Artigo Original

Influência do Treinamento na Evolução da Diálise Peritoneal Influence of Training on the Progression of Peritoneal Dialysis
Rita de Cassia Abreu1, Estela Regina Pacheco Pereira1, Daniela Ponce Gabriel2, Carlos Antonio Caramori3, Pasqual Barretti2, Jacqueline Costa Teixeira Caramori2
1 Divisão de Enfermagem do Hospital das Clínicas; 2 Disciplina de Nefrologia; 3 Disciplina da Gastroenterologia do Departamento de Clínica Médica.

Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, São Paulo - Brasil.

RESUMO
Objetivo: Conhecer a influência do cuidador no treinamento da diálise peritoneal (DP) e no tempo livre de peritonite. Método: Estudo retrospectivo com 38 pacientes prevalentes, atendidos na Diálise Ambulatorial do Hospital das Clínicas/Botucatu, que receberam treinamento para DP pela mesma enfermeira. Avaliaram-se: 1) o responsável pela técnica de diálise (paciente ou cuidador); 2) o treinamento (tempo dispensado e desempenho atingido); 3) o tempo livre de peritonite. Foram realizadas regressão logística e análise de sobrevivência por Kaplan-Meyer. Resultado: A DP foi realizada por um cuidador em 71% (N=27) dos pacientes. Dos diabéticos, 89% (N=16) necessitavam de cuidador e 11% (N=2) realizaram o próprio tratamento (p<0,05); quanto à idade, 26% (N=10) apresentavam mais de 65 anos e, destes, 90% (N=9) tinham o cuidador para DP (p=0,05); dos pacientes provenientes de outras localidades (N=23), 74% (N=17) necessitavam do cuidador (p=0,07). O treinamento foi concluído no tempo médio por 71% (N=27), e 79% (N=30) obtiveram desempenho bom, sem diferenças quanto ao responsável pela técnica. A probabilidade de permanecer livre de peritonite no primeiro ano de tratamento foi maior quando o cuidador realizava a DP, sendo 54% para o paciente e 78% para o cuidador (p<0,05). Conclusão: Pacientes com mais de 65 anos e diabéticos necessitaram de cuidador na diálise. No treinamento, tempo dispensado e desempenho atingido não diferiram quanto ao responsável pela técnica. O tempo livre de peritonite foi maior para os pacientes em que a diálise foi realizada por cuidador. O responsável pela diálise (paciente ou cuidador) pode influenciar na evolução da DP. Descritores: Diálise peritoneal. Educação. Enfermagem. Peritonite.

ABSTRACT
Objective: To evaluate the influence of the caretaker on the training time of peritoneal dialysis (PD) and peritonitis-free time. Method: Retrospective medical record review of 38 patients receiving PD training from the same nurse at the Dialysis Unit of Botucatu Medical School Hospital. Assessment included: 1) home PD provider (patient or caretaker); 2) training (length and performance achieved); 3) peritonitis-free time. Result: In 71% (N=27) of the cases, PD was performed by a caretaker. Among diabetic patients, 89% (N=16) were supported by a caretaker, and 11 % (N=2) performed their own dialysis (p=0.03); 26% (N=10) were over 65 years of age, with 90% (N=10) of them having a PD caretaker (p=0.05). Among patients from other areas (N=23), 74% (N=17) were supported by a PD caretaker (p=0.07). Training was concluded after the mean time by 71% (N=27) and a good performance level was achieved in 79% (N=30) of the cases with no difference between provider type. The probability of the patient remaining peritonitis-free over the first year was higher when PD was performed by a caretaker (patient= 54%; caretaker = 78%; p<0.05). Conclusion: The presence of caretakers was more frequent among the patients who were over 65 years of age or diabetic. With respect to training, length of time and performance did not differ according to the person responsible for technique. Peritonitis-free time was longer among patients supported by caretakers. The PD provider (patient or caretaker) may influence PD results. Keywords: Peritoneal dialysis. Education. Nursing. Peritonitis.

Recebido em 18/12/07 / Aprovado em 10/04/08
Endereço para correspondência: Jacqueline Teixeira Caramori Nefrologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu Unesp, São Paulo, Brasil E-mail: jteixeir@fmb.unesp.br

não). doença renal de base (nefropatia diabética. As explanações e retornos foram realizados individualmente. lavagem das mãos. a DP é uma alternativa de tratamento. que padronizam: nível superior (graduado). na mudança de técnica para DP automatizada ou HD. Apesar da alta prevalência (90%) na modalidade hemodiálise (HD)1. Disponibilizado o material para treinamento no domicílio. déficit motor e/ou visual ou outros). do agendamento de retornos e registros da enfermagem. A DP pode ser indicada como tratamento de escolha para todos os pacientes com doença renal crônica (DRC). Neste estudo.DM (presente. Reconhecida no Brasil como terapia renal substitutiva (TRS) desde 1983. Responsável pela execução da técnica no domicílio. materiais e sociais3. que não possuem acesso vascular ou que apresentam condições de risco para HD3. Nesta etapa. gênero. A divulgação de métodos e resultados sobre treinamentos em DP tem fornecido subsídios para padronização. Material para simulação e reprodução da técnica. componentes do sistema (cateter. uso de máscara.127 INTRODUÇÃO No Brasil. O treinamento é um dos determinantes para o sucesso da terapia. selecionados da população de 43 pacientes prevalentes tratados na Diálise do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu. continua sendo a principal causa de fracasso da técnica10-14. Os resultados clínicos e a manutenção dos pacientes em DP têm sido desafiados pela peritonite. já que ainda não há consenso sobre a melhor forma de treinar e avaliar os pacientes e/ou seus cuidadores15. exceto em situações em que há comprometimento da cavidade peritoneal. MÉTODOS Trata-se de estudo retrospectivo com 38 pacientes em DP. diabete melito . Os dados foram coletados a partir dos prontuários de pacientes.5-9. foi entregue um material de simulação que se constituiu em: roteiro com a descrição passo a passo da técnica.9. pacientes que residem distantes dos centros de diálise. aspectos da DP (anatomia da cavidade peritoneal. atividade profissional (ativo. havendo censura quando o tempo de tratamento foi inferior a esse período. que. preferências do paciente e familiares e a disponibilidade de recursos humanos. segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia. não). A enfermeira treinadora consultou o paciente sobre a possibilidade de ser o autocuidador e. instalação estéril do sistema. Na escolha do método. devem ser considerados fatores clínicos. indeterminada. médio. número de pacientes em DP no centro. nefroesclerose. Cenário. com a possibilidade de realização no domicílio. tempo e nível de formação do profissional responsável estão entre os aspectos que podem ser relacionados com a evolução da terapia15. ausente). no entanto os diferentes sistemas não foram avaliados. 73 mil pessoas estão sendo tratadas por diálise1. princípios). A pessoa em treinamento recebeu explicação teórica sobre a DRC (causas e complicações). O tempo para explanação não excedeu a três horas e foi realizado em um período do dia (manhã ou tarde). detalhando sobre limpeza do ambiente. seguimento ambulatorial prévio (sim. infusão e drenagem de líquido da cavidade peritoneal. e tornou-se a melhor opção para crianças pequenas. conexões e bolsas de diálise) e complicações (clínicas. Centros de diálise têm buscado meios de prevenir ou minimizar as complicações na TRS e de melhorar a qualidade de vida e sobrevida da técnica e do paciente em diálise. controle do líquido drenado e reconhecimento de complicações. presença de cônjuge (sim.16. foi necessária a escolha de outra pessoa para executar a técnica. As características epidemiológicas avaliadas foram: idade. A decisão sobre o cuidador foi feita pelo paciente e familiar e teve consentimento da enfermeira treinadora. local e tempo de treinamento. como recusa e/ou limitações clínicas do paciente (alterações mentais. Conceitos e apresentação da técnica. bolsa de diálise. contribuir para o conhecimento de práticas que possam aumentar o sucesso da DP como terapia dialítica. os interessados foram orientados a praticar a técnica e anotar suas dúvidas. outras). glomerulopatia. a enfermeira treinadora demonstrou como executar a técnica. superior). A classificação para escolaridade foi feita conforme as diretrizes nacionais do ensino brasileiro. as pesquisas mostram resultados semelhantes aos obtidos com a diálise peritoneal (DP) no tocante à qualidade de vida e sobrevida dos pacientes2-4. quando houve impedimentos que poderiam dificultar o tratamento. Caracterização do perfil do paciente.30(2):126-31 .16. Alguns fatores como ambiente. J Bras Nefrol 2008. com isso. mecânicas e infecciosas). avental com simulador de cavidade peritoneal e pinças plásticas. cidade de procedência (Botucatu ou outra). nefrite túbulo-intersticial. nível de escolaridade (fundamental. Este estudo tem como objetivo conhecer a relação entre alguns aspectos do treinamento e o tempo livre de peritonite e. apesar da redução da incidência. Foram excluídos pacientes com informações incompletas sobre o treinamento e aqueles treinados primariamente para DP automatizada. inativo). Todas as fases do treinamento foram realizadas pela mesma enfermeira e executadas na sala de treinamento da DP. sendo a relação de um enfermeiro para cada indivíduo em treinamento. foram apreciados os dados de treinamento para DP manual de dois laboratórios (Baxter® e Fresenius®).5. A pesquisa recebeu parecer favorável do Comitê de Ética Médica em Pesquisa da instituição. transplante renal. sendo fundamental na prevenção da peritonite10-12. recuperação de função renal ou óbito. A evolução do tratamento em 12 meses foi observada com atenção para a ocorrência de peritonite. preparo do material. nível médio (9-11 anos de estudo) e nível fundamental (1-8 anos de estudo). Na etapa seguinte.

houve a reorientação e agendamento de novo retorno no intervalo de dois a sete dias. sendo bom – reprodução totalmente correta. desempenho e tempo dispensado) foram realizadas pelo estimador de Kaplan-Meyer. 74% possuíam cônjuge. regular – reprodução parcialmente correta. Critérios de avaliação do treinamento. Se. No critério tempo dispensado. no nível fundamental. 71% (N=27) necessitaram do cuidador. houve a relação entre os aspectos do treinamento com o tempo livre de peritonite no primeiro ano de tratamento. 60% estavam em seguimento ambulatorial antes de iniciar o tratamento e 40% residiam na cidade onde se localiza o centro de diálise.128 Treinamento em Diálise Peritoneal No intervalo de dois a sete dias. hipotensão arterial e diminuição da drenagem do efluente. Se a reprodução estivesse correta. Os dados referentes aos episódios de peritonite foram obtidos através da consulta de prontuário dos pacientes. Comparações entre as variáveis epidemiológicas foram realizadas com o teste qui-quadrado ou exato de Fisher. 11% (N=2) foram responsáveis por realizar a técnica e 89% (N=16) tiveram um cuidador (p<0. como a dor abdominal. Regressão logística foi realizada para avaliar a influência das variáveis epidemiológicas do paciente na variável dependente responsável pela técnica (paciente ou cuidador). responsável pela seleção desta população. enquanto que. Análise estatística. e das variáveis do treinamento sobre variável dependente tempo livre de peritonite. Tempo livre para a ocorrência de peritonite. vômito. em 29% (N=11) da amostra. observou-se o número de retornos necessário para que o paciente ou cuidador em treinamento fizesse a reprodução correta da técnica. com média de idade de 55±19 anos (21-85 anos).05. A etiologia da DRC predominante foi a nefropatia diabética. ruim – reprodução incorreta. foi agendado o retorno ao centro de diálise para a reprodução da técnica e avaliação pela enfermeira treinadora. 53% eram ativos profissionalmente. No caso de ocorrência de falhas. falha com risco de contaminação para o paciente. Considerando que a ocorrência desta infecção no período inicial da DP possa ter sido decorrente da execução incorreta da técnica. após a avaliação de três a cinco retornos com reorientação em cada um deles. havia liberação para o início do tratamento no domicílio.30(2):126-31 . O diagnóstico de peritonite foi realizado na presença do efluente peritoneal turvo. A presença do cuidador foi observada em 90% (N=9) dos pacientes com mais de Tabela 1. foi o paciente que realizou a técnica. 58% eram homens. sugeria-se a substituição do cuidador ou a impossibilidade do método dialítico.05). 68% com escolaridade J Bras Nefrol 2008. Foram considerados valores significantes quando p≤0. não houvesse progresso no entendimento ou habilidade do indivíduo. médio – dois retornos. Quanto ao responsável por executar a técnica de DP no domicílio. Análises de sobrevivência para aspectos do treinamento (responsável pela técnica. febre. associado à celularidade do líquido com mais de 100 leucócitos/mm3 com predomínio de polimorfonucleares. O tempo médio em DP foi de 20±16 meses (1-61 meses). utilizou-se o programa SPSS versão 12.0. Para conceituar o desempenho atingido. Dos pacientes diabéticos (N=18). Os dados referentes ao treinamento (tempo dispensado e desempenho atingido) foram obtidos por observação da enfermeira treinadora. com falha sem risco de contaminação para o paciente. Características epidemiológicas dos pacientes com doença renal crônica submetidos ao treinamento para realização de diálise peritoneal domiciliar (N=38). sendo definido como mínimo – um retorno. Foram avaliados dois aspectos do treinamento: tempo dispensado e desempenho atingido. podendo ou não se acompanhar de outros sinais e sintomas. máximo – três a cinco retornos. estão apresentadas as características da população estudada. Características Idade Menos de 35 anos Entre 35 e 65 anos Mais de 65 anos Gênero Masculino Feminino Estado Civil Solteiro (a) Casado (a) Viúvo (a) Atividade Profissional Ativo Inativo Cidade de Procedência Botucatu Outra Diabete melito Sim Não Escolaridade Analfabeto Fundamental incompleto Fundamental completo Médio incompleto Médio completo Superior completo Doença Renal de Base Nefropatia Diabética Nefroesclerose Glomerulopatia Túbulo-intersticial Indeterminada Outras Tempo em diálise (meses) < 12 12-36 >36 n 7 21 10 22 16 7 28 3 20 18 15 23 18 20 4 22 4 1 6 1 13 6 6 4 7 1 14 19 5 % 19 55 26 58 42 18 74 8 53 47 40 60 47 53 10 58 10 3 16 3 35 16 16 11 19 3 37 50 13 RESULTADOS Na tabela 1. avaliou-se a qualidade da reprodução da técnica. com comparação entre as curvas pelo teste Log-Rank e Breslow.

12 descreveram melhores resultados para a DP quando o treinamento realizou-se no domicílio do paciente.reprodução totalmente correta.05). porém. máximo . que referiram a alta incidência de pacientes em DP que residiam distantes do centro de diálise.17. foi de 54% e. o desempenho regular no tempo médio foi obtido por 9% (n=1) dos pacientes e 11% (n=3) dos cuidadores.reprodução parcialmente correta. Nenhum indivíduo em treinamento realizou a técnica totalmente correta em apenas um retorno.30(2):126-31 . quando pelo cuidador. Nossa rotina se compara à dos centros de diálise que realizam o treinamento em uma sala reservada dentro da unidade e sugerimos que uma estratégia possível para obter melhores resultados em treinamento seria iniciá-lo precocemente. e 60% da nossa população em DP reside em outro município.129 65 anos (p=0. de acordo com o responsável pela realização da técnica de diálise peritoneal (n=38. Características do Treinamento Desempenho Bom Tempo Tempo Médio Máximo 7 16 30 (79) 1 6 Desempenho Regular Tempo Tempo Médio Máximo 1 3 8 (21) 2 2 Total n (%) Responsável pela técnica Paciente Cuidador Total n (%) 11 (29) 27 (71) 38 (100) Desempenho: bom . DISCUSSÃO Quando a DP é escolhida como TRS. assim como em 74% (N=17) dos pacientes que residiam em outra localidade (p=0.07). em um país de grande extensão Figura 1. Experiência semelhante também é citada por Miskulin et al. observa-se que a probabilidade de permanecer livre de peritonite está associada ao responsável pela execução da técnica. acompanhando a evolução da DRC no período de seguimento ambulatorial. quando realizada pelo paciente. o desempenho atingido foi bom em 79% (N=30) e regular em 21% (N=8). considerando o responsável pela técnica. o tempo para conclusão foi médio em 71% (N=27) e máximo em 29% (N=11).três-cinco retornos. territorial como o Brasil. Na figura 1. Treinamento concluído no tempo médio obteve desempenho bom em 64% (N=7) quando desenvolvido por pacientes e 59% (N=16) por cuidadores. Probabilidade de permanecer livre de peritonite em 12 meses. Na avaliação do treinamento. Nosso centro de diálise em um hospital-escola atende a região central do Estado de São Paulo. regular . não mostrou diferenças.05). há dificuldades para a implantação desta rotina devido à escassez de recursos humanos e materiais. Bender et al. As demais características epidemiológicas dos pacientes não indicaram diferença quanto ao responsável pela técnica no domicílio. o treinamento para a realização da técnica no domicílio torna-se um importante objeto de aproximação entre o paciente e familiar com a equipe do centro de diálise. Os resultados do treinamento realizado por paciente e cuidador estão expressos na tabela 2. A análise. Desempenho na realização do procedimento de troca dos indivíduos submetidos a treinamento para diálise peritoneal domiciliar (n=38). de 78% aos 12 meses de tratamento (p<0. Os parâmetros de avaliação do treinamento (tempo dispensado e desempenho atingido) não mostraram influência sobre o tempo livre de peritonite no primeiro ano de tratamento. J Bras Nefrol 2008. Tabela 2. Estudos discutem essa fase inicial do tratamento como período fundamental para sua evolução6-7. Tempo: médio . que.até dois retornos.

No entanto.19. torná-los capazes de reconhecer e corrigir suas falhas e de medir constantemente taxas de peritonite. Guerra EMM. No primeiro ano de tratamento. os enfermeiros (52%) são mais freqüentemente preparados por um grupo de profissionais com experiência em diálise. em média. Observou-se que 71% (N=27) dos pacientes necessitaram de cuidador. o treinamento foi concluído no tempo médio e o desempenho foi bom. D’Ávila R.21:13-21 J Bras Nefrol 2008. explicitamente. menor a probabilidade de peritonite. Segundo Golper6. 65% da população com 25 anos ou mais têm até oito anos de escolaridade18. tendo sido o tempo livre de peritonite maior para os pacientes que tinham um cuidador. maior qualidade à assistência16. referiram que programas de treinamento têm resultados diferentes conforme o tamanho da população: quanto maior o número de pacientes. predominantemente. os fatores que levaram a essa opção.15 não encontraram influência do tempo de treinamento nas taxas de peritonite quando avaliaram 215 clínicas de seis países. mas não houve diferença quanto ao tempo dispensado e desempenho atingido. deveriam receber o ensino voltado para praticar a técnica e não a memorizar.05). À equipe multiprofissional da Diálise do HC da FMB.05). Em conclusão. Possivelmente a comunicação e a habilidade para incentivar o autocuidado de pacientes tenham destacado o profissional para realizar a seleção e treinamento em DP.16. saída da técnica e óbito16 como forma de avaliação do programa de treinamento. nesse estudo.16 sugeriram o treinamento específico para pacientes diabéticos. por meio de avaliações e diretrizes. ocorre após a inserção do cateter de diálise peritoneal e. Sociedade Brasileira de Nefrologia.11 referiram que programas com excesso de pacientes podem resultar em tempo de treinamento curto e dificuldade para o retreinamento. Bernardini et al. independentemente do responsável pela técnica. Almeida FA. sendo o auto-aprendizado uma condição rara (4%). Fernandes FA. Segundo recomendações recentes. desenvolver processos que avaliem as necessidades individuais de retreinamento tem sido sugerido nos episódios de peritonite recorrente e após um período longo de internação para pacientes em DP12. AGRADECIMENTOS Ao incentivo da Enfermeira Ana Figueiredo (PUC-RS) na publicação desta pesquisa. Subseqüentemente.19. sem impacto do tempo dispensado e do desempenho atingido no treinamento. com particularidades até então não documentadas: no Brasil. Ao Grupo de Apoio à Pesquisa (GAP) pela assessoria estatística. a análise da escolaridade não apresentou diferença no resultado do treinamento para DP e não influenciou no tempo livre de peritonite. A Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia (SOBEN) e a ISPD são entidades especializadas que direcionam as atividades dos enfermeiros que atuam na especialidade com o intuito de promover. o treinamento tem. J Bras Nefrol. Luis Cuadrado Martin e às supervisoras Marisa Lourençon. que. Bernardini et al. Na maioria. Em nossa casuística.130 Treinamento em Diálise Peritoneal No Brasil. devido às suas limitações. houve maior número de cuidadores quando os pacientes eram idosos (p=0. Holloway et al. é realizado nos centros de diálise (90%)15. Cadaval RAM. REFERÊNCIAS 1. Raquel Calixto e Adriana Barbosa. os pacientes idosos e diabéticos necessitaram de cuidador para manter seu tratamento dialítico no domicílio. neste estudo. Em uma pesquisa multicêntrica sobre programas de treinamento em DP.br/Censo/ 2007/SBN_Censo_Dialise_2007. o treinamento deve considerar a dificuldade de aprendizagem em alguns indivíduos.05) e diabéticos (p<0. Holloway et al. Nesta série. programas educacionais/ treinamento contribuem para melhor qualidade do tratamento.doc 2.sbn.org. 29% dos pacientes haviam apresentado peritonite. independente da escolaridade dos pacientes. centros foram selecionados pelo comitê de enfermeiros da International Society for Peritoneal Dialysis (ISPD) com resultados relevantes da América do Sul. Laudilene Marinho. responsabilidade do enfermeiro. Sobrevida de pacientes renais crônicos em diálise peritoneal e hemodiálise. ao longo dos anos.30(2):126-31 . um tempo total de 20 horas. Censo 2006 [acesso em 17 fev 2008]. aos Professores André Balbi. Disponível em: http://www. além disso. mas poucos estudos avaliam as características do enfermeiro em relação aos resultados do treinamento e a proporção entre o número de treinador-treinado16. Rodrigues CIS.11 associaram menor ocorrência de peritonite com tempo de treinamento mais prolongado. Este fato pode estar relacionado às condições limitantes desta população como déficits da acuidade visual. motores e cognitivos5. Sabe-se que a atividade de treinamento em DP tornou-se. mas não foram avaliados. 1999. a probabilidade de permanecer livre de peritonite foi maior quando a DP foi realizada pelo cuidador (p<0. o que é visto em 78% (N=30) de nossos pacientes. No entanto. inclusive do Brasil.

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