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MEETING PARA A AMIZADE ENTRE OS POVOS

XXXII edição

21 a 27 de Agosto de 2011, Rimini Fiera

“E a existência torna-se uma imensa certeza” é o título escolhido para a XXXII edição do Meeting. Parte

de

uma constatação, simples e ao mesmo tempo dramática: na mentalidade mais difundida nos nossos dias,

na

consciência com a qual cada um de nós enfrenta os desafios e as fadigas do viver, parece que já não é

possível nenhuma verdadeira certeza. É aqui, no fundo de nós mesmos, que se revela a raiz escondida das tantas “crises” do nosso tempo: estas não assinalam apenas o colocar em discussão ou a perda de certezas que se acreditavam adquiridas – tanto na política, como na economia; tanto nas ciências, como na ética; tanto

na cultura como na convivência social – como frequentemente aconteceu em outras épocas históricas. O que

está em jogo hoje, na época atravessada pela grande sombra do niilismo, é algo de mais radical, e portanto

mais radical é o desafio que ela nos impõe: os homens não seriam já capazes de certeza; pelo contrário, toda

e qualquer certeza seria uma construção nossa e, no fim, nada mais que uma grande ilusão.

Quando pensamos no sentido da nossa existência não seremos, talvez, todos tentados, como filhos do nosso tempo, a considerar que a nossa origem e o nosso destino estão à mercê da sorte, e que definitivamente nada podemos contra as forças incontroláveis de uma sorte cega e de uma casualidade insensata? E, contudo, grande parte do pensamento “moderno”, segundo o qual o homem é o único e verdadeiro artífice do seu

próprio destino, sem necessidade de se referir a um sentido maior do que ele, pretendeu fornecer uma estratégia “científica” e “política” que fosse capaz de dominar a incerteza do viver, o risco mortal da solidão

e da insensatez, fonte de ressentimento e de violência.

As únicas certezas de que ainda dispomos – assim se pensa – são aquelas produzidas pelo controle

tecnológico do mundo. O resto, valores e emoções, sentimentos e opiniões, pertence ao jogo do relativismo.

E, no entanto, cada vez nos damos mais conta de que a realidade, tanto ao nível natural, quanto social, é

muito menos controlável do que se acredita, e sobretudo descobrimos que a existência do eu é sempre mais enfraquecida nas suas razões. “O que nos faz sentir uma incerteza mais horrível e devastante do que no passado”, escreveu o sociólogo Zygmunt Bauman, é a percepção de que “a nossa impotência é incurável”. Toda a partida da existência se joga aqui, na certeza ou na incerteza quanto ao motivo por que cada um de nós está no mundo.

O Meeting tentará acolher este desafio do nosso tempo, retomando uma partida que muitos declararam

encerrada. E assim fará, como é o seu estilo, não em virtude de uma análise cultural e política mais astuciosa,

mas a partir da experiência em ato de pessoas que não se conformam com conceber a sua existência como destinada ao nada. Homens e mulheres que não censuram o peso da incerteza nem se subtraem ao trabalho que esta exige, mas que a vivem como o sinal evidente de que não somos os senhores de nós mesmos, mas estamos em relação com algo de Outro, que continua a suceder inesperadamente na nossa vida.

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Antes de qualquer cálculo sobre nossas capacidades ou incapacidades, a percepção de fundo do nosso eu é a de uma certeza. E não uma segurança barata ou uma garantia a nossa disposição, mas uma certeza de pertença: somos de alguém. Inicialmente estamos certos de nós mesmos, porque o rosto de nossa mãe vem ao nosso encontro e nos é oferecido o seu seio. É a primeira percepção do viver que, depois, permanece como uma constante, ainda que escondida ou sufocada. Antes de toda a incerteza há uma certeza: ela é um dado, um encontro, um convite.

O Meeting procurará contar e testemunhar este trabalho do eu que recomeça de novo a partir da evidência de um encontro, de todos aqueles encontros nos quais se torna presente em carne e osso o significado pelo qual vale a pena viver, amar, construir e também sofrer. A certeza que buscamos não é uma ideologia, ou uma estratégia, ou uma convicção psicológica, mas é a que nos faz reconhecer aquilo que já “somos”. Não tanto que as coisas vão dar certo como havíamos pensado, mas que nós mesmos estamos em relação com Quem nos faz continuamente.

Por isso a existência, como diz o título do Meeting se torna uma certeza: não se trata, com efeito, de saber antecipadamente aquilo que nos acontecerá a nós e no mundo, mas de estar disponíveis para nos deixarmos provocar por aquilo que acontece, ou seja, para nos interrogarmos sobre o sentido do que acontece e reconhecer sua razão. E a certeza é imensa exatamente porque não é um produto nosso, mas é a descoberta daquilo que nos alcança e pergunta sempre por nós. Esta certeza não poderia existir sem a nossa liberdade.

No fundo, também o Meeting é um modo de levar a sério o convite que nos chega, todos os dias, dos acontecimentos e dos encontros que sucedem: o convite a responder com toda a nossa expectativa, pondo sempre em jogo a nossa inquietude.