FAEL Organização de Conteúdos Acadêmicos Maria de Lourdes Mazza de Farias

EQUIPE EADCON Coordenador Editorial Assistentes de Edição William Marlos da Costa Ana Aparecida Teixeira da Cruz Janaina Helena Nogueira Bartkiw Lisiane Marcele dos Santos Denise Pires Pierin Kátia Cristina Oliveira dos Santos Monica Ardjomand Rodrigo Santos Sandro Niemicz William Marlos da Costa

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EQUIPE UNITINS Coordenação Editorial Assessoria Editorial Gerente de Divisão de Material Impresso Revisão Digital Projeto Gráfico Ilustração Capas Maria Lourdes F. G. Aires Marinalva do Rêgo Barros Katia Gomes da Silva Katia Gomes da Silva Irenides Teixeira Katia Gomes da Silva Geuvar S. de Oliveira Igor Flávio Souza

A questão de gênero é uma constante preocupação nas minhas reflexões. A Língua Portuguesa tem se utilizado e se expressado de maneira convencional, deixando-nos presos “ao monopólio masculino da língua e produção do conhecimento” (GOSZ, 1990, p. 332). Isso significa considerar que a escola tem colaborado com a sociedade na construção de padrões de conduta social que correspondem às representações dominantes do que é ser masculino e feminino. Falar que essas representações existem significa dizer que as pessoas determinam, para cada uma dessas categorias, suas características, seus padrões de conduta e o espaço que lhes corresponde na sociedade. Procurei refletir na redação do texto essas questões, com o objetivo de aumentar o debate sobre o papel secundário do gênero feminino na nossa língua. Trata-se, na verdade, de um convite às alunas e aos alunos a experimentarem aquilo que Peter Mclaren se refere como o “atravessar de fronteiras simbólicas”. Espero que essa experiência nos ajude a colocar em discussão o quanto as mulheres têm sido silenciadas, evadidas, não referenciadas nos modos de representação verbal dominantes construídos na nossa língua. Não seria diferente com o currículo. Bom proveito! Prof.ª Maria de Lourdes Mazza de Farias

Planejamento e avaliação do currículo n na Educação Infantil. cultura e sociedade. Formação Fundamental dos educadores e sua atuação no processo curricular. do Propor e examinar alguns programas de ensino articulados ao exam currículo escola escolar. Abordagem pedagógica dos par conteúdos na creche e na pré-escola. Abordagem pedagóat gica dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Planejamento e avaliação do currículo no Ensino Fundamental. Seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil: as diretrizes curriculares e o Referencial Educaçã Curricular Nacional para a Educação Infantil. Seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais Se do Ensino Fundamental: os Parâmetros Curriculares Nacionais. enfocando os aspectos ideológicos e cultura que o compõem. culturais Compreender a tendências que acompanharam o surgimento e o as desenvolvimento do currículo escolar no Brasil. OBJETIVOS Refletir sobre o conceito de currículo. desenvolviment Estabelecer rela relações entre as propostas curriculares e a melhoria da qualidade d ensino. CONTEÚDOS PROGRA PROGRAMÁTICOS O campo do currículo no Brasil: origem e desenvolvimento cu Conceituações do Currículo Teorias do Currículo Curr Currículo. ideologia e cultura ideol .EMENTA Currículo.

SACRISTÁN.). Currículo: debates contemporâneos. Campinas: Papirus. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do Currículo. Tomaz Tadeu. 2003. Currículos e programas no Brasil. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? Compreender e Transformar o Ensino. MACEDO. 2003. M. Porto Alegre: Artmed. (Org. GÓMEZ. T. Escola. Alice Casimiro. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 259 .A seleção cultural do currículo: complexidade da aprendizagem escolar. 2002. I. 2000. Elizabeth. Michael F. SILVA. São Paulo: Cortez. O currículo: uma reflexão sobre a prática. relações entre o currículo. YOUNG. ed. Gimeno J. Gimeno. Belo Horizonte: Autêntica. 2000. São Paulo: Cortez. SACRISTAN. 3. A. 2000. B. Antônio F. Campinas: Papirus. O currículo do futuro: da Nova Sociologia da Educação a uma teoria crítica do aprendizado. a escola e a sociedade A proposta curricular a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. os códigos curriculares. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR LOPES. currículo e avaliação. 2002. ed. D. 10. Pérez. Porto Alegre: Artes Médicas. 9394/96: Os Parâmetros Curriculares Nacionais As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental Avaliação Curricular BIBLIOGRAFIA BÁSICA ESTEBAN. MOREIRA.

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sua postura era claramente voltada para a distinção entre as pessoas das classes altas e das classes baixas. sociais e culturais. é um modo de ver o mundo com uma resposta educacional. Para o bom acompanhamento desta aula. o ensino brasileiro sofreu decisiva influência no modo de ver o processo educacional. entender que os estudos críticos do currículo apontam que a seleção cultural sofre determinações políticas. a nobreza dedicava-se ao estudo das “artes liberais”.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS História do currículo no Brasil Esperamos que. Enquanto o povo tinha suas próprias formas de transmitir habilidades técnicas e artesanais necessárias para o trabalho. sempre significou um elenco de disciplinas a serem ministradas aos alunos e às alunas. O currículo. entender que a questão central da discussão sobre currículo perpassa o processo de organização e seleção dos conteúdos trabalhados nas escolas. econômicas. que era mais voltado para a transmissão do status hereditário do que para o exercício de profissões. que. relacionada a essa nova visão. na sua versão mais tradicional. 1. os alunos e as alunas deverão ter conhecimentos prévios de filosofia e história da educação. na verdade. Assim constituído. ao final desta aula. Nossa educação colonial. herdeira do espírito FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 261 .1 História e teoria do currículo No período que vai desde o descobrimento até o início do século XX. você seja capaz de: conhecer a história e a teoria do currículo.

o que deu origem principalmente ao aparecimento de uma crescente classe média. os defensores do ensino voltado à erudição. os defensores do ensino voltado à ciência e à tecnologia. à importação de valores europeus e à cristalização das tradições. De outro. a crise oriunda do debate de pensamentos entre as elites rurais e as classes intermediárias. significa o curso. Com o advento da Independência e da República. existe uma pluralidade de definições e cada uma pressupõe valores e concepções implícitas. foram influenciados pelo modelo tecnicista de natureza prescritiva. a rota. tarefas que lembrassem o trabalho escravo.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS da contra-reforma. o caminho da vida ou das atividades de uma ou um grupo de pessoas. baseados nas categorias de controle e eficiência social. bem como ao tipo de sua organização econômica. à expectativa de alunos e alunas. Os primeiros estudos. ao estágio do desenvolvimento produtivo de um povo. A educação. de origem norte-americana. no campo do currículo. O currículo educacional representa a síntese dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social expresso pelo trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Alguns grupos sociais passaram a pleitear uma estrutura educacional mais voltada à ciência. nos seus aspectos econômicos. no sistema mais amplo que configura a sociedade de dado lugar e tempo. é uma resposta das instituições escolares às exigências da sociedade. O exemplo histórico nos leva a consolidar a convicção de que o subsistema educacional se insere. A palavra curriculum. Dessa forma. O currículo é entendido como programa de ensino. Após a Primeira Grande Guerra (1914-1918). portanto. traduziu-se em um acirrado conflito de idéias educacionais. concluímos que qualquer postura educacional tem subjacente uma “visão de mundo”. às disputas de posições dirigentes almejadas por diversos agrupamentos sociais. pela repulsa às ciências e às tecnologias e por qualquer ocupação que envolvesse habilidades manuais ou artesanais. também decorrentes das expectativas que seu meio social e familiar alimenta em relação a eles e elas. na sua estrutura de poder e nos movimentos de mudança. tinha uma postura marcada pelo obscurantismo místico. Para Goodson (1996). ou seja. De um lado. à tecnologia e às habilitações profissionalizantes. conteúdos ou matriz curricular por muitos professores e professoras. favorecendo o desenvolvimento industrial e a urbanização do país. o currículo é definido como um percurso a ser seguido e como conteúdo apresentado para estudo. de origem latina. Na realidade. de maneira intensamente comprometida. importado da metrópole. novas atividades econômicas começaram a surgir. O tipo de ser humano que a educação se propunha a formar a partir do modelo colonial estava em conflito com as aspirações dos novos grupos sociais em ascensão. 262 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .

Apple (1989) e Silva (1988). Segundo Tyler. O pensamento de Tyler influenciou os estudos sobre currículo no Brasil e foi adotado como fundamento teórico na organização curricular do ensino na década de 70. o autor trabalhou a noção de currículo oculto. (1982) utiliza o termo tradição seletiva “(. destaca-se Ralph Tyler (1949). assinalando suas múltiplas transformações. Sacristán (1998) defende o modelo de interpretação que concebe o currículo como algo construído no cruzamento de influências e campos de atividades diferenciadas e inter-relacionadas. buscando demonstrar como as escolas produzem e reproduzem a desigualdade social. os estudos nesse campo tiveram outros desdobramentos.) outros são negligenciados e excluídos”. colocou em destaque a relação entre a dominação econômica e cultural e o currículo escolar. a forma que. Baseado na abordagem neomarxista.. A discussão sociológica do currículo. Saiba mais FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 263 . (. 1984). Além da teoria crítica do currículo de natureza sociológica.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Nesse sentido.. a seleção e criação das experiências de aprendizagem. Stenhouse (1991) e Schwab (1983) sugerem o estudo do currículo em uma perspectiva processual e prática. escolhem-se como importantes (.... Kemis (1996) tem assinalado a necessidade de uma reformulação da teoria do currículo com base na articulação teórico-prática. instrumento de racionalização da atividade educativa e controle do planejamento. em Ideologia e Currículo (1982). Apple.) significados e práticas. permitindo analisar o curso de objetivação e concretização do currículo em vários níveis. O currículo era visto como uma atividade neutra. O desvelamento das implicações do currículo com a estrutura de poder político e econômico na sociedade inseriu a problemática curricular no interior da discussão político-sociológica. Michael Apple. que mostra preocupação com o estabelecimento de objetivos educacionais e com a avaliação.) a questão é a seletividade. a avaliação do currículo com vistas ao seu contínuo aproveitamento” (TYLER citado por TABA. a organização das experiências para alcançar o máximo efeito cumulativo.. a crítica ao reducionismo e estruturalismo tem sido feita por autores como Young (1989). de todo um campo possível de passado e presente. A nova sociologia da educação busca discutir os aspectos internos da escola e a relação entre a educação e as desigualdades sociais. para o desenvolvimento de um currículo existem quatro tarefas fundamentais: a definição e seleção dos objetivos.

42) “. como assinala Forquim (1992.) que comanda relações e comportamentos sociais”. Nesse sentido.. Para Silva (1995. desde a prescrição até a efetivação nas salas de aulas. p.. contexto curricular complexo e problemático. historicamente situado e não pode ser desvinculado da totalidade do social. (. dos rituais. os seus contextos de concretização. currículo oculto são (. concepções de mundo pertencentes a determinados grupos hegemônicos na sociedade e que serve para reproduzir as desigualdades sociais. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. nas escolas não se aprendem apenas conteúdos sobre o mundo natural e social. p. 27) também acrescenta currículo oculto como “conjunto de atitudes. Nesse sentido. 264 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 21). Assim. afirma Sacristán (1998. p. a literatura crítica tem argumentado a favor de uma teoria que leve em consideração a sua dimensão prática. p. a seleção do conhecimento escolar não é um ato desinteressado e neutro.. A relevância desse conceito está na explicação que ele oferece para a compreensão de muitos aspectos que ocorrem no universo escolar. entende-se que o currículo é culturalmente determinado. 35). conflitos e negociações. Sacristán (1998) aponta para essa perspectiva quando foca a atenção para os condicionantes administrativos. Estudos críticos do currículo apontam que a seleção cultural sofre determinações políticas. p. mas que são implicitamente ‘ensinados’ por meio das relações sociais. às responsabilidades de deliberação dos professores sobre seu próprio trabalho e a compreensão de como o currículo se converte em cultura real para professores e alunos”.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Efetivamente. sociais e culturais. econômicas. 63): “aos microespaços sociais de ação.) todos os efeitos de aprendizagem não intencionais que se dão como resultado de certos elementos presentes no ambiente escolar.. institucionais e pedagógicos que afetam o desenvolvimento do currículo nas escolas.. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. No campo do currículo. Os estudos que analisam os efeitos do currículo para além da aquisição de conhecimentos formais se voltam para a concepção de currículo oculto e apontam que. e sim resultado de lutas. “aquilo que as escolas transmitem da cultura é sempre uma escolha de elementos considerados socialmente válidos e legítimos”. Silva (2000. ou seja. A perspectiva teórico-prática ressalta as circunstâncias do trabalho docente com o conhecimento e com o processo de ensino-aprendizagem.. são transmitidas ideologias. Para Silva e Moreira (2000. Trata-se de uma perspectiva que busca compreender o currículo em ação. adquire-se também consciência. por meio dele.

Dessa maneira. percebemos porque esse foco de discussão é tão significativo. p. no sentido de que os conteúdos propostos compõem um quadro bastante diversificado e ao mesmo tempo peculiar. o currículo é um processo histórico e por meio do social ele se estrutura. Mesmo com enfoques diferentes. teremos nas diversas realidades uma pluralidade de objetivos acerca do que ensinar. um completa o outro. visto que “todo currículo envolve apresentação de conhecimentos e inclui um conjunto de experiências que visam a favorecer a assimilação e reconstrução desses conhecimentos” (SANTOS. 1996. não sendo possível. a uma determinada sociedade e às relações que ela estabelece com o conhecimento. A palavra currículo apresenta e aparece com dois sentidos claros no meio pedagógico: conhecimento escolar ou experiência de aprendizagem. Percebe-se que o currículo é uma construção social que está diretamente ligada a um momento histórico. diferentes sociedades procuram desenvolver os processos de conservação.2 A seleção e organização dos conteúdos curriculares A questão central da discussão sobre currículo perpassa o processo de organização e seleção dos conteúdos trabalhados nas escolas. Ao se discutir as escolhas feitas pelos professores e professoras. p. deixar para trás todas as experiências passadas. mas as concepções acerca de uma determinada sociedade e de como se percebe seu desenvolvimento. “em parte. por meio do currículo. dessa forma. Ao percorrer o processo histórico do ensino no Brasil. 33). os dois sentidos estão presentes no currículo escolar. Segundo Santos e Moreira (1996.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Saiba mais s 1. transformação e renovação dos conhecimentos historicamente acumulados”. MOREIRA. discute-se não só as opções. de uma hora para outra. Assim. Pensando na função do currículo. 35). não se pode ignorar que os conteúdos eram trabalhados nos diversos momentos FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 265 .

está em questão o tipo de conhecimento. que só traduzindo em uma linguagem mais simples pode ser acessível a alunos e alunas.” Assim. p. compreendendo. nem qualquer um deles – a linguagem. encontrar diversos estudos que discutem esse foco. O processo de seleção e organização dos conteúdos é por si só um elemento de escolha e decisão. De certa maneira. Parece que o 266 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . que via nisso uma maneira de reproduzir a cultura dominante. todos apontam para a questão dos conflitos que permeiam esse processo. Falar de conteúdo a um tempo atrás parecia algo proibido. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. Esse processo de seleção envolve um comprometimento político que visa a garantir a hegemonia de determinados saberes. leva-se em conta a estrutura lógica da disciplina e o nível de desenvolvimento cognitivo do aprendiz. como eles interferem na atual realidade. nunca como um elemento que pode ser questionado e transformado. eles são transformados mediante a realidade em que se está vivendo. as idéias de Popkewitz (1995. mas também os produz (SANTOS. 1996). a sequência que pode ser ensinado e para quem pode. discute-se como o conhecimento se torna um conteúdo escolar. 52): “sem conteúdo não há ensino. o qual era visto como algo estático. Porém. Em cada época e sociedade a escola assume funções sociais diferentes. nenhuma dessas ações são neutras. Para tanto. 39) são fundamentais para entender o conceito de conteúdo do ensino como uma construção social e não lhe dar um significado estático nem universal: “A escolaridade e o ensino não tiveram sempre os mesmos conteúdos. é importante pensar nesse conteúdo para que se possa falar de sua seleção. numa abordagem tradicional. historicamente. Sobre a organização. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. principalmente aquele tradicional. No processo de seleção do que ensinar. Para tal. é possível compreender que os conteúdos não são sempre os mesmos e. Para pensar na questão do conteúdo. podemos. p. qualquer projeto educativo acaba se concretizando na aspiração de conseguir alguns efeitos nos sujeitos que se educam”. a ciência ou o conhecimento – foi entendido da mesma forma através dos tempos. refletindo.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS nem como eram sua organização e seleção. assim. Nesse sentido. pensando nos mecanismos por meio dos quais a escola não apenas transmite saberes. até saiu do espaço escolar devido aos movimentos progressistas das últimas décadas. o conteúdo nos faz percorrer diversos momentos da história. Para Sacristán (1998) é uma decisão política. Nesse sentido. dessa maneira. todo conhecimento possui uma lógica. aponta-se uma frase de Sacristán (1998. MOREIRA. segundo Santos e Moreira (1996). Em função disso. organização e como a cultura pode ou não ser reproduzida no cotidiano escolar. que se apresenta por meio de lutas e negociações. perpetuando-se visões de mundo por meio de sua cultura. De certa forma.

p. é buscar compreender um pouco desses caminhos pelos quais passam suas experiências e como elas se manifestam na realidade em que estão inseridas. isento de lutas e disputas. é um elemento produzido e produtor de identidades. Baseados em suas próprias experiências. Nesse sentido.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS conhecimento discutido na escola é diferente ou tem função diferenciada daquele utilizado. Alguns até dependem. 38). Segundo Silva (2001. buscamos compreender identidade como um fenômeno produzido e não acabado dentro das práticas sociais. o currículo constitui significativo instrumento utilizado por diferentes sociedades. transformação e renovação dos conhecimentos historicamente acumulados como para socializar as crianças e os jovens segundo valores tidos como desejáveis (SANTOS. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 267 . parte-se do princípio de que as pessoas na escola constróem idéias e representações acerca das disciplinas e dos rituais que compõe esse universo. Para pensar na possibilidade de uma identidade no espaço escolar. tanto para desenvolver os processos de conservação. “um dos efeitos mais importantes das práticas culturais é o de produção das identidades culturais”. Assim. porém nenhuma está isenta das relações que engendram nossa sociedade referente às lutas sociais nos mais diversos níveis. por meio dos processos de seleção e organização curricular. no qual eles são recontextualizados. Todo esse processo é delicado para ser pensado de maneira tão ampla. “pode-se dizer que a organização do conteúdo curricular está relacionada com a produção dos saberes escolares”. o profissional da educação envolve seus alunos no que ele acredita ser o melhor para compor as aprendizagens na escola. possuindo as mesmas características essenciais”. os profissionais trabalham a partir do que acreditam ser importante para seus alunos aprenderem e experimentarem. porém esse profissional não está inserido em um espaço neutro. que são vistas como comuns em um determinado grupo social. representar para o leitor como se eles dependessem unicamente do professor ou da professora. Pensando assim. 1996. o saber da sociedade é diferente do saber escolar. de certa maneira.3 Pensando nas escolhas como elementos de identidade As escolhas dos profissionais da educação. 1. Afinal. Olhar para esses elementos tidos como pessoais pode até. Assim. Ao pensarmos nesses valores. estruturado e aplicado no nosso cotidiano. baseiam-se nas experiências como alunos e profissionais e no universo em que historica e socialmente esse profissional está inserido. Segundo Santos e Moreira (1996. Uma definição de identidade: “relação de semelhança absoluta e completa entre duas coisas. p. de maneira crescente. o currículo é uma prática social. 47). É presente na escola a idéia de que é preciso um conteúdo antes do outro. 33). visto que cada realidade tem suas características particulares. p. MOREIRA. ao desempenhar sua função. falar das escolhas dos professores e professoras.

que. a identidade e a diferença são construídas na e pela representação. no contexto escolar. em relação a eles e elas. Segundo Silva (2001. portanto. a) Em todas as épocas e sociedades. é uma resposta das instituições escolares: às exigências da sociedade. Partindo dessa afirmação. p. mas com características diferentes em cada lugar e. O processo de seleção e organização dos 268 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 1. pois não existem fora dela”. assinale a alternativa correta. Vimos que. também decorrentes das expectativas que seu meio social e familiar alimenta. precisamos nos remeter às diversas realidades curriculares presentes nas escolas. se o currículo é documento de identidade. “a identidade só faz sentido em uma cadeia discursiva de diferenças: aquilo que ‘é’ é inteiramente dependente daquilo que não ‘é’. Para pensar na identidade em nossa realidade escolar. Nesse estudo compreendemos que a educação. No contexto específico das escolhas e referenciais que compõem o currículo. refletindo. à expectativa de alunos e alunas. Em outras palavras. a identidade do fazer pedagógico é tratada como algo que está em diversos lugares. e não por um elemento que existe naturalmente. um mesmo olhar acerca do conhecimento e da cultura. mesmo assim. é perceber que ela pode ser um elemento construído e estruturado em um grupo social com representações utilizadas para forjar sua identidade e identidades dos outros grupos sociais. dessa maneira. diferentes entre si.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Como afirma Silva (1999). ao estágio do desenvolvimento produtivo de um povo. o ensino brasileiro sofreu decisiva influência no modo de ver o processo educacional. é um modo de ver o mundo com uma resposta educacional relacionada a essa visão. esse é um elemento inserido em um currículo escolar que está em constante transformação e dentro de uma guerra de forças na qual os sujeitos nem sempre percebem esse movimento ligado às relações estabelecidas de poder. às disputas de posições dirigentes almejadas por diversos agrupamentos sociais. a identidade é construída pelo próprio grupo. bem como ao tipo de sua organização econômica. no período que vai desde o descobrimento do Brasil até início do século XX. Segundo o texto. Portanto. como pensar nas escolhas dos profissionais da escola deixando de lado essa questão? Pensar em identidade é pensar em dinamicidade e. 48). na verdade. a escola tem assumido a mesma função social.

refletindo. O processo de seleção e organização dos conteúdos é. reflita e em seguida responda ao que se pede. dessa maneira. refletindo. por vezes. de certa maneira. d) Em todas as época e sociedades. É. a escola assume funções sociais diferentes. Analise. Esses processos de seleção envolvem um comprometimento político que visa a garantir a hegemonia de determinados saberes. Na atividade um. a alternativa (b) está correta. a escola tem assumido a mesma função social. regulando e distribuindo o que se ensina. Você concorda? Justifique sua resposta e depois discuta com seus colegas. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 269 . essas ações nem sempre são neutras. dessa maneira. portanto. 2. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. dessa maneira. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. pois. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. as ações nem sempre são neutras. O processo de seleção e organização dos conteúdos é. As demais alternativas estão erradas.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS conteúdos não é um elemento de escolha e decisão. a escola assume funções sociais diferentes. c) Em cada época e sociedade. podemos encontrar diversos estudos que discutem esse foco e. um elemento de escolha e decisão. um mesmo olhar acerca do conhecimento e de cultura. nenhuma dessas ações são neutras. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. perpetuando-se visões de mundo por meio de sua cultura. por si só. relacione as idéias do texto e tente identificá-las com as propostas da sua escola. por vezes. O que se aprende na escola é só os conteúdos disciplinares? A cultura escolar promove a construção de conhecimentos e significados que podem contribuir ou não com os processos de democratização da sociedade. A concepção convencional de currículo lista os conteúdos predeterminados para serem trabalhados pelas disciplinas. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. no processo de seleção do que se ensina. segundo o texto. refletindo. pois essas ações são neutras. b) Em cada época e sociedade. um elemento de escolha e decisão. uma decisão política. um elemento de escolha e decisão. todos apontam para a questão dos conflitos que permeiam essas ações e que se apresentam como lutas e negociações. Procure mais exemplos. 3. Faça uma síntese sobre as diversas teorias do currículo que aparecem no texto e destaque as diferenças entre elas. O processo de seleção e organização dos conteúdos é.

ed.. POPKEWITZ. T. F. organizam e desencadeiam fazeres. J. L. Na atividade três. O currículo: uma reflexão sob a prática. Currículo. I.). Belo Horizonte: Autêntica. In: Teoria e Educação. São Paulo: Cortez. imperativos didáticos e dinâmicas sociais. Lisboa: Educa. 2001. G. (Org.. Currículo. Saberes escolares. T. 3. A. 2. leva os alunos e as alunas a questionarem a sua prática. A construção social do currículo. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. n. In: Caderno Idéias. ed. FORQUIN. cultura e sociedade. T. A. considera como conteúdos. SILVA. cultura e poder e quais as implicações para o campo do Currículo. M. da (Org. o que além de ajudar a discutir e interiorizar as teorias propostas. 1995. O sujeito da educação: estudos foucautianos. 1999. Currículo: questões de seleção e organização do conhecimento. In: MOREIRA. São Paulo: FDE. 4. regulação social e poder. J.. T. Petrópolis: Vozes. Repensando ideologia e currículo. São Paulo: Cortez. 1996. MOREIRA. 1992. Porto Alegre: Artes Médicas. devemos problematizar o currículo: quais são os critérios utilizados na seleção dos conteúdos? Com quais intencionalidades e interesses estão comprometidos? De que métodos se utilizam? Quais são os contextos políticos e socioculturais privilegiados nas práticas escolares e com que ponto de vista? Uma visão crítica do currículo. ______. SILVA. C. 2000. planejam.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A atividade dois é reflexiva. Porto Alegre. Na próxima aula veremos as relações entre conhecimento. no qual fazem opções. SANTOS. C. 2. cultura e sociedade. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. L. F. v. da. História do currículo. 1998. ed. Belo Horizonte: Autêntica. ed. APPLE. In: SILVA. W.). 2000. F. 26. MOREIRA. P. T. 1996. Thomas S. SACRISTÁN. 4. SILVA. ed. GOODSON. T. 6. A. 270 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . T. T. construída pelos sujeitos inseridos em um determinado contexto concreto de realidade. tanto a realidade local – reflexo de um contexto sócio-histórico amplo – quanto o processo de ensino-aprendizagem proposto a partir do diálogo entre saberes popular e científico.

basta pensar na escola como um lugar estático e no conhecimento como um elemento imutável. de modo a promover uma reflexão sobre como. Nas teorias mais tradicionais. cultura e poder no currículo Esperamos que. A produção sobre currículo tem freqüentemente mantido a centralidade da categoria conhecimento o que dificulta a percepção do currículo como espaço-tempo de produção cultural. apontam para discussões que nos proporcionam vislumbrar a compreensão das relações entre a cultura. o currículo é tido como um conjunto de fatos e conhecimentos escolhidos num em uma série de outros acumulados pela sociedade para serem transmitidos aos alunos. entre eles o currículo. entender o que é currículo oculto. a escola. o conhecimento e a cultura não recebem influências dos diversos aspectos políticos. na perspectiva cultural. são representados grupos dominantes e subordinados em diversos espaços culturais formais e informais. o conhecimento e o poder no espaço escolar. Nesta aula. o conhecimento e o poder no espaço escolar. Dessa forma. estudaremos a idéia de que a diferença cultural nos currículos só pode ser compreendida numa perspectiva relacional que problematize os sistemas de representação em que a diferença é construída. 2. sociais e econômicos que estão em nossa sociedade. ideologicamente. você seja capaz de: compreender as relações entre a cultura. ao final desta aula.1 Currículo e cultura Os estudos acerca do currículo. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 271 . Para que isso aconteça.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Considerações sobre conhecimento.

isto é. para determinado grupo. São significados que estão no interior das práticas sociais estruturadas e que na escola se constituem em campos de saber. A partir disso. alunos. tensões e compromissos culturais. Ele é produzido pelos conflitos. O poder como um elemento descentralizado e horizontal aponta para que as escolhas nem sempre sejam elementos de domínio único de professores e professoras. Neles. centrado na linguagem e no discurso da constituição social. 2000). políticos e econômicos que organizam e desorganizam um povo. 272 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Ao ponderarmos sobre as questões educacionais. 2001. 2000) de significações que envolvem a cultura e a identidade dos grupos sociais. 42). Desse modo. alguns conhecimentos são tidos como o mais legítimos. são importantes para compor os tempos e espaços escolares. pois o conhecimento de outros grupos dificilmente chegará na escola. Assim. horizontal e difuso. podemos iniciar nossa relação com o poder e as definições curriculares presentes na escola. os elementos ativos no processo escolar. porque é a mais próxima das teorias que dão suporte à compreensão do currículo como um elemento no espaço escolar que não está isento das lutas que envolvem o poder nos mais diversos tempos e espaços. pois formas e conteúdos culturais funcionam como elementos distintivos de classe (APPEL. Nesse sentido. os professores. como conhecimento oficial. p. professoras. Saiba mais O currículo não é simplesmente uma montagem neutra de conhecimentos. é concebido como descentralizado. partindo dos elementos que culturalmente estruturam e identificam um grupo social. Assim.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Os estudos culturais se compõem em um campo que compreende a cultura como uma prática de significação. podemos inserir na discussão o poder. que. esse conhecimento é tido como o ideal para ser trabalhado no espaço escolar. Utiliza-se essa definição. “cultura é um campo de luta em torno da construção e da imposição de significados sobre o mundo social” (SILVA. alunas e estruturas educacionais. O currículo é visto como uma tradição seletiva (APPEL. uma pergunta é inevitável. será que a escola é uma transmissora de conhecimentos ou de ideologias? A escola faz as duas coisas: tanto difunde os valores ideológicos da classe dominante como também tem a função de transmissão e socialização dos conhecimentos historicamente acumulados. a partir das análises pós-estruturalistas inspiradas em Foucault.

que a escola é ao mesmo tempo transmissora de conhecimentos e difusora de valores ideológicos. também. por conseguinte.). das relações da escola com a sociedade que se estende aos problemas da democracia e às liberdades escolares. visto que é apropriado pela classe dominante que o reelabora para transmiti-lo por meio de uma instituição adequada: a escola. seguramente. o trabalho está destinado às classes produtoras. o produto do trabalho gerado pelos seres humanos nas suas relações mútuas é expropriado pela classe detentora do poder.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Outras questões importantes são colocadas. Afirmamos. Na apresentação que se segue sobre o problema do ensino oficial. da sua orientação em relação às correntes pedagógicas. naturalmente. por isso. A escola. cultural. o conhecimento é um meio de produção. Muitos pais perguntam para nós. porém se avaliarmos eles sobre o mesmo conteúdo algum tempo depois. nas sociedades típicas de exploração. sexuais e raciais. etc. Assim. Assim. a questão do conteúdo escolar é importantíssima: questões como a da metodologia. estará voltada para as necessidades dos alunos e alunas. familiar. o conhecimento se produziu nas relações entre os seres humanos. Por que será que essas coisas acontecem? Essas perguntas poderão ser respondidas a partir do momento que analisamos a verdadeira função da escola. Por exemplo. e a escola. irão intensificar. Para as relações de exploração serem capazes de se perpetuar na sociedade. em que o trabalho é dividido fundamentalmente em manual e intelectual. ou entre FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 273 . ao transmitir o conhecimento elaborado para a classe trabalhadora. e a dos que se apropriam do trabalho produzido por aqueles que trabalham. a importância da autoridade do professor ou da professora. às classes trabalhadoras. a divisão do trabalho. irão ampliar o respeito à identidade de cada indivíduo. depois das férias. Quem se apropria desse trabalho é a burguesia. um ensaio de resposta às questões colocadas inicialmente. Se esses conteúdos são conservadores. entre outras. professoras e professores “por que o meu filho não consegue aprender nada na escola?” É comum os alunos estudarem muito para uma prova e acharem que internalizaram tudo. nas relações sociais (de trabalho. Da mesma forma. como é o caso da sociedade capitalista. é sempre a mesma coisa. Em uma sociedade dividida em classes como a nossa. na sociedade capitalista. tem um norte ideológico e. Acontece que. eles já terão esquecido tudo. há. Isso quer dizer que nem todos aqueles que freqüentam a escola têm a possibilidade de se apropriar do conhecimento da mesma maneira e na mesma proporção. que é a maioria. esquecem tudo o que “aprenderam no ano anterior”. a burguesia o faça de modo seletivo. ou seja. é indispensável que. Vamos considerar que em uma sociedade dividida em classes há duas classes: a dos que trabalham. no início. Se são inovadores. provavelmente. as discriminações sociais.

dos conflitos. portanto. nas relações de poder e nas relações de dominação. repetidamente. A ideologia é a tentativa de conceber o universo do ponto de vista particular dessa classe. Isso pode até nos dar a ilusão de que todo mundo tem as mesmas chances e as mesmas oportunidades educacionais. a sua tradição e os seus métodos. Essas representações explicam as formas da desigualdade. entre eles as misturas sociais. o ensino também aparece dividido como dois termos oposto. isto é. a classe média e o burguês. sem divisões e sem antagonismos. da exploração e da dominação como sendo “naturais”. no interior da sociedade histórica que podemos identificar a emergência da ideologia. da diferença e da incoerência. etc. É. A ideologia se constitui em representações por meio das quais os agentes sociais e políticos pensam em si próprios. As instituições para a formação do trabalhador só surgem com o aparecimento da Revolução Industrial. A escola. o que podemos verificar é que isso não é verdadeiramente real. a divisão política. a divisão do conhecimento. de fato. isto é. na maioria das vezes. surgem no meio das classes privilegiadas desse período. ela se modificou muito nas últimas décadas devido a vários elementos. Hoje em dia podemos notar que nas escolas encontramos o filho ou a filha do operário. a representação 274 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o campo e a cidade. Somente há pouco tempo. em algo para toda a sociedade. Apenas as classes detentoras têm o direito a essa instituição específica. A particularidade desse processo é que a estrutura educativa das classes privilegiadas. lhe é dada por meio da escola. a divisão entre as raças. e se deve. a divisão entre os sexos. ainda que. As idéias e discursos dominantes de uma época. a mecanismos ideológicos que são produzidos no interior da escola. começou a se converter em perspectiva. estendeu-se às classes subordinadas. das relações com os colegas. a divisão do trabalho. Portanto. A imagem inicial que uma criança apresenta de si mesma. consolidada durante muitos anos. No entanto. Distingui-se o discurso ideológico exatamente pelo ocultamento da divisão. deixa de existir para as demais classes. levando-lhes o seu tipo de organização. professores e professoras e nas relações intergrupais e interpessoais que se produzem no espaço-escola. isto é. cujo objetivo é eternizar as desigualdades e as diferenças de classes existentes na sociedade. Essa forma de pensar tem por objetivo escamotear as divisões sociais. nas instituições. encontre-se totalmente dividida. na medida em que oferece a homens e mulheres a representação de uma sociedade homogênea. enquanto destinada aos interesses das classes dominantes. no início da Revolução Industrial. Quando falamos da nossa escola. da escola brasileira. ou seja. gerais e inevitáveis. é nesse ambiente que. sobretudo. Um desses mecanismos é aquilo que chamamos de currículo oculto.

Entretanto. porque estão desde cedo. de péssimo rendimento e até mesmo incapazes. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 275 . que de início parecia tão democrática. Assim sendo. Essa forma trabalha os conteúdos de raciocínio abstrato totalmente desligados da prática. a de crianças “fracas”. Vamos verificar que muitas professoras e professores. por meio de comentários. A principal forma de trabalho na escola é a expressão da palavra na sua variante culta. não é. que. As crianças de poder aquisitivo mais elevado já se habituaram a ser elogiadas toda vez que fazem um desenho bonito. De um lado. por exemplo. É desse modo que a marca do fracasso se manifesta de tal forma na maioria dessas crianças. como um todo. as crianças que são mais valorizadas pela escola tendem a melhor se adequar e conseguir relativo sucesso. formam um juízo negativo de seus alunos e alunas baseados nessas premissas que se manifestam de duas maneiras: objetiva e subjetivamente. de comportamento e de valores. Sendo assim. desprezo e desrespeito que demonstram aos alunos e alunas. cantam uma música ou dizem um versinho de maneira original. Ou ele(a) é “bom” ou é “mau”. já entraram. fazendo elas passarem a se comportar de acordo com a expectativa que a instituição tem em relação a elas. Percebe-se logo que essa escola. O que nos preocupa é que raramente essa opinião muda ao longo do tempo. já formam uma opinião dos seus alunos e alunas. pelo fracasso da maioria das nossas crianças é um equívoco. mas tirar a culpa do sistema educacional.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS do fracasso ou do sucesso é introjetada pela criança desde o maternal. impaciência. da realidade de alunos e alunas. na verdade. acaba reforçando para essas pessoas o mito de que são culpadas pelo seu próprio fracasso e. A escola. serão cada vez mais acomodados. malresolvidas. por conta disso. são a maioria. pois são “inferiores” e “incapazes”. de outro. e já aprenderam a privilegiar a linguagem verbal nas suas comunicações. por exemplo. em relação com o conhecimento abstrato desvinculado da prática. quando essas crianças de procedência de classes diferentes entram no mundo da escola. Não aspirarmos martirizar professores e professoras. acabam sendo eliminadas brutalmente e nada obtendo dessa escola. por meio das notas. a competição. aliás. A maioria dos filhos dos trabalhadores não está preparada para ingressar e se desenvolver nessa escola tal qual ela é concebida. achando que receberam da escola o que deveriam receber. muitas vezes. ainda no contexto familiar. encontram uma realidade que privilegia determinados valores como. ao passo que as outras. em outras palavras. com problemas. enquanto as crianças filhas de trabalhadores e trabalhadoras vivem em outra realidade e aprendem outras coisas. os filhos das elites. conceitos e classificações e. à medida que esses futuros trabalhadores ingressam no exército de mão-de-obra disponível na exploração capitalista. logo de saída. A criança da classe popular encontra nessa escola um professor ou professora que valoriza apenas um determinado código de comunicação. a forma de se expressar das elites. mímicas de desagrado. etc. ou seja. Professores e professoras. intransigência.

pessoas de raças diferentes. Ainda sobre os currículos escolares. os currículos não são voltados para a transformação social. 276 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . os currículos valorizam o supérfluo. a preparar os alunos e alunas para serem dominados ou para serem dominantes no meio social em que vivemos. Por isso que. pois é fragmentária e desarticulada. cabe enfatizar vários aspectos importantes na transmissão do currículo oculto: os professores e professoras não têm assegurado o pleno conhecimento do novo currículo antes de sua implementação. mulheres. estratégias. a escola também tem esse perfil. ajudando. pois nela só se dão bem os considerados “melhores”. os currículos não ensinam os alunos e alunas a superar a situação de marginalidade. Ao experimentar um método permanente de crítica e autocrítica das práticas escolares (currículo real e oculto). a própria concepção dos currículos é ideológica. dos trabalhadores e das pessoas de raças não-brancas. portanto. etc. crítico e participante. as habilidades e as avaliações escolhidas. pois eles determinam a seleção dos conteúdos. Às vezes. os currículos não são representantes dos grupos desprivilegiados. muitos professores e professoras não têm uma posição crítica em relação ao currículo oculto. contribuindo para ampliar a marginalidade do conhecimento das mulheres. poderemos viver os conflitos e as diferenças como forma de desenvolvimento individual e social. o próprio questionamento está impregnado de ideologia. tendo em vista formar um cidadão consciente. os currículos excluem os valores culturais e históricos presentes no cotidiano. enquanto as outras classes descobriram sua “inferioridade”. a metodologia. na prática. e é nesse tipo de escola que os filhos das classes privilegiadas desvendaram muito cedo a sua “superioridade”. além de construir um espaço constante de participação na elaboração do currículo. em uma sociedade cheia de competições como a nossa. inúmeros professores e professoras não têm consciência dos direitos dos grupos oprimidos na sociedade. nem os conscientizam cultural e politicamente acerca desse assunto.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS O que estamos querendo demonstrar com essas argumentações é que o currículo oculto usa como critério ideológico o “esforço pessoal”. Os professores devem ficar atentos aos valores e conceitos que eles próprios incorporaram.. não avançando. para uma verdadeira interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

uma vez que o conhecimento escolar é distribuído de forma desigual entre os diferentes grupos e classes sociais. portanto. uma mudança de atitude. A educação serve para reforçar e reproduzir as divisões e injustiças sociais. O conteúdo transmitido não pode ser desligado da prática. trabalhados criticamente por professores e especialistas. dependendo dos grupos e classes sociais. portanto.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS os currículos são montados de forma a perpetuar e legitimar as desigualdades econômicas. mas sim partir da realidade. a escola está fundamentalmente implicada no fracasso escolar. tanto nos empregos como nas riquezas. A distribuição dos currículos ocultos também é diferenciada de acordo com a classe social. muito mais reprodutora da ideologia das elites do que produtora e difusora do conhecimento. apesar de enfatizar (só em nível de discurso) a permanência e o êxito no sistema escolar. efetivamente. demonstram-se diferentes atitudes e características de personalidade. de caráter pedagógico. ao saber elaborado da escola. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 277 . O próprio conteúdo deve mudar para atender às reais necessidades dos alunos e da sociedade na qual estão inseridos. democrática. chegamos a conclusão de que a seleção do conhecimento escolar é arbitrária. sexo. da experiência dos educandos e das educandas. É imperativo que haja uma alteração quanto à forma de se transmitir os conteúdos tanto pedagógico quanto ideológico. via de regra. que é transmitir os conhecimentos historicamente construídos. Assim. nesse sentido. gênero e raça. tolerância e respeito às diferenças. A escola tem sido. A escola corrobora para a divisão social. porque exclui as tradições culturais de classes e grupos subordinados para priorizar as memórias culturais dos grupos e classes dominantes. O que queremos deixar evidente é que a escola efetivamente não tem desempenhado a sua função social. de forma crítica. não se revelando. raça ou etnia. É necessário que se reconheça o direito de adquirir conhecimentos e que o professor e a professora se despreconceituem em relação a esses alunos e alunas e percebam que é fundamental para o processo de transformação da nossa sociedade que os filhos e as filhas de trabalhadores e trabalhadoras tenham acesso. os textos didáticos falam sobre ideologia e não são. as divisões de classe. racial e sexual do trabalho. primeiramente de caráter ideológico e. Essa alteração implica uma modificação de postura que possa. pois certos aprendizados e rituais escolares moldam e fabricam consciências. Posto isso. depois. Dessa maneira. Urge. oficial (explícito) e o oculto (implícito) têm competências socializadoras. encarar os filhos e as filhas de trabalhadores e trabalhadoras como um componente fundamental para o nosso desenvolvimento. habilidades e valores como os de solidariedade. na conservação da classe baixa no mesmo nível social e na fabricação de trabalhadores submissos e conformistas. Tanto o currículo real. da vivência.

apontam para discussões que nos proporcionam vislumbrar a compreensão das relações entre a cultura. podemos nos perguntar: será a escola uma transmissora de conhecimentos ou uma transmissora de ideologias? a) A escola. sobretudo. saberes e experiências. 1. agressivo. mas. professores e professoras. uma nova pedagogia terá de ser formulada. partimos do princípio de que. é uma difusora dos valores ideológicos da classe dominante. Ao analisarmos os problemas educacionais. a raiz desses comportamentos está na maneira como a escola trata esse indivíduo. 278 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . O professor e a professora são induzidos continuamente a optarem: contra ou a favor dos alunos e alunas. é as duas coisas: se. Sendo assim. Sabemos que essa revolta pode ser canalizada de uma forma positiva. buscamos compreender a identidade como um fenômeno produzido e não acabado dentro das práticas sociais. na verdade. desde que o aluno tenha uma consciência crítica dos seus problemas: por que a escola funciona assim? A que interesses serve? Qual o papel dos trabalhadores e trabalhadoras no contexto da escola e da sociedade? Que sociedade temos? Que sociedade queremos? Nessa aula. tivemos a oportunidade de perceber que os estudos acerca do currículo. na perspectiva cultural. raciocinar. na escola. freqüentemente. b) A escola é apenas transmissora dos conhecimentos acumulados pela sociedade. por outro. a pensar.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A escola deve ensinar. sobretudo. que são vistas como comuns em um determinado grupo social. é anti-social. desenvolver o juízo crítico. Essa opção não implica somente uma visão pedagógica. A revolta individual nós. conhecer a realidade em que se vive e suas contradições. uma visão ideológica diferente. Para pensarmos na possibilidade de uma identidade no espaço escolar. A ideologia do currículo oculto é uma faca de dois gumes. o conhecimento e o poder no espaço escolar. mas da diversidade de idéias. por um lado. pois tanto pode levar à passividade como também à revolta. as pessoas constroem idéias e representações acerca das disciplinas e dos rituais que compõe esse universo. também tem como atribuição a transmissão de conhecimentos. Ela não sairá de gabinetes nem de cabeças iluminadas. Aceitando que diferença não é inferioridade. conhecemos bem: é aquele aluno ou aluna que depreda a escola.

da vivência. conhecer a realidade em que se vive e suas contradições. portanto. 3. a pensar. Com a leitura do texto. raciocinar. tolerância e respeito as diferenças. oferecem oportunidades diferentes para que se desenvolvam. No texto. Aceitando que diferença não é inferioridade. da experiência dos educandos e das educandas. a) O que desejamos deixar evidente é que a escola efetivamente não tem desempenhado a sua função social. Selecionamos três delas para que você reveja. Ela não sairá de gabinetes nem de cabeças iluminadas. critique e debata. A educação serve para reforçar e reproduzir as divisões e injustiças sociais. democrática. comparem e reflitam. a) Pense em seu cotidiano na escola e anote quais são as atividades que você propõe mais frequentemente às crianças. há algumas afirmações que merecem ser discutidas. b) A escola está fundamentalmente implicada no fracasso escolar. Vamos agora fazer uma atividade para refletir um pouco sobre essas questões.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS c) A escola é apenas difusora dos valores ideológicos da classe dominante. que é transmitir os conhecimentos historicamente construídos. racial e sexual do trabalho. mas da diversidade de idéias. muito mais reprodutora da ideologia das elites do que produtora e difusora do conhecimento. habilidades e valores como de solidariedade. sobretudo. mas sim partir da realidade. A escola deve ensinar. uma nova pedagogia terá de ser formulada. Socializem suas anotações. na conservação da classe baixa no mesmo nível social e na fabricação de trabalhadores submissos e conformistas. não se revelando. Dessa maneira. nesse sentido. desenvolver o juízo crítico. saberes e experiências. c) O conteúdo transmitido não deve ser desligado da prática. 2. uma vez que o conhecimento escolar é distribuído de forma igualitária a todos. d) A escola não legitima a divisão social. A escola tem sido. apesar de enfatizar (só em nível de discurso) a permanência e o êxito no sistema escolar. Vocês privilegiam as mesmas atividades ou apareceram propostas diferentes? Quais são as atividades que mais apareceram? Que conclusões vocês podem tirar depois de analisar as anotações do grupo? FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 279 . vimos que muitas vezes os professores e as professoras agem e repassam os conteúdos às crianças de acordo com as suas próprias representações (carregadas de ideologia). b) Reúna-se com colegas que trabalham com alunos da mesma faixa etária que os seus.

Estudaremos os diferentes espaços da infância e do currículo. W. por um lado. o que permitirá que redimensionemos nosso modo de ver as possibilidades físicas e ambientais que estabelecemos como as mais apropriadas para as crianças. Belo Horizonte: Autêntica. a escola. alguns fatos conhecidos para chegar a uma conclusão. 2001. esquecendo-nos. Se são inovadores. 2. sexuais e raciais. Se esses conteúdos são conservadores. Política cultural e educação. é uma difusora dos valores ideológicos da classe dominante. é as duas coisas: se. por outro. 2000. naturalmente. também tem como atribuição a transmissão de conhecimentos. Anotações 280 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . M. irão desenvolver o respeito à identidade de cada indivíduo. certamente. 2000. estará voltada para as necessidades dos alunos e alunas. desencontros. a importância da autoridade do professor e da professora. a divisão entre o trabalho intelectual e o braçal. entre outras. Por isso. T. APPLE. na verdade. as discriminações sociais. Na atividade dois. SILVA. T. a alternativa correta é a letra (a). São Paulo: Cortez. a questão do conteúdo escolar é importantíssima: questões como a da metodologia. você deve refletir sobre essas afirmações tomando. ed. como base. Belo Horizonte: Autêntica. Na atividade três. descobertas e trocas.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Na atividade um. e a escola. muitas vezes. que em outros espaços também acontecem encontros. a reflexão pessoal e em parceria sobre a sua prática pedagógica é fundamental para observar diferentes contextos. discutir e reelaborar sua prática. Teoria cultural e educação: um vocabulário crítico. ______. a da sua orientação em relação às correntes pedagógicas. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. irão reforçar.

você seja capaz de: compreender que a organização dos tempos e espaços da infância não se limita somente à forma com que os adultos organizam o mundo. Para um bom entendimento dos conteúdos trabalhados nessa aula os alunos e as alunas deverão ter conhecimentos prévios de psicologia do desenvolvimento. uma vez que não se destinava a educar a infância. Elas são sujeitos de direito e cultura. período demarcador e regulador dos valores e da moral. pois a escola medieval era indiferente à distinção e separação das idades.1 As crianças não são mais como antigamente Nas conversas sobre infância sempre surge o assunto: as crianças não são mais como antigamente. Na época. Nesta aula. A Igreja Católica que ocupava um importante espaço nas relações de poder e estabeleceu o término da infância aos sete anos. Na Idade Média. sua maneira de brincar e de se relacionar com o mundo. pois se entendia que a partir desse período se iniciava a idade da razão. E não são mesmo! O papel que desempenham. de modo a criar espaços das crianças e não apenas para as crianças.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Currículo e infância Esperamos que. Essa idéia de direito à educação está vinculada à visão de que o desenvolvimento humano acontece a partir da interação com os outros e com o ambiente onde se vive. as expectativas em relação a elas. a organização da escola era multietária. tudo isso está em constante transformação. ao final desta aula. entenderemos por que as propostas curriculares precisam considerar a criança e sua heterogeneidade. 3. não existia FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 281 .

a pré-escola. etc. muitas vezes. É dessa forma que a escola pode compreender e assimilar os vínculos entre o que se vive no ambiente escolar e a comunidade na qual ela está inserida. dando legitimidade para as diferentes idades. todos são lugares destinados à trajetória de socialização da criança. como se isso fosse referência para demarcar os tempos e os espaços escolares. refletiremos se. A escola. no decorrer da história. mas ela se movimenta com o mundo e pode ajudar a mudá-lo.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS uma preocupação com o tempo da infância. Assim. que em outros espaços também acontecem encontros. Nos seus modos de representação. Nesse sentido. assim como não havia o conceito de adolescência nem o respeito às diferenças. considerando sua idade e o nível econômico e cultural dos pais. é o mundo do trabalho e da escola que acaba. as escolas infantis. em última instância. a escola 282 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . as crianças manifestam e se apropriam de expressões que referenciam o mundo dos adultos. é bom lembrar que a organização dos diferentes tempos e espaços da infância não se restringem somente à forma pela qual os adultos constituem o mundo. por exemplo. as estações do ano. Pensar sobre os diferentes espaços da infância permite redimensionar nosso modo de ver as possibilidades físicas e ambientais que estabelecemos como as mais apropriadas para as crianças. Ainda que seja fundamental reconhecermos a autoridade das convenções internacionais e nacionais. esquecendo-nos. os espaços construídos e planejados por nós adultos têm assegurado que as relações humanas sejam baseadas em sentimentos de respeito e solidariedade pela diversidade e pelas pluralidades da infância. os estudos curriculares se tornam um poderoso componente de observação. “gente grande”. reflexão e intervenção no espaço e no tempo escolar. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente. os signos do zodíaco. os espaços de lazer. em 20 de novembro de 1989. uma vez que coloca a idade de sete anos como própria para a alfabetização. adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. de fato. Sabemos que sozinha a escola não pode mudar o mundo. por isso. descobertas e trocas. Nesse sentido. é importante entender que o currículo escolar deve se constituir em um campo fundamental de debates que incorpora os diversos “fazeres” e as diferentes formas de “pensar” que ressoam no interior da escola. o jardim de infância. A Convenção dos Direitos da Criança. A creche. no seu Artigo 2º. sem dúvida. considera criança “a pessoa com até doze anos incompletos”. “quando eu crescer”. vários organismos delimitam as idades da infância. considera como criança “todo ser humano com menos de dezoito anos de idade”. Atualmente. desencontros. No entanto. Não é preciso ir longe para saber que as experiências escolares transformam as pessoas e. legitima tal condição. Ariès (1981) sugere que essas classificações das fases da vida têm certa correspondência com os fenômenos naturais e cósmicos: o número de planetas.

acontecem por meio de uma escala crescente. de preferência em contato com a natureza. etnia. que reconheça e valorize as diferenças de gênero. A diferença etária na relação de professores e professoras com seus alunos e alunas se traduz na relação de adulto-criança. assim como a sociedade brasileira. social. e quanto mais oportunidades a criança tiver de se movimentar e explorar suas muitas possibilidades de ação. se desenvolve intensamente. competências físicas.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS pode criar condições para romper os limites entre o que lhe é atribuído como “próprio” e aquilo que “pertence” ao conhecimento da sociedade. familiar. mentais e as diferenças etárias. No entanto. o currículo tem sido pensado e constituído com os seguintes pontos: pressupostos e princípios da proposta educacional. As crianças são sujeitos de direito e cultura. 3. melhor será seu desenvolvimento. É preciso lembrar que a escola acolhe crianças – que têm uma história pessoal. atividades e procedimentos de avaliação.2 Crescimento. e que são histórias diversas –. conteúdos. em permanente debate. Essa idéia de direito à educação está vinculada à visão de que o desenvolvimento humano acontece a partir da interação com os outros e o ambiente onde se vive. objetivos. muscular. espaço físico e recursos materiais. raça. De forma didática. desenvolvimento e afetividade Nessa fase da vida a dimensão corporal. As propostas curriculares precisam considerar a criança e sua heterogeneidade de modo a criar espaços das crianças e não apenas para as crianças. De um modo geral. cultural. essa FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 283 . O crescimento e o desenvolvimento ósseo. um currículo e seus elementos devem responder às seguintes questões: o quê? para quê? com quem ? onde? como educar? a favor de quem se educa? Os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva. neurológico.

em situações de interação com os objetos do mundo físico. Hoje. a definição de valores para a socialização das crianças resultantes de algum tipo de compreensão sobre a educação. a criação de instrumentos de trabalho e alternativas de intervenções. o desenho. O desenvolvimento das capacidades cognitivas acontece por intermédio das relações estabelecidas pelas crianças com outras crianças e com os adultos. social e cultural. a brincadeira e a escrita. como o gesto. como também nos mostram nossa importância no mundo.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS dimensão do corpo e da evolução da criança não se limita apenas a aspectos físicos e orgânicos. A linguagem permite a comunicação. A capacidade de pensar e operar com conceitos é um processo. As linguagens verbais (oral e escrita) e não-verbais (gesto. A afetividade também se entrelaça às experiências corporais das crianças e com quem elas se relacionam no seu universo social. nos ensinam sobre o lugar das emoções e dos afetos na sociedade em que vivemos. a criança pensa por meio dos chamados conceitos cotidianos. nas quais tudo está interligado. aprendemos a reconhecer nossos afetos e como expressá-los. As linguagens integram um sistema de representação do real. do qual a criança se apropria e passa a elaborá-lo por meio de diversas atividades simbólicas. podemos dizer que existe um corpo de saberes e fazeres que possibilitam tanto a construção social do conceito de infância como a constituição de instituições de educação infantil e de pedagogias para educar e cuidar das crianças. sendo um processo sociocultural. desenho. 284 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . É possível afirmar que os grandes temas em torno dos discursos políticos e técnicos sobre as pedagogias da Educação Infantil podem ser resumidamente definidos como: a existência de um discurso que institui um estatuto para a infância. em um primeiro momento. A dimensão cognitiva se estrutura via linguagem. O modo como nossas manifestações de satisfação e frustração são acolhidas. possibilitando a sua constituição enquanto sujeito. As representações se estruturam na criança por meio de uma relação mediada pelo outro. Nas situações e nas relações cotidianas. mas é também uma ferramenta de organização do pensamento e um importante canal de trocas afetivas. brincadeiras de construção e de faz-de-conta) têm grande importância no desenvolvimento do pensamento e na formação da própria subjetividade da pessoa. no qual. a constituição e a organização de espaços sociais adequados para a educação e cuidado das crianças. a formação e o reconhecimento da necessidade de um profissional para atuar na educação infantil.

com a intenção de definir a natureza das crianças e a forma como elas devem ser cuidadas e educadas. Segundo o texto. a produção de materiais didáticos e equipamentos educacionais. Nessa aula. de uma forma didática. em situações de interação com os objetos do mundo físico. você irá trabalhar com um relato de situações de interação adulto-criança. pleiteando. que reconheça e valorize as diferenças de gênero. em permanente debate. desenvolvendo-se pessoalmente e criativamente. etnia. as decisões sobre a organização espacial. Ao longo dos séculos. social e cultural. um currículo e seus elementos devem responder às seguintes perguntas. dos usos e dos costumes que lhes permitam melhor se adaptarem à sociedade. Esta contradição pesa sobre a cabeça dos educadores e educadoras: por um lado. as discussões sobre os usos do tempo. competências físicas. aprendemos que os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva. eles defendem a concepção de que é preciso assumir o papel de exercer sobre as crianças a transmissão das idéias. a organização da vida cotidiana das instituições e das pessoas sob a forma de rotina. a) O quê? Para quê? Com quem? Onde? Como educar? A favor de quem se educa? b) De quê? Com quê? Por quê? Onde? c) De que forma? Quando? Onde? Para que se educa? d) Para quê? Qual forma? Com quem? Como? 2. raça. Nesta atividade. tem-se a idéia de que é melhor desenvolver as potencialidades e as suas aptidões para que elas tenham sucesso no futuro. Você pode aproveitar observações realizadas nas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 285 . 1. o seu lugar como verdade absoluta. mentais e diferenças etárias. na sociedade. vários discursos sobre vida. irão surgir diferentes projetos pedagógicos. Vimos também que o desenvolvimento das capacidades cognitivas acontece por intermédio das relações estabelecidas pelas crianças com outras crianças e com os adultos.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS a seleção de metodologias e de conteúdos. Dessas concepções. por outro lado. educação e infância vêm.

você deve comparar os relatos: o que eles têm em comum? No que eles se diferem? Apresente as suas conclusões aos demais e anote a síntese elaborada em conjunto. Rio de Janeiro: Zahar. permitindo que o leitor do relato possa visualizar a comunicação que está se processando. ARIÈS. Na próxima aula falaremos sobre a seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil. 3. Faça dupla com um colega que tenha registrado uma situação que envolveu alguma criança com idade aproximada da criança que você observou. comparando as interações de adultos com crianças de diferentes idades e em situações diversas. a resposta correta é a alternativa (a). em permanente debate. BRASIL. mentais e as diferenças etárias. Também discutiremos as Diretrizes Curriculares e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. De uma forma didática. 1981. Considere as verbalizações e as expressões faciais e corporais dos participantes. História social da criança e da família. 2000. Escolha um episódio entre os que você observou e transcreva-o. raça. Escreva um texto apontando como o professor deve agir para auxiliá-la a desenvolver sua oralidade. Que tipo de interação ele deve estabelecer com essa criança? Que elementos mediadores poderá utilizar para isso? Na atividade um. etnia. Estatuto da criança e do adolescente. Promulgada em 13 de Julho de 1990. Lei Federal n. 286 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . competências físicas. Curitiba: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS suas atividades práticas. Na atividade dois e três. narrar um acontecimento ou criar histórias de faz-de-conta. Uma criança de três anos que freqüenta uma escola de Educação Infantil está sempre muito calada e raramente conta algo que aconteceu em casa ou mesmo na escola. P. 8.069. um currículo e seus elementos devem responder às seguintes perguntas: O quê? Para quê? Com quem? Onde? Como educar? A favor de quem se educa? Os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva que reconheça e valorize as diferenças de gênero.

mec.1 As Diretrizes Curriculares e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil Vimos que a organização curricular expressa uma concepção de ser humano. 1. de sociedade. ao final desta aula. Nesta aula. que orientam a organização das instituições que se dedicam a essa etapa de ensino. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 287 . Para o melhor acompanhamento dos conteúdos tratados nesta aula é necessária a leitura da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) no que se refere à Educação Infantil. A Resolução CEB n. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. de poder. de aprendizagem. de ensino. de cultura. estudaremos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. conhecer criticamente o Referencial Nacional para a Educação Infantil. você seja capaz de: conhecer criticamente as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.gov. e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil estão à disposição no portal do Ministério da Educação (<http://www. Tais diretrizes estabelecem exigências quanto às orientações curriculares e à elaboração dos projetos político-pedagógicos institucionais.br>). que trata da função da Educação Infantil e seu funcionamento. de mundo.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil Esperamos que. o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CEB 1/99). 4. 9394/96).

o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI. 8069/90. políticos: direitos e deveres do cidadão. estéticos: sensibilidade. 8742/93. solidariedade e respeito ao bem comum. Para garantir o direito à Educação Infantil. são explicitadas as corresponsabilidades entre as três esferas governamentais (federal. criatividade. por meio da Câmara de Educação Básica (CEB). Cabe. Em função dessas premissas. as crianças transformam os conhecimentos que já possuem anteriormente em conceitos gerais com os quais brincam”. resguardando suas especificidades manifestadas na indissociabilidade das ações de educar. ludicidade e diversidade de manifestações artísticas e culturais. em última instância. como a adoção de metodologia do planejamento participativo e a afirmação da autonomia das escolas na definição da abordagem curricular a ser adotada. inciso IV do art. Lei sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) n. cuidar e brincar. Tais diretrizes estabelecem exigências quanto às orientações curriculares e elaboração dos projetos políticopedagógicos institucionais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. uma determinada visão de infância e o seu lugar no mundo. exercício da criticidade e respeito à ordem democrática. Lei n. 208. consonantes com a legislação atual: Constituição Federal de 1988. de vida e. ao Estado. as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CEB 1/99). em 1999. definiu. A Educação Infantil é dever e obrigação do Estado e responsabilidade política e social da sociedade e não apenas daqueles que vivenciam a realidade escolar. Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). utilizando-se dos préstimos da escola ou exercendo nela suas funções profissionais. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 27) define o brincar ao lado do educar e do cuidar. municipal) e a família. do papel da educação na sociedade.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS enfim. p. 8080/90. Esse documento contempla os seguintes princípios: éticos: autonomia. o Conselho Nacional de Educação (CNE). 288 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . responsabilidade. Ressaltam-se também aspectos organizacionais. orientando a organização das instituições que se dedicam a essa etapa de ensino. também. 9394/96) firma a função da Educação Infantil e o seu funcionamento. à família e à sociedade responderem pela Educação Infantil. portanto. Posteriormente. a organização curricular expressa. n. estadual. Nas propostas destinadas à Educação Infantil e aos primeiros anos do Ensino Fundamental. considerando que “nas brincadeiras.

necessária a integração escola-família-comunidade. gerando o que ficou conhecido como competências concorrentes. empresas públicas ou privadas. sendo. 10172/01. subsidiando os diversos saberes e fazeres que circulam no dia-a-dia escolar. Política Nacional de Educação Infantil (2005). em condição de existência. Constituições Estaduais e Municipais. Além disso.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. ainda. não houve definições claras entre dependência administrativa e o financiamento dos níveis de ensino entre União. em casas de família. para desenvolver essas atividades. Sendo assim. intelectual e social. a Constituição Federal havia definido a Educação Infantil como sendo responsabilidade dos municípios. A Educação Infantil é oferecida em: creches ou entidades equivalentes para crianças de zero a 3 anos. a educação das crianças. assim como a obrigatoriedade de aplicar 25% dos orçamentos em educação. 4. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI/99). Sua finalidade é desenvolver integralmente a criança. estados e municípios. além de direito social.2 Educação Infantil na LDB Com um capítulo próprio. constitui-se em direito humano. como no caso das “mães crecheiras”. A avaliação da criança deve ser realizada sem o objetivo de promoção. mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental. nos aspectos físico. portanto. garantir os direitos das crianças é responsabilidade social. Os referenciais para a Educação Infantil foram feitos para orientar os projetos político-pedagógicos. 9394/96. sistematização e comprometimento com a integridade e o desenvolvimento das crianças. na qual esse atendimento tem sido oferecido de maneira diversificada em entidades comunitárias. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 289 . 9394/96. é preciso intencionalidade. deve complementar à ação da família e da comunidade no desenvolvimento da criança. O documento instrui as ações educativas dos profissionais da Educação Infantil e define que. Entretanto. Antes da LDB n. No entanto. Planos Estaduais e Municipais de Educação. Lei n. Plano Nacional de Educação (PNE). A legislação existente representa as conquistas da sociedade no sentido de assegurar os direitos da população infantil. entidades filantrópicas ou confessionais e. a Educação Infantil recebe tratamento igual ao do Ensino Fundamental e Médio e é definida como primeira etapa da Educação Básica. A abertura para o atendimento em entidades equivalentes a creches se justifica pela necessidade de reconhecer a realidade preexistente da nova legislação. pré-escolas para crianças de 4 a 5 anos. psicológico.

singulares. E que. tudo o que ocorre com cada criança. ainda. registrem e reflitam continuamente. afetivas. planejamento. execução e avaliação das ações educativas desenvolvidas na escola. culturais. 290 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . em caráter diagnóstico e processual. especialmente acerca de quais atividades poderão favorecer uma aprendizagem mais prazerosa e significativa para o desenvolvimento infantil. indivíduos humanos. seja sozinho. serem atendidas em suas necessidades básicas físicas e psicológicas. Isso quer dizer que a criança deve ser o foco de todo o trabalho pedagógico para a tomada de decisões. assim. vegetal e mineral. Mais importante do que a definição de áreas de conhecimento está a compreensão acerca do mundo infantil. os referenciais indicam que os educadores e educadoras devem desenvolver uma intenção educativa. emocionais. Os parâmetros de qualidade para a Educação Infantil especificam que as crianças desde que nascem são: cidadãos de direitos. em seus aspectos individuais e sociais. lingüísticas. São as relações estabelecidas nesse contexto que moldam o que se pode chamar de currículo real. propondo atividades e lançando desafios ajustados às características. precisam ser cuidadas e educadas. desejos e necessidades infantis. potencialidades. expectativas. organizando o ambiente onde atuam e planejando as situações de aprendizagem. que a função das professoras e dos professores de Educação Infantil é mediar o processo de ensino-aprendizagem. Essa avaliação orientará as decisões pedagógicas. ainda que um currículo para a Educação Infantil necessite ter explícito em sua elaboração e desenvolvimento a concepção de crianças reais e diversas. seres competentes e produtores de cultura. terem atenção especial do adulto em momentos peculiares de sua vida. o que implica: serem auxiliadas nas atividades que não puderem realizar sozinhas. O referencial avaliativo adotado deve ser o da criança em relação a ela mesma. de modo que os professores e as professoras observem. sociais. seres sociais e históricos. parte da natureza animal. que interagem com o meio em que vivem e aprendem a resolver problemas. reforçando as especificidades biológicas. nas quais se entrecruzam processos e agentes diversos que compõem um verdadeiro e complexo tecido social. o currículo abrange um âmbito de interações. indivíduos únicos. Os referenciais destacam. por sua vez. especialmente em contato com outras crianças ou pelas informações que os adultos lhes oferecem. lúdicas e cognitivas das crianças. com seus pares ou envolvendo a participação das crianças. Ainda segundo os Referenciais Curriculares para a Educação Infantil.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Para a implementação do projeto político-pedagógico.

movimentar-se em espaços amplos e ao ar livre. felicidade. prazer e alegria. o parecer indica a proporção apresentada a seguir: 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. diferença e semelhança. profissionais com formação específica. apoiadas por estratégias pedagógicas apropriadas. expressar sentimentos e pensamentos.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Além disso. autonomia e participação. individualidade. Na relação adulto-criança. 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos. seu crescimento e desenvolvimento sejam favorecidos e para que o cuidar/educar sejam efetivados. ampliar permanentemente os conhecimentos a respeito do mundo da natureza e da cultura. As crianças precisam ser apoiadas em suas iniciativas espontâneas e incentivadas a: brincar. para que a sobrevivência das crianças estejam garantidas. por exemplo. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 291 . desenvolver a imaginação. 22/98. pré-escolas e centros de Educação Infantil. escolhas e companheiros de interação em creches. as diretrizes têm caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais de educação. tempo livre e convívio social. 1 professor para 15 crianças de 3 anos. é necessário oferecer às crianças dessa faixa etária condições de usufruírem plenamente as possibilidades de apropriação e de produção dos significados no mundo. de 17 de dezembro de 1998). Os parâmetros apontam ainda que a criança tem direito a: dignidade e respeito. tempos e materiais específicos. diversificar atividades. A resolução que instituiu essas diretrizes foi precedida por um parecer que trata de várias questões relativas à qualidade (Parecer CNE/CEB n. conhecimento e educação. igualdade de oportunidades. espaços. que se constitui apenas em um documento orientador do trabalho pedagógico. a curiosidade e a capacidade de expressão. da natureza e da cultura. Diferentemente do referencial.

292 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . regimento escolar. as quais deliberaram sobre a vinculação das instituições de Educação Infantil aos sistemas de ensino e sobre vários aspectos que afetam a qualidade do atendimento: proposta pedagógica. de 16 de fevereiro de 2000). Considerando a dificuldade de contemplar. o relatório que introduz esse documento traz uma concepção de formação atualizada. não é suficiente consultar a legislação específica para essa etapa de ensino. programas. normas e regulamentações que vise ao cumprimento da legislação e considerem as necessidades identificadas na área. Para definir parâmetros de qualidade à Educação Infantil. supervisionar e autorizar com validade limitada as instituições de Educação Infantil. das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. objetivos. organizações. cabe ao Ministério da Educação (MEC). Essas diretrizes definem. 2005a): articular-se com secretarias estaduais e municipais.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS O Conselho Nacional de Educação (CNE) também se ocupou da questão da formação dos professores que atuam com crianças de 0 até 6 anos. racial. as quais se aplicam aos professores da Educação Infantil. foram aprovadas as Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil (Parecer CNE/CEB n. também. da Educação nas Comunidades Indígenas e da Educação Especial. de 19 de abril de 1999a). abrangente quanto à visão de educação. a responsabilidade de avaliar. em nível médio. organismos. no mesmo documento. formação de professores e outros profissionais. especialmente quando se trata de contemplar temas referentes à diversidade étnica. de gênero ou as disparidades entre cidade e campo. As resoluções e os pareceres do CNE adquirem importância relevante ao tocarem em matérias ainda não suficientemente esclarecidas pela legislação anterior aplicáveis à educação das crianças de 0 até 5 anos. poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais. na modalidade Normal (Resolução CNE/CEB n. e coerente com os princípios de cidadania definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. uma orientação para os cursos de formação de professores e professoras que trabalham com alunos e alunas tão diferentes quanto à faixa etária. espaços físicos e recursos materiais. metas e estratégias para a área. participar com o Conselho Nacional de Educação (CNE) da elaboração de pareceres. foram instituídas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de docentes da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. 2. No ano seguinte. áreas. órgãos. Em 1999. estabelecer diretrizes. Em nível federal. contextos sociais e modalidades de ensino que freqüentam. 04/00. no que diz respeito aos fundamentos teóricos. da Educação de Jovens e Adultos. visando definir e implementar a Política Nacional de Educação Infantil (BRASIL.

Cabe ao Conselho Nacional de Educação. visando a garantir o cumprimento da legislação vigente no que diz respeito ao desenvolvimento da Educação Infantil em âmbito nacional e de acordo com a Lei n. visando a definir e a implementar a política estadual para a área.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet. Cabe às secretarias de educação dos estados e do Distrito Federal. acompanhando a execução dos respectivos Planos de Educação. especialmente no que diz respeito à integração dos seus diferentes níveis e modalidades. colaborar na preparação do Plano Nacional de Educação e acompanhar sua execução no âmbito de sua atuação. manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do Distrito Federal.131/95: assessorar o Ministério da Educação no diagnóstico dos problemas relativos à Educação Infantil. juntamente com os sistemas de ensino. em consonância com FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 293 . manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do Distrito Federal. analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e à formação do professor para a área. 9. responsabilizar-se. emitir pareceres sobre assuntos relativos à Educação Infantil por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pelo ministro de Estado da Educação. garantir o cuidado e a educação das crianças de 0 até 6 anos de idade e a promoção da qualidade nas instituições de Educação Infantil em âmbito nacional. analisar e emitir pareceres sobre os resultados dos processos de avaliação da Educação Infantil e dos cursos de formação do professor que atua na área. examinar os problemas da Educação Infantil e da formação do professor que atua na área e oferecer sugestões para sua solução. deliberar sobre medidas para aperfeiçoar os sistemas de ensino. pela qualidade da Educação Infantil. deliberar sobre as diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação.

secretarias municipais. educação especial. principalmente no que diz respeito à formação dos profissionais. 11.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS a legislação vigente e com os princípios expressos na Política Nacional de Educação Infantil: articular-se com o Ministério da Educação. mantenham uma sistemática de coleta. articular-se com organizações representativas da sociedade civil: sindicatos. ampliar progressivamente. metas e estratégias para a área. médio e superior) e às modalidades de ensino (jovens e adultos. Para o desenvolvimento de uma Política de Educação Infantil é necessário que as Secretarias Estaduais de Educação e do Distrito Federal: incluam a Educação Infantil no Plano Estadual de Educação em consonância com a política local definida para a área. programas. estabelecer diretrizes. disponibilizando-os ao público em geral. visando ao desenvolvimento e à progressiva consistência do campo da Educação Infantil. de 6 de fevereiro de 2006). pela qualidade da Educação Infantil. em colaboração com os sistemas municipais. garantir o cuidado e a educação das crianças de 0 até 5 anos de idade e a promoção da qualidade nas instituições de Educação Infantil em âmbito estadual. áreas. objetivos. organismos. organizações. juntamente com os sistemas municipais de ensino. análise. ONGs. armazenagem e divulgação de dados do seu sistema educacional. poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais em assuntos que dizem respeito à criança de 0 até 5 anos de idade (mudança conforme Lei n. movimentos sociais. divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet. visando à sua inclusão nas estatísticas nacionais.274. o atendimento às crianças de 0 até 5 anos de idade. desenvolvam metodologias para localizar e incorporar dados sobre instituições e/ou redes que funcionam à margem do sistema educacional. articular-se aos outros níveis (fundamental. 294 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . responsabilizar-se. educação indígena) do sistema educacional. com objetivo de atingir toda a demanda em âmbito estadual. disponibilizem profissionais e recursos para exercer o apoio técnico e financeiro aos municípios. órgãos. estaduais e municipais.

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

colaborem com a realização de estudos sobre o custo/criança atendida; acompanhem e avaliem de que forma a legislação e a política estadual vigentes estão sendo incorporadas pelo sistema e pelas instituições de Educação Infantil estaduais; credenciem e autorizem o funcionamento das instituições de Educação Infantil nos municípios que integram o Sistema Estadual de Ensino; credenciem, autorizem, supervisionem e avaliem o funcionamento das instituições de ensino para a formação dos profissionais de Educação Infantil vinculadas ao seu sistema, a fim de garantir que os conteúdos necessários a essa formação contemplem a faixa etária de 0 até 5 anos na íntegra, com especial atenção ao trabalho com bebês; realizem um programa de acompanhamento das instituições de Educação Infantil, auxiliando-as a estabelecer os planos e as metas para a melhoria permanente da qualidade do cuidado e da educação oferecida nos sistemas educacionais estaduais e municipais; adotem medidas, em articulação com os municípios, para assegurar que todas as instituições de Educação Infantil formulem e avaliem suas propostas pedagógicas com a participação da comunidade escolar, orientando-as nesse processo. Para garantir o cumprimento da legislação vigente no que diz respeito ao desenvolvimento da Educação Infantil em âmbito estadual, cabe aos conselhos estaduais de educação e do Distrito Federal: estabelecer normas e regulamentações para o credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil; subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano Estadual de Educação no que diz respeito à Educação Infantil e à formação dos profissionais que atuarem na área; manifestar-se sobre questões relativas à Educação Infantil e à formação dos profissionais da área; assessorar a Secretaria de Educação no diagnóstico dos problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar a melhoria do cuidado e da educação da criança de 0 até 5 anos de idade; emitir pareceres sobre assuntos da área educacional por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pela Secretaria de Educação ou pelos sistemas municipais no âmbito do estado; articular-se com o CNE e os conselhos municipais de educação; analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e sua articulação com os outros níveis.

FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO

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AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

Em consonância com a legislação vigente e com os princípios expressos na Política Nacional e Estadual de Educação Infantil, cabe às secretarias municipais de educação, visando a definir e a implementar a política municipal para a área: articular-se com o Ministério da Educação, secretarias estaduais, órgãos, organismos, organizações, áreas, programas, poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais; estabelecer diretrizes, objetivos, metas e estratégias para a área no que se refere à organização, ao financiamento e à gestão do sistema educacional como um todo, à garantia das vagas demandadas pela população, à formação dos profissionais, ao credenciamento das instituições de Educação Infantil única e exclusivamente para o cuidado e a educação das crianças de 0 até 5 anos de idade; divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet; articular-se com organizações representativas da sociedade civil: sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, visando ao desenvolvimento e à progressiva consistência do campo da Educação Infantil; ampliar progressivamente o atendimento às crianças de 0 até 6 anos de idade para atingir toda a demanda em âmbito municipal; responsabilizar-se pela qualidade do atendimento nas instituições de Educação Infantil em âmbito municipal; articular-se aos outros níveis (Fundamental, Médio e Superior) e às modalidades de ensino (Jovens e Adultos, Educação Especial, Educação Indígena) do sistema educacional. Para o desenvolvimento de uma Política de Educação Infantil, em conformidade com a legislação nacional, é necessário que as secretarias municipais de educação: incluam a Educação Infantil no Plano Municipal de Educação em consonância com a política local definida para a área; criem um setor de Educação Infantil, disponibilizando uma equipe de profissionais e recursos para exercer suas funções no município; mantenham uma sistemática de coleta, análise, armazenagem e divulgação de dados do seu sistema educacional, disponibilizando-os ao público em geral; desenvolvam metodologias para localizar e incorporar dados sobre instituições e/ou redes de Educação Infantil que funcionam à margem

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3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

do sistema educacional, visando a sua inclusão nas estatísticas nacionais, estaduais e municipais; adotem medidas visando a garantir vagas no sistema educacional a todas as crianças até os 6 anos de idade residentes no município, de acordo com a demanda de suas famílias; apóiem financeira e/ou tecnicamente as instituições de Educação Infantil conveniadas, filantrópicas, confessionais e comunitárias para que atinjam padrões compatíveis com as exigências legais; realizem estudos sobre o custo/criança atendida; adotem medidas para suprir vagas em locais de alta vulnerabilidade e para populações em situação de risco social iminente; adotem medidas para garantir que o acesso às vagas respeite o critério de equidade social sempre que a demanda superar a oferta de matrículas nas instituições municipais de Educação Infantil; garantam a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais; não autorizem a matrícula de crianças com idade superior a 6 anos na Educação Infantil; não autorizem a matrícula de crianças com idade inferior a 5 anos (completos no início do respectivo ano letivo) no Ensino Fundamental; adotem medidas para garantir uma transição pedagógica adequada na passagem das crianças da Educação Infantil para o Ensino Fundamental; adotem medidas para não permitir que se realizem avaliações que levem à retenção de crianças na Educação Infantil; realizem programas municipais de formação de todos os profissionais de Educação Infantil de modo contínuo e articulado; articulem-se com as instituições formadoras a fim de garantir que os conteúdos necessários à formação dos profissionais de Educação Infantil contemplem a faixa etária de 0 até 5 anos, com especial atenção ao trabalho com bebês; autorizem apenas a contratação, nas instituições de Educação Infantil, de professores, diretores e coordenadores com a formação exigida; promovam a admissão de professores na rede pública somente por meio de concurso; implementem plano de cargos e salários para os profissionais da Educação Infantil;

FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO

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promovam a formação continuada dos professores e de outros profissionais que atuam nas instituições de Educação Infantil. públicas e conveniadas. complementando os recursos recebidos do governo federal. livros. promovam o credenciamento das instituições de Educação Infantil de acordo com as normas e as regulamentações definidas pelos conselhos municipais de educação. adotem medidas para garantir que os imóveis onde funcionam as instituições de Educação Infantil estejam em conformidade com os padrões municipais de infra-estrutura estabelecidos e de acordo com a Lei de Acessibilidade. 298 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . CDs e brinquedos para as instituições de Educação Infantil. auxiliando-as a estabelecer os planos e as metas para a melhoria permanente da qualidade do cuidado e da educação oferecida no sistema educacional municipal. em caráter permanente. garantam a supervisão de todas as instituições de Educação Infantil. Cabe aos Conselhos Municipais de Educação. visando a desenvolver ações específicas para garantir a normatização da legislação em âmbito municipal: estabelecer normas e regulamentações para o credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil no âmbito do município. aprimorando as formas de participação da comunidade. adotem medidas para assegurar que todas as instituições de Educação Infantil formulem e avaliem suas propostas pedagógicas com a participação da comunidade escolar.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS promovam a habilitação exigida pela legislação para os profissionais que ainda não a possuem. de acordo com os parâmetros nacionais e com a Lei de Acessibilidade. realizem um programa de acompanhamento e avaliação do credenciamento e do funcionamento de todas as instituições de Educação Infantil. garantam o fornecimento anual e a reposição de materiais pedagógicos. elaborem padrões de infra-estrutura para as instituições de Educação Infantil. garantam a alimentação escolar para as crianças atendidas nas instituições de Educação Infantil. garantam a gestão democrática com a implantação de conselhos nas instituições públicas de Educação Infantil. em consonância com a legislação e as diretrizes nacionais e estaduais.

além de direito social. no Brasil. assessorar a Secretaria de Educação no diagnóstico dos problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar a melhoria do cuidado e da educação da criança de 0 até 5 anos de idade. Além disso. mostra uma associação positiva entre o desempenho em matemática e a entrada do aluno da 4ª série na préescola ou creche. Klein (2006). aprendemos que a legislação existente representa as conquistas da sociedade no sentido de assegurar os direitos da população infantil. o que até então não existia. para que a sobrevivência das crianças esteja garantida. No entanto. um desempenho escolar melhor. garantir os direitos das crianças é responsabilidade social. devido ao alto índice de repetência para esse grupo. Resumindo as últimas três gerações de políticas educacionais. Com a aprovação do FUNDEB. manifestar-se sobre questões relativas à Educação Infantil e à formação dos profissionais da área. a Educação Infantil oferece conquistas enormes no sentido de ampliar a oferta de matrículas. mesmo após considerar as características relacionadas ao nível socioeconômico médio dos alunos que freqüentam as diferentes redes de ensino. a partir dos dados do SAEB de 2003. em média. Nesta aula. Além disso. Araújo (2006) mostra que. a educação das crianças. é necessário oferecer às crianças dessa faixa etária condições de usufruírem plenamente das possibilidades de apropriação e de produção dos significados no mundo. articular-se com o CEE e o CNE. Pesquisas nacionais indicam que o acesso a esse nível de educação tem efeito positivo no desempenho dos alunos em testes de proficiência.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano Municipal de Educação no que diz respeito à Educação Infantil e à formação dos profissionais que vão atuar na área. seu crescimento e desenvolvimento sejam favorecidos e o cuidar/educar seja efetivado. a educação infantil passa a contar com uma política de financiamento. emitir pareceres sobre assuntos da área educacional por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pela Secretaria Municipal de Educação. da natureza e da cultura. Sendo assim. as crianças que iniciam seus estudos já na pré-escola têm. analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e sua articulação com os outros níveis. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 299 . constitui-se um direito humano em condição de existência. o autor destaca que a grande maioria dos alunos que iniciam os estudos após a primeira série do Ensino Fundamental não chegam ao terceiro ano do Ensino Médio.

Na atividade dois. o plano de exposição das idéias e as principais conclusões. Na relação adulto-criança. 3. Para finalizar. a) 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. Na atividade um. as palavras-chave do texto. c) 2 professores para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. 2 professores para 15 crianças de 3 anos e 2 professores para 20 crianças de 4 a 5 anos. Identifique. é importante estabelecer quais são as idéias principais. 2 professores para 15 crianças de 3 anos e 2 professores para 20 crianças de 4 a 5 anos. discuta sobre: a) as idéias de seus conhecidos e de alguns profissionais a respeito do currículo escolar. 22/98. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 25 crianças de 4 a 5 anos.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 1. d) 2 professores para 8 a 12 bebês de 0 a 2 anos. explicações ou exemplificações utilizadas e as registre. de 17 de dezembro de 1998). isto é. Identifique a idéia principal de cada parágrafo e transcreva-o utilizando suas próprias palavras. pois o Parecer CNE/ CEB n. histórias e narrativas – que você certamente já ouviu – que buscam justificar a predominância ou escolha de um determinado conteúdo. Diferentemente do Referencial. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos. Releia o texto a fim de fazer um fichamento. de 17 de dezembro de 1998. por exemplo. A resolução que instituiu essas diretrizes foi precedida por um parecer que trata de várias questões relativas à qualidade (Parecer CNE/CEB n. para aproveitá-las ao máximo. também. 22/98. 300 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . a visão geral do texto. indica a seguinte proporção: 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. 2. as diretrizes têm caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais de educação. Tomando como base a leitura do texto e suas experiências de vida. a alternativa correta é a letra (a). que se constitui apenas em um documento orientador do trabalho pedagógico. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos. selecione e anote frases ou idéias que mereçam ser discutidas e justifique suas escolhas. por isso. o parecer indica a seguinte proporção. na relação adulto-criança. b) 1 professor para 8 a 12 bebês de 0 a 2 anos. as definições. b) os diversos mitos. o texto contém muitas informações e.

RCNI: estratégias e orientações para a Educação de crianças com NEE na Educação Infantil. Psicología e educación. 1998. Reafirmaremos que a brincadeira deve se constituir em um dos eixos da organização do trabalho pedagógico. Secretaria de Educação Fundamental. Na próxima aula. buscando a construção de uma prática em que o diálogo é a fundamentação metodológica da organização institucional escolar está a serviço das demandas de alunos e alunas. MEC-SEESP. BRASIL. ______. Educação Infantil – Parâmetros em Ação. Brasília: 2001. 1981. Infância. (Org. 2006.. Ouvir o outro: escolher e analisar falas significativas que revelem tanto a crítica quanto o senso comum sobre o currículo. Brasília: MEC/SEB. especialmente nos dias de hoje. Madrid: Pablo del Rio. escola e modernidade. GHIRALDELLI JR.). quando as crianças se acostumaram a se isolar em suas casas e vivenciam pouco as brincadeiras coletivas. São Paulo: Cortez. Brasília: MEC/SEF. trataremos da abordagem pedagógica dos conteúdos nas creches e nas pré-escolas. Brasília: SEF. Ministério da Educação. Las aportaciones de la psicología a la renovación educativa. v. 1996. 1999. Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A atividade três tem como objetivo caracterizar o movimento de construção da prática curricular. ______. ______. 1 e 2. WALLON. Anotações FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 301 . Referencial Curricular para Educação Infantil. P. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Ensino Fundamental. H.

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 302 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .

Nessa aula. estudaremos as abordagens pedagógicas para os conteúdos nas creches e nas pré-escolas priorizando a formação pessoal e social (identidade. movimento e conhecimento de si e do outro) e o conhecimento do mundo (diferentes formas de linguagem e expressão. Destacaremos a importância de observar as brincadeiras das crianças como elementos de conhecimento delas quanto às suas maneiras próprias de pensar e agir sobre o mundo. autonomia. conhecimento da natureza e sociedade). música. compreender que a brincadeira é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento das crianças. ao final desta aula. você seja capaz de: conhecer criticamente os eixos orientadores da construção das práticas pedagógicas na Educação Infantil. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 303 .AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Abordagem pedagógica dos conteúdos nas creches e nas pré-escolas Esperamos que. Para o melhor acompanhamento dessa aula você deverá ter feito a leitura das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e do Referencial Nacional para a Educação Infantil. propiciando-lhes espaço. tempo e artefatos adequados e convidativos para o brincar. linguagem oral e escrita. matemática. entender o papel mediador do professor e da professora na construção do conhecimento pela criança. artes. O fundamental é que os educadores e educadoras compartilhem das brincadeiras das crianças. Observar é um momento de ação. brincar. e ajudando-as quando forem solicitados.

p. famílias e educadores. Esse caminho busca a superação da dicotomia entre tratamento-assistência que ainda vigora em muitas instituições de ensino especializado. o brincar. o papel mediador do professor e da professora na idéia da construção do conhecimento em rede como orientadora do planejamento pedagógico e da seleção e tratamento dos conteúdos curriculares. linguagem oral. poder brincar.1999). a linguagem. conhecimento da natureza e sociedade). ponderar sobre alguns eixos orientadores da organização das práticas pedagógicas que necessitam ser priorizados. a fantasia. compreendendo que para conhecer o mundo ela envolve o afeto. a poesia. Atualmente. música. movimento e conhecimento de si e do outro). Quando analisamos a Educação Infantil e o Currículo. pois a vida é algo que se experimenta por inteiro (FARIA . a música e a matemática de forma integrada. contudo. o movimento. Assim. o desprazer. de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação. escrita e matemática. no sentido de garantir às crianças a possibilidade de construírem seus conhecimentos de forma crítica. as artes plásticas e dramáticas. Cuidar significa: ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. viver experiências significativas de forma lúdica e informal e o direito de ir à escola e aprender de forma mais sistematizada. Diante das questões colocadas até aqui. pelas crianças. como podemos refletir sobre uma proposta para a Educação Infantil que esteja apta a encarar as questões que afetam as relações entre a criança e a sociedade? Não devemos imaginar que seja possível a existência de um modelo único. 304 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . o prazer. adequado a todas as crianças e realidades. artes. apontamos dois grandes eixos a serem considerados: a brincadeira como atividade cultural que deve ser incorporada ao currículo da Educação Infantil. Podemos e devemos. 23-24). autonomia. pois isso será contrário a tudo o que sabemos sobre as diferenças que constituem as crianças.1 Direito de ser criança A construção de uma pedagogia para a Educação Infantil enfatiza o direito de ser criança. brincadeiras e aprendizagens dirigidas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal. A organização e estruturação do Currículo na Educação Infantil compreende dois eixos de experiências: formação pessoal e social (identidade. criativa e consistente. devemos tomar a criança como ponto de partida da proposta pedagógica. brincar. aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. conhecimento do mundo (diferentes formas de linguagem e expressão. educar significa: propiciar contextos de cuidados. as ciências. fruto de suas diferentes inserções históricas e culturais na sociedade.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 5. confiança e o acesso. respeito. valorizar e ajudar a desenvolver capacidades (RCEI. 1998.

a criança toma consciência de si e do mundo. Existe uma ampliação da flexibilidade em usar os objetos. Quando a criança cria sua narrativa de faz-de-conta. tais como: a atenção. Brincando as crianças descobrem e refletem sobre a realidade da cultura na qual vivem.). a imaginação. etc. etc. exerce papéis que vivencia no cotidiano (filha) e também papéis que ainda não pode ser (mãe. elas podem ampliar algumas competências importantes. é preciso. ajusta e cria novas realidades. Podemos afirmar que. a imitação. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 305 . particularmente naquilo que se refere à construção de significados sobre o mundo que a cerca. papéis que aspira ser (cantora. ao lado do desprendimento possibilitado pela imaginação. suas ações sobre o mundo são motivadas pelo contexto perceptual e pelos objetos nele contidos. Isso quer dizer que nas brincadeiras as crianças podem extrapolar a realidade e transformá-la por meio da imaginação. questionando regras e papéis sociais. um pedaço de madeira se torna um cavalo e com ele ela pode galopar para outros universos. pois. O brincar é. segundo Vygotsky. extrai os elementos de sua criação das experiências reais vividas anteriormente. a partir da possibilidade de atribuir-lhes novos significados pelo processo de imaginação. para as crianças. pai. Essa nova forma de operação com significados abre um novo campo de apreensão e invenção da realidade. motorista de ônibus. Essa capacidade de compor e combinar o antigo com o novo é a base da atividade criadora do ser humano (VYGOTSKY. Contudo. professora. argumentar que. no princípio da vida da criança. A origem do processo do brincar se localiza naquilo que a criança conhece e vivencia. por meio das brincadeiras.). é apoiada nesse conhecimento que ela elabora e reelabora situações de sua vida cotidiana. etc. há um novo e importante processo psicológico para a criança – o processo de imaginação – que lhe deixa se desprender das restrições impostas pelo ambiente imediato. transformando uma coisa em outra.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Segundo Vygotsky (1987b). bombeiro. construindo significados sobre a realidade.) e papéis que a sociedade censura (ladrão. Assim. campos e outros tempos e lugares. encontra-se a subordinação às regras impostas pela realidade. Esse processo tem implicações importantes no desenvolvimento da criança. o campo de significado se impõe sobre o campo perceptual. combinando esses elementos ela produz algo novo. um pedaço de tecido consegue transformá-las em príncipes e princesas ou heróis e heroínas. uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento das crianças. A criança é agora capaz de modificar o significado dos objetos. ao mesmo tempo. Refletindo sobre suas relações com essas situações e papéis e os vivenciando. portanto. etc. quando se iniciam os jogos de faz-de-conta. incorporando e. conduzindo-as aos castelos. Ainda que o jogo de faz-de-conta seja marcado pela dimensão fantasiosa. a memória. pedrinhas viram comidinhas e com elas deliciosos e saborosos pratos são feitos. 1987). bêbado.

especialmente por meio de suas brincadeiras e. ações concretas e literais (mexer com uma colher a comidinha imaginada) e ações substitutivas (vira a panelinha para baixo e bate com a colher. instruções. ou seja. relacionando-se reciprocamente e possibilitando a expansão e a transformação da experiência sensível do ser humano na sua relação com o mundo (VYGOTSKY. O processo de criação ocorre quando o sujeito imagina. etc. não é uma capacidade inata. o desenvolvimento do jogo em dois planos simultâneos: o tempo e o espaço físico real e o tempo e o espaço físico figurado. Essa contradição está na relação dialética entre o já dado e o novo.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Rocha (2000) aponta uma contradição vivenciada no processo de brincar. podemos identificar essas relações dialéticas entre o imaginado e o real: o convívio do “eu” real da criança com o “eu” dos papéis imaginados. ações repetidas e ações antecipadas/criadas. O processo de imaginação. Assim sendo. combina e modifica a realidade. Essa flexibilidade se apoia no conhecimento. mas se refere à capacidade do ser humano de imaginar. papéis e relações já vividos e papéis e relações não vivenciados. de negociações. de explicitações. e suas 306 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Do mesmo modo. mais probabilidade elas terão de desenvolver a imaginação e a criatividade em suas atividades. Quanto mais plenas forem as experiências que as crianças vivenciam. científica e técnica. as crianças aprendem a brincar com os diferentes membros de sua cultura. sendo condição para a criação artística. as formulações em tempo passado daquilo que se vai fazer no amanhã (“agora eu era cavaleiro”). estritamente pertinente ao brincar. é o alicerce de qualquer atividade criadora. 1987a).. o uso da linguagem nas narrativas das circunstâncias imaginadas. Para exemplificar essas relações contraditórias. das ciências e das técnicas. uma vez que não produziria som). entre o vivido/conhecido e o imaginado. Em se tratando da atividade criativa. mais fecundas serão nas suas ações/interações com o mundo. O universo da cultura é produzido pela atividade fecunda do ser humano que. na vivência que a criança tem do objeto e na habilidade que ela possui para ignorar certas características. ao mesmo tempo em que deve considerá-las para que a ação substitutiva seja possível (um pedaço de pano não serviria como tambor. quanto mais possibilidades lhe forem apresentadas para ampliar sua imaginação. não se reduz às grandes obra da humanidade ou às obras de arte. imaginação e realidade constituem uma unidade dialética. São essas construções que tornam vivas e constituem as relações do sujeito com o mundo e que permeiam a produção humana no campo das artes. combinar e ultrapassar a experiência imediata. por sua vez. imitando o som do tambor). mas sim construída historicamente nas relações sociais. O brincar é um processo histórico e socialmente construído. podemos notar o uso dos artefatos pela criança: objetos usados de acordo com suas funções reais (panelinha para fazer comidinha) e objetos usados com novos significados (panelinha usada como tambor). como falas dos papéis e sua utilização como instrumento de planejamento. descobrir.

Essas brincadeiras ajudam a estreitar as conexões afetivas adultos-bebês. baseada em uma visão de natureza infantil biologicamente determinada. mas sim como uma aprendizagem social. que permite que as crianças relaxem e liberem energias contidas. Por meio da interação com os artefatos e brinquedos apresentados pelos adultos. é a utilização da brincadeira como instrumento didático. brincadeiras de faz-de-conta de FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 307 . pois é considerada um obstáculo para a aprendizagem. as oportunidades de brincar se limitam à hora do recreio e. numerais. por meio dos vínculos afetivos constituídos. de diversão e prazer como no aspecto da aprendizagem. uma vez que se pode aprender muitas noções e habilidades por intermédio de brincadeiras. o que servirá de apoio para suas construções de sistemas de representação. Acreditamos que. entra em relação com as características e os usos sociais dos objetos. As conhecidas brincadeiras que os adultos costumam fazer. nessa perspectiva. tanto no aspecto lúdico. além de auxiliar as crianças na elaboração da imagem mental do objeto ou pessoa distante. esconder e achar os próprios bebês ou objetos atrás de panos ou cobertas. por exemplo. por meio da sua transformação em exercícios e treinamentos. originada na própria essência da criança. segundo a qual a brincadeira é vista como uma atividade natural e espontânea. formas. Desse modo. nos momentos de chegada e saída da instituição. valores e conhecimentos de seu grupo social. que atribui à Educação Infantil uma função fundamental na organização e no planejamento de condições favoráveis ao desenvolvimento e à aprendizagem do processo do brincar. que brota naturalmente. Uma delas é a concepção estruturalista e organicista do brincar.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS brincadeiras são carregadas dos hábitos. quando possível. as brincadeiras não devem ser vistas como algo biológico. serve como forma de sedução e treinamento para a aprendizagem. é concebido como preparação para a escolaridade futura. as crianças podem ser favorecidas. quando. brincadeiras cantadas. O educador ou a educadora usa a brincadeira para ensinar noções e habilidades. como cores. Temos visto na Educação Infantil diferentes formas de se conceber a brincadeira. o que a ajuda a compreender as formas culturais de atividades do seu grupo social. criando diferentes situações que poderíamos identificar como o início desse processo. partes do corpo. Nos métodos mais tradicionais. interagem com eles. Uma outra tendência. baseadas nessa visão. encaram a brincadeira apenas como atividade recreativa. O brincar. Os familiares ou indivíduos responsáveis pelos cuidados com os bebês lhes auxiliam a brincar desde cedo. entre outras. notamos a restrição ou o impedimento de seu acontecimento no ambiente escolar. a criança. por meio das atividades recreativas ou de brincadeiras instrucionais. Além disso. Esse modo de abordar a atividade infantil se baseia no ponto de vista da concepção histórico-cultural do desenvolvimento. como “seu mestre mandou”. produto das relações entre os indivíduos de um mesmo grupo social. desde pequena. talvez a mais comum. As práticas de Educação Infantil.

ocupam posições distintas nas relações de poder (ora mãe/pai. etc. Ao constituir suas brincadeiras as crianças fazem opções. ora aluno/aluna. a inclusão da brincadeira nas práticas pedagógicas tem como objetivo desenvolver distintas formas de jogos e brincadeiras que cooperam para múltiplas aprendizagens e para o aumento da rede de significados construídos pelas crianças. introduzindo-se no espaço das idéias e representações. mostra-se como atividade essencial. Sob o ponto de vista histórico-cultural. Porém.). é organizar kits temáticos de brincadeiras. organizam as situações. contendo pinturas. especialmente nos dias de hoje. pois nela as crianças reconstroem suas experiências socioculturais e refletem criticamente sobre a realidade que vivem. ora professor/ professora. um lugar arrumado para a brincadeira de faz-de-conta. seja pelas agendas cheias de atividades de formação (inglês. roupas e acessórios. naquelas brincadeiras que evidenciam apenas os objetivos instrucionais. Cabe aos educadores e às educadoras prepararem atividades de brincar de forma diversificada. fazemos referência: às brincadeiras de faz-de-conta organizadas pelas próprias crianças. cabeleireiro. à difusão e à recriação das brincadeiras tradicionais da nossa história e cultura. etc. ora herói/heroína. Uma idéia interessante. ora filho/filha.). atribuindo-lhes novos nomes e funções. etc. corriqueira na faixa etária que envolve a Educação Infantil. etc. pirucas. ora vilão/vilã. devendo existir em todas as salas. Por meio do faz-de-conta.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS compra e venda. sobretudo para pequenos espaços. fantasias. criam regras e se submetem a elas ou as negociam e as reconstroem. médico. aos jogos de construção e aos jogos educativos propiciadores de aprendizagens em diferentes áreas do saber. objetos do mundo do trabalho. desenvolvendo seus conhecimentos sobre si e sobre o mundo ao seu redor. miniaturas de animais e tudo que as crianças e seus professores e professoras acharem importante. seja pelo trabalho precoce ou simplesmente pelo medo da violência nas ruas. negociam suas ações. A brincadeira de faz-de-conta. Em meio a essas diversas modalidades de brincadeiras que podem acontecer nas creches e pré-escolas. por exemplo. modificam os significados dos objetos. natação. simulam e representam diferentes papéis. quando as crianças se acostumaram a se isolar em suas casas e vivenciam tão pouco as brincadeiras coletivas. as crianças aprendem a manusear os objetos e lidar com as situações no plano mental. Pensamos que a brincadeira deve se constituir em um dos eixos da organização do trabalho pedagógico. parque. sobretudo. que podem ser caixa de teatro. O ambiente físico da creche ou da pré-escola precisa ser um convite à imaginação das crianças. bonecas. baú ou cesto que tenham artefatos relacionados a um tema específico: escritório. proporcionando às crianças a possibilidade de elegerem diferentes opções e ordenar de forma pessoal suas ações e conhecimentos. escola. é importante que o educador e ou a educadora saiba que as maiores contribuições do brincar ficam em segundo plano. utensílios domésticos de cozinha e lazer. Esses 308 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . música.

. pedras. jogos tradicionais como rodar pião. O que os educadores e educadoras devem fazer na hora das brincadeiras? Qual é a sua função? Primeiramente. pois ele ou ela poderá destruir a brincadeira. papel. é imprescindível que eles tenham acesso a artefatos e brinquedos variados. assim como seus usos sociais e simbólicos. parlendas). é imperativo salientar a importância de observar as brincadeiras das crianças como elementos de conhecimento delas quanto às suas maneiras próprias de pensar e agir sobre o mundo. As normas demarcam um campo de ação a ser adotado. mamadeiras. Por meio do respeito às decisões e escolhas das crianças. Muitas vezes. pratinhos e móveis para incentivar as primeiras ações de imitação de papéis sociais. quebra-cabeça. O fundamental é que os educadores e educadoras compartilhem das brincadeiras das crianças. como bonecas. bola de gude. xadrez. tempo e artefatos adequados e convidativos para o brincar. objetos com estruturas de encaixe próprios para a construção. Brincar com elementos da natureza. Uma outra esfera do brincar que. pois esse tipo de brincadeira tem início com os primeiros experimentos do brincar dos bebês e penetram no faz-de-conta. Observar é um momento de ação. rolar. odores) e suas possibilidades associativas (empilhar. encaixar. Em se tratando do lugar onde os bebês ficam. e ajudando-as quando forem solicitados. formas. A brincadeira com regras também tem importante valor no desenvolvimento da criança.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS materiais precisarão ficar em um lugar acessível às crianças. de sucata (areia. cores. soltar pipa e outros como dama. com base no qual as crianças regulam seu comportamento. Além das regras subentendidas nos jogos de faz-de-conta.. paninhos. flores. propiciando-lhes espaço. o educador ou a educadora é convidado a participar da brincadeira e a desempenhar um papel. argila. é fundamental que a criança aprenda a brincar com regras explícitas. texturas.). Os jogos que podem ajudar nesse sentido são: amarelinha. jogos com peteca ou bola. É preciso que o educador ou a educadora não imponha seus desejos e vontades. se articula às brincadeiras de faz-de-conta. dominó. Além disso. de construção. trilha e muitos outros jogos construídos nas diferentes culturas ou transformados/criados a partir dos já conhecidos. trava-línguas. em geral. são os jogos de construção. que possibilitem a exploração de características e propriedades distintas (sons. A chave para uma boa intervenção de FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 309 . para que elas possam escolher livremente os temas e as situações imaginárias que optaram desenvolver. etc. nos jogos e construções. é fundamental a presença de brinquedos. jogos de linguagem (adivinhas. folhas. a educadora poderá ser uma participante (não uma orientadora) que busca enriquecer a brincadeira. A forma de participação do professora ou da professora deve ser pautada na observação e na escuta cuidadosa das crianças e de como decidem o desenrolar da situação de faz-de-conta. massa. pular corda. trazendo novas indicações e relações que poderão ser estabelecidas.) possibilita a exploração dos predicados e características associativas dos objetos.

à medida que o sujeito interage com o mundo. que a Educação Infantil seria apenas um lugar de recreação. confere à educação papel fundamental.2 O planejamento de projetos e a importância da mediação das professoras e dos professores Sob o ponto de vista histórico-cultural. etc. se ambicionamos formar indivíduos criativos e construtores de sua própria história. portanto. então. não sendo. As formas mais tradicionais de educação apregoam a aquisição dos conteúdos de maneira regular e homeopática. 1991). a partir de um processo em que o desenvolvimento e a aprendizagem se constituem mutuamente em uma unidade dialética. torna-se indispensável compartilhar as brincadeiras com as crianças. especialmente. mediada por um outro sujeito (VYGOTSKY. livros.). Dessa forma. as brincadeiras que conhecemos desde pequenos. 5. sem excessos que alterariam todo o sistema. jornais. no que concerne à construção do conhecimento. o novo e o velho. construindo um presente mais rico. Como ponderar acerca da apreensão do conhecimento escolar em rede de maneira diferenciada. O conteúdo é eterno e inquestionável. revistas. de cuidados ou de preparação para a aprendizagem futura. com pequenas doses do mais simples para o mais complexo. os ambientes de acesso à informação estão cada vez mais disponíveis (internet. do que e como brincam de sua cultura e de sua lógica própria. o que só é possível pelo conhecimento do jogo da criança. assim. e sim uma relação entre eles. Padecemos. Percursos novos e diferentes precisam ser evitados. uma relação direta. O complicado é escolher e incorporá-las de forma crítica. o sujeito e o objeto de conhecimento se relacionam de forma dialética. TV. Devemos colocar à sua disposição nossas vivências. o aluno e a aluna aprendem. segundo essa visão. desde a mais tenra idade. mas sim um espaço de construção de conhecimentos e de ampliação do universo simbólico das crianças. Dessa maneira. Os professores ou as professoras são sempre aqueles que sabem. o entendimento da relação epistemológica tem muito a acrescentar na organização curricular. combinando. não há predominância de um sobre o outro. Atualmente.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS educadores nas brincadeiras é a observação e o respeito pelas escolhas das crianças. interdisciplinar e contextualizada? De que maneira o educador e a educadora infantil podem auxiliar nesse processo? 310 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . com o excesso de informações que nos invadem pela rede a todo momento. ao papel do professor e da professora e da criança na relação pedagógica. Não se pode entender. A compreensão de que a aprendizagem acontece desde que o indivíduo nasce. linear.

estendendo sua idéia sobre um determinado tema e até mesmo a formação de conceitos. resultado das suas diferentes condições sociais e culturais. transformar. a construção dos projetos precisa estar vinculada a conhecimentos que incorporem os fatos sociais que as crianças por ora vivenciam ainda que sejam definidos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. digam suas próprias palavras. É. sintonizando sua voz como tantas outras presentes no espaço escolar. Essa concepção de construção do conhecimento em rede e do papel mediador do professor e da professora implica compreender que as crianças desenvolvem diversas estratégias de apreensão e de ação sobre o real. indicando. O que implica. no espaço das diferenças entre as crianças e entre as crianças e os adultos que se pode almejar que elas se capacitem para criticar. o que interfere na sua maneira de se desenvolver. condições para que as crianças construam linguagens e conhecimentos. Essa é uma das formas de se construir o conhecimento em rede. considerar o indivíduo que aprende como um ser envolvido em permanente transformação e que se modifica a cada nova interação. e deve auxiliar a processar esse conhecimentos criticamente. precisa colocar a criança em contato com os diferentes conhecimentos ou as muitas formas de encontrá-los. então. o professor e a professora passam a atuar como mediadores ou mediadoras entre a criança e os conteúdos elaborados. suas possibilidades de interagir com outros campos do saber. Essa forma de organizar os projetos de trabalho permite. Numa perspectiva interdisciplinar. Não é nem “observador(a) do amadurecimento da criança” nem aquele(a) cuja responsabilidade principal é apenas repassar informações a serem absorvidas. costumes e valores culturais básicos para a vida em sociedade. a cada momento. de maneira a propiciar às crianças a possibilidade de fazer múltiplas relações. os projetos de trabalho têm como finalidade relacionar conhecimentos de diferentes áreas. principalmente. Como mediador ou mediadora. Vamos criar. Pela riqueza de pontos de vista e de experiências que podem ser trocadas. portanto. ao contrário das atividades fragmentadas e em etapas. que a criança estabeleça relações entre as diferentes áreas de conhecimento e as realidades vividas na escola e na sua vida. fundamentalmente. O professor ou a professora precisa. atuar como aquele(a) que possibilita a relação entre a criança e o conhecimento. A organização de projetos interdisciplinares com as crianças pode ser considerada uma estratégia pedagógica importante para integrar os diversos conhecimentos curriculares.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Sob o ponto de vista histórico-cultural. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 311 . propiciando a criação do conhecimento em rede. As interações da criança com os conteúdos trabalhados acontecerá na busca coletiva de informações em torno de um tema gerador de interesse do grupo. Sob essa perspectiva. essas diversidades devem ser ponderadas e utilizadas como geradoras de novos conteúdos. criar e inventar. argumentar.

a interpretação e a crítica. os projetos devem ser um convite a soltar a imaginação. são registros fundamentais para o acompanhamento e a avaliação pelos professores. com os objetos e materiais pedagógicos utilizados. o professor é um aprendiz e não um especialista. 312 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . faixas horárias fragmentadas. os relatos escritos e os trabalhos elaborados pelas crianças. Por isso. interpretar e busquem o entendimento dos diversos problemas que os cercam. há várias fontes de informação que não apenas professor. tais como: percurso por um tema problema que facilita a análise. É bom lembrar que a memória. fotos das atividades. cada percurso é singular e é trabalhado com diferentes tipos de informações. cartazes. na qual a paixão pelo conhecimento seja a divisa. Segundo Hernandez (1998.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Os projetos precisam partir das questões consideradas importantes para as crianças que deverão ser respondidas a partir do trabalho coletivo e mediado sempre pela professora. Para um melhor entendimento desse tema. Nos projetos de trabalho é essencial que as crianças. com suas formas de apropriação dos conhecimentos e suas teorias diante dos temas a serem abordados. o professor ensina a escutar e a aprender por meio da vivência com os outros. e a educação de melhores cidadãos o horizonte ao qual se dirige. arquipélagos de docentes e passem a se converter em uma comunidade de aprendizagem. a paixão e o risco por explorar novos caminhos que permitam que as escolas deixem de ser formadas por compartimentos fechados. O que queremos dizer é que os professores e as professoras devem criar um clima de curiosidade e de prazer com o conhecimento. os professores e as professoras saibam pesquisar. Essa é uma forma de avaliação que pode prever novas trajetórias e é fundamental para o sucesso de um projeto de trabalho. há diferentes formas de aprender o que o professor quer ensinar. como desenhos. etc.. p. de modo que as crianças se envolvam de forma apaixonada com as experiências. percurso que busca estabelecer conexões entre os fenômenos e que questiona a idéia de uma visão única da realidade. predominância da atitude de cooperação. vale reforçar algumas características gerais dos projetos de trabalho. aproximação atualizada aos problemas das disciplinas e dos saberes. murais. é essencial que a escola esteja conectada com o que as crianças já sabem. 13).

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. A mãe disse que carregar água na peneira Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. famílias). A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. a não temer o novo. com a linguagem. é importante reafirmar a convicção de que o conhecimento deve ser vivenciado no espaço escolar de forma prazerosa e que precisa ser vivido de forma apaixonada. com a arte. a transgredir as ordens. à atividade manual. E começou a fazer peraltagens. é essencial que a aprendizagem aconteça no experimento do encontro entre as crianças e entre elas e os adultos (educadores. No escrever o menino viu que era capaz de ser noviço. Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final na frase. Existem outras questões importantes para as práticas pedagógicas na Educação Infantil. Ao concluir esse tópico. O mesmo que criar peixes no bolso. à intelectual e a outras modalidades de atividades. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. como. O menino era ligado em despropósitos. portanto. Por isso a importância do diálogo e do trabalho constante com a linguagem. A linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação. com a música. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS forma de aprendizagem em que se leva em conta que todas as crianças podem aprender e encontram um papel para desempenhar. a refazer a história. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 313 . ela constrói nossa forma de pensar no mundo e. com as histórias e com as brincadeiras. constitui nossa identidade histórica e cultural. não se esquecer de que a aprendizagem é vinculada ao fazer. monge ou mendigo ao mesmo tempo. Aprendemos com os livros. O menino aprendeu a usar as palavras. Podemos também aprender com os poetas: Tenho um livro sobre águas e meninos Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. Para que os conteúdos tenham significados na vida das pessoas. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. o que é ser criança hoje. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito Porque gostava de carregar água na peneira Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira. mas são as crianças que podem nos ensinar a inverter a velha lógica. por exemplo.

p. didáticos. ou prolongada. a avaliação fundamenta essa caminhada. A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta. financeiros.. (.3 Planejamento e avaliação do currículo na Educação Infantil O planejamento é a atividade intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingi-los. os novos pressupostos da administração escolar trazem com a autonomia a indicação da gestão colegiada. assim como seus principais objetivos devem ser reavaliados constantemente para adequá-los a realidade. é claro) essa semana de planejamento redunda no preenchimento de um formulário em colunas. visto que fornece elementos para a tomada de decisões.. nas escolas em geral. Essa forma de gestão requer que se propicie espaços para a iniciativa e participação de todos os envolvidos no processo educativo. A avaliação funciona como um sistema de crítica do projeto que elaboramos na escola. Por isso.) Essa é uma forma de fazer do ato de planejar um ato neutro. 115).. humanos. o planejamento não é neutro. mas ideologicamente comprometido... Por esse motivo é importante a discussão a respeito do real significado social e político da ação que se está planejando. Manoel de Barros 5. (. O menino fazia prodígios. 314 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . como desejavam nossos ex-ministros e como desejam todos os que defendem uma perspectiva conservadora para a sociedade. Você vai carregar água na peneira a vida toda. Você vai encher os vazios com as suas peraltagens E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos. Essa participação. Até fez uma pedra dar flor! A mãe reparava o filho com ternura.) usualmente (com exceções no cotidiano escolar. tem sido um modo de operacionalizar o uso de recursos – materiais. com responsabilidades compartilhadas entre escola e comunidade. sua finalidade.. (. Na contemporaneidade. Segundo Cipriano Carlos Luckesi (1992. seja ela curta. compromissos e responsabilidades. Enquanto o planejamento dimensiona o que vai ser feito na escola.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.) planejar. Deve-se perguntar sobre as determinações sociais que estão na base do problema a ser enfrentado. assim como deve-se discutir as suas possíveis consequências e seus comprometimentos. que deve estabelecer a sua filosofia. no qual o professor deve fazer durante o ano letivo na disciplina ou área de estudos que trabalha. devem estar visivelmente enunciadas no plano da escola. A avaliação deveria ser compreendida como uma crítica do percurso de uma ação.

ou como uma educação progressista e democratizadora. Isso quer dizer que a criança não deve apenas reproduzir os conteúdos que o professor ou a professora transmitiu. espaço e segurança em suas experiências (HOFFMANN. fundamentalmente. favorecendo-lhe desafios. Não basta. ser coerente à dinâmica do seu processo de desenvolvimento. padronizados e buscar estratégias de acompanhamento da história que cada criança vai constituindo ao longo de sua descoberta do mundo. mas que procura. voltada para o integral desenvolvimento do ser humano. verificando constantemente o trabalho pedagógico que oferece aos alunos(as). Isso quer dizer que não há como avaliar uma criança apenas a partir das nossas experiências e expectativas como adultos. a avaliação não tem a função de aferir. Esse acompanhamento deve ser no sentido de mediar a sua ação. por exemplo. a sua concepção de educação. de sua consciência crítica. a partir do acompanhamento permanente da ação da criança e da confiança na evolução do seu pensamento. Essa é a concepção considerada mais apropriada. conferir. relatórios ou boletins. poderemos abandonar listagens de comportamentos uniformes. em último grau. professores. eliminando aqueles que não chegaram aos padrões preestabelecidos. Dessa forma. A partir daí. Portanto. Nessa concepção. Seja como uma educação repressora e bancária. em que o alunado é depositário do conhecimento e deve reproduzi-lo. A avaliação tem a função de proporcionar ao professor e à professora uma melhor compreensão sobre a aprendizagem de alunos e alunas. essa atitude avaliativa expressa a adoção de uma conduta que não apenas examine e registre os resultados obtidos pela criança a partir de ações conduzidas. uma vez que isso tudo expressa a comparação à medição e à classificação das crianças. rechear listas. classificar e aprovar/reprovar. Os relatórios descritivos devem ser elaborados de maneira que FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 315 . A relação com o conhecimento depende da relação que a criança constitui com as outras crianças (de diferentes idades). podem ser utilizados relatórios descritivos e portfólios. O registro da avaliação deve ser a memória da história vivida pela criança em um determinado período. devendo ser analisada no seu significado próprio e individual em termos de estágio evolutivo de pensamento e de suas relações interpessoais. tempo. 1996). Esta proposta de avaliação reconhece o professor/adulto como um mediador.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Uma proposta de organização do trabalho pedagógico só estará completa ao anunciar sua compreensão sobre avaliação. pois essa não é a única possibilidade de conhecimento. com o meio ambiente e com a cultura. a fim de poder superar as dificuldades encontradas. a maneira como os educadores e educadoras exercem suas avaliações sobre alunas e alunos indica. com os pais. Tal postura avaliativa e mediadora parte do princípio de que cada momento de sua vida representa uma etapa altamente significativa e antecede as próximas conquistas. de sua capacidade de ação e reação em sua criatividade. Quando falamos da Educação Infantil.

mas sim de uma avaliação em processo. educadores e para a própria criança. pois a vida é algo que se experimenta por inteiro. o movimento. a poesia. repensado e alterado sempre que necessário. posturas pedagógicas alternativas na relação com ela. 1996. que está preocupada com o avanço constante da criança em relação ao conhecimento. a construção do conhecimento deve estar vinculada a: a) projetos que tenham como tema gerador ou aglutinador acontecimentos sociais que as crianças vivenciam no momento. b) projetos previamente determinados e independentes. mas sob a forma de atividades a oportunizar. 2. o prazer. as artes plásticas e dramáticas. 53. as ciências. o desprazer. a fantasia. precisa e acabada. 316 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . aprendemos que quando analisamos a Educação Infantil e o Currículo devemos tomar a criança como ponto de partida da proposta pedagógica. Nessa proposta. ou que sejam decididos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. jogos. ou eventos culturais que estejam previstos na programação da escola. a produção de projetos interdisciplinares pelas crianças pode ser considerada uma estratégia pedagógica: riquíssima de integração de diferentes conteúdos disciplinares. 1. d) projetos fixos e centralizados no professor ou na professora. aponta possibilidades da ação educativa para pais. todo o trabalho pedagógico será avaliado. propiciadora de uma construção de conhecimento em rede. As diferentes interseções da criança com o conhecimento se darão de acordo com a busca coletiva de informações em torno de um tema centralizador e de interesse do grupo. Nessa aula.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS ao mesmo tempo que refaz e registra a história do seu processo dinâmico de construção do conhecimento. compreendendo que para conhecer o mundo ela envolve o afeto. encaminha. (HOFFMANN. p. O texto aponta dois grandes eixos a serem considerados: a brincadeira como atividade cultural que deve ser incorporada ao currículo da Educação Infantil. não como lições de atitudes à criança ou sugestões de procedimentos aos pais. sugere. a linguagem. grifo nosso). o brincar. Dentro dessa perspectiva. Não se trata de uma avaliação pronta. c) projetos livres e espontâneos. Diria até mesmo que apontar caminhos possíveis e necessários para trabalhar com ela é o essencial em um relatório de avaliação. a música e a matemática de forma integrada. materiais a lhe serem oferecidos. Segundo o texto.

Educação Infantil Pós-LDB: rumos e desafios. F. 1998. Portanto a alternativa correta é a letra (a). Brasília: MEC/SEF. 1998. HERNÁNDEZ. ou que sejam decididos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. M. BRASIL. Depois. ou eventos culturais que estejam previstos na programação da escola. por sua vez. Pesquise em livros.. 1999. sendo condição para a criação artística. Exercícios de ser criança. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas. Ministério da Educação. G. Pondere essas questões e escreva um pequeno texto com suas conclusões a respeito desses dois grandes eixos. revistas ou jornais exemplos de comunidades que educam as crianças em ambientes diferentes do espaço escolar. O processo de imaginação. 1998. Na atividade um. 3. São essas construções que tornam vivas e constituem as relações do sujeito com o mundo e que permitem a produção humana no campo das artes. F. O universo da cultura é produzido pela atividade fecunda do ser humano que. você pode ilustrar seu registro. M. Se encontrar figuras. VENTURA. Rio de Janeiro: Salamandra. é o alicerce de qualquer atividade criadora. PALHARES. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. anote os resultados da pesquisa. (Org. o que suscitará a aprendizagem colaborativa e a produção do conhecimento em rede. 5. L. A construção de conhecimento pelas crianças levará à necessidade de uma divisão de tarefas e a busca de informações em diferentes fontes. não é uma capacidade inata. BARROS. Porto Alegre: Artes Médicas. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 317 . 1999. HERNÁNDEZ. A.. M. estritamente pertinente ao brincar.). S. Campinas: Autores Associados. ed. mas sim construída historicamente nas relações sociais. das ciências e das técnicas.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o papel mediador do professor e da professora na idéia da construção do conhecimento em rede como orientadora do planejamento pedagógico e da seleção e tratamento dos conteúdos curriculares. FARIA. de. a construção do conhecimento deve estar vinculada a projetos que tenham como tema gerador ou aglutinador acontecimentos sociais que as crianças estejam vivenciando no momento. científica e técnica.

VYGOTSKY. ______. P. trataremos da seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental e também da formação dos educadores e sua atuação no processo curricular. S. J. Não brinco mais: a (des)construção do brincar no cotidiano educacional. 115. Rio de Janeiro: Martins Fontes. 1991.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS HOFFMANN. n. Anotações 318 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Rio de Janeiro: Martins Fontes. 1996. 15. da. L. 1992. Imaginación y el arte na infância. 2000. LUCKESI. M. 18. 1987a. Porto Alegre: Mediação. Ijuí: Unijuí. A formação social da mente. Cidade do México: Hispânicas. C. C. Na próxima aula. Planejamento e Avaliação na Escola: articulação e necessária determinação ideológica. p. L. Pensamento e linguagem. São Paulo: FDE. Avaliação: mito e desafio – uma perspectiva construtivista. ______. 1987b. ROCHA. ed. de M. Série Idéias. S.

os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático. Para melhor entendimento dos conteúdos dessa aula você deverá fazer a leitura cuidadosa dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. você seja capaz de: perceber que as propostas pedagógicas são frutos de debates e de disputas de diferentes naturezas. que pode ser encontrado no site do MEC (<http://www. até se tornarem conhecimento escolar. bem como os processos de transformações por meio dos quais os discursos ou os conhecimentos das várias áreas vão sendo reorganizados e transformados. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 319 . entender os padrões e critérios que definem o discurso pedagógico. ao final desta aula. as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas. até outras exigências que se impõem no mundo contemporâneo. as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. poderemos perceber que o exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e a participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental Esperamos que. Nessa aula.br>).gov. os princípios da reflexão matemática. compreender criticamente os Parâmetros Curriculares para o Ensino Fundamental.mec. os princípios da explicação científica.

que se rebelaram contra sua orientação ou contra a forma como foram elaborados.1 Formação dos educadores e sua atuação no processo curricular Atualmente. nesse momento. Por que. selecionados os livros didáticos a serem adotados pelas escolas. mesmo que seus redatores tenham procurado atenuá-las ou suprimi-las. e articulando propostas mais compatíveis com suas idéias. considerando que esse também é avaliado com base em preceitos definidos pelo próprio sistema. ainda que organizado por um grupo que compartilha dos mesmos ideais. com vistas à ampliação das competências consideradas fundamentais para o exercício da docência. com a colaboração de intelectuais dos diferentes campos do saber. Seria lícito arrazoar que. um dos estudiosos da história do currículo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram organizados por um grupo. depois de definido um currículo nacional. um currículo representa sempre um consenso precário em torno de algumas idéias. mas o seu baixo impacto na realidade escolar. Os PCN inevitavelmente irão apresentar inconsistências ou divergências implícitas. Assim. Examinando com cuidado as novas propostas curriculares. como um cargo público relevante no campo da educação. podemos perceber que grande parte das idéias que elas contêm já vem sendo discutidas no campo do currículo há várias décadas. Dessa 320 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . estão atuando em outros lugares. 78). uma vez que sua compatibilidade com os objetivos mais amplos de uma educação genuinamente democrática tem sido elemento de estudo e de reflexões em grande parte dos trabalhos acadêmicos no campo das políticas públicas. isso com certeza reforça a concepção de currículo que elas defendem. acontecesse uma evolução na performance do sistema público do ensino básico. Ivor Goodson (1995).AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 6. que o que merece uma análise mais aprofundada é a própria consistência interna dessas políticas. uma determinada proposta ganha prestígio e se torna hegemônica? Isso acontece em função de vários fatores. consideramos. Os indivíduos que não concordaram. sejam eles estaduais ou municipais. por exemplo: se pessoas que pensam da mesma forma obtêm alguma posição na hierarquia de poder constituída. o que parece mais surpreendente não é o empenho do governo federal em implementá-las. Ponderando sobre a aceitação de certas idéias em um determinado contexto. em um determinado momento histórico. o referido autor quer evidenciar a seriedade dos fatores e das relações de poder que permitiram a construção de uma determinada proposta. Logo. enfatiza em seu livro Currículo: teoria e história a necessidade de se discutir as propostas curriculares ou o que é chamado de Currículo Prescrito. lembrando que aquilo “que está prescrito não é necessariamente o que é aprendido. treinados professores e professoras de forma mais funcional. ao debatermos as políticas públicas para o Ensino Fundamental. O que podemos perceber é que as propostas pedagógicas são resultado de debates e de disputas de diferentes naturezas também no campo do currículo. e o que se planeja não é necessariamente o que acontece” (p. tornando-a uma proposta aceitável.

os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático. O autor ressalta. ainda. torna-se necessário fazer referência a um artigo de Michael Apple (1994) intitulado A política do conhecimento oficial: faz sentido a idéia de um currículo nacional?. a pretensão a um projeto nacional. não porque vivemos em um país de dimensões continentais. Para Correia (1991. que as alterações como metodologias inovadoras exigiriam uma ruptura com práticas instaladas. Johnson aponta que essa idéia de coesão nacional em que se baseiam os currículos nacionais é completamente equivocada. em relação às habilidades de leitura e de matemática. ainda. os princípios da explicação científica. no Documento Introdutório (1997). Vejamos. apresentar-se como um meio de superar as contradições dos currículos estaduais e municipais. além de depender de todas as questões que discutimos em aula. suscitados nos e pelos órgãos centrais do sistema educativo. são enfatizados os problemas das distorções idade/série e o baixo desempenho dos alunos. Ao analisarmos os Parâmetros Curriculares. Nos processos de mudanças. Podemos destacar alguns progressos na parte que trata dos Princípios e fundamentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais. indispensável analisar o grau e o poder de decisão dos agentes nela envolvidos. 2) “nem sempre [os PCN] produzem mudanças nas práticas pedagógicas e nas relações sociais estabelecidas entre os agentes implicados na ação educativa”. Com base em dados estatísticos sobre taxa de promoção. até outras tantas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 321 . configura-se quase como inviável. repetência e evasão. O exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e a participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS forma. as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas. pois parte do pressuposto que alunos e alunas de diferentes posições sociais e pertencentes a diferentes grupos sociais vivenciam o currículo da mesma maneira. Primeiramente. Temos que reconhecer que suas análises subsidiaram grande parte das publicações sobre essa temática. é essencial a referência que ele faz a um texto de Richard Johnson (1991) sobre um aspecto central na discussão dos currículos nacionais. portanto. Nos Parâmetros Curriculares para o Ensino Fundamental esse recurso de convencimento aparece no documento oficial. mas porque o próprio processo de elaboração curricular só pode ser pensado em uma dinâmica constante de construção e reconstrução que se inviabiliza quando se cristaliza. são apresentados dados sobre a performance do sistema. no qual é afirmado o caráter inovador dos parâmetros por se fundamentar em recentes tendências no campo da educação. O documento procura. tornando-se. p. principalmente. os princípios da reflexão matemática. Em meio a várias considerações discutidas pelo autor. as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. os professores e as professoras são tomados como consumidores(as) das mudanças e como agentes potenciais de resistência.

Portanto. conflitos com as práticas em desenvolvimento nas escolas. 15). as inovações trazem indecisão e inquietação porque se propõem a romper com as práticas já cristalizadas. as propostas curriculares. que no caso dos parâmetros seriam representados pelos técnicos das secretarias estaduais e municipais de educação e de seus diversos órgãos regionais. também. p. chegando até as supervisoras ou coordenadoras pedagógicas das escolas. mesmo quando concordam com suas propostas. o objetivo do SAEB “é gerir e organizar informações sobre a qualidade. Sendo elaborados de forma centralizada. de fato. será transformada de tal maneira no seu processo de implantação que pouca similaridade haverá entre suas propostas e o que é. o que faz em determinadas situações. apresenta-se para a escola a necessidade de se assumir como espaço social de construção dos significados éticos necessários e constituídos de toda e qualquer ação de cidadania (PCN. Para Franco e Bonamino (2001. Cabe ao campo educacional propiciar aos alunos as capacidades de vivenciar as diferentes formas de inserção sociopolítica e cultural. na qual interferem desde interesses editoriais até critérios pedagógicos. No Ensino Fundamental. os parâmetros se confrontam com inovações singulares. prontas para assimilar o que lhes é apresentado. 322 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . que as experiências sociais são elementos definidores das práticas escolares e que uma proposta curricular. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). a recusa categórica de formas de discriminação e a importância da solidariedade e do respeito. até se tornarem conhecimento escolar. 1997). muitas vezes. Por um lado. como os Parâmetros Curriculares Nacionais. estabelece como responsabilidade da União a avaliação do rendimento escolar em nível nacional.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS exigências que se impõem no mundo contemporâneo. bem como os processos de transformações por meio dos quais os discursos ou os conhecimentos das várias áreas vão sendo reorganizados e transformados. por meio de uma pesquisa por amostragem. elaborado nos anos 80 e respaldado posteriormente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. É importante destacar. como parte do processo de deslocamento de um discurso de uma área. Por outro lado. gerando. Assim. é fundamental que os professores entendam os padrões e critérios que definem o discurso pedagógico. Tais exigências apontam a relevância de discussões sobre a dignidade do ser humano. apesar de os parâmetros considerarem que elas não se apresentam como tábulas rasas. As deliberações tomadas pelo núcleo do sistema são reinterpretadas pelos fatores que se colocam nos diversos níveis intermediários. a igualdade de direitos. os professores e professoras. a eqüidade e a eficiência da educação nacional”. buscam interpretá-las e adequá-las conforme o contexto institucional do local em que trabalham. adotarem formas diferenciadas entre si. feito nas escolas. Hoje. mais do que nunca. se constituem no primeiro elo de uma cadeia de recontextualizações sucessivas no processo de produção do conhecimento escolar.

índices de analfabetismo. 6. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 323 . a partir das relações sociais com o conhecimento produzido historicamente e por quem vive o cotidiano escolar. O autor demonstra que na atual sociedade. 1998. com a qualificação docente e com material disponível nas escolas. Então. O autor aponta que a expansão do ensino e a permanência na escola de crianças e adolescentes que antes não tinham acesso à educação cria um novo fenômeno. a partir dos quais são monitorados e supervisionados. Para os autores. demonstram que elas podem ser manipuladas. no desempenho das suas atividades como docente. 126). a estatística tem função descritiva. Dessa forma. o agrupamento das pessoas por meio de agregados estatísticos é uma forma de normalização. p. A entrada dessa população na escola e a possibilidade de conquistarem um diploma não oferece nenhum tipo de garantia de melhoria na sua qualidade de vida. Para Bourdie (1998). principalmente. do simulacro ou da imitação. sejam de bens materiais ou simbólicos. “as estatísticas constroem classes de pessoas. há uma intenção constante em se dar tudo a todos. LINDBLAD. podemos considerar que precisamos avaliar o sistema de ensino e construir políticas públicas para a educação. E ainda. 49). taxas de repetência. mostrando número de alunos e alunas matriculados em cada nível e modalidade de ensino. 2001. portanto podem ser boas ou ruins. em um artigo sobre as estatísticas educacionais. p. como se fosse esse o único meio de reservar para uns a posse real e legítima desses bens exclusivos” (BOURDIE. relacionam a educação com o número de alunos e alunas em sala. condições econômicas.2 A formação dos educadores e educadoras e sua atuação no processo curricular Quando nos questionamos sobre a aquisição/construção dos saberes profissionais dos professores e das professoras. com poder econômico e com as possibilidades de acesso a bens culturais. as novas formas de inclusão propostas pelas reformas educacionais terminam por incluir excluindo. Popkewitz e Lindblad (2001). Para eles.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o SAEB vem avaliando a performance escolar dos alunos e alunas matriculados na 4ª e 8ª séries das redes públicas e privadas. mas durante e. inventários ou perfis de pessoas que podem ser geridas” (POPKEWITZ. formação de profissionais e situação de fracasso escolar. na educação. o problema é que as estatísticas oferecem dados que são aceitos como espelhos da realidade. “mas sob as espécies fictícias de aparência. em uma cultura exacerbada de consumo. As estatísticas relacionam fracasso escolar com arranjos familiares. etc. Eles afirmam que as estatísticas buscam expressar aspectos da população que precisam ser administrados. Para os autores. devemos ter em mente que tais saberes não se desenvolvem e solidificam no seu período de formação inicial. Os indivíduos são espalhados em grupos. estabelecendo relações entre tipos de família.

organizando os conteúdos em consonância com as reais demandas dos seus alunos e alunas. mas. Geralmente. O autor ainda observa que “o corpo docente não é responsável pela definição nem pela seleção dos saberes que a escola e a universidade transmitem”. aos saberes de que dispõe a nossa sociedade. à medida que os professores constroem os saberes da sua prática. 324 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .] já se encontram consideravelmente determinados em sua forma e conteúdo. tais como se encontram nas universidades sob a forma de disciplinas. o professor e a professora elaboram determinados saberes que só podem ser construídos a partir da própria experiência profissional. com o tempo irão adquirir maior segurança para elaborar suas aulas. saberes experienciais. propor novos questionamentos. p. Os saberes disciplinares têm especificidades. vão incorporando os demais saberes em uma forma pessoal de ensino.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Ao desenvolver sua função. Um maior domínio tornam os professores mais competente para lidar com os conhecimentos. no trabalho docente. produtos oriundos da tradição cultural e dos grupos produtores de saberes sociais e incorporados à prática docente através das disciplinas. no interior de faculdades e de cursos distintos” (TARDIF. sob a forma de programas escolares que os professores devem aprender e aplicar (TARDIF. possibilitar um processo de ensino-aprendizagem mais eficaz. saberes disciplinares. esses saberes de ordem profissional são os transmitidos pelas instituições de formação e se refletem na prática docente. conteúdos e métodos. Entretanto. 2005. Isso ocorre porque esses [. p. p. os professores e professoras iniciantes encontram maiores dificuldades em relação aos saberes disciplinares e sua adequação. 40). inovar suas metodologias. eles estarão mais preocupado em procurar maneiras de incentivar seus alunos e alunas. matérias e conteúdos a serem transmitidos (TARDIF. De acordo com Tardif (2005). a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais definidos e selecionados por ela como modelo da cultura erudita e de formação para essa cultura. Já os saberes curriculares dizem respeito aos discursos. Desse modo. objetivos. 38). como: saberes da formação profissional. 38). saberes curriculares.. ou seja. professores e professoras incorporam diversos conhecimentos. validados pela experiência. pois estão relacionados aos diversos “campos do conhecimento. relacionar conteúdos.. 2005. programas escolares. 2005. O constante trabalho com os conteúdos curriculares e disciplinares permitem aos professores e às professoras terem um conhecimento mais elaborado desses assuntos trabalhados. ao longo dos anos. Para ele.

p. podemos nos reportar a outro autor que coloca a questão de forma similar quando afirma que a formação de professores não se constrói por acumulação (de cursos.. Para Gauthier (1998). Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência (NÓVOA. p. os saberes curriculares. Gauthier (1998. dos outros fatores educativos. seria indispensável que tanto a formação inicial como a continuada apresentassem.. os professores e professoras que são avaliados como eficientes. da sociedade. cuidam de forma particular do planejamento das atividades. etc.. permitindo a criação de um elenco de conhecimentos acerca da atividade docente.” Os saberes de professores e professoras abordados por Tardif. Tardif (2005. O autor entende esse reservatório como: os saberes disciplinares.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Segundo Tardif (2005. sim. de outro modo. que a pesquisa tem a intenção de identificar os saberes utilizados pelos professores e professoras no seu trabalho pedagógico. O autor acredita que é indispensável um conhecimento teórico sobre o ensino e que uma parte desse conhecimento deve ser extraída da prática na sala de aula e comprovada pela pesquisa. p. Eles e elas estão “[. de conhecimentos ou de técnicas). os conhecimentos da experiência são resultantes da experiência do professor e da professora e se incluem ao conjunto de saberes acumulados e adquiridos na prática do trabalho docente. 25). então. p. 2002. como prioridade. das universidades. a qual ele especifica como “estudo do conjunto de saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas”. Podemos entender. os saberes experienciais e os saberes da ação pedagógica. 24).] competências e saberes novos ou mais profundos a partir de suas aquisições e de sua experiência” (PERRENOUD. p. 29) concebe o ensino como a “mobilização de vários saberes que formam uma espécie de reservatório. no qual o professor se abastece para responder às exigências específicas de sua situação concreta de ensino”. capaz de colaborar para a formação inicial e continuada de outros profissionais. o desenvolvimento de uma atitude reflexiva.] na confluência entre várias fontes de saberes provenientes da história de vida individual. 19). os saberes da ciência da educação. 1997. Aqui. servindo de referencial para sua orientação profissional. mas. são retomados por Gauthier (1998) ao oferecer um resumo de suas análises que apontam um elenco de conteúdos próprios para o ensino. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 325 . da instituição escolar. através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas de re(construção) permanente de uma identidade pessoal.. Com a intenção de concluir o pensamento dos autores quanto à educação desses profissionais. os saberes da tradição pedagógica. os professores e as professoras teriam construído a capacidade de conduzir seu próprio desenvolvimento profissional. buscando “[. 255) denomina esse modo de abordar a formação de professores e professoras que privilegia os conhecimentos originários da experiência como “epistemologia da prática”. Tomando como possibilidade essa perspectiva.

204) aponta dez meios pelos quais podemos estimular nossos alunos e alunas de maneira positiva. 1998. fornecer aos alunos ocasiões para responder ativamente. a fim de que possam ser entendidas pelos alunos e alunas de forma mais clara. por meio das motivações chamadas pelo autor de “intrínsecas”. proporcionar retroação imediata às respostas dos alunos. p. explícitas. tais como círculos de leitura. 208). utilizar exemplos para explicar e avaliar a compreensão paulatinamente” (GAUTHIER. em particular os mais novos na profissão. Entretanto. o jogo. 326 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 202). 216). Gauthier (1998. esses profissionais procuram “alcançar outros fins e objetivos que não aqueles relativos aos resultados escolares”. fornecer aos alunos ocasiões para interagir com outros. para esse autor. proporcionando-lhes um aprendizado efetivo e significativo. permitir que os alunos criem um produto acabado. prever objetivos de alto nível e questões divergentes. visando a um desempenho aceitável: adaptar a tarefa aos interesse dos alunos. de forma positiva. p. os professores e as professoras considerados eficientes. Nesse sentido. o professor ou professora deve apresentar um conteúdo claramente definido. eles se aplicam mais às suas tarefas durante o trabalho individual”. a conversa informal. a leitura silenciosa.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS buscando “atender às necessidades imediatas dos alunos” para chegar aos objetivos propostos. “conhecem a matéria de um modo que lhes permite planejar a criação de aulas que ajudarão os alunos a relacionar os conhecimentos novos com os que já possuem e que integram conteúdos de diferentes campos do conhecimento” (GAUTHIER. aplicando estratégias que possam provocá-los. o que poderia envolver o amparo de todas as diferenças entre alunos(as). em classe. incluir um pouco de variedade e de novidade. Para tanto. p. incorporar às aulas situações lúdicas. Para Gauthier (1998. Conseqüentemente. os profissionais eficientes. p. a aula expositiva sozinha ou com suporte audiovisual. são aqueles que procuram fazer com que seus alunos se envolvam de forma ativa para recorrer a um conjunto de atividades de aprendizagem. Por isso. redundantes e compreendidas por todos os alunos. realça que as atividades da aula devem ser preparadas com antecedência e escrita nítida. o que implica “enfatizar os aspectos importantes do conteúdo. o trabalho individual. Outra questão colocada pelo autor faz referência à nitidez na exposição do conteúdo por parte de professores e professoras. Quando eles e elas “dão instruções claras. etc. permitir que os alunos escolham ou tomem decisões de modo autônomo. incluir um pouco de fantasia e elementos de estimulação. o que se observa na prática é que os professores e professoras. que têm chegado na escola nos últimos anos. 1998.

Embora que faça parte de um ambiente coletivo e que tenha possibilidade de refletir coletivamente sobre sua prática. No andamento das aulas. bem como seu desenvolvimento profissional. deve haver uma combinação entre o conhecimento da disciplina e a maneira de ensiná-la. Estamos falando do conhecimento que abarcar o entendimento sobre o que significa lecionar um tema particular. evidenciando mais eficiência em utilizar-se de perguntas com vistas a motivar os alunos e alunas. como componente do ensino. para atingir a eficiência profissional assinalada por Gauthier. Outro fator que colabora para o professor saber se o método pedagógico utilizado na explicação dos conteúdos está sendo positivo é a avaliação da fase de gestão da matéria. o professor ou a professora precisa estar em um processo contínuo de reflexão sobre sua própria prática pedagógica. com a intenção de manter a sua atenção e. também. visando a aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem. torna-se indispensável que o FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 327 . Nesse sentido.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS não conseguem trabalhar os conteúdos de maneira adequada. Cada profissional concebe os conteúdos de ensino de uma maneira pessoal. ou seja. Essa reflexão se faz a partir da experiência. analisando o processo de ensino e a aprendizagem que aconteceu e a partir desse entendimento. os professores e as professoras observam de forma continuada. Com o intuito de aperfeiçoar sua atuação em sala de aula. os professores podem refletir a fim de perceber se a forma como trabalham o conteúdo em sala de aula está alcançando os resultados esperados. o professor ou a professora precisa considerar tanto o domínio do conteúdo quanto a reflexão epistemológica. p. Nesse momento. Quando nos reportamos à eficiência do professor e da professora em classe. bem como o conhecimento sobre as metodologias necessárias para refazê-lo. Gauthier (1998. quer dizer. implicando a forma como são escolhidos. ainda precisamos considerar qual é o conhecimento que o profissional tem do conteúdo pedagógico. verificar se compreenderam as explicações. configurados didaticamente e problematizados em sala de aula. o entendimento ou não de seus alunos. É fundamental que o professor ou a professora mantenha uma certa familiaridade com os conhecimentos pedagógicos de sua disciplina. avaliando também seu próprio desempenho por meio do processo de aprendizagem. refaz a caminhada. a maneira de conceber e ordenar o conteúdo para torná-lo acessível para alunos e alunas. 234) aponta que “as avaliações curtas e rápidas são superiores aos exames finais”. compreende-se pelo exposto que. Esse processo colabora para que o professor ou a professora compreenda melhor seu trabalho. pois ainda não dominam as capacidades indispensáveis à gestão da turma e não possuem a desenvoltura necessária para trabalhar com os conhecimentos empregados em sala de aula. entendendo os resultados de suas decisões e ações em sala de aula. enfatizando os seus elementos mais importantes. Para tanto.

Fonte: adaptado de Carvalho e Grigoli (2006). mas durante e.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS professor ou a professora tenha um profundo conhecimento dos conteúdos que ministra. para atingir a eficiência profissional assinalada. principalmente. o professor ou a professora precisa estar em um processo contínuo de reflexão sobre sua própria prática pedagógica. aprendemos que a aquisição/construção dos saberes dos professores e das professoras não se desenvolvem nem se solidificam no seu período de formação inicial. 328 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . compreende-se pelo texto que. no desempenho das suas atividades como docentes. Ainda que faça parte de um ambiente coletivo e que tenha possibilidade de refletir coletivamente sobre sua prática. bem como dos métodos capazes de favorecer uma melhor compreensão por parte dos alunos. Saiba mais Nessa aula.

as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. Essas exigências apontam a relevância de discussões sobre a dignidade do ser humano. a igualdade de direitos. Hoje. Você concorda com essa afirmação? Discuta essas idéias e faça uma síntese. os princípios da reflexão matemática. Para Bourdie (1998) as novas formas de inclusão propostas pelas reformas educacionais terminam por incluir excluindo. a recusa categórica de formas de discriminação e a importância da solidariedade e do respeito.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 1. a partir de então. Discuta quais meios você utilizaria para estimular a aprendizagem dos seus alunos. A entrada dessa população na escola e a possibilidade de conquistarem um diploma não oferece nenhum tipo de garantia de melhoria na sua qualidade de vida. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 329 . apresenta-se para a escola a necessidade de se assumir como espaço social de construção dos significados éticos necessários e constitutivos de toda e qualquer ação de cidadania. mais do que nunca. 2. O autor aponta que a expansão do ensino e a permanência na escola de crianças e adolescentes que antes não tinham acesso à educação criam um novo fenômeno. usamos os exemplos de Gauthier para apontar os meios pelos quais podemos estimular nossos alunos e alunas de maneira positiva. reconstruir os eventos. Vamos refletir sobre o que estudamos nessa aula segundo os PCN (1997): O exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita. os princípios da explicação científica. as emoções e as práticas. Escreva um pequeno texto manifestando a sua opinião sobre a função social da escola em um processo de democratização da sociedade brasileira. faça suas considerações e converse com seus colegas. Cabe ao campo educacional propiciar aos alunos as capacidades de vivenciar as diferentes formas de inserção sociopolítica e cultural. No texto. Reafirmamos a importância do professor e da professora analisarem o ensino e a aprendizagem que ocorre em sala de aula e. os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático e até outras tantas exigências que se impõem no mundo contemporâneo. A partir do apontamentos de Gauthier. as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas. 3. visando a melhora de seu desempenho.

Antonio (Coord. F.. BERNSTEIN.pdf>.). 330 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Petrópolis: Vozes. Na próxima aula. Cartografias do trabalho docente. 1997. NÓVOA. Os excluídos do interior. T. Rio de Janeiro: Vozes. TARDIF. códigos e controle. GOODSON. Currículo: teoria e história. 1998. M. DARIO. 1991. I. ______. Petrópolis: Vozes. Educação & Sociedade. B. P.. Faremos também uma explanação sobre a extensão do Ensino Fundamental no contexto nacional. Josefa A. Por uma teoria da Pedagogia. Campo Grande: UCDB. Lisboa: Dom Quixote.). T. 2001. Iniciativas recentes de avaliação da qualidade da educação no Brasil. ed. B. G. FRANCO. G. Acesso em: 25 nov. A. SILVA. A. Saberes docentes e formação profissional. CORREIA. 1997. Célia Regina de. 2006. A. A (Org. C. ______. In: II SEMINÁRIO INTERNACIONAL: FRONTEIRAS ÉTNICO-CULTURAIS. C. 1996. 2008. 2001. 2005. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. 111-148.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS APPLE. Lisboa: Dom Quixote. Rio Grande do Sul: Unijuí. ed. Campinas. E. Inovação pedagógica e formação de professores. São Paulo: Cortez. 2001. v. In: NOGUEIRA. PERRENOUD. S. C. Porto Alegre: Artes Médicas. CATANI. Estatísticas educacionais como um sistema de razão: relações entre governo da educação e inclusão e exclusão sociais. A Política do conhecimento oficial: faz sentido a idéia de um currículo nacional? In: MOREIRA. A. 1995. cultura e sociedade. M. BONAMINO. Petrópolis: Vozes. Campinas: Mercado das Letras.. Porto Alegre: Artmed. (Org. n. PEREIRA. 3. a avaliação e a abordagem de conteúdos do currículo no Ensino Fundamental. 2002. de 18 a 21 de setembro de 2006. ciclos e promoção na educação. GAUTHIER.org/anais/textos/pdf/folder. 5. S. J. POPKEWITZ. Rio Tinto: Edições Asa.. estudaremos o planejamento. M. BOURDIEU. A. GRIGOLI. C. Lutando em defesa da alma: a política do ensino e a construção do professor. Escritos de educação. M. Currículo. Porto Alegre: Artes Médicas. CARVALHO. T. A Prática Pedagógica dos Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental: uma Reflexão Sobre a Construção dos Saberes Necessários para o Exercício da Docência.). 2001. 75. FRONTEIRAS DA EXCLUSÃO. F. LINDBLAD. ago.neppi. A estruturação do discurso pedagógico: classe. 1994. 1998. M. 22. In: FRANCO. (Org. Os professores e a sua profissão.). Os professores e sua formação. p. GERALDI. Disponível em: <http://www. F. P. Avaliação.

compreender que a avaliação é um processo de tomada de decisão que só tem sentido se estiver a serviço da aprendizagem dos educandos. você seja capaz de: compreender a importância dos projetos de trabalho na abordagem dos conteúdos curriculares. Para o melhor acompanhamento dessa aula você deve retomar os conteúdos da aula cinco. que também tratam de planejamento e avaliação na educação. Já nos primeiros anos do Ensino Fundamental as crianças têm aulas de Matemática. mas nela a metodologia de ensino-aprendizagem precisa ser intencional.AULA 7 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Planejamento e avaliação do currículo no Ensino Fundamental Esperamos que. objetivos e atividades que possibilitem a construção/ desconstrução do conhecimento e da busca de novas formas de utilizá-lo.1 Abordagem pedagógica dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental O grande número de propostas curriculares que norteiam o trabalho pedagógico dos professores e das professoras de educação básica tem nos conteúdos acadêmicos tradicionais sua fonte central de organização dos conhecimentos disciplinares. A aprendizagem não ocorre apenas na sala de aula. Nessa aula. Artes e assim por diante. internas e externas à escola. História. compreender a importância do planejamento no cotidiano escolar. Ciências. ao final desta aula. 7. veremos que o processo de ensino-aprendizagem ocorre em situações concretas. Ainda que todas essas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 331 . ter finalidades.

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