Você está na página 1de 3

DETERMINAR O PONTO DE MURCHA PERMANENTE DE UM SOLO PELO MÉTODO DIRETO

A umidade de murchamento, ponto de murcha permanente (PMP) ou coeficiente de murchamento, representa a percentagem de umidade que o solo ainda conserva quando as plantas mostram, pela primeira vez, sinais de murchamento permanente. Esta condição não deve ser confundida com o murchamento temporário, que ocorre todas as vezes que há excesso de transpiração sobre a absorção de água, coisa freqüente em dias muito quentes e secos, mas que desaparece à noite (DAKER, 1984). O ponto de murchamento é usado para representar o teor de umidade no solo, em que abaixo dele a planta não conseguirá retirar a água do solo, na mesma intensidade em que ela transpira, aumentando a cada instante a deficiência d’água na planta, o que a levará à morte, caso não se irrigue. PMP é, pois, o limite mínimo da água armazenada no solo que será usada pelos vegetais. Este conceito é

muito útil, mas deve-se lembrar que o seu valor depende do tipo de solo

e que diferentes plantas tem a capacidade de extrair água até diferentes limites (BERNARDO, 1982). A determinação do PMP em condições de campo é muito difícil determiná-lo, porque o teor de umidade no solo varia com a profundidade, e sempre haverá movimento d’água de outros pontos, para

a zona do sistema radicular da planta indicadora do PMP (BERNARDO,

1982). Por essa razão, a determinação do PMP de um dado solo pode ser feita por método indireto (panela de pressão ou Membrana de Richards) ou pelo Método Direto ou Fisiológico, em casa de vegetação, utilizando- se como plantas indicadoras feijão, girassol, soja e sorgo, o girassol, em particular, é considerado como planta padrão universal. Mas, se possível, a utilização da cultura a ser conduzida no solo em questão, é mais recomendável (KIEHL, 1979).

Para determinar o PMP pelo Método Direto utilizar-se-á tubos de PVC com 10 cm de diâmetro e 21 cm de altura, enchendo-os com terra fina seca ao ar (TFSA), deixando-se um centímetro para atingir a borda conforme KIEHL (1979) e REICHARDT (1988), e adubando-os adequadamente conforme a cultura. Depois se semeia em torno de 5 sementes por vaso da espécie a ser cultivada, mantendo os vasos com umidade suficiente para a germinação e crescimento das plantas (de preferência na capacidade de campo), até que as plantas atinjam o desenvolvimento necessário para uma seleção e posterior desbaste, deixando-se somente uma planta por vaso (REICHARDT, 1988).

44

Quando as plantas alcançarem um desenvolvimento tal que as raízes estejam presentes em todo o volume de solo (em geral com 4 a 5 pares de folhas), faz-se a saturação do solo com água e a parte superior do vaso é vedada com plástico (ou parafina fundida, tomando-se o devido cuidado para não afetar as plantas) para evitar as perdas por evaporação (KIEHL, 1979, e REICHARDT, 1988). Deste ponto em diante, a perda de água do solo se dará unicamente pela absorção das raízes e transpiração das folhas (KIEHL, 1979). Assim que as plantas apresentarem os primeiros sintomas de murcha, deve-se colocá-las em uma câmara úmida e escura, onde devem permanecer até recuperarem a turgescência. Caso isso ocorrer, as plantas devem ser novamente deixadas em casa de vegetação, repetindo o procedimento até que as plantas não mais readquiram a turgescência, ou seja, atinjam o PMP (KIEHL, 1979, BERNARDO, 1982, e REICHARDT, 1988). Depois disso, as plantas devem ser levadas ao laboratório, onde se corta a planta rente a superfície do solo. Remove-se o lacre de parafina, separando-se as raízes da terra e passa-se o solo em peneira a fim de homogeneizar a umidade. Retira-se uma pequena porção desta amostra de solo, colocando-se em uma lata de tara conhecida e determinando-se o peso antes e após a secagem em estufa a 105-110 o C durante 48 horas (KIEHL, 1979, e REICHARDT, 1988). Determina-se, assim, a percentagem de água na amostra, e tem-se a umidade de murchamento (PMP). Os cálculos para determinar o PMP são feitos através da fórmula:

PMP (%) = [(PU – PS)/PS] x 100

Onde: PMP é o ponto de murcha permanente em %, PU peso da amostra de solo úmido (g), PS é o peso do solo seco em estufa (g), PU e PS já descontados da tara da latinha.

BIBLIOGRAFIA:

BERNARDO, S. Manua1 de irrigação 2 ed. Viçosa, U.F.V., Imprensa Universitária, 1982. 463p.

DAKER, A. Irrigação e drenagem: a água na agricultura. 6 ed. v.3, Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1984. 543p.

45

KIEHL, E.J. Manual de edafologia, relações solo-planta. São Paulo, Ceres, 1979. 264p.

REICHARDT, K. Capacidade de campo. Campinas, R. bras. Ci. Solo, n.12, p.211-16, 1988.

46