Educação Infantil 1.

INTRODUÇÃO O brincar é sem dúvida um meio pelo qual os seres humanos e os animais exploram uma variedade de experiências em diferentes situações, para diversos propósitos. Considerem, por exemplo, quando uma pessoa adquire um novo equipamento, tal como uma máquina de lavar ± a maioria dos adultos vai dispensar a formalidade de ler o manual de ponta a ponta e preferir ³brincar´ com os controles e funções. Através deste meio, os indivíduos chegam a um acordo sobre as inovações e se familiarizam com objetos e materiais: nas descrições do brincar infantil isso é frequentemente classificado como um brincar ³funcional´. Esta experiência ³prática´ de uma situação real com um propósito real para o suposto ³brincador´, normalmente é seguida pela imediata aprendizagem das faceta da nova s máquina, reforçada subsequentemente por uma consulta ao manual e consolidada pela prática. A semelhança deste processo com uma forma idealizada de aprendizagem para as crianças pequenas é inevitável. Mas será que o brincar é verdadeiramente valorizado por aqueles envolvidos na educação e na criação das crianças pequenas? Com que freqüência o brincar e a escolha dos materiais lúdicos são reservados como uma atividade para depois de as crianças terminarem o ³trabalho´, reduzindo assim tanto seu impacto quanto seu efeito sobre o desenvolvimento da criança. Quantas crianças chegam à escola maternal incapazes de envolver se no brincar, em virtude de uma educação passiva que via o brincar como uma atividade barulhenta, desorganizada e desnecessária? O brincar em situações educacionais, proporciona não só um meio real de aprendizagem como permite também que adultos perceptivos e competentes aprendam sobre as crianças e suas necessidades. No contexto escolar isso significa professores capazes de compreender onde as crianças ³estão´ em sua aprendizagem e desenvolvimento geral, o que, por sua vez, dá aos educadores o ponto de partida para promover novas aprendizagens nos domínios cognitivos e afetivos. Este trabalho não cria mais uma definição de brincar. Em vez disso, tentamos desafiar as concepções daquilo que o brincar pode e deve proporcionar aos jovens aprendizes no contexto escolar. Isso é vital em um clima educacional baseado em temas e em um currículo competitivo que pode relegar o brincar ao último degrau de qualquer escala de importância. Os adultos precisarão de força, de conhecimento e de argumentos cuidadosamente concebidos sobre a filosofia e a prática do brincar, a fim de manter sua posição vital na educação infantil. A ênfase está nas crianças de quatro a oito anos, cujo brincar é uma parte tão essencial do desenvolvimento e da aprendizagem social e intelectual. As palavras de Kami (1977) parecem resumir perfeitamente este aspecto dentro desta faixa etária. Ele enfatiza, no brincar, a criança opera objetos, estes possuindo significado ela opera com os significados das palavras que substituem o objeto; portanto, no brincar, a palavra se emancipa do objeto. Muitos adultos valorizam o brincar da boca para fora. Este trabalho embora centrado principalmente nos educadores da infância inicial, tem o objeto de ajudar professores, auxiliares de creche, pais e todos aqueles que influenciam as vidas das crianças e ajudam a perceber como brincar pode ser verdadeiramente utilizado para o desenvolvimento e a aprendizagem durante toda a vida. 2. DESEMARANHANDO O MISTÉRIO DO BRINCAR Por mais louvável que seja tentar definir o brincar, isso pode sugerir uma abordagem quantificável que, raramente acontece. Embora aceitando quase instintivamente o valor do brincar, é difícil para os professores envolvidos na organização cotidiana da aprendizagem infantil extrair algo com substância pragmática e teórica suficiente sobre o qual basear seus julgamentos e oferecimento de aprendizagem. Existem amplas evidências desta dificuldade nas escolas de educação infantil e de ensino fundamental onde o ³brincar´ é frequentemente relegado a atividades, brinquedos e jogos que as crianças podem escolher depois de terminarem seu trabalho. A dicotomia para os professores é muito real: por um lado, a implicação é de que as crianças aprendem muito pouco sem a direção dos professores, e, por outro, o brincar auto-iniciado pela criança é defendido como proporcionador de um melhor contexto de aprendizagem. Isso serve para salientar as muitas complexidades do papel do educador infantil. O tempo gasto brincando com as crianças é menor do que, por exemplo, ouvindo a leitura de cada uma, e vice-versa. Também existe a dificuldade, salientada por------- de que os próprios adultos na verdade acham muito insatisfatório e até frustrante brincar com as crianças. 3. PORQUE BRINCAR

e vice versa. de lúdico para sério. parece que o brincar pode e ocorre no contexto de resolver conflitos e ansiedades. é improvável que as crianças consigam se expressar. Ela não está tentando ser aquela bailarina e ainda está firmemente posicionada no mundo da infância. de forma tão competente. se não for assustadora provavelmente . Pois embora as qualidades sociais do brincar sejam as que recebem supremacia quando pensamos sobre o conceito. O BRINCAR E A APRENDIZAGEM O principal problema quando tentamos discutir o brincar e a aprendizagem é que a primeira tarefa difícil. Um aspecto importante é que este tipo de brincar exploratório. ela se examina em uma outra aparência. 88). só será uma preliminar do brincar se a pessoa fizer caligrafia ou pintar apenas como passatempo. atrairá primeiro a atenção for investigado é que ele poderá ser tratado mais levemente e ser divertido´. o interesse. mas com uma pose e agilidade que aumentam rapidamente. O brincar é. Entretanto. ou não. expressões: ela realmente sente como é estar vestida com um tecido armado como o tule. representando apenas eventos salientes em uma seqüência de ações. provavelmente estimulada também por vários fatores como a brilhante cor cereja do tecido e o contraste branco-creme do tule. consistente e aberta como fazem em casa. a princípio. que segundo Kishimoto (1994) é uma preliminar do brincar real. concentração. O mais importante é que isso pode. a forma diferente de seu corpo com esta roupa especial. as texturas contrastantes. seja qual for a ³categoria´ ou o nível de atividade envolvida. Mas o brincar também pode proporcionar uma fuga. tem a vantagem de proporcionar alegria e divertimento. como uma repetição consciente ou inconsciente de um desenho previamente encontrado ou variações sobre um tema. maneirismos. o que fica evidente pela melodia infantil que está cantarolando. Para Oliveira (2000) dizem também que as crianças ocupadas com uma atividade raramente conseguem participar de conversas intelectualmente desafiadoras. gestos. Isso pode ou não ter um propósito. Poucos negariam que o brincar. pintor amador ou calígrafo. ficar óbvio para um observador. as vantagens do brincar ficam mais aparentes.A criança pequena que assume o papel da bailarina está experimentando como é adotar o papel de outra pessoa. segundo Oliveira (2000). Através do espelho. e é possível que adultos e crianças mudem dentro de uma mesma situação. as propriedades que elas oferecem e as diferentes qualidades e posturas físicas que inspiram. Kishimoto (1994). Especialmente na escola. 4. Os professores encontram outros problemas quando tentam avaliar o que a criança realmente esta aprendendo a partir do comportamento de brincar exibido. é isenta de constrangimento e permite ao participante uma interação significativa com o meio ambiente. porque sua atenção esta dirigida para a tarefa. como eles podem saber que ensino e aprendizagem são necessários. tal como o de artista gráfico. não é ameaçadora. hesitantes e desajeitadamente. Sobre este tipo de brincar. Os professores precisam inferir. Almeida (2004) chega ao ponto de dizer que o brincar ³desenvolve a criatividade. Isso se aplica igualmente às crianças no turbilhão de atividades na escola e em casa. Ao fazer piruetas está explorando suas próprias capacidades físicas. Se acrescentarmos a isso a oportunidade de ser parte de uma experiência que. qual esta sendo sua provável aprendizagem. Qualquer coisa pode ser realizada de maneira lúdica. Kami afirma: ³Algumas encenações de papéis são esquemáticas. O adulto que rabisca está explorando o meio disponível de maneiras previamente não -descobertas. e às vezes simplesmente como relaxamento ou como uma oportunidade de solidão muitas vezes negada aos adultos e às crianças no ambiente atarefado do cotidiano. em todas as suas formas. às vezes das pressões da realidade. considere esta afirmação de Kami (1991). devido a constrangimentos temporais e interpessoais. A estimulação. embora possivelmente exigente. a competência intelectual. (1991. motivação aparente. a força e a estabilidade emocionais. a partir de suas atitudes externas. a concentração e a motivação são igualmente proporcionados pela situação lúdica. o que é aparentemente contraditório. conforme sugerido por Wajskop (1995) é a de distinguir entre o brincar e os comportamentos de brincar. expressões faciais. Inversamente. Ela imita movimentos. ocasionalmente para aliviar o aborrecimento. de outra maneira. e como ela ³se ajusta´ ao quadro apresentando pela imagem no espelho. e assim por diante. ³uma nova experiência. o processo quanto modo: como as crianças e os adultos consideram certos objetos ou eventos indica se eles estão ou não agindo de maneira lúdica. ele é e deve ser aceito como algo privado e interno para o indivíduo quando esta for a sua escolha. dependendo do adulto específico e do papel ao qual ele normalmente está associado. a variedade. portanto. A maioria das encenações é claramente criada a partir de conceitos de comportamentos apropriados e muito provavelmente não é uma imitação direta de pessoas´. e sentimentos de alegria e prazer: o hábito de ser feliz´. diz sobre a análise do nosso próprio brincar: .

52). compreensões e incompreensões da criança se apresenta nos momentos mais re laxados do brincar livre. enriquecer e manifestar sua aprendizagem. sentir. NECESSIDADES DE APRENDIZAGEM E O PAPEL DO PROFESSOR As crianças pequenas geralmente apresentam todas estas características e outras. o papel mais importante do professor é de longe aquele assumido na terceira parte do ciclo do brincar. De adquirir novos conhecimentos. as crianças provavelmente serão capazes de aumentar. dominar. livres do constrangimento do ensino ou da aprendizagem explícita. Parte da tarefa do professor é proporcionar situações de brincar livre e dirigido que tentem atender às necessidades de aprendizagem das crianças e. ampliando a aprendizagem por meio do brincar dirigido. Elas então chegam à escola possivelmente com expectativas muito diferentes em relação ao ³brincar´. atitudes e respostas. preservar. 29). adquirir competência e confiança. De ser ativo dentro de um ambiente seguro que encoraje e consolide o desenvolvimento de normas e valores socais. imitar.³As escolhas de oportunidade lúdicas que fazemos habitualmente. 5. em casa ou com companheiros de brincadeiras. propriedades. No caso das crianças pequenas. habilidades pensamentos e entendimentos coerentes e lógicos. pensar. precisamos reservar tempo para explorar as necessidades explicitadas pelo brincar. se refletirmos a respeito. proporciona uma ética da aprendizagem em que as necessidades básicas das crianças podem ser satisfeitas. Qualquer pessoa que já tenha observado ou participado do brincar infantil por certo período de tempo perceberá imediatamente que as crianças nem sempre utilizam uma variedade toa grande de materiais e atividades como frequentemente se sugere. mais provável que seja necessário o brincar mais exploratório. e entender as limitações pessoais. materiais. Essas necessidades incluem as oportunidades: y y y y y y De praticar. p. está constantemente gerando novas situações. Ele mantém e intensifica esta aprendizagem e estimula o desenvolvimento de um novo ciclo. apresentar uma esfera de possibilidades para a criança. aquele que poderíamos chamar de a verdadeira situação de brincar. experimentar. assim como tempo para conversar sobre ele. Não se brinca apenas com e dentro de situações antigas´. No contexto do presente modelo. texturas. A oportunidade para avaliar as respostas. o professor poderia ser chamado deum iniciador e mediador da aprendizagem. mas isso depende do contexto geral e exploratório em suas experiências pré-escolar. imaginar. pessoas. as incidências de aprendizagem podem ser muito pequenas. observar. estruturas. em seu brincar. Por meio do brincar livre subseqüente e ampliado. De comunicar. que tende a preceder o brincar. como uma atividade. Por meio do brincar livre. Cunha (1994) explica claramente suas idéias em relação a este aspecto quando diz que ³o brincar. Às vezes elas restringem bastante os recursos. mas são elas que fazem a criança avançar um estágio ou mais na aprendizagem. satisfazendo suas necessidades de apren dizagem e tornando mais clara a sua aprendizagem explícita. A maior aprendizagem está na oportunidade oferecida à criança de aplicar algo da atividade lúdica dirigida a alguma outra situação. E são essas aprendizagens que. elas têm uma outra dimensão e uma nova variedade de possibilidades estendendo a um relativo -se domínio dentro daquela área ou atividade. movimentar-se. podem. podem ser verdadeiramente consideradas como brincar. Entretanto. memorizar e lembrar. e precisam ser estimuladas a usá-los de outras maneiras e para outros propósitos. manipulando dentro de um estreito -os intervalo de possibilidades potenciais. como um processo e modo. ser psicologicamente informativas sobre nós mesmos e podem sugerir uma série de questões muito interessantes sobre o significado psicológico dessas escolhas´. Quanto mais jovem a criança. De criar. cooperar. e nem sempre é fácil distingui-los´. (1994. questionar. pois como dizem Pourtois & Desmet (1999. quando ele deve tentar diagnosticar o que a criança aprendeu ± o papel de observador e avaliador. .O brincar. auditivos e cinestésicos. escolher. Por meio do brincar dirigido. De conhecer e valorizar a si mesmo e as próprias forças. atributos visuais. interagir com os outros e ser parte de uma experiência social mais ampla em que a flexibilidade. O brincar ³aberto´. ³a exploração tende a preceder o domínio. neste papel. sem refletir. exploratório. a tolerância e a autodisciplina são vitais. as crianças aprendem alguma coisa sobre situações.

então. mas têm uma interpretação tão ampla que possuem pouco significado real. há poucas evidências de que brincar livre com blocos ensine mais à criança do que copiar um modelo dos mesmos´. Podemos vincular experiências antigas e desta maneira as nossas mentes absorvem novas informações e se expandem´. avançam do discurso falado (linguagem interativa) para o discurso do texto (leitura) de forma muito suave. atendendo às necessidades das crianças mais jovens em todo o país. mas pesquisas recentes mostram que na verdade isso era o efeito de oportunidades adiadas deescrita experimental e não uma capacidade atrasada. como poderemos constatar. à linguagem e ao desenvolvimento da representação e do simbolismo. 35) afirma: ³É no pensamento divergente que encontramos as indicações mais óbvias de criatividade´. Esta pode ser considerada uma definição bastante arbitrária. Kishimoto (1990) acha que esse elemento do brincar e aprender mais dirigido para um objetivo é muitas vezes esquecido e inclusive desprezado por muitos professores de educação infantil. em um ou outro nível. Segundo Negrine (1994). mas há algumas diferenças. por meio do seu brincar e da arte. 6. O brincar simbólico também tem relação com a ordem e favorece o desenvolvimento das habilidades de planejamento. Desta maneira. Oliveira (2000. As crianças. Deveria ser tão natural para as crianças ³escrever´ de forma intencional como ler forma intencional. mas é uma definição vital para tentarmos examinar um outro aspecto do brincar e da aprendizagem infantil. na medida em que a associação com a voz. o tom. Escrever é uma área igualmente vital do desenvolvimento da alfabetização e da aprendizagem sobre a linguagem. organização mental e poder interpretativo. os primeiros contatos das crianças com os livros e os materiais impressos são de suprema importância para elas. a ênfase e as entonações é feita cedo. p. No passado pensava-se que as habilidades de escrita tinham um atraso de meses em relação às habilidades de leitura. 7. Um exemplo seria ouvir uma história ou trabalhar ao lado de um adulto que está fazendo alguma coisa. mas exerce uma influência mais forte sobre o domínio afetivo. O que sempre deve ser lembrado. gradualmente. por exemplo. Os vínculos existem de várias maneiras e estão bastante inter-relacionados. e a experiência do prazer compartilhado torna isso memorável. está extremamente ligada às artes. A redação criativa. é que as crianças podem e aprendem de outras maneiras além da lúdica. Reler as histórias é algo que se ajusta bem à espiral do brincar. abrange uma multiplicidade de estilos de redação. as experiências passadas são repetidas e revividas. Em ambos canais de expressão. A palavra ³criativo´ é usada na escola de modo muito amplo e quase como uma terminologia geral. ³As escolas experimentam e simbolizam o mundo real. 62). 1950. 36) ³a criatividade é a capacidade de responder emocional e intelectualmente a experiências sensoriais´. p. criando significados. físico. Segundo Oliveira (2000. além de proporcionar uma rica fonte para a imaginação. pensamentos e idéias: é um processo mais importante do que qualquer produto específico para a criança pequena. p. da redação funcional sobre ir tomar . A criatividade. Ela diz que ³por mais detestável que seja a idéia para estes professores.Este procedimento aparentemente muito complexo é realizado em muitas salas de aula. Ler para as crianças com a entonação e a ênfase apropriadas as ajuda a compreender o significado das palavras. todavia. mas ainda mais importante é como os professores conversam com a criança sobre a leitura e como isso é interpretado por ela. uma vez que a criatividade tem fortes laços com a educação estética. O BRINCAR SOBRE A LINGUAGEM A leitura de histórias pode ser uma forma de brincar com palavras e figuras e é uma atividade imediatamente prazerosa para crianças e adultos. podemos relacionar o nosso mundo externo ao nosso mundo interno de experiências passadas e conhecimento. Ela também está estreitamente relacionada ao ser ³artístico´ no sentido mais amplo da palavra. e frequentemente tem prazer com isso. A criatividade também está situada no domínio cognitivo. na medida em que as palavras são intensificadas e exploradas repetidamente. O treinamento inicial e prático dos professores precisa assegurar que eles adquiram mais competência nesta área a fim de acompanhar as tendências nacionais e manter o papel vital do brincar no desenvolvimento das crianças. ³Redação criativa´ e ³dança criativa´ são de uso geral. O BRINCAR E A CRIATIVIDADE A correlação entre criatividade e resolução de problemas já foi estabelecida quando se considerou a criança como um pensador divergente e lógico. mas é assim que as crianças vêm aprendendo há muitos séculos. e tem relação com a expressão pessoal e a interpretação de emoções. na abordagem da história. Ele eventualmente leva ao início do brincar e dos jogos baseados em regras (Piaget.

pois uma das dificuldades da arte é ela estar crivada de valores que adquirimos através de nossa cultura e educação. muitas vezes podem expressar vividamente em outros meios. Outra sugestão é que esses objetivos devem estar claros em um currículo cujo conteúdo precisa incluir nove áreas ³especificas´: matemática. 3. assim como a criamos. nosso conhecimento e nossas capacidades pessoais.. tanto nas formas de arte. mas ai também está a sua força. Desenvolver uma mente ativa e inquiridora e a capacidade de questionar e argumentar racionalmente e dedicar-se a tarefas. sobre um currículo nacional: ³Longe de desvalorizar o trabalho dos professores de sala de aula. Usar a linguagem e os números de forma efetiva. ou sabe se expressar de formas comunicáveis aos outros. como em diferentes formas do brincar. Aqueles que acham que não sabem pintar. para todos os propósitos e intenções. religiões e maneiras de viver. . experimental e integrada tem muito para recomendá e todos os relatórios -lo. 2. devemos lembrar que a arte. somos na verdade ³liberados´ para fazer um trabalho melh como or os principais agentes da educação de qualidade nós ainda colocamos o currículo em ação. equilibrado. atualmente existem muitas crianças de quatro anos aceitas em classes em todo o país. 1994. existe uma riqueza de oportunidades criativas para que adultos e crianças expressem seu pensamento e apreciem o talento de outros. A realidade da situação atualmente é a de um Currículo Nacional dirigido. Nessas áreas. à redação poética sobre a enorme aranha negra que Joanne encontrou a caminho da escola. Apreciar as realizações e aspirações humanas. 8. 6. Outro ponto que devemos mencionar aqui é o seguinte: embora o Currículo Nacional abranja crianças acima de cinco anos de idade. que o currículo das séries iniciais que opera a partir de uma abordagem baseada em tópicos. ao reconhecer plenamente a formidável variedade e os níveis de exigências feitas a eles atualmente. e a maioria de nós sabe do que gosta por causa da nossa personalidade. e obter satisfação e auto-estima ao ser capaz de fazer isso. 4. arte e design. educação física. Todos nós recebemos a ³arte´.chá na vovó. relevante. ações e resultados. muitas vezes têm uma grande capac idade expressiva de movimento corporal. objetivos como esses podem parecer excessivamente amplos e vagos para serem de grande ajuda prática para os professores. ter continuidade e considerar necessidades diversas.. nossas experiências. Entretanto. têm dificuldade para se comunicar por meio da linguagem. 82). consequentemente. os que são desajeitados em atividades motoras amplas podem ter na música e no ritmo uma fonte de inspiração. linguagem. cujos objetivos foram reiterados no Currículo Nacional. preferem esta posição à abordagem de ³habilidades básicas´ diz. através de danças populares e folclóricas. para citar apenas algumas. UM CURRÍCULO PARA A INFÂNCIA INICIAL O currículo tem relação com intenções conteúdos. o mais importante é que ele tem ligação com crianças pequenas e a variedade e riqueza que elas trazem consigo como um ponto de partida. Assim. por alguma razão.. se aplica. É reconhecido numa ampla variedade de relatórios. Contudo. teatro e música. conforme Kramer (1994). Mas neste caso. ciência. Respeitar valores religiosos e morais. mas também no estabelecimento de uma estrutura curricular para a escola toda´ (KRAMER. e a encenação do papel de outra pessoa no teatro ou através de marionetes podem inspirar a comunicação não-verbal em outros. o currículo deve ser amplo. e ao envolvê-lo não apenas no planejamento do trabalho de suas classes. afirma claramente que o propósito das escolas é ajudar a criança a: 1. As crianças apresentam o mundo como o vêem e como podem representá-lo em um determinado momento de seu desenvolvimento: a beleza está lá se estivermos preparados para vê-la. história. em si mesma. e às quais o Currículo Nacional. passando pela redação transacional sobre fazer um experimento simp les. 5. é uma forma de comunicação sem palavras. igualmente. como pode confirmar qualquer pessoa que já viu um mínimo em ação ou contemplou um quadro esplêndido. A dança criativa. Adquirir conhecimentos e habilidades relevantes para a vida adulta e o trabalho em um mundo em rápida transformação. e o nosso impulso é o de defender aquilo que já fazemos: qualquer coisa nova neste momento de intenções e conteúdos estabelecidos dentro de uma estrutura que todos preendemos e valorizamos. inclui programas de rádio que dirigem fortemente os movimentos das crianças pequenas. Compreender o mundo em que vive e a interdependência dos indivíduos grupos e nações. As crianças e os adultos que. tecnologia. aumentaria sue prestígio. e ser tolerante com outras raças. O documento DES (1981). geografia. Eles são. po a maneira de is atingi-los cabe às escolas e aos professores.

mas também tente resolver problemas do passado. sua auto-estima e desenvolve relações de confiança consigo mesma e com os outros´. a personificação é determinada por ansied ade ou frustração. Ela atirava a colher e puxava-a de volta repetidamente. 1988). o brincar da criança não está somente ancorado no presente. ao mesmo tempo em que se projeta para o futuro. na brincadeira de faz-de-conta desejos que pareciam irrealizáveis podem ser realizados. 10. com as possibilidades definidas pelas regras. a boneca passa a fazer parte de um contexto onde o faz -de-conta está presente de forma mais intensa. onde ³ela restabelece seu controle interior. a uma criança ou uma boneca o que foi feito com ela. A criança brincava com uma colher presa a um barbante. na fantasia. uma abertura para o diálogo com o mundo dos adultos. O JOGO: PROPRIEDADES FORMATIVAS Na vida de criança.9. crianças que vivem nas favelas onde predomina a luta entre policiais e bandidos têm como tema preferido de suas brincadeiras esses conflitos. pode-se reconhecer e apreciar o brincar das crianças. a agir e a imaginar. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente. que valorizam a participação ativa do educando no seu processo de formação. medo e perda. A BRINCADEIRA. Na vida do adulto. Perda e recuperação. chegando eventualmente até a criação de outras regras e ordenações. É seu parceiro na brincadeira. o jogo destaca-se no campo do lazer sendo modesta e relativamente recente a sua presença não campo da formação específica. Ana Freud relata o caso da criança que vence o medo de atravessar o corredor escuro fingindo ser o fantasma que teme encontrar. Assim. Bomtempo (1996). É através de seus brinquedos e brincadeirasque a criança tem oportunidade de desenvolver um canal de comunicação. O brinquedo aparece como um pedaço de cultura colocado ao alcance da criança. digna de estar presente entre recursos didáticos capazes de compor uma ação docente comprometida com os alvos do processo de ensino-apredizagem que se pretende atingir. 1988). portanto. No jogo. Nesta perspectiva. Nas crianças de 6 a 8 anos há enriquecimento na representação de papéis que se tornam mais definidos. elas podem ter o controle que lhes falta da realidade. No jogo simbólico as crianças constroem uma ponte entre a fantasia e a realidade. Lutam com conceitos de bom e mal. Escolhendo o papel do médico ou do fantasma. As crianças são capazes de lidar com complexas dificuldades psicológicas através do brincar. Elas procuram integrar experiências de dor. o que significa coloca-los em condição de lidar de maneira peculiar e. O triunfo do bem sobre o mal dos heróis protegendo vítimas inocentes é um tema comum na brincadeira das crianças (Bettelheim. na brincadeira. Mas quando brincam. OS BRINQUEDOS E A REALIDADE. a criança pode passar do papel passivo para o ativo e aplicar a uma outra pessoa. mas também como faz -de-conta e. Elas não podem evitar que os adultos se envolvam em conflitos armados. Quando se está aberto para tais simbolismos. consideradas sob perspectivas educacionais progressistas. A manipulação do brinquedo leva a criança à ação e à representação. criativa. . nem que membros de uma gangue espanquem suas mães. Quando a criança assume o papel de alguém que teme. para além do entretenimento. à medida que aumenta a idade. Por exemplo: no Brasil. Vários dos exemplos clássicos de Freud seguem esta linha: uma criança brinca de médico depois de ter tomado uma injeção ou de ter sido submetida a uma pequena cirurgia. Crianças que vivem em ambientes perigosos repetem suas experiências de perigo em suas brincadeiras. embora a gravidez e o nascimento ainda façam parte de um mundo mágico. verificaram que as crianças pequenas (3 a 5 anos) parecem usar a boneca não só como instrumento de ação. Brincar de boneca permite -lhe representar seus sentimentos ambivalentes. Com Kishimoto (1994) entendermos que ³a brincadeira é o lúdico em ação´. a criança foi capaz de controlar ambos os fenômenos. No sonho. O jogo realiza-se através de uma atuação dos participantes que concretizam as regras possibilitando a imersão na ação lúdica. o jogo ganha espaço através da focalização de suas propriedade s formativas. a brincadeira deixa de ser ³coisa de criança´ e passa a se constituir em ³coisa séria´. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. Freud observou uma criança que sofria a ansiedade da separação da mãe. em uma pesquisa com a boneca Ganha-Nenê. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está intimamente ligado à relação da menina com a mãe (Bettelheim. Enquanto tal tem a propriedade de liberar a espontaneidade dos jogadores.

têm formação profissional. na capacitação de docentes. Como toda idéia nova. social e intelectual das crianças. os jogos de simulação ou de representação. 11. como seu autor. que ela é uma agente de mudança do ponto vista educacional. Favorecer o equilíbrio emocional. através da brinquedoteca. o jogo de papéis. Entendido o ato criador nesses termos. a oportunização do brincar assumiu. quando o ator se dentifica i plenamente com ele. As pessoas que trabalham na brinquedoteca. a ³seriedade´ do jogo utilizado em situações formativas consiste na ³brincadeira´ que ele implica. provoca também em escalas de valores. soa educadores preocupados com a felicidade e com o desenvolvimento emocional. sem cobranças e sem sentir que está atrapalhando ou perdendo tempo. o problema que se enfrenta. com segurança. seu papel dentro do campo da educação cresceu e hoje podemos afirmar. A brinquedoteca é o espaço criado com o objetivo de proporcionar estímulos para quea criança possa brincar livremente. Embora com uma proposta realmente alternativa. emocional e social. Proporcionar acesso a um número maior de brinquedos. Para este exercício. A principal implicação educacional da brinquedoteca é a valorização da atividade lúdica. apesar do encantamento que desperta. Enriquecer o relacionamento entre as crianças e suas famílias. Por ser um local onde as crianças permanecem por algumas horas. . Dar oportunidade para que aprenda a jogar e a praticar. Desenvolver a inteligência. portanto. Alem de resgatar o direito à infância. Na elaboração dos objetivos de uma brinquedoteca. condição do ato criador. por despertar pais e educadores para uma nova maneira de considerar a atividade infantil.Dialeticamente. simultaneamente. Nisto é que reside à propriedade liberadora da espontaneidade. Pelo simples fato de existir. a brinquedoteca vem exercendo influência dentro dos sistemas sociais nos quais se insere. tem espaço no uso do jogo em situações formativas. a brinquedoteca é um testemunho de valorização da atividade lúdica das crianças. Estimular o desenvolvimento de uma vida interior rica e da capacidade de concentrar a atenção. Estimular a operatividade das crianças. Incentivar a valorização do brinquedo como atividade geradora de desenvolvimento intelectual. Dentro do contexto social brasileiro. nada que se confunda com roteiros de atuação previamente definidos. criatividade e sociabilidade. mediado por ações significativas do professor. A brinquedoteca brasileira difere das chamadas Toy Libibraries porque não tem como atividade principal o empréstimo de brinquedos. se não únicos. vivida hoje em grande parte da realidade escolar brasileira sob a forma de uma ³relação burocrática´ através de contato categórico. emergindo. a brinquedoteca tenta salvar a criatividade e a espontaneidade das crianças tão ameaçadas pela tecnologia educacional de massa. de experiências e de descobertas. os jogos dramáticos constituem recursos excelentes. Promovendo o respeito à criança. características próprias. os brinquedista. portanto. é um espaço onde acontece uma interação educacional. A brinquedoteca provoca reflexões e. Isso implica um ³exercício de alteridade´. voltadas para necessidade de melhor atender as crianças e as famílias brasileiras. Valorizar os sentimentos afetivos e cultivar a sensibilidade. em que o profissional ³coloca-se no lugar do outro´. da capacidade criadora para um ³encontro vigoroso´ do educando com o conhecimento. são enumeradas como principais finalidades do trabalho nela desenvolvido: y y y y y y y y y y y Proporcionar um espaço onde a criança possa brincar sossegada. No caso da relação professor/alunos. BRINQUEDOTECA BRASILEI RA As brinquedotecas brasileiras começaram a surgir nos anos 80. contribui para diminuir a opressão dos sistemas educacionais extremamente rígidos. é a liberação da espontaneidade e. Só é possível viver na brincadeira um papel em toda a sua profundidade e complexidade. Como conseqüência deste fato. configurado papéis. Dar oportunidade à expansão de potencialidades. que tem como conseqüên cia o respeito às necessidades afetivas da criança. mas também para se impor como instituição reconhecida e valorizada a nível educacional. tem que enfrentar dificuldades não somente para conseguir sobreviver economicamente.

de 5 a 6 anos. estilizadas ou ainda. animais.html#ixzz1T40jbMUS . mas é. cultural e técnica. Uma boneca permite à criança desde a manipulação até brincadeiras com ³mamãe e o filhinha´. também. o imaginário varia conforme a idade: para pré-escolar de 3 anos. pois conota criança e tem uma dimensão material. construção. a ausência de um sistema de regras que organize sua utilização. O brinquedo propõe um mundo imaginário à criança e representa a visão que o adulto tem da criança No caso da . O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano. a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade. na natureza e construções humanas. os brinquedos expressam. personagens sob forma de bonecos. como manequins articulados ou super-heróis. Entre as concepções sobre o brincar. criando formas diversificadas de conceber o lúdico na educação. máquinas e monstros.Dentro de uma cultura primitiva.webartigos. um fenômeno de sensibilidade. BRINQUEDO E BRINCADEIRA Para Oliveira (1990) o brinquedo entendido com objeto. mundo encantado dos contos de fada. exigem de modo explicíto ou implícito. Pode dizer que um -se dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais. para que possa manipulá -los. estórias de piratas e índios. Alguns recorrem a pressupostos do autor para justificar a expansão de estabelecimentos infantis. formas delicadas e simples. ou seja. suporte da brincadeira. as quais não poderão ser transgredidas sem que um preço alto seja pago.com/articles/2985/1/Porque-Trabalhar-O-Ludico-Na-EducacaoInfantil/pagina1. 12. O adulto introduz nos brinquedos imagens que variam de acordo com a sua cultura. é sempre suporte de brincadeira. integra predominantemente elementos da realidade. Os brinquedos podem incorporar. mistos de homens. é como arrancar uma árvore com raízes fortes. o brinquedo as metamorfoseia e fotografia. seu nível de desenvolvimento e indeterminação quanto ao uso. para transplantá-la. O vocábulo ³brinquedo´ não pode ser reduzido à pluralidade de sentidos do jogo. um imaginário preexistente criado pelos desenhos animados. certamente. Duplicando diversos tipos de realidades. O brinquedo contém sempre referência ao tempo de infância do adulto com representações veiculadas pela memória e imaginação. supõe relação íntima com 1¶¶a criança. mesmo em sua ausência. uma preparação é indispensável para sua concretização. Os programas froebelianos permitem a inclusão de atividade orientadas e livres por meio do uso de brinquedos e brincadeiras. Como objeto. Entende também que a criança necessita de orientação para seu desenvolvimento. mundo da ficção cientifica com motores e robôs. seriados televisivos. mas embora havendo motivação para a criação de uma obra de arte. É estimulante material para fazer fluir o imaginário infantil. criança. Ao contrário. Leia mais em: http://www. o primeiro filósofo a justificar seu uso para educar pré-escolares. tendo relação estreita com o nível de seu desenvolvimento. O brinquedo representa certas realidades. Ele pode nascer de uma situação desafiadora ou de uma inspiração. A realidade representada sempre incorpora modificações: tamanho. Representar é responder a alguma coisa e permitir sua evocação. antropomórficas. O brinquedo estimula a representação. Uma representação é algo presente no lugar de algo. está carregado de animismo. mas uma totalidade social. Ao representar realidades imaginárias. preferencialmente. caso contrário ela morrerá. o desempenho de habilidades definidas pela estrutura do próprio objeto e suas regras. como xadrez. jogos. O processo criativo é uma tentativa de encontrar um sentido maior. é preciso muito cuidado e conhecimento a respeito. os valores tradicionais têm um peso tão grande que a educação segue normas bem definidas. não reproduzindo apenas objetos. Arrancar uma pessoa do contexto de uma forte tradição é muito perigoso. destacam-se as de Froebel.

explorando. não apro veita esses conhecimentos. dando-lhe possibilidades para que envolva em seu processo. como uma forma transacional em direção a algum conhecimento.. pois como afirma ALMEIDA (1 994). São Paulo: Matese. enfatizam os alunos. ³Estudos do lazer: uma introdução´. o educador precisa ser capaz de respeitar e nutrir o interesse da criança. 1996. 14). Quando o aluno chega a escola traz consigo uma gama de conhecimento oriundo da própria atividade lúdica.1996. na educação infantil. que não se sentirá tão a vontade em sala de aula a ponto de deixar fluir naturalmente sua imaginação e emoção. inventem.. verdadeiro. Conceber o lúdico como atividade ap enas de prazer e diversão.. Ao fazer isso. como possibilita ao educador torn ar suas aulas mais dinâmicas e prazerosas. A escola. criando uma separação entre a realidade vivida por ela na escola e seus conhecimentos. 1994. Rio de Janeiro: Palmeiras. RIZZI. intervir de forma adequada. O lúdico aplicado à prática pedagógica não apenas contribui para a aprendizagem da criança. sobretudo para o exercício do prazer de viver. Sendo que o papel do educador é. e este sentido. como se fora brincadeira de roda. Educação . Não devendo aceitar simplesmente o que os outros já fizeram.Emilia. através do uso de brinquedos. proporcionar a criança vivenciar seu mundo. ³Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos´. Leonor & HAYDT. A escola agindo d esta forma estará comprometendo a própria espontaneidade da criança. adotando assim uma atitu de mais de iniciativa do que de expectativa.38) É papel da educação formar pessoas criticas e criativas. CUNHA (1994). a complementação para as suas necessidades. ressalta que a brincadeira oferece uma ³situação de aprendizagem delicada´. descubra. o sentido real. Nelson Carvalho. respeitando e reconstruindo. ³Brinquedoteca: um mergulho no brincar´. ou do contrário perde -se a riqueza que o lúdico representa. deixando que o aluno adquira conhecimentos e habilidade. Daí a importância de se ter alunos que sejam ativos. RIZZI e HAYDT convergem para a mesma perspectiva quando afirmam: ³O brincar corresponde a um impulso da criança. ajudar a criança a ampliar de fato. Neste sentido é responsabilidade do educador. O lúdico enquanto recurso pedagógico deve ser encarado de forma séria e usado de maneira correta. desenhos coloridos. A criança aprende a través da atividade lúdica ao encontrar na própria vida.´ (MARCELINO. A educação lúdica é uma aç ão inerente na criança e no adulto aparece sempre.escolares. funcional da educação lúdica estará garantida. 1987."O papel do lúdico na atividade pedagógica" A maioria das escolas tem didatizado a atividade lúdica das crianças restringindo -as a exercícios repetidos de discriminação viso . 1994. a transmissão de determinada visão do mundo. Regina Célia. e uma ação dirigida para a busca d finalidades pedagóg icas. A educadora FERREIRO (19890. as suas possibilidade s de ação. para crescer criativa. aceitando tudo o qu e lhe é oferecido. porém. suas at ividades visam sempre um resultado.p. que sejam capazes de construir conhecimento. São Paulo: Autore s Associados. como se sua ação simbólica servisse apenas para exercitar e facilitar para o professor . Nesse sentido a educação infantil deve trabalhar a criança. acaba sendo a própria expressão de vida da criança.1998. ao mesmo tempo em que bloqueia a organização independente das crianças para a brincadeira. Campinas. músicas ritmadas. se o educador estiver preparado para realizá-lo. FERREIRO.São Paulo:Loyola. tomando como ponto de partida que está é um ser com características individuais e que precisa de estímulos. CUNHA. definida a priori pela escola. através do trabalho lúdico didatizado. que cedo aprendem a descobrir. negando seu caráter educativo é uma concepção ingênua e sem fundamento. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA. inventiva e acima de tudo crítica. Considera-se função da educação infantil promover o desenvolvimento global da criança. Nylse Helena. ³É fundamental que se assegure à criança o tempo e os espaços para que o caráter lúdico do lazer seja vivenciado com intensid ade capaz de formar a base sólida para a criatividade e a participação cultural e. A ação de brincar.. já apontava para a importância de se oferecer a criança ambientes agradáveis onde se sinta bem e a vontade. e viver. segundo ALMEIDA (1994) é algo natural na criança e por nã o ser uma atividade sistematizada e estruturada. 5ª ed. satisfaz uma necessidade i nterior. nas pessoas reais. Paulo Nunes de. NELSON. essas práticas pré . isto é.C. para tanto é preciso considerar os conhecimentos que ela já possui. Proporcionando à criança brincadeiras que possam contribuir para o seu desenvolvimento psicosocia l e conseqüentemente para a sua educação. São Paulo: Atica.. MARCELINO. como diz a canção.motora e auditiva.´Processo de alfabetização´. pois. o ser humano apresenta uma tendência lúdica´ (1987 p. que criem. pois a criança deverá se sentir como integrante do meio em que está inserida. ³Atividades Lúdicas na educação da criança´.

Gadotti (1992: 82) enfatiza que: A escola não deve apenas transmitir conhecimentos. visto que.diariamente. para isso. que se faz necessário uma escola diferente. aceitando que. sem estímulos para realizar as atividades escolares. encontram-se muitas crianças que trabalham desde muito cedo em diversas atividades para ajudar na renda familiar. Durante muito tempo e presente até os dias atuais. na tentativa de buscar alternativas para auxiliar e facilitar o processo dinâmico que é a aprendizagem.o tempo e a história nos impõem à busca por novas práticas pedagógicas que auxiliem e facilitem o processo dinâmico que é a aprendizagem. pesado e obrigatório. permeiam o âmbito escolar. para conhecer a mim mesmo. onde a criança queira estar e em que haja alegria e prazer para descobrir e aprender. seja no campo profissional. A crise de paradigmas afeta a escola. Convém afirmar que a mudança não ocorrerá de forma espontânea.. mas também preocupar com a formação global dos alunos.. pois é notório que em grande parte das escolas públicas situadas em bairros periféricos. com índices que colocam o país em último lugar com números baixos de conclusão do Ensino Fundamental. capaz de atender às necessidades dos educandos. remuneração e conseqüentemente valorização bem como. é preciso saber trabalhar com as diferenças: é preciso reconhecê-las. é um processo extremamente complexo e que exige competência e comprometimento de todos os agentes que compõem a comunidade escolar. espaço adequado e material didático satisfatório. Deste modo. a escola perde seu brilho e seu encanto. ao mesmo tempo respeitar a diversidade local. O grande desafio da escola pública está em garantir um padrão de qualidade para todos e. as diferentes abordagens sobre a prática lúdica no contexto escolar como alternativa de resgatar a alegria e o prazer de aprender poderão contribuir para ampliar os conhecimentos e possibilitar caminhos para um profissional mais dinâmico e reflexivo. Snyders (1993: 9) salienta que: Se o tempo da escola é um tempo de enfado em que educador (. Objetivamente. de modo a propiciar condições favoráveis ao trabalho criador do educando. perpassa pelas questões de formação. preciso conhecer o outro. ainda encontram-se presentes nas escolas. É grande o esforço dos pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. luta para vencer novos desafios. não camufla-las. e o tempo de que dispõem é habitualmente saturado por deveres e afazeres restando pouquíssimas oportunidades para as atividades ludo-recreativas. Mas. Trata de anseio por -se novas formas de organização na escola. institucional que inclui número de alunos. almeja-se resgatar o verdadeiro papel social da escola e do professor. cultural e biológica de cada indivíduo. Entretanto. ocasionando com isso um sistema educacional ineficiente. sem democratizar a melhoria sócio-econômica e sendo assim. alunos inclinados à distração.) . se comparado com os países da América Latina.) à espera de que a monotonia termine a fim de que partam risonhos para a vida lá fora. Alguns percalços pedagógicos como desinteresse. respeitando sua fase de vida. baixa aprendizagem entre outros de ordem sócio-econômica.O lúdico no contexto escolar: um resgate ao prazer de aprender Por Joristela de Souza Queiroz Diante de tantas mudanças que acirram contradições internas e externas de povos e nações. -se numa visão em que o conhecer e o intervir no real se encontrem.) e educadores vivem os segundos.. indisciplina dos alunos. a escola inserida num cenário de modernidade..pois. À luz dessa reflexão. as políticas educacionais no Brasil estiveram ligadas a uma estrutura burocrática. crescendo o desejo de participação nas decisões.. étnica. (. a tristeza da escola termina por deteriorar a alegria de viver (. A partir de uma opção democrática. o que se constata hoje é que a escola não tem conseguido garantir a apropriação significativa de conteúdos. neste caso não preparando o educando nem para o mercado de trabalho e nem para a vida. é inegável ressaltar.. ³democratizou ±se´ o acesso ao ensino. social. encarando a escola como algo difícil . isto pressupõe mudanças.

possui um anseio natural para brincar. inclusive. de Gestão Escolar . em muitas escolas esse desejo de criar e imaginar são substituídos por técnicas mecanicistas consideradas atualmente. elimina o desinteresse e. a sua criatividade e a sua imaginação. a indisciplina.278) .com. Para isso. o que a criança tem de mais comum a sua espontaneidade. limitando-se ao simples ato de brincadeira infantil. Vale salientar que são muitas as habilidades motoras que a criança adquire ao longo de seu desenvolvimento. ela expande uma grande quantidade de emoções. p. pois só assim.br@bol. a concepção que ora se defende é uma proposta intencional à adoção de metodologias que valorizem de fato. que para conhecer e entender os problemas que interferem na aprendizagem dos alunos. Acredita-se. além do que. Através de jogos e brincadeiras a criança desenvolve a capacidade de perceber suas atitudes de cooperação e adquire oportunidades de descobrir seus próprios recursos e testar suas próprias habilidades. Na verdade. também. No momento em que se ressalta a relevância de resgatar o prazer na educação. o auto-conhecimento. aprende a conviver com os colegas numa interação. estamos a caminho de uma sociedade em que será imprescindível a busca por novas metodologias que valorizem a livre-expressão. enfim a busca do equilíbrio entre razão e emoção. para por em prática suas habilidades que desabrocham em crescentes variedades de formas para explorar a si própria e o ambiente ao seu redor. em procurar novas metodologias em querer inovar. possui um anseio natural para brincar. ³Os jogos tornam a aula bem mais atraente. a autonomia. o professor deve refletir sobre sua prática pedagógica em sala de aula. isto é. fazer diferente. diante de tantas mudanças acirradas no campo do conhecimento. ajudando-a a desenvolver competências nas diversas atividades do seu cotidiano. ela estará aberta para desenvolver suas habilidades e assimilar os conteúdos curriculares. 42). isto é. com sua preocupação em estar atualizado. Para Santos (2000. a criatividade.br © copyright Revista P@rtes 2000-2006 Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16. todavia. devolvendo a escola a sua função de agência responsável por pessoas mais completas´. portanto. deve ser uma busca constante. Joristela de Souza Queiroz é pedagoga.com. especialista em Metodologia do Ensino Superior e aluna do Curso de Espec. ultrapassadas. devolve ao professor seu papel como agente construtor do crescimento do aluno. Desde muito cedo. pela variedade de brincadeirasque vivencia. a cooperação. a afetividade.A criança desde muito cedo. Este aprender a refletir. para por em prática suas habilidades que desabrocham em crescentes variedades de formas para explorar a si própria e o ambiente ao seu redor. A palavra jogo possui um campo muito amplo de interpretações. é notório que muitos pesquisadores professam a tese de que o jogo ganha espaço como ferramenta facilitadora da aprendizagem. organiza seu mundo interior em relação ao exterior entretanto. Em sua maneira de ³brincar´.Presidente do Conselho de Alimentação escolar Manacapuru ±Am | Email: joris. no trabalho e na vida. está relacionado com sua formação.

Brasil .São Paulo .

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