Ribeiro D. S; Sousa R. S; Nascimento S. G.

A Didática No Ensino Superior

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1. – INTRODUÇÃO

A docência no ensino superior ultimamente tem levado muitos pensadores a procurar cada vez mais ampliar a reflexão sobre o desenvolvimento e o preparo de profissionais para a boa prática educativa, apresentando as técnicas e metodologias adequadas para uma boa didática no processo ensino –

aprendizagem. Há muito tempo a didática vem estudando e pesquisando essas questões, organizando e sistematizando conhecimentos para desenvolver a prática pedagógica nas escolas. A didática como ciências da educação nos traz um vasto subsidio de princípios significativos que propõe ao educador ampliar a capacidade do pensar critico e ativo da realidade que o cerca. “Concebem a didática como a arte de ensinar”, como uma disciplina que fornece receitas sobre como ensinar e agir em sala de aula, ou como utilizar técnicas para dinamizar o ensino no cotidiano escolar. Portanto procura-se com esse estudo caracterizar o estudo da Didática no Ensino Superior, investigando as melhores técnicas e as práticas educacionais na relação ensino aprendizagem.

2. – A Didática e a Formação do professor
O vocábulo didática, deriva do grego didaktiké, que se traduz por arte de ensinar. A formação da teoria didática para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem ocorre no século XVIII, com aparecimento da obra didática Magna de Jean Amos Comenius (1592-1678), que foi um educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras do ensino. Hoje são muitas as definições para o termo Didática, mas quase todas aparecem como ciência, arte de ensinar. No estudo do processo ensino – aprendizagem, a didática assume um papel que difere literalmente das intervenções feitas antes por profissionais em seu trabalho cotidiano. Sabe – se que até o final do século XIV a didática se fundamentava quase exclusivamente nos conhecimentos filosóficos. Além das obras de Comenius, há outros pedagogos do mesmo período como: Rousseau, Johann Heinrichpestalozze e Johann Friedrich Herbarte.

A didática deve servir como mecanismo de tradução prática. E também. no exercício educativo de decisões filósofos-politicas e epistemológicas de um projeto histórico de desenvolvimento educacional. A didática tem uma determinada contribuição no campo educacional. que nenhuma outra disciplina poderá cumprir. a piagetiana. A pedagogia renovada inclui várias correntes: a progressista (que baseia na teoria educacional de John Dewey) a não diretiva (principalmente inspirada em Carl Rogers) a ativista-espiritualista (de orientação católica). os conhecimentos e a experiência da didática brasileira pautam-se. Isso fará também com que o trabalho docente em nível superior seja satisfatório e tome–se cada vez mais integrado nas metas através da didática da educação superior.. S. Cunha (1997 p 26). em boa parte.Ribeiro D. e levaram ás concepções pedagógicas que hoje são concebidas como pedagogia tradicional e pedagogia renovada. Nascimento S. isto . muitas vezes através de notas subjetivas os alunos entretanto. no movimento da escola nova. Entretanto. A Didática No Ensino Superior 7 O trabalho de todos esses autores são bastante avançados em relação as concepções psicológicas dominantes da época. A prática mais constantes da avaliação da aprendizagem consiste na aplicação de provas como critério autoritário aplicado ao aluno. ocupando espaço com palavra em sala de aula. Todos eles formam as bases do pensamento pedagógico europeu difundindo-se depois por todo o mundo. Todas de alguma forma estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surgiu no final do século XIV como contraposição a pedagogia tradicional. vemos que a melhoria da qualidade educacional brasileira depende basicamente de incentivo e da priorização de pesquisas em campos distintos e de conhecimento. Sousa R. motessoriana e outras. ao contrário dos que lecionam em outros níveis. S. inspirando principalmente na corrente progressivista.. O Brasil tem vivenciado um período de diversas alterações no sistema de ensino superior em relação as práticas didáticas. os professores criam um certo sentimento de culpa se não são eles que estão em ação. a culturalista.é . segundo estudo feito por Castro (1984). Apesar de todos os avanços e esforços que convergem para uma educação centrada na interdisciplinaridade. cabe sua colocação numa condição passiva neste processo. a firma que:. G. muitos professores exercem duas atividades a de profissional de determinada área e . Cabe ressaltar que vários professores universitários não dispõem de preparação pedagógica.

a sutileza com que se processa a relação ensino aprendizagem. a exemplo de Paulo Freire. professores e direção. então munido de uma ou mais teoria educacionais. Interessa a Didática tudo que o discente aprende na relação com o docente e com os colegas de classe. S. Quando se trata de educação no âmbito da formação escolar. uma relação reciproca e necessária entre a atividade do professor e a atividade de estudo dos alunos. Por essa razão muitos deles não reconhecem a importância da didática como paradigma para sua formação. Segundo MASETTTO (1996). veem se constantes debates a respeito das formas mais adequadas para se promover as relações que permeiam o conhecimento.Ribeiro D. Nascimento S. Percebe-se. professores e professores. Há. – Ensino Aprendizagem Uma das questões levantadas com a ação do professor universitário refere-se a relação entre ensino e aprendizagem. cria – se assim. o processo de aprendizagem se realiza através do relacionamento interpessoal muito forte entre alunos e professores. A Didática No Ensino Superior 8 a de docente. G. pelo sucesso ou fracasso da aprendizagem. da mesma forma que poderia fazer um terceiro elemento o observador. um clima afetivo. em estreita relação entre-se: o ensino é a atividade direcional sobre o processo de aprendizagem e a aprendizagem é a atividade mental intensiva e propositada do aluno em relação aos dados fornecidos pelos conteúdos culturais. Sousa R. portanto. com ênfase na primeira. . bem com o processo de aprendizagem no nível que isto ocorre. Por aprendizagem entendemos que o ensino é um processo continuo que abrange todas as dimensões quando se refere ao ato de ensinar nas diferentes modalidades de ensino. enfim entre alunos. Nomes consagrados do meio. Esse autor destaca como conceitos básicos da didática o ensino e a aprendizagem. S. 3. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. cada vez melhor. A relação ensino aprendizagem é guiada sempre por teorias mas nem sempre essas teorias pode ser explicitada em todo seu conjunto e detalhes que participam da relação educador e o educando. em muitos aspectos. responsável. revelam que: “ensinar não é transmitir conhecimento. alunos e alunos.

conteúdos e métodos a partir da . novas experiências. organização e coordenação do trabalho docente. a) explicar princípios. porem não sabe como transmiti-la ao aluno ou não sabem como conduzir seus trabalhos de pesquisa. principalmente como transmissão de conhecimento. 3. o dever de planejar a sua ação educativa para construir o seu bem viver. mas de cria-las Paulo Freire (1983). S. Precisa-se certificar de que a aula que ministra é superior à leitura de um livro ou a assistência a um filme. b) expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico. politico-pedagógico e o profissional e as ações efetivas que o professor irá realizar na sala de aula. O professor universitário passa agora a ter um papel mais difícil. O planejamento escolar segundo Libâneo tem as seguintes funções. O professor deve ter como tarefa o desafio de aprender renova continuamente obedecendo ao princípio da indissociabilidade entre ensino pesquisa e extensão no ensino pedagógico. G. e vê o ensino. Educar significa abrir novas ideias. a escola e o ensino são os grandes meio que o homem busca para poder realizar o seu projeto de vida. a qualquer momento. c) assegurar a racionalização. diretrizes e procedimentos do trabalho docente que assegura a articulação entre as tarefas da escola e as exigências do contexto social e do processo de participação democrática. S. Além de saber a matéria. d) prevê objetivos. Por isso planejar é uma exigência de ser humano.1 – Planejamento A educação. tem que se preparar para transmiti-la com mais qualidade. novos métodos.Ribeiro D. Nascimento S. é um ato de pensar sobre um possível e viável fazer. A Didática No Ensino Superior 9 Hoje a grande maioria dos professores universitários sabe a matéria. Estudar não é um ato de consumir ideias. E como o homem pensa “o que fazer” o planejamento se justifica por si mesmo. Sousa R. novas maneiras de ver e ser. Portanto cabe a escola e aos professores. reorientá-la dando-lhe uma nova dimensão. através das aulas expositivas. A sua necessidade é a sua própria evidência e justificativa. de modo que a previsão das ações docentes possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e entre a imprevisão e a rotina.

S.Ribeiro D. Será sempre um desafio a todos envolvido no processo educacional. G.] 3. estadual e municipal. S. considerar que o planejamento educacional constitui a abordagem racional e cientifica dos problemas da educação envolvendo o aprimoramento gradual de conceitos e meios e de análise visando a estudar a eficiência e a produtividade do sistema educacional. em função das exigências de nosso tempo e dos processos que tentam acelerar a aprendizagem. para busca dos meios mais adequados a obtenção de maiores resultados. quando as do indivíduo. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. em seus múltiplos aspectos. Podemos. Nascimento S. globalmente. [. ele deve estimular a participação do aluno.. plano de .1. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. O professor durante o período (ano ou semestre) letivo pode organizar três tipos de planos de ensino.1 – Tipos de Planejamento Planejamento educacional . por ordem de abrangência: plano de curso – delineia. num plano os elementos que compõem o processo de ensino. O professor que deseja realizar uma boa atuação decente sabe que deve participar elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender.. em busca de propósitos definidos. afim de que esta pessoa. seus alunos. uma vez que torna possível inter-relacionar. toda a ação a ser empreendida. VASCONCELLOS (1995) Afirma que: O planejamento do sistema de educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). em classe. A Didática No Ensino Superior 10 consideração das exigências postas pela realidade social. incorporando as politicas nacionais. Planejamento curricular – constitui uma tarefa contínua em nível de escola. e) assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente. Sousa R. pelo envolvimento no processo ensinoaprendizagem. portanto. Já o planejamento de ensino indica a atividade direcional. realmente efetue uma aprendizagem tão significativa quanto o permitem suas possibilidades e necessidades.processo contínuo que se preocupa com o “para onde ir” e quais as maneiras adequadas para chegar lá tendo em vista a situação presente e possibilidade futuras para que o desenvolvimento da educação atenda tanto às necessidades do desenvolvimento da sociedade.

. dominar conteúdos e mobilizar esses saberes para o domínio de competência acadêmica. S. A função de diagnóstica permite identificar progresso e dificuldades dos alunos e a atuação do professor que por sua vez determinam modificações do processo de ensino para melhor cumprir as exigências dos objetivos. possibilitando o diagnóstico das situações didáticas. A avaliação escolar segundo Libâneo (1994) cumpre pelo menos três funções: Pedagógicas-didática. A Didática No Ensino Superior 11 unidade – disciplina partes da ação pretendida no plano global e plano de aula – específica às realizações diárias para a concretização dos planos anteriores. conteúdos. procedimentos etc. A função de controle se refere aos meios e á frequência da verificação e de qualificação dos resultados escolares. S. “avaliar” o conhecimento e habilidades desenvolvidas pelo aluno. A função pedagógica – didática refere se ao papel da avalição no cumprimento dos objetivos gerais e específicos de educação escolar. Na prática escolar cotidiana a função diagnóstica é mais importante porque é a que possibilita a avaliação do cumprimento da função pedagógico-didática e a que dá sentido pedagógico à função de controle. G. Sousa R.Ribeiro D. de diagnóstica e de controle. Aprender é sem dúvida. Isso porque avaliar.2 – Avaliação Raramente encontramos um professor que não se preocupa com a avaliação. O professor necessita tomar muitas decisões quanto a objetivos. Existem diversos instrumentos para avaliar o desenvolvimento do aluno e fazer com que todos se integrem ao processo de aprendizagem. 1995). . é uma tarefa cuja importância é compatível a complexidade e dificuldade que lhe são inerentes. 3. no que se refere a ensino-aprendizagem. Percebe-se que as práticas de avaliação do nosso sistema educacional constam principalmente os conteúdos das áreas e disciplinas. portanto cabe ao professor decidir o “que” e como. “A avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisão sobre o seu trabalho” (Luckesi. Nascimento S.

O aprendizado dos alunos também tem haver com estímulo do professor para desenvolver motivação dos mesmos. até a mais nobre perspectiva de desenvolvimento do país. . mas sim por meios de comentários. S. S. uma apresentação controlada de resultados obtidos numa situação educativa.avaliação. que podem fazer de suas atividades meios de projeção e de realização pessoal. através de instrumentos de avaliação e de auto . formação em nível de pós-graduação. prioritariamente em programa de mestrado ou doutorado. – Valores direcionados aos professores O professor universitário tem um papel extraordinário na aprendizagem dos educandos. que combinada de uma forma harmônica e adequada para o grupo de alunos são capazes de compor o processo de avaliação. Ver nos profissionais da educação seres capazes de transformação do mundo. Sousa R. A Avaliação Somativa. Dos professores universitários exige-se hoje de acordo com a lei de Diretrizes e Bases. onde a orientação e facilitação do processo passam a ser sua principal meta mediando a relação entre o sujeito que aprende e o objeto e a ser aprendido. A Didática No Ensino Superior 12 Existem pelo menos quatro tipos de avaliação. O novo papel do professor constitui-se também num desafio. A Avaliação formativa não exprime através de uma nota. 4. Nascimento S. que depende de um bom desempenho dos professores em sala de aula. Aprendizagem esta.Ribeiro D. cabe aos sistemas de ensino repensarem seus programas. Todos esses fatores constituem estímulos na carreira desses profissionais. A Avaliação Diagnóstica tem dois objetivos básicos: identificar as competências do aluno e adequar o aluno num grupo ou nível de aprendizagem. essas instituições devem investir na reciclagem e cursos de capacitação constantes de docentes. G. Finalmente a Avaliação emancipadora utiliza-se do senso de autocritica e autodesenvolvimento do aluno. A motivação do educando de ensino superior é provinda de diversas fontes que poderá se revelar nas mais simples necessidades de aquisição de conhecimento. tem como objetivo apresentar um sumário. Para que isso ocorra.

Sousa R. procuramos descreve-la sobre suas mais diversas aplicações no atual sistema de ensino que deve servir-nos de tradução prática para melhoria do desempenho de cada profissional que atua na área da educação. mas sim um meio de acompanhamento individual e coletivo. a qual possibilita diagnosticar e redimensionar as ações em direção as metas e objetivos. Entende-se que quanto maior o dinamismo do docente e a capacidade de aprimoramento de suas técnicas de ensino melhor será a aprendizagem. S. . A aprendizagem se processa por meio da cumplicidade entre educando e educador. Vale ressaltar que é através do planejamento que podemos encurtar o caminho entre a ação planejada e a obtenção dos resultados esperados. G. A Didática No Ensino Superior 13 5. em vê-lo como ser capaz de promover grandes mudanças nos sistemas sociais e culturais de um povo. seja nos campos filosóficos. Na prática avaliativa a nota não se constitui como um fim em si mesmo. Nascimento S. Ao professor se atribui um valor inestimável.Ribeiro D. Outro instrumento de fundamental importância é a Avaliação. S. – Considerações finais Ao analisarmos a didática no ensino superior. através do mesmo que se asseguram as articulações entre as tarefas escolares e as exigências do contexto social. políticos e epistemológicos no processo de desenvolvimento educacional. pois.

Jan. G. 1994. São Paulo: Cortez. Maria Lúcia. José Carlos: Didática. Avaliação da Aprendizagem Escolar. A Didática No Ensino Superior 14 REFERÊCIAS: MASETTO. Didática: a aula como centro. Nascimento S.Ribeiro D. 2005. Sousa R. S. COMENIUS. Ensinar e aprender no Ensino Superior. São Paulo: Cortez. 1995. VASCONCELLOS. Cipriano. publica em 1627 a Didactica Tcheca 1631 traduzida para o latim como Didática Magna. S. São Paulo: FTD. LIBANÊO. M. . 1996. São Paulo: Cortez. LUCKESI.

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