A Hipótese Causal Hidráulica e o Conceito de Modo de Produção Asiático Ciro Flamarion S.

Cardoso Reabre-se a discussão Wittfogel, ex-membro do Partido Comunista Alemão que, mudando-se para os Estados U nidos, ali ensinara história da China e fora um delator quando das perseguições da era de McCarthy, public ou, em 1957, Oriental despotism1 4, livro no qual expôs sua teoria a respeito das "sociedades h idráulicas", cujas máximas representantes no mundo contemporâneo seriam a União Soviética e a China socialista, a s grandes inimigas do Ocidente. 1 WITTFOGEL, Karl A. Despotismo oriental. Trad. F. Presedo. Madrid, Guadarrama, 1966. 2 Ver, sobretudo, ADAMS, Robert M. Early civilizations, subsistence, and environ ment. In: STRUEVER, S., ed. Prehistoric agriculture. New York, The Natural History Press, 1971. p. 591-614; PALERM, Angel & WOLF, Eri c. Agricultura y civilización en Mesoamérica. México, Secretaria de Educación Pública, 1972. p. 128-48. Wittfogel mescla uma concepção ecologista e tecnicista, semelhante à de Plekhanov, ao difusionismo e a outras influências. Afirma que as condições em que surge a oportunidade -não a necessida de -para que se desenvolvam padrões despóticos de governo e sociedade, por ele identificados com a " sociedade hidráulica", dependem de certos requisitos: 1. A reação do grupo humano diante de uma paisagem deficitária em água. 2. Tal grupo tem de estar acima do nível de uma estrita economia de subsistência. 3. O grupo deve estar distante da influência de centros importantes da agricultura de c huva. 4. O nível do grupo precisa ser inferior ao de uma cultura industrial baseada na propriedade privada . Cumprindo-se todos esses requisitos, o surgimento de uma sociedade hidráulica torn a-se possível, embora não necessário; a escolha entre adotar ou não tal forma de organização permanece em aberto , sempre havendo alternativas. O controle, armazenagem e uso de grandes massas de água atra vés de obras hidráulicas exigem um trabalho maciço, que tem de ser coordenado, disciplinado e dir igido, o que impõe a subordinação à autoridade reguladora de um Estado forte e eficaz; este acaba por esmag ar a liberdade do grupo que lhe está submetido.

Para Wittfogel, a economia hidráulica primeiramente surgiu nas regiões áridas, difundi ndo-se depois pelas semi-áridas e úmidas, sempre na dependência da sua aceitação por parte dos grupos humanos aos quais se tenha colocado a opção. Ele acha que é possível a adoção da forma hidráulica de sociedad de Estado, mesmo em regiões onde não exista ou seja pouco importante a agricultura hidráu lica: é a

"sociedade hidráulica marginal". No caso de serem adotadas só parcialmente as caract erísticas do "despotismo oriental", teríamos uma "sociedade hidráulica submarginal". Assim, a nec essidade de obras hidráulicas seria condição necessária para o surgimento da sociedade hidráulica em caráter ioneiro, sem ser, no entanto, imprescindível para a difusão de tal forma de organização social. Por fim, diz o autor que, uma vez esgotadas as possibilidades de desenvolvimento e de mudanças criadoras contidas no modelo da "sociedade hidráulica", esta tenderia à repetição estereotipada epigonismo -ou mesmo à decadência. O seu ciclo completo seria: formação, crescimento, maturidade, estag nação, epigonismo e retrocesso institucional.

As idéias de Wittfogel tiveram muitos seguidores. Outrossim, uma de suas posturas básicas, a "hipótese causal hidráulica" - isto é, a idéia de que a necessidade de controle sobre os grandes trabalhos exigidos pela manutenção de um sistema complexo de irrigação foi o fator central na geração do Estad "despótico" , era já bem antiga, tendo sido defendida por historiadores como J. Baillet, J. Pi renne, A. Moret, J. Vercoutter e H. W. F. Saggs. Tal hipótese é falsa, o que foi evidenciado, sem dúvida, por inúmeras pesquisas bem apoiadas na arqueologia e em fontes escritas. É irônico que uma dessas pesquisas tenha sido realizada por um dos mais incondicionais seguidores de Wittfogel, A. Palerm , que começou sua investigação arqueológica e etno-histórica pensando provar a "hipótese causal hidráulica" n caso do México pré-colombiano, mas demonstrou, de fato, o contrário: que o controle dos sistem as de irrigação competia às comunidades locais, e que só muito tardiamente o Estado desenvolveu uma política de grandes obras públicas de tipo hidráulico.2

Entre os marxistas, o livro de Wittfogel - que provocou grande indignação - constitu iu apenas um entre muitos fatores que deram impulso à retomada do interesse pelo conceito de "modo de produção asiático". Outros fatores foram: a "desestalinização", iniciada pelo XX Congresso do Partido Co munista da União Soviética, que no campo do materialismo histórico desencadeou um ataque à noção do uniline arismo evolutivo das sociedades humanas; o progresso dos movimentos de libertação nacional, sobretudo a partir da década de 1950, com a admissão sucessiva, às Nações Unidas, de numerosas nações afro-asi s, cujos problemas socioeconômicos específicos exigiam também respostas de tipo histórico; a ampla circulação dos Grundrisse, texto de Marx praticamente desconhecido até a mesma década, b em como a republicação de seus artigos sobre a Índia e de escritos de Plekhanov, Varga e outros autores acerca das sociedades "asiáticas". Nos países socialistas, na França, na Itália, no Japão e em outras partes do mundo, incl usive na América

Latina - se bem que modestamente, a não ser no caso do México -, os anos 60 e 70 vir am proliferar uma

bibliografia numerosa e variada sobre o "modo de produção asiático", em meio a ativa t roca de idéias poder-se-ia mesmo dizer, no contexto de um vivo debate e de agudas divergências. Entre os temas em torno dos quais se desencadeou a discussão acerca do "modo de pr odução asiático" que muitos passaram a chamar de "tributário", "despótico-tributário", "despótico-aldeão" e tc., por ser obviamente inadequado o adjetivo asiático aplicado a um tipo de sociedade que os p esquisadores julgavam encontrar na história de regiões situadas em todos os continentes - estavam as segui ntes indagações: Qual a sua organização interna, sua origem, suas contradições, seu desenvolvimento? Tratar-se -ia de uma forma de transição das sociedades comunitárias tribais às sociedades de classes plenamente des envolvidas, ou de um tipo específico e bem definido de sociedade de classes? Seria uma formação margi nal restrita somente a certas sociedades, ou universal? As respostas dadas a estas e outras perguntas foram heterogêneas segundo autores e tendências, em parte porque nos próprios textos a que todos recorriam, como diz Melotti, A ênfase de Marx se desloca, nas diversas passagens, de um a outro dos (...) aspec tos. Ora afirma que o elemento fundamental do sistema oriental é a ausência da propriedade privada, ora at ribui esta mesma ausência aos fatores particulares de caráter geográfico e climático (...). Ora explica o papel eminente do Estado por estes fatores ecológicos, que impunham a necessidade de grandes trabalh os hidráulicos, ora, pelo contrário, pela dispersão e pelo isolamento das aldeias. Em certas passagens, a tribui este isolamento à economia auto-suficiente, garantida pela combinação de agricultura e artesanato domést ico. Em outras, parece adotar contrariamente a idéia de que seja a estrutura simples destas aldeia s, e portanto a limitada divisão do trabalho, o que explica a estagnação do sistema oriental. Alhures, sublinha fatores diversos, como a civilização demasiado rudimentar, o baixo nível das forças produtivas ou a partic ular estrutura de classes, que aliás faz decorrer. por sua vez, da insuficiência da divisão do trabalho. 3 3 MELOTTI, Umberto. Marx e il terzo mondo. Milano, Il Saggiatore, 1972. p. 92. 4 GOBLOT, Jean-Jacques. L'histoire des "civilisations.. et Ia conception marxist e de révolution sociale. In: PELLETIER, A. & Matérialisme historique et histoire des civilisations. Paris, Ed. Sociales, 1969. p. 57-197. 5 A respeito dos antecedentes do conceito de & LLOBERA, Josep R., eds. The Asiatic modo of prodution, p. 13-23. modo de produção asiático , ver Bailey, Anne

6 MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. La ideología a/emana. Montevideo, Pueblos Unidos , 1968. p. 25.

O que significa, como já foi mencionado, que Marx não chegou a elaborar uma teoria s istemática e acabada do "modo de produção asiático". Embora alguns autores (K. A. Antónova, P. Anderson, E. Hindess e P. Q. Hirst, O. K omoróczy) concluíssem pela inexistência de tal modo de produção como forma específica de sociedade, outros (F. Tökei, Godelier, Me- lotti, J. Suret-Canale, J. Chesneaux, R. Bartra etc. ) chegaram à conclusão cont rária e também salientaram a importância desse conceito para basear uma visão multilinear do desenv olvimento das sociedades humanas, em oposição à perspectiva unilinear consagrada por Stalin. Ainda m ais interessante é a posição de Goblot, que se opõe tanto ao unilinearismo quanto ao multilinearismo, já qu e defende a opinião de que a evolução das sociedades não é linear: o desenvolvimento social, caracteri zado por contatos e influências, deslocamentos, "novos começos", não é contínuo em cada unidade "et nogeográfica" - que pode mesmo conhecer estagnações e involuções -, por mais que a continuidade tempor al e lógica daquela evolução possa ser recuperada quando integramos os diferentes processos evol utivos numa unidade superior. Por isso, diz M. Rebérioux que o historiador deve abandonar a bu sca (absurda) da continuidade geográfica do desenvolvimento histórico e aprender "a ver o contínuo no d escontínuo".4 Embora seja impossível seguirmos aqui toda a trajetória do conceito de "modo de prod ução asiático" desde que sua discussão foi retomada, pouco antes de 1960, é mister, além de remeter o leito r aos textos principais gerados em tal discussão,5 recordar que, se bem que até meados da década de 1960 ainda fossem comuns os escritos puramente exegéticos e teóricos a respeito, desde então temse desenvolvido a perspectiva de que, sem descurar da teoria, é essencial proceder ao seu confronto com o material empírico disponível, infinitamente mais rico do que no século passado. Afinal, foram Marx e E ngels que frisaram, referindo-se à "síntese dos resultados mais gerais que é possível abstrair do estudo do desenvolvimento histórico": Tais abstrações, tomadas em si mesmas, separadas da história real, não têm qualquer valor. 6 "Modo de produção doméstico" e "modo de produção palatino" As tentativas de aplicação do conceito de "modo de produção asiático" disseram respeito a grande número de sociedades e a cortes cronológicos também variados: as civilizações do antigo Oriente Próximo; algumas das civilizações da proto-história mediterrânea (cretense, micênica e, com menos verossimi lhança, a etrusca); Índia, Sudeste Asiático e China pré-coloniais; algumas das culturas da África negra pré-colonial; as altas culturas da América pré-colombiana. Casos muito controversos, e com graus de p robabilidade muito

mais baixos, são o Império Bizantino, o mundo muçulmano - insistiu-se mais no caso tur co -, a Rússia tzarista e o Japão.

dando-se. isto man ifestava divisão e especialização do trabalho. adaptado e utilizado de acordo com os novos interesses. na Ásia Ocidental. por dois au ores italianos. As comunidades aldeãs e.C. a p ropriedade comunitária sobre a terra. transformação e redistribuição dos xcedentes extraídos por templos e palácios dos produtores diretos . resultaria da " revolução urbana". em cada aldei a. O primeiro seri uma estruturação social cuja origem remonta à "revolução neolítica". eram o resíduo de um modo de produção cujas raízes mergulhavam no passado préhistórico. já. Por tal razão. as proprieda des dos palácios e dos templos. tomadas em si mesmas. esta forma de organização se generalizou aos po cos no Oriente Próximo. ou traba lhos forçados por tempo limitado.em sua maioria ainda membr os de comunidades aldeãs -.. que desembocara no surgimento de complexos palaciais e templários como centros de nova organização social. com o surgimento de especialistas de tempo integral (art esãos. O "modo de produção palatino". entre outras formas. para atividades civis (trabalhos diversos) e militares. e o "modo de produção palatino". também as comunidades trib ais. aldeias sedentárias. a ausência de uma diferenciação em classes sociais. são características suas a omia de subsistência. sob inspiração das discussões acerca do "modo de produção asiático".que Childe chamava "revolução urbana" .Aqui nos interessa o antigo Oriente Próximo. nova transformação . em regiões marginais. A economia passara a basear-se na concentração. do Estado. na Baixa Mesopotâmia. ao interpretar a situação posterior à "revolução urbana". mediante coação fiscal. a ausência de divisão e especialização do trabalho . no Egito. especialistas na história dessa região: M. mais em geral. Zaccagnini. resultantes do processo que o arqueólogo australi ano Gordon Childe propôs fosse chamado "revolução neolítica". mas sem per da de todas as suas características próprias.C. uma diferenciação fortemente hierárquica da sociedade. que oi subordinado. ou "aldeão".se traduziu no surgi mento de cidades. este só pôde surgir e se expandir explorando o modo de produção mais antigo. propõe um duplo quadro e referência: o "modo de produção doméstico". sacerdotes e burocratas dependentes dos templos e palácios). ou. um sistema já complexo de propriedade que incluía. a união da agricultura e do artesanato -. Por volta de 70 00 a. por sua vez. e de uma diferenciação social profunda. Liverani e C. mas constituíam. apoiar-nos-emos na interpretação da evolução social pr mo-oriental elaborada. visto através de dois exemplos: o Egito faraônico e os Estados da Baixa Mesopotâmia. ao mesmo tempo. e por volta dessa data. configurando tributos in natura e "corvéias". Liverani. existiam. do que se conv encionou denominar "civilização". Alguns séculos antes de 3000 a. a base sobre a qual se desenvolvera o no vo modo de produção.7 .

três seto es sociais básicos são perceptíveis: 1 . ed. ou ainda do res ultado da distribuição desigual de bens provenientes do comércio intercomunitário ou de longo curs o. Sabatino. entre os que decidem e os que executam. administração). mantendo reconhecível seu caráter comunitário tradicional até pelo menos 1200 a. estabelecia-se uma diferença entre os que trabalham e os que dirigem o trabalho alheio. Ele crê também que . tal como existiu no antigo Oriente Próximo. a forte centralização pal atina levou. influências di versas). Síria. Nas regiões menos nucleares do antigo Oriente Próximo (Palestina. Id. 277-414. ibid. In: MOSCATI. Modo di produzione asiatico e Vicino Oriente antico.C. v. que elas per deram a maior parte de sua autonomia e importância econômica . como veremos. p. Ásia M enor.é que constitui o "modo de produção asiático". guerra. o sistema de comunidades de aldeia teria sobrevivido com f orça. quem alcançasse posições vantajosas tentaria garanti-Ias para seus filhos. a articulação entre estruturas palatinas hegemônicas e estruturas ald eãs subordinadas mas ainda reconhecíveis e com certo nível de autonomia local . entre os que realizam trabalhos "comuns" (agrícolas) e "especializados" (de transformação. Com o tempo . do ganho e do poder de cisório: certos "notáveis" saídos das famílias mais importantes passam a manipular de fato.talvez tenhamos aí uma apreciação exagera da.C. mais numerosas que outras. v. Para Zaccagnini.8 Como foi possível a transição de aldeias indiferenciadas à situação de desigualdade e domín que se configurava já claramente desde o III milênio a. por sua in fluência e formas materiais de pressão..A imensa maioria da população dedica-se às atividades . nos grandes vales fluviais irrigados e urbanizados (Egito. 8 ZACCAGNINI.. pelo contrário. se cristaliza no plano do prestígio. Tal diferenciação. 1. p. La struttura politica.C. o ponto de partida t em de ser um início de diferenciação funcional no seio das próprias comunidades aldeãs. Carlo. já no III milênio a. aproximadamen te. Quando as mudanças desembocam plenamente na urbanização e na organização estatal. L'alba deI Ia civiltà. Il modo di produzione. partes da Assíria). a um redimensionamento tão profundo das comunidades aldeãs. Dialog hi di Archeologia.7 LIVERANI. ou "tributário". ao ocorrer. concentrara m o controle de mais lotes de terra comunitária e mais cabeças de gado do que as demais. ou de que as famíl ias estabelecidas há mais tempo na aldeia tivessem privilégios negados às mais recentes. troca. Mario.? Obviamente. tanto devido a fatores internos quanto por impactos externos (comércio intercomunitário ou de longo curso. Seja como for. as decisões do "conselho de anciãos" da aldeia. Baixa Mesopotâmia).. 3-126. 2. A origem primeir a da diferenciação pôde decorrer do fato de que certas famílias.

consumindo diretamente parte do que produz e entregando o resto ao poder central . de .agropecuárias. tal população não participa das decisões comuns.Um grupo muito minoritário se ocupa com atividade s artesanais. 2 .

de meios sobrenaturais. O governante supremo passa a situar-se num plano diferente do que caract eriza o resto da sociedade: a sacralidade facilita a aceitação das decisões pela maioria não consultada. é o senhor de suas vidas e o dispensador da abundância. São Paulo: Ed. este poder de decisão tende a personalizar-se. e não participa das decisões comuns. A ampliação do corpo social. que passa a englobar numerosas comunidades aldeãs. se tal coesão na aldeia decorre de relações de parentesco e vizinhança e de decisões tomadas por representantes das famílias nas confederações tribais amplas e. na repressão. Exist e uma tensão. mais o s núcleos urbanos. n. 1986. mais ainda. 3 . mas esta. que a ideologia of iciai tenta ocultar. 47) . a t er como expoente uma só pessoa. ao inserir-se no interior de um sistema palatino. ou governante. assim. A contraparte dos excedentes recebidos das comunidades é de tipo administrativo. leva a uma coesão cada vez mais artificial e menos automática. Sociedades do Antigo Oriente P róximo. e decide por todos. os dois nív icos da integração social são interdependentes. por direito divino. recorre-se à sanção divina do pode r e da ordem social. num Estado. pelas quais é sustentado. pp. utilizando-se. no recrutamento militar. religiosas. mas sobretudo ideológ ico: o rei. as relações entre eles são de iniciativ exclusiva do nível superior. Ática.ordem cósmica aplicada a casos particulares e da fertilidade da terra e dos rebanhos.Um grupo ínfimo organiza o trabalho das comunid ades. é mantido peia redistribuição dos excedentes extraídos das aldeias. O palácio e o templo são jmpensáveis sem a aldeia.do mais pobre camponês ao mais exaltado funcionário . Texto extraído do livro: CARDOSO. difundindo a imagem de uma sociedade homogênea em que todos . sofre transformações: já não é a aldeia autônoma do Neolítico. de administração. Ciro Flamarion S. é o garantidor da justiça . 18-28. para tal. manifestando-se na taxação. um hiato de interesses e mesmo de compreensão entre ambos os níveis.troca. (Série Princípios.são "servos" do monarca. No entanto. que.

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O domesticador afasta dos respectivos habitats a flora e a fauna domesticáveis. perderam completament e a capacidade de se produzir sem a interferência humana. tais como milho. suprimindo-os de espaço. assim como o termo paleolítico identificava a idade da pedra lascada . Exemplos clássicos são os cereais. que levou a um processo de sedentarização precoce.000 anos. E$sa diferença. desenvolvendo um padrão cultural típico do Paleolítico. lentilhas e feijões -domesticadas ao mesmo tempo que os cereais.000 a 9. . nutrientes e interferindo na sua atividade reprodutora para garantir o máximo reto rno dos recursos empregados. o termo neolítico não mais identifica métodos de trabalho em pedra e. frutas e outras plantas. Da mesma for ma que os povos mesolíticos da Europa . sucessivamen te selecionados por mãos humanas para obter maiores espigas e maior número de grãos. trigo. identificando a idade da pedra polida. inexistentes na Europa. No final do Pleistoceno. de produção de al imentos. trigo e aveia. água. as populações dessas regiões incorporaram essas plantas e ani mais à sua dieta pela caça e coleta.o chamado crescente fértil -correspondem aproximadamente às regiões em q ue as espécies domesticadas ocorriam em estado silvestre. sim. extinguindo a caça de grande porte -. Durante o Neolítico o controle sobre a reprodução de plantas e animais e a estocagem de proteína animal e vegetal tornou-se possível com a criação de rebanhos e o cultivo dos campos. havia um a diferença fundamental entre as paisagens européia e do Oriente Médio: neste a existência de grandes pastagen s introduziu o hábito do consumo de sementes. cabras e carneiros datadas de 11. luz solar. nozes.O NEOLÍTICO Antônio Roberto Guglielmo O neolítico Com o significado de "nova idade da pedra". incluindo-se os ancestrais silvestres do trigo. tal vez explique por que as primeiras grandes civilizações floresceram no Oriente Médio.onde o recuo das geleiras alterou drasticamente a paisagem . essas populações foram forçadas a consumir maior variedade de pequenos animais. aveia e cevada. bem como legumes. que. o termo neolítico surgiu no século XIX. além de indícios do cultiv o de leguminosas ervilhas. A domesticação normalmente causa modificações genéticas nas espécies domesticad s. no entanto. As áreas das transformações no Oriente Médio . No entanto. mariscos. peixes. Hoje. Em inúmeros sítios arqueológicos do Oriente Médio foram encontradas formas domesticadas de cevada. O processo de domestificação envolve uma relação de simbiose entre as populações humanas (domesticadores) e certas espécies favorecidas de vegetais ou animais (domesticado s).

em srael. ser aprisionadas. Na medida em que o homem obti nha seu alimento de novas maneiras. que e tocavam grãos para alimentação posterior. muros. que fazia as pessoas relutarem em abandonar tudo e se mudarem.000 e 6. Com as vilas pré. que. A agricultura contribuiu também para o crescimento populacional. quanto maior o número de crianças. podiam a tender com mais eficiência um número de filhos bem maior. simplificad a: não era mais necessário ir ao animal. assim. representav a um grande investimento de energia humana. o que ocorreu em primeiro lugar: a domesticação de plantas ou a de anima is? Ao que tudo indica. no entanto. um rápido crescimento demográfico. Usualmente a vida no Neolítico tem sido descrita como pacífi ca. aproximadamente. O período Neolítico apresentou. ambos foram domesticados num processo único.000 para 3. A descoberta de vilas pré-agrícolas como a de Jericó. moinhos.:i:1grícolas. facilitando o sus tento e manutenção das crianças. novas relações se deram entre plantas e animais.São numerosas as evidências de sociedades sedentárias pré-agrícolas no Oriente Médio. Com o início da agricultura. maior o cuidado q ue se podia ter com as plantas e os animais. atraído pelos irresistíveis pastos concentrados. processá-los em fari ha e convertêlos em alimento. A caça foi. A agricultura reduziu também o esforço das mulheres. reconhece-se que caçadores e coletores aumentaram sua densidade demográfica pela sedentarização. o animal vin ha ao caçador.. As pastagens nat urais. mantendo-os fora dos limites dos campos de cereais.2 milhões d e indivíduos na região do crescente fértil. Desde muito cedo. Estima-se q ue a população humana entre 10. Normalmente. só então tornavam-se caçadores hábeis. as mulheres mantinha m só um filho a cada quatro anos. pois. preservando-se animai s mais dóceis. Nas vilas pré-agrícolas. as pessoas controlavam os movimentos desses bandos. ovelhas e cabras se alimentavam do feno e sobras das colhei tas. Podiam. cada vez mais freqüentes nesses campos. a construção de casas sólidas. não precisando mais transportar permanentemente os filhos. bandos de carneiros e cabra s selvagens se aproximavam dos homens. Valendo-se dos cães. adaptadas para estocar grãos. Na sociedades agrícolas. Hoje. As crianças eram alimentadas praticamente até a adolescência. nas sociedades de caçadores e coletores. ordenhadas e sacrificadas de forma seletiva. as crianças eram postas a trabalhar em tarefas simples e literalmente pagavam com trabalho aquilo que comiam. portanto. no entanto. No entanto. com os ancestrais do trigo e da cevada. eram a maior fonte de alimentos de carneiros e cabras. auto- . segura.000 anos atrás saltou de cerca de 100. revolucionou a idéia em vigor até 1960. de que a sedentarização ocorrera com a agricultu ra e não antes. silos etc. devido a dificuldade de transporte nos longos percursos.

suficiente. com lentas mudanças. Embora corresponda quanto as primeiras vilas pré-agrícolas. . igualitária.

000 anos. A revolução urbana. matadouros. há 6. cercados por milhares de hectares de campos irrigados. palácios e fortificações. Com o aumento das populações. templos. Na parte sul da região do Tigre-Eufrates. A arquitetura tomou impul so com a difusão de templos monumentais de tijolos -os chamados zigurates -erguendo-se nos centros d as maiores cidades. porém mais secas. tipicamente pa leolíticos. O grau de especialização tanto dentro como entre as cidades neolíticas têm surpreendido os arqueólog os: casas de construção de móveis. A tecnologia alcançada. ferramentas. Na cidade de Uruk. os navios. técnicas produtivas e novas formas de vida social. havia vários quilômetros quadrados de ruas . a cerâmica. as olarias. entre cidades muito distantes. por vezes. Recentemente descobertas tornam evidente que grandes cidades eram comuns há 10 mil anos. em densa concentração de vilas e cidades se confinava. por exemplo.500 anos) intensificaram a agricultura e viabilizaram sua prática em novas áreas. e a presença de muralhas. por exemplo. os calendários. desenvolveram-se aceleradament e ferramentas. os veíc u1os com rodas. no início. casas. curtumes. os sistemas de pesca e medidas e os primórdios da matemática são apenas alguns . A criação de rebanhos e a estocagem de grãos também implicaram profundas alterações econômi e políticas que resultaram do acesso diferenciado a terras férteis. água e outros recurs os básicos. sugerindo que o comércio ocorria. inovações tecnológicas foram surgindo num processo de reaçã m cadeia. graças ao desenvolvimento agrícola. em pequenos grupos nômades. O desenvolvimento do Estado e das civilizações Com a domesticação dos bovinos. a fiação e a tecelagem. A produção do próprio alimento permitiu rápido crescimento populacional e assentamentos permane ntes. Fin almente. foi adotada a irrigação artificial para as áreas mais afastadas.essa imagem não se aplica ao período todo. Na medida em que novas espécies foram domesticadas. fossos e torres que as cercavam desmentem a imagem romântica atribuída ao Neolítico. O maior domínio sobre a natureza libertou o homem dos modelos de sobrevivência da caça e coleta. surgiam novas v ilas em regiões férteis. olarias. incrementando o crescimento demográfico. Estad os e impérios. Diferenciações de riqueza e poder surgiram a partir do controle desses recursos. indicam diversi ficação e produção em larga escala. Sua prosperidade indica o desenvo lvimento do comércio com a exportação de gado e cereais em troca de vários artigos e matérias-primas. etc. dependente da flora e fauna silvestres. houve condições para o surgimento das grandes cidades. Arados (cerca de 7. às margens dos cursos nat urais dos rios. atual Iraqu e.

-levou a um comércio bastante desenvolvido com outras regiões. sacerdotes e nobres -produziu-se a estratificação social e se desenvolveram instituições hierarquizadas. entre as quais o Estado. minérios etc. com a divisão entre ricos e pobres. Assim. manten do o trabalho de artesãos especializados e realizando os cultos religiosos. Muitos estudiosos atribuem à existência de excedente de produção quantidade de alimentos maiores do que a necessária para o consumo imediato . a distribuição. camponeses produtores de alimentos e especialistas habitantes das cidades -artesão s. Provavelmente. desviava grande parte do excedente das colheitas de cereais para as transações A irrigação intensiva consolidava e ampliava o poder da elite dominante sobre as pop ulações e as fontes de recurso naturais. muitos dos quais também ocorreram em outras r egiões onde se desenvolveu essa instituição. ela foi apenas uma entre tantas outras transformações que oc orreram em curtíssimo espaço de tempo. Na medida em que a de nsidade populacional aumentava. A região da Mesopotâmia. Transformou-se em um a classe de déspotas.exemplos. não tinha uma distribuição regular e abundante de c uvas. surgiu uma hierarquia política. marcando para muitos historiadores a passagem da pré-h istória para a história. soldados. Essa elite assumiu a tarefa de organizar a produção. Surgiu a escrita.a ev . religiosa e militar. graças à necessidade de regul ar as atividades comerciais. aliada. Ao meu ver. assentada no monopólio do poder político e militar. tornando a irrigação artificial necessária para a expansão agrícola. A propriedade da terra e dos recursos naturais é um dos aspectos mais importantes do controle político: o acesso desigual aos recursos do meio ambiente implica de algu ma forma de coerção dos dominadores sobre os dominados. o comércio e a defesa . A deficiência da Mesopotâmia em matérias-primas -pedras. à controle dos trabalhos de construção de canais e diques para a i rrigação. que daria origem ao núcleo da primeira bur ocracia estatal conhecida. Nas comunidades. governantes e governados. embora fértil. madeiras. crescia também a competição real dentro e entre os estabelecim entos humanos pelo acesso e controle da água necessária para a irrigação. o desenvolvimento dos primeiros Estados do Orie nte Médio explica satisfatoriamente as origens da civilização. No processo de formação do Estado na Mesopotâmia -região compreendida entre os rios Tigr e e Eufrates houve a interação de uma série de fatores. prestando serviços na forma de elaborar cálculos sazonais. permitindo o registro de eventos sociais e características culturais desses povos para as gerações futuras. artistas. no entanto. Impondo impostos de diversos tip os. let rados e analfabetos. distribuindo rações de emergência.

olução de divisão social do trabalho. .

pp. não significam produção supérflua. ambos dependend da existência de um poder coercitivo na forma de exército e armas. 38/45. Uma abordagem ecológica. 1991. Antonio Roberto. estreita relação entre rendimento da terra e taxação. diminuir sua carga de trabalho ou realiz ar trocas para elevar seu padrão de vida. é porque não tem o poder de não entregá-la. A Pré-História. pois.Excedentes de produção. (GUGLIELMO. pois os produtores pode iam com ela aliviar os custos de manutenção dos filhos. Se os produtores entregam parte de sua produção. Bra siliense.) . Há. São Paulo: Ed. contudo.

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e a Baixa Mesopotâmia. que foi posteriormente recheada de sedime ntos aluviais depositados pelos dois grandes rios. a Mesopotâmia é uma depressão formada pela junção. mas de todo carente de madeira. ricos recurso florestais. é menos favorável a irrigação do que o Eufrates. A terra fértil forma . Em termos geológicos. Nos períodos de cheias.nascem nas montanhas da Anatólia. durante muito tempo. no Plioceno. mais a oeste). A primeira é mais elevada. pelos antigos habitantes. haja vista q ue os navios marítimos podiam atravessar os pântanos e penetrar facilmente no Eufrates até chegar àquelas cid ades e seus portos. como hoje. hoje distantes do golfo. como detentoras de portos marítimos. o Diyala e o Karum). ainda. que corre acima do nív eu vale. ao sul das cidades sumér ias.dependendo de um sistema de irrigação artificial para conter as destruições das cheias e da drenagem que evite a salinização -. A Baixa Mesopotâmia é pouco servida pelas chuvas. elas ocorrem justamente no momento em se aproxima à colheita. o segundo. no Shatt al-Arab. os dois rios inundam suas margens e as fertilizam. mais impetuoso e de curso m uito irregular em relação à planície. da pl ca tectônica da Arábia com a da Ásia Ocidental. das chuvas da região dos montes Zagros e de numerosos rios tributários (os dois Zab. sendo necessário. proteger os cereais e plantas cultivadas das águas fluviais que transbordam com ímpeto. adequada à agri ultura de chuva (no planalto assírio. Apesar das enchentes dos rios mesopotâmicos renovarem anualmente a fertilidade do solo com aluviões. Esta compreensão adivinha das informações dos documentos sumérios mencionarem cidades como Ur e Eridu. é possível considerar duas sub-regiões: a Alta Mesopotâmia. port anto. era vista. contendo. baixa. em parte. atingindo ambos o nível mais baixo nos meses de setembro e outubro. no lado leste) ou à criação (Assíria. O primeiro depende do desgelo das neves durante a primavera e de dois af luentes da sua margem esquerda (Balikh e Khabur). Tomando como limite o ponto do seu curso médio onde o Eufrates e o Tigre mais se a proximam um do outro. A cheia do Tigre atinge o máximo em abril. O Tigre. em maio.o Eufrates e o Tigre . a do Eufrates. muito plana e p otencialmente fertilíssima . a noroeste. a sudeste. menos propícia à irrigação e. sem se juntarem. pedra e minérios. Acreditou-se.A Baixa Mesopotâmia: da sua ocupação até a Babilônia Cassita* Texto organizado por Luís Manuel Domingues** O meio físico da Mesopotâmia Os rios que formam a planície aluvional mesopotâmica . como parte integrante da paisagem oceânica. que os r ios Tigre e Eufrates desembocavam separadamente no golfo Pérsico. A nova pesquisa tem levado os especialistas a afirmarem que a região de lagos semipermanentes e pântanos.

ou Susiana). que arqueologicamente já estavam presentes na Baixa Mesopotâmia desde mais ou menos 3500 a. na região baixomesopotâmica a partir do segundo milênio.C. A ocupação.. a Suméria. à luz da lingüística e levando em conta as noções étnicas bem posteriores provenientes da Babilônia. ainda no terceiro milênio. por volta de 3100 a. que os habitantes encontrados pelos antepassados dos sumérios fossem a gente de Subaru (A lta Mesopotâmia). colonização e revolução urbana na Baixa Mesopotâmia Durante o terceiro milênio. foi formulada a opinião. levando a supor a idéia de uma tradição tardia suméria na qual tanto o sumério como acadia no teriam substituído uma língua falada num passado pré-histórico. Recentemente. A navegação fluvial era reali zada através dos rios e dos canais maiores e foi o principal meio de comunicação. Quanto aos problemas relacionad os com as atividades agrícolas estava o da salinização causada por drenagem insuficiente e o ava nço do deserto sobre as terras cultivadas . o Eufrates e o Tigre depositam no leito normal os sedimentos mais pesados.C. o que implica ter havido na região um povoamento mais remoto de populações oriundas das ár eas . ou país de Sumer. onde predominava o sumério. mas as pesquisas ar queológicas os vincularam ao sudoeste do Irã (o Elam. formando diques naturais ou levées. sendo que os vales fluv iais são cercados. língua aglutina nte sem vínculos conhecidos e que deixaria de ser falada no início do segundo milênio. Quando de suas cheias anuais. do ponto de vista lingüistico. nos quais desenvolviam preferencialmente a agricultur a irrigada em virtude de apresentarem menos problemas quanto à drenagem. Era nestes diques naturais que se con centrava o habitat humano na Baixa Mesopotâmia. juntamente com o babilônico dele derivado e o aramaico. constatou-se a presença de palavras não-sumérias e de vocábulos estranho à estrutura das duas línguas faladas na região baixo-m sopotâmica.. para oeste e para leste. escritos em sumério e acadiano. a Baixa Mesopotâmia podia s er dividida em duas partes: ao sul. por outras faixas estépicas freqüentadas por pastores. Foi esta idéia que aventou a poss ibilidade da chegado dos sumérios pelo golfo Pérsico. Nos textos. O transporte terres tre. uma língua de flexão do grupo semi ta e que predominou.condição que deve ter motivado as disputas por terras c ultiváveis. dependia de caravanas de muares ou carros e trenós puxados por bovinos e asinos. As z onas pantanosas próximas ao golfo continham pastos extensos e serviam à pesca e à coleta vegetal. ao norte.um conjunto de bacias entremeadas e propícias para o gado. até a difusão do dromedário. A ar gila de alta qualidade e abundante foi também explorada na Antigüidade. onde se concentrava a maioria da população que falava o acádio. o país de Akkad.

Siro-Palestina e Alta Mesopotâmia a ocupação permanente por aldeia s neolíticas . Enquanto na Anatólia.plenamente neolíticas.

de forma esporádica.plenamente sedentárias.só tem início. Entretanto. Esta irrigação em pequena escala era usada de início co mo prevenção contra a seca em áreas já alimentadas pela chuva. a região precisou buscar soluções para os problemas novos que fossem surgindo. Só a partir do 5º milênio.C.a partir de 45 00 a. a Baixa Mesopotâmia transitou de uma fase basicamente neolítica para uma época caracterizada pelo que se convencionou chamar de revolução urbana. formando as culturas de Hasssunah. Entre 5000 e 3500 a. mas deficiente em madeira. com o aparecim ento de cerâmica pintada. a planície aluvial do Tigre e do Eufraste será ocupada permanentemente por gr upos de cultivadores oriundos do leste. apresentando q uatorze cidades mais importantes que subordinavam outras menores e numerosas aldeias. Entre o ano 5000 e 2900 a.. e a construção dos primeiros santuários como o de Eridu. consequentemente. inúmeras pequenas aldeias surgiram às margens da planície fluvial da Baixa Mesopotâmia. na pesca e na coleta de plantas selvagens. Samarra e Hala f. introduzindo mudanças importantes na atividade agropastoril e p reparando o longo caminho que conduziu ao modo de vida urbano e. A mudança importante dessa fase foi o desenvolvimento de técnicas eficazes de irrigação. ocorreu no período de 9000 a 7000 a. mas pouco adequa da à agricultura de chuva . a ocupação por cultivadores da Baixa Mesopotâmia . com o surgimento de comunidades nas encostas próximas aos rios que atra vessavam as planícies da Baixa Mesopotâmia. a região conheceu a fase de Ubaid. área de enorme potencial agrícola. entre 6000 a 4500 a. de 3500 a 3100 a . simples valas eram construídas para desviar os cursos de água que corriam para os campos próximos.. Como conseqüência desta empreitada.C. os sistemas de irrigação conhecidos e desenvolvidos permitiram a colonização de regiões áridas. Tr ata-se da mais antiga região do mundo a urbaniza-se.C. constitui-se na única região que efetuo por s i só o processo de urbanização sem dispor de modelos externos a que se pudesse referir. pedra dura e minérios para a produção de utensílios e armas. No 5º milênio. Portanto.. Por volta de 3100-2900 a. enquanto o mod o de vida urbano vai se delineando e se consolidando. p ermitindo a expansão do povoamento. a de Uruk. Ao longo de milên ios. por cultivadore s oriundos dos maciços do Curdistão e dos Zagros. a Baixa Mesopotâmia estava já urbanizada.C.-. quase dois mil anos após o início da ocupação efetiva e con strução dos pequenos sistemas de irrigação. em que o modo de vida era neolítico.C. antes f ra do alcance das comunidades agrícolas.potencialmente fértil.C. no decorrer do 5º e 4º milên io.. o surgimento dos primeiros objetos fabricados de cobre . ao surgimento d as civilizações. A fase seguinte. comunidades que baseavam sua subsistência numa agropecuária es tável e não mais na caça.

. Ao mesmo tempo. Enki. fertilizador. durante a fase de Jemdet-Nasr. o céu. o vento. simplesmente. as populações locais tiveram que enfrentar dificuldades consideráveis e bus car soluções aos problemas em princípio intransponíveis. A transição da civilização urbana é completada no período de 3100 a 290 a. e de obras hidráulicas de proteção contra os efeitos das enchentes fluviais. Ianna. A planície fértil do Eufraste e do Tigre tinha que ser disputada com armas nas mãos aos pastores nômades que nelas tentavam se estabelecer ou. ameaça levá-los de roldão juntamente com rebanhos e casas. marcada pelo desenvolvimento da organização social e de instituições político-administrativas nas cidades. dá-se em épocas em que os cereais cultivado s já estão crescidos e. Contudo. esta fase conhece uma grande concentração de residências dos cultivadores nas planícies e o aparecimento de um grande contingente de artesãos especializados e trabalhando em tempo integral nas cidades.C. Anu. Tinha-se. em virtude da salinização causada por drenagem insuficiente e ao avanço do deserto sobre as terras cultivadas. que dispor de reserva de água para os meses mais secos do ano.. p ortanto. As razões da revolução urbana na Baixa Mesopotâmia Desde o período basicamente neolítico até os inícios da urbanização e das cidades nascentes da Baixa Mesopotâmia. O povoamento da Baixa Mesopotâmia dependia dos rios que cortam as planícies fluviais . por um lado. estes últimos competiam entre si pelos recurso s naturais: água.C. pilhar os ass entamentos sedentários. As enchentes possuem um efeito. típica das regiões do Levante e da Anatólia. a água. a Mesopotâmia tinha à sua volta estepes habitadas por nômades criadore s a oeste e a leste nas montanhas. caracteriza-se pelo início da urbanização. os rios se acham em vazante na parte do ano em que é preciso semear. Estas necessidades obrigaram a construção de um sist ema complexo de barragens. não é praticável na região. a fertili dade). canais de irrigação e drenagem.. mas. A agricultura de chuva. em sua violência. por outro lado. Por outro l . Por outro lado. bosques. cuja manutenção e extensão exigiram um enorme e constante esforço. campos.. invenção da escrita e dos processos de numeração e pelo aparecimento uma clerezia dedicada ao serviço de deus com residência nos lugares santos e exercendo u m domínio sobre as comunidades rurais. que reconhecem como soberano uma grande divi ndade que personifica uma das forças da natureza (Enlil. É a fase com a qual começou a Época Inicial do Bronze. Além do mais. diques. foi no enfrentamento das dificuldad es e na busca de soluções que a região transitou para civilizações urbanizadas com instituições político-ins ionais e administrativas.

pedra dura e metais era prec iso suprir os .Sendo a região da Baixa Mesopotâmia carente em madeira.

Ao iniciar os tempos históricos. na qual residiam os ha bitantes da cidade. cercada de muralhas. um complexo com múltiplas funções. A questão pertinente para a história político-institucional e administrativa e de form ação das cidades com espaços urbanos institucionais é: quem tinha a responsabilidade de procurar soluções par a os problemas apresentados acima? Ante as pressões descritas. legais e de jurisdição reconhecidos aos homens livres proprietários. que sobrevivem ao processo de destribalização. uma área periférica (chamada de cidade extern a em sumério). e o porto (fluvial na maior parte dos casos). anteriores ao surgimento das instituições centraliz adoras e subordinadoras dos complexos templários e palaciais. estábulos. também. surgem os templos como complexos p olítico-econômicos com controle sobre a administração das cidades-Estados. deles separada no espaço. no período inicial da vida já totalmente urbana: órgãos colegiados com origem nas organizações tribais. As recentes escavações arqueológicas comprovam que. Só com urbanização plena. três instituições.C. além das funções religiosas. Estes traços são compreensíveis ao se admitir a origem tribal . e o palácio real. integrantes do corpo de cidadãos dotados de direitos bem estabelecidos. e epicentro político-administrativo no sul da Mesopotâmia. é que vai aparecer o palácio real como entidade diferente dos templos. em uma dúz ia de cidadesEstados bem consolidadas e ciosas de sua independência. os órgãos encarregados de tomar as decisões mais importantes eram dois: o conselho de anciãos (notáveis locais) e a assembléia dos home ns livres.dos primeiros órgãos colegiados de poder que existiram nas cidades nascentes. o sul da Mesopotâmia estava dividido. centro da atividade comercial de lon . sucessivas e recentes. encarregaram-se de e nfrentar as dificuldades que apareceram ao longo do processo de urbanização e. Segundo Ciro Flamarion Cardoso. depois. hortas e pomares. Mas.e. então. às vezes a distâncias muito consideráve is. as comunidades locais efetuavam trocas regulares. só em meados do terceiros milênio. Desde o começo do processo de urbanização. compreendidos como complexos econômicos e administrativos . portanto local e dispersa .povoamentos em expansão de materiais básicos que só podiam ser encontrados em áreas elev adas e distantes. Já existiam em cada cidade b aixomesopotâmica privilégios fiscais. ocupada por residências. os vilarejos da Baixa Mesopotâmia começaram a organizar órgãos colegiados e a caminhar para instituições político-institucionais com a responsabilidade de buscar soluções. Cada cidade-Estado do sul da Baixa Mesopotâmia compreendia três setores urbanos: a c idade propriamente dita. por volta de 3100 a 2900 a. campos.. desde a fase basicament e neolítica. os templos.

Somadas as cidades-Estados mais imp ortantes da Baixa Mesopotâmia e mais algumas aglomerações menores. contudo difícil ex trair dela informações precisas sobre o poder e as instituições. Nem todas as cidades-Estados estavam organizadas segundo um mesmo mo delo. apre senta dificuldades acerca de conhecimento. situada na margem direita do Médio Eufrates. O texto fala que a realeza que desceu do céu . sendo. Segundo Ciro Flamarion Cardos. no livro Sete olhares sobre a Antigüidade. Akshak.teremos algumas dezenas. ant es do dilúvio e de que cinco cidades dominaram sucessivamente a cena política regional antes do dilúvio : Erid u.sedes de go vernadores de províncias . sobre as realidades políticas locais. Larak. Larak e Shuruppak. Ur e Eridu. quatorze aglomerações urbanas mais important es podem ser relacionadas: Sippar. pela primeira vez. a evolução p . Badtibira. Badtibira. pastos. Uruk. podendo esta relac ionada ao dilúvio da tradição mesopotâmica. redigido em ép bem posteriormente. A arqueologia confirma uma inundação fluvial localizad a na localidade onde foi achada a cidade de Shuruppak. campos. Cada cidade-Estado tinha uma divindade principal que a possuía . mas de alguma importância . Outras aglomerações urbanas de tradição suméria estão situadas fora da Baixa Me opotâmia. Shuruppak. mais ou menos em 2900 a. ou período pré-sargônico (2900-2334 a. outras cidades subordinadas. Para este período. Ubartutut ou Ziusudra. Outras aglomerações urbanas menores depen diam das principais. O período de domínio das cidades-Estados templárias na Baixa Mesopotâmia Uma história da evolução político-administrativa da Baixa Mesopotâmia do momento em que ap arece plenamente urbanizada. Tell Asmar no vale do Diyala. aglomerado de acampamentos co merciais de tribos nômades no extremo norte da zona urbanizada. Sippar. Adab. Tell Khuera na Síria. Assur na Alta Me sopotâmia. período de Jemdet Nasr (3100 a 2900 a. Os t extos são raros e os que se tem em mão são parcialmente legíveis e pouco informativos a esse respeito. As informações são mais precisas sobre a história política da Baixa Mesopotâmia para o perí dinástico primitivo. são os casos de: Mari. e Sippar. no mínimo razoável. e. de norte a sul. até 2500 a. Um dos poucos documentos que nos f ornece informações sobre os primeiros tempos da urbanização é a Lista real suméria.). Lagash . A sede urbana con trolava um território composto de aldeias. não muitos raros.). centro religioso de toda a região. O último rei de Shuruppak nesta longínqua fase é o herói meso potâmico do dilúvio. Umma.C.C.C. É o caso de Nippur.C.ga distância e lugar de residência dos mercadores estrangeiros (não admitidos intramuros). A ar queologia é a base quase única de conhecimento direto da primeira época urbana. Larsa. Nippur. ocasião em que a realeza desceu do céu depois do dilúvio.. Kish. bosques.

olíticoadministrativa da Baixa Mesopotâmia apresenta duas tendências persistentes ao longo do terceiro .

fora d a Baixa Mesopotâmia.. antes de se separar do cargo de sumo sacerdote e. grande homem. com o palácio se constituindo numa instituição independente que acabou por superar os templo s no seu grau de controle sobre recursos e pessoas.milênio a. A partir de 2400 a. o recrutamento d e milícias era feito entre os dependentes do templo. 2. Em alguns casos. Mari). do te mplo. traduzido como rei. o governante da cidade era uma espécie de encarnação viva do deus principal da cidade-Estado. senhora.. um aparente predomínio das instituições templárias e de órgãos colegiados representavam os cidadãos livres foi cedendo lugar a uma realeza cada vez mais lai ca e poderosa. O governante da cidade era chamado de en. contudo. de formação de unidades políticas mais amplas. até pouco antes de 2500 a. fisicamente.. além de carros de guerra puxa dos por muares.). Outras provas de que a realeza se laicizava é a manutenção pelos palácios de algumas cidades de milícias permanentes.. sem. É provável que. no qual tomava o lugar do deus e se unia à sacerdotisa que representava a deusa. operacionalizando uma liturgia que visava liberar as forças da natureza. porém.C. há provas de que o governante supremo deixou de ser o sumo sacerdote e do surgimento de complexos palaciais independentes do templo (Eridu. ocorreu uma alternância entre fases de indep endência política das cidades-Estados com outras em que se deram tentativas. governado r. há comprovação da existência de uma realeza sagrada constituída de um rei e uma rainha (com o título de nin. atuando tanto como chefe secular como sumo sacerdote do deus principal (o dono. bem como em relação ao conselho de anciãos e à assembléia dos homens livres influentes das cid . Embora persistisse por muito tempo a designação de en. dominava várias cidades e tinha sob sua autoridade os respectivos governadores. o rei. De início.C. cada vez mais consistente s.. Os fatos apontados mostram uma crescente independência da instituição real em relação ao t emplo. Os textos de Shuruppak mencionam que o palác io real passou a manter entre 600 e 700 guardas permanentes em serviço. a arqueologia e os documentos mais antigos mostram a inexistência de paláci os reais como estruturas separadas. Kish e. A relação entre os três títulos encontra dificuldades de exp licação à luz dos documentos e da arqueologia. senhor... e lugal. documentos posteriores evidenciam du as outras formas de referir-se aos governantes da cidade durante o dinástico primitivo: ensi. em cujo templo residia. embora não pudéssemos falar de um exército profissional. perder de todo as funções sacerdotais e a justificação religiosa do seu poder. da cidade). que eram enterrados com suas riquezas e servidores ritualmente mortos. Era o encarregado de cerimônias relacionadas com a liturgia do deus da localidade: o casamento sagrado anual. No cemitério real de Ur.C.: 1.

um fator político que tinha fundas raízes políticas e h istóricas constituía uma tendência com bases sólidas e reais. as funções dos reis mesopotâmicos aparecem com muita clareza.. é caracterizada pela alternância de fases de descentralizações com outras em se tentavam unir as cidades-Estados em unidade político-territoriais maiores. A segunda metade do terceiro milênio a. manter abertas as rotas de comércio. um con flito entre o particularismo das cidades-Estados e uma consciência étnica unitária. garantindo assim o fluxo de matérias-primas carentes na Baixa Mesopotâmia. Em meados do terceiro milênio a.C. é possível delinear quatro grande s fases da história . com seus cidadãos livres mais notáveis detendo prerrog ativas e com um clero igualmente privilegiado. um conjunto de cidades-Estados sob o c omando único de um rei poderoso se apresentava. São funções suas: a iniciativa da construção e reconstrução dos santuários. rebanhos e outros bens dos tem plos. que ao que parece se constituiu num dos fatores fundamentais na consolidação de uma realeza independente e forte. Boa parte destas funções requeria uma ação guerreira crescente ora contra as cidades-Estados vizinhas ora contra os povos e stranhos a região. sustentada com rações aparentemente ínfimas. O palácio real. tanto a fluvial como a f eita através de caravanas de muares. também. Entre meados do século XXV e final do século XXI a. O período dinástico ou sargônico da Baixa Mesopotâmia Estas transformações reformularam em profundidade o domínio sobre as riquezas e as pes soas. apresentando-se com o distribuídos da 'água em abundância.ades-Estados. A partir de meados do terceiro milênio a. as monarquias já eram permanentes e hereditárias.C. à medida que u m poder concentrado podia garantir melhores as rotas comerciais do comércio de longa distânc ia. no qual o palácio controlava a maioria das terras e rebanhos.C. após a sua laicização. de certo modo. Contudo. diques e reservatórios. redistribuição de excedentes e distribu indo concessões de terras como forma de pagamento aos serviços prestados por funcionários. Temos aqui. constituir uma barreira mais eficaz aos ataques externos e a possibilidade de garantir um fluxo maior de riquezas como resultado de saques e tributos para a capital. avançou sobre muitas terras. Exemplo dest e processo é o sistema estatizante da III dinastia de Ur. como uma tendência sólida e real. As cidadesEstados possuída. passou r sua atribuição à construção e o conserto de canais.. manter a integridade do território e a posse dos recursos naturais..C. o comércio exterior e boa parte da mão-de-obra. s e levarmos em conta que no passado elas eram eletivas. pelo seu deus. como também forçou particulares a vender-lhes terras.

as primeiras tentativas conhecidas de centralização do poder. o império de Akkad. 2.política da Baixa Mesopotâmia: 1. o domínio gútion. 3. seguido de uma volta à fragmentação política de cidades-Esta os .

Esta situação só foi interrompida pela e reformas do ensi Urukagina (2351-2341 a. Akkad . Já na cidade de Lagash. relata sua v itória sobre a cidadeEstado vizinha de Umma.). Dominou toda a Mesopotâmia e seus arredores imediatos e. ao lado do sumério. Ele chegou também a obter a r ealeza de Kish e enviar expedições militares ao norte (Mari). o exército foi muito ampliado e modificado. o ensi de Lagash. Ante o trabalho de grande organização. dominado a Mesopotâmia e a Síria. que depois de instalado em Uruk e Lugalzagesi (2340-2316 a. baseando-se. Foi após este período que se formou o primeiro império na região. fez-se rei de Sumer e Akkad e tendo ainda.C. a Baixa Mesopotâmia foi c ontrolado em termos político.). Por outro lado. Ainda com o propósito de manter o controle da administração do império. então reunidas sob um único governo.C. e a III terceira dinastia de Ur. membros da família real e outros acadianos foram nomeados governadores de cidades e províncias.C.C. agora. não mais na falange. de forma menos direta.). tendo aparentemente destronado-o. Para capital do império fundou uma n ova cidade. Posteriormente. mesmo que passageiramente..). A origem de Sargão é obscura. em função de disputas de fronteiras.até hoje não localizada pelos arqueólogos. 4. que teve a sua carreira interrompid a pela expansão do ensi de Umma. Entre os esforços de consagrar a unidade política da região está o de Sargão ter inaugurado o costume de nomear as filhas do soberano supre mo da Mesopotâmia como chefe do clero do deus lunar de Ur na tentativa de aproximar-se d o sul sumério. Lagash conheceu um novo período de vitórias contra Umma sob o domínio do seu sobrinho Entemena (2404-22375 a. com as sua s famílias submetendo a população local a vexames e extorsões. assumindo o status de língua administrativa. parte da Síria. Adab e Mari. Na estela dos abutres. inicialmente ele teria prestado serviços ao rei Urzababa de Kish. o de Sargão I de Akkad ( 2334-2279 a. Sargão I e seus de sucessores ime diatos dispensaram enormes esforços para a estabilização do império. Após dezenas de guerra venceu Lugalzagesi e outros gov ernadores da Baixa Mesopotâmia. Ásia Menor regiões costeiras do golfo Pérsico.independente. dois sacerdotes de Ningirsu tomaram o poder e avançaram sobre as propriedades dos templos.C. por Uruk. que teria fe ito alianças com o rei de Uruk e Ur. A seguir. avançando até o Mediterrâneo. com o acádio. a seguir fala de vitórias sobre os lemaitas estabelecidos em parte de Sumer e de expedições ao Elam. Eannatum (2454-2425 a. mas em arque .). embora em certos casos se mantivessem os governantes originais. especialmente no Elam e na As síria. o renascimento sumério. o rei ampliou as dependências e capacidad e de serviços do palácio real e da burocracia a ele ligado. sucessivamente. Tanto no campo de batalha como no institucional.

compondo ainda. O filho e sucessor de Urnammu. de Sumer e Akkad. os grandes funcionários recebiam terras estatais em usufruto e outras vantagens. correio (mensageiros reais) e aberto e/ou me lhorados as vias de comunicação da região. a maior parte do Elma e algumas cidades da Síria e Fenícia (Ebla. É desta época a construção da torre de degraus ou ziggurat pa ra servir de base a um santuário. Para tornar mais ágil a administração e a se gurança do império foram criadas um sistema de guarnições. No período 2141-2122 a. No seu ap ogeu. o governa dor de Ur. utilizando-se do expediente de c asar sua filha com um dos governantes elamitas. tornando-se por excelência o símbolo da arquitetura da Mesopotâmia. Além de prata e rações. obras de arte e a expansão do comércio para o exterior. Após a vitória sobre os gúntions pelo ensi de Uruk. o que não impediu de novas guerras com o Elam. Contudo. Em algumas áreas periféricas foram mantidos os governantes de extração local . Separou-se o poder civil do militar.C. depois. o ensi G udea de Lagash fomentou importantes construções sagradas em sua cidade. guerreando nos Zagros.) com o objetivo de regular . Utuhegal (em 2120 a. A economia era gerada. Shulgu (2094-2047 a. Urnammu..). Seus sucessores empreenderam esforços na construção de uma realeza divina. assumiu os títulos de rei de Ur.C. Sargão e os seus sucessores tiveram de lutar contra o separatismo das cid ades-Estados e contra a pressão crescente dos montanheses do Elam e dos Zagros (llullubi. mas mesmo nelas tendeu-se a processar o que se vinha operando nas outras partes do império: a substituição dos governantes locais por funcionários do rei. Foi também instituído um sistema judiciário que recebeu grande atenção. capital do império que durou entre 2112-2004 a. A principal característica da III dinastia de Ur está em ter tentado um sistema admi nistrativo coerente e homogêneo na Baixa Mesopotâmia. Mari e Biblos). na metade do seu reinado tentou controlar a situação a leste.). o império chegou a compreender a Mesopotâmia. fundando a III dinastia de Ur. sobretudo pelo palácio. apesar do comércio e xterno tenha sido feito em proveito dos altos funcionários e de comerciantes comissionados. bem co mo de grupos tribais de pastores da síria. declarando-se deuses.C.C. para a qual construíram templos em que estátuas do soberano reinante recebiam cultos. entregando tais postos a funcionários. No interlúdio seguinte. e. em sumério.iros seguidos por uma infantaria mais leve do que no passado. algum ponto da Baixa Mesopotâmia conheceu o domínio dos gútions e várias cidades-Estados reassumirem a sua independência. gútions). tendo o fundador da dinastia publicado uma série de precedentes ou julgamentos típicos (as leis de Urnammu. um belo hino religioso.

as relações dos cidadãos com os Estado e demonstrar que o monarca cumpria a sua função de promover a .

).C. tomando Ur ao rei de Isin e abrindo uma longa disputa pela heg emonia da região. reinava o último rei da III d inastia. por outro lado. destruíram e saquearam Ur.). uma zona de rebelião. estabelecida em Larsa. ao sul. Após o reinado de Shulgi. por conseguinte. ligadas às dívidas e ao a vanço dos interesses e atividades privadas. por um lado. sob o comando de Naplanum.C. os particularismos locais debilitavam a unificação. O sumério foi mantido como língua oficial e floresceu literariamente. Contudo. por detrás da hegemonia de Isin. No ano de 2004 a. Sob a hegemonia de Isin.C. os elamit as. aliados aos su (ou sua). Contudo. Uma dinastia amorrita. e. (1934-1924 a. Ao mesmo t empo.. Ibbisuem (20282004 a. os elamitas foram expulso e a economia da Baixa Mesopotâmia permaneceu estatizada. escond ia-se uma considerável dispersão do poder. com o império arcando com os custos e nomeaç dos juizes. sob o comando de um ex-governador nomeado p or Ur. Ishbierra de Isin conseguiu se por à frente dos amorreus. surgiu como nova força na região com o rei Gungunun (1932-1906 a. o impéri o foi divido em três partes: a oeste. o últ imo rei da III dinastia de Ur. ao controle do comércio do golfo Pérsico. provavelmente de origem semita. embora a maioria da população falasse línguas semíticas e o sumério já tivesse desaparecido como língua viva. Esta disputa parece estar ligada. sobre Ur e parte do Estado de Lagash. os reis de Ur investiram muitos recursos e esforços na con quista e na organização do Elam. levando cativo. um reino com a capital em Larsa. os reis de Isin legislaram no sentido reformista d e abolição das injustiças sociais e econômicas devido às dificuldades profundas na região. sobretudo os pastores tribais amorreus (ou amorritas) que ameaçavam a oeste o império.justiça nos territórios sob sua administração. O período de domínio dos grandes Estados na Baixa Mesopotâmia Logo após a queda de Ur.C. Desde meados do século XX a.C. a tentativa de uma das duas cidades de controlar o sistema de canais da Baixa Meso potâmia.. uma dinastia instalada em Isin recolheu com sucesso a her ança do império sumério. principalmente com continuação da entrada maciça de amorreus.). a nordeste. U os reis de Isin retomou a tradição de publicar coleção de preceitos legais ou precedentes judiciários . tentando bloquear as investidas que no passado haviam derrubado o império de Akkad e. devolvendo a Lagash a sua importância. para o Elam. com os monarcas mantendo cuidadosamente os padrões tradicio nais da realeza suméria. povo dos Zagros. eram ago ra. Antes mesmos de desaparecer. o chamado código de Lipitishtar. A luta quase permanente entre Isin e Larsa teve como conseqüência a pulverização do pode .

Na estrutura administrativa do Império de Hammurapi encontramos remanescentes das cidades-Estados primitivas como a assembléia dos homens livres gozando de plenos direitos (puthum) e o conselho de anciãos (shibutum). estabelecido entre si e Larsa e os demais govern antes vitoriosos nos anos anteriores (Rimsin.. Por outro lado . primeiramente. voltou-se. não cessou de diminuir. Zimrilim de Mari ). . em uma localidade mencionada desde a época do império de Akkad. . filho e sucessor de Hammurapi. Hammurapi encont rou um certo equilíbrio de poder na Mesopotâmia. Já sob Samsuiluna (1749-1712 a. começou a avançar decisivamente. o s quais. (maru alim). vencedor de Isin. Hammurapi tratou de aumentar o seu pequeno território inicial com a ocupação de Isin. Entre o quinto e décimo primeiro ano de seu reinado. para a fortificação de cidades. Uruk. Após estes sucessos militares. Prevalecia o princípio de que cidadão es tava vinculado. Malgium e outras cidades. aliando diplomacia a operações militares limitadas.C. cuja descoberta em 1901-1902 permitiu iluminar um período pouco conhecido da histórica mesopotâmica. Cerca de uma década depois de ter subido ao trono. Depois de vencer cidades ou coalizões de cidades. o seu reinado começou a importância da cidade da Babilônia como metrópole política. No entanto o tais órgãos co legiados só tinham certas funções judiciárias e funcionavam como corpos assessores do prefeito. tornaram-se reis de Kish. a partir do vigésimo nono ano do seu reinado. mas muito bem cal culadas. sob outros soberan os.).C. passou a dominar toda a região da Baixa Meso potâmia. o território já havia sido reduzido em boa parte e.. (rabianum) da cidade. Consolidado o seu domínio e hegemonia. criando a oportunidade do surgimento de diversas dinastias de chefes amorreus. existente em cada cidade.C. Hammurapi se declarou rei das quatro regiões do Universo. até que. estabelecendo ainda uma hegemonia sobre a Alta Mesopo tâmia e passageiramente sobre o Elam. apoiados em suas tribos. muitos historiadores tendem a situá-lo em uma categ oria à parte pelo seu código. de Babilônia. O Império Paleobabilônico assim criado foi efêmero.r na região. sem buscar se divinizar.C. até o fim da dinastia em 1595 a. Sippar e outras. Ibalpiel de Eshunna.). à sua cidade: filhos da cidade. Hammurapi foi o sexto rei amorita da Babilônia (1792-1750 a. Hammurapi na prática surge como um do s grandes soberanos de sua época. econômica. Uma destas dinasti as se estabeleceu por volta de 1894 a. do reino de Mari ao vale do Diyala. Contudo.o mais extenso e importante documento em língua acádia -. duran te quase vinte anos. na mesma época em que caía o Primeiro Império Assírio. mas sem grande importância no passado. religiosa cultural da Baixa Mesopotâmia.

Inspirado no sistema administrativo instalado por Shamshiaddu da Assíria. décadas an tes. Hammurapi instalou nas cidades maiores um governador ou um lugar-tenente (shakanakum). sup erior aos prefeitos .

vida social. permitin do a Hammurapi manter uma correspondência muito copiosa e constante com os seus subordinados. consagração da desigualdade social a nível jurídico-social artir da legitimação jurídica de três classes sociais (Awilum. Como codificação e reforma legal.) e as leis da III dinastia de Ur (2112-2004 a. Mesmo com conhecimento da limitação da força de lei d o Código. chegando até a aplicação rígida da pena de talião. centro da administração do império.C. Muskenum. Contudo. As medidas decididas pelo rei que estabeleciam a justiça. Os coletores de impostos (makisu) garantiam o fluxo de tributos (ce reais. principalmen te quando intervinham esporadicamente no sentido de anular as dívidas e a servidão (temporária) por dívidas em que caíam pessoas nascidas livres. é possível vislumbrar os seguintes aspectos: a compensação pecuniária que fosse julgada insuficiente podia ser recorrida para revisão junto ao soberano. religião . O Código de Hammurapi é dividido em prólogo. As corvéias eram requisitadas para diversas atividades civis e militar es. As funções públicas e as milita res eram remuneradas com a concessão do usufruto de terras públicas a indivíduos ou a grupos: t anto aos serviços quanto à terra concedida aplicava-se o termo ilkum. uma tentativa de unificar o direito durante o seu reinado. O palácio real.tamk arum . Logo nos primeiros p arágrafos do prólogo é nítida a tentativa de legitimar o Código através da reverência e da consagração d . legitima e regu . os serviços dos grandes comerciantes só podiam ser realizados com o recebimento de um documento do rei que autorizava aos mesmos ou aos seus subordinados fazerem e xpedições mercantis ao exterior. metais preciosos). estrutura familiar e de certos costumes. relações sociais. as leis reformistas de Urukagina de Lagash (2351-2 341 a.conduziam negócios do Estado e os próprios. A seguir. intervenção no domínio econômico. Wardum). com estabelecimento de preços correntes e salários e a manipulação do padrão de valor.C. gado.). Adm itia-se o apelo direto ao monarca em matéria judiciária ou administrativa. compreendia múltiplos escritórios povoados de escribas. como o código de Lipitishtar (1934-1924 a. estrutura social.C. no seu corpo legal. O Código de Hammurapi parece ter sido uma proclamação da justiça real para servir como e xemplo e precedente. mas com limitado poder de força de lei. importante e um dos mais completos documentos da Bai xa Mesopotâmia para o conhecimento de certos aspectos da economia. sendo vigiados por superintendentes da administração púb lica (uaki tamkari).). (misharum) tinham mais poder de força de lei que o próprio código. Os grandes comerciantes .mencionados. O Código de Hammurapi foi precedido por outros códigos e conjuntos de leis na Baixa Mesopotâmia. ele se revela como o mais extenso. corpo legal e epílogo.

Por outro lado. sacerdotes. Como fonte de conhecimento histórico. pagavam o biblum.C. Por fim. o terhatum. uma expedição hitita derrubou a primeira dinastia da Babilônia e conseguiram se estabelecer na cidade por um breve tempo.. homem livre de status inferi or e intermediário entre o awilum e o wardum. pelo menos ao nível jurídico-social: o awilum. O pai escolhia a esposa para o filho e pagava uma espécie de dote . o wardum. No entanto. o muskenum.. o Código nos permitiu identificar a existência d e três classes. o casamento mono gâmico era reconhecido e só valia para a primeira mulher do homem que optasse pela poligamia. destinado-o a os filhos após a sua morte ou levando consigo quando voltava para a casa dos pais caso o contrato mat rimonial fosse rompido. que era sua propriedade durante o matrimonio. o indivíduo submetido à servidão ou escravidão podia casar com o(a) filho(a) de um homem livre e que os filhos do deste casamento eram livres. saldados de patentes mais simples.. comerciantes e soldados de pa tente). Mais tarde. O Código ainda estabelece sanções do cri me segundo a classe da vítima. compreendiam indivíduos submetidos à servidão. em cujo governo foi sucedido por reis cassitas ( III dinastia da Babilônia) a partir de 1570 a. ficando esta com plenos direitos.la as operações do tamkarum. homem livre que gozava de plenos direitos políticos (funcionários. o Código atuava como moderador das tensões sociais ao e stabelecer empréstimos abaixo da taxa autorizada. fundando a II dinastia da Babilônia. integrantes de uma camada ínfima da sociedade e com sorte d ependente da vontade de terceiros. o limite máximo do tempo de trabalho por dívida. e não eram de aplicação automática pelas instâncias jurídicas existentes. profissionais independentes. instituir o perdão das penas. os servos por dívidas e os escravos. a partir do Código de Hammurapi é possível observar a existência de uma estrutu ra familiar com bases no sistema patriarcal. A esposa levava consigo para o casamento um dote. a região foi controlada pelo Império Assírio.C. até que no século VII os caldeu . No ano de 1595 a. que estabelecia a justiça. ajudar os indivíduos submetidos à servidão por dívi da a adquirir a liberdade. camponeses. no final do segundo milênio a. sendo que nas famílias mais ricas. muito destas decisões dependiam das medidas deliberadas pelo rei. Havia ainda o costume de filiação adotiva entre as famílias. pastores. compreendendo grande parte da população (pequenos arrendatários. o seriktum. escribas. além do terhatum.C. libertos) e os indivíduos que traba lhavam como jornaleiros. Mesmo a poligamia sendo permitida. mas com diferenças sociais entre os seus membros. sendo que o Código estabelecia diferença entre os escravos (a escrava que dava filhos no l ugar da esposa era privilegiada e os escravos de guerra eram os mais explorados).

fundado o Império Neobabilônico.restabeleceram a domínio da Babilônia sobre a região. Neste tempo todo. a estela do .

e. As comunidad es kassitas desagregam-se e por esse fato consolida-se a propriedade privada das terras Os r eis gratificam «perpetuamente» os seus senhores com terras obtidas daquelas comunidades (na maior p arte kassitas). Estabelece-se um comércio regular com o Egito e outros país es. mas o seu número é sem dú ida muito inferior ao do tempo de Hammurabi. . o país restabelece-se das terríveis devastações e da ruína econômica. Ao mesmo tempo continuam a construir-se templos. os Elamitas. das regiões marítimas da Suméri a. vindos do norte. dos montes Zagros. os Hititas. Durante o primeiro. durante o qual a vida econômica se desenvolve intensamente. utilizando as técni cas dos Babilónios. A vitória coube às tribos marítimas que se apoderaram do Sul do império e aos kassitas que se estabeleceram no Centro e no Norte da Babilónia. por fim. Os reis kassitas apoiam-se sobre as suas próprias milícias. o que impele os reis kassitas a melhorar as rotas das caravanas. No fim do século XV antes da nossa era começa o segundo período. até cerca do último quar tel do século XV antes da nossa era. eles passam rapidamente à agricultura sedentária. Os seus sucessores submeteram a part e meridional do país. mas encontram também aliad os entre os sacerdotes da Babilónia. Queda do Império da Babilônia e a época kassita*** O Império da Babilónia irá afundar-se durante os dois últimos reinados da primeira dinas tia babilónica. sobretudo os da cidade santa de Nippur. A época kassita divide-se em dois períodos. S empreendidos grandes trabalhos para reparar a rede de irrigação das águas. O rei kassita Gandash aí fundou uma dinastia. Descendo das montanhas e tornando-se senhores da Babilónia. A dominação dos kassitas durou até o ano 1165 antes da nossa era. As dimensões destes novos domínios são ba stante maiores do que no Antigo império da Babilónia (vão de 20 a 200 hectares).Código de Hammurapi circulou por diversos lugares até se perder. Após se terem apoderado de vastas regiões despovoadas e dizimadas pelas invasões e pelas guerras. empregando grandes esforços para as defenderem dos ladrões assaltantes. colocadas nos limites dos terrenos em questão. só sendo recuperado n o início deste século e só assim nos permitindo ter um conhecimento mais confiável tanto sobre o períod o de Hammurapi como sobre as épocas anteriores das regiões de Sumer e Akkad. os criadores de cava los kassitas que viviam ao norte do Elam. um após outro: os Semitas. Quatro inimigos o assaltaram. Os decretos reais de alienação e de gratificação são geralmente inscritos em pedras chamadas kudurru. reconstruir os diques e construir novos reservatórios. os Kassitas instalaram -se aí em comunidades de clã.

pedem o auxílio do rei da Assíria. incapazes de vencerem os insurre ctos pelos seus próprios meios. Desde então. pp. V. (v. sem piedade. S. o império cai nas mãos de um senhor da cidade de Isin. Em mea dos do século XIII antes da nossa era. que destronou o últi mo rei kassita e fundou a IV dinastia babilónica. As suas operações de rapina tornam-se tão descaradas que alguns entre eles tomam à risca a cobrança dos impostos reais e rouba m. Os dignitários e os sacerdotes. (*) O presente texto é uma resenha realizada a partir de alguns textos pertinentes (vide bibliografia abaixo) à história da Baixa Mesopotâmia. a população. favorecida por revoltas internas qu e se produziam na Assíria. I) . de te ses. As «gentes kassitas» revoltam-se contra o rei Karahindash. e KOVALEVE. Este estado de coisas beneficia os usurários. (***) Este texto foi extraído de DIAKOV. dá-se uma sublevação. que nada recebem em troca. saqueia Babilónia e coloca lá um gove rnador. organizados em forma de texto par a uso nas aulas de História Antiguidade. o império kassita é invadido e devastado pelos Assírios. A sociedade primitiva. despovoado e arruinado. História da antiguidade. pois o pagamento. Mas a Babilónia recupera em breve a sua independência. O Oriente. Portanto. trata-se de uma sistematização de questões. é recebido pelos anciãos. No século XII antes da nossa era. dizima o exército kassita. (**) Texto organizado pelo Prof.lónia. a Babilónia passa p r um longo período de decadência política. 155-157. do mesmo modo que a erecção de novos templos gera um agra vamento da obrigatoriedade do trabalho braçal em benefício do Palácio. a custo restabelecidos da guerra e da ruína. Estes antagonismos internos debilitam o poder monárquico.O desenvolvimento da economia real e privada é devido à espoliação das comunidades e dos seus membros. de trechos de ensaios e de informações das obras consultadas. em 1345 antes da nossa era. O rei da Assíria Tukulti-Inurta I penetra na Babi. 1976. Aumenta o descontentamento das comunidades e. A alienação dos bens comunitári s é uma autêntica pilhagem feita aos aldeões. que sufoca a rebelião pelo sangue e r estabelece a dinastia kassita. A restauração do comércio real pre ssupõe um recrudescimento da opressão. e até à queda da Assíria. Professor de História Antiga do Departamento de História da UNICAP. matam-no e coloca m no seu lugar um homem obscuro. Em 1165. Lisboa: Editorial Estampa. s e o há. o país sofre a invasão dos Elamitas. Luís Manuel Domingues.

1986. 1981.Bibliografia CONSULTADA BOUZON. O código de Hammurabi. V. 1979. I) . Gilbert. Petrópolis: Editora Vozes. 3.C.. CARDOSO. Lisboa: Editorial Estampa. A sociedade primitiva. Lisboa: Publicações Dom Quixote. BOUZON. 1990. História da Antigüidade. I) Lafforgue. ed. Emanuel. (Coleção História Universal. CARDOSO. Ciro Flamarion. v. 1976. A Alta Antigüidade: das origens a 550 a. Petrópolis: Editora Vozes. O Oriente. Brasília: Editora da UNB. 1994. Sete Olhares sobre a Antigüidade. E KOVALEV. Antigüidade Oriental: política e religião. (Coleção Discutindo a História) DIAKOV. As cartas de Hammurabi. (v. S. São Paulo: Editora A tual. Emanuel. Ciro Flamarion.

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na pesca e na coleta de plantas selvagens.. A terra fértil formam bacias entremeadas que são propícias para o gado. enquanto que a ocupação por cultivadores da Baixa Mesopotâmia . baixa. de forma esporádica. contendo. por cultivadores oriundos dos maciços do Curdistão e dos Zagros. estão contida numa lista real assíria que menciona em primeiro lugar dezessete reis que v iviam em tendas. em parte. parecem que eram chefes tribais hurritas e amoritas.só tem início. O primeiro depende das neves derretidas na primavera e de dois afluentes da margem esquerda (Balikh e Khabur). Em termos geológicos. pedra e minérios.C.potencialmente fér til. a história dos assírios está diretamente relacionada a cidade de Assur. das chuvas da região dos montes Zagros e de numeroso s rios tributários (os dois Zab. por outras faixas estépicas freqüentadas por pastores.nascem nas montanhas da Anatólia. o Diyala e o Karum). é possível considerar duas sub-regiões: a Alta Mesopotâmia. a noroeste. As primeiras menções aos governantes na Alta Mesopotâmia. ocorreu no períod o de 9000 a 7000 a. localizada as margens do Tigre. o segundo.dependendo de um sistema de irrigação artificial para conter as destruíções as cheias e da drenagem que evite a salinização -.C. ainda . Como na Anatólia e na região Sírio-Palestina. Tomando como limite o ponto do seu curso médio onde o Eufrates e o Tigre mais se a proximam um do outro. Só a partir do 5º milênio.A Assíria e o primeiro ensaio de império no Antigo Oriente Próximo Por Luís Manuel Domingues do Nascimento Os rios que formam a planície aluvional mesopotâmica . mas de todo carente de madeira. a Mesopotâmia é uma depressão forma da pela junção.. a leste) ou à criação (Assíria. que posteriorme nte foi recheada de sedimentos aluviais depositados pelos dois grandes rios. sendo que os vales fluviais são cerc ados. para oeste e para leste. mais especificamente na Assíri a. adequada à agri ultura de chuva (no planalto assírio. No enta nto. ricos recursos florestais. no Plioceno. a planície aluvial do Tigre e do Eufrastes será ocupada permanentemente por grupos de cultivadores oriun dos do leste. a ocupação permanente na Alta Mesopotâmia por aldeias neolíticas plenamente sedentárias. A julgar pelos nomes. da placa teutônica da Arábia com a da Ásia Ocidental. a sudeste. A primeira é mais elevada. qu .o Eufrates e o Tigre . menos propícia à irrigação e. introduzindo mudanças importantes na atividade agropastoril e preparando o longo c aminho que conduziu ao modo de vida urbano na região. e a Baixa Mesopotâmia. mais a oeste). mas pouco adequada a agricultura de chuva . comunidades que baseavam sua subsistência numa agro pecuária estável e não mais na caça. A Baixa Mesopotâmia é pouco servida pelas chuvas. muito plana e p otencialmente fertilíssima . entre 6000 a 450 0 a..

ben-iamina e suteus..). Os ben- . No final do século XIX a.. Filho mais novo de uma dinastia amorita que reinava na região do Alto Habur.. modestamente se dizia sumo sacerdote de Assur.C.C. Iahdun-Lim. até o Mediterrâneo. sob Shamschiaddu (1813-1781 a. o soberano da Assíria. meados do século XX a. transmitia as ordens do seu governo e oferecia proteção aos prin cipados locais. prata e cobre. mas sem maiores conseqüênci as. empreendeu uma campanha militar vitoriosa. mantendo relações estáveis com o governo. Nas feitorias comerciais assírias. dividiu o poder com dois filhos seus. sem maiores conseqüências.C. apodera-se da grande cidade e domina então to da a Alta Mesopotâmia. no médio Eufrates. Estavam integrados às estruturas estatais organizadas. aproveita ndo-se do assassínio do rei de Mari.) e toma nesta cidade o título real até aí reservado ao deus. Três grupos nômades são mencionados nas fontes: haneus. um instalado em Mari e o outro em Ekallatum. e início do seguinte. Mais tarde. até aproximadamente 1780 a. sujeitando-se aos censos. pagando tributos e fornecendo soldados para o exército. Tentou então uma incursão militar. instaladas na Ásia Menor. Em seguida. a população mais numerosa do médio Eufrates e viviam em acampament os e aldeias com chefes próprios. No reinado do monarca Ilushuma . e sobretudo do século XIX a. a cidade passou a ser independente e capital de um reino assírio mal conhecido que foi se expandido durante a primeira parte deste século.e tem o nome do seu deus. do Tigre ao Eufrates.C. junto com os acádios. Através destas feitorias.C.. subordinando também os reinos de Akkad e diz ser rei do universo.C.. junto a cidades e fortalezas de principados locais. à volta de Mari. a cidade de Assur passou a explorar por sua conta a grande rota comercial ao longo do seu rio e at ingir uma riqueza que a sua agricultura não podia lhe fornecer. Os três governantes tiveram sérios problemas com os nômades. Os heneus formavam. foram encontrados arquivos dos merca dores assírios (as famosas Placas da Capadócia) onde estão informações sobre caravanas de muares carregadas de estanho (proveniente do Elam) e de tecidos de Assur que se dirigiam à Anatólia. A partir do século XX a.C. onde estavam as feitorias assírias. particularment e numerosos. até então tinha sido o centro de poder dos acádios e depois de Ur na Alta Mesopotâmia. e voltavam à Alta Mesopotâmia carregadas de ouro. na Baixa Mesopotâmia. Do fim desse século. Tratados que proteg iam cada feitoria e lhe garantiam certa autonomia administrativa eram negociados entre o reino assírio e os numerosos principados anatólicos. este monarca começou a carreira destronand o o sumo sacerdotes de Assur (1813 a. deu-se uma breve expansão que é conhe cida como Antigo Império Assírio. cidade do médio Tigre.

como também se aliaram sempre que possível aos in imigos dos .iamina do Klabur e do Eufrates tanto resistiam tenazmente às tentativas de dominá-lo s e explorá-lo. que tinha o objetivo de sedentarizá-los.

C. os arameus se estabeleceram entre o Tigre e o Eufrates e avanço so bre a Assíria diminuiu.. mas relações difíce s com as tribos a oeste. concessões de mineração. despovoando as cidades. garantias de pastagens. Os assírios chamavam-lhe urartianos (Urar tu). por outro la do. trocas de presentes -. que efetuavam pilhagens. reduziam a população a condição de cativos. calcado num forte movimento nacional e na qualid ade potência emergente do Oriente Próximo. não raramente. a própria Assíria caiu sob a hegemonia da Babilônia em meados do século XVIII a. com o território sendo reduzid o a pouca coisa e disputado entre usurpadores efêmeros. destruíam e queimavam cidades e aldeias. levavam rebanhos e. a inquietação de um povo sem fronteiras naturais. mas tiveram como principal adversário o reino de Eshnunna.C.. Já no fim deste século a Assíria havia reestruturado o seu reino e passou a ofensiva contra os adversários de então. dando lugar ao saque e a operações militares com um caráter de atrocidades até então desconhecido. ao norte e a leste da Assíria.C. habitando uma região que f oi palco de diversas incursões de povos migrantes e governantes desejosos de expandir seus domínios. No fim do século XII a. Os habitantes refugiavam-se na s montanhas..C. as colônias assírias na Capadócia desapareceram com a unific ação do país pelos príncipes hititas. o Antigo Império Assírio se desagregou. e o desejo de vingar das crueldades cometidas pelos pastores arameus foram os fatores que criaram ent res os assírios uma cultura de atrocidades e ódio para com todos os outros não-assírios. No século X a. Mas. Com efeito. se atentaram para a idéia de anexar as cidades vencidas. Os suteus aparecem nas fontes como bandidos saqueadores de cidades e car avanas. Caso no ano seguinte as cidades deixassem de pagar os tributos. A seguir veio um outro inimigo: eram as tribos que vivia m na atual Armênia. a Assíria encontrava-se numa penosa defensiva face as inc ursões dos arameus. Desde então. que no passado chegou a dominar por algum tempo a Assíria. alternadas com inc ursões no Urartu e nos Zagros. Mari voltou aos herdeiros da antiga dinastia amorrita. Depois da morte de Shamshiaaddu. .assírios. a dinastia amorrita é expulsa de Assur. os exércitos assírios vão todos os anos cobrar tributos na s cidades submetidas. depois desta. o te mperamento nacional. eram consideradas como rebeldes ao deus Assur e ao rei da Assíria e tudo era permitido contra elas. São empreendidas campanhas contra os arameus. raramente os reis assírios do século IX a. sendo constantemente reprimidos. à volta do lago Van e ainda mais ao norte. Os três monarcas assírios mantiveram boas relações com os reinos e principados da Síria ajuda militar.

Por outro lado. A um tratamento estereotipado dos membros do corpo humano. submete os hititas e ataca os arameus. A arte assíria produz sobretudo baixos-relevos esculpidos no ortoestatos que disfa rçam a base de muros de tijolos. será construída a Bibliot eca de Nínive. em nome do qual se fazem todas as guerras. caçando animais.C. Também. os assírios voltam a Síria e impõe t utos à Israel. principalmen te das pernas e dos braços.C.. com os seus habitantes sendo objeto das mais varia das atrocidades (empalamentos. na parte superior de algumas cena s. só ocorrendo originalidade e exatidão na representação de animais. com a sua população sendo massacrad a. cremação e extermínio em massa). os hititas e arameus continuam a revoltar-se. Só em alguns santuários rupestr es aparece com um aspecto humano. que segundo um relato do próprio Assurnat sirapli II. C.) anexa o Bit Adini (reino arameu na passagem do Eufra tes). com os relevos mostrando ele recebend o tributos. banqueteando-se em honra dos deuses e derramando a libação sobre os c adáveres. A todas as cidades submetidas exige tributos e aquelas que cons eguiram manter uma resistência prolongada foram saqueadas e destruídas. A cidade é composta de palácios com decorações e mobiliários que mostr am os caracteres permanentes da arte assíria.).). O rei é representado co nforme o tipo étnico e na função de sumo sacerdote dos deuses. durante o reinado deste governante. mas é feito prisioneiro na batalha de Qurquar. ele força a passagem do Eufrates e avança sobre as cidades hititas. os símbolos tradicionais de Assur: a espada ou disco alado.). escolhido durante um milênio numa família sagrada.C. por uma coligação sob a direção de Damasco. que chegou a reunir mais 5000 placas com uma antologia da literatura e da adivinhação de Sumer e da Babilônia. são raras as representações do deus Assur. e logo que os assírios a ab andonam os seus países recuperam a sua soberania. Um progresso na composição será verificado durante o reinado de Tukultiapilesharra III (746-727 a. de onde emerge por vezes o busto do deus.C. Há também figuras com cenas de guerra. foi submetida ao saque e destruída. são intensificadas as campanhas militares. é pesada e convencional. A estatuária. Ainda em 841 a. já nos palácios aparece apenas. capit al desde Assurnatsirapli II..C. Contudo.C. o g rande sacerdote do deus Assur. Depois de 876 a.Com Assurnatsirapli II (884-859 a.C. chegando até Tiro. Os afre . junto a Hamat (85 3 a. o deus do império. Um exemplo clássico desta ação é a cidade de Dirra. decepção de membros do corpo.) que os relevos de um grande palácio de Nínive atingir am o máximo da escultura assíria. praticada após o século IX a. Os lucros das pilhagens são utilizados basicamente no embelezamento de Calu. mas se rá durante o reinado de Assur-ban-apli (659-627 a. O seu filho Shulmanasharedu III (859-824 a. totalmente consagrada à glorificação do rei. arameias e fenícias do norte da Síria.

Por fim.scos manifestam um gosto artístico mais seguro. os soberanos assírios colecionam marfins re tirados aos povos .

O vencedor Shamshi-Adad VI (824-810 a.C. Na prática. provocadas. Irritadas com o poderio das gra des famílias e pela política de distribuição dos lucros das pilhagens. A nova fase de conquistas e expansionismo assírio é redefinido em seus objetivos. evidenciado pela fundação de cidades com nomes de al tos funcionários e a ausência de menção aos reis assírios nas suas inscrições. cavalaria). as revoltas da população se multip licam no país. na primeira metade do século VIII a. redistribuído entre o poder central e os altos funcionários e a grande nobreza. a conquista de terras pa ssa a ter como propósito o de anexá-las ao Estado assírio. que tendem a substituir as milícias locais. a distribuição do fluxo de riquezas para o centro do império foi redefinido de forma a atender a subsistência de setores não beneficiados até então com os saques e tri butos. No fim do reinado de Shulman-asharedu III. que passam a dirigir o império assírio. através de saques e da imposição de tributos. A multiplicação de cargos áulicos e dos governos provinciais enfraquece a alta nobreza.C.) aparecer em primeiro plano na região como um novo e forte Estado. os seus filhos envolvem-se numa guerr a civil pela sucessão do trono.C.C. Este quadro político levou a um enfraquecimento da Assíria. Com isto. com o seu representante se tornando inamovíveis nos seus cargos de altos funcionários e de governadores e exercendo um controle mais estreito sobre a sucessão real. foi possível fazer uma redistribuição de terras de terceiros entre os assírios sem posse e criar espaços políticos e condições de obtenção de riquezas e de st s à pequena nobreza.submetidos ou trabalhados na Assíria por deportados ou nativos formados localmente no trabalho com o marfim. aumentando os seus efetivos. permitindo a Urartu (sécul os IX-VII a. carros. basicamente.. recrutados entre escravos e os vencidos de véspera. É com Tukultiapilesharra III (746-727 a. pela pequena nobreza sem poder e bens e pelos homens li vres despossuídos. Ao mesmo tempo. A sua política ex terna passa ser conseqüente: intervenção sistemática nas disputas dinásticas e nas guerras locais. ficando os carros para o transporte das tropas. são os altos funcionários. campanh as conduzidas para o esmagamento do adversário. Em outras palavras. ficando os assírios só aparecendo nas tropas especiais (fortificações. No exército são criados corpos permanentes. deportações locais com o objetivo de quebrar as unid ades culturais e políticas locais. Se até então o propósito maior era garantir um fluxo de riquezas. sobre o governo central e sobre a redistribuição dos lucros das pilhagens.) que tem início uma série de reformas que r estituem todo o vigor à Assíria.) é obrigado a fazer concessões à grand e nobreza. A cavalaria passa a substituir os carros de guerra como tropa de choque. o imperialismo assírio vai se caracterizar pela conquista e domínio de reg .

iões que garantam recursos básicos para sua existência e proporcionar um suprimento de bens de todos o s tipos. os assírios ocupam o norte dos Zagros até o c entro do Irã (737 a. Igualmente é a preocupação de Sargão II em proteger as suas fronteiras setentrionais ameaçadas pelo reino de Urartu e Mita. Contudo. e vencidos os arameus.C.C. teve problemas para manter os domínios sobre a Babilôni a e dificuldades para reprimir as rebeliões dos fenícios e dos palestinos.C. o que permitiu se expandir e anexar a região d a Capadócia... No início do VII a. esmagando o rei arameu de H amat e fazendo recuar o exército egípcio no delta do Nilo. Sin-ahe-eribe (705-681 a. Segundo Godofredo Goossens.C. deportados em seguida para garantir a paz na região. já nas primeiras décadas deste século o ensaio de um império universal mostrava a sua impossibilidade. invadindo o no rte da Síria e expulsando os urartenses desta região. que transferiu a capital para Nínive e a dotou de numerosos edifícios e enormes aquedutos.). O mesmo foi assassinado po . os assírios dão início a uma fases de conquistas. respectivamente. criando uma linha defensiva contra as invasões dos medos. a Assíria se esgotou ao querer manter domínios como a Síria e Babilônia.C. os assírios pareciam caminhar para a constituição de um domínio uni versal no Antigo Oriente Próximo e adjacências. relegando a um segundo plano a pressão dos povos migrantes e nômades. Poderíamos ainda acrescentar ou tros fatores como: a capacidade de conquista e de repressão não foram acompanhadas por uma estrut ura administrativa e burocrática que pudessem gerir os territórios dominados.C. a política d e deportações e o uso sistemático de atrocidades como instrumento de dominação criou entre as mais diversas etnias. aproveitando-se da anarquia política local. é retomado o domínio da Babilônia . Com a chegada ao poder de Sargão II (722-705 a. pois por trás dos rebeldes destas regiões estavam o interesse e o apo io estratégico de Estados poderosos. é deporta da e o país passa a ser governado por assírios. os assírios voltam-se para defesa dos domínios ameaçados pelos faraós. tendo derrota do estes dois reinos. Em seguida. após algumas perturbações na sucessão. após algumas revoltas. em 710 a. que havia sido tomada pel o chefe caldeu Marduk-apla-iddin. Finalmente. os reis assírios se fixaram neste dois objetivo s.. A partir de 743 a. os assírios tomam a Babilônia (729 a. o Elão e o Egito.C.. objetivando ainda a obtenção de territórios que seriam administrados e distribuídos entre os assírios.) e Damasco (733 a. culturas e formas políticas o consenso da necessidade de reagir e aniquilar o império assírio.C. o Egito (734 a.). em 719 e 714 a.). o império er a demasiadamente vasto para o povo que o deve manter e administrar.C. A população local. Na outra extremidade do Oriente Próximo. Na Baixa Mesopotâmi a.C.) são ocupados.) . Após Sargão II.

Assur-ah-iddin (681-699 a. seguindo-se uma guerra civil. outro filho de Sin-aheeribe. finalmente chega ao trono e manifesta a ansiedade de seguir a política de c onquista de seus .) .C.r dois filhos seus que disputavam a sucessão.

Os sucessores de Assur-ban-apli têm que fazer frente a um duplo ataque ao seu impéri o. a ofensiva da coligação comanda pelos medos. Os empreendimentos militares são. Conhecido como administrador e homem letrado.. a herdeira da Assíria p assou a ser a dinastia caldaica da Babilônia.. depois volta-se para disputas contra o reino do Elão e os arameus pelo controle da Babilônia.C. . fundada em 626 a. cimérios e citas. q ue fundou na Babilônia a dinastia caldeia (626-539 a. Os reis da Babilônia empreendem campanhas de conquistas à Síria e a Palestina. e.C. Enquanto os medos continuavam acampados na Alta Mesopotâmia e logo depois tiveram que regressar para o Irã para fazer frente aos problemas políticos internos. após muito esforço.) e os destroços do exército assírio fogem para o Ururtu. limitados e a Babilônia. já a partir de 652 a. foram obrigados a fazer incursões contra Tiro (Fenícia) e o reino de Judá (Palestina).C .C. mas os preparativos da empreitada é i nviabilizada pelas revoltas de Sidon e Tiro. A Assíria com a sua política de anexações e deportações realizou na prática uma unificação ultural das populações do Antigo Oriente Próximo. árabes. mas a ofensiva avançam sobre o próprio território assírio. Contudo. o soberano assírio quase não abandona a capital (Nínive ) e delega o comando dos seus exércitos. em 669 a. Os métodos impiedosos dos conquistadores assírios voltam-se con tra eles mesmos. posteriormente. Aos poucos o território do império assírio volta a se restringir ao do reino da Assíria.).C. A última fase de expansão assíria foi durante o reinado de Assur-ban-apli (659-627 a. após cinco séculos d e insegurança. submetendo a população local a deportação. os seus exércitos restabelecem a dominação so bre o Egito. os exércitos egípcios re aparecem no delta. do outro lado. o do rei Nabuapla-utsur. que o exército babilônico tentou várias vezes invadir.predecessores. que desde então passam a caminhar para a const ituição de uma cultura comum. consegue deter os nômades e retomar o controle sob re as cidades fenícias e a região do delta do Nilo.C. Contudo. os nômades da Grande Estepe invadem o Or iente Próximo. C. medos. Ao mesmo tempo. De um lado. cidades sírias. Primeiramente.C.. contudo.C.). com as cap itais do reino sucumbindo uma a uma (Assur.). decidindo conquistar o Egito. em 612 a. 614 a. retomando-a em 648 a. reis da Babilônia. Calu e Nínive. Mesmo assim. dominando a região durante o reinado de Nabu-kudur-utsur II (60 5-562 a. Assur-ah-iddin. estes dois últimos povos oriundos das Grandes Estepes). as sua cidades queimadas já são apenas um amontoados de tijolos. a Assíria tem de se defender de uma co ligação de povos (elamitas. para fazer frente as revoltas que aí explodem com o apoio do Egito.

depois . em 539 a. de sde o século IX ao VI a. No século VI a. o rei se preocupou em proteger a capital contra um ataque dos medos. o império babilônico é mais frágil do que o dos assírios.C.C.volta a conhecer finalmente um período de paz. que vai possibilitar a região se torn a a mais evoluída e rica da Ásia Ocidental à época. mas a nova concepção religiosa proíbe a re presentação de cenas históricas ou culturais e limita as figuras aos animais simbólicos (dragão de Ma rduk. A vitória persa foi sem dúvida facilitada pelas guerras e pelas deportações assírias que. Este se volta para a restauração de cultos e templos e termina por perder toda a autoridade sobre a Babilônia. a sua zigurat de sete pisos. C. enfraqueceram a consciência dos povos e prepararam assim o terreno para u m império que será mais vasto e menos contestado que o da Assíria. Após a mort de Nabukudur-utsur II.. o reino neobabilônico escolhe a defensiva para conter o avanço destes. Na cidade da Babilônia são construídos o palácio da cidadel a com os seus jardins suspensos. o templo de Ma rduk revestido de ouro. são aperfeiçoados os métodos de observação e de cálculos astronômicos. . os chamados fazedores de reis. comandadas pelo rei Ciro. Embora menos extenso. em 562 a. Só em 556 a. que continuam a redigir os seus anais e a colecionar presság ios. muralhas dos templos e muros da via das procissões). a arte babilônica herdou o gosto pelo colossal.. monumento de 90 m d e altura. o pavilhão da Festa de Ano Novo. a sucessão é motivo de uma revolução no palácio. de mármore e de lápis-lazuli. a Babilônia cai sob os golpes de Ciro e finda o reino neobabilônico. a capital foi cercada por uma muralha com 8 e 18 km de perímetro. o palácio de Verão. as duas metades de Babilônia separadas pelo Eufrates estão apenas ligadas por uma po nte cujas traves são retiradas todas as noites. Mas a civilização ne ca é celebre pelos trabalhos de Nabu-kudur-utsur II na grande cidade da Babilônia. o acádio da Babilônia e o cuneiforme continuam a ser a língua e a escrita dos escribas. A população que emprega o aramaico.C. leão de Ishtar) em relevos de tijolo esmaltado cujos frisos adornam os lugar es santos (porta de Ishtar. Contudo.. auroque de Adad. Os anos seguintes serão marcados pela expansão e conquista persa de todo o Antigo Or iente Próximo. mandando construir u m muro e barragem no istmo entre o Tigre e o Eufrates. Em p rimeiro lugar. Da Assíria. escolhem Nabu-naíd como soberano... . Ante o avanço das tropas persas.

.

A paisagem geográfica do Egito Atualmente. através de pequenos canais naturais ou por pontos mais baixos das levées. Em linhas gerais. os sedimentos mais pesados são depositados junto às margens . algumas partes dos atuais desertos ainda abrigavam uma fauna numerosa e variada e a vegetação da estepe podia sustentar rebanhos. que ficam acima do nível da planície al uvional. Suas cheias dependem das monções climáticas e do derretimento das neves na atual Etiópia dura nte o verão. as levées são mais b aixas. Com os transbordamentos. de cada lado do rio. A s águas das enchentes penetram. os pântanos de papiros e os lagos coberto s de lótus e caniços. No delta. são carregados e deposit ados nas margens a medida que as águas se espraiam e diminuem a sua velocidade. o rio abre-se em leque. para em seguida as águas recuarem e o rio diminuir o seu nível pau latinamente. A própria planície inundável do rio Nilo atraia animais aquáticos dos bosques marginais e das estepes p ara beber. crocodilos e aves aquáticas. No Holoceno. sendo naturalmente inundável e drenável. cobriam uma pequen a parte do país. sabe-se que a disposição geral da paisagem geográfica do Egito não mudou nos últimos 25. as águas acumuladas nas bacias v oltam ao leito normal do rio através de uma série de correntezas naturais. e as bacias podem tornar-se pântanos ou lagos perenes com maior freqüência. em bacias naturais. Quando as águas voltam ao seu nível normal. Sua hidrografia é uma das mais regulares e previsíveis do que a de outros rios sujeitos as cheias anuais. altamente fertilizantes. Em termos climáticos. já então como no período histórico. sem nunca secar totalmente. A cheia ocorre. A planície nilótica do Egito é do tipo convexo. com sua fauna de hipopótamos.000 anos. formando-se em ambas as margens diques naturais ou levées. Nesta área. os sed imentos mais pesados não podem ser depositados em grande quantidade. A ocupação h umana compreendia uma faixa de cinco a seis quilômetros de distância. porém. o regime do rio Nilo era caracterizado por cobrir anualmente a sua planície aluvional. entre julho e novembro. no Egito. na fase subpluvia l neolítica (mais ou menos 5500-2350 a.). correndo por numerosos braços.C. e das chuvas equacionais e bianuais no que são hoje Uganda e Tanzânia.O Egito Faraônico* Texto organizado por Luís Manuel Domingues do Nascimento** 1. que eram perseguidos pelos caçadores e pescadores. Os sedimentos ou aluviões mais leves. . as mudanças foram maiores. Como a inclinação do terreno e a força da correnteza são menores. atraindo caçadores.

os caminhos eram raros . os juncos e os caniços.C. O gado pastava nas pradarias v erdejantes que se formavam naturalmente ou nos pântanos. e no período entre 1200 e 900 a. A pesca e a caça eram atividades essenciais. Ainda neste período.C. tornou-se menos essencial economicamente. até mais ou menos 2200 a. nos tremedais do delta e no deserto.. O sílex era extraído em todo o vale. secaram-se os pequenos rios tributários do Nilo. A caça era prática nos pântanos marginais do vale. tamarindos e salgueiros. Já nestes. e entre os séculos IX e VII a. houve uma queda radical da pluviosidade e. pela parte orie ntal do deserto da Arábia e áreas da península do Sinai. As levées eram cobertas de bosques de sicômoros . como conseqüência direta. nos tempos históricos.C.).C. sejam muito altas ou às vezes catast róficas (entre 1840 e 1770 a. as chuvas não eram suficientes para a agricultur a. as pedras semipreciosas. De 3300 a. após o escoamento das águas. as bacia s serviam para plantar cereal.Desde o Paleolítico. a osidiana da costa da Etiópia e da Somália. acácias. Já para a comunicação terrestre. A pedra para construção. as pedras duras para ferramentas e os minérios eram fornecidos pelas colinas que delimitam o vale a oeste e a leste. utilizando-se dos diques naturais ou levées para residência. dispensando o trabalho de regá-los. o arsênico vinha da Ásia. o estanho da Ásia. mas sabese que não muito tardiamente elas eram feitas no Mediterrâneo e no Mar Vermelho. A coleta objetivava plantas como o pa piro. houve fases mais longas com tendências a cheias.). A importação de minério adicional aos trabalhos de metalurgia e outras atividades eram trazidos de diversas fontes fornecedoras: o lápis-lazuli vinha do atual Afeganistão através do Oriente Próxim o. m as provia um complemento alimentar e animais para a domesticação. uma redução drástica da flora e da fauna nas ex-estepes. dentro e fora do país.C. a madeira era importada do Líbano. A n avegação no rio Nilo dava-se em condições muito favoráveis: a correnteza fluvial no sentido sul-norte e as velas para aproveitar o vento constante no sentido norte-sul proporcionavam um excelente meio de comunic ação durante o ano inteiro. o cobre de Chipre.C. e que. posteriormente. a oc upação humana mais densa se deu junto ao Nilo. O ouro vinha do desert o da Arábia. Não se sabe ao certo quando tiveram início as expedições marítimas realizadas pelos egípcio . transformada finalmente em deserto. constatou-se que o rio Nilo mudou muitas vezes de leito. Recentemente. seja de nível decrescente (durante todo o terceiro milênio a. além das flutuações curtas. Durante o Neolítico. especialmente o cedro. Já o cobre era extraído no mesmo deserto e no Sinai. Da região da Núbia vinha ouro. ametist as e pedra dura para construção.

e o transporte era .

) As duas posições polares se apegam de forma inaceitável a noção de raça. permanecendo estável em suas características e sem mudar muito. desenvolvida por Francois Duma. da Ásia Ocidental e talvez restos de populações pré-histórica da bacia do Mediterrâneo. em proporções parecidas. Por fim. Baseado no estudo de ossadas. mas sem se recair na discussão inútil sobre peles mais claras ou mais escuras. já no primeiro milênio a. Poi s hoje está cada vez mais evidente o quanto é estéril e que não existem meios unívocos e comprováveis de correl acionar determinados tipos anatômicos a idéia de raças humanas. Sabe-se hoje que o caráter fundamental africano do povoamento e da cultura do anti go Egito é essencial. ou camitas. sem que ha ja condições de precisar que camadas étnicas representam esses tipos anatômicos.. ao passado humano dos negros da África (. Uma terceira teori . e que população egípcia absorveu. já no quarto milênio a. Diametralmente oposta é a teoria proposta por Chikh Anta Diop e Théophile Obenga. sem levar em conta os estudos de F.. três teorias quanto ao povoa mento egípcio partiram de noções raciais ..C.ou similares . na população egípcia. pertence totalmente. talvez o que mais tenha s uscitado polêmica a partir da década de 50 foi a questão do povoamento. negando-lhes qualquer conotação racial.e se defrontaram a partir de meados deste século. ou camitas.. mu ito escassas e mal distribuídas . Tem-s e também a convicção de que o Neolítico foi o período de mais fortes migrações povoadoras em direção a e do Nilo. mediterrâneos e mestiços ou pessoas similares ao homem de Cro-magnon. pela etnia de seus habitantes. Falkenburger.. ou a cor da pele. retomou uma te se do século passado que afirmava que a população egípcia antiga era fundamentalmente caucasóide ou b ranca: os hamitas. que a partir da análise de crânios afirmou e xistirem. Só no fim do quarto milênio a.basicamente localizadas no Alto Egito -.feito de burro até a difusão do dromedário. pela língua dos mesmos. a agropecuária superou as atividades extrativas no v . 2.C. as diversas migrações posteriores nos tempos históricos. O problema desta te oria é o de ainda insistir em correlacionar os supostos grupos étnicos da mescla as raças humanas. algo mais do que um grupo lingüístico. dos balbuceios neolíticos ao fim das di nastias arqueológicas.C. a descrença de serem os ha mitas. A primeira. três grupos de habitantes: neg des. No calor do panafricanismo dos anos 50. afirmou serem os egípcios antigos o resultado de u ma mescla de pessoas de pele escura oriundas do sul do vale do Nilo com outras de pele mais clara que vieram do Saara.. Questões acerca do povoamento do Egito e a sua ocupação e colonização Dentre os grandes problemas acerca da história do Egito. estes autores afirmaram que: O Egito faraônica.

além das técnicas para a fusão. Nos últimos séculos do quarto milênio a. que pode ter retardado o desenvolvimento da agricultura.C.minas. A economia agrícola já existia desde o sexto milênio a. Os indícios das m udanças começam quando detectamos o aparecimento de peças de cobre preparadas seja em bigorn as. no curso médio do Nilo. depois da fusão. Koptos .C. 3. fase gerzeense ou de Nagada II. as tribos locais enterravam os mortos sob a terra das ca banas e os deitavam de lado. Já usavam uma versão primitiva da foice de m adeira com incrustações de sílex. foram encontrados cemitérios especiais nos quais os mortos estão amortalhados e acompanhad os de vasos de comida. variados instrumentos de sílex e de outras pedras. cerâmica g rosseira.C. Nagada. o refinamento e o molde. na região do delta. em concorrên cia com o extrativismo. no segundo. transporte e armazenamento de minérios. do Fayum e do Médio Egito. com a face virada para o Nilo e provisões de alimentos. chamada de cultura tasiana. entre 3600 -3100 a. na planície fluvial do Nilo e nas estepes depois substituídas pel o deserto. A partir desta fase já surgem os primeiros utensílios de cobre martelado e o corte do sílex e a fabricação da cerâmica é aperfeiçoada. o empobreciment o dos oásis e a secura das torrentes de água forçaram as populações sedentárias a manter um cultivo anual nas ter ras regadas pelo Nilo. tecidos. Nesta fase foram encontrados importantes sítios arqueológicos qu e atestam a crescente importância da agricultura: no primeiro.. que requereu uma tecnologia de apoio . fabricando cestas. Isto signifi cou a necessidade de transformações políticas e sociais de peso para organizar a contento um complexo integ rado por numerosas atividades interligadas.. e posteriormente.C. por volta de 4200 a. O Egito pré-dinástico Ao contrário da fragmentação política das cidades-Estados baixo-mesopotâmica. Contudo.. nas regiões de Hétuan e de Merindé. e mostram o desenvolvimento de grupos sedentários plantando cereais e linho. compre endendo o período de 4500 até 4000 a. a riqueza dos recursos naturais aproveitadas em forma de caça. Há também indícios de contatos comerciais e culturais com Ásia: importação de lápis-lazuli nfluência da Baixa Mesopotâmia. conhecida como Nagada I. incluindo a de Deir Tasa. Os primeiros sinais de agricultura a parecem em sítios arqueológicos do extremo ocidental do Delta. a forja.ale..C.. ao norte do Egito. o Egito. Reforçando esta situação. seja em moldes. os cemitérios de Nagada II indicam a existência de um sociedade estratificada e não igualitária nos núcleos populosos de Hieracômpolis. na região de Deir Tasa. Na fase seguinte. Esta fase é conhecida el-Badari. Abydos. no . entre 4000-3600 a. pesca e coleta vegetal era tanta.C. mudanças sociais maiores passam a ser perceptíveis pela arqueologia.

início do 3º .

evidenciando uma população socialmente estratificada e não mais igualitária. Como provas indiretas do es tabelecimento de poderes locais. centenas de anos antes da unificação do Egito.. a região mostra uma diversidade nos graus de riqueza das tumbas já a partir da segunda meta de do quarto milênio. em que permaneceu quase inalterado o modo de vida nas aldeias.C. encontraram-se em diversas localidades indícios da existência de artesãos de alta qualificação. mas depois.C . ao sul do Vale do Nilo. ta mbém. Em me ados do quarto milênio a. construções de grande porte que exigiam um contingente numeroso de trabalhadores disponíveis e. configurando-se como unidad e em que se deram primeiro as relações urbano-rurais nascentes e o aparecimento de um poder separado d as relações de . um chefe e uma confederação tribal estabelecida em território fixo. Após um período neolítico. No Alto Egito ou vale. o nomo tinha um de us local próprio. A arqueologia tem comprovado que a irrigação foi em boa parte controlada regionalmen te com a formação de entidades territoriais regionais. tenderam a se aglomerar. Existem. já emergia como reino unificado.. atraindo a população imigrante das estepes saarianas que atravessavam uma radical desertificação. que podem ter favorecido localmente na formação grupos militares bem definidos. A presença de um sistema local de poder não foi um privilégio só de Hieracômpolis. Por out ro lado. um s istema de distribuição de ração aos trabalhadores e algum sistema de concentração tributária que permitisse armaz enar excedentes de cereais. é no período Pré-Dinástico (3300 a 3000 a. portanto. metalurgia do cobre.milênio. o sí ueológico de Hieracômpolis. contando ainda a região com um templo prestigioso e um s istema de irrigação baseado em tanques ou bacias formadas e fertilizadas naturalmente pelo rio . spat ou nomos. anos antes da unificação do país e da constituição Estado faraônico. Isto no vale. já que no delta a introdução do sistema de nomos parece ter ocorrido tardiamente. No último século.C. com o aumento das riquezas. sinais de conflito com a Núbia. presença de celeiros de grande capacidade. entre 5000 e 3300 a. Existem provas arqueológicas da existência de uma diversificação social mais intensa e da presença de sis tema locais de poder em outras partes do Nilo.) que no Egito as mudanças sociais maiores passam a ser perceptíveis pela arqueologia e que nos permitem identificar o final deste período como a fase decisiva na passagem de formas dispe rsa de poder nas aldeias para formas de poder concentrado mãos de grupos locais com numerosos dependentes. Os cemitérios passaram a perpetuar a segregação dos membros mais privilegiados em relação ao resto da população. as tumbas maiores e mais ricas apareciam dispersas nas necrópoles. tinha uma população importante que se encont rava concentrando em aglomerações fortificadas.

mas unido sob um único monarca ( o faraó). As pesquisas arqueológicas. Segundo Hoffman. desta vez partindo do sul. não é de estranhar a existência de conflitos armados entre as entidade s territoriais regionais que terminaram por gerar blocos políticos crescente. No total. podemos falar de cerca de quatro dezenas de entidades territoriais reg ionais (os spat ou nomos) como sistema locais de poder. de relações urbano-rurais nascentes e o surgimento em caráter pioneiro de núcleos político-territoriais definidos devem ter levado os conflitos a desemboca r em confederações crescentes e. duplo (Baixo Egito e Alto Egito). a idéia se baseia em achar a oposição entre as duas p artes da monarquia dual (o faraó era rei do Alto e Baixo Egito. primeiro nos nomos. A formação de um Estado centralizado no Egito nas condições descrita. Segundo os adeptos deste sistema interpretativo. O aparecimento. um novo processo de unificação teria dado origem à monarquia histórica. em favor do delta. e sua coroa era dupla) como elemento d a existência de dois Estados e padrões culturais existente no Pré-dinástico que foram unificados a força e não em uma forma de raciocínio que se baseia em pares de oposição complementar. É a partir destas interpretações que se tentou elaborarem um esquema de consenso sobre . de controle do comércio de longa distância e de deter símbolos de poder pelos quais eram definidos o próprio status dos chefes e de seus seguidores. no reino do Egito.parentesco. Outro sistema interpretativo do surgimento do Estado centralizado no Egito se apói a decisivamente na idéia de que os conflitos teriam proporcionado a unificação de dois Estados já pré-existente n o período Prédinástico. em virtude da cultura do norte ter se estendido ao Egito inteiro falariam a favor de uma unificação. os sistemas locais de clientelas e de centralização tributária. Neste contexto. mas que não pe rdurou. terminado por não haver mais sinais das mesmas no período do Egito histórico. principalmente a partir dos anos 60. as pesquisas têm demonstrado que a construção. Situação que foi fazendo desaparecer as organizações em linhagens de tribos. Posteriormente. A questão colocada é se um processo de fusão cultural necessita mesmo de um p rocesso político para que ocorra. têm comprova do o quanto era incipiente as construções de obras de irrigação no período anterior e posterior ao surgime nto do reino unificado no Egito. que mais tarde funcionariam como províncias do reino unificado. ao tentar ex plicar as razões destes conflitos. Por outro lado. Mas ainda. leva-nos de imedia to a questionar uma velha hipótese de que colocava a construção de obras de irrigação como causa direta da formação do mesmo. manutenção e controle dos sistemas de irrigação existentes eram da alçada local e regional. tais embates surgiram das tentativas de monopolizar bens armazenados. por fim.

Em breves linhas. o esquema nos explica que um certo rei Éscorpião. teria reunido todo o vale até Tura.a evolução política que resultou na unificação do Egito. mas como o seu tacape de pedra cerimonia l só o mostra .

fase de formação das instituições monárquicas apogeu do Reino Antigo .que na. forjou-se a tradição cultural da co rte.C. em direção ao norte. não desaparecendo nem mesmo nas ép . 2150-2040 a. O mesmo Narmer é identificado como o Men ou Meni de listas dináticas posteriores (Papiro de Turim. A tarefa teria sido completada pelo seu sucessor. Lista real de Abidos) ou Menes de que fala o sacerdote da época helenística. o rei Narmer. centrada na figura do rei divino. Outros viam Narmer e Aha como reis sucessivos ou. depois da unificação realizada contr a os revoltosos do delta. como: teria havido mais de uma unificação? Namer teria simplesmente dirigido uma expedição punitiva. é possível que enha eliminado o elemento de conflito . no qual se acreditava ler o nome de Esco rpião. Ciro Flamarion Cardoso propõe uma periodização. partindo do ponto de vista político-administr ativo. o importante é constatar que um processo partiu do sul.C. arqueologicamente comprovado como mo narca da I dinastia. A partir deste fato.C. Posteriormente. 2575-2150 a..dinastias VIII a VII. divididas em três etapas: 1ª) as três primeiras dinastias. Já nas dinastias iniciais. que Meni ou Menes não passavam de fig uras lendárias ou evocadoras de chefes que lutaram pela unificação do Egito. ele não teria completado a unificação. Seja qual for a resposta. com o Egito se tornando o primeiro reino unificado da história. e não a vermelha do Baixo Egito. Manethon. 4. B aixa Mesopotâmia. os arqueólo gos descobriram um vaso no cemitério protodinástico de Tura. chegou-se a supor que Narmer. A partir daí outras questões foram levantadas. um outro tacape cerimonial de pedra foi achado com uma representação de Escorpião.usando a coroa branca do Alto Egito.dinastias IV a VII. 3ª) o fim do Reino Antigo e o P rimeiro Período Intermediário . Meni e Aha eram as mesmas pes soas. com a c oroa do Baixo Egito. facilitou o desenvolvimento das cidades-Estados. ainda. anos de desagregação política segu ida da reconstrução da unidade. quase todo o terc eiro milênio a.. mostrou-se que a leitura estava incorreta e que o nome indicava mas um título do que um nome próprio. A ausência de ameaças externas durante muitos séculos eliminou outro desses elementos.. Esta exp licação é dada a partir de uma paleta votiva que mostra Narmer como vitorioso sobre os habitantes do del ta. Tendo a unificação ocorrida num momento imaturo do processo de urbanização.a luta entre comunidades vizinhas . O Reino Antigo e o primeiro período intermediário do Egito Para a história posterior ao protodinástico ou da unificação do Egito. que foi coerente e se impôs por milênios. Em 1963. Outras listas reais co mpiladas sob a V dinastia dão como primeiro monarca o rei Aha. mais densamente povoado..C. por volta de 3000 a.

eram também sacerdotes em cultos nos nomos que governavam. rebanhos e trabalhadores próprios.C. eram o do tja ty ou vizir.C. Tanto para o comércio exterior como para a busca de minérios.. surge os templos como complexos administrativos e ec onômicos dotados de terras.eram ocupados por membros da família real: o vizir. o festival de sed em que os poder es reais eram magicamente renovados. chefe maior da administração central. Estes cargos e outros .monarcas ou governador provincial . Muitos monarcas. inclusive os governos provinciais. A administração era centrada no palácio real. Contudo. Os ofícios principais do Estado. surgindo então um serviço público propriamente dito. foi dado início ao co stume de grandes construções de pedra: a construção de um complexo funerário do rei que cobria uma superfíci de seiscentos por trezentos metros e com uma pirâmide escalonada de 63 metros de altu ra. Havia um duplo tesouro o da Casa Branca do Sul e da Casa Vermelha do Nort e . membros d a corte. durante o reinado de Djéser (2630-2611 a. Na V dinastia ocorreu uma sistematização hierárquica da titularia dos funcionários e cortesãos e com a família real s ndo afastada dos cargos mais importantes. ao Sinai e aos desertos que cerc am o Egito. já durante o Reino Antigo (2575-2150 a.para armazenar tributos in natura.ocas de fragmentação política. obtendo condições de arcar com o seu susten to que até então era proporcionado pelo palácio real. Na III dinastia. permaneceram sob o poder do faraó e no interior do aparelho de Estado. O rei designava parentes seus para as gr andes funções. nota-se uma c onsolidação das instituições do governo. assessorados pelos superintendentes do teso uro. pedras semipreciosas e pedra s duras para construções se organizavam expedições ordenadas pelo rei e implicavam em lutas com povos tribais.). Um censo era realizado a cada dois anos com o objetivo de fixar tributos e corvéas. A partir da IV dinastia. e certos aspectos bizarros do ritual de entronização e da rel igião funerária destinada à glorificação do rei morto. religiosos e milit ares. Não havia barreiras entre os cargos administrativos. Os cargos mais importantes eram o da administração dos templos funerários dos reis mortos e das pessoas cujo cult . abaixo do rei. com os f uncionários constituindo importantes famílias nas qual o poder passava de geração a geração.). artesãos especializados e para uso nas trocas com o exterior. Os reis dessa fase inicial enviaram expedições à Núbia. Ainda durante a V dinastia. servindo para o pagamento de funcionários. por exemplo. reais. era ocupado por um dos filhos do faraó. Alguns costumes do período Prédinástico sobrevivem: a supervisão pelo monarca da cobrança de tributos. e de superintendente dos trabalhos.

o funerário recebia o privilégio da participação do rei. foram isentos de certos impostos e corvéias. O caráter absoluto ficou s imbolizado pela . com os domínio rurais deles dependentes. Alguns templos funerários e santuários.

a partir da V dinastia. que receberam isenções fiscais e doações que enfraqueceram o patrimônio estatal (supondo que o templo fo sse algo diferente do Estado. Com toda certeza houve um colapso do poder faraônico. ao p . também expedições comerciais marítimas no Mediterrâneo e. deu-se uma duplicação do cargo de vizir.100 líbios.000 núbios e de outra 1. filho do deus solar Ra. O rei. ou palácio. Os fatores relacionados acima são mais conseqüências de um colapso do poder central do que as suas causas. o rei-deus. realizou campanhas militares. primeiro rei da IV dinast ia. Além de incursões co ntra nômades dos desertos do Sinais com o objetivo de garantir o acesso às minas e pedreiras e as r otas terrestre. participando o faraó de s ua renda). trazendo de uma vez 7.construção de grandes pirâmides (Queóps. com os monarcas agindo como pequeno s reis em seus nomos. chefiava os s eis tribunais da justiça central. Naguib Kanawait propõe uma outra explicação para o colapso do Reino Antigo. Ao fim da VIII dinastia. as finanças.. era o mais absoluto dos monarcas. podendo um funcionário receber mais de um nomo para governar. O mais importante. fraqueza pessoal dos reis. Já no final da V di nastia. O escalão mais baixo da administração era ocupado por uma multidão de escribas e o da admi nistração local estava entregue aos conselhos de anciãos das localidades. p ra o Alto Egito. ocorreu um crescimento da administração provincial como forma de contrabalançar o poder dos buroc ratas da capital e. no quais havia um gr ande número de funcionários por ele dominados. encarnação do d us Hórus e. quando na realidade era parte dele. através do mar Vermelho. encarnação da ordem cósmica tanto quanto terrest re.. o Egito se dividiu. avanço do poder e da hereditariedade de funções de monarcas. sob controle estatal Os rumos da política externa ficaram condicionados ao surgimento de um Estado cada vez mais complexo que necessitava de um maior número de mão-de-obra.). os nômades asiáticos ocupando em parte o delta e a possibilidade de que tenha ocorrido uma grande rebelião social. os celeiros reais e a burocracia em ger al. Ocorreram. a administração central. Para explicar este c olapso. chamado de faraó (per-aa: a grande casa. A VI dinastia empreendeu tentativas consistentes de controle egípcio sobre o norte da Núbia. Snefru.. Quéfrem e Miquerinos) durante a V dinastia. diversos pesquisadores arrolam os seguintes fatores: excesso de independência dos sacerdote s. o tjaty ou vizir. No Reino antigo havia 22 nomos no Alto Egito e 25 no Baixo Egito. O governo provincial era baseado nos spat ou nomos. da VerdadeJustiça) e enfeixava a suprema autoridade em todos os domínios. e as já m encionadas no parágrafo acima. O rei-deus representava na terra o reinado de Maat (filha de Ra. com o e Punt. pela primeira vez. com a criação de um vizir.

levando a uma queda da qualidade da administração. se gundo os relatos contidos nas cartas de um sacerdote funerário e proprietário rural da região. A situação de incidência de fome parece ter perdurado até o final da XI dinastia no Alto Egito. fazendo com que os rendiment os per capita de cada funcionário graduado. até que o Estado viesse a ruir. Contudo. a partir da análise das reformas do Estado. a um re ime de desequilíbrio e. O Primeiro Período Intermediário (2134-2040 a. aumentando gradualmente o número de funcionários. Por ou tro lado. A multip licação dos burocratas não foi acompanhada de um aumento da produção. portanto. nos quais buscavam segurança e.detectar que ao longo da V e VI dinastia. ocupada por nômades asiáticos. tanto no governo central como no provincial. do crescimento dos índice s de mortalidade e até de atos de canibalismo como ação desesperada na luta contra a fome. com o colapso do poder central e o aumento do poder pessoal dos gov ernos provinciais. à insatisfação dos responsáveis. provocando uma incidência crescente da fome sob a população. declina ssem drasticamente. o poder central manteve o completo controle do regime vigente. Os embate s entre os monarcas vizinhos afugentaram boa parte dos habitantes das comunidades rurais pa ra os pântanos.) é marcado por grandes dificuldades e conômicas. houve um ref orço progressivo do aparelho de Estado. Até o final do Reino Ant igo. alimentos. através da caça. configurando a possibilidade de que tenha ocorrido uma grande rebelião soci al à época.C. os monarcas dos nomos passaram a disputar o controle dos recursos naturais disponívei s e o controle dos sistemas de irrigação ainda não afetados pela insuficiência do nível das cheias. . Hekanakte.C. pesca e coleta vegetal. A crise e o colapso do poder central eram evidenciados com os monarcas agindo como pequenos reis em seus nomos e a perda do controle de parte do delta. fazendo diminuir ainda mais a capacidade de produção agrícola. no fi nal do terceiro milênio a. São s guras as informações desta época que fala de um aumento contínuo da fome. a uma incapacidade de fazer frente aos problemas intern os e externos que se multiplicaram e agiram em conjunto depois da VI dinastia. refletindo diretamente numa queda na arrecadação os tributos e nos recursos disponíveis para a manutenção do aparelho burocrático do Estado. Fatores como a diminuição drástica do nível das cheias concorreu para uma queda vertigin osa na produção de alimentos e da área cultivada. não havendo aumento do poder pessoa l e da independência dos altos funcionários e monarcas.. Ao mesmo tempo. lutas sociais nas cidades acompanhadas de violentas repressões pelos monarcas parecem ter sido u ma constante no período. O aban dono de boa parte dos campos agrícolas resultou também num abandono dos trabalhos de manutenção e limpeza dos sistemas de irrigação. a diminuição drástica do nível médio das cheias anuais do Nilo causou a multi licação dos anos de fome e a diminuição da população.

5. O Reino Médio e o domínio hicso .

na qual é descrito o envio de uma expedição de dez mil homens que foram enviados a região para cortar pedras para o sarcófago do rei. . os reis do reino setentrional de Heracleópolis (IX e X dinastias) realiz aram a importante tarefa de ajudar os monarcas do delta . Anos depois. Tebas passou a ser a nova capital do Egito e o deus dinástico pass ou a ser Mantu. chegando a manter um domínio sobre a Núbia que resultou na cobrança de tributos e no r estabelecimento da mineração de ouro. na região de Deir el-Bahari. como retomou a política externa típica do Reino Antigo: proteção às minas. inaugurando assim o Reino Médio. foi restabelecida a navegação no mar Vermelho em direção ao país de Punt. no qual foram explorad as as pedreiras. A exploração das pedreiras deve ter continuado por um longo tempo como atesta uma insc rição à época de Mentuhotep IV (1998-1991 a. O poder central ficou também responsável pelos trabalhos de recuperação das obras de irr igação. Estes últimos supervisionavam a coleta dos tributos em espécies e o envio de trabalhadores para a corvéia real. de um imponente e original complexo funerário. a oeste de Tebas. conservando a sua admi nistração. Amenemhat. passando antes pelo deserto Wadi Hammamat. foram vencidos pelos reis de Tebas (X I dinastia). a hereditariedade dos governadores provinciais foi mantida. os líbios do deserto ocidental e as tribos do deserto do Sinai. que se apresentava como supervisor de tudo em todo país. como o vizir. divindade da região tebana. justiça. Mentuhotep II (2061-2010 a.na expulsão dos asiáticos que se haviam infiltrado na região. fisco (tinham o direito de cobrar tributos e recrutar corvéia para o faraó e para eles mes mos) e milíciais nos nomos (colocadas a disposição do faraó nas expedições militares). Restabeleceu ainda o contato por mar com a Fenícia.C. Os territórios dos nomos eram divididos em duas zonas de tributação: a do faraó e a dos monarcas. Esta importância adquirida pela primeira vez pela cidade foi acompanhada pela construção. em 2002 a. os líderes de expedições enviadas ao Sinai e a Núbia. pedreiras e rotas comerciais através de expedições militares contra o norte da Núbia.). o líder da mesma e ra o vizir.) não só reunificou o Egito. Com a reunificação. Tal fato foi contrabalanç do pela nomeação sistemática de notáveis tebanos para todos os cargos do governo central de maio r importância. Embora tenham sido reprimidas as tendências separatistas e subjugados os monarcas dos nomos. Primeiro..O processo de reunificação do Egito se dá a partir da restruturação do poder político em do s reinos. Sob o governo de Mentuhotep III. que terminaram por impor uma unificação do país.na época independente em boa medida . Posteriormente.C.C.. o mesmo vizir. os supervisores nome ados para os nomos.

que tiveram alguns dos seus títulos e privilégios que haviam perdidos com a reunificação res taurados em troca do apoio. durante o governo de Senuosret (1878-1841 a. Por fim. na e ntrada da região de Fayum ou perto de Mênfis. tendo sido atribuído a Amene mhat III (1844-1797 a. Entretanto. a penetração na Núbia foi maior do que sob o Reino Antigo. contudo. É importante notar que estas são as primeiras grandes obras faraônicas no setor da agricultura .). no ponto de encontro do Alto e do Baixo Egito. Itj-tauí. a partir da XII dinastia.C. Além disso. líbios e asiáticos. a importância e a própria função dos monarcas foi suprimida. a sucessão dinástica passou a associar ao trono o príncipe her deiro como co-regente. fundando a XII dinastia (1991-1783 a. A usurpação do trono por Amenemhat I só foi possível devido ao apoio dos monarcas dos n omos. sendo os governos provinciais confiados a t rês departamentos administrativos (uáret). Numerosas construções de templos e obras diversas ficaram associadas aos nomes dos r eis do Reino Médio. Quanto à política externa da XII dinastia. o rei se encarregou de fixar os limites contestados do s nomos e da distribuição da água irrigada entre os mesmos.C. figura compósita que parece ser uma síntese dos grandes faraós da XII dinastia . foram acrescentados os feitos de Ramsés II. Exemplo disto é um grande edifício construído no Fayum. ela seguiu linhas muito similares às do pas sado. os monarcas deviam recrutar os trabalh adores para a corvéia real e para as tropas nos casos de guerra. com a construção de oito fortes d e tijolos para .). Com a nova dinastia o deus dinástico passou a ser Amom de Tebas e a residência real foi transferida para uma nova cidade.a que. Os reis desta dinastia suscitaram uma literatura de propaganda na qual apresentavam Amenemhat I como o rei que pós fim a ocupação do delta pelos asiáticos e unificou o país. O conjunto funerário dos reis da XII dinastia foi reunido nos arredores da nova capital. Este fato evidência a inexistência de um exército profissional. estando todos subordinado s ao vizir. contingentes permanentes com funções policiais. Ao mesmo faraó é creditado o auge dos grandes trabalhos de drenagem realizado s pela dinastia no Fayum com o objetivo de obter novas terras cultiváveis.usurpou o poder como Amenemhat I (1991-1962). fazendo caso omisso da XI dinastia. inte grados por núbios. um para o Médio e out ro para o Alto Egito -. havendo.) . que provavelmente era um palácio. sediados em Itj-tauí . no fu turo. C. um centro administrativo e um templo funerário combinados. Ao mesmo tempo.um para o Baixo. Posteriormente. Esta tradição foi a responsável pela criação do mito do rei Sesósto .mais de mil anos depois da prim eira monarquia unificada no Egito. ao sul de Mênfis. paralelos aos outros departamentos do governo central.

garantir a ocupação e fronteira meridional do Egito e abelecido um comércio permitiu a importação is. bem como o controle da navegação do Nilo entr a segunda catarata do rio. Com a Palestina e a Síria foi est que de cativos e trocas de presentes com os numerosos príncipes loca . a tributação na região.

C. Já durante a XV dinastia de Manethon. em princípio.). a partir da segunda metade do século XVII a. tributária dos governantes hicsos. liderou o Egito no processo de ex pulsão dos estrangeiros.C. O deus dinástico era Seth. inicialmente. se apossaram de uma parte do Egito e submeteram o rest ante do país ao pagamento de tributos. Por outro lado. completado sob o primeiro rei da dinastia seguinte A expulsão definitiva dos hicsos (1564 a.Quanto a Biblos. Até quase o fim da XIII dinastia (1783-1633 a.) foi o resultado de um movimento de li bertação que teve início no sul do Egito. nos limit es orientais do delta foi erguido um conjunto de fortins para vigiar e barrar as tribos nômades do Sinai e da Palestina. região na qual o domínio dos hicsos era menos sólido. do torno par a fabricar cerâmica com mais eficiência e rapidez. O movimento. Por fim. Depois de 1720 a.C. posteriormen te..). sob o seu domínio o Egito se abriu a um contato mais íntimo e constante com a Ásia Oci dental. sob o comando das mesmas.) o controle monárquico sobre o terr itório egípcio foi mantido. Sua esta tuária. a estas dinastias. escaravelhos e construções de templos seguiam a risca o modelo egípcio. e é possível que a sua vinda para o Egito esteja relaciona da às conseqüências das migrações amorritas. mas também cultuaram o deus solar Ra. (de hekau-khasut: governates de terras estr angeiras. do tear vertical mais eficaz.. aos asiáticos que. mas que se estendeu. Os hicsos ou asiáticos eram majoritariamente semitas. à qual se equiparou no plano tecnológico: adoção de carro de guerra puxados por cavalos.C. adquiriu logo no início um caráter de libertação em virtude ao apoio recebido . Sua capital foi à cidade fortificada de Hutuaret (Avaris). ocorreu uma longa e len ta fase de infiltração de asiáticos no delta. Entre 1650 e 1640 a. e seu governos pode ter-se estendido também a uma parte da Palestina. é possível que tenha havido uma influência política mais direta. Os reis hicsos formaram as XV e XVI dinastias e seus reinados caracterizaram o S egundo Período Intermediário (1640-1550 a.C.) foi termo que se aplicou. Não restam dúvidas de que os soberanos hicsos adotaram a titularia faraônica. passou a ter o controle de todo o Eg ito setentrional. so b a direção dos reis de Tebas.a XVII dinastia ( 1640-1550 a. Hiscsos. os asiáticos ou hicsos começaram a invadir a região do delta e. já que a s dinastias locais se denominavam (em língua egípcia) monarcas ou servidores do faraó.C. nos limites do delta oriental. Estes fatos indicam que os hicsos se egipcianiza ram. do arco composto.C.. uma nova dinastia formou-se em Tebas . de uma tecnologia de bronze mais aperfeiçoada.C.. provavelmente uma família de monarcas que se tornaram independentes no delta ocidental entre 1786 e 1603 a.

As armas eram fornecidas pelos armazén s reais. Logo após a expulsão e em expedições de perseguição aos hicsos na Ásia. fundador da XVIII dinastia e primeiro rei do Reino Novo (1570-1085 a. quem vai protagonizar o fato capital da expulsão dos hicsos do Egito. passam a receber soldo do faraó e os oficiais. com guarnições egípcias guardando l ugares estratégicos. manti nham o pagamento . 1504-1450 a. recrutados entre a população urbana e rural. Em contrapartida. os reis de Tebas passam a utilizar o movimento tanto para submeter os chefes rebeldes do sul como para marchar em direção ao norte e expulsar os hicsos. continuam as expedições à Palestina e as expandem para Síria e Estados fenícios. imperialismo. chegando a levar suas tropas até o rio Eufrates. além de proporcionar a cobrança de tributos. além do soldo. Mas. Amósis conseguiu estabel o domínio egípcio na localidade de Sharuem. concessões de terra para usufruto e participação na distribuição dos despojos das campanhas exército. restabeleceu o antigo domínio do Egito sobre as possessões faraônicas na Núbia. reprimindo sublevações.pela população.C. Os soldados. após unificação. o apoio dos monarcas dos nomos do sul foi quase inexistente no início do movimento. e. Mas vai ser no bojo desta empreita da que Amósis começara a dar os primeiros contornos daquilo que será o Reino Novo. que sofreu um profundo processo de egipcianização. C. em seguida. O sistema de domínio era bastante frágil. na Palestina. Seus sucessores. o mundo asiático reteve s eu particularismo cultural e político.). ou segundo outros a utores. visaram à conquista de territórios estratégicos e à na. criado o império egípcio na Ásia. reformas religiosas e auge do Egito Antigo É Amósis. foi com Thutmés II I. 6. A partir de 1567 a. As campanhas exército. Por outro lado. No exército havia ainda um grupo privilegiado: os condutores de carros.. que vieram a compor o grosso das milícias nos combates aos hicsos. retirando dos antigos governantes seus direitos hereditários de mandatários locais e nomeando para os governos provinciais familiares.. ao longo de dezessete campanhas militares. aproveitando as milícias populare s formadas para as expedições contra os hicsos. C. Situação oposta era a da Núbia. Utilizando-se do movim ento popular. que foi consolidado. principalmente os que permitiam controlar as rotas comerciais para g arantir o abastecimento de produtos de luxo e de matérias-primas. O Reino Novo: militarismo. o rei investiu sobre os monarcas separatistas do sul e reduzindo os nomos a simples pr ovíncias do Estado. Só com repetidas campanhas militares. Na prática o que o Egito manteve sobre os pequenos reis da Síria e da P alestina foi um protetorado. principalmente Thutmés I . com o objetivo de obter o pagamento de tributos. Amósis organiza o primeiro exército profissional e permanen te da história do Egito e o distribui por todo país.

. o E gito teve que enfrentar os reis Hititas e da Mesopotâmia.de tributos e a obediência pelo menos relativa à hegemonia faraônica. O império teve que recuar até as fronteira s estabelecidas por Thutmés III: o rio Orontes ao norte. Mesmo assim. o Eufrates a nordeste e o deserto sírio a leste .

Era talvez na repartição dos despojos das campanhas militares que residia o elemento que descortinava o conflito entre a oficialidade e outros segmentos da classe dirigente no Egito. identificado com o sol como Amom-Ra. mas a maior parte era repartida conforme o critério por el e adotado. podia recorrer a leg itimação por ficção religiosa ao oráculo de Amom. O s oficiais médios e subalternos recebiam terras pela prestação de serviços. Hapuseneb. A ascensão dos sacerdotes de Amon está relacionada ao caráter divino dos reis serem transmitido pelas mulheres. que agora domina o panteão oficial e a hierarquia sacerdotal de todo Egito. e ocasionalmente com suas próprias fil has. escravos) era destinada em primeiro lugar para os templos. em particular a importância crescente do militarismo e dos mil itares na história do país. em relação aos sacerdotes de Amom. Quando o novo rei era filho de uma esposa secundária. principalmente. d aí os freqüentes casamentos de faraós com suas irmãs e meia-irmãs. era preciso que o herdeiro fosse filho não só do rei. A ascensão progressiva. agindo ainda na política interna. a afirmação de que o deus teria pessoalmente ger ado o soberano em sua mãe terrestre (teogamia). pois seu apoio e ra comprado com doações e favores. reforçando e aumentando também a sua influência na política interna. Este artifício foi muitas vezes utilizado durante o Reino Novo. cujo deus . Tais expedientes fizeram do alto clero de Amom o árbitro da legitimidad e faraônica em casos extremos. sobre o quais muitos asp ectos da política interna decorreram. gado. em Tebas. para o de Amom. em especial. a outra grande parte ia para o tesouro e armazéns reais. A política externa agressiva t inha como propósito bem claro o de garantir um fluxo de riquezas. Ao falharem os expedientes normais. N este caso. O faraó destinava uma parte dos despojos ao exército. formada de oficiais médios e superiores. prisioneiros e tributos. O caso mais conhecido é o da rainha Hatshepsut para legitimar sua usurpação. É j ustamente a partir da repartição destes despojos que foi possível se formarem uma nobreza da corte baseada e m militares de origem recente. ou então. do sacerdócio. Elemento por si só de promoção de atritos e desconfianças entre a oficialidade e os sace rdotes. mas também de uma princesa de sangue real. apoiada pelo sumo-sac erdote de Amom. Em geral. apogeu e progressiva perda de um império egípcio. não só politicamente como também no plano da propriedade. ou de fato um estranho à linhagem real. Os oficiais superiores oc upavam tanto postos militares como postos na administração e no palácio.Amon. e assim o poder e a riqueza dos sacerdotes aumentava. uma grande parte dos despojos (troféus. devia casar-se com uma princesa de sangue. . e em especial do clero de Tebas.Estes fatos históricos ressaltam uma das principais características do Reino Novo: a s peripécias de constituição. constitui uma outra constante do Reino Novo. igualmente política e econômica.

aliás. carente de bases sociais sólidas.começou a ser favorecida na corte. . ou horizonte do disco solar. eminência par da dos dois reinados precedentes. escolhido sucessor de Horemheb. para Akhenaton. mas não um herdeiro. uma nova modalidade de culto solar . As necessidades da po lítica e do comércio asiático levaram que se fixasse a residência real no delta (Pi-Ramsés). inicia-se o processo de decadência do poderio egípcio. em primeiro lugar. retomando a Palestina e porção da Síria. que recordava Amon.C.. d e exaltação e deificação do rei: o faraó foi inclusive representado adorando a si mesmo. para a qual se mudou com toda a sua corte.Com o reinado de Amenófis. seus bens confiscados. A nova religião tinha intenções políticas claras. tendo já consagrado a Aton um grande templo em Tebas. a reforma religiosa. Tebas se manteve. chegou ao trono o general Horemheb.cuja s raízes podem ser procuradas tanto na velha teologia de Heliópolis quanto em influência asiática . pois o rei tentava impor um quase monoteísmo. o rei casou-se também com algumas de suas próprias filhas tentando em vão garantir a sucessão. porém. Desde o reinado de Thutmés IV. O culto a ton foi proscrito totalmente. depois mudou seu nome para Tutankhamon e v oltou para Tebas. Ay. como capital religiosa e administrativa. Ramsés I. restaurou Amom em sua totalidade de seu poder e riquezas anteriores. reduzida a zero pelo descaso de Akhenaton quando da sua reforma religiosa. Chegou ao trono já idoso. também. que logo reinou só. Nerfertiti. sem que cessassem por isto. Seu reinado foi breve. que realizou uma reforma administrativa e ampliou o templo de Amon. Sua esposa principal. Sethi I associou. O culto de Amon f oi proscrito. Tutankhaton. em homenagem ao novo culto. pela recuperação da preeminência egípcia na Síria-Palestina. Por fim. tem início a XIX dinastia (1307-1196 a. Esta tentativa ainda tímida de reforma religiosa com conotações políticas se transformou em crise radical sob Amenófis IV. O au mento constante da riqueza e da ingerência política dos sacerdotes de Amom terminou sendo visto como uma ameaça pelos monarcas. associan do ao poder como co-regente o seu filho Sethi I. deu-lhe diversas filhas. de onde aliás er a originária a nova família reinante. Este mudou o seu n ome. também o resto da religião tradicional sofreu perseguição.). Seja como f or. decidiu depois fundar uma nova capital no Médio Egito. foi efêmera. Os reis desta dinastia vão se destacar. como também o do seguinte. Após a morte de Horemheb. os favores dos reis a Amom-Ra e seus sacerdotes. O sucessor de Akhenaton. ao trono seu filho. Durante o seu reinado se dedic ou a recuperar parcialmente o império egípcio na Ásia. mais moderadamente. encerrando de vez o episódio da reforma religiosa . Tratava-se do culto ao próprio disco visível do Sol: Aton. era como este um soldado. Akhetaton.

Lo go no início do seu reinado.cujo longo reinado é um dos mais celebres da História egípcia: trata-se de Ramsés II. Ramsés II teve que enfrentar os hititas na batalha de Kadesh para manter os sucessos militares de .

durante a qual o Egito perdeu o controle da Palestina e mais tarde da Núbia.. da XX dinastia (19961070 a. fundador da X XI dinastia. os potentados locais conservaram muito poder e muitas vezes se relacionavam diretam ente com povos estrangeiros. chamados de povos do mar. Os três primeiros reis da XIX dinastia foram grandes construtores. como os assírios. além de usurpar monume ntos de reis anteriores. de Hati. Ao final da XX dinastia. no Delta. contra o delta. e. estabelecida na cidade de Saís. no qual estabeleciam mutuamente as fr onteiras dos seus impérios e a ajuda mútua em caso de ataque ou sublevação. A aliança entre os reis Ramsés II e Hatusil III. entre outros mo numentos. foi selada pelo casamento do primeiro com a filha do segundo. com colunas d e 13 e de 22 metros de altura. Os sacerdotes de Amon concentravam en ormes extensões de terras e se tornaram independentes em Tebas. em uma estela encontrada em Tânis. Assim. o Egito e o Hati fizer am. em T ebas.. iniciando o c hamado renascimento saíta . com a rápi da ascensão do reino assírio. Estes chegaram a dominar o Egito entre 663 e 657 a . cuja capital foi Tânia. O desfecho da batalha parece ter sido indeciso.seu pai na Ásia. levantaram a impressionante sala hipostila de templo de Amon em Karnak (Tebas). Efetuou ainda uma reforma social e administrativa m al conhecida. Ramsés II cobriu de templos e estátuas a Núbia e o Egito. hititas e egípcios se viram ameaçados. O país conheceu más colheitas e anos de fome e miséria.). foi marcado pela fragmentação do poder político. C. são especialmente famosos os seus templos rupestres (escavados em roch a) da localidade hoje chamada Abu Simbel (Núbia). Hridor. As tumbas reais foram pilhadas. Afora este rei o período pós-Ramsés III é caracterizado como francamente decadente. Os mercenários estrangeiros . Este rei construiu o templo de Medinet Habu (Tebas). Como reinado de peso posterior ao de Ramsés II.. C. Contudo. em 1278. A reunificação só veio em 712 a. Este período. Ramsés II a inda combateu na Núbia e teve de enfrentar o ataque dos piratas. Era o fim inglório do Reino Novo. nas mãos do sumosacerdote de Amon. babilônico e persa. colocav . Foi durante o seu reinado que cada vez mais estrangeiros começaram a int egrar as tropas do exército como mercenários. através de seus monarcas o primeiro tratado internacional.também chegaram a ter muita riqueza e poder. sendo expulsos por uma dinastia do Delta ocidental. feita por um rei núbio que uniu o Egito e a Núbia num governo só.líbios em particular . no delta. C. de 1070 a 712 a. a ascensão de novos impérios no Oriente Médio. controlados em alguns casos por povos de origem estrangeira (líbios e núbios) . Contudo. com vários centros de poder. podemos citar o de Ramsés III.C. enfrentou três at aques dos chamados povos do mar. pertencia a Nesubanebdjed. o poder real passou a estar. C ontudo.

trata-se de uma sistematização de questões. (*) O presente texto é uma resenha realizada a partir de alguns textos pertinentes (vide bibliografia abaixo) à história do Egito Antigo. em uma das satrapias do Império Persa. E KOVALEV. 1994. Cambises. I) . de teses . Lisboa: Editorial Estampa. Bibliografia CONSULTADA CARDOSO.C. A sociedade primitiva. transformado. ed. até que. V. (**) Texto organizado pelo Prof. (Coleção História Universal. Brasília: Editora da UNB. C. de trechos de ensaios. 1976. Antigüidade Oriental: política e religião. da Pérsia. Lisboa: Publicações Dom Quixote. filho de Ciro II. A Alta Antigüidade: das origens a 550 a. I) Lafforgue. Ciro Flamarion. (Coleção Discutindo a História) DIAKOV. Sete Olhares sobre a Antigüidade. Portanto.. con quistou o Egito. v. S.. Luís Manuel Domingues. Ciro Flamarion. CARDOSO. São Paulo: Editora A tual. Gilbert. 1979. 3. História da Antigüidade. 1990. em 525 a. posteriormente. (v.a autonomia do Egito em risco. in iciando um longo domínio estrangeiro que só seria findado pela Revolução dos Coronéis. organizados em forma de texto para uso nas aulas de História Antiguidade. por Dário I. e de informações das obras consultadas. em 1952. O Oriente.

Astarte (deusa da Fecundidade). chama do de Adónis (Meu Senhor). Cada cidade-Estado possuía uma parte da rica planície lit oral e da floresta do Líbano. onde se cultivam oliveiras e videiras. quando confrontada com as contidas nos textos de Ugarit (século XIV a. no trabalho com o marfim de grande. gregos). em Ugarit. As funções dos deuses. Os cultos consagrados aos d euses generosos que proviam a fertilidade. A denominação fenícios só se aplica aos habitantes des ta cidadesEstados a partir do final do segundo milênio a. existem indícios de uma evolução de dimensões domésticas para uma produção em um scala maior através da constituição de oficinas artesanais e espalhadas por aldeias especifi camente artesanais.C.. evidencia va uma religião caracterizada pelo culto as divindades com a função de assegurar a vegetação e a fecundi dade. a chuva e as boas colheitas eram praticados tanto pel o Estado como pelos integrantes das comunidades aldeãs. sobretudo. indo de Tiro até Ugarit. Hebreus e Hititas) Por Luís Manuel Domingues As cidades-Estados da Fenícia As cidades-Estados fenícias ocupavam uma estreita faixa da costa central da Síria. l imitada a leste pelas montanhas. Sídon. para produção de azeite e vinho. Os fenícios atuaram.. e distribuidor das chuvas. na produção têxtil e no uso ampliado da técnica de tinturaria. e. em Sídon. é possível c onhecer alguns aspectos da civilização fenícia. também..O Levante e a Ásia Menor no II e I milênio (Fenícios. na tinturaria de tinta purpura (cor obtida a partir do uso de molusco: o murex). assírios. ao lado da importante intermediação de produtos artesanais.C. em Bíblios. A partir do testemunho de povos contemporâneos (hebreus. principalmente. o filho do mar. especialistas na construção naval. também. principalmente. Biblos. Eshmun.). Cada cidade elegeu no panteão cananeu uma divindade protetora: em Tiro é Melqart (rei da cidade). na const rução dos primeiros monumentos israelitas. na ourivesaria. utilizados para decorar móveis e salas. Estes produtos eram basicamente comercializados com os países e povos estrangeiros.C. era Anet e Al eyin. e e ra extraído madeiras. não podendo ser estendida aos hab itantes da região do segundo milênio. o cedro. mostram que a religião não mudou desde então. com suas balaustradas de colunatas e os capitéis proto-eólicos . As informações oriundas das escavações das necrópoles da primeira metade do primeiro milêni a. . Quanto a produção artesanal. aceitação no Oriente. representando a morte e ressurreição anuais da natureza. além de proteger as cidades. Mas os feníc ios foram. deus da vegetação. situadas em Tiro. na produção têxtil.

. os recursos disponíveis não podiam comportar complexos palaciais nos termos encontrados no Egito e na Baixa Mesopotâmia. de aldeias e da tributação sobre elas.e por conseguinte a usura . eram em termos absolutos complexos palaciais muito menores aos destas civilizações. Havia também a presença de trabalhadores escravos. uma cidade em Kition. provavelmente.C. por intermédio de Chipre. dignitários e de mem bros da realeza. além da população composta pelos camponeses e pescadores das comunidades. sacerdotes. não se sabe ao certo a data. comerciantes. Por fim. Contudo. Os complexos palaciais fenícios tribut avam a produção agropastoril das comunidades aldeãs e requisitavam anualmente de treze dias a dois meses de trabalhos braçais em obras dos seus integrantes. os fenícios começam a realizar expedições marítimas comerciais a ilha de Chipre. Já na segunda metade do segundo milênio a. que os fenícios encetam as suas . os fe nícios tinham relações comerciais bem-estabelecias com os reis egípcios. ante uma agropecuária com produtividade limitada por razões ecológ icas.O perfil político das cidades-Estados fenícias era caracterizado por monarquias teoc ráticas. Os fenícios desempenharam um importante papel no desenvolvimento da economia merca ntil e na difusão cultural na bacia do Mediterrâneo. lavradores dependentes sem propriedades. é possível d stinguir os fenícios dos demais habitantes da ilha. além de terem os mesmos de equipar arqueiros para os exércitos. depósitos de bens. os seus integrantes eram recrutados p ara a equipagem da frota da cidade. fundando. escravos e artigos de luxo. juntamente com indivíduos submetidos a algum tipo de servidão por dívida. ouro) e lhes forneciam cedro. aos quais compravam matériasprimas (papiro. que eram emprega dos em menor escala em serviços domésticos e em maior escala nos serviços do palácio real. A sociedade era composta de artesãos. praticando um comércio privado e atuando como agentes mercantis do palácio. Nos últimos sécu los deste milênio. Dentro do palácio ou em suas imediações encontravam-se oficinas artesanais. Mas entre os segmentos sociais das c idades-Estados fenícias. O crédito . no século VII. sementes. organizando e presidindo os cultos. é possível identificar a presença de patrimônios agrários familiares ou individuais import antes e a apropriação privada. na qual o soberano atribuía a si uma natureza divina e atuava como sumo-sacerdote da divinda de protetora da cidade. os mercadores constituíam uma classe numerosa e de peso político bastante si gnificativo. Só com o aparecimento da escrita fenícia.eram exercidos por estes mercadores e pelos organismos pal aciais. por membros das cortes reais e mercadores. e se dispersando entre os habitan tes locais e os refugiados micénicos. Mas é. No litoral. arquivos e repartições governamentais. nas comunidades de pescadores.

trocas com os gregos. levando para a Grécia.. são os gregos que vão a Fenícia buscar os bronzes e os marfins. A partir do século VIII a. entre 1100 e 800 a.C. artigos de lux o orientais.C.. trazen do consigo o .

. pois se recusavam a deixar de manter r elações estreitas com o Egito. tam bém. É. Após a p assagem dos chamados povos do mar. .. inspira a elaboração de nov as escritas na maior parte da Ásia. Na continuidade das suas expedições.alfabeto fenício que contribuíram para o enriquecimento da civilização helênica. São estas empresas que vão dá ao porto de Tiro uma importância que atrairá no fu turo conquistadores. pode estar relacionada. entre outras. entre os séculos IX e VIII.C. o alfabeto fenício que serve de modelo às escritas criadas a partir do século VIII a. o domínio assírio é substituído pelo dos soberanos babilônicos A contribuição dos fenícios para as civilizações da Antigüidade está no fato de ter proporc ado a vulgarização das artes do Oriente Próximo e da escrita. atravé estabelecimento de feitorias e colônias no Mediterrâneo. Em seguida vêm as campanhas anuais dos assírios.: a aramaica. Entre as colônias fundadas. chegan do ao Estreito de Gibraltar. Na fase seguinte. os fenícios estendem suas expedições comer ciais na via do Ocidente. Est a logo substituirá Tiro. Posteriormente. se vê cercada e saqueada por conquistadores.C. A cidade-Estado de Tiro é a principal organizadora do gênero de empresas caracteriza do pela instalação de feitorias como entrepostos comerciais e as colônias voltadas a ocupação e a colonização de áreas com potencial agrícola e próxima a centros e localidades fornecedoras de matérias-primas e artigos os mais diversos. Esta dispersão e migração fenícia. a partir do século IX a.C.. que através da Antigüidade e da Idade Média. além dos imperativos comuns ao desenvolvimento comercial. a pressão crescente dos assírios so bre as suas cidades (depois de 746 a. A riqueza das cidades-Estados fenícias não parou de atrair os conquistadores. um navegador da colônia fenícia de Cartago. Útica. e das investidas dos assírios no século XII a. que a partir do século VII a.C. não c essando contudo de se revoltar nos séculos VIII e VII a.C. Cartago. as grandes cidades (Tiro e Sídon) são rapidamente submetidas (preferem pagar tributos a ter que agüentar um cerco que suspenderia as suas relações comerciais). No fim do século VII. É através de Biblos que os gregos conhecem o papiro do Egito. contornou as costas ocidentais da África até o atual Camarões. que será imitada no Ocidente e dará origem assim à nossa e scrita latina. a cidades fe nícias se beneficiaram de uma trégua de dois séculos e meio. a Numídia e Ibéria (Espanha). também. a de Cartago será a mais importante. de nome Ha nnon.C. a grega. principalmente na zona do estreito da Sicília (Malta. a oeste. na orga nização do tráfico marítimo e na fundação de estabelecimentos no Ocidente. a Si cília Ocidental). atingem.) e a necessidade de enfrentar e fazer concorrência aos gregos.

A chegada à Palestina de povos vindo do Egito e que.Das tribos de Iahweh ao Reino de Israel Em uma época mais remota. entre fins do século XIII e fins do . descendentes do pa triarca Abraão. resultariam nos israelitas históricos. E sta tradição posterior aceitava os semitas amorritas e arrameus como parentes remotos. pode ser identificada com Per-Ramsés.). construída por Ramsés II ( 1290-1224 a. e da saída de lá são contraditó ios. líder carismático que havia recebido a ordem de I ahawed para sair do Egito com o seu povo. Uma das cidades citadas na Bíblia. onde foram escravizados e obrigado s a realizar trabalhos forçados. construindo cidades. em hebraico) havia escolhido para formar o seu povo e lhe havia prometido as terras além do Jordão. Láquis. conquistaram a P alestina. passagem de deus). A arqueologia comprova que centros urbanos foram destruídos na Palestina no final do século XIII ( Betel. na qual a última (a morte do primogênito de cada família egípcia) fés o monarca ceder. Por fim. Uma outra tradição se referia ao fato de que os filhos de Israel. outros falam de quatro gerações. como aquelas em cuja construção prest aram serviços forçados os israelitas. uma estela de pedra do faraó Mer neptah.. conforme mencionamos acima. Após embates com o fa raó que se recusava a liberar os israelitas. menciona a saída do Egito 480 anos antes da construção do templo de Jerusalém por Salomão.). quando ainda não existia na Palestina um povo de Israel. menciona Israel já instalado na Palestina e vencido pelo monarca. Por outro lado. Eglon. dando origem a festa judaica da Páscoa (em hebreu. teriam migrado para Egito. o que parece ter sido bastante curta. sendo a cultura urbana anterior substituída por outra mais rude.C. em mistura com outros. o qu e parece marcar o início da conquista da palestina pelas tribos de Israel. a quem a divindade Iahaweh ( ele é. e sim. tribos diversas que posteriormente os israelitas reconheceram como seus antepassados. o que colo caria o Êxodo em plena XVIIIª dinastia egípcia. tenta libertar os filhos de Israel. que teriam atingido o va le do Nilo. Na fase de sua conquista parcial da Palestina. e do qual resultou as dez pragas. Alguns falam de 450 anos de permanência no Egito. Iahweh.C. A tendência hoje é datar de Ramsés II a opressão de Israel no Egito e estabelecer que a permanência no território egípcio se deu entre os séculos XIV e XIII. saíram daquele país (episódio que ficou conhecido por Êxo do) e vagaram pelo deserto do Sinai por algumas décadas. outros líderes. Uma outra indicação. a terra prometida pela divindade que os escolhera e se aliara a eles.). Trechos bíblicos sobre a cronologia do cativeiro do Egito. ocorreu no momento de mudanças na História do Oriente Próximo .. provavelmente. Moisés. em seu quinto ano de reinado (aproximadamente 1219 a. Hazor etc.

tradicionalmente eram .século XI a. os israelitas eram um povo em formação e ainda não constituía um Estado. Suas tribos.C..

apoiado em tropas própri as. sendo mais uma espécie de novo juiz.doze. entre 1020 e 1000 a. O segundo rei. as instituições anteriores foram subordinadas ao poder monárquico.C. foi aclamado primeiro monarca de Isra el.C. o símbolo máximo destas tribos. formavam. destruíram o santuário de Silo (sede da Arca da Aliança) e. cada uma com um rei ou tirano (Gaza. reservavam para si o monopólio da metalurgia e o proibia aos israelitas. A sedentarização e a crescente complexidade social. foi feito rei de Judá em Hebron. por ocasião das festas anuais. As guerras de conquista e outros conflitos contribuíram para a formação da mencionada lig a ou confederação tribal. formando uma federação de cidades-Estados.C.). Cada tribo parece ter se formada a partir de grupos seminômades. constituíam-se na mais séria ameaça as tribos israelitas. submeteram os mesmos ao pagamento de tributos. com uma auto ridade maior. Saul. vindos do Egito e de outros já anteriormente assentad os na região. com algun s alegando inspiração divina. Suas guarnições ocupa vam pontos estratégicos na Palestina. funcionários ou exército permanente. a Arca.a fo rmação de um Estado. Asdod. Ecron e Gat). desde o século XII a. Os Juizes. . Nos momentos de grande perigo.C. sucessor dos juizes de Israel e vidente de prestígio. Askh rlon. nas quais constituíam uma bem organizada minoria guerreira que domin ava a maioria canaanita. que haviam sido repelidos do Egito. o que demonstrava uma ruptura relati va da monarquia com as instituições anteriores. e ameaça representada pelos filisteus conduziu a evolução das tribos israelitas . Após se desentender com Samuel e com os sacerdotes.. que colecionou vitórias sobre os diversos povos rivais dos israelitas. concorrente ao trono. Os filisteus. primeiramente. tendo sido também ungido por Samuel. Com Dav i. A solução encontrada para enfrentar estes rivais fortemente militarizados e apoiados em organizações estatais foi a formação do reino de Israel. Os representantes das tribos se reuniam em santuários (Gilgal ou Silo). de todo Israel. uma liga frouxa. após o desapareciment o de Isbaal. por um lado. surgiram líderes carismáticos. Nas tribos a justiça era administrada pelos anciãos. Davi (a proximadamente 1000-961 a. insta ram-se na Palestina . ung ido por Samuel. os chamados povos do mar.. morreu derrotado pelos filisteus. por volta de 1050 a. (shofet). chamados de juizes.. Assim. as vezes chamavam as tribos para combater.C. sedentários. que não tinha capital. numa escala mais ampliada. Contudo. não assentando o seu poder na .completada por volta de 1020 a. depois. para consultar Iahweh . No seu reinado houve apenas um esboço de instituições estatais e de exército permanente. caiu passa geiramente nas mãos dos filisteus. o poder de Davi tinha muito de caráter pessoal e de líder carismático aclamado pelo povo.

As resistências as mudanças aparecem com a rebelião do seu filho Absalão e por uma tenta tiva da parte norte do reino de se separar. Davi im punha a hereditariedade da função monárquica ante formas tradicionais de designação religiosa e po pular de um juiz e líder carismático militar. Exemplo disso é a conquista de Jerusalém com suas próprias tropas. reino de Moab. Conquistou ainda o reino de Amon. Durante o reinado de Salomão (aproximadamente 961-922 a. seus grandes credores. após disputas no sul da Palestina. o reforço burocrático e das forças armadas levaram o reino ao endividamento. Outras regiões (cidades dos filisteus. que foi sensivelmente enfraquecida em sua coesão pe las reformas distritais e pela integração dos canaanitas após a mesma. form ndo-se . As grandes construções marcaram também o reinado de Salomão. Egito. sendo a m ais importante o templo de Iahweh em Jerusalém. Fazendo do seu filho Salomão o seu sucessor. inclusive. construído fortificações. A estrutura do Estado foi moldada a partir da transferência da capital para Jerusa lém. o de Edom e estabeleceu tr atados com as cidadesEstados fenícias. por mar. na qual estava o palácio real. Havia um corpo de funcionários (comandante supr emo militar. reunindo de forma direta a maior parte da Palestina. forçando o soberano a ceder partes do território aos fenícios. estabelecido alianças com o Egit o. Outro ssim.. parte da Síria) tornaram-se tr ibutárias e dependentes do Reino de Israel. a união das partes norte sul do reino era precária. A aceleração da sedentarização dissolvia pouco a pouco as solidariedades tribais numa so ciedade mais urbana e mercantil. pa ra onde foi transferida a capital. na qual era ampliado o abismo entre os pobres e ricos. arauto real. foram reforçadas as força s armadas (uso de cavalo e carro de guerra). e que aparecia aos olhos dos demais como cidade de Davi. Contudo. sede do poder central. a separação consumou-se. e com a Arábia.C. incrementado o comércio de longa di stância (com Ofir. de um chefe da administração g eral. dois sacerdotes supremos. comandante dos mercenários. Fenícia e Síria. um diretor de corvéia) e um censo foi ordenado para submeter os israelitas ao pagamento de impostos e r egularizar o recrutamento militar. Morto Salomão. As vitórias de Davi levaram à extensão do seu reino. através de rotas de caravanas) e desenvolvi do a metalurgia do cobre e do ferro. renovado as alianças com Tiro. possessão pessoal sua.). as construções.confederação tribal. O Estado foi dividido em doze distrito s administrativos que não respeitaram as fronteiras tradicionais das tribos e procurava normatiza-las ju nto ao aparelho de Estado e a burocracia foi ampliada com a instituição. secretário real. e a aumen tar os impostos.

Judá e Israel -.dois Estados de pequena extensão e pouca importância . Visto os aspectos da evolução histórica dos israelitas. cabe-nos agora dissertar sobre um dos . enquanto perdi am-se as províncias periféricas.

Ela se manifesta na sua própria existência e em seus atos. O monoteísmo adquiriu com o tempo um caráter altamente abstrato e intelectual em sua concepção.elementos centrais na sua história: a religião. mas em momento algum não é um deus da fertilidade n em pode ser associado a qualquer outra coisa. portanto. multiplicou-se entre os israelitas as infrações ao monoteísmo. mesmo se admitirmos qu e eles aceitavam a idéia de um Deus supremo e cósmico a que estavam ligados por uma aliança. no plano do culto as semelhanças são muitas. garantido pela crença na providência divina e na aliança com o Deus nacional. o javanismo baseia -se na crença direta da revelação pessoal. Assim sendo. O Deus garante a fertilidade e abundân cia. em relação aos homens e ao universo que criara. a natureza não é animada e personificada e. com o tempo. Os cultos incluíam também sacrifícios que eram realizado s nas festas anuais. o pensamento mítico. A divindade era vista como radicalmente heter ogênea. existia o símbo lo de sua aliança com os israelitas: a Arca da Aliança. Este aspecto coíbe. Tais i nfrações estão relacionadas ao fato de o javanismo expurgar os mitos do lugar central da religião monoteísta. de Deus aos homens de uma nação. Neste contexto. Outras divindades foram consideradas legítimas em outras épocas na Palestina. A divindade não pode ser representada e nem descrita. mas à história. que com ele pactuara uma aliança. Se no terreno teológico o javanismo se diferencia das outras religiões à época. fazendo dela uma religião de elite. a Ar ca era guardada em locais que serviam de santuários e. Ao contrário de outras civilizações. assim. estabeleceu-se uma hierarquia de sacerdotes e um sumosacerdote que os dirigia. junto com outros aspectos dessa religião. evolui u. que ele comanda n uma forma em geral inescrutável. conhecendo-se o lugar e a data de seu início: no Sinai. pois eles eram o elemento essencial de explicação para os homens na visão de mundo e na integração d o humano com o natural e o divino. Era uma aliança considerada histórica. durante os anos e . o javanismo se tornou uma religião de di fícil apreensão para a maioria dos israelitas. não pode ser explicada por relatos nos quais os deuses intervenham encarnando forças cósmicas. O Deus de Israel não se associa aos aco ntecimentos repetitivos e até certo ponto previsíveis da natureza. que o exclusivismo monoteísta do javismo. razão pela qual. portanto. Em linhas gerais. comanda os astros e os fenômenos da natureza. No centro das concepções político-religiosas israelitas estavam as noções de escolha e ali ança: o povo de Israel fora escolhido por Iahaweh. descontínua. os seus atribut os não podem ser reunidos em uma efígie ou similares. Embora houvesse a ausência de imagens de Iahweh. explic ando. ao longo dos séculos. Mesmo antes do templo de Jerusalém. a israelita era dotada de um firme se ntido de finalidade histórica.

palaico e luvita. o hurrita. É com base nessa aliança que se formalizou a confederação das doze tribos na fase da con quista da Palestina.C. e uma língua com origem no Cáucaso.C. Foi esta legitimidade tradicional que provocou confrontos com a nova ordem política saíd a da instituição da realeza. juizes e generais. na Baixa Mesopotâmia. em 1987.. O seu povoamento e o seu quadro político e cultural sempre foram complexos e muito mesclados. novos grupos de línguas indo-européias (lídios. e três línguas do grupo indo-europeu: hitita. pelo menos em teoria.. A aliança implicava na aceitação da legislação sagrada contida os livros bíblicos.. A região estava ligada às correntes de trocas do Oriente Próxim o na qualidade de fornecedora de madeira. era dos mais complexos. foi o foco inicial de dispersão dos povos de línguas indo-européia s. a gra nde península. quando outro soberano tomou e saqueou a cidade da Babilônia. deviam ter sanção divina e humana (eleição e ac lamação). Segundo uma teoria de Colin Renfrew. por volta de 6000 a. cujo trono é a Arca da Aliança. obsidiana e minérios. no conjunto da região. apresentava na Antigüidade uma população rarefeita e dispersa em núcleos apartados uns dos outros e uma agropecuária menos produtiva do que a dos val es fluviais mesopotâmicos e do Nilo. configurando. tendo sido. tendo como contrapartida a promessa da posse da terra prometida. mais tarde os arrameus.C. Canaã. o proto-hitita.C. No início do segundo milênio a. quando o rei Hattushilish destruiu a cidade síria de Alala k. Falavam-se: uma língua sem vínculos conhecidos. no se gundo milênio a. embora outras teorias afirmem que a região foi ocupada por povos que falavam idiomas indo-europe us a partir de fins do terceiro milênio a. Os hititas: império e Estado federal A Ásia Menor. no qua l o verdadeiro soberano aceito por Israel é o seu Deus.. Por volta de 1650 a. Em seu nome é que juizes exigiam a mobilização militar das tribos. vasto planalto da Ásia Menor. e em 1595 a. é que o Estado Hitita começou de fato a emergir à luz da h . fígios e gregos) se in stalaram na Ásia Menor. a Palestina. um regime político teocrático.C. e uma espécie de otimismo histórico garantido ao povo eleito. Os líderes carismáticos do povo. outros grupos de língua semítica se insta laram também: os amorritas primeiro.C. o centro pioneiro da metalurgia do ferro. ao mesmo tempo..m que Israel esteve no deserto após sair do Egito. Por volta de 1200-1100. e que as autoridades religiosas pediam tributos. com os grand es movimentos de povos no Oriente Próximo. Além dos assírios. o quadro lingüístico da Anatólia. pedra para construção. sem que ocorresse uma instalação durável nesta região. tornando-se mais nos séculos posteriores.

o reino atravessou déca das . Por um lado. defrontava-se com numerosos adversários na própria Ásia Menor. a realidade era que o reino hitita enfrentava dificuldades consideráveis.ia. Por outro lado. Nesta época.

juramentos solenes e casamentos dinásticos. com os governantes sendo nomeados à vontade d o rei embora concentrassem muitos poderes: cobrança de impostos. comando militar. pelo povo (uma espécie de assembléia dos homens livre. Já outros autores acham que o pankush era uma criação de Telepinnush.).C. O tratado é produto das gr andes disputas . (uma aristocracia militar e da corte). Uma ativa diplomacia caracterizava a política externa do império hitita. do Egito e da Mesopotâmia. O núcleo ncipal dos exércitos hititas era os combatentes em carros de guerras puxados por cavalos. A centralização era regra no interior do reino hitita e nas províncias externas menos importantes. dentro e fora da Ásia Menor. ou somente p elos guerreiros e servidores do rei.C. consolidando sua posição na Ásia Men or e dominando o reino do Mitanni e a região da Síria-Palestina. marcada pel a troca de cartas e presentes com seus irmãos. segundo alguns. no mais. a assembléia era unicamente informada daquilo que o rei já de cidirá. Com o reinado de Shuppiluliumash I (1380-1346 a. O império hitita. marcando o apogeu do chamado Novo Império Hitita.C. estabelecendo com eles um tratado de aliança.). Só quando o rei Tele pinnush chegou ao trono em 1525 a. podemos identificar a existência de uma aristocracia turbulenta e poderosa. elegesse o rei e limitasse o seu poder. Os historiadores possuem divergênc ias acerca deste órgão: uns acham que. Há também uma assembléia chamada punkush nos documentos. As guerras pun itivas para manter o fluxo dos tributos e o envio de tropas eram alternadas com tratados. que teve início por volta do século XV a.marcadas por lutas dinásticas em que a monarquia e a aristocracia se enfrentaram e dois reis foram assassinados. faraó da XIXª dinastia egípcia. O que explica as rápidas expedições a países distantes. segundo outros autores . sendo composta. com exceção t alvez de suas funções de justiça. Em certas cidades estratégicas. que pa rece ter gozado de poderes judiciários em relação ao soberano. administração e justiça. funções de superintendência dos cultos.C.. organização das corvéias para as obr as públicas. o monarca hitita instalava como reis par entes seus. É a partir deste soberano. conseguiu-se estabelecer regras precisas para a su cessão dinástica e se consolidou a monarquia e seu poder efetivo.) tem início a verdadeira expansão imperial do reino hitita. primitivamente. era um Estado federal. gue rreiros que recebiam terras públicas em usufruto. A partir dos textos da proclamação de Telepinnush. que o pequeno reino hitita cercado de inimigos se transfo rmou no núcleo de um vasto império governado a partir da sua capital Hattusha. O mais significativo dos tratad os foi o estabelecido com Ramsés II (1290-1224 a. e salientam o seu caráter passivo.

vinculada a ações.. uma vez descoberta a razão da sua ira. o poderio hitita desvanecia sob os golpes concomitantes dos migrantes chamados povos do mar.C. através de seus monarcas o prime iro tratado internacional. sobera no hitita à época de Hati. A religião hitita era complexa em virtude do caráter federal do Estado. dificultando uma coerência maior e hie rarquização do mundo divino. Durante o período imperial. em 1278.. o formalismo. A aliança entre os reis Ramsés II e Hatusil III. e dos assírios.pelo controle da Síria-Palestina entre os soberanos hititas que reinaram entre 130 6 e 1250 a. Os serviços dos deuses eram ma ntidos na forma tradicional e não se favorecia o sincretismo. o ritualismo e medo da impureza e da ofensa aos deuses atingiram o seu auge no Oriente Próximo. foi selada pelo casamento do primeiro com a filha do segundo. Décadas depois . descontentamento divino era visto como causa de todos os males. Os soberanos vitoriosos adotaram o Sol alado como embl ema e se referiam a si mesmos com a expressão meu Sol. embora os hititas tenham recuperado territórios perdidos anteriormente para os egípcios. A noção de pecado não era interior. Ela intervinha paralelamen te ao rei na diplomacia. a monarquia hitita é muito diferente em relação ao que entre vemos nos textos de proclamação de Telepinush. desempenhando ainda as funções de legislador e juiz de última instância. e sim exterior. e uma sucessão separada (quando morria a rainha. ligada às intenções. Daí que os sacerdotes praticassem diversas formas de adivinhação e exame de signos e portentos na tentativa de descobrir a vontade e as intenções dos d . A rainha tinha uma posição própria no Estado e na religião. pelo povoame nto compósito da Ásia Menor e pela profunda influência religiosa da Mesopotâmia. recebendo cartas. O desfe cho da batalha parece ter sido indeciso para os dois lados da disputa. Tinha-se uma visão pessimista da natureza humana: os homens são pecadores. Assim. os hititas e egípcios se viram ameaçados pelos novos conquistadores e foram forçados à conclusão de um tratado. Para pacificar o deus. Contudo. a pa rtir do oeste. pacto de não-agressão e a ajuda mútua em caso de ataque ou sublevação. O rei era acima de tudo um sumosacerdote e su premo general. o Egito e o reino hitita fizeram. a esposa anterior do soberano atual se tornava rainha). A disputa atingiu o seu auge na batalha de Kadesh. do leste. Os templos reuniam divers as imagens de muitos deuses de diversas partes da Ásia Menor e Síria. e Ramsés II. Entre os hititas. os reis não eram salientados como construtores e nem havia referências as suas proezas como caçador e atleta. orava-se e se faziam oferendas. junto ao rio Orontes. Nas inscrições. com a rápida ascensão e a pressão do reino assíri o. sacrifícios e um ritu al de purificação para o retorno das coisas à normalidade. no qual estabeleciam mutuamente as fronteiras dos seus impérios.

euses. os seus pecados. a sua impureza eram entendidas como as causas . As ações dos fiéis para com os deuses.

destinadas a evitar-lhe a impureza ritual. era responsabilidade sobretudo do rei e da rainha interceder junto aos deuses para que cessasse a calamidade. e passava boa parte do temp o visitando os santuários de diversas cidades para presidir os numerosos festivais religiosos. atuando como mediador entre os homens e o mundo divino. Quando uma desgraça se abatia sobre o país hitita. um sumosacerdote. . a regras comportamentais estritas. da desgraça humana. por conseguinte. expiações e o cumprimento rigoroso dos ritos e dos festivais religiosos. Ele estava submetido a uma rigorosa etiqueta.principais da ira divina e. A rainha tinha funções religiosas copi osas e bem definidas. Após a morte de um monarca. acima de tudo. prometendo-lh es sacrifícios. divinizado ao morrer. O rei hitita era. era feito uma imagem sua que recebia culto e sacrifícios.

Do Reino dos Medos a Formação de Organização do Império Persa Por Luís Manuel Domingues

Os montes Zagros formam várias cordilheiras paralelas, entre as quais se instalam vales intermontanos cortados por afluentes do Tigre e por rios que desembocam no golfo Pérsico. As enc ostas e os vales são arborizados ou cobertos por pastagens naturais. Na região, durante a Antigüidade, er a comum a transumância e a associação estacional da agricultura com a criação. Para além dos montes Z gros, cuja orientação geral é de noroeste para sudeste, os vales descem em direção ao vasto planalto do Irã (cerca de 2.500.000 km2), contando com sub-regiões áridas e semi-áridas e recebendo poucas preci pitações (o litoral do mar Cáspio é a única exceção). O planalto é rico em recursos minerais (cobre e estanho) em animais e plantas com possibilidade de domesticação, principalmente nas montanhas e encostas d os montes Zagros. Em algumas partes do planalto, chegou-se a praticar um sistema de irrigação baseado em poços que desembocavam num canal subterrâneo que captava água de um lençol freático (qanats).

Desde o quarto milênio a.C., no leste do Irã, mais precisamente na região de Baluquistão , há uma presença mais constante de aldeias com atividade agrícola, produção de cerâmica e o trabalho com o cobre já ocupa determinadas áreas da região. Algumas aldeias iranianas, como a de Tépé Siyalk (180 km a o sul de Teerão), igualavam-se na produção de cerâmica com as de Susa e as aglomerações mesopotâmica Contudo, eram poucas as áreas bem regadas, de bacia ou de planalto, que favoreciam a concentração de assentamentos agrícolas, fato que deve explica, ao longo do tempo, a dispersão da po pulação. Por volta do terceiro milênio, uma lenta dessecação obrigou os agricultores a desenvolver a criação de gado transumante. As comunidades aldeãs do leste passaram a viver sobretudo da criação de g ado, já nas localizadas no oeste e nordeste a agricultura predominava sobre a atividade past oril. A chegada de grupos de pessoas com o conhecimento da domesticação de plantas e anima is ao planalto do Irã deve remontar ao processo de difusão das aldeias neolíticas por volta do sétimo m ilênio a.C., englobando a região que vai da Ásia Menor até ao leste do Oriente Próximo. No início do se xto milênio a.C., já aparecem as primeiras aldeias verdadeiramente neolíticas no Irã. A chegada destes a gricultores deve estar relacionada com a dispersão de grupos falando o proto-indo-europeu, que part indo da Anatólia, chegaram ao leste. Esta hipótese está baseada numa teoria de Colin Renfrew, datada d e 1987, segundo o autor, a região da Ásia Menor, por volta de 6000 a.C., foi o foco inicial de dispersão de grupos de pessoas que falavam línguas proto-indo-européias, tanto na direção do oeste como do leste, com o conhecimento da atividade agrícola e pastoril. Ainda o autor, este movimento não pode ser considerad

o como migratório, mas como um movimento lento e limitado no espaço, em que agricultores de cada geração se vão espalhando muito gradualmente em busca de terras, chegando, portanto, a região dos montes Zag ros e do planalto do Irã. No curso do quarto e durante o terceiro milênio a.C., o Irã receberá contingentes migr atórios que falam línguas do grupo indo-europeu. Neste período, oriundos do sul da Rússia, grupos especi alizados por adaptação ao ambiente das estepes e áreas semidesertas na forma de nomadismo pastoril se estendem do oeste para o leste, chegando ao Irã. Estes contingentes migratórios se mesclam com o s habitantes locais, dando origem a pequenos Estados e centros especializados no comércio e na metalurg ia do cobre. As principais trocas se dão com Susa (reino do Elão) e os Estados da Baixa Mesopotâmia. Após o século XIII a.C., o movimento migratório indo-europeu acelera sobre o planalto iraniano. Mas é a partir do século IX a.C., segundo documentos assírios, que se assiste a tomada do po der nos pequenos países do Irã por chefes tribais com nomes arianos (do ramo das línguas indo-européias q ue compreende os dialetos do Irã, entre as quais está o medo e o persa). Os recém chegados, as tribo s medas e persas, adotam em grande parte a cultura dos habitantes locais. Dentre eles, os medos, o s mais numerosos e divididos em tribos, ocupam desde o século IX o país situado entre o rebordo ocident al dos Zagros, o monte Demavend e o deserto Salé. Já os persas apresentam uma instabilidade quanto à fixação na r egião, deslocam-se do lago Urmia para as montanhas do Elão. Havia dois ou três séculos que as tribos medas já estavam instaladas e dominavam o pod er nos países do planalto do Irã. Durante este período, os medos tiveram que se confrontar com os cit as (povo indo-europeu oriundo do sul da Rússia e a serviço da política assíria) e se defender das diversas exp edições dos exércitos assírios. Estes sucessivos confrontos parecem ter acelerado uma especializ ação militar no interior das unidades tribal medas, com a constituição de um grupo específico com funções guerreira s. Provavelmente eram camponeses guerreiros ou cavaleiros nômades em sua origem. Pouc o a pouco estes grupos guerreiros passaram a constituir uma nobreza acima de uma população heterogênea . No século VII a.C., esta nobreza guerreira já ocupava uma posição privilegiada em relação ao conjunto da população: possuíam numerosos rebanhos, um patrimônio agrário e se apropriavam de rendimentos das comunidades aldeãs. Numa posição de privilegio e status, estavam, também, os sacerdotes, chamados de magos , responsáveis pelos cultos dos astros, especialmente o do Sol, personificado pelo deus Mithra. Inicialmente, este culto está ligado à agricultura e à criação de animais, constituindo-se, assim, um símbolo das forças

Mithra parece ter . Mithra se torna protetor dos mortos e deus da guerra.a natureza. Mesmo assi m. Posteriormente.

em 625 a. chegou a realizar expedições militares de conquistas da Mesopotâmia e do norte da Síria e a desenvolver uma arquitetura funerária. de malefícios e de demônios. em 612 a. declarando guerra aos assírios que terminou com a derrota dos medos e a morte deste soberano. consegue repelir o ataque dos citas e reorganizar o seu exército.).C. faziam estes ocuparem uma posição social de destaque tanto entre a nobreza guerreira como entre a população. as oferendas e os sacrifícios sangrentos).. avassala as tribos persas e destrói o reino de Urartu.a prosperidade e a fecundidade dela resultante . Estas associações de famílias se agrupavam para formar as tribos. na Anatôlia (cerca de 582 a. Com o declínio do poderio militar assírio e refluxo do seu império no fim do século VII a. que o rei Fraortés teria reunido definitivamente as tribos medas num só Es tado.). Mas. aliás. muito materiais. fundibulários).C. reuniu sob o seu comando as tribos medas para enfre ntar as freqüentes expedições militares assírias. Segundo documentos assírios.C.C.). os medos se organizaram em varias campanhas contra eles. os dois povos fixam a sua fronteira no rio Hális. a aliança esmaga os assírios e destrói Nínive. Ciáxares (625-585 a. tanto os que são prodigiados pela naturez a . As unidades tribais medas eram baseadas em unidades familiares fundadas na autor idade do pai. Ciáxares alcança vitórias decisivas sobre os assírios. arqueiros. no ano .C. Até o reinado de Ciáxares. que deram origem a associações de famílias com descendência comum e que se colocavam sob dig nidade e jurisdição de um chefe. O controle e a direção dos cultos pelos magos. um certo D ajaukku.oriundo de um mundo de trevas. Entre 615 a.C. Isto fazia os homens crerem na necessidade d o esforço moral e no julgamento da alma. os hinos. Finalmente.como os combates aos flagelos que assolavam a terr a . que por sua vez formavam uniões comandas por chefes elegíveis. com cada uma ocupando um lugar determinado na batalha.preservado entre as comunidades de produtores (agrícola e pastoril) a concepção de que os homens deviam a ele uma infinidade de benefícios. filho de Fraortés. de fronta-se então com os lídios e.. o que os poderia conduzir a um paraíso de alegrias. em aliança com os reis d a dinastia caldeia da Babilônia. Astíages (585-550 a. Em seguida. As práticas rituais dirigidas pelos magos ocupam um lugar importante nesta na realização destes propósitos (o culto ao fogo.. o soberano m edo ocupa boa parte da Alta Mesopotâmia. por ca usa da ajuda de dada à Assíria por tribos citas. Dijocés nos relatos de Homero. capital do outrora império assírio. após uma longa guerra. Foi dura nte este período.C. Este soberano r eorganizar o exército com base numa classificação em três armas (lanceiros. O sucessor de Ciáxares. o exército medo combatia sem sistema algum..

chefe das tribos persas que impôs uma decisiva derrota sobre o exército deste soberano medo. os exércitos persas marcham contra a dinastia caldaica de Babilônia.C. A origem do reino persa remonta a chegada das tribos persas a Persumash (na mont anha. com a ajuda de um oficial babilônico. Inicialmente . incluindo as cidades gregas do litoral do Mar Egeu. as infantarias co mpostas pela massa de camponeses.. um certo Aquemenes teria unificado as tribos pers as e dado início a uma dinastia de soberanos persas que leva o seu nome: os aquemênidas. aproveitando-se do enfraquecimento d os reinos elamitas. para enfrentar as tribos dos sácios e messagetas. também. que vai realizar a conquista da Ásia Ocidental. Todos passam a pagar tributos aos persas. Em 525 a. a dinastia dos aquemênidas se estabeleceu na região a sudeste do Elão. Em 539 a. as tropas de Ciro II marcham sobre a Média. filho e sucessor de Ciro. os persas pre stavam vassalagem ao reino do Elão. Ciro conquista rapidamente a Arménia e a Capadôcia.C. O império medo passa assim para esse povo de montanheses e para o seu rei.... Ciro II reúne num só reino os medos e persas. A mur alha que ocultava Babilônia é contornada e. Pouco depoi s.).C. Por fim. Os sucessores de Aquemenes.de 550 a. as tribos persas unem-se contra os medos. para consolidar a preponderância política do império. passando depois a suserania do rei medo Ciáxares (fins do século VII a. A luta irá durar três anos e termina em 550 a. Segundo uma tradição persa. no planalto do Irã. s udeste de Susa. em 546 a. na Ásia Central. reunidas em Sardes.. Em 556 a.C.C.C. com o apoio da nobreza média descontente com a crescente centralização de poder e concentração das riq uezas oriundas da expansão média nas mãos dos soberanos medos. Em seguida liberta os judeus do cativeiro na cidade conquistada e restabelece os cu ltos dos deuses tradicionais.). Ciro marc ha para nordeste. e a região de Parsa (atual província de Xiraz). que teriam contando. apoiado num gr . Cambises.C.. reequipando o núcleo seu principal. localizado no alto Karum. capital do reino. e faz das unidades regulares de cavalaria a principal força de choque das tropas persas. devasta a Lídia e apoderase das incalculáveis riquezas de Creso. Ciro apresenta a conquista ao povo babilônico como uma libertação e nomeia o seu filho Cambises III r ei da Babilônia.C. submete toda a Ásia Menor. os persas entram na ci dade. instalam-se e dominam o pequeno principado do Anzan. com a vitória dos persas. Em 553 a. região à época a autoridade dos elamitas ou dos medos. Astíages foi destronado por Ciro II. É durante um dos comba tes que o soberano persa foi morto. a norte de Susa).C. Após tomar capital Ecbátna e destronar e capturar Astíages.C. príncipe persa da dinastia d os aquemênidas. Em reorganiza todo o exército. sob o comando de Ciro II (556-530 a. Até princípios do século VII a.

ande exército de terra e numa esquadra posta à sua disposição pelos fenícios. cipriotas e samianos. derrota o exérc ito egípcio em .

pagamento regular do tributo de que só os persas e medos estavam isentos. ou mais precisamente. De um lado. povoações. em assegurar o concurso muitas veze s fiel de oficiais ou de técnicos estrangeiros. de seguir as suas leis. o sistema aristocrático da Pérsia primitiva. os governantes da Babilônia. já não cont avam com uma política prudente e satisfeita dos últimos reis medos. Instituía-se uma tolerância não conhecida até aquele presente momento. Por outro lado. de honrar os seus de uses. do outro lado. objetivando ainda a obtenção de territórios que seriam administrados e distribuídos entre os persas. o reino lídio de Creso. A tutela persa também se revelou distinta das que conhecidas até então. O sucesso militar persa não advém nenhuma novidade militar introduzida durante as gu erras de conquistas. Um dos fatores era o precário equilíbrio de forças instituído na Ásia Ocidental desde a queda de Nínive. conduta pacífica. uma conjunção de interesses internos entre os diversos segmentos sociais do reino persa (camponeses. dada à possibilidade que se lhes oferecia de senvolver o comércio com a unificação das relações mercantis e pela ascensão da aristocracia persa como novo segmen to social desejoso de consumo. Amásis. os persas foram hábei s em enquadrar simplesmente tropas de todas as proveniências. Tais atitudes eram aproveitadas pelos . Um segundo fator advinha do enfraquecimento dos Estados do Oriente Próximo com a deva stação ocasionada pelas guerras de conquista dos assírios. sacerdotes.Pelusa e conquista o Egito. as cidades. O apoio de mercadores e usurários para o ex pansionismo persa constituiu um outro fator importante. fornecia um enquadramento a todos os desen volvimentos do exército e da administração. vivido pelos judeus. que era quase sempre acompanhada de complacência com os vencidos e dominados. o último faraó do Egito saíta. mas sim com a presença das forças conjugadas e novas de Ciro. Ela limitada o campo de ação essencial: proclamação da submissão dos Estados. Em um plano político secundário. Tanto as armas utilizadas e como o espírito de decisão. Sobre este aspecto é de salientar a abolição d o chamado cativeiro da Babilônia. mant nha-se na expectativa quanto à soberania sobre os portos sirofenícios e os principados do corr edor palestino. a implacáve l eficácia dos chefes era compatível com a dos assírios. A rápida expansão persa encontra a sua explicação num de conjunto de fatores presentes à ép ca. No restante. a rapidez de execução. Por fim. Mas diferentes destes. aristocratas persas e medos). os reinos su bmetidos eram senhores de viver como entendessem. 612 a. a existência de uma aristocracia militar. que compre endiam a expansão como a possibilidade de conquistar e dominar regiões que garantam recursos básicos d e existência de todos e proporcionar um suprimento de bens de todos os tipos.C.

Rapidamente. A execução de Gaumata. da Etiópia ao mar Cáspio. no princípio de 522 a. O conteúdo do sistema satrápico dos per . Tal rapidez era justificada pela proclamação feita pelos os seus adversários. da Grécia asiática ao Turquestão o exércitos persas avançam a custa de um esforço extraordinário.. Este mobiliza o exército para uma rápida e enérgica respo sta. Este sistema de governo provinciais ou regionais confi ados a oficiais reais já tinha sido usado por assírios e mesopotâmicos. A organização do império persa teria que esperar o desfecho de uma luta dinástica conhec ida como a Revolta dos Magos. que incluía a vontade de paz e a interrupção do recrutamento de homens ou de taxas durante três anos. Após as expedições até a região do Danúbio. A reação de Cambise foi interrompida pela sua morte quando regressava à Pérsia. foi seguida de um a campanha relâmpago contra a Babilônia e de uma série ininterrupta de vitórias sobre as províncias i nsurretas. os aristocratas persas escolhem um membro da família real dos Aqueménidas como chefe. com a sua política em relação às religiões e ao clero dos países istados e com a crescente centralização do poder nas mãos dos reis. e dá início a uma restauração e reforma da administração imperial de que Ciro lançara fundamentos com a instituição dos sátapras. Este último aspecto preocupava não só os magos como também setores da aristocracia meda. marcadas por suplícios públicos de chefes revoltosos ou pela execução dos sátapras demasia dos lentos em escolher o partido da fidelidade. Mas. A revolta pode ter sido uma revolução palacial ante um sistema de sucessão dinástica que não se apóia numa sólida estru a familiar. consolidando a sua conquista. Da Cirenaica ao Indo. Já a partir de 520 a. É provável que todos estes otivos tenham se somado para a eclosão da revolta. Quando Cambises ainda estava no Egito. Dario. eclodiu nas velhas províncias do império uma revolta sob o impulso dos Ma gos e liderada pelo mago Gaumata. em fins de setembro de 522. também. o que obviamente agradaria aos povos do império. o que nos permite supor de que a r evolta poderia ter sido uma reação das províncias medas hostis à supremacia persa. O próprio Cambises havia elim inado o seu irmão com receio de que o mesmo aproveitasse a sua ausência para usurpar o trono. A Babilônia e a Assíria tinham visto nest e sistema um instrumento de centralização autoritária reforçada.C. morte oc orrida em circunstâncias obscura. em 517 a..reis persas como valor de propaganda dos seus gestos e do eco que eles encontravam na população.C. . Dario se encontra à frente de império mais vasto do que o dos seus predecessores. onde esteve a beira de uma derrota.C. Dario I reg essa. pode ter sido um movimento religioso de um séqüito sacerdotal preocupado com as orientações da monarquia. o rei Dario I pode comb ater nos limites orientais do império. que se fazia passar por filho de Ciro.

é o reconhecimento das inevitáveis au onomias .as é precisamente o contrário: é uma delegação de poderes.

Mais de catorze mil talentos por ano. Para os cofres do rei fluía grande quantidade de te souros e tributos. os descendentes dos compan heiros de Dario que tinham fundado o império. A flexibilidade do sistema garante às regiões. e também com outros ofici ais especialmente mandados para funções autônomas. na Média. e Susa. em nome do qual governava. As vias de acesso do império foram melhoradas e a segurança reforçada pa ra um pleno funcionamento do correio real. o que levou Dario I a instituir uma moeda com uma parte deste ouro. com o seu palácio. A energia do rei e a sua disponibilidade para se ocupar dos assuntos eram condições das quais dependiam a unidade. A agricultura passa a ser uma preocupação constante dos reis persas desde Dario. a sua corte e a sua administração co mo um verdadeiro vice-rei. guar das do tesouro etc. Ecbátan a. Mas rodeados por outros persas cuja lealdade pessoal ao rei pode vigiar a sua ação. Só tinha que prestar contas ao rei.locais num império multirracial. os sátrapas eram homens hábeis e prudentes governadores. O correio real ligava as s atrapias às diversas capitais onde o rei permanecia (Pasárgadas e Persépolis. em torno de um povo importante ou de uma região natural bem delimitada. permitindo uma circulação monetária que favoreceu tanto as atividades mercantis como o desenvolvimento econômico de atividades produtivas. tribos ainda hostis etc. Mas durante dois séculos a paz é um benefício para os povos do império. Eram os mensageiros. A qualidade da organização satrápica era em muito devido aos homens recrutados por Dar io I para exercerem a função de sátrapas. no centro da nação persa. esse controle era exercido sem medir os meios e de forma se vera. gerando prosperi dade. O sátrapa ainda contava com os escribas. faz reina r a justiça e a paz entre as comunidades. A unidade do império dependia da presença eficaz da administração e da defesa dos intere sses persas em todas as suas unidades administrativas. uma defesa dirigida loc . cobra taxas ou mobiliza os exércitos. comandos de guarnições ou de contingentes militares. que juntos dirigiam o serviço de chancelaria. olhos e ouvidos do rei. Um mesmo sátrapa podia receber a autoridade sobre uma ou mais satrapi as. De acordo com a época. Ao rei também se recorria em última instância os súdit os por justiça ou para a reparação de alguma injustiça. A frente da satrap ia estava o sátrapa investido de todos os poderes.. Cada uma delas agrupa. houve de vinte a trinta satrapias no império. toda uma série de elemen tos menores. no Elão). Recrutados entre a nobreza. é a substituição da ordem superior pelo simples control e das iniciativas a posteriori. cidades de antiga tradição. A instituição de um correio real foi uma das formas de agilizar a ação administrativa dos reis persas. Contudo. A guerra passa a ser entendida como um meio de e stabelecer a paz. principados. principalmente as fronteiriças.

. Como já vimos acima. Mas se o rei tivesse necessidade de intervir no mu ndo. Durante o século IV a. como Xerxes no fim do s eu reinado e Dario II (424-404 a. promo veu um verdadeiro banho de sangue para garantir a sua sucessão. Conseguem salvar o trono e manter a dinastia. configurava-se um entesour amento estéril para a prosperidade da vida econômica. O implacável Artaxexes III Okhos (359339 a. cerca de cento cinqüenta meios-irmãos.). mas abrem espaço para uma liberdade de ação demasiado grande aos mais audaciosos e aos mais fortes dos seus sátrapas. comandar navios.). fosse de que modo fosse. o trono era abalado pelas pretensões de possíveis sucessores. Em tese. O ouro era fundido e guardado nas reservas de Susa.C. como Artaxexes III Okhos (359/35 8-338 a. construía palácios. estimulava o progresso das ciências ou das técn icas. A cada revolta reprimida. A cada mudança de reinado.). No rmalmente. muitos deste sátrapas rejeitaram ordens reais. Artaxexes II..C. Os êxitos de uma política fundada na corrupção nem os ímpetos de energia militar foram cap azes de fazer frente a um processo de decadência irremediável do império. Estas ações explicam a decomposição que tiveram todas as rebeliões ou todos os movimentos de indep endência. A sorte do império se baseava também na sua prodigiosa riqueza oriunda dos tributos das satrapias. Em 424 a. Em meados do século IV a. A partir de Xerxes (486-466 a. As submissões se tornavam pouco a pouco forma is e por diversas vezes tiveram que retomar os pagamentos dos tributos. Dario II Okhos só asseg urou a sua realeza depois de assassinar dois de seus irmãos.. comprar colaborações ou cumplicidades de toda ordem e em toda parte .C. os sátrapas estão em suas mãos e a unidade imperial se manifesta por toda a parte.) liquidou toda a família real.almente e importantes meios militares e financeiros.C. já se contava as dúzias às satrapias em que as autonomias locais tornaram-se verdadeiras monarquias. A expansão macedônica simplesmente colocou um ponto final num império que de fato já não mais exist ia. dispunha de meios sem comparação possível com os de seus eventuais inimigos. Mas os reis envolvidos em intrigas da corte e outros acontecimentos palacianos. cunharam moedas e tentaram um entendimento entre eles. a religião primitiva dos medos e persas refletia uma impotência d o homem na luta . manifesta-se c erto reforço de centralização autoritária ou durante o reinado de reis enérgicos. Logo que as coisas da política se complicavam. O que o rei continuava a ter a seu favor era a sua posição central em Susa e a desunião dos seus a dversários. recorria as incomensuráveis riquezas para recruta r mercenários. os laços que unem as partes do império desatam-se um pouco.C..C. em 358 a.C.C. sustentava artistas. foram perfeitamente incapazes de agir eficazmente em toda a part e ao mesmo tempo.

na adoração de muitos deuses representativos das forças da natureza. baseando-se. à água. aparecia aos fiéis como o Sol-Rei. portanto. ligada s a agricultura: ao sol. o Sol . Mithra. à lua. As tribos adoravam animais sagrados.com a natureza. a terra. como o cão e o boi. representando u ma sobrevivência do totemismo e instituindo rituais de adoração e de sacrifícios às forças da natureza. O deus da religião. e aos ventos.

Mas caso preferisse optar pelo deus do bem. a benevolência. que revelou os seus preceitos a seu profeta Zoroastro. O assíduo cuidado da terra e das culturas. estabeleceu uma doutrina que é quase um monoteísmo puro. tinham sido atitudes amplamente disseminadas entre os persas pela r eligião primitiva e pelo seu clero. Contudo.C. a quem os homens deviam à fecundidade e os benefícios da natureza e o comb ate aos flagelos proporcionados pelos demônios que habitavam o mundo das trevas. O mundo dos homens era concebido como um gigantesco campo de confronto. imaterial.esta . em que lutavam as forças do mal e do bem. Era um deus de retidão e verdade. sem dúvi da. Mithra e Anahita . baseado na existência e adoração de um deus. isto é. sem a preocupação de ac orda cruel e imprevisível . a resignação perante o sofrimento e a infelic idade dos homens. quando o zoroastrismo mazdeísmo se torna religião o ficial da dinastia aquemênida. o respeito pela vida e a proteção dos animais úteis. Este reformador. deuses estrangeiros. a justiça. mas que puniria os q ue fizessem esta última escolha. o que expl ica a tolerância manifestada dos persas para com as outras religiões dos povos subjugados e. AngraMaimyu. O débito dos homens para com o deus era cobrado por uma lisura moral em vida e na crença de que os seus atos seriam ob jetos de julgamento após a morte. Zoroastro pretendia que a sua religião fosse monoteísta. A ele. Ahura-Mazda. seus discípulos modificaram esse monoteísmo. Esta formula abrange. a condição de deus. Ahura-Mazda é elevado à categoria de maior dos deuses e é admitido q e outros deuses existem . também os deuses iranianos. Neste sentido. servir a Arimã. Mais tarde. a religião era uma moral da p articipação. Arimã. O pessimismo. os magos. o gozo dos bens materiais. ou Arimã.. ou O rmusd. incomparavelmente grande e poderoso. que representava a mentira. que permitia aos homens a opção da escolha entre o bem e o mal. Podia. portanto. em meados do século V a. A este engajamento ao lado do bem.C. devia em si mesmo e fora de si tomar papel ativo como soldado da causa do bem. certamente. Mais tarde. Ahura-Mazda. s em mostrar complacência ou piedade com os do outro lado. de nome Zaratustra (Zoroastro. Pois considerava Ahura-Mazd a um poder supremo. a negação da verdade. que naturalmente o tentaria a fazê-lo. Cada homem devia escolher o lado de uma dessas forças em guerra a que serviria. quando houvesse essa possibilidade. a lisura nas relações humanas são meios de fazer avançar o triunfo do bem. um reformador re ligioso irá procurar expurgar da religião primitiva dos persas à superstição e a mesquinharia e erguê-la a um p lano ético mais elevado.. ao elevarem o es pírito do mal. desde a criação do mundo. se opunha um espír ito do mau. Na última metade do século VII e na primeira parte do século VI a. o fatalismo. em grego).Invencível. o juízo final recompensará os bons e castigará os maus.

que teria sido iniciado nos mistéri os do deus e pretendeu. chegando até influenciar Nero.C. a partir de 64 d. as almas dos mortos sobreviveriam em outro mu ndo. identificar com o Sol-Rei. que para o bem é tão agradável como leite quente. cada alma era levada a uma grande ponte que atravessava as profundezas do inferno.. A religião popular conserva Ahura-Mazda no lugar supremo. Contudo. no qual receberiam o tratamento adequado com as suas ações praticadas em sua vida na terra. a tolerân . É a primeira a divulgar numa escala mais universal o monoteísmo. principalmente o culto à Mithra. Mas o mithraísmo contri buiu também para preparar as vias do cristianismo. dirigidas pelos magos. Zoroastro acreditava na imortalidade. Esse final viria no dia do último grande julgamen to. Neste intervalo. o próprio inferno seria purificado. a ponte se estreitaria e sua alma seria precipitada nas profundezas do inferno. Assim. o mal seria purificado em metal derretido. O culto de Mithra começou a ser generalizado no século I d. que Zoro astro estigmatizou com violência. o zoroastrimos ou mazdeísmo tinha muito em originalidade e pôde se colocar como uma das maiores religiões do Antigo Or iente. os poderes do mal em luta contra ele. não só por espalhar o monoteísmo.serão designados como ajudantes de Ahura-Mazda. para não manc har a terra nem o fogo. Conjuntamente. uma série de costumes é consolidada em relação aos mortos: cadáve es revestidos em cera ou oferecidos aos abutres em recintos reservados. o deus do mal estava fadado a se r derrotado no final. De qualquer maneira. representado por Mithra. tinha alguns elementos indo-europeus e muitos das religiões semíticas. pelo menos. mas também por popularizar a demonologia orien tal. Para ele. no dia do ajuste final. até então uma doutrina essencia lmente filosófica não compartilhada pelo povo. estas almas não permaneceriam no inferno para sem pre. opondo ao princípio do bem. Desta religião popular. quando os mortos retornariam à vida. restaurando em tod a a sua plenitude a dualidade primitiva da religião dos persas. Se o bem praticado pelo homem superasse o mal realizado na terra.uma deusa semítica da fertilidade .C. imperador romano. Contudo. mas o cerca de uma multi dão de divindades que personificam as forças naturais e os elementos da natureza. embora ele ignorasse o desfecho. As religiões dos persas deviam muito as dos povos vizinhos. origina-se o mithraísmo que se espalhou pela Ásia Ocidental. Mais tarde. este permanece como deus supremo. Três dias após a morte. O culto de Mithra. Isto va i conceder um importante lugar ás práticas rituais realizadas ou. o deus real por excelência. c hegando até o império romano. Mas caso o mal prevalecesse. pelo Impér io Romano. por exemplo. uma moral participativa. sua alma atravessaria a ponte para um mundo celeste de felicidade.

a sujeição das ações humanas tanto em relação a si como em relação ao seu mundo externo e fazer uma crític o .cia.

ritualismo das religiões antigas. É nestes aspectos que mazdeísmo se antecipa a propag ação do cristianismo. . com uma propagação m ais longa no tempo e espaço. preparou as mentes das camadas populares da Antigüidade para a compr eensão do monoteísmo e da moral e ética do cristianismo. Enquanto o mitharísmo. preparando terreno para ele.

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China Antiga Por Luís Manuel Domingues A palavra China vem de Zhongguó ou Chung-kuo, significando país do meio (Zhongguó: "país " [guó] "do meio" [zhong], Chung-kuo: "país" [chung] "do meio" [kuo]). A China foi uma das mai s antigas unidades histórica do Extremo Oriente. Originalmente, até a Dinastia Zhou, a China compreendi a a região no entorno do Rio Amarelo. Desde então, na Antigüidade, os impérios da China se expandiram para o ocidente e para o sul, chegando até a Indochina, atingindo proporções máximas nas dinastias Zhou, Qin e Han. O epicentro da civilização chinesa na Antigüidade foi à planície aluvial cortada pelo Rio Amarelo (Huang He), Nordeste da atual China. O rio é o segundo mais longo da China, medindo 5.464 km e com uma bacia de 752.000 km². A sua importância advêm do vale com terras férteis, bons pastos e import antes jazidas minerais. A importância do rio já aparece na Pré-História da China, quando os primeiros chineses m igraram do sul, do vale do Rio Mekong, para o norte, estabelecendo-se nas terras férteis próximas ao Ri o Amarelo compostas por um loesse trazido e depositado por milênios pelas águas dos planaltos da China C entral e pelos ventos vindo dos desertos a oeste. Nestas terras, os antigos chineses cultivaram painço, hortaliças e frutas nativas, sobretudo ao longo do alto e do médio curso do rio. No setor baixo do Rio Amarelo, cultivava-se arroz. No III milênio a. C., o excedente de produção favoreceu o estabelecimento de vilarejos perman entes, como Baknpo e Erlitou, e no curso do milênio já havia um contínuo de povoados e vilas ao lo ngo do rio.

A Pré-História da China - Os arqueólogos encontraram na China, perto de Pequim, restos do Homo erectus (Sinanthropus pekinensis), datado de 460 mil anos. Desta data e até oito mil anos, os vestígios arqueológicos da presença dos antepassados do homem são raros. Os indícios só são mais freq tes a partir de 6000 a. C., quando a atividade agrícola de milhete, datados pelo C14, fo ram associados à cultura Peiligang, no rio Yiluo Henan. A partir do V milênio a. C., já existe provas fidedig nas e com certa abundância da existência de outras culturas, cultivando painço, trigo e arroz, produzindo cerâmic a e domesticação de animais, como a cultura de Yangshao (4800 a 2000 a. C.), na parte central do Rio Amarelo, e a de LongShan (3000 a 2000 a. C.), estabelecida na parte central e inferior do Rio Amarel o, na qual o desenvolvimento da olaria se destacou. No geral, a agricultura resultou em aumen to populacional e na capacidade de estocar e redistribuir colheitas, de manter artesãos e administrador es especializados. No final do Neolítico, o vale do rio Amarelo começou a se tornar um centro cultural, co

m a fundação dos primeiros vilarejos. Os "Registros Históricos", obra de autoria de Sima Qian, um historiógrafo do século II a.C., relatam à existência dos chamados Cinco Imperadores. Soberanos que foram sábios e exemplos mor ais semimitológicos e um deles, o Imperador Amarelo, é considerado o ancestral do povo chinês. Segundo Sima Qian, a hereditariedade do poder político foi estabelecida no período histórico seguin te, chamado de Dinastia Xia, modelo perpetuado pelas Dinastias Shang e Zhou, já na era histórica. Dinastia Xia (2070 a.C. a 1600 a.C.) - A Dinastia Xia foi a primeira a ser descr ita e confirmada pela historiografia tradicional chinesa, listando para ela o nome de 17 reis por 14 g erações, durante 471 anos. Segundo esses historiadores, a dinastia foi precedida pelos lendários Três Augustos e os Cinco Imperadores, e sucedida pela Dinastia Shang. As escavações arqueológicas, na província d e Henan, dataram os vestígios como sendo da Era do Bronze e pertencentes à Cultura Erlitou, t ornando-se difícil separar o que é mito e o que é história a respeito dos Xia. Os arqueólogos descobriram, ainda, vestígios de áreas urbanas, objetos trabalhados em bronze e tumbas que apontam para a possível ex istência dos Xia em localidades citadas em antigos documentos históricos chineses. Os arqueólogos chi neses identificam a cultura Erlitou como correspondente a Dinastia Xia, enquanto os ocidentais não estão convictos da conexão entre as duas.

O período creditado como Xia marcou um estágio de evolução técnica entre culturas do neolít co tardio e o início da civilização urbana chinesa da Dinastia Shang. A tecnologia agrícola, a criação de cavalos, a produção de vinho e avanços no transporte foram aprimorados significativamente no períod o. No período parece ter ocorrido, ainda, uma sistematização da monarquia hereditária, transmitida s upostamente desde à época do lendário Imperador Amarelo, iniciando um período de controles políticos baseado s em clãs e famílias aristocráticas. Desenvolveu-se, também, um sistema de governo que empregava t anto um governador civil quanto o uso de punições duras para qualquer transgressão, configuran do-se nos primórdios o código legal chinês. Acredita-se, ainda, que a provável Dinastia Xia teria controlado um território que se estendia ao leste até as províncias de Henan, Shandong e Hebei, a oe ste até Henan e Shanxi, ao sul até Hubei e ao norte até Hebei. Dinastia Shang (1600-1100 a. C.) - Para os historiadores, a Dinastia Shang foi à p rimeira dinastia da antiguidade chinesa confirmada por documentos arqueológicos. Ela teria existido en tre o século XVI e o século XI a. C., durando cerca de 600 anos, no Vale Huang He. Nos primeiros tempos , a capital do reino foi transferida várias vezes, ficando, finalmente, sediada em Yin, na região Ying (atual

Anyang, província de Henan). Os objetos encontrados nas escavações das ruínas da sua capital, em 1928, comp rovam que no início da Dinastia Shang a civilização da China já se desenvolveu a um alto nível. Nas ruín s foram

feitas em casca e ossos de tartaruga. que através da conquista e colonização estenderam a sua cultura e a dos Shang por boa parte do norte do Rio Yangtze. em 256 a. os objetos de bronze são relíquias representativas da Dinastia Sh ang. que eram enterrados com os seus donos. final do século XII a. queimá-las. famosa pelas finas esculturas em jade. há uma crítica ao uso do termo f eudal. sendo um dos bronzes mais representativos da antiguidade chinesa. de pois fazer caracteres nela e. O jiaguwen que tinha um resultado previsto correspondido p assavam a constituir um registros históricos arquivado. trabalhos em cobre e tecidos de seda. O período Zhou é usualmente descrito como similar ao feudal. entre eles um trípode que pesa 875 quilos com 110 cm de altura e 78 de largura. A soc iedade era dividida em duas ordens (a nobreza e o povo) e governada por um rei-sacerdote. fornecendo suporte à legitimidade dos governantes atuais e futuros. primeiramente. Dinastia Zhou (1100 A 221 a. por fim.C.A Dinastia Zhou teve início com a queda da Dina stia Shang. Essa dinasti a. começou quando os líderes de Zhou dissiparam os Shang e legit imaram seu domínio invocando o Mandato do Céu.00 0 simbolos.encontrados inscrições em ossos.C. Posteriormente. A tecnologia da fundição de bronze já se encontrava muito avançada. Na religião cultuavam os ancestrais num panteão de deuses e chegaram a praticar sacrifícios huma nos. e tinham a função de fazer previsões para o impe rador. a partir de uma cidade. pois a descentralizado sistema dos Zhou permitiu comparações com o sistema europeu. O sistema de escrita (jiaguwen) tinha mais de 3. fi rmando a capital na cidade de Hao (próxima a atual Xi'an). C. correspondendo a Idade do Ferro na China. Foi à dinastia com maior duração em toda a história chinesa. As incrições são chamadas de jiaguwen. Igual ao jiaguwen. Entretanto. e terminou com a ascensão da Dinastia Qin. bronzes e outras preciosidades. e a proposta de uso um termo mais apro priado para classificar o sistema Zhou: o Fengjian. Na realidade. existia um conjunto de cidades-estado . A doutrina explicava e justificava o fim das dinastias Xia e Shang. formando com a família a Realeza Palaciana. A prerrogativa estabelecia que os Zhou assumiam ascendência divina sobre a dos Shang. Foram desenterrados milhares de bron zes nas ruínas da capital. segundo tradição historiográfica chinesa. O método consistia em.. Os estudos dos objetos comp rovam que na Dinastia Shang já havia se formado o Estado e já existia concepções de propriedade privada.) . No período se desenvolveu as carruagens de guerra puxadas por cav alos. usado para um contexto especificamente europeu. limpar e polir a casca da tartaruga ou os ossos. os sacerdotes previam acontecimentos segundo a mudança de sinais depois de queimadura. queimando serviçais vivos nas tumbas de seus mestres.

Deste modo. fundada em normas de conduta. do século XI até 771 a. dando origem ao que os his toriadores chamam de Zhou Oriental em oposição ao período anterior (o Zhou Ocidental. Com o rompimento da linhagem real. Entre 770 e 476 a. C. A partir de 771 a. a dinastia foi desmantelada e a China unificada por Qin Shi Huang Di.. A terra era dividida em nove partes na forma de uma "roda de água".que a Dinastia Zhou subordinou a um poder centralizado. A partir de Ping Wang. sob a hegemonia do membro mais fort e. jing. Dinastia Quin (1100 A 221 a. C.. ficando com os fazendeiros . e os das partes ao redor. C . Neste período. Novamente. O taoísmo foi outra vertente. com os grãos da parte do meio ficando com o governo. O novo período da Dinastia Zhou teria durado de 770 até 221 e conheceria duas fases distint as: Período das Primaveras e Outonos (770 e 476 a.479 a. Todas as terras cultivadas eram controladas pelos nobres. e a fragmentação do reino se acelerou. que era utilizado integralmente na produção de armas e ferramentas agrícolas. A mais antiga era a de Confúcio (551 .. como um esforço constante para cultivar a própria pessoa e estabelecer assim a harmonia no c orpo social.).) . o poder da corte de Zhou gradualmente diminui u. e aquele denominado de Período dos Reinos Combatentes (476 a 221 a.). C. que as "empre stavam" para seus servos. os reis de Zhou reinavam apenas simbol icamente. Posteriorment e. a agricultura era bastante intensiva e em muitos casos co ntrolada pelo próprio governo. C. do reino de Qin. o governo podia armazenar comida e distribuí-la em tempos de colheita ruim. enfatizando a espontaneidade ou liberdade ante a manipulação sócio -cultural das . mais ao leste. Já os estados situados nas fronteiras exteriores da área cultural chinesa se expandiram à custa de seus vizinhos não chineses. qu e dirigia a produção destes materiais. o título de uma famosa crônica histórica de su a época. C. Alguns important es setores fabris do período incluíam a produção de bronze. chegando a se dec lararem reis. e os nobres nem mesmo consideravam a família Ji como simbolicamente lideres.). Em 221 a. abalando à centralização política. C). estas indústrias eram controladas pela nobreza.A instabilidade e insegurança política do Período d os Reinos Combatentes estimularam na China a produção de fórmulas filosóficas para a estruturação do stado e da sociedade. em Luoyang. C. as disputas dinásticas e a rebelião de alguns Estados em aliança com povos nômades d o norte expulsaram os soberanos de sua capital. os Zhou fundaram uma nova capital. estabelecendo políticas impessoais e instituições econômicas que permitiam um controle central sobre os governos locais e uma taxação agrária rotineira . a Dinastia Zhou conheceu uma razoável estabilidade decorren te da organização de alianças entre os poderosos estados periféricos.

linguagem e práticas culturais.instituições.Já o legalismo pregava o estabelecimento de uma ordem social baseada em leis estritas e impessoais. com o estabelecimento de um Estado no qua l o soberano tivesse .

A política expans ionista consumiu os excedentes econômicos e os impostos foram aumentados.C.C. Quando o poder dos Zhou entrou em colapso em 256 a. mas com modificações na política que havia pro vocado à derrocada. reaparecendo os monopólios estatais. o rei de Qin (Qin Shi Hua ng) unificou os estados chineses em um império administrativamente centralizado e culturalmente unificado. est abelecendo o seu governo sobre a base unificada dos Qin.autoridade incontestável. no sul. A restauração dos Han deu origem a Dinastia Han do Leste. Esta doutrina será aplicada. aos conflitos entre os eunucos e os burocratas.C. abrindo espaço para que Liu Bang se autopro clamasse imperador em 206 a. em Anam e na Coréia. instalava-se um período de anarquia políti ca. penetraram no atual território do Cazaquistão. no oeste. o ferro e a moeda. Após uma luta pelo poder que mutil ou a administração central. adeptos do confucionismo. que se voltou para a reestatiz ação das terras e a redistribuíram entre os agricultores. a ilha de Hainan pa ssou ao controle Han e colônias foram fundadas no delta do Chihchiang. A crise agrária se intensificou e a situação se deteriorou.). Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus territórios foram divididos em províncias governadas por burocratas nomeados pelo imperador. Contudo. no século IV a.. no reino de Qin. a 9 d. Ao mesmo tempo.C. O primeiro imperador estendeu as fronteiras exteriores e construiu a Grande Muralha para pr oteger as suas fronteira. estenderam a sua autoridade do sul da Manchúria ao norte da Coréia. Os Han. dando origem.. A forte resistência das poderosas classes proprietárias de terra ob rigou a revogação da legislação sobre a terra. A capital de Qin se transformou na primeira sede da Chi na imperial. abolindo a servidão e reforçando os monopólios imp erais sobre o sal.. reinstala ndo a dinastia Han. ocorrendo até a tentativa de restauração da dinastia Qin (9-23 d. a debilidade admi nistrativa e a ineficácia dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220). Os conflitos aceleraram a desagregação d a dinastia Han e ela . As dissensões e a incompetência debilitaram o governo imperial e as sublevações no campo re fletiram o descontentamento popular. o serviço militar e os trabalhos forçados criaram pro fundo ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares. O peso crescente dos impostos.). leva ndo a eclosão de uma rebelião camponesa e as grandes famílias proprietárias de terra a se unirem.C. C. enquanto as classes intelectua is estavam ofendidas pela política governamental de controle do pensamento. ao lo ngo dos anos. um dos estados periféricos emergentes do noroeste que fez no sei interior um programa de reformas de caráter legalistas. iniciando o período de domínio da Dinastia Han (206 a. o povo levantou-se em rebelião.

dando origem a Dinastia Jin do Leste (317 a 420). Em 263 Shu foi conquistada por Wei. dando origem a Dinastia dos Jin no norte. e reino Wu (222-280). A reunificação deu origem a Dinastia Jin d o Oeste (265 a 316). dando origem ao Período dos Três Reinos: reino Wei (220-265). Sima Yan usurpou o trono em Wei e domi nou Wu. pelo menos até 420. nas províncias do norte. que se retiraria para o sul. em 290. Já em 264. no sudeste. em 280. reino Shu (2 21-263). o Império começou a ruir. Após a morte de Sima.entrou em colapso quando as grandes famílias latifundiárias criando seus próprios exérci tos. quando começaria a restauração da unidade pelas Dinastia s do Norte e do Sul. Os três reinos sustentaram incessantes guerras entre si. encurtando a Dinastia Jin do O este. um conjunto numeroso de pequenos estados soberanos no terr itório da China e nas fronteiras. . no sudoeste. enquanto o resto país seria fragmento nos Dezesseis Reinos.

marcando o início da civilização harappa ou do Vale do Indo. segundo os arqueólogos. além de Harappa e Mohenjo-daro. a civilização harappa talvez contivesse uma pop ulação de mais de cinco milhões de habitantes. como sugere a uniformidade dos sistemas de medida. evidenciando o zelo pela segurança. dispondo de imponentes cidadelas. como Harappa e Mohenjo-daro. As construções u tilizavam tijolos cosidos na infra-estrutura e na alvenaria das casas. que dispunham de vários andar es. Nos bairros públicos se encontravam imponentes celeiros. a norte..C. ao Guzarate e ao norte do Afeganistão. a região. servindo como um armazém geral e banco da cidade onde as trocas eram realizadas e as medidas de cereais funcionav am como moeda de troca. As suas cidades eram cercada s por espessas muralhas. a partir da criação de animais e do cultivo da terra.. poços e instalações sanitárias domésticas. Ganweriwala. concentrou-se no entorno do rio Indo e seus tributários. Séculos mais tarde. Um sistema de águas plu viais abastecia as cidades e um outro sistema drenava as águas sujas e detritos para um esgoto coleto r e poços de decantação. Sri Lanka. a fronteir a iraniana.A Índia Antiga Por Luís Manuel Domingues Durante a era mesolítica. desde o paleolítico. C. Por volta de 6000 a. e entrecortadas por largas artérias que distribuíam os bairros como num tabuleiro de damas. a 30000 mil anos. utilizando-se de terraços artificiais e obras de irrigação. a leste. eram Dholavira. chegou ao subcontinente indiano (Índia. este ndendo-se ao doab Ganges-Yamuna. por volta de 3220 a. No geral. C. e aos limites do Himalaia. proporcionando recursos suficientes para sustentar grandes centr os urbanos. Lothal. era um planejamento urbano singular à época. No seu apogeu. C.). Paquistão.. Cerca de 2500 antigas cidades e assentamentos iden .A primeira sociedade urbana na Índia. Os assentamentos da civilização se disseminaram até a moderna Bombaim. ao sul. a civilização do Vale do Ind o ou harappa (2500 e 1900 a. esses povos estavam transita ndo do nomadismo para o sedentarismo. Os principais centros urbanos. a oeste. Nepal e Butão) uma onda migratória composta de caçadores e cole tores de alimentos. e tijolo seco ao sol para os alicerces. As ruínas de Mohenjo-daro indicam ter sido o centro da socieda de. dominava e dirigia que cobriam uma extensa área geográfica. Délhi. procedentes ou da África ou da Eurásia. a agricultura e a irr igação no Vale do Indo se intensificaram. formando talvez um ou Estados coerente e articulados. A Civilização Harappa . que surgiram por volta de 2500 a. juntando-se a outros povos que vi nham ocupando. Kalibanga e Rakhigarhi. Bangladesh.

levando a população a aban donar os assentamentos. por outro lado.C.). os estudos entendem que civilização védica floresceu entre os II e I milênio a. C.A civilização védica está associada ao povo que teria composto os Ve (os quatro primeiros livros religiosos do Hinduísmo. outro bem-conhecido texto pri mário do hinduísmo. usando-se o sânscr ito védico. resultado do brahmi (século IX a. não se descarta a ocorrênci a de deslocamento e presença de costumes dos árias (arianos) no norte da Índia. e na maior p arte da Índia setentrional. pastoreavam-se rebanhos e nas t erras se cultiva trigo. Dataria. deze sseis grandes reinos no norte e no noroeste da Índia. durante o Império Maurya (a partir de cerca de 320 a. parecem comprovar essa hipótese. e uma relação com a chegada de povos indo-europeus. é objeto de controvérsia entre os estudiosos ante a escassez de documentos que comprovem tal emigração. o de estão cerca de dois terços dos sítios conhecidos..C. por volta de 1500 a . que tem como principal suporte ideológi . seguindo-se a época de apogeu do hinduísmo. inclusive as famosas estórias de Rama e Krishna. entre o leste do rio Indo e o Paquistão. secou e se tornou árida . Nessa civilização se conheci a o uso do cobre e do bronze.). surgiram os Mahajanapadas.tificados. está contido no Maabárata.. gergelim. ainda.) e os reinos médios da Índia (a partir do século II a. por um lado. escritos em sânscrito. teriam sua or igem nesse período. e da literatura em sânscrito clássico. Contudo. até o século VI a. Provavelme nte.) e do kharoshti (século VI a.. A organização da sociedade indiana em varnas reflete uma rígida hierarquia e estratifi cação social legitimada numa tradição guerreira e politeísta. mudanças climáticas. cevada. pequenas oficinas e lojas de comércio. com diversos bairros populares cobertos de residências. a partir de uma tradição oral. entre Índia e Paquistão. a região da bacia do rio Indo. Na primeira fase da civilização védica (1550 a 700 a. C. o bairro público e administração da cidade. As cidades eram divididas em duas partes: a p arte alta. um desmatamento gradual e invasões tribais teriam contr ibuído para a desagregação da civilização. C. O Bhagavad Gita.C. praticava-se uma olaria com fornos. A Civilização Védica . onde ficava a cidadela. C.C. os grandes é icos indianos (Ramáiana e Maabárata). desta época a organização da sociedade indiana em quatro varnas (castas).) no subcontinente indiano e estaria localizada no atual Panjabe.). pepinos e tâmaras.C. a mais ampla. em sua fase tardia (após 700 a. Os principais textos do hinduísmo do período são os Vedas. quando a cultura começou a se transformar nas formas clássicas do hinduísmo. Em meados do II milênio a.C .) se pode comprovar a formação de diversos reinos da Índia antiga. De qualquer forma. perturbações geológicas. e a cidade baixa. A relação exata entre a gênese desta civilização e a cultura do Vale do Indo.

Segundo a tradição. as varnas foram constituídas a partir da estrutu ra do corpo de .co de legitimação o livros dos Vedas.

O Interlúdio Persa e Grego . C. o início da Idade do Ferro na Índia e foi enc errado com as invasões persa e grega e a ascensão subseqüente de um único império indiano a partir do re ino de Magadha. Gautama Buda atingiu a iluminação e fundou o budis mo. conh ecidas como Mahajanapadas. o estômago (Vaishya). Embora o impacto geográfico do jainismo tenha sido li mitado. inicialmente visto como um complemento ao darma védico. C. freiras e monges budistas levaram os ensinamentos de Buda à Ásia Central e Oriental. filósofos e professores. o norte do subcontinente i . apareceu um outro segmento. coveiros. milhões de párias se converteram ao islamismo. Posteriormente. Entre elas. Ambas as religiões tinham uma doutrina simples e eram pregadas em prácrito. também. Mahavira fundou o jainismo. A boca de Brahma (Brahmi n) representaria os sacerdotes.os pés (Shudra). os chamados intocáveis. as maiores eram Magadha. muito s mencionados na literatura védica. os comerciantes e os agricultores.. São constituídos por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertencia . Os 16 Mahajanapadas da Idade do Ferro . dezesseis monarquias e/o repúblicas. intitulado de a "poeira sob os pés" não pertence às castas. São considerados impuros e. os operár ios e os camponeses. os braços (Kshatriya). os militares e os gov ernantes.Brahma (a representação da força criadora ativa no universo). Kosala..Por volta do século V a. C..A partir do ano 1000 a. por isso. S ri Lanka e Sudeste asiático. Fora do sistema de varnas também existia os Adivasis (povos tribais) e os Mlechhas (estrangeiros). Tibete. ajudando a disseminá-las entre a população. o que indicaria um período de maturidade filosófica.. Por fim. mas que foram denominados como Dalit ou párias. O período marcou. Os rituais hindus da época eram complexos e conduzidos pela classe sacerdotal. Kuru e Gandhara. teriam sido compostos no início do período e seriam contemporâneos ao desenvolvimento do budismo e do jainismo. cobriram o subcontinente.. Por volta de 500 a. ninguém ousa tocar-lhes. enquanto que os dialetos da população em geral do norte da Índia eram conhe cidos como prácritos. são os artesãos. C. em meados do século VI a. Os Upanixades.C. desde o atual Afega nistão até Bangladesh. No mesmo período. Em 537 a. A língua culta do período era o sânscrito. Fazem os trabalhos considerados mais desprezíveis: recolhimento de lixo. uma religião que não os segregavam. talhantes etc. similares cidades-Estado da Grécia Antiga. diversos peq uenos reinos e cidadesEstado. Na seqüência das invasões islâmicas e mon góis da Índia. textos védicos tardios que lidavam principalmente com filosofia. estendiam-se através das planícies indo-gangéticas.

.C. o sul da Ásia se tornou uma colc ha de retalhos de potências regionais com fronteiras sobrepostas. produzindo uma singular cultura híb rida.. formando o chamado Império Maurya. bem como assentamentos macedônicos em Gandhara e no Panjabe. Aracósia e outros reinos persas e centro-asiático s à planície do Indo. este império só chegou a controlar o nordeste da Índia e até 73 a. no final do século IV a. o expandiram por quase todo atual território da Índia. C. Aracósia e Báctria. inclusive a administração da dinastia maurya. Bindusara. Uma constatação disto está no noroeste do subcontinente indiano. pois os sistemas políticos dos persas viriam a infl uenciar a filosofia política indiana. persa. o Grande. adotando deste ponto em diante uma política de nãoviolência. seguindo-se um período chamado de Reinos Médios que correspondem a um conjunto de entidades políticas existentes a partir do declínio do Império Maurya. As regiões incluíam o Passo Khyber (ao sul do Himalaia e d o Hindu Kuch) e um outro passo que ligavam Drangiana. a escrita grega pa ssou a ser mais comum e a região ganhou guarnições para as tropas macedônicas nos novos territórios e dive rsas cidades fundadas por Alexandre nas regiões do Oxus. Contudo. o Grande. C. Estes eventos repercutiram fortemente na civilização indiana. com trocas comerciais e culturais. após se aproveitar da desestabilização da Índia setentrional devida às invasões persa e grega. seus sucessores. após embates violento e adoção do budismo. C. A expansão do i pério chegou até as fronteiras da Pérsia e Ásia Central.. Tanto os andaras quanto. e formou-se um cadinho das cu lturas indiana. usando-se escrita aramaica para a língua persa.. foi estabelecida uma nova dinastia que daria origem ao Império Sunga . O controle da região durou 186 a nos.C. Com o tempo. o Impéri o Gupta tentou conter . O Império Maurya . seu filho. posteriormente. pe la primeira vez na história da Índia.. Foi através daquelas áreas que a maior parte da interação entre o sul da Ásia e a Ásia Cent al ocorreu. As conquistas só foram c essadas por Açoca. Esse período foi caracterizado por ondas de invasões provenientes da Pérsia e da Ásia Central. pelos exércitos de Alexandre. Posteriormente. a dinastia reunir sob seu governo. O Vale do Indo e as planícies gan géticas atraíram várias invasões entre 200 a. qu e foi governada pelos persas até a sua conquista por Alexandre.ndiano foi invadido pelos Persas e. começou com a expansão do budismo a partir da Índia e terminou com as conquistas islâmic as.. e 300 d. o general Chandragupta Maurya fundou a dinastia m aurya após derrubar o Rei Dhana Nanda de Magadha.C. Em 185 a. C. no século II a.C.Em 321 a. Com a desintegração do Império Maurya. Com a conquista macedônica. principal mente. centro-asiática e grega no que é hoje o Afeganistão. o Grande. a partir de 520 a. a maior parte do subcontinente.

o budismo floresceu tanto sob o governo do s invasores. por entrar em colapso devido às pressões ex ercidas pelas guerras. ambos. que . No curso dos acontecimentos. terminando.as invasões sucessivas.

Acredita-se que os puranas védicos foram redigidos naquela época. dois outros impérios existiram na Índia O primeiro foi o Kuchano.Antes da formação do Império Gupta. Contudo. O império chegou ao fim com o ataque dos hunos brancos provenientes da Ásia Central. mesmo assim restrita a Índia setentrional. passando a representar uma ponte cultural entre as duas culturas que levou os invasores a se tornarem "indianizados". U ma linhagem menor do clã gupta. devese ao Império a invenção dos conceitos de zero e infinito e os símbolos que dariam origem aos algarism os arábicos (1-9). foi final mente destronada pelo Harshavardhana. fundados por tocários provenientes da China. Durante o Império Grupta. e que enfrentaram os invasores do noroeste. a política e a administração hindus atingiram patam ares sem precedentes. no noroeste da Índia. que continuou a reinar em Magadha após a desintegração do império. entrado em colapso no sécul o VI. quanto sob os andaras e os guptas. dominando o centro e o sul da Índia . ante as invasões dos hunos brancos. que segundo muitos historiadores encerraram o período hi stórico da Índia Antiga. formado por vassalos do Império Maurya. .adotaram a religião. que reunificou o norte do subcontinente na prime ira metade do século VII. Império Gupta . O período fo i marcado por feitos intelectuais e artísticos inspirados pela difusão e pelo sincretismo cultural ocorri dos em novos reinos localizados na Rota da Seda. O império perdurou pelo século IV e V. a cultura. a unificação só foi conseguida pela dinastia gupta. O segu ndo foi o Império Andaras.

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alguns clãs começavam a preponderar sobre outros. indicando a prática da navegação pesqueir a. de Wa. de norte para o sul. agulhas de osso e fragmentos de rede.O período seguinte. nos primórdios. vassalo de Han". cerca de 75%. C.000 a. Cerca de três mil outras ilhas se es tendem do sudoeste de Kyushu até perto de Taiwan. Ainda no período. A monta nha mais alta do Japão é o monte Fuji com 3. pressupondo-se que vários chefes de c lãs do Japão. a descoberta da tecelagem. C. Crônicas chinesas da época citam cinco Reis d e Wa (Japão). e se est endeu até 300 d. Nele ocorreram algumas inovações técnicas. com cerca de 80 vulcões ativos no país e os sismos são muito comuns. iniciando o cultivo do arroz.C. decoraçõe codiformes em japonês.776 metros de altitude e seu ponto mais baixo fica no lag o Hachirogata. o avanço de técnicas agrícolas. são: Hokkaido.. a construção de casas de alvenaria. Atingem o mar pouco depois de sua nascente nas montanhas acima e forma m geralmente deltas em forma de leque. O Período Kofun . O arquipélago está localizado no Círculo de fogo do Pacífic o. que se abrigavam em cavernas. arpões.C) tem uma r elação como aparecimento de conjuntos funerários em forma de buraco de fechadura (kofun em jap onês significa túmulo) e ornamentados internos com espelhos de bronze e figuras eqüestres. em Tokyo. O Período Yayoi . anzóis.C. eram tributários da Dinastia Han à época. O relevo do país é montanhoso. c omo: o uso de metais na confecção de artefatos de caça e armas de guerra. quatro metros abaixo do nível do mar. Em 57 d. substituindo as roupas de pele de animais por de tecidos. com o aparecimento de uma cerâmica feita em barro cozido e indícios de agricultura teve iníc io o Neolítico no Japão. O arquipélago japonês foi ocupado por seres humanos por volta de 50. A decoração da cerâmica em forma de corda dará ao período o nome de Jamon. encontram-se outros artefatos.. As suas principais ilhas. remos. com uma cordi lheira no centro das ilhas principais. Honshu.. correspondendo a Idade dos Metais no Japão. o Rei Nu (um dos cinco Reis de Wa) recebe um foral de ouro do Imper ador chinês. como: flecha s. grutas..A denominação do período seguinte como Kofun (300 a 710 d. Shikoku e Kyushu.C.Japão Antigo Por Luís Manuel Domingues Ao longo da costa leste da Ásia se estende o arquipélago do Japão. ou com folhas de árvores e sobrevivia da caça e coleta. devido aos principais sítios a rqueológicos estarem na região de Yayoicho. o aparecimento de uma olaria mais dese nvolvida. chamado de Yayoi. favorecendo a ocupação das pequenas planícies costeiras. onde está escrito: "Ao Rei Nu. Por volta de 10000 a. um símbolo de st . iniciou-se por volta de 300 a. A inda no período. Já os rios japoneses são curtos e de águas ligeiras.

impondo uma estrutura de propri edade estatal sobre o país. Os ornamentos com cavalos informam à importância que o animal adquiriu como instrumento de guerra. Tenchi realizou reformas ma is centralistas e codificou as novas medidas no sistema ritsu-ryo. já tinha ganhado o st atus de religião oficial. que se utilizava de tropas de arqueiros montados para devastar por várias vezes algumas regiões do Ja pão. dirigi u o reino através de governadores locais. conhecido co mo uji. As reformas continuaram com o imperador Tenchi Tenno e por Nakatomi Kamatari. As tentativas de defesa dos nipônicos levaram a um aperfeiçoamento no uso do cavalo e a conseguire m debelar as invasões. como o culto aos ancestrais e o respeito aos mais velhos). Foram estabelecidas amplas conexões com a dinastia Tang da C hina e o Japão se tornou o extremo oriental da Rota da Seda.No século VI. No mandato do imperador Shomu (715 a 756) e sua consorte Fujiwara. em 645. fu ndador da família Fujiwara.atus na sociedade japonesa à época. Em 604. que. O imperador Jimmu estende u seus domínios até Yamato. fortalecendo a casa imperial e debilitando as tribos uji. principalmente. o Dajokan. Em 663. para estimular a ampliação das terras produtivas. ele estabeleceu a Constituição de Dezessete Artigos. que compreendia um conjunto de prin cípios simples para o bom governo seguindo o modelo centralista da China e estabelecendo as hierarqu ias na corte. iniciando um programa reformista marcado pela perda do domínio coreano e os problemas internos. após seu uso por saqueadoras de reinos core anos. Os Yamato consolidaram o poder com a criação d e uma forma primitiva de xintoísmo (religião politeístas e animistas. que também servia de in strumento político. direitos de propriedade foram conc . cujas terras foram ocupadas e redistribuídas. Posteriormente. voltada para práticas do relac ionamento familiar. O poder do clã imperial era mais nominal do q ue real. o budismo chegava ao arquipélago (552). a corte de Yamato tinha perdido o poder pela incapac idade de se impor as tribos uji e por derrotadaa sofridas na Coréia. O grande conselho. espalhando-se rapidamente pela população e. o sistema ritsu-ryo f oi modificado em 743 e. dando o nome à casa imperial. inaugurou as reformas Taika. no começo do século VII. No período Kofun ocorreu uma unificação sob a casa imperial. seguindo o modelo chinês. Os soberanos yamatos exerceram um controle indireto sobre várias tribos. Ao mesmo tempo. Este contexto permitiu a ascensão dos governantes do vale de Assuk a. O Período Asuka . que início no reinado da imperatriz Suiko (593 a 628) ganhou formas peculiares com as reformas de Shot oku Taishi. sendo as mais importantes as de muraji e a de omi. o Japão conhece u um período de efervescência cultural.

permitindo as grandes famílias e templos assegura ssem sua autonomia .edidos a qualquer pessoa interessada em explorá-las.

tornaram-se os amos virtuais do Japão e mantiveram seu poder durante os três séculos s eguintes. encerrando dessa forma o período histórico do Japão Antigo. durante o século IX. conhecidos como samurais. No século XII. Em meados do século XI. derrotou e expulsou os Taira. Os guerreiros Taira ganharam fama e poder no sudoeste. Min amoto Yoritomo. dois grandes clãs militares estenderam seu poder para a corte. Yoritomo assumiu o controle do Ja pão. em 858. Taira Kiyomori . inaugurando uma ditadura militar que iria durar sete séculos. ministro-chefe em 1167. o Japão conheceu 350 anos de paz e prosperidade. uma guerra civil (o Distúrbio Hogen) eclodiu entre os imperadores retirad os e reinantes e as ramificações associadas à família Fujiwara. surgiram nas províncias grupos locais de guerreiros. delegando os assu ntos de governo aos seus subordinados.e poder. O caráter d o governo mudou sob o controle dessa família. tornouse imperador em 1180. livres de impostos ou unidos aos grandes templos b udistas. os imperadores começaram a se retirar do governo ativo. no q ual os imperadores abdicavam depois de fazer os votos budistas e se afastavam da administração em favor dos imperadores reinantes. os Fujiwara perderam o monopólio das consortes imperiais e o s imperadores retirados se converteram no núcleo de um novo sistema de governo de claustro. No mesmo ano. acompanhada pelo aumento do poder dos membros da família Fujiwa ra que. que protegiam os senhores de quem eram servos. e promoveu um levante que. 1159-1160). de pois de cinco anos de guerra civil. Antoku. . A partir de então. criando assim o embrião d e um sistema poder e o particularismo local. no leste do Japão. um remanescente dos guerreiros Minamoto. Nesse meio tempo. no leste. inicia ndo uma luta pelo controle do Japão. construiu um quartel em Kamakura. aumentando a centralização da administração e dividindo o país em g ande estados nobiliários de caráter hereditário. Em 1156. monopolizou os cargos da corte com os membros da sua família. os Taira assumiram o controle do Japão. Depois da segu da guerra (Distúrbio Heiji. os Minamoto. dando início aos clãs militares. seu filho mais novo. monopolizando os altos cargos da corte e controlando a família imperial. No período Heian (794-1185). No ent anto. o poder e o particularismo local se desenvolveu até se tornar mai s forte que a administração imperial.

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pos ição atualmente ocupada pelos Estados Unidos. a China deverá se tornar em décadas futuras a maior economia do mundo. Semelhante ao que ocorreu no Egito em relação ao rio Nilo. Só para se ter uma idéia. uma espécie de poeira fina e amarela. segundo muit os analistas econômicos. Esse rio se torna muito raso e arenoso durante as secas. ajudava a fertilizar as terras. Após as chuvas. o Japão e a Coréia. Que tal conhecer um pouco mais a respeito do passa do dessa civilização fascinante? Homem de Pequim A China atual é um país continental. ou seja. Quando isso acontecia. cujo nome científico é Homo erectus pekine nsis. O Império chinês já existia muitos séculos antes de Roma se tornar uma das maiores potências do mundo antigo e continuou existindo séculos após a queda do Império romano. foi lá que fo am achados os vestígios fósseis do chamado Homem de Pequim. ele se en che e cobre as planícies por dezenas e mesmo centenas de quilômetros. andava ereto e é possível que já soubesse utilizar o fogo . a cultura chinesa serviu de modelo e inspiração para div ersos povos do Ocidente. quase tão antiga quanto as qu e existiram no Egito e na Mesopotâmia. seu território é muito grande. Dois rios que nascem nas montanhas. Além disso. Na parte leste do território que veio a se tornar a nação chinesa. um dos mais antigos hominídeos (a família a qual pertence a nossa espécie). Esse nosso provável antepassado viveu há mais de 400 mil anos. Os chineses também foram responsáveis pela descoberta da pólvora e pel as invenções do papel e da bússola. dentre os quais. Assim como a cultura grega. A sua cultura influenciou o desenvolvimento cultural de diversos países vizinhos.A China Antiga Túlio Vilela* As cinco primeiras dinastias A civilização chinesa é uma das mais antigas e conhecidas. o rio HuangHo favoreceu o desenvolvimento da agricultura e o surgimento de cidades na região. . a cultura chinesa sobrevive em nossos dias e. os camponeses aproveitavam para irrigar as terras. Não bastasse tudo isso. correm por ela: o Huang-Ho (também chamado de rio Amarelo) e o Yang-Tsé-Kiang. A presença de grupos humanos no território que hoje é a China é bastante remota. trazida de long e pelo vento. é onde se encontra a chamada Grande Planície de China.

Às margens do rio Amarelo Durante muito tempo, acreditou-se que as margens do rio Huang-Ho foram o berço de toda a civilização chinesa. Escavações arqueológicas mais recentes levaram os historiadores a concluírem qu e as margens do rio Huang-Ho foram apenas um dos centros de difusão de uma das várias culturas qu e originou a civilização chinesa. Em 1986, foram encontrados no sudoeste da China, na vila de Sanxingdui, objetos de bronze da mesma época da Dinastia Shang (aproximadamente 1500-1050 a.C.), mas com um estilo muito diferente do de objetos da mesma época encontrados no leste do país. Esses e outros achados são exempl os de que o processo de povoamento e o desenvolvimento cultural da China antiga foram muito mais complexos do que se imaginava.

A ênfase exagerada no estudo das populações que viviam próximas ao rio Huang-Ho, fez com que os arqueólogos não dessem à devida atenção ao estudo das populações que viviam em outras regiõ China. Atualmente, esse erro está sendo corrigido. Exemplo disso é a atenção que vem sen do dada ao estudo das culturas que se desenvolveram no vale do rio Yang-Tsé-Kiang, que também e ra muito fértil. No passado, esse vale era coberto por densas florestas. O vale do Yang-Tsé-Kiang e ra um dos vários importantes centros culturais da China Antiga. Alguns historiadores chineses che gam até a afirmar que a cultura surgida no vale do Yang-Tsé-Kiang chegava a ser tecnicamente superior à surg ida nas margens do rio Huang-Ho. Dificuldades geográficas Na China Antiga, os grupos que viviam na parte oeste tiveram um desenvolvimento bem diferente daquele dos grupos que viviam próximos das margens dos rios Huang-Ho e Yang-Tsé-Kiang. Em pa rte, isso pode ser explicado pelo fato de que os grupos que viviam no oeste encontraram condições g eográficas mais adversas e tiveram que encontrar outras soluções para sobreviverem. Quanto mais ao oeste da China nos dirigimos, menos chuvas ocorrem. Por isso, sec as severas são comuns no oeste do país, que é uma região montanhosa, coberta por estepes e desertos. Isso di ficultava as viagens e travessias, tornando-as mais árduas e perigosas. Enquanto as condições geográficas no leste favoreceram o surgimento de grupos sedentário s que se dedicavam ao cultivo do arroz e de outros cereais, as condições geográficas no oeste f avoreceram o surgimento de grupos nômades. As primeiras dinastias

Diferentes linhagens de reis e imperadores governaram a China. Costuma-se dividi r a história da China Antiga nos períodos em que cada uma dessas linhagens ou dinastias governou o país. P or sua vez, podemos dividir esses períodos em duas épocas: Época das três dinastias régias e Época Impe ial, que durou de 221 a.C. ao ano 1911 da nossa Era. Por razões de espaço e para não fugir do tema China Antiga, trataremos a seguir apenas das cinco primeiras dinastias. As cinco primeiras dinastias 1) Xia, 2205-1818 a.C.: A existência dessa dinastia ainda é motivo de controvérsia ent re os historiadores. Mesmo entre os que acreditam que essa dinastia tenha existido, não há consenso em re lação às datas de sua duração.

2) Shang, aproximadamente 1500-1050 a.C.: Até uns cem anos atrás aproximadamente, tu do que se sabia a respeito dessa dinastia era o que estava escrito em documentos produzidos dura nte as épocas da dinastias Zhou e Han, centenas de anos após a queda da dinastia Shang. Por isso, m uitos historiadores ocidentais duvidavam da existência dessa dinastia, afirmando que os relatos sobre ela não passavam de mitos. No entanto, a maioria dos historiadores chineses sempre aceitou esses relatos, c itando-os como fontes históricas confiáveis. Descobertas arqueológicas comprovaram a existência da Dinastia Sh ang. Entre os achados arqueológicos estavam objetos de bronze; inscrições gravadas em ossos e cascos de tartaruga e sepulturas. Podemos dizer que os mais antigos registros escritos da história da Ch ina surgiram durante a dinastia Shang. A mais antiga forma de escrita conhecida surgiu na China dos Sha ng. Em muitos textos antigos, os Shang eram geralmente descritos como governantes cr uéis, corruptos e decadentes. Nesses textos, os Shang costumam aparecer participando de orgias, fe stas regadas a muito sexo e bebidas. Até onde esses relatos seriam verdadeiros? Vale lembrar que a maioria desses textos foram escritos séculos após o domínio dos Sha ng, durante as dinastias que os sucederam. Ao retratarem os Shang como corruptos e os seus suce ssores como "virtuosos", esses textos tinham a intenção de fazer propaganda a favor das dinastia s Zhou e Han.

3) Zhou, aproximadamente 1050-256 a.C.: Os Zhou (também chamados de 'Chou") eram u

Entre as medidas adotadas por Huangdi para garantir a unidade do império estavam: adoção de um único sistema de pesos e medidas. Os reis de Qin organizaram um grande exército e equiparam seus soldados com espadas e lanças de ferro. Esse apoio vinha de famílias nobres. pela primeira vez na História.C. que detin ham riquezas. A intenção do imperador era selecionar os candidatos mais qualificados para ocupar os cargo s públicos.. Esse rei assumiu o título de Q in Shi Huangdi. que foram fundidas e transformadas em estát uas e sinos. Qin Shi Huang di se tornou o fundador do Império Chinês. Não demorou para os sete principados entrarem em guerra entre si. Huangdi também promoveu a realização de concursos públicos para o preenchimento de cargo s. uma inovação para a época. Na prática. Ao concentrar o poder em suas mãos. um Estado unificado chinês. 4) Qin. ele já havia conquistado quase toda a China. de escrita e de moeda em todo o Império.: Usando de extrema força. que saiu vencedor da guerra que marcou o final da dinastia Zhou. derrubaram os Shang e assumiram o poder. o rei de Qin. Huangdi ordenou que os antigos governantes dos principados se mudassem para a ca pital. armas ou a limentos. pois os candidatos eram escolhidos com base no mér ito e não na origem social ou por "apadrinhamento". costumavam distribuir terras aos seus aliados. em que o poder dos senhores feudais era. Por volta do ano 221 a. Para obter apoio. . 221-207 a. Esse reino era afastado dos outros que se enfrentaram entre si.C. conquistou um território após o outro e os incorporou ao seu reino. eles ajudavam o exército do rei fornecendo soldados. período conhecido como "Época dos Estados Guerreiros") e foi vencida pelo primeiro r eino de Qin (ou Chin). Foi ele quem estabeleceu. Por isso. Para vigiar o s outros nobres.C. Essa guerra duro u anos (480-221 a. Era uma situação muito semelhante ao que ocorreu mais tarde na Europa oci dental durante o feudalismo. maior que o dos r eis. Esses nobres foram obrigados a entregar suas armas.ma poderosa família vinda do oeste do país. que significa "primeiro rei de Qin". Os territórios controlados por essas famílias foram ficando cada vez maiores e a China acabou sen do dividida em sete principados. essa divisão acabou fortalecendo essas famílias e diminuindo o poder do imperador. A vantagem sobre os inimigos era que uma espada de ferro podia cortar ao meio uma feita de bronze. Tratava-se de um sistema inovador para a época. Em caso de guerra. na prática. Cada uma dessas famílias governava uma cidade ou província. sofreu menos os efeitos das guerras e se tornou o mais rico e poderoso.

costuma-se dizer que foi na China que surgiu a idéia de meritocracia. Os funcionários que .Por isso.

afugentando ladrões e intrusos.500 metros a leste de seu túmulo. Uma dessas obras foi a construção da famosa Grande Muralha.220 d. peças de cerâmica e jóias. teve nde crise política na china. Aproveitando-se dessa crise. administrar os recursos etc. para que a obra permanecesse em segredo. Além disso. início uma gra o poder e inau que consistia em comprar aliado Esses presentes consistiam em grandes quantidades de tecidos de seda. e mais de cem carros de madeira. Os camponeses também eram recrutados para o serviço militar. Antes de morrer. espelhos d e bronze. os Han ofereciam banquetes e festas a seu s vizinhos. um líder chamado Liu Bang tomou gurou a dinastia Han. Tratava-se de uma forma de s. Foi na época dos Han que os chineses. um imperador Han. Esse "exército" guardaria o túmulo do impe rador. Isso ocorreu quando Wu Ti. esses trabalhadores teriam sido enterrados vivos por ordem do imp erador. 5) Han. Huangdi ordenou que fossem feitas cerca de sete mil estátuas de g uerreiros para serem colocadas a 1. cujo prime iro trecho começou a ser construído durante o reinado desse imperador. com o objetivo de estabelecer uma aliança com os turcos para combater os hunos. foram feitas algumas estátuas de cava los em tamanho natural. Uma das características dessa dinastia foi a política de presentes. 206 a. que se julgavam o centro do mundo (daí chamare m seu país de "Império do Meio") descobriram que outros povos viviam a oeste de suas fronteiras.: Com a morte do imperador Huangdi. . conceder presentes caros aos seus vizinhos da Ásia central. Exército de esculturas Outra medida adotada por Huangdi foi o recrutamento de camponeses para trabalhar em na construção de obras públicas.C. Essas estátuas eram de terracota (ar gila cozida em forno) e foram feitas em tamanho natural. . uma missão diplomática à Ásia Central. Para a construção do mausoléu do imperador foram utilizados cerca de 700 mil trabalhad ores.C. enviou no ano 138 a. perfumes.C. Além dos presentes. Após alguns anos de serviço.ocupavam esses cargos públicos se encarregavam de tarefas como cobrar e arrecadar impostos. souberam inclusive da existência de um certo Império romano.

durante os dois primeiros séculos da Era Cristã. a China conheceu um considerável aumento da população e uma séri e de avanços técnicos. O Império da China acabou se dividindo em três reinos: Wei (no norte). A demanda por seda chinesa estava alta em mercados como a Pérsia. Segundo historiadores da corrente marxista. Revoltas camponesas Apesar do desenvolvimento técnico. tornou inviável um contato mais estreit o entre eles. os camponeses. Ao ser ampliada. Dinastias Sui e Tang: reunificação e esplendor do império chinês . continuavam enfrentando condições ainda muito precárias de vida. Os dois impérios. As revoltas camponesas contribuíram para o enfraquecimento do Império. escravos ou servos. o que trouxe o fim do domínio dos Han. Durante a Dinastia Han. sabiam um da existência do outro. mas sim uma fo rma de servidão.Rota da seda A construção de outros trechos da Grande Muralha nessa mesma época ajudou a abrir um c aminho da china para o Ocidente. mas a eno rme distância. a escravidão por dívidas era comum na China durante a Dinastia Han. a Índia e até o Império romano. O caminho ficou conhecido como "A Rota da seda". ocorreram violentas revoltas camponesas que foram duramente r eprimidas. Em todo caso. Entre esses avanços estavam a invenção do carrinho de mão (bastante útil para tra sportar cargas pesadas em caminhos estreitos e tortuosos). a certeza é uma só: os camponeses viviam em condições mis eráveis e eram extremamente explorados pelos poderosos. a Muralha acabou atravessando regiões mont anhosas e desertos (inclusive o famoso deserto de Gobi). que constituíam a imensa maioria d a população. romano e chinês. Outros historiadores discordam. a Turquia. Por isso. o aperfeiçoamento da produção de fe rro (com o qual faziam objetos como espadas e estribos) e a invenção do moinho movido a água. Wu ( no oeste) e Shu (no leste e no sul). aliada a dificuldade de transporte da época. afirmando que não existia escravidão. Essa divisão em três reinos durou do ano 220 ao ano 265 da Era Cris tã. especialmente nos países que adotaram o regime socialista. usado pa ra moer cereais e na fundição de ferro e cobre. Poços profundos foram cavados para fornecer ág ua para as caravanas.

Ela jamais conseguiu se integrar inteiramente ao res to da população e costuma estar envolvida em revoltas separatistas. que governou a China de 206 a. Em Hong-kong. Um exemplo disso é chamarmos de língua chinesa o que. podemos concluir que não é fácil para um governo (não importa qual seja o regime) manter a unidade política em um território tão vasto quanto o da China. tal unidade já foi destruída e reconstruída algumas v ezes. Por tudo isso. por exemplo. Tal unidade política não resistiu e o país se dividiu em três reinos independentes: Wei (no Norte)..C. No ano 552. a etnia dominante no país. ex-possessão britânica. comparti lha mais laços culturais com os turcos do que com os han. A dinastia seguinte. com a dinastia Qin. na história chinesa. pois uma divisão política também ocorreu entre eles dando início. a língua falada pelos habitantes é o cantonês. Nem hoje nem no passado mais distante. a principal iguaria da cozinha chinesa. étnica e lingüístic a. Este conflito entre os turcos foi encorajado pelos chineses pois afastava deles a possibilidade de uma . na verdade. essa China dividida estava prestes a ser invadida pelos turcos. recentemente reintegrada à República Popular da China. pela primeira vez. Shu (no Oeste) e Wu (no Leste). Entre eles. o governo chinês reconhece a existência de pouco mais de cinqüenta grupos. um dos vários diale tos falados no país e cujo ensino é obrigatório em todas as suas províncias. Uzbequistão e Cazaquistão (onde é maioria). Atualmente.C. E como veremos. podemos perceber que tal unidade foi criada e mantida muitas vezes c om o uso da força bruta. Por outro lado. no ano 581. p odemos destacar as etnias hui e cazaque. ao ano 220 da nossa era. É encontrado em partes d a China e também na Rússia. os Han. o grupo cazaque. Por sua vez. é de religião muçulmana. é o mandarim. que proíbe o consumo da carne de po rco. consolidou ess a unificação. um Estado unificado chinês. Mongólia. mas isto não aconteceu. mais tarde.A China atual é um país continental marcado pela diversidade cultural. Unidade política ameaçada Em 221 a. que é incompreensível para chineses de outras regiões. O turista estrangeiro que visitar os rincões da China encontrará diversas minorias étn icas. por exemplo. a u ma guerra que opôs o Turquestão do oeste e o Turquestão do leste. A minoria hui. surgia.

Após muitas batalhas. finalmente. O Grande Canal A obra mais importante construída durante o governo do segundo imperador Sui foi o Grande Canal. um desses nobres. cujo nome era Wendi. Não bastasse isso. que beneficiavam apenas os membros da nobreza. que eram paupérrimos. Assim. cujo objetivo era garantir uma reserva em períodos de escassez e também para evitar o aumento exagerado dos preços. Cada um era controlado por uma elite guerreira e proprietária de terras. e tentou melhorar as condições de vida dos camponeses. dando início à dinastia Sui (589-618). que diferente do pai. conheci da até os dias de hoje. desse aumento nos g astos. a leste. . E quem pagou a conta. e Luoyang. encontrando um país arrasado pela guerra ordenou o corte de gastos com "mordomias".invasão. Em seguida. Esse arroz era estocado em armazéns públicos. preferia gastar a economizar. cada homem convocado representou braços a menos para trabalhar nos campos. Livres deste perigo. a famosa inflação. o primeiro imperador Sui. Tais medidas não agradaram certos nobres que logo tramaram e assassinaram o primei ro imperador Sui. o segundo imperador Sui aumentou os gastos com "mordomias" e obras "faraôni cas" beneficiando a nobreza que o havia colocado no trono. o que sign ificava menos comida no país. Dinastia Sui Wendi. foram os camponeses que passaram a ser ainda mais explorados. Yangdi. na bacia do rio Amarelo: Chang'an. os três reinos chineses começaram a lutar entre si. Conseqüentemente houve queda na produção agrícola. saiu vitorioso e reunificou a China. a oeste. a sua construção significou grandes sac rifícios para o povo chinês: milhares de camponeses foram convocados para trabalhar na obra e vários deles morreram enquanto realizavam a tarefa. Apesar da importância econômica do Grande Canal. semelhante aos senhores feudais da Europa medieval. que ligava os dois principais rios da China. substituíram-no por seu filho. no ano 589. Ela facilitou o transporte do imposto p ago em arroz até as duas capitais do país na época.

contribuiu para o fim da dinastia Sui. Das 305 mil tropas enviadas para lutar na Coréia. Daxing. Na época. uma novidade na época. ele reuniu os membros da nobreza guerreira e os enviou à Coréia num a tentativa malsucedida de invadir e dominar o reino de Goguryeo. As forças chinesas sofreram derrotas em terra e no mar. E fora das muradas. O alto custo dessas derrotas militares.Invasões à Coréia O imperador também pretendia que o Grande Canal fosse um instrumento para sua políti ca expansionista e a vizinha Coréia foi um dos primeiros alvos. Uma das razões para a vitória coreana foi a sua superioridade na engenharia naval: o s seus navios eram encouraçados de metal. numa das capitais do império. que se localizava no oeste. Quando as notícias sobre a morte de Yangdi chegaram Li Yuan depôs o neto do imperador e coloco u a si mesmo no trono. o segundo. Esse general também "homenageou" Yangdi concedendo-lhe o título de "imperador aposentado". Outros fatores que contribuíram para a sua queda foram as invasões de nômades turcos no território chinês e os excessivos gastos com luxos no palácio . no ano de 618. . os soldados chineses também eram derrotados por dois inimigos: a fome e o frio. Um d e seus filhos. Tais m edidas só foram reconhecidas nos territórios controlados por ele. O imperador se tornou cada vez mais impopular e. chamado Goguryeo. As outras três tentativas de conquistar o reino coreano também fracassaram. foi quem encorajou o pai a reb elar-se. Li Yuan governava uma província e era leal ao imperador. Na primeira vez. apenas duas mil e setecentas retornaram. um general rebelde chamado Li Yuan. O início da Dinastia Tang Pouco antes do assassinato de Yangdi. Li Shimin (também se escreve Li Shih-Min). Antes de se rebelar. tanto em dinheiro quanto em vidas humanas. O exército chinês foi arrasado na série de guerras travadas contra o reino coreano. Os coreanos ofereceram forte resistência enquanto defendiam as muradas de sua s cidades. ela estava dividida em três rei nos independentes e o imperador chinês tentou quatro vezes conquistar um deles. e conseguiram repelir a marinha chines a. proclamou imperador um dos netos do monarca. Es tima-se que as baixas chinesas superaram a marca de dois milhões. dando início à dinastia Tang (618-907).à custa dos impostos pagos pelos mais pobres. acabou sendo ass assinado por seus próprios ministros.

nos quais os candidatos que apresentassem melhor desempenho na s provas eram selecionados. Para administrar o país.Dentre todos os filhos do primeiro imperador Tang. rompendo com algumas das antigas tradições chinesas. Tang Taizong significa nada menos que "segundo imperador da dinastia T ang".O império dos Tang era multicultural: além de turcos e chineses. Esse fator contribuiu para que a dinastia Tang fosse caracterizada pela mescla de elementos das duas culturas e fosse mais aberta para inovações. Uma delas foi a reforma agrária: o imperador desapropriou as terras que pertenciam aos seus inimigos (era uma forma de evitar que os nobres se rebelassem contra o imperador )e as dividiu entre os camponeses que nela trabalhavam (conquistando. que significa "segundo imperad or de uma dinastia". o imperador precisava de funcionários públicos qualificados. nomeando oficiais turcos e utilizou esse exército contra os próprios reinos turcos. Li Shimin era o mais ambicios o e o que mais demonstrava talento para a política. Taizong incorporou várias tropas turcas ao exército chinês. adotou um novo nome: Taizong (também se escreve Tai-Zung). O irmão mais velho. Portanto. Reforma agrária e concursos públicos Durante o reinado de Taizong. persa e árabe. assim. apoio popular). por p arte da mãe. se diz que a China do período era uma meritocracia. Li Yuanji. Então ele instituiu concursos públicos. ou seja. o governo tomou medidas que contribuíram bastante pa ra o desenvolvimento da China. Li Shimin tomou como espos a a viúva do irmão mais novo. e turca. No ano 626. uniu-se a outro irmão. por parte do pai. independente de sua origem social. entre outras. Por isso. Li Jiancheng. Um imperador mestiço O segundo imperador Tang era de origem chinesa. A conspiração fracassou e ambos acabaram mo rtos numa emboscada preparada pelo irmão que pretendiam eliminar. ao assumi-lo. um regime em que as pessoas conquistam cargos com base no mérito e não por "apadrinh amento". o primeiro imperador Tang abdicou do trono em favor de Li Shimin que . . para conspirar contra o irmão. também abrigava comunidades de origens indiana. considerava-se o herdeiro do trono por direito). o quarto filho de Li Yuan. sentindo-se p reterido (que por ser o primogênito. O critério de seleção baseava-se apenas no desempenho do candidato na pr ova.

onde tinham as suas cabeças raspadas e passavam o tempo rezando pela al ma do morto para que ele fosse feliz em sua próxima reencarnação. Chang'an. O seu sucessor foi o seu filho. realizado em 754. o imperador Gaozong. Essa mesma técnica de impressão permitiu que as provas para os concursos públicos chin eses da época fossem impressas. Muitas delas eram enviadas para algum convento budista. O período também foi marcado pela fundação de várias escolas de medicina. Durante a dinastia Tang. favorecido pela melhoria nas condições de vida da maioria dos habitantes. eram obri gadas a viver reclusas. Wu Hou. sozinha. Zhongzong. um número excepcional para a época. os chamados monges copistas tinham que transcreve r manualmente livros antigos para se obter novas cópias. os camponeses pagavam impos . inventado por um monge budista chinês. O final da dinastia Tang foi conturbado. que faziam parte do harém. Uma das conseqüências do desenvolvimento econômico foi o extraordinário aumento da popul ação. mas também nas províncias. na China já era possível imprimir vários exemplares de um mesmo livro. no ano 732. geralmente próxi mo ao túmulo do imperador. Quando um imperador chinês morria.A imperatriz A política de Taizong foi continuada por seus sucessores. En quanto na Europa. a única mulher a ser reconhecida oficialmente como imperatriz da China. que havia sido uma das concub inas de Li Shimin. nos mosteiros católicos. Wu Hou escapou desse destino porque seus atributos teriam impressionado o filho de Taizong. não ape as na capital. Fase de prosperidade Durante a dinastia Tang. essa prosperidade não durou para sempre. a população da China já havia ultrapassado a faixa dos 50 milhões. No entanto. a China conheceu uma fase de grande prosperidade e prog resso técnico e material. a China teve suas fronteiras ampliada s e o comércio se expandiu. dentre os quais. Ela governou ao lado de Gaozong de 670 a 683 e. Segundo o primeiro censo. de 690 a 705. quando morreu. Entre as inovações que marcaram o período está o aparecimento do primeiro relógi o mecânico. as mulheres. Durante o reinado de Taizong. marcado por uma série de crises. Outras invenções que marcaram o período foram a bússola e a técnica de imprimir livros.

Os Song conse guiram reunificar a maior parte da China. Em meados do século 9. Apesar de de rrotada. Durante esta dinastia. exceto a parte norte que estava sendo governada por um pov o mongol. 907-960. teve início uma longa guerra civil que levou ao esfacelamento do país em vários reinos menores. Devido à extensão da China. também conhecido como período dos dez reinos. Mas ess a já é uma outra . e ssas medidas antibudistas só conseguiram ser cumpridas em algumas regiões. A China voltou a ser reunificada somente a partir do ano 960.a dos Song (960-1279). Nas outras. o general Zhu Wen depôs o último imperador Tang e deu início ao período das cinco dinastias. a China se tornará pioneira no uso do papel-moeda e no da pólvora.tos em espécie (entregando parte do arroz que plantavam) ou na forma de trabalho. muitos deles perderam suas terras. A decadência da dinastia Tang Outros problemas assolaram o país: uma grande seca e uma praga de gafanhotos troux eram a fome e provocaram uma série de revoltas camponesas. essa rebelião enfraqueceu o exército chinês e contribuiu para o declínio da dinastia Tang. quando vár ios camponeses famintos saquearam as duas capitais. o governo passou a exigir que os impostos fossem pagos em dinheiro. a partir de 780. eles conti nuaram praticando sua religião nos templos e mosteiros. O governo colocou a culpa nos templos budistas que usavam bronze e outros metais para construir seus sinos e estátuas. Alguns f oram destruídos enquanto outros foram transformados em edifícios públicos. A partir do ano 902. por isso. Uma delas ocorreu no século 9. Chang'an e Luoyang. ele começou a confiscar todos os objetos de metal dos templos budistas para derretê-los e cunhar novas moedas. O responsável por is to foi o general Zhao Kuangyin que deu início a uma nova dinastia . Em 906. O governo se apropriou das terras onde estavam vários mosteiros budistas. Outra medida foi baixar um decreto que acusava o budismo de ser uma religião estrangeira (surgiu onde hoje é o Nepal). Tal exigência era impossível de s er cumprida pela maioria dos camponeses e. mas. o dinheiro era todo na forma de metal. que estava enfraquecendo o país. Naquela época. Falta de metal era igual a falta de dinheir o. Perseguição aos budistas Outro problema que surgiu foi a escassez de cobre e outros metais para cunhar mo edas.

é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Context o). *Túlio Vilela. .história. formado em história pela USP.

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