Universidade do Sul de Santa Catarina

Teoria Geral do Turismo
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2007

Créditos
Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância
Campus UnisulVirtual
Rua João Pereira dos Santos, 303 Palhoça - SC - 88130-475 Fone/fax: (48) 3279-1541 e 3279-1542 E-mail: cursovirtual@unisul.br Site: www.virtual.unisul.br Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni Campus Norte Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter Campus UnisulVirtual Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler Diva Marília Flemming Itamar Pedro Bevilaqua Janete Elza Felisbino Jucimara Roesler Lilian Cristina Pettres (Auxiliar) Lauro José Ballock Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Mauri Luiz Heerdt Mauro Faccioni Filho Michelle Denise Durieux Lopes Destri Moacir Heerdt Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Patrícia Pozza Raulino Jacó Brüning Rose Clér E. Beche Tade-Ane de Amorim (Disciplinas a Distância) Design Gráfico Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (Coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Evandro Guedes Machado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho Gerência de Relacionamento com o Mercado Walter Félix Cardoso Júnior Logística de Encontros Presenciais Marcia Luz de Oliveira (Coordenadora) Aracelli Araldi Graciele Marinês Lindenmayr Guilherme M. B. Pereira José Carlos Teixeira Letícia Cristina Barbosa Kênia Alexandra Costa Hermann Priscila Santos Alves Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (Coordenador) Eduardo Kraus Monitoria e Suporte Rafael da Cunha Lara (Coordenador) Adriana Silveira Caroline Mendonça Dyego Rachadel Edison Rodrigo Valim Francielle Arruda Gabriela Malinverni Barbieri Josiane Conceição Leal Maria Eugênia Ferreira Celeghin Rachel Lopes C. Pinto Simone Andréa de Castilho Tatiane Silva Vinícius Maycot Serafim Produção Industrial e Suporte Arthur Emmanuel F. Silveira (Coordenador) Francisco Asp Projetos Corporativos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (Secretária de Ensino) Ana Luísa Mittelztatt Ana Paula Pereira Djeime Sammer Bortolotti Carla Cristina Sbardella Franciele da Silva Bruchado Grasiela Martins James Marcel Silva Ribeiro Lamuniê Souza Liana Pamplona Marcelo Pereira Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Silvana Henrique Silva Vilmar Isaurino Vidal Secretária Executiva Viviane Schalata Martins Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coordenador) Ricardo Alexandre Bianchini Rodrigo de Barcelos Martins

Equipe Didáticopedagógica
Capacitação e Apoio Pedagógico à Tutoria Angelita Marçal Flores (Coordenadora) Caroline Batista Enzo de Oliveira Moreira Patrícia Meneghel Vanessa Francine Corrêa Design Instrucional Daniela Erani Monteiro Will (Coordenadora) Carmen Maria Cipriani Pandini Carolina Hoeller da Silva Boeing Dênia Falcão de Bittencourt Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pacheco Ligia Maria Soufen Tumolo Márcia Loch Viviane Bastos Viviani Poyer Núcleo de Avaliação da Aprendizagem Márcia Loch (Coordenadora) Cristina Klipp de Oliveira Silvana Denise Guimarães Pesquisa e Desenvolvimento Dênia Falcão de Bittencourt (Coordenadora) Núcleo de Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel

Equipe UnisulVirtual
Administração Renato André Luz Valmir Venício Inácio Bibliotecária Soraya Arruda Waltrick Cerimonial de Formatura Jackson Schuelter Wiggers Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Cátia Melissa S. Rodrigues (Auxiliar) Charles Cesconetto

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Teoria Geral do Turismo. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Victor Henrique Moreira Ferreira Teoria Geral do Turismo Livro didático 2a edição revista Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2007 .

Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica . Turismo. ISBN 978-85-60694-22-8 1. Ligia Maria Soufen Tumolo.Copyright © UnisulVirtual 2007 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. – 2. ed. .4791 F44 Ferreira. 218 p. Pandini. II. 2007. Edi .vr dáti Pr essorConteudi of sta Victor Henrique Moreira Ferreira Desi I uci gn nstr onal Carm en Maria Cipriani Pandini Ligia Maria Souf Tum ol en o I 978-85-60694-22-8 SBN Pr eto Gr i e Capa oj áfco Equipe Unis Virtual ul Di am ação agr Duarte MiguelMachado Neto Vilon MartinsFil ( Edição) s ho 2ª Al Xavier ( ização) ex Atual Revi Or áf ca são togr i Hel s MartinsMano Dorneles oía l 338.Li o Di co ção . Inclui bibliografia. Ligia Maria Soufen. III. I. Título. 28 cm. Tumolo. : il. Victor Henrique Moreira Teoria geral do turismo : livro didático / Victor Henrique Moreira Ferreira . design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. rev. Carmen Maria Cipriani. – Palhoça : UnisulVirtual.

. . . . 17 Impactos da atividade turística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 Sobre o professor conteudista . . . . . . 155 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213 . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras do professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 Referências . . . . 211 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . 75 Turismo e organizações turísticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Administrando o turismo para o mercado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 5 – – – – – O surgimento e a evolução do fenômeno turístico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 O Sistema de turismo e os meios de transportes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

.

certamente se caracteriza uma experiência ímpar para todos nós. viajar. do atrativo ou da época do ano. ou seja.Palavras do professor A todos os alunos e alunas com quem estarei compartilhando informações. independentemente da destinação. o lado em que estaremos atuando como os verdadeiros prestadores de serviços turísticos. E para que isto seja possível há a necessidade de que noções e conceitos teóricos da atividade sejam aprendidos e compreendidos. A apresentação dos conteúdos por meio da sistematização das unidades foi pensada para que você possa realizar .. enfim. Se considerarmos que a sociedade industrial moderna nos impõe determinadas regras e exigências é importante pensar também que temos a necessidade de priorizar um tempo para que possamos descansar. Também tenho certeza de que muitas viagens serão realizadas. divertir e entreter. Estou certo que muitos de vocês já aproveitaram.. Quero dizer que a possibilidade de poder trabalhar o conteúdo que versa sobre a importante atividade que é o turismo. como se diz no popular. aproveitam e ainda hão de aproveitar o tempo livre. sempre tiveram a oportunidade de “atuar” como verdadeiros turistas o farão. Em outras palavras. conhecimentos e experiências. “recarregar as baterias”. Esta disciplina possibilitará um contato mais estreito com o que podemos considerar como sendo “o outro lado do turismo”.

Pretende-se com esta disciplina contribuir para uma sensibilização acerca da importância e do significado que o turismo possui em nível local. regional. nacional e mundial.um elo ou um “link”. na linguagem virtual. Vamos juntos! Desejo a todos uma excelente “viagem” por meio da aprendizagem! Professor Victor Henrique Moreira Ferreira. Assim sendo. com as necessidades atuais do turismo. convidá-lo/a a “embarcar” nesta fantástica “viagem” através do conhecimento e das novas descobertas que a atividade turística poderá lhe proporcionar. . só me resta agora.

Segmentação do trabalho dentro da atividade turística. definições e tipologia. Atividades de avaliação (complementares. Contextualização histórica do lazer e do turismo. a distância e presenciais). Motivações e fatores condicionantes. portanto.Plano de estudo O plano de estudos visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Ementa Noções básicas dos fundamentos teóricos do turismo. Principais impactos do fenômeno turístico. Escala de Doxey. atendendo às mudanças exigidas pela sociedade pósindustrial. O EVA (Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem). a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Conceitos. São elementos desse processo: O Livro didático. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. . Ciclo de vida das destinações turísticas.

Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Específicos Destacar os princípios básicos da administração do turismo. Conhecer a evolução destes princípios. Evidenciar as principais tendências e correntes do pensamento administrativo turístico. . sua evolução e suas aplicabilidades. Objetivos da disciplina Geral Compreender os elementos e processos do Turismo.Carga horária 60 horas-aula. Conteúdo programático/objetivos Veja. Identificar as principais características. a seguir. classificações e tipologia turística.

estadual e municipal será o assunto tratado nesta unidade. Unidade 2 – Impactos da atividade turística Nesta unidade você vai ter a oportunidade de entender como ocorrem os impactos dentro da atividade turística. Além disso. Será possível por meio do estudo desta unidade distinguir o que é oferta turística e demanda turística. Os temas abordados tratarão de fazer com que você conheça como ocorre a medição do turismo. nacional. além de reconhecer os principais aspectos culturais e sociais do turismo.Unidades de estudo: 5 Unidade 1 – O surgimento e a evolução do fenômeno turístico Nesta unidade. Será ainda necessário você reconhecer os princípios básicos que norteiam a planejamento turístico. apresenta-se uma breve evolução histórica do turismo com intuito de mostrar a relação existente entre as várias civilizações e as necessidades de viagens. além de compreender a importância e a aplicabilidade do marketing para a atividade turística e isto será discutido na unidade 4. será possível conhecer as várias definições de turismo e também reconhecer a divisão do tempo e a importância que isto teve para os viajantes e a necessidade de se classificar os viajantes (turista. Unidade 4 – Turismo e organizações turísticas Como são formadas as principais organizações turísticas nos principais níveis de atuação: mundial. excursionista e visitante). Unidade 3 – O Sistema de turismo e os meios de transportes Nesta etapa do livro são abordados assuntos relativos à necessidade de se compreender as bases que perfazem o sistema de turismo. 13 . Também será possível entender os principais impactos econômicos do turismo. ferramenta básica. Você também deverá conhecer os principais meios de transportes turísticos e sua importância para a atividade. para que se tenha percepção da atividade turística como um sistema.

Também verá a importância e a necessidade de se identificar a tipologia turística e o seu amplo espectro. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. 14 . da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. Aqui você poderá conhecer os princípios e as práticas para que o turismo possa ser considerado sustentável. Agenda de atividades Verifique com atenção o “EVA”. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Não perca os prazos das atividades. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. além de entender algumas das principais características e tendências da atividade turística na atualidade.Unidade 5 – Administrando o turismo para o mercado Os temas abordados nesta unidade versam sobre o reconhecimento e o significado vital exercido pelo meio ambiente em relação ao turismo.

Cronograma de estudo Atividades de Avaliação Demais atividades (registro pessoal) 15 .

.

UNIDADE 1 O surgimento e a evolução do fenômeno turístico Objetivos de aprendizagem Compreender a relação entre as várias civilizações e as necessidades de viagens. Seção 3 . Entender a classificação dos viajantes. Conhecer as várias definições de turismo. Reconhecer a divisão do tempo e a importância que este teve para os viajantes . 1 Seções de estudo Seção 1 História e evolução do turismo. Seção 2 Conceitos básicos de turismo. Divisão do tempo e os viajantes: classificações.

estados e países. sob uma perspectiva histórica. como se deu o desenvolvimento da atividade e principalmente quais os impactos que ela gera na sociedade atual. Sinta-se nosso “visitante” e venha conhecer um pouco mais sobre a área de Turismo. sendo motivo de estudos e pesquisas praticamente no mundo inteiro. por sinal. Vamos ao estudo das unidades? 18 . é uma ferramenta excepcional para gerar empregos e desenvolvimento de cidades. convidamos você a conhecer. É interessante que você perceba que a atividade turística é composta de várias áreas do conhecimento. qual a importância da divisão do tempo para o Turismo e também como são classificados os viajantes. Todavia há a necessidade de se conhecer. como surgiu esse fenômeno chamado “Turismo”. nesta unidade. Assim. A mesma gera milhões ou até bilhões de dólares em receitas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Você certamente já ouviu ou leu notícias e dados estatísticos acerca da atividade turística − importante.

História e evolução do turismo O que você sabe sobre o turismo? Você sabe como começou? Que características assumiu no decorrer da história? A que serve? Registre no espaço abaixo “histórias de turismo”. Que tal? Vamos começar? Registre uma. depois publique no EVA na ferramenta “Exposição” para socializar com seus colegas. Vamos criar nosso primeiro “registro coletivo”. vamos à narrativa sobre a história desta atividade. Perguntamos novamente: como surgiu? Podemos dizer que não há um consenso entre os mais diversos autores do tema. Depois vamos criar um espaço no EVA para publicálas. socializou com seus colegas de turma. Bem. sejam eles brasileiros ou mesmo estrangeiros... sobre quando efetivamente se deu o início da atividade turística. ou sua história. Unidade 1 19 .Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 1 . agora que já escreveu a sua história.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Alguns consideram o seu surgimento na Antigüidade, outros na Grécia Antiga, outros durante o período de existência do Império Romano e outros, ainda, consideram o seu surgimento na época dos Fenícios. Existem também aqueles que consideram o surgimento do Turismo há milhões de anos! Como não há uma data definida e acordada para o início do Turismo, elaboramos nesta seção um resumo cronológico sobre o surgimento da atividade que, segundo a nossa ótica, é de maior importância para uma melhor contextualização do Turismo. Acompanhe, a seguir, a evolução do turismo na ordem cronológica, seguida, inclusive, de contextualizações conceituais.

a) O Turismo ao longo da história
O conceito de turismo surge no século XVII na Inglaterra. A palavra TOUR é de origem francesa. Tour quer dizer VOLTA, tem seu equivalente em inglês como sendo Turn, e em latim utiliza-se a expressão Tornare. O pesquisador suíço Arthur Haulot acredita que a origem da palavra está no hebraico TUR, que aparece na Bíblia, com significado de viagem de reconhecimento. Viajar implica voltar. Há, portanto, um deslocamento. São condições essenciais (entre várias outras) para que ocorra Turismo: sujeito, deslocamento e motivação.

20

Teoria Geral do Turismo

Você sabia? Que existem diversos autores que consideram diferentes variáveis para que ocorra o Turismo? Que dentre elas se destacam: dinheiro, tempo livre, prazer, informação, comércio, descobertas, etc? Que os Romanos contribuíram de forma decisiva para o surgimento de viagens, através da construção de estradas? As famosas Pax Romana.

b) Surgimento das viagens obrigatórias (Séculos II – X d.C.)
No século V, os Bárbaros dominavam a Europa, o que resultou numa significativa diminuição das viagens, diante do perigo que elas representavam para os povos europeus dominados. Entre os séculos II e III ocorrem intensas peregrinações a Jerusalém, assim como no século IX religiosos se deslocam para a região onde se encontrava o sepulcro de Santiago de Compostela. Em 1140 o peregrino francês Aymeric Picaud escreveu 05 volumes com histórias do apóstolo Santiago e com um roteiro de viagem de como se chegar até lá a partir da França. Considera-se esse o 1º guia turístico impresso. A partir de 1282, inicia-se o intercâmbio de professores e alunos entre as universidades européias.

Você sabia? Que as grandes navegações, realizadas principalmente pelos espanhóis e pelos portugueses, contribuíram de maneira significativa para o desenvolvimento do Turismo? A descoberta do “Novo Mundo” gerou uma curiosidade enorme nas pessoas que sentiam vontade de se deslocar e conhecer as novas terras.

Unidade 1

21

Universidade do Sul de Santa Catarina

c) Ocorrências anteriores ao Turismo moderno – Turismo Barroco (Séculos XVI – XVIII)
No século XVI, ocorrem muitas viagens não oficiais realizadas por jovens acompanhados de seu professor particular (que geralmente viajava antes para conhecer os hábitos e costumes locais, além do idioma), que possuía algumas características marcantes, tais como: eram realizadas por uma classe privilegiada, de elite; eram consideradas um tour de aventura; eram feitas majoritariamente pelas pessoas do sexo masculino; eram esporádicas e com duração aproximada de três anos. Nessa mesma época, já se constata o turismo na França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Inglaterra e Espanha. No século XVI, surge o considerado “1º hotel do mundo”, de nome Wekalet Al Ghury no Cairo – Egito – para atender mercadores; No século XVII, ocorre uma melhoria nos transportes de então, que eram feitos em lombo de cavalo ou puxados por carroças e carruagens. Inventa-se a Belina (um tipo de carruagem mais rápida, de duas poltronas), e também a diligência; Surgem as primeiras linhas regulares de diligências entre Frankfurt e Paris e entre as cidades de Londres a Oxford; Após a Revolução Industrial (que altera de maneira significativa as relações de trabalho e de divisão do tempo), o turismo passa a ser educativo, com interesse cultural.
Você sabia? Que existem diversos autores que consideram diferentes variáveis para que ocorra o Turismo? Que dentre elas se destacam: dinheiro, tempo livre, prazer, informação, comércio, descobertas, etc? Que os Romanos contribuíram de forma decisiva para o surgimento de viagens, através da construção de estradas? As famosas Pax Romana.

22

Teoria Geral do Turismo

d) O Turismo Moderno (século XIX)
Em 1830, a ferrovia Liverpool – Manchester foi a 1ª a se preocupar mais com os passageiros do que com a carga. Essa é a “Era da ferrovia”, que foi determinante para o desenvolvimento do turismo; Surge o “Pai do Turismo moderno”: Thomas Cook – em 1841 ele andou 15 milhas para um encontro de uma liga contra o alcoolismo em Leicester. Já para um encontro em Loughborough, alugou um trem para levar outros colegas. Juntou 570 pessoas, comprou e revendeu os bilhetes. Esse fato é considerado como sendo um marco na história do Turismo, pois se caracterizou como a 1ª viagem agenciada. Além disso, Thomas Cook organizou o 1º package (pacote) – excursão organizada. Em 1865, editou um guia chamado: Conselhos de Cook para excursionistas e turistas. Em 1867, instituiu o voucher hoteleiro. O Turismo no século XX se utiliza do trem como meio de transporte em nível nacional e navios em nível internacional; Os principais fatores que impulsionaram o turismo no século XIX foram: segurança, salubridade e alfabetização crescente. O passaporte surge em 1915, como um mecanismo para realizar o controle do tráfego de turistas pelo mundo. As décadas compreendidas entre 1920 e 1940 são consideradas como a “Era do transporte terrestre”. Em 1929, foi construído o 1º Free Shop no aeroporto de Amsterdã (Holanda).

Unidade 1

23

começaram a existir as operadoras turísticas. A partir da década de 1950. um grande número de pessoas passa a viajar. Os Estados Unidos contribuíram também de forma decisiva para esse desenvolvimento. com o surgimento das primeiras escolas profissionais na Suíça. Alemanha Ocidental e Reino Unido para as costas do Mediterrâneo. internacionais. ocorre a venda do primeiro pacote aéreo. O turismo surgiu vinculado ao lazer e nunca teve cunho de aventura ou educativo. passaram para uma fase de profissionalização. Em 1949. ocorrida entre os anos de 1939 a 1945. Escandinávia. que visa a regular o direito aéreo e que caracteriza uma nova importante era para o Turismo: A “Era do avião”. Os hotéis. 24 . Datam desta década também significativas e importantes transformações nos meios de hospedagens. que anteriormente possuíam uma atmosfera familiar ou de hospedaria. f) O Turismo no Brasil No Brasil o turismo como fenômeno social começou depois de 1920. Em 1945. que ofereciam pacotes partindo do norte da Europa.Universidade do Sul de Santa Catarina e) O Turismo Contemporâneo A atividade turística ficou paralisada durante a II Grande Guerra. como se pôde verificar na Europa. todavia esse movimento não se caracteriza como sendo um turismo de massa. com a construção de importantes cadeias ou redes hoteleiras padronizadas. deu-se a criação da IATA (International Air of Transport Association). Já na década de 1960. pois não é toda a população que pode usufruir de tal atividade.

Unidade 1 25 . REJOWSKI. originalmente. C. na região inglesa de Midlands. J. Turismo no percurso do tempo.L. pediu-se que oito trens saíssem do terminal Nine Elms. As autoridades estavam perplexas com 5. 2000. fazem uso do transporte rodoviário para as suas excursões de pequena e média distâncias. vivia modestamente escrevendo e distribuindo publicações. muito por causa da situação econômica do país. Já as camadas de menor poder aquisitivo da população. Introdução ao turismo. não esperavam ter. Thomas Cook lançou o primeiro pacote de turismo em 1841. que realiza viagens de médias e grandes distâncias. mas naquela época as próprias ferrovias já ofereciam viagens de excursão para um movimento que elas. O primeiro objetivo foi o carregamento de carga e o segundo. Rio de Janeiro: Campus. e JENKINS. que não têm acesso irrestrito às atividades turísticas.000 excursionistas indo para a estação. então. a provisão de um transporte mais rápido para os. São Paulo: Aleph. 2002. Thomas Cook (1808-1892) foi marceneiro e um jovem pregador batista da cidade de Loughborough. em 1838. Saiba mais Para aprofundar o estudo sobre esta unidade: Leia o texto a seguir extraído dos livros: LICKORISH. Kemball Cook (1947) declarou em seu livro que no Dia de Derby (importante dia em que se realizam corridas de cavalo na Inglaterra).Teoria Geral do Turismo De uma maneira geral o turismo é mais acessível à camada de alto poder aquisitivo da população. enaltecendo as virtudes da temperança. viajantes de malaposta a preços nem um pouco baratos. Não se esperava a popularidade das tarifas baratas de excursões para eventos especiais. L. sendo que o transporte mais utilizado é o aéreo. M (organizadora). Com 32 anos.

e REJOWSKI.910 passageiros saíam de Londres e chegavam a Londres levados por trens de excursão pela ferrovia de Londres e North Western.1: Thomas Cook: o pai do turismo moderno 26 . e organizou a primeira excursão ao Continente Europeu em 1856. um entretenimento e um novo conceito: “férias”. transportadoras. ele conseguiu atender uma demanda específica de mercado. São Paulo: Aleph. portanto.LICKORISH. Entretanto. 2002. Sua invenção foi copiada em todo o mundo. 360. Ele levou 165. atrações.L. Na segunda metade de 1844. de uma tarefa árdua e voltada para a educação. Fonte: adaptado das obras . Rio de Janeiro: Campus. acomodação e atividade ou “satisfação” em um novo e desejado destino – o verdadeiro produto do turismo. Como agente dos principais fornecedores de transporte e acomodação. Ele inventou um serviço essencial: um pacote ou excursão individual. a contribuição excepcional de Thomas Cook foi a organização da viagem completa – transporte. e aos Estados Unidos em 1865. ele. C. Cook estabeleceu os principais fundamentos das viagens organizadas. introduzindo o conceito de pacote turístico (package tour). M (organizadora). um aumento de mais de dez vezes em apenas sete anos devido às ferrovias. Quadro 1. restaurantes.000 passageiros viajaram de Londres para Brighton.Universidade do Sul de Santa Catarina Em 1851. 2000. etc). Introdução ao turismo. L. Turismo no percurso do tempo. Com essa invenção. desenvolvendo o cooperativismo entre as empresas e outros componentes do mercado turístico (agência de viagens. Na verdade. mais do que qualquer outro empresário. contribuiu para mudar a imagem das viagens: de uma atividade necessária e nem um pouco aprazível. para um prazer. Thomas Cook e sua empresa se expandiram rapidamente. J. 774. e JENKINS. hotéis.000 excursionistas só de Yorkshire para a Grande Exposição de Londres em 1851. houve.

que era aceita por bancos. in REJOWSKI.700 pessoas. Lickorish e Jenkins. Realizou um tour com a participação de guias de turismo. 1986. Unidade 1 27 . Acerenza. Introduziu o “Individual Inclusive Tour”– IIT. com 84 escritórios e 85 agências em vários países do mundo. por ocasião da excursão de Leicester a Liverpool. Morreu no momento em que sua agência era a mais importante do mundo.). 2001. Inaugurou a primeira agência de viagens no continente americano. Fontes: Fuster. a seguir. empregando mais de 1. Levou cerca de 165 mil pessoas à Primeira Exposição Mundial realizada em Londres. Levou 75 mil pessoas para visitar a Exposição Mundial de Paris. 2000. Realizou o primeiro tour ao Oriente Médio. Realizou a primeira excursão para os Estados Unidos. Realizou a primeira excursão à Suíça. que vendeu em um mês. Criou o primeiro cupom de hotel (voucher). primeiro itinerário descritivo de viagem preparado de forma profissional para o uso de turistas. que durou 222 dias. Turismo no percurso do tempo. Mirian (org. em Nova York. restaurantes e casas comerciais em várias partes do mundo. oferecendo transporte e alojamento. o primeiro com essas características. Formalizou contrato com a Great Easter Railway para a venda mínima de bilhetes de trem por ano. 1997. Realizou tours para a Escandinávia. documento que permitia sua utilização em hotéis para o pagamento dos serviços contratados em sua agência.Teoria Geral do Turismo Para que você possa ter uma compreensão mais contextualizada da importância e do significado que Thomas Cook exerceu para o desenvolvimento do turismo moderno. popularizando esse país como destino turístico de inverno. Criou a circular note (antecessora do traveller check). 2000. Realizou a primeira excursão ao continente (Grã. Khatchikian. chegando a levar 350 pessoas à Escócia.Bretanha). Tabela 1.1: Principais realizações de Thomas Cook a partir de 1845 ANO 1845 1846 1850 1851 1856 1862 1863 1865 1867 1869 1872 1872 1873-1874 1875 1878 1892 REALIZAÇÕES Lançou o Handbook of the Trip. Montaner Montejano. incluindo a “Viagem para o Sol da Meia-Noite” no Cabo Norte. 1974. Realizou a primeira volta ao mundo com nove pessoas. apresentamos. uma tabela contendo algumas das suas principais realizações. 2002. hotéis. Witney.

Universidade do Sul de Santa Catarina

A história e evolução do turismo são componentes essenciais para a compreensão da atividade. O profissional da área necessita dessas noções para contextualizar a atividade na história, assim, terá maiores possibilidades de identificar as necessidades e as demandas da área em cada momento e espaço. Você teve a oportunidade de verificar, mediante uma cronologia, alguns dos principais desenvolvimentos dessa atividade através dos tempos. Agora que você conheceu um pouco da história e evolução do Turismo, a próxima seção lhe convida a conhecer os conceitos básicos do Turismo. Vamos lá?

SEÇÃO 2 - Conceitos básicos de turismo
Nesta seção, serão abordados os conceitos básicos do turismo. Este estudo faz-se necessário para que haja uma boa percepção e um bom entendimento sobre como ocorreram as diversas fases evolutivas no sentido de se conceituar o turismo. Nesse sentido, o estudo cronológico é um componente também importante. Veja que as questões estão articuladas: uma abordagem está inserida na outra; isso implica um estudo progressivo e cumulativo, somente assim você terá a possibilidade de compreender e entender a atividade do turismo, seu funcionamento e suas variáveis em relação à conceituação.

28

Teoria Geral do Turismo

Você já refletiu não só sobre os impactos econômicos da atividade turística, mas sim sobre a importância social que essa atividade exerce sobre as populações locais que recebem os turistas? Os grandes fluxos de turistas interferem nas tradições locais e regionais? Use o espaço a seguir para registrar suas impressões.

Desde que se estuda o turismo de forma sistêmica, sempre houve grande controvérsia por parte dos autores em conceituar este fenômeno. A seguir você será apresentado a algumas definições de Turismo, que são aceitas e comumente utilizadas pelos diversos autores da área, seja em nível nacional, seja em nível internacional. Veja quais são: A Organização Mundial do Turismo (OMT) define-o como: “...o deslocamento para fora do local de residência por período superior a 24 horas e inferior a 60 dias motivado por razões não-econômicas.” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO, 2001) Todavia esta definição sofreu aperfeiçoamento em 1994. Desta data em diante, a OMT passou a considerar que:

Unidade 1

29

Universidade do Sul de Santa Catarina

“...o turismo engloba as atividades das pessoas que viajam e permanecem em lugares fora de seu ambiente usual durante não mais do que um ano consecutivo, negócios ou outros fins.” (OMT, 2001) É importante destacar que o uso do termo ambiente usual tem por finalidade excluir as viagens dentro da área habitual de residência, as viagens freqüentes ou regulares entre o domicílio e o lugar de trabalho e outras viagens dentro da comunidade com caráter de hábito. Tal definição serve para padronizar o conceito de turismo nos vários países-membros dessa organização, mas não para definir a real magnitude desse fenômeno. Por essa definição, o turismo é um fenômeno que envolve quatro componentes com perspectivas diversas: o turista que busca diversas experiências e satisfações espirituais e físicas; os prestadores de serviços, que encaram o turismo como uma forma de obter lucros financeiros; o governo, que considera o turismo como um fator de riqueza para a região sobre sua jurisdição; a comunidade do destino turístico, que vê a atividade como geradora de empregos e promotora de intercâmbio cultural.
Toda vez que um turista se desloca, por exemplo, para as Cataratas do Iguaçu, no Estado do Paraná, ele está em busca de novas experiências, sejam elas espirituais ou físicas (desejos). Toda a infra-estrutura existente no local está preparada para atender a estes desejos e os prestadores de serviços (hotéis, locadoras, transportes, lojas para compras, espaços de entretenimento, etc) devem obter um lucro apropriado para tal. Da mesma forma, as autoridades governamentais (sejam elas locais ou regionais) disponibilizam serviços de apoio, tais como, energia elétrica, saneamento básico, rodovias de acesso, comunicações, entre outros. E o ciclo se “fecha” quando todas estas atividades e prestações de serviços beneficiam a comunidade local, seja através da geração de empregos diretos e indiretos, seja na geração de impostos e também na oportunidade que o cidadão local tem para interagir com turistas de outras regiões.

30

Teoria Geral do Turismo

O turismo é fenômeno recente como objeto de estudos e, embora antigo como fato socioeconômico e político-cultural, são raros e deficientes os estudos a respeito da sistemática de sua filosofia e de sua aplicação às diferentes realidades. Os poucos estudos em profundidade destinam-se apenas à análise e à sistematização de aspectos econômicos, cambiais e legais. De acordo com Barreto (1996, p. 09 - 13), vários foram e são os autores que conceituaram e que continuam conceituando a atividade turística. Estaremos a partir de agora verificando algumas delas. Já em 1910, o economista austríaco Herman von Schullard definia o turismo como:
“...a soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionadas com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região.”

Na década de 1920 surgiu a Escola de Berlim, que estudou o turismo nos seus aspectos econômicos. Arthur Bormann definiuo como:
“...o conjunto de viagens que tem por objetivo o prazer ou motivos comerciais, profissionais ou outros análogos, durante os quais é temporária sua ausência da residência habitual. As viagens realizadas para locomover-se ao local de trabalho não constituem em turismo.”

Já na década de 1940, alguns autores evoluíram a conceituação da Escola de Berlim. Hunziker e Krapf conceituaram turismo como:
“...o conjunto das inter-relações e dos fenômenos que se produzem como consequência das viagens e das estadas de forasteiros, sempre que delas não resultem um assentamento permanente nem que eles se vinculem a alguma atividade produtiva.”

Robert McIntosh definiu-o assim:
“Turismo pode ser definido como a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e cortesmente satisfazer suas necessidades e desejos.”

Jafar Jafari apresenta uma definição mais holística do turismo:
“É o estudo do homem longe de seu local de residência , da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos , ele e a indústria, geram sobre os ambientes físico, econômico e sociocultural da área receptora.”

Unidade 1

31

” Veja que o turismo é uma combinação de atividades. alojamento. governos e comunidades receptivas no processo de atrair e alojar estes visitantes. assim o definiu: “Turismo é. econômica e cultural. incluindo o marketing turístico que atende às necessidades e desejos dos viajantes.” E. serviços e indústrias que se relacionam com a realização de uma viagem: transportes. empresas prestadoras de serviços. no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada. lojas. Goeldner e Ritchie. descanso. por último.” Para José Vicente de Andrade: “Turismo é o conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento.. transportes e todos os demais componentes. instalações para atividades diversas e outros serviços receptivos. os fenômenos e as relações que essa massa produz em conseqüência de suas viagens. que definiram turismo como sendo: “. de um lado. espetáculos. fundamentalmente por motivos de recreação. hotéis. O turismo engloba todos os prestadores de serviços para os visitantes ou para os relacionados com eles. cultura ou saúde. serviços de alimentação.” Segundo Oscar de la Torre: “ O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que. de outro. saem de seu local de residência habitual para outro. gerando múltiplas.Universidade do Sul de Santa Catarina Fuster. disponíveis para indivíduos ou grupos que viajam para fora de casa.. interrelações de importância social. 32 . a soma dos fenômenos e relações que surgem da interação de turistas. O turismo é toda uma indústria mundial de viagens. o conjunto de turistas. mais recentemente. hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos. trazemos a definição que recentemente foi proposta por McIntosh. fora de suas residências habituais. professores da escola americana. a promoção e a execução de viagens e os serviços de recepção.

alguma iniciativa e/ou atitude que vem favorecendo o turismo como um todo! Faça uso do espaço abaixo. Se você já trabalha na área de turismo. Contudo. tente pensar no que significa a atividade turística para este município.Teoria Geral do Turismo Com base na realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento. Escreva sobre o que você conhece ou percebe. da estrutura de entretenimento. Muitas são as definições ou conceitos sobre o turismo. dos hotéis. você concorda. Há profissionalismo? A população local está preparada para receber o turista? Qual o nível de interesse das pessoas sobre a preservação da infra-estrutura local e dos atrativos naturais? Tente elaborar respostas para as questões formuladas anteriormente. o turismo é um fenômeno complexo. Como você teve a oportunidade de ver pela ampla diversidade das definições. são elas as responsáveis por grande parte da ocupação dos meios de transportes. pode escrever sobre algum projeto. Pense em como são desenvolvidas as atividades de turismo. não é? Mas ressaltamos que o importante é que você possa refletir. alguma lei. Todos esses elementos são considerados empreendimentos turísticos. para selecionar a mais adequada à sua percepção Unidade 1 33 . Não é por outra razão que se desenvolveram os termos turismo de negócios ou turismo de eventos. das locadoras de veículos e dos espaços de eventos. A maioria das definições exclui dele as viagens desenvolvidas por motivos de negócios.

diretamente relacionadas com a entrada. especialmente as de natureza econômica. pois. nesse sentido. 26).a soma das operações. a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país. Isso vai depender também do contexto. a partir principalmente de 1850. os componentes estudados até aqui são importantes para a seqüência dos seus estudos. das necessidades do espaço. as pessoas que viviam em áreas rurais.Universidade do Sul de Santa Catarina em relação à atividade turística. cidade ou região. que se desenvolviam e que necessitavam de mão-de-obra para os novos inventos e para a operação de máquinas cada vez mais modernas e mais complexas. o modo de produção alterouse drasticamente. A próxima seção fará você se familiarizar com conceitos sobre as seguintes palavras: turistas. como uma espécie de introdução da correlação (estreita. excursionistas e visitantes. vamos fazer uma breve contextualização. Locais esses. SEÇÃO 3 . passaram a buscar. p. excursionistas e visitantes! Preparem suas malas e até a próxima parada! Boa viagem. 1996. foram determinantes 34 . (BARRETO. Vamos lá! um pouco mais de história! Com o advento da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra nos primórdios do século XIX.A divisão do tempo e os viajantes Você consegue identificar o que você vai estudar na seqüência lendo apenas o título? Não? Então. das expectativas das pessoas. Os avanços verificados no que diz respeito ao transporte ferroviário.. . por sinal) existente entre a ocorrência da Revolução Industrial. Você concorda? Então. vinculado aos centros urbanos. a conseqüente nova divisão do tempo e a necessidade de classificarmos o que são turistas. um modo de vida. com uma crescente intensidade..

condições necessárias para poderem desfrutar melhor do tempo livre. eram totalmente ignorados e de certa forma desconhecidos. licença maternidade. os trabalhadores. pois. concentraram as suas lutas por redução da idade para a aposentadoria e por melhores salários. embora nem todos os trabalhadores tenham as mesmas oportunidades para aplicá-lo à prática do lazer diário. Pela evasão semanal e anual (finais de semana e férias) procura-se viver novas experiências. mais ele se ressente da necessidade de um tempo livre para pôr o seu corpo e a sua mente novamente em ordem. como já vimos. mediante seus sindicatos. registradas no início da era industrial. novas culturas e povos e descobrir um mundo diferente daquele que se é forçado a viver! Unidade 1 35 . excursionista e visitante. As longas jornadas de trabalho. Era muito comum que mulheres grávidas. conhecer novas formas de vida. o tempo livre é um direito conquistado. Para efeito de continuidade dos seus estudos sobre este importante tópico. entre outros. Atualmente . idosos e até deficientes físicos fossem submetidos a jornadas diárias de trabalho de até 18 horas! Os direitos relativos a férias. não havia legislação que regulamentasse os direitos e deveres dos empregados. Posteriormente. auxílio desemprego. não davam lugar ao tempo livre.Teoria Geral do Turismo para o desenvolvimento do turismo. um dos pressupostos básico para que ocorra tal fenômeno é o deslocamento. faz-se necessário uma pequena divisão e distinção sobre o que consideramos importante sobre a divisão do tempo e sobre o conceito de turista. Você sabia? Que as relações de trabalho entre empregadores e empregados eram bastante críticas nos primórdios da industrialização? Á época da Revolução Industrial. descanso semanal. A obtenção de um tempo livre maior passou a ser uma luta abraçada pelos trabalhadores do mundo inteiro. semanal e anual. horas extras. À medida que o homem passa a viver nas cidades densamente povoadas. crianças.

36 .C. mas desperdiçado. Boullión. Livre por oposição ao tempo preso. mas porque não possuem outra escolha. um tempo livre. Valor. É um tempo livre adquirido por lei. obrigado. social ou política. “firmou-se não somente como uma dele é ocupado com atividades igualmente possibilidade atraente. tais como: afazeres valor”. compromissos familiares. Turismo: atividade marcante (1996). apesar de não fazerem parte do tempo de trabalho. fora do tempo de trabalho. O sendo considerado por Karl Marx como a tempo ocupado com essas atividades é “necessidade primeira do homem”. c) TEMPO COMPROMETIDO − Nem todo d) TEMPO DE LAZER − O lazer. Geraldo. Parte moderna. trabalhos complementares (bicos). As pessoas que consomem este tempo o fazem não por uma livre decisão. Tempo livre compreende aquela parcela de tempo ocupada com atividades específicas.2: Modalidades da divisão do tempo Fonte: Adaptado de CATELLI. Quadro 1. a partir de uma decisão tomada livremente. É um tempo livre. mas. do trabalho. como um obrigatórias. porque o lazer não é a negação domésticos. também se revestem de caráter obrigatório. na expressão de R. mas totalmente estagnado e marcado pelo aborrecimento. na era tempo livre é consagrado ao lazer. mas comprometido com um conjunto de atividades que. ocupado.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Divisão do tempo O quadro a seguir define os diferentes tipos de tempo que estão intimamente relacionados com a atividade turística: a) TEMPO LIVRE − Diz-se tempo livre para diferenciá-lo de outras modalidades do tempo. também. b) TEMPO MORTO − É um tempo livre que não é ocupado nem com atividades de lazer nem com compromissos ou afazeres complementares de ordem econômica. O trabalho é vital para o homem.

Pense em como você divide o seu tempo. esses consumidores podem ser classificados em turistas. Com base no que você pôde verificar sobre essa divisão. enfim. Escreva sobre o que você conhece ou sobre o que você percebe! Faça uso do espaço abaixo. tente pensar como ela ocorre para você numa base semanal. ele é considerado um consumidor de serviços turísticos. excursionistas e visitantes. ao fazer suas refeições. analise.Teoria Geral do Turismo A divisão do tempo é de fundamental importância para todos nós. Ao se hospedar em um hotel. b) Classificação dos viajantes Os viajantes são consumidores de serviços turísticos. Unidade 1 37 . por exemplo. Aqui cabe um exemplo. Um turista qualquer que viaja para o Vaticano acaba sempre por consumir serviços turísticos. Essa divisão é a mais adequada? Você tem dedicado tempo para o lazer e o entretenimento? As suas obrigações de trabalho são levadas para casa para serem feitas nos finais de semana? Você tem alocado um tempo para fazer atividades com a sua família e seus amigos? Tente elaborar respostas para as questões colocadas anteriormente. ao utilizar serviços de guias. ao apanhar um ônibus para se deslocar. ao interagir na destinação turística. de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT). quaisquer que sejam as motivações. ao comprar mapas. Porém.

Você não é um praticante assíduo de turismo? Que tipo de turismo você mais gosta ou tem mais condições de praticar? Veja. o turismo pode ser classificado em: a) Local. estudos. com as mesmas finalidades que caracterizam os turistas. sexo. sem distinção de raça. embora este enquadre tanto turistas como excursionistas. quando ocorre em locais em torno de 200 a 300 km de distância da residência do turista. motivos familiares. Aquele que viaja e permanece menos de 24 horas em local que não seja o de sua residência fi xa ou habitual. quando ocorre dentro do país de residência do turista. com o termo visitante. Já em 1954. (IGNARRA. saúde. que ingresse no território de uma localidade diversa daquela em que tem residência habitual e nele permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses. c) Doméstico. Por similaridade. alguns autores o têm utilizado para designar aqueles que se hospedam em residências secundárias ou em casas de parentes. De acordo com a amplitude das viagens. ele é tido excursionista. Costumou-se designar os participantes de cruzeiros marítimos ou fluviais que visitam uma localidade. segundo a Organização das Nações Unidas (ONU): Toda pessoa. mas sem propósitos de imigração. 38 . quais as classificações de turismo. p. mas que pernoitam nas embarcações. d) Internacional. a seguir. quando ocorre fora do país de residência do turista (intracontinental ou intercontinental). recreio. na conceituação tradicional. b) Regional. 2003. esporte.Universidade do Sul de Santa Catarina Turista. peregrinações religiosas ou negócios. é aquele que viaja com objetivo de recreação. com finalidade de turismo. é considerado excursionista ou turista de um dia. Quando o visitante não pernoita em uma localidade turística. mas sem nele passar uma noite. quando ocorre entre municípios vizinhos. língua e religião. 15). no transcorrer de um período de 12 meses.

se a viagem se estender para o Rio de Janeiro. em 1979. Cohen. ela está realizando um turismo local. b) Turismo receptivo − fluxo de entrada de turistas em um determinado local. Querem conhecer e experimentar modos de vida diferentes. preferencialmente em grandes grupos. se esta pessoa viajar até a Itália. estou caracterizando o turismo emissivo. para fazer turismo. este fluxo de entrada é chamado de turismo receptivo. Luiz Renato. propôs nova classificação para os turistas. ele pode ser classificado como: a) Turismo emissivo − fluxo de saída de turistas que residem em uma localidade. conforme descrito a seguir: TIPOS DE TURISTAS Existenciais Experimentais Diversionários Recreacionais CARACTERÍSTICAS Buscam a paz espiritual pela quebra de sua rotina. E. Buscam entretenimento e relaxamento para recuperação de suas forças psíquicas e mentais. quando os turistas chegam a uma cidade. Procuram recreação e lazer organizados. Fundamentos do turismo. finalmente. Quadro 1. podemos dizer que se trata de um turismo doméstico. fica caracterizado o turismo internacional.3: Tipos de turistas de acordo com Cohen (1979) Fonte: Adaptado de IGNARRA. Quando eu viajo da minha localidade de residência fixa. Por outro lado. Conforme a direção do fluxo turístico. (2003) Unidade 1 39 . No caso dessa mesma pessoa se deslocar para Curitiba (300 Km).Teoria Geral do Turismo Se considerarmos uma pessoa que reside em Florianópolis e se desloca para Balneário Camboriú (distante 75 Km). Agora. ela está praticando um turismo regional.

políticos ou de divertimentos caros. onde as informações são oferecidas de forma muito veloz. diante de um mundo globalizado. pode significar uma vantagem competitiva enorme. 40 . Luiz Renato. adequando a prestação de serviços para as suas necessidades. Viajam em busca de status social. (2003) Em face de um mercado cada vez mais moderno e com ofertas diferenciadas. é de suma importância você ter uma boa noção sobre os diferentes tipos de turistas e o que eles buscam para a sua satisfação. aventuras sexuais e gastronômicas e tratamento de saúde. Leia a síntese da unidade e retome os pontos centrais Realize. São motivados por eventos esportivos. É sempre muito importante que você interaja no EVA. São motivados pela busca do descanso. religiosos. a seguir. e viajam individualmente. as atividades de auto-avaliação e aprofunde seus conhecimentos. além de uma postura muito mais exigente por parte dos consumidores dos produtos e dos serviços turísticos.Universidade do Sul de Santa Catarina McIntosh (1993) os classifica em: TIPOS DE TURISTAS Alocêntricos CARACTERÍSTICAS Têm motivos educacionais e culturais. Perceber e distinguir o perfil do turista. para trocar idéias com os colegas e desenvolver as atividades propostas. consultando o saiba mais. profissionais e culturais. São motivados por campanhas publicitárias. como jogos de azar.4: Tipos de turistas de acordo com Mcintosh (1993) Fonte: Adaptado de IGNARRA. quebra da rotina. Quase alocêntricos Mediocêntricos Quase psicocêntricos Psicocêntricos Quadro 1. Fundamentos do turismo.

por exemplo. O surgimento do tempo livre propiciou a oportunidade de utilizá-lo para o lazer. pois possibilita uma percepção clara do que efetivamente são: turistas. entre outras). A última parte desta unidade versou sobre a divisão do tempo e sobre as classificações dos viajantes. Foi possível também obter informações sobre Thomas Cook. o direito. 41 Unidade 1 . Em seguida estudou alguns dos principais conceitos do Turismo. Vários foram os autores e estudiosos que criaram classificações com o intuito de facilitar a abordagem e a forma de se prestar serviços aos turistas de uma maneira geral. quando tratamos de cálculo de receitas. concentrarse em um único conceito torna-se uma tarefa praticamente impossível. Pela enorme abrangência.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta unidade. A classificação dos viajantes caracteriza-se como sendo um tópico de destaque. a arqueologia. de dados estatísticos e de movimento de turistas em determinada região. Importante destacar o conceito fundamental oferecido que é o da Organização Mundial do Turismo. você estudou a história e evolução do turismo. e também em diferentes países. É importante lembrar a estreita correlação existente entre o surgimento da Revolução Industrial e a conseqüente necessidade de uma divisão do tempo. excursionistas e visitantes. estado ou país. A importância dessa classificação assume proporções significativas. para o descanso e também para “fazer” turismo. as relações e o modo de produção e de trabalho foram enormemente alterados. a história. a economia. a geografia. pelo caráter multidisciplinar da atividade turística e pela estreita relação com diversas áreas de conhecimento (como. As contribuições feitas por esse empreendedor foram significativas e muitas de suas criações são utilizadas até os dias atuais. o que possibilitou observar diferentes autores e suas respectivas conceituações em diferentes épocas. considerado pelos estudiosos e pesquisadores o “Pai do Turismo moderno”. a sociologia. Afinal. a administração. através de uma seqüência cronológica histórica em que foram relatados os principais fatos e ocorrências que contribuíram para o desenvolvimento da atividade.

1) Contextualize o conceito da palavra turismo. 42 . realize as atividades propostas. O que ela significa? Como ela surgiu e onde? 2) Quem é considerado o “pai” do turismo moderno? Cite pelo menos quatro de suas principais contribuições para a atividade turística.Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade.

Introdução ao turismo. 2001. entre outros. 2003. 8. J. sugerimos: www. G.Teoria Geral do Turismo 3) Qual a importância do desenvolvimento do transporte ferroviário para a atividade turística? Saiba mais Caso você tenha se interessado em conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade.L. Para conhecer uma base de informações gerais. IGNARRA. 2000. 1995. Turismo: atividade marcante. L. C.etur.br 43 Unidade 1 .gov. Rio de Janeiro: Campus. incluindo artigos e notícias do Turismo na Internet. sugerimos algumas obras para pesquisa: BARRETTO. L. sugerimos: www.R.br Para conhecer dados estatísticos.embratur. informações gerais sobre o turismo brasileiro e sobre a política nacional atual. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas: Papirus. M. Caxias do Sul: EDUCS. LICKORISH. Fundamentos do turismo.com. e JENKINS. CASTELLI. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. ed.

.

2 Seções de estudo Seção 1 A medição do turismo. Reconhecer os principais aspectos culturais e sociais do turismo. Seção 2 Impactos econômicos do turismo.UNIDADE 2 Impactos da atividade turística Objetivos de aprendizagem Conhecer como ocorre a medição do turismo. . Entender os principais impactos econômicos do turismo. Seção 3 Aspectos culturais e sociais do turismo.

e quais são os impactos resultantes? Devemos lembrar que a atividade turística não pode ser vista ou analisada somente pela perspectiva econômica. Como podemos saber o quanto ele representa na produção de um país ou de uma localidade? Como aumentar o volume de empregos gerados e a arrecadação de impostos propiciados por ele? De uma forma geral.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você possa seguir adiante no estudo da atividade turística. É também importante conhecer um pouco sobre quais os impactos econômicos gerados pelo turismo e o que isso significa para uma localidade. Como se dá a união entre essas diferentes áreas de conhecimento. como na maioria das vezes acontece. essas são algumas questões a serem estudadas nesta unidade. turismo e economia. há a necessidade de se compreender que existem aspectos culturais e sociais do turismo que geram impactos significativos e contribuem para construção do fenômeno nos diversos espaços. uma das maiores dificuldades quando o assunto é turismo. como podemos medir o turismo? Esta é. para uma região ou mesmo a um país. de que forma podemos dimensionar a atividade diante das perspectivas humanas? 46 . é importante que tenha uma boa compreensão sobre como ocorre e qual a importância de se mensurar ou medir a atividade turística. sem dúvida. de que maneira medimos a importância do turismo para a economia? E. de forma efetiva os fluxos turístico? O que isto significa na geração de divisas e receitas? Bem. vamos lá! SEÇÃO 1 − A medição do turismo Então. mais. Você concorda? Então. E cabe perguntar: Quais são as ferramentas mais adequadas para tal? Quais as variáveis que devem ser levadas em consideração ao serem medidos.

b) pelo quanto elas gastam durante o seu deslocamento e sua permanência. como a venda de passagens aéreas e de estada em hotéis. que pode ser: a) pelo número de pessoas que procuram essas satisfações nessas localidades. que podemos definir como o conjunto de fornecedores e produtores finais. e) pela quantidade de divisas que entram e saem do país por meio de gastos turísticos. O setor turístico possui uma cadeia de atividades econômicas. c) pela natureza de seus gastos e por quanto isso gera de impostos. do país e do mundo? Que relação pode haver entre a economia gerada pelo turismo e a satisfação humana? Em que momento elas se complementam? Como elas se articulam? Na economia tradicional (neoclássica). Mas será que isso mobiliza o deslocamento das pessoas? Podemos dizer que a satisfação dos turistas é uma variável qualitativa e microeconômica. Na seqüência. Algumas atividades são tipicamente voltadas para turistas. mas outras são voltadas para os habitantes. o valor está na utilidade dos bens e serviços produzidos.Teoria Geral do Turismo Você certamente já pensou em como medir a satisfação de um turista ao fotografar a Ponte Hercílio Luz em Florianópolis ou o Empire State em Nova York? Quanto vale um banho na praia de Copacabana no Rio de Janeiro? E um “friozinho” na cidade da Gramado no Rio Grande do Sul? Quanto vale a alegria do carnaval de Salvador ou o prazer de degustar um vinho colonial na Festa da Uva em Caxias do Sul? Como podemos “contar” tudo isso? Como saber o quanto isso influencia a economia dessas regiões. e também são desfrutadas Unidade 2 47 . vamos analisar algumas variáveis macroeconômicas que dimensionam o setor. d) pelo número de empregos gerados. que arrecadam com os gastos dos turistas.

Você sabia? Que. apontadas anteriormente (da letra a até f). b) os recursos da natureza já estão prontos. qual a quantidade de alimentos consumida por turistas no país ou quantos móveis foram comprados da indústria moveleira pelos hotéis? Chega-se à conclusão de que existe muita dificuldade em mensurar os fatores que compõem o consumo turístico. como saber qual a arrecadação dos bancos com serviços prestados a turistas. como: farmácias. portanto. quantos produtos industriais e artesanais foram vendidos a turistas. e) é difícil o controle.Universidade do Sul de Santa Catarina pelos turistas. na produção nacional de todos os países. Mas. postos de gasolina. por exemplo: quantas famílias viajam com seu próprio automóvel e se hospedam em casas de amigos e parentes? f) diversos gastos dos turistas não são registrados. o turismo é computado no setor de serviços. etc. máquinas de filmar e fotografar. d) muitos operam na economia informal e não aparecem em nenhum registro. c) outros recursos estão nos setores primário e secundário e não no terciário. vêm sendo realizadas há muitos anos? 48 . independentemente dos cálculos econômicos ou para colaborar com estes. tanto quantitativos como qualitativos? Que as medições de fluxo turístico. vários estudos podem ser feitos sobre o turismo. conforme o seguinte: a) alguns são absolutamente abstratos (grau de beleza dos recursos naturais). mesmo com todas essas dificuldades de mensuração. quantos cortes de cabelo foram feitos. Mesmo em cidades turísticas. não geram empregos e renda em sua produção (somente na sua utilização). saída e entrada de turistas.

Você sabe o que é Teorometria? Vamos descobrir? Nos anos 1970. Atualmente.Teoria Geral do Turismo Aliás. Observe que. utilizando-se dos instrumentos dados pela matemática e pela estatística. o termo está sendo empregado. Rabahy (1990. devem ser analisados diferentes aspectos do turismo.” E a econometria. para realizar uma análise econométrica. no Brasil. É o ramo das ciências econômicas encarregado de verificar as hipóteses e teorias formuladas pela ciência econômica.99) define teorometria como “técnica de aplicação dos métodos econométricos à investigação do fenômeno turístico. A diferença entre os dois é que o PNB inclui todas as entradas de receitas obtidas no exterior por indivíduos e empresas brasileiras. para designar um estudo mais ampliado. fluxo de turistas estudados em anos anteriores. infra-estrutura turística Unidade 2 49 . Fernandez Fuster denominou as estatísticas do turismo de teorometria. A econometria é a soma de teoria econômica. você sabe o que significa? A econometria une a teoria econômica às medições reais. que é o valor dos bens finais e serviços produzidos durante um período em um País. Existe também o PIB (Produto Interno Bruto). 1998. o que é chamado de PNB (Produto Nacional Bruto). tais como. e são deduzidas as saídas de recursos obtidos por estrangeiros e empresas estrangeiras no Brasil. estado ou região. p. de forma diferente. matemática e estatística. Perceba que a produção de um país é a representação do somatório do trabalho social realizado em determinado período. a produção nacional é medida por meio do valor de todos os bens finais e serviços produzidos por fatores próprios de produção. p. no decorrer de um dado período.35 apud BARRETO.

duração das estadas. Todos os métodos têm falhas e a única forma de fazer algo sem incomodar os turistas é por meio de amostragem. b) movimento dos hotéis para controlar o turismo interno. Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. Uma das possibilidades para as estatísticas de turismo interno são as fichas dos hotéis e a amostragem aleatória nos lugares turísticos das cidades. câmbio. falta de pesquisadores bem treinados. falta de unificação da terminologia.Universidade do Sul de Santa Catarina do local e condicionantes socioeconômicos (fatores determinantes como preços. questões político-sociais. no mínimo. seriam necessários. os seguintes dados: total de visitantes em cada núcleo. As estatísticas de turismo: as mesmas dificuldades que se apresentam para as pesquisas de teorometria colocam-se para a confecção das estatísticas de turismo: custo das pesquisas. classificação por poder aquisitivo. utilizam-se dois sistemas de controle para elaborar estatísticas: a) fichas e controle de fronteiras para controlar a entrada de turistas estrangeiros. classificação por nacionalidade e local de residência. falta de confiabilidade das fontes secundárias. etc). Atualmente. 50 .

é necessário fazer uma pesquisa determinando o número de pessoas a serem consultadas. mas é importante destacar que uma boa mensuração da atividade turística em determinada localidade. Alguns autores consideram este conceito como “fator multiplicador do turismo”. pela despesa diária e pelos locais visitados. que é o da multiplicidade do turismo. Administração Hoteleira. tanto no conceito de estatística como no de econometria aplicada ao turismo. Como você estudou na seção 1. selecionando o portão de entrada. pela via do planejamento. A teorometria.Teoria Geral do Turismo Figura: 2. as medições apresentadas são importantes.1: Modelo de ficha nacional de registro de hóspedes – FNRH Fonte: CASTELLI. Para fazer estatísticas de turismo internacional por amostragem. visando incrementar o fluxo nas baixas temporadas e realizar um marketing adequado para manter um turismo sustentado nas altas temporadas. como forma de planejar o turismo no futuro imediato ou a médio e longo prazo. você entrará em contato com os principais impactos econômicos do turismo. passa necessariamente pelo estudo das tendências passadas. É necessário classificar o turismo de acordo com o meio de transporte utilizado. pelo objetivo da viagem. Na próxima seção. além de poder conhecer um importante conceito. contribui para o remanejamento das correntes turísticas. 2001. Geraldo. região ou país. EDUCS: Caxias do Sul. então? Unidade 2 51 . Vamos a eles. pela duração das estadas.

vestuário. uma vez que o turismo é uma atividade que possui forte impacto econômico nas localidades receptivas. e distribuílas para consumo. entre as diversas pessoas e grupos da sociedade. para produzir várias mercadorias. e o consumo. A produção significa criar riquezas.144): . Alimentação. entretenimento. agora e no futuro. devem-se produzir hotéis de luxo ou pequenas pousadas? Parques temáticos ou naturais? Pacotes de turismo de sol e praia ou de turismo rural? Investir em aeroportos ou em terminais rodoviários? 52 . que podem ser classificadas em: primárias ou básicas e secundárias ou supérfluas. As sociedades produzem e consomem riquezas. Entretanto. O turismo é um desses serviços que têm utilidades para os indivíduos e uma oferta limitada. faz-se necessário inicialmente apresentarmos um conceito básico de economia: Segundo Samuelson (1999 apud IGNARA 2005. auto-estima e segurança são básicas.. economia é o estudo de como os seres humanos e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos que poderiam ter aplicações alternativas.Impactos econômicos do turismo Ao iniciar o estudo dessa seção precisamos ter claro o conceito de impacto econômico. viajar. Considera-se riqueza o conjunto de coisas materiais e imateriais que são escassas na natureza. A organização econômica do turismo compreende a definição do que produzir. Para que possamos descrevê-los. Os bens e os serviços constituem a riqueza econômica e têm duas características básicas: possuem utilidades para os indivíduos e são escassos. O homem possui várias necessidades. satisfação das carências humanas por meio da utilização dessas riquezas. já que os fatores de produção são escassos. p. habitação. etc. 2005. moradia. saúde.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 .. fumar são secundárias e só satisfeitas depois que as primárias o forem. bens e serviços. Produzi-las significa suprir essas sociedades dos elementos importantes para atendimento de suas necessidades em termos de alimentação. Esses impactos são de várias origens. ou seja. Passear.

observa-se que o setor de viagens e turismo é um dos principais em termos de geração de renda e emprego nos EUA. o turismo possui grande participação no PIB desses países. No entanto. d) Onde produzir − Próximo dos mercados consumidores ou dos recursos turísticos? Nas regiões subdesenvolvidas ou nas mais desenvolvidas? O Turismo é constituído por um conjunto de prestadores de serviços que possuem grande impacto na economia mundial. com a produção de curto. que prestarão um serviço muito mais personalizado? b) Para quem produzir − Os produtos turísticos devem ser produzidos para os estrangeiros ou para os domésticos? Para os de alta renda ou para os de baixa renda? Para os jovens ou para os idosos? c) Quando produzir − Está relacionada com o controle da sazonalidade dos produtos turísticos. os quatro mais ricos do mundo! As três tabelas seguintes nos fornecem uma idéia do que representa a atividade turística. com isso. O seu faturamento anual supera a casa dos 3. Na verdade. consigam preços competitivos. Quando se pensa na sua importância econômica. com a capacidade de carga dos destinos turísticos. de acordo com estimativas mundiais elaboradas pela OMT – Organização Mundial de Turismo –. o número de turistas internacionais mundiais e também as entradas advindas do turismo mundial. etc. na Alemanha e na França. no Japão. médio e longo prazo. É preciso constituir grandes operadoras que trabalhem com grandes volumes e.5 trilhões de dólares. Unidade 2 53 . imaginam-se países como Espanha.Teoria Geral do Turismo Outras questões devem ser consideradas: a) Como produzir − É questão que tem de ser tratada pela organização econômica do turismo. México. ou trabalhar com um grande número de pequenas agências de turismo. Itália.

1 3 8.6 quatrilhões US$ 1.5 7.2 6 1. 1996.1: Estimativas mundiais em turismo (1996-2006).7 0.8 -0.9 5.4 15.7 8 10.5% US$ 1.2 3.8 5.1 9.5 quatrilhões Crescimento Real 50.Universidade do Sul de Santa Catarina Tabela 2.6% Impostos US$ 653 trilhões US$ 1.3% 51.6 8.4 8.3 quatrilhões Fonte: WTTC (World Travel and Tourism Council).1 % 48.1 quatrilhões 11.2: Número de turistas internacionais mundiais (valores arredondados) Anos 1950 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 Turistas internacionais (em milhões) 25 69 75 81 90 105 113 120 130 131 143 166 179 189 199 206 222 229 249 267 283 288 290 289 Porcentagem de acréscimo anual 10. Ações relacionadas 1996 2006 ao turismo Trabalho 255 milhões 385 milhões Trabalho (% total) “Output” PIB Investimentos Exportações 10.7% US$ 766 trilhões US$ 761 trilhões 11.2 1.3 8.2% 49.2 Continua 54 . Tabela 2.6 quatrilhões 10.9 6.7 16.9 7.1 7.6% 51.7% 49.1% US$ 7.7% US$ 3.

7 13.5 18.3 5.1 Continua Unidade 2 55 .1 6.3 3.3: Entradas advindas do turismo mundial (valores arredondados) Entradas por turismo internacional (em bilhões) 2 7 7 8 9 10 12 13 14 15 17 18 21 25 Anos 1950 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 Porcentagem de acréscimo anual − 12.4 8.4 15.2 15 8.Teoria Geral do Turismo Anos 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 Turistas internacionais (em milhões) 293 321 330 337 362 393 424 456 462 501 519 545 564 Porcentagem de acréscimo anual 1.1 9.6 16.2 10.4 7.7 12.6 3.4 12 8.6 6.5 8 7. Tabela 2.4 3.4 1996 595 Fonte: Organização Mundial de Turismo (OMT) – 2001.3 5.1 10.2 3.4 3.

1 24.2 23.3 9.4 21.2 2.Universidade do Sul de Santa Catarina Anos 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Entradas por turismo internacional (em bilhões) 31 34 41 44 56 69 83 104 106 99 101 110 117 142 175 203 219 266 273 314 321 352 399 425 Porcentagem de acréscimo anual 26.4 Fonte: Organização Mundial de Turismo (OMT) – 2001.org Agora que você teve acesso a alguns indicadores importantes.9 8.1 8.7 2.4 13. você vai estudar o conteúdo relativo aos multiplicadores do turismo.4 15.7 15. 56 .9 20.6 6. sugerimos o seguinte endereço eletrônico: www.7 21.3 2.2 25.8 4.1 22. Para que você possa conhecer mais dados sobre as estatísticas mundiais do turismo.3 21.world-tourism.2 2 -6.1 9. que são fundamentais para que haja uma melhor percepção de quão grande é o envolvimento da atividade em termos econômicos.1 9.

Unidade 2 57 . O produto turístico é constituído por um conjunto enorme de diferentes serviços. possuem um grande número de fornecedores. os equipamentos e serviços utilizados pelos organizadores de eventos. Organograma 2. pág. na seqüência. 19. por sua vez. in OMT (2001). os quais. nº 16. você pode ter uma idéia do efeito multiplicador do setor turístico.1: O efeito multiplicador Fonte: Papiers de Tourisme.Teoria Geral do Turismo A importância da atividade se deve a algumas características particulares do turismo. mediante exemplo fornecido pela OMT – Organização Mundial de Turismo. A seguir apresentamos um quadro onde é possível visualizar o efeito multiplicador do turismo. Se você tomar como exemplo.

painéis e displays Serviços de agência de viagem Projetos e montagens de estandes Equipamentos audiovisuais Convites. luminosos. 58 . placas e faixas Serviços de copa e cozinha Adesivos. Capacitação de cidades paulistas para captação e promoção de eventos. irá sediar um importante congresso de turismo em novembro de 2006. troféus e medalhas Fotocópias Transcrição de fitas Locação de veículos Letreiros. Fundamentos do Turismo. Se imaginarmos a organização deste evento. para que o mesmo seja realizado com sucesso. Luiz Renato. p. diplomas.Universidade do Sul de Santa Catarina Tomemos como exemplo: A cidade de Florianópolis (localizada no Estado de Santa Catarina. 149. Sebrae. 1998) in IGNARRA. passarelas estruturas e videotexto metálicas Uniformes Datashow Placas. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. São Paulo. O quadro a seguir nos mostra alguns desses itens. 2003. teremos necessariamente que pensar em diversos itens e tópicos. cartões e crachás Decoração e paisagismo Limpeza Serviços de segurança Restaurantes e bufês Quadro 2. serigrafia e pastas Cabine de tradução simultânea Sistema de sinalização.1: Exemplo do efeito multiplicador em eventos Fonte: Adaptado de (SPC&VB. Empilhadeiras Telefone e fax Mobiliário e acessórios Condicionadores de ambiente Fogos de artifício e raio laser Serviços de marketing direto Maquetes e cenografia Agência de promoção Transporte de passageiros e de Coberturas e barracas carga Microcomputadores Serviços de animação de shows artísticos Serviços de fotografia Assistência médica Assessoria de imprensa Serviços de computação gráfica Montagemede palcos.

manobristas. equipamentos de lavanderia. roupas de cama. equipamentos de recreação. material de higiene pessoal. móveis. equipamentos de informática. office-boys. Unidade 2 59 . relações públicas. além dos serviços apresentados no quadro anterior. recepcionistas. Como você teve a oportunidade de ver. por exemplo. é grande consumidora de: alimentos e bebidas.Teoria Geral do Turismo Note que. equipamentos de cozinha. os organizadores de eventos contratam vários serviços de autônomos. mesa e banho. louças e vidros. A hotelaria. O mesmo exercício pode ser feito para outros subsetores. apenas um dos subsetores do turismo possui um efeito multiplicador enorme na economia local. equipamentos de ar-condicionado. material de papelaria. material de limpeza. talheres. chefes de cerimonial. tais como: secretárias. tradutores e intérpretes. garçons.

camareiras. chefe de recepção. Apresenta o valor agregado das importações de bens e serviços. serviços de segurança. Fundamentos do Turismo. Multiplicador de Importações. governanta. Mostra as variações do número de empregos. garde manger. Representa o montante ampliado de receitas do governo. Apresenta as variações do produto. maître. faxineiras. inúmeros são os profissionais demandados. commins. 60 . conheça os multiplicadores econômicos utilizados: MULTIPLICADORES UTILIZADOS Multiplicador de Renda.Universidade do Sul de Santa Catarina serviços de transportes de hóspedes. Em um hotel. REPRESENTAÇÃO Representa as variações de renda interna. controller. manobristas. garçons. lavadeiras. auxiliar de cozinha. barmens. em decorrência da variação dos gastos dos turistas. seguranças. em razão da variação dos gastos dos turistas. jardineiros. Luiz Renato. por exemplo. p. Multiplicador de Impostos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. 2003. na hotelaria também existe uma relação enorme de cargos. Para compreender melhor o “efeito multiplicador” no setor de turismo. são encontrados os seguintes profissionais: telefonistas. office-boys. Da mesma forma que na organização de eventos. em decorrência da variação dos gastos dos turistas. etc. de acordo com a variação dos gastos dos turistas. passadeiras. o que faz desse setor grande empregador de mão-de-obra. o turismo possui um fator de multiplicação de renda muito elevado. promotor de vendas.2: Multiplicadores econômicos Fonte: Adaptado de: IGNARRA. porteiros. Multiplicador do Produto. 149. Em razão desse relacionamento com inúmeros fornecedores e da intensiva utilização de mão-de-obra. recepcionistas. conforme a variação dos gastos dos turistas. Quadro 2. assistente de manutenção. cozinheiro. Multiplicador do Emprego.

152. região ou país. Estímulo aos investimentos. 3. entre outros.Fundamentos do Turismo. Os beneficiários diretos do efeito multiplicador são os locais de alojamento. IMPACTOS POSITIVOS 1. 2. souvenirs. relacionamos o que se considera como sendo os principais impactos econômicos do turismo. Luiz Renato. Poder de redistribuição de renda. Já os beneficiários indiretos. Como forma de uma melhor visualização e mais adequado entendimento. que é definido como o coeficiente que mede a quantidade de ingresso gerado por cada unidade de despesa turística.Teoria Geral do Turismo Qual a definição de “efeito multiplicador”? A relação entre o dinheiro que entra por conceito de turismo e sua repercussão final no PIB (Produto Interno Bruto) chama-se efeito multiplicador. são. profissionais liberais. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. por exemplo. na tabela a seguir. 2003. Desestímulo aos investimentos em infraestrutura básica. 3. Unidade 2 61 .3: Impactos econômicos do turismo Fonte: Adaptado de: IGNARRA. A unidade monetária recebida passa por diversas transações. sejam eles positivos ou negativos. IMPACTOS NEGATIVOS 1. correios. Efeito inflacionário. Dependência exclusiva em determinadas regiões da atividade turística. 2. clínicas. O efeito multiplicador é produzido pela sucessão de despesas que têm origem no gasto do turista e que beneficiam os setores ligados diretamente e os ligados indiretamente ao fenômeno turístico. profissionais de turismo. Aumento da renda no destino turístico. bancos. Quadro 2. alimentação. p. cujo número depende do círculo consumo-renda de cada localidade.

sobre o efeito multiplicador e. A percepção e a conseqüente compreensão dos conceitos apresentados sobre economia. A seção 3. 62 . sobre quais efetivamente são os impactos econômicos do turismo. grande parte dos estudos sobre o turismo era concentrada na medição dos benefícios econômicos. e sim demonstrar.Universidade do Sul de Santa Catarina Esta seção procurou formular de maneira objetiva os impactos econômicos que a atividade turística pode gerar. até meados da década de 1970.Portanto. a seguir. de uma forma contextualizada. finalmente. Observe que. vai ilustrar de forma otimizada. os impactos culturais e sociais que são gerados pela atividade. . caro estudante. certamente auxiliarão você na formação de uma opinião mais clara sobre a importância do Turismo como um todo. Lembramos a você que o conteúdo ora apresentado foi resumido e pontual. Conforme você pôde observar nas duas seções anteriores. que os impactos gerados pela atividade turística não são somente de ordem econômica. quanto mais informações sob diferentes ângulos você pode ter. os efeitos que eles podem causar na sociedade e os problemas que deles decorrem. Lembramos a você. melhor será a sua percepção e entendimento sobre esta fantástica atividade. sendo que pouca atenção era dada a uma característica fundamental do turismo internacional: a interação entre turistas e a comunidade local. É importante destacar que esses assuntos por si só (economia e turismo) possuem uma abrangência muito grande e têm sido motivo de estudos e de pesquisas por parte de diversos autores e especialistas. e boa viagem até a nossa próxima escala de conhecimentos! SEÇÃO 3 − Aspectos culturais e sociais do turismo A abordagem que será feita a partir de agora sobre os aspectos culturais e sociais do Turismo não visa a discutir estes impactos. preparem-se.

os visitantes estrangeiros não se integram na sociedade. às tradições e aos padrões locais? Que às vezes podem se ofender diante de algo não intencional? Que. pois estudos recentes feitos por diversos autores − e citamos Kadt (1976) e O’Grady (1981). quando um núcleo receptor de turismo recebe fluxos significativos de turistas de outras origens. É interessante notar que existem debates contínuos sobre isso – se essas mudanças são benéficas ou não. Já se sabe que. Unidade 2 63 . Muitos dos efeitos sociais e culturais do turismo são retratados como sendo essencialmente negativos. a partir de meados dessa mesma década de 1970. mais estudiosos e profissionais do turismo passaram a dar mais atenção ao relacionamento entre os turistas e a população local. não é mesmo? Você sabia ? Que em muitos países os turistas não são sensíveis aos costumes. Você concorda. os efeitos sobre os valores e comportamentos sociais. mas se confrontam com ela? E que. permanecem no país visitado por um curto período. dólares. euros. aos efeitos não-econômicos induzidos por esse relacionamento. uma variável destacada e que ocorre freqüentemente. Eles trazem consigo suas tradições. o turismo se torna um “elemento modificador” importante. em geral de uma mesma nacionalidade. Não há envolvimento de valores monetários. quando um grande número de turistas. contudo. e principalmente. por exemplo). Estas mudanças ocorrem porque os turistas. na esfera sócio-cultural.Teoria Geral do Turismo Todavia. detalharam casos em que o turismo causou mudanças profundas nas estruturas. Os efeitos não-econômicos são abrangentes e tratam especificamente das relações que ocorrem entre os turistas e a população autóctone de um núcleo receptor de turismo. a seguir. nos valores e nas tradições de sociedades. Veja. (apud Lickorish e Jenkins. quanto aos locais em que o turismo internacional tem alguma importância para um país. de certa forma. 2003) −. pois os interesses da sociedade e do indivíduo não são necessariamente os mesmos. Há pouca dúvida. valores e expectativas. há uma reação inevitável? Podem-se definir efeitos não-econômicos todos aqueles em que não ocorre uma relação de troca entre bens e serviços e uma unidade monetária qualquer (reais. nesses espaços. em geral. chega a um país.

ou como inerente às mudanças sociais e econômicas de um determinado país ou grupo social? A infra-estrutura e as condições básicas de oferta de produtos e serviços se alteram drasticamente. eles não se limitam a trazer consigo seu poder de compra e a fazer com que se instalem comodidades para serem por eles desfrutadas. ou leu em algum jornal local. os quais talvez possam não existir em outras épocas do ano como algo inerente ao desenvolvimento econômico. durante a temporada de turismo. por exemplo. entre outras atividades. os efeitos do turismo em determinada localidade? Ou. a população local tem que aceitar os efeitos da superlotação. Quem já não presenciou. quando os turistas chegam a um país de destino. É fato é que começam a se formar filas e mais filas. ainda. eles trazem um tipo diferente de comportamento. a falta de infra-estrutura adequada. 64 . quando da alta temporada (independentemente se ela ocorre no verão ou no inverno). coletivos ou econômicos. sejam eles individuais. no jornaleiro. Para muitas destinações turísticas consolidadas e na rota de preferências de uma dada população. seja para compras na padaria. seja para utilização de um serviço bancário. o qual pode transformar profundamente os hábitos sociais locais. acarreta em.Universidade do Sul de Santa Catarina De acordo com Lickorish e Jenkins (2000). mediante a remoção e a perturbação das normas já estabelecidas da população residente. Acima de tudo. longos períodos de espera para se chegar a uma praia ou um atrativo qualquer. quem não soube através de outros que. E a população que reside ou habita nesse lugar é envolvida nesse conjunto de expectativas e interesses. no supermercado.

Os efeitos posteriores podem ser o aparecimento do comportamento consumista. transformar a hospitalidade típica de muitos países em práticas comerciais. naturalmente a mudança nos valores sociais leva a uma alteração nos valores políticos. a perda da dignidade e a frustração de não poder satisfazer suas necessidades. que também estão ligados às mudanças sociais que afetam as comunidades no processo de modernização. o que pode levar os fatores econômicos a suplantarem o relacionamento pessoal. a prostituição. Em geral.Teoria Geral do Turismo O que você acha disso? Participe do fórum e discuta a questão: A “coexistência” entre população local e turistas “invasores” nem sempre é fácil. No entanto. já que o excesso de turismo pode ter repercussões problemáticas. É interessante pensar nisso. leva à xenofobia. mas não o cria. culturais ou sociais. o consumo de drogas. Não são apenas as atitudes locais que se modificam. por exemplo. à tensão social particularmente notada em áreas turísticas muito populares em locais onde a população. não está pronta para ser submetida a essa “invasão”. como. seria errado culpar o turismo por todos esses problemas. O turismo acelera o processo. Unidade 2 65 . não é? As relações humanas são importantes. a mendicância. por motivos psicológicos. mas também os objetivos e oportunidades para a atividade criminal. às vezes com conseqüências desordenadas. Compartilhe com seus colegas de turma. o declínio da moral. Um declínio nos valores morais e religiosos também é comum e pode ser observado pelo aumento do nível de criminalidade. Ainda de acordo com Lickorish e Jenkins (2000).

Com a chegada de grupos de turistas. Você também pode escrever sobre o que você conhece ou percebe. Entretanto. muitas vezes é caracterizada por alguns “conflitos”. 66 . tente lembrar se você já presenciou ou mesmo conheceu um “choque cultural”. acerca dessa realidade! Faça uso do espaço abaixo. de regiões específicas. os valores e as crenças da comunidade local são afetadas? A população local está preparada para receber o turista de forma cordial? Elabore respostas para as questões acima. Tendo em mente a realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento. O turismo pode gerar custos sociais. em geral difíceis de estimar. Um exemplo é a ameaça aos hábitos tradicionais de cada país e. o turismo pode se tornar o elemento que irá garantir a manutenção de certas tradições originais que atraem os turistas. ocorrido entre turistas e residentes locais. mas que nem por isso são menos importantes.Universidade do Sul de Santa Catarina As relações que se verificam entre os mais diversos tipos de turistas e as comunidades locais. quando da ocorrência principalmente da chamada “alta temporada”. muitas vezes.

aumentar as ligações entre os países. como. por exemplo. você poderá fazer uma comparação entre eles. A comercialização de eventos da cultura tradicional pode levar à criação de uma pseudocultura. ou seja. estimular o intercâmbio cultural. A questão é o conflito potencial entre os interesses econômicos e culturais. a erosão de valores estéticos (de paisagem) e de um certo know-how (conhecimento) técnico. sem valor cultural algum para a população local nem para os visitantes. sendo que a cultura acaba sendo sacrificada em favor da promoção do turismo. por exemplo: o comércio ilegal de objetos históricos e animais. aos artesãos. Assim. Unidade 2 67 . Em um nível social. levar a um entrosamento amigável e responsável e. pesquisas arqueológicas não oficiais. um folclore artificial para o turista. por fim. o turismo bem organizado pode favorecer contatos entre turistas e a população local. o desaparecimento de pessoas com habilidades manuais altamente qualificadas. na seqüência você visualiza dois quadros com os aspectos socioculturais positivos e aspectos socioculturais negativos. Como forma de sumarizarmos os impactos sociais e culturais do turismo. além de lidar com os problemas sociais relacionados. O mesmo se aplica. tirando sua próprias conclusões. a criação de valores econômicos adicionais ao preço da perda do valor cultural.Teoria Geral do Turismo É de suma importância proteger e manter a herança cultural. entre outros.

em longo prazo. 109. revitalizando. o turismo pode garantir a conservação. assim. atraindo jovens e favorecendo as atividades da região. o turismo que substituiu o cultivo de cana-de-açúcar em muitos países do Caribe. Analise os aspectos negativos apresentados: 68 . em um ambiente natural protegido. como no Pelourinho em Salvador e no centro histórico de Recife. 2000. como nos países da Escandinávia. J. O turismo pode renovar as tradições de arquiteturas locais. atividades que exigem um ambiente de alta qualidade. Conservação de áreas naturais 4. C. p. O turismo acentua os valores de uma sociedade. A seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina Veja os aspectos positivos: O turismo constitui um método de desenvolvimento e promoção de regiões pobres ou não-industrializadas onde as atividades tradicionais estão em declínio. Reativação da vida social e cultural Quadro 2.L. por exemplo. Renascimento das artes e da cultura 6. Rio de Janeiro: Campus. estimulando contatos no país. antes decadentes. como em Highland Games. como. a herança ancestral e o ambiente cultural são respeitados. Acentuação de valores sociais 3. O turismo contribui para o renascimento das artes locais e das atividades culturais tradicionais. Com o gerenciamento adequado. na Escócia. na condição de que as peculiaridades regionais. 1. JENKINS. você vê um quadro que sumariza os impactos sócioculturais negativos do turismo. o turismo pode até mesmo oferecer uma forma de reativar a vida social e cultural da população residente.. a comunidade local. de áreas de beleza natural que possuem valores estéticos e/ou culturais. Pode também servir como um trampolim para a renovação de áreas urbanas. introdução ao Turismo. Desenvolvimento e promoção 2. Renovação da arquitetura 5.4: Impactos sócioculturais positivos do turismo Fonte: Adaptado de: LICKORISH L. dando maior importância ao lazer e ao relaxamento. como os Parques Nacionais dos estados Unidos. No mais favorável dos casos.

procuram imitá-los. Essa exigência pode fazer com que processos produtivos sejam alterados. Luiz Renato. de acordo com o que será apresentado a seguir. para satisfazer a necessidade de atender o crescimento da demanda. o mesmo artesanato é encontrado nas regiões mais diferentes do Brasil. A especulação imobiliária expulsa o pescador para longe do mar. Influência da demanda Existe um comportamento psicossocial em que as comunidades mais tradicionais. A demanda existente por determinados tipos de artesanatos faz com que seja preciso aumentar a oferta. A arquitetura tradicional local também pode se transformar a partir de uma demanda turística. etc. músicas. mas também quer o conforto de sua casa. os impactos culturais vão se intensificando à medida que o volume de turistas se amplia. Manifestações culturais tradicionais 5. Segundo Smith (1978). 181/2. o desfile veio se alterando ao longo do tempo para ser mostrado para as arquibancadas ou para ficar mais plasticamente apresentável na televisão. de acordo com o que você estudou nesta unidade. Como se pôde verificar por meio dos exemplos ilustrados nos quadros e. ainda. exatamente nos locais ocupados pelos pescadores. 2003. eles se ampliam à medida que ocorrem sete ondas distintas de tipos de turistas.Teoria Geral do Turismo 1. O jovem da cidade pequena tende a imitar o jovem dos grandes centros urbanos no que se refere a suas roupas. Unidade 2 69 . Há uma tendência de padronização do artesanato e produtos locais típicos. Assim. com formações culturais as mais diversas.5: Impactos sócioculturais negativos do turismo Fonte: Adaptado de: IGNARRA. seus hábitos. de acordo com a procura. O veranista quer construir sua residência secundária o mais próximo possível do mar. ao terem contato com povos de países mais desenvolvidos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. O desfile de carnaval é um dos exemplos de como a demanda pode alterar essas tradições. Em nome de uma visibilidade melhor. Fundamentos do Turismo. O turista quer se hospedar em uma edificação típica do lugar visitado. Imitação 2. 4. Desta forma. a arquitetura passa a incorporar estes quesitos de conforto. p. Especulação imobiliária Quadro 2. Arquitetura tradicional 6. Artesanato 3.

180. não é mesmo? Leia. Não é mais suficiente abordar o desenvolvimento do turismo em simples termos de custo/ benefício. Excêntrico 4. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Vôo fretado Número de Turistas Muito limitado Raramente visto Incomum.Universidade do Sul de Santa Catarina Tipo de Turista 1. a seguir.6: Os impactos do turismo de acordo com os tipos de fluxos turísticos Fonte: Adaptado de: IGNARRA. Tem-se dado cada vez mais atenção à aceitabilidade do tipo e da escala do desenvolvimento do turismo por parte da comunidade anfitriã. 70 . Fora do comum 5. Explorador 2. Fundamentos do Turismo. Luiz Renato. em desenvolvimento da atividade sem levar em consideração a necessidade de conhecimento sobre os possíveis impactos sócioculturais que o turismo gera . Aprofunde seus conhecimentos fazendo as leituras complementares indicadas no saiba mais. 2003. a síntese da unidade. As preocupações sobre o relacionamento anfitrião/hóspede se tornaram mais comuns na literatura atual sobre o turismo. p. Não se pode mais pensar em planejamento turístico. Massa incipiente 6.Você concorda. mas visto Ocasional Fluxo regular Influxo contínuo Chegada maciça Impacto sobre a Comunidade Aumentando rapidamente Quadro 2. Massa 7. Elite 3. Os planejadores da atividade estão se tornando mais conscientes da necessidade de considerar o desenvolvimento do turismo em uma perspectiva em longo prazo. realize as atividades e confira suas respostas no final do livro.

sem levarmos em conta as características e as necessidades das comunidades que recebem os turistas. para uma compreensão mais contextualizada da atividade turística. Seguindo a seção.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta unidade. Importante destacar que a maioria esmagadora das pessoas comuns e também muitos empresários da atividade só a “enxergam” sob este prisma: o turismo é uma atividade meramente econômica! Foi possível visualizar o movimento de turistas internacionais e o impacto que a atividade gera em termos econômicos. conceituamos o que significa “efeito multiplicador do turismo”. Do contrário. Vimos também que é fundamental ter conhecimentos sobre economia e a sua dinâmica. em organização do setor. A última parte desta unidade versou sobre os impactos sócioculturais resultantes da atividade turística. especificamente. “medir” o turismo. pois possibilita compreender a abrangência que o turismo possui em termos econômicos. não seria possível elaborar uma pesquisa de demanda. por meio de alguns conceitos em que foi descrita a dificuldade que os pesquisadores e autores do assunto têm para. A seção 2 apresentou também os principais impactos econômicos positivos e negativos. Este é um conceito significativo. mas que os impactos gerados no âmbito social e cultural de determinado núcleo receptor são também significativos. uma área de conhecimento que também teve iniciados seus estudos mais aprofundados na década de 1970. conheceu o significado de teorometria e qual sua aplicabilidade quando se quer mensurar o turismo. Unidade 2 71 . Você percebeu que a década de 1970 é considerada como sendo aquela em que houve o “pontapé” inicial para estudos nesse âmbito. Na seção 2. você teve a oportunidade de estudar sobre a mensuração do turismo. Você percebeu que não podemos mais pensar em planejamento do turismo. você teve contato com os impactos econômicos do turismo. Pudemos demonstrar que turismo não só gera impactos na economia.

1) Explique o que significam as siglas PNB e PIB e diga qual a diferença entre elas.Universidade do Sul de Santa Catarina As relações interpessoais e o respeito para com as tradições e os costumes locais foram igualmente destacados. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. você estudou que o turismo gera impactos positivos e negativos no espectro social e cultural. seriam necessários. realize na seqüência as atividades propostas. E. por meio de tabelas e quadros. Verifique isso. finalmente. a habilidade de construir conhecimentos básicos em outras áreas e também habilidade para reflexão. 2) Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. atentamente. Essa seção foi muito importante. pois exigiu de você. aluno. sempre que necessitar. no mínimo quais dados? 72 .

C. L.world-tourism. informações gerais do turismo mundial. 2003. J. 2000.com. sugerimos algumas obras: IGNARRA. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. L.htm Para conhecer dados estatísticos. incluindo artigos e notícias do Turismo na Internet. LICKORISH. Introdução ao Turismo. Fundamentos do turismo. Introdução ao turismo. entre outros. espanhol e russo! Unidade 2 73 . os impactos econômicos e a movimentação internacional de turistas atual.br/artigos/ artigos.L.R. sugerimos: http://revistaturismo. Para conhecer uma base de informações gerais. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade.Teoria Geral do Turismo 3) Defina o que é o “efeito multiplicador” do turismo.org/ Observação: este site é disponível em francês.cidadeinternet. OMT. 2001. e JENKINS. sugerimos: http://www. Rio de Janeiro: Campus. São Paulo: Roca.

.

Conhecer os principais meios de transportes turísticos e sua importância para referida atividade. .UNIDADE 3 O Sistema de Turismo e os meios de transportes Objetivos de aprendizagem Compreender as bases que perfazem o Sistema de Turismo. Seção 3 Empresas de transportes turísticos. Distinguir o que é oferta e demanda turística. 3 Seções de estudo Seção 1 Estrutura do Sistema de Turismo. Seção 2 Oferta turística e demanda turística.

Dessa forma. São Paulo: Ed. Faz-se necessário. não são levados em consideração. SEÇÃO 1 – Estrutura do Sistema de Turismo Na década de 1950. tendo cuidados com a preservação ambiental e. 2001) A natureza da atividade turística é um resultado complexo de inter-relações entre diferentes fatores que precisam ser 76 . (org). Um dos objetivos também é poder familiarizá-lo com esses importantes e indispensáveis tópicos. M. que. com abordagem sistêmica.G. conhecer como está estruturada a atividade turística é uma importante etapa para o seu conhecimento no escopo da disciplina de Teoria Geral do Turismo.R. um grupo de cientistas propôs o conceito de sistema que causou um impacto considerável.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que a atividade turística possa ocorrer de forma sustentada. ao entendimento sobre oferta e demanda no Turismo e a um bom conhecimento sobre os principais meios de transportes turísticos. principalmente. que nesta unidade sejam abordados aspectos que levem você ao conhecimento sobre Sistema de Turismo. como ensinar. Sinta-se à vontade para “viajar” pelas próximas páginas. SENAC. quando se aborda a estruturação de projetos na área turística. geralmente. . portanto. Turismo como aprender. afetando diversos campos do conhecimento humano. nas mais variadas áreas do conhecimento. Mas o que é um sistema? O que lhe vem à mente quando pensa nessa palavra? Que relação ela pode ter com as atividades do turismo? (ANSARAH. Surgiram múltiplas referências. ordenada em princípios de gestão profissional. aproveitando o que é de bastante relevância para um bom entendimento técnico e científico do Turismo. para que ela possa ser atrativa para as comunidades receptoras do Turismo. existem determinadas condições que devem ser observadas e ser de conhecimento dos estudantes da área.

pelo professor Mário Carlos Beni em 1997 e. M. (org). numa ótica sistemática. c) O espaço geográfico. Turismo como aprender. Uma das teorias mais difundidas atualmente é a dos sistemas. M. mediante seu trabalho profissional. que. (org). 2001) (OMT. como ensinar. que é a base física onde tem lugar a conjunção ou encontro entre a oferta e a demanda e onde se situa a população residente. que é formada pelo conjunto de consumidores ou possíveis consumidores – de bens e serviços turísticos. pode ser ao mesmo tempo um destino turístico. entre outros. como um conjunto de elementos inter-relacionados entre si que se desenvolvem dinamicamente. os meios de transporte e organismos públicos e privados. São Paulo: Ed. são artífices da ordenação e promoção do turismo.Teoria Geral do Turismo considerados conjuntamente. Para a OMT – Organização Mundial do Turismo – distinguemse quatro elementos básicos no conceito da atividade turística: a) A demanda. serviços e organizações envolvidos ativamente na experiência turística. em 1979. 2001) (ANSARAH. 2001) Unidade 3 77 . em outros países.G. (ANSARAH. São Paulo: Roca. São Paulo: SENAC. Sergio Molina. d) Os operadores de mercado.R. que são empresas e organismos cuja função principal é facilitar a interrelação entre a oferta e a demanda. b) A oferta. mas alguns estudiosos já arriscam mencionar. em 1991. adotada e divulgada no Brasil. por Neil Leiper.G. Introdução ao Turismo. A ciência do turismo ainda está em construção. que é composta pelo conjunto de produtos. Turismo como aprender. Parte desses estudos consiste na elaboração de teorias sobre o funcionamento do fato e do fenômeno e de modelos explicativos sobre o funcionamento do mercado turístico. SENAC.R. como ensinar. Entram nessa consideração as agências de viagens. a “ciência social das viagens”. principalmente na Europa. isto é.

mas também de equipamentos complementares de alimentação. os equipamentos de transporte oferecidos ao tráfego de pessoas. a disponibilidade e a solicitação não só de equipamentos de alojamento hoteleiro e extra-hoteleiro. Essa abordagem facilita estudos multidisciplinares a partir de várias perspectivas com ponto de referência comum [.. que se tornam os elementos do sistema. deve ser considerado um sistema aberto que [. o processo de produção e distribuição desses bens e serviços. contidas nas seguintes áreas: a) ambiente natural. na linguagem da Teoria Geral de Sistemas. observe algumas funções inerentes à natureza da atividade de Turismo. o deslocamento de indivíduos no contínuo espaço/tempo. o tempo de permanência na área receptora. derivam funções que ampliam e consolidam o contexto em que ela se processa. 78 . b) ambiente cultural.. o comportamento de gastos do turista. c) ambiente social e econômico.Universidade do Sul de Santa Catarina De acordo com Beni (1997). a disponibilidade e a solicitação de equipamentos e instalações de recreação e entretenimento.. segundo os estudos realizados pelo professor Beni: o conjunto de fatores que geram as motivações de viagens e a escolha das áreas de destinação turística. a fruição dos bens turísticos. “o Turismo. Desse repertório de funções primárias e inerentes à atividade.]” Para que seja facilitado o aprendizado e a compreensão do Sistema de Turismo..] permite a identificação de suas características básicas.

que agrupam os subsistemas ecológico. distribuição e consumo do mercado turístico. qual a definição de Sistema Turístico? Veja que de uma forma bem simples. Unidade 3 79 . a demanda). Beni (1997) divide sua teoria de sistemas em três grandes conjuntos: Relações ambientais. Ações operacionais. o espaço geográfico e os operadores de mercado. Dessa maneira. (Os dois primeiros conjuntos englobam a oferta. Organização estrutural. econômico e cultural. podemos afirmar que Sistema Turístico é um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática. que apresenta a superestrutura (ordenamento jurídico-administrativo) e a infra-estrutura (serviços urbanos. mais uma etapa da viagem para aprimorar seus conhecimentos. social. sistema viário e de transportes). então. No caminho da sua “viagem”. Aproveite.Teoria Geral do Turismo d) nas funções de organização e operacionalização. a oferta. Mas afinal. que englobam os subsistemas de produção. um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica e cujos quatro elementos básicos são: a demanda. ou seja. e o terceiro. saneamento básico. você vai encontrar maiores detalhes sobre demanda turística e o que significa e caracteriza a oferta turística.

Em períodos que temos grande oferta de um determinado produto. os ofertantes tendem a reduzir o preço desse produto. são entendidos pelo turista como um todo que integra a experiência vivencial da viagem. quando os consumidores querem comprar um determinado produto em maior quantidade do que a disponível no mercado. integrado a um objetivo geral e cooperado – voltado para a qualidade total dos produtos e serviços oferecidos. que são relevantes. A característica mais marcante da oferta turística é sua heterogeneidade. Vamos a eles? Oferta Turística Conhecer a oferta turística é de grande importância para que haja uma melhor compreensão do fenômeno turístico. apresenta características próprias. e a quantidade que pode ser oferecida. No entanto se o que tem é uma Por isso. o seu preço cai. É importante ressaltar que esses produtos e serviços são oferecidos por uma gama de produtores e fornecedores diferentes que. está apta e disposta a produzir e colocar no mercado por determinado preço. quando existe pouca demanda. o planejamento da oferta turística de núcleos receptores deve considerar o desempenho isolado de cada um. Em economia a Lei da Oferta e da procura é a lei que estabelece a relação entre a demanda de um produto. determinada qualidade.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 – Oferta turística e demanda turística Nesta seção você terá a oportunidade de conhecer o que é oferta e demanda turística. dois componentes essenciais da atividade turística. as relações de mercado são regidas por uma lógica denominada Lei da Oferta e da Procura. p. A oferta turística de uma localidade é constituída da soma de todos os produtos e serviços adquiridos ou consumidos pelo turista durante a sua estada em uma destinação. quando se têm em mente os crescentes fluxos turísticos internacionais. De modo geral. 80 .138). determinado local e determinado período de tempo. pode-se dizer que a oferta é a quantidade de bens e serviços que uma empresa. ou conjunto de empresas. Diz esta lei que. 1997. No curto prazo. ou que o produtor deseja oferecer. apesar de atuarem de forma individual. que se constitui da justaposição de bens e serviços oferecidos aos turistas e consumidos por eles. (RUSCHMANN. Do contrário. o preço tende a subir. ou a procura de um produto.

(BENI. bens e serviços de alojamento.153) A oferta em turismo pode ser concebida como o conjunto dos recursos naturais e culturais que. na realidade. sem levar em consideração os atrativos naturais das regiões que motivam. pode-se definir a oferta básica como o conjunto de equipamentos. de caráter artístico. A oferta turística. a criação de fluxos turísticos. p. cultural. de recreação e lazer. professor Mário Carlos Beni. numa primeira etapa. Como é evidente. os quais compõem os elementos que integram a oferta no seu sentido amplo.Teoria Geral do Turismo Por conseguinte. numa estrutura de mercado. Unidade 3 81 . A esse conjunto agregam-se os serviços produzidos para dar consistência ao seu consumo. os valores que a natureza oferece sem necessidade da interferência do homem (sol. praias. e vice-versa. um público visitante. a quantidade que as empresas se dispõem a colocar no mercado varia na mesma direção do preço. maior tende a ser a oferta. é definida conforme se pode observar a seguir: Em linhas gerais. escapam totalmente de um tratamento econômico e ficam à margem do que se pode entender por “oferta” no sentido estrito da palavra. são esses recursos que provocam a afluência de turistas. capaz de atrair a assentar numa determinada região. sob o prisma de um dos mais importantes autores a respeito de sistema de turismo no Brasil. constituem a matéria-prima da atividade turística porque. de alimentação. 1998. por natureza não-reguláveis. social ou de outros tipos. em sua essência. montanhas. durante um período determinado de tempo. Quanto maior o preço. paisagens) são as fontes de atração que sustentam os deslocamentos de pessoas com finalidades especificamente turísticas. Não há dúvida de que esses elementos imprescindíveis.

a oferta não pode ser exportada nem importada. apesar do “turismo virtual”. 1993 in OMT. o turismo se dá em um espaço definido. 82 .450 335 30 127 31 6 96 20 Quadro 3. portanto. a quantidade de oferta. Nesse sentido. em um destino turístico. podem-se elencar algumas características que são fundamentais a essa atividade: a) Complementaridade – Certamente. Sumarizar ou sintetizar a oferta turística requer cuidados. Por outro lado.Universidade do Sul de Santa Catarina O quadro que se apresenta a seguir serve como exemplo de oferta turística de um país. Contudo. 2001. os investimentos perdem em mobilidade. b) Estática – Necessariamente. Introdução ao Turismo. uma empresa só entra em um mercado se estiver localizada nele. por ser estática.1: Oferta turística na Espanha Fonte: Secretaria Geral de Turismo. Diversas empresas e o Estado complementam. em um núcleo receptor. Hotéis Acampamentos Restaurantes Agências de Viagens (centrais e sucursais) Instalações náuticas Estações de esqui Campos de golfe Parques aquáticos Parques de diversões Estações termais Cassinos 9. São Paulo: Roca. O turismo. A oferta está em um local. para não se incorrer na possibilidade de uma compreensão equivocada. Ou seja. O local escolhido para o negócio deve ser muito bem analisado. permitindo um menor grau de variações concorrenciais em curto prazo. requer organização entre esses agentes para que a oferta possa existir.055 4. ninguém oferta turismo isoladamente.436 928 50. cada qual com suas parcelas.

Assim também são os atrativos culturais. o que dificulta mensurá-lo em uma totalização. 2001). então? Segundo a Organização Mundial de Turismo. ofertam-se o clima e as belezas naturais. Logo. o turismo absorve recursos disponíveis e converte-os em oferta. a possibilidade de oferta está restrita a temporadas. oferta turística é “o conjunto de produtos turísticos e serviços postos à disposição do usuário turístico num determinado destino. e) Absorção – Uma das grandes vantagens do turismo é que a oferta agregada é maior do que a produção. que não foram produzidas pelo homem. o que faz gerar ciclos em que se alternam altas e baixas produções.Teoria Geral do Turismo c) Diversificação – Pelo fato de o produto turístico ser heterogêneo. No caso do turismo. Tendo visto o conteúdo até o momento sobre oferta turística. Em quase todas as atividades produtivas humanas. é chegado o momento de perguntar: qual é a sua definição. o turismo requer menores investimentos que os resultados econômicos obtidos. (OMT. d) Sazonalidade . que são criados com outras intenções e depois são convertidos em produto turístico. arquitetônicos e sociais.Um dos grandes problemas do turismo é o seu vínculo com as estações climáticas do ano. Dessa forma. a oferta turística apresenta um grande leque de alternativas diferentes. certamente. Assim. propulsiona a economia desse setor. para seu desfrute e consumo”. Portanto. Unidade 3 83 . Ao avançarmos um pouco mais sobre o tema da oferta turística. optamos por apresentar uma série de quadros e tabelas que. históricos. tem-se que a quantidade ofertada é maior que a quantidade produzida. por outro lado. o resultado – a oferta colocada no mercado – requer transformação laborativa. ilustrarão de forma mais clara a composição da oferta.

dado que a atratividade de certos elementos varia de forma acentuada de um turista para outro. f) imagem da marca. Para efeito de nossos estudos. Comecemos com os atrativos turísticos: Como definir o termo e o que ele compreende? O seu conceito é complexo. inclusive. adotaremos a divisão simples (que. Um outro exemplo é que um determinado santuário religioso pode ter grande atratividade para adeptos de uma religião e nenhuma para outras.Universidade do Sul de Santa Catarina Sabemos que a oferta turística é composta por um conjunto de elementos que podem ser divididos conforme a seguir: a) atrativos turísticos. Um museu sobre o fundador de uma cidade pode ter grande importância para os seus habitantes e nenhuma para os visitantes. c) serviços públicos. g) preço. b) serviços turísticos. d) infra-estrutura básica. Devemos destacar que existem categorias diferentes já elaboradas sobre atrativos turísticos. e) gestão. 84 . é a mesma adotada pela EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo): atrativos turísticos naturais e atrativos turísticos culturais.

2003.Teoria Geral do Turismo Os atrativos naturais podem ser divididos conforme segue: TIPOS Picos Serras Montes/morros/colinas Outros Chapadas/tabuleiros Patamares Pedras/tabulares Vales/rochedos Praias Restingas Mangues Baías/enseadas Sacos Cabos/pontas Falésias/barreira Dunas Outros Ilhas Arquipélagos Recifes/atóis Rios Lagos/lagoas Praias fluviais/lacustres Quedas d’água SUBTIPOS Montanhas Planalto e Planícies Costas ou Litoral Terras Insulares Hidrografia Pântanos Fontes hidrominerais e/ou termais Parques e reservas de flora e fauna Grutas/cavernas/furnas Áreas de caça e pesca Quadro 3. Fundamentos do Turismo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. 55. Unidade 3 85 . Luiz Renato.2: Tipos de atrativos naturais Fonte: Adaptado IGNARRA. p.

2003. Fundamentos do Turismo. 86 .3: Tipos de atrativos turísticos culturais Fonte: Adaptado IGNARRA.Universidade do Sul de Santa Catarina Os atrativos turísticos culturais também podem ser classificados em tipos e subtipos. 60. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. p. Usos e Tradições Populares Realizações Técnicas e Científicas Contemporâneas Acontecimentos Programados Quadro 3. Luiz Renato. TIPOS SUBTIPOS Arquitetura civil Arquitetura religiosa/funerária Arquitetura industrial/religiosa Arquitetura militar Ruínas Esculturas Pinturas Outros legados Sítios históricos Sítios científicos Museus Bibliotecas Arquivos Institutos históricos e geográficos Festas/comemorações/ atividades religiosas Festas/comemorações populares e folclóricas Festas/comemorações cívicas Gastronomia típica Feiras e mercados Exploração de minérios Exploração agrícola/pastoril Exploração industrial Assentamento urbano e paisagístico Usinas/barras/eclusas Zoológicos/aquários/viveiros Jardins botânicos/hortos Planetários Outros Congressos e convenções Feiras e exposições Realizações desportivas Realizações artísticas/culturais Realizações sociais/assistenciais Realizações gastronômicas Outros Monumentos Sítios Instituições e Estabelecimentos de Pesquisa e Lazer Manifestações.

o turista necessita consumir uma série de serviços. Alguns desses. são classificados como turísticos.Teoria Geral do Turismo Como já é do seu conhecimento. Para poder usufruir deste atrativo. Meios de Hospedagem Alimentação Agenciamento Transportes Turísticos Locação de Veículos e Equipamentos Unidade 3 87 . além dos atrativos (conforme as duas tabelas anteriores). o produto turístico é composto. TIPOS SUBTIPOS Hotéis Motéis Flats Pousadas Pensões Pensionatos Lodges Hospedarias Albergues da juventude Bed & Breakfast Cruzeiros marítimos Campings Acantonamentos Colônias de férias Imóveis de aluguel Restaurantes Lanchonetes Sorveterias/docerias Cafés/casas de sucos/casas de chá Cervejarias Quiosques de praias Agências emissivas Agências receptivas Aéreo Rodoviário Ferroviário Aquático Carros Motos Bicicletas Embarcações Equipamentos esportivos Continua Você encontrará diversos endereços úteis na seção “Saiba Mais”. por atenderem exclusiva ou preferencialmente turistas. no final desta unidade. pelos serviços turísticos.

Fundamentos do Turismo.4: Tipos de serviços turísticos Fonte: Adaptado IGNARRA. p. 88 . 64. Luiz Renato. 2003.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS Eventos SUBTIPOS Organizadores de eventos Fornecedores de produtos e serviços Centros de convenções Bufês Centros de feiras Áreas de exposição e de rodeios Áreas de eventos culturais Bares Boates Danceterias Clubes/estádios/ginásios Casas de espetáculos Cinemas/teatros Parques de diversões Parques aquáticos Parques temáticos Boliches Pistas de patinação Bilhares Campos de golfe Terminais de turismo social Hipódromos Velódromos Autódromos/kartódromos Marinas Mirantes/belvederes Guias/mapas Postos de informações/centros de informações turísticas Centrais de informações turísticas Jornais e revistas especializadas Cavalo Helicóptero Barco Souvenirs Joalherias Artesanato Produtos típicos Espaços de Eventos Entretenimentos Informação Turística Passeios Comércio Turístico Quadro 3. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

TIPOS TIPOS Táxi Ônibus Metrô Teleférico Bonde Trem Transporte Aquático Aeroporto Estação ferroviária Estação rodoviária Estação portuária Agências bancárias Caixas eletrônicos Serviços de câmbio Farmácias Prontos-socorros Hospitais Clínicas Maternidades Polícia turística Serviços de salva-vidas Corpo de bombeiros Posto de informações turísticas Sinalização turística Mapas e guias turísticos locais Postos telefônicos Orelhões Rádio e televisão Disponibilidade de fax e Internet Continua Transportes Serviços Bancários Sérvios de Saúde Serviços de Segurança Serviços de Informação Serviços de Comunicações Unidade 3 89 . como transportes públicos. por exemplo.Teoria Geral do Turismo Outro elemento que merece destaque sobre a oferta turística é o conjunto de serviços públicos necessários ao ato do consumo turístico. Não adianta uma localidade possuir bons atrativos e bons serviços se não coloca à disposição do turista alguns serviços básicos.

tratamento e despejo de esgotos Coleta e tratamento de lixo Produção e distribuição de energia Continua Acessos Saneamento Energia 90 . o último quadro desta série. 2003. A sua implantação em determinada localidade depende da disponibilidade de alguns insumos básicos. por exemplo. Um resort. Luiz Renato. que apresenta alguns tipos de infra-estrutura básica. aéreos. a ser implantado em uma praia deserta precisará levar até lá a energia elétrica. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS TIPOS Postos de abastecimento Oficinas mecânicas Borracheiros Lojas de autopeças Lojas de conveniências Lojas de artesanato Lojas de produtos típicos Agências bancárias Caixas eletrônicos Serviços de câmbio Serviços de Apoio a Automobilistas Comércio Turístico Serviços Bancários Quadro 3. ferroviários. p. marítimos. 68. Sem esses elementos básicos. A infra-estrutura básica de uma destinação turística também é elemento fundamental para viabilização da atividade. tratamento e distribuição de água Coleta. o empreendimento torna-se inviável. a rede de esgoto. Fundamentos do Turismo. TIPOS TIPOS Rodovias Ferrovias Fluviovias Terminais de passageiros. rodoviários. A seguir.5: Serviços públicos de apoio ao turismo Fonte: Adaptado IGNARRA. etc. fluviais Captação.

a duração das viagens e o tempo de permanência nos locais visitados vêm diminuindo para uma semana ou dez dias.6: Infra-estrutura básica Fonte: Adaptado IGNARRA. você vai estudar outro importante componente do produto turístico que é a demanda! Vamos lá? Demanda Turística Por demanda turística pode-se entender: a quantidade de bens e serviços que um consumidor e/ou turista está apto e disposto a adquirir por determinado preço. agências telegráficas. as pessoas estão viajando mais em todo o mundo. por sua vez. por determinado período de tempo e em determinado local. com determinada qualidade. p. Primeiro. antenas de captação de rádio e televisão. 72. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Essa listagem. dependem de uma infinidade de profissionais com as mais variadas especializações. postos telefônicos Implantação. 2003. terceiro. e quinto.Teoria Geral do Turismo TIPOS Comunicações Vias urbanas de circulação Abastecimento de gás Controle de poluição Capacitação de recursos humanos TIPOS Rede de telefonia comum e celular. os quais. de forma alguma esgota todos os quesitos necessários e classificados como “oferta turística”. apresentada pelas tabelas. Luiz Renato. as pessoas fazem mais viagens durante o período de um ano. quarto. Na seqüência. A demanda por turismo vem apresentando tendências bastante interessantes nos últimos anos. som Formação e aperfeiçoamento de mão-de-obra Quadro 3. segundo. serviços de correios. Fundamentos do Turismo. sinalização Distribuição Ar. há uma mudança de turismo de massa para turismo 91 Unidade 3 . conservação. o transporte aéreo de passageiros também apresenta a mesma tendência. O turismo depende de uma infinidade de serviços especializados. água.

organizada por uma operadora. as empresas e as localidades se aprimoram em criar serviços para nichos cada vez mais específicos. Certamente. 2001. (LEMOS. Você sabia? Que as diversas formas de classificação da demanda não são excludentes? Podemos compor o tipo de demanda que analisamos. o entretenimento é o objetivo e. No primeiro exemplo. 2001. por exemplo. caso se agreguem serviços de entretenimento para esse grupo. p. em um destino. com cinco dias de permanência. o que significa a busca de um monopólio específico em um nicho de mercado. p. com vôo fretado. os turistas estão buscando uma forma de diferenciação e diversificação de suas viagens. por exemplo. para um grupo de jovens. Existem hotéis que se especializam em prestar serviços para executivos. em um final de semana. caso se agreguem serviços mais elaborados.75). ou seja. eles podem ser desnecessários. tem-se um perfil profissional e. para a participação num show de rock. o que obriga as empresas a saciarem demandas específicas. a classificação da demanda turística pode ser assim apresentada: 92 . mas uma delas pode ser especializada. Observem que as especificações das demandas supracitadas compõem um perfil de comportamento econômico bastante variado. No segundo grupo. De acordo com Lemos (1983 apud apud FELLINI. outros vão mais longe e prestam serviços especificamente para mulheres executivas. Todas as operadoras e agências concorrem entre si. para a participação em uma feira. Assim. com ônibus turístico. O mercado de turismo é um setor de concorrência monopolística.Universidade do Sul de Santa Catarina de nichos. numa viagem intermediada por uma agência e destinada a um grupo de adultos. podemos ter uma demanda turística nacional. eles somente elevariam os custos da viagem. temos um perfil muito diferente em uma demanda internacional. De outra forma.74). em uma faixa etária etc.

V) Ônibus rodoviário. IX) Marítimo. IX) Profissional. VI) Ônibus turístico. b) Quanto ao meio de transporte utilizado: I) Automóvel particular. IV) Individual. II) Sem agências e operadoras. II) Turismo para jovens. III) Carona. X) Misto. VII) Vôo comercial. II) Tratamento médico ou terapêutico. X) Ecológico. III) Turismo para adultos. c) Quanto ao motivo da viagem: I) Descanso e lazer. II) Família. VII) Esportivo. VIII) Vôo fretado. cursos e seminários.Teoria Geral do Turismo a) Quanto ao espaço: I) Nacional ou Doméstico. IV) Turismo para terceira idade. d) Quanto ao tempo de permanência Sem caracterização e) Quanto à forma de organização: I) Por agências e operadoras. III) Participação em congressos. f) Quanto à quantidade de pessoas: I) Excursões (grupos). V) Cultural. g) Quanto à idade: I) Turismo infantil. III) Casal. IV) Trem. VI) Religioso. IV) Participação em feiras e exposições. II) Automóvel alugado. XI) Visitas a parentes e/ou amigos. Unidade 3 93 . VIII) Comercial ou de negócios (Businesstourism). II) Internacional.

Desta forma. As condições climáticas favoráveis e as épocas reservadas às férias escolares (quando as famílias. concentram os grandes fluxos de demanda que. em geral. você completou todas as etapas necessárias a um conhecimento indispensável sobre duas destacadas características do produto turístico: a oferta e a demanda. c) A sazonalidade – As épocas das temporadas ou as estações altas ou mais apreciadas do ano. em menor ou maior grau de intensidade. Turismo: fundamentos e dimensões. podem viajar completas). Repugna ao turismo conviver com riscos ou incertezas. costumam diminuir de forma muito sensível. 2002) As demandas dos diferentes mercados turísticos são variadas. São Paulo:Ática. a sensibilidade e a sazonalidade. Instabilidade que influi na própria formação das estruturas de preços ao empresário e ao consumidor.Universidade do Sul de Santa Catarina (ANDRADE. Parabéns pela conquista! 94 . possuem as seguintes características: a elasticidade. cada qual com suas características próprias. situações instáveis e problemas sociais de porte significativo ou de expressiva gravidade. tanto quanto os feriados prolongados e os fins de semana. de acordo com os tipos de ofertas turísticas. nas demais épocas e circunstâncias do ano. no entanto. b) A sensibilidade – as alterações ou mutações nos campos diversos da atividade humana criam situações individuais e grupais tão diversificadas e profundas que tornam instáveis as realidades e os relacionamentos turísticos. Todas. ao chegar até aqui. motivados pelos diferentes graus de sensibilidade às mudanças provocadas pela oscilação das condições financeiras e econômicas do mercado. em fluxos irregulares. pois é sensível a qualquer tipo de flutuação capaz de afetar tanto a oferta como a demanda. a) A elasticidade – O turismo é um fenômeno dinâmico marcado por contínuos movimentos de crescimento e diminuição em sua demanda. visto que uma não existe sem a outra. José Vicente. também se constituem em fatores importantes de influência no volume e na qualidade da demanda turística.

Por esse fato. SEÇÃO 3 – Empresas de transportes turísticos Como você viu na unidade 1.Teoria Geral do Turismo Seguimos adiante com o início da seção 3. se deu o início da atividade turística. efetivamente. na evolução histórica do turismo salientamos que não havia um consenso sobre quando. Não há registros sobre quem e quando se inventou o meio mais antigo de se transportar coisas de um lugar para outro. elaboramos nesta seção um resumo cronológico sobre a evolução dos transportes. são os de maior importância para que você possa se familiarizar com o contexto da relevância e do significado que eles têm para o Turismo. foi o passo inicial de uma áspera luta do peso contra o espaço. o mesmo ocorre com os transportes. os meios de transporte são um componente essencial”. que vai nos familiarizar com os transportes turísticos. que. Se considerarmos que “o turismo implica o deslocamento de pessoas. segundo a nossa opinião. o que isso representa na cronologia histórica apresentada? Veja como o transporte se transformou no tempo e no espaço. para monta e tração a trenós rústicos. A domesticação de animais de grande porte. Unidade 3 95 . e sob que variáveis: a) Historicamente O homem primitivo dispunha somente de suas próprias forças para deslocar-se e carregar o que desejava transferir de local.

) é o marco milenar da penosa caminhada do ser humano em busca do domínio da técnica do transporte terrestre. além das “bigas”.C. Muitos trechos deste conjunto de estradas ainda são possíveis de serem visitados. inclusive durante a noite. Os Romanos foram decisivos para a evolução dos meios de transportes terrestres. como a Via Apia (que tinha 560 km e ligava Roma a Nápoles) entre outras.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização do meio líquido com dispositivos flutuantes. b) Império Romano Registra-se a existência da Carruca Dormitoria. assinalou o limiar de uma era de expansão e desenvolvimento em toda a superfície da Terra. c) Revolução Industrial O transporte moderno. que ficaram conhecidas com a PAX ROMANA. A invenção da roda (Mesopotâmia com os Assírios. uma espécie de ônibus leito que servia para transportar os viajantes. deu-se a partir de 1840 com o advento da Revolução Industrial. por volta de 250 a. uma vez que construíram um conjunto de estradas. um meio de transporte bastante difundido na época. talvez o mais remoto sistema utilizado pelo homem. assumiu um valor extraordinário desde seu início. principalmente na Itália. como o conhecemos atualmente. mais abastados. espalhadas pelo império. no Império romano. na Inglaterra e o 96 .. Para as pessoas mais simples do Império Romano.C. na 2ª metade do 1º milênio a. era utilizado o lombo do cavalo.

Querermos destacar que o objetivo desta seção não é o de apresentar de forma detalhada e aprofundada toda a evolução histórica e o conseqüente desenvolvimento dos transportes. o transporte necessitou organização aprimorada. regularidade. Vamos a eles? Unidade 3 97 . Em todos os tempos. pontualidade. O passo decisivo para a conquista do ar deu-se em 21/07/1976. a Daimler Motoren Gesellschft. rapidez. economia e conforto. de forma significativamente resumida e simplificada. ao que consideramos ser relevante para o seu entendimento sobre os transportes. Sem nenhuma dúvida.Teoria Geral do Turismo conseqüente desenvolvimento das linhas férreas. Relacionamos quatro meios de transportes que efetivamente são os mais utilizados e de maior significado. foi o pesquisador de maior relevância. na continuação do conteúdo. depois. faremos referência. objetivando oferecer um mínimo de segurança. quando o assunto é turismo. que fabricou seu primeiro carro em 1884. A aplicação comercial do motor se deve ao engenheiro alemão Daimler. que construiu várias motocicletas entre 1884 e 1886 e fundou. para cumprir suas essenciais finalidades. quando a Air France inaugurou a 1ª rota internacional para transporte regular de passageiros com o SSC – Super Sonic Concorde. Isso não seria possível numa única seção. prestação de serviços. cuja velocidade é duas vezes maior que a velocidade do som. Os transportes vivenciaram um impulso jamais antes verificado. a partir de 1914 as fábricas se uniram. Sendo assim. seguido por Benz.

e toda política de transporte de massa foi colocada na rodovia e na indústria automobilística. 98 . ligando o continente europeu à ilha da GrãBretanha. O transporte ferroviário em alguns países europeus continua prestando substancial apoio ao tráfego de turistas. FLUVIAL E LACUSTRE O tráfego turístico marítimo apresenta-se hoje bem diferenciado e segmentado em sua demanda. que se caracterizavam como verdadeiros hotéis flutuantes. Marcou época no passado com transatlânticos muito luxuosos. já faz parte de nosso presente. o que apresenta? Não apresenta tradição quanto ao uso do trem como transporte turístico. Destacam-se também: 1980 – França – Trem TGV – 300 Km/h 1986 – Alemanha – Trem ICE – 340 Km/h 1994 – Japão – Trem Bala – 550 Km/h O Eurotúnel. A rede ferroviária nacional não foi sensível ao utilizar o trem como meio de transporte para o turismo de massa. sob o Canal da Mancha. II) TRANSPORTE MARÍTIMO.Universidade do Sul de Santa Catarina I) TRANSPORTE FERROVIÁRIO O trem foi o grande impulsor inicial do turismo regional e do internacional até 1957. E o Brasil.

no Brasil. readaptados. drenagem e apoio. que tem a maior rede fluvial do mundo. sem as mínimas condições de higiene e conforto para uma exploração em escala econômica e em nível internacional. e a do Mississippi. de acordo com as previsões. como a do Reno.6 milhões de passageiros passaram suas férias nos navios. III) TRANSPORTE RODOVIÁRIO A indústria automobilística brasileira tem grande impulso sob o governo de JK (1955 -1960). e foi o Turismo que incrementou substancialmente o uso desse veículo. com equipamentos modernos que trafegam em rotas tradicionais. Em 2006. serão 12 milhões de passageiros. limita-se a cruzeiros com navios amplos e modernos. subutiliza a hidrovia para transporte de carga e a despreza como meio de deslocamento para o turismo. construção de eclusas. Isso por não ter tradição e equipamentos e muito menos infra-estrutura adequada. ela é muito difundida. na Europa.Teoria Geral do Turismo Atualmente. apesar da grande demanda. vias de acesso. A navegação fluvial e lacustre (hidroviária) é muito difundida na Europa e nos Estados Unidos. Essa modalidade reduz consideravelmente o custo da viagem e. anéis. ainda são realizados com equipamentos obsoletos. Pode-se dizer que o ônibus representa para os brasileiros Unidade 3 99 . quando é instalada no país a primeira fábrica nacional de automóveis (a Volkswagen). O transporte terrestre de turistas também é feito por ônibus. nos Estados Unidos. 4. Os transportes turísticos na Amazônia. Em 1994. auto estradas. com o desaparecimento da grande maioria das rotas regulares. O automóvel foi a causa básica da expansão de estradas. O Brasil. trevos. a navegação marítima para o turismo.

pelas vantagens que oferece. Além dos vôos regulares que transportam milhares de pessoas. Não podemos esquecer que ainda existem outros meios de transporte. Como você teve a oportunidade de ver. Assim é que são criadas. A seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina o mesmo que o trem para os europeus. esses são os principais meios de transportes utilizados pela atividade turística. em alguns países. Uma viagem que há trinta anos ainda era uma aventura agora é segura. além das linhas regulares. há uma modalidade específica que atende primordialmente ao tráfego turístico: os vôos charter. ainda existem sérios problemas no que tange à localização dos grandes aeroportos brasileiros. estudante de turismo. exerce importante papel no desenvolvimento do Turismo. realizar uma comparação dos diferentes meios. o transporte turístico espacial. sobretudo naquele praticado a longas distâncias. rápida e confortável. linhas de ônibus especiais para o transporte exclusivamente turístico. por exemplo. O transporte aéreo. Alguns distam até trinta quilômetros dos centros urbanos. apresentamos um quadro em que será possível a você. IV) TRANSPORTE AÉREO O transporte aéreo é importante conquista do século passado. Hoje o avião é um meio de transporte de massa. O tempo que se ganha no deslocamento aéreo é geralmente perdido nas operações de embarque e desembarque e de deslocamento até as cidades. a suplantar os vôos regulares em volume de turistas. atualmente uma realidade tecnicamente possível. como. Contudo. 100 . porém financeiramente inaccessível a grande maioria das pessoas. Todos os meios de transportes têm suas vantagens e suas desvantagens. que ganharam uma importância tão grande que chegam.

. Marítimos Quadro 3. Possibilidade de desfrutar da paisagem. Não sofre engarrafamentos. O que está achando arte aqui? Está gostando do conteúdo? Em seguida passemos a um exercício. Conforto. Mobilidade no destino. 1993. Possibilidade de andar pelos vagões. Velocidade. Cruzeiros: diversão e entretenimento. Reflita a questão a não passe adiante sem colocar seu ponto de visa.Teoria Geral do Turismo Por rodovias (automóveis) Trens Aéreos Controle do itinerário e das paradas no caminho. Barato. Aproveitamento por parte do usuário de preços baixos. Chegada ao destino descansado. Flexibilidade. Possibilidade de usar o veículo como alojamento. Relativamente seguro. Privacidade. Unidade 3 101 . Introdução ao Turismo.183-186 in OMT.7: Análise comparativa dos diferentes meios de tansportes Fonte: Adaptado de Cooper et al. Serviços em terra (facilidades em terminais) sofisticados. Incentivos aos usuários fiéis (bônus de quilometragem) Vôos fretados (charter): preço. 2001. p. Segurança. São Paulo: Roca. Possibilidade de levar muitas malas. Controle das horas de saída.

para que possamos melhorar a infra-estrutura disponível. A seção 3 nos possibilitou um “encontro” com as principais modalidades de transporte que estão disponíveis para os turistas. segurança. Os nossos governantes têm a responsabilidade por tal. mas muitas vezes a sua simples iniciativa 102 . diz respeito à nossa parca infra-estrutura disponível em todo o território nacional. a realidade da nossa infra-estrutura turística nacional é extremamente inadequada. então temos que ter uma outra abordagem e uma outra visão. Você a considera adequada para receber turistas? Pense em termos de: higiene e limpeza. acesso. entre outros. Lembramos que você. Faça uso do espaço abaixo. Não podemos nos esquecer de que se considerarmos o deslocamento como um ingrediente fundamental para que ocorra a atividade turística. tem a responsabilidade e. A grande reflexão. que é necessária se fazer. Contudo. até o dever de não ficar esperando que as autoridades (em seus diferentes níveis) se responsabilizem pelas iniciativas. descreva o que você lembra em termos de infra-estrutura de transportes existente. nessas estruturas.Universidade do Sul de Santa Catarina Os meios de transportes desempenham um papel crucial para o desenvolvimento contínuo da atividade turística. Sabedor que és da realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento. disponibilidade de sanitários. de locais para alimentação. de certa forma. Será que as autoridades municipais e a população local levam em consideração estas necessidades para os turistas? O que deveria ou pode ser feito? Elabore respostas para as questões acima. enquanto acadêmico de turismo.

que você estudou na Unidade 1. você estudou o que é um sistema e qual a sua aplicabilidade para as diversas ciências. A exemplo da história e evolução do turismo. seção 1. não existe um consenso sobre como se deu o início dos transportes e tampouco quem o inventou. ainda. Síntese Ao estudar esta unidade. se uma das premissas básicas para que ocorra o turismo é o deslocamento. teve o objetivo explícito de fazer com que você pudesse ter uma melhor visualização. para que este fenômeno ocorra. A inserção de quadros ilustrativos. Já a seção 3 desta unidade. Na seção 2. e. Sabemos que a época do ano. uma melhoria significativa em termos gerais e na criação de infra-estrutura turística. o bom andamento da economia. para essas categorias. para uma melhor compreensão do tema. você estudou dois tópicos de extrema relevância. então já podemos imaginar o significado e a importância dos transportes para a atividade. Não se esqueça dos diferentes tipos de demanda que nós estudamos. que são: a oferta e a demanda. perfazem um sistema. Foi importante também verificar que o turismo não é definitivamente uma atividade isolada e. entre outros fatores. trabalhou com os meios de transportes turísticos. até mesmo. dois pressupostos básicos que não podem coexistir um sem o outro. Ficou patente que. Você também teve contato com o conjunto de elementos que compõem a oferta turística e viu que ela pode ser dividida em algumas categorias. somadas. tenha sempre em mente as variáveis que a afetam de forma significativa. exercem uma influência enorme sobre a demanda. foi possível você ter um contato mais próximo com mais alguns conceitos fundamentais da atividade turística. Unidade 3 103 . Na seção 1. há a necessidade de interação de uma série enorme de outras áreas de conhecimento. a estabilidade social. entre as quais o turismo. que.Teoria Geral do Turismo pode desencadear uma mudança e.

continue sofrendo com um baixo número de visitantes anualmente. realize na seqüência as atividades propostas. 104 . Como estudante de turismo. 2) Explique o que significa Sistema Turístico. 1) Para a OMT – Organização Mundial do Turismo. Também está implícita. a enorme carência que algumas cidades possuem em termos de infra-estrutura de transportes. nessa seção. Não é mais possível conceber que um país de dimensões continentais. por causa principalmente da modestíssima infra-estrutura que possuímos. os quatro principais meios de transporte utilizados pelo turismo. você é mais um importante aliado na reversão deste quadro. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. existem quatro elementos básicos no conceito da atividade turística. como é o Brasil. Cite quais são estes elementos. por meio de uma cronologia histórica.Universidade do Sul de Santa Catarina Vimos.

itn.mininco. Mario Carlos. Análise estrutural do turismo.anhembi.com c) Albergues da juventude – www.org f) Agências emissivas – www.franchise.com e) Lanchonetes – www.railpass.com h) Centros de feiras – www.terrayalodge.gov Unidade 3 105 .com. basta acessar: a) Motéis – www.br i) Parques temáticos – www.com b) Lodges – www. Qual a importância dela? Saiba mais Para que você conheça mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade.br d) Bed & Breakfast – www. sugerimos algumas obras para pesquisa: BENI.hostel.themeparks. OMT.com g) Transporte ferroviário – www. 1997. Para conhecer uma base de dados importantes e bastante interessantes sobre diversos itens relacionados na seção 2 desta Unidade. Introdução ao Turismo.innandtravel.org. São Paulo: Roca. 2001. São Paulo: SENAC.Teoria Geral do Turismo 3) Conceitue: oferta turística.hilton.

.

estadual e municipal.UNIDADE 4 Turismo e organizações turísticas Objetivos de aprendizagem Entender como são formadas as principais organizações turísticas nos principais níveis de atuação: mundial. Seção 2 O planejamento turístico. Seção 3 Marketing turístico. 4 Seções de estudo Seção 1 Organizações turísticas. nacional. . Compreender a importância e a aplicabilidade do marketing para a atividade turística. Reconhecer os princípios básicos que norteiam a planejamento turístico.

. Afinal.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar e de se familiarizar com tópicos importantes que apresentam estreita ligação com o turismo ou a relação com a sua estruturação organizacional. em termos de desenvolvimento turístico. você está convidado para entrar em contato com estes tópicos e esperamos sinceramente que os mesmos possam ser significativos e relevantes para a sua formação acadêmica. será feita uma abordagem sobre o marketing. envolvendo seu conceito. Começaremos pelas organizações turísticas. sua evolução e. O que entra na composição da estrutura da organização de turismo? 108 . exigindo cada vez mais dos estudiosos e profissionais da área um acompanhamento.. A palavra planejamento por si só. Qual o nível e o grau de atuação do governo em relação ao turismo? Quais são as organizações responsáveis pelo fomento e pelo desenvolvimento pleno da atividade? Vai estudar também nesta unidade o tópico que versa sobre o planejamento turístico. SEÇÃO 1 . esta é uma exigência vital para os profissionais que almejam o sucesso. No âmbito da atividade turística. Serão abordados alguns aspectos de destaque desta “necessidade” vital. Por último. e sabe que existem muitos tipos de organizações. onde as informações trafegam em alta velocidade. uma percepção e respostas imediatas para as constantes mudanças.Organizações turísticas Certamente você já ouviu falar muito no termo “organização”. vivemos em um mundo globalizado. Assim sendo. suas tendências. principalmente. nos induz a uma série de correlações e é de fundamental importância para um bom gerenciamento das atividades relacionadas ao turismo. não é mesmo? Mas como definir uma “organização de turismo”? Quais os elementos que a compõem? O que entra na definição deste termo? E mais.

dos espaços livres. que é imperativo conservar. estar fortemente ancorada nos valores nacionais: nos traços culturais. determinam as prioridades da Unidade 4 109 . de uma região ou mesmo de um município.Teoria Geral do Turismo Você tem as respostas? Não? Ou. das águas. então! Uma introdução ao estudo Nesta unidade serão abordados elementos para compreender quais as funções das organizações de turismo e o que lhes cabe como organismos de prestação de serviços no conjunto de políticas públicas e privadas. que cumprem manter. que as gerações futuras têm direito de reclamar. Ambos constituem partes iguais do patrimônio nacional. Aos poucos você mesmo vai estruturando um conceito adequado de “Organização de Turismo” e conseguindo compreender como elas funcionam na prática? Acompanhe. que são tão indispensáveis. Sendo assim. quanto à conservação da memória histórica e cultural do país. Segundo o ele. por conseguinte.. Comecemos com as contribuições de Mário Carlos Beni (1997). do ar. Sustenta o autor que as políticas de turismo devem combater os vários tipos de poluição e atuarem em defesa da paisagem. como vimos na unidade anterior. Deve-se entender por “política de turismo” o conjunto de fatores condicionantes e de diretrizes básicas que expressam os caminhos para atingir os objetivos globais para o Turismo do país. as Organizações de Turismo têm a responsabilidade de implementar a chamada “Política de Turismo” de um país.. não tem certeza se estão corretas suas definições? Não se preocupe. Sua formulação deverá. no aspecto físico. da vegetação. que é “sistêmico” e interligado a outros setores e áreas. será uma espécie de introdução para oferecer uma base ao entendimento de um todo. de um estado.

a criação de normas e a administração de recursos e estímulos.Universidade do Sul de Santa Catarina ação executiva do Estado. com apoio federal. Observe a cronologia e os fenômenos que lhe são pertinentes: 110 . O governo dará as diretrizes e proverá as facilidades. diretoria. secretaria. Embora muitos estudiosos incluam o turismo entre os setores econômicos na organização administrativa do Estado. O papel que o poder público possui no desenvolvimento do turismo é assunto de extenso debate entre os profissionais da área. na prática isso não ocorre na totalidade dos países. Os estudos de Mário Carlos Beni (1997) nos remetem a uma compreensão do ponto de vista histórico. vamos a uma breve evolução histórica das organizações de turismo. Essa dificuldade em definir o setor econômico representativo do turismo pode ser observada quando se analisa a estrutura governamental do turismo nos vários países. importante ao entendimento contextualizado da organização turística. A hierarquia de organismo é a mais variada possível: ministério. departamento. facilitam o planejamento das empresas do setor quanto aos empreendimentos e às atividades mais suscetíveis de receber apoio estatal. Da mesma forma. a concepção dos programas e a execução dos projetos regionais e locais. Aos órgãos públicos federais de turismo cabem a formulação das diretrizes e a coordenação dos planos de âmbito nacional e dos que se projetem para o exterior. Aos órgãos estaduais e municipais cabem. e com igual apoio. comissão e serviço. A seguir. escritório público. A função específica dos órgãos institucionais públicos de Turismo deverá ser a determinação de prioridades. compete a eles a iniciativa dos melhoramentos e equipamentos necessários ao uso público das áreas de interesse turístico.

para o período de 1948 a 1952. iniciando-se em fins da década de 1940. Nesse mesmo ano a Argentina começou os preparativos para a elaboração do seu plano. com a elaboração do Primeiro Plano Qüinqüenal do Equipamento Turístico Francês. em 1952. realizou as primeiras experiências nesse sentido e elaborou o Anteprojeto do Plano Nacional de Turismo. apenas um ano após a criação de Ministério de Informação e Turismo.Teoria Geral do Turismo O planejamento formal do turismo por parte do Estado é recente. Com relação ao continente americano. foi somente na década de 1960 que a atividade começou a se generalizar. com a celebração de convênio entre a Secretaria de Difusão e Turismo. promulgado somente em 1968. quando a maioria dos países europeus com vocação e interesses turísticos elaborou seus primeiros planos nacionais de desenvolvimento do Turismo e começou a formular os primeiros planos em nível regional. a intenção de planejar o turismo em nível nacional começou no México. em 1961. Outro país pioneiro em apresentar o planejamento em nível nacional é a Espanha que. quando o poder executivo daquele país encarregou o departamento de turismo de elaborar o plano nacional. Não obstante essas primeiras manifestações sobre o planejamento por parte do Estado. Unidade 4 111 . a ONU e o Centro de Investigação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

tais como.. j) captação de investidores privados para o setor. d) financiamento dos investimentos da iniciativa privada. f) controle do uso e da conservação do patrimônio turístico. artesanato. l) apoio ao desenvolvimento de atividades culturais locais. o) captação de divisas estrangeiras. c) promoção institucional da destinação. k) desenvolvimento de campanhas de conscientização turística. b) controle de qualidade do produto. 112 . conforme o grau de intervenção que o Estado possui na atividade econômica. tratamento e distribuição da informação turística. gastronomia típica. n) implantação e operação de sistemas estatísticos de acompanhamento mercadológico. i) prestação de serviços de segurança pública. A seguir alguns exemplos dessas áreas: a) planejamento do fomento da atividade. h) implantação e manutenção da infra-estrutura urbana básica. etc. e) capacitação de recursos humanos. folclore. m) implantação e manutenção de infra-estrutura turística voltada para a população de baixa renda.Universidade do Sul de Santa Catarina O papel do poder público pode abranger inúmeras atividades. g) captação.

ele pode ser de dois tipos: a) Centralizado − Criado pelo Estado dentro de sua própria estrutura administrativa. Espanha. Quando um Órgão Nacional de Turismo adota a forma de entidade oficial (estatal). tendo como missão: formular.. etc.Teoria Geral do Turismo Organizações de turismo Agora é momento de analisar competências e concepções ligadas às organizações de turismo. Alemanha. Vamos lá? De acordo com Beni (1997) e Castelli (1998): a Conferência das Nações Unidas. bem como conhecer como são classificadas e caracterizadas no contexto mundial. pode ocupar diferentes posições e hierarquias na estrutura organizacional. França. diz que cabe aos Organismos Nacionais de Turismo a tarefa de estimular e coordenar as atividades nacionais referentes ao turismo. etc. orientar e executar a política turística geral do país. Atualmente a maioria dos países possui seus Órgãos Oficiais de Turismo. Suíça. Suécia. Brasil. realizada em Roma. os quais se fundamentam em três concepções: a) órgãos estatais: Argentina.. etc. em 1963.. Logicamente tem a vantagem de permitir uma melhor adaptação das políticas de condução do setor às políticas gerais de desenvolvimento econômico e social do país. c) órgãos privados: Áustria. b) órgãos mistos: Dinamarca. para tanto. para que possam agir eficazmente em prol do desenvolvimento e promoção do turismo nacional e internacional. recomenda que sejam dados aos organismos de turismo a competência e os meios necessários. Unidade 4 113 . Entende-se por Órgão Nacional de Turismo – ONT – a instituição motora suprema em matéria de turismo. Itália.

deve-se dizer que a própria centralização traz implícito o risco da influência burocrática a que estão expostos todos os órgãos públicos. d) Estados Unidos: US Travel Service. e pode tender a diminuir sua eficiência. b) Bélgica: Commissariat Géneral au Tourisme. um instituto. Companhias mistas vinculadas à Secretaria de Indústria e Comércio. c) Canadá: Canadian Government Travel Bureau.Universidade do Sul de Santa Catarina Em contrapartida. Em nível estadual. Secretarias de Educação. No caso do Brasil. em conseqüência da lentidão que caracteriza o processo de tomada de decisões pelo setor público. tem personalidade jurídica e goza de autonomia técnica e administrativa. 114 . a estrutura organizacional que foi sendo assuminda não seguiu uma padronização: surgiram Secretarias de Turismo. Pode ser uma comissão. uma empresa ou uma corporação de turismo. em nível federal. embora mantenha vínculo de subordinação a um ministério ou secretaria de Estado. entre várias outras formas e modalidades. Esportes e Turismo. b) Descentralizado − Constituído pelo próprio Estado através de lei. Cultura e Turismo. o orgão oficial de turismo é formado pelo Ministério do Turismo. Órgãos Oficiais de Turismo: a) Argentina: Dirección General de Turismo. Secretarias de Educação. e subordinado a ele estão a Secretaria Nacional do Turismo e o Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR. Companhias mistas.

Esportes e Recreação. Alguns exemplos da imensa variedade de nomenclaturas atualmente encontradas no vasto território nacional: Secretaria Municipal de Turismo. Secretaria Municipal dos Negócios. da Educação. Secretaria Municipal de Expansão Econômica e Turismo. EMCETUR: Empresa Cearense de Turismo. da Cultura. atualmente. SANTUR: Santa Catarina Turismo S/A No que se refere ao nível municipal também não houve uma padronização com relação aos nomes dos órgãos responsáveis pela política oficial de Turismo. um número significativo de organizações nacionais não-governamentais que tem por objetivo agregar grupos de pessoas e de atividades específicas que lutam em prol do desenvolvimento turístico deste país. Esportes e Turismo. BAHIATURSA: Empresa de Turismo da Bahia S/A. Unidade 4 115 . Existe.Teoria Geral do Turismo Órgãos Oficiais de Turismo em nível estadual: PARATUR: Companhia Paraense de Turismo. Secretaria Municipal de Turismo e Divulgação.

grupos hoteleiros e operadoras turísticas. seguido de uma breve descrição. As suas resoluções abrangem a validade dos bilhetes.Universidade do Sul de Santa Catarina Organizações Nacionais Não-Governamentais: ABIH: Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. Sua sede fica em Madri. ABAV: Associação Brasileira de Agências de Viagens. de transportes e demais serviços relacionados a viagens). os itinerários e as regras de transporte de bagagens. incluindo companhias aéreas. de cruzeiros (WTTC) marítimos. NOME DO ORGANISMO BREVE DESCRIÇÃO (QUANDO APLICÁVEL) É a única organização que representa os interesses turísticos de organizações governamentais e oficiais. É a entidade internacional que congrega a quase totalidade das companhias aéreas do mundo. quando aplicável. O quadro a seguir oferece uma relação dos principais organismos internacionais ligados ao turismo. ABTH: Associação Brasileira dos Tecnólogos em Hotelaria. instituições educacionais e empresas do setor privado. de entretenimento e recreação. Continua Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) 116 . empresas de catering. ABBTUR: Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo. representando governos locais. ABEOC: Associação Brasileira das Empresas organizadoras de Congressos e Convenções. associações turísticas. Sua principal função é simplificar e acelerar o movimento de pessoas e bens de qualquer ponto do sistema aéreo mundial para outro. Essa instituição é reconhecida como consultora do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas. AGTURB: Associação Brasileira de Guias de Turismo do Brasil. ABRAJET: Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo. Entre os seus membros estão 138 países e territórios e mais de 350 filiados. Organização Mundial do Turismo (OMT) É constituído por uma coalizão global dos cem mais World Travel and Tourism Council importantes executivos de todos os componentes do setor turístico (grupos hoteleiros.

uma área interessante. existem organizações turísticas em diversos e diferentes níveis de atuação. p. Como vimos. contudo não contemplam o enorme espectro de diversos outros organismos que interagem ou que estão associados ao turismo. 2003. Fundamentos do Turismo. A seção seguinte vai poder lhe oferecer muitas informações sobre o planejamento turístico. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.1: Principais organismos internacionais ligados ao turismo Fonte: Adaptado IGNARRA. de acordo com a política de cada país..com Quadro 4. Unidade 4 117 .. cada região e até mesmo. cada localidade. vamos descobrir porque o planejamento turístico é tão importante.ih-ra. Luiz Renato. independentemente de seu nível hierárquico. Pronto para o novo embarque? Venha. International Association of amusement Parks and Attractions Visite o site: www.Teoria Geral do Turismo NOME DO ORGANISMO Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) Alliance International du Tourisme (AIT) Associación Internacional de Hoteles (AIH) Federación Universal de Asociaciones de Agentes de Viajes (FUAAV) BREVE DESCRIÇÃO (QUANDO APLICÁVEL) É uma organização de governos voltada para promover a aviação civil em escala mundial. diz respeito à necessidade de uma participação efetiva e construtiva por parte dos governos.org (IAAPA) International Hotel and Restaurant Association (IHRA) Visite o site: www.iaapa. O que é importante você fi xar. dinâmica e essencial para o seu conhecimento. 191 . As informações compiladas e apresentadas sobre as organizações turísticas nesta seção são significativas e importantes.192.

Vamos a eles? A importância do planejamento O ato de planejar vem ganhando cada vez mais destaque dentro das organizações.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 .O planejamento turístico O que é planejar? Em que práticas você costuma realizar um planejamento? Existem diferentes formas de planejar? Pense nisso! Registre suas considerações. em primeiro lugar. a compreensão do conceito de forma significativa no universo teórico e metodológico da ação. Isto se deve ao retorno positivo que o planejamento pode proporcionar. Vamos lá? Observe. privadas. “O planejamento é importante dentro de qualquer ação humana da qual se esperam resultados. pequenas ou gigantes de mercado. 71) 118 .” (RUSCHMANN e WIDMER. Acompanhe atentamente o texto e procure formular um conceito para expressá-lo no final da seção. 2001. sejam elas públicas. como: a necessidade de considerar esta prática no desenvolvimento de atividades. p. que tão importante quanto definir “planejar” é situar o planejamento turístico no contexto de sua utilização de elementos.

Essa prática. contribui para o sucesso empresarial e econômico de toda uma nação. o crescimento do setor em menos de uma década foi superior a 500% (aumentando de 665 mil. para 3. Planejamento e organização em turismo. Unidade 4 119 . a maioria dos empreendedores deixa de lado a etapa do planejamento.Teoria Geral do Turismo Em países desenvolvidos. tomaremos como base o exemplo das micro e pequenas empresas no Brasil. 1996. p. O empirismo é inerente à cultura brasileira e vem prejudicando o país ao longo dos anos.5 milhões). Você sabia? Que o primeiro plano econômico registrado foi elaborado no Japão. 89. além de elevar o nível de conhecimento do povo. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). no final do século XIX?. o assunto planejamento é levado a sério e ensinado para a maior parte dos habitantes desde cedo.” Home page do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). “as micro e pequenas empresas são responsáveis por 52% do Produto Interno Bruto do País. nos Estados Unidos. O surgimento desse tipo de empresa tem sido cada vez maior. como. Objetivando uma melhor compreensão do assunto. Entrando especificamente no ramo empresarial. Para saber mais leia: BARRETTO. o Brasil é um país conhecido pela falta de planejamento em diversas áreas. mediante Henri Fayol. Campinas: Papirus. por exemplo. em que o planejamento é considerado como um dos principais fatores para o sucesso ou para a manutenção no mercado. Na década de 1930 começa a surgir o planejamento empresarial. Margarita. Entretanto. Igualmente de acordo com o Sebrae. os Estados Unidos e o Japão. transformando-as em verdadeiras alavancas do setor empresarial e da economia nacional. tanto em casa quanto nas escolas.

não define concretamente as metas e objetivos. elevando os custos de produção. é importante ressaltar que. 151) 120 . 2001. 66) Ao processo de decisão dos objetivos da empresa. p. utilização e disposição desses recursos dá-se o nome de planejamento. Através do planejamento a empresa ganha flexibilidade e consegue se prevalecer de seus pontos fortes tanto para atender às necessidades e desejos de seus clientes quanto para conquistar os clientes da concorrência. na maioria das vezes. Você sabia? Que o planejamento é um instrumento que direciona e controla a empresa.” (FERREIRA. incipiente. subsidiando o estabelecimento dos meios mais adequados para que se obtenha retorno financeiro? Que com a ferramenta do planejamento a empresa determina suas metas e traça seus objetivos? Que. das mudanças nesses objetivos. recursos materiais e tempo. com alternativas criativas para cada ramo de atividade? “A falta de planejamento desperdiça mão de obra. gerando perdas de mercado e desemprego. consiste em um conjunto de atividades que envolvem a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos. 1997. REIS e PEREIRA.Universidade do Sul de Santa Catarina Apesar do sucesso e do crescimento expressivo que os números refletem. ao iniciar um negócio ou atividade. e o planejamento será. 80% das micro e pequenas empresas fracassam antes de completar cinco anos. além disso. Podemos observar que a maioria dos brasileiros.” (RUSCHMANN e WIDMER. dos recursos utilizados para alcançá-los e das políticas que deverão governar a aquisição. visto que “ele. p. em média. Tal fato se deve principalmente à falta de planejamento e definição concreta de metas e objetivos. de forma geral. essa ferramenta deve proporcionar um aprimoramento nos métodos de trabalho.

1996.” Já Ackoff (1967. 13 apud BARRETTO. Quais os conceitos.11). Os objetivos e as condições necessárias para que estes sejam atingidos variam de acordo com diversos fatores. sendo consenso que os objetivos são mais facilmente atingidos quando há um planejamento correto. Segundo Ruschmann (1997.Teoria Geral do Turismo Uma das principais barreiras que atuam contra a atividade do planejamento é a falta de recursos financeiros e a alegação de que planejar requer muito dinheiro.” Unidade 4 121 . “o planejamento é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos”. 83). De acordo com Baptista (1981. podemos encontrar muitas definições para o conceito de planejamento. 1996. mais necessário se torna saber como aplicá-los e direcioná-los. 3 apud BARRETTO. p. p. Justamente quando se dispõe de menos recursos financeiros. “planejamento se refere ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de problema. p. p. Todos os aspectos aqui citados demonstram claramente a importância e a necessidade da ferramenta que é o planejamento para o sucesso de qualquer atividade.11) afirma que “o planejamento serve para que se consiga atingir um estado desejado. p. se faz necessária uma breve abordagem de alguns conceitos gerais de planejamento. tipos e objetivos do planejamento? Estabelecendo-se uma conexão com a importância do planejamento. Devido à sua diversidade e dinamismo. materiais e humanos. Essas características também fazem com que seja difícil definir a atividade com exatidão ou de forma única e fechada.

p. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT. que diz que “planejar é decidir antecipadamente o que deve ser feito. 1996. O processo de planejar envolve. p. além de recursos materiais e humanos. citamos Newmann (1985. O planejamento é uma linha de ação preestabelecida. c) mecanismo orientado para o futuro. 2001. o 122 . 36 apud BARRETTO. Analisando todos os conceitos mencionados anteriormente. Planejamento turístico Conforme comentado anteriormente. p. métodos e técnicas que possibilitem o correto direcionamento para os objetivos propostos. 66). “O turismo não pode organizar-se e desenvolverse sem que haja planejamento e definição de objetivos a serem alcançados. 2001. de determinação de estados futuros desejados e dos cursos de ação para que tais estados sejam alcançados.” (OLIVEIRA.” Conforme Ruschmann e Widmer (2001. b) processo de determinação de objetivos e dos meios para consecução destes. existem outros conceitos equivalentes e/ou complementares que serão apresentados a seguir: a) sistema de idéias organizado racionalmente para determinar mentalmente o que fazer depois de examinadas as circunstâncias concorrentes.Universidade do Sul de Santa Catarina Como forma de complemento. Com a atividade turística não ocorre de maneira diferente. podemos perceber que o ato de planejar está intimamente ligado com a ordenação e coordenação de diversos fatores e ações. 174). p. e) processo contínuo de pensamento sobre o futuro. o planejamento é uma ferramenta indispensável para o sucesso das atividades humanas. Se desejarmos “colher bons frutos” do turismo devemos planejá-lo corretamente.12). d) projeto de um futuro desejado e dos meios efetivos de torná-lo realidade. p. 161).

cabe ao Estado zelar pelo planejamento através de políticas e da legislação necessárias ao desenvolvimento da infraestrutura básica.108). aí compreendidos os ambientes natural. p. psicossocial e cultural. regular ou restringir sua evolução. necessários ao atendimento das necessidades e anseios dos turistas. a partir daí. direcionando a construção de equipamentos e infra-estrutura de uma maneira adequada.Teoria Geral do Turismo reconhecimento da importância de planejar o desenvolvimento turístico cresceu consideravelmente durante os últimos vinte anos.” De acordo com Beni (1998. Além disso.” Quais as competências e atribuições no planejamento turístico? No turismo. destruindo ou afetando a atratividade de um local ou região. Esse direcionamento impede ou minimiza os efeitos negativos que a atividade turística pode trazer. deve cuidar da proteção e conservação do patrimônio ambiental.” Ruschmann e Widmer (2001. Unidade 4 123 . p. que proporcionará o bem-estar da população residente e dos turistas. definir cursos de ação e determinar as necessidades dos recursos. geralmente a cargo de empresas privadas. determinando suas dimensões ideais para que. se possa estimular.67) conceituam planejamento turístico como “o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da atividade turística. Os pontos básicos para chegar a esse estado são: estabelecer objetivos. O planejamento turístico pode ser entendido como “um processo que ordena as ações do homem sobre uma determinada localidade turística. bem como criar condições que facilitem e regulamentem o funcionamento dos serviços e equipamentos nas destinações. “planejar o turismo é raciocinar sobre como a atividade alcançará uma posição desejada e pré-estabelecida.

G. Utilizar-se de mão-de-obra capacitada. 7. 6. 5. Observar leis e regulamentos. Manter-se atualizado quanto às tendências do turismo. 124 . Quadro 4. Criar mecanismos de fiscalização e controle. etc. saneamento. pode-se nomear as competências e atribuições de órgãos públicos e da iniciativa privada de acordo com o quadro a seguir: CABE AO ESTADO 1. etc. promover facilidades na obtenção de créditos e financiamentos e estimular o desenvolvimento da atividade na esfera privada. Criar condições para a captação de recursos. com vistas à troca de experiências e informações bem como para melhor articulação na criação e defesa de interesses perante empresariado e/ou governo. 6. com relação ao planejamento turístico. Planejar cuidadosamente o funcionamento de suas atividades e equipamentos para atender com qualidade às necessidades e desejos do turista. 5. 7. saúde. CABE A INICIATIVA PRIVADA 1. M. São Paulo: SENAC. Atuar no desenvolvimento da infra-estrutura turística. acompanhando a funcionalidade e a qualidade de seu estabelecimento. etc). 3. Estabelecer diretrizes e políticas para o desenvolvimento do setor. Realizar pesquisas e estatísticas sobre o turismo. 4. Elaborar pesquisas com clientes. Promover o desenvolvimento da infraestrutura básica (vias de acesso. Desenvolver associações.Universidade do Sul de Santa Catarina Assim. bem como promover e incentivar a capacitação profissional. Promover o desenvolvimento turístico nos níveis nacional. in ANSARAH. 2. 2. 2001. Doris. 4. p. 68. 3.2: Competências e atribuições no planejamento turístico Fonte: Adaptado de RUSCHMANN. estadual e municipal. Turismo: como aprender – como ensinar. bem como mecanismos de fiscalização e controle.R (org). Estabelecer normas e regulamentos de preservação ambiental. bem como para abertura e funcionamento de equipamentos e serviços turísticos.

D. a) definir políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades e seus respectivos prazos. e) garantir que os espaços necessários ao desenvolvimento turístico não sejam utilizados para outras atividades econômicas. p. Campinas. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. A seguir serão apresentados alguns dos objetivos gerais do planejamento turístico. RUSCHMANN. h) cientificar a autoridade política responsável pela sua implantação de todas as implicações do planejamento. Unidade 4 125 . visando o bem-estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do setor. tanto para empresas públicas como privadas. b) coordenar e controlar o desenvolvimento espontâneo. c) prover os incentivos necessários para estimular a implantação de equipamentos e serviços turísticos. SP: Papirus. 85. g) minimizar a degradação dos locais e recursos sobre os quais o turismo se estrutura e proteger aqueles que são únicos. aglutinando tanto empresas privadas (grandes ou pequenas) como órgãos públicos – além da comunidade local. f) evitar deficiências ou congestionamentos onerosos por meio de uma determinação cuidadosa das fases do desenvolvimento. d) maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar os custos (tanto os de investimentos como os de operação).Teoria Geral do Turismo Quais os objetivos do planejamento turístico? Os objetivos do planejamento turístico podem indicar aonde se pretende chegar – geralmente visando ao crescimento econômico aliado à sustentabilidade. Os objetivos do planejamento da atividade turística podem envolver desde a pequena localidade receptora até um país ou continente inteiro. 1997.

Você não concorda? Atualmente. devido à grande competitividade e concorrência entre os destinos turísticos. para o desenvolvimento do turismo e a preservação ambiental. a fim de que se organizem e correspondam favoravelmente quando solicitados. k) atrair financiamentos nacionais ou internacionais e assistência técnica. cabe dizer que se elaborarmos um planejamento detalhado. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. 85. Campinas: Papirus.Universidade do Sul de Santa Catarina i) capacitar os vários serviços públicos para a atividade turística. A elaboração de um planejamento bem sucedido passa pela satisfação das necessidades de todos os envolvidos no processo de oferta e consumo dos produtos turísticos. l) coordenar o turismo com outras atividades econômicas. conseguiremos evitar muitos problemas. D. RUSCHMANN. Conforme já foi abordado. integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos e físicos do país. j) garantir que a imagem da destinação se relacione com a proteção ambiental e com a qualidade dos serviços prestados. p. 126 . o planejamento surge como ferramenta indispensável tanto para a conquista de turistas como para a manutenção ou fidelização de viajantes a um destino. 1997. levando em conta os diversos fatores impostos pela natureza e a complexidade do turismo como atividade econômica e observarmos atentamente os objetivos (e meios a serem utilizados para atendê-los).

Observe com atenção o sistema apresentado e perceba a relação entre setores e processos. Unidade 4 127 . reflita sobre “planejamento” e a sua dimensão quando você leva em consideração o meio em que vive (não importa aqui. etc!). as pessoas pensam e comentam sobre a imperiosa necessidade de realizarmos planejamento? O espaço abaixo foi destinado para que você possa “dar um breque” na leitura e escrever algo sobre o acima proposto. um bairro. um atrativo. às quais você teve acesso até agora.Teoria Geral do Turismo Faça uma pequena pausa neste momento e tente ordenar as informações. uma região. Você consegue “enxergar” o planejamento traduzido em algum atrativo dessa localidade? O quanto você planeja as suas ações cotidianas? Será que. Antes de continuar a leitura. no meio em que você está inserido. você visualiza uma figura que destaca as necessidades envolvidas em um planejamento turístico. um município. se você vai considerar. sobre planejamento e planejamento turístico. Vamos lá? A seguir.

ser analisados profundamente. o planejamento “deve refletir a vontade da população em seu efetivo envolvimento e participação nas atividades de planejamento e desenvolvimento em sua desejada sustentabilidade. 175) A figura apresentada anteriormente reflete a complexidade do planejamento da atividade turística. Conforme BENI (2000. 128 . Também é possível observar.” O enfoque do planejamento turístico O enfoque do planejamento turístico pode variar dependendo do nível em que se realiza. Fonte: Organização Mundial do Turismo (OMT. p. 165).Universidade do Sul de Santa Catarina Figura 4. os níveis são: local. na mesma figura. Por convenção. 2001. dada a variedade de fatores envolvidos e que devem. regional.1: Hierarquia das necessidades para elaboração de um planejamento de turismo. obrigatoriamente. a importância conferida às necessidades e anseios da comunidade local. nacional e internacional. p.

a coordenação das legislações internacionais e a promoção do tráfego turístico mundial são aspectos ligados diretamente ao planejamento em nível internacional. As influências externas são constantes no turismo. divertimento.). O planejamento do turismo local deve contemplar o contexto regional. O conhecimento de uma vasta gama de fatores em todos esses níveis pode fazer com que o planejador local obtenha melhores resultados em seu trabalho. conservação de patrimônio histórico e cultural e ocupação total do tempo livre Unidade 4 129 . no México. segurança. Quando se trata de planejamento em nível nacional. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT. a planificação da atividade turística nos níveis supracitados permite um melhor aproveitamento dos recursos. 2001.Teoria Geral do Turismo Observe que de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT. 165) cita o exemplo de Cancún. ambientais e sociais sejam exacerbadas e auxilia na diminuição de problemas e custos. p. consumo. As informações estatísticas sobre o turismo. o planejamento nesse nível objetiva também. nacional e internacional. p. Em nível local. 2001. oferecer infra-estrutura básica (saneamento. Oliveira (2001. “o estabelecimento de normas turísticas necessárias de categoria superior e a cooperação com os organismos mundiais”. a ênfase é dada à obtenção da coordenação das entidades locais para que se atinja patamares razoáveis de infra-estrutura de transportes e comunicações. que aliou infra-estrutura. riqueza gastronômica. iluminação. p. alta qualidade de hospedagem. 177). fazendo com que a região ganhe destaque em nível local. e os exemplos devem ser adaptados a cada realidade como forma de se obter sucesso. 177). as tendências de mercado. etc. Isto faz com que as vantagens econômicas. a busca da promoção interna e externa é o aspecto mais importante. Já em nível regional. o planejamento busca a regulamentação para o uso do solo.

Visto que as propostas e decisões têm importâncias distintas e impactos peculiares. 93 − Sic). podendo diminuir ou se estender. Essa combinação de fatores rendeu quase 3 milhões de visitantes no ano 2000. O mesmo autor comenta que esse tempo é necessário para “implementar a política e estruturar os planos” para que se atinja o desenvolvimento almejado. médio e curto prazo. visando atender aos desejos e necessidades da demanda turística. que somente surtirão efeito se forem empreendidas dentro de um esquema metodológico minucioso. A subordinação ao plano de longo prazo deve ser observada sob pena de se arruinar todo o planejamento de uma localidade. p. Do que se trata e o que prevê o planejamento de medio prazo? O objetivo principal do planejamento turístico em médio prazo é implantar as ações propostas em longo prazo. 165) estima que o tempo de duração para o planejamento em longo prazo deve ser de 10 a 15 anos. Beni (2000. Seu período de duração depende muito dos acontecimentos e da dinâmica turística em todos os níveis. De acordo com Ruschmann (1997.Universidade do Sul de Santa Catarina dos turistas. p. Prazos do planejamento turístico Toda a complexidade da atividade de planejar o turismo faz com que seja necessário tomar uma série de decisões e implantar ações. Os planos de longo prazo estão voltados para metas e objetivos específicos predeterminados. convencionou-se aplicar o planejamento em três prazos diferentes: longo. “o horizonte do planejamento 130 . Do que se trata e o que prevê o planejamento de longo prazo? O planejamento de longo prazo vai desde a atualidade até o final da capacidade potencial de um equipamento ou empreendimento turístico.

sob a mesma sigla. não é mesmo? Unidade 4 131 . precisa entender que o turismo é muito mais que um fator de incremento do PIB (Produto Interno Bruto). com a criação do Conselho Nacional de Turismo (CNTur) e da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) – hoje o Instituto Brasileiro de Turismo. aliado ao que você já tinha de conhecimentos prévios. 165). esse tipo de projeto “está mais direcionado à identificação e solução de questões imediatas para mudar rapidamente situações futuras e enfrentar legal e institucionalmente as transformações necessárias. obrigatoriamente. você já tem uma definição. A política e as diretrizes para o planejamento do turismo no Brasil e no mundo devem.” (BARRETTO. acadêmico de turismo. 99) Você. depois de tudo o que estudou. observar o caráter social e humano da atividade e suas implicações nas comunidades residentes nos núcleos receptores.Teoria Geral do Turismo a médio prazo costuma ser fi xado em cinco anos para as destinações turísticas que se deseja recolocar adequadamente. e também para núcleos novos. Voltemos ao início: O que é planejar? Agora. “O que foi planejado e realizado abordou o turismo apenas como um fenômeno econômico gerador de divisas. Segundo Beni (2000. p.” Do que se trata e o que prevê o planejamento de curto prazo? A fase inicial da hierarquia na implantação de equipamentos e no desenvolvimento de atividades em locais turísticos é chamada de planejamento em curto prazo.” A Política Nacional de Turismo iniciou em 1966. 1996. p. Esse atraso no início das políticas para a organização e planejamento do turismo vem afetando a atividade até os dias de hoje.

planejar é controlar o futuro. não só das autoridades governamentais. portanto. quando o assunto for planejamento. 132 . planejar é tomar decisões de maneira integrada.. Passaremos para a seção 3 desta unidade. nesta seção 2. alguns significados do planejamento e a extrema importância deste no setor. (acrescente seu ponto de vista) Você viu.Universidade do Sul de Santa Catarina Então. organize-se e junte-se a nós para mais uma jornada de conhecimentos. lembre-se também do seguinte: O QUE É PLANEJAR? planejar é pensar no futuro. mas também do setor privado e de todas as comunidades receptoras de turismo. articular e racionalizar) um processo visando a produzir um resultado articulado em forma de um sistema integrado de tomada de decisões. ele exige.. Prepare-se. onde estaremos entrando no “mundo fantástico e dinâmico” do marketing. como forma de você contar com uma “ferramenta” facilmente disponível. Planejar também é. planejar é formalizar (decompor. planejar é tomar decisões.

” (STANTON. 2003). ainda mais considerando-se que estes estão distantes do produtor. para a empresa. promover e distribuir produtos/serviços que satisfaçam a uma necessidade de compradores atuais e futuros. 2003) “Marketing é o conjunto de atividades que visa levar ao consumidor um produto ou serviço que venha ao encontro de suas necessidades. calcular preços de venda . um lucro apropriado”. a fim de obter. por um preço justo. o turismo é um produto intangível que depende muito do marketing para aproximar produtores a consumidores. Unidade 4 133 . 9 . oferta e troca de produtos/serviços de valor com outros. no momento e no local certos. Veja algumas definições de marketing e a sua trajetória histórica. Estas foram compiladas por Bonduki (2003. (CASTELLI. através de canais de distribuição e meios de comunicação adequados. 2003) a intangibilidade aqui se refere à impossibilidade de tocar. pois no final deste tópico você vai utilizar esses conhecimentos para realizar uma atividade. cheirar e mesmo escutar o turismo “Marketing é um sistema global de atividades comerciais interatuantes destinados a planificar.11) “Marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação. antes de abordarmos especificamente o marketing turístico. não é mesmo? Vamos avançar um pouco? Como você ficou sabendo do Curso de Turismo? Que espécie de atrativo motivou você a cursá-lo? Quem o influenciou? De que forma? Será que isso tem a ver com “marketing”? Vamos ver? Acompanhe com atenção. apud BONDUKI. e mãos à obra! Bem. Já imagina qual é. p.Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 3 – Marketing turístico Marketing! Que palavra é essa? Certamente não é nenhum termo estranho. não é? Então concentre-se. apud BONDUKI. sentir.” (KOTLER. além de todos os itens que compõem o denominado “ambiente de marketing”.

Como o mercado define-se como o espaço onde ocorre o fenômeno da troca (intercâmbio entre oferta e procura). Evolução ou transformação? Para efeito dessa abordagem. apud BONDUKI. Portanto. para que a oferta (organizações) possa satisfazer as necessidades e desejos constantes da demanda (clientes efetivos e potenciais). nesta seção 3. normalmente. ou simplesmente comercializando. Para obter-se produção. que evidencia o processo evolutivo da produção. representa um verbo quando aplicado no gerúndio. da muralha da China. que o processo de coação limita ou mesmo elimina a criatividade. p. Isto é facilmente perceptível ao longo da história pelo advento da escravidão. visando benefícios específicos. voltadas à busca e realização de trocar com seu meio ambiente. através da psicologia. os métodos aplicados eram aqueles relacionados com o castigo. seriam as definições literais mais próximas. (ANDRADE. A força muscular foi utilizada por centenas de anos e sabe-se hoje.. o marketing passa a ser nada mais do que a busca constante da compreensão deste ambiente. optou-se por explorar melhor a idéia de marketing através da análise da evolução das forças e da evolução dos diversos estágios de desenvolvimento econômico. entre outros que ainda se fazem presentes. com o sofrimento e o medo. Market em inglês quer dizer mercado (substantivo) ou comercializar (verbo). 2003) A melhor maneira de defini-lo está na sua tradução. Têmse exemplos clássicos do uso dessa força muscular: as obras das pirâmides do Egito.” (RICHERS.. o mercado em ação. 134 . 1998. O ing. a) Evolução das forças − O homem. para produzir. inicialmente utilizava a sua força física.12) Um pouco de história.Universidade do Sul de Santa Catarina “Marketing são as atividades sistemáticas de uma empresa.

b) Evolução dos estágios de desenvolvimento econômico − A análise deste enunciado também facilita a idéia do marketing. fazendo surgir então a necessidade de técnicas apropriadas para a conquista de novos mercados? Podemos afirmar que. a partir desse ponto. Os empresários começaram a voltar suas atenções para as necessidades e anseios desses consumidores. que fez surgir a força cibernética. chega-se ao início da concepção básica de marketing moderno: “produzir aquilo que o consumidor deseja”. esses estágios demonstram a dependência do marketing com as características da economia. ou seja.Teoria Geral do Turismo Saiba mais? Que a Revolução Industrial veio substituir a força muscular pela força das máquinas? Que. Apesar de não apresentarem uma característica cronológica. os anseios. em que a máquina controla a produção com vistas a incrementar a produtividade. A produção tomou um ímpeto vertiginoso de proporções complexas. objetivando garantir sua produção. uma vez que a preocupação dos comerciantes era simplesmente a de vender e distribuir aquilo que era produzido? Que a demanda superava a oferta. com o aumento gradativo das invenções. as máquinas passaram a exercer 90% da força para a produção de bens de consumo em detrimento da força muscular? Que o consumo dessa época. gostos e necessidades dos clientes não eram considerados. caracterizada pelo advento da informática. no entanto. comprava-se o que era colocado no mercado e o nível de vida predominante na época era muito baixo? Que. a produção igualou-se e eventualmente superou a demanda. Unidade 4 135 . com o passar do tempo.

fazendo com que os empresários passassem a se preocupar com seus mercados. chega-se finalmente à sociedade afluente. etc. Após o capitalismo primitivo. do desenvolvimento dos grandes centros urbanos. executavam em comum as tarefas econômicas.” O estágio da economia monetária (com a respectiva introdução da moeda) é alcançado quando se firma o processo de trocas e instituições especializadas. no qual os produtos eram expostos para serem comercializados. em outras palavras. surgiu o estágio da produção em massa. como. em que a produção não era somente vista como fator de sobrevivência. atribuição de marca. entre outros. promoção de vendas.” Dentro do processo evolutivo dos estágios de desenvolvimento econômico. Na seqüência. p. “em uma economia de produção em massa. 136 .Universidade do Sul de Santa Catarina As sociedades primitivas. Várias atitudes modernas de marketing surgiram nesse período. De acordo com Kotler (1994. dos trabalhadores e dos comerciantes. da melhoria da qualidade de vida. mas também como possibilidade de ganho. A simples troca de produtos entre consumidores introduziu a base para a formulação do conceito de marketing. Esta é a situação em que nos encontramos. por exemplo. situação na qual a oferta de bens e serviços é maior que a demanda. De acordo com Kotler (1994. em geral. p.32). fazendo surgir daí as classes dos proprietários. levada a efeito pelos vendedores. Iniciou-se a troca de bens e serviços em excesso pelo trabalho de outros homens. que é a base do conceito de marketing. A produção em grande escala tomou forma. marketing tornou-se o nome para toda a variedade de atividades empresariais. a fim de que fosse melhorado e estimulado o fluxo de bens e serviços desde os produtores até os consumidores. uso de embalagem. Após as trocas efetuadas entre consumidores.27). “o aparecimento da especialização na venda ampliou o conceito de marketing: marketing era o processo de troca de bens econômicos e o conjunto de instituições especializadas que facilitavam a troca. publicidade. não havia trocas. conseqüência lógica do crescimento populacional. registrou-se o estágio dos mercados. passou-se para o estágio do capitalismo inicial.

Segundo. 32-3 −Sic). ainda. Kotler (1994. sociais e culturais. 5. p.36). cada uma das partes é capaz de comunicação e de entrega. a definição evita assumir o ponto de vista quer do comprador. 2. 3. Unidade 4 137 .” Nessa definição.” (KOTLER. quer do vendedor. o marketing está localizado especificamente no campo das atividades humanas. p. e ajustar as suas capacidades produtivas e suas linhas de produtos com vistas a atender estes desejos interpretados.Teoria Geral do Turismo A sociedade afluente é “aquela constituída por pessoas que têm um excedente em dinheiro em relação as suas necessidades biológicas básicas e elas constituem um mercado considerável para bens e serviços que procuram satisfazer necessidades e desejos psicológicos. os produtores e vendedores de serviços têm que pesquisar com profundidade a questão do que as pessoas desejam. Em tal sociedade. 1994. Kotler chama a atenção para alguns aspectos: 1. cada uma das partes contém coisas de valor para a outra. “marketing é o conjunto de atividades humanas que tem por objetivo facilitar e consumar relações de troca. a definição não especifica o que está sendo trocado: são coisas de valor. o marketing visa a facilitar e a realizar trocas. 4. a definição de marketing deve inserir três elementos essenciais: duas ou mais partes que estão potencialmente interessadas em trocas. ao invés do que elas necessitam.

pode-se perceber que é durante esse processo que se definide a missão da empresa. é um fenômeno do século XX e da cultura norte americana. Nos anos de 1990. p. segundo o qual uma empresa diz-se orientada para o cliente. os conceitos. (MAYA. Nos anos de 1970. a atenção foi dirigida à orientação para o cliente e para os aspectos da tomada de decisão em marketing. também. veio à tona uma maior preocupação com a ética e os aspectos sociais do marketing. 2 O processo de marketing Segundo KOTLER E ARMSTRONG (1999. fatos e idéias de marketing começaram a ser integrados e os primeiros livros de marketing básico foram escritos. transações interculturais. bem como uma definição. de 1930 a 1940. ou para marketing. selecionar os consumidores-alvo. surgiu o conceito de empresa orientada para o cliente (“Costumer Oriented Enterprise”). Nos anos de 1960. Por volta de 1915. varejo.3: O estudo do marketing Fonte: Adaptado de MAYA. “o processo de marketing consiste em analisar as oportunidades de marketing. De 1915 a 1930. A partir daí prosseguimos com os principais componentes do estudo do marketing.. Nos anos de 1980. Nessa fase. p. a grande novidade foi a implantação do enfoque da Gerência de Marketing. estruturados nas áreas de comércio atacadista. o Marketing Global.) como uma disciplina. 138 . desenvolver o mix de marketing e administrar o esforço de marketing. marketing começou a ser reconhecido e justificado como uma disciplina. gerência de vendas. o qual pertence a marketing.Universidade do Sul de Santa Catarina Em seguida você terá oportunidade de analisar um quadro em que se resume a transformação do marketing na história. crédito e cobrança. Após a Segunda Guerra Mundial.” De acordo com a citação. 1995. continuou a solidificação e institucionalização do marketing. propaganda e venda pessoal. p. 1995. Quadro 4. os objetivos gerais a serem alcançados e as estratégias que serão utilizadas. Nos anos de 1950. atendendo à globalização. nasceu o campo de estudo do comportamento do consumidor. quando a sua existência e todas as suas atividades são regidas pelas necessidades e pelos desejos do cliente e do cliente potencial. cursos foram. 2). pesquisa em marketing.29). Vamos lá? (. verificou-se um grande impulso nas pesquisas em marketing devido ao desenvolvimento da computação eletrônica..

O processo de marketing nada mais é do que uma análise aprofundada de cada um dos componentes do ambiente de marketing. que serão mais bem detalhadas a seguir. Administrar os esforços de marketing consiste em analisar o mercado como um todo. e as empresas devem levar em consideração a importância destas forças e estar adaptada a elas a fim de conquistar o sucesso de seu empreendimento. no sentido de conhecer as suas necessidades e desejos. a maneira pela qual ele será divulgado para este mercado especificamente. no intuito de oferecer uma força maior do seu produto em relação aos demais que estão no mercado. a empresa deve planejar ações que possam influenciar a demanda do seu produto propriamente dito. controláveis e incontroláveis presentes no mercado. levando em conta o perfil do próprio produto. não esquecendo no entanto de controlar constantemente. seu preço. Pense nisso! O Ambiente de Marketing O ambiente de marketing é composto de forças e fatores que alteram a maneira da empresa interagir com seu mercado alvo de forma eficaz. As estratégias de marketing a serem utilizadas devem estar totalmente adaptadas a estas necessidades e devem se sobressair às estratégias utilizadas pelos concorrentes.Teoria Geral do Turismo Nessa perspectiva. finalmente. colocar essas estratégias em prática. Unidade 4 139 . os consumidores-alvo são considerados a parte central dentro deste processo. se essas estratégias continuam com a mesma eficácia que tinham no momento de sua implantação. e os locais em que ele será disponibilizado e. ao longo do processo. Para desenvolver o mix de marketing. planejando detalhadamente as ferramentas que serão utilizadas para atingir os objetivos e metas da empresa. e é na total satisfação desses clientes. que devem estar voltadas todas as forças da empresa. Estão contidas dentro desse ambiente ameaças e oportunidades. levando-se em consideração todas as variáveis.

que são os clientes que irão consumir o produto ou serviço. colabore para o sucesso da empresa. instituições financeiras e qualquer outra empresa que. motivo pelo qual podem ser chamadas de variáveis controláveis. levando em consideração. pontos de distribuição. em busca de um maior sucesso da organização. tais como. onde se percebe a necessidade de uma total integração do departamento de marketing com todos os demais. Vamos conhecer cada um deles: a) Microambiente de marketing O microambiente de marketing é composto por forças próximas à empresa e sobre as quais a empresa tem algum controle. pois significam um enorme ponto estratégico para a empresa. deve ser aplicada uma estratégia também diferente. de maneira direta ou indireta. 46) O ambiente de marketing pode ser dividido em microambiente e macroambiente. A eles a empresa deve destinar uma atenção especial. os intermediários de marketing. Compõem o microambiente de marketing: o ambiente interno da empresa. os fornecedores. pois deles dependem os suprimentos necessários para a produção dos bens ou serviços a que a empresa se destina. p.” KOTLER E ARMSTRONG (1999. os concorrentes. que para cada segmento diferente. Os produtos e estratégias adotadas pela concorrência devem ser exaustivamente 140 . sejam eles de finanças. compras ou administração. entre outros. que são outras instituições que ajudam a empresa a colocar o seu produto no mercado. os consumidores.Universidade do Sul de Santa Catarina “Ambiente de marketing é constituído de atores e forças externas ao marketing que afetam a capacidade da administração de desenvolver e manter bons relacionamentos com seus consumidores.

são elas: o ambiente demográfico. e a empresa não tem condições de alterá-los nem de agir sobre eles. que atualmente é considerado um fator preponderante para o sucesso de muitas organizações por sua influência direta na administração da empresa. pois as transformações neste ambiente afetam diretamente o poder de compra dos consumidores. entre outros. composto por leis. que são formados por quaisquer grupos que tenham interesse ou possam influenciar nas estratégias adotadas pela empresa para alcançar seus objetivos. O ambiente natural. aumento de poluição entre outros. os públicos. b) Macroambiente de marketing O macroambiente é formado por fatores que influenciam todos os componentes do microambiente. tais como. pois o crescimento populacional influencia diretamente o desempenho do mercado. canais de mídia. atos governamentais ou grupos de pressão que podem limitar ou coibir o sucesso da empresa. segurança e legalidade do produto. Unidade 4 141 . custo de energia. que atualmente talvez signifique a maior força que pode agir sobre uma empresa. Por esse motivo esses fatores são chamados de variáveis incontroláveis. a imagem da empresa perante o público. devendo então as organizações estar atentas a todas as mudanças e às tendências do mercado como um todo. para que a empresa consiga alcançar estratégias mais eficientes do que as adotadas pela concorrência. os avanços na área de tecnologia geram inúmeras novas oportunidades de mercado. o ambiente tecnológico. o ambiente político.Teoria Geral do Turismo examinados. como escassez de matéria prima. o ambiente econômico.

33) Deve-se iniciar o processo de planejamento com um resumo executivo.” (KOTLER e ARMSTRONG. contendo análise do mercado. ao tipo de produto. Planejamento de marketing Planejamento de marketing é um documento no qual se especificam as decisões a serem adotadas em relação ao mercado. 1999. deve ser definido o mercado-alvo e a posição da empresa dentro dele. aos canais de distribuição que serão utilizados para que o produto chegue ao consumidor. finalmente. contendo as metas e recomendações a serem seguidas. devem ser analisadas as tendências de vendas e dos canais de distribuição. p.Universidade do Sul de Santa Catarina o ambiente cultural. Como se percebe o ambiente de marketing é amplo e complexo. Logo a seguir. a fim de facilitar que sejam detectados os principais pontos do plano. 142 . maior patriotismo e conservadorismo e valorização da natureza em busca de valores significativos e duradouros. mas as influências que emanam de seus aspectos são decisivos para o êxito de qualquer atividade de marketing que a empresa pretenda adotar. conforme poderemos observar na continuação. a identificação dos concorrentes e. em que todos os aspectos culturais da sociedade como um todo têm demonstrado uma menor lealdade a uma determinada organização. aos preços que serão aplicados e às atividades de promoção e vendas que serão desenvolvidas no processo de comercialização. As características do ambiente de marketing são parte preponderante dentro do planejamento de marketing. um profundo exame do produto. “O planejamento de marketing implica decidir quais estratégias de marketing devem ser usadas para a empresa atingir seus objetivos estratégicos gerais.

mas as empresas podem ter vantagens sobre seus concorrentes através de uma implementação eficaz. Por fim. possíveis impactos que elas possam causar dentro da empresa. é necessário que todas estas estratégias sejam colocadas em prática. Porém a implementação é difícil. em que serão relacionados os lucros e as perdas que este planejamento poderá ocasionar. a fim de que sejam evitados. quem será o responsável. Com base no plano de ação deverá ser criado um orçamento de marketing. para que os objetivos propostos sejam atingidos. 1999. Unidade 4 143 . e qual será o custo desta ação. especificando-se segmentos de mercados a serem focados. priorizando-se os mais vantajosos no ponto de vista da concorrência. Uma firma pode ter basicamente a mesma estratégia que a outra. Essas estratégias de marketing deverão se transformar em um plano de ação que demonstre: o que será feito. mas ganhar mais mercado em razão de uma execução mais rápida ou melhor.Teoria Geral do Turismo Um estudo das ameaças e oportunidades do produto também deve fazer parte do planejamento de marketing. a fim de que sejam monitorados os progressos do produto dentro do mercado. um planejamento de marketing deverá conter ferramentas de controle. Você sabia ? Que muitos administradores acham que “fazer coisas da forma certa” (implementação) é tão importante ou até mesmo mais importante do que “fazer as coisas certas” (estratégia)? A verdade é que ambas são vitais para o sucesso. é sempre mais fácil pensar em boas estratégias de marketing do que executá-las.35) No entanto. Só então devem ser definidas as estratégias de marketing a serem utilizadas. Logo em seguida devem ser traçados os objetivos ou as metas a serem alcançados com o planejamento. planejar é apenas o começo do processo. ou pelo menos reduzidos. p. A implementação mercadológica irá transformar as estratégias e planos de marketing em ações de marketing. (KOTLER e ARMSTRONG.

propaganda. formam juntas o grande desafio do marketing. p. preço. que a empresa pode utilizar para obter a resposta que deseja junto ao público-alvo. marketing direto e merchandising). Para atingir tal objetivo a disciplina de marketing desenvolveu a tipologia dos quatro Pês (produto.Universidade do Sul de Santa Catarina Marketing e Estratégias “Estratégia de marketing é a lógica pela qual a unidade de negócios espera atingir seus objetivos de marketing. a estipulação do melhor preço. praça e promoção: a) Produto − Reunião de bens ou serviços que são oferecidos no mercado. (ANDRADE. quando traçadas as estratégias mercadológicas. são as variáveis controláveis de marketing. suas necessidades e desejos. 144 .35) Mas você pode perguntar: O que isso significa? Veja: As estratégias de marketing devem ser traçadas de modo que estejam adaptadas aos seus consumidores. Outro fator preponderante a ser observado.12) Essas variáveis são conhecidas como os “quatro Ps”: produto. de modo que façam frente às estratégias adotadas pelos concorrentes.” (KOTLER E ARMSTRONG. relações públicas. 1999. venda pessoal. b) Preço − Valor monetário a ser pago pelo produto. promoções e ponto de distribuição) servindo de alicerce teórico aos profissionais do ramo responsáveis pela elaboração das estratégias que venham ao encontro dos anseios de seus consumidores efetivos e potenciais. a escolha dos melhores canais de distribuição e a elaboração das melhores táticas promocionais (promoção de vendas. detalhando os segmentos de mercado a serem atingidos. 1998. p. A identificação do melhor produto. preço.

(ANDRADE. como a pesquisa mercadológica e o sistema de atendimento ao cliente. Surge então algumas outras ferramentas fundamentais para o marketing. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico.12) Marketing Turístico De acordo com Kotler (1994. concorrência e sobre o ambiente que o cerca. tornando-se assim competitiva no mercado. pode ser verificada conforme a seqüência. d) Promoção − Forma como serão divulgadas as peculiaridades do produto e como os consumidores-alvo serão persuadidos a adquirir o produto. a empresa está apta a elaborar estratégias de marketing eficazes. que auxiliará na tomada de decisões estratégicas da empresa. Elas têm por objetivo captar dados junto ao mercado consumidor e transformá-lo em informações úteis para o processo de tomada de decisões da empresa. que são aquelas sobre as quais a empresa não pode agir nem modificar. servirão para a formação do Sistema de Informações de Marketing (SIM). − inseparabilidade. as características dos concorrentes e as tendências gerais do mercado. Devem ser levadas em consideração também as variáveis incontroláveis. Entretanto. intangibilidade. mas que interferem diretamente no sucesso das estratégias adotadas. é preciso que a empresa obtenha continuamente um volume significativo de informações sobre o mercado. p. p. 1998. Uma vez identificadas as necessidades e desejos dos consumidores.Teoria Geral do Turismo c) Praça − Localidade em que o produto estará à disposição dos consumidores. para que tais estratégias sejam confeccionadas. e aqui se encontra o turismo. perecibilidade e heterogeneidade − fazem com que um “marketing de sucesso” dos serviços seja mais difícil Unidade 4 145 .” As características especiais normalmente atribuídas aos serviços. 403) “um serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente tangível e não resulta na propriedade de nada. A importância de conhecer o mercado como um todo. A coleta constante de dados sobre os consumidores.

Ou eles estão disponíveis e são consumidos de certa forma simultaneamente. sentidos ou vistos. b) Intangibilidade significa que os serviços não podem ser erguidos. haja vista que os serviços não podem ser estocados. eles não podem ser inventariados para uso após produção. portanto. d) Heterogeneidade significa que os serviços nunca são os mesmos de uma experiência de consumo com outra. inseparabilidade significa que produção e consumo de um serviço ocorrem simultaneamente. Portanto. p.Universidade do Sul de Santa Catarina do que aquele de bens físicos e. mesmo que feito pelo mesmo cabeleireiro na mesma hora e no mesmo dia da semana. é difícil de alcançar. controle de qualidade. transportados. (KOTLER. ou eles são perdidos. padronização do produto serviço e. 1999. Além disso. 146 . e não seqüencialmente. E preços são mais difíceis de definir. Portanto a qualidade dos serviços é muito mais difícil de se avaliar do que a qualidade para os bens. uma vez que os consumidores acham difícil determinar uma relação entre preço e valor. conseqüentemente. Um corte de cabelo. assim como um caixa de banco se torna parte de uma experiência bancária. será diferente do corte anterior. um tipo diferente de marketing é necessário. Profissionais de marketing turístico são consideravelmente desafiados para administrar as características dos serviços a fim de permitir que os mesmos sejam comercializados através de fronteiras nacionais. Como resultado. Equilíbrio entre oferta e demanda torna-se mais difícil.54) a) Inseparabilidade significa que o produtor do serviço se torna parte de um serviço total. c) Perecibilidade relaciona-se com a natureza efêmera dos serviços.

“é uma atividade destinada à informação.” No entanto. 15) Definição de marketing turístico Bem. Você pode experimentar uma camisa Benetton. sobre o plano local. Para efeito de estudo desta seção. “Marketing é a adaptação sistemática e coordenada da política das empresas de turismo. (DAHRINGER. 1990. obtendo-se com isto um lucro apropriado. é muito fácil você ver exatamente o que acabou de comprar. Por outro lado. p. Geralmente. passa a possuílo. folhear o último número da revista People. Um bem é um item tangível. da qual fazem parte as seguintes atividades: Unidade 4 147 .Teoria Geral do Turismo Devido a um bem ser algo físico. Promoção. exatamente.34). ele pode ser visto e tocado. assim como da política turística privada e do Estado. Pelo contrário. Os serviços não são físicos. o que obterá quando comprá-lo. deve-se ressaltar a necessidade de um planejamento estratégico e de marketing que faça uso das ferramentas mercadológicas adequadas ao sucesso. regional. ele não pode conservá-lo. após abordar os elementos que diferenciam o marketing turístico (ou de serviços). persuasão e influência sobre o cliente”. um serviço é experimentado. usado ou consumido. nacional e internacional. Você não pode carregar um serviço e pode ser difícil saber. visando a plena satisfação das necessidades de grupos determinados de consumidores. segundo Acerenza (1991. serviço é uma ação desempenhada por uma parte a outra. Quando você fornece um serviço a um consumidor. são intangíveis. seja do produto ou do serviço a que estas estratégias se destinem. sentir o cheiro do café colombiano no momento em que for preparado. do marketing de produtos. p. Quando você o compra. iremos ressaltar a importância da utilização da ferramenta de marketing promocional no segmento turístico. para Jost Krippendorf (1991).

. descontos. desempenhada pelas empresas relacionadas com a atividade turística da localidade. fazendo uso de mensagens adequadas e utilizando a mídia mais apropriada (TV. e) mala direta. d) vídeos. d) Relações Públicas − Atividade que oferece informações e elementos capazes de divulgar a localidade e reforçar sua imagem.). agentes de viagens.. etc. jornal. Como se percebe. c) Vendas − É a comercialização propriamente dita. etc. com o propósito de chamar sua atenção. preços. g) workshops.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Propaganda − Técnica de divulgação das qualidades. operadoras. brindes. rádio. b) Promoção de Vendas − Atividade que envolve algum tipo de vantagem ao consumidor. etc. b) cd-rom. 148 . c) folhetos explicativos. para que posteriormente ele venha a consumir o serviço. participando de feiras e congressos ou atuando como patrocinadores e colaboradores de forma institucional. Atuam junto com os diversos tipos de mídia. Pode-se fazer uso de sorteio. todas as ferramentas de marketing promocional estão interligadas. Dentro do segmento turístico tem a finalidade de popularizar e divulgar a localidade turística. f) stands. e em todas elas são utilizados os chamados materiais de apoio como: a) folder. como reforço da atividade de venda. ou qualquer tipo de incentivo para que o público-alvo conheça a localidade turística e os serviços nela prestados. benefícios proporcionados e necessidades atendidas pelo produto ou serviço.

É estático. por exemplo. anteriormente ao A produção e o consumo ocorrem no mesmo consumo e em local distinto. Quadro 4. lugar. Se não for vendido. é impossível mudar sua localização e é difícil alterar suas características. Não pode ser estocado. A produção ocorre. não leva consigo o hotel. O turista. Existe complementaridade entre os elementos que compõem o produto turístico. ou seja. 25) In: Ansarah (1999). tangíveis e podem ser avaliados previamente por uma amostra. PRODUTO TURÍSTICO É material e intangível. mas sim fotos e recordações. Dificilmente sua qualidade pode ser controlada. É mais suscetível à sazonalidade. necessariamente. o produto turístico tem características especiais que devem ser levadas em conta quando se estabelecem as estratégias de segmentação. as facilidades turísticas e os serviços prestados. em geral. Conforme o expresso no quadro. Não há. Demonstram ocorrência menor de sazonalidade. apud Moraes (1999. Unidade 4 149 . Passíveis de controle de qualidade. Em geral. Podem ser estocados e vendidos a posteriori. podendo ser visto antes da compra por meio de sua imagem. que não pode ser transportado. Passam a ser uma propriedade do consumidor. é perdido.4: Comparação entre bens e produtos gerais e produtos turísticos Fonte: Bacal e Rejowski. Uma vez adquirido.Teoria Geral do Turismo Para que haja uma boa harmonia dentro do marketing turístico. Não passa a ser propriedade do consumidor pela compra. deverá ocorrer um entrosamento entre os atrativos turísticos. É necessário que o turista se desloque até o produto. não pode ser vendido novamente pelo turista. São passíveis de transferência por venda ou doação a outro consumidor. complementaridade entre os produtos. São mais fáceis de serem adaptados às alterações do público consumidor. BENS E PRODUTOS São materiais. podem ser transportados. p.

é que necessitamos de conhecimentos básicos do “fenômeno” marketing.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o uso dessas estratégias. descreve a finalidade e a justificativa para sua veiculação. ocupação. para então poder aplicá-lo adequadamente ao “fenômeno” turístico. De toda forma. o ciclo de vida do produto. motivações. planeje sua “arte publicitária” e invista na sua criatividade! Projete no seu pensamento o possível resultado. os tipos de transporte. Você tem acompanhado as campanhas relacionadas ao turismo? Qual seu ponto de vista? As que você conhece o que expressam? Fazem sentido? São coerentes? Atraiam o turista para seu objetivo? Expressam a realidade? E sua criatividade como está? Vamos verificar? Nesta unidade você conheceu as possibilidades de marketing turístico e verificou que as ferramentas de marketing promocional estão interligadas. a elasticidade no preço da oferta e da demanda. Devemos destacar que o estudo do marketing é bastante complexo e envolve uma série de conhecimentos. torna-se possível conhecer os principais destinos geográficos. a partir do estudo mais aprofundado de outras áreas. pense no produto final e para que obtenha o sucesso desejado dediquese ao máximo na atividade! 150 . com a apresentação das características que diferenciam os produtos dos serviços. Pense numa campanha publicitária utilizando as ferramentas que atendem seus objetivos. Visualize sua campanha. chegou o momento de exercitar seus conhecimentos de marketing. condições sociais. mala direta. stands. vídeos. escolaridade. workshops. capacidade de compra. Destaque o título da sua campanha. Portanto. em relação ao marketing turístico. facilitando o atendimento dos desejos dos turistas. Lembra-se do que foi mencionado no início do livro? sobre a elaboração uma atividade? Pois é.). cd-rom. folhetos explicativos. que são disponíveis. estado civil. etc. e em todas elas são utilizados os chamados materiais de apoio como: folder. ao que mais devemos nos ater. o perfil do turista (faixa etária. vamos encerrando a seção 3 desta Unidade 4.

O domínio dessas variáveis é muito importante para você. prazos. Isto significa que muito ainda deverá ser feito. Elas podem ser entidades públicas. podem ser privadas ou mistas. Já na seção 2. em todo o mundo. como bem sabemos. trabalhamos o Unidade 4 151 . Destacamos ainda um quadro com as principais atribuições tanto por parte do Estado quanto da iniciativa privada. sendo que na primeira parte explicamos primeiro o que é efetivamente planejamento e quais as variáveis que o compõem. existem também órgãos em nível federal. tratamos brevemente da evolução histórica. estudante de turismo. sendo que nos dois últimos níveis não existe uma nomenclatura padronizada. destacamos a relação da economia com o mercado (através dos modos de produção). Estas organizações buscam sempre fazer com que as políticas de desenvolvimento turístico sejam sempre alimentadas pela presença constante de pessoas e entidades que manifestam a preocupação com o turismo sustentável.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta Unidade você verificou que as organizações de Turismo têm por obrigação implantar as políticas de turismo para as regiões. No Brasil. mas todas têm por finalidade o planejamento e o fomento ao desenvolvimento do turismo. tais como: objetivos. pois. existe uma enorme carência de profissionais graduados na área que atuam especificamente com o planejamento turístico. Também foi possível verificar que estas organizações são bastante jovens. Como forma de facilitar o seu entendimento optamos por uma apresentação do conteúdo de forma a possibilitar uma melhor percepção: vimos os conceitos. em se tratando de planejamento turístico. estadual e municipal. abordamos de forma bastante objetiva o planejamento turístico. enfoques. Foi ainda possível verificar que existem diversas organizações não-governamentais que se preocupam com o planejamento e com o desenvolvimento do turismo. entre outros. centralizadas ou descentralizadas. A última seção desta Unidade tratou especificamente do marketing.

vários são os benefícios gerados. a atualização constante nesta área específica de marketing é pressuposto básico. as atividades propostas. 152 . Quando ocorre uma “simbiose” ajustada entre o turismo e o marketing. principalmente para as comunidades receptoras de turismo. para finalizar. estadual ou municipal? Justifique sua resposta.Universidade do Sul de Santa Catarina ambiente de marketing e. 1) Explique quais as principais atribuições das organizações de turismo. ao final. que as organizações turísticas são mais importantes: nível federal. você não pode esquecer que. Não podemos nos esquecer da importância do planejamento de marketing. e também das ferramentas utilizadas para uma promoção. 2) Em qual nível. você acredita. para que você seja um profissional de qualidade. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. realize na seqüência. E. na atual velocidade em que se dão as mudanças. conceituamos marketing turístico.

Miniard. KOTLER. sugerimos algumas obras para pesquisa: ACERENZA. São Paulo: Atlas. ENGEL J. G.Teoria Geral do Turismo 3) Descreva o que é planejamento turístico. 8. R.Á. Marketing para o século XXI: como criar.. Promoção turística: um enfoque metodológico. McKEENA. São Paulo: Futura. Rio de Janeiro: Campus. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. 1998.A. 2001. implementação e controle. Comportamento do consumidor. P. KOTLER. G.P. BLACKWELL. P. Marketing de relacionamento. Unidade 4 153 .ed. P. conquistar e dominar mercados. ARMSTRONG. KOTLER. planejamento. Administração hoteleira. Rio de Janeiro: LTC.. M. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. CASTELLI. 1999. São Paulo: Pioneira. ed. 1991. 1999. Administração de marketing: análise. 5. R. 1992. Princípios de marketing. Caxias do Sul: EDUCS.

incluindo artigos e notícias do turismo na Internet. D. 1991. Campinas: Papirus. Para conhecer uma base de informações gerais.com.htm 154 .cidadeinternet. sugerimos: http://revistaturismo. Marketing turístico: um enfoque promocional.Universidade do Sul de Santa Catarina RUSCHMANN.br/artigos/artigos.

Entender algumas das principais características e tendências da atividade turística na atualidade. Identificar a tipologia turística e o seu amplo espectro. . 5 Seções de estudo Seção 1 O turismo e o meio ambiente. Conhecer os princípios e as práticas para que o Turismo possa ser considerado sustentável.UNIDADE 5 Administrando o turismo para o mercado Objetivos de aprendizagem Reconhecer o significado vital exercido pelo meio ambiente em relação ao Turismo. Seção 3 Tipologia turística. Seção 4 O turismo na atualidade. Seção 2 Turismo e desenvolvimento sustentável.

. pois lhes serão oferecidos textos para que possa interagir e debater. Sabemos do papel vital que o meio ambiente exerce sobre as nossas vidas como um todo e que a atividade turística não tem se caracterizado como uma atividade em que a noção de conservação e preservação ambiental é levada em consideração. Uma das premissas básicas para ter um turismo realizado de forma sustentável é justamente a ordenação correta das ações do homem sobre o meio ambiente. Além de ser é um universo enorme e bastante interessante é imprescindível o estudo a respeito. Será a possibilidade de você exercer o seu potencial reflexivo e crítico. ainda. não é mesmo? Mas alguma vez refletiu criticamente sobre o que realmente este termo significa? Que sentidos ele assume nos diferentes contextos? O que você pode associar a ele? Vamos pensar sobre isso? Ou melhor. Você também terá a possibilidade de conhecer e se posicionar em relação à atividade turística na atualidade... Várias são as nuances e as dinâmicas que caracterizam esta atividade nos dias atuais. Não menos importantes são as tipologias do turismo. não são poucas as referências feitas à expressão “meio ambiente”. com as transformações que vêm ocorrendo no nosso planeta. que são reconhecidos e realizados diariamente pelo mundo todo. Nesta unidade você terá a possibilidade de conhecer os mais variados tipos de turismo. que alcançaram tal condição! Como forma de complementar a abordagem inicial que será feita sobre turismo e meio ambiente.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você terá a oportunidade de entrar em contato com áreas muito interessantes da atividade turística. Podemos perguntar também: O que é meio? O que é ambiente? E. trataremos de desenvolvimento sustentável. Que 156 .. Preparados? Então vamos embarcar nesta nova viagem de descobertas e de curiosidades que permeiam o fantástico mundo do turismo! SEÇÃO 1 − O turismo e o meio ambiente Você deve concordar que.. Essa é uma tarefa muito difícil e pouquíssimos são os exemplos de núcleos receptores de turismo no mundo todo.

juntamente com os ecossistemas que eles mantêm. tanto no Brasil como no exterior. Adaptado de: RUSCHMANN. Turismo e planejamento sustentável. isto é. Campinas: Papirus. não dá para separar o meio do turismo. atualmente.. O contato com a natureza constitui. Concordamos nesse ponto.Teoria Geral do Turismo relação tem o turismo com o meio ambiente? Tem relação? Ah! É claro que agora você vai responder bem rapidinho: Ora. econômicos e agora de ordem ambiental. A deterioração das condições de vida nos grandes conglomerados urbanos faz com que um número cada vez maior de pessoas procure. culturais. uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade... a água e a arquitetura que envolve a Terra. Doris. dá? Um está no outro. sejam elas simples ou mais complexas. Lembre o conjunto de elementos que se interligam e se entrelaçam quando se trata do turismo. 1997.. Não há como conceber o turismo longe do meio e do ambiente. São fatores sociais. certo? Mas antes de discutir essa questão. vamos a algumas noções básicas sobre o que efetivamente constitui o meio ambiente. as rochas. Veja como vamos agregando elementos e compondo um “sistema”. imbricado. as regiões com belezas naturais. uma das maiores motivações das viagens de lazer. Buscamos em Doris Ruschmann uma contribuição significativa. Unidade 5 157 . Acompanhe e veja o que ele aborda: Como meio ambiente entende-se a biosfera. Esses ecossistemas são constituídos de comunidades de indivíduos de diferentes populações (bióticos) que vivem numa área juntamente com seu meio não vivente (abiótico) e se caracterizam por suas interrelações. A inter-relação do turismo e do meio ambiente é incontestável. nas férias e nos fins de semana.

não se preocupe. os viajantes que adentraram por Serengeti. praias e montanhas). por exemplo. os safáris na África eram utilizados para caça e captura de grandes animais. passa a agredir os ambientes alheios. No século XX ocorreu uma modificação nas viagens a áreas naturais. na África. No início desse século. há 50 anos. Quem eram eles? Mas você sabe o que significa ecoturismo? Falaremos sobre isso. Agora que você já teve a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre conceitos e aspectos ligados ao meio ambiente e um pouco mais da relação existente com a atividade turística. Comecemos com os ecoturistas. no Himalaia 25 anos mais tarde. passemos aos tópicos principais. e os caminhantes que acamparam em Anapurna. os safáris 158 . Os primeiros ecoturistas foram os visitantes que chegaram em massa aos parques nacionais de Yellowstone e Yosemite. O homem urbano. Breve histórico de ecoturismo Você já deve ter percebido que a história está sempre presente nas nossas discussões. não é? Mas o que seria do presente sem o passado? o que fariam os homens se não considerassem as práticas dos que vieram antes? Então vamos lá. Trata-se de um círculo vicioso que é preciso romper por meio de planejamento dos centros urbanos e de medidas enérgicas que visem à conscientização para a preservação dos meios naturais. promovendo a sua conservação e perenização. os quais você deverá compreender como maneira de poder formar uma opinião sobre esta “interação” – turismo/meio ambiente. agredido em seu próprio meio. Acompanhe. Por volta da metade do século XX.Universidade do Sul de Santa Catarina O meio ambiente é extremamente sensível (como. portanto deve necessariamente ser avaliada a intensidade do fluxo turístico de massa nestes locais.

Há alguns anos a palavra ecoturismo e seus princípios não existiam. como Humboldt. Vejamos: Meio ambiente é a expressão usada para designar a interação entre o conjunto das condições naturais.25). De acordo com Lindberg e Hawkins (1995. como. os fenômenos que o agridem. que o ecoturismo passou a ser verdadeiramente um fenômeno característico do final do século XX e.” Desde 1990. entre outros aspectos. tudo leva a crer.Teoria Geral do Turismo fotográficos eram mais populares do que os de caça. com a enorme popularidade dos documentários televisivos sobre a natureza e sobre viagens. Darwin. os organismos vivos e os seres humanos com suas múltiplas e mútuas influências. Bates e Wallace. Conceito de Meio Ambiente Se antes você viu o que está ligado ao meio ambiente. Havia viajantes naturalistas. o sistema ecológico ou ainda o ecossistema constituem-se num conjunto de elementos e fatores indispensáveis Unidade 5 159 . a intenção na preservação de áreas naturais e nem vantagens no âmbito sócio-econômico. Mas suas experiências não trouxeram nada de concreto. As instituições públicas e privadas estão interessadas no tema. por exemplo. p. do século XXI. Concorda? O meio ambiente. do que ele é composto. É o momento de colocar em prática projetos concretos que comprovem os benefícios sócio-econômicos que o ecoturismo pode produzir. com base em conhecimentos científicos e com a contribuição de estudiosos da área. Em meados de 1970 o turismo de massa e individual passou a desrespeitar o habitat dos animais selvagens. muitas conferências e simpósios sobre o ecoturismo estão sendo realizados. “foi somente com o advento da viagem aérea a jato. e com o interesse crescente em questões ligadas à conservação e ao meio ambiente. agora vamos conceituá-lo ou tentar dar-lhe uma definição.

sob o ponto de vista biológico. mas trata dos organismos bióticos (vivos). não é? Qualquer unidade que inclua todos os organismos (a comunidade) de uma determinada área. segurança. sons. interagindo com o meio físico. entre os quais se destaca o homem. p. b) Organismo: o conceito não especifica o organismo. crenças).Universidade do Sul de Santa Catarina à vida. ar. seja o social (valores culturais. estabilidade). plantas. os fatores bióticos dos animais. constitui um sistema ecológico ou ecossistema.99) o meio ambiente é “o conjunto de todas as condições e influências externas circundantes que interagem com um organismo. seja o físico (água. Conforme o conceito anterior. as plantas e animais. o meio ambiente contém três elementos chaves: a) Meio Exterior: significa que o meio ambiente é tudo aquilo que cerca um organismo (o homem é um organismo vivo). c) Integral Desenvolvimento: os meios físico. e sua relação com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem”. angústia. clima. costumes. uma população ou uma comunidade. seja o psíquico (sentimentos do homem e suas expectativas. atmosfera. Segundo Souza e Corrêa (2000. isso é inegável. o meio ambiente efetivo é todo o meio exterior ao ser vivo. bactérias e vírus. 03). bens tangíveis feitos pelo homem). terra. Esse meio exterior inclui os fatores abióticos (não vivos) da terra: água. social e psíquico. social e psíquico são os que dão as condições interdependentes necessárias e suficientes para que o organismo vivo (planta ou animal) se desenvolva na sua plenitude. p. De acordo com Ely (1986. hábitos. onde há um intercâmbio de matérias vivas e não vivas. os fatores sociais de estética e os fatores culturais e psicológicos. tais como. 160 . odores e gostos.

o que inclui o turismo. Unidade 5 161 . bem como oferecendo aos turistas um contato íntimo com os recursos naturais e culturais da região. preservar e fazer preservar passam a ser sinônimos de mais renda e não há como negar que esta é a melhor maneira de “conscientizar” o ser humano. Você sabia ? Que o ecoturismo pode e deve se transformar em uma das grandes ferramentas de luta para a preservação e educação ambiental no planeta? Se conseguirmos levar o indivíduo a “preservar para sobreviver”. de forma conservacionista. harmonizando as ações com a natureza. Ainda de acordo com o Ibama. para sua subsistência. as quais são destinadas à pesquisa científica. gerar empregos e transformar o turismo em principal atividade econômica das comunidades dos locais com potencial ecológico. procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente. o Brasil está entre os três países de maior diversidade biológica do mundo. fazê-lo sentir a necessidade de conservar. criar um mercado. à educação ambiental e à recreação. para benefício próprio e imediato. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) definem o ecoturismo como sendo o turismo desenvolvido em localidades com potencial ecológico. ou seja. Aproximadamente 4% do território nacional é formado por áreas de proteção ambiental ou Unidades de Conservação de uso indireto. a preservação passa a ser uma questão de sobrevivência.Teoria Geral do Turismo Conceito de ecoturismo Agora vamos ao conceito de ecoturismo? Vamos tomar dois institutos importantes para oferecer a você uma definição coerente. O ecoturismo visa igualmente o desenvolvimento das regiões em que se insere. buscando a formação de uma consciência ecológica. devendo ser um instrumento para a melhoria da qualidade de vida as populações que acolhem essa atividade.

. de longo prazo e com uma postura responsável diante da integridade do meio ambiente. “o ecoturista pode ser escrito como explorador. A caracterização de cada um desses tipos é a que segue: a) Explorador: individualista. mas prefere não gastar. embora aprecie o exotismo. “os custos potenciais são a degradação do meio ambiente. escaladores e observadores de aves. As linhas mestras do turismo ecológico apontam. privilegia mais a experiência da viagem que a cultura local.Universidade do Sul de Santa Catarina A atividade do ecoturismo deve abranger. acomodações baratas. a experiência educacional interpretativa.34). a valorização das culturas tradicionais locais. p. De acordo com Lindberg e Hawkins (1995 p. especialista. com orçamento limitado. Aprecia 162 . as injustiças e instabilidades econômicas. as mudanças sócio-culturais negativas. Os benefícios potenciais são a geração de receita para áreas protegidas. b) Mochileiro: faz viagens longas. de massa”. atualmente. 224). para uma visão administrativa moderna. a conservação e o desenvolvimento. Inclui caminhantes. promovendo o bem-estar das populações envolvidas e a promoção do desenvolvimento sustentável. de interesse genérico. não requer facilidades especiais. Utiliza transporte coletivo local. mediante uso sustentável dos recursos naturais. a criação de empregos para pessoas que vivem próximo a essas áreas e a promoção de educação ambiental sobre a conservação. em sua conceituação. Tipologia do ecoturismo Para Serrano (2001.” Deve-se procurar uma forma de minimizar os custos e maximizar os benefícios buscando um elo de ligação entre o ecoturismo. Pode pagar por alguns serviços. mochileiro. a dimensão do conhecimento da natureza. etc. Idade: 25 a 45 anos.

Idade: 18 a 25 anos. barcos guias. d) Turista de interesse genérico: em geral. Requer muitas facilidades. embora normalmente não visite áreas mais remotas devido ao custo da viagem. por exemplo. aprecia paisagens naturais e vida silvestre se o acesso for fácil. e) Turista de massa: prefere viajar em grandes grupos. dispõe-se a pagar por serviços e auxílio logístico.Teoria Geral do Turismo caminhadas e paisagens. visto que o meio ambiente é matéria-prima da atividade turística. interessa-se superficialmente por alguns aspectos da cultura local. Idade: 20 a 70 anos. em projetos de recuperação ambiental. pode ter bom nível de renda. desde que não seja necessário muito esforço para apreciá-la. Exige facilidades especiais e serviços. Inter-relação entre turismo e meio ambiente A inter-relação do turismo e do meio ambiente é indiscutível. como caminhadas e rafting. Idade: 40 a 90 anos. prefere a segurança dos grupos ou programas personalizados. Aceita desconfortos e longas viagens. O modo de vida conturbado das grandes metrópoles induz Unidade 5 163 . Idade: 35 a 65 anos. é pouco aventureiro. Pode ter pouco interesse pela cultura. por exemplo. Inclui passageiros de cruzeiros. requer muitas facilidades e viaja apenas com condições muito confortáveis. Tem bom nível de renda. etc. Não se sujeita a viajar longas distancias sem que haja grandes atrativos. Necessita de serviços de baixo custo. Pode ter participação ativa. embora possa aceitar condições rústicas por curtos períodos. Inclui pesquisadores e prefere grupos pequenos. interessa-se por cultura e pela vida silvestre. c) Turista especialista: dedica-se a hobbies particulares. Muitos são ativos e apreciam a atividade de aventura sem risco. se necessários para atingir seus objetivos.

para que as conseqüências sejam minimizadas. A razão pela qual o homem agride a natureza é o fato de ele estar sendo agredido em seu próprio meio em manifestações. é necessário definir diretrizes para uma política de turismo voltada para o meio ambiente. a violência e a poluição sonora e atmosférica. (http://www. a poluição visual provocada pela especulação imobiliária. 164 . descaracterizam a paisagem. sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo. claro que há o que fazer! E você deve ter presente que o planejamento é necessário. Porém. impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras (. Ele contém dois conceitos-chave: 1− o conceito de “necessidades”.Universidade do Sul de Santa Catarina cada vez mais pessoas a procurarem. determinando os limites suportáveis e compatíveis para cada espaço..html) O que fazer então? Há o que fazer? Sim. No litoral.. não é? E isto está diretamente ligado ao que chamamos de “desenvolvimento sustentável”! Esse tópico será estudado mais adiante. regiões com belezas naturais. A urbanização e ocupação das áreas naturais faz com que se torne poluído pela presença em massa dos turistas. Lembra-se da importância dessa prática. a alta concentração de turistas e a sazonalidade estimulam a poluição das águas e o acúmulo de detritos deixados na areia.economiabr. restaurantes.net/ economia/3_desenvolvimento_ sustentavel_conceito. tais como. O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades. que devem receber a máxima prioridade. em seu período de férias e fins de semana. construção de hotéis. esse fluxo de turistas traz conseqüências negativas ao meio ambiente. Portanto. 2− a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente.). Essas conseqüências devem ser avaliadas e minimizadas antes que a degradação desse patrimônio natural se torne irreversível.

cada medida ou precaução pode gerar um efeito perverso.” Unidade 5 165 . a arrecadação de impostos taxas e ingressos. difícil de controlar. empreendedores turísticos visam a manter a atratividade dos recursos naturais. tais como: a criação de programas de conservação de áreas naturais e de sítios arqueológicos. valorização e conhecimento de determinadas regiões através do turismo ecológico. O desafio reside em encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento da atividade e a proteção ambiental. Numerosas situações de conflito são registradas e. “o relacionamento do turismo com o meio ambiente está longe de ser simples. Proporciona algumas vantagens. a atividade turística não causa somente danos ao meio ambiente. faz com que a infra-estrutura turística seja ampliada.Teoria Geral do Turismo Contudo.82). percebe-se a racionalização dos espaços e do convívio com a natureza. ocorre o intercâmbio cultural entre turistas e a comunidade local. na economia ocorre o aumento e melhoria da distribuição de renda. p. diante de sua fragilidade. Ainda de acordo com Ruschmann (1999.

1993. atualmente. Peter Herman e Serôa da Motta. Vários estudos desenvolvidos na França (Ministère de L’Environnement/Tourisme. com os documentos da Rio 92. aparecem vestígios de que sua interação seja crescente e vantajosa para ambos. Para Pensar o Desenvolvimento Sustentável.ulb. É a fase do relacionamento e dos primeiros equipamentos turísticos. ed. 166 . a relação entre o turismo e o meio ambiente não tem sido muito harmoniosa. Unicamp. Ronaldo (org. Dilemas Socioambientais e Desenvolvimento Sustentável.). a) A primeira fase ocorreu no século XVIII e se caracterizou pela descoberta de natureza e das comunidades receptoras. MAY.be/ ceese/sustvl. 1994. Marcel. Paulo Freire (org. Daniel J.). p.). Campus: Rio de Janeiro. Desenvolvimento e Natureza: Estudos para uma Sociedade Sustentável. Clóvis (org.permite o acesso a inúmeros outros sites sobre Desenvolvimento Sustentável. ou acesse: Links: • • International Institute for Sustainable Development (IISD): http://iisd1. Suas motivações eram o convívio em lugares onde a industrialização ainda não havia chegado ou de ambientes turísticos expandidos à beira-mar para bronzear-se e banhar-se.16) apresentam quatro fases do relacionamento do turismo e do meio ambiente.iisd. 2a ed.html . inclusive da ONU. Valorando a Natureza: Análise Econômica para o Desenvolvimento Sustentável. Mas. 1992.Universidade do Sul de Santa Catarina Para saber mais sobre desenvolvimento sustentável. São Paulo. 1992.ac. e Vieira. HOGAN. leia: BURSZTYN.ca/ The WWW Virtual Library: http://www. In: Cavalcanti. Fases do relacionamento entre turismo e meio ambiente Como se vê.

tendo seu apogeu nos anos de 1970 e 1980. Montain bike: Passeios de bicicletas em trilhas Trata-se da renovação do turismo. quando o turismo ecológico se propaga nas localidades turísticas. ficou a desejar. a educação e o conhecimento aprofundado das regiões visitadas. Aparecem esportes como. pois nessa fase a demanda turística cresceu assustadoramente. Nessa época a especulação imobiliária se intensificou devido ao aumento da demanda turística. portos e de estações de inverno. que busca a tranqüilidade. Mas as cidades não cresceram na mesma proporção: foram urbanizadas. evitando a ocupação de todos os espaços.Teoria Geral do Turismo b) Na segunda fase ocorreu um turismo de elite no final do século XIX e início do século XX. Rafting: Descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios. O conteúdo a ser apresentado a seguir contém uma abordagem específica sobre o turismo ecológico e uma gama bastante significativa de informações estreitamente relacionadas com a prática do turismo em áreas naturais protegidas. a aventura. originando os centros turísticos mais antigos da Europa. haja vista o crescimento da construção civil. muito conhecido atualmente. é caracterizado pelo domínio do turismo sobre a natureza. Foi um período catastrófico para a conservação ambiental. O crescimento foi desordenado. c) A terceira fase corresponde ao turismo de massa e ocorreu a partir de 1950. A quarta fase ocorreu na metade da década de 1980. porém sem o devido planejamento e não à medida que a demanda necessitava. o mountain bike e uma série de novos esportes que necessitam de uma natureza preservada. a preservação. o rafting. Não havia a preocupação com a conservação do meio ambiente. faltava saneamento básico e tratamento de esgoto e a infra-estrutura turística. Vamos em frente? Unidade 5 167 . como a criação de marinas.

Apresenta algumas alterações e é uso restrito à circulação e a atividades esparsas. de tal forma que o mesmo passe a se constituir num instrumento de gestão que apoiará a definição e administração das atividades. b) Zona Primitiva. está prevista a elaboração de um Plano de Manejo para cada Unidade de Conservação. manutenção e proteção da Unidade de Conservação. Quando existem áreas que precisam ser recuperadas. Consiste na divisão do território da Unidade de Conservação em partes homogêneas atendendo a critérios ecológicos e de destinação de uso”.Universidade do Sul de Santa Catarina Turismo ecológico em áreas naturais protegidas No processo de planejamento das áreas naturais protegidas. São zonas temporárias. a) Zoneamento Conforme Pires (1996. Quando ocorrerem sítios especiais que abriguem características pertinentes. a única a ter um Plano de Manejo contendo uma proposta de zoneamento e um programa de manejo já elaborado para várias Unidades de Conservação no país. Quadro 5. f) Zona Histórico-Cultural. g) Zona de Recuperação. A categoria de manejo Parque Nacional é. p. Pode ser significativamente alterada e concentrar a maior parte dos serviços e atividades da Unidade de Conservação. e) Zona de Uso Especial. serviços de administração. O zoneamento adotado tem sido o seguinte: TIPOS DE ZONAS a) Zona Intangível.1: Tipos de zoneamento em unidades de conservação Fonte: Adaptado de PIRES (1997). CARACTERÍSTICAS Deverá estar pouco ou não alterada e permanecerá intacta e com uso proibido. 168 . que poderão ou não ser desenvolvidas dentro de cada uma delas. “o zoneamento é uma das primeiras providências tomadas durante a elaboração de Plano de Manejo de uma Unidade de Conservação. d) Zona de Uso Intensivo. atualmente. É destinada à moradia. Deverá estar pouco alterada e de uso restrito e eventual. 28). c) Zona de Uso Extensivo.

169 Unidade 5 . porém condicionada a atividades específicas relativas às atividades culturais. uma área de preservação integral vedada ao público e áreas destinadas à recreação e educação ambiental. com trilhas interpretativas e centro de visitantes. contendo um ou mais sítios com características abióticas naturais de importância relevante que. temos: Parque Nacional São áreas terrestres e/ou marinhas extensas. dotados de atributos naturais ou paisagísticos notáveis e contendo ecossistemas ou sítios geológicos de grande interesse científico e educacional. educativas e turísticas. corram o risco de se tornarem ameaçados e necessitarem de proteção. Categorias de Manejo que permitem o ecoturismo Dentre as nove categorias de manejo propostas para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. destacamos as sete categorias cujos objetivos de manejo permitem a prática do ecoturismo. Os parques devem contar com um Plano de Manejo cujo zoneamento defina. então deverá ser desenvolvido um capítulo específico no programa de manejo destinado a detalhar e normatizar tal atividade. entre outras. Se uma determinada área contempla nos seus objetivos de manejo as atividades de turismo. contendo um ou mais ecossistemas naturais preservados ou pouco alterados pela ação humana. raridade.Teoria Geral do Turismo Todas as atividades previsíveis numa Unidade de Conservação devem fazer parte dos programas de manejo. beleza ou vulnerabilidade. É permitida a visitação sob controle. De acordo com Pires (1997). Monumento Natural São áreas terrestres e/ou marinhas. por sua singularidade.

sem prejuízo das características a preservar e sempre em proveito exclusivo dos objetivos de manejo. É permitido o acesso controlado ao público. de importância significativa. 170 . segundo critérios a serem estabelecidos pela autoridade responsável pela área. ou para a observação da fauna. dependendo das condições particulares de cada caso.Universidade do Sul de Santa Catarina A área deve conter. em condições naturais. A visitação pública pode ser permitida. residentes ou migratórias. As atividades turísticas podem ser desenvolvidas sob controle. devendo sempre prevalecer as necessidades de conservação da natureza. As alterações do ambiente. eventualmente. ou comunidades de fauna e flora. sítios históricos. O turismo de manejo desta categoria inclui a oferta de turismo ecológico. sítios arqueológicos e. Refúgio da Vida Silvestre São áreas terrestres e/ou marinhas em que a proteção e o manejo são necessários para assegurar a existência e a reprodução de determinadas espécies de animais e vegetais. As atividades de pesquisa devem ser sempre devidamente autorizadas. A utilização dos recursos da fauna será sempre feita mediante manejo cientificamente conduzido e sustentado e sob permanente controle governamental. formações geológicas pouco comuns. Reserva de Fauna São áreas contendo populações de espécies animais nativas e habitats adequados para a produção de proteínas de origem animal. ou não. as instalações e vias de acesso devem ser limitadas ao mínimo.

O conceito amplo de Área de Proteção Ambiental admite que esta categoria se aplique á proteção paisagística e ecológica de faixa de terras ao longo de estradas e rios. c) Floresta Nacional São áreas extensas com cobertura florestal de espécies. estéticos ou culturais. que exijam proteção para que possam assegurar o bem-estar das populações humanas. podendo compreender ampla gama de paisagens naturais. conservar ou melhorar as condições ecológicas locais ou preservar paisagens e atributos naturais e culturais importantes. O acesso ao público é permitido. seminaturais ou alteradas. nativas que ofereçam condições para a produção sustentável de madeira e de outros produtos florestais. A característica fundamental é o uso múltiplo dos recursos. proteção de recursos hídricos. As atividades turísticas são admitidas desde que se harmonizem com os objetivos específicos de cada área de proteção ambiental. subordinados aos objetivos de manejo e de acordo com cada situação. cultural. predominantemente. conforme estabelecido no Plano de Manejo. com características notáveis e dotadas de atributos bióticos. manejo de fauna silvestre e recreação ao ar livre. com atributos naturais importantes e valor panorâmico. educativo e recreativo. submetidas a modalidades diversas de manejo.Teoria Geral do Turismo b) Área de Proteção Ambiental São áreas terrestres e/ou marinhas de configuração e tamanhos variáveis. Unidade 5 171 .

Além da extração de produtos nativos. É permitido o turismo educativo. até porque estas procuram preservar e representar apenas uma amostra dos diferentes ambientes naturais e de seus ecossistemas. é a sua destinação para o turismo ecológico. através do uso sustentado.” 172 .35). ecologicamente mais saudáveis e socialmente mais desejáveis para a utilização de boa parte dessas áreas. notadamente.Universidade do Sul de Santa Catarina d) Reserva Extrativista São áreas naturais ou pouco alteradas. resinas e frutos. látex. Por outro lado. a manutenção de populações que vivam do extrativismo. “uma das alternativas economicamente mais promissoras. para o que são permitidas alterações antrópicas em até 5% da área. compatibilizando-a com a conservação de extensas áreas naturais. sendo proibida a extração comercial de madeira. A característica fundamental desta categoria é facultar. ou que não pertençam a um Sistema de Unidades de Conservação. isto não quer dizer que as áreas com tais atributos e que não se encontram legalmente protegidas. devam ser exploradas inadequadamente e de forma destrutiva. Atrativos ecoturísticos da natureza Atrativos ecológicos e paisagísticos existem em toda parte e não somente em área protegida por lei. para mostrar como a atividade extrativista se harmoniza com o ambiente e com a riqueza de produtos. somente serão toleradas atividades de subsistência. ocupadas por grupos sociais que tenham como fonte de sobrevivência a coleta de produtos da flora nativa e que a realizem segundo formas tradicionais de atividade econômica puramente extrativista e de acordo com plano de manejos previamente estabelecidos. p. que podem ser obtidos da natureza. Para Pires (1996.

longas antenas e patas. e) Praias. d) Lagos e lagoas. provocaram a abertura de espaços e canais de diversas dimensões no seu interior. Constituem-se sempre em uma grande atração pela movimentação que acrescentam à paisagem. exclusivos desses ambientes e cada vez mais raros. pelo seu potencial de aproveitamento recreativo em banhos e mergulhos. formam-se as estalagmites e as estalactites de grande efeito ornamental. para a observação da vegetação natural exclusiva destas áreas e para a prática de saltos de vôo livre entre outros. como a vegetação pioneira da areia e das dunas. como a falta de pigmentação. Podem ser citadas como atrativos paisagísticos e ecológicos que se enquadram perfeitamente nesta condição. com espécies de bromélias. acrescentam qualidade visual à paisagem. A ausência de luz faz com que os animais ali existentes apresentem formas de vida totalmente exclusivas. os seguintes: TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS A altura de determinados morros e montanhas se constitui num forte apelo para a prática do montanhismo. ou a vegetação de restinga. com sua característica única de adaptação ecológica. para a observação panorâmica da paisagem. c) Cachoeiras e saltos. a posseiros ou ainda se encontram em terras devolutas do Estado. montanhas. Unidade 5 173 . Dependendo do estágio de desenvolvimento das cavernas. Foram formadas ao longo de milhares de anos pela ação das águas sobre as fraturas de rochas que com o desgaste contínuo. Continua a) Morros. juntamente com as formas vegetais naturais que se desenvolvem junto às margens. a ausência de visão ou visão atrofiada. As cavernas contêm galerias e salões em cujo interior cursos d’água formam uma complexa drenagem subterrânea. Esses ambientes proporcionam condições para a prática de pesca esportiva e de passeios e esportes náuticos de baixo impacto. geralmente. Desfruta-se do contato saudável com o sol e o mar e também se descobrem aspectos da natureza. a proprietários particulares.Teoria Geral do Turismo Existem inúmeros lugares que abrigam atrativos com um potencial latente para o ecoturismo e que pertencem. b) Cavernas. A água presente nesses locais.

formam um ecossistema exclusivo para o desenvolvimento da vegetação mangue e de uma fauna que faz desse ambiente o seu único habitat para a procriação e alimentação. é frágil e não resiste quando pisoteada. Em razão disso. já sofreram o processo de urbanização com a conseqüente descaracterização de sua naturalidade. adaptadas às condições especiais de vida existente nestes locais. geralmente. ser protegida. Em função do seu isolamento geográfico. estuários receptores dos rios que nelas deságuam sua água doce. Além da oportunidade de presenciar todos esses aspectos. passando a oferecer uma verdadeira proteção natural contra os ventos e a erosão. 174 . as dunas também proporcionam o isolamento de muitos recantos praianos. As baías são ecossistemas frágeis e em muitas partes do mundo. devendo. as pessoas podem desfrutar de banhos e mergulhos de contemplação sub-aquáticos. portanto. impõe características muitas vezes singulares à fauna e à vegetação. são topos emersos na superfície do mar de grandes montanhas submarinas. g) Ilhas. fato este de grande importância para a proteção das áreas mais para o interior do continente. aspecto de grande apelo estético e emocional para os viajantes. h) Baías. ao mesmo tempo. É o caso das ilhas de Fernando de Noronha e Trindade. As ilhas mais próximas ao litoral são partes do continente que se separam deste devido à elevação do nível do mar. pode ser planejado o turismo ecológico voltado para a contemplação e conhecimento da fauna e da flora típicas. à salinidade e à extrema aridez da areia. Continua f) Dunas. Ao se formarem junto às praias. As ilhas abrigam espécies de aves migratórias e da fauna aquática. se instalam sobre as dunas. gerando a cadeia alimentar de grande parte da vida marinha. para a pesca esportiva e para o contato cultural com as populações ribeirinhas. e à medida que vão se estabilizando com o auxílio da vegetação pioneira. inclusive no Brasil. São áreas formadas por planícies baixas onde o mar adentra para o continente e. que ali encontra a proteção adequada para a sua alimentação e reprodução. que consegue se adaptar às condições ecológicas adversas.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS Constituídas pela areia que. embora resistente ao sol. As ilhas oceânicas se encontram mais distantes do continente e. Em regiões litorâneas onde ainda existem baías com alto nível de preservação e naturalidade. com a ação dos ventos vão formando montes sucessivos e podem atingir dimensões surpreendentes. Além desta importante função ecológica. A vegetação pioneira das dunas.

Unidade 5 175 .Teoria Geral do Turismo TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS Oferecem oportunidades para a navegação ou caminhadas de observação da natureza. j) Sítios arqueológicos São colônias remanescentes de antigas culturas humanas que ainda preservam em grande parte suas características originais. Tal iniciativa. Muitos deles estão presentes nas próprias unidades de conservação e constituem a razão principal de sua criação. a fim de que se garanta a aplicação dos princípios do desenvolvimento conservacionista pelo uso turístico sustentado dos recursos naturais. Nos grandes rios do centro-oeste e norte do Brasil se formam bancos de areia nas suas margens.2: tipos de atrativos paisagísticos e ecológicos que permitem o ecoturismo Fonte: Adaptado de PIRES (1997). conseqüentemente. Quadro 5. em grupos monitorados por guias capacitados. onde os cursos d’água representam um elo de ligação entre os diferentes ambientes e ecossistemas que ocorrem desde a sua nascente até a desembocadura em outro rio. manifestadas no folclore. lagoa ou mar. Os proprietários ou ocupantes das terras onde ocorrem tais atrativos. Nas florestas naturais há um contato direto com a diversidade e riqueza de sua flora e fauna e a oportunidade de observar aspectos do equilíbrio ecológico do ambiente. Nas suas diferentes formações podem ser percorridas por trilhas ou por cursos d’água. animais. nas atividades agrícolas de subsistência. k) Florestas naturais. solo e clima. deve ser aprovada pelos órgãos governamentais responsáveis pela gestão ambiental e turística. juntamente com os agentes promotores do turismo na região. Esses e outros atrativos quase sempre não ocorrem isolados da forma como foram relacionados. para a economia da região. e sim compondo ambientes e ecossistemas com variados graus de complexidade e diversidade paisagística e ecológica. através das associações de mútua dependência entre plantas. entretanto. podem e devem explorá-los turisticamente com perspectivas de amplas vantagens para ambos e. i) Rios e ribeirões.

desertos ou pântanos. Veja. erosão e abertura de atalhos em trilhas. Segundo o IBAMA apud PIRES (1996. segundo o mesmos autor os impactos negativos: pisoteamento. campos.” Impactos positivos e negativos do ecoturismo em unidades de conservação De acordo com Serrano (apud ANSARAH 2001. De uma maneira geral são terrenos não utilizados para fins urbanos. depredação da infra-estrutura e de atrativos e elementos naturais. com características naturais de relevante valor. legalmente instituídas pelo poder público. mangues. c) circulação de informações sobre o meio ambiente. d) aumento da oferta de atividade de lazer e recreação. p. os impactos positivos são: a) sustentação econômica da unidade de conservação. e) ampliação da capacidade de fiscalização. p. 176 .19). agropecuários ou industriais. agora. f) controle sobre grupos organizados. “unidades de conservação são porções do território nacional. 217-218).Universidade do Sul de Santa Catarina Áreas naturais protegidas (unidades de conservação) São áreas que. de domínio público ou propriedade privada. montanhas. por possuírem importantes recursos naturais ou culturais. sob regime especiais de administração e às quais se aplicam as garantias de proteção. que trazem mais benefícios se forem conservados no estado em que se encontram. devem ser mantidas na forma silvestre e adequadamente manejadas. b) integração da unidade de conservação com as populações locais. compactação. podendo ser florestas. incluindo as águas territoriais. g) divulgação da unidade de conservação. com objetivos e limites definidos.

Com o estudo do próximo tópico. face aos diversos “atores” envolvidos no processo. aumento e/ou deposição inadequada do lixo. aumento do risco de incêndios. é um setor que não administra a maioria dos produtos e atividades que vende. Apesar disso. Você conseguiu ter uma visão abrangente sobre o conteúdo? Na próxima seção. você terá a oportunidade de estudar as dimensão do turismo sustentável a partir dos seus conceitos. como pudemos verificar em unidades e seções anteriores. você verá o quão complexo é atingir um grau considerado razoável de sustentabilidade. Vamos a eles.Teoria Geral do Turismo Estresse e desaparecimento da fauna em razão da presença humana (provocados por barulho. entre outros. gera lucros importantes na economia. serviços de alimentação. os gestores turísticos transportam Unidade 5 177 . Em lugar disso. como hotelaria. para as comunidades ou núcleos receptores de turismo. então? SEÇÃO 2 − Turismo e desenvolvimento sustentável A indústria do turismo. a sustentabilidade depende da ação adequada e de uma postura correta e ética dos diversos setores e agentes que compõem o “cenário” turístico. necessidade de “sacrifício” de áreas para a instalação de infra-estrutura. O setor turístico. Em outras palavras. marcado por um grande dinamismo e como eixo importante da economia de muitos países. cheiro e cores estranhos ao ambiente). Esta seção abordou a inter-relação existente entre a atividade turística e o meio ambiente. está fragmentada em subsetores. e é extremamente competitiva em escala nacional e internacional. transporte.

tem feito com que suas águas sejam incertas para a natação e a pesca. São Paulo: Roca. foi reconhecido que o turismo se desenvolve em lugares que têm limites próprios. como conseqüência dos efeitos cumulativos de suas caminhadas sobre as espécies vegetais. Mas a indústria do turismo não só é vulnerável às mudanças do meio ambiente natural. cultural e econômico. as atividades econômicas e os estilos de vida dos povos de todo o mundo. o turismo leva os consumidores ao produto e não o produto aos consumidores. onde a poluição produzida pela população. pela ação dos gestores turísticos e/ou dos próprios turistas. de grande fragilidade. as atrações culturais. além de serem impróprias para o consumo. Com freqüência foram sendo descobertos os limites de um desenvolvimento turístico quando a indústria turística sofreu prejuízos muito graves ou irreversíveis. Mais recentemente. os turistas têm devastado a vegetação dos campos mais acessíveis das Montanhas Rochosas. 178 . com os detritos não tratados procedentes das cidades vizinhas. vulnerável às mudanças do entorno natural. Outro exemplo refere-se aos centros turísticos de praia: é o território compreendido entre os Grandes Lagos e o Mar Negro. Por exemplo: a poluição de uma praia ou um ato criminal de grande cobertura jornalística podem ter conseqüências devastadoras sobre o próprio local. assim como a qualquer variação e incidente que aconteça nos limites de uma região. Esta unidade tem por base a obra: OMT. ao contrário de outras empresas. Introdução ao Turismo. sendo a paisagem vítima de sua própria beleza. no Canadá. 2001. Ou seja. Isso faz do turismo uma indústria particularmente frágil. como também às do entorno cultural.Universidade do Sul de Santa Catarina os indivíduos para que conheçam os traços naturais. Apenas recentemente.

que inclui numerosos campos de interação dentro do conceito de sustentabilidade.Teoria Geral do Turismo A atividade turística está sujeita às inter-relações entre os habitantes locais e os próprios turistas. essas inter-relações.” O conceito de crescimento sustentável tem sido ligado. que afirma ser “o processo que permite o desenvolvimento sem degradar ou esgotar os recursos que tornam possíveis o mesmo desenvolvimento. ao conceito de meio ambiente. sobre o crescimento turístico sustentável entendido como uma necessidade para qualquer destino turístico. tradicionalmente. sem que os efeitos negativos produzam deterioração irreversível? Em resposta a essa pergunta. surge naturalmente uma questão crucial: é possível chegar ao crescimento da atividade turística. que consiste em “satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de satisfações das gerações futuras.” Outro conceito de desenvolvimento sustentável é da World Conservation Union (WCU). Podemos afirmar que é a conservação dos recursos para que a geração presente e as futuras possam desfrutar deles. são confl itantes e conturbadas. mas atualmente é um conceito mais global. conforme pudemos ver na unidade 2. em que sejam potenciados os efeitos positivos do próprio negócio turístico. Unidade 5 179 . Muitas vezes. como aspectos econômicos e sócio-culturais. com interação nos dois sentidos. se desenvolveu uma teoria amplamente aceita. Turismo sustentável O ponto de partida do conceito de turismo sustentável está dentro das teorias referidas ao desenvolvimento sem degradação nem esgotamento dos recursos. seção 3. Nesse sentido. define-se o conceito de sustentabilidade de acordo com Brudtland (1987). Se levarmos em consideração esse pequeno cenário descrito.

o negócio turístico tem de ser rentável. continuidade e equilíbrio.Universidade do Sul de Santa Catarina O conceito de sustentabilidade está ligado a três fatos importantes: qualidade. Em suma. como linhas básicas quando tentar incorporar essa visão do turismo às políticas adotadas. d) a efetivação de aumento dos níveis de rentabilidade econômica da atividade turística para os residentes locais. Princípios do Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento do turismo sustentável implica a tomada de decisões políticas. 180 . c) manter a qualidade do meio ambiente. b) prover experiência de melhor qualidade para o visitante. e) assegurar a obtenção de lucros pelos empresários turísticos. que podem ser severas e que requerem uma visão em longo prazo. De uma maneira ou de outra o turismo sustentável é definido como modelo de desenvolvimento econômico projetado para: a) melhorar a qualidade de vida da população local. das pessoas que vivem e trabalham no local turístico. os empresários esquecerão o compromisso de sustentabilidade e o equilíbrio será alterado. principalmente na hora de efetivar o processo de planejamento. da qual depende a população local e os visitantes. caso contrário. O planejador local pode usar os princípios estabelecidos no quadro a seguir.

associações. grupos e indivíduos devem seguir princípios éticos que respeitem a cultura e o meio ambiente da área.Teoria Geral do Turismo O planejamento do turismo e seu desenvolvimento devem ser parte das estratégias do desenvolvimento sustentável de uma região. Os planos de desenvolvimento do turismo devem permitir que a população local se beneficie deles ou que possa explicar as mudanças que se produzam naquela situação. que envolve a realização de uma análise contínua e um controle de qualidade sobre os efeitos do turismo. o governo. O turismo deve distinguir os lucros de forma eqüitativa entre os promotores de turismo e a população local. 2001. Ao se iniciar um projeto. Introdução ao turismo. os empresários e outros interessados. Agências. da economia e do modo tradicional de vida. São Paulo: ROCA. dando prioridade para um desenvolvimento duradouro. Quadro 5. dando-s enfoques distintos aos diferentes tipos de turismo. Esse planejamento deve envolver a população local. etc.. p 246. há necessidade de se realizar análise integrada do meio ambiente. A população deve se envolver no planejamento e no desenvolvimento dos planos locais junto com o governo. Unidade 5 181 . especialmente para os moradores do local. estado ou nação. levando em consideração a proteção do meio ambiente. as agências de turismo. disponível em OMT. O turismo deve ser planejado de maneira sustentável. do comportamento da comunidade e dos princípios políticos. É essencial facilitar boa informação sobre a natureza do turismo. da sociedade e da economia.3: Princípios do desenvolvimento sustentável Fonte: Conferência de Globo’90 Brasil. para que consiga os maiores lucros possíveis.

c) Sustentabilidade sócio-cultural: Garante o desenvolvimento turístico compatível com a cultura e os valores das populações locais. 1993). ficam marcados os seguintes conceitos paralelos aos fatores de sustentabilidade já mencionados: 182 . que garante a continuidade para as gerações futuras (McIntyre. Nessa definição global. enfatizando que os destinos têm limites no volume e na intensidade do desenvolvimento turístico que podem ser suportados por uma determinada região.Universidade do Sul de Santa Catarina Campos de atuação que influem no turismo sustentável O processo de desenvolvimento turístico sustentável é a conjunção de três fatores que se inter-relacionam de forma dinâmica. sem reduzir a satisfação dos visitantes ou sem que se produza efeito adverso sobre a sociedade receptora. b) Sustentabilidade ecológica: Assegura que o desenvolvimento turístico é compatível com a manutenção dos processos biológicos. então. a economia ou a cultura da área. encontra-se o de capacidade de carga. Você sabia que. um conceito sobre capacidade de carga? Capacidade de carga: O máximo uso que se pode fazer dele sem que causem efeitos negativos sobre seus próprios recursos biológicos. antes que os danos sejam irreparáveis? Vamos verificar. junto com um controle sobre os custos e benefícios dos recursos. com o objetivo de conseguir um equilíbrio final: a sustentabilidade do sistema turístico. diretamente ligado ao conceito de desenvolvimento sustentável. Esses fatores são: a) Sustentabilidade econômica: Assegura um crescimento turístico eficiente. o emprego e os níveis satisfatórios de renda. preservando a identidade da comunidade.

Controlar sua capacidade de carga. manutenção das estruturas. que faz referência ao nível máximo de atividade turística. que. Proporcionar uma política de incentivos que favoreça o crescimento equilibrado. c) capacidade de carga do turista. Unidade 5 183 . Criar auditorias de qualidade ambiental. d) capacidade de carga econômica. se superado. Incluir o turismo nos planos do governo. as ações dos governos. produzirá uma mudança negativa na população local. não poderá assegurar um desenvolvimento compatível com os recursos naturais. que. que faz referência ao nível de atividade econômica compatível com o equilíbrio entre os benefícios econômicos que proporciona o turismo e os impactos negativos que a atividade turística gera sobre as economias locais (inflação. entendida como o nível máximo que garante a satisfação do turista. Elaborar um programa de avaliação de impactos sobre os destinos turísticos.). que se define como o número máximo de visitantes que um lugar pode receber. o papel das comunidades e as funções das indústrias no desenvolvimento de um turismo sustentável. Conheça.Teoria Geral do Turismo a) capacidade de carga ecológica. a) Ações que os governos devem realizar em favor do desenvolvimento turístico sustentável Trabalhar conjuntamente os empresários no estabelecimento de políticas sustentáveis. etc. b) capacidade de carga social. segundo McIntyre (2001. p. se superado. 251-252).

Tratar dos resíduos sólidos e líquidos. Proporcionar serviços ao visitante. Realizar práticas de marketing verde. da água e da mata. com a finalidade de orientá-los para um comportamento responsável. Proporcionar um guia ou informações aos turistas.Universidade do Sul de Santa Catarina b) Papel das comunidades locais no desenvolvimento sustentável Proporcionar interações culturais entre a comunidade local e os visitantes. Participar com os custos dos projetos. Minimizar riscos de intoxicações. Gerar auditorias meio ambientais próprias. Desenvolver o uso equilibrado do solo. Ter iniciativas com respeito às ações. Capacitar os produtos locais. 184 . Proteger as normas culturais c) O que deve fazer a indústria turística? Eliminar o uso de agrotóxicos. Adotar técnicas eficientes de energia. Tomar decisões sobre a elaboração de projetos. Incorporar valores meio ambientais nos processos de decisão empresarial.

Unidade 5 185 . orientadas para a execução dos objetivos planejados. torna-se essencial manter o sentido histórico.Teoria Geral do Turismo d) O que podem fazer os turistas? Escolher destinos com responsabilidade ambiental. Não perturbar as populações nativas. na atualidade. Portanto. Em qualquer tipo de desenvolvimento. formando parcerias. uma maneira de assegurar que os desenvolvimentos turísticos sejam controlados é mediante a participação de todos os agentes envolvidos no processo de desenvolvimento sustentável dos destinos. Benefícios do desenvolvimento do turismo sustentável A maioria dos locais turísticos. Controlar os impactos nas comunidades locais. Realizar suas atividades com pouco impacto. cultural e de identidade da população do local em que esse se produz. Os locais que não oferecem esses atributos verificam uma baixa na qualidade e no uso do turismo. e) O que podem fazer as Ongs? Participar dos comitês de controle meio ambiental. Criar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. Apoiar as atividades de conservação do meio ambiente. Contribuir para os planos de educação sobre a importância do turismo sustentável. meio ambiente protegido e cultura específica. dependem de ambiente limpo. Integrar-se nas comunidades receptoras.

em desenvolvimento turístico isso pode ser conseguido. serviços de guias. então vejamos: o turismo sustentável incentiva o entendimento entre os impactos do desenvolvimento turístico na natureza. o turismo diversifica a economia local.Universidade do Sul de Santa Catarina Efetivamente. etc. o turismo cria regiões de lazer que podem ser utilizadas pela população local e pelos turistas.). na cultura e no comportamento humano. incorpora o planejamento e a regionalização que asseguram a boa relação entre o desenvolvimento do turismo e a capacidade do ecossistema. o turismo sustentável assegura a distribuição mais justa dos custos e dos benefícios. transportes. 186 . o turismo sustentável demonstra a importância dos recursos naturais e culturais. o turismo gera emprego local tanto no setor de turismo como em outros setores. restaurantes. o turismo estimula melhorias nos transportes locais. o turismo cultural proporciona à população local maior entendimento de outras culturas. as comunicações e outras infra-estruturas básicas. o turismo rural incentiva o uso produtivo de terras improdutivas para a agricultura. para que tanto a indústria turística como os demais usuários dos recursos possam coexistir. assim como edifícios e bairros históricos. o turismo estimula indústrias domésticas (hotéis. o turismo sustentável realiza a tomada de decisões incluindo todos os segmentos da sociedade e contando com a população local. Assim. particularmente nas áreas rurais onde o emprego na agricultura é esporádico ou insuficiente. o turismo gera intercâmbios com o exterior e injeta capital e dinheiro novo na economia local. Também incentiva e ajuda economicamente a preservação de sítios arqueológicos.

são os que nós relacionamos abaixo e que certamente serão de interesse específico. Turismo cultural Refere-se à afluência de turistas a núcleos receptores que oferecem como produto essencial o legado histórico do homem em distintas épocas. Unidade 5 187 . motivados pela fé em distintas crenças. Turismo hidrotermal ou de termas Refere-se ao deslocamento de turistas a núcleos receptores cujo principal produto turístico é constituído pela qualidade terapêutica do clima. que se destinam a centros religiosos. pois apresentam uma diversidade enorme e alguns são bastante curiosos. atualmente disponíveis. Uma boa leitura e boa continuação dos seus estudos! SEÇÃO 3 − Tipologia turística Os principais tipos de turismo. encontrado nas ruínas. Turismo religioso Refere-se ao grande deslocamento de peregrinos. Isso quer dizer que você terá a oportunidade de se familiarizar com os principais “tipos” de turismo que a nossa literatura atual registra.Teoria Geral do Turismo Dessa forma fica registrado de forma patente e inequívoca a importância que o desenvolvimento sustentável da atividade turística pode vir a proporcionar para os núcleos receptivos de turismo. Esses peregrinos assumem um Elaborado pelo Prof Victor Ferreira a partir das obras Análise Estrutural do Turismo – Mário Carlos Beni. representado a partir do patrimônio e do acervo cultural. das águas e/ou das termas. nos monumentos. nos museus e nas obras de arte. Turismo e Desenvolvimento – Antônio Pereira de Oliveira e Dicionário Enciclopédico de Ecologia & Turismo – Américo Pellegrini Filho. A próxima seção. portanto turistas potenciais. que podemos encontrar facilmente nos livros e na literatura sobre turismo. vai tratar especificamente da tipologia do turismo.

Feiras de Móveis. Ainda ocorrem eventos. aficionados pelas distintas modalidades de esportes. que afluem aos centros empresariais a fim de efetuarem transações e atividades profissionais. competições e torneios. exposições. Bienal do Livro. Turismo científico Refere-se ao deslocamento de turistas potenciais que se dirigem a grandes centros universitários com manifesta atuação no setor de pesquisa e desenvolvimento. comerciais e industriais. como Fenasoft. Podem ocorrer eventos em nível regional. empregando seu tempo livre no consumo de recreação e gastronomia típica. portanto turistas potenciais. ano 2001). UD. Turismo empresarial ou de negócios Refere-se ao deslocamento de executivos e homens de negócios. combinados com exposições e feiras de produtos artesanais. entre outros. sejam sede de olimpíadas. Turismo folclórico e artesanal Refere-se à demanda específica por áreas receptoras em que se realizam periódicas festividades de cultura popular. (Tipologia citada apenas por Beni. que 188 . entre outros. Turismo desportivo Neste caso. Turismo de eventos Refere-se às realizações constantes de calendários de eventos fi xos. ou a núcleos que. com eventos tipicamente folclóricos. como feiras. além da utilização da infra-estrutura de hospedagem local. o principal produto turístico é o esporte. em diversos níveis. pois utilizam equipamentos e serviços com uma estrutura de gastos semelhantes à dos turistas convencionais. festas regionais e nacionais. eventualmente. Festa do Peão de Boiadeiro. com calendário fi xo de eventos. Refere-se à demanda específica de turistas que. Oktoberfest. gerando competitividade entre municípios e organizações que se situem dentro da mesma área de atuação.Universidade do Sul de Santa Catarina comportamento de consumo turístico. como Festa das Flores (Holambra – SP). já consolidadas. afluem a núcleos esportivos tradicionais.

hotelaria. Turismo de incentivos Refere-se a viagens programadas oferecidas como prêmios e recompensas a colaboradores de grandes empresas. índices de produtividade. como moda. que são dirigidos a subsegmentos do mercado. Copa do Mundo. Turismo de mega eventos Refere-se aos grandes eventos culturais. Existem também os eventos monotemáticos. as ruas onde se pode encontrar grande variedade de comércio. dirigido ao meio artístico. Podem ser incluídos também os shoppings. entre outros.Teoria Geral do Turismo acontecem de acordo com as oportunidades do mercado. (Tipolologia citada por Beni. tais como. Turismo da terceira idade ou melhor idade Refere-se ao fluxo turístico que tem como principais características a não sazonalidade (dispõe de mais tempo livre e são avessos a grandes aglomerações) e a necessidade de optar por destinos que ofereçam equipamentos/serviços adaptados às condições de saúde desses turistas. Fórmula 1. uma vez que os mesmos não efetuam viagens para utilizá-los. ano 2001) Turismo urbano Refere-se aos passeios que os turistas fazem na oferta diferencial urbana das grandes cidades. por suas características internacionais. decoração. Jogos PanAmericanos. casas noturnas etc. desportivos e religiosos que. entre outros. (Tipolologia citada por Beni. como o Festival de Cinema de Gramado. Prêmio Oscar. para os turistas são atrativos turísticos de caráter sócio-cultural. Unidade 5 189 . por merecimentos obtidos em seu desempenho profissional. como o bairro da Liberdade em São Paulo ou o Chinatown em São Francisco. Enquanto essa oferta diferencial é lazer urbano para os moradores locais. superação de metas de trabalho. catalisam a atenção nacional e maciço fluxo turístico como as Olimpíadas. entre outros. ano 2001).

mas atualmente foi diferenciado para caracterizar o deslocamento de pessoas com fins terápicos específicos e/ou alternativos voltados à estética. entre outros. em propriedades não produtivas que possuem amplas instalações receptivas. passa a constituir o principal meio de sobrevivência da propriedade. ou seja. (Tipolologia citada por Beni. rodeios. com ou sem pernoite para a fruição dos cenários e instalações rurículas. Turismo de saúde Já foi classificado como turismo termal. Aqui são inseridas colônias/acampamentos de férias. com programa de aulas e visitas a pontos históricos ou de interesse para o desenvolvimento educacional dos estudantes. como pesca (pesque-pague). como Machu Pichu no Peru e São Tomé das Letras. o turista se desloca para vivenciar o lazer e a recreação no campo. parques temáticos (Beto Carrero World). Turismo esotérico ou esoturismo Refere-se a grupos de pessoas que se deslocam para visitar cidades ou lugares egrégoras (concentração de energia).Universidade do Sul de Santa Catarina Turismo educacional Refere-se à organização de viagens culturais com acompanhamento de professores da própria instituição de ensino. ano 2001) Turismo de recreação e entretenimento Refere-se ao deslocamento de grande contingente de pessoas em roteiros não programados. por sua vez. 190 . Encontra-se também nessa modalidade o chamado turismo de intercâmbio. em roteiros programados ou espontâneos. desenvolvidos em spas e fitness centers. adaptadas para a atividade turística. fisioterapia ou à terapia do sistema nervoso. em busca de atividades de lazer. Turismo rural Refere-se ao deslocamento de pessoas a espaços rurais. num raio nunca superior a 100 km de suas residências. pelo qual os jovens buscam cursos no exterior a fim de aprender um novo idioma e vivenciar uma cultura diferente. hotéis-fazenda. que. em Minas Gerais. portanto no entorno de centros urbanos.

(Tipolologia citada por Beni.Teoria Geral do Turismo Agroturismo Refere-se ao deslocamento de pessoas a espaços rurais. Exemplos são as viagens ao Paraguai e a cidade de São Paulo. Os turistas que praticam este tipo de turismo vivenciam todas as expressões dos ambientes e das culturas visitadas. e por isso mesmo a atividade turística obedece a parâmetros de ocupação conforme a capacidade de suporte das atividades produtivas da propriedade. em roteiros programados ou espontâneos. Turismo cívico institucional Praticado pelos visitantes em instalações de monumentos pátrios e órgãos governamentais. Turismo hedonista Fruição da viagem pelo prazer de viajar. Unidade 5 191 . e os investimentos em infraestrutura portuária. vivência e participação nas atividades agropastoris. e o turismo. ano 2001) Turismo de compras Refere-se às viagens destinadas a refazerem estoques de comerciantes estabelecidos e/ou a manterem um microcomércio informal. com ou sem pernoite para a fruição dos cenários e observação. efetuados por alguns governos. como verificado em Brasília/DF e Washington/USA. Turismo de cruzeiros marítimos Antigamente era praticado apenas na Grécia com seu tradicional “Cruzeiro pelas Ilhas Gregas” e restrito às classes mais ricas da sociedade mundial. que é o principal rendimento da propriedade. principalmente no que se refere ao tempo disponível e à utilização dos equipamentos. Destacam-se dois aspectos que distinguem esse segmento do turismo rural: a produção agropastoril. Atualmente há um “boom” nesse segmento da atividade turística devido aos altos investimentos em navios. efetuados pelas empresas do setor. que é a receita complementar. com um grau de liberdade bastante flexível.

uma vez que as principais características desse público são: exigência máxima nos serviços prestados e gastos médios muito superiores aos dos turistas tradicionais. Turismo para singles Segmento relativamente novo no mercado. essa é a relação dos principais. em que os prestadores de serviços da atividade turística têm se estruturado para atender esse público. ou “tipos” de turismo. spas. Turismo gltbs (gays. Faz-se necessário lembrar que. trans-sexuais. o turista que busca este tipo de viagem procura também baratear seu custo. independentemente do estado civil. praticamente numa base diária. centros de eventos. formado por gays. as pessoas comuns e que não estão familiarizadas com a atividade turística. Assim. lésbicas. as viagens de navios proporcionam aos turistas diversos equipamentos de entretenimento e lazer. salões para shows. que são classificados e utilizados por diversos autores. entre outros. Devemos ter muitos cuidados com essa “desenfreada” mania de rotular qualquer atividade como sendo turística! A próxima seção ilustra o turismo na atualidade. poderão “criar” novas tipologias que se ajustem às suas realidade. restaurantes e cafés. no que se refere à tipologia turística. biblioteca. Atualmente. Além de buscar novas amizades (ou romances). como lojas. boates. lésbicas e simpatizantes.Universidade do Sul de Santa Catarina Além da locomoção por locais de natureza exuberantes. sendo que se dará ênfase especial ao turismo em termos de Brasil. caracterizado inicialmente pelas pessoas solteiras que não possuem companhia para viajar. também estão buscando esta alternativa aquelas pessoas que não possuem companhia para o período de férias. é de máxima excelência na qualidade da prestação de serviços. Turismo étnico e nostálgico Praticado por pessoas que visitam seus próprios lugares de origem ou de seus antepassados. 192 . bissexuais e simpatizantes) Segmento em rápido crescimento mundial. piscinas. pistas de cooper.

onde os centros turísticos. pois se constata que um número significativo de pessoas de outras classes têm conseguido realizar suas viagens com maior freqüência. Pesquisas demonstram que a ampliação do costume de viajar é resultado da socialização do turismo. que possuía uma infra-estrutura razoável e recebia significativo número de turistas. provavelmente. O futuro apresenta inúmeras oportunidades. as companhias aéreas e os prestadores de serviços oferecem tarifas acessíveis a uma grande parcela da população. até recentemente. Antes disso. Atualmente a realidade é outra. porém divergem entre si sobre a taxa de crescimento e quando ele ocorrerá. mas também em quase todo o mundo. em nosso país. entrarão em declínio. Este fato é estimulado pela concorrência acirrada. Algumas áreas. mas também muitos desafios. certamente. que domina os mencionados setores e também os destinos turísticos. a participação no turismo internacional e mesmo nacional estava restrita a uma elite que dispunha de tempo e dinheiro para fazer viagens. De uma forma geral o turismo começou a se desenvolver de maneira menos empírica e mais profissional no Brasil depois dos anos 1970.O turismo na atualidade Os especialistas afirmam que o turismo é o setor que apresenta maior expansão no mundo dos negócios. ocorrido não só no Brasil. Portanto.Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 4 . o único pólo brasileiro de turismo conhecido no exterior era a cidade do Rio de Janeiro. crescerão no mercado turístico e outras. Unidade 5 193 .

podemos afirmar que essas cifras não são só o resultado exclusivo do aumento da oferta de destinos e oportunidades. o turismo começou a se expandir e a se desenvolver no país como atividade econômica de fato. 115). de acordo com a nova mentalidade. 2000) Portanto. uma vez que as pesquisas.” Que dados recentes afirmam que o turismo pode ser considerado uma das mais importantes atividades econômicas do mundo. atraindo um número considerável de turistas que aqui vinham para passar suas férias. de longe. o turismo é uma das principais atividades econômicas geradoras de renda e emprego? Segundo Naisbitt (1994. Anteriormente. o que lhes conferia renome em outras partes do mundo. como Foz do Iguaçu e Florianópolis. a maior fonte de renda e o setor mais forte no financiamento da economia nacional. É o caso das cidades do Rio de Janeiro. o próprio presidente da EMBRATUR declarou num de seus discursos que o tempo de centralização em duas ou três destinações turísticas já tinha passado e que quanto mais desconcentrado for o turismo. número que deverá aumentar para 251.9 milhões até o ano 2010? (OMT. há duas décadas. ele era limitado a algumas localidades que dispunham de infra-estrutura bem dimensionada e potencial de atratividade. São Paulo e poucas cidades no sul do país. agora não mais exclusivo de camadas privilegiadas da população. além de uma posição inferior na recepção de turistas estrangeiros. sendo responsável por 195 milhões de empregos. enquanto prática social efetiva e aspiração do indivíduo contemporâneo. as últimas em razão da proximidade das fronteiras com a Argentina e Paraguai.05% deste mercado. realizadas a partir de 1996.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? Que na atualidade. p. Por volta de 1995. demonstram que o Brasil detém somente 0. Na verdade. mas também o resultado da valorização do turismo. Infelizmente nosso país ainda não tem uma participação efetiva nas cifras indicadas. menor é o risco de a exploração provocar danos ao meio ambiente 194 . “para muitos países ele é.

Unidade 5 195 . Faz-se necessário lembrar que os fluxos migratórios em função do turismo nacional só serão efetivados perante uma situação política favorável. as estatísticas indicam que o país responde apenas por 0. mas também pela capacidade que essa atividade tem de gerar recursos financeiros.htm>. embora estas tenham evoluído em relação aos anos anteriores. pois a alta do dólar fez com que muitos brasileiros trocassem destinos no exterior por destinos no Brasil. O turismo no Brasil vem crescendo consistentemente. Considerado o detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta. com expectativa do aumento do fluxo de turistas estrangeiros.br/especial/ aniversario175/site_175/ turismo. Segundo dados da EMBRATUR. não só pela necessidade de regulamentar e reorganizar o que já vem sendo explorado de forma predatória. No tocante ao turismo interno. o Brasil tem como vocação o turismo voltado à natureza e. importante pólo emissivo para o Brasil. as dificuldades da economia brasileira impediram um crescimento mais expressivo das viagens domésticas.jornaldocommercio.gov. com. Disponível em: <http:// www. que desencadearam uma crise mundial sem precedentes nas companhias aéreas e operadoras de viagem. a importância dada ao turismo pelos governantes é justificável. o cenário otimista que se desenhava para o ano 2002. Nesses últimos anos.03% do mercado do ecoturismo mundial. Esse quadro foi agravado pela crise econômica da Argentina. Disponível em: <http:// www.Teoria Geral do Turismo e maior será sua contribuição na geração de renda e emprego. no entanto. foi frustrado diante dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. que representa 10% das viagens em todo o mundo. tanto pelos órgãos federais como pelos estaduais. Após seu pronunciamento.embratur. diversos esforços foram empreendidos no sentido de promover a valorização do turismo em nosso país.br>.

a violência nas principais capitais. 196 . é possível incrementar essa atividade de tal maneira que não se precise constatar. Nesse item você encontra um texto complementar que irá subsidiá-lo no aprofundamento dos conhecimentos trados nesta unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Uma coisa é certa: para obter um turismo de qualidade o Brasil precisa mudar sua imagem no exterior. nesta unidade. é encarar a nova realidade do turismo. Você o encontra logo abaixo das indicações bibliográficas. entre outros motivos. Todos nós sabemos que o Brasil tem um imenso potencial turístico e que. as sugestões do “Saiba-mais”. Realize. agora as atividade de auto-avaliação. faça a leitura cuidadosa da síntese. o conhecido “Turismo Sexual”. que muitos brasileiros estão passando fome! Precisamos. pois uma das principais razões responsáveis pela diminuição do número de turistas estrangeiros no Brasil é sua má fama com as crises na segurança pública. sim. pelos meios de comunicação. com profissionalização contínua e investimentos em infra-estrutura. se o mesmo for adequadamente planejado e voltado para uma gestão de qualidade. as histórias de corrupção. registre o mais importante e consulte. por exemplo. sempre que possível.

Algumas são mais freqüentes.Teoria Geral do Turismo Síntese O estudo desta Unidade nos possibilitou conhecer os quatro importantes componentes da atividade turística. as possibilidades do ecoturismo as áreas de conservação e ainda nos foi possível conhecer um pouco sobre o plano de manejo em áreas de conservação. estado ou mesmo país. região. Vimos a conceituação de meio ambiente e sua inter-relação com o turismo. cujo foco foi o turismo brasileiro. A seção 3. melhorias na divulgação e comercialização dos produtos. no treinamento da mão-deobra. O mesmo foi conceituado. acerca da sua ocorrência na atualidade. ou seja. Já. Contudo. na seção 2. destacamos que todas são importantes. a seção 4 nos apresentou uma síntese. você teve contato com o tópico que abordou o turismo e o desenvolvimento sustentável. Nessa seção. entre outros tantos aspectos. que tratou especificamente da tipologia do turismo. pudemos notar que muito ainda tem que ser feito em termos de adequação de infra-estrutura. pudemos ter a oportunidade de conhecer 25 diferentes tipologias. Você conheceu também as ações dos diversos “atores” do “cenário” turístico. são de melhor percepção e de maior ocorrência. para uma comunidade. quiçá. para alguns. para que possamos. Outras são mais complexas e de menor ocorrência. na sensibilização e conscientização sobre a importância da preservação ambiental. o seu campo de atuação e os benefícios que o turismo sustentável pode gerar para um núcleo receptor de turismo. Na seção 1 foi possível estar em contato com o tópico sobre turismo e meio ambiente. que são as mais importantes e consideradas pelos diversos autores e especialistas da área. contextualizando os mais importantes princípios. podermos Unidade 5 197 . localidade. Por último. a evolução histórica do ecoturismo. Ressaltamos que existe uma estreita correlação entre as duas seções. em curto espaço de tempo.

Universidade do Sul de Santa Catarina afirmar que a atividade turística caminha para um modelo de sustentabilidade. realize na seqüência as atividades propostas. 198 . O conteúdo desta frase é verdadeiro? Porque? 2) Cite e explique de forma resumida. Não esqueçamos que o turismo só é bom para o turista quando ele é bom para a população de um núcleo receptor. as fases de relacionamento do turismo com o meio ambiente. quantas e quais foram. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. 1) A inter relação entre o turismo e o meio ambiente é incontestável. uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade.

2000. RUSCHMANN. 2001. Dicionário Enciclopédico de Ecologia & Turismo. Américo. Margarita. YÁZIGI. São Paulo: Contexto. e cotidiano em litorais e montanhas. São Paulo: Manole. 2000. 2001. PELLEGRINI FILHO. Turismo e legado: as possibilidades do planejamento. A alma do lugar: turismo. Campinas: Papirus. São Paulo: Senac. BENI. Mário Carlos. Campinas: Papirus. Unidade 5 199 . Análise estrutural do turismo. Eduardo. Dóris. Turismo no Brasil: Análise e Tendências. São Paulo: Manole. Turismo e qualidade: tendências contemporâneas. Luis Gonzaga Godói. 2000. planejamento. sugerimos algumas obras para pesquisa: a) Na área de Turismo e Meio Ambiente: BARRETO.Teoria Geral do Turismo 3) Explique o que é meio ambiente. 2002. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. TRIGO.

2000. BENI. José Vicente de. Gestão de pólos turísticos. 2000. 200 . Campinas: Papirus. PELLEGRINI FILHO. PELLEGRINI FILHO. Turismo: fundamentos e dimensões.mma. Lisboa: Verbo. BAPTISTA. 2000. Turismo sustentável. São Paulo: Aleph. c) Na área de Tipologia do Turismo: ANDRADE. 1997.br b) Na área de Turismo e Desenvolvimento Sustentável: ANDRADE. cultura e turismo. Introdução ao turismo no Brasil. Análise estrutural do turismo. José Vicente de.Universidade do Sul de Santa Catarina Conduta Consciente em Ambientes Naturais: www. 1995. PETROCCHI. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática. d) Na área Turismo na Atualidade: FUSTER.gov. São Paulo: Futura. 2001. Mario. Ecologia. Mario. Luis Fernández. SWARBROOKE. Ecologia. São Paulo: Ática. John. cultura e turismo. 2000. Madrid: Alianza. Mário Carlos. Américo. Américo. São Paulo: Senac. FURTADO. 1991. Rio de Janeiro: IBPI. Turismo: competitividade sustentável. Campinas: Papirus. Laura Isabel. 1995. Introducción a la teoría y técnica del turismo. 2000.

gov.Teoria Geral do Turismo MOESCH. A produção do saber turístico. simples e às vezes complexas. empregos e recursos. Representa 13% dos gastos dos consumidores de todo o mundo. Luis Gonzaga Godói. Movimenta pessoas pelos mais variados motivos.br OMT: disponível em: www. para que você. intervenções. o barateamento do transporte aéreo. Campinas: Papirus. Marutschka. Há tendências claras que projetam o turismo como uma das principais atividades humanas deste século. após cuidadosa leitura. Não deixe de consultar também: EMBRATUR: disponível em: www. possa parar e refletir sobre a atividade turística como um todo e sobre as nossas.embratur. a diminuição do número de Autor: Flávio de Faria Alvim Administrador de Empresas e Professor de Turismo Urbanova . por vezes. O aumento do tempo livre. a melhoria nas tecnologias de comunicação. Turismo no Brasil O turismo é a maior indústria mundial na geração de divisas. a melhoria do mercado turístico focalizada na preferência das pessoas. 2002. América e outras viagens. São Paulo: Contexto. para os mais variados lugares. elegemos o artigo a seguir como ferramenta. Luis Gonzaga Godói.world-tourism. 2000. Campinas: Papirus. Unidade 5 201 . A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo.org Uma leitura complementar! Como forma de corroborar com o exposto sobre o turismo na atualidade. 2000. Alguns países perceberam o potencial do turismo como gerador de emprego e renda. TRIGO. a conversão de elementos das localidades para produtos turísticos. TRIGO.São José dos Campos – SP Maio de 2005.

Universidade do Sul de Santa Catarina

pessoas nas famílias, a juvenilização dos mercados e outros tantos fatores propulsionaram essa atividade. O motivo das pessoas viajarem apenas foi estudado cientificamente após a Segunda Guerra Mundial, quando o movimento turístico começou a ganhar força econômica e a estruturar suas dimensões atuais. Na década de 50, as pesquisas apontavam o prestígio social (status) como a motivação principal para as viagens turísticas, demonstrado pela distância viajada, os cartões postais enviados e o bronzeado apresentado na volta. Atualmente, esse fator ainda aparece na motivação pelas viagens turísticas, porém tem sido superado pela vital fuga do cotidiano, entendida como compensação para o dia-a-dia vazio e cansativo. O Brasil, eternamente chamado de país do futuro, precisa fazer acontecer. O turismo, em duas palavras, nada mais é do que diferenças culturais. Será que existe algum lugar com maior pluralismo de etnia, religião e cultura do que no Brasil? Será que existe um povo mais hospitaleiro do que o brasileiro? Que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem. Temos que cultivar o autêntico, o que é local precisa ser valorizado. Há lugares hoje que são tão turistificados, ou seja, fabricados, que ficam sem nenhuma identidade local. Eles não têm referência para o turismo; hoje todos os grandes hotéis se parecem com um aeroporto, e os shoppings parecem que são os mesmos em todos os lugares. Reparem como o adolescente brasileiro de posses se veste identicamente ao adolescente americano. Antes, queria-se fazer turismo no Brasil, acreditando-se que Deus era brasileiro, que o país era abençoado e bonito por natureza. E descobrimos que precisávamos cuidar do saneamento básico, de estradas, do patrimônio histórico e capacitar pessoas. Só agora o governo começa, ainda com atraso, a encarar o turismo como produto de exportação. Em terras isentas de guerras, terrorismo, catástrofes e de inverno rigoroso, litoral com mais de 8.000 km com belas praias e clima tropical fazem do Brasil um grande destino turístico que não é só o melhor no samba e no futebol. Somos apenas o 30º destino

202

Teoria Geral do Turismo

turístico do mundo. Claro que sabemos do imenso problema de insegurança (aliás, os privilegiados se protegem com segurança privada, que já é muito maior que a segurança pública no Brasil), de a educação necessitar de tempo para sentir reflexos; sabemos que temos uma das piores distribuições de renda do mundo, que 80% (segundo a OMT) das viagens são de curta distância e que não temos vizinhos tão prósperos como os países da Europa mas, não justifica termos apenas 1% do PIB representado pelo turismo, enquanto na Argentina isso representa 11% e 10% do PIB mundial. Temos ou não potencial para melhorar isso? Lembram-se do repugnante preconceito que havia do Nordeste? Diziam pejorativamente aquela cor era baiana ou aquela roupa de paraíba. Baiano e Paraíba com orgulho, sim, senhor. O nordeste brasileiro se apresenta com os melhores potenciais de desenvolvimento além do seu povo maravilhoso. São 7 novos aeroportos, novos complexos hoteleiros, 25mil metros quadrados de patrimônio histórico restaurado, são quase U$ 6 bilhões de dólares apenas nos últimos anos. Quantas pessoas você já ouviu dizer que sonha morar em alguma cidade do Nordeste? Sim, podemos transformar o Brasil! Será que teremos um planejamento vitorioso, como foi o projeto para Cancún ou dos parques temáticos americanos, ou até mesmo pautado nos exemplos dos shoppings no Brasil, que não param de multiplicar? Os pólos turísticos brasileiros mais conhecidos, como o Rio de Janeiro e Bahia, são menos visitados que Cancún, que vinte anos atrás nem constava no mapa. Normalmente os planejadores não querem ouvir, e as respostas são simples, pois é a própria comunidade local que sabe a solução. Exemplificando, será o pescador a saber do clima, das marés, da reprodução dos peixes por épocas do ano, etc. Nossos serviços têm melhorado muito, mas ainda estamos aquém das necessidades de uma boa qualificação nos sistemas receptivos e, no Brasil, ainda pagamos as mais caras tarifas de transporte aéreo do mundo. Somos 170 milhões de brasileiros, mas apenas trinta milhões fazem turismo, e ainda 80% destes só fazem em apenas duas épocas do ano, que são nas férias escolares. Precisamos desconcentrar o fluxo turístico.

Unidade 5

203

Universidade do Sul de Santa Catarina

Há muito tempo está no Congresso Nacional uma proposta de alteração na Lei de Diretrizes Básicas de Ensino (LDB), que propõe as férias repartidas na quais, resumidamente, os estudantes teriam uma semana de férias por mês, o que reduziria a sazonalidade dos destinos turísticos, além das maiores chances de a família estar junta nas férias, de o empresário dividir o pagamento das férias, do décimo terceiro, de o funcionário ter também o imposto de renda descontado em parcelas. Outro dado importante é que, apesar do crescimento, os vôos charter equivalem a apenas 7% do total do Brasil. Na Europa, 56% do movimento aéreo é feito com vôos fretados e nos EUA 40%. Antigamente o governo acreditava que um país forte só precisaria de uma grande economia e de crescimento. Chegou-se a oitava economia, mas também com a pior distribuição de renda do mundo. Hoje existe o discernimento de que um país forte é aquele que é desenvolvido economicamente, não é só ter um grande PIB (Produto Interno Bruto), ele precisa ter um PIB per capita (a riqueza distribuída na população). Aí está a justificativa dos grandes investimentos do governo nos últimos anos na promoção do turismo, além das condições naturais e climáticas extremamente propícias, e a sua imensa capacidade empregadora e distribuidora de renda fazem do turismo e das pequenas e médias empresas o importante papel da distribuição de renda no país. Parece que o nosso problema é mais de gestão do que de qualquer outra coisa. Cada vez mais o governo tem o seu poder de influência na sociedade diminuído; o poder econômico é quem dita as regras. Se não contribuirmos para a solução, seremos parte do problema. Qual a nossa escolha? De que lado ficaremos? Tender para o lado seguro e fazer negócios como de costume ou enfrentar os desafios e buscar soluções alternativas? Compreendendo assim, pode, sim, o turismo, com o seu enorme potencial, ser um meio extraordinário de transformação. Muitos só sobrevivem por causa da fuga que o turismo proporciona; é a chave espetacular da cura e transformação do ser humano. É notório que, enquanto está tudo tão materializado, racional e técnico, o ser humano tem buscado a espiritualidade.

204

Teoria Geral do Turismo

Como podemos contribuir? Assumindo responsabilidades econômicas, sociais, ecológicas e ainda, lutar para implementar o turismo sustentável em todos os níveis, promover a inclusão social. Tudo isso parece tão distante de nossa realidade? Não! Se cada um refletir em todas suas atitudes, teremos uma vida melhor. Desde a abdicação da mesquinhez e rispidez na disputa de espaço no trânsito, o papel que não jogamos mais no chão, humanizando o “bom dia” amarelo e mecanizado com que “saudamos” os outros, até a respeitabilidade igualitária para com todos os seres humanos durante as 24 horas do dia, num mundo que se interessa mais pela velocidade e pelo número de informações do que pela qualidade ou profundidade delas. Tenhamos fé na infindável saúde mental dos seres humanos racionais que somos, que se permite amar e viver harmonicamente em sociedade. Assim teremos como transformar o mundo. Note que existe um verdadeiro “mosaico” de opiniões, mas que, de forma geral, pelo que pudemos estudar nesta seção, a maioria das opiniões convergem para duas necessidades vitais, como forma de atingirmos a plenitude da realização da atividade turística: a conservação e a preservação do meio ambiente e a utilização do planejamento para as ações.

Unidade 5

205

.

Mas antes de falar sobre conteúdos e temas tratados gostaria de perguntar. mas como disciplina introdutória foi possível “trilhar” por diversos caminhos. Porém você sabe que esta caminhada não pára por aqui. igualmente. demonstram a necessidade do planejamento turístico. abre as “fronteiras” para as demais fases do curso. que ao “andar” pelas searas do turismo. consciente e responsável. as atividades alheias. Ao concluirmos nossa “viagem” realizada por meio da Teoria Geral do Turismo. o ambiente. entre os quais está o bem-estar. certamente. espero que você tenha aproveitado cada detalhe dessa “aventura” e se apropriado dos conceitos mais importantes tratados na disciplina. Espero. pois sem um ambiente equilibrado é incoerente pensar em ações que satisfazem os objetivos do turismo e do turista. A Revolução Industrial foi um fator determinante para que ocorresse uma nova divisão do tempo. você tenha percebido o quanto é interessante e encantadora esta “paisagem. as necessidades políticas e econômicas da sociedade e as expectativas do turista? Você viu que existem variáveis importantes a ser consideradas. equilíbrio natural e social. Você teve oportunidade de verificar como se deu o surgimento e como ocorreu o desenvolvimento da atividade turística e os conceitos básicos desta atividade.Para concluir o estudo Caro aluno. principalmente aqueles que se referem à importância da conservação e preservação ambiental. a valorização da cultura local nas várias partes do planeta Estes por si sós. porque sei que agora você terá condições de responder: “O que é um turismólogo?” Como ser um bom profissional considerando o espaço. o crescimento econômico regional. o que acabou redundando numa “nova ordem” em relação ao tempo .

comprometido, ao tempo de trabalho e ao tempo de lazer, entre outros. Daí surgem, então, os principais movimentos turísticos, com a classificação de viajantes e turistas e principalmente pelo grande impulso que as ferrovias tiveram no continente europeu, facilitando assim o incremento da atividade turística. Ficou patente que há uma necessidade básica no sentido de se mensurar ou medir os movimentos turísticos. Esta definitivamente não é uma tarefa fácil, diante da faceta multidisciplinar do turismo, e a unidade 2 apresentou este tema, bem como discorreu sobre os impactos econômicos, culturais e sociais da atividade turística. A partir do momento em que ficaram evidentes estes impactos, você teve a oportunidade de se familiarizar com a uma abordagem sobre o Sistema de Turismo, ou também denominada SISTUR. Esta correlação de sistemas, assim bem como os conceitos de oferta e demanda turística, possibilitaram uma visão panorâmica do “fenômeno” turístico, retratados na unidade 3. Sendo assim você pôde perceber o quão complexo e diferenciado é o turismo. A importância do planejamento turístico, bem como o entendimento da sua estruturação em forma de organizações, sejam elas, municipais, estaduais, regionais, nacionais e internacionais, e as estratégias mercadológicas analisadas por meio do estudo de aspectos do marketing turístico, foram os temas tratados na Unidade 4. Ao final, você aprendeu que o desenvolvimento pleno da atividade turística passa, necessariamente, pela preservação de todos os recursos naturais disponíveis. Portnato, ser um turismólogo é ter plena consciência da necessidade de se obedecer as leis, de promover o desenvolvimento sustentável, de preservar os recursos sócio-culturais e principalmente de ser um “propagador” da importância de aprimorar os estudos com afinco e determinação, pois esta atividade é, ainda, incipiente em nosso país. Estou certo que esta disciplina reuniu um série de elementos que serviram como “base” de entendimento para que você possa lograr êxito nas disciplinas seguintes! Desejo a você muito boa sorte nas próximas etapas do Curso. Bons estudos! Prof. Victor Ferreira

Referências
ACERENZA, M.Á. Promoção turística: um enfoque metodológico. São Paulo: Pioneira, 1991. ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática, 1995. BARRETO, Margarita. Turismo e legado: as possibilidades do planejamento. Campinas: Papirus, 2001. BARRETTO, M. Manual de iniciação ao estudo do turismo. 8ª ed. Campinas: Papirus, 1995. BAPTISTA, Mario.Turismo: competitividade sustentável. Lisboa: Verbo, 1997 . BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: Senac, 2000. _________________. Análise estrutural do turismo. São Paulo: SENAC, 1997 . BLACKWELL, R.; ENGEL J.; Miniard, P Comportamento do . consumidor. 8ª ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. CASTELLI, G. Turismo: atividade marcante. Caxias do Sul: EDUCS, 2001. _________________. Administração hoteleira. Caxias do Sul: EDUCS, 2001. FUSTER, Luis Fernández. Introducción a la teoría y técnica del turismo. Madrid: Alianza, 1991. FURTADO, Laura Isabel. Introdução ao turismo no Brasil. Rio de Janeiro: IBPI, 2000. IGNARRA, L.R. Fundamentos do turismo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. KOTLER, P Administração de marketing: análise, planejamento, . implementação e controle. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1998. _________________Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 1999.

KOTLER,P; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999. LICKORISH, J.L. e JENKINS, C. L. Introdução ao turismo. Rio de Janeiro: Campus, 2000. McKEENA, R. Marketing de relacionamento. Rio de Janeiro: Campus, 1992. OESCH, Marutschka. A produção do saber turístico. São Paulo: Contexto, 2000. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao Turismo. São Paulo: Roca, 2001 PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário Enciclopédico de Ecologia & Turismo. São Paulo: Manole, 2000. _________________. Ecologia, cultura e turismo. Campinas: Papirus, 2000. PETROCCHI, Mario. Gestão de pólos turísticos. São Paulo: Futura, 2001. RUSCHMANN, Dóris. Turismo no Brasil: Análise e Tendências. São Paulo: Manole, 2002. _________________. Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas: Papirus, 1991. SWARBROOKE, John. Turismo sustentável. São Paulo: Aleph, 2000. TRIGO, Luis Gonzaga Godói. América e outras viagens. Campinas: Papirus, 2002. _________________. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. Campinas: Papirus, 2000. _________________. Turismo e qualidade: tendências contemporâneas. Campinas: Papirus, 2000. YÁZIGI, Eduardo. A alma do lugar: turismo, planejamento, e cotidiano em litorais e montanhas. São Paulo: Contexto, 2001.

Sobre o professor conteudista
Victor Henrique Moreira Ferreira é graduado em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Especialista em Planejamento, Gestão e Marketing do Turismo também pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Trabalha como professor das disciplinas de Empresas de Turismo, Turismo Alternativo e Teoria Geral do Turismo no Curso de graduação de Turismo da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Também é professor no Curso de Graduação de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) nas disciplinas de Marketing e Promoção de Vendas em Hotelaria e Administração Hoteleira. Ministra aulas de Gestão Estratégica de Marketing para o Curso de Pós Graduação (lato sensu) em Gestão de Eventos da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Esteve sempre envolvido também com orientações de trabalhos de conclusão de curso (TCC) nas áreas de turismo, hotelaria, marketing, planejamento turístico, eventos, ecoturismo e hospitalidade. Já ministrou diversas disciplinas em cursos de graduação na área de Turismo e Hotelaria no Centro Superior de Estudos em Turismo e Hotelaria (CESETH), Unidade Catarinense de Ensino Superior (ÚNICA), tendo trabalhado com autorização de cursos de graduação em Turismo no Estado de Santa Catarina, Paraná e Maranhão. É consultor em planejamento turístico e hoteleiro com experiência em países onde trabalhou e atuou seja profissionalmente ou na realização de estágios, tais como, África do Sul, Estados Unidos, Itália e Escócia. Desempenhou diversas atividades na hotelaria nas áreas de hospedagem e eventos no Caesar Park (RJ) e no Fischer Hotel e Convenções em Balneário Camboriú (SC).

.

” 2) Quem é considerado o “pai” do turismo moderno? Cite pelo menos quatro de suas principais contribuições para a atividade turística. as empresas de transporte ferroviário começaram a se preocupar mais com os passageiros do que com a carga. d) Criou a “Circular Note”. uma vez que a partir de 1840 na Inglaterra. Tem seu equivalente em inglês (turn) e em latim (tornare). deslocamento e motivação).. 3) Qual a importância do desenvolvimento do transporte ferroviário para a atividade turística? R. O transporte ferroviário foi decisivo para o incremento da atividade turística. que quer dizer volta.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Contextualize o conceito da palavra turismo. Dentre as suas principais contribuições destacamos: a) Criou a primeira viagem agenciada do mundo. R. Thomas Cook. b) Inventou o “voucher” que é um coupom de hotel. ajudou o desenvolvimento da atividade turística. . c) Realizou uma “volta ao mundo” levando 9 passageiros em 1 1 1 dias. A mesma surgiu em meados do século XVIII na França e indicava um deslocamento com retorno. Tendo em mente que para que o turismo ocorra. a possibilidade de deslocamento por vias férreas. A palavra turismo em sua forma geral é originária do termo francês TOUR. antecessora do Traveller’s Check. O que ela significa? Como ela surgiu e onde? R. há a necessidade de três fatores (sujeito.

os meios de transporte e organismos públicos e privados. duração das estadas. Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. que é definido como o coeficiente que mede a quantidade de ingresso gerado por cada unidade de despesa turística. classificação por poder aquisitivo. Entram nessa consideração as agências de viagens. pode ser ao mesmo tempo um destino turístico. Unidade 3 1) Para a OMT – Organização Mundial do Turismo. R.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Explique o que significam as siglas PNB e PIB e diga qual a diferença entre elas. b) A oferta: composto pelo conjunto de produtos. no mínimo. são artífices da ordenação e promoção do turismo 214 . classificação por nacionalidade e local de residência. seriam necessários. PNB significa Produto Nacional Bruto e PIB significa Produto Interno Bruto. R. a) A demanda: formada pelo conjunto de consumidores ou possíveis consumidores – de bens e serviços turísticos. Cite quais são estes elementos. Perceba que a produção de um país é a representação do somatório do trabalho social realizado em determinado período. mediante seu trabalho profissional. seriam necessários. d) Os operadores de mercado: são empresas e organismos cuja função principal é facilitar a inter-relação entre a oferta e a demanda. no mínimo quais dados? R. que. c) O espaço geográfico: base física onde tem lugar a conjunção ou encontro entre a oferta e a demanda e onde se situa a população residente. 3) Defina o que é o “efeito multiplicador” do turismo. 2) Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. A relação entre o dinheiro que entra por conceito de turismo e sua repercussão final no PIB (Produto Interno Bruto) chama-se efeito multiplicador. A diferença entre os dois é que o PNB inclui todas as entradas de receitas obtidas no exterior por indivíduos e empresas brasileiras e são deduzidas as saídas de recursos obtidos por estrangeiros e empresas estrangeiras no Brasil. R. existem quatro elementos básicos no conceito da atividade turística. os seguintes dados: total de visitantes em cada núcleo. serviços e organizações envolvidos ativamente na experiência turística.

você acredita. Um processo que ordena as ações do homem sobre uma determinada localidade turística. A importância da oferta turística se dá pelo fato dela se constituir como a base de oferta diferenciada que irá atrair os turistas a uma determinada destinação. R. 215 . quanto à conservação da memória histórica e cultural do país.Teoria Geral do Turismo 2) Explique o que significa Sistema Turístico. Isto quer dizer que. a oferta. o espaço geográfico e os operadores de mercado. As políticas de Turismo devem combater os vários tipos de poluição. dos espaços livres. que as organizações turísticas são mais importantes: nível federal. das águas. a defesa da paisagem. A oferta turística de uma localidade é constituída da soma de todos os produtos e serviços adquiridos ou consumidos pelo turista durante a sua estada em uma destinação. de uma região ou mesmo de um município. do ar. destruindo ou afetando a atratividade de um local ou região. 2) Em qual nível. estadual ou municipal? Justifique sua resposta. direcionando a construção de equipamentos e infra-estrutura de uma maneira adequada. não é responsabilidade das esferas estaduais ou federais e sim do município. Esse direcionamento impede ou minimiza os efeitos negativos que a atividade turística pode trazer. R. onde a mesma se localiza. Apesar de os três níveis serem bastante significativos e importantes. Unidade 4 1) Explique quais as principais atribuições das organizações de turismo. É importante ressaltar que esses produtos e serviços são oferecidos por uma gama de produtores e fornecedores diferentes que. R. são entendidos pelo turista como um todo que integra a experiência vivencial da viagem. de um Estado. R. não há dúvida de que o nível municipal é de suma importância pois trata da atividade turística em sua base essencial. 3) Descreva o que é planejamento turístico. ou seja. As Organizações de Turismo têm a responsabilidade de implementar a chamada “Política de Turismo” de um país. Um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática. um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica e cujos quatro elementos básicos são a demanda. 3) Conceitue: oferta turística. apesar de atuarem de forma individual. Qual a importância dela? R. da vegetação. que são tão indispensáveis. a poluição encontrada nas areias de determinada praia.

quantas e quais foram. Porque o meio ambiente é a essência de todas as formas de vida Que podemos encontrar em nosso planeta. foram urbanizadas. corresponde ao turismo de massa e ocorreu a partir de 1950 e teve seu apogeu nos anos de 1970 e 1980.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 5 1) A inter relação entre o turismo e o meio ambiente é incontestável. Foi um período catastrófico para a conservação ambiental. Aparecem esportes como. pois nessa fase a demanda turística cresceu assustadoramente. O conteúdo desta frase é verdadeiro? Porque? R. uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade. onde o turismo ecológico se propaga nas localidades turísticas. portos e de estações de inverno ficou a desejar. c) A terceira fase. o rafting. juntamente com os ecossistemas que eles mantém. É a fase do relacionamento e dos primeiros equipamentos turísticos. e início do século XX. originando os centros turísticos mais antigos da Europa. Não havia a preocupação com a conservação do meio ambiente. 3) Explique o que é meio ambiente. muito conhecido atualmente. O crescimento foi desordenado. a infra-estrutura turística. evitando a ocupação de todos os espaços. como a criação de marinas. É principalmente no meio ambiente que iremos encontrar a esmagadora maioria dos atrativos turísticos. se caracterizou pela descoberta de natureza e das comunidades receptoras. porém. que é a descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios. as fases de relacionamento do turismo com o meio ambiente. o mountain bike que são passeios de bicicletas em trilhas e uma série de novos esportes que necessitam de uma natureza preservada. ocorreu no século XVIII. a água e a arquitetura que envolve a Terra. sem o devido planejamento e não na medida que a demanda necessitava. Sim. haja vista o crescimento da construção civil. no final do século XIX. Mas as cidades não cresceram na mesma proporção. Como meio ambiente entende-se a biosfera. b) Na segunda fase ocorreu um turismo de elite. Suas motivações eram o convívio em lugares onde a industrialização ainda não havia chegado ou de ambientes turísticos expandidos à beira-mar para bronzear-se e banhar-se. d) A quarta fase ocorre na metade da década de 1980. R. Nessa época a especulação imobiliária se intensificou devido ao aumento da demanda turística. 216 . isto é. é caracterizado pelo domínio do turismo sobre a natureza. R. 2) Cite e explique de forma resumida. faltava saneamento básico e tratamento de esgoto. as rochas. a) A primeira fase.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful