Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
Reitor Prof. MSc. Pe. José Romualdo Desgaperi Pró-Reitor de Graduação Prof. MSc. José Leão Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Prof. Dr. Pe. Geraldo Caliman Pró Reitor de Extensão Prof. Dr. Luiz Síveres

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Diretor Geral Prof. Dr. Francisco Villa Ulhôa Botelho Diretoria de Pós-Graduação e Extensão Prof.ª MSc. Ana Paula Costa e Silva Diretoria de Graduação Prof.ª MSc. Bernadete Moreira Pessanha Cordeiro Coordenação de Informática Weslley Rodrigues Sepúlvida Coordenação de Secretaria Acadêmica e Apoio ao Aluno Karlla Vanessa do Lago Aragão Coordenação de Pólos e Relacionamento Francisco Roberto Ferreira dos Santos Coordenação de Produção Edleide Epaminondas de Freitas Alves

Equipe de Produção Técnica Análise didático-pedagógica Prof. MSc. José Eduardo Pires Campos Júnior Profa. Dra Leda Gonçalves de Freitas Prof. MSc. Juarez Moreira Profa. Especialista Ana Brigatti Edição Profª. Especialista Cynthia Rosa Márcia Regina de Oliveira Yara Dias Fortuna Montagem Marcelo Rodrigues Gonzaga Anderson Macedo Silva Bruno Marques Beça da Silva Conteudista Álvaro Pereira

......... 7 1..............26 4.......................................................4 A Teoria Psicanalítica ..................................................................................29 Aula 05 ..................20 3... 41 Aula 08 ..............................................38 7..........................4 As Alterações Genéticas ..............2 Considerações Históricas ........................12 2.......1 O Controle Social..................22 Aula 04 ........................................................................4 Outros Estados Psíquicos Considerados no Código Penal ......................................3 O Trabalho de B...............................................Introdução ao Estudo da Sociologia do Crime ..................................2 Desvio Positivo e Desvio Negativo ...................43 7................................54 4 .................................... 47 Aula 09 .......30 5............2 A Antropologia Criminal de Lombroso ...44 7......................1 A Medida de Segurança .............................................................................. Violência e Conduta Criminosa........................1 Teoria da Anomia ..........3 Os Tipos de Desvio e a Consolidação do Comportamento Desviante ......4 A Classificação Segundo Blackburn........32 Aula 06 ...........16 Aula 02 .47 8..................................................................................A Condição Humana: Perspectiva Teórica Psicológica ........................................................4 Teoria do Controle Social.............1 Teoria da Personalidade de Gordon Allport .....3 Teoria da Associação Diferencial ..............50 Aula 07 .................................................28 4......................2 Teoria da Subcultura ........... Skinner ................................................................... 51 9...A Lei como Mecanismo de Controle Social ..............................27 4....10 1..5 O Estudo com Gêmeos ............................................................................................................................. 26 4......................O Comportamento Desviante.....................................47 8............................................................14 2..2 A Doença Mental no Código Penal ................................3 A Escola de Chicago ............................................................32 5.................5 Relevância para a Segurança Pública .45 8...............................1 A Frenologia ....................................................................Conceito de Violência ..........................................A Condição Humana: Agressividade......1 O conceito de Sociologia...............52 9......5 Teoria da Rotulação (Labeling Approach)....51 9.........................................................................................36 6...........................49 8.............................................................51 9......41 7.............................................................................................................................3 A Alienação Mental .......................................................................................................... 30 5....................................1 O Conceito de Normal e Desviante...............................................................6 Aula 01 – A Biologia do Comportamento Criminoso...................................................................................................3 A Síndome do Duplo “Y” .................... 34 6......... F............3 Características Diagnósticas.....................................................................................11 1...........7 1.....................................................................................1 O Conceito de Violência .42 7....................4 As Formas de Desviação.......................................................................... 20 3........................22 3.......2 A Sociologia do Crime ....................Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Sumário Sumário Objetivo..........................................A Doença Mental e o Crime...................35 6......................2 Teoria Behaviorista ..............34 6.............................................................3 O Controle do Crime no Estado Capitalista ............................................................................................................2 O Crime e a Classe Dominante ......................2 Tipologia da Violência..........................................................................1 A Personalidade Anti-Social .......................... 14 Aula 03 ...........................O Crime como Problema Social .................. 8 1.........28 4..................

.......................................A Delinqüência Juvenil ..........................................................58 10.........59 10................5 A Prevenção da Delinqüência Juvenil . 56 10..............................................3 O Adolescente em Conflito (Inclusive com a Lei) ........................................ 66 5 ........................................................................................................61 10.......................1 A Família: uma Visão Sistêmica ......................................................................................4 A Privação Emocional ........................................Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Sumário Aula 10 ............................................................ 64 Glossário ...62 Referências...........2 A Família do Adolescente em Conflito com a Lei.........56 10....................

A condição humana: perspectiva teórica psicológica. Tipologia da violência. agressividade. 6 . exame empírico das teorias da lei como mecanismo de controle social. O comportamento desviante e a doença mental. O crime como problema social: evolução do pensamento sociológico. violência e conduta criminosa. funções. perspectivas teóricas da lei e do controle social. padrões de sintomas e abordagens para o tratamento. A Lei como mecanismo de controle social: análise das necessidades. utilização e efeitos dos mecanismos formais e informais de controle social.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Objetivo Objetivo A biologia do comportamento criminoso. Introdução ao estudo da Sociologia da violência e do crime. A delinqüência juvenil: causas.

Desde os tempos de Aristóteles (384-322 a. A abordagem biológica é muito criticada no meio científico atual.1 – Mapa Topológico da Cabeça De acordo com essa teoria. Cada comportamento estaria. um anatomista austríaco chamado Franz Joseph Gall desenvolveu uma teoria em torno da seguinte idéia: a maioria das características humanas.1 A Frenologia No século XVIII. até as pesquisas com ressonância magnética. mas já exerceu um grande fascínio em períodos passados da história da ciência. nesta primeira aula. Desde as investigações de Lombroso (item 1. 7 . seria regulada por regiões específicas do cérebro. responsável pelo seu comportamento fora da normalidade social. então. alguns aspectos históricos dessa busca! 1. sob o comando de um centro cerebral específico.C. A suspeita de que o crime tenha uma base biológica foi alvo de muitas discussões e trabalhos científicos. mais intensa seria a expressão desse comportamento.) já havia interesse pelo comportamento criminoso e suas origens.1: Figura 1. inclusive o comportamento anti-social. quanto mais robusto fosse o centro cerebral específico de um comportamento.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 Aula 01 – A Biologia do Comportamento Criminoso Você alguma vez já ouviu pessoas dizendo que “o fulano já nasceu criminoso”? Isso significa acreditar que esse “fulano” seria portador de uma anomalia biológica qualquer.2). Veja a Figura 1. no século XIX. as buscas por resposta para a questão da existência de base biológica para o comportamento criminoso ainda não chegaram a um resultado definitivo. As pessoas que pensam assim são partidárias da corrente de pensamento que considera que existam causas biológicas para o comportamento criminoso. Vamos explorar. Essa teoria ganhou o nome de Frenologia (de phrenos = mente e logos = estudo). Os adeptos dessa corrente de pensamento advogam que algumas pessoas são incapazes de se conformarem com as normas sociais devido a um defeito biológico.

o cientista divulgou suas idéias e lançou a base de sua teoria. os centros cerebrais exerciam pressão contra os ossos da cabeça. continuou a seduzir muitos pesquisadores. existiriam certas características físicas capazes de identificar o ser humano delinqüente. anomalias nos órgãos genitais. órbitas dos olhos grandes. o médico italiano Cesare Lombroso criou uma nova doutrina que ressuscitou a associação das características físicas do indivíduo com uma suposta índole criminosa. arcada dentária defeituosa. você acha que uma teoria dessa natureza poderia ter sido proposta? Por quê? Figura 1. arcos superciliares excessivos. nariz torcido. uma explicação interna ao próprio ser humano. lábios grossos. zigomas salientes. 1.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 Franz Gall imaginava que. testa fugidia. mãos grandes. Mas a idéia de achar uma explicação biológica para a prática criminosa. braços excessivamente longos.2 – Lombroso (1835-1909) Tendo feito observações e chegado ao que acreditava ser uma constatação. pois não teve confirmação científica. Surgia a Antropologia Criminal. De acordo com a teoria de Lombroso. deixando neles saliências que poderiam ser vistas ou palpadas. ao crescer. 8 . Lombroso lançou seu famoso livro O homem delinqüente. como: protuberância occipital.2 A Antropologia Criminal de Lombroso Em 1876. Para Refletir Nos dias de hoje.Nessa obra. A teoria de Gall não prosperou. então. orelhas grandes e separadas etc. As pessoas com tendências criminosas poderiam. ser reconhecidas pelo exame cuidadoso dessas protuberâncias e depressões ósseas presentes no crânio! Para Saber Mais O que você acha disso? Veja aqui outras informações sobre a Frenologia.

Mas. O trabalho de Lombroso deu origem ao “positivismo criminológico”. Outros cientistas também desenvolveram teses correlatas à teoria biológica: trabalhando com tipos de corpo físico e traços de 9 . Em sua maioria. que influenciou diretamente outros estudiosos. de Marcos César Alvarez e busque outras informações! Uma das críticas ao trabalho de Lombroso foi o fato de ter utilizado uma amostra muito restrita. onde a miscigenação racial é bem diferente do restante do país. geralmente provenientes da marinha italiana. Figura 1. embora tenha realizado centenas de autópsias e observado milhares de sentenciados vivos. funcionais e psicológicos. Para Refletir Você acha que a teoria de Lombroso poderia ser relacionada a preconceitos étnicos? Apesar de seu equívoco.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 Para ele. a teoria de Lombroso influenciou pesquisadores e seus objetos de pesquisa. Rafael Garófalo e Franz Von Liszt. Hoje sabemos que a comprovação de suas idéias está cada vez mais distante da realidade científica. sua metodologia prejudicou suas intenções e o levou a propor conclusões hoje refutadas pela ciência. o indivíduo criminoso seria um ser atávico. não? Leia o texto “ O delinqüente e o social naturalizado: apontamentos para uma história da criminologia no Brasil”. Lombroso tem o mérito de ter voltado as atenções para o estudo da intimidade do criminoso. os criminosos estudados por ele eram militares. Para Saber Mais Esse é um assunto instigante.3 – Criminosos Estudados por Lombroso Por quase duzentos anos. quase todos da região do sul da Itália. que teria dado um salto atrás no desenvolvimento ontogenético e que poderia ser identificado por estigmas anatômicos. como Enrico Ferri.

são questionadas por diversos pesquisadores. os “supermachos”. Também ao final da década de 1960. inadaptação escolar. passam a ser estigmatizados pela comunidade como portadores de algum tipo de anomalia. quociente intelectivo abaixo da média grupal. Depois disso. excesso de espinhas no rosto. tal qual nos peixinhos de Hamilton. 1. com o advento da microscopia eletrônica. inquietude e impulsividade. acreditaram ter encontrado uma relação entre ambos.com cromossomos a mais. Essas supostas descobertas. Eles consideram que há uma forte influência do meio sobre o comportamento dos portadores da síndrome do duplo Y e que esses indivíduos. von Hentig (1947) e Sheldon (1949). sabendo dessa descoberta. muitos pesquisadores relataram ter descoberto algumas características comuns ao grupo de indivíduos portadores da síndrome XYY. justificava-se que alguns indivíduos herdavam um cromossomo a mais no seu cariótipo – o que provocaria alterações de comportamentos desviantes. 10 . chegaram a classificar os animais como “supermachos”!O fato é que Hamilton percebeu que esses peixes da espécie “killi”. o cientista James Hamilton. Como representantes desse grupo temos: Kretschmer (1925). esse cientista encontrou peixes que possuíam um cromossomo sexual a mais! Algumas pessoas. nos Estados Unidos. Você se lembra das aulas de genética. uma vez identificados. entretanto.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 temperamento. Assim. doença mental. Hooton (1939). Na mesma época.afirmando que meninos nascidos com cromossomos XYY têm inclinação incomum para a delinqüência (Oliveira. em Biologia? Recorde: indivíduos machos (normais) possuem os cromossomos sexuais XY. estatura acima da média. e as fêmeas (normais) possuem os cromossomos sexuais XX. do Departamento de Anatomia da Escola de Medicina de Downstate (EUA). Essa hipótese foi confirmada logo em seguida. entre as quais podemos destacar: caracteres de agressividade. 1987). lentidão no desenvolvimento sexual. Pois bem. de Marcello Koudela. conduta anti-social. relatou a existência de peixes da espécie “killi” que possuíam os cromossomos sexuais do tipo XYY (OLIVEIRA. eram mais agressivos que os demais machos e assediavam as fêmeas com mais intensidade do que os peixes normais. o livro The XYY and The Criminal. Robert Stock lançou. Para Saber Mais Informe-se mais sobre o tema com a leitura do texto: “Criminologia: multidiscipinaridade na investigação das origens do crime e o concenso quanto a sua prevenção”. 1987).3 A Síndome do Duplo “Y” Em 1968. o cientista Montagu aventou a hipótese da síndrome do duplo Y entre os seres humanos.

reação de espanto e agressão. apenas 0. apresentando comportamentos anormais como: tremor. tem mais dificuldade em se esquivar da ação da polícia! A freqüência desse gene é de um para cada mil nascimentos. e essa teoria é. a única característica que os pesquisadores são unânimes em aceitar é que os portadores da síndrome do duplo Y têm sempre estatura acima da média. Há alguns pesquisadores que atribuem a isso o fato de eles serem presos com mais facilidade: um indivíduo alto. Outras pesquisas investigaram neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina.08% da amostra possuía a síndrome do duplo Y. H. 1. então. quando em fuga pela prática de um crime. 11 . são altos. o pesquisador Oliver Cases relatou que ratos que foram geneticamente modificados e ficaram sem a atuação da enzima MAO A apresentaram altos níveis do neurotransmissor serotonina. Brunner pesquisou uma família alemã em que todos os integrantes do sexo masculino possuíam um retardo mental associado a comportamentos agressivos. O cientista encontrou como causa desse comportamento a mutação de um gene que codifica a enzima monoamino oxidase.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 Os argumentos contrários à listagem de características associadas ao duplo Y são sustentados pelas pesquisas realizadas na Inglaterra. o primeiro está associado a desordens agressivas e o segundo ao suicídio. G. medo.811 pacientes investigados. conhecida também como MAO A. ou seja. Dois anos depois. sobretudo as chamadas mutações. Em verdade. entre os anos de 1968 e 1972. Figura 1. As pesquisas não chegaram a conclusões seguras. Entre os 1. muito pouco utilizada para explicação de comportamentos desviantes. O óxido nítrico e a enzima triptofano hidroxilase também foram alvo de pesquisas.4 As Alterações Genéticas Outra fonte de informação a respeito da origem biológica do comportamento criminoso é o estudo dos genes e suas alterações. com populações de doentes mentais.4 – Microfotografia dos Cromossomos X e Y Em 1993.

como vimos. O que não foi encontrado é uma alteração genética que. por conseqüência. 12 . é claro. não foi plenamente comprovado pela ciência! Comparando a concordância de comportamento entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos. se um herdou a tendência para cometer crimes. essa suscetibilidade estará sempre sujeita às condições ambientais. consumiu 2. segundo se afirmou. Ora.9% de precisão. possuem o mesmo material genético. o que. o papel do ambiente também tem importante influência sobre comportamentos desviantes. quando os pais adotivos pertenciam a meio sócio-economicamente desfavorecido. O projeto durou 13 anos e. determinasse a eclosão de comportamentos criminosos. Em estudo com crianças adotadas e filhas de pais biológicos com comportamentos criminosos. em tese. São aqueles gêmeos provenientes do mesmo óvulo fecundado e que. Isso. portanto. o consórcio internacional que constituiu o Projeto Genoma Humano anunciou oficialmente a conclusão do seqüenciamento dos 3 bilhões de bases do DNA da espécie humana com 99. as crianças apresentavam mais comportamentos criminosos do que aquelas cujos pais adotivos pertenciam a classes de estatuto sócio-econômico superior. O que podemos concluir é que. as pesquisas indicam que alterações funcionais nos genes ou enzimas causam alterações metabólicas e. apesar de existir um fator genético capaz de aumentar a suscetibilidade da pessoa para comportamentos criminosos. Apesar de a evidência dos dados apontar para a existência de fatores genéticos associados à criminalidade. Para Saber Mais Saiba mais sobre o tema lendo sobre o Projeto Genoma! 1. verificou-se que.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 Enfim. se assumirmos que a genética tem mesmo influência sobre condutas criminosas. por si só. o outro também deverá ter herdado essa condição. isto é. alterações comportamentais. Isso sugere a existência de fatores genéticos atrelados ao crime. se os gêmeos são iguais quanto ao material genético. o dobro de correspondência entre os comportamentos de um e outro irmão gêmeo.7 bilhões de dólares. sobretudo os monozigóticos (também chamado de univitelinos). Em 14 de abril de 2003. Até a presente data não foi anunciada a identificação de nenhum gene como determinante direto do comportamento criminoso.5 O Estudo com Gêmeos Outra maneira de pesquisarmos a influência da biologia – mais precisamente dos fatores genéticos – como causa de condutas criminosas é o estudo dos gêmeos. nota-se que os gêmeos monozigóticos apresentam o dobro de correlações no comportamento criminoso.

Com o avanço da ciência no século XX. ainda assim. a teoria biológica não explicou. a razão do comportamento desviante.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 01 A Teoria Biológica sobre o comportamento criminoso dominou boa parte das pesquisas do século XIX. novas pesquisas foram realizadas. em definitivo. Bom estudo e até a próxima aula! 13 . sobretudo naqueles casos em que não há comprovação de nenhum comprometimento biológico. mas. utilizando-se as novas tecnologias. existe o desvio comportamental. até o presente momento. Entretanto.

no Relatório Mundial sobre a Violência e Saúde: O uso intencional da força física ou do poder. Nesses dois exemplos. será de difícil constatação e comprovação. ainda assim. que não deixará lesões na vítima e. Apresentaremos a você a definição utilizada pela Organização Mundial de Saúde (2002). portanto.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 02 Aula 02 . Vamos analisá-los? São eles:   A violência é algo intencional. Bom estudo! 2. ou contra um grupo ou uma comunidade. a violência também pode ser constituída de ameaça. Mas. mas também há casos em que ela é representada pelo simples exercício do poder. Nem sempre um comportamento criminoso é violento e vice-versa. Muitas vezes os conceitos se misturam ou são empregados como sinônimos. p. sendo. constatada. A ação violenta geralmente é constituída por uma força física. A definição apresentada pela Organização Mundial de Saúde inclui alguns elementos importantes. contra si próprio. Você já viu na televisão indivíduos que protestam ateando fogo em seus corpos? Consegue se lembrar dos motivos que levaram algumas dessas pessoas a esse ato extremo de violência contra si mesmas? 14 .1 O Conceito de Violência Se você pesquisar na literatura específica. de acordo com a definição apresentada pela OMS (2002). por exemplo. vamos estudar o conceito de violência e os diversos tipos de violência. Mas.  A violência pode ser praticada por uma pessoa contra si própria. o que causa interpretações errôneas. dano psicológico. portanto. Nesta aula.Conceito de Violência A violência e o crime são dois fenômenos que sempre estiveram presentes nas diversas culturas. deficiência de desenvolvimento ou privação (OMS. 2002. o perpetrador do ato violento deseja obter o resultado da ação. perceberá que existem várias definições para o termo violência. real ou em ameaça. será violência. Podemos perceber isto em uma luta de boxe pela televisão ou quando ficamos sabendo que milhões de reais são desviados sem que um tiro sequer tenha sido dado. portanto. que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão. A História já nos mostrou vários episódios de violência praticados.5). observada e até registrada. Você se lembra de algum desses episódios?  A violência pode ser sofrida fisicamente pela vítima. contra outra pessoa. Você já deve ter visto alguma vítima de agressão física com hematomas. e reflita sobre a distinção entre os dois conceitos. morte. podendo deixar outras repercussões na saúde mental da vítima. identifique em qual deles há violência e em qual deles há crime. por monarcas tiranos.

Para Refletir Observe a imagem a seguir (Figura 2. entretanto. pode ser levada à morte por uma privação de alimentos provocada intencionalmente e de 15 . por exemplo. inovou. a OMS (2002) mostrou-se preocupada com as repercussões advindas da violência.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 02  Em geral. lhe causa sofrimento íntimo e que possui um nexo de causalidade com o evento traumático anterior. ampliou o horizonte a ser observado e passou a admitir o dano psicológico. Por exemplo: quando um minerador interrompe o curso de um rio.a deficiência de desenvolvimentoe aprivaçãocomo elementos resultantes da violência. sendo comum atingir uma outra pessoa. a fome na África é resultado de violência? Quem são os responsáveis por esse problema? Quais são suas causas? E o que podemos dizer sobre a fome nas regiões mais pobres de nosso país? Uma criança.  Por último. a violência é direcionada contra o meio. Lembre que a violência pode provocar lesão física ou mesmo a morte. com os danos causados à vitima. O dano psicológico é um conceito ainda novo no ordenamento jurídico brasileiro.1) e reflita: de acordo com a definição da OMS (2002). ou seja. porém. Você é capaz de imaginar danos psicológicos resultantes de atos violentos? A deficiência de desenvolvimento e a privação são outras seqüelas que podem ocorrer em razão da violência. ou melhor. Porém. mas que muitas vezes passam despercebidas na avaliação da vítima. com essa definição. que lhe traz um prejuízo adaptativo. vem sendo implantado pelo Sistema de Justiça Criminal. maneira dissimulada pelo agressor. O dano psicológico é definido como uma manifestação inédita na vida da vítima. deixando as comunidades ribeirinhas sem água para a sobrevivência. e não precisa ser praticado contra cada membro em particular. A Organização Mundial de Saúde. a OMS (2002) admite que um ato violento possa atingir um grupo de pessoas ou mesmo uma comunidade. esse ato atinge aquele grupo de pessoas em um mesmo momento.

Violência psicológica Também denominada violência emocional. Partindo dessa complexidade. podendo causar perigo de vida. entretanto. podem ser severos. 16 . A violência psicológica constitui-se de situações em que a vítima é exposta a tratamento hostil.1 – Criança Atingida pela Fome na África Para Saber Mais Você pode obter mais informações sobre a violência e suas conseqüências consultando o site do Núcleo de Estudos da Violência Universidade de São Paulo (NEV-USP). sentido ou função. sexual e negligência. há quatro grupos básicos de violência: física. Assim. A seguir. vimos que o conceito de violência é mais complexo do que imaginamos à primeira vista.2 Tipologia da Violência Na seção anterior. A vítima é exposta a situações ridículas. incapacidade para as ocupações habituais. perda ou inutilização de membro. sem agressão física. debilidade. 2. deformidade permanente entre outros. Trata-se de uma das formas de violência mais difíceis de se observar. psicológica. Envolve algum tipo de agressão à integridade física do outro.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 02 Figura 2. pois geralmente não há um incidente específico ou danos visíveis. ameaças. discriminação e rejeição. a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a violência de acordo com a natureza do ato praticado. porém. aceleração de parto ou mesmo aborto. Os efeitos da violência psicológica. intimidações. vamos estudar as características de cada um deles. entre outros. enfermidade incurável. Violência física Categoria de violência que possui diversas formas.

e lembrando que o poder econômico é também um tipo de poder nas relações humanas. ou seja. Nos casos de violência sexual. dando origem ao conceito de terrorismo. Reflita: nos casos que envolvem a carência causada pela pobreza. destacamos a violência política e a violência cultural. em que faltam condições materiais para o atendimento das necessidades da criança. a relação de poder que tem o agressor sobre a vítima. mas também de violação aos Direitos Humanos. Geralmente. Você acha que também podemos classificar como negligência o mesmo tipo de situação envolvendo os cuidados com pessoas idosas ou pessoas com deficiência? Para Refletir Atenção! Você não deve confundir os efeitos da negligência com aqueles provocados pelas circunstâncias de pobreza. desenvolvimento emocional. como resultado de omissão por parte das pessoas que têm a responsabilidade pelos cuidados básicos com a criança.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 02 Violência sexual Não se trata apenas de violação à liberdade sexual do outro. o agressor tem a intenção de impor o seu desejo sexual. após essa revolução. a negligência pode atingir áreas como: saúde. nutrição. o objetivo da violência política é a imposição de ideologias ou a aniquilação de opositores. Você já deve ter ouvido falar na Revolução Francesa. podemos dizer que a sociedade é negligente? Existem ainda outras formas de violência menos divulgadas. educação. É interessante que você as conheça um pouco mais! Senão vejamos: A violência política consiste em atos praticados por governos autoritários. certo? Pois bem. Considerando o fator “relação de poder” na definição de violência sexual. De acordo com a OMS (2002). mas que também são importantes. 17 . a prostituição envolve violência sexual? Negligência Corresponde a situações em que crianças sofrem prejuízo em seu desenvolvimento ou em sua segurança. abrigo e segurança de vida. Entre elas. Muitas vezes esse tipo de violência está ligado à natureza da relação. houve um período de 16 meses em que o número de mortes chegou a 12 mil – esse período passou a ser chamado de Período do Terror. reflita: na sua opinião.

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Figura 2.2 – Revolução Francesa (Execução do Rei Luís XVI)

Para Saber Mais Quer saber mais sobre o período histórico da Revolução Francesa? Então, clique aqui! A Revolução Russa de 1918 é outro exemplo clássico de violência política. Entretanto, os dois exemplos mais emblemáticos são o fascismo e o nazismo. Você já deve ter visto filmes sobre Hitler, o nazismo e os campos de concentração! Você sabia que os judeus não foram as únicas vítimas do nazismo e que, durante esse período, muitos negros, ciganos e homossexuais também sofreram a violência política? Na História brasileira também tivemos violência política no período da ditadura militar, não é? O que você sabe sobre isso?

Figura 2.3 – Campo de Concentração Nazista

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A violência cultural, por sua vez, representa a substituição de uma cultura pelos valores de uma outra cultura, impostos às vezes de maneira sutil, outras vezes, de forma violenta. Os efeitos são intensos e, muitas vezes, permanentes. Um exemplo marcante foi a chegada dos europeus às Américas, tendo os colonizadores aniquilado muitas culturas pela violência física e cultural. As ruínas de Machu Pichu, resquícios do antigo império Inca, lembram a prática dessa violência.

Figura 2.4 – Ruínas de Machu Pichu

Nesta aula, você estudou o conceito de violência de acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde. Vimos que o conceito de violência é complexo, possuindo alguns componentes que precisam ser analisados. Também discutimos a existência de tipos distintos de violência.

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Aula 03 - Introdução ao Estudo da Sociologia do Crime
O crescente aumento da violência urbana, acompanhado dos altos índices de criminalidade, vem preocupando todas as camadas da sociedade brasileira e, em especial, o segmento da Segurança Pública. Apesar de a violência e a criminalidade serem termos constantemente usados, seus significados não são tão claros para a maioria das pessoas, como vimos na aula anterior. A Sociologia foi uma das primeiras ciências a analisar o fenômeno da criminalidade em meio urbano; nesta terceira aula, vamos explorar a Sociologia do Crime. Boa aula!

3.1 O conceito de Sociologia
As grandes mudanças econômicas, culturais e políticas acontecidas no século XVIII acarretaram profundas mudanças nas organizações sociais. A Revolução Industrial, a Revolução Francesa e, em seguida, o estabelecimento do capitalismo moderno aguçaram a atenção de estudiosos interessados na influência exercida pelo meio sobre o ser humano, e vice-versa. Para Refletir Sabemos que o ser humano tem, cada vez mais, causado mudanças severas no ambiente. Mas você já pensou sobre as influências que o meio exerce sobre nós? No final do século XIX, surgiu uma nova ciência, denominada Sociologia. A Sociologia, como ciência, preocupa-se em investigar o funcionamento e a organização interna das sociedades – sejam tribos isoladas ou metrópoles – e em levantar as influências recíprocas entre o ser humano e o meio social. Portanto, a Sociologia tem como objeto principal de seu estudo os grupos sociais. Um dos precursores da Sociologia foi Auguste Comte (1798-1857), que inicialmente denominou essa ciência como Física Social. Influenciado pelo positivismo, Comte trouxe à Sociologia uma abordagem científica de acordo com os preceitos da época. Ele aplicou à Sociologia os métodos das ciências naturais (biologia, física etc.), admitindo como única fonte de conhecimento e de verdade a experiência. O método científico predominante nessa época era exclusivamente descritivo e deveria investigar apenas os fatos.

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por sua vez. sentir e agir de um grupo social.1– Auguste Comte (1798-1857) Mas foi com Émile Durkheim (1858-1917) que a sociologia ganhou modernidade. Assim. Figura 3. a Sociologia é o estudo dos fatos sociais. os fatos sociais são introjetados pelos indivíduos e exercem um poder de coerção sobre eles (OLIVEIRA. procurando estabelecer relações não evidentes entre os fatos sociais.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 03 Figura 3. Para Durkheim. 2002). De acordo com o modelo de sociologia de Durkheim. a Sociologia utiliza modelos teóricos como forma de explicar a realidade imediata e evita explicações baseadas no senso comum. que. Ele definiu os métodos de trabalhos do sociólogo e estabeleceu alguns dos principais conceitos a serem utilizados pela Sociologia. refletem o modo de pensar.2 – Émile Durkeim (1858-1917) 21 .

por sua vez. a cidade de Chicago foi uma das cidades estadunidenses que mais sofreram 22 . Assim. Como expoentes da Sociologia do crime. a indicação de meios para o combate ao crime. na década de 1920. Durkeim teve o importante papel de chamar atenção para a relação entre crime e sociedade. Surgiu então a Sociologia do Crime. que focavam o papel da individualidade. defendia que fatores endógenos não devem ser considerados como desencadeadores do crime. De acordo com Garraud (apud FUNES. no meio social. destoando da maioria dos pesquisadores positivistas da época. Estados Unidos. O que você pensa sobre isso? O comportamento criminoso deve ser considerado uma conseqüência de características internas ao indivíduo ou uma conseqüência da estruturação da sociedade? 3. agora considerado fato social e não dependente exclusivamente do indivíduo criminoso. A Sociologia do crime adquiriu status de ciência a partir do III Congresso de Antropologia Criminal. em 1892. o surgimento de minorias sociais. realizado em Bruxelas. as possíveis causas exógenas da criminalidade. Para tanto. Ele considerava a delinqüência um fenômeno social provocado. o crime e a violência. os objetos de estudo da Sociologia do crime são:    o estudo da criminalidade. Pois bem. é a sociedade que produz os criminosos. 1955). Formalizou-se então o interesse da Sociologia pelo crime. por mais anômalos que sejam. após a Segunda Grande Guerra e a reestruturação da sociedade moderna.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 03 3. em grande parte.3 A Escola de Chicago Você já deve ter visto filmes sobre Al Capone e os crimes que praticou em Chicago. em sua história e em seu estado atual. a investigação das causas que favorecem a ocorrência de delitos. pela imitação de comportamento. as migrações. à Sociologia dessa época interessavam fenômenos sociais como a desagregação familiar. pois os caracteres de personalidade. Esses fenônemos precisavam ser estudados para melhor compreensão do ser humano como ser social e sua influência sobre a própria sociedade. além de Durkeim (1858-1917) temos Lacassagne (1843-1924) e Gabriel Tarde (1843-1904). é necessário um ambiente social desfavorável.2 A Sociologia do Crime A partir da metade do século XX. e buscava. não são suficientes para se chegar ao crime. Gabriel Tarde. De acordo com Lacassagne. a Sociologia se deparou com o surgimento de diversos fenômenos sociais.

Isso porque essas zonas próximas ao centro correspondiam aos locais de maior deterioração do espaço urbano. Assim. Para Saber Mais Você vai obter mais informações sobre esse movimento sociológico na conferência de Howard Becker sobre a Escola de Chicago. A Universidade de Chicago foi a primeira universidade estadunidense a criar um Departamento de Sociologia.3 – Chicago em 1929 Em meio ao caos social.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 03 com as constantes mudanças sociais e o acelerado crescimento entre o final do século XIX e início do século XX (FREITAS. que se expandiam a partir do centro da cidade. mas com um bom suporte financeiro. o aparecimento das chamadas “gangues” de jovens e a proliferação de crimes diversos. 2002). Uma das grandes contribuições da Escola de Chicago foi a Teoria das Zonas Concêntricas. Assim. dentro da Sociologia. em 1890. Para os sociólogos da Universidade de Chicago. onde a população local vivia em condições sociais mais delicadas. maior seria a taxa de criminalidade. Os pesquisadores concluíram que quanto mais próxima fosse a localização da zona em relação ao centro da cidade. à chamada Escola de Chicago. com a instalação de guetos de imigrantes. montaram uma linha de pesquisa com objetos definidos e deram origem. de Ernest Burgess (1886-1966). Figura 3. De acordo com essa teoria. 23 . A cidade passou a ter grandes áreas de pobreza. a própria cidade era um imenso laboratório para pesquisa social. na cidade de Chicago criou-se uma universidade com o mesmo nome. Chicago já deparava com o surgimento de fenômenos sociais até então desconhecidos. a cidade de Chicago era dividida em cinco zonas concêntricas bem definidas.

ainda que tenha uma origem individual.4 . serviram para demonstrar que o ato criminoso. também é influenciado pela desorganização social.5 – Zonas Concêntricas 24 .Ernest Burgess (1886-1966) Desse modo. a Escola de Chicago criou os conceitos de região moral e área criminal (ou delitiva). Figura 3.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 03 Figura 3. Apesar de os conceitos não explicarem o fenômeno da criminalidade como um todo.

por isso elas são úteis para sua prática profissional! 25 . O assunto lhe interessou? Então veja aqui como a arquitetura também pode influenciar a ocorrência de atividade criminosa. em especial. sobre a sociologia do crime. você vai perceber a aplicação prática dos conhecimentos aqui estudados na área de Segurança Pública de nosso país. As idéias da Escola de Chicago são polêmicas. de Carlos Eduardo da Rocha Freitas e Valdira de Caldas Brito Vieira.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 03 Para Saber Mais Você vê alguma aplicação desses conhecimentos para a sua área de atuação profissional? Leia o artigo “ Uso do geoprocessamento para auxiliar a Segurança Pública no mapeamento da criminalidade em Teresina – PI”. Nesta aula você aprendeu um pouco sobre a sociologia e. Durante a leitura. Destacamos a Escola de Chicago como um dos primeiros movimentos acadêmicos a estudar o fenômeno social do crime e correlacioná-lo ao ambiente urbano. aprendendo como dois pesquisadores mapearam a criminalidade na cidade de Teresina. mas ainda hoje possuem aplicabilidade na área de segurança pública.

Em termos sociológicos. a palavra anomia significa um estado de falta de objetivos. sobretudo aquelas observadas após o surgimento do Capitalismo. em que há uma perda de identidade causada por bruscas transformações sociais. ao contrário. filósofo de formação. conceituando o crime como um fato social.1 – Robert Merton Para Merton. mostrar-se conformista. Durkheim foi um dos primeiros a associar a atividade criminosa com o meio. Figura 4. que aplicou seus conceitos nos trabalhos denominados “Divisão do Trabalho” e “Suicídio”. segundo seus pressupostos.O Crime como Problema Social Já falamos anteriormente em Émile Durkheim. Merton argumenta que essa frustração o tornaria capaz de apresentar comportamentos desviantes ou. As idéias de Merton são combatidas. Como vimos. a frustração dos objetivos do indivíduo enfraqueceria seus vínculos com a própria cultura. pois provê diferentes pontos de vista! Bom proveito! 4. em criança. mas com contribuições importantes para a Sociologia.1 Teoria da Anomia Essa teoria foi originalmente proposta por Durkheim. Essa reflexão é muito importante para os fins desta disciplina. Mas foi Robert Merton que aplicou a Teoria de Anomia ao comportamento individual desviante. daremos um enfoque especial à abordagem social do crime. a impossibilidade de o indivíduo atingir uma meta por ele desejada e planejada seria a motivação para o surgimento do comportamento delinqüente. sonhava ser médico e viu seu sonho frustrado pelas (im)possibilidades relacionadas à estrutura da distribuição da Educação no Brasil tem mais chances 26 . Para refletir: você acha que um jovem que. Nesta aula. analisando algumas teorias sociológicas que tentam explicar o fenômeno. Desse modo.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 04 Aula 04 . tornando-o distante da sociedade. a camada mais empobrecida da sociedade (mais freqüentemente frustrada em seus objetivos) seria a responsável pelos índices de criminalidade. pois.

costumes etc. de Geraldo Caliman.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 04 de apresentar comportamento criminoso que um jovem que teve maior facilidade em realizar seus sonhos? 4. procure se informar melhor lendo o artigo “Matrizes estruturais e culturais na geração da violência nas escolas”. temos os skinheads (Figura 4. Com o afastamento. 1978). Figura 4. crimes comuns na chamada subcultura da delinqüência.2). o grupo minoritário passa a rejeitar os valores do grupo dominante. Como exemplo de subcultura. 27 . Você concorda? Para Saber Mais Se você se interessa pelo tema ou trabalha com esse tipo de comportamento desviante. o grupo minoritário passa a manifestar comportamentos de agressão e rejeição ao grupo dominante e.2 Teoria da Subcultura Primeiramente. a teoria da subcultura é útil para que se entenda a delinqüência juvenil: essa teoria permite entender o que é e como lidar com o problema das ‘gangues’ de delinqüentes juvenis. Assim. Assim. isto é. De acordo com Cohen (apud ALBERGARIA. surgem o furto e o dano. termina por praticar atos anti-sociais e predatórios para confirmar a sua rejeição ao grupo em oposição. muitas vezes. você sabe o que é subcultura? Vejamos: referimo-nos a uma subcultura quando um grupo de pessoas apresenta características de comportamento (religião. criando os próprios. aquela na qual o grupo está inserido.) diferentes da cultura dominante. o que reduz a interação social e leva a um contato mínimo entre ambos os grupos. Uma subcultura surge quando um grupo de indivíduos enfrenta dificuldades de adaptação com o grupo dominante. a subcultura representa a oposição aos valores de uma cultura dominante.2 – Grupo de Skinheads Em outras palavras.

A pessoa se torna criminosa devido a um excesso de definições favoráveis à violação da lei. 3. formuladas pelo próprio Sutherland (apud FELDMAN. O processo de aprendizagem do comportamento criminoso utiliza os mesmos mecanismos da aprendizagem do comportamento normativo. A aprendizagem inclui: a) técnicas para o cometimento de delitos. A influência desses grupos pode resultar na aquisição ou não do comportamento desviante. impulsos. Para Refletir Você já ouviu a expressão “Diga com quem andas e te direi quem és”? Compare a teoria da associação diferencial com o senso comum acerca da influência de “más companhias” no comportamento de jovens. essa abordagem foi defendida por Sutherland. A parte principal da aprendizagem do comportamento criminoso ocorre dentro de grupos pessoais íntimos. como as pessoas se controlam e não se tornam criminosas! 28 . 2. os grupos sociais básicos – como família. 1979). A direção dos motivos e impulsos é aprendida a partir de definições favoráveis ou desfavoráveis à violação da lei. 4. 9. racionalizações e atitudes. e enfoca o processo de aprendizagem pelo qual os indivíduos. em processos de comunicação. 6. 7.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 04 4. Você percebeu que as teorias que vimos até agora tentam explicar por que as pessoas adotam comportamentos desviantes? A Teoria do Controle Social discute o contrário. b) motivações. O comportamento criminoso é aprendido. Assim. O comportamento criminoso não é explicado pelas necessidades e valores gerais. amigos e comunidade local – têm um papel fundamental na socialização do indivíduo. 4. ou seja.4 Teoria do Controle Social Essa teoria tem uma peculiaridade em relação às demais. em 1937. sobretudo os jovens. 5. A teoria da associação diferencial pode ser resumida em nove afirmativas. A associação diferencial pode variar em freqüência. O comportamento criminoso é aprendido em interação com outras pessoas. prioridade e intensidade. Vamos a elas: 1. duração. 8.3 Teoria da Associação Diferencial Também conhecida como Teoria do Aprendizado Social. escola. adquirem comportamentos baseados em experiências pessoais.

Para Refletir Pense um pouco mais: você vê relação entre a Teoria do Controle Social e a Teoria da Subcultura? 4. ele acaba reforçando a identidade desviante do prisioneiro. você conheceu algumas teorias sociológicas sobre o crime. então. ou seja. há a tentativa de buscar a compreensão de cada realidade. afirmam que o comportamento desviante é reforçado pela própria tentativa de controle implantada pela sociedade. a crença religiosa. pela própria rotulação. quanto maior o grau de envolvimento e adaptação do indivíduo à sociedade. ou da Reação Social. de Daniel Cerqueira e Waldir Lobão. os comportamentos sociais padronizados. Você concorda? Pense. no estigma que pesa contra os ex-presidiários! Outro aspecto considerado negativo. por exemplo.5 Teoria da Rotulação (Labeling Approach) Também conhecida como Teoria do Etiquetamento. o indivíduo tende a sofrer uma pressão para sua permanência no papel social de desviante e passa a sofrer uma estigmatização por parte da sociedade. um fato só é rotulado crime quando a sociedade assim o considera. pois. Não há teoria certa ou errada. A teoria mais adequada será aquela que nos permita formular soluções para nossos problemas! 29 . Muitas dessas teorias serviram ou servem de base para políticas públicas para a área de segurança pública em diversas sociedades.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 04 De acordo com a teoria do controle social. Boa leitura! Nesta aula. Você certamente já ouviu alguém dizer que o sistema penitenciário é uma “universidade do crime”! O que pensa sobre isso? Os críticos dessa teoria. na teoria da rotulação. A concordância é percebida nas interações sociais do indivíduo e na aceitação das normas e valores sociais. criando normas para selecionar e “marcar” certos comportamentos como desviantes. da maneira como funciona esse sistema. segundo. exploramos um pouco mais o assunto. menores são as chances de ocorrência da prática de atos criminosos contra ela. A teoria denomina esse fenômeno como concordância. Primeiro. A crítica a essa corrente de pensamento é que. ao ser “etiquetado”. porque a comunidade ficará atenta a qualquer deslize cometido por aquele que já estiver “etiquetado” como desviante! Para Saber Mais No texto “Determinantes da Criminalidade: Arcabouços Teóricos e Resultados Empíricos”. considera-se que. Alguns desses valores são o trabalho. Para os adeptos dessa abordagem. porque o indivíduo “rotulado” agirá para confirmar sua identidade desviante. é que ela coloca em situação delicada o sistema penal.

sua relação com o crime e sua utilidade para a classe dominante. mas. as sanções negativas preventivas aplicam restrições ou medidas de controle em prováveis transgressores. a premiação de um estudante universitário que se destacou com as melhores notas ou projetos estudantis é uma sanção positiva. Essas intenções têm certa restrição por parte de juristas que zelam pelo Estado de direito. reflita um pouco: que tipo de sanções negativas você já conhece? As sanções negativas se dividem em duas categorias. A sociedade exerce o controle social por meio do Direito. Antes de seguir adiante. o Direito Criminal torna-se o instrumento coercitivo do Estado e sua classe dominante. Elas variam desde uma simples reprimenda até o decreto de uma prisão. Na sociedade moderna. são aceitas as medidas de fiscalização como forma de prevenção objetiva. É sobre as sanções negativas que vamos discutir neste tópico. tendo em vista a finalidade. como o nome já indica. com o intuito de manter a ordem social e a economia vigente. o controle social é exercido por meio do Sistema de Justiça Criminal. vamos discutir o controle social. prescreve as sanções de acordo com os diferentes tipos de violação à norma. que. As sanções negativas reparativas. A primeira categoria. 5. Para isso.1 O Controle Social O controle social configura parte dos recursos que uma sociedade dispõe para assegurar a conformidade do comportamento de seus membros às regras e normas previamente descritas e cuja violação prevê sanções. Assim. os mecanismos tornam-se explícitos e rigorosos. As sanções de caráter positivo têm efeito promocional: elas visam recompensar àqueles que cumprem as normas. 30 . Há sanções negativas de cunho preventivo e outras de cunho reparador. por sua vez. Já as sanções de caráter negativo têm uma finalidade repressiva: impõem conseqüências desagradáveis para os transgressores das normas.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 05 Aula 05 . tem a finalidade de se antecipar à ocorrência de um desvio por descumprimento da norma. são aplicadas contra transgressores das normas sociais que tenham causado danos a terceiros. As sanções podem ser positivas ou negativas. Ele é exercido também de maneira sutil. O objetivo dessa categoria de sanção é restaurar o estado de normalidade. quando o desvio é detectado e os interesses da classe dominante são ameaçados.A Lei como Mecanismo de Controle Social O controle social é o mecanismo pelo qual a sociedade mantém sob domínio seus integrantes. por sua vez. Nesta aula. de modo que eles não concretizem suas intenções. Por exemplo. Quando muito.

então. Embora a prisão seja sempre criticada. o crime tem efeitos benéficos para a sociedade. de acordo com o pensamento de Durkheim (1990). Isso parece contraditório? Então vejamos! Embora tenha seus efeitos negativos sobre a pessoa da vítima. veremos que o controle social também impede que a sociedade se desenvolva. pois não permite a expressão espontânea de seus componentes. Durkheim (1990) também considera que o crime tem um caráter progressista. Uma prova de que no Brasil a prisão é apenas um braço do poder está no fato de que as nossas prisões não cumprem sua finalidade principal. O controle social é visto. como um instrumento para o exercício e a manutenção do poder. a prisão desempenha funções importantes na manutenção do poder e no controle da sociedade. Segundo esse autor. você já sabe como são nossas prisões. o crime apresenta aspectos positivos para a sociedade.. que é re-socializar o delinqüente para que ele emende seu comportamento e não reincida. pois permite segregar aqueles indivíduos ou grupos considerados indesejáveis. da perspectiva de sua ineficácia no controle da criminalidade e na recuperação de sentenciados. Bem.1 – Prisão Brasileira Se abordarmos a questão por outro ângulo. Você já havia pensado sobre isso? Para Foucault (1977). acha que ele pode ser capaz de cumprir seu papel? Figura 5.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 05 O principal mecanismo de poder com a finalidade de exercer o controle social utilizando sanções negativas reparativas é o sistema prisional. Alguns autores consideram que o controle social não se destina apenas a manter os cidadãos dentro dos padrões de conformidade. a sociedade precisa mudar as regras e normas existentes para se adaptar a novos padrões de 31 . Ao invés disso. inclusive na forma de crime. a sociedade assegura a manutenção de seus valores e normas. ela nunca deixou de existir. não permite a ocorrência de um desvio social. já que. evitando a ruptura da ordem social. em alguns casos.. pois permite o fortalecimento da consciência coletiva: ao reagir espontameamente à violação da lei. Assim. Conhecendo nosso sistema prisional.

a classe dominante é aquela que possui e controla os meios de produção. a administração. Quinney (1980) define o Estado como um conjunto de instituições particulares que interagem como partes integrantes. a fim proteger seus interesses. o Estado é constituído pelos seguintes elementos:   o governo. juízes. usando os recursos oficiais do Estado em seu favor. uma mudança social. podemos estar negando à sociedade a introdução de novos padrões de comportamento e.3 O Controle do Crime no Estado Capitalista Embora a classe dominante detenha o poder sobre os meios de produção e consiga impor seus representantes no Estado. é a principal interface entre a classe dominante e o exercício do poder. criando uma elite no seio da sociedade. promotores e policiais são nada menos que os representantes legais da classe dominante! Esses atores sociais agem em nome da classe dominante e impedem a classe dominada de se rebelar contra a dominação e. leia “ Estado. de Luiz Carlos Bresser-Pereira. o direito na sociedade capitalista é fortemente submisso aos interesses privados da classe dominante. De acordo com Quinney (1980). A ordem legal é o meio encontrado para a garantia desses interesses. Quinney (1980) considera que a instituição da ordem legal foi o mecanismo encontrado pela classe dominante para obter o controle da população. exercendo o poder para impor a sua vontade sobre a maioria da sociedade. portanto. A classe dominante. em sociedades capitalistas.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 05 comportamento e desvio. 32 . 1980). Pois bem. O direito criminal é a base daquilo que chamamos ordem legal. Você concorda com as idéias de Durkheim? 5. Assim. aparelha o Estado com seus representantes. O Estado. Assim. Para Saber Mais Quer aprender um pouco mais sobre este assunto? Então. então. Você tem conhecimento de que vivemos em uma sociedade capitalista. ela não exerce o poder diretamente. chegar ao poder. 5. ao impedirmos o desvio pelo controle social. então. potencialmente. Sociedade Civil e Legitimidade Democrática”. Para Miliband (apud QUINNEY.2 O Crime e a Classe Dominante A classe dominante se faz representar no Estado.

ou seja. ele também dificulta a evolução da própria sociedade. a polícia exerce uma força coercitiva contra as minorias. mesmo que transgressivos. o sistema judiciário.2 – Polícia em Ação Para Refletir A pretexto de manter a ordem legal. você já percebeu que existe um com estreita ligação com a manutenção da ordem legal: os militares e a polícia! Em outras palavras. que controlam os agentes do Estado. o exercício da força coercitiva! Figura 5. permitem o aperfeiçoamento social por meio de novas regras e a assimilação de novos padrões de comportamento. 33 . Boa leitura! Nesta aula. discutimos o conceito de controle social e vimos os modos como ele é exercido na sociedade para a manutenção do controle sobre seus integrantes. Isso porque os desvios. Embora o controle social sirva para manter o equilíbrio coletivo. os escalões intermediários do governo. você já deve ter percebido que o pessoal da segurança pública ficou com a parte mais difícil do papel Estado. É sobre esse tema que vamos refletir no texto “Violências e Dilemas do Controle Social nas Sociedades da Modernidade Tardia”. O exercício do poder está ligado aos interesses da classe dominante. Entre esses elementos do Estado.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 05    os militares e a polícia.

sofre constantes mudanças.1 Teoria da Personalidade de Gordon Allport Para Gordon Allport (apud HALL. “a personalidade é a organização dinâmica dos sistemas psicofísicos que determinam os ajustamentos peculiares de cada indivíduo ao meio”. Gordon Allport (citado por Hall e Lindzey. Para Allport.1 – Gordon Allport A referência a sistemas psicofísicos significa que a personalidade não é exclusivamente mental. portanto. Ela funciona em razão da harmonia entre mente e corpo. iremos conhecer as principais teorias psicológicas sobre a personalidade humana e o seu funcionamento a partir de cada ponto de vista teórico. 1973. costumamos ouvir com certa freqüência a palavra “personalidade”. a personalidade é quem faz o contato entre nosso mundo interior e o meio. LINDZEY.A Condição Humana: Perspectiva Teórica Psicológica Em nosso cotidiano. Ouvimos frases como “João não tem personalidade” ou “Pedro tem uma personalidade muito forte”. definir “personalidade” e seus componentes não é tarefa fácil. “caráter” e “temperamento”. ela não é estática. ela é a interface entre nossa intimidade e o mundo externo. às vezes – ou melhor. quase sempre – não as empregamos corretamente. p. nem exclusivamente física. 1973) considera importante que façamos uma distinção entre personalidade. pois existem muitas teorias que se dedicam à abordagem desse conceito. Está curioso? 6. Nós usamos muito essas palavras. Nesta aula. Muitas vezes empregamos as palavras “personalidade”. temperamento e caráter. Vamos discutir a diferença entre esses conceitos? 34 . Mesmo para psicólogos. mas não conhecemos seus significados técnicos. isto é. mas você perceberá que.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 Aula 06 . Figura 6. Essa definição de Allport deixa subentendido que a personalidade possui uma organização interna e está em constante desenvolvimento. Também costumamos dizer frases como “Paulo não tem caráter” ou “Miguel é uma pessoa muito temperamental”.292).

às vezes. O que podemos fazer é buscar adaptação ao nosso temperamento: já que eu não quero ficar tremendo ou com a “cara vermelha”. estamos falando de um hábito. os comportamentos provenientes de nosso temperamento têm pouca possibilidade de modificação ou transformação (desenvolvimento).S. eu evito criar situações para que me chamem atenção. pois este último está ligado a um objeto ou classe de objetos específicos. se nos chamarem atenção novamente. ou seja. dizemos que a agressividade é um traço de sua personalidade. Quando alguém nos chama atenção e ficamos trêmulos ou vermelhos. provavelmente. e portanto podem ser modificados ou desenvolvidos (aprimorados). da educação familiar. uma pessoa reage. Assim. de Patrícia do Carmo Pereira Ito e Raquel Souza Lobo Guzzo. O traço lhe permitirá uma atitude mais constante em quase todas as situações. com agressividade. reagiremos do mesmo modo. Ele sofre influência da cultura. diante de uma situação que causa frustração. Allport considera que o caráter está ligado a um código de conduta. O caráter está ligado àqueles comportamentos que obtemos por meio de nossa educação. quando o indivíduo costuma agir de uma determinada maneira em uma situação específica. Para Saber Mais Leia um pouco mais sobre o temperamento no texto “Temperamento: características e determinação genética”. Por exemplo: se. Outro conceito importante da teoria de Gordon Allport é o de traço psicológico. Mas Allport considera temperamento àquela disposição (tendência) intimamente associada à nossa biologia e fisiologia.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 O temperamento é. invariavelmente. Para Saber Mais A formação do caráter se dá desde a infância! Quer saber mais? Leia “Sobre a questão da dinâmica do caráter infantil”. envolve um juízo de valor. 6. Os comportamentos são aprendidos. de L.2 Teoria Behaviorista O nome dessa teoria vem da palavra inglesa behavior. Watson (1878-1958) nas duas primeiras décadas do século XX. que significa comportamento. confundido com a personalidade. Ninguém nos ensinou a reagir assim e. dos processos educacionais. essa reação é uma tendência biológica diante de uma situação aversiva. Assim. o que explica a forte influência positivista. O caráter é outro conceito também confundido com a personalidade.Vigotski. 35 . Essa escola psicológica foi iniciada por John B.Você saberia identificar alguns traços de sua própria personalidade? O traço não deve ser confundido com o hábito. O traço é uma tendência determinante ou uma predisposição de certas respostas para estímulos específicos. da sociabilidade.

para isso. existe uma resposta imediata a estímulos eficazes. ou seja. o conceito de consciência ou mente. HILLIX. você saberia identificar sua influência positivista? 6. não podem ser cientificamente estudados. Para Watson. Watson pregava a observação do comportamento e negava a participação dos fenômenos psíquicos. p. a Psicologia deveria ser objetiva e. rejeitando. seguindo os pressupostos pregados por Watson.2 – John Broadus Watson As principais idéias de Watson (apud MARX. Skinner O psicólogo Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) desenvolveu seus trabalhos na década de 1930. A fim de conferir à Psicologia uma maior independência como ciência.232) são:     o comportamento compõe-se de elementos de resposta e pode ser cuidadosamente analisado por métodos científicos objetivos.3 O Trabalho de B. o comportamento pode ser reduzido a processos físico-químicos. 1973. há um determinismo de causa e efeito. F. os processos conscientes. Para Refletir Com base no que vimos sobre a Teoria Behaviorista. portanto. inclusive o ser humano. 36 . seu objeto seria o comportamento. Assim.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 Figura 6. o objeto de estudo da Psicologia seria a previsão e o controle do comportamento de todos os animais. se existirem.

pois a diferença.4 – Caixa de Skinner Skinner distinguiu dois tipos de comportamento: o respondente e o operante. quando o rato branco era mostrado.3 . Ele desenvolveu uma caixa na qual foi possível manipular variáveis e estudar o comportamento desses animais. Em seguida. ao final do experimento. mas. transpiração). os pesquisadores passaram a mostrar o rato branco a Albert ao mesmo tempo em que produziam o barulho da batida do martelo. mesmo que desacompanhado do barulho do martelo. também conhecido como “caso do rato branco”. Esse fenômeno é um comportamento respondente (ao estímulo específico “visão do rato branco” há sempre uma resposta específica “reação de medo”). A caixa ficou conhecida como “Caixa de Skinner”.Em 1920. parece ser muito sutil! O comportamento respondente requer a presença de um estímulo que sempre antecede a resposta: um estímulo específico elicia uma resposta específica. por ter sido eliciado 37 . Fique atento às definições. Vamos ver agora o conceito de cada um. a princípio. Fizeram isso várias vezes e.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 Figura 6. e a resposta. a criança apresentava a reação de medo típica da batida do martelo. pesquisadores testaram as reações de medo em um menino de onze meses chamado Albert. Eles perceberam que a criança tinha medo de um forte barulho produzido pela batida de um martelo contra uma barra de aço. Por exemplo: o calor provoca a transpiração (em que o estímulo é o calor. Figura 6. O exemplo clássico dessa modalidade de comportamento é o denominado“caso do pequeno Albert”.Burrhus Frederic Skinner Skinner realizou pesquisa com um desses ratos brancos encontrados nas lojas de produtos veterinários.

Figura 6. Você já deve ter percebido que na vida cotidiana temos muitos exemplos da aplicação dessa teoria! Por exemplo.Nessa modalidade de comportamento. pode ser classificada como que tipo de reforço? Para Saber Mais Leia o texto “O conceito de operação estabelecedora na análise do comportamento”. a Teoria Psicanalítica teve origem nos trabalhos de Sigmund Freud (18561939).5 – Sigmund Freud 38 .e recebemos uma multa de trânsito. não ao rato).Se o reforço enfraquece o comportamento. O segundo tipo de comportamento descrito por Skinner é o comportamento operante. de Caio F. que pode ser fortalecida (aumentada quantitativamente) ou enfraquecida. o estímulo é apresentado após a resposta. Aos estímulos apresentados após o comportamento chamamos reforço.4 A Teoria Psicanalítica Como você já deve saber. é denominado de reforço positivo. Miguel.Se o reforço aumenta a possibilidade de ocorrência do comportamento (resposta). que tipo de comportamento é observado? E a multa. O austríaco Freud era médico por formação.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 (condicionado) pelos pesquisadores (já que a reação de medo original era relacionada ao barulho. quando passamos por um radar de controle de velocidade. diminuindo a sua freqüência. vulgarmente conhecido como “pardal”. ele foi denominado condicionamento respondente. no início do século XX. 6. a fim de evitar futuras multas! Não é? Nesse caso. e desenvolveu a Psicanálise como forma de explicar alguns fenômenos psíquicos e comportamentais que a medicina não lhe permitia compreender (BRENNER. passa a ser chamado reforço negativo. 1987). a nossa tendência é passar a prestar mais atenção no velocímetro.

Vejamos cada um deles:  ID – É a parte original da personalidade. Outros aspectos abordados pela Teoria Psicanalítica são os “Mecanismos de defesa do Ego”. o que popularmente chamamos de consciência. destacamos:  Repressão – Exclusão automática dos impulsos e suas representações. onde procura os objetos para a satisfação das necessidades básicas.  SUPEREGO – Conforme atuamos no meio ambiente externo.  EGO – À medida que precisamos nos adaptar ao meio e a suas exigências. No deslocamento. em contato com nossas necessidades básicas. pulsões. o que significa dizer que nessa fase inicial de nosso desenvolvimento somos movidos apenas por impulsos básicos. Para a Teoria Psicanalítica. em busca de gratificação imediata. Baseia-se no processo denominado censura. Entre os principais mecanismos utilizados como defesa do Ego. reduzindo as influências instintivas do ID. EGO e SUPERGO. Essa porção de nossa personalidade funciona como um órgão fiscalizador. para as quais temos diversas denominações: instintos. medidas defensivas destinadas a proteger a pessoa contra os impulsos ou afetos que possam ocasionar conflitos internos e desadaptação ao meio ambiente. De acordo com a Psicanálise. impulsos. percebemos que nele há regras e normas estabelecidas. Esse novo elemento. elemento psíquico que funciona como local destinado ao armazenamento das normas socialmente aprendidas. desejos. A fase de adaptação na família como grupo. esses sistemas atuariam independentes. além de entrar em contato com as demandas do organismo que chegam através do ID. mas há uma diferença sutil entre eles. 3. o EGO é o intermediário entre o mundo interior do indivíduo e sua realidade externa. uma parte do ID vai se diferenciando (especializando-se) e formando o EGO. com pouca racionalidade. As primeiras relações da criança com seus pais. Nesse caso. o ser humano é dotado apenas desse sistema. Assim. o que ocorre é uma mudança de um 39 .Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 Freud propôs que a mente humana seria constituída de três grandes sistemas: ID.  Racionalização – Tentativa consciente de explicação ou justificação de impulsos ou afetos inconscientes não aceitos pelo Ego. 2. vontades. A fase de formação do Superego. a adaptação social compreende três fases: 1. ligada a nossa constituição biológica. As atividades do ID obedecem ao princípio do prazer. mas harmonicamente – integrando a personalidade humana. portanto. Nos primeiros anos de vida.  Deslocamento e substituição – Ambos os mecanismos são medidas defensivas. as quais precisam ser aprendidas e retidas. Trata-se de uma escolha entre os mais aceitáveis motivos para explicar um comportamento. Surge então o Superego. encontra-se em contato com o meio ambiente. Sua função é atuar sobre o EGO. o Ego fica exposto a duas forças antagônicas: a afirmação das necessidades provocadas pelo Id e a negação imposta pelo Superego. Está.

Nesta aula. é modificado. Projeção – Trata-se de uma medida de defesa drástica e radical. mas que nos ajudam a entender diversas situações do cotidiano. em que uma tendência ou desejo reprimido é atribuído a outrem. contrações. gargalhadas. Para Saber Mais Você se interessou pela Teoria Psicanalítica? Busque mais informações no “ Estudo crítico sobre a transformação da ideologia e da subjetividade”. A presença de tal defesa significa que o Ego está renunciando ao contato com a realidade. inaceitável para o Ego. convulsões. de Fábio Luiz Tezini Crocco. paralisia histérica. mas não necessariamente o objeto.   Sublimação – É um tipo especial de substituição por meio do qual um impulso primitivo. espasmos. você conheceu três teorias que buscam explicar como funciona a personalidade humana.  Regressão – Tendência que um organismo tem de restabelecer uma situação anterior. Na substituição é o ato que é modificado. adotando comportamentos típicos de estágios anteriores do desenvolvimento. choro). Isso inclui situações que envolvem os fenômenos da violência e da criminalidade! Busque estabelecer relações entre as teorias que estudamos nesta aula e o campo da Segurança Pública! 40 .  Conversão – Expressão de um impulso ou uma tendência não aceita pelo Ego através dos músculos voluntários ou pelos órgãos dos sentidos (por exemplo.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 06 objeto original por outro considerado substituto. São pontos de vista diferentes.

é comum depararmos com crimes praticados por um tipo específico de transtorno de personalidade.1 A Personalidade Anti-Social Você já deve ter ouvido. É um termo bastante usado na mídia e. o termo correto a ser empregado no lugar de psicopatia é Transtorno de Personalidade Anti-Social. mas os crimes praticados por pessoas com esse transtorno são aqueles de grande repercussão social – estamos falando da “personalidade anti-social”. o patológico e até mesmo o normal. Para a Associação Psiquiátrica Americana. Esse transtorno não tem alta freqüência na população criminal.As razões para essa mudança de nomenclatura são técnicas. ausência de sentido moral e desrespeito por normas. regras e obrigações sociais. recentemente. vem sendo banalizado: é empregado em diversas situações e sem os critérios ligados ao estabelecimento de diagnóstico. A agressividade e a violência dos crimes deixam as sociedades estarrecidas e levantam as questões: Por que o indivíduo cometeu esse crime? Terá ele algum problema psíquico? Ou será simplesmente uma pessoa maldosa? No meio forense. o termo psicopata ainda é muito usado e você o encontrará em muitos livros especializados.A Condição Humana: Agressividade. falta de sentimento de culpa ou arrependimento. Tecnicamente. 41 . Esse transtorno inicia-se na infância ou na adolescência e se mantém na idade adulta. todos parecem estar de acordo com a presença de algumas características típicas em indivíduos como esse transtorno. e isso vem sendo questionado por profissionais da área de saúde mental. questionando conceitos como a ética. Essas características são: impulsividade. a moral. a palavra psicopata.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 Aula 07 . Ainda assim. nos filmes ou em reportagens. Apesar das diferentes tipologias propostas por diversos autores. Vejamos o que mais podemos aprender sobre esse tema! 7. O termo ‘psicopata’ dá a entender que se trata de pessoa portadora de uma patologia mental. o Transtorno da Personalidade Anti-Social é um padrão de comportamento caracterizado por desrespeito e violação dos direitos dos outros. Violência e Conduta Criminosa Os episódios de violência e agressividade observados atualmente em todas as sociedades humanas incitam uma série de reflexões.

antropólogo britânico. A partir da terceira edição do DSM. 1993). 42 . conhecida como CID-10) o Transtorno da Personalidade Anti-Social.como forma de designar aqueles pacientes descritos por seus antecessores. Tendem a ser insensíveis e a desprezar os sentimentos. os critérios diagnósticos ligados a esse transtorno foram elencados. Em 1992. conhecida à época como DSM-II. essas pessoas são capazes de fazer tudo que as outras pessoas fazem. Na edição atual do DSM-IV. pessoas que podem discernir e raciocinar lucidamente sobre qualquer tema. 2003). e suas características foram reunidas ao longo do tempo. e não apresentarem as características típicas da loucura. a personalidade psicopática passou a ser investigada mais sistematicamente. referindo-se a esse tipo de pessoa. mas sem apresentar nenhum prejuízo intelectual. Em 1917. Evans Pritchard.2 Considerações Históricas Desde o século XVII. ou seja. não são capazes de se conduzir com decência e decoro. direitos e sofrimentos alheios. consolidou-se o estudo desse transtorno. a Associação Psiquiátrica Americana introduziu o Transtorno da Personalidade Anti-Social na segunda edição de seu Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. O que ele queria dizer com isso é que algumas pessoas podem ser portadoras de uma doença mental próxima à loucura. inclusive com critérios para o diagnóstico diferencial (ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. Desde então. associada a uma falta de empatia. médico pioneiro no tratamento de doentes mentais.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 A Organização Mundial de Saúde. 7. antropólogos e outros estudiosos vêm descrevendo tipos de personalidade que possuem algo em comum: o fato de causarem problemas de convivência em sociedade. Em 1822. considera que o Transtorno da Personalidade AntiSocialtem como característica principal a disparidade flagrante entre o comportamento de seu portador e as normas sociais predominantes. psiquiatra alemão. porém. Logo. a Organização Mundial de Saúde também introduziu na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (10ª revisão. Pessoas portadoras do Transtorno da Personalidade Anti-Social sofrem de incapacidade de adaptação às normas. afirmou que “existem manias sem delírio”. Emil Kraepelin. por sua vez. médicos. Philippe Pinel. Em 1968. definindo-o como um transtorno específico da personalidade (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Vamos estudar a evolução do conhecimento acerca desse tema? Em 1809.que depois deu origem ao termo personalidade psicopática. cunhou o termo inferioridades psicopáticas. relatou a existência de pessoas com uma espécie de insanidade moral (moral insanity).

insinceridade. como agente de segurança pública. vida sexual pobremente integrada. Mas cuidado! Evite tirar conclusões precipitadas a esse respeito: lembre-se de que você tem noções básicas. segundo as estatísticas oficiais. irresponsabilidade nas relações interpessoais. dificuldade em fazer um plano de vida. 43 . conseguir identificar que está lidando com uma pessoa desse grupo. conduta social inadequadamente motivada. baixa tendência ao suicido. o psiquiatra estadunidense Hervey Milton Cleckley (1903-1984) estudou vários indivíduos com esse transtorno e conseguiu reunir as principais características de personalidade ligadas ao problema. ausência de delírios.3 Características Diagnósticas Se você não está estudando para ser médico. incapacidade de aprender com a experiência. mas não é um especialista! O Transtorno da Personalidade Anti-Social é muito mais comum em homens. se você. ausência de manifestações psiconeuróticas. Veja essas características listadas a seguir:               atração superficial (conseguem envolver as pessoas). Entre as mulheres. então por que aprender os critérios diagnósticos para esse transtorno? Bem. falta de vergonha ou remorso. egocentrismo patológico. deverá tomar mais precauções. Em 1950. atingindo 3% da população masculina. O Transtorno da Personalidade Anti-Social geralmente começa na infância e se estende até a vida adulta (ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. inconstância.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 7. atinge apenas 1% da população. pobreza de reação afetiva. pois isso aumenta o grau de complexidade da situação e indica uma maior periculosidade da pessoa com quem você está lidando. 2003).

de Elias Abdalla-Filho e Wolfram Engelhardt. hostis.1 – Hervey Cleckley Já os critérios diagnósticos apresentados pela Organização Mundial de Saúde (1993) na CID-10 são:       indiferença pelos sentimentos alheios. incapacidade de experimentar culpa e aprender com a experiência. caracterizado por uma adequada socialização e uma total falta de perturbações emocionais. dependentes e paranóides. muito baixa tolerância à frustração e um baixo limiar para descarga da agressão. Vejamos:  Psicopatas primários são impulsivos. propensão marcante para culpar os outros ou oferecer racionalização plausível para o comportamento que o levou ao conflito com a sociedade. e anti-sociais.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 Figura 6. agressivos. e um tipo secundário. mal-humorados e com baixa auto-estima. ambos compartilhando um alto grau de impulsividade: um tipo primário. incluindo a violência. 1991) Ele desenvolveu uma uma interessante entre dois tipologia tipos de para indivíduos com personalidade anti-social. Para Saber Mais Conheça mais sobre o Transtorno de Personalidade Anti-Social em: “A prática da psiquiatria forense na inglaterra e no brasil: uma breve comparação”. atitude flagrante e persistente de irresponsabilidade e desrespeito por normas.4 A Classificação Segundo Blackburn Blackburn (apud LEWIS. particularmente a punição. socialmente ansiosos e isolados. histriônicas. Nesse grupo encontram-se. agressivos. evitativos. pessoas narcisistas. incapacidade de manter relacionamentos. impulsivos. extrovertidos. Aqui se encontram anti-sociais. propôs distinção “psicopatas”. embora não haja dificuldade em estabelecê-los. 44 . 7. regras e obrigações sociais. predominantemente.  Psicopatas secundários são normalmente hostis. confiantes em si mesmos e apresentam baixa ansiedade. caracterizado pelo isolamento social e traços neuróticos.

sem se importarem com os direitos alheios. Tendem a assumir o papel mais indicado para cada circunstância. Ao invés de se corrigirem. Apresentam também indiferença pela verdade e. podem continuar demonstrando total indiferença. enquanto psicopatas secundários estão mais aptos para os roubos. podem avaliar a situação e melhorar suas técnicas para continuar a conduta anti-social. recursos especiais dos organismos de segurança pública. Eles conseguem enganar os outros com encanto e eloqüência! Quanto à recuperação. entretanto. tanto física como verbal. se são descobertos ou desmascarados. os atos praticados por pessoas com o transtorno são altamente violentos e trazem grande comoção social. mostram mais fúria diante da ameaça. já que apresentam comportamentos evitativos e passivo-agressivos. de vítima. e muito mais ansiedade social. os casos envolvendo essas pessoas não são numerosos. entretanto. Pesquisas demonstram que esse tipo de comportamento começa a declinar a partir da quarta década de vida. e apresentam uma grande inclinação para violação das regras. podendo adotar um ar de inocência. por isso. não é indicado ao profissional de segurança pública que facilite o contato desses indivíduos com a mídia. psicopatas primários têm convicções mais firmes para efetuar crimes violentos. quando castigadas por seus erros. Sua consciência social é bastante deficiente. você já deve ter percebido que elas causam problemas relacionados à Segurança Pública! Estatisticamente. Os psicopatas tendem a manifestar comportamentos rígidos e inflexíveis. Uma de suas maiores habilidades é a facilidade que têm em influenciar pessoas.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 Figura 6. Exigem.2 – Theodore Robert "Ted" Bundy – Famoso “Psicopata” Estadunidense De acordo com a tipologia de Blackburn. portanto.5 Relevância para a Segurança Pública Pelas características das pessoas com Transtorno da Personalidade Anti-Social. de líder. 45 . Devido à peculiaridade de suas personalidades. Psicopatas secundários. pessoas com Transtorno da Personalidade Anti-Social apresentam dificuldade em aprender com a experiência. 7.

identificar esse tipo de personalidade é crucial para um trabalho de investigação e prevenção do crime. Boa leitura! Nesta aula. pois os indivíduos que sofrem desse transtorno não possuem uma patologia física ou mental diagnosticável. Para os organismos de segurança pública.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 Para Saber Mais Quer mais informações sobre o Transtorno da Personalidade Anti-Social? Leia “ Reincidência criminal: é possível prevenir?”. O que apresentam de marcante são certas características de personalidade que trazem sérios problemas para o convívio social em razão de sua conduta nociva aos demais. 46 . Vimos que o termo técnico correto para a “psicopatia” é Transtorno da Personalidade Anti-Social. de Hilda Morana. você aprendeu o que significa o termo psicopata.

Assim. Você já conhece as diferentes formas de desviação? Vamos aprender sobre esse tema! 8. Nem todo comportamento desviante é obrigatoriamente transgressivo! Para Saber Mais Informe-se sobre esse tema lendo o texto “ Reflexões sobre normalidade e desvio social”. Observe as diferenças existentes entre os modos de vida de pessoas que moram no litoral e aquelas que moram no interior. é preciso que ele seja considerado. Esse mesmo comportamento não é observado no interior. quando se dirigem à praia. Um comportamento não é desviante por si só.2 Desvio Positivo e Desvio Negativo Podemos dizer que existem desvios positivos de comportamento. Não há características definidas para que um comportamento seja descrito como normal: o que é considerado normal na América do Sul pode não o ser no Oriente Médio. moral. em um contexto específico. Porém. O juízo de valor acerca do que é normal ou desvio sofre influência geográfica. Determinadas pessoas agem de maneira tão distante da média grupal que somos obrigados a concordar que são desviantes. esse conceito é relativo e depende dos padrões de costumes. ética. de Richard Miskolci.O Comportamento Desviante A conduta humana pode ser analisada do ponto de vista social como normal ou desviante. Por outro lado.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 Aula 08 . como desviante. mas agora vistos como desviantes? Nesta aula iremos abordar o comportamento desviante e alguns conceitos correlacionados. e isso dentro de um mesmo país! Por exemplo: é comum.1 O Conceito de Normal e Desviante Um dado comportamento será considerado normal enquanto assim o quiser um grupo ou sociedade organizada. histórica e cultural. religião de uma determinada comunidade ou sociedade. o 47 . em cidades litorâneas. 8. as pessoas utilizarem o transporte público em trajes de banho. mesmo que as pessoas estejam indo para um clube! Àquelas pessoas que se comportam de acordo com as normas de seu meio ambiente chamamos de conformantes. Você é capaz de encontrar exemplos de comportamentos outrora considerados normais. e vice-versa.ações e formas de comportamento que não são punidas com sanções sociais legais mas que se opõem às normas geralmente aceitas são consideradas comportamentos desviantes.

Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 desvio dessas pessoas é em prol do bem comum: nesses casos. Goular 48 . exemplo de Comportamento Desviante Positivo Por outro lado. Nesse caso. Comportamento Desviante Máximo. espaço. de Maria João Leote de Carvalho”. o comportamento desviante busca o benefício do próximo. em que a desviação máxima chega ao que denominamos crime. trajectórias e delinqüências”. Figura 8. temos outro tipo de desvio de comportamento que é desaprovado pelo grupo ou pela sociedade por violar normas pré-estabelecidas. “Avaliação psicológica e prognóstico de comportamento desviante numa corporação militar”.1 – Madre Teresa de Calcutá. Nesses casos. temos o desvio negativo de comportamento. Figura 6. o desvio traz malefícios à comunidade. podendo colocar em risco a segurança das pessoas. Alguns autores consideram que o máximo da desviação positiva leva à santidade.3 – Episódio do Ônibus 174. de Divino Pereira de Brito e Iris B. ou Crime Para Saber Mais Leia:   “ Entre as malhas do desvio: jovens. ainda que enfrentando adversidades.

pune com mais vigor o desvio reincidente. Reforço da conduta desviante (reação à estigmatização) – O desviante reage contra a tentativa da sociedade de punir seu comportamento e enquadrá-lo como indivíduo fora da norma. Recorrência do desvio primário – O indivíduo.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 8. Rebaixamento do nível de tolerância – Ocorre o processo psíquico de intolerância à frustração causada pela atuação da sociedade. Há desvio primário quando ocorre ruptura da norma sem que o autor dessa ruptura perceba a si mesmo como um desviante. por razões diversas. alcoolistas não assumirem a sua condição e afirmarem que apenas tomam “um gole”! Já o desvio secundário acontece quando a pessoa começa a assimilar o próprio comportamento desviante. violando novamente as normas sociais. do desvio primário ao desvio secundário:         Ocorrência do desvio primário – O comportamento desviante se manifesta pela primeira vez. Aceitação final do status social de desviante – Por fim. manifesta novamente o comportamento desviante. utilizando-se do papel que o mesmo lhe assinala como um mecanismo de defesa. geralmente com multas. Esse fenômeno é muito freqüente em casos de drogadição: é comum.3 Os Tipos de Desvio e a Consolidação do Comportamento Desviante Existem desvios primários e desvios secundários. Sanções sociais mais severas – A sociedade. o indivíduo desviante aceita sua condição e assume o seu papel de desviante. por exemplo. Sanções sociais – A sociedade reage com sanções correspondentes ao desvio. Para Refletir Você concorda com essas etapas? Acha que é assim mesmo que acontece a consolidação do comportamento desviante? Conhece alguma história de desviação que exemplifique esse quadro? Pense: com que medidas os organismos da Segurança Pública poderiam atuar no rompimento desse ciclo? 49 . por meio de seu Sistema de Justiça Criminal. E isso não é incomum. não é mesmo? Vejamos agora algumas etapas do processo de consolidação do comportamento desviante. É o caso em que se usa o discurso conformista “eu não presto mesmo!” para justificar o próprio comportamento. penas brandas ou algum tipo de compromisso social (termo circunstanciado). Recorrência do desvio primário acompanhado de hostilidade contra os sancionadores – O desviante revolta-se contra o Sistema de Justiça Criminal por considerar-se injustiçado. aplicando geralmente pena de restrição de liberdade.

Esses últimos acabam por gerar comportamentos transgressivos que a sociedade considera crimes. Note que muitas vezes há uma interação entre a desviação desaprovada e o comportamento transgressivo. nomeando essas formas com termos técnicos! Preparado? Então. há quem considere que o desvio é o causador de mudanças sociais. pois é algo bastante comum. vejamos:  Desviação aprovada – Aquela em que o grupo. tanto na freqüência como na amplitude do comportamento. não é? Agora vamos sistematizar esse conhecimento. ou a sociedade. O comportamento desviante é algo existente em todas as sociedades. se afastar do senso comum e manifestar comportamentos desviantes. 50 .  Desviação absoluta – Ocorre quando o indivíduo se afasta por completo das normas sociais.4 As Formas de Desviação Você já conhece algumas formas de desviação. Procure levantar exemplos!  Desviação desaprovada – Aquela que sofre reação contrária por parte do grupo ou da sociedade. além de desviantes.  Desviação relativa – As pessoas cujo comportamento é considerado “normal” podem. são ostensivamente violadores das normas sociais. Há também os compoprtamentos transgressivos: aqueles que. Você já deve ter visto algum caso desse desvio em nossa sociedade. tolera o comportamento inadequado. Existem basicamente dois tipos de desvio: aqueles aceitos pela sociedade e aqueles rejeitados por ela.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 08 8. desde atos bizarros até pequenos delitos. buscando sua repreensão.ocasionalmente. Por isso.

que é uma unidade prisional do próprio sistema penitenciário. o indivíduo pode fazer o tratamento em qualquer unidade hospitalar da rede pública. Trata-se uma tentativa da sociedade em encontrar explicação para problemas sobre os quais não tem conhecimento! É mais fácil e cômodo encarar a questão dessa maneira: se a prática de crimes é uma doença. No segundo caso. a participação de doentes mentais nas estatísticas da criminalidade é muito baixa. sendo sua freqüência controlada pelo juízo da execução penal. Vamos lá? 9. atualmente. vão contra a pessoa em reação a uma agressão contra um bem jurídico tutelado. muitos transtornos mentais não têm a causa definida e. o termo 51 . o indivíduo é internado em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Assim. A periculosidade. será examinada sob o ponto de vista da lei brasileira. O principal motivo do desuso desse termo é o fato de que doença pressupõe causa e cura. Tanto a medida de segurança quanto a pena pressupõem a prática de ato ilícito. Outro aspecto compartilhado por ambas é que um de seus objetivos é tirar o delinqüente da rua. no sentido de preservar a sociedade da ação de delinqüentes temíveis e de recuperá-los com tratamento curativo. a cura descoberta. a doença mental. Uma maneira de checarmos essa afirmação é verificarmos a quantidade de presos em nosso sistema penitenciário que estão em medida de segurança. ao contrário da pena. mas. A medida de segurança visa à prevenção e à cura. Atenção: somente depois de comprovada a periculosidade do delinqüente é que a medida de segurança torna-se aplicável! De acordo com a lei de execução penal.A Doença Mental e o Crime Não é raro encontrar quem pense que os crimes são praticados por “loucos”. No primeiro caso. é a probalidade de o sujeito vir a praticar crimes ou reincidir na prática de crimes. que é uma sanção penal com fim repressivo. a medida de segurança pode ser de internação ou de tratamento ambulatorial. A aplicação de medida de segurança encontra fundamento na comprovação da periculosidade. A medida de segurança é uma sanção penal com finalidade preventiva. então basta encontrar o remédio e teremos a cura! Nesta aula.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 09 Aula 09 .2 A Doença Mental no Código Penal O termo “doente mental” já não é utilizado na literatura técnica especializada. vista por muitos como um desvio. 9. por sua vez.1 A Medida de Segurança Apesar do mito que relaciona crime e doença mental. muito menos.

26 . pois não há uma definição clara a seu respeito. Isso significa que os portadores desse mal não percebem bem a realidade que os cerca. para haver alienação mental é necessário que o juízo de realidade esteja comprometido. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Na prática. ao tempoda ação ou da omissão. de Alda Martins Gonçalves e Roseni Rosângela de Sena. o que observamos é que os termos doença mental e alienação mental têm sido usados como sinônimos (TABORDA et al.A pena pode ser reduzida de um a dois terços. Outro termo utilizado nos textos legais e que também traz certa confusão. (2004). ainda que a própria Organização Mundial de Saúde (2002) e os profissionais de saúde mental já não utilizem essa nomenclatura..Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 09 adotado é mesmo transtorno. de Magali Gouveia Engel. Isso obriga a interpretação da lei por parte de profissionais da saúde mental para que haja harmonia entre os textos legais e a literatura técnica. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. in verbis: Art. em seu artigo 26. é alienação mental. Redução de pena Parágrafo único . que significa um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecíveis e associados. há divergência entre os textos legais e a literatura especializada. 52 . Nosso Código Penal. nosso Código Penal utiliza a terminologia doença mental. se o agente. Para Saber Mais Saiba mais em “ As fronteiras da anormalidade: psiquiatria e controle social’. inteiramente incapaz de entender ocaráter ilícito dofato ou dedeterminar-se de acordo com esse entendimento. 2004). No tocante à questão da saúde mental. escreve. era. 9. principalmente porque eles podem sofrer de duas alterações importantes: as alucinações e as idéias delirantes.3 A Alienação Mental De acordo com Taborda et al. Como você vê.É isento de pena o agente que. Para Saber Mais Fique sabendo mais em “A reforma psiquiátrica no Brasil”.

na forma de sussurros ou comandos. quando comprovadamente cronificadas e refratárias ao tratamento. a fim de obter uma idéia sobre quais são os casos considerados como alienação mental. O que você precisa saber sobre as idéias delirantes é que elas alteram a maneira como a pessoa interpreta a realidade. Era um caso de delírio. doença de Alzheimer e outras formas bem definidas). As idéias delirantes. pois dizia ser um ex-presidente da república e exigia ser tratado como tal. quando configuram comprometimento grave e irreversível de personalidade. pré-senil. acredita ser Napoleão Bonaparte. Vamos utilizar. Você se lembra de já ter visto isso em programas humorísticos? Nesse caso. ainda. o indivíduo age como se fosse o personagem. arterioesclerótica. os Critérios de Avaliação da Condição de Invalidez do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG). casos de alienação mental: o estados de demência (senil. Tecnicamente. a alucinação é uma “alteração das representações mentais”. Um exemplo típico é aquele indivíduo que. luética. de Maria Fernanda Tourinho Peres e Antônio Nery Filho. o o o  psicoses esquizofrênicas nos estados crônicos.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 09 Para Saber Mais Leia “A doença mental no direito penal brasileiro”. coréica. precisamos recorrer a interpretações feitas por profissionais de saúde mental. Para Saber Mais Visite a página do IPSEMG. uma batida na porta. oligofrenias graves. também identificadas como “delírios” na literatura especializada. à guisa de exemplo. são “alterações do juízo”. há relatos de indivíduos que sentem cheiros e gostos não percebidos pelos demais. Em alguns casos. pode também ouvir barulhos como um toque de sino. não percebemos. os funcionários encontraram um preso que gerava problemas de relacionamento. Para atender ao artigo 26 do Código Penal. ou quando exibem elevada freqüência de repetição fásica ou. São excepcionalmente considerados casos de alienação mental: o 53 . mono ou bipolar. Cabe aqui um episódio anedótico: certa vez. paranóia e a parafrenia nos estados crônicos. Vejamos a relação que segue. a seu lado. psicoses afetivas. acerca dos casos de alienação mental:  São. no sistema penitenciário do Distrito Federal. Por exemplo: ele pode ouvir vozes. pode ver imagens que nós não vemos. necessariamente. mas o que interessa mesmo saber é que o indivíduo que sofre com alucinações percebe coisas que nós. pode ter sensações como um bicho andando sobre seu corpo ou movimentos autônomos de partes do corpo. nos programas de humor.

Esses dois últimos grupos necessitam de confirmação pericial específica para ser constatado o grau de comprometimento da capacidade de entendimento e determinação.nesses casos. A situação jurídica do portador de retardo depende do grau de comprometimento da capacidade cognitiva. não há presença de alucinação nem de delírios. porém. como profissional da segurança pública. mas sim como alterações do desenvolvimento. Essa modalidade não é reconhecida pela Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento – CID (10ª revisão) – da Organização Mundial Saúde (OMS. quando caracterizadamente cronificadas e resistentes à terapêutica ou quando apresentam elevada freqüência de surtos psicóticos. o psicoses pós-traumáticas e outras psicoses orgânicas. quando caracterizadamente cronificadas e refratárias ao tratamento ou quando configurarem um quadro irreversível de demência. grave ou profundo.4 Outros Estados Psíquicos Considerados no Código Penal Outros estados psíquicos que não se enquadram na categoria de alienação mental são considerados pelo Código Penal como perturbação da saúde mental. (2004). os indivíduos que sofrem perturbação da saúde mental percebem adequadamente a realidade imediata. nesse caso. 9. já que estão citados no artigo 26 do Código Penal Brasileiro. Essas alterações. “o indivíduo não é tão sadio para merecer uma sanção tão extrema e nem tão louco para eximir-se da pena”. Na categoria de desenvolvimento mental incompleto estão incluídos os indivíduos menores de 18 (dezoito) anos de idade. 54 . não deixa claro do que se trata! Esses casos são o “desenvolvimento mental incompleto” e o “desenvolvimento mental retardado”. Em alguns textos da literatura especializada. Acerca do significado do termo “perturbação da saúde mental”. entretanto. A redação do Código Penal. moderado. Araújo (2006) ensina que. Assim. a categoria de perturbação da saúde mental diz respeito aos casos de neurose e de transtornos de personalidade. os indígenas não aculturados e os surdos-mudos. Já na categoria de desenvolvimento mental retardado estão incluídos os casos de retardo mental propriamente dito. pois. esses casos também são denominados como oligofrenias. deve conhecer. Ambos não são considerados como modalidades de doença mental. Para Taborda et al. 2002). trazem repercussões na capacidade de entendimento e determinação de seus portadores.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 09 o psicoses epilépticas. que pode ser leve. Existem dois outros casos que você.

nossa legislação prevê a aplicação da medida de segurança (já mencionada no início desta aula). vimos como o Código Penal brasileiro lida com a doença mental. conduzir e controlar de acordo com seu pensamento. ajuizar a realidade em contato imediato com o indivíduo. avaliar. Já a determinação é a capacidade que possui o indivíduo de se comportar.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 09 Finalmente. (2) se há presença das duas capacidades. 55 . citado anteriormente. incluídos no próprio artigo 26. há mais um aspecto a que você precisa ficar atento: o Código Penal Brasileiro estabelece dois critérios para analisar a capacidade da pessoa em responder pelos seus atos. A doença mental. é erroneamente considerada como o principal fator criminógeno. o que chama atenção é a brutalidade desses crimes. A partir da análise da capacidade de entendimento e determinação. com assessoria de perícia para auxílio na determinação do destino jurídico da pessoa examinada. vista como desvio. estatisticamente. o número de crimes praticados por portadores de algum tipo de patologia mental é baixo. são: o entendimento e a determinação. Nesta aula. Esses critérios. o caso requer um estudo específico. entendimento e determinação. (3) se há presença apenas de uma das capacidades. O entendimento é a capacidade de julgar. o indivíduo é considerado penalmente responsável. a alienação mental e outros estados psíquicos. surgem algumas alternativas jurídicas para o indivíduo: (1) se ambas as capacidades estiverem ausentes. Porém.

Isso lhe permitirá lidar com outros profissionais que atuam na área e lhe proporcionará conhecimento para enfrentar esse problema na atividade de Segurança Pública. O que você precisa é conhecer mais a fundo o problema específico que envolve a delinqüência juvenil.1 A Família: uma Visão Sistêmica Em primeiro lugar. a adolescência.A Delinqüência Juvenil Você já deve ter percebido que lidar com adolescentes em conflito com a lei é bem mais complicado que com adultos. esse adolescente faz parte de um conjunto social mais amplo que podemos denominar de sistema. ou seja. Você precisa entender que o adolescente em conflito com a lei deve ser compreendido a partir de uma visão que a psicologia denomina sistêmica. quando o chamado Grupo de Milão desenvolveu a abordagem sistêmica. Ter muito conhecimento sobre armamento e técnicas de defesa pessoal não lhe será tão útil para lidar com esse público. do conjunto de relações sociais de que a pessoa participa. Encontramos barreiras de toda espécie. Esse será nosso objetivo nesta última aula da disciplina! Figura 10. ou seja. 56 .1 – Adolescentes em Conflito com a Lei 10. Essa perspectiva data de meados da década de 1960. desde a própria legislação até questões técnicas e filosóficas sobre essa etapa evolutiva da vida humana. A visão de que o indivíduo não pode ser considerado como o único responsável por seu comportamento enfatiza a importância da contribuição do contexto relacional. vamos conhecer alguns conceitos da Psicologia para entender melhor o fenômeno da delinqüência juvenil e os fatores correlacionados...Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Aula 10 .

Para Refletir Assim é o adolescente em conflito com a lei na visão sistêmica: sintoma de um desequilíbrio familiar maior. pois há uma circulação de seus membros. a família é um sistema que se autogoverna. um sistema é um conjunto de elementos em interação. a delinqüência juvenil pode ser interpretada como uma transgressão às leis sociais. de modo a assegurar o equilíbrio. e também porque há interação da própria família com sistemas extrafamiliares – no meio social. o elemento da família que apresenta o comportamento desviante) é um representante circunstancial de alguma disfunção no sistema familiar maior. pela ótica familiar e sistêmica. Qualquer desvio além do limite de tolerância provoca a atuação de mecanismos de controle. de Marcelo Pakman. o membro sintomático (isto é. Além disso. poderá ter uma conotação de sintoma: trata-se do efeito sintomático de um desequilíbrio na estrutura familiar. a família está sujeita a certas propriedades como a globalidade. De acordo com essa perspectiva. A família pode ser considerada como um sistema aberto. ou seja. Como um sistema aberto. expressa algo de inadequado que vem do interior da família. 57 . mas. Ele apresenta a teoria de que a família é um sistema competente para resolver os problemas que surgem em seu interior. que faz com que uma mudança em um dos componentes seja sentida no sistema total. 1992). Reflita: essa perspectiva se parece com aquela que predomina no senso comum? Assemelha-se ao modo como o adolescente em conflito com e lei é percebido nas esferas da segurança pública? Em que aspectos há semelhança ou diferença em relação à perspectiva com a qual você está acostumado a lidar? Para Saber Mais Leia mais sobre esse tema em “ Adolescentes em conflito com a lei: uma revisão dos fatores de risco para a conduta infracional”. de Alex Eduardo Gallo e Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams. O mecanismo de retroalimentação(ou feedback)permite a circularidade da informação dentro da família e o comportamento de um membro afeta e é afetado pelo comportamento de cada um dos demais. Desse modo. utilizando-se de regras que definem aquilo que é permitido ou não para o grupo.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Para Saber Mais Saiba mais sobre essa abordagem lendo o texto “ Uma atualização epistemológica das terapias sistêmicas”. na perspectiva da visão sistêmica. Para Ausloos (apud SUDBRACK. organizado em função de suas finalidades e evoluindo ao longo do tempo. que interagem entre si.

3. 58 . a informação circula. sobretudo as ocidentais. Para Ausloos. As sociedades modernas. A família de transação rígida é caracterizada pela rigidez das regras internas. 1992) considera a existência de dois tipos de família: a de transação rígida e a de transação caótica. Isso sobrecarrega a mãe. Articulação patronímica – Permite designar o pai legal e o “nascimento legítimo”. Articulação da paternidade simbólica – Introduz o “Nome do Pai” propriamente dito. esses estudos nos permitem observar a existência freqüente de falhas na constituição das famílias e de falência dos papéis de maternagem e/ou paternagem. o que possibilita o “nascimento social”. desprezando o passado e o futuro. reforça a convicção de que nada pode ser mudado. porém. levandose em consideração o papel desempenhado pelo pai e a relação afetiva com a criança. Articulação sócio-econômica e sócio-cultural – Permite designar o pai enquanto provedor e educador. já incumbida das demais responsabilidades da maternagem. faz com que haja um tempo estático – isto é. Ausloos (apud Sudbrack. esse tipo de família produz membros psicóticos.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Em relação ao funcionamento familiar. de maneira desorganizada. pela divisão de tarefas na família. Vejamos: 1. 4. Sudbrack (1992) distingue a função paterna em quatro dimensões consideradas indispensáveis. Você concorda com a definição desses dois tipos de família? Como seria. em termos da transação informacional. caracterizam-se. O tempo. definindo o “nascimento social”. o que impede uma boa circulação da informação e.2 A Família do Adolescente em Conflito com a Lei Os estudos sobre famílias com transações delitogênicas não permitem a construção de perfil único ou o estabelecimento de um vínculo de linearidade (causa-efeito) entre o tipo de família e o conflito com a lei. Na família de transação caótica. uma família equilibrada. Entretanto. 2. Articulação biológica – Resgata e identifica o pai com a condição de genitor. o que dificulta seu registro ou armazenamento. fica o encargo de provimento e assistência material – com pouca presença no processo educacional e de formação da personalidade do filho. se apresenta dividido em função dos acontecimentos presentes. esse tipo de família produz membros delinqüentes. ao contrário. então. conseqüentemente. Para Ausloos. o que dá a definição do “nascimento natural”. apta a produzir pessoas psicologicamente saudáveis? Pense: como o conhecimento da perspectiva sistêmica de família pode lhe ser útil em sua atividade na Segurança Pública? 10. por tradição. Ao pai. ainda.

php/psicologia/article/viewPDFInterstitial/3291/2635 10. Para Saber Mais Esse assunto é muito importante para você como profissional da segurança pública! Para saber mais.br/ojs2/index. Winnicott (1987) considera que tudo o que leva uma pessoa adulta aos tribunais ou aos manicômios tem o seu equivalente normal na infância. Assim. trata-se dos casos em que a criança desconhece o pai genitor. Vejamos agora a classificação de pais semipresentes proposta por Sudbrack (1992):  Pai desconhecido – Classificação relacionada aos casos de filhos que não tiveram revelada a verdade sobre sua filiação. Figura 10. e a criança sente dificuldade em tolerar e enfrentar suas pulsões.br/downloads/texto_IBCcrim_v2. acesse os links a baixo:   http://www.  Pai perdido – Refere-se aos casos de filhos aos quais foi totalmente proibido o contato com o pai em virtude da separação do casal parental. Sudbrack (1992) observou que a função paterna não era exercida em sua plenitude. mas este não assume a contento a paternidade ou não é reconhecido no papel de pai na família.3 O Adolescente em Conflito (Inclusive com a Lei) Ao discorrer sobre os aspectos psicológicos da delinqüência juvenil.org.  Pai excluído – Caso em que a família aparenta ser “normalmente” constituída. a personalidade ainda não está bem integrada. em especial sobre a orientação de crianças anti-sociais. a pesquisadora identificou “pais sem verdadeira paternidade”.doc http://ojs.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Por meio de seus estudos com famílias apresentando transações delitogênicas. W Winnicott (1896-1971) Para Winnicott (1987).ufpr.cededica. ou seja. na primeira infância. 59 .c3sl. a quem denominou de pais semipresentes. apesar da existência de um período anterior de convivência. com a presença atual do pai genitor. mesmo a criança considerada “normal” está repleta de conflitos: nessa fase do desenvolvimento humano.2 – D.

ao perder o quadro de referência de sua vida. para dar continuidade a seu desenvolvimento emocional e tornar-se uma criança livre e independente. E a sociedade. se tornará angustiada. a criança pode obter segurança e autocontrole. Se ela perceber que ainda há uma esperança. tios. como se estivesse dando um salto. Figura 10. Ele considera que a criança. e busca ajuda diretamente na sociedade. certo? Winnicott não concorda! Vejamos. primos) e amigos da família – se a substituição ocorrer em tempo hábil. tias. do que um pedido de controle externo. Em consonância com Winnicott. Assim. a criança poderá concluir com sucesso sua estabilidade emocional.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Desse modo. no sentido de frear suas pulsões de poder destrutivo. irá buscar um quadro de referência substituto com os parentes próximos (avós. experimentar os limites impostos por seus pais. Isso foi o que Winnicott (1987) chamou de quadro de referência. ela tem necessidade de vivenciar o amor e. imatura emocionalmente.3 – Capa do Livro Adolescente em Conflito com a Lei – Prevenção e Proteção Em outras palavras. é representada por você! 60 . O comportamento anti-social nada mais é. já que a família falhou em prover um quadro de referência. Winnicott (1987) apresentou a seguinte indagação: O que acontece quando a criança. então. no caso. Winnicott (1987) compara a criança “normal” com a de tendência anti-social. Nesse ponto. Sudbrack (1992) também interpreta o ato anti-social cometido por adolescentes como uma forma de buscar uma terceira pessoa para que exerça a função simbólica dos pais. o que se está afirmando é que muitas das ocorrências policiais envolvendo adolescentes infratores nada mais são do que um pedido de ajuda desses adolescentes para a sociedade. ao mesmo tempo. Tendo isso em vista. não adquire o quadro de referência? A primeira resposta em que você pensou é que a criança nessa condição sente-se livre para fazer aquilo que bem quiser e lhe for prazeroso. e afirma que esta última transpõe a família.

Como se não bastasse o afastamento temporal. podendo ser o falecimento da mãe. os três tipos são: privação emocional por relações insuficientes. controle repressivo e falta de afeto.  Privação emocional por relações descontinuas – É aquela decorrente da interrupção ou da descontinuidade de uma relação que chegou a existir entre a figura materna e a criança. É uma falha na continuidade das relações primárias. A gravidade das conseqüências da privação emocional irá depender da capacidade do indivíduo em solucionar esse problema. As causas para a interrupção da relação são as mais diversas. no trabalho. Bowlby (1995) propõe uma tipologia da privação emocional. Para ele. atenção e carinho da mãe nunca são suficientes para suprimir aquilo que realmente é necessário para a criança. envolvendo suas experiências passadas. Assim. Isso impede o amadurecimento gradual e natural da criança.  Privação emocional por relações distorcidas – Ocorre quando o relacionamento figura materna-criança apresenta-se contaminado por problemas pessoais da figura materna. A carência econômica colabora para a privação emocional por relações insuficientes. o tempo e a intensidade da presença. 61 . definitivo ou temporário. Ainda que haja boa vontade e esforço.4 A Privação Emocional A privação emocional. estruturantes e edificantes. afetando sua autonomia e a própria formação de sua personalidade.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Para Refletir O que você acha disso? Você já tinha olhado para o problema da delinqüência juvenil sob esse ângulo? O que a sociedade poderia fazer para atender a esse “pedido de ajuda”? 10. uma viagem mais longa. em especial a figura materna. a fadiga e os aborrecimentos ocorridos no período de labor também podem atrapalhar o relacionamento figura materna-criança. ou outras situações que provoquem o distanciamento definitivo ou temporário da relação. o que pode ocasionar o sentimento de perda. da criança com as figuras parentais. indulgência excessiva. segundo Winnicot (1987). hostilidade. a privação emocional por relações descontínuas refere-se ao rompimento brusco. Vejamos cada um desses casos:  Privação emocional por relações insuficientes – Como o próprio nome diz. pode ser comparada a um “déficit”. de acordo com a natureza das relações estabelecidas entre a figura materna e a criança. angústias e frustrações. nesse caso o relacionamento com a figura materna não é o bastante ou é insuficiente. na convivência com figuras parentais. porque faz com que a mãe passe mais tempo fora de casa. Os casos mais típicos desse tipo de relação são: rejeição. privação emocional por relações distorcidas e privação emocional por relações descontínuas.

Reflita: em sua experiência como profissional de Segurança Pública. 10. esporte e lazer. liberdade e dignidade. Se o atendimento for de natureza educativa. Boa leitura! 62 . Prevenção terciária É praticada por meio de medidas sócio-educativas visando readaptar ou educar o adolescente infrator. as perspectivas de prevenção são promissoras. serviços à comunidade etc. convivência familiar e comunitária. profissionalização e proteção no trabalho. com a participação do núcleo familiar e comunitário. Se as causas da delinqüência decorrem de fatores exógenos. apoio e acompanhamento temporários. de Stela N. auxílio e orientação ao adolescente e à família. Prevenção primária Exercida por meio de medidas que garantam os direitos fundamentais e as políticas sociais básicas. Todos esses direitos estão garantidos em nossa Constituição! Reflita: em que aspecto fundamental essa abordagem de prevenção diverge da abordagem psicanalítica da família como sistema? Prevenção secundária Realizada pelos Conselhos Tutelares. Meneghel. abordados a seguir. A prevenção da delinqüência juvenil pode ser realizada em três níveis. é preciso que a prevenção secundária dê preferência aos programas de apoio. Requer alternativas para a privação de liberdade. Elza J.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Para Saber Mais Leia mais sobre privação emocional em: “Relações entre violência doméstica e agressividade na adolescência”. a política de prevenção deve basear-se em medidas capazes de garantir direitos básicos como saúde. vamos estudar alguns modos para sua prevenção.5 A Prevenção da Delinqüência Juvenil Agora que já discutimos algumas das causas da delinqüência juvenil. educação. você diria que os adolescentes infratores que você já conheceu tinham acesso aos direitos básicos previstos na Constituição brasileira? Para Saber Mais Saiba mais sobre a prevenção da delinqüência juvenil acessando este link. Quando se constata que a delinqüência está relacionada à falta de atendimento das necessidades básicas. tais como programas de liberdade assistida. Gigugliani Olga Falceto.

geralmente. você aprendeu um pouco mais sobre quem são os adolescentes em conflito com a lei. sofre as conseqüências imediatas de seu comportamento anti-social. os adolescentes em conflito com a lei são apenas mais uma peça de uma grande engrenagem que é o sistema em que estão inseridos. Alguns costumam chamá-los também de adolescentes infratores. o ato infracional do adolescente é um pedido de socorro! 63 .Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Aula 10 Nesta aula. por exemplo. na perspectiva sistêmica. Vimos que. e a sociedade de um modo mais amplo. O ponto mais importante desta aula foi informar que. pela visão da terapia sistêmica. Esse sistema extrapola o núcleo familiar. pois relaciona-se também à comunidade que está ao seu redor e que. na negação do acesso a direitos sociais básicos.

1ª reimp.htm>. Porto Alegre: Artmed. Noções básicas de Psicanálise: introdução à Psicologia Psicanalítica. S. 3ª ed. FOUCAULT..br/boletim/boletim32/fundamentos. BRENNER. 1993.org. The journal of nervous and mental disease. 1991. 1987 OLIVEIRA.L. As regras do método sociológico. 16ª reimp. Cuidados maternos e saúde mental. P. 1973. 3ª edição. P. 1978. HALL. São Paulo: EPU. v. ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. Acesso em: 24 de agosto de 2006. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Belém: CEJUP. 1987. n12. 2003. LINDZEY. C. S. C. Petrópolis: Vozes.. São Paulo: Companhia Editora Nacional. A. Disponível em: <http://www. Boletim dos Procuradores da República. Noções de criminologia.A. Teorias da personalidade. M. Gardner. ARAÚJO. Rio de Janeiro: Imago. ANPR. E. O comportamento criminoso: uma análise psicológica. 1979. LEWIS.T. 24ª ed. FELDMAN. 64 . P. OLIVEIRA.). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (4ª ed. Vigiar e Punir.. 1977. São Paulo: Editora Cultrix.179. 2002. M. S. CALVIN. Belo Horizonte: Editora Lemi S. 14ª ed. Espaço urbano e criminalidade: lições da escola de Chicago. Neurochemical Mechanisms of chronic antisocial behavior (psychopathy). Sistemas e teorias em Psicologia. HILLIX.anpr. MARX. 5ª reimp. C. FREITAS. J. W. DURKHEIM. E. BOWLBY J. 1995. São Paulo: IBCCRIM. W. Introdução à Sociologia. M. Classificação dos transtornos mentais e de comportamento – 10ª revisão. São Paulo: Martins Fontes. H. A identidade humana do crime. Porto Alegre: Artes Médicas. p. 1990.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Referências Referências ALBERGARIA. 2002.720-727. rev. Fundamentos Médico-Legais da Perícia em Matéria Criminal. São Paulo: Ática. C. 1973. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE.

Privação e delinqüência. J.8 (Suplemento).).. Acesso em: 8 de agosto de 2008. P. Genebra. p. v. TABORDA. M. SABBATINI. WINNICOTT.. Criminologia crítica. V.447-457. D. (orgs. São Paulo: Martins Fontes. D. Young.. 2002. M. E.221-247. F. R. CHALUB.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Referências ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS)..cerebromente. Tradução de Álvaro Cabral.1992. O controle do crime na sociedade capitalista: uma filosofia crítica da ordem legal. Relatório mundial sobre a violência e saúde. Walton. Da falta do pai à busca da lei: o significado da passagem ao ato delinqüente no contexto familiar e institucional. Porto Alegre: ArtMed. M.O.htm>. p. I. 65 . G. QUINNEY. Psiquiatria forense.br/n01/frenolog/frenologia_port. In Taylor. Frenologia: a história da localização cerebral. R. 2004. 1980. J.org. 1987. ABDALLA-FILHO. Disponível em: <http://www. SUDBRACK. Psicologia: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Graal.E.

valor. Conformista – Indivíduo com atitude ou tendência a aceitar uma situação incômoda ou desfavorável sem questionamento nem luta. Constructo – Construção puramente mental. irregular. Cromossomo – Estrutura composta de ADN. C Capitalismo – Sistema de organização social baseado na propriedade privada. que não pode ser reparado. Comunidade – Grupo sócio-cultural cujos elementos vivam numa dada área sob um governo comum. Cariótipo – Conjunto de cromossomos. D Dano – Mal ou prejuízo de que não se pode recuperar. Desviante – Que diverge da norma social. 66 . estranho. nos meios de produção e no livre-mercado. cujo número e morfologia são característicos de uma espécie ou de seus gametas. criada a partir de elementos mais simples. Atavismo – Reaparição em um descendente de caracteres de um ascendente remoto e que permaneceram latentes por várias gerações. bivitelino. relevância. para ser parte de uma teoria. normalmente associada à proteína e que contém genes arranjados em seqüência linear. Concêntricas – Que formam círculos a partir de um centro. Delitogênica – Que favorece a ocorrência ou o surgimento de delitos. Anômalo – Aquilo que é diferente. Drogradição – Uso abusivo de drogas. Dizigótico – Originado da gestação de fetos provenientes de dois zigotos distintos. visível ao microscópio durante a divisão celular. anormal.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Glossário A Glossário Amplitude – Importância.

Estática – Parada. G Gene – Unidade fundamental. Figuras parentais – Representação simbólica do pai e da mãe. Empatia – Capacidade de se identificar com outra pessoa. constituída pelo segmento de uma cadeia de DNA responsável por determinar a síntese de uma proteína. H 67 . prevalecendo os conceitos de Estado (nação) ou raça sobre os valores individuais. Grupo – Reunião de várias pessoas com interesse comum. Evitativo – Que evita pessoas. F Fascismo – Regime político adotado por um governo centralizador. Gueto – Bairro de uma cidade que sofre tratamento discriminatório. desonroso. Estigmatização – Atribuir algo que é considerado indigno. Enzima – Cada uma das proteínas produzidas por seres vivos e capazes de catalisar reações químicas relacionadas com a vida. em equilíbrio quando sob a ação de forças.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Glossário E Eliciar – Provocar. Endógeno – Que se origina dentro do organismo/do indivíduo. onde vivem membros de uma etnia ou de um grupo minoritário. física e funcional da hereditariedade. Estigma – Sinal natural no corpo. Exógena – Que tem sua origem fora do organismo/ do indivíduo. Estímulo – Qualquer agente externo capaz de provocar uma resposta.

modificação. sem precedentes. Minoritário – Que está em minoria. pouco acolhedor. Interação – Comunicação entre pessoas com trocas e influências recíprocas. Inédita – Que nunca foi vista. Hostil – Que é ameaçador. transformação. em condição numérica inferior. o indivíduo conserva o contato com a realidade. apresentando comportamento de busca de atenção e dramaticidade extremos. entretanto. Interface – Elemento que proporciona uma ligação entre duas partes que não poderiam ser conectadas diretamente. N Nazismo – O termo veio da palavra em alemão Nationalsozialismus que significa Socialismo Nacional. Mutação – Alteração. Neurose – Conjunto de problemas de origem psíquica em que. doutrina do movimento e partido liderados por Adolph Hitler.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Glossário Histriônico – Personalidade cujo traço marcante é seu padrão de emocionalidade excessiva. nem sempre ‘minoria’ significa minoria numérica. Introjeção – Processo psicológico descrito inicialmente por Ferenczi e que está intimamente ligado ao mecanismo psicológico de identificação. contrário. as normas sociais) acomodando-as ao universo psíquico da pessoa. Em sociologia. I Impulsividade – Característica que faz com que o indivíduo atue de maneira irrefletida. M Maternagem – Os cuidados materiais e biológicos com os filhos praticado pela mãe. aproximando-se também do conceito de incorporação. pois podemos nos referir a grupos minoritários em termos da falta de acessos. Na introjeção. Monarca – Indivíduo que exerce o poder supremo num governo. diferentemente da psicose. agressivo. 68 . há uma assimilação das qualidades de um objeto exterior (por exemplo.

mas que não foi expresso. S Subentendido – Que se entende. que se infiltra por toda a parte. crime etc. O Ontogênese – Desenvolvimento de um indivíduo desde a concepção até a idade adulta. penetrante. e criação de uma teoria). T Teoria – Conjunto sistemático de opiniões e idéias sobre um dado tema. para o positivismo a ciência deve ter uma posição neutra e objetiva para gerar compreensão sobre o mundo. Perpetrador – Aquele que pratica ato moralmente inaceitável (delito.). Assim. Reincidir – Voltar a praticar o mesmo crime ou delito. Postitivismo – Escola filosófica segundo a qual a aquisição de conhecimento do ser humano como ser social deveria valer-se do método das ciências experimentais (observação. R Racionalização – Mecanismo de defesa pelo qual um indivíduo apresenta uma explicação coerente ou moralmente aceitável para seus atos. estabelecimento e testes de hipóteses. uma tendência para agir.Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Glossário Neurotransmissor – Moléculas secretadas pelas porções terminais de neurônios e responsável pela transmissão do impulso nervoso. P Paternagem – Os cuidados materiais e biológicos com os filhos praticado pelo pai. experimentação. Patologia – Doença. idéias ou sentimentos. é um mediador químico. Privação – Falta do necessário à vida. O positivismo rejeita a influência das ideologias religiosas e metafísicas. Pulsão – Processo dinâmico que nasce no Inconsciente e que leva o organismo em direção a um fim. 69 . Sutil – Quase imperceptível.

Abordagens Sócio-Psicológicas da Violência e do Crime Glossário 70 .

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