BETÃO ARMADO E PRÉ

FOLHAS DE APOIO ÀS AULAS
VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS DE
ELEMENTOS COM ESFORÇO AXIAL DESPREZÁVEL



BETÃO ARMADO E PRÉ-ESFORÇADO I

FOLHAS DE APOIO ÀS AULAS


MÓDULO 2
VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS DE
ELEMENTOS COM ESFORÇO AXIAL DESPREZÁVEL


Júlio Appleton & al.


Ano Lectivo 2010/2011

ESFORÇADO I

VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS DE
ELEMENTOS COM ESFORÇO AXIAL DESPREZÁVEL






ÍNDICE

1. IDEALIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS .................................................... 21
1.1. RELAÇÕES TENSÃO-EXTENSÃO PARA VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS E.L. ÚLTIMOS .......... 21
1.1.1. Betão ......................................................................................................................... 21
1.1.2. Aço ............................................................................................................................. 21
2. FLEXÃO SIMPLES ...................................................... ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
2.1. ANÁLISE DA SECÇÃO ........................................................................................................... 22
2.2. MÉTODO DO DIAGRAMA RECTANGULAR ................................................................................. 22
2.2.1. Cálculo de M
Rd
........................................................................................................... 23
2.2.2. Dimensionamento das armaduras............................................................................. 25
2.3. DIAGRAMAS DE ROTURA POSSÍVEIS DE UMA SECÇÃO SUJEITA À FLEXÃO SIMPLES .................... 31
2.4. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES – GRANDEZAS ADIMENSIONAIS ................................. 33
2.4.1. Método Geral ............................................................................................................. 33
2.4.2. Método do Diagrama Rectangular Simplificado ........................................................ 35
2.4.3. Utilização de Tabelas ................................................................................................ 35
2.5. ESTIMATIVA DO MOMENTO RESISTENTE ............................................................................... 37
2.6. PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM O VALOR DO MOMENTO RESISTENTE ................................... 39
2.7. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS GERAIS ................................................................................. 40
2.7.1. Recobrimento das armaduras ................................................................................... 40
2.7.2. Distância livre mínima entre armaduras (s) ............................................................... 41
2.7.3. Agrupamentos de armaduras .................................................................................... 41
2.7.4. Dobragem de varões ................................................................................................. 42
2.7.5. Posicionamento das armaduras ................................................................................ 42
2.7.6. Princípios a ter em atenção na pormenorização das armaduras .............................. 43
2.8. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS – ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO ................ 43
2.8.1. Quantidades mínima e máxima de armadura ........................................................... 43
2.8.2. Armadura longitudinal superior nos apoios de extremidade ..................................... 44
2.9. DIMENSIONAMENTO DE SECÇÕES EM “T” .............................................................................. 44
2.9.1. Largura efectiva ......................................................................................................... 44
2.9.2. Dimensionamento de secções em “T” por tabelas .................................................... 45
2.9.3. Simplificação de secções para efeitos de dimensionamento à flexão simples ......... 48
3. ESFORÇO TRANSVERSO ..................................................................................................... 53
3.1. COMPORTAMENTO ELÁSTICO ............................................................................................... 53
3.2. COMPORTAMENTO APÓS FENDILHAÇÃO ................................................................................ 53
3.3. MODELO DE TRANSMISSÃO DE CARGAS PARA O APOIO ........................................................... 54
3.4. POSSÍVEIS MODOS DE ROTURA ............................................................................................ 55
3.5. AVALIAÇÃO DAS TENSÕES / FORÇAS NOS DIFERENTES ELEMENTOS DA TRELIÇA ...................... 55





3.5.1. Tracções nos estribos ............................................................................................... 56
3.5.2. Compressão na alma ................................................................................................ 57
3.5.3. Influência do esforço transverso nas compressões e tracções paralelas ao eixo .... 58
3.6. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS ............................................................................... 60
3.6.1. Quantidade mínima de armadura transversal ........................................................... 60
3.6.2. Espaçamento entre estribos ...................................................................................... 61
3.6.3. Armadura mínima longitudinal nos apoios de extremidade ...................................... 61
3.7. AMARRAÇÃO DE ARMADURAS .............................................................................................. 64
3.7.1. Comprimento de amarração ...................................................................................... 64
3.7.2. Comprimento de emenda .......................................................................................... 67
3.8. ARMADURA DE LIGAÇÃO BANZO-ALMA ................................................................................. 77
3.9. ARMADURA DE SUSPENSÃO ................................................................................................. 78
3.9.1. Apoios indirectos ....................................................................................................... 78
3.9.2. Cargas suspensas ..................................................................................................... 79
3.10. SECÇÕES COM LARGURA VARIÁVEL ................................................................................... 84
3.11. ARMADURA INCLINADA....................................................................................................... 84
3.12. CARGAS CONCENTRADAS JUNTO AO APOIO ......................................................................... 85
3.12.1. Regras de dimensionamento ................................................................................... 85
3.13. FORÇAS DE DESVIO .......................................................................................................... 89
3.13.1. Disposição da armadura ordinária por forma a evitar o destacamento do betão devido às forças
de desvio ............................................................................................................................. 89
3.13.2. Forças de desvio de compressão............................................................................ 89
4. TORÇÃO ................................................................................................................................. 90
4.1. DEFINIÇÕES ........................................................................................................................ 90
4.1.1. Torção de equilíbrio ................................................................................................... 90
4.1.2. Torção de compatibilidade ........................................................................................ 90
4.2. TORÇÃO ANALISADA COMO ESFORÇO TRANSVERSO NA LARGURA EFECTIVA DE H
EF
.................. 90
4.3. DIMENSIONAMENTO DAS PAREDES SUJEITAS A UM ESFORÇO TRANSVERSO ............................. 92
4.3.1. Compressão .............................................................................................................. 92
4.3.2. Armadura transversal de torção ................................................................................ 92
4.3.3. Armadura longitudinal de torção................................................................................ 93
4.4. EFEITO CONJUNTOTORÇÃO / ESFORÇO TRANSVERSO ........................................................... 95
4.5. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A ARMADURAS DE TORÇÃO ..................................... 96
4.5.1. Armadura transversal ................................................................................................ 96
4.5.2. Armadura longitudinal ................................................................................................ 96
4.6. DIMENSIONAMENTO CONJUNTO DA SECÇÃO ......................................................................... 96
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
21
1. Idealização das propriedades dos materiais

1.1. RELAÇÕES TENSÃO-EXTENSÃO PARA VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS E.L. ÚLTIMOS
1.1.1. Betão
(Diagrama parábola rectângulo)
f
cd
= α
f
ck

γ
c

, γ
c
= 1.5 0.8 ≤ α ≤ 1.0
σ
c
= f
cd

¸

¸
(
(
1 -
\

|
¹
|
|
1 -
ε
c
ε
c2
n
para 0 ≤ ε
c
≤ ε
c2

σ
c
= f
cd
para ε
c2
≤ ε
c
≤ ε
cu2

Para as classes de resistência até C50/60,
ε
c2
[‰] ε
cu2
[‰] n
2.0 3.5 2.0

Nota: De acordo com o REBAP, a tensão máxima no betão está limitada a 0.85 f
cd
por forma a
ter em consideração a possível diminuição da tensão de rotura do betão quando este está
sujeito a tensões elevadas de longa duração. No entanto, a versão final do EC-2 propõe, em
geral, 1.0 f
cd
, que deve ser adoptado na disciplina, apesar de se referir, nestas folhas, 0.85 fcd.
1.1.2. Aço
Para a verificação da segurança aos E.L. Últimos pode ser considerada uma das duas
relações constitutivas indicadas pelo EC-2:

f
yd
=
f
yk

γ
s

, γ
s
= 1.15
ε
ud
= 0.9 ε
uk
Classe
f
yk

[MPa]
f
yd

[MPa]
ε
yd

[×10
-3
]
A235
A400
A500
235
400
500
205
348
43
1.025
1.74
2.175

Os valores de k e ε
uk
a considerar dependem da classe de ductilidade das armaduras
e são indicadas na tabela seguinte.

εc
σc
fcd
εc2
fck
εcu2
fyd
σs
s
Es = 200 GPa
yd
fyk
ud uk
k fyk
k fyd
1
2
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
22

Classe de
ductilidade
A B C
k

≥1.05 ≥1.08
≥1.15
<1.35
ε
uk
[%] ≥2.5 ≥5.0 ≥7.5
IMPORTANTE: Apesar do aço permitir extensões desta ordem de grandeza, considera-se, no
que se segue, uma extensão limite de 10%º (bastante inferior aos valores de
ε
ud
) pois aquele é o limite referido no REBAP. É importante notar que, para
efeitos da avaliação do Momento Resistente de Dimensionamento, esta
diferença é inócua.

1.2. ANÁLISE DA SECÇÃO
Hipóteses adoptadas:
- Hipótese de Bernoulli
- ε
-
c
= 3.5‰ (Deformação máxima de encurtamento no betão)
- ε
s
= 10‰ (Deformação máxima de alongamento nas armaduras)
- σ
c
= 0 se ε
c
> 0 ⇔ o betão não resiste à tracção

Equações de Equilíbrio
• Equilíbrio axial: F
s
= F
c

• Equilíbrio de momentos: M
Rd
= F
s
× z
1.3. MÉTODO DO DIAGRAMA RECTANGULAR
Este método permite simular, de forma simples, a resultante das tensões de
compressão no betão.
LN
Fs
z
MRd
Fc
x
(+)
(-)
εc ≤ 3.5‰
εs ≤ 10‰
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
23


Deste modo,

1.3.1. Cálculo de M
Rd

Dados: geometria da secção, quantidade de armadura, f
cd
, f
yd
i) Admitir que σ
s
= f
yd

s
≥ ε
yd
), ou seja, que as armaduras estão em cedência
ii) Determinar posição da linha neutra
Por equilíbrio axial, F
c
= F
s
⇔ 0.85 f
cd
A
c
(x) = A
s
f
yd
⇒ x = ?
iii) Calcular o momento resistente
Por equilíbrio de momentos, M
Rd
= A
s
f
yd
(d – 0.4x)
iv) Verificar hipótese inicialmente admitida: ε
s
≥ ε
yd

Rotura convencional: ε
c
= 3.5‰ ou ε
s
= 10‰
A partir da posição da linha neutra anteriormente calculada, e
admitindo que a rotura se dá pelo betão, obtém-se a extensão
ao nível da armadura.

• Se ε
s
≥ ε
yd
⇒ a hipótese considerada inicialmente está correcta
• Se ε
s
< ε
yd
⇒ F
s
< A
s
f
yd
(ao contrário do que foi admitido), pelo que a posição da
LN não está correcta. Esta situação não é desejável e, caso se verifique, deverão
adoptar-se procedimentos que conduzam a que as armaduras estejam em
cedência (ε
s
≥ ε
yd
). Este assunto será retomado posteriormente.
εc
x
(-)
0.85 fcd 0.85 fcd

0.8x 0.85 fcd
σc
−3.5‰ εc −0.7‰
εs
εc
Fs
z = d - 0.4x
x
(-)
(+)
Fc
LN
d
0.85 fcd
0.8x
0.4x
εc = 3.5‰
(+)
(-)
εs
x
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axial desprezável (vigas)
24
Através da posição da linha neutra é possível saber se a rotura convencional se dá
pelo betão ou pela armadura:
Posição da LN para ε
c
= 3.5‰ e ε
s
= 10‰

x
3.5
=
d
13.5
⇒ x = 0.26 d
(esta situação corresponde ao máximo aproveitamento
da capacidade dos materiais)
Deste modo,
se x < 0.26 d ⇒
¦
¦
¦
ε
c
< 3.5‰
ε
s
= 10‰
(rotura pela armadura)
se x > 0.26 d ⇒
¦
¦
¦
ε
c
= 3.5‰
ε
s
< 10‰
(rotura pelo betão)
Posição da LN para ε
c
= 3.5 ‰ e ε
s
= ε
yd
(início da cedência do aço)

A400 : ε
yd
= 1.74 ‰
x
3.5
=
d
3.5 + 1.74
⇒ x = 0.67 d
A500 : ε
yd
= 2.175 ‰
x
3.5
=
d
3.5 + 2.175
⇒ x = 0.62 d
Deste modo, se x ≤ 0.67 d no caso de se utilizar aço A400, ou se x ≤ 0.62 d no
caso de se utilizar aço A500 ⇒ o aço está em cedência
Deverá garantir-se que as armaduras se encontram em cedência na situação de
rotura, por duas razões fundamentais.
A primeira pode considerar-se como sendo essencialmente de ordem económica: a
armadura utilizada deve ser integralmente aproveitada e, portanto, mobilizada
integralmente a sua capacidade resistente.
Por outro lado, a peça deve apresentar ductilidade disponível em situação de rotura:
deve poder evidenciar deformações apreciáveis por cedência das armaduras, sem
perda de capacidade resistente.
x
εc = 3.5‰
(-)
(+)
εs=10‰
d
d
x
εs=εyd
(+)
(-)
c = 3.5‰
Betão Armado e Pré-Esforçado I
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axial desprezável (vigas)
25


1
R
= -
ε
cx

x

Para garantir um nível mínimo de ductilidade disponível deve procurar garantir-se que,
pelo menos, x ≤ 0.5 d, portanto com x inferior ao critério de início da cedência.

Dimensionamento das armaduras
Dados: geometria da secção, f
cd
, f
yd
, M
sd

i) Admitir que σ
s
= f
yd

s
≥ ε
yd
), ou seja, que as armaduras estão em cedência
ii) Determinar posição da linha neutra
Por equilíbrio de momentos, M
sd
= F
c
× z = 0.85 f
cd
b 0.8x (d - 0.4x) ⇔ x = ... ⇒ F
c
= ...
iii) Calcular a área de armadura necessária
Por equilíbrio axial, F
c
= F
s
⇔ 0.85 f
cd
b 0.8x = A
s
f
yd
⇒ A
s
= ?
iv) Verificar hipótese inicialmente admitida: ε
s
≥ ε
yd

MRd
y
( ) R / 1
(1)
As1 (x1;εs1;maior ductilidade)
As2 (x2;εs2)
u
1/R ( )
R / 1
As3 (x3;εs3)
As4 (x4;εs4;menor ductilidade)
εs=εyd
(2)
(1)
(2) Rotura da secção por esmagamento do betão comprimido
(εc ≈ 3.5‰) ou deformação da armadura (εs ≈ 10‰)
(+)
(-)
x
εcx = -3.5‰
εs
As
1
R
0.8x
0.85 fcd
d
LN
Fc
x
z
Fs
Msd
As
b
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axial desprezável (vigas)
26
EXERCÍCIO 2.1

Considere a viga representada na figura seguinte e adopte γ
G
= γ
Q
= 1.5


Materiais: C25/30 (f
cd
= 16.7MPa)
A400 (f
yd
= 348MPa)
Calcule a máxima sobrecarga q que pode actuar com segurança sobre a viga.
q
5.00
0.55
0.30
3φ20
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axial desprezável (vigas)
27
Resolução do Exercício 2.1

Método do diagrama rectangular simplificado

1. Cálculo do M
Rd

Equações de equilíbrio (flexão simples)
ΣF = 0 ⇔ F
c
= F
s
(1)
ΣM = 0 ⇔ M
Rd
= F
s
× z = F
s
× (d - 0.4x) (2)

F
c
= 0.8x × b × 0.85 f
cd
= 0.8x × 0.30 × 0.85 × 16.7×10
3
= 3406.8x
F
s
= A
s
×f
yd
= 9.42×10
-4
×348×10
3
= 327.8kN (A
s
(3φ20)=9.42cm
2
)
(1) F
c
= F
s
⇔ x =
327.8
3406.8
= 0.096m ⇒ z = d – 0.4x = 0.55 – 0.4 × 0.096 = 0.51m
(2) M
Rd
= F
s
× z = 327.8 × 0.51 = 167.2kNm
Verificação da hipótese de cedência do aço (ε
s
≥ ε
yd
)

ε
s

0.454
=
3.5‰
0.096
⇒ ε
s
= 16.6‰
Como ε
máx
s
= 10‰ ⇒ ε
s
= 10‰ e ε
c
< 3.5‰
10‰
0.454
=
ε
c

0.096
⇒ ε
c
= 2.11‰
Comportamento dúctil: ε
s
> ε
yd
(critério mínimo; é desejável que ε
s
> 4‰ a 5‰ )
ε
yd
=
f
yd

ε
s

=
348
200×10
3

= 1.74‰
x
d
=
0.096
0.55
= 0.175 < 0.26 ⇒
¦
¦
¦
ε
c
< 3.5‰
ε
s
= 10‰
⇒ rotura pela armadura
0.4x
0.8x
0.85 fcd
d
LN
Fc
x
z
Fs
MRd
0.454
εs
(+)
(-)
c = 3.5‰
0.096
0.55
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
28
3. Cálculo da sobrecarga máxima (M
sd
≤ M
Rd
)
M
sd
=
p
sd
× L
2

8
≤ 167.7kNm ⇒ p
sd

8 × 167.7
5
2

= 53.7kN/m
p
sd
= 1.5 (g + q) ⇒ q =
53.7
1.5
- 0.30 × 0.60 × 25 = 31.3kN/m


Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
29
EXERCÍCIO 2.2

Considere a estrutura da figura seguinte:

Materiais: C25/30, A400

Acções:
Peso próprio
Revestimento=2.0kN/m
2

Sobrecarga = 3.0kN/m
2


Coeficientes de majoração:
γ
G
= γ
Q
= 1.5

Coeficientes de combinação:
ψ
1
= 0.4 ; ψ
2
= 0.2

Secção da viga: 0.30×0.85m
2

Espessura da laje: 0.15m

a) Determine as armaduras necessárias para garantir o Estado Limite Último de flexão
da viga (Secções S1 e S2)
a.1) utilizando o método do diagrama rectangular simplificado
a.2) F
s
× z
a.3) com recurso a tabelas
a.4) pormenorize as armaduras de flexão
4.00 4.00 4.00 4.00
10.00
3.00
S2
S1
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
30
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.2

ALÍNEA A)
1. Modelo de cálculo:


2. Envolvente do diagrama de esforços

ALÍNEA A.1)
Secção S2 (M
+
sd
= 660.2 kNm)

F
c
= 0.85 f
cd
× 0.8x × b = 0.85 × 16.7×10
3
× 0.8x × 0.3 = 3406.8x
F
s
= A
s
× f
yd
= A
s
× 348×10
3

Equilíbrio de momentos:
ΣM
AS
= M
sd
⇔ 3406.8x × (0.8 – 0.4x) = 660.2 ⇔ x = 0.282 m
⇒ F
c
= 3406.8 × 0.282 = 960.7 kN
Equilíbrio de forças
F
s
= F
c
⇔ A
s
× 348×10
3
= 960.7 ⇔ A
s
=
960.7
348×10
3
× 10
4
= 27.6cm
2

10.00 3.00
S2 S1
g, q
0.85
0.30
660.2
(+)
DMF
[kNm]
(-)
272.0
S2
S1
0.30
As
Msd
Fs
z
Fc
0.85 fcd
0.8x
LN
x
0.80
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
31
Verificação da hipótese de cedência do aço

Admitindo que ε
c
= 3.5‰
ε
c
= 3.5‰
ε
s
=
0.282
0.518
⇒ ε
s
= 6.43‰ > ε
yd
= 1.74‰
∴ A armadura está em cedência (a secção tem comportamento dúctil)
Secção S1 (M
-
sd
= 272.0 kNm)

Equilíbrio de momentos:
ΣM
AS
=M
sd
⇔ 3406.8x × (0.8–0.4x) = 272.0 ⇔ x=0.105m ⇒ F
c
=357.7kN
Equilíbrio de forças
F
s
= F
c
⇔ A
s
× 348 × 10
3
= 357.7 ⇔ A
s
=
357.7
348×10
3
× 10
4
= 10.28cm
2

Verificação da hipótese de cedência do aço
Admitindo que ε
c
= 3.5‰,
ε
s
3.5‰
=
0.695
0.105
⇒ ε
s
= 23.2‰ > 10‰
⇒ ε
s
= 10‰ ⇒ ε
c
= 1.51‰

1.4. DIAGRAMAS DE ROTURA POSSÍVEIS DE UMA SECÇÃO SUJEITA À FLEXÃO SIMPLES
Na figura seguinte apresentam-se os diagramas de deformação de uma secção de
betão armado, para quatro áreas de armadura distintas (área de armadura crescente).
0.282
0.518
εs
εc = 3.5‰
(-)
(+)
Msd
0.8x
Fc
Fs
As
0.30
0.80
x
LN
0.85 fcd
z
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
32

Apresentam-se em seguida as relações constitutivas do aço e do betão, com indicação
qualitativa das tensões e extensões dos dois materiais para os casos acima indicados.

Conforme se pode observar na figura seguinte, para baixos níveis de armadura, existe
proporcionalidade entre a área de armadura e o momento resistente da secção. À
medida que a quantidade de armadura aumenta, esta relação passa a ser não linear,
ou seja, o aumento da armadura traduz-se em acréscimos cada vez menores de
momento resistente. Este comportamento deve-se à sucessiva diminuição do braço do
binário (z) com o aumento da área de armadura.


x1
MRd
As
εs
(+)
(-)
εc
MRd,1
(As muito pequeno) (As maior)
x2
MRd,2
εc
(-)
(+)
εs
< <
(...)
x3
MRd,3
εs
(+)
(-)
εc
(...)
MRd,4
x4
εc
(-)
(+)
εs
<
1 2 3 4
0.85 fcd
σc
εyd 10‰ εs
σs
fyd
−2‰ −3.5‰ εc
4 3 e 2
1
e 1 2 3
4
3 2 1
MRd
As
4
M1
M2
M3
M4
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
33
1.5. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES – GRANDEZAS ADIMENSIONAIS
1.5.1. Método Geral
F
c
= ψ f
cd
b x
F
s2
= σ
s2
A
s2

F
s1
= σ
s1
A
s1

ψ f
cd
=


Ac
σ
c
dA
bx
; λx =

⌠ σ
c
y dA

⌠ σ
c
dA

ψ – coeficiente que define o valor da resultante das tensões de compressão no betão
λ – coeficiente que define a posição da resultante das tensões de compressão no
betão
Equações de Equilíbrio
• Equilíbrio axial: F
s
= F
c
⇔ ψf
cd
bx + σ
s2
A
s2
= σ
s1
A
s1
(1)
• Equilíbrio de momentos: ΣM
As
= M ⇔ M = ψ f
cd
b x (d

- λx) + σ
s2
A
s2
(d - d
2
) (2)
(Equações não lineares)
Cálculo por iterações
i) Fixar ε
s
= 10‰ e ε
c
= 3.5‰
ii) Calcular as forças axiais F
• Se |F
c
+ F
s2
| > F
s1


(a LN tem de subir para diminuir F
C
)

É necessário arbitrar valores de ε
c
até que ΣF = 0
εs1
εc
(-)
(+)
x
Fc
M
Fs1
LN
εs2
As1
As2
d2
d
Fs2
λx
b
σc
x < 0.26d
εc < 3.5‰
(-)
(+)
εs=10‰
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
34
• Se |F
c
+ F
s2
| < F
s1


(a LN tem de baixar para aumentar F
c
)

É necessário arbitrar valores de ε
c
até que ΣF = 0
ii) Calcular M
Rd

Definida a posição da LN e o diagrama de extensão, calcular M
Rd

Nota: Este é um processo de cálculo moroso. Na prática recorre-se a programas de
cálculo automático ou a tabelas de cálculo.
Para elaborar tabelas é necessário trabalhar com grandezas adimensionais, por
forma a que sejam válidas para secções com qualquer geometria.

1.5.1.1. Grandezas adimensionais
Equações de Equilíbrio
• ψf
cd
bx = σ
s1
A
s1
- σ
s2
A
s2
(1)
• M = ψ f
cd
b x (d - λx) + σ
s2
A
s2
(d - d
2
) (2)
Substituindo (1) em (2),
M = σ
s1
A
s1
(d – λx) – σ
s2
A
s2
(d – λx) + σ
s2
A
s2
(d – d
2
) =
= σ
s1
A
s1
(d – λx) + σ
s2
A
s2
(λx – d
2
) (3)
Considerando A
s2
= β A
s1
e σ
s
= f
yd
, a equação (3) toma a forma
M = A
s1
f
yd
d
\
|
¹
|
1 - λ
x
d
+ β A
s1
f
yd
d
\
|
¹
|
λ
x
d
-
d
2

d

Transformando esta equação numa forma adimensional (dividindo todos os termos por
b d
2
f
cd
), resulta
M
b d
2
f
cd

=
A
s1
f
yd

b d f
cd


\
|
¹
|
1 - λ
x
d
+ β
A
s1
f
yd

b d f
cd


\
|
¹
|
λ
x
d
-
d
2

d

⇔ µ = ω (1 – λk) + βω
\
|
¹
|
λ k -
d
2

d

x > 0.26d
εs<10‰
c = 3.5‰
(+)
(-)
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
35
µ =
M
b d
2
f
cd

(Momento flector reduzido); k =
x
d

ω =
A
s1
f
yd

b d f
cd

(Percentagem mecânica de armadura)

1.5.2. Método do Diagrama Rectangular Simplificado
1.5.2.1. Grandezas adimensionais

M
Rd
= F
s
× z = F
s
(d – 0.4x)
Admitindo que o aço está na cedência, M
Rd
= A
s
× f
yd
(d – 0.4x)
Transformando a equação anterior numa forma adimensional, resulta
M
Rd
b d
2
f
cd
=
A
s
f
yd
b d f
cd

\
|
¹
|
1 - 0.4
x
d
=
A
s
b d

f
yd
f
cd

\
|
¹
|
1 - 0.4
x
d
⇔ µ
Rd
= ω (1 – 0.4k)
µ
Rd
=
M
Rd

b d
2
f
cd

(momento flector reduzido); k =
x
d

ω =
A
s

b d

f
yd

f
cd

(percentagem mecânica de armadura)
F
c
= F
s
⇔ 0.8 ⋅ (kd) ⋅ b ⋅ 0.85 f
cd
= A
s
f
yd
⇔ k = 1.47
A
s
b d

f
yd
f
cd
= 1.47 ω
Visto que, µ
Rd
= ω (1 – 0.4k) e substituindo o resultado anterior, obtém-se a seguinte
expressão para cálculo do momento flector reduzido em função da percentagem
mecânica de armadura:
µ
Rd
= ω (1 – 0.588 ω )

1.5.3. Utilização de Tabelas
As tabelas podem ser utilizadas para:
b
Fc
MRd
Fs
x
(+)
(-)
εc
εs
d
As
LN
0.4x
z
0.8x
0.85 fcd
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
36
i) Determinar o momento resistente de uma secção, dadas as armaduras;
ii) Determinar as armaduras, dado o momento solicitante
1.5.3.1. Dimensionamento de armaduras
Dado M
sd
determina-se µ =
M
sd
b d
2
f
cd
Tabelas
→
(µ,

β)
ω
1
→ A
s1
= ω
1
b d
f
cd
f
yd
→ A
s2
= β A
s1

1.5.3.2. Determinação da capacidade resistente
Dado A
s1
e A
s2
determina-se ω e β
Tabelas
→
(β ,

ω)
µ → M
Rd
= µ b d
2
f
cd

Notas:
(i) No dimensionamento de uma secção, a posição da L.N. deve ser controlada por
forma a que se tenha a garantia de um nível de ductilidade adequado.
Caso isso não aconteça, será necessário adoptar armaduras de compressão ou
aumentar a secção da viga.
(ii) Numa viga, existe sempre armadura de compressão, por razões construtivas, com
um nível não inferior a β = 0.1.
Através dos valores adimensionais do momento (µ) e da posição da LN (k) é possível
ter uma noção da ordem de grandeza do momento actuante, para uma dada secção:
Momento elevado ⇒ k próximo de 0.668 (A400) ⇒ ε
s
próximo de ε
yd

µኚ 0.30
Momento médio ⇒ k < 0.5 (secção dúctil, dimensionamento adequado)
µ ≅ 0.10 a 0.25
Momento pequeno ⇒ µ ≤ 0.10
Estes valores devem ser tomados como referência para um dimensionamento
adequado e não como imposições regulamentares ou outras. Por exemplo, é possível
ter valores de µ superiores e ter-se, ainda, um nível de k adequado, com utilização de
armadura de compressão.

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
37
1.6. ESTIMATIVA DO MOMENTO RESISTENTE

Para momentos de ordem de grandeza pequena a média verifica-se que, para
secções rectangulares, z ≅ 0.9 d, pelo que,
M = F
s
× z ≅ A
s
f
yd
0.9 d ⇒ A
s
=
M
0.9 d f
yd

Pela observação das tabelas de flexão simples (pág. 9), com β = 0, verifica-se que:
• para µ < 0.15, z > 0.9 d, portanto a hipótese anterior é conservadora para o
dimensionamento da armadura.
• para µ > 0.15, z < 0.9 d, então a hipótese referida, com pouca armadura de
compressão, pode ser menos razoável, em particular se o valor de µ for da
ordem de, ou superior a 0.25.
d
Fc
M
z
Fs
As
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
38
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.2 (CONT.)

ALÍNEA A.3)
Secção S2 (M
+
sd
= 660.2 kNm)
µ =
M
sd
b d
2
f
cd
=
660.2
0.3×0.8
2
×16.7×10
3
= 0.206 ⇒ ω = 0.241; k = 0.351
A
s
= ω bd
f
cd

f
yd

= 0.241 × 0.30 × 0.80 ×
16.7
348
× 10
4
= 27.76 cm
2


Secção S1 (M
-
sd
= 272.0 kNm)
µ =
272.0
0.3 × 0.8
2
× 16.7×10
3

= 0.085 ⇒ ω = 0.091; k = 0.163
A
s
= ω bd
f
cd

f
yd

= 0.091 × 0.30 × 0.80 ×
16.7
348
× 10
4
= 10.48 cm
2


ALÍNEA A.2)
¦
¦
¦
F
s
= A
s
× f
yd
z ≅ 0.9d
⇒ M ≅ 0.9 d f
yd
A
s
⇒ A
s
=
M
0.9 d f
yd


M
+
sd
= 660.2kNm ⇒ A
s
=
660.2
0.9 × 0.8 × 348×10
3

× 10
4
= 26.34cm
2

M
-
sd
= 272.0kNm ⇒ A
s
=
272.0
0.9 × 0.8 × 348×10
3

× 10
4
= 10.86cm
2

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
39
1.7. PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM O VALOR DO MOMENTO RESISTENTE
Armadura de tracção

O momento resistente é quase proporcional à área de armadura, para momentos não
muito elevados. Para momentos elevados, a variação é menos significativa.
Armadura de compressão

A influência da armadura de compressão no valor do momento resistente, apenas é
importante para esforços elevados. Para o nível de esforços usuais, a variação é
pouco significativa.
Largura da secção

A influência da largura da secção no valor do momento resistente, apenas é
importante para esforços elevados. Para o nível de esforços usuais, em que
geralmente a área comprimida é pequena, a variação é pouco significativa.

z
As
Fs
MRd
Fc
2Fs
< z
2Fc
2As
As1
Fc
z
Fs1
Fc
MRd
Fs1
>z
As1
As2
Fs2
Fc
Fc
>z
Fs
z
As Fs
MRd
As
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
40
Classe do betão

A influência do aumento da classe do betão no valor do momento resistente, apenas é
importante para esforços elevados. Para o nível de esforços usuais, em que
geralmente a área comprimida é pequena, a variação é pouco significativa.

1.8. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS GERAIS
Armaduras principais: Asseguram a resistência do elemento estrutural relativamente
aos esforços de dimensionamento.
Armaduras secundárias: Têm como função:
- Garantir o bom funcionamento das armaduras principais;
- Ajudam a rigidificar as malhas de armaduras;
- Controlam a fendilhação localizada;
- Asseguram a ligação entre partes de elementos que têm tendência a
destacar-se.

φ
est
= 6 ou 8 mm (para vigas pequenas)
10 a 12 mm (para vigas maiores)
φ
long
= 12 a 16 mm (para vigas pequenas)
= 20 a 25 mm (para vigas maiores)
c – recobrimento
Altura útil: d = h - c - φ
est
-
φ
long
2

1.8.1. Recobrimento das armaduras
O recobrimento das armaduras desempenha as seguintes funções:
Fc
MRd
Fs Fs As
z
>z
Fc
As
d
b
h
s c
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
41
(i) mecânica: Destina-se a garantir que há betão suficiente a envolver a armadura, e
assim garantir a sua aderência por forma a que se verifique uma eficiente transmissão
de forças entre o betão e o aço (c ≥ φ ou φ
eq
)
(ii) protecção contra a entrada dos agentes agressivos e consequentemente contra a
corrosão das armaduras (recobrimento definido em função da agressividade do
ambiente de exposição)
(consultar Volume 4 – Apontamentos Complementares)
1.8.2. Distância livre mínima entre armaduras (s)
A distância livre entre armaduras deve ser suficiente para permitir realizar a
betonagem em boas condições, assegurando-lhes um bom envolvimento pelo betão e
as necessárias condições de aderência e protecção.
No caso de armaduras para betão armado,
s
min
= { } φ
maior
, φ
eq maior
, (d
g
+ 5 mm), 2 cm
onde d
g
representa a máxima dimensão dos inertes.
A distância livre entre armaduras longitudinais numa viga pode ser calculada pela
expressão,
s =
b - 2c - 2φ
est
- n × φ
long

n - 1
, n – número de varões
É necessário compatibilizar a distância entre varões com o espaço necessário para
introdução do vibrador (aconselhável: 4 a 5 cm junto à face inferior e 7 a 10 cm junto à
face superior)



1.8.3. Agrupamentos de armaduras
Os agrupamentos de armaduras devem ser evitados sempre que possível, dado que
prejudicam a aderência aço/betão.
Os varões a agrupar devem ser do mesmo tipo de aço. É possível agrupar varões com
diâmetros diferentes, desde que o quociente dos diâmetros não exceda o valor 1.7.
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
42
Relativamente ao número máximo de varões que é possível agrupar,
- para o caso de armaduras verticais comprimidas ou numa zona de emenda de
varões, n ≤ 4
- em todos os restantes casos, n ≤ 3
(Em qualquer direcção não pode haver mais que 2 varões em contacto)
O diâmetro equivalente de um agrupamento pode ser calculado pela expressão
φ
eq
= Σφ
2
i
≤ 55mm
Exemplos:

(mais indicado)

(aceitável)

(desaconselhável)

1.8.4. Dobragem de varões
Condições a satisfazer:
- Não afectar a resistência do aço;
- Não provocar o esmagamento ou fendilhação do betão quando a armadura for
traccionada.
O diâmetro mínimo de dobragem depende do tipo de aço, do diâmetro do varão e do
tipo de armadura (armaduras em geral, estribos, cintas, ganchos, etc.).
1.8.5. Posicionamento das armaduras
O posicionamento das armaduras, antes da betonagem, é assegurado pelos seguintes
elementos:
Espaçadores – garantem o recobrimento das armaduras


c
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
43
Cavaletes – garantem o correcto posicionamento das armaduras superiores nas lajes

Varões construtivos (armaduras secundárias) – garantem o espaçamento vertical
entre varões longitudinais


1.8.6. Princípios a ter em atenção na pormenorização das armaduras
A escolha do tipo de pormenorização no que respeita ao número de varões e
diâmetros a adoptar deve ter em atenção os seguintes factores:
- custo da mão de obra ⇒ menor número de varões
- facilidade de betonagem ⇒ menor número de varões
- liberdade de dispensa ⇒ maior número de varões
- menos problemas de fendilhação ⇒ maior número de varões
-
1.9. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS – ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO
1.9.1. Quantidades mínima e máxima de armadura
A quantidade mínima de armadura a adoptar numa viga, pode ser calculada através
da expressão seguinte:
A
s,min
= 0.26
f
ctm
f
yk
b
t
⋅ d
onde b
t
representa a largura média da zona traccionada em flexão.
A quantidade máxima de armadura a adoptar, fora das secções de emenda, é dada por:
A
s,máx
= 0.04 A
c

onde A
c
representa a área da secção de betão.
h
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
44
É importante referir que questões como a garantia de ductilidade, atrás discutida, e de
pormenorização, tornam este limite muito superior ao que é razoável, e de boa prática,
ter.
1.9.2. Armadura longitudinal superior nos apoios de extremidade
Sempre que existir ligação monolítica entre uma viga e um pilar de extremidade, e
caso esta ligação não tenha sido considerada no modelo de cálculo, deverá adoptar-
se uma armadura superior dimensionada, pelo menos, para um momento flector igual
a 15% do momento flector máximo no vão.
Deste modo,
A
s,apoio

= máx { } A
s,min
, 0.15 A
s,vão
+


1.10. DIMENSIONAMENTO DE SECÇÕES EM “T”
1.10.1. Largura efectiva
1.10.1.1. Definição
No dimensionamento de vigas com banzos ou com ligação a lajes, pode tirar-se
partido da existência destes elementos, principalmente se se situarem na zona
comprimida da secção.

Neste caso, a distribuição de tensões no banzo não é uniforme: as zonas laterais
deformam-se menos que a zona central da alma (devido à deformação por corte) –
efeito de “shear lag”, tal como se pode observar na planta ilustrada em seguida.

Simplificadamente, considera-se uma largura efectiva (b
ef
) onde se admite que a
distribuição de tensões é uniforme
b1 b2 bw
hf
d0
Fc
ε
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
45

1.10.1.2. Cálculo da largura efectiva
(i) Banzo comprimido

Para o caso genérico apresentado na figura anterior, a largura efectiva pode ser obtida
através da expressão:
b
ef
= Σ b
efi
+ b
w
≤ b
onde,
b
efi
= 0.2 b
i
+ 0.1 L
0
≤ 0.2 L
0
, com b
efi
≤ b
i

L
0
representa a distância entre pontos de momento flector nulo
Determinação de L
0


(ii) Banzo traccionado
No caso de se tratar de um banzo traccionado, d
L
≤ 4h
f
(h
f
– espessura do banzo)
1.10.2. Dimensionamento de secções em “T” por tabelas
Exemplo:
M
σx,max
bef
bw
hf
bef
bef1 bef2
b1 b1 b2 b2
b
0.7 L2
L2
L0 ≈ L1+0.15L2
L1 L3
0.15(L2+L3) 0.85 L3
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
46
b
b
w

= 5 ;
h
f

d
= 0.125
b
b
w

= 4
h
f
/d = 0.10 → ω
1

)
¦
`
¦
¹



ω
a


)
¦
¦
`
¦
¦
¹








ω
h
f
/d = 0.15 → ω
2


b
b
w

= 6
h
f
/d = 0.10 → ω
3

)
¦
`
¦
¹



ω
b

h
f
/d = 0.15 → ω
4


Casos particulares:
Dado que se considera que o betão não resiste à tracção, o dimensionamento de uma
secção em “T” pode ser efectuado como se esta se tratasse de uma secção
rectangular nos seguintes casos:
(i) se a linha neutra estiver no banzo, caso este esteja comprimido (acontece na
generalidade dos casos) – secção rectangular de largura b
ef
;

(ii) se a linha neutra estiver na alma e o banzo estiver traccionado – secção
rectangular de largura b
w


bef
bw
LN
As
M
Fs
Fc
As
LN
bef
M
Fc
Fs
M
As
LN
bw
bef
Fc
Fs
Fc
bw
Fs
LN
As
M
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
47
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.2 (CONT.)

ALÍNEA B)
Dimensionamento das armaduras considerando a contribuição da laje – Viga em “T”

h
f
= 0.15 m
h = 0.85m
b
w
= 0.30m
b
ef
= Σb
efi
+ b
w
= 1.22 × 2 + 0.30 = 2.74 m
b
ef1
= 0.2 b
1
+ 0.1 L
0
= 0.2 ×
3.7
2
+ 0.1 × 0.85 × 10 = 1.22 m ≤ 1.7m
0.2 L
0
= 0.2 × 0.85 × 10 = 1.7 m
Hipóteses para o dimensionamento da secção:
(i) Se a L.N. estiver no banzo da secção, o dimensionamento pode ser efectuado como
se a secção fosse rectangular, de largura b
ef
.
(ii) Se a L.N. estiver na alma da secção, o dimensionamento terá de ser efectuado com
base em tabelas de secção em “T” (ou recorrendo ao método do diagrama rectangular
simplificado).
Para verificar se a L.N. está no banzo,
M
Sd
= 660.2kNm ⇒ µ =
660.2
2.74×0.8
2
×16.7×10
3
= 0.023 ⇒ k = 0.076
x = k × d = 0.076 × 0.8 = 0.06 m < 0.15 m ⇒ a LN está no banzo
µ = 0.023 ⇒ ω = 0.024 ⇒ A
s
= ω b d
f
cd
f
yd
= 0.024×2.74×0.8×
16.7
348
× 10
4
= 24.77cm
2


bw
bef
hf
h
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
48
1.10.3. Simplificação de secções para efeitos de dimensionamento à flexão
simples
1) Secção real



2) Secção real



3) Secção real



Secções a considerar no dimensionamento à flexão
1)




(se a LN estiver no banzo) (se a LN estiver no banzo)
Nota: Se a LN estiver na alma da secção, o dimensionamento poderá ser efectuado
com base numa secção em T (considerando a existência do banzo que estiver
comprimido, e desprezando o banzo traccionado)
b
b'
bw
b
b'
2bw
bw
b
b
2bw
bw
b
bw
b
b'
b
2bw
M M
b b'
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
49
2) e 3)



(se a LN estiver na alma) (se a LN estiver no banzo)


bw
b
bw
M
b
M
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
50
EXERCÍCIO 2.3

Considere a estrutura da figura seguinte:


Materiais: C20/25, A400
Acções: pp + revest. = 20.0 kN/m
sobrecarga = 40.0 kN/m
Coeficientes de majoração: γ
G
= γ
Q
= 1.5
a) Determine as armaduras necessárias para garantir o Estado Limite Último de flexão
da viga (secções S1 e S2)
b) Pormenorize as armaduras de flexão.
S1 S2
10.00 3.50
cp
3.50
sc
1.00
1.00
0.20 0.20
0.15
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
51
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.3

ALÍNEA A)
1. Esforços de dimensionamento

p
sd
= 1.5 × (20 + 40) = 90 kN/m
M
sd
S1
= -
p
sd
× L
1
2

2
= -
90 × 3.5
2

2
= -551.3 kNm
M
sd
S2
=
p
sd
× L
2
2

8
- M
sd
S1
=
90 × 10
2

8
- 551.3 = 573.8 kNm

2. Determinação das armaduras (E.L.U. flexão)
Secção S2 (M
+
sd
= 573.8 kNm)

µ =
M
sd

bd
2
f
cd

=
573.8
0.40 × 0.95
2
× 13.3×10
3
= 0.120 ⇒ ω = 0.131
A
s
= ω bd
f
cd

f
yd

= 0.131 × 0.40 × 0.95 ×
13.3
348.0
× 10
4
= 19.03 cm
2

10.00 3.50 3.50
psd
DMF
[kNm]
(+)
(-) (-)
551.3
573.8
551.3
0.20 0.20
1.00
Msd
LN LN
1.00
0.40

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
52
Secção S1 (M
-
sd
= 551.3 kNm)
Hipótese: a LN encontra-se no banzo da secção

µ =
M
sd

bd
2
f
cd

=
551.3
1.0 × 0.95
2
× 13.3×10
3

= 0.046 ⇒ k = 0.112
k =
x
d
⇔ x = k × d = 0.112 × 0.95 = 0.106 ⇒ LN está no banzo
µ = 0.046 ⇒ w = 0.048
A
s
= ω bd
f
cd

f
yd

= 0.048 × 1. 0 × 0.95 ×
13.3
348.0
× 10
4
= 17.42cm
2



⇔ Msd
1.00
1.00
LN LN
1.00
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
53
2. Esforço Transverso
2.1. COMPORTAMENTO ELÁSTICO
Numa viga de betão não fendilhada (comportamento elástico) definem-se as seguintes
trajectórias principais de tensão:

Elemento A

Quando σ
t
= f
ct
, inicia-se a fendilhação por esforço transverso
2.2. COMPORTAMENTO APÓS FENDILHAÇÃO

A fendilhação tende a ser perpendicular à direcção das tensões principais de tracção.
σ σ
+
τ
trajectórias das compressões principais
trajectórias das tracções principais
A
σc
t
Flexão Flexão +
Esforço transverso
Flexão +
Esforço transverso
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
54
2.3. MODELO DE TRANSMISSÃO DE CARGAS PARA O APOIO

Este modelo poderá assemelhar-se a uma treliça, onde as armaduras transversais e
longitudinais funcionam como tirantes, e o betão comprimido entre fendas com uma
resultante assimilável a uma escora ou biela comprimida.

Assim, neste modelo de treliça, cada barra representa (ou é a resultante de) um
campo de tensões:
(1) Campo de tracções verticais

estribos verticais (ou inclinados)
(2) Campo de compressões inclinadas

bielas inclinadas


θ
θ
z
z cotg θ z cotg θ
bielas comprimidas (resultante da zona de compressões correspondente)
tirantes (resultante das forças de tracção nos estribos no comprimento
z cotgθ)
z cotg θ
z cotg θ
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
55
(1) Campo de tracções e compressões paralelas ao eixo

banzo comprimido; armadura longitudinal
É assim possível relacionar os esforços (M e V) com as tensões nos diferentes
elementos: armaduras transversais, armaduras longitudinais e bielas comprimidas.
2.4. POSSÍVEIS MODOS DE ROTURA
(i) Rotura dos estribos


(ii) Rotura por esmagamento do betão (nas
bielas comprimidas)

(iii) Rotura por arrancamento da armadura inferior do apoio (amarração insuficiente) ou
rotura da armadura (armadura insuficiente)

2.5. AVALIAÇÃO DAS TENSÕES / FORÇAS NOS DIFERENTES ELEMENTOS DA TRELIÇA
(admitindo uma inclinação θ para as bielas comprimidas na alma)
compressão
tracção
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
56
2.5.1. Tracções nos estribos


F
s
≥ V
sd
⇔ A
sw
× f
yd
≥ V
sd
(x)⇔

A
sw
s
f
yd

V
sd
(x)
z cotg θ

A
sw
s
≥ ≥≥ ≥
V
sd
(x)
z cotg θ θθ θ f
yd

x =
b
2
+ z cotg θ ; z ≅ 0.9d
A
sw
s
- área de aço por unidade de comprimento (armadura distribuída por m).
V
sd
(x)
z cotg θ
- força vertical por unidade de comprimento.
Os estribos têm que ser prolongados até ao apoio por forma transmitir para a zona
superior da viga as forças devidas às escoras assinaladas na figura.
EUROCÓDIGO 2:
O valor do esforço transverso resistente é dado pelo menor valor entre (1) e (2),
V
Rd,s
=
A
sw

s
z f
ywd
cotg θ ⇔
A
sw

s

V
sd

z cotg θ f
ywd

(1)
onde f
ywd
representa o valor de cálculo da tensão de cedência da armadura de esforço
transverso.
θ
z
z cotg θ b
x
Vsd(x)
Vsd(x)
b
θ
x
z cotg θ
DEVsd
zona do diagrama de esforço transverso que interessa
para efeitos de dimensionamento da armadura transversal
cargas que se transmitem
directamente para o apoio
cargas que se transmitem
directamente para o apoio
b z cotg θ
Asw
Vsd (x)
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
57
2.5.2. Compressão na alma


sen θ =
V
sd

F
c

⇒ F
c
=
V
sd

sen θ

σ
c
=
F
c

b
w
a

sen θ =
a
z cotg θ
⇔ a = (z cotg θ) × sen θ = z cos θ = z cos θ
σ
c
=
V
sd

sen θ × b
w
× z cos θ
⇒ σ σσ σ
c
=
V
sd
(x)
0.9d b
w
sen θ θθ θ cos θ θ θ θ

A máxima compressão surge junto ao apoio - zona onde V
sd
é máximo.

A rotura ocorre, em geral, na biela a seguir ao
apoio, onde a resistência do betão à
compressao é menor (na última biela “em
leque” surge um campo biaxial de tensões que
conduz a um aumento da resistência à
compressão do betão).
As tensões de tracção nos estribos originam uma diminuição da resistência à
compressão do betão, pelo que
σ
c
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd

Na biela em leque considera-se para verificação da segurança
σ
c
≤ 0.85 f
cd

\
|
¹
|
R
A
apoio

≤ 0.85 f
cd

EUROCÓDIGO 2 (cont.)
V
Rd,max
= α
cw
b
w
z ν
1

f
cd

cotg θ + tg θ
(2)
onde α
cw
= 1 para estruturas sem pré-esforço e ν
1
= 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250

Pelo que, esta expressão pode ser escrita na forma
b z cotg θ
θ
a
Fc
Fc
Vsd
Fs
θ
z cotg θ
θ
R
Rotura
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
58
V
Rd,max
= b
w
z 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck
250

f
cd
cotg θ + tg θ

V
Rd,max
(cotg θ + tg θ)
z b
w
= 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck
250
f
cd

V
Rd,max
z b
w
sen θ cos θ
= 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck
250
f
cd

2.5.3. Influência do esforço transverso nas compressões e tracções paralelas ao
eixo
Uma vez que os esforços exteriores são M e V, a resultante dos esforços axiais tem
que ser nula. Deste modo, para equilibrar a componente horizontal de F
c
tem que se
verificar uma variação nas compressões e tracções devidas a M.


F
V
T
= F
c
cos θ =
V
sen θ
cos θ = V cotg θ
É necessário distribuir a força de tracção F
V
T
igualmente pelos banzos comprimido e
traccionado por forma a não alterar o momento aplicado à secção.

F
M
=
M
z
; F
V
=
V
2
cotg θ
2.5.3.1. Apoio de extremidade

Fc
θ θ
Vsd
V
2
cotg θ
cotg θ
2
V
θ
FT
Vsd
Fc
V
M
F
M
M
F
V
F
F
V
+ =
V
V
F
F
V
M
F
M
M
F
z
θ
z cotg θ b
θ
θ1
b + z
2 2
cotg θ
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
59

R = F
c
sen θ
1
⇔ F
c
=
R
sen θ
1

F
T
= F
c
cos θ
1
⇒ F
T
= R
cos θ
1
sen θ
1
= R cotg θ
1

cotg θ
1
=
b
2
+
z
2
cotg θ
z
= 0.5
b
z
+ 0.5 cotg θ
Como F
T
depende da largura do apoio, pode tomar-se por simplificação:
1) Apoio pontual (b = 0)
cotg θ
1
= 0.5 cotg θ ⇒ F
T
=
R
2
cotg θ
2) z ≅ 2b
cotg θ
1
= 0.5
b
2b
+ 0.5 cotg θ = 0.25 + 0.5 cotg θ ⇒ F
T
= R (0.25 + 0.5 cotg θ) ≅ 1.20 R

1
≅ 40°)
2.5.3.2. Apoio de continuidade

Nota: Na zona central, a inclinação das compressões varia entre θ e 90° (cotg 90° = 0)
2.5.3.3. Armadura longitudinal no vão
Considere-se a viga simplesmente apoiada representada na figura seguinte, bem
como os correspondentes diagramas de força de tracção na armadura longitudinal.
θ
FT
R
1
Fc
DFT
M/z
V
2
cotg θ
M V
z 2
cotg θ +
- cotg θ
M V
2 z
z
FT = const.
θ θ
1 θ
z cotg θ
θ
z cotg θ b
θ
θ1
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
60


α =
d
dx

\
|
¹
|
M
z
=
1
z

dM
dx
=
V
z

por outro lado, α ≅ tg α =
V/2 cotg θ
x


V
2
cotg θ ×
1
x
=
V
z
⇒ x =
z
2
cotg θ
Para ter em conta o aumento da tracção na armadura longitudinal é suficiente
considerar uma translação do diagrama de momentos de x.
2.6. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS
2.6.1. Quantidade mínima de armadura transversal
As áreas mínimas de armadura transversal, podem ser quantificadas através da
imposição de uma percentagem mínima de armadura, dada por:
ρ
w,min
=
0.08 f
ck

f
yk


A percentagem de armadura transversal define-se através da expressão
ρ
w,min
=
A
sw
s × b
w

M
FT
M/z
V/2 cotg θ
V
FT
M/z
FT
M+V
+ V/2 cotg θ
+
=
As
flexão
M/z
x
necessária
As
V/2 cotg θ
α
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
61
2.6.2. Espaçamento entre estribos
Por forma a evitar que a fenda se forme entre estribos, o espaçamento máximo entre
estribos deverá respeitar a condição:
s ≤ 0.75 d (1 + cotg α),
onde d representa a altura útil do elemento.
Usualmente utilizam-se espaçamentos entre 0.075 m e 0.30 m (ou, mais aconselhável,
entre 0.10 m e 0.25 m), não devendo ultrapassar-se em geral s ≤ 0.5 d.
2.6.3. Armadura mínima longitudinal nos apoios de extremidade
A área de armadura longitudinal inferior a adoptar em apoios sem continuidade deverá
ser pelo menos 25% da área de armadura adoptada na zona do meio vão.
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
62
EXERCÍCIO 2.4

Considere a estrutura da figura seguinte:

Materiais: C25/30, A400NR

a) Calcule as armaduras transversais admitindo, para inclinação das bielas de
compressão, ângulos de 30° e 45°.
b) Verifique, para ambas as situações, a tensão máxima de compressão nas bielas.
c) Calcule, para ambas as situações, os efeitos na armadura longitudinal.
d) Pormenorize a armadura longitudinal ao longo da viga.

0.60
5.00
0.30
g = 25kN/m
q = 12kN/m
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
63
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.4

ALÍNEA A)
1. Determinação dos esforços
p
sd
= γ
g
× g + γ
q
× q = 1.5 (12 + 25) = 55.5 kN/m
M
sd
=
pL
2

8
=
55.5 × 5
2

8
= 173.4 kNm
V
sd
=
55.5 × 5
2
= 138.8 kN
2. Cálculo das armaduras transversais para θ = 30°
z cotg θ = 0.9 d × cotg θ = 0.9 × 0.55 × cotg 30° = 0.87m
V
sd
(z cotg θ) = 138.8 – 0.87 × 55.5 = 90.5kN
A
sw

s

V
sd

z cotg θ f
yd

=
90.5
0.87 × 348 × 10
3

× 10
4
= 3.0 cm
2
/m
3. Cálculo das armaduras transversais para θ = 45°
z cotg θ = 0.9 × 0.55 × cotg 45° = 0.5m
V
sd
(z cotg θ) = 138.8 – 0.5 × 55.5 = 111.1kN
A
sw

s
=
111.1
348 × 10
3
× 0.5
= 6.39cm
2
/m

ALÍNEA B)
i) θ = 30°
σ
c
=
V
sd
0.9 d b
w
sen θ cos θ
=
90.5
0.3×0.5×sen 30°×cos 30°
= 1393kN/m
2

ii) θ = 45°
σ
c
=
111.1
0.3 × 0.5 × sen 45° × cos 45°
= 1481kN/m
2

σ
c
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd
= 0.6
¸

¸
(
1 -
25
250
× 16.7×10
3
= 9018 kN/m
2

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
64
ALÍNEA C)
1. Armadura no apoio de extremidade
i) Considerando um apoio pontual
b = 0 ⇒ F
s
=
R
2
cotg θ
¦
¦
¦
θ = 30° ⇒ F
s
=
138.8
2
× cotg 30° = 120.2kN
θ = 45° ⇒ F
s
=
138.8
2
× cotg 45° = 69.4kN

ii) Considerando a largura do apoio
F
s
= 1.2 R = 1.2 × 138.8 = 166.6kN
⇒ A
s

F
s

f
yd

=
166.6
348×10
3

× 10
4
= 4.79cm
2

Comentário: menor θ ⇒ maior área de armadura nos apoios

2. Cálculo do comprimento de translacção
θ = 30° → x =
z
2
cotg θ =
0.5
2
cotg 30° = 0.43m
θ = 45° → x =
z
2
cotg θ =
0.5
2
cotg 45° = 0.25m
Comentário: menor θ ⇒ maior comprimento de translacção

2.7. AMARRAÇÃO DE ARMADURAS
2.7.1. Comprimento de amarração
Considere-se um varão de aço embebido, num determinado comprimento, no interior
de um bloco de betão, conforme ilustrado na figura seguinte.

f
bd
– tensão de aderência
fbd
lb,rqd
Fs = As σsd
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
65
É possível definir o valor do comprimento necessário l
b,rqd
para que, quando o varão for
submetido a uma força de tracção, não haja escorregamento entre os dois materiais.
Deste modo,

F
Rc
≥ F
s
⇔ A
c
× f
bd
≥ F
s
,
onde A
c
= π φ l
b
e representa a área de betão em contacto com a armadura.
A
c
× f
bd
≥ F
s
⇔ π φ l
b,rqd
f
bd
= A
s
σ
sd
⇒ π φ l
b,rqd
f
bd
=
π φ
2

4
σ
sd

De onde resulta
l
b,rqd
=
φ φφ φ
4

σ σσ σ
sd

f
bd

(Comprimento de amarração base)
O valor da tensão de aderência (f
bd
) pode ser calculado através da seguinte expressão:
f
bd
= 2.25 η
1
η
2
f
ctd
onde,
f
ctd
representa o valor de dimensionamento da resistência do betão à tracção;
η
1
é um coeficiente que depende da qualidade da aderência e da posição do varão
durante a betonagem (η
1
= 1.0 para boas condições de aderência; η
1
= 0.7 para
outras condições de aderência);
η
2
é um coeficiente que depende do diâmetro do varão (η
2
= 1.0 para φ ≤ 32 mm; η
2

= (132 - φ) / 100 para φ ≥ 32 mm).
Condições de aderência
Os varões dizem-se em condições de boa aderência se verificarem uma das seguintes
condições:
formem com a horizontal um ângulo entre 45º e 90º;
estejam integrados em elementos com espessura (na direcção da betonagem)
inferior ou igual a 25 cm;
quando a espessura excede 25 cm, os varões estão em boas condições de
aderência se se situarem na metade inferior do elemento ou a mais de 30 cm da
sua face superior.
O comprimento de amarração necessário l
bd
pode ser calculado através da expressão
l
bd
= α αα α
1
α αα α
2
α αα α
3
α αα α
4
α αα α
5
l
b,rqd
≥ ≥≥ ≥ l
b,min

onde,
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
66
α
1
é um coeficiente que tem em conta a forma do varão na zona da amarração;
α
2
é um coeficiente que tem em conta o recobrimento do varão;
α
3
é um coeficiente que tem em consideração o efeito do confinamento conferido
pela existência de armaduras transversais à amarração;
α
4
é um coeficiente que tem em consideração o efeito de varões transversais
soldados ao longo do comprimento de amarração;
α
5
é um coeficiente que tem em consideração o efeito favorável da existência de
tensões de compressão transversais ao plano de escorregamento, ao longo do
comprimento de amarração.

Comprimento de amarração mínimo l
b,min

varões traccionados: l
b,min
= máx {0.3 l
b,rqd
; 10φ; 100 mm}
varões comprimidos: l
b,min
= máx {0.6 l
b,rqd
; 10φ; 100 mm}
Simplificadamente,
para varões traccionados com amarrações curvas: l
b,eq
= α
1
l
b,rqd
= 0.7 l
b,rqd



(α ≥ 90°)
ou

(caso a distância livre entre varões e o recobrimento na direcção perpendicular à
amarração sejam superiores a 3φ)

para varões comprimidos ou traccionados com barras transversais soldadas:
l
b,eq
= α
4
l
b,rqd
= 0.7 l
b,rqd



≥ 5φ
α
lb,eq
lb,eq
lb,eq
≥ 5φ φt ≥ 0.6φ
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
67

C20/25 C25 C30 C35 C40 C45 C50
A400
η
1
= 1
η
1
= 0.7
38.6
55.14
32.20
46
28.98
41.4
26.35
37.6
23.19
33.13
21.47
30.67
19.99
28.56
A500
η
1
= 1
η
1
= 0.7
48.30
69
40.26
57.51
36.23
51.76
32.94
47.06
29.99
42.84
26.84
38.34
24.99
35.7

EXEMPLO
Calcular o comprimento de amarração necessário de um varão φ16 solicitado por uma
força de 45kN.


Materiais: C25/30
A400NR
RESOLUÇÃO:
f
bd
= 2.25 η
1
η
2
f
ctd
= 2.25 × 1.0 × 1.0 ×
1.8
1.5
= 2.7 MPa
l
bd
= l
b,rqd
=
φ
4

σ
sd

f
bd

=
φ
4

223.9
2.7
= 20.7 φ = 0.33 m
σ
sd
=
45
2.01×10
-4

= 223.9 MPa
2.7.2. Comprimento de emenda
As emendas dos varões das armaduras ordinárias devem, se possível, ser evitadas e
caso sejam necessárias, devem ser efectuadas em zonas em que os varões estejam
sujeitos a tensões pouco elevadas.
As emendas de varões podem ser realizadas por sobreposição, por soldadura, ou por
meio de dispositivos mecânicos especiais (acopladores, por exemplo).
lb,rqd
45 kN
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
68
As emendas por sobreposição devem satisfazer os seguintes critérios:
Não localizar as emendas nas zonas de maiores esforços;
Procurar manter a simetria;
A distância livre entre armaduras não deve ser superior a 4φ ou 50 mm, caso
contrário o comprimento de emenda deve ser acrescido de (s – 4φ);
A distância longitudinal entre duas emendas consecutivas não deverá ser inferior a
0.3 l
0
;
No caso de duas emendas adjacentes, a distância livre entre varões não deve
ser inferior a 2φ ou 20 mm;
A percentagem de varões a emendar numa mesma secção transversal pode ser
de 100% caso os varões estejam dispostos numa única camada, ou de 50% se os
varões estiverem dispostos em várias camadas.
O comprimento de emenda (l
0
) deve ser calculado de acordo com a expressão:

l
0
= α αα α
1
α αα α
2
α αα α
3
α αα α
5
α αα α
5
l
b,rqd
≥ ≥≥ ≥ l
0,min

onde α
6
é um coeficiente que tem em conta a relação entre a secção dos varões
emendados e a secção total dos varões existentes na mesma secção transversal.
Comprimento de emenda mínimo l
0,min
=máx{0.3α
6
l
b,rqd
;15φ;200mm}
Condição para que duas emendas possam ser consideradas em secções diferentes

Reforço com armadura transversal na zona da emenda (dispensado caso φ ≤ 20 mm
ou caso a percentagem de varões emendados seja inferior ou igual a 25%)
F
F
l0
≥0.65 l0 ≥0.65 l0
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
69
a) Armadura em tracção

b) Armadura em compressão



a) Armaduras em tracção
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
70
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.4 (CONT.)

ALÍNEA D)
1. Cálculo da armadura necessária a meio vão
M
sd
= 173.4kNm ⇒ µ =
M
sd
bd
2
f
cd
=
173.4
0.3×0.55
2
×16.7×10
3
= 0.114 ⇒ ω = 0.124
A
s
= ω b d
f
cd

f
yd

= 9.84cm
2

Adoptam-se 2φ16 + 2φ20 (10.3cm
2
)
Visto que A
apoio
s
≥ 4.79cm
2
, é possível dispensar 2φ16
2. Cálculo do M
Rd
correspondente a 2φ20 (6.28cm
2
)
ω =
A
s

b d

f
yd

f
cd

=
6.28 × 10
-4

0.3 × 0.55
×
348
16.7
= 0.079 ⇒ µ = 0.075
M
Rd
= µ × b d
2
f
cd
= 0.075 × 0.3 × 0.55
2
× 16.7×10
3
= 113.7kNm
3. Determinação da secção de dispensa de armadura

M(x) = 138.8 × x – 55.5 ×
x
2

2
=
= 138.8 x – 27.75x
2

M
sd
= M
Rd
⇔ 138x - 27.75x
2
= 113.7 ⇔ x =
3.97m ∨ x = 1.03m
f
bd
= 2.25 η
1
η
2
f
ctd
= 2.25 × 1.0 × 1.0 ×
1.8
1.5
= 2.7 MPa
σ
sd
=
6.28
10.3
× 348 = 212.2MPa ⇒ l
bd
=
φ
4

σ
sd
f
bd
=
0.016
4

212.2
2.7
= 19.6 φ = 0.31m
a
L
=
z
2
cotg θ = 0.43m
Secções de dispensa de armadura:
x
1
= 1.03 – a
L
– L
b.net
= 1.03 – 0.43 – 0.31 = 0.29 m
x
2
= 3.97 + a
L
+ L
b.net
= 3.97 + 0.43 + 0.31 = 4.71m
M(x)
138.8 kN
138.8 kN
55.5 kN/m
x
DMF
(+)
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
71
EXERCÍCIO 2.5

Para a estrutura já analisada no Exercício 2.1 determine:
a) As armaduras transversais necessárias ao longo da viga
b) A distribuição de armaduras longitudinais ao longo da viga
c) Pormenorize as armaduras na viga

RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.5
ALÍNEA A)
1. Determinação do esforço transverso solicitante

Considerando alternância de sobrecarga,

V
A
sd
= 1.5 × (28.25 × 4.55) + 1.5 × (12 × 5) = 282.8kN
10.00 3.00
p=1 kN/m
(+)
(+)
5.45
(-)
DEV
[kN]
4.55
3.0
5.0
DEV
[kN]
(+)
(-)
5.0
p=1 kN/m
DEV
[kN]
3.0
( )
0.45
(+)
p=1 kN/m
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
72
V
B.esq
sd
= 1.5 × (28.25 × 5.45) + 1.5 × (12 × 5.45) = 392.0kN
V
B.dir
sd
= 1.5 × (28.25 + 12) × 3 = 181.1kN
i) Envolvente do diagrama de esforço transverso

ii) Determinação de V
sd
(z cotg θ)
Considerando θ = 30°,
d = 0.80m ; z ≅ 0.9 d = 0.72 m
z cotg θ = 0.72 × cotg 30° = 1.25 m
V
sd,A
(z cotg θ) = 282.8 – 60.4 × 1.25 = 207.3 kN
V
sd,B esq
(z cotg θ) = 329 – 60.4 × 1.25 = 253.5 kN
V
sd,B dir
(z cotg θ) = 181.1 – 60.4 × 1.25 = 105.6 kN

2. Verificação das compressões
i) Bielas comprimidas
σ
c
máx
=
V
sd
(z cotg θ)
z b
w
senθ cosθ
=
253.5
0.72×0.30×sen 30°×cos 30°
= 2710.3kN/m
2
≅ 2.7MPa
σ
c
máx
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd
= 0.6
¸

¸
(
1 -
25
250
× 16.7×10
3
= 9018 kN/m
2


ii) Apoio
σ
c
=
R
A
ap

≤ 0.85 f
cd

R
B
sd
= 329.0 + 181.1 = 510.1kN
σ
c
=
510.1
0.3 × 0.3
= 5667.8kN/m
2
≅ 5.7MPa
0.85 f
cd
= 0.85 × 16.7 = 14.2MPa

282.8
(+)
181.1
(-)
329.0
(+)
282.8
181.1
329.0

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
73
3. Cálculo da armadura transversal nos apoios
i) Apoio A
A
sw
s
=
V
sd
(z cotg θ)
z cotg θ f
yd
=
207.3
0.72×cotg 30°×348×10
3
× 10
4
= 4.78cm
2
/m
ii) Apoio B (esq.)
A
sw
s
=
253.5
0.72×cotg 30°×348×10
3
× 10
4
= 5.84cm
2
/m
iii) Apoio B (dir.)
A
sw

s
=
105.6
0.72 × cotg 30° × 348×10
3
× 10
4
= 2.43cm
2
/m
iv) Cálculo da armadura mínima
ρ
w,min
=
0.08 f
ck

f
yk

=
0.08 25
400
= 0.001
ρ
w,min
= 0.001 ⇔
\
|
¹
|
A
sw
s
min
×
1
b
w
= 0.001 ⇔
\
|
¹
|
A
sw
s
min
= 0.0010×0.30×10
4
= 3.0cm
2
/m
(adoptam-se estribos φ8//0.25)
4. Determinação da zona da viga em que se adopta (A
sw
/s)
min
i) Cálculo de V
Rd, min
Estribos φ8//0.25 ⇒ 4.02 cm
2
/m
V
Rd
=
A
sw
s
×z cotg θ×f
yd
=4.02×10
-4
×0.72×cotg 30°×348×10
3
= 174.5kN

x
1
=
282.8 - 174.5
60.4
= 1.79m ; x
2
=
329 - 174.5
60.4
= 2.56m
ALÍNEA B)
A
apoio
s
→ 4φ16 + 2φ12; A
vão
s
→ 6φ25
1. Cálculo do comprimento de translacção
a
L
=
z
2
cotg θ =
0.72
2
cotg 30° = 0.62m
329.0
282.8
181.1
174.5
x1 x2
1
60.4
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MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
74
2. Armadura inferior
i) Plano de dispensas: 6φ25 → 4φ25 → 2φ25
ii) Capacidade resistente da viga após as dispensas
Armadura A
s
[cm
2
] ω ωω ω µ µµ µ M
Rd
[kNm]
4φ25 19.63 0.170 0.154 493.8
2φ25 9.82 0.085 0.080 256.5


iii) Cálculo das coordenadas x
Carregamento correspondente ao máximo momento no vão


M(x) = 282.8 × x – 60.4 ×
x
2
2
= 282.8 × x – 30.2x
2

M
Sd
= 493.8kNm ⇔ 282.8 × x – 30.2 × x
2
= 493.8 ⇔ x
3
= 7.04m ∨ x
2
= 2.32m
M
Sd
=256.5kNm⇔282.8 × x – 30.2 × x
2
=256.5⇔x
4
= 8.35m ∨ x
1
= 1.02m
iv) Cálculo dos comprimentos para dispensa da armadura
Dispensa de 6φ25 → 4φ25
x
2
’ = x
2
– a
L
– L
b.net
= 2.32 – 0.62 – 0.54 = 1.16 m
660.2
272.0
493.8
256.5
256.5
493.8
x1
x2
x3
x4
10.00
cp=28.3 kN/m
3.00
sc=12.0 kN/m
282.8 kN
(-)
(+)
DMF
[kNm]
x
282.8 kN
M(x)
x
60.4 kN/m
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
75
x
3
’ = x
3
+ a
L
+ L
b.net
= 7.04 + 0.62 + 0.54 = 8.20 m
f
bd
= 2.25 η
1
η
2
f
ctd
= 2.25 × 1.0 × 1.0 ×
1.8
1.5
= 2.7 MPa
σ
sd
=
4
6
× 348 = 232 MPa ⇒ l
bd
=
φ
4

σ
sd
f
bd
=
0.025
4

232
2.7
= 0.54 m
Dispensa de 4φ25 → 2φ25
x
1
’ = x
1
– a
L
– L
b.net
= 1.02 – 0.62 – 0.40 = 0.0 m
x
4
’ = x
4
+ a
L
+ L
b.net
= 8.35 + 0.62 + 0.40 = 9.37 m
σ
sd
=
2
4
× 348 = 174 MPa ⇒ l
bd
=
φ
4

σ
sd

f
bd

=
0.025
4

174
2.7
= 0.40m
v) Verificação da armadura no apoio
1) Considerando pilares 0.30 × 0.30 [m
2
]:
F
T
=R cotgθ
1
= R ×
\
|
¹
|
0.5 ×
b
z
+ 0.5 cotgθ = 282.8 ×
\
|
¹
|
0.5 ×
0.30
0.72
+ 0.5 cotg 30° =303.8kN
A
s
=
303.8
348 × 10
3

× 10
4
= 8.73cm
2
< As (4φ25) = 19.63cm
2

2) Considerando indirectamente a dimensão do pilar
F
T
= 1.2 R = 1.2 × 282.8 = 339.4 kN ⇒ As = 9.75cm2 < 19.63cm
2

3) Considerando um apoio pontual
F
T
=
R
2
cotgθ
1
=
282.8
2
× cotg 30° = 244.9kN⇒A
s
= 7.04cm
2
< 19.63cm
2

3. Armadura superior
i) Plano de dispensas: 4φ16 + 2φ12 → 4φ16 → 2φ16
ii) Capacidade resistente da viga após as dispensas
Armadura A
s
[cm
2
] ω ωω ω µ µµ µ M
Rd
[kNm]
4φ16 8.04 0.070 0.066 211.6
2φ16 4.02 0.035 0.034 109.0

Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
76

iii) Cálculo das coordenadas x
Carregamento correspondente ao máximo momento negativo no apoio e no vão à
esquerda do apoio:

p
consola
sd
= 60.4kN/m
p
vão
sd
= 1.5 × 28.25 = 42.4kN/m
V
dir
sd
= 3.0 × (12 + 28.25) × 1.5 = 181.1kN
V
esq
sd
= (5.45 × 28.25 + 0.45 × 12.0) × 1.5 = 239.0kN
Consola

M
sd
(x) = 60.4 × x ×
x
2
– 181.1 × x + 272.0 =
30.2x
2
– 181.1x + 272.0
M
sd
= 211.6kNm ⇔ 30.2 x
1
2
– 181.1x
1
+ 272.0 = 211.6⇔x
1
= 0.35m
M
sd
= 109.0kNm ⇔ 30.2 x
3
2
– 181.1x
3
+ 272.0 = 109.0⇔x
3
= 1.10m
Vão

M
sd
(x) = 42.4 × x ×
x
2
– 239.0 × x + 272.0 =
21.2x
2
– 239x + 272.0
M
sd
= 211.6kNm ⇔ 21.2 x
2
2
– 239 x
2
+ 272.0 = 211.6 ⇔ x
2
= 0.26m
M
sd
= 109.0kNm ⇔ 21.2 x
4
2
– 239 x
4
+ 272.0 = 109.0 ⇔ x
4
= 0.73m
M
sd
= 0 ⇔ 21.2 x
5
2
– 239 x
5
+ 272.0 = 0 ⇔ x
5
= 1.28 m
272.0
x1
211.6 211.6
109.0 109.0
x2
x4 x3
sc=12.0 kN/m
cp=28.3 kN/m
60.4 kN/m
x
Msd(x)
181.1 kN
272 kNm
Msd(x)
239.0 kN
x
272 kNm
42.4 kN/m
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
77
4) Cálculo dos comprimentos para dispensa da armadura
Dispensa de 4φ16 + 2φ12 → 4φ16
x
1
’ = x
1
+ a
L
+ L
b.net
= 0.35 + 0.62 + 0.43 = 1.40 m
x
2
’ = x
2
+ a
L
+ L
b.net
= 0.26 + 0.62 + 0.43 = 1.31 m
f
bd
= 2.25 η
1
η
2
f
ctd
= 2.25 × 0.7 × 1.0 ×
1.8
1.5
= 1.89 MPa
σ
sd
=
8.04
8.04+2.26
× 348 =271.6MPa⇒l
bd
=
φ
4

σ
sd
f
bd
=
0.012
4

271.6
1.89
= 0.43m
Dispensa de 4φ16 → 2φ16
x
3
’ = x
3
+ a
L
+ L
b.net
= 1.10 + 0.62 + 0.36 = 2.08 m
x
4
’ = x
4
+ a
L
+ L
b.net
= 0.73 + 0.62 + 0.36 = 1.71 m
x
5
’ = 1.28 + 0.62 + 0.22 = 2.12m
σ
sd
=
2
4
× 348 = 174 MPa ⇒ l
bd
=
φ
4

σ
sd

f
bd

=
0.016
4

174
1.89
= 0.37m
L
b,min
= 10 φ = 0.16 m
2.8. ARMADURA DE LIGAÇÃO BANZO-ALMA
Na figura seguinte ilustra-se a degradação das tensões de compressão da alma, para
o banzo de uma viga em “T”.

onde,
f
c
representa força distribuída nas bielas comprimidas da alma
f
c
’ representa a força distribuída nas bielas comprimidas do banzo
F
c
e F
c
’ representam as resultantes das forças distribuídas nessas bielas
z

c
o
tg
θ
1
z
c
o
tg
θ
1
z
θ1
θ2
fc
Fc
fc'
Fc'
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
78
Em planta,

F
'
c
=
F
c

2
cos θ
1
×
1
cos θ
2


F
T
= F
'
c
× sen θ
2
=
F
c
2
cos θ
1
×
sen θ
2
cos θ
2

=
=
F
c

2
× tg θ
2
× cos θ
1

A
sf
=
F
T
f
syd

A
sf
s
=
F
T
z cotg θ
1
f
yd
=
F
c
sen θ
1
2 z cotg θ
2
f
yd

Como F
c
=
V
sen θ
1


A
sf

s
=
V
2 z cotg θ θθ θ
2
f
yd


θ
1

2
⇒ A armadura de ligação banzo-alma é metade da armadura de esforço
transverso
\
|
¹
|
A
sf

s
=
1
2

\
|
¹
|
A
sw

s

Nota: Numa viga pertencente a uma laje vigada, a armadura da laje é normalmente
suficiente para absorver as forças de tracção na ligação banzo-alma.
2.9. ARMADURA DE SUSPENSÃO
2.9.1. Apoios indirectos

A viga transmite as cargas à viga
através das bielas comprimidas.
A carga transmitida à viga principal terá de
ser transmitida para a face superior através
de estribos de suspensao
\
|
¹
|
A
s
=
V
f
yd

Nota: A armadura calculada deve ser adicionada à armadura de esforço transverso.
A distribuição dos estribos de suspensão deve ser feita da seguinte forma:
z cotg θ1
Fc cos θ1
θ2
Fc'
FT
P
2
1
h2
h1
2 1
V
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
79

2.9.2. Cargas suspensas

A carga tem que ser transmitida para a face superior da viga através de uma armadura
de suspensão. A armadura é dimensionada para absorver a totalidade da carga
suspensa: A
s

F
s

f
yd

, F
s
– carga suspensa
≤ h1/2
1
2
≤ h1/3
≤ h2/2
≤ h2/3
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
80
EXERCÍCIO 2.6

Considere a estrutura da figura seguinte:


Materiais: C20/25, A400
Acções: pp + revest. = 20.0 kN/m
sobrecarga = 40.0 kN/m
Coeficientes de majoração: γ
G
= γ
Q
= 1.5

a) Para a estrutura já analisada no Exercício 2.3, verifique a segurança ao Estado
Limite Último de Esforço Transverso e pormenorize as armaduras transversais na
secção.

S1 S2
10.00 3.50
cp
3.50
sc
1.00
1.00
0.20 0.20
0.15
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
81
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.6

ALÍNEA A)
1. Verificação da segurança ao E.L.U. de Esforço Transverso
i) Determinação de V
sd

p
sd
= 1.5 × (20 + 40) = 90kN/m

θ = 30º ⇒ z cotg θ = 0.9 × 0.95 × cotg 30° = 1.48m
V
sd, dir
(z cotg θ) = 450 – 1.48 × 90 = 316.8.5kN
V
sd, esq
(z cotg θ) = 315 – 1.48 × 90 = 181.8kN
ii) Verificação das compressões na alma
σ
c
=
V
sd
(z cotg θ)
z×b
w
×sen θ×cos θ
=
316.8
0.9×0.95×0.40×sen 30°×cos 30°
= 2139.2kN/m
2

σ
c
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd
= 0.6
¸

¸
(
1 -
20
250
× 13.3×10
3
= 7342 kN/m
2

iii) Cálculo da armadura transversal junto aos apoios
A
sw

s
=
V
sd
(z cotg θ)
z f
yd
cotg θ

\
|
¹
|
A
sw

s
dir
=
316.8
1.48 × 348×10
3

× 10
4
= 6.15cm
2
/m
\
|
¹
|
A
sw

s
esq
=
181.8
1.48 × 348×10
3

× 10
4
= 3.53cm
2
/m

2. Cálculo da armadura de suspensão
Nota: Admite-se que a sobrecarga está a actuar no banzo inferior
450.0
(-)
DET
[kN]
(-) (+)
(+)
315.0
315.0
450.0
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
82
cp* = cp – pp
almas
= 20 – (0.20×1.0×2) × 25 = 10kN/m
Força de suspensão: F
s
= 1.5 (10 + 40) = 75.0kN/m
\
|
¹
|
A
s

s
suspensão
=
75.0
348×10
3
× 10
4
= 2.16cm
2
/m
(a adicionar à armadura de esforço transverso)
\
|
¹
|
A
s

s
dir
TOT
=
\
|
¹
|
A
sw

s
dir
+
\
|
¹
|
A
s

s
susp
= 6.15 + 2.16 = 8.31cm
2
/m
\
|
¹
|
A
s

s
esq
TOT
=
\
|
¹
|
A
sw

s
esq
+
\
|
¹
|
A
s

s
susp
= 3.53 + 2.16 = 5.69m
3. Cálculo da armadura transversal mínima
ρ
w,min
=
0.08 f
ck

f
yk

=
0.08 20
400
= 0.0009
ρ
w,min
=0.0009 ⇔
\
|
¹
|
A
sw
s
min
×
1
b
w
=0.0009 ⇔
\
|
¹
|
A
sw
s
min
= 0.0009×0.40×10
4
=3.6cm
2
/m

4. Cálculo da armadura de ligação banzo-alma
A
sf

s
=
V
sd

2 z cotg θ
2
f
syd


θ
1
= θ
2

A
sf

s
=
1
2

\
|
¹
|
A
sw

s

\
|
¹
|
A
s

s
dir
=
6.15
2
= 3.08cm
2
/m ;
\
|
¹
|
A
s

s
esq
=
3.53
2
= 1.77cm
2
/m
5. Armadura transversal de flexão no banzo

cp* + sc = 10 + 40 = 50 kN/m
p
sd
= 1.5 × 50 / 0.6 = 125.0 kN/m
2


cp*+sc
0.80
cp*+sc
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
83
pL
2
12
=
125×0.80
2
12
= 6.7kN/m
µ=
M
sd
b d
2
f
cd
=
6.7
1.0×0.12
2
×13.3×10
3
= 0.035⇒ω=0.037
A
s
=ω b d
f
cd
f
yd
=0.037×1.0×0.12×
13.3
348
×10
4
=1.70cm
2
/m
(A
sTOT
/ramo)
dir
=
\
|
¹
|
3.08
2
+ 1.70 = 3.24cm
2
/m
(A
sTOT
/ramo)
esq
=
\
|
¹
|
1.77
2
+ 1.70 = 2.59cm
2
/m
2
/12
pL
pL
/24
2
0.80
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
84
2.10. SECÇÕES COM LARGURA VARIÁVEL
Nos casos em que as secções apresentam largura variável, b
w
considera-se como
a menor largura numa zona compreendida entre a armadura traccionada e ¾ da
altura útil

No caso de secções circulares, poderá considerar-se uma secção rectangular
equivalente, com as seguintes características:

de = 0.45 D + 0.64
\
|
¹
|
d -
D
2
(expressão aferida experimentalmente)
2.11. ARMADURA INCLINADA
Nos casos em que a armadura de esforço transverso for constituída por armadura
inclinada (e não vertical), há que ter em conta esse facto no modelo de treliça, já que a
armadura se destina a absorver as tensões de tracção representadas pelos tirantes,
conforme se ilustra na figura abaixo

d
3/4 d
bw
bw
be≈0.9D
D
AsL
AsL/2
de

tirantes
bielas comprimidas
z cotg α z cotg θ
z
θ
α
z cotg θ + z cotg α
Fs
V
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
85

A
sw
× f
yd

V
sd

sen α
⇔ A
sw

V
sd

sen α

1
f
yd



A
sw

s
=
V
sd

sen α

1
z (cotg θ + cotg α)
×
1
f
yd



A
sw

s
=
V
sd

z (cotg θ θθ θ + cotg α αα α) sen α αα α f
yd


F
c
= F
s
cos α = V cotg α
Barras horizontais:
F
T
= F
s
cos α + F
c
cos θ =
V
sd
sen α
cos α +
V
sd
sen θ
cos θ
⇔ F
T
= V
sd
(cotg θ θθ θ + cotg α αα α)
2.12. CARGAS CONCENTRADAS JUNTO AO APOIO
As cargas que actuam junto ao apoio podem ser transmitidas directamente para
este, através de uma biela inclinada (a < z/2)

As cargas afastadas do apoio são transmitidas pelo mecanismo de treliça (a > 2z)

Numa zona intermédia, parte da carga é transmitida directamente para o apoio e a
outra parte é transmitida pelo mecanismo de treliça.
2.12.1. Regras de dimensionamento
a < z/2
A carga é transmitida directamente para o apoio (não é necessário acréscimo de
armadura transversal).
α
F
Fs Vsd
Fs
α
θ
Fc
Ft
a
P
P
a
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
86
a > 2 z
A carga é totalmente transmitida pelo mecanismo de treliça (considerar a totalidade do
esforço transverso relativo à carga concentrada)
z/2 < a < 2 z
Para o dimensionamento da armadura transversal apenas deve ser considerada uma
parcela da carga: P
1
=
\
|
¹
|
2a
z
- 1
1
3
P
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
87
EXERCÍCIO 2.7

Considere a estrutura seguinte.

Calcule as armaduras transversais necessárias, considerando apenas a actuação da
carga P
sd
= 300kN.

0.40 0.40 0.40
5.00
0.65
P
0.40
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
88
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.7

Neste caso,
z = 0.9×0.60 = 0.54m e a = 0.8m ⇒
z
2
= 0.27m < a < 2 z = 1.08m,
pelo que, parte da carga é transmitida directamente para o apoio e a outra parte é
transmitida pelo mecanismo de treliça.
1. Determinação da parcela da carga considerada para o dimensionamento da
armadura transversal

ΣM
A
=0 ⇔ -300×0.8 + R
B
×5.0 = 0 ⇔ R
B
=
48kN
R
A
= 300 – 48 – 252kN

P
1.Sd
=
\
|
¹
|
2 × 0.8
0.54
- 1 ×
1
3
× P
sd
= 0.65 P
sd

2. Cálculo da armadura transversal
A
s

0.65×252
348×10
3
× 10
4
= 4.7cm
2

A
s

s
=
4.7
0.40
= 11.75cm
2
/m
11.75
2
= 5.88cm
2
/m
3. Cálculo da armadura longitudinal

R
sd,1
= 0.65 × 252 = 163.8 kN
R
sd,2
= 0.35 × 252 = 88.2 kN
F
sd
= R
sd,1
cotg θ
1
+ R
sd,2
cotg θ
2
=
= 163.8 ×
0.4
0.54
+ 88.2 ×
0.8
0.54
= 252kN
A
S
L
=
252
348×10
3
× 10
4
= 7.24cm
2

(+)
DEV
[kN]
300 kN
RA=252 kN
4.20
RB=48 kN
0.80
A B
(-)
252
48
θ1
θ2
Fsd
Rsd,1 Rsd,2
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
89
2.13. FORÇAS DE DESVIO
Quando um varão de uma armadura traccionada possui um ponto anguloso, gera-se
uma força de desvio nesse ponto, tal como ilustrado na figura seguinte.

Nestes casos, há que ter em atenção a posição do varão e sentido da força de desvio
em relação à face exterior do betão pois, caso a força tenha o sentido do interior para
o exterior da peça, poderá ocorrer uma rotura local da camada de betão de
recobrimento.

(a) Situação em que não ocorre rotura

(b) Situação em que poderá ocorrer rotura

2.13.1. Disposição da armadura ordinária por forma a evitar o destacamento do
betão devido às forças de desvio
i) α >15°

ii) α <15°

2.13.2. Forças de desvio de compressão

Fs
Fs
FD
α
M M
M M
A
A
Secção A-A
ou
M
M
Fc
FD
Fc
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
90
3. Torção
3.1. DEFINIÇÕES
3.1.1. Torção de equilíbrio
A distribuição de esforços é apenas condicionada pelo equilíbrio da estrutura, ouseja,
não é possível obter uma distribuição de esforços equilibrada sem a existência de
momento torsor num elemento.
Exemplo:

3.1.2. Torção de compatibilidade
A distribuição de esforços depende da relação entre a rigidez de flexão e torção. No
caso limite de se considerar uma rigidez de torção nula é possível obter uma
distribuição de esforços equilibrada sem a existência de momento torsor na estrutura.
(Fendilhação ⇒ redução da rigidez de torção ⇒ redução dos momentos torsores ⇒
momentos torsores podem, em geral, ser desprezados)
Exemplo:


3.2. TORÇÃO ANALISADA COMO ESFORÇO TRANSVERSO NA LARGURA EFECTIVA DE h
ef

Para a análise de uma secção de betão armado sujeita a um momento torsor, pode
definir-se uma secção oca (secção oca eficaz), confirme ilustra a figura seguinte:
Fs
DMT
[kNm]
(-)
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
91

2c’ ≤ h
ef

A
u

onde,
c’ = c + φ
estribo

A – área da secção de betão
u – perímetro da secção
Representando a secção oca eficaz pela sua linha média, é possível determinar as
tensões tangenciais, equivalentes ao momento torsor actuante, nas paredes da
secção.

Em secções de parede fina, τ =
T
2 Ω e

Ω – área interior à linha média da secção
e – espessura da parede
pelo que, neste caso, τ ττ τ =
T
2 h
m
b
m
h
ef

A resultante de cada uma destas tensões tangenciais não é mais que um esforço de
corte em cada parede da secção.
T
hm
bm
hef
secção oca eficaz
de torção
T
τ
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
92

V
H
= τ × h
ef
× b
m
=
T
2 h
m

V
V
= τ × h
ef
× h
m
=
T
2 b
m


Esforços de corte na parede ⇔ Esforço transverso
3.3. DIMENSIONAMENTO DAS PAREDES SUJEITAS A UM ESFORÇO TRANSVERSO
(Modelo de treliça com θ variável)
3.3.1. Compressão
numa parede vertical,
σ
c
=
V
v
h
ef
h
m
cos θ sen θ
=
T
2 b
m
h
m
h
ef
cos θ sen θ

⇒ σ σσ σ
c
=
T
sd

2 A
ef
h
ef
cos θ θθ θ sen θ θθ θ
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd
, A
ef
= b
m
× h
m

(parede horizontal: conclusão semelhante)
3.3.2. Armadura transversal de torção
numa parede vertical,
A
st

s
=
V
v

h
m
cotg θ f
yd

=
T
2 b
m
h
m
h
ef
cotg θ f
yd

A
st
s
=
T
sd
2 A
ef
cotg θ θθ θ f
yd

(área de cada ramo do estribo)
(parede horizontal: conclusão semelhante)
T
VV
VH
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
93
3.3.3. Armadura longitudinal de torção

Numa parede vertical, A
'
SL
= V
v
×
cotg θ
f
yd

Numa parede horizontal, A
''
SL
= V
H
×
cotg θ
f
yd

(F
T
= V cotg θ)
Nas quatro paredes,
A
SL
= 2 [V
v
+ V
H
]
cotg θ
f
yd
= 2
¸

¸
(
T
2 b
m
+
T
2 h
m

cotg θ
f
yd
=
= T
2 (b
m
+ h
m
)
2 b
m
h
m

cotg θ
f
yd
= T
u
ef

2 A
ef


cotg θ
f
yd
⇒ A
SL
=
T
sd
cotg θ θθ θ u
ef

2 A
ef
f
yd



bm
hm
VH
VV
H
VV
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
94
EXERCÍCIO 2.8

Determine o momento torsor resistente da secção indicada na figura.

Materiais: C25/30
A400
Recobrimento = 2.5cm

0.40
0.40
4φ20
Est. φ8//0.15
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
95
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.8

1. Determinação das características da secção oca eficaz
h
ef

A
u
=
0.4
2

4 × 0.4
= 0.1 m
h
ef
≥ 2c' = 2 × (2.5 + 0.8) = 6.6 cm
b
m
= h
m
= 0.40 – 2 × (0.025 + 0.008 + 0.01) = 0.31m ⇒ h
ef
= 0.09m
A
ef
= b
m
× h
m
= 0.31 × 0.31 = 0.096 m
2

u
ef
= 0.31 × 4 = 1.24 m
A
st

s
= 3.35 cm
2
/m ; A
SL
= 12.57 cm
2

2. Verificação das compressões
(Adopta-se θ = 30°)
σ
c
=
T
sd
2 A
ef
h
ef
cos θ sen θ
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd

⇔T
sd
≤ 0.54 f
cd
× 2 × A
ef
× h
ef
× cos θ × sen θ ⇔
⇔ T
sd
≤ 0.54×16.7×10
3
×2×0.096×0.09×cos 30°×sen 30° = 67.5kNm
3. Armadura transversal
T
sd

A
st
s
×2×A
ef
×cotg θ f
yd
=3.35×10
-4
×2×0.096×cotg 30°×348×10
3

⇔ T
sd
≤ 38.7kNm
4. Armadura longitudinal
T
sd

A
SL
×2×A
ef
×f
syd
cotg θ u
ef
=
12.57×10
-4
×2×0.096×348×10
3
cotg 30°×1.24
= 39.1kNm
⇒ T
Rd
= 38.7kNm
3.4. EFEITO CONJUNTOTORÇÃO / ESFORÇO TRANSVERSO
Quando a torção aparece associada ao esforço transverso, há que ter em conta o seu
efeito conjunto.
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
96

Esforços de corte totais: Q
1
=
V
2
+
T
2 b
m
; Q
2
=
V
2
-
T
2 b
m
; Q
3
= Q
4
=
T
2 h
m

3.5. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A ARMADURAS DE TORÇÃO
3.5.1. Armadura transversal
Espaçamento máximo da armadura transversal: s
máx
= min
\
|
¹
|
1
8
u
ef
,b,h,0.75d
3.5.2. Armadura longitudinal
(i) Espaçamento máximo da armadura longitudinal: s
máx
= 35 cm
(ii) Disposição da armadura na secção transversal: Armadura disposta ao longo do
contorno interior das cintas. Em cada vértice da secção deverá existir, pelo menos,
1 varão.
3.6. DIMENSIONAMENTO CONJUNTO DA SECÇÃO

V/2 V/2
+
T/2bm
T/2hm Q3
=
Q1 Q2
Q4
Msd
AsL σc σc Asw
Vsd
s
aL
Tsd
AsL
s
Ast σc
armaduras longitudinais
compressão nas bielas inclinadas
armaduras transversais
compressão no banzo
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
97
EXERCÍCIO 2.9

Verifique a segurança ao estado limite último da viga indicada na figura, na secção dos
apoios.

(os apoios impedem a rotação da viga segundo o seu eixo)

Materiais: C25/30; A400
Recobrimento = 2.5cm
30 kN/m
0.30
5.00
0.50
1.00
psd
0.15
0.15
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
98
RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.9

1. Determinação dos esforços




M
sd
=
pL
2
8
=
30 × 5
2
8
= 93.8kNm

V
sd
=
pL
2
=
30 × 5
2
= 75kNm

T
sd
= 30 × 0.15 ×
5
2
= 11.25 kNm
2. Características da secção oca eficaz

h
ef
=
A
u
=
0.5 × 0.5
2 (0.3 + 0.5)
= 0.09m
h
ef
≥ (2.5 + 0.6) 2 ≅ 6cm
h
m
= 0.5 – 0.09 = 0.41m ; b
m
= 0.3 – 0.9 = 0.21
A
ef
= 0.21 x 0.41 = 0.086
2

z = h
m
u
ef
= 2 (0.21 + 0.41) = 1.24m

V
zcotg θ
sd
= 75 - 30 x 0.41 x cotg 30 = 53kN
T
zcotg θ
sd
= 11.25 - (30 x 0.15) 0.41 x cotg 30 = 8.05kNm

(+)
DMF
[kNm]
30 kN/m
93.8
DET
[kN]
(+)
(-)
75.0
75.0
(+)
11.25
(-)
11.25
h
ef
p
θ
z cotg θ
p
Cargas transmitidas
directamente ao apoio
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
99
Verificação das Compressões
Torção : σ
c
=
T
sd
2 A
ef
h
ef
sen θ cos θ
=

=
8.05
2 × 0.086 × 0.09 × sen 30° cos 30°
= 1201 kN/m
2

Esf. Transverso: σ
c
=
V
sd
b z sen θ cos θ
=

=
53.7
0.3 × 0.41 × sen 30° cos 30°
= 1008 kN/m
2


σ
TOTAL
c
= 1201 + 1008 = 2209 kN/m
2


σ
c
≤ 0.6
¸

¸
(
1 -
f
ck

250
f
cd
= 9018 kN/m
2

Armadura transversal
Torção:
A
st
s
=
T
sd
2 A
ef
cotg θ f
yd
=
8.05
2 × 0.086 × cotg 30° × 34.8
= 0.78cm/m
2
(por ramo)
Esf. Transverso:
A
sw
s
=
V
sd
z cotg θ f
yd
=
53.7
0.41 × cotg 30° × 34.8
= 2.17cm
2
/m (2 ramos)
\
|
¹
|
A
st
s
+
A
sw
s

/
ramo
= 0.78 +
2.17
2
= 1.87cm
2
/m Est φ6//0.15 (1.88 cm
2
/m)

Armadura longitudinal no apoio
Torção: A
SL
=
T
sd
× cotg θ
1
u
ef
2 A
ef
f
yd
(T
sd
no apoio)
1201
1008
2209
1201
1201
1201-1008
= 193
Betão Armado e Pré-Esforçado I
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)
100

cotg θ
1
= 0.5
b
z
+ 0.5 cotg θ
b = 0 → cotg θ
1
= 0.5 cotg θ
b =
z
2
⇒ cotg θ
1
= 0.25 + 0.5 cotg θ
A
sL
=
T
sd
(0.25 + 0.5 cotg θ) u
ef
2 A
ef
f
yd
=
11.25 (0.25 + 0.5 cotg 30) 1.24
2 × 0.086 × 34.8
= 2.6cm
2
(4 faces)
Esforço transverso: (V
sd
no apoio)
A
SL,ap
=
V
sd
cotg θ
1
f
yd
=
75 (0.25 + 0.5 cotg 30)
34.8
= 2.41cm
2

Face inferior: A
sl
= 2.41 + 2.6
0.21
1.24
= 2.85cm
2

Face superior: A
sl
= 2.6
0.21
1.24
= 0.44cm
2
; Faces laterais: A
sl
= 2.6
0.41
1.24
= 0.86cm
2


Pormenorização
A
s
(1/2 vão)
V
sd
= 93.8kN/m
= 0.092 → ω = 0.099
= 6.39cm
2
/m (2φ16 + 2φ12)



p
θ
z cotg θ
b
cotg θ
z
2
z
θ
1
Ent φ6//0.15
2φ16
2φ6
2φ8

ÍNDICE
1. IDEALIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS .................................................... 21 1.1. RELAÇÕES TENSÃO-EXTENSÃO PARA VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS E.L. ÚLTIMOS .......... 21 1.1.1. Betão ......................................................................................................................... 21 1.1.2. Aço ............................................................................................................................. 21 2. FLEXÃO SIMPLES ...................................................... ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED. 2.1. ANÁLISE DA SECÇÃO ........................................................................................................... 22 2.2. MÉTODO DO DIAGRAMA RECTANGULAR................................................................................. 22 2.2.1. Cálculo de MRd ........................................................................................................... 23 2.2.2. Dimensionamento das armaduras............................................................................. 25 2.3. DIAGRAMAS DE ROTURA POSSÍVEIS DE UMA SECÇÃO SUJEITA À FLEXÃO SIMPLES .................... 31 2.4. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES – GRANDEZAS ADIMENSIONAIS ................................. 33 2.4.1. Método Geral ............................................................................................................. 33 2.4.2. Método do Diagrama Rectangular Simplificado ........................................................ 35 2.4.3. Utilização de Tabelas ................................................................................................ 35 2.5. ESTIMATIVA DO MOMENTO RESISTENTE ............................................................................... 37 2.6. PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM O VALOR DO MOMENTO RESISTENTE ................................... 39 2.7. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS GERAIS ................................................................................. 40 2.7.1. Recobrimento das armaduras ................................................................................... 40 2.7.2. Distância livre mínima entre armaduras (s) ............................................................... 41 2.7.3. Agrupamentos de armaduras .................................................................................... 41 2.7.4. Dobragem de varões ................................................................................................. 42 2.7.5. Posicionamento das armaduras ................................................................................ 42 2.7.6. Princípios a ter em atenção na pormenorização das armaduras .............................. 43 2.8. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS – ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO ................ 43 2.8.1. Quantidades mínima e máxima de armadura ........................................................... 43 2.8.2. Armadura longitudinal superior nos apoios de extremidade ..................................... 44 2.9. DIMENSIONAMENTO DE SECÇÕES EM “T” .............................................................................. 44 2.9.1. Largura efectiva ......................................................................................................... 44 2.9.2. Dimensionamento de secções em “T” por tabelas .................................................... 45 2.9.3. Simplificação de secções para efeitos de dimensionamento à flexão simples ......... 48 3. ESFORÇO TRANSVERSO ..................................................................................................... 53 3.1. COMPORTAMENTO ELÁSTICO ............................................................................................... 53 3.2. COMPORTAMENTO APÓS FENDILHAÇÃO ................................................................................ 53 3.3. MODELO DE TRANSMISSÃO DE CARGAS PARA O APOIO........................................................... 54 3.4. POSSÍVEIS MODOS DE ROTURA ............................................................................................ 55 3.5. AVALIAÇÃO DAS TENSÕES / FORÇAS NOS DIFERENTES ELEMENTOS DA TRELIÇA ...................... 55

3.5.1. Tracções nos estribos ............................................................................................... 56 3.5.2. Compressão na alma ................................................................................................ 57 3.5.3. Influência do esforço transverso nas compressões e tracções paralelas ao eixo .... 58 3.6. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS ............................................................................... 60 3.6.1. Quantidade mínima de armadura transversal ........................................................... 60 3.6.2. Espaçamento entre estribos ...................................................................................... 61 3.6.3. Armadura mínima longitudinal nos apoios de extremidade ...................................... 61 3.7. AMARRAÇÃO DE ARMADURAS .............................................................................................. 64 3.7.1. Comprimento de amarração ...................................................................................... 64 3.7.2. Comprimento de emenda .......................................................................................... 67 3.8. ARMADURA DE LIGAÇÃO BANZO-ALMA ................................................................................. 77 3.9. ARMADURA DE SUSPENSÃO ................................................................................................. 78 3.9.1. Apoios indirectos ....................................................................................................... 78 3.9.2. Cargas suspensas ..................................................................................................... 79 3.10. SECÇÕES COM LARGURA VARIÁVEL ................................................................................... 84 3.11. ARMADURA INCLINADA....................................................................................................... 84 3.12. CARGAS CONCENTRADAS JUNTO AO APOIO ......................................................................... 85 3.12.1. Regras de dimensionamento................................................................................... 85 3.13. FORÇAS DE DESVIO .......................................................................................................... 89 3.13.1. Disposição da armadura ordinária por forma a evitar o destacamento do betão devido às forças de desvio ............................................................................................................................. 89 3.13.2. Forças de desvio de compressão............................................................................ 89 4. TORÇÃO ................................................................................................................................. 90 4.1. DEFINIÇÕES ........................................................................................................................ 90 4.1.1. Torção de equilíbrio ................................................................................................... 90 4.1.2. Torção de compatibilidade ........................................................................................ 90 4.2. TORÇÃO ANALISADA COMO ESFORÇO TRANSVERSO NA LARGURA EFECTIVA DE HEF .................. 90 4.3. DIMENSIONAMENTO DAS PAREDES SUJEITAS A UM ESFORÇO TRANSVERSO............................. 92 4.3.1. Compressão .............................................................................................................. 92 4.3.2. Armadura transversal de torção ................................................................................ 92 4.3.3. Armadura longitudinal de torção................................................................................ 93 4.4. EFEITO CONJUNTOTORÇÃO / ESFORÇO TRANSVERSO ........................................................... 95 4.5. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A ARMADURAS DE TORÇÃO ..................................... 96 4.5.1. Armadura transversal ................................................................................................ 96 4.5.2. Armadura longitudinal ................................................................................................ 96 4.6. DIMENSIONAMENTO CONJUNTO DA SECÇÃO ......................................................................... 96

Betão Armado e Pré-Esforçado I

1. Idealização das propriedades dos materiais

1.1. RELAÇÕES TENSÃO-EXTENSÃO PARA VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA AOS E.L. ÚLTIMOS 1.1.1. Betão
σc
f ck

fcd = α

fck , γc = 1.5 γc
n

0.8 ≤ α ≤ 1.0

f cd

εc σc = fcd ⋅ 1 - 1 -   para 0 ≤ εc ≤ εc2   ε    c2  σc = fcd para εc2 ≤ εc ≤ εcu2 Para as classes de resistência até C50/60,
εc2 [‰] εcu2 [‰] 3.5 n 2.0

εc2

εcu2 εc

2.0

(Diagrama parábola rectângulo) Nota: De acordo com o REBAP, a tensão máxima no betão está limitada a 0.85 fcd por forma a ter em consideração a possível diminuição da tensão de rotura do betão quando este está sujeito a tensões elevadas de longa duração. No entanto, a versão final do EC-2 propõe, em geral, 1.0 fcd, que deve ser adoptado na disciplina, apesar de se referir, nestas folhas, 0.85 fcd.

1.1.2. Aço Para a verificação da segurança aos E.L. Últimos pode ser considerada uma das duas relações constitutivas indicadas pelo EC-2:
σs
k f yk f yk f yd 1 Es = 200 GPa 2 k f yd

fyd =

fyk , γs = 1.15 γs

εud = 0.9 εuk
Classe A235 A400 A500 fyk [MPa] 235 400 500 fyd [MPa] 205 348 43 εyd [×10 ] 1.025 1.74 2.175
-3

yd

ud

uk

s

Os valores de k e εuk a considerar dependem da classe de ductilidade das armaduras e são indicadas na tabela seguinte.

MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas)

21

no que se segue. ANÁLISE DA SECÇÃO Hipóteses adoptadas: Hipótese de Bernoulli εc = 3.3. a resultante das tensões de compressão no betão.0 IMPORTANTE: Apesar do aço permitir extensões desta ordem de grandeza.5‰ x LN (-) Fc z (+) MRd εs ≤ 10‰ Equações de Equilíbrio • • Fs Equilíbrio axial: Fs = Fc Equilíbrio de momentos: MRd = Fs × z 1. de forma simples.35 ≥7.2.5‰ (Deformação máxima de encurtamento no betão) εs = 10‰ (Deformação máxima de alongamento nas armaduras) σc = 0 se εc > 0 ⇔ o betão não resiste à tracção εc ≤ 3. MÉTODO DO DIAGRAMA RECTANGULAR Este método permite simular.5 ≥1. uma extensão limite de 10%º (bastante inferior aos valores de εud) pois aquele é o limite referido no REBAP.5 ≥1. para efeitos da avaliação do Momento Resistente de Dimensionamento.05 ≥2. esta diferença é inócua. 1.15 <1. É importante notar que. considera-se.Betão Armado e Pré-Esforçado I Classe de ductilidade k εuk [%] A B C ≥1. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 22 .08 ≥5.

8x Fc 0. quantidade de armadura. caso se verifique. ou seja.0.8x 0. (+) εs • Se εs ≥ εyd ⇒ a hipótese considerada inicialmente está correcta • Se εs < εyd ⇒ Fs < As fyd (ao contrário do que foi admitido). e admitindo que a rotura se dá pelo betão. εc LN x d (+) (-) 0. Cálculo de MRd Dados: geometria da secção. fyd i) Admitir que σs = fyd (εs ≥ εyd). Fc = Fs ⇔ 0.4x z = d . Esta situação não é desejável e. Este assunto será retomado posteriormente.1. MRd = As fyd (d – 0. deverão adoptar-se procedimentos que conduzam a que as armaduras estejam em cedência (εs ≥ εyd).85 fcd Ac (x) = As fyd ⇒ x = ? iii) Calcular o momento resistente Por equilíbrio de momentos.85 f cd ≅ −0.5‰ ou εs = 10‰ (-) x A partir da posição da linha neutra anteriormente calculada.7‰ −3.5‰ εc Deste modo.85 fcd σc 0.5‰ Rotura convencional: εc = 3.85 f cd 0.85 f cd 0. que as armaduras estão em cedência ii) Determinar posição da linha neutra Por equilíbrio axial. obtém-se a extensão ao nível da armadura.Betão Armado e Pré-Esforçado I εc (-) x 0.4x εs Fs 1. pelo que a posição da LN não está correcta. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 23 .3.4x) iv) Verificar hipótese inicialmente admitida: εs ≥ εyd εc = 3. fcd.

5‰ se x > 0.5‰ (-) A400 : εyd = 1.5 + 2.74⇒ x = 0.175 ⇒ x = 0.74 ‰ x d x d 3.26 d ⇒  εs < 10‰ (rotura pela armadura) (rotura pelo betão) Posição da LN para εc = 3. sem perda de capacidade resistente. se x ≤ 0.5‰ se x < 0.62 d no caso de se utilizar aço A500 ⇒ o aço está em cedência Deverá garantir-se que as armaduras se encontram em cedência na situação de rotura.26 d ⇒  εs = 10‰ εc = 3. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 24 . a peça deve apresentar ductilidade disponível em situação de rotura: deve poder evidenciar deformações apreciáveis por cedência das armaduras. mobilizada integralmente a sua capacidade resistente.5‰ e εs = 10‰ εc = 3.5 = 13. Por outro lado. εc < 3.Betão Armado e Pré-Esforçado I Através da posição da linha neutra é possível saber se a rotura convencional se dá pelo betão ou pela armadura: Posição da LN para εc = 3.5 = 3. por duas razões fundamentais.5 ‰ e εs = εyd (início da cedência do aço) c = 3. ou se x ≤ 0. A primeira pode considerar-se como sendo essencialmente de ordem económica: a armadura utilizada deve ser integralmente aproveitada e.5‰ (-) x d (+) d x 3.5 ⇒ x = 0.5 = 3.26 d (esta situação corresponde ao máximo aproveitamento da capacidade dos materiais) εs=10‰ Deste modo.5 + 1.67 d no caso de se utilizar aço A400. portanto.62 d Deste modo.175 ‰ (+) εs=εyd x d 3.67 d A500 : εyd = 2.

.85 f cd x LN d z As Fs M sd 0. pelo menos.5‰) ou deformação da armadura (εs ≈ 10‰) 1 εcx R =. fyd.0..menor ductilidade) As3 (x3.x Para garantir um nível mínimo de ductilidade disponível deve procurar garantir-se que. Msd 0. ou seja. fcd.εs3) As2 (x2..8x (d .. iii) Calcular a área de armadura necessária Por equilíbrio axial. Fc = Fs ⇔ 0.4x) ⇔ x = . que as armaduras estão em cedência ii) Determinar posição da linha neutra Por equilíbrio de momentos.8x Fc b i) Admitir que σs = fyd (εs ≥ εyd).5‰ 1 R (-) x (+) As εs 1 ( / R)y (1) 1 ( / R)u 1 /R εs=εyd (2) Rotura da secção por esmagamento do betão comprimido (εc ≈ 3.εs1.maior ductilidade) εcx = -3.85 fcd b 0.85 fcd b 0.εs2) (1) (2) As1 (x1.5 d.Betão Armado e Pré-Esforçado I MRd As4 (x4. ⇒ Fc = . Dimensionamento das armaduras Dados: geometria da secção. Msd = Fc × z = 0.εs4. portanto com x inferior ao critério de início da cedência. x ≤ 0.8x = As fyd ⇒ As = ? iv) Verificar hipótese inicialmente admitida: εs ≥ εyd MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 25 .

7MPa) A400 (fyd = 348MPa) Calcule a máxima sobrecarga q que pode actuar com segurança sobre a viga.30 Materiais: C25/30 (fcd = 16.55 3φ20 5.00 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 26 .Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.5 q 0.1 Considere a viga representada na figura seguinte e adopte γG = γQ = 1.

096 0.0.8x Fs = As×fyd = 9.1 Método do diagrama rectangular simplificado 0.096 ⇒ εs = 16.096 ⇒ εc = 2.51 = 167.6‰ Como εmáx = 10‰ ⇒ εs = 10‰ e εc < 3.4x) (1) (2) Fc = 0.5‰ (-) 0.7×103 = 3406.42×10-4×348×103 = 327.454 εs Comportamento dúctil: εs > εyd (critério mínimo.8 × 0.55 – 0.42cm2) 327.2kNm Verificação da hipótese de cedência do aço (εs ≥ εyd) c = 3.5‰ d = 0.8 (1) Fc = Fs ⇔ x = 3406. Cálculo do MRd Equações de equilíbrio (flexão simples) ΣF = 0 ⇔ Fc = Fs ΣM = 0 ⇔ MRd = Fs × z = Fs × (d .85 fcd = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I Resolução do Exercício 2.5‰ 0.11‰ 0.096 = 0.4x = 0.55 (+) εs 3.8x Fc 0.8x × 0.454 = 0.55 = 0.096 εc < 3.175 < 0.26 ⇒ εs = 10‰ ⇒ rotura pela armadura  MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 27 . é desejável que εs > 4‰ a 5‰ ) εyd = fyd 348 = = 1.5‰ s 10‰ εc 0.454 = 0.30 × 0.51m (2) MRd = Fs × z = 327.85 fcd x LN d z Fs M Rd 0.74‰ εs 200×103 x 0.85 × 16.8 = 0.8x × b × 0.096m ⇒ z = d – 0.8kN (As(3φ20)=9.4x 1.4 × 0.

7 psd = 1.30 × 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I 3.0.7 ≤ 167.7kN/m 8 52 53.60 × 25 = 31.3kN/m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 28 .5 (g + q) ⇒ q = 1.7kNm ⇒ psd ≤ = 53.5 . Cálculo da sobrecarga máxima (Msd ≤ MRd) Msd = psd × L2 8 × 167.

2 Considere a estrutura da figura seguinte: Materiais: C25/30.0kN/m2 Sobrecarga = 3.85m2 Espessura da laje: 0.00 ψ1 = 0.00 Revestimento=2.00 4.2) Fs × z a.15m a) Determine as armaduras necessárias para garantir o Estado Limite Último de flexão da viga (Secções S1 e S2) a.4 .00 4.00 S2 Coeficientes de majoração: γG = γQ = 1. A400 Acções: Peso próprio 4.2 Secção da viga: 0.00 4. ψ2 = 0.3) com recurso a tabelas a.1) utilizando o método do diagrama rectangular simplificado a.30×0.4) pormenorize as armaduras de flexão MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 29 .5 S1 Coeficientes de combinação: 3.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.0kN/m2 10.

8 × 0.7 kN Equilíbrio de forças Fs = Fc ⇔ As × 348×103 = 960.282 m ⇒ Fc = 3406.30 Fs Fc = 0.85 × 16. Modelo de cálculo: g.4x) = 660.80 z M sd 0.7 ⇔ As = 960.2 (-) S1 ALÍNEA A.8x × b = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.30 2.85 fcd × 0.2 ⇔ x = 0.2 kNm) 0.2 ALÍNEA A) 1.0 S2 (+) 660.6cm2 348×103 30 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) .8x Fs = As × fyd = As × 348×103 Equilíbrio de momentos: ΣMAS = Msd ⇔ 3406. q S2 10.7×103 × 0.1) + Secção S2 (Msd = 660.8 – 0.8x × 0.85 0. Envolvente do diagrama de esforços DMF [kNm] 272.00 0.7 × 104 = 27.85 fcd x LN 0.282 = 960.00 S1 3.3 = 3406.8x × (0.8x Fc As 0.

43‰ > εyd = 1.8x × (0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 31 .4.105m ⇒ Fc=357. DIAGRAMAS DE ROTURA POSSÍVEIS DE UMA SECÇÃO SUJEITA À FLEXÃO SIMPLES Na figura seguinte apresentam-se os diagramas de deformação de uma secção de betão armado.5‰ 0.282 = 0.282 εc = 3.7 × 104 = 10.105 ⇒ εs = 23. para quatro áreas de armadura distintas (área de armadura crescente).7kN Equilíbrio de forças Fs = Fc ⇔ As × 348 × 103 = 357.518 εs ∴ A armadura está em cedência (a secção tem comportamento dúctil) Secção S1 (Msd = 272.7 ⇔ As = 357.695 Admitindo que εc = 3.28cm2 348×103 Verificação da hipótese de cedência do aço εs 0.518 ⇒ εs = 6. 3.5‰ = 0.30 As Fs 0.5‰ (-) Admitindo que εc = 3.0 kNm) 0.85 f cd Fc z M sd Equilíbrio de momentos: ΣMAS=Msd ⇔ 3406.8–0.74‰ εs (+) 0.80 LN x 0.5‰ 0.4x) = 272.8x 0.51‰ 1.Betão Armado e Pré-Esforçado I Verificação da hipótese de cedência do aço εc = 3.2‰ > 10‰ ⇒ εs = 10‰ ⇒ εc = 1.0 ⇔ x=0.5‰.

1 < x1 M Rd.5‰ εc εyd 10‰ εs Conforme se pode observar na figura seguinte. para baixos níveis de armadura.4 εc (-) εc (-) εc (-) εc x3 (-) x4 M Rd As (+) (+) (+) εs (As muito pequeno) 1 εs (As maior) 2 εs (.3 < M Rd. Este comportamento deve-se à sucessiva diminuição do braço do binário (z) com o aumento da área de armadura.85 f cd 1 4 2 3 e 4 σs f yd 3 1 e 2 −2‰ −3. o aumento da armadura traduz-se em acréscimos cada vez menores de momento resistente. À medida que a quantidade de armadura aumenta.2 < x2 M Rd. existe proporcionalidade entre a área de armadura e o momento resistente da secção..) 4 Apresentam-se em seguida as relações constitutivas do aço e do betão.. esta relação passa a ser não linear.Betão Armado e Pré-Esforçado I M Rd.. M Rd M4 M3 M2 M1 As 1 2 3 4 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 32 ..) 3 (+) s ε (. com indicação qualitativa das tensões e extensões dos dois materiais para os casos acima indicados. σc 0. ou seja.

d2) (2) (Equações não lineares) Cálculo por iterações i) Fixar εs = 10‰ e εc = 3. λx = ⌠ σc y dA ⌡ ⌠ σc dA ⌡ ψ – coeficiente que define o valor da resultante das tensões de compressão no betão λ – coeficiente que define a posição da resultante das tensões de compressão no betão Equações de Equilíbrio • • Equilíbrio axial: Fs = Fc ⇔ ψfcd bx + σs2 As2 = σs1 As1 (1) Equilíbrio de momentos: ΣMAs = M ⇔ M = ψ fcd b x (d .5‰ (-) x < 0. Método Geral d2 LN As2 εc εs2 x (-) σc Fs2 Fc λx Fc = ψ fcd b x Fs2 = σs2 As2 M Fs1 = σs1 As1 d (+) As1 Fs1 εs1 b ψ fcd = ⌠ σc dA ⌡Ac bx .Betão Armado e Pré-Esforçado I 1. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES – GRANDEZAS ADIMENSIONAIS 1.1.5‰ ii) Calcular as forças axiais F • Se |Fc + Fs2| > Fs1 ⇒ εc < 3.5.5.λx) + σs2 As2 (d .26d (a LN tem de subir para diminuir FC) (+) εs=10‰ É necessário arbitrar valores de εc até que ΣF = 0 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 33 .

calcular MRd Nota: Este é um processo de cálculo moroso.5‰ (-) x > 0. Grandezas adimensionais Equações de Equilíbrio • • ψfcd bx = σs1 As1 .1. M = σs1 As1 (d – λx) – σs2 As2 (d – λx) + σs2 As2 (d – d2) = = σs1 As1 (d – λx) + σs2 As2 (λx – d2) Considerando As2 = β As1 e σs = fyd.d      Transformando esta equação numa forma adimensional (dividindo todos os termos por b d2 fcd). 1.Betão Armado e Pré-Esforçado I • Se |Fc + Fs2| < Fs1 ⇒ c = 3.d  ⇔ 2 b d fcd   cd  cd  d2 ⇔ µ = ω (1 – λk) + βω λ k . por forma a que sejam válidas para secções com qualquer geometria.5.d2) Substituindo (1) em (2).λ d  + β As1 fyd d λ d .d    (3) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 34 . Para elaborar tabelas é necessário trabalhar com grandezas adimensionais. a equação (3) toma a forma x x d2 M = As1 fyd d 1 . Na prática recorre-se a programas de cálculo automático ou a tabelas de cálculo.λ d  + β b d f λ d .σs2 As2 (1) (2) M = ψ fcd b x (d .1.λx) + σs2 As2 (d .26d (a LN tem de baixar para aumentar Fc) (+) εs<10‰ É necessário arbitrar valores de εc até que ΣF = 0 ii) Calcular MRd Definida a posição da LN e o diagrama de extensão. resulta M As1 fyd x As1 fyd x d2 = b d f 1 .

µRd = ω (1 – 0.4x x (-) z As b MRd εs Fs MRd = Fs × z = Fs (d – 0.4 d ⇔ µRd = ω (1 – 0. Grandezas adimensionais εc LN d (+) 0.5. k = d (Percentagem mecânica de armadura) 1.85 fcd = As fyd ⇔ k = 1.0.0.47 ω cd Visto que.4x) Admitindo que o aço está na cedência.588 ω ) 1. MRd = As × fyd (d – 0. obtém-se a seguinte expressão para cálculo do momento flector reduzido em função da percentagem mecânica de armadura: µRd = ω (1 – 0.85 f cd 0.5. k = d (percentagem mecânica de armadura) As fyd Fc = Fs ⇔ 0. Utilização de Tabelas As tabelas podem ser utilizadas para: 35 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) . resulta As fyd  x As fyd  x MRd b d2 fcd = b d fcd 1 .2.4x) Transformando a equação anterior numa forma adimensional.5.Betão Armado e Pré-Esforçado I M µ = b d2 f cd As1 fyd ω= bdf cd x (Momento flector reduzido).4k) MRd µRd = b d2 f cd As ω= bd fyd fcd x (momento flector reduzido).4k) e substituindo o resultado anterior.8x Fc 0.1.47 b d f = 1. Método do Diagrama Rectangular Simplificado 1.2.4 d = b d fcd 1 .3.8 ⋅ (kd) ⋅ b ⋅ 0.

Determinação da capacidade resistente Tabelas Dado As1 e As2 determina-se ω e β → µ → MRd = µ b d2 fcd (β .10 Estes valores devem ser tomados como referência para um dimensionamento adequado e não como imposições regulamentares ou outras.30 Momento médio ⇒ k < 0. a posição da L. com utilização de armadura de compressão. dado o momento solicitante 1. um nível de k adequado. para uma dada secção: Momento elevado ⇒ k próximo de 0. ainda.2. deve ser controlada por forma a que se tenha a garantia de um nível de ductilidade adequado. dadas as armaduras.1. com um nível não inferior a β = 0. ii) Determinar as armaduras.Betão Armado e Pré-Esforçado I i) Determinar o momento resistente de uma secção. (ii) Numa viga. ω) Notas: (i) No dimensionamento de uma secção. é possível ter valores de µ superiores e ter-se. por razões construtivas.5. existe sempre armadura de compressão.3. será necessário adoptar armaduras de compressão ou aumentar a secção da viga. Caso isso não aconteça.10 a 0. β ) 1.N. Dimensionamento de armaduras Msd Tabelas fcd Dado Msd determina-se µ = b d2 f → ω1 → As1 = ω1 b d f → As2 = β As1 yd cd (µ. Através dos valores adimensionais do momento (µ) e da posição da LN (k) é possível ter uma noção da ordem de grandeza do momento actuante.5.1.25 Momento pequeno ⇒ µ ≤ 0. dimensionamento adequado) µ ≅ 0. Por exemplo.668 (A400) ⇒ εs próximo de εyd µ 0.5 (secção dúctil. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 36 .3.

9 d. ou superior a 0.9 d. z > 0. M M = Fs × z ≅ As fyd 0. • para µ > 0.15. com pouca armadura de compressão. 9).9 d ⇒ As = 0.25. com β = 0. pode ser menos razoável. portanto a hipótese anterior é conservadora para o dimensionamento da armadura. ESTIMATIVA DO MOMENTO RESISTENTE Fc d Fs z M As Para momentos de ordem de grandeza pequena a média verifica-se que. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 37 .9 d f yd Pela observação das tabelas de flexão simples (pág. pelo que.Betão Armado e Pré-Esforçado I 1.9 d.6. z ≅ 0. para secções rectangulares.15. então a hipótese referida. verifica-se que: • para µ < 0. z < 0. em particular se o valor de µ for da ordem de.

7×103 fcd 16.9 × 0.7×103 16.76 cm2 yd Secção S1 (Msd = 272.3) + Secção S2 (Msd = 660.9d 660.8 × 348×103 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 38 .82 × 16.2 (CONT.34cm2 0.351 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.7 fcd As = ω bd f = 0.9 × 0.2 kNm) Msd µ = b d2 f = cd 660.0 kNm) µ= 272. k = 0.86cm2 0.2) Fs = As × fyd  M  ⇒ M ≅ 0.241 × 0.80 × 348 × 104 = 27.0 Msd = 272.085 ⇒ ω = 0.3 × 0.) ALÍNEA A.9 d f yd  z ≅ 0.80 × 348 × 104 = 10.241.2kNm ⇒ As = × 104 = 26.48 cm2 yd ALÍNEA A.30 × 0.2 + Msd = 660.82×16.8 × 348×103 272.3×0.0 = 0.163 0.206 ⇒ ω = 0.30 × 0.2 = 0.091 × 0.0kNm ⇒ As = × 104 = 10.7 As = ω bd f = 0. k = 0.091.9 d fyd As ⇒ As = 0.

PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM O VALOR DO MOMENTO RESISTENTE Armadura de tracção Fc 2Fc M Rd 2As 2Fs z As Fs <z O momento resistente é quase proporcional à área de armadura. Para momentos elevados. em que geralmente a área comprimida é pequena. Para o nível de esforços usuais. Para o nível de esforços usuais. apenas é importante para esforços elevados. a variação é pouco significativa. a variação é menos significativa. Armadura de compressão Fc As2 M Rd F s1 F s2 Fc z As1 F s1 >z As1 A influência da armadura de compressão no valor do momento resistente. Largura da secção Fc M Rd As Fs Fc z As Fs >z A influência da largura da secção no valor do momento resistente.7. a variação é pouco significativa.Betão Armado e Pré-Esforçado I 1. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 39 . para momentos não muito elevados. apenas é importante para esforços elevados.

1.c . Para o nível de esforços usuais. em que geralmente a área comprimida é pequena. φest = 6 ou 8 mm (para vigas pequenas) 10 a 12 mm (para vigas maiores) h d φlong = 12 a 16 mm (para vigas pequenas) = 20 a 25 mm (para vigas maiores) c – recobrimento s b c φlong Altura útil: d = h .φest . a variação é pouco significativa. Ajudam a rigidificar as malhas de armaduras. Controlam a fendilhação localizada.8. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS GERAIS Armaduras principais: Asseguram a resistência do elemento estrutural relativamente aos esforços de dimensionamento.2 1. apenas é importante para esforços elevados. Asseguram a ligação entre partes de elementos que têm tendência a destacar-se.Betão Armado e Pré-Esforçado I Classe do betão Fc M Rd As Fs Fc z As Fs >z A influência do aumento da classe do betão no valor do momento resistente. Recobrimento das armaduras O recobrimento das armaduras desempenha as seguintes funções: MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 40 . Armaduras secundárias: Têm como função: - Garantir o bom funcionamento das armaduras principais.8.1.

MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 41 . s= b .8.2. Agrupamentos de armaduras Os agrupamentos de armaduras devem ser evitados sempre que possível. 2 cm} onde dg representa a máxima dimensão dos inertes.2φest . φeq maior. e assim garantir a sua aderência por forma a que se verifique uma eficiente transmissão de forças entre o betão e o aço (c ≥ φ ou φeq) (ii) protecção contra a entrada dos agentes agressivos e consequentemente contra a corrosão das armaduras (recobrimento definido em função da agressividade do ambiente de exposição) (consultar Volume 4 – Apontamentos Complementares) 1. Os varões a agrupar devem ser do mesmo tipo de aço.n × φlong . No caso de armaduras para betão armado. desde que o quociente dos diâmetros não exceda o valor 1. É possível agrupar varões com diâmetros diferentes. assegurando-lhes um bom envolvimento pelo betão e as necessárias condições de aderência e protecção. dado que prejudicam a aderência aço/betão. A distância livre entre armaduras longitudinais numa viga pode ser calculada pela expressão. (dg + 5 mm).3. smin = {φmaior.Betão Armado e Pré-Esforçado I (i) mecânica: Destina-se a garantir que há betão suficiente a envolver a armadura. Distância livre mínima entre armaduras (s) A distância livre entre armaduras deve ser suficiente para permitir realizar a betonagem em boas condições.2c . n – número de varões n-1 É necessário compatibilizar a distância entre varões com o espaço necessário para introdução do vibrador (aconselhável: 4 a 5 cm junto à face inferior e 7 a 10 cm junto à face superior) 1.8.7.

1. cintas. do diâmetro do varão e do tipo de armadura (armaduras em geral. . . ganchos.Betão Armado e Pré-Esforçado I Relativamente ao número máximo de varões que é possível agrupar.Não afectar a resistência do aço. é assegurado pelos seguintes elementos: Espaçadores – garantem o recobrimento das armaduras c MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 42 .Não provocar o esmagamento ou fendilhação do betão quando a armadura for traccionada. antes da betonagem.8. n ≤ 4 .). Dobragem de varões Condições a satisfazer: . O diâmetro mínimo de dobragem depende do tipo de aço.4.8. n ≤ 3 (Em qualquer direcção não pode haver mais que 2 varões em contacto) O diâmetro equivalente de um agrupamento pode ser calculado pela expressão φeq = Σφ2 ≤ 55mm i Exemplos: (mais indicado) (aceitável) (desaconselhável) 1. etc. Posicionamento das armaduras O posicionamento das armaduras.em todos os restantes casos. estribos.5.para o caso de armaduras verticais comprimidas ou numa zona de emenda de varões.

Quantidades mínima e máxima de armadura custo da mão de obra ⇒ menor número de varões facilidade de betonagem ⇒ menor número de varões liberdade de dispensa ⇒ maior número de varões menos problemas de fendilhação ⇒ maior número de varões A quantidade mínima de armadura a adoptar numa viga. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS – ARMADURAS LONGITUDINAIS DE FLEXÃO 1. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 43 . pode ser calculada através da expressão seguinte: fctm As.8.Betão Armado e Pré-Esforçado I Cavaletes – garantem o correcto posicionamento das armaduras superiores nas lajes h Varões construtivos (armaduras secundárias) – garantem o espaçamento vertical entre varões longitudinais 1. A quantidade máxima de armadura a adoptar. fora das secções de emenda.máx = 0. é dada por: As.26 f bt ⋅ d yk onde bt representa a largura média da zona traccionada em flexão. Princípios a ter em atenção na pormenorização das armaduras A escolha do tipo de pormenorização no que respeita ao número de varões e diâmetros a adoptar deve ter em atenção os seguintes factores: 1.9.1.04 Ac onde Ac representa a área da secção de betão.9.6.min = 0.

1.10.9.15 As. ter. Deste modo. atrás discutida. deverá adoptarse uma armadura superior dimensionada.10.apoio = máx {As.2. tornam este limite muito superior ao que é razoável. considera-se uma largura efectiva (bef) onde se admite que a distribuição de tensões é uniforme MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 44 . principalmente se se situarem na zona comprimida da secção.Betão Armado e Pré-Esforçado I É importante referir que questões como a garantia de ductilidade. As. pelo menos. hf d0 b1 bw b2 Neste caso.1. e de boa prática.10.1. tal como se pode observar na planta ilustrada em seguida.min. Definição No dimensionamento de vigas com banzos ou com ligação a lajes. DIMENSIONAMENTO DE SECÇÕES EM “T” 1.vão} – + 1. e caso esta ligação não tenha sido considerada no modelo de cálculo. 0. 1. a distribuição de tensões no banzo não é uniforme: as zonas laterais deformam-se menos que a zona central da alma (devido à deformação por corte) – efeito de “shear lag”. Armadura longitudinal superior nos apoios de extremidade Sempre que existir ligação monolítica entre uma viga e um pilar de extremidade. Largura efectiva 1. para um momento flector igual a 15% do momento flector máximo no vão. ε Fc Simplificadamente. e de pormenorização. pode tirar-se partido da existência destes elementos.

Betão Armado e Pré-Esforçado I

b ef

σx,max

M

1.10.1.2. Cálculo da largura efectiva (i) Banzo comprimido
bef bef1 hf bef2

b1

b1

bw b

b2

b2

Para o caso genérico apresentado na figura anterior, a largura efectiva pode ser obtida através da expressão: bef = Σ befi + bw ≤ b onde, befi = 0.2 bi + 0.1 L0 ≤ 0.2 L0, com befi ≤ bi L0 representa a distância entre pontos de momento flector nulo
Determinação de L0
L1 L2 L3

L0 ≈ L1+0.15L2

0.7 L2

0.15(L2+L3)

0.85 L3

(ii) Banzo traccionado No caso de se tratar de um banzo traccionado, dL ≤ 4hf (hf – espessura do banzo)
1.10.2. Dimensionamento de secções em “T” por tabelas Exemplo:
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)

45

Betão Armado e Pré-Esforçado I

hf b bw = 5 ; d = 0.125 b bw = 4 hf/d = 0.10 → ω1 hf/d = 0.15 → ω
2

    

ωa

b bw = 6

hf/d = 0.10 → ω3 hf/d = 0.15 → ω
4

    

ωb

      

ω

Casos particulares:

Dado que se considera que o betão não resiste à tracção, o dimensionamento de uma secção em “T” pode ser efectuado como se esta se tratasse de uma secção rectangular nos seguintes casos: (i) se a linha neutra estiver no banzo, caso este esteja comprimido (acontece na generalidade dos casos) – secção rectangular de largura bef;
b ef LN Fc M As bw Fs As Fs LN b ef Fc M

(ii) se a linha neutra estiver na alma e o banzo estiver traccionado – secção rectangular de largura bw
b ef As LN Fc bw bw Fs M LN Fc As Fs M

MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)

46

Betão Armado e Pré-Esforçado I

RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.2 (CONT.)

ALÍNEA B) Dimensionamento das armaduras considerando a contribuição da laje – Viga em “T”
b ef hf h

hf = 0.15 m h = 0.85m bw = 0.30m

bw

bef = Σbefi + bw = 1.22 × 2 + 0.30 = 2.74 m 3.7 bef1 = 0.2 b1 + 0.1 L0 = 0.2 × 2 + 0.1 × 0.85 × 10 = 1.22 m ≤ 1.7m 0.2 L0 = 0.2 × 0.85 × 10 = 1.7 m Hipóteses para o dimensionamento da secção: (i) Se a L.N. estiver no banzo da secção, o dimensionamento pode ser efectuado como se a secção fosse rectangular, de largura bef. (ii) Se a L.N. estiver na alma da secção, o dimensionamento terá de ser efectuado com base em tabelas de secção em “T” (ou recorrendo ao método do diagrama rectangular simplificado). Para verificar se a L.N. está no banzo, MSd = 660.2kNm ⇒ µ = 660.2 = 0.023 ⇒ k = 0.076 2.74×0.82×16.7×103

x = k × d = 0.076 × 0.8 = 0.06 m < 0.15 m ⇒ a LN está no banzo fcd 16.7 µ = 0.023 ⇒ ω = 0.024 ⇒ As = ω b d f = 0.024×2.74×0.8× 348 × 104 = 24.77cm2
yd

MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)

47

Betão Armado e Pré-Esforçado I

1.10.3. Simplificação de secções para efeitos de dimensionamento à flexão simples

1) Secção real
b

b

bw

2bw

b'

b'

2) Secção real

bw

2bw


b

b

3) Secção real

bw

bw


b

b

Secções a considerar no dimensionamento à flexão 1)
b

M
2bw

M


b'

b'

b

(se a LN estiver no banzo)

(se a LN estiver no banzo)

Nota: Se a LN estiver na alma da secção, o dimensionamento poderá ser efectuado com base numa secção em T (considerando a existência do banzo que estiver comprimido, e desprezando o banzo traccionado)
MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço
axial desprezável (vigas)

48

Betão Armado e Pré-Esforçado I 2) e 3) ⇔ bw M M b bw b (se a LN estiver na alma) (se a LN estiver no banzo) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 49 .

20 Materiais: C20/25.3 Considere a estrutura da figura seguinte: sc cp S2 3.0 kN/m 1.0 kN/m 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 50 .50 10.20 0.00 S1 3.00 Coeficientes de majoração: γG = γQ = 1. A400 Acções: pp + revest.15 1.50 0. = 20.5 a) Determine as armaduras necessárias para garantir o Estado Limite Último de flexão da viga (secções S1 e S2) b) Pormenorize as armaduras de flexão.00 sobrecarga = 40.

3 kNm 2 2 psd × L22 90 × 102 S1 = .52 == -551.8 kNm) 0.551.40 × 0.40 × 0.50 DMF [kNm] 551.00 3.Msd = .952 × 13.0 × 104 = 19.8 µ = bd2 f = = 0.50 10.120 ⇒ ω = 0.00 0.95 × 348.40 Msd 573.131 × 0.3 (-) psd = 1. Esforços de dimensionamento p sd 3.3×103 cd fcd 13.L.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.U.131 0. flexão) + Secção S2 (Msd = 573.3 = 573.8 kNm 8 8 2.00 M sd LN ⇔ 1. Determinação das armaduras (E.3 ALÍNEA A) 1.20 LN 1.3 As = ω bd f = 0.5 × (20 + 40) = 90 kN/m MsdS1 = MsdS2 psd × L12 90 × 3.8 551.20 0.3 (-) (+) 573.03 cm2 yd MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 51 .

00 ⇔ LN 1.3 = 0.112 µ = bd2 f = 1. 0 × 0.046 ⇒ k = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I Secção S1 (Msd = 551.0 × 104 = 17.112 × 0.0 × 0.3 kNm) Hipótese: a LN encontra-se no banzo da secção M sd LN 1.3 As = ω bd f = 0.00 Msd 551.95 × 348.048 fcd 13.42cm2 yd MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 52 .048 × 1.952 × 13.3×103 cd x k = d ⇔ x = k × d = 0.106 ⇒ LN está no banzo µ = 0.00 1.046 ⇒ w = 0.95 = 0.

COMPORTAMENTO APÓS FENDILHAÇÃO Flexão + Esforço transverso Flexão Flexão + Esforço transverso A fendilhação tende a ser perpendicular à direcção das tensões principais de tracção. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 53 . COMPORTAMENTO ELÁSTICO Numa viga de betão não fendilhada (comportamento elástico) definem-se as seguintes trajectórias principais de tensão: σ σ + A τ trajectórias das compressões principais trajectórias das tracções principais Elemento A t σc Quando σt = fct.2. Esforço Transverso 2. inicia-se a fendilhação por esforço transverso 2.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2.1.

MODELO DE TRANSMISSÃO DE CARGAS PARA O APOIO θ Este modelo poderá assemelhar-se a uma treliça.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2. e o betão comprimido entre fendas com uma resultante assimilável a uma escora ou biela comprimida. neste modelo de treliça. cada barra representa (ou é a resultante de) um campo de tensões: (1) Campo de tracções verticais (2) Campo de compressões inclinadas z cotg θ estribos verticais (ou inclinados) z cotg θ bielas inclinadas MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 54 .3. z θ z cotg θ z cotg θ bielas comprimidas (resultante da zona de compressões correspondente) tirantes (resultante das forças de tracção nos estribos no comprimento z cotgθ) Assim. onde as armaduras transversais e longitudinais funcionam como tirantes.

5. armaduras longitudinais e bielas comprimidas. POSSÍVEIS MODOS DE ROTURA (i) Rotura dos estribos (ii) Rotura por esmagamento do betão (nas bielas comprimidas) (iii) Rotura por arrancamento da armadura inferior do apoio (amarração insuficiente) ou rotura da armadura (armadura insuficiente) 2.4. armadura longitudinal É assim possível relacionar os esforços (M e V) com as tensões nos diferentes elementos: armaduras transversais. 2. AVALIAÇÃO DAS TENSÕES / FORÇAS NOS DIFERENTES ELEMENTOS DA TRELIÇA (admitindo uma inclinação θ para as bielas comprimidas na alma) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 55 .Betão Armado e Pré-Esforçado I (1) Campo de tracções e compressões paralelas ao eixo compressão tracção banzo comprimido.

Tracções nos estribos cargas que se transmitem directamente para o apoio cargas que se transmitem directamente para o apoio z θ θ b DEVsd z cotg θ Vsd(x) z cotg θ b x x Vsd(x) zona do diagrama de esforço transverso que interessa para efeitos de dimensionamento da armadura transversal Vsd (x) Fs ≥ Vsd ⇔ Asw × fyd ≥ Vsd (x)⇔ ⇔ Vsd (x) Asw Asw Vsd (x) s fyd ≥ z cotg θ ⇒ s ≥ z cotg θ fyd Asw b z cotg θ b x = 2 + z cotg θ .s = Asw Asw Vsd s z fywd cotg θ ⇔ s ≥ z cotg θ fywd (1) onde fywd representa o valor de cálculo da tensão de cedência da armadura de esforço transverso. VRd.5.1. Vsd (x) . MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 56 .área de aço por unidade de comprimento (armadura distribuída por m). z cotg θ Os estribos têm que ser prolongados até ao apoio por forma transmitir para a zona superior da viga as forças devidas às escoras assinaladas na figura.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2. z ≅ 0. EUROCÓDIGO 2: O valor do esforço transverso resistente é dado pelo menor valor entre (1) e (2).força vertical por unidade de comprimento.9d Asw s .

θ Rotura R z cotg θ onde a resistência do betão à compressao é menor (na última biela “em leque” surge um campo biaxial de tensões que conduz a um aumento da resistência à compressão do betão).6 1 . esta expressão pode ser escrita na forma 57 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) .2.)  R ≤ 0.250  fcd   Na biela em leque considera-se para verificação da segurança σc ≤ 0. na biela a seguir ao apoio.max = αcw bw z ν1 fcd cotg θ + tg θ (2) fck onde αcw = 1 para estruturas sem pré-esforço e ν1 = 0. Compressão na alma Fc Fc θ Fs Vsd a θ Vsd Vsd sen θ = F ⇒ Fc = sen θ c b z cotg θ σc = Fc bw a sen θ = σc = a ⇔ a = (z cotg θ) × sen θ = z cos θ = z cos θ z cotg θ Vsd (x) Vsd ⇒ σc = 0. em geral.9d bw sen θ cos θ sen θ × bw × z cos θ A máxima compressão surge junto ao apoio .6 1 . As tensões de tracção nos estribos originam uma diminuição da resistência à compressão do betão.85 f  cd  Aapoio  VRd. pelo que fck σc ≤ 0.250    Pelo que.5. A rotura ocorre.85 fcd EUROCÓDIGO 2 (cont.zona onde Vsd é máximo.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2.

250 fcd z bw sen θ cos θ   2.250  fcd VRd.6 1 .3. V cotg θ 2 Vsd Fc Fc θ θ V cotg θ 2 θ FT Vsd FV = Fc cos θ = T V cos θ = V cotg θ sen θ É necessário distribuir a força de tracção FV igualmente pelos banzos comprimido e T traccionado por forma a não alterar o momento aplicado à secção.3.6 1 .max = bw z 0. a resultante dos esforços axiais tem que ser nula.5. FM M FM + FV V = FM V FM M FV FV FV M V FM = z .max (cotg θ + tg θ) fck ⇔ = 0.max = 0. para equilibrar a componente horizontal de Fc tem que se verificar uma variação nas compressões e tracções devidas a M.5.1. Influência do esforço transverso nas compressões e tracções paralelas ao eixo Uma vez que os esforços exteriores são M e V. Apoio de extremidade z θ1 θ θ b z cotg θ b + z cotg θ 2 2 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 58 .Betão Armado e Pré-Esforçado I fck VRd.250 fcd ⇔ z bw  cotg θ + tg θ   fck VRd. Deste modo.6 1 . FV = 2 cotg θ 2.

z M +V cotg θ z 2 θ θ θ1 z cotg θ b θ θ1 z cotg θ θ M -V cotg θ z 2 DFT V cotg θ 2 M/z Nota: Na zona central.2.5 cotg θ ⇒ FT = 2 cotg θ 2) z ≅ 2b b cotg θ1 = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I Fc R = Fc sen θ1 ⇔ Fc = R sen θ1 cos θ1 = R cotg θ1 sen θ1 θ1 FT R FT = Fc cos θ1 ⇒ FT = R b z 2 + 2 cotg θ b cotg θ1 = = 0.5 z + 0.5 cotg θ = 0.5. Apoio de continuidade FT = const.3.5.5 cotg θ z Como FT depende da largura do apoio.20 R (θ1 ≅ 40°) 2. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 59 .25 + 0.3.3. pode tomar-se por simplificação: 1) Apoio pontual (b = 0) R cotg θ1 = 0.5 2b + 0.25 + 0. bem como os correspondentes diagramas de força de tracção na armadura longitudinal.5 cotg θ) ≅ 1. a inclinação das compressões varia entre θ e 90° (cotg 90° = 0) 2.5 cotg θ ⇒ FT = R (0. Armadura longitudinal no vão Considere-se a viga simplesmente apoiada representada na figura seguinte.

α ≅ tg α = flexão V/2 cotg θ x As V 1 V z ⇒ 2 cotg θ × x = z ⇒ x = 2 cotg θ α M/z V/2 cotg θ x As necessária Para ter em conta o aumento da tracção na armadura longitudinal é suficiente considerar uma translação do diagrama de momentos de x. podem ser quantificadas através da imposição de uma percentagem mínima de armadura.Betão Armado e Pré-Esforçado I FT M/z + FT V/2 cotg θ = FT V M M+V M/z + V/2 cotg θ d M 1 dM V α = dx  z  = z dx = z   por outro lado. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS EM VIGAS 2. Quantidade mínima de armadura transversal As áreas mínimas de armadura transversal.6.min = Asw s × bw MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 60 .1.08 fck fyk A percentagem de armadura transversal define-se através da expressão ρw. 2.min = 0.6. dada por: ρw.

6. Armadura mínima longitudinal nos apoios de extremidade A área de armadura longitudinal inferior a adoptar em apoios sem continuidade deverá ser pelo menos 25% da área de armadura adoptada na zona do meio vão. mais aconselhável.75 d (1 + cotg α).6.3.5 d. não devendo ultrapassar-se em geral s ≤ 0. entre 0. o espaçamento máximo entre estribos deverá respeitar a condição: s ≤ 0. 2.10 m e 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 61 .25 m). onde d representa a altura útil do elemento. Usualmente utilizam-se espaçamentos entre 0. Espaçamento entre estribos Por forma a evitar que a fenda se forme entre estribos.2.075 m e 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2.30 m (ou.

A400NR a) Calcule as armaduras transversais admitindo. a tensão máxima de compressão nas bielas.30 5. c) Calcule. para ambas as situações.4 Considere a estrutura da figura seguinte: q = 12kN/m g = 25kN/m 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 62 . para ambas as situações. os efeitos na armadura longitudinal. b) Verifique. ângulos de 30° e 45°. para inclinação das bielas de compressão.00 Materiais: C25/30. d) Pormenorize a armadura longitudinal ao longo da viga.60 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.

Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.5 × 55.8 kN 2 2.1 = 1481kN/m2 0.4 kNm 8 Vsd = 55.250  × 16.5m Vsd (z cotg θ) = 138.39cm /m ALÍNEA B) i) θ = 30° σc = Vsd 90. Cálculo das armaduras transversais para θ = 45° z cotg θ = 0.87m Vsd (z cotg θ) = 138.5kN Vsd 90.8 – 0.5 × 5 = 138.1kN Asw 111.5 Asw ≥ = × 104 = 3.6 1 .55 × cotg 30° = 0.3 × 0.5 = 90.1 2 s = 348 × 103 × 0. Cálculo das armaduras transversais para θ = 30° z cotg θ = 0.3×0.250  fcd = 0.5×sen 30°×cos 30° ii) θ = 45° σc = 111.6 1 .0 cm2/m s z cotg θ fyd 0.87 × 55.9 d × cotg θ = 0.9 d bw sen θ cos θ 0.5 × 52 Msd = 8 = = 173.87 × 348 × 103 3.5 = 111.9 × 0.5 = 6.7×103 = 9018 kN/m2     MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 63 .4 ALÍNEA A) 1.5 kN/m pL2 55.5 = = 1393kN/m2 0.5 × sen 45° × cos 45° fck 25 σc ≤ 0.8 – 0.5 (12 + 25) = 55. Determinação dos esforços psd = γg × g + γq × q = 1.55 × cotg 45° = 0.9 × 0.

rqd fbd – tensão de aderência MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 64 .4kN 2 s ii) Considerando a largura do apoio Fs = 1. conforme ilustrado na figura seguinte. no interior de um bloco de betão. Armadura no apoio de extremidade i) Considerando um apoio pontual R b = 0 ⇒ Fs = 2 cotg θ θ = 30° ⇒ F  θ = 45° ⇒ F s = = 138. Comprimento de amarração Considere-se um varão de aço embebido. f bd Fs = As σsd lb. AMARRAÇÃO DE ARMADURAS 2.2 × 138.7.1.8 × cotg 30° = 120.5 θ = 30° → x = 2 cotg θ = 2 cotg 30° = 0.6 ⇒ As ≥ f = × 104 = 4.2 R = 1.Betão Armado e Pré-Esforçado I ALÍNEA C) 1. Cálculo do comprimento de translacção z 0.8 × cotg 45° = 69.5 θ = 45° → x = 2 cotg θ = 2 cotg 45° = 0. num determinado comprimento.8 = 166.2kN 2 138.43m z 0.6kN Fs 166.79cm2 348×103 yd Comentário: menor θ ⇒ maior área de armadura nos apoios 2.25m Comentário: menor θ ⇒ maior comprimento de translacção 2.7.

FRc ≥ Fs ⇔ Ac × fbd ≥ Fs . η2 = (132 . os varões estão em boas condições de aderência se se situarem na metade inferior do elemento ou a mais de 30 cm da sua face superior. Deste modo. Condições de aderência Os varões dizem-se em condições de boa aderência se verificarem uma das seguintes condições: formem com a horizontal um ângulo entre 45º e 90º. onde Ac = π φ lb e representa a área de betão em contacto com a armadura.rqd = φ σsd (Comprimento de amarração base) 4 fbd π φ2 4 σsd O valor da tensão de aderência (fbd) pode ser calculado através da seguinte expressão: fbd = 2. η2 é um coeficiente que depende do diâmetro do varão (η2 = 1.φ) / 100 para φ ≥ 32 mm). não haja escorregamento entre os dois materiais.0 para boas condições de aderência.min onde.25 η1 η2 fctd onde.rqd para que. quando a espessura excede 25 cm. O comprimento de amarração necessário lbd pode ser calculado através da expressão lbd = α1 α2 α3 α4 α5 lb.0 para φ ≤ 32 mm. quando o varão for submetido a uma força de tracção.7 para outras condições de aderência). η1 é um coeficiente que depende da qualidade da aderência e da posição do varão durante a betonagem (η1 = 1.rqd fbd = As σsd ⇒ π φ lb.rqd ≥ lb. estejam integrados em elementos com espessura (na direcção da betonagem) inferior ou igual a 25 cm.rqd fbd = De onde resulta lb.Betão Armado e Pré-Esforçado I É possível definir o valor do comprimento necessário lb. η1 = 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 65 . Ac × fbd ≥ Fs ⇔ π φ lb. fctd representa o valor de dimensionamento da resistência do betão à tracção.

min = máx {0. para varões traccionados com amarrações curvas: lb.eq (α ≥ 90°) (caso a distância livre entre varões e o recobrimento na direcção perpendicular à amarração sejam superiores a 3φ) para varões comprimidos ou traccionados com barras transversais soldadas: lb.Betão Armado e Pré-Esforçado I α1 α2 α3 é um coeficiente que tem em conta a forma do varão na zona da amarração.6 lb.eq lb. 100 mm} Simplificadamente. é um coeficiente que tem em conta o recobrimento do varão.6φ lb.rqd = 0. 10φ.min varões traccionados: lb. α5 é um coeficiente que tem em consideração o efeito favorável da existência de tensões de compressão transversais ao plano de escorregamento. α4 é um coeficiente que tem em consideração o efeito de varões transversais soldados ao longo do comprimento de amarração.rqd φt ≥ 0. 100 mm} varões comprimidos: lb.7 lb.3 lb.eq = α1 lb.rqd = 0.rqd.eq = α4 lb.rqd ou ≥ 5φ α lb.eq ≥ 5φ MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 66 .min = máx {0. é um coeficiente que tem em consideração o efeito do confinamento conferido pela existência de armaduras transversais à amarração. 10φ.rqd.7 lb. ao longo do comprimento de amarração. Comprimento de amarração mínimo lb.

30 69 A500 η1 = 1 η1 = 0.35 37.13 29.94 47.67 26. ser evitadas e caso sejam necessárias.33 m bd σsd = 45 = 223. ou por meio de dispositivos mecânicos especiais (acopladores.Betão Armado e Pré-Esforçado I C20/25 A400 η1 = 1 η1 = 0.47 30.51 C30 28.7 38.rqd C25/30 A400NR 45 kN RESOLUÇÃO: 1.98 41. se possível. devem ser efectuadas em zonas em que os varões estejam sujeitos a tensões pouco elevadas. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 67 .7 MPa φ σsd φ 223.5 = 2.8 fbd = 2.19 33.7 C25 32.2.34 C50 19.9 MPa 2.01×10-4 2.14 48.23 51.25 × 1.25 η1 η2 fctd = 2.6 32.0 × 1.84 C45 21.56 24.0 × 1.7.9 lbd = lb.rqd = 4 f = 4 2. por soldadura.7 φ = 0.76 C35 26.99 42.7 EXEMPLO Calcular o comprimento de amarração necessário de um varão φ16 solicitado por uma força de 45kN.99 35.26 57.4 36.20 46 40. por exemplo).7 = 20. Comprimento de emenda As emendas dos varões das armaduras ordinárias devem.06 C40 23. Materiais: lb.84 38. As emendas de varões podem ser realizadas por sobreposição.99 28.6 55.

65 l0 ≥0. a distância livre entre varões não deve ser inferior a 2φ ou 20 mm.200mm} Condição para que duas emendas possam ser consideradas em secções diferentes ≥0. O comprimento de emenda (l0) deve ser calculado de acordo com a expressão: l0 F F l0 = α1 α2 α3 α5 α5 lb.3 l0.rqd.3α6 lb. No caso de duas emendas adjacentes. Comprimento de emenda mínimo l0.min=máx{0. caso contrário o comprimento de emenda deve ser acrescido de (s – 4φ).65 l0 Reforço com armadura transversal na zona da emenda (dispensado caso φ ≤ 20 mm ou caso a percentagem de varões emendados seja inferior ou igual a 25%) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 68 . ou de 50% se os varões estiverem dispostos em várias camadas.15φ. A distância longitudinal entre duas emendas consecutivas não deverá ser inferior a 0.rqd ≥ l0.min onde α6 é um coeficiente que tem em conta a relação entre a secção dos varões emendados e a secção total dos varões existentes na mesma secção transversal. A percentagem de varões a emendar numa mesma secção transversal pode ser de 100% caso os varões estejam dispostos numa única camada. A distância livre entre armaduras não deve ser superior a 4φ ou 50 mm. Procurar manter a simetria.Betão Armado e Pré-Esforçado I As emendas por sobreposição devem satisfazer os seguintes critérios: Não localizar as emendas nas zonas de maiores esforços.

Betão Armado e Pré-Esforçado I a) Armadura em tracção a) Armaduras em tracção b) Armadura em compressão MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 69 .

) ALÍNEA D) 1.3cm2) Visto que Aapoio ≥ 4.5 = 2.31 = 4.0 × 1.27.28 × 10-4 348 fcd = 0.7 ⇔ x = 3.7 = 0.7 MPa φ σsd 0.552 × 16.03 – aL – Lb.84cm2 yd Adoptam-se 2φ16 + 2φ20 (10.6 φ = 0.3 × 348 = 212.2 6.552×16.4kNm ⇒ µ = bd2 f = cd 173. é possível dispensar 2φ16 s 2.43 + 0.3 × 0.079 ⇒ µ = 0.net = 3.5 kN/m x2 M(x) = 138.43 – 0.25 × 1.71m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 70 .124 0. Cálculo da armadura necessária a meio vão Msd Msd = 173.25 η1 η2 fctd = 2.7kNm 3.28cm2) As ω= bd fyd 6. Determinação da secção de dispensa de armadura 55.net = 1.97 + aL + Lb.4 (CONT.5 × 2 = = 138.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.43m Secções de dispensa de armadura: x1 = 1.075 MRd = µ × b d2 fcd = 0.75x2 = 113.8 fbd = 2.114 ⇒ ω = 0.29 m x2 = 3.03 – 0. Cálculo do MRd correspondente a 2φ20 (6.8 kN x DMF (+) M(x) 138.55 × 16.3×0.7 = 19.79cm2 .31 = 0.7×103 = 113.4 = 0.97m ∨ x = 1.016 212.8 × x – 55.3 × 0.075 × 0.7×103 fcd As = ω b d f = 9.03m 1.8 kN Msd = MRd ⇔ 138x .31m bd z aL = 2 cotg θ = 0.75x2 138.0 × 1.2MPa ⇒ lbd = 4 f = 4 2.28 σsd = 10.97 + 0.8 x – 27.

5 ALÍNEA A) 1.45 A Vsd = 1.0 p=1 kN/m DEV [kN] 3.00 DEV [kN] 4.0 (+) ( ) 0.8kN MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 71 .55 (+) (-) 3.00 3.25 × 4. Determinação do esforço transverso solicitante p=1 kN/m 10.5 × (28.45 Considerando alternância de sobrecarga.55) + 1.5 × (12 × 5) = 282. p=1 kN/m DEV [kN] 5.5 Para a estrutura já analisada no Exercício 2.0 (+) (-) 5.0 (+) 5.1 determine: a) As armaduras transversais necessárias ao longo da viga b) A distribuição de armaduras longitudinais ao longo da viga c) Pormenorize as armaduras na viga RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.

1 = 5667.Betão Armado e Pré-Esforçado I VB.2MPa MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 72 .5 kN Vsd.dir = 1.9 d = 0. z ≅ 0.8kN/m2 ≅ 5. d = 0.B esq (z cotg θ) = 329 – 60.85 fcd = 0.esq = 1. Verificação das compressões i) Bielas comprimidas σcmáx = Vsd(z cotg θ) 253.85 × 16.1 (+) 282.5 × (12 × 5.0 181.A (z cotg θ) = 282.25 = 253.3 × 0.85 fcd ap B Rsd = 329.72 m z cotg θ = 0.6 1 .25 × 5.25 = 207.4 × 1.25 + 12) × 3 = 181.8 (+) (-) 181.8 – 60.30×sen 30°×cos 30° 25 fck σcmáx ≤ 0.80m .25 m Vsd.5 = = 2710.72×0.72 × cotg 30° = 1.8 329.3 0.1 – 60.250  × 16.7 = 14.0 + 181.7MPa z bw senθ cosθ 0.7×103 = 9018 kN/m2     ii) Apoio R σc = A ≤ 0.4 × 1.7MPa 0.3kN/m2≅ 2.1kN sd i) Envolvente do diagrama de esforço transverso 282.45) = 392.6 1 .4 × 1.3 kN Vsd.5 × (28.25 = 105.45) + 1.6 kN 2.5 × (28.B dir (z cotg θ) = 181.1 ⇒ 329.0 ii) Determinação de Vsd (z cotg θ) Considerando θ = 30°.0kN sd VB.1 = 510.250  fcd = 0.1kN σc = 510.

3 Asw Vsd (z cotg θ) = = × 104 = 4.001 fyk 400 Asw Asw 1 ρw.174. Determinação da zona da viga em que se adopta (Asw/s)min i) Cálculo de VRd.5 4 2 s = 0.43cm /m iv) Cálculo da armadura mínima ρw.4 x2 181.72×cotg 30°×348×103 × 10 = 5. x2 = 329 .174.8 .0010×0.25) 4.02×10-4×0.56m 60.30×104 = 3.25 ⇒ 4.Betão Armado e Pré-Esforçado I 3.) Asw 105.5 = 1.72×cotg 30°×348×103 ii) Apoio B (esq.84cm /m iii) Apoio B (dir. min Estribos φ8//0.) Asw 253.min = 0.02 cm2/m Asw VRd = s ×z cotg θ×fyd=4.78cm2/m s z cotg θ fyd 0.08 fck 0. Cálculo da armadura transversal nos apoios i) Apoio A 207.5 x1 329. Avão → 6φ25 s s 1.08 25 = = 0. Cálculo do comprimento de translacção z 0.4 ALÍNEA B) Aapoio → 4φ16 + 2φ12.72 × cotg 30° × 348×103 × 10 = 2.72 aL = 2 cotg θ = 2 cotg 30° = 0.5 = 2.8 174.001 ⇔  s  × b = 0.0cm2/m  min  min w (adoptam-se estribos φ8//0.1 x1 = 282.62m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 73 .6 4 2 s = 0.72×cotg 30°×348×103 = 174.min = 0.001 ⇔  s  = 0.5kN 282.0 1 60.79m 60.4 .

154 0.2 × x2 = 493.35m ∨ x1 = 1.8 × x – 60.63 9.085 0. Armadura inferior i) Plano de dispensas: 6φ25 → 4φ25 → 2φ25 ii) Capacidade resistente da viga após as dispensas Armadura As [cm ] 2 ω µ MRd [kNm] 4φ25 2φ25 19.00 DMF [kNm] (+) x (-) 60.00 282.8 ⇔ x3 = 7.8 kN x2 M(x) = 282.0 256.8 660.net = 2.32m MSd=256.02m iv) Cálculo dos comprimentos para dispensa da armadura Dispensa de 6φ25 → 4φ25 x2’ = x2 – aL – Lb.080 493.2x2 MSd = 493.82 0.5 493.8 kN 3.8 iii) Cálculo das coordenadas x Carregamento correspondente ao máximo momento no vão sc=12.5⇔x4 = 8.8 × x – 30.8kNm ⇔ 282.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2.5 256.2 493.32 – 0.8 × x – 30.62 – 0.5kNm⇔282.4 kN/m M(x) x 282.3 kN/m 10.16 m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 74 .0 kN/m cp=28.54 = 1.2 × x2=256.4 × 2 = 282.5 x1 x2 x3 x4 272.170 0.8 × x – 30.04m ∨ x2 = 2.8 256.

6 109.63cm2 348 × 103 2) Considerando indirectamente a dimensão do pilar FT = 1.72 + 0.54 = 8.40 = 9.net = 1.8 FT=2 cotgθ1 = 2 × cotg 30° = 244.2 R = 1.2 × 282.7 MPa 4 φ σsd 0.62 – 0.025 232 σsd = 6 × 348 = 232 MPa ⇒ lbd = 4 f = 4 2.025 174 2 4 2. Armadura superior i) Plano de dispensas: 4φ16 + 2φ12 → 4φ16 → 2φ16 ii) Capacidade resistente da viga após as dispensas Armadura As [cm ] 2 ω µ MRd [kNm] 4φ16 2φ16 8.5 × z + 0.066 0.070 0.5 cotgθ = 282.8 × 0.37 m σsd = φ σsd 0.54 m bd Dispensa de 4φ25 → 2φ25 x1’ = x1 – aL – Lb.30 FT=R cotgθ1 = R × 0.9kN⇒As = 7.30 × 0.04 + 0.63cm2 3.40m 4 × 348 = 174 MPa ⇒ lbd = 4 fbd = v) Verificação da armadura no apoio 1) Considerando pilares 0.30 [m2]: b 0.0 × 1.75cm2 < 19.0 m x4’ = x4 + aL + Lb.034 211.40 = 0.02 – 0.5 = 2.8kN     As = 303.25 × 1.5 × 0.63cm2 3) Considerando um apoio pontual R 282.7 = 0.net = 7.net = 8.25 η1 η2 fctd = 2.04 4.35 + 0.4 kN ⇒ As = 9.73cm2 < As (4φ25) = 19.035 0.8 × 104 = 8.0 × 1.02 0.62 + 0.7 = 0.04cm2 < 19.Betão Armado e Pré-Esforçado I x3’ = x3 + aL + Lb.62 + 0.20 m 1.0 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 75 .8 fbd = 2.5 cotg 30°=303.8 = 339.

0 = 21.4kN/m sd pvão = 1.6kNm ⇔ 30.6kNm ⇔ 21.26m Msd = 109.6⇔x1 = 0.6 109.0 x 2 x1 x4 x3 109.0 = 211.0 211.0 = 211.2 x32 – 181.0kNm ⇔ 21.0 x 181.Betão Armado e Pré-Esforçado I 272.0 kN/m cp=28.6 ⇔ x2 = 0.4 × x × 2 – 239.0kN sd Consola 272 kNm 60.4 kN/m Msd(x) 272 kNm x Msd(x) = 42.0 kN Msd = 211.2 x52 – 239 x5 + 272.45 × 12.1x + 272.28 m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 76 .2x2 – 181.0 × (12 + 28.73m Msd = 0 ⇔ 21.25) × 1.10m Vão 42.0 × x + 272.4kN/m sd Vdir = 3.1x3 + 272.6 211.5 × 28.0⇔x3 = 1.35m Msd = 109.0 iii) Cálculo das coordenadas x Carregamento correspondente ao máximo momento negativo no apoio e no vão à esquerda do apoio: sc=12.25 + 0.2 x42 – 239 x4 + 272.0 = 109.0 = 0 ⇔ x5 = 1.0 ⇔ x4 = 0.0) × 1.4 × x × 2 – 181.45 × 28.0kNm ⇔ 30.1kN sd Vesq = (5.0 x 239.25 = 42.2 x12 – 181.1x1 + 272.5 = 181.0 = 30.0 = 109.3 kN/m pconsola = 60.2 x22 – 239 x2 + 272.4 kN/m Msd(x) x Msd(x) = 60.1 × x + 272.1 kN Msd = 211.2x2 – 239x + 272.5 = 239.

net = 0.36 = 2.43 = 1.12m φ σsd 0.28 + 0.6 σsd= 8.016 174 2 σsd = 4 × 348 = 174 MPa ⇒ lbd = 4 f = 4 1.62 + 0. para o banzo de uma viga em “T”.net = 0.40 m x2’ = x2 + aL + Lb.min = 10 φ = 0.43m bd Dispensa de 4φ16 → 2φ16 x3’ = x3 + aL + Lb.10 + 0.5 = 1.71 m x5’ = 1.43 = 1.25 × 0.0 × 1.16 m 2.7 × 1.62 + 0.62 + 0.35 + 0.89 MPa 8.89 = 0. Fc' tg z co θ1 θ2 f c ' fc z θ1 Fc tg z co θ1 onde.08 m x4’ = x4 + aL + Lb.89 = 0.04 φ σsd 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I 4) Cálculo dos comprimentos para dispensa da armadura Dispensa de 4φ16 + 2φ12 → 4φ16 x1’ = x1 + aL + Lb.26 + 0.73 + 0. ARMADURA DE LIGAÇÃO BANZO-ALMA Na figura seguinte ilustra-se a degradação das tensões de compressão da alma.012 271.25 η1 η2 fctd = 2.62 + 0.04+2.8 fbd = 2.37m bd Lb.net = 0.26 × 348 =271.62 + 0.36 = 1.31 m 1.6MPa⇒lbd = 4 f = 4 1.net = 1. fc fc’ representa força distribuída nas bielas comprimidas da alma representa a força distribuída nas bielas comprimidas do banzo Fc e Fc’ representam as resultantes das forças distribuídas nessas bielas MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 77 .22 = 2.8.

Apoios indirectos 1 P 2 1 V h1 2 A viga transmite as cargas à viga através das bielas comprimidas.9. 2. z cotg θ1 1 Fc ' Fc = 2 cos θ1 × cos θ2 sen θ2 Fc ' FT = Fc × sen θ2 = 2 cos θ1 × = cos θ2 FT Fc' θ2 Fc cos θ1 Fc = 2 × tg θ2 × cos θ1 Asf FT Fc sen θ1 FT = Asf = f ⇒ s = z cotg θ1 fyd 2 z cotg θ2 fyd syd V Asf V ⇒ = s 2 z cotg θ2 fyd sen θ1 Como Fc = θ1=θ2 ⇒ A armadura de ligação banzo-alma é metade da armadura de esforço Asf 1 Asw transverso  s  = 2  s      Nota: Numa viga pertencente a uma laje vigada.1.9. h2 A carga transmitida à viga principal V de estribos de suspensao As = f  terá de ser transmitida para a face superior através  yd  Nota: A armadura calculada deve ser adicionada à armadura de esforço transverso. A distribuição dos estribos de suspensão deve ser feita da seguinte forma: MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 78 . a armadura da laje é normalmente suficiente para absorver as forças de tracção na ligação banzo-alma. ARMADURA DE SUSPENSÃO 2.Betão Armado e Pré-Esforçado I Em planta.

2.9. A armadura é dimensionada para absorver a totalidade da carga Fs . Fs – carga suspensa suspensa: As ≥ f yd MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 79 .Betão Armado e Pré-Esforçado I ≤ h1/2 ≤ h1/3 1 ≤ h2/3 2 ≤ h2/2 2. Cargas suspensas A carga tem que ser transmitida para a face superior da viga através de uma armadura de suspensão.

15 1.0 kN/m 1.0 kN/m 0.00 sobrecarga = 40. verifique a segurança ao Estado Limite Último de Esforço Transverso e pormenorize as armaduras transversais na secção. A400 Acções: pp + revest. = 20.20 0.00 Coeficientes de majoração: γG = γQ = 1.00 S1 3.6 Considere a estrutura da figura seguinte: sc cp S2 3.5 a) Para a estrutura já analisada no Exercício 2.50 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 80 .20 Materiais: C20/25.3.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.50 10.

6 ALÍNEA A) 1. esq (z cotg θ) = 315 – 1.0 (-) θ = 30º ⇒ z cotg θ = 0.9×0.250  fcd = 0.48 × 348×103 2.15cm2/m  s dir 1.5 × (20 + 40) = 90kN/m DET [kN] (-) 315.L.250  × 13.95 × cotg 30° = 1. de Esforço Transverso i) Determinação de Vsd psd = 1.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.40×sen 30°×cos 30° 20 fck σc ≤ 0.48 × 90 = 181.2kN/m2 z×bw×sen θ×cos θ 0.6 1 .8  Asw  = × 104 = 3.6 1 .0 315.9 × 0.48m Vsd.48 × 348×103 181.3×103 = 7342 kN/m2     iii) Cálculo da armadura transversal junto aos apoios Asw Vsd (z cotg θ) s = z fyd cotg θ 316. dir (z cotg θ) = 450 – 1.48 × 90 = 316.8 = = 2139.8  Asw  = × 104 = 6.8.0 (+) (+) 450.53cm2/m  s esq 1. Verificação da segurança ao E.U.0 450.95×0. Cálculo da armadura de suspensão Nota: Admite-se que a sobrecarga está a actuar no banzo inferior MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 81 .5kN Vsd.8kN ii) Verificação das compressões na alma σc = Vsd (z cotg θ) 316.

80 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 82 .0009 fyk 400 1 Asw Asw ρw.16 = 8.0×2) × 25 = 10kN/m Força de suspensão: Fs = 1.77cm2/m 2 2  s   s  5.16 = 5.5 (10 + 40) = 75.15 + 2.Betão Armado e Pré-Esforçado I cp* = cp – ppalmas = 20 – (0.0009 ⇔ s  = 0.53 = 1.0 kN/m2 0.0kN/m cp*+sc 75.20×1.16cm /m  (a adicionar à armadura de esforço transverso) As  Asw   As  = + = 6.53 + 2. Armadura transversal de flexão no banzo cp* + sc = 10 + 40 = 50 kN/m cp*+sc psd = 1.31cm2/m  s TOT  s dir  s susp As Asw  As  = s  + s  = 3. Cálculo da armadura transversal mínima ρw.08 fck 0.40×104=3.08cm2/m .min=0.6cm2/m  min  min w 4. Cálculo da armadura de ligação banzo-alma Asf Vsd s = 2 z cotg θ2 fsyd Asf 1 Asw θ1 = θ2 ⇒ s = 2  s     As dir = 6.15 = 3.5 × 50 / 0.08 20 = = 0.0009×0.min = esq dir 0.0009 ⇔  s  × b =0.6 = 125.  As esq = 3.69m  s TOT  esq  susp 3.0 4 2  As  s suspensão = 348×103 × 10 = 2.

035⇒ω=0.24cm2/m   1.7kN/m 12 12 = 0.802 = 6.12 ×13.0×0.0×0.3 As=ω b d f =0.7 µ=b d2 f = 2 3 = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I pL2 125×0.037×1.59cm2/m   MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 83 .70 = 2.08 (AsTOT/ramo)dir =  2  + 1.77 (AsTOT/ramo)esq =  2  + 1.70 = 3.80 pL2/12 pL2/24 Msd 6.037 cd 1.70cm2/m yd 3.12× 348 ×104=1.3×10 fcd 13.

64 d .Betão Armado e Pré-Esforçado I 2. bw considera-se como a menor largura numa zona compreendida entre a armadura traccionada e ¾ da altura útil bw 3/4 d bw d No caso de secções circulares.9D de D D de = 0.2  (expressão aferida experimentalmente)   2. já que a armadura se destina a absorver as tensões de tracção representadas pelos tirantes. SECÇÕES COM LARGURA VARIÁVEL Nos casos em que as secções apresentam largura variável.11. com as seguintes características: AsL ⇔ AsL/2 be≈0. há que ter em conta esse facto no modelo de treliça.10. conforme se ilustra na figura abaixo Fs V θ z cotg θ α z cotg α z z cotg θ + z cotg α bielas comprimidas tirantes MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 84 . ARMADURA INCLINADA Nos casos em que a armadura de esforço transverso for constituída por armadura inclinada (e não vertical). poderá considerar-se uma secção rectangular equivalente.45 D + 0.

CARGAS CONCENTRADAS JUNTO AO APOIO As cargas que actuam junto ao apoio podem ser transmitidas directamente para este.12.Betão Armado e Pré-Esforçado I F Fs Vsd Asw × fyd ≥ Vsd Vsd ⇔ Asw ≥ sen α sen α 1 fyd ⇔ ⇔ ⇔ α ⇔ Vsd Asw s = sen α 1 1 × f z (cotg θ + cotg α) yd Asw Vsd = s z (cotg θ + cotg α) sen α fyd Fc = Fs cos α = V cotg α Barras horizontais: Ft Fs Fc FT = Fs cos α + Fc cos θ = ⇔ Vsd Vsd cos α + cos θ sen θ sen α α θ FT = Vsd (cotg θ + cotg α) 2.1. 2.12. parte da carga é transmitida directamente para o apoio e a outra parte é transmitida pelo mecanismo de treliça. Regras de dimensionamento a < z/2 A carga é transmitida directamente para o apoio (não é necessário acréscimo de armadura transversal). através de uma biela inclinada (a < z/2) P a As cargas afastadas do apoio são transmitidas pelo mecanismo de treliça (a > 2z) P a Numa zona intermédia. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 85 .

1 3 P   MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 86 .Betão Armado e Pré-Esforçado I a>2z A carga é totalmente transmitida pelo mecanismo de treliça (considerar a totalidade do esforço transverso relativo à carga concentrada) z/2 < a < 2 z Para o dimensionamento da armadura transversal apenas deve ser considerada uma 1 2a parcela da carga: P1 =  z .

65 0.40 Calcule as armaduras transversais necessárias. considerando apenas a actuação da carga Psd = 300kN.40 5.40 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 87 .7 Considere a estrutura seguinte.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2. P 0.40 0.00 0.

54 . pelo que.2 × 0.7 Neste caso.54 + 88.4 0.80 RA=252 kN DEV [kN] 252 (-) B 4.8 × 0.1 × 3 × Psd = 0.54m e a = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.75cm2/m 348×103 11.75 = 5. Determinação da parcela da carga considerada para o dimensionamento da armadura transversal 300 kN A 0.20 RB=48 kN ΣMA=0 ⇔ -300×0.2 = 0. Cálculo da armadura transversal As ≥ 0.60 = 0.1 cotg θ1 + Rsd.2 cotg θ2 = θ1 θ2 252 × 104 = 7.7 × 104 = 4.8 = 163.9×0.8 + RB×5. 1.65 Psd   2.35 × 252 = 88.65×252 As 4.0 = 0 ⇔ RB = 48kN (+) RA = 300 – 48 – 252kN 48 2 × 0.54 = 252kN ASL = MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 88 .27m < a < 2 z = 1. Cálculo da armadura longitudinal Rsd.1 = 0. z z = 0.7cm2 ⇒ s = 0.8 kN Rsd.88cm2/m 2 3.8 1 P1.Sd =  0.8m ⇒ 2 = 0.1 Rsd.65 × 252 = 163. parte da carga é transmitida directamente para o apoio e a outra parte é transmitida pelo mecanismo de treliça.2 kN Fsd = Rsd.08m.40 = 11.2 Rsd.24cm2 348×103 Fsd 0.

1.13. há que ter em atenção a posição do varão e sentido da força de desvio em relação à face exterior do betão pois. tal como ilustrado na figura seguinte.2. FORÇAS DE DESVIO Quando um varão de uma armadura traccionada possui um ponto anguloso. Forças de desvio de compressão Fc FD Fc M MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) M 89 . poderá ocorrer uma rotura local da camada de betão de recobrimento.13. Disposição da armadura ordinária por forma a evitar o destacamento do betão devido às forças de desvio i) α >15° M M α ii) α <15° A M A M Secção A-A ou 2. caso a força tenha o sentido do interior para o exterior da peça. gera-se uma força de desvio nesse ponto. (a) Situação em que não ocorre rotura (b) Situação em que poderá ocorrer rotura 2.13. Fs FD Fs Nestes casos.Betão Armado e Pré-Esforçado I 2.

No caso limite de se considerar uma rigidez de torção nula é possível obter uma distribuição de esforços equilibrada sem a existência de momento torsor na estrutura. TORÇÃO ANALISADA COMO ESFORÇO TRANSVERSO NA LARGURA EFECTIVA DE hef Para a análise de uma secção de betão armado sujeita a um momento torsor.Betão Armado e Pré-Esforçado I 3. confirme ilustra a figura seguinte: MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 90 . em geral. Torção 3. Torção de compatibilidade A distribuição de esforços depende da relação entre a rigidez de flexão e torção.2.1. ser desprezados) Exemplo: 3. ouseja. não é possível obter uma distribuição de esforços equilibrada sem a existência de momento torsor num elemento. Exemplo: Fs DMT [kNm] (-) 3.1. pode definir-se uma secção oca (secção oca eficaz).1. DEFINIÇÕES 3. Torção de equilíbrio A distribuição de esforços é apenas condicionada pelo equilíbrio da estrutura.2. (Fendilhação ⇒ redução da rigidez de torção ⇒ redução dos momentos torsores ⇒ momentos torsores podem.1.

neste caso. nas paredes da secção. equivalentes ao momento torsor actuante. τ = T 2Ωe Ω – área interior à linha média da secção T e – espessura da parede τ T pelo que. Em secções de parede fina. é possível determinar as tensões tangenciais. c’ = c + φestribo A – área da secção de betão u – perímetro da secção bm secção oca eficaz Representando a secção oca eficaz pela sua linha média. τ = 2 hm bm hef A resultante de cada uma destas tensões tangenciais não é mais que um esforço de corte em cada parede da secção. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 91 .Betão Armado e Pré-Esforçado I de torção A 2c’ ≤ hef ≤ u hef T hm onde.

3. Compressão numa parede vertical.250  fcd . Ast Tsd Ast Vv T s = hm cotg θ fyd = 2 bm hm hef cotg θ fyd ⇒ s = 2 Aef cotg θ fyd (área de cada ramo do estribo) (parede horizontal: conclusão semelhante) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 92 .6 1 . Armadura transversal de torção numa parede vertical.3.Betão Armado e Pré-Esforçado I VH VH = τ × hef × bm = VV = τ × hef × hm = T 2 hm T 2 bm T VV Esforços de corte na parede ⇔ Esforço transverso 3.2. σc = Vv T = hef hm cos θ sen θ 2 bm hm hef cos θ sen θ Tsd fck ≤ 0.1. Aef = bm × hm 2 Aef hef cos θ sen θ   ⇒ σc = (parede horizontal: conclusão semelhante) 3.3. DIMENSIONAMENTO DAS PAREDES SUJEITAS A UM ESFORÇO TRANSVERSO (Modelo de treliça com θ variável) 3.

VV VV hm cotg θ ' ASL = Vv × f yd cotg θ '' Numa parede horizontal. Armadura longitudinal de torção H Numa parede vertical.3. ASL = 2 [Vv + VH] =T 2 (bm + hm) 2 bm hm cotg θ T  cotg θ  T fyd = 2 2 bm + 2 hm fyd = Tsd cotg θ uef cotg θ uef cotg θ =T 2A ⇒ ASL = fyd fyd 2 Aef fyd ef MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 93 . ASL = VH × f yd (FT = V cotg θ) VH bm Nas quatro paredes.3.Betão Armado e Pré-Esforçado I 3.

4φ20 Materiais: C25/30 Est.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.40 A400 Recobrimento = 2. φ8//0.8 Determine o momento torsor resistente da secção indicada na figura.5cm 0.40 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 94 .15 0.

ASL = 12.01) = 0.250  fcd ⇔   2 Aef hef cos θ sen θ ⇔Tsd ≤ 0.4 hef ≥ 2c' = 2 × (2. EFEITO CONJUNTOTORÇÃO / ESFORÇO TRANSVERSO Quando a torção aparece associada ao esforço transverso.35×10-4×2×0.57 cm 2.7×103×2×0.57×10-4×2×0.1 m 4 × 0.7kNm 3.31 × 0.24 ⇒ TRd = 38.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.35 cm /m . Armadura transversal Ast Tsd≤ s ×2×Aef×cotg θ fyd=3. Armadura longitudinal Tsd ≤ ASL×2×Aef×fsyd 12.54 fcd × 2 × Aef × hef × cos θ × sen θ ⇔ ⇔ Tsd ≤ 0.09×cos 30°×sen 30° = 67.025 + 0.5 + 0. Determinação das características da secção oca eficaz A 0.096×348×103 = = 39.31m ⇒ hef = 0.09m Aef = bm × hm = 0.008 + 0.24 m Ast 2 2 s = 3.096×cotg 30°×348×103 ⇔ ⇔ Tsd ≤ 38.096 m2 uef = 0.31 = 0.4.7kNm 4.8 1.6 1 .40 – 2 × (0.31 × 4 = 1.42 hef ≤ u = = 0.6 cm bm = hm = 0. MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 95 . há que ter em conta o seu efeito conjunto.096×0.54×16. Verificação das compressões (Adopta-se θ = 30°) σc = fck Tsd ≤ 0.8) = 6.5kNm 3.1kNm cotg θ uef cotg 30°×1.

0. 3.Betão Armado e Pré-Esforçado I T/2hm V/2 V/2 + Q3 T/2bm = Q1 Q2 Q4 T V T T V Esforços de corte totais: Q1 = 2 + 2 b .6. DIMENSIONAMENTO CONJUNTO DA SECÇÃO Msd AsL Vsd Tsd σc Asw s aL σc Ast s AsL σc compressão no banzo armaduras longitudinais compressão nas bielas inclinadas armaduras transversais MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 96 .h.2.1.75d 8  3.5.2 b . pelo menos. Armadura longitudinal (i) Espaçamento máximo da armadura longitudinal: smáx = 35 cm (ii) Disposição da armadura na secção transversal: Armadura disposta ao longo do contorno interior das cintas. 1 varão.b. Em cada vértice da secção deverá existir. Q2 = 2 .5. Q3 = Q4 = 2 h m m m 3.5. Armadura transversal 1 Espaçamento máximo da armadura transversal: smáx = min  uef. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A ARMADURAS DE TORÇÃO 3.

30 kN/m 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I EXERCÍCIO 2.30 1.15 0.15 psd 0.00 (os apoios impedem a rotação da viga segundo o seu eixo) Materiais: C25/30.5cm MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 97 . A400 Recobrimento = 2. na secção dos apoios.9 Verifique a segurança ao estado limite último da viga indicada na figura.50 5.00 0.

0862 uef = 2 (0.Betão Armado e Pré-Esforçado I RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO 2.5 × 0.25 (+) (-) 11.15) 0.(30 x 0. Determinação dos esforços 30 kN/m DMF [kNm] (+) DET [kN] 75.15 × 2 = 11.5 – 0.41 x cotg 30 = 8.5 hef = u = 2 (0.0 (-) 11.30 x 0.0 (+) 93.24m MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 98 .09m hef ≥ (2.41m z = hm Vzcotg θ = 75 .09 = 0.5) = 0.21 x 0.5 + 0.21 + 0.25 5 Tsd = 30 × 0.21 Aef = 0.41 x cotg 30 = 53kN sd Tzcotg θ = 11.9 = 0.3 + 0. Características da secção oca eficaz p p Cargas transmitidas directamente ao apoio h ef θ z cotg θ A 0.41 = 0.05kNm sd .8 pL2 30 × 52 Msd = 8 = = 93.8kNm 8 pL 30 × 5 Vsd = 2 = = 75kNm 2 75.9 1.25 .3 – 0. bm = 0.6) 2 ≅ 6cm hm = 0.41) = 1.25 kNm 2.

Transverso: σc = = Vsd = b z sen θ cos θ 1008 53.086 × 0.05 = 1201 kN/m2 2 × 0. Transverso: s = = = 2.17 2 Ast + Asw s  /ramo = 0.41 × cotg 30° × 34.086 × cotg 30° × 34.15 (1.7 Esf.05 Torção: s = = = 0.87cm /m s Est φ6//0.88 cm2/m) (por ramo) (2 ramos) Armadura longitudinal no apoio Torção: ASL = Tsd × cotg θ1 uef 2 Aef fyd (Tsd no apoio) MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 99 .6 1 .8 Asw Vsd 53.09 × sen 30° cos 30° 1201 Esf.78cm/m2 2 Aef cotg θ fyd 2 × 0.78 + 2 = 1.Betão Armado e Pré-Esforçado I Verificação das Compressões Torção : σc = = Tsd = 2 Aef hef sen θ cos θ 8.3 × 0.17cm2/m z cotg θ fyd 0.250  fcd = 9018 kN/m2   2209 1201 Armadura transversal Ast Tsd 8.7 = 1008 kN/m2 0.8 2.41 × sen 30° cos 30° σTOTAL = 1201 + 1008 = 2209 kN/m2 c 1201-1008 = 193 1201 fck σc ≤ 0.

5 cotg 30) 1.099 = 6.25 + 0.24 = 2.5 z + 0.25 + 0.44cm2 .39cm2/m (2φ16 + 2φ12) 2φ6 2φ16 Ent φ6//0.24 = 0.092 → ω = 0.ap = Vsd cotg θ1 75 (0. 0.25 (0.85cm2 0.24 = = 2.6cm2 2 Aef fyd 2 × 0.21 Face superior: Asl = 2.21 Face inferior: Asl = 2.5 cotg θ z cotg θ 2 b AsL = Tsd (0.8kN/m = 0.5 cotg θ) uef 11.24 = 0.6 1.6 1.5 cotg θ θ1 z b = 2 ⇒ cotg θ1 = 0.25 + 0.41cm2 fyd 34.8 0.6 1.086 × 34.41 + 2.8 (Vsd no apoio) (4 faces) Esforço transverso: ASL.25 + 0.41 Faces laterais: Asl = 2.5 cotg 30) = = 2.86cm2 Pormenorização As (1/2 vão) Vsd = 93.15 2φ8 MÓDULO 2 – Verificação da segurança aos estados limite últimos de elementos com esforço axial desprezável (vigas) 100 .5 cotg θ z b=0 θ z cotg θ → cotg θ1 = 0.Betão Armado e Pré-Esforçado I p b cotg θ1 = 0.

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