INDIVISÍVEL SOLIDÁRIA TRANSMISSÃO E PAGAMENTO

1. Linhas gerais do direito das obrigações. A importância dos direitos das obrigações compreende as relações jurídicas que constituem as mais desenvoltas projeções da autonomia privada na esfera patrimonial. Dotado de grande influência na vida econômica, regula as relações da infra-estrutura social de relevância política, as de produção e as de troca. Também é nos direitos das obrigações que percebemos as limitações impostas à liberdade de ação dos particulares retratando a estrutura econômica da sociedade. Dentro de nosso C.C. a palavra obrigação comporta vários sentidos. Podem designar-lhe o lado ativo, também chamado crédito, e o lado passivo, denominado débito. Obrigação é o crédito considerado sob ponto de vista jurídico; crédito é a obrigação sob ponta de vista econômico. A mais antiga definição remonta das Institutas primando ser um vínculo jurídico que necessita adstringir o devedor a cumprir a prestação ao credor. Destaca que a obrigação é uma relação jurídica entre o credor e o devedor caracterizada pelo vínculo jurídico, destacando o conteúdo como uma prestação e externar-lhe também a sua peculiar coercibilidade. Há uma ressalva exagerada do devedor e, certo ostracismo do credor. Segundo Clóvis não faz a distinção entre obrigação e qualquer dever juridicamente exigível. Já a definição de Paulo não chega a definir obrigação, mas evidencia os seus elementos: sujeitos prestação e vínculo jurídico. É através de tal definição que podemos abalisadamente estabelecer a contraprestação entre direitos reais e direitos obrigacionais; descreve com maior exatidão o conteúdo e o objeto do vínculo; revela a essência ou substância da obrigação (vínculo entre duas pessoas). O vocábulo obligatio é recente tanto que não foi utilizado na Lei das XII Tábuas, o vocábulo primitivo empregado para externar o vínculo obrigacional, era nexum (advindo do verbo nectere significando atar, unir, vincular). A obligatio caracterizava-se como direito de garantia sobre a pessoa física do obrigado, tal submissão do devedor ao credor só veio a cessar com a Lex Poetelia Papiria que no século IV a.C., substituiu o vínculo corporal pela responsabilidade patrimonial onde os bens e, não o corpo do devedor deveriam responder pelas suas dívidas. Alguns Códigos definiram obrigação como o Código de Obrigações da Polônia (art. 2 º § 1º), já o Código Civil (BGB) Alemão prefere conceituar a obrigação pelo lado oposto, ou seja, do credor em relação ao devedor (art. 241). O Código Civil Brasileiro escudou-se da tarefa definitória assim como o Código Civil Francês.E o Novo Código Civil Brasileiro não ousou quebrar a tradição anterior. Apreciemos algumas das definições sobre obrigações fornecidas pelos nossos melhores doutrinadores: Clóvis: “Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, a fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável em proveito de alguém, que, por ato nosso ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão.”

Não alude tal definição ao elemento responsabilidade Washington de Barros Monteiro assim definiu: obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecido entre devedor e credor e, cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo 1 º ao 2 º, garantindo-lhe adimplemento através de seu patrimônio. Apesar de impecável, tal definição exagera pleonasticamente ao caracterizar a prestação tendo em vista que deverá ser sempre economicamente apreciável ainda que tal fato só advenha da vontade das partes. Como relação jurídica, o direito obrigacional sedia-se no campo jurídico e seu adimplemento é devido à espontaneidade do agente que não pode ser compelido a qualquer prestação. O caráter provisório evidencia que uma vez cumprida e satisfeita a prestação, quer amigavelmente, quer pelos meios jurídicos disponíveis ao credor, exaure-se a obrigação, o devedor resta liberado e ao credor cabe a extinção de seu direito. Não há obrigações perpétuas nem mesmo as de direito família puro que quando muito poderão perdurar enquanto vida tiver o alimentado. Radbruch afirma que o direito do crédito traz em si o germe de sua morte. À obligatio sempre se contrapõe, a solutio( do verbo solvere, desatar, soltar), ou seja, a exoneração do devedor através do pagamento. A obligatio liga, ata e a solutio desata, libera. Desta forma, a locação indefinida degenera em servidão, tanto assim que a lei fixa-lhe a duração máxima (art. 1.220 CC/1916 vide art.598 do NCC) mesmo o contrato de sociedade chega por alguns motivos legais de dissolução (art. 1.399 CC/1916 vide art. 1.033 do NCC). O usufruto instituído para pessoa jurídica, extingue-se com esta. A obrigação corresponde a uma relação pessoal que induz a responsabilidade patrimonial, mas seria exagero concordar com Gaudemet e Polacco que vislumbraram na obrigação um vínculo entre dois patrimônios sob uma ótica despersonalizada do vínculo. Trabucchi assinalava que nos últimos tempos, quanto a essa tutela judicial, é visível a aproximação entre os direitos reais e os direitos obrigacionais. A patrimonialidade constitui assim o caráter específico da obrigação. Quanto ao objeto da prestação, pode este ser positivo ou negativo que constitui a coisa ou o fato devido pelo obrigado ao credor. Dentre as inúmeras evoluções sofridas pelo direito das obrigações podemos destacar em especial a que corresponde à viabilidade de indenização para o dano moral ainda que dele não advenham prejuízos materiais em face da Constituição Federal de 1988. A idéia da obrigação encerra três elementos conceituais o vínculo jurídico; as partes na relação obrigatória, isto é, credor e devedor, um objeto da prestação que é devido por uma parte à outra. Vínculo é qualificado como jurídico por ser disciplinado por lei e acompanhado de sanção. No direito moderno destacam-se dois elementos: a dívida e a responsabilidade. O elemento dívida (Schuld) consiste no dever que incumbe ao sujeito passivo de presta aquilo que se compromete. O elemento responsabilidade (haftung) é representado pela prerrogativa conferida ao credor ocorrendo inadimplência, de proceder à execução do patrimônio do devedor, para obter a satisfação de seu crédito. Da maneira que o devedor se obriga, seu patrimônio responde.

Processualistas como Alfredo Buzaid fundados nesta diferença, sustentam que o elemento dívida (schuld) é de direito privado e o elemento responsabilidade (haftung) é instituto do direito processual. A prestação consiste em dar, fazer ou não fazer. Ou seja, entrega de um bem, numa prestação de serviço ou numa omissão ou abstenção. Silvio Rodrigues ensaia uma definição de obrigação é o vínculo de direito pelo qual um sujeito passivo fica adstrito a dar, fazer ou não fazer alguma coisa em favor de um sujeito ativo, sob pena de se não o fizer, espontaneamente, seu patrimônio responder pelo equivalente. Quanto à distinção entre os reais e pessoais podemos dizer que os primeiros incidem diretamente sobre a coisa; e a segue em poder de quem quer que a detenha (seqüela); é erga omnes; é perpétua enquanto que os segundos dependem de uma prestação de um devedor. Emilio Betti aduz que o direito real propõe um problema de atribuição, o direito pessoal propõe um problema de cooperação (ou de reparação se advier obrigação de ato ilícito). Fontes das obrigações são atos ou fatos nos quais estas encontram nascedouro. Gaio, no direito romano diz que a obrigação vem do delito ou surge do contrato e, ainda, recorrem as possíveis causas genéricas das obrigações. Justiniano enumera fontes, a saber: contrato, o delito (atos ilícitos), o quase-contrato (atos lícitos tais como gestão de negócios) e o quasedelito. A formula das Institutas vai ser acolhida por Pothier que adiciona a lei às demais fontes.A sistemática civil brasileira declaradamente nomeia três fontes de obrigações; o contrato, a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. As obrigações sempre derivam da lei, sendo que nalguns casos, embora esta apareça como fonte mediata, outros elementos despontam como causa imediata dos vínculos, como por exemplo, a vontade humana ou o ato ilícito. Silvio Rodrigues classifica as obrigações como as que têm fonte imediata à vontade humana; obrigações que têm fonte imediata o ato ilícito e as obrigações que têm fonte direta à lei. A etimologia da obrigação advém do latim ob + ligatio contém uma idéia de vinculação, de liame, de cerceamento de liberdade de ação, em benefício de pessoa determinada ou determinável. A causa genitrix da obligatio tanto pode ser autodeterminada como pode provir de uma heterodeterminação. Toda obrigação há um liame, um laço entre os sujeitos, vínculo que o Professor Serpa Lopes assinalava que não é de subordinação e, sim de coordenação porque respeita a essência da liberdade humana. Savigny: A obrigação consiste na dominação sobre uma pessoa estranha, não sobre toda pessoa (pois que importaria em absorção da personalidade). Caio Mário sucinto definiu a obrigação como o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra a prestação economicamente apreciável. Nela está caracterizado o

Na passagem da obrigação coletiva para individual conservou-se ainda o sentido criminal. projetando-se a responsabilidade sobre seus bens – e constitui uma autêntica revolução no conceito obrigacional. o débito e a responsabilidade. ela se individualiza e surge o nexo obrigacional e sobrevive a punição do infrator dirigida ao seu próprio corpo. O nexum e o manus iniectio em razão da pessoalidade do vínculo estabelecia o poder do credor sobre o devedor. . nem que seja no momento da solutio (do pagamento) como é o caso do título ao portador ou título à ordem. A Lex Poetelia Papiria 428 a. Quanto ao elemento subjetivo este há de ser duplo e distinto (não-coincidente). Somente na execução da obrigação que se atinge o patrimônio do devedor. compatível com a redução do obrigado à escravidão. A relação obrigacional é entre pessoas e. Barassi salienta que a atividade pessoal ocupa o centro ativo do patrimônio mesmo. A obrigações decompõem-se em três elementos distintos: sujeitos. como garantia geral do cumprimento. aboliu a execução sobre a pessoa do devedor. O direito obrigacional moderno já inova as concepções dominantes e registra a predominância do princípio de ordem pública. O direito obrigacional romano é de extremado formalismo. ocorrendo o vínculo e a sanção comprometendo o grupo inteiro.requisito objetivo (a prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade. Por amor à palavra empenhada que os canonistas e os teólogos instituíram o pacta sunt servanda o respeito aos compromissos assumidos. O direito medieval dotado de maior espiritualidade via mesmo a falta de execução de obrigação como se fosse peccatum equiparada à mentira. sendo mesmo a determinabilidade indisponível. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. objeto e vínculo jurídico. É relevante a questão da determinação subjetiva. não entre pessoa e bens. Nela está caracterizado o requisito objetivo (prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade. ou seja. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. Bem mais tarde. o débito e a responsabilidade. Dentro do quadro evolutivo histórico da obrigação ela ocorreu primeiramente com caráter coletivo. delitual de responsabilidade.C. A sacramentalidade jamais abandonou o direito romano. e condenada toda quebra de fé jurada. No direito moderno atribui-se a vontade plena como força geradora do vínculo e também a impessoalidade da obrigação. recheado de cerimônias e rituais que prevaleciam completamente sobre a manifestação de vontade.

A prestação é sempre um fato humano. nem por isso inábil a configuração da obrigação. Desta forma. Alfredo Colmo. senão preexistia o dever negativo de respeitar a integridade jurídica alheia (o principio de não lesar a ninguém). Como fato voluntário gera obrigações da prestação patrimonial. Bevilácqua. Ruggiero. a prestação deve ser suscetível de avaliação em dinheiro. O schuld é o dever que tem o sujeito passivo na relação obrigacional poderá ser um facere ou um dare ou um non facere. Não confundi-la com a coisa em que a prestação se especializa. seja por estipularem as partes uma pena convencional para o caso do descumprimento que é antecipação estimativa das perdas e danos. for um dare será de efetuar a entrega daquele bem (tradição). se é um facere consistirá numa prestação de serviço. O débito (schuld) é o dever de prestar e que não deve ser confundido com o objetivo da obrigação. Salvat. invoca-se que a reparação do dano moral. determinabilidade e a patrimonialidade que são características essenciais à própria integração jurídica da obligatio. Como argumento em contrário. Saleilles e Eduardo Espínola. Já na trincheira oposta encontram-se Windscheid. Ferrara. Oser. o primeiro por que a lei o admite implícito tanto assim que o converte em equivalente pecuniário. o objeto há de ter caráter patrimonial. Kohler. liceidade. uma atividade do homem. Orozimbo Nonato. será negativo quando se fala que há obrigação negativa implica num não-fazer. Exige-se da prestação que tenha possibilidade. Giorgi. Finalmente. será positivo quando for um dare ou um facere e. Em prol da patrimonialidade erguemos dois fortes argumentos. Para alguns doutrinadores italianos como Pacchioni a patrimonialidade pode não significar o valor de troca ou economicamente intrínseco. Demogue. von Ihering. se for um non-facere será uma omissão. Mazeaud.Toda obrigação há de ter um objeto que é a prestação do devedor. revestida de cunho patrimonial. Apesar de se admitir que o interesse do credor possa ser apatrimonial. Barassi. a patrimonialidade se inscreve como qualidade essencial para Savigny. uma abstenção e se. Endemann. Porém subsiste o valor de afeição (o pretium affectionis) e. . O objeto da obrigação poderá variar. o devedor que culposamente falta a cumprir a prestação. Brinz. Dernburg. também o delito cria o dever de prestar pecuniariamente (sem que se possa tecnicamente definir obrigação) de objeto patrimonial. seja por conter em si mesmo um dado valor.

Betti ensina que a responsabilidade é um estado potencial de dupla função: preventiva visto que cria uma situação de coerção. consolida o seu efeito. por isto. o direito lhe conferia a soluti retentio. para assegurar a efetiva satisfação do credor. . É uma obrigação civil degenerada. filiados à corrente clássica (Vittorio Polacco) enxergam nos direitos uma relação de subordinação da coisa mesma ao seu titular. A obrigação natural é um débito sem responsabilidade. isto é. o devedor. e isto lhe retirava a qualidade de vínculo jurídico. cujo principal efeito era a retenção do pagamento não credenciando o devedor requerer a restituição. O traço de distinção mais visível entre a civilis e a naturalis era a actio. traduzindo um assenhoreamento ou dominação direta.É intruncada a questão quanto a categorias de direitos para uns como Demogue (que negam uma diferenciação fundamental entre os direitos de crédito e os direitos reais. é um dever sem garantia. Falta-lhe o poder de exigibilidade. uma entidade intermediária entre o mero dever de consci6encia e a obrigação juridicamente exigível. E outros. debitum é o afiançado.Haftung há um princípio de responsabilidade e que permite ao credor carrear uma sanção sobre o devedor. ausente na segunda. Mas em compensação. É mais que um dever moral e menos que uma obrigação civil. As obrigações propriamente ditas chamadas indevidamente de pessoais. como Thon e Scholossman que entendem que a diversificação é artificial). A obrigação natural é um tertium genus. que faculta aos reus credendi a mobilizar o aparelho do Estado para perseguir a prestação. com a projeção no patrimônio do reus debendi. só distintos entre si. pela intensidade (direitos fracos e direitos fortes). porém. e. pois temos de um lado o sujeito ativo. Alguns como Windscheid e Planiol situam a diferença respectiva da noção de relatividade dos direitos de créditos e absolutismo dos direitos reais. afirmando ser uma só natureza de todos os direitos. Outros. sanção sobre o devedor. o vínculo jurídico. presente na primeira e. portanto a responsabilidade. se o sujeito voluntariamente solve. sanção que outrora ameaçava a sua pessoa e. hoje tem sentido puramente patrimonial. como objeto à prestação e o estabelecimento de um liame entre os sujeitos que contém uma garantia. reconhecendo-lhe. e a outra é de garantia. o outro (credor) é protegido pela soluti retentio que não dá origem à obrigação. Era uma obrigação civil que perdia a actio e se convertia em natural. mas não existe o haftung. ou credor. no meio do caminho entre moral e o direito. de outro lado o sujeito passivo. O débito está contraído. no entanto. Haftung é o fiador. Diferentemente da obrigação civil. porém.

O que se fraciona é prestação. a conservação de tapumes divisórios. ou seja. constituindo direitos reais sobre coisas alheias. é o caso do art. a que o devedor é obrigado: o direito real efetiva-se mediante a imposição de uma abstenção. A situação jurídica-creditória é oponível a um devedor enquanto que a situação jurídica-real é oponível a todos (erga omnes). dizer que são divisíveis as obrigações suscetíveis de cumprimento fracionado. São as chamadas obrigações híbridas (uma mistura de direito pessoal com direito real) podem ser incluídas as com ônus reais e as com eficácia real. em linhas gerais. Na relação creditória. com o sujeito ativo determinado tem por sujeito passivo uma generalidade anônima de pessoas (pois é erga omnes). A obrigação ius in re é devida pelo labor dos juristas canonistas conforme assinala Rigaud que erige uma terceira categoria que corresponde à obrigação stricto sensu ou propter rem. pois dotada de prestação especifica incrustada em um direito real. oponíveis erga omnes. Hudelot et Metmann). o direito a uma prestação específica. . Obrigação de dar consiste na tradição constitutiva de direito. Tem caráter acessória e mista. Na relação real. É também denominada de obrigação ambulatorial. o objeto é uma coisa.Já a teoria personalista situa a diferença na caracterização do sujeito passivo – o devedor: o direito de crédito implica numa relação que se estabelece entre o sujeito ativo e passivo criando uma faculdade para aquele de exigir uma prestação positiva ou negativa. Há uma relação jurídicoreal em que se insere. ocorre em todos os casos em que o detentor deve recambiar ao dono coisa havida temporariamente em seu poder como se dá na locação ou no penhor. a que todos se subordinam. Já as de eficácia real transmitem-se e são oponíveis a terceiros que adquire o direito sobre determinado bem. porém este em atenção aos sujeitos. os ônus reais são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. Na restituição. já que seu interesse somente se manifesta quando ocorre pluralidade subjetiva (Clóvis Beviláqua. Ao revés. 1. o objeto é um fato. a de condomínio. e indivisíveis as que somente podem cumprir-se na sua integralidade. adjeto à faculdade de não ser molestado. As normas de direito de vizinhança. a efetiva entrega da coisa com a transferência de domínio. o direito real. É bom lembrar que em nosso direito só se efetiva a transferência inter vivos da propriedade com a tradição quando for coisa móvel. ou através da inscrição do imóvel (que é uma tradição solene) quando se tratar de imóvel. o IPTU.197 CC. A classificação das obrigações em divisíveis e indivisíveis não tem em vista o objeto. Situamos assim como uma obrigação acessória mista. ou um deles. O direito de crédito realiza-se mediante a exigibilidade de um fato. Quando a um direito real acende uma faculdade de reclamar prestações certas de uma pessoa determinada. Pode-se.

e recebendo cada credor do devedor comum. temos aí a indivisibilidade jurídica. e conseguitnemente da obligatio non faciendi. Qualquer credor tem o poder de demandar o devedor pela totalidade da dívida (devedores solidários). Casos há em que o imóvel. pluralidade de sujeitos. dependendo se a realização do trabalho é por si mesmo friccionável.O legislador francês destacou. Porém. Na pluralidade de sujeitos. a prestação é realizada na integralidade. no entanto apenas duas indivisibilidades. a prestação é insuscetível de fracionamento. não obstante a divisibilidade material. o justamente oposto. quer ativa ou passivamente. se ao contrário. Mas é admissíveis a divisibilidade da prestação negativa. segundo o Código Civil de 1916. E quando as partes em que se fracione não percam as características essenciais do todo e nem sofrem depreciação acentuada. criando obrigações distintas. resultante da impropriedade da coisa ao preenchimento de sua finalidade natural e sua destinação econômica. Se há. em regra. e indivisível. se a obrigação for divisível (o art. 890CC vide art. contrariamente a opinião de Colmo para quem toda a indivisibilidade é material. salvo se nisto consentir. deve-a por inteiro. Cada devedor se exonera pagando a sua parte. é a indivisibilidade da prestação ex vi o art. indivisível. não tem qualquer devedor o direito de solver pro parte. todavia. é o que chamamos de indivisibilidade convencional (e Barassi denomina de teleológica). A divisibilidade jurídica corre em paralelo com o fracionamento que o objeto pode suportar. Ou viveversa. A obrigação de restituir é. indivisível já que o credor não pode ser compelido a receber pro parte a coisa que se achava na posse alheia. não sendo cabível ser parcelada. Também a obrigação de fazer poderá ser divisível ou indivisível. decompõem-se a obrigação em tantas outras iguais e distintas. 889CC (vide 314 do NCC). a exemplo do módulo rural não pode suporte divisibilidade em razão de lei. onde exista a fixação de um mínimo. A regra. Na unidade de devedor e de credor. quanto os credores ou os devedores. quando o objeto consiste num conjunto de omissões que não guardem entre si relação orgânica. a sua cota-parte – concursi partes fiunt.257 do NCC) o caso de não haver estipulação em contrário. a não ser que as partes tenham ajustados o contrário. ou pagando cada devedor ao credor comum. a prestação reparte-se pro numero virorum. . via de regra. A indivisibilidade material e a jurídica. É lícita a convenção no sentido de tornar a indivisibilidade juridicamente divisível. pois sendo o devedor obrigado a uma abstenção. A obrigação de não fazer é.

A solidariedade para se vislumbrar é mister que haja concorrência de mais de um credor. quando o objeto é em si mesmo insuscetível de fracionamento. intimamente diversificam-se: 1º a causa da solidariedade é o título. porém. a par desta exteriorização comum. Não há solidariedade sempre que for incompatível com o fracionamento do objeto Pluralidade subjetiva e unidade objetiva é a essência da solidariedade que numa obrigação em que concorram vários sujeitos ativos e passivos e haja uma unidade de prestação. 2º na solidariedade cada devedor pago por inteiro. 4º a indivisibilidade justifica-se. ou de vários credores e vários devedores simultaneamente. mas a indivisibilidade subsiste enquanto a prestação suportar. e indivisibilidade objetiva em razão de que. enquanto que na indivisibilidade solve a totalidade. 6º a indivisibilidade termina quando a obrigação se converte em perdas e danos enquanto que a solidariedade conserva este atributo. Aponta-se a unidade. enquanto a indivisibilidade assegura a unidade da prestação. em relação aos demais coobrigados. ou de mais de um devedor. e no silêncio deste. Indivisibilidade e solidariedade substancialmente muito diferem. A fórmula de partilhar entre eles a responsabilidade é prescrita no título. cada credor pode receber a dívida inteira e cada um dos devedores tem a obrigação de solvêla integralmente. às vezes. nunca um dado real e concreto. 5º a solidariedade cessa com a morte dos devedores. Consubstanciando que solidariedade (é expediente técnico) não se presume. ou advém do contrato ou da lei. pois que numa e noutra a solutio pro parte não pode fazer-se. o devedor solvente fica sub-rogado no direito do credor. em razão da impossibilidade jurídica de repartir em cotas a coisa devida. resultado ou da lei ou da vontade das partes. . com a própria natureza da prestação. mas a prestação da dívida inteira. porque deve por inteiro. a solidariedade visa facilitar a exação do crédito e o pagamento do débito. e a da indivisibilidade é (normalmente) a natureza da prestação. mediante divisão em partes iguais.Para restabelecer o princípio de justiça que a solutio integral desequilibrou. ou seja. enquanto que a solidariedade é sempre de origem técnica. 3ºa solidariedade é uma relação subjetiva.

nesse primeiro momento. Perdura a prevenção judicial enquanto permanecem os efeitos jurídicos da demanda ajuizada. satisfazer o seu crédito. com a ideia de defesa do mais fraco. com o produto por eles alcançado em praça. de análise. sendo disciplinado pela lei. pode ser imposta pela lei ou pela vontade das partes. admitem uma extensão da solidariedade afora legalmente previstos. O princípio consursu partes fiunt não se presume. Busca-se o maior equilíbrio entre as partes. Note-se que. DOS SEUS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 1. a pena de invasão no patrimônio. Para nós. e não se acha acolhida pelo sistema pátrio. a colaborar. DA OBRIGAÇÃO EM GERAL A obrigação é um vínculo jurídico por intermédio do qual o credor pode exigir uma prestação do devedor. carece sem dúvida. a solidariedade convencional deve ser expressamente ajustada. 2002). Se espontaneamente se recusa. ou seja. no contexto “obrigação”. Todavia. obtenha a satisfação do seu crédito. não provém da incindibilidade do objeto. A presente apostila pretende apenas expor modestamente o vasto campo do direito obrigacional na seara cível e. sobretudo de bons conhecimentos dos princípios jurídicos aplicáveis ao direito privado. analisar-se-á motivos de desequilíbrio. O VÍNCULO JURÍDICO é assim chamado porque. No dizer de Silvio Rodrigues: “É o vínculo de direito por meio do qual alguém (sujeito passivo) se propõe a dar. Cumpre explanar. Mas há doutrinadores que entendem pela pluralidade de vínculos. a qual recebeu a denominação de solidariedade jurisprudencial ou costumeira. sentida estritamente interpretada não pode ser ampliada para fora do âmbito literal do dispositivo. o devedor torna-se um prisioneiro. a crítica desencadeada. segundo o direito do país”. visto que há essa necessidade de segurança jurídica. por decorrência. vê o credor recorrer ao Poder Judiciário. A prevenção judicial tem sentido de exceção. recaindo. 4. Se na obrigação “há um vínculo jurídico”. Pois bem. Alguns sistemas como o francês e o belga. onde as Institutas de Justiniano apregoavam: “tratar-se de um vínculo de direito que compele alguém (devedor) a fornecer uma prestação. o devedor. Trazida do direito romano. . a obrigação solidária possui uma só natureza: uma obrigação com unidade objetiva. alude-se que. sobre esse último. a fim de que se cumpra a prestação dignamente e mantenha o contrato. pois somente se ocorre antes da prevenção judicial. Na solidariedade existe unidade de prestação e unidade de vínculos. A lei abre a porta dos pretórios ao credor. para que este. Não é a qualquer tempo que o pagamento feito ao credor solidário exonera o devedor. Vejamos. que podem impedir a prestação do serviço. fazer ou não fazer qualquer coisa (objeto da obrigação). “não sendo simples a simples prisão de alguém por uma relação obrigacional”. Merece a preferência àquele que tomou à iniciativa de perseguir a solutio. no texto justinianeu. por meio da execução patrimonial do inadimplente. é importante realçar a importância social e não apenas a relação individual.A indivisibilidade que se opõe ao parcelamento da solutio. acompanha sanção. em favor de outrem (sujeito ativo)” (p. no caso de não cumprimento. que ordenará a penhora de seus bens para. senso crítico e. mas possui origem puramente técnica. a prisão do devedor mediante a imposição da prestação. enquanto que a solidariedade não decorre ex re (da coisa). há.

contemporaneamente o direito não conta com essa estática obrigacional. 3. o que depende de uma prestação do devedor. determinadas ou determináveis: um sujeito ativo e um sujeito passivo. fazer ou não fazer alguma coisa. que numa ação na qual o filho exige o dever de afeto do pai não há o suposto semblante patrimonial (econômico). espontaneamente. de executar o patrimônio do devedor. na ocorrência de inadimplemento. pessoa que assinasse sem ler. Há uma corrente unitária. O direito real. imperícia e negligência). mas sim o aspecto social que assume. AS PARTES NA RELAÇÃO OBRIGACIONAL Sempre há no direito obrigacional alguém capaz de exigir determinado comportamento de outrem. logo. pois se se obrigou. mas dá-se. responsabilidade. por força do qual o primeiro pode exigir do segundo o fornecimento de uma prestação consistente em dar. que deve dar. prestação é uma coisa que não decorre porque há sanção prevista. visto que há circunstâncias que alteram o contrato. entre dois sujeitos. ou derivou de imposição legal. Diversamente disso. Há quem fale que “só existe obrigação quando houver expressão patrimonial”. por outro lado. ou até mesmo a matá-lo (ALFREDO BUZAID. ocorrendo inadimplência.). Note-se que na espécie surge a limitação da liberdade do devedor. Diz-se real o direito que recai diretamente sobre a coisa. não redimira-se de cumprir: cumpria a prestação. Dívida é um pressuposto de que o devedor. PRESTAÇÃO Antigamente. pessoal. p. que explana que prestação (dever de dar. Mas tal limitação ou adveio de sua vontade. diversamente disso. Em qualquer das três hipóteses. O direito das obrigações cuida dos direitos pessoais. logo: existem obrigações não-patrimoniais. O credor não pago de seu crédito fazia recair a execução na própria pessoa do devedor. o direito pessoal é. Esse poder de exigir algo do outro não advém da propriedade (“só porque é dono”). Em assonância ao texto justinianeu.. é uma prerrogativa que goza o credor. Essa é a solução ainda vigente. supõe tal prerrogativa (de existir o cumprimento voluntário). posteriormente pondo como objeto de execução os bens do devedor. 2. fazer ou não fazer alguma coisa. seu patrimônio responde (ALFREDO BUZAID. colocar o nome do devedor no Serasa. 1952). A solução oferecida pela lei.g. op. sem tomar ciência. v. por outro lado. do vínculo ligando um sujeito ativo (credor) a um sujeito passivo (devedor). . nos primeiros tempos do direito romano. há que se cumprir o acordo. Tal regime perdurou até o período pré-clássico. porém. fazer ou não fazer) só existe pois há responsabilidade (sanção prevista). mostra-se ele vinculado. o equilíbrio entre as partes. mas porque há uma relação obrigacional. “Do concurso contra credores no processo de execução”. irá cumprir o seu dever. alterando. já aludido. mas decorre da vontade única duma pessoa (que assumiu ou contraiu a dívida) que pode cumpri-la voluntariamente.Em linhas gerais. 26. num primeiro momento. era mais severa que a atual. portanto. Pois bem. há dois elementos caracterizadores do vínculo jurídico: a dívida e a responsabilidade. pode o credor recorrer à justiça para dirimir o conflito e receber a prestação devida. cit. pois não há cumprimento obrigacional somente pela dívida. isto é. DOS DIREITOS REAIS E DOS DIREITOS PESSOAIS. reparar veículo danificado culposamente (imprudência. o objeto da obrigação. da obrigação. por conseguinte. Melhor dizendo: em toda relação obrigacional existe duas partes. é o que afeta a coisa direta e imediatamente. não há que se olvidar. podendo reduzi-lo à escravidão. O direito obrigacional atinge os bens (a coisa). ou de seu comportamento equivocado (ato ilícito que exigem reparação). Da maneira que o devedor se obriga. há que se levar em conta não o cunho econômico da avença. A teoria dualista.

. o quase-delito. pois ela é que impõe ao devedor o mister de fornecer sua prestação e comina sanção para o caso de inadimplemento. o delito nada mais é que uma obrigação gerada de um dano causado intencionalmente (roubo. a) Obrigações que têm por fonte direta a vontade humana. infringente de um dever legal ou social. afigura a ideia de culpa (no delito há o dolo). capa de abranger todas as possíveis causas de obrigações. deixa cair de sua casa. onde uma pessoa deliberadamente trata de matérias do interesse de outra. a figura do quase-contrato surge dos atos humanos que “quase podem se considerar contratos” (a gestão de negócios. A obrigação de dar coisa incerta. individualizála. no que cerne ao problema dos riscos incidentes sobre a coisa. ou seja. . como. A mercadoria é encarada em seu gênero: açúcar de dada marca. ainda que não haja o contrato solene). Porém. qual seja: as que provêm do contrato (conjunção de vontades) e as que decorrem da manifestação unilateral de vontade (título ao portador ou promessa de recompensa). a tradição de alguma coisa pelo devedor ao credor.e. Desdobra-se em dar coisa certa ou incerta. injúria). o quase-contrato e o quase-delito. Em todos os casos analisados. Em vez considerar a coisa em si. aqui. Mostra-se livre dessa obrigação após entregue a quantidade certa e a qualidade avençada. Disso decorre a seguinte classificação. onde se reconhecem. também aos cônjuges cumpre manter a família. constantes de suas Institutas.e. Assim. num primeiro momento. numa e na outra hipótese. c) têm por fonte direta a lei. Há. também em obrigação de dar propriamente dita e obrigação de restituir. culposa ou dolosa do agente. promanam diretamente dum ato humano. por exemplo. duas fontes: o delito (ato ilícito) e o contrato. uma peça de mobiliário. uma joia. b) têm por fonte imediata o ato ilícito. Impõe-se ao legislador diferentes soluções. descuidadamente. algum objeto que fere outrem ou o bem alheio). obrigações que: a) têm por fonte imediata a vontade humana. tem por objeto a entrega de coisa não considerada em sua individualidade. tem considerável relevância e constitui objeto de insuperável controvérsia. o delito. que há a promessa de dação). Também houve textos justinianeus que apregoaram estas fontes: o contrato. O nosso Código Civil contempla declaradamente três fontes: o contrato. a lei. o delito e qualquer outra cousa. A obrigação de dar coisa certa compromete entregar ou restituir ao credor um objeto perfeitamente determinado. recorre a uma expressão genérica. capaz de gerar um liame entre elas (no mútuo. No direito romano encontram-se textos de Gaio. c) finalmente. ora é mediata. três fontes: o contrato. na compra e venda. entretanto. a coisa será mencionada pela referência a esse gênero e à quantidade. por outro lado. b) as fontes derivadas dos atos ilícitos são as que se constituem mediante uma ação ou omissão. se alguém morre no exterior. i. disso decorre. na rua. como a obrigação de prestar alimentos (os parentes devem uns aos outros alimentos) ou o mister de reparar prejuízo causado. contrato seria qualquer avença entre as partes. Há que se peculiarizar a coisa em apreço. ora é imediata. há que se pensar na lei sempre como fonte das obrigações. pois o credor ainda não á o dono legítimo. uma divisão. Em suma. DAS OBRIGAÇÕES DE DAR A obrigação de dar consiste na entrega de alguma coisa. na obrigação dar isso não acontece. por exemplo. furto. Posteriormente. as que decorrem diretamente da lei. a obrigação do comerciante que vendeu duzentas sacas de açúcar de determinada marca.. o prejuízo causado à vítima decorreu de imprudência. i. nesse pregão. postais etc. imperícia ou negligência (acontece com aquela pessoa que. portanto. um cavalo de corridas. por outro lado. a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito.DA FONTE DAS OBRIGAÇÕES (ORIGEM DAS OBRIGAÇÕES) De remota origem. Pothier adiciona outra fonte àquelas constantes nos manuais de Justiniano. que há a promessa de devolução. Pois bem.. ex variis causarum figuris. A relevância dessa última distinção advém da circunstância de que na obrigação de restituir o credor é dono da coisa e. ela é considerada genericamente. por fim. Resumidamente. teoria do risco (danos causados por aeronaves à pessoa em terra). o companheiro de viagem manda os documentos para família e tem direito de ingressar com o pedido dos dispêndios cartorários. a lei é a fonte remota da obrigação.

o nosso art. ele se enquadrará no art. ao serviço ou ao aformoseamento de outro (carteiras da faculdade). entre nós. 241 apregoa que. com os seus melhoramentos e acrescidos. 237. respondendo. e. pelos quais poderá exigir aumento no preço”. respondendo pela perda ou deterioração da coisa.g. fica grávida: tem o devedor o direito de requerer o pagamento pelos bezerros). perante a tradição. visto que esses bens supõem a existência do bem principal. São pertenças os bens que. 235). o título de dono dá-se só mediante a entrega da coisa fisicamente considerada. Assim. quem faz a benfeitoria útil.e. o proprietário é o devedor (que dará a coisa). ou das circunstâncias do caso (art. 239. 238. 313 e 863).ex. por essas razões. com perdas e danos. “Até a tradição pertence ao devedor (quem entrega) a coisa.: jardim paisagístico). os tem.. perde somente o valor do bem. responsabilizar-seá pela perda o verdadeiro proprietário. “eles grudam” na coisa principal (aderem de forma indissolúvel). de mero deleite ou recreio. além do valor da coisa. são necessárias.). cobertura de garagem. de modo duradouro. há que se entregá-la com as cadeiras. ou seja. por conseguinte. Se o acessório está vinculado à coisa principal. responderá pelo equivalente e mais eventuais perdas e danos (art. 1ª parte. Logo. a Lei estipula que será obrigado a repassar. p. quando dar-se-á a tradição. Todos os melhoramentos e acrescidos.245): tradição solene. No rastro do legislador de 1916. se o proprietário não agiu com culpa. ainda que mais valiosa. restitui-se o credor (dono). para o credor exonerar-se da obrigação. devia entregar o objeto ajustado. empresta-se o carro e esse.: edícula. O credor adquire o título de proprietário mediante a entrega (tradição). ofendículas).g.g. se o bem não tem determinados acessórios no momento da avença e posteriormente. Por fim. São obrigatoriamente indenizáveis (e. Naturalmente que a obrigação de dar coisa certa abrange-lhe os acessórios. mediante eventual incidente (deterioração do bem. fica a critério do adquirente (credor) a decisão de aceitar ou não. ainda que o tornem mais agradável (p. nesse caso. 233). segundo o art. conforme o art. os frutos. incorporando ao patrimônio do titular. se o carro foi perdido por culpa (deixar. . por mais perdas e danos. Vejamos mais algumas peculiaridades que o artigo 242 nos remete. por exemplo.. parado com os vidros abertos). tem ele o poder de resolver o contrato ou pagar o acréscimo das benfeitorias (exemplo da vaca que. quando se vende uma escola. tem o direito ao jus retentionis (direito de retenção) ou de ser indenizado. Se voluptuárias. A liberação mediante dação de coisa diversa da aventada. visto que o sistema brasileiro assumiu que “é a tradição e não o contrato o elemento que transfere o domínio. após vendida. o contrato de compra e venda não torna o adquirente dono da coisa comprada. inclusive. por evento fortuito. responde o proprietário. antes dessa a coisa pertence ao devedor. Por último. Assim. como acessórios que são. 237. se. seguem-lhe o destino. Assim. segundo o art. ao uso. No que tange as obrigações. quem emprestou-o. não aumentam o uso habitual do bem. reajustando o preço (art.: conserto de um vazamento). Se na restituição de coisa certa há deterioração ou perda da coisa. 1. o indivíduo que encontra-se na posse. é deteriorado/roubado. DOS ACESSÓRIOS DA COISA Ressaltando que o domínio só se transfere com a tradição. Convém distinguir que. na transferência de bens imóveis a lei exige a formalidade do registro do translativo no Registro de Imóveis (art. 1. o titular da propriedade (devedor) pode exigir o aumento do preço. posto não mencionados. os pendentes competem ao credor. enquanto os frutos percebidos pertencem ao devedor. Exime-se. Quando o dar coisa certa abranger a transferência do bem. mas apenas titular da prerrogativa de reclamar sua entrega. ficará com a coisa. depende de novo acordo entre as partes. úteis ou necessárias. o preceito dizia que. salvo se o contrário resultar do título. ou seja. as benfeitorias que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. se destinam. “a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição”. senão. 234). por desídia.De certo modo óbvio. Tal preceito abrange quaisquer acessórios e. resulta que.ex. São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem (v. enquanto para a transferência dos bens móveis basta a tradição. O credor escolhe se.267. salvo se agiu com culpa ou dolo. e completa: “se o credor não anuir. não constituindo partes integrantes. poderá o devedor resolver a obrigação”. As benfeitorias podem ser voluptuárias. pois demanda o consentimento do credor (arts. Segundo o art. i. conforme a legislação. até o momento da entrega da coisa.

por culpa do devedor. foi baleado e morto por desconhecido. Dado animal vendido. serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. nem o de levantar as voluptuárias. o prejuízo decorrente do perecimento da coisa. Afasta-se desde logo a hipótese de culpa do devedor. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Aqui. 234.DO MELHORAMENTO ACRESCIDO À COISA PRINCIPAL Reza o artigo 242 que se para aumento. Assim. 1ª parte). DA OBRIGAÇÃO DE DAR. antes da devolução. abatido no preço o valor do estrago (caso em que a relação jurídica se altera. 235. por culpa do devedor. Perecendo a coisa sem culpa do devedor. se não lhe forem pagas. Deteriorando-se (estrago) a coisa. apresenta avarias. ou melhoramento. todavia as benfeitorias sejam voluptuárias. assim. a obrigação se desfaz. não terá o direito de exigir ressarcimento. art. por conseguinte. Automóvel vendido é envolvido num acidente ou apresenta defeitos no mecanismo. e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem”. art. para ser substituída por outra. 238. DA OBRIGAÇÃO DE DAR. ou aceitá-lo da forma que se encontra. Quanto ao possuidor de má-fé. deve sofrer o prejuízo ocorrido antes da tradição. se a obrigação era de restituir e a coisa se deteriorou sem culpa do devedor. uma vez. Segundo o art. o devedor empregou trabalho ou dispêndio o caso regular-se-á pelos artigos atinentes às benfeitorias. no estado em que se encontre. antes da tradição. “As benfeitorias compensam-se com os danos. se perecem. DAS ATRIBUIÇÕES DOS RISCOS NA OBRIGAÇÃO DE DAR FRUSTRADA Esse é. 1. O vendedor devolve ao comprador o preço e sofre. DESTINO DA OBRGAÇÃO SE HAVIDA A DETERIORAÇÃO OU PERECIMENTO DA COISA Grosso modo. 234. A lei abre ao adquirente (credor) uma alternativa: defere-lhe o direito de resolver o negócio ou aceitar a . A obrigação se desfaz. essa. exercer o direito de retenção pelo valor dessas benfeitorias. 2ª parte. se. exigindo perdas e danos. em face do perecimento ou deterioração da coisa: Perecendo (se perder) a coisa. ocorrida. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. quer seja de dar. se ele acresce benfeitorias que. o tema mais importante tratado no presente capítulo. Deteriorando-se a coisa sem culpa do devedor.219 a 1. 2. reclamando a composição do prejuízo. quiçá. podemos realçar o destino da obrigação. art. quer seja de restituir (art. vejamos: O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis.221. PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO A coisa se perdeu sem culpa do devedor. independentemente do consentimento da parte interessada – vale dizer: do devedor). por conseguinte. a obrigação se altera. antes da entre. a coisa se deteriorou antes da tradição. o sujeita à responsabilidade pelas perdas e danos ocasionados. mister distinguir: 1. quando o puder sem detrimento da coisa.221. pode o credor considerar resolvida a obrigação. se a obrigação era dar. pois o credor só pode reclamar a coisa deteriorada. quais sejam: 1. o devedor ou credor. responderá ele pelo respectivo valor e mais perdas e danos. pois determina quem. ou pode aceitar a coisa. poderá ele. tem a prerrogativa de levantá-las (levá-las consigo). poderá o credor (que a receberia) ou resolver o contrato.

Logo. Quando alguém compra determinada coisa. nas obrigações de dar coisa certa. ao lhe ser demandada a coisa. o comodatário deve devolver ao comodante. ainda. 621 e s. Dessarte. 235). Se essa coisa perece antes da devolução. quando a lei veda a execução. o comodante. Na obrigação de dar coisa certa. não há recurso. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA Consiste na obrigação cujo objeto. ou seja. acrescido da indenização pelos prejuízos oriundos do inadimplemento do devedor. 1ª parte ordena ao credor receber a coisa. dentro do possível. quem sofre o prejuízo é o dono. ou seja. Num contrato de empréstimo de coisa infungível. senão o sucedâneo das perdas e danos. Também neste caso a lei verifica que o dono da coisa é quem sofre o prejuízo. sem culpa do devedor (depositário). Não há falar-se no impedimento da cobrança por falta da tradição (isto é. reclamando o cumprimento preciso de uma obrigação. e a obrigação resolverá. Pois bem. quando o procedimento do devedor torna impossível a execução específica – deixar perecer o animal a ser entregue –. Portanto. pelo gênero e pela quantidade”. do CPC (Lei n. não se trata aqui da ação real. obter o próprio objeto da prestação. o art. não tem o comprador legitimação para reivindicar). impõe-se a execução específica. DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. sofre ele o prejuízo pela deterioração. o art. se a coisa certa a ser entregue for móvel. o art. sempre que possível. só se reservando às perdas e danos quando a ação direta for impossível ou envolver sério constrangimento físico à pessoa do devedor. visto que o devedor não poderia cumpri-la. Ora. O credor é o depositante. proporcionando ao credor exatamente aquilo que foi avençado. art. é quem sofre os prejuízos pela perda ou deterioração da coisa. DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA O ordenamento jurídico. o dono da coisa. PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO O depositário que recebeu o objeto para guardar deve devolvê-lo. ao fim do prazo. Quando a entrega consistir em dar coisa impossível. o art.869. baseada no domínio. tendo como pano de fundo a tradição. almeja obter a entrega do objeto e não o seu valor. também nesta segunda hipótese. o objeto emprestado. pois podem surgir embaraços de ordem legal ou de fato. Em remate. por veto de lei ou impossibilidade. Em verdade.coisa. é determinável. O credor é o dono da coisa. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Um exemplo ilustrará a hipótese. Sempre o credor (dono da coisa). não sendo ainda proprietário. pelo depositante. no exemplo figurado. Por outro lado. Esse. 238 do CC determina que sofrerá o credor a perda. Assim. abatido ao preço o valor que perdeu (CC. Seria inconcebível uma prestação indeterminável. como ocorreu na primeira. ao menos. de 11 de janeiro de 1973) soa categórico ao dar o instrumento da imissão na posse ao credor de bem imóvel e da busca e apreensão. sem direito à indenização. 240. quem sofre o prejuízo é o credor. Aliás. 5. só permitindo a solução mediante indenização em última análise. se bem que indeterminado. mas da ação pessoal. deve a vontade da Justiça se sobrepor à sua e forçar-se a execução direta. deve atuar no sentido de que as obrigações sejam cumpridas na forma como foram convencionadas. no estado em que se encontra. Visto que nem sempre isso é possível. . compete ao credor. quando o devedor apenas recalcitra em não entregar a coisa certa. Logo. o primeiro. pois é referido pelo gênero a que pertence e pela quantidade que é devida. 243 sana qualquer indagação: “A coisa incerta será indicada.

para depois entregá-la. previamente. também consiste em exceção à regra quando a obrigação de dar coisa incerta se restringe a determinado universo de bens e. se outro fosse o desejo. DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER OU NÃO FAZER As obrigações de dar ou de não fazer consiste num ato humano realizado. há que se ir mais longe que isso e afirmar que a obrigação de fazer consiste no mister imposto ao devedor de manter dado comportamento. A exceção a essa regra existe: se toda a espécie em questão desaparece: e. A solução esboçada se estriba no fato de que. pode esse comportamento constar de uma abstenção. há a lúcida de Washington de Barros Monteiro. por um act of God. poderá obter alhures as mercadorias. o momento de concentração do contrato é o momento que se cientifica a outra parte. Consequência disso resulta que. porém. carro que para de fabricar. DAS ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO . 246). daí transformando-se num comportamento passivo. Com efeito. Podem elas constar de um trabalho físico ou intelectual. em um momento. nem será obrigado a prestar a pior. não se pode cogitar dos riscos derivados de seu perecimento ou deterioração. se as partes decidiram ilidir a incidência de lei supletiva (lei supletiva: admite alteração pelas partes. Por vezes se entrelaçam e. Isso desemboca em dois problemas: A QUEM COMPETE A ESCOLHA Incumbe às partes estipular a quem compete a escolha. se o devedor tem de dar ou de entregar alguma coisa. donde decorre uma vantagem para o credor. com características intermediárias. não perece (art. do qual será mero corolário o de dar. Impõe-se que. pois. pois. não utilizariam tal cláusula. 245). de individualizem as coisas que serão entregues pelo devedor ao credor. permitindo que receba o que de melhor encontrar. Assim. QUAL É A MANEIRA DE SE PROCEDER À SELEÇÃO Pois bem. em regra. atitude humana ativa. limita a liberdade da escolha. a obrigação de dar coisa certa é fugaz e transitória. 244 determina pertencer ao devedor. 99. a obrigação é de dar. de fazê-la.. ter ele de confeccionar a coisa. decerto. Assim. o gênero. essa atitude adveio para favorecer o credor. isto é. visto que nessa há prestação de coisa. a outorgar um contrato definitivo. não obstante. altera-se a coisa incerta para coisa certa (art. lei de ordem pública: não admite a alteração pela simples avença entre as partes). dizendo que ao proceder à escolha não poderá o devedor da a coisa pior. nas obrigações de fazer encontra-se uma prestação de fato. a fim de proceder à entrega a que se comprometeu. segundo a qual: “O substractum da diferenciação está em verificar se o dar ou o entregar é ou não consequência do fazer. animal que entra em extinção.g. Pretendeu. ou o escritor que promete a um jornal uma série de artigos. admitem também um bem mediano. Assim. Se não o fizerem. por acaso. em tese. as máquinas situadas num barracão que. obrigação de não fazer. isto é. se. o legislador que o devedor escolhesse pela média. Se distinguem das obrigações de dar. por outro lado. trata-se obrigatoriamente como obrigação de fazer. ao admitir a coisa incerta. se tem ele de realizar algum ato. assume a obrigação de fazer o empreiteiro que ajusta a construção. todavia. quando a obrigação é de dar e fazer. Assim. como também de um ato jurídico. fugindo tanto de dar o pior quanto de prestar o melhor. ou a pessoa que propõe-se. Isso porque. no seu curso de Direito Civil. incendiouse. A 2ª parte do mesmo artigo. tecnicamente a obrigação é de fazer”. num contrato preliminar.. a 1ª parte do art. primeiramente. desaparecem: v.g. para alterar a competência de escolha. Tal solução só vige quando silente o contrato. p. como já aludido. não tendo. ao menos em tese.Enquanto a obrigação é dar coisa incerta. entre várias teorias.

ou seja. que o impedirá de realizá-lo dado ato necessário para o cumprimento da obrigação). deve compor o prejuízo.e. poder-se-á reconhecer a infungibilidade da prestação. Faculta-lhe o pedido de perdas e danos. tidas no art. cujas qualidades pessoais são queridas pelo credor. depois. de certo modo. não é obrigado a aceitar substituto. A segunda hipótese da impossibilidade dá-se quando essa (impossibilidade) decorre de culpa do devedor. temos o exemplo do artista que adoece às vésperas do evento. o caso da prestação tornar-se impossível e. se culpado. se. mesmo em caso onde não haja convenção expressa. nas obrigações infungíveis. pleiteando indenização. pode-se dizer que são aquelas em que a pessoa do devedor não figura com relevância. o de a obrigação ser descumprida pelo devedor. Por conseguinte. Quanto ao primeiro caso. e as em que isso não ocorre – fungíveis. Assim. 85 do Código Civil) para distinguir duas espécies diferentes de obrigações de fazer: aquelas em que a pessoa do devedor constitui preocupação essencial do credor – infungíveis. no dia de sua apresentação. em virtude das circunstâncias que rodearam o negócio. para que fique comprovada a recusa do devedor e se alcance aprovação da substituição pretendida. Nessa hipótese o negócio se desfaz e as partes são reconduzidas ao estado em que se encontravam antes da avença. as que dependem unicamente do devedor e as que podem ser indiferentemente realizadas pelo devedor ou por outrem. as cifras porventura já embolsadas. apenas não o faz por não lhe convir. A primeira hipótese se dá quando o fato que tornou impossível a prestação é alheio a um comportamento censurável do devedor (ou seja. a obrigação se resolve. Nesse sentido. compete ao contratante ou resolver o contrato. Em tese. se mantém no estrangeiro. No mesmo caso. o negócio se estabelece intuitu personae. à custa do faltoso (art. do artista. em regra. Quando fungível e o devedor for moroso ou inadimplente. Pois bem. obter sua execução direta. grosso modo.g. supõe-se que o faz em vista das qualidades do artista.. DAS CONSEQUÊNCIAS DO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER Distingui. de início. ou obter a execução do empreendimento por terceiro. devolve. não pode o credor. Quando infungível. cumpre-lhe recorrer à via judicial. abre a lei ao credor uma alternativa. a intenção das partes é gritante ao considerar no contrato as condições peculiaridades de determinada pessoa. Assim. O legislador considera também a hipótese do inadimplemento voluntário da obrigação. 248 do Código em apreço. Por vezes o intuitu personae não se funda em qualidades pessoais. se ele. 247). ou insubstituíveis –. Todavia. se o fiador – alguém que abona. se alguém contrata com pintor célebre a confecção de um retrato. v. Ao dono do automóvel que encomendou sua limpeza é. i. mediante sucedâneo das perdas e danos (art. de modo que a lei só considera adimplido o ajuste se a prestação for cumprida por aquele devedor. da impossibilidade. . 249). Quanto às obrigações fungíveis. requer-se menção expressa. Nessa hipótese o legislador distingue as obrigações infungíveis das fungíveis. mas em condições particulares. visto que isso envolveria odioso agravo à liberdade individual. para que se considere infungível a obrigação de fazer. Mas o devedor. ele é o causador do impedimento. o remédio que remanesce ao credor é obter a reparação do prejuízo experimentado. por outro lado. Logo. Se inocente o devedor.. Nas primeiras. em assonâncias às Constituições modernas. Quem anui em contrato de locação. que poderia cumpri-lo. o artista. responsabilizando-se pelo cumprimento da obrigação do abonado – do locatário for determinado capitalista de honradez e reputação. indiferente que o veículo seja lavado por um ou outro oficial.A doutrina lançou mão da noção de fungibilidade (também exposta sob outro prisma no art. que se não tornou impossível. pois a prestação avençada só terá validade de fato se prestada por aquele devedor. confere-lhe também a possibilidade de mandar executar o fato por terceiro. Com efeito. De sorte que o devedor se desincumbe da obrigação ou realizando o a tarefa prometida ou mandando que outrem a faça em seu lugar. para tanto. ocorre quando a prestação se torna irrealizável.

que será. que por negligência ou interesse preferiu desprezá-la. em função de lei municipal. ao credor. Há que se distinguir se derivou ou não de culpa do devedor. a obrigação negativa do devedor. portanto. nos mesmos autos. 634 e seguintes disciplinam o procedimento judicial indispensável. o feito tomava o rito ordinário. Se a obrigação de fazer é positiva. essa é. não fazê-lo. não fosse o vínculo que o prende. No parágrafo único. num interesse do credor. 11. os arts. e. confere autotutela ao credor. disso decorre que decerto para alguns casos a lei não dá guarida. que seja o devedor condenado a reparar as perdas e danos. no pagamento das perdas e danos. Assim. Tomemos o exemplo do devedor que. negativa. sob pena de pagar multa. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Ocorre com a pratica do ato que o devedor prometeu abster-se. 389 do CC. preferindo ater-se à sistemática do Código Civil. a quem assusta a ocorrência do fato avençado. todavia. a obrigação se extingue (art. indenizado por perdas e danos pela conduta culposa. nos casos de justificação do devedor. transformando a obrigação de fazer em obrigação pecuniária de dar. que poderá abrir mão da concessão judiciária. Se a abstenção prometida se tornou impossível sem culpa do devedor. a lei abre ao credor uma alternativa. alienando seu comércio. o devedor assume um compromisso de abster-se de um fato que poderia praticar. 633). Como a jurisprudência se distanciava desse procedimento. em que o inadimplemento se resolvia. tinha apenas conhecimento sumário do processo e nem sequer havia ouvido a outra parte. Estipula o contrato. ou então pode requerer que a obrigação de fazer. que vinha exposto nos arts. hipótese em que a obrigação converte-se em indenização. deferida ao credor para compelir o devedor a cumprir a obrigação. Nos arts. ademais. então. O segundo remédio decorre da regra contida no art. Hipótese igualmente comum é a do comerciante que. 639 a 641 do CPC (revogados pela Lei n. 632 e s. vê-se obrigado a construir muro onde havia prometido. Os mesmos princípios que informam as obrigações de fazer aplicam-se às de não fazer. ressarcindo o culpado as perdas e danos. vejamos. DA EXECUÇÃO DIRETA DE PRESTAR DECLARAÇÃO DE VONTADE Fora revogado todo esse teor. Confere-lhe a prerrogativa de requerer. dois remédios assistem ao credor: no art. exigir que o desfaça. porém. compromete-se a não abrir outro congênere na mesma rua ou quadra. que defere ao prejudicado direito de perdas e . como avenças de não casar. DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Aqui. 251. Inspira-se. inadimplida. do Código de Processo Civil atual. desde a petição inicial cominada pelo juiz. 250).DA EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER No Código de Processo Civil de 1939 encontrava-se a ação cominatória.232 de 22-12-2005). Escolhendo essa última maneira. sob pena de o desfazer à sua custa (às expensas do devedor). Todavia. há culpa no comportamento do devedor. ao ordenar o mandado inicial em que cominava multa. em regra. no sentido de realizá-la por conta própria. essa obrigação. dava remédio à multa cominada ab ovo. não trabalhar etc. ata-se a tal espécie a pessoa que promete não vender uma casa a não ser ao credor. O juiz poderá deferir o pedido do credor. A obrigação de não fazer será lícita sempre que não envolva a liberdade individual. Indubitável é que o juiz. Se. se a urgência mostrar-se necessária para evitar perda ou deterioração do bem. por óbvio. seja executada à custa do devedor (art. ou o industrial que promete vender toda sua produção a um determinado consumidor.

vejamos: para o devedor é vantajosa pois lhe permite selecionar. Deve o juiz. tanto devedor como credor. se o executado naquele prazo deixar de oferecer uma das prestações. aplicar a segunda solução aqui mencionada. 252 proíbe a mistura de alternativas. Trata-se de preceito com caráter supletivo. podendo variar entre dar coisa certa e fazer. o gênero. e o que acontece mediante o perecimento do objeto da obrigação. se refere a todo um gênero. o juiz a fará. embora múltiplo seu objeto. Mostra-se vantajosa para ambas as partes. devolver-se-á ao exequente (o credor) o . o que for menos oneroso à época do cumprimento. no § 4º. a meu ver. Em derradeiro. Contudo. Há que se interpretar este parágrafo com o caput. por força de lei (extracontratualmente) muda de mãos: 1. pois ele não é obrigado a receber por partes aquilo que ajustou receber por inteiro. Todavia. nessa hipótese. Um exemplo exagerado marcará a hipótese: imagine-se que o infrator que prometeu não construir em seu lote. porém. se todos os objetos perecerem. art. A primeira é que. O perecimento de um dos objetos in obligatione. poderá intimar o devedor para que. como são duas ou mais prestações e só uma delas deve ser cumprida. O preceito não se aplica se a obrigação for de prestações periódicas. que deve o juiz hesitar em aplicar a regra geral. Há duas outras possibilidades que o direito de escolha. se firmada a obrigação deferindo escolha a terceiro e este não a faz. o 3º estipular que. ou seja. por sentença judicial. visto que o devedor poderá buscar alhures o objeto da obrigação para oferecer ao credor. o credor. em cada período. porém. o direito à opção é conferido para ser exercido em cada período (CC. parece. DIREITO DE ESCOLHA. nada impedindo. senão será deferia ao juiz. a segunda. TITULARIDADE E DECADÊNCIA. quando a escolha é deferida ao devedor. a obrigação se extingue. É a regra do artigo 252. se não fora estipulado o contrário na avença. Daí decorre importante corolário. não há falar-se em extinção da obrigação. na primeira circunscreve um universo de coisas determinadas. se ao devedor cabe a opção e este não solve a obrigação. cumpra uma das obrigações. só para atender ao deleite do vizinho credor que teria sua visão embaraçada. Melhormente falando. ao credor ou a terceiros. não perece. em tese. Por vezes não há como desfazer os efeitos funestos do ato praticado. o devedor se exonera satisfazendo uma das prestações. Mostrase impossível desfazer o efeito lesivo. Caso que exemplifica é a publicação de notícia que prejudicaria a venda de determinado produto. qual demandará menor sacrifício. Apenas em caso de silêncio do contrato supre-lhes a omissão. só remanesce ao credo a possibilidade de obter perdas e danos. escolhe qual a obrigação é menos pesada. entendendo competir ao devedor. deixado de oferecer qualquer das obrigações. aí tenha erguido um prédio de vários andares. Seria antissocial demoli-lo. momento chega em que se impõe selecionar o objeto ou serviço a ser prestado. em dez dias. § 2º). pois melhor assegurará o adimplemento do contrato. dentre os vários objetos em apreço. na obrigação alternativa. pois. conferindo a capacidade de escolha. a estipulação em contrário. fixa que. nesses casos. Esse elemento escolha aproxima a obrigação alternativa da obrigação de dar coisa incerta. O legislador confere às partes liberdade para estipular a quem cabe o direito de escolha. O § 1º do art.danos. Mas diferenças são nítidas. 252. Dois pontos mostram-se de maior relevo: a escolha. se a obrigação for de dar coisa incerta. DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS A obrigação é alternativa quando. faz com que a prestação se concentre no remanescente. quem pode escolher. porém. Quanto aos demais parágrafos deste artigo. Mostra-se vantajosa ao credor. Ademais. a escolha deve ser unânime. São bens específicos para se escolher um. Assim. não pode este forçar o credor a receber parte em uma parte em outra prestação. havendo pluralidade de optantes. quando colidente com o maior interesse social. portanto. que tem só um objeto). ao devedor. transformando a obrigação complexa (de múltiplos objetos) em obrigação simples. o perecimento de uma das coisa não extingue o liame (como na obrigação simples.

fixando um rol de materiais para o fazimento dela (mogno. a terceira hipótese de impossibilidade. tem ele a prerrogativa de manter-se com o bem não danificado. mais indenização pelo prejuízo experimentado. Assim. ficará obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. DA DIFERENÇA ALTERNATIVAS ENTRE OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS E OBRIGAÇÕES Nas alternativas. Ora. é indiferente tratar-se da culpa. exemplificando: o credor que encomenda uma mesa. por culpa do devedor. impossibilitada por culpa do devedor. pois não é obrigação independente. devolver um. um dos bens que encontrava-se sob sua posse. isto é o que dispõe o art. e a obrigação se concentra na prestação remanescente. 2. estipula obrigação facultativa. A lei. nas obrigações facultativas há uma alternativa de substituição. DA IMPOSSIBILIDADE DE TODAS AS PRESTAÇÕES Ainda aqui convém distinguir a existência de culpa ou não do devedor. ele devolve o bem que lhe aprouver. Se todas as prestações tornarem-se impossíveis. Ora. DA IMPOSSIBILIDADE OU INEXEQUIBILIDADE DE UMA DAS PRESTAÇÕES Se a escolha competir ao devedor. vítima da negligência do devedor. Se.). se. como visto. há obrigações independentes. culposo ou inocente. se danificou. o credor tinha legítima expectativa de eleger qualquer delas. art. qual seja. sem culpa do devedor. aplica-se a regra geral: a obrigação se extingue. cabendo a escolha ao credor. nesta última. Dessa forma. art. Cumpre ressaltar importante questão. Ora.e. 2ª parte. tendo em vista. 253. se competia ao devedor. ele somente não poderá furtar-se a esse dever alegando a perda de alternativa. em que o credor fica com os bens para. Por outro lado. Se as prestações se impossibilitaram. escolhendo-se uma. o devedor experimenta o prejuízo. sob cominação de perder sua prerrogativa e ser depositada a coisa que o credor escolher (CC. agora com prestação única. o credor poderia. atendendo a tal possibilidade. a circunstância de a escolha caber ou não ao devedor ou ao credor. Como vimos. não se propõe. adicionado de perdas e danos. e tinha a prerrogativa. de mostrar interesse somente pela prestação perdida. pura e simplesmente. QUANTO AO OBJETO DA PRESTAÇÃO . Se. 571). 254). 342). o problema de seu comportamento. que não é passível de escolha. responde à regra do artigo 389. o devedor o citará para tal fim. maçaranduba etc. por sua culpa. 1ª parte). é o que revela o artigo 255. o devedor se exonera com a entrega da mesa.direito de escolha (CPC. passando a constituir o objeto único da obrigação. acrescida das perdas e danos (art. mudam-se os termos do problema. por outro lado. sem culpa. art. a escolha competir ao credor e uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. i. 255. não puder o devedor. porque o perecimento antecipado de uma fez com que a obrigação se concentrasse na outra. torna-se obrigação de dar coisa certa. se o direito de escolha foi conferido ao credor e este não o exerceu. aplicasse a regra anteriormente vista. confere ao credor. a prerrogativa ou de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. cabendo-lhe a escolha. pode este último reclamar o valor de qualquer delas.. visto que ele escolheria uma ou outra. então simples. é indiferente ao cumprimento da obrigação. acrescido das perdas e danos (CC. cumprir nenhuma. o mínimo que se lhe pode deferir é o direito de pleito o valor de qualquer delas. Finalmente. ao término do prazo estipulado. entretanto. é o que apregoa o artigo 256. Essa derradeira regra é absolutamente lógica.

a resposta também é afirmativa porque. ilidindo a concursu partes fiunt. valor proporcional ao todo. Essa regra sofre exceção em duas hipóteses: no caso de indivisibilidade e no de solidariedade. Decorre da vontade das partes quando estas convencionam. Pode-se chamar de indivisível a obrigação quando o fracionamento do objeto devido não só altera sua substância. EFEITOS DA INDIVISIBILIDADE . DAS OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS Agora. 28 da Lei das Sociedades Anônimas. vemos que não é divisível. O caso da indivisibilidade da prestação só se propõe mediante a pluralidade de uma das partes. o credor pode exigir. Seguindo a esteira do princípio concusu partes fiunt. pois não cumpre a execução de meia tarefa. TANTO AS OBRIGAÇÕES DE FAZER. cada um tem o dever de pagar uma fração. levaria um objeto melhor sem NF ou outro menos melhor com NF. No caso da indivisibilidade a prestação é exigida por inteiro. assim procedendo libera-se da dívida. há o princípio que. Se umas das prestações guardar objeto ilícito. se vários os credores. Mister acentuar esse aspecto. ou de ambas. Vale dizer. sendo vários os credores de um devedor. porque não há que falar-se nesse característico em obrigação simples. que assim avençaram. ordinariamente se estabelece a divisão em tantas obrigações independentes quantas forem as partes. contrariando o disposto no art. a doutrina concentrará a obrigação neste último. a exigibilidade da prestação integral advém da lei ou da vontade das partes. talvez não conserve. COMO AS DE DAR. em virtude da natureza do objeto. cada qual tem direito a receber uma parte da prestação. como também representa sensível diminuição de seu valor. Não há como fracionar. em tese. poderá cobrar a totalidade de cada um dos codevedores. ora. regra exposta no artigo 257 do CC. excepcionalmente decorre da lei ou das vontades. de cada qual dos devedores. Nesses casos. Decorre da lei quando esta assim o determina. é melhor manterem-se firmes os negócios jurídicos. visto que. se vários são os devedores. nada obstante não deverem o todo. PODEM SER INDIVISÍVEIS Quanto às obrigações de dar. assim procedendo. Ou seja. nos fragmentos resultantes. É o caso do art. Assim. eles são obrigados a prestar a integralidade da prestação. Quanto às obrigações de fazer. o pagamento integral. são múltiplos. concentrando a prestação na que for lícita. em partes. a obrigação de não fazer. por regra lógica. n. Aqui encontra-se expediente que lança mão o credor para aumentar suas garantias. No caso da solidariedade. A indivisibilidade decorre da natureza do objeto. estudaremos aquelas obrigações cujo sujeito passivo ou sujeito ativo. Com efeito. é tendo em vista o objeto da prestação que se classificam em divisíveis ou indivisíveis. embora partível sem alteração de sua substância. A obrigação é indivisível quando indivisível for o seu objeto. ou ambos. pelo mesmo valor. se termos como exemplo a obrigação de projetar um aparelho. 104. se termos como exemplo a compra de uma pintura. firmada com dois negociantes.Em derradeiro. não satisfaz o credor o recebimento apenas da quota-parte (parte ideal) de apenas um deles. 6404. não se pode cumpri-la ou descumpri-la por parte. se dado ajuste fora celebrado mediante uma alternativa que. correspondente ao débito. por segurança jurídica. Da mesma forma. Cumpre indagar se ele divide. prossegue-se a concurso segmentando o montante da prestação. este pode pagar integralmente a prestação. a jurisprudência afasta essa alternativa. O diamante. ou não. Assim.

Na hipótese de pluralidade de credores. 257. havendo vários credores. porém. a totalidade da prestação. caso contrário. não há. além de deferir o direito de cobrança. a solidariedade constitui exceção à regra do art. responderá sozinho pelas perdas e danos. 259).Na hipótese de serem vários os devedores. se houve liberalidade para o devedor. A um. para a outra parte. ou devendo cada um dos vários devedores pagar ao credor comum a dívida integral. não à quitação de suas cotas. Aquela ocorre quando. um só tenha culpa pelo dano causado. cada um deles pode exigir a dívida por inteiro. A todos os credores conjuntamente porque. pois a reparação pecuniária é sempre suscetível de divisão. não há que se falar em pagamento integral da dívida) deve ser suportada pelos demais credores. 267). pode ser compelido a fazer por inteiro. cada um será obrigado pela dívida toda (art. caminho diametralmente oposto . garante-se o direito dos demais credores. cumpre oferece-la por inteiro. os outros deverão exigir o adimplemento descontada a quota do credor remitente. em vez de se dividir em tantos quantos forem os sujeitos. ainda que sejam responsáveis por frações distintas do bem. É compelido a prestá-la inteiramente porque o artigo 263 fixa. Figure-se que pagasse a dívida a credor insolvente. cada um dos vários credores exigir. concursu partes fiunt. Ora. Há a existência de vários em um lado que. tratemos de uma apenas. o outros cocredores poderiam ficar privados da garantia representada pelo devedor solvável. através dela. Se a culpa adveio de todos os devedores. porque. em caso de pluralidade de credores. denomina-se solidariedade ativa. pois os efeitos são idênticos. a totalidade ou parcialidade da dívida em comum. por outro lado. transação. experimenta o devedor o lucro. Desse modo. Por conseguinte. dando este caução de ratificação dos outros. é a da remissão. pois promove a reunião. a ele. mediante a natureza do objeto. de um só. em virtude do objeto. cumpre observar duas ressalvas: ele só se desobrigará se: pagar a todos conjuntamente. portanto. de resto. ou a um. cada um tem o direito de exigir do devedor a prestação por inteiro (art. caso contrário. todavia. há a solidariedade passiva. mais frequente e proveitosa hoje em dia. Alei. a prestação será indivisível. é visto como um. este tornou-se devedor de menos que originalmente devia. adquire o caráter de divisível. continua enfeixada num todo. Na hipótese de vários credores. se resolvida em perdas e danos. 259 que dispõe ao devedor que a pagou a prerrogativa de sub-rogar-se no direito do credor. que furtasse de prestar contas aos cocredores. visto que. Ora. ativos e passivos. caso contrário a obrigação do devedor se dividiria em tantas obrigações autônomas quantos fossem os credores. dando caução de ratificação dos outro. Se são vários os credores e um deles perdoa a dívida. haveria empobrecimento sem causa do devedor e enriquecimento injustificado dos demais credores. exonerando-se os demais apenas no tocante às perdas e danos. Portanto. a insolvência do devedor após ter pago parcialmente um dos credores (parcialmente porque. formulado pelo próprio legislador. de vários devedores. DAS OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS Por regra. mostra-se incapaz de ser prestado por partes. A solidariedade passiva destaca-se porque o credor tem direito de exigir. do devedor comum. ao devedor. na segunda hipótese fixada pelo artigo. se pagasse a um só. de relações jurídicas autônomas. Assim. Se. o mune com as garantias que o credor original tinha. são indivisíveis. que encontram na caução uma maneira de satisfazer a sua parte do crédito. novação e compensação. Tais regras vêm expostas no artigo 261. a prova da primeira encontra-se no parágrafo único do art. Cumpre ressaltar duas circunstâncias relevantes: cada um dos devedores só deve parte da dívida. pois. haverá igualdade entre eles no que se refere ao pagamento da indenização. podendo. no art. A derradeira consequência figurada pela lei. somente em virtude do objeto. Tal conceito vêm. 264. a solidariedade altera a feição das obrigações com pluralidade de sujeitos. em uma só. CONSEQUÊNCIA DA SOLIDARIEDADE Inocorrendo solidariedade ativa. não sendo solidária.

da lei ou das partes. ou os credores. se o objeto for divisível (a outra exceção).do caso em que há solidariedade. o resgate do débito. Se o devedor não solidário torna-se insolvente. 585. impondo solidariedade. para alcançar o efeito do liame jurídico. Revela-se aqui a vantagem da obrigação solidária passiva. ora. enquanto a solidariedade decorre da vontade das partes ou da lei. nas prestações indivisíveis. mesmo havendo vários credores ou vários devedores. Há uma pluralidade de teorias que tratam da solidariedade derivada da vontade do legislador. pois representa arma eficiente para garantir o interesse do credor. Nesta. Solidariedade representa exceção ao princípio geral. ela perde esse caráter. a solidariedade se representa de um artifício a que recorrem as partes ou o legislador. insuscetível de ser repartido sem perdas de valor ou sacrifício de sua substância. parágrafo único. de maneira que a obrigação torna-se divisível e segmenta-se entre as partes (art. que determina a solidariedade entre os comodatários para com o comodante). a indivisibilidade decorre da natureza do objeto. só a se admite se expressamente manifestada pelas partes. Por fim. a solidariedade tem por escopo principal. que considera solidários os autores e cúmplices de ato ilícito). aumentar as garantias do credor. onde o pagamento parcial feito a um dos credores. amarrados neste liame solidário. DA SOLIDARIEDADE ATIVA . 265). a solidariedade fora convenção. em vez de acionar cada qual. visto não poder reclamar esta parte (do insolvente) aos demais. pelo insolvente. em que o legislador francês se foi inspirar. há solidariedade passiva. se a possibilidade da prestação a converte em perdas e danos. para lhe endereçar o seu pedido. Quando a solidariedade for convencional. sem que as razões determinantes da solidariedade sejam abaladas. ou determinada pela lei. Em qualquer caso. onde os devedores são condenados em perdas e danos. deve ser rateado por todos os sujeitos ativos. interprete a vontade silente das partes (art. dentro do possível. A comprovante desta afirmativa se encontra no confronto entres as regras concernindo à conversão de ambas em perdas e danos. O problema teórico. embora solidária. 266. propõe o seguinte termo: sendo múltiplos os devedores. que noutros resulte punição para o autor ou cúmplice de ato ilícito (art. com efeito. o alvo do legislador é. grosso modo. passando a seguir o princípio do artigo 257. FONTES DA SOLIDARIEDADE De acordo com a sistemática do direito brasileiro. quando assim é florescida. orientação encontrada em Pothier. a solidariedade persiste. por outro lado. se outro se mantiver solvente. É possível que nalguns casos a lei. O que se admite nesse dispositivo é que haja distinção de tratamento aos credores ou devedores solidários. reforçar as possibilidades de solução da obrigação. Enquanto a indivisibilidade decorre de um elemento natural. decerto seleciona o melhor. 942. Em remate. a obrigação pode ser pura e simples para alguns (não-solidária) e sujeita a termo ou condição para outros. precipuamente. deve-se entender que a obrigação se divide em tantas outras obrigações autônomas quantas quantos sejam eles. DISTINÇÃO CRUCIAL ENTRE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA E INDIVISÍVEL Em tese. a solidariedade não se presume. decorre da lei ou da vontade das partes (art. Diferente é a conclusão da obrigação solidária. assegurando. perde o credor. deve-se revelar de maneira a que não remanesça qualquer dúvida. Peculiaridades relacionadas a cada um podem autorizar a essa distinção de tratamento. que no caso brasileiro seguiu a orientação tradicional (diversamente do Código alemão e também do Código italiano). Se. 263). visto que. é irrelevante a insolvência de qualquer deles. a meu ver. e não da natureza do objeto. Conforme o art. a situação individual de cada um pode ser diversa da tida com os outros.

o devedor). DA SOLIDARIEDADE PASSIVA Com ela. continuando credor do restante. os arts. 273 e 274. Tal instituto.e. a fim de obter os restante.Aqui. enquadra-se no artigo 158. 275). cada um de seus herdeiros recebe apenas uma fração do direito creditório. o princípio da fidúcia que permeia a obrigação deste tipo (art.”. é evidente que um destes não pode agravar a posição dos demais. o devedor se exime do pagamento. emergindo. tantas obrigações autônomas quantos forem os devedores. cabe a prerrogativa de cobrá-lo. o faz. O pagamento a um ou a outro é válido e extingue a dívida. cai um característico do instituto junto com ela. não havia como responder por seu ato. assim. o prejuízo experimentado pelos demais cocredores é inexorável. por conseguinte. que fixa a fraude contra credores. logo. MENDONÇA. Ora.I). aos outros credores. v. Também a dívida contraída através de coação de um dos credores. logo. temos o ponto alto da solidariedade ativa. antes de prestar contas. em virtude disso. In fine. com essa prerrogativa. diversamente da obrigação indivisível. que é autônoma. Convém insistir que cada um só é titular de parte da dívida e. II) -. Como pode decidir cobrar parte de um (pagamento parcial). pode acionar os demais. Não se transmite a relação com os demais credores. pois carecem de ação contra o devedor original.. ignorando a coação. à época em que tiver remitido a dívida. será demandado. em assonância ao artigo 272. vez que a regra é “a decisão não vai além das partes”. como já aludido. ademais. deve oferecer aos demais cocredores. 198. A exceção consiste numa defesa que tem a parte demandada (no caso. Talvez se possa entender como solidariedade ativa a das contas conjuntas. a ação que um dos credores solidários moveu frustrou-se não atinge a cota-parte dos demais. Vale lembrar que a obrigação solidária reúne. mas o restante. 154. no julgamento. se a recebe por inteiro. Se o credor que não tem patrimônio suficiente. dispôs de bens que. para pagar a totalidade da dívida. em virtude disso. 269. se obteve setenta por cento do valor. numa só. Ora. essa. o que constitui exceção à regra. porém. o devedor se libera da dívida efetuando o pagamento a qualquer dos credores. é o art. não será alegada contra os demais. de sorte que não lhes cabe exigir e receber a totalidade da prestação. Assim como o que recebe a dívida inteira. capaz de suspender ou anular o mérito (o pedido. se o credor aciona um devedor. não se estende aos demais cocredores. indiretamente. por sua manifesta inconveniência para o credor. que trata da coação exercida por terceiro. Posto isso. o artigo 274 expõe que se o credor ganhou ação com base em exceção pessoal . em estabelecimentos bancários. pode acionar o credor que utilizou-se da coação. torna-se insolvente. 270). pois é incapaz de incidir sobre a obrigação de outrem. Vale dizer. não há validade neste último. mas outro moveu ação de cobrança contra o devedor. não corre prazo prescricional (art. visto que o desaparecimento da personalidade extingue a solidariedade. se a dívida está prescrita para um dos credores. se o julgamento revela-se favorável. art. não perdurando mais. qual seja. a figura em análise. estendeu a coisa julgada. aproveitará a todos. visto que. onde o pagamento dá-se mediante caução dos demais credores. 273). O que lhe cabe (ao devedor). não renunciou o restante. o credor pode escolher qualquer um dos devedores para cobrar-se. Depositam importância movimentada por ambos os titulares ou por qualquer deles. ele estendeu a decisão. qualquer deles pode quitá-la. a prescrição dos demais será deduzida do montante da sentença. não pode esse último opor essa exceção. não eram seus. a cobrança). mas que só diz respeito a um dos credores (art. é extremamente raro na vida fática.g. todavia. se o accipiens. guarda obrigação com os demais credores o que a perdoa. ainda legítimo. que remanescem ligados pela solidariedade (art. vale dizer. somente será descontada a cota-parte prescrita. no caso. não merece ela uma atenção maior. Em derradeiros. se estes últimos agiram com boa fé. À guisa de exemplo. a fim de anular tais atos. Nesse caso. desse modo. Quanto à regra do artigo 274. “pode considerá-lo como um instituto extinto” (Doutrina e prática das obrigações. O Parágrafo único fixa que a solidariedade perdura. Se falecer um dos credores solidários. . ganhou ação porque o credor solidário é incapaz e. Cabe ação pauliana. nesta a quitação dá-se sem essa exigência. dispõe o seguinte: “o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais.

“as obrigações são individuais e autônomas. só possa ser sustada por exceção comum a todos. a relação jurídica biparte. ao devedor demandado. entre os vários devedores. se por força da solidariedade o fiador. que separa os lados internos e externos da obrigação. na segunda. Um derradeiro problema. que veda. encontram-se vários devedores cujas relações são relevantes. se após estabelecimento da relação jurídica um deles estipular cláusula aumentando taxa de juros ou abreviando termo de vencimento. Ora. Ademais. paga os aluguéis. Pode ocorrer que.. uns responsáveis para com os outros. podendo o credor cobrar de qualquer um dos devedores restantes o saldo remanescente. o art. RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE O credor que apenas renuncia à solidariedade continua credor. Sujeita todos ao rateio da cota do insolvente. constituída pelo exonerado. A relação jurídica interna. Quando há execução parcial da obrigação solidária por um dos devedores (art. Se encararmo-la do lado de fora. embora podendo opor as próprias (compensação – cancelamento de débitos recíprocos) e as comuns a todos (falsidade do título. encarado o problema sob seu ângulo interno. O montante inicial abrangido pela obrigação se reduz.). persiste a solidariedade. vejamo-la. A exceção é um meio de defesa de que lança mão o réu para ilidir ou suspender os efeitos da ação. a despeito da solidariedade. no art. os outros não ficam vinculados a tal ajuste. como se dá na fiança anexa a uma locação. o conjunto de devedores se apresenta como um só. obviamente.) tem o direito de exigir de cada um dos codevedores a sua quota. em que o fiador assume o encargo principal do pagador.. Por sorte. o inquilino e o fiador são solidários pelo pagamento dos aluguéis.embora sujeita à solidariedade. DA EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO POR UM DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS Embora só deva parte da prestação. não possa este receber de cada um a quota correspondente. a circunstância de na solidariedade se encontrarem várias obrigações autônomas faz com que a ação do credor. o art. é o que apregoa o art. volta a militar a regra concusu partes fiunt. mudou. a lei o defere o direito de reclamar o reembolso de toda prestação paga. O crédito. A regra encontra-se no artigo 278 do Código Civil. conforme a exposição. prendendo os demais devedores.)”. deve abater no débito a importância daquele que foi exonerado. obviamente. ainda que despido das prerrogativas já referidas. o devedor. cobrando de um dos devedores. 283 vem estabelecer que “(. porquanto um deles se liberou da dívida pessoal e só continua responsável pela quota-parte do eventual insolvente. pode ser compelido a prestá-la por inteiro. Nessa ideia de autonomia que se justifica a regra do artigo 281 do CC. 277). transforma-se em obrigação simples. após ser paga a dívida de todos por um dos devedores. a solidariedade persiste vinculando os demais coobrigados. Primeira. externo.. 285. por haver exonerado apenas algum dos devedores. assim. mas é evidente que a dívida só interessa ao inquilino. em virtude de um deles ter caído em insolvência. embora não a devam.. de pendência de condição etc. a lei confere ao devedor que pagou o direito de exigir de cada coobrigado a sua quota. seja apenas um o interessado na dívida. ou pessoal do excipiente. Essa problemática de autonomia talvez seja melhor compreendido com a explicação de Ruggiero e Maroi. A fim de que não fique desembolsado de seu quinhão e da quota do insolvente. É possível que. mediante inadimplência do inquilino. como vimos. DO INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA . Se a renúncia for parcial. a possibilidade de opor exceções pessoais dos outros. Se a renúncia for total. é o que trouxe o legislador. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente (. Isso ocorre quando o credor só exige ou só recebe do escolhido uma parte da prestação. 284 invoca também os já exonerados de solidariedade pelo credor. para demandar os demais devedores. Todavia. 282. ficou reduzido. para recompor tal desequilíbrio. mas se encontram enfeixadas numa relação unitária”. Ora.

Depara-se com problema quando a não se pode transferir o crédito. apresentam-se duas hipóteses: 1. ficando liberados os devedores. 278). Entretanto. DA CESSÃO DE CRÉDITO É o negócio pelo qual o credor transfere a terceiro a sua posição na relação obrigacional. o credor tem o direito de receber o valor da prestação. Assim. adotou solução diversa do artigo anterior. O valor dela é por todos devido. correspondente à sua participação na herança. separadamente. 279 do Código Civil.Pode o credor que sem êxito exigiu de um devedor o pagamento voltar-se contra outro para cobrá-la integralmente. Mas as perdas e danos o são por culpa de apenas um. a lei (créditos já penhorados). ou a convenção com o devedor (crédito inalienável). podendo o credor deles cobrar a totalidade da dívida. A saber. é quem deve compor o prejuízo resultante. sujeita todos os devedores ao pagamento dos juros. ora. DA TRASMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Aqui. são considerados um só devedor. Poderá o devedor opor contra o cessionário todas as formas de defesa de que dispunha contra o cedente. EFEITOS DA MORTE DO DEVEDOR SOLIDÁRIO Todos os herdeiros. Se está expresso no contrato a inalienabilidade do crédito. não o permitindo fazê-lo por meio de ato ilícito. compensação. vinda de um contrato. tempo e forma convencionados. . Ao lado do inadimplemento absoluto. é a regra. É a regra do artigo 276 do Código Civil. englobadamente. ou também revestir a modalidade de notificação presumida. reunidos todos os herdeiros. É a troca de um credor para outro. pois já sobreviveu sem). todavia. só é obrigado a uma quota-parte do débito. podendo alegar ignorância à proibição. No primeiro caso. deverá notificar o novo credor (cessionário) de todas as exceções que possui contra o antigo credor (o cedente). ao receber a notificação. Tal preceito é defendido pelo parágrafo único do art. Mas cada herdeiro é devedor de uma fração. ninguém poderá alegar desconhecimento. de sorte que. acrescido de perdas e danos. o mesmo ocorre na ideia de espólio. transfere. a obrigação “já está viva”. enfim. não há escusa. A principal razão pela qual o devedor pode invocar a ineficácia da transmissão apoia-se no fato de que ele deve saber a quem deve. ora. da mesma sorte. veremos a maneira de transmiti-la de uma das partes para um terceiro. aqui. Quanto ao artigo 286. defeitos do negócio jurídico. o artigo 290 fixa que tem validade a cessão que fira notificada ao devedor. “troca subjetiva da obrigação”. essa se caracteriza quando o devedor não efetua o pagamento no lugar. de maneira que. a impossibilidade derivar de força maior. O cedido poderá invocar pagamento. 275. é possível que a prestação se impossibilite. O legislador. O artigo 294 estabelece que o devedor. Do momento em que foi notificado em diante. embora defira o direito de pleiteála do culpado. pode a cessão ser notificada por via judicial. 280. de um ato ilícito. sucedem o de cujus na mesma posição que este ocupava. porém. se a isso não se opuser a natureza da obrigação (pensão alimentícia – se. segundo o art. como também particular. Portando. que assim se considera a que resulta de qualquer escrito público ou particular. e só ele. e assim por diante. se um devedor não pode agravar a situação do outro (art. se. cai a prerrogativa. no qual o devedor manifesta a sua ciência. num documento se tem a confissão de dívida e noutro tem-se a proibição de sua transferência subjetiva (a cessão do crédito). a obrigação se extingue. nesse sentido o art. Na segunda hipótese. 2. afirma a possibilidade de cessão do crédito. talvez pensando nos interesses tutelados dos credor. quiser vender os alimentos já devidos. continuando o credor com a prerrogativa de exigir de qualquer um deles a totalidade do valor da prestação. mister se faz encarar a possibilidade de simples mora. resultar de culpa de um dos obrigados. pode. decerto que a lei isso previu. ele. não há como alegar ignorância à cessão. como um devedor solidário.

ao cessionário a cobrança do crédito pago ao cedente (ressaltando-se. podendo obrigar-se o devedor a pagar novamente. Um exemplo de crédito inválido é o negócio jurídico celebrado com um absolutamente incapaz. em vez de pagar ao credor. estranho à relação obrigacional. também é motivo de invalidade. Caberá. ao cessionário que lhe apresentar o título da obrigação cedida. É o negócio jurídico pelo qual um terceiro. caso o devedor não pague o valor da execução. se foi notificado mais de uma vez. hipotecas irão permanecer. prevista no artigo 171. .prescrição.. não cabendo essa regra do artigo 294. vende o bem e a paga). esse artigo não vale. Nesta hipótese. há que haver na escritura pública as garantias que lhe são anexas. Porém.ex. ou seja. se há juros ou cláusula de multa etc. responsabilizando-se pela dívida. então cedido. porém. assume a posição de devedor. Assim. A cessão de crédito produz efeito imediatamente nas relações entre os credores. DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA É o modo pelo qual o titular da dívida a repassa. pois admite que o cessionário tome as medidas antes da eficácia do negócio jurídico perante o devedor. Cumpre destacar. consiste numa relação trilateral: devedor. o pagamento é tido como fraude à execução. será válido o pagamento efetuado pelo devedor até a notificação da penhora (penhora é o ato pelo qual o juiz vincula bens do devedor ao valor da causa. sendo assim. É válido o ato de cessão verbal. modifiquem ou renunciem os direitos reais sobre imóveis. este consiste na transferência da propriedade dum título nominativo. se não alegá-las à época da notificação. que se tiver valor de até 10 salários mínimos. ineficaz contra terceiros.. não poderá apresentálas mais tarde. porém. assim procedendo. o juiz. Sendo. não vale contra o cedido. o obrigando a. Quem faz cessão de crédito não fica obrigado a garantir a solvência do devedor. acompanha. O artigo 293 não traz questão tão complexa. visto que a escritura pública é essencial à validade dos negócios que constituam. por óbvio que é (i. incapacidade etc. o cedente não deve cobrir a falta do cedido (não deverá pagar). Na assunção de dívida interessa saber sobre o patrimônio do devedor. afirmamos que nos casos em que há escritura pública. se decorrer a dívida de escritura pública. assim. P. porém. ocorrendo isso. hipótese em que o devedor. transfiram. se houver garantia real. ao cessionário assiste a prerrogativa de ajuizar ação cautelar de arresto para conservar o patrimônio do devedor que pretenda cair em situação de insolvência (art. “deve. A cessão pode ser feita verbalmente. O artigo 292 é bem claro ao afirmar que o cedido deve pagar. porque lhe interessa a solvência do devedor). logo. não poderá exigir-se do cedente o crédito. manda uma ordem de penhora para o devedor. A anulabilidade. assuntor e credor. visto que a escritura pública que representa a dívida não circula (não sai do cartório). Nada impede que se penhore um crédito. há uma ressalva no artigo 288. 813 do CPC). inclusive. O artigo 287 fixa que a cessão do crédito transfere o crédito e todos os seus acessórios. ele vale por si só. paga certo. Se a fez de má-fé. que todas as prerrogativas que eram do cedente passam de logo ao cessionário.e. O artigo 291 afirma que será cessionário o que receber o documento original que representa a dívida. Vemos. deverá se atentar à anterioridade da notificação (paga ao primeiro que lhe apresentar a notificação). Logo. que subsiste com seus acessórios. salvo.. que a cessão de crédito se afasta do endosso. porém. O artigo 295 fixa que o cedente deve garantir a existência do crédito na época da transferência. assegurar que o crédito é válido”. mesmo que o devedor não tenha conhecimento. sem extinção da obrigação. assim. Em remate. Segundo o artigo 298. No caso de cessão de crédito gratuita. o devedor deve pagar a quem se apresentar como portador do instrumento de notificação juntamente ao título do crédito (então cedido). porém. segundo o qual ela não terá eficácia contra terceiros se não a fizerem por instrumento público ou revesti-la com outras solenidades. fianças. Se o bem for imóvel. cedente e cessionário. Se o cedido paga ao cedente de transmissão verbal. Tal artigo vem reforçar essa convicção. o cedente. Assim. acompanha-no. depositar em juízo. “pagar nos autos”. visto que ele nada recebeu pela cessão. deve garanti-la. apesar da transferência tratar da parte devedora. o credor deve anuir. pode-se provar por testemunhas). depois disso..

sem que ocorra a liberação do antigo devedor. porém. se nele mais confiar que terá seu crédito satisfeito. operase a assunção da dívida automaticamente. também do terceiro que tiver prestado a garantia. como todos os seus privilégios e garantias. onde os argumentos podem ser apresentados ao novo credor. a diferenciação entre cessão de crédito e assunção de débito. a primeira hipótese.A aceitação do credor não implica uma nova relação obrigacional. hipoteca de terceiro). o credor hipotecário ingressará. com opção de compra . Ilustradoramente. Neste caso.e. com aceitação tácita. não podem ser restauradas. logo. ele fixa que. O art. o código civil veda apenas aquelas exceções pessoais. o imóvel é a garantia da dívida. Tal figura apresenta uma vantagem prática. se credor hipotecário nada disser. do pagamento.e. dá-se o ingresso do terceiro no pólo passivo. salvo aquelas que tiverem sido prestadas por terceiros. Contudo. salvo se não impugnar em trinta dias. O problema de fundo consiste na anuência do devedor e. mas de execução ainda não concluída. 299 fortifica a ideia de que se o credor notificado permanecer silente. No art. então hipotecária. de terceiros garantidores. todas as garantias tidas pelo devedor originário desaparecem. inadimplementos etc. via de regra. será tal ato entendido como recusa. melhormente falando. ocorre a liberação do primitivo devedor. caso que o legislador lhe deferiu trinta dias para impugná-las. permanecerá. Neste caso. nesses casos. aquelas que são diretamente ligada à pessoa do devedor. disso decorre a expressa anuência do devedor primitivo e. nessa assunção de dívida. se o locatário. 301 há o caso de a anulação do contrato de assunção. ilide a assunção. Tudo isso vem exposto nas breves palavras do caput do artigo 299.). não fica desvinculado o antigo devedor. pois aquelas que tiverem origem na própria dívida assumida deverão ser admitidas (pagamentos. Porém. e este imóvel é a garantia. mostra-se como requisito a solvência do atual devedor. no caso que a garantia for hipotecária. Em melhores palavras. Os meios de defesa do antigo devedor transferem-se ao assuntor. notadamente. Consiste numa exceção àquela regra. tal ideia inexiste. o mesmo crédito será exigido do novo devedor que assumiu a responsabilidade por ele. na assunção. Caso ele ache que a garantia da dívida é menor que o seu valor. onde uma pessoa que deseja a outrem seus créditos e débitos o faça sem necessidade de que se celebre um novo contrato. aqui. Quanto ao artigo 302. Na cumulativa. cumulativa ou liberatória. Num primeiro momento. pode valer-se dos meios de defesa derivados da relação estabelecida entre ele próprio e o credor. o credor pode aceitar o novo devedor insolvente. que haviam sido exoneradas pela assunção. Pois bem. 300 traz. 303 afirma que. com liame de solidariedade. salvo se ele tinha conhecimento do defeito que inquinava o negócio. que permanece na relação. ocorre o ressarcimento da obrigação para o devedor originário. Pode ser. é claro ao dizer que o novo devedor não oporá as exceções pessoais do devedor anterior. intervindo. visto que estas garantias especiais. a assunção. Diferente da cessão. pois o passado é apagado.. aval. Na assunção. se dada pessoa adquire uma imóvel. que não poderão ser arbitrárias. i. por exemplo). não está fixada no código. com causa distinta da dívida estabelecida entre as partes (a compensação. desfazer com o seu cocontratante o primeiro negócio e conseguir que ele o refizesse com o terceiro interessado na transferência. por vezes. salvo se outras forem as objeções. em prejuízo do terceiro. Consiste numa maneira pela qual há a transferência das obrigações. mas considera-se.. em alguns casos. CESSÃO DA POSIÇÃO CONTRATUAL Também chama de cessão do contrato. é a transferência da parte ativa e da parte passiva de um contrato já ultimado. Contudo. Se o devedor ignorava a insolvência do novo devedor. não confere-lhe a prerrogativa de garantias. comprometendo-se paga a respectiva dívida. do momento em que se celebra a cessão. O Parágrafo único do art. o credor não tem porque não aceitar a assunção. Art. Logo. pode expressamente dispor o contrário. que veda a aceitação tácita. i. as garantias especiais não são da essência da dívida e foram prestadas em atenção à pessoa do devedor (fiança. exceto aqueles que derivarem posteriormente à assunção ou que lhe forem personalíssimos. tal consentimento deve vir expresso na transferência. transfere-se tudo ao novo devedor. visto que está garantido pela hipoteca.

Se dada pessoa entrega o que não é seu como forma de pagamento. opor as suas exceções pessoais. quem recebe é o credor. se se provar que tinha interesse jurídico se sub-roga nos direito do credor. a quitação revela-se como autorização válida para pagamento. é aquela pessoa que se apresenta como legítima credora. 208. vindo o artigo 305 lhe subsidiar. Se for fungível. exposto no art. ou contra sua vontade. é a consagração do parágrafo único do artigo 304. mas. sem justificativa. pode ter sido vítima de assinatura falsa. No caso de sub-rogação. recusar o pagamento. outrossim. 306 trata do pagamento feito com desconhecimento do devedor. visto que o parágrafo único contempla esse fato. “Maria estava abatida. Caso recuse. não podendo o credor. só não é jurídico. a aparência deve ser suficiente e o credor verdadeiro deve ter . não tendo procuração. não poderá reclamá-la ao credor que a recebeu de boa-fé. ao credor não caberá a prerrogativa de recusar. Paga por interesse afetivo. fixando que o devedor não ficará obrigado a reembolsá-lo. visto que aceitou o pagamento em nome de Maria. Todavia. Apresentará os motivos de resistência ao terceiro que efetuou o pagamento. coação etc. considera-se a dívida paga.do imóvel. O credor putativo. Se. mister se faz.e. porém. Assim. adimplindo sua dívida. o credor deverá devolvê-lo. onde deposita a quantia em juízo. Neste último caso. seu novo credor. 305 trata do terceiro que não é juridicamente interessado. todavia. José se mune de todas as garantias que o antigo credor tinha contra Maria. mas a um representante. que demostre a representação regularmente. se resolverá em perdas e danos. DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR Segundo o art. A única diferença. que era o verdadeiro proprietário. somente poderá cobrar o montante e a respectiva atualização monetária. há doutrina que apregoa que atos gratuitos não se presumem. via de regra. pode transferir a inteira posição contratual a seu sucessor. haverá dois caminhos: a doação. Há hipóteses que não é-lhe pago diretamente. i. investe na qualidade de locatário DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO PAGAMENTO DE QUEM DEVE PAGAR Conforme o art. i. nesses casos. 304 é o terceiro juridicamente interessado. O credor pode se recusar recebimento advindo do terceiro não interessado juridicamente. não poderá. haverá a sub-rogação em favor de José. Pois bem. O terceiro do art. que nos interessa de perto. o terceiro tem direito de pagar. ou o pleito da dívida. entrega de um bem imóvel ao credor. vejamos. Há doutrina que se presume a doação. Neste caso. admite que o representante se mostre como tal com a apresentação da quitação.. há que se provar. ou seja. Caso o credor aceite. O devedor pode não querer pagar porque tem interesse no não pagamento. o credor tem o direito de recusar. mas quero meu dinheiro de volta”. se o terceiro efetuar o pagamento em nome e à conta do devedor. ou seja. poderá. Há dois tipos de credor que são tratado pela lei: o putativo e o incapaz. José não se sub-roga na posição credora. por este ato. O art. O art. José celebrou o pagamento em nome e à conta de Maria. se for terceiro interessado. se João tenta firmar o seguinte recibo com o credor: “recebi de João o pagamento referente a dívida de Maria”. Pois bem. 304. O artigo 311. e tal bem é infungível. cabendo ao terceiro. 309. celebrou pagamento com recibo nominal à Maria: “recebi de Maria o pagamento da dívida” . A sub-rogação se reveste com o interesse jurídico.e. cabe ao credor a ação de consignação. transferindo a divida de Maria para José. paguei para reanimá-la. buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. o qual. O artigo 307 traz a regra do pagamento feito com propriedade alheia. são as vantagens que o antigo credor tinha.. liberando Maria da dívida. moral. se o fez em nome e à conta de Maria.

há que se verificar o uso do direito. O art.ex. Se. Se considerar-se de fato. se o locador falece e o locatário se vê frente à viúva e os herdeiros. mas se o credor real contribuiu para que assim parecesse. habitualmente.. não há motivos para recusa da frota. o fato e o comportamento aparentaram. a equidade. Caso contrário. ele apregoa que ninguém será obrigado a receber. se fez o pagamento ignorando o fato da incapacidade e não havia meios como saber. se notório for o abuso do direito. ao pagar absolutamente incapaz. afastando-se. mas não é o único. soa clara a solução do art. denota pagamento válido. deverá fazer o depósito em juízo. Se o paga por intermédio do seu representante. que reclamam juntamente o pagamento. O art. O art. DO OBJETO DO PAGAMENTO Consiste na entrega da prestação. por motivos imprevisíveis. enriquecimento ilícito. o devedor.g. se pagar errado. porém em gasolina. Vejamos o artigo 312. faz presunção do pagamento das anteriores. sendo substituído pela mesma quantidade. por . O artigo 313 fixa que não se pode receber coisa alheia à aventada. são aplicadas as respectivas correções.contribuído para tal suposição. sem ônus nem bônus para nenhuma das partes. e fornecimento do objeto torna-se impossível. No art. Ora. assumiu um risco. o pagamento é válido. 319 temos a exigência do instrumento que quita a prestação. esse dispositivo não valerá. Se o pagamento efetuado. 310 trata do credor incapaz.. fez pagamento regular. nesses casos. Consiste na possibilidade reequilibrar o contrato que. Porém. 322 admite que o pagamento da última prestação. e é claro ao afirmar isso. uma dívida certa com parcelas regulares. 316 permite a estipulação de variação incidente sobre o pagamento. reter o pagamento até o momento que lhe for oferecido a quitação. in fine: “poderá exigir declaração do credor. ainda que mais valiosa. art. dever pagar duas vezes. Se aplica em qualquer obrigação que perdure. visto que. 304). O artigo 320 estipula o conteúdo do instrumento de quitação (relaciona-se com o terceiro interessado. pelo credor. notadamente. sob pena de. prova-se com testemunhas. autorizado. mediante ação de consignação. Havendo mais de um interessado no pagamento do devedor. Todavia. Se determinado devedor entrega. com recibo. o respectivo artigo impõe ao devedor que prove que o pagamento se reverteu em benefício do credor. Ora. e este for cientificado. assim. orçamentos etc. até em sentenças. pois. que se prolongue no tempo. se tomarmos como problema de fundo as circunstância que levam ao pagamento fracionado. a ponto de tornar válido os pagamentos. Podendo. notadamente. há que haver início de prova. Pois bem. desde que justificada. Notese: a habitualidade influiu. com a perda do título de crédito. porém. há um credor putativo. o incapaz que age naturalmente. o recibo.. 314 deve ser analisado sob o mesmo prisma. visto que. mediante pagamento de remédios.. tornou-se desproporcional. esse preceito trata daquelas prestações que foram assumidas juntamente. 187 do CC (abuso de direito). O art. a quantia para o irmão do verdadeiro credor. No art. o que aventou na integralidade. P. há que se aceitar. como é o exemplo das letras de câmbio. ainda que haja culpa do dono. ainda que não se revista de solenidades.ex. protege-se a boa-fé. P. impossibilita-se de pagar conta de luz. que inutilize o título perdido”. for inferior a dez salários mínimos. V. 321 trata da perda do título particular. as exceções previstas em lei extravagante. O artigo 318 veda qualquer avença feita com índice ou moedas estrangeiras. se o dono do posto de abastecimento combina o fornecimento de álcool mensalmente a uma frota de táxis. porém. deferindo ao juiz a prerrogativa de descobrir a quem pertence de direito. em partes. a aposentada que. sem recibo. o credor putativo não é o verdadeiro. No 317 enxerga-se a teoria da onerosidade excessiva. de prestações periódicas. como correspondências físicas ou eletrônicas. A correção monetária é presenta na lei brasileira. faz pagamento válido. ressalvando-se. há que se depositar em juízo. pagou diretamente ao incapaz. sob pena de incorrer no art. a prestação pecuniária é o principal objeto de pagamento.

porém. Destacando-se. porém. quando o comportamento é capaz de induzir a um local costumeiro. sendo uma etapa prévia à consignatária. é válido nessa circunstância.. isto é. que não há como consignar obrigações de fazer e não fazer. que soam claros. consistente no depósito judicial (consignação judicial). Um exemplo claro. ou em estabelecimento bancário (consignação extrajudicial) da coisa devida. Denomina-se “dívida portável” se houver estipulação de que competirá ao devedor oferecer pagamento em lugar aventado. Melhormente especulado nos arts. diverso do aventado. sem justa causa. se recuse a receber. temos a “dívida quesível”. dessa forma. nos casos em que o devedor se vê impossibilitado de pagar ou o credor. O artigo 335 traz o rol de cabimentos para a ação de consignação. Caso em que. Casos legais de consignação: a) houver mora accipiendi (do credor) (dívida portável ou quesível).exemplo. da reserva condominial. c) ocorrer dúvida sobre quem seja o legítimo credor. Consignação é um dispositivo oferecido ao devedor que quer pagar. Cumpre ressaltar. b) o credor for incapaz de receber. Porém. cumpre ressaltar. “é o querer pagar”. do CPC. p. suspende-se os efeitos da mora. vale dizer. em verdade. O pagamento. portanto. DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO Do art. Se silentes. que não passa duma presunção. . porém. onde o magistrado nomeará um depositário para aguardar a sentença. a justificativa deve ser expressamente justificável. por fim. vejamos. não havendo anuência do credor. foi acertado alhures. DO LUGAR DO PAGAMENTO Fica ao alvedrio das partes.g. onde a cada mês surge uma nova dívida.. é saber o que é consignação e para o que serve. oferece pagamento parcelado. não podem as partes alterar.g. o devedor pode depositar em juízo a parte que oferecerá. que ratificará o fato justo: o não recebimento por parte do credor ou o pagamento por parte do devedor. que o efeito fica suspenso até a emissão da sentença. ilidindo a regra do 314. e. DO TEMPO DO PAGAMENTO Conforme o estabelecido entre as partes. É o meio indireto de o devedor. vendo-se impossibilitado. a consignação dá-se no momento em que se disponibiliza ao credor o bem. Ela serve para suspender os efeitos da mora. se se depositar o dinheiro na conta do credor no dia de chuva que impossibilitou a locomoção até o domicílio do credor. se houve impossibilidade de efetuar o pagamento no local aventado. 890 e s. Se. paga-se no domicílio do devedor. exonerar-se do liame obrigacional. a disponibiliza-se em juízo. Da mesma forma. 334 ao 345 tratamos do pagamento em consignação. 314 (supra). apesar de acordarem que o devedor levaria o pagamento ao domicílio do credor este o busca todo mês no domicílio do devedor. é o já referido no art. devedor que se obrigou a pagar à vista.. Dessa maneira. e. cabendo aos credores provar o contrário. qual seja. O que nos importa. d) pender litígio sobre o objeto do pagamento entre credor e terceiro. salvo caso fortuito. Ora. Se for bem móvel. o feito em estabelecimento bancário é atinente a quantias pecuniárias. Pois bem. O depósito judicial é relativo a quantias ou coisas certas ou incertas devidas.ex. Se. em poucas palavras. Não há que se pormenorizar os artigos seguintes do objeto do pagamento. ferindo a subsistência do devedor. feito em outro lugar. em caso de mora do credor. nos casos e forma legal. se houver mudança tácita do local de pagamento.

se o terceiro que negocia a compra do imóvel com o devedor descontando o valor da dívida. nada obstante ter pagado “menos do que devia” (mas quitou a dívida com o credor). mas. a sub-rogação é também forma de alterar a pessoa. quando o locador dum imóvel é devedor. paga-o de fato. as duas formas de sub-rogação. tornando-se titular da posição credora. O art. confere-a a outrem. assume a posição credora. vale dizer. que garantiu o pagamento. Ou seja. investe-se nos direitos do antigo credor. Ocorrendo isso. 346. vale dizer. onde. aqui o dispositivo da sub-rogação legal entra em cena. ele fica vinculado ao pagamento da dívida. a dívida. por um juiz). i. poder-se-á convencionar que. não há maiores entraves. O inciso II do art. a respectiva parcela do devedor (de quem comprou o imóvel) e a do seu credor (que tinha o imóvel como garantia). O artigo 350 é taxativo ao fixa que o assuntor da sub-rogação legal só poderá exigir (cobrar) o valor gasto. este imóvel. Da mesma forma. in fine. o locatário pode pagar a dívida e evitar o risco da execução. mesmo porque. que pagou satisfatoriamente o credor. se determinada pessoa pagou somente para não executarem o imóvel. Sub-rogação é o modo pelo qual. A hipoteca vincula determinado bem como garantia de uma obrigação. I. o sub-rogado só pedirá o que desembolsou para a respectiva prestação.e. 350. De início. portanto. o importante e interessante encontramos aqui. subsiste para o devedor. portanto. se ele inadimple. que passa a ter por credor. se resume assim: sendo a sub-rogação feita de maneira legal. na cessão. sub-rogando-se nas garantias do antigo credor. portanto. Seis meses depois o magistrado decide que o valor depositado por B estava correto. consta que o bem foi hipotecado. Em vista do parágrafo anterior. Lembra cessão de crédito. Vejamos.Ex. Beviláqua. convenciona a sub-rogação com o proprietário do imóvel.00) acrescido de juros contados desde o dia em que B depositou em juízo. penhora-se o bem em questão (hipoteca resulta de um contrato. que. poderá convencionar qualquer outra prestação com o devedor. visto que paga o que couber a cada um. mediante inadimplência do inquilino inadimplente. assumiu a subrogação. investido nas mesmas garantias. foge à alçada do art. II. extinta para o credor originário.. da mesma forma que pode recusar doação. sub-rogando-se na posição credora. O terceiro pode impedir. em vez de ser hipotecado. DA SUB-ROGAÇÃO Substituição de uma pessoa por outra na relação obrigacional. que outra pessoa pague sua dívida. Em remate. Porém. Ilustrando: o credor executa o locador (este é o devedor da obrigação). em poucas palavras. não legal. 347 trata da sub-rogação convencional. ou seja. visto que. B deverá pagar a diferença (R$ 500. o legislador dispõe que aplicam-se as regras pertinentes à cessão. Em decorrência disso. ou emprestou o necessário para solvê-la. penhor resulta de uma execução determinada. paga o credor. dessa maneira. Vale dizer. diferentemente da cessão. 348. a lei dispõe sobre a transferência.e. poderá ser penhorado (apreensão do bem para o pagamento da respectiva dívida). em seu Código Civil Comentado. aquele que lhe pagou ou lhe permitiu pagar a dívida”. Na sub-rogação legal não há manifestação de vontade. no registro público. 350. Note-se. este bem pode ser vendido. ocorrendo inadimplemento. i. Todavia. em virtude da sub-rogação. o comprador do imóvel pode pagá-la. remetemos ao art. nada pode o devedor fazer se o seu credor vendeu o crédito (na hipótese em apreço trata-se da circulação de crédito). Se a mediadora.: B deposita judicialmente dez mil reais. para o inquilino não correr o risco dessa execução. tratando de sub-rogação convencional. 346 traz a hipótese do bem imóvel com garantia hipotecária. Logo. Na clássica lição de Clóvis Beviláqua. mas não o é. pode-se convencionar com o devedor. A obrigação pelo pagamento extingue-se. A irá levantar a quantia e a obrigação estará extinta. é “a transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação. só terá disponibilidade de cobrar o valor desembolsado. faculta a possibilidade de sub-rogar. como vê-se o art. terceiro. sendo ela (a sub-rogação) feita convencionalmente. atenta que tal . só recebe o que foi gasto. utilizando-se do dispositivo do 347. a legal e a convencional. o inadimplemento do devedor ameaça a propriedade do imóvel. Neste caso. “contrata-se o pagamento de uma dívida”.. se o magistrado decide que B deveria ter pago dez mil e quinhentos reais. notadamente. se transfere com sub-rogação convencional. Pois bem. escusando-se da regra do art. Por outro lado.

Grosso modo. i. Se faz-se novo acordo.) e ela é trocada pelo bem dado (imóvel. extingue-se o vínculo entre elas. a troca de um dívida por outra. em decorrência. considera-se novação. i... escolher na hora em que emite o recibo. o capital. que fica pendente (pagamento financiado). qual seja. i. sem ter extinto os deste. que quer significar “prestação que já sabemos o valor exato. conforme o exposto. que continuará pendente. considera paga a prestação de pensão alimentícia. para saber-se qual será a primeira a ser paga. O primeiro critério fixa que. o devedor tem a prerrogativa de escolha. soa óbvio. vale dizer. Ilustrando a hipótese. sem obste de pagamento (pronta para pagar)”. o ato de financiar é o animus que caracteriza a novação: a troca de um dívida (pagamento à vista) por outra..). vejamos. Com isso. De início. visto que. Ora. tendo esse preferência em relação ao sub-rogado. e a seguradora também o fez (reembolsou os prejuízos do vitimado). Em face dessas duas formas de escolhas expostas acima (devedor. Se há dívida vincenda que incide juros. extinguindo o anterior. que extingue o vínculo entre as partes (a dação é satisfatória.000 referente alimentos e R$ 1. 352 e s. 355 do CC). casos em que mantém-se a mesma prestação. Na hipótese do art. caminho diametralmente oposto da dação.. admite-se que ele anuiu à imputação feita pelo credor. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO Dação é derivação do verbo dar. já vista. romperia a intenção da respectiva cláusula contratada.g. que teve seu veículo danificado. a lei considera que foi paga a mais gravosa (conforme o art. em tais circunstâncias. A dação livra as partes reciprocamente consideradas. 352). é considerada como anuência à imputação feita pelo credor. ao financiar pagamento atrasado. na existência de duas dívidas do jeito supracitado. Quando há prestação em aberto (dinheiro. Esses artigos servem exatamente para isso. Regra consagrada. se não limitarem os direitos do sub-rogado na sub-rogação convencional.e. que pode. por mês. afinal. com outra prestação (objeto)”.. Assim. se elimina-se nalguma hora. se as partes foram silentes (não estipularem os valores remanescentes). por fim. fixado nos arts.e. papel secundário em relação ao segurado (credor originário). no capital que incide juros e. não sendo o pagamento total (i. na hora que se prove do “recibo” mantém-se silente. o devedor pagará qualquer uma delas. O caso em apreço. vale dizer. prerrogativa esta que. 353). pois esta foi sub-rogada.g. cumpre destacar a significação da palavras “liquidez”. porém. embora de forma diferente. paga-se primeiro o juros. “passível de ser exigida”. por regra. temo-la prevista nos art. se não objetou (contrapôs-se). ainda que com outro vínculo). vemos que o primeiro pagamento é feito ao credor originário. 351.dispositivo fixa que. se um marido deve pagar. se recebeu a dívida e nenhum deles estipulou o que recebia/pagava. se o devedor somente oferece o valor e. O artigo 354.ex. tendo. . eliminando. se. se o causador do acidente de trânsito paga a vítima. por decorrência). floresce-se uma terceira. em outras palavras.. e. quita-se. figura um credor de duas dívidas vencidas do mesmo devedor. o causador não terá que pagar para a seguradora. porém. transfere-se para o mutuante direitos de extensão igual ao do credor originário. DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO “É a escolha de qual dívida pagará quando houver mais de duas já vencidas”. é convencionado que assim será (quitação da dívida anterior com outro objeto de prestação). “ele abriu mão do direito de escolha (art. ou credor.000 respeitante ao aluguel do apartamento que é da ex-esposa. 356 a 359 do CC. A título de exemplo. qual seja.e. e deposita somente um mil reais. primeiramente o juros. R$ 1.e. v. temos a novação. a novação perdura. ainda que mais valioso. o devedor escolherá qual deve ser paga (regra do art. Também o significado de “vencido” nos interessa. pela lei. em virtude de sua natureza mais gravosa (incide prisão sobre dívida de alimentos). entra em cena a dação. é aquela que “não se pode pagar. Pois bem. p. Daqui surgi importante consideração. o artigo 355 soa categórico. contraiu empréstimo para pagar parcela da dívida).

não cabe novação sob negócio nulo. visto que se estaria convalidando um negócio nulo. em verdade. 364 estabelece que os acessórios e garantias. DA CONFUSÃO. 381 e s. é inócuo. simultaneamente. desfaz-se o liame obrigacional integralmente. pode constatá-lo implicitamente no instrumento pelo qual se deu. ele é nulo para sempre. ela (a dação) se desfaz. vale dizer. após a morte. a novação. em verdade. tanto para um como para outro (art. fundada na confiança. se se aplica tal procedimento à compra e venda. sobre o artigo 367). Quanto à dívida prescrita. cabe novação. 299 possibilita a mesma ação (de regressão). expressa ou tacitamente considerado. simultaneamente). 206). recai sobre a dívida vindoura. somente requerendo que o credor ignore o estado de insolvência do atual devedor. sob o prisma do art. vejamos cada uma delas. em consonância com o primeiro. qual seja. então. tornando-o. reforçar juros ou garantias não caracteriza novação. pelo adquirente (comprador que recebeu a garantia da evicção).considera-se quite o pagamento. 172 (de acordo com a súmula 296. Há. que a impede que seja utilizada ou a torna desvalorizada (art. a troca do objeto da prestação e de uma das partes. se ele o evidenciar. um negócio celebrado por incapaz é nulo para sempre. um negócio válido. desaparecem. Por fim. em virtude disso. Isto é. O art. Um segundo requisito. Esta caracteriza-se quando as posições de devedor e credor recaírem sobre a mesma pessoa. é a garantia que o vendedor dá. em razão de contrato comutativo. a herança pagará a própria dívida. 169.g. . 171). O art. frise-se. visto que a garantia é dada tendo a pessoa do devedor como pano de fundo. a novação subjetiva e a mista. No caso da evicção. de anulável. arts. portanto. vende-se o bem e perde-o por decisão judicial. há confusão com a assunção de dívida e com a cessão de crédito. total ou parcial. é objetiva (alteração do objeto da prestação) ou mista (alteração do objeto e de uma das partes. Se a garantia envolve terceira pessoa. se o negócio é anulável (art. após a venda. A nulidade dum negócio jurídico não prescreve. Numa novação subjetiva há a alteração de uma das partes. há que se aplicar à dação. Até agora vimos a novação objetiva. esta deverá anuir. O primeiro requisito para a novação é que a dívida deve ser válida. salvo no caso que as partes estipularem contrariamente. há. A simples refixação de cláusulas no contrato não caracteriza novação. a nova dívida deve ser válida também. resultou em perda da coisa. Se determinada pessoa contrai empréstimo com uma pessoa que. É inútil adentrar no estudo do art. sem a exigibilidade da má-fé. a evicção. Novação. é. segundo o art. Entretanto. Na novação mista. Todavia. substituída por uma nova. DA NOVAÇÃO Substituição de dívida não cumprida por outra obrigação igualmente não cumprida. vale dizer. 363. que caracteriza evicção ou vício redibitório. visto que contraiu processo judicial do qual. na novação. entretanto. não cumprirá de imediato. 363 exige a má-fé do devedor antigo para que se tenha direito à ação de regressão. Terceiro requisito evidencia-se com o animus de novar. Ora. pode-se efetuar a novação. O vício redibitório é o vício ou defeito oculto da coisa recebida. já existente antes da celebração do negócio jurídico. firmado novo prazo para cumprir. pode utilizar-se deste outro modo de adimplemento. A primeira obrigação desaparece. 357). visto que o herdeiro pagará para si mesmo. Nos dois casos se desfaz a dação. e. em face disso. o art. se não vier expresso. a destina seu patrimônio (herança). Frise-se. A dívida se extingue com a confusão. não há que se falar em pagamento. ora. Se faz dação com vício (imóvel com pendência). conforme a jurisprudência deste instituto.. se pode se pagar uma dívida prescrita.

art. frise-se. . que se dá automaticamente. compensar empréstimo com indenização).ex. 375. essa interpretação dos honorários advocatícios. não se compensa. paga-se o uso do patrimônio alheio. inclusive. os bens de família. ressalvando-se seus requisitos. O art. por exemplo. por sua vez. consiste no perdão da dívida. O inciso II obriga o contraente de comodato a devolver a coisa. São requisitos da compensação a reciprocidade das obrigações (duas pessoas devedoras uma da outra. visto que fora aviltado pela inflação. Equipara-se à doação. Sem maiores complexidades. em face da penhora. O inciso I trata do dinheiro advindo de ato ilícito. “Correção monetária” significa “corrigir o valor da moeda”.ex. os objetos de trabalho (a sua finalidade é sustentar o indivíduo) etc. Uma dívida anula a outra. 649. estaria prejudicado. Inadimplemento é um gênero: não entregar a coisa devida. Há duas espécies de compensação. ou ela não mais interessa ao credor. visto que o terceiro. que fixa um rol de coisas incompensáveis. não há que se vigorar isso. exequente. segundo o qual não há mais como satisfazer a obrigação. Se umas das obrigações é de alimento. e o inadimplemento relativo. vem no art. 368. se não houve gastos com advogado. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES Em caso de descumprimento da obrigação o inadimplente deve indenizar. 373. manifesto quanto a sua existência e delimitado quanto a sua extensão) e a exigibilidade das dívidas (vencidas. fica vedada a compensação desde o momento que o objeto adquirido pelo devedor tenha sido penhorado contra o seu devedor. Há dívidas que não são compensáveis. 389. P. 369. não permitindo compensar dívida se obteve o dinheiro para quitação subtraindo-o do credor. onde o devedor fica em situação de descumprimento. e. 380 veda a compensação que seja prejudicial a terceira pessoa. se o bem adquirido pelo devedor. se houver remanescente.DA REMISSÃO Do verbo remitir. vedam a possibilidade de compensar). mister se faz que haja a aceitação do devedor. trazidas pelo art. sendo admitida previamente à anunciação da compensação (antes de celebrarem) ou se de outra forma convencionaram (no momento do contrato.g. 368. O absoluto pode se caracterizar pela não entrega dum imóvel pronto e o relativo pela não entrega dum imóvel que está sendo feito. que não recebeu o imóvel. para compensar a dívida com seu credor. o dinheiro gera riquezas (frutos civis). visto que. o devedor inadimplente deverá torná-lo indene. a legal. acrescido das respectivas incidências decorridas do descumprimento... Vale dizer.. paga-se os valores com o acordo. frise-se que o 372 admite o estabelecimento de novo prazo. assim como outros bens. Quem descumpriu com o dever irá recompor o prejuízo experimentado injustificadamente pelo outro. não imperando o dispositivo da compensação. não se restringe ao valor da sucumbência. A compensação opera-se até o valor que se aniquilam. inadimplemento absoluto. “Juros” quer significar o “fruto do capital”. a fim de compensar) e a fungibilidade dos créditos (as dívidas devem ter a mesma natureza. teve dispêndios com aluguéis. Quanto à renúncia. art. que depende do acordo entre as partes. p. em seus incisos. agora. for objeto de penhora por terceiro. mas se estende a todos os gastos havidos com a ação e aqueles honorários oriundos do contrato. compensando-se de pleno direito. pois. como. a liquidez (valor certo. se o comprador. não poderá efetuar o pagamento ao seu credor nem opor a compensação ao exequente. embora. A compensação convencional se dá através dum contrato entre as partes. é sustentada pela jurisprudência do art. o inciso III remete ao art. quais sejam. A automática está fixada no art. e a convencional. pois que sua finalidade é a subsistência duma das partes. Frise-se. estendidos a todas as despesas. perdura. Em suma. “Honorários de advogado”. Divide-se em duas espécies.ex. porque o adimplemento da obrigação ainda interessa o credor. Por fim. p. DA COMPENSAÇÃO Consiste no meio de extinção das obrigações pelo encontro de dois créditos recíprocos entre as mesmas pessoas. por vezes.

e 4. para o devedor. 3. está ele em mora. mas este é o elemento “dispensável” em determinados casos). também chamada de mora solvendi. O credor não precisa incorrer em culpa para se caracterizar a mora. É inegável.. no dia do cumprimento. Portanto. Há determinados pressupostos para se caracterizar a mora. pois ao credor ainda interessa o pagamento. e desfazê-lo somente suspende a mora. para justificar a mora. Por outro lado. 2 inexecução culposa (note-se que aqui os pressupostos se afastam. o beneficiário (o carona) terá o dever de indenizar. 2 oferta de pagamento pelo devedor. o credor não pode invocar caso fortuito ou caso fortuito. ele prevê a exclusão do dever de indenizar. em tais circunstâncias falta um dos elementos indispensáveis ao dever de indenizar. pois enquadra-se. Mora. hoje sendo dia quinze. se o motorista. o inadimplemento pode ser superado. dada pessoa dá carona a outrem que. que a boa vontade do devedor não pode vencer. Somos acostumados a dizer que “mora” é o mesmo que “atraso”. como o furacão.. por o atrapalhar a atenção. aplicam-se ao negócios jurídicos. por gentileza. i. v. vale dizer. responderá ele por perdas e danos. O dever de indenizar decorre de quatro requisitos. que ofereceu carona. dano (prejuízo injustificável). porém. A lei que estabelece os bens de família. força que modifica o mundo exterior). a tempestade etc. e 3 recusa injusta no recebimento (recusar pagamento parcelado não é mora. não incorreu em mora). Veja. se. aquele fato criado por terceiro. ainda que por erro leve (tapar o retrovisor. dependendo das circunstâncias. varia o tratamento para com cada uma das partes (doador / recebedor). é exemplo clássico da exceção à regra do 391. a culpa é requisito indispensável para o estabelecimento da mora. invade os bens do devedor. agora. não é limitada ao conceito de atraso. às manifestações de vontade que afetam o mundo jurídico. 393. qual seja. vale dizer. que retarda ou cumpri imperfeitamente. ou de força maior. nexo causal (entre conduta e o resultado. 394 fixa que mora é descumprimento da obrigação que ainda pode ser satisfeita.O art. Se não se pagar o aluguel com vencimento para o dia dez. quanto para o devedor. 392 e s. Enxergando caso fortuito.. culpa (na maioria dos casos a conduta deve ser culposa. e. vejamos. são: 1 dívida líquida (com valor determinado) e vencida (exigível). Se o beneficiário causa a lesão. A leitura do art. nas obrigações de fazer: se se avença com um marceneiro que lhe entregue uma mesa de mogno com três pés e. acrescido das respectivas incidências.ex. como acontece no assalto. não terá o dever de indenizar.). o nexo causal entre a conduta e o resultado (dano). no direito civil não. Os pressupostos para a mora do credor. Quanto ao art. Contratos benéficos significa “negócio jurídico gratuito. qual seja. Os pressupostos para a mora do devedor. 2. decorrente de forças naturais ininteligentes. havendo dano em negócio jurídico gratuito. sendo obrigação de não fazer. está-se em mora. Fixa o artigo que.. a fim de adimplir a dívida. porém. Os arts. por intermédio do juiz. o acidente que não podia ser razoavelmente previsto. A regra contida no 391 não é absoluta. é caracterizada a inadimplência no momento que o faz. lhe entrega uma com quatro. DA MORA O artigo 394 abre o capítulo da mora. mas não descaracteriza o descumprimento: descumpriu.g. Isso vem consagrado na súmula 145. 1. visto que ao credor ainda interessa o pagamento. porque a inexecução não culposa o isenta da mora). chamada de mora accipiendi. ainda que leve. Quem estabelece a exclusão do requisito culpa é a lei. tanto do credor. impedindo a execução da obrigação. i. O art. 390 traz a hipótese da obrigação negativa. o dano). que se recusa a receber injustamente. quando uma pessoa aumenta seu patrimônio sem nenhuma contrapartida.g. ver-seá que não há que se indenizar. Segundo o 392.e. Este instituto fixa que o Estado. 392 traz a “regra do carona”.. se construir acima do limite que aventou não fazê-lo incorreu em mora. dos quais três são absolutamente indispensáveis.e. embora. Há diferenças em relação à mora de cada um (devedor/credor). por exemplo. Pois bem. Lei 8009/90. envolvese em acidente que causa lesões ao carona. P. conduta (ação ou omissão. são: 1 dívida líquida e vencida. Posto isso. caso seja determinado pelo juiz que o fará. 3 interpelação (aviso ou advertência ao credor de que se deseja adimplir a . o faz envolver-se em acidente.

a figura do dano emergente e do lucro cessante. O art. salvo se haver cláusula penal. se os juros revelam-se insuficientes ao reestabelecimento do statu quo ante. Em remate. se o credor encontra-se em mora. se o comprador iria inaugurar a loja. serlhe-á ressarcido. os juros de mora incorrem desde a citação. judicial ou extrajudicial) ou termo final. aquilo que ele efetivamente perdeu. Ressalta Beviláqua. frise-se. tendo como juros a remuneração sobre o capital em questão.obrigação) judicial ou extrajudicial quando a dívida não for a termo. valor determinado. a mora é caracterizada desde a citação (interpelação. Segundo o art. seja porque teve aumento em seu passivo (não recebeu a casa na data prevista e. salvo disposição contrária da avença. data pré-estabelecida. que integram o valor correspondente às perdas e danos. já vimos. Dano emergente é uma conta de subtração. 398. aqui. os lucros cessantes só são devidos se previsíveis no momento em que a obrigação foi contraída (se o dono da gráfica aventa o recebimento duma nova máquina que substituiria uma que falhara há lucros cessantes se ocorrer o inadimplemento do devedor. é possível se calcular os lucros não auferidos a partir do momento que não a recebeu. é a diminuição patrimonial experimentada injustificadamente pelo credor. onde se arbitra o valor. todavia. conforme o art. somado à atualização monetária. 397 traz a figura da dívida positiva – dia certo – e líquida – com valor determinado. incide contra o moroso juros de mora. 402. E os honorários advocatícios são indenizados também quando há inadimplemento de obrigação pecuniária. se molhou e apodreceu). conforme o art. a título de juros. não há falar-se em lucro cessante. por conta de chuva. ainda que por motivo de caso fortuito ou força maior. trazidos no art. responde. dívidas que não têm liquidez. nas obrigações positivas. em virtude disso. tudo bem. 399. que deveria entregar a máquina. depende da comprovação da oferta. 400. dado o inadimplemento do devedor. Até. têm só o aspecto positivo. Cumpre destacar. a mora do devedor é o não cumprimento/cumprimento imperfeito culposo. como havia a máquina anterior. Há. dá-se a mora do ato ilícito desde a conduta causadora de dano. qual seja. o devedor não responderá pelo caso fortuito ou força maior. não teria mais obrigação de dar. que. se não estivesse em mora. que é a diminuição potencial do patrimônio do credor. não tendo a liquidez. ou a positividade. a mora do credor é o não recebimento. seja porque teve seu patrimônio depreciado (não fora colocado o telhado duma casa e. teve que refazer o forro. visto que. 402 ao 405 tratamos das perdas e danos. o que ele gastar para a sua conservação (da coisa). com comprovada interpelação do devedor. a partir deste momento. porém. porque. nas obrigações negativas. ocorrendo mora. comprovando que o juros de mora não são suficientes à cobertura dos prejuízos. pois não houve lucro. Segundo o art. 407. 404 inova ao permitir que o juiz conceda indenização suplementar. A atualização monetária corrige o poder de compra da moeda. não indeniza). de não fazer. se aconteceu depois da mora. é lucro hipotético. não se paga além do 1%. os juros de mora incorrem sobre o inadimplente desde a citação. ainda quando a obrigação fosse desempenhada oportunamente”. DAS PERDAS E DANOS Do art. que “no caso de mora o caso fortuito ou de força maior não escusa. Por lucros cessantes entende-se o bloqueio duma soma. ademais. 404 fixa que juros são pagos independentemente de prejuízo. caso em que a constituição da mora é automática. independentemente de culpa. gastou com aluguel). para o correto cumprimento. Há que se saber quando iniciou a mora. pelo perecimento do objeto. O art. que figura o prejuízo injustificado. O parágrafo único do art. frise-se. a data da quitação. Em suma. porém. há que falar-se em indenização complementar. Geralmente. a mora é tida desde o fazimento da respectiva abstenção que fora prometida. pelo lucro que deixou de auferir. em virtude disso. Se o devedor encontra-se em mora. salvo se o devedor provar que não teve culpa no atraso da prestação ou que o dano ocorreria. DOS JUROS LEGAIS .

portanto. como. porque é clara. exagerada. caso a mora seja do devedor. fixados em 1 %.. cada um indeniza proporcionalmente à sua quota correspondente. Em seu parágrafo único trata da hipótese contrária. quando a multa ultrapassar o valor da obrigação principal. No art. para haver multa superior ao valor da obrigação há que ser justificada. . 412. pois. o critério de redução. totalizadas em cem prestações. que deve intervir no valor da multa. três hipóteses são possíveis. A cláusula penal. Nada impede que as partes convencionem a indenização complementar. 412. Há neles a distinção no que tange obrigação indivisível e divisível. A súmula 596 exclui a incidência deste instituto. a terceira maneira de intervenção do juiz é em todos aqueles casos que a multa for manifestamente desproporcional. prevista no art. que traz-nos uma somatória. Vejamos. tida a título de compensação. em caso de mora do credor. Por fim. é o quantum a obrigação já foi cumprida. ou se exigirá o cumprimento da obrigação original. O 415 fixa que. incorre na previsão do 413. se cobrá-la com o acréscimo da atualização monetária há dupla cobrança desta. nos casos de obrigação divisível só incorre em pena o devedor inadimplente. 410.O artigo 406. malgrado ter respeitado os limites do 412. não estão sujeito à penalidade da cláusula penal. e pré-fixar a indenização. Há duas formas pelas quais a cláusula penal se manifesta: cláusula penal compensatória. acrescida das respectivas incidências (multa e atualização monetária). portanto. 412. ou o cumprimento imperfeito. O valor da cláusula penal. que abre este capítulo. vale dizer. qual seja. tem duas finalidades. Ora. Assim. soa injusto fazer o inadimplente pagar 180% do real valor da obrigação). 411. assim. o STJ já utilizou-se das duas maneiras de cobrança. que pré-estabelece perdas e danos. A União cobra a taxa Selic. sobre as instituições financeiras. se se cobrar atualização monetária há que se somar aos juros trazidos pelo art. p. A leitura do art. consistente na soma da obrigação principal acrescida da penalidade cominada pelo contrato. é vetado ao contraente exigir indenização suplementar. ou se exigirá a cláusula penal. por isso. prevista no art. já se tenha pago 80 prestações. Pois bem. 414 e 415 é fácil. A regra que fixa os juros correspondentes àqueles cobrados pela Fazenda Nacional (a União) é tormentosa. 407 fixa que o juros satisfazem o lesado e punem o inadimplente. não havendo disposição expressa. O artigo 416 estabelece que não é necessária a existência de prejuízo para exigir-se a cláusula penal. aquela hipótese que o valor da cláusula penal é inferior ao prejuízo. A cláusula punirá e preverá a indenização. tanto a taxa Selic quanto o art. caracterizando-se um pacto acessório. é mal redigido. a partir do momento que se transforma em perdas e danos a obrigação é divisível. o estabelecimento de uma suspensão de fornecimento. porque. houve cumprimento parcial da obrigação (se. por exemplo. pois os outros obviamente cumpriram e. O art. DA CLÁUSULA PENAL A finalidade da cláusula penal é a prevenção do inadimplemento. punir o descumprimento. a primeira é o caso previsto no art. O art. Frise-se. nestes casos. mas também o caráter punitivo nela embutido a efetiva. ao tratar da obrigação indivisível. O art. afirma que cada devedor responderá proporcionalmente à sua parte pela cláusula penal. 413 dá uma arma para o juiz. não excederá o valor da obrigação principal. qual seja. revelando-se abusiva. 161 do Código Tributário. O 414. para os casos que há imperfeição no pagamento ou descumprimento relativo da obrigação. fixando a cláusula penal como o mínimo da indenização. Para tanto. ou a entrega de maior quantidade. segundo a imposição do art. A segunda maneira é quando. mas não é a única. a título de compensação do maior prejuízo. visto que o prejuízo não é seu único elemento de validade. 410 transfigura a relação obrigacional em alternativa. ainda que dentro destes limites impostos pelo art. a taxa Selic deve ser usada sozinha. em prestações consecutivas. sendo culpado um só. instituto da usura. 411 temos a figura da cláusula penal moratória.ex. portanto. e a segunda maneira é a cláusula penal moratória. que traz somada nela a taxa de juros e a atualização monetária. 161 do CTN acrescido de atualização monetária. que é fixada nos casos de total inadimplemento da obrigação. A multa é uma forma de cláusula penal. quais sejam. é uma pena convencional. cabe-lhes ação de regresso. pois só existe em virtude de outra avença. pode incidir sobre prestações futuras.

in fine. Em qualquer caso. temos a hipótese do sinal penitencial (punitivo). de uma motocicleta. 418 e 419 trazem a hipótese das arras confirmatórias.DAS ARRAS OU SINAL É a quantia dada em dinheiro. qual seja. portanto. se do mesmo gênero da prestação final. serem computadas a esta. a título de arras. em sua 1ª parte. O fundamento das arras ou sinal é a confirmação do negócio em questão. pois só se caracteriza se houver a entrega da coisa no primeiro momento. quem as deu poderá ter o negócio como desfeito. O sinal. 418. o sinal é idêntico ao objeto que será entregue no final. são absolutamente aproximadas. no cumprir a obrigação. Sinal ou arras se aproximam da cláusula penal. é um valor mínimo que pode ser complementado por indenização. é. No sinal confirmatório. com as respectivas reincidências. como na sucessão hereditária. não há como cobrar mais. não é exercício dum direito. fixando exatamente o valor da indenização. 419. isso o diferencia da cláusula penal. ou por atos inter vivo. é um ato ilegal. aqui. se preferir. em caso de execução. 413. que. A mudança de sujeitos não acarreta nenhuma alteração nas características objetivas da obrigação. por outro lado. Frise-se. finalmente. O ato que determina a transmissão chama-se cessão. A transferência de sujeito pode dar-se por mortis causa. Nesse sentido o art. poderá exigir a indenização suplementar que tem como mínimo o valor das arras. que é um direito pessoal. 419 fixa a possibilidade de pedir indenização suplementar. tem outro aspecto. que confere o direito de arrependimento às partes. O sinal penitencial. fixando que. deverão as arras serem restituídas ou. o credor deverá devolver a motocicleta com o adimplemento da obrigação. ou. conforme o art. não com a entrega dum bem. com o objetivo de assegurar o cumprimento da obrigação. 418. fixa que a inexecução por parte da pessoa que deu arras a sujeita à perda destas. o juiz deve intervir no valor da indenização. É o que diz o art. o sinal confirmatório. é pago antecipadamente. com a prestação original firmada em dinheiro. o recebimento das arras. Transmissão das obrigações (disposições gerais): Noções gerais: As relações obrigacionais admitem alterações no conteúdo do seu objeto e nos seus sujeitos (ativos e passivos). O sinal consiste num direito real. Os arts. Neste caso. disso é a entrega. Por outro lado. exigindo. Cessão do crédito: Conceito: . frise-se. enquadrando-se as mesmas possibilidades tidas para com a cláusula penal. o acréscimo do valor equivalente. vale dizer. a parte prejudicada preiteará indenização suplementar. o art. 420. Em remate. O sinal é tido no mesmo contrato. a cláusula penal só é paga no caso de descumprimento. conforme a leitura do art. nos casos de descumprimento. Ex. Elas se preservam como se nada tivesse acontecido. fixa a hipótese da inexecução pela pessoa que recebeu as arras. provados maiores prejuízos. No art. que surge do contrato entre as partes. portanto. cabendo analogia. Há dois tipos de sinais. o confirmatório e o penitencial. mas não são equivalentes. fixa o mínimo de indenização no eventual descumprimento. ou outra coisa fungível. porque. porém. o descumprimento do contrato. celebrado em contrato. qual seja. A parte que desfaz o negócio é punida porque usufruiu dum direito. como vimos. quando ele é parte do pagamento. O mesmo artigo. da execução do contrato. se não for provado maior prejuízo. O art. além do recebimento das arras. na 2ª parte. vale dizer. Sendo assim. aquela que firma o negócio. O sinal confirmatório. confere o direito de arrependimento. além da devolução das arras. 417.

a capacidade não é requisito suficiente para se ter a legitimação. não se exige forma especial. O cedente deve ser pessoa capaz e legitimada para praticar atos de alienação. A cessão de crédito pode ser feita gratuitamente ou onerosamente (mais comum). ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1° do art. Quando a cessão é gratuita. mas não pode ser alegada para anular a cessão ao cessionário de boa-fé caso não esteja constado no instrumento da obrigação. Características e requisitos: "O credor pode ceder o seu crédito. 1691). prévia autorização judicial (art. as cessões dos acessórios . 346. ou a convenção com o devedor. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. Na novação. São exemplos de cessão legal: as sub-rogações do art. inc. 286). o devedor solidário que paga toda a dívida (art. A cessão do crédito é legal quando ocorre por determinação da lei (ipso juri). se não constar do instrumento da obrigação" (art. Na cessão onerosa. o fiador que também paga toda a dívida (art. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. se tiver procedido de má-fé" (art. em favor de quem são transferidos os créditos adquiridos pelo mandatário (art. O cedente é excluído da obrigação por não fazer mais parte dela. 288). se não se celebrar mediante instrumento público. 654" (art. O cedente pode ainda transmitir a sua parcela do crédito para pessoa diversa.É a mudança do sujeito ativo da obrigação. Acontece entre o credor e terceiro. em relação a terceiros. o cedente persiste com parte do crédito. o que acarreta na mudança de todas as características. 295). ainda que não se responsabilize. respectivamente. estando incluso ainda na obrigação. a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. O crédito transmitido sub-existe. preservando todos seus acessórios. salvo se o objeto tiver por substância do ato escritura pública. a lei. Quando sim. Sua anuência é dispensada. se a isso não se opuser a natureza da obrigação. Espécies de cessão de crédito: "Na cessão por título oneroso. Em alguns casos. "Salvo disposição em contrário. 831). os pais. Nos créditos envolvendo direito real de garantia. 668). Porém. Na cessão parcial do crédito. O crédito cedido a mais de um cessionário é independente para cada um. O devedor (cedido) não participa necessariamente da cessão. preservados os do devedor. A cessão pode constituir-se pelo simples acordo entre as partes. 287). ao administrar os bens dos filhos menores. o cedente. A convenção das partes pode impedir que se faça uma cessão de crédito. o cedente é responsável pela existência e titularidade do crédito no momento da transferência. diz-se que ela foi total. II. ressarcindo o cessionário caso o haja. Da mesma forma. A cessão do crédito pode abranger a totalidade da dívida ou não. na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios" (art. O tutor e o curador. O cessionário de ser pessoa plenamente capaz. por exemplo. Responder pela existência é garantir que o crédito não seja prejudicado por exceções ou qualquer outro tipo de impugnação. o que há é a substituição da obrigação por outra. alheio ao negócio jurídico inicial. o mandante. Para valer entre as partes. com a diferença de que o objeto é um bem incorpóreo. este só será responsável se tiver agido de má-fé. É como uma venda. Ele tem apenas o direito de ser informado da cessão. a transmissão de um crédito. Não há animus novandi. "é ineficaz. Não se pode transmitir as obrigações de caráter personalíssimo e de direito de família. A cessão do crédito transmite apenas os direitos do credor. 283). não podem cedê-los se. não podem ser cessionários de créditos contra seus pupilos e curatelados. deve haver consentimento do cônjuge. Diferença com institutos afins: A cessão de crédito se diferencia da novação subjetiva ativa porque nela as características objetivas da obrigação permanecem. Nestes casos a cessão é convencional.

O que se indeniza é apenas o interesse contratual negativo. Entretanto. A situação do cedente não se confunde. A presumida é a que resulta da espontânea declaração de ciência do devedor. não tendo notificação dela. mesmo que não tenham sido feitas na altura da notificação. 296). antes de ter conhecimento da cessão. pois ele não concorreu com a transferência. Por isso. bem como as que. Isto não significa. "Salvo estipulação em contrário. Se nada opôs na hora contra o cedente. o cedente irá reembolsar o cessionário em R$ 8.000 que possui com terceiro para o cessionário no valor de R$ 8. não poderá mais fazer. ou que. A cessão legal e a judicial não necessitam de nenhuma exigência a mais do que as que naturalmente dispõe. seria ilógico obrigá-lo por algo que não foi feito por ele. mas o devedor que o pagar. Cessão do débito: . Esta foi imposta pela lei. Notificação do devedor: "A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor. Caso a obrigação seja solidária. "Fica desobrigado o devedor que. por exemplo. o da obrigação cedida. e não o crédito do cessionário. 292). porém. Alguns crédito não exigem notificação da cessão. fica exonerado. Exemplo: se o cedente vende um crédito de R$ 10.000. o cedente não responde pela solvência do devedor" (art. mas por notificado se tem o devedor que. nunca podendo ser presumida. uma vez penhorado. senão quando a este notificada. com a do fiador ou a do devedor solidário. 297). "O cedente. pode o devedor exigir o cumprimento pelo cessionário para que.000. se declarou ciente da cessão feita" (art. Uma vez penhorado. Tanto o cedente quanto o cesionário podem notificar o devedor. A citação inicial para ação de cobrança equivale à notificação. A notificação pode ser expressa ou presumida. 287). "O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem. Sendo assim. efetue o pagamento. 294). caso o cedente não tenha cumprido a obrigação. pois sua transmissão dá-se de forma especial. o cedente não responde pela existência do crédito. no caso de mais de uma cessão notificada. não pode ser objeto de cessão. pois quem paga mal. podem as partes convencionar que o cedente deve responder pela quantia total do crédito. então. 298). a cessão é chamada de pro soluto. acrescidas as despesas. não responde por mais do que daquele recebeu. Já as exceções cabíveis ao cessionário ou à natureza da obrigação podem ser opostas a qualquer momento. prevalecerá a prioridade da notificação" (art. caso esta aconteça. paga duas vezes. Quando a cessão é legal. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. Num contrato bilateral. Esse tipo de cessão deve estar expressamente estipulada no contrato. e não somente a negociada. A cessão pode ainda ser judicial. com os respectivos juros. 290). pelo princípio do pacta sunt servanda. Quando o cedente responde apenas pela existência do crédito e não pela solvência do devedor. tinha contra o cedente" (art. subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiros" (art. deve cobrir a dívida em caso de insolvência do devedor. responsabilizando-se pela insolvência. paga ao credor primitivo. etc. além de responder pela existência. todos os co-devedores dever ser notificados. mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança" (art.(art. Ela o é sempre que for determinada pelo juiz. Se o devedor foi notificado e mesmo assim paga ao credor primitivo não se desobrigará quanto ao cessionário. responsável ao cessionário pela solvência do devedor. que a notificação seja elemento essencial. a cessão é pro solvendo. "O crédito. quando o crédito constar de escritura pública. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão. A expressa é a comunicada pelo credor. o crédito deixa de fazer parte do patrimônio da pessoa. se o cedente. em escrito público ou particular. com o título de cessão. Porém. a qual presume o consentimento do devedor. paga ao cessionário que lhe apresenta. como os títulos ao portador.

apesar de haver mudança do devedor. entender-se-á dado o assentimento" (art. mediante a obrigação contraída pelo promitente. "Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. do mesmo modo. O fiador que paga a dívida integralmente subroga-se credor do devedor primário. sendo repassados para o novo devedor. ao tempo da assunção. d) Assunção da dívida e estipulação em favor de terceiro: Na estipulação em favor de terceiro. muitas vezes. O fiador responde por dívida alheia. caput). Características: Só pode ser feita com a anuência expressa do credor. pois se presume que ele vê na figura do devedor a certeza de que este tem idoneidade patrimonial para solver a dívida. Uma troca de devedor pode representar. Qualquer dívida pode ser objeto de assunção. que recebe a dívida. É a interpretação do contrato. salvo se aquele. o benefício do antigo devedor resulta imediatamente da sua liberação da dívida. inclusive os acessórios. alguém se obriga a efetuar a prestação no lugar do devedor. 303). mas que ele o fez sua. extinguindo-se a antiga. o terceiro consente em apenas efetuar o pagamento. responde pelos encargos obrigacionais. também conhecida como assunção de cumprimento: Na promessa de liberação do devedor. na novação. Na assunção. exceto as que devem ser cumpridas pessoalmente pelo devedor. A anuência do credor é indispensável. 299. se o credor. na verdade. para ele. notificado. Já na assunção de dívida.Conceito: É a alteração do sujeito passivo da obrigação. "É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. c) Assunção da dívida e fiança: A fiança é. pois tudo que fez foi pagar sua própria dívida. ficando exonerado o devedor primitivo. elas continuam. uma incerteza quanto ao seu cumprimento. A assunção da dívida acarreta somente na mudança do polo passivo obrigacional. preservando. A conseqüência prática dessa distinção é que na novação as garantias e os acessórios se extinguem. uma obrigação subsidiária. não impugnar em trinta dias a transferência do débito. Todos os encargos e acessórios são mantidos. com o consentimento expresso do credor. recaindo a obrigação ainda sobre o devedor. "O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. a segurança do negócio. Nas duas há alguém que paga a dívida de terceiro. parágrafo único). Espécies de assunção da dívida: . também conhecida como assunção de dívida. interpretando-se o seu silêncio como recusa" (art. pois a obrigação se extinguiu. Torna mais rápida a transferência. na promessa de liberação. Somente no caso do adquirente de imóvel hipotecado é que o silêncio do credor interpreta-se como sua anuência. Contudo. que possibilita a identificação da categoria. O terceiro. 299. era insolvente e o credor o ignorava" (art. Já na assunção. Já o assuntor responde por dívida própria que era alheia. A diferença é que. O assuntor não. acontece a criação de nova obrigação. e não mediante a atribuição de um novo direito a uma prestação. o estipulante ou promissário cria a favor do terceiro beneficiário o direito a uma nova prestação. a obrigação persiste. Esse artigo torna mais fácil a venda de imóveis hipotecados. tendo em vista que a obrigação persiste. desonerando-o da mesma. Semelhança com institutos afins: a) Assunção da dívida e promessa de liberação do devedor. b) Assunção da dívida e novação subjetiva por substituição do devedor: Nas duas há na figura do devedor. Isto significa que o credor não tem direito de cobrar deste terceiro o cumprimento da promessa. pois dispensa a homologação do credor de forma direta.

ou posteriormente na forma de ratificação. É o caso da cessão do comprador de um imóvel loteado numa relação de compra e venda. O antigo devedor ainda responde por uma parcela. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação" (art. diz-se que ela é imperfeita. a assunção é por expromissão. A outra parte que não participa. pois dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos. o credor é o delegatário e o terceiro é o delegado. pois é o próprio que participa na alteração. a assunção é liberatória. é imprescindível a anuência deste. O antigo deve arcar com a dívida. entretanto. Se uma garantia especial dada pelo devedor primitivo (como a fiança). consideram-se extintas. Há certos casos em que a lei dispensa o consentimento do cedido. no momento em que se celebra a substituição. "Salvo assentimento expresso do devedor primitivo. O fiador não é obrigado a garantir devedor que não conhece (o assuntor) As garantias reais (penhor. só acontece de um deles separadamente. "Se a substituição do devedor vier a ser anulada. no entanto. quando o contrato já prevê a hipótese de cessão. foi extinguida com a cessão da dívida. 302). exonerando o devedor primário. cada parte possui direitos e deveres recíprocos. Não há no que se falar em anuência do credor na expromissão. Quando o terceiro assume totalmente a dívida. enquanto que nas outras modalidades. Essa exoneração é extinta. quando ocorre a insolvência do novo devedor. 301). A anuência pode ser dada previamente. A transferência dessas características conjuntas é a cessão do contrato. Não há necessidade da anuência do devedor primário na expromissão. com a anuência do credor. Contudo se ocorrer acordo entre terceiro e o credor. as garantias especiais por ele originalmente dadas ao credor" (art. Nesses casos ocorre uma cessão imprópria do contrato ou uma sub-rogação legal na relação contratual. não apenas um deles. essa garantia não pode ser restaurada caso haja a anulação da cessão. 300). Como essa assunção não exclui totalmente a responsabilidade do devedor primitivo. Cessão de contrato: Conceito: É a cessão da inteira posição contratual de um negócio bilateral ou sinalagmático. Só poderá ser se o devedor primitivo tiver conhecimento prévio do vício que anularia a cessão. Características e efeitos: Como o cessionário se tornará o novo devedor do cedido. O terceiro que recebe é o cessionário. restaura-se o débito.Quando há acordo entre o devedor primário e o terceiro. ou seja. com todas as suas garantias. a partir da assunção da dívida. salvo as garantias prestadas por terceiros. a assunção é feita por delegação. sem a participação do devedor primário. A jurisprudência tem estendido esse entendimento para os imóveis não loteados. Em tais negócios. Aquele que cede é o cedente. Só pode opor aquelas que dizem respeito ao vínculo obrigacional. Efeitos da assunção da dívida: "O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo" (art. Se o novo devedor assume apenas uma parte da dívida. Somente o credor pode escolher por desconsiderá-las. O devedor primário é o delegante. A diferença para uma cessão de crédito ou débito é que na cessão contratual é transferido para terceiro um complexo de créditos e débitos conjuntos. por exemplo. Exemplo: Pai assume dívida do filho. se agisse de má-fé. A fiança. . hipoteca) são mantidas. é extinta. As partes podem. mas que deve declarar a sua anuência é o cedido. a assunção é cumulativa. Cada parte é tanto credor quanto devedor. acertar que os riscos da insolvência correm por conta do credor (pacta sunt servanda).

304). O cedente responde pela existência da relação contratual cedida sempre que a cessão for onerosa ou quando o mesmo age de má-fé na cessão gratuita. impor. A dificuldade de classificá-lo é reflexo das diversas formas que existem para se efetuar o pagamento. etc. o que há é a criação de um novo contrato da mesma natureza com terceiro. Venosa entende diferente. Pagamento: Noção e espécies de pagamentos: Pagamento é o cumprimento da obrigação. Ele representa a realização voluntária da prestação pelo devedor ou por terceiro.O cedido pode consentir com a cessão e. Quando não há pagamento. não poderá o cessionário protestar a anulação. Natureza jurídica do pagamento: A natureza jurídica é um assunto muito debatido doutrinariamente. Pode haver pagamento de forma direta. Dessa forma. As obrigações de execução instantânea só podem ser objeto de cessão quando o cumprimento foi apenas parcial. . que implica em que as partes ajam de forma correta. enquanto que na cessão. mas a obrigação se extingue. Não pode nem impor aquelas fundadas no contrato de cessão. novação. pois se extinguem na hora. que o pagamento é um ato jurídico em sentido amplo. ou quando há ainda conseqüências jurídicas a serem produzidas. Como não existe algo expresso na legislação brasileira a respeito. As exceções pessoais do cedente não se transmitem ao cessionário. fazer. Dar. Se aquele descobre que foi vítima de vício depois da cessão. não-fazer. A cessão do contrato não se confunde com o contrato derivado ou subcontrato. O primeiro é o princípio da boa-fé. a obrigação deve ser de execução duradoura. o contrato é o mesmo. O cedido não pode alegar ao cessionário nenhuma exceção pessoal do cedente. porém. como de forma indireta. não há nada que defina qual dos dois (cedente ou cessionário) deve ser cobrado primeiro. que essa solidariedade não pode ser presumida. podendo o cedido argüir contra qualquer um. não há cumprimento quando a realização é feita por meios coercitivos. é a interpretação do disposto pelo cedido que tornará possível saber quais são as características da cessão. Como a cessão do contrato não está disciplinado no Código Civil. podendo variar entre ato jurídico strictu sensu e negócio jurídico bilateral ou unilateral. É consenso. como na prestação de um serviço. tendo que cumpri-la caso o cessionário não o faça. podendo o pagamento ser tanto efetuado em dinheiro. De qualquer forma. como no pagamento por consignação e na dação em pagamento. ao mesmo tempo. mas em tudo aquilo mais conseqüente aos seus atos. estabelecendo que a prestação deve ser cumprida em tempo e de forma completa. cada uma representa uma prestação diferente. Da mesma forma. Para ser objeto de cessão. Ex: impossibilidade de execução sem culpa do devedor. O devedor não se obriga somente ao estipulado no contrato. somente o cedente. diz-se que ela a foi por meios anormais. O segundo princípio é o da pontualidade. As instantâneas não podem ser objeto de cessão. a não liberação do cedente. seja interessado ou não (art. faz-se analogia com a cessão do crédito quanto à responsabilização pela existência. muda-se apenas a parte. que extingue a mesma. O pagamento é norteado por dois princípios. como na prestação do contrato. Desta forma. A obrigação é cumprida quando é realizada espontaneamente pelo devedor ou voluntariamente quando interpelado. Neste. Esta noção é empregada em sentido técnico-jurídico. o cessionário quanto ao cedido. somente aquelas relacionadas ao objeto. nulidade. este figura na obrigação também.

00. Contudo. O principal interessado é o devedor. Contudo. adquirentes de imóvel hipotecado. Quando a obrigação é contraída intuitu personae. e) Intenção de solvê-lo (animus solvendi). aqueles que se interessam pelo cumprimento da obrigação. Não há nada que obste. 1268. Exemplo: terceiro possui interesse moral na resolução da obrigação. se o alienante (o devedor) efetuar a dação. que paga a dívida em seu próprio nome. Quando o conteúdo do cumprimento não é um negócio jurídico. 334 e seguintes) o credor que não aceita o pagamento. mas só receber o domínio da coisa dada posteriormente ao pagamento. caput). . 304. salvo oposição deste" (art. caput). Ex: o devedor devia R$ 100. não precisará reembolsar o montante que lhe aproveita. § 1°). "O pagamento feito por terceiro. caput). a recebeu e consumiu. com desconhecimento ou oposição do devedor. por exemplo. 349). o devedor terá que reembolsá-lo apenas na quantia de R$ 30. só o foi graças às características do devedor.00. Ex: Um tutor não pode dar em pagamento o imóvel do tutelado sem autorização judicial (art. avalistas. parágrafo único). só há uma maneira de impedi-lo: efetuar o pagamento antes dele. dos meios conducentes à exoneração do devedor" (art. Por interesse. 1748. a transferência se convalidará. a mesma só pode ser realizada por aquele que possa alienar o objeto. como quando o devedor alega compensação. se o devedor tinha meios para ilidir a ação" (art. Caso o devedor se oponha ao pagamento do terceiro. etc. não se poderá mais reclamar do credor que. estando o credor livre para aceitar o pagamento. nunca em nome próprio. deve-se ter a específica. como um pai que paga a conta do filho. sendo que a dívida caiu para R$ 30. pode ser cumprido por incapaz. "Se se der em pagamento coisa fungível. sendo obrigado pelo resto. Quem deve pagar: "Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la. ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la" (art. "O terceiro não interessado. pode o credor alegar motivo justo para não aceitar o pagamento. tem direito a reembolsar-se do que pagar. Houve compensação entre as partes. c) Pessoa que recebe o pagamento (accipiens). Quando é feita a dação em pagamento. aquele que é titular do direito real. quando feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu" (art. Ilidir a ação é provar que não se devia ela. 306). como os fiadores. Terceiro não interessado judicialmente pode também realizar o pagamento em nome e à conta do devedor. IV). Fazendo isto. III). 307. Este terceiro pode até consignar (art. Pagamento efetuado mediante transmissão da propriedade: "Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade. esta oposição do devedor não configura proibição. b) Cumprimento da prestação. se o credor se opuser. 305. d) Pessoa que efetua o pagamento (solvens). ou seja.00. "Igual direito cabe ao terceiro não interessado. Porém. Contudo. se o fizer em nome e à conta do devedor. de boafé. se o devedor ilidir apenas parcialmente a ação do credor. 304. Se o terceiro pagou a dívida inicial de R$ 100. desde que aja em nome e à conta do devedor. ou seja. com todos os privilégios e garantias do negócio (art. se o credor estiver de boa-fé (art.00. decadência. podem pagar a dívida. não obriga a reembolsar aquele que pagou. Se o devedor não quiser que o terceiro pague sua dívida. usando. Têm. o direito de cobrar a dívida do devedor. mas não se sub-roga nos direitos do credor" (art. que o incapaz faça a entrega de um imóvel seu negociado por seu tutor. entende-se o jurídico.Requisitos essenciais de validade do pagamento: a) Existência de vínculo obrigacional. então. 247). 346. Não basta ter capacidade genérica. só o mesmo pode cumpri-la (art. subrogam-se como credores (art. 307. ou não envolve ato de disposição.

b) Judicial: é o nomeado pelo juiz. podendo ser totalmente desfeita se. Nesse caso. Quando. . Quando a representação é legal ou judicial. Outro exemplo é o do locador aparente. pois não se justifica proteger aquele que agiu com negligência. O credor não é somente o originário. como os pais. pois quem paga mal. sendo irrevogável pelo credor e não se extinguindo com a morte do mesmo. Pode ser o herdeiro. o cessionário. caberá ao verdadeiro proprietário da coisa fungível somente voltar-se contra o devedor. Além da boa-fé do devedor. por exemplo). 310) O pagamento será válido. há um mal pagamento. 308). o legatário. O credor ratifica o pagamento quando obtiver proveito direto (o terceiro lhe dá a quantia) ou indireto (o terceiro utiliza o dinheiro a favor do credor) deste ato. Exemplo de credor putativo é o único sobrinho de um falecido rico que se presume ser o herdeiro. contudo. se o devedor desconhecer da incapacidade do credor por erro escusável ou por dolo daquele (ocultar a idade. pois o devedor não teve a prudente cautela. síndico da falência. podendo ser revogado pelo credor. A quem se deve pagar: "O pagamento deve ser feito ao credor ou qualquer um que o represente. o que resta ao credor é se voltar contra o accipiens. mas que na verdade não o é. "Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação. Pode o credor. o pagamento pode ser dado tanto ao representante quanto ao credor original. administrador da empresa penhorada. que se intitula como sendo o proprietário do imóvel. c) Convencional: é o estipulado pelo credor. Caso seja convencional. Validade do pagamento efetuado a terceiro que não o credor: Se o solvens pagar alguém que não o credor. O pagamento a terceiro será válido. aquele que possui a titularidade do direito de crédito no momento da cobrança. 309). Existem 3 tipos de representantes do credor: a) Legal: é o que decorre da lei. contudo. com o objetivo de facilitar a execução do pagamento às partes. Essa ratificação retroage até o dia do pagamento a terceiro para produzir todos os efeitos do mandato. 311). no entanto. ou seja. optar por não ratificar se esse proveito lhe tolher a liberdade de decisão sobre o pagamento da dívida. se for ratificado pelo credor. ainda provado depois que não era credor" (art. Pagamento ao credor incapaz: "Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar. no caso.parágrafo único). caso contrário só valerá a partir da ratificação deste" (art. houver vários indícios que o portador da quitação é um ladrão. Essa presunção é relativa. o credor putativo. Nesse caso. pois o devedor exonera-se da obrigação. como o inventariante. o negócio é uma estipulação em favor de terceiro. tutores e curadores. salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante" (art. paga em dobro. Pagamento efetuado ao credor putativo: "O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é valido. é requerido a escusabilidade do erro. porém as cláusulas do contrato são em favor do próprio adjectus. se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu" (art. este ainda terá o direito de exigir o pagamento. ou outra coisa. Nesses casos. como no seguro de vida. etc. O representante convencional é a figura do adjectus solutionis causa. o pagamento só pode ser destinado a esta pessoa. ou seja.

na sua invalidação. como a compra de imóvel. 318). Contudo. "quando. não pode ter periodicidade menor que 1 ano. Pagamento efetuado ao credor cujo crédito foi penhorado: "Se o devedor pagar ao credor. ou da impugnação a ele oposta por terceiros. se nada foi estipulado no contrato. nem o devedor a pagar. não pode o credor ser obrigado a receber. o próprio art. "São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. por motivos imprevisíveis. ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor" (art. que prevê o reajuste da prestação conforme os índices de custo de vida. logo. 312) Quando o título é penhorado ou impugnado. o pagamento feito ao credor demonstra o não seguimento com o que foi estabelecido. 316 que permite "convencionar o aumento progressivo das prestações sucessivas". se assim não se ajustou" (art. ao dispor que o pagamento deve ser feito na data do vencimento no valor nominal estipulado no contrato (art. apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito. Do objeto do pagamento: O pagamento só existirá se houver um débito. "Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. Este reajuste. É a compensação da inflação. Para que não haja enriquecimento ilícito do credor. Qualquer ato que aumente o patrimônio do incapaz. Pagamento sem débito gera obrigação de restituir o que foi indevidamente pago. o que implica. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. é proveitoso. que poderão constranger o devedor a pagar de novo. É o caso do art. etc. Se a obrigação é complexa. poderá o juiz corrigi-lo. Isto significa que o valor a ser pago é a quantidade em moedas estipulada. A substituição da prestação só pode ser feita com a anuência do credor. 315). de modo que assegure. a pedido da parte. só se pode pagar com a moeda interna. Sendo assim. Sendo assim. Diferentemente. É o caso da indenização. o valor real da prestação". mas ele representa o valor monetário deste. e não aquilo que elas poderiam ser convertidas na época. O Brasil adotou o curso forçado da moeda para o pagamento em dinheiro. ou aquele que gera enriquecimento patrimonial daquele. 315 abre a possibilidade de disposições em contrário ao princípio do nominalismo. O Código Civil adotou o princípio nominalista no pagamento de dívida de dinheiro. O devedor não se exonera da obrigação prestando algo diverso. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e do momento de sua execução. A dívida de dinheiro é aquela que tem por objeto o próprio dinheiro. 325). o mesmo deve devolver ao devedor o valor pago. como quando se faz um empréstimo. dívida de valor é aquela em que o dinheiro não é o objeto. em moeda corrente e pelo valor nominal. por partes. se ocorrer aumento por fato do credor. quanto possível.Revertido é o pagamento que chega ao poder do representante do credor. inscritos no próprio CC. excetuados os casos previstos na legislação especial" (art. o pagamento não valerá contra estes. "Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. só será extinta com o cumprimento na íntegra do débito. O objeto do pagamento deve ser estipulado na prestação. uma desvalorização ou valorização não são levadas em conta na hora do pagamento. nem o credor a assim aceitá-la. suportará este a despesa acrescida" (art. Da mesma forma o art. "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. não sendo o devedor forçado a pagá-la em partes. Esta é a chamada cláusula de escala móvel. 314). ou seja. 317 permite que. 313). A prestação deve ser cumprida por inteiro. 315). Pagamento em dinheiro e o princípio do nominalismo: "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. . o devedor é notificado e instruído a depositar em juízo. porém. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional. ainda que mais valiosa" (art.

"Ainda que sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação. Presunções do pagamento: Há 3 casos especiais em que a extinção da dívida dá-se por presunção. Quitação é a declaração unilateral escrita pelo credor declarando que a prestação foi efetuada. Prova do pagamento: O pagamento exonera o devedor e lhe atribui o direito de exigir a quitação da dívida pelo credor. retendo o pagamento. "O devedor que paga tem direito a quitação regular. o princípio da relativização do recibo. quais sejam: a) Contratos em que o devedor ou o credor seja domiciliado e residente no exterior. cuja quitação consista na devolução do título. no silêncio das partes. 319). Isto porque o natural é que se o credor aceitou o último pagamento é porque tenha recebido os anteriores. Porém. presume-se que esta foi paga quando a principal foi. designará o valor e a espécie da dívida quitada. Essa presunção é relativa. c) Contrato de importação e exportação. a falta do pagamento" (ar. tornando ineficaz o título perdido. parágrafo único). É o vulgo recibo. mas entra em ação para discutir outras contas anteriores. nas quais consta expressamente que a quitação da última não faz presumir a quitação de contas anteriores. de forma indireta. e pode reter o pagamento. pois pode o credor provar. 324. O devedor não se exonera de uma obrigação só porque o credor lhe aferiu um recibo. enquanto não lhe seja dada" (art. a saída mais utilizada é a entrada das partes com uma ação de anulação e substituição de títulos ao portador. 324. a quitação da última estabelece. ou quem por este pagou. 323) A quitação do capital presume a dos juros. por exemplo. "Se o pagamento se houver de fazer por medida. b) "Nos débitos. caput). b) Contrato de compra e venda de câmbio. até prova em contrário. 320. 10. estes presumem-se pagos" (art. a presunção de estarem solvidas as anteriores" (art. ou qualquer outro motivo. ou peso. 321) Essa solução é pouco usual. Como os juros são obrigação acessória. declaração do credor que inutilize o título desaparecido" (art. c) "Sendo a quitação do capital sem reserva de juros. dispensando-se a quitação: a) "A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento" (art. poderá o devedor exigir. o nome do devedor. Local do pagamento: . respondendo ainda pelo restante. 326). o devedor só fica livre desta parte. o tempo e o lugar do pagamento"(art. Sendo assim. "A quitação.192 vai ao encontro do estipulado no art. que aceitaram os do lugar da execução" (art. que sempre poderá ser dada por instrumento particular. "ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar. 320. Caso este contenha valor menor do que a da prestação. "Quando o pagamento for em quotas periódicas. que o título foi furtado. Retira-se desse parágrafo único. no prazo legal. pois não é oponível ao terceiro de boa-fé que detenha o título. contudo. Esse tipo de presunção é relativa. em sessenta dias. invalidando assim o suposto pagamento. Outro exemplo é o caso das contas de fornecimento de energia elétrica. se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida" (art.A Lei n. entender-se-á. caput). 322). perdido este. 318 e estabelece as exceções em que se pode usar a moeda estrangeira. Há casos como. parágrafo único). o do condômino que paga as despesas do último mês do condomínio.

caput). ou de concurso de credores". pode o credor exigi-lo imediatamente" (art. 331). "Se o pagamento constituir na tradição de um imóvel. 328). A garantia real corre o risco de não encontrar mais o objeto. ela é portável. fidejussórias. 327. pode este não aceitar o pagamento antecipado. parágrafo único). o devedor não tem todas as horas do dia para pagar. intimado. salvo se as partes convencionarem diversamente. daí a necessidade de antecipá-lo para cobrá-lo: a) Inciso I: "No caso de falência do devedor. ou uma construção no imóvel. não pode ser paga a qualquer hora do dia. a identificação do mesmo cabe ao juiz. forem penhorados em execução por outro credor". 327. 329). Nos 3 casos o que há é uma ameaça ao credor de não receber seu crédito. farse-á no lugar onde situado o bem" (art. Caso seja no domicílio do credor. para que assim possa evitar algum juro. Como o CC não definiu precisamente o que seria essa "motivo grave". diz-se que a dívida é quesível. mas sim somente aquelas nas quais o estabelecimento encontra-se em funcionamento. nos quais se estabelece o domicílio das duas partes como local do pagamento. O art. Sempre que assim for. "Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado. hipotecados ou empenhados. cabe ao credor escolher entre eles" (art."Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor. Uma dívida com o banco. ou se o contrário resultar da lei. Ou seja. O CC não se posiciona sobre a hipótese de mudança de domicílio do devedor. A interpretação do art. ou em prestações relativas a imóvel. Há a antecipação para que o credor possa se juntar aos outros. por exemplo. o devedor é constituído em mora. O bom senso. Caso seja impossível e o pagamento tiver que ser feito no novo domicílio do devedor. A jurisprudência tem trabalhado com o entendimento de que se isso acontecer. 133). etc. Nos contratos. antecipando o pagamento. da natureza da obrigação ou das circunstâncias" (art. 333 estabelece os 3 casos em que há antecipação do vencimento. e o devedor. se o contrato for regido pelo CDC. pode o credor optar por manter o antigo local para o pagamento. b) Inciso II: "Se os bens. Quando o pagamento segue a regra e é feito no domicílio do devedor. Caso não sejam. Deverá aceitar o pagamento com a redução proporcional dos juros. "Salvo disposição legal em contrário. pelos mesmos motivos (que para ele interessa). como taxas bancárias. Contudo. este terá que cobrir todas as despesas relativas à essa mudança. é aplicado. É a reiteração do pagamento num dos lugares que acaba definindo qual das opções é a escolhida. Se o prazo for a favor do credor. do CDC). Quando não há prazo. ou se se tornarem insuficientes. por exemplo. as garantias do débito. c) Inciso III: "Se cessarem. poderá o mesmo abrir mão desse direito. como uma reparação. sendo permitido ao devedor satisfazer a obrigação em tempo razoável. nesses casos. poderá o devedor fazê-lo em outro. Há ameaça à possibilidade de se receber o crédito pela diminuição das garantias que ele possuía. estes só podem ser feitos no local o qual se situa o imóvel. o devedor deve ser informado (judicialmente ou extrajudicialmente) da intenção do credor de cobrá-lo para que ele fique caracterizado em . Prestação relativa ao imóvel é a execução de um serviço. ou reais. Por motivos óbvios. sem prejuízo para o credor" (art. "Designados dois ou mais lugares. se negar a reforçá-las". sem que fique constituído em mora. Esta situação é usual nos contratos de locação. não lhe cabe tal direito (art. 397 permite inferir que as obrigações puras com estipulação de data para pagamento devem ser solvidas na ocasião. não tendo sido ajustada época para o pagamento. Tempo do pagamento: O tempo do pagamento é observado em relação ao estabelecimento a ser debitado. geralmente o prazo é estipulado em favor do devedor (art. 52. § 2°.

mesmo que menos valiosa. Os atos sem prazo podem ser praticados desde logo. mesmo que mais valiosa. sendo a sua extinção condicionada. como a entrega das chaves de um veículo. Com o consentimento do credor. o credor não pode exigir outra coisa do devedor a não ser o pactuado. no qual o tempo será o necessário para o uso concedido (art. o credor não é obrigado a receber outra coisa. e não somente perdas e danos. Da mesma forma. . O disposto refere-se às condições suspensivas. pelos quais poderá exigir aumento no preço. Direito aos melhoramentos e acréscimos: "Até a tradição pertence ao devedor a coisa. Direito Das Obrigações – Parte II Otávio Goulart Minatto * Obrigação de dar coisa certa: Noção e conteúdo: Nessa obrigação. O mesmo não se observa na condição resolutiva. cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor" (art. 237. 581). É somente a sua tradição. como no comodato. o objeto perfeitamente determinado. ainda que mais valiosa" (art.mora. já que o adimplemento é feito desde já. 332). "As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. que transfere o domínio do objeto. sendo então exeqüíveis na medida do possível (art. 134). A tradição pode ocorrer de três maneiras: a) Real: Ocorre com a entrega efetiva e material da coisa. Essa novação só pode ser feita com o consentimento de ambas as partes. se o credor não anuir. Confere ao credor simples direito pessoal (jus ad rem) e não real (jus in re). poderá o devedor resolver a obrigação" (art. 313) Como o objeto da obrigação é algo certo. em si. (nos móveis) ou registro (nos imóveis) que o faz. c) Ficta: É o caso do constituto possessório. com os seus melhoramentos e acrescidos. A obrigação é apenas o comprometimento de realizar essa transferência de domínio. Atualmente é possível o credor exigir o objeto. pode haver a dação em pagamento. ao credor. o devedor se compromete a entregar ou restituir. b) Simbólica: Envolve uma "cerimônia" que representa a tradição. se o objeto foi transferido de domínio para terceiro de boa-fé. caput). Não é a obrigação. Tradição como transferência dominial: Caso a obrigação seja afetada. Contudo. Impossibilidade de entrega de coisa diversa: "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. pois seu direito pessoal não tem efeito erga omnes. também será afetada a transferência de domínio. só resta perdas e danos ao credor. a não ser que sua execução esteja subordinada a determinado local ou tempo. caso o credor não tenha ainda o domínio da coisa. que é a entrega de um objeto para sanar dívida em dinheiro. Há certos prazos especiais para o pagamento.

O prejuízo aqui fica a cargo de quem tinha o domínio. sem culpa do devedor. Se não houver culpa do devedor. "O reinvidicante. nem o de levantar as voluptuárias" (art. Às vezes. como se a obrigação não tivesse sido contraída. logo que são separados. abatido de seu preço o valor que perdeu" (art. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. A única diferença é que pode o credor escolher por receber o objeto tendo abatido do preço o valor estimulado da deterioração. devem ter sido realizados através de seu trabalho para serem indenizados. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. 1219). "Se. Perecimento é a perda total do bem. Isto somente se aplica às partes integrantes. 238. no caso do art. ou seja."Os frutos percebidos são do devedor. Os antecipadamente colhidos também não podem ser cobrados. Já o devedor de má-fé responde por todos os frutos. com direito a reclamar. aos frutos percebidos" (art. 1214. 242. todos os frutos devem ser devolvidos. caput). em um ou em outro caso indenização das perdas e danos" (art. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. As benfeitorias também são consideradas como acessórios. "Se. "O possuidor de boa-fé tem direito. e não às pertenças. Quando a obrigação é de restituir. o credor (res perit domino). Obrigação de entregar: Conceito e características É aquela de dar coisa. "O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos" (art. até aqueles que deixou de colher. 236). 235). 237. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé" (art. 234). os civis reputam-se percebidos dia por dia" (art. Deterioração é a perda parcial do bem. não sendo o devedor culpado. desobrigado de indenização" (art. "Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. 241). antes da tradição. 1220). bem como. Abrangência dos acessórios: "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. quanto às voluptuárias. Os frutos civis tornam-se percebidos diariamente. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. como um contrato de compra e venda. cabendo ao credor os pendentes" (art. ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual" (art. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis" (art. poderá o credor resolver a obrigação. quando o puder sem detrimento da coisa. tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé. Ocorre a extinção da obrigação. "Deteriorada a coisa. no caso do artigo antecedente. parágrafo único). Já "os frutos naturais e industriais reputamse colhidos e percebidos. a resolução é a mesma do perecimento. depois de deduzidas as despesas de produção e custeio. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação" (art. lucrará o credor. com culpa ou sem. feitos pelo devedor de obrigação de restituir. 1214. sem despesa ou trabalho do devedor. se não lhe forem pagas. parágrafo único). Os melhoramentos. . "Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. as partes voltam à situação primitiva (statu quo ante). enquanto ela durar. Esse inadimplemento pode advir do perecimento ou deterioração da coisa. ou pendente a condição suspensiva. Caso haja deterioração. a coisa se perder. ou aumento. caput). "Se para o melhoramento. ou aceitar a coisa. se a perda resultar de culpa do devedor. poderá o credor exigir o equivalente. 1222). a levantá-las. a obrigação de dar não é cumprida. por culpa ou sem do devedor. "Sendo culpado o devedor. 233). 1215).

"Se a coisa se perder por culpa do devedor. 317). "Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. a pedido da parte. O pagamento é feito com a mesma moeda do contrato. responderá este pelo equivalente. etc. em moeda corrente e pelo valor nominal. por motivos imprevisíveis. poderá o juiz corrigi-lo. bens dados em penhor. observar-se-á o disposto no art. Obrigação pecuniária: Conceito e características: Obrigação pecuniária é a de entregar dinheiro. de modo que assegure. quanto possível. ao menos. adicionadas cláusulas de escala móvel que cobrem as variações de inflação. se perder antes da tradição. 240). se por culpa do devedor. que ainda persiste ao credor. sofrerá o credor a perda. Escolha e concentração: "Cientificado da escolha o credor. sem direito a indenização. "Se a obrigação for de restituir coisa certa. . "A coisa incerta será indicada. que acontece na medida em que o sujeito exterioriza sua escolha. Após o momento da escolha da qualidade. definida apenas pelo seu gênero e quantidade. O devedor não possui o domínio da coisa. o valor real da prestação" (art. seguindo suas ordens. mesmo que não tenha o causado. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. O devedor tem o direito apenas de usar a coisa. que deve devolvê-la ao dono (credor).Obrigação de restituir: Conceito e características: Caracteriza-se pela existência de coisa alheia em porte do devedor. porque é este que tem o domínio do objeto (res perit domino). 239" (art. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. Quem sofre é o credor. recebê-la-á o credor. "Quando. responderá pelo perecimento. pelo gênero e pela quantidade" (art. e a obrigação se resolverá. recebimento de dívida não vencida em detrimento de outros credores quirografários. e esta. sinal dado. tal qual se ache. sem culpa do devedor. vigorará o disposto na Seção antecedente" (art. a obrigação torna-se de dar coisa certa. 315). Exemplo de obrigação de restituir na lei civil: coisa achada. 245). mais perdas e danos" (art. Caso o devedor esteja em mora. A dívida é considerada de dinheiro quando tem por objeto o próprio dinheiro. Obrigação de dar coisa incerta: Conceito: Coisa incerta é a determinável. O que se falta definir é apenas a qualidade. 239). ressalvados os seus direitos até o dia da perda" (art. na qual o objeto é algo que é representado pelo dinheiro. Permite-se o uso de moeda estrangeira nos contratos de importação e exportação de mercadorias e os que envolvem pessoas residentes no estrangeiro. Diferentemente é a dívida de valor. 238). 243). Chama-se isto de concentração.

já que "concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade."Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. mas não poderá dar a coisa pior. como trabalho determinado pelo produto/resultado. 139. em pessoa. ou só por ele exeqüível" (art. "Antes da escolha. o devedor é livre para escolher qualquer uma das duas. A escolha do devedor não é totalmente livre. Entretanto. se o contrário não resultar do título da obrigação. Quando não se é necessário os atos de pessoa específica. 248). Inadimplemento: "Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. O devedor não pode alegar perda ou deterioração do objeto antes de ter feito a escolha. A delegação feita é erro substancial. A partir do momento em que há a concentração. sendo apenas a mora da outra parte motivo suficiente para que esta seja emitida. nada impede que o devedor escolha a melhor qualidade. pois só podem ser feitas pela determinada pessoa. Entretanto não basta que o devedor tenha feito sua escolha. As obrigações de emitir declaração de vontade são infungíveis. este será citado. pois podem ser substituídas por sentença judicial que produzirá os mesmos efeitos. Se certa qualidade pereceu antes dele ter feito sua escolha. ele deve exteriorizá-la. a obrigação pessoal. cumulativamente. A escolha pode ser feita por terceiro. já que na maioria das vezes a obrigação deu-se em decorrência das características especiais do devedor. acontecerá apenas o suprimento do direito do devedor de escolher sobre aquela qualidade. 247). Porém. não a declaração em si. não podendo ser meramente relativa. sob pena de perder esse direito. Este só se exonerará cumprindo ele próprio o estabelecido. ainda que por força maior ou caso fortuito" (art. que pode ser tanto trabalho físico ou intelectual. se por culpa dele. fungível ou material. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Caso haja somente duas variações. o credor deve ser esclarecido sobre quem cumprirá a prestação. Espécies: A obrigação de fazer é personalíssima. Evita-se assim que se escolha a pior qualidade. infungível ou imaterial (intuitu personae) se houver cláusula que obrigue o devedor. A parte pode exigir do juiz tal sentença sempre que provar que faz jus a ela. como multa diária pelo inadimplemento. Não pode delegar para terceiro o cumprimento do contrato. Se for feita pelo credor. Contudo. há dispositivos que forçam a pessoa a cumprir a obrigação que não se realizou. Ela deve buscar o meio termo. pois o gênero não se deteriora. "Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. A impossibilidade deve ser absoluta. nem será obrigado a prestar a melhor" (art. 244). Caso a declaração esteja incompleta pode a parte exigir o complemento judicialmente. responderá por perdas e danos" (art. do ponto de vista jurídico são fungíveis. Nas obrigações de fazer (obligatio faciendi). desde que tenha influído nesta de modo relevante" (art. resolver-se-á a obrigação. pois a obrigação tornou-se de dar coisa certa. podem-se alegar perdas e danos. Mesmo obrigando o devedor a cumprir a obrigação o credor pode. exigir perdas e danos. não sendo obrigado a aceitá-la. Obrigação de fazer: Conceito: Constituem uma prestação de fato. o credor pode não aceitar o cumprimento feito por terceiros. . a escolha pertence ao devedor. inciso II). Atualmente. 246). prestar o serviço. Efeitos estes que são visados nessa obrigação.

Não se pode exigir sacrifício excessivo da liberdade do devedor ou algo que atente contra os direitos fundamentais da pessoa humana. caput). caput). não pode se negar a atender uma autoridade competente por ter se comprometido a não fazer certa prestação. Isto pode ser feito também quando a prestação já tenha começado a ser realizada. que se obrigou a não praticar" (art. 250). independentemente de autorização judicial. ressarcindo o culpado perdas e danos" (art. mas se extingue com a prestação de apenas um deles. 249. Alternativa Conceito: É a obrigação que compreende vários objetos. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. Caso não haja culpa do devedor. se lhe torne impossível abster-se do ato."Se o fato puder ser executado por terceiro. mas demora para ser finalizada. ou negativa. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. o credor pode exigir dele que o desfaça. Quando se é impossível retornar ao statu quo ante o que resta ao credor é apenas exigir as perdas e danos. Obrigações complexas ou compostas: Conceito: São aquelas nas quais há pluralidade de prestações. é a que impõe ao devedor um dever de abstenção. havendo recusa ou mora deste. a cuja abstenção se obrigara. Na obrigação alternativa. a mora se caracteriza com o simples descumprimento do dever de se abster. Subdividem-se em cumulativa ou conjuntiva. Inadimplemento da obrigação negativa: "Praticado pelo devedor o ato. 251. "Em caso de urgência. Obrigação de não fazer: Noção e alcance: A obrigação de não fazer. "Extingue-se a obrigação de não fazer. 249. Cumulativa ou conjuntiva: Conceito: É a obrigação que possui multiplicidade de prestações e o seu adimplemento só se dá com a satisfação de todas elas. uma das partes faz a escolha de qual dos objetos possíveis . sob pena de se desfazer à sua custa. "Em caso de urgência. É também obrigação negativa quando o devedor é obrigado a tolerar ou permitir certo ato. O devedor. pode o credor. alternativa e facultativa. executar ou mandar executar o fato. parágrafo único). parágrafo único). sendo depois ressarcido" (art. desde que. 250. sem prejuízo da indenização cabível" (art. por exemplo. No inadimplemento da obrigação negativa. sem prejuízo do ressarcimento devido" (art. independentemente de autorização judicial. sem culpa do devedor. a obrigação extinguese.

"Se. "Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra" (art. O direito de escolha não é irrestrito. o credor terá o direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. 252. Concentração: Feita a escolha. Contudo. e este não quiser. Basta a simples declaração unilateral da vontade. mais as perdas e danos que o caso determinar" (art. não havendo acordo unânime entre eles. § 4°). decidirá o juiz. se outra coisa não se estipulou" (art. Direito de escolha: "Nas obrigações alternativas. sendo devido somente o que se foi escolhido. extinguir-se-á a obrigação" (art. Não é exigida forma especial para se exteriorizar a escolha feita. a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período" (art. o direito de escolha se renova a cada prestação. por culpa do devedor. além da indenização por perdas e danos" (art. Porém é obrigado a aceitar a outra prestação caso o devedor opte por ela. findo o prazo por este assinado para a deliberação" (art. O direito de escolha se transmite aos herdeiros. constituir-se-á em mora. § 2°). subsistirá o débito quanto à outra". a escolha recai sobre a qualidade do único objeto existente. não podendo nenhuma das prestações ser exigida. na obrigação de dar coisa incerta. Assemelha-se à obrigação de dar coisa incerta devido ao fato de haver indeterminação quanto ao objeto. Deve haver prazo estabelecido no contrato para se fazer a escolha. não competindo ao credor a escolha. Contudo. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes" (art. 255). caput). 252. "Quando a obrigação for de prestações periódicas. por culpa do devedor. 252. 252. independente da vontade das partes. § 1°). se uma das prestações não puder ser feita por impossibilidade jurídica. O credor não tem o direito de exigir a prestação facultativa. mas faculta ao devedor a possibilidade de quitar a dívida realizando outra prestação. 252. não se puder cumprir nenhuma das prestações. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. Caso a parte que possui o direito de escolher ultrapasse o prazo estabelecido. Impossibilidade das prestações: "Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. pois essa foi uma liberdade concedida pelo . a obrigação torna-se simples. Já na obrigação alternativa. Entretanto. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. Facultativa Conceito: Ocorre quando o credor exige o cumprimento de coisa certa. com perdas e danos. 254). se. pois a obrigação tem por objeto algo certo. a escolha cabe ao devedor. reduzindo-se as prestações a uma só. "se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. "Se o título deferir a opção à terceiro. 256). "No caso de pluralidade de optantes. Neste caso. a escolha é a respeito dos vários objetos in obligatione. (art. A concentração dá-se automaticamente. dá-se a concentração. § 3°). Ela deve recair inteiramente sobre apenas um objeto. 253). podendo a outra entrar ação para que se faça a concentração judicialmente. toda a obrigação é contaminada pela nulidade.quer ela prestar. ou não puder exercê-la. "Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. Feita a escolha.

esta presume-se dividida em tantas obrigações. por motivo de ordem econômica. Espécies de indivisibilidade: A indivisibilidade é natural quando não se pode fracionar o objeto da prestação sem que haja prejuízo na sua substância ou valor. Exemplo: dívidas de alimento. sem culpa do devedor. Há apenas uma obrigação simples. por sua natureza. uma obrigação natural. Se houver impossibilidade da única prestação exigível pelo credor. Cada sujeito responde apenas por sua quota na obrigação divisível. sendo obrigado a realizar a outra. relativa. são compostas por multiplicidade de sujeitos. Porém esta será determina conforme for o seu objeto. "Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. Essa indivisibilidade. 258). Embora haja outros entendimentos. pois ainda sim não pode o credor exigir a prestação facultativa. ou pagar o valor da que se impossibilitou. Caso a impossibilidade ocorra devido culpa do devedor. Obrigação de fazer é divisível quando o trabalho. não representar unidade. Se a coisa certa é fungível. Características: Como o credor só pode exigir uma das prestações. a indivisibilidade dá-se por determinação legal. quantos os credores ou devedores" (art.credor. o devedor simplesmente perde o direito de escolha. ou serviço. tanto ativos quanto passivos. . quanto as indivisíveis. diferentemente da natural. pois não há nada absoluto que a barre. É uma espécie sui generes de obrigação. hipoteca. ou dada a razão determinante do negócio jurídico" art. acrescidas as perdas e danos. então. Esta também é uma indivisibilidade relativa. 257). O credor é obrigado a aceitar qualquer uma que o devedor venha a cumprir. lotes urbanos. A obrigação é indivisível quando o objeto da prestação não admite divisão. Se houver apenas um credor e um devedor não há no que se falar em obrigação divisível ou indivisível. A divisibilidade ou indivisibilidade é característica da obrigação. pois é simples para o credor e alternativa para o devedor. Quando o judiciário se manifesta pela impossibilidade de fracionar o objeto. Se a impossibilidade recair sobre a prestação facultada. Surge. este pode escolher entre realizar a prestação facultada. etc. "A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. iguais e distintas. não há necessidade do devedor exteriorizar sua escolha. A obrigação é divisível quando o objeto da prestação admite divisão. a obrigação se extingue. dar e fazer são geralmente indivisíveis. Divisibilidade em relação às modalidades de obrigações: Obrigação de dar coisa certa é divisível se o seu objeto for. Obrigações divisíveis e indivisíveis: Conceito e distinção entre obrigação divisível e indivisível: Tanto as obrigações divisíveis. se assim não foi acertado entre as partes. As obrigações de. não podendo ser exigido a pagar a de outro devedor. simultaneamente. Esta é uma indivisibilidade absoluta A indivisibilidade pode decorrer também da vontade das partes. a obrigação sempre é divisível. não cabe ao credor o direito de escolha. mesmo que a sua natureza permita. Isso acontece quando estas acertam na impossibilidade de se fracionar o objeto.

havendo dois ou mais devedores. 259. "Se. a obrigação não ficará extinta para com os outros. O credor pode exigir o pagamento total da dívida por qualquer um dos devedores. Como cada sujeito responde pela sua quota na obrigação divisível. cada um com direito. a insolvência de um nada interfere nos outros. Caso não haja nenhum proveito extra com a remissão de um dos credores. todos os demais devedores estarão livres da responsabilidade frente este credor. Obrigações alternativas e de dar coisa incerta são indivisíveis. novação. que ainda respondem pela dívida inteira. já que não é possível fazer a divisão. "Se um dos credores remitir a dívida. A obrigação também pode se tornar divisível se houver novação. Se a obrigação for indivisível. caput). 262. Efeitos da divisibilidade: "Se. que paga a dívida. responderão todos por partes iguais" (art. após o pagamento do todo. "O devedor. b) Inciso II: "a um. a prestação não for divisível. os demais não precisam restituir nada. mas nada impede que sejam divisíveis. o credor que recebeu a prestação dará aos outros credos uma quantia estimulada das suas quotas partes. ficarão exonerados os outros. os vícios a uns não se transmitem aos outros Caso a obrigação seja indivisível. 261). 260. . caput). poderá cada um destes exigir a dívida inteira. Perda da indivisibilidade: "Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos" (art. O credor pode exigir a prestação indivisível por inteiro de qualquer um dos devedores a sua escolha. "Se for de um só a culpa. Feito isto. mas o devedor ou devedores se desobrigarão. 263. § 1°). "O mesmo critério se observará no caso de transação. pagando:" (art. § 2°). quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total" (art. 262. 263. Se a dívida for indivisível. houver culpa de todos os devedores. caput) a) Inciso I: "a todos conjuntamente". parágrafo único). parágrafo único). compensação ou confusão" (art. 263. Se a pluralidade for de credores. pois não se pode dividir a escolha. por uma nova obrigação que seja divisível. descontada a quota do credor remitente" (art. cada um será obrigado pela dívida toda" (art. tornando todo o ato nulo. "Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. Os co-devedores não são representantes uns dos outros. Obrigações solidárias: Conceito e características: "Há solidariedade. 264).Obrigação negativa geralmente é indivisível. caput). para efeito do disposto neste artigo. por todos os sujeitos. ou obrigado. respondendo só esse pelas perdas e danos" (art. 259. Se um dos devedores torna-se insolvente. Por isso. dando este caução de ratificação dos outros credores". mas estes só poderão exigir. o defeito do ato para um dos devedores se propaga aos demais. quem sofre são os demais devedores. os credores restituirão os devedores no valor remetido. ou mais de um devedor. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados" (art. à dívida toda" (art.

isso ocorre devido as características do objeto. estende-se aos demais. Caso uma condição seja imposta a um devedor e esta não se concretizar. "Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. cada um responde apenas pela sua quota-parte. Não há representação. na indivisibilidade. "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art. Entre os devedores. 265). cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. A solidariedade assemelha-se da indivisibilidade porque o devedor pode ser compelido a pagar a divida toda. não podendo escolher outro. Se pagar ainda para segundo. Porém. o devedor tem liberdade de escolher a quem pagar. A solidariedade é provada com a simples manifestação inequívoca das partes. como quando transforma-se em perdas e danos. cada devedor só responde por sua quota. O devedor é obrigado a pagar a este. e condicional. todos podendo cobrar da dívida por inteiro. bem como ficar insolvente. Exemplo desse tipo é a conta corrente com mais de um titular. não se exonera da obrigação e corre o risco de pagar mal. responde por ela em caso de insolvência dos co-devedores. resulta da lei ou da vontade das partes" (art. Não existe muito esse tipo de solidariedade. Porém. 267). Se todos os credores entrarem com ação. Observa-se isto na medida em que pode haver uma obrigação solidária com diferentes características para cada parte. O devedor deve pagar àquele que lhe primeiro cobrar. ou seja. correrá o risco de pagar em dobro a dívida. Se pagar outro credor que não o credorautor. cada um só deve ao outro a sua quota parte. ou a prazo. solicitada por um. "Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum.Apesar de cada sujeito poder ser chamado para saldar toda a dívida. O parentesco próximo não induz solidariedade. na medida em que este se torna divisível. Qualquer um dos credor pode tomar medidas assecutórias de conservação dos direitos. a qualquer daqueles poderá este pagar" (art. Qualquer credor pode ingressar em juízo com uma ação para obter o cumprimento da ação. 267). 266). Já na solidariedade. Se um dos credores constituir o devedor em mora. o mesmo está excluído da obrigação. para o outro" (art. a todos os demais credores aproveitam seus efeitos. pois ela é característica da prestação e não do objeto. Somente o credor-autor que entrou com ação adequada pode executá-la. Espécies de solidariedades: Solidariedade ativa Conceito: É a obrigação na qual existem vários credores. a unidade de cobrança se mantém. ou pagável em lugar diferente. Exemplo de solidariedade na lei: relação pai e filho e empregado patrão. "A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores. pois o credor pode não pagar os demais co-credores. A interrupção da prescrição. Princípios comuns à solidariedade: "A solidariedade não se presume. salvo se a . 268). Há a possibilidade da solidariedade ser de modalidades diferentes para cada um dos co-devedores ou co-credores. Características: "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art.

Extinção da obrigação solidária e direito de regresso: "O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago" (art. O credor que receber toda a dívida fará a divisão das quotas. salvo se a obrigação for indivisível. ou pode ainda cobrá-la parcialmente de cada um. Se a prestação tornar-se impossível por culpa de um ou de alguns dos devedores. Se o devedor pagou a mais que a dívida. então o devedor exonera-se dela. Se houver apenas um herdeiro. que possuem direitos próprios e diversos para com o devedor. "A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros" (art. o devedor fica livre somente da quota parte que foi indiretamente paga. Com isto. Da mesma forma. porém só o específico pode aproveitar-se da sua pessoal. "Convertendo-se a prestação em perdas e danos. O credor pode cobrar a totalidade da dívida de qualquer um dos devedores. são estes quem bancarão as perdas e danos. transação ou remissão foi da dívida toda. A dívida extingue-se totalmente quando o devedor paga a sua totalidade a um dos credores. caput). o julgamento favorável aproveita-lhes. a menos que se funde em exceção pessoal do credor que o obteve" (art. "o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. a dívida comum. O devedor escolhido não pode invocar o beneficium divisionis. Se um dos credores é incapaz. ainda pode cobrar dos restantes. Como a obrigação solidária se desdobra em várias. A obrigação solidária passiva se assemelha à fiança. Se a compensação. Solidariedade passiva: Conceito e características: "O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. 271). As quotas de cada credor se presumem iguais. 270). parágrafo único). estes poderão cobrar a totalidade da dívida.obrigação for indivisível" (art. "O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba" (art. O pagamento dessas não se dá solidariamente. a sentença contrária a um dos credores não prejudica o direito dos outros. se o pagamento tiver sido parcial. entre um dos credor e o devedor. esta parte fica para aquele credor. mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores" (art. pretendendo pagar apenas sua quota-parte. novação. haverá desconto da quota parte excluída para o devedor. Caso haja remissão. Se o credor cobrou apenas uma parte da dívida. o credor pode escolher qual executar. "Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores" (art. o rateio acontece do mesmo jeito. o rateio deverá acontecer proporcionalmente para cada co-credor. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto" (art. para todos os efeitos. só que o excluindo. . 276). Todos os devedores se aproveitam de exceções gerais opostas. Se forem vários os devedores condenados. parcial ou totalmente. novação. mesmo que tenha sido a sua quota parte. ou todos agirem conjuntamente. 275. subsiste. 272). de nada influencia no direito dos outros. nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. 274). não podendo os demais exigir a divisão. O credor que entra com ação contra um dos devedores. 273). Efeitos da morte de um dos devedores solidários: "Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. 275. 269). a solidariedade" (art. transação ou compensação. Se um dos credores não puder receber sua parte (a obrigação é considerada nula quanto a ele). com a diferença que esta é um contrato acessório.

284). que aproveitam todos os devedores. 279). por exemplo. Meios de defesa dos devedores: "O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. do devedor renunciado quanto a sua quota. Cada um responde por sua parte individualmente. 280). em ambos os casos. não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes" (art. Porém. Nenhum devedor tem o poder de estipular cláusulas em nome dos outros devedores. condição ou obrigação adicional: "Qualquer cláusula. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. 282). Com ela surgem duas obrigações: a individual. somente o culpado é responsabilizado. na hora do rateio entre os devedores. Responsabilidade pelos juros: "Todos os devedores respondem pelos juros da mora. "No caso de rateio entre os co-devedores. porém. 281). Caso haja remissão de um dos devedores. A renúncia total é a absoluta e extingue a solidariedade. deve ser inequívoca.Conseqüência do pagamento parcial e da remissão: "O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. senão até a concorrência da quantia paga ou relevada" (art. A insolvência. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor" (art. para invalidar deve ser absoluta. "Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. Os renunciados ainda respondem pela solidariedade no caso de insolvência de algum. dividem-se em dois ramos: . não responderá pelos prejuízos. Contudo. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. sem o consentimento destes. no final. Ninguém pode ser obrigado a mais do que consentiu. é relativa. não cabendo a relativa. sendo os outros ainda obrigados. O remetido ainda é solidário com os demais em caso de insolvência de algum. que persistem com a solidariedade. descontada a parcela a qual foi renunciada. de alguns ou de todos os devedores" (art. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida" (art. 278). ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. condição ou obrigação adicional. Todos os devedores podem ser exigidos a pagar os juros. pois afeta somente um dos devedores. 282. Caso assim seja provado. As exceções comuns. o culpado terá que bancar com este valor extra. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. A impossibilidade de pagar a prestação é bancada pelo culpado. Impossibilidade da prestação: "Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários. e a dos demais. A renúncia de somente parte é a relativa. Renúncia da solidariedade: "O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. A impossibilidade. Os juros não seguem a mesma sorte das perdas e danos porque são acessórios da obrigação final. Cláusula. Cabe ao devedor provar que o ocorrido deveu-se à caso fortuito ou força maior. Qualquer cláusula estipulada entre um dos devedores e o credor não se transmitirá aos demais. parágrafo único). estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. subsistirá a dos demais" (art. 276). O inadimplemento é sempre presumido como sendo culposo. mas pelas perdas e danos só responde o culpado" (art. a dívida será diminuída na sua parcela. A renúncia pode ser tanto expressa quanto tácita. A renúncia da solidariedade não é presumida.

não haverá ação regressiva. O devedor interessado somente é obrigado a pagar toda a dívida na hora do rateio. inadimplemento da obrigação pelo credor. 285). Isso acontece nos casos em que os co-devedores são apenas avalistas necessários para a concessão de crédito. Aquele que pagou parcialmente a dívida também pode exigir o rateio. renunciado. Os coobrigados não . Em relação à confusão. o devedor remitido. novação. dentre outros. O credor pode exigir o pagamento tanto deste quanto de qualquer outro devedor. no débito. pois ainda é solidário com seus codevedores. as partes de todos os co-devedores" (art. pagamento em consignação. o art. vício resultante de erro. renúncia da solidariedade feita pelo credor a favor de um dos devedores. As quotas de cada devedor. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. falso motivo (nos termos do art. resultante da incapacidade de todos os co-devedores. a obrigação é divisível. ou seja. b) Pessoais a outro co-devedor: são aquelas que só aproveitam o devedor em específico. confusão. "Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores. terá que pagar a dívida toda. dação em pagamento. O pagamento do rateio é exigido através da ação regressiva (I). O primeiro arcará sozinho com sua negligência. prescrição. somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. presumindo-se iguais. Quanto à novação. 383. salvo prova em contrário. não implemento de condição suspensiva ou não esgotamento do termo. que presumem ter parcelas iguais. Caso um devedor pague toda a dívida. dentre outros. que tem como pressuposto a liquidação total da dívida. Caso a insolvência seja extinta. Em ambos os casos a parte é repartida entre todos os outros devedores solidários. segundo o art. 284). etc. As exceções pessoais dividem-se em: a) Simplesmente pessoais: são as que o devedor demandado invoca pessoalmente. presumem-se iguais.a) Resultantes da natureza da obrigação: baseiam-se nos fundamentos da obrigação. dentre outros. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente. compensação. "No caso de rateio entre os co-devedores. responderá este por toda ela para com aquele que pagar" (art. impossibilidade da prestação decorrente de caso fortuito ou força maior. O credor que sucumbiu em ação movida contra um dos devedores solidários não fica inibido de formular novo pedido contra os demais coobrigados. transação. Exemplo: remissão subjetiva. ou de um vício do consentimento experimentado por todos os co-devedores. "a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados". mas que acaba aproveitando os demais devedores indiretamente. A insolvência de um dos devedores pode acontecer antes ou depois do pagamento da dívida. 140). prendem-se aos vícios primitivos da origem. Na hora do rateio entre os devedores. 283). Exemplo: incapacidade relativa do agente. dolo. nos contratos bilaterais. mesmo que não seja interessado. Caso todos os demais devedores estejam insolventes. que não podem argüir coisa julgada. mas não tenha avisado os demais e segundo também efetue o pagamento. Exemplos: nulidade absoluta do negócio jurídico. ou na dívida. etc. cada co-devedor pode exigir a parcela a mais que pagou. compensado. b) Causas de extinção da obrigação: Exemplos: pagamento. este segundo é que terá direito de cobrar o rateio. Relação entre os co-devedores: "O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota. anulabilidade do negócio jurídico. Se o único interessado paga a dívida ao credor. coação. subsistindo quanto ao mais a solidariedade". 365 leciona que "operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. se o houver.

Aquele que empresta dinheiro no ato em que o devedor participa de jogo ilícito carece de suporte jurídico. Como a solidariedade mista é a junção da solidariedade ativa com a passiva. Não havendo responsabilidade. 814. cada qual não pode ser exigido a mais que sua parte. não há no que se falar em cobrança judicial. O não cumprimento gera a responsabilidade. não de direito. Nos jogos regulamentados pela lei. aquele que empresta dinheiro. Não possui relação jurídica (não existe responsabilidade). ou cumprir obrigação judicialmente inexigível" (art. o devedor paga com o seu patrimônio. perfeita ou comum: É aquela a qual o cumprimento da obrigação a extingue. para o devedor saldar suas dívidas de jogo. porém o descumprimento da obrigação não gera a responsabilidade. considera a obrigação natural imperfeita. Exemplos de obrigações naturais: São exemplos de obrigações naturais as dívidas de jogo e dívidas prescritas. que voluntariamente se pagou. a obrigação é civil. a posteriore. São chamadas de obrigações civis degeneradas. as regras quanto a essas duas outras modalidades. caput). salvo se foi ganha por dolo. Constitui relação de fato. Se o devedor paga aquilo que deve. O devedor não pode repetir o pagamento. que incide no patrimônio do devedor. podem dividir e estipular entre si o quanto da dívida é de responsabilidade de cada um. Solidariedade mista: Conceito: É quando há pluralidade tanto de credores quanto de devedores. Ou seja. O credor pode exigir judicialmente o cumprimento da responsabilidade. "As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. Obrigação natural: Conceito e características: O cumprimento da obrigação a extingue. Contudo. Natureza jurídica da obrigação natural: A teoria clássica ou tradicional. através de ação. A partir do momento que há o cumprimento da obrigação. mas não se pode recobrar a quantia. tornam-se obrigações naturais. mas adquire eficácia jurídica quando no seu adimplemento (soluti retentio). justamente por carecer de ação judicial. não podendo ser exigido judicialmente. ao prescreverem. como corrida de cavalos. Estando isso no acordo. ou exigi-lo de volta alegando que só cumpriu a obrigação por achar que ela era civil. mas ele é meramente de ordem moral ou social. pode exigir o dinheiro. não pode . Há respaldo no direito positivo. Características: O Código Civil não regula tal matéria. É um dever moral sem respaldo jurídico. nem em respaldo no direito positivo. As dívidas (obrigações civis). a ela. a mais aceita pela doutrina. pois o dever de pagar existe.interessados. 882). o credor têm o direito de reter o pagamento. Obrigação civil. não cumprindo a obrigação. quando na figura de fiadores. a natural equipara-se com a civil. aplicam-se. "Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. O credor de obrigação natural que portar título de crédito ou cheque. ou se o perdente é menor ou interdito" (art.

exigir a restituição. Entretanto, terceiro dotado de boa-fé pode, se portar tais títulos. O CC admite a extensão da classificação de obrigação natural para todos os casos análogos aos inscritos nele. Toda obrigação que não permitir a repetição do que foi pago é obrigação natural. Os juros pagos, que não deveriam ser, podem ser recobrados, Porém, nos empréstimos sem fins financeiros (muito raros), o pagamento de juros é obrigação natural. As gorjetas e proprinas são doações remuneratórias por serviço prestado, sendo, portanto, obrigações civis. Efeitos da obrigação natural: O principal efeito da obrigação natural é que, dado o seu pagamento, não cabe a repetição (soluti retentio). O CC só disciplina os efeitos das dívidas de jogo e das prescritas. Por isso, a doutrina admite a existência de efeitos secundários. A obrigação natural pode ser cumprida pela dação em pagamento. A novação de obrigação natural é assunto muito controvertido. Alguns entendem que não é possível. Outros, que se as partes assim concordarem, não há porque negar (pacta sunt servanda). A compensação não é permitido na obrigação natural, porque está só pode ser feita entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis (art. 369). A característica vencida significa que ela deve poder ser exigida, o que não ocorre nas obrigações naturais Mais uma vez, há autores que entendem que somente a compensação legal não pode ser efetuada, sendo que a convencional (estipulada entre as partes) é permitida (pacta sunt servanda). A fiança, assim como o penhor, não podem ser feitos, pois são obrigações acessórias que seguem o destino da principal, devendo esta, logo, ser válida e exigível. A execução parcial da obrigação natural não permite ao credor cobrar o restante, pois a inexistência de responsabilidade persiste. Obrigação de meio: Obrigação de meio é aquela a qual o devedor está obrigado a empregar seus conhecimentos e meios com diligência, não se responsabilizando pelo resultado alcançado. É exemplo o trabalho do advogado e do médico. O advogado, se trabalhar com empenho provado, receberá seus honorários mesmo que a causa tenha sido perdida. Da mesma forma, o médico. Obrigação de resultado: Quando a obrigação visa atingir um resultado específico, diz-se que ela é de resultado. Um transportador é um exemplo. Sua obrigação não é somente de transportar os passageiros ou a carga, mas sim o fazer com segurança, até chegar ao destino prometido. O devedor de obrigação de resultado só se exonera de um resultado não pretendido se provar efetivamente a ocorrência de força maior, culpa da vítima, ou caso fortuito. Caso o inadimplemento aconteça por culpa de terceiro, o devedor responde perante seu credor, cabendo ao terceiro ação regressiva. Obrigação de garantia: É a obrigação em que o devedor se compromete a eliminar os riscos que recaem sobre o credor, dando-lhe maior segurança. É o compromisso de arcar com as conseqüências. A simples aceitação do devedor de assumir os riscos já demonstra o adimplemento para com a prestação. O devedor não se exonera da obrigação por ter ocorrido caso fortuito ou força maior, justamente porque a característica da obrigação é a de assumir todos os riscos, não

importando sua natureza. Esta prestação geralmente protege bens suscetíveis de aferição econômica. São exemplos: segurador e fiador, garantias bancárias, etc. Obrigação de execução instantânea ou momentânea: É aquela que se esgota num ato realizado na seqüência de sua constituição (quae unico actu perficiuntur). Encaixam-se nessa classificação as obrigações que são prestadas num período curto de tempo, tão pequeno que é, na prática,reduzido a um instante.Exemplo: compra e venda à vista, entrega de coisa certa, transporte de táxi ou ônibus, etc. Obrigação de execução diferida: É também executada num ato só, mas este tem seu tempo num momento futuro. O diferemento pode ser tanto do comprador (paga num prazo futuro), como do vendedor (entregar coisa certa num prazo futuro). Obrigação de execução continuada: É tanto a obrigação com prestação que se prolonga no tempo, sem solução de continuidade, como aquela mediante prestações periódicas ou reiteradas. No primeiro caso a prestação não tem um fim premeditado. Ela estende-se indefinidamente pelo tempo. É o que acontece com o fornecedor de energia, do representante judicial, etc. Quando há prestações periódicas, a obrigação também é chamada como sendo de trato sucessivo, são aquelas nas quais a prestação é dividida em várias prestações menores singulares, que são executadas periodicamente. Exemplo é a compra e venda a prazo, pagamento de aluguel, etc. "Quando a obrigação consistir em prestações periódicas, considerar-se-ão elas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor; se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las, a sentença as incluirá na condenação, enquanto durar a obrigação" (art. 290, CPC). As prestações periódicas cumpridas não serão afetadas pelo inadimplemento de prestações futuras. Obrigações puras e simples, condicionais, a termo e modais: Elementos constitutivos do negócio jurídico: O negócio jurídico é formado por elementos essenciais (essentialia negotii), que formam a existência do ato; os elementos naturais (naturalia negotii), correspondendo as conseqüências ou efeitos decorrentes da natureza do negócio; e os elementos acidentais (accidentalia negotii), sendo as estipulações acessórias, criadas pelas partes e adicionadas facultativamente ao negócio, como por exemplo as condições, os termos e os encargos. Os elementos essenciais e naturais advêm da lei, já os acidentais, das partes. Na medida em que são adicionados ao negócio, os elementos acidentais têm tanto valor quanto os demais. Os elementos acidentais são cláusulas de auto-limitação do negócio que modificam sua eficácia. Classificação conforme os elementos acidentais que cada obrigação possui. Obrigação pura e simples: É aquela que não está sujeita a nenhum elemento acidental.

Obrigações condicionais: Conceito: São aquelas nas quais a ocorrência de determinado evento futuro e incerto acarreta no nascimento ou na extinção do direito. "Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto" (art. 121). Não é condição aquilo imposto por lei (conditio iuris). O evento futuro não pode ser decorrente da natureza do próprio negócio para que seja considerada condição. Exemplo: não é condição uma cláusula que exige a morte de uma pessoa para que se cumpra seu testamento. O evento deve ser obrigatoriamente futuro. Exemplo: se a pessoa promete certa quantia se seu bilhete foi premiado num concurso passado, duas situações podem ocorrer. Se o bilhete não foi premiado a declaração é ineficaz. Se o bilhete foi, a obrigação é simples e pura, não havendo nenhuma condição. O evento deve ser incerto. Caso seja certo, o que há é um termo. A incerteza deve ser absoluta, isto é, não basta que as partes acreditem que o evento seja incerto, ele realmente deve ser. Diz-se que tais condições são impróprias. Classificação das condições: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes" (art. 122). São ilícitas as que contrariam a lei, a ordem pública e os bons costumes. Também são as cláusulas que afetem a liberdade das pessoas de modo absoluto, as que privem de todo efeito o ato (perplexas), as que sujeitem a parte ao puro arbítrio da outra (puramente potestativas), as que sejam fisicamente ou juridicamente impossíveis e as incompreensíveis ou contraditórias. Quando não houver nenhum problema em sua existência, a condição é tida por possível. Se houver, ela é impossível. A impossibilidade é jurídica quando a obrigação esbarra no ordenamento jurídico; e física quando a obrigação implica em algo que não pode ser humanamente cumprido. "Tem se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível" (art. 124). Quando a condição depende exclusivamente do acaso, ela é casual. Exemplo: dar algo caso chova. Entretanto, se decorrer da vontade de uma das partes, ela é potestativa. Se a vontade da parte for a única coisa a qual a condição depende, a mesma é chamada de puramente potestativa. Exemplo: darei algo se eu quiser. Esta é proibida. Se ocorrer algum evento, ao acaso, que dificulte a realização de uma condição puramente potestativa diz-se que a mesma tornou-se prosmícua. Exemplo: darei algo caso escales essa montanha. Caso a pessoa venha a ficar paraplégica, a obrigação é promíscua. Quando a condição depende tanto da vontade quanto de um eventual acaso, ela é classificada como sendo simplesmente potestativa. Exemplo: darei algo caso viajes a Roma. As condições que dependem tanto da vontade da parte quanto a de terceiro são tidas como mistas. Exemplo: darei algo caso se cases com tal pessoa. Diferem-se das simplesmente potestativas, pelo fato de que, nestas, o acaso é elemento não proposital, enquanto que na mista, a vontade do terceiro é algo definido. Se a condição impede a aquisição do direito até que ela se suceda, ela é suspensiva. "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa" (art. 125).

Termo é o dia em que começa ou acaba a eficácia do negócio. a aquisição também é. o mesmo é certo. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. considerando-se. ela é resolutiva. podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido" (art. Retirando a característica da certeza. também chamado de obrigação à prazo. a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. o termo é incerto. Como o termo é algo certo. no que couber. Classificação do termo: Quando o período do termo é apenas determinável. a condição cessa o direito a partir do evento condicional. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. em ambos os casos. 123. enquanto esta se não realizar. vigorará o negócio jurídico. Quando o tempo do termo é fixado numa data ou num lapso de tempo determinado. 128). Nos negócios de execução periódica. quando suspensivas". porém não precisa ser determinado.Se. Este se difere da condição da condição suspensiva porque não suspende a aquisição do direito. Regras sobre a contagem do prazo: . nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. Exemplo: darei tal coisa quando tal pessoa morrer. salvo disposição em contrário. Já quando o termo indica o término do direito. ao contrário. O termo inicial ou suspensivo (dies a quo) quando indica o início do exercício do direito. mas não a aquisição do direito" (art. o termo se equipara à condição. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo" (art. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé" (art. A não realização acarreta na frustação. "Ao titular do direito eventual. caput): a) Inciso I: "as condições física ou juridicamente impossíveis. a resolução não tem eficácia quanto aos atos já praticados. no entanto. ele é final ou resolutivo (dies ad quem). apenas o seu exercício. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento" (art.130). Obrigação a termo: Conceito: É a subordinação da obrigação a evento futuro e certo. Ele é algo certo. "Reputa-se verificada. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva". extingue-se. a menos que incompatível com a natureza do objeto. 130). "O termo inicial suspende o exercício. Tanto são que o art. "Se for resolutiva a condição. o direito a que ela se opõe. ou de fazer coisa ilícita". 135 aplica ao termo as mesmas disposições das condições: "Ao termo inicial e final aplicam-se. a sua realização. Conceito de prazo: Prazo é o intervalo de tempo entre o termo inicial e o final. A condição não verificada ou frustada denomina-se pendente. A condição resolutiva pode ser expressa ou tácita. "Sobrevindo a condição resolutiva. b) Inciso II: "as condições ilícitas. mas. quanto aos efeitos jurídicos. c) Inciso III: "as condições incompreensíveis ou contraditórias". Características e disposições legais: "Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados" (art. apenas determinável. Porém. ela precisa ser judicialmente pronunciada. 127). Quando ocorre a verificação há o implemento. sendo que a data de sua verificação não é precisa. 131). O que ocorre é apenas a protelação de seu exercício até que o seu uso seja possível. para todos os efeitos. Exemplo: darei algo quando for 6 de junho.

depois da morte do doador. o descumprimento deste pelo devedor caracteriza automaticamente a mora do mesmo. Efeitos e disposições legais: Sendo o prazo fixado. ou de ambos os contratantes" (art. "Os negócios jurídicos entre vivos. Obrigações líquidas e ilíquidas: Conceito: . Somente o instituidor pode propor ação revogatória pela inexecução do encargo. 136). e. assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida" (art."Salvo disposição legal ou convencional em contrário. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. são exeqüíveis desde logo. Não havendo prazo para o cumprimento. por exemplo. parágrafo único). para evitar juros. quanto a esses. 132. Aos herdeiros transmite-se a obrigação modal. o Ministério Público poderá exigir sua execução. § 1°: "Se o dia do vencimento cair em feriado. o devedor só estará em mora após a sua notificação. excluindo o dia do começo. Se a data não for determinada. em qualquer mês. se do teor do instrumento. Na morte do instituidor. o doador poderá notificar judicialmente o donatário. Se o devedor quiser abdicar do prazo. "Se desta última espécie for o encargo. 134). ou do interesse geral" (art. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo" (art. não podendo propor ação revogatória. § 4°: "Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto". o seu décimo quinto dia". ele pode antecipar o pagamento do negócio. ou no imediato. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. presume-se o prazo em favor do herdeiro. se o prazo foi estabelecido a favor do credor. computam-se os prazos. Contudo. esta não é obrigatória. "O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação. 553). e incluindo o do vencimento" (art. cabendo esta somente ao MP. "A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo. § 2°: "Meado considera-se. Características e disposições legais: "O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. salvo. "Nos testamentos. O contrato de empreitada para a construção de uma casa é um exemplo de negócio entre vivos que tem sua execução a prazo. pelo disponente. Encargo é este ônus. 553. Obrigações modais ou com encargo: Conceito: São as obrigações nas quais existe certa cláusula que impõe um ônus ao detentor do direito adquirido na resolução jurídica. nos contratos. caso forem a benefício do doador. se este não tiver feito" (art. se faltar exata correspondência". 133). § 3°: "Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. tal renúncia não pode ser feita sem o consentimento do outro. esta limitação do direito de exercício do bem. nos contratos a seu favor. Geralmente caracteriza-se pela imposição de um modo de usufruir tal direito ou fim a atingir. 562). como condição suspensiva" (art. A sentença também não terá efeito retroativo. Exemplo: dou esse terreno ao município para que ele construa uma escola. caput). tendo tais que ainda respeitar o encargo imposto. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil". ou de ambos. de terceiro. Porém. se o donatário incorrer em mora. seus herdeiros só podem exigir o cumprimento do encargo. em proveito do devedor. sem prazo. ou das circunstâncias.

parágrafo único. segue a sorte deste. Liquidação por artigo é quando fato novo é alegado em processo sentenciado. O caráter acessório ou principal é atribuído pela vontade das partes ou pela lei Quando pelas partes. apurar o valor da condenação. a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial (art. CC). Quando ela for ilíquida. Ela pode se dar por arbitramento ou por artigos. Obrigações principais e acessórias: Conceito: Obrigação principal é aquela que existe por si só. pode ter sido convencionada em conjunto com a obrigação principal ou posteriormente. A compensação só pode ser feita se as dívidas forem líquidas. isso não impede que o credor reproponha a liquidação. Quando se trata de dinheiro. O rito dessa nova liquidação respeita a do processo anterior que a gerou. Da mesma forma. 184. positiva e líquida. Exemplo de obrigação acessória: fiança. 397. juros. As obrigações ilíquidas são as que têm existência certa. a avaloração é dada em cifras. 397. caput. mesmo não mencionados. no seu termo. o juiz julgará não provados os artigos de liquidação. Efeitos: "A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. Porém ele não sabe qual é a quantia. caput). ou seja. o que o impossibilita de cumprir com a obrigação Características da liquidação: A liquidação visa apurar o quantum devido. logo. procede-se à sua liquidação" (art. Porém. etc. penhor. "Quando a sentença não determinar o valor devido. A liquidação é processo autônomo da sentença. o fiador só responde a obrigação quando esta se tornar líquida. O credor deve provar os rendimentos do falecido. cláusula penal. bem como a dependência da família para requisitar a pensão. Quando tratar de coisa certa é o próprio objeto. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. Exemplo de liquidação por artigo: Pedido de dano material pela morte de chefe de família à réu condenado em sentença penal.São consideradas líquidas as obrigações que tenham sua existência certa e o seu objeto avalorado. A dívida ilíquida é certa. "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios. É a mora ex persona. Arbitramento é quando o juiz nomeia um perito com conhecimento técnico para apurar a avaliação de uma coisa. porém seu valor é incerto. segunda parte). Isso ocorre através do processo de liquidação. CPC). O devedor é obrigado a pagar os juros da mora desde que este seja líquido. As partes podem formular quesitos e indicar assistência técnica. então. mas a destas não induz a da obrigação principal" (art. Aplicação da distinção nos dispositivos legais: "O inadimplemento da obrigação. o devedor sabe que tem que pagar. Introdução ao direito das obrigações . Isso impossibilita ao devedor solvê-la. Não havendo termo. cabendo apelação com efeito dedutivo. 475-A. "contam-se os juros de nora desde a citação inicial" (art. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. não dependendo de qualquer outra. Obrigação acessória é a que tem existência subordinada à obrigação principal e. 405). devendo-se. 233). Se o credor não conseguir provar os fatos novos. Para que se possa solver a obrigação ilíquida. é preciso que ocorra a sua avaloração. serviço ou prejuízo.

que é o devedor. uma vez que se dirigem contra pessoas determinadas. que resultam de um vínculo jurídico estabelecido entre o credor. colocando-as. São elementos essenciais dos direitos reais: a) Sujeito ativo b) A coisa c) Relação do sujeito ativo sobre a coisa. na posição de sujeito passivo. A duração do direito obrigacional é transitória e se extingue assim que se dá o cumprimento da prestação. sendo. Quanto à formação: O direito obrigacional resulta da vontade das partes. pela inexistência de vícios. O sujeito passivo do direito obrigacional é determinado ou determinável. que se estabelecem de pessoa a pessoa. pelos bons costumes e pela ordem pública. vinculando sujeito ativo e passivo. não sendo oponíveis erga omnes. pois os indivíduos têm ampla liberdade em externar a sua vontade.Conceito e âmbito do direito das obrigações: O direito das obrigações compreende os vínculos de conteúdo patrimonial. O direito das obrigações configura exercício da autonomia privada. sob todos ou sob certos respeitos. chamado domínio Distinção entre direitos obrigacionais ou pessoais e direitos reais: Os direitos obrigacionais exigem cumprimento de determinada prestação enquanto que os reais incidem sobre a coisa. Características principais do direito das obrigações: O direito das obrigações tem por objeto direitos de natureza pessoal. Já o direito pessoal consiste num vínculo jurídico pela qual o sujeito ativo pode exigir do sujeito passivo determinada prestação. sendo sua criação ilimitada (numerus apertus). limitada esta apenas pela licitude do objeto. O direito obrigacional exige uma figura intermediária. A ação real é exercida contra quem quer que detenha a coisa. Os direitos reais são perpétuos. e a segue em poder de quem quer que a detenha. Direitos reais e direitos obrigacionais: Direito real é aquele que afeta a coisa direta e imediatamente. enquanto que o direito real só pode ser criado por lei. não se extinguindo com o uso. Já o direito real incide diretamente sobre a coisa. e a outra. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. logo. como sujeito ativo. Já o do direito real é indeterminado. como credora e devedora. pela moral. ou por outros meios. São direito relativos. mas a prestação não. e o devedor. Figuras híbridas: Obrigações propter rem: . na contingência de cumpri-la. A prestação da obrigação deve ser sempre suscetível de avaliação em dinheiro. limitado (numerus clausus). No direito obrigacional. uma em face da outra. a ação é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo. de tal modo que uma esteja na situação de poder exigir a prestação.

sendo a prestação imposta precisamente por causa dessa titularidade da coisa. 1417 e 1418). A obrigação abrange a relação globalmente considerada. São exemplos as obrigações imposta aos proprietários e inquilinos de um prédio de não prejudicarem a segurança. de crédito e débito. 1234). pelo fato de ter a obligatio in personam objeto consistente em uma prestação específica. o sossego e a saúde dos vizinhos (art. 1219). Distinção entre ônus real e obrigação propter rem: A responsabilidade pelo ônus real é limitada ao bem onerado. não respondendo o proprietário além dos limites do respectivo valor. A obrigação propter rem é de caráter misto. arts. Obrigações com eficácia real: Obrigações com eficácia real são as que. cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. Corresponde a uma relação de natureza pessoal. Exemplo de eficácia real é a que resulta de compromisso de compra e venda. . em favor do promitente comprador. com a aquisição do direito sobre a coisa a que o dever de prestar se encontra ligado.Obrigação propter rem é a que recai sobre uma pessoa. a ação cabível é de natureza real (in rem scriptae). 1280). obrigação do dono de coisa perdida de recompensar e indenizar o descobridor (art. Há uma obrigação dessa espécie sempre que o dever de prestar vincule quem for titular de um direito sobre determinada coisa. Noções gerais de obrigação Conceito de obrigação: Obrigação é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação. Os efeitos da obrigação propter rem permanecem em qualquer circunstância. Na obrigação propter rem. por força de determinado direito real. é de índole pessoal. Já na obrigação propter rem o devedor responde com todos os seus bens. enquanto que nas obrigações propter rem. a substituição do titular passivo opera-se por via indireta. obrigação de dar caução pelo dano iminente quando o prédio vizinho estiver ameaçado de ruína (art. incluindo tanto o lado ativo (o direito à prestação) como o lado passivo (o dever de prestar correlativo). e obrigação de indenizar benfeitorias (art. 1277). sem perder seu caráter de direito a uma prestação. obrigação imposta ao condômino de concorrer para as despesas de conservação da coisa comum (art. Ônus reais: São as obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. Nos ônus reais. 1315). constituindo gravames ou direitos oponíveis erga omnes. enquanto que os do ônus real extinguem-se com o perecimento do objeto Os ônus reais sempre implicam numa prestação positiva. adquirindo este direito real à aquisição do imóvel e à sua adjudicação compulsória (CC. quando não se pactua o arrependimento e o instrumento é registrado no Cartório de Registro de Imóveis. A obrigação propter rem pode tanto ser prestação positiva quanto negativa. transmitem-se e são oponíveis a terceiro que adquira direito sobre determinado bem. de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento). e como a obligatio in re estar sempre incrustada no direito real. ilimitadamente.

determinados ou. e) Determinação do objeto: O objeto deve ser determinado ou. mas a prestação deve ser suscetível de avaliação em dinheiro. contudo. A impossibilidade é física quando atenta contra as "leis da natureza". aquele em favor de quem o devedor prometeu determinada prestação. o direito de exigir o cumprimento desta. conforme a obrigação seja simples ou solidária e conjunta. bem como as sociedades de fato. O sujeito ativo é o credor da obrigação. As obrigações naturais são exemplo de obrigação sem responsabilidade. É composto por dois elementos. no mínimo. Os sujeitos da obrigação. 106). fazer ou não fazer. tanto o ativo como o passivo. g) Vínculo jurídico É o liame existente entre o sujeito ativo e o sujeito passivo e que confere ao primeiro o direito de exigir do segundo o cumprimento da prestação. Exemplo de obrigação natural: dívida de jogo. A impossibilidade deve ser real e absoluta para causar a nulidade da obrigação. Ela deve obedecer certos requisitos para a obrigação ser considerada válida: c) Licitude do objeto: O objeto não deve atentar contra a lei. e responsabilidade. A jurisprudência não tem condenado as obrigações com objeto que atenta a moral. Caso não haja relação econômica com a prestação. Tem ele. "A impossibilidade inicial do objeto não invalida a condição a que ele estiver subordinado" (art. que é o vínculo espiritual. ao menos. utilizando-se do princípio de que ninguém pode valer-se da própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans). dívida prescrita. pois representa a obrigação moral (na consciência do devedor) de satisfazer pontualmente a obrigação. pois uma vez paga extinguem-se.Elementos constitutivos da obrigação a) Subjetivo: sujeitos da relação obrigacional. a obrigação é nula. Pode haver obrigação sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação. etc. O caso da fiança é exemplo de responsabilidade sem obrigação. Elas existem. determináveis. como titular daquela. f) Apreciação econômica do objeto: As prestações que não possuem conteúdo patrimonial são excluídas do direito das obrigações. O objeto mediato é sobre no que recai essa prestação. Em contrapartida. abstrato ou imaterial. Pode a obrigação também existir em favor de pessoas ou entidades futuras. ou ainda não existentes. a jurídica ocorre quando o ordenamento jurídico proíbe certo ato. determinável. podem ser pessoa natural ou jurídica. O objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato humano: dar. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. como nascituros e pessoas em formação. b) Objetivo: objeto da relação obrigacional. quais sejam: Débito. Responsabilidade é a conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. conferindo ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação. O sujeito ativo pode ser individual ou coletivo. fazer e não fazer) é o objeto imediato. a moral ou os bons costumes. Devem ser. de qualquer natureza. o juiz determinará valor equivalente em caso de reparação de danos. pois o fiador pode ser responsabilizado pela obrigação de terceiro (o devedor). A prestação (dar. mas não podem ser exigidas judicialmente. d) Possibilidade do objeto: Quando o objeto é impossível. que representa o vínculo material. Fontes das obrigações Fontes no direito romano e em outras legislações contemporâneas: .

Se não houver recusa não há no que se falar em consignação. Por isso. Contrato é o acordo de vontade convencionado pelas partes. ato lícito. pois o credor irá aceitar o pagamento quando lhe oferecido. nos casos e forma legais" (art. ou pela vontade humana. Recentemente. O devedor não só tem o dever de pagar como tem o direito de fazê-lo. por ele mesmo ou em seu nome. Gaio dividiu as fontes das obrigações em quatro espécies: contrato (obligatio ex contractu). "Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no . Quase-delito é o ato ilícito culposo. 334 não especifica o que se pode depositar ou não. A lei sempre atua como fonte imediata da obrigação. Concepção moderna das fontes das obrigações: Na modernidade abandonaram-se os critérios romanos. entende-se que pode ser tanto dinheiro quanto bens móveis ou imóveis. Na nova classificação. praticado com a intenção de causar dano a alguém. feita de forma indireta. O depósito só é possível nas obrigações de dar. Objeto da consignação: O art. quase-contrato (obligatio quase ex contractu). assim como o contrato. pois isto o interessa na medida em que o exonera da obrigação. o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. A consignação comprova a mora accipiendi. A vontade das partes (representada pelo contrato ou pela declaração unilateral) é fonte mediata da Direito Das Obrigações – Parte IV Otávio Goulart Minatto* Pagamento em consignação: Conceito: O pagamento em consignação é uma espécie de pagamento especial. as obrigações podem decorrer de: Manifestação bilateral ou plurilateral da vontade (contrato). cobrindo-se dos efeitos que o efetivo pagamento lhe causaria. A consignação é forma indireta de pagamento. porém não se deriva da vontade das partes. A consignação consiste no depósito da coisa devida pelo devedor. "Considera-se pagamento. como as obrigações do casamento. 334). as obrigações ou resultam da vontade do Estado (por intermédio da lei). É ilógico pensar neste instituto nas obrigações de fazer e de não fazer. O objeto pode ser ainda certo ou incerto. Quando o credor rejeita o pagamento sem justificativa aceitável.No período clássico do direito romano. Fez-se isto pela constatação de que certas obrigações emanam diretamente da lei. Pothier acrescentou à lista de fontes tradicionais a lei. Sendo assim. Delito é ato ilícito doloso. promessa de recompensa) ou atos ilícitos (noção generalizada de delitos e quase-delitos). pois essa recusa caracteriza que o devedor não esta apto para se exonerar da obrigação. manifestação unilateral da vontade (título ao portador. O quase-contrato é. o que não acontece quando a recusa é justa. judicialmente ou extrajudicialmente. da tutela e curatela. delito (obligatio ex delicto) e quase-delito (obligatio quase ex delicto). ela só cabe quando não é possível fazer o mesmo de forma direta. com o objetivo de liberar o devedor da obrigação quando o credor age em mora. Se a recusa do credor é justa não se pode consignar o pagamento. praticado involuntariamente sem a intenção de causar dano. Segundo a nova concepção. e extingue a obrigação. Exemplo: gestão de negócios. pode o devedor consigná-lo.

comparecendo mais de um. Deve ser impossível também efetuar o pagamento ao representante do credor. nem mandar receber a coisa no lugar. O caso da ausência é difícil de ser observado. o juiz decidirá de plano. for desconhecido. caso em que se observará o procedimento ordinário" (CPC. Tem legitimidade ativa para a ação consignatória o devedor. fica comprovada a impossibilidade de se pagar diretamente. por sua vês. também capaz. que o faz em nome do devedor. b) Inciso II: "se o credor não for. Existindo um curador não há porque não fazer o pagamento diretamente para ele. art. continuando o processo a correr unicamente entre os credores. basta o devedor apenas demonstrar que o credor não foi em busca de seu pagamento. Neste caso. ou. ou não. fará ele a mesma. cabe apresentar causa justa para a recusa. 335 enumera os fatos que autorizam a consignação: a) Inciso I: "Se o credor não puder.mesmo lugar onde está. Este inciso refere-se à hipótese de obrigação portável. "Quando a consignação se fundar em dúvida sobre quem deva legitimamente receber. "Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor. A simples incapacidade não é motivo suficiente para que se faça a consignação. converter-se-á o depósito em arrecadação de bens de ausentes. d) Inciso IV: "Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento". sem justa causa. ao objeto. e) Inciso V: "se pender litígio sobre o objeto do pagamento". Requisito pessoal ou subjetivo para a validade da consignação: O pagamento deve ser feito pelo devedor capaz ao verdadeiro credor. pois. quando a dívida é portável. Estando as partes disputando em juízo o objeto do pagamento é ilógico pensar que uma delas pode se exonerar da obrigação em disputa. Nas três hipóteses. recusar receber o pagamento. declarado ausente. em relação às pessoas. ou dar quitação na devida forma". 341). tempo e condição devidos". c) Inciso III: "Se o credor for incapaz de receber. todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento" (art. não ficará o devedor eternamente a espera da escolha. será ele citado para esse fim. nesse caso. Requisitos de validade da consignação: "Para que a consignação tenha força de pagamento. 342). Seu depósito é suficiente para que seja exonerado da obrigação. 336). comparecendo apenas um. não participando da discussão sobre quem receberá seu pagamento Se a dúvida quanto quem é o credor não for razoável. Fatos que autorizam a consignação: O art. sob pena de ser depositada" (art. Se esta pessoa for . Se a residência do credor é em local perigoso ou desconhecido. bem como terceiro interessado. proceder-se-á como no artigo antecedente" (art. que estabelece um curador para o ausente. será mister concorram. o devedor não é prejudicado por não se saber quem é o verdadeiro credor. Este inciso refere-se à dívida quesível. Ao credor. o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação. pois tal instituto só pode ser decretado por sentença. sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. Não é lógico prejudicar o devedor pela mora accipiendi. Cabe ao devedor provar que efetivamente ofertou o pagamento. A legitimidade passiva (réu da ação consignatória) recai sobre aquele que pode receber o pagamento e exonerar o devedor. o juiz fará o indeferimento da petição inicial. ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil". 898). modo e tempo. o devedor não tem a obrigação de arriscar a sua vida para efetuar o pagamento. por falta de interesse de agir do autor. Só assim é possível a consignação. poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la. Se o credor não determina o objeto do pagamento. feita a escolha pelo devedor. não comparecendo nenhum pretendente.

333). Isto significa que o princípio de que o depósito deve ser líquido e certo não é mais válido. que têm interesse em ver a obrigação extinta. os juros da dívida e os riscos. Ou seja. 9°. 340). "Julgado procedente o depósito. será citada por edital (CPC. ficam desobrigados dela todos aqueles que não compactaram com sua criação. Por isso um levantamento da quantia depositada representaria a volta da obrigação em questão. "O credor que. ou referente ao objeto: O pagamento deve ser efetuado em sua integralidade. 339). Modo do pagamento: O modo será o mesmo que o estabelecido. ou seja. ele confirmou com a outra parte nova obrigação. só pode ser feito após o vencimento da dívida. poderá o credor. Aceitando o depósito. devem ser entregues também os acessórios. Tempo do pagamento: O tempo do depósito respeitará o fixado no contrato. I) com intervenção. Se o prazo foi estipulado a favor do devedor. poderá o devedor requerer o levantamento. poderá este retirar o depósito a qualquer momento (art. uma nova obrigação assumida. frutos e produtos que o credor tem direito A jurisprudência tem admitido a discussão em torno do valor depositado. Lugar do pagamento: O depósito será feito no lugar o qual foi estabelecido para ser o do pagamento (art. Levantamento do depósito: "Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito. pode o credor efetuar o depósito (art. Requisito objetivo. o levantamento só pode ser feito com suas anuências. a seu favor. salvo se for julgado improcedente" (art. depois de contestar a lide ou aceitar o depósito. 337). Verificada a condição a que o débito estava subordinado. se a obrigação poderia ser paga em várias prestações. II). se neste período o credor tiver demandado o devedor. Se assim aceitar. legitimamente. o levantamento do pagamento só poderá ser feito com a sua anuência. Um levantamento posterior da quantia depositada pelo devedor representa. tanto que se efetue. cessando. Porém. como os codevedores e os fiadores. ou não impugnar. exonerando todas as partes. de curador especial (CPC. Se o credor recusar o depósito e contestar a ação. Se o deposito for de entrega de coisa. Sendo a obrigação nova. 231. ou descumprir alguma cláusula contratual. aquiescer no levantamento.desconhecida. o devedor já não poderá levantá-lo embora o credor consinta. também poderá o seu depósito. ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído" (art. poderá o devedor fazer o depósito. art. para o depositante. O julgamento da procedência do depósito implica na afirmação da exoneração da parte ativa. pelas partes. pois o credor permitiu que a quantia lhe fosse tomada após ter sido assegurado o resgate do seu crédito. O devedor deve incluir no depósito a correção monetária referente ao período entre o vencimento da dívida e o efetivo depósito. recusar a consignação. Se o devedor oferecer objeto que não seja o devido. pagando as respectivas despesas. a consignação não poderá mais ser feita. 337). 338). . "O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento. o credor extingue a dívida. perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada. senão de acordo com os outros devedores e fiadores" (art. e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito" (art. o levantamento corresponderá a um novo crédito. art. Se ela não tiver causado nenhuma conseqüência irreversível. Como tal ato afeta os codevedores e fiadores. ou seja. da mesma forma. 332) A mora do devedor não impede a consignação do pagamento por si só.

A sub-rogação pessoal é uma figura jurídica anômala. assim. O novo toma o lugar do antigo. Se a ação é improcedente. que passa a dever ao terceiro. III . art. mesmo com a sentença proferida obrigando-o a aceitar aquelas que foram depositadas. não o havendo. Quando querível. a ação é proposta no foro do domicílio do credor. o devedor tem duas alternativas: a) Efetuar o depósito extrajudicial em banco aceito pelo credor: No depósito extrajudicial. 899. caput). podendo ser feita mesmo quando houver dúvida sobre o valor exato a ser depositado. Caso o credor recuse as novas prestações. Espécies: A sub-rogação pode ser legal ou convencional: . Quando a dívida é portável. tendo apenas que ser feitas no prazo de cinco dias do vencimento de cada uma. não incidindo os juros moratórios do período da ação. Já na sub-rogação. art. tornando-se. Se se tratar de prestações periódicas.o depósito não é integral (CPC. O depósito judicial deverá ser feito no prazo de cinco dias. Ocorre quando este terceiro solve a dívida do devedor para com o credor. sendo que esta nova preserva todas as características da antiga. o devedor deverá apenas comprovar o depósito do pagamento. mas sim livrar o devedor primário da obrigação com o credor. no do devedor. pois o objetivo não é lucrar. no lugar da situação do imóvel (CPC. Os depósitos futuros não estão sujeitos ao decidido. pelo devedor. IV . art. bem como demonstrar a recusa do credor. Por isto. A procedente da ação reputa efetuado o pagamento. Na cessão. Exemplo: Substituição da coisa gravada pelo testador ou doador com vínculo de inalienabilidade. caput e § 1°). pois extingue a obrigação para o credor. o detentor do direito de ser ressarcido da quantia paga. as demais não precisam seguir toda a formalidade. visa-se o lucro. mas preserva a obrigação ao devedor. Pagamento com sub-rogação: Conceito: Sub-rogação é a substituição de uma parte da obrigação. b) Ajuizar ação de consignação em pagamento: Essa ação é de natureza declaratória. devendo ajuizar nova demanda O prazo de resposta do credor é de quinze dias. A alegação de que o valor não é o integral não impede que o credor levante o pagamento parcial e libere o devedor neste montante (CPC. 891. como os acessórios da obrigação e suas garantias. que não pode mais exigir nada do devedor depois de ter recebido o pagamento do terceiro.Disposições processuais: Quando o credor recusa-se a receber o pagamento. Já a pessoal ocorre com a substituição do credor por terceiro. É real quando a substituição é do objeto. sendo a primeira consignada. 896. Se a ação tratar de aluguéis e encargos. há certas diferenças para com este. pode o devedor depositar o restante no prazo de dez dias (CPC. pois o objetivo é transformar o crédito em patrimônio. Apesar de ser instituto semelhante à cessão de crédito. não pode o devedor aproveitar-se da sentença. O terceiro que toma o lugar do credor preserva todos os direitos daquele. o valor pago é diverso. Se o credor alegar que o valor depositado não é integral. será proposta no foro de eleição e. Essa possibilidade só se estende até a prolação da sentença. parágrafo único). O credor pode alegar que: "I . II . o devedor responde pelos juros do curso da lide.foi justa a recusa. pois se caracteriza o seu retardamento culposo. Isso só pode ser feito até o deferimento da sentença. parágrafo único). negociando-o. da dívida.não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida. 896. A sub-rogação pode ser real ou pessoal. preservando todos os ônus e atributos deste primeiro.o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. geralmente. ocorre a exata proporção entre o pagamento efetuado e o valor da dívida. art.

Esse caso ocorre somente quando o pagamento é feito por terceiro não é interessado. O art. Quando há mais de uma hipoteca. 2) A transferência seja feita até a hora do pagamento. do fiador. Por ter essas características. aquela estabelecida primeiro terá preferência numa eventual execução. A sub-rogação é chamada de convencional quando é estipulada entre as partes. b) Inciso II: "Quando terceiro empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida. Por isso. mas assim quiseram as partes. Por isso. sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito". tal subrogação não precisa obedecer nenhuma das hipóteses legais. Acontece geralmente quando este credor tem menos garantias que os demais. pois a quando o é pela interessado. do devedor solidário. contra o devedor principal e os fiadores". É o caso do avalista. pagando a dívida. Não precisa haver anuência do credor. etc. apenas tem o direito ao reembolso. Entretanto não são a mesma coisa. ele pode exonerar o devedor e. Essa hipótese não se restringe ao caso da hipoteca. mas os meios não. 347 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação convencional: a) Inciso I: "Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos".A legal decorre da lei. corre o risco de não acontecer. pois caso o imóvel seja executado. Os fins são os mesmos. b) Inciso II: "do adquirente do imóvel hipotecado. enquanto a sub-rogação está relacionada ao pagamento. Os financiamentos regulados pelo sistema financeiro de habilitação são exemplos deste tipo de sub-rogação. é independente da concordância da vontade de ambas as partes. O art. O efeito translativo aplica-se às duas modalidades de sub- . 348 estabelece que "na hipótese do inciso I do artigo antecedente. bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel". segundo o qual "a sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. A jurisprudência tem ampliado esse entendimento para os casos de anticrese e aos adquirentes de coisa móvel. o adimplemento da sua prestação. 346 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação legal: a) Inciso I: "do credor que paga a dívida do devedor comum". Efeitos da sub-rogação: A sub-rogação produz dois efeitos: a) Liberatório: exonera o devedor para com o antigo credor b) Translativo: é o efeito contido no art. a sub-rogação o é legal. vigorará o disposto quanto à cessão do crédito". O inciso cita também qualquer relação contratual que dê ao credor qualquer direito sobre o imóvel. Para que isso não aconteça. A manifestação dessa sub-rogação deve ser expressa. Devem ser preenchidos os seguintes requisitos: 1) Haja transferência expressa dos direitos. no todo ou em parte". c) Inciso III: "do terceiro interessado. é interessante para aquele que se utiliza do imóvel comprar a primeira hipoteca. pois se não a dívida é extinta. São os casos em que o credor percebe que o seu devedor também é sujeito passivo de outras obrigações e que se estes outros credores executarem seu crédito. Terceiro interessado é aquele que tem seu patrimônio afetado caso a dívida não seja paga pelo devedor. o adquirente do mesmo não o perderá para outro. que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado. tanto que o art. já que não há nenhum outro para receber. pelo devedor. 349. pois não tem ele como impedir que o terceiro empreste o valor da prestação. em relação à dívida. A transferência é feita sem a anuência do devedor. É a opção do devedor de trocar de credor. privilégios e garantias do primitivo. a si mesmo. já que a cessão cuida de uma transferência de crédito. O terceiro não interessado que paga a dívida não se sub-roga como credor. do co-devedor de dívida indivisível. ações. que paga a credor hipotecado. "Comprando" todas as dívidas do devedor ele tem certeza de que irá receber seu pagamento preferencialmente. É muito semelhante à cessão do crédito. ocorrendo nos casos nos quais essa mudança não poderia ser feita. conseqüentemente.

350). Se o subrogado pagou apenas uma parcela da dívida.rogação (legal e convencional). graças à autonomia especulativa das partes. todos sujeitam-se à regra de igualdade de credores. 351). "O credor originário. por dois ou mais débitos da mesma natureza. e não sobre a integralidade do valor. nesse caso. Esse requisito é um tanto quanto inútil. Somente é cabível a imputação em dívida única quando ela se desdobrar. b) Identidade das partes. Entende-se que. "Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor. como quando há juros. entretanto. pois se não há opção de escolha não há no que se falar sobre impugnação. "A pessoa obrigada. primeiramente. quando mais de um terceiro pagou parcialmente a dívida. deve-se pagar obrigatoriamente os juros primeiro. a figura do devedor e do credor deve ser a mesma para todas as obrigações. como no caso da solidariedade. ou seja. por exemplo. quanto às suas existências. Apesar dos dois objetos das prestações serem fungíveis. terá preferência ao sub-rogado. e determinadas. podendo este antecipar o vencimento a bel prazer. Sendo assim. Não basta a simples fungibilidade das prestações. Pode haver pluralidade. não precisam ser uma pessoa só. se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever" (art. ainda prevalece o credor originário. neste caso. Entre o capital e os juros. Mesmo assim. É ao devedor que. Elas devem ser fungíveis entre si. As dívidas ainda devem ser líquidas (certas. a um só credor. pois os dois débitos são de naturezas diferentes. eles não o são entre si. ou seja. compete escolher qual dos débitos será pago. Dá-se o nome de impugnação à escolha de quais dívidas serão pagas. os juros seriam pagos por primeiro. Na sub-rogação convencional essa limitação não ocorre. terá direito sobre esta. quanto aos seus objetos) e vencidas (exigível pelo advento do termo prefixado). A lei permite a imputação do débito vincendo e do ilíquido se assim o credor assentiu. só em parte reembolsado. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento. porém. se todos forem líquidos e vencidos" (art. porém. na cobrança da dívida restante. Sobre todos estes. pois as partes podem estipular de forma diversa. Estas figuras. origem ou montante de cada um. já que a maioria das dívidas é estipulada em favor do devedor. 352). mas apenas uma ou algumas delas. surgem dois credores: o antigo e o novo sub-rogado. c) Igual natureza das dívidas. . Sub-rogação parcial: Pode haver casos em que o terceiro paga apenas uma parte da dívida. não podendo o devedor escolher qual quer pagar. O CC nada fala sobre quem tem preferência quando há mais de um sub-rogado. sub-existindo o restante. Na convencional. Os objetos devem ser fungíveis de idêntica espécie e qualidade. homogêneas. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra de entregar sacas de café. Pode ocorrer que este devedor não tenha dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas. não importando a data. senão até a soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor" (art. ou seja. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra é de realizar uma prestação. este efeito pode ser limitado. Requisitos: a) Pluralidade de débitos. Imputação do pagamento: Conceito: Imputação do pagamento é quando o devedor possui mais de uma dívida com o mesmo credor.

pode ser cobrada pelo rito executivo ou é garantida por cláusula penal. paga-se a mais onerosa primeiro. logo. Nesses casos. pois não pode o credor ser constrangido a receber pagamento parcial de dívida se assim não foi estipulado. receber valor superior ao da dívida sem ter que reembolsar o devedor. salvo provando haver ele cometido violência ou dolo" (art. o credor deve esclarecer o débito remanescente. 355). O CC não esclarece o procedimento quando todas as dívidas são onerosas no mesmo grau. quanto mais conseqüências negativas resultarem do não adimplemento de uma dívida. Nesses casos. 354). desde que não tenha aceitado a quitação. por exemplo. Impugnação por vontade do credor: "Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento. mas onerosa ela é. essa escolha sofre algumas limitações: a) Não pode a dívida vincenda ser paga se o prazo foi estipulado em favor do credor. "Havendo capital e juros. faz-se analogia ao art. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. A dação pode ser feita. Pode. Não caracteriza dação em pagamento o depósito bancário para pagar dívida de dinheiro. b) Sendo todas as dívidas da mesma natureza. 352. primeiro são pagas as líquidas e vencidas. IV. rende juros. A dívida é onerosa ao credor quando. Pode o credor. esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se este somente puder saldar a menor dívida não há no que se falar em imputação. dividindo o pagamento proporcionalmente entre todas as dívidas. e a quitação for omissa quanto à impugnação. A dação em pagamento é uma forma indireta de pagamento. b) Não se pode pagar parcialmente uma dívida se o credor assim não consentiu. . 433. É um contrato liberatório. c) Se todas forem líquidas e vencidas. se o credor assentir. como estipula o art. e depois no capital. salvo estipulação em contrário. As prestações devem ter natureza diferente. ou se o credor passar a quitação por conta do capital" (art. a única que ele pode saldar inteiramente. ou se a tiver sob violência e não havendo dolo. liberando assim o devedor. primeiro se paga os juros. para a quitação parcial. 353). A ordem para o pagamento das dívidas quando nenhuma das partes se manifesta é esta: a) Havendo capital e juros. Ou seja. Impugnação em virtude da lei: "Se o devedor não fizer a indicação do art. se aceitar a quitação de uma delas. o devedor se opor a esta escolha. porém. 352 assegura ao devedor o direito de impugnar seu pagamento.d) Possibilidade de o pagamento resgatar mais de um débito. Dação em pagamento: Conceito e características: Dação em pagamento é o acordo feito entre as partes no qual o credor aceita em receber prestação diversa da que lhe é devida. 354. O devedor deverá pagar a menor dívida. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. há algum gravame. Não precisa haver coincidência exata entre o valor da dívida e o do objeto da dação. Imputação por indicação do devedor: O art. não terá direito a reclamar contra a impugnação feita pelo credor. a impugnação far-se-á na mais onerosa" (art. Deve o pagamento poder saldar mais de uma dívida (separadamente) para que o devedor possa escolher sobre qual delas incidirá o pagamento. quando o objeto oferecido é de menor valor que a dívida. Porém. do Código Comercial.

as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda" (art. como quando o devedor não era o dono da coisa dada. . pois o credor não recebe a prestação devida. A nova dívida pode ser pura e simples ou também condicionada. Alterações secundárias na dívida. pela extinção da dívida por dação em pagamento não é prejudicado se essa dívida é restabelecida. Alguns entendem que não. a transferência importará em cessão" (art. mas sim adquire outro direito de crédito. Constituição de nova dívida (aliquid novi). "Se for título de crédito a coisa dada em pagamento. o objeto retorna ao seu verdadeiro dono e a obrigação volta a existir. A obrigação sujeita a termo ou a condição existe. Nesse caso. Porém. configura-se a datio pro solvendo. etc. ficando sem efeito a quitação dada. "Salvo as obrigações simplesmente anuláveis. instituto este que protege as partes em particular em certas ocasiões. Novação: Conceito: Novação é a criação de obrigação nova para extinguir uma anterior. Requisitos da novação: Existência de obrigação anterior (obligatio novanda). Evicção ocorre quando o credor perde a coisa em virtude de sentença judicial. logo pode ser novada. não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas" (art. Poderia-se interpretar. não se aplicariam as regras da compra e venda. Disposições legais: "Determinado o preço da coisa dada em pagamento. a contrario sensu. 357). ressalvados os direitos de terceiros" (art. Outros vêem que sim. 359). na verdade. a medida em que os títulos vão sendo pagos. pois a obrigação natural ganha substrato jurídico na medida em que é cumprida. pois ela não pode ser exigida compulsoriamente. A inovação pode recair tanto sobre o objeto quanto sobre o sujeito passivo ou ativo. no entanto. Sendo uma cessão de crédito. Neste caso. Há grande discussão se as obrigações naturais podem ser novadas. sendo liberado no registro de imóveis. não constituem novação. A novação não produz satisfação imediata do crédito. estipulação de juros. 367). modo extintivo não satisfatório. pode o credor estipular a extinção mediata. "Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento. restabelecer-se-á a obrigação primitiva. O direito de terceiro que age de boa-fé é preservado. a dação do título deve ser notificada ao cedido. 358). é de caráter imediato. que quando o preço não é determinado. pela dação em pagamento. As obrigações nulas ou extintas não podem ser novadas porque não se pode novar o que não existe. c) De coisa por prestação de fato (rem pro facto). Sendo pela segunda opção. etc. As obrigações anuláveis têm existências. o art. Contudo. A novação representa a renúncia ao direito de pleitear a anulação. alongamento do prazo. enquanto não rescindida judicialmente. b) De coisa por outra (rem pro re).Espécies: a) Substituição de dinheiro por bem móvel ou imóvel (rem pro pecunia). A extinção da obrigação. a novação dá-se com o implemento da condição estabelecida A grande maioria dos doutrinadores permite a novação da dívida prescrita. 533 estabelece que nesses casos também se aplicam tais regras. Aquele que comprou imóvel que se livrou da hipoteca. como exclusão de garantia. É.

Somente far-se-á isto se este devedor agiu de má-fé. ao mesmo tempo. num acordo entre o credor e terceiro. mas não abrir mão de seus direitos para com o devedor primitivo. sempre que não houver estipulação em contrário. ficando o devedor quite com este" (art. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira" (art. b) Novação subjetiva ou pessoal: Ocorre "quando novo devedor sucede ao antigo. "A novação extingue os acessórios e garantias da dívida. ao credor ressalvar o penhor. 368). denomina-se delegação. ou seja. se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação" (art. 363). na delegação. 360. Este caso denomina-se expromissão. Espécies de novação: a) Novação objetiva ou real: Ocorre novação objetiva ou real "quando o devedor contrai com o credor nova dívida para substituir a anterior" (art. na natureza desse objeto ou na sua causa jurídica. aceitar o novo devedor. Quando há ordem ou consentimento do devedor. a novação não é presumida. mudança do objeto da prestação e dos sujeitos da obrigação. 361). em virtude de obrigação nova. as duas obrigações extinguem-se. ação regressiva contra o primeiro. A novação tácita é observada sempre que a nova obrigação for diversa na substância ou na forma da obrigação anterior. caso contrário o que ocorre é a dação em pagamento. O acordo feito entre um dos co-devedores e o credor não se estende aos demais que não consentiram. Neste caso a delegação é imperfeita e não há novação. "Não havendo ânimo de novar.Intenção de inovar (animus novandi). A extinção da obrigação antiga atinge suas garantias e seus acessórios. A novação do devedor pode ocorrer sem a anuência deste. 360. Como a nova obrigação extinguiu a antiga não há no que se falar em se voltar contra o antigo devedor que se encontra totalmente exonerado. A compensação acontece quando duas pessoas são credoras e devedoras entre si de obrigações diferentes. somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferência e garantias do crédito novado. pois renuncia o crédito e todos os seus acessórios. O credor deve ter a intenção de novar. Compensação: Conceito: "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. I). Também se dá "quando. A novação objetiva pode decorrer da mudança no objeto principal da obrigação. É necessário o animus novandi. pois ninguém pode se aproveitar de sua torpeza. ficando este quite com o credor" (art. c) Novação mista: Novação mista é quando ocorre. expresso ou tácito mas inequívoco. II). até onde se compensarem" (art. Uma obrigação é paga pela outra. "Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal" (art. contudo. todos os co-devedores são exonerados. salvo se este obteve por má-fé a substituição" (art. que o aceitou. 366). 364). não tem o credor. outro credor é substituído ao antigo. Não aproveitará. A mudança incide sobre a dívida. "Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. 365). a hipoteca e a anticrese. Efeitos da novação: "Se o novo devedor for insolvente. e as duas são então extintas. Pode o credor. Os outros devedores solidários ficam por este fato exonerados" (art. 360. Espécies de compensação: . III). Sendo assim. Como a novação extingue a obrigação anterior.

A compensação é total quando o valor das dívidas for igual. 372). Como o patrimônio do fiador corre o risco de ser afetado caso o devedor não pague a dívida. declarando sua configuração. ou seja. as duas dívidas se compensam mutuamente por inteiro. mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado" (art. embora consagrados pelo uso geral. aí. a parcela da maior excedente continua sendo devida pela outra parte. de pleno direito. O juiz apenas a reconhece. Exemplo: dívida de sacas de café não se compensa com de sacas de milho. pessoa diferente. 370). A compensação é legal quando decorre da lei. 371). Conceito e características da compensação convencional: A compensação convencional ocorre quando as partes concordam em fazê-la. Porém. dispensando certos requisitos para que a mesma seja legal. Ele pode compensar essa obrigação com uma que tenha com o credor. b) Liquidez das dívidas: "A compensação efetua-se entre dívidas líquidas. ou seja. compensar dívidas ilíquidas ou de diferente qualidade. por exemplo. pois são partes diversas. São requisitos da compensação legal: a) Reciprocidade dos créditos: As duas pessoas devem ser credoras e devedoras entre si. O limite da compensação convencional é quando este ato contrariar o fim econômico-social do contrato. a compensação só pode se dar entre produtos da mesma. Os efeitos retroagirão ao momento em que foi constituída a segunda obrigação. Opera de forma automática. não se compensarão. não obstam a compensação" (art. Isto porque só assim pode o credor impor a realização coativa do contracrédito. "Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis. Conceito de compensação judicial: A compensação judicial ocorre. vencidas e de coisas fungíveis" (art. pois assim a dívida é exigível. devem ser coisas fungíveis de mesma espécie. As obrigações alternativas só podem ser compensadas caso a escolha feita pelo devedor cumpra os requisitos. verificando-se que diferem na qualidade. Aquele que se obriga em favor de terceiro também não pode compensar esta dívida com uma que tenha com o devedor. a compensação facultativa. a menos que a parte beneficiada não a tenha alegado. a compensação é parcial. Podem as partes. quando especificada no contrato" (art. é permitido que ele efetue compensação com este débito que não é seu. só após o vencimento deste. As dívidas condicionais só podem ser compensadas com o implemento da condição. conforme pactuarem. c) Exigibilidade das prestações: Todas as obrigações devem ser exigíveis. As à termo. nas hipóteses nas quais há procedência da ação e da reconvenção. pois são dívidas entre as mesmas partes. Quando o valor das dívidas for desigual. Ocorre. não restando nada após. "Os prazos de favor. principalmente. Terceiro não interessado que paga em nome do devedor não pode compensar uma dívida sua com a do devedor nem com a do credor. desde que provocado. "O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe deve. Se o contrato especificar a qualidade. ambas as partes vencem e são vencidas ao mesmo tempo. É convencional quando estipulada pelas partes. A dívida maior irá compensar a dívida menor. 369). Ela produz efeitos ipso iure. que não existirá mais. Dívidas prescritas não podem ser alvo de compensação. O juiz determina que o pagamento final seja compensado pelo o que cada parte ganhou . como no caso de o devedor compensar uma dívida vincenda sua. pois a obrigação que contraiu foi com o credor. ou seja. Nesses casos. devem estar vencidas. pois não pode proclamar de ofício. objeto das duas prestações. a boa-fé e os bons costumes. d) Fungibilidade dos débitos: Os débitos devem ser fungíveis entre si. Pode a compensação resultar da vontade de apenas uma das partes.

375). c) Inciso III: "Se uma for coisa não suscetível de penhora". entende-se que quando as dívidas são pagas no mesmo lugar. É a chamada exclusão bilateral. basta apenas ser clara. 1020 do CC de 1916 dispunha que "o devedor solidário só pode compensar com o credor o que este deve a seu coobrigado. porém. Como constituem atos ilícitos. pois cessa a dívida principal. não pode opor ao exeqüente a compensação. "O devedor que. "A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. de que contra o próprio credor disporia" (art. Se. Como o novo Código nada fala sobre o assunto. "Não se admite compensação em prejuízo do direito de terceiro.Dívidas não compensáveis: "Não haverá compensação quando as partes. O comodato e o depósito representam a confiança mútua. notificado. A não possibilidade poderia beneficiar o autor do ato infracional. A contrariu sensu. depois de penhorado o crédito deste. O art. Não havendo interesse público envolvido. É a garantia de que o pagamento será feito com a restituição da coisa. A impossibilidade de se penhorar significa que o objeto não pode ser alienado. "Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. De qualquer forma. nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos. 380). a) Inciso I: "Se provier de esbulho. Pode haver renúncia unilateral do direito de compensar. chamado de princípio da reciprocidade. A diversidade de causa devendi (o por quê de ter se constituído o crédito) não é motivo para a incompatibilidade de compensação. furto ou roubo". no caso. Isto porque o terceiro que se envolveu na penhora sairia prejudicado. A compensação de tal objeto resultaria justamente na sua alienação à outra parte. Outras regras sobre a compensação: O efeito extintivo estende-se aos acessórios. Depois não há compensação porque não existe reciprocidade entre o cedido e o cessionário. serão observadas. 373. poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente" (art. pois já teria o terceiro consciência da situação do crédito. 377). que antes da cessão teria podido opor ao cedente. o mesmo entendimento é utilizado. as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento" (art. no compensá-las. 379). A renúncia não precisa ter fórmula específica. este se tornar credor daquele. caput). exceto:" (art. a compensação poderá ser feita. pois o dever de restituir permanece. podendo tanto ser expressa quanto tácita. a cessão lhe não tiver sido notificada. não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação" (art. Contudo. depósito ou alimentos". 638 permiti a compensação do depósito somente se for compensado com outro depósito. fim este que a dívida de alimentos tenta impedir. não pode opor ao cessionário a compensação. não podem ser objeto de compensação. Se a pessoa pudesse compensar tal dívida. A dívida de alimento não pode ser compensada porque seu pagamento presume a sobrevivência da outra parte. até ao equivalente da parte deste na dívida comum". Exemplo: aquele que empresta dinheiro a terceiro não compensa seu crédito roubando a mesma quantia deste. ou no caso de renúncia prévia de uma delas" (art. 378). os direitos de terceiros são preservados da renúncia. o desconto dessas despesas é permitido. Se após o credor tiver penhorado seu crédito para com o devedor. b) Inciso II: "Se uma se originar de comodato. O devedor que se torne credor do seu credor. esta só pode ser feita após o surgimento do crédito que seria compensado e antes de todos os requisitos da compensação estarem presentes. Manter o objeto não é compensar o pagamento. O art. não poderá ser feita a compensação. nada impede que a renúncia seja feita previamente. pode a vítima de tais atos optar por uma compensação do que pela devolução do valor subtraído. Se a penhora tiver sido feita após a constituição dos créditos recíprocos. . por mútuo acordo. "Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar. Porém. a excluírem. poderia causar a não alimentação da outra.

O art. a confusão será parcial ou imprópria. a obrigação anterior" (art. Nesses casos. Entretanto os outros co-devedores continuam a dever. É de ato inter vivos quando há cessão do crédito ao próprio devedor ou quando o devedor se casa com o credor com comunhão universal de bens. A remissão é espécie do gênero renúncia. A confusão age sobre a figura do sujeito ativo e passivo. Pode ocorrer confusão parcialmente ou de modo total. Isso. Remissão de dívidas: Conceito e natureza jurídica: A remissão de dívidas ocorre quando o credor exonera o devedor do cumprimento da obrigação. necessita da aceitação do devedor. 381). somente vale entre elas. Cessação da confusão: "Cessando a confusão. só libera o devedor no montante da quota. 383). 392). diferente desta. tendo agora que pagar esse devedor que se tornou credor. ou na dívida. Efeitos da confusão: A confusão da dívida principal extingue seus acessórios. extingue a obrigação. mas a recíproca não é verdadeira. "A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. como na compensação. porém. é condicionada à aceitação expressa ou tácita do devedor. que não precisará pagar nada a si mesmo. é suscetível à remissão. "A remissão da dívida. Já no caso de pluralidade de devedores. que é livre para se opor e efetuar o pagamento.Confusão: Conceito e características: "Extingue-se a obrigação. sendo um dos co-devedores o único herdeiro. Espécies de remissão: . não se estendendo a terceiros. tendo o devedor agora que pagar para seu antigo fiador. não houve uma extinção da obrigação. a confusão é total ou própria para este. para logo se restabelece. Se o credor morrer e o herdeiro for o fiador. 386 impõe como requisitos para a remissão a capacidade do remitente (credor) de alienar e a do remitido (devedor). desde que não contrarie o interesse público ou de terceiro. Pode decorrer de ato inter vivos. dando início à sucessão provisória e depois reaparece. Porém. se um deles morrer. tendo o devedor que pagar a quota parte dos outros co-credores. a garantia da dívida se extinguirá. 384). constituindo um impedimentum praestandi. aceita pelo devedor. ou só de parte dela" (art. mas sem prejuízo de terceiro" (art. se o credor morrer. A natureza da remissão é contratual. Se for parcial. de adquirir. Advêm da vontade unilateral do credor de remitir o devedor. com todos os seus acessórios. Caso haja pluralidade de credores. 385). Decorre de mortis causa quando o devedor é herdeiro do credor falecido. As partes podem convencionar a não produção dos efeitos da confusão. Exemplo de cessão da confusão: o credor torna-se ausente. sendo o herdeiro o devedor. mas a mesma permanecerá. Qualquer crédito. ou mortis causa. pois. mas apenas uma neutralização ou paralisação. Espécies de confusão: “A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida. desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor" (art. subsistindo quanto ao mais a solidariedade" (art.

389).A remissão é considerada total quando exonera o devedor por completo. A remissão é expressa quando resulta de declaração do credor. É tácita quando o comportamento do credor demonstra que o mesmo não pretende receber o pagamento. com pluralidade de devedores. ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros. diz-se que a remissão foi parcial. 387). A mera inércia ou tolerância do credor. Inadimplemento absoluto: O inadimplemento é absoluto quando o cumprimento não poderá mais ser feito. seja pelo devedor ou por terceiro. já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida" (art. que continuarão a ter que a pagar toda a dívida. apenas transforma a garantia real do credor em pessoal. Quando a inexecução decorre de evento impossível de evitar ou impedir. 324). quando por escrito particular. A entrega do objeto penhorado ao devedor não faz com que este fique desobrigado a pagar a dívida. as obrigações são cumpridas voluntariamente. deve haver a efetiva e voluntária devolução do título. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. e honorários de advogado" (art. não faz presumir a remissão. Após o pagamento. Nessas hipóteses. de modo que. extinguindo a dívida completamente. se o credor for capaz de alienar. Absolutividade parcial ocorre quando a obrigação abrange vários objetos e somente uma parcela deles é atingida. o inadimplemento é fortuito. os co-devedores que não foram remitidos poderão exigir a restituição do correspondente à cota do remitido. 386). e o devedor capaz de adquirir" (art. A absolutividade é total quando atinge todo o objeto. deve provar a entrega espontânea do título pelo credor. Quando a prestação devida não é efetuada. prova desoneração do devedor e seus coobrigados. presume-se que assim foi feito (art. contudo. "Não cumprida a obrigação. Direito Das Obrigações – Parte V Otávio Goulart Minatto* Inadimplemento das obrigações (disposições gerais) Obrigatoriedade dos contratos: Em regra. A remissão é presumida quando deriva de expressa previsão legal. Não basta a simples entrega. A remissão pode ser concedida sob condição ou a termo inicial. "A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real. diz-se que houve o inadimplemento da obrigação. Presunções legais: "A devolução voluntária do título da obrigação. não a extinção da dívida" (art. Remissão em casos de pluralidade de devedores: "A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. se o devedor alega que a dívida foi remitida. diz-se que o inadimplemento é culposo. a extinção dá-se no complemento do estipulado. responde o devedor por perdas e danos. O inadimplemento é relativo quando o cumprimento da obrigação é imperfeito. Não há necessidade de se provar de que o credor entregou-lhe o título. Se a dívida for indivisível. ou o cumprimento não é mais útil ao credor. 388). Se o devedor estiver com a posse do escrito da dívida e alega que a pagou. a remissão de um não desobriga os outros. como no caso de mora. Quando exonera o devedor de somente uma parcela da dívida. Quando a inexecução da obrigação advém de culpa latu sensu do devedor. Agora. . cabendo ao credor o direito de acionar os mecanismos para pleitear o cumprimento forçado. a menos que contrarie a natureza da obrigação.

251). mas sim do dever legal. o credor pode mover ação de cunho cominatório para impedir o reiteramento do devedor de uma dessas abstenções. 390). Já a extracontratual tem origem na inobservância do dever genérico de não lesar outrem (neminem laedere). o inadimplemento presume-se culposo. O ressarcimento das perdas e danos tem o objetivo de recompor o patrimônio da parte lesada. o não cumprimento doloso gera indenização. não precisando o motorista provar que não. ninguém pode ser preso por dívida civil. Aquele que não se aproveita em nada com o contrato não deve ser penalizado por agir culposamente. É o motorista que deve alegar motivo maior para se livrar da culpa. Contudo. Sendo assim. Por isso. o que se deixou de lucrar. Há também a responsabilidade que não deriva do contrato. além. Porém. exceto o depositário infiel e o devedor de pensão de direito de família. É a responsabilidade que deriva do contrato. a responsabilidade extracontratual também atinge tais figuras. uma eventual penhora pode recair sobre qualquer bem do devedor. e por dolo aquele a quem não favoreça. deve ser proporcional ao prejuízo sofrido. ou seja. Sendo assim. somente a uma parte este é vantajoso. pode o credor. pois ninguém pode descumprir deliberadamente uma obrigação contraída livremente. exigir o desfazimento do que foi realizado (art. Por exemplo: O pedestre que é atropelado deve provar que o motorista que o atropelou agiu com culpa para exigir indenização. Por isso. com direitos e deveres recíprocos. Em ambas as situações. 389 é o fundamento legal da responsabilidade civil contratual. Inadimplemento fortuito da obrigação: . sendo que todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento. além das perdas e danos. se a obrigação assumida no contrato for de meio. salvo as exceções previstas em lei" (art. cabendo a outra apenas os deveres. Na responsabilidade contratual. Perdas e danos: O não cumprimento da obrigação. como a doação. do que se perdeu. a culpa deve ser provada pelo lesado. Cabe ao inadimplente provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior para se eximir da culpabilidade. A contagem do prejuízo inclui. Se a obrigação for de prestação única. 391). Na extracontratual é o lesado que deve provar a culpa do causador do dano. No contrato oneroso. a execução será forçada. a responsabilidade contratual só atinge essa figura. Já o dever genérico de não lesar a outrem pode ser inobservado tanto por capazes quanto por incapazes. A responsabilidade contratual tem origem na convenção. responde cada uma das partes por culpa. ou seu cumprimento imperfeito gera a obrigação de indenizar as perdas e danos. É a responsabilidade extracontratual. "Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. Nos contratos onerosos. indo a dimensões muito mais amplas. o inadimplemento pode gerar a obrigação de restituir perdas e danos. Nas obrigações constituídas por uma série de abstenções. Quando as perdas e danos são decretadas e o pagamento não é feito. Os absolutamente capazes são os únicos que podem ser partes de um contrato. A graduação da responsabilidade delitual é muito maior que a contratual. ou seja. ambos respondem da mesma forma pela culpa e pelo dolo. Responsabilidade patrimonial: "Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor" (art. Contrato benéfico é o gratuito. aquiliana ou delitual.Responsabilidade contratual e extracontratual: O art. mesmo a responsabilidade sendo contratual. Contratos benéficos e onerosos: "Nos contratos benéficos. Por exemplo: O passageiro de um ônibus não precisa provar a negligência do motorista para exigir indenização caso haja acidente envolvendo o mesmo. 392). as duas partes estão em igualdade. a quem o contrato aproveite. responde por simples culpa contratante. Porém.

"O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado" (art. 393, caput). As partes podem, porém, estabelecer a responsabilização do devedor mesmo que o inadimplemento ocorra sem sua culpa (pacta sunt servanda). As circunstâncias que causaram a impossibilidade de prestação pela parte do devedor, podem ser provocadas por ato de terceiro, do credor, por caso fortuito ou força maior ou por até mesmo ato do devedor, quando não houver culpa do mesmo. Em qualquer dos casos, a exoneração da culpa depende de que: a) A impossibilidade seja objetiva; b) A impossibilidade seja superveniente e inevitável. Por exemplo: Aquele que celebra uma obrigação de fazer um show em local que está em guerra não pode alegar que não cumpriu a obrigação devido aos perigos da situação do local, pois era ciente das condições do mesmo. c) A impossibilidade seja irresistível, isto é, fora do alcance do devedor. Modernamente, tem-se adotado a teoria do exercício da atividade perigosa, no qual o caso fortuito ligado à coisa ou à pessoa, como a quebra de uma peça do caminhão que bate, é de responsabilidade do devedor. Somente o "fortuito externo", advindo de fenômeno natural, como a chuva, seria escusável nesse caso. Mora: Conceito: "Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer" (art. 394). Embora a mora também se constitua quando o devedor tenta pagar de forma diferente do estipulado, o seu retardamento é o modo mais comum no qual ela se dá. Não é só pelo descumprimento da convenção que a mora acontece. O cometimento de infração à lei também a caracteriza. A súmula 54 do STJ dispõe que "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. Na contratual, entretanto "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. 405). Nas obrigações de não fazer, não há o instituto da mora, pois "o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. 390). Mora e inadimplemento absoluto: Quando o retardamento da prestação torna a mesma inútil ao credor, não há mais mora, mas sim o inadimplemento absoluto. Exemplo: de nada adianta ao credor receber o bolo que encomendou para seu casamento um dia depois da festa. A prestação que não interessa mais ao credor é tida como impossível. Não basta que o credor alegue que a prestação não lhe é mais útil, as circunstâncias devem demonstrar isto. Tanto no inadimplemento absoluto quanto na mora, surge a obrigação de restituir as perdas e danos quando tais são provocadas pela culpa do devedor. Contudo, "não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora" (art. 396). Se a mora deu-se por caso fortuito ou força maior, isto é, não havendo culpa do devedor, este não será responsabilizado pelas perdas e danos. Se a obrigação tornar-se impossível sem a culpa do devedor, também não haverá responsabilização deste. Todo inadimplemento e mora do devedor presumem-se culposos. Porém pode o devedor afastá-la provando que o infortuito não se originou por culpa sua. Já para o credor, o mesmo não vale. A mora deste em receber o pagamento, mesmo sem sua culpa, é sempre de sua responsabilidade. A mora accipiendi não requer a noção de culpa porque se o credor pudesse afastar sua responsabilidade, o devedor seria obrigado a correr com os riscos de reter o pagamento por fato que não foi ocasionado por ele.

Quando o devedor está em mora, ele é notificado pelo credor, para que esteja ciente da sua situação e possa purgá-la. No inadimplemento absoluto a notificação não é necessária, já que o cumprimento da obrigação é inviável. Espécies de mora do devedor: Mora ex re: É a declarada pela lei (o credor não precisa fazer nada para caracterizá-la). Há três casos nos quais a mora é ex re. Nos demais, ela é ex persona. São elas: a) "O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. 397, caput). Todavia, "Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial" (art. 297, parágrafo único). É caso que se refere o parágrafo único do art. 297 é de mora ex persona, pois depende de providência do credor. b) "Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou" (art. 398). É desnecessária a notificação, pois a indenização é evidente. A mora é, pois, presumida. c) Quando o devedor declarar por escrito não pretender cumprir a prestação. Mora ex persona: Quando o credor deve acionar os dispositivos cabíveis para caracterizá-la. A interpelação ou notificação da mora nas relações regidas pela lei civil pode ser feita desde a demanda judicial até por uma simples carta, tendo apenas que resultar de documento escrito. O decreto lei n. 58/37, art. 14, protegendo as pessoas que adquirem imóveis loteados em prestações, dispõe que só incorrerão em mora tais pessoas depois de serem notificadas com o prazo de trinta dias, mesmo que a parcela seja positiva e líquida, com termo certo. É o legislador transformando uma mora ex re em mora ex persona. O decreto lei n. 745/69 impede a rescisão do compromisso de compra e venda de imóvel não loteado, mesmo que haja cláusula resolutiva expressa, sem a notificação no prazo de 15 dias. Tanto no caso do decreto n. 58 quanto no n. 745, a notificação deve ser feita judicialmente ou pelo cartório de registros de imóveis. Nessas hipóteses, a simples citação não é suficiente para constituir a mora, é necessária a interpelação judicial. A jurisprudência, no entanto, tem entendido que a citação feita na própria causa principal produz mesmo efeito. Mora do devedor: São requisitos da mora solvendi: a) Exigibilidade da prestação: A dívida deve ser líquida e certa. Além disso, a realização tardia deve ainda ser proveitosa ao credor Caso a condição que sujeitava a obrigação não se verificou, ou não houve a escolha a qual o pagamento da obrigação dependesse, não haverá mora, pois não se pode afirmar se o devedor efetivamente devia ou o que devia. b) Inexecução culposa por fato imputável ao devedor. c) Constituição em mora: Este requisito é somente para os casos de mora ex persona, que dependem da ação do credor, pois nos casos ex re, a mora já é constituída desde o fato. Efeitos da mora do devedor: "Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado" (art. 395). Caso a prestação torne-se inútil ao credor, ou seja, haja o

inadimplemento absoluto, o credor pode exigir a rescisão do contrato, reclamando as perdas e danos. "O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou força maior, se estes ocorrerem durante o atraso, salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada" (art. 399). Isto significa que, na mora, o devedor responde por todos os riscos da coisa. A parte do artigo que isenta o devedor caso ele prove não ter culpa é ilógico, pois se assim provar não haverá mora em si. Mora do credor: Conceito: É quando o credor recusa receber o pagamento no tempo e modo indicado, exigindo-o de forma diferente da estipulada. Requisitos: a) Vencimento da obrigação: É somente então que ela é exigível. b) Oferta da prestação: É através dela que fica revelada a tentativa do devedor de satisfazer a obrigação. Deve-se ter claro que o pagamento foi oferecido, mas o credor o recusou ou não prestou a necessária colaboração para a sua efetivação. A mora accipiendi supõe que o devedor fez o que lhe competia. c) Recusa injustificada em receber: O credor pode se recusar a receber o pagamento com fundamento legítimo, quando, por exemplo, o devedor oferece quantia menor que a estipulada. Para haver mora, o motivo para a não aceitação do pagamento deve ser injustificável legitimamente. d) Constituição em mora: Ocorre mediante a consignação em pagamento. Efeitos: "A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e o sujeita a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação" (art. 400). A lei exige que o devedor tenha o mínimo de cuidado com a coisa que forçadamente deve reter. Se o devedor agir com dolo, abandonando a coisa, por exemplo, responderá pela deteriorização desta. Esta solução é tomada porque o direito que o devedor tem de abandonar a coisa colide com o interesse da comunidade, sendo preferível exigir que este cuide da coisa, mesmo que por motivo alheio à sua vontade. As despesas que o credor deve ressarcir são somente as necessárias, previstas no art. 96, § 3°. Mora de ambos os contratantes: A mora simultânea de ambos as partes (nem o devedor comparece ao local para efetuar o pagamento, nem o credor vai para recebê-lo) faz com que a situação permaneça como se nada tivesse ocorrido. Há o cancelamento mútuo das moras. Ninguém pode exigir da outra parte perdas e danos. Se as moras são sucessivas (primeiro o credor não quer receber e depois é o devedor que se rejeita em pagar, ou vice-versa) os prejuízos de cada mora, contabilizados separadamente, serão de responsabilizadade das respectivas partes. Os danos de cada mora não se cancelam, porém nada impede que ocorra uma compensação convencional das perdas e danos. Purgação e cessação da mora:

caso o credor não tenha extraído os efeitos jurídicos de tal atraso. nas obrigações de pagamento em dinheiro. O dano é moral quando atinge bem jurídico. não tendo o que se falar em mora. O devedor em mora pode até consignar o pagamento. 946). mas não os apaga. Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro. A cessação da mora é diferente da purgação. abrangendo juros. Ela só é possível se a prestação ainda for proveitosa ao credor."Por parte do devedor. Aquilo que dependia do bem lesado. As partes podem aceitar a oferta sem a incidência dos juros da mora. Dano emergente e lucro cessante: "Salvo as exceções expressamente previstas em lei. é feita por meio da liquidação determinada na lei processual (art. Entende-se. hoje. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. ou prejuízo. 400. oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta". o efeito não depende daquele que agiu em mora. A apuração do dano. oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data". II . O dano indenizável deve ser certo e atual. A teoria dos danos diretos e imediatos afasta a possibilidade de se indenizar os chamados "danos remotos". A purgação produz efeitos futuros que neutraliza os produzidos. A razoabilidade do lucro é o que o bom senso indica que a atividade lucraria. A dificuldade jurídica existe na definição precisa do que foi afetado direta e imediatamente. A finalidade da liquidação é tornar prático e possível a efetiva reparação do prejuízo. 402). as perdas e danos devidas ao credor abrangem. A expressão efetiva perda significa que a mesma não pode ser presumida. mas também dependia de uma série de outros fatores não pode ter sua inexecução atribuída unicamente à lesão do bem em questão. Se o credor . "purga-se a mora" nas seguintes hipóteses: I . Porém. A cessação produz efeitos pretéritos. Obrigações de pagamento em dinheiro: "As perdas e danos. mais sim da outra parte. que a purgação pode dar-se a qualquer momento da mora. Nela. do que se esperava ganhar com o bem lesado. custas e honorários de advogado. além do que ele efetivamente perdeu. O dano é material quando atinge e diminui o patrimônio do lesado. serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Dano emergente é a efetiva diminuição patrimonial sofrida pela vítima para restaurar o bem ao seu estado anterior. mas que não tenha repercussão na órbita financeira. renunciando-os. Já a de dano moral é arbitrada judicialmente. seja o dano material ou moral. o que razoavelmente deixou de lucrar" (art. pois se não for. caput). 404. sem prejuízo do disposto na lei processual" (art. 403). A indenização de dano material mede-se pelo prejuízo ao patrimônio da parte. Ela decorre da extinção da obrigação. este ato não significa propriamente a purgação da mora. desde que não tenha causado dano à outra parte. Perdas e danos Conceito: É toda a lesão de qualquer bem jurídico. Segundo o art. haverá inadimplemento absoluto."Por parte do credor. "Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor. devendo ser cumpridamente provada. sem prejuízo da pena convencional" (art.Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. pois afasta os já produzidos.

não podendo ultrapassar os limites impostos pela Fazenda Nacional (art. podem assumir qualquer valor. convencionais. Espécies: Os juros são considerados convencionais quando são ajustados pelas partes. Juros legais Conceito: Juros são os rendimentos do capital. porém. nunca superior ao limite legal. É o chamado juros sobre juros. contudo. Quando os juros são previstos ou impostos pela lei. integrando o capital. CPC). são definidos pela Fazenda Nacional. pois ela não é juridicamente . A Fazenda vem adotando a taxa SELIC como meio de aferição dos juros legais. O STJ decidiu que os juros remuneratórios praticados nos contratos de mútuo dos agentes financeiros do Sistema Financeiro Nacional não estão sujeitos à limitação do art. pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar" (art. n. ou acordo entre as partes" (art. "provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo. remuneratórios ou juros-frutos. 591 do novo CC permite os juros compostos. ou o forem sem taxa estipulada. 404. que possam derivar da lei ou da jurisprudência. "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. eles são denominados moratórios. arbitramento. Regulamentação legal: Segundo o art. ou quando provierem de determinação da lei. é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívida em dinheiro. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. São os frutos civis da coisa. Os juros são chamados de compensatórios. 407). uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial. geralmente. Quando os juros incidem nos caso de retardamento da restituição ou descumprimento de obrigação. em caso de responsabilidade extracontratual" (Súmula 54 do STJ). Nada impede. 405. 406). Quando a responsabilidade é contratual. "Ainda que se não alegue prejuízo. Porém. 405). "contam-se os juros de mora desde a citação inicial".teve que ingressar em juízo. o STJ não aceita a utilização da taxa SELIC não para esse fim. mas sim variável. são chamados de legais. além de pagar as custas do atraso. 591). serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazendo Nacional" (art. Devem estar previstos no contrato. Juros simples são os que são sempre calculados sobre o capital inicial. As perdas e danos têm como objetivo restituir o dano causado pela lesão do bem. o art. A Lei de Usura (Dec. nos casos de responsabilidade contratual. quando representam a compensação pela utilização de capital alheio. 591. o devedor deve pagar as custas do processo (art. Os juros compensatórios são.626/33) limita os juros a 1% ao mês. 20. Quando convencionais. como às prestações de outra natureza. Já os juros compostos são capitalizados anualmente. Os juros moratórios são incluídos também na liquidação. logo. 406 estipula que a taxa máxima não mais fixa. 22. Contudo. Essa lei também proíbe a cobrança dos juros compostos. Os juros moratórios podem ser tanto convencionais quanto legais. parágrafo único). e não havendo pena convencional. de comum acordo. Quando legais. Representam o pagamento pela utilização do capital alheio. "Quando os juros moratórios não forem convencionados. conforme o estabelecido pela Fazenda Nacional. O art.

não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. logo. usa-se o princípio da eqüidade. Natureza jurídica: É um pacto secundário e acessório. ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo. ou desproporcional com o dano causado. pois se busca apenas o ressarcimento dos danos. 416. caput). A cláusula penal constitui modo de cobrir os prejuízos que dificilmente poderiam ser provados. já que além de determinar os juros trás embutida a correção monetária. na qual se estipula uma pena ou multa com o objetivo de evitar o inadimplemento da obrigação principal. Isto quer dizer que se a obrigação principal é inválida ou nula. "Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal. a recíproca não é verdadeira. a pena vale como mínimo da indenização. Nessas hipóteses. culposamente. por ser lei geral posterior. O devedor não pode eximir-se da pena alegando ser ela excessiva. e não um enriquecimento ilícito do credor. desde que. Redução da cláusula penal: "O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal" (art. O parágrafo único do art. 416 fala dos casos em que a cláusula não é suficiente para cobrir todos os prejuízos. 416. "A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte. reduzindo-se proporcionalmente o valor. Caso haja excesso. 408). o credor apenas demonstra que houve o inadimplemento da obrigação. O caput do artigo 416 mostra porque a cláusula penal é utilizada. também será a cláusula penal. o juiz determinará a redução do valor. Cláusula Penal Conceito: É uma obrigação acessória. competindo ao credor provar o prejuízo excedente" (art. Contudo. Se o tiver feito. 12% ao ano. O juízo é de ponderação. O entendimento dominante da jurisprudência é de que deve ser imposto o determinado na Lei da Usura. não é necessário que o credor alegue prejuízo" (art. observando-se fatores . o princípio de que o acessório segue a sorte do principal. deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora" (art. juntamente com o estabelecido no Código Tributário Nacional. Contudo. "Para exigir a pena convencional. não revoga a lei especial anterior (Lei da Usura). Entende-se que o novo CC. pois assim foi fixado o acordo. Chama-se também de pena convencional ou multa contratual. não chegando a declarar a ineficácia absoluta da cláusula. O valor dessa segunda é descontado no da primeira. Quando a prestação foi cumprida em parte. A invalidez da cláusula penal não implica na da obrigação principal. parágrafo único). tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio" (art. 413). caso a obrigação não seja cumprida.segura. Aplica-se. cabe ao credor provar o valor das perdas para ser indenizado. Representa reforço ao pacto obrigacional através da ameaça de uma sanção civil. 412). A redução do excesso não possui uma medição fixa. Sem ter o ônus de provar o prejuízo sofrido. pois a sua existência depende da de uma obrigação jurídica. essa indenização não é imposta em conjunto com a cláusula penal. Funções da cláusula penal: A cláusula penal é meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação É também meio de ressarcimento dos danos causados pelo inadimplemento da obrigação. bem como livrarse de sua liquidação. "Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal. ou seja.

o art. Distinção com institutos afins: Há certa distinção entre pena convencional (imposta na cláusula penal) e multa cominatória ou astreinte: Na pena convencional. "Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação. Tal disposição é de ordem pública. na verdade. A cláusula penal pode ser compensatória. instituindo que não há limite para o valor da cominação A cláusula penal também se aproxima do instituto de perdas e danos. Nos casos de cláusulas penais moratórias o valor da multa é geralmente pequeno. para se chegar ao valor final. ou em ato posterior. pode referirse à inexecução completa da obrigação. "quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora. às vezes não representa o exato ressarcimento dos prejuízos do credor. à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora" (art. juntamente com o desempenho da obrigação principal” (art. Em se tratando de cláusula moratória. por isso. Sendo assim. uma mesma obrigação pode ter até 3 cláusula penais diferentes (1 compensatória e 2 moratórias. o modo para ele não sair prejudicado dessa relação obrigacional. Quando não há certeza sobre qual é a hipótese estipulada no contrato. 410). não ao total inadimplemento. o valor a ser pago é estipulado anteriormente e. costuma-se observar o valor da cláusula para relaciona-la à hipótese provavelmente correspondente. Tanto a cláusula penal quanto o ressarcimento das perdas e danos tem como objetivo impedir que o credor saia prejudicado com o inadimplemento. terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada. uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa). Já na multa cominatória em obrigação de fazer. quando estipulada na hipótese de inadimplemento da obrigação. esta se converterá em alternativa a benefício do credor" (art. Há diversas leis que estipulam o valor máximo da cláusula penal em situações específicas. Espécies: "A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação. A mora pode ser tanto o atraso da prestação. Por isso só é permitido ao credor escolher uma das soluções. 411). o juiz observa os limites especiais fixados. podendo a redução ser determinada de ofício pelo juiz. Nesses casos. A escolha de mais de uma representaria um enriquecimento ilícito do credor. 412 do CC. ou moratória. baseado nos prejuízos alegados e provados. pois os prejuízos são referentes a um pequeno atraso. exigir o ressarcimento das perdas e danos ou exigir o cumprimento da prestação. A cláusula penal compensatória geralmente possui valor elevado. porém.subjetivos como a natureza e a finalidade do negócio. ou em segurança especial de outra cláusula determinada. Por isso. O dispositivo da a oportunidade para o credor escolher entre pleitear a pena compensatória. representa a exata restituição dos prejuízos. na cláusula penal. como o cumprimento de forma diversa da estipulada. É. decorrente de título judicial para garantir a efetividade do processo. o juiz condena a parte ao pagamento da multa da cláusula penal observado o limite do art. 644 é que a regula. enquanto que as perdas e danos são decretadas pelo juiz. 409). o credor tem seu patrimônio preservado. quando aplicada nos casos de mora do devedor. Por isso a aplicação da multa conjuntamente com a exigência da prestação da obrigação não caracteriza enriquecimento ilícito do credor. . pois representa a recompensa do grande prejuízo que é o não cumprimento da prestação. Em qualquer uma das hipóteses.

Entretanto. objetivo este que não é o da multa simples. "aos não-culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. e proporcionalmente à sua parte na obrigação" (art. ou sua restituição em dobro dependendo do caso. "só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringiu. acrescido as perdas e danos (somente no caso da multa por mora). ao invés de cumprir a obrigação. incorrerão na pena. Arras ou sinal Conceito: É a quantia ou coisa entregue por uma parte a outra simbolizando a confirmação do acordo entre as partes e. pois as partes sabem qual será a conseqüência do inadimplemento: perda do valor dado. A cláusula penal existe apenas pela estipulação no instrumento. ou pode ainda "exigir a execução do contrato. É o pacto acessório. todos os devedores. valendo as arras como o mínimo de indenização" (art. poderá a outra tê-lo por desfeito. Espécies: As arras são confirmatórias quando sua função é apenas confirmar o contrato pactuado. 414.A diferença entre a cláusula penal e a multa simples é que a cláusula penal é uma importância a ser paga caso haja uma infração. e exigir sua devolução mais o equivalente. respondendo cada um dos outros somente pela sua quota" (art. com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. após pagar o credor. mesmo não sendo culpados. achando que não foi totalmente ressarcido. poderá quem as deu haver o contrato por desfeito. arcam com o valor da multa. dividida na quota de cada um. 414). Nesses casos. a cláusula penal é atribuída em favor do credor. A cláusula penal é uma coerção para se evitar o inadimplemento. Todos os devedores. Caso a parte prejudicada não se contentar com o valor recebido. assegurando o não prejuízo de uma das partes pelo direito de arrepender que a outra tem. juros e honorários de advogado" (art. . Cláusula penal e pluralidade de devedores: "Sendo indivisível a obrigação. 415). É necessária a entrega de quantia de dinheiro ou objeto. com o objetivo de ressarcir o prejuízo do credor. é somente o devedor culpado que arca com as conseqüências de sua falta. Há várias distinções entre cláusula penal e arras penitenciais. A multa penitencial se aproxima da cláusula penal. A cláusula penal é exigível apenas no inadimplemento ou na mora. Cabe apenas nos contratos bilaterais. Já a multa penitencial é estipulada em favor do devedor. parágrafo único). enquanto que as arras facilita o descumprimento da avença. pode "pedir indenização suplementar. caindo em falta um deles. enquanto que as arras necessitam da entrega de dinheiro ou objeto. irá pagar tal multa. A cláusula penal pode ser reduzida pelo juiz quando em excesso. Têm caráter real. Dessa forma. Caso contrário o credor sairia prejudicado pela infração cometida. Este escolhe se quer acioná-la ou prefere o adimplemento da obrigação. valendo as arras como taxa mínima". É impossível imaginar a existência das arras isoladas. Se a obrigação for divisível. pois o simples acordo entre as partes não é suficiente para caracterizá-lo. se provar maior prejuízo. o arraz não. retendo-as. "se a parte que deu as arras não executar o contrato. se a inexecução for de quem recebeu as arras. É quando se permite que ele. 418). mas esta só poderá demandar integralmente do culpado. já as arras são pagas por antecipação. em certos casos. 419). dependendo da existência de um principal. Entretanto. com as perdas e danos.

e quem as recebeu devolvê-las-á. as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Pode a parte infratora decidir por liberar esse valor à outra ao invés do cumprimento da obrigação. uma das partes der à outra. As arras são chamadas de penitenciais quando têm por função resguardar o direito de arrependimento das partes. mais o equivalente. as arras funcionam como princípio do pagamento. . "Se nos contratos for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes. 417). não é necessário a prova do prejuízo real para que possam ser exigidos. em caso de execução. e não dupla. são elas: a) Quando há acordo nesse sentido. ser restituídas ou computadas na prestação devida. A devolução em dobro é imposta porque se a devolução fosse simples. mas sim representar uma pequena punição pelo descumprimento da outra. Como a função das arras penitencial não é de ressarcir os prejuízos. Quando a obrigação se dá normalmente. O objetivo não é ressarcir os prejuízos da parte afetada. b) Quando a não efetivação do contrato decorre de caso fortuito ou força maior.Percebe-se que as arras não têm nenhuma função específica quando confirmatória. sem nenhuma punição à parte que descumpriu com a obrigação. quem as deu perdê-las-á" em benefício da outra parte. É apenas uma quantia estipulada inicialmente que ajudará no ressarcimento de eventual prejuízo. estar-se-ia apenas restabelecendo o statu quo ante. Em ambos os casos não haverá direito a indenização complementar" (art. Neste caso. se do mesmo gênero da principal" (art. 420). sem o arrependimento de nenhuma das partes. deverão as arras. A jurisprudência estabeleceu certas hipóteses nas quais a devolução das arras é apenas simples. dinheito ou outro bem móvel. a título de arras. Restituição das arras em caso de cumprimento da obrigação: "Se. por ocasião da conclusão do contrato.

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