Escolar Documentos
Profissional Documentos
Cultura Documentos
Aula 11 - Desgaste
Aula 11 - Desgaste
Seleção de Materiais
Prof. João Victor Soares Chagas
DESGASTE
o Selection and Use of Engineering Materials, J. A. Charles, F. A. A. Crane, J. A. G.
Furness, 3rd ed. 1997. Chapter 12: Selection of materials for resistance to
wear.
Introdução
Introdução
• Vários modelos foram propostos para descrever os
processos que ocorrem entre superfícies móveis em
contato. Como resultado das forças interfaciais, pode
haver tanto um deslocamento de material nas
superfícies, com mudança de forma e dimensão, ou
uma remoção de material das superfícies para
produzir debris – ou uma mistura de ambos fenômenos.
Em situações que os debris são formados, a taxa de
desgaste pode ser encarada como a quantidade de
material removido por unidade de tempo ou como a
distância de deslizamento.
Introdução
• O acabamento normal de engenharia fornecido
em superfícies não pode ser descrito como
totalmente liso. Microscopicamente, a superfície
consiste de asperezas e depressões, as quais
podem estar organizadas aleatoriamente ou não,
dependendo das técnicas de acabamento
utilizadas.
Introdução
Introdução
• Quanto melhor for o acabamento ou polimento,
menor será a rugosidade superficial. Quando
existe contato entre duas superfícies, as
asperezas se tocarão em apenas uma fração da
área de contato total e o comportamento
subsequente das asperezas será controlado pelas
características do material e do carregamento
aplicado.
Introdução
• O atrito é resultante da ação das forças de
deslizamento contra as ligações desenvolvidas
entre pontos de contato. Portanto, em lubrificação,
nós tentamos interpor um filme de lubrificante
entre duas superfíceis para minimizar o
número de pontos de contato e para substituí-
los por um sistema onde as ligações quebradas
são de menor resistência.
Os mecanismos de desgaste
• Algumas características dos mecanismos de
desgaste podem ser encontradas no formato das
partículas de debris produzidas num processo
de desgaste.
• Essas partículas podem frequentemente ser
encontradas na forma de placas. Nesse caso, é
necessário que exista deformação plástica de uma
aspereza superficial.
Os mecanismos de desgaste
• Ao passo que a deformação se acumula na
superfície, trincas são nucleadas abaixo da
superfície - eventualmente causando
cisalhamento superficial em “pontos fracos”,
num processo chamado delaminação.
• As trincas abaixo da superfície podem ser
nucleadas por partículas de segunda fase como
inclusões, onde, em geral, a adesão na matriz é
baixa e a inclusão pode ser deformada
paralelamente a superfície.
Os mecanismos de desgaste
• Se uma camada superficial se torna fragilizada
pelo encruamento anterior a delaminação, a
fratura superficial pode ser mais ampla,
resultando em partículas planas e alongadas.
• Outras formas de partículas podem ser
encontradas, incluindo cunhas arredondadas e
esferas.
Os mecanismos de desgaste
• Partículas esféricas são resultado de trincas de
fadiga de baixo ciclo e alta tensão, iniciadas na
superfície de rolamento, o qual é associada com
deslizamento na direção oposta.
• Partículas esféricas são comumente atribuídas a
ação do polimento em partículas irregulares
presas em cavidades ou trincas, a
esferoidização de partículas irregulares devido a
ação do calor, ou a aglomeração de partículas
finas por constituinte do óleo.
Os mecanismos de desgaste
• Partículas em forma de fita, ou em forma similar
a cavacos em operações de usinagem, são
atribuídas a mecanismos de abrasão onde uma
partícula embutida ou uma asperidade, mais
dura e mais rígida que a superfície oposta, age
como uma ferramenta de corte e remove o
material da mesma maneira.
Os mecanismos de desgaste
• Essa ação abrasiva nos metais são
particularmente associadas a contaminantes não
metálicos – inclusões não-metálicas da própria
microestrutura, partículas de sujeira, ou
partículas adesivas de desgaste que se oxidam
no desprendimento da superfície.
Os mecanismos de desgaste
• Uma segunda fase dura presente na
microestrutura, como carbetos, que se tornam
asperezas, podem promover o desgaste abrasivo
na superfície oposta – se ela apresenta áreas de
fases mais macias que podem sofrer goivagem.
• Goivagem: processo de abertura de sulcos.
Os mecanismos de desgaste
• O desgaste adesivo forma partículas de desgaste
irregulares. Onde as asperezas de duas
superfícies entram em contato sob carga, elas
sofrerão deformação que será função dos fluxos
de tensões plásticas e elásticas das duas matrizes
e do carregamento aplicado.
Os mecanismos de desgaste
• A formação de ligações ocorrerá ao longo da área de
contato em um grau determinado pela natureza dos
materiais e pelo grau de oxidação. Se os materiais em
contato são os mesmos, a formação de ligações
através da interface pode ser facilitada e as asperezas
deformarão igualmente. Com a continuidade do
esforço trativo, as asperezas ligadas vão sofrer
cisalhamento em um ponto distante da junção de
um lado e um fragmento destacado será levado pela
aspereza do outro lado. Esse desprendimento será
mais rápido ao passo que se tem mais deslizamento
Os mecanismos de desgaste
• Para minimizar o desgaste adesivo, a área de
contato desenvolvida entre as asperezas deve
ser reduzida. Claramente, reduzir a carga na
junção para um determinado material irá reduzir
a quantidade de deformação da aspereza e,
portanto, a área de contato. O aumento da
dureza também reduzirá o desgaste adesivo.
Os mecanismos de desgaste
• Existem algumas dificuldades com a teoria por
trás do desgaste adesivo. Não é claro, por
exemplo, como a trinca de cisalhamento se
desenvolve ao longo de uma asperezas em qual
extensão o processo de fadiga está envolvido.
• Alguns pesquisadores afirmam que o travamento
mecânico entre asperezas, e o cisalhamento
resultante em um ou dos dois lados, fornece uma
explicação satisfatória para os fenômenos
observados, sem considerar a adesão no processo.
Os mecanismos de desgaste
• A minimização da carga e boa lubrificação são
práticas que levam a redução de desgaste em
sistemas de maneira geral.
• Materiais que não deformam ou fraturam
facilmente – resistentes, tenazes – são resistentes
ao desgaste e mudanças microestruturais
associadas com o aumento da tensão de
escoamento são similarmente associadas e boa
resistência ao desgaste.
Os mecanismos de desgaste
• No desgaste abrasivo, se a dureza superficial é,
ou se torna, maior que aquela da partícula
contaminante, então esta será deformada ou
fraturada e o desgaste será evitado. Portanto,
superfícies de contato muito duras são mais
tolerantes a fricção.
Os mecanismos de desgaste
O efeito do ambiente no desgaste
• Existe um efeito muito acentuado de ambientes
gasosos no desgaste em sistemas secos não
lubrificados. Oxidação na superfície, enquanto
representando um certo grau de degradação, pode
fornecer um filme protetivo de baixo
coeficiente de atrito e menor desgaste;
atmosferas que limitam ou eliminam a oxidação
podem resultar em desgaste mais acentuado.
O efeito do ambiente no desgaste
• Enquanto a presença de óxido pode reduzir o grau
de contato metálico, o aumento de temperatura
pode aumentar o desgaste através do aumento
da deformação das asperezas e, portanto,
aumentando a área de contato.
• Em sistemas aquosos, existe uma combinação de
corrosão e mecanismos mecânicos operando
na superfície, com a aspereza trabalhada
mecanicamente sendo preferencialmente atacada.
O efeito do ambiente no desgaste
• A continuação do ataque vai depender
particularmente da natureza do produto de
corrosão, mas frequentemente há uma
similaridade na ação conjunta de tensão e
corrosão, como em trincas devido a corrosão
sob tensão e a corrosão em fadiga.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Como na degradação superficial por corrosão, a
solução técnica ou econômica para falha da superfície
por desgaste pode ser um tratamento localizado, em
vez do desenvolvimento de um item inteiro formado
por um material resistente ao desgaste, que pode não
ser capaz the alcançar todas as propriedades
requeridas ou que pode ser mais caro.
• Esses tratamentos superficiais podem assumir a
forma de tratamentos térmicos superficiais,
revestimentos ou formação de ligas na superfície.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Existem duas aproximações distintas ao problema
do desgaste. Uma é produzir superfícies duras,
que resistem ao desgaste através da
resistência a deformação e aos processos de
fratura que caracterizam o processo; a segunda é
aplicar filmes lubrificantes macios que se
interpõem entre as asperezas e reduzem as
chances de adesão.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Produção de superfícies duras:
• Formação de ligas na superfícies e tratamentos
térmicos: essa aproximação é particularmente
familiar no caso do aço, onde as superfícies podem
ser endurecidas por nitretação ou cementação.
• Alguns tratamentos mais tradicionais
introduzem elementos de liga na superfície
através da difusão em temperaturas elevadas.
Isso se aplica ao Boro, Vanádio e Cromo, além de
Carbono e Nitrogênio.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Dado um aço com teor suficientemente alto de
carbono, o endurecimento superficial pode ser
atingido através de têmpera na superfície. A
têmpera superficial consiste do mesmo
tratamento de têmpera comum, porém, os
processos térmicos envolvidos se limitam a
superfície da peça.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Aplicação de filmes superficiais duros: se o
material base não for aço, tratável através de
alterações nas características das camadas
superficiais, ou se existe a necessidade de
superfícies ainda mais duras no aço, a solução
pode ser a aplicação de um revestimento
externo duro.
• Dessa maneira, existe uma grande faixa de
possibilidades, tanto quanto ao material a ser
aplicado, quanto em relação ao método pelo
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• Os filmes ou revestimentos devem estar bem
ligados ao material base. É geralmente
considerado que revestimentos duros espessos
são mais propensos a falhar por lascamento
(“spalling”). Filmes finos limitam possíveis
gradientes de temperaturas e devem ter
melhores propriedades mecânicas, agindo como
uma camada compatível.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• A aplicação de filmes superficiais macios e
lubrificantes: a ideia é aplicar um filme na
superfície com o objetivo de reduzir o
coeficiente de atrito – o filme deve possui menor
resistência ao cisalhamento, de maneira que a
força para quebrar as ligações nos contatos
das asperezas seja pequena – e/ou embutir
partículas e reduzir o desgaste abrasivo.
Tratamento superficial para reduzir desgaste
• A aptidão de materiais como dissulfeto de
Molibdênio e grafita é frequentemente associada
com sua característica de ter um plano de
deslizamento de baixa energia que se
desenvolve superficialmente.
• A integridade do revestimento é importante; deve
aderir bem ao material base, e deve ter
espessura suficiente sob condições de desgaste
abrasivo para que as partículas embutidas
entrem em contato com a superfície oposta.
Polímeros resistentes ao desgaste
• PTFE tem baixa energia superficial e o menor
coeficiente de atrito em todos materiais sólidos.
Por este motivo, esse material é amplamente
utilizado como revestimento anti-desgaste.
• O PTFE tende a preencher quaisquer asperezas
presentes no material em contato, resultando no
contato PTFE-PTFE, o que gera baixíssimo
coeficiente de atrito. Outros polímeros também são
utilizados em aplicações que requerem alta
resistência ao desgaste nas mais variadas
circunstâncias.
Desgaste erosivo
• O desgaste produzido em materiais pelo impacto
de partículas sólidas é um importante fator na
seleção para componentes de turbinas a gás,
plantas químicas e outros componentes que
envolvem o movimento de partículas sólidas
em fluidos. De modo geral, a erosão é conhecida
como uma forma específica de degradação
superficial.
Desgaste erosivo
• Onde partículas de erosão impactam na superfície,
a quantidade de material removido é
dependente da velocidade de impacto e do
ângulo pelo qual a partícula atinge a
superfície, com diferentes dependências
angulares para materiais frágeis e materiais
dúcteis.
Desgaste erosivo
Desgaste erosivo
• Em materiais dúcteis, existe um extenso fluxo
plástico na superfície com o destacamento de
fragmentos metálicos. A forma desses fragmentos
sugerem que eles estão associados com a eventual
fratura dos “lábios” em torno dos sítios de impacto.
• Em materiais frágeis e partículas arredondadas,
dado o contato elástico, uma trinca cônica
axialmente simétrica é produzida - típica do
carregamento estático de uma esfera dura em uma
superfície frágil.
Desgaste erosivo
• Em alguns sistemas de desgaste, a erosão pode
estar agindo juntamente do ataque corrosivo,
com a erosão removendo os filmes passivadores e
protetivos ao passo que eles se formam. A erosão
só será reduzida nos pontos onde o filme óxido
é forte, espesso e bem aderente.
Seleção de materiais para resistência ao desgaste
• Embora o desgaste por impacto de partícula envolva
processos de deformação superficial e fratura, é
notável que com partículas erosivas duras, a massa
de material removido por massa de partículas
de impacto é muito similar para metais puros e
ligas metálicas de diferentes estruturas e
durezas, ainda que haja dependência angular em
relação a ductilidade.
• Porém, se a superfície é muito mais dura que as
partículas abrasivas, isso resulta em alta
resistência ao desgaste abrasivo.
Seleção de materiais para resistência ao desgaste
• Isso significa que embora não haja espaço para
desenvolvimento em se tratando de sistemas
metálicos, revestimentos não-metálicos são
capazes de causar grande melhora de
desempenho em desgaste, particularmente se os
revestimentos são densos e de pequenos
tamanhos de grão. Destaca-se, também, que para
alta resistência ao desgaste é imprescindível
que haja boa adesão entre o revestimento e o
substrato.
FIM!