Ensina a criança n o c a m i n h o e m q u e d e v e andar. existem c o n t r a d i ç õ e s n o s e n s i n a m e n t o s da cultura sobre a personalidade. 6) P o u p e a vara e e s t r a g u e a criança. seus filhos a n d a r e m d e s c a l ç o s . ( S h a k e s p e a r e . d e v e r í a m o s t o d o s ser p r e g u i ç o s o s . conferência na Câmara d o s Lordes. e ainda q u a n d o e n v e l h e - cer cíele nâo se apartará.CAPÍTULO 1 Escritores e filósofos v ê m refletindo sobre a personalidade há séculos. 3 ato. G e o r g e Bernard Shaw afirma q u e as percepções de nossa própria natureza p o d e m ser imperfeitas. se a coragem deveria ser admirada o u lamentada? Q u a n d o nós e nossos amigos s o m o s corajosos. 1 ato) Q O i n s e n s a t o e x p a n d e toda a sua ira. Infelizmente para a q u e l e s q u e a c h a m q u e a sabedoria cultural é suficiente. 3 ato) y . nesse c a m p o talvez mais cio q u e e m q u a l q u e r outro. ( S a m u e l J o h n s o n . sua m à e labutar para g a n h a r a vida a o s setenta a n o s . 1. (William Pitt. ( G e o r g e B e r - nard Shaw. 1 1 ) Falam-nos s o b r e as motivações dinâmicas e as e m o ç õ e s da natureza humana. o estudo formal é necessário. antes d e trabalhar e m q u a l q u e r outra coisa q u e n ã o seja sua arte. O v e r d a d e i r o artista deixará sua m u l h e r morrer d e f o m e . Measure for measure. citado e m B o s w e l l . (Pr 2 9 . ( G e o r g e B e r n a r d S h a w . C o m o p o d e r e m o s saber. Essays. A virtude é c o r a g e m e a b o n d a d e n u n c a é temível. Hudibras. 9 d e janeiro d e 1 7 7 0 ) O s ditados n o s c o n t a m c o m o a personalidade se desenvolve por vários caminhos. N o entanto. verso 2 1 5 ) Q A coragem é filha da ignorância e da degeneração. Após s é c u l o s d e tais c o m e n t á r i o s s o b r e a personalidade. C a p . pt. (Francis B a c o n . T o d o o mund o tem u m a opinião. Major Barbara. talvez c o n c o r d e m o s c o m S h a k e s p e a r e e d e i x e m o s o ceticismo de B a c o n de lado até enfrentarmos um inimigo corajoso. linha 1 2 ) . I. u. Eles descrevem vários tipos d e pessoas. 8 4 4 ) . Se p u d é s s e m o s . Life of Johnson) O p o d e r ilimitado é c a p a z d e c o r r o m p e r as m e n t e s d o s q u e o p o s s u e m . talvez para explorar os mistérios d o universo físico e dos p r o c e s s o s biológicos? A personalidade p a r e c e tão ligada à cultura e a o s e n s o comum q u e o s teóricos e cientistas afiguram-se d e s n e c e s s á r i o s e inoportunos. Um inglês p e n s a q u e está s e n d o virtuoso q u a n d o a p e n a s se sente d e s c o n fortável. (Pr 22. diante dessas o b s e r v a ç õ e s contraditórias. será q u e n à o poderíamos ter a certeza d e q u e c o n h e c e m o s as pessoas? N à o p o d e r í a m o s deixar a pesquisa formal para outros p r o b l e m a s .( S a m u e l B u ü e r . Major Barbara.

Por e x e m p l o . c o m o p o d e m o s entender a d i n â m i c a da personalidade? C o m o as pessoas se adaptam às suas situações de vida? C o m o sào influenciadas pela s o c i e d a d e e p o r seus próprios p r o c e s s o s cognitivos (de p e n s a mento)? Terceiro. estudar um único indivíduo? Quais termos. as diferenças entre eles. é d e s c o n c e r t a n t e p e r c e b e r q u e p a r e c e haver uma frase para apoiar cada crença. a maneira como uma teoria descreve a personalidade tem i m p l i c a ç õ e s s o b r e a dinâmica e o e vice-versa. Além disso. Primeiro. Magnusson & Tõrestad. por e x e m p l o . as teorias dos traços e n c a r e c e m a descrição. e n q u a n t o as teorias psicanalíticas acentuam os temas d o d e s e n v o l v i m e n t o (cf. Por isso voltamo-nos para a psicologia. a psicologia fez u s o dos m é t o d o s da ciência para formular explic a ç õ e s da natureza humana mais claras e m e n o s ambíguas ( e m b o r a . 1993). A questão teórica mais fundamental é a seguinte: lidade' Quais são as unidades da persona- Quais c o n c e i t o s s ã o úteis para descrever a personalidade. A psicologia da personalidade é o c a m p o dentro da psicologia científica que estuda os indivíduos. desenvolvimento da personalidade.I N T R O D U Ç Ã O A T E O R I A DA PERSONALIDADE 3 Por mais encantadoras q u e sejam essas frases. essas três q u e s t õ e s são tão fundamentais q u e cada teoria as considera de alguma maneira. c o m o p o d e ser descrita a personalidade? A d e s c r i ç ã o da personalidade considera os m o d o s c o m o deveríamos caracterizar um indivíduo. No entanto. Ou será q u e as p e s s o a s sào fundamentalmente parecidas e n à o diferentes? C o m o p o d e m o s entender a dinâmica q u e nos motiva a agir de uma maneira ou de outra? C o m o nos d e s e n v o l v e m o s a partir da infância? A p e r s o n a l i d a d e p o d e ser definida c o m o as causas da experiência individual que existem dentro subjacentes do comportamento e da pessoa. infelizmente. Nem todos os psicólogos da personalidade c o n c o r d a m s o b r e quais sejam essas causas subjacentes. deveriam ser e m p r e g a d o s para descrever as pessoas? S e g u n d o . além dos oferecidos pela linguagem cotidiana. c o m o sugerem as várias teorias presentes neste livro. q u e se p o d e dizer s o b r e o d e s e n v o l v i m e n t o da personalidade? Ele reflete a influência de fatores biológicos ou o influxo das experiências infantis e posteriores? C o m o muda a personalidade durante a vida de um indivíduo. m e n o s literárias). os temas estão inter-relacionados. e s p e c i a l m e n t e as . rei No século passado. Eles f o r n e c e m uma grande variedade de respostas a três perguntas fundamentais. Esse m é t o d o n ã o o f e r e c e u m a c o m p r e e n são sistemática da natureza h u m a n a q u e nos possa ajudar a saber q u a n d o e s t a m o s s e n d o sábios e q u a n d o estamos a p e n a s divagando. Deveríamos descrever os traços da personalidade c o m p a r a n d o as p e s s o a s entre si ou utilizar alguma outra estratégia. c o m o . da infância à idade adulta? Algumas teorias enfatizam uma destas q u e s t õ e s e m detrimento das outras.

A inclusão numa categoria nos diz muito sobre cada m e m b r o . da personalidade. H. Hipócrates descrevia quatro tipos básicos de t e m p e r a m e n t o : sangüíneo (otimista. TRAÇOS Com muita freqüência. no entanto. e s s e n c i a l m e n t e . 1 9 9 1 ) . m e l a n c ó l i c o (triste. 1 9 8 5 ) . a natureza nos oferece transições mais graduais. Muitas maneiras de descrever as d i f e r e n ç a s i n d i v i d u a i s foram sugeridas. referimo-nos às p e s s o a s c o m o de tipo conservador ou liberal. Tais medidas atribuem a cada pessoa um e s c o r e . O s traços permitem uma descrição mais precisa da personalidade .e decidir q u e mais d i m e n s õ e s são necessárias e descrever as pessoas dizendo quantas das d i m e n s õ e s básicas elas possuem uma a b o r d a g e m por TIPOS traços. extremam e n t e confiante e m o d e r a d a m e n t e esportiva. colérico (irascíveí) e fleumático (apátic o ) (Merenda. uma girafa ou algum outro tipo de animal. Uma pessoa p o d e ser muito sociável. Na Grécia antiga. propunham-se amplas categorias da personalidade (a primeira alternativa). os traços abarcam um leque menor de c o m p o r t a m e n t o s . Por isso o s estudiosos da personalidade preferem geralmente m e d i d a s quantitativ a s . descrita n o Capítulo 3. um sistema de tipos de personalidade classifica as pessoas. Em política.uma a b o r d a g e m por tipos .s e dizer q u e um indivíduo possui um grau qualquer de um traço. um gato. Strube.CAPÍTULO 1 diferenças entre as pessoas? O u talvez d e v ê s s e m o s concentrar-nos numa única pessoa e m vez de fazer c o m p a r a ç õ e s . Esses t i p o s de personalidade sào categorias de pessoas com características similares. por exemplo. Um p e q u e n o n ú m e r o de tipos é suficiente para descrever todas as pessoas. Em c o m p a r a ç ã o c o m os tipos. e n q u a n t o outra apresenta traços diferentes. q u e p o d e ser o mais baixo. pré-científicas. de p o u c o a muito. talvez classificando-as t a m b é m c o m o de tipo apolítico. Podemos. Q u a n d o os clínicos classificam as pessoas numa categoria diagnostica ou declaram q u e s ã o "normais". Carl J u n g ( 1 9 7 1 ) distinguia entre introvertidos e extrovertidos. O s traços s à o a m p l a m e n t e usados nas descrições cotidianas da personalidade. estão usando categorias diagnosticas c o m o tipos (Blashfield & Livesley. Cada p e s s o a é ou n ã o é m e m b r o de uma categoria de tipos. e s c o l h e r entre classificar as pessoas dentro de um n ú m e r o limitado de grupos . 1 9 8 9 ) . 1974. o mais alto ou q u a l q u e r outro valor intermediário. (Sua tipologia completa. Allport.) Os tipos presumem q u e as p e s s o a s entram e m categorias naturais. A. 1 9 8 7 ) . Nas a b o r d a g e n s tradicionais. e muitos psicólogos t a m b é m os consideram úteis ( p o r e x e m p l o . deprimido). Personalidades do T i p o A ou do T i p o B foram propostas c o m o grupos c o m alto ou b a i x o risco cardiovascular (Friedman & Rosenman. Tal c o m o um certo animal p o d e ser um cachorro. 1937b. 1989). de m o d o q u e decisões do tipo "ou isso ou a q u i l o " s ã o razoáveis (Gangestad & Snyder. Um t r a ç o de personalidade é uma característica q u e distingue uma pessoa de outra e q u e a leva a se comportar de maneira mais ou m e n o s c o e r e n t e . e s p e r a n ç o s o ) . mas n ã o as d e s c r e v e c o m o possuidoras de graus variados de pertencimento à categoria. Buss. P o d e . apresenta oito tipos.

. C o m o outros traços. "Mary é sociável") implica c o m p a r a ç ã o c o m outras p e s s o a s . Um estudo clássico e n u m e r o u quase 18 mil traços entre as palavras relacionadas n o dicionário (Allport & Odbert. alguns pesquisadores verificaram estatisticamente q u e o s e s c o r e s d e traços tendem a estar correlacionados e. Outros pesquisadores consideraram suficiente o n ú m e r o restrito d e c i n c o 0 o n n i 1990) ou até m e s m o três (Eysenck. Mary p o d e r e c e b e r 10 para extroversão. F r e q ü e n t e m e n t e . a o p a s s o q u e os tipos existem mais na teoria d o q u e na pesquisa. de preferência outro q u e ainda possibilite m e n s u r a ç õ e s quantitativas. Existem técnicas estatísticas especiais para saber se certas dim e n s õ e s da natureza s à o categoriais (tipos) o u quantitativas (traços ou fatores). abon ge * s iii/nioteticas e i c l i o g r a í i c a s Traços e tipos d e personalidade n o s permitem c o m p a r a r u m a p e s s o a c o m outra. diferenças individuais. Essas pontuaç õ e s m e d e m diferenças individuais (diferenças entre p e s s o a s ) . entre tímido e retraído. indicando q u e e l e é m e n o s extrovertido. Estudos d e c a s o e análises psicobiográficas. s à o a b o r d a g e n s idiográ ficas. q u e serão discutidos mais adiante. D e fato. indicando q u e ela é sociável. outros psicólogos estudam a p e r s o n a l i d a d e s e m e n f o c a r as estuda um indivíduo por vez. Em contraposição. c h a m a m o s uma pesquisa q u a n d o ela e n f o c a as particularidades d e um c a s o individual. O fato d e os traços p o d e r e m ser atribuídos a u m a p e s s o a e m vários graus t a m b é m torna esse c o n c e i t o mais preciso d o q u e o d o s tipos. 1 9 3 6 ) . p r o p u s e r a m amplos f a t o r e s d e p e r s o nalidade. eles s à o quantitativos. grupos de sujeitos s à o submetidos a um teste d e personalidade e seus escores s ã o c o m parados. Na prática. Estes diferem da maioria d o s traços p o r serem mais amplos. prevalecem o s traços e fatores.I N T R O D U Ç Ã O À T E O R I A DA PERSONALIDADE 5 do q u e os tipos p o r q u e cada traço se refere a u m conjunto mais focalizado d e características. 1 9 9 0 a ) fatores para descrever as d i m e n s õ e s fundamentais da personalidade. Cada pessoa r e c e b e um e s c o r e para indicar q u a n t o d o traço ela possui. Embora comparações de implíidiográfica c o m outras p e s s o a s sejam inevitáveis. Para eliminar redundâncias d e s n e c e s sárias ( p o r e x e m p l o . São necessários mais traços d o q u e tipos para s e descrever u m a personalidade. Grupos de indivíduos s ã o estudados e as p e s s o a s s ã o comparadas pela aplicaç ã o dos m e s m o s c o n c e i t o s (geralmente traços) a cada p e s s o a . e m vez d e serem simplesmente classificadas numa o u noutra categoria d e tipos. a a b o r d a g e m n o m o t é t i c a . m a s elas ou n ã o s à o a m p l a m e n t e c o n h e c i d a s ou n ã o foram implementadas (Meehl. Esta é a abordagem mais c o m u m na investigação da personalidade. Raymond Cattell ( 1 9 5 7 ) propôs um conjunto d e dezesseis fatores básicos da personalidade (ver Capítulo 8 ) . Precisamos realmente d e tantos traços? Um sistema mais simples seria mais útil para os pesquisadores. o n ú m e r o d e traços p o d e ser impressionante. a b o r d a g e n s totalmente cas s à o impossíveis. as p e s s o a s r e c e b e m u m e s c o r e . 1 9 9 2 ) . já q u e q u a l q u e r d e s c r i ç ã o d e u m a p e s s o a ( p o r e x e m p l o . em o p o s i ç ã o a simples categorias d e tipos. q u e n ã o p a r e c e m ser dois traços distintos). sem idiográfiA abordagem idiográfica fazer c o m p a r a ç õ e s c o m outras p e s s o a s . e n q u a n t o o pacato Davici r e c e b e a p e n a s 3. A d e s c r i ç ã o geralmente é feita mais por m e i o d e palavras d o q u e d e m e n s u r a ç õ e s numéricas. m e s m o q u e essa c o m p a r a ç ã o esteja citas apenas na memória daquele que efetua a análise. Seja c o m o for. b a s e a d o s nisso.

quanto a algumas características da personalidade.CAPÍTULO 1 Desde que G o r d o n Allport 0 9 3 7 b ) propôs pela primeira vez os termos idiográfica e nomotético. mas o ponto fundamental continua vali- . à população de adultos empregados. A relação entre variáveis encontrada na pesquisa nomotética pode nào se repetir numa pesquisa idiográfica e vice-versa (S. os estudantes universitários sào diferentes quanto a outras (Ward. ampliaríamos essa asserção para incluir tanto as mulheres c o m o os h o m e n s . 5 3 ) . 1981) e das causas do comportamento (cf. Robinson. Numa crítica clássica. 1978). 1954. Eysenck. É muito mais fácil para os pesquisadores dedicar sua a t e n ç ã o à descrição de variáveis do q u e à descrição de pessoas.) T e m o s de c o n h e c e r o indivíduo e também saber c o m o ele pode ser comparado c o m outros. pessoas ricas eventualmente compram carros de luxo. 1984. ( c ) diferente de qualquer outro h o m e m " ( 1 9 8 8 b . Stroud. N. Ele estuda muitas pessoas e as compara. 1984). em certos aspectos. E. Neale. Apesar de suas vantagens científicas. Hoje em dia. 1986). Rae Carlson ( 1 9 7 1 ) criticou a pesquisa da personalidade por enfocar apenas uma variável ou um p e q u e n o número delas em cada estudo. Os estudos de indivíduos tornam possível uma descrição mais completa da personalidade (Lamiell. I. Alexander. já q u e muitos aspectos se c o m b i n a m para formar a personalidade. Tanto a abordagem nomotética c o m o a idiográfica têm algo a contribuir para a psicologia da personalidade (Hermans. Stone & Rachmiel. Skaggs. C o m o alguns estudos de c a s o idiográficos se parecem mais c o m histórias do q u e c o m ciência. D. (Por analogia. ( b ) c o m o alguns outros homens. 1945. Bem. 1993). Saltzberg. Rae Carlson t a m b é m criticou os pesquisadores da personalidade por investigarem apenas um setor limitado da população ( 7 1 % dos estudos pesquisam apenas estudantes universitários). Contudo. D. isso n à o é suficiente para possibilitar a c o m p r e e n s ã o de um indivíduo. 1986. Contudo. 1983a). 1983. a maioria das pesquisas no c a m p o da personalidade é nomotética. Billig. mas n o caso de Harry isso o levou à falência. porque lhes custa muito esforço descrever uma pesquisa que transmita o que uma única pessoa experimentou (cf. Os estudos de grupos sào necessários para determinar se as e x p l i c a ç õ e s individuais também se aplicam a outras pessoas. o q u e torna difícil a o b t e n ç ã o de uma compreensão bastante completa de cada uma das pessoas. de forma q u e pesquisas baseadas principalmente em graduandos têm uma relevância questionável para a p o p u l a ç ã o c o m o um todo. B e m & Funder. (a) c o m o os outros homens. se suas pesquisas estào sempre baseadas em grupos. Epstein. deficiência essa que perdurou nos anos subseqüentes (Sears. 1986. o método nomotético tem inconvenientes. 1990. 1986. defensores das abordagens idiográficas sugeriram estratégias de pesquisa para estudar indivíduos ( p o r e x e m p l o . a pesquisa idiográfica mostra que nào existe nos indivíduos uma tendência de modificação da atenção que dedicam a si m e s m o s associada a mudanças de humor (Wood. Dreger. 1994). William McKinley Runyan lembra aos psicólogos da personalidade a clássica asserção de Kluckhohn e Murray ( 1 9 5 3 ) : "Cada h o m e m é. Por e x e m p l o . Manicas & Secord. Embora se assemelhem. 1983. a pesquisa nomotética mostra q u e as pessoas cuja a t e n ç ã o se volta mais para si mesmas também tendem a apresentar um humor negativo. J . Os críticos da a b o r d a g e m nomotética perguntam c o m o a personalidade pode ser o estudo de indivíduos. os psicólogos da personalidade vêm debatendo o valor de ambas as abordagens. O s críticos da abordagem idiográfica afirmam que esse tipo de pesquisa carece dos necessários controles e repetições da ciência (Corsini. Enfoca mensurações de traços mais d o q u e a c o m p r e e n s ã o integral das pessoas. p. 1990). 1988). 1984).

1984a. Argumentava q u e a pesquisa n ã o conseguia provar a suposição de c o e r ê n c i a d o c o m p o r t a m e n t o e m diferentes situações. . contudo. e n q u a n t o causa subjacente d o c o m p o r t a m e n t o de um indivíduo. Q u e outra razào n o s levaria a descrever um amigo c o m o confiável ou um paciente c o m o depressivo? Walter Mischel ( 1 9 8 6 b ) . Cook & Shadish. Kenrick & Funder. pelo contrário. Woolf Malcolm X Pacientes clínicos Você Outros indivíduos de interesse do.1). q u e as situações s à o mais fortes d o q u e a personalidade c o m o determinantes do comportamento. 1982. 1983. 1986). Constatou. De- . nias os dados disponíveis n à o permitem uma afirmação clara s o bre a relação entre situações e c o m p o r t a m e n t o (Houts. 1983). Vale para os grupos Diferenças de grupo \ Raça Características da personalidade Classe social Cultura Período histórico Outras diferenças dos grupos Van Gogh 3. Mischel & Peake. 1 4 w Níveis de generalidade n o estudo de vidas p.INTRODUÇÃO À TEORIA DA PERSONALIDADE FIGURA 1 . A psicologia da personalidade tem três objetivos: descobrir o q u e é verdadeiro para todas as pessoas. Vale para todas as . estava i n c o m o d a d o c o m o e x c e s s o de generalizações feitas pelos clínicos q u a n d o prediziam c o m p o r t a m e n t o s c o m b a s e e m testes de personalidade. \ Princípios de aprendizagem social M 1. ex Teorias psicodinâmicas r ' .pessoas . produza comportamentos coerentes e m diferentes situações. raça. I Universais Processos fenomenológicos Fases de desenvolvimento cognitivo Sexo 2. Vale para indivíduos singulares Lincoln Freud V. Espera-se q u e a personalidade. 1988. Muitas pesquisas e controvérsias concentraram-se n o tema cia importância relativa dos traços de personalidade e das situações na determinação d o comportamento (Funder. Mischel. 1 9 8 8 b ) (ver figura 1. cultura e t c . o q u e é verdadeiro para grupos de pessoas (variando quanto a sexo. ) e o q u e é verdadeiro para cada indivíduo (Runyan.

outra pelo poder. Carl Rogers supunha uma tendência para avançar e m direção a níveis superiores de desenvolvimento. 1990). um ou outro podem aparecer c o m o mais determinantes. O m o d o c o m o pensamos é um determinante significativo das nossas escolhas e da nossa adaptação. A relação entre personalidade e c o m p o r t a m e n t o s observáveis muitas vezes é sutil e não é óbvia. Sigmund Freud achava q u e a motivação sexual subjaz à personalidade. v o c ê pode se perguntar: Por que essa pessoa está correndo?" Qual o motivo? O s teóricos discutem muitos motivos. refere-se a processos q u e p o d e m ou nào envolver a orientação para um objetivo. Por e x e m p l o . I . v ê e m essas diferenças c o m o traços. O b s e r v a ç õ e s de seus desajustamentos (e de um ajustamento cada vez melhor c o m o tratamento) sugeriram idéias mais gerais sobre a personalidade q u e foram amplamente aplicadas a populações nào-clínicas. O termo dinâmica é mais geral. Além disso. Alguns estudiosos consideram q u e as motivações ou objetivos de todas as pessoas s ã o similares. 1985. essa controvérsia serviu a um propósito. 1986). tem implicações para a saúde mental. 1990). Henry Murray ( 1 9 3 8 ) arrolou dezenas de motivos q u e sào de importância variada para diferentes pessoas. Sem uma teoria dessa amplitude. Dinâmica da personalidade Não basta simplesmente descrever a personalidade. a sociedade nos influencia por meio de suas oportunidades e expectativas. Outros teóricos. e n f o c a n d o muitas vezes as motivações q u e orientam o comportamento.8 CAPÍTULO 1 p e n d e n d o das situações e dos traços específicos pesquisados. A motivação fornece energia e orientação a o comportamento. O termo motivação implica q u e uma pessoa visa a um ou outro desses diversos objetivos. A personalidade implica uma maneira individual de lidar c o m o mundo. As pessoas adaptam-se de diferentes maneiras. Uma pessoa p o d e estar motivada pela realização. Essa ênfase reflete a associação historicamente sólida entre a teoria da personalidade e a psicologia clínica. Pervin. Ao ver uma pessoa correndo vigorosamente em direção a uma porta. b e m c o m o fornecer conceitos descritivos. portanto. Sechrest. de adaptar-se às exigências e oportunidades do meio ( a d a p t a ç ã o ) . para q u e m os motivos ou objetivos variam de uma pessoa para a outra. A moderna teoria da personalidade considera os processos cognitivos o principal aspecto da dinâmica da personalidade. A dinâmica da personalidade incluí adaptação ou ajustamento dos indivíduos às exigências da vida e. O termo dinâmica da personalidade refere-se aos m e c a n i s m o s pelos quais a personalidade se expressa. No entanto. Uma teoria precisa explicar a dinâmica e o desenvolvimento da personalidade. Lembra-nos q u e a personalidade opera n o contexto de situações e que os teóric o s têm de considerar tanto as situações c o m o os traços da personalidade (Hyland. 1985). Muitas teorias da personalidade têm raízes no tratamento clínico dos pacientes. c o m o os traços (cf. de forma q u e mensurações de traços da personalidade p o d e m ser usadas para prever o m o d o c o m o o farào (Bolger. os traços perdem seu p l e n o sentido (Rotter. a As situações requerem q u e se lide c o m elas.

Diener & Larsen. M. tanto do meio c o m o internas à pessoa. Iiiiliiêiicias m ú l t i p l a s As dinâmicas da personalidade envolvem influências múltiplas. tais c o m o a hereclitariedade? Até q u e ponto p o d e a personalidade ser modificada pela aprendizagem? Em q u e medida a infância é um p e r í o d o crítico para o desenvolvimento da personalidade. A personalidade é influenciada pelas nossas maneiras de pensar sobre nós m e s m o s . s o b r e nossas c a p a c i d a d e s e sobre outras pessoas. extremamente difícil. os psicólogos aprenderam muito sobre a c o g n i ç â o . é tentador descrever as dinâmicas da personalidade e m termos e x t r e m a m e n t e simples até q u e os dados de pesquisa nos forcem a r e c o n h e c e r a c o m p l e x i d a d e d o tema. Nas últimas décadas. tanto a a m b i ç ã o (necessidades de realização) c o m o a amizade (necessidades de associação) influenciam o c o m portamento de 'estudar c o m um amigo".INTRODUÇÃO À TEORIA DA PERSONALIDADE 9 •Processos c o g n i t i v o s Que papel d e s e m p e n h a o pensamento? As teorias a esse respeito variam consideravelmente. Colocar isso numa p r o p o s i ç ã o teórica precisa é. 1986. 1977)? As análises estatísticas das causas múltiplas são complicadas. 1 9 9 1 ) . Epstein & 0 ' B r i e n . d e i x a n d o a sociedade de lado. As dinâmicas inconscientes são mais importantes na teoria psicanalítica. contudo. Embora ainda haja muito por fazer. as teorias da personalidade atuais consideram mais cuidadosamente as influências sociais s o b r e a personalidade. c o m o às vezes é c h a m a d o . Q u a n d o a experiência ou uma terapia muda os n o s s o s pensamentos. A sociedade Historicamente. 1989. 1976. Vários aspectos da personalidade p o d e m se combinar para influenciar o c o m p o r t a m e n t o . e quanta mudança p o d e ocorrer na idade adulta? . Endler & Magnusson. Evans. e n ã o há entre os pesquisadores um consenso claro sobre o m o d o c o m o as causas múltiplas deveriam ser c o m b i n a d a s (Carver. muda t a m b é m a nossa personalidade. Até q u e ponto a personalidade é influenciada por fatores biológicos. mas qual é a importância de cada um. determinismo múltiplo) nào é o b j e t o de controvérsias. B a s e a d o na experiência clínica. produzindo assim um retrato i n c o m p l e t o da personalidade e i m p e dindo as teorias de explicar adequadamente as diferenças sexuais e as diferenças étnicas e culturais. Por isso. Por e x e m p l o . G. as teorias da personalidade centraram-se n o indivíduo. 1985. S a b e m o s q u e os traços da personalidade e as situações influenciam o c o m p o r t a m e n t o . As situações p o d e m fornecer oportunidades para atingir objetivos ou desafios q u e requerem adaptação. Desenvolvimento da personalidade Outro tema central da teoria da personalidade diz respeito à f o r m a ç ã o e à mudança da personalidade. e c o m o essas influências se c o m b i n a m (por e x e m p l o . Emmons. O princípio de causalidade múltipla (ou. Sigmund Freud p r o p u n h a q u e os pensamentos conscientes são a p e n a s uma parte limitada da dinâmica da personalidade. Magnusson & Endler.

As pesquisas atuais sobre a personalidade não enfocam o desenvolvimento tanto quanto alguns consideram q u e deveriam fazê-lo (ver Kagan. Kenny & Campbell. c o m o McDougall e Murphy (Cheek. especialmente os de tradição psicanalítica. há uma introdução da teoria nele contida baseada em muitas das questões acima discutidas. As questões sobrepõem-se com freqüência. 1986). 1984a. 1985). 1985). Gray. porque os indivíduos diferem em relação a eles. q u e a experiência desempenha um papel muito mais significativo do q u e a hereditariedade na formação desse c o m p l e x o organismo q u e d e n o m i n a m o s ser h u m a n o . e essa linha de pesquisa continua até hoje (por e x e m p l o . 1984). Embora as pessoas realmente mudem. Um artigo (Rowe. encarecia a experiência dos anos pré-escolares na formação da personalidade. Horney e Adler). e m b o r a outros n ã o o sejam. A maioria das teorias discutidas neste livro acentua. 1990. os processos cognitivos nào apenas sào dinâmicos c o m o podem também ser considerados descritivos. influencia a maneira c o m o cada pessoa desenvolve sua personalidade única. Conley. Esses temas foram antevistos nas abordagens biossociais dos primeiros psicólogos. n o entanto. ainda que muitos teóricos v e n h a m fazendo progressos nessa direção (Caspi. também há fortes evidências da estabilidade da personalidade ao longo da vida de cada pessoa (por e x e m p l o . A experiência. Schachter & Stone. particularmente na infância. Erikson ampliou a reflexão sobre o desenvolvimento. As diferenças de sexo são atribuídas basicamente a influências biológicas por alguns teóricos (por e x e m p l o Freud e J u n g ) . 1990. Plomin. Freud. Heath & Martin. chegando a afirmar q u e a teoria da personalidade poderia ser integrada à biologia ( D . McCrae & Costa. Muitas das principais teorias da personalidade descritas neste livro fazem afirm a ç õ e s sobre o desenvolvimento da personalidade. A personalidade desenvolve-se ao longo do tempo. 1987) conclui q u e boa parte da personalidade é genética. 1989. Você pode c o m e ç a r seu estudo da personalidade refletindo sobre o q u e você pensa a respeito dessas questões a partir .CAPÍTULO 1 Algumas crianças p o d e m parecer tranqüilas. presumivelmente devido a influências biológicas. 1987. Alguns teóricos enfatizam o caráter hereditário da personalidade (por e x e m p l o . concordam em que os primeiros anos de vida sào importantes (por e x e m p l o . 1988). Horney). B a k e r & Daniels. 1989. Será lícito pensar que a personalidade é determinada geneticamente? O termo t e m p e r a m e n t o refere-se a estilos coerentes de comportamento q u e estão presentes desde a infância. M. 1 9 8 9 b ) . Lester. Cattell (Capítulo 8 ) investigou o papel da hereditariedade c o m o determinante da personalidade e descobriu q u e alguns de seus aspectos são fortemente influenciados pela hereditariedade. incluindo a idade adulta e a velhice. PARA o ESTUDANTE No c o m e ç o de cada capítulo. 1987. Lerner & Tubman. Por e x e m p l o . agitadas ou apresentar qualquer outra característica desde o nascimento. porque mudam a o longo do tempo. Muitos outros teóricos. 1984). mas outros as atribuem à experiência (por e x e m p l o . por e x e m p l o . Buss. Eysenck ( 1 9 8 2 ) postulava uma base fisiológica para as principais variáveis da personalidade. e desetv volvimentais.

os tópicos arrolados sob cada questão também estão relacionadas com outras questões. d e v e m o s olhar para o q u e elas dizem ou para o q u e elas fazem? As pessoas s ã o coerentes? Exemplos de abordagens dessas questões Diferenças individuais Questões dinâmicas C o m o as pessoas se adaptam às exigências da vida? C o m o age uma pessoa mentalmente saudável? Quais c o m p o r t a m e n t o s ou pensamentos s ã o doentios? Nossos p e n s a m e n t o s afetam nossa personalidade? Q u e tipos de p e n s a m e n t o s s à o importantes para a personalidade? Os processos inconscientes e x e r c e m influência sobre nós? C o m o a sociedade influencia o nosso funcionamento? A sociedade n o s afeta pelas expectativas q u e tem d o s h o m e n s e das mulheres? D a s diferentes raças e classes? Adaptação e ajustamento Processos cognitivos Sociedade Questões desenvolvimentais C o m o os processos biológicos afetam a personalidade? A personalidade é hereditária? C o m o as crianças deveriam ser tratadas? O q u e as crianças a p r e n d e m de importante para a personalidade? As experiências da infância determinam a personalidade adulta? O s adultos mudam? O u a personalidade já foi determinada antes? Q u e experiências da idade adulta influenciam a personalidade? Influências biológicas Desenvolvimento da criança Desenvolvimento d o adulto Essas categorias sào apresentadas com vistas a fornecer um panorama geral.INTRODUÇÃO A TEORIA DA PERSONALIDADE 11 As principais questões tratadas pelas teorias da personalidade Questão Questões descritivas Quais são os traços q u e distinguem as pessoas? C o m o esses traços p o d e m ser medidos? Para descrever c o m o as pessoas s à o únicas. Em muitas teorias da personalidade. .

testam suas afirmações sobre as pessoas por meio do m é t o d o c i e n t í f i c o .3. Notese.3) serão observáveis entre as pessoas q u e têm escores baixos num teste de auto-estima. a f e n ô m e n o s observáveis. que os construtos e observações podem ser expressos de forma invertida sem modificar o sentido. "Auto-estima alta" e "responsabilidade social". Diz-se que eles estão causalmente relacionados numa proposição teórica q u e afirma: "Auto-estima elevada causa responsabilidade social. Algumas dessas teorias combinam mais c o m suas idéias do que outras? Nessas introduções você encontra idéias novas ou q u e o deixam perplexo? Espera-se q u e o estudo formal da personalidade lhe forneça novas idéias e o ajude a avaliar a exatidão daquelas nas quais você já acredita. 1984). Em seguida. 2 Níveis de p e n s a m e n t o e m teoria Auto-estima elevada Responsabilidade social NÍVEL TEÓRICO (construtos teóricos) NÍVEL OBSERVÁVEL (definições operacionais) Gostar de si Falar dos próprios sucessos Vestir-se bem Sorrir Escore alto em Teste de Auto-estima Respeitar a lei Juntar-se a grupos políticos Reciclar Escore alto em Escala de Responsabilidade Social . O determinismo eqüivale ao pressuposto de que os f e n ô m e n o s em estudo têm causas e de q u e essas causas p o d e m ser descobertas pela investigação empírica. As teorias da personalidade. c o m o a psicologia em geral. indicados no nível observável xvà Figura 1.1. passe os olhos pelos quadros sinópticos no c o m e ç o de cada capítulo.2. Além disso.2 são propostos dois conceitos abstratos no nível teórico." Os conceitos abstratos nào podem ser diretamente observados. Eles correspondem. sorrir e vestir-se bem.2 sugere q u e no nível dos observáveis as pessoas que têm e s c o r e s altos num teste de auto-estima deveriam gostar de si mesmas. falar sobre seus sucessos. entretanto. C o m o v e m o s . O pressuposto do d e t e r m i n i s m o é fundamental no método científico. O método científico requer observaç õ e s sistemáticas e uma disposição para modificar a c o m p r e e n s ã o em função dessas o b s e r v a ç õ e s . dois diferentes níveis de abstração sào importantes. os comportamentos opostos (Figura 1. No m é t o d o científico. procurando responder às perguntas do Quadro 1. Mesmo os teóricos da personalidade filiados a outras correntes concordam nesse ponto (Kimble. Na Figura 1. a Figura 1. na Figura 1. para ter uma primeira idéia do c a m p o da personalidade.12 CAPÍTULO 1 da sua experiência de vida. FIGURA 1 .

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