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Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008


Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO

FICHA INSTITUCIONAL

COMANDO GERAL DA PMMT

Antônio Benedito de Campos Filho - Cel PM


Comandante Geral

Lilian Tereza Vieira de Lima - Cel PM


Comandante Geral Adjunto – Cel PM

Osmar Lino de Farias - Cel PM


Comandante Regional I

Pedro Sidney Figueiredo de Souza - Cel PM


Comandante Regional II

Joelson Geraldo Sampaio - Cel PM


Comandante Regional III

Ricardo de Almeida Gil - Cel PM


Comandante Regional IV

Valdemir Benedito Barbosa - Cel PM


Comandante Regional V

José Rodrigues - Cel PM


Comandante Regional VI

Elierson Metello de Siqueira - Cel PM


Comandante Regional VII

Luiz Cláudio Monteiro da Silva - Cel PM


Comandante Regional VIII
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

§§

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO

ASSESSORIA DE PLANEJAMENTO OPERACIONAL,


ESTATÍSTICA E GESTÃO

FICHA TÉCNICA

EQUIPE DE ELABORAÇÃO
Antônio Ribiero Leite - Ten Cel PM
Clelcimar Santos Rabelo de Sousa – Maj PM
Wilker Soares Sodré - Maj PM

CONSULTAS E PESQUISAS
Wilker Soares Sodré - Maj PM

ARTE GRÁFICA
Rogério Francia Farias - Sd PM
Jocilayne Nayara da Silva - Sd PM

REVISÃO JURÍDICA
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso

FORMATAÇÃO FINAL
Clelcimar Santos Rabelo de Sousa – Maj PM
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

APRESENTAÇÃO

Nobres policiais militares,

O voto eleitoral é o momento em que cada eleitor é convocado e tem o poder


de exercer sua cidadania. Nesse momento cada cidadão precisa saber usar esse
poder, com liberdade e consciência, pois voto além de ser direito, é direito humano
fundamental para o exercício da cidadania. É por isso que participar do processo
eleitoral se torna exercício de cidadania a partir do momento em que cada cidadão
quer seja civil ou policial militar reconheça, com responsabilidade política e social,
que o voto é um dos instrumentos que pode influenciar o destino do Brasil e
conseqüentemente melhorar a qualidade de vida de todos nós.

É nesse contexto que se destaca e justifica a importância do serviço policial


durante o pleito eleitoral, pois a defesa do interesse coletivo dos cidadãos enquanto
eleitores se converte em dever para os cidadãos policiais militares, principalmente,
daqueles que se encontram de serviço no dia do pleito eleitoral e, geralmente,
acabam por sacrificar o seu direito de voto em favor do interesse da sociedade.

Eis o motivo que serviu de incentivo para elaboração deste manual, ou seja,
disponibilizar a todos os policiais militares, uma fonte de consulta direcionada as
particularidades do policiamento das eleições visando facilitar o trabalho do Policial
Militar frente a um evento que não faz parte do cotidiano do nosso serviço e que
talvez por isso apresente tantas dúvidas quanto ao aspecto legal da atuação policial,
em especial, pelas freqüentes mudanças que costumam ocorrer na legislação
eleitoral.

Assim procuramos ao longo deste manual contemplar as situações que


costumam acontecer durante o policiamento das eleição, além de deixar claro que a
legislação eleitoral procura resguardar de maneira muito forte o eleitor contra
qualquer tipo de abuso ou aliciamento que o mesmo possa sofrer, ao mesmo tempo
em que procuramos esclarecer o que e como o policial deve agir diante dessas
situações.

Por fim caso permaneça alguma dúvida quanto à forma de atuação policial
em conseqüência de alguma particularidade não prevista neste Manual, fica a
orientação para que se evite tomar qualquer decisão e fazer qualquer
encaminhamento sem antes consultar seu superior sobre o procedimento correto a
ser adotado.

Antônio Benedito de Campos Filho – Cel PM


Comandante Geral – PMMT
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

SUMÁRIO

PÁGINA

1 CONCEITOS BÁSICOS...................................................................................... 9
1.1 O que é crime 9
1.2 O que é crime eleitoral 9
1.3 O que é crime de desobediência 9

2 ATRIBUIÇÕES DA POLICIA MILITAR.............................................................. 9


2.1 Objetivos gerais do policiamento do pleito eleitoral 9
2.2 Missão da Polícia Militar no Pleito Eleitoral 9
2.3 Importância do policial militar no dia da eleição 10

3 PRINCIPAIS CRIMES E INFRAÇÕES SOBRE PROPAGANDA ELEITORAL.. 11


3.1 Finalidade da propaganda eleitoral 11
3.2 Conceito de propaganda eleitoral 11
3.3 Crime e infração eleitoral 11
3.4 Principais casos de permissão e proibição de propaganda eleitoral 12
3.4.1 Uso de alto-falantes ou amplificadores de som 12
3.4.2 Uso de adesivos em carros particulares 13
3.4.3 Realização de comícios e reuniões públicas 15
3.4.4 Realização de “Showmícios” ou eventos assemelhados 16
3.4.5 Distribuição de brindes, cestas básicas ou outros bens ou materiais 16
3.4.6 Propaganda afixada em bens particulares de uso comum 16
3.4.7 Propaganda em postes de iluminação pública e sinalização de tráfego,
17
viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e similares
3.4.8 Propaganda escrita em leito de rua ou rodovia 17
3.4.9 Pinturas em barrancos de corte de estrada 17
3.4.10 Uso de cartazes/inscrições em janelas ou fachadas de edifícios públicos 17
3.4.11 Uso de adesivos em carros públicos 17
3.4.12 Uso de adesivos ou cartazes em táxi, ônibus e veículos de aluguel 17
3.4.13 Instalações de faixas ou cartazes 18
3.4.14 Uso de pequenos cartazes em lojas, bares ou restaurantes 18
3.4.15 Uso de cartazes portáteis levados por pessoas em ginásios, estádios ou
18
cinemas
3.4.16 Colagem de cartazes em postes de iluminação pública 18
3.4.17 Grafitagem ou cartazes em placas de trânsito 18
3.4.18 Veicular propaganda em tapumes de obras públicas ou prédios públicos 18
3.4.19 Faixas, bandeiras e bandeirolas móveis seguradas por pessoas nos
18
locais de grande movimento, principalmente sinais de trânsito/cruzamentos
3.4.20 Uso de bonecos e cartazes não fixos em via pública 19
3.4.21 Faixas fixas estendidas em toda extensão das ruas 19
3.4.22 Veiculação de propaganda nas dependências do poder legislativo 19
3.4.23 Distribuição de mercadorias, prêmios e sorteio para propaganda ou
19
aliciamento de eleitores
3.4.24 Uso de faixas ou cartazes na fachada de residência 19
3.4.25 Pintura de muros e colocação de placas/cartazes 19
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

3.4.26 Placas em árvores 20


3.4.27 Fixar cartaz e veicular propaganda em jardins de áreas públicas 20
3.4.28 Distribuição de volantes, folhetos e outros impressos (santinhos) 21

4 OUTRAS AÇÕES PERMITIDAS ATÉ A VÉSPERA DAS ELEIÇÕES 04/10/08


21
(1º TURNO) E 25/10/08 (2º TURNO)......................................................................

5 CASOS MAIS COMUNS DE CRIME ELEITORAL NO DIA DA ELEIÇÃO –


21
05/10/08 (1º TURNO) E 26/10/08 (2º TURNO)
5.1 Como caracterizar a “boca de urna” 21
5.2 Como caracterizar a propaganda eleitoral irregular 22
5.3 Como caracterizar a concentração de eleitores 22
5.4 Como caracterizar o transporte de eleitores 23

6 DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE AS ELEIÇÕES 23


6.1 É possível comprar/vender bebida alcoólica na véspera ou no dia da
23
eleição?7
6.2 O eleitor tendo porte e registro de arma pode votar armado? 23
6.3 Quem faz segurança do local de votação em área indígena? 25
6.4 Posso receber e cumprir solicitação/determinação diretamente do juiz
25
eleitoral?
6.5 Quando o eleitor, membro de mesa, fiscal, delegado de partido ou candidato
25
pode ser preso ou detido?
6.6 Quem tem o poder de intervenção junto à mesa receptora? 26
6.7 Quem tem prioridade para votar? 27

7. INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA O POLICIAL MILITAR...................... 27


7.1 Sobre a legislação eleitoral e o serviço policial 27
7.1.1 A quem compete o poder de policia na justiça eleitoral? 27
7.1.2 Qual a distância que o PM deve ficar da seção eleitoral? 28
7.1.3 Qual a responsabilidade da Polícia Militar nos casos de denuncia ou
28
flagrante de crime eleitoral?
7.1.4 Como o PM deve proceder ao receber denúncias de prática de crime
28
eleitoral?
7.1.5 Quais os casos em que o PM pode prender/deter alguém no dia da
29
votação?
7.1.5.1 Como proceder no caso de prisão em flagrante de Crime Eleitoral? 29
7.1.5.2 Como proceder no caso de prisão em flagrante de Crime Comum? 29
7.2 Sobre ações a serem realizadas antes, durante e depois da votação 29
7.2.1 O que o policial em função de comando deve fazer 29
7.2.1.1 Antes do pleito eleitoral 29
7.2.1.2 No local de apuração dos votos 30
7.2.2 O que o policial de serviço nos locais de votação deve fazer 30
7.2.2.1 Antes do inicio da votação 30
7.2.2.2 Ao chegar no local de votação 31
7.2.2.3 No transcorrer do serviço 31
7.2.2.4 No término do horário da votação 31
7.2.2.5 No transporte da urna 31
7.3 Datas que o policial deve conhecer 31
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REFERÊNCIA 32
ANEXO A: Condutas proibidas e permitidas 33
ANEXO B: Resumo de alguns artigos do Código Eleitoral 37
ANEXO C: Resumo de alguns artigos da Resolução 21610 39
ANEXO D: Resumo de alguns artigos da Lei de Eleições 41
ANEXO E: Breves considerações sobre corrupção eleitoral 42
ANEXO F: Breves considerações sobre a ação penal eleitoral 43
9Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008

1 CONCEITOS BÁSICOS

1.1 O que é Crime

É todo fato humano, proibido por lei, ou toda a ação ou omissão proibida pela
lei, sob ameaça de pena.

1.2 O que é Crime Eleitoral

Pode ser conceituado sob duas óticas sendo que quanto ao aspecto formal
são todas as condutas consideradas típicas pela legislação eleitoral, enquanto que
sob o aspecto material são todas as ações ou omissões humanas, sancionadas
penalmente, que atentem contra os bens jurídicos expressos nos direitos políticos e
na legitimidade e regularidade dos pleitos eleitorais.

1.3 O que é Crime de Desobediência

É o crime em que existe recusa de cumprir ordem legal do agente público.


Servidor público que desobedece pratica prevaricação ou, então, o crime do art.345,
não cumprimento dos deveres impostos pela lei eleitoral a membros e funcionários
da JE. Pena – 3 meses a 1ano de detenção e 10 a 20 dias multa.

A desobediência difere do crime de desacato, pois, nesse ocorre o


menosprezo, humilhação do agente que, sequer é crime eleitoral.

2 ATRIBUIÇÕES DA POLÍCIA MILITAR

2.1 Objetivos Gerais do Policiamento do Pleito Eleitoral 1

As Unidades Policiais Militares da PMMT deverão alinhar o seu planejamento


operacional, levando em consideração os objetivos gerais do policiamento do pleito
eleitoral previstos neste manual, sendo eles:

2.1.1 Proporcionar segurança pública necessária à realização pacífica do Pleito


Eleitoral 2008;
2.1.2 Contribuir para o exercício da cidadania, garantido o direito de voto da
população;
2.1.3 Apoiar o Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso com o emprego
do policiamento ostensivo nos locais de votação para garantir a realização, apuração
e a totalização dos votos no dia da eleição.

2.2 Missão da Polícia Militar no Pleito Eleitoral

A Policia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT) atuará durante a


realização do pleito eleitoral em duas situações, sendo:

1
Referem-se aos objetivos estabelecidos pelo Plano de Operações nº 006 /APOEG/08 para o policiamento das
eleições 2008.
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10

• Enquanto atribuição constitucional para proporcionar proteção e segurança


pública a todos que estão envolvidos com o processo de realização das
eleições;
• Enquanto parceiro da Justiça Eleitoral de Mato Grosso para garantir a
realização da votação, apuração e totalização dos votos no Estado.

Para tanto a corporação assume perante a sociedade e a Justiça Eleitoral do


Estado de Mato Grosso a seguinte missão: Realizar o policiamento ostensivo a
pé em todos os locais de votação para proporcionar segurança necessária à
realização da votação, apuração e totalização dos votos do pleito eleitoral
2008, no Estado de Mato Grosso;

Dessa forma a PMMT irá colaborar com as seguintes situações:

• No atendimento de solicitações da Justiça Eleitoral, Ministério Público e


Policia Federal em apoio à fiscalização da propaganda eleitoral irregular;
• Na segurança dos locais de votação para garantir que:

■ O eleitor vote de maneira livre e espontânea e com segurança;


■ Os mesários possam trabalhar com segurança;
■ Os juizes eleitorais possam exercer sua autoridade legal;
■ Os trabalhos da Justiça Eleitoral sejam realizados com tranqüilidade e
segurança aos seus funcionários e colaboradores;

2.3 A importância do Policial Militar no dia da Eleição

Muito mais que um servidor público que estará colaborando com a justiça
eleitoral ao oferecer a população segurança nos 1.571 locais de votação, na verdade
cada policial militar através de sua atuação passa a ser um ator social fundamental
para consolidação da história da democracia no Estado de Mato Grosso.

Nesse sentido a presença do policial militar em todos os locais garante a


sociedade mato-grossense o pleno exercício do direito de escolher quem será o seu
representante e assim sonhar com dias melhores. Para melhor entender o
significado do seu trabalho e a dimensão do que é um pleito eleitoral, observe a
tabela adiante:

Tabela 1 – Indicadores eleitorais em Mato Grosso


MUNICÍPIOS: 141
ZONAS ELEITORAIS : 60
LOCAIS DE VOTAÇÃO: 1.571
SEÇÕES ELEITORAIS : 6.798
ELEITORES: 1.993.134
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral/MT (02-09-08)
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3 PRINCIPAIS CRIMES E INFRAÇÕES SOBRE PROPAGANDA ELEITORAL

Neste tema primeiramente devemos atentar ao que descreve a “Cartilha –


Propaganda Eleitoral/Eleições 2008”, elaborada pelo Tribunal Regional Eleitoral –
MT e produzida de acordo com a Lei n°. 9.504, de 30 de setembro de 1997, com as
alterações introduzidas pela Lei n° 11.300, de 10 de maio de 2006, e a Resolução
TSE 22.718, de 28 de fevereiro de 2008, que discorre o seguinte:

O cidadão ou candidato ao se deparar com propaganda eleitoral não


permitida tem o dever de denunciar para que as autoridades responsáveis
tomem as providencias necessária.

Os Juízes Eleitorais ou os Juízes designados pelos tribunais regionais


eleitorais nos municípios com mais de uma zona eleitoral tem o poder de
policia para inibir qualquer pratica irregular ou ilegal de propaganda eleitoral.

Nas situações sujeitas a penalidade, os juízes deverão cientificar o


Ministério Público para que este possa tomar as providencias devidas.

O candidato será notificado da existência da propaganda irregular e


intimado para, no prazo de 48 horas, providenciar a sua retirada ou a sua
regularização. Mesmo se não o fizer, estará caracterizado o prévio
conhecimento, como também se as circunstancias e as peculiaridades do
caso especifico revelarem a impossibilidade de o beneficiário não ter tido
conhecimento da propaganda”.

3.1 Finalidade da propaganda eleitoral

A propaganda eleitoral tem a finalidade de realizar a divulgação do


pensamento dentro de padrões éticos e construtivos, de forma a possibilitar que os
eleitores conheçam os programas, idéias e propostas dos partidos e dos seus
candidatos.

3.2 Conceito de propaganda eleitoral

Propaganda eleitoral é toda forma de utilização de métodos e instrumentos


tendentes a persuadir o eleitor a deliberar em favor de determinados candidatos ou
partidos, sendo reconhecida como direito dos partidos e candidatos , desde que seja
realizada nos limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

Para tanto precisa ser observado o seguinte:

• Os princípios da paz social, da dignidade da pessoa humana;


• Não pode incitar guerras ou processos violentos;
• Não pode atentar contra a ordem política e social ou levar a preconceitos de
raça ou de classes;
• Deve ser realizada de forma igualitária.

3.3 Crime e infração eleitoral

De acordo com a legislação eleitoral a propaganda eleitoral não pode ser


destrutiva, devastadora, enganosa, difamatória, injuriosa ou caluniosa. Dessa forma
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
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a Propaganda Eleitoral antes do dia da votação = Infração Eleitoral e a


Propaganda Eleitoral no dia da votação = Crime Eleitoral.

3.4 Principais casos de permissão e proibição de propaganda eleitoral

Todo tipo de propaganda eleitoral somente será permitida, a partir do dia


06/07/2008 (ART. 36, CAPUT, DA LEI N.º 9.504/97), sendo que a violação desse
preceito sujeitará o responsável pela divulgação da propaganda e o respectivo
beneficiário, à multa no valor de R$ 21.282,00 a R$ 53.205,00 ou o equivalente ao
custo da propaganda, se este for maior (art. 3º, §4º, da Res. TSE nº 22.718/08 –
dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos
em campanha eleitoral – eleições /2.008).

Vejamos adiante os principais casos de permissão e proibição para realização


de propaganda eleitoral, bem como, o seu respectivo enquadramento pela legislação
eleitoral.

3.4.1 Uso de alto-falantes ou amplificadores de som

SERÁ PERMITIDO o uso de alto-falantes ou amplificadores de som, nas


seguintes condições:

3.4.1.1 Durante o período compreendido entre o início da propaganda eleitoral


(06/07), até a véspera da eleição (04/10 – 1º Turno e 25/10 – 2º Turno), no horário
das 08:00 às 22:00 horas;
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 12, II.

3.4.1.2 Desde que seja respeitada a distância mínima de 200 metros das sedes do
Executivo Federal, dos Estados e das Prefeituras Municipais, das câmaras
Legislativas Federais, Estaduais e Municipais; dos Tribunais Judiciais; dos Hospitais
e casas de saúde; das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros em atividade;
dos quartéis e outros estabelecimentos militares;
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 12, §1º, I, II, III e Lei n° 9.504/97,
art. 39, §3°, inc. I, II e III.

3.4.1.3 Para o caso de ALTO-FALANTE FIXO quando estiver sendo usado na sede
ou no comitê do partido ou da coligação;

• Embasamento legal: Resolução do TSE nº 22.718/08, art.12, caput, II, com


observância aos §1° e §2°.

3.4.1.4 Para o caso de ALTO-FALANTE MÓVEL quando estiver instalado em


veículo do partido ou do candidato, ou quando estiver à sua disposição;

• Embasamento legal: Resolução do TSE nº 22.718/08, art.12, II, com


observância aos §1° e §2°.

OBSERVAÇÃO: Um particular não pode colocar alto-falante e sair por aí, fazendo
propaganda de seu candidato preferido.
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3.4.2 Uso de adesivos em carros particulares

SERÁ PERMITIDO o uso de adesivos em veículos particulares, nas seguintes


condições:

3.4.2.1 A partir de 06/07, desde que sejam colocados somente nos vidros dos
veículos e não impeçam a visibilidade do motorista; (principio da manifestação
individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou
candidato).
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 67, caput, e art. 70, caput.

SERÁ PROIBIDO, o uso de adesivos na lataria do veículo afixada em toda a


sua extensão (envelopamento);
• Embasamento legal: Código de Trânsito Brasileiro – CTB, art. 230, VII, por
alteração das características originais do automóvel, sem a respectiva
autorização do DETRAN.

No que concerne ao texto encimado, deve-se atentar para o que dispõe a


Resolução n° 25, de 21 de Maio de 1998, que rege sobre modificações de veículos
e da outras providencias, previstas nos arts. 98 e 106 do Código de Trânsito
Brasileiro, conforme se vê abaixo:

Art. 1° - Nos veículos e motores novos ou usados, mediante previa


autorização da autoridade competente, poderão ser realizadas as seguintes
modificações:

I – Espécie;
II – Tipo;
III – Carroçaria ou Monobloco;
IV – Combustível;
V - Modelo/versão;
VI – Cor;
VII - Capacidade/potência/cilindrada;
VIII – Eixo suplementar;
IX – Estrutura;
X – Sistemas de segurança.

Art. 2° - Quando a alteração envolver quaisquer dos itens do artigo


anterior, exigir-se-á Certificado de Segurança Veicular – CVS expedido por
entidade credenciada pelo INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualificação, conforme regulamentação especifica.

Parágrafo Único. A alteração da cor predominante do veiculo,


dependerá somente da autorização do órgão executivo de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal.

Art. 3° Em caso de modificações do veiculo, os órgãos executivos de


transito dos Estados e do Distrito Federal, deverão fazer constar no campo
de observações do Certificado de Registro de Veículos – CRLV a expressão
“VEICULO MODIFICADO”, bem como os itens modificados e sua nova
configuração.

Art. 4° - .....................................
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Necessário se faz destacar a Resolução n°254, de 26 de Outubro de 2007,


que estabelece requisitos para os vidros de segurança a critérios para aplicação de
inscrições, pictogramas e películas nas áreas envidraçadas dos veículos
automotores, de acordo com o inciso III, do artigo 111 do Código de Trânsito
Brasileiro – CTB, dentre os quais se devem atentar para:

Art.1° - Os veículos automotores, os reboques e semi-reboques


deverão sair de fabrica com as suas partes envidraçadas equipadas com
vidros de segurança que atendam aos termos desta Resolução e aos
requisitos estabelecidos na NBR 9491 e suas normas complementares.

§ 1° Esta exigência se aplica também aos vidros destinados a


reposição.

Art. 2° - Para circulação nas vias publicas do território nacional e


obrigatório o uso de vidro de segurança laminado no pára-brisa de todos os
veículos a serem admitidos e de vidro de segurança temperado,
uniformemente protendido, ou laminado, nas demais partes envidraçadas.

Art. 3° - A transmissão luminosa não poderá ser inferior a 75% para


os vidros incolores dos pára-brisas e 70% para os pára-brisas coloridos e
demais vidros indispensáveis a dirigibilidade do veiculo.

§ 1° Ficam excluídos dos limites fixados no caput deste artigo os


vidros que não interferem nas áreas envidraçadas indispensáveis a
dirigibilidade do veiculo. Para estes vidros, a transparência não poderá ser
inferior a 28%.

§ 2° Consideram-se áreas envidraçadas indispensáveis a


dirigibilidade do veiculo, conforme ilustrado no anexo desta resolução:

I – a área do pára-brisa, excluindo a faixa periférica de serigrafia


destinada a dar acabamento ao vidro e a área ocupada pela banda degrade,
caso existente, conforme estabelece a NBR 9491;
II – as áreas envidraçadas situadas nas laterais dianteiras do veiculo,
respeitando o campo de visão do condutor.
§ 3° Aplica-se ao vidro de segurança traseiro (vigia) o disposto no
parágrafo primeiro, desde que o veiculo esteja dotado de espelho retrovisor
externo direito, conforme a legislação vigente.

Art. 4° - Os vidros de segurança a que se refere esta Resolução,


produzidos no Brasil, deverão trazer marcação indelével em local de fácil
visualização contendo, no mínimo, a marca do fabricante do vidro e o
símbolo de conformidade com a legislação brasileira, definido pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO.

Art. 5° - Fica a critério do DENATRAN admitir, exclusivamente para


os vidros de segurança, para efeito de comprovação do atendimento as
exigências desta Resolução, os resultados de testes e ensaios obtidos por
procedimentos equivalentes, realizados no exterior.

§ 1° Serão aceitos os resultados de ensaios admitidos por órgãos


reconhecidos pela Comissão ou Comunidade Européia e os Estados Unidos
da America, em conformidade com os procedimentos adotados por esses
organismos.

§ 2° Nos casos previstos no §1° deste artigo, a identificação da


conformidade dos vidros de segurança dar-se-a, alternada ou
cumulativamente, através de marcação indelével que contenha no mínimo a
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
15

marca do fabricante e o símbolo de conformidade da Comissão ou da


Comunidade Européia, constituídos pela letra “E” maiúscula acompanhada
de um índice numérico, representando o pais emitente do certificado,
inseridos em um circulo, ou pela letra “e” minúscula acompanhada de um
numero representando o pais emitente do certificado, inseridos em um
retângulo e, se dos Estados Unidos da America, simbolizado pela sigla
“DOT”.

Art. 6° - O fabricante, o representante e o importador do veiculo


deverão certificar-se de que seus produtos obedecem aos preceitos
estabelecidos por esta Resolução, mantendo-se em condição de comprová-
los, quando solicitados pelo Departamento Nacional de Transito –
DENATRAN.

Art. 7° - A aplicação de película não refletiva nas áreas envidraçadas


dos veículos automotores, definidas no art. 1°, será permitida desde que
atendidas as mesmas condições de transparência para o conjunto vidro-
pelicula estabelecidas no artigo 3° desta Resolução.

§ 1° A marca do instalador e o índice de transmissão luminosa


existentes em cada conjunto vidro-pelicula localizadas nas áreas
indispensáveis a dirigibilidade serão gravados indelevelmente na película
por meio de chancela, devendo ser visíveis pelos lados externos dos vidros.

Art. 8° - Fica proibida a aplicação de películas refletivas nas áreas


envidraçadas do veiculo.

Art. 9° - Fora das áreas envidraçadas indispensáveis a dirigibilidade


do veiculo, a aplicação de inscrições, pictogramas ou painéis decorativos de
qualquer espécie será permitida, desde que o veiculo possua espelhos
retrovisores externos direito e esquerdo e que sejam atendidas as mesmas
condições de transparência para o conjunto vidro-pictograma/inscrição
estabelecida no §1° do art. 3° desta Resolução.

Art. 10 – A verificação dos índices de transmitância luminosa


estabelecidos nesta Resolução será realizada na forma regulamentada pelo
CONTRAN, mediante utilização de instrumento aprovado pelo INMETRO e
homologado pelo DENATRAN.

Art. 11 – O disposto na presente Resolução não se aplica a maquinas


agrícolas, rodoviárias e florestais e aos veículos destinados a circulação
exclusivamente fora das vias publicas e nem aos veículos incompletos ou
inacabados.

Art. 12 - ....................................

Deve-se frisar ainda que É PERMITIDO, a colocação nos veículos de


bandeirolas, flâmulas e displays (art. 69, da Res. TSE nº 22.158/06 c/c a Consulta
TSE n° 1.286 – PMDB/SP).

3.4.3 Realização de comícios e reuniões públicas

SERÁ PERMITIDO a realização de comícios e reuniões públicas, nas


seguintes condições:
3.4.3.1 Durante o período compreendido entre o dia 06/07 até o dia 02/10/08 – 1º
Turno e 23/10/08 – 2º Turno, no horário entre 08:00 e 24:00 horas. Não se permite o
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comício com sorteio de brindes, sendo que a realização de comícios ou reuniões


públicas, com a utilização de aparelhagem de sonorização fixa.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 240, § único.

3.4.3.2 Em recintos abertos ou fechados, como campos de futebol, ginásio de


esportes, independente de autorização da prefeitura, da polícia ou da justiça
eleitoral, devendo apenas comunicar com antecipação mínima de 24 horas à
realização do evento à autoridade policial, para garantir o direito de realizá-lo
no local, antes de qualquer outro pretendente (prioridade de aviso), ou seja,
contra quem tencione usar o local no mesmo dia e horário. Bem como a
autoridade policial adotará as providências necessárias à garantia da realização do
ato e ao funcionamento do tráfego de veículos.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 39, §1º e §2º.

3.4.4 Realização de “Showmícios” ou eventos assemelhados

FICA PROIBIDA, a apresentação de artistas, de forma remunerada ou não,


visando animar comício ou reunião eleitoral.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 39, § 7° (proibição imposta pela Lei n°
11.300/06 que introduziu o §7°, no art. 39 da Lei 9.504/97).

3.4.5 Distribuição de brindes, cestas básicas ou outros bens ou materiais


similares

FICA PROIBIDO, a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato,


ou com sua autorização, de quaisquer bens ou materiais que possam proporcionar
vantagem ao eleitor.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 39, § 6° (incluído pela Lei
11.300/2.006, que dispõe sobre propaganda, financiamento e prestação de
contas das despesas com campanha eleitorais).

3.4.6 Propaganda afixada em bens particulares de uso comum


FICA PROIBIDA, pelo fato de ser de uso comum. Considera-se propaganda
afixada em bens particulares de uso comum, tais como: comércio, indústrias,
cinemas, igrejas, clubes, lojas, centros comerciais, ginásios, estádios, escolas
particulares, prestadoras de serviço, bancas de revista e assemelhados, que
dependem de permissão (alvará) ou concessão do serviço público (ônibus, táxis,
carros de aluguel), mediante placas, faixas, cartazes, banners, etc.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.
OBSERVAÇÃO: Quem veicular propaganda em desacordo com esse preceito será
notificado para que no prazo de 48 horas, remova e restaure o bem, sob pena de
multa no valor de R$ 2.000,00 a R$ 8.000,00.
• Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.718, art.13, §1.º.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
17

3.4.7 Propaganda em postes de iluminação pública e sinalização de tráfego,


viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e similares
FICA PROIBIDA, a veiculação propaganda de qualquer natureza, inclusive a
pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97 com nova redação dada pela Lei n°
11.300/06, art. 37, caput.

OBSERVAÇÃO: Quem veicular propaganda em desacordo com esse preceito


deverá proceder a restauração do bem, e não sendo cumprida no prazo, sujeitando-
o à multa de R$ 2.000,00 a R$ 8.000,00.
• Embasamento legal: Lei n° 9.504/97, art. 37, § 1°, alterada pela lei 11.300/06.

3.4.8 Propaganda escrita em leito de rua ou rodovia


FICA PROIBIDA a pichação e inscrição a tinta em bens pertencentes ao
Poder Público.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.

3.4.9 Pinturas em barrancos de corte de estrada

FICA PROIBIDA, se o barranco estiver dentro da faixa de domínio do Poder


Público, prevalece à proibição, por se tratar de coisa pública.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput e Resolução do TSE, art. 13,
caput

SERÁ PERMITIDA, se o barranco se localizar em terras particulares, existe


permissão, desde que o detentor da posse consinta.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, § 2°.

3.4.10 Uso de cartazes/inscrições em janelas ou fachadas de edifícios públicos

FICA PROIBIDA, a veiculação da propaganda.


• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.

3.4.11 Uso de adesivos em carros públicos

A PROIBIÇÃO é total.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.

3.4.12 Uso de adesivos ou cartazes em táxi, ônibus e veículos de aluguel

FICA PROIBIDO, por serem de uso comum, e depende de concessão ou


autorização do poder público.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.
3.4.13 Instalações de Faixas ou cartazes
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
18

FICA PROIBIDO, pois são locais de uso público a exemplo da instalação de


faixas e cartazes em ginásios, estádios esportivos, cinemas, teatros, clubes, lojas,
restaurantes, bares, mercados, exposições, terminais rodoviários, igrejas, estações
ferroviárias, aeroportos, centros comerciais e assemelhados, ainda que de
propriedade privada.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 13, §2º.

3.4.14 Uso de pequenos cartazes em lojas, bares ou restaurantes


FICA PROIBIDO, pois são locais de uso público.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput.

3.4.15 Uso de cartazes portáteis levados por pessoas em ginásios, estádios ou


cinemas

FICA PROIBIDO, pois tais lugares se consideram públicos ou de uso público.


• Embasamento legal: Lei nº 9.504, art. 37, caput.

SERÁ PERMITIDO, se nesse recinto tiver sido programado um comício ou


reunião política, o que autoriza esse tipo de manifestação, tendo em vista que o art.
39, caput, da Lei das Eleições, veio permitir a realização desses eventos tanto em
recintos abertos como fechados.

3.4.16 Colagem de cartazes em postes de iluminação pública


FICA PROIBIDA, porque o poste é um bem público.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, caput e Resolução do TSE, art. 13,
caput.

3.4.17 Grafitagem ou cartazes em placas de trânsito


FICA PROIBIDA, pois, a placa de trânsito é um bem público.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 13, caput.

3.4.18 Veiculação de propaganda em tapumes de obras públicas ou prédios


públicos
FICA PROIBIDO, uma vez que é um bem público.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 13, caput e § 5°.

3.4.19 Faixas, bandeiras e bandeirolas móveis seguradas por pessoas nos


locais de grande movimento, principalmente sinais de trânsito/cruzamentos
SERÁ PERMITIDO, desde que não provoque embaraço ao trânsito de
pessoas e veículos. Havendo qualquer transtorno ao trânsito a Justiça Eleitoral, bem
como a autoridade de trânsito, poderão intervir, cessando a irregularidade.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
19

• Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.158, art. 9°, § 4° c/c Lei n°


9.504/97, art. 42, §2°, I, II e III).

3.4.20 Uso de bonecos e cartazes não fixos em via pública

SERÁ PERMITIDO, desde que não dificulte o bom andamento do trânsito.


• Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.158, art. 9°, § 4º.

FICA PROIBIDA, a fixação de propaganda ao longo das vias públicas.


• Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.158, art. 9°, § 4º.

3.4.21 Faixas fixas estendidas em toda extensão das ruas


FICA PROIBIDO, uma vez dificulta a fluidez do tráfego de veículos.
• Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.158, art. 9°, § 5º.

3.4.22 Veiculação de propaganda nas dependências do poder legislativo


SERÁ PERMITIDO, ficando a critério da Mesa Diretora, não podendo esta
estender-se à fachada e área externa do prédio do legislativo, pois nesse aplica-se a
vedação pertinente aos bens públicos.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 37, § 3º e Resolução TSE n° 22.158,
Art 9°, §6°.

3.4.23 Distribuição de mercadorias, prêmios e sorteio para propaganda ou


aliciamento de eleitores
FICA PROIBIDA E CONSTITUI CRIME, punível com detenção de seis meses
a um ano e cassação do registro se o responsável for candidato, utilizar organização
comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para
propaganda ou aliciamento de eleitores.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 334.

3.4.24 Uso de faixas ou cartazes na fachada de residência


SERÁ PERMITIDO, pois se trata de residência particular. Pode ocorrer que
num prédio de dois andares, no térreo funcione um comércio (bar e restaurante), e,
nos altos a residência do proprietário, e neste caso, pode ser afixada propaganda
eleitoral apenas na parte da residência, sendo vedada no espaço destinada ao
comércio.
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, art. 37, § 2°.

3.4.25 Pintura de muros e colocação de placas/cartazes


FICA PROIBIDO a pintura de muro e colocação de placas e cartazes nos
seguintes casos:
 Quando o muro for de uma repartição pública.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
20

• Embasamento legal:Lei 9.504/97, art. 37, caput.


 Quando o detentor da posse do muro não autorizar a prática, ficando a cargo da
Justiça Comum julgar os pedidos de indenização por propaganda eleitoral em
bem particular, sem autorização do proprietário.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 10. § 2°.

 Quando o muro proteger prédio particular de uso comum ou cujo uso dependa de
cessão, permissão ou concessão do Poder Público. Enquadram-se nessa
situação:
■ Estabelecimentos comerciais (bares, lojas, supermercados, padarias, e
assemelhados);
■ Indústrias, prestadores de serviços, e outros que funcionem com Alvará da
Prefeitura, licença da União, ou do Estado;
■ Fundações, sede de clubes, escolas particulares, revenda de automóveis,
postos de gasolina, igrejas, cinemas e etc;
■ E todas de uso comum;
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, art. 37,caput.

SERÁ PEMITIDO a pintura de muro e colocação de placas e cartazes nos


seguintes casos:
 Quando a pintura for feita em muro particular, cujo detentor da posse deu
permissão.
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, art. 37, § 2°.

 Quando a afixação de placas cujo tamanho não ultrapasse a dimensão até 4 m²,
desde que autorizadas pelos proprietários dos muros/residências
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, art. 37, § 2º e Resolução TSE, art. 14, caput.

3.4.26 Placas em árvores


FICA PROIBIDO em árvores públicas (de praças, de ruas, ou situada dentro
da faixa de domínio público junto às rodovias), porque a árvore é um bem público e
de uso comum, mesmo que não lhe cause dano.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 9°, § 3º.

SERÁ PERMITIDO em árvores de terrenos particulares em observância a


legislação ambiental.

3.4.27 Fixar cartaz e veicular propaganda em jardins de áreas públicas


FICA PROIBIDO, mesmo que não lhes cause dano, por se tratar de um bem
público de uso comum.
• Embasamento legal: Resolução do TSE, art. 9°, § 3º.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
21

3.4.28 Distribuição de volantes, folhetos e outros impressos (santinhos)


SERÁ PERMITIDO, EXCETO NO DIA DO PLEITO, o que constitui a chamada
“boca de urna”, que é crime.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 39, § 5º, II.

OBSERVAÇÃO: Todo o material impresso deverá conter o CNPJ ou CPF do


responsável pela confecção, bem como de quem o contratou, e a respectiva tiragem
Embasamento legal: Resolução do TSE n° 22.261/06, art. 11, parágrafo único.

4 OUTRAS AÇÕES PERMITIDAS ATÉ A VÉSPERA DAS ELEIÇÕES 04/10/08 (1º


Turno) e 25/10/08 (2º Turno)

SERÁ PERMITIDO, aos candidatos, partidos, coligações, cabos eleitorais e


simpatizantes de candidaturas:
a) Realizar caminhada;
b) carreatas;
c) distribuição de santinhos;
d) passeata ou
e) utilizar carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de
candidatos, desde que os microfones não sejam usados para transformar o ato em
comício
• Embasamento legal: art. 68, da Res. n° 22.158/06 c/c o art. 39, § 5º, I, da Lei nº
9.504/97).

5 CASOS MAIS COMUNS DE CRIME ELEITORAL NO DIA DA ELEIÇÃO –


05/10/08 (1º TURNO) e 26/10/08 (2º TURNO)

Lembre-se primeiramente que antes da eleição a propaganda eleitoral


irregular é considerada infração, sendo que somente no dia de votação é
considerada crime eleitoral.
 Usar alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou
carreata, no dia da eleição;
 A arregimentação de eleitor ou a propaganda de boca de urna, no dia da
eleição;
 A divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de
seus candidatos, mediante publicações, cartazes, camisas, bonés, broches
ou dísticos em vestuário, no dia da eleição.
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, com a redação dada pela Lei nº11.300/2006,
Art. 39, § 5o, I, II e III.

5.1 Como caracterizar a “boca de urna”


A prática da chamada “boca de urna”, caracteriza-se pela ação do infrator em
distribuição de impressos, volantes aos eleitores, no dia da eleição, ou, ainda, pelo
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
22

comportamento de aliciar e tentar persuadir o eleitor a votar em determinado


candidato ou partido.
• Embasamento legal: Lei nº 9.504/97, art. 39, § 5º, I, II E III.

OBSERVAÇÃO 1: Essas práticas são vedadas não somente nas proximidades das
seções eleitorais, mas em qualquer lugar, na data da eleição;
OBSERVAÇÃO 2: Crime somente pode ser cometido durante o horário da eleição
ou quando os eleitores estão se dirigindo ao local de votação.
OBSERVAÇÃO 3: A posse de santinho ou panfleto que o eleitor traga consigo para
uso de cola fins de facilitar a escolha de seu candidato não configura boca de urna.

5.2 Como caracterizar a propaganda eleitoral irregular


Para caracterizar a realização de propaganda eleitoral proibida deve-se
buscar a materialidade do cometimento da irregularidade, através do dolo específico
que é a vontade consciente e deliberada de realizar a propaganda vedada com o
fim de influir na vontade do eleitor. NESSE SENTIDO OBSERVE O SEGUINTE:

 NÃO CONFIGURA O DELITO o ato de atirar panfletos na rua ou mesmo


espalhar propaganda eleitoral durante a madrugada, enquanto os eleitores
dormem e as secções eleitorais estão fechadas, não configura o delito.
 A CARACTERIZAÇÃO E A CONSUMAÇÃO DO DELITO ocorre no momento
em que se dá a propaganda irregular no dia da eleição, independentemente
do resultado, mesmo que não convença o eleitor ou não aceite a propaganda.
• Embasamento legal: Lei 9.504/97, art. 39, § 5º, I, II e III.

5.3 Como caracterizar a concentração de eleitores

De acordo com a legislação eleitoral a aglomeração de pessoas durante todo


o dia da votação e em qualquer local público ou aberto ao público portando
instrumentos de propaganda, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou
sem utilização de veículos é proibida.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 302

O Código Eleitoral estabelece que concentração de eleitores é o ato de:


Promover, no dia da eleição, com o fim de impedir, embaraçar ou
fraudar o exercício do voto, a concentração de eleitores sob qualquer forma,
inclusive o fornecimento gratuito de alimento e transporte coletivo.

Nesse sentido tem-se que para caracterizar a prática do crime são


necessários 2 elementos:
1º – A existência da concentração de eleitores na data da eleição;
2º – Que tenha a finalidade de impedir (inviabilizar), embaraçar (dificultar) ou fraudar
o exercício do direito de voto.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
23

OBSERVAÇÃO 1: O crime é formal e se consuma no momento da concentração


dos eleitores com propósito ilícito.

5.4 Como caracterizar o transporte de eleitores


De acordo com a legislação eleitoral o crime de transporte de eleitores
também exige dolo específico, ou seja, realizar o transporte de eleitores desde o dia
anterior até o posterior à eleição realizado para obter vantagem de ordem eleitoral,
em benefício de determinado candidato ou partido.
Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 302 e Lei 6.091/74, art 11, III, c|c art. 5º
OBSERVAÇÃO: O mero transporte de eleitores, sem o fim específico acima
mencionado não caracteriza o crime do art. 302.

6 DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE AS ELEIÇÕES

6.1 É possível comprar ou vender bebida alcoólica na véspera ou no dia da


eleição?
Este assunto não é de competência da Justiça Eleitoral nem está previsto na
Legislação Eleitoral, portanto não há nenhuma atitude que o PM deva tomar a não
ser as situações previstas no Código Penal e demais legislações vigentes, ou em
cumprimento a ordem judicial dos juízos locais em relação ao assunto, os quais
possuem a competência facultativa de “Criação de Ato Normativo”, regulando a
proibição de venda de bebidas alcoólicas das 0hs as 24h do dia da eleição.

6.2 O eleitor tendo porte e registro de arma pode votar armado?


QUANDO O ELEITOR FOR PROFISSIONAL EM SERVIÇO SIM. CASO
CONTRÁRIO NÃO, pois, o próprio PM em serviço deve manter-se afastado do local
de votação.

Devemos ainda atentar quanto ao que prescreve a Lei nº 10.826, de 22 de


dezembro de 2003, que Dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de
fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas (SINARM) e que define crimes e dá
outras providências, destacando os Artigos e Incisos abaixo que regulam o Porte de
Arma, conforme se vê:

“Art. 6º É proibido o porte de arma de fogo em todo o território


nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:

I - os integrantes das Forças Armadas;


II - os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144
da Constituição Federal;
III - os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e
dos Municípios com mais de quinhentos mil habitantes, nas condições
estabelecidas no regulamento desta Lei;
IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais
de cinqüenta mil e menos de quinhentos mil habitantes, quando em serviço;
V - os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os
agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República;
VI - os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no
art. 52, XIII, da Constituição Federal;
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
24

VII - os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas


prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;
VIII - as empresas de segurança privada e de transporte de valores
constituídas, nos termos desta Lei;
IX - para os integrantes das entidades de desporto legalmente
constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de
fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a
legislação ambiental.

§ 1º As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e VI deste artigo terão


direito de portar arma de fogo fornecida pela respectiva corporação ou
instituição, mesmo fora de serviço, na forma do regulamento, aplicando-se
nos casos de armas de fogo de propriedade particular os dispositivos do
regulamento desta Lei.

§ 2º A autorização para o porte de arma de fogo dos integrantes das


instituições descritas nos incisos V, VI e VII está condicionada à
comprovação do requisito a que se refere o inciso III do art. 4o, nas
condições estabelecidas no regulamento desta Lei.

§ 3º A autorização para o porte de arma de fogo das guardas


municipais está condicionada à formação funcional de seus integrantes em
estabelecimentos de ensino de atividade policial e à existência de
mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições
estabelecidas no regulamento desta Lei, observada a supervisão do
Comando do Exército.

§ 4º Os integrantes das Forças Armadas, das polícias federais e


estaduais e do Distrito Federal, bem como os militares dos Estados e do
Distrito Federal, ao exercerem o direito descrito no art. 4o, ficam
dispensados do cumprimento do disposto nos incisos I, II e III do mesmo
artigo, na forma do regulamento desta Lei.

§ 5º Aos residentes em áreas rurais, que comprovem depender do


emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar,
será autorizado, na forma prevista no regulamento desta Lei, o porte de
arma de fogo na categoria "caçador".

§ 6º Aos integrantes das guardas municipais dos Municípios que


integram regiões metropolitanas será autorizado porte de arma de fogo,
quando em serviço.

Art. 7º As armas de fogo utilizadas pelos empregados das empresas


de segurança privada e de transporte de valores, constituídas na forma da
lei, serão de propriedade, responsabilidade e guarda das respectivas
empresas, somente podendo ser utilizadas quando em serviço, devendo
essas observar as condições de uso e de armazenagem estabelecidas pelo
órgão competente, sendo o certificado de registro e a autorização de porte
expedidos pela Polícia Federal em nome da empresa.

§ 1º O proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança


privada e de transporte de valores responderá pelo crime previsto no
parágrafo único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais sanções
administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrência policial e de
comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio
de armas de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua guarda, nas
primeiras vinte e quatro horas depois de ocorrido o fato.

§ 2º A empresa de segurança e de transporte de valores deverá


apresentar documentação comprobatória do preenchimento dos requisitos
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
25

constantes do art. 4o desta Lei quanto aos empregados que portarão arma
de fogo.
§ 3º A listagem dos empregados das empresas referidas neste artigo
deverá ser atualizada semestralmente junto ao SINARM.

Art. 8º As armas de fogo utilizadas em entidades desportivas


legalmente constituídas devem obedecer às condições de uso e de
armazenagem estabelecidas pelo órgão competente, respondendo o
possuidor ou o autorizado a portar a arma pela sua guarda na forma do
regulamento desta Lei.

Art. 9° - Compete ao Ministério da Justiça a autorização do porte de


arma para os responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em
visita ou sediados no Brasil e, ao Comando do Exército, nos termos do
regulamento desta Lei, o registro e a concessão de porte de trânsito de
arma de fogo para colecionadores, atiradores e caçadores e de
representantes estrangeiros em competição internacional oficial de tiro
realizada no território nacional.

Art. 10° - A autorização para o porte de arma de fogo de uso


permitido, em todo o território nacional, é de competência da Polícia Federal
e somente será concedida após autorização do SINARM.

Art. 11° -........................................

OBSERVAÇÃO: O policial deve checar se a documentação do porte e registro estão


em conformidade legal, e verificar com o mesário qual a orientação que será
passada ao eleitor. Não tendo porte e registro deverá ser tomado às providências de
flagrância de crime comum.

6.3 Quem faz a segurança do local de votação em área indígena?

A atuação em área indígena só será feita com a presença de agentes federais


(Polícia Federal ou FUNAI)

OBSERVAÇÃO: Neste pleito eleitoral a atuação e segurança em área indígena será


feita com exclusividade da Policia Federal.

6.4 Posso receber e cumprir solicitação/determinação diretamente do juiz


eleitoral?
Sim. Contudo faz-se necessário que o PM conheça parte da legislação
eleitoral e tenha noção básica de que a sua principal missão é a proteção do direito
do eleitor ao voto livre e espontâneo.

OBSERVAÇÃO: Havendo alguma ordem manifestamente ilegal é prudente que


antes de cumpri-la, que o policial solicite a autoridade que se manifeste por escrito
sobre o que se requer que seja cumprido. Nesse caso mantenha seu superior
informado sobre o ocorrido.

6.5 Quando o eleitor, membro de mesa, fiscal, delegado de partido ou


candidato pode ser preso ou detido?
O artigo 298 do Código Eleitoral estabelece que: “prender ou deter eleitor,
membro de mesa receptora, fiscal, delegado de partido ou candidato, com violação
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
26

do disposto no art. 236 do CE” é crime punível com pena de reclusão de até
quatro anos.

Para tanto o artigo 236 do CE estabelece as circunstancias em que essas


pessoas podem ser detidas ou presas, são elas:
 PARA O ELEITOR somente em caso de flagrante ou por sentença
criminal condenatória por crime, senão vejamos:
Nenhuma autoridade poderá, desde 5 dias antes e até 48h depois
do encerramento da eleição prender ou deter eleitor, salvo flagrante delito
ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime
inafiançável.(Código Eleitoral, art. 236)

 PARA MEMBRO DE MESA RECEPTORA E FISCAIS DE PARTIDO ao


exercer a função, somente em caso de flagrante, sendo que os
CANDIDATOS possuem a mesma prerrogativa 15 dias antes da eleição,
senão vejamos:
Os membros de mesa receptora e os fiscais de partido, durante o
exercício de suas funções, não poderão ser, detidos ou presos, salvo o
caso de flagrante delito; da mesma garantia gozarão os candidatos
desde 15 (quinze) dias antes da eleição. (Código Eleitoral, art. 236, § 1º)

OBSERVAÇÃO 1: CONSIDERA-SE EM FLAGRANTE DELITO quem está


cometendo a infração penal; acaba de cometê-la; é perseguido, logo após, em
situação que faça presumir ser autor da infração (impróprio); ou, então, é
encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser o autor do ilícito (presumido).
OBSERVAÇÃO 2: QUALQUER PESSOA PODE SER O AUTOR DO CRIME 298 do
CE, não havendo exigência de que somente seja praticado por autoridade judiciária
ou policial.

6.6 Quem tem o poder de intervenção junto à mesa receptora?


De acordo com o artigo 305 do Código Eleitoral SOMENTE O JUIZ
ELEITORAL tem o poder de intervir no funcionamento da mesa receptora.

OBSERVAÇÃO 1: Os candidatos registrados e os delegados e fiscais de partidos


poderão fiscalizar a votação, pelo que a atuação dessas pessoas, dentro dos limites
legais não constitui ilícito penal;
OBSERVAÇÃO 2: Qualquer intromissão estranha, que não seja daqueles
autorizados legalmente, caracteriza o delito, nem mesmo a força armada deve
permanecer no lugar da votação, somente podendo nele penetrar a pedido do
presidente da mesa ou do juiz eleitoral. O eleitor também só deve permanecer no
local o tempo necessário à votação;
OBSERVAÇÃO 3: Ação típica consiste em intervir, intrometer-se, interceder nos
trabalhos da mesa receptora, sem estar investido de atribuições pela lei eleitoral. A
intervenção indébita pode ocorrer através de palavras, gestos, escrita, supressão,
lançamento de dados, intercessão junto a eleitores, etc.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 305.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
27

6.7 Quem tem prioridade para votar?


De acordo com o artigo 306 do Código Eleitoral quem não observar a ordem
em que os eleitores devem ser chamados para votar, pratica crime, sendo que
possuem prioridade de voto as seguintes pessoas:

 CANDIDATOS E ELEITORES JÁ PRESENTES no momento da abertura dos


trabalhos;
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 143.

 Observada a prioridade assegurada aos candidatos, tem preferência para votar o


JUIZ ELEITORAL, SEUS AUXILIARES DE SERVIÇO, OS ELEITORES DE
IDADE AVANÇADA, OS ENFERMOS, AS MULHERES GRÁVIDAS;
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 143, § 2º.

 Os MEMBROS DA MESA E OS FISCAIS de partido deverão votar no correr da


votação, [...] ou no encerramento da votação;
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 143, § 1º.

OBSERVAÇÃO: O principal objetivo dessa definição de prioridades é resguardar o


bom desenvolvimento da votação, respeitando os eleitore s que se
apresentam para votar.

7 INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA O POLICIAL MILITAR

Todo processo que antecede a tomada de qualquer decisão precisa levar em


consideração os aspectos legais que norteiam a vida do administrador sob pena de
ser imputado ao mesmo às sanções decorrentes de possível (eis) abuso(s).

Destarte, fazendo uso do procedimento metodológico de perguntas e


respostas sobre situações com as quais o policial militar possa se deparar no dia da
eleição, buscamos assim, facilitar o serviço do policial militar para que seja realizado
com alto grau de profissionalismo e em observância aos objetivos e missão da
Polícia Militar.

Apresentamos adiante alguns dos casos mais comuns de ocorrerem no dia da


eleição.
7.1 Sobre a legislação eleitoral e o serviço policial
7.1.1 A quem compete o poder de policia na justiça eleitoral?
Cabe ao presidente da mesa e principalmente ao juiz eleitoral a policia dos
trabalhos eleitorais.

Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 139.


Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
28

7.1.2 Qual a distância que o PM deve ficar da seção eleitoral?

O PM durante o ato eleitoral não poderá permanecer na sala onde funciona a


mesa receptora, devendo se conservar a cem metros da “seção eleitoral” não
podendo se aproximar do lugar da votação ou nele penetrar, sem ordem do
presidente da mesa, salvo para o caso em que o policial militar que está de serviço
esteja exercendo o seu direito de voto.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 141.

7.1.3 Qual a responsabilidade da Polícia Militar nos casos de denuncia ou


flagrante de crime eleitoral?

A instituição que em primeiro lugar tomará providências no recebimento de


denuncia da prática de crime eleitoral é a Policia Federal e na sua ausência é a
Policia Civil.

Contudo nos locais em que não existir efetivo das policias Civil e Federal
caberá a Polícia Militar tomar a primeira atitude, pois, no ordenamento jurídico
brasileiro, qualquer pessoa do povo pode e o agente público deve atuar sob pena de
prevaricação ou omissão.

7.1.4 Como o PM deve proceder ao receber denúncias de prática de crime


eleitoral?

Em geral são três as situações que o PM deve considerar, sendo elas:

1ª SITUAÇÃO: Havendo Policia Federal no município leve o fato imediatamente ao


representante dessa instituição e se não houver leve o fato ao conhecimento da
Polícia Civil.
2ª SITUAÇÃO: Não havendo Policia Federal ou Polícia Civil no município o policial
deverá levar o fato ocorrido ao conhecimento do juiz ou promotor eleitoral, ou ainda
ao seu representante legal.
3 ª SITUAÇÃO: Na hipótese de não haver nenhuma das autoridades no município, a
exemplo de locais muito afastados e, convicto da legislação, verifique pessoalmente
a situação e apreenda o material flagrado que materialize a prática do crime
eleitoral.

OBSERVAÇÃO 1: Para o caso da 1ª situação NÃO ESQUECER DE PEGAR


TODOS OS DADOS do agente que recebeu as informações;
OBSERVAÇÃO 2: Nas demais situações o policial deve PREENCHER UM
BOLETIM DE OCORRÊNCIA (COM DADOS DO INFRATOR E TESTEMUNHAS) e
logo que chegar a primeira autoridade acima, registre como uma ocorrência normal
com a natureza crime eleitoral. Caso não seja possível a condução do eleitor infrator
especifique no boletim de ocorrência o motivo que prejudicou a condução, como por
exemplo, à distância, falta de meios para realizar a condução do infrator e outros se
houver.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
29

7.1.5 Quais os casos em que o PM pode prender/deter alguém no dia da


votação?

O Código Eleitoral é claro quando estabelece que fica proibida a prisão ou


detenção de qualquer eleitor desde 05 dias antes e até 48 horas depois do
encerramento da eleição, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença
criminal condenatória por crime inafiançável, ou, por desrespeito a salvo-conduto.
• Embasamento legal: Código Eleitoral, art. 236.

7.1.5.1 Como proceder no caso de prisão em flagrante por crime


eleitoral?
Havendo qualquer prisão o preso deverá ser conduzido imediatamente à
autoridade Policial Federal, na sua ausência deve ser encaminhada à autoridade de
Policia Judiciária Civil. Faz-se necessário que o PM consulte a legislação eleitoral,
pois, além da prisão a lei eleitoral proíbe inclusive a detenção de qualquer eleitor.

No dia da eleição os juízes eleitorais designarão locais (Cadeião)


diferenciados para atenderem os crimes eleitorais.

7.1.5.2 Como proceder no caso de prisão em flagrante por crime comum?


Faz-se necessário esclarecer que no dia da eleição ocorrendo a flagrância de
crime comum o PM deverá atuar dando os encaminhamentos de um ocorrência
normal junto a delegacia mais próxima.
OBSERVAÇÃO: Atente-se que a sua principal missão conforme já descrita é a
segurança dos locais de votação, por isso a saída dos locais somente se procederá
em último caso. Para isso é muito importante que você respeite as etapas quanto ao
recebimento de denuncias ou atuação em flagrância e, caso você seja um condutor
de flagrante verifique com seu superior da possibilidade em substituir a sua
guarnição até o devido retorno.

7.2 Sobre ações a serem realizadas antes, durante e depois da votação

7.2.1 O que o policial em função de comando deve fazer?

7.2.1.1 Antes do pleito eleitoral


 Levantar quais são os PONTOS SENSÍVEIS DO LOCAL DE VOTAÇÃO
(saídas de emergência, vias de acesso, extintores de incêndio, quadro de
força, etc.);
 Buscar SABER COMO E QUANDO A URNA CHEGARA AO LOCAL e se há
segurança da instalação para a sua guarda e, não havendo se o local (sala) é
seguro;
 Apesar do patrimônio ser de responsabilidade da justiça eleitoral sugere-se
que sejam realizadas rondas motorizadas no local, principalmente, se as
condições acima forem precárias;
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
30

 Ter em mãos os TELEFONES QUE PODEM SER UTILIZADOS PARA


FAZER E RECEBER CHAMADAS de todos os locais de votação;
 Ter em mãos os TELEFONES QUE PODERÃO SER ÚTEIS (juiz eleitoral,
cartório, unidade PM local, conselho tutelar, delegacia, hospital, e outros);
 VISITAR O CARTÓRIO ELEITORAL E O JUIZ ELEITORAL para saber se
existe alguma portaria especifica da referida autoridade relativa a
normatização de procedimentos no dia da eleição;
 Agendar reunião com o juiz eleitoral e o efetivo policial local sobre dicas e
procedimentos para o policiamento no dia das eleições;

7.2.1.2 No local de apuração dos votos


O juiz eleitoral é a autoridade competente para dizer quem pode entrar, até onde
se pode ir e por onde se entra. É prudente com antecedência vistoriar os locais com
esta autoridade visando colaborar no sentido de oferecer sugestões técnicas como
nos pontos abaixo:
 Quais são as saídas do local e quantas serão utilizadas, dê a sugestão ao juiz
que seja o mínimo possível;
 Havendo bombeiros na cidade solicite que dê orientações ao efetivo em caso
de incêndios;
 Verifique como será o controle de acesso das pessoas e veículos ao local.
Haverá crachás de identificação? Estes se diferenciam por áreas de acesso
permitido?
 Quem será a pessoa responsável pelo controle da entrada de pessoas?
 Quem será responsável pelo controle de trânsito de veículos?
 Sendo possível faça o isolamento das áreas críticas por cordas ou outro tipo
de barreira;

OBSERVAÇÃO: Lembre-se – há a previsão de que cada juiz eleitoral terá um oficial


como elo entre Polícia Militar e Justiça Eleitoral.

7.2.2 O que o policial de serviço nos locais de votação deve fazer?

7.2.2.1 Antes do início da votação

 Perguntar ao oficial responsável qual o local foi designado para levar as


pessoas presas ou detidas;
 Verificar com seu superior como ficou estabelecido o almoço (horário e local);
 Não esquecer de levar papel para anotações, caneta e se estiver trabalhando
em local afastado e isolado leve boletim de ocorrência;
 Quando for destacado para trabalhar em local de difícil acesso verifique com
antecedência se neste local há alguém designado como representante do juiz
eleitoral;
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
31

7.2.2.2 Ao chegar no local de votação


 Procure conhecer os presidentes de mesas colocando-se a disposição e
informando o local que estará caso haja necessidade de atuação;
 Verificar se há a presença de policiais federais e civis no local que está
trabalhando;

7.2.2.3 No transcorrer do serviço


 Mantenha postura ética e profissional
 Nunca abandonar seu posto sem informar o presidente de mesa e o seu
superior imediato;
 Permaneça em constante estado de alerta e observação;
 Justifique o seu voto no próprio local de trabalho, caso esteja em outra zona
eleitoral;

7.2.2.4 No término do horário da votação


 Fique atento quanto à fila que esta fora do edifício pois, é previsto em lei a
distribuição de senha onde será recolhido os títulos destas pessoas e, desta
forma mesmo as pessoas que estão porventura fora do edifício terão o direito
a votar mesmo que o horário tenha sido ultrapassado;
 Verifique com o seu superior se será necessário reforçar o policiamento no
local de apuração dos votos.

7.2.2.5 No transporte da urna


 Acompanhe até o local de apuração caso seja solicitado;
7.3 Datas que o policial deve conhecer
DATA PERIODO SITUAÇÃO A SER OBSERVADA
15 dias antes da Data a partir da qual nenhum candidato poderá ser preso,
20Set08 eleição salvo em flagrante delito (Código Eleitoral, art. 236, § 1°)
Data a partir da qual e ate 48 horas depois do
encerramento da eleição, nenhum eleitor poderá ser
30Set08 05 dias antes da preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude
eleição de sentença criminal condenatória por crime inafiançável,
ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto (código
eleitoral, art. 236, caput)
Último dia para a propaganda eleitoral mediante alto-
falantes ou amplificadores de som, entre as 08:00 e
04Out08 01 dia antes da 22:00, bem como, para a utilização de aparelhagem de
eleição sonorização fixa, entre as 08:00 e 24:00 (Lei n° 9.504/07,
art. 39, §3°, §4° e §5°, I)
É proibido a promoção de carreata, passeata, uso de alto
05Out08 Dia da eleição falantes, carro de som, boca de urna e distribuição de
panfletos(Lei n° 9.504/97, art. 39, §5°, I e III)
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
32

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei 4.737 de 15 de Julho de 1965. Código Eleitoral.

BRASIL. Lei 6.091, de 15 de agosto de 1974. Dispõe sobre o fornecimento


gratuito de transporte em dias de eleição, a eleitores residentes nas zonas
rurais e da outras providencias.

BRASIL. Lei 9.503, de 23 de setembro de 1997. Código de Trânsito Brasileiro.

BRASIL. Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997. Lei Eleitoral.

BRASIL. Lei n° 11.300, de 10 de Maio de 2006. Dispõe sobre propaganda,


financiamento e prestação de contas das despesas com campanhas eleitorais,
alterando a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997.

BRASIL. Departamento Nacional de Trânsito. Resolução/CONTRAN, n° 25, de 21


de Maio de 1.998.

____________. Resolução /CONTRAN n° 254, de 26 de outubro de 2007.

BRASIL. Resolução/TSE nº 21.610 Instrução Nº 75. Classe 12ª. Dispõe sobre a


propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em
campanha eleitoral, nas eleições municipais de 2004.

BRASIL. Resolução/TSE nº 22.158 de 02/03/2006. Dispõe sobre a propaganda


eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral,
nas eleições.

BRASIL. Resolução/TSE nº 22.261. Dispõe sobre a propaganda eleitoral e as


condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral.

BRASIL. Resolução TSE 22.718, de 28 de fevereiro de 2008. Dispõe sobre a


propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em
campanha eleitoral (eleições de 2008).

FURASTÉ, P. A. Normas Técnicas para o Trabalho Científico: Elaboração e


Formatação. Explicitação das Normas da ABNT. – 14ª ed. – Porto Alegre: s.n., 2007.

MATO GROSSO. Tribunal Regional Eleitoral. Manual de Propaganda Eleitoral.


Eleições 2008/TRE-MT.

______________. Tribunal Regional Eleitoral. Cartilha de Propaganda Eleitoral.


Eleições 2008/TRE-MT.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
33

ANEXO A

CONDUTAS PERMITIDAS E PROIBIDAS

ANTES E APÓS O PLEITO ELEITORAL (1º TURNO)

ORD DATA CONDUTA FUNDAMENTO JURÍDICO


Data a partir da qual e até quarenta e
oito horas depois da eleição, nenhum
eleitor poderá ser preso ou detido,
1 30/09/2008 salvo em flagrante delito, ou em virtude Código Eleitoral, art. 236
(terça-feira) de sentença criminal condenatória por
crime inafiançável, ou, ainda, por
desrespeito a salvo-conduto
Último dia para propaganda política
04/10/2008 1. Código Eleitoral, art.
2 mediante comícios e reuniões
(sabado) 240, parágrafo único
públicas.
Último dia para a divulgação paga, na
imprensa escrita, de propaganda
03/10/2008
eleitoral, no espaço máximo, por Lei 9.504/97, art. 43, caput
(sexta-feira)
3 edição, para cada candidato, partido (alterado pela Lei nº
dois dias
ou coligação, de um oitavo de página 11.300/2006)
antes
de jornal padrão e um quarto de
página de revista ou tablóide.
Último dia para a propaganda eleitoral
04/10/2008 mediante Lei 9.504/97, art. 39, § 5o,
4
(sábado) alto-falantes e amplificadores de som inciso I
ou para a promoção de carreata.
5 05/10/2008 Instalação da seção eleitoral Código Eleitoral, Art. 142
Último dia do prazo dentro do qual
nenhum eleitor poderá ser preso ou
07/10/2008 Código Eleitoral, art. 236
detido, salvo em flagrante delito, ou
(terça-feira) (48 horas depois do
6 em virtude de sentença criminal
dois dias encerramento da eleição –
condenatória por crime inafiançável,
após 17:00 horas)
ou, ainda, por desrespeito a salvo-
conduto.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
34

É PROIBIDO no dia do pleito:

ORD CONDUTA FUNDAMENTO JURÍDICO


1 É PROIBIDO durante todo o dia da votação e
em qualquer local público ou aberto ao público,
a aglomeração de pessoas portando os
Art. 68, § 1o, Res. 22.158-TSE, de
instrumentos de propaganda referidos no caput
02/03/2006
deste artigo, de modo a caracterizar
manifestação coletiva, com ou sem utilização
de veículos.
2 É PROIBIDO no dia do pleito, assim como em
toda a campanha eleitoral a confecção,
utilização, distribuição por comitê, candidato, ou Art. 39, § 6º, da Lei 9.504/97
com a sua autorização, de camisetas, (introduzido pela Lei 11.300/06)
chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas Art. 8º, § 4º, Res.TSE 22.261/06.
básicas ou quaisquer outros bens ou materiais
que possam proporcionar vantagem ao eleitor.
3 É PROIBIDO promover qualquer espécie de
reunião pública ou em sede de partidos ou
Art. 39, § 5o, II, da Lei 9.504/97
coligações, ou ainda em comitês eleitorais (vide
ressalva – item 4 abaixo – conduta permitida);
4 É PROIBIDO utilizar alto-falantes ou
Art. 39, § 5o, I, da Lei 9.504/97
amplificadores de som (crime)
5 É PROIBIDO arregimentação de eleitor ou Art. 39, § 5o, inc. II, da Lei 9.504/97
propaganda de boca de urna (crime). (alterado pela Lei 11.300/06)
6 É PROIBIDO a divulgação de qualquer espécie
de propaganda de partidos políticos ou de seus
Art. 39, § 5º, inc. III, da Lei 9.507/97
candidatos, mediante publicações, cartazes,
(incluído pela Lei 11.300/06)
camisas, bonés, broches ou dísticos em
vestuário (crime).
7 No recinto das seções eleitorais e juntas
apuradoras, É PROIBIDO aos servidores e da
Justiça Eleitoral, aos mesários e aos Art. 67, § 2o, da Res. 22.261/06 do
escrutinadores o uso de vestuário ou objeto que TSE
contenha qualquer propaganda de partido
político ou coligação ou candidato.
8 O serviço de qualquer repartição pública e
respectivo prédio NÃO PODE SER UTILIZADO Art. 377, caput ,do Código Eleitoral
para beneficiar partido ou coligação
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
35

É PERMITIDO no dia do pleito:

OR
CONDUTA FUNDAMENTO JURÍDICO
D
Art. 69, caput, Res. 22.158-TSE, de
02/03/2006
“Art. 69. Não caracteriza o tipo previsto
no art. 39, § 5º, II, da Lei nº 9.504/97 a
manifestação individual e silenciosa da
A manifestação individual e silenciosa da
preferência do cidadão por partido
preferência do cidadão por partido, coligação ou
1 político, coligação ou candidato, incluída
candidato.
a que se contenha no próprio vestuário
ou que se expresse no porte de bandeira
ou de flâmula ou pela utilização de
adesivos em veículos ou objetos de que
tenha posse (Res.-TSE nº 14.708, de
22.9.94)”
Uso de vestuário (é vedada a utilização de
camisetas de campanha e bonés) contendo
manifestação de preferência a partido,
2 coligação ou candidato(adesivo, fita, botton ou Art. 74, § 1o, da Res. 21.610-TSE
dístico), contanto que não haja aglomeração de
várias pessoas com o mesmo material, suficiente
a caracterizar aliciamento.
Aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação,
só é permitido que, em suas vestes ou crachás,
constem o nome e a sigla do partido ou
coligação a que sirvam.
Art. 78. No dia da votação, durante os trabalhos,
os fiscais dos partidos políticos e coligações
poderão portar em suas vestes ou crachás, o
nome e a sigla do partido político ou da coligação
que representarem, vedada qualquer inscrição
que caracterize pedido de voto. Art. 74, § 3o, da Res.21.610 - TSE
3
*Parágrafo único. O crachá deverá ter medidas Art. 78, Resol. 22.154/06
que não ultrapassem 10 (dez) centímetros de
comprimento por 5 (cinco) centímetros de largura,
no qual constem apenas o nome do usuário e a
indicação do candidato ou do partido a que
prestado o serviço, sem qualquer referência que
possa ser interpretada como propaganda eleitoral.
(*) Nova redação – Resol. TSE nº 22.412, de
14.9.06

“Serão permitidos, na véspera do dia da eleição,


caminhada, carreata, passeata ou carro de som
que transite pela cidade divulgando jingles ou
4 mensagens de candidatos, desde que os Art. 66, Resolução TSE 22.261/06
microfones não sejam usados para transformar o
ato em comício (Ac. -TSE nº 3.107, de
25.10.2002)”.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
36

CONSTITUEM CRIME NO DIA DA ELEIÇÃO:

ORD CONDUTA FUNDAMENTO JURÍDICO


Constitui crime eleitoral a realização de transporte
de eleitores desde o dia anterior até o posterior à
eleição, salvo:
a ) a serviço da Justiça Eleitoral;
b ) coletivos de linhas regulares e não fretados;
c) de uso individual do proprietário, para o
1 Art. 5o da Lei 6.091/74
exercício do próprio voto e dos membros de sua
família;
d) o serviço normal, sem finalidade eleitoral, de
veículos de aluguel , desde que não caracterize
desvio de finalidade do serviço, com o transporte
disfarçado e gratuito de eleitor.
O uso de alto-falantes e amplificadores de som ou
2 Art. 39, § 5o, I, da Lei 9.504/97
a promoção de comício ou carreata.
A arregimentação de eleitor ou propaganda de
3 Art. 39, § 5o, II, da Lei 9.504/97
boca de urna.
A divulgação de qualquer espécie de propaganda
Art. 39, § 5º, inc. III, da Lei
de partidos políticos ou de seus candidatos,
4 9.507/97 (incluído pela Lei
mediante publicações, cartazes, camisas, bonés,
11.300/06)
broches ou dísticos em vestuário (crime).
5 Reter título eleitoral contra a vontade do eleitor; Art. 295 do Código Eleitoral
Promover desordem que prejudiquem os
6 trabalhos eleitorais, especialmente nas Art. 296 do Código Eleitoral
proximidades das seções.
Impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio. Art. 297 do Código Eleitoral
Valer-se o servidor público da sua autoridade para
7 coagir alguém a votar ou não votar em Art. 300 do Código Eleitoral
determinado candidato ou partido.
Exercer, no dia da eleição, qualquer forma de
aliciamento, uso de violência ou grave ameaça
8 para coagir alguém a votar ou não votar, em Art. 301 do Código Eleitoral
determinado candidato ou partido, ainda que os
fins visados não sejam conseguidos.
Promover, no dia da eleição, com o fim de
impedir, embaraçar ou fraudar o exercício do voto
9 a concentração de eleitores, sob qualquer forma, Art. 302 do Código Eleitoral
inclusive o fornecimento gratuito de alimento e
transporte coletivo.
Votar ou tentar votar mais de uma vez, ou em
10 Art. 309 do Código Eleitoral
lugar de outrem.
11 Violar ou tentar violar o sigilo do voto. Art. 312 do Código Eleitoral
Causar, propositadamente, dano físico ao
12 equipamento usado na votação ou na totalização Art. 72, inciso III, da Lei 9.504/97
de votos ou a suas partes.
Fonte: www.mp.pr.gov.br/cpeleitoral/tabela.htm77k
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
37

ANEXO B

CÓDIGO ELEITORAL – LEI 4.737 DE 15 DE JULHO DE 1965

Guia de consulta rápida sobre particularidades estabelecidas pela legislação


eleitoral que atribuem competências e caracterizam crime eleitoral para agentes
públicos, eleitores, candidatos e partidos.

Art. 139. Ao presidente da mesa receptora e ao juiz eleitoral cabe a polícia dos
trabalhos eleitorais.

Art. 141. A força armada conservar-se-á a cem metros da seção eleitoral e não
poderá aproximar-se do lugar da votação, ou dele penetrar, sem ordem do
presidente da mesa.

Art. 238. É proibida, durante o ato eleitoral, a presença de força pública no edifício
em que funcionar mesa receptora, ou nas imediações, observado o disposto no Art.
141.

Art. 236. Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta
e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor,
salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime
inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto.

§ 2º Ocorrendo qualquer prisão o preso será imediatamente conduzido à presença


do juiz competente que, se verificar a ilegalidade da detenção, a relaxará e
promoverá a responsabilidade do coator.

Art. 234. Ninguém poderá impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio.

Art. 287. Aplicam-se aos fatos incriminados nesta lei as regras gerais do Código
Penal.

At. 248. Ninguém poderá impedir a propaganda eleitoral, nem inutilizar, alterar ou
perturbar os meios lícitos nela empregados.

Art. 249. O direito de propaganda não importa restrição ao poder de polícia quando
exercido em benefício da ordem pública.

Art. 243. Não será tolerada propaganda:

I - de guerra, de processos violentos para subverter o regime, a ordem política e


social ou de preconceitos de raça ou de classes;
II - que provoque animosidade entre as forças armadas ou contra elas, ou delas
contra as classes e instituições civis;
III - de incitamento de atentado contra pessoa ou bens;
IV - de instigação à desobediência coletiva ao cumprimento da lei de ordem pública;
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
38

V - que implique em oferecimento, promessa ou solicitação de dinheiro, dádiva, rifa,


sorteio ou vantagem de qualquer natureza;
VI - que perturbe o sossego público, com algazarra ou abusos de instrumentos
sonoros ou sinais acústicos;
VII - por meio de impressos ou de objeto que pessoa inexperiente ou rústica possa
confundir com moeda;
VIII - que prejudique a higiene e a estética urbana ou contravenha a posturas
municiais ou a outra qualquer restrição de direito;
IX - que caluniar, difamar ou injuriar quaisquer pessoas, bem como órgãos ou
entidades que exerçam autoridade pública.

Art. 296. Promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais;


Pena - Detenção até dois meses e pagamento de 60 a 90 dias-multa.

Art. 297. Impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio:


Pena - Detenção até seis meses e pagamento de 60 a 100 dias-multa.

Art. 298. Prender ou deter eleitor, membro de mesa receptora, fiscal, delegado de
partido ou candidato, com violação do disposto no Art. 236:
Pena - Reclusão até quatro anos.

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem,
dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para
conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:
Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

Art. 302. Promover, no dia da eleição, com o fim de impedir, embaraçar ou


fraudar o exercício do voto a concentração de eleitores, sob qualquer forma,
inclusive o fornecimento gratuito de alimento e transporte coletivo: (Redação
dada pelo Decreto-Lei nº 1.064, de 24.10.1969)
Pena - reclusão de quatro (4) a seis (6) anos e pagamento de 200 a 300 dias-
multa. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.064, de 24.10.1969)

Art. 305. Intervir autoridade estranha à mesa receptora, salvo o juiz eleitoral, no seu
funcionamento sob qualquer pretexto:
Pena - detenção até seis meses e pagamento de 60 a 90 dias-multa.

Art. 306. Não observar a ordem em que os eleitores devem ser chamados a votar:
Pena - pagamento de 15 a 30 dias-multa.

Art. 332. Impedir o exercício de propaganda:


Pena - detenção até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa.

Art. 347. Recusar alguém cumprimento ou obediência a diligências, ordens ou


instruções da Justiça Eleitoral ou opor embaraços à sua execução:
Pena - detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias-multa.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
39

ANEXO C

RESOLUÇÃO Nº 21.610

INSTRUÇÃO Nº 75 - CLASSE 12ª – DISTRITO FEDERAL (Brasília).

Guia de consulta rápida sobre particularidades estabelecidas pela legislação


eleitoral que caracterizam crime eleitoral em relação à propaganda eleitoral,
comício e ao aliciamento do eleitor.

Art. 48. Constituem crimes, no dia da eleição, puníveis com detenção de seis meses
a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo
período, e multa no valor de R$ 5.320,50 (cinco mil trezentos e vinte reais e
cinqüenta centavos) a R$ 15.961,50 (quinze mil novecentos e sessenta e um reais e
cinqüenta centavos) (Lei nº 9.504/97, art. 39, § 5º, I e II):

I – o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou


carreata;

II – a distribuição de material de propaganda política, inclusive volantes e outros


impressos, ou a prática de aliciamento, coação ou manifestação tendentes a influir
na vontade do eleitor.

Art. 56. Constitui crime, punível com detenção de até seis meses e pagamento de
trinta a sessenta dias-multa, impedir o exercício de propaganda (Código Eleitoral,
art. 332).

Art. 57. Constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e cassação
do registro se o responsável for candidato, utilizar organização comercial de vendas,
distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de
eleitores (Código Eleitoral, art. 334).

Art. 62. Aplicam-se aos fatos incriminados na legislação eleitoral as regras gerais do
Código Penal (Código Eleitoral, art. 287; Lei nº 9.504/97, art. 90, caput).

Art. 63. As infrações penais previstas nesta Instrução são de ação pública, e o
processo seguirá o disposto nos arts. 357 e seguintes do Código Eleitoral (Código
Eleitoral, art. 355; Lei nº 9.504/97, art. 90, caput).

Art. 64. Todo cidadão que tiver conhecimento de infração penal prevista na
legislação eleitoral deverá comunicá-la ao juiz da zona eleitoral onde ela se verificou
(Código Eleitoral, art. 356, caput).

§ 1º Quando a comunicação for verbal, mandará a autoridade judicial reduzi-la a


termo, assinado pelo apresentante e por duas testemunhas, e remetê-la-á ao órgão
do Ministério Público local, que procederá na forma do Código Eleitoral (Código
Eleitoral, art. 356, § 1º).

§ 2º Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e


documentos complementares ou outros elementos de convicção, deverá requisitá-
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
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los diretamente de quaisquer autoridades ou funcionários que possam fornecê-los


(Código Eleitoral, art. 356, § 2º).

Art. 68. Ninguém poderá impedir a propaganda eleitoral nem inutilizar, alterar ou
perturbar os meios lícitos nela empregados, bem como realizar propaganda eleitoral
vedada por lei ou por esta Instrução (Código Eleitoral, art. 248).

Art. 69. O poder de polícia sobre a propaganda será exercido exclusivamente pelos
juízes eleitorais nos municípios, pelos juízes designados pelos tribunais regionais
eleitorais nos municípios com mais de uma zona eleitoral, ou, nos municípios com
mais de duzentos mil eleitores, pela comissão encarregada da propaganda, sem
prejuízo do direito de representação a ser exercido pelo Ministério Público e pelos
demais legitimados.

Art. 72. Para a procedência da representação por propaganda irregular, esta deve
estar instruída com prova da materialidade da propaganda, sendo também
imprescindível a comprovação da autoria ou de que o beneficiário dela teve prévio
conhecimento, caso este não seja por ela responsável, não sendo admitida a mera
presunção para a imposição da respectiva sanção.

Art. 74. Não caracteriza o tipo previsto no art. 39, § 5º, II, da Lei nº 9.504/97, a
manifestação, no dia da eleição, individual e silenciosa da preferência do
cidadão por partido político, coligação ou candidato, incluída a que figure no
próprio vestuário ou no porte de bandeira ou de flâmula ou pela utilização de
adesivos em veículos ou objetos de que tenha posse (Res.-TSE nº 14.708, de
22.9.94).

§ 1º É vedada, durante todo o dia da votação e em qualquer local público ou aberto


ao público, a aglomeração de pessoas portando os instrumentos de propaganda
referidos no caput, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem
utilização de veículos.

§ 2º No recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras, é proibido aos servidores


da Justiça Eleitoral, aos mesários e aos escrutinadores o uso de vestuário ou objeto
que contenha qualquer propaganda de partido político ou coligação ou candidato.

§ 3º Aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, só é permitido que, em suas


vestes ou crachás, constem o nome e a sigla do partido político ou coligação a que
sirvam.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
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ANEXO D

LEI DE ELEIÇÕES – LEI 9.504 DE 30 DE SETEMBRO DE 1997

Guia de consulta rápida sobre particularidades estabelecidas pela legislação


eleitoral em relação as exigências para realização de propaganda eleitoral ou
partidária, comícios, aliciamento de eleitor para candidatos e partidos.

Art. 39. A realização de qualquer ato de propaganda partidária ou eleitoral, em


recinto aberto ou fechado, não depende de licença da polícia.

§ 1º O candidato, partido ou coligação promotora do ato fará a devida comunicação


à autoridade policial em, no mínimo, vinte e quatro horas antes de sua realização, a
fim de que esta lhe garanta, segundo a prioridade do aviso, o direito contra quem
tencione usar o local no mesmo dia e horário.

§ 2º A autoridade policial tomará as providências necessárias à garantia da


realização do ato e ao funcionamento do tráfego e dos serviços públicos que o
evento possa afetar.

§ 3º O funcionamento de alto-falantes ou amplificadores de som, ressalvada a


hipótese contemplada no parágrafo seguinte, somente é permitido entre as oito e as
vinte e duas horas, sendo vedados a instalação e o uso daqueles equipamentos em
distância inferior a duzentos metros:

I - das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, das sedes dos Tribunais Judiciais, e dos quartéis e outros
estabelecimentos militares;
II - dos hospitais e casas de saúde;
III - das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros, quando em funcionamento.

§ 4º A realização de comícios é permitida no horário compreendido entre as oito e as


vinte e quatro horas.

§ 5º Constituem crimes, no dia da eleição, puníveis com detenção, de seis meses a


um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo
período, e multa no valor de cinco mil a quinze mil UFIR:

I - o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou


carreata;
II - a distribuição de material de propaganda política, inclusive volantes e outros
impressos, ou a prática de aliciamento, coação ou manifestação tendentes a influir
na vontade do eleitor.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
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ANEXO E

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE CORRUPÇÃO ELEITORAL

Art. 299 do CE – dar, oferecer, prometer (corrupção ativa), solicitar ou receber, para
si ou para outrem (corrupção passiva), dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem,
para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta
não seja aceita.
• Voto não é mercadoria exposta à venda.
• Qualquer pessoa pode cometer o delito, não precisa ser candidato.

Tratando-se de candidato comete também a infração do art. 41-A da Lei 9.504/97.


Os dois preceitos podem ser aplicados, cada um em processo próprio.

• Benefício pode consistir em qualquer recompensa, dada ou prometida, para


conseguir o voto ou abstenção, seja material, moral, econômico, financeiro, apoio
ou outro qualquer.
• Deve ser concreto, individualizado, direcionado a uma ou mais pessoas, não
caracterizando o delito promessas genéricas.
• Se a oferta é para comparecer a comício, não caracteriza o crime.
• Consumação no momento da oferta, independentemente da aceitação ou do
recebimento.
• Não há necessidade que ocorra o pagamento. Trata-se de crime formal. Pune-se
pelo perigo de dano. Também não se exige que a promessa ocorra em data
próxima da eleição.
• Já a captação de sufrágio (art. 41-A) exige que a doação, oferecimento,
promessa ou entrega ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, de vantagem
pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, seja
realizada pelo candidato, no período compreendido entre a data do registro da
candidatura até o dia da eleição.
• O art. 23, § 5o, da Lei 9.504/97, com a redação da Lei 11.300/06, veda
quaisquer doações em dinheiro, bem como troféus, prêmios, ajuda de qualquer
espécie feitas por candidato, entre o registro e a eleição, a pessoas físicas ou
jurídicas. Pena – será negado ou cassado o diploma. Art.30-A §2o. Não precisa
estar presente a corrupção eleitoral.
• Dolo específico – deve visar a obtenção de voto.
• Tentativa possível. Pena - 1 a 4 anos de reclusão e 5 a 15 dias-multa.
Manual do Policial Militar – Pleito Eleitoral 2008
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ANEXO F

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A AÇÃO PENAL ELEITORAL


• No processo das infrações eleitorais, a ação penal é de regra pública,
cabendo ao MP o seu desencadeamento. Poderá, no entanto, qualquer do
povo ou até mesmo o candidato, partido político ou coligação apresentar a
respectiva “notitia criminis”, com a finalidade de comunicar a infração penal ao
juiz eleitoral da zona onde se verificou o fato, que, por seu turno, a remeterá
ao MP para as providências legais necessárias – art. 356 do CE.
• Se o MP não oferecer denúncia no prazo de 10 dias, representará contra ele
a autoridade judiciária, sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal.
• Neste caso o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação de outro
promotor, que, no mesmo prazo, oferecerá denúncia. Em caso de inércia do
juiz, o próprio eleitor poderá representar contra o MP.
• Mesma situação poderá ocorrer no caso de pedido de arquivamento, na
hipótese de não ser acolhido pelo juiz eleitoral.
• É cabível a ação penal privada subsidiária.
• É admissível a assistência, quando a ação penal estiver instaurada, art. 271
do CPP, normalmente ocorre nos crimes de injúria, calúnia e difamação no
âmbito da propaganda eleitoral.
• A investigação para apuração de crime eleitoral pode ser levada a efeito pela
via do inquérito policial, sendo desnecessário quando da comunicação da
infração penal eleitoral já contiverem todos os elementos indispensáveis ou
quando o Ministério Público possa coletá-los diretamente, art. 356.
• Requisitos da denúncia – art. 357, par. 2o, exposição do fato delituoso com
todas as suas circunstâncias, qualificação do acusado ou elementos que
possam identificá-lo, classificação do crime e rol de testemunhas.
• A denúncia será rejeitada se o fato narrado não constituir crime; se já estiver
extinta a punibilidade pela prescrição ou outra causa; se forma manifesta a
ilegitimidade da parte ou faltar condição exigida pela lei para o exercício da
ação penal – art. 358 do CE.
• Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o depoimento pessoal
do acusado, ordenando a citação deste e a notificação do MP.
• O réu ou seu defensor terá o prazo de 10 dias para oferecer alegações
escritas e arrolar testemunhas.
• Ouvidas as testemunhas de acusação e da defesa e praticadas as diligências
requeridas pelo MP e deferidas ou ordenadas pelo Juiz, abrir-se-á prazo de 5
dias a cada uma das partes – acusação e defesa – para alegações finais.
• Decorrido esse prazo e conclusos os autos em 48 horas, terá o juiz 10 dias
para proferir sentença.
• Das decisões finais de condenação ou absolvição cabe recurso para o TRE,
no prazo de dez dias, que terá efeito suspensivo.