto de simulações com o domínio 1. com dados de vento processados a cada passo de tempo. nos pontos de grelha mais próximos das estações do INETI. Relativamente às simulações dos regimes de tempo. não se fez uso do módulo NESTDOWN. Neste caso.(Projecto Reanalyis). humidade relativa . optou-se por simular todos os domínios encadeados. optou-se por simular separadamente cada um dos quatro domínios. Após este procedimento iniciou-se as simulações com este domínio. altitude e pressão atmosférica. sendo os resultados deste domínio.IV – Dimensões dos domínios e passo de tempo das simulações Dominio D1 D2 D3 D4 Dimensões de grelha nx×ny×nσ 52×63×32 54×72×32 111×96×32 276×171×32 Resolução espacial 81 km 27 km 9 km 3 km Passo de tempo (s) 240 81 27 9 As simulações numéricas são efectuadas com as análises do NCAR -“National Center for Atmospheric Research” . 4 5 Temperatura. servindo estas de condição fronteira para o domínio 1 (81km de resolução espacial). e para fins aeronáuticos. São processados dados sobre a temperatura e humidade do solo em cinco níveis abaixo da superfície.5º (aprox. Todas as simulações foram efectuadas com recurso às análises das 00h.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 5. dada a capacidade do MM5 em realizar tal tarefa. e por questões de tempo e logística computacional. 06h. Na primeira fase – simulação do ano completo de 1999. contendo os campos tridimensionais das variáveis meteorológicas4 em 17 níveis verticais (ficheiros pgrb3d*) e 5 níveis de solo5 (ficheiros grb2d*). gerando este as condições fronteira para o domínio 2. foram criados ficheiros de saida. os dados foram introduzidos no módulo NESTDOWN. Após o fim da simulação. 275×275km) nos níveis obrigatórios em altitudes padrão. componentes horizontais do vento.5º x 2. 66 . guardando-se também os resultados de 2 em 2 horas. os mapas do atlas do potencial eólico. o processo torna-se cíclico até chegar à malha de maior refinamento espacial de 3×3km (domínio 4). Para o domínio de maior refinamento. com vista à verificação/validação dos dados. os quais servem para a previsão numérica do tempo. sendo necessário simular um único dia por regime. É de salientar que os campos processados pelo NCAR contêm informação horizontal numa malha de 2.

V – Opções e parametrizações físicas utilizadas nas simulações [Grell et al.0 Atlas 81 km Terreno Rugosidade USGS USGS (24 cat. a evolução do escoamento atmosférico na superfície terrestre. 01-Outubro..) Domínios de simulação D1 D2 D3 D4 Dados 3D Dados superfície e solo Parametrização Cúmulos Microfísica Camada limite atmosférica Radiação Modelo solo Assimilação de dados 67 . um conjunto de simulações de controle com o modelo de mesoscala.5º] NCAR [2. 1995] Simulações MM5 ver.5ºx2.não apresentadas neste trabalho. embora com alguma aproximação. por forma a seleccionar o pacote de parametrizações da camada limite mais adequado.6. somente para quatro dias do ano de 1999 (01-Março. realizou-se.) 9 km USGS USGS (24 cat. Tabela 5. numa fase inicial. para reproduzir. foram feitas algumas simulações de controle .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Dado que o recurso energético do vento se confina a poucas dezenas de metros acima da superfície terrestre. tendo-se simulando um período de 24 horas para saber qual das parametrizações disponíveis no modelo. 01-Dezembro). comparando-se os prognósticos do campo do vento com as medidas das estações do INETI. Desta forma. 3. seria a mais adequada para representar o ciclo diário de vento na malha mais refinada (3×3km).5º] Grell Simple Ice MRF CloudRadiation NOAH Grell Simple Ice MRF CloudRadiation NOAH Grell Simple Ice MRF CloudRadiation NOAH Simple Ice GaynoSeaman CloudRadiation NOAH 27 km USGS USGS 24 cat. para cada um dos domínios de simulação. 01-Julho.) NCAR [2.) 3 km USGS USGS (24 cat.V mostram-se as opções e parametrizações físicas incluidas nas simulações do atlas do vento. Na tabela 5.5ºx2.

m m (a) (b) Figura 5. A orografia deste projecto tem. No anexo I. aproximadamente. 1km de resolução espacial. figura (b) .4) apresenta-se para a malha mais refinada.parâmetro de rugosidade médio (z0) (m). foi proveniente do mesmo banco de dados [USGS. A rugosidade utilizada nas simulações. 68 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 5.3 Caracterização do terreno e da rugosidade Para representar a topografia de Portugal Continental nas simulações numéricas. como por exemplo: floresta. o terreno e o parâmetro de rugosidade (z0) médio. Na figura (5. tendo o módulo TERRAIN capacidade para interpolar a topografia desde os 81km até aos 3km de resolução espacial. água e campo. 2004a] no MM5. apresenta-se a tabela com a descrição das 24 classes do uso do solo e alguns dos parâmetros físicos para o hemisfério Norte no período de Verão (15 de Abril a 15 de Outubro) e no período de Inverno (15 de Outubro a 15 de Abril). 2004b] classificando o uso do solo (resolução espacial de 1km) da superfície terrestre em 24 classes.4 – Figura (a) – orografia (m). foi utilizado o modelo digital de terreno proveniente da base de dados geográfica do projecto GTOPO30 “Global 30 arc-second TOPOgraphic data” desenvolvido pelo USGS – “United States Geological Survey” [USGS.

apresenta-se a título 69 . consideraram-se apenas as alturas de 10m e 80m.1) Sendo TKE a energia cinética turbulenta e U a velocidade horizontal do vento. No anexo II. Para a simulação do ano de 1999. intensidade de turbulência. e mapas com a distribuição espacial do número de horas anuais de funcionamento à potencia nominal para três aerogeradores de referência em energia eólica. Resultados da aplicação dos modelos e metodologias Os mapas apresentados neste trabalho foram processados para três alturas: 10m (referência meteorológica).5sl de 1500kW a 60m. fluxo de potência. A intensidade de turbulência (IT) foi calculada em cada instante. VESTAS V80 de 2000kW a 80m e NORDEX N90 de 2300kW a 80m. 60 e 80m (níveis de referência em energia eólica). parâmetros de escala e forma da distribuição de Weibull. apresenta-se também os mapas médios da densidade e pressão atmosférica junto do solo e a velocidade vertical aos 80m. calcularam-se as seguintes grandezas relevantes para a avaliação do potencial eólico: rumo e intensidade do vento.5sl 1500kW 500 0 0 5 10 15 velocidade (m/s) 20 VESTAS V80 2000kW NORDEX N90 2300kW 25 30 Figura 6. A figura 6.1 mostra as curvas de potência dos conversores utilizadas nas simulações. 2003]: IT = ( 2 TKE )1 / 2 3 U (6.1 – Curvas de potência para os conversores: GEWE 1. VESTAS V80 de 2000kW e NORDEX N90 de 2300kW. Desta forma. pela seguinte expressão [Undheim. Para os regimes característicos. nomeadamente:GEWE 1.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 6. Curvas de Potência 2500 Potência (kW) 2000 1500 1000 GEWE 1.5sl de 1500kW de potência nominal.

72 7.01 IN33 . optou-se por aplicar aos campos de prognóstico do vento o factor resultante do desvio médio (correcção multiplicativa de +3.63%).46 -3. optou-se por simular para cada classe as seguintes grandezas: o fluxo de potência e o rumo/intensidade do vento. efectuou-se um estudo pontual com base nas quatro estações de referência do INETI.51 6. sem necessidade de efectuar estudos de interpolação espacial na aplicação do desvio.I. Este procedimento é somente aplicado à intensidade e não à direcção do vento.I verifica-se que as velocidades médias das estações no ano de 1999 foram inferiores à média de longo termo apresentando desvios reduzidos e muito semelhantes entre si. Para tal.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental de curiosidade.93 -3. Desta forma. séries de velocidade e direcção mensais.91 IN04 – Vila do Bispo 6. apresentam-se as velocidades médias das estações e os desvios face ao longo termo. 70 . corrrelações. Relativamente aos regimes característicos de circulação.I – Análise da variabilidade inter-anual para o ano de 1999. a mesma é afectada pelo factor de correção na mesma proporção da velocidade média sendo alterado o parâmetro de escala da distribuição de Weibull da série. houve a necessidade de calcular o desvio dos valores médios da intensidade de vento registados neste ano face aos valores médios de longo termo (variabilidade inter-anual).74 4. Este processo é efectuado com base na construção de ficheiros de saída do modelo. É de referir que. distribuições de Weibull. mas não a forma desta. gráficos de dispersão.78 IN32 – Gardunha 6.14 -2. obtidos com o modelo MM5. na grelha mais refinada para o ano de 1999.Arruda 6. A verificação dos dados simulados neste atlas é feita sob várias vertentes: comparam-se rosas de vento e de potências.96 7.1 Atlas do potencial eólico para o ano de 1999 Para simular o ano completo de 1999. Estação Velocidade média Velocidade de no ano de 1999 longo termo (m/s) (m/s) IN01 – São João Lampas 4. Tabela 6.63 Da tabela 6.17 Desvio médio Desvio (%) -3. tabelas de desvios e erros médios quadráticos mensais e anuais da velocidade e direcção e tabelas com parâmetros de Weibull e Fluxo de Potência por sector. 6. o campo da precipitação acumulada à superfície e o campo da temperatura média a 2m do solo. no que respeita à distribuição por classes desse parâmetro.98 -4. Na tabela 6.

Estas grandezas não têm. Os mapas do fluxo de potência do vento (W/m2) e intensidade de turbulência (%) são apresentados nas figuras 6. Foram elaborados três mapas médios do número de horas anuais de funcionamento à potência nominal para os seguintes conversores: GEWE 1500kW a 60m. em geral. Na mesma figura. incluem-se os mapas médios da densidade do ar (kg/m3) e pressão atmosférica (hpa) junto do solo.7.8. Posteriormente. no estudo de verificação dos resultados. 60m e 80m. na figura 6. as componentes da velocidade e direcção nos pontos de grelha mais próximos das estações.6 e 6. Na figura 6.9 ilustra-se o campo médio horizontal da velocidade vertical (m/s) a 80m de altitude.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental registando. Os parâmetros de escala (m/s) e de forma (adimensional) da distribuição de Weibull aparecem mapeados nas figuras 6. grande relevância neste sector. Contudo. nos estudos de produção energética de parques eólicos e micro-posicionamento de turbinas são introduzidos valores de densidade do ar observados localmente ou calculados de forma aproximada. comparando-se com os resultados observados com a mesma frequência de aquisição. É de realçar que. Nas figuras seguintes. Em particular. VESTAS V80 2000kW a 80m e NORDEX N90 2300kW a 80m. mostram-se os mapas médios simulados da intensidade do vento (m/s) para as alturas de 10m.5 respectivamente. e face à variação directa da potência do escoamento incidente numa turbina com a densidade do fluido. Na figura 6. na fase de identificação de potencial eólico. 71 .2.3 apresentam-se os mapas do rumo e intensidade do vento para as mesmas alturas. não se entrou em conta com os dados provenientes dos pontos de grelha adjacentes às estações. Espera-se corrigir este procedimento num trabalho futuro. apresentam-se os campos simulados das grandezas atrás referidas. é feita a média das séries temporais (dados de 10 em 10 minutos). apresentados na figura 6.4 e 6. a cada passo de tempo.

2 – Mapas médios simulados da intensidade do vento (m/s): (a) 10m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) Figura 6. (c) [m/s] 72 . (c) 80m. (b) 60m.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 10 m/s 10 m/s 10 m/s (a) (b) Figura 6. (c) 80m. (c) [m] 73 . (b) 60m.3 – Mapas médios simulados do rumo e intensidade do vento: (a) 10m.

4 – Mapas médios do fluxo de potência (W/m2) : (a) 10m. (b) 60m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) Figura 6. (c) 80m. (c) [W/m2] 74 .

5 – Mapas médios simulados da intensidade de turbulência (%): (a) 10m. (c) 80m. (c) [%] 75 . (b) 60m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) Figura 6.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) Figura 6. (c) [m/s] 76 . (b) 60m. (c) 80m.6 – Mapas médios simulados do parâmetro de escala da distribuição de Weibull (m/s): (a) 10m.

(c) [adim.7 – Mapas médios do parâmetro de escala (adimensional) da distribuição de Weibull: (a) 10m. (b) 60m.] 77 . (c) 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) Figura 6.

[hano] 78 .8 – Mapas médios do número de horas anuais de funcionamento à potência nominal para os conversores: (a) GEWE 1500kW a 60m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. (b) VESTAS V80 2000kW a 80m. (c) NORDEX N90 2300kW a 80m.

(c) pressão atmosférica à superfície [hpa]. [m/s] [Kg/m3] [hpa] 79 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. (b) densidade do ar à superfície [kg/m3].9 – Mapas médios: (a) velocidade vertical [m/s] a 80m do solo.

41 5.34 +1.17 4.13 * desvio médio (m/s).93 3.61 Jul +0.42 5.64 2.56 6.98 4.2 +2.03 3.12 4.05 4.03 4.94 +1.06 +1.52 4.95 4.18 +2.95 +2.13 Mai +0.02 +1.02 5.37 3.53 7.38 4.41 4.13 +0.2 2.22 IN33 dv rms ----------------+2.45 4.36 3.13 4.04 3. a verificação dos resultados obtidos com o modelo para a altura de 10m.17 +1.57 +2.94 +2.12 2.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 6. período este correspondente aos registos dos valores experimentalmente observados.63 4.93 4.35 DESVIOS MENSAIS – VELOCIDADE IN01 IN04 Dv* Rms** Dv rms Jan +0.75 3.79 4.67 Jun +0.61 4.12 IN04 sim 4.16 4.94 3.90 5.25 4.91 +0.95 7.44 +1.17 +0.94 4.23 4.73 sim 4.XIII a 6.48 1.72 +3.72 4. VELOCIDADES MENSAIS – valores observados e simulados IN01 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual obs 4.70 8.51 Anual +0. Em particular.06 6.37 1.51 +0.93 +1.08 2.XVI.53 +1.1.88 4.01 2.46 2.59 7.95 6.40 IN33 sim --------3.49 7.17 3.08 +0.59 3.24 5.28 +0.08 3.71 4.97 Fev +0.24 3.51 5.34 4. desvios e erros médios quadráticos mensais dos dados da velocidade entre valores observados e os dados do atlas para o ano de 1999.28 2.71 4.72 2.1 Verificação dos resultados Apresenta-se de seguida.68 4.01 2.72 4.04 1.67 3.89 4.14 +1.54 4.13 4.62 4. Tabela 6.00 5.04 80 .II a 6.54 obs 4. fluxo de potência e parâmetros da distribuição de Weibull.93 +2.9 4.99 6.1 +2.64 5.51 obs ------7.55 3.48 4.18 4.57 1.6 +2.13 IN32 sim ------5.53 6.08 2.39 4.32 4.71 2.II – Velocidades.56 +2.17 Mar +0.41 Ago +0.32 6. nas tabelas 6.59 2. as tabelas 6.92 5.3 3.32 Nov -0.67 4.05 4.49 obs --------5.54 6.49 2.45 2.84 +1.67 6.32 4.78 3.92 +1.55 +2 2. ** erro médio quadrático (m/s) IN32 dv rms ------------+1.72 7.43 4.76 3.83 2.87 +1.66 3.85 3.58 1.11 5.87 4.XVI evidenciam os resultados médios obtidos por sector e global.50 4.72 2. para a velocidade média.70 6.24 4.96 5. com base nos dados processados em médias de 10 minutos.99 Out -0.90 4.82 5.05 5.08 4.43 1.02 5.87 Abr +0.7 2.92 4.24 3.75 4.57 2.47 Dez -0.53 5.82 7.85 2.78 1.23 Set +0.76 3.19 1.71 6.33 5.98 +2.

08 +19.9 Set +24.76 Out +9.79 -21.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.22 +1.62 81 .63 +4.48 Nov +6.79 +10.46 ----Mar +7.6 +6. DESVIOS MENSAIS – DIRECÇÃO IN01 IN04 IN32 IN33 Jan +7.98 +14.13 ----Mai +7.III – Desvios mensais da direcção entre os dados observados e os dados do atlas para o ano de 1999.67 -18.38 +2.91 +19.12 Anual +9.58 +2.87 ----Abr +5.93 +4.05 Ago +1.53 +1.1 +1.08 Jun +12.73 +15.59 ----Fev +8.53 +15.63 +5.74 Jul +22.48 +7.94 +0.91 Dez +0.34 -26.13 +19.97 +6.27 -33.67 +4.69 +14.89 +7.55 +7.25 +3.78 --+17.97 +13.

V – Gráficos de dispersão e declives de recta entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.04 Correlação (%) 61 54 58 64 R2 (%) 85 83 83 88 Tabela 6.04 Erro médio quadrático [m/s] 1.IV – Correlações (%).22 3. João Lampas IN_04 .Gardunha IN_33 .93 3.S. Dados processados em médias de 10 minutos.Vila do Bispo IN_32 .19 +1.66 +2.Arruda +0. desvios e erro médio quadrático entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. índices de ajuste das rectas (R2).59 +1. João Lampas IN_04 – Vila do Bispo IN_32 .13 3.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.Arruda 82 . RESULTADOS GLOBAIS – ANO 1999 Comparação entre os dados observados e dados atlas (h=10m) Desvio médio [m/s] IN_01 – S.Gardunha IN_33 . IN_01 .

) Dados atlas (10 min. João Lampas IN_04 Vila do Bispo IN_32 Gardunha IN_33 Arruda Dados observados (10 min. ROSA DE VENTOS 2a5 6 a 20 21 a 50 > 51 km/h <2 10 10 10 10 % IN_01 S.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.) 83 .VI – Rosa de ventos entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

ROSA DE POTÊNCIAS 10 a 200 <10 10 10 10 10 % 200 a 400 400 a 600 > 600 W/m2 IN_01 S.) Dados atlas (10 min.) 84 .VII – Rosa de potencias entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. João Lampas IN_04 Vila do Bispo IN_32 Gardunha IN_33 Arruda Dados observados (10 min.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.

) 85 .VIII – Distribuição de Weibull entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.) Dados atlas (10 min. João Lampas IN_04 Vila do Bispo IN_32 Gardunha IN_33 Arruda Dados observados (10 min. DISTRIBUIÇÃO DE WEIBULL IN_01 S.

JOÃO LAMPAS JANEIRO FEVEREIRO MARÇO DIRECÇÃO VELOCIDADE 86 . SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6. entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.IX – Séries mensais para a estação IN01 – São João das Lampas.S.

S.IX – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 .JOÃO LAMPAS ABRIL MAIO JUNHO DIRECÇÃO VELOCIDADE 87 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.S.IX – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 .JOÃO LAMPAS JULHO AGOSTO SETEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 88 .

S.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.JOÃO LAMPAS OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 89 .IX – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_01 .

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6. SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO DIRECÇÃO VELOCIDADE 90 .X – Séries mensais para a estação IN04 – Vila do Bispo. entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.X – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO ABRIL MAIO JUNHO DIRECÇÃO VELOCIDADE 91 .

X – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO JULHO AGOSTO SETEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 92 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.X – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_04 – VILA BISPO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 93 .

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
Tabela 6.XI – Séries mensais para a estação IN32 – Gardunha, entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999. SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA ABRIL MAIO JUNHO

DIRECÇÃO

VELOCIDADE

94

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
Tabela 6.XI – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA JULHO AGOSTO SETEMBRO

DIRECÇÃO

VELOCIDADE

95

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental
Tabela 6.XI – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_32 – GARDUNHA OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO

DIRECÇÃO

VELOCIDADE

96

SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA ABRIL MAIO JUNHO VELOCIDADE n. 97 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6. entre os dados observados e os dados atlas para o ano de 1999.XII – Séries mensais para a estação IN33 – Arruda.d* * dados não disponíveis.d* DIRECÇÃO n.

XII – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA JULHO AGOSTO SETEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 98 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.

XII – continuação SÉRIES MENSAIS 1999 – IN_33 – ARRUDA OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO DIRECÇÃO VELOCIDADE 99 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.

2 5. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.46 5. % 0 6.57 158.41 22.73 97.51 6.23 5.33 2.2 89.06 2.13 2.14 5.05 2.5 270 5.97 6.77 138.9 5.17 2.74 51.5 135 5.38 2.13 2.67 4.43 3.32 4.52 98.21 4.12 2.34 4.5 180 202.47 4.49 4.5 225 247.17 160.17 3.4 4.63 3.81 2. DADOS OBSERVADOS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.28 2.89 2.51 4.97 5.31 5.11 2.44 2.47 7.21 2.88 90 4.19 1. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.96 2.37 6.11 2.29 4.47 100 DADOS ATLAS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.51 3.49 5.51 4.8 2.23 170.63 4.52 90.07 4.04 77.09 13.74 5.52 90 4.27 112.74 89.82 103.47 TOTAL 292.28 123.16 6.48 2.92 2.51 5.24 4.32 100 100 . A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.54 95.76 2.01 157.13 103.5 5.23 5.07 315 5.86 4.52 5.53 4.96 3. v = Velocidade média.5 5.5 4.38 4.16 12.12 2.66 2.13 12.65 5.7 TOTAL 5.31 3.09 2.12 134.6 4.25 1.5 4.26 5.37 2.17 7.5 225 247.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.37 97.5 270 292.2 2.76 4.43 4.76 5.5 2.06 113.59 57.01 4.34 111.74 112.77 5.46 45 3.8 94.59 5.59 67.99 Sectores (º) 157.81 137.01 10.54 3.18 9.5 4.51 2.97 2.92 3.1 5.05 4.51 Sectores (º) 157.17 4.64 3. Resultados para o ano de 1999.48 5.04 1.28 45 3.05 4.37 39.16 4.06 2.08 5.46 65.54 1.XIII – Parâmetros globais da estação IN01 – São João das Lampas.82 111.11 337. % 0 5.52 40.08 2.08 67.81 5.84 202.72 22.5 4.44 135 4.5 180 4.1 5.71 2.35 5.52 4.07 4. v = Velocidade média. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.33 70.34 2.48 87.74 112.68 67.16 5.9 4.68 52.87 2.5 5.5 4.69 2.5 315 337.65 5.36 5.69 95.57 4.25 16.32 3.67 124.

45 2.75 292.93 4.46 5.65 1.46 45 3.51 1.12 64.71 2. v = Velocidade média.85 2.8 158.XIV – Parâmetros globais da estação IN04 – Vila do Bispo.7 5.65 4.15 3.93 8.29 112.94 32.12 3.49 3.5 180 202. Resultados para o ano de 1999.89 2. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.12 5.5 3.61 1. DADOS OBSERVADOS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.4 3.97 1.5 135 4.56 4. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.89 128.48 1.71 3.53 3.44 84.31 1.32 22.75 4.97 103.5 5.52 92.45 Sectores (º) 157.79 1.11 139.75 5.58 202.84 4.5 270 3.33 100 101 .49 3.93 1. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.32 4.07 2.81 2.98 136.12 74.5 4.47 4.5 225 247.76 5. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.9 67.6 90 112.94 2.15 3.45 5.74 4.78 3.66 114.63 119.83 22.74 163.04 121.5 4.21 5.3 124.5 135 5.28 1.18 5. v = Velocidade média.67 121.71 45 3.16 9.95 2.72 5.5 225 247.3 5.47 4.73 1.68 1.4 3.83 1.36 5.55 5.82 94.9 67.12 28.26 4.2 1.31 4.82 5.73 4.5 4.39 2.12 6.65 7.85 100 DADOS ATLAS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.77 3.99 3.53 3.37 4.56 102.81 77.96 4.34 370.71 2.62 24.99 3.82 108.41 1.8 46.5 4.98 440.11 4.63 8.99 4.61 82.53 6.02 83.5 3.28 3.37 2.84 1.36 1.23 1.25 4.68 4.51 2.3 4.38 16.99 1.33 TOTAL 5.89 4.18 2.32 5.6 4.85 2.57 2.91 1.16 2.93 191.82 2.16 5.37 69.39 23.91 1.52 315 337.5 180 3.45 55.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.27 7.21 4.37 1.01 1.34 1. % 0 8.21 5.4 4.99 8.45 7.91 4.72 Sectores (º) 157.49 259.63 1.35 85.67 3.39 4.5 90 4.73 2.07 4.5 315 337.4 202. % 0 5.67 3.33 195.67 22.27 4.04 TOTAL 270 292.02 27.71 4.61 5.

36 2.46 7.54 11.82 5.5 4.95 2. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.9 202.5 4.69 514.58 6.1 2.32 6. % 0 22.92 1.12 4.41 266.58 2.64 3.01 80.61 5.5 225 247.57 1.39 2.63 7.22 5.03 3.88 2.5 180 2.66 5.82 2.28 7.77 3.89 67. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.16 5.41 134.57 5.25 3.94 5.32 148.33 204.48 2.5 4.07 3.85 5.92 4.91 289.47 100 102 .29 215.29 6.02 4.34 2.04 6.73 136.02 1.11 9.9 9.88 6.93 90 3.85 12.11 TOTAL 337.23 134.96 7.54 7.5 3.17 112.29 8.36 6.5 180 202.76 5.65 2.17 2.54 6.65 4.15 5.89 1.6 2.97 5.05 33.5 5.19 6.1 47.2 7.33 35.XV – Parâmetros globais da estação IN32 – Gardunha.58 18.49 4.34 2.76 Sectores (º) 157.91 205.33 32.33 5.82 1.79 2.9 100 DADOS ATLAS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.35 404.22 3.46 8.26 5.09 225 247.13 1.1 3.48 4.26 5.9 4.92 6. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.79 185.59 80.96 2.78 3.13 300.5 270 292.98 3.33 5.74 1.95 33.42 6.97 2.81 7.75 6.89 2.13 315 6.46 3. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.82 5.48 5.46 5.75 2.02 1.26 2.72 2. v = Velocidade média.67 5.19 6. % Sectores (º) TOTAL 0 22.97 2.89 5.5 315 337.89 702.5 270 292.7 6.06 2.59 198.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.54 151 19.27 2.5 4.01 20.24 1.5 5.97 3 1.79 2.14 8.5 90 112.94 3.5 135 157.54 103. v = Velocidade média.09 1.29 4.69 227.51 44.05 89.5 45 67.58 478.75 3.94 3.09 12.24 5.36 2.49 135.19 2. Resultados para o ano de 1999.73 2.8 4.13 2.64 4.5 3.42 135 2.84 58.61 7.39 84.1 6.07 45 4.29 101.68 3.9 5.49 5. DADOS OBSERVADOS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.85 5.77 8.11 5.

67 7.47 83.5 43.32 3.92 6.5 135 4.62 6.78 15.36 2.31 2.68 67.54 TOTAL 7.16 4.79 2.08 6.84 7.34 2.93 1.5 315 337.5 4.86 5.2 2. v = Velocidade média.82 90 112.5 5.33 6.7 5.92 3.82 14.3 3.54 3.87 100 103 .78 3.48 84.5 3.2 156.73 3.86 1.4 3.58 3.88 2.29 147.4 80.77 2.12 5.5 4.09 3.34 22.23 2.46 82.19 89.25 39.85 2.19 22.5 4.6 100 DADOS ATLAS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.82 1.51 323.86 8.5 270 4.11 3.26 1.9 5.04 154.75 7.64 4.57 386.51 270 292.5 4.5 3.48 4.87 6.17 37.5 274.32 3.32 4.23 3.4 72. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.8 1.35 6.1 25. % 0 5.81 Sectores (º) 157.46 4.41 146.28 2.43 22.13 5. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.79 299.1 4.14 2.18 2.05 5.95 45 4.2 5.23 67.54 2.87 210.41 2.83 3.07 267.69 4.96 4.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.99 2.59 135 3.27 8.4 45 5.5 180 4.08 202.39 2.81 7.09 23.08 5.55 2.8 259.86 3.03 2.22 2.5 5.62 Sectores (º) 157.15 2.41 105.19 2.95 4.48 2.5 180 202.61 TOTAL 5.5 4.95 6.54 4.59 292.XVI – Parâmetros globais da estação IN33 – Arruda.13 8.17 2.5 225 247.43 6.34 6.16 6.74 4.3 5.29 4.52 5.19 3.5 7. % 0 5.36 2. A e k = Parâmetros de escala e de forma da Distribuição de Weibull.3 112.86 1.51 7.18 5.06 1.5 5.02 2.7 90 3.32 7.98 2.16 26.68 1. DADOS OBSERVADOS Parâmetros obtidos por sector e TOTAL.41 61.81 2.12 73.5 5.73 122.38 1.53 3.45 85.14 2.89 7. v = Velocidade média.55 67.95 352.73 3.92 6.13 7. Resultados para o ano de 1999.58 8.98 401.62 6.18 5.28 2.57 3.8 315 337.21 44.75 54.19 163.75 45.55 3.51 5.5 225 247.31 6. P = Fluxo de potência Parâmetros A (m/s) k v (m/s) P (W/m2) Freq.

10 – Rosas de vento processadas para a altura de 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 6. 104 . Simulação 1999 domínio 4 (3×3km).

105 .11 – Rosas de potências processadas para a altura de 80m. Simulação 1999 domínio 4 (3×3km).Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Figura 6.

o fluxo de potência (W/m2) e o rumo/intensidade do vento para os 80m.22) apresentam-se os mapas do campo médio do vento. para cada regime: o campo médio diário da velocidade do vento (m/s).12 os resultados obtidos para o campo da velocidade média do vento e fluxo de potência aos 80m. nomeadamente os regimes: H. 1994. [m/s] [W/m2] Nas figuras (6. (a) (b) Figura 6. L. Processou-se. optou-se por simular os dias representativos do conjunto de sete anos de dados (1992. NW. apresentando-se na figura 6. fluxo de potência e rumo/intensidade do vento. Efectuaram-se os mapas compósitos (com base no peso das frequências dos 52 anos de dados) para as grandezas descritas. N. (b) fluxo de potência [W/m2] a 80m. dos dez regimes mais significativos no período de 52 anos de dados (1951 a 2002). E. 1998 a 2002). Todos os mapas foram processados para a altura de 80m acima do nível do solo.2 Atlas do potencial eólico obtido pelos regimes de circulação Neste trabalho. SW.12 – Mapas compósitos simulados com base no peso das frequências de ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002) para: (a) velocidade média do vento [m/s] a 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 6. tal como mencionado no capítulo 5. NE. 106 . W.13) a (6. H+N e H+NE.

[m/s] [W/m2] 107 . (b) fluxo de potência a 80m.13 – Mapas médios simulados para o regime H: (a) velocidade a 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. (c) rumo e intensidade do vento a 80m.

[m/s] [W/m2] 108 . (c) rumo e intensidade do vento a 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6.14 – Mapas médios simulados para o regime NE: (a) velocidade a 80m. (b) fluxo de potência a 80m.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. (c) rumo e intensidade do vento a 80m [m/s] [W/m2] 109 . (b) fluxo de potência a 80m.15 – Mapas médios simulados para o regime N: (a) velocidade a 80m.

(b) fluxo de potência a 80m. [m/s] [W/m2] 110 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6.16 – Mapas médios simulados para o regime W: (a) velocidade a 80m. (c) rumo e intensidade do vento a 80m.

(b) fluxo de potência a 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6.17 – Mapas médios simulados para o regime L: (a) velocidade a 80m. [m/s] [W/m2] 111 . (c) rumo e intensidade do vento a 80m.

(b) fluxo de potência a 80m.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. [m/s] [W/m2] 112 . (c) rumo e intensidade do vento a 80m.18 – Mapas médios simulados para o regime NW: (a) velocidade a 80m.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

(a) (b) (c) Figura 6.19 – Mapas médios simulados para o regime E: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a 80m. [m/s] [W/m2]

113

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

(a) (b) (c) Figura 6.20 – Mapas médios simulados para o regime SW: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a 80m. [m/s] [W/m2]

114

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

(a) (b) (c) Figura 6.21 – Mapas médios simulados para o regime H+N: (a) velocidade a 80m; (b) fluxo de potência a 80m; (c) rumo e intensidade do vento a 80m. [m/s] [W/m2]

115

22 – Mapas médios simulados para o regime H+NE: (a) velocidade a 80m. (b) fluxo de potência a 80m. [m/s] [W/m2] 116 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental (a) (b) (c) Figura 6. (c) rumo e intensidade do vento a 80m.

29 -8.96 +34.69 4.50 +20.83 -15.27 -13.72 2.61 -38.21 2.21 +37.09 Obs IN32 Sim Desv Obs IN33 Sim Desv *valores observados (m/s).61 5.92 -6.86 4.89 5.82 6.23 4.26 5.85 -10.25 4.98 6.98 -32.96 5.58 +19.2 4.16 9.22 4. Tabela 6.5 4.5 5. é feita com base na comparação entre os valores de velocidade e direcção observados (10m acima do solo) e simulados para cada regime.11 Obs* 1.22 4.21 -7.79 3.32 6.33 5.99 3.25 -14.34 2.73 -13. IN01 Regimes H L N NE E SE S SW W NW HN HNE HE HSE HS HSW HW HNW LN LNE LE LSE LS LSW LW LNW MÉDIA 4.52 5.09 1.80 -21.21 3.93 3.74 6.22 5.61 4.27 Sim** 2.25 +7.93 4.03 -31.2 2.03 3.05 5.49 -4.37 -14.3 4.29 4.73 3 3.22 6.13 4.09 -29.05 -22.22 -35. **valores simulados (m/s).27 5.37 4.21 3.23 +7.12 2.04 -22.07 7.46 2.2.4 4. Os dados aqui apresentados foram processados em médias de 10 em 10 minutos.35 -37.51 4.42 -10.1 3.41 2.81 -21.80 -29.88 3. para cada regime e estação anemométrica.22 6.96 8.15 4.92 3.24 -32.51 -37.87 7.13 4.77 -14.82 4.6 -11.08 4.88 3.71 -32.25 -26.18 8.6 4.45 8.6 6.31 5.02 5.02 5.12 +8.02 2.53 -27.49 6.48 6.35 7.76 3.XVII – Valores observados e simulados da velocidade do vento a 10m acima do solo.88 2.53 -4.24 4.43 -0.60 -28.36 5.94 6.86 5.95 2.54 -34.11 3.42 -16.58 6.33 -10.1 3.51 -27.46 +35.39 4.91 -34.5 4.17 -0.26 -26.22 -0.26 +10.45 4.27 -21.8 5.92 3.9 4.23 -42.39 5.35 2 3.46 -26.85 +23.69 5.31 -9.57 6.05 +35.63 6.38 5.14 4.69 5.87 +9.83 6.38 +23.96 4.09 3.86 +5.31 4.03 4.76 5.68 -15.21 5.09 5.1 Verificação dos resultados A verificação dos resultados do mapeamento das grandezas obtido com base na ponderação dos regimes característicos.77 4.1 5.04 2.55 4.27 5. ***desvio (%) 117 .73 2.5 4.79 +28.54 -37.01 9.54 4.01 +8.21 Obs 3.50 Desv +3.76 -3.19 4.56 4.85 2.61 -22.89 2.85 5.67 5.28 -37.27 4.85 4.21 4.08 4.88 5.98 4.35 7.89 5.08 +0.45 4.15 4.97 IN04 Sim 4.19 6.51 -25.31 4.68 4.23 -12.99 5.43 -10.43 -35.27 2.63 3.14 3.85 3.63 Desv*** +27.07 4.39 6.46 5.14 6.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental 6.52 6.59 6.94 +18.99 2.7 3.91 7.74 3.18 8.98 9.23 5.29 4.13 -21.29 -5.42 6.27 5.36 -24.17 +11.76 3.90 -7.18 -4.93 +25.35 2.61 3.1 5.46 -31.88 5.86 5.11 -5.

16 19.63 23.26 28.75 16.6 12.16 19. É de referir que as estimativas presentes nesse atlas são efectuadas para as alturas de 50m e 100m.35 14. apresenta-se para cada estação do IM. e os resultados obtidos pela aplicação da metodologia presente neste trabalho 118 .34 11. Na tabela 6.XIX.29 11.57 16. Desta forma.38 9.38 16.52 19.54 17.71 28.68 24. pretende-se comparar as estimativas de vento para as estações do Instituto de Meteorologia no Atlas Europeu do Vento (Troen et al.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6.76 24. Regimes H L N NE E SE S SW W NW HN HNE HE HSE HS HSW HW HNW LN LNE LE LSE LS LSW LW LNW 9.51 18.62 19.34 25. para cada regime e estação anemométrica.13 12.59 9.59 24.29 26.XVIII – Valores do desvio (º) da direcção calculados com base nos valores observados e simulados em cada uma das estações anemométricas do INETI a 10m acima do solo.21 18.75 16.3 Comparação das estimativas do modelo com o Atlas Europeu do Vento Para finalizar as verificações dos resultados.78 22.41 26.43 21.17 20.47 18. a velocidade estimada pelo atlas europeu do vento.48 18.52 13.99 24.37 14.86 IN01 16. realizou-se uma interpolação linear para os 80m por forma a comparar resultados entre as diferentes metodologias.57 24.17 21.96 12.31 16.74 17.67 19.86 16.2 20.27 25.91 21.12 10.48 IN32 IN33 6.05 12.66 11.22 27.35 15.45 5.6 27.69 IN04 9. 1989) com os resultados das simulações aqui presentes.23 25.

superiores a 1.28 0 -11.8 7.64 -2. e comparando as estimativas observadas e simuladas para as estações do INETI. verifica-se que estes tendem a ser mais acentuados no Verão para as estações de costa IN01 e IN04 – Vila do bispo.9 4.2 5.19 -0.69 6.39 -18.1 4. o que implica que os desvios são da ordem dos 30%.4 5. Relativamente à simulação do ano completo de 1999. observam-se bons resultados para a estação IN01 (São João das Lampas). Este facto pode ser comprovado pelos desvios da velocidade e direcção mensais e anuais desta estação.00 -7.04 6.59 7.1 4.81 -4.7 5.2 5.2 5.95 0.83 -9.9 6.62 4.6 8.3 5. em locais de forte concentração do escoamento atmosférico. Atlas Atlas Regimes 7 Velocidade* 1999 1999** Desvio% anos*** Desvio % Estacao Atlas MM5 MM5 (*)-(**) MM5 (*)-(***) IM Europeu do Grelha corrigido Grelha refinada vento (m/s) refinada Beja Bragança Cabo Carvoeiro Coimbra Faro Ferrel Lisboa Porto Sagres Sines Viana do Castelo MÉDIA 5. Este facto justifica-se pela localização destas estações.7 6.75 -13.XIX – Desvios calculados para as estações do IM.11 -7.8 7.4 6.4 Análise dos resultados Nesta secção. com base nos resultados simulados com a metodologia presente neste trabalho e nas estimativas (extrapoladas) do atlas europeu do vento. e também pela configuração semelhante das rosas de ventos e de potências. Este facto só pode ser 119 .4 5.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Tabela 6. apresenta-se a discussão dos resultados obtidos.11 5. a 80m do solo.0 6.72 4.41 -25.1 6.1 6.5 4. Ao observar os desvios mensais da velocidade em todas as estações.14 -12.05 7.05 5.4 4.2 5.23 -11.1 3.85 4. IN32 e IN33. pode-se afirmar que em locais de forte concentração energética do escoamento atmosférico. os desvios globais na direcção para estas estações são baixos (inferiores a 10º) excepto na estação IN33 – Arruda onde se verifica um desvio global na direcção de 20º.26 -2.2 4.5 5.4 5. Por outro lado.42 6.90 -18.33 22.38 -7.2 7.20 5.1 5.2 6.9 6. Perante estes resultados.52 16.5m/s.34 4.2 7. verifica-se a existência de desvios mais acentuados na velocidade média global.94 9.26 5. mas subestima a intensidade do vento.35 1. o modelo numérico aqui utilizado consegue representar a direcção do escoamento.3 6.00 3.7 5.57 -4.46 5. Para as estações IN04.23 4. e menos acentuados para a estação de montanha IN32 – Gardunha.84 26. não sendo representados de forma razoável pelo modelo numérico aqui considerado.

Este facto pode ser explicado pelos efeitos de concentração induzidos pela orografia do local. Relativamente à estação IN32. dada a 120 . em especial. a rosa de potência evidencia um comportamento diferente. os desvios tendem a ser menores nos meses de Inverno. Este facto deve-se ao facto da caracterização da rosa de potência ser feita com base no cubo da velocidade média. Os desvios centram-se em grande parte nos sectores oeste/noroeste. As rosas de potência evidenciam desvios mais acentuados. no sector a norte. Nas estações de costa. apresentam valores superiores a 80%. Os coeficientes de ajuste linear entre as velocidades observadas e simuladas. Os desvios mensais na direcção apresentam comportamento idêntico. Na estação IN04. e norte-nordeste/nordeste. tendo em conta a resolução espacial das simulações (3×3km). evidenciando a boa capacidade do modelo em descrever os ciclos diurnos. As rosas de ventos observadas e simuladas apresentam aspectos semelhantes em todas as estações. Estes desvios podem ser justificados pela localização da Serra da Gardunha. sendo esta demasiado complexa para ser representada na malha de maior refinamento nas simulações aqui presentes. Na estação IN33 – Arruda.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental explicado pelos efeitos locais de concentração provocados pelas brisas marítima/terrestre e brisa vale/montanha. observa-se que o modelo numérico sobrestima os valores de velocidade da estação IN01 e subestima fortemente os resultados para as estações restantes. contudo. os desvios na velocidade da estação IN32 são provocados pelo forte escoamento de larga escala. um desvio entre os sectores noroeste e norte-noroeste para as estações de IN32 e IN33. os desvios da velocidade apresentam-se constantes ao longo do ano. Este valor de correlação é relevante. Através das rectas de regressão. Relativamente à estação IN04. Observa-se. para todas as estações. ficando o escoamento neste local sujeito ao efeito de esteira provocado pela da Serra da Estrela. e na estação de montanha os desvios tendem a ser maiores nos meses de Inverno. Na estação IN33. reforçando a ideia de este modelo não ser capaz de simular com eficiência os efeitos de concentração orográficos na resolução espacial aqui utilizada. Na estação IN33. o desvio torna-se patente nos sectores a norte e norte-noroeste. o desvio acentua-se nos sectores noroeste e norte-noroeste. os desvios tendem a ser maiores nos meses de Verão. De Inverno. amplificando os desvios observados naquela grandeza. dominante nas estações de montanha para essa altura do ano. verifica-se um desvio significativo nos sectores norte e norte-noroeste. podendo mesmo considerar-se elevado nas presentes condições. As correlações entre os dados das velocidades observadas e simuladas de 10 em 10 minutos apresentam valores da ordem dos 60%.

Globalmente. uma vez que as simulações numéricas efectuadas aos regimes foram realizadas com base num dia de simulação. Estes resultados são explicados pela fraca capacidade do modelo numérico aqui utilizado em prever os fortes efeitos de concentração do vento nestas estações. a correcta representação do ciclo diurno. reforça-se a necessidade da instalação de estações de medida no local para confirmação experimental no terreno. a existência de desvios inferiores a 30% para os valores de velocidade e inferiores a 30º para os valores de direcção.23) apresenta os mapas da velocidade média para o ano de 1999 e o compósito com base nos regimes de circulação. 2002). com dados processados de 10 em 10 minutos. Relativamente à estação IN01. IN32 e IN33.. Nas séries mensais da velocidade e direcção. sobretudo em locais de forte complexidade orográfica. pode observar-se. Assim. afectado pelo peso das frequências de ocorrência dos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002) para a altura de 80m. os resultados simulados para o ano completo de 1999 indicam a existência de desvios da ordem dos 30% para os valores das velocidades médias nas estações IN04. IN32 e IN33. essas diferenças acabam por se compensar. Deste modo. Globalmente. as distribuições de Weibull mostram ser semelhantes entre os resultados observados e simulados. consegue descrever os ciclos diurnos. A ferramenta aqui utilizada. A figura (6.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental fraca ocorrência de valores de velocidade neste sector nos dados observados face aos dados simulados. 121 . estando esses valores de acordo com os estudos publicados na aplicação de modelos de mesoscala em terreno complexo (Mass et al. os mapas apresentados neste capítulo podem estar afectados destes desvios. Relativamente aos regimes de circulação [Trigo and DaCamara. observa-se para a maioria dos casos. na maioria dos casos. não reproduzindo de forma satisfatória os efeitos orográficos de concentração do vento. 2000]. Os desvios na direcção foram sempre inferiores a 20º. sempre que uma determinada região indicar um bom potencial energético com base nas ferramentas ora apresentadas. embora não tendo a amplitude necessária em alguns meses e em algumas estações devido ao exposto anteriormente. As distribuições de Weibull apresentam algumas diferenças na frequência de ocorrência das classes de velocidade para as estações IN04.

Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental

[m/s]

[m/s]

(a) (b) Figura 6.23 – Mapas da velocidade média do vento a 80m para: (a) simulação 1999; (b) compósito simulado com base no peso das frequências de ocorrência dos regimes nos 52 anos de dados (classificação 1951 a 2002).

É de realçar a semelhança entre os campos de velocidade obtidos pelas duas metodologias, embora se verifiquem ligeiros decréscimos nos valores da velocidade média no mapa compósito dos regimes. Esta tendência é tambem reforçada pelos mapas do fluxo de potência (fig. 6.4c e 6.12b). Em relação à comparação entre as estimativas fornecidas para as estações do IM com o atlas europeu do vento e a metodologia de trabalho aqui presente, observa-se que os desvios da velocidade média tendem a ser menores quando se utiliza as estimativas presentes no mapa do atlas de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual. De uma forma global, este atlas apresenta desvios da ordem dos 10% para a maioria das estações do IM, excepto em três delas, onde o desvio é claramente acima dos 20%. É de realçar que o atlas compósito dos regimes evidencia desvios inferiores a 20% em todas as estações. Além disso, este atlas realça outra característica importante: apresenta menores desvios nas estações de Cabo Carvoeiro, Lisboa e Viana do Castelo quando se compara com os desvios produzidos pelo atlas simulado com o ano de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual.

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7. Conclusões e trabalho futuro
Neste trabalho apresentou-se uma metodologia de construção de um atlas do potencial eólico para Portugal Continental numa malha de 3×3km. Embora se reconheça que no nosso país não existe um mapeamento refinado do recurso eólico, convém frisar que, desde o final dos anos 80, se tem verificado um esforço de caracterização do vento em Portugal Continental conduzidos por algumas instituições de investigação e desenvolvimento tais como o INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, INEGI – Instituto de Engenharia e Gestão Industrial, entre outros, cujos resultados suscitaram interesse crescente nesta forma de energia, dando uma contribuição relevante para as zonas abrangidas pelas medidas do escoamento. Contudo, a especificidade desses estudos não permite a cobertura da globalidade do território. Neste trabalho considerou-se que esse procedimento pode ser realizado à custa de um modelo numérico de mesoscala. Estes modelos são capazes de discretizar a evolução espacial e temporal das grandezas meteorológicas para áreas consideráveis, com elevada resolução espacial (e.g. 1×1km), chegando a cobrir um país inteiro. Por este motivo, os modelos de mesoscala prometem ser uma boa ferramenta na identificação e avaliação prévia do potencial eólico nas regiões de interesse. Neste trabalho, a metodologia de desenvolvimento do atlas baseou-se num conjunto de simulações numéricas efectuadas para o campo do vento em Portugal Continental, com recurso ao modelo numérico de mesoscala MM5 (versão 3.6.0) para se obter uma representação estatística da climatologia das grandezas meteorológicas e parâmetros relacionados com escoamento atmosférico. Desta forma foi possível obter um mapeamento das grandezas representativas do potencial eólico, sendo os resultados das simulações pontualmente comparados com os valores de vento observados em quatro estações anemométricas do INETI, estando estas situadas em locais propícios aos efeitos de concentração do vento no terreno. Numa primeira fase, optou-se por simular o atlas com base no ano completo de 1999, tendo o resultado sido posteriormente corrigidos com o factor médio de desvio da variabilidade interanual, calculado com base nas estações do INETI. Na segunda fase, recorreu-se ao uso dos regimes de circulação para identificar padrões do escoamento atmosférico junto da superfície. Para determinar a frequência de cada um dos regimes, foi feita uma classificação com base em 52 anos de dados (período 1951 a 2002 - dados NCAR), tendo-se posteriormente usado o

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Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental peso das frequências obtidas para calcular o atlas do potencial eólico, sendo este obtido pelo compósito dos mapas médios simulados para cada regime, ponderados pelo peso das frequências de ocorrência. Globalmente, os resultados simulados para o ano completo de 1999, indicam a existência de desvios da ordem dos 30% para os valores das velocidades médias nas estações IN04 – Vila do bispo, IN32 - Gardunha e IN33 - Arruda, estando esses valores de acordo com os estudos publicados na aplicação de modelos de mesoscala em terreno complexo [Hanna and Yang, 2001]. Contudo, convém realçar que estas estações estão situadas em locais de forte concentração do escoamento atmosférico, as quais se concluiu não serem representadas de forma razoável pelo modelo numérico aqui considerado. Na estação IN01 – São João das Lampas, os desvios aproximaram-se dos 10%. Em relação à direcção, observaram-se desvios inferiores a 20º em todas as estações. Perante estes resultados, pode-se afirmar que em locais de forte concentração energética do escoamento atmosférico, o modelo numérico aqui utilizado consegue representar a direcção do escoamento, mas falha na intensidade nos locais com forte efeito de concentração do vento. Assim, os mapas apresentados neste trabalho podem estar afectados destes desvios, sobretudo em locais de forte complexidade orográfica. Deste modo, se uma determinada região apresentar um bom potencial energético, realça-se a necessidade da instalação de estações de medida no local para confirmação experimental das estimativas. As correlações entre os dados das velocidades observadas e simuladas de 10 em 10 minutos apresentam valores da ordem dos 60%, para todas as estações. Este valor de correlação é relevante, tendo em conta a resolução espacial das simulações (3×3km). Os coeficientes de ajuste linear entre as velocidades observadas e simuladas, apresentam valores superiores a 80%, evidenciando a boa capacidade do modelo em descrever os ciclos diurnos. As rectas de regressão calculadas para cada estação, mostram que o modelo numérico aqui utilizado neste trabalho sobrestima os valores de velocidade da estação IN01 e subestima significativamente os resultados para as estações restantes. Desta forma reforça-se a ideia de este modelo não ser capaz de simular com eficiência os efeitos de concentração orográficos na resolução espacial aqui utilizada. Relativamente às simulações efectuadas com os regimes de circulação, observa-se para a maioria dos casos, a existência de desvios inferiores a 30% para os valores de velocidade e inferiores a 30º para os valores de direcção. Globalmente, essas diferenças superiores ao

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Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental “atlas de 1999” acabam por se compensar. disponibilizar aos potenciais promotores de parques eólicos uma estimativa prévia do recurso energético de Portugal Continental. Espera-se também. entrar em conta com a presença de obstáculos e influencia detalhada da rugosidade na região de simulação. 125 . No futuro. tal como era objectivo deste trabalho. O mapeamento do recurso assim obtido pode igualmente ser aplicado no domínio do ambiente e ordenamento do território. estes capazes de lidar com orografia de alta resolução espacial (tipicamente com resoluções superiores a 100m) e desta forma. comparam-se neste trabalho as estimativas obtidas no atlas europeu do vento para algumas estações do IM – Instituto de Meteorologia com os resultados da metodologia apresentada. considera-se poder melhorar esta ferramenta “encadeando” os resultados obtidos por modelos de mesoscala e por modelos de microscala. uma vez que as simulações numéricas efectuadas dos regimes apresentam um mapeamento final muito semelhante para o campo médio da velocidade e fluxo de potência para os 80m. apoiando o crescente investimento a aplicar nesta forma de energia. quer se utilize o mapa compósito com base nos regimes de circulação. estimar com maior rigor os efeitos de concentração do vento em terrenos complexos. Os desvios obtidos para a altura de 80m permitem constatar que a metodologia empregue neste trabalho conduz a desvios inferiores a 20% face ao Atlas Europeu. com recurso a esses modelos. quer se utilize o atlas gerado com o ano completo de 1999 corrigido da variabilidade inter-anual. podendo constituir um auxiliar à decisão de futuros investimentos em campanhas experimentais para caracterização do escoamento atmosférico e de planeamento de redes eléctricas e demais infra-estruturas. e face aos resultados obtidos. Os resultados obtidos permitem. Por fim.

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05 0.02 0.04 0.05 0.04 0.01 Inércia Térmica (cal cm-2 K-1 s-1/2) Ver.04 0.02 0.02 0. Urbano Culturas e pastagens sequeiro Culturas e pastagens regadio Culturas e pastagens sequeiro e regadio Mosaico agrícola e relvado Mosaico agrícola e florestal Terreno relvado Arbustros Terreno relvado e Arbustros Savana Floresta folha larga e caduca Floresta folha agulha e caduca Floresta folha larga e perene Floresta folha agulha e perene Floresta mista Água Zonas húmidas herbáceas Zonas húmidas florestais Vegetação escassa Tundra herbácea Tundra florestal Tundra mista Tundra escassa Neve ou gelo 18 17 18 18 18 16 19 22 20 20 16 14 12 12 13 8 14 14 25 15 15 15 25 80 Albedo (%) Inv.05 0.04 0.10 0.01 Inv.03 0.06 0. 10 30 50 25 25 35 15 10 15 15 30 30 50 30 30 100 60 35 2 50 50 50 2 95 Inv.01 20 40 10 10 30 15 0.04 0. 0. 0.04 0.05 0.03 0. 50 15 15 15 14 20 0.04 0.04 0.04 0.05 0.04 0.04 0.04 0. 18 23 23 23 23 20 23 25 24 20 17 15 12 12 14 8 14 14 25 60 50 55 70 82 Humidade (%) Ver.06 0.03 0.05 0.06 0.05 Inv.10 10 10 15 50 50 50 50 50 0.04 0. Classe 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Categoria Ver.05 130 .06 0.03 0.03 0.06 0.05 0. 50 5 5 5 5 20 0.05 0.05 0.04 0. 10 60 50 50 40 60 30 20 25 15 60 60 50 60 60 100 75 70 5 90 90 90 95 95 Emissividade (%) a 9µm Ver. 88 92 92 92 92 93 92 88 90 92 93 94 95 95 94 98 95 95 85 92 93 92 85 95 Inv.05 0.04 0.05 0.03 0.03 0.04 0.05 0.05 0. 88 92 92 92 92 93 92 88 90 92 93 93 95 95 94 98 95 95 85 92 93 92 95 95 Rugosidade (cm) Ver.01 20 40 10 10 30 15 5 0.04 0.12 10 11 15 50 50 50 50 50 0.06 0.Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Anexo I – Tabela com as classes de solo/vegetação e respectivos parâmetros físicos para o Verão e Inverno.

precipitação acumulada (mm). 131 .Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental Anexo II – Mapas da precipitação acumulada e temperatura média a 2m do solo para o ano de 1999 – simulação MM5. (b) – temperatura a 2m do solo (ºC).1 – Mapas médios anuais de 1999: (a) . mm ºC (a) (b) A.

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