Guia de Estudos - Ética, Informática e Sociedade

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Curso: Ética, Informática e Sociedade (G3) - SI Livro: Guia de Estudos - Ética, Informática e Sociedade Impresso por: Ticiana Sa Da Justa 371033 Data: Tuesday, 9 August 2011, 11:50

Sumário

* 1 Unidade o 1.1 Introdução o 1.2 O Campo da Moral o 1.3 Principais teorias éticas o 1.4 Ética Computacional o 1.5 Consideração da unidade e estudos complementares o Referências * 2 Unidade o 2.1 Introdução o 2.2 Ética profissional e regulamentação da profissão o 2.3 O Código de Ética da ACM o 2.4 Estudos de Caso em Computação o 2.5 Considerações da unidade e estudos complementares o Referências

1 Unidade Nesta primeira unidade é importante refletirmos sobre os principais conceitos relacionados à nossa disciplina, favorecendo um melhor entendimento e facilitando a comunicação. Assim, propomos uma reflexão sobre o conceito de ética e suas raízes no campo da moral, como sistema de regulamentação das relações entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade. Busca-se introduzir o estudo dos problemas fundamentais de ética, analisando objetivamente, sempre que possível, os principais conceitos e teorias necessários para uma reflexão crítica sobre desafios éticos identificados em uma sociedade cada vez mais pautada no desenvolvimento tecnológico. Considerando a moral como uma forma específica de comportamento humano, que em sua essência cumpre uma função social, discutimos a natureza do conhecimento ético e destacamos a relação entre moral e sociedade, tendo como foco o estudo da Ética Computacional.

Objetivos: Distinguir o conceito de ética e moral, discutindo a natureza do conhecimento ético e suas implicações sociais relacionadas ao uso de tecnologias computacionais.

1.1 Introdução

Quando analisadas as implicações éticas das tecnologias contemporâneas inicialmente pode parecer suficiente a utilização de teorias éticas generalistas para definir normas para o uso adequado das tecnologias, contudo a partir de uma análise mais profunda verifica-se a necessidade de um fortalecimento conceitual e teórico das novas possibilidades oferecidas a partir dos ambientes computacionais, as quais em sua maioria ainda não foram sequer identificadas. Neste contexto, surge a denominada ética computacional, buscando fo rmular políticas para orientar ações relacionadas ao uso destas tecnologias.

Nesta perspectiva, não temos a pretensão de descrever receitas ou fórmulas mágicas do que seria eticamente correto ou adequado, mas apresentar diretrizes e questionamentos que possam nortear o comportamento ético no âmbito computacional. Esperamos que ao término desta unidade você seja capaz de responder às seguintes questões:

a) Quais as principais teorias e conceitos relacionados ao estudo da ética?

b) O que habitualmente se define como ética e moral?

c) Quais as relações existentes entre ética e moral? d) É possível tratar a moral como um sistema normativo único. dotadas de um caráter histórico e social. 2007). o conceito de moral está sujeito a variações de acordo com as necessidades e possibilidades apresentadas a diferentes culturas ao longo do tempo. de tal maneira que estas normas. 2006. encontrada em todos os tempos e sociedades. segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a sociedade. GOLDSTEIN. considerando valores compatíveis com o momento . sejam acatadas livres e conscientemente. o que é moral? Moral é o conjunto de regras de conduta admitidas em determinada época. Para Vázquez (2010) moral consiste de um conjunto de normas. favorecendo que as ações praticadas possam ser valoradas positiva ou negativamente. princípios e valores. na medida em que vão ao encontro ou transgridem as normas de um determinado grupo (NIETZSCHE. Tal classificação acontece sempre que nos deparamos diante de situações que exigem a tomada de decisões que envolvem um julgamento da realidade. válido para todos os tempos e para todos os homens? e) Quais são os objetivos e em que consiste a Ética Computacional? 1. e não de uma maneira mecânica. Caracterizando-se como uma forma de comportamento humano. O homem é um ser moral que interage com o mundo classificando ações e práticas a partir das noções de bem e mal que compartilha. o ser humano aprendeu a identificar comportamentos e classificá-los como positivos ou negativos em relação ao bem-estar e segurança do grupo ao qual o indivíduo está inserido. a partir do surgimento das primeiras sociedades. Mas afinal. externa ou impessoal.2 O Campo da Moral Desde os primórdios da humanidade. por uma convicção íntima. por um grupo de pessoas.

observa-se que não é adequado pensar a moral como um sistema normativo único. normas e valores que direcionam os comportamentos esperados em uma sociedade. Contudo. 2010). Deste modo. Tais valores relacionados aos direitos das mulheres têm sofrido alterações desde o início do século XX. esta não se limita a um ato individual. considerando certas ações ou práticas como moralmente inaceitáveis independentemente de quando e onde ocorreram. contudo caso exista apenas uma opção. Assim. algo inaceitável em outros tempos quando o valor moral do homem na sociedade estava condicionado ao fato de apresentar-se como o único provedor econômico da família. já que cabe a ele acatar ou não de forma voluntária as normas estabelecidas pela sociedade. apesar de a moral possuir um caráter social. pois como as pessoas são seres sociais a moral também se constitui como um empreendimento social. orientando quais atitudes são consideras corretas em dete rminadas situações. Sabe-se que muitos comportamentos do ser humano tiveram sua classificação como moral ou imoral alterada ao longo do tempo e de acordo com diferentes culturas. mas ainda variam amplamente nos dias atuais. A moral estabelece critérios. está implícito ao conceito de moral o pressuposto de liberdade de escolha. o indivíduo também exerce um papel fundamental. Neste caso denominamos como amoral. cabendo a mulher a tarefa de cuidar dos filhos e da casa. tais como: . a qual se constitui na capacidade de escolher entre duas ou mais alternativas. sendo necessário considerá-lo em toda a sua diversidade (VÁZQUEZ. evidenciando a diversidade de componentes inerentes ao conceito de moral. decidindo conscientemente entre a moral e a imoralidade. Em nossa vida cotidiana frequentemente nos deparamos com problemas morais. pois caso um indivíduo decida conscientemente ser contrário à moral dizemos que este é imoral.e sociedade em que vive. Embora a moral esteja intimamente ligada ao comportamento e escolhas de um indivíduo. quando um indivíduo não tem total consciência sob seus atos ou quando não lhe resta opções de escolha. pois o conceito de moral é uma construção histórico-cultural de uma dada sociedade em um determinado momento histórico. não existe liberdade de escolha e por isso não é possível avaliá sob o -lo prisma da moralidade. ficando à margem da moralidade e da imoralidade. Um exemplo típico de mudança de julgamento moral diz respeito ao direito da mulher trabalhar fora de casa. de acordo com a cultura e costumes de cada saciedade.

tão importante quanto o comportamento moral é a reflexão sobre os princípios que regem tal sistema de valores. Assim. que habitualmente nos deparamos. que pode ser traduzido como "costumes" no sentido de conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito (VÁZQUEZ. sendo este o objeto de estudo da ética.3 Principais teorias éticas A confusão entre os conceitos de Ética e Moral existe há muitos séculos. devo informar o erro e pagar o valor justo ou omitir o fato e pagar somente os produtos discriminados na conta incompleta? * Caso eu descubra que meu colega de trabalho está fazendo algo ilícito dentro da empresa. Calvin 1. exigindo a tomada de decisões e atitudes. pode ser considerado como imoral? * Devo dizer sempre a verda-de. devo informar isso ao meu chefe? * Alguém que descobre maneiras para usufruir de serviços on-line em um site comercial sem realmente pagar pelos serviços utilizados. . ou há ocasiões em que devo mentir ou omitir fatos? Estes são alguns exemplos concretos. favorecendo a tomada de decisões práticas baseadas na moralidade. Contudo. mesmo que esta me prejudique. o significado etimológico de ética vem do grego ethos. 2010). o campo da moral estabelece valores que possibilitam a analise de situações e comportamentos. como forma de vida conquistada pelo ho-mem e moral vem do latim mores. que potencialmente pode prejudicar outras pessoas. que significa "modo de ser" ou "caráter".* Se ao solicitar a conta de meu almoço eu descubro que deixaram de cobrar alguns produtos que eu consumi.

Tal definição destaca o caráter científico da ética. Para o referido autor a ética constitui-se como a teoria do comportamento moral dos homens em sociedade. O estudo da ética pode dividir-se em duas grandes áreas teóricas: a ética normativa e a metaética. posso. natureza e fun-ção dos juízos morais. Para Vázquez (2010) o estudo da ética pode ser dividido. mas sim considera uma série de práticas morais já em vigor e. Ética Cristã Medieval. 2000). quando se de para com dilemas do tipo: Quero. A ética não cria a moral. conceituando-a como a ciência da moral. Nesta perspectiva. partindo delas. ciência que analisa uma forma específica de comportamento humano. origem. Atualmente há uma banalização do vocábulo ética e expressões do tipo isto é falta de ética! são cada vez mais corriqueiras. Sócrates e outros mais recentes . procura deter-minar sua essência. 2011). mas nos situam no terreno especificamente subjetivo no qual se funda o comportamento humano. condições objetivas e subje-tivas. de acordo com os objetivos propostos neste livro destacamos três das principais teorias éticas: ética das virtudes. a primeira procura determinar os princípios da conduta correta e a segunda investiga o uso e a fundamentação de conceitos como certo ou errado. comprováveis. A ética busca identificar os critérios que orientam as nossas escolhas. 2008).Na realidade os significados etimológicos de moral e ética não representam os significados dos dois termos na atualidade. Baseandose nos estudos de Pivatto (2004) e Almeida (2007) são apresentadas a seguir definições . evidenciando a importância do estudo de ética. desenvolveram estudos que postulavam a ética como disciplina filosófica (MASIERO. no limite do possível. como Rosseau e Kant. bem ou mal (ROHMANN. a qual tem como objeto de estudo os problemas morais. mas não devo realizar determinada ação (CORTELLA. Aristóteles. o estudo da ética remonta à Antiguidade Clássica quando filósofos como Platão. é a partir da ética que uma pessoa avalia se pode ou deve fazer algo. apesar de muitas pessoas não saberem exatamente o que isso significa. em quatro doutrinas: Ética Grega. metódicos e. visando descobrir-lhes os princípios gerais no intuito de proporcionar conhecimentos sistemáticos. ao longo da história. critérios de justificação destes juízos e o princípio que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais. Sob o ponto de vista histórico. Ética Moderna. ética deontológica e a ética teleológica. e Ética Contemporânea.

propondo uma reflexão ética sobre o sentido completo de como se deve viver. foi desenvolvida principalmente por John Stuart Mill (1806-1873) e seus princípios repousam principalmente na avaliação de modos de agir e conseqüências. Tal abordagem não estabelece normas aplicáveis às situações. Quanto à ética deontológica tem como um de seus principais representantes Immanuel Kant (1724-1804) e. Afinal.C. . revestindo-se da dignidade de um dever moral a ser cumprido. utilidade das ações para determinar sua moralidade.) e advoga a importância central do caráter e que o indivíduo deve desenvolver virtudes. resultará em decisões e em comportamentos moralmente aceitáveis. de acordo com as novas necessidades e possibilidades apresentadas a uma dada sociedade. apoian-do o objetivo de cada pessoa. ética deontológica e a ética teleológica Nesta perspectiva. o estudo da ética possibilita um melhor entendimento dos valores e critérios que permeiam os juízos morais de uma sociedade. mas busca definir o caminho de progresso moral do indivíduo que. onde não são considerados bens materiais. mas sim espirituais. defende a existência de um código moral de valores universais aplicável em qualquer contexto.Teorias éticas: ética das virtudes. onde a idéia de respeito recíproco assume um valor intrínseco. como seria possível avaliar nossas ações e daqueles com os quais nos relacionamos sem saber o que é certo ou errado no âmbito da moral? É a partir das reflexões éticas que se torna possível (re)pensar a moral. no intuito de favorecer ao leitor um entendimento básico de cada uma delas. como fazer o bem para os outros e atingir certos objetivos. A ética das virtudes fundamenta-se no pensamento de Aristóteles (384-322 a. por fim. que é alcançar um estado de "felicida-de". A ética teleológica. aristoteles e cia Figura 1 . também conhecida como teoria utilitarista.objetivas dessas três teorias. As ações ideais são aquelas que trazem benefícios para a maioria da sociedade. enquanto tratado dos deveres. favorecendo sua evolução ao longo dos tempos.

quando afirma: As proposições da ética devem ter o mesmo rigor. Você se sentiria confortável ao contar suas ações e decisões para os membros mais próximos de sua família? * O teste do repórter investigativo. mas não consegue entender por quê. contudo apresentam-se como um bom ponto de partida. . a mesma coerência e fundamentação das proposições científicas. não apenas a partir de tradição. * O teste da empatia. Como suas ações apareceriam se comentadas em um programa noticiário da televisão ou em um jornal? * O teste do sentimento. p. e. e caso uma ação ou comportamento não passar por algum destes questionamentos torna-se necessário uma reflexão mais aprofundada... sua intuição está dizendo a você que essa não é a coisa certa a fazer. neste sentido. Daí podemos afirmar que. Ao contrário. constituída a partir de um conjunto de normas que regulam o comportamento dos indivíduos em uma sociedade. educação ou hábito. A ética não é a moral.Kallman e Grillo (1996) oferecem algumas diretrizes informais para avaliar o comportamento ético: * O teste da família.] A moral não é ciência. Como a sua decisão lhe pareceria se você se colocasse na posição de outra pessoa? Como ela pareceria para outras pessoas afetadas pela decisão? Essa diretriz também é conhecida com o a regra de ouro: faça aos outros o que você gostaria para si. frente ao caráter eminentemente prático da moral. os princípios. e. mas objeto da ciência. 23-24) ressalta a distinção entre ética e moral. Como você se sente com a decisão? Se você se sente intranqüilo em relação a uma decisão ou ação. mas principalmente por convicção e inteligência. Vázquez (2010. Tais diretrizes podem falhar em casos reais ou não ser suficientes para análises mais críticas. é por ela estudada investigada. a ética é a teoria que investiga e explica as normas morais. não se pode dizer o mesmo da moral. portanto. se pode falar numa ética científica. Deste modo. favorecendo a ação reflexiva. [. as normas ou os juízos de uma moral determinada não apresentam este caráter.

.não pode ser reduzida a um conjunto de normas e prescrições. tais como células fotoelétricas ou termômetros.. contudo apesar de interrelacionados. sua missão é explicar a moral efetiva e. talvez por isso tenham sido praticamente ignorados durante décadas. já tinha me ocorrido que estávamos na presença de outra potencialidade social de inéd ita importância. Muito antes de Nagasaki e a conscientização pública sobre a bomba atômica. há mais de meio século. . 27-28) afirma: Há muito tempo está claro pra mim que a máquina de computação moderna ultra-rápida. 1. Em seu livro Cybernetics: ou o controle e Comunicação entre o animal e a Máquina. pode influir na própria moral. para o bem e para o mal. Hoje. que inicialmente não perceberam as contribuições que Wiener já tinha feito a este campo de estudo. destaca-se que os conceitos de ética e moral não devem ser confundidos. observamos que ele estava certo em muitos aspectos e que seus estudos estavam muito à frente de seu tempo. Os conceitos da cibernética.. Foi Wiener que cunhou o termo cibernética. enquanto ajudava a desenvolver um canhão antiaéreo capaz de abater aviões. levaram Wiener a chegar a algumas conclusões extremamente perspicazes sobre o futuro das tecnologias e suas implicações. as leituras dos órgãos dos sentidos artificial. pois na esfera da ação humana o conhecer e o agir são indissociáveis. respectivamente. A partir da breve revisão de literatura apresentada pode se verificar que ética e moral se relacionam como uma ciência específica e seu objeto de estudo. Apenas na década de 1970 os estudos relacionados à ética computacional começaram a ganhar maior destaque no meio acadêmico e chamar a atenção de diversos pesquisadores. analisando as ponderações apresentadas por Wiener. já estamos em posição de construir máquinas artificiais de quase qualquer grau de complexidade e desempenho. mas poderia muito bem ser. combinados com o desenvolvimento dos computadores digitais na época. Wiener (1948. foi a princípio o ideal central de um sistema nervoso para o controle automático de aparatos: e que a sua entrada e saída não precisa ser na forma de números ou diagramas. nesse sentido. p.4 Ética Computacional Os estudos da ética no âmbito computacional remontam à década de 194O quando Norbert Wiener apresentou as primeiras pesquisas relacionadas à um campo de estudo que futuramente viria a ser denominado como "ética computacional". contudo o tempo se encarregou de identificar os méritos de cada um e possibilitar uma verdadeira explosão de atividades no campo da ética computacional. e o desempenho dos motores ou solenóides.

caracterizando-o juntamente com Nobert Wiener e Donn Parker como os precursores do campo da ética computacional. O principal objetivo de Parker era examinar o uso antiético e ilegal de computadores por profissionais de computação. transformados e agravad pelas tecnologias os computacionais. baseando-se na utilização de teorias éticas tradicionais como a ética utilitarista dos filósofos Inglês Jeremy Bentham e John Stuart Mill e a ética racionalista do filósofo alemão Immanuel Kant. dandolhe força e importância entre cientistas. possibilitando definir e . como na década de 1960 já eram visíveis os reflexos provocados pelas tecnologias computacionais na sociedade ele elaborou o primeiro Código de Conduta da Association for Computing Machunery (ACM). palestras e oficinas que impulsionaram o campo da ética computacional. Weizenbaum empreendeu um projeto de livro escrito para defender a visão de que os seres humanos são muito mais do que os processadores de informação. que considerava os seres humanos como meras máquinas. Posteriormente em 1985 James Moor. No início dos anos 1970. em seu célebre artigo intitulado What is Computer Ethics?. Alguns psiquiatras começaram a afirmar que logo os computadores estariam realizando psicoterapia automatizada e Weizenbaum preocupou-se que um "modelo de processamento de informação" reforçasse uma tendência já crescente entre os cientistas. segundo ele parecia que muitos profissionais deixavam a sua ética na porta quando entravam em um centro de informática . o qual veio a ser adotado como regra geral em 1973 (PARKER. Em sua primeira experiência com ELIZA ele escreveu um script para possibilitá-lo imitar um psicoterapeuta envolvido em uma entrevista inicial com o paciente. Weizenbaum ficou chocado com a reação que as pessoas tiveram de seu programa de computador aparentemente simples.Durante os anos 1960. o professor de Ciência da Computação Joseph Weizenbaum criou um programa de computador que ele batizou como Eliza. profissionais e formuladores de políticas públicas. Em 1970 Walter Manner introduziu o termo Ética Computacional . Ele recolheu exemplos de criminalidade informática e outras atividades não-éticas informatizadas e passou a produzir livros. artigos. Donn Parker foi responsável pelas primeiras reflexões éticas sobre o comportamento dos profissionais de computação. O livro de Weizenbaum inspirou uma série de pensadores e projetos no campo da ética computacional. O projeto resultou em seu livro Computer Power and Human Reason (1976) que é agora considerado um clássico no campo da ética computacional. definiu Ética Computacional como uma disciplina que tem como objetivo analisar a natureza das tecnologias computacionais e seus impactos sociais. 1968). e até mesmo o público em geral. denominando como um -o campo de estudo dos problemas éticos criados.

p. e sim que apresentam uma nova roupagem para questões éticas já conhecidas. nesta mesma época houve outras publicações relevantes para o campo da ética computacional em outras áreas como The Second Self publicado por Sherry Turkle em 1984 que examinou o impacto da computação na psique humana e Computers and Social Change: Information. 1985). Para Moor o vácuo de políticas e conceitos são as marcas dos problemas básicos da ética computacional. Em seu artigo What is Computer Ethics? (1985) James Moor apresenta uma definição de ética computacional muito mais ampla e abrangente do que as de Maner ou Johnson. definindo ética computacional como a análise da natureza e impacto social da tecnologia computacional e a correspondente formulação e justificação de políticas para o uso ética da tecnologia (MOOR. A maneira como Moor definiu Ética computacional é muito poderosa e sugestiva. Nesse mesmo ano. ao contrário Maner. ela não acreditava que os computadores criam inteiramente novos problemas morais. Ela é suficientemente ampla para ser compatível com uma ampla gama de teorias filosóficas e metodológicas e está enraizada em um entendimento perspicaz de como as revoluções tecnológicas procedem. por sua vez nos dá novas opções para a ação. livro texto que define o campo. Deborah Johnson afirma que a Ética Computacional analisa como os computadores representam novas versões do padrão de problemas éticos e dilemas morais. Property and Power publicado por Judith Perrolle em 1987. Computadores nos fornecem novas capacidades e estas. não existe . Deborah Johnson publicou Computer Ethics. Johnson aprovou a "filosofia aplicada" e a abordagem de utilização de procedimentos e conceitos do utilitarismo e kantismo. Muitas vezes. os computadores podem ser modelados para realizar qualquer atividade que possa ser expressa em termos de entrada. e por isso geram um conjunto de novas possibilidades para o esforço humano e seus limites são largamente os limites da própria criatividade humana. 1985. o primeiro. Um típico problema em ética computacional surge porque há um vácuo de políticas sobre como a tecnologia do computador deve ser utilizada. isto é. Assim como Maner.justificar políticas reguladoras para a utilização ética de tais tecnologias (Moor.1). e por mais de uma década o único. e obrigando-nos a aplicar as normas morais comuns em um reino desconhecido. saídas e operações lógicas . pois a tecnologia computacional é particularmente diferente de todas as demias devido a sua flexibilidade lógica . agravando antigos problemas. No livro Computer Ethics (1985). Contudo. uma abordagem sociológica da informática e valores humanos.

A primeira fase a da "introdução tecnológica". aumentando o conhecimento da dimensão ética de uma situação particular e buscando avançar nosso conhecimento e entendimento na resolução de conflitos. a importância de estudos sobre os reflexos éticos das tecnologias computacionais tornou-se inquestionável. em que a informática foi desenvolvida e aperfeiçoada ocorreu durante os primeiros 40 anos após a Segunda Guerra Mundial.nenhuma política de conduta nestas situações ou as políticas existentes são inadequadas. 1995). Assim. Uma tarefa central da ética computacional é determinar o que devemos fazer em tais casos. pessoais e sociais para o uso ético da tecnologia. pois diferente do que ocorre com um conjunto de fatos e . A segunda fase é a de "penetração tecnológica" em que a tecnologia se torna integrada com todas as atividades humanas e instituições sociais. entre outros. para formular políticas para orientar nossas ações. abrangendo todos os envolvidos no projeto e desenvolvimento de artefatos computacionais (GOTTERBARN 1991). Os estudos de Gotterbarn tiveram como principal foco os valores que norteiam as atividades do dia-a-dia dos profissionais de computação em sua atuação como profissional. 1. "trabalho". bem como sugerir soluções sábias (JOHNSON. e a popularização dos computadores. De acordo com o Moor. "educação". a revolução computacional ocorreria em duas etapas. ou seja. preocupado principalmente com as normas de boas práticas e códigos de conduta para os profissionais de computação. mudando o próprio significado de conceitos fundamentais. de modo que a ética computacional exige a consideração de ambas as políticas.5 Consideração da unidade e estudos complementares Conforme destaca Bowyer (1996) o comportamento ético está frequentemente em conflito com interesses a curto prazo. nesta época foram incluídas nos currículos dos principais cursos da área de Computação disciplinas relacionadas ao estudo de ética computacional. tais como "dinheiro". a ética do computacional deve ser visto como um ramo da ética profissional. NISSENBAUM. Envolve identificar e divulgar as questões e problemas que fazem parte de seu escopo. É claro que algumas situações éticas nos confrontam como indivíduos e alguns como uma sociedade. A partir da década de 1990 com o desenvolvimento da Internet. De sua perspectiva. Donald Gotterbarn destacou-se como defensor de uma abordagem diferente para a ética computacional. observamos que estudo da ética na área de computação é o estudo das questões éticas que aparecem como conseqüência do desenvolvimento e uso dos computadores e da tecnologia de computação.

equações. 1996.. Ethics and Computing: Living Responsibly in a Computerized World. W. liderança e ética. K. 1995. 2007. Em relação à Ética Computacional. Mas isso normalmente não é possível. New York: IEEE Computer Society Press. O que é necessário. uma pequena reflexão revela uma confusão conceitual. H. muito do trabalho importante no campo da ética computacional é dedicado a propor estruturas conceituais para a compreensão dos problemas éticos que envolvem a tecnologia computacional. é uma análise que forneça um quadro conceitual coerente dentro do qual possamos formular uma política para a ação. NIESSENBAUM. BOWYER. Ilana Seltzer. São Paulo: Ática. Qual é a tua obra?: inquietações prepositivas sobre gestão. juntamente com um vácuo de políticas muitas vezes há um vácuo conceitual. JOHNSON. mas apenas apresentar uma pequena fração das questões éticas e sociais geradas ou agravadas a partir da utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação. Petrópolis. o comportamento ético é uma forma de vida e exige tempo para a mudança de hábitos já cristalizados. J. não temos como objetivo esgotar o assunto. Embora inicialmente um problema de ética computacional possa parecer claro. Referências ALMEIDA. Na verdade. G. S. ethics. GOLDSTEIN. O aprofundamento das questões aqui apresentadas será possibilitado a partir de leituras das referências e discussões realizadas no ambiente de aprendizagem. and social values. F. A dificuldade é que. nesses casos. M. 2007. Responsabilidade social: das grandes corporações ao terceiro setor. Upper Sadle River: Prentice-Hall. Rio de Janeiro. D. CORTELLA. 2011. Responsabilidade social das empresas e valores humanos: um estudo sobre gestores brasileiros. Ed. R. que podem ser assimilado a partir da leitura ou repetição. . em um primeiro momento pode parecer que tudo o que precisa ser feito é a aplicação mecânica de uma teoria ética para gerar a política apropriada. Computers. RJ: Vozes. de modo que sua aplicação concreta só é possível se existir comprometimento e interesse nesta mudança. 13. Tese (Doutorado) Fundação Getúlio Vargas.

ed. C. NITZSCHE. São Paulo: Companhia das Letras. PIVATTO. Paulo César de Souza. Petrópolis: Vozes.. Adolfo Sanchez. 2010. E. GRILLO. 1996. São Paulo: Edusp. 2006. Correntes fundamentais da ética contemporânea. Albert Einstein Objetivos: Examinar o conceito de Ética Computacional. 2 Unidade Não é suficiente você entender sobre ciência aplicada. Friedrich Wilhelm. A. P. VAZQUEZ.KALLMAN. New York: McGraw-Hill. 2008. 2000. Ética da finitude. Ethical Decision Making and Information Technology: an introduction with cases. 2.ed. . 31. Trad. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: Campus. A preocupação com o próprio homem e seu des tino deve ser sempre o principal interesse de todos os esforços técnicos. S. ROHMANN. 2000. analisar os vínculos existente entre o pensar s ético e a vida profissional sob a ótica dos códigos de Ética da área de Computação. Trad.ed. analisando aspectos relacionados à regulamentação da profissão seus impactos e consequencias para a área de Computação e a sociedade como um todo. 2. Genealogia da moral: Uma Polêmica. discriminando os valores e aspectos relacionados à regulamentação da profissão.1 Introdução Nesta unidade examinaremos os vínculos existentes entre o pensar ético e a prática profissional. 2. Ética em Computação. P. O Livro das Idéias. Jussara Simões. C. MASIERO. J. Ética. P. a fim de que seu trabalho possa aumentar as bênçãos do homem.

normalmente justificado por um tempo mais longo de aprendizagem a partir de um processo educacional formal. enge-nheiros e advogados. Exemplos clássicos de representantes dessa categoria restrita são médicos. etc. mecânicos. devido a falta de um código de ética nacional apresentaremos resumidamente os principais conceitos e normativas identificadas no código de ética da Association for Computing Machinery (ACM). e imprecisos.Considerando os aspectos profissionais relacionados à Ética Computacional. Buscando atingir tais objetivos. quanto significados mais restritos. descrevendo suas principais características e objetivos.2 Ética profissional e regulamentação da profissão Os termos "profissional" e "profissão" comportam geralmente tanto significados mais abrangentes. no intuito de estabelecer subsídios que possibilitem avaliar criticamente e discriminar valores que possam guiar as atividades dos profissionais da área de Computação. Esperamos que ao término desta unidade você seja capaz de responder às seguintes questões: a) Quais são os valores éticos que devem guiar a atividade de qualquer profissional? b) Qual a abrangência da ética na área de computação e especificidades da área? c) Quais as vantagens e consequencias de uma possível regulamentação da área de Computação no Brasil? d) É possível e desejável a aplicação dos preceitos do código de ética da ACM em nosso contexto nacional? 2. Johnson (1994) apresenta algumas características que distinguem tal categoria mais restrita: . pertencendo a um grupo ocupacional. No sentido mais abrangente. serão apresentados estudos de casos que possibilitem identificar a importância da ética profissional e analisar como os códigos de ética poder ser empregados em contextos reais. como pedreiros. No sentido mais restrito. carpinteiros. profissional é um indivíduo que ganha o seu sustento exercendo um determinado tipo de trabalho ou ocupação. o termo profissional é reservado para cer-tos grupos ocupacionais que são vistos pela sociedade como mais nobre .

devido ao fato da profissão não ser oficialmente regulamentada pelo governo (MASIERO. 4. Exigem o domínio de um corpo de conhecimento que não é de domínio público e que geralmente é adquirido por intermédio de educação superior.1. Apenas os membrosda profissão possuem esse conhecimento e é isso que justifica as características seguintes. mas atende à maioria. A profissão geralmente tem uma organização profissional. Baseando-se em tais requisitos observa-se que a profissão de computação não os preenche completamente. contudo a profissão também é exercida. reconhe-cida pelo governo. Os membros da profissão são vistos como pessoas comprometidas com uma profissão que dura toda a vida. 2008). provavelmente com menor status. A profissão atende a uma função social importante ou está compro-metida com um bem social (como a saúde. 7. não possui um có-digo de ética formalmente definido para seus associados. no caso da medicina). Geralmente é possível distinguir os profissionais que praticam a profissão e aqueles que fazem pesquisa para ampliar seu corpo de conhecimento. tipicamente. 6. têm uma grande autonomia em seu trabalho (quando comparados com outras ocupações que apenas recebem ordem). que controla a admissão dos profissionais e determina padrões para a prática da profissão. Os membros da profissão devem obedecer a um código de ética de conduta profissional. A falta de regulamentação oficial também dificulta o estabe-lecimento de um código de ética nacional para a profissão. afinal é certo que boa parte dos profissionais adquiriu um conjunto de conhecimentos específicos que não são de domínio público. 3. 5. Membros da profissão. . por profissionais sem for-mação adequada. e que há um conjunto de cientistas atuando na área para ampliar esse corpo de conhecimento. no Brasil mesmo a So-ciedade Brasileira de Computação (SBC). 2. que está entre as sociedades profissionais mais conhecidas e atuantes.

a abrangência dos assuntos relacionados à ética na área de computação deve ser limitada. para que suas atividades sejam desenvolvidas de forma ética e socialmente responsável. não se limitando às questões jurídicas e normativas. pois constitui principalmente atividades de suporte à outras áreas. No Brasil algumas leis já regulamentam aspectos da profissão. contudo é importante a reflexão crítica sobre os valores profissionais da área de computação. Masiero (2008) apresenta o exemplo de um jovem que para poder comprar remédios para sua mãe usa um computador para aplicar golpes contra clientes de um banco. Assim como em outras áreas.A SBC desde sua criação em 1979. Contudo. comprovação de educação formal ou registro em conselhos de profissão. que por sua vez atendem funções sociais. como o habeas data que regula o acesso às informações disponíveis em bancos de dados de repartições públicas ou particulares e a lei do software que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de softwares. destacando que este não é um caso de ética computacional. o funcionamento dos serviços públi-cos etc. não abrangendo temas nos quais os computadores aparecem de formautilitária. certamente outras leis serão regulamentas. como a saúde. Deste modo. tem se debruçado sobre o tema da regulamentação da profissão e apóia um modelo de regulamentação que garanta livre exercício da profissão. defendendo que o exercício de atividades econômicas. Conforme destaca Masiero (2008) não há dúvidas de que a computação tem um papel importantíssimo na sociedade atual. a ética computacional . independentemente de diploma de curso superior. assim como um médico que faz residência e que durante um trote ajuda a jogar álcool e atear fogo em um calouro não constitui um caso de ética na área de medicina. ou um advogado que encomenda o assassinato da esposa não constitui um caso de ética na área jurídica. mas a profissão não é um fim em si mesmo. Outros projetos estão em discussão como o projeto de lei 607/2007 que dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de Analista de Sistemas e suas correlatas. a justiça. o qual tem recebido críticas por propor a restrição do exercício da profissão aos detentores de diplomas de alguns cursos. ofícios ou profissões relacionadas com a área de computação deva ser livre em todo o território nacional.

Nesta perspectiva. em prin-cípio. embora a partir de perspectivas distintas. 2. foi pioneiro em definir e apresentar de forma objetiva as principais questões éticas relacionados à área de Computação.abrange as ações relacionadas ao papel dos profissionais de computação e os valores que guiam o trabalho no dia-a-dia de sua atividade. Tais princípios não são exclusivos de determinada área. . não abrangendo situações que estejam fora do controle desses profissionais. As novas tecnologias têm provocado profundos reflexos. para o profissional de computação responsável pelo sistema do hospital e para a vizinha que soube do caso pela mãe do paciente.. 1992). enquanto o profissional de computação. a vizinha é li-vre para comentar com quem quiser. observa-se que devido ao crescente impacto das tecnologias computacionais em nossa sociedade é importante perceber que as responsabilidades sociais e éticas da área de computação não estão restritas apenas aos profis-sionais de computação. Conforme destaca Johnson e Nissenbaum (1995) o estudo da ética em computação não apenas por parte dos profissionais da área. Associados ao conjunto de valores de uma profissão. positivos e negativos.3 O Código de Ética da ACM O código de Ética da ACM. na sociedade contemporânea. não deve comentar com ninguém. mas também de outros indivíduos é que possibilitarão a tomada de decisões fundamentais que irão determinar se as tecnologias serão desenvolvidas de forma benéfica ou maléfica para a sociedade. dedicando grande parte de seus mandamentos aos usuários e à própria sociedade (ANDERSON et al. que dev e ser considerado por profissionais de diferentes áreas. também devem ser considerados outros princípios mais gerais que governam a tomada de decisões éticas. um exemplo é o "princípio da confidencialidade". afetando direta e indiretamente os mais variados campos do conhecimento. destacando quea responsabilidade pela confidencialidade dos dados é diferente para o médico que operou o paciente. de modo que as preocupações éticas precisam ser consideradas desde o momento de seu desenvolvimento até sua utilização pelos usuários. publicado no início da década de 1990. pois o médico deve comentar o caso somente com a paciente ou seus familiares mais próximos. Masiero (2008) apresenta como exemplo a situação em que as informações de um paciente estejam disponíveis no banco de dados de um hospital.

7 Respeitar a privacidade de terceiros 1. Imperativos morais gerais 1. Contendo muitas. a segunda trata de questões mais específicas de conduta.6 Dar crédito apropriado à propriedade intelectual 1.1 Contribuir para o bem-estar humano e da sociedade 1. mas não todas.8 Honrar a confidencialidade 2. de acordo com os objetivos da disciplina. a terceira refere-se mais especificamente a indivíduos que têm um papel de liderança. Assim. apresentamos sucintamente os imperativos descritos nas três primeiras seções do código da ACM: 1.4 Ser justo e agir de forma a não discriminar 1. questões com as quais podemos nos deparar no exercício da profissão tal código constitui uma importante fonte de estudos no campo ético profissional da área de Computação. (1992) o código da ACM está dividido em 4 seções: a primeira abrange considerações gerais de ética profissional.Buscando apresentar um conjunto de diretrizes que favoreçam a tomada de decisões éticas na con¬dução profissional da área de Computação o código apresenta 24 imperativos formula¬dos como declarações de responsabilidade profissional e identifica elementos de comprometimento. e a quarta apresenta os princípios de conformidade e obediência ao código. principalmente en¬quanto não estiver disponível no Brasil um código específico e com o mesmo padrão de qualidade. Responsabilidades profissionais mais específicas .3 Ser honesto e digno de confiança 1. Conforme apresentado em Anderson et al.5 Honrar os direitos de propriedade incluindo direitos autorais e patentes 1.2 Evitar danos a terceiros 1.

7 Melhorar o entendimento público sobre a computação e suas conseqüências 2.8 Ter acesso a recursos de computação e comunicação apenas quando for autorizado para tal 3. o sistema deve ser validado para satisfazer tais requisitos 3.3 Conhecer e respeitar as leis existentes.4 Aceitar e fornecer perícia profissional apropriada 2. Posteriormente.1 Articular a responsabilidade social de membros de uma organização e encorajar aceitação completa dessas responsabilidades 3. que vai do interesse individual ao . os quais derivam de princípios éticos mais gerais. acordos e responsabilidades atribuídas 2. incluindo análise de riscos potenciais 2. Muitas vezes os princípios podem ser conflitantes entre si. mas algumas recomendações são oferecidas numa hie¬rarquia crescente de valores.5 Dar avaliação abrangente e profunda dos sistemas de computação e seus impactos.6 Honrar contratos. nestes casos a priorização normalmente é deixada para o bom senso de cada profissional.1 Procurar alcançar a maior qualidade. eficácia e dignidade tanto nos processos como nos produtos do trabalho profissional 2.4 Assegurar que usuários e todos aqueles que serão afetados por um sistema tenham suas necessidades claramente observadas durante a avaliação e o projeto de requisitos. Imperativos da liderança organizacional 3.6 Criar oportunidades para os membros da organização conhecerem os princípios e as limitações de um sistema de computação Conforme destaca Masiero (2008) tal código preocupa-se em enfatizar os princípios éticos que se aplicam à éti¬ca na área de Computação.2 Adquirir e manter competência profissional 2.5 Articular e apoiar políticas que protejam a dignidade do usuário e outros afetados pelos sistemas de computação 3.2 Gerir pessoas e recursos para projetar e construir sistemas de informação que melhorem a qualidade de vida no trabalho 3.2. relativas ao trabalho profissional 2.3 Especificar e autorizar o uso apropriado e autorizado dos recursos de computação e comunicação de uma organização 3.

pois os valores morais. ela vê dois trechos de código que poderiam ser diretamente incorporados em seu próprio programa. trabalho fosse completado nos próximos dias. em contextos muito próximos da realidade com a qual cada um pode vir a se defrontar durante a vida profissional (MASIERO. sem manifestar-se como uma postura artificial. Joana lembrou-se de que um colega de trabalho lhe dera uma listagem de programas fontes do trabalho atual dele e uma versão anterior de um pacote de software comercial desenvolvido em outra empresa. Joana constatou que não conseguia continuar várias partes de seu programa. possibilitando observar como os códigos de ética podem ser utilizados na prática. Nesta perspectiva. tenta escrever um grande programa estatístico para sua empresa. Os programadores dessa firma são encorajados a escrever sobre o seu trabalho e publicar seus algoritmos em sites profissionais. uma programadora de bancos de dados estatísticos. o interesse da sociedade deve prevalecer. mas não conta a ninguém e também .4 Estudos de Caso em Computação Estudo de caso é um recurso didático bastante útil para analisar as implicações éticas de determinadas situações. as obrigações para com um empregador prejudicarem a sociedade. cuja aplicação restringe-se a determinadas situações. Estudando esses programas. por exemplo. adquiridos a partir do convívio social de cada indivíduo. Depois de meses de tediosa programação. de modo que quando não houver possibilidade de conciliação e. Obviamente os códigos de ética não devem ser considerados como receitas . não percebendo a complexidade do problema pediu que o . Esses casos publicados em Anderson et al. também devem ser considerados no momento da tomada de decisões. apresentamos a seguir alguns casos didáticos que ilustram o uso do código da ACM envolvendo situações da prática profissional da área de Computação. ou violar leis. Seu gerente. 2. Não sabendo como resolver os problemas.inte¬resse geral da sociedade. 2008). Ela usa segmentos de código de ambos: de seu colega e do software comercial. de modo que a o comportamento ético deve ocorrer no dia-a-dia da prática profissional. assumida em momentos específicos. (1993) e traduzidos por Masiero (2008) foram elaborados como parte dos esforços do grupo que desenvolveu o código de ética da ACM e aqui são apresentados de modo resumido de acordo com os propósitos desta unidade. CASO 1: PROPRIEDADE INTELECTUAL Joana.

o cliente decidiu optar por um sistema menos seguro.]". Este argumento ético estende o princípio dos direitos de propriedade (1.5) que menciona explicitamente os direitos autorais. incluindo avaliação de desempenho. então provavelmente não há necessidade de crédito formal. Daiane descreve u várias opções para o cliente. porque ela deveria checar antes se sua empresa estava autorizada a fazer tal uso. Ela obteve tanto sucesso que agora possui várias pessoas trabalhando para ela e muitos clientes. patentes. segredos de negócio e acordos. O uso que Joana fez do software comercial não foi correto. informando o presidente.6.. Apesar de ser desejável compartilhar e trocar material intelectual. Termina o projeto e entrega um dia antes -o do prazo. dar crédito apropriado à propriedade intelectual: "Ninguém pode obter crédito pelo trabalho ou pelas idéias de outra pessoa [. porque se o uso de material intelectual de outra pessoa é completamente trivial. mais explicitamente no imperativo 1. Ainda assim teria obrigação de dar crédito? A resposta é SIM: ela deveria ter dado um crédito de agradecimento na documentação. O seu trabalho inclui aconselhamento na instalação de redes de computadores. Suponha que Joana apenas "deu uma olhada" no código fonte de seu colega para ter uma idéia e então escreveu completamente o seu programa. Há uma questão de julgamento profissional. Joana violou a ética profissional em duas áreas: não dar crédito ao trabalho de outro e usar código de um pacote comercial que presumivelmente tinha direitos de licença ou era protegido por lei de alguma outra forma. Agora chegou o momento de tomar decisões sobre o tipo e grau de segurança a ser implementado.. projeto de sistemas de gerenciamento de base de dados e aconselhamentos sobre segurança. Atualmente ela projeta um sistema de gerenciamento de bases de dados para o escritório de uma empresa de médio porte. registros médicos para . Daiane envolveu o cliente no processo de projeto. O código trata de questões de propriedade intelectual.não menciona na documentação de seu programa. Como o sistema vai custar mais do que eles planejaram.5) e na necessidade de cumprir as leis existentes (2. CASO 2: PRIVACIDADE Três anos atrás Daiane iniciou seu próprio negócio de consultoria. Ela acredita que a informação a ser armazenada é extremamente sensível. Essas restrições estão baseadas na integridade (1.3). o diretor de computação e o diretor de pessoal sobre o progresso do sistema. usar software de forma clandestina é definitivamente uma violação do código.

mês a mês. Ele copia a . Max foi encarregado de olhar os registros do programa de tratamentos. mas ela pode ter que escolher entre seu contrato e suas obrigações para honrar a privacidade a confidencialidade. Os representantes de uma empresa têm a obrigação de proteger a privacidade deseus empregados e. mantendo uma imensa base de dados com informações de clientes que usam os s eus serviços. salários etc. Deve preparar um relatório com o número de clientes visitados em cada programa. O código também especifica que lideres não-organizacionais têm obrigação de "verificar que os sistemas sejam projetados e implementados para proteger a privacidade pessoal e melhorar a dignidade pessoal" (3. o diretor de computação e o diretor de pessoal acham que não é necessário mais segurança. Diane tem certeza de que o sistema deveria ser mais seguro. As diretrizes do código dizem que os profissionais de computação são obrigados a preservar a integridade dos dados sobre indivíduos "de acesso não-autorizado ou revelação acidental para indivíduos nãoapropriados". ele salva esse arquivo para o computador de seu escritório. conseqüentemente. o número de clientes que retornaram após o término do programa.8 de confidencialidade. sem mencionar a possibilidade de acesso online de hackers. Alguns dos arquivos de dados contêm os nomes e o endereço atual dos clientes. nos últimos cinco anos.7 trata de privacidade e o 1. e histórico criminal dos clientes. então Daiane necessita considerar suas obrigações contratuais. Depois de juntar todos os dados em um novo arquivo que inclui o nome dos clientes.5) e avaliar as necessidades de todos aqueles afetados por um sistema (3. segundo o qual se deve promover o "entendimento público sobre a computação e suas conseqüências". mas apesar de suas tentativas de explicar os riscos o presidente. A primeira obrigação de Daiane é tentar educar os representantes da empresa. foi dado a Max o acesso a todos os arquivos do órgão no computador mainframe. o que é sugerido pelo imperativo 2. não devem aceitar segurança inadequada. Se isso falhar. o número de tratamentos dos clientes. Para preparar esse relatório. Com pouca segurança.7. CASO 3: CONFIDENCIALIDADE Max trabalha em um órgão público dedicado ao combate ao abuso de álcool e drogas. Sob pressão para terminar o relatório na data marcada. mas o primeiro é mais explícito.preenchimento de queixas ao seguro. os empregados que trabalham em microcomputadores podem descobrir meios de ter acesso a esses dados. O que ela deve fazer? Deveria recusar-se a construir o sistema na forma pedida? No Código de Ética da ACM o princípio 1. Os administradores do órgão desenvolvem programas para indivíduos dependentes de álcool e drogas.4). Max decide que vai ter que trabalhar em casa no fim de semana para terminar no prazo. Eles são inteiramente relacionados.

que trata de privacidade. a empresa não irá investir mais dinheiro no desenvolvimento do novo sistema de contabilidade e eles retornamao original. levanta várias questões adicionais. pela interface com o usuário. Se esse procedimento fosse seguido. Por causa dessas queixas.5) e ele também diz que os líderes organizacionais "devem especificar e autorizar o uso apropriado dos recursos organizacionais" (3. Depois de terminar o relatório. que foi encarregada de projetá-lo. pelo processamento interno e uma terceira.informação em um pendrive e leva para casa. O órgão deveria ter removido as informações identificadoras dos arquivos que permitiu a Max utilizar. O órgão governamental deveria ter políticas e procedimentos para proteger a identidade de seus clientes. CASO 4: QUALIDADE DO TRABALHO PROFISSIONAL Uma empresa de computação está escrevendo o primeiro estágio de um sistema de contabilidade mais eficiente que será usado pelo governo. Entretanto. . O imperativo 2. Os amigos ou familiares de Max poderiam descobrir acidentalmente os arquivos e usar a informação de forma não-apropriada. O sistema é instalado. não importaria que Max tivesse copiado o arquivo para seu computador.8 sobre restringir o acesso a situações autorizadas é também central para decisões de usuários de computaçã nesse tipo de o aplicação. O gerente concorda que o produto deve satisfazer a todos os requisitos especificados.7 sobre privacidade e 1.3). Além disso. mas os funcionários acham a interface tão difícil de ser usada que suas queixas são ouvidas pela direção. que é mais caro. O sistema irá economizar aos pagadores de impostos uma soma considerável de dinheiro todo ano. Os arquivos que Max usou para seu relatório não precisam ter nenhum nome ou outra informação dos registros que torne possível identificar facilmente os indivíduos. Os princípios 1. deixa o pendrive em casa e esquece dele.8 sobre confidencialidade do Código de Ética da ACM podem ser aplicados. mas infelizmente ele não estava antecipadamente atento a essas questões. Uma pessoa fica responsável pelo desenvolvimento dos relatórios. Uma profissional de Computação. Esse cenário lembra o anterior. O contexto organizacional apresentou muitas questões éticas para Max. ameaçando a reputação dos clientes. atribui diferentes partes do sistema a seus funcionários. o código especifica que líderes organizacionais têm a obrigação de "verificar que os sistemas sejam projetados e implementados para proteger a privacidade pessoal e melhorar a dignidade pessoal" (3. outra.

e os nomes de candidatos masculinos devem aparecer antes dos femininos. discriminando pessoas não-brancas e do sexo feminino.3 (respeitar as leis existentes). Quando o resultado é danoso . Presumimos que nesse caso a falha em entregar um produto de qualidade é diretamente atribuível à negligência em seguir um processo de qualidade.O Código de Ética da ACM advoga que profissionais de computação devem esforçar para -se adquirir a mais alta qualidade em ambos: processo e produto (2. a falha em implementar um processo de qualidade torna-se uma clara violação do comportamento ético. Se concluir que a informação será usada para favorecer pessoas brancas do sexo masculino. então o profissional de computação deveria se recusar a construir o sistema da forma proposta. o que é promovido pelo imperativo 2.1 (bem-estar humano) e 1. Aceitar e construir o software como proposto seria uma violação não apenas de 1.1). Deve perguntar também se isso é coerente com 2. É provável que muitos dos problemas com essa interface fossem descobertos em um processo de revisão.4 (justiça). o cliente explica que ao mostrar na tela candidatos cuja qualificação parece casar com aquel s a requeridas para um certo trabalho.4 requer que os usuários e aqueles afetados pelos sistemas tenham suas necessidades claramente articuladas. os nomes dos candidatos brancos devem aparecer antes dos candidatos não-brancos.neste caso para os contribuintes de impostos -. será usado em favor de brancos do sexo masculino. Tudo indica que o projetista de sistemas não deveria fazer simplesmente o que foi pedido.2 (evitar danos). O imperativo 3.3 (respeitar as leis existentes). De acordo com os imperativos gerais sobre justiça. . mas de 2. mas apontar a natureza problemática do que foi requerido e perguntar ao cliente por que a discriminação. seja com os pares ou com os usuários.4. toda pessoa deve ser justa e agir de forma a não discriminar. Nesse caso o projetista é instruído a construir um sistema que. CASO 5: JUSTIÇA E DISCRIMINAÇÃO Ao determinar os requisitos para um sistema de informação em uma agência de empregos. e seria incoerente com 1. aparentemente.

O presidente da empresa sabe que o programa tem algumas falhas. suspeita que as funções de controle de estoque do sistema não estão . porque não e encorajando stá seus funcionários a aceitar sua responsabilidade social.0 de um programa sabe disso e tomará as precauções apropriadas. inclui uma declaração na qual se exime de qualquer responsabilidade resultante do uso do programa.1. consultas e sugestões de modificações. A empresa planeja usar essas sugestões e reclamações para realizar mudanças no produto e posteriormente lançar novas versões atualizadas. A empresa espera receber um certo número de reclamações.1. A empresa anuncia o produto amplamente. Por lei as empresas podem fazer declarações se eximindo de responsabilidade apenas quando estão com "a consciência tranqüila".5 também foi violado. Quando finalmente vende seu primeiro produto. Ao falhar em informar os clientes sobre os erros no sistema. O presidente argumenta que essa é a política geral da indústria e que qualquer usuário da versão 1. já que ele estava ciente dos erros no produto e não se esforçou para alcançar a mais alta qualidade. o presidente está também violando 3.CASO 6: RESPONSABILIDADE POR FALTA DE CONFIABILIDADE Uma empresa de desenvolvimento de software acabou de produzir um novo pacote que incorpora novas regras de impostos e calcula impostos para indivíduos e pequenas empresas. como proposto em 2. A deliberação. e seu presidente em particular. Como um líder em sua organização.3 seria violado. violaram vários princípios do código de ética da ACM. pois eles devem pagar multas por erros resultantes do uso do programa. Jane. pode não passar por esse teste legal e então o operativo 2. O sistema deverá coletar diariamente as informações sobre vendas em toda a cadeia de lojas espalhadas pelo território nacional. várias pessoas entregaram declarações de impostos incorretas e foram penalizados pela Receita Federal. os riscos para os usuários são grandes. Essa informação será usada pelos departamentos de contabilidade. nesse caso. Nesse exemplo. melhoradas e depuradas. Por causa dos erros. uma engenheira de garantia de qualidade da empresa de software. CASO 7: RISCOS CAUSADOS POR SOFTWARE Uma pequena empresa de software está trabalhando em um sistema integrado de controle de estoque para uma grande indústria de calçados de âmbito nacional. A empresa de software. pedidos e remessas para controlar as funções dessa grande corporação. A função de estoque é crítica para a operação tranqüila do sistema. E acredita que a primeira firma a colocar este tipo de software no mercado provavelmente captará a maior fatia do mercado. o princípio 2.

ele irá prejudicar significativamente seu cliente e seus empregadores. Mas como o grau de ameaça é menor.3 obriga à integridade profissional. Entretanto. Seus empregadores dizem que eles vão falir se não entregarem o software no prazo. um profissional de Computação tem que ser honesto em "quaisquer circunstâncias que possam levar a conflitos de interesse" e têm a responsabilidade de assegurar que seus clientes estejam completamente cientes desuas .estar do ser humano. deve apenas realizar os testes previstos no contrato original. profundos e objetivos quando avaliar descrições de sistemas e alternativas.3.suficientemente testadas. Ela está sendo pressionada por seus empregadores para liberar o software. o imperativo 2. Ele recomenda que selecionem o sistema SCT dentre vários disponíveis no mercado.3). O Código de Ética da ACM. Se essas falhas ameaçassem vidas. Ela deve continuar a testar. tem à frente uma difícil decisão moral. nem deve enganar o cliente sobre a qualidade do produto (1. e 2. sua considerável experiência em teste de software levou-a a ficar preocupada com os riscos do sistema.1 define qualidade como uma responsabilidade ética. CASO 8: CONFLITOS DE INTERESSE Um consultor de software está negociando um contrato com uma comunidade local para projetar seu sistema de controle de tráfego.2. no imperativo 1. Além do mais. o princípio 1. Jane argumenta que se o sub-sistema de estoque falhar. apesar de terem passado em todos os testes previstos no contrato. Esses princípios podem estar em conflito com os acordos e compromissos de um empregado para com seus clientes e empregador. enfatiza a responsabilidade dos profissionais de computação em evitar danos a outros. estaria claro para Jane que ela deveria se recusar a liberar o sistema. 1.1 requer preocupação com o bem. De acordo com as diretrizes. mas já foi informada de que a empresa pode fechar se não terminar e entregar o sistema imediatamente. Legalmente. O consultor não menciona que é um dos principais acionistas da empresa que produz o SCT. Os imperativos éticos do código implicam que Jane não deve entregar um sistema que acredita ser de qualidade inferior. neste caso no mínimo o cliente deve ser informado sobre suas reservas.5 postula que profissionais de Computação devem esforçar-se para serem perceptivos. Segundo o imperativo 1.

No ano passado Joe trabalhou como programador estagiário para o centro de Computação do campus e está bastante familiarizado com os procedimentos para aumentar o tempo alocado a cada conta. Para um maior aprofundamento neste tema. O imperativo sobre honrar direitos de propriedade (1. analisando os desafios e potencias consequencias da regulamentação da profissão. mas ainda não terminou o trabalho. Esse imperativo moral geral leva ao imperativo 2. Verificou-se que em situações práticas muitas vezes a tomada de decisões éticas torna-se uma tarefa extremamente complexa. que especifica que membros da ACM devem ter acesso a recursos de comunicação apenas quando autorizados.8. é necessário considerar os aspectos morais como forma de identificar qual seria a atitude mais adequada para ser tomada em determinada situação.5) foi violado.3). O instrutor determinou um prazo de uso do computador para realizar seu projeto.5 Considerações da unidade e estudos complementares Nesta unidade apresentamos as relações existentes entre o pensar ético e a prática profissional. . O instrutor não pôde ser encontrado. pois determinados dilemas éticos não possibilitam estabelecer uma solução única que seja totalmente adequada. Ele então dá a si próprio tempo adicional e termina o projeto. consegue ter acesso ao arquivo mestre de contas. Nestes casos. Usando o que aprendeu no ano passado. Outro tema importante abordado nesta unidade diz respeito ao código de ética da ACM. Joe está também transgredindo o imperativo sobre conhecer e respeitar as leis existentes (2. Joe esgotou seu tempo. muitas vezes.8. e exemplos de sua aplicação a partir de estudos de caso. devido principalmente à grande quantidade de fatores que devem ser levados em consideração. Ao violar 2. recomenda-se a leitura do texto de Anido (2008) Regulamentação da profissão na área de informática . 2.opções e que recomendações profissionais não sejam modificadas em função de ganhos pessoais. dando vazão ao subjetivismo. CASO 9: ACESSO NÃO-AUTORIZADO Joe está trabalhando em um projeto para seu curso de Computação.

G. NIESSENBAUM. 1995. Upper Sadle River: Prentice-Hall. MASIERO. P. Computer Ethics. Regulamentação da Profissão na Área de Informática.ed. JOHNSON. 2008. . C. 2. São Paulo: Edusp.Referências ANIDO. G. New York: Prentice Hall. Disponível em: <http://www. 2. Ética em Computação. H.. ethics. Jornal da Unicamp. and social values. Computers. D.unicamp. R. 1994.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju392pag02.ed. D.pdf> JOHNSON.