Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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Então. Vieram para o Brasil em 1910. Foi quando vieram para o Brasil. ao que se sabe.pelo menos não naquela ocasião. com eles. como aconteceu por um curto período. Quando é que começou esse amor pelos livros. porque como eu falava muito. eles tinham o apoio da Klabin. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. não de livros raros. mas foi crescendo. Eu era advogado deles.à última hora desistiu do negócio.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. eram apenas amigos. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. falei com um amigo meu. tenho ido. acabei aderindo ao empreendimento. sim. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. na Rússia. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905.Os dois aprenderam muito rapidamente o português.Nunca pensei também em ser empresário. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. porque seus diretores não tinham conseguido o capital.Meus pais falavam russo apenas entre si. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. cada um fazia uma coisa. no entanto. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. principalmente à Sala São Paulo. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. Não havia um presidente. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. que. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. talvez eu consiga entrar no negócio”. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. Mas esse não era o plano. Bom. Na época. Quanto aos livros. Respondilhe que não queria participar. em 1910. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Eles chegaram em 1936. que era meu amigo. mas sempre em harmonia. Não pensava em formar qualquer biblioteca. O interessante é que. e saíram do país por caminhos diferentes. para se encontrarem em Nova York. diziam que eu ia ser advogado. preparei a documentação e. Essa história é verdadeira? É verdadeira. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Aliás. ela não foi planejada. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. E já que o problema era o capital. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. Comecei. Assim. O senhor. ou seja.Mas esse não era o plano. tornando-me assim sócio da empresa. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. De que origem eram seus pais? De origem russa. eles .tanto que a nossa língua em casa era o português. mas de leitura corrente. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. A empresa começou muito pequena. No mais. no fim. que falava francês perfeitamente.de novo por acaso. perderam-se de vista. porém. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. Não pensava em formar qualquer biblioteca. tivemos uma governanta russa.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. a ler e a biblioteca resultou de leitura. uma empresa. só que dirigida também para os livros. começaram a faltar peças. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. que também desistiu. do tempo do nazismo. Lia-se muito em nossa casa. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. Ciência e Tecnologia.

o Celso Lafer. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Explica-se. Além disso. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. o Le Figaro. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. que hoje são reverenciados. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Não vou negar que exista. Ciência e Tecnologia. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. Mais tarde comecei a encontrá-los. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. Ela respondeu que não. não vamos falar mais nisso”. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. diretor da empresa. uma série de edições raras. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. Então consultei uns amigos. existe tortura sim no Brasil. mas ela não tem a aprovação popular. em 1878. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês.visconde de Porto Seguro”. o que naturalmente eu fiz. no sábado a gente sempre ia para lá. ENTREVISTA Mas. Mas aí eu lhe disse: “Olha. o Décio de Almeida Prado. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. mas enquanto conversava. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. Ao longo desses anos. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. na época. foram para o Chile. que era uma livraria de literatura francesa. um tal de Porto Seguro. que começou a conversa sobre a questão de tortura. a ele e ao Pedro Nava. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. mas política era assunto proibido. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura.a Renina Katz. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. mas insisto que não tem apoio popular. naquele mesmo dia. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. Fiquei no cargo por quase um ano. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. de fato. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. de teatro. mas o que ele tinha no escritório. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. Por exemplo. que era como a secretaria se chamava na época. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. denominado “Sabadóyle”. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. entre eles o Antonio Cândido. Só se falava de literatura. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. vamos ser claros. Com tudo isso. Ou seja. provas que não foram publicadas. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. já está havendo um começo”. A pessoa respondeu que. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada.O Fábio Comparato era. eu disse que achava que não dava para aceitar.na casa do Plínio Doyle. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. de coisas amenas.

com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. um dia. ele já tinha 95 anos e estava de cama.Na verdade. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. 92 quilos de peso. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. Recentemente. Eu acabei tendo as duas edições. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. porque era meio caro. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. comparada à revolução da informática. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. A gramática do Anchieta. Tenho. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular.Quando cheguei lá eram 180 volumes. venderam para o tal português chamado Assunção. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. . três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. bém a comprei por acaso. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. outra que está à esquerda. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. anos depois fazia o número 2. Mas. depois o número 3. Possuo. Voltei com quatro malas. abriram-se novos horizontes. Detalhe: entre 1455. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. Tenho a primeira edição de Camões. uma difere da outra com pequenas variantes.. buscando tecnologia própria. que é um dos exemplos do que foi o livro. na verdade. brasileiras e algumas argentinas.todos em grandes bibliotecas. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. Um que é o Livro de Horas de 1480. me oferecendo preferência na aquisição. E de Portugal. mas ele queria o pagamento à vista. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. Enfim. Dela se conhecem 18 exemplares.800 ilustrações. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. Ora. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. que uma hora era de Portugal. mas não podia recusar e comprei. um telegrama de um livreiro amigo. com a invenção dos tipógrafos. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. assim por diante. E com a Metal Leve. outra hora era da Espanha.. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. Como não havia arquivo naquela época. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. mas foi uma revolução. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. sobre o tupi-guarani. quando estive lá. Ademais. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. foi a certidão de nascimento do Uruguai. Então veio pelo correio. É. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. Recebi. é um grande livro que serve à história do mundo. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. Não tive dúvidas. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. que era tenente. E isso não se deve fazer nunca. escrito em pergaminho. por exemplo. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. por exemplo.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. enfim. holandês. os descendentes de um dos protagonistas.

612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. Silvia Regina Lucca Prof.ester@uol. eletrônico ou impresso. Yolanda Silvestre Prof. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. Walkiria Barone Fotolito. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra.com. Dr.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. responsabilidade social e ética & educação. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof.com. por meio de sua revista. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. Dr. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. sem autorização prévia. entre outros. da Silva. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Manoel A.cj. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. Dr.com. 131 . pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. capa: Couché opaco 150 g. Papel do miolo: Couché opaco 70 g.Bom Retiro São Paulo . A FAT mais uma vez procura. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam.com.com. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. No eixo educação. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri.com. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. Na questão da responsabilidade social.br . à bioética e à Produção Mais Limpa. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. Almério Melquiades de Araújo Profa.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Victor Sonnenberg Profa. verniz de máquina capa/contra-capa. Impressão: Offset. Nesta edição.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. levar informações ricas e atualizadas.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT .com. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof. os livros. assuntos relacionados à nanotecnologia. 42 .br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. Acabamento: lombada canoa.1807-9687 Rua Três Rios.br Diretor-presidente da FAT. Folha Imagem. formato aberto: 416 x 273 mm. Dr. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof. Estamos procurando fazer a nossa parte. incluindo capa.SP . Dra.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra.br Fotos Júlio Hilário.tel. César Silva Diretor Administrativo Prof. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof. Em tecnologia abordamos. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições. Número de páginas: 48. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . Dr. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação.: 11 6958-1310 policom@uol. pesquisas e prestação de serviços de assessoria.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN . por meio da divulgação de matérias. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. com ênfase na sua grande paixão. Dr.br Todos os direitos reservados. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof.Número 3 . 4x4 cores.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. Remo Alberto Fevorini Profa. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil.com.

JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto . TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”. 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II . 1976 óleo sobre tela.2005 .Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA.NÚMERO 3 .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

a base deste sensor (10 -7).web. o olho da mosca. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se. Assim. Micro e Nano . Em outras palavras.assim.escalas. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. Macro.ch/microcosm). um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6).A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. um detalhe da mosca (10 -2).web. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. 1].Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação. O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. como a industrial ou a da tecnologia da informação.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 . material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9).No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica.cern. o olho da mosca e detalhes deste órgão. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. diferente destas.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento.totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente.cern. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. lembrando um favo (10 -4). QUADRO 1 . A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. Fonte: CERN (http://microcosm. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. No entanto. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1).

tecidos que repelem manchas em tecidos. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . como o próprio coração. vidros resistentes a fogo. sistemas de comunicação wirelesss. a nanometrologia. microarranjos para sistemas de análise de DNA.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. dispositivos MEMS. e é conhecida como abordagem “top-down”. nanopartículas contra alergias. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. certamente. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. Primeiramente. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. novos sistemas de visualização não invasivos.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. como a natureza está acostumada a fazer. plásticos não inflamáveis. novos processos de fabricação. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. elétricas e magnéticas. telas planas. arranjos protéicos para diagnóstico. novas possibilidades de reciclagem. portanto. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema.Além disso. materiais para regeneração de ossos e tecidos. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. pneus mais duráveis. aumento na velocidade de processamento da informação. veja Quadro 5). kits de autodiagnóstico. tecidos mais leves e rígidos. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. Em todas elas. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. Alternativamente. como demonstra o Quadro 6. Como mencionado anteriormente. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. Nanotubos de carbono. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. são as grandes propulsoras. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. Além disso. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. como física. podemos imaginar medicamentos que. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. molécula a molécula. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala.veja Quadro 3). nanocompósitos resistentes a fogo. química e biologia. implantes totalmente biocompatíveis. está sujeito a interações com o mundo exterior. São as chamadas tecnologias convergentes. junto com tecidos convencionais. em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. ministrados a um paciente. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. sistemas de observação miniaturizados. circuitos eletrônicos mais eficientes. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. fotossíntese artificial. Nessa escala tem-se. proporcionalmente. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. novos métodos de limpeza de dentes. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. células de combustível. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. processos otimizados de micro e nanorreação. novos tipos de bateria. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente.

Os quadrados em ouro são terminais de contato.8 Nanotecnologias”. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno.QUADRO 3 . cerca de 0. como somar números. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. Para isso. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas.dependendo do tipo de aplicação desejada. chamada de quantum de fluxo magnético. Quando comparados com outros países. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). em 2001. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. Para se ter uma idéia.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. 0 0. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. Assim.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). dimensões nanométricas. produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. como o nióbio. Nessas condições. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). conforme a ilustração à direita. Como exemplo.4 0. etc. para sua operação. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID.2 0. Ele é construído em materiais supercondutores. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP.6 0. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. ordenar palavras. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. para certas tarefas. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. ela se divide entre os dois ramos do anel. Por outro lado. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro.. como mostrado na (Figura a seguir). por um magneto). Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. Em essência. entre outros. na atualidade. por exemplo. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter.

podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. evaporação de solvente ou separação de fases. dentro de suas possibilidades. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . com vistas à formação de recursos humanos. com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N).A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . foi realizado. ablação via Laser e deposição por vapor químico. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. em que a produção de emulsões é etapa crucial. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco.braço fundamental da (N & N). por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. comparáveis a suas contrapartes internacionais. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. os institutos de pesquisa e a indústria.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. deverão investir fortemente em (N & N). não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). É importante ressaltar que a microtecnologia. de sensores e de atuadores. Por isso. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. produtos e materiais nanotecnológicos. elétrico e magnético é diferenciado. O governo está apoiando esse esforço. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. juntamente com a exposição internacional de projetos. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. Seu comportamento mecânico. ótico. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. 3].NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. de displays planos. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. 2] . em São Paulo. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. em um arranjo hexagonal. de transistores. mas.Nanotec 2005. afetando características importantes do produto como estabilidade. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. QUADRO 5 .

biotecnologia. fabricado com moléculas. a nanotecnologia. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. para aplicações em: acústica. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). quando adequadamente coordenada. projeto. baseando-se em princípios de microfluídica. Essa convergência tecnológica. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. vidro. magnetismo. para integrar e miniaturizar dispositivos. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. Israel e Brasil –.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. síntese. que articulem a cooperação efetiva entre governo. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0.realizado em 5 de julho último. Inglaterra. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. universidades e institutos de pesquisa.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. como: silício. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. devem examinar. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . Deste encontro. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. Os desafios são inúmeros. Microtecnologia A Microtecnologia. empresas.000 nanômetros. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. processos químicos. biomedicina. Desta forma.Durante o evento. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. quando aplicada às ciências da vida. manipular ou imitar os sistemas biológicos. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. eletrônica. a introdução de um processo contínuo. Ex.1 a 100 mm. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. Esta. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. ótica. Nanotecnologia É o estudo. com a presença de quatro palestrantes. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). Está composta de átomos. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. etc. da biotecnologia. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. criação. representando países distintos – Estados Unidos. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. Prevê-se que os aspectos sociais. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. manipulação e aplicação de materiais. se diferencia-se da nanotecnologia. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. processos térmicos. dado que se ocupa de estruturas atômicas. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. cerâmica e polímeros. Está composto de prótons. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. componentes e microssistemas. nêutrons e elétrons. recebe o nome de nanobiotecnologia. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. mecânica.1–100 nanômetros. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. com dimensões típicas de 0. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. O átomo é a menor entidade química. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas.

S. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 .com. May. www. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica.br d www. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007. QUADRO 7 .iqm.. a médio prazo. Esses métodos evoluíram separadamente. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente. 2004. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.br d www.cientifica. H.unicamp.com..br/temas/nano/ d www.comciencia.gov.pgmat.C.ufsc.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA. 104 p. Washington D. e a abordagem “bottom-up”. 2004.pdf em 05 de Dezembro de 2004). (Disponível em http://www. http://www.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”.gov.inovacaotecnologica.com/ d www.org d www. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN. (1959).1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.com d www.edu/~feynman/plenty. Por outro lado.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior.br/ Sites no exterior: d www.caltech. na atualidade. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar.usp. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais. R. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi. Henrique. 2004. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro). permitindo uma integração muito desejável. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. É.mct.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt.mct.br/nano/ d http://lqes.br/noticias/noticia.smalltimes.nanotechbriefs.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.br/Temas/Nano/prog_nanotec.inovacaotecnologica. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada.foresight.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA.its.fapesp.com/html/Reports/publications.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. There’s plenty of room at the bottom.

Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses. 05. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. Resumidamente. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A EDUCAÇÃO SUPERIOR REFORMA DA E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. 14h00.2003.01. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. SP. (São Paulo. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .vêm de longe e têm aumentado com o tempo. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas.. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. Segundo a autora. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. em 1955.. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. Carrefour.Ambev (antiga Brahma).Atualmente. conseguiu-se identificar. Banco do Brasil. por meio de pesquisa. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. Ainda segundo essa autora. No contexto brasileiro. No Brasil. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. CEF. Segundo a autora. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo.. 2005).no sentido de realizar a formação dos seus empregados. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. esse princípio envolve “. Fiat. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. Porém. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. Sabesp.nos EUA. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. p. com relação ao mercado americano. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. no contexto dos EUA. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA. Petrobrás. Na década de 1950. 1998). McDonald’s. Ao que tudo indica. sendo provável que já existisse um número bastante superior. verifica-se claramente que. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. com o lançamento da Crotonville.”. no início de 2003. XXVII). Segundo Meister (1999. . Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores.realizar parcerias com universidades. Accor Brasil. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. segundo a mídia especializada. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. Leader Magazine. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. Motorola.Abril e TAM. entre outras. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos.”.. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso.. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. pela General Electric. Unimed. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876..

Learning & Performance . havendo. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. com 38% das indicações. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. com 25% das indicações cada.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. Entretanto.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. no entanto. tendo sido criadas nos últimos quatro anos. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. a partir de então.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. Gráfico 2 . conforme se verifica no Gráfico 2. sem. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. aqui agrupadas sob a marca PUC. possuir Universidade Corporativa.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. totalizando 20 empresas. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas.num total de 45 empresas. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. 45% são bastante recentes. DE 90 NA DÉC. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos.

“atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. 24. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . Palavras como “competência”. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. familiares. clientes. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. entretanto. Quanto ao investimento em familiares. mais adiante. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. Eduardo Tubosaka. Por outro lado. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. observando-se mais criteriosamente. Por outro lado.bem como o custo elevado da parceria. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. declarada por 96% dos respondentes. concessionários. no que diz respeito às desvantagens. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D.nos clientes (11%) e nos familiares (8%).conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. (São Paulo. formadores de opinião. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. setores afins e estudantes/bolsistas.2003.01. com a qualidade que elas esperam. nos funcionários (67%). com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. público em geral. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. Primeiro. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. SP. Segundo. fornecedores.O gerente de marketing e vendas da Sony. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta.

Educação Corporativa. André L. consultor em Administração.ed. pp. ____________.O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. voltados à capacitação de pessoas. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. ____________. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. Afonso. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema.Quase 500 universidades corporativas no Brasil.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. Jeanne C.2000. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. O estudo revelou que 78. girando em torno de 2. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa.com. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. 1998. 1999.Cristiane. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. Muito embora os resultados do presente estudo. Mark. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). Nov.. por imposição das limitações metodológicas. Este é. Conforme ficou evidenciado. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. and Growing a Successful Program. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. FLEURY. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. 1998. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. entretanto. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. In:FLEURY.br/home/noticias/clipping. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. acesso em 22 jul.São Paulo: Gente.2002. Managing. o número médio de parcerias por empresa. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. ____________. contra 34. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. 38-43.5 parcerias por empresa.As pessoas na organização. asp?id=2348. ____________. 2000. Lindolfo Galvão de. ALPERSTEDT. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. MEISTER. Training & Development. como por exemplo.2005.Revista T&D.elearningbrasil.62% das que não possuem UC. 35-36.Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. 1999. São Paulo: Schmukler Editores. FISCHER. ALBUQUERQUE. EBOLI.Jun. Estratégias Empresariais e Formação de Competências.ano X.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. Human Resource Management International Digest. New York: McGraw-Hill. BIBLIOGRAFIA ACCURSO.Tese (Doutorado em Administração) . March/April 1999. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais. 2002.Obtido no endereço http://www. portanto.Maria Tereza Leme et al. 2002.com. São Paulo:Atlas. Entretanto.São Paulo:FEA-USP . ____________. Mark Allen Editor. São Paulo: Makron Books. 2001. pp. Maria Tereza L.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior.Beth.Ten Steps to Creating a Corporate University.br Mestre em Administração pela FEA-USP. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. The Corporate University Handbook: Designing. FLEURY. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. professor universitário. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado.114.dade cultural e do seu negócio. ALLEN. A pesquisa aponta..Marisa et al. São Paulo.Faculdade de Economia.

E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A. TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .

trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. especialmente. Alcançar um estado de eficiência. vivendo um momento especial na história. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. em um passado relativamente recente. certamente. A T. por parte da sociedade.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. O que parecia. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). em decorrência. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. agilidade. pela busca constante da excelência na administração pública. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. calcados na tecnologia da Internet. Novas tecnologias podem ser adotadas. Isso exige a absorção. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração).demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). A nova organização.I. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. agora está se tornando possível. ser uma utopia. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. pública ou privada. suportados por novas tecnologias.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo.

dentro de poucos anos. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. configurando o que. agora. que muitas vezes se inviabilizaram. entre tantos outros: . no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. desde melhor gestão de recursos. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. para efeito desta análise. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. entre outras grandes mudanças.I. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas.a primeira remonta aos anos 1920. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. Nesta nova “onda”. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. mas ainda mais para organismos de governo. se ações proativas forem realizadas. Na terceira onda. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T.I. se estendendo além das fronteiras da organização. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. com menores custos operacionais e muito maior efetividade.I. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. 1ª GERAÇÃO DE T. Poderemos ter. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. com altos impactos sobre eficiência. melhor atendimento ao cidadão. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. estamos. o impacto é muito mais profundo. a “máquina pública” completamente reconfigurada. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. em que predominaram a busca pela otimização de processos.

que pode ser acessada sem identificação. A Internet. pela participação que o setor público tem no produto nacional. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . em que o governo pode. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. de cargos públicos a serem preenchidos. Por exemplo. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). serviços como o “disque denúncia” levados à Internet.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. e talvez mais importante ainda. de licitações do governo. fóruns de discussão. de um lado.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. entre tantos outros exemplos. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. ágeis e de menores custos operacionais. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. etc. em relação a outros países ou à iniciativa privada. No Brasil. atualmente. criando-se. Terceiro. o setor público consome. a comunicação de retorno. e. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. desvios e corrupção. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. logo. para suportar os processos envolvidos. Infelizmente. em geral de muito baixo nível. muito mais facilmente. o que se promove. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. desvios e corrupção. conteúdos de interesse No 1º Estágio. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. no Brasil.porque. já ocorre a comunicação bidirecional. por medo de qualquer tipo de sanção. a partir de qualquer “cyber café”. disseminação. estágios que um organismo de governo pode explorar. mais flexíveis. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. Neste estágio.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. mais de 40% dos recursos totais existentes.consideram-se cinco os estágios de e-government. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. ainda há uma tendência. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. assim.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. direta ou indiretamente. na medida em que os sistemas de informações se integram.I. suportados por novas tecnologias. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. Primeiro. isto é. basicamente. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. Finalmente. seja na forma de perguntas e respostas. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. Segundo. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. de outro. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. maior conhecimento das ações governamentais. solicitação e preenchimento de formulários. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. a disseminação de notícias.

os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. muito maior atenção é dada a essas operações. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. não só pelos registros ali contidos. há erros ou falhas de lançamento. com menor carga de supervisão e controle e. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. é o BPM . que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. suportada por padrões e ferramentas poderosas. seja internalizada nesses processos. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. inclusive as integrações com a sociedade. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. o que. com ferramentas integradas em BPMS . tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. mais importante. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. Numa situação desse tipo. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. sejam esses fluxos financeiros. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. É. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. também. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. Além disso. se tivéssemos processos completamente integrados. por si só. pois. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. Já em processos integrados e desfragmentados.integrando-se a processos de outros organismos de governo. registro eletrônico de autoria e patentes. em geral tratadas fora deles. que agrega diversas tecnologias específicas. as fraudes. a bancos. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. como ilustra a figura a seguir. é possível ter um grau de transparência muito elevado. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. no caso de governo. neste estágio. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. mas pela obrigatoriedade de. Da mesma forma.porque são especializados demais. ter-se contrapartida. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. concessão de licenças e autorizações. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. Essa nova disciplina. ocorrem transformações de outra natureza. anomalias indicadoras desses desvios.Business Process Management. para cada lançamento. são grandes. Com a integração de processos.Business Process Management . e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. antes praticamente impossível. materiais ou de quaisquer outras naturezas. entre tantos outros serviços possíveis. relativamente simples. por trabalho humano.

EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. Chicago.Janet K. Meghan-Kiffer Press.The Brainstorm BPM Conference. Dec 22-Dec 29. 8-9. etc. decisões tomadas. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. na área de Contratos/ Projetos/ Obras. Jan 2004 . 4. 2005.Chichester.V. Roger. JP. 2005 VOLMER.The Brainstorm BPM Conference. p. Com essa abordagem. 2004. Sep 29. Judith. Ulrich. 2003. Vol.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. Oct/Dec 2003 .Knowledge and Process Management. 18. muito maior agilidade.The power of process. WALL. Resenha do livro Caminhos da transparência. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 .30.The Brainstorm BPM Conference.. 13. p. New Directions in BPMS Technology. SOA . p. Manhasset. V . FINGAR. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. p. 57. 9. Public Organization Review. SMITH. p.Camden . desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo.V.European Journal of Information Systems. Leveraging Process Modeling for Business Value. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. Is. 2005. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. p. Joseph.Oct 2003 . 12. 77. Chee Wee & PAN. Issue 9. 2003 .KM World . Network World. Chicago. CMA Management. como.por exemplo. Is. p. Barbara. Jericho. 2005.Vol.All or Nothing.Vol. Charles. FONSECA. redução de fraudes. Robert.Forrester Research. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). a partir de critérios como datas-limite. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. documentos associados. COLMAN. 2005.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. Ken. p. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. Denise.isto é.). Sep 29. Howard & FINGAR. Peter & BELLINI. publicada na Revista do Livro Universitário. proporcionando maior transparência.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. Issue 1. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. 45. Presidente da Unicomm Integração de Negócios. 1.Basingstoke: Dec 2003. Com processos inteiros. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. plebiscitos eletrônicos. Bruce.V. p. NORBERTO A.BPO meets BPM . Chicago.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. Oscar Adolfo. orçamentos participativos. 957. históricos. DUBIE. 2003. projetos gerados. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. Is. Iss. 41.The Future of BPM.Barbara von..desvios e descontrole. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo.. condições de exceção.Ken. Idort/PMSBC. Norberto A. 2005 __________________. Beyond integration. 2005. 13. Is. 2002.The Brainstorm BPM Conference. ORR. etc. WETTENHALL. The Real-Time Enterprise . Processos e Sistemas Ltda. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas. Framingham. através de processos. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. 269. 2005. Por meio de tecnologias orientadas a processos. 21.com. LAMONT. 3. 2003.. altamente suportados por tecnologia. Integrating processes: The next Nirvana.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). Chicago.. TAN. Chicago. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues.The Brainstorm BPM Conference. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. BPM: no just for the big kids on the block. etc. CRN. REMUS. Camden.12. Meghan-Kiffer Press. Business Process Management – The Third Wave. IDG/Computerworld – Brasil. New structures for strategic growth. SILVER. Shan L. 10. 1064. XI Congresso de Informática Pública Conip.Robert. 2003 . por exemplo. 2003 . MORGENTHAL. Guarujá. I. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. Iss. São Paulo. Dordrecht: Sep. 51. 2003.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”.Accelerating BPM with Business Rules. KM World. Naveen. PUCCINELLI. 237.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. S4. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions.Systems. TORRES. pendências registradas e controladas. p. HALLE. Francisco & SANCHEZ. TORRES natorres@uol. Chicago. Peter.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine.Vol.e não para o benefício daqueles que governam. InformationWeek. __________________. 4. Iss. 20. ERASALA. Hamilton: Feb 2004. DARROW. 3.

Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores.corrupção. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo.etc. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. a junção. culturais ou religiosas. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. ou melhor.sobre os princípios que regem as sociedades. econômicas. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco. No início dos anos 1970. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. Como uma tendência que nos é natural. deixado de lado em vista dos avanços técnicos. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. Além de questões políticas. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e. pelo menos. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. sobretudo.Crises de governo. sociais. desperta a singularidade para a sua . Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas.falta de compromisso com os eleitores.descrédito das instituições.. a conjunção entre um bios e um ethos. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta.

Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. Certamente. sobretudo. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. a Bioética já é uma pos- tura.ambos permanecem o que são: diferentes outros. sim. tanto na ficção como na vida real. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. uma decisão. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. direito este negado pela própria justiça espanhola. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. mais básica do que qualquer vivência social. etc. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e.como diria Michel Renaud. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. Hoje. vasculhar as cavernas do início da civilização. ou seja. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. é uma relação originária. consegue o seu objetivo. a promovê-la. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. os cursos.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. mentiras e verdades. política ou econômica. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. O primeiro é uma história fictícia. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. as tendências de pensamento sobre este assunto.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. isto é. enganos. cana Terri Schiavo. voltar-se para o que estava no início e. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. erros. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. uma vocação. um dos principais casos estudados em Bioética. Em Potter.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. Certamente. redescobrir o humano na técnica. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. quando temas como a eutanásia são. a protegê-la. A vida em sociedade é linguagem e. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. Ao final. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. para o que estava além da realidade. Somos chamados a cuidar da vida. geraram-se vários problemas. sobretudo. as comissões. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. é também fruição. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. depois de um plano meticulosamente elaborado. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. por conseguinte. portanto. É como se vivêssemos por um fio. a diferença faz a diferença. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. como estamos acostumados a entender a união.responsabilidade. podemos. os autores que escrevem sobre o argumento. dissimulação. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. mas para a diferença.Ao mesmo tempo em que é refém. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. cultural. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. Na realidade. assim. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político.

mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado.A vida depende dessa prevenção. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. Neste sentido. vista como uma doença. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. Somos responsáveis por tudo e por todos. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. O sangue versado da vítima é um sangue impuro.vontade e razão. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. de certa maneira. isto é. e todos os dilemas que se apresentam. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. o sacrifício tem um caráter preventivo. ou seja.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade.Assim sendo. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. uma pré-visão do perigo. Por conseguinte. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. como um ser capaz de assassínio. a fortiori. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. mesmo fortuito.ao mesmo tempo. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. já contaminados. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. não hesitam em se expor. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. já que a violência voluntária ou vingança é. A Bioética é uma postura.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . vista como uma doença.Assim.com. hostil”. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. com todo contato violento.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. de certa maneira. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. pois clama por vingança. Para o autor. convém da mesma forma. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. na verdade.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres.etc. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. só os seres já impregnados de impureza. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. da Aids ou das guerras. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. Se todo contato. Enfim. já que a violência voluntária ou vingança é. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. um ato “criminoso”. como diz Girard. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. enquanto ainda há tempo. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano.

conseqüentemente. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. apesar de apresentarem resultados positivos. ações pontuais e desconectadas da missão. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 . ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. práticas de negócio e processos operacionais.12. Essas iniciativas. mas talvez um posicionamento diferente. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. representam. investindo na relação ética. 16. embora relevante. na maioria das vezes. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. Esse viés de contribuição.2003. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e.SP. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. quando tratado de maneira isolada. seja pela via do estímulo ao voluntariado. Em muitos casos. visão. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. (São Paulo . Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. na Comissão Brundtland.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. seja pela via do investimento social privado. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição.

a lógica de mercado. a partir desse pano de fundo. O conceito de responsabilidade social empresarial traz. (São Paulo. Em muitos casos. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. mas também no resultado ambiental e social adicionado. segundo o Instituto Ethos . as empresas automobilísticas. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. nos modelos de negócio.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. comunidade. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. produtos e. conseqüentemente. 22. e assim sucessivamente. econômicos e sociais e. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. na Vila Prudente (zona leste de SP). O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira.meio ambiente. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. em última análise. Dito de outra maneira. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. As empresas podem. de forma permanente e estruturada. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. ainda. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . então. por exemplo.2004. Por outras vezes. empresas de transporte e mobilidade. Em última análise. seja rentável e gere resultados econômicos. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e.governo e sociedade.09. empresas de saúde. que a empresa cresça. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. SP.clientes. os chamados stakeholders – público interno. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável".A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. na realidade.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais.acionistas. focando não só no resultado econômico adicionado.fornecedores. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. Já a sustentabilidade empresarial. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. Em outras palavras. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável.entre outros. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. nos processos. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança.

org. que Angélica. educação. Para o sucesso dessa empreitada. de longo prazo. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. a empresa melhoraria outros processos.criando uma visão compartilhada do negócio. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. gradualmente.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. porém. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. Entre os dirigentes organizacionais. melhoria na distribuição de renda. pela PUC/SP. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. Além disso. Com relação à cadeia de fornecimento. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. dentre outras). 17. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego.SP. pode-se observar um maior nível motivacional. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. Digital) vai além do produto tangível. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável. tornando-os parceiros neste desafio. Por outro lado. reutilização e reciclagem de materiais. sustentável. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. pela FEA/USP e em Direito.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. mas de um jeito diferente. com mestrado em Desenvolvimento. Para que o processo se estruture de maneira sólida. A idéia central da iniciativa é construir.2003. 16. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. menores índices de turnover e atração de novos talentos.org.12. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. de produção. {São Paulo . Para que a mudança na organização seja efetiva. sejam elas de comunicação. Com base nesse diagnóstico. associando a ela valores positivos. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . erradicação do trabalho infantil. 17h32.

da Sabesp. 23. SP. que fica no Alto da Boa Vista. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil.2004. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . nanofiltração.Estação de tratamanto de água. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. Contudo. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. (São Paulo. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. incluindo a microfiltração. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. o que é conseqüência da baixa demanda. osmose reversa e troca iônica. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes.07. ultrafiltração.

o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. potencialmente. atualmente. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. como é o caso dos Estados Unidos. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). e que. foram desenvolvidas no início do século XX. não atendem às necessidades de regiões específicas.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. 2005). CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. na maioria dos casos. conseqüentemente. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. possivelmente. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. 1998). Por outro lado. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. seja de origem doméstica ou industrial.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. Como exemplo. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. podem estar presentes em um efluente líquido. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. que no Brasil. como é o caso das grandes regiões metropolitanas.

20 10.5 Figura 2 .1 . Diâmetro do poro (mm) < 0.00 40.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos.80 1.0. Em primeiro lugar. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. Como conseqüência. 2003): • microfiltração.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto. 1996. verificase que os processos de separação por membranas. Como exemplo. • nanofiltração. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 .1 0.00 20. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.00 15. • ultrafiltração.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.001 Ultrafiltração 0. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples.80 0. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. Em relação ao processo de eletrodiálise.00 0.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana.. utilizando-se tecnologias diversas.00 1. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 . devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina.60 CUSTO (US$/M3) .Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.00 25. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas.Por exemplo.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados. A baixa competitividade no mercado interno. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.20 1.00 45. • osmose reversa. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.00 30.00 CAPACIDADE (L/s) 35. 2.40 1. 2001).Os processos de microfiltração.00 50.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004.001 .ultrafiltração. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas.40 1 -10 0. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema. CHERYAN. Isso. 1998 e MULDER.por sua vez.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA.

REFERÊNCIAS AWWA (1996). pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. M. Odendaal and Mark R. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. The latest CAS registry number and substance count.pl. DR. Ultrafiltration and microfiltration handbook.American Water Works Association Research Foundation. Second edition. (São Paulo. 31. U.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . CHERYAN. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente.Total plant costs for contaminant fact sheets. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos.Water treatment membrane process. 2003.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. CRC Press. podem vir a se tornar competitivos. 564 p.03.cas. Basic Principles of Membrane Technology.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Reprinted. Lyonnaise des Eaux. D8230. Editorial Group Joël Mallevialle. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. CAS (2005). Chemical Abstract Service. Department of Interior (2001). por exemplo. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. Water Research Comission of South Africa. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. McGraw-Hill. http://www. M (1998). o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. Peter E. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. Kluwer Academic Publishers. Second Edition. Bureau of Reclamation. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem.2004. carvão ativado e oxidação com ozônio.org/cgi-bin/regreport. MULDER.Wiesner. que realiza análises de água. No entanto.S. Dentre as opções existentes. SP. acessado em 02/03/2005.

advindas basicamente da tomada de consciência.03. permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). eficiência econômica e justiça social. por parte dos governos e da sociedade civil. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. . que está sendo trabalhado em mais uma centena de países.dos impactos ambientais por elas causados. 04. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. Foto de Juca Varella/Folha Imagem. 18h. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4).Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. SP.2002. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. Este programa de ação internacional. (Jacareí. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2).

que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. por exemplo. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado.sanitária e econômica para todos os países.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. toda empresa tenta realizar economias. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. O item 4.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. em seguida. Na década de 1990. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). e. a química. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. Por exemplo. Evidentemente. etc. de produto e de práticas de housekeeping. são formados: em 1994. o metalúrgico. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. dentro do próprio processo produtivo. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas.em especial nos que abordam energia. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 .em diversos países.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. que são a remediação. a farmacêutica. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. Em 1985. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. se contabilizadas. Pesquisas realizadas mundo afora. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. industrializados ou não. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. a gestão de resíduos. transportes. de gestão da produção. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. A reciclagem interna.National Pollution Prevention Roundtable). Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). Assim. No Estado de São Paulo. resíduos e transferência de tecnologia.outros grupos se formam. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. por exemplo. de matérias-primas. o controle e a disposição final dos resíduos. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. Compreensivelmente. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. entre outros. como o de gestão do pessoal.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. Ao longo desses anos. bem como ao uso eficiente destes recursos. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. poluição esta que se configura como. mostram a eficácia da prevenção. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. uma ameaça social. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). como o têxtil. organização sem fins lucrativos. após eles terem sido produzidos. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. em diversos tipos de empresa.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. o metalmecânico. Dentre esses sistemas.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. de gestão da informação.

Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. SP. ou seja. De todo o exposto acima. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. é rápido. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. através do seu presidente Cláudio Vaz.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . para a empresa. O mais interessante de tudo isso.reduzir o uso de recursos naturais. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. em geral. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e. imagem da empresa. posicionando-se como parceiro do PNUMA . no período de 12 a 14 de setembro de 2005. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. em Santo Antônio de Posse (SP). produtos e serviços. Assim. introduzindo matérias-primas mais puras. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. prêmios pagos às seguradoras. a empresa irá mudar as condições na fonte. A CIESP. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. saúde e segurança do trabalhador. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. sua influência e sua capilaridade no interior. 13. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. Além de reduzir seus riscos. seus instrumentos de divulgação. prevenir na fonte a poluição do ar. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. na própria origem da geração de resíduos.2001.06. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. calculando seu retorno financeiro que. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. (Santo Antônio de Posse. utilizando toda a sua estrutura. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. estes muitas vezes problemáticos. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente.

a FAT propõe. entre outras. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria.com. Transportes e Indústria. saúde. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. indústria e meio ambiente. desenvolvendo projetos sob encomenda.Vestibular.Bom Retiro . A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. 42 . estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. pesquisa e treinamento. Meio Ambiente. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação.SP .Especialização. 131 .cj. assim.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 .São Paulo . Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra. ensino. A FAT posiciona-se. Saúde. • Cursos .br Rua Três Rios. entre outras • Concursos .

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. partes e componentes. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. em geral. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. design.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. respectivamente. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001).dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. Na seção 3. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. respectivamente. nomeadamente a adequação da política de qualidade. seja em aspectos técnico-produtivos.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. Mais especificamente.marketing e distribuição. as mudanças estratégicas. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades).em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. por outro.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 . O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz.desenvolvimento. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. P&D e distribuição) pode ser afetada. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. a partir deles. bem como à prática empresarial. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). conforme descrito na seção 2 a seguir. e. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. englobando as áreas de design. por um lado. tecnológico e organizacional pode ser afetada. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos.

Programa 5S.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas. por um lado. Neste ponto.Melhora da imagem da empresa C . mas integrado a um programa de qualidade ampliado. com diferentes graus de intensidade.Melhoria da qualidade dos produtos F . obtido em 2004.. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos.ainda nesse aspecto. e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET . (2) segundo motivo mais importante. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa.. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . 8 3 de educação para a qualidade. e assim por diante.Assim. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. 1 .e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. o que pode ter afetado tal percepção. .. por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. por outro lado. aqui. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. investigaram-se os impactos internos e externos associados.. relataram que. Finalmente.Aumento da flexibilidade dos processos G .Obrigação imposta pelo governo L . clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. mostrou.via treinamentos técnicos). Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000.Orientação estratégica B . . a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2).Busca de novos mercados J . a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2). não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa.Pressão de clientes K . de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores.Melhora da competitividade H .Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. 2 . isoladamente. percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas.. ambas as empresas pesquisadas. .. uso de Ferramentas da Qualidade. revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D ..Instrumento para permanecer integrada na cadeia I .. Note-se.Essas empresas demonstraram. Em ambos os casos. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET.que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total... estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. Este resultado era esperado. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro.

Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. mas Estável.. Neste aspecto. de longo prazo. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . com sua implementação e manutenção. (2) segunda mudança mais importante. inspeção.. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável.. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. pode-se ponderar. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. de longo prazo. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. engarrafadores).uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. em sua(s) especialidade(s). Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes.. e assim por diante. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas .

trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. aqui.além de aspectos técnicos do produto. geografia de mercados atendidos. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. por outro. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar.) de empresas e utilização de questionários abertos. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. mas também. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. por um lado. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Nesse sentido. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. que inspiram cuidados na leitura. Compras. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. organização. design.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. de caráter exploratório. realizada por meio de estudo de dois casos. dependendo. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. em termos de volume de produção e participação de mercado. em aspectos tecnológicos. embora em menor intensidade. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. especialmente na esfera produtiva. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. Vendas. Qualidade.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. além de funções comerciais (Suprimentos. etc. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. De fato. gestão e. tais como Assistência Técnica. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. em algum grau. etc. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. Logística. o primeiro. especialmente em aspectos técnico-operacionais. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. Tratou-se. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos).de modo que passaram a cooperar mais. diferentemente deste último.Já quanto ao método utilizado. Ainda a esse respeito. neste artigo. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. Ainda que não apresente representatividade estatística. com fornecedores e clientes. sobretudo. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). No que se refere às primeiras. marketing e distribuição. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. Assim. interpretação e utilização posterior dos resultados. origem do capital controlador. elo da cadeia de valor. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa.

Global standards and local responses. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. Draft for.com. NADVI. Proceedings..br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).pdf>. 13-17 feb. 156.(menor necessidade de supervisão). H. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. QUADROS.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid.pdf>. IDS Working Paper. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais.. K. Como foi preliminarmente constatado. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. Brighton: Institute of Development Studies. J.ids. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000. Brighton: University of Sussex. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele.observando as características e limitações próprias e do seu entorno.. Output of the. Institute of Development Studies. [2001]. Acesso em: 16 jun. em termos de estratégia e políticas. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. 2003. Institute of Development Studies. Disponível em: <http://www. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www.Diretoria da Presidência 47 . NADVI. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). may 2002. b) de forma similar. Com relação às variáveis intervenientes.pdf>. Global quality standards.Cabe a cada empresa. Brighton. Institute of Development Studies. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. 2003.ac.construir um ambiente integrado e propício. Brighton: University of Sussex. Brighton. Acesso em: 02 jun.ac. portanto. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers.ids. n. 2001.uk/ids/bookshop/wp/wp156. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno.ids.. Acesso em: 16 jun. como características do setor e da natureza do produto. & SCHMITZ. cabe destacar.. 50 p. 16 p...uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. R. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY. [2001]. 2001. feb. & WÄLTRING. 2003. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading. 2001. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. Em conclusão. infra-estrutura e modo de operação. 2001. Assessora Técnica . cultura e recursos humanos. Brighton: University of Sussex. Global standards: implications for local and global governance. Brighton. F.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. S. K. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.ac. & KAZMI.

E RY UIO A SJ q BNM. Como mensurar o quanto os boletins internos.' L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. advindas basicamente da tomada de consciência. De fato.por parte dos governos e da sociedade civil. ainda. . as sociedades industriais passaram por sérias transformações. sd f gh jk l . Um dos motivos para isso é que não descobrimos.tem dúvidas sobre sua eficácia. Pessoalmente. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas. . ' z x c v bn / m. wertyu CV io 'X pa K L. QW E R YU V XC . seja utilizando qual mídia for.com alguma seriedade.dos impactos ambientais por elas causados. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”.

Dee Hock. James Hunters .autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias. pais e filhos. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. em Nascimento da Era Caórdica. consultorchefe da J. melhor dizendo. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”.antes de mais nada. são marido e mulher. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. o diálogo muitas vezes é difícil. intranet. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. murais físicos e eletrônicos. Para complicar.que está na lista dos mais vendidos há semanas. Dialogar não é apenas falar.Associados.fundador e CEO emérito da VISA. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”.tido. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. rádio jornal on-line.). nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. ops!. impressos e eletrônicos. mas principalmente ouvir.”. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. professor e aluno que não se entendem. Isso exige sacrifício.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . desperdício de tempo e dinheiro. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). Isso vale para os públicos interno e externo.”.recorro a Paulo Freire na conversa. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. autor do best-seller O monge e o executivo. E com- Comunicação. Tanto para empresas como para pessoas. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda.D. Fácil fosse.e vale para pessoas e organizações. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.é uma atitude. internet. videojornal online. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. mesmo que por poucos minutos. todos faríamos. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade.Não sem razão. etc. colegas de trabalho. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. perdão.

busque informações.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. Sabendo mais e melhor. Assim. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Comunicação é troca. professor da Fundação Getúlio Vargas. Isso torna o processo de decisão lento. wertyu CV io 'X pa K L. para estimular a participação e difundir valores internamente. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. de forma estratégica. sobretudo. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. ouça. De novo me apóio em Dee Hock. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. mas quando ela é tomada. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . Publicidade é divulgação. o documento volta a passar um a um novamente. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. participação. As organizações que têm consciência disso. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. de Paulo Roberto Mota. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. (Nascimento da Era Caórdica. já está em processo de decadência e dissolução. responda e. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. . que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente.por exemplo. pág. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. seu significado e seus valores. explique. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. DAVI MACHADO davim@uol. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. pergunte. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. no método de trabalho ringi. pela Universidade de Mondragon. de forma integrada e estratégica. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. 119). seu senso de comunidade. seus princípios. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. é atitude. Espanha. comunique-se.br Jornalista. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP.com. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. de princípios e de valores.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos.

as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. Na esteira dos bens e serviços. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. pães. roupas.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. pastas de dentes. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . máquinas fotográficas. como computadores. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. cortes de cabelo. entre outros. tratamentos de pele. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor. ginástica e ativos financeiros. queijos.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. planos de previdência privada. no mínimo. manter seus clientes. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. merchandising. iogurtes.

O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. e atributos específicos. A ancoragem nos atos dos outros. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. portanto. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. Além do número crescente de opções àa sua escolha. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. pode atenuar. recuperação. marcas. ao lado de seus cinco pares de tênis. Essa liberdade de escolha. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. Provar FIA . Pesquisa e Consultoria. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. Não surpreende. As ATMs bancárias. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. com seus modelos e marcas historicamente determinados.br Coordenador de Cursos.com.sadas. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. Mas Do seu lado. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. (São Paulo . mas não resolve o problema. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. ou seja. quando der vontade. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. entre eles um Nike que comprou em três prestações. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. office-boy do hotel Caesar Park. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente.

grupos de crianças muito pequenas – de 4. orgulhosos. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". como alguns quadros de Kandinsky e Miró. em São Paulo (SP). 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. crianças um pouco maiores. (São Paulo. de Raquel Kogan. A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. No Centro Pompidou.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. de história francesa. no Itaú Cultural.07. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. 01. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. No Museu Carnavalet. outras atentamente ouviam as explanações da professora.Alguns pais acompanhavam a visita. sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. já na faixa dos 10 anos. na exposição "Cinético_Digital". museu dedicado à arte do século XX.2005. SP.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . Corriam algumas de um lado para outro.

Marmotan. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade.com. Com o interesse crescente pelo computador. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. somados às mostras temporárias. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. de Raquel Kogan. (São Paulo. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. mas ainda é pouco. Na cidade de São Paulo. por exemplo. É urgente um investimento maciço em educação. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. outros tipicamente dispersos. ambos publicados pela Ateliê Editorial. O Instituto Itaú Cultural. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. principalmente. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). na exposição "Cinético_Digital". dessa condenação sumária. No Museu Rodin. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos.br Médico e escritor. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). 01. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. com responsabilidade e seriedade. Museus como o MAC (na USP) e o MAM.2005. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. mas ali. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. Cluny. caso houvesse resposta. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. Louvre. E. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. ser uma sociedade completamente insustentável. ainda calcado em elementos humanos e originais.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. em 20 anos. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. . SP. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. pode. ONGs e institutos. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. que fazem toda a diferença. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. por exemplo. a resposta seria o espanto. tanto em tecnologia quanto em conteúdo.07. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. adolescentes atentos. Picasso. em São Paulo (SP). apresentar-lhes obras e elementos artísticos. peças de teatro e oficinas.em parte. se não quisermos. no Itaú Cultural.Discordo. articulados. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. porém. com seus acervos permanentes. comunidades.

passa a atrair ainda mais a atenção da academia. e pelo CNPq. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. é que o estudo. na forma de projeto temático. sempre se destacou no Brasil. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. R$ 30. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor.A expectativa. apoiado pela FAPESP.GALINA Publicação PGT/USP.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). iniciando-se com um panorama do setor. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . ele começa a ser reestruturado e.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. 333 páginas. do governo e do meio empresarial. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. V. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. em suas diversas camadas.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. segundo modelo próprio adotado. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. do lado acadêmico. Está organizado em nove capítulos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. no âmbito do PRONEX . Do lado prático. vindo a público com esta publicação. R. Em meados da década de 1990.

20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.fia. Brasil Informações: d http://www.iamot.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.com. Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.com.org . Brasil Informações: d http://www. China Informações: d http://www.fatecsp.fia.

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