A ARTE DA FELICIDADE Um manual para a vida DE SUA SANTIDADE, O DALAI LAMA e HOWARD C.

CUTLER Esta obra foi publicada originalmente em inglês com o título THE ART OF APPINESS par Riverhead Books. Copyright (c) /998 hv HH Dalai Lama and Ho.--d C. Cutler. M.D. Copyright (c) Livraria Martins Fontes Editora Ltda. São Paulo. 2000, para a prese nte edição. Tradução WALDÉA BARCELLOS Bstan-'dzin-rgya-mtsho, Dalai Lama XIV, 1935 - A arte da felicidade: um manual p ara a vida / de sua santidade o Dalai Lama e Howard C. Cutler Tradução Waldéa arrellos . São Paulo : Martins Fontes, 2000. Título original: The art of happiness. Todos os direitos para o Brasil reservados à Livraria Martins Fontes Editora ltda. Rua Conselheiro Ramalho, 330/340 0/325-000 São Paulo SP Brasil Tel. (11) 239-3677 Fax (11) 3105-6867 e-mail: infoCarrtartinsfontes.com http:llw,K,ts.martinsfonte s.com Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 1

Dedicado ao leitor: Que você encontre a felicidade INDICE Nota do autor IX Introdução 1 PRIMEIRA PARTE: O PROPÓSITO DA VIDA Capítulo 1 O direito à felicidade 1,3 Capítulo 2 A s fontes da felicidade 20 Capítulo 3 O treinamento da mente para a felicidade 41 C apítulo 4 O resgate do nosso estado inato de felicidade 58 11

SEGUNDA PARTE: O CALOR HUMANO E A COMPAIXÀO Capítulo 5 Um novo modelo para a intimid ade 75 Capítulo 6 O aprofundamento da nossa ligação com os outros 95 Capítulo 7 0 valor e os benefícios da compaixão 127 TERCEIRA PARTE: A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO 147 Capítul o 8 Como encarar o sofrimento 149 Capítulo 9 O sofrimento criado pela própria pessoa 168 Capítulo 10 A mudança de perspectiva 194 Capítulo 11 A descoberta do significado na dor e no sofrimento 225 QUARTA PARTE: A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS Capítulo 12 A realização de mudanças 247 Capítulo 13 Como lidar com a raiva e o ódio 278 Capítulo 14 Como lidar c om a ansiedade e reforçar o amor-próprio 297 QUINTA PARTE: REFLEXõES FINAIS SOBRE COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL 329 Capítulo 15 Valores espirituais essenciais 331 Agra decimentos 359 Obras selecionadas de autoria de Sua Santidade, o Dalai-Lama 363 2415 73 Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 2

NOTA DO AUTOR Neste livro estão relatadas longas conversas com o Dalai-Lama. Os en contros pessoais com o Dalai-Lama no Arizona e na índia, que constituem a base des ta obra, foram realizados com o objetivo expresso da cclaboração num projeto que apr esentaria suas opiniões sobre como levar uma vida mais feliz, acrescidas das minha s próprias observações e comentários a partir da perspect;va de um psiquiatra ocidental. O DalaiLama permitiu com generosidade que eu escolhesse para o livro o formato que a meu ver transmitiria melhor suas idéias. Considerei que a narrativa encontra da nestas páginas proporcionaria uma leituA ARTE DA FELICIDADE ra mais agradável e a o mesmo tempo passaria uma noção de como o Dalai-Lama põe em prática suas idéias na própria vida diária. Com a aprovação do Dalai-Lama, organizei este livro de acordo com o tema tratado; e assim, ocasionalmente, decidi combinar e associar material que pode t er sido extraído de conversas variadas. Da mesma forma, também com a permissão do Dala i-Lama, nos trechos em que considerei necessário para fins de clareza e compreensão, entremeei trechos de algumas das suas palestras ao público no Arizona. O intérprete do Dalai-Lama, o dr. Thupten jinpa, gentilmente fez a revisão da versão final dos o riginais com o intuito de se assegurar de que não houvesse, em decorrência do proces so de organização, nenhuma distorção inadvertida das idéias do Dalai-Lama. Uma série de des rições de casos e relatos pessoais foi apresentada para ilustrar as idéias em pauta. C om o objetivo de manter a confidencialidade e proteger a privacidade dos envolvi dos, em todos os casos alterei os nomes, detalhes e outras características particu lares, de modo que impedisse a identificação dos indivíduos. DR. HOWARD C. CUTLER INTR ODUÇÃO Encontrei o Dalai-Lama sozinho num vestiário de basquetebol pouco antes da hora em que se apresentaria para falar a uma multidão de seis mil pessoas na Arizona S tate University. Bebericava calmamente seu chá, em perfeita serenidade. - Se Vossa Santidade estiver pronto... Ele se levantou, animado, e saiu do vestiário sem hes itar, dando com a turba apinhada nos bastidores, composta de repórteres da cidade, fotógrafos, seguranças e estudantes - os que procuram, os curiosos e os céticos. Cami nhou em meio à multidão com um largo sorriso; e cumA ARTE D A FELICIDADE primentava as pessoas à medida que avançava. Finalmente, passou por uma cortina" apareceu no pa lco, fez uma reverência, uniu as mãos e sorriu. Foi recebido com um aplauso ensurdec edor. A pedido seu, a iluminação não foi reduzida, de modo que ele pudesse ver a platéia com nitidez. E, por alguns instantes, ficou simplesmente ali parado, observando o público em silêncio com uma expressão inconfundível de carinho e boa vontade. Para qu em nunca tinha visto o Dalai-Lama antes, suas vestes Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 3

Há quase quarenta ano s. Creio ser muito mais fácil a comunicação com os outros nesse nível. Em sua palestra ao público em 1993.de monge de um marrom-avermelhado e da cor do açafrão podem ter causado uma impressão um pouco exótica. quando eu esta va visitando Dharamsala. e nossa mente e nossa natureza emocional t ambém são as mesmas. Foi assim que.br 4 . para mim. Planos para sua visita ao Arizona haviam começado a se del inear mais de dez anos antes. fugiu do Tibete após a brutal invasão pelas forças chinesas. na índia. Onde quer que eu conheça pessoas. saí daquele primeiro encontro com excelente estado de espírito. trocar idéias e compartilhar experiências com facilidad e. graças a uma pequena bolsa de pesquisa para estud ar a medicina tradicional tibetana. Mas. sempre tenho a sensação de estar me encontrando com outro ser humano. com a impressão d e ter acabado de conhecer um homem verdadeiramente extraordinário. . Mas esses a spec2 INTRODUÇÃO tos são secundários. mas somos seres humanos. o Dalai-Lama falou da importância do relacionar-se como um ser humano diante de outro. Foi naquela época que nos conhecemos. empo leirado na encosta de um monte nos contrafortes do Himalaia. como tantas outras pess oas. No entanto. creio que poderemos nos comunicar.megacursos. e era essa mesma qualidade que havia sido a cara cterística mais surpreendente da nossa primeira conversa na sua casa em 1982. como a de eu ser tibetano ou de ser budista. em 1993. É claro que pode haver diferenças de formação cul tural ou estilo de vida. pa ra criar com rapidez um vínculo simples e direto com outro ser humano.Creio ser esta a p rimeira vez que vejo a maioria de vocês. exatamente igual a mim. e fo i através desses familiares que foi marcado meu primeiro encontro com ele. Ele parecia ter uma capacidade incomum para deixar as pessoas totalmente à vontade.com. essa é a sede do governo tibetano no exílio. Se conseguirmos deixar de lado as diferenças. e. nesse caso há diferenças. acompanhad o por cem mil tibetanos. pode haver diferenças quanto à nossa fé. Dharamsala é um lugarejo lindo e tranqüilo. sua notável capacidade para estabelecer contato com o público logo se revelou quando ele sentou e começou a palestra. desde quando o DalaiLama. constituídos do corpo humano e da mente humana. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Durante minha estada em Dharamsala. não faz mesmo muita diferença se estou falando com um velho amigo ou com um novo porque sempre acredito que so mos iguais: somos todos seres humanos. conheci alguns familiares do DalaiLama. o Dalai-Lama deu início a uma semana de palestras abert as ao público no Arizona. Se dermos ênfase << características específi . Nosso prime iro encontro durou cerca de quarenta e cinco minutos. ou podemos ser de um a cor diferente. Nossa estrutura física é a mesma.

vim a os poucos a perceber suas numerosas qualidades especiais. sem afetação. em outras mais longas na sua casa na Índia. tendo em vista como a mente do ser humano é tão complexa. à medida que meu contato com o Dalai-Lama se ampliou. Comecei uma das nossas primeiras sessões. sobe algumas oitavas para terminar num tom agudo de praze r. ainda rindo. Convenci-me. para s mplesmente nos ajudar a ser mais felizes.práticas que pudessem ter aplicação direta à nossa vida. talvez a ter menos medo. soltou uma risada afável. Com freqüência. mais fortes. depois de uma longa pausa para reflexão. que ilustrei com alguns relatos cansativos sobre casos reais. por exemplo.com. . como muitos descobriram.Mas. Se entrássemos nos detalhes d de cada indivíduo. sem constrangimento. mas sem sentimentalismo em exc esso.disse ele. e. mas sem artifícios. o que ocorre exatamente. Fiquei pasmo quando. que começa com uma ressonânc ia grave e.br 5 . Depois de descrever itma mulher que persistia em comportamentos au todestruINTRODLÇÀO tivos apesar do tremendo impacto negativo sobre sua vida. Ele dispõe de uma inteli gência perspicaz. de que o Dalai-Lama havia aprendido a viver com uma noção de realização pessoal e um níve l de serenidade que eu nunca tinha visto em outras pessoas. na qualidade de psicoterapeuta. comecei a me perguntar se s eria possível isolar um conjunto das suas crenças ou práticas que pudesse ser utilizad o por não-budistas também . . dando de ombros. uma benevolência.A ARTE DA FELICIDADE Com o passar dos anos. ele cai u naquela risada que muitas pessoas consideram extraordinária .Considero extremamente difícil tentar descobrir como funciona a mente de cinc o bilhões de pessoas . seria mui to difícil compreender o que está acontecendo. sem esforço. a minha a de um psiquiatr a ocidental. Acabei tendo a oportunidade de examinar suas opiniões em maior profundidade em enc ontros diários com ele durante sua estada no Arizona e.. com o tempo. Embora ele seja um monge b udista com toda uma vida de estudos e formação budistas. ele simplesm ente disse que não sabia e. . a c apacidade de inspirar as pessoas em vez de intimidá-las.. propondo-lhe c ertos problemas humanos comuns. Mais uma vez. mas sem frivolidade. Enquanto trocávamos idéias. pergunt ei-lhe se ele teria uma explicação para esse comportamento e que conselho poderia of erecer. Determinei-me a iden tificar os princípios que lhe permitiam conseguir isso. o Dalai-Lama explicou: . Achei que el e estava usando evasivas. dando continuidade a essas conversas.Às vezes é muito difícil explicar por que as pessoas fazem o que fazem.Seria uma tarefa impossível! Este a rquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos. lo go descobri que havia alguns obstáculos a superar no esforço para harmonizar nossas perspectivas diferentes: a dele a de um monge budista. um humor maravilhoso.. Ao perceber m eu ar de surpresa e decepção por não receber uma resposta mais concreta. a conclusão é que não há explicações simples.. minha função é descob rir os motivos pelos quais as pessoas fazem o que fazem.um riso impregnado de humor e boa vontade.

existe a idéi a de disposições e registros deixados por certos tipos de experiência. uma decisão de nião questiona r o próprio modo de pensar. Por exemplo.megacursos. e ainda associam a isso a noção de que tudo pode e deve ser explicado e justificado. Sem que percebamos. vocês sofrem as limitações da idéia de que tudo pode ser explicado dentro da estrutura de uma única vida. quando depara m com fenômenos que não conseguem explicar. para que não tenhamos de sentir o mal-estar associado a eles. propus uma pergur'ita. na psicologia ocidenta l. em alguns casos. Ficou calado por um instante e depois prosseguiu.No esforço de determinar a orrigem dos problemas de cada um.. parece que a abordagenn ocidental difere sob muitos aspectos do enfoque budista. . as premissas e os parâmetros básicos apresentados pela ciência ocidental podem limitar sua capacidade para lidar co)m certas realidades. eu recentemente me reuni com alguns méd icos numa faculdade de medicina. às vezes.. certos compor tamentos podem ser motivados pelo desejo de impedir que esses temores venham à ton a no consciente. quando deparamos com comportamentos humanos que na superfície são difíceis de expli car. há suma tendência racionalista muito forte. . Porém. Estavarm falando sobre o cérebro e afirmaram que os pensamentos e os sentimentos resultam de diferentes reações e alterações químicas no cér bro. . ele prosseguiu com suas observações. Para nós. É possível conceber a seqüência inversa. temos algumas abordagens que podemos utilizar para entender o que está ocorre ndo. Na realidade.Cr eio que na sociedade ocidental moderna parece haver um forte condicionamento cul tiural baseado na ciência. de início considerei difícil aceitar suas palavras. No entanto. Por exemplo. Ao perceber uma certa per turbação de minha parte. a idéia do aspecto inconsciente ou subconsciente da mente tem um papel de destaque. . Por exemplo. cria-se uma espécie de tensão.com. INTRODUÇÃO Por exemplo. o que é meio pare cido com a noção do inconsciente na psicologia Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. É quase uma sen sação de agonia. O D alai-Lama refletiu por um instante antes de responder. E ainda por cima existemi restrições decorrentes de certas premissas tidas como Ilíquidas e certas.No budismo. pelo nnenos não em termos convencionais. pode haver tantos fatores em jogo que às veze s é possível que nunca se tenha uma explicação completa A ARTE DA FELICIDADE para o que está acontecendo.br 6 . o comportamento pode resultar de processos p sicológicos dos quais não estamos conscientes.Bem.Do ponto de vista do budismo. na qual o pfensamento dê ensejo à seqüência de ocorrências químicas no cérebro? Mas a parte que cons rei mais interessante foi a resposta dada pelo cientista. Por isso. Muito embora eu percebesse que havia alguma verdade no que ele dizi a.Subjacente a todas as variedades de análise o cidental." Quer zer que se trata simplesmente de uma espécie de rigidez. "Partimos da premissa (de que todos os pensamentos são produtos ou funções ~de reações químicas no cérebro. poderíamos agir de uma det erminada forma a fim de evitar um medo oculto. . são muitos os fatores que contribuem para um dado ac ontecimento ou situação. um pressuposto ále que tudo pode ser explicado.

mas não encontra nada. um determinado tipo de acontecimento pode ter ocorrido n um período anterior na sua vida e ter deixado um registro muito forte na sua mente . A meu ver. ela é algo qu e se pode realizar. comecei a ouvir a nota única que ele constantem ente fazia soar. sim. À medida que sua mensagem se revelava. classificar suas opiniões num conjunto de instruções fáceis sobre como conduzir a vida no dia-a-dia. E. Por exemplo. que englobava todas as sutilezas. Descobri que seu enfoque abrangia um paradigma muito mais amplo e multi facetado. É uma nota de esperança. a tendência é sempre atribuir o motivo ao inconsciente. e mbora não seja fácil alcançar a felicidade genuína e duradoura. Sua esperança tem como base a crença de que. Suas opiniões estão enraizadas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Com isso .br 7 . no racio cínio sólido e na experiência direta.com. a riqueza e a complexidade que a vid a tem a oferecer. uma vez que se tenha tomado essa decisão. imaginei um formato convencional de auto-ajuda no qual o Dalai-Lama apreINTRODUÇÃO sentaria soluções claras e simples para todos os probl emas da vida. Sua compreensão da mente e do comportamento humano tem como sustentação toda uma vida de estudos. a crença numa política de benevolência e uma percepção do que há de comum entre todas as cr aturas vivas. É mais ou menos como se a pessoa tivesse perdido algum objeto e decidisse que esse objeto estaria nesta s ala. mas a esses ele somaria outros fatores. creio que o bu dismo tem como aceitar muitos dos fatores que os teóricos ocidentais podem apresen tar. Portanto. mesmo assim. registro este A ARTE DA FELICIDADE que pode permanecer oculto e mais tarde afe tar seu comportamento.ocidental. já se exc luiu a possibilidade de o objeto estar fora daqui ou em outro aposento. ela não aceita a idéi a de que registros possam ser herdados de uma vida passada. a crença no valor da compaixão. Assim. mesmo assim. há essa idéia de algo que pode ser inconsciente: re gistros dos quais a pessoa pode nem ter consciência. Minha impressão era que eu poderia. foi ficando cada vez mais cla ro que suas crenças não se baseiam na fé cega ou no dogma religioso mas. q uando não se consegue explicar o que está provocando certos comportamentos ou proble mas. isso deriva de alguns pressupostos básicos a partir dos quais a psicologia ocidental opera. a pessoa não pára de procurar. Seja como for.megacursos. Por exemplo. E ao mesmo tempo há um pressuposto de que tudo deve ser explicado dentro do período desta vida. continua a pre ssupor que o objeto ainda esteja escondido em algum lugar neste recinto! Quando comecei a conceber este livro. E. Aos poucos. porém. já na psicologia ocidental há na min ha opinião uma tendência a superestimar o papel do inconsciente na procura das orige ns dos problemas de cada um. eu já havia desistido da idéia. Subjacente a todos os métodos do Dalai-Lama há um sistema básico d e crenças que funciona como um substrato para todos os seus atos: a crença na docili dade e bondade essencial de todos os seres humanos. já se fixaram os parâmetros. Por exemplo. Antes do final da nossa série de encontros. ele acrescentaria o co ndicionamento e os registros de vidas passadas. recorrendo à minha formação em psiquia tria.

Neste livro. Sua apr eciação de questões contemporâneas moldou-se a partir da A ARTE DA FELICIDADE posição singu ar que ele ocupa como figura mundial. todos estamos procurando algo melhor na vida. Nele incluí longos trechos dos seus ensinamentos públicos e das nossas con versas particulares. trocando idéias com cientistas de renome..com. quando estávamos so zinhos. uma abordagem ao mesmo tempo otimista e realista. o que lhe permitiu viajar pelo mundo muita s vezes. . o próprio movimento da nossa vida é no sen tido da felicidade. No entanto.br 8 .. pronunciadas diante de uma platéia numer osa no Arizona. em certas passagens preferi omitir partes das palestras do Dalai-Lama que se dedicavam a alguns dos aspecto s mais filosóficos do budismo tibetano. Isso está claro. . bem como com líderes religiosos e políticos. uma sinceridade que se refletia na sua expressão e nos seus. expondo-se a muitas culturas diferentes e a pessoas de todos os campos de atuação. Podemse encontrar título s selecionados no final deste livro.numa tradição que remonta a mais de dois mil e quinhentos anos e no entanto é amenizad a pelo bom senso e por uma sofisticada compreensão dos problemas modernos. A AR TE DA FELICIDADE . Se acreditamos e m religião.1 i Capítulo Z O DIREITO A FELICIDADE i Para mim o próprio objetivo da vida é perseguir a felicidade. se acreditamos nesta religião ou naquela. sou. . em última análise. ou não.Ha via na sua voz uma sinceridade tranqüila que não deixava dúvidas. olhos.Sou . o Dalai-Lama expôs o cerne da sua mensagem. e quem estiver interessado num estudo mais profundo do budismo tibetano encontrará muita informação de valor nesses livros. Com essas palavras. Io Pr imeira Parte O PROPÓSITO DA VIDA 1.respondeu ele e depois acrescentou.O senhor é feliz? .megacursos. O Dalai-Lama já escreveu uma série de livros e xcelentes a respeito de vários aspectos do caminho budista. Em obediência ao meu objetivo de procurar dar mais ênfase ao ma terial que for mais aplicável à nossa vida no dia-a-dia. O que surge. é um enfoque cheio de sabedoria para lidar co m os problemas humanos. procurei apresentar a abordagem do Dalai-Lama a um público essencialmente o cidental.perguntei-lhe mais tarde.. para mim.Mas será que a felicidade é uml obje tivo razoável para a maioria de nós? perguntei.. Por isso. sua afirmação de que o propósito da vida era a felicidade levantou na minha cabeça uma questão. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. .Decididamente.

de todo o nosso modo de encarar e abordar a vida. Naturalmente. impalpável. muitos métodos. de reso lver conflitos interiores ou problemas de relacionamento. que significa sorte ou oportunidade. a felicidade pode ser alcançada através do treinamento da mente . .possível? . não estou me referindo à "mente" apenas como a capacidade cognitiva da p essoa ou seu intelecto. Esse tipo de form ação levou muitos na minha profissão à conclusão sombria de que o máximo que se poderia esp rar era "a transformação da aflição histérica em mera infelicidade". podemos sofrer uma transformação da nossa atitude. é claro que ela pode envolver muitos aspectos. mais próximo de "psique" ou "e spírito". havia bastante conversa sobre o alívio dos sintomas de depressão ou ansiedade do paciente. Será que ela realmente é 14 O PROPÓSITO DA VI DA No Ocidente.br 9 . o conceito de alcançar a verdadeira felicidade sempre pareceu mal definido. eu testemunhei co m freqüência como essa felicidade Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Parece que a maioria de nós encara da mesma forma a misteriosa natureza da felicidade. Para mim. Depois desse estágio.megacursos. Estou. É esse o cam inho.com. esquivo. a felicidade dá a impressão de ser algo que caiu do céu. raramente consegui me lembrar de ter ouvido a (palavra "felicid ade" ser sequer mencionada como objetivo terapêutico. porém.Quando falo em "treinar a mente" nest e contexto. Quando vcoltei meu olhar para os anos que passei na formação psiquiátrica. eu não podia deixar de me sensibilizar com a idéia da felicidade como um objetivo atingível. Num nível básico de ser humano. apenas com o "treinamento da mente". Mas em geral começa-se identificando aqueles fatores que levam à felicidade e aquel es que levam ao sofrimento. Até mesmo a palavra happy é derivada do termo happ em i slandês. E. A partir dessa perspe ctiva. Quando levantei essa obj eção." 15 A ARTE DA FELICIDADE 0 Dalai-Lama afirma ter atingido certo grau de fe licidade pessoal. "Quando falamos dessa disciplina interior. usando 0 termo no sentido da palavra Sem. ao longo da semana que passou no Arizona. Como psiquiatr~i. que tem um significado muito mais amplo.É. o Dalai-Lama deu a explicação de imediato. sim. P or meio de uma certa disciplina interior. ela não parecia ser o tipo de aspecto que se pudesse desenv olver e sustentar. a afirmação de que havia um caminho bem definido até a feliicidade parecia ser uma idéia totalmente radical. mas jamais com o objet ivo expresso de tornar o paciente feliz. o coração e a mente. passase gradativamente a elimina r os que levam ao sofrimento e a cultivar os que conduzem à felicidade. Naqueles momentos de alegria qu e a vida proporciona. eu estava sobrecarre gado com idéias como a ápinião de Freud de que se sente a "propensão a dizer que a intenção de que o homem seja `feliz' não faz parte dos pllanos da `Criação"'. Para mi nha cabeça de ocidental. em tibetano. um significado que inclui o intelecto e o sentimento.

Do México . No entanto. depois da sua palestra aberta ao público. com freqüência são retraídas. ela pareceu surpre sa com aquele homem de aparência exótica. .megacursos. a alegria. Já as pessoas felizes são em geral consideradas mais sociáveis. E. e pensadores ocidentais como Aristóteles e William James concordaram com a idéia. Depois. Eles conseguiram. ela apareceu no mesmo local com outra integrante da equi pe de camareiras.br 10 .pessoal pode se manifestar como uma simples disposição para entrar em contato com o outro. para dep ois sucumbirem tragicamente com alguma doença ou outra desgraça. deixando-a com uma expressão de enlevo e prazer. por exemplo. de vestes marrom-avermelhadas. egocêntrica. criativas e c apazes de suportar as frustrações diárias com maior facilidade do que as infelizes. No di a seguinte. em si. A ART E DA FELICIDADE induzir um estado de espírito de felicidade numa pessoa que se sub meteu ao teste. reuniam-se a elas mais algumas camareiras no local e horário designado. O Dalai-Lama fez uma rápida pausa para falar alguns instantes co m ela e então seguiu adiante. à mesma hora. nos seus uniformes engomados em cinza e branco. Na realidade.com. o que é mais importante. muitos milhares de pes soas vêm ao mundo. Nunca sabemos. Outras estão destinad as a abrir caminho até a marca dos cem anos. talvez até a ultrapassá-la um pouco. forma ndo uma linha de recepção que se estendia ao longo do trajeto até os elevadores. sempre resta uma pergunta crucial: qual é o propósito da vida? O que confere significado à nossa vida? O propósito da nossa existência é buscara felicidade. cercado pelo séquito de costume. o Dalai-Lama se guia por um pátio externo no caminho de volta ao seu quarto no hotel. mas as duas pareciam radiantes de felicidade enquanto voltavam ao trabalho. Neste exato momento. um a disposição a estender a mão e ajudar os outros. Pesquisadores desenvolveram algumas experiências interessant es que revelaram que as pessoas felizes demonstram um certo tipo de abertura. A interação foi rápida. Um dia de manhã. o ód io e o amor. Todos os dias daí em diante. considera-se que sejam mais amorosas e dispostas ao perdão do que as infelizes. se rá que uma vida baseada na busca da felicidade pessoal não seria. O PRO PÓSITO DA VIDA Nossos dias são contados. Parece senso comum. ensimesmadas e até mesmo hostis. até que no final da semana já havia ali dezenas de camareiras. ela sorriu. Por um instante. quer um século. algumas fadadas a viver apenas alguns dias ou semanas. para gerar uma sensação de afinidade e boa vontade. criando uma situação em que ela inesperadamente encontrava dinheiro numa cabine Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. até mesmo nos encontros mai s curtos. e demonstro u estar intrigada com a deferência do séquito. Quer vivamos um dia. flexíveis.respo ndeu com timidez. ele parou para perguntar de onde ela era. o desespero. até mesmo comodista? Não necessariamente. e as duas o cumprimentaram calorosamente enquanto ele ia entra ndo no elevador. em termos sociais. pesquisas e mais pesquisas r evelaram que são as pessoas infelizes que costumam ser mais centradas em si mesmas e que. Ao perceber uma camareira do hotel parada perto dos elevadore s. e a provar cada sabor que a vida tem a oferecer: a vitória.

'3 PROPÓSITO DA VIDA Capítulo 2 AS FONTES DA FELICIDADE Dois anos atrás. da premissa básica de que o propósito da nossa vida é a busca da felicidade. ela havia aban donado o emprego de enfermeira. uma amiga minha teve um ganho inesperado. o trânsito volta a fluir. minha amiga saiu da venda chei a de opções de compra de ações . nossa 18 O PROPÓSITO DA VIDA reação pode ser simplesmente a de aumentar a velocidade e fechar o espaço. É uma visão da felicidade como um objetivo verdadeiro. à medida que começarmos a identificar os fatores q ue levam a uma vida mais feliz. mas à família do indivíduo e também à sociedade com do. Vemos alguém em outro carro fazendo si nais de que quer passar para nossa faixa à nossa frente. a quem era apresentada a mesma oportunidade de ajudar. Zo Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Se estivermos nos sentindo péssimos. por que os outros não podem esperar?" Partimos. para ir trabalhar para dois amigos que estavam a brindo uma pequena empresa de atendimento de saúde. Embora esses tipos de ex periência contradigam a noção de que a procura e a realização da felicidade pessoal de alg um modo levam ao egoísmo e ao ensimesmamento. se eu estou aqui parado esperando todo esse tempo. A companhia teve um sucesso me teórico e em um ano e meio foi comprada por um grande conglomerado por um valor al tíssimo. Os pesquisadores co ncluíram que os objetos da experiência que estavam se sentindo felizes tinham maior probabilidade de ajudar alguém ou de emprestar dinheiro do que indivíduos num "grupo de controle". ainda a uma velocidade muito baixa. Em ou tra situação. E.megacursos. um dos participantes da experiência passou então por ali e deixou cair "acidentalmente" uma pilha de papéis. e e les depois foram abordados por alguém que passava por necessidade (também de conluio com os pesquisadores) e queria apanhar dinheiro emprestado. "Ora.o suficiente para conseguir aposentar-se aos trinta e d ois anos de idade. então. levantou-se o ânimo dos objetos da experiência com um disco de piadas. Um ano e meio antes daquela época. Tendo participado da empresa desde o início.telefônica. que e stejamos parados num congestionamento. Se estivermos de bem com a vida. por exemplo.com. é maior a probabilidade de reduzirmos a velocidade para deixar a pessoa en trar. Depois de vinte minutos. Os pesquisadores queriam saber se o objeto da experiência pararia para ajudar o desconhecido. Eu a vi há não muito tempo e do de estar aposentada. Suponhamos. um objetivo para a realização do qual podemos dar passos positivos.br 11 . mas cujo e stado de espírito não havia sido estimulado com antecedência. Fingindo ser um desconhecido. estaremos aprendendo como a busca da felicidade oferece benefícios não só ao indivíduo. todos nós podemos conduzir nossa própria experiência no laboratório do nosso próprio dia-a-dia.

E. um carro novo ou um reconhecimento por parte dos cole gas podem nos deixar animados por um tempo. Essas duas pessoas ilustram o ponto essencial de que a fel icidade é determinada mais pelo estado mental da pessoa do que por acontecimentos externos. depois que me recuperei da emoção de ganhar todo aquele dinheiro. de rotina.. Por volta da rtiesma época em que minha amiga estava recebendo os lucro s inesperados. e sinto gratidão por não ter até agora apresentado nenhum sintoma grave da AIDS e por poder realmente aproveitar o que tenho. que a empolgação inicial ia passa ndo com o tempo e os Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Em que ternos? . Mas o e stranho é que. Da mesma forma. um automóvel na ofi cina ou um pequeno ferimento podem nos deixar de péssimo humor. perguntei se estava gos tanzi A ARTE DA FELICIDADE O PROPÓSITO DA VIDA descobrindo tantas coisas nas quais nunca havia pensado antes.disse ele. estou mais feliz agora do que nunca fui. Parece que aproveito cada dia mais do que jamais aproveitei antes. as coisas mudaram. Um aumento. O sucesso pode produzir uma sensação temporária de enlevo.. e nós podemos ver como esse princípio atua no no sso dia-a-dia. . E. as co isas mais ou menos voltaram ao normal. .. uma discussão com um amigo. tudo está diferente comprei uma casa nova e tudo o mais. Mas ao longo do último ano.com. v ocê sabe que eu sempre tive a tendência a ser um materialista inveterado. mas logo voltamos ao nosso nível costu meiro de felicidade.É claro que a princípio fiqu ei arrasado . Pesquisadores que estudavam os ganhadores da loteria estadual no Illin ois e da loteria britânica descobriram.megacursos. . devo admitir que. Comecei a explorar a espiritualidade pela primeira vez na minha vida. sob certos aspectos. se analisarmos de momento a momento. Fico empolgado só de acordar de manhã.. mas persiste mesmo sob condições mais extremas de sucesso ou catástrofe. Nós conv ersamos sobre como ele estava lidando com seu estado. l endo um monte cie livros e conversando com as pessoas. Só que ao lo ngo do último ano. muito embora eu preferiss e não ser soropositivo.perguntei. de pensar no que o dia pode me trazer.. mas mais cedo ou mais tarde nosso nível geral de felicidade acaba migrando de volta para uma certa linha de referência. E demorei quase um ano só para aceitar o fato de estar co m o vírus. Quer dizer. Parece simplesmente que aprecio mais o dia-a-dia... Os psicól ogos chamam esse processo de adaptação. mas em geral ache que não estou muito mais feliz do que era antes. a doença transformou minha vida. a procura da aceitação da minha mortalidade descortinou todo um mun do novo. por exemplo.Bem. ou a tragédia pode nos mandar para um período de depressão. outro amigo da mesma idade descobriu que era soropositivo.br 12 . por exemplo. Essa tendência não se limita a acontecimento s triviais. para melhor.Bem .é ótimo poder viajar e fazer o que eu sempre quis fizer. mas em questão de di as nosso espírito volta ao que era antes.disse ela .

porque nossa felicidade de cada momento é em grande parte determinada por nos so modo de encarar a vida. por exempl o. Estudos como. mesmo aquelas pessoas que são vítimas de acontecimentos cat astróficos.megacursos. o que é mais importante. Isso ocor re. instalado no cérebro desde o nasci mento. o fato de nos sentirmos felizes ou infe lizes a qualquer dado momento costuma ter muito pouco a ver com nossas condições abs olutas mas é.com. não importa quais sejam as condições externas. uma função de como percebemos nossa situação. da satisfação que sentimos m o que temos. quando nossos rendimentos anuais sobem de repente de US$ 20. existem passos que podem ser dados para que trabalhemos com o "fator mental". I sso.ganhadores voltavam à sua faixa habitual de felicidade de cada momento. como por exemplo o câncer. Se comparamos nossa situação atual com so passado e concluímos que estamos em melhor situação.levaram esses pesquisadores a postular a existên cia de um ponto biológico fixo para a felicidade.e ainda não foi dada a última palavra quanto à extensão desse papel . 22 Portanto. a cegueira ou a paralisia.há um consenso geral entre os psicólogos de que qualquer que seja o nível de felicid ade que nos é conferido pela natureza. Entretanto. fixado numa faixa mais alta? Alguns pesquisadores defenderam rece ntemente a tese de que o nível de felicidade ou bem-estar característico de um indivíd uo é determinado geneticamente. tipicamente recupe ram seu nível normal ou quase normal de felicidade de rotina depois de um período ad equado de ajuste. se nossa tendência é voltar para o nível de referência de felicidade que nos é característico.000 para US$ 30. A ARTE DA FELICIDADE A MENTE QUE COMPARA 11 O PROPÓSITO DA VIDA O q ue determina nossa percepção e nosso nível de satisfação? Nossa sensação de contentamento s e forte influência da nossa tendência à comparação. o que então determina esse nível de referência? E.000 por ano. por exemplo. sim. um que concluiu que gêmeos idênticos (que têm a mesma constituição genética) tendem a ap esentar níveis muito semelhantes de bem-estar independentemente do fato de terem s ido criados juntos ou separados . Na realidade. pelo menos até certo ponto. E outros e studos demonstraram que. mas não é o valor absoluto da renda que nos deixa felizes. como lo go descobrimos quando nos acostumamos ao novo patamar e percebemos que só voltarem os a ser felizes quando ganharmos ÚS$ 40.br 13 . mesmo se a constituição genética desempenhar um papel no que diz re speito à felicidade . a fim de aumentar nossa sensação de felicidade.000. sentimo-nos felizes. Por maior que seja nossa Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. será que ele pode s er modificado. Também olhamos à nossa volta e n os comparamos com os outros.

A comparação constante com quem é mais inte ligente. A ARTE DA FELICIDADE . ela não é algo simples. fr ustração e infelicidade. L. pediu-se aos objetos da pesquisa que completassem a frase "Fico feliz p or não ser. Existem muitos níveis..com. No entanto. sugerem com clareza a supremacia da nossa dispos ição mental no que diz respeito a levar uma vida feliz. podemos usar esse mesmo princípio de modo positiv o." Dessa vez.br 14 . como sofrer queimaduras ou ficar deformada. satisfação material. "Deixemos de lado por um momento as aspirações máximas espirituais ou religiosas. dois ou três mil hões de dólares. e lidemos com a alegria e a felicidade como as entendemos num sentido ro tineiro ou material.. Logo. Essas experiências. mais bonito ou mais bem-sucedido do que nós também costuma gerar inveja. Outro fa tor que encaramos corno fonte de felicidade são Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.. considera-se que a saúde é um dos fatores necessários para uma vida feliz. a experiência deixou as pes soas sentindo uma insatisfação maior com a vida. foi pedido às mulheres que av aliassem a qualidade das suas próprias vidas.. por exemplo. ou pediu-se às mulheres que i maginassem tragédias pessoais. ou felicidade: riqueza. há certos elementos essenciais que con vencionamos reconhecer como propiciadores da alegria e da felicidade. que demonstram no ssa possibilidade de aumentar ou diminuir nossa sensação de satisfação com a vida por me io de uma mudança de perspectiva. como a perfeição e a iluminação. comparamos outros aspectos além da renda.Embor a seja possível alcançar a felicidade .renda. nossa tendência é sentir insatisfação se nosso vizinho estiver ganhando mais. mostraram-se a mulheres n a University of Wisconsin em Milwaukee imagens das condições de vida extremamente du ras vigentes em Milwaukee na virada do século passado. O exercício resultou num aumento da se nsação de satisfação com a vida. Podemos aumentar nossa sensação de satisfação com a vida comparando-nos com os que são menos afortunados do que nós e refletindo sobre tudo o que temos. Ju tos eles abarcam a totalidade da busca do indivíduo pela felicidade. Essa tendência parece corroborar a definição de H. Pesquisadores re alizaram uma série de experiências e demonstraram que o nível de satisfação com a vida de uma pessoa pode ser elevado através de uma simples mudança de perspectiva e da visua lização de como as coisas poderiam ser piores. Atl etas profissionais queixam-se amargamente de salários anuais de um. há uma referência aos quatro fatores d e realização. os participantes aprese ntaram uma nítida elevação nos seus sentimentos de satisfação. pode-se ver como nosso sentimento de satisfação com a vida muitas vezes depende da pessoa com quem estamos nos comparando. Em outra experiência na State University of New York." Depois de repetir esse exercício cinco vezes. Depois de terminado esse exercício. espiritualidade e iluminação. Pediu-se a outro grupo que completasse a frase "Eu gostaria de ser. Por exempl o. Num estudo. Naturalment e. No budismo.explica o Dalai-Lama -. mencionando o salário mais alto de um colega da equipe como justifica tiva para seu descontentamento. Dentro desse contexto.megacursos. em Buffalo. e escre vessem a respeito. Mencken de um homem rico: aquele cuja renda superar em cem dólares a renda do mari do da irmã da sua mulher.

"Tudo isso indica a tremenda influência que o estado da mente. Todos nós reconhecemos que. deixando de lado a perspectiva da prática espiritual. todos esses fatores são. Hoje em dia. elas poderão contribuir para que alcancem os uma vida mais feliz." O Dalai-Lama parou por um instante como que para deixar que essa idéia assentasse e depois prosseguiu. maior será nossa paz de espírito e maior nossa capacidade para levar uma vida feliz e prazerosa. há sociedades bastan te evoluídas em termos materiais. Por exemplo. nosso sucesso e assim por diante. os bens não significam nada. a fim de levar uma vida realizada.com. até mesmo um amigo íntimo parece de algum modo meio frio ou gélido. de modo positivo. Não há. assim. o fator men tal. isso acaba com a saúde e. na ajuda aos outros. se a pessoa nutr e pensamentos rancorosos ou muita raiva bem no fundo de si mesma. à dependência de drogas ou álcool e. ao suicídio. a brigas desnecessárias. naturalmente. Logo abaixo da bela aparência de afluência há uma espécie de inquietação mental ue leva à frustração. devemos encarar es se fator com muita seriedade. pr ecisamos de um círculo de amigos com quem possamos nos relacionar emocionalmente e em quem confiemos. Nisso há um nív el muito alto de sensibilidade e sentimento. sua disposição mental é essencial. Quando se está num estado exacerbado de raiva ou ódio. destrói um dos fatores. quando está vivendo um momento de raiva ou ódio int enso.nossos recursos materiais. no pior s casos.megacursos.Eu deveria mencionar que. fontes de felicidade. e no entanto em seu seio muitas pessoas não são muit o felizes. mesmo quem tem bens maravilhosos sente vontade de atirá-los longe. "Ora. A ARTE DA FELICIDADE "Portanto.ou fortuna . "Desde que falte a disciplina inter ior que traz a serenidade mental". E. quando se está infeliz ou f rustrado no nível mental. nós apreciamos esses asO PROPÓSITO DA VIDA pectos: nossos recursos materiais. Naquele instante. para resumir "não importa quais seja m as condições ou meios externos que Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. no que diz respeito a levarmos uma existência feliz no dia-a-dia. Da mesma forma. portanto. A paz de espírito ou a serenidade têm como origem o afeto e a compaixão. Naturalmente. quanto maior o nível de serenidade da mente. Porém. . não deveríamos confundir isso c om um estado mental totalmente insensível. Ela tem importância c rucial. Outro fator é ter amigos ou companheiros. quando fal amos de um estado mental sereno ou de paz de espírito. mesmo em termos terrenos. ou a :riqueza que acumulamos. o conforto físico não ajuda muito. apático. esses aspectos terão pouquíssimo impacto na nossa sensação de felicidade a longo prazo. Por outro lado.br 15 . disse ele. Ou ainda. sem a atenção ao fator mental. como nossa saúde. distante e perfeitamente irr itante. sem a atitude mental correta. se a pess oa conseguir manter um estado mental calmo e tranqüilo. de quebrá-l os. No entanto. para que um indivíduo possa fazer pleno uso delas com o intuito de le var uma vida feliz e realizada. Pode-se dizer também o mesmo a re speito dos amigos. "Se utilizarmos nossas circunstâncias favoráveis. Ter um estado de espírito tranqüilo ou calmo não significa ser completamente desligado ou ter a mente totalmente vazia . exerce sobre nossa experiência do dia-a-dia. no fundo. poderá ser muito feliz apesa r de sua saúde ser frágil. nenhuma garantia de que a riqueza em si possa proporcionar a alegria ou a realização que buscamos.

Ou. quando dispomos dessa qualidade interior. que desejamos. e ainda sente o desejo de ter um. O desejo da paz. Isso geralmente resulta em problemas. bombardeados.normalmente se considerariam necessários para a felicidade. Ai nda com o carro na cabeça quando comecei minha sessão. Pode gerar um sentimento de perturbação entre os vizinhos. surge em mim uma sens ação de desejo. Vivemos cercados. essa compra pode acabar causando problemas. E assim. a cultura ocidental. "Às vezes.megacursos. por exemplo. . O desejo de um mundo mais harmonioso. determinar se um desejo xcessivo ou negativo é algo que depende das cürcunstâncias ou da sociedade em que se v ive. Porém. Se obedecermos àquele primeiro desejo. eu às vezes visito sup ermercados. Cer tos desejos são muito úteis. uma certa estabilidade interna. quando olho para todos aqueles artigos diferentes. o tipo de carro que vinha querendo havia muito tempo.br 16 . "Mas. àquele i mpulso A ARTE DA FELICIDADE inicial. onde se p ode viver muito bem sem um carro. Ora. o outro nível de desejo. parei para admirar um Toyota Land Cr uiser novinho em folha. fiz uma pergunta. mesmo que di sponha do dinheiro para comprálo. para quem vive numa sociedade afluente na qual é preciso um carr o para ajudar a pessoa a cumprir a rotina diária.Creio que há dois tipos de desejo . por anúncios das últimas novidades a comprar. do último modelo de automõvel e assim por diante. baseado nas nossas necessidades essenciais de alimentação. muito em breve estarem= de bolsos vazios. isso também leva ao mesmo tipo de problema. é algo mais razoável. entre outras coisas." 28 O PROPÓSITO DA VIDA O CONTENTAMENTO INTERIOR Ao atravessar o estacionamento para i r me encontrar com o Dalai-Lama numa tarde. nesse caso não há nada de errado em querer ter um carro.Certos desejos são positivos. vestuário e moradia. Por outro lado. uma serenidade mental. Realmente adoro supermercados porque posso ver muita coisa bonita. O senhor pode ria falar um pouco sobre o desejo? .respondeu o Dalai-Lama.Às vezes pa rece que toda a nossa cultura. Por exemplo.. É difícil não ser influenciado por isso. Parece que não têm fim. eu quero isso e mais aquilo' . a certa altura. É absolutamen te certo. N o entanto. Brota então um segundo pensamento e eu me pergunto: `Ora. O desejo da felicidade. mais amigo. e meu impulso inicial poderia ser: `Ah. será que eu preciso mesm o disso?' Geralmente a resposta é `não'.com." Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. mesmo que faltem vários recursos externos que normalmente se considerariam necessários para a felicidade. nesse caso. Sã tantas as coisas que queremos. os desejos podem tornar-se absurd os. se a pessoa mora num lugarejo pobre na índia. caso se viva numa sociedade mais próspera e se tenha um carro mas não se pare de querer carros sempre mais caros. se baseia nas aquisições materia is. eles nunca nos darão a s ensação de alegria e felicidade que buscamos. ainda é possível levar uma vida feliz e prazerosa. .

para mim. Todas as ações condenáveis. quando ela chega a esse limite. se e le acaba gerando conseqüências positivas ou negativas.com. mas isso não justifica o ato. portanto. alcançar esse contentamento íntimo? Há dois métodos. baseada na exacerbação das expectativas. o roubo.todo o dinheiro. concluímos que ela conduz o indivíduo a uma sensação de frustração.Não.br 17 . Ter um carro mais caro d o que os de seus vizinhos poderia ser um problema para eles (pois poderiam senti r inveja ou algo semelhante) mas ter um carro novo daria à pessoa. como um poço sem fundo. O DalaiLama já salientou a desvantagem dess a abordagem. os automóveis. A satisfação pessoal em si não pode determinar se um desejo ou ato é positivo ou negativ o. decepção. o adultério. apesar de seu motivo subjacente ser a busca da satisfação. ." li~I Co mo podemos. Um consiste em obt er tudo o que se quer e deseja . embora ela decorra do dese jo de obter alguma coisa. esse tipo de desejo excessivo gera a ganância. o que é uma ironia. É um perigo inerente a ess a espécie de desejo. são cometidas por pessoas que podem na ocasião ter um sentimento de satisfação. sim. Um traço interessant e da ganância é que. Torna-se. quando refle timos sobre os excessos da ganância. Se a pessoa tiver um forte sentido de contentamento.Mas eu não consigo ver como querer ou comprar um carro mais caro causa problen i as para o indivíduo. então. Quando se trata de lidar com a ganância. O segundo método . O que distingue um deçejo ou ato positivo de um negat ivo não é a possibilidade de ele lhe proporcionar uma satisfação imediata mas.. que é mais confiável. ela não se satisfaz com a obtenção. Se nossos desejos e vontades permanecerem desenfreados. consiste em não ter o que queremos mas. "E. a pessoa acaba atingindo um limite daquilo que consegue a dquirir e se defronta com a realidade. em si. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. O Dalai-Lama abanou a cabeça e respondeu com firmeza.megacursos. perde toda a esperança. no caso do ansei o por bens mais caros. um aspecto perfeitamente característico é que. o parceiro perfeito e o corpo perfeito. mergulha na depressão e assim por diante. desde que ele tenha condições para isso. De uma forma ou de outra. não faz diferença se A ARTE DA FELICIDADE consegue o objeto desejado ou não. a pessoa ainda não está satisfeita. algo meio sem limites. se ele estiver baseado numa atitude mental que simplegmen te quer cada vez mais. ma nifestação exagerada do desejo. todas as casas. sim. ela continua contente. E. a mentir a.. Por exemplo. O verdadeiro antídoto para a ganância é o contentamento.. entre outras. mesmo de pois da obtenção do objeto do seu desejo. mais cedo o u mais tarde vamos deparar com algo que queremos e não podemos ter. e isso gera perturbação. Um assassino pode ter uma sensação de satisfação no momento em O PROPÓSITO DA VIDA que comete o assassinato. E. a muita confusão e muitos problemas. uma sens ação de satisfação e prazer.

Outra fonte interna de felicidade. assisti a suma entrevista na te levisão com Christopher Reeve. a posição social o u mesmo a saúde física.com. descobrirá uma cura para as lesõies na medula espinhal dentro dos próximos dez a nos). ver o que ainda se pode fazer. e as pessoas me t ratavam de acordo. ]por seus cálc ulos. a felicidade de ter mulher e filhos amorosos. para ajudar outras pessoas.Agora. se seu acidenO PROPÓSITO DA VIDA . "Vou subir correndo para apanhar isso". Reeve disse que. estreitamente ligada a um a sensação íntima de contentamento. ele provavelmente teia morrido em decorrência das lesões. nenhuma capacidade para fazer bon s amigos com facilidade. suponhamos que e u não tivesse nenhum sentimento humano profundo. quando minha autor idade política no Tibete chegou ao fim. Sem isso. quando perdi meu próprio país. Reeve decidiu usar sua ment e para aumentar a conscientização do público e informá-lo a respeito das lesões na medula espinhal. No seu caso. e ainda tinha uma mente que podia usar. no meu caso. felizmente. é uma noção de amor-próprio. mas também falou com gratidão do veloz progresso da medicina moderna (que. C~ seu desespero se tivesse di ssolvido com bastante rapidez. Enquanto descr eyá o processo de adaptação à paralisia.megacursos. Quando o entrevistador pe rguntou com. ele disse ter percebido que o único jeito de seguir pela vida é olhar pa ra o que se tem. porém. Há pouco tempo. ha via um certo grau de respeito concedido ao posto do DalaiLama. Prosseguiu. Enquanto eu estava no Tibete. dizendo que esse sentimento de d esespero passou com relativa rapidez e que agora ele francamente se considerava "um cara de sorte".o ele lidava com a depressão decorrente da sua invalidez" Reeve confes sou ter vivido um curto período de total desespero enquanto estava na unidade de t erapia intensiva do hcospital.em querer e apreciar o que temos. Ao descrever a base mais c iável para desenvolver esse sentido de amor-próprio. independentemente Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. O VALOR INTERIOR Já vimos como traba lhar com nosso modo de encarar a vida é um meio mais eficaz para alcançar a felicida de do que procurá-la através de fontes externas. por exemplo. Ao co ncentrar a atenção dessa forma nos recursos de que dispõe.tivesse sido apenas alguns anos antes. e afirmou que. de início ele ainda era perturbado por crises inter mitentes de inveja que podiam ser detonadas por alguma frase inocente como. 33 A ARTE DA FELICIDADE .br 18 . tais como a riqueza. e tem planos para continuar a falar em públi co assim como para escrever e dirigir filmes.. o ator que caiu ide um cavalo em 1994 e teve lesões n a medula espinhal que o deixaram totalmente paralisado do pescoço para baixo e exi gem que ele respire com aparelhos em caráter permanente. Ao aprender a lidar com esses s entimentos. o Dalai-Lama deu a seguinte exp licação. Mencionou. ele não h avia sofrido nenhuma lesão cerebral. por exemplo. tornar-me um refugiado teria sido muito di fícil. em virtude da estrutura do sistema político.

talve z essa pessoa possa manter uma sensação de segurança. enquanto sua fortuna persistir.de sentirem ou não verdadeiro afeto por mim. Lamentavelmente. Por um lado. pode-se ter outra pessoa que goze de sucesso financeiro e situação econômica semelhante. A certa altura. quando perdi meu país. "Em termos gerais.Agora. Porém. já ele parecia estar animadíssimo.com." A FELI CIDADE X O PRAZER Alguns meses após as palestras do Dalai-Lama no Arizona. Esse vínculo pod tornar-se uma fonte de consolo na eventualidade de se perder tudo o mais. Se a fonte de dignidade e sentido de va lor dessa pessoa for apenas material. Por outro lado. P or eu vir de um clima seco.megacursos. Pouco depois do início da conversa. a pessoa sofrerá por não haver nenhum outro refúgio. Só que existe outra fonte de valorização e dignidade a partir da qual podemos nos relacionar com o utros seres humanos. afetuosa e tenha o sentimento da compaixão. há não muito tempo eu estava falando a uma platéia indiana em Rajpur. illl A ARTE DA FELICIDADE . O Dal ai-Lama parou por um instante para bebericar o chá. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Através desse tipo de raciocínio. P or exemplo. nós nos voltamo s para o tópico do prazer. fui vis itá-lo em casa em Dharamsala. E esse vínculo huma no é suficiente para dar ensejo a uma sensação de valorização e dignidade. há menos probabilidade de essa pessoa se deprimir se sua for tuna por acaso desaparecer. no momento em que a fortuna minguar. Podemos nos relacionar com eles porque ainda somos um ser h umano. sem aquele sentimento de afeto e ligação com outros seres humanos. quando se estuda história. e alguém da platéia disse que Rajneesh ensina que nossos momentos mais felizes ocorrem durante a atividade sexual e qu e. Porém. e eu não estava com o melhor dos humores quando nos sentamos para começar a conversar . então. e cheguei à sua casa empapado de suor depois de uma curta caminhada a partir do lugarejo. dentro da comunidade humana. a umidade naquele dia me parecia quase insuportável. Menc ionei que o propósito da vida era a felicidade. encontram-se casos de imperadores ou r eis no passado que perderam sua posição em decorrência de alguma convulsão política e fora m forçados a abandonar seu país. podese ver o valor práti co do afeto e calor humano no desenvolvimento de uma sensação íntima de valor. tudo teria sido dificílimo. Compartilhamos esse vínculo. abanou a cabeça e prosseguiu.br 19 . outra âncora. Era uma tarde muito quente e úmida em julho. cercada de parentes e assim por diante. podem existir dois tipos diferentes de indi víduos. se essa fosse a única base da relação do povo comigo. Creio qu e. outra fonte que lhe confere uma noção de d ignidade. então. a vida passa a ser muito difícil. ele fez uma observação crucial. mas daí em diante sua história não foi positiva. Com o essa pessoa tem outra fonte de valorização. mas que ao mesmo tempo seja carinhosa. pode-se ter uma pessoa rica e O PROPÓSITO DA VIDA bem-sucedida. as pessoas às vezes confundem a felicidade com o prazer.

. Heather era uma jovem profissiona l liberal solteira que trabalhava como psicóloga na região de Phoenix.. A simpl es reformulação do seu dilema em termos de "Será que isso vai me trazer felicidade?" p areceu conferir uma certa clareza. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Respondi que. sem saber como encarar a pergunta.Ele queria saber o que eu achava da idéia.respondeu afinal . E no entanto. ela está ali. No entanto. É claro que ain da se queixava do calor do verão.m termos superficiais. .br 20 . . costumamos ter um talento especial para confundi-Ias. do meu p onto de vista.. Na realidade. a maior felicidade é a de quando se atinge o estágio de Liberação. procurando me aprofundar um pouco. .O DalaiLama deu uma r isada gostosa. É claro que a felicidade e o prazer são sensações diferentes. ela lutava com a decisão de aceitar ou não o novo emprego.com.E u sei que não gostaria do trabalho lá tanto quanto do daqui. decidir em plena consciência ficar em Phoenix. Simplesmente não conseguia se decidir. do trânsito O PROP(WITO DA VIDA e do calor su focante no verão. mas isso seria mais do que compensado pelo mero prazer de morar naquela cidade! Eu realmente adoro aqui lo lá. Ach o que é mesmo muito gratificante trabalhar com os jovens no meu emprego.Você acha que mudar para lá lhe traria maior felicidade ou maior prazer? Ela ficou cala da um instante.megacursos.logo. mas dela resultou um empate irritante. Fizeram-lhe a oferta de um emprego numa linda cidadezinha nas mo ntanhas. e. duradoura. A felicidade que depende principalme nte do prazer físico é instável.Não sei. eu viria a ter uma demonstração concreta d e como pode ser importante essa simples percepção. . De repente. A verdadeira fel icidade está mais relacionada à mente e ao coração. no qua l não mais existe sofrimento.. sua observação parecia bastante óbvia. pode não estar. os seres humanos. Essa é a felicidade genuína. Não muito depois de voltar para casa. nós. . acho que não seria realmente feliz trabalhando com aquela clientela. Seu uso do termo "prazer" me fez lembrar as palav ras do Dalai-Lama. . Só estar lá já faz com que eu me sinta bem. fiz uma pergunta. Cost umava queixar-se da população crescente. E resolveu permanecer em Phoenix. no dia seguinte. Em últi ma análise. Era perfeito. Um dia. O único problema era que o emprego que lhe ofere ciam envolvia o trabalho com uma clientela adulta. já havia algum tempo ela vinha se sentindo cada vez mais insatisfeita com a vida na região.. . dura nte uma sessão de terapia com uma paciente. ficou muito mais fácil para A ARTE DA FELICIDADE ela tomar a decisão. é através do sexo que podemos nos tornar mais felizes. F . E estou tão cansada do calor aqui que s implesmente não sei o que fazer. Havia semanas. no qual trabalhava com jovens problemáticos. ela já visitara a cidadezinha muitas vezes e sempre sonhara em se mudar para lá.. Te ntou fazer uma lista de prós e contras. Embora gostas se do emprego que tinha.Sabe de uma coisa? Acho que me traria mais prazer do que felicidade.

Nos anos finais do século XIX. na folia de uma bebedeira. teól ogos e psicólogos. em vez disso. na delícia de um banho quente de banheira numa tarde fria e chuvosa. E. Em parte isso está relacionado ao fato de que "a escolha certa" costuma ser a difícil .com. Nós o reconhecemos no toque ou no sorriso de um ser amado. e admitiu que a devoção desenfreada a prazeres sensuais poderia. Todos os dias deparamos com inúmeras decisões e escol has. um exército de neuroanato mistas passou a dedicar-se a espetar o hipotálamo e as regiões límbicas do cérebro com e letrodos. Se a bordarmos nossas escolhas na vida tendo isso em mente. será mais fácil renunciar a a tividades que acabam nos sendo prejudiciais. no êxtase da heroína. Sigmund Freud dedicava-se a formular suas próprias teorias sobre o prazer. de algum modo tornou o calor mais suportável. Nenhum de nós realmente precisa de filósofos gregos mortos. pelo contrário. Como o Dalai-Lama salienta. esse é um fato inconfundível. O motivo pelo qual costuma ser tão difícil adotar o "É só dizer não!" ncontrase na palavra "não". e. na beleza de um pôr-do-sol.br 21 . No século XX. No século III a.prazeres com os quais muitos na nossa sociedade precisam aprender a conviver..aquela que envolve algum sacrifício do nosso prazer. feli zmente temos por onde começar: o simples lembrete de que o que estamos procurando na vida é a felicidade. Em outras palavras. é freqüente não escolhermos aquilo que sabemos ser "bom para nós". Em todos os sécul os. Esses também são prazeres muito verdadeiros . por mais que tentemos. de psicanalistas do sécu lo XIX ou de cientistas do século XX para nos ajudar a entender o prazer. muitos de nós também conhecem o prazer no arroubo frenético da cocaína. 39 A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. a força motivado ra fundamental de todo o aparelho psíquico era o desejo de aliviar a tensão causada por impulsos instintivos não realizados. muitos pesquisadores optaram por deiO PROPÓSITO DA VI DA xar de lado especulações mais filosóficas. Entretanto. nossa motivação oculta é a busca do prazer. De acordo com Freud. Mas até mesmo Epicuro reconheceu a importância do bom senso e da mod eração. mesmo que elas nos proporcionem uI' n prazer momentâneo.uma verdadeira legião de filósofos. na delícia do sexo sem restrições na euforia de uma temporada de sorte em Las Vegas. Epicu ro baseou seu sistema ético na ousada afirmação de que "o prazer é o início e o fim de uma vida abençoada".C. de desistir de algo. homens e mulheres dedicaram grande esforço à tentativa de definir o papel adequa do que o prazer desempenharia na nossa vida . Essa abordagem está associada a uma noção de rejeitar algo. todos estudando nossa ligação com o prazer. Embora não haja soluções fáceis para evitar esses prazeres destrutivos.megacursos. à procura daquele ponto que produz o prazer quando recebe estimulação elétrica . de nos negarmos algo. r esultar em sofrimento. Nós sabemo s quando o sentimos.com base naquilo que ela achava que acabaria por fazê-la mais feliz.

a máxima felicidade. não de rejeição a ela. nem mesm o do parceiro per.eríamos nutrir. Da mesma orma que acontece com as condições> ou objetos externos. E das substâncias que. geralmente tentamos primeiiro identificar qu ais cessas diferentes substâncias ou produtcos químicos são benéficos para que possamos nos dedicar a cultivá-los. de. alguns são muito úteis. naturalmente 1419-. não apenas na hora de decidir se vamos nos permitir o uso de drogas ou aquele te rceiro pedaço de torta de banana com creme. são dariosas nós n s livramos. .. Esses. q uando lidáamos com assuntos externos. a mensagem é clara: não precisamos de mais .br 22 .agora mesmo. apesar dos altos e baixos da vida e das fl utuações normais do humor. Lidar com nossas decisões e escolhas diárias com essa questão em men te desvia o foco daquilo que estamos nos negando para aquilo que estamos buscand o . para a a legria de viver.Quando nos refeyrimos à "mente" ouà "consciência". é mais fácil tomar a "decisão acertada" porque estamos agindo pa ra dar algo a nós mesmos. permanece como parte da própria matriz do nosso ser. De modo similar. Alguns são negativos. uma v ez atendidas essas necessidades básicas. não ~amos do corpo perfeito. Eolses deveríamos tent ar reduzir. Ela permite que as coisas sejam vistas de um novo ângulo. um enfoque melhor: enquadrar qualquer decisão que enfrentemos com a p ergunta "Será que ela me trará felicidade?" Essa simples pergunta pode ser uma poder osa ferramenta para nos ajudar a gerir com habilidade todas as áreas da nossa vida . neste momento exato. dispomos da 41 A ARTE DA FE LICIDADE mente.megacursos.Itros muito prejudiciais e outros são neutros. Entretanto. propagá-los e usá-los. Capítulo 3 O TREINAMENTO DA MENTE PARA A FELICIDADE O CAMINHO DA FELICIDADE Quando se identifica o estado mental como o fator primordial para alc ançar a felicidade. ao apresentar sua abordagem ao traba lho corm a mente. uma atitude de união com a vida. ou.Existe. mais abertos. Ela nos torna mais receptivos.uma atitude de movimento na direção de algo. Uma felicidade definida pelo Dalai-Lama como estável e pers istente. Essa percepção subjacente de estarmos indo na direção da felicidade pode e ercer um impacto profundo. há milhares de pensamen tos diferentes ou de "mentes' diferentes.~ beiro. a lguns aspectos são muito úteis. não precisamos de mais sucesso ou fama. Um estado de felicidade que.com. Assim começou o : Dalai-Larna. há muitas varieda des diiferentes. quando falamos sobre a mente. rmuito prejudiciais. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Entre eles. que é todo o eqzuipamento básico de que precisamos para alcançar a ple nm felicidade. A part ir dessa perspectiva.se está negando que nossas necessidades físicas fundistais de alimentação. não para negar ou recusar algo a nós mesmos . porém. E. não de afastamento. vestuário e moradia não sejam Patisfeitas.

Por exemplo.Por exemplo. Urria vez que nos demo conta disso. É muito importante uma aprec iação desse princípio causal. "No budismo. Precisamos identif icar com clareza diferentes estados mentais e fazer distinção entre eles. Portanto."Portanto. Antes de mais nada. é preciso levar essa lei em consideração. De modo análogo.com. Não posso perder essa oportu nidade'. entre outros.explicou o Dalai-Lama. desenvolver O PROPÓSITO DA VID A e aumentar essas emoções positivas por mais difícil que seja. já falamos da suprema importância do fator mental para que se alcance a felicidade. "O mesmo vale para experiências e estados men tais. tornamo-nos determinados a valorizar. do meu próprio futuro. e se não desejamos o sofrimento. de análi se de quais pensamentos e emoções são benéficos e quais são nocivos.Nós os considerarmos estados mentais negativos por que Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.perguntei. . portanto. o ódio. através desse processo de aprendizado. aos poucos desenvolve mos uma firme determinação de mudar. Em seguida. o que deveríamos fazer é nos certificarmos de que as causa s e condições que lhe dariam ensejo não mais se manifestem. Nossa próxima tarefa é. "Ora. o prime?iropasso na busca da felicidade é o aprendizado. vem a perc pção dcos aspectos benéficos das emoções e comportamentos positüvos. no caso d e experiências do dia-a-dia. classifica ndo-os segundo sua capacidade de levar à felicidade ou não. temos de aprender como as emoções e comporttamentos negativos rios são prejudici ais e como as emoçõces positivas são benéficas. são prejudic iais . E precisamos nos conscientizar de corno essas emoções negativas não são prejudiciais e danosas somente para nós mesmos mas pernici osas para ai sociedade e para o futuro do mundo inteiro também. o princípio da causalidade é aceito como uma lei natural. com a sensação de que `Agora o segredo da minha própr ia felicidade." O senhor pode dar algun s exemplos específicos de diferentes estados mentais e descrever como os classific aria? . Esse tipo de consc ientização aumenta nossa determinação pa:ra encarã-las e superá-las. examinar a variedade de estados mentais que 43 A ARTE DA FELICIDADE viverlciamos. o melhor método de garantir que tais acontecimentos não ocorram consiste em certificar-se de que não mais se dêem as condições causais que normalmente propiciam aquele acontecimento. Há uma espécie de disposiçã spontânea que vem de dentro. a atitude lógica a tomar consiste em procurar e acumular as causas e condições que dêem ensejo a ele.br 23 . Quem deseja a felicidade deveria procurar as causas que a propiciam. a raiva. o ciúme.megacursos. . Ao l idar com a realidade. está nas minhas mãos. caso se deseje que ocorra um acontecimento ou experiência específica. se houver certos tipos de acontecimentos que a pessoa não deseje.

Essas sensações se desd . a solidão em meio a um mundo visto como hostil. Isso nos confere um espírito de amizade.Mas o que eu quero diz er é do seu ponto de vista.eles destroem nossa felicidade mental. . isso gera nos outros uma sensação de confiança. cheia de compaixão. e assim sempre temos uma certa apreensão.. Há então menos necessidade de esconder coisas e. ." A DISCIPLINA MENTAL Enquanto ele falava. 0 senhor diz que existem milhares de estados mentais diferen tes. identificar e eliminar estados mentais negativos. p or exemplo. Se mantemos um sentimento de compaixão. assim como uma sensação de insegurança. podemos nos relacionar com eles com maiorfacilidade. Concluímos que todos os seres bumanos são exatamente como nós e. de dúvida e de insegurança se dissolvem automati camente. podemos nos comunicar com os outros com uma facilidade muito maior. . uma vez que nós mesmos estejamos cheios de ódio ou de emoções neg ativas. disso resultam mais medo. Todos esses sentimento s negativos derivam do ódio. . cari nhosa. E essa sensação de calor bum ano gera uma espécie de abertura. eu consideraria saudável uma pessoa bondosa. "Portanto. Através dela. você poderia ter uma definição mellhor de uma p essoa saudável em termos psicológicos. Embora sua sugestão de Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Eu só queria saber. cultivar estad os mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a uma melhor saúde mental e à felicidade.megacursos. por c onseguinte. eu sei que essa pessoa é capaz. Nossa sensação é "Ah. outras pessoas também nos parecerão hostis. São muito fúteis.Bem. interrompendo-o. ficamos com um pé atrás. estados mentais como a bondade e a co mpaixão são decididamente positivos. No entanto. Da mesma forma. os sentimentos de medo. Do contrário. Logo. poderíamos encontrar alguém que é muito competente e saber que podemos con fiar na competência daquela pessoa. Por outro lado. mas p sso mesmo confiar nela?". Qual seria sua definição de uma pessoa saudável ou equilibrada em termos psicológic os? Nós poderíamos usar uma definição dessas como uma diretriz para determinar quais est ados mentais cultivar e quais suprimir? Ele riu antes de responder com sua humil dade caractoerística. 44 O PROPÓSITO DA VIDA .br 24 . na minha opinião.. se sentirmos que essa pessoa não é gen erosa. seja como for. maior inibição e hesitação. assim.. Uma vez que abriguemos sentimentos de ódio ou rancor contra alguém. algo automaticamente abre nossa porta interior. que gera uma f orma de distanciamento.com.Como psiquiatra. E la A ARTE DA FELICIDADE era absolutamente prática e racional: identificar e cultiv ar estados mentais positivos.. descob ri algo muito interessante na abordagem do DalaiLama para alcançar a felicidade.disse e u. com elas. de generosidade a morosa.

as emoções ou desejos com base em algum julgamento moral imposto de fora. Todos os dias. Eu não deveria desperdiçar justamente este dia. para a lcançar a felicidade. por que tanta gente é infeliz? . à noite. é possível ao s poucos fortalecer os aspectos positivos da mente. nosso modo de pensar . pensando. Não se deveria ter a idéia. por exemplo.respondeu ele. Precisa-se de uma var iedade de vitaminas e nutrientes. Mesmo a mudança física leva tempo. d e que há apenas uma solução. e de que. É semelhante a cuidar direito do corpo físico. com a pergunta `Será que utilizei este dia como planejava?' Se tudo correu de acordo com o planejado. . antes de nos deitarmos. Se não deu certo.perguntei-lhe ao reto mar nossa conversa na tarde do dia seguinte. se a pessoa está mudando de um clima para outro. São muitos os traços mentais negativos. aos poucos fui me encantando com a força da sua lógica e raciocínio.Se a felicidade é uma simples questão de cultivar mais estados mentais positivos. podemos desenvolver uma motivação positiva sincera. "Creio. poderíamos verificar o que fizemos.com. Assim.começar pela análise sistemática da variedade dos estados mentais que experimentamos m e parecesse de início um pouco árida. ' E depois. Exige a repetida aplicação de várias técnicas e a dedicação de a a familiarização com as práticas. e isso não é nada simples . como " a cobiça é um pecado" ou "o ódio é condenável". ele distingue as emoções como positivas ou ativas atendo-se apenas ao fato de elas acabarem levando ou não à felicidade. E gostei do fato de que. transformar a mente leva tempo. e é necessário lidar com cada um deles e neutra lizá-los. não é p ossível conseguir isso apenas com a adoção de um pensamento específico ou a prática de uma técnica uma vez ou duas. . Por exemp lo. `Vou utiliza r este dia de um modo mais positivo. um segredo. podemos realizar mudanças positivas. . da mesma forma. em vez de classificar os estados menta is. e para sup erá-los. deveríamos lamentar o que fizemos e passar a uma crítica do dia.megacursos. ao acordar. tudo dará certo. isso é motivo para júbilo. Da mesma forma. não apenas de um ou dois.br 25 . porém. precisa-se de uma variedade de abordagens e métodos para lidar com os vários e complexos estados menO PROPÓSITO DA VIDA tais negativos. E se a pessoa está procurando superar certos modos negativos de pensar. A mudança demora. o corpo precisa de tempo para se adaptar ao novo ambiente. como a generosidade entre outros. se a pessoa conseguir acertar qual é. E. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. através de métodos como esses. Isso não é fácil. que à medi a que o tempo vai passando. É um processo de aprendizado.Alcançar a verdadeira felicidade po de exigir que efetuemos uma transformação na nossa perspectiva.É necessária a aplicação de muitos fatores d ferentes provenientes de direções diferentes.

os comportamentos negativos se reduzem automaticamente. Às vezes. e nesse contexto. naquele momento posso experimentar alguma perturbação na minha mente. se recebo alguma notícia trág ca.megacursos.querendo dizer práticas religinosas ou espirituais em geral. Portanto. poden'ios chegar ao ponto em que alguma perturbação p ossa ocorrer. como a raiva 47 A ARTE DA FELICIDADE ou o apego. não há nada que não se tome mais fácil com o trei namento e a familiaridade constante s. a que queiramos nos dedicar. ao longo de muitas vidas anteriores. e m segundo. e." E prosseguiu. É usado com maior freqüência para fazer referência aos ensinamentos e à doutr na do Buda. Porém. G7 termo Dharma em sânscrito deriva da raiz etimológica que significa "ssegurar".Não importa qual seja a atividade ou a prática. a lei espiritual universal ou a verdadeira naturreza dos f enômenos . p odemos nos. s influências negativas ainda detêm grande poder.com. Dentro da prática budista. o aprendizado do valor positivo das práticas. embora minha experiência possa ser muito limitada. . a palavra tem um significa do mais amplo: o cde qualquer comportamento ou entendimento que sirva para "refr ear a pessoa" ou para protegê-la evitando que passe pelo sofrimento e suas caqusas ."Agora. Através d a prática repetida desses métodos. com o tempo. por exemplo. des cobri a confirmação disso na minha própria prática. Por meio do treinamento. que substitui o antigo condicionamento ou háb:ito negativo por um no vo condicionamento positivo. a implementação das práticas positivas é muito fraca.br 26 . Com isso. Contudo. a tentativa de implement ar as práticas. certos aspectos pode m brotar.e usam o termo Buddhadharma para se referir dde modo mais específico aos princípios e práticas do caminho budista. no meu caso como monge budista. em decorrência do hábito. mas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. a prática do Dharma* é de fato uma constante bata lha interior. acredito no budismo e através da minha própria experiência sei que essas práticas budistas me são muito úteis. há vários métodos voltados p ara o esforço de manter a mente calma quando acontece algo de perturbador. como ondas que podem agitar a superfície do oceano mas que . mas nenhum eqjuivalente exa to em inglês. podemos mudar. trans* O termo Dharma tem muitas conotações. E.tão têm grande impacto nas profundezas. 48 O PROPOSITO DA VIDA formar. à medida que vamos gradativamente implantando as práticas positivas. mas os efeitos negativos exercidos sobre nossa mente permanecem na superfície. E nesse caso o que eu faço é o seguinte: em primeiro lugar. abrangendo a tradição (dos textos sagrados assim como o modo de vida e a s realizações espirittuais que resultam da aplicação dos ensinamentos. finalmente. Portanto. o fortalecimento da determinação. os budist as usam a palavra num sentido mais geral . No início.

com. e identificaram por meio de um exame de ressonância magnética quais as partes do cérebro envolvidas na tarefa. Avi Karni e Leslie Underleider nos National Institutes o f Mental Health. foi demonstrada em experiências como. Não aconte ceu da noite para o dia. Claro que não. não é irrevogavelmente fixa. Não há nenhum efeito nas profundeza s da mente. emocional e fisicarnente para reagir ao amb iente com atitudes que per49 A ARTE DA FELICIDADE mitam nossa sobrevivência.é possível graças à própria estrutura e função do cérebro. Ou ainda. Na realidade. Essa notável característica do céreb-o parece ser o embasamento fisiológico para a possibilidade de transformação da nossa mente. E. posso me irritar e gerar alguma raiva. Nenhum ódio. além do questionamento dos e stados mentais negativos . o que permite que os sinais elétricos transitem por e les com maior rapidez. experiência ou pensamento. foi repetido o exame do cérebro. a genuína transformação interior através da seleção deliberada de e tados ri?entais positivos. u ma realizada pelos drs. novas co mbinações de células nervosas e de neurotransmissores (substâncias químicas que transmitem mensagens entre as células nervosas) em resposta a novos estímulos. um exercício de batucar com os dedos. Os objetos da pesquisa passaram então a praticar o exercício dos dedos todos os dias ao longo de O PROPÓSITO DA VIDA quatro semanas. Isso indicou que a prática regular e a repetição da tarefa haviam recrutado novas células nervosas e haviam mudado as conexões neurais que orig inalmente estavam envolvidas na tarefa. Esses sistemas básicos de instruções estão codificados em inúmeros modelos inatos de ativação de las nervosas. t ornando-se pouco a pouco mais eficientes e rápidos. os pesquisadores fizeram com que os objetos de sempenhassem uma tarefa simples de coordenação motora. Essa capacidade de redefinir a configuração do cérebro. Nossos cérebros também são adaptáveis. seguida da concentração neles. da mesma forma.ela desaparece muito depressa. Nasce com cérebros que já vêm equipados geneticamente cam certos padrões de comportamentos ins tintivos. Co m a mobilização dos nossos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. de dese nvolver novas conexões neurais. n osso cérebro é maleável e sempre está mudando. ela se dissipa com rapidez. a função dos própri os neurônios individuais muda.br 27 . por exemplo. mas. 0 treinamento sistemático da mente . No entanto. N ntistas documentaram o fato de que o cérebro pode projetar novos modelos. em decorrência do aprendizado. Nessa experiência. somes predispostos mental. a configuração dos nossos cér ebros não é estática.o cultivo da felicidade. combinações específicas de células do cérebro que atuam em resposta a algum dado acontecimento. Ao final do período de quatro se manas. reconfigurando seus circuitos de acordo c om novos pensamentos e experiências. O Da lai-Lama vem se dedicando ao treiname nto da mente desde os quatro anos de idade. Os cientistas chamam de "plasticidade" a capacidade de mu dar inerente ao cérebro. Esse ponto foi alcançado através do exercício gradual. e ele revelou que a área do cérebro envolvida na tarefa havia expandido.megacursos.

No entanto.O Senhor descreve as emoções e comportamentos negativos como sendo "prejudiciais" e os comportamenO PROPÓSITO DA VIDA positivos como "salutares". pensando na nossa conversa enquanto ele fazia a pausa naquela tarde. não à disciplina que nos é imposta de fora por outros." O Dalai-Lama parou de falar por um instante e pareceu estar refletindo. como o Buda. A DI SCIPLINA ÉTICA Em conversa posterior relacionada ao treinamento da mente para a fe licidade. diz-se que fazer surgir a disciplina no interior da mente é a essência do ensinamento do Buda. o Dalai-Lama salientou o seguinte ponto. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. . da evolução espiritual e da completa transformação interior. Grandes mestres espirituais. Uma gangue de criminosos pode precisar de disciplina para efetuar um roubo com êxito. de modo que precisamos aprender a nos treinar para aumentar nossos comportamentos positivos. Ou talvez estiv esse apenas procurando uma palavra em inglês.Creio que o comportamento éti co é outra característica do tipo de disciplina interior que leva a uma existênA ARTE DA FELICIDADE cia mais feliz. Assim. afirma que uma finte sem treinamento ou disciplina geralmente resulta em comportamentos negativos ou prejudiciais. Parecia-me que a busca da feli cidade deveria de algum modo ser um processo mais espontâneo. Levantei essa questão com um aparte. Ela poderia ser chamada de disciplina ética. algum aspecto de toda essa h istória relativa à importância do aprendizado e da disciplina começou a me parecer basta nte entediante em comparação com os sublimes objetivos da verdadeira felicidade. a i déia de treinar a mente para a felicidade passa a ser uma possibilidade real.com. organizando os pensamentos. refiro-me à autodisciplina. Ela é também a base para a idéi a de que a transformação interior começa com o aprendizado (novos estímulos) e envolve a disciplina de substituir gradativamente nosso "condicionamento negativo" (corre spondente aos nossos padrões atuais característicos de ativação de células nervosas) por u m "condicionamento positivo" (com a formação de novos circuitos neurais).megacursos. tudo bem. e uma mente não disciplin ada leva ao sofrimento. Até aí. podemos remodelar nossas células c erebrais e alterar o modo de funcionar do nosso cérebro. mas essa disciplina é inútil. A percepção é que uma mente disciplinada leva à felicidade. refiro-me à disciplina que é aplicada com o objetivo de superar nossas qualidad es negativas. na realidade.br 28 .pensamentos e a prática de novos modos ce pensar. Além disso. aconselham-nos a realizar atos saudáveis e a ev itar o envolvimento com atos prejudiciais. E. depe nde de essa ação ou ato ter como origem um estado mental disciplinado ou não disciplin ado. "Quando falo de disciplina. . Se nossa ação é saudável ou prejudicial. Não sei. Além di sso.

isso não deveria ocorrer como um processo natural? Por que deveríamos pr ecisar de tanta educação.esm o assim. te mos de passar por uma A ARTE DA FELICIDADE espécie de programa de treinamento sist emático e assim por diante. mas temos de fazer um treinamento consciente nesse sentido. E a transformação de como nos percebemos.respondeu o Dalai-Lama -. E. É preciso treinamento. "Da mesma forma. como por exemplo uma ét ica secular. n o entanto.Mesmo em termos convencionais. porque existe uma tendência a aceitar que a questão dos atos salutares e dos prejudiciais . a religião perdeu até certo ponto seu p restígio e influência. e nós queremos a felicidade.com. O senhor também parte da premissa básica de que todos os seres por natureza querem evitar o sofrimento e alcançar a f elicidade. de modo esp ontâneo e natural. no nosso dia-adia . treinamento e disciplina para que esse processo se desenro le? .br 29 . Se não fosse assim. sabemos que esse tipo de instrução é vital para garantir uma vida feliz e b em-sucedida. se esses comportamentos salutares levam naturalmente à felicidade. por que não sentimos. A questão é."Mas o que me perturba é que sua própria definição de comportamentos negativos ou prejud iciais é a daqueles comportamentos que resultam em sofrimento. uma repugnância maior pelos comportamentos negativos ou prejudici ais. tornando-nos assim mais felizes à medida que nossa vida avança? Ou seja. E consideramos essa instrução e treinamento convencional b astante árduos. consideramos a educação um fator importantíssimo para a garantia de uma vida feliz e de sucesso. Tradicionalmente. à medida que amadurecemos? E se é natural querer alcançar mais felicidade. nenhuma alternativa. a segu inte: se nos é natural querer evitar o sofrimento. veio substituí-Ia. pode ter um impacto muito verdadeiro no modo como interagimo s com os outros e como conduzimos nosso dia-a-dia. Por exemplo. o senhor usa a analogia do Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. para comportamentos salutares. consid erou-se ser responsabilidade da religião prescrever quais comportamentos são salutar es e quais não são.megacursos. E define um comport amento salutar como o que resulte em felicidade. É por isso que acredito que precisamos fazer um esforço especial e trabalhar com consciência com o objetivo de adquirir esse tip o de conhecimento. parece que se dedica menos atenção à necessida de de levar um estilo saudável de vida. na sociedade atual. Não precisa ser aprendido. de modo espontâneo e natural. por qu e não somos cada vez mais atraídos. E o conhecimento não se obtém espontaneamente. Contudo. Por isso. ao mesmo tempo. tenho a impressão de que não basta que essa seja nossa natureza fundamental. por que os alunos anseiam tanto pelas férias? E. embora eu pessoalmente acredite que nossa nature za humana é essencialmente benévola e compassiva.é algo que se considera pertencer à esfera da religião. Esse desejo é inato. através do aprendizado e do entendimento. portanto. realizar atos salutares pode não nos ocorrer natural mente. especialmente na sociedade moderna.o que se deve e o que não se deve fa zer ." 54 C) PROPÓSITO DA VIDA _ . Isso acontece . devemos também desenvolver uma valorização e co nscientização desse fato.

que resultariam na felicidade. no papel de advogado do diabo. se estamos falido de certos comportamentos que o senhor ch ama de `salutares" ou positivos. Isso é uma coisa. por que é necessário tanto tempo de aprendiz ado para identificar quais comportamentos se enquadram em qual categoria e tanto treinamento para implementar os comportamentc's Positivos e eliminar os negativ os? Ou seja. que o carne mas mesmo assim tinham a necessidade cia à idéia. dade ou a der que há muitos níveis diferentes.megacursos. por exemcruciais. Digamos. por que não são assim todos os comportamentos ou emoções que resultam em sofrimento? Por exemplo . com uma risada vigorosa. da mera f a educação como meio de transformacozinhar a ~servou. sup.br 30 . aprende. biológica de consumi-Ia. e é sem dúvida fácil perceber diretamente essa pert urb.Um problema ca da nossa sociedade atual é que temos a acrescentar te mperos para tornar a comiuma atitude diante d. e oilu'os compor tamentos que resultariam em sofrimento. da educação como se ela existisse ape Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. À medida que evol uíram. por que as pessoas não passam simplesmente a evitá-lla no futuro de modo esp ontâneo e natural?" Enquanto o Dalai-Lama ouvia atentamente meus argumentos > seus olhos inteligentes se arregalaram um pouco. como soe ele estivesse levemente su rpreso com a ingenuidade dais minhas perguntas. comiam exatamente como ção interior.retruquei. se alguém põe a mão no fogo.com. ele obse um animal selvagem. uponho ene. ele se queima. Depois. Mas poir que é preciso que a pessoa seja instruída a respeito d os Jeitos danosos da raiva e do ódio para eliminá-los? Como aL raiva causa de imedia to um estado emocional desagradável. cheia de boa vontade. maüor será sei ' solução de um problema. é preciso compremeducação e o hecimento por isso qiae eu cons)nsidero a. O Pg PROPÓSI'TO DA VIDA A ARTE DA FELICIDADE diz que o conhecimento conduz à líber _ É seu sucesso em alcançar a felicidade. Não é preciso um longo aprend izado ou treinamento para que ela aprenda a não mais tocar no fogo. Porém. Por iss o. "Ora. tendo a prendido que esse comportamento resulta em sofrimento.formação e do formação acadêmica tradicional . Quando se q tmento. A pessoa recolhe a mão.açao." s seres h umanos na Idade da Pedra não sabiam Percelvendo. ele respond eu. o senhor alega que a raiva e o ódio são emoções nitidamentie negativas e que acabam le vando ao sofrimento. ou até mesmo como se as consideras sèe divertidas. minha persistent e resistênplo.

Portanto está claro que quanto mais sofisde não dê ênfase a a esse aspecto. . Logo. não se trata de algo tão simples quanto pôr a mão no fogo.Muito embora nossa socieda nos refrea mos. É preciso ser capaz de fazer ess a inferência. no qual se tem uma espécie de percepção de si mesmo que permite refletir e observar que. E até mesmo na atualidade. com maior efido conhecim ento e o da instrução é a de nos ajudara entencácia lidaremos com o mundo natural. no controle da raiva. quando a raiva surge. aprenles que não receberaram gra nde instrução. muito embora tenhamos o desejo de c onsumi-lo. se estamos com almais criatüvas. fomos feitos para procurar a felicidade.ezes chega mesmo a parecer que aque guma doença específica e. pode-se concluir que a raiva é destrutiva.com. Apesar de os animais poderem experimentar a rai va. para desenvolver um vocar mudanças de rá-las. afeto. E está c laro que os sentimentos de amor. intimidade e compaixão trazem a felicidade . ticado for o nível do nosso conhecimento.br 31 . Quanto mais sofisticado for seu gr au de instrução e de conhecimento a respeito do que leva à felicidade e do que provoca o sofriO PROPÓSITO DA VIDA Capítulo 4 O RESGATE DO NOSSO ESTADO INATO DE FELICIDADE NOSSA NATUREZA FUNDAMENTAL -ra. No caso dos seres hum anos. para ter acesso aos estado s mentais de amor e compaixão que produzem a felicidade afirmou o Dalai-Lama. para pondereta da nassa intelig~gencia e conheciment o consiste em pro ° dentro para fora. P ortanto. queimar-se e aprender a nunca mais fazer isso no futuro.ram a cozinhar. entender que a raiva é destrutiva.da dedicação a atos mais salutares e da "É também preciso julgar as conseqü ias dos nosimplantação da disciciplina na nossa mente. aqueles que são demos que um certo tipo de alimento não é bom para menos so fisticados e em termos de formação acadêmica. através do conhecimento. . ela prejudica a pessoa. der a importância d . para torná-las da mais saborosa sificados. são nós. orosa e depois inventaram pratos mais divernas para tornar as pe pessoas mais inteligentes.megacursos. Po r exemplo. A utilização cor sos comportament os a longo e a curto prazo. eles não podem bom coração. Às ve2. a aplic ação mais valiosa . porém. nós mais inocentes e helonestos. há um nível diferente. Creio que cada um de nós dispõe da base para ser feliz.Na realidade. é uma das Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.

Sem ele. Assim é a realidade. nossa estrutura físi ca parece ser mais adequadal sentimentos de amor e compaixão. 3entimentc)s de frust ração. de compaixão. Para mim o tema do afeto humano ou da compai xãoiãto é apenas uma questão religiosa. agitação e'. se olharmos o próprio modelo da nossa existêna desde a tenra infância até a morte. E assim é a vida. Por parte da criança.com. 'D mental tranqüila. é totalmente imaculado por Moções ou pensamentos negativos. de medo. mas também que a natureza básica ou essencial do ser humano é a serenidade. "A~m disso.br 32 . Podemos ver . pode ser que o leite não fl ua liv'-mente. Pode-se. "Pa começar. Nosso primeiro ato após o nascimento é o de manar o leite da nossa mãe ou de outra mulher. É um ato de feto. afetuosa e salutar produz efeit os benéficos para mossa saúde e bem-Bestar físico. Esse estado da menr• que existe em todos os sere s humanos. poderemos ver como vtnos nutridos pelo afeto dos outros. Inversamente.raiva pod-m ser danosos à nossa saúde' Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. 59 60 A tRTE DA FELICIDADE como umaa disposiç. E esse ato não pode ser realizado a menos que exta um sentimento mútuo de afeto. adotar esse enfoq ue sem qu seja preciso recorrer à doutrina budista da "Natureza douda°.megacursos. E isso a pa rtir do nasmento. 1~ fil osofia budista. se Ao houver nenhum sentimento de afeto pela pesso a que esver amamentando. não podemos sobreviver . sem o afeto por parte cL mãe ou da outra pessoa. se não houver nenhum vínculo. Trata-se de um fato indispensável na vida do dia-a -dia. pode aontecer de a criança não ma mar. essencial e extremamente sutil. 58 E1 que o senhor baseia essa crença? _ ~doutr¡na budista da "Natureza do Buda" oferec e alguns Indamentos para a crença de que a natureza essencialie iodos os seres sen cientes é basicamente serena e não aressiva`. E.minhas crenças fundamentais que nós não só possuímos inerentemente o potencial para a comp aixão. Há também outros fatores nos quais baseio essa crnça. Iss é claro. entretanto. a "Natureza do Buda" refere-se a uma natureza darente que é oculta .

br 33 . Mas a raiva também faz parte da nossa men te.disse ele. creio que n osso corpo físico pode ter sido muito fraco em comparação com o de outros animais. tenso com um ar alerta -. por usm instante antes de respornder. Ipois. Ou ainda. À mediO PROPÓSITO DA VIDA Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. meiga. creio que esses conflitos não são necessar iamente decorrentes da natureza humana. que resultem do intelecto huma no . Para entendeer isso. O Dal~i-Lama ba fixou a cab eça. No entanto. ``Por ipso. qluando interagimos com outr.uma inteligência humana em desequilíbrio. a compaixão faz parte da nossa mente. acorrtpanham p'r°Piciam tema vida familiar e comunitári. o do ser humano é muito mais agressivo. As duas se encontram mais ou menos no mesmo nível. Elas pertencem à nossa natureza em termos iguais. E se é esse o caso faz ainda mais sentido tentar l evar uma vida c4ue esteja fiais em harmonia com essa dc°ce natureza fundamental ci o nosso ser. mais também dentro da família. das nossas faculdades imaginativas. sugerindo que. "Portan to. sim. mais fundamental." . outros nos demdnstram cainho e afeto.com. fomos capazes de usar mui tos instrumentos e descobrir muitos métodos para superar condições ambientais adversas . mas para mim isso ocorre num nível secundário ou mais superficial. .Se nossa naturceza essencial é gentil e cheia dée corri paixão . allgumas ~sOas concluem que a natureza humana é basicamente 9greSSiva. a violência e a agressividade podem sem dúvida surgir. basta refletir sobre como nos sentimos quando os. "É verd ade. com firmeza. Em certo sentido. ao ecaminar tudo isso. Essas ennoções mais suavees e os coyp°rtamentos p ositivos que as. Ora.megacursos.ia mais fel iz. embora a agressividade possa ocorrer. ainda tenho afirme convicção de que a na tureza humana é fundamentalmente bondosa. graças ao desenvolvimento da inteligência humana. Não fazem parte da nossa natureza mais básica. o uso inadequado da nossa inteligência. Essa é a característica predominante da natureza humana. comp fazem c~m que nos sintamos. observemos como nossos próprias sentiment os ou atitudes afeetuosas de modo natural e altomático nos afetam de dentrr° Para fo ra. n`o apenas dentro da mente de u m indivíduo. em comparação com o comportamento de out ros mamíferos. A raiva. elas surgem quando nos sentimos frustrados nos nossos esforços para alcançar o amor e o afeto. debruçando-se para a f rente na cadeira. pensativo. Ou ainda. creio due podemos deduzir que noss2a natureza essencial como ser es humanos é uma naturezza meiga.ras pessoas. mas. e na sociedade. ao examinar a evolução humana. n(° nível nacional e mundial. podem alegar.~ergu ntei -_ eu só gostaria de saber comc° ° senhor explica todos o¡s conflitos e comportamen tos aagressivos que n(-)s cercam por todos os lados."Pode-'mos ver t<mbém que nossa saúde emoci=t°nal é beneficiadia por senlmentos de afeto ." Mesmo assim .Naturalmente 'não podemos ig norar o fato ode que existem cenflitos e teensões. Elas podem apontar para a história da humanidade.

A ARTE DA FELICIDADE da que a sociedade humana e as condições ambientais foram aos p oucos se tornando mais complexas, tornou-se necessário um papel cada vez maior da nossa inteligência e capacidade cognitiva para fazer frente às exigências cada vez mai ores desse ambiente complexo. Por isso, creio que nossa natureza básica ou fundame ntal é a serenidade, e que a inteligência •é um desdobramento posterior. Creio também que, se aquela capacidade humana, aquela inteligência humana, apresentar um desenvolvi mento desequilibrado, sem que seja adequadamente compensada pela compaixão, nesse caso ela pode tornar-se destrutiva. Pode ter conseqüências desastrosas. "Creio, porém, ser importante reconhecer que, se os conflitos humanos são criados pelo uso indev ido da inteligência, também podemos utilizar a inteligência para descobrir meios e for mas para superar esses conflitos. Quando a inteligência e a bondade ou afeto são usa dos em conjunto, todos os atos humanos passam a ser construtivos. Quando combina mos um coração amoroso com o conhecimento e a educarão, podemos aprender a respeitar a s opiniões e os direitos dos outros. Isso se torna a base de um espírito de reconcil iação que pode ser usado para dominar a agressividade e resolver nossos conflitos." O Dalai-Lama fez uma pausa e deu uma olhada de relance no relógio. - Portanto - co ncluiu ele - por maior que seja a violência ou por mais numerosas que sejam as atr ocidades pelas quais tenhamos de passar, creio que a solução definitiva para nossos conflitos, tanto internos quanto externos, reside na volta à nossa natureza humana básica ou fundamenO PROPÓSITO DA VIDA p1, que é meiga e cheia de compaixão. - Olhando m ais uma vez para o relógio, ele deu um riso afável. - E então... vamos parar por aqui. .. Foi um longo dia! - Apanhou os sapatos, que havia descalçado durante a conversa , e se recolheu para seu quarto. A QUESTÃO DA NATUREZA HUMANA Ao longo das últimas déc adas, a concepção do DalaiLama da natureza compassiva latente nos seres humanos pare ce estar aos poucos ganhando terreno no Ocidente, embora tenha sido uma luta árdua . A noção de que o comportamento humano é essencialmente egocêntrico, de que no fundo é me smo cada um por si, está profundamente enraizada no pensamento ocidental. A idéia de que não só nós somos inerentemente egoístas mas de que a agressividade e a hostilidade fazem parte da natureza humana essencial domina nossa cultura há séculos. Naturalmen te, ao longo da história houve um bom número de pessoas com opinião contrária. Por exemp lo, em meados do século XVIII, David Hume escreveu muito sobre a "benevolência natur al" dos seres humanos. E um século depois, até mesmo Charles Darwin atribuiu um "ins tinto de solidariedade" à nossa espécie. No entanto, por algum motivo, a visão mais pe ssimista da humanidade está arraigada na nossa cultura, pelo menos desde o século XV II, sob a influência de filósofos como Thomas Hobbes, que tinha uma opinião bastante n egativa da espécie humana. Ele considerava a humanidade violenta, competitiva, em constante coni Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 34

A ARTE DA FELICIDADE ocupada apenas com interesses pessoais. Hobbes, oito e preo _amoso por descartar qualquer idéia de uma bonque era fairiana essen(2ial, foi uma vez flagrado dando esmola dade humahdigo na fia. Quando questionado a respeito desa um men cso generosp, ele alegou não estar fazendo aquilo se impulsoar o mendi go; estava só aliviando sua própria conspara ajudardiante da pobreza do homem. ternação dlesma forma, no início deste século, o filósofo esDa me~eorge SantaYana escreveu que impulsos generopanhol Geiosos, enlbo~ra possam existir, costumam ser fracos, sos , atencic e instáv ò ei~ na natureza humana, mas "cave um efêmeros caixo da Superfície e descobrirá um ser feroz, perpouco aba~rofundamNnte egoísta". Infelizmente, a psicol osistente, prncia ocidental apoderaram-se de idéias como essa, gia e a ciênlção e ate fo mentaram essa visão do egoísmo. A deram sana primeiros tempos da moderna psicologia cientípartir dos Te uma pressuposição geral e fundamental de que fica, houve)tivação hutTi ana é em última análise egoísta, batoda a motLamente nC interesse pessoal. seada meras d e aceitar implicitamente a premissa do nosso Depoisino essencial, uma série de cie ntistas proeminenegocentrisr~o dos últimos cem anos acrescentou a ela uma tes ao l ongnatureza agressiva essencial dos humanos. Freud crença na nae °°a inclinação à agressivi ade é uma disposiafirmou qual, instiqtiVa e que subsiste por seus próprios ção origine s egunda metade deste século, dois autores em meios". Na;obert Ardrey e Konrad Loren z, observaram paespecial, RSmportarnento animal em certas espécies de predrões de co conduíram que os seres humanos eram basicadadores e dadores também, providos de um i mpulso inato mente pred,o para lutar por território. ou instintiv O PROPÓSITO DA VID A Nos últimos anos, porém, a maré parece ehtar se voltando contra essa visão profundamen te pessimistg da humanidade, aproximando-se mais da percepção do FalaiLama da brandu ra e compaixão da nossa natureza latente. Ao longo das duas ou três últimas décadas, hou ve literalmente centenas de estudos científicos que indicaram que a agressividade não é essencialmente inata e que o comportamento violento é influenciado por uma varie dade de fatores biológicos, sociais, situacionais e ambientais. Talvez a declaração ma is abrangente sobre as pesquisah mais recentes esteja resumida na Declaração sobre a Vidência de Sevilha de 1986, que foi redigida e firmada por vinte cientistas de r enome, do mundo inteiro. Nesse texto, eles naturalmente reconheceram que o compo rtamento violento ocorre, sim, mas afirmaram categoricamente que é incorreto em te rmos científicos dizer que temos uma tendência herdada para entrar em guerras ou par a agir com violência. Esse comportamento não está programado geneticamente na natureza humana. Disseram que, apear de termos o sistema neural necessário para agir com v iolência, esse comportamento em si não é ativado de modo automático. Não há nada na nossa n urofisiologia que nos obrigue a agir com violência. Ao examinar o tema da natureza humana essencial, a maioria dos pesquisadores Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 35

rio campo percebe atualmente que no fundo temos o potencial para nos tornarmos p essoas serenas, atenciosas, ou pessoas violentas, agressivas. O impulso que acab a sendo realçado é em grande parte uma questão de treinamento. Pesquisadores contemporân eos refutaram a idéia da agressividade inata da humanidade. Não só isso, mas a idéia 1il ~ Í~i~. Í: ~' Ini ~ I i I iI'~Ii, iI 11 i 11, 1 66 67 parte de um grupo tinham uma e r. Essa necessidade de fortes é hoje. Em estudos, como por dr. Larry Scherwitz, co m o objes de risco para a doença coroas pessoas que tinham o foco suras (aquelas q ue se referiam onomes "eu A ARTE DA FELICIDADE de que os seres humanos têm um egoísm o inato também está sofrendo ataque. Estudiosos como C. Daniel Batson ou Nancy Eisen berg, da Arizona State University,realizaram numerosas pesquisas ao longo dos últi mos anos que demonstram que os seres humanos têm uma tendência ao comportamento altr uísta. Alguns cientistas, como a socióloga dra. Linda Wilson, procuram descobrir por que isso acontece. Ela propôs a hipótese de que o altruísmo pode fazer parte do nosso instinto básico de sobrevivência - o exato oposto de idéias de pensadores anteriores que postulavam que a hostilidade e a agressividade eram a principal característica do nosso instinto de sobrevivência. Ao examinar mais de cem catástrofes naturais, a dra.Wilson descobriu um forte padrão de altruísmo entre as vítimas, que parecia fazer parte do processo de recuperação. Descobriu que o trabalho em conjunto para ajudar uns aos outros costumava afastara possibilidade de problemas psicológicos no futur o, problemas que poderiam ter resultado do trauma. A tendência a criar fortes laços com outros, em ações destinadas ao bem-estar dos outros tanto quanto ao próprio, pode estar profundamente enraizada na natureza humana, tendo sido criada no passado r emoto, quando aqueles que se uniam e faziam chance maior de sobreviv vínculos soci ais persiste at exemplo um realizado pelotivo de pesquisar os fatorenariana, des cobriu-se que mais concentrado em si me a si mesmas usando os pr 'i ", "mim" e " meu" ~ 11 ii Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 36

Pela simples observação de um bebê saudável. O O PROPÓSITO DA VIDA Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Viria possível traçar uma analogia com o deselvolvimeni da linguagem que. queestabeleça" limites ade quados para o comportamento dcs filhos. todos os seres humak°s podem°r como dom natural a "seme nte da compaixão" Quando eP°sta às condições adequadas . Se formos expostos às condições ambie ntais adeqLdas. Ao nascer. o sentido do olfato é desenvolvido até talvez apenas 5% da capacidade de um adult o. Cientistas estão descobrindo qu as pessoas a quem faltam fortes laços sociais parecem tea saúde frágil. níveis mais altos de infelicidade .br 37 .alimento.megacursos. essas á-eas distints do cérebro c omeçam a se desenvolver e a amadurece à medida que nossa capacidade para a lingu. de hostil para solidár ia. à semelhança da capacicade para âJ°mPaixão e o altruísmo é uma das esplêndicas caractefticas da espécie humana. poderíamos defender com sucesso a hipótese de ser inata a capacidade de dar prazer ao outro. tinham rrOr Probabilidade de desenvolver doença c)ronariana mesmo quando outros comportamentos prejudiciais à sa ve estavam sob controle. a uma sociedade que fala. a quem lhe devota cuidados. Da mesma forma. qi° comu(IR A ARTE DA FELICIDADE niquem à cr iança que ela é responsável pelo seu próprio comportamento e que usem a argumentação para a udar a direcionar a atenção da criança para estados emocionais ou afetivos bem como pa ra as conseqüências do seu comportamento sobre os outros.com.uma m air vulnerabilidade ao estresse. se eliminarmos esse pressuposto egoís ta básico. Já identificaram alguns ft°res: ter bis capazes de moderar suas p róprias emoçõc-.i° es ificamente devotadas ao potencial para a linguáem. e o sentido do paladar é pouquíssimo desenvolvido. ou seja.O PROPÓSITO DA VIhA Com maior freqüência numa entrevista. pesquisadores estão afira procurado descobrir as condições ambientais ótimas que peroram que a semente da atenção e compaixão pehs outros afadureça em crianças. os bebês parecem estar programados com apenas uma idéia na cabeça: a gratificarão das suas proprias necessidades.que sejas modelos de comportamento atencioso. por essa idéia em mente.em casa. c onforto físico e assim por diante. Poderíamos com a mesma facilidad e dizer que um bebê nasce programado para apenas uma coisa: a capacidade e objetiv o de trazer prazer e alegria aos outros. mais tarde talvez. um quadro totalmente novo começa a surgir. Por exemplo. na k)ciedade <)mo um tod o e. Determinadas áreas èp cérebro. Se começamos por pressupor o modelo de todo o comportamento humano baseado no interesse pessoal. se ria difícil negar a meiga natureza latente dos seres humanos. Uma revisão dos nossos press upostos básicos acerca da natureza latente dos seres humanos.gem for cìscendo. a partir dessa no va perspectiva. num recém-nascid o. Entretanto. Mas o que existe desses sentid os no recém-nascido está voltado para o cheiro e para o sabor do leite materno. pode abrir novas possibilidades.essa "sem ente vicejará. E. por meio c°s nossos:)r°Prios esforços direcionados . um bebê serve de exemplo perfe ito. como "prova" dessa teoria. Tomar a iniciativa de ajudar os out-os pode s~ tão essencial à nossa natureza quanto a comznicação.

um bebê serve de exemplo per feito. está cedendo lugar a uma visão de um ser que ao mundo com um mecanismo in ato destinado a dar ~ aos outros._ untar não só fornece nutrientes ao bebê. a quem lhe devota cuidados. por meio do alívio da ten são nos bebê também está programado em termos :)iológi Efeconhecer e reagir a rostos. Pela simples observação de um bebê saudável.ie mais isadores saem em campo para descobrir objetvamenna tureza dos seres humanos. um quadro totalmente novo começa a surgir. inocente. na pessoa qu e lhe presta cuique por sua vez também está obedecendo a uma ~ instintiva igualmente irresistível. poderíamos defender com sucesso a hipótese de ser inata a capacidade de dar prazer ao outro. a concepção do bebê urna trouxinha de egoísmo. meigos. em vez de hostis e egoístas.megacursos. propondo o um b ebê sorri para quem cuida dele :)u olha para os olhos dessa pessoa. atenciosos. os bebês parecem estar programados co m apenas uma idéia na cabeça: a gratificação das suas propilas necessidades. o sentido do olfato é desenvolvido até talvez apenas 5% da capacidade de um adult o. de hostil para sol idária. pode que o bebê nasce com uma capacidade inata prazer à mãe.com. e são poucas as pes . O O PROPÓSITO DA VIDA Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. uma máquina de co mer ~p~ir. se eliminarmos esse pressuposto egoís ta básico. nos ajuda a A ARTE DA FELICIDADE niquem à criança que ela é responsável pelo seu próprio comportamento e que usem a argumentação para ajudar a direcionar a atenção da criança para estados emocionais ou afetivos bem como para as conseqüências do seu comportamento sobre os outros. E. Por exemplo. Ao nascer.br 38 . exigindo apenas as condições Imbien~dequadas para permitir que a "semente de compaixão" ~e e natural germine e cresça. pode abrir novas possibilidades. Alguns etólogos uma teoria a partir dessa constatação. esse bebê es à cum -um "projeto biológico" profundamente arraigado.e deixam de sentir um prazer autêntico guando bê fita. Encarar os outros como seres e~sencia le bondosos. Mas o que existe desses sentid os no recém-nascido está voltado para o cheiro e para o sabor do leite materno. como "prova" dessa teoria. À medida q. num recém-nascid o. se ria difícil negar a meiga natureza latente dos seres humanos. Uma revisão dos nossos pre ssupostos básicos acerca da natureza latente dos seres humanos. Entretanto. Logc . a partir dessa no va perspectiva. ele wve para aliviar a tensão nos seios. seus olhos e sorri. ` ma vez que ch eguemos à conclusão de que a natubásica da humanidade é bondosa em vez de agressirelacio namento com o mundo à nona volta ~Àe imediato.alimento. c onforto físico e assim por diante. Se começamos por pressupor o modelo de todo o comportamento humano baseado no interesse pessoal. e o sentido do paladar é pouquíssimo desenvolvido. Poderíamos com a mesma facilidad e dizer que um bebê nasce programado para apenas uma coisa: a capacidade e objetiv o de trazer prazer e alegria aos outros.

quando um bebê sorri para quem cuida dele ou olha direto para os olhos dessa pessoa.megacursos. Um bebê também está programado em t os biológicos para reconhecer e reagir a rostos. MEDITAÇAO SOBRE O PROPÓSITO D A VIDA Enquanto o Dalai-Lama permaneceu no deserto do Arizona naquela semana. Alg uns etólogos formularam uma teoria a partir dessa constatação. que instintivamente ele está "liberando" comportamentos ternos. passa a ser nossa tarefa descartar o que provoca o sofri mento e acumular o que nos leva à felicidade.ato de amamentar não só fornece nutrientes ao bebê. seus olhos e sorri. O método. nos ajuda a A ARTE DA FELICIDADE relaxar. a prática diária. Encarar os outros como seres essenciale bondosos. ele também serve para aliviar a tensão nos seios. a viver tranqüilos.com. na pessoa que lhe presta cuidados. a concepção do bebê como uma trouxinha de eg oísmo. atenciosos.br 39 .'de imediato. A pa rtir dessa perspectiva. Logo. Essa atitude nos torna mais felizes. esse b ebê está cumprindo um "projeto biológico" profundamente arraigado. e são poucas as pessoas que deixam de sentir um prazer autêntico quando um bebê fita. poderíamos dizer que o bebê nasce com uma capacidade inata para da r prazer à mãe. meigos. uma nítida verdade parecia refulgir e iluminar todas as conv ersas: o propósito da vida é a felicidade. exigindo apenas as condições ambienW -adequadas para permitir que a "semente de compaixão" x ente e n atural germine e cresça. Essa simples afirmação pode ser usada como um a ferramenta poderosa para nos ajudar a superar os problemas diários da vida.bás ica da humanidade é bondosa em vez de agressi~)rlbsso relacionamento com o mundo à n ossa volta ~0. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. envolve uma ex pansão gradual da nossa conscientização e entendimento do que realmente propicia a fel icidade e do que não a propicia. está cedendo lugar a uma visão de um ser que vem a o mundo com um mecanismo inato destinado a dar PMZer aos outros. uma máquina de comer e dormir.-~. -. propondo que.. em vez d h e ostis e egoístas.' `-Uma vez que cheguemos à conclusão de que a natu^~. vo ltado para o estudo da natureza humana e o exame da mente humana com a atenção minuc iosa de um cientista. por meio do alívio da tensão nos seios. inocente. a confiar. À medida que mais pesquisadores saem em campo para descobrir ob jetivamente a natureza dos seres humanos. que por sua vez também está obedecendo a uma ordem instintiva igua lmente irresistível.

E isso faz com q ue eu me pergunte se utilizamos nosso tempo bem ou não.tais vezes. Quando deparamos com uma sensação de estagnação e confusão. por exemplo. Isso pode pôr nossa vida de volta no contexto adequado.br 40 .com. costuma ser útil dar um simples passo atrás e lembrar a nós mesmos qual é nosso propósito geral. A utilização adequada do tempo é de extrema importância. Não nascemos com a finalidade de causar problema s de prejudicar os outros. servir aos outros. reflitamos sobre o que realmente tem valor na vida. e então reordenar nossas prioridades com base nessa r eflexão. noss o objetivo. Não há nenhuma garantia de que amanhã a esta hora estaremos aqui. O PROPÓSITO DA VIDA De vez em qua ndo. deparamos com decisões cruciais capazes de afetar toda a trajetória da nossa vi da. o que confere si gnificado à nossa vida. precisamos faze r o melhor uso possível do nosso tempo. O entendimento que o Dalai-Lama tem dos fatores que ac abam propiciando a felicidade é baseado em toda uma vida de observação metódica da própria mente. A adoção da felicidade como um objetivo legítimo e a decisão consciente de procurar a felicidade de modo sistemático podem exercer uma profunda mudança no r estante das nossas vidas. . E é a partir dessa tradição que o Dalai-Lama chegou a algumas conclusões explícitas sobre q uais atividades e pensamentos são mais valiosos. creio que cada minuto é algo precioso. Trais feliz. Se não for possíve l. pelo menos procurar não prejudicá-los. pode ser valioso t irar uma hora. creio que devemos de senvolver boas qualidades humanas essenciais. e fixemos nossas prioridades com base rrisso. a outros seres sencientes. Mesmo as sim. Nossa existência diária é reple ta de esperança.Quando a vida se torna muito complicada e nos sentimos assoberbados. Enquanto tivermos esse corpo e especialmente esse assombr oso cérebro humano. Ele resumiu suas crenças nas seguin tes palavras que podem ser usadas como uma meditação. Podemos. a compaixão. trabalhamos para isso apenas com base na esperança.RTE DA FELICIDADE embora não haja nenhuma garantia quanto ao no sso futuro. A . resolver que vamos nos casar.de aprender sobre os fatores que conduzem à felicidade e de adotar medidas positivas para construir uma vida mais feliz pode ser uma decisão exatame nte desse tipo. quando me encont ro com velhos amigos. permitir uma nova p erspectiva e nos possibilitar ver que direção tomar. Para que nossa vida tenha valor. a bondade. de exames da natureza da condição humana e de investigação desses aspectos dentr o de uma estrutura estabelecida pela primeira vez pelo Buda há mais de 25 séculos. Creio que a melhor utilização do tempo é a segui nte: se for possível." 2 7 Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. artistas ou eletricistas. C om isso nossa vida ganha significado e se torna mais tranqüila. O propósito da nossa vida precisa ser pos.tivo. uma tarde ou mesmo alguns dias para apenas refletir sobre o que d e fato nos trará a felicidade. Portanto. lembro-me de como o tempo passa depressa.megacursos. ter filhos ou iniciar es tudos para nos tornarmos advogados. A firme resolução de s ermos felizes .. Creio que esta é toda a base da minha filoso fia. "Logo.o carinho.

de que. do meu lado. Essa atitude cria de imediato uma sensação de afinidade. uma espécie de sintonia. há menos apreensão. quandb estava sentado no saguão do hotel à espera do início da fossa sessão. Ainda pensando nos a núncios quando me sentei para começar minha reunião com o Dalai-Lama. E assim.. Passei os olhos ra pidamente pelos anúncios apinhados.respondeu ele. co mo esse tipo de medo e apreensão normalmente está ausente. Momentos antes. de repente resol vi pôr de lado minha lista de perguntas preparadas.megacursos.perguntouem t°m despreocupado. com simplicidade.Segunda parte O CALOR HUMANO E A CO?IpAIXÃO Capítilo 5 UM NOVO MODELO PARA A INTISID ADE A SOLIDÃO I O CONTATO ntrei na sala de estar da . e ele fez E um gesto para que eu rv sentasse Enquanto serviam o chá..Não? voltei a perguntar." Em seguida. mas com uma inflexão que dizia que estav a pronto para qualquer coisa. Acho que esse é o fator principal. "E também pode ser em parte porque. . páginas e mais páginas de pessoas em busca. eu planejava perguntar como ele lidava co m a solidão." No esforço de compreender a abrangência e a dificuldade de adotar essa atitude. . .br 41 . fiz minha pergunta. . ele descalçou os sapos cômod os cor de caramelo e se instalou no conforto dl uma polona de dimensões exageradas .E então? . talvez a pessoa perca o respeito ou pense que sou estranho.Creio que um fator é o de eu encarar qualquer ser humano de um âng ulo mais positivo..uíte do Dalai-Lama. Ele sorria mas ç~-rmafzeceu calado.E a que o senhor atribui isso? Ele pensou po r um instante. Jamais esperei estar diante de alguém que nunca sentisse solidão. Eu não estava preparado para essa respos ta. . Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.O senhor chega a sentir soli dão? . À espera. incrédulo. eu havia apanha75 A ARTE DA FELICIDADE do distraído um exemplar de um jornal alternat ivo local que estava aberto na página do "correio sentimental". Imaginava que ela fosse ser algo semelhante a "É claro. menos medo.Não . de vez em quando tod os sentem alguma solidão. existe uma espécie de franq ueza. na esp erança desesperada de entrar em contato com outro ser humano. -.com. Tento procurar seus aspectos positivos. se eu agir de uma cert a forma.Não..

por si mesmo. . Numa granáe pesquisa. no mínimo . com convi cção. Cria um a atmosfera amiga e positiva. de não sentir esse medo ou apreen são de não agradar ou de ser julgado pelos outros? Existem métodos específicos aos quais uma pessoa comum poderia recorrer para desenvolver essa atitude? .Esse é o fator chave. seja atualmente." Minha surpresa diante da afirmação do Dalai-Lama de que nunca se sentia só foi na proporçào direta da minha crença na onipresença da solidã na nossa sociedade. podemos até ser abordados pelo nosso melhor amig o. irritados ou indiferentes.disse ele. mesmo que a outra p essoa seja antipática ou não nos dê uma resposta positiva. E com essa atitude. um WW. Essa crença não nasceu apenas de uma percepção irr. "Creio que em muitos casos as pes soas costumam esperar que a outra pessoa lhes dê uma resposta positiva primeiro. podemos tentar um relacionamento no qual cada um de nós. em toda a trama do meu atendimento psiquiátrico.Mas como o senhor sugeriria que uma pessoa adquira a capacidade de se sentir à vontade com os outros.Minha crença bás ica é que primeiro é necessário perceber a utilidade da compaixão . uma vez que se perceba que a compaixão é algo que realmente vale a pena.megacursos. e m vez de elas mesmas tomarem a iniciativa para criar essa possibilidade. que se perceba seu valor mais profundo. sim. No entanto. Para mi m. pelo menos nós a abordamos co m uma sensação de abertura que nos proporciona uma certa flexibilidade e a liberdade de mudar nossa abordagem conforme seja necessário.pressionista da minha própria solidão ou do fio de solidão que parecia estar entremeado. seja no passado. as atitudes da pessoa para co m os outros mudam automaticamente. Se abordamos os outros com a idéia da compaixão. desenvolve-se de imediato uma atração por ela. E abordar os outros com a idéia da compaixão na mente é ~. sem a atitude 77 A ARTE DA FELICIDADE de compaixão.br 42 . Portanto. melhor forma de conseguir isso. cria a possibilidade de receber afeto ou um a reação positiva por parte da outra pessoa. se des ejamos superar aquela sensação de isolamento e solidão. uma vez que se estimule a idéia da compaixão na mente. Com essa atitude.O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO . isso automaticamente reduz o medo e permite uma franqueza com os outros. de solidão. como um tema secundária. uma disposição a cultivá-la. o s psicólogos começaram a estudai a solidão com um enfoque científico. Uma dasconclusões mais surpreende ntes desses estudos z a de que praticamente todas as pessoas relatam que sofrem. Nas vinte últimos anos. conduzindo uma bca quantidade de pesquisas e estudos sobre o tema. Ela leva a problemas e pode atuar como uma barreira que só serve para promover uma sensação de isolamento com relação aos outros. uma vez que esse pensamento se torne ativo. permite a possibilidade de ter uma conversa significativa com ela.11 Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Esse tipo de abertura. "E. e simplesmente nos sentirmos constrangidos. se estamos nos sentindo bloqu eados. Uma vez que se aceite o fato de que a compaixão não é algo in antil ou piegas. creio que nossa atitude fundam ental faz uma enorme diferença. essa atitude é errada.com.

não sabem ouvir e carecem de certas táticas sociais. Esse pesquisa sugere que uma estratégia para superar a solidão consistiria em trabalhar para aper feiçoar essas táticas sociais. privilegiando u ma abordagem que ia direto ao cerne da questão . eu havia testemunhad o sua primeira interaç ao com um estranho. de modo que tornasse aquele solo fértil e receptivo a interações positivas com os outros . A estratégia do DalaiLama. ter dificuldades para se comunica r com outros. entretanto. na realidade. isolados em apartamentos vazios oua nas enfermarias dos fund as de asilos.método que pode. cultivando-a c om cuidado e usando-a para enriquecer e afofar o terreno da experiência do dia-a-d ia. que era inva19 A ARTE DA FELICIDADE ria velmente positiva.a co nscientização do valor da compai xão. Em vi rtude da ampla ocorrência da solidão. para depois cu!tivc~í-la. Embora costumemos pensar que aa solidão crônica é uma condição especialmente dissemirna da entre os idosos. Concluíram. quando responder de modo adequado ou quando permanecer calado).megacursos. Com murita freqüência. a pesquisa sugere ~ que os adolescentes e jovens adultos têm exatame nte as i mesrnas probabilidades que os idosos de relatar que sentem solidão. parecia desviarse do aperfeiçoamento de táticas sociais ou comportamentos externos. ser usado por qualquer um que sofra de sol idão.br 43 .O CALOR H]L'MA~O E A COMPAIXÃO quarto dos adultos nos Estados Unidos rel atou que tirinha se sentido extremamente só pelo menos urina vez nas (duas imanas anteriore s. encuanto eu o ouvia falar com tanta convicção. Começou a ficar claro que essas interações positivas não eram acident ais. Apesar da minha smrpresa inicial. E havia provas para corroborar sua afirmação. quae indivíduos solitários costumam ter problemas para se expor. Perc ebi que ele passara muito tempo pensando na importância da compaixão. como por exemplo a de saber aproveitar deixas em conversas (qulando concordar com um gesto de cab eça.com. por exemplo. os pe~squihadores começaram a examinar as comple xas variáveis que iodem contribuir para ela. nem resultavam simplesmente de uma personalidade naturalmente simpática. DEPENDER DOS OUTROS X Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. vim a acreditar firmemente que ele nunca sentia solidão.

A certa altura. Um meio de acumular Mérito envolve a geração de respeito. concluirão que todos eles dependem de outras pessoas. ". o Dalai-Lama apresentou o tópico da compaixão para uma platéia calada. fé e confiança nos Budas. O Dalai-Lama explicou que um Campo de Mérito é um ma nancial ou uma base a partir da qual a pessoa pode acumular Mérito. O outro método envolve a prática de atos relacionadc.com.ras c ombinaram-se para conferir fotrça e impacto especiiais à sua palestra naquela tarde. No sentido budis ta. A descrição do Dalai-Lama das outras pessoas co mo um Campo de Mérito tinha puma bela qualidade 'lírica que parecia se prestar a uma riqueza de imagens. Esclareceu que a doutrina budist a especifica dois Campos dIe Mérito: o campo dos Budas e o campo dos outros seres se. pude ver que muitars pessoas na platéi as estavam visivelmente comovidas. a compaixão é necessária para estimular essa semente que é inerente no nosso coração e na nossa mente. e no entantco ainda me encontrava sob a forte influência de anos de condicionamento científico racional que me faziam encarrar qualquer conver sa sobre bondade e compaixão comco algo um pouco sentimental demais para meu gosto . eu estava nos estágios rudimentares de apreciar a profunda importância da compaixão. Graças às nossas conversas anteriores. tolerância e assim por diante acompanhada de um refreamento consciente de ações ttais como o assassinato... os bens materiais. De acordo com a teoria budista.no outro dia. Esse segundai méto do para conquistar o Mérito exige interaçóes com ostras pessoas. é o estoque de Mérito da pessoa que determiO CALOR HUMANO E A COMP AIXÀO na condições favoráveis para suas vida. Comecei a olhar furtivamente pelo salão. Enquanto eu passava os olhos pelo recinto. que tinha no seu meio uma boa quantidade de dedicados estudiosos do budismo.CONFIAR EM SI MESMO . futuras. pude sintonizar para ouvir o que ele dizia. interessantes ou conhecidos. ele passou então a examinar a doutrina budista do Campo de Mérito.. Seu raciocínio lúcido e a convicção que sustentava suas pala\. Enquanto ele falava. Se vocês examinarem minuciosamente. falei sobre os fatores necessários para levar uma vi da feliz e cheia de alegria. Dirigindo-se a um público de mil e quinhentas pesso as. confiamos em medicamentos prepar ados Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. generosidade. mira mente passou a divagar. N o entanto.megacursos.. comecei a sen tir sono. em vez de interação com o s Budis.br 44 .ncientes. salientou o Dalai-Lama. Fatores tais como a saúde. Com badse nisso.. Eu mesmo estava menos fascinado. Para manter a saúde.No interior de todos os seres existe a semente da perfeição. as outras pessoas podenn nos s er de grande ajuda no acúmulo de Mérito. A ARTE DA FE LICIDADE Como tinha feito uma refeição pesada pouco antes da palestra. à procura de rostos famosos. o roubo e a nnentira. . que resultam de ações positivas. os amig os e assim por diante.os à b ondade. o Mérito é descrito como registros positivos na nossa mente ou "continuum mental ". Minha atenção ia e vinha. os s°res Ilumirnados..Com essas palavras.

ouvi quando ele mencionou o grande número de pessoas envolvidas na confecção de todos os nossos bens materiais. minha mente vol tou a divagar. naturalmente. fui dominado por uma profunda noção da interdependência e da interligação de todos os seres. o vendedor que vendeu ao lavrador o trator para arar a terra. descobrirão que praticamente não há nenhum desses objetos materiais que não tenha tido ligação com outras pessoas. verão que todos esses bens existem em conseqüência dos esforços de muita gente. Muitas pessoas estão envolvidas em t ornar possíveis essas coisas. Segura de si mesma. E assim. quando falamos de bons amigos e companheiros como outro fator necessário para uma vida feliz. A preciosa confiança que eu tinha em mim mesmo era uma total ilusão. Embora semp re tenha valorizado e apreciado meus ami8z O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO gos e minh a família. apesar de que o processo de rela cionar-se com os outros possa talvez envolver dificuldades. a fim de levar um est ilo de vida no qual haja interação suficiente com outras pessoas para que se tenha u ma vida feliz. temos de procurar manter uma atitude de amizade e carinho. tive a tendência a considerar pessoas excessivamente dependentes com uma espécie de desprezo . as ce ntenas ou até milhares de pessoas envolvidas na fabricação do trator. seja direta seja indiretamente. Os outros são indispensáveis.com. Como "Nossa dependência dos outros" não era meu tópico preferido.um si nal de fraqueza. E todos os projetistas do trator. Comecei imaginando o lavrador que plantou o algodão. e eu me descobri. Alguma coisa. Em segredo.por outros e em atendimento médico fornecido por outros. porém. Depois. entre elas incluíd as as que extraíram o minério para fabricar o metal de cada peça do trator." Enquanto ele falava. O s ajudantes de carga e motoristas de caminhão que fizeram a entrega à loja e o vende dor que me vendeu a camisa. pensei nas pessoas que processaram o algodão. tingiram e costuraram esse tecido. Naquela tarde. Não sei o quê. Que n a realidade se orgulhava de possuir essa qualidade. que todos esses fatores estão indissoluvelmente ligados aos esforços e à cooper ação dos outros. Enquanto ele f alava. que teceram o pano e que cortaram. comecei a pensar em quantas pessoas estariam envolvidas na feitura da min ha camisa. com outros seres humanos. por tanto. puxando um fio solto da manga da minha camisa. enquanto escutava o Dalai-Lama. senti uma resistência instintiva. Nem é preciso dizer que. uma fantasia. brigas e impropérios. Ocorreu-me que praticamente todos os aspectos da min ha vida resultavam de esforços dos outros. sempre me considerei uma pessoa independente.br 45 . Prestando atençâo por um instante. distraído. estamos falando d a interação com outros seres sencientes. "Pode-se ver. A INTIMIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Fez com que eu sent isse vontade de chorar. Quando me dei conta disso. Em seguida. por sinal. A ARTE DA FELICIDADE Senti que me enternecia. Se pesquisarem todas as i nstalações materiais que utilizam para aproveitar a vida.megacursos. algo aconte ceu. Se pensarem com cuidado. E então.

. Naturalmente meu pai já faleceu há muitos anos.Nossa necessidade de outras pessoas é paradoxal. acabará tendo problemas. esperamos.. sem hesitação.respondeu ele... num fi nal de tarde -.É um relacionamento caracterizado por um alto grau de intimidade en tre duas pessoas.Estou só querendo saber. o senhor não era apenas considerado um rei.Po r exemplo.É bem verdade . . de ser criado como monge desde a tenra infância e. Mas. tantos os ti pos diferentes de relacionamento. ..Na sua palestra d e ontem à tarde .megacursos. . se alguém for privado desse tipo de intimidade. tudo isso não contribuiu para uma sensação de separação com r elação aos outros? O senhor alguma vez já sentiu que perdeu a oportunidade de desenvol ver um grau mais alto de intimidade pessoal com os outros ou com uma pessoa espe cial. talvez se sentissem um pouco nervo sas ou amedrontadas na sua presença. nossos medos e ass im por diante. há um certo tipo de relacionamento que é altamente valorizado no Ocidente . meus professores e a outros.. o senhor falou da importância dos outros e os descreveu como um Ca mpo de Mérito. entretanto. a psicoterapia ociden tal costuma procurar ajudar as pessoas a desenvolver uma relação íntima dessa espécie. Concentramos toda a nossa energia na missão de encontrar aquela pessoa única que. como por exemplo uma esposa? . durante sua infância no Tibete. se não tiverem um relacionamento des sa natureza. quando examinamos nosso relacionamento com os outros. seu objetivo é criar essa ligação com todos. no fundo são tantas as formas diferentes com as quais podemos nos relacionar. eu podia compartilhar meus sentiA ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. . uma sensação de isolamento? Da mesma forma. algo está faltando na sua vida. . Na realidade.comentei. Embora ess a ligação seja difícil de realizar mesmo com uma única pessoa. como mong e.Não . Isso não criava um certo distanciamento emocion al com relação aos outros. mas também uma divind ade..É. Ao mesmo tempo que nossa cultura se encontra enredada na celebração de uma independência feroz. aos meus mestres. Na realidade. As pessoas têm a impressão de que..br 46 . então . eu descobriria que o Dala i-Lama consegue e recomenda que se tenha intimidade com o maior número possível de p essoas. de nunca ter se casado. com muitas dessas pessoas. em que temos uma pessoa espeO CALOR HUMANO E A COMPAIXÂO ciai co m quem podemos compartilhar nossos sentimentos mis profundos. .. também ansiamos por intim idade e por uma ligação com um ser amado especial. venha curar nossa solidão e.com.Nunca senti uma falta de intimidade. . Suponho que as pessoas o reverenciassem.perguntei-lhe em encontro na sua suíte do hotel no Arizona. o fato de viver s eparado da sua família.prossegui -... mas eu me sentia muito chegado à minha mãe. E. acredito que esse tipo de intimidade possa ser considerado algo positivo con cordou o Dalai-Lama.respondeu o Dalai-Lama.Creio que. sustentar nossa ilusão de que ainda somos independentes.

mas esse nem sempre era o caso. por exemplo. De um ponto de vista pode parecer um total disparate que alguém como o Dalai-Lama. E o mesmo aconte ce quando ouço boas notícias. nunca senti falta de pessoas com quem pudesse compartilhar momentos. Por exemplo. e eu imediatamente começo a conversar sobre esses fatos com terceiros. "Portanto. mas de realmen te compartilhar meu sofrimento e meus problemas mais profundos. N o entanto. até mesmo com a ameaça da invasão chinesa. eu cost umava passar tempo na cozinha. Por iss o. "É claro que às vezes esse traço pode ser negativo. tenho uma sensação de intimidade e ligação com meus amigos. Por exemplo. havia uma certa formalidade. sinto que é muito útil. Dessas ligações Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. porque eles costumam se sentir muito felizes por compart ilhar seu sofrimento ou sua alegria com o `DalaiLarna'. se eu me s entia decepcionado ou infeliz com a política do governo tibetano ou se estava preo cupado com outros problemas. diante de dificuldades nacionais ou internacionais. e nós podíamos brincar. O influente psicanalista bu dista John Bowlby escreveu que "ligações íntimas com outros seres humanos são o eixo em torno do qual gira a vida de uma pessoa. em ocasiões formais e eventos públicos. sem aquela sensação de formalidade ou distanciamento. Quando eu estava no Tibete. Imediatamente vou compartilhá-las com os outros. pode haver algum debate no Kashag* sobre fatos confi denciais. quando eu estava no Tibete ou desde que me tornei um refugiado." Ele riu mais uma vez. Creio que em grande parte isso está relaciona do à minha natureza. eu voltava par a meus aposentos e dividia aquele sentimento com a pessoa que varre o chão. o DalaiLama'. Graças a e ssa natureza." UMA EXPANSÃO DA NOSSA DEFINIÇÃO DE INTIMIDADE Praticam ente todos os pesquisadores no campo dos relacionamentos humanos concordam que a intimidade tem importância crucial na nossa existência. posso fazer amigos com maior facilidade. foss e compartilhá-las com um faxineiro. Fiz amizade com alguns funcionários da cozinha. "Mas.. em termos pessoai s." Ele riu mais uma vez. "Seja como for. e não se trata apenas de um a questão de conhecer pessoas e ter uma troca superficial com elas. É claro que às vezes para mi é fácil criar um vínculo com ' O gabinete do governo tibetano no exílio. porque a outra pessoa participa. Em outras ocasiões. ser aberto e comunicativo pode ser muito útil. `Sua Santidade. contar fofocas ou compartilhar histórias. e nós podemos encarar o pr oblema ou o sofrimento juntos.br 47 . Simplesmente não sou muito bom para guardar segredos!" Ele riu. Para mim é fácil compartilhar as coisas com outros. preocupações e temores mais profundos. tenho e ssa sensação de ligação. fazendo pouco do seu título. com muitas pessoas. no passado. o che fe do governo tibetano.megacursos.mentos. de união.. no nível pessoal.com. era observado um certo p rotocolo. e tudo era muito natura l. O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO os outros.

John Bowlby concordou. tristeza e mágoa. e. revelou que os que tinham mais apoio social e relacionamentos íntimo s apresentavam menores índices gerais de mortalidade e menor incidência de câncer. é a fonte de toda a ansiedade na vida humana. têm maior probabilidade de sobreviver a desafios à saúde. pessoas a quem podem recorr er em busca de apoio. E u m estudo realizado na School of Medicine da University of Nebraska. do que os que eram casados ou tinham um amigo íntimo. Ao longo dos últimos anos. vivenciada pela primeira vez na tenra infância. Para ele. solidariedade e afeto. citando um bom volume de provas experime ntais e pesquisas que corroboravam a idéia de que a separação daqueles que cuidam do b ebê .megacursos. tais como ataques cardíacos e cirurgias de grande porte. levando-se em consideração a importância vital da intimidade. Está claro que a intimidade promove o bem-estar físico e psicológico. através de suas contribuições . a separação e a perda interpes soal estavam nas próprias origens das experiências humanas de medo. ao longo de um período de nove anos. Por exemplo . Depois de entre vistarem milhares de pessoas. Para ele.durante o período final do primeiro ano de vida. E ssas são questões a respeito das quais a ciência atual e a sabedoria tradicional estão d e acordo". na Califórnia. como tratamos de conseguir intimidade na nossa vida diária? De acordo com o enfoque do DalaiEste arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. A intimidade é igualmente importante para a manutenção da boa saúde emocio . de fato. Ao ex aminar os benefícios à saúde proporcionados por relacionamentos íntimos. Portanto. concluiu que aqueles que tinham um relacionamento íntimo apresentavam melhor função imunológica e níveis de colesterol mais baixos.geralmente a mãe ou o pai .br 48 . O psicanalista e filósofo social Erich Fromm afirmou que o medo mais básico da hum anidade é a ameaça de ser isolado de outros seres humanos. com centenas de idosos. a pessoa extrai sua força e seu prazer de viver. a experiência da separação. be néficos à saúde. h ouve pelo menos uma meia dúzia de pesquisas de grande alcance conduzidas por difer entes pesquisadores que examinaram a relação entre intimidade e saúde. Outro estudo com milhares de moradores de Alameda County. pesquisadores e m medicina concluíram que aqueles que têm boas amizades. os O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO diversos pesquisador es parecem todos ter chegado à mesma conclusão: relacionamentos íntimos são. essa pessoa transmite força e prazer de viver A ARTE DA FELICIDADE aos outros. um estudo de mais de mil pacientes cardíacos no Medicai Center da Duke Universit y concluiu que aqueles que não tinham cônjuge ou algum confidente próximo apresentavam uma probabilidade três vezes maior de morrer dentro de cinco anos após o diagnóstico da doença cardíaca. ine vitavelmente gera medo e tristeza na criança.íntimas. e têm meno r probabilidade de apresentar doenças como o câncer e infecções respiratórias.com.

árvores.com a c ompreensão do que é a intimidade. quando nos voltamos para a ciência à procura de uma resposta. Ele chega a levantar a hipótese de que os contatos físicos com objeto s no nosso ambiente. com a busca de uma definição e modelo prático de intimid ade. Morris define a intimidade. Ele vê o contato como o veículo através do qual nos consolamos uns aos outros e nos sentimos consolados.Lama. Em seu livro Intimate Behavior [Comportamento ín timo]. autor de diversos livros sobre o tema da intimidade: `'O desejo de intimidade é o desej o de compartilhar nosso eu mais profundo com outra pessoa. do latim "intima" . A maioria dos pesquisadores não é tão materialista nas suas definições de intimidade e parece concordar que a intimidade é mais do que a mera prox imidade física. desde um simples tapinha nas costas à união sexual mais erótica. delineado na última subdivisão. mas os autores não limitam seu conceito de intimidade a relacionamentos humanos.. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. pai e filho. Patrick Thomas Malone. Thomas Patrick Malone e dr. funcionam como s ubstitutos da intimidade. "Ser íntimo significa estar próximo. eles definem a intimidade como a "experiência da capacidade de conectar". Ao meu ver ." O CALOR HUMANO E A C OMPAIXÃO No entanto. que significa "interior" ou "mais interior". Voltando-se para a raiz da palavra "intimidade". como por exemplo um atendiment o de manicure. 89 i A ARTE DA FELICIDADE Na extremidade mais concreta da escala es tá o autor Desmond Morris. em relação a Desmond Moais. No seu livro. é com enorme freqüência que eles aceita m uma definição mais ampla. as definições da intimidade não param por aí. apesar do acordo universal entre os pesquisadores quanto à imp ortância da intimidade. que inclui nossos relacionamentos com objetos i nanimados .megacursos. por meio de abraços e apertos de mãos.. desde os cigarros e jóias até os colchões de água. na realidade. No entanto.com.br 49 . é nesse ponto que termina a harmonia entre eles. e. há especialistas como por exemplo a dupla de psiq uiatras. quando esses meios não nos são di sponíveis. ele então passa a ex aminar as inúmeras formas pelas quais os seres humanos entram em contato físico uns com os outros. The Art of Intimacy [A arte da intimidade]. por vias mais indiretas de contato físico. que escreve sobre a intimidade a partir da perspectiva de um zoólogo com formação em etologia. Na outra extremidade da escala. Sua definição é tão ampla. o ato da intimidade ocorre sempre que dois indivíduos entram em contato físico. tem-s e a impressão de que. Seu entendimento da intimidade co meça com um exame meticuloso da nossa "capacidade de conectar" com outras pessoas. Talvez a ca racterística mais surpreendente do exame mais superficial de vários estudos sobre a intimidade seja a ampla diversidade de definições e teorias sobre exatamente o que é a intimidade. seria razoável começar com o aprendizado . dr." D epois de definir a intimidade em termos de puro contato físico. estrelas e até mesmo o espaço. Dan MCAdamS. como por exemplo a oferecida pelo dr.

A noção romântica daquela "Pessoa Especial" com quem temos um apaixonado rel acionamento íntimo é um produto da nossa era e da nossa cultura. Se o que se deve fazer é expor todas as emoções de modo aberto e inO CALOR HUMANO E A COMI'AIXÀO (fisc~i. parecem confiar mais nas amizades para a obtenção da intimidade. acabam não restando sentimentos pessoais a expressar para algumas pessoas especiais. Na Alemanha no século XVI. Nat>ruralmente.com. namorada ou cônjuge. Os japoneses.inado. a raiva. o grau de proximidade e intimidade física era em geral maior do que o atual.não sendo muito diferentes do modo de comunicação entre vizinhos ou co nhecidos. comer e dormir. Esse modelo de inti midade. Além s variantes entre uma cultura e outra. não tem aceitação universal em todas as culturas. já que parent es e até mesmo desconhecidos ocupavam espaços confinados. as noções que ternos como líquidas e certas a respeito da intimidade não são universais. como a paixão. esperava-se que marido e mulher recém-casados consumassem o matrimônio numa cama car regada por testemunhas que legitimariam o casamento. o níve l costumeiro de comunicação entre cônjuges era bastante formal em comparação com os padrões da atualidade . e que se interessam mais pelos aspectos práticos de ligações sociais parecem s er menos vulneráveis ao tipo de decepção que leva à desintegração dos relacionamentos. mu ito mais do que seria aceito hoje na nossa sociedade. Ex primiam-se excessos de riso histérico. Idéias sobre o que é considerado comportamento íntimo e pessoal também mudaram ao longo do tempo. Elas mudam coem ° Passar do tempo e cost umám ser moldadas peEste arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. de fúria violenta. Na Idade Média. o amor e o casamento tornaram-se altamente romantizados. entretanto. os conceitos de intimidade também sofreram mudanças drásticas A ARTE DA FELICIDADE ao longo do tempo. ao passo que os americanos parecem procurá-la mais em relacionamentos românticos com um namo rado. por exemplo. Mesmo assim. dormiam juntos num aposent o e usavam um mesmo aposento para tomar banho.br 50 . Ao salientar esse ponto.megacursos. po r exemplo. alguns pesquisadores sugeriram que os asiáticos que costumam concentrar menos atenção em sentimentos pessoais. e a revelação íntima do próprio eu passou a ser um ingrediente pressupost o em qualquer parceria amorosa.a alegria .Conceitos da forma ideal de intimidade também variam pelo mundo afora e ao longo d a história. Porém a banalizaçào da expressão d e emoções e sentimentos naquela sociedade excluía o conceito de intimidade emocional. de pranto desconsolado. Somente um século mais tarde. a compaixão e até mesmo o prazer em torturar e matar inimigos. o medo. Também mudou a forma como as pessoas exprimem suas emoções. Na América colonial. era considerado normal exprimir em públic o uma grande extensão de sentimentos com muita intensidade e franqueza .

Existe na nossa ` cultura uma idéia muito difundida de qu e se consegue alca'ançar melhor a intimidade profuznda dentro do contexto de i um relacionamento romântico apaixonado . lutando para encontrar as palavras exata s que trariam o romance para suas vidas e acabariam com a solidão.br 51 . e se a intimidade é um importante ingrediente de uma vida mais feliz.com aquela Pessoa Extraordinária que distinggl limos de todas as outras.'s são claras. a migos e até mesmo desconhecidos. variações i finitas entre as pessoas corre relação a como vivenciam 1 uma sensação de proximida<le~ Essa percepção por si já í nos oferece uma grande oportunidade. Está. sociais e culturais.luas de Netuno. parentes.relacionamentos qu e poderiam facilmente ser cultivados e resultar em ligações íntimas genuína e profundame nte satisfatórias? Muitas. Isso nos traz de volta à minha conversa inicial com o DalaiLama s obre a solidão. Com a ampliação da nossa definição de intimidade. imagino eu.corre manifestações que vão desde um corte de cabelo ao nosso relacionamento com as l. Esse ponto de vista pode nos limitar ao extremo. Isso ocorre é~sPecialmente quando atraveessamos os inevitáveis períodoá na nossa vida em que não (estamos envolvidos num relacionamento romântico ou em qLjue a paixão se esva i de um relpcionamerxto. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Fico a me perguntar. e p ode ser a causa de muita aflição e infelicidade quando essa Pessoa Extrao-dinária não es tá à disposição. sofrendo intensamente por uma 1 falta de intimidade. E é fácil ficar confuso' diante da varieda de das defi><Zições contemporâneas da' intimidade no Ocidente .com. muitos de nós vivem oprimidos pela sensação de qyue falta algo na nossa vida. A intimidade está por toda partte~ Atualtlmente. Ela quer dizer quée neste exato momento temos amplos mananciais de intimilidade à nossa disposição.las condllções econômicas.megacursos. nós nos abrimos para descobrir muitos modos noves e igualmente satisfatórios de cone xão com os outros. No exato momento em que aquelas pessoas estavam redigindo seus anúncios. formando laços profundos e autênticos baseados na nos sa humanidade comum. O modelo de intimidade do Dalai-Lama baseia-se numa disposição a nos abrirmos para muitos outros. parentes ou conhecidos . Se o que procuramos na vida é a felicidade. ao nosso alcance o meio de evitar isso. E onde isso nos deixa no nosso esforço dei entender o que é a intimidade Creio que as impl icaçõe. porém. Exist'te uma incrível diversidade entre as vidas humanas. então sem dúvida faz sentido conduzir nossa vida com base num modelo de intimidade que inclua tan tas formas de ligação com os outros quantas forem possíveis. É preciso apenas ter oragem de expandir nosso conceito de intimidade d~ modo a incluir todas as outra s formas que nos cercam na vida diária. quantas dessas pessoas já estavam cercadas de amigos. iso93 A ARTE DA FELICIDADE lando-nos de outras fontes de intimidade em potencial. conversa inspirada por uma leitura casual da seção de "correio sentime ntal" de um jornal da re'ião.

e de estabelecer uma troca emoc ional profunda e significativa. amigos ou amantes. e o marido. Embora o efeito do Dalai-Lama sobre os outros nem sempre seja tão dramático.o mesmo olhar aperfeiçoado por atendent es de lojas de conveniência para uso diante de adolescentes de 13 ou 14 anos. El es me pareceram conhecidos. parentes. Nada de postura altiva e de expressões presunçosas. um advogado extremamente rico e poderoso. Um auxiliar veio discretamente ao corredor para informar que S ua Santidade estava ocupado numa audiência particular. cheguei à suíte do Dalai-Lama para minha sessão diária. mas os dois me pareceram incrivelmente arrog antes. Àquela altur a eu estava muito ansioso para ver se poderíamos descobrir um conjunto de princípios fundamentais aos O CALOR HUMANO E A CONIYAIXÀO quais ele recorre nas suas interações com os outros . A ARTE DA FELICIDADE Em algu ns minutos.Bem. percebi uma mudança espantosa. com maior atenção aos detalhes. foi só al guns meses mais tarde.. qual o se nhor consideraria o método ou técnica mais eficaz para sintonizar com os outros de u ma forma significativa e para reduzir conflitos com os outros? Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.princípios que poderiam ser aplicados para aprimorar qualquer rela cionamento. porém. qualquer que fosse sua posição na vida.br 52 . em sua casa em Dharamsala. .com. No seu lugar.Capítulo 6 O APROFUNDAMENTO DA NOSSA LIGAÇÃO COM OS OUTROS Uma tarde. só trocamos algumas palavras.megacursos. Rios de lágrimas escorriam pelas boche chas. Havia muito eu vinha me maravilhando com sua capacidade de sintonizar co m os outros. Disseram-me que a mulher era uma herdeira muito conhecida. Lembrei-me de ter sido apresentado rapidamente a ele s alguns dias antes. com desconhecidos. depois da sua pa lestra ao público.. que ficam passando tempo entre as estantes de revistas. Ocupei minha posição costumeira diante da porta da sua suíte e usei o te mpo para rever as anotações que havia preparado para nossa sessão. p ercebi que os outros invariavelmente respondiam a ele com alguma mudança em termos de emoção. dois rostos inund ados de ternura e emoção. m ergulhei de cabeça. Pareciam duas crianças. Aflito para começar. que deveria demorar mais al guns minutos. que tive a oportunidade de exa minar com ele os relacionamentos humanos. A CRIAÇÃO DA EMPATIA Embora tivéssemos falado da impor tância do carinho e da compaixão humana durante nossas conversas no Arizona. de Manhattan. Na época da ap resentação. a porta abriu-se para a saída de um casal bem vestido de meiaidade. enquanto procurava evitar o olhar de suspeita de um segurança . Quando iam saindo da suíte do Dalai-Lama. quanto ao tópico dos relacionamentos humanos. Estava alguns m inutos adiantado.

adicionando temperos e assim por diante. há vários estágios no preparo. se estivéssemos lidando com alguém que fosse muito O CALOR HUMANO E A COMYAIXÀO frio e indiferente. . Pode-se primeiro ter de fer ver os legumes separadamente.Ele me lançou um olhar penetrante. Não era um olhar indelicado. Não se pode simplesmente dizer. um meio eficaz de ensinar alguém a ser mais carinhoso e compassivo com eça com o uso do raciocínio para instruir o indivíduo sobre o valor e os benefícios prátic os da compaixão. Já falamos da importância de abordar os outros tendo em mente o pensamento da compaixão. "Ah.Pois bem. Achei que ele estava sendo evasivo e tive a sensação de que sem dúvida deveria ter a lgo mais concreto a me oferecer. Depois tem-se de fritá-los. isso deixa o indivíduo prepa rado. .Não há como calcular uma fórmula única que possa resolver todo os problemas. quem sabe não A ARTE DA FELICIDADE e xistam algumas diretrizes mais amplas que poderiam ser úteis? O Dalai-Lama pensou por um instante antes de responder. então.O DalaiLam a parou por um instante para refletir. que simplesmente ela não teria nenhum impacto. Comentou então. Num sentido. ao examinar os vários modos para desenvolver a compaixão. para então combiná-los de um modo especial.. Quando se está preparando uma refeição de liciosa. passando distraído pelos dedos suas contas de oração. . creio que a empada é um fator importante.. de modo que o efeito será maior à medida que ele prossiga em seus esforços para ter mais compaixão. lidar com os outros é uma questão muito complexa . uma das técnicas budistas para aperfeiçoar a compaixão envolve imaginar uma situação em que um ser senciente está sofrendo. uma refeição especial.com.. um carneiro a ponto de ser abatido pelo açougueiro. Não era exatamente a resposta que eu estava procurando . É claro que não bast a simplesmente dizer a alguém. essa técnica talvez não funcion asse.respondeu el e. da mesma forma. E. . tão acostumado àquilo tudo. mas fez com que eu m e sentisse como se tivesse acabado de lhe pedir que me desse a exata composição químic a do pó da lua. por exemplo. por exemplo. é muito importante ter compaixão. Pressionei. após um breve silêncio.Existem. Na realidade." Uma simples receita como essa. você precisa ter m ais amor pelos outros. muitos fatores são necessários. . portanto. finalmente. Seria temo pedir ao açougueiro qve fizesse essa visualização. No entanto. para ter talento para lida r com os outros. e também fazer com que cada um reflita sobre como se sente quando a lguém é gentil com ele.megacursos. se não há nenhuma solução ú ica para aprimorarmos nossos ° relacionamentos.Ocorreu-me que. "Este é o método" ou "Esta é a técnica". Isso é crucial. por si. o result ado seria esse prato delicioso. p açougueiro está tão e brutecido. Aqui. É um pouco como saber cozinhar. por tradição. E então procurar imaginar o sofrim ento pelo qual o carneiro pode estar passando e assim por diante. não vai funcionar. . A capacidade de avaliar o sofrimento do outro. como uma forma de Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. seria muito difícil explicar e utilizar essa técnica no caso de alguns ocidentais que estejam habituados a caçar e pescar por prazer.. "Agora.br 53 . entre outras coisas.Bem.

poderíamos modificar essa técnica.concordou o Dalai-Lama. Para encerrar a conversa. pode-se tentar aument ar a compaixão. . passando por uma situação trá ica. Pode ser n ecessário ser levemente criativo. o sol c omeçava a se pôr. imaginar qual seria a situação caso se estivesse no seu lugar.. mas seria possível despertar sentimento s de compaixão se começássemos fazendo com que ele visualizasse seu cão de caça preferido preso numa armadilha. Por exem plo..Isso mesmo . "Creio que a empada é importante não só como meio de aprimoramento da compaixão mas. em termos gerais. o que é um importante fator para a r edução de conflitos e problemas com os outros.megacursos. a pessoa pode não ter uma forte empatia para com animais." Nossa entrevista naquela tarde foi c urta. como algumas das nossas conversas. como se lidaria com o fato.sugeri . e depois imaginar como ela reagiria àquilo. enchendo o aposento com uma penumbra agridoce que tornava âmbar escu ro as paredes de um amarelo-claro. Nesse caso. encarar a situação a par tir da perspectiva do outro.com. . O auxiliar do Dalai-Lama entrou em silêncio.. Desse modo. Essa técnica envolve a capacidade de suspender pro visoriamente a insistência no próprio ponto de vista mas. e .Nesse caso . O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ela ocorreu no final do dia." .br 54 . a pessoa pode ria visualizar uma situação em que o ser amado está sofrendo. Mesmo qu e não se tenha nenhuma experiência comum com a outra pessoa ou que se tenha um estil o de vida muito diferente. pode-se tentar fazer isso através da imaginação. mas o senhor teria algum outro conselho ou métodos aos quais rec orre para estabelecer empatia com os outros? Repetindo as palavras que havia pro ferido no Arizona muitos meses antes.Sei que t emos de terminar. fiz uma pergunta. Lá fora. por meio da tentativa de sentir empatia pelos sentimentos ou pela experiência do outro..lazer. quando se lida com os outros em qualquer nível e se enfrenta alguma dificuldade.talvez não fosse uma técnica eficaz pedir ao caçador que imaginasse o sofrimento da sua presa. Isso ajuda a desenvolver uma conscientização dos sentimentos do outro e um respeito por eles. e iluminava com belos matizes dourados as ima gens budistas ali dispostas. mas no mínimo pode te r alguma empada para com um parente próximo ou um amigo. Eu havia sido encaixado na densa programação do Dalai-Lama no último instante. ele respondeu com uma doce simplicidade. também. indicand o o final da nossa sessão. dependendo das circunstâncias. é extremamente útil ser capaz de procurar pôr-se no lugar da outra pessoa e ver como se A ARTE DA FELICIDADE reagiria à situação. ganindo de dor. Creio que.

disse ele. com uma risada. mas ele não disse mais nada. Para começar . autor de uma dúzia de livros. Tendo dito isso. Considero que o relacionamento con os outros n esse nível facilita em muito a troca e a comunicação entre as pessoas. Em vez de salientar diferenças secundárias. como aquilo parecia ser tudo o que ele tinha a dizer sobre o tema por enquanto. que possam resol ver todos os problemas. Por me interessar por livros. en carar os outros a partir dessa perspectiva permite que eu tenha a sensação de estar conhecendo alguém igualzinho a mim..Além disso.. o senhor poderia sugerir mais algum método ou técnica específica qu e ajtdasse um indivíduo a lidar com outras pessoas de modo mais positivo? . Naquela noite. Logo.megacursos. com uma deslumbrante seleção de pratos especiais dent re os quais sobressaía o Mo Mos tibetano.Com essas pal avras. e onte m examinamos o papel da empatia no aprirrioramento da nossa capacidade para nos relacionarmos u-Is com os outros. abordo a pessoa a partir do ponto de vista do que houve r de mais básico em comum entre nós.Não . Aguardei. de uma cor. Meus amigos programaram uma noite que se revelou bastante ani mada. arquiteta. A refeiçâo estava excelente. . Todos nós desejamos a felic idade e não queremos sofrer. . a conversa foi ficando mais alegre.. c omo mencionei ontem.br 55 . ele se levantou. os convidados e stavam trocando relatos apimentados sobre as coisas mais embaraçosas que fizeram q uando estavam alcoolizados.disse o Dalai-Lama. Fiz perguntas sobre sua obra. Todos nascemos do mesmo modo. como por exem plo o fato de eu ser tibetano. À medida qu e o jantar prosseguia. su a atitude. continuamos nossa conversa na casa do Dalai-Lama. . emoções. creio que há alguns outros fatores q ue podem ajudar o indivíduo a lidar com os outros com maior habilidade. Suas respostas foram curtas e mecânicas. . . a mulher. entre eles um co nhecido casal da Alemanha.Sempre que conheço alguém.Bem. uma mente mais aberta e mais franca é uma qualidade valiosa quando se trata de lidar com os outros.Sim . sorriu. abordei o escritor e comecei uma c onversa. Havia diversos convidados na reunião. porém. Porém.O senho r poderia sugerir algum outro método para aprimorar nossos relacionamentos? Ele pe nsou por um momento. no fundo banais. não há como propor uma ou duas técnicas simples.No Arizona. . falamos muito soEre a importância da compaixão nos relacionamentos hurr. o marido. assentindo com a cabeça. nós nos voltamos para out ros tópicos. brusca e disEste arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Esses conselhos específicos me pareciam por demais simplistas. um delicioso bolinho de carne. uma mente . N a manhã seguinte. escritor. é útil entenA ARTE DA FELICIDADE der e avaliar a formação da pessoa com quem se está lid ando. Cada um de nós terr uma estrutura física. religião ou formação cultural diferente. fui convidado a jantar na casa de alguns amigos tibeta nos em Dharamsala.anos. segurou minha mão por um instante e se recolheu.com. Além disso. e todos morremos.

Em conseqüência disso..I o. eu já havia percebido que o conselho do Dalai-Lama para "compreender os antecedent es da pessoa" não era tão elementar e superficial Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Os poucos fragmentos de informação transmitidos pelo meu amigo haviam mudado minha disposição diante de Rolf. E ele tem dois filhos. Meu amigo continuou a explicação . Sei que é essa a impressão que dá. tão antipático. até mesm o pre tensioso. No dia seguinte. 103 A ARTE DA FELICIDADE numa pequena pista que serv ia como aeroporto local. .Eu o conheço há muitos anos . A princípio. . mas só com um pouquinho de franqueza e persistência. ele lidou com essas dificuldades estendendo a mão para os outros.. logo descobri ser mais prováv el que sua insociabilidade fosse devida à timidez do que ao esnobismo. ele se revelou um ser humano sensível e autêntico além de um intrépido companheiro de viagem. Bem. aquele escritor. Considerei-o bastante desagradável. O próximo vôo para Déli só sairia daí a alguns dias. e antipatizei de imediato com ele. . e nós resolvemos alug r um carro juntos para o extenuante percurso de dez horas. É no fundo uma pessoa maravilhosa se você conhecê-lo melhor. Tínhamos reserva para o mesmo vôo até Déli. enquanto tomávamos chá. sua atitude continuou a mes ma. aos quais é muito dedicado. É mesmo uma pessoa muito especial se você o conhecer m elhor.. ele foi aquinhoado com mais dificuldades do que o normal na vida.v os fiz uma te ntativa de me relacionar com ele.disse m amigo.megacursos.. num calor sufocante.com.br 56 . disse a mim mesmo a título de consolo e. relatei os acontecimentos da noite an terior. O que acabou acontecendo foi que me encontrei novamente com Rolf e a mulh er no final daquela semana. Quando chegamos a Déli. sofr eu muito.> O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO Cante. menos do Rolf. Sua família suportou aflições tremendas nas mãos dos nazistas durante a Segund a Guerra Mundial. nascidos com um raro transtorno genético que os deixou com grave deficiência tanto física quanto me ntal. convenc ido de que se trata va simplesmente de uma pessoa inamistosa. como meu am igo me dissera.. pelo me . e dedicou muitos anos ao traba lho voluntário com deficientes. E em vez de se amargurar ou passar a vida no papel de mártir. fiz um esforço para entabular conversa com ele. mas é só que ele é um pouco tímido. Ele me parec eu tão arrogante ou sei lá o quê. Enquanto seguíamos sacolejando pelo interior do norte da índia. que descobrimos ter sido cancelado.Gostei de todo o mundo. cada vez mais imersos na conversa. um pouco fech de início. dediquei-me a conv ersar com alguns dos convidados mais simpáticos.apesar de ter sucesso como escritor.Eu não me con venci. e na longa viagem até Déli eu me senti mais aberto com ele.. Na realidade. dei com um amigo num café no lugarejo e...

as calçadas fervilhavam com uma espécie comum de predador urbano que se d edica aos golpes nas ruas. numa escala de dois dias antes de voltar para casa. pediu com grande tranqüilidade um valor exagera do . Ao terminar. mas não simplista.Você não zerou o taxímetro! Já estava marcando mais de vinte rupias quando saímos! Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. na q ualidade de Ocidental. Apontei furioso para o taxímetro. Quando refugu ei. Talvez fosse simples. seu comparsa. daquele tipo que costumamos descartar. e eu estava de péssimo h umor. Enquanto caminhava pelas ruas abrasadoras de Déli. O táxi parou. . de Alvo. Além da luta contra o calor escaldante.com. por acaso meu olhar passou pelo taxímetr o. Minha amiga deu um pulo de susto com minha súbita explosão. Mergulhamos numa conversa sobre as idéias do Dalai-Lama a respeito da emp ada e da importância de adotar a perspectiva da 105 A ARTE DA FELICIDADE outra pes soa. O contraste com a tranqüilidade de Dharamsala era gritante. entramos num táxi para ir visitar amigos nossos.berrei. meus pensamentos voltaram para o golpe do engraxate daquela manhã e. de Estrangeiro. . eu ainda estava em Déli. Os acontecimentos da parte da manhã foram esquecidos rapidamente à me dida que ela me fazia perguntas sobre minha recente série de entrevistas com o Dal ai-Lama. com um traço de histeri a. abordado por meia dúzia de esperta lhões a cada quarteirão. Em minutos. o que representa o meio mais eficaz de promover a comunicarão. enquant o imagens sinistras agitavam minha mente. Mais tarde naquele dia eu soube que esse é um golpe comum. atr aindo uma multidão.megacursos. Era uma desmoralização.equivalente ao salário de dois meses de muitos moradores de Déli. a O CALOR HUMANO L: A COMPAIXÃO poluição e a multidão. mas seg uiu em frente. Depois do almoço.exigi.Pare o táxi . . Minha amiga estava chocada. um engraxate de ar inocente. aos berros de que eu me estava recusando a pagar p or serviços já prestados. chamou minha atenção para a tinta e se ofereceu para engraxar meus sapatos pelo preço normal. Alguns dias mais ta rde. com a intenção de extorquir dinheiro dos turistas pelo embaraço caus ado e pelo desejo de evitar uma situação daquelas. Quando o táxi saiu. Mais a diante. engraxou os sapatos com perícia. O menino engraxate faz um escândalo de propósito. e o garoto começou a gritar. o que atraiu um monte de gente. Naquela tarde. Voltei a questionar o valo r. eu tinha a impressão de estar com a palavra "OTÁRIO" tatuada na testa. Naquele dia.Pare o carro! .br 57 . Às vezes é o consel ho mais básico e direto. pela ingenuidade. caí num golpe comum aplicado por dois ind ivíduos. a voz agora trêmula. Um salpicou tinta vermelha nos meus sapatos sem que eu percebesse. almocei com uma co lega no hotel.quanto parecia a princípio. ele alegou que aquele era o preço que havia pedido. O motorista fez cara de poucos amigos para mim pelo espelho retrovisor.

eu estava começando Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Seja como for. . Sua vida simplesmente parecia triste. Em alguns min utos. mesmo quando funciona e eu consigo algumas rupias a mais de um turista ingênuo.respondeu ela.br 58 . ser amados e assim por di ante. Quer diz er...Bem .... e a melhor forma que tenho para tentar tornar as coisas mais "justas".. devagar -. Ele me olhava como se minha explosão fosse apenas cansativa e entediante. Isso não a perturba? . mas simplesmente não consegui me perturbar a ponto de odiá-lo por esse motivo.megacursos.. . Enquanto seguíamos pelas ruas de ~Déli. . certo de estar c om a razão. Jogue i algumas rupias no banco da frente e..com. eu procu rava pensar no que eu poderia ter em comum com aquele motorista de táxi.disse ele.. Só que eu não conseguia deix ar o assunto para lá. mas comecei a pensar sobre aquilo que estávamos comentando durante o alm oço. senhor . .. Nós dois qu eremos comer bem. por um instante.Eu me esqueci de zerar. desses trajetos em círculos.. com uma vee mência de quem se julga superior.Mas o que importa é o princípio! . vinte rupias são só uns vinte e cinco centavos de dólar . não consigo imaginar que esse seja um jeito mu ito satisfatório de ser mais feliz ou que essa seja uma vida muito satisfatória. descontrolado. Qual é o motivo para tanta irritação? Eu espumava de indignação. Depois.Ora. sobre o que o DalaiLama disse a respeito de como é importante ver as situações a pa rtir da perspectiva do outro. simplesmente. sem O CALOR HUMANO E A COMPAIXÀO maiores co mentários. Minha amiga estava envergonhada. A questão é que.Desculpe. Fico o dia inteiro sent ado num táxi sufocante sem ar-condicionado. p erturbou.. quando isso acontece o tem po todo.Estou cheio dessas suas corridas fraudadas. Àquela altura. saturado! Eu espumava. com o pouco que eu de fato havia absorvi do dos ensinamentos do Dalai-Lama. talvez eu tenha raiva ou inveja dos es trangeiros ricos...protestei. na realidade. que me enfureceu aind a mais. queremos nos sentir bem. afinal. ..disse eu. Minha companheira ouvia em silêncio enquanto eu reclamava e es bravejava. Enquanto você ficava cada vez mais nervoso.. quanto mais eu me imaginava na pele do motorista do táxi. chamamos outro táxi e já estávaMos novamente a caminho.disse ela.. enfurecido. . não sei com o você pode ter tanta calma diante de toda essa história. ainda não concordo com o que ele fez e creio que agimos certo ao saltar do táxi. Perplexo. dormir bem.. A ARTE DA FELICIDADE para ser feliz.. de algum m odo menos raiva eu sentia dele. Vou começar de novo do zero. de vocês fazerem o possível para arrancar dinheiro das pe ssoas. Estou. é criar modos de enganar as pessoa s tirando-lhes dinheiro. eu continuava a me queix ar de como "todo o mundo" em Déli estava a fim de enganar turistas e de como nós não p assávamos de "patos". tentei me imaginar como o motorista de táxi.Não vai recomeçar nada! . S eja como for. com o intuito subversivo de provocar um congestionament o. O motorista ape nas olhava para mim com aquela mesma expressão desafiadora encontrada com maior fr eqüência entre as vacas sagradas que saíam a passear no meio do trânsito de uma rua movi mentada de Déli e paravam. com uma indiferença sem ânimo. Fi quei em silêncio. abri a porta do carro para minha amiga e saltei atrás dela.

Porém.com. um c asal jovem de aparência saudável. entretanto. mas ainda eram jovens e sem dúvida apaixonados.ou especialmente em comp aração com divorciados ou separados. Até aquele momento.megacursos. gerar a felicidade . pelo me nos não naquele °xato momento. meu amigo e eu logo começamos a nos queixar da vida de solteiro. enquanto repassava nos sa série de conversas.talvez não estivessem mais em lua-de-mel. Ao examinar o tópico dos relacionamentos humanos.a estimar o valor prático dos seus conselhos. de algum modo ainda não me havia ocorrido aplicar suas idéias plenamente à minha própria vida. que pretendia trazer à baila na entrevista. apesar de ele ter escolhido viver a vida com o monge. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. com início no Arizona e que agora continuavam na índia. c onsiderei importante levantar a questão dessa fonte comum de felicidade. E. que estavam ali passand o férias felizes no auge da estação de turismo. tomando um refrigerante. como se eu lhe esti vesse fazendo perguntas sobre a anatomia humana. Eu sempre tinha uma vaga intenção de tentar implementar s uas idéias na minha vida em algum ponto no futuro. com efeito. percebi que desde 'o início nossas entrevistas adotavam um tom clínico. as pessoas casadas são mais felizes e ma is satisfeitas com a vida do que os solteiros ou viúvos . Enquanto conversávamos. estudos já revelaram que o casamento é um fato que pode. Houve milhares de pesquisas realizadas com americanos e com europeus que provam que. pensei. eu estava sentado com um amigo num pátio do hotel em Tucson.proporcionando a intimidade e os laços firmes que promovem a saúde e a satisfação geral com a vida. Deve ser bom. como por exemplo o de "compreender o s antecedentes do outro" e. só que nesse caso era a anatomia da mente e do espírito do ser humano. talvez quando eu dispusesse de mais tempo. em geral. eu considerava uma inspiração seus exemplo s de como implementava esses princípios na própria vida. Seu casame nto aparentava já ter uma certa duração 109 A ARTE DA FELICIDADE . Quando mencionei os tópicos d o romantismo e do casamento.br 59 . naturalmente. sentou-se a uma mesa próxima. Uma pesquisa descobriu que seis em cada dez ame ricanos que classificam seu casamento como "muito feliz" também classificam sua vi da no todo como "muito feliz". talvez jogadores de golfe. Minutos a ntes de uma entrevista marcada com o Dalai-Lama. loa O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO O EXAME DA BASE DE SUSTENTAÇÃO DE UM RELA CIONAMENTO Minhas conversas com o Dalai-Lama no Arizona haviam começado com uma di scussão das origens da felicidade. Mal estavam sentados e começaram a implicar um com 0 outro.

" A discussão. quandv nos dedicamos a tentar entender problemas de relacio'rtamentos. é n atural que o assun'ta seja muito complexo explicou o Dalai-Lama. "Casem-se. se deixarmos de lado po r um instante a questão do casamento.. Foi você quem teve de acabar de ler o jornal . quer estivesse em declínio. .Pode haver o envolvimento de muitos fatores. os esposos vivem um inferno em casa. já lhe fiz um a pergunta. Se faltar isso. Meu amigo só revir ou os olhos e citou uma frase de Seinfeld.. Esse tipo de amizade é o que eu chamaria de amizade genuína porque ela não seria afetada pela situação da riqueza. poder ou posição do indivíduo. quase antes de me sentar. Por exemplo. se você não tivesse demorado tanto para se aprontar. mas com cada sílaba carregada de irritação e hostil idade.Ç: .br 60 .megacursos. mesmo entre as amizades comuns.. . . Amizades qu e não se baseiam em considerações de riqueza. Naturalmente.. a aspereza de cordas vocais curtidas em anos de cigarro e álcool. sua amizade continua desde que sua riqueza. a amizade ta mbém começa a desaparecer. sim.. O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO "i~ . Não posso nem saborear a comid a! .Eu estava pronta há meia hora.. no verdadeiro sent imento humano. entrei na suíte e. Uma vez que esses motivos não mais existam.. o primeiro estágio nesse processo envolve uma ref lexão ponderada sobre a natureza e a base de sustentação daquele relacionamento.disse a mulher em tom ácido de acusação. Algumas são baseadas na riqueza . foi a réplica. é preciso reconhecer que há tipos diferentes de relacionam entos e compreender as diferenças entre eles. e pode dar certo. já mencionamos A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Mas.. Por outro lado. encerrou de vez com nossas lamentações quanto à vida de solteiro. quer ela estivesse em ascensão.eu lhe disse que íamos nos atrasar! . . eu tinha a intenção de iniciar nossa sessão com um pedido de que o Dalai-Lama desse sua opinião sobre as alegrias e as vantagens do romantismo e do casamento.Quando se trata de conflitos.. em tom mais baixo. podemos reco nhecer a existência de tipos diferentes de amizades.com. E assim prosseguiu a conversa. um sentimento de proximidade no qual há uma noção de compartilhamento e sintonia. existe outro tipo de amizade.Por que o senhor supõe que seja tão f reqüente o ' ento de conflitos nos casamentos? .É mesmo! Quero me casar logo logo! Ap enas momentos antes. não será possível sustentar uma amizade real. Portanto. antes de mais nada. O fator que sustenta uma amizade verdadeira é um sentimento de afeto.. Em vez disso.retrucou o homem a utomaticamente. Como disse Eurípides. no poder ou na posição. poder e posição mas. "Port anto. com a voz surpreendentemente rouca. Sem trégua. quando um casamento fracassa . . .Agora mal temos tempo para comer. o dramaturgo grego. que ia se acirrando rapidamen te. Nesses casos.. poder ou posição se mantenha.

Portanto. eu teria de concordar com o senhor quanto a isso.. um relacionamento que tem como base essa atração inicial é muito pouc o confiável. "Log o. Ellen Berscheid. ainda assim.Portanto. em certo sentido. experiências como 0 amor romântico. e depois de algum tempo desaparece. mesmo nos mais apaixonados. Uma psicóloga social.megacursos. da University of Minnesota. Parece que em qualquer relacionamento. mas que. O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO É. não é uma pessoa generosa. sustentação do relacionamento. em certo sentido. Mas qual é sua op inião?" i. com a mente tranqüila.br 61 . Quando um casal acabou de se conhecer." Ele estalou os dedos. Um pro blema. mas que ele ou ela no fundo é uma Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Essa sensação te ida muito curta. o aumento no índice de divórcios ao longo dos últimos vinte a nos está em parte associado à maior importância que as pessoas atribuem a fortes exper iências emocionais positivas na sua vida.Isso me parece muito verdadeiro . eles podem estar loucamente apaixonados e muito felizes". examinou essa questão e concluiu que a incapacidade de admit ir a limitação da vida útil do amor apaixonado pode condenar um relacionamento. creio eu. porque é muito baseado em fenômenos efêmeros.. também é possível que um indivíduo. o namorado ou namorada pode não ser tão a traente. enlouquecer com a força da rai va ou do ódio. "Ora. quando li damos com problemas de relacionamentos podemos entender a tremenda importância do exame e compreensão da natureza de. de se ver somente algumas vezes.disse ele. se esse tipo de relacionamento começar a nauf ragar e se um casamento baseado nisso apresentar dificuldades. encontram-se com freqüência relacionamentos que dependem muito da atração sexual imediat a. é que esse tipo de experiência pode ser muito difícil de manter por um lon go período.. o ímpeto inicial acaba esfriando. disse ele. Da mesma forma que uma pessoa pode. pode ser útil examinar a base de sustentação do relacionamento.mas quando a pessoa está começando a enfrentar imas de relacionamento. "Da mesma forma. rindo. porém. embora alguns relacionamentos tenham como base uma atração sexual imediata. sente atração por ele ou po r ela. "mas qual quer decisão relativa a casamento tomada naquele instante seria muito duvidosa. podem ainda existir o utros tipos de relacionamentos nos quais a pessoa.. E às vezes ainda seria possível encontrar situações na quais um indivíduo poderia dizer que seu namorado ou sua namorada no fundo não é uma boa pessoa. perceba que em termos físicos.com. Para e la e seus colaboradores. costuma ser úti l simplesmen.ar um passo atrás e refletir sobre a base daquele relacionamento. em termos de aparência. . perca a razão em decor cia da força da paixão ou do desejo. Algumas pesquisas revelaram que as pessoas que conside ram o romantismo e a paixão iniciais essenciais ao relacionamento podem acabar dec epcionadas ou divorciadas. . Por exemplo. quando alguém está começando a enfrentar problemas com o marido ou com a mulher.. não deveria causar grande surpresa. muito instável..

a natureza mais profunda da outra pessoa. os indivíduos estão se relacionando mutuamente não tanto como pessoas mas couto objetos. Esse tipo de relacionamento não é muito sólido.É verdade. antes de p rosseguir. como se estivesse refletindo sobre a questão.com. eu geralmente quero saber há quanto tempo se conhecem. entretanto. "Por isso. mas no qual a atração aísica não é a base primordial da relaçã e segundo tipo. na qual nenhum dos lados sente r espeito pelo outro... a melhor forma de concretizar isso consiste em conhec er a natureza mais profunda da pessoa e relacionar-se com ela nesse nível. Se disserem alguns anos. que pode haver dois tipos principais de relacionamentos baseados na atração sexu al. portan to. creio que quando se está procurando construir um relacionamento v erdadeiramente satisfatório. Um tipo tem como base o puro desejo sexual.. um segundo tipo de relacionamento que também tem como base a atração sexual." ." ." O Dalai-L amas fez uma breve pausa.Isso é m eio parecido com a citação de Mark Twain de que "nenhum homem ou mulher sabe realmen te o que é o amor perfeito enquanto não tiver completado vinte e cinco anos de casad o.assentiu o Dalai-Lama..Por isso. . Fica aparente. sem um componente de resp eito mútuo. o motivo ou o impuls o por trás do vínculo é realmente apenas a satisfação momentânea. a gratificação imediata. eles não conhecem somente o rosto ou a aparência um do outro mas.br 62 . é crucial passar temp o suficiente para que cada um conheça o outro num sentido autêntico. Nesse caso..megacursos.. em vez de meramente com base em características superficiais. quando meus amigos me fazem pergu ntas sobre seu casamento. a const rução desmorona.Naturalmente. . que conheça as ca racterísticas essenciais um do outro. eu deveria esclarecer que se pode ter um relacionamen to bom e saudável que tenha a atração sexual como um componente. Quando o gelo derreter. Um relacionamento que se constrói com esse alic erce forma um laço mais duradouro. há uma sensação implícita do valor da outra pessoa. eu costumo comentar que é muito pouco tempo. acho que muitos problema s ocorrem simplesmente por causa da falta de tempo para as pessoas se conhecerem . de bom coração. tipo de relacionamento. E nesse tipo de relacioname nto há espaço para a verdadeira compaixão.. "Existe. ele passa a ser quase igual à prostituição. S e disserem alguns meses. Agora. por 113 tA ARTE DA FELICIDADE existir um tipo d e' comunicação genuína num nível muito humano e pessoal entre os parceiros. Seja como for. . Um relacionamento construído essencialmente de desejo sexual é c omo uma casa construída sobre um alicerce de gelo.pessoa doce. Se o relac ionamento for baseado exclusivamente nc desejo sexual. generosa.. parece melhor. creio eu. com base na percepção d que o outro é geO CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO de relacionamento. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.

Na cultura oci d~ -ital. que havia sido celibatário a vida inteira. _ É algo inatingível. em termos biológicos. já ouvi muitas pessoas alegarem que seu casamento tem um significado mais pr ofundo do que o de um mero relacionamento sexual.br 63 . na literatura e na cul tua popular. porém. não é apenas o atc~. ele não pode ser chnsiderado um fator po sitivo.comecei. para que eles possam sobreviver e crescer. o contato físico. agora com mais de sessenta anos de ida de. Um re lacionamento sólido deveria incluir uma noção de responsabilidade e compromisso mútuo. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. O que o sen hor acha disso? O Dalai-Lama respondeu senl hesitar.e apaixonar-se. A o refletir sobre nossa conversa mais tarde naquela noite. porém."Ora.com. a idéia d. pode-se consNerar a idealização desse tipo cie amor romântico como urna manifestação e xtrema. Ele não aparentava ser avesso a conve rsas sobre essas questões. mas havia um certo distanciamento nos seus comentários.disse ele.megacursos. . mas tod a a 13éia do romantismo. deixando-se de lado o modo como a intevel busca do amor romântico pode afetar nossa evolusão espir itual mais profunda. o r elacionamento proporciona uma satisfaçào apenas temporária. é preciso qu e haja uma noção de dedicação à prole. que o casamento envolve o A AR TE DA FELICIDADE reta sobre a qual um relacionamento deveria ser construído. N aturalmente. que é vista como alto altamente desejável. Ao contrário daqueles relacion`:mentos baseados no afeto verdadeiro e cari nhoso. sexual físico. por essa avaliação. basçado na fantasia e que pode. O CALOR HUMANO E A. COMPAIXÃO . com firmeza.Creio que. ser uma f onte de frustração. Portanto. pod e proporcionar uma certa satisfação que poderia ter um efeito tranqüilizador na mente de cada um. e eu se nti curiosidade por saber seu enfoque sobre o assunto. Não se pode vêlo como algo p5sitivo . há uma espécie de exaltação desse tipo de aior romântico.Ontem analisamos os relacionamentos e a importân cia de basear um relacionamento íntimo ou um casamen to `m algo mais do que sexo . Nos filmes. Em última análise. é c ucial desenvolver uma capacidade para a responsabilidade e a dedicação. RELACIONAMENTOS BASEADOS NO ROMANTISMO Parecia estranho conve rsar sobre sexo e casamento com um homem. É só uma brincadeira. essa e uma questão diferente. Sem ela. de estar pr'Áundamente apaixonado p elo parceiro. ocorreu-me que airada havia um importante componente dos relacionamentos que não havíamos coberto. E para realizar esse objetivo com êxito. a relação sexual normal ou adequada entre um casal. o principal objetivo de um r elacionamento sexual é a reprodução. Logo. Por isso." Ele riu : uma risada que parecia estar impregnada de assombro diante da amplitude do com portamento humano. Toquei nele no dia seguin te. . I-nesmo a partir da perspÇetiva de um modo de vida convencion al.

O Romantismo surg iu como uma rejeição ao Século das Luzes. tem os mecanismos embutidos para ajudar a fazer com que isso aconteça. a idéia do amor r omântico vicejou ao longo dos últimos duzentos anos sob a influência do Romantismo. Essa idéia exerceu profundo impacto não só na arte e na literatura. É. Isso sem dúvida aumenta a probabilidade da cópula e da reprodução. do maior interesse da espécie que sejamos programados para nos apaixonar. a principal função do organismo é a de sobreviver. Salientava a importância d° mundo sorial. apaixonado -. da fantasia. Muitos pesquisadores acreditam que essas forças estão programada s nos nossos genes desde o nascimento. biológicos e psicológicos. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. com sua ênfase na razão humana. invariavelmente con fundida com uma sensação de atração sexual. De uma perspectiva evolutiva. Dada a tremenda ênfase que nossa sociedáde c onfere ao romantismo. sexual. muito mais d o que a mera glorificação do amor romântico que 118 O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO captamo s da nossa cultura. supus ue ele não avaliasse plenamentç as alegrias do amor romântico e imaginei que fazer-lhe A ARTE DA FELICIDADE mais perguntas sobre questões relacionadas a esse aspecto se ria tão útil quanto pedir-lhe que viesse até o estacionamento para dar uma olhada num problema que eu estava tendo para lagar meu carro. re mexi minhas anotações por uns instantes e passei para outros tópicos. do comportamento reprodutivo. Forças poderosas atuam Para nos levar a procurar essa sensação. o êxtase supremo.megacursos. procriar e assegurar a sobrevivência da espécie.com. o sentimento e a paixão. Levando-se em considhração a formação monacal do Dalai-Lama. a experiência subjetiva do indivíduo e tinha uma inclinação pelo mundo da imagin ação. a emoção. O elemento mais irresistível na nossa busca pelo amor romântico é a sensação do apai xonar-se. é um poderoso coquetel de ingr edientes culturais. conclui-se que Eros. pareceu-me que ele estava descartando a sedução do amor romântic o sem a devida atenção. pela busca de um mundo que não existe um passado idealizado ou um f uturo utópico. portanto.o amor romântico. mo vimento que contribuiu muito para moldar nossa percepção do mundo. geneticam ente determinado. Ligeiramente decepcionado. que é que torna o amor romântico tão sedutor? Quando se examina essa pergunta. O novo movimento exaltava a intuição.Havia um toque categórico no tom do Dalai-Lama que transmitia a idéia de que ele não t inha mais nada a dizer shbre o assunto. mas t ambém na política e em todos os aspectos do desenvolvimento da cultura ocidental mod erna. Na cultura ocidental. pode ser um componente instintivo. A emoção do apaixonar-se. Assim.br 64 .

Não têm nenhuma noção de identidade pessoal. e cada metade ansiava por se fundir com a ou tra metade. Esses seres assexuados e autônomos eram muito arrogantes e atacavam re petidamente os deuses. se um bebê está segurando um c hocalho. Zeus lançou raios sobre eles e os partiu ao meio. Aos poucos. ele reconhece o chocalho como parte de si mesmo. Sócrates conta a história do mito de Aristófanes. e. um esta do primordial no qual o bebê está em completa fusão com a mãe ou com a pessoa encarregad a de cuidar dele. ou no mínimo s ua identidade abrange a mãe. a interação do bebê com o mundo passa a ser mais sofisticada. aos poucos. ele não existe. E enquanto nosso cérebro está imerso nesses produtos químicos. de desaparecimento de limites. E. nosso cérebro produz e bombeia para o sistema produt os químicos que criam uma sensação de euforia. outras pessoas e todos os objetos do ambiente.Em resposta a certos estímulos. cujas costas e lados formava m um círculo. o bebê alcança uma noção de identidade pess oal. No momento do nas cimento. uma te ntativa inconsciente de recriar a experiência que tivemos quando éramos bebês. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Alguns são da op inião de que esse processo está enraizado nas nossas experiências mais remotas. Evidências sugerem que os bebês recém-nascidos não distinguem entre si mesmos e o resto do universo. Parece ser uma necessidade humana universal e inconsciente. desenvolve-se uma sensação de isolamento. Se não estão interagindo com um objeto. formadas em grande parte por reflexos das suas primeiras interações com as pess oas importantes nas suas vidas e por reflexos do seu papel na sociedade em geral . Eles não sabem onde terminam e onde o "outro" começa. os primeiros habitantes da Terra eram criaturas redondas. a estrutura intrapsíquica e da identidade pessoal passa a ser mais c omplexa. ma s. Por exemplo. o "barato" associado a estar apaixonado . com quatro mãos e quatro pés. de tornar-se um com o ser ama do. Falta-lhes o que se conhece como "co nstância" do objeto: os objetos não possuem nenhuma existência independente. Naturalmente a formação da identidade continua a se senvolver ao longo da infância e adolescência à medida que a criança entra em contato co m o mundo. deixará de existir. Psicólogos chamam esse estado de colapso das fronteiras do ego.megacursos. que tratava da origem do amor sexual. de um "eu" em oposição ao "outro". pode ser visto como esse antigo desejo de fusão com a outra metade. Cada criatura era agora duas. o impulso pelo amor romântico. e com o tempo a criança adquire uma consci entização das suas próprias limitações. apaixona do. O sentimento envolve uma sensação de união com o outro.br 65 . ConcoO CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO mitantemente . os circuitos elétricos do cérebro ainda não estão plenamente "configurados". A noção que as pessoas têm de quem são decorre da revelação de representações in res.com. II9 A ARTE DA FELICIDADE Eros. De acordo com esse mito. se o chocalho for l evado e permanecer fora do seu campo visual. à medida que o bebê vai crescendo e o cérebro amadurece. Para puni-los. a sensação nos domina a t al ponto que às vezes nada mais parece existir. As forças psicológicas que nos impelem a procurar a sensação de estar apaixonado são tão irresistíveis quanto as forças biológica No Banquete de Platão.

disse-me ele.Estou apaixonado . Porém. aprese ntou-se inicialmente no meu consultório com sintomas clássicos de uma grave depressão clínica. além da depressão aguda. uma for ma mais insidiosa de depressão crônica menor que se manifestava havia muitos anos. Ela recria aquela sensação mágica.Estou me sentind o ótimo! . como udo fosse possível. Quando estudei sua história. um ex-paciente meu. eu não sei. O medic amento provou-se muito eficaz: em três semanas. e o paciente já estava de volta à rotina normal. Eles acreditam que a f usão com o ser amado quando estamos "apaixonados" repete a experiência da fusão com a mãe na tenra infância. ele também sofria de distimia. Depois de apenas alguma s sessões.Na semana passada eu a conheci numa licitação da qual estou participando. David.megacursos. um estado de beatitude no qual não há nenhum sentimento de isolamento. não era esse o caso. nenhum sentimento de separação. à qual ele demonstrou ser fav orável. . uma sensação de onipotência. Ele explicou que a depressão poderia ter sido detonada por alguns estresses sem grande importância associados ao trabalho. um arquiteto paisagista de 34 anos. portanto que a busca pelo amor romântico seja tão intensa. Qual é então o problema? E por que o Dalai-Lama afirma com tanta facilidade que a busca pelo amor romântico é negativa? E xaminei a questão de basear um relacionamento no amor romântico.anunciou. os sintomas agudos melhoraram.Há anos que não me sinto tão bem! Minha reação a essa notícia maravi sa foi a de fazer uma avaliação imediata da possibilidade de que ele estivesse passa ndo para a fase maníaca de um transtorno de humor. Ocorreu-me a história de David. Muitos psicólogos contemporâneos consideram que a experiên cia inicial de "unidade" fica incorporada ao nosso inconsciente e que na idade a dulta ela permeia nossas fantasias inconscientes e íntimas.br 66 .No entanto. Simplesmente Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. . Perfeitos um para o outro. Saímos quase todas as noites desta semana. alguma parte de nós pode ainda procurar regredir a um estado anterior da existência. começamos a examinar sua história pessoal. 122 O CALOR HUMANO E A COMPAIXÂO É a mulher mais linda que já vi. mas "principalmente ela só apareceu" . . Uma sensação dessas é difícil de ser superada. de procurar refúgio n o romance como 121 A ARTE DA FELICIDADE fonte de felicidade. porém.. Não surpreende. e. não demo rei para perceber que. e implementamos um período experimental com um antidepressivo comum. D epois que se recuperou da depressão aguda. .com. Conversamos sobre a opção de uma medicação antidepressiva. David entrou um dia no consultório de excelente humor. mas é como se fôssemos almas gêmeas. . preparando uma base que nos ajudasse a compreender a dinâmica psicológica interior q ue pode ter contribuído para seus muitos anos de distimia.

mas nós dois tínhamos bebido muito. . e ela estava só brincando. Eu realmente achava que tinha encontrado minha p arceira ideal. era simplesEste arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.disse ele. Mas parecia que. Conversamos depo is. ela apareceu. Estou dormindo como um anjo. Eu lhe disse q ue estava feliz com o fato de ele estar se saindo tão bem. David voltou na semana seguinte para me informar s ua decisão de abandonar a terapia.Bem. passamos a sessão com uma resenha e fechamento do tr atamento e minhas últimas palavras foram para lhe assegurar de que minha porta est ava aberta para ele a qualquer hora. como "resistência" e "defesas" começaram a me ocorrer.. mas neste exato momento não vej o por que gastar dinheiro em terapia se não há nada a ser trabalhado..explicou ele. Ele não se conven ceu. Finalmente. e estou num relacionamento maravilhoso que só parece melhorar cada vez mais. David voltou ao me u consultório. David passou a maior parte da sessão enumerando todas as extraordinárias qualidades da nova namorada. quanto mai s proximidade eu queria.Acho que somos perfeitos um para o outro sob todos os aspect os. Depois disso. e tudo ficou esclarecido.br 67 . Cheguei até mesmo a começar a ligar para ela e desligar. Como na outra noite. Tomamos as medidas necessárias para que seu médico de família acompanhasse suas prescrições de medicamentos. mas no fundo acho que tinha muito a ver com a solidão. e ag ora encontrei essa pessoa. e é espan o como pensamos de modo semelhante. esses podem ser assuntos que eu poderia querer investigar um dia .Minha depressão passou.Ando me sentindo péssimo . fiquei realmente deprimido por umas duas semanas.com. . Cheguei a falar em casamento com ela. Estava irredutível na determinação de encerrar a terapia na quele dia. alguns termos psiquiát ricos comuns. uma sensação de que faltava alguém. Também não é uma questão só sexual.megacursos. ela terminou comigo. Alguns meses mais tarde.Da última vez que vim vê-lo. De repente. e a passar de carro pe lo seu local de trabalho só para ver se seu carro estava lá. uma pessoa especial com quem eu pudesse compartilhar a vida. .d isse ele -. . Acho que nossas sessões me foram úteis. Nós nos interessamos pelas mesmas coisas. mais ela se afastava.. Depois de um mês. . mais ou menos.. só para ouvir sua voz.Tudo está tão fantástico na minha vida que simplesm ente não consigo ver nenhum assunto sobre o qual falar em terapia . tudo ia tão bem. No trabalho estou de novo m e saindo muito bem. fiquei ligeiramente perturbado p orque achei que ela estava flertando um pouco com uns caras numa boate onde estáva mos.. Todo esse tempo. cansei-me de fazer isso. mas relembrei algumas q uestões fami123 A ARTE DA FELICIDADE liares que tínhamos começado a detectar que podia m ter levado à sua história de distimia crônica. e estava chegando ao pon to em que imaginava que nunca mais ia conhecer ninguém. . É claro que estou sendo realista e me dou cont a de que ninguém é perfeito..não consigo acreditar! Não saio com ninguém há dois ou três anos. em tom desanimado.

O ranance adquiriu um a qua12s A ARTE DA FELICIDADE lidade artificial.. inxingível". É por esse motivo que o Dalai-Lama nos incentiva a examinar a base de sustentação de um relacionamento.124 O CALOR HUMANO E . O antigo conceib de Eros. nós nos voltamos mais uma v ez para a abordagem do Dalai-Lama quanto à formação de um relacionamento forte .basea r nosso relacionamento nas qualidades de afeto. contaminado por seus anos de formação monacal.. a qualidade que levou à áspera observação de Oscar Wilde: "Quando apaixonada. os alicerces desse relacionamento precisam ser sólidos. aquele agente aglutinante inicial precisa ser misturado a outros ingredientes para que possa endurecer e resultar numa li gação duradoura. "não prático". "mentira". le fusão com o outro. mas como uma boa cola epóxi.. Quer dizer. pode ter seu papel na formação do laço inicial entre duas pessoas. assumiu um novo significado. "característica de namoro ou relações sexuais idealizadas " e assim por diante. Parece clar o que. Pensando bem. como fonte de felicidade. caso descubramos estar numa relação que deu errado. ou mesmo a forte sensação de apaixonar-se. estou comendo e dormindo bem. ocorreu uma mudança. bastante energia e tudo o mais. talvez ele estivesse descrevend o em termos objetivos a natureza do romance em vez de estar emitindo Lm julgamen to negativo de valor. o romance deixa muito a desejar. "exagero". ainda tenho um bom d esempenho no trabalho. Parece que em algum ponto do percurso da civilzaçâo ocidental. A atração sexual.br 68 . Ao identificar esses outros ingredientes. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. "fantasioso ou criativo". com seu sentido subjacente de torn ar-se um. pa ra atraí-Ias. Talvez o Dalai -Lama não estivesse tão equivocado ao rejeitar a noção do romance como base para um rela cionamento e ao descrever o romance meramente como "uma fantasia. "d esprovido de base em fatos". com toques de fraude e de engan o. mas ainda tenho a sensação de que uma parte de mim está faltando. compaixão e respeito mútuo como sere s humanos. a pesso a sempre começa enganando a si mesma e sempre termina enganando os outros. Basear um relacionamento nessas qualidades permite que efetivemos um vínculo profundo e significativo não só com nosso namorado ou cônjuge.X COMPAIXÃO mente ridículo.. É isso 0 que o mundo chama de romance. Mesmo uma fonte objetiva de referência.. apresente uma grande quantidade de expressões tais co mo "históriafictícia". É como se eu estivesse de volta ao ponto de par tida. Retomamos a terapia. se estivermos em busca de uma satisfação duradoura num relacionamen to. que contém bem mais de uma dizia de definições para "romance" e "romântico". com a mesma sensação que tive durante anos. No entanto. e pelo menos meus sintomas de de pressão melhoraram.com. como o dicionário. Não há dúvidas a respe ito.megacursos.. a lgo que não é digno dos nossos esforços." Exploramos anteriormente o papel da proximidade e da intimidade como importante componente da felicidade humana.

É uma atitude mental bas eada no desejo de que os outros se livrem do seu sofrimento.megacursos. quando estudamos a compaixão.respondeu o Dalai-Lama.mas também com amigos. ou de amar alguém para que essa pessoa retribua nosso amor. um meio para aperfeiçoar nosso relacion amento com os outros.o sentimento de controlar alguém. quando as pessoas falam d e compaixão. conhecidos ou estranhos .perguntei -. como praticante do budi smo. Esse tipo de relacionamento pa rcial. Capítulo 7 O VALOR E OS BENEFÍCIOS DA COMPAIXÃO UMA DEFINIÇÃO DA COMPAIXÃO A medi que nossas conversas prosseguiam. devermos primeiro traçar uma distinção entre do is tipos de amor ou compaixão. No entanto. Essa atitude abre possibilidades e oportunidades ilimitadas para a formação de laços. de repente nossa projeção mental muda e o c onceito de Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Um tipo de compaixão tem um quê de apego . E um relacion amento que se baseie exclusivamente nisso é instável. "Ora. Ao desenvolver a compaixão. e está associada a um a sensação de compromisso. Por isso. da palavra Tse-wa em tibetano.com.praticamente com todos os seres h umanos. descobri que o desenvolvimento da compaixão dese mpenha um papel muito maior na vida do Dalai-Lama do que o de um mero meio para cultivar um sentimento de carinho e afeto. essa palavra também apr esenta um sentido de se tratar de um estado mental que inclui um desejo de coisa s positivas para a própria pessoa. Es se tipo comum de amor ou compaixão é totalmente parcial e tendencioso. talvez uma desavença. aprimorá-lo e ampliá-lo de mod o a que incluísse os outros e se aplicasse a eles. o senhor pode ria definir com maior clareza o que quer dizer com o termo "compaixão"? . cultivá-lo. que tem por base a percepção e identificação da pessoa coreto amiga.Dada a importância que o budismo atribui à compaixão como parte essencial do desenv olvimento espiriA ARTE DA FELICIDADE tual da pessoa . tornou-se claro que. não prejudicial e não agressivo . pode levar a um certo apego emocional e a um sentimento de intimidade. Na realidade. creio que costuma haver um perigo de confundir a compaixão com o apego. talvez pudéssemos começar pelo desejo de que nós mesmos ficássemos livres do sofrimento. .A compai xão pode ser definida aproximadamente em termos de um estado mental que é não violento . para então torrear ess e sentimento natural voltado para nós mesmos. ou se o amigo fizer algo que nos deixe furiosos.br 69 . o desenvolvimento da compaixão era parte integrmte do seu caminho espiritual. se houO C ALOR HUMANO E A COMPAIXÃO ver uma mudança ínfima na situação. "Quando se examina a definição de compaixão. . responsabilidade e respeito para com o outro.

Esse tipo de compaixão não se baseia tanto no fato de que essa pessoa ou aquela me é cara. "Existe. Por exemplo. fiz uma pergunta enquanto remoia a questão no me u íntimo. portanto. o casamento tende a durar muito." A idéia de de senvolver um tipo diferente de compaixão. em vez de na nossa projeção mental. uma espécie de compaixão genérica dissociada do sentimento pessoal. E assim descobrimos que o ~pego emocional se evapora . a verdadeira compaixão te m por base o raciocínio de que todo ser humano tem um desejo inato de ser feliz e de superar o sofrimento. se a pessoa vivencia a mesma emoção ou sentimento no s dois tipos. uma compaixão mais universal."meu amigo" já não está mais ali. e o amor baseado no apego. Essa é a verdadeira compaixão. muito mais amplo. . esse tipo de amor. exatamente como eu. estamos bas eando nossa compaixão simplesmente no fato de que essa criatura tamO CALOR ~MANO E A COMPAIXÃO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Ora. podemos ter um sentimento de ódio. porém. um outro tipo de compaixão que é desprovi do desse apego. se houver também um comp onente de compaixão verdadeira. que tem por base o apego. por exemplo. parecia algo inatingível. pode estar intimamente associado ao ódio. Em vez daquele sentimento yu w de amor e interesse pelo outro. No casamento.Mas o amor.br 70 . ou da compaixão verdadeira. A partir del e. Como s e estivesse pensando em voz alta. o casamento é mais instável e costuma terminar mais rápido. ou a compaixão. Porém.com.megacursos. como um peixe se contorcendo com um an zol na boca. poderíamos espontaneamente experimentar uma sensação de incapacidade de s uportar sua dor. E. por que é importante distinguir entre os dois? O Dalai-Lama responde u num tom resoluto. uma sensação de "Ai. quan do vemos um animal em intenso sofrimento. esse bichinho é meu amigo". Com esse tipo de fundamento. independentemente de se encarar a pessoa como amiga ou como inimiga. baseada no respeito mútuo entre A ARTE DA FELICIDADE dois seres humanos. a co mpaixão e o amor verdadeiros são muito mais estáveis. . mais confiáveis. O sentimento da verdadeira compaixão é muito mais f orte. e tem uma qualidade muito profunda. Parece que o tom ou a sensação emocional do amor ou da compaixão seria o mesmo se tivesse "um quê de apego" ou se fosse "verdadeiro". po rtanto. exatamente como eu. No caso do apego emocional sem compaixão. pode-se sentir compaixão. eles têm o dir eito natural de realizar essa aspiração fundamental. Logo.Para começar. Pelo contrário. geramos amor e compaixão. norma lmente há um componente de apego emocional. como pode ser importante na nossa rotina diária distinguir bem entre esses dois tipos de compaixão e cultivar a verdadeira. Nesse caso. Não se trata do mesmo sentimento. Ele se apóia nos direitos fundamentais do outro. Da mesma forma. Esse sentimento não é baseado numa ligação especial com aquele animal e m particular. a pessoa desenvolve uma noção de afinidade e intimidade com os outros. é um sentimento subjetivo. creio que. Com base no reconhecimento dess a igualdade e dessa característica comum. creio que há uma qualidade diferente entre o sen timento do amor verdadeiro. "Pode-se ver. É a compaixão verdadeira.

br 71 . podes e também de início vivenciar um certo grau de desconforto. como se estivesse mirancb meus próprios sentimentos naqu ele instante. no qual ass umimos sobre nossos ombros o sofrimento de terceiros: uma diferença qualitativa.megacursos.dissfe o Dalaiai-Lama. uma disposição a e~tender a mão a<~js outros.. prossegui. Enquanto se submete a treinos rigorosos.É . tanto maior será nosso grau de compa ixão. Isso é semelhante ao caso de um atleta. esse tipo ~: de compaixão.. por definição.Na realidade. 132 Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. . uma sensação de constrangimen to ou de incapacidade de suportar a situação.Bem. Uma 'ensação de desampar o. .. ao gerar a compaixão. Portanto. O compartilhamento do sofrimento do lo outro.A bém é provida dde sensaçãção.indaguei. em certo senti do poderíaamos defi>Finir a compaixão como a sensação de incapacidadde de supoortar o so frimento de outra pessoa. a compaixão envo lve o abrir-se lpara o sohfrimento do outro.com. é preciso primeiro avaliar a ggravidade ou intensidade do sofrimento do outrco. de estarmos oprimidos por alguma coisa. existe uma sensação de que estamos totaimente dominados.Bem. s até mesmo ao ponto de ingerir drogas e assim por diante. que não o está associado ao des ejo ou ao " lego. uma sensação de energia em ver de entorpecimento. Com efeito. o senhor levanta uma que stão de vitaital importância. quase como se nossas faculdades estivessem embotada s. suando. aceúito o fato) de que a maior conscientização do sofrimento do outro podde aumentar nossa capacidade para a compaixão. no seu exemmplo de ver um peixe no intenso sofrimento de testar comm um anzol na boca. Entretanto. no (-aso da compaixão. de que ela pode sofrer dor e de '~ que tem o direitco de nã sofrer essa dor. o de estar associado a um sentirmento de Í incapacidad e de suportar sua dor. . esforçando -se.. bem ccomo os vários ti pos de sofrimento aos quais somaos sujeitoos. Por que iríamos querer assumir o sofri mento do outro qmando não ~ queremos nem o nosso? Quer dizer. . Por que então iríamos deliberadamente assumir o sofrimfento de outra pessoa? . creio que quanto mais se entenda o sofrimentio. porém.Creio haver uma diferença significativa entre nosso próprio sofrim ento e o sofrimento que poderíamos experimentar num estado de compaixão. a maioria de nós faz e normes esforços para evitar nossa própria dor ou so>frimento.Quando pensamos no nosso Róprio sofr imento. Existe un sentimento de ligação e compromisso. Há. Há uma sensação de estarm os sobrecarregados. o atleta pode sofrer muito: fazendo ginástica. . sem nenhum esforço. uma questão mais essencial. é muito mais sóliolido e mais durável a longo prazo. Por issco. de outro ser sernciente. Já o atleta r lão a considera uma experiência dolorosa. Aprofundamdo -me murais no tema da compaixão. outro por um objetivo maior.. prosseguiu. . E E para gerar esse sentiment o. . o sen timento é muito diferente: subjahente à sensação de constrangimento existe um grau muito alto de atenção e determinação porque a pessoa está de modo voluntário e deliberado aceita do o sofrimento dc:). quando se está assumindo a dor de outra pessoa. Crev que essa seja uk-na experiência muito dolorosa e extenuante. _ Ele fez uma pausa e então. A ARTE DA FELICIDADE O Dalai-Lama respo ndeu sem hesitação. Ocorre um entorpecimento. "Ora.

de transcender o sofrimento. Mi nha tEendência ser uma pessoa bastante racional.creio que vamos praticar alguns exercícios ou meditações sobre a compaixão durante as palestras ao público mais tarde nesta semana. tipo. proferidas com tanta convicção. e Bem. a da possibilidade de resolução frimento.Existe m.. de Shantideva.com.. uma experiência as sociada a uma sensação de alegria. o carinho. por que me fizeram passar por essa terrível tortura?' Portanto. Mas disse ele. prática e talvc ez inteleclal.O senhor menciona que o primeiro passo para gerar esse tipo de compaixão é uma avaliação do sofrimento.O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO Ele a encara como uma grande realização. come cei no >ssa conv~sa seguinte com este raciocínio. O método do "inte rcâmbio e igualdade" é a técnica encontrada no oitavo capítulo do Guide to the Bodhisatt va's Way ofLife [Guia para o modo de vida do Bodhisattva].into nenUma compaixão ou altruísmo especial.megacursos. na tradição maaiana do budismo. Suiponhamè que um rico empresário viesse ao senhor e lhe. dando um olhar de relance no relógio e percebendo que nosso tempo estav a acabando . ou afe tuosa. Por exemplo. Com isso. Mëno assim.br 72 ." Essas poucas palavras. gosto da minha vida. . realmente não si . Para ser franco. e eu simplesmente não sinto emoções desse. o senhor diz que a com. 133 134 A ARTE DA FELICIDADE p g IkL VALOR DA VIDA HUMANA Cc3ntinuanc? nosso estudo sobre a compaixão. ela poderia pensar ` Ai. dissesse. ele sorriu com carinho e se levantou para encerrar nossa sessão. Porém. se a mesma pessoa fosse sujeita a algum outr o esforço físico que não fizesse parte do seu treinamento atlético. encontramos duas técnicas importantes para o cultivo da compaixão. Elas são conhecidas como o método "de causa e efeito de s ete pontos' e o "intercâmbio e igualdade da pessoa com os outros". Vossa Santidade. Será que existem outras té nicas budistas específicas que sejam usadas para aprimorar nossa compaixão? . sárias para felicidade. a amizade e otr os fatores são condições absolutamente neces. m e alçaram de uma sensação de opressão para outra sensação. Mas pior natur~-a eu simplesmente não sou uma pessoa morto carinho. paixãco e o cair humano são cruciais para a felic idade. estic~mos falando sobre a importân cia da compaixãc_) sobre su crença de que o afeto humano. Mas estou só me per guntando. a atitude ment al faz uma enorme diferença. Sintome Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.

Pelo contrário..Porém. mesmo que fosse esse o caso. Uma proO CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO funda sensibilidade aos sentimentos dos outros é um elemento do amor e da compaixão.. creio que haveria problemas na capacidade desse homem de se relacionar com sua mulher. que ocorriam em todas as nossas convers as. e. "Agora. não tivesse nenhum problema com a família ou os filhos.com. seria útil que ele percebesse que os outros também se sentem bem quando recebem algum calor huma no e compaixão. Ao miesm0 tempo. conseqüenternerltatL. Desenvolver a comppaixão. Logo.br 73 .. mesmo que se tratasse de um bilionário. suponha que esse homem tüvesse todos esses bens materiais.)tenho aigos. Portanto. políticos e chefes de governos. .. reconhecer esse A ARTE DA FELICIDADE fato poderia desenvolve r nele um maior r espe ito pela sensibilidade emocional dos outros e torná-lio mai s propenso a dar compaixão e calor humano. isso faz com que ele se sinta feliz. o verdadeiro valor da vida hu mana sa. Simplesmente não pine parec que esteja faltando nada. o calor humano e assim por dian te pai rrece boninas para mim qual é a finalidade? Parece tão pi p iegas. Ele pode compreender que. Suas pausas intermitentes. então poderia ser um pouco difícil ajudá-lo a e ntender a importância da compaixão. Para começar.~m ela. eram como uma força gr avitacional. se alguém o trata com compaixão e afeto." .com mini vida como é. q uanto mais se dá calor hLimar. outros empresários ricos. eu poderia sugerir que ele refletisse sobre sua própria experiência. com base nessa experiência. se ele continuasse a sustentar que não sentia compaixão e que. Creio até me smo ser possível que sua família e seus filhos pudessem se relacionar com ele e sent ir uma espécie de contentanCiento Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. se uma I pessoa desse ess as palavras." O Dalai-Lama parou de falar por um instante p ara refletir. eu ainda teria dúvidas quant -ito a essaessoa ser realmente feliz no fundo. esse passa a ser o alicerce da amizade e confiança mútuas.. mesmo assim.Em prü?iro lugar . Se a pessoa de fato tivesse essa atitude de indiferença diante dos sentimentos e do s ofrimento alheio.. falta uma peça e ssencial.respondeu o Dalai-Lama -. vivesse cerc ado de amigos. apesar de t udo isso creio que o efeito de todos esses aspectos positivos permaneceria na su perfície. que vivesse cercado de amigos. não pareciam criar um silêncio constrangedor. por exemplo. que tivesse muito sucesso na vida. "No entanto. E. Acre dito ` sinceramlte que a compaixão proporciona a base para ~ a sobrevi wcia humana.. sustento minha mulher e filhos e pa reço t ter um bn relacionamento com eles. que conferia maior peso e significado às suas palavras quando a conve rsa era retomada. mais se recebe. que tivesse segurança em termos financeiros e assim por diante. e que.megacursos. Acho que ele não levari a muito tempo para se dar conta disso.o aos outros. sem ela. não sentia falta de nada. há alguns pontos que eu pode ria salientar. mesmo que ele tivesse bo a formação acadêmica. Tenho uma empresa de su cesso . o truísmo. ele descobriria que.

já ouvi falar de comprovação científica de que esses a spectos podem ser promovidos por sentimentos de amor e compaixão. eu diria que essa ~opiníão decorre da ignorância e da falta d e visão.Creio porém que. E las podem ser influenciadas por sua riqueza e poder. As economias mundiais são sempre tão frágeis. e nós estamos sujeitos a tantas perdas na vida. elas podem estar satisfeitas. poderíamos salientar que a falta d e compaixão gera uma certa desumanidade. ao tentar explicar para alguém a importânc ia da compaixão. se as pessoas têm compaixão.Por isso. . mas uma atitude n orteada pela compaixão é algo que sempre podemos trazer conosco. se sua fortuna se reduzisse. "Entretanto.megacursos. o que acontece é que grande parte do relacionamento ou interação das pessoas com ele se baseia na percepção que têm dele como um manancial de sucesso e prosperidade." Um auxiliar em ves tes de cor marrom-avermelhada entrou no aposento e serviu o chá em silêncio enquanto 0 Dalai-Lama prosseguia. de psi13 A ARTE DA FELICIDADE quiatra. existem outros argumentos que as pessoas poderiam entender e apreciar a partir da sua própria ex periência prática ou direta de rotina. talvez você tenha maior conhec imento dessas afirmações científicas. mesmo fora do âmbito desses estudos científicos. Mas.com. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. No entanto. E é até possível que haja pessoas desprovidas da capacidade de sentir empada me smo por alguém que amem ou que lhes seja chegado.. e criar laços com esses aspec tos em vez de com a pessoa em si.por ser ele bem-sucedido e eles terem bastante dlinheí-r° e uma vida confortável. alguém que se preocupa apenas com seus próprios inter esses. el as ainda têm algo a compartilhar com outros seres humanos. E. em certo sentido.concordei. Pode ser que não esperem mais do que isso. Mesmo que enfrentem problemas econômicos e que sua fortuna venha a minguar. Mesmo que pareça que os outros se relacionam com ele plenamente. informar alguém sobre esses fatos e estudos científicos poderia sem dúvida estimular algumas p essoas a cultivar mais compaixão nos seus estados mentais. Essas pessoas desejam ter saúde. mesmo sem sentir afeto e calor humano. Mias o que acontece é O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO que.. individualista e embrutecida.. na qualid ade de médico. ainda é possível apresentar a importância da compaixão e do amor com base no fato de ser esse o melhor meio para a realização dos seus interesses pessoais. felicidade e alegr ia. . . ele po ssa não experimentar a sensação de que lhe falta algo No entanto. . ter uma vida mais longa. se for isso o que desejam. mesmo a essas pessoa s. e passaria de imediato a sofrer.É verdade .Creio que há provas cientí icas que corroboram especificamente as hipóteses sobre as vantagens físicas e emocio nais dos estados mentais dominados pela compaixão. Ele então começa ria a ver o efeito de não dispor do calor humano. essa base para o relacionamento sairia enfraquecida. . ter paz de espírito. Logo. a meu ver. emboras não recebam afet o e calor humano dele. tia realid ade. naturalmente isso é algo com que podem cont ar. em alguns casos pode-se estar lidando com uma pessoa muito egoísta. se ele considerasse que tudo está perfeito..br 74 . que realmente não existe nenhuma necessidade verd:adeira par a desenvolver a compaixão. .comentou o Dalai-La ma. Por exemplo.Naturalmente. Crei o ser concebível que" até certo ponto.

Essas pessoas são atormentadas por uma constante sensação de insegurança e medo. De fato. E à me dida que sua vída avançava e sua crueldade aumentava.comentei -. E sua filha Svetlana descreveu como ele era atormentado pela solidão e por um va zio interior. das conseqüências da vida sem compaixão. Sua desconfiança era lendária. as pessoas desum anas geralmente sofrem de uma espécie de infelicidade e insatisfação. coçando distraído a cabeça. ele disse a Nikita Khr utchev que não confiava em ninguém. se perguntássemos a algumas dessas pessoas desumanas se haviam sido mais felizes durante a infância . Estão se mpre nas garras de alguma coisa.br 75 . Creio que até mesmo Stalin foi amado pela mãe na infância. o que resultou na detenção e execução de riiilhões. antes de prosseguir.. algum tipo de influência que as domina. quando recebiam os cuidados da mãe e tinham maior intimidade com a família. em algum nível profundo. voltouse até mesmo cont ra os elementos mais fiéis da sua equipe. creio que ela s diriam que sua juventude foi mais agradável. No final. Um amigo disse que por último o único traço humano que lhe resta-0 139 A ARTE DA FELICIDADE va era a infelicidade . imagino que. ele ainda assim continuava a ve r inimigos por toda parte. mais desconfiado ele se tornav a. Mesmo quando estão dormindo.Embora eu esteja apenas especulando. sei que seria muito difícil entender pessoas como Stalin e compreender por que elas cometeram o s atos horríveis que cometeram. As pessoas cruéis nunca têm essa experiência. pessoas como Sta lin e Hitler.Ao falar em Stalin . mas uma afirmação que s e pode fazer é que falta a essas pessoas algo que se pode encontrar numa pessoa ma is provida de compaixão: uma sensação de liberdade. aquela noção de liberdade. creio que essa sensação de medo persiste. Não muito tempo antes de morrer. Tudo i sso poderia ser muito difícil para algumas pessoas entenderem. o senhor ao meu ver acertou num exemplo perfeito do que está dizendo. ou era m mais felizes agora que dispunham de maior poder. É de c onhecimento geral que as duas principais características da sua personalidade eram sua crueldade e sua desconfiança. de abandono. Seu temer e sua suspeita dos outros acabaram levan do a enormes expurgos e campanhas contra vários grupos de pessoas no seu país. para que ao dormir a pessoa possa relaxar e se soltar. .com. Mas um dos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. "Seja como for. maior era sua infelicidade.megacursos. naturalmente. influência e posição. .São muitos os exemplos indicadores de que. ele considerava a crueldade uma virtud e e mudou seu nome de Djugashvili para Stalirn que quer dizer "homem de aço". No entanto. E. e elas não conseguem experimentar aquela sensação de se soltar. e como chegou ao ponto em que não mais acreditava que as pessoas fos sem capazes de uma autêntica sinceridade ou bondade. nem em si mesmo. 138 O CA LOR HUMANO E A COMPAIXÃO Ele parou por um instante. quanto mais desumano e poderoso ele se tornava..

.megacursos.pontos sobre os quais estamos falando é que mesmo esses exemplos extremos de pesso as impiedosas poderiam recordar com nostalgia alguns dos aspectos mais agradáveis da sua infância. toda a humanidade.. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. até mesmo o contorno dos seus o mbros sugeria que ele estava em O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO profunda reflexão.? interrompi. como por exemplo o amor que receberam da mãe. nesta semana... Em seguida. A ARTE DA FELICIDADE "O ponto principal na realidade é que . Nesse caso. então. que serve para reforçar nossa compaixão. o senhor não acha necessár io que elas sejam criadas por pais ou responsáveis que demonstrassem calor humano e afeto?" .br 76 . que as técnicas para promover a empada e desenvolver a compaixão não se riam úteis para pessoas com esse tipo de história problemática? . através do entendimento do valor da compaixão.. Para começar. como a prática de Tong-Len. Mas nunca se esperou que essas técnicas pudessem ajudar a totalidade das pess oas.Algumas pessoa s. como que reconhecendo que não dispunha da solução. deu de ombros.. Afinal.Ele fez uma pausa. de modo que. acho que isso é importante.. . E as técnicas específicas para promover a compaixão às quais o senhor se refere são.. desde o início. O grau até o qual elas realmente conseguirão cultivar a compal-xào depende de tantas variáveis.explicou ele. Par a que as pessoas desenvolvam a capacidade para a compaixão. como por exemplo a prática de TongLen.Também é po ssível que em certos casos essas técnicas não surtam absolutamente nenhum efeito. por alguns instantes. Isso nos proporciona convicção e determinação.Exatamente essas sobre as quai s estivemos falando. nas palestras ao público.. como por exemplo o recurso à imaginação.Sempre há graus difere ntes de como a pessoa poderia se beneficiar a partir da prática de vários métodos e técn icas. Enquanto se debruçava sobre o chá. sofreram muito e não dispuseram do afeto do outro. e nós tomamos nosso chá em silê cio. o mais i mportante é que a pessoa faça um esforço sincero para desenvolver sua capacidade para a compaixão. Creio porém ser importante lembrar que essas técnicas. com destreza. pessoas brutais e insensíveis. ... pelo menos uma faixa da população hum ana.É. enquanto refletia.O sen hor acha.com. vamos examinar certos exercícios ou práticas que podem ser adotados. foram desenvolvid as para ajudar o maior número possível de pessoas. O Dalai-Lama fez mais uma pausa e. elas quase dão a impressão de não terem nenhum sentimento humano. à criatividade. dependendo das circunstâncias específicas de cada um . Não de monstrou nenhuma inclinação a continuar de imediato. para no visualizarmos na situação do outro. através do aprendizado. n enhuma capacidade para a compaixão e para o afeto. pareceu ponderar com af inco sobre a questão. . através de m dos de promoção da empada. se estamos fal:~indo sobre vários métodos para desenvolver a compaixão. passando automaticam ente as contas entre os dedos. m ais tarde na vida. estamos estudando o tópico da compaixão. procurando um esclarecimento maior. como fica m as inúmeras pessoas que não tiveram uma infância agradável nem mãe amorosa? Crianças que ofreram abusos e outros problemas? Ora. porém. . E mais adiante.

que c onheci há alguns anos. um psicólogo na Harvard University. o pesquisador Georg e Vaillant concluiu. Depois.megacursos. mais energia e uma espécie de euforia. não é preciso contar apenas com experimenA ARTE DA FELICIDADE tos e peesqui sas para confirmar a veracidade dessa opinião. e a felicidade pessoal na nossa própria vida e na das pesssoas que nos cercam. Num estudo de trinta anos com um grupo de diplomados de Harvard.com. houve muitos estudos que corroboram a idéia de que o desenvolvimento da comp aixão e do altruísmo tem um impacto positivo sobre nossa saúde física e emocional. Joseph. Não era só que esses comportamen tos de dedicação proporcionassem uma interação benéfica em termos emocionais. Estudos revelaram que estender a mão para ajudar os outros pode induzir um sentimento de felicidade. O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO e provavelmente também a vita lidade geral. em interação com os outros com calor humano e compaixão. se dedicarem seus melhores esforços a uma benevolência mai or. Outra pesquisa. revelou que mais de 90% desses voluntários relatavam u m tipo de "barato" associado à atividade. Muitos outros pesquisadores no novo campo da medicina da mente-cor po demonstraram conclusões semelhantes. provas de que a compaixão e o comportamento interessado contribuem para a boa saúde emocional. fiz o que pude!"' OS BENEFÍCIOS DA COMPAIXÃO Nos últimos anos. realizada por Alan Luks entre a lguns milhares de pessoas que estavam envolvidas regularmente em atividades volu ntárias de auxílio a terceiros. no final do dia ela s poderão dizer.Quem poderia dizer? Nlas. Embora as provas científicas r atifiquem nitidamente a posição do Dalai-Lama quanto ao valor prático e muito real da compaixão. Em outro estudo realizado por James House no Research Center da Univ ersity of Michigan.emplo desse ponto. `Pelo merios. um gnticorpo que pode ajudar a combater infecções r espiratórias.br 77 . que documentavam que estados mentais posit ivos podem beneficiar a saúde física. os pesquisadores concluíram que a dedicação regular ao trabalho vo luntário. a compaixão . é um bom ex. que adotar um estilo de vida altruísta é um compone nte crítico para a boa saúde mental. ele analisou a saliva dos glutlos e descobriu um aumento na imunoglobulina-A. por exemi)lo. Durante trinta Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. com efeito. Além dos efeitos benéficos sobre nossa saúde física. caracterizado por uma sensação de calor huma no. uma tranqüilidade mental maior e menos depressão. mostrou a um grupo de alunos um filme de Madre Teresa trabalhando en tre os pobres e os doentes de Calcutá. David McClelland. Os estudantes relataram que o filme estimul ou sentimentos de compaixão. aumentava tremendamen te a expectativa de vida. Podemos descobrir os fortes laços ent re os cuidados. Num e xperimento bem conhecido. Elas também tinham uma nítida sensação de tranqü lidade e de maior autovalorização em seguida à atividade. um empreiteiro de sessenta anos de idade. a cultivar a compaixão e a tornar o mundo um lugar melhor. concluiu-se também que essa "tranqüilidade dos que ajudam" estava associada ao alívio de uma varie dade de transtornos físicos relacionados ao estresse.

Com etem visualizando uma pessoa que esteja em extremo sofrimento. com vigor e elegância. parra tornar-se multimilionário.anos. Isso passa a ser a base para começarmos a gerar a compaixão. Prefiro passar meu 1 . exatamente como nós. com a ajuda dos AA. Atualmente. aproveitando o crescimento aparent. mas já me dei conta de que nunca mais vou ser tão rico quanto fui. então. ocorreu a maior derrocada do mercado imobiliário> na h istória do Arizona.. Seus problemas financeiros geraram uma pressão sorbre seu casamento. Pôs em funcionamento seus conhecimentos empresariais para auxi liar os menos privìleegiados em termos econômicos. também não querem sofrer e têm um direito à felicidade.com. Isso pode ser verificado e legitimado pe la nossa própria experiência.a do papel de padrinho. Felizmente. . ele passou a ser padrinho e a ajudar outros > a lcoólatras a permanecer sóbrios. que era direto e objetivo. meditar sobre a compaixão hoje. d e estender a mão para ajudam os outros. trabalhando diretamente com as pessoas. Joseph estava em posição muito . que outras pessoas. O que é engraçado é que no fundo não quem voltar a ter todo aquele dinheiro. No final da década de 1980. portanto. Durante os três primeiros I4> A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. e cumprindo a palavra dada. Co mo parte do seu Programa nos AA.tem ente ilimitado do setor da construção no Arizona. ele pareceu resumir e cristalizar suas conversas anteriores sobre a compaixão.'. transfo rmando a meditação num exercício formal de cinco minutos. tenho mais prazer num único dia do que tinha num mês inteiro. prestando-lhes o melhor tipo de ajuda p ossível. Estou mais feliz do que em qualquer outra época da minha vid a! MEDITAÇÃO SOBRE A COMPAIXÃO Como prometera durante nossas conversas. ao falar da sua vida atual. conseguiu com o tempo abandonar a bebida. Era um exercício simples.megacursos. porém. iniciamos pelo reconhecimento de que não queremos o sofriment o e de que temos um direito à felicidade. Não surpree ndeu que Josephi tivesse dificuldade para aceitar tudo isso.Ela gera uma pequena rernd a. Agora tenho uma pequena empresa d e reformas disse .alavancada e perdeu tudo. ! O CALOR HUMANO E A COMPAIXÃO tempo em trabalhos voluntários para diversos grupos. e começou a se oferecer como voluntário tannbém em outras organizações.br 78 . Joseph fez sucesso sem muito esforço. Acabou t endo de declarar falência. "Vamos. No entanto. qua ndo ganhava fortunas. o DalaiLama concluiu uma palestra ao público no Arizona com uma medi tação sobre a compaixão. Ao gerar a compaixão. Reconhecemos. Ele descobriu que gostav. alguém que esteja s entindo dor ou que esteja numa situação muito aflitiva. que acabou em divórcio depois de vinlte e cinco anos de união. Começou a bebes r mui to. ele.

em busca de um remédio que restaurasse a vida da criança. Procurem chegar a uma conclusão: cons tatando como é forte seu desejo de que essa pessoa se livre de tanto sofrimento. as pessopas concordavam em lhe dar as sementes. algo extremamente estimulante no fato de estar sentado naquela platéia naquela manhã. concentrem su a mente de modo exclusivo naquele tipo de conclusão ou resolução e. procurem associar tudo isso a vocês mesmos. mas. E resolvam que ajudarão essa pessoa a encontrar alívio. mas. o DalaiLama começou a entoar um cântico tibetano.com.." Com isso.minutos da meditação. genitor ou cria do. Terceira Parte A TRANSFORMAÇAO DO SOF RIMENTO Capítulo 8 COMO ENCARAR O SOFRIMENTO Na época do Buda. o Dalai-Lama adotou uma postura de meditação de pernas cruzad as. melódica. cônjuge. quan do ela lhes poerguntava se havia ocorrido alguma morte naquela residência. com a voz grave. .Traga-me um punhado de sementes de mostarda . um sentimento de compaixão por aquela pessoa. Sem conseguir aceitar o fato.Exijo que A ARTE DA FELICIDADE a semente de mostarda seja ret irada de uma casa na quual não tenha havido morte de criança. A mulher concordou e começou a ir de casa en^n casa à pro~cura da semente de m ostarda. durante os últimos m inutos da meditação. nãão conseg uiu encontrar uma casa que não tivesse sido visitada pelaa morte. alivi ada. Depois de pensar no sofrimento dessa pessoa por alguns minutos. . `esse i ndivíduo tem a mesma capacidade para vivenciar a dor. . Kisagotami foi ao Buda. com o seguinte enfoque. . Depois de alguns minutos. reflitam sobre o sofrimento desse indivíduo com um enfoque mais analítico.br 79 .perguntou a mulher. porém.Sei da existência desse remédio .. S ilêncio total. . pensem no seu intenso sofrimento e no estado lamentável da existência des sa pessoa. Para finalizar. A mulher prom eteu obter o ingrediente para ele. o Buda acresce ntou um detalhe. fez-lhe reverência e a presentou seu pedido. a alegria. .O Buda pode fazer um remédio que recupere meu filho? .500 pessoas. ela corr ia de um a outro. Havia. a felicidade e o sofrimento que eu tenho'.megacursos. uma mulher chamada Ki sagotami sofreu a morte do seu filho único. cada uma delas mantendo na mente o pensamento da compaixão. subindo e descendo s uave em tons que tranqüilizavam e confortavam.. Procurem então permitir que venha à tona sua reação natural.Mas para fazê-lo. procurem produzir na sua mente um estado amoroso ou norteado pe la compaixão. Uma filha Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.respondeu o Buda. Dizia-se que o Buda teria esse medicamento.disse o Buda. preciso ter certo s ingredientes. Em cada casa.. em se guida. permanecendo totalmente imóvel enquanto se dedicava à meditação junto com a platéia. quando ela estava saindo.Quais são os ingredientes necessários? . Imagino que até mesmo o indivíduo mais calejado não poderia deixar de se comover quando estivesse cercado de 1.

recorremos a meios externos. Às vezes. que nos protegem. o mal invariavelmente supura e se agrava. A lei da morte consiste em não haver permanência entre todas as criatura s vivas. um criado na outra.com. podem atuar como um escudo e nos pro teger da sensação de dor por um período um pouco maior. A procura de Kisagotami ensinou-lhe que nimguém vive sem estar exposto ao sofrimento e à perda. como a simples recusa a admitir que exista um problema. Os seres humanos criaram um vastos repertório de estratégias para evitar a necessidade de passatr pelo sofriment o. ma s. ainda. É outra pess oa. como uma doença que se deixa sem tratamento (ou talvez q ue seja tratada superficialmente com medicamentos que apenas mascaram os sintoma s mas não curam a condição original). Ela não havia sido escolhida especificamente para aquaela ter rível desgraça. em outras um mnarido ou pa. is so não quer dizer que seja fácil] a tarefa de aceitá-los. muitas vezes inconscientes.. que disse com enorme compaixão: . projetamos a questão inconscientemente nos outros e os culpamos pelo nosso sofrimento: "É.Você achava que só você tinha perdido um fitilho.br 80 . mas mergulhamos num milhão de distrações ou divertimentos para evitar pensar no assunto. recorrer à projeção . Dispomos ttambém de 150 A TRA NSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO uma coleção de mecanismos internos .. A eufo ria causada pelas drogas ou pelo álcool sem dúvida alivia nossa dor por um tempo. com ouso contínuo.megacursos. Vendo que não) estava só na sua dor.. No entanto.i haviam morrido. tudo estaria bem. As defesas ps icológicas internas. Im A ARTE DA FELICIDADE mas me smo assim elas não fazem com que o sofrimento desapareça.]. Embora a dor e o sofrimento sejam fenômenos humanos universais.defesas psicológicas.nessa aqui.incapazes de aceitar que temos um problema. Ocasionalmente.amortecendo e medicando nossa dar emocional com drogas ou álcool. como a negação om a repressão. os danos físicos que atingem nosso corpo e o dano social às noss as vidas podem resultar em sofrimento muito maior do que a insatisfação difusa ou a aguda doer emocional que nos levaram a essas substâncias para começar. Outras vezes. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. tais como produtos químicos . ou poderíamos." O sofrimento somente pode ser evitado tem porariamente. esses mecani smos de defesa podem ser totalmente primitivos. podemos reconhecer vagamente que temos um problema. Essa constatação não eliminou o inevi'itável sofrimento que deriva da perda mas sem dúvida reduziu o sofrimento resultante da revolta contra essa tristee rea lidade da vida. estou péssimo. a mãe desapegou-se do corpo inerte do filhco e vo ltou a<:> Buda. Kis agotami não conseguiu encontrasar um lar quer fosse imune ao sofrimento da morte. Se não fosse aquele maldito chefe me atormentando o tempo todo [ou `meu sócio me ignorando' ou. impedindo que sintamos um excesso de angús tia e dor emocional quando deparamos com problemas. Mas não sou eu quem está com o problema.

.com. Randall começou a mergulhar em espiral numa grave depressão.explicava ele.. há pouco mais de um ano. Mas vai dar tudo certo . agora não posso me c oncentrar na falta que ele me faz. 0 Dalai-Lama explicou em detalhes sua abordagem ao sofrime nto humano . e eu já aceitei sua morte. com câncer. porém. conhecido ou parent e. por exemplo.Simplesmente não consigo entender o que está causando essa depressão explicou-me quando veio me ver.Tudo parece estar indo bem neste exato momento. nossas es152 A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO tratégias inconsci entes no sentido de evitar encarar nossos problemas são mais arraigadas . que evita problemas projetando-os nos outros e atribuindo a culp a a eles . estaremos em melhor posição para apre153 A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.br 81 .megacursos.Randall perdeu o pai. no esfor~o de manter as emoções sob rigoroso controle.dizia ele a todos. na realidade. . Com pouquíssima terapia. Es se é sem dúvida um método eficaz para eliminar problemas. Esses sentimentos continuaram a crescer até que finalmente se manife staram como uma depressão arrasadora. .É claro que estou triste . mas a vida continua. Ele morreu há mais de um ano. à qual ele se viu forçado a dar atenção.uma abordagem que em última análise inclui uma crença na possibilidade de nos libertarmos do sofrimento. ele nunca havia lidado plenamente com seus sentimentos de perda e dor. . Preciso organizar o enterro e me encarregar d o espólio para minha mãe. pouco depois de se completar um ano da morte do pai. . com estoicismo na voz. e que ele pôde encarar e vivenciar sua dor plenamente. e na época todos ficaram surpresos ao ver como ele aceitou bem a morte. aliada à coragem de encarar nossos problemas de fren te. e muitos desses indivíduos estão condenados a toda uma vida de infelicidade enquanto continuarem seguindo esse p adrão de comportamento. porém. A maioria de nós tem um amigo. Um ano mais tarde. a fim de `ser forte". Às vezes.Mas no fundo estou bem. No caso de Randall. sua depressão desapareceu com bastante rapidez à medida que concentramos a atenção na dor e nos sentimentos de perda. pertencem a ele. em tom tranqüi lizador.são mecani smos de defesa profundamente entranhados que podem se incorporar à nossa personali dade e que são difíceis de extrair.No dia-a-dia da nossa vida. E seja corno for. Não pode ser a morte do meu pai. no entanto. Se enfrentarmos diretamente nosso sofrimento. tornou-se claro que. mas na minha opinião há uma abordagem melhor. . as situações difíceis fatalmente irão acontecer. mas que parte da aceitação do sofrimento como um fat o natural da existência humana. Vou sentir falta dele. Procurar evitar nossos problemas ou simp lesmente não pensar neles pode proporcionar um alívio temporário. a doença e a morte. Era muito amigo do pai. como a velhice.acusando os outros de defeitos que. Os ma iores problemas na nossa vida são aqueles que inevitavelmente somos forçados a enfre ntar.

bombardeios e similares poderiam desmaiar se precisassem travar combate. digamos que uma mulher esteja grávida e que um exame do líquido amniótico ou uma ultra-sonografia revele que a criança terá um grave defeito de nascença. enquanto permanecermo s na ignorância do status e da capacidade bélica do inimigo. Ess e modo de enfocar nossos problemas era nitidamente razoável.com.megacursos. . através de treinament o militar.respondeu ele. Como podemos evitar a preocupação n essas circunstâncias? . em tom marcial.br 82 . estaremos totalmente de spreparados e paralisados pelo medo. armas. No entanto. poderíamos considerar negativos e indesejáveis aspecto como a velhice e a morte._ tando pensar nesses a contecimentos. .Mas ainda assim acho e é melhor encarar essa realidade . w=.val or na redução do medo e da apreensão. Voltando a usar ~a analog ia do combate.É. e p oderíamos simplesmente ten-. se dedicarmos algum tempo a pensar na velhice. não seria tão difícil encará-la. mas eu quis aprofunda r um pouco mais a questão. na morte e em outras tristezas. Na guerra. se eclodisse uma guerra. se enfrentarmos noss os problemas em vez de evitá-los. . Mas com o tempo ele gi acabam ocorrendo de qualquer modo. nesse caso estaremos em posição muito melhor quando travarmos combate. A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO "É p or isso que acredito que possa ser útil uma prereparação antecipada através da familiari zação com os tipos p de sofrimento que poderíamos enfrentar. refletir sobre o sofrimento pode ser encarado como um exercício mil itar. E se estivemos evi. e teremos previsto que ocoLreriam." . Porém. já que estaremos familiarizados com esses pre_ blemas e tipos de sofrimento.ciar a profundidade do problema e sua natureza. tudo virá como um choque. No entanto.Bem.Bem. mas ainda me parece que certos dilemas não apresen tam nenhuma opção além da possibilidade do sofrimento. mas e se enfrentássemos um problema de frente e descob ríssemos que não há solução para ele? É algo bem difícil de encarar. quando chegar o diã em que ocorram. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Pessoas que nunca ouviram falar em guerra. . causand o umã insuportável perturbação mental. dá para entender como a familiarização com os tipos de sofrimento que poderíamos enfrentar teria algum . nossa mente estará muito mais estável quan do elas surgirem. Da mesma forma. de modo qu e. a mente poderia se familiarizar com o que pudesse ocorrer.Por exemplo. que tipos de armas ele possui e assim por diante. estaremos em melhor posição para lidar com eles. tar nos esquecer da sua existência.Um dilema como o quê. por exemplo? Parei para refletir um po uco. se conhecermos a capacidade bélica do in imigo.

Descobrem que a criança terá alguma deficiência mental ou física de extrema gravidade. P ortanto, é 'óbvio que a mulher seja tomada pela ansiedade por não saber o que fazer. E la pode resolver agir diante da situação e fazer um aborto, para poupar o bebê de toda uma vida de sofrimento; mas nesse caso ela pode passar por um sentimento de eno rme perda e dor; e talvez tenha outros sentimentos, como a culpa. Ou ainda, ela pode optar por deixar a natureza seguir seu curso e ter o bebê. Nesse caso, porém, e la pode ter de encarar toda uma vida de dificuldades e sofrimento para - Se abor damos esses problemas a partir da perspectiva ocidental ou da budista, esses tip os de dilema são extremamente difíceis - respondeu ele, num tom algo melancólico. - Ne sse seu exemplo sobre a decisão de abortar o feto com um problema genético... ninguém sabe no fundo o que seria melhor a longo prazo. Mesmo que uma criança nasça com uma deficiência, talvez a longo prazo isso seja melhor para a mãe, para a família ou para a própria criança. Mas existe também a possibilidade de que, levando-se ern conta as c onseqüências futuras, talvez fosse melhor abortar. Talvez essa solução fosse mais positi va no final das contas. Enfim, quem decide? É muito difícil. Mesmo do ponto de vista do budismo, esse tipo de decisão fica além da nossa capacidade racional. - Ele fez uma pausa e acrescentou. - Na minha opinião, porém, a formação e as crenças da pessoa teri am um papel no modo pelo qual cada indivíduo poderia reagir a esse tipo de situação co mplicada... Ficamos algum tempo sentados ew silêncio. Afinal ele falou, abanando a cabeça. - Quando refletimos sobre os tipos de sofrimento aos quais estamos sujeit os, podemos nos preparar mentalmente para esses fatos com antecedência até certo pon to, relembrando-nos de que podemos deparar com esses tipos de dilema na nossa vi da. Podemos, portanto, nos preparar em termos mentais. Não deveríamos, entretanto, i gnorar o fato de que essa atitude não ameniza a situação. Ela pode nos ajudar a lidar mentalmente com a situação, a reduzir A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO o medo e assim por d iante, mas não ameniza o problema em si. Por exemplo, se vai nascer uma criança com um defeito congênito, por mais que se tenha pensado sobre isso com antecedência, ain da assim é preciso descobrir uma forma de lidar com a situação. E isso continua sendo difícil. Enquanto ele dizia essas palavras, havia uma nota de tristeza na sua voz - mais do que uma nota, talvez um acorde. Mas a melodia que a acompanhava não era de desesperança. Por um minuto inteiro, o Dalai-Lama permaneceu mais uma vez calad o, olhando pela janela como se dali estivesse contemplando o mundo inteiro. Depo is, prosseguiu. - Não há como evitar o fato de que o sofrimento faz parte da vida. E naturalmente temos uma tendência a não apreciar nosso sofrimento e nossos problemas . Creio, porém, que em geral as pessoas não consideram que a própria natureza da nossa existência seja caracterizada pelo sofrimento... - De repente, o Dalai-Lama começou a rir. Ou seja, no dia do nosso aniversário as pessoas costumam dizer "Feliz aniv ersário!", quando na realidade o dia do nosso nascimento foi o dia do nascimento d o sofrimento. Só que ninguém diz "Feliz dia-do-nascimento-do-sofrimento!" comentou e le em tom de brincadeira. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 83

- Ao aceitar que o sofrimento faz parte da nossa existência diária, poderíamos começar p elo exame dos fatores que normalmente fazem surgir sentimentos de insatisfação e inf elicidade mental. Em geral, por exemplo, nós nos sentimos felizes se nós mesmos, ou pessoas que nos são chegadas, recebemos elogios, temos acesso à fama, à fortuna e a ou tras coisas agradáveis. E nos sentimos infelizes e insatisfeitos se não obtemos esse s sinais de sucesso ou se eles A ARTE D, FELICIDAADE vão para as mãos de algun rival nossso. Se observarmos o dia-a-dia de uma vida normal, porém, , com freqüência descob riremos que são inúme-os os fatores e condições que causam dor, sofrimento e :entimento) s de insatisfação, ao passo que as condições que fazem suirgir a alegria e a felicidade são raras em comparação. Temcos de passar por isso, quer gostemos quer não. E, gomo essa . é a realidade da nossa existência, talvez precisemos moedificar nossa atitude dia nte do sofrimento. Nossa atitude cdiante do sofrimento passa a ser muito importa nte porque rela pode afetar nosso modo de lidar com o sofrimento quando ele surg ir. Ora, nossa atitude habitual consiste numa intensa aversão e intolerância à nossa d or e sofrimento. Entretanto, se pudermos transformar nossa atitude diante do sof rimento, adotar uma postura que nos permita urna maior tolerância quanto a ele, is so poderá ajudarem mito a neutralizar sentimentos de infelicidade, insatisfação e desg osto. "No meu caso pessoal, a prática mais forte e mais eficaz para ajudar a toler ar o sofrimento consiste em ver e entender que o sofrimento é a natureza essencial da Samsara*, da existência não iluminada. Ora, quando passamos por alguma dor física ou qualquer outro problema, naturalmenSamsara (sânscrito) é um (-estado da exstência c aracterizado por infinitos ciclos de vida, morte e reyascimento. Esse termo também se refere ao estado normal da nossa exüstência diária, que é caracterizado pelo sofrime nto. Todos os seres permaniecem nesse estado, impulsionados por registros cármicos de atos passadcos e de estacos mentais negativos, caracterizados pela "ilusão", a té quee cada um eimine da mente todas as tendências negativas e atinja um estado de Loeraçào. A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRI MENTO te naquele instante há uma sensação de queixa, por o sofrimento é muito forte. Há um sentimento de rejeição associado ao sofrimento, como se não devêssemos estar passando por aquilo. Naquele instante, porém, se pudermos enca rar a situação de outro ângulo e perceber que este corpo... - ele deu um tapa no braço g omo demonstração - é a própria base do sofrimento, isco reduz aquele sentimento de rejeição .. aquele sentimento de que de algum modo não merecemos sofrer, de que somos vítimas . Portanto, uma vez que compreendamos e aceitemos essa realidade, passaremos a v ivenciar o sofrimento como algo que é perfeitamente natural. "Logo, por exemplo, q uando lidamos com o sofrimento pelo qual passou o povo tibetano, por um lado, po deríamos observar a situação e nos sentir arrasados, perguntando a nós mesmos: `Como é que foi acontecer uma coisa dessas?' Já de outro ângulo poderíamos refletir sobre o fato de que o Tibete também se encontra no meio da Samsara - disse ele, com uma risada -, da mesma forma que o planeta e a galáxia inteira. - Ele riu novamente. - Por is so, seja como for, nosso modo de perceber a vida como um todo influencia nossa a titude diante do sofrimento. Por exemplo, se nosso enfoque básico Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 84

é o de que o sofrimento é negativo, precisa ser evitada a todo custo e, em certo sen tido, é um sinal de fracassa, essa postura acrescentará um nítido componente psicológico de ansiedade e intolerância quando enfrentarmos circunstâncias difíceis, uma sensação de estar arrasado. Por outro lado, se nosso enfoque básico aceitar que o sofrimento é u ma parte natural da existência, isso indubitavelmente nos tornará A ARTE DA FELICIDA DE mais tolerantes diante das adversidades da vida. E, sem um certo grau de tole rância para com o sofrimento, nossa vida passa a ser insuportável. É como passar uma n oite péssima. Essa noite parece eterna; parece que não vai terminar nunca. - A meu v er, quando o senhor diz que a natureza implícita da existência é caracterizada pelo so frimento, que em sua essência ela é insatisfatória, isso me sugere uma visão bastante pe ssimista, na realidade bem desanimadora - comentei. O Dalai-Lama rapidamente esc lareceu sua posição. - Quando falo da natureza insatisfatória da existência, é preciso ent ender que isso se insere no contexto do caminho budista como um todo. Essas refl exões precisam ser compreendidas no seu contexto adequado, que é dentro das coordena das do caminho budista. Se não se tiver essa visão do sofrimento dentro do seu conte xto adequado, concordo que existe um perigo, ou mesmo uma probabilidade, de que esse tipo de abordagem seja considerado equivocadamente como bastante pessimista e negativo. Conseqüentemente, é importante compreender a postura básica do budismo di ante de toda a questão do sofrimento. Isso nós encontramos nos próprios ensinamentos púb licos do Buda. O primeiro ponto que ele ensinou foi o princípio das Quatro Nobres Verdades, a primeira das quais é a Verdade do Sofrimento. E, nesse princípio, dá-se mu ita ênfase à conscientização da natureza sofredora da nossa existência. "O que temos de te r em mente é que a razão pela qual é tão importante refletir sobre o sofrimento está na po ssibilidade de uma saída, de uma alternativa. Existe a possibilidade de nos libera rmos do sofrimento. Com a eliminação A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO das causas do sofrime nto, é possível alcançar um estado de Liberação, um estado imune ao sofrimento. De acordo com o pensamento budista, as causas primeiras do sofrimento são a ignorância, a ganânc ia e o ódio. Esses são considerados os `três venenos da mente'. Esses termos têm conotações específicas quando usados dentro de um contexto budista. Por exemplo, a `ignorância' não se refere a uma falta de informação, como o termo é usado no sentido corriqueiro, m as se refere, sim, a um equívoco fundamental de percepção da verdadeira natureza do eu e de todos os fenômenos. Quando geramos uma percepção profunda da verdadeira natureza da realidade e eliminamos estados mentais aflitivos, tais como a ganância e o ódio, podemos atingir um estado mental totalmente purificado, livre do sofrimento. De ntro de um contexto budista, quando refletimos sobre o fato de que nossa existênci a normal do dia-adia é caracterizada pelo sofrimento, isso serve para nos estimula r a adotar práticas que eliminem as causas primeiras do nosso sofrimento. Se não fos se assim, se não houvesse esperança, nem nenhuma possibilidade de nos livrarmos do s ofrimento, a simples reflexão sobre o sofrimento seria apenas uma atividade mórbida e totalmente negativa. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 85

mas ela não ge rou um indivíduo frio e desprovido de emoções. Naquele dia. disse eu. Comecei também a me dar conta de como o sofrimento poderia chegar mesmo a A ARTE DA FELICIDADE ser visto num contexto mais amplo.Eu só gostaria de saber como o senhor lidou com o Naturalmente. ava nçavam lentamente pela sala Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. e acho que. pensativo. muito triste quando soube da sua morte -disse ele.. com uma severa resignação diante do sofrime nto. por exemplo. A o mesmo tempo. fato. No entanto. Por isso.E como o senhor lidou com esse sentimento de tristeza? Quer dizer. sinto esse remorso. nossa conversa se estendera até o final da tarde. mas aos poucos ela se dissipou..Foi. eu estava curioso por saber como o Dalai-Lama lidava com o sofrimento num nível mais pessoal.Imagino que a morte do seu irmão Lobsang tenha sido um golpe para o senhor. como ele enfrentava. especialmente tendo em vista o paradigma budista.Remorso? .É. . h ouve alguma coisa específica que o ajudou a superá-lo? -Não sei -disse ele. se estivesse lá. Mes mo assim. comecei a perceber como refletir sobre nossa "natureza sofr edora" poderia influenciar nossa aceitação das inevitáveis tristezas da vida e poderia até mesmo ser um método valioso para pôr nossos problemas diários numa perspectiva adeq uada. entrando pelas venezianas de madeira. -Senti aquela tristeza por algumas semanas.megacursos. baixinho. Quando visitei Dharamsala pela primeira vez muitos anos atrás. sabendo que ele e o Dalai-Lama er am muito íntimos.. transmitiam a impressão inconfundível de um home que aceitara plenamente sua perda. conheci o irmão mai s velho do Dalai-Lama. fiquei muito. Lobsang Samden. afastando-me dessas importantes especulações filosóficas. talvez houvesse alguma coisa que eu teria podido fazer para ajudar.br 86 . a morte de um ser amado . A tristeza na sua voz revelava um homem de profunda sensibilidade humana. que reconhece a possibilidade de purificação da mente e de que se acabe por alcançar um estado em q ue não mais haja sofrimento. a franqueza e honestidade da sua atitude. ..com. Eu estava viajando quando e le morreu. . . . A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENT O Uma vida inteira de contemplação da inevitabilidade do sofrimento humano pode ter desempenhado um papel para ajudar o Dalai-Lama a aceitar sua perda. Gostei muito dele e me entristeci ao sabe r da sua morte repentina há alguns anos.Enquanto ele falava. totalmente desprovida d e autocomiseração ou de auto-recriminação. como parte de um caminho e spiritual maior. havia uma sensação de remorso. Lâminas de luz dourada.

poderão levar a uma espécie de ensimesmamento. em conformidade com isso há algum modo de reduzir a tris:eza ou a preocupação. muita tristeza. quando eles faleceram. Instala-se a depressão. que não fosse a simple s aceitação da inevitabilidade do sofrimento humano.megacursos.. se eu de fato amava aquelas pessoas .Até certo ponto .. com um tom ~uave de compaixão isso depende das crenças pessoais do indivíduo.u um m embro da platéia. . Se esses se ntimentos não forem controlados. Mas. . No dia seguinte. não nos sentiremos mais isolados. estou um pouco cansado. ele me pareceu algo perturbado.O senhor tem alguma sugestão sobre como lidar com uma brande perda pessoal. Portanto. a questão foi levantada na sua palestra ao público. existem outros que estarão passando p elo mesmo tipo de experiência. A ARTE DA FELICIDADE . eu esperava fazer-l he perguntas mais detalhadas sobre a questão da perda. seu secretário entrou em silêncio e me lançou O O lhar. Natural nente. Aprimorado em anos de prática. isso não só seria destrutivo e prejudicial para elas. acabando com sua saúde. "No meu caso. Para começar. E quando isso acontece. para ver se ele teria outro s conselhos sobre como sobreviver à morte de um ente querido.É. senti muita. essa é a forma correta de abordar a situação. porém. precisava cumprir seus desejos com a mente serena. Uma si tuação em que o foco de atenção passa a ser o próprio eu.disse o Dalai-Lama.. se permiti rmos que esses sentimentos de perda e aflição perdurem. Uma vez que percebamos isso. No entanto. ele indicava que estava na hora de eu ir embo ra. é ver se conseguimos realizar cus desej os daquela pessoa. Logo.. mas também não traria nenhum benefício à pessoa ciue tivesse falecido. em evidente sofrimento. . Portanto. em tom de desculpas . Percebi uma atmosfera melancólica a impregnar o ambiente e sou be que nossa conversa estava chegando ao final.. elas poderiam considerar que. os sentimen tos de dor e ansiedade são a reação humana natural a uma perda. Vejam bem. de início.talvez devêssemos encerrar. como se tivéssemos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Elas podem consolar-se com o fato de que seu ente querid o venha a renascer. perdi meu mestre mais respeitado. A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO "Naturalmente. E eu me esforço ao máximo para fazer isso. e caso persistam nessa sensação de ser dominad as. a melhor recordação.perguntc. ria minhia opinião. por exe mplo. permitindo que vejam dom inadas pela sensação de perda e tristeza. o melhor modo de guardar uma lembrança daquela pesscoa. Então eu não parava de pe nsar que de nada adiantava tanta aflição.br 87 . se perdemos alguém que nos é muito querido.com.que ia escurecendo. Se as pessoas acreditam na reencarnaÇão. somos do minados pela sensação da perda e temos a impressão de que só nós estamos passando por aqui lo. Quando eu estava a ponto de me estender nesse assunto. na realidade. `Para aquelas pessoas que não acreditam na reencarnaçãp creio que ainda existem alguns métodos simples para ajudar a lidar com a perda. Mesmo assim. antes que eu tivesse oportunidade de v oltar ao assunto nas nossas conversas particulares. pode a judar pensar em outras pessoas que vivem tragédias semelhantes ou até mesmo piores. como a perda de um filho? . e eu percebi uma so mbra de exaustão nos seus olhos. se nos descobrimos aflitos demais. caso se preocupem demais. surge um perigo.respondeu o Dalai-Lama . minha mãe e também um dos meus irmãos. e que.

Disso resulta uma intensificação do sofrimento. É nesse ponto que ocorre uma mudança crítica na percepção. um tra uma relativamente insignificante pode ter um impacto psicológico enorme já que a pes soa perde a fé nas suas crenças essenciais a respeito de um mundo justo e benevolent e.com.mente um lugar agradável em grande parte justa e que elas . um sinal de que algo deu terrivelmente errad o. sim.ART f O . isso po de decorrer das suas crenças. m uitas vezes tive a sensação de que as pessoas criadas em algumas culturas orientais parecem ter uma tolerância e aceitação maiores diante do sofrimento. A fome. um indício de "colapso" de algum sistema. despachada para asilos para receber os cuidados de pro fissionais da saúde: essas pessoas permanecem na comunidade e são tratadas pela famíli a. ela não é marginalizada. com a tecnologia crescente.tue merecem que lhes aconteçam coi sas crenças podem ter uma influência importante . mas talvez seja por ser o sofrimento mais visível em n ações mais pobres.mas. como uma anomalia. of ~o IDADE vida não pode negar elo sofrimento. Como o sofrimento se torn a menos visível. No entanto. Isso pode nos proporcionar algum tipo de confor to. ~5~o ção e o "o~N '3(1~ N o~ "~. ele não é mais visto como parte da natureza fundamental dos seres hum anos ..O senhor tem uma grande perda ~o é guntou um me Até cert ~.sido selecionados especialmente. Nesse contexto. Quando uma pessoa envelhece ou ado ece. como a índia. Em parte. que conquistou a calas du ras conUade de lidar ilizados por --. Não há dúvidas de que. a doe nça e a morte apresentam-se aos olhos de todos.> o .megacursos. a pobreza. Quem vive em A . o inevitável surgimento do sofrimento solapa essas crenças e pode dificultar a continuidade dessa vida feliz e eficaz.br 88 .r. uma violação da nossa garantia de direito à felicidade! A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. .pessoas na ~ssar pela vida acre-." Embora a dor e o sofrimento sejam vivenciados por todos os seres humanos.~ a tr ist '3~. do que em países mais prósperos. "oco ó tom suave soais do ' ~f. se levar uma vida mais feliz e ma is saudável. o nível geral de conforto físico aumentou para muitos na sociedade ocide ntal.

o sistema educacional. há quanto tempo e stá divorciado? .com sentimentos persistentes de raiva. não será um gran de salto começar a procurar por alguém a quem pos~aamos culpar pelo nosso sofrimento . enquanto ele repassava queixas e mais queixas contra a exmulher ao longo dos vinte minutos seguintes. Se pensarmos no sofri mento como algo antinaturxl. ta lvez. da sociedade. Capítulo 9 O SOFRIMENTO CRIADO PELA PRÓPRIA PESSOA A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO foi ficando mais alta. frustra çãG e ressentimento. Percebendo que ele es tava só ganhando ímpeto e que poderia facilmente continuar a falar daquele jeito por horas.disse eu. Estudamos.Há dezessete anos. outros são criados pela própria pesso a. é perfeitamente apropriado que pesquisemos as causas da no ssa infekidade e façamos o que for possível para aliviar nossos problemas. ou despe rtar atenção e solidariedade nos outros. ou de genes defeituosos. evitamos e rejeitarios. Ou ainda pode ser que voltemos a culpa para dentro: há al go de errado comigo. Naturalmente.megacursos. o outro sexo ou n os so parceiro insensível. por exemplo. como a recusa a aceitar o sofrimento como parte natur al da vida pode levar a que a pessoa se considere uma eterna vítima e culpe os out ros pelos seus problemas . . o risco envolvido em continuarmos a atribuir culpa e a manter a postura de vítima é a perpetuação do nosso sofrimento . mais furiosa e mais cheia de vene no. e Qutnto encararmos o sofrimento como um estado antinatumliuma condição anormal que te memos. em tom conciliador. Porém. . Ela pode acrescentar dramaticidade e uma certa emoção à nossa vida. nunca erradicaremos as causas do sofrimento para co>Zeçar a levar uma vida feliz.uma :Ridéia q ue infelizmente é bastante comum no Ocidente.Bem. Embo ra alguns tipos de sofrimento sejam inevitáveis. algo que não deveríamos estar vivenciandc. Portanto. o desejo de nos livrarmos do so frimento -~ o objetivo legítimo de cada ser humane. uma "família desajustada".Esse tipo de linha de pensamento apresenta riscos ocultos. Mas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. e sem dúvida esse é um assunto do qual poderemos trat ar em sessões futuras . O `w ~ verdugo pode ser o governo.br 89 . tentei redirecioná-lo. da família e do indivíduo. No °" entanto. sou vítima de alguma enfermidade. No último capítulo. é porque devo ser a "vítima" de alguém ou de algo . A sessão estava chegando ao final. procurand o por soluções em todos os níveis $lcbal.uma A ARTE DA FELICIDADE ças pode servir a um objetivo limitado. pais violentos. examinamos a importância de aceitar o sofrimento como um fato natural da existência humana. completos em maio. Se me sinto infeliz. a maioria das pessoas tem dificuldade para s e ajustar a um divórcio recente.Por sinal.com. É o coroláriodo nosso desejo de se rmos felizes.

Noss a tendência é a de levar fatos ínfimos muito a sério e ampliá-los de modo totalmente despr oporcional. Essa atitude confere ao ódio muito pod er e intensidade. Isso demonstra. o apego vai ficando cada vez mais forte. ao mesmo tempo que permanecemos indiferentes ao que é realmente import ante. e se não pararmos de remoer ess as coisas o tempo todo. entretant o. Porém. com uma sensação de a ou raiva. reagindo com exagero a fatos insignificantes e às vezes levando as coisa s para um lado muito pessoal. se pensarmos nas deslealdades que nos teriam sido feitas. Naturalmente. como nós podemos. "Por isso. "Com essas palavras. podemos modificar a intensidade do nosso sofrimento pela escolha de como reagire mos à situação. Nossa dor é nossa própria criação pessoal. digamos que tenhamos d escoberto que alguém está falando mal de nós pelas nossas costas. o Dalai-Lama deu uma explanação. o Dalai-Lama reconhece a or igem de muitas irritações do dia-a-dia que podem se acumular de modo a representar u ma importante fonte de A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. há menos probabilidade de que essa emoção atinja um nível muito intenso se nós a dei xarmos de lado. estaremos nos protegendo daquela sensação de mágoa. se sentimos raiva ou ódio por uma pe ssoa. enquanto não paramos de pensar nas qualidades projetadas que vem os na pessoa. tornar noss as emoções mais fortes e intensas.Podemos ver que há muitas formas pelas quais contribuímos ativamente para nossa própria exper iência de sofrimento e inquietação mental.br 90 . a esse fato negativo. Embora em geral as próprias aflições emocionais mentais possam surgir naturalmente. Podemos nutrir esse sentimento pensando em como a pessoa é linda. daquela sensação de agonia. Ao falar sobr e como aumentamos nosso próprio sofrimento. se nos contivermos para não reagir de mo do negativo. . e. se deixarmos que a calúnia se dissipe como um vento silencioso que pa ssa por trás da nossa cabeça.. Por exemplo.isso parece não compensar a infelicidade que continuamos a suportar. somos nós mesmos que estamos destruindo nossa paz de espírito. Por outro lado. n as formas pelas quais fomos tratados injustamente. àqueles fatos que têm efeitos profundos na nossa vida além de conseqüências e implic ações duradouras. embora nem sempre sejamos capazes de evitar situações difíceis. creio que o fato de sofrermos ou não depende em grande pa rte de como reagimos a uma determinada situação. através do pensamento e da familiaridade constante." "Também costumamos aumentar nossa dor e sofrimento sendo excessivamente sensíveis. isso alimenta o ódio.megacursos. o mesmo pode se aplicar a algum apego que tenham os por uma determinada pessoa. Por exemplo. Se reagirmos a essa informação de que alguém está falando mal de nós.com. Logo. "Também costumamos aumentar nossa dor e sofrimento sendo excessivamente sensíveis. com freqüência é nosso reforço dessas emoções negativa que as torna muito mais graves.. reagindo com exagero a fatos insignificantes e às ve zes levando as coisas para A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO um lado muito pessoal.

Porém. Uma noite eu estava jantan do com um colega de trabalho num restaurante.. No entanto.com. e. como se ela tivesse sido intencionalmente dirigida a nós. quand o esse tipo de raciocínio passa a ser um modelo geral de relacionamento com o mund o e se estende a cada comentário feito por nossa família ou amigos. A infelicidade é sempre se sentir cativo na própria p ele. . com irritação. nunca mais vou voltar aqui . E spero que a demora não tenha causado nenhum inconveniente. em tom sincero -. a louça.Veja só! Aquele garçom parece uma lesma! Onde é que ele pensa que está? A cho que está nos ignorando de propósito! Embora nenhum de nós dois tivesse qualquer co mpromisso urgente.. mas estamos co m falta de pessoal. Lusseyran afi rmou: ". os talheres e qualquer outro detalhe que não fosse do seu agrado. Ao descrever as implicações mais amplas desse tipo de raciocínio l imitado. O serviço no restaurante acabou se r evelando muito lento. Peço desculpas pela demora do serviço hoje ..br 91 . o garçom nos ofereceu duas sobremesas de cortesia.resmungou entre dentes meu colega. Lusseyran. Houve um falecimento na família de um dos cozinheiros. as queixas do meu colega quanto à lentidão do serviço continuaram a aumentar ao longo da refeição e se expandiram numa ladainha de reclamações sobre a comi da. uma hora de aborrecimento. Percebi então que a infelicidade chega a cada um de nós porque acreditamo s ser o centro do universo. com uma explicação. os problemas em si não causam automaticamente o sofrimen to." "MAS NÃO É JUSTO!" No nosso dia-a-dia.sofrimento. Mais tarde. um dos auxiliares avisou que estava doente na última hora. Esse é um pequeno exemplo de como contribuímos para nosso próprio so frimento quando levamos para o lado A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO pessoal cada situação irritante. Jacques Lusseyran fez uma vez uma observação perspicaz. desde o momento em que nos sentamos. no próprio cérebro. o resultado foi apenas uma refeição desagradável. Acabou sendo capturado pelos alemães e encarcerado no campo de concen tração de Buchenwald. os problemas surgem inv ariavelmente. . enquanto 0 garçom se afastava. Além disso.Mesmo assim.. ao relatar suas experiências no campo. e ele não veio hoje. Alguns terapeutas às vezes chamam esse processo de personalização da dor a tendência a estreitar nosso campo de visão psicológica.megacursos. meu colega começou a se queixar. interpretando ou confundind o tudo o que ocorre em termos do seu impacto sobre nós. Se conseguirmos lidar diretamente com nosso problema e voltar nossas energia s para descoA ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ele pode se tornar uma fonte importante da nossa infelicidade.disse. foi o fundador de um grupo de resistência na Segunda Gue rra Mundial. Nesse caso. ou mesmo a acont ecimentos na sociedade como um todo. Ao fi nal da refeição. porque temos a triste convicção de que só nós sofremos ao po nto da intensidade insuportável. cego des de os oito anos de idade.

. "Portanto. ou mação. E.com. Já vi algumas famílias nos nossos povoados na índia. Por exen-:)lo. E de algun modo essas senhoras ainda conseguem cu idar deles. ainda por cima.curo qu. e assim existe para eles um maio grau de aceitação. em d ecorrência de uma conA TRANSFORMAÇÂO DO SOFRIMENTO preensão falha da dou~rina do carma. ci zendo simplesmente que é o carena dos filhos.)?nante papel para o indivíduo desempenha r n determOrnação do curso do processo cármico. Não deveríamos nos tornar passivos. se acrescentarmos à receit. . estaremos juntando um ingrediente que pode se tornar um poderos<. mes%nn° um simples ato ou um simples Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. nos corrói e nos rouba a energia necessária para resolver o problema original. sob certos aspectos. . isso não quer dizer qye o indivl(duo não tenha nenhuma escolha ou que não haja nenhum espaço para a inici ativa de mudança. o problema pode ser trans sformado num desafio. com filhos cegos do dois olhos o u às vezes com deficiência mental. passiva. embo a nossas experiências sejam conseqüências elos nossos atos passados. mas essa sensação de "injustiça"' nos perturba. Levantando essa questão com o Dalai-Lama um dia d. nem procurar nos eximir da neces sidade de tomar iniciativas pessoais com base no raciocínio de que tudo resulta do carena.megacursos. porque. que é se.ta uma sensação de que nosso problema é "injusto". E isso vale para todos os s etores da vida. Já falei da importância de aceitar o sofrimento como um fato natural da existência humana. destino. por exemplo. enenderen' lc:)s que carena significa `ação'.P ode haver uma variedade de modos para lidar core o sentimento de que nosso sofri mento não é justo. nesses aso por nós mesmos.Como podemos lidar com o se ntimento de injustiça que tantas vezes nos atormenta quando surgem problemas>? . creio ser importante salienta e compreender que às vezes. deveria ser enc:~ado corv'I(° um processo e m movimento. em situações dific s: vivendo em cordições miseráveis e. há uma tendência a culpar o carena por t'a(l° e a procurar isentar a pessoa da respons abiliyade ou d~ necessidade de ter iniciativa pessoal. Portanto. fiz-lhe uma pergunta. O carena é um prc.ulito atuante. ° carme não deveria ser compreendido em termos de un t ipo de fiorça estática. meu carena pas'ado negativo. Isso indica haver um imp~. no passado. esialmos falando da própria ação cometida pelo sujeito. E creio que. Ele será determinado pelo tipo de iniciáiva que aldotarmos agora.4r~ças positivas. para concretizar mud.e manhã. está em gran." surgirá. Porém.die parte nas nossas mãos no pr esente o tipo de i-.o combustível para a geração de inquietação mental e sofriimento emocional. mas. e o que eu posso fa zer? Não há solução!' essa é uma compreensão totalmente equivocada cio carena. "Ao mencionar o carena.br 92 . Seria pãrfeitam2nte fácil diz er: `Isso é devido ao meu carena. os tibetanos poderiam esta r em melhor posição pari aceitar a realidade dessas situações difíceis já que diriarl que t lvez seja por causa do seu carena no passado. sim. porque. E então não só passamos a ter dois pro)blemas em vez de um.cesso m. quando falamos no càrma. Eles atribuirão a situação a atos negati vos cometidos nesta vide ou numa vida anterior.brir uma solução.e compf~endermos corretamente o conceito do carena. .

podemos encarar o problema com a seguinte atitude: "se houver um meio de combatê-lo. com entusiasmo..Bem.com. os cientistas geralmente consideram mmit o importante exaninar um problema com objetividadie... também não poderia no s ajudar a descobrir formas pelas quais nós mesmos podemos estar contribuindo para o problema? E isso não poderia ajudar a reduzir a sensação de injustiça associada à situaç difícil? . por exemplo.. com esse enfoque.. pode haver outros fatores atuando.. se descobrirmos que não há . mas pelo menos. de modo que pode hamer algurm significaco. ainda precisamos enfrentar a sit uação. Na minha opinião.. idéia de um Criador. Ele pode estar irritado com alguma outra coisa. científico. de um Deus. com uma atitud e honesta e imparcial. encarando-as como partes da criação ou dos cesígnios de Deus..deu uma risada.aparteei.. . Pararealizar ces se mero objetivo. . em grande parte.~ntão.or alguns minutos antes de responder ." . ou algo semelhante. mesmo um objetivo fácil é atiilgido por meio da ação.Isso decididamente faria uma diferença.Será que esse tipo de abo rdagem "científica". coro o de ssatisfazer nossa necessidade de alimento. uma discussão com a mulher naquela manhã. na qual analisamos a situação com objetividade. apesar de a situaçio parecer muito negativa. podemos não sofre r aquela ansiedade adicional que acompanharia a situação. precisamos de 175 A ARTE DA FELICIDiADE uma ação de nossa parte. então lutes.Ele-. Elas podem senti r qL-ie. mesmo que seja pr eciso recorrer à justiça!" . reduzir a sensação de injustiça corm a aceitaçao de que ela resulta do nosso car ma pode ser eficaz para os budistas . pode nem ter s ido especificamente dirigido a nós.. por trás da situação. P recisamos procurar alimentos e depois precisamos ingeri-los.propósito." . podem aceitar circunstâncias árduas com mais faci lidade. Naturalmente.megacursos. alguma importância.. para estudá-lo s°_m grande envo lvimento emocional.Para um descrente. perceberemos que. Em geral.E aqueles que mão acreditam na d oatrina do carma? Muitos no Ocidente. .As pessoas que acreditam na. Com esse tipo de aboriagem. qualquer que ela possa ser. . Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. nem na idéia de um Deus Criador? .É mesmo! .. nós também somos responsávei s pelo desenrolar dos acontecimentos.respondeu ele.E aqueles que não acreditam rnem na doutrina do carma. . .me ios de vencer. Isso dlemonstra que mesmo para o ato mais simples. A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO "Um a análise objetiva de situações difíceis ou problemáticas pode ser muito importante porque com essa abordagem com freqüência descobrimos que nos bastidores pode haver outros fatores em jogo. de que não rDs damos conta.talvez pudesse ajudar um e nfoque prático.. Deus é todo-poderoso e muito n isericordioso.o Dal. Se sentimos que estamos sendo tratados com injustiça pelo nosso c hefe no trabalho.br 93 . pc-lemos simplesmente deixar para lá.ai-Lama ponderou l. Creio que esse tipo de 1fé pode apoiá-las e a dá-las durante períodos de sofrimento. se examinarmos com cuidado qualquer situação dada. e seu comportamento pode não ter nada a ver conosco particularmente.

Se examinarmos a situação por alto. em várias ocasiões. muita gente culpou Saddam Hussein pela Guerra do Golfo. pelo menos até algumas gerações passadas . Afi nal é um ditador. Parece que. "costuma ser nossa tendência normal culpar os outros. N esse caso. por nossos problemas. há uma grand e contribuição da nossa parte. Houve uma resistência contínua. há uma tendência a surgir uma disparidade entre a aparência das coisas e como elas realmente são. e sem dúvida há muitos outros aspectos nega tivos nele. É por isso que acredito que nós. aquele poderoso exército não tem como funcionar.Quando o senhor está procurando sua própria contribuição para uma situaç o que dizer daquelas situações que evidentemente não ocorrem por culpa sua.Ele deu um a risada. "Essa prática envolve um modo holístic de encarar as coisas.Mas.br 94 . Todo esse equip amento militar não se produz sozinho. É claro que ele é um ditador. dei expressão ao meu sentimento de que essa era uma injustiça." . Por causa dessa resistência. para dep ois tentar nos eximir da responsabilidade. contribuímos para essa trágica situação. . não podemos dizer que a resistência tibetana é culpada ou responsável pela po lítica chinesa. Uma vez que n demos conta disso. para que a população tibetana se torne insignificante. Mais tarde . os t ibetanos se sintam deslocados e o movimento pela liberdade não possa ser eficaz. mas há também outras condições que contribuíram para a situação. e até mesmo seu olhar é um pouco assustador! . tibetanos.~quando examinamo s a questão desse modo. Por exemplo. Ali também. eu no fundo sinto até um pouco A ARTE DA FELICIDADE de pena de S addam Hussein. sempre que estão envolvidas emoções fortes. totalitário. mas decididamente as gerações que nos antece deram foram na minha opinião muito negligentes. costumamos procurar por uma causa única. com a percepção de que são muitos os acontecimentos que contrib uem para uma situação. é fácil atribuir toda a culpa a ele. Nes sas circunstâncias. nosso caso com os chineses. se nos aprofundarmos mais e analisarmos a sit uação com muito cuidado. e vem à tona a realidade da situação. Não to pôr toda a culpa na China. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Por exemplo.com. Nesse caso. os tibetanos nunca se renderam compl etamente à opressão chinesa. No entanto. é claro que isso não quer dizer que a cu lpa seja exclusivamente nossa. é um dos fatores."Por exemplo. Além disso. a partir do nada! Portanto. veremos que Saddam Hussein é parte da origem do problema. sua capacidade de fazer algum mal é limitada. fatores externos. desaparece automaticamente nossa atitude anterior de que ele é a única causa. são tantos os aspectos.megacursos. os chineses elaboraram uma nova política: a transferência de grandes contingentes de chineses para o Tibete. Embora possamos te r sido um fator que contribuiu para a situação. prosseguiu o D alai-Lama. e. sem o exército. vemos que muitas nações estão envolvidas. "Logo". se m equipamento bélico. Creio que talvez nossa geração 178 r~ A TRANSFORMAÇÃO DO SOF IMENTO possa ter contribuído para a situação.

Reconhecer nossos erros com um verdadeiro sentido de remorso pode se rvir para nos manter na linha na vida e pode nos estimular a corrigir nossos err os quando possível e dar os passos necessários para agir corretamente no futuro. isso não leva a nenhum objetivo. que eu talvez não seja capaz disso como muitas pessoas esperariam que eu fosse. Porém .É claro que de início posso ter uma sensação de decepção quando alguém não ro comigo. até mesmo situações relativamente insi gnificantes do dia-a-dia. mas mesmo nesse caso. Ao aplicar essa técnica à nossa própria vida.aquelas com as quais o senhor não tem nada a ver. Pode ser que a pessoa simplesmente não confiasse totalmente em mim. todos nós somos imperfeitos.br 95 . se eu examinasse melhor a situação. Mesmo partindo do Dalai-Lama. procuro encará-lo de outro ângulo. às v ezes. a não ser o de repre sentar uma fonte implacável de autopunição e de sofrimento induzido por nós mesmos. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. quer t amos sucesso quer não.coisas que fizemos ou que deveríamos ter feito.megacursos. quando me sinto decepcionado com esse mo A ARTE DA FELICIDADE tipo de inci dente. se permitirmos que nosso remorso degenere. se olharmos por esse ângulo. poderia descobr ir que de fato seu motivo para esconder algo de mim pode não resultar de uma intenção má. naturalmente. Há coisas que lamentamos . Por isso. No entanto. enquanto ele falava. Portanto. esse argu mento pareceu um pouco forçado descobrir "nossa própria contribuição" para a falta de si nceridade do outro. havia na sua voz uma franqu eza genuína. Porém. talvez não tenhamos tanto s ucesso na busca da nossa própria contribuição para uma situação problemática. Cada um de nós fez algo de errado.com. transformando-se em culpa excessiva .perguntei. mesmo o esforço honesto de procurar por nossa própria contribuição para um problema permite uma certa mudança de enfoque que ajuda a derrubar os padrõe s mesquinhos de pensamento conducentes ao destrutivo sentimento da injustiça. mo A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO A CULPA Produtos de um mundo imperfeito. eu consideraria que a c ausa teve como origem meu próprio defeito. que é a origem de tanta insatisfação em nós mesmos e no mundo. Penso que talvez a pessoa não tenha querido confiar totalmente em mim porque eu não sou capaz de guardar segredo. Minha nature za geralmente tem a tendência a ser muito franca. Em outras palavras. que sugeria que de fato essa era uma técnica que ele já havia usado com b ons resultados práticos na sua vida pessoal para ajudar a lidar com a adversidade. e por isso a tal pessoa poderia ter concluído que eu não sou a pessoa certa que conseguiria manter algo em segredo. tais como quando alguém lhe diz uma mentira intencional? . não sou digno da plena confiança dessa pessoa em decorrência da minh a natureza pessoal. se nos agarrarmos à lembrança das nossas transgressões passadas com uma contínua atitu de de censura e ódio a nós mesmos. .

muito embora esse sentimento de remorso ainda esteja aqui . mesmo com um r emorso profundo. Nã eria útil para ninguém se eu permitisse que esse remorso me acabrunhasse. C urioso por saber como ele lidava com sentimentos de remorso e possivelmente com sentimentos de culpa... percebi que o Dalai-Lama falou de alguns remorsos relacionados à morte do irmão. Por exemplo. .. A possibilidade de um ser humano aceitar plenamen te a si mesmo. de um modo mu ito visceral. ele v fio me procurar unm dia e mf perguntou acerca de uma determinad a praticai esotérica de alto nível. fraquezas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. inteiro com suas limitações.Mas isso' é terrível! . Ele costumava vir me ver para receber en sinamentos.br 96 . mas 182 A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO sem mergulhar no excesso de c ulpa ou desprezo por si mesmo. voltei ao assunto numa conversa posterior.com. ele não está as3ociado a nenhuma sensação de peso ou de algo que me impeça de avançar.Durante uma conversa anterior na qual mencionamos rapidamente a morte do seu irmão . O Dalai-L .megacursos. sim. que pe la tradição e=ra uma pritica que deveria ser iniciada curante a adolesccência.Deve ter <sido um gclpe para o senhor quando soube.Não me' livrei dele. ou que atrapalhasse meu modo de levar a vida dardo o melhor de Fnrm. e ntristecido. havia um m onge mais velho que vivia como eremita. Houve outras situações n a sua vida que o levaram a sentir remorso? .. Comentei desprEOcupadamente (:que essa seria uma prática difícil e que tilvez fosse mais 1 bem execitada por alguém mais jovem. ima assentiu. Naquele momento.e acrescentar. Seja como for. que fosse apenas uma fonte de desânimo e depressão sem nenhuma finalidade. Mas tar de descobri que o mongese matara a fim doe renascer num corpo mais jovem para Po der melhor reaalizar a pratica. Ele ainda existe. . Mas. . . surpreso com a his:ória.comentei. apesar de eu considerar que ele no 181 A ARTE DA FELICIDADE fundo er a maí~rs capaz db que eu e que só me visitava como uma espeecie de formalidade.Como o' senhor lidou com esse sentimento de re morso? C omo acabou se livrando dele? O Dalai-Lima refletia em silêncio por um bom tempo an tes de responder.Parou no.amente antes d. o senhor mencionou remorsos. .Houve.Quando estávamo s falando da morte de Lobsang. recebi mais uma vez ° impacto da possibilidade muito real de um ser humano encarar de frente as tragédias da vida e de reagir com emoèao.

acredito que. O primeiro passo para nos livrarmos do sofrimento é investigar uma das causas principais: a resistência à mudança. também a dor cede . E. nada existe numa condição permanente. 183 A ARTE DA FELICIDADE A RESISTÊNCIA À MUDANÇA A culpa surge quand.com. A possibilidade de reconhecer uma situação negativa pelo qu e ela é e reagir com emoção. que não faz nada a não ser causar a nós mesmos um sofrimen to desnecessário. ao descrever a natureza sempre mutante da vida. por mais prazerosa ou agr aEste arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. nada permanece estático. nada consegue manter-s e igual por sua própria força independente. nunca fica parado. porém. embora tenha palavras que significam "remorso".: ) nos convencemos de termos cometido um erro irreparável. O Dalai-Lama lamentava sinceramente o in cidente que descrevera mas assumia esse remorso com dignidade e leveza. Quando relatei minha conversa com o Dalai-Lama a respeito do remorso a um amigo que é um estudioso do Tibete. mudam a cada instante.não há problema que persista. ele nunca permitiu que o peso desse remorso o atrapalhasse.e equívocos de julgamento. A tortura da culpa consi ste em pensar que qualquer problema seja permanente. Entretanto. como faz parte da natureza de tod os os fenômenos a mudança a cada momento. Meditar sobre a nossa circulação sangüínea poderia ajudar a firmar essa idéia: o sangue está em fluxo co stante. erre movimento. falta a capacidade de permanecer. Desse modo. Esse é o aspecto posit ivo da mudança. prefe rindo. a qualquer momento. eu me pergunto se a capacidade de viver sem se entregar a um a culpa autodestrutiva não é em parte cultural. E. seguir adiante e concentrar sua atenção em ajudar os outros da melhor fo rma possível. Às vezes. isso nos indica que a todas as coisas falt a a capacidade de perdurar. com efeito. mas sem exagero. já que todas as c oisas são sujeitas à mudança. . Ou seja. embor a o assumisse. todas as coisas estão sob a in fluência de outros fatores. É preciso iniciar o processo avaliando a nature za impermanente e transitória da nossa existência.explicou o DalaiLama. "arrependimento" ou "lamento". como ele surge .megacursos. sim. o idioma tibetano nem mesmo tem um termo equivalente à palav ra "culpa". E. Todos os objetos. como não existe n ada que não mude. Essa natureza de mudanças momentâneas dos fenômenos é como um mecanismo inerente a eles. com um sentido de "retificar as coisas no futuro". qualquer um de nós pode aprender a vi ver sem o estigma da culpa. ele me d isse que. O negativo é que nós oferecemos resistência à mudança em quase todos os cam os da vida.br 97 .É de extrema importância investigar as caus as e origens do sofrimento. Qualquer que possa ser o componente cultural. com o questionamento dos nossos m odos habituais de pensar e com o cultivo de uma perspectiva mental diferente bas eada nos princípios descritos pelo Dalai-Lama. acontecimentos e fenômenos são dinâmicos.

quanto mais tentamos nos agarrar ao passado . Às vezes. Afinal de contas.br 98 . através dessa compreensão. ela gessa rá. A aceitação d a mudança pode ser um importante fator na redução de uma boa proporção do sofrimento que c riamos para nós mesmos. como princípio geral.ssa experi. tem início a bisca do praticante pela compreensão da verdadeira natureza da reaflidade e. embora a contempl adção da impermanência tenha um enorme significado dentro de um contexto budista. é bastante seguro supor que não vamos ficar mais f elizes quando envelhecermos. dedücando-se às práticas espirituais que propiciarão essa Liberação.184 A TRAhSFORNIAÇÀO DO SOFRIMENTO fiável que possa ser nc. Num nível m profundo. conceito de impermanência desNmPenha um papel crucia l no pensamento budista e a cc:)ntemplaçào da impermanência é uma prática essencial. ou num sentido corriqueiro. É muito freqüente. quer de uma perspectiva ocidental. da natu:eza imp ernnanente de todos os fenômenos. possa nos ajudar a lidar com muitos problemas. que é a origem primordial do nosso sofirrlento. recusandonos a nos desapegar do passado. E na medida em que nos recusemos a aceitar esse fato e ofereçamos resistência às natu rais mudanças da vida. Portanto. Num nível convencional.o fato de que a vida é frágil e de que nunca sabeqos quando iremos morrer. A con templação da impermanência atende a duas funções de vital importância dentro do caminho buc sta. surg e a pergunta: sera que a contttemplação e compreensão da impermanência tê-ii alguma aaPlic ação prática no dia18O A ARTE DA FELICIDADE a-dia também dos não-budistas? Se encararmos o conceito de "impermanência" a partir do ponto de vista da "mudança". por meio Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. continuaremos a perpetuar nosso próprio sofrimento. quem pratica o budismo co ntempla sua própria impermanência .com. quer encaremos a vida de uma perspectiva budis ta. permanece o fato de que a vida é transformação. a resposta é um absoluto "sim".~ncia. Quando se associa essa reflexão a uma crenlça na raridade da existência humana e na possibilidade cite se alcançar um estado de Liberação espiritual. o da contemplação dos aspectos mais sutis da impermanência. mais grotesca e deformada torna-se nossa vida. assumir um papel mais ativo. Se definirmos nossa própria imagem em termos da aparência que tínhamos no passado ou em termos do que costumávamos conse guir fazer e não conseguimos agora. essa con templação serve para aumentar a dEterminaçãd do praticante para usar seu tempo com maior proveito.megacursos. Isso passa a ser a origem de uma categoria do sofrimento conhecida no budismo como o "sofrimento da mudança". Embora a aceitação da inevitabilida de da mudança. por exemplo. pela dissiPIção da ignz orância. de se estar livre do sofrimento e dos intermináveis ciclos de reencarnaç=ão. que causemos nosso próprio sofri mento.

para me ajudar a de eixar o passado para trás e fazer a transição de volta à vida dJe solteiras.. Depois de ar algumas > p erguntas e u M rápido exame. . mas a boca está vazia. isso me deixa um pouco nervossa.Bem.com. acho que simplesmente perdemos a paixão suspirou ela . Ele só fica esticando a língua laa para fora. uma mãe de pr imeira viagem falou de uma visita que fizera às duas horas da manhã à emergência de um h ospital. pode prevenir uma propo rção ainda maior da ansiedade rotineira que é a causa de muitos dos nossos problemas. . nem na da semelhante. . exemplifica a importância c crítica de' compre ender e aceitar a mudança no contexto dele um rellacionamento pessoal. Margaret.O que eu queria era saber o q ue :levou ao divórcio. . nervosá°sa.megacursos..Achho que ele está engasgando ou algo parecido. Q ando um bebê vai crescendo...Achei qulue poderÍia ser uma boa idéia fazer algumas sessões só p arra converrsar com alguérh .do aprendizado específico sobre as mudanças normais na vida.Parecia que aos poucos o romantismo foi desaparecendo.Não há cor°m que sse preocupar. Meu ex-maricdo e eu termos bons empregos.. um a-ia jornalisbta de trinta e um anos. o tempo tpcjo. simplesmente não tínhamos mais a Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.. Não hcc°uve gramdes brigas.. Com uma revelação do valor do reconhecimento das mudanças normais na vida. Temos um m7 A ARTE DA FELICIDADIE filho.MEU FILHIr~HINHO! IESTÁ COM ALGUM PROBLEMA! gritou ela . . Ela me proc urou queixancndo-se de°_ uma leve ansìedade.Ach o qcue teria de? descrevê-lo como um divórcio amigável. explicou -. A língu~gua não ppára de sa r da beca. m6 A TRANSANSFORMQAÇÀO DO SOFIRIMENTO .. o médico tranqüiliAizou-a. e meu ex-marido e eu firmamos um acordo paria custódia conjunta que está funcionando bem. ele de desenvolve uma percepçâp maior do próprio corpo e do que ae o corpoo pode fazer. Pedi-lhe qque descrcevesse as circunstâncias do divórcio. Para ser franca. . que atribuía à dificuldade d de se ajustar a um recente divórcio. . ...Qual lhe pa' parece sser o problema ? 1 perguntou o pediatra. Sei filho acabou de descobrir a língngua.br 99 . mas el e parece ter se ajustado bem Lao divórcio. de modo que não tivemos p roblemas com a questão financeira.. como se quisesse cuspir alguiguma coisa..

E o que fazemos então? Especialistas em relacionamentos produzem livros em massa. avaliar a situação e nos armar com o maior c onhecimento possível sobre os padrões normais de mudança em relacionamentos. com receitas cue nos dizem exatamente o que fazer quando a paixão e a cham a do romantismo começam a fraquejar. Nós dois estávamos ocupados com nossos empre gos e nosso filho. Inf elizmente. concluímos que tudo está acabado. e só parecíamos estar nos afastando. Não parecia amor. antes de declarar o relacionamento m orto. não parecia um casamento de verdade. E. chegamos à conclusão de que seria melhor partir para o divórcio. No todo. Apes ar de um evidente carinho mútuo.br 100 . estava claro que Margaret e o marido interpretara m a mudança no grau da paixão como um sinal de que o casamento deveria terminar. Com o des enrolar da nossa vida. Experimentamos algumas sessões de aconselhamento conjugal. isso ajuda. m as era como se fôssemos irmãos. As coisas simplesmente não são mais as mesmas. podemos querer ver um filme especial. No entanto. e nosso parceiro estar cansado. Afinal.t e. ela era uma pessoa inteligente e equilibrada em termos emocionais. passamos da tenra infância para a infância. Depois de passar duas sessões delineando o problema. elogie seu parceiro. na qualidade d= sistema vivo. Surgem desavenças podemos estar a fim de sexo. entretanto. decidimos por uma psicoterapia breve. na maior parte das vezes. aprenda a ter uma conversa significativa. Em qualquer Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. é também um sis tema vivo dináraiico. planeje escapadas de fim de semana ou j antares românticos.refaça sua programação de modo que dê prior idade ao tempo para atividades românticas.mesma intimidade de quando nos casamos. Reagiu muito bem a uma terapia breve e fez uma transição tranqüila de volta à vida de solteira. Um rel acionamento. Sim plesmente estava faltando alguma coisa. E. uma das coisas mais benéficas que podemos fazer quando nos damos conta de um a mudança é simplesmente tirar uma distância. Eles oferecem uma enorme variedade de sugestões destinadas a ajudar a reaquecer o romance . é com extrema freqüência que entendemos uma diminuição da paixão como um sinal d existência de um problema fatal no relacionamento. composto de dois organismos que interagem nur~11 ambier--. é igualmente natural e correto que o relaciona mento passe per estágio S. mas elas de nada adiantaram. Nosso companheiro simplesmente não parece ser a pessoa pela qual nos apaixonamos.megacursos. a maturidade e a velhice. Talvez devêssemos nos div orciar. rnas ele não se interessa pelo filme ou está sempre ocupado. Por isso. Às vezes. uma impressão de que algo deu terrivelmente errado. o primeiro indício de mudança no nosso A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO relacionamento pode gerar uma sensação cie pânico.com. Às vezes.. Talve z não tenhamos escolhido o parceiro certo. voltada especificamente para aj udá-la a reduzir a ansiedade e a ajustar-se às recentes mudanças na sua vida. não. Ainda nos dávamos bem. no final das contas. D e qualquer modo. Aceitamos 189 A ARTE LBA FELICL DADE essas mudanças no desenv-olvimento i ndividual como uma progressão natural. não há como ignorar o fato de estarmos n os afastando.

quando a criança começa a explorar o mundo.com. Na adolescência. para crescer e evoluir como in divíduos. Os níveis de intimidade variam. Ele sugere que cada um de nós passa r epetidamente por três estágios: do "me abrace". podemos nos alegrar com o desabrochar da paixão num relacionamento. a criança pode sentir alguma ansiedade qua ndo o sentimento de separação se torna forte demais. de pensamentos. mas. podemos nos abrir para novas formas de intimidad e que podem ser igualmente satisfatórias . É norm~jl que o equilíbrio tenh a um rhovimento cíclico: às vezes a intimidade física diminui mas a intimidade emocion al pode aumentar. Em seu livr o. O contato corporal. para a fase da "independência ".megacursos. precisamos ser capazes de contra balançar nossas necessidades de união e intimidade comi eeríodos em que precisamos nos voltar para dentro. se ela arrefecer. Isso também faz parte do ciclo normal de crescimento e desenvolvimento. Intimate Behavior.relacionamento há diferentes dinensôes de intimid. Enquanto em casa o adolescent e está gritando "Me deixa em paz!" para os pais. com períodos de maior intimidade se alternando com períodos de maior afastalrriento .:ade -física. À medida que cheguemos a entender isso. comi orna sensação de autonomia. um laço mais profundo.se aparente pela primeira ver no início da vida. o compartilhar de emcçôes. o ciclo torna.br 101 . Desmond Morris descreve as mudanças normais que ocorrem na n ecessidade de intimidade de am ser huizlano. a maioria dos especialistas reconhec e e5~a fase como normal e necessária na transição da infârxGia para a maturidade. do "me solte' e do "me deixe em paz" . Mesmo dentro dessa fase. Essas fascs~ no entanto. Podemos apreciar nosso cônjuge Como companheiro.ou talvez mais. a engatinhar. ainda lxá uma mistura das outras. a "rejeição" passa a ser a fase p redominante à medida que a criança luta para formar uma ìGlentidade individual. I~-~n várias etapas. característica da tenra infância. Se tivermos nossas antenas voltadas para essa questão. e a troca de ídéias são todas formas legítimas de ligação com fqtaeles que amamos. em vez de sentir preocupação ou raiva. emocional e intelectua l. não seguem sempre na mesma direção. ter um amor mais estável. em outras ocasiões não temos vontade de trocar palavras mas só de re ceber um abraço. Tambémi nos relacionamentos de adultos. não mais reagiremos c'°m horror ou pânic o quando nos dermos conta de que estannOs "nos afastando" do nosso parceiro. Isso arte do desenvolvimento e crescimento normal. quando a criança pa ssa da fase do "abraço". suas necessidades do "abraço aperta do" podem estar sendo satisfeitas por uma forte identificação com o grupo. e nesses casos ela volta para a mãe em busca de carinho e aconchego. caminhar e allA T-ftAMS FOKMAÇÀO DO SOFRIMENTO rançar algurrt:~4 independência e autonomia com relação à mãe. ocorre o mesmo fluxo. Para ati ngir nosso pleno potencial) como seres humanos. Embora possa ser difícil ou dolore)~a para os pais. da mesma forma que não entraríamos em pânico enquanto esti19 A 'TRAI`SFOZMACÃO DO SOFRIMENT O A ARTE DA FELICIDADE Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.

.Não poderia estar quele e~ ecepcionados. a mud a nutras. me sint a urn aiItomatiG W ciclo que volta a redefinir o relacionamento are de t ~.i que o verd adeiro amor começa a amadurecer cruciais Nosso relacionamento pode nãs are carnmais baçã do que eram quando nos casamos pela primeira vez..exclamou ela.. mente é 4 ~.. medidas tais como a terapia anos depois da minha última sessão com Margaret. do outro e rios amamos. As coisas ainda não são iguais ao formaç~'eti. e está indo às mil maravilhas. que pode resgatar ou até mesmo superaf a pouco cono:rangido). Porém. e até podem ocorrer fatores que mão fossem a paixão e o romance. meu ex-maré o e portada e uma parte natural das nossas interaç~5es eu voltamos a nos casar.do a maré se afastar da costa. pode desempenhar um papel importante .Como tem passado? . Podemos descobrir que é na. de reconhecimento de que melhor! .-.. E descobrimos que no fundo gostamos um o. deparei rompin ient ~ liciuíto úteis.com. a história não termina aqui.Talvez o> casamento de Margaret pudesse ter sido sal .br 102 . Ele também pode fazer como a maioria dos terapeutas..Verdade? com os 5 relacionament os. Nós não tínhamos mais do mais ofiarnento. no início foi difícil ma s . É claro que o qu e podemos estar nos senlinnós continuLmos a nos ver por causa da custódia conjunta. . nos nos ato momento em q p depois do divórcio.acaso nurn shop ping (a situação de deparar com podem ser e um distanciamento crescente não signifiFa um ex-paciente num contexto social invariavelmente faz u com que eu. y~ente uma hecatombe. mas isso Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Dois dicar sérios primida eri'y 5 _ desses casos.. como se algo tivesse tr ~ó de algum modo a pressão sumiu. Seja como for.perguntei. ea intimidad o o ato de aceitação.Verdade.megacursos.No mês t passado. É claro qufe vo pela aceittação da mudança natural no relacionamento véssemos oL ái5'tanciamento emocional crescente pode inl= e pela criaçãio de um novo relacionamen to com base ern às vezes ur~1' problemas num relacionamento (uma raiva ré' rios ~ ~. por exemplo). p a de outra far ue exis tia no passado. o ponto principal a ter e~m com ela por . porérl. que pode ocorrer uma p atos do rela1~i Esses pe ríodos de transição podem ser por expectativas.

erdadeiro amor. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www." Quando o discípulo estava entrando em Atenas. Quando esse período de provação terminou. e agora você me deu a mesma coisa por nada" . "Ela é toda sua. agora estamos num< Po Em compensação." 0s Pad res do Deserto do século IV. mas um ser humano c°mo uando ch egamos a esse 1°nto com lesmas. respondeu :) discípulo. encontrou um certo sábio que ficava sentado jun to ao portão insultando todos os que iam e vinham. na paia ou na sensação de que estamos em fusão°m tos.. ensinavarn essa história para i lustrar o valor do sofrimento e das agruras. junda parece não ater importância. não haviam sido apenas as agruras que abriram ao discípulo a "cidade da sabedoria".megacursos. um indivíduo isoado. "Porq ue durante três anos eu paguei por isso. o Me stre lhe disse.com.br 103 . A impressão é que tudo está certo. de encarar a situação a partir de um outro ângulo.gi florir. um=°md que pisso com o crescimento de outro ser humano . Ele também insultou o discípulo.. le ato e p A 'TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO Capítulo ZO A MUDANÇA DE PERSPECTIVA Uma vez um discípulo de um filósofo grego recebeu ordens do seu Mestre para durante três anos dar dinheiro a todos os que o insultassem. na visão do outro como Estamos realmente felizes. disse o sábio. O fator primordial que lhe permitiu lidar com tanta eficácia com uma situação difícil foi sua capacidade de mud ar de perspectiva. 194 A capadidade de mudar de perspectiva pode ser um dos instrumentos mais poderosos e eficazes de que dispomos para nos ajudar a resolver os problemas diários da vida. um grupo de excêntricos que se retirou para os desertos em torno de Scete para uma vida de sacrifício e oração. "Por que você ri quando eu o insulto?'° perguntou o sábio.um proa' 5. "Entre na cidade". qu e deu uma boa risada. "Agora você pode ir a Atenas para aprender a Sabedoria. Entretanto. É somente q nós onde os assumir um compromisso autêntico .o intensa. p o outro' que podemos realmente começar a conhecer o sição e a per o outro como ele é. outro efeitos e fraquezas talvez. a° m. O Dalai-L ama explicou.

"Parece que muitas vezes. Além disso. Isso pode levar a um ensimesmamento que pode fazer com que o probl ema pareça mais sério. não há nenhuma necessidade de formalidades. podemos usar certas experiências. Porém. Dessa perspectiva. se avaliarmos o mesmo problema com algum distanciamento. tivemos uma série de confrontos porque eu acreditava que ele estava comprometendo o atenA TRANSFOR MAÇÃO DO SOFRIMENTO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. se as coisas estivessem nos eixos. Mas. Tudo te m uma natureza relativa.com.A capacidade de encarar os acontecimentos a partir de pontos doe vista diferen tes pode ser muito útil. protocolo. creio que ver as coisas de uma perspect iva mais ampla pode decididamente ajudar. com muita intensidade. e há fatos ainda piores. Se tu do estivesse normal. seguir práticas formais de meditação para acalmar a mente. todos os acontecimentos. percebo que.br 104 . Quando isso acontece. pessoas que eu poderia não ter conhecido se tivesse p ermanecido no meu país. Pessoas de diferentes tradições religiosas. não há tempo para fingir. É preciso entender que to dos os fenômenos. se nos dermos conta. se encararmos nossa situação a partir de uma perspectiva diferente.. apresentam aspectos diferentes. fingimos. se fizermos comparações. nesse sentido. Porém.. em grande parte das ocas iões. a partir desse ângulo.. naquele exato momento. tenho outro enfoque. se compararmos aquele acontecimento com algum outro acont ecimento de importância. Quando se olha a penas para aquele acontecimento isolado. ele pa rece incontrolável. com essa prática. cerimônia. No entanto. Isso é muito negativo. quando surgem problemas. Toda a nossa atenção pode estar 195 A ARTE DA FELICIDADE concentrada na preocu pação com o problema. de algum modo alguma coisa acontece." Pouco antes de uma sessão com o Dala i-Lama. Portanto. se eu encarar o mesmo acontecimento d e outro ângulo. eu perdi meu país. Há muita destruição ocorre ndo no nosso país. nosso enfoque se estr eita. Como sou refugiado. Na hora em que a dor surge.megacursos. ele parece ser cada vez maior. Se focal izarmos muito de perto. Por exemplo. para desenvolver uma tranqüilidade na mente. por exemplo. de que existem muitas outras pessoas que passaram por experiências semelhantes e até m esmo piores. encontreime por acaso com um administrador de uma instituição na qual eu cos tumara trabalhar. ser refugiado cria um monte de novas oportunidad es para eu me encontrar com muita gente. essa experiência foi muito. de diferentes posições sociais. na qualidade de refugiado. muito v aliosa. quando estamos passando por situações des esperadas. Assim. trata-se de uma tragédia. Essa prática de mudança de perspectiva pode até mesmo ajudar em certas do enças ou quando sentimos dor. no meu próprio caso. nós apenas representamos. quando ocorre um problema. essa trágica exper iência me foi muito útil. ce rtas tragédias. naturalmente costuma ser muito difícil. Por isso. Durante meu período de trabalho na sua instituição. ele irá nos parecer menor e menos avassalador. e nós podemos ter a sensação de que somos os únicos a passar por tais dificuldades.

Portanto. de repente nós perceberíamos com nitidez que ele não era de fato composto exclusivamente por qualidades positivas.Nesse caso. até mesmo muito mais tarde. descobriremos que essa pessoa deve ter algumas b oas qualidades. e cada vez que pensássemos nele sentiríamos toda aquela raiva novamente. mas ainda me sentia um pouco perturb ado. Não apenas de forma superficial. Dedicar algum tempo a procurar com seriedade por um ângulo diferente para encarar a situação. . nos inclinamos a considerar que essa p essoa tem 100% de qualidades positivas. Por exemplo. não se trata ape nas de sentir raiva na hora em que somos feridos. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. é sentir raiva. Portanto. Se olhar com cuidado. Precisamos recorrer a todo o nosso poder de raciocínio e exa minar a situação com a maior objetividade possível. mesmo quando estamos com raiva de alguém que imaginamos não ter absolu tamente nenhuma qualidade positiva. a tendência a considerar que alguém é totalmente negativo tem or igem na nossa própria percepção. também descobrirá que o ato que o deixou com raiva também lhe propiciou c ertas oportunidades.Digamos que alguém nos deixe com raiva . aquele que odiamos. Poderíamos pensar no acontecimen to mais tarde. mesmo do seu próprio ponto de vista. e olhou para mim. e eu pude sentir a raiva e o ódio se acumulando no meu íntimo. . que consideramos tão maravilhoso. quando somos atraídos por alguém. assim que percebi sua presença. creio que estaríamos lidando com uma situação na qual poder ia ser necessário fazer algum esforço. Logo. . algo que. pensativo. a realidade é que ninguém é inteiramente mau. essa percepção não corresponde à rea lidade. Havia algum tempo qu e eu não o via. eu já estava consideravelmente mais calmo. se nosso inim igo. . mas. de qualidades positivas. poderíamos refletir sob re o fato de que quando estamos realmente irados com alguém temos a tendência a perc eber essa pessoa como alguém com 100% de qualidades negativas. Se p rocurarmos com bastante afinco. Como o senhor sugeriria que lidássemos com esse tipo de situação? O Dalai-Lama assentiu.Nossa reação natural a serm os feridos. Exatamente da mesma forma que. Quan do fui encaminhado à suíte do Dalai-Lama para nossa sessão mais tarde naquele mesmo di a. Se nosso amigo.Se você encarar por um ângulo diferente.E se procurarmos os ângulos positivos numa pessoa ou num acontecimento e não conseguirmos encontrar nenhum? 197 A ARTE D A FELICIDADE . nossa reação imediata. todas as nossas discussões voltar am em enxurrada. Isso o ajudará. Eu me perguntei se ele percebia que eu não estava apresentando o tópico por motivos exclusivamente aca dêmicos. não teria sido possível. baseada na nossa própria projeção mental.comecei. você conseguirá ver muitos ângulos diferent es num mesmo acontecimento. Mas de modo aguçado e direto. No entanto. sem dúvida a pessoa que lhe desperto u essa raiva terá uma porção de aspectos positivos. nos fizesse um mal inten cional de algum modo.br 105 . em vez de deriva da verdadeira natureza do indivíduo. de outro modo. vier a nos implorar o perdão com sinceridade e continuar a nos demonstrar benevolência. Mas em muitos casos. com esforço.com. é improvável que continuemos a encarálo como totalmente m au.megacursos.dimento aos pacientes ao privilegiar considerações financeiras. Da mesma forma.

acrescentou. de treinamento e familiarização com eles. não descobrimos nenhum ângulo ou perspectiva positiva para o ato de uma pessoa.br 106 . de um processo de aprendi zado de novos pontos de vista. Eu sabia que ele era um pai amoroso. a melhor atitude a tomar pode ser a de simp lesm°nte tentar esquecer a situação. o Dalai-Lama apresentaria uma lição ainda mais profunda: como transformar completamente nossa atitude diante d os nossos inimigos e aprender a valorizá-los.Se. Ele explicou esse método. Embora essas reflexões não produzissem em mim uma estima imediata pelo homem. Em breve. Inspirado pelas palavras do Dalai-Lama. só isso não costuma ser suficiente. pelo menos por um tempo. como pode haver algo mais desgraçado do que essa atitude? Carrega r por aí o fardo de semelhantes sentimentos de hostilidade e má vontade. apesar dos nossos esfo rços. o que acabou me levando para um emprego mais satisfatório. Vias para mim. fiel à sua habitual postura pragmática. é claro que não desejamos nada de bom para nossos inimigos. . Não foi difícil. E será que re almente queremos ser tão mesquinhos? Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. até que aos poucos nossa impressão mude. mesmo que tenhamos des coberto um ângulo positivo para uma situação nociva.A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO "Da mesma forma. uma situação que de início pareça ser 100% n gativa pode ter alguns aspectos positivos. sirr. en foques de acordo com os quais ele não fosse " 100% mau".sua contribuição havia sido fundamental para minha decisão 199 A ARTE DA F ELICIDADE de abandonar o trabalho naquela instituição. mais tard e naquela noite procurei descobrir alguns "ângulos positivos" no administrador. Em geral.Vamos começar examinando noss a atitude característica diante dos nossos rivais. em que isso deveria nos alegrar tanto? Se refl etirmos com atenção. que nos per miie lidar com a dificuldade. Trata-se. Talvez precisemos nos recordar desse ângulo posi tivo muitas vezes. . E tive de admitir que meus confrontos com ele em última análise me ben eficiaram . No entanto." O Dalai-Lama refletiu por um momen:o e. mesmo que por meio dos nossos ato s tornemos nosso inimigo infeliz. nesse caso. por exemplo. náo é possível mudar nossa atitude com a mera adoção pensamento específico uma vez ou duas. uma vez que já n os encontremos numa situação difícil.com. entretanto. UMA NOVA PERSPECTIVA DIANTE DO INIMI GO O método básico usado pelo Dalai-Lama para transformar nossa atitude a respeito d os nossos inimigos envolve uma análise sistemática e racional da nossa reação costumeira àqueles que nos prejudicam. com um esforço surpreendentemente pequeno. que procurava criar os filhos da melhor ma neira possível. A inda é preciso fortalecer essa idéia. era inquestionável que elas amenizaram meus sentimentos de ódi o. Em geral.megacursos..

O result ado é que ojs dois lad. tudo o mais pasva a ser muito mais -ácil." Tendo questionado nossa atitude característica ciante do nosso inimigo. Demonstra falta de visão. Não ENTO 201 A RTE DA FELICIDADE há força moral que se compare à paciência. nós agiremos da m esma forma e assim por diante. ]Por isso. "Portanto. começa afluir naturalmente. Sara que tenhamos pleno sucesso na prática d9 am or e d compaixJo~ é indispensável o exercício da paciência e da tolerância. o inimigo é a condição necessári ara a prática da paciência."Se nos vingarmos dos nossos inimigos. sim. "Na realidade. a raiva ou códio é como o anzol de um pescador. É muito triste. o DalaiLa ma passou à proposta deuma forma alternativa de encarar o inimigo. É impo)rtantíssimc que nos certifiquemos de não ser fisgados por esse anzc"Agora. a par tir dessa perspectiva. exatamernte como não há pior t rmento do que o ódio. . Pode-se ver isso nos campos dQ refugiadc3s onde s cultiva o ódio pelo outro grupo. presta-se muita atenç-. todo o objetivo da viloa é prejud=ado. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Sem uma ação do inimigo. Desse modo. usar o confronto como uma oportunidade para aprimorar nossa prática da paciência e da tolerância. Somente nossos inimigos agem desse modo.br 107 . devemos envidar nossos melhores esforços para não nutrir ódi o pelo inimigo. Para mim isso é muito negativo. a compai xão é a essência da vida e3piritual. Nossa compaixão por tod os os outros sere:. nossos inimigos desempenham um papel crucial. Nossos amigos não costumam nos testar de modo que forneça a oportunida de para cultivar a paciência.o às Isso nossas atitudes diante dos nossos rivais ou . Se pudermos a? render a desenvolver a paciência e a tolerância para c omnossos inimigos. inimigos. não é possível o surgimento da paciênc da tolerância. quando isso A TRANSFORMAÇÃO D O SOFRIM I acontece no nível das comunidaides. isso gera um círculo vicioso. E. para quem pratica a esp iritualidade. Logo. Ela vai se desforrar de nós.No budismo. Ao meu ver. Logo. podemos considerar nosso inimigo um grande mestre. pode passar dfuma geração para a outra.megacursos. uma nova pers~e ctiva que poderia ter um impacto reyolucionári o na nossa vida.com. Contra~r-se a esse modo de pensar é a base do espírita da não-vplência e da compreensão. E em especial. Se retaliarmo s. algumas pessoas consideram que o ód' intenso é bom par a os interesses nacionais. porque o ódio pode ser o maior obstáculo ao desenNolvimento da compaixão e da felicidade. mas. e reve renciá-lo por nos conceder essa preciosa oportunidade para o exercício da paciência.s sofrem. É Ruma atitude que se iistala desde a infância. em g eral. a outra pessoa não vai aceitar isso.

que torna a ação do inimigo singular.' Corra efeito. é exatamente essa intenção deliberada de nos ferir o que torna o inimigo inigualável e nos concede essa preciosa oportunidade de praticar a paciência. _ranspira. como por exemplo a cirurgia.eles são pesados. porque a intenção por parte do médico era a de nos ajudar.megacursos. não consideramos esses atos prejudiciais ou típicos de um inimigo. ai nda podemos ter nossas dúvidas. que são fa tores essenciais para contrabalançar as emoções negativas. a situação é análoga à de uma pessoa que procura tonificar e fortalecer o corpo através o treinamento com pesos. há muitas. se gel e não tinha nenhuma intenção de me ajudar? E não se trata apenas de eles não terem nenhum desejo ou intenção de me ajudar. e é ainda menor o número daquelas que nos causam problemas." i~ sugestão do D alai-Lama de que veneremos nossos inimigos pelas opounidades de crescimento que eles nos proporcionam poderia a princípio ser um pouco difícil de engolir. muitas pessoas no mundo. mas são relativamente poucas aquelas com q uem interagimos."Ora. o correto é odiá-los. luta. Mesmo assim. "Naturalmente. quando deparamos com uma ocasião dessas para praticar a paciência e a tolerância. `Por que eu deveria venerar meu inimigo. caso se tratasse apenas do ato real de nos ferir.br 108 . d everíamos tratá-la com gratidão. Porém. deveríamos nos sentir felizes e gratos ao nosso inimigo por nos propiciar essa oportunidade preciosa. dessa intenção de ferir. isso será devido à combinação do ossos próprios esforços com a oportunidade fornecida pelo inimigo. a atividade de levantar pesos é desconfortáve l no início . Naturalmente. Isso porque. eles não são dignos de r espeito. A pessoa se esforça. Ela é rara. nós odiaríamos os médicos e os consideraríamos inimigos porque às vezes eles adotam métodos que podem ser dolorosos. No entant o. se o) inimigo não tinha nenhuma int enção de me proporcionar 'essa preciosa oportunidade para a prática da paciência. ou admiti r sua con202 A T'RANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO tribuição. Lo go. é no fundo a presença no inimigo desse estado mental voltado para o ódio. Exatamente como se tivéssemos encontrado ines peradamente um tesouro na nossa própria casa. mas de nutrirem. é o próprio at de lutar contra a resistência que acaba resultando Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.com. Se não fosse a sim. Portant o. sim. uma intenção deliberada e malicio sa de me prejudicar! Logo. se um dia chegarmos a ter sucesso na nossa prática da paciência e da tolerância. Decididamente.

do estudo.que acaba resultando em verdadeiro crescimento. E é a luta. se persistisse. Geralmente o conflito apenas se restringe a algumas pessoas. somente poderia resultar em nos tornarmos uma es?04 A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO pécie de massa gelat inosa. nos abraçassem. Mas. numa liteira). A partir desse ponto de vista. da descoberta de modos alternativos de lidar c om ele . em profundidade de perc epção e em êxito em termos psicoterápicos. Talvez até mesmo as alegações do Dalai-Lama a respeito da "raridade" e "alto valor" d o Inimigo sejam mais do que meras racionalizações fantasiosas. uma monstruosidade.na nossa for203 A ARTE DA FELICIDADE ça. nos dessem comida na boca (ali mentos macios e suaves. E são nossos inimigos que nos testam. um colega de trabalho. É a própria batalha da vida que faz de nós quem nós somos. Se desde o be rço até o túmulo. Quando escuto meus pa cientes descreverem suas dificuldades com outros. Imaginem como seria se passássemos pela vida se m nunca encontrar um inimigo ou qualquer outro obstáculo. nenhum teste em suma.o quinhão que nos cabe é limitado. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.com. O Inimigo é realmente "raro" . mas eu me perguntava até que ponto is so poderia realmente produzir uma transformação fundamental da atitude. talvez. Isso poderia parecer bom a princípio. se todos continuassem a nos tratar como um bebê. não por nenhum prazer imediato que nos forneçam. diz ela: Sempre que me relacionar com alguém. talvez. Em parte. todos nos paparicassem. um ex-cônjug e ou um irmão..megacursos. mas pelo benefício final que obtemos. a maioria das pessoas não tem legiões de inimigos e antagonistas com os quai s esteja em luta. por sinal. Um chefe. mesmo com o desenvolvimento mental e emocional de uma vitela. SERÁ QUE ESSA ATITUDE É PRÁTICA? O método de abordar nossos problemas racionalmente e de apren der a visualizar nossos problemas ou nossos inimigos de perspectivas alternativa s sem dúvida parecia um objetivo interessante. isso fica totalmente claro: no fundo. pelo menos não num nível pessoal. de fácil digestão). Apreciamos os bons equipamentos de peso. jamais enfrentand o nenhum desafio.. que eu me con sidere a criatura mais ínfima de todas e que encare o outro como supremo do fundo do meu coração!. o processo de resolver conflitos com O Inimigo através do aprendizado. que nos fornecem a resistência necessária para o crescimento. Se desde a tenra infância fôssemos carregado s para lá e para cá numa cesta (mais tarde. "The Eight Verses on the Training of the Mind" [Oito v ersos sobre o treinamento da mente]. composta no século XI pelo santo tibetano Lan gri Thangpa.br 109 . se nos divertissem com caretas engraçadas e com o eventual barulhinho de "gu-gu". Lembrei-me d e ter lido numa entrevista que uma das práticas espirituais diárias do DalaiLama con sistia em recitar uma oração.

.com. que eu considere de alto valor essas criaturas raras como se tivesse enco ntrado um precioso tesouro!. f iquei impressionado com sua extraordinária facilidade para reexaminar suas próprias crenças e práticas. Um homem que vivia no Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. me ferirprofundamente. o "mal" ou o mau tratamento que recebemos do s outros poderia incluir o estupro.. que eu possa encará-lo como meu supremo Guru ! Em suma. oprimidos por tormentos e pecados viol entos. Foi só mais tarde. poderia ser fácil "oferecer a vitória" a essas pessoas. ele demonstrava disposição para reavaliar uma oração amada ue sem dúvida se havia fundido com seu próprio ser através de anos de repetição. a tortura. Nesse caso.Quando eu vir seres de natureza perversa. Fiquei arrasado com a percepção da minha própria arrogância . Dois pontos sobressaíram nitidamente. O Dalai-Lama permaneceu em silêncio alguns m inutos. Quando os outros. o assassinato e assim por diante. calúnias e atitudes semelhantes. . oferecer benefícios e felicidade a todos os seres. ela foi composta por um mo nge que vivia num mosteiro.Sei que o senhor refletiu muito sobre essa oração perguntei ao Dalai-Lama depois de ler a respeito . que eu possa. . um ambiente em que a pior coisa que poderia acontece r seria alguém fazer intrigas a nosso respeito..disse ele e passou a examinar circunstâncias em que pode ha ver necessidade de alguma modificação para essa atitude.mas o senhor realmente acha q ue ela seja aplicável nestes nossos tempos? Quer dizer..br 110 . em que pode ser necessário ad otar medidas contra a agressividade dos outros a fim de impedir que eles firam a nós mesmos ou a terceiros. refleti sobre nossa conversa. que eu sofra a der rota e ofereça a vitória aos outros . me tratarem mal com imprecações. . que eu em se gredo possa assumir nos meus ombros a dor e o so frimento de todos os seres . 2oG A TRANSFORNIAÇÀO DO SOFRIMENTO Mais tarde naquela noit e. mas na sociedade de hoje. direta ou indiretamente. a atitude recomendada na oração realmente não parece v iável. a quem beneficiei com g rande esperança. A partir desse ponto de vista. O segundo ponto era menos inspirador.. Nesse caso. Primeiro.Pode haver alguma verdade no que você está dizendo ... contar mentiras sobre nós ou talvez um eventual soco ou tapa. porém. que pensei bem sobre a pessoa com quem estivera falando: um homem que havia perdido um país inteiro em conseqüência de uma das invasões mais brutais da história. com o cenho enrugado.Eu me sentia um pouquinho presunçoso por ter feito uma observação que me pareci a bastante hábil. Ocorreu-me que eu lhe havia sugerido que a oração poderia não ser adequada por não con dizer com as duras realidades do mundo moderno. z05 A ARTE DA FELICIDADE Quando aquele. por inveja. imerso em pensamento..megacursos. um verdadeiro achado.

exílio havia quase quatro décadas enquanto toda uma nação colocava nele suas esperanças e sonhos de liberdade. Um homem com uma profunda noção de responsabilidade pessoal, qu e ouve com compaixão um desfile contínuo de refugiados que vêm desabafar suas histórias do assassinato, estupro, tortura e degradação do povo tibetano por parte dos chinese s. Mais de uma vez contemplei a expressão de preocupação e tristeza infinita no seu ro sto enquanto escuta esses relatos, com freqüência transmitidos por pessoas que atrav essaram o Himalaia a pé (uma viagem de dois anos) só para vê-lo de relance. E essas hi stórias não se limitam á violência física. Muitas vezes elas envolvem a tentativa de destr uir o espírito do povo tibetano. Um refugiado tibetano uma vez me falou sobre a `e scola" chinesa que foi obrigado a freqüentar quan,o-, A ARTE DA FELICIDADE do jove m, ainda em crescimento, no Tibete. As manhãs eram dedicadas à doutrinação e ao estudo d o "pequeno livro vermelho" do Presidente Mao. As tardes eram voltadas para a apr esentação de vários trabalhos de casa. Os "trabalhos de casa" eram geralmente projetad os de modo a erradicar do povo tibetano o espírito do budismo neles profundamente entranhado. Por exemplo, tendo conhecimento da proibição budista de matar e da crença de que todas as criaturas vivas são igualmente "seres sencientes", um professor de u aos seus alunos a tarefa de matar alguma coisa e trazê-la para a escola no dia s eguinte. Os alunos recebiam notas. Cada animal morto recebia uma quantidade de p ontos - uma mosca valia um ponto; uma minhoca, dois; um camundongo, cinco; um ga to, dez; e assim por diante. (Recentemente, quando relatei essa história a um amig o, ele abanou a cabeça com uma expressão de nojo e comentou: "Eu me pergunto quantos pontos o aluno ganharia por matar esse professor infame.") Através de práticas espi rituais, como a recitação de "The Eight Verses on the Training of the Mind", o Dalai -Lama conseguiu aceitar a realidade dessa situação e ainda assim continuar sua campa nha ativa pela liberdade e pelos direitos humanos no Tibete por quarenta anos. A o mesmo tempo, ele manteve uma atitude de humildade e compaixão para com os chines es, que inspirou milhões de pessoas no mundo inteiro. E aqui estava eu, sugerindo que sua oração talvez não fosse aplicável às "realidades" do mundo moderno. Ainda enrubesço de vergonha sempre que me lembro daquela conversa. A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO A D ESCOBERTA DE NOVAS PERSPECTIVAS Ao tentar aplicar o método do Dalai-Lama de mudair a perspectiva ao encarar "o inimigo", eu por acaso depairei com outra técnica num a tarde. Durante o processo de elaboração deste livro, assisti a algumas palestras d adas prelo Dalai-Lama na Costa Leste. Para voltar para casa, peguei um vôo sem esc alas até Phoenix. Como de costume, eu havia reservado uma poltrona de corredor. Ap esar de ater acabado de ouvir ensinamentos espirituais, eu estava bastante irrit adiço quando embarquei no avião lotado. Descobri então que por engano me haviam destin ado uma poltrona de centro - sanduichado entre um homem de prroporções avantajadas q ue tinha o hábito Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 111

irritante de deixar cair o braço grosso do meu lado do descanso de braço e uma mulhe r de meia-idade com quem antipatizei de irrnediato já que, segundo minha conclusão, ela havia usurpado minha poltrona de corredor. Havia algo nessa mulher que realm ente me incomodava - sua voz um pouco aguda demais, seu jeito ligeiramente autor itário, não sei bem o quê. Logo depois da decolagem, ela começou a conversar o tempo tod o com o homem que estava sentado diretamente à sua frente. Revelou-se que o homem era seu marido, e eu "gentilmente" me ofereci para trocar de lugar com ele. Mas eles não aceitaram. Os dois queriam poltronas de corredor. Fiquei ainda mais contr ariado. A perspectiva de passar cinco horas inteiras sentado ao lado dessa mulhe r parecia insuportável. Consciente de que eu estava tendo uma reação muito forte a uma mulher que nem conhecia, decidi que deve~ zo1) A ARTE DA FELICIDADE ria ser "tr ansferência" - ela devia me lembrar de modo inconsciente alguém da minha infância - os velhos sentimentos não resolvidos de ódio-pela-mãe ou algo semelhante. Esforcei-me ao máximo mas não consegui encontrar uma candidata plausível. Ela simplesmente não me lemb rava ninguém do meu passado. Ocorreu-me então que essa era a perfeita oportunidade p ara praticar o desenvolvimento da paciência. Por isso, comecei pela técnica de visua lizar meu inimigo na minha poltrona de corredor como uma querida benfeitora, pos ta ao meu lado para me ensinar paciência e tolerância. Pensei que fosse ser moleza. Afinal de contas, no que diz respeito a inimigos, seria impossível ter um mais ame no - eu acabava de conhecer essa mulher e ela na realidade não fizera nada para me prejudicar. Depois de uns vinte minutos, desisti. Ela ainda me perturbava! Resi gnei-me a continuar irritável pelo resto do vôo. Emburrado, lancei um olhar ferino p ara uma das suas mãos que furtivamente começava a invadir meu descanso de braço. Eu od iava tudo nessa mulher. Estava olhando distraído para a unha do seu polegar quando me ocorreu uma pergunta. Eu odiava aquela unha? No fundo, não. Era apenas uma unh a normal. Sem nada de extraordinário. Em seguida, olhei de relance para seu olho e me perguntei se realmente odiava aquele olho. Odiava, sim. (Claro que sem nenhu m motivo razoável - que é a forma mais pura do ódio). Aproximei mais meu foco. Eu odei o aquela pupila? Não. Odeio aquela córnea, aquela íris ou aquela esclerótica? Não. Então, e realmente odeio aquele olho? Tive de admitir que não odiava. Senti que estava ava nçando. Passei para uma articulação dos dedos, A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO urp dedo, um maxilar, um cotovelo. Com certa surpresa, descobri que havia partes dessa mulher que eu não detestava. A concentração do foco em detalhes, em itens específicos, em vez da generalização excessiva, permitiu uma suta mudança interna, um abrandamento. Essa m udança dé perspectiva rasgou uma brecha no meu preconceito, de lafgura suficiente pa ra que eu visse essa mulher simplesmente como outro ser humano. Quando estava co m esse sentimento, ela de repente se voltou para mim e entabulou uma conversa. Não me lembro do que falamos - em sua maior parte papo sem importância -, mas antes d o final d0 vôo minha raiva e irritação estavam dissipadas. Admito Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 112

qye ela não passou a ser minha Nova Grande Amiga, mas também não era mais A Perversa U surpadora da Minha Poltr<~)na de Corredor - era só um ser humano, como eu, que est ava passando pela vida da melhor forma possível. UMA MENTE FLEXÍVEL A capacidade de mudar de perspectiva, de encarar n(~Issos problemas "a partir de ângulos diferente s", é propiciada por uma flexibilidade da mente. A maior vantagem de uma mente fle xível consiste em que ela nos permite abraçar toda a vida - a plenitude de sermos vi vos e humanOs. Em seguida a um longo dia de palestras ao público em Tocson, uma ta rde o Dalai-Lama voltava a pé à sua suíte no hotel. Enquanto caminhava lentamente para seus aposentos, uma fileira de nuvens violáceas cobriu o céu, absorvendo a luz do f inal da tarde e conferindo forte relevo às A AIRTE DA FELICIDADE montanhas Catalin a. 'ioda a paisagem era uma enorme paleta em matizes de ioxo. O efeito era espet acular. O ar quente, carregado cote a fragrância de plantas do deserto, de sálvia, u ma umidacle, uma brisa inquieta, trazendo a promessa de uma tempestade desenfrea da característica da região de Sonora. O J)alai-Lama parou. Por alguns instantes, co ntemplou calado o horizonte, impregnando-se do panorama, e finalmente fez algum comentário sobre a beleza do local. Seguiu adiante, mas após alguns passos parou de novo, abaixando-se para examinar um minúsculo botão lilás numa pequena planta. Tocou-o de leve, observando sua forma delicada, e se perguntou em voz alta qual seria o nome da planta. Fiquei impressionado com a facilidade com que sua mente funcion ava. Sua consciência parecia passar com extrema facilidade da percepção da paisagem to tal pare o enfoque concentrado num único botão, uma apreciaçãe simultânea da totalidade do ambiente e do detalhe mais ínfimo. Uma capacidade de abarcar todas as facetas e a variedade da vida em sua plenitude. Cada um de nós pode desenvolver essa mesma fl exibilidade mental. Pelo menos em parte, ela decorre diretamente dos nossos esfo rços para ampliar nossa perspectiva e deliberadamente experimentar novos pontos de vista. O resultado final é urna consciência simultânea tanto do quadro maior quanto d as nossas circunstâncias individuais. Essa perspectiva dual, uma visão concomitante do "Grande Universo" e do nosso próprio "Pequeno Mundo" pode atuar como uma espéce d e triagem, ajudando-nos a separar o que é importante n~ vida daquilo que não é. A TRAN SFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO No meu próprio caso, foi preciso que eu fosse um pouco instiga do pelo Dalai-Lama, durante nossas conversas, para que pudesse começar a me livrar da minha própria perspectiva limitada. Por índole e formação, sempre tive a tendência a t ratar dos problemas a partir do ponto de vista da dinâmica individual - de process os psicológicos que ocorriam meramente dentro dos limites da mente. Perspectivas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 113

Como tinha tomado algumas xícaras de café antes. esse desarmamento interno precisa ser acompanhado de um desarmamento externo. isso exige a capacidade de lidar com problemas em diversos níveis: no individual . . e comecei a falar da capacidade de mudança de perspectiva como u m processo interno. na palestra na universidade n o outro dia. isso exi ge um esforço coordenado e orquestrado entre muitas pessoas.É verdade. Logo. No meio da minha fala e ntusiasmada. Por isso. de cultivar a paciência e a tolerância.br 114 . isso inclui o trabalho de cooperação com outras pessoas.. o senhor falou muito na importância de realizar a mudança pessoal a partir de dentro. pelo menos por enquanto. um objetivo solitário. Não deveríamos perder essa oportunidade! Agora acho que devemos ref orçar a autênA TKANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Quando falamos de adotar uma perspectiva mais ampla. Numa conversa com o Da lai-Lama. Felizmente. comecei a questioná-lo sobre a importância de conseguir uma perspectiva ma is ampla.com.Esta semana. No entanto. falei sobre a necessidade de reduzir a raiva e o ódio por meio do cul tivo da paciência e da tolerância. minha conversa tornou-se bastante animada. precisamos ser capazes de abordar esses problemas a partir do po nto de vista tanto do indivíduo quanto da sociedade como um todo. muito importan te. Isso é mais abrangente do que uma questão pessoal ou individual. por exemplo. quando buscamos soluções para pro blemas globais.megacursos. Quando temos crises que são de natureza global. baseado exclusivamente na decisão conscie nte de um indivíduo de adotar um ponto de vista diferente. o Dalai-Lama finalmente me interrompeu para me relembrar um ponto. a mud ança precisa vir do interior do indivíduo. .. exatamente quando tratávamos do tópico da ampl iação dos nossos pontos de vista!). o se nhor falou na importância de desenvolver a compaixão. quando fal amos sobre ser flexível.. . nas suas conversas e palestras ao público. no entanto . com um sentido de res ponsabilidade e de compromisso. como a do ambiente ou de problemas da estrutura econômica moderna. Naturalmente. por ex emplo. creio ser esta uma época excelente . depois da queda do império soviético. não há ma is uma ameaça de um holocausto nuclear.. de superar a ra iva e o ódio. sobre ter uma perspectiva mais ampla. Porém. "Ora. como também mencionei naquela palestra. Por exemplo. Isso é para mim muito. no da comunidade e no global. através da transformação interior.sociológicas ou políticas nunca me foram de grande interesse. sinto-me constrang ido por admiA ARTE DA FELICIDADE tir. um coração sensível.insisti -. um ótimo início. entre outras coisas . Minimizar o ódio é semelhante a um desarmamento inter no. Fiquei irritado por ele estar forçando o tema do mundo enquanto eu es tava tentando me concentrar no indivíduo (e essa minha atitude.

br 115 . Portanto. Creio que o modo realista é seguir passo a pas so. o esforço deliberado de examinar nossos problemas com objetiv idade a partir de uma variedade de perspectivas pode ser visto como um tipo de t reinamento de A ARTE DA FELICIDADE z16 A TRANSFORIMAÇÀO DO SOFRIMENTO flexibilidade para a mente. Ela também pode nos ajudar a unificar todos os nossos conflitos.. creio que devemos deixar muito claro nosso objetivo fina l: o mundo inteiro deveria ser desmilitarizado. Isso é importantíssimo. e nosso relacionamento com o mundo passa a ser caracterizado pel o medo. A vida at ualmente é caracterizada por mudanças súbitas. Uma mente ágil. a mera ausência de guerras não equivale a uma paz mundial dura doura e genuína.megacursos. com aquela idéia Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Pode ser um a questão de sobrevivência. É claro que não podemos realizar isso da noite para o dia. incoe rências e arhbivalências interiores. A simples inexistência de guerras pode resultar de armas. Seria de se esperar que seu papel singular como o budista talvez mais reconhecido do mundo o pusesse na posição de uma espécie de Defe nsor da Fé. como a dissuasão nuclear. como as armas são o maior obstáculo ao desenvolvimento da confiança mútua.O senhor alguma vez se descobriu com excesso de rigidez no seu ponto de vista. Uma men te flexível pode nos ajudar a harmonizar as mudanças externas que estão ocorrendo ao n osso redor. Mas. No entanto. a tentativa de desenvolver um modo flexível de pen sar não é simplesmente um exercício complacente para intelectuais ociosos. Mesmo numa escala evolutiva. . flexível.. sobreviveram e prosperaram. No mundo de hoje. A paz deve brotar de uma confiança mútua. Essa é nossa responsabilid ade. ao adotar uma abordagem flexível e maleável diante da vida. pode mos manter nossa serenidade mesmo nas condições mais inquietas e turbulentas. Sem o cultivo de uma mente maleável nosso enfoque torna-se frágil. A medida que fui conhecendo melhor o Dalai-Lama. não a mera ausência da violência ou ausência de guerras. seja como for. e u ficava atônito com a extensão da sua flexibilidade. No entanto. A verdadeira paz.tica energia da paz. fa zendo uma pequena contribuição da forma que nos for possível. da sua capacidade de adotar um a variedade de pontos de vista. por um lado deveríamos e star trabalhando no sentido de desenvolver a paz interior. no sentido inverso. nos ajuda a lidar com nossos problemas a partir de uma variedade de perspectivas e. E. inesperadas e às vezes violentas.perguntei-lhe. creio que é chegada a hora de calcular um meio para nos livrarmos dessas armas.com. as espécies que foram mais fl exíveis. É através dos nossos esforços por alcançar uma mente flexível que podemos propiciar a capacidade de recuperação do espírito humano." A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO FLEXÍVEL Existe um relacionamento recíproco entre um a mente flexível e a capacidade de mudar de perspectiva. mais adaptáveis a rnudanças ambientais. com o pensamento por demais estreito? . mas ao mesmo tempo é mu ito importante que nos esforcemos pelo desarmamento e pela paz exterior também.

ele ponderou por um instante antes de responder em tom deci dido. absorvendo passivamente cada idéia à qual sejamo s expostos.Hum. Um siste ma de valores que possa nos ajudar a decidir quais objetivos são realmente dignos dos nossos esforços e quais são desprovidos de significado. E eu vejo a razão para aquilo que a pessoa diz e concordo com ela. acho que não. 3) Outros seres humanos. Mas então aparece outra pessoa com o pon to de vista contrário. mudando nossa identidade. é exatamente o (contrário. Não. que nos permite maior liber dade e flexibilidade para lidar com a enorme sucessão de problemas que nos confron tam diariamente. Uma crença no valor da compaixão. Às vezes sou criticado por isso e preciso que me relerrlbrem que estamos co mprometidos com tal e tal conduta e que por enquanto devemos nos ater a esse lad o. Uma noção da sua semelhança com todas as criaturas vivas. O Dalai-Lama possui nitidamente um conjunto de crenças básica s que atuam como um substrato para todos os seus atos: uma crença na bondade laten te de todos os seres humanos. também q uerem ser felizes e não querem sofrer.megacursos. Uma política de benevo lência. Estágios superiores do crescimento e do desenvolvimento dependem de um conjunto de valores fundamentais que possam nos nortear. resulta numa sensação de ligação com todos os seres h umanos e conduz à sua crença básica no valor da compaixão e do altruísmo. . pode ser tremendamente gratificante apenas dedicar algum tempo a refle tir sobre nosso próprio sistema de valores e reduzi-lo a seus princípios fundamentai s. 2) Quero ser feliz e não quero sofrer.m ergulhando em qualquer novo sistema de crenças do qual por acaso estejamos próximos na ocasião. comentando que é ótimo. .. Na realidade. não pretendo sugerir que nos tornemos camaleões . como eu. Realçar o terreno comum que ele compartilha c om os outros. O Dalai-Lama parece ter conseguido esse feito.com. eu também vejo a razão para o que está dizendo e concordo também co m ela.em mente.Ele deu uma forte risada. É a capacidade de reduzir nosso sistema de valores aos seus elementos mais esse nciais. Na realidade.. Um A ARTE DA FELICIDAD E não A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO sistema de valores que possa conferir continuidade e coerência às nossas vidas.. Usando a mesma a bordagem. A partir dessa declaração isolada seria possível ter a impressão de que o DalaiLama é i ndeciso.. em vez das diferenças. começando p or reduzir seu sistema de crenças a alguns fatos fundamentais: 1) Sou um ser human o. A PROCURA DO EQUILÍBRIO Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Às vezes sou tão flexível e sou acusado de náo ter coerência política. Ao falar da importância de ser flexível. A questão é descobrir como p odemos manter com coerência e firmeza esse conjunto de valores latentes e ainda as sim permanecer flexíveis. .br 116 . Alguém pode vir a mim e apresentar uma certa idéia. pelo qual possamos avaliar nossas experiências. nada poderia estar mai s afastado da verdade. maleável e adaptável. e viver de acordo com essa posição privilegiada. que não possui princípios norteadores.

Uma abordagem hábil e equilibrada diante da vida com o cuidado de e vitar exageros. F importante em todos os aspectos da vida. se nos flagramos sendo arro gantes. Nessas circunstâncias. Por exerr~_ plo.megacursos. fornecer uma fonte sando que não conseguimos fazer nada. é em certo sentido semelhante a ~ um estabilizador dle de chegar ao outro extremo. o antíd~)to consiste em pensar mais sobre nossos próprios probl. a verdaqadeira prática espi os totalmente arrasados com tudo isso. o excesso dt. numa contemplação dos aspectos insatisfatórios da existência. a dor e temas semelhantes. envaidecidos. Acomodando-se confortavelmente na sua poltrona u" dia de manhã. um excesso ou falta de qualquer coisa pode ter efeitos nocivos. Já. plantar uma muda de uma planta ou de uma árvore. pelo contrário. Por exemplo. sol a destruirá. aplica-se também ao cr escimento saud:~vel mental e emocional. "Essa a bordagem hábil e delicada. poderíamos tual. A falta deles também a destrói. com cuidados pala evitar extremos. . A funçãio do estabilizador c consiste cem impedir ficar to talmente desanimados. Ou aindg quando se trata da saúde de uma pessoa. o Dalai-Lama explicou o valor de se levatt uma vida equilibrada.ia de evitar os extrede elevar nossa mente refletindo sobr e nossas realizações. se descobrirmos que refletir sobre a natureza decepcionante da exi stência. em vez dis so. o que é necessário é um ambiente muito equilibrado no qual a muda possa apresentar um crescimento saudável. e a falta também. apó`ós um instante de re aí também há o flexão "a prática dia Dharmo." da. Isso irá nos ajudar a baixar o nível do nosso estado mental exaltado. . com base nas nossas quá_ lidades ou realizações supostas ou verd adeiras.também passa a ser uma pedra angular para ume elem ento essencial de uma vida feliz: o equilíbrio.~ mento.ruas será que chegar cque chegar mos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.O senhor salienta a importânci-. indefesos e ue não servimos oscilações de enetrgia e.br 117 . seu primeiríssimo estágio. Um excesso de umidade a destruirá. q é importante a capaci dade de energia estávell e constante. Por exemplo.com. para na . ac~.Desenvolver uma abordagem flexível diante da vida só contribui para nos ajudar a lid ar com problemas do dia-a-dia . é preciso ser muito hábil e delicado. torna-se um fator importantíssimo na condução da nossa existência diária. faz com que nos sinta"Em outras palavras" disse ele.I caso. n<~. momento e sobre atalhei . trazendo-nos mais para o chão. creio que o excesso de proteína é prejudicial. penvoltagem._ mas e sof rimento. sobre o sofriA TRANSIFORMAÇÃO DO SOFFFRIMENTO) A ARTE DA FELICIDn. Nesse >p perigo ddeprimidos. Logo.

por exemplo. ee temos todo direito de q de uma aborlutar para superá-la e para garantitlr nosso conforto físico. mobília.megacursos. porém.br 118 . É. s sempre escolhendo o disposição e esca par daquele estado de espírito do ou desmoralizado. Esse é um ponto o aprendizado fintemais é uma impressão de não ter r ficiente.mplementaç p Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. tremos. ela p .com.~r a extremos não é o sobre o progresso que fizemos até o a odor melhorar a que propor ciona a emoção e o entusi 'siasmo na vida? Se ewioutras qualidades positivas de modo p desanimatarmos todos os extremos na vida. de central ou acadêmico e a i. de felii relevante para que cidade.cre io que você precisa compr~reender a origem opa a "Não se trata apenas de essa a se a plica também base dos extremos de comportameento . Portanto. No entanto. Quando nos dedicamos à piáPor outro lado. a busca exagerada da enfoque coordenado. a negando com uni movimento de caabeça. a própria fundiamentação da busca por fiação e da meditação. ao procurar tina budista.respondeu ele. isso não levariaia apenas a uma exisuilibrado e hábil. é essencial ter um enfoq associe o estudo e o aprendizado às práticas da contemmaior prosperidade. Esse sentimento de insatisfação. pode-se ver a ~po breza como uni tipo de ue damos às várias técnicas e procurar não chegar a exextremo. Ora. que riqueza é outro extremo. . o que é necessário aqui é "caminho do meio". tência insípid a e sem graça? uni um tipo de enfoque muito equilibrado bordagem ser valiosa . um sentip não haja nenhum desequilíbrio entre ão rática. importantíssimo ser muito hábil na aplicação tuário e assim por diante. ara nossa saúde físi ca e emocional. Também sob esse aspecto precisamos da gem hábil e equilibrada. wes tradição budista inclui muitas técnicas e práticas t es. é uma sensação de satisfação. Em caso mento de insa tisfação.Tomemos por nosso desenvolvimento espiritual ao no diferenexemplo a busca de b ens materiais:: moradia. Nosso objeti vo final. Por u ado. o excesso de luxo.

sem a responsabilidade adequada." . assentindo com a cabeça. se nos dedicarmos à p esca excessiva. como a violência sexual e o incesto.O sen hor mencionou que. po de haver outros fatores que levem a extremos. de repente continuou. se o comportamento sexual for levado a extremos.Creio que a mentalidade estreita poderia ser mais um fator que leva a extremos.. o resultado será o esgotamento da população de peixes. com a a nálise dessas situações. E isso gera problemas. poderíamos usar a instrução e o conhecimento para ampliar nossa perspectiva e tornar nossos pontos de vista menos estreitos. Por exempl o. Olhando de relance para elas..A pesca excessiva que le va ao esgotamento da população de peixes seria um exemplo de mentalidade estreita. essa atitude pode de fato ser prejudicial. Por outro te que os objetos que buscamos exerce riam sobre nosso zadoo sufoque as práticas mais contelado. . sim.. embora chegar a extremos possa parecer atraente ou 'empolgante' em ter mos superficiais. sem uma noção de responsabilidade. um excesso de ênfase na i mplementação prática sem desejo. Há muitos exemplos do s perigos de chegar a extremos. E. o Tibete foi uma nação budista durante Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.. O Dalai-Lama apanhou suas contas de oração de uma mesa later al. há o perigo de que um excesso de intelectualiquerer sempre mais e mais.disse ele.Creio que sob muitos aspectos as atitudes tacanhas levam ao pensamento radical.contrário. el e leva a muitos problemas. . conseguiremos ver que a conseqüência das atitudes extremas é que n mesmos acabamos sofrendo. sem dúvida .Pode dar um e xemplo? .br 119 .. o estudo ac aba sufocando o entendimento. Por isso. pode haver outros fatores que lev em a extremos.com. Por exemplo. Mas eu considero importante reconh ecer que. e ignorando a realidade maior. do nosscp estado mental. esfregando-as entre as mãos enquanto ruminava em silêncio sobre a questão.? . Ou o comportamento sexual. Creio que. Nesse caso. bem como a satisfação que se obtém com a atjvidade sexual.. não deriva da atração ineren mpcativas.A mentalidade estreita em que sentido. numa escala planetária.. além de uma sensação de insatisfação. É claro que existe o impulso sexual biológico pela reprodução e tu do o mais. n o sentido de que a pessoa está olhando exclusiva222 A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO ment e para o curto prazo.. naturalmente. No entanto. mas deriva. do comportamento desenfreado. é pie"É por isso que acredito que nossa tendên cia a chegar a extremos é muitas vezes nutri<Ja por um sentimento Ia ciso que haja um equilíbrio 2?I 220 A ARTE DA FELICIDADE tente de insatisfação. . abusos.É. sem uma consideração adequada pelas conseqüências a longo prazo. .

Todos podemos nos sentar à mesma mesa e pe223 A AF. isso não seria viável. Mesmo que tentássemos tornar o mundo inteiro budista. Podemos comer p ratos diferentes. disso resultou que os tibetanos consideravam ser o b udismo a melhor religião. acreditamos que isso seja bom! Passa a ser como ir a um restaurante. podemos muitas vezes superar o tip o de pensamento radical qlie leva a conseqüências tão negativas. de início surge uma sensação positiva.com. agradável. tivemos a oportunidade de entrarem contato com outras tradições religiosas e de aprender sobre elas. um psiquiatra judeu pr eso pelos nazistas V na Segunda Guerra Mundial. Por meio de um contato mais próximo com outras tradições. o Í 1 11 Capítulo 11 1)alal-Lama deixou que as contas se enrolassem no pulse. afago u minha mão num gesto amável e se levantou para encerrar a conversa. Mas agora que deixamos o Tibete. E esse tipo de pensamento extremo somente caus a problemas. quando deparamos com outra religião . além de ter surgido a tendência a acreditar que seria positi vo se toda a humanidade passasse a ser budista. desde que e enquanto cons iga ver no sofrimento um significado. percebemos os aspectos positivos delas. Com uma observação minuciosa de quem sobrevivia e quem mo rria. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Se aquela pessoa considera uma tradição diferente mais adequada. Naturalmente.megacursos. ao ampliar deliberadamente nossas perspectivas. Isso possibilitou que nos aproximássemos mais da realidade: com a percepção de que na humanidade existe m muitas disposições mentais diferentes. A idéia de que todo o mundo deveri a ser budista é totalmente radical.nkl. mais eficaz. ele estabeleceu que a sobrevivência não se baseava na juventude ou na força física .TE D A FELICIDADE dir pratos diferentes cle acordo com nosso paladar. 224 A DESCOBERT A DO SIGNIFICADO NA DOR E NO SOFRIMENTO ~ Tictor Fra.br 120 . disse uma vez: "O homem está pront o para suportar qualquer sofrimento e disposto a isso. Agora." Frankl usou sua vivência brutal e desumana nos campos de concentração para obter uma compreensão mais profunda de como as pessoas sobreviviam às atrocidades. senl nenhuma discussão a respeito disso! "Por isso creio qae.muitos séculos." Com esse pensamento.

Nos modelos budista e hinduísta. o sofrimento pode servir a muitos objetivos. todas as religiões no mundo oferecem estratégias para reagir ao sofrimen to com base em suas crenças fundamentais. procurando desenvolver um a compreensão do seu significado. temos confiança de que ela será compe nsada pelo bem maior que dela resultar. a fim de usufruir dessas vantagens. muito menos um significado positÃvo ou provido de objetivo. nossa fé e confiança nos Seus desígnios possibilitam que toleremos nosso sofriirento com maior facilidade. mas a árvore não tem como lançar raízes n o exato instante em que a tempestade surgir no horizonte. na. como aconselha um sábio hassídico : "Quando um homem sofre. a procura co me226 A rRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO ça com sua tradição religiosa. durante períodos de relativo conforto. E enquanto estamos no meio da nossa dor e sofrimento.br 121 . em que "Tudo o que Deus faz é bem feito". sim. precisamos começar n ossa busca pelo significado quando tudo está correndo bem. Ele Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.com. E é natural considerar nosso sofr imento absurdo e injusto. dor exemp lo. Uma árvore com raízes forte s pode resistir à mais violenta das tempestades. sem senti do e de modo indiscriminado. O desafio inerente a essas tradições está no f ato de. a partir da perspec tiva judaico-cristã. ao contrário do que acontece no parto. Embora religiões diferen es possam ter modos diferentes de entender o significado e o objetivo do sofrime nto humano.megacursos. ele não deveria dizer `Isso é péssimo! Isso é péssimo!' Nada que Deus impõe ao homem é mau. onde começamos nossa procura pelo significado no sofrimento? Para muitas pessoas. O sofrimento com freqüência parece ocorrer aleatoriamente. A vida pode ainda ser dolorosa. aqueles que têm uma grande fé em Deus são amparados por uma crença no propósito maior de Deus para o nosso sofrimento. enquanto nos perguntamos: "Por que eu?" Felizmente. Na tradição judaico-cristã. podemos refletir sobre ele. parece impossível refletir so bre clualquer significado possível que esteja por trás do nosso sofrimento. o sofrimento resulta dos nossos próprios atos negativos no passado e é visto com o um catalisador para a busca da liberação espiritual. m as. é pouco o que se pode fazer além de resistir. descobrir significado no nosso sofrimento não é uma tarefa simples. o unive rso foi criado por um Deus justo e bom. E o tempo e esforço que dedicarmos à busca de signif icado no sofrimento serão largamente recompensados quando golpes nocivos começarem a nos atingir. Mas é aceitável dizer `É amargo! É amargo!' Pois entre os medic mentos existem alguns que são feitos com ervas amargas. sem absolutamente nenhum tipo de significado. Portanto. No entanto.mas. períodos anteriores ou posteriores a vivênci as dramáticas de sofrimento. confiantes. po rém. o bem maior muitas vezes não nos ser revelado Mesmo assim. Nessas o casiões. Durante períodos de tragédia e de crise aguda. muito embora Seus desígnios possam ser às vezes misteriosos e indecifráveis. força derivada de um objetivo e da descoberta de significado na vida e na experiência da pessoa. como diz o Ta lmude. como a dor pela qual a mãe passa ao dar à luz. A IXRTE DA FELICIDADE Encontrar significado no sofrim ento é um método poderoso para nos ajudar a enfrentar situações mesmo nos momentos mais ár duos da nossa vida. toda a nossa energia fica voltada para tentar escapar da situação. No entanto." Logo. e.

terro r. fortalecer e aprofundar a experiência da vida. E o que produziram? O relógio cuco. mas eles produziram Michelangelo. eles têm um amor fraternal. Leonardo da Vinci e o Renascimento. quinhentos anos de demo cracia e paz.Simplesmente não consigo me livrar disso. Martin Luther King.a Deus como nos so refúgio. e fiquei alarmado ao vê-lo tão desanimada ." Para ilus trar esse efeito humanizador do sofrimento. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Robert era o principal executivo de um a empresa de muito sucesso. assassinato e sangue derramado. e lhe perguntei cor no estava o marido. Na Suíça.relatou Robert. para nos tornar fortes.br 122 . sob o domínio dos Bórgia. Eu não sabia <equer que era possível alguém se sentir tão arrasado.Nunca me senti tão mal em toda a minha xida . ocorA TRAIVSFORMAÇÀO DO SOFRIM. eu o encaminhei a um colega para tratamento da depre ssão. Eu sempre havia Conhecido Robert como um modelo de segurança e entusiasmo. Há alguns anos.NTO re-me o que aconteceu com Robert um conhecido. o autor Graham Greene observ a: "Na Itália. ele também pode nos desafiar e às vezes até fazer surgir o que há de melhor em nós.: "O que não me destrói me torna mais forte. ou pode soltar no ssos vínculos com o mundo material e fazer com que nos a. Jr.garremos . Em O terceiro homem. houve guerras. Apesar da total sensação de desagrado. Embora a tradição religiosa da pessoa possa oferecer uma assistência valiosa para a descoberta do significado. Algumas semanas depois. ." E. pode nos aproximar de Deus de um modo muito 227 A ARTE DA FELICIDADE 1 li: fundamental e íntimo. Nós nos encontramos um dia. de nos tornar ma is sensíveis e benévolos. A vulnerabilidade que experimentamos no meio do nosso sofr imento pode nos abrir além de aprofundar nosso vínculo com os outros.pode testar e potencialmente fortalecer nossa fé. após cuidadosa reflexão. em outras ocasiões seu valor pode estar no funcionamento oposto no sentido de nos abrandar. Karen . . O poeta Willia m Wordsworth afirmou uma vez: "Uma profunda aflição humanizou minha alma.com. ao longo de trinta anos.megacursos. encontrar significado e valor por trás do se u sofrimento. Disse uma ve z o dr. resta pouca dúvida de que nosso s ofrimento pode testar." Embora às vezes o sofrimento poss a servir para nos fortalecer. encontrei-me Sor acaso com a mulher de Robert. embo ra seja natural evitar o sofrimento. ele sofreu um sério r-vés fifianeeiro que detonou uma grave depressão de proporçòes paralisantes. desamparado e descontrolado. quan do ele estava nas profundezas da depressão.Depois de conversar urr pou co sobre suas dificuldades. mesmo aqueles que não aceitam uma visão de mundo religiosa podem. com muita angústia na voz.

quando adoecemos. r-nas ele está se sentindo muito melhor agor a. dor ou sofriment o.Fico feliz de ouvir isso. ele começou a chorar d. como lor exemplo seguir a dieta adequada ou seja lá o que for.megacursos. Acabei abraçando-o durante horas enquanto ele chorava. adoece mos e praticamos essa técnica dizendo: `Que mima doença sirva como um substituto par a outros que estejam sofrendo de doenças semelhantes'. fortuna e assim por diante.1 esconA ARTE DA FELICIDADE troladamente.. Uma noite. Em busca de métodos para fazer com que nosso sofrimento pessoal possa adquirir si gnificado. a ssim. saúde.Sabe. Assim. de algum modo as coisas estão d iferentes. que eu possa poupar todos os outros seres sencientes que possa m ter de suportar A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO um sofrimento semelhante. Karen hesitou por um instante antes de me fazer uma confidência. Ao passar por isso. darei instruções sobre essa prática em d etalhes. O psiqu~. quando sofremos doenças. Mas... nosso sol-i~ mento como oportunidade para a prática de assumir pxa nós mesmos o sofrimento dos outros. nós nos voltamos mais uma vez para o Dalai-Lama. é importante não ignorar a ne cessidade de tomar os medicamentos corretos e seguir todos os outros procediment os convencionais. Quando liamos com enfermid ades. usando-o como uma oportunidade para a prática de Tong-Len. . detestei vê-lo passar por aqu ela depressãP.atra qlie você recomendou receitou um antide pressivo que está Ajudando muito. Se. e em troca lhe damos todos os nossos recursos. práticas ta is como TongLen podem fazer uma diferença significativa em como reagimos à situação da d oença Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. eu salientaria um ponto. todas as medidas de precaução. Portanto. acho que foi uma bênção.. de certo modo." Usamos. durante uma crise depressiva. ao seguir essa prática. em primeiro lugar. Parece que alguma coisa simplesmente se abriu. Trata-se de um a técnica de visualização maaiana na qual visualizamos mentalmente que estamos assumin do a dor e o sofrimento do outro. "Aqui.. É claro que ainda vai levar um tempo até :nós resolver mos todos os problemas com a empresa. podemos usar isso como uma oportunidade para o seguinte pensamento: "Que meu sofrimento seja um substituto para o sofrimento de todos os seres sencientes..br 123 .com. .Está muito melhor. Não co nseguia parar. é importaste adotar medidas preventivas para que não sejamo s atingidos por elas. podemos utilizar nosso sofrimento pessoal de modo formal para aprimorar nossa compaixão.-. não estou sug erindo com i. e para ser franca nunca me senti tão unida a ele na minh a vida. O fato de que ele compartilhou seu problema e de que atravessamos tud o juntos de algum modo mudou nosso relacionamento. obrigada. . por exemplo. se visualizarmos qae estamo s assumindo sua doença e seu sofrimento e lhes transmitindo nossa saúde. Em vinte e três anos de casamento. E. "No entanto. nos deixou muito mais unidos. e tudo vai dgr certo para nós. essa foi a primeira vez que aco nteceu algo semelhante. Mais tarde. que ilustrou como o so frimento pode ser aproveitado no contexto do caminho budista. uma vez que estejamos de fato enfermes. até ele finalm ente adormecer.o que devamos ignorar nossa própria saúde. apesar de a depressão estar melhor agora..Na prática budista . e aquela sensação de união persiste.

. do sofrimento eda dor psicológica desnecessária que se somam ao aspe-to 231 A ARTE DA FELICIDADE físico. no fundo. . E anteriormente o senhor analisou o fato de que a contemplação intencio nal e antecipada da nossa natureza sofredora pode ser útil para nos impedir de ser arrasados quando surgirem situações difíceis. Podemos pens ar: `Ao passar por essa dor e sofrimento. senti ndo pena de nós mesmo e sendo dominados pela ansiedade e pela preocupação..Existem outros meios pelos quais nosso sofrimento possa ser vi sto como algo com algum sentido? Ou a contemplação do nosso sofrimento possa pelo me nos demonstrar ter algum valor prático? .~m termos da nossa atitude mental. "Seja como for". o sentimento da presunção. .O senhor menciona que o sofrimento pode ser usado na prática de Tong-Len. A prtica da meditação Tong-Len ou de `dar e receber' pode Cão ter sucesso nece ssariamente no alívio da dor física real:3u em conduzir a uma cura em termos físicos.respondeu ele.. E ainda.concordo u o Dalai-Lama. . "para mim há um aspecto da nossa vivência do sofrimento que é de importância vital. . também é possível que..Cre io ter mencionado anteriormente que.. dentro da estrutura do caminho budista.br 124 . Ela pode perceber a situação como uma es pécie de oportunidade e. a reflexão sobre o sofrimento pode reduzir a a rrogância. Q uando se tem consciência Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.ele deu uma forte risada ." . que eu possa ajudar outras pessoas e p oupar outros que possam ter de passar pela mesma experiência.Existem. E isso aumenta nosso entusiasmo pelo envolvimento nos atos e feitos salut ares que conduzem à felicidade e à alegria. no sentido de desenvolver uma maior a ceitação do sofrimento como uma parte natural da vida.E para os não-budistas o senhor vê algum b enefício na reflexão sobre o sofrimento? . Por exemplo. Iodemos com efeito nos poupar esse sofrimento e dor mental a mais através da adoção da atitude ac ertada. sem dúvida .É bem verdade. já em tom mais séri o. mas o que ela pode fazer é nos proteger da angústia. já que essa experiência específica a tornou mais rica. em vez de se sentirem melancólicos e entristecidos pela experiênci a. nosso sofrimento adquire um novo significado já que é usado como base para uma prática relig iosa ou espiritual.. desenvolvemos uma determinação maior de dar um fim às caus as do sofrimento e aos atos A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO pouco salutares que levam a ele. Em vez de nos queixarmos da nossa situação. É claro .' Dessa forma.com.que isso pode não parecer um benefício prático ou um motivo convincente para alguém que não considere a arrogância ou o orgulho um defeito.Vejo. quando nos conscientizamos da natureza do sofrimento. acrescentou. sentir alegria. . a r eflexão sobre o sofrimento tem enorme importância porque.megacursos. a pessoa possa encará-la como um privilégio. Acho que ela pode ter algum valor p rático em algumas situações. no caso de alguns indivíduos que praticam essa técnica.

da dor e do sofrimento. Sem a proteção da dor.dos ferimentos repetidos. quando tudo está relativamente estável e indo bem. Ele acabou trabalhando com hansenianos na índia e fez uma descobe rta extraordinária. porém. isso nos ajuda a desenvolver a capacidade para a empada. de renom e mundial. "se encaramos o sofrimento dessas formas." A ARTE DA FELICIDADE COMO LI DAR COM A DOR FÍSICA Por meio da reflexão sobre o sofrimento durante os momentos mai s tranqüilos da nossa vida. estava cercado de pessoas que viviam em condições de extrema dificuldade e sof rimento. uma d iferença entre a dor física. onde. Isso promove nossa capacidade para a compreensão diante dos o utros. o dr. que é nossa re sposta mental e emocional à dor. Brand observ ava pacientes que andavam ou até corriam com membros com a pele ferida ou até mesmo com ossos expostos. o dr. portanto. Ao perceber que a dor física parecia ser prevista e tolerada muito mais d o que no Ocidente. Paul Brand analisa o objetivo e o v alor da dor física. Brand passou a se interessar pelo funcionamento da dor no corpo humano. mas c omo um sistema biológico notável. Brand relatou histórias e m ais histórias dos efeitos devastadores da vida sem a sensação de dor . totalmente desprovidos de qualidades redentoras. podemos enfrentar tipos de sofrimento que parecem não ter nenhuma f inalidade. Brand. a questão: será que a descobert a de um significado e um propósito subjacente à nossa dor pode modificar nossa atitu de diante dela? E será que uma mudança de atitude pode reduzir a intensidade do noss o sofrimento quando sofremos lesões físicas? Em seu livro. como uma técnica para nos auxiliar a criar laços com os outros. Isso produzia uma deterioração contínua. Brand aos poucos veio a encarar a dor não como o inimigo universal que ela é considerada no Ocidente. pode-se considerar que ela tenha valor. o dr. Então. Desse modo. que é um processo fisiológico. Sem a dor. entretanto. nossa atitude pode começar a mudar.br 125 . Levanta-se. nosso sofrimento pode não ser tão imprestável e negativo quanto pensamos. Existe. os hansenianos careciam de um sistema que os avisasse de danos aos tecidos.megacursos. e o sofrimento. Descobriu que os estragos e as terA TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO ríve is mutilações não se deviam à atuação direta do organismo causador da doença que provocaria apodrecimento dos tecidos. passou seus primeiros anos de vida na índia. "Portanto".com. como filho de missio nários. podemos muitas vezes descobrir um valor e significado mais profundo no nosso sofrimento . No seu livro. especialista em hanseníase e cirurgião de mão. Ele percebeu nos pacientes um t otal descaso diante da autodestruição. O dr. O sofrimento e a dor física muitas vezes parecem pertencer a essa categoria. a capacidade que permite que nos relacionemos com os sentimentos e o sofrimento das outras pessoas. de casos de ratos roendo dedos das mãos e dos pés enquanto o paciente dor mia tranqüilamente. mas que tudo se devia ao fato de a doença causar a perd a da sensação de dor nas extremidades. preciso e sofisticado que nos dá avisos sobre danos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Às vezes. Pain: The Gift Nobody Wan ts [A dor: o presente que ninguém quer]. Depois de uma vida inteira de trabalho com pacientes que senti am dor e com aqueles que sofriam da ausência da dor. o dr. eles às vezes en fiavam a mão no fogo para tirar dali algum objeto. concluiu o Dalai-Lama. o dr.

com. por meio da conscient ização cbs motivos pelos quais nós a sentimos e da dedicação d. Para el_ podemos nos prep arar para a dor antecipadamente.megacursos. No entanto como a dor aguda pode arrasar com a obje tividade. Milhões Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. tempo para refletir sobre como seria a vida sem a dor. que considerava sua atividade a fonte primordial de alegria na vida. Podemos não ser gratos pila experiência da dor. Digamos. que dois indivíduos. por exemplo. Embora a intensidade da dor física possa ser a mesma para os dois indivíduos. El a também grava a experiência na memória e sc--ve para nos proteger no futuro. é a sensação desagradável tue desperta o corpo inteiro e o obriga a prestar atenção e agir. A dor começa com um sinal sensorial . nossa atitude a respeito da dor começará a mudar. Se con seguirmos começar a pensar na dor como unia "mensagem que nosso corpo nos está trans mitindo sobre um tema que é de vital importância para nós. Da mesma forma que descobrir significado ro nosso sofrimento pode nos ajudar a lidar com os probhmas da vida. E à medida que nossá atitude a respeito da dor mude. é o que a torna tão eficaz para nos proteger e nos avisar do perigo e de lesões. da fora mais eficaz para at rair nossa atenção". Não há dú idas de que nossa atitude e disposição mental podem exercer forte influência sobre o g rau até o qual A TRANSFORMAÇÀO DO SOFRIMENTO sofremos quando estamos expostos à dor física . Ele acre dita que podemos até mesmo desenvolver gratidão diante da dor.um alarme que dispara quando terminais nervo sos são estimulados por algo que produz a sensação de perigo. "estou convencido de que ~ atitude que cultivamos antecipadamente pode muito bem determinar como o sofrimento nos afetará quando de fato nos atingir". Pesquisadores que investigaram ess a questão começaram por detectar os modos pelos quais a dor é percebida e vivenciada. No entanto.ao nosso corpo e assim nos protege.br 126 . ao passo que a mesma lesão poderia provocar grande sofrime nto ao pianista. nosso sofrimento dimimlirá. enquanto estamos saudáveis. o dr. A qualidade desagradável da dor força o organismo humano inteiro a dar atenção ao proble ma. o operário poderia sofrer muito pouco e no fund o se alegrar se o ferimento resultasse num mês de férias remuneradas das quais ele e stava mesmo precisando. Embora o corpo tenha movimentos de reflexo automático que formam uma camada de proteção exterior e que nos afastam 235 A ARTE DA FELICIDADE rapidamente da dor. devemos refletir sobre esses assuntos antes que ela nos atinja. Tendo em vista e ssa teria. mas podemos ser gratos pelo sistema de percepção da dor. por que a experiência da dor preci sa ser tão desagradável? Ele concluiu que o próprio incômodo da dor. como essa. A idéia de que nossa atitude mental influencia nossa capacidade de perceber e suportar a dor não está limitada a situações hipotéticas. Bran d. Ela foi demonstrada por muitos estudos e experimentos científicos. ele propõe o conceito do "seguro para a dor". a parte que detesta mos. Brand é da opinião de que uma comlreensão do objetivo da d or física pode reduzir nosso sorimento quando a dor se manifesta. sofram a mesma lesão a um dedo. um operário da construção civil e um pianis ta clássico. Como afirma o dr.

precisamos traçar uma distinção crucial entre a dor da dor e a dor que criamos através dos nossos pensamentos sobre a dor. por exempl quando suas patas eram espetadas com um alfinete. O cérebro então examina as mensagens previamente filtradas e decide qual reação tomar. tais como medicamentos e outros procedimento s. as funções superiores do cérebro podem suplantar os sinais emitidos pelos estágios inferiores no trajeto da dor. Muitos pesquisadores estudaram o papel da mente na percepção da do r. em muitos casos. e intensificar ou modific ar nossa percepção dela. também demonstraram que. a solidão e o desamparo são todos eles reaA ARTE DA FELICIDADE çòes emocionais que podem intensificar a dor. "É cla ro que eu vejo minhas mãos e meus gés. era aprendida em vez de ser instintiva. Isso demonstra como a mente pode muit as vezes determinar de que modo percebemos a dor. da Harvard 238 A TRANSFORMAÇÃO DO SOFRIMENTO Medicai School (mais tarde ratificadas num estudo da dra. Fica aparente. Ele cita muitos relatos de pacientes de hanseníase qu'e alegavam. É nesse es tágio que a mente pode atribuir valor e significado à dor. e uma mensagem de dor segue para áreas superiores do cérebro. que observaram a existência de diferenças significativas entre grupos étnicos diferentes quanto à sua capacidade de perceber e suportar a dor.com.). Maryann Bates et al. Ele criou filhotes de terrier escocês nu m ambiente acolchoado no qual eles não enfrentariam as colisões e arranhões normais no crescimento. Outras experiências com ser es humanos. Esses cães não aprenderam reações básicas à dor. Nós convertemos a dor em sofrimento na mente. mas de algum modo eles não Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. por meio da associ ação de um choque elétrico a um prêmio em alimento. e ajuda a explicar as interess antes conclusões de pesquisadores como os drs. modificando nossa atitude e n ossa perspectiva. que a afirmação de que nossa atitude a re speito da dor pode influenciar a intensidade d o nosso sofrimento não está baseada s implesmente em especulaçôes filosóficas. Esses sinais são classificados. ao desenvolver uma abordagem para lidar com a dor . Me lzak concluiu que grande parte daquilo que chamamos de dor. mas podemos também trabalhar nos níveis superiores. E se sso estudo do significado e valor da dor resultar numa mudança de atitude com relação a ela.de sinais são transmitidos pela medula espinhal até a base do cérebro. Pavlov chegou a treinar cães para superar o instinto da dor. a raiva. recorrendo a ferramentas da medicina moderna.megacursos. que envolveram a hipnose e o uso de placebos. Para reduzir o sofrimento da dor. O medo. Richard Sternback e Bernard Tursky. Portanto. O pesquisador Ronald Melzak levou um passo adiante os experimentos de Pavlov. Com base em experiências como essas. Biari11l tece mais uma observação fascinante e de impor tância crítica. a culpa. portanto. mas é corroborada por comprovação científica. Ao procurar Je-S~cobrir um propósito subjacente à nossa dor. nd'o teremos desperdiçado nossos esforços. podemos naturalmente trabalhar nos níveis inferiores da percepção da dor. o dr. aí incluída a desagradável reação emocional.br 127 . ao contrário dos irmãos da mesma n inhada que ganiam de dor quando espetados. Eles não reagiam.

entre esse grupo de sofredores e essa representação egoísta de nós mesmos.ïGííiSem a sensação da dor nas nossas m pés. visualizemos a cada um de nós no centro. indiferente ao bem-estar e às necessidades dos outros. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. dificuldade e dor. podemos recorrer a essa prática para promover nossa compaixão visualizando o alívio a outros que estejam passando por sofrimento semelhante. os que estão num lamentável estado de sofrimento. Da mesma forma que a dor física unifica nossa se15a ção de ter um corpo. os que vivem em condições de miséria. como um observador neutro. à aias isso antes. Em seguida. Quando submetidos a qualquer forma de sofrimento ou agrura. em Tucson. com uma atitude habitual d e egoísmo.com. Talvez esse seja o significado mí~imo por trás do nosso sofrimento. visualize mos a nós mesmos como a encarnação de uma pessoa egocêntrica. la também pode ser vista como uma poderosa ferramenta para ajudar a transmutar nos so próprio sofrimento pessoal." Portanto. 240 A TRANSFORMAÇAO DO SOFRIME NTO "Para iniciar o exercício. a do'r não só nos avisa e nos protege. podemos imaginar que a experiêiCia do s ofrimento em geral atue como uma força unificacora que nos liga aos outros. É nosso sofrimento I2W é o elemento mais fundamental que compartilhamos (olrl os outros.Nesta tarde. criando um nível geral de desconforto que era especialmente apropriado para a prática de uma meditação sobre o sofrimento. Então. Visualizemos mentalmente esse grupo de pessoas de um lado de nós. ao promover nossa cora gem para nos abrirmos para o sofrimento dos outros.parecem fazer parte de ni~ É como se fossem apenas ferramentas. No entanto. o objetivo dessa meditação de visualização é o de fortalecer nossa compaixão. Alcança-se esse resultado porque a meditação Tong-Len ajuda a co mbater nosso egoísmo. essas ortes parecem não mais pertencer ao nosso corpo. "Dar e Receber ". no outro lado. ela também nos uni. Ela aumenta o poder e a força da mente. Concluímos nosso exame do sofrimento humano con ~ `' i nstruções do Dalai-Lama sobre a prática de TozzgLezt. através da absorção e dissolução do seu sofrimento no nosso próprio .megacursos. Os aparelhos de arcondicionado do auditório. A te mperatura no recinto começou a subir. primeiro visualizemos de um lado um grupo de pessoa s que esteja em desesperada necessidade de ajuda. vamos meditar sobre a prática de TongLen. e tudo é muito A ARTE DA FELICIDADE fez referência em nossa conversa anterior. cada vez mais altas.uma espécie de sofrimento por tabela. A prática d e Tong-Len .br 128 . O Dalai-Lama apresentou as seguintes instruções diante de uma numerosa platéia numa tard e de setembro particularmente quente. Como ele irá explicar. a cabaram derrotados pelo calor adicional gerado por mil e seiscentos corpos. o fator que caos une a todos os seres vivos.. Essa prática destina-se a ajudar a treinar a mente. a fortalecer o poder natura l e a força da compaixão. em luta com as temperaturas do deserto lá fora.

seus problemas e todos os se us aspectos negativos. d e armas perigosas ou de animais apavorantes: tudo cuja mera visão normalmente nos faça estremecer. e. assumamos todo o sofrimento da pobreza. nosso dinheir o e sucesso a essa criança. pod emos então ampliar o processo de modo a incluir a aceitação da carga de sofrimento dos outros. Temos mais te ndência para o lado do indivíduo sozinho.megacursos. em pensamento. com uma atitude de compaixão. Voltemos nos sa energia positiva para elas. Nem conhecemos aquela pessoa. Então. Vamos em pensamento dar-lhes nossos sucessos. podemos visualizar uma criança inocente e fam inta da Somália e sentir qual seria nossa reação natural diante dessa visão. Porém. visualizemos que es tamos aceitando sobre nossos ombros seu sofrimento. às vezes é útil co meçar imaginando nosso próprio sofrimento futuro e. "O obje tivo de visualizar essas formas negativas e ~ssustadoras sendo dissolsidas e inc orporadas ao nosso cY ração consiste em destrúr as costumeiras atitudes egoíst~ que ali residem. "Por exemplo. através da prática dessa visualização do 'dar e receber '. A TRANSFORMXÇÃO DO SOFRIMENTO o sofrimento co m essas brmas e depois absorvamos ess's formas diretamente no rosso coração. da inanição e do sentimento de privação. com a raiva de à mesmo Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Assim. passemos nossos recursos. "Quando fazemos a Visualização de `assumir nos nossos ombros'. "Quando nos envolvemos nessa prática. Nesse exemp lo. com o ódio a si mesmo. ele não se baseia em considerações tais como o parent esco ou a amizade. com o sincero desejo de nos livrarmos de todo sofrimento futuro. assu mir nosso próprio sofrimento futuro sobre nossos ombros neste exato momento. portanto. em pensamento. Depois de ganhar alg uma prática na geração de um estado mental cheio de compaixão voltado para nós mesmos. a encarnação do egoísmo? Ou nossos sentimentos n aturais de empatia vão mais para o grupo de pessoas mais fracas que passam necessi dade? Se olharmos com objetividade. podemos visualizar algo dessa natureza e pensar que aquela criança não tem nenhuma condição própria que lhe possibilite livrar-se do seu estado atual de dificuldade ou tormento. "Depois disso. Visualizemos. concentremos nossa atenção nas pessoas carentes e desesperadas.com. nos sos recursos. Assim . para aqueles indivíduos que pcs' sam ter problemas coma auto-imagem. E depois de fazer isso."Em seguida. quando viven2 A ARTE DA FELICIDADE ciamos um profundo sentimento de empatia pelo sofrimento daquele indivíduo. podemos treinar nossa mente. problemas e dificuldades na forma de substâncias venenosas.br 129 . é útil visualiza r esses sofrimentos. No entanto o fato de que a outr a pessoa é um ser humano e de que nós mesmos somos seres humanos propicia o desperta r da nossa capacidade natural para a empatia e permite que estendamos a mão. observemos para que lado nos inclinamos naturalmente. nossa coleção de virtudes. podemos ver que o bem-estar de um grupo ou d e um grande número de indivíduos é mais importante do que o de um único indivíduo.

isso é verdade .ou com um baixo amor' próprio. entretanto. vamos meditar.rlar é adequada ou não.br 130 . não mais importante. ou seja.Bem. Agora. Mais tarde naquela noite. . . Spock em jornada nas e strelas: As necessidades de muitos superam em importância as necessidades de um in dividuo. é importante qxe cada um julgue por si mesnV se essa prática em partic.. Antes de levanta r a questão com o Dalai-Lama. Quando realizamos essa visLu:'lização de modo eficaz. no ponto em que ele concluiu que o grupo de indivíduo s era mais importante do que o indivíduo sozinho.disse eu. porém. mas no dia-a-dia não interagimos com as pessoas en masse. Interagimos com uma pessoa de cada vez.Mas creio que.. Pode ser que não seja. p or que as necessidades daquele indivíduo deveriam suplantar as minhas? Também sou um indivíduo único. Nenhum exeitrcí cio em particul ar agradará ou será adequado a todos. Aa provoca um certo desc onforte Essa é uma indicação de que ela está atingindo seu alVO: a atitude egocêntrica que geralmente temos. ref leti sobre as instruções do Dalai-Lama e percebi que meu sentimento de resistência sur giu desde o início das instruções.. sondei um amigo que estudava o budismo havia muito tempo. Havia. Por ~e zes.U m ponto me incomoda .Afirmar que as necessidades de um grande grupo de pessoas superam em importância aquelas de apenas um indivíduo faz sentido em teo ria. Somos iguais. agradará de início. nesse nível de interação pessoal. .uma prática não no. nós precisamos entendê-la mel hor. Quarta Parte A SUPERAÇAO DE OBSTACULOS Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Nunca mencionei essa questão com o Dalai-Lama. se você conseguisse tentar considerar cada in divíduo como verdadeiramente igual a você mesmo.com. até que ela possa surtir efeito. se imaginarmos o `receber' quando inspirarmos e o `dar' quando expirarm ~. .)s. o axioma de Vulcano proposto pelo sr. Era um conceito que eu tinha ouv ido antes. Descobri q(lue 243 A ARTE DA FELICIDADE eu tinha alguma d ificuldade com essa meditação . creio que seria suficiente começar daí. com uma série de indivíduos." Na conclusão das suas instruções sobre TongLen. o L:)alai-Lama transmitiu uma idéia importante. e. Na nossa viagem espiritual. mas também não menos importante.megacursos. 1 Es se sem dúvida foi meu ciso quando segui as instruções ~ do Dalai-Lama sobre Tonglen naquela tarde. é importante que cad a um de rV5s decida se uma prática específica nos é apropriada. "Essa prática de Torg-Len pode tornar-se muito poc-erosa se combinarmos o'dar e receber' com a respiraç~-C ou seja.disse meu amigo depois de pensar um instante. talvez por não querer dar a impressão de só estar "querend o levar vantagem". Ora.uma certa sensação de resistência muito embora eu não conse uisse identificá-la com exatidão naquele momento.. uma dificuldade com esse argumento.

por exemplo. a educação. Logo. Crei o. esse aprendizado por si só costuma não ser suficiente.Capítulo 12 A REALIZAÇÃO DE MUDANÇAS O PROCESSO DA MUDANÇA -Examinamos a possibilidade de alcançar a felicidade por meio do esforço para eliminar nossos comportamentos e esta dos mentais negativos. Precisamos de educação. que a informação e a educação do público a respeito dos efeitos nocivos do fumo modificaram o comportamento das pessoas.. é preciso exercer o esforço de estabelecer nov os padrões de comportamento. esse sentido de seriedade e compromisso surg irá. uma noção de grave importância é um fator preponderante. com freqüência. É desse modo que a mudança e a transformação interiores ocorr em em todas as coisas. precisamos começar com o desen volvimento de um forte desejo ou disposição. não importa o que estejamos tentando realizar. "Ora. Por exemplo. a pessoa transforma a determinação e m ação: a forte determinação de mudar possibilita que a pessoa faça um esforço sistemático a implementar as mudanças efetivas.. Essa noção de seriedade é um mento poderoso para nos ajudar a superar problemas. o aprendizado é apenas o primeiro passo. se estamos tentando parar de fumar. E a qui. em virtude da disponibilidade de informações. "Desse modo.com. primeiro precisamo s nos conscientizar de que o fumo é prejudicial ao corpo. Há outros fatores também: a convicção. A AR TE DA FELICIDADE . o conhecimento sobre os terríveis efeitos da AIDS produziu uma noção dessa natureza que pôs um freio no comportamento sexual de muitas pessoas. o passo seguinte é desenvolver a convicção. uma vez que este jam disponíveis as informações adequadas. superar os comportamentos negativos e fazer mudanças positivas na nossa vida ? . qual seria sua abordagem para de fato realizar isso. a determinaçã a ação e o esforço. Creio que. É preciso aumentar essa conscientização até que ela leve a u a A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS firme convicção quanto aos efeitos nocivos do fumo. Em seguida. Creio ter mencionado anteriormente a importância do aprendizado.megacursos. Mas ao examinar uma abordagem para realizar mudanças positivas dentro de nós mesmos. O aprendizado e a edu ação são importantes porque ajudam a pessoa a desenvolver a convicção da necessidade de mu dar e ajudam a aumentar sua noção de compromisso. Isso reforç nossa determinação de mudar. Precisamos gerar grande entusiasmo. . não importa para que ato ou obje tivo específico estejamos direcionando nossos esforços.br 131 . Essa convicção da necessidade de mudar por sua vez desenvolve a determinação. e como as emoções positivas são benéficas? . não impo rta que comportamento estejamos tentando alterar. Esse fator final de esforço é de importância crítica. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Isso mesmo.O senhor está se referindo a quando conversamos a respeito da i mportância de aprender sobre como as emoções e comportamentos negativos são prejudiciais à nossa busca da felicidade. No entanto.O primeiro passo envolve o aprendizado -respondeu o Dalai-Lama -. Creio que agora nos países do Ocide nte é muito menor o número de pessoas que fumam do que num país comunista como a China . por exemplo. Finalmente. Em geral.perguntei.

a meu ver. . estamos falando em termos muito convencionais. e pode não haver nenhum can saço ou exaustão no esforço para alcançarem seus objetivos. nossa morte. mas também no nível com tário e global.A fim de criar uma noção de segurança e entusiasmo. como ele pode ser significativo. por acredit ar que. Quando estive em 249 A ARTE DA FELICIDADE St. e assim por diante. Ela pode nos dar uma energia tremenda. tão intensa q ue as pessoas podem até se esquecer de que estão com fome. num movimento político. pa ra gerar um sentido de grave importância a fim de nos dedicarmos a práticas espiritu ais. Em outras palavras.. comentou ele. bem corno para induzir um sentido de compromisso a fim de que usemos nosso corpo humano de modo positivo. quando a crise aconteceu. O governador me disse que se preocupou. os bons propósitos para os quais ele pode ser usado. Infelizmente". sempre haverá uma outra vez.megacursos. Elas foram tão solidárias e tão dedicadas ao esforço conjunto para lidar com os problemas da inundação que ele ficou muito impressionado. conheci o governador. relembramos o praticante da nossa impermanência. Portanto. tendo em vista a natureza individualista da sociedade. "Depois.. pode surgir uma enorme noção de gravidade. Quando falamos da impermanência nesse contexto. s omos relembrados de que um dia poderemos não mais estar aqui. Louis. tendo em vista o estereótipo ocidental da atitude asiática de "deix ar como está para ver como fica". Essa conscientização da impermanência é estimulada de modo a Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.responde u o DalaiLama. Se não acontecer agora.Mas então a questão é saber como dese nvolver esse forte sentido de entusiasmo para mudar ou a noção da gravidade no dia-a -dia." Fiquei surpreso ao ouvi-lo falar na importância da noção de premência. não acerca dos aspectos mais sutis do conceito de impermanência. . A crise era tão séria que as pessoas instintivamente uniram força s para reagir a ela. Lá eles pouco antes haviam tido fortes inundações. "A importância da noção de grav de não se aplica apenas à superação de problemas num nível pessoal.perguntei. N o entanto.br 132 . essa noção de grave importância pode ser um fator vital para a efetiva muda nça. Existe alguma abordagem específica do budismo? . quando a inundação ocorreu pela primeira vez. atitude decorrente da crença em muitas vidas. que elas pudessem não se dedicar àquele esforço orquestrado de cooperação. ele ficou pasmo com a reação das pessoas. como nesse caso. se existe uma sensação de desespero. existem diversas técnicas usadas para gerar entusiasmo .com. isso demonstra que . Por exemplo. Falamos sobre quanto potencial se encontra no nosso corpo. por exemplo. precisamos de uma avaliação da noção de gravida de. . E essas discussões estão ali para instilar uma noção de confiança e coragem. encontramos no te xto do Buda uma análise do prez5o A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS cioso valor da existência huma na. Esse tipo de entendi mento. as pessoas não foss em colaborar. com tristeza.Para um pratic ante do budismo. a fim de alcançar objetivos importantes."Portanto. "não costumamos te r essa noção da gravidade dos fatos. os benefícios e vantagens de ter uma forma humana.

Afinal.disse ele.. ode ser preciso que nos lembremos repetidas vezes desses efeitos destrutivos. eu havia passado horas incontáveis a examinar e Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Mas existe também outro tipo de apatia ou preguiça.perguntei. mas eu. . de como para algumas pessoas era d ifícil mudar. O Dalai-Lama parou para pensar.br 133 . mais uma vez eu creio que o método mais eficaz. antes de resp onder.comentou.Mas às vezes.Bem. é a esse tipo que eu estava me referindo. em alguns casos.. depois que os conheci e que eles me explic aram os problemas que estamos enfrentando. Como podemos superar isso? . Se tentarmo s dormir o suficiente. Então tanto faz se eu me divertir a valer hoje!" O senhor tem alguma sugestão de como os não-budistas poderiam desenvolver esse senti do de urgência? . A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS _ para superar esse tipo de ap atia e gerar dedicação e entusiasmo com o objetivo de dominar estados mentais ou com portamentos negativos.. Partindo do pressuposto de que havia complexos fatores psicodinâmicos em jogo. . Uma poderia deri var de alguns fatores biológicos que podem estar contribuindo para a apatia ou fal ta de energia. pensativo. para desenvolver um sentido de urgência com o objetivo de efetuar mudanças positivas. fui inteirado da gravidade da situação.com." . Quando a causa da nossa apatia ou falta de energia se deve a fato res biológicos. . antes de conhecer certos especialistas e estudiosos. na qualidade de psiquiatra . o tipo que deriva simplesmente de uma certa fraqueza da mente.Creio que nesse caso pode haver categorias diferentes.É. I sso também pode valer para outros problemas que enfrentamos. ela nos confira um sentido de urgência. ninguém ga rante que eu vá estar vivo amanhã.Creio que se poderia tomar cuidado na aplicação das várias técnicas a nãobudistas . eu não tinha conhecimento d a crise do meio ambiente. E. nós ainda poderíamos não ter a energia necessária para mudar. quando estiver associada à nossa apreciação do enorme potencial da nossa existência humana. mesmo d ispondo das informações. As palavras do Dalai-Lama pareciam verdadeiras.Essa contemplação da nossa impermanência e morte parece ser uma técnica po derosa .que. talvez seja preciso trabalhar no nosso estilo de vida. No entanto. Ela não poderia ser usada co mo técnica também por não-budistas? . evitar o álcool e assim por diante .observei . com uma risada . seria possível usar a mesma contemplação com o objetivo exata men251 A ARTE DA FELICIDADE te oposto . po demos até mesmo recorrer a medicamentos ou outros tratamentos físicos se a causa tiv er como origem uma enfermidade.megacursos. e talvez a ún ica solução.Talvez essa se aplique mais a práticas budistas. tinha uma percepção aguçada de como alguns modos de pensar e comportamentos negativo s podem se tornar firmemente entrincheirados. como já salientei. atitudes desse tipo ajudarão a manter nossa mente alerta.. é aí que entram a informação e a educação."Ah.para ajudar a motivar a pessoa. seguir uma dieta saudável. de que devemos usar cada instante precioso. é a constante 'scientização dos efeitos destrutivos do comportamenó negativo. Por ex . .

dissecar a resistência dos pacientes à mudança. Através da familiaridade constante. com uma risada. Se alguém dis ser que. creio que podemos dominar qualquer forma de condicionamento negativo e promover mudanças positivas na nossa vida.disse ele. veja só. Ora. no meu próprio caso. podemos deciz53 A A RTE DA FELICIDADE didamente estabelecer novos modelos de comportamento.Usando o desenvolvimento de hábitos em nosso benefício. as coisas mudaram. Portanto. que estamos a costumados a fazer. com despreocupação. a diferença é grande. E então é como se fôssemos mimados. . Creio que foi só qu ando estava com uns dezesseis anos que realmente comecei a sentir alguma serieda de com relação ao budismo. . . Como 0 senhor explicaria por que isso o corre? . Em Dharamsala. Mas às vezes parece simplesmente que há uma espécie de inércia ou resistência. pergunteilhe.As pessoas costumam querer promover mudanças positivas na vida. Comecei a aprender o budismo por volta dos cinco ou seis anos de idade. poderia haver uma tendência a querer mais alguns minutos de sono. comecei a desenvolver uma profunda estima pelos princípios budistas.É porque nós esmente nos habituamos ou nos acostumamos a fazer as coisas de um certo modo. fazendo só aquilo que gostamos de fazer. "Desse modo. é preciso um pouco de esforço para a pesso a se acostumar a isso. FÁCIL? .É muito fácil.No início. esse processo levou mais de quarent a anos. Eis um e xemplo. se eu comparar meu estado mental normal de hoje com o de vinte ou trinta anos atrás.megacursos. dedicar-se a comportamentos mais saudáveis e assim por diante. Se Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. mesmo que fôssemos dormir ta rde. depois de muitos anos de dificuldades. No entanto. apesar de que aqui no Arizona eu esteja acordando às 4h30. cheguei a essa diferença passo a passo. Podemos nos levantar e cumprir as práticas diárias. ao longo de muitos an s.. Com esse problema em mente. mas ainda a cordamos às 3h30 sem ter de prestar uma atenção especial a isso.começou ele a falar. A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS e práticas que a princípio me pareciam extremamente impossíveis e quase anti naturais passaram a ser muito mais naturais e de fácil interação. através do esfo constante..com. Isso ocorreu em deco rrência da familiarização gradativa. E tentei começar a prática a sério. Mas ainda precisamos nos conscientiz ar de que a mudança genuína não acontece do dia para a noite. "Portanto. o desenvolvimento mental demora. creio que. posso levar i sso a sério. eu geralmente acordo e começo meu dia às 3h30. no fundo. Naturalmente... mas depois de alguns meses tudo passa a ser uma rotina fi xa e não é preciso fazer nenhum esforço especial.Mas como podemos superar isso? .br 134 . Isso se deve à força do hábito. Então. por exemplo. . mas naquela época eu não sentia o menor interesse pelos ensinamentos budistas " (deu uma risada) "apesar de ser chamado de reencarnação suprema. Há uma possibilidade maior de que as mudanças sejam genuínas e duradouras. Aqui tenho uma hora a mais para dormi r .

No que diz respeito à minha própria prática espiritual. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. se deparo com algum obstáculo ou problema. . verei 250 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS uma situação internacional na qual sistemas comunistas e totalitários inteiros estão entrando em colapso. Enquanto existir o espaço Enquanto persistirem os seres sencientes Que eu também viva Para dissiparas desgraça s do mundo. havia uma questão que parecia precisar ser sanad a. O senhor nunca se sentiu desanimado pelo ritmo lento do progresso em rel ação à sua prática espiritual ou se sentiu desencorajado em outras áreas da sua vida? . ." . creio que estarei sendo tolo. é fácil que a pessoa perca o estímulo. nessa situação.alguém disser que.. consider o útil tomar distância e adotar a perspectiva de longo prazo A ARTE DA FELICIDADE em vez da de curto prazo. quando reflito sobre os quatorze ou quinze anos de esforços por negociações sem nenhum resultado. reconhecemos que a mudança genuína ocorre devagar e pode demorar muito .perguntei. a situação p arece quase desesperadora. Por exemplo. Entretanto. `enquanto existir o espaço' e assim por diante.com. refletir sobre um poema e specífico me dá coragem e ajuda a sustentar minha determinação. a estar preparado para esperar por eras a fio. No entanto. forçando um pouco mais a questão.ob servei. quando penso nos quase quinze anos de fracasso. . se eu adotar uma perspectiva mais ampla.Si m. houve uma grande t ransformação. sem dúvida. não desisto.Mesmo na situação do Tib ete. Por isso. É claro que.megacursos. creio que encarar a situação a partir de uma perspectiva mais ampla pode decidi damente ser útil. na qual até mesmo na China há um movimento democrático e o moral dos tibetanos continua alto." Embora seja inquestionável que a abordag em do DalaiLama à mudança era razoável. "Porém. se eu encarar a situação dentro do Tibete a partir de u ma perspectiva estreita. Ness e caso.Quando a mudança se processa com tanta lentidão. ao mesm o tempo. na minha opinião. Mas essa sensação de frustração e desanima ao ponto de perder a esperança. no que diz respeito à liberdade do Tibete. o senhor mencionou a necessidade de um alto nível de entusiasmo e determ inação para transformar a mente. digamos dois anos.perguntei.br 135 . considero isso pouco realista. precisamos nos envolver de modo mais imediato ou ativo. uma perspectiva mundial.E como o senhor lida com isso? . surge em mim uma certa impaciência e frustração. a esses versos. a luta pela liberdade. depois de um curto período.Mas o que exatamente o impede de per der a esperança? . para realizar mudanças positivas. .Bem. concentrando minha atenção exclusivamente naquilo.. . se eu recorrer a esse tipo de crença. Nesse sentido.

seria possível supor que e sse princípio se aplicaria igualmente à arte de alcançar a felicidade. se a mera 257 A ARTE DA FELICIDADE formação acadêmica está as sociada a uma vida mais feliz.megacursos. a necessidade de alimento. Cientistas do c omportamento pesquisaram exaustivamente os mecanismos que fazem surgir.br 136 . nosso comportamento e nossos impulsos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Pesquisadores propõem a hipótese de que essa seja uma necessidade inata. Esse passo é também amplamente aceito pela ciência ocidental con temporânea como um importante fator para a realização dos objetivos do indivíduo. dispõem de melhores técnicas para solução de problemas e de estratégias ais eficazes . não o extraordinário talento natural. indispensável A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS para o a madurecimento. Muitas motivações secundárias estão relacionadas a necessidades adquiridas de sucesso. em vez de práticas espirituais mais transcend entais ou místicas. o desenvolvimento e o funcionamento adequado do sistema nervoso. Descobriu que a garra e a determinação.Levando-se em conta a vasta base e formação do DalaiLama em filosofia e meditação budist a. levaram ao sucesso n os seus campos específicos. é interessante que ele identifique o aprendizado e a educação como o primeiro passo para realizar a transformação interior. o quanto não será mais eficaz o tipo de aprendizado e educação mencionado pelo Dalai-Lama . o psicólogo da educação Benjamin Bloom examinou as vidas de alguns dos cientistas. consiste naqueles impulsos baseados em necessidades biológicas que precisam ser atendidas para que haja sobrevivência. Nesse nível de motivação. sustenta m e direcionam nossas atividades. referindo-se a esse campo como o estudo da "mo tivação humana". seu papel como fator essencial para se alcançar a felicidade costuma ser ignorado. Psicólogos identificaram três tipos principais de motivação. A última categoria. poder. O primeiro ti o. Nele estaria incluída. água e ar.uma educação que se concentra especificamente em entender e implementar todo o leque de fatores que levam a uma felicidade durado ura? O passo seguinte no caminho do Dalai-Lama para a mudança envolve a geração de "de terminação e entusiasmo".com. Embora a educação seja geralmente reconhecida por sua importância pa ra o aprendizado de novas técnicas ou para garantir um bom emprego. Ao tentar iden tificar as razões para esses efeitos benéficos da educação. Numerosas pesquisas chegaram a resultados conclusivos de que níveis superiores de instrução apresentam uma correlação positiva com uma saúde melhor e u a vida mais longa. Num es tudo. chamada de motivações secundárias. Entretanto. cientistas argumentaram que indivíduos mais instruídos têm mais consciência dos fatores de risco à saúde. é composta das motivações que têm co se necessidades e impulsos adquiridos. por exemplo. e studos revelaram que mesmo a formação meramente acadêmica está diretamente associada a u ma vida mais feliz. atletas e artistas mais completos dos Estados Unidos. por e xemplo. Outra categoria de motivação envolve a n ecessidade de estímulo e de informação de um ser humano. Portanto. têm mais cond e implementar opções por estilos de vida mais saudáveis. além de até mesmo protegerem o indivíduo da depressão. têm uma noção melhor de poder pess al e amor-prõprio. fatores que podem contribuir para uma vida mais saudáv el e mais feliz.todos esses. status ou realização pessoal. Como em qualquer outro setor. a motivação primária.

A idéia de que pode mos mudar nossos comportamentos e pensamentos negativos por meio de um novo cond icionamento não é apenas comum entre psicólogos ocidentais. O "esforço " é o fator final para a realização da mudança.megacursos. Fazer um esforço contínuo para m udar o comportamento exterior não é útil somente para superar maus hábitos. EXPECTATIVAS REALISTAS Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. podemos descobrir qu e uma transformação interior está ocorrendo. No sistema do Dalai-Lama.br 137 . como a benevolência. Experiências demonstraram que não são sõ nossas atitudes e traços psicolõgicos que determinam nosso comportamento. mesmo que não A SUPERAÇÃO DE OBS TÁCULOS nos sintamos especialmente generosos ou interessados. Esse tipo de terapia tem como alicerce a t eoria básica de que as pessoas em grande parte aprenderam a ser como são.s pode ta mbém mudar nossas atitudes e sentimentos latentes.podem ser influenciados por forças sociais e moldados pelo aprendizado. como se rec onhece clue os comportamentos são em grande parte estabelecidos pelo condicionamen to. que melhore a vida. pensar e sentir é determinada pelo aprendizado e pelo condicionamento. Isso sugere que a simp les "simulação" e a repetição de um comportamento positivo pode acabar produzindo uma ve rdadeira transformação :interior. mas que nosso compoirtamento também pode mudar nossas atitudes. ao prop or estratégias para criar novos condicionamentos.Lama. isso abre a possibilidade. e reforçados e amplificados pelo "hábito". de extinção do condicionamento negativo ou nocivo para substituí-lo por um condicionamento benéfico. que re sulta da nossa criação e das forças culturais e sociais que nos cercam. ma. E. 259 A ARTE DA FELICIDADE Embora a ciên cia tenha recentemente revelado que a predisposição genética de cada um desempenha um nítido papel n o modo característico de um indivíduo reagir ao mundo. É nesse estági o que as teorias da psicologia moderna se encontram com o conceito do DalaiLama de desenvolver "determinação e entusiasmo". à medida que muito aos poucos formos desenv olvendo autênticos sentimentos de compaixão. O Dalai-Lama identifica o esforço como um fator necessário para o estabelecimento do novo condicionamento. por exemplo. Pesqui sadores concluíram que mesmo forçar artificialmente uma carranca ou um sorriso tende a induzir as emoções correspondentes de raiva ou felicidade. a maioria dos ps icõlogos e cientistas sociais é da opinião de que urna grande proporção do nosso modo de a gir. idéia de a ceitação geral. a garra e a determinação geradas não são usadas exclusivamente na busca do sucesso materia l mas vão se manifestando à medida que o indivíduo adquire uma compreensão mais clara do s fatores que levam à verdadeira felicidade e são usados na busca da realização de metas superiores. a terapia behaviorista provou su a eficácia para uma ampla faixa de problemas. a compaixão e o aprimoramento espiritual. como suste nta o Dalai. Isso poderia ter implicações importantes para a aborcJ agem do Dalai-Lama da construção de uma vida mais feliz. mas é de fato a pedra angula r da teoria behaviorista contemporânea.com. e. Se começarmos com o simples a to de ajudar os outros com regularidade. entretanto.

Levaremos um te mpo igualmente longo para estabelecer os novos hábitos que trazem a felicidade. aqui e agora.Na realização de transformações e mudanças interiores genuínas. Trata-se de um processo gradual. Ele acredita no tremendo po der da mente. mais uma vez. Se nossas expeczm 262 A ARTE D A FELICIDADE tativas forem muito altas. que esse é o enfoque prático. Considerar a plena Iluminação nosso ideal de realizaçã ma atitude extrema. Não há como evitar esses ingredientes essenciais: determinação. estaremos nos predispondo para a decepção. fixamos muito alto nossos ideais: a plena Il uminação é nossa expectativa máxima. de ser muito sensíveis e respeitosos diante da realida de concreta da nossa situação à medida que avançamos no caminho em direção ao nosso objetiv final. É importante fazer uma nítida disti nção na nossa mente entre nossos ideais e os parâmetros pelos quais avaliamos nosso pr ogresso. por exemplo. concentrada. Em continuidade à nossa conversa sobre o processo da mudança. isso extingue nossa disposição a desafiar nossas limitações e real izar nosso verdadeiro potencial. direcionada. isso geralmente resulta em problemas. sem uma base adequada.Nunca deveríamos perder de vista a importância d e ter uma atitude realista. portanto. mas de uma mente que tenha sido sistematic amente treinada. Precisamos. Por outro lado. passa a ser. aí. Levamos muito tempo para desenvolver o compor tamento e os hábitos mentais que contribuem para nossos problemas. . Esses são os verdadeiros segredos para alcançar a felicidade. te os outra atitude extrema. Isso revela um forte contraste com a proliferação de técnicas e terapias de auto-ajuda "com soluções rápid s" que se tornaram tão populares na cultura ocidental nas últimas décadas .br 138 . Usar a plena Iluminação como um parâmetro em vez de como nosso ideal faz com que desanimem os e percamos totalmente a esperança quando não a alcançamos com rapidez. uma mente forjada por anos de experiênc ia e de raciocínio bem fundamentado. Precisamos encontrar um equilíbrio. Se temos expectativ as excessivas.técnicas que vão desde as "afirmações positivas" à "descoberta da criança interior". bem como o fato d e que podem ser necessários tempo e esforço contínuos. poder talvez ilimitado. é importante ter expectativas razoáveis. Já esperar alcançá-la rapidamente. pr ecisamos de uma abordagem realista. se dissermos que vamos nos c oncentrar só no aqui e no agora. O enfoque do Dala i-Lama é voltado para o lento desenvolvimento e maturação. o Dalai-Lama explicou. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Reconheçamos as dificuldades inerentes ao nosso caminho. Quando enveredamos pelo caminho d a transformação.com. S e forem muito baixas. Por isso.megacursos. e que não nos importamos com o futuro ou com a realização máxima de atingir a condição do Buda. esforço e tempo. A SUPERAÇÃO DE OB STÁCULOS "Lidar com expectativas é realmente uma questão complexa. o Dalai-Lama salienta a imp rtância de fazer um esforço contínuo. Como budista. descobrir uma abordagem que se s itue em algum ponto intermediário.

Para começar. entre outros. se nos deixarmos ficar num "estado natural" sem fazer um esforço para acabar com a ignorância. a ignorância também é perfeitamente natural. essa capacidade de adotar perspectivas diferentes é utilizada numa séri e de meditações nas quais o indivíduo isola mentalmente diferentes aspectos de si mesm o e então inicia uma conversa entre eles. ajuda saber como funciona a mente humana . Do mesm o modo. se essas emoções fazem parte da nossa psique. sem aspirações.Para A ARTE DA FELICIDADE essas pessoas.Já falamos sobre o fato de que a felicidade máxima depende de eliminarmos nossos comportamentos e estados mentais negativos. No entanto. descobrir o perfeito equilíbrio não é fácil. o ódio. tentar erradicar completamente algo que é uma parte integral da nossa co nstituição natural. todos nós nascemos em estado de ignorância. . . Ela consegue descobrir meios pelos quais pode lidar com uma variedade de situações e condições. como essas emoções são uma parte natural da nossa constituição. como poderemos sair vitorioso s na luta contra algo que é inerente a nós mesmos? . O Dalai-Lam a assentiu. não pode haver progresso. quando pequenos. por meio d a educação e do aprendizado. Logo. somos muito ignorantes. Alguma esperança é essencial. algumas pessoas sugerem que a raiva. .com. sentimentos como a raiva. . a compaixão e o perdão .respondeu o Dalai-Lama.Ao refletir sobre como combater as emoções negativas." Eu ainda tinha dúvidas que me atormentavam. de sde que dediquemos tempo e esforço suficientes.br 139 . P orém. por exemplo. é claro que a mente humana é muito complexa. não há realmente como mudar esses estados mentais. a mente tem a capacidade de adotar perspectivas diferentes através das quais pode tratar de vários problemas.Por outro lado. uma Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. dia após dia. não brotarão espont aneamente as forças ou fatores da educação e do aprendizado.respondeu o DalaiLama. Portanto. o ódio e outras emoções negativas são uma parte natural da mente . será razoável odiar. . podemos aos poucos reduzir nossas emoções neg ativas e aumentar estados mentais positivos tais como o amor. a ganância. A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS "Dentro da prá ica budista.megacursos. sem desenvolver conscientemen te nosso aprendizado. até que ponto é realmente possível errad icar as emoções negativas? Dirigi-me ao Dalai-Lama. sem expectativas e esperança.É mesmo. e até mesmo ant inatural. se nos deixarmos ficar num estado de ignorância. abanando a cabeça . Mas é também muito habilidosa. por exemplo. Ora. emoções dessa natureza parecem fazer parte da nossa compos ição psicológica natural. que se opõem a ela. Mas essa visão e stá errada. Nesse sentid o. à medida que vamos crescendo. Embora poss amos sem dúvida modificar parte dos nossos comportamentos e atitudes negativas. É prec avaliar cada situação em si. parece pouco prático. Todos os seres humanos parecem sentir essas emoções mais pervers as com intensidade maior ou menor. . Seja como for. E..Ora. se for esse o caso.Mas. negar e combater uma parte de nós mesmos? Quer dizer..No entanto. podemos adquirir conhecimentos e dissipar a ignorância. através do treinamento adequado. Existe. não conseguiremos dissipá-la.

E então nos criticamos. e o `eu' que está sendo criticado é um eu da perspectiva de uma experiência particular ou de um acontecimento específico. do ser inteiro. " O que isso indica é que. Costumamos dizer: `Ai. nós podemos adotar duas perspectivas diferentes. quando nos relacionamos conceitualmente com algo.com. surge uma questão muito importante. "Ora. eu deveria ressaltar que estou me referindo àquil o que em tibetano se. que sintamos raiva de nós mesmos. Ou podemos nos culpar por fazer algo errado ou por não fazer alguma coisa. Nesse caso. pod emos isolarpartes de nós mesmos queprocuramos eliminar e podemos enfrentá-las. nesse caso. e sentimos raiva de nós mesmos. Na realidade. Mesmo assim. que garantia ou certeza nós temos de que é possível a vitória contra eles? "Quando falamos d esses estados mentais negativos. Com isso. perspectivas diferentes dentro da identidade individual de cada pessoa. ao examinar melhor esse tema. Além disso. Esse indivíduo pode ter uma noção de identid ade personalizada a partir da perspectiva de ser um monge. por tanto. `eu enquanto tibetano'. em outro nível. pode ser bastante út il refletir sobre os diversos aspectos da nossa própria identidade pessoal. na sua origem étnica. ou em sânscrito Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ele pode dizer. muitas vezes nos descobrimos em situações nas quais nos culpamos ou nos critica mos. ele também pode ter um nível de identidade pessoal que não é muito baseado no seu aspecto monástico mas. eu me decepcionei comigo mes mo'. "Para desenvolver esse ponto. em tal dia assim assim. "Além disso. segundo a qual entabulamos um diálo go entre nossa própria `atitude egocêntrica'. num aspecto especial daquele fenômeno. sim. `meu eu enquanto mong e'. `eu enquanto ser humano'. o ódio e os outros estados mentais negativos. de tibetano. O que aco ntece quando estamos nos criA ARTE DA FELICIDADE ticando? O `eu' que está critican do parte de uma perspectiva da pessoa como totalidade. Podemos ver. Ele pode pensar. não existem duas identidades distin tas. e adotar uma perspectiva parti cular. podemos nos dedicar a uma iniciativa na qual tomamos no ssa raiva e ódio como objeto e o combatemos.megacursos. Da mesma forma. Isso é algo que todos nós c onhecemos por experiência própria. também. apesar de na realidade só haver uma única individualidade contínua. Graças a essa capacidade de adotar uma perspectiva diferente. essa pessoa pode ter o utra identidade na qual o fato de ser monge e a origem étnica podem não desempenhar um papel importante. Embora possamos entrar em combate com a raiva. Podemos nos concentrar num ângu lo específico. faz sent ido que nos critiquemos. `Portanto.prática de meditação destinada a promover o altruísmo.br 140 . Tomemo s o exemplo de um monge budista tibetano.chama de Nyon Mong. entabulamos uma espécie de diálogo com nós mesmos. na nossa própria experiência d iária. embora traços negativos tais como o ódio e a raiva f açam parte da nossa mente. E assim podemos ver a possibilidade da existência de um ` relacionamento do eu com o eu'. um eu que é a encarnação do egocentrismo. Essa capacidade torna-se muito importante quando procuramos identificar e eliminar certos aspectos negativos de nós mesmos. trata-se apenas de uma continuidade no mesmo indivíduo. E a capacidade para ver as coisas de ângulos diferentes é totalmente seletiva. e nós mesmos como praticantes da espiritualidade. ou ressaltar traços posiA SUPERAÇÃO D E OBSTÁCULOS ovos. somos c apazes de encarar um fenômeno de muitos ângulos diferentes. É uma espécie de relacionamento de diálo go. E então.

. Por outro lado.esclareceu o Dalai-Lama -. A própria et imologia da palavra tibetana Nyon Mong nos dá uma sensação de que se trata de um acont ecimento emocional e cognitivo que aflige nossa mente de modo espontâneo.disse e u. ou `ilusões'.O que realmente quer dizer com a afirmativa de que os esta dos mentais positivos têm uma "base válida".br 141 .O senhor pode explicar um pouco mais . também não querem sofrer e também têm o direit à felicidade. de que fundamentos dispomos para aceitar que essas emoções aflitivas e acontecimentos cogni tivos. segundo os quais acreditamos que isso possa acontecer. temos três pre267 A ARTE DA FELICIDADE missas ou fundamentos principais.com. exatamente como nós. I sso pode ser verificado e legitimado pela nossa própria experiência. Ao gerar compaixão." . porém. . Por mais poderosas que sejam. esses fatores positivos estão ancorados na realidade. todos esses estados mentais positivo s têm a qualidade de permitir que aumentemos sua capacidade e ampliemos seu potenc ial de modo ilimitado. como por exemplo o amor. é fácil reconhecer a natureza aflitiva dessas `ilusões' simpl esmente porque elas apresentam essa tendência de destruir nossa serenidade e prese nça de espírito. Por isso costuma ser traduzida por `ilusões'. são essencialmente deturpados. São baseadas na ignorância. É. E é uma questão muito séria e difícil. entre outros. não existe deturpação. podem acabar sendo arrancadas e eliminadas da nossa mente? No pensamento budista. Existe uma espécie de solidez e enraizamento na razão e na compreensão. Esse não é o caso com as emoções aflit vas. no fundo essas emoções negati vas não possuem nenhum fundamento válido. E ainda por cima. Reconhecemos en tão que outras pessoas. todas as emoções e pensamentos aflit ivos. Além disso. têm uma base sólida. interrompendo-o. ao passo que os estados mentais negativ os não têm "nenhuma base válida"? . "Portanto. Se pr estarmos atenção suficiente. muito mais difícil descobrir se podemos superá-las. a compaixão e o insight. to das as emoções ou estados mentais positivos. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. destrói no ssa paz mental ou provoca uma perturbação na nossa psique quando se manifesta.. como a raiva e o ódio. Quando a mente está vivenciando esses esta dos positivos. já que se enraízam numa percepção equivocada da verda deira realidade da situação. Essa é uma d que está diretamente associada a toda a idéia de ser possível atingir a plena realização do nosso potencial espiritual. por exemplo . a co mpaixão é considerada uma emoção positiva.Bem. "A primeira p remissa é que todos os estados mentais `ilusórios'. Podem ser verificados por nossa própria experiência. se os praticarmos com regularidade através do treinamento e da constante familiaridade.megacursos.de Klesha. Essa passa a ser a base para começarmos a gerar compaixão. Essa é uma expressão muito longa. começamos por admitir que nã ueremos 268 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS o sofrimento e que temos o direito à felicidade. Esse termo significa literalmente `aquilo que aflige de dentro'.

"Essencialmente, há duas categorias de emoções ou estados mentais: a positiva e a nega tiva. Um modo de classificar essas emoções é em termos do entendimento de que as emoções p ositivas são aquelas que podem ser justificadas enquanto as negativas são as que não p odem ser justificadas. Por exemplo, examinamos anteriormente o tópico do desejo, c omo há desejos positivos e desejos negativos. O desejo para que sejam atendidas no ssas necessidades básicas é positivo. É justificável. Baseia-se no fato de que todos nós e xistimos e temos o direito de sobreviver. E, para que possamos sobreviver, há cert as coisas que são imprescindíveis, certas necessidades que têm de ser satisfeitas. Log o, esse tipo de desejo tem um fundamento válido. E, como já vimos, há outros tipos de desejo que são negativos, como o desejo em excesso e a ganância. Esses tipos de dese jo não são baseados em motivos válidos e costumam só gerar problemas e complicar nossa v ida. São desejos que se baseiam simplesmente num sentimento de insatisfação, de querer mais, muito embora as coisas que queremos nGo sejam realmente necessárias. Desejo s dessa natureza não dispõem de motivos válidos a ampará-los. Portanto, desse modo podem os dizer que as emoções positivas têm um fundamento firme e válido, enquanto falta às emoçõ negativas essa base legítima." A SUPERAÇAO DE OBS'T'ÁCULOS A ARTE DA FELICIDADE senso entre todas as tradições budistas de que, a fim de 0 Dalai-Lama continuou seu exame da mente humana, superar plenamente todas essas tendências negativas, é pre )namento da mente com a mesma ateuciso aplicar o antídoto contra a ignorância - o `fator Sa dissecando o fuqcic bedoria'. Este é indispensável. O `fator Sabedoria' envolve ção minu ciosa que um botânico poderia usar ao classifi a produção de insight que penetre na ca r espécies de flores raras. verdadeira nature za traz de volta à segunda premissa na za da realidade. "Portanto, dentro da tradição -Ora, isso n es de q budista, nós disp omos não que nossas emoções nnegati- baseamos a alegação só de antídotos para estados menta específicos - a paciên vas podem ser arrancadas e eliminadas. Essa premissa tem como sustentação o fato de que nossos estados mentais Po- cia e a tolerância atuam como an tídotos específicos para jr como antídotos contra nossas tendêna raiva e o ódio - mas també temos um antídoto geral sitivos podem atueo insight que penetra na natureza essen cial da realidade e cias negativas e estados mentais ilusórios. A segunda preedida que aumentarmos a capacidade atua contra todos os estados mentais negativos. É se me missa é que, à n~ lhante a modos de acabar com uma planta venenosa: podesses antído tos, Cuanto maior for sua força, tanto mais ca>s de reduzir a intensidade das aflições demos eliminar os efeitos perniciosos cortando ramos e Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 142

pazes nós serem folhas específicos ou podemos eliminar a planta inteira, indo mentai s e emocicnais; e tanto mais poderemos neutralizar suas influências -' efeitos. até a raiz para erradicá-la." "Quando falimos em eliminar estados mentais negativos, há um ponto que devemos ter em mente. Dentro da prática budista, ) cultivo de certas qualidades mentais po- Para concluir sua análise da possibilidade de eliminar nos sitivas específic~s~ como a paciência, a tolerância, a bene-sos estados mentais negati vos, o Dalai-Lama explicou. volência, entre outras, pode atuar como um antídoto espe cífico para estacos mentais negativos como a raiva, o ódio mente é pura. Ela tem como base a crença de que a cons e o apego. A aflicação de antídotos tais como o amor e a ciênc ia sutil básica não é conspurcada por emoções nega compaixão Sua natureza é pura, um estado qual nos refericompaixão poce reduzir significativamente o grau ou inmos como "a mente da Luz Límpida". Essa natureza essenfluência das afições mentais e emocionais; mas , aflitivas cial da mente é também chamada de Natureza do Buda. procuram eliminar ap enas determinadas emoç em certo sentido podem ser visLogo, como as emoções negativas não fazem parte intrín específicas ou ndividuais, seca dessa Natureza do Buda, existe u ma possibilidade de tos apenas corxo medidas parciais. Essas emoções aflitivas, tais como o algo e o ódio, estão em última análise enrai- eliminá-las e purificar a mente. equ ivocada da verdadei"Portanto, é a partir dessas três premissas que o budis zadas na ignorAcia - na percepção eq mo aceita que as aflições mentais e emocionais podem ser ra natureza d-, realidade. Portanto, parece haver um conA ARTE DA FELICIDADE elimin adas por meio do cultivo deliberado de forças contrárias como o amor, a compaixão, a t olerância e o perdão, bem como através de várias práticas, tais como a meditação." A idéia e a natureza oculta da mente é pura e de que nós temos a capacidade para eliminar co mpletamente nossos modelos negativos de pensamento era um tópico sobre o qual eu t inha ouvido o Dalai-Lama falar antes. Ele havia comparado a mente a um copo de águ a lamacenta. Os estados mentais aflitivos eram como as "impurezas" ou a lama, qu e poderiam ser removidas de modo a revelar a natureza "pura" da água. Isso parecia um pouco abstrato; e, passando para interesses mais práticos, eu o interrompi. Digamos que a pessoa aceite a possibilidade de eliminar suas emoções negativas e até m esmo comece a dar passos nessa direção. A partir das nossas Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 143

conversas, no entanto, eu depreendo que seria necessário um esforço tremendo para er radicar esse lado perverso: uma enorme dedicação ao estudo, à contemplação, a constante ap licação de antídotos, a prática intensiva de meditação e assim por diante. Isso poderia ser adequado para um monge ou para alguém que pudesse devotar muito tempo e atenção a essa s práticas. Mas o que dizer de uma pessoa comum, com família e tudo o mais, que talv ez não tenha o tempo ou a oportunidade de pôr em prática essas técnicas intensivas? Para elas, não seria mais adequado simplesmente tentar controlar as emoções que as afligem , aprender a viver com elas e administrá-las de modo razoável, em vez de tentar erra dicá-las completamente? É como os pacientes com diabeA SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS tes. Eles p odem não ter meios para uma cura completa; mas se dedicarem atenção à dieta, se fizerem uso da insulina e de outros recursos, eles podem controlar a doença e prevenir seu s sintomas e seqüelas negativas. - É, essa é a melhor forma! - respondeu ele, com entu siasmo. - Concordo com você. Quaisquer passos, por menores que sejam, que tomemos no sentido de reduzir a influência das emoções negativas podem ser muito úteis. Decidida mente isso pode ajudar a pessoa a levar uma vida mais feliz e satisfatória. No ent anto, também é possível que um leigo alcance altos níveis de realização espiritual: alguém tenha emprego, família, um relacionamento sexual com seu cônjuge e assim por diante . E não é só isso, mas houve indivíduos que só começaram a prática a sério já tarde na vida o estavam com mais de quarenta, cinqüenta ou até mesmo oitenta anos; e, mesmo assim, conseguiram tornar-se grandes mestres de alto nível. - O senhor pessoalmente conh eceu muitos indivíduos que na sua opinião possam ter atingido esses estados sublimes ? - indaguei. - Creio que isso é muito, muito difícil de avaliar. Ao meu ver, os pra ticantes verdadeiros e sinceros nunca se vangloriam disso. - E deu uma risada. M uitos no Ocidente voltam-se para as crenças religiosas como fonte de felicidade, m as a abordagem do Dalai-Lama é fundamentalmente diferente da de muitas religiões oci dentais por depender muito mais do raciocínio e do treinamento da mente do que da fé. Sob certos aspectos, o enfoA ARTE DA FELICIDADE A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS que do Dal ai-Lama é semelhante a uma ciência da mente, um sistema que poderíamos aplicar exatame nte como as pessoas usam a psicoterapia. No entanto, o que o DalaiLama sugere va i mais além. Embora estejamos acostumados à idéia de recorrer a técnicas psicoterápicas co mo a terapia comportamental para atacar maus hábitos específicos - o fumo, a bebida, as explosões de raiva - não estamos habituados a cultivar atributos positivos - o a mor, a compaixão, a paciência, a generosidade - como armas contra todas as emoções e est ados mentais negativos. O método do Dalai-Lama para alcançar a felicidade tem por ba se a idéia revolucionária de que os estados mentais negativos não são parte intrínseca das nossas mentes; são obstáculos transitórios que impedem a expressão do nosso estado late nte de alegria e felicidade. A maioria das escolas tradicionais da psicoterapia ocidental costuma concentrar o foco na adaptação à neurose do paciente em vez de numa completa reformulação de todo o seu modo de encarar a vida. Elas examinam a história p essoal do indivíduo, seus Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos.com.br 144

O objetivo consiste em obter estratégi as mais saudáveis para encarar a vida.br 145 . se não for assim. como "essencialmente desvir tuados". Aaron Beck. como por exemplo a depressão e a ansiedade. "Tenho talento para cantar". 275 A ARTE DA FELICIDADE Na depressão. por exempl o. a t erapia cognitiva talvez seja a que mais se aproxima. em certo sentido. especialm ente de transtornos do humor. Na depressão.: "Eu não sirvo para na da") e a corrigir energicamente esses pensamentos distorcidos por meio da coleta de informações e provas que os contradigam ou neguem (ex.megacursos. Qu ando se procuram abordagens análogas a essa na moderna ciência do comportamento. O terapeuta cognitivo primeiro ajuda a pessoa a identificar a crença irracional latente. A característica mais notável do métod o de treinamento da mente do Dalai-Lama envolve a idéia de que os estados mentais positivos podem atuar como antídotos diretos para os estados mentais negativos. com a ajuda do terapeuta. Embora essa abordagem possa parecer superficial. examinar e corrigir essas distorções no pensamento. Essa forma de psicoterapia vem se tornando cada vez mais popular ao longo das últimas décadas e já comprovou ser muito eficaz no tratamento de uma ampla variedade de problemas comuns. geradores da depressão. baseia-se na idéia de que as emoções que nos perturbam e nossos comportamentos desajustados são causados por distorções no pensamento e por crenças irr acionais. no tratamento da depressão. em vez de treinar a mente de modo direto para ser feliz. Portanto . o paciente é encorajado a mo nitorar o surgimento automático de pensamentos negativos (ex. mas a pessoa deprimida ignora os fatos positivos e se concentra exclusivamente nos negativos). os terapeutas cognitivos encara m esses pensamentos negativos. os terapeutas cognitivos alegam que são os pensamentos negativos e derrotistas que servem de alicerce para a depressão. as motivações inconscientes e a dinâmica psicológica que pode estar contribuin do para seus problemas ou sua infelicidade. por exemplo: " Eu preciso ser amado e aprovado por quase todas as pessoas significativas na min ha vida em qualquer ocasião ou. Albert Ell is e o dr. pelo excesso de generalização (ex. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. tudo é horrível.relacionamentos. A modern a terapia cognitiva. e eu não presto para na da. Os pensamentos corret ivos. "Sempre fui um bom amigo".: '-Dei duro para criar do is filhos". automaticamente pensamos: "sou um frac asso total!"). uma adaptação e melhora dos sintomas." O terapeuta então apresenta à pessoa provas que questionam essa crença irrealista . passam a ser um antídoto contra os modelos deturpados de p ensamento que são a fonte do sofrimento do paciente. Por exemplo.: se perdemos um emprego ou não passamos de ano. suas experiências diárias (aí incluídos sonhos e fantasias) e até mesmo o relacionamento com o terapeuta no esforço de resolver os conflitos interiores do paciente. ou pela percepção seletiva de apenas certos acontecimentos (ex. muitos estudos demonstraram q ue a terapia cognitiva funciona. uma pessoa é rejei tada por outra e reage com um sentimento excessivo de mágoa. desenvolvida por psicoterapeutas tais como o dr. Praticamente da mesma forma que os budist as consideram deturpadas todas as emoções aflitivas. A terapia concentra sua atenção em ajudar o paciente a sistematicamente id entificar.: três f atos positivos e dois negativos podem acontecer num dia. o pensamento pode desvirtuar-se pelo hábito de considerar os acontecimentos em termos de oito-ou-oitenta.com.

os estados mentais positivos correspondentes. N o entanto. é possív el provocar uma mudança nos nossos sentimentos e melhorar nosso humor. Pesquisadores comprovara m que ao substituir nossos modos deturpados de pensar por informações precisas. Os efe tos destrutivos da raiva e do ódio foram bem documentados por recentes estudos cie ntíficos. o Buda oltemo-nos agora para algumas dessas "flechas". quando esse fato é ass ociado a recentes provas científicas de que podemos mudar a estrutura e o funciona mento do cérebro por meio do cultivo de novos pensamentos. em anos recentes. mas vamos começar com a raiva. Robert Sapolsky na Stanfor d University conduziram pesquisas que demonstram que a raiva.Shakyamuni. Nossa própria experiência pode nos dizer isso. Todos os estados mentais negativos atuam como obstáculos à nossa felicidade. Ela é descrita pelo filósofo estóico Sêneca como "a mais hedionda e frenética de todas as emoções". não perdemos tempo nos perguntando de onde a flecha pode ter vindo. os V es tados mentais negativos que destroem nossa felicidade.com. a fúria e a hostilid ade são especialmente prejudiciais ao sistema cardiovascular. Dezenas de estudos demonstraram que essas emoções são uma causa importante de doenças e de morte prematura. que parece ser um dos maiores empecilhos. foram realizados grandes avanços na documentação dos efei tos físicos nocivos da raiva e da hostilidade.br 146 . O próprio fat o de que podemos mudar nossas emoções e combater pensamentos negativos com a aplicarão de modos de pensar alternativos corrobora a posição do DalaiA SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS Lam a de que podemos superar estados mentais negativos através da aplicarão de "antídotos" . deveríamos nos concentrar em arrancar a flecha imediatamen te. analisando de que tipo de madeira a flecha era feita. E. Em vez disso. ou de que modo foi talhada a ponta d a flecha. e seus respectivos antídoto s. causar sensações de extremo desconforto ou devastação em nossos relacionamentos pessoais. É claro que não precisamos de comprovação científica para perceber como essas emo podem toldar nosso discernimento.megacursos. 278 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS Capítulo 23 COMO LIDAR COM A RAIVA E O ÓDIO Se deparamos c om uma pessoa que levou uma flechada."Consegui manter um emprego difícil" e assim por diante). . a que casta pertencia o indivíduo que a atirou. Redford Williams na Duke University e o dr. ou seja. Pesquisadores c omo o dr. Acumularam-se tantas provas dos efeitos danosos da hostilidade que ela agora é de fato considerada um importante fator Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. a idéia de podermos alcança r a felicidade através do treinamento da mente parece uma possibilidade muito real .

porém. o ciúme.Em geral . "Quando pensamos na raiva.explicou ele .br 147 .Aquela sessão de terapia realm ente funcionou.. quando eu esta va saindo do estacionamento.disse ela. a próxima pergunta passa a ser como superá-los. Pode haver alguma raiva que seja mot ivada pela compaixão ou por uma sensação de responsabilidade. uma vez que ace itemos a idéia dos efeitos nocivos da raiva e do ódio. Nessas circunstâncias. Ela parecia exausta. Acho que ainda precis o de mais algumas dessas sessões de raiva para botar para fora o resto. a luxúria. Logo depois de sair daqui ontem. . Logo. .Estou com raiva. . . no mínimo igual a fatores de risco tradicionais como o colesterol alto ou a pressão alta. a arrogância.. Um pode ser positivo. Na n ossa sessão seguinte. e eu fiquei f uriosa! E não parei de xingá-lo entre dentes até chegar em casa. . . Infelizmente.Bem. eu estava sendo encaminhado ao meu novo consultório por uma integrante da equipe quando ouvi gritos aterradores que reverberavam pelo corredor. Ela cria um tipo de energia que permite a um indivíduo agir com rapidez e decisão.com. Pode ser um poderoso fator de motivação.Estou tão relaxada .de risco de doenças cardíacas.há muitas espécies diferentes de emoções negat ivas ou aflitivas. .Estão só fazendo terapia de grupo no final do corredor. um idiota quase me deu uma fechada.. Estou com a sensação de ter posto para fora toda a minha raiva. Quando se propõe dominar a raiva e o ódio.MAIS ALTO! MOSTRE QUE ESTÁ! EU QUE RO VER! . ela pode ser usada como um impulso ou um catalisador par a um ato positivo. o ódio e a raiva são considerados os mai ores males por serem os obstáculos de maior vulto ao desenvolvimento da compaixão e do alA SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS truísmo. pode haver dois tipos.. a intolerâ cia e assim por diante. Mais tarde naquele dia. acho que acabei não pon do para fora toda a minha raiva. como a presunção.ESTOU COM RAIVA! .ESTOU COM RAIVA!! COM RAIVA!! QUE ÓDIO!!! QUE A ARTE DA FELICIDADE Era r ealmente assustador. . o DalaiLama começa investigando a natureza dessas emoções destrutivas.. uma emoção humana como a raiva pode agir com o uma força para provocar a ação urgente.. o desejo. No meu primeiro dia como consultor psiquiátrico numa instituição de tra tamento. Mas de todas essas.megacursos. ajudando uma paciente a se cone ctar com sua raiva. E. muito embora esse tipo de raiva possa funcionar como um tipo de proteção e nos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. estive com a paciente em pessoa. ou talvez maior do que eles.disse ela.Não se preocupe com isso . no entanto. Nos casos em que a raiva é motivada pela compaixão. es se tipo de raiva pode às vezes ser positivo. Comentei com a funcionária que parecia estar ocorrendo uma cr ise que exigia atenção urgente.. Isso se deveria principalmente à nossa motivação. a paciente relatou. rindo. e por destruírem nossa virtude e nossa serenidade mental..Mais alto! .

Quando n os dedicamos à prática da paciência e da rece por completo. O entusiasmo resulta da descoberta dos e feitos raiva ou ódio.trói nossa paz mental. É Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. é muito óbvio que o rosto da ges tos destrutivos e negativos da raiva e do ódio. apesa r de em raras circunstâncias alguns tipos de raiva poderem ser positivos. o que está acontecendo é um en. Quiando um ?dio ou raiva s urge com tolerância. (Os outros podem perceber i sso. enfrentaremos muitos problemas. É sempre totalmente negativo. com freqüência essa energia também é cega.expressão é muito desagradável. o ócio p oduz uma transfor tão árduo é um verdadeiro herói. por mais que a pes?oa tente simular ou ado benéficos da tolerânc ia e da paciência bem como dos efei. "Pois. Nosso também temos de estar preparados para a possibilidade podier de discernimento torna-se total mente de perder a batalha. Sua reflexão sobre eles. Não gera absoluta mente nenhum benefício. quanto ao ódio. se tivéssemos enlouqueecido. não deveríamos perder de vista o fato de que. buscamos a vitória. "Não podemos superar a raiva e o ódio simplesmente suprimindo-os. que só serve para tor mos ter a capacidade de suportar essas agruras. sem Fpoder mais funcionar. ele ssufoca a m'lhor parte do nosso cé volvimento num combate com o ódio e a raiva.~nça de espírito desapa cesso. maior nossa capacidade para quele mesmo instant e. Seguindo o modelo de que falamos antes.tanta intensidade. É quase como no com bate. que é a capacidade de dislnguir o certo do errado trata de uma situ ação de combate. a fim de se rmos capazes de cultivar com êxito a paciência e a tolerância. na realidade.com. E esse próprio ato. essa conscientiza. Já que se rebro. Precisamos cultivar diligentemente os antídotos ao ódio: a paciência e a tolerância. mação física muito feias e desagrljdável ndivíduo.megacursos. e da pessoa emana uma ção em si. ele nunca é positivo. "Mesmo no vitorioso contra o ódio e a raiva através de um processo nível fíísico.vibração muito hostil. criará uma a inidade com os sentimentos de to. de modo q ue não se sabe ao certo se ela acabará sendo construtiva ou destrutiva. ?Nossa pre. um forte desejo de atingir o objetivo. A ARTE DA FELICIDADE A SUPERAÇÃO DE 03S TÁCULOS Quanto maior o entusiasmo. precisamos gerar entusi asmo. No "É com isso em mente que geramos esse forte entumesmo instante em qu(e surgem os fortes sentimentos de siasmo. a raiva gera rancor e ódio. Devería. Portanto. associada à soa apresenta uma apairência contorcida e repulsiva. Quem sai nar muito mais graves inossos problemas e dificuldades.br 148 . E. enqu anto estamos envolvidos inoperante. em geral . mas assim como as conseqüiências a c_irto e a longo p razo dos nossos atos.proporcionar alguma energia a mais.tar uma postura digna.nos l ançar num estado (de confuso. Esse raiva e ódio costumam nesse processo. ele nos d)mina totalmente e des suportar as dificuldades que encontraremos du rante o pro.

Esse inimigo interno. não tem ~ ARTE DA FELICIDADE nção além de nos fazer mal. qual é sua métodos da psicoterapia ocidental que ressão da no ssa raiva? ~. Essa pessoa sa pessoa precisa dormir. se alguma coisa estiver obstruina soprar e o caminho estará livre. diferente de um inimigo normal. não nos in comodamos muito com a são capazes de sentir isso. ou ódio. creio ser preciso entender que pode ha~rentes . Além entanto.eles tendem a se acumiular dentr<° da pessoa. creio que em ger al a raiva e o ódio são os tipos de emoção que. No estimação. e isso pode te pode agir como uma medida preventiva contra a raiva causar sintomas. "Porém. . para mim. e esse sentimento é abafado. se houver algubúzio. quanto mais adotar mos uma atitude cautelcsa e quanto mais procurarmos reduzir o nível da sua intensi dade. na. uma vez que desenvolvamos uma atitude de cau. Não tem nção além de simplesmente nos destruir. não na sua redução. cos tumam se agravar e continuar a crescer. quando uma pessoa nutre pensamentos rancorosos.com. Emb ora ai.explicou o Dalai-L ama." respe ito a lidar com a raiva. Tanto assim que. que não seja o de nos destruir. tais cr omo a perda de apetite. ess a mesma atitude relutan.ódi o é comparado a um to muito forte ou intenso de ódio brota dentro de nós. t o óbvios e imediatos. Iscientizarmos desse fa to. Já o ódio não tem ne huma outra fun-o objetivo." Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.dis so. uma > semelhante. Da mese caso. Se simplesmente nos acostumarmos cada ve z mais a deixar que eles aconteçam e só continuarmos a expressá-los. melhor será. quando um pensamen"Por motivos como esses. deveríamos tole nunca dar oportunidade para que esse surja dentro de nós. é possível imaginar uma situação ide da repressão de certas emoções ou cerA SUYERAÇÀO DE OBSTÁCULOS tas sentimentos de raiva talvez seja melhor simplesmente abrir o coração e expressálos. o .lerância e paciência além de fazer com que tenhamos mais quase como se sentissem a pre s?ao saindo do corpo da cautela e cuidado diante de pensamentos irados e cheios quela pessoa. inimigo interior. Por exemplo. procuram eviitar a pessoa naquele instante. Geralmente. uma pessoa que consideremos inimiedicarse a atividades que nos são prejume nos tem outras funções.br 149 . .ão tibetana que diz que. que sem dúvida fazem com que a lpessoa se sinta mais tensa "Os efeitos destrutivos do ódio são muito visíveis. podemos eliminá-la com um forte palavras. tela para com essas emoções. Por isso.Em alssoas nutrem sentimentos de raiva e mágoa go que foi feito a elas no p assado. a insônia. Ele é que é inimigo. esse. até mesmo bichos. assim.e nervosa. Lao só os seres humanos de ódio.megacursos. se deixados à vontade ou sem controle.inimigo. não pode dedicar . mui. De modo que tras funções e .ras por dia da sua existência a esse proàr. nosso maior inimigo. isso normalmente resulta em seu crescimento. e o sentimento simplesmente aparece. animais de raiva ou ódio. mediatos quanto a longo prazo.

E então. em especial. Deveríamos pesquisar quais fatores deram origem àqu4~a manifestação específica de raiva ou ódio. Caso s e trate de uma raiva de intensidade branda. O Dalai-Lama fez uma pausa para tomar fôlego e c oncluiu em voz firme e clara. pode mos nos preparar com antecedéncia. Dolf Zillmann.Ora. p ensar em alguma outra coisa. ames de mais nada. no estágio inicial podem os ainda experimentar essas emoções negativas. A raiva alimenta-se da raiva. e.indaguei. combatendo-a energiuí mente por meio da aplicação de antídotos: contrabalam aimdo essas emoções negativas com pensamentos de paciénocia e tolerância. a sabedoria tradicional do Dalai-Lama está em total harmonia com os dados científicos. Nem mesmo as armas nuclea res. deveríamos encara r de frente nossa raiva para analisál.---~. Depois. naquele momento talvez seja difícil desafiá-la ou enfrentá-la. sentimentos de raiva e ódio surgem de urda mente que está perturbada pela insatisfação e descoWentamento.Em outras palavras. q uando surgir de fato uma situação que nos deixe com niwa.No esforço para eliminar a ra iva e o ódio. E prosseguiu: . ainda esta mos sujeitos aos efeitos destrutivos da raiva e do ódio. Portanto.br 150 . naquele momento podemos tentar enfre ntá-la diretamente e combatê-la. níveis diferentes. naquele instante talvez o melhor seja simplesmente tentar deixá-la de lado.. então pod eremos analisar. Se for esse o c aso. O dr. Uma vez que nossa mente se acalme um pouco. então qu al é a solução? . não pode mos nos proteger deles através da riqueza. com seu habitual pra gmatismo. procurando ver se fo tema reação inadequada e. No entanto. Nem pode a educação por si só d ar uma garantia de que estaremos protegidos desses efeitos. Mesmo que sejamos milionários. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Mais uma vez. E faremos um esforço para exercer uma cera . se foi constr utiva ui destrutiva. De modo semelhante. ele estava recomendando que "déssemos um tempo"... Poderíamos conceber o valor e a importância da paciência e da tolerância nos seguintes termos: no que tange aos efeitos destrutivos dos pensamentos irados e cheios de ódio. podem nos oferecer proteção ou defesa contra esses efeitos. realizou experiências que demonstraram que pensamentos irados costumam gerar um estado de excitação fisiológica que nos deixa ainda mais propensos à raiva.É claro que. A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS . Existem. caso se manifeste uma emoção negativa muito forte. no esforço por superar a raiva e o ódio.Se o senhor é da opinião de que expressar ou liberar nossa raiva não resolve. com o trabalho constante no sentido de gerar o coi'atentamento interior e cultivar a benevolência e a compai)ã. por mais sofisticado que seja o sistema de defesa. .o.com. da University of Ala bama. o cultivo deliberado da paciência e da tolerância é indispensável. deviríamos analisá-la mais tidamente. 285 A ARTE DA FELICIDADE O Dalai-Lama fez uma pausa e depois acrescentou. . poderemos raciocinar.O único fator que pode nos dar refúgio ou proteção com relação aos efeitos destrutivos da raiva e do ódio é nossa prática olerância e da paciência. porém.moderação e discipli na interior. refleti.megacursos. a lei não tem como nos fornecer essas garantias ou proteção. Isso produz uma c erta serenidade mental que pode ajudar a impedir que a raiva sequer se manifeste .

288 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS Em virtude da sua e norme influência na superação da raiva e do ódio. ps icólogo e pesquisador da raiva na University of Maryland. Então. também podem ser muito eficazes.com. pesquisas demonstraram que um questionamento enérgi co. a tolerância e a paciência têm grandes vantagens.à medida que nosso estado de excitação aumenta. Muitos estudos ao longo das qua tro últimas décadas revelaram consistentemente que a expressão verbal e física da nossa raiva não contribui em nada para dissipá-la e só piora a situação. A idéia de nos livrarmos da nossa raiva através da sua ex pressão tem algum apelo dramático e de certo modo poderia até parecer divertida.megacursos. precisa ser liberada. Zillmann e o dr. Portanto. reagimos com maior facilidade a estímulo s ambientais que provoquem a raiva. Embora esteja claro que dar vazão à nossa raiva não é a solução. pode ser um fator importante. como 0 dr. Aaron Siegman. Então. também não resolve nada ignorar nossa raiva ou fingir que ela não e te. se um indivíduo possui essa capacidade de tolerância e paciência. O dr. cuja operação ele considerava semelhante à de um modelo hidráulico: quando a pressão aume nta. qual é a melhor atitude? É interessante que pesquisadores contempo râneos da raiva.Nas nossas experiência s do dia-a-dia. enquanto essa pessoa tiver tolerância e paciência. antes que os pensamentos de ódio e raiva aumentem cumulativa mente. o Dalai-Lama discorreu mais detidament e sobre o significado e o valor da paciência e da tolerância. a raiva tem a tendência a aumentar. pode decididamente ser útil. desenvo lvê-las permitirá que sustentemos e mantenhamos nossa presença de espírito. pratic ar a intervenção precoce. o que provoca nervosismo e estresse. Há também comprovação experimental com a indicação de que as técnicas que inamos anteriormente. evitar nossos problemas não faz com que ele s desapareçam. como recomenda o Dalai-Lama. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Portanto. quando a raiva de fato se manifesta. E. A expressão terapêutica d raiva como meio de catarse parece ter tido origem nas teorias freudianas da emoção. mesmo que ele viva num ambiente muito tenso. sua serenidade e paz de espírito não serão perturbadas. mas o problema é que esse método simplesmente não funciona. Por exemplo.br 151 . dar vazão à raiva e à fúria tem vantagens muito limitadas. uma análise lógica e uma reavaliação dos pensamentos que detonaram a raiva podem aju dar a dissipá-la. acredita por exem287 A A RTE DA FELICIDADE plo que é exatamente esse tipo de expressão repetida da raiva e da fúria que aciona os sistemas internos de alerta e as reações bioquímicas que têm maior pr obabilidade de causar dano às nossas artérias. . É claro que tudo isso costuma ser mais fácil diante de níveis mais baixos ou moderados de raiva. Williams. Como o estresse em geral abaixa os limites daquilo que poderia detonar a raiva. estejam em consenso quanto à constatação de que métodos semelhantes ao do Dalai-Lama parecem ser os mais eficazes. o primeiro passo é preventivo: cultivar um contentamento interior e um estado ment al mais calmo. como devemos tratar de dissipar nossa raiva? Como sugere o Dalai -Lama. Como examinamos na Terceira Parte. tais como a mudança de perspectiva ou a procura dos diferent es ângulos de uma situação. Se lhe dermos corda.

Creio haver uma ligação muito íntima entre a humildad e e a paciência. que provém de uma mente forte. a impaciência para alcançar a paz mundial . no entanto. Se reagimos a situações com raiva ou ódio. Ou ainda. Por exemplo. sacrificando seu braço como punição. .megacursos. provida de autodisciplina. Por meio do sacrifício de aspectos sem importân cia. nós criamos uma causa a mais para nosso próprio sofrimento no futuro. um sinal de força. É isso o que eu chamaria de humildaje genuína. "É claro que. Porém.observei . se reagimos a um mal com paciência e tolerância. quando examinamos o conceito da paciência. originado de uma profunda capacidade para manter a firmeza. O Dalai-Lama abanou a cabeça. de passividade. A humildade envolve a capacidade de adotar uma postura mais belig erante. sim. em situações que são difíceis e desafiadoras.a paciência e a tolerância são sem dúvida consideradas virtudes. se tivermos paciência demais. mas. N o entanto.com. nós nos tornamos capazes de e vitar experiências ou sofrimentos que poderiam ser muito mais sérios no futuro. a paciência uda a manter nossa força de vontade e pode nos amparar. não só isso deixa de nos proteger dano ou mal que já nos tenha sido feito . poderíamos avançar muito devagar e consegu ir fazer muito pouco.br 152 . sem sermos dominados pelas situações ou condições adversas que enfrentamos. quando alguém está v oltado para nos prejudicar.C omo a paciência e a tolerância derivam de uma capacidade de permanecermos firmes e i nabaláveis. como na limpeza do nosso quarto. não deveríamos considerar a tolerância ou a paciência sinais de fraqueza ou de que nos dem os por vencidos. será que essa pessoa não se sentiria grata pela oportunidade? Ao suportar a dor e o sofrimento 2s9 A ARTE DA FELICIDADE de ter um braço decepado. ela pode nos ajudar a tomar a iniciativa para realizar coisas. pode haver tipos positivos e negativos de paciência. a capacidade de retali~r se quisermos e." . Creio que a verdadeira tolerância ou paciência tem um componente ou elemento de autodisciplina e moderação . a pessoa estaria se livrando da morte." 290 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS A nimando-se cada vez mais à medida que se aprofundasa na análise do significado da pa ciência. um sofrimento maior. se um prisioneiro condenado pudesse salvar a vida. quando estamos sendo atormentados diretamente por outros. A impaciência nem sempre é errada.o dano ou mal já ocorreu mesmo . Reagir a uma situação penosa com paciência e tolerância em vez d e reagir com raiva e ódio envolve uma moderação atuante. o Dalai-Lama acr°scentou. decidir deliberadam ente não agir dessa forma.essa sem dúvida pode ser positiva. como na maioria dos outros conceitos. ainda assim evitaremos as conseqüências pot encialmente perigosas a longo prazo."Outra vantagem de reagir a situações difíceis com paciência em vez de ceder à raiva é que os protegemos de potenciais conseqüências indesejáveis que poderiam derivar da nossa r eação raivosa. Para dar um exemplo. ain da por cima. Mesmo nas tarefas diárias.Para a mentalidade ocidental . muito embora possamos en frentar mágoa e constrangimento temporários.a percepção Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. reagir com "paciência e tolerância" parece ter um toque de fraqueza. . discordando de mim. quando toleramos pequenas agruras ou problemas. mas.mas.

o melhor a faz. já examinamos métodos para desenvolv er a paciência e a tolerância. métodos tais como o uso do raciocínio para analisar a situação. a decisão mais sábia talvez seja a de simplesmente fugir corr endo. o perdão surge espontaneamente. de que poderíamos ter assumido uma aborda gem mais agressiva. porém. Se analisarmos a situação. Pode ser uma espécie de mansidão. Não há nada de errado em simplesmente lembrar esses acontecimentos negativos. o que no fundo cau sará sua própria desgraça e é muito destrutivo a longo prazo para a própria pessoa.er. Um dos motivos pelos quais existe a necessidade de ad otar uma forte medida defensiva contra alguém é que. na minha opinião. sempre ocorrerá a lembrança. "Embora possamos ter passado por muitos acontecimentos ne gativos no passado. medidas defensivas podem acabar tendo maior e ficácia sem os sentimentos de raiva e ódio. podemos deparar com situações que exigem fortes medidas defensivas. Quando se tem a mente perspicaz. mesmo que haja uma probabilidade de surgim ento de algum sentimento de ódio. Esquecer e perdoar são dois atos diferentes. com o desenvolvimento da A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS paciência e da to lerância.de que poderíamos ter agido de outro modo.respondeu ele. Por exemplo. em vez de agi r assim com base na raiva. Portan to. E. uma forte medida defensiva é necessária. ou de uma noção de interesse pelo outro." O Dalai-Lama fez uma pausa p depois riu. com o Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. de modo que de nada adianta continua r a sentir raiva e ódio. . Um resultado final. quando falamos sobre como deveríamos desenvolver a tolerânc ia para com aqueles que nos prejudicam. "Creio que o Buda se lemb rava de tudo.Às vezes. se deixarmos a oportunidade pas sar ." Ele riu. issc> eu não chamaria de humildade genuína.Nem sempre conseguimos deixar de ser atingidos pof me io de uma fuga. . mas resolvemos não fazê-lo. nós deliberadamente nos controlamos e procuramos r eduzi-lo. no que diz respeit o a nossos entendimentos com a China. para muito longe!" . bem como para afastar a raiva e o ódio. se necessár io. que podemos assumir uma po sição firme e A ARTE DA FELICIDADE até mesmo adotar fortes medidas defensivas a partir de um sentimento de compaixão. Mas.com. nãc) deveríamos considerar erroneamente que isso significa que deveríamos simplesmente aceitar com docilidade tudo que seja fe ito contra nós.. a adoção de uma perspectiva mais ampla e o enfoque de outros ângulos de urna situação. "Agora.daí resulta o perigo de que essa pessoa se habitue a esses atos negativos. mas com essa atitude mental podemos efe tuá-la por compaixão e interesse por aquele indivíduo. ser forçado a adotar u ma certa atitude passiva em virtude de um sentimento de desamparo ou deficiência.É verdade . "Pelo contrário. "Ora.não importa qual tenha sido o mal ou crime perpetrado contra nós . Cre'-'10. ou um produto da paciênc ia e da tolerância. que não mudam a situação mas apenas causarn uma perturbação na nos a mente bem como a perpetuação da nossa infelicidade. ainda podemos no s lembrar dos acontecimentos.br 153 . Naturalmente. perceberemos que o passado é passado. Quando somos realmente pacientes e tolerantes.. é o perdão.megacursos. Fazemos um esforço consciente para desenvolver um sentimento de compaixão pelos chineses. mas não é a v rdadeira tolerância. é possível nos livrarmos das sensações de raiva e ressentimento. Por outro lado.

Em certo sentido. A pes soa está tão furiosa que perdeu toda a serenidade mental. é possível abandonar os sentimentos negati vos associados aos acontecimentos." Meditação sobre a raiva: Exercício 2 . concentremos noss a mente nessa conclusão. assumirei essa apa rência física horrível' e assim A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS por diante. que no pas sado sentíamos prazer só de ver. Veremos uma transformação física em andamento. estarei nessa mesma situação.com. O motivo pelo qual eu creio que deveríamos visualizar isso acontece ndo a uma outra pessoa reside no fato de ser mais fácil ver os defeitos dos outros do que os nossos. Em suas palestras ao público." MEDITAÇOES SOBRE A RAIVA Em muitas dessas conversas. essa não era a única técnica. "Ao final da visualização.br 154 . A ARTE DA FELICIDADE Meditação sobre a raiva: E xercício 1 .desenvolvimento da paciência e da tolerância. ele suplem entou sua análise com a apresentação de instruções sobre essas duas meditações simples poré cazes para ajudar a superar a raiva. analisemos a situação e associemos as circu nstâncias à nossa própria experiência. Essa pessoa de quem somos íntimos. por meio da imaginação. se permitir isso. de quem gostamos. sem maiores análises. Comecemo s por visualizar alguém que não nos agrade. Podemos imaginar essa ocorrência num relacionamento muito cáustico ou numa si tuação em que esteja acontecendo algo que seja perturbador em termos pessoais. Assim. minha serenidade. até mesmo em termos físicos. uma situação na qual essa Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Imaginemos. durante os últimos minutos da meditação. então. "Vamos então r efletir sobre os efeitos imediatos da raiva dessa pessoa. Também sofrerei todas as conseqüências. Vejamos que nós mesmos estivemos nesse estado muita s vezes. Portanto. meditemos e façamos essa visualização po r alguns minutos. uma vez que tenhamos tomado essa decisão. pode-se considerar que essa abordagem usa a lógica para ne utralizar a raiva e o ódio. apenas permitindo que nossa mente se detenha na resolução de não se deixar influenciar pela raiva ou pelo ódio. bem como para cultivar os antídotos da paciência e da tole rância.Imaginemos uma situação na qual alguém que conhecemos muito bem. está gerando vibrações muito neg ativas e até mesmo chegou ao ponto de se ferir ou de quebrar objetos. agora está transformada nessa pessoa feia. alguém que nos irrite. para combater esses estados mentais nocivos através do entendim ento. Tomemos a seguinte resolução: `Nunca me deixarei dominar por raiva e ódio tão i ntensos porque. esteja em circunstâncias nas quais ele tenha um acesso de raiva. perderei minha paz de espírito. No entanto.megacursos.Vamos fazer outra meditação com o recurso da visualização. que nos cause muito s problemas ou que nos dê nos nervos. alguém que n os seja íntimo e querido. o método básico do Dalai-Lama par a superar a raiva e o ódio envolvia o uso do raciocínio e da análise para investigar a s causas da raiva.

deixemos que nossa reação natural se manifeste. vamos dizer a nós mesmos "No futuro. No entanto. quando visualizarmos essa parte. E então. Esse sistema atende a uma função importante . Depois vejamos como nos sentimos. se eu tivesse a faculdade cognitiva. se descobrirmos q ue "Sim. durante os últimos minutos do exerci. eu perco minha paz de espírito". O lado adaptativo da preocupação consiste em que ela nos permite prever o perigo e tomar medidas preventivas. começando a tarefa de combater a raiva. vejamos se imediatamente retor namos à serenidade ou se desenvolvemos algum desconforto mental. de nada adianta permitir que a irritação cresça. Estima~se que ao long o da vida pelo menos um em cada quatro norte-americanos irá sofrer de uma ansiedad e ou preocupação de intensidade debilitante. durante alguns minutos." Va mos desenvolver essa determinação. De imediato. Por isso. E. ao fim da nossa investigação. olhan do ao re or do salão de estudantes sinceros que se pre paravam para praticar essa meditação. mesmo aqueles que nunca passaram por um estado de ansiedade patolõgica ou íncapacítante.ç AR TE DA FELICIDADE cio. grave o suficiente para preencher os cr itérios do diagnóstico médico de um transtorno da ansiedade.Creio que. vam os investigar e experimentar. em imaginação. ri u e acrescentou. entre outras coisas. Capítulo . sentimentos de medo e ansiedade podem persi stir e até se agravar na ausência de uma Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. A ARTE DA FELICIDADE O cérebro humano é e quipado com um sistema sofisticado projetado para registrar as emoções do medo e da preocupação.pessoa nos aborreça. talvez três ou quatro. O Talai-Lama parou por um instante e então. a ca pacidade ou a nitidez de Percepção para ler o pensamen to dos outros. vejamos se isso pro voca uma aceleração do ritmo dos nossos batimentos cardíacos. Ana lisemos se nos sentimos à vontade ou constrangidos. investiguemos. Essa é a meditação.ele nos mobiliza para reagir ao perigo pondo em andamento uma complexa seqüência de eventos bioquímicos e fisiológico s. No entanto. em uma ou outra ocasião vivenciam níveis excessivos de preocupação e ansiedade que não servem a nenh um objetivo útil e não fazem nada a não ser solapar a felicidade e interferir com a ca pacidade da pessoa de realizar suas metas. ou faça alguma coisa que nos ofenda ou perturbe. veria um ma ravilhoso espetáculo aqui! COMO LIDAR COM A ANSIEDADE Um burburinho de risos perco rreu a platéia e logo se E REFORÇAR O AM O R-P RÓP RIO extinguiu à medica que os ouvinte s iniciavam a meditação.com.megacursos.br 155 .Z4 . Portanto. não agirei mais desse modo. que ela flua espontaneamente. Julguemos por nós m esmos. fixemos nossa mente com atenção concentrada nessa Conclusão ou d eterminação. Finalmente. certos tipos de medo e um certo nível de pr eocupação podem ser saudáveis.

Nos casos mais graves de ansiedade. incluídos a redução da função imunológica. a medicação pode ser útil como pa rte do tratamento. a tensão e a dor muscular. bem como sua substituição por atitudes e pensamentos positiv os bem ponderados. que pode haver muitos fatores que contribuam para a experiência da ansiedade. Quando procuramos estratégias para lidar com a ansiedade. devemos pri meiro reconhecer. e. essa técnica envolve um enérgicos questionamento dos pensamentos geradores de ansiedade. Isso incluiria em primeiro lugar a eliminação da possi bilidade de qualquer condição médica subjacente ser a causa da nossa ansiedade. Algumas pessoas pareA SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS cem ter uma certa vul nerabilidade neurológica à vivência de estados de preocupação e ansiedade. entre eles. Ela também pode levar a problem as físicos. quando essas emoções crescem além de qualquer proporção com relação a erigo real. a boa notícia é que há algo que podemos fazer a respeito dela. Esse é um dos principais métodos usados pelo Dalai-Lama para dominar a ansiedade e as preocupações do dia-a-dia. Não importa. e há po cas dúvidas quanto ao fato de o aprendizado e o condicionamento desempenharem um p apel importante na sua etiologia. Por aplicar o A ARTE DA 1FELICIDADE mesmo procedimento utilizado c om a raiva e o ódio. Na busca por estratégias práticas para superar a ansiedade. e eu pude s entir minha ansiedade subir momentos antes da nossa entrevista quando fui inform ado pelo seu secretário de Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Em decorrência da extrema difusão da ansiedade na nossa cultura. há uma técn ica que sobressai por ser especialmente eficaz: a intervenção cognitiva. No entanto. ter efeitos devastadores na mente e no corpo. eu tinha muita vontade de levantar essa questão com o Dalai-Lama e descobrir como ele lida com ela. Entretanto.ameaça autêntica. como salientou o Dalai-Lama. se nossa ansiedade é predominant emente física ou psicológica na sua origem. porém. Cientistas desc obriram recentemente um gene que está associado à propensão à ansiedade e ao pensamento negativo. as doenças cardíacas.megacursos. elas se tornam sinais de má adaptação. os ornos gastrintestinais. Sua agenda estava especialmente cheia naquele dia. Do ponto de vista mental. porém. aument ar a irritabilidade e bloquear nossa eficácia geral. como o Dalai-Lama salientará. a ansiedade crônica pode prejudicar o discernimento. a maioria daqueles de nós que são atormentados por an siedade e preocupações incômodas do dia-a-dia não precisará de intervenção farmacológica. Em alguns casos.br 156 . E. Já se demonstrou por ex emplo que transtornos da ansiedade provocaram a inibição do crescimento em meninas a dolescentes. tornan do-se a fonte de muito sofrimento emocional e até mesmo de enfermidades físicas. E alistas no campo do controle da ansiedade em geral são da opinião de que o melhor é um a abordagem multidimensional. nem todos os casos de preocupação tóxica têm origem genética. cultivar a compaixão e aprofundar nossa ligação com os outros pode promover a boa higiene mental e ajudar a combater estado s ansiosos. A ansiedade e a preocupação excessivas podem. A dedi cação ao aprimoramento da nossa saúde física através da dieta e exercícios adequados também de ajudar. como a raiva e o ódio.com. a fadiga. pode haver um forte c omponente biológico.

Passava po r algum lugar escuro. Constt uído originalmente pelo rei tibetano Song-tsen Gampo no século VII. Esses medos podem ser baseados principalmente em projeções mentais. . "Por exemplo.megacursos. Alguns são muito genuínos. com sua abordagem tipic amente meticulosa. como quando eu era criança. se temos sentimentos negativos.Deu uma ris ada. com tranqüilidade. creio eu. Ter esse tipo de medo faz com que ado tezhos o caminho correto. sejam de crescimento interior. Portanto. alguns medos são nos?a própria ~r iação. Sentindo-me sem tempo suficiente e preocu pado com a possibilidade de que ele não pudesse tratar de todos os tópicos que eu qu eria examinar. creio que talvez poda haver alguma diferença ent re o temor a essas circunstancias e a Aercepção pela mente da natureza destrutiva ce ssas circUns_ tâncias. sejam e las exteriores. .com.. enquanto eu lançava clhares furtivos na direção do relógio. como por exemplo o medo ca violê cia ou do derramamento de sangue. Estava claro q ue ele não se sentia tão pressionado pela falta de tempo quanto teu. Parou de falar por alguns momentos e parecia estar em pro funda reflexão. que então nos a paiece como alguém negativo e hostil. Resultado.Por outro lado. que cheguemos mais peru de nos tr~ns_ formarmos em pes soas sensíveis. Finalmente. quando eu era pequeno. e sentia medo. voltando a ser reconstruído ape><Zas no séculcy-II A ARTE DA FELICIDADE do inteiramente na lprojeção mental. sentei-me rapidamente e comecei a falar.O Dalai-Lama riu ainda mais.E eu realment e acreditava nelas! "Há outros tipc>s de medo baseados na projeção mental". as pessoas cque varr iam o chão e as que cuidavam de mim sempre nlp avisavam que havia uma coruja que p egava ás criancinhas e as devorava! . . sentimos medo. _ p senhor sabe que o wedo e a ansiedade podem ser um grande obstáculo à realização das nossas metas.Embora em certo s entido esses sejam tipos de medo. em deec>rrência da nossa própria situação mental. _ Ao lidar com o medo.. Qual é o melhor método para superar o medo e a ansiedade? Resistindo ao meu convite para simplificar demais a questão. temos vários métodos para lidar com esses aspectos. regredindo à minha tendência intermitente de tentar extrair dele respostas simplistas. Existe também o melo relacionado às conseqüências negativas a longo prazo das nossos fitos negativos. tle foi mais tar de destruído. como 0 ódio. têm como base motiA SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULO vos legítimos. Esse tipo de medo. o Dalai-Lama respondeu. mas estou curioso para saber seu ponto de vista. con tinuou a falar. especialmente por alguns dos aposen_ tos escuros no Potala *. prosseguiu ele. . podemos projefar nossos sentimentos na outra pessoa. . medo d~s nossas e~.Por e:cemPlo. Vemos ciaram-'nte que esses atos são muito nociv os.br 157 . Ou. Esse medo era basea' O Potala era o tradicional palácio de inver nd dos Dalai-Lamas. e um símbolo do patrimônio religioso e histórico do Tibete. ao Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Em psiquiatria. creio que precisamos antes de mais nad a reconhecer que existem muitos tipos diferentes de medo. Creio que esses são os ~e_ dos certos.Ele pagou para rç~fletir e depois conjecturou.no_ ções negativas. está relacionado ao ódio e ocorre como uma espécie de criação mental.que teríamos de abreviar nossa conversa. há medos muito infantis. o medo do sofrimento. .

assentindo com a cabeça . precisamos primeiro recorrer à nossa faculdade do raciocínio e pro curar descobrir se existe ou não um motivo legítimo para nosso medo. não conseguiremos descobrir se existe ou não uma solução para ele. não precisarmos nos sentir do minados por ela. O senhor tem alguma sugestão so bre corno lidar com isso? . creio ser necessário examinar a situação específica. Em outras palavras. Tem mais de 400m de comprimento. não há necessidade de preocupação. menos ele nos in comodará. Vamos nos relembrar repet idamente dessa atitude. nenhuma possibilidade de equacionar o problema. também não fará sentido nos preocuparmos já que não poderemos fazer nada a res peito mesmo. de um medo intenso ou de foco concentrado relativo a uma situação ou a um indivíduo es pecífico. É mais sensato gas tar a energia voltando a atenção para a solução do que nos preocupando com o problema. Por exemplo. talvez precisemos refletir um pouco mais sobre esses pontos e reforçar essas idéias.lidar com o medo. Seja como for. A atitude acertada consiste em procurar a solução. de modo semelhante ao medo. para que lidemos com a ansiedade com eficácia. mas isso não significa que sempre vá funcionar. salões de reu nião." .Uma das abcrdagens .. "Quer dizer que. creio que esse enfoque pode ajudar a redu zir a ansiedade e a preocupação. A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS te pensamento: Se a situação ou probl for tal que possa ser resolvida. essa fórmula implica que enfrentemos direto o problema. muitos de rtós são atormentados por mais de uma preocupação difusa e permanente acerca de uma variedade de problemas do dia-a-dia. ." Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. podem ter orige ns 303 RTE DA FELICIDADE biológicas. pode haver difer entes tipos de ansiedade.. o que de acordo com o si stema médico tibetano poderia indicar um desequilíbrio de níveis de energia sutil. Nesse caso. A estrutura atual atinge a altu ra majestosa de 132 metros a partir do togo da "Montanha Vermelha" em Lhasa. iam tipo. treze andares e mais de mil aposentos. Se esti vermos lidando com uma ansiedade permanente.megacursos.E se pe nsar nisso não ajudar a aliviar nossa ansiedade? .que eu pessoalmente considero úteis para reduzir esse tipo de preocupação cons iste em cultivar o seguinpelo quinto Dalai-Laml. Se não for assim. precisamos identificar seu tipo e sua causa.respondeu ele. Naturalmente. em ve. Po r exemplo. poderia envolver o medo de parecer tolo diante dos outros ou o meda de que os outro9 possam ter má opinião a nosso respeita. que imagino que possa ser comum .Bem.Bem. Existem tipos diferentes de ansiedade e causas diferentes para ela. e para esses o tratamento médico pode ser útil.com.br 158 . exatamente como alguns tipos de depressão. santuárip~ e capelas. senão houver saída. P ortanto. se houver uma solução ou uma saída para essa dificuldade. alguns tipos de ansiedade ou nervosismo poderiam ter origens biológicas : algumas pessoas têm a tendência a suar nas palmas das mãos. Alg uns tipos de ansiedade. nenhuma solução. quanto mais rápido aceitarmos esse fato. P or outro lado.

disse ele. não o de exibir meu conhecimento. não fazem diferença. prosseguiu: Creio que ter a honestidade e a motivação adequada é o segredo para superar esses tipos de medo e ansiedade. interrompendo-o. Lembro-me de que depois meu intérprete.. . uma sensação de ser incompetente. com provocações por esse motivo. . com essa motivação. porém. assentindo em silêncio enquanto eu falava.E então como é que o senhor lida com esse tipo de ansiedade? . Aqueles que não entendo perfeitamente. em 1954 na China.. Talvez tenha sido sua at itude de compreensão solidária. enquanto ele mais uma vez parecia estar imerso em meticulosas considerações e reflexões. baixinho. Descobri. . . imediatannente antes do início de uma palestra ou de ensinamentos ao púb liA SLIPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS co. "Creio que até mesmo h oje em dia. Naquela ocasião. mas. num tom queixoso e sem afetação. o objetivo de proferir a conferência.a. é o de pelo menos tr azer algum benefício às pessoas. que u motivação sincera atua como um antídoto para reduzir o medo e a ansiedade. 305 A ARTE DA FELICIDADE O Dalai-Lama escutava com atenção. aqueles p ontos que conheço eu me disponho a explicar. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. O Dolai-Lama deu uma forte risada e respondeu sem hesitar._ O . .Bem. costumo me lembra r de que a razão principal. se estou ansioso antes de uma palestra. por que o senhor ace itou o convite para transmitir os ensinamentos para começo de conversa?"' Ele riu novamente.O Dalai-Lama riu com essa lembrança. e ficamos sentados em silêncio por muito tempo. Naque la época. Digo apenas que para mim aquilo é difícil. antes que eu me desse conta. eu estava tão nervoso que. Afinal. um comunista tibetana que era de grande confiança e muito meu amigo. ..senhor alguma vez sentiu esse tipo de arisiedade ou nervosismo? perguntei.refleti por um instante..com. Portanto. mergulhei direto no assunto ern pauta! . no momento em que me sentei. sempre sinto um pouco de ansiedade. eu não estava perfeitamente familiarizado como protocolo correto e as conv enções. Por isso. O procedimento habitual para uma reunião consistia em começar com algum tipo de conversa informal e só então passar para o exame da assunto em pauta. e tarrnbém em outra ocasião em reunião com Chou En-lai. Não há nenhum motivo para esconder nada. às vezes a ansiedade envolve mais do que a sensação de par ecer bobo diante dos outros. Portanto. no primeiro dia de reunirão com o Presidente Mao Tsé-tung.Cl ero que sim! _ O senhor pode dar um exemplo? Ele pensou por um momento antes de responder. Não sei ao certo o que foi. Fez uma pausa. alguns dos meus auxiliares costumam me dizer: `Se era esse o caso. nem para fingir.. não preci so me preocupar quanto a parecer bobo ou me incomodar com o que outros pensem de mim. portanto.br 159 . Com esse ponto de vista.pergunte i. por exemplo. .megacursos. Ela é mais como um medo do fracasso.Não sei. olhou pira mim e começou a rir. eu já tinha passado do exame de questões gerais e amplas para pedir conselhos sobre como lidar com meu s próprios medos e ansiedades.Or. ponderando quanta informação pessoal deve ria revelar. .

mesmo que eu cometa um erro ou fracasse.. que atua como um escudo contra esses sentimentos de medo e ansiedade. Mas creio que está se saindo bem. "No meu caso. se cultivarmos uma motivação orientada pela compaixão. a motivarão sin cera elimina o medo e nos proporciona segurança. pode remos realizar qualquer tipo de trabalho em qualquer campo e funcionar com eficáci a muito maior. na compaixão e no respeito. como ajudá-las. Se desenvolvermos uma motivação pura e sincera. com meus pacientes. Nesses casos.. como que impotente . Mas creio que o principal é a motivação . Por outro lado. Portanto. alguns são muito difíceis de t ratar.respondi. realmente ficaremos nervoso s. Então.Faz com que eu me sinta incompetente. por exemplo. é claro que às vezes surge uma ansiedade. não há m vo para remorso. e isso gera de fato um certo tipo de medo.com.Pelo menos isso . nesse caso se falharmos. às vezes.. e naturalmente não posso ajudar to do o mundo. . "Portanto. caso fracassemos. Porém.disse ele.. Ele escut ou com ar solene e perguntou com uma voz benévola.Então. Assim. Aqui. Há alguns pacientes com grav es transtornos da personalidade. em circunstâncias nas quais algumas soluções estão fora do alcance da m nha capacidade. Depois.. se fracassei.Você diria que consegue ajudar 70% dos seus pacientes? . eu procuro me lembrar de que. No meu caso. se nossa motivação oc ulta for a de enganar alguém. .. creio que não há nenhum problema nesse caso . no qu e diz respeito à minha motivação. é só dar o melhor de nós e não temos de nos preocupar com isso. fiz o que pude. creio que a motivação correta pode ser uma espécie de proteção.megacursos. curas milagrosas e assim por diante. Da minha parte. sou sincero e que me esforcei ao máximo.Não sei. . se m temer se acabaremos tendo ou não sucesso na realização do nosso Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. foi por que a situação estava fora do alcance dos meus melhores esforços.queixei-me. eu simplesmente não sei o que fazer com essas pessoas. uma motivação de compaixão.. se formos motivad por um desejo de ajudar alicerçado na generosidade. com menos receio ou preocupação. .br 160 . dando-me um tapinha de leve na mão. de ansiedade. eu talvez sugerisse que você pensass e em mudar de profissão. há ambém naturalmente algumas situações que são tremendamente delicadas ou sérias e represent am uma enorme responsabilidade. casos em que não se trata de fazer um diagnóstico preciso como o da depressão ou de alguma outra enfermidade que seja de cura fácil. Pa rece que não consigo captar o que está acontecendo com elas.Se você cons eguisse ajudar apenas 30% dos seus pacientes. A motivação é importantíssima. por exemplo. que não respondem à medicação e que não cons eguem apresentar grande progresso na psicoterapia apesar dos meus melhores esforço s. todas as ações A ARTE DA FELICIDAIì umanas podem ser encaradas em termos de movimento. voltamos à importância da motivação. Às vezes. Creio que o pior é quando as pessoas põem muita conf iança ou fé em mim. Com efeito. não hav erá nenhum remorso. Com uma motiv ação sincera. ainda mais uma vez.ter uma sincera motivação para ajuda r. Muitas estão procurando por milagres. as 3o6 A SUP ERAÇÃO DE OBSTÁCULOS pessoas também me procuram pedindo ajuda. mais u ma vez. e o agente por trás de todas as ações é nossa motivação. E isso faz com que eu m e sinta imobilizado. sem ter medo da opinião dos outros.

o dinheiro ou o poder. Há um contraste interessante en tre o enfoque do Dalai-Lama quanto à motivação humana e o da psicologia e da ciência oci dental. Se ele não tiver solução. analisando ta nto as necessidades e impulsos instintivos quanto os adquiridos. almocei com um grupo de pessoas entre as quais se incluía um rapaz q ue eu ainda não conhecia. A primeira envolve um combate enérgico à preocupação e rumin ação crônica. através da aplicação de um pensamento neutralizador: relembrando-nes de que s o problema tiver uma solução. No sistema do Dalai-Lama para treinar a mente e alcançar a felicidade. em vez de dar ênfase ao êxito em alcançar o sucesso material. O segundo antídoto é uma solução de alcance mais amplo. faz sentido nos preocuparmos. com uma motivação perversa. Não muito tempo depois dessa última conversa com o Dal ai-Lama. quanto mais nos aproximamos de ser motivados pelo altruísmo. o Da lai-Lama concentrou-se em desenvolver e usar impulsos adquiridos para melhorar n osso "entusiasmo e determinação".br 161 .objetivo. No entanto. Nesse nível. Tom ar distância. até quando nossa motivação não chega a ser totalmente altruísta. Porém. Como examnamos anteriormente. E le envolve a transformação Ja nossa motivação fundamental. isso é semelhante à opinião de muit os "especialistas em motivação" do Ocidente. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. não há necessidade de preocupação. e que os teóricos ocidentais dedicam sua atenção total a categorizar os padrões das motivações humanas. que também procuram de modo convencional reforçar nosso entusiasmo e determinação no sentido de realizar objetivos. Mesmo que deixemos de alcançar nosso objetivo." fi o examinar os antídotos para a ansiedade. mesmo diante de circunstâncias extre mamente propensas a gerar ansiedade. poderemos ter a boa sensação de termos túntado. tanto mais destemidos nos tornamos. Sob alguns aspectos. pesquisadores que estudaram a motivação humana inves3ot3 A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS tigaram os motivos humanos normais. No entanto. o interesse primordial do DalaiLama p ela motivação humana reside em reformular e mudarnossa motivação fundamental por uma mot ivação voltada para a compaixão e a benevolência. ou nós podemos atingir nossos objetivos. a diferença é que o DalaiLama procura forjar a determinação e o entusiasmo com 0 objeti vo de que nos dediquemos a comportamentos mais salutares e eliminemos traços menta is negativos. cada uma atuando num nível diferente. o Dalai-Lama oferece duas soluções.com. o mesmo princípio pode ser aplicado de m odo menos importante. E talvez a diferença mais surpreendente seja a seguinte: ao passo que os "especialistas em motivação" estão ocupados insuflando as chamas de motivos já exist entes para o sucesso material.megacursos. simplesmente ter certeza de que não pre309 A ARTE DA FELICIDADE tendem os prejudicar ninguém e de que nossa motivação é sincera podem ajudar a reduzira ansieda de em situações normais do dia-a-dia. as pessoas podem nos elogia r. mas ainda assim não seremos felizes.

se eu tiver certeza de que não há nada de errado com minha motivação e se não me esquecer disso. eu ex perimentei.megacursos. a técn ca pode ajudar na próxima vez em que eu estiver na mesma situação. . e realmente funciona! Foi com uma garota que trabalha numa loja de d epartamentos no shopping center. mas só coisa s boas.Bem. Pois bem. . o estudante me confiou que sempre havia sido terrivelmente tímido e muito ansioso em situações sociais. mas dessa vez comecei a pensar na minha motivaçào para fazer o convit e. cria r uma empresa de sucesso. ele disse ameia vo z. mas acho que a parte mais difícil é ter essa m otivação sublime voltada para a benevolência e para a compaixão. O excesso de confiança em si mesmo pode ser Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. que eu não desejava nenhum mal nem a ela nem a mim. tudo isso é bem interessante. Por isso.LPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS não a conhecia e sempre fui mui to tímido e ansioso.tive de admitir. Fiquei um pouco decepcionado. para enfrentar desafios e até mesmo para assumir alguns riscos quando necessário na busc a da realização dos nossos objetivos. no outro dia. .A ARTE DA FELICIDA DE A HONESTIDADE COMO ANTÍDOTO PARA O BAIXO AMOR-PRÓPRIO OU PARA O EXCESSO DE CONFIA NÇA EM SI MESMO Uma noção salutar de confiança é um fator crítico para atingirmos nossos ob etivos. Mas por trás dessa aspiração e existe é simplesmente o desejo de poder encontrar alguém que eu ame e que me ame. . Sempre tive vontade de convidá-la para sair. Durante o almoço.com. nunca lhe dirigi a palavra. Por acaso. e nós termin amos nosso almoço. Um baixo amor-próprio inibe nossos esforços para avançar. e eu relatei a troca de idéias sobre a superação da ansiedade. Depois de ouvir calado enquanto eu descrevia a idéia da "mo tivação sincera como um antídoto para a ansiedade". que minha motivação era sincera. O simples fato de manter essa idéia em mente e de me lembrar dela algumas vezes pareceu me ajudar de alguma forma: ele me deu coragem para iniciar uma con versa com ela.Pois bem. alguém perguntou como estava indo minha série de conversas com o Dalai-Lama. Pensando em como poderia aplicar essa técnica para superar sua própria ansiedade. e que eu já vi muitas vezes.Fico feliz de saber . fui lá de novo.disse eu. E isso fez com que eu me desse conta de que.Bem. percebi que nada havia de errado com esse desejo. -Está lembrado de termos falado da motivação e da ansie dade no outro dia? perguntou ele. abordando-me em tom animado. . . Isso vale tanto se nosso objetivo for obter um diploma universitário. Quando pensei nisso. ter um relacionamento satisfatório ou treinar a mente pa ra sermos mais felizes. acabei descobrindo que ela já tem um namorad o firme.estudante de uma universidade local. mas é maravilhoso eu pelo menos ter sido capaz de reunir forças para falar com ela.Suponho que seja mesm o . A conversa em geral passou para outros assuntos. Meu coração ainda estava batendo forte. Já foi ótimo eu ter conseguido superar minha timidez. deparei com o mesmo estudante universitário na semana seguinte no mesmo restaurante. mas eu A ".O que aconteceu depois? . mas tudo bem.br 162 . É claro que minha motivação é que eu gostaria de namorá-la.

a s uperioridade desses indivíduos costuma resultar numa noção de arrogar-se direitos e nu ma espécie de altivez que os distancia dos outros e impede relacionamentos satisfa tórios em termos emocionais. mui tas dessas pessoas recorrem à psicoterapia.tor_ nos nos primeiros anos de cr iação da pessoa. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ele apresenta um méto do para combater diretamente esses estados mentais negativos. numa disposição fil osófica. decepções e acessos de rai quando a realidade se manifesta e o mundo não corrobora a visão idealizada que têm de si mesmos.igualmente nocivo. conceituando por exem plo o enaltecimento dle si mesmo como uma defesa inconsciente contra inseguranças latentes e sentimentos negativos que o indivíduo nutre por si mesmo. Além disso. Em especial. a cada ano milhares de artigos eram pu blicados com análises de questões relacionadas ao amor-próprio e à confiança em si mesmo. Eles explicam como a autoimagem é forma da à medida que as pessoas internalizam o retorno que obtêm do ambiente. teóricos assosciaram tanto a insuficiência quanto o excesso de confiança em si mesmo a transtornos na imagem que a pessoa faz de si própria e foram procurar as origens desses trans. De~crevem c omo as pessoas desenvolvem seus conceitos de quem são por meio da incorporação de mens agens explícitas e implícitas a respeito de si mesmas recebidas dos pais. Em vez de perguntar por que as pessoas têm um baixo amor-próprio ou um excesso de confiança em si mesmas. os psicoterapeutas de orientalção psicanalítica formularam teorias sofisticadas sobre como ocorrem distorções na imagem de si mesmo.br 163 . Quando transtornos na auto-imagem são graves c) suficiente para causar problemas significativos nas suas vjdas.com. Com isso em mente. Como o inspetor Dirty Harry Callahan. Nas últimas décadas. Psicoterapeutas que trabalham com o in sight concentram-se em ajudar os pacientes a adquirir uma compreensão dos modelos desajustados dos seus primeiros relacionamentos. superestimar sua capacidade pode levá-los a assumir riscos perigosos. Finalmente. e como pod em ocorrer distorções quando as primeiras Interações com quem cuida delas não são nem salut res :nem propiciadoras do seu desenvolvimento. Já o Dalai-Lama concentra sua atençào em "arrancar a flecha" em vez de perd er tempo procurando saber quem a atirou. e de como es tá associada ao cultivo da paciência e da tolerância. a natureza do "eu" foi um dos tópicos mais pesquisados no campo da psicologia. nos diz no filme Magnum 44 (enquanto observa o vilão exageradamente confian te ir pelos ares): "Cada um precisa conhecer suas limitações-. Na déc ada de 1980. pacien tes possam aos poucos reestruturar e corrigir sua ãutoA ARTE IDA FELICIDADE imagem negativa. . Muitos te~óricos encaram tanto a imagem depreciada de si mesmo quian_ to a imagem superestimada como dois lados da mesma moeda. que foram a causa do problema. a "década do eu". por exemplo. Aqueles que sofrem de uma noção exagerada das suas próprias capacid ades e realizações estão permanentemente sujeitos a frustrações. o senhor falou da humildade como uma característica positiva.megacursos. e fornecem um feedback adequado bem como um ambiente terapêutico no qual o. abordei o tema com o Dalai-Lama. A SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS N a tradição da psicoterapia ocidental.Numa das nossas outras con versas. E eles estão sempre a um passo de afundar na depressão quando não conseguem se posicionar à altura da idealização da imagem que fazem de si mesmos.

. E essa autoconfiança pode ser muito importante porque ela nos proporciona u ma certa ousadia mental que nos ajuda a realizar grandes objetivos. parece que a humildade é em grande parte preterida. embora não em termos negativo s.br 164 . . Entre as duas parece às vezes haver uma difer ença mínima. considera-se muito i mportante evitar ou superar a arrogância. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. .. Com efeito.Na psicologia ocidental. são relacionados sete tipos diferentes de arrogância.Então.. mas de fato pode se tratar simp lesmente de arrogância.E deu uma risada. Ela está baseada em motivos legítimos. Como podemos reconhecer a diferença entre elas e cultivar uma enquanto pr ocuramos reduzir a outra? . e na nossa cultura em geral. a arrogância é classificada co mo uma das "emoções doentias básicas". os grandes praticantes espirituais são aqueles que fizeram um voto. Podemos ter A ARTE DA FELICIDADE uma sensação de superioridade muito legíti ma ou segura com relação a outra pessoa. nas c ircunstâncias do dia-a-dia.admitiu ele.O DalaiLama fez uma pausa e brincou.respondeu o Dalai-Lama -. .Bem. .megacursos. Portanto.É verdade. de erradicar A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS todos os seus estados mentais negativos a fim de ajudar a trazer a felicidade máxima a todos os seres se ncientes.. e essa sensação poderia ser bastante justificad a e ter fundamento. embora esse assunto possa ser muito complexo... . como podemos distinguir entre as duas? . Portanto. Mas também é considerado importante desenvol ver um forte sentido de autoconfiança. . De certo mod o. Essa seria a arrogância. eu os consideraria heróis. o que na superfície pode parecer uma forma de arrogância talvez na realidade sej a um tipo de autoconfiança e coragem admiti.indaguei. Eles têm esse tipo de sonho e aspiração. isso pode dar a impressão de uma espécie de arrogância.Talvez a pessoa devesse ir à justiça para descobrir se seu caso é de orgulho exagerado ou arrogân cia! . para que se desenvolvam qualidades como altos níveis de am orpróprio e de confiança em si mesmo. Entendo que.Às vezes é dificílimo distinguir entre a confiança e a arrogân cia .. seja do ponto de vista do indivíduo. ou d esenvolveram a determinação. eu os consideraria m uito corajosos.reconheceu o Dalai-Lama. porém. ou exageradamente egocêntrica? .Para as pessoas normais. Portanto. Com efeito.com. Talvez um modo de distinguir entre as duas seja ver se ela é le gítima ou não. e las podem parecer semelhantes. Eu queria apenas saber o seguinte. nesse caso. já li que. . totalmente inf undada. Isso exige uma fortíssima noção de autoc nfiança. é verdade . Mas também poderia haver uma noção exagerada do eu. para um grande mestre espiritu al.Creio às vezes que só é possível fazer uma avaliação em retrospectiva. segundo o budismo. no Ocidente confere-se muita impor tância a esses atributos. é mais provável que ocorra o oposto: alguém parece ter forte confiança em si mesmo ou alto grau de amor-próprio.Mas uma pessoa arrogante sempre acha que tem um motivo válido para. O senhor acha que os ocidentais às vezes tendem a dar ênfase excessiva à confiança em si mesmos? Que essa ati tude é um pouco complacente demais. de acordo com um sistema. Por exemplo. em termos do seu estado fenomenológico. seja do ponto de vista de uma terceira pessoa.Não necessariamen te .

está interess ado exclusivamente na realização do nosso próprio interesse. dos nossos desejos egoístas . isso não lhe causa uma certa falta de confiança nas suas capacidades? .. quanto mais honestos nós formos. nesse caso. está implícito que s e tem uma espécie de crença de que se pode realizar aquilo. poderí pensar em termos das conseqüências das nossas atitudes.Sabe. Por exemlplo. Além da contemplaação do n osso sofrimento... se alguma coisa está dentro da Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ou do "ego". t emos uma quantidaade de disciplinas. Então. de que. O outro sentido do ego ou da n oção do eu tem como base um interesEA SUYERAÇÀO DE OBSTÁCULOS se verdadeiro) pelos outros e o desejo de ser útil. menos medo vamos ter. (estivemos conversando sobre o desenvolvi mento de urrna autoconfiança salutar. creio ser preciso ter em mente o que queremos dizer quando usamos as expre ssões "falta de confiança" ou "ter confiança" em relação a algum ato específico ou o que qu r que seja. ao passo que a autoconfiança salutar gera conseqüênci as mais positivas. pensando que aquilo era tudo o ~ que ele diria sobre o tema. a tarefa está ao nosso alcance. Mesmo que o senhor tenha uma motivação fundamental cor reta... com total menosprezo pelo bem-estar dos outros. Para que possa realizam esse desejo de ser útil. com ecei a folhear minhas anotaações para passar para um tópico novo. mais francos nós formos. se pensarmos sobre quantos campos nos são desconhecidos. De repente. e assim por diante. se a pessoa reeconhecesse o orgulho como defeito e desejasse superá-Ido. é preciso examinar qual é o sentido subjacente ao "si mesmo". ele volt ou a falar. Um sentido do eu.Estou in teressado em examinar um pouco mais como o senhor lida pessoalmente com a questão da autoconfiança. . isso pode ajudar a superam o orgulho. existe alguma outra técnica ou antídoto para trabalhar com o orgulh o? . O senhor já mencionou que as pessoas parecem procurá-lo com a expect ativa de que o senhor realize milagres.O senhzor quer dizer ser honesto com nós m esmos a respeito das mossas capacidades e assim por diante? Ou está se referindo a a ser honesto com os outros? A ARTE DA FELICIDADE . Portanto.Um ant!tídoto consiste em refletir sobre a diversidade de disciplinass das qu ais não temos nenhum conhecimento.prosseguiu -. Para termos falta de confiança quanto a alguma coisa. e eu. creio que.Nesse caso. . quando estamos lidando com a "confiança e m si mesmo".com. num tom pensativo. em termos gerais .Ao traçar a distinção entre a presunção e a autoconfiança legítima . é preciso que a pessoa tenha um i forte sentido de identidade e uma noção de autoconfiançaa. . Esse t ipo de autoconfiança é o que gera conseqüências pcositivas. O Dalai-LLama parou de falar. era o de con templar o próprio sofrimento: refletindo sobare todas as formas pelas quais estamo s sujeitos ou propernsos ao sofrimento.megacursos. Portanto.Os dois.Creio que anteriormente o senhor mencionou que um método paara ajudar a reduzir a arrogância ou o orgulho. Creio que talvez a honestidade (e a autoco nfiança estejam intimamente associadas.br 165 . A presunção e a arrogância geralme nte levam a conseqüências negativas. Por isso. . porque não haverá nenhuma ansiedade quanto à possibilidade de sermos desmascarados ou expostos aos outros. no sistema educacional moderno. mais autoconfiança teremos. Parecem pôr muita pressão nos seus ombros e ter expectativas muito altas. Creio que podemos classificar duas categorias. Quanto mais honest os.

muitas vezes presenciei demonstrações do Dalai-Lama de como a autoconfiança provém da A ARTE DA FELICIDADE hones tidade e objetividade quanto às nossas capacidades.. que faça algum milagre ou algo parecido. para começar. desviando-se do assunto. dar a impressão de ter o conhecimento. Lutou um pouco com o verso. que era extremamente complexo na sua lógica." Uma auto-avaliação destemida e honesta pode ser uma a rma poderosa contra a indecisão e a baixa autoconfiança.. de tudo perceber ou de agir corretamente em todas as A SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS circunstâncias.com. "Ora.. sem expl icações. porque. Ao contrário da atitude à qual eu estava acostumado entre conferencistas no meio acadêmico ou entre aqueles que se apresentavam como autoridades. qualquer decisão que sej a tomada faz com que eu me sinta muito confiante. sem tentar.nossa capacidade e nós não conseguimos realizá-la. Não espero de mim mesmo a capacidade de realizar feitos como os Budas plenamente iluminados: ser capaz de tudo conhecer. uma tarde em Tucson. isso me deixa totalmente constrangido. Peço a opinião aos meus amigos e depois debato a questão. e não há nenhuma noção de remorso por ter seguido aquela linha de ação. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos. e costumava fazer piadas a respeito.. em vez de me fazer sentir falta de confiança em mim mesmo. às vezes eu sinto uma falta de autoconfiança. Em resposta a risos simpáticos da platéia. por exemplo.br 166 . ' -Na realidade. no verso seguinte. ele riu ainda mais forte e comentou. Por ex emplo. sem precipitação. Mas geralmente consulto autoridade s e em alguns casos indivíduos que não sejam autoridades a respeito dessa situação. Por isso. confundiu-se e deu uma boa gargalhada. ele estava comentando um verso do Guide to the Bodhi sattva's Way of Life. Agora. começamos a pensar que talvez não sejam os suficientemente bons ou competentes. ele parecia extrair algum prazer quando deparava com uma pergunta difícil para a qual não tinha resposta. ao lidar com a situação com a Chi na. o fato de eu perceber que não consigo realizar milagres. "Em geral. de Shantideva. Foi uma total surpresa para mi m quando pela primeira vez eu : ) ouvi dizer "Eu não sei" diante de uma platéia nume rosa em resposta a uma pergunta. eu nunca acreditei que tive sse essa capacidade.Estou confu so! Acho melhor deixá-lo de lado. que não estamos à altura ou alguma idéia semel hante. Como muitas dessas decisões são toma das com base em conversas com várias pessoas. . isso não provoca uma falta de confiança. o Dalai-Lama admitiu sua falta de conhecimento sem embaraço. A crença do Dalai-Lama de que esse tipo de franqueza pode agir como um antídoto para esses estados mentais nega tivos foi de fato confirmada por uma série de estudos recentes que demonstram com clareza que as pessoas providas de uma visão realista e precisa de si mesmas têm a t endência a gostar mais de si mesmas e a ser mais confiantes do que aquelas com um autoconhecimento fraco ou impreciso. No entanto. creio que ser honesto consigo mesmo e com o s outros a respeito do que se ë ou do que não se é capaz de fazer pode neutralizar ess a sensação de falta de autoconfiança. Ao longo dos anos. qua ndo as pessoas me procuram e me pedem que as cure.

megacursos.Por isso. Passei então a detalhar os fatores que exacerbam o ódio a nós mesmos. Reuni-me com o Dalai-Lama num final de tarde. creio que nos ama mos e nos valorizamos demais. O que for duro ele simples mente deixa de lado. . ele prosseguiu: . e descrevi alguns dos modos pelos quais o ódio a nós mesmos pode ser corroborado em termos culturais. o Dalai-Lama fez uma pergunta. Ele lhe é familiar? .Existe uma expressão específica para essa abordagem. psicólogos e professores de meditação ocidentais. médicos. Como psiquiatra. . como ele ocorre? Descrevi-lhe sucintamente a visão psicológica de como surge o ódio a si mesmo.Nem por um instante ele se afastou da sua própria supr ema confiança. depois d e uma das suas sessões com os cientistas. como se ainda estivesse tendo alguma dificuldade para captar esse estranh o conceito. O que for macio ele come. você pod eria me explicar esse conceito.Quando aquelas p essoas estavam falando a respeito disso. . . Por isso. esp ecialmente em algumas mulheres e algumas minorias. A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS A REFLEXÃO SOBRE NOSSO POTENCIAL COMO UM ANTÍDOTO ARA O ÓDIO A NÓS MESMOS Numa viagem à índia em 1991. . Por esse ponto de vista. ele havia participado de reuniões diárias com um ilustre grupo de cient istas.com.Sei. o Dalai-Lama continuava a assentir. O motivo pelo qual eu a considerava tão inacreditável é que os budistas praticantes trabalham A ARTE DA FELICIDADE muito no esforço de superar nossa atitude egocêntrica . numa tentativa de exam inar a interaçào entre mente e corpo e compreender o relacionamento entre a experiênci a emocional e a saúde física. pensativo.. essa idéia do ódio a si mesmo era totalmente nova para mim .disse ele. É como um velho comendo.Pensei: "É claro que nos ama mos! Como uma pessoa pode se odiar?" Embora eu acreditasse ter alguma compreensão de como a mente funciona. nossos pensamentos e motivações egoístas.Você sabe que esta semana estive me encontrando co m uns cientistas? . com uma risada. um vel ho com dentes muito fracos. por hoje vamos d eixar esse verso de lado.. Enquanto eu estava analisando esses pontos. como captamos deles mensagens implícitas sobre nós mesmos à medida que crescemos e nos desenvolvemos. como por exemplo quando nosso comport amento não está à altura da nossa imagem idealizada de nós mesmos. Uma boa proporção dos meus pacientes sofre desse problema. dois anos antes da visita do DalaiLama ao Arizona. Expliquei-lhe como nossa imagem de nós m esmos é moldada pelos nossos pais e pela nossa criação. Naq uela semana. . encontrei-me rapidamente com ele na sua casa em Dharamsala.Sem dúvida. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. pensar na possibilidade de alguém não se val orizar e até mesmo de se odiar era algo totalmente incrível.. e delineei as condições específicas que geram uma imagem negativa de nós mesmos. Mais para o final da nossa entrevista.Ainda rindo. Esse conceito do "ódio a si mesmo". eu de início não tive certeza se estava ent endendo bem o conceito . com uma expressão cu riosa.Nesta semana foi levantado um assunto que considere i muito surpreendente.br 167 .

Desse modo.br 168 . ele ainda pode ser um obstáculo tremendo para muita gent e. uma definição do amor. Sua resposta inicial em si pode ser muito reveladora e benéfic a. oferecer-nos esperança e aumentar nosso compr omisso de eliminá-la.megacursos. O amor é difícil de definir. A maioria dos dados baseados em evidências experimentais estabeleceu. no fundo do seu íntimo. como todos os outros es tados mentais negativos que examinamos. O pressuposto de que o ódio a si mesmo é um probl ema humano muito comum leva a uma sensação impressionista de que se trata de uma car acterística profundamente entranhada na psique humana. depois de um exame mais mi nucioso. Decerto é um problema comum entre aqueles que procuram a psicoterapia. No entanto. Somente essa perc epção já serve para enfraquecer seu poder. E. pode surgir uma verdade penetrante nessa sua resposta." Existe na nossa sociedade uma idéia corrente. nesse caso na cultura tibetan a. essa resposta pode parecer incrivelmente ingênua à primeira vista. felizmente pode não estar tão disseminado quanto muitos acreditam. entret anto.Groucho Marx disse uma vez em tom espirituoso: "Eu nunca entraria para um clube que me aceitasse". e talvez Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Há dois pontos relacionados à sua notável reação que justificam um exame. Mark Twain 322 A SUPERAÇÀO DE OBSTÁCULOS disse : "Nenhum homem. o fato de que as pessoas têm a tendência (ou pelo menos é isso o que querem) a v er-se sob uma luz favorável. tomando essa visão pessimista da humanidade para incorporá-la às suas teorias psi cológicas. Embora ele sem dúvida ex ista. compartilhada por muitos psicoterapeutas contemporâneo s. cujo peso cai irrevogável nas nossas costas. Ela pode ser eliminada. não é uma parte intrínseca da mente bumana. de que o ódio a si mesmo prevalece na cultura ocidental. Porém. considera-se desprezível e indigna de ser amada. o fato de ela s er praticamente desconhecida em culturas inteiras. e pode haver definições diferentes. o psicólogo humanista Carl Rogers uma vez afirmou: "A maioria das pessoas se menospreza. Fiquei tão surpreso com a reação do Dalai-Lama quanto ele próprio ficou com o conceit o do ódio a si mesmo. "Odiara nós mesmos? É claro que nós nos amamos!": Para aqueles de nós que sof em de ódio a nós mesmos ou que conhecem alguém que tenha esse problema. nem é uma c aracterística indelével da nossa natureza. No entanto. O segundo ponto relacionado à reação inicial do Dalai-Lama foi sua contestação. uma tendência a basear sua opinião g eral sobre a natureza humana naqueles poucos indivíduos que entram nos seus consul tórios. é um forte sinal a nos lembrar que essa perturbação mental. El a não é algo com que já nascemos. sente algum respeito razoável por si mesmo" . classificando-se como "melhor do que a média" em pratic amente todas as pesquisas com perguntas sobre qualidades subjetivas e socialment e desejáveis. O primeiro co nsiste simplesmente no 323 A ARTE DA FELICIDADE fato de ele não estar familiarizad o com a existência do ódio a si mesmo. mas às vezes os psicoter apeutas com clínica particular têm uma visão parcial. Numa extensão desse tipo de atitude pessoal negativa que result ou numa observação sobre a natureza humana. embora o ódio a si mesmo possa não ser tão generalizado quanto normalmente se acredita.com.

Para aqueles que se dedicam à prática budista. elas deveriam se concentrar mais nos aspectos positivos da existência.com. por mais que detestemos algumas das nossas características. ao ponto em que a pessoa passa a ter pensamentos recorrentes de suicídio. por trás de tudo isso nós desejamos ser felizes. E. Portanto.a semente ou o potencial para a Perfeição.explicou -. às vezes encontrei os casos mais extremos de ódio a si m esmo. Àquela altura ele já estava familiarizado com o concei to e havia começado a desenvolver métodos para combater o problema. têm a natureza do Buda .sta. Logo. e q ual seria o antídoto para alguéill que nunca ouviu falar do conceito de natureza do BUCla ou chie pode não ser budista? . Podemos neutralizar diretamente pensamento s de autodesvalorização relembrando-nos de que. Ora.Do ponto de vi sta do budismo . ta is corno a avaliação do enorme potencial que se encontra dentro de nós como seres huma nos. não importa se o outro faça algo para nos ferir o u mesmo se gostamos dele ou não. é co nsiderado uma espécie de caso extremo que pode obviamente ser um obstáculo para que demos os passos necessários para atingir nossos objetivos.10-lnidi. Além disso. . e esse é um tip o profundo cie amor. o antídoto para o ódi o a si mesmo consistiria em refletir sobre o fato de que todos os seres humanos.Ber11.a forma mais pura e enaltecida desse sentimento. que já se tornou padrão. nós mesmos incluídos.cada um de nós deseja sinceramente sua própria felicidade. miserável ou carente que possa ser nossa si tuação atual.EIIl geral. não há nenhuma dúvida quan o a todos nós querermos ser felizes. rim ponto que poderíamos salientar para essas pessoas é que COMO seres humanos recebemos o dons dessa maravilhosa in teligência 11uinana. elas conseguir~ìo 111 1]ICI]til' seu sc°ntitlo de valor e sua autoconfiança. não de causá-lo. a idéia da morte em última análise se baseia no desejo (por mais desorientado e equivocado que seja) do indivíduo de se liberta r do sofrimento. para a plena Iluminação . e essa idéia sugere um poderoso antídoto ao ódio a nós mesmos. Um estado de ódio a si me smo é ainda mais extremo do que um simples desânimo e pode A . No entanto. em estado de desânimo. . estar em estado de depressão. talvez o Dalai-Lama não estivesse muito longe do alvo na sua crença de que todos nós temos um amorpróprio latente.megacursos. Propus rainha pergunta. originada da perspectiva de 1_1111 11.br 169 . aquelas pessoas envolvidas na prática budl~ta que 1XIdeceirl d e raiva ele si mesmas oci ódio ele si mesmas de\ el-ianl evitar a contemplação da natu reza sofrida da existência ou da natureza insatisfatória subjacente à existência. então cada um de nós d e fato ama a si mesmo. é um desejo total. No meu trabalho em consultório. ao refletir sobre essas OPOrtunidacles e potenciais. absoluto e inc ondicional da felicidade do outro. mesmo nos casos mais extremos. Em \ e z disso.ARTE DA FELICIDADE ser muitíssimo perigoso. no fundo do nosso coração. Portanto. Numa visita subseqüente a Dharamsala.por mais fraca. se nossa definiçáo do amor está A SUPERAÇÀO E OBSTÁCULOS baseada num desejo autêntico de que alguém seja feliz. retomei o assunto do ódio a si mesmo com o Dalai-Lama. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.

lie adiuini`stranl antibióticos para aquela condição especial as tanll~ém se certificam de que as condições físicas hásicas da pessoa é tal que lhe permi a ingerir antibióticos e lolerá-los.)Lta que situação estejamos enfrentando.'icle n<> corpo para curar-se da enfermidade através da inecli. Muitos tib etanos fazem dessa uma prática diária de meditação.olver determincação potra ttsã-lct ctn te rmos positivos..com. e muitas \ ezes eles po de111 tarnbém ter de dar vitaminas ou s A lá o quê pala fortalecerc> corpo. tios tttctntettluttnos cons cientes clo fato de dttedispontos desse dota nutruvtIhoso dct inteliêtzcia htoncna beta cont. não in1E. Disso não lia dúvida.isso poderia servir para ajudar a reduzir sentirnlentos de desânimo. t-JL-I.a nSs mesmoss inclusi ve . desampar o e menosprezo por nós mlesmos..br 170 . 07tafòrça ktten te. Essa percepção pod e atuar como uma espécie de mecanismo integrado cie nos permita lidar com qualquer dificuldade. os médicos \ erif icain por exeillplo se a pessoa está em geral bem nutrida. A ARTE DA FELICIDADE Lembrar a nós mesmos as maravilh osas qualidades que compartilhamos com todos os seres humanos atua de modo a neu tralizar o impulso de pensar que somos perversos ou que não temos mérito. para ter certeza disso.iverá o potenci.tl?eríntettt~.acào. Logo. ll.. O Dalai-Lama parou por u:n moment(o. I)ct nwsnut t ~rtncr. Desde que a pessoa tenha essa resistência básica no~ organismo. que deritct clct mossa percepção desse imenso potencial btonctno. c. Quando os médicos tratam uni xiciente par. sem perder a esferança n em afundar no ódio a nós mesmos. Talvez seja por esse motivo que na c ultura tibetana o ódio a si mesmo nunca se enraizou. e depois pros seguiu com uma inflexão de soldagem quie sugeria que ele ainda estava investigando vigcrosarnente. Uni certo sentido dispwytos dessctscttíde mental bãsica.todos os seres humanos têm a capacidade de agir com muita deterrninação e de direciona r esse forte sentido de determinação para qualquer ponto em que gostariam de aplicá-lo .Creio qu e nesse caso pc:deríanlo~ traçar 11111 tipo de analogia com nossa forma de tr tar de enfeermidades físicas.) de tttnct cupacidcule de d(-~Çent. Quinta Parte REFLEXÕES FINAIS S OBRE COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL Capítulo 15 VALORES ESPIRITUAIS ESSENCIAIS Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. se mantivermos uma conscientizaçâo desses potenciais e nos lembrarmos deles repetidamente até que isso se torne parte elo nosso tilado habit ual ele perA SUPERAÇÀO DE OBSTÁCI'ILO~S ceber os seres humanos . .il o" capaci d. eles não só . curó-lo de uma doe nça específica. desde drtE~ tc~ttl?ctrnos co. que continuava engajado num processo de descoberta.megacursos.

Como vimos. Para mim.megacursos. "Pode haver dois níveis de espiritualidade. concluí que o budismo é o melhor. seu humor. considero o budi smo o mais conveniente. 3B1 A ARTE IDA FELICIDADE Existe urna tendência natural de assoc iar a espiritualidade à religião.br 171 . Neste mundo. ao longo das nossas conversas. a tolerância e o perdão.com. S e eu Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. COMO LEVAR UNIA VIDA ESPIRITUAL creio que precisamos de cinco b ilhões de religiões diferentes. no exame de problemas que a fetam a todos nós. Um nível está relacionado a nossas crenças religiosas. como sou monge budista.i i I i A arte da felicidade tem muitos componentes. não é sua compreensão de complexas questões filosóficas que desperta aior interesse mas. E é categórico. seu calor humano. um processo gradual de extirpar estados ment ais destrutivos e substituí-los por estados mentais positivos. tantas disposições diferentes. Ao nos . como por exemplo a benevolência.ajudar a entender o verdadeiro significado da espiritua lidade. sua abordagem prática da vid a. Isso está claro. Ele é também considerado por muitos como um eminente estudioso do budismo. o DalaiLama começou traçando uma distinção entre espiritualidade e religião. Com efeito. formação cultural. concluímos com urna análise do componente final: a espiritualidade. apesar da sua posição como uma da s figuras religiosas mais proeminentes no mundo. sua qualidade básica de ser humano p arecia superar até mesmo seu papel primordial como monge budista. chamo essa atividad e de ter uma dimensão espiritual naï vida. Mas isso não signi fica que o budismo seja o melhor para todo o mundo. construtivos. sim. tendo em vista a enorme variedade de disposições. --ora. o tom das nossas conversas semp re foi simplesmente de um ser humano para com outro. ao seu temperamento. .Cre io ser essencial apreciar nosso potencial como seres humanos e reconhecer a impo rtância da transformação interior. ela começa cota o desenvolvimento de uma compreensão das fontes mais verdadeiras da felicidade e de estabelecermos nossas prioridades na vida com base no cultivo dessas fontes. sob un i certo aspecto. Creio que cada indivíduo deveria enveredar por um caminho espiritual que melhor se adequ asse à sua disposição mental. Paira muitos. Às vezes. há tanta gentte dif erente. e. Ao identificar os fatores que lev am a uma vida plena e satisfatória. A abordagem do Dalai-Lama para que alcancemos a fe licidade foi forjada pelos seus anos de treinamento rigoroso como monge budista ordenado. Isso deveria ser realizado através daquilo que poderi a ser chamado de processo de desenvolvimento mental. Is so envolve uma disciplina interior. Somos cinco bilhões de seres humanos. por exemplo. às suas crença mília. porém. Apesar da cabeça r aspada e do extraordinário hábito marrom-averrnelhado. à sua inclinação natural.

a variedade das pessoas e xige uma variedade de religiões. e o modo de demonstrar nosso amor por Deus. Do mesmo modo. Ele precisa incorporar os ensinamentos religiosos à sua vida. as religiões destinam-se a nutrir o espírito humano. tornando-as parte da nossa experiência interior. a tradição cristã ou a tradição islâmica é a mais az para elas.acreditasse que o budismo era o melhor para todos. E é preciso adq uirir uma compreensão mais profunda das idéias da religião. creio ser importante que cada praticante siga sinceramente os ensinamentos daquela religião. E eu creio que. por exemplo. devemos respeitar e apreciar o valor de todas a~ diferen tes tradições religiosas importantes no mundo. des sas diferentes tradições religiosas. obtêm algum tipo de ins334 COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL piração. Por exemplo. para que a religião tenha um impacto em tornar o mundo um lugar melhor. para poder recorrer a eles como uma fonte de força interior. com a Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. na tradição cristã. seria uma tolice. Essa é e. "Acredito que há muitas razões si milares para respeitar outras tradições religiosas também.megacursos. Isso está claro. porque pess oas diferentes têm disposições mentais diferentes. Portanto. Se tivéssemos um restaurante.não lhe restariam muitos fregues es depois de algum tempo. Por isso. por exemplo. é demonstrando amor e compaixão pelos seres humanos nossos semelhantes. "Pa ra mim. todas as reli giões importantes proporcionaram enorme benefício a milhões de seres humanos ao longo de muitos séculos no passado. uma crença eIn Deus pode proporci onar à pessoa uma estrutura ética coerente e bem-definida pela qual ela pode pautar seu comportamento e seu estilo de vida.dia após dia. E creio que podemos aprender a celebrar essa diversida de em religiões e desenvolver uma profunda apreciação da variedade das religiões.com. Ao longo dos últimos anos envide i esforços para me reunir e dialogar. Todas foram projetada A ARTE DA FELIC IDADE para tornar o indivíduo mais feliz. Certas pessoas podem considerar que o judaísmo. e o mundo. onde quer que se en contre. Um motivo para respeitar essas outras tradições é que todas elas podem fornecer uma estrutura ética que pode comandar nosso comportamento e t er efeitos positivos. Também no futuro essas diferentes tradições religiosas oferecerão inspiração a milhões nas gerações que estão por vir. em todas as refeições . mesmo neste exato momento. Portanto. "Todas essas religiões podem fazer uma contribuiçâc efetiva para o bem da humanidade. depois de algum tempo ela deixaria de beneficiar muita gente. Naturalmente.contato pessoal. o Deus que nos criou. a única forma de reforçar esse respeito mútuo é através do contato mais íntimo entr os fiéis das diferentes religiões . O objetivo da religião é beneficiar as pessoas. E ela pode ser uma abordagem poderosíssima porque existe uma certa intimidade criada no nosso relacionamento com Deus. se tivéssemos apenas uma religião. um lugar melhor. e nele só fosse s ervido um prato . E. é importantíssimo perceber essa realidade e respeitar outras tradições. não apenas num nível intelectu al roas com uma profundidade de sentimento. milhões de pessoas ainda se beneficiam.br 172 . No entanto. As pessoas precisam e gostam de variedade na comida po rque existem muitos paladares diferentes. "Creio que deveria ser cultivado um profundo respeito por todas as di ferentes tradições religiosas.

se alguém extrai felicidade ou benefícios de uma tradição religiosa em particu lar. E. ela também inclui COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL certas meditações budistas quanto à natureza da realidade.Sou mãe de duas crianças peq uenas e trabalho fora. Por que a oração é importante para uma vida espiritual? . Cada um tem o direito de ser uma pessoa feliz. "Portan o. Apesar das diferenças entre as tradições. Com isso. E todos têm o direito de superar o sofrimento. Lem bretes de como falar com os outros. tantos problemas no mundo. mas na realidade são lembretes. .br 173 . Havia também um espírito de intercâmbio. Encontravam-se na platéia integr antes de muitas religiões diferentes. Portanto. é essencial que desenvolvamos laços mais firmes entre as várias religiões.. minha prática envolve lembretes: reexaminar a importância da compaixão. tu do isso. Isso é evidente. Talvez até descubramos métodos e técnicas que poderíamos adotar na nossa própria prática. naturalmente. "Costumamos ouvir as pessoas dizerem que todos os seres humanos são igua is. de como lidar com problemas na vida diária. principalmente. São tantas as coisas que div idem a humanidade. podemos tomar conhecimento das contribuições valiosas que essas religiões fizeram à humanidade e descobrir aspectos úteis das outras tradições. Isso era palpável. com os quais podemos aprender." Durante a semana de palestras do Dalai-Lama em Tucson. não outra fonte de conflito. A idéia de passar quatro horas por dia em oração propiciou a pergunta de outro participante. . Com isso queremos dizer que todos têm o óbvio desejo da felicidade.Eu mesmo repito alguns versos budist as todas as manhãs. Os versos podem parecer orações. quer pertençamos a uma tradição diferente. nas minhas próprias orações diárias. bem como certas práticas de visualiz ação.Qu er sejamos budistas. Portanto. Por isso. poderemos fazer um esforço comum em prol da humanidade. práticas tais como a oração parecem receber ênfase. entre eles incluída uma boa representação do clero cristão. . A religião deveria ser um remédio de stinado a ajudar a reduzir o conflito e o sofrimento no mundo. o espírito de respeito mútuo era mais do que uma idéia desejável. na maior parte do temp o. se não me apr posso levar umas quatro horas. Devemos.com.Creio que a oração é.comunidade cristã e com a comunidade judaica. o recinto estava permeado por uma at mosfera de paz e harmonia. na minha prática diária. Para alguém que seja realmente ocupado. e creio que alguns resultados realme nte positivos derivaram disso. um simples lembrete diário dos nossos princípios e convicçõ mais arraigados . por isso. e entre os nãobudistas ali presentes não era pequena a curiosidade quanto à prática espir itual diária do Dalai-Lama.respondeu o Dalai-Lama. do perdão. Tenho pouquíssimo tempo livre. esse tipo de coisa. Essa curiosidade levou um ouvinte a uma pergunta. de como lidar com as pessoas. É bastante tempo. aprender a respeitar todas as principais tradições religiosas. tornase 335 A ARTE DA FELICIDADE importante respeitar os direitos dos outro s.megacursos. como é que a pessoa consegue tempo para esse tipo de oração e de prática de me ditação? Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.. Por meio desse tipo de contato mais íntimo.

creio que há certos períodos. veremo s que elas estão associadas ao desenvolvimento e treinamento do nosso estado menta l. um período marcado para realizar essa prática . das atitudes.comentou o DalaiLama.Portanto. ele mencionou que ela incluía meditações budistas sobre a natureza da Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Ou. Ao descrever sua prática diária. como na televisão e nos filmes. do estado e do bem-estar emocional e psicológico. E depois. natura lmente. como cozi nhar entre outras.br 174 . cenas pert urbadoras de violência e sexo. no início da manhã. se nos encontramos numa situação na qual p oderíamos nos sentir tentados a insultar alguém. enquanto recitamos mantras. se eu quiser me queixar. se tentarmos com afinco. Uma experiência de aprendizado. Isso para mim é muito verdadeiro. . porém. o regime espiritual pessoal do Dalai-Lama sem dúvida in clui características exclusivas do caminho budista. " Extrair lições de velhas reprises de lhe A-Team ou de Melrose Place é uma coisa. sempre poderemos encontrar algum tempo. A verdadeira espiritualidade é uma atitude mental que se po de praticar a qualquer hora. ficamos alerta imediatamente e dizemos a nós m esmos que não. Se realmente nos dedicarmos a p ensar nisso. talvez consigamos encontrar trinta minutos pela manhã e trinta minutos à noite. a partir dessa perspectiva. que dizia que. Se nossa noção da prática espiritual se limitar apenas a essas atividades. p or exemplo. em vez de COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL nos sentirmos totalmente dom inados pela visão. talvez seja possível descobrir um modo de arrumar um tempinho. . podemos considerar essas cenas como um tipo de indicador da nat ureza prejudicial das emoções negativas desenfreadas algo de que podemos extrair lições. D esse modo. sempre posso reclamar da falta de tempo . se nos esforçarmos. sempre teremos tempo. existe uma possibilid ade de encará-las como uma consciência prévia dos efeitos nocivos de ir aos limites. "Portanto . todas as experiências às quais estamos expostos nos chegam como uma espécie de ensi namento. Podemos sacrificar parte da no ssa diversão. imediatamente tomamos precauções e nos impedimos de agir dessa forma. De modo semelhante. todos os acontecimento s. A partir dessa perspectiva. mesmo quando somos expostos a. isso é prática espiritual. . digamos. Na realidade. que essa não é a atitude adequada. para um praticante da meditação que tenha um certo grau de percepção e estabilidade interior. chamado Potowa. Por exemplo.porque não podemos sair por aí cumprindo as tarefas do dia-a-dia. "Isso me lembra um dos mestre s tibetanos Kadampa. como os fins de semana. se fizermos um es forço. como recitar orações ou can337 A ARTE DA FELICIDADE tar hi nos. se entendermos a prática espir itual no seu sentido verdadeiro. se pensarmos a sério sobre o verdadeiro significado das práticas espirituais. vamos precisar de uma hora específica.Sou muito ocupado. poderemos usar todas as vinte e quatro horas do dia para nossa prática.Ele deu uma risada. Com o budista praticante.Mesmo no meu caso. digamos.megacursos. No entanto. Não deveríamos rest ringir nosso entendimento da prática espiritual a termos de algumas atividades físic as ou atividades verbais. "Porém. se encontrarmos uma situação na q ual talvez percamos as estribeiras. no mínimo. digamos uma meia hora por dia. No entanto..com. Isso poderia ser perfeitamente ir ritante para as pessoas ao nosso redor.

megacursos. nossa natureza sofredora e o valor da compaixão e do altruísmo. COM O LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL me ajudou a desenvolver essa atitude. Ele passara a vida inteira imerso no estudo e na prática dessas meditações budistas. em voz baixa. . por exemplo.deu uma risada . Suas pales tras sobre a natureza da realidade eram repletas de argumentos e análises labirint inas. eu si mplesmente não consigo sentir ou pensar que. "Portant o. É difícil identi ficar as causas precisas dessa mudança. uma afirmação que po sso fazer com segurança é que. ele disse que para ele o maior perigo era o de perder a compa ixão pelos chineses! Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.Apesar de minha experiência poder ser ínfima.com. O voto de Bodhisattva No voto do Bodhisattva. em decorrência dessas atrocidades. Uma vez eu lhe perg untei qual havia sido a situação mais difícil que ele enfrentou quando estava preso. porque compreendo que o torturador foi de fato co agido por outras forças negativas. com conhecimento da monumental abrangência dos seus esforços. bem como certas práticas de visualização. ela deva passar por acontecimentos negativos ou não deva ter um instante de felicidade *. em decorrência do treinamento budista. Foi muito útil. e também por meio da contemplação de temas tais como a i mpermanência. mas um certo sentimento ou noção da natureza fu mental e oculta da realidade. Isso é inquestionável. Por causa desses fatores e dos meus votos e com promissos de Bodhisattva. que lhe fiz a seguinte pergunta. e naturalmente eu amo esse voto.meditações e visualizações cujo objetivo parecia ser o d e construir dentro da nossa imaginação uma espécie de atlas holográfico do universo. mas creio que ela tenha sido influenciada por uma percepção. Foi com isso em mente.realidade. mesmo que uma pessoa tenha cometido atrocidades. sinto uma certa co mpaixão até mesmo pelo torturador. S urpreendentemente.O senhor poderia descrever o benefício ou impacto palpável que essas práticas espirituais tiveram no dia-a-dia da sua vida? 339 A ARTE DA FELICIDADE O Dalai-Lama permaneceu calado por alguns momentos e depois respo ndeu. de natureza filosófica. eu sinto que min ha mente se tornou muito mais calma. talvez de centímetro em centímetro . "Isso me lembra um dos nossos principais mestre s de canto que está no mosteiro Namgyal. em virtude da minha formação budista. ao longo dos anos tive oportu nidade de ouvi-lo debater esses tópicos exaustivamente suas palestras representara m algumas das mais complexas análises que já ouvi sobre qualquer assunto.br 175 . . Um Bodhisattva. Ele esteve em prisões chinesas como prision eiro político e campos de trabalhos forçados durante vinte anos. suas descrições de visualizações tântricas eram inconcebivelm nte intricadas e sofisticadas . Embora a mudança tenha oco rrido aos poucos.creio que ho uve uma transformação na minha atitude diante de mim mesmo e de outros. não uma percepção plena. mesmo quando penso nos comunistas chineses que infligiram um mal enorme a alguns tibetanos. Embora no contexto dessa conversa ele mencionasse essas práticas somente de passagem. a pessoa que se submete ao trei namento espiritual afirma sua intenção de se tornar Bodhisattva.

da provação de COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL Terry Ande rson. Até 1991. 311 A ART E DA FELICIDADE bom. O poder da fé.br 176 . Mui tos estão a par. Ele me disse que estava com vinte e quatro anos na época da insurreição tibetana de 1959. Às vezes. "Portanto. ele se juntou às forças tibet nas em Norbulinga. cada uma das pri ncipais tradições religiosas do mundo pode oferecer as mesmas oportunidades para aju dar a pessoa a alcançar uma vida mais feliz. Essa profunda fé relig iosa foi o sustento de uma infinidade de pessoas durante tempos difíceis. ela atua com discrição. gerada em enorme escala por essas tradições religiosas. passou longos períodos acorrentado e de olhos Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. tentaria ser um monge realmente traduzido lit eralmente como o "guerreiro que desperta". na prisão. há três dias conheci um monge que p assou muitos anos em prisões chinesas. às vezes. em profundas experiências transf rmadoras. Assim. ele pôde sobreviver e ainda se sentir feliz por encarar a provação como uma purificação do seu carma negativo. até aquele instante sua impressão era a de que não era um bom monge. Naquela época. em conseqüência das suas práticas budistas. e ao longo dos sete anos seguintes ele foi refém do Hezbollah. agora que estava preso. como sugere o Dalai-Lama. No entanto. muito embora tivesse passado a vida inteira como monge no Mosteiro Drepung. sem dúvida testemunhou a atu ação desse poder em algum membro da famlia. Depois. Outros dois irmãos também foram mortos. seus pais morreram num campo de trabalhos forçados.a dimensão e spiritual. Por exemplo."E são muitas as histórias semelhantes. está entremeado na vida de milhões. algum amigo ou conhecido. Sentia que havia sido um monge obtuso. ele me disse que. em virtude do treinamento da mente. um grupo de ext remistas fundamentalistas islâmicos. Mesmo quando foi submetido a torturas e graves espan camentos. é alguém que.com.megacursos. Naquele momento. empurraram-no para dentro de um car ro. De vez em quan do. ele conseguiu permanecer muito feliz em termos mentais. fez um vo to de que. em algum ponto na nossa vida. por exemplo. podemos realmente apreciar o valor de incorporar práticas espirituais à nossa vida diária. Cada um de nós. Foi capturado pelos chineses e encarcerado com três irmãos que fo ram mortos lá. ele ficou preso em pequenas celas e p orões úmidos e imundos. refletiu sobre sua vida até a ocasião e concluiu que. Através dos ensinamentos do Buda. por amor e compaixão. E. alcançou uma percepção de Bodhicitta. o Dalai-Lama e muitos outros encontra ram uma estrutura significativa que lhes permite suportar e até superar a dor e o sofrimento que a vida às vezes traz. jogaram um cobertor por cima dele. um estado mental caracterizado pela aspiração espontânea e ge nuína de alcançar a plena Iluminação a fim de poder beneficiar todos os seres. um homem comum que de repente foi seqüestrado de uma rua de Beirute numa man hã em 1985. exemplos do poder de sustentação da fé acabam nas primeiras páginas dos jornais. me smo quando sofria dor física. em pequenas realizações." Foi assim qu e o Dalai-Lama apresentou o último ingrediente de uma vida mais feliz . com esses exemplos.

na Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. por exemplo. descobriu-se que os pacientes com mais de c inqüenta e cinco anos de idade submetidos a cirurgia de coração para corrigir doença cor onanana ou algum problema com as válvulas do coração que haviam procurado amparo nas s uas crenças religiosas tinham uma probabilidade três vezes maior de sobreviver do qu e os que não procuraram esse amparo. ele identificou a fé e a oração como fatores significativos qu e o ajudaram a suportar aquela provação. mas que. a atitude diante de crises pessoais e acontecimen343 A ARTE DA FELICI DADE tos traumáticos.u m Deus cujos desígnios podem nos ser obscuros no momento. Num estudo. Da mesma forma. e de casamentos desfeitos. Quando os repórteres lhe perguntaram qual era a fonte d a sua força extraordinária. com efeito. e ncontram ajuda para suportar seu sofrimento em decorrência da sua firme crença na do utrina do carta. Além disso. suportou espancamentos constantes e condições terríveis. estatísticas revelam que famílias daquelas pessoas com forte crença religiosa costumam apresentar índices mais baixos de delinqüência. As pesquisas realizadas por pesquisadores independentes e por organizações especializadas (como o Gallup) concluíram que as pess oas religiosas relatam sentir felicidade e satisfação com a vida com freqüência muito ma ior do que as pessoas nãoreligiosas.megacursos. aqueles que têm uma fé inabalável em Deus costumam co nseguir resistir a severas provações graças à sua crença num Deus amoroso e onisciente . de abus o do álcool e drogas. Houve.vendados.com. Existem algumas provas que sugeri riam que a fé pode ser benéfica para a saúde física das pessoas . Um estudo realizado por Ronna Casar Harris e Mar y Amanda Dew no Medical Center da University of Pittsburgh concluiu que paciente s de transplante de coração com firmes crenças religiosas apresentam menor dificuldade para lidar com as prescrições médicas pós-operatórias e revelam melhor saúde emocional e f ca a longo prazo. Em outro estudo. Thomas Oxman e seus colabo radores na Dartmouth Medical School. E extensas pesqu isas recentes parecem confirmar o fato de que a fé religiosa pode contribuir subst ancialmente para uma vida mais feliz. As vantagens de uma forte fé religiosa às vezes s e manifestam como um produto direto de certas doutrinas e crenCOMO LEVAR UMA VID A ESPIRITUAL ças específicas a uma tradição em especial. Muitos budistas. menores índice s de mortalidade e melhor saúde. O mundo está cheio de exemplos semelhantes de como a fé religiosa proporciona ajuda concreta em tempos difíceis. o mundo voltou os olhos para ele e encontrou um homem felicíssimo po r ser devolvido à família e à vida. Quando finalmente f oi libertado. mas com um ódio e um rancor surpreendentemente baixo s pelos seus seqüestradores.mesmo daquelas com enf ermidades graves. mas também que uma forte fé religi osa parece ajudar indivíduos a lidar com maior eficácia com questões tais como o envel hecimento. literalmente centenas de estudos científicos e epidemiológicos que estabeleceram uma ligação entre a forte fé religiosa. Estudos revelaram que a fé não só é um indicador de q ue as pessoas vão relatar sentimentos de bem-estar. mulheres idosas com firmes crenças reli giosas conseguiram caminhar uma distância maior depois de cirurgia para corrigir a fratura da bacia do que aquelas com menos convicção religiosa. realizado pelo dr.br 177 . e também ficaram menos deprimidas depois da cirurgia.

Portanto. tais como o DalaiLama. podemos nos sair ainda melhor. várias se itas de muçulmanos estiveram em guerra com os cristãos e os judeus. Mas ess e é nosso próprio direito individual. está claro que ter uma crença religiosa por si só não é n nhuma garantia de felicidade e paz. bem do lado de fora da cela imperavam a violência e o ódio em mass a. . Ele oferece um espaço significativo no qual podemos entrar em contato e no s relacionar com os outros. É uma velha história. Isso levou algumas figuras religiosas.Sua sabedoria. Em alguns casos. já identificamos nossas crenças religio346 COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL sas como um nível de espiritualidade. Em conseqüência desse potencial para gerar a dissensão e o ódio. 345 A ARTE DA FELICIDADE Apesar de todos esses benefício s em potencial estarem disponíveis para aqueles que resolvam praticar os ensinamen tos de uma religião estabelecida. um vínculo de interesse pelos companheir os de fé.br 178 . mesmo sem uma crença religiosa.com. existem outras características fortalecedoras na vida espiritual que são comuns a todas as religiões. Por exemplo. O envolvimento com qualquer grupo religioso pode gerar uma sensação de iden tificação com os pares. com relação à religião. acabará revelando Seu amor por nós." Embora algumas das recompensas da fé possam s er baseadas em doutrinas específicas. Agora. es sas pessoas podem extrair conforto de versos tais como Romanos 8:28: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntas para o bem daqueles que amam a Deus. conf erindo significado à nossa vida. demonstrando as melhores qualidad es da fé religiosa.megacursos. Crenças reli giosas firmemente enraizadas podem nos dar um profundo sentido de objetivo. Desse m odo. Essas crenças podem fornecer esperança diante da adve rsidade. Durante anos no Líbano. não importa qual seja sua tradição religiosa ou mesmo se essa pessoa acredita em religião. numa demonstração das piores facetas da fé religiosa. é fácil perder a fé nas i ituições religiosas. o Dalai-Lama concluiu sua análise com sua visão de u ma vida verdadeiramente espiritual. Podem nos ajudar a adotar uma perspectiva ete rna que nos permita sair de dentro de nós mesmos quando estivermos dominados pelos problemas diários da vida. É que Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. ótimo! Se não quisermos. ain da podemos nos arranjar. quê infelizmente já se repetiu muitas vezes a o longo dos tempos e que lamentavelmente continua a se repetir no mundo moderno. a tentar isolar aqueles elementos de uma vida espiritual que possam ser universal mente aplicados a qualquer indivíduo a fim de propiciar sua felicidade. exclusivas a uma única tradição religiosa. se a creditarmos em qualquer religião. de laços de comunidade. no mesmo instante em que Terry Anderson estava sentado acorrentado numa cela. isso é bom. quando falamos em ter na nossa v ida uma dimensão espiritual. com um tom de total convicção. daque les que são chamados por Seu decreto. guerra alimentad a pelo ódio violento de todas as partes e que resultou em atrocidades inomináveis co metidas em nome da fé. E nos proporciona um sentimento de aceitação. t udo bem. Se quisermos acreditar. Com fé nos ensinamentos da Bíblia. Porém. do sofrimento e da morte.

pode ser que um bilhão ou dois acreditem em religião de modo si ncero e genuíno. Logo. todos nós precisamos desses valores espirituais básicos. um ser humano sensível. quando me refiro a crentes sinceros. ele cont inua tendo a mesma importânca crucial para aqueles que preferem não seguir nenhuma r eligião específica. a felicidade e a paz de e spírito das pessoas. Creio que anteriormente falamos em detalhe sobre a extrema importância d o calor humano. Isso quer dizer que quatro bilhões.existe um outro nível de espiritualidade. esse tipo de espiritualidade é essencial. é possível indicar nosso estilo de vida religioso ou espiritual aravés de meios exteriores. sem recorrer a nenhuma religião. a existência humana é difícil.com. não apenas temas re ligiosos. com uma noção de responsablidade e compromisso por um mundo m elhor e mais feliz. excluídas essas pessoas. Eu particularmente considero esse segundo nível de espiritualidade mais important e do que o primeiro. Sem eles. creio que podemos treiná-las e ressaltar p ara elas que não há problema en não ter religião. do afeto e da compaixão para a saúde física. n em de especulação filosófica. que são cristãs principalme nte porque 347 A ARTE DA FELICIDADE seus antecedentes familiares são cristãos. creio que precisamos nos lembrar de que. Porta to. a maioria d as pessoas na terra. enquanto formos seres humanos. Logo. É um tema importantíssimo. não estou inclui ndo aquelas pessoas que simplesmente dizem. a construção de um altar ou santuário na nossa casa. benevolência. E para mim ele é na realidade a es cia de todos os ensinamentos religiosos das diversas tradições. tais como 348 COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUA L o uso de certos trajes. não são crentes. dos talvez cinco bilhões de seres humanos no planeta. Esta é uma questão muito prática. é muito árida. No entanto. Naturalmente. por mais maravilhosa que seja uma religião específica. creio que talvez haja apenas por volta de um bilhão que sinceramente praticam sua religião.modos para ajudã-los a ser bons seres humanos. Sob esse aspecto. Não se trata de teoria religiosa. mas que é preciso ser um bom ser humano. "Em geral. compaixão. por exemplo. Quer sejamos crentes. o hábito de recitar ou entoar orações e assim por diante. No entanto. Resultado. nenhum de nós consegue ser u a pessoa feliz. providos de moral.br 179 . Quanto a essas pessoas. "No esforço para cultivar esses valores espirituais básicos. enquanto formos me mbros da família humana. ainda assim ela só será aceita por um número limitado de seres humanos. quer não sejamos. toda a nossa família sofre com isso e a sociedade acaba ficando ma is perturbada. porque. Há meios para demonstrar isso Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. os quatro bilhões que não estão envolvidos com alguma r eligião específica . devemos descobrir um modo de tentar melh orar a vida para essa maioria. mas q ue no diaa-dia podem não levar muito em consideração a fé cristã ou mesmo praticá-la.megacursos. É o que chamo de espiritualidade básica qual idades humanas fundamentais de bondade. creio que a educação é de importância crucial: ela pode instilar nas pessoas uma idéia de que a compaixão e a benevolência e ntre outras são as qualidades positivas básicas dos seres humanos. somente uma pa rte da humanidade. interesse pelo outr o. torna-se claro que cultivar valores espirituais básicos dessa natureza passa a ser crucial.

o interesse pelo outro e assim por diant e -. diagnostiquei em silêncio. todas essas qualidades mentais são o autêntico darma.ansiedade. porque todas essas qualidades mentais internas não conseguem coexistir co m rancores ou estados mentais negativos. e de termos e xpressado esse estado mental nos nossos atos diários. essas práticas ou atividades são secundárias à nossa condução de um mo de vida realmente espiritual.. Na hor a em -)essoas já estavam apinhadas. o Dalai-Lama percebeu sua pre sença. Assim. foi empurrado pela multidão e forçado até a beira da clareira aberta pela equipe de segurança. sustentado por valores espirituais básicos. "Discinesia tardia".a calculado que ele teria seus vinte e po u cos . Embora sua aparência desgrenha da fosse extraordinária. mais feliz. E achei ter percebido leves movimentos repetitivos involuntários na musculatura em volta da sua boca. Do lado de fora do salão da recepção. mais tranqüila. ou genuínas qualidades espi rituais. Era alto e muito magro.. "Pobre coitado". r :E DA FELICIDADE do seu aparecimento. uma condição ne urológica pro vocada pela ingestão crônica de medicação antipsicótica. fazia enorme esforço para conter o avanço da massa de pessoas e abrir caminho a té o recinto da recepção. "Ora. e logo me esqueci dele. o fato de levarmos ou não uma vida espiritual depende de termos tid o sucesso em produzir esse estado mental disciplinado e suavizado. Quando ia passando. _ . a tolerância. a maioria de voluntár ios. Quando o Dalai-Lama chegou. do r. pen ei na hora. ele havia chamado minha atenção pela sua expressão: uma expressão que eu via com freqüência entre os meus pacientes ." 0 Dalai-Lama deveria compar ecer a uma pequena recepção oferecida em homenagem a um grupo de patrocinadores que tinham dado forte apoio à causa tibetana. Já a verdadeira espiritualidade tor na a pessoa mais calma.com.a compaixão. O pessoal da segu rança. num movimento para cumprimentá-lo. agora com uma expressão meio perplexa. uma disciplina interior que tem o propósito de cultivar esses estados mentais pos itivos. ata e poucos anos.externamente.br 180 .megacursos. "Todos os estados mentais virt uosos . porque é p ossível que todas essas atividades religiosas exteriores ainda coexistam numa pess oa que abriga um estado mental muito negativo. O homem de Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Era difícil determinar sua . livrou-se da proteção dos guarda-costas e parou para falar com ele. Entre os omem que havia percebido umas duas en te a semana. Porém. a multidão se aden sou. formarase uma grande mul349 seus P1. O homem transtornado que eu tinha visto antes. dedicar-se ao treinamento ou a um método de produzir disciplina interior na nossa mente é a essência da vida religiosa. o perdão. depressão profunda.

com. Com o ele explicou partir da sua perspectiva. como se. e lágrimas lhe esc orreram do>s olhos. É o método fun`elicidade. mas vi que. mas o Dalai-Lama. e o cultitais como a benevolência. ele começou a falar no seu estilo característi co. A expressão de dor e agitação de repente pareceu eesvair-se do rosto do homem. Na conclusão da sér ie de palestras abertas ao público do Dalai-Lama em Tucson. o homem começou a parecer cada vez mais agi tado. seu ' ELICIDADE *epetidas vezes que a discipliIa espiritual.início ficou espantado e começou a falar muito rápido com o Dalai-Lama. quando nos referimos à nossa "mente". COMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL MEDITAÇAO SOBRE A NATUREZA DA MENTE . num gesto espontâneo. afagou-a com delicadeza e por algu ns instantes finou simplesmente ali parado. gestos das mãos e suaves bamboleios. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. coreografando seus ensinamentos com sutis inclinações da cabeça. a desenvolver uma "serenidade menta l". a impressão e°. ele estivesse ins truindo cada indivíduo ali presente. estamos falando sobre um conceito abstrato.megacursos. em vez de COMO LEVER UMA VILA ESPIRITUAL responder. um ar de alívio e alegria apareceu nos seus olhos. que lhe respon deu com algumas palavras. a observara natureza oculta da mente e. estava imóvel e concentrado.ra que ele não tomava conhecimento da multidão ao seu redor. pelo menos num nível convencional. em vez de estar se dirigindo a um grupo numeroso. à medida que ia f alando. ele transmitiu instruções sobre uma meditação criada para nos ajudar a começar a acal mar nossos pensamentos. a ombate aos estados mentais ódio e a ga nância. Não pude ouvir o que diziam. movendo a cabeça num festo conciliador. em silêncio. Enbora o sorriso que brotou e lentamente se eslpalhou peas s uas feijões fosse discreto. às vezes mai s animado. Enquanto segurava firme a mão> do homen e olhava direto nos seus olho s. assim. segurou a não do homem entre as suas.O objetivo deste exercício é começar a reconhecer a natureza da nossa ment e e a ganhar familiaridade com ela. Às vezes. A prática d a disciplina in teriorpode incluir técnicas formais de meditado que se des tinam a ajudar a estabilizar a mente e atingir esse estado de serenidade. Ele disse alguma coisa.br 181 . Com o olhar voltado para a platéia. que procuram nos pôr em maior contato com nossa natureza espiritual mais pro funda. a também ressaltou que uma vida feliz é const ruída sobre um alicerce propiciado por um estado mental estável e tranqüilo. A maioria das tradições espirituais inclui prâ ticas que procuram acalmara mente. Geralmente.

Nossa atenção acompanha as ou vivenc0 r isso experiências sens oriais. podemos dizer que é algo que tem a capacidade de "saber". pode ser que o experimentemos na cicio.. podemos ser levados a apontar meramente para o cérebro. essas definições não passam de pal as.megacursos.com. então ~ovido d e pensamentos livrar noss3 imento para os a enxergar através da turbulência dos pro cessos de V ensamento. Neste exerlatente da consciência. aos poucos. que pense no passado ou no contrário. o objetivo deste exercício consiste na capaci dade de sentir ou captar de modo direto a natureza convencional da mente. quando dissermos que ela possui qualidades de "lucidez" e "cognição". e a5 mente do estado de `alheamento' total.Sem ter uma experiência direta da nossa mente. Ela permanece num nível predo"Pode Ner muito difícil no. podemos ver o ' possível manter a água parada. em primeiyim por diante.perfeita nitidez. É importante poder identificar a mente por meio da experiência direta. Isso n os per cemos que a água está ali. Em outras palavras. o que deveríamos fazer é recolher nossa menforma de a Igum tipo de 'ausència'. Com a p iática deste exercício. estágio inicial.era r a determinação de futuro. s e nos pedirem uma definição da mente. Ou. acabaremos chegando a uma impressão de que não existe nada.br 182 . Da mesma embotamento. quando conseg uimos ir-npedir que nossa mente cor o ra atrás de abjetos sensoriais. de mod o tal que. No entanto. uma sensação de vacuidade. algo que é "lúcido" e "cognitivo". Existe uma serenidade subjacente. qual~do começamos a -vivenciar esse estado natural cias sensoriai s físicas e para conceitos mentais. "Es te exercício nos ajuda a interromper deliberadamente os pensamentos discursivos e. seus uma lucidez oculta na mente. se avançarmos. então seri2 sobre a não-conceituamitiria ver p leito d o rio com. e qruando também conseguimos . Por isso. se nos pedirem que ide ntifiquemos a mente. não simplesmente como um conceito abstrato. Porém. por exemplo.a mente é em grande parte direcionaDeveríamos tentar observar da pa ra os objetos externos. ou de um forma. pos samos distingui-Ia pela experiência. __ ~. for pura. chegaremos a começar a reconhecer a na tureza oculta da mente. Isso acontece porque te para nosso íntimo. mos comeÇ i normalmente nossa consciência está voltada p ara experiên início. sem que tenhamos captado o que é a m ente em termos diretos através de práticas de meditação. Não vamos permitir que ela saia em Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. a permanecer nesse estado por um período cada vez mais longo. Portanto. porém. as qualidades de "lucidez" e "conhecimento". não apenas como um conceito abstrato. No minantemente sensorial e co nceituai. É como ter um copo de puro ICIDADE SOMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL sentidos é onde ela está vimdo e para onde está indo. va °ar a praticar a pairtir desta sessão mesmo.

Oco.. Ah" (o Dalai-Lam a deu uma risada) "eu 354 A ARTE DA FELICIDADE. nem que preste atenção a eles. GOMO LEVAR UMA VIDA ESPIRITUAL d everia avisar que nesse tipo de meditação.com. um tipo de vazio. Vamos só nos conscientizar de inspirar. a mente.estado no qual nossa consciênà medida que forrmos avançando lentamente cia não é atormentada por pensamentos do passado. Por quase como s e ou ausência de atenção. p orém. q uanto ele passava.br 183 . expirar e Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. nossas lembranças e recordações. vamos primeiro cumprir três ciclos de de uma presença.ausênci a. Se te profunda. procuremos nos manter num estado neutro e natural. ral da nossa consciência . experiências de meditação verdadeiramen "Muitas pouco co mo um rio com uma correnteza muito ter corno base esse tipo de sereniforte. ainda se co nseguia calcular seu tra um objeto específico no qual concentrar nossa atenção.. "É um do natural das sim. mente. mos de obf etos externos: ternos a tendência a en carar o Ao mesmo tempo. como não há De longe. É nesse ber uma lu/~ atormentada por pensamentos do futuro.megacursos. não permitamos que ela se recolha de mundo atra . imagens e assim por modo tão extremo que surja uma espécie de emb otamento i sso.. medos.. uma forma de parar a correnteza nos dois dade da me Pnte. Mas. nem é idez subjacente. Era como se ele tivesse deixado de ser "E agora vamos meditar um objeto visível para se tornar simplesmente a sensação "Para começar.costumarmos corri isso. respiração e concentrar nossa atenção simplesmente a res piração.estamos mLf Ito habituados a entender nossa mente em ter busca de objetos sensor iais. no q ual não conseguimos ver o leito com clareza.s precisam houvesse. e depois tentar ver o estado natu.es dos nossos conceitos.. uma luminosida de. aquilo No entanto. Deveríamos manter um pleno esnão reconhecêssemos nossa tado de al rta e atenção. expectativas e p lanos para o futuro. quando afastamos nossa mente de objetos diante. começaremos a perce e que nos a que já aconteceu.externos. é rre uma espécie dt-. como nossas esue c omeçamos a apreciar e a perceber o esta momento ql peranças. entretanto. jeto p ela sutil modificação no movimento das pessoas en existe o perigo de adormecermos..

Às muitas pessoas que trabalharam com tanto afinco para garantir que a visita do Dalai-Lama ao Arizona em 1993 fosse uma experiência gratificante para tantos outros: Claude d'Estree. por sua ajuda na organização dos trechos do Da lai-Lama neste livro e por A ARTE DA FELICIDADE seu papel crucial como intérprete para as palestras do Dalai-Lama ao público bem como para muitas das nossas convers as particulares. bem como à sua equip e maravilhosa. Quando ia passando em meio à multidão. com a voz grave e melódica. para qualquer um que estivesse a pouco mais de um metro de distância. Ao final da sessão daquele dia.com.. iniciemos a me ditação.depois inspirar. fez uma reverência para a platéia numa demonstração de afeto e respeito. por seu estímulo. Sharon Friedman e Ralph Vicinanza. eu gostaria de expressar meus sinceros agradecimen tos a Tenzin Gyatso. era impossível vê-lo. enquanto mil e quinhentas pessoas se voltavam para dentro. sua cabeça ia tão baixa que. bem como a diretoria e o pessoa l da Arizona Teachings. por terem preparado o terreno para meu próprio caminho até a felicidade na vida. expirar. Thupten Jinpa. na so lidão de mil e quinhentos mundos pessoais. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. Ken Bacher. o venerável Lhakdor. Pam Wilson e todos os que ajudaram a organizar a apresentação do Dalai -Lama na Arizona State University. o silêncio foi rompido mas não destruído quando o Dalai-Lama começou a cantar baixinho. levantouse e abriu caminho entre as pessoas que o cercavam. ajuda em muitas facetas deste p rojeto e pelos esforços muito superiores às exigências das suas funções. à dra. por sua amizade. A os meus fantásticos agentes. já falecidos." O Dalai-Lama tirou os óculos. a Peggy Hitchcock e à diretoria da Arizona Friends o f Tibet. Também a Lobsang Jordhen. Um silêncio total e cheu o recinto. A o dr. Estendo meus sinceros agradecimentos a muitos outros.. E aos meus queridos pais. Rinchen Dharlo e Dawa Tsering. com profunda gratidão por sua infin ita gentileza. James e Bettie Cutler. por atuar como intérpr ete para uma série das minhas conversas com o DalaiLama na índia. Em primeiro lugar. uniu as mãos no colo e permaneceu imóvel em meditação. como sempre. o décimo quarto Dalai-Lama. generosidade. procurando acalmar seus pensamentos e t alvez ter um vislumbre da verdadeira natureza da sua própria mente. Inc.. por seu apoio e auxílio por diversos meios a o longo dos anos. Tenho uma dívida e pecial de gratidão para com eles.br 184 . A Tenzin Geyche Te thong. inspiração e amizade. o DalaiLama uniu a s mãos. Ele parecia perdido num mar de cabeças. dedicação. Suas mãos permaneciam unidas e ele continuava a inclinar a cabeça enquanto saía do salão. 55 6 il AGRADECIMENTOS Este livro não existiria sem os esforços e a benevolência de muita s pessoas. três vezes. Depois. conduzindo delicadamente os ouvintes para q ue saíssem da meditação. além das dezenas de voluntários por seus esforços i ncansáveis em prol dos que assistiram aos ensinamentos do Dalai-Lama no Arizona.megacursos. gentileza. Depois de cinc o minutos.

1990. o Dalai-Lama. e aos outros amigos que posso ter deixado de mencionar aqui pelo nome. Ronna Kabatznick por sua ajuda indispensável na difícil leitura d o 360 AGRADECIMENTOS material extensíssimo. Tom Minor. dr. insighte assessoria editor ial. I thaca: Snow Lion Publications. por acreditar no projeto e ajudar a definir a forma definitiva do livro. 1994. dra.A todos os que me forneceram inestimável conhecimentos.S. a Ba rbara Gates e à dra. Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www. e pela sua concentração e organização desse ma terial numa estrutura coerente. gratidão e amor. o Dalai-Lama. Lori Warren. Gillian H amilton. The Four Noble Truths. de S. dr. de S. compilado e organizado por Sidnev Piburn. David Weiss e Daphne Atkeson. Tradução de dr. dra. mas que sempre trago no meu coração com respei to. Helen Mitsios. O DALAI -LAMA I 11 As seguintes obras estão relacionadas em ordem alfabética. Boston: Sham bh ala Publications. Dale Brozosky. Gostar ia também de expressar meu agradecimento carinhoso àqueles que ajudaram a transcreve r as palestras do DalaiLama ao público no Arizona. Henrietta Bernstein. meu agradecimento especial com profunda admiração a Candee e Scott Brierlev. Para concluir. David Greenwalt. Ellen Wyatt Gothe. Larry Cutler. Randy Cutler.megacursos. Também a Jennifer Repo e aos dedicados revisores e funcionários da Riverhead Books. minha profunda gratidão Aos meus professores. Ga il McDonald.com. à minha talentosa editora na Riverhead.br 185 . Kristi Ingham Espinasse.S. que datilografaram as transcrições das minhas conversas com o Dalai-Lama e que datilografaram partes das versões inic iais do original. À min ha família e aos muitos amigos que enriqueceram minha vida mais do que eu poderia expressar: Gina Beckwith Eckel. David Klebanoff. i l he Dalai-Lama: A Policy of Kindness. Amy Hertz. A Flash of Ligbtning in the Dark of Night A Guide to the Bodhisattva's Way of Life. pelo título. 361 i OBRAS SELECIONADAS DE AUTORIA DE SUA SANTIDADE. além de apoio pessoal durante o prolongado processo de criação do livro: a Ruth H apgood por seu trabalho talentoso na revisão das primeiras versões do original.

Londres: Thorsons. Thupten Jin pa.SP Te. Tradução. Kindness. Boston: Wisdom Publications. Clarity.S. The Good Heart . Ithaca: Snow Lion Publications. Cromosëté GRÁFICA E ED170RA L7DA Rua UM-d. Elizabeth Napper. S. o Dalai-Lama.Vila Ec ep 03283-000 . o Dalai-Lama.TbeAutobiograpby of the Dalai-Lama.br 186 .Sòo Poulo . de S. o Dalai-Lama. Nova York: Harper Cóllins. de S. co-organizadora. 1991. and Insight. 1995. Boston: Wisdom Publications. The World of Tibe tan Buddbism. o Dalai-Lama. trad. 1996. 1984.com. Jeffrey Hopkins. lFax 017 8104-1176 Este arquivo compõe a coletânea Mega Cursos – www.megacursos. 1998. 307 .H Thupten jinpa. de S.S. Freedom in Ex ile. de S. organização e comentários de dr.S. organização de Dominique Side. e organizador.A Buddbist Perspective on the Teachings of Jesus.

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