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D urante a maior parte do ciclo da planta de algodão há diversos eventos ocorrendo

D urante a maior parte do ciclo da planta de algodão

há diversos eventos ocorrendo ao mesmo tempo,

como crescimento vegetativo, aparecimento de ge-

mas reprodutivas, florescimento, crescimento e maturação de fru- tos (Figura 1).
mas reprodutivas, florescimento, crescimento e maturação de fru-
tos (Figura 1).
crescimento e maturação de fru- tos (Figura 1). Figura 1. Esquema mostrando o ciclo de crescimento

Figura 1. Esquema mostrando o ciclo de crescimento do algodoeiro.

Ciro A. Rosolem 1

Cada um destes eventos é importante para a produção final, mas é necessário que eles ocorram de modo balanceado. Durante boa parte do ciclo da planta ocorre uma forte competição interna pelos carboidratos da fotossíntese. Assim, se houver uma queda excessiva de estruturas reprodutivas, haverá crescimento vegetativo exagerado, aumentando o auto-sombreamento que, por sua vez, causará maior queda de estruturas reprodutivas.

A temperatura influencia fortemente o crescimento da plan- ta, tendo sido determinada a exigência em temperatura para cada fase do crescimento do algodoeiro (OOSTERHUIS, 1992). Na Tabe- la 1 encontram-se essas temperaturas, determinadas para varieda- des cultivadas nos Estados Unidos e no Brasil.

Apesar de alguns eventos ocorrerem concomitantemente, no presente trabalho dividiu-se o ciclo do algodoeiro em fases de crescimento, analisando-se os principais processos que ocorrem em cada um deles. Assim, serão analisadas as seguintes fases:

Semeadura à emergência;

Emergência ao aparecimento do primeiro botão floral;

Aparecimento do primeiro botão floral ao aparecimento da

primeira flor;

Aparecimento da primeira flor ao primeiro capulho;

Abertura do primeiro capulho à colheita.

Tabela 1. Número médio de dias e unidades de calor (UC) que o algodão necessita durante seu crescimento, em vários estádios. Dados obtidos na safra 98/99 na região de Rondonópolis, média das variedades ITA 90 e Antares.

Estádio de crescimento

Número de dias

 

Unidades de calor (1)

 

MT

Literatura

MT

Literatura

Semeadura à emergência Emergência ao primeiro botão Primeiro botão à primeira flor Emergência à primeira flor Primeira flor ao primeiro capulho Emergência ao primeiro capulho

 

4-9

50-60

33

27-38

358

425-475

21

20-25

271

300-350

54

47-63

629

725-825

54

45-66

658

850

109

125-161

1.287

1.575-1.675

Entrenós Na haste principal Nos ramos

2-3

40-60

5-6

80-120

1 UC - Unidades de Calor acumuladas, calculada por: UC = [(T + t)/2 - 15], onde: T = temperatura máxima diária; t = temperatura mínima diária; 15 = temperatura base ( o C).

1 Departamento de Produção Vegetal, Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP. Caixa Postal 237, CEP 18603-970, Botucatu-SP. Telefone: (14) 6802-7100. E-mail: rosolem@fca.unesp.br

Objetivo: O bom estabelecimento da cultura é a chave para o sucesso da lavoura. Em
Objetivo: O bom estabelecimento da cultura é a chave para
o sucesso da lavoura. Em termos de manejo, nes-
ta fase o objetivo será estabelecer um estande
adequado no mínimo tempo possível.
A
velocidade de emergência depende fundamentalmente da
temperatura (WANJURA & BUXTON, 1972a, 1972b). Em condi-
ções normais, ela deve ocorrer entre 5 e 10 dias.
Nesta fase é possível analisar a reação da planta ao am-
biente separando-se o processo em diferentes eventos.
O
primeiro evento, assim que a semente é colocada no solo,
é
o da embebição. Ao contrário do que se pode pensar à primeira

vista, se o solo não estiver muito seco, a temperatura tem maior efeito na velocidade de embebição da semente do que a própria água, como pode ser observado na Figura 2, onde, a 37,8 o C, a semente chegaria a 60% de umidade em aproximadamente 8 horas, enquanto a 15,5 o C a mesma umidade somente seria atingida em aproximadamente 28 horas. Considerando-se que sempre haverá sementes com menor vigor no lote, as sementes mais vigorosas conseguirão superar este estresse com maior facilidade que as se- mentes com menor vigor. Assim, no campo, o sintoma de problemas com baixas temperaturas será a desuniformidade do estande, não desejável.

será a desuniformidade do estande, não desejável. Figura 2. Embebição de sementes de algodão em função

Figura 2. Embebição de sementes de algodão em função do tempo de semeadura e temperatura.

Em seguida ocorre a emissão da radícula, que por sua vez

também é bastante dependente da temperatura (Figura 3). Indepen- dentemente da umidade do solo, o tempo para emissão da radícula diminui significativamente com o aumento da temperatura, com o tempo mínimo ocorrendo a temperaturas médias da ordem de 32 o C.

É importante notar que, mesmo com umidade do solo da ordem

de - 10,0 bar, bem seco, há emissão de radícula. Por outro lado, tem- peraturas menores que 20 o C elevam o tempo para emissão da radí- cula em mais de 40 horas, que somadas às 28 horas necessárias para

a embebição totalizam 68 horas, ou quase três dias. A temperaturas ótimas, os mesmos eventos ocorreriam em aproximadamente 24 ho- ras, ou apenas um dia.

ocorreriam em aproximadamente 24 ho- ras, ou apenas um dia. Figura 3. Emissão da radícula de

Figura 3. Emissão da radícula de algodoeiro em função da tempera- tura e da umidade do solo.

Depois ocorre o crescimento do hipocótilo. Como pode ser visto na Figura 4, o crescimento do hipocótilo é também depen- dente da temperatura, mas sofre influência muito grande da umida- de do solo. Assim, se o solo estiver com umidade de - 10,0 bar, que não foi suficiente para inibir completamente os eventos anteriores, e se a semeadura tiver sido realizada a 5 cm de profundidade, não haverá emergência. Da mesma forma, independentemente da umi- dade do solo, se a temperatura média for menor que 21 o C ou maior que 34 o C não haverá emergência da planta. Novamente neste caso, sementes mais vigorosas conseguirão se sobrepor ao estresse (de- pendendo do rigor do estresse), e o estande será muito desuni- forme.

rigor do estresse), e o estande será muito desuni- forme. Figura 4. Comprimento do hipocótilo do

Figura 4. Comprimento do hipocótilo do algodoeiro em função da umidade do solo e da temperatura.

Providências: Utilizar sementes de boa qualidade, semear na época adequada, com temperatura e umi- dade adequadas, com as sementes colocadas em profundidade uniforme por máquinas bem reguladas.

Objetivo: Estabelecer um bom sistema radicular e plantas vigorosas.

Dependendo da temperatura, esta fase pode demorar de 27 a 38 dias (BAKER & LANDIVAR, 1991). Nesta fase, o crescimento da parte aérea é relativamente lento, mas há vigoroso crescimento do sistema radicular.

O crescimento de plântulas de algodão durante as duas pri-

meiras semanas após a emergência não é muito sensível à mudança na temperatura. Entretanto, a partir da 3 a semana a planta fica muito sensível a variações de temperatura, com crescimento ótimo em temperaturas diurnas de 30 o C e noturnas de 22 o C (REDDY et al.,

1992a).

A raiz pivotante penetra o solo rapidamente, podendo atin-

gir profundidade de 25 cm ou mais por ocasião da abertura dos

cotilédones. Durante esta fase, a raiz deve crescer de 1,2 a 5 cm por dia, se não houver impedimento. Quando a parte aérea tiver aproxi- madamente 35 cm de altura, a raiz deverá estar a 90 cm de profundi- dade (McMICHAEL, 1990). Numerosas raízes laterais aparecem, formando um tapete que se encontra no meio das linhas, mas são relativamente superficiais. O comprimento total das raízes continua

a aumentar até que a planta atinja a sua máxima altura e os frutos

comecem a se formar. A partir deste ponto, o comprimento total do sistema radicular entra em declínio. A relação parte aérea/raiz, que é de 0,35 aos 12 dias após a semeadura, cai para 0,15 aos 80 dias

(McMICHAEL, 1990).

Nesta fase desenvolvem-se nós e internós, podendo haver início de crescimento de um ou mais ramos vegetativos. O algo- doeiro possui dois tipos de ramos: reprodutivos e vegetativos. Em cada nó se desenvolve um ramo reprodutivo. Por outro lado, não é desejável o desenvolvimento de muitos ramos vegetativos.

Os primeiros 4 a 5 nós da haste principal são vegetativos e suas folhas têm duração curta. O primeiro botão floral deve apare- cer entre o quinto e o sexto nó.

Providências: Semeadura na época correta, uniformidade na profundidade de semeadura, bom progra- ma de correção e fertilização do solo e au- sência de camadas compactadas.

Objetivo: Obter uma planta com maior número possível de nós, providenciando espaço para que haja flo- rescimento e produção.

Nesta fase acentuam-se o crescimento em altura e a acumu- lação de matéria seca pela planta, que entra na fase linear de cresci- mento. A duração desta fase é também regulada pela temperatura, durando usualmente de 25 a 35 dias (BAKER & LANDIVAR, 1991).

Em temperaturas médias de 22 a 25 o C, as plantas iniciam a produção de um novo ramo simpodial (frutífero) na haste principal

a cada 3 dias (BAKER & LANDIVAR, 1991; HODGES et al., 1993).

Por ocasião do aparecimento da primeira flor, as plantas devem ter desenvolvido entre 14 e 16 nós, na haste principal, acima do nó

cotiledonar. Embora haja alguma variação em função da posição na planta, além da temperatura, pode-se estimar que a cada três dias deva aparecer um botão floral em ramos sucessivos, e a cada seis dias deva aparecer um botão floral no mesmo ramo (KERBY &

KEELEY,1987).

Nesta fase, o crescimento vegetativo é fundamental para gerar um grande número de posições frutíferas. Por ocasião do aparecimento da primeira flor (branca), uma planta com bom poten- cial de produção deve ter 9-10 nós acima desta flor (KERBY & HAKE, 1993).

Com relação à exigência em água, nesta fase ela passa de menos de 1 mm por dia para quase 4 mm por dia. A falta de água neste período fará com que a planta fique menor do que deveria, com menos posições para o desenvolvimento de flores e maçãs.

Uma seca nesta fase faz com a planta estacione seu crescimento. Se

a seca não for muito severa, poderá haver recuperação do cresci- mento.

Providências: As mesmas das fases anteriores, além de bom acompanhamento do crescimento e bom controle de pragas iniciais.

Objetivo: Fixação do maior número possível de maçãs.

Nesta fase estão ocorrendo diversos eventos, com grande

intensidade, na planta. A competição entre crescimento vegetativo

e reprodutivo se acentua, exigindo maior atenção. As plantas con-

tinuam a crescer linearmente. É atingida a altura máxima, assim como

a máxima interseção de luz (fechamento da copa).

A vida média de uma folha é de 65 dias, mas o pico de

fotossíntese ocorre aproximadamente 20 dias após a abertura da folha. A máxima fotossíntese da folha ocorre quando o fruto está no início de seu desenvolvimento, o que pode limitar o fluxo de carboidratos para o fruto, principalmente quando existe mais de um fruto por ramo. Isso explica porque sempre os frutos de primeira

posição no ramo são mais desenvolvidos que os demais.

A exigência em água passa de 4 a mais de 8 mm por dia,

acompanhando o desenvolvimento da área foliar. Embora o algo- doeiro seja conhecido por ter certa resistência à seca, maior que a dos cereais, por exemplo, isso não significa que não necessite de água. Para a obtenção de altas produtividades é necessária uma quantidade de água da ordem de 700 mm durante o ciclo da cultura (GRIMES & EL-ZIK, 1990). O problema é que, em boa parte do Brasil onde se cultiva algodão, quanto mais água disponível, mais nuvens, e portanto menos luz disponível. Assim, em algumas re- giões, a presença de chuvas fornecendo quantidade adequada de água não permite que a cultura receba a insolação necessária para

altas produtividades. Neste caso, a falta de luz é mais limitante que

a própria disponibilidade de água.

Queda de estruturas reprodutivas

A queda ou abcisão de botões florais e de maçãs jovens é

um fenômeno natural no algodão, que é acentuado pela ocorrência de condições adversas como tempo nublado, temperaturas muito altas ou baixas, deficiência de nutrientes e crescimento vegetativo muito intenso. A queda de até 60% das estruturas é considerada

normal (OOSTERHUIS, 1992). No Brasil, a variedade Coodetec 401 apresenta uma média de queda de estruturas de 57% (GONDIN, 1998, comunicação particular).

A queda é regulada pelo balanço entre açúcares no tecido

e teor de etileno. Desta forma, qualquer fator que determine uma

queda na fotossíntese, ou um aumento no gasto metabólico, resul- tará em queda de estruturas reprodutivas, como, por exemplo, auto- sombreamento por crescimento excessivo, muitos dias nublados, temperaturas altas, etc.

Tendo em vista que o algodão é uma planta tipo C 3 , com elevada taxa de fotorrespiração (cerca de 38% da fotossíntese) e alto ponto de compensação de CO 2 , a planta é particularmente sen- sível à falta de luminosidade. Na Tabela 2 pode-se ver que o sombreamento causa reduções importantes na fotossíntese das folhas, individualmente.

Tabela 2. Taxas de fotossíntese líquida de folhas de algodão herbáceo pré-condicionadas a vários regimes de luz (MURAMOTO et al., 1967).

Condição da folha antes da medição *

Fotossíntese mg CO 2 .dm -2 .h

Sombreada

27

Pouco sombreada, recebendo réstias de luz

37

Densamente sombreada**

13

Completamente iluminada às 9:00 horas da manhã

46

* Todas as folhas foram expostas diretamente ao sol no momento das medições. ** Folhas submetidas a forte sombreamento artificial.

Por outro lado, o crescimento excessivo da planta causa maior auto-sombreamento, dificultando a penetração da luz na copa da planta, também com prejuízos na produtividade. Normalmente se

aceita que a altura máxima da planta não deve ultrapassar 1,5 vezes

o espaçamento da cultura, para que o auto-sombreamento não seja

excessivo. A resposta do algodão a altas temperaturas, em relação à retenção de frutos, encontra-se na Figura 5. Nota-se que a resposta da planta em termos de produção de pontos floríferos, ou nós, é linear com o aumento da temperatura até 40/32 o C. Entretanto, em temperaturas acima de 35/27 o C, a porcentagem de abcisão aumenta muito, chegando a 100% das flores produzidas. Assim, altas tempe- raturas tendem a desbalancear o equilíbrio entre crescimento reprodutivo e crescimento vegetativo da planta, em favor do de- senvolvimento vegetativo. Plantas muito vigorosas, com rápido crescimento, podem significar plantas com pouca produção. No caso da Figura 5, as plantas permaneceram 12 horas nas tempera- turas indicadas, o que não corresponde à realidade de campo.

Assim, REDDY et al. (1992b) testaram o efeito de temperatu- ras de 40 o C em plantas de algodão expostas por 2, 4, 6 e 12 horas. O autores notaram que as plantas toleraram 40 o C por até 6 horas, com pequena influência no pegamento das flores, quando tinham me- nos que 10 maçãs. Plantas com mais de 10 maçãs apresentaram menores taxas de retenção com menos tempo de exposição a altas temperaturas. Isso ocorre em função do fornecimento de carboidratos às estruturas em formação, que varia conforme a temperatura. Em temperaturas acima de 30 o C a fotossíntese começa a diminuir, en-

acima de 30 o C a fotossíntese começa a diminuir, en- Figura 5. Efeito da temperatura
acima de 30 o C a fotossíntese começa a diminuir, en- Figura 5. Efeito da temperatura

Figura 5. Efeito da temperatura na fixação de frutos do algodoeiro.

quanto a fotorrespiração continua a aumentar, tendo como conse- qüência uma importante diminuição na fotossíntese líquida, ou seja, nos carboidratos disponíveis para o crescimento.

Nesta fase, da primeira flor à abertura do primeiro capulho, algumas maçãs já estão em fase de maturação. Portanto, na segun- da metade desta fase, a ocorrência de qualquer estresse que dimi- nua a fotossíntese, como temperaturas muito altas ou baixas, mui- tos dias nublados, seca, etc., além do prejuízo pela queda de estru- turas, causará um prejuízo em função da ocorrência de maior por- centagem de fibras imaturas.

Providências: Maximizar o controle de pragas e doenças, com acompanhamento da queda de estrutu- ras reprodutivas e do crescimento da planta em altura.

Objetivo: consolidar a produção, preparar uma colheita rá- pida e limpa.

A fase final da cultura começa com a abertura do primeiro capulho e termina com a aplicação de desfolhantes e/ou matura-

dores. Neste caso, essa fase dura de 4 a 6 semanas, dependendo da produtividade, do suprimento de água e de nutrientes, assim como da temperatura. A maturação das maçãs depende fundamentalmen-

te da temperatura, como pode ser visto na Figura 6. A maior taxa de

crescimento, ou seja, a temperatura em que as maçãs atingem a maturidade em menor tempo, encontra-se entre 21 e 26 o C. Para tem- peraturas médias de 30, 26 e 23 o C, o tempo para se obter maçãs maduras será, respectivamente, de 40, 50 e 60 dias. Por outro lado, temperaturas mais baixas favorecem a formação de maçãs mais pe- sadas (Figura 7).

Nesta fase, a carga pendente deve ser suficientemente alta

para inibir o crescimento vegetativo, em função da competição que

o grande número de maçãs em desenvolvimento deve oferecer. A

atividade do sistema radicular está em declínio, assim como é dimi- nuída a fotossíntese da copa da planta. Assim, nesta fase, o princi- pal processo que ocorre na planta é a translocação.

Figura 6. Taxa de crescimento da maçã de algodão em função da temperatura. Figura 7.

Figura 6. Taxa de crescimento da maçã de algodão em função da temperatura.

da maçã de algodão em função da temperatura. Figura 7. Peso final da maçã em função
da maçã de algodão em função da temperatura. Figura 7. Peso final da maçã em função

Figura 7. Peso final da maçã em função da temperatura média.

A ocorrência de um estresse nesta fase causará prejuízo na qualidade da fibra e não tanto na produtividade, a não ser que ocorra excesso de chuvas. Assim, baixas temperaturas poderão re- sultar em muitas fibras imaturas e má abertura dos capulhos.

Neste ponto do desenvolvimento da cultura a exigência em água cai rapidamente. Na verdade, quando da abertura dos capulhos seria desejável que não chovesse, para que fosse preservada a qualidade das fibras. Evidentemente, água em excesso nesta fase resultará em grandes prejuízos, principalmente se a cultura estiver muito enfolhada, pois o microclima muito úmido favorecerá o apo- drecimento de capulhos e de maçãs da parte inferior da planta, justamente as mais desenvolvidas.

Providências: Acompanhamento da maturação das maçãs, aplicação de maturadores e/ou desfolhantes.

Nos últimos anos, a produtividade média de algodão no Brasil tem crescido, em função da utilização de cultivares mais pro- dutivos e com maior rendimento de beneficiamento, mais o empre- go de tecnologias avançadas. Entretanto, ainda há espaço para que se obtenha, nas condições brasileiras, produtividades médias aci- ma das que se vem obtendo.

Na Figura 8 são comparadas as produtividades em algumas situações. Até 1995 as médias brasileiras eram da ordem de 1.200 a 1.300 kg.ha -1 . A partir de 1995, com o desenvolvimento da cultura em novas áreas, com nova tecnologia, a produtividade média brasi- leira aumentou significativamente, até em torno de 2.800 kg.ha -1 na safra 2000/2001, segundo estimativa do IBGE. Bons agricultores, em regiões mais favoráveis do país, têm conseguido produtivida- des da ordem de 5.300 kg.ha -1 . Na Austrália, em locais mais adequa- dos à obtenção de alta produtividade, a média encontra-se em tor- no de 4.000 kg.ha -1 . No campo, há notícias de se ter conseguido produtividade da ordem de 9.000 kg.ha -1 .

conseguido produtividade da ordem de 9.000 kg.ha - 1 . Figura 8. Produtividades de algodão obtidas

Figura 8. Produtividades de algodão obtidas em diversas situações.

Em vista das diferentes produtividades obtidas e do recente desenvolvimento da cultura em novas regiões no Brasil, algumas questões se colocam:

O que limita a produtividade em cada situação?

Até onde é possível chegar com as variedades e tecnologia atuais?

Dentro de cada região brasileira, qual seria o potencial?

O algodoeiro é uma planta tida como relativamente ineficiente na conversão da energia incidente em produtividade (BELTRÃO & AZEVEDO, 1993), e aspectos fundamentais da fisiologia da planta são difíceis de serem modificados. Assim, há necessidade de um entendimento profundo do funcionamento da planta e, em função disso, desenvolver uma tecnologia de produção que permita o me- lhor aproveitamento possível da energia incidente e, ao mesmo tem- po, reduza as perdas de produtividade.

O aproveitamento do maior número de flores, com uma boa distribuição dos frutos na planta, tem sido fundamental na obten- ção de alta produtividade. No presente trabalho é feita uma análise da distribuição da produção dentro da planta de algodão, inferin- do-se possíveis técnicas de manejo que possam aumentar a produ- tividade, com as variedades atuais e dentro das condições de clima prevalecentes no Brasil.

Com base em resultados de um experimento conduzido na safra 1999/2000, no município de Pederneiras, SP, com a variedade ITA 90, no espaçamento de 0,90 m entre linhas e 88.000 plantas.ha -1 , foram feitos cálculos e estimativas dos componentes da produção, apresentados nas figuras a seguir. A produtividade média do expe- rimento foi de 5.405 kg.ha -1 , ou próximo de 360 @.ha -1 .

Com relação à retenção de frutos, os resultados não se dis- tanciam dos observados em geral na literatura, mostrando 65% dos capulhos na posição 1, 28% na posição 2 e 7% na posição 3 ou maior. Entretanto, fica claro na Figura 9 que a distribuição dos fru- tos em relação à altura da planta foi diferente da que seria esperada, representada pela linha tracejada. Esperava-se maior produção nas posições mais baixas da planta. Assim, fica claro que, provavel- mente, eventos climáticos, ou mesmo ataque de pragas e/ou doen- ças, não permitiram o desenvolvimento adequado da planta, dimi- nuindo seu potencial produtivo.

adequado da planta, dimi- nuindo seu potencial produtivo. Figura 9. Número de capulhos por ramo da

Figura 9. Número de capulhos por ramo da planta (linha tracejada = número esperado).

Foram particularmente prejudicadas as posições dos nós 8, 9, 10 e 13, que apresentaram menor número de capulhos na posi- ção 1. Houve, sim, recuperação da planta, produzindo maior quan- tidade de algodão no ponteiro, mas este algodão será de menor rendimento no beneficiamento e de pior qualidade, além do aumen- to no ciclo da planta, que se observa nesta situação. O alongamen- to do ciclo, em paralelo ao aumento no custo de produção, faz com que parte da produção se desenvolva em época menos favorável, contribuindo para a obtenção de menor produtividade e pior quali- dade do produto colhido.

Com relação ao peso individual do capulho, a Figura 10 mostra que não houve desvio do que seria esperado, ou seja, os frutos tiveram desenvolvimento normal.

esperado, ou seja, os frutos tiveram desenvolvimento normal. Figura 10. Peso médio de um capulho por

Figura 10. Peso médio de um capulho por posição na planta.

Considerando-se os resultados obtidos de amostragens fei- tas no terço médio e no terço superior das plantas, combinados com parâmetros obtidos na literatura, foi estimada a produção por posição na planta. Os parâmetros utilizados nos cálculos encon- tram-se na Tabela 3.

De modo geral, quanto mais alta a posição do capulho na planta e mais afastado da haste principal ele estiver, menor o peso médio e menor o rendimento no beneficiamento. Além disso, dimi- nui a qualidade da fibra, que não foi considerada neste trabalho.

Pode-se afirmar que os problemas observados na fixação

dos frutos acabaram por se refletir na produção de algodão em caroço, e mais acentuadamente na produção de fibra (Figura 11).

e mais acentuadamente na produção de fibra (Figura 11). Figura 11. Produção de pluma de algodão

Figura 11. Produção de pluma de algodão em função da posição do fruto na planta.

Tabela 3. Componentes da produção considerados na estimativa da produção de algodão (valores obtidos em experimento conduzido em 99/00 em São Paulo, adaptados de acordo com valores obtidos na literatura).

Nó n o

Peso do capulho (g)

 

Rendimento (%)

1 a posição

2 a posição

3 a posição

1 a posição

2 a posição

3 a posição

6

5,7

5,5

4,7

0,44

0,44

0,42

7

6,8

5,5

4,4

0,44

0,44

0,42

8

6,8

5,5

4,4

0,44

0,44

0,42

9

6,2

5,5

4,4

0,44

0,44

0,42

10

6,2

5,5

4,4

0,44

0,44

0,42

11

5,7

5,5

0,44

0,44

12

5,5

5,5

0,44

0,44

13

5,5

5,1

0,44

0,44

14

4,8

5,1

0,42

0,42

15

4,1

3,5

0,42

0,42

16

3,6

3,5

0,42

0,42

KERBY et al. (1987) observaram, em algodão com produtivi- dade de 3.630 kg.ha -1 , que 66% da produção estavam na 1 a posição, 28% na segunda e 6% na terceira posição, a partir da haste princi- pal.

No Brasil, para a variedade Coodetec 401, produzindo 3.580 kg.ha -1 , 73% da produção encontravam-se na 1 a posição, 24% na 2 a e apenas 3% na terceira posição. No caso presente, 67% da produção, e do valor da produção, encontravam-se na primeira po- sição, 28% na segunda e 5% na terceira ou maior, mesmo com pro- dutividade bem superior (5.405 kg.ha -1 ) às dos casos anteriores (Tabela 4). Assim, infere-se que esta estrutura de produção se mantém relativamente constante, mantendo certa independência da produ- tividade. Ela seria muito modificada em função da população de plantas (KERBY & HAKE, 1993), que não está sendo considerada neste trabalho.

Na Tabela 4 nota-se ainda que os valores relativos ao pri- meiro e ao último ramo reprodutivo são menores em relação aos

demais. Isso ocorre nos ponteiros em função do menor tamanho dos capulhos e do menor rendimento de benefício em função do menor grau de maturidade da fibra nestas posições.

Considerando-se que a distribuição da produção não foi adequada no exemplo discutido, é possível se fazer algumas simu- lações, admitindo-se que tais desvios não tivessem ocorrido.

Tomando-se os resultados do experimento (Figura 12), com 11 nós reprodutivos, com produtividade de 360 @.ha -1 , e admitin- do-se melhor distribuição dos capulhos na planta, tem-se as se- guintes situações:

Planta com capulhos apenas na primeira posição, com 11 nós reprodutivos (Figura 13): a produtividade seria de 5.124 kg.ha -1 (342 @.ha -1 ).

Tabela 4. Produção de fibra e valor da produção de algodão estratificados na planta, variedade ITA 90, em Pederneiras, SP, com produtividade de 360 @.ha -1 , em espaçamento de 0,90 m e população de 88.000 plantas.ha -1 (Preço de US$ 0,50.lb -1 ).

Produção de fibra

   

Valor da produção

 
 

1 a posição

2 a posição

3 a posição

   

1 a posição

2 a posição

3 a posição

 

- - - - - - - - - - - - - - - kg.ha -1

-

-

- -

-

- -

-

-

- - -

%

 

- - - - - - - - - - - - - - US$.ha -1 - - - - - - - - - - - - -

%

6

111

41

6

122

45

6

7

263

290

8

131

162

145

178

9

128

41

141

45

10

120

108

132

118

11

220

54

44

 

88

242

59

48

88

12

213

215

234

237

13

53

50

59

55

14

133

147

15

76

64

83

71

16

132

6

146

6

Total

1.582

654

128

 

2.359

 

1.739

718

138

2.594

%

67

28

5

100

67

28

5

100

Figura 12. Produção de algodão em caroço, por posição na planta, obtida em Pederneiras, SP.

Figura 12. Produção de algodão em caroço, por posição na planta, obtida em Pederneiras, SP.

Figura 14. Produção estimada de algodão em 12 nós, primeira posi- ção.

estimada de algodão em 12 nós, primeira posi- ção. Figura13. Produção de algodão estimada, considerando-se a

Figura13. Produção de algodão estimada, considerando-se a produ- ção de 11 nós, primeira posição.

Planta com capulhos apenas na primeira posição, com 12 nós reprodutivos (Figura 14): a produtividade seria de 5.583 kg.ha -1 (372 @.ha -1 ).

Planta com capulhos na primeira posição, como as ante- riores, mais os capulhos de segunda e terceira posições observados no experimento (Figura 15): a produtividade seria de 7.365 kg.ha -1 (491 @.ha -1 ).

Deste exercício algumas inferências podem ser feitas:

Com a tecnologia e variedades atuais, é possível se obter produtividades da ordem de 7.500 kg.ha -1 (500 @.ha -1 ) desde que condições de clima e/ou pragas e doenças não provoquem “va- zios” na planta, com posições sem produção.

Figura 15. Produção estimada de algodão, em 12 nós, da primeira à terceira posições.

Para produtividades desta ordem é fundamental a partici- pação da posição 2, e mesmo da 3, uma vez que, para que toda a produção viesse da posição 1, seria necessário uma planta muito alta.

Ainda resta a grande questão: Como fazer?

É muito claro, na literatura e no exercício feito, que a produ- tividade é uma função direta do número de capulhos produzidos. O aumento no tamanho do capulho produziria aumento marginal na produtividade. Como aumentar o número de capulhos por hectare?

Existe uma relação direta entre o número de capulhos produ- zidos por área e a densidade populacional, até populações da or- dem de 140.000 plantas.ha -1 (KERBY & HAKE, 1993), no Estado da California. Entretanto, é necessário observar que naquelas condi- ções não há chuvas e a umidade relativa do ar é muito baixa.

No Brasil, principalmente em áreas mais úmidas, esta não seria uma solução, uma vez que maiores populações implicariam em menor circulação de ar e maior umidade dentro da cultura, provo- cando maiores perdas por podridão de maçãs.

Plantas mais altas poderiam produzir mais maçãs, mas o auto- sombreamento seria um problema, uma vez que foi demonstrado que a altura da planta não deve ultrapassar em muito 1,5 vez o espaçamento (LAMAS, 1997).

Assim, na maioria das regiões produtoras de algodão no Brasil, alta produtividade implica em se produzir capulhos não só na primeira posição, mas também na segunda e talvez terceira posi- ções. Considerando-se as limitações fisiológicas da planta (BEL- TRÃO & AZEVEDO, 1993), algumas hipóteses/recomendações po- dem ser sugeridas para a obtenção de produtividade da ordem de 7.500 kg.ha -1 :

Eliminação de limitações do ponto de vista químico e físico do solo e de controle fitossanitário;

Semeadura na época correta, procurando adequar as épo- cas de maior exigência da planta em água ao regime hídrico da região;

Emprego de sementes de alta qualidade e vigor, com bom tratamento contra insetos e fungos, distribuídas por má- quinas de boa qualidade;

Irrigação, em regiões com histórico de veranico e regiões mais secas;

Espaçamento e população. Com menores populações é di- minuída a participação da primeira posição na produção, e se consegue melhores condições de trocas do ambiente na cultura com o ambiente exterior. Assim, a população deverá ser ajustada às condições de pluviosidade e umi- dade relativa da região, procurando-se diminuir as perdas por podridão de maçãs. Conseqüentemente, cada região terá um potencial de produtividade diferente;

Altura da planta. Plantas com maior número de nós pode- ria ser uma solução, mas, com as variedades atuais, isso

significaria maior altura, o que não é desejável. O regula- dor, além de diminuir a altura das plantas, diminui também

o número de nós;

Uniformidade da cultura. Tem sido muito comum a distri- buição irregular de sementes e/ou sementes colocadas a

profundidades diferentes, o que implica em plantas de di- ferentes tamanhos na mesma linha, causando competição

e perda de produtividade. Além disso, tem ocorrido

desuniformidade na aplicação de corretivos e, princi- palmente, na aplicação de N, estabelecendo-se regiões com falta e regiões com excesso do nutriente, no mesmo talhão.

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1972b.

E mbora o assunto comporte talvez um livro específico,

no presente capítulo serão tratados apenas alguns

aspectos da nutrição mineral, calagem e adubação do

algodoeiro. A implantação da cultura em áreas com solos de fertili- dade marginal traz problemas antes não contemplados, principal- mente na literatura nacional. Alguns problemas atuais mais ligados

à exploração da cultura algodoeira nas áreas de cerrado brasileiras serão tratados no presente texto, com ênfase nos trabalhos desen- volvidos no Brasil.

Considerando-se que a prática de arrancar e queimar as soqueiras de algodoeiro, embora recomendável do ponto de vista do controle de pragas, não vem sendo adotada pela maioria dos cotonicultores, a cultura não mais se enquadra entre as mais esgotantes do solo. Entretanto, altas produtividades de algodão extrairão do solo quantidades apreciáveis de nutrientes, o que de- verá ser considerado no programa de adubação. Encontram-se na Tabela 1 as exigências em nitrogênio, fós- foro e potássio para a produção de 1.000 kg.ha -1 , ou aproximada- mente 67 @.ha -1 . Para produções mais altas, a exigência crescerá proporcionalmente.

Tabela 1. Acúmulo de nutrientes em variedades de algodão (parte aérea), em condições de campo, obtido por diversos auto- res, nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Valores calculados para uma produção de 1.000 kg.ha -1 .

Variedade/Autor/Estado

N

P 2 O 5

K 2 O

 

- - - - - - - kg/ha - - - - - - - -

IAC 22/FURLANI Jr. et al. (2000)/MS ITA 90/FUNDAÇÃO MT (1997)/MT ITA 90/STAUT (1996)/MS

69

25

60

48

22

43

85

13

47

Média de exportação (%)

43

50

35

A exigência mineral é um pouco diferente quando se consi- deram diferentes variedades, locais e condições de condução da

cultura, variando a acumulação de N de 48 a 85, a de P 2 O 5 de 13 a 25

e a de K 2 O de 43 a 60 kg.ha -1 .t, o que dificulta um pouco o planeja- mento da adubação com base no esgotamento do solo pela cultura do algodão. Embora ROSOLEM et al. (1997) tenham concluído que ITA 90 seria mais exigente que as IAC em potássio, os resultados da Tabela 1 mostram que ITA 90 é um pouco menos exigente que IAC 22, tanto em potássio como em fósforo. Entretanto, a experiência tem

1 Departamento de Produção Vegetal, Faculdade de Ciências Agronômicas,

UNESP. Telefone: (14) 6802-7100.

E-mail: rosolem@fca.unesp.br

Ciro A. Rosolem 1

mostrado que as variedades mais modernas, com genótipos impor- tados, têm-se mostrado mais sensíveis à deficiência de K, talvez por serem menos eficientes na absorção do nutriente do solo. As quantidades absorvidas dão uma idéia dos níveis de adubação que possivelmente deverão ser utilizados, mas a marcha de acumulação dos nutrientes fornece informações mais precisas de quando o nutriente estará realmente sendo utilizado pela plan- ta. A marcha de acumulação de nutrientes das cultivares IAC 22 e ITA 90 estão representadas nas Figuras 1 e 2, respectivamente.

90 estão representadas nas Figuras 1 e 2, respectivamente. Figura 1. Acúmulo de N, P 2

Figura 1. Acúmulo de N, P 2 O 5 e K 2 O pelo algodoeiro, cv. IAC 22, em função do tempo, considerando-se uma produtividade de 3.000 kg.ha -1 , ou 200 @.ha -1 . Resultados adaptados de FURLANI Jr. et al. (2000).

- 1 . Resultados adaptados de FURLANI Jr. et al. (2000). F i g u r

Figura 2. Acúmulo de N, P 2 O 5 e K 2 O pelo algodoeiro, cv. ITA 90, em função do tempo, considerando-se uma produtividade de 3.000 kg.ha -1 , ou 200 @.ha -1 . Resultados adaptados de FUN- DAÇÃO MT (1997).

Nas Figuras 3 e 4 são apresentadas as velocidades de ab- sorção de N, P e K pelo algodoeiro, em função da idade da planta. Nestas figuras fica claro que o algodoeiro apresenta uma grande demanda por nutrientes durante boa parte do seu ciclo, diferente das variedades antigas, como no trabalho de MENDES (1960).

das variedades antigas, como no trabalho de MENDES (1960). Figura 3. Fração dos nutrientes N, P

Figura 3. Fração dos nutrientes N, P e K acumulados por dia. Culti- var IAC 22. Dados adaptados de FURLANI Jr. et al. (2000).

var IAC 22. Dados adaptados de FURLANI Jr. et al. (2000). Figura 4. Fração dos nutrientes

Figura 4. Fração dos nutrientes N, P e K acumulados por dia. Culti- var ITA 90. Dados adaptados de FUNDAÇÃO MT (1997).

No caso da IAC 22 (Figura 3), nota-se que a velocidade de absorção aumenta drasticamente a partir dos 40 dias, permanecen- do alta até os 90 dias, para os três nutrientes considerados. Isso significa que, estritamente do ponto de vista da marcha de absorção, será possível obter resposta ao N e ao K em cobertura, ou foliar, por um período longo do ciclo. Significa também que es- ses nutrientes deverão estar disponíveis pelo menos até os 90 dias após a emergência das plantas, nas condições de Selvíria (MS), onde o experimento foi conduzido. Os diversos picos que se obser- va na figura provavelmente se devem às condições meteorológicas, proporcionando fluxos de crescimento.

No caso da ITA 90, os picos de absorção são mais definidos (Figura 4), talvez refletindo as condições locais do experimento, com chuvas melhor distribuídas. Mesmo assim, as exigências são altas desde os 50-60 dias até os 100 dias. A fase de maior exigência ocorre mais tardiamente em relação à da IAC, provavelmente refle- tindo o estádio fisiológico das plantas, pois quanto mais baixa a temperatura média do local, mais vagaroso o crescimento do algo- doeiro. São válidas para esta cultivar as mesmas considerações a respeito da adubação em cobertura e foliar feitas para IAC 22.

É importante notar que, a partir dos 90-95 dias, a velocidade

de absorção de K diminui rapidamente, chegando a zero. Nesta fase

a planta está em processo importante de enchimento dos frutos e

maturação de fibras, que exigem quantidades apreciáveis de K, que, no caso, deve ser suprido aos frutos por translocação. Daí a impor- tância das plantas acumularem quantidades apreciáveis de K antes dos 90 dias da emergência.

É muito conhecido o efeito da calagem na melhoria da dispo-

nibilidade dos macronutrientes e do Mo, bem como na diminuição da disponibilidade dos micronutrientes Zn, Mn, B, Fe e Cu.

Em estudos conduzidos no Estado de São Paulo foi mostra-

do claramente que são obtidas altas produções de algodão quando

o solo mostra, na camada arável, pelo menos uma saturação por

bases da ordem de 60% (SILVA et al., 1995a). Os mesmos autores monstraram que há forte interação da calagem com a adubação potássica, sendo as maiores produtividades obtidas com a aplica- ção de calcário e potássio.

Na Figura 5 é mostrada a produção relativa de algodão em função das saturações por bases do solo, nas profundidades de 0-20, 20-40 e 40-60 cm. Na figura evidencia-se que as maiores produ- ções dependem não só de uma saturação por bases de 60% na camada arável, mas também é necessária uma saturação mínima de 45 a 50% nas camadas subsuperficiais.

À luz destes resultados é possível inferir que o sistema radicular do algodoeiro somente encontra condições para um bom crescimento se não houver Al tóxico presente. Em saturações por bases da ordem de 45-50% não se espera a presença de Al tóxico. Por outro lado, fica claro que isso não é suficiente para que a produ- tividade seja máxima, pois na camada arável há necessidade de maiores saturações. Assim, além da neutralização do Al tóxico, na camada superficial há necessidade de neutralização do Mn tóxico, que embora não prejudique o crescimento radicular, prejudica a produtividade do algodoeiro.

Assim, fica muito claro que, nas condições do Estado de São Paulo, com variedades paulistas, há necessidade absoluta de correção do solo até que seja atingida as saturações por bases de 60% na superfície e, pelo menos, 40-45% em subsuperfície. Estes dados foram obtidos principalmente com a cultivar IAC 20. Mas, outras cultivares, em outros locais, reagiriam da mesma forma?

ROSOLEM et al. (1997) e ROSOLEM & FERELLI (1999) es- tudaram este problema.

Na Figura 6 encontram-se os comprimentos de raízes das cultivares IAC 20, IAC 22 e ITA 90, em função da saturação por bases do solo. Nota-se que quando a saturação por bases do solo era da ordem de 50% todas as cultivares atingiram o máximo compri- mento radicular. Isso demonstra que o sistema radicular do algo- doeiro é muito sensível ao Al tóxico, uma vez que a saturação em

que o crescimento foi máximo corresponde aproximadamente à sa- turação em que não mais se observa Al em concentrações tóxicas. Não foram observadas diferenças entre as cultivares nesse ponto.

observadas diferenças entre as cultivares nesse ponto. Figura 5. Produtividade de algodão em função da

Figura 5. Produtividade de algodão em função da saturação por bases do solo nas profundidades de 0-20 cm (A), 20-40 cm (B) e 40-60 cm (C). Média de cinco anos (adaptada de SILVA et al., 1995a).

(C). Média de cinco anos (adaptada de SILVA et al., 1995a). Figura 6. Comprimento radicular de
(C). Média de cinco anos (adaptada de SILVA et al., 1995a). Figura 6. Comprimento radicular de

Figura 6. Comprimento radicular de variedades de algodão em fun- ção da cultivar e da saturação por bases do solo. Adaptada de ROSOLEM et al. (1997).

Por outro lado, na Figura 7 encontram-se as respostas com- parativas das cultivares IAC 20, IAC 22 e ITA 90 à calagem, em termos de produção de matéria seca. Pode-se observar que, neste caso, enquanto a produção das IAC é máxima em saturações próxi- mas de 70%, a produção de ITA 90 já começa a diminuir a partir da saturação por bases do solo de 50%.

a diminuir a partir da saturação por bases do solo de 50%. Figura 7. Produção de

Figura 7. Produção de matéria seca de plantas de algodão das cultiva- res IAC 20, IAC 22 e ITA 90 em função da saturação por bases do solo. Adaptada de ROSOLEM et al. (1997).

É possível inferir desses resultados que o Al afeta o cresci-

mento radicular das três cultivares do mesmo modo. Quanto ao Mn, como tem pouco efeito no sistema radicular mas grande efeito no crescimento da parte aérea, as IAC se mostraram mais sensíveis à toxidez de Mn, como demonstrado na Figura 7, pois somente apre- sentaram a máxima produção em saturação suficiente para neutrali- zar o Mn tóxico, ao passo que ITA 90 parece ser mais sensível à deficiência do nutriente.

É interessante notar como esses resultados obtidos em casa

de vegetação são completamente compatíveis com os resultados de cinco anos de campo obtidos por SILVA et al. (1995a) e apresen- tados na Figura 5.

Na Figura 8 confirma-se essa hipótese, pois com os menores teores de Mn na solução nutritiva o aumento em altura das cultiva- res Coodetec 401 e ITA 90 são mais pronunciados que o da IAC 22. Por outro lado, com os maiores teores de Mn na solução nutritiva a altura da IAC 22 diminuiu, ao contrário das alturas das cultivares Coodetec 401 e ITA 90.

Deste modo, ao passo que as IAC necessitam correção do solo a 60-70%, ITA 90 e Coodetec 401 não suportam saturações tão altas, pois podem apresentar deficiência de Mn. Assim, se estes últimos materiais forem cultivados em solos com saturação por ba- ses acima de 50%, certamente haveria necessidade de se fazer adu- bação com Mn. Embora estes resultados tenham sido obtidos em vasos, há fortes indicações de que não há necessidade de se efe- tuar calagem para elevar a saturação por bases do solo a 70% nos casos em que não se utiliza cultivares IAC.

Figura 8. Altura de plantas de algodão em função da concentração de Mn na solução
Figura 8. Altura de plantas de algodão em função da concentração de Mn na solução

Figura 8. Altura de plantas de algodão em função da concentração de Mn na solução nutritiva em diferentes cultivares. Adapta- da de ROSOLEM & FERELLI (1999).

Com relação à adubação nitrogenada, há que se chamar aten- ção para, principalmente, três aspectos: dose, época de aplicação e interação com regulador de crescimento.

Na maioria dos trabalhos consultados, mesmo quando exis- te resposta a doses de N acima de 100 ou 120 kg.ha 1 , em cobertura, estas doses não são econômicas. Na Figura 9, somente houve res- postas a doses maiores de N quando não foi aplicado regulador, pois a altura da planta estava limitando a produtividade. No caso, sem regulador, as plantas tinham de 1,10 a 1,30 m de altura; com 16,5 g.ha -1 de regulador a altura variou de 0,80 a 0,90 cm, e com 33 g.ha -1 a altura variou de 0,60 a 0,70 m. Assim, a adubação nitro- genada e a aplicação de regulador de crescimento devem ser trata- das como práticas independentes, calculando-se a dose de N para máxima economicidade e a dose de regulador em função do desen- volvimento da planta para cada situação em particular.

volvimento da planta para cada situação em particular. Figura 9. Resposta do algodoeiro Coodetec 401 ao

Figura 9. Resposta do algodoeiro Coodetec 401 ao nitrogênio e ao regulador de crescimento.

A intensidade de absorção é muito baixa nos primeiros 40-

45 dias, até o aparecimento dos botões florais (Figura 4). A partir

deste ponto a intensidade de absorção aumenta muito, até atingir valores da ordem de 5,5 kg.ha -1 .dia, por volta dos 75-80 dias após a emergência, declinando a seguir. Assim, de pouca valia será a apli- cação tardia de N, por exemplo, após os 80 dias da emergência das plantas.

ROSOLEM & MIKKELSEN (1989) concluíram que enquan- to houver um número significativo de maçãs se desenvolvendo pode existir potencial para resposta ao nitrogênio; entretanto, o N absorvido após os 90 dias da emergência é acumulado principal- mente nas folhas da parte mediana e do ponteiro da planta. Em plantas bem nutridas, menos de 30% do N absorvido nesta época será destinado aos frutos.

Por outro lado, não é possível se pensar em adubação nitrogenada sem levar em consideração o desenvolvimento vegetativo da planta. Sempre que houver aumento na disponibili-

dade de N haverá crescimento vegetativo, muitas vezes em detri- mento do crescimento reprodutivo. Foi demonstrado que até os

70 dias após a emergência existe uma correlação positiva entre au-

mento da altura do algodoeiro e produtividade, ao passo que após os 70 dias essa correlação torna-se negativa. Assim, não é interes- sante induzir crescimento vegetativo após os 70 dias, a não ser em

condições especiais. Portanto, não se justifica o parcelamento tar- dio da cobertura nitrogenada.

Muitos agricultores têm realizado três ou mesmo quatro co- berturas nitrogenadas até 90-110 dias após a emergência, embora a experimentação em regiões mais tradicionais não recomendassem essa prática (SILVA, 1999).

Recentemente foram divulgados resultados que comprovam não ser aconselhável a realização de mais que duas coberturas na cultura do algodão (FUNDAÇÃO MT, 2001), sendo até contrapro- ducente a aplicação de N aos 80 ou 100 dias após a emergência da cultura (Figura 10). Por outro lado, há muito foi demonstrado que a deficiência de N antes do aparecimento do primeiro botão floral tem como efeito um atraso significativo no ciclo da cultura (MALIK et al., 1978), o que aumenta o custo de produção.

(MALIK et al., 1978), o que aumenta o custo de produção. Figura 10. Produção de algodão
(MALIK et al., 1978), o que aumenta o custo de produção. Figura 10. Produção de algodão
(MALIK et al., 1978), o que aumenta o custo de produção. Figura 10. Produção de algodão

Figura 10. Produção de algodão em função de doses e do parcelamento da adubação nitrogenada. Dados adaptados de FUNDA- ÇÃO MT (2001).

 

Assim, de acordo com a marcha de absorção de nitrogênio,

 

e

também de acordo com demonstração experimental, a adubação

e também de acordo com demonstração experimental, a adubação  
e também de acordo com demonstração experimental, a adubação  
e também de acordo com demonstração experimental, a adubação  
 

nitrogenada em cobertura deve ser realizada até os 55-60 dias após

a

emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas aplica-

a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas aplica-
 
 
ser realizada até os 55-60 dias após a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas
ser realizada até os 55-60 dias após a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas
ser realizada até os 55-60 dias após a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas
ser realizada até os 55-60 dias após a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas
ser realizada até os 55-60 dias após a emergência das plantas, divididas em, no máximo, duas
 
 

ções. Aplicações mais tardias, além de não resultarem em maior produtividade, podem induzir maior crescimento vegetativo e alon- gar o ciclo da planta (ROSOLEM, 1999), tendo como conseqüência maior custo, maior queda de estruturas reprodutivas, havendo en- tão maior porcentagem de carimãs ou capulhos apodrecidos na parte mais baixa da planta. Com relação às respostas a doses de N, ROSOLEM (2000) relatou que dificilmente doses acima de 100-120 kg.ha -1 seriam eco- nômicas, com base principalmente em resultados obtidos em re- giões tradicionais de cultivo no Brasil. SILVA et al. (1993), concluiu que doses acima de 70 kg.ha -1 não seriam econômicas no Estado de São Paulo. Por outro lado, um excesso de adubação nitrogenada faz com que seja aumentado o tamanho dos frutos na parte superior da planta, com um aparente aumento na produtividade. No entanto, ao mesmo tempo que os frutos da parte superior da planta são aumen- tados, o excesso do nutriente faz com que o tamanho dos frutos da parte de baixo e da parte mediana da planta seja diminuídos, sem efeito significativo na produção (BOQUET et al., 1994). Um experimento conduzido no Estado de Mato Grosso le- vou aos resultados apresentados na Figura 11. Tanto Pedra Preta como Itiquira são regiões de alto potencial produtivo; entretanto, a resposta a N foi diferente nos dois locais. Em Itiquira a resposta foi pequena (da ordem de 300-400 kg.ha -1 , ou pouco mais que 10%) até 100 kg.ha -1 . Considerando-se a uréia a US$ 220,00.t -1 e o algodão a US$ 0,50.lb -1 , esta resposta seria econômica nos níveis de produti- vidade obtidos. Em Pedra Preta o algodão respondeu a 170 kg.ha -1 de N, passando de 3.100 kg.ha -1 a aproximadamente 5.000 kg.ha -1 . Por que teria ocorrido essa diferença de resposta? A resposta encontra-se na Figura 12. Em Itiquira o solo encontra-se em melhores condições físi- cas, permitindo melhor exploração das reservas pelas raízes. É evi- dente, neste caso, o efeito vaso, ou seja, com as chuvas o nitrogê- nio aplicado pode ter sido lixiviado para uma região do solo pobre

Figura 11. Resposta do algodoeiro a nitrogênio em dois locais do Mato Grosso. Dados modificados de FUNDAÇÃO MT.

em raízes, prejudicando o aproveitamento do fertilizante aplicado. ROSOLEM et al. (1998) demonstraram que o algodoeiro é muito sensível à compactação do solo. Um aumento da resistência do

solo à penetração de até 20 kgf.cm -2 reduz o crescimento radicular

do algodoeiro a menos de 5% do crescimento que ocorreria se não

houvesse limitação. É importante ressaltar ainda que, neste caso, o

N lixiviado, não sendo aproveitado pela planta, pode ser levado

para zonas mais profundas do perfil, aumentando o problema de acidificação do perfil pela perda de nitrato.

Outro problema que tem ocorrido com freqüência é a

desuniformidade de aplicação do fertilizante em cobertura. A utili- zação de máquinas para distribuição a lanço deve ser cercada de cuidados para que a deposição seja uniforme, de modo a evitar falta

de adubo em algumas faixas e excesso em outras. Há que se consi-

derar ainda que a uréia aplicada a lanço, dependendo das condi- ções, pode levar a perdas consideráveis do N aplicado, por volatilização.

kgf/cm 2 < 13 13-20 > 20
kgf/cm 2
< 13
13-20
> 20

Figura 12. Resistência do solo à penetração em diversos pontos amostrados em culturas de algodão em Pedra Preta e Itiquira, MT, em função da profundidade. Dados originais da FUNDAÇÃO MT.

ROSOLEM et al. (1999) demonstraram que a baixa mobilida- de de P no solo limita a absorção do nutriente pelo algodoeiro. Portanto, é fundamental que haja disponibilidade de P em quantida- de suficiente perto das raízes. Considerando ainda sua grande adsor- ção às partículas do solo, tem sido recomendada sua aplicação no sulco de semeadura, abaixo e ao lado das sementes. A menos que se trate de solo corrigido, a aplicação localizada dará melhores re- sultados. Da mesma forma, a substituição de fontes solúveis em água por outras fontes de P deve ser feita com muito cuidado, consi- derando-se sempre o teor inicial do nutriente no solo. Em so- los pobres, é fundamental a aplicação de fontes de P solúveis em água.

Não se espera resposta significativa do algodoeiro ao K

quando o solo tem acima de 2,5 mmol c .dm -3 de K trocável e quando

a relação (Ca + Mg)/K for menor que 20 (SILVA et al., 1984). Embora

ROSOLEM et al. (1999) tenham mostrado que a variedade ITA 90 tem maiores teores que K na parte aérea que as variedades IAC 20 e IAC 22, outros trabalhos em que se estudou o assunto não confir- maram tal tendência (STAUT, 1996; FURLANI Jr. et al., 2000). Fica assim esta questão em aberto, pois a experiência mostra que culti- vares com genótipo importado parecem responder melhor ao K.

Sabe-se que altas doses de K aplicadas junto à semente causam problemas na emergência das plantas. SILVA et al. (1984)

demonstraram que em solos mais deficientes a aplicação parcelada do K oferece melhores respostas (Figura 13). Isso ocorre porque

à medida que aumenta a disponibilidade de K no solo, aumentam a

proporção de raízes finas e também a proporção do nutriente que entra em contacto com a raiz por fluxo de massa, facilitando o con- tato íon-raiz e proporcionando maior absorção do nutriente (SAN- TOS et al., 1999). A Figura 13 mostra que quando não há deficiência de K é indiferente o modo de aplicação, mas em solos deficientes, as melhores respostas foram conseguidas quando se aplicou 1/3 ou 1/2 da dose por ocasião da semeadura e o restante por ocasião da adubação de cobertura, juntamente com o N. É importante res- saltar que esta cobertura com K dever ser efetuada antes do apare- cimento da primeira flor, quando aumenta a velocidade de absorção de K (Figuras 3 e 4). Se esta aplicação for atrasada, corre-se o risco da planta não aproveitar todo o fertilizante que for aplicado.

Por outro lado, SILVA et al. (1995b) demonstraram que quan- do a quantidade de potássio requerida for alta, em solo pobre no nutriente, a adubação corretiva com K, efetuada a lanço, antes mes- mo da semeadura (potassagem), pode elevar de forma significativa o teor de potássio no solo e a produtividade do algodoeiro, já no primeiro ano. Em solo com 0,8 mmol c .dm -3 de K, a maior produtivida- de foi obtida com a aplicação de 200 kg.ha -1 de K 2 O, ao passo que em um solo com 2,5 mmol c .dm -3 não houve resposta ao fertilizante aplicado.

Em algumas situações tem ocorrido deficiência tardia de potássio durante o período de maior enchimento das maçãs. Essa síndrome tem sido atribuída ao fato das variedades modernas se- rem mais precoces, mais produtivas e terem florescimento mais con- centrado, além de mostrarem menor capacidade de “estocar potás- sio” durante o crescimento vegetativo (OOSTERHUIS, 1997), além

do que há um significativo declínio na absorção de potássio pelo algodoeiro a partir de 80-90 dias após a emergência (Figuras 3 e 4).

a partir de 80-90 dias após a emergência (Figuras 3 e 4). Figura 13. Resposta do

Figura 13. Resposta do algodoeiro à aplicação parcelada de K, na semeadura e em cobertura, em solos com deficiências variadas do nutriente (adaptado de SILVA et al., 1984).

Nessas condições, tem sido obtido, em alguns casos, res- posta à aplicação de KNO 3 via foliar, conseguindo-se melhoria na qualidade da fibra, inclusive com altos teores de K no solo (Ta- bela 2).

Tabela 2. Efeito da aplicação foliar de fontes de potássio na produção de algodão e peso das maçãs.

Fonte de potássio

Produção

Peso da maçã

 

kg.ha -1

g.maçã -1

Sulfato

2.838 bc*

4,20 ab

Nitrato

3.117 a

4,33 a

Tiossulfato

2.939 b

4,28 ab

Cloreto

2.702 bc

4,27 ab

Carbonato

2.717 c

4,12 b

Testemunha

2.886 b

4,24 ab

* Números seguidos da mesma letra na coluna não são significativamente diferentes.

Os resultados mostrados na Tabela 2 foram obtidos com aplicações de 4,5 kg.ha -1 de K, em cada aplicação, seis, sete e oito semanas após o início do florescimento.

Em solos ácidos, a decomposição da matéria orgânica é len- ta. Além disso, o íon SO 4 , forma pela qual o enxofre é absorvido pelas plantas, pode ser adsorvido aos óxidos de ferro e alumínio presentes nos solos cauliníticos. Devido à tendência de se utilizar menos calagem em sistemas de semeadura direta nos cerrados do Centro-Oeste, e ao uso uréia como principal fonte de N, a ocorrên- cia de deficiência não é rara. Assim, a resposta do algodoeiro ao enxofre torna-se muito provável. Embora não se disponham de re- sultados específicos, a aplicação anual de 25 a 30 kg.ha -1 de S deve prevenir o aparecimento de deficiência.

O algodoeiro tem respondido à aplicação de boro principal- mente em solos arenosos, com pouca matéria orgânica, com pH corrigido e bem adubado com nitrogênio, fósforo e potássio. É im- portante notar que doses pouco acima das ideais podem ser fitotóxicas ao algodoeiro. Desta forma, o uso indiscriminado de fórmulas boratadas pode prejudicar mais que auxiliar na produtivi- dade da cultura. No Brasil, problemas evidentes com excesso de adubo boratado têm sido constatados quando se aplicam doses acima de 2,0 kg.ha -1 de boro (SILVA et al., 1979; 1982).

Embora o adubo boratado possa ser aplicado de diversas maneiras, ou seja, no sulco de semeadura, em cobertura, em pulve- rização do solo ou da planta (HEATHCOTE & SMITHSON, 1974), há diferenças na dose ideal e na resposta da planta.

Os resultados mostrados na Figura 14, adaptada de CAR- VALHO et al. (1996a), indicam que as aplicações foliares de B, em- bora muito efetivas em aumentar o teor do nutriente nas folhas, resultam em menor produtividade que a aplicação em cobertura, junto com a adubação nitrogenada.

em cobertura, junto com a adubação nitrogenada. Figura 15. Teores de B nas folhas e resposta
em cobertura, junto com a adubação nitrogenada. Figura 15. Teores de B nas folhas e resposta

Figura 15. Teores de B nas folhas e resposta do algodoeiro ao boro aplicado no sulco de semeadura (S), em cobertura (C) e em pulverização (P). Adaptada de CARVALHO et al.

(1996b).

São escassos os dados relativos a efeitos da adubação com zinco na cultura algodoeira. Em solo ácido, corrigido por calagem e

adubação mineral, a omissão do micronutriente chegou a deprimir
adubação mineral, a omissão do micronutriente chegou a deprimir
adubação mineral, a omissão do micronutriente chegou a deprimir

adubação mineral, a omissão do micronutriente chegou a deprimir

em 28% a produção (McLUNG et al., 1961). No exterior, LI et al. (1991) relataram

em 28% a produção (McLUNG et al., 1961). No exterior, LI et al. (1991) relataram que a aplicação de Zn a um solo com 0,6 mg.kg -1 de Zn (extraído com acetato de amônio) aumentou o crescimento e a produtividade do algodão, melhorando a absorção dos outros nu- trientes e tornando a colheita mais precoce, por aumentar o flo- rescimento e a frutificação inicial.

A despeito da pouca experimentação, admite-se que quanti- dades entre 10 e 20 kg.ha -1 de Zn, aplicadas ao solo, podem satisfa- zer a necessidade das plantas. Caso isso não seja feito, três a qua-

das plantas. Caso isso não seja feito, três a qua- tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha
das plantas. Caso isso não seja feito, três a qua- tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha
das plantas. Caso isso não seja feito, três a qua- tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha
tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha - 1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas
tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha - 1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas
tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha - 1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas

tro pulverizações foliares com 1,0 kg.ha -1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas (HINKLE & BROWN, 1968).

pulverizações foliares com 1,0 kg.ha - 1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas (HINKLE &
pulverizações foliares com 1,0 kg.ha - 1 de sulfato de zinco devem ser efetuadas (HINKLE &
 
 

Figura 14. Teores de B nas folhas e resposta do algodoeiro ao boro aplicado em cobertura (C) e em pulverização (P). Adapta- da de CARVALHO et al. (1996b).

Em outro trabalho, CARVALHO et al. (1996b) demonstraram que aplicações no sulco de semeadura, ou metade no sulco, metade em cobertura, proporcionam as melhores respostas da planta (Figu- ra 15). A aplicação da mesma dose de adubo somente em cobertura, ou via foliar, proporcionou produtividades um pouco menores, ape- sar das aplicações foliares terem elevado bastante os teores de B nas folhas.

Embora no Brasil sejam esperados mais problemas com a toxidez que com a deficiência de Mn, em certos casos, doses altas de calcário, ou má incorporação do corretivo em solos com CTC baixa, podem concorrer para o aparecimento de deficiência do nu- triente. SAWAN et al. (1993) observaram resposta do algodoeiro ao Mn aplicado como EDTA, às folhas, no abotoamento e no desen- volvimento das maçãs, em solo com 3,6 mg.kg -1 de Mn (extraído pelo método de Olsen).

SILVA & RAIJ (1996) recomendam, na fase de correção de solos de cerrado, aplicar 3 kg.ha -1 de Zn se o teor no solo for infe- rior a 0,6 mg.dm -3 , visando evitar o aparecimento de eventuais sin- tomas de deficiência.

No Brasil, não se tem notícia de resposta do algodoeiro ao cobre. Entretanto, existem informações experimentais, em outros países, sobre aumentos de produtividade devidos ao seu uso como sulfato, na adubação básica (10 a 55 kg.ha -1 ), ou em pulverizações foliares, na concentração de 0,5% (HINKLE & BROWN, 1968). SAWAN et al. (1993) tiveram resposta positiva em produtividade e qualidade da semente de algodão quando aplicaram Cu quelatizado (EDTA) às folhas de algodão, em solo com 0,45 mg.kg -1 de Cu (ex- traído pelo método de Olsen).

Não se espera a ocorrência de deficiência de Fe na cultura do algodão no Brasil. Entretanto, uma eventual deficiência poderá ser corrigida através da aplicação de pulverização foliar com sulfato de ferro a 3% (HINKLE & BROWN, 1968).

Como a disponibilidade de Mo aumenta com a elevação do pH e o algodoeiro é uma planta sensível à acidez do solo, não se espera a ocorrência de deficiência de Mo em lavouras algodoeiras que receberam calagem. Entretanto, se necessário, pode ser aplica- do molibdato de sódio ou de amônio, no adubo de semeadura, na semente, ou mesmo em pulverização foliar.

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C otton is a major row crop grown primarily for fiber

and oil seed. The cotton plant is unique because it

is a perennial with an indeterminate growth habit

and has perhaps the most complex structure of any major field crop. Associated with this complex growth habit is an extreme sensitivity to adverse environmental conditions which is reflected in excess fruit abscission. A better understanding of cotton (Gossypium hirsutum L.) growth and development in commercial production is important in the continuing efforts of growers to produce lint and seed yield more efficiently and profitably.

The growth and development of the cotton plant proceeding through a number of stages, which for productions management, may be divided into four main growth stages (OOSTERHUIS, 1990):

(1) germination, emergence and seedling establishment, (2) leaf area-canopy development, (3) flowering and boll development, and (4) maturation (Figure 1).

Derrick Oosterhuis 1

The overall growth and development of the cotton plant follows a typical sigmoid curve with a relatively slow start during emergence and root growth (Figure 2), followed by an exponential increase in growth rate during canopy formation, flowering and boll development, and finally by a slowing down during the boll maturation phase (Figure 1). The transitions between these succes- sive stages are subtle and not always clearly distinguishable.

stages are subtle and not always clearly distinguishable. Figure 2. Cotton germination and seedling development.

Figure 2. Cotton germination and seedling development. Emphasis is on early root establishment.

Terminal bud Emergence Cotyledon of hypocotyl unfolded Hypocotyl Cotyledons Seed Cotyledons coat Seed
Terminal
bud
Emergence
Cotyledon
of hypocotyl
unfolded
Hypocotyl
Cotyledons
Seed
Cotyledons
coat
Seed
surrounded
by seed coat
Radicle
covered
emerging
Lateral
by seed
Radicle
roots
coat
Taproot

Figure 1. Developmental pattern of the cotton plant showing the main stages of development.

1 Professor of Crop Physiology, Department of Crop, Soil, and Environmental Sciences, University of Arkansas, Fayetteville, AR 72701, EUA. E-mail: oosterhu@comp.uark.edu; fone: 1-501-575-3979; fax: 1-501-575-3975.

Each stage may have different physiological processes

A

large portion of the total yield is derived from the central portion

operating with specific requirements. If growers are aware of these

of

the canopy, between main-stem nodes 6 and 14, which coincides

stage-dependent differences in cotton growth and requirements (e.g. for fertilizer), then many problems in crop management can be avoided resulting in increased yields and profits. Furthermore, management practices should be flexible to cater for changing environmental conditions.

with the distribution of leaf area within the canopy. Fewer bolls are produced above these nodes and they tend to take longer to mature and are smaller in size. Furthermore the value and quality of bolls decreases along the fruiting branches away from the main stem (Figure 3).

How is Yield Formed?

Yield is essentially controlled by the genetics of the plant and the environment. These in turn are further modified by cultural practices. At a more agronomic level, yield may be considered in terms of its major components: boll number per unit area times the average boll weight. The growth of the plant and development of bolls depends on the production of dry matter by photosynthesis, and therefore the production of dry matter is the fundamental process of yield. The carbohydrate products of photosynthesis need to be translocated to the developing fruits which in turn need to be protected from pests. These processes require sunlight, water and adequate plant nutrition. Maximizing these processes through good cultural practices requires careful attention to the factors that we can control, mainly water and plant nutrition.

Not all Bolls are of Equal Value

The distribution of the bolls on the plant varies due to shedding from physiological/environmental and insect causes. Plant diagrams and crop monitoring are used to “map” the position of bolls and are useful management tools to follow square and boll retention, assess the success of production inputs, and detect stress.

While managing the cotton crop, attention should be paid

to the position in the canopy where harvestable bolls are produced

(Figure 4) to the monetary value of these bolls (Figure 5) so as to determine when to apply inputs, and more importantly, when to stop inputs.

to apply inputs, and more importantly, when to stop inputs. Figure 4. Percentage of yield formed

Figure 4. Percentage of yield formed at each fruiting position away from the main stem.

Vegetative -Reproductive Balance

Since cotton plants continue to grow vegetatively after fruiting is initiated, the vegetative to fruiting balance of the plant is

the vegetative to fruiting balance of the plant is Figure 3. Fruiting zones of the cotton
the vegetative to fruiting balance of the plant is Figure 3. Fruiting zones of the cotton
the vegetative to fruiting balance of the plant is Figure 3. Fruiting zones of the cotton
the vegetative to fruiting balance of the plant is Figure 3. Fruiting zones of the cotton

Figure 3. Fruiting zones of the cotton plant and their contribution to yield.

zones of the cotton plant and their contribution to yield. INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 95 – SETEMBRO/2001
Figure 5. Dollar value of individual bolls by position on the plant. (From JENKINS, 1995).

Figure 5. Dollar value of individual bolls by position on the plant. (From JENKINS, 1995).

critical. This balance can be influenced by management and environment. Excess vegetative growth from abundant fertility and water, can delay maturity and increase problems with insects and boll rot. Excess fruiting, on the other hand, may cause early cutout with associated fruit shed and lessen yield potential.

Plant growth regulators such as mepiquat chloride are widely used to control excessive vegetative growth, but the best control of excess vegetative growth is through the development and retention of a big fruit load. This necessitates adequate attention to soil fertility and subsequent plant growth and tissue nutrient levels.

Square and Boll Shedding/Retention

Cotton square and boll shedding (or retention) has received much attention and generated much controversy during the past 50 years. The attention derives from the concern that lost squares and bolls represent lost yield, such that if shedding were decreased, then productivity would be increased.

On the other hand, there is evidence that boll shedding may be an important natural process by which the plant adjusts its fruit load to match the supply of inorganic and organic nutrients, suggesting that a limited amount of shedding is therefore normal and necessary for good yields. A cotton plant commonly sheds about 60% of its squares and young 5- to 8-day-old bolls. The shedding or abscission of squares and young bolls is a natural occurrence in cotton that is accentuated by adverse environmental conditions including extended overcast weather, extreme tempera- tures, water stress, nutrient deficiencies, and insect damage. Under typical environmental stress, the plant will shed only small bolls and small to medium size squares. Actually, nutritional stresses alter the hormone balance which in turn causes fruit abscission. There are a number of synthetic compounds on the market today which supposedly aid in boll retention including Pix, Cytokin and PGR-lV.

Pattern of Nutrient Uptake

The pattern of nutrient uptake generally follows that of dry matter increase by the crop (Figure 6) as would be expected. This means that nutrient uptake is low during early season when the cotton seedling is developing, and increases dramatically after flowering during early boll development. Peak uptake rates usually occur a few weeks after flowering and total uptake reaches a maxi- mum as the bolls begin to mature.

uptake reaches a maxi- mum as the bolls begin to mature. Figure 6. Pattern of nutrient
uptake reaches a maxi- mum as the bolls begin to mature. Figure 6. Pattern of nutrient

Figure 6. Pattern of nutrient uptake by the cotton crop in relation to the development of dry matter.

Soil and Tissue Diagnoses for Fertilization

Analyses of soil and plant samples offer a means of determining the nutrient status of a crop. Soil sampling and analytical methods of assessing nutrient availability in the soil are available and well documented and provide the standard method of determining crop fertilizer requirements. Knowledge of the soil being used is important because the mineralogy, organic matter, and le- vel of nutrient depletion for a specific soil can significantly affect the fate and availability of applied fertilizer. Tissue tests comple- ment a sound soil testing program and can help identify opportu- nities for more efficient nutrient use. Plant tissue analysis is the determination of essential nutrient concentrations in sampled plant tissue.

In cotton, tissue tests have become a valuable diagnostic tool for assessing crop nutrient status, for determining fertilizer recommendations during the growing season, and for detecting potential deficiencies. When a nutrient deficiency is detected, this can be corrected by fertilizer applications to the soil during the first half of the season, and later by foliar fertilizer applications. Where soil moisture and rainfall are adequate, many crops can still respond to applications of potassium, sulfur, nitrogen, and micronutrients as late as mid boll-filling in cotton. However, the objective should be to prevent deficiencies before the rapid vegetative growth and reproductive stages.

Foliar fertilization is usually only appropriate when a nutrient deficiency is observed or detected by tissue analysis. The petiole is generally considered more indicative of cotton plant N and K status than the leaf blade. For K, this is partly because of the more rapid decline in K concentration in the petiole, compared to the leaf,

during the boll development period. Critical or threshold levels for the major nutrients have been studied and documented although some uncertainty exists about sufficiency levels in the leaf or petiole for certain elements, i.e. boron, as these values may be appreciably altered by the environment, plant genetics, and sampling proce- dure.

The patterns of nutrient uptake and use by the cotton plant have been well documented and soil and plant sampling techniques have been established to check if crop nutrient status is adequate for the particular soil, environment and yield level. Nutrient levels in plants vary with stage of maturity, plant part sampled, variety, and environmental conditions. However, there is always an element of uncertainty because of changes in the environment and plant demand, the ability of the soil to meet this demand, declines in root growth during boll development, increases in nematode populations, and other production problems.

The results of plant analysis alone should not be used to make fertilizer recommendations. Most diagnosticians prefer to consider plant tissue analysis along with soil test results, a record of lime and nutrient or manure applications, cropping history, crop soil moisture condition, and yield potential. The cost varies from $ 3 to $ 20/sample, depending on the number of nutrients analyzed. Mid-season tissue diagnoses and foliar fertilization provides a me- chanism of supplying timely inputs of needed nutrients. Accurate soil analysis coupled with mid-season plant tissue analysis are needed to formulate and manage a suitable fertilizer program.

Advantages and Disadvantages of Foliar Fertilization

The advantages of using foliar feeding include low cost, a quick plant response (i.e. increased tissue K concentration and fewer new deficiency symptoms), use of only a small quantity of the nutrient, quick grower response to plant conditions, no soil fixation problems, independence of root uptake problems, increased yields and possible improved fiber quality.

On the other hand, the disadvantages are that only a limited amount of nutrient can be applied in the case of severe deficiencies, and the cost of multiple applications can be prohibitive unless incorporated with other foliar applications such as pesticides. Other disadvantages when using high concentrations of a nutrient include the possibility of foliar burn, compatibility problems with certain pesticides, and low solubility of certain fertilizers (e.g. KNO 3 ), especially in cold water. Another restraint is the lack of a full understanding of this technology, specifically the optimum rate and timing, tissue threshold levels to predict the need for foliar fertilizer, the exact mechanism of absorption, and the effect of plant condition and environmental factors on absorption.

Importance of Nitrogen and Nitrogen Deficiency

Nitrogen (N) is the element needed in the greatest amount and is often limiting. N is involved in numerous fundamental pro- cesses such as protein synthesis, photosynthesis, carbon partitio- ning, as well as enzyme and hormonal activity. Nitrogen deficiencies result in short, stunted plants, with pale green leaves which may hang vertically or fold inward. Lower leaves may develop a red coloration. Leaf symptoms generally appear first on older leaves because N is highly mobile in the plant. With progression of the deficiency, the older leaves turn very pale and begin to show necrosis and leaf death, and premature senescence.

Cotton N Requirements

Total seasonal N requirement ranges from 50-300 kg N/ha (Table 1) depending on the growing season and yield potential. N

removed in the lint and seed accounts for 43-60% of total plant N. During fruit development the fruit becomes the dominant sink for N

in the plant and redistribution within the plant occurs. Peak daily

uptake rates 0.6-5.7 kg N/ha/day (dryland) and 1.5-4.6 kg N/ha/day (irrigated).

Table 1. Cotton nutrient requirements for high yields. Extracted from the literature, particularly Mulliuns and Burmester,

1998.

 

N

PK

B

Seasonal needs

300

70

200

66-200

(kg/ha)

(g/100 kg)

Amount removed (lint + seed) as %

50

35

40

9

 

(g/100 kg)

Peak daily uptake (kg/day)

5.0

0.5

4.0

3

 

(g/day)

* Dryland requirements are about half.

 

N Fertilization of Cotton

The timing and method of N fertilization in the US Cotton Belt differs greatly among regions. Nitrogen fertilizer was typically

applied in a split application with about half the total amount applied before planting and the remainder applied before flowering. However, less than 10% of the US cotton acreage presently receives

N at planting and less than 5% of the acreage receives N as a foliar

treatment. The total soil applied N varies across the US Cottonbelt and ranges from about 90-140 kg N/ha for irrigated cotton and about half that for dryland cotton.

 

Foliar Fertilization with N

The growth and yield of cotton depend strongly upon the availability of N and water during the season, and management of these two inputs has received much attention. Nitrogen fertilization is a critical practice in cotton production because soils on which cotton is grown are more often deficient in N than any other plant nutrient, and N fertilization represents a significant cost in cotton production.

The practice of applying mid-season N to cotton as a foliar application varies widely in the US Cottonbelt from single applications to multiple applications, and is usually applied in combination with other foliar applications of agrochemicals. A

recent e-mail survey indicated that the use of foliar fertilization with

N

varies from as much as 50% in certain counties in California, 45%

in

Arkansas, 15% in Georgia, 10% in Arizona, Louisiana and North

Carolina, and 5% or less in Alabama and Tennessee. Foliar-applied

N is used mainly on irrigated cotton. In west Texas, foliar fertiliza-

tion with N only occurs on dryland cotton when adequate rainfall

occurs. The practice of foliar fertilization with N is not used much in other cotton growing countries, except for Greece where about 15%

of the cotton area receives foliar-applied N. In Australia, foliar N

fertilization has proved beneficial when applied before water- logging. In some regions, such as Arizona and Greece, N is often applied with the irrigation water, i.e. fertigation, which for overhead irrigation is a form of foliar fertilizer.

Although foliar feeding with N is widely used, the effecti- veness of foliar N fertilization in cotton has been questioned due to inconsistencies in yield response. Studies in Arkansas have demonstrated the absorption of foliar-applied 15 N-urea by the leaves and its translocation to the developing bolls, with 30% of the N absorbed in the first hour, and a total of 60-70% within 48 hours (Figure 7). The majority of the absorbed N from foliar-applied 15 N

moved directly to the closest boll. Furthermore, absorption of foliar- applied 15 N by the cotton canopy was highest at flowering (60% uptake) and then declined markedly to 40% during the first three weeks after flowering, and then further still thereafter to less than 30% with progression of the season. The decline was associated with the increase in average leaf age in the canopy and the increasing waxiness of the older leaves. This partly explains the lower response

to foliar feeding three weeks after flowering. Recent research has

demonstrated that the size of the developing boll load had a major affect on petiole N and plant response to foliar-applied N.

Potassium (K) deficiency has occurred widely but

sporadically across the US Cotton Belt in recent years. This has prompted a large number of agronomic and physiological research

to explain this phenomenon. These studies have shown that the

onset of K deficiency is related to the use of higher-yielding, quicker- maturing, varieties with less K being stored in prior to flowering, and decreased root activity during boll development. Obviously

low soil K status, soil K fixation, and inadequate root growth are also involved.

Importance of K to Cotton Growth

Potassium is integrally involved in metabolism and plant water relations, although it is not a constituent of any known plant components. Its primary role is as an enzyme activator. It has been implicated in over 60 enzymatic reactions, which are involved in many processes in the plant such as photosynthesis, respiration, carbohydrate metabolism, translocation and protein synthesis. Potassium balances charges of anions and influences their uptake and transport. Another important function is the maintenance of osmotic potential and water uptake. These two functions of K are manifest in its role in stomatal opening when stomatal conductance and turgor are coupled. Another major role of K is in photosyn- thesis by directly increasing leaf growth and leaf area index, and therefore, CO 2 assimilation. Potassium increases the outward translocation of photosynthate from the leaf. In cotton, K plays a particularly important role in fiber development and a shortage will result in poorer fiber quality and lowered yields.

K Deficiency in Cotton

Potassium deficiency occurs more frequently and with greater intensity on cotton than for most other agronomic crops. Typical K deficiency symptoms consist of yellowish-white mottling of the leaves that changes to numerous brown specks at the leaf tips, around margins and between veins. The leaf tip and margin curl downwards as the tissue breakdown continues. Finally the whole leaf becomes rust colored, brittle and drops prematurely, stopping boll development which results in dwarfed and immature fruit, some of which may not open. These small bolls are a typical symptom of severe K deficiency in cotton. Many of these symptoms are related to the disturbance of tissue water balance resulting in tip drying, leaf edge curling, and early senescence. Potassium deficiency

edge curling, and early senescence. Potassium deficiency Figure 7. Uptake of foliar-applied 1 5 N by

Figure 7. Uptake of foliar-applied 15 N by cotton leaves and movement to the bolls (From Miley and Oosterhuis, 1990).

symptoms in cotton are quite distinctive and, due to the characteristic bronzing that occurs, were once termed cotton rust before the true cause was known. The symptoms of K deficiency have been mistaken for Verticillium wilt symptoms as they seem to occur under similar environmental conditions. Furthermore, the growth and yield of cotton varieties less susceptible to Verticillium wilt are often less affected by late-season K deficiency.

Potassium deficiency has occurred widely across the US

Cotton Belt in recent years. The occurrence of these outbreaks of

K deficiency have been somewhat unpredictable and the expla-

nations not clear. The K-deficiency syndrome appears to be a com- plex anomaly related to low soil K status, K fixation in the soil, a greater demand for K by modern cultivars, less storage of K prior to flowering by modern cultivars, the inability of the root system to supply the needed K during boll development, and

possible relationships with diseases such as Verticillium wilt.

Cotton K Requirements

Total seasonal K requirement ranges from 52-112 kg N/ha for dryland cotton, and 53-393 kg K/ha for irrigated cotton. K removed in the lint and seed accounts for 7.5-46% of total plant K. Peak daily uptake rates 2.1-4.6 kg K/ha/day (dryland) and 1.5-4.6 kg N/ha/day irrigated. Most goes into developing fruit the boll wall (55-60% at maturity) in particular (40%).

K Fertilization of Cotton

Most fertilizer applications of K are surface applied or shallowly incorporated into the topsoil. Applications are usually

made in Fall of immediately prior to planting. Quantities vary from zero to about 90 kg K/ha. Research in California has shown that cotton root systems fail to exploit available K in the topsoil adequately. Work in Alabama suggested that cotton may respond

to deep placement of K fertilizer at a depth of 15-30 cm. Yield increa-

ses from deep placement of fertilizer K have not consistently resul- ted in yield increases and additional research is needed. Soils exhibiting the greatest response to deep placement of K generally have subsoils with low to very low soil K. Foliar applications of K are made when tissue tests or leaf symptoms call for it, although the practice is probably only applied on 2-3% of the acreage.

Foliar Fertilization with K

Potassium deficiencies can be corrected through preplant soil applications or partially corrected using mid-season sidedress applications of K. The requirement for foliar-applied K varies greatly

with geographical area and even within a single field, and it is difficult

to provide a standard recommendation for the practice, mainly

because the explanation for the K deficiency syndrome is still not clear. Foliar application of K during boll development may be

beneficial when the soil K level is inadequate, either from K fixation, low soil test K status, or poor root growth, and when petiole analysis indicates a pending shortage of K. Foliar applications of K may offer the opportunity of correcting these deficiencies more quickly and efficiently, especially late in the season when soil application

of K may not be effective or possible. Foliar applications have the

advantage of allowing producers to add the necessary K when tissue analysis indicates a pending shortage, and thereby correct the deficiency and prevent yield loss. It is of interest that foliar feeding of a nutrient may actually promote root absorption of the

same nutrient. The petiole threshold level of K will decrease from about 5.0% at first flower to about 2.0% near open boll. Three to four foliar applications of K should be made during the first five weeks of boll development at 7 to 10 day intervals starting at the commencement of flowering. A minimum rate of approximately 4.5 kg/ha of K should be used at each application. The recommen-

ded source of K for foliar fertilization is KNO 3 , although K 2 SO 4 or

K 2 S 2 O 4 appear to work almost as well. Attention should be given to

possible solubility problems in cold water. The use of an adjuvant with the foliar spray will increase leaf K uptake but may not ne-

cessary result in increased yields, although it may permit the use of

a lower rate of K per application.

A three-year Beltwide study from 1991 to 1993 at twelve sites from North Carolina to California evaluated the effect of foliar- applied KNO 3 compared to soil-applied KCl on cotton yield and fiber quality, and showed significant yield increases from foliar K recorded about 40% of the time. It has been shown, using 42 KNO 3 applied to cotton leaves that foliar-applied K moved into the leaf and to the boll within 20 hours. Other studies in Arkansas using Rubidium, indicated that K first entered the leaf within 6 hours and then in greater quantities between 6-48 hours after application and was translocated to the developing bolls with little delay during the same period. Foliar K has been shown to increase the K content and dry weight of the fibers.

Boron (B) has long been known as an essential micro nutrient element required for optimal growth and development of cotton (Gossypium hirsutum L.) plants.

Importance of B

Boron is required for cell wall synthesis, integrity of plasma membranes and pollen tube growth. The important role of B in

pollen germination and pollen tube growth for successful fruit set

of higher plants suggests that B deficit during flowering and frui-

ting may significantly reduce boll retention, resulting in lower yields.

A

deficiency of B can also affect fiber quality presumably because

of

the role of B in cell wall growth.

B Deficiency in Cotton

Because B is important in pollen germination and pollen tube growth, deficiencies result in reduced boll retention, lower yield and poor fiber quality. Boron deficiency is common in highly leached and acidic sandy soils of cotton growing regions in the world. B deficiency in cotton is characteristically manifested as

black rings on the petioles as well as with deformed flowers, stunted growth, fruit shedding and decreased yield. Physiologically, a deficiency of B results in decreased stomatal conductance and net photosynthetic rate, and depressed plant growth and dry matter accumulation, resulting in increased fruit abscission and a change

in dry matter partitioning to the developing bolls after squaring.

Therefore, in B deficient areas, soil or foliar application of boron

may improve cotton plant growth and lint yield. Although B deficiency reduced total dry matter production, plant height and number of reproductive structures under the greenhouse condi- tions, foliar application of B may not avoid the deficiency because the mobility of B in cotton is limited.

Cotton B Requirements

Total seasonal B requirement averages about 66-200 g B/ha for irrigated cotton (Table 1). B removed in the lint and seed accounts for 9.3 g B for every 100 kg lint. In past thirty years, there were ma- ny reports on growth and yield responses of cotton to soil or foliar application of B. The narrow concentration range between B deficiency and toxicity requires special care in the application of B fertilizers.

B Fertilization of Cotton

B is routinely applied in commercial cotton production in the USA as soil- and foliar-applications irrespective of soil B status. However, this recommendation was based largely on research conducted 30 years ago, and recent work in Arkansas has shown no response to added B fertilizer. Current production recommen- dations in Arkansas call for initial preplant soil applications of 1.0 lb to 2.0 lb B/acre or two up to six foliar applications of 0.1 lb to 0.2 lb B/acre. Reports of yield response to soil or foliar applications of boron have been inconsistent, with some researchers reporting no yield response to B utilizing non-buffered spray solutions, and others reporting yield responses using B spray solutions buffered to pH 4.0. Recent work in Arkansas has shown no yield response to soil or foliar applications of B irrespective of soil N status. The- se contrasting results may be associated with soil texture, soil pH, soil fertility, soil B level, and yield potential because all these factors influence B uptake by plants and crop yield response to supple- mental B application.

The critical soil B concentration affecting yield in cotton was reported to be 0.4 to 0.55 mg/kg. The critical B levels in plant tissues is reported to be 103, 61 and 78 mg/kg for roots, young leaves and stems of cotton, respectively. However, recent work has indicated even lower critical leaf B values for diagnostic purposes of 30 mg/kg in the upper fully-expanded main-stem leaf located four nodes from the terminal.

Plant nutrition depends on an adequate supply of water for uptake, translocation and metabolic functions for growth. Therefore drought stress, and irrigation, strongly affect the efficiency of fer- tilization and the resulting growth and yield. Cotton exhibits a large degree of drought tolerance compared to other crops (Figure 8) because of various mechanisms including root growth, osmotic adjustment and selective fruit shedding.

growth, osmotic adjustment and selective fruit shedding. Figure 8. Drought tolerance of cotton compared to other

Figure 8. Drought tolerance of cotton compared to other major row crops.

Drought decreases growth (smaller leaves, roots, and plant height) and yield (increased shedding, smaller bolls, less seed, etc). Drought amplifies the effects of high temperature. Because the plant uses water to cool itself very effectively by evaporative wa- ter loss from the leaves, such that crop leaves are usually a few degrees below air temperature. Under drought crops heat up and growth is detrimentally effected. The water use pattern of cotton closely follows that of dry matter production as may be expected given that growth depends largely on an adequate supply of nutrients and water. Current research in the USA in this area is focused on selecting drought resistant varieties, more efficient wa- ter application systems, and the use of biotechnology to introduce appropriate genes into existing agronomically adapted varieties.

The use of crop monitoring has become very popular and widely used in the USA for improved crop management.

Crop monitoring allows us to closely follow crop deve-

lopment, detect stress or problems, and more importantly, to act on

a timely basis before yield reduction. Current crop monitoring

programs, such as COTMAN, follow crop growth weekly by comparing with a standard (optimum) crop target development cur- ve. In this way it is easy to detect if crop growth is not on schedule. The most important aspects of modern crop monitoring programs is that they are easy to perform, sensitive, reliable and permit mana- gement inputs on a timely basis before yield is lost. A recent innovation in the COTMAN crop monitoring program has been the testing of a new “stress index”. This is a ratio of the change in

square shedding over the change in main-stem nodes, i.e. the ba- lance between square abscission and plant growth. The stress index utilizes two measurements that already are recorded in COTMAN. Current research is aimed at testing and refining the use of this stress index for detecting shifts in the balance between square abscission and plant growth, and determining if detection of the shifts could be used to improve management decisions. Crop mo- nitoring also involves attention to changes in the nutrient status of the crop by observations of growth in relation to tissue sampling diagnosis.

The production of dry matter is the basis of yield develop- ment and therefore the cornerstone of agriculture. Dry matter

production is a result of light interception by crops and the utiliza- tion of the energy derived to fix carbon dioxide into carbohydrates

in the green tissues of plants, i.e. photosynthesis. This is controlled

by genetics and environmental conditions.

Crop management is a means by which we attempt to con- trol and harness this overall process for food, feed and fiber. The success of this process depends upon the seasonal conditions and

our ability to successfully manage the cultural practices. Fertilization

is one of the cultural practices which we understand and control

and therefore careful attention is needed to the judicious and timely application of plant nutrients for optimum yields. There is no magic formula for fertilizing cotton. However, a sound fertilizer plan involving soil testing, mid-season tissue analysis, and consideration of the yield potential and production practices used, should ensure the optimization of yields.