A CIÊNCIA DA MERKABAH

*Revista Órion de Ciência Astrológica, nº 9, FEEU, P. Alegre A corrente mística da Merkabah consistiu em uma gloriosa página da Astrologia Divina ou Hierofania. Verdadeira Ciência dos Avatares, a Tradição da Carruagem de Fogo, presente na linhagem dos Patriarcas, se mistura à Cabala tradicional fornecendo-lhe os fundamentos mais elevados, assim como aos conhecimentos budistas mais avançados. Por ser tradição e profecia, a presente matéria resgata a verdadeira imagem do profundo misticismo da Merkabah, hoje reformulada por expoentes da Nova Era, mas também revelada na sua forma e glória verdadeira através da Tradição da Cúpula de Cristal. O misticismo da Merkabah representa uma escola esotérica judaica profundamente vinculada à Cabala. Sua fonte principal é o Zohar, embora beba das Escrituras, apócrifas ou não, como o Livro de Enoque e de Ezequiel, além de Daniel, Elias, Esdras, Salomão, Isaías e João, constituindo o cerne desta corrente de misticismo onde os seus adeptos buscavam ter uma visão da gloriosa Carruagem de Fogo de YHWH que contém todas as formas da Criação. É uma imagem do Trono e da Glória do Criador, no qual todas as coisas estão de algum modo representadas. Naturalmente, se tratam apenas de símbolos das divinas realidades, a serem reveladas agora a todos nestes tempos finais pelo supremo Profeta do Deus Vivo, o Kalki-Avatar. Um historiador diz o seguinte: "A tradição mística do primeiro período rabínico era conhecida como Maaseh Mercavah, uma vez que o propósito dessa tradição consistia numa visão do trono ou carro divino (Merkabah), retratada no capítulo inicial de Ezequiel. A fim de chegar à visão, o adepto precisava entrar num estado de contemplação mística e depois passar por sete estádios ou "salas" (heikhalot). Cada sala é guardada por um Anjo, que não permite a passagem de ninguém que não conheça a senha mística correta. Tais senhas são nomes tirados de meditações e feitos de combinações de letras do alfabeto hebraico. Mercavah era uma tradição esotérica só transmissível a um estudante que já tivesse conhecimentos místicos, e só podia ser ensinada a um estudante de cada vez. Conta o Talmude que quatro sábios se dirigiram, numa jornada mística, ao Paraíso, e apenas um voltou incólume da jornada." (John R. Hinnells, Dicionário das Religiões) De fato, a Merkabah é o carro divino no mesmo sentido de "trono" ou do "cavalo" sagrado que sustenta a força superior, assim como do Nirmanakaya budista que serve de base para a encarnação das energias cósmicas, ou seja, tudo isto representando o homem (seu próprio corpo físico, seu intelecto, seu mental inferior) como receptáculo ou cálice para o poder superior. Segundo
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O misticismo da Merkabah pertence àqueles elevados Mistérios da Totalidade. Pois a necessidade do 2 . No Oriente Médio os tronos estão sustentados por quatro animais sagrados. da natureza dos Querubin descritos em Ezequiel e João. assim como às formas e aos ciclos divinos. O grande personagem do ciclo literário da Merkabah é Metatron. o Homem arquetípico divino ou celeste). depois de ter estabelecido os dez Sephiroth (que em sua totalidade são Adam Kadmon. Assim. os utilizou à título de carro ou trono para descer com ele sobre as almas dos homens. Na Ciência da Merkabah. Tratemos então da verdadeira "elevação" de Metatron. os "Tronos" representam uma das mais elevadas hierarquias angélicas. palavra que costuma ser interpretada como "aquele que está junto ao Trono". Cada ente apresenta o seu próprio nível de energia. Deste modo. e por isto as narrativas da filosofia da Merkabah estão associadas à questões apocalípticas e escatológicas. cada esfera "descarta" certas etapas primárias. de modo que se identifica profundamente com a mais alta ciência yogue e tântrica.Blavatsky. assim como à chegada do 5° Budha cósmico. O papel do Manu racial. Avatar de Brahma (daí ser o Avatar do Brahmanismo) é o de instituir civilizações e administrá-las através das dinastias de Adeptos. na medida em que apenas as emprega como bases elementares. "dizem os cabalistas que o Ser supremo. Trata pois das mais elevadas questões a nível do microcosmos (ou. fato que deve ser identificado à última encarnação de Vishnu. do Microcoposopus). nos termos do Zohar. A expressão lembra a profecia de Jesus no sentido de ir para o Pai e retornar junto ao trono divino. como formula o budismo Mahayana e Vajrayana. de modo que. civilizatório. que a Cabala denomina como o Adam Kadmon (o verdadeiro homem) feito à imagem e semelhança do Criador.Os Pequenos e os Grandes Palácios As diversas hierarquias do universo situam-se em posições definidas. Na angeologia cabalística. que não pode ser confundido com outros níveis. Maitreya. o Kalki Avatar. sem por isto confundir o instrumento com a música em si. A Esfera Divina . da mesma forma como um músico emprega um instrumento para expressar a sua arte. é preciso ascender certos graus acima das estruturas humanas. ali onde ele se identifica plenamente ao macrocosmos (ou ao Macrocoposopus). onde se poderia associar a Brahma do Hinduísmo. que é a Hierarquia. cada esfera inicia seus ciclos num dado patamar. manifestador ou demiúrgico de Deus. ficando atrás somente dos Serafins e dos Querubins. esta seria uma aplicação secundária ou paralela da expressão. mas sem possuir identificação real com elas. o aspecto criador. Sua base é amplamente messiânica." (Glossário Teosófico). para se alcançar a esfera divina.

as raças apenas são contadas como tais a partir da terceira humanidade-raiz.instrumento pode ser até transitória diante dos efeitos universais da arte. no esplendor da Natureza simbolizada pelos Três Mundos" elementares. Da mesma forma. Neste sentido. Esta é a razão pela qual o primeiro grau é chamado de "humano". o segundo de "planetário" e o terceiro de "solar". águas e montanhas. Nisto. Bailey teria revelado o "fio de prata". Sobre a tradição dos "Três Mundos de Esforços Humanos". dos quatro "éteres solares". Será a reimplantação da "raça dos deuses". as três primeiras iniciações. Requer um contato pleno e sadio com a natureza e se dá através de uma reeducação sólida sobre as energias naturais. Assim. e os ashrams espirituais. É neste sentido que a Filosofia da Merkabah fala dos Pequenos Hahalot ("Palácios") e dos Grandes Hahalot. Bailey. a 1ª iniciação. a visão mística vê em Jesus um iniciado que cumpriu todas as etapas do sendeiro (a 3 . enquanto que o "fio de ouro" seria tema de uma futura revelação. 2. desde o ponto de vista da Hierarquia. Este "fio de ouro" é a visão dos Evangelhos dentro do contexto especial da Merkabah. o Tibetano diz que os Evangelhos estão tecidos por "um fio de prata e um fio de ouro". É este segundo nível que nos interessa nos Mistérios superiores da Merkabah. como também símbolos das "três jóias" (triratna) na terra. se a visão corrente vê nas escrituras temas literais (deparando-se daí com paradoxos insolúveis). observamos não apenas planícies. como escreveu Bailey. consideram-se "simbólicas" ou "preparatórias". indicando a Criação manifestada como uma base universal. respectivamente. Isto indica que a Iniciação: 1. desde o ponto de vista da Humanidade. Em A Exteriorização da Hierarquia de Alice A. emanando fumaça. por vezes mostram três degraus na base de tudo. Parte de uma base cosmológica estruturada. vemos os "pésde-lótus" do Senhor surgindo da terra. apenas a partir da quarta etapa de manifestação racial. Na imagem do "Chenrezig-de-Mil-Braços" (reunindo todos os aspectos do Buda ou o Trikaya). As stupas budistas que ostentam os cinco elementos. e desde o ponto de vista de Shambala. quando a humanidade alcança a quarta iniciação. as duas primeiras iniciações. Bailey) fala atualmente de tríade inferior e quaternário superior. ou os Grandes Palácios. pois os deuses (ou os seres iluminados) nascem onde morrem os homens: na cruz da quarta iniciação. como a primeira sephiroth tem quatro divisões. ou da revelação divina. após o Véu do Abismo da Árvore Sefirótica. E a nova ronda mundial também se inicia agora. referentes aos Mistérios Menores e aos Mistérios Maiores. Um verdadeiro "nascimento" espiritual é alcançado no 4° grau. Alice A. o Tibetano (cf. Tanto o chackra básico tem quatro pétalas. tratando-se estes dos quatro elementos superiores ou. esta ronda abre um ciclo ascendente de energias cósmicas.

Na visão "áurea" da Merkabah. assim como as 952 mãos do Nirmanakaya (corpo de manifestação ou Personalidade) do Buda da imagem do Chenrezig-de-Mil-Braços. mas a 4ª. o caminho). Isto se identifica às 960 pétalas do chakra coronário (o 7° centro numa visão parcial ou o 10° analisando os chakras "internos" superiores) no yoga tântrico hindu. embora o Cristo que ele encarnou/ancorou tivesse outras mais. As 40 mãos centrais pertencem ao Sambhogakaya (corpo de compaixão ou Alma) e as 8 mãos internas (com objetos) pertencem ao Dharmakaya (corpo de irradiação ou Espírito) do Buda. ou 5ª Iniciação. e Metatron atua no nível supremo. um para cada plano de consciência. ressurge instruindo no Templo. e que é a 10ª esfera da Árvore Sefirótica. ainda que não plenamente divinizado. e costuma ser associada ao símbolos do arco-íris e da 4 . Diz-se que existem sete níveis para cada revelação. o nascimento na manjedoura não é apenas a 1ª iniciação. São os 12 anos (a "infância mística") em que o "deus-menino". Isto significa que Jesus era um Mestre já aos 30 anos. Não obstante. a Tradição não admite rigorosamente tais separações.senda. cuja aura é vista pela Hierarquia (os Reis Magos). vendo os Evangelhos como a descrição de um único Ser divino. A estrela-guia representa aquela iluminação precoce que caracteriza as encarnações divinas. donde a estrela-guia que neste caso é o próprio iniciado (iluminado). após desaparecer por três dias (sua "sepultura mística"). Bailey). devemos considerar já os primeiros atos de Jesus sob a sua condição de Adepto. Dada a vastidão. A cruz é uma representação do mesmo drama sob um outro aspecto. Assim. é natural que apenas o próprio Metatron possa revelar os verdadeiros mistérios da Merkabah. que é de fato a Ciência dos Avatares. o próprio Jesus tinha apenas cinco iniciações. uma vez que está a eles intimamente integrado. que são aquelas menores e mais exteriores no círculo central da imagem. Para o Tibetano (cf. como acontece com todos os Avatares. porque se tratava de um Bodhisatwa renunciante do nirvana e que deveria passar por outros processos (como "ir para o Pai"). A expressão "Glória divina" é comum nas escrituras. especialmente em Ezequiel. alcançadas na idade de 30 anos e após 12 anos de esforços espirituais regulares. da mesma forma como o Apocalipse diz que apenas o Cordeiro é capaz de "abrir o livro selado com de sete selos" (que é o próprio Apocalipse). Estes ciclos divinos e outros devem ser observados pelos sábios que estudam a Merkabah ou o Carro divino. até surgir como um verdadeiro Messias ou um iluminado completo. Os cabalistas da Merkabah levantaram muitos dados relativos aos processos e à natureza divina. É também neste sentido que se diz que a divindade da Merkabah "emerge de mundos desconhecidos através de 955 céus" para assentar-se no Trono da Glória. montando um mosaico complexo que apenas pode ser totalmente desvendado pela própria divindade. a elevação e a complexidade do tema.

nuvem. em termos de fogo (Sol) e água (chuva). que representa tão somente o aspecto mais básico e inferior da Divindade. Metatron assentase no sétimo Hahalot (palácio). "Se Eu manifestasse toda a minha glória e poder diante dos homens. De modo que devemos observar o que segue: 1. Avatar). Podemos definir a Filosofia da Merkabah como a "Ciência do Trono". como no 7x7 (o 7 fica entre o 4 e o 10). Tal conhecimento pode apresentar muita utilidade e vários níveis de aplicação. verdadeira Ciência das Grandezas que constitui tema para as mais elevadas abstrações. Suas revelações ensinam sobre as coisas de Deus. sendo este o arco-íris iniciático que ele centraliza nos símbolos. a Encarnação divina (em sânscrito. de modo que sua atividade conclui na décima etapa (como "prova" adicional. mas seu caminho começa no 4° grau e se extende ao 10° grau. O arco-íris é uma formação luminosa que relaciona os opostos. Os "pés" de Deus são o Nirmanakaya. Como disse Krishna. e todo o sábio verdadeiro deve se deleitar em conhecer as sublimes verdades do Senhor. Num dado nível. ou seja. é também chamado "o Conquistador". 3. Osíris é um "deus negro" (glória oculta) porque pena pelos homens e porque sua energia é sutil. O "valor secreto" de 4 é igual a 10 (ou seja. A soma dos valores dos 7 números que vão de 4 a 10 é igual a 49 (ou seja: 4+5+6+7+8+9+10=49). eles sucumbiriam ante o Meu esplendor. 2. a soma de suas energias mais densas e a face calejada de sua glória. estes elementos pertencentes à Tradição de 5 . 4+6=10)." O fato é que o Nirmanakaya é uma poderosa "represa" de energias. significando que a potencialidade do 4 é a de gerar mais seis elementos. denominado "Carro de Deus" (Merkabah). Tudo isto induz a um conhecimento superior. Cabala e numerologia são ciências gêmeas. A "Ciência do Trono" Existe toda uma Ciência de Tempo-e-Lugar (e a palavra "horo-scopo" remete a esta dualidade) relacionada às circunstâncias em que o Senhor depõe os seus "pés de lótus" na Terra. A soma dos valores dos 4 números que vão de 4 a 7 é igual a 22 (ou seja: 4+5+6+7=22). Apenas se pode olhar o Sol de relance. 1+2+3+4=10). na pesada cruz que o Bodhisatwa carrega pela expiação geral que realiza. Por isto o Arcano VII do Tarô. Trata-se pois do verdadeiro "candelabro" de 7 chamas descrito por Zacarias e João. que é o dos Arcanos Maiores do Tarô (ou o das "pontes" existentes entre as faces de Metatron). Um bodhisatwa possui sete iniciações em seu próprio nível. e uma das melhores formas para isto é através da Ciência da Merkabah.

e que lado ele serve a cada dia da semana? E não é esta a Minha grandeza. e meditam estas questões: Como é o trono da Minha glória. foram capazes de identificar a divindade na sua chegada. se estudaste o Talmud. por qual ponte passam os Ofanim (uma classe de Mestres). quantas pontes se estendem sobre ela. quão imensas são Tuas obras. quantas expressões ele emprega em uma hora. quanto mede o Meu palmo. é dito que um grande sábio realizou a identificação do Buda no seu nascimento. 1972) Os ítens citados neste Midrash podem ser interpretados nos termos das práticas cabalistas da Árvore Sefirótica. Perspectiva. uma para cada mundo. como é o Hashmal (visto por Ezequiel).Sabedoria devem ser conhecidos. de Gershon Scholem. contemplam e observam. pg. e qual os Galgalim (outra classe). em termos simbólicos ou espirituais. Esta tradição advém do Hinduísmo. e quanto medem Meus artelhos. orientados por suas Ciências Sagradas. quantas faces radiantes são visíveis por entre seus ombros. SP. minadas por superstições. Segundo um Midrash. Os "32 sinais de um Buda" são elementos semelhantes e permitiriam identificar com segurança e integridade uma Encarnação divina. das unhas dos Meus pés à risca do Meu cabelo. Ed. e se eu a cruzo. por qual ponte passo eu. não é esta Minha glória e a Minha beleza. e de que lado ele serve. onde trata dos sinais do imperador universal que "move a roda do Dharma" ou Chakravartin. Mas a tradição tibetana dos tulkus representa apenas um pálido reflexo destas realidades. a divindade diria o seguinte aos doutores da Torá no Dia do Juízo: "Meu filho. de que servem seus pés." (citado em A Mística Judaica. Mais do que isto tudo: como permanece o trono da Minha glória. das Encarnações divinas ou dos Avatares. 6 . Existem quatro árvores. e mais que tudo isto: a corrente de fogo sob o trono da Minha glória que é redonda como uma pedra feita de tijolos. que meus filhos conhecem Meu esplendor por estas medidas?' E disto disse Davi: Ó Senhor. e não percebeste o meu esplendor? Porque nenhum dos prazeres que tenho em Minha Criação iguala ao que me é dado quando os sábios assentam-se para estudar o Torá e. e mais do que isso. vendo para além dela. como é o raio celestial. como sou eu. de quanto é a distância entre uma ponte e a seguinte. a simbologia e a métrica sagrada da Mercabah podem ser também designadas como a Ciência dos Tulkus. embora o conjunto dos sinais físicos do Nirmanakaya também deva ser considerado numa identificação hierárquica. Os "Três Reis-Magos" dos Evangelhos foram sábios de Tradição que. porque não estudaste também a Merkabah. reforçando a natureza política da suprema manifestação divina. Estes "nascimentos" devem ser entendidos. sendo porém muitos deles igualmente simbólicos. Por tudo isto a filosofia. No mesmo sentido. antes de tudo. 72. a fim de se compreender o universo de uma verdadeira revelação divina e a partir disto se poder edificar uma cultura superior. de modo que cada um vai até onde lhe cabe.

reafirmando o princípio hermético de que "assim como é em cima é em baixo". e no Zohar as 13 partes do Microcoposopus e as 13 partes do Macrocoposopus mostram bem a correlação entre os ciclos complementares.. de resto. O texto do Midrash sugere que este estudo apresenta um valor superlativo aos olhos de Deus.O Trono mencionado é o esquema geral das Esferas que serve de evolução para o microcosmos. 2 ss. por sua "elevação". o das portas (com nomes das 12 tribos) e o dos alicerces (com nomes dos 12 apóstolos). dos anjos e dos mestres"." No mesmo sentido. em algum nível este conhecimento lhe beneficiará diretamente. 22. talvez. A imagem das muitas "faces radiantes visíveis por entre seus ombros" (Metatron é o "Anjo das Faces"." (Apocalipse. suas quatro portas e rios reproduzem a imagem do paraíso. Ele vos mostrará no andar superior (de uma casa) uma grande sala arrumada com almofadas. de modo que cada face do Microcoposopus olha para um dia diferente.). Isto é semelhante aos dois níveis da Cidade sagrada do Apocalipse. as esferas astrais regem os dias da semana. As pontes que unem os setores das faces são os 32 Caminhos de Sabedoria (como os 32 sinais do Buda). pode ser vista nas 11 cabeças de Chenrezig de Mil-Braços. pois sua natureza ostenta todas as facetas divinas). referente às duas auras dos Budas): "Um homem levando uma bilha d'água virá ao vosso encontro. pois enquanto uma trata das leis manifestadas e do templo externo. associados aos 10 Sephirot e aos 22 Arcanos Maiores do Tarô (a Torá é o contrário de Tarô. a Árvore Sefirótica é o próprio Bodhisatwa. Em Marcos 14. e dizem respeito às divisões da Árvore da Vida (ou a Árvore Sefirótica). Isto não apenas engrandece o homem e a humanidade. pois o Cristo é o "senhor dos homens. Questionaria. 13-15 existe a descrição do local da Santa Ceia alusivo a uma casa de dois pisos que evoca os dois ciclos do Zodíaco.. Senhor da Morte). A "glória redonda como uma pedra feita de tijolos" está representada na aura magnífica dos Budas. manvantara e pralaya (ou samsara e nirvana. a outra trata das leis ocultas e do templo interno). O templo de Ezequiel é uma cosmografia e uma mandala na qual João se inspirou. que corresponde às 11 esferas da Árvore Sefirótica (onde Daath é Yama. o homem necessita conhecer Deus e. As medidas da Jerusalém celeste-Vaikuntha são 12x12. auxiliando na 7 . Temos aqui uma poderosa indicação zodiacal. dando frutos a cada mês. As várias medidas do corpo e dos palmos representam ciclos astrológicos em harmonia e unidade. alguém que. Ofanim e Galgalim representam energias associadas aos pilares opostos de Rigôr (lunar) e Brandura (solar) – o Livro de Enoque é pródigo em angeologia. O "raio celestial" é o Caminho-do-Raio (ou o "Pilar Central") da Árvore Sefirótica. tal saber não oferece maior aspecto prático à humanidade. especialmente onde diz que "no meio da praça. há árvores da vida que frutificam doze vezes. No entanto. Prepara ali a Páscoa para nós.

Nem todos necessitam conhecer toda a casa.consumação dos planos individuais e coletivos. mas o certo é que a ampliação dos direitos segue com o bom cumprimento dos deveres. faxineira. e de relance aurir do raro privilégio da atmosfera de Glória e vislumbrar. recebe a iniciação aquele que sabe cuidar os bens que recebe . No mesmo sentido. Com os registros legados pelos místicos da Merkabah. mas somos dela administradores. se temos algo a ver com o dharma. É preciso conhecer a divindade para se poder identificar e reconhecer a verdade em seus tantos matizes. Conhecer a doutrina da Merkabah é como conhecer a verdadeira 8 .sejam físicos. mas apenas para realizar os seus serviços de cozinha. aquele que é econômico. O cuidado em zelar por aquilo que se recebe demonstra se poder receber mais. e perceber que. dependendo da função. Os serviçais podem conhecer a mansão dos senhores. e nem sempre aquele que abre uma porta mais distante é realmente o último a chegar até o altar: muito depende de como cada um caminha. emocionais ou mentais–. Todas elas têm a sua utilidade. como também fornece um saber essencial diante das perspectivas escatológicas. Existem muitas portas de entrada para o templo. Nem todos poderão ter um contato direto com Deus na sua encarnação. posto que a rigor muitas coisas não nos pertencem. é importante conhecer este Plano de Totalidade. higiênico. mesmo não indo dormir nos aposentos divinos e nem usufruir de todo de suas amplas salas. porque de algum modo estamos todos inseridos nele. mas poderão estudar os registros de Sua chegada e a natureza de seus processos e ciclos. O bom servidor é aquele que se interessa pelo seu serviço e trata de fazer a sua parte sabendo da importância para o bom andamento das coisas –este é o caminho para ele ser recompensado e até promovido. O conhecimento sagrado também possui a amplitude de uma grande mansão. podemos conhecer melhor a personalidade do Messias. As funções podem até evoluir. Enfim. sem ilusões. com tarefas nos seus vários setores. vez por outras as mais elevadas questões. agindo assim. organizado e criativo. alcançando assim maior certeza na hora de acolher as suas doutrinas. jardineiro e um caseiro-geral (ou "mor-domo"). mesmo que estes bens não sejam em princípio dele. se for o caso. mas. isto será mais ou menos necessário. É claro que uma mansão necessita de vários empregados. estamos servindo àqueles que também se comportaram deste modo até chegar àquilo que são hoje. ao menos de cozinheira. é preciso sentido de hierarquia para alcançar isto. limpeza e ordenamento. algumas mais próximas e outras mais distantes do altar. e deste modo se termina por usufruir de muita coisa e até de possuí-las cada vez mais. O verdadeiro servidor –aquele que tem humildade e é sincero no seu amor aos senhores– não se importa com as limitações de seus direitos porque compreende os seus limites pessoais e conhece o seu papel. Naturalmente.

– Porque Ele surgirá nestas circunstâncias e com qual finalidade específica. à parte as iniciações tomadas de forma regular em consonância com o macrocosmos. W. 9 . uma budologia. Kier. Salvi. tal como os ocidentais também desenvolvem a sua cristologia). uma forma de observar o padrãoMerkabah no microcosmos é. Podemos observar que o Budismo também contempla doutrinas esotéricas. as "medidas de Deus" estão associadas aos ciclos divinos. Nicholas Devore menciona as "144 polaridades existentes entre o Sol e a Lua. e isto está refletido no seu horóscopo repleto de harmonia e unidade.1 e 21. Mais que a questões literais. Para as questões avatáricas. – Quando Ele deve se manifestar na Terra a fim de revelar toda a sua glória e esplendor. seja dinamicamente através de suas iniciações. que é um dado "natural" incluído na conjuntura sagrada: Metatron ou Maitreya nasce no exato momento em que os ciclos cósmicos encerram juntos para recomeçarem. A estas questões –quem. – Como ou sob que forma Ele se manifestará aos olhos dos homens. como e por quê– denominase As Cinco Perguntas Perfeitas. Assim. contendo inclusive a análise detalhada deste horóscopo na 8ª edição. de Luís A. porque suas respostas –que podem ser dadas através das Quatro Ciências Sagradas de Agartha– fornecem tudo aquilo que se necessita saber sobre algo. simbolizando todos os novos dharmas (ver matérias sobre Astrologia Divina nas edições anteriores da Revista Órion. e na sua Enciclopédia Astrológica.15-17). 1981). Bs.intimidade do Messias. A palavra "budismo" pode ser entendida de muitas formas. mais algumas destas respostas podem ser encontradas na obra Maitreya – a Luz do Novo Mundo. e é uma forma de penetrar nos mistérios divinos. expressando o máximo de harmonia nesta conjuntura. 48. seja estaticamente através de seus horóscopos –os "sinais no céu" que revelam o Avatar. Tratam-se de ciclos empregados na Merkabah e na Jerusalém celeste ou Vaikuntha. Assim. através do horóscopo natal. uma delas é a busca da iluminação (buddhi). quais energias Ele revelará e quantas Iniciações trará em sua suprema manifestação. quando. e outra é o estudo da natureza dos Budas (ou seja. Aires.. assim como sobre o paraíso de Vaikuntha). onde. é natural que os sábios devam conhecer coisas tão importantes como: – Quem é Ele e quais os signos proféticos que O anunciam na sua Vinda. ele é a própria encarnação da síntese cósmica. No Apocalipse vemos como o Anjo mede o templo e a cidade divina com "medida humana" (Ap 11. – Onde ou em qual região em especial Ele realizará a Sua missão. cuja importância destacara Alan Leo" (pg. Ed. Os número 12 e 42 são os mais presentes.

e nisto temos os novos padrões desta simbologia central de toda a cultura sagrada.. Havia três no oriente e eram tanto mais inamovíveis por estarem uma sobre a outra. Assim que me aproximei dela. na verdade. e três ao sul. Porém todas elas se complementam e revelam uma unidade enriquecedora e coerente. Ezequiel e Enoque.. três do lado do oriente. Lá queimavam.. os Querubin. Perguntei ao arcanjo Miguel o que significavam e ele me disse: – Esta montanha que vês e cuja cabeça levantada iguala em altura ao trono do senhor. sendo uma distinta da outra. sendo igualmente inamovíveis. As pedras de que eram formadas eram belas e cintilantes. cores. Seu pico se elevava até o céu. uma montanha de metal líquido (mercúrio) e finalmente uma montanha de chumbo. três do lado do sul. mas separados uns dos outros. uma montanha de ouro.A Visão dos Profetas Diferentes profetas e videntes deram suas contribuições a distintas visões na construção da filosofia da Merkabah. Vi também o fogo ardente que queimava sobre as montanhas. XXVII e XXIII): ". uma montanha de ferro. Aquelas do lado do oriente se compunham de pedras de diferentes cores. dia e noite. e logo de sete. Esta descrição apresenta muitos pontos em comum com as montanhas de fogo coriscante das visões de Enoque (Capítulos L. como o trono de Deus e era de alabastro e em sua parte superior de safira. movimentos e brilhos metálicos. formas piramidais. As do sul eram de pedras vermelhas. Tais montanhas são. Havia também profundos vales. uma montanha de prata. pérolas e antimônio. E interroguei ao anjo que estava comigo e disse-lhe: . uma montanha de bronze. percebi sete montanhas brilhantes.Que significam essas coisas que acabo de ver? E o anjo respondeu-me: –Todas as coisas que viste referemse ao império do Messias e são uns símbolos de seu reino e de sua potência na terra. além de uma presença como que humana e que seria Metatron. e sua superfície era polida.. será o local em que descansará o Senhor de santidade e de glória. Em Ezequiel (1. . Comparemos duas das principais fontes. 4-28). Lá meus olhos perceberam os segredos do céu e os da terra. brilhavam e coruscavam à vista. tendo como "rodas" quatro seres vivos associados aos Signos fixos do Zodíaco. o Rei eterno.voltei-me para o sul.vi uma montanha de fogo queimando dia e noite.. fui levado por um turbilhão e carregado para o ocidente. . A expressão "reino do 10 .. destacando-se luzes. seis montanhas de pedras preciosas. Tratam-se de visões distintas e de interpretações particulares. que virá e descerá para visitar a terra em sua bondade. No meio se elevava a sétima montanha e todas essas montanhas apareciam ao longe como tronos majestosos e eram coroadas por árvores odoríferas." Observamos que neste texto as "montanhas" são inicialmente apresentadas em número de seis. a Merkabah é vista como um carro de vidro e fogo.

Aziah e Atziluth. copa. Com efeito. aquilo que hoje pertence ao domínio do saber secreto será do conhecimento universal na era messiânica. as montanhas reluzentes vistas por Enoque. Neste caso. de um lado. Em As Grandes Correntes da Mística Judaica (Cap. também. ouro e espada). constituem a imagem da Pirâmide divina da Cúpula de Cristal atrelada sobre as quatro novas pirâmides raciais. cuja natureza será precisamente a Revelação. assim como os quatro seres vivos (que a rigor reproduzem as formas das esfinges). o Midrasch Takhuna) Este fato se deve. aos Arcanos Maiores. o Eleito sentar-se-á no seu Trono. aberto por Maitreya-Metatron. como demonstra O Livro de Enoque (Caps. numa expressão de suma autoridade. onde o fator-conhecimento adquire uma importância especial. assim como as quatro Pirâmides da base do Trono. relacionando-se. os cristãos Corpo crístico. tal como demonstram hoje as novas grandes Tradições de Sabedoria da Cúpula de Cristal. Gershom Scholem confirma: "Segundo os místicos da corrente da Merkabah. o Chenrezig de Mil-Braços. cada qual com seu metal peculiar. e todos os segredos da sabedoria e da inteligência escapar-se-ão de sua boca. do trono e da glória divina que todos os grandes profetas buscaram e que agora é revelada ao mundo no final dos tempos. existem quatro décadas de naipes nos Arcanos Menores do Tarô (paus. na Idade do Espírito Santo Muitas profecias afirmam que o conhecimento-total será revelado no final deste mundo. as quatro tríades da Árvore da Vida formam uma pirâmide. é a visão da totalidade do mundo de Deus. forças elementares expressas através das Raças sagradas. A Difusão da Luz. pois o 11 . A cúpula cristalina da visão de Ezequiel é também uma pirâmide. a nível de Humanidade. e a filosofia do Merkabah confirma isto. O carro de cristal da visão é Maha-Vishnu. os budistas Vajrakaya (Corpo Adamantino). havendo quatro Árvores associadas aos Quatro Mundos ou Emanações da Cabala: Briah.Messias" da explicação da visão. (cf. posto que estamos abrindo a Sexta-raça-Raiz -são as "potências" do Messias. mas também à chegada do novo ciclo cósmico -a 5ª Ronda planetária-. Por isto. as pirâmides surgem como símbolos raciais. a Árvore da Vida ou o Corpo Causal que os alquimistas denominam Vitríolo. ou seja. Isto implica. por sua vez. São estas as Árvores do Paraíso que Enoch vê junto ao Trono e no seu entorno. em especial. que é em si o Grande Protótipo e a Quintessência. confere também uma dimensão de mesocosmos. De fato. A Pirâmide da Cúpula de Cristal. e Tetralucis. à Idade do Espírito Santo. Yetzirah. 47 e 49): "Nesses dias. O Trono e a Glória que nele repousam 'serão revelados então a todos os habitantes do mundo'". 2). a nível de Hierarquia.

ainda a chegada do Mestre dos mestres. pois ele é poderoso em todos os mistérios da justiça. formulando um saber realmente fecundo e universal. A autoridade espiritual e moral é necessária para organizar o mundo e restituir a face sagrada da vida. *Revista Órion de Ciência Astronômica. Nestes momentos torna-se imprescindível a presença de uma autoridade absoluta perante a qual já ninguém possa argüir ou debater. Alegre 12 . E uma das bases desta revelação divina está na doutrina da Merkabah. P. segundo sua vontade. ilumina e abrange. É a única forma de ordenar a Babel hoje existente e unificar o mundo. cabendo. harmonizando e purificando as coisas." Vivemos numa época de muitos profetas. especialmente na forma da nova tradição da Cúpula de Cristal entrevista pelos profetas de Deus. o espírito daqueles que dormem na justiça.Senhor dos espíritos dotou-o de uma glória eterna. Com ele habita o espírito da sabedoria e da inteligência. porque ela a tudo conhece. pois o Eleito está diante da face do senhor dos espíritos. o espírito do saber e da potência. falsos ou não. A Sabedoria se escoa como água e a glória diante dele é inefável pelos séculos dos séculos. porém. FEEU. nº 9. Ninguém pode pronunciar um único nome diante dele. ele julga e discerne as coisas mais ocultas.

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