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DIREITO CIVIL VI FAMÍLIA

PROFESSOR ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA

2º SEMESTRE DE 2011

DIREITO CIVIL VI
Conteúdo DIREITO DE FAMÍLIA ................................ ................................ ................................ .......................... 6 1. DO CASAMENTO ................................ ................................ ................................ ............................ 7 1.1. DA CAPACIDADE PARA O CASAMENTO ................................ ................................ .................... 7 1.2. DOS IMPEDIMENTOS (ARTS. 1521 E 1522) ................................ ................................ ............... 7 1.3. DAS CAUSAS SUSPENSIVAS (ARTS. 1523 E 1524) ................................ ................................ ...... 8 1.4. DA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO ................................ ................................ ........................... 8 1.5. DA INVALIDADE DO CASAMENTO ................................ ................................ ............................ 9 1.5.1. DA IMPOTÊNCIA DOS CÔNJUGES ................................ ................................ .................... 10 1.5.1.1. IMPOTÊNCIA GENERANDI (MASCULINA) ................................ ................................ ...... 10 1.5.1.2. IMPOTÊNCIA COEUNDI OU INSTRUMENTAL (MASCULINA) ................................ ........... 11 1.5.1.3. IMPOTÊNCIA CONCIPIENDI (FEMININA) ................................ ................................ ....... 11 1.5.1.4. SE HOUVER SATISFAÇÃO SEXUAL ................................ ................................ ................. 11 1.5.2. DO PRAZO PARA ANULAÇÃO DO CASAMENTO ................................ ................................ 11 1.6. EFEITOS DO CASAMENTO ................................ ................................ ................................ ...... 11 1.6.1. REGRAS QUANTO AO NOME ................................ ................................ ........................... 12 1.6.2. PLANEJAMENTO FAMILIAR (ART. 1.565 § 2º)................................ ................................ ... 12 1.6.3. DEVERES DOS CÔNJUGES (EFEITOS PESSOAIS) ART. 1.566 ................................ ............ 12 1.6.3.1. SOCIEDADE CONJUGAL ................................ ................................ ................................ 12 1.6.3.2. PODER FAMILIAR E DIREÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL (ART. 1.567) .......................... 13 2. DOS REGIMES DE BENS ................................ ................................ ................................ ................ 14 2.1. REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES (ARTS. 1.639 a 1.652)................................ ................ 14 2.1.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS ................................ ................................ ................................ ....... 14 2.1.2. MOMENTO DA ESCOLHA DO REGIME ................................ ................................ ............. 14 2.1.3. REQUISITOS PARA ALTERAÇÃO DO REGIME ................................ ................................ .... 14 2.1.4. ATOS QUE O CÔNJUGE NÃO PODE PRATICAR SEM A AUTORIZAÇÃO DO OUTRO ............. 15 2.1.5. ESPÉCIES DE REGIMES ................................ ................................ ................................ ..... 15 2.2. DO PACTO ANTENUPCIAL ................................ ................................ ................................ ...... 15 2.3. DO REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL ................................ ................................ .................... 16 2.3.1. BENS INCOMUNICÁVEIS ................................ ................................ ................................ .. 16 2.3.2. BENS COMUNICÁVEIS ................................ ................................ ................................ ..... 16 2.4. DO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL ................................ ................................ ............... 17 2.5. DO REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS ................................ ........................... 17 2.5.1. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL ................................ ................................ ......... 18 2.5.2. RESPONSABILIDADE PELAS DÍVIDAS (arts. 1.677, 1.678, 1.686) ................................ ....... 18

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2.6. DO REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS ................................ ................................ ..................... 18 2.7. BEM DE FAMÍLIA (ARTS. 1.711 a 1.722) E LEI Nº 8.009/90. ................................ ..................... 19 2.7.1. ESPÉCIES ................................ ................................ ................................ ......................... 19 2.7.2. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO (ART.1.711) ................................ ................................ .... 19 2.7.3. BEM DE FAMÍLIA INVOLUNTÁRIO OU LEGAL (LEI Nº 8.009/90) ................................ ........ 20 2.7.4. EXCLUEM-SE DA IMPENHORABILIDADE (LEI Nº 8.009/90) ART. 2º E 3º ......................... 20 2.7.5. EXTINÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA (ART. 1.722) ................................ ................................ .. 20 3. DA UNIÃO ESTÁVEL ................................ ................................ ................................ ..................... 21 3.1. PESSOAS CASADAS DE DIREITO E SEPARADAS DE FATO ................................ .......................... 22 3.2. DEVERES DOS COMPANHEIROS ................................ ................................ ............................. 22 3.3. REGIME DE BENS ................................ ................................ ................................ ................... 22 3.4. CONVERSÃO EM CASAMENTO ................................ ................................ ............................... 22 3.5. CONCUBINATO IMPURO OU ADULTERINO (art. 1.727) ................................ ........................... 23 3.6. CONCUBINATO PURO ................................ ................................ ................................ ............ 23 3.7. DIFERENÇA ENTRE AMANTE E CONCUBINA................................ ................................ ............ 23 3.8. UNIÃO HOMOAFETIVA................................ ................................ ................................ ........... 23 4. DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE E DO VÍNCULO CONJUGAL ................................ ....................... 25 4.1. A SEPARAÇÃO E O DIVÓRCIO APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 66/2010 ...................... 25 4.1.1. ASPECTOS PROCESSUAIS DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 66/2010 ............................. 26 4.2. DO DIVÓRCIO ................................ ................................ ................................ ........................ 27 4.2.1. DIFERENÇA ENTRE DESQUITE E DIVÓRCIO ................................ ................................ ....... 28 4.2.2. DA LEI Nº 11.441/2007 O DIVÓRCIO CONSENSUAL EXTRAJUDICIAL .............................. 28 4.3. USUCAPIÃO URBANA FAMILIAR ................................ ................................ ............................. 29 5. DA PROTEÇÃO DA PESSOA DOS FILHOS ................................ ................................ ....................... 31 5.1. ALIENAÇÃO PARENTAL ................................ ................................ ................................ .......... 32 5.1.1. FORMAS DE ALIENAÇÃO PARENTAL ................................ ................................ ................ 33 6. DAS RELAÇÕES DE PARENTESCO ................................ ................................ ................................ .. 34 6.1. ESPÉCIES DE PARENTESCO ................................ ................................ ................................ ..... 34 6.1.1. PARENTES EM LINHA RETA................................ ................................ .............................. 34 6.1.2. PARENTES EM LINHA COLATERAL ATÉ O 4º GRAU ................................ ......................... 34 6.2. GRAU DE PARENTESCO CONCEITO E CONTAGEM ................................ ................................ 35 6.3. PARENTESCO POR AFINIDADE ................................ ................................ ................................ 35 6.4. LINHAS DE PARENTESCO ................................ ................................ ................................ ........ 35 6.5. DA FILIAÇÃO ................................ ................................ ................................ .......................... 36 6.5.1. LEGITIMIDADE PARA CONTESTAR A PATERNIDADE ................................ ......................... 37

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6.5.2. PROVA DA FILIAÇÃO - LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO................................ ............. 37 6.5.3. RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO DE FILHOS ................................ ................................ .. 37 6.5.4. IMPUGNAÇÃO DO RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE VOLUNTÁRIO .......................... 37 6.5.5. AÇÃO INVESTIGATÓRIA DE PATERNIDADE - IMPRESCRITÍVEL ................................ .......... 38 6.5.6. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE ................................ ................................ .............. 38 6.6. DA ADOÇÃO ................................ ................................ ................................ .......................... 38 6.6.1. REQUISITOS DA ADOÇÃO ................................ ................................ ................................ 38 6.6.2. EFEITOS DA ADOÇÃO ................................ ................................ ................................ ...... 39 6.6.3. NOVA LEI DE ADOÇÃO PLC 314/2004 ................................ ................................ ........... 41 7. DO PODER FAMILIAR ................................ ................................ ................................ ................... 42 7.1. CARACTERÍSTICAS DO PODER FAMILIAR (1.630 a 1.633) ................................ ........................ 42 7.2. EXERCÍCIO DO PODER FAMILIAR QUANTO AOS BENS DOS FILHOS (arts. 1.689 a 1.693) ....... 42 7.3. SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR (art. 1.637)................................ ................................ ........ 42 7.4. PERDA DO PODER FAMILIAR (art. 1.638) ................................ ................................ ................ 42 8. DOS ALIMENTOS ................................ ................................ ................................ .......................... 43 8.1. PRESSUPOSTOS (arts. 1.694 e 1.695) ................................ ................................ ..................... 44 8.2. ALIMENTOS DEVIDOS AO CÔNJUGE ................................ ................................ ....................... 44 8.3. ALIMENTOS DECORRENTES DO DEVER FAMILIAR ................................ ................................ ... 44 8.4. CLASSIFICAÇÃO OU ESPÉCIES DE ALIMENTOS ................................ ................................ ........ 45 8.5. OBRIGAÇÃO ALIMENTAR (art. 1.694) ................................ ................................ ..................... 45 8.6. CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR ................................ ................................ ..... 45 8.7. PESSOAS OBRIGADAS A PRESTAR ALIMENTOS ................................ ................................ ....... 46 8.8. MEIOS PARA GARANTIR O PAGAMENTO DA PENSÃO ................................ ............................. 46 8.9. AÇÃO DE ALIMENTOS (LEI Nº 5.478/68) RITO ESPECIAL................................ ....................... 46 8.10. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO A ALIMENTOS ................................ ................................ ...... 47 8.11. CAUSAS DE EXTINÇÃO................................ ................................ ................................ .......... 47 8.12. SATISFAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR (ART. 1.701) ................................ ........................ 47 8.13. DOS ALIMENTOS GRAVÍDICOS ................................ ................................ ............................. 47 8.14. DIFERENÇA ENTRE ALIMENTOS E PENSÃO ALIMENTÍCIA ................................ ...................... 48 9. TUTELA E CURATELA ................................ ................................ ................................ .................... 49 9.1. TUTELA E TUTORES ................................ ................................ ................................ ................ 49 9.1.1. ESPÉCIES ORDINÁRIAS (ARTS. 1.729 a 1.732)................................ ................................ ... 49 9.1.2. FORMAS ESPECIAIS ................................ ................................ ................................ ......... 49 9.1.3. PROTUTOR (art. 1.742) ................................ ................................ ................................ ... 49 9.1.4. GARANTIA DA TUTELA ................................ ................................ ................................ .... 49

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9.1.5. EXERCÍCIO DA TUTELA................................ ................................ ................................ ..... 50 9.1.6. CESSA A TUTELA EM RELAÇÃO AO MENOR (ART. 1763) ................................ ................... 50 9.1.7. CESSAM AS FUNÇÕES DO TUTOR SEM CESSAR A TUTELA (ART. 1.764) ............................ 50 9.2. CURATELA, CURADORES E INTERDITOS (ARTS. 1.767 a 1.778) ................................ ................ 50 9.2.1. A CURATELA DE MAIORES INCAPAZES É REGRA ABOLUTA? ................................ ............. 50 9.2.2. TUTELA X CURATELA ................................ ................................ ................................ ..... 50 9.2.3. CARACTERÍSTICAS DA CURATELA ................................ ................................ .................... 51 9.2.4. ESPÉCIES DE CURATELA FORMAS ORDINÁRIAS (art. 1.767) ................................ ........... 51 9.2.5. FORMAS ESPECIAIS DE CURATELA (ART. 1.779 E 1.780)................................ ................... 51 9.2.6. LEGITIMIDADE ATIVA PARA PROMOVER A INTERDIÇÃO (ART. 1.768) .............................. 51 9.2.7. QUEM PODE SER NOMEADO CURADOR - CURATELA LEGÍTIMA: (ART. 1.775) .................. 52 9.2.8. CURATELA DATIVA ................................ ................................ ................................ .......... 52 9.2.9. CURATELA DO NASCITURO (arts. 1.779) ................................ ................................ .......... 52 9.2.10. CURATELA DE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA FÍSICA (ART.1.780) ................................ ...... 52 10. BIBLIOGRAFIA ................................ ................................ ................................ ............................ 53

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227. 226 a 230 da C onstituição Federal dispõe sobre as normas atinentes à proteção da família.º). Seção III. § 6. do Título VIII. qualquer que seja a sua origem. efetivando-se a paridade entre eles.º). Além disso. a Constituição Federal sanciona o princípio da igualdade entre os cônjuges (art. A Constituição Federal tem por objetivo estender a proteção do Estado a uma nova noção de família. arts. conforme preconiza o art. 226. Esta família. dos Artigos 1511 ao 1783. bem como da criança.º) e facilita a dissolução do vínculo do casamento pelo do divórcio (art. 22 7. 228 e 229). Também se proíbe qualquer forma de discriminação entre os filhos havidos ou n ão da relação de casamento (art. PROF. aquela decorrente da união estável ou a monoparental.226.DIREITO CIVIL VI DIREITO DE FAMÍLIA Em seu Capítulo VII. merecedora da proteção do Estado. estruturada nas relações afetivas e na dignidade de seus membros. No Código Civil o Direito de Família é tratado no Livro IV. pode ter sua origem no matrimônio ou fora dele. § 5. do adolescente e dos idosos. 226 de nossa Constituição Federal. assim como se estabelecem diretrizes para assegurar o bem estar da criança e do adolescente (arts. § 6. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA Pági na |6 .

perante o juiz. até o momento da celebração do casamento. DO CASAMENTO O casamento estabelece comunhão plena de vida. será permitido o casamento de quem aind a não alcançou a idade núbil para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. f) As pessoas casadas. Na hipótese de recusa injustificada do consentimento. De acordo com o art. até a celebração do casamento. Se o juiz ou o oficial de registro tiver conhecimento da existência de algum impedimento será obrigado a declará -lo. por qualquer pessoa capaz. o casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam. Se não houver consenso entre os pais. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA Pági na |7 . os nubentes poderão pedir o suprimento judicial para contraírem matrimônio. 1521 E 1522) Não podem casar: a) Os ascendentes com os descendentes. seja o parentesco natural ou civil: b) Os afins sem linha reta (exemplo: sogra e genro/ sogro e nora). DOS IMPEDIMENTOS (ARTS. PROF.2. de direito público ou privado. com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. tutores ou curadores revogar a autorização. ou de seus representantes legais. sendo defeso a qualquer pessoa. unilaterais ou bilaterais. 1. c) O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. Os impedimentos podem ser opostos. 1. e demais colaterais. a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal. podem os pais. e o juiz o declara casados. g) O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.514. o homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. qualquer um deles poderá recorrer ao Judiciário para a solução do desacordo.DIREITO CIVIL VI 1. Excepcionalmente. interferir na comunhão de vida instituída pela família. 1.1. e) O adotado com o filho do adotante. Ressalte -se que. exigindo-se autorização de ambos os pais. até o terceiro grau inclusive. DA CAPACIDADE PARA O CASAMENTO Enquanto não atingida a maioridade civil. d) Os irmãos.

enquanto não houver sido homologada ou decidida a partinha dos bens do casal. mas a sua violação importa na obrigatoriedade do regime de separação total de bens. As causas suspensivas têm como finalidade. Nesse sentido. e não estiverem saldadas as respectivas contas. I do Código Civil. parentes ou não dos contrae ntes. cunhados ou sobrinhos. ou da dissolução da sociedade conjugal. é permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas. evitar além de confusão patrimonial. As causas suspensivas não impedem o casamento e nem o tornam nulo. para r eceber o mesmo benefício. irmãos. c) O divorciado.DIREITO CIVIL VI 1. com a pessoa tutelada ou curatelada. sejam consangüíneos ou afins em ambos os casos. provando-se a inexistência de prejuízo. enquanto não cessar a tutela ou curatela. mediante petição dos contraentes devidamente habilitados. As causas suspensivas podem ser opostas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes e os colaterais em segundo grau.3. respectivamente. 1. ou inexistência de gravidez. hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato. para o herdeiro. dubiedade com relação à filiação.641. DAS CAUSAS SUSPENSIVAS (ARTS. até dez meses depois do começo da viuvez. consoante disposto no art. A solenidade será realizada mediante presença de pelo menos duas testemunhas. 1. DA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO Celebrar-se-á o casamento no dia. para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA Pági na |8 . na fluência do prazo. ascendentes. 1523 E 1524) Não devem casar: a) O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros.4. PROF. a nubente deverá provar nascimento de filho. No entanto. ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado. d) O tutor curador e os seus descendentes. b) A viúva. Se o casamento for realizado em edifício particular deverá ocorrer na presença de quatro testemunhas (também deverão comparecer quatro testemunhas na hipótese de algum dos contraentes não souber ou não puder escrever).

for registrado. Será nulo o registro civil do casamento religioso se. contados da data em que foi extraído o certificado. 1. O casamento religioso equipara-se ao civil. Pode-se celebrar o casamento mediante procuração. a qualquer tempo. ou qualquer interessado. O Ministério Público. poderá promover ação direta visando a decretação de nulidade do casamento. celebrado sem as formalidades exigidas pelo legislador. até segundo grau. dentro em dez dias. o casamento será celebrado na presença de seis testemunha s. mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo de noventa dias.540 do C ódigo Civil. por instrumento público. que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta. Observe-se que a revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário. terá efeitos civis se.5. na colateral. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA Pági na |9 . Realizado o casamento nuncupativo. ou o cônjuge convalescente. e desde que devidamente registrado no registro civil dentro do prazo de noventa dias contados da sua realização. atendendo suas exigências.DIREITO CIVIL VI O chamado casamento nuncupativ o. Porém. verifica-se na hipótese de iminente ri sco de vida de algum dos contraentes. celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação. ou. Nesse caso. qualquer dos consortes houver contraído com outrem casamento civil. disposto no art. DA INVALIDADE DO CASAMENTO É nulo o casamento contraído por: a) Infringência de impedimento. pelos motivos previstos no parágrafo antecedente. responderá o mandante por perdas e danos. a requerimento do casal. no registro civil. com poderes especiais. Sua eficácia não ultrapassará noventa dias e somente por instrumento público poderá ser revogado . antes dele. O casamento religioso. É imprescritível o prazo para a ação. devem as testemunhas. para ratificar o ato sob pena de ser declarado inexistente. comparecer perante a autoridade judicial mais próxima. 1. É anulável o casamento: PROF. b) Por enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. em que não se obtenha a presença da autoridade para presidir o ato.

f) Por incompetência da autoridade celebrante. que. PROF. de fecundar (esterilidade).1.553. de doença mental grave que.5. erro essencial quanto à pessoa do outro. de defeito físico irremediável. Realizado pelo mandatário. pelo contágio ou herança. sua honra e boa fama. ou sofreu coação. confirmar seu casamento com a autorização de seus representantes legais. por sua natureza. de modo inequívoco. a) b) c) d) e) Se o menor que não atingiu a idade núbil poderá. ou de moléstia grave e transmissível. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Do incapaz de consentir ou manifestar. conforme previsão do art. c) A ignorância. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. o consentimento. Por vício da vontade. mas a coabitação. d) A ignorância. Somente o cônjuge que incidiu em erro. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 10 . IMPOTÊNCIA GENERANDI (MASCULINA) É a incapacidade de gerar filhos. por parte de um dos nubentes.DIREITO CIVIL VI De quem não completou a idade mínima para casar. depois de completá -la.5. anterior ao casamento. Ocorrerá o vício da vontade se houver. havendo ciência do vício . 1. po r sua natureza. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. a saúde e a honra. 1. Não é motivo para anulação do casamento. b) A ignorância de crime. se necessária. quando não autorizado por seu representante legal. anterior ao casamento. quando o consenti mento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. anterior ao casamento. pode demandar a anulação do casamento. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. torne insuportável a vida conjugal.1. Do menor em idade núbil.1. É anulável o casamento em virtude de coação. ao consentir. DA IMPOTÊNCIA DOS CÔNJUGES 1. valida o ato. ou com suprimento judicial. sua ou de seus familiares. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: a) O que diz respeito a sua identidade.

no caso do inciso IV do art. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias. PROF. a partir da data em que o mandante tiver conhec imento da celebração. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. se houver coação. É motivo para anulação do casamento. 1. SE HOUVER SATISFAÇÃO SEXUAL O casamento é válido (não é anulável). DO PRAZO PARA ANULAÇÃO DO CASAMENTO O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento. Quatro anos. para seus representantes legais ou ascendentes.4.5. 1. de copular. Extingue-se. se incompetente a autoridade celebrante. 1. em cento e oitenta dias. a contar da data da celebração. em relação a estes como aos filhos. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. nos casos dos incisos I a IV do art. homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes.1. IMPOTÊNCIA COEUNDI OU INSTRUMENTAL (MASCULINA) É a incapacidade de realizar o ato sexual (coito). Casamento Putativo: embora anulável ou mesmo nulo.5.2.5.5 50 (realizado pelo mandatário. 1.550.3.5. 1. EFEITOS DO CASAMENTO Pelo casamento. 1.1. Na hipótese do inciso V do art.2. Dois anos. o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos. 1.6. IMPOTÊNCIA CONCIPIENDI (FEMININA) É a incapacidade de conceber filhos (esterilidade).1. Três anos. Não é motivo para anulação do casamento.DIREITO CIVIL VI 1. e da data do casamento. o casamento contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges). é de: a) b) c) d) Cento e oitenta dias. contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 11 .557 (erro essencial).

PLANEJAMENTO FAMILIAR (ART.565 § 2º) É de livre decisão do casal.DIREITO CIVIL VI 1. Dano grave reconhecido na decisão judicial.O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar. querendo. § 1º . no domicílio conjugal. DEVERES DOS CÔNJUGES (EFEITOS PESSOAIS) ± ART. Vida em comum.2. II. a qualquer momento. 1. III. 1.6. vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. 1. 1. salvo no caso de divórcio indireto se a sentença de separação dispor em contrário ± art. REGRAS QUANTO AO NOME Qualquer dos nubentes. IV.3. Mútua assistência. 1578 ± o cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro.566 I. Sustento. SOCIEDADE CONJUGAL É o conjunto de direitos e obrigações que f ormam a vida em comum dos cônjuges e está contida no matrimônio. pode acrescer ao seu o sobrenome do outro ± art. § 1º.571. 1. Fidelidade recíproca. 1. PROF. Art.6. § 2º. Regula o regime de bens e os frutos civis do trabalho dos consortes. 1.1. ao direito de usar o sobrenome do outro. Manifesta distinção com o nome dos filhos. guarda e educação dos filhos.6. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito. O cônjuge poderá manter o nome de casado após o divórcio. Respeito e consideração mútuos.6. desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: a) b) c) Evidente prejuízo para sua identificação. V.3.565.1. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 12 .

qualquer que seja o regime patrimonial. ao exercício de sua profissão.3. pelo marido e pela mulher. PROF. encarcerado por mais de cento e oitenta dias. interditado judicialmente ou priva do. Os cônjuges são obrigados a concorrer. em colaboração.DIREITO CIVIL VI 1.6. Havendo divergência. de consciência. 1. mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos. Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou não sabido. para o sustento da família e a educação dos filhos. que decidirá tendo em consideração aqueles interesses. ou a interesses particulares relevantes.567) A direção da sociedade conjugal será exercida. qualquer dos cônjuges poderá recorrer ao Judiciário. sempre no interesse do casal e dos filhos. cabendo -lhe a administração dos bens.2. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 13 . o outro exercerá com exclusividade a direção da família. episodicamente. O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges. na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho. PODER FAMILIAR E DIREÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL (ART. em virtude de enfermidade ou de acidente.

1.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS a) Irrevogabilidade ± passou-se da imutabilidade absoluta para a mutabilidade motivada. estipular.639. desde que resguardados os interesses dos cônjuges e de terceiros. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 14 .1. 2. Autorização judicial depois de apurada a procedência das razõ es invocadas. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.3.1. MOMENTO DA ESCOLHA DO REGIME No pacto antenupcial. bem como sobre aquele adquirido na constância da sociedade conjugal. o que lhes aprouver.652) É o estatuto que regula os interesses patrimoniais dos cônjuges durante o matrimônio.639 a 1. determinando-se quais efeitos serão produzidos sobre o patrimônio já existente.1. É lícito aos nubentes. b) Variedade de regimes ± existem 4 regimes: comunhão parcial e total. O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento. quando aos seus bens.2. DOS REGIMES DE BENS 2. PROF. sob pena de prevalecer o regime de comunhão parcial de bens. 1. REQUISITOS PARA ALTERAÇÃO DO REGIME É admissível alteração do regime de bens no decorrer do casamento (art. 1.655) 2. separação total (legal e convencional) e participação final nos aquestos.DIREITO CIVIL VI 2. c) Livre estipulação ± pode haver combinação de regimes e até a criação de um novo regime. REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES (ARTS. Também estabelece reflexos nas relações jurídicas com terceiros. § 2º). desde que não viole o disposto em lei (art.1. antes de celebrad o o casamento. O regime matrimonial de bens consiste no regramento das relações econômicas entre os cônjuges na constância do casamento. 2. a) b) Pedido motivado de ambos os cônjuges. mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges.

2. o regime da comunhão parcial. ESPÉCIES DE REGIMES a) Legais: comunhão parcial e separação obrigatória de bens. tornará anulável o ato praticado.647): a) b) c) d) Alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis. Prestar fiança ou aval. Fazer doação. ou lhe seja impossível conce dê-la. PROF.DIREITO CIVIL VI Não havendo convenção.5. por meio do qual os nubentes escolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. não suprida pelo juiz. de bens comuns ou que possam integrar futura meação. 2.1. separação de bens e participação final nos aquestos. Cabe ao juiz suprir a outorga quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo. 2. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 15 . 2. ATOS QUE O CÔNJUGE NÃO PODE PRATICAR SEM A AUTORIZAÇÃO DO OUTRO Nenhum dos cônjuges pode. ou sendo ela nula ou ineficaz. exceto no regime da separação absoluta (Art. quando necess ária. realizado antes do casamento. vigorará. Pleitear. quanto aos bens entre os cônjuges. b) Convencionais: comunhão total. podendo o outro cônjuge pleitear -lhe a anulação. 1. como autor ou réu. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. DO PACTO ANTENUPCIAL É o contrato solene e condicional.1. A falta de autorização. acerca desses bens ou direitos. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. sem autorização do outro. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escrit ura pública e ineficaz. não sendo remuneratória.4. se não lhe seguir o casamento. É obrigatório para os regimes convencionais.

3. se os consortes não fizerem o pacto antenupcial. os livros e instrumentos de profissão. As convenções antenupciais não terão efeito perante terceiros senão depois de registradas.1. pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges.DIREITO CIVIL VI A eficácia do pacto antenupcial. e os sub-rogados em seu lugar. fica condicionada à aprovação de seu representante legal.661): a) Os bens que cada cônjuge possuir ao casar. e) Os bens de uso pessoal. É o que prevalece. ou fizerem. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 16 . por doação ou sucessão. DO REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL É o regime pelo qual entram na comunhão os bens que sobrevierem ao casal. c) As obrigações anteriores ao casamento. d) As obrigações provenientes de atos ilícitos. montepios e outras rendas semelhantes. da mu lher e comuns. Estabelece uma separação em relação aos bens do passado (antes do casamento) e comunhão quanto ao futuro (bens adquiridos na constância do casamento). g) As pensões. salvo reversão em proveito do casal. Não serão levados em conta cláusulas ou contrato que prejudiquem direitos conjugais ou paternos ou que disponham de maneira contrária a preceito legal. Excluem-se da comunhão (Arts.659 e 1. na constância do casamento. em livro especial. 2. meios-soldos. 2. b) Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares.3. salvo as hipóteses de regime obrigatório de separação de bens. BENS INCOMUNICÁVEIS São os que constituem o patrimônio pessoal da mulher ou do marido.3. PROF.2. e os que sobrevierem. mas for nulo ou ineficaz. gerando 3 tipos de bens: do marido.1. 2. BENS COMUNICÁVEIS São os que entram na comunhão e integram o patrimônio comum do casal. f) Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. na constância do casamento. realizado por menor.

atuais e futuros. tanto os bens adquiridos antes como após o matrimônio são divididos entre os cônjuges. cada cônjuge possui patrimônio próprio. g) As pensões.DIREITO CIVIL VI Entram na comunhão (Art. DO REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS No regime de participação final nos aquestos (art. d) As doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade. ainda que só em nome de um dos cônjuges. d) As benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. a título oneroso.5. I a V): a) Os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso. salvo se provierem de despesas com seus aprestos.660.686). e lhe cabe. em favor de ambos os cônjuges. e) Os bens de uso pessoal. meios-soldos. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento e presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis. b) Os bens adquiridos por fato eventual. 1672 a 1. os livros e instrumentos de profissão. PROF. f) Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. DO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL É o regime convencional. 1. direito à metade dos bens adquiridos pelo casal. à época da dissolução da sociedade conjugal. percebidos na constância do casamento. Fica fora da comunhão apenas o rol constante do art. c) As dívidas anteriores ao casamento. isto é. 2. estipulado no pacto antenupcial. montepios e outras rendas semelha ntes. b) Os bens gravados de fideicomisso e o direito de herdeiro fideicomissário. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 17 . pelo qual todos os bens se comunicam. c) Os bens adquiridos por doação. na constância do casamento. 1. antes de realizada a condição suspensiva. quando não se provar que o foram em data anterior.668: a) Os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar. e) Os frutos dos bens comuns. 2.4. ou dos particulares de cada cônjuge. com ou sem co concurso de trabalho ou despesa anterior. herança ou legado. ou reverterem em proveito comum.

em benefício do outro. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: a) Os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub -rogaram. 1. 1. computar -se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 18 .5.6 56) 2. Salvo prova em contrário. que os poderá livremente alienar. a integral administração e a fruição de seus próprios bens. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge. a qualquer tít ulo. apurar -se-á o montante dos aquestos.1. nesse caso.2. sem a necessária autorização do outro. na data da dissolução.686) Cada cônjuge responde por suas dívidas. parcial ou totalmente. por valor equivalente ao da época da dissolução. 2. ou declarado no monte partilhável. o da comunhão parcial. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal. 2. Os frutos dos bens particulares e os que forem com eles obtidos formarão o monte partível.678.5. 1. presumem-se adquiridos durante o casamento bens móveis. c) As dívidas relativas a esses bens. salvo prova de terem revertido. o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros. No pacto antenupcial poderá ser convencionada a livre disposição dos bens imóveis. o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos.677. 1. à meação do outro. se forem móveis. Ao determinar-se o montante dos aquestos. Se um deles solveu uma dívida do consorte com bens do seu patrimônio. DO REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS Cada cônjuge conserva a plena propriedade. na constância do casamento. em tese. RESPONSABILIDADE PELAS DÍVIDAS (arts. podendo aliená -los e gravá-los de ônus real livremente.6. O regime da separação de bens pode ser classificado em: PROF. depois de dissolvida a sociedade conjugal. b) Os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. A mesma regra se aplica quando a sociedade é dissolvida pela morte.DIREITO CIVIL VI É um misto de dois regimes: durante a constância do casamento. desde que particulares (art. vigoram regras semelhantes ao regime de separação total de bens e.

1. II. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO (ART. não podendo seu valor ultrapassar 1/3 do patrimônio líquido do instituidor existente no tempo da instituição. A instituição do bem de família é uma forma de afetação do imóvel residencial a um destino especial.7. De todos os que dependerem. 1. para casar. ESPÉCIES a) Voluntário ± decorrente da vontade dos cônjuges.711) Os cônjuges ou a entidade familiar podem constituir bem de família mediante escritura pública ou testamento. As mesmo tempo.7. de suprimento judicial´. salvo as provenientes de impostos devidos pelo próprio prédio (propter rem).No regime de separação legal de bens. 2. estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges. salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 19 .711 a 1. Estipulada a separação de bens.DIREITO CIVIL VI a) Separação Convencional: decorre da livre manifestação de vontade dos cônjuges.722) E LEI Nº 8. III. 2. Da pessoa maior de sessenta anos. enquanto forem vivos os cônjuges e até que os filhos completem sua maioridade.711). b) Separação Obrigatória: imposta pelo legislador nas hipóte ses previstas no art. b) Involuntário ou legal ± resultante de estipulação legal ± Lei nº 8. 5º da Lei nº PROF. levada à efeito através do pacto antenupcial. assim. ³É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. companheiros ou terceiro (art. Das pessoas que contraírem com inobservância das causas suspensivas celebração do casamento.1.7.009/90. Desse modo.641 do Código Civil. só haverá necessidade de sua instituição pelos meios supramencionados na hipótese do parágrafo único do art. BEM DE FAMÍLIA (ARTS. tornando -o asilo da família e. declara mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial.1. Súmula nº 377 do STF . impenhorável por dívidas posteriores à constituição. que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. 1.2.009/90 2. Os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na p roporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus ben s.

próprio do casal ou da entidade familiar. comercial.722) Com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos. 2. indenização ou perdimento de bens.7.009/90.009/90) ± ART.7. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. fiscal. BEM DE FAMÍLIA INVOLUNTÁRIO OU LEGAL (LEI Nº 8. salvo nas hipóteses previstas no art. obras de a rte e adornos suntuosos. PROF. I a VII da citada Lei. previdenciária ou de outra natureza contraída pelos côn juges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e neles residam.009/90) Esta lei ampliou o conceito de bem de família que agora não depende mais das formalidades prevista no CC (não precisa de escritura pública nem de registro para valer contra terceiros). Agora. ou seja.7. EXCLUEM-SE DA IMPENHORABILIDADE (LEI Nº 8. Hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar. 2º E 3º a) b) c) d) e) f) g) h) Veículos de transporte. que tornou impenhorável o imóvel residencial. desde que não sujeitos a curatela. Imóvel adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento. e não desejar que a impenhorabilidade recaia sobre o de menor valor. Créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias.DIREITO CIVIL VI 8.3. utilizados como residência. predial (IPTU) ou territorial (ITR). 1. norma de ordem pública. o bem de família resulta da lei. Crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 20 . Impostos. 2. quando o casal ou entidade familiar possuir vários imóveis. EXTINÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA (ART. Obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. 2.5. 2º e 3º. Pensão alimentícia.4. que não responderá por qualquer dívida civil.

durante um período de tempo consideráv el. vizinhos ou amigos do casal. portanto. configurada na convivência pública.723 que é reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher. No entanto. afetos e interesses. tais como. para a constituição da união estável. ou seja. Por fim. São as relações mais sólidas e duradouras. da convergência de interesses. fundado na comunhão de vida. não existe um prazo fixo. a união estável deve ser pública para que possa ser reconhecida como entidade familiar merecedora da proteção do Estado. determinado pelo legislador para a sua caracterização. da assistência mútua e da conjugação de esforços. O elemento tempo. parentes. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 21 . por conseguinte. Todavia. O propósito de empreenderem uma vida a dois.DIREITO CIVIL VI 3.723 do Código Civil apresenta uma inovação. Assim. partindo -se da recíproca afeição. em seu parágrafo primeiro. é necessário que a relação seja contínua. para a caracterização da união estável. DA UNIÃO ESTÁVEL A união estável consiste na relação entre o homem e a mulher. comungando dos mesmos interesses e idéias e compartindo sua existência. apresenta fundamental importância para a consolidação da relação e.971/94 foi derrogado pelo Código Civil de 2002 e pela CF-88. sem interrupções de vulto capazes de colocar em risco a estabilidade da união. revelamse dignas da proteção do Estado. capaz de permitir a realização de um projeto de vida em comum. 1. Não existe período mínimo para caracterização da União Estável. contínua e duradoura e e stabelecida com o objetivo de constituição de família. ao determinar que as uniões estáveis não se constituirão se ocorrerem os PROF. uma vez que o prazo de 5 anos de que tratava a Lei nº 8. que merecem se denominados estáveis e. em que se estabeleça um vínculo familiar. Além disso. que logram ultrapassar por esse estágio inicial de instabilidade. como se casados fossem. tudo com vistas à constituição de uma família. para a caracterização da união estável faz-se imperiosa a intenção dos companheiros de realizarem um projeto de vida em comum. O Código Civil estabelece em seu art. o art. Além da necessidade de protrair -se no tempo para constituir uma família. 1. demonstra a intenção de constituir família dos companheiros. portanto. bastaria que a relação entre o homem e a mulher fosse c onhecida por certas pessoas. fazendo-se necessário apenas que seja duradoura. constituindo elemento necessário para que se consubstancie a união estável. da lealdade.

4. O dever de fidelidade recíproca está implícito nos de lealdade e respeito. PESSOAS CASADAS DE DIREITO E SEPARADAS DE FATO Podem constituir união estável. nos termos da Súmula nº 382 do STF. salvo contrato escrito entre companheiros.1. sustento e educação dos filhos. é importante ressaltar que se aplica às relações patrimoniais. respectivamente. PROF.521. Guarda.727 do Código Civil. o regime da comunhão parcial de bens. 3. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 22 . 1. impedidos de casar.726). constituem concubinato´ Faça-se a ressalva.3. A coabitação não é indispensável. Respeito e assistência mútua. ao dispor que ³as relações não eventuais entre o homem e a mulher. guarda. Tratam se de mero concubinato.725). O Código Civil também estabelece os deveres dos companheiros: lealdade. mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil (art. as relações entre um homem e uma mulher impedidos de casar não são capazes de constituir uma união estável a ser amparada pelas normas. 1. 3. CONVERSÃO EM CASAMENTO A união estável poderá ser convertida em casamento. REGIME DE BENS Além disso. 1. ³não se aplicando a incidência do incis o VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente´. entretanto.2. (art.DIREITO CIVIL VI impedimentos do art. encontrem -se separados de fato de seus respectivos cônjuges e vivendo em união duradoura. sustento e educação dos filhos. no que couber. respeito e assistência. com o intuito de constituírem uma família. 3. 1. Deste modo. em seu sentido estrito. nos termos do art. pública e continua com outra mulher ou home. DEVERES DOS COMPANHEIROS a) b) c) d) e) Lealdade. 3. àquelas uniões em que o homem casado ou a mulher ainda não separada judicialmente e nem divorciada.

separados judicialmente. MAS a concubina é a mulher que passa a viver com um homem. Assim. No Brasil.8. presumivelmente sob o mesmo teto. para ser bem amplo e genérico. o mesmo significado. CONCUBINATO PURO É a relação amorosa não eventual entre pessoas solteiras.5. para substituí-la. CONCUBINATO IMPURO OU ADULTERINO (art.7. para muitos. pela Procuradoria-Geral da República e pelo governador do Rio de Janeiro. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 23 . do italiano conviventi.6. em síntese. em julgamento polêmico naquela côrte em 05 de maio de 2011. divorciados ou viúvos. Constitui união estável e tem proteção legal. Até na jurisprudência brasileira (decisões de tribunais) se encontra este conceito. Sérgio Cabral. Amante é a mulher que se encontra com um homem com finalidade sexual. 3. reconheceram a união estável para casais do mesmo sexo. mas nem toda amante é Concubina. são sinônimos. DIFERENÇA ENTRE AMANTE E CONCUBINA Concubina e Amante. respectivamente. a palavra CONCUBINATO tornou-se uma palavra estigmatizada. pode-se concluir que toda Concubina (Companheira/Convivente) é amante. Mas os três termos possuem. ao julgarem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132.727) É a relação amorosa não eventual entre homem e mulher impedidos de casar (casados). UNIÃO HOMOAFETIVA Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira já estabelece para os casais heterossexuais. As ações foram ajuizadas na Corte. apenas. 1. A partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).DIREITO CIVIL VI 3. Uma lei de 1994 substituiu a expressão por COMPANHEIROS e uma outra lei (1996) criou a expressão CONVIVENTES. como se fossem marido e mulher. pejorativa. que infringem o dever de fidelidade. em caráter duradouro. 3. Concubinos são aqueles que vivem juntos sem serem casados. o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo PROF. 3. Não constitui união estável e não tem proteção legal.

hoje. por exemplo. Por ser uma decisão em duas ações diretas de inconstitucionalidade . PROF. responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas. Por exemplo: para ter direito à pensão por morte. ter acesso à herança de seu companheiro em caso de morte. Pela legislação atual e por decisões de alguns tribunais. e outra pela vice -procuradora-geral da República. os homossexuais passam a ter reconhecido o direito de receber pensão alimentícia. dentre outros direitos. a família decorrente da união estável e a família formada. portanto.DIREITO CIVIL VI será permitido e as uniões homoafetivas passam a ser tratadas como um novo tipo de família. afirmou a ministra Ellen Gracie. poderão adotar filhos e registrá-los em seus nomes. as un iões de pessoas de mesmo sexo eram tratadas como uma sociedade de fato. " O reconhecimento. pelo tribunal. que aprovou por unanimidade o reconhecimento legal da união homoafetiva. E como entidade familiar. terá de comprovar que mantinha com o companheiro que morreu uma união em regime estável. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 24 . as uniões de pessoas do mesmo sexo passam a merecer a mesma proteção do Estado. não havia direito a pensão. O julgamento do Supremo. em caso de separação. como se fosse um negócio. torna praticamente automáticos os direitos que hoje são obtidos com dificuldades na Justiça e põe fim à discriminação legal dos homossexuais. cuja dignidade foi ofendida. o entendimento do STF deve ser seguido por todos os tribunais do país. As uniões homoafetivas serão colocadas com a decisão do tribunal ao lado dos três tipos de família já reconhecidos pela Constituição: a família convencional formada com o casamento. Sérgio Cabral. desses direitos.uma de autoria do governador do Rio de Janeiro. pela mãe solteira e seus filhos. Assim. Pela decisão do Supremo. Deborah Duprat -. cujos direitos foram ignorados. Os casais homossexuais estarão submetidos às mesmas obrigaçõe s e cautelas impostas para os casais heterossexuais. por exemplo. E a partilha de bens era feita medindo -se o esforço de cada um para a formação do patrimônio adquirido. cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida". podem ser incluídos como dependentes nos planos de saúde. A decisão do STF deve simplificar a extensão desses direitos.

. em 13 de julho de 2010... DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE E DO VÍNCULO CONJUGAL A sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. pelo divórcio...... não aceita de forma uníssona...... separação prévia e a qualquer tempo. senão vejamos: Art. independente de demonstração de culpa. A referida Emenda desaparece com o instituto da separação..... A SEPARAÇÃO E O DIVÓRCIO APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 66/2010 O Congresso Nacional promulgou em 13 de julho de 2010 a Emenda Constitucional 66..DIREITO CIVIL VI 4........... . Art... foi a extinção da exigência de prazos e causas para a dissolução do vínculo matrimonial... Para a grande maioria dos doutrinadores em Direito de Família. 226 da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação: Art..... o casamento válido só se dissolve: pela morte de um dos cônjuges. 4........ A segunda.Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. requeira o divórcio imediato.O §6º do art.1. elimina os prazos e a perquirição de culpa para dissolver a sociedade conjugal (com exceção para responsabilidade civil por dano moral ou material).... pela nulidade ou anulação do casamento.. A primeira. e PROF.... foi o fim da separação judicial. 1º . 2º ..... de consenso geral.. pelo divórcio.. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 25 ............ com vigência imediata. A nova regra constitucional representou um significativo avanço em matéria de Direito de Família na medida em que trouxe duas importantes inovações.. possibilitando que qualquer dos cônjuges. Brasília.... 226... a Emenda Constitucional nº 66/2010 acabou com a dicotomia da existência da dissolução da sociedade conjugal (separação judicial) com o requisito de prévia separação judicial por mais de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos ... § 6º .O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. No entanto.

ASPECTOS PROCESSUAIS DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 66/2010 Como delineado anteriormente. Aliás. ainda. era possível o restabelecimento do casamento. na autonomia privada e na intimidade do indivíduo. a alteração constitucional promovida pela Emenda Constitucional nº 66/2010 instituiu o divórcio como único modo de dissolver o casamento. Ou seja. Entretanto. Acreditava -se que a separação impediria os divórcios e. religioso ou social. materiais ou estéticos possa demandar o ex-consorte para debater a culpa em ação indenizatória. o que não mais se justifica em um Estado laico. possibilitariam as reconciliações devido ao prazo de espera para conversão em divórcio. onde será apurado o nexo de causalidade. vez que no divórcio não cabe questionamentos acerca das causas que motivaram o fim da união. o argumento usado para o instituto da separação judicial era puramente religioso. religiosa e social da não facilitação da extinção do casamento e da preservação da família. bem como contribuía para o abarrotamento do Judiciário com número excessivo de procedimentos desnecessários.1. A autonomia da vontade proporcionou ao indivíduo o direito de n ão mais sustentar um relacionamento afetivo com interesse apenas moral.DIREITO CIVIL VI do vínculo matrimonial (divórcio). abolindo do ordenamento jurídico de forma definitiva o instituto da separação judicial. deverá ser discutida através de ação autônoma perante o juízo Cível. não impede que o cônjuge que tenha sofrido danos morais. 4. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 26 . desgastes emocionais. esse entendimento já vinha sendo prestigiado pela jurisprudência pátria. agora. O sistema binário de dissolução do casamento possui raíze s e justificativas em uma moral. tendo em vista que geravam maiores despesas. a evolução social e do direito demonstrou que esta realidade não mais ocorria. Em 1977. No entanto. se antes. abolindo do mundo jurídico o instituto da separação judicial.1. Outra questão relevante é a impossibilidade de reconciliação. todavia. que reconhecia ser desnecessária a identificação do culpado pela separação. Conseqüência principal dessa mudança é o afastamento da possibilidade de discussão da culpa. com a separação jurídica. em razão da dificuldade em atribuir a apenas um dos cônjuges a responsabilidade pelo fim do vínculo afetivo. seja ele de forma consensual ou litigiosa. quando da promulgação da Lei do Divórcio. vez que tal instituto não tinha o condão de dissolver o vínculo matrimonial. com o PROF. a exclusão da análise da culpa do âmbito do Direito de Família. A matéria. A evolução legislativa do ordenamento pátrio baseia -se no princípio da interferênc ia mínima do Estado.

No que diz respeito aos separados judicialmente /administrativamente. Rodolfo. 139. persistindo o vínculo matrimonial daqueles que. não houve transformação automática para o estado civil de divorciado. a modificação de uma situação jurídica que já estava consolidada segundo as regras vigente s ao tempo de sua constituição poderia gerar uma grave insegurança jurídica 1. Pois. possuem o estado civil de separado judicialmente. confor me preceituam os arts. Diante dessa realidade. diante da nova norma constitucional. o impacto da modificação do texto constitucional na seara do direito aos alimentos. por sua total incompatibilidade com a nova ordem constitucional.2. devendo. eliminou -se todo e qualquer prazo para a concessão do divórcio. ainda. vez que a pretensão alimentar do cônjuge não poderá se fundar na conduta desonrosa do outro consorte ou em qualquer ato culposo que implique violação dos deveres conjugais. conforme explicitam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. fazendo surgir uma nova concepção sobre o sistema de dissolução do casamento. o pedido de pensão alimentícia deve ser pautado simplesmente no binômio necessidade (credor) e possibilidade econômica (devedor). pois. se não mais subsiste. No que diz respeito à partilha. serem respeitados o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 27 . 1 GAGLIANO. vieram à tona muitas dúvidas práticas a respeit o da situação jurídica daqueles que já se encontravam separados judicialmente (ou administrativamente) ao tempo da entrada em vigor da Emenda. não se sujeitam à exigência de qualquer lapso temporal.702 e 1.577 do Código Civil vigente. que estabelece que o divórcio pode ser levado a efeito sem a prévia partilha dos bens. após a Emenda do Divórcio. São Paulo: Saraiva. O novo divórcio. permanece a regra já consagrada pelo Código Civil de 2002. a aferição do elemento subjetivo da culpa.704 do Código Civil Brasileiro. bem como em relação às ações de separação judicial em andamento. havendo reconciliação. 4. Merece destaque. Desse modo. nos termos do disposto no art.DIREITO CIVIL VI divórcio. portanto. DO DIVÓRCIO Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 66/2010. Contudo. 2010. hoje. o que deve ser feito através de ação própria. para o pedido de decretação do divórcio. 1ª edição. p. Pablo Stolze. 1. com a supressão do ordenamento jurídico do instituto da separação judicial e dos dispositivos que a regiam. o casal só poderá restabelecer a união através de novo casamento. 1. PAMPLONA FILHO. PROF. nada obsta o restabelecimento da sociedade conjugal.

Se. Assim. DA LEI Nº 11. atualmente revogado por força da Emenda Constitucional nº 66 que alterou o § 6º do Art. sem que com isto se caracterize alteração de pedido ou causa de pedir. nos parece plausível a intimação da parte autora (separação litigiosa) ou dos i nteressados (separação consensual) para. 226 da Constit uição Federal. readequarem o seu pedido ao novo sistema constitucional. como não se trata de questão pacífica na doutrina e jurisprudência. outrossim. com o advento da Emenda Constitucional nº 66/2010. criado por lei em 1977. Caso seja realizada a devida readequação. os tabeliães não deverão mais lavrar escrituras públicas de separação. A referida lei substituiu a primeira expressão por "Separação Consensual" e a segunda por "Separação Litigiosa". por impossibilidade jurídica do pedido (art.1. há entendimento. utilizava-se largamente as expressões "Desquite por mútuo consentimento" e "Desquite litigioso". 4. por outro lado.2. sem resolução do mérito. devem ser indeferidas de plano pelo mesmo motivo. embora minoritário.2. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 28 . têm a prática de utilizar -se de expressões contidas na lei. VI do CPC). 267. 4. sem prolação de sentença. considerando que a medida buscada não é mais contemplada no nosso ordenamento. visto que tal instituto não foi extinto do ordenamento. no Brasil. o magistrado deve extinguir o processo. com vistas à decretação do divórcio. enquanto não existiu o divórcio. e não Divórcio. o processo seguirá seu curso regular. dentro de um prazo estabelecido. houver recusa da parte autora ou dos interessados. lavrarem atos de conversão de separação PROF. o antigo Desquite é a atual Separação. Aquelas ações de separação de direito cujo ingresso se deu em momento posterior à alteração constitucional.2. mas simples adaptação de caráter material em razão da mudança no texto constitucional. Vale salientar que.441/2007 ± O DIVÓRCIO CONSENSUAL EXTRAJUDICIAL Na esfera dos divórcios e separações consensuais disciplinados pela Lei nº 11. ou pela conversão do procedimento em divórcio. DIFERENÇA ENTRE DESQUITE E DIVÓRCIO Os profissionais do Direito. no sentid o de que deve ser dada às partes a faculdade de optar pela continuidade da demanda de separação. qual seja.441/2007. sob pena de nulidade absoluta do ato.DIREITO CIVIL VI Em relação às ações de separação judicial em curso. Assim. pedido juridicamente impossível. ou ainda se os mesmos deixarem transcorrer o prazo sem qualquer manifestação. e em razão da economia processual. facultan do-se.

A Lei 12. possibilitando a realização de inventário. no texto do Código Civil. A Lei nº 11. a Usucapião Familiar. 52 da Resolução nº 35 do Conselho Nacional de Justiça. ³ No âmbito constitucional. ao s alimentos ao nome de casado. permite-se o divórcio consensual extrajudicial ou administrativo.441. tanto o divórcio direto como a conversão da separação em divórcio. nos termos do art. consagrado no art. é dispensável a apresentação de certidão atualizada do processo judicial. uma nova modalidade de usucapião urbana. § 1o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. USUCAPIÃO URBANA FAMILIAR O Direito Civil passou a contar no dia 16 de junho de 2011. sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinqüenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar. acrescentado o art. bastando a certidão da averbação no assento de casamento. Na escritura pública de divórcio s extrajudiciais devem constar as disposições atinentes à partilha de bens dos cônjuges. 6º da Constituição Federal. separação consensual (revogado pela EC 66) e divórcio consensual por via administrativa. por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição. neste caso. Aquele que exercer.3. 1. É possível a realização de sobrepartilha pela via administrativa. de acordo com os termos da Lei 11. 2 ³Art. de 04/01/2007. Cabe ressaltar que a escritura não depende de homologação judicial. partilha. que alterou dispositivos do Código de Processo Civil. na forma extrajudicial. da seguinte forma: ³Art. desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 4.2 O divórcio poderá seguir a via judicial ou extrajudicial. ressaltando-se desta forma os deveres do casamento ou da união estável. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 29 . Dessa forma. vê-se a consagração do direito a moradia. desde que o casal não tenha filhos menores ou incapazes.424/11. 52.´ PROF. com exclusividade.441/07 permite. adquirir -lhe-á o domínio integral. Nos direitos reais. 1240-A.240 -A.DIREITO CIVIL VI em divórcio. que será realizado por meio de escritura pública. No direito de família. posse direta. O mesmo ocorre com a reconciliação na hipótese de uma separação. com mais uma modalidade de usucapião. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. uma sanção ao abandono familiar.

o prazo conta-se a partir da separação/dissolução de fato. ú nico bem imóvel do requente da usucapião. Muitos debates ainda fluirão a partir desta nova modalidade de usucapião familiar. de forma mansa e pacífica. ex -cônjuge ou ex-companheiro.DIREITO CIVIL VI Os requisitos são: 2 anos do abandono do imóvel familiar. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 30 . PROF. imóvel não superior a 250ms2.

em ação autônoma de separação. que obriga o pai ou a mãe que não a detenha supervisionar os interesses dos filhos. poderá fixar a guarda compartilhada ou a unilateral.08. § 5. de dissolução de união estável ou em medida cautelar. há de se observar a questão atinente à guarda dos filhos. que é aquele em que o menor permanece em períodos alternados com e mãe e com o pai (exemplo: quinze dias com o pai e quinze dias com a mãe). 25. de divórcio. O juiz.2005 PROF. rel. 06. j. por consenso.06. pelo pai e pela mãe. Tanto a guarda unilateral como a compartilhada poderão ser requeridas. 2.ª S.. por sua vez. o que não é aconselhável em razão de sal condição peculiar de pessoas desenvolvimento. v. 3 A guarda unilateral. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 31 . A guarda compartilhada não induz a existência de mais de um domicílio para o menos. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe.DIREITO CIVIL VI 5. 1.584. b) Guarda compartilhada: consiste na responsabilização conjunta e no exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. DJ. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: a) Afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar. será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. c) Educação. ou por qualquer deles. Essa espécie de guarda não é aconselhada pelos especialistas em virtude de trazer brutais alterações na rotina do melhor. De acordo com os termos do art. objetivamente. 1. DA PROTEÇÃO DA PESSOA DOS FILHOS Ocorrendo dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal pela separação judicial por mútuo consentimento ou pelo divórcio direto consensual.2004. Não se deve confundir a guarda compartilhada com a guarda alternada. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. mas a responsabilização conjunta dos pais no exercício de seus direitos e deveres decorrentes do poder familiar.. 3 STJ.583 do Código Civil. CC 40719/ PE. a guarda será unilateral ou compartilhada: a) Guarda unilateral : É aquela atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. b) Saúde e segurança.º). Min. em atenção a necessidades específicas do filho.u. Aldir Passarinho.

As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos aos filhos menores estendem-se aos maiores incapazes. a sua importância. havendo filhos comuns e se não houver acordo entre os pais quanto à guarda dos filhos.DIREITO CIVIL VI Nessas hipóteses. o juiz. Aquele em cuja guarda não estejam os filhos. em qualquer caso. de preferência. o grau de parentesco e as relações de afinidade e af etividade. a bem dos filhos. Inovadora previsão foi inserida no parágrafo segundo do art. 1. de oficio ou a requerimento do Ministério Público. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. Por outro lado. segundo o que acordar com o outro cônjuge ou for fixado pelo juiz. poderá o juiz. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. O pai ou a mãe que contrair novas núpcias não perde o direito de ter co nsigo os filhos. quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. em que se estabelece que a guarda compartilhada será aplicada. Serpa ela atribuída a quem tiver melhores condições de exercê -la. O juiz poderá estabelecer de modo diverso existindo graves motivos. bem como fiscalizar sua manutenção e educação. para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os PROF. se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. em 1985. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. regular de maneira diferente da estabelecida a situação deles para com os pais. a alteração não autorizada ou descumprimento imotivado de cláusula de guarda. Além disso. a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. Havendo motivos graves.584 do Código Civil. poderá visitá-los e tê-los em sua companhia.1. o significado da guarda compartilhada. o juiz informará na audiência de conciliação ao pai e à mãe. 5. considerados. que só lhe poderão se retirados por mandado judicial se provado que não são tratados convenientemente. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 32 . unilateral ou compartilhada. ALIENAÇÃO PARENTAL Alienação Parental é uma expressão proposta por Richard Gardner. sempre que possível. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. Do mesmo modo ocorrerá nos casos de invalidade do casamento.

Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto da separação. A iniciativa da lei. médicas e alterações de endereço. além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia. o filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro . criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. Dificultar contato de criança ou adolescente com genitor. praticados diretamente ou com auxílio de terceiros: I. vingança. uma tendência vingativa muito grande. teve origem na organização político-social de centenas de genitores (pais / mães). III.318/2010. Neste processo vingativo. desencadeia um processo de destruição. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 33 . II. visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor. desmoralização e descrédito do ex -cônjuge. com familiares deste ou com avós. Os casos mais freqüentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde a ruptura da vida conjugal gera. contra familiares deste ou contra avós.DIREITO CIVIL VI laços afetivos com o outro cônjuge.1. Dificultar o exercício da autoridade parental. inclusive escolares. conceitua e reconhece a ALIENAÇÃO PARENTAL (AP) e a SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL (SAP). em um dos genitores. Apresentar falsa denúncia contra genitor.1. aprovada por unanimidade pelas comissões do congresso pelas quais tram itou. sendo caracterizado como CRIME. 5. Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade. PROF. FORMAS DE ALIENAÇÃO PARENTAL São formas exemplificativas de alienação parental. para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente. V. Mudar o domicílio para local distante. sem justificativa. VII. inserindo-as no direito brasileiro e inclusive prevendo punições para seus praticantes. No Brasil desde Agosto de 2010 a Lei 12. IV. Dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar. VI. Omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente.

6. as pessoas provenientes de um s ó tronco. até o quarto grau. caso em que a lei considera a paternidade presumida. Na linha reta a afinidade não se extingue com o fim do casamento ou da união estável.592).1. 6. a) b) Natural (consangüíneo) ± vínculo entre pessoas que descendem de um mesmo tronco ancestral sendo ligadas pelo mesmo sangue. 1. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 34 .2. Civil ± vínculo que se estabelece pela adoção ou outra origem (inseminação artificial). Casamento e união estável geram parentesco por afinidade. filho. etc. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. já na linha colateral ocorre a extinção. mas também entre o cônjuge e os parentes do outro e entre adotante e adotado. Outra origem ± inovação do código civil. 1. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes e parentes em linha colateral ou transversal. sem descenderem uma da outra. PROF. dois primos.591). Ex.1. PARENTES EM LINHA RETA As pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes (Art. para atender a outras formas de parentesco. c) 6.1. como a inseminação artificial com doador. ESPÉCIES DE PARENTESCO O parentesco pode ser natural ou civil. sem descenderem uma da outra (Art.595. pai.1.1. Afinidade ± vínculo que se estabelece entre uma pessoa e os parentes de seu cônjuge ou companheiro por determinação express a da lei ± art. PARENTES EM LINHA COLATERAL± ATÉ O 4º GRAU As pessoas provenientes de um só tronco.DIREITO CIVIL VI 6. DAS RELAÇÕES DE PARENTESCO Parentesco é a relação vinculatória existente não só entre pessoas que descendem uma das outras ou de um mesmo tronco comum. podendo se casar os cunhados.

tios. Contam-se. Tio -avô (irmão do avô) e sobrinho-neto (neto do irmão) são colaterais de 4º grau. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. LINHAS DE PARENTESCO a) b) c) d) Reta ± são as pessoas que descendem umas das outras.2. irmão s são colaterais em segundo grau. Ex. também pelo número delas. sobrinhos. em gerações. pai e filho ± parentes em linha reta em primeiro grau.4. Contam -se os graus pelo número de gerações. Ex. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 35 .DIREITO CIVIL VI 6. Estende -se apenas até o 4º grau.3. avô e neto. porque quando contamos uma geração ainda estamos na linha reta. que vai de um a outro parente. parte-se de um parente situado em uma das linhas. bisneto. neto. PARENTESCO POR AFINIDADE Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. até encontrar o outro parente. Ex. irmãos. continuando a contagem de gerações. Ex. bisavô. a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Ex. pai. os graus de parentesco pelo número de gerações. O parentesco por afinidade limita -se aos ascendentes. a c ontagem também faz-se pelo número de gerações. e. Na linha colateral. 6. avô. do pai para o filho. 1. Colateral ± as pessoas que provêm de um tronco comum. subindo se. e descendo até encontrar o outro parente. Não há parentesco em primeiro grau na linha colateral. PROF. Na linha reta. Tios e sobrinhos são colaterais de terceiro grau. e descendo pela outra linha. Ex. do pai para o avô. primos de quarto grau. primos. sem descenderem uma da outra. filho. Ascendente ± sobe de determinada pessoa para seus antepassados. Descendente ± desce de determinada pessoa para seus descendentes. na linha reta. na colateral. Não há limite de parentesco. até o tronco comum. GRAU DE PARENTESCO ± CONCEITO E CONTAGEM É a distância.595). parentes em linha reta em segundo grau. contando as gerações. aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro (Art. 6.

por morte. i it fili i lifi . a mulher contrair novas núpcias e lhe nascer algum filho. mesmo que falecido o marido.I EI TABE A E AUS IVI VI E PARE TES 6. quando se tratar de embri es excedent rios. Salvo prova em contrário. se. depois de estabelecida a convivência conjugal. a qualquer tempo. avidos. decorrentes de concepção artificial omóloga. avidos por fecundação artificial omóloga. i i . nulidade e anulação do casamento. pelo menos. A I IAÇÃO O fil l ti . antes de decorrido o prazo de dez meses. t i i t i Presumem-se s fil ) ) ) ) ) asci s cent e itenta ias. epois e estabeleci a a convivência conjugal. l i i i t .5. desde que tenha prévia autorização do marido. se nascido dentro dos trezentos dias a contar da data do falecimento deste. s ebi s st i sament : . separação judicial. este se presume do primeiro marido. asci os nos trezentos ias subseqüentes issolução a sociedade conjugal. Ê I PI ES   SI VEI Págin | 36 . el menos. P . avidos por inseminação artificial eteróloga. Presumir-se-á do segundo se o nascimento ocorrer após esse período e já decorrido o prazo de cento e oitenta dias.

Se o filho for maior o reconhecimento depende de autorização deste.LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO Compete ao filho. Contestada a filiação. como. 6. enquanto viver.3. ainda que confessado.1. pela mãe ou por ambos. a filiação prova -se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO DE FILHOS Pode ser realizado espontaneamente pelo pai. a insanidade mental do testador. ainda que incidentalmente manifestado. PROVA DA FILIAÇÃO . 6.601). os herdeiros do impugnante têm direito de prosseguir na ação (Art. podendo ser d eclarado incidentalmente. os herdeiros poderão continuá -la. ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém.5. sendo tal ação imprescritível. a ser arquivado em cartório ± não precisa ter esse fim específico.DIREITO CIVIL VI A prova da impotência do cônjuge para gerar. mesmo sendo nulo ou revogado. exceto se o motivo da nulidade estiver diretamente relacionado com o reconhecimento. LEGITIMIDADE PARA CONTESTAR A PATERNIDADE Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher. 6. não ilide. Por testamento. Se iniciada a ação pelo filho. 6. passando aos herdeiros. ilide a presunção da paternidade. Por manifestação direta e expressa perante o juiz. o adultério da mulher. em contrapartida.5.2.5. Por escritura pública ou escrito particular. Pode ser: a) b) c) d) No próprio termo de nascimento. Não admite condição ou termo.4.5. IMPUGNAÇÃO DO RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE VOLUNTÁRIO a) b) Poderá ser feito até 4 anos após a maioridade. 1. Não basta a confissão materna para excluir a paternidade. à época da concepção. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 37 . salvo se julgado extinto o processo. se ele morrer menor ou incapaz. por exemplo. PROF.

227.069/1990. b) Adoção por ambos os cônjuges ou companheiros poderá ser formalizada. A confissão da mãe não é suficiente para excluir a paternidade ± art. só é possível o reconhecimento de paternidade se ele deixou descendentes. um vínculo jurídico de filiação.5.6. não é suficiente para ilidir a presunção legal de paternidade. A sentença retroage até a data do nascimento.IMPRESCRITÍVEL Pode ser proposta por qualquer filho e cumulada com petição de herança. REQUISITOS DA ADOÇÃO a) Só a pessoa maior de dezoito anos pode adotar. 39 a 52. Pode ser: a) Simulada ou à brasileira ± registrar filho alheio como própri o. 6. anulação de registro civil. b) Civil ± tradicional. confere a outra a condição de filho. trazendo para sua família. c) O adotante há de ser pelo menos dezesseis anos mais velho que o adotado.5. AÇÃO INVESTIGATÓRIA DE PATERNIDADE . É o ato jurídico por meio do qual uma pessoa. comprovada a estabilidade da família.600. para dar-lhe um lar. sendo tal ação imprescritível ± art. 6. podendo se r usado apenas como prova ± art. de comum acordo.6. regulada pelo Código Civil. O adultério da mulher. 6. 1. ainda que confessado. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 38 . desde que um deles tenha completado dezoito anos de idade.1. em conformidade com os requisitos legais. na condição de filho. c) Estatutária ± regulada pelo ECA. § 5º da Constituição Federal e na Lei 8. 1.5. ato complexo que depende de sentença judicial. o Estatuto da Criança e do Adolescente.DIREITO CIVIL VI c) Após a morte do filho. PROF. ação de alimentos.6. Admite condições que acabem com a presunção do art.1. É negócio bilateral e solene. pessoa que geralmente lhe é estranha. 1. 6. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE a) b) c) d) Só pode ser proposta pelo marido.601. irrevogável e independent emente de qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afim. pelo qual alguém estabelece. em seus arts. DA ADOÇÃO A adoção da criança e do adolescente reger -se-á segundo o disposto no art.602.597.

ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 39 . e) Adoção depende de consentimento dos pais ou dos representantes legais. inclusive sucessórios. salvo os impedimentos matrimoniais. pelo prazo que a autoridade judiciária fixar. transfere o poder familiar do pai para o adotante e nome/sobrenome. observada a ordem de vocação hereditária. A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos. salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes. O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando não tiver mais de um ano de idade ou se. sendo recíproco o direito sucessório entre o adotado. ao adotante que vier a falecer no curso do procedimento. de quem se deseja adotar. seus descendentes.6. já estiver na companhia do PROF. f) Ninguém pode ser adotado por duas pessoas. observadas as peculiaridades do caso. b) Patrimonial ± confere o direito de alimentos e sucessório. qualquer que seja a sua idade. com os mesmos direitos e deveres.2. não poderá o tutor ou o curador adotar o pupilo ou curatelado. g) É vedada a adoção por procuração. mantêm -se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes. desde que tenha manifestado sua vontade de forma inequívoca. dezoito anos à data do pedido. desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes. Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. Porém o consentimento será dispensad o em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. h) O adotando deve contar com. contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas. se contar mais de doze anos. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente. seus ascendentes. descendentes e colaterais até o 4º grau. Há de se destacar que os divorciados e os judicialmente separados poderão adotar conjuntamente. EFEITOS DA ADOÇÃO a) Pessoal ± cria parentesco civil. o adotante. e da concordância deste. Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro. no máximo. 6. Poderá ocorrer o deferimento antes de prolatada a sentença. ou se viverem em união estável. e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância da sociedade conjugal. Ao adotado atribui-se a condição de filho. salvo e forem marido e mulher.DIREITO CIVIL VI d) Enquanto não der contas de sua administração e não saldar o débito.

Somente será fornecida certidão para a salvaguarda de direitos e a critério da autoridade judiciária. A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais. mediante documento expedido pela autoridade competente do respectivo domicílio. PROF. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial. estar devidamente habilitado à adoção. O mandado judicial. bem como apresentar estudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada no país de origem. em cada comarca ou foro regional. Antes de consumada a adoção não será permitida a saída do adotando do território nacional. Em caso de adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do País. que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e. um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção. poderá determinar a apresentação do texto pertinente à legislação estrangeira. O adotante estrangeiro deverá comprovar. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 40 . consoante as leis do seu país. o estágio de convivência. a pedido deste. cumprido no território nacional. acompanhado de prova da respectiva vigência.DIREITO CIVIL VI adotante durante tempo suficiente para se poder avaliar a conveniência da constituição do vínculo. A autoridade judiciária. poderá determinar a modificação do prenome e a adoção produzirá seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. e de no mínimo trinta dias quando se tratar de adotando acima de dois anos de idade. que será arquivado. A autoridade judiciária manterá. será de no mínimo qui nze dias para crianças de até dois anos de idade. caso em que terá força retroativa à data do óbito. Exceção se verifica na hipótese do falecimento do adotante que manifestou inequivocamente sua vontade. bem como o nome de seus ascendentes e nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões de registro. A adoção é irrevogável e a morte dos adotantes não restabelece o pátrio poder dos pais naturais. cancelará o re gistro original do adotado.

NOVA LEI DE ADOÇÃO ± PLC 314/2004 Em 15. pela nova redação normativa.6. sendo-lhe ressalvado o mesmo direito.07. 6. 48 do ECA). que trata da adoção.2009. alterando dispositivos do ECA e demais normas que se remetem ao assunto. § 3. b) O adotado passa a ter o direito de conhecer sua origem biológica.º. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 41 . ainda que menor. vale evidenciar as seguintes novidades: a) Enquanto que se estabeleciam prazos diferenciados de convivência. No caso de sanção presidencial sem alterações.DIREITO CIVIL VI A adoção internacional poderá ser condicionada a estudo prévio e análise de uma comissão estadual judiciária de adoção. foi enviado à sanção o Projeto de Lei da Câmara 314/2004. entre adotante estrangeiro residente e domiciliado fora do País e adotando. a partir dos 18(dezoito) anos. que fornecerá o respectivo laudo de habilitação para instruir o processo competente. do ECA). desde que tenha acesso à assistência jurídica e psicológica (art. 46. o prazo de convivência em território nacional passa a ser único: 30 (trinta) dias (art. PROF.3.

não tanto com intuito punitivo. 7.DIREITO CIVIL VI 7.2.4. disciplinado pelo ECA. não reconhecido pelo pai.633) a) b) c) d) e) f) Irrenunciável. de caráter contencioso. SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR (art. não podem vender ou onerar sem autorização judicial.630 a 1.689 a 1. desde que comprovem a cessação das causas que a determinaram. fica sob poder familiar exclusivo da mãe. PERDA DO PODER FAMILIAR (art. 1.693) a) b) Administração dos bens ± os pais são administradores legais dos bens dos menores. se a mãe não for conhecida ou capaz de exercê -lo. 1. Os filhos. Indelegável Imprescritível. CARACTERÍSTICAS DO PODER FAMILIAR (1.1. EXERCÍCIO DO PODER FAMILIAR ± QUANTO AOS BENS DOS FILHOS (arts. Munus público Incompatível com a tutela. mas para proteger o menor. o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito dos pais de terem em sua companhia. estão sujeitos ao poder familiar que compete aos pais durante o casamento e a união estável. 7.3. Usufruto ± pertence aos pais o usufruto e as rendas dos bens dos filhos menores como compensação pelos encargos de sua criação e educação. DO PODER FAMILIAR É o conjunto de direitos e deveres conferido aos pais para que possam cuidar tanto dos bens como da pessoa dos filhos. dar-se-á tutor ao menor. abrange toda a prole. 7. pois os pais só podem recuperá-lo em procedimento judicial.637) Constitui sanção aplicada aos pais pelo juiz. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 42 . porém.638) Decorre de faltas graves. enquanto menores. Relação de autoridade. 7. É assegurado a qualquer dos pais recorrer ao juiz quando divergirem quanto ao exercício do poder familiar. O filho. os filhos. é permanente. que configuram ilícitos penais. o outro o exercerá com exclusividade. 1. PROF. É imposta nas infrações menos graves. A separação judicial. é imperativa e não facultativa. Na falta ou impedimento de um deles.

po rtanto. serão chamados a concorrer os de grau imediato. quando menor e competirá ao juiz. Vale ressaltar que a obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do devedor. e extensivo a todos os ascendentes. Para tanto. poderã o as demais ser chamadas a integrar a lide. pelo seu trabalho. impenhorável. exoneração. uns aos outros. na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes. não estiv er em condições de suportar totalmente o encargo.DIREITO CIVIL VI 8. prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar. aos irmãos. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. redução ou majora ção do encargo. guardada a ordem de sucessão e. inclusive para atender às necessidades de sua educação. DOS ALIMENTOS São prestações determinadas para satisfazer as necessidades de pessoa (parente. pode fornecê-los. É direito pessoal. Podem os parentes. ou na de quem os recebe. todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos. Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência. à própria mantença. se um dos cônjuges PROF. de quem se reclamam. após fixados os alimentos. intentada ação contra uma delas. Na separação judicial litigiosa. sendo que. Caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre. fixar a forma do cumprimento da prestação. e aquele. assim germanos como unilaterais. irrenunciável. e. quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimento. sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação. Sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos. poderá o interessado reclamar ao juiz. cônjuge ou companheiro) que não tenha condições de garantir sua própria manutenção. nem pode prover. de modo a propiciar -lhe uma vida digna. uns em falta de outros. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes. que deve alimentos em primeiro lugar. Se. ou dar -lhe hospedagem e sustento. os cônjuges ou companheiros pedir. os alimentos de que necessitam para viver de modo compatível com a sua condição social. se as circunstâncias o exigirem. incompensável e intransacionável. sem desfalque do necessário ao seu sustento. os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. Se o parente. faltando estes. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 43 . sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. conforme as circunstâncias.

devendo o devedor pagá-los a quem necessita e. o novo casamento do cônjuge devedor não extingue a obrig ação constante da sentença de divórcio. mas dever de assistência em decorrência da dissolução da sociedade conjugal. não tiver parentes em condições de prestá-los. que. se tiver procedimentos indigno em relação ao devedor. 1. continua devedor. o filho havido fora do casamento pode acionar o genitor. O credor pode não exercer seu direito.DIREITO CIVIL VI separados judicialmente vier a necessitar de alimentos.3. casamento. compensação ou penhora. de qualquer natureza. perde o direito a alimentos do antigo consorte. se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos. se contrair nova união. Proporcionalidade entre as necessidades de um e os recursos financeiros do outro. a pedido de qualquer das partes.1. porém o direito a alimentos é irrenunciável. Possibilidade econômica do alimentante. § único). mesmo se casando novamente. ou seja. cessa o dever de prestar alimentos. porém.566 e 229 da Constituição Federal). serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido.2. 8. fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência. Para obter alimentos. o outro cônjuge será obrigado a assegurá -los. O mesmo não acontece com o credor. Contraindo o credor. PRESSUPOSTOS (arts. Os alimentos para o cônjuge culpado serão somente os necessários à sobrevivência (art. 1. 8. As prestações alimentícias. ALIMENTOS DEVIDOS AO CÔNJUGE O fundamento é outro.694 e 1.704. ALIMENTOS DECORRENTES DO DEVER FAMILIAR Os alimentos decorrem do dever familiar de sustento e de mútua assistência (Art. Entretanto. como também cessará o direito a alimentos. sendo facultado ao juiz determinar. como ocorre na relação entre os pais e filhos PROF. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 44 . será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz. Necessidade do alimentado. 1. 8. nem aptidão para o trabalho. sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão. que a ação se processe em segredo de justiça. não é relação de pa rentesco. união estável ou concubinato.695) a) b) c) d) Existência de vínculo de parentesco entre alimentante e alimentado.

depois. 8. (art. Provisionais ou Ad Litem ± determinados em medida cautelar. Quanto à causa jurídica: a) Legais ou legítimos ± devidos em virtude de uma obrigação legal.694). CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR a) b) É transmissível.694) Decorre da lei e é fundada no parentesco. divisível e não solidária. IV do CC e 229 da CF. com reciprocidade. O dever de sustentar os filhos menores é expresso nos arts.5. Quanto ao momento em que são reclamados: a) Pretéritos ± quando o pedido retroage a período anterior ao ajuizamento da ação.694). 1. Não são devidos. surgir. 8. c) Indenizatórios ± resultante da prática de ato ilícito. 8. 1. descendentes e colaterais até o 2º grau. 1. embora p ossam ser revistos (art. Quanto à finalidade: a) b) c) Definitivos ± de caráter permanente.699). c) Futuros ± os alimentos devidos somente a partir da sentença. do casamento ou do companheirismo (art. 1. 1. que pode decorrer do parentesco. ficando circunscrita aos ascendentes.700) Cada devedor responde por sua quota-parte. decorrente do parentesco (art. Provisórios ± fixados liminarmente no despacho inicial e são devidos desde a citação. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 45 .698) PROF.DIREITO CIVIL VI menores e entre cônjuges e companheiros. de natureza genérica.566. Cessa quando o filho se emancipa ou atinge a maioridade. (art. b) Atuais ± os postulados a partir do ajuizamento da ação. a obrigação alimentar.4. 1. b) Voluntários ± emanados de uma declaração de vontade inter vivos (obrigacionais) ou causa mortis (testamentários). podendo. 1. OBRIGAÇÃO ALIMENTAR (art.6. CLASSIFICAÇÃO OU ESPÉCIES DE ALIMENTOS Quanto à natureza: naturais ou necessários (indispensáveis à sobrevivência) e civis (para a vida social).

696 e 1. d) Na sentença. 21 e art. 1. Constituição de garantia real ou fidejussória e de usufruto ± Lei nº 6. art. o juiz fixa alimentos segundo seu convencimento. unilaterais ou bilaterais. Os irmãos. Entrega ao cônjuge. sem distinção ou preferência (art. Reserva de aluguéis de prédios do alimentante ± Lei nº 5. não estando adstrito ao quantum pleiteado na inicial. se o regime for de comunhão universal de bens. Cessa o dever com o casamento.697) 8. mensalmente. 8. 21. durante ou após a dissolução da sociedade conjugal ou da união estável. Prisão do devedor ± Lei nº 5. na ordem de sucessão. terá de ajuizar ação ordinária. O critéri o para a fixação é a PROF.478/68 Execução por quantia certa ± art. 732 do CPC. Penhora sobre os vencimentos e salários ± art. art. 17. Demais ascendentes. MEIOS PARA GARANTIR O PAGAMENTO DA PENSÃO a) b) c) d) e) f) g) h) Ação de alimentos ± Lei nº 5. (art.478/68.708). AÇÃO DE ALIMENTOS (LEI Nº 5. Desconto em folha de pagamento da pessoa obrigada ±art. para assegurar o pagamento de alimentos provisórios de parte da renda líquida dos bens comuns.DIREITO CIVIL VI c) O devedor de alimentos pode ser preso por uma obrigação alimentar proposta por ele mesmo. c) A ação revisional dos alimentos definitivos segue o mesmo rito da Lei nº 5.8. b) Ao despachar a inicial. bom como com o procedimento indigno deste. 734 do CPC. na ordem de sua proximidade.478/67. administrados pelo devedor. a união estável ou o concubinato do credor.7.694 e 1. 1.478/68) ± RITO ESPECIAL a) Só tem legitimidade ativa quem tiver prova pré -constituída do parentesco (certidão de nascimento) ou do dever de alimentar (certidão de casamento ou comprovante de companheirismo). 8. 2) Em razão do parentesco: a) b) c) d) Pai e mãe. PESSOAS OBRIGADAS A PRESTAR ALIMENTOS 1) Em razão da união conjugal ± cônjuge ou companheiro. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 46 . o juiz fixará desde logo alimentos provisórios. Descendentes.515/77.9. 649. 733 do CPC.478/68. art. IV do CPC. Quem não tiver.

Incessível (o crédito futuro não pode ser cedido) ± art.707 Imprescritível. pode não exercer o seu direito.707 Incompensável ± art.2008 disciplinou normas para os chamados alimentos gravídicos. ou seja.707 Impenhorável ± art. 1. por ser direito indisponível. descendentes e colaterais até o2º grau. DOS ALIMENTOS GRAVÍDICOS A Lei 11. 8. De acordo com a norma do art.13. SATISFAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR (ART. não postular em juízo) 8. Atual (exigível no presente mas não no passado).º da Lei dos Alimentos gravídicos. o art.11.10. 286 e 1. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO A ALIMENTOS a) b) c) d) e) f) g) h) i) Personalíssimo. 1. bem como aquelas relacionadas ao p arto.701) a) b) c) Dar pensão ao alimentado. afasta o juízo arbitral. hipótese em que a PROF.11. Irrenunciável (o credor. reciprocamente: ascendentes. 1. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 47 . 2. Assim sendo.804 de 05. e) O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende 3 prestações anteriores à citação e as que vencerem n o curso do processo ± Súmula 309 do STJ. Abrange. entretanto. Irrepetível ou irrestituível. podendo ser transacionado somente o valor das prestações (art. prescre vendo somente as prestações já fixadas. 8. CAUSAS DE EXTINÇÃO a) b) Morte do alimentado. 8. 1.DIREITO CIVIL VI necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante. Desaparecimento de um dos pressupostos. que são aqueles devidos à mulher gestante. Intransacionável. 841). pode a mulher gestante pleitear alimentos ao suposto pai do nascituro. Não constitui julgamento ultra petita.º de referido dispositivo legal traz a própria mulher gestante como legitimada para pleitear alimentos para cobrirem as despesas do período de gravidez.12. Dar-lhe hospedagem e sustento.

i) Demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis.14. Após o nascimento com vida. o juiz deve atentar para o fato de que os alimentos são irrestituíveis e não compensáveis. e) Exames complementares. Verificados todos os meios de provas trazidos aos autos e conve ncido da existência de indícios da paternidade. j) Outras despesas que o juiz considere pertinentes. a juízo do médico. No aspecto jurídico. c) Assistência médica. d) Assistência psicológica. h) Medicamentos. Só para se ter uma idéia. Pensão Alimentícia é a prestação (obrigação) de alimentos. g) Parto. da concepção ao parto. b) Despesas referentes a alimentação especial. sopesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré. 8. Alimentos é matéria extensa e complexa. Cabe ressaltar que a fixação dos alimentos gravídicos pelo juiz deve levar em consideração a parte das despesas que deverá ser cust eada pelo futuro pai. os alimentos gravídicos f icam convertidos em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão. Além disso. na proporção dos recursos de ambos.DIREITO CIVIL VI prestação alimentar compreenderá os valores suficientes para cobrir as seguintes despesas: a) As despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes. f) Internações. considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher grávida. a título de alimentos. DIFERENÇA ENTRE ALIMENTOS E PENSÃO ALIMENTÍCIA Pensão alimentícia é o que uma pessoa recebe de outra. PROF. um do s melhores e mais completos livros sobre o assunto possui 1175 páginas. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 48 . o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão até o nascimento da criança. afim de não proferir decisões que possam causar danos irreparáveis ou de difícil reparação a ambas as partes. razão pela qual deve ser bastante rigoroso na análise da prova trazidas aos autos pela gestante. Alimentos é tudo o que uma pessoa precisa para poder viver e não pode prover por sua conta. que envolve inúmeras questões.

delegado pelo Estado.744. Tutela dativa ± quando não existe tutor testamentário nem a possibilidade de tutor legítimo.1. 1. Responsabilidade pessoal e direta do juiz ± art.750).1.732) a) b) c) Tutela testamentária ± através de codicilo. 9.1. 1. PROTUTOR (art. não podendo castigá-lo fisicamente. GARANTIA DA TUTELA a) b) c) Caução real ou fidejussória ± art. Ele só pode alienar os imóveis do menor quando houver manifesta vantagem e prévia avaliação e autorização judicial (art. pode o juiz nomear um protutor. 1. Tutela legítima ± quando não existe tutor testamentário mas existem parentes consangüíneos. TUTELA E CURATELA 9. Tutela ad hoc ou provisória ± para a prática de determinado ato.001/73 O Tutor representa o menor até 16 anos e o Assistente após essa idade. FORMAS ESPECIAIS a) b) c) d) Tutela de menor aban donado ± art. Para fiscalização dos atos do tutor. Responsabilidade subsidiária do juiz ± art. 1. encargo público.745 § único. salvo as hipóteses dos arts.2.1. 1. É incompatível com o poder familiar.4. Art. Destina-se a suprir a falta do poder familiar e tem nítido caráter assistencial.742) É um auxiliar do juiz que fica encarrega do de fiscalizar os atos do tutor e informar o juiz. ESPÉCIES ORDINÁRIAS (ARTS.1. 1. escritura púb lica ou particular.1. 9.737. II.736 e 1.3. 1.DIREITO CIVIL VI 9. TUTELA E TUTORES É o conjunto de direitos e deveres que a lei confere a alguém para que cuide de um MENOR e administre seus bens pelo fato de este se encontrar fora do poder familiar. 9. 1. 1. obrigatório. PROF. 9. É um múnus público.729 a 1. Tutela dos índios ± Lei nº 6. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 49 . I.744.742.734 Tutela de fato ou irregular ± exercida sem nomeação.

CESSA A TUTELA EM RELAÇÃO AO MENOR (ART. a torna responsável para proteger a pessoa e reger os bens de menores que estão fora do pátrio poder.775) ou dativo (nomeado pelo juiz). Caindo o menor sob o poder familiar. com PROF. O curador pode ser legal (art. TUTELA X CURATELA a) Tutela ± Tutela é o poder legal que. 1. recaindo sobre uma pessoa capaz. CURADORES E INTERDITOS (ARTS. de sua administração.2. A venda de imóveis pertencentes ao menor só pode ser feita mediante autorização judicial e quando houver manifesta vantagem. pode ser testamentária.6. CESSAM AS FUNÇÕES DO TUTOR SEM CESSAR A TUTELA (ART.DIREITO CIVIL VI 9. mas não se lhe equipara.764) a) b) c) Expirando o termo em que era obrigado a servir ± 2 anos.1. sob forma contábil. 9. A CURATELA DE MAIORES INCAPAZES É REGRA ABOLUTA? Não. EXERCÍCIO DA TUTELA Assemelha-se ao do poder familiar.1. 9. Tutor é aquele que foi nomeado para exercer a tutela. 1763) a) b) c) Com a maioridade ou emancipação do menor. Exercida sobre menores de 18 anos. Assemelha-se à tutela por seu caráter assistencial. destinando -se igualmente à proteção de incapazes.1.2.7. Se o tutor for removido. O tutor é obrigad o a apresentar balanços anuais e prestar contas em juízo. a curatela também se aplica aos nascituros e ao relativamente incapaz maior de 16 anos e menor de 18 anos que sofra das faculdades mentais. bem como lhes administrar os bens. de 2 em 2 anos.1. Com a morte.767 a 1. pois sofre algumas limitações. CURATELA.778) É o encargo público imposto pelo Estado por meio do qual se conferem a alguém poderes para cuidar de pessoas MAIORES INCAPAZES. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 50 .2. 9. 9. 9. mediante prévia avaliação judicial. no caso de reconhecimento ou adoção.2. sendo ainda sujeito à inspeção judicial.5. 1. 1. No caso de escusa legítima.

ou somente os bens.2. A sua decretação requer certeza absoluta da incapacidade.DIREITO CIVIL VI nomeação do tutor pelos pais. Veja Curatela. CARACTERÍSTICAS DA CURATELA a) b) c) d) e) Fins assistenciais.779 E 1. perdurando somente enquanto a causa da incapacidade se mantiver. 9. ou por ainda não terem nascido. É temporária. PROF.A interdição torna a pessoa incapaz para os atos da vida civil. pode compreender somente a administração dos bens do incapaz (pródigos) e os poderes do curador são mais restritos. sendo nomeado um Curador para tanto. é necessário um processo judicial onde a incapacidade da pessoa tem que ser provada ao Juiz. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 51 . surdos-mudos e pródigos pressupõe sua interdição.5. Para que uma pessoa seja interditada. b) Pessoas que por outra causa duradoura não puderem exprimir a sua vontade. não pode ser testamentária sendo sempre judici al. Ministério Público.2. 1. 9. Exercida sobre maiores de 18 anos.768) a) b) c) Pais ou tutores. ou maiores. companheiro ou qualquer parente.2. 1. obtida por meio do procedimento de interdição. para reger a pessoa e os bens.780) a) b) Dos nascituros. Tem caráter supletivo da capacidade. e) Pródigos. 9. A curatela dos loucos. abrange a pessoa e os bens do menor e os poderes do tutor são mais amplos.6. de pessoas menores. c) Ébrios habituais e viciados em tóxicos. c) Interdição .2. 1. LEGITIMIDADE ATIVA PARA PROMOVER A INTERDIÇÃO (ART. que por si não podem fazer. Cônjuge. FORMAS ESPECIAIS DE CURATELA (ART.4. Caráter publicista. Pode ser temporária ou Permanente. ESPÉCIES DE CURATELA ± FORMAS ORDINÁRIAS (art.767) a) Pessoas com enfermidade ou deficiência mental.3. Do enfermo ou portador de deficiência física 9. sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. d) Excepcionais sem completo desenvolvimento mental. b) Curatela ± ou curadoria é o encargo conferido por lei a alguém.

2. QUEM PODE SER NOMEADO CURADOR . CURATELA DO NASCITURO (arts. 9. podendo ser es tranha à família do interdito. Que a mãe não tenha o exercício do poder familiar. CURATELA DE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA FÍSICA (ART. 1.10. ou. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 52 .8.768. não separado judicialmente ou de fato. Na falta destes. 9. o juiz escolhe o curador. se o pai falecer estando grávida a mulher. e não tendo o poder familiar. PROF. CURATELA DATIVA É quando não existe cônjuge.779) Nascituro é o ser já concebido. qualquer dos pais. 1. de qualquer das pessoas a que se refere o art.2.DIREITO CIVIL VI 9.1.7. Se a mulher estiver interditada.9. dar -se-lhe-á curador para cuidar de todos ou alguns de seus negócios ou bens. seu curador será o do nascituro. o descendente que se mostrar mais apto. Os mais próximos excluem os mais remotos.780) A requerimento do enfermo ou portador de deficiência física.2. 9. Dar-se-á curador ao nascituro.CURATELA LEGÍTIMA: (ART. na impossibilidade de fazê-lo.§ único. Na falta destes. companheiro e nem pai ou mãe. 1. Para que tenha curador é necessária a ocorrência de duas circunstâncias: a) b) Que faleça o pai estando a mulher grávida.775) a) b) c) Cônjuge ou companheiro. mas que ainda se encontra no ventre materno. que deverá ser pessoa idônea.2.

18.6. Silvio. atual.. 2010 . 2002 FIUZA.1. RODRIGUES. 1. GAGLIANO. 2002. Yussef Said.ed. v. Carlos Alberto. Curso de Direito Civil ± Vol.DIREITO CIVIL VI 10. São Paulo: Jurídica Brasileira.ed. Whashington de Barros. RAMOS..ed. 1. 10.5. Pablo Stolze.ed. Cesar. Rio de Janeiro: Forense. Estabelecimento da Filiação e Paternidade Presumida. de acordo com o Código Civil de 2002 ± Belo Horizonte: Del Rey.. v. Divórcio e Separação. ARCÊNIO PIRES DA SILVEIRA P á g i n a | 53 . Novo Curso de Direito Civil. 2003. V. DINIZ. 2003 MONTEIRO. e ampl. Ações & Recursos Petições. São Paulo: Saraiva. 2009. Antônio.3 ± Direito das coisas. Direito de família. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Renovar. Lições de Direito Civil: direito de família. Família sem Casamento. 2003 CHAVES. v. v. FACHIN. BIBLIOGRAFIA BITTAR. 2003 .. PROF. ± ver. Acelino P.1. São Paulo: Revista dos Tribunais. ± São Paulo: Saraiva... 1. Carmem Lucia Silveira. de Relação Existencial de Fato a Realidade Jurídica .1. GUIMARÃES. Direito de Família. 2003 CAHALI. Curso de Direito Civil Brasileiro . Separação e Divórcio. 2010. Direito de Família. Luiz Edson. ± 2ª Ed. São Paulo: Saraiva. Maria Helena. 2010. Porto Alegre: Safe. Direito Civil: curso completo ± 7ª Ed.ed. São Paulo: RT.