Após terminar a leitura deste assunto, o cibercliente saberá: Explicar o conceito de cheque e sua natureza jurídica; Mencionar os aspectos

práticos da Lei do cheque; Listar os tipos de cheques; Definir as expressões cheques falsos, falsificados e alterados; Descrever a responsabilidade do banco pelo pagamento deles; Distinguir entre contra-ordem e oposição ao pagamento do cheque; Descrever crime de estelionato na modalidade de emissão de cheque sem fundos e muito mais. Inclusive cheque protestado e inscrito no CCF e como ”limpar seu nome”. Este estudo cobre de maneira ampla e abrangente, tudo sobre o cheque. E na segunda parte estudamos a responsabilidade civil dos bancos (obrigação de reparar os danos morais e materiais) que por ventura venha causar aos seus clientes. Nesta segunda parte você saberá com o a nossa Justiça tem decido as questões relativas ao cheque, levadas até ela. As duas partes foram escritas com o objetivo de proporcionar aos bancários, conhecimentos específicos para realizar suas atividades com eficiência e diminuir os erros e abusos. E aos clientes dos bancos, uma noção clara e simples de tudo sobre o cheque. E com esse conhecimento poder reclamar com razão e com o direito de seu lado. Reclamar dos erros e abusos dos bancos. Isso é bom para o banco porque tem a oportunidade de melhorar seus serviços e para o cliente porque ao reclamar exerce sua cidadania e recupera seus prejuízos. Para tornar mais acessível aos consumidores e bancários que ainda não estão familiarizados com o tema procurei evitar notas de rodapé, embora, quase todas as informações e interpretações ora expostas são na sua quase totalidade aceitas pelos estudiosos do tema. No entanto, as fontes da pesquisa estão relacionadas no final (os principais livros utilizados na pesquisa), com o devido crédito aos autores. Inclusive, se você desejar aprofundar no tema, deve consultá-los. Onde e quando surgiu o cheque? A pesquisa da introdução histórica, sobre a época em que o cheque teve origem revela que a maioria dos autores acha difícil precisar a data, bem como onde foi inventado o cheque. Alguns atribuem à Grécia, aos romanos, invenção

dos judeus. Outros apontam como berço o solo itálico. Não é só quanto à origem que se têm dúvidas, quanto ao nome cheque, também. A denominação cheque vem do verbo inglês to check (verificar)? Ou da palavra francesa echiquier (retirar, dar baixa)? Há dúvidas quanto à etimologia do nome cheque. Sabe-se, no entanto que a expressão cheque foi empregada na França, e posteriormente na Inglaterra. No Brasil, o vocábulo cheque apareceu primeiramente na nossa legislação em 1893, porém só em 1912 a matéria chéquica teve regulamentação em lei própria. Em razão de ser universalmente importante tornou-se objeto de lei uniforme internacional em 1931 com a convenção de Genebra que também integra nosso ordenamento jurídico. No Brasil é a lei 7.357 de 1985 que regulamenta e disciplina a matéria cheque.

O que é cheque? O cheque é uma ordem emitida contra um banco ou ente assemelhado, para que pague à pessoa em favor de quem se emite, ou ao portador, importância certa em dinheiro, previamente posta à disposição e que será levado à sua conta (definição de J M Othon Sidou). O cheque é ordem de pagamento à vista sacada contra uma empresa bancária, na qual o sacador possui provisão ou fundos disponíveis em dinheiro (conceito de Octávio Médici). Que função exerce o cheque na economia? Tem como função facilitar pagamento; instrumento e meio de pagamento; diminui o manuseio e transporte de dinheiro; gera e faz circular o capital e riqueza; é moeda escritural; moeda fiduciária e “quase-moeda”. Octávio Médici aponta algumas funções econômico-jurídicas do cheque: “realizar pagamento sem uso direto da moeda; facilitar pagamento evitando contagens e conferência de dinheiro; facilitar o transporte de numerário, principalmente em viagens, mesmo porque o cheque efetua pagamento à distância; permitir a concentração de dinheiro em poder de instituições financeiras para aplicação em crédito, investimento e financiamento da produção e do consumo; tal concentração, embora figure contabilmente em nome dos depositários; permitir maior rapidez na circulação da moeda, atendendo assim, aos termos da lei financeira segundo ao qual, quanto maior a velocidade da circulação da moeda tem maior rentabilidade; documentar pagamento, valendo como quitação em inúmeros casos, principalmente quando os cheques forem nominais”. De nossa parte acrescento uma outra função importante do ponto de vista econômico: instrumento de modalidade de crédito (exemplificando: cheque pós-datado e cheque especial). Qual a natureza jurídica do cheque? É bastante controvertida a natureza jurídica do cheque, mas os autores nacionais e estrangeiros defendem suas teorias e criticam as dos outros defendidas. Assim, são muitas as teorias invocadas para explicar o cheque em

si mesmo, citamos: a teoria do mandato; teoria da delegação; do instrumento de pagamento; teoria da cessão; teoria da estipulação em favor de terceiro; teoria do título de crédito. Não vamos exumá-las e descrever o que diz cada dessas teorias, mesmo porque há quem repudia todas estas teorias sobre o cheque argumentando que não serve para classificar o cheque, pois, o mesmo tem características próprias, apresentado como “sui generis”. Das teorias citadas, a única aceita por boa parte dos autores é a teoria do título de crédito, estes autores conceituam o cheque como sendo título de crédito, posto possuir caracteres próprios e exclusivos dos títulos de crédito (formalidade, literalidade, executividade autonomia, circulabilidade, endossável e avalizável). Existe opinião no sentido de que o cheque tem natureza de título de crédito impróprio. Sergio Carlos Covello ensina que o cheque possui dupla natureza jurídica: de ordem de pagamento à vista e de título de crédito. O que deve conter no cheque? O cheque é um documento cheio de formalidade, é documento formal, tal formalismo é legal. Possui requisitos essências previstos pela lei, tem forma cartular (vem de cártula, diminutivo de carta), vale dizer, um papel onde se escreve uma ordem. Assim, a lei do cheque exige os seguintes requisitos formais e que devem constar no texto literal do cheque: a denominação, palavra “cheque”; a ordem incondicional de pagar determinada quantia; o nome do banco que deve pagar (sacado); a indicação do lugar de pagamento; a indicação da data e do lugar de emissão e a assinatura do emitente (sacador) ou de seu mandatário com poderes especiais. Estes são os requisitos ou pressupostos que a lei obriga conter no cheque. Na falta de qualquer desses requisitos o que acontece com cheque? Segundo a lei, a falta de qualquer desses requisitos enumerados, o título não produz efeito como cheque, ou seja, não vale como cheque, não tem vida autônoma de cheque, ele perde força de título cambiário, não tem mais efeito nem força executiva (não será título, cheque líquido e certo). Porém, o cheque não se torna nulo, a obrigação continua, a dívida existe e pode ser cobrada com ação de cobrança na justiça, desde que o cheque tenha assinatura do emitente. Por fim, vale lembrar que a lei abre duas exceções: se faltar o lugar do pagamento e, o lugar onde o cheque é passado, emitido. Faltando, a própria lei supre essa falta, pois diz ela: “na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado (banco); se designado vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão”. “Não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente”. Ocorre que na praxe bancária esta situação hipotética quase não se verifica, pois o banco confecciona os cheques em formulário com máximo rigorismo, com todos os requisitos exigidos do banco.

da mesma praça ou fora. em outra praça). Pior. Qual é o prazo para que o cheque seja apresentado ao banco para o seu pagamento? A nossa atual lei do cheque determina alguns prazos. porque nessa parte. dentro do prazo de 06 (seis) meses contados da data de emissão. quando emitido em outro lugar do país ou no exterior (fora da praça. É o argumento. Dissemos pior. fora do prazo legal. por ser longo demais para o cheque. E por óbvio se houver suficiente provisão de fundos. que a doença. dos correntistas e a data da abertura da conta. é instrumento e meio de pagamento e não título de crédito. e 120 dias. Demais disso. quando emitido no lugar onde houver de ser pago (na praça de emissão). agora. o banco paga? Paga sim. ou seja. Esta brevidade dos prazos já foi pior. e 60 (sessenta) dias “corridos”. alem do CPF. o cheque tem um tempo de circulação muito curto. A contar da data de sua emissão. o cheque deve ser apresentado no prazo de: 30 (trinta) dias “corridos”. não seria bom para o emitente ter que possuir fundos no banco durante um tempo longo. como a letra de câmbio ou nota promissória que têm prazo longo de apresentação.Além dos mencionados requisitos preestabelecidos pela lei. e 08 (oito). O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional podem exigir outros requisitos? Podem sim. de vez que a principal função do cheque é realizar pagamento. Hoje os prazos são de 30 e 60. Um Decreto de 1860 fixava prazo de 03 (três) dias. exige-se a data da abertura da primeira conta que teve o correntista em qualquer outro banco. antes. Mais tarde um Decreto de 1933 esticou os prazos para um mês. quando passado na mesma praça. entendemos que assim procedendo nesta prática quebra o sigilo bancário do cliente e é uma prática discriminatória e abusiva.G. E se o cheque for apresentado ao banco para pagamento. enfermidade. desde que não foi contra-ordenado ou revogado. onde deveria ser pago. . depois outro Decreto de 1912 estipulava 05 (cinco) dias. inclusive por determinação do BC e CMN desde 01/07/99. quando em outra praça. é possível a prorrogação nos casos de força maior impedir a apresentação do cheque tanto ao banco quanto ao cartório de protesto. Estes prazos são prorrogáveis? Sim. Percebe-se que o cheque tem vida breve. acidentes pessoais ou fatos referentes à pessoa do portador do cheque ou seu representante não constitui caso de força maior. Exemplo de força maior: são as calamidades públicas (enchentes. e veja que há quem considere uma estupidez. no número do R. De observar. os bancos deverão imprimir nos cheques.

já vimos quais são estes requisitos. .Verificar se o cheque é autêntico..Examinar a regularidade dos endossos. (quando não houver fundo suficiente para pagar a soma total).Observar as regras do cruzamento do cheque. borrado.Verificar se o cheque está completo como todos os requisitos essências quanto a data. ou entrega do dinheiro. feriado bancário. Porém. Pois. o cheque é pagável à vista. exigido do banco ao portador continuando o cheque na posse do portador. compete ao banco examinar a existência de fundos e outros requisitos. com emendas e dizeres que não pareçam formalmente normais. se o apresentante é mesmo o beneficiário. dilacerado. tem que tentar apresentar o cheque mesmo diante das dificuldades surgidas. a apresentação deve ser feita logo que cessar o impedimento. Quais as providências e cautelas que o banco deve tomar para realizar o pagamento do cheque apresentado? O portador ou possuidor apresenta o cheque ao banco no lugar do pagamento. mediante escrituração contábil. O portador não pode ficar parado diante dos obstáculos. conhecido com o cheque “pré-datado”. . pondo fim à vida circulatória do cheque.). partido. . O pagamento e recebimento parcial do cheque. sustação e frustração ao pagamento. segundo informa o banco através de carimbo padronizado e aposto no verso do cheque. greve bancária. . é dever do banco verificar: . Quais os efeitos da apresentação do cheque ao banco? Pode acontecer: O pagamento regular em dinheiro. vale dizer.etc.Se a apresentação está dentro do prazo legal. deverá ser pago no ato da apresentação ao banco. pois é o banco que diz se é bom ou não para pagamento aquele cheque. imediatamente nasce obrigação do banco pagar. acontecimentos alheios ao portador do cheque e imprevisíveis. assinatura etc. etc. após convertido em dinheiro. transferindo o valor do cheque da conta do emitente para a do portador. mediante recibo passado no próprio cheque. Não pagamento por motivo de contra-ordem. A verificação da devida suficiência de fundos.Pedir explicações ou garantia para pagar o cheque mutilado. rasgado. antes de pagar. se houver mais de um endossante. Assim. . .. é o que ocorre com o pós-datado. A apresentação antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação.

a de menor quantia indicada. se o cheque é emitido num país para pagamento noutro país. assim. Os efeitos do cheque continuam válidos. emitido em outro país em moeda estrangeira é pagável no Brasil. claro. prevalece a expressada por extenso no caso de divergência. pois de regra o banco é responsável pelo pagamento de cheque falso. Pode o cheque ser emitido em moeda estrangeira? Sim. este converte a moeda estrangeira expressada no cheque para nossa moeda oficial: “o real”. se um mesmo portador ou beneficiário apresentar mias de um cheque simultaneamente contra os fundos de uma mesma conta o banco não há que observar essas regras de preferência e paga o que der para pagar até esgotar os fundos. Qual o procedimento do banco quando mais de um cheque do mesmo correntista são apresentados a pagamento simultaneamente? Se houver provisão de fundos suficientes. a moeda é o “real”. pois que essas regras de preferências existem para a pessoa do portador do cheque e não em relação ao cheque. Qual o critério adotado pela lei do cheque quando o valor for escrito várias vezes. quer por extenso. Vê-se. .Toda essa cautela se explica. continua valendo. Com a morte do emitente ou sua incapacidade. em caso de divergência de valores escritos? Indicada a quantia em algarismo e por extenso. e se indicada. no caso de divergência. prevalece. Porém. quer por extenso. com a única exceção se a culpa for exclusiva do cliente. o banco deve pagar o de emissão mais antiga e. a quantia mais de uma vez. ou em algarismo. falsificado ou alterado. se de mesma data. sabemos que o cheque emitido para pagamento no Brasil. Mas. após a emissão do cheque. Vale ainda o cheque? Vale o cheque. Porém. se dois ou mais cheques forem apresentados ao mesmo tempo. paga os de menor valor. sem que os fundos bastem para o pagamento de todos. O portador legitimado pode exigir o pagamento ao banco sacado. quer por algarismo. paga. O beneficiário apresenta ao banco indicado. se o cheque foi emitido regularmente e possuir fundos suficientes o banco deve pagar.

Este é representado por curador. por exemplo. o banco evita pagar tal cheque se considerar a baixa instrução e baixa renda do portador de boa fé. a quem o banco paga o cheque.Acresce que na prática bancária do cotidiano esta hipótese raramente acontece. mesmo a lei determinando o pagamento pelo valor menor. é quem emite o cheque. se for emitente malicioso. quando o banco emite cheque administrativo. estes são representados pelos pais. O beneficiário do cheque é o tomador. o sacado e o beneficiário. Além desses três que são obrigatórios. Também sacado e sacador podem se confundir na mesma pessoa. outras pessoas: o endossante. do avalista e do endossante. tanto a assinatura do emitente. considerando também que a divergência pode ter sido intencional. E o sacador (emitente) pode ser ao mesmo tempo beneficiário do cheque. Esta capacidade começa aos 18 anos. Quanto às outras partes que eventualmente podem figurar no cheque: o endossante. entre outros casos. O sacado é o banco encarregado de pagar o cheque. bem como os relativamente incapazes. é chamado também de o sacador. Quem é quem na pergunta anterior? Primeiro vamos falar do emitente que é o titular da conta-corrente. o cruzador e o banco sacado visador. por isso se chama banco-sacado ou sacado-pagador. Também não se obriga pela assinatura. Assim. o apresentante. é o portador do cheque. o avalista e o endossatário. Dependendo das circunstâncias a mesma pessoa pode atuar como outra. ou figuras pessoais que são partes no cheque? Na elaboração e emissão do cheque há relação jurídica entre três personagens diferentes: o emitente. o avalista são pessoas que transmitem o cheque para outra pessoa e os que garantem o pagamento do cheque. no caso de divergência. podem se vincular ao cheque. se emitir para retirar fundos para si mesmo. respectivamente. Quem pode e quem não pode ser emitente de cheque? Pelas nossas leis atuais. Quais os sujeitos. quando o emitente emite o cheque em favor do banco. os absolutamente incapazes. . desde que não seja um interditado. podendo responder se assistidos pelos pais. o sacado (banco) pode ser ao mesmo tempo o beneficiário do cheque. só os que possuem capacidade civil podem ser obrigados a responder por sua assinatura aposta no cheque. tem esse outro nome também. tutores ou curadores. como é o caso do doente mental. porém se acontecer.

A chancela mecânica pode substituir a assinatura manual. É uma reprodução fiel desta. podendo se candidatar e se eleito tomar posse. Deficiente visual tem capacidade para emitir cheques? Da mesma forma que os analfabetos. O analfabeto não é considerado pela nossa lei. Este sistema obedece a requisitos técnicos e jurídicos. O pagamento com cheque é pagamento pro soluto ou pagamento pro solvendo? É pro solvendo. vale e pode ele emitir e assinar cheque. elegível. Não é de se estranhar. Se o analfabeto conseguir assinar o nome de forma precária e rudimentar (garranchos) e esta conferi com a assinatura que consta no cartão de autógrafo do banco. basta conseguir lê e escrever uma frase bem simples para ser considerado pela Justiça Eleitoral.O analfabeto pode emitir cheque? Pode. só depois de definitivamente compensado o cheque é que se considera o pagamento feito e . para ser solvida. como sendo incapaz. por exemplo. não pode ser procuração particular. O interessado em fazer uso deste sistema tem que celebrar convênio com seu banco e registrar em cartório. nossa lei não o considera incapaz. para ser resolvida a obrigação do emitente de pagar depende da compensação do cheque. É um sistema mecânico utilizado na emissão de grandes volumes de cheque. acontece. que é a feita no cartório. porém o contrato de conta corrente e a emissão de cheque devem ser assinados por procurador com poderes especiais e específicos. Assim. A procuração deve ser pública. com nossos políticos. para emitir cheque vai depender de mandatário com procuração pública A assinatura do emitente ou endossante pode ser substituída por chancela mecânica ou processo equivalente? Pode sim. ou seja.

pois se este for devolvido por insuficiência de fundos não houve pagamento. Pagamento com cheque não quita imediatamente. Recusar recebimento em dinheiro de contado corrente é contravenção penal. Enquanto o pagamento com moeda oficial (dinheiro) é pagamento pro soluto. ninguém é obrigado vender. pois este não tem curso forçado. pois a moeda tem esta função. credor. De quem é a responsabilidade pelo pagamento de cheques falsos. curso forçado. mas imediatamente deve depositar o valor com a finalidade de pagar o cheque emitido. falsificados e alterados? . incluindo o crédito concedido pelo banco na conta corrente (cheque especial).acabado. quase-crime. porém. quanto à aceitação do cheque. a existência de fundos do cheque? A existência da provisão ou fundos disponíveis é verificada apenas no ato da apresentação do cheque ao banco para pagamento. O Governo força. a dívida. negociar e aceitar pagamento com cheque. há apenas uma promessa de pagamento que só se consuma quando o cheque é compensado. A provisão é constituída pelo saldo positivo. “para solver” resolver definitivamente a obrigação. poder liberatório. Em que momento se exige a provisão de fundos. pode correntista emitir cheque sem dispor naquele momento de fundos. obriga por lei sua aceitação. Assim. convertido em dinheiro.

Mas se provar que o cliente conta-correntista não guardou. ou se foi empregado desonesto. se houver forte relação de preposição entre o falsário e o correntista (empregado). De nossa parte. familiar infiel. O banco deve suportar os prejuízos se pagar cheques fraudulentos. O banco pode até imputar a culpa exclusiva e total ao correntista e assim transferir todo o prejuízo para este. pois o banco é quem diz se o cheque é bom ou não para pagamento e não o cliente. não vigiou com a devida cautela o talão de cheques. descuidou. se conseguir demonstrar que a culpa absoluta foi do correntista negligente com o talonário. mesmo que ele tenha descuidado na guarda e vigilância do talonário de cheque.Já se decidiu: “o estabelecimento bancário é responsável pelo pagamento de cheque falso. ressalvados as hipóteses de culpa exclusiva ou concorrente do correntista” (diz a súmula nº. Pois houve culpa dos dois: cliente e do banco que pagou mal. entendemos que não é possível colocar a culpa total no correntista. mesmo porque quando não for possível apurar e determinar a culpa do . No máximo o banco conseguirá dividir o prejuízo da fraude com o correntista. ou parente. o banco pode repartir com o cliente negligente o prejuízo da fraude no pagamento. Por exemplo: se o falsário é pessoa de sua confiança. 28 do Supremo Tribunal Federal). Exceto. etc. se for falsificação hábil (difícil de verificar e fácil de enganar). se ainda a falsificação tiver sido grosseira (fácil de perceber).

Cheque falsificado é o que tem assinatura com acréscimos. pois é o banco que o falsário tem em mira e não o conta-correntista.). etc. oposição e frustração no pagamento do cheque? . ele é a vítima. a alteração do cheque é parecida com o que ocorrer com o cheque falsificado. Não vamos aqui estudá-las. não há alteração na assinatura. O que se entende por contra-ordem. É o risco profissional que o banco corre.banco nem do correntista é o banco que deve arcar com os prejuízos. O que se entende por cheque falso. Assim. pois o tema é vasto. Há três teorias adotadas pelos autores para estudar a questão da responsabilidade do pagamento do cheque fraudulento: a teoria da culpa. valor. a falsidade está na assinatura. imitada. a falsidade se dá por ocasião da emissão do cheque. daria um livro maçudo e não caberia nos limites deste nosso trabalho. falsa. adulterada. neste caso. cheque falsificado e cheque alterado? Há entendimento de que cheque falso é o que tem assinatura de suposto emitente. Assim. a falsificação ocorrer depois que o cheque foi regularmente emitido. apenas. modificação indevida. simulada. tal alteração pode ocorrer também nos outros requisitos legais do cheque (data. Cheque alterado. a teoria do risco profissional e a teoria contratualista. a fraude se dá depois de emitido.

mesmo durante este prazo de apresentação. roubo. Já vimos que o cheque tem prazo legal de 30 dias para ser apresentado ao banco para pagamento ou 60 dias se for de outra praça. motivo justo. mas sim. judicial ou extrajudicialmente. enfim. provisoriamente o pagamento. carta. que suspenda imediatamente o pagamento do cheque. fax. por exemplo. esta oposição ao pagamento ou sustação só é legal. suspender temporariamente. Mas. Assim. nenhum cliente vai contra-ordenar um cheque seu roubado. etc. extravio do cheque. De vez que a sustação tem efeito imediato (suspende o pagamento) e a contra-ordem só depois do prazo de apresentação do cheque (30 dias) contado da emissão vai produzir os mesmos efeitos (impedir o pagamento). o emitente ou até mesmo o portador legítimo pode sustar o pagamento. solicitando ao banco por telefone. E o banco deve acatar o pedido do cliente e não discutir se houve ou não razão de direito relevante. negócio desfeito. Porém. a emissão. cabe ao judiciário. exemplo: caso de furto. vamos começar primeiro pela oposição que é mais fácil de entender: oposição ou sustação. Ora. caso o beneficiário do cheque entender que o motivo do impedimento ao pagamento do cheque não foi justo. sustar (suspender). por escrito. lícita se houver se baseado numa “relevante razão de direito”. o banco . Então. mas não é o próprio Banco Central faz confusão entre contra-ordem e oposição (sustação). quando ele diz nas normas que o cheque roubado ou furtado pode se dar contra-ordem. não pode o banco fazer este julgamento.A resposta parece fácil. Sustação que significa suspender.

Agora. No pedido de contra-ordem ao banco. “O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo mercê de contra-ordem dado por aviso epistolar. vício do produto. depois de 30 ou 60 dias contados a partir da emissão.deve obedecer à ordem do emitente-mandante desejoso de opor-se ao pagamento. A revogação ou contra-ordem. conforme tenha sido emitido na mesma praça ou em outra. A contra-ordem é definitiva. deve acatar e aceitar. quanto à contra-ordem. motivo legal. inadimplemento contratual. esta é outra diferença entre contra-ordem e oposição. É o que diz a lei do cheque. justificado. . No Brasil só existia contra-ordem. nunca pelo beneficiário. no seu efeito. ou por via judicial ou extrajudicial. e só tem efeito. é um contramandato. etc. Enquanto a sustação é provisória. Exemplo de motivo: negócio desfeito. Nota-se que a contra-ordem também conhecida por revogação só pode ser dada pelo emitente do cheque. não deve julgar o motivo do pedido. revoga a ordem de pagar o cheque. é nisto que difere a contra-ordem da sustação. com as razões motivadoras do ato. apenas suspende o pagamento. a oposição veio depois com a nova lei do cheque. este também aqui. Porém também exige para sua validade. só produz efeito depois de expirado o prazo de apresentação”. arrependimento comercial.

ficou claro que há três formas de impedir o pagamento do cheque.Por fim. o banco não obedeceu às normas do Bacen . A melhor orientação. é levar a questão para o Juiz verificar se no caso concreto. vamos falar da frustração ao pagamento. não dá. em princípio. o beneficiário do cheque foi enganado. justas se houver razão que autorizem legalmente a medida é justificável. A frustração ao pagamento do cheque é a contra-ordem dada sem motivo legal. Mas. Nesta situação. de possuir cheques em razão do nome do emitente já constar do CCF. nas duas primeiras se houver “relevante razão de direito” e “razões motivadoras do ato”. segundo nos parece. O que fazer se alguém receber um cheque sustado ou contra-ordenado sem motivo ou sustado sem causa justa? Reclamar contra o banco. se o banco fornece talão quando não devia e o cliente emite cheque depois susta ou contra-ordena. Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos. Cabe a Justiça se for demandada julgar tais medidas subjetivas. pois. legais. Assim. são meios lícitos. para apurar as razões que levaram o emitente impedir o pagamento. existiu ou não motivo legal. pode ocorrer hipótese de reclamar judicialmente contra o banco em se tratando de contra-ordem ou sustação? Sim. Quando o banco fornece talonário de cheques para o cliente impedido pelo Banco Central.

“Protesto é o ato oficial pelo qual se prova a não realização da promessa contida na letra” (José M.das quais o banco é destinatário final. quando for para requerer a falência do devedor comerciante. o Notarial (autoridade administrativa). o credor do cheque impago tem a faculdade de protestar ou não. Há vários conceitos de autores clássicos. Assim. pois. portador do cheque sustado procurar a Justiça. do aceite ou do pagamento de um título cambial” (João Eunápio Borges). sem interferência do Judiciário. O que é protesto? A nova lei de protesto define assim: “protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em título e outros documentos de dívidas”. o protesto depende de sua vontade. o cheque. por exemplo. total ou parcial. se não é obrigatório? . portanto pode sim o banco ser chamado a responder se o credor. Qual a razão de se protestar o cheque. realizado pelo Tabelionato de Protesto. O protesto é ato extrajudicial. Mas. o protesto é obrigatório. o ato oficial e solene por meio do qual se faz certa e se prova a falta ou recusa. como: “protesto é. Whitaker) “Protesto é uma ato solene destinado principalmente a comprovar a falta ou recusa de aceite ou de pagamento da letra” (Fran Martins).

escrita e datada no verso do cheque. por intermédio de Cartório que tem fé pública. é importante o credor do cheque sem fundo protestá-lo? De nossa parte entendemos que sim. pois. ele prova a falta ou recusa de . Porém. e neste caso o protesto é obrigatório. o obrigado principal é o emitente. tal declaração escrita feita através de carimbo informando o motivo da falta de pagamento tem o mesmo efeito do protesto. É facultativo para efeito de cobrar o cheque impago através do processo judicial de execução. pois. neste caso o devedor direto.É Verdade. (direito de regresso). pois além de fazer publicamente. Assim. Em resumo. Um grande progresso do novo Estatuto do Cheque foi tornar dispensável o protesto. o portador também pode propor a execução contra os endossantes e seus avalistas. O protesto do cheque pode ser substituído por outra medida igualmente eficaz? Sim. a que o credor do cheque propõe contra o emitente e seu avalista. apresentado o cheque dentro do prazo e a falta ou recusa do pagamento for atestada por declaração do banco ou da câmara de compensação. para propor ação de execução indireta ou regresso contra os endossadores e seus respectivos avalistas do cheque há necessidade do protesto. a falta deste não permite entrar com ação de regresso. para salvaguardar direitos contidos no cheque impago. se houver. execução direta.

além de compelir. declarando o motivo da falta de pagamento do cheque. ou chamado de alínea 28. O portador legitimado. se de outra praça). É qualquer motivo de devolução do cheque que autoriza o protestá-lo? Não. é dizer. atestar. resguarda direito. carimbo do banco a indicar. mediante a apresentação ao banco do Boletim de Ocorrência Policial. Em que lugar deve ser apresentado o cheque para protesto? O protesto deve fazer-se no lugar do pagamento ou do domicílio do emitente. forçar o devedor a pagar. é importante dizer que para apresentar o cheque para protestar. se este ocorrer no último dia do prazo. O motivo 28. indica que o cheque foi sustado em virtude de furto ou roubo. (30 ou 60 dias. Mas. o beneficiário do cheque pode perder o direito de execução do cheque? . para evitar restrição ao crédito na praça. Qual o momento certo para apresentar o cheque para protesto? É antes de expirado o prazo para apresentação ao banco. tem que constar no verso do cheque.pagamento. Neste caso o cheque não pode ser protestado. o protesto pode ser feito no primeiro dia útil seguinte. o protesto cambiário é tirado no Cartório de Protesto do domicílio do emitente. se vier carimbado no verso do cheque pelo banco. Note bem.

mais cópia. Nesse passo.Pode sim. Na seqüência. basta pagar o cheque que foi protestado. mediante sua exibição. Em regra nos três dias úteis contados da protocolização do cheque no Cartório. o emitente do cheque informando da existência do cheque para ser protestado e para pagá-lo ou justificar porque não paga. portador do cheque. ou sustar o protesto judicialmente. o apresentante do cheque preencherá um formulário que será anexado ao cheque. este será distribuído a um dos 10 Cartórios (na cidade de São Paulo são dez). devidamente identificado e com firma reconhecida. nessa situação o portador perde o direito de ação de execução do cheque contra o emitente. É possível cancelar ou até mesmo sustar (suspender. O cancelamento pode ser feito diretamente no Cartório. entrega o cheque. Assim. porém mesmo justificando porque não paga o protesto vai ser efetivado. serve uma declaração de anuência do credor. Pela não apresentação do cheque ao banco. ou por ação monitória). Mas. não sendo possível a exibição do original. o Oficial do Cartório expede aviso pelos correios (intimação) para o devedor. se não pagar. resta cobrar por outro tipo de ação (ordinária de cobrança. se o emitente tinha fundos disponíveis suficiente e o beneficiário não o apresentou ao banco no prazo que manda a lei. . de locupletamento. o protesto ocorre e daí se extrai a certidão de protesto. Como deverá se proceder para efetivar o protesto cambial do cheque? O interessado se dirigirá ao Cartório de Distribuição de Protesto. impedir) o protesto do cheque? Sim.

para que serve o aval no cheque? . Quanto à sustação do protesto. no caso do protesto ser irregular. até se chegar uma decisão judicial definitiva. não será protestado o cheque. cautelar de sustação de protesto com pedido de liminar. pois. o aval é comum na nota promissória e na letra de câmbio e qualquer título de crédito aceita. com a função de garantir o pagamento. esta se dá por intermédio de medida judicial. instrumento de crédito. o avalista é responsável da mesma maneira que a pessoa por ele avalizada. melhor dizendo.microfilmagem do cheque fornecida pelo banco mais as dez Certidões de Protesto e pagar as tarifas bancárias. dada por terceiro através de assinatura num título de crédito. Porém a nossa lei do cheque admite. declaração de cumprimento da obrigação de pagar feita por pessoa normalmente estranha ao negócio. é uma declaração unilateral de vontade solidária e autônoma. Há quem entenda não caber aval no cheque. ordem de pagamento à vista. Assim. Se concedida a liminar cessará os efeitos do protesto. O cancelamento judicial é feito perante o Juízo. além da breve vida circulatória do cheque. Qual o conceito de aval? Aval é uma garantia pessoal. É declaração de garantia. Evidentemente com assistência do advogado. Então. este é instrumento e meio de pagamento. e não. é feito na Justiça.

mas o avalista pode garantir o total do valor do cheque ou só parte deste total. “presto aval”. até a importância de R$ 150.00. por aval de fulano. Como deve ser escrito ou lançado o aval no cheque? Pode se utilizar das expressões: “por aval”. ser escrito numa folha de alongamento. É verdade que difícil encontrar cheque com aval. lançado. É novidadeiro. não é tão pouco empregado. “em aval”.. os signatários (coobrigados: endossador. mas. Quem pode e quem não pode avalizar o cheque? Todas as pessoas civilmente capazes. avalizando. Pode também. Em que local do cheque o aval deve ser escrito? Deve ser. O aval não pode ser prestado pelo banco-sacado.Para garantir e reforçar o pagamento. na verdade a lei não exige . Não pode ser lançado em documento à parte. Por exemplo: cheque de R$ 200. exceto o sacado (o banco. inclusive. Na lei brasileira existe aval parcial? Sim. avalista. sacador) do cheque podem. pode ser no verso (dorso. o aval parcial é permitido. este não pode). ou tão somente aval. avalizo. escrito. o pagamento do cheque pode ser no todo ou em parte garantido por aval. Assim.00 reais. prolongamento anexado ao cheque. costa) ou no anverso (frente. no mundo dos negócios com cheques com altas somas. face). no próprio cheque. aval parcial seria prestado assim. etc.

O aval pode ser: aval em branco ou incompleto. Em preto indica a pessoa para quem se dá o aval. assinatura do avalizado. assinatura do emitente. Vício de forma é o erro formal. este garante o pagamento de parte da soma e deve dizer claramente qual a importância é garantida. se faltar no cheque. Quais as espécies ou modalidades de aval? Pode ser total ou parcial. o primeiro é garantia cambial. avalista de fulano ou qualquer outra fórmula equivalente. indicando e identificando claramente a favor de quem este é dado. É possível e permitido haver mais de um aval? . Subsiste sua obrigação ainda que nula a por ele garantido. aquele garante o pagamento integral. especial e rígida. Qual o papel do avalista no cheque? “O avalista se obriga da mesma maneira que o avalizado. desde que clara. salvo se a nulidade resultar de vício de forma” diz a lei. pode usar dizeres ou palavras: bom para aval. em preto ou completo. ou seja. seguida da assinatura do avalista. etc.forma sacramentada. Aval não se confunde com fiança. É importante datar e indicar o lugar onde foi dado. esta última é garantia de contrato. o primeiro exprime-se pela simples assinatura do avalista (dador do aval). faltar a palavra cheque no título. de título. sem mencionar a favor de quem é dado (avalizado).

Porém não se confunde com. se o banco marcar o cheque (cheque marcado para pagamento em tal dia) e se houver prescrição cambiária. quando houver o pagamento do cheque. Do Endosso. Pode haver dois ou mais avais em branco no mesmo cheque e são considerados avais “simultâneos” e não.Sim. Que direito tem o avalista que pagou o cheque avalizado? “O avalista que pagou o cheque adquire todos os direitos dele resultantes contra o avalizado e contra os obrigados para com este. sucessivos”. O que é endosso? “Conceitua-se o endosso como sendo um negócio jurídico unilateral. houver anulação do cheque ou do aval. Diz a súmula 189 do STF: “avais em branco e superposto. Em que situação o avalista se exonera do aval? Sua obrigação termina. os avais são prestados a outro avalista (aval de aval). Nesta hipótese. Em resumo: Se são sucessivos. o segundo avalista que. se são simultâneos. onde tem o condão de apontar a transmissibilidade do título e ingressar no seu âmbito de validade” (Carlos Henrique Abrão. mas. aval sucessivo. em virtude do cheque”. consideram-se simultâneos e não. os avais são prestados ao obrigado cambiário. seu avalizado. sucessivos. . Editora Leud). paga tem direito regressivo contra o primeiro. que é chamado aval de aval.

os cheques nominativos à ordem são transferidos por endosso. Assim. endosso (in dorsum). chama-se endossante ou endossador. cheque ao novo titular ou beneficiário” (Octávio Médici. costas) do cheque. nota promissória. um prolongamento anexado ao cheque quando não houver mais espaço no título para escrever o endosso. Porém. . menos o endosso em branco. Cheque. E não se confunda com cessão de crédito. Para que serve o endosso? Serve para transferir o título entre um portador e outro. por meio de endosso.“Endosso é o negócio jurídico em virtude do qual o portador legítimo ou de boafé transfere a outra pessoa um título de crédito como todos os seus direitos e ações. e o novo beneficiário chama-se endossatário ou endossado. Editora Juruá). a alienação da letra de câmbio. o endosso tem dupla função: a de transferência e a de garantia. O endosso deve ser escrito no próprio título ou numa folha de alongamento. Se for escrito na frente. Em que local do cheque deve se escrever o endosso? A declaração. a transferência. pode ser escrito na frente. transferir a propriedade do título com todos os direitos e obrigações ligados a ele. A pessoa que transfere o cheque. exige-se que se escreva “por endosso” para não criar confusão com o aval. no anverso. Os cheques ao portador são transferidos por tradição manual. vem daí seu nome. Assim. o escrito deve ser feito no verso (dorso. É. pois. O endossante fica também obrigado a garantir o seu pagamento.

de completo ou regular. por exemplo: “por endosso” e assina. É válido o endosso do sacado. O endosso do sacado é nulo. do banco-sacado? Não. de que forma se expressa o endosso? Declara expressando pelos dizeres “pague-se a fulano” ou “por endosso” ou pela simples assinatura do portador legitimado. O endosso transfere o título totalmente. simples. Quantas e quais são as espécies ou modalidades de endosso? São três. quando indica nominadamente o endossatário e o endosso em branco. . reputando-se não escrito qualquer condição a que seja submetido (não admite condição). em preto é também chamado de próprio. é essa cláusula não é considerada condição). embora não seja a datação requisito essencial. mas é seguro anotar a data. O. Assim. pode-se escrever a cláusula. sendo inválida a menção que reduz o seu valor ou que subordine a transmissão a qualquer efeito restritivo. O endosso deve ser puro e. No entanto. A lei não exige que o endossante anote o dia que lançou o endosso. Como se escreve. serve para dar quitação ao pagamento do cheque. Mas o endosso ao sacado é válido. quando não designa o endossatário. A lei proíbe endosso parcial.Admite-se endosso parcial? Não. (e assim. ou seja. a pessoa favorecida. Os mais conhecidos são: o endosso em preto. “sem despesa” ou “sem protesto”.

sem endossar novamente. O endossante pode evitar ser responsável solidário ao pagamento do cheque endossado em relação aos outros sucessivos beneficiários? Sim. em branco. Exemplo: “pague-se a Pedro. -Transferir o cheque a outra pessoa. Exemplo: “pague-se a Pedro. por este não se transfere a propriedade do título para o endossatário. O. “valor em cobrança” ou outra expressão equivalente. serve para o endossatário cobrar e receber pagamento do título. sem minha responsabilidade” e assina. por procuração é bem usado quando se coloca título em cobrança no banco. Quem recebe cheque por endosso em branco. em branco ou em preto (a favor de outra pessoa). pode estipular expressamente em contrário. O inverso extingue. pode fazer o quê? Preencher ou completar o espaço em branco.: “pague-se a Pedro”. Assim. Exemplo: “para cobrança” ou “por procuração”. A morte ou incapacidade superveniente do endossante não extingue o mandato no endosso mandato. “Salvo estipulação em contrário. chama-se também de endosso impróprio. O. é bastante que fique bem esclarecido que não garante o pagamento do cheque. -Endossar de novo o cheque.Assim. O terceiro tipo de endosso: endosso mandato. O que significa cheque nominativo? . com seu nome ou de outra pessoa. o endossante garante” – diz a lei. proibido ou vedado endosso” e assina. por ex. ou pode proibir novo endosso. sem preencher o espaço em branco. ou por procuração. que vem antes da assinatura do endossante.

quem deve receber o pagamento. o cheque não circula. Assim. mesmo o cheque com a cláusula não à ordem pode ser transferido. e deve ser pago à pessoa indicada no cheque. com a cláusula “ao portador”. não por endosso. suprimiu os títulos ao portador. mas pela cessão de crédito comum. Existem duas modalidades de cheque nominativo: à ordem. mas na prática o cheque ao portador existe. ou seja. O que se entende por cheque ao portador? “Pode-se estipular no cheque que seu pagamento seja feito ao portador”. indica ao banco sacado. Cumpre assinalar que uma lei de 1990 que dispõe sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais. fica evidente que cheque ao portador é o que não consta o nome do beneficiário e se consta tem a expressão “ao portador”. Vale como cheque ao portador.00 deve conter indicação do favorecido e faculta o uso da expressão “ao emitente” no cheque. o que não consta a indicação do nome do beneficiário e. nesta o cheque não é endossável. Para circular dispensa endosso. o emitido em favor de pessoa nomeada. tanto que o Banco Central determina que cheque cujo valor é acima de R$ 100. Não à ordem proíbe endosso. nesta a titularidade é transferível por meio de endosso (endossável) e não à ordem. quando coincidir na mesma pessoa emitente e favorecido. ou expressão equivalente”.Esta espécie de cheque é a que nomeia a pessoa do beneficiário da soma contida no cheque. circula por tradição manual. Contudo. É o que diz a lei. Se for apresentado cheque ao portador com .

se pode ser pago pelo . Assim. neste caso. podendo constar apenas o nome “banco”. O que é um cheque cruzado? “O emitente ou portador podem cruzar o cheque. A vantagem do cruzamento é tornar o furto do cheque mais trabalhoso. deve-se saber qual o banco entre os indicados no cruzamento deve pagar. A lei prevê dois tipos de cruzamento: o cruzamento geral e o cruzamento especial. Na prática comercial estes cheques circulam de comerciante para comerciante.valor superior o banco não paga. devolve. 48. mas este não pode converter-se naquele”. e só escreve o nome do beneficiário o último portador que apresentar ao banco para pagamento. por isso é também chamado de cruzamento em branco. de vez que o cheque cruzado deve ser creditado em conta corrente. carimba no verso o motivo nº. mediante a aposição de dois traços paralelos no anverso do título” – diz a lei. Especial é o que traz expresso o nome do banco entre os dois traços. chamado também de cruzamento em preto ou em cheio. Geral é aquele em que entre as duas linhas paralelas não consta qualquer indicação expressa a um sacado determinado. e diz mais: “o cruzamento geral pode ser convertido em especial. Pode acontecer mais de um cruzamento especial.

até a soma do cheque. ou equivalente. O emitente ou o portador pode proibir que o cheque seja pago em dinheiro mediante inscrição transversal. O banco emitente da ordem de pagamento (cheque) coincide com o banco sacado. sob pena de responder pelo prejuízo. pois.sacado no caso de se tratar de dois cruzamentos dos quais. há autores que entendem que cheque administrativo tem natureza de nota promissória à vista. transferência ou compensação). é o cheque sacado pela agência bancária contra sua própria caixa. Este tipo tem a vantagem de combater a insegurança do pagamento. um para a liquidação por câmara de compensação. ou de caixa. é o banco que faz a promessa de pagamento. pois há certeza na sua liquidez. o sacado só pode proceder a lançamento contábil (crédito em conta. . que vale como pagamento. O que é e em que consiste o cheque para ser creditado em conta? Esta espécie é nova. É de se notar que a lei dispensa o endosso neste tipo de cheque quando este for depositado em conta do próprio beneficiário. da cláusula “para ser creditado em conta”. Com o novo Estatuto do Cheque foi incluída no nosso direito essa nova modalidade. não era conhecida por nossa lei. emitente e sacado são a mesma pessoa. Nesse caso. no anverso do título. O banco sacado tem de respeitar esta cláusula. pois é uma promessa de pagamento. O que é cheque administrativo? Também conhecido como cheque bancário.

pode solicitar para emitir no seu nome ou em favor de outra pessoa que receberá o valor. Conhecido também por cheque adúltero. ao comprar. porque os bancos criam o cheque especial através de contrato de abertura de crédito em conta corrente. Não se admite este tipo de cheque. contudo tem respaldo da lei. em virtude de sua complexidade técnica. . .A emissão pode se dar a pedido de qualquer interessado. mas faz ligeira referência a ele. tem boa aceitação nos negócios. para efeito de conferência de assinatura. paga ao banco o valor do cheque. Traveler`s check. é proibido. assina uma vez. cheque de turismo ou cheque viajeiro. até a quantidade de dólares permitida. nem na atual lei do cheque. O que é cheque especial? Não é este tipo de cheque previsto no nosso direito. ao portador. ou seja. A nossa atual lei do cheque não faz previsão sobre este tipo. teve origem na Inglaterra. amplamente usado em viagem internacional. o valor é em dólares ao câmbio do dia. são seus outros nomes. É usado em todo mundo. desde que compre o cheque. tem que ser nominativo. Falar sobre o cheque de viagem. em reais. dirige-se a um banco e compra o cheque de viagem isoladamente ou em talonário. assina no outro campo indicado. Há dois campos para assinatura. É vendido pelos bancos: quem vai viajar ao Exterior. quando for descontá-lo no Exterior.

assim chamado inadequadamente dá ao cliente um determinado limite de crédito em conta que será utilizado como. no último dia útil de cada mês. que pode ser de uma só vez ou parceladamente. isso varia de banco para banco. Geralmente os juros e IOF são lançados a débito (cobrados) na conta do cliente. a pedido do emitente ou do portador legitimado. datada e por quantia igual à indicada no título.Cheque especial. Falar sobre cheque visado. a quantia indicada no cheque e a reservá-lo em benefício do portador legitimado. certificação ou outra declaração equivalente. o capital utilizado. sem que fiquem exonerados o emitente. E mais. . certificação ou outra declaração equivalente obriga o sacado a debitar a conta do emitente. melhor lhe aprouver e pelo tempo estipulado. paga o imposto de operações financeiras (IOF) e logicamente o principal. a cada 3 (três) ou 6 (seis) meses paga uma tarifa para renovação do contrato. lançar e assinar no verso do cheque não ao portador e ainda não endossado. endossantes e demais coobrigados. A aposição de visto. O cliente paga os juros proporcionais ao tempo que ele usou o dinheiro do banco. “Pode o sacado. visto. durante o prazo de apresentação.

até o montante inscrito no cheque. Exemplo. o visamento é dado antes. não há porque recusar visar o cheque. O visto é apenas uma espécie de aviso informando que o cheque foi apresentado ao banco e que este confirma e afirma a existência de fundos.O sacado creditará a conta do emitente a quantia reservada. outros entendem que o visamento admite contra-ordem e oposição. Nosso entendimento é que se o banco é prestador de serviço. Alguns entendem não admitir contra-ordem. Questão tormentosa tem sido saber se o visamento constitui obrigação ou mera faculdade do banco. – diz a lei. tem um mandato do cliente. o banco escreve no verso do cheque: “certifico a existência de fundos”. uma vez vencido o prazo de apresentação. se o cheque lhe for entregue para inutilização”. Os autores nem sempre se mostram claros ao apontar pela obrigatoriedade ou faculdade. tem-se emprestado relevância à questão. Desse modo. deve exercer com zelo e em benefício do cliente. mas. O visamento tem o condão de oferecer segurança e garantia ao beneficiário quanto à provisão de fundos. Outra questão igualmente tormentosa diz respeito à contra-ordem e oposição no cheque visado. do cheque nominal entrar em circulação ainda não endossado depois é que o cheque visado é passado ao beneficiário. Ninguém tem dúvida que o cheque visado admite sustação (oposição . antes disso. ou “bom para pagamento e pela importância do saque”. mas quanto ao banco. Certo é que a faculdade existe para o emitente. “este cheque tem fundos” ou outra equivalente.

Mudando de parecer entendemos que o cheque visado admite os dois. pois. geralmente grandes somas. porém há vozes em contrário: que diz ficar proibido a marcação do cheque. Esta espécie não se acha prevista no atual diploma legal do cheque. se houver.ao pagamento). fraude de toda sorte. bloqueia a importância. roubo. Muita coisa pode acontecer depois de emitir regularmente um cheque e este começar a circular: furto. mas também não proíbe. de vez que em outro trabalho nosso: Manual Prático do Cheque onde advogávamos não se cogitar de contra-ordem. porém. Hoje somos de opinião que admite tanto contra-ordem quanto sustação. desde que tenha motivo justo. “Se o portador consentir que o sacado (banco) marque cheque para certo dia. o . apresenta ao banco para resgate do cheque e este verifica a disponibilidade de fundos. claro. pelo fato de após 30 dias decorridos e não descontado o cheque visado. da conta do emitente correspondente à marcação. Falar sobre cheque marcado. e este prazo é o mesmo em que o valor fica reservado. Pelo fato de não possuir naquele momento. além de sua vida curta. alteração. ela só começa ter efeito após o prazo de apresentação. falsificação. exonera todos os outros responsáveis”. a dúvida é quanto à contra-ordem. Esta modalidade de cheque ocorre quando o apresentante ou beneficiário de. o valor retorna para a conta do emitente. Neste cenário não pode o cheque ser considerado irrevogável.

Uma das ações judiciais por falta de pagamento do cheque é a ação de execução.”. solicita ao beneficiário. bastando exprimir com as palavras: “bom para o dia tal. se não for preenchido por completo. etc. beneficiário do cheque impago tem direito liquido e certo de exigir a importância que deveria ser paga. ou seja. . Enquanto. não produz efeitos como cheque. claro só não pode assinar. até porque cheque não admite aceite. nessa ação não se discute a origem do negócio. um prazo. vício. nome do banco. o banco marca para dia certo o pagamento. A marcação parece aceite. que o banco passa ser responsável direto pela obrigação de pagar o cheque no dia aprazado. pois o banco é o responsável pelo pagamento. e se este aceitar. ou seja. apresenta todos os elementos essenciais: nome cheque. da dívida. “Pode o portador promover a execução do cheque: -contra o emitente e seu avalista. esta é do emitente. valor. o porquê da emissão do cheque. No cheque marcado a contra-ordem não é admitida. mas não é. e quem possuir de boa-fé pode completar. Este tipo de cheque não é considerado nulo. o portador legitimado não terá nada haver com isso. exceto se adquiriu de má-fé. neste caso se justifica. quantia certa.valor em caixa para pagamento... Falar sobre o cheque incompleto. Como propor cobrança judicial do cheque? O credor. porém se for completado em desacordo com o combinado com o emitente. completo é o cheque que não apresenta omissão. mas é ineficaz. erro formal. ou sua causa. É como se fosse cheque quase em branco. data. assinatura. lugar de pagamento. e o emitente não tem mais nada a ver com o cheque marcado. Vem daí. O cheque incompleto é o que falta qualquer um dos requisitos essenciais.

-contra os endossantes e seus avalistas. Se a execução for contra os devedores diretos (emitente e seus avalista) se quer precisa destas declarações (desde que a ação não tenha prescrita). atenção: o portador perde o direito de execução contra o emitente se não apresentar o cheque ao banco em tempo hábil. Mas. o prazo é contado da emissão e não da data de apresentação do cheque ao banco. Conforme já vimos. escrita e datada sobre o cheque. os Tribunais têm decidido o prazo de 07 (sete) meses. através das declarações do banco. se tiver a declaração do banco ou da câmara de compensação escrita e datada sobre o cheque. se a execução for contra os devedores indiretos: endossantes e seus avalistas tornam obrigatórios. pois. ou. estas declarações têm os mesmo efeitos do protesto. Assim. ou o protesto ou as declarações referidas. Qual o prazo para o credor mover ação de execução? Esta ação prescreve em seis meses contados a partir da expiração do prazo de apresentação do cheque (30 dias ou 60). em razão de fato que não lhe seja imputável. ainda. de modo a comprovar a falta ou recusa de pagamento. pois. por declaração escrita e datada por câmara de compensação”. ou se não comprovar a recusa do pagamento. Porém. se o emitente tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e deixou de ter. . o protesto é dispensável. com indicação do dia da apresentação. se o cheque é apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado.

é crime de estelionato. ação de enriquecimento ilícito ou locupletamento. avalista não são emitentes. como: ação monitória. intencional e voluntária para caracterizar o crime. a emissão dolosa de cheque sem fundos. É de se notar que a contra-ordem ou a sustação sem motivo justo frustra o pagamento e configura como crime de estelionato. Pena – reclusão. alguém em erro. vantagem ilícita. em prejuízo alheio. ter vantagem ilícita. Só o emitente pode cometer este crime. ou qualquer meio fraudulento. para si ou para outrem. mediante artifício. ou seja. Como a emissão deve ser dolosa. o cheque pré-datado sem fundos não constitui crime de estelionato. Nas mesmas penas incorre quem: emite cheque. induzindo ou mantendo. pode ainda fazer uso de outras ações para receber o pagamento. É crime emitir cheque sem fundos? É crime sim. o endossante. deve haver a intenção de fraudar. “Obter. ou lhe frustra o pagamento”. de um a cinco anos e multa. sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado. ardil.Se o portador perder o direito de execução. É bem assim que diz o nosso Código Penal. ação de cobrança e ação de regresso. Então. .

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