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AULA 1 DIA 10/02/09 CRIMES CONTRA A VIDA Quando eu saio da vida intra-uterina e passo para a extra-uterina? A partir do inicio do parto. No parto normal o inicio se dá com a dilatação do colo do útero preparando-se para a expulsão do feto. Enquanto que na cesariana se dá inicio com o rompimento da membrana amniótica. A vida intra-uterina é protegida por quais artigos do CP? É tutelada pelo CP 124, 125 e 126. Já a vida extra-uterina é tutelada pela CP 121, 122 e 123. Art. 121. Matar alguém: Pena – reclusão, de seis a vinte anos Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave Art. 123. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena – detenção, de dois a seis anos Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de um a três anos. Art. 125. Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão, de três a dez anos. Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência QUESTAO DE PROVA: Ex.: Progressão criminosa – Gestante pratica manobras abortivas e o feto é expulso, mas não morre imediatamente a gestante então joga a criança em um rio causando a sua morte. Nesse caso, há uma substituição do dolo de aborto em pelo dolo de homicídio (animus necandi). Pelo principio da consunção o delito de tentativa de aborto será absorvido pelo crime de homicídio consumado.

SUJEITOS DO CRIME Crime de homicídio é um crime comum, é o que pode ser praticado por qualquer pessoa. E no caso dos xifópagos (irmãos siameses)? Homicídio praticado por um dos xifópagos – alguns doutrinadores entendem que o gênio responsável pelo delito deve ser condenado, mas a pena fica suspensa até sua prescrição ou até que o outro irmão pratica o delito. Homicídio praticado contra xifópagos – Se o agente quer matar apenas um dos irmãos, mas acaba produzindo a morte de ambos, na medida em que tem órgãos em comum, responderá por dois crimes de homicídio em concurso formal impróprio. Quais são as diferenças e semelhança entre concurso material e formal e crime continuado? No concurso material tem por objetivo por meio de duas ou mais ações ou omissões, o agente praticado dois ou mais crimes (CP 121, caput na forma do CP 14, II c/c CP 213, na forma do CP 69). O critério que se aplica em relação à pena é o cúmulo material, ou seja, as penas são SOMADAS. CUIDADO: Alguns doutrinadores falam em concurso material homogêneo (os delitos são semelhantes) e heterogêneo (os delitos são distintos – é o caso do exemplo acima). CC 69 “Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos
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ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela”. No concurso formal (criminosos econômicos – não gostam de pratica muitas ações), agente mediante uma ação ou omissão pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. CUIDADO: Ex.: No caso de crimes de roubo praticados no interior de um ônibus, trata-se de uma única ação desdobrada em vários atos. Tecnicamente isso é concurso formal. Tem-se o concurso formal próprio que está previsto no CP 70, caput, 1° parte nesse caso o critério de aplicação da pena é o da exasperação da pena, ou seja, sua pena será aumentada de 1/6 até a metade. Já no concurso formal impróprio você tem vontade de praticar cada um dos delitos, porém o faz mediante uma só ação ou omissão. Neste caso o critério de aplicação da pena é o critério do cumulo material, ou seja, as penas são SOMADAS. CP 70 “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal PROPRIO). As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal IMPROPRIO)”. O crime continuado está previsto CP 71 “Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do artigo 70 e do artigo 75 deste Código”. O crime continuado é uma ficção jurídica criado em favor do acusado, os requisitos são: • Duas ou mais ações e omissões • Dois ou mais crimes da mesma espécie Ë possível crime continuado entre tipo simples e derivado (=furto simples e qualificado)? Sim
• Homogeneidade de circunstancias (de tempo, lugar, modus operandi, etc.) Qual é o critério de aplicação de pena? É o critério da exasperação da pena.

QUESTAO DE PROVA: É possível continuidade delitiva em crimes contra a vida? Conforme a sumula STF 605 “Não se admite continuidade delitiva nos crimes contra a vida”, porém esta SUMULA ESTA ULTRAPASSADA diante da nova redação do §único do CP 71 “Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do artigo 70 e do artigo 75 deste Código”. A súmula é anterior a este artigo. Em síntese: É possível continuidade delitiva em crimes contra a vida e a pena pode ser aumentada ATÉ O TRIPLO.

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Se por acaso praticar um crime contra o Presidente da republica? Pela Lei de segurança nacional ou pelo CP 121? Responde pela Lei 7170/83 art. 29 (“Matar qualquer das autoridades referidas no artigo 26. Pena – reclusão, de quinze a trinta anos”), mas quando o sujeito passivo do delito de homicídio for o presidente da república, do SF, da CD e STF, e desde que o crime tenha sido praticado por motivos políticos, responde o agente pelo crime do art. 29 da Lei 7170/83. Se não tem motivação política cairá no CP 121. Se eu matar um cadáver? É crime impossível pela absoluta impropriedade do objeto. O crime de homicídio é um crime material (aquele delito cujo resultado esta INSERIDO no tipo penal). Em se tratando de um crime material que geralmente costuma deixar vestígios. Como eu provo a materialidade do delito de homicídio? O CPP é extremamente taxativo/legalista e o crime material que deixa vestígios, sua materialidade deverá ser comprovada por meio de exame de corpo de delito. Posso condenar alguém sem um corpo de delito? Quando desaparecerem os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir a ausência de exame de corpo de delito DIRETO (EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO). CPP 158 E 167 “Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. “Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta” Se um crime material deixou vestígios, a materialidade desse delito deve ser comprovada por um exame de corpo de delito DIRETO. Mas há EXCEÇOES: Lei dos juizados (basta um simples boletim médico), Lei Maria da Penha (também posso comprovar por meio de boletins médicos) e Laudo preliminar de constatação, o qual deve ser confirmado pelo exame definitivo.

TIPO SUBJETIVO DO DELITO DE HOMICIDIO Dolo (composto por dois elementos, que são: CONSCIÊNCIA E VONTADE). Esses são os chamados elementos cognitivos e volitivos. Conceito: É a consciência e vontade de praticar fato definido como infração penal. Dolo direto de 1° grau – trata-se do fim diretamente desejado pelo agente. Dolo direto de 2° grau – também conhecido como dolo de conseqüências necessárias. O resultado é desejado como conseqüência necessária do meio escolhido. (quero matar meu desafeto que está numa cela com outros 50 presos. Ateio fogo à cela, mato meu desafeto e também quem estava junto com ele). Dolo eventual – O agente prevê a superveniência do resultado, assumindo o risco de produzi-lo (Teoria do assentimento). Culpa – É a inobservância do dever objetivo de cuidado causador de um resultado não desejado, mas objetivamente previsível. Modalidades de culpa: IMPRUDÊNCIA – é a culpa na sua forma COMISSIVA (+). NEGLIGENCIA – é a culpa na sua forma OMISSIVA (-). IMPERÍCIA – falta de aptidão técnica no exercício de arte, profissão ou oficio. Não existe crime culposo SEM RESULTADO!
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com a intenção de destruir. étnico. Quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. não é qualificadora nem causa de aumento de pena. deve ser comprovado a partir dos dados objetivos do caso concreto. Mas na pratica você denuncia o agente pelo homicídio qualificado pelo principio da especialidade. Quatro pessoas – porque como a lei diz atividade típica de grupo leia-se quadrilha e quatro pessoas seria o numero mínimo. O delito de homicídio simples pode ser considerado hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio ainda que cometido por um só agente. é uma questão relativa à pena e fica com o juiz presidente. Duas pessoas – NÃO É A MELHOR CORRENTE – Quando o código se refere a duas pessoas ele fala em duas ou mais pessoas. no todo ou em parte. de seis a vinte anos”. 2. nacional ou religioso. Quem é que diz se foi ou não praticado em atividade típica de extermínio?O juiz presidente ou os jurados? Nesse caso. A. “Art. constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplante. GENOCÍDIO Está previsto na Lei 2889/56. A vítima simplesmente pertence a determinado grupo ou classe social ou racial. HOMICIDIO SIMPLES CP 121 “Matar alguém: Pena – reclusão. quantas pessoas são necessárias para que se possa falar em grupos? Existem três correntes: 1. como tal: Página 4 de 76 . 1º Quem. O genocídio é crime contra a vida? Não. Qual a característica desse grupo de homicídio? O homicídio é indeterminado/impessoal em relação a vitima. O bem jurídico tutelado pelo crime de genocídio é a existência de grupo racial. órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica (adotado para dizer quando o crime de homicídio está CONSUMADO). mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina” O elemento subjetivo do delito de homicídio. racial ou religioso. 3° “A retirada post mortem de tecidos. é uma das formas. O genocídio não precisa ser praticado somente pela morte. grupo nacional. para que possa ser diferenciado do elemento do crime de lesões corporais. étnico. ou seja. a verificação deste fato compete ao JUIZ PRESIDENTE não devendo ser apresentado quesito especifico aos jurados (matéria referente à aplicação da pena). Três pessoas 3.Renato Brasileiro Penal Especial CONSUMAÇAO E TENTATIVA Lei 9434/97 art.

com as penas do artigo 125. no caso da letra b. § 2º. caso o genocídio seja praticado mediante morte de membros do grupo. no caso da letra a. Porém. com as penas do artigo 270. Em regra crime cometido por ou contra índio é da competência da justiça ESTADUAL. caso o delito envolva direitos indígenas (CF 231 “São reconhecidos aos índios sua organização social. os homicídios deverão ser julgados por um tribunal do júri federal. que exercerá força atrativa em relação ao crime conexo de genocídio (STF RE 351487). e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.Renato Brasileiro Penal Especial a) matar membros do grupo. Página 5 de 76 . § 2º do Código Penal. no caso da letra d. b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo.” Será que o genocídio absorve os crimes de homicídio? Caso o agente mate dez índios com homogeneidade de circunstancias deverá responder pelos dez crimes de homicídio (em continuidade delitiva) em concurso formal impróprio com o delito de genocídio. no caso da letra c. costumes. QUESTAO DE PROVA: Quem na justiça federal julgará o delito? Por genocídio não ser crime contra a vida será pelo juiz singular. proteger e fazer respeitar todos os seus bens”) a competência será da justiça federal. línguas. e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. pois não se trata de crime doloso contra a vida. Competência criminal para julgar genocídio contra índios – Sumula STJ 140 “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure autor ou vítima”. com as penas do artigo 129. competindo à União demarcá-las. c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial. Não é possível a aplicação do principio da consunção. Em suma: Nesse caso o delito de genocídio deve ser julgado por um juiz singular federal. mas se o genocídio for cometido pela morte. d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo. na medida em que bens jurídicos DISTINTOS. vai para o júri por ser contra a vida. Porém. crenças e tradições. no caso da letra e. com as penas do artigo 148. Será punido: com as penas do artigo 121.

V – para assegurar a execução. B. IV – à traição. LOGO EM SEGUIDA (enquanto houver o domínio de violenta emoção qualquer reação será imediata) a injusta provocação da vitima. Relevante moral – é o valor que atende aos interesses do próprio cidadão. explosivo. É possível que o homicídio seja privilegiado qualificado? Desde que a qualificadora tenha natureza objetiva.” Tecnicamente se fala em homicídio com causa de diminuição de pena de 1/6 a 1/3.Renato Brasileiro Penal Especial HOMICÍDIO PRIVILEGIADO Está correto dizer em privilegiado? Quando se fala em privilegiado e qualificado deve-se ter um novo mínimo e máximo já estabelecido pelo legislador. asfixia tortura ou outro meio insidioso ou cruel. é o valor egoisticamente considerado. de doze a trinta anos. matar o traficante da cidade que causou a dependência do seu filho que veio a óbito de overdose. É o caso do CP 121 §1° “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral (ligada à razão de ser do crime). por isso diz privilegiado qualificado.: EUTANÁSIA.é o valor que atende aos interesses de toda a coletividade. III. O quesito relativo ao privilegio antecede o quesito relativo às qualificadoras. ou sob o domínio de violenta emoção (ligada ao estado anímico do agente). CP 121 §2° “Se o homicídio é cometido: I – mediante paga ou promessa de recompensa. a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena – reclusão. pois nem todas as qualificadoras são subjetivas. Nesse caso o homicídio qualificado NÂO é CR IME HEDIONDO. Por exemplo. Sob o DOMÍNIO (Se for sob a influência é com circunstância ATENUANTE) de violenta emoção. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. de emboscada. II – por motivo fútil. II. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço”. fogo. Relevante valor social . mas pede para a enfermeira ir desligar os aparelhos. ou seja. ou por outro motivo torpe. Isto se deve às elementares e às circunstancias: ELEMENTARES CIRCUNSTANCIAS Página 6 de 76 .: Cidadão está com sua mãe no hospital em estado vegetativo e quer praticar a eutanásia. Essas causas de privilégios valem para todos ou só para o agente? Ex. a ocultação. Ex. III – com emprego de veneno. ou de que possa resultar perigo comum. Quais são as causas de diminuição de pena do §1°: I. Por qual crime responde a enfermeira? E por qual eu respondo? Eu respondo pelo homicídio privilegiado por relevante valor moral e a enfermeira pelo homicídio qualificada mediante paga. logo em seguida (sine intevallo) a injusta provocação da vítima.

2. HOMICIDIO QUALIFICADO AULA 2 DIA 27/02/09 HOMICIDIO QUALIFICADO (são hediondos)  Circunstancias subjetivas – incisos I. uma circunstância. Ex. pois o crime será o mesmo e o que mudará será a pena. Circunstâncias de caráter OBJETIVO se comunicam ao terceiro. II e V  Circunstancias objetivas – incisos III e IV Página 7 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial São dados essenciais da figura típica. cuja ausência pode geral uma atipicidade absoluta (não é crime) ou relativa (desclassificação). desde que dela tenha consciência QUESTAO DE PROVA: Particular responde pelo crime de peculato? Sim. Ex. salvo quando elementares do crime.: No caso de relevante valor moral é Funcionário Público é uma elementar.”) 1. mas não interferem no crime (somente interfere na pena). São dados periféricos que gravitam ao redor da figura típica. Ex. a diminuição de pena se torna OBRIGATORIA. Conclusão: (CP 30 “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal.: CP 312 – crime de peculato. sob influencia do estado puerperal. Natureza jurídica do privilégio A diminuição de pena é obrigatória ou facultativa?É direito do acusado ou mera faculdade do juiz?Uma vez reconhecido o privilegio pelos jurados. assim comunica-se ao terceiro que auxilia a gestante desde que tenha consciência quanto a elementar.: No crime de infanticídio. Elementares se comunicam ao terceiro desde que dela tenha consciência. limitando-se a discricionariedade do juiz ao quantum de diminuição de pena (direito subjetivo do acusado). Circunstancias e condições de caráter pessoal não se comunicam 3. Podem aumentar ou diminuir a pena.

OU POR OUTRO MOTIVO TORPE (é o motivo repugnante.OCULTAÇAO) ou outro meio insidioso ou cruel (quando você ameaça. asfixia. 1° §3° 2° parte No homicídio qualificado pela tortura sempre há a presença do animus necandi. só se aplica ao executor e não ao mandante – ROGERIO GRECCO.: Ausência de motivo não se confunde com insuficiência de motivo. Ex. ou de que possa resultar perigo comum. frio. O que vem a ser considerado como fútil? Insignificante. Verdadeiro absurdo lógico! Defende-se de lege ferenda o acréscimo de nova qualificadora. por qual delito responde? Responde pela tortura em concurso material e não deixa de ser qualificado.também conhecida como VENEFÍCIO. O veneno deve ser utilizado de maneira dissimulada. mas de maneira culposa acaba sendo produzido o resultado morte – CRIME PRETERDOLOSO. A promessa de recompensa é elementar ou circunstância? Circunstância para a doutrina como o inciso primeiro é uma circunstância de caráter pessoal.: briga de trânsito. A corrente majoritária diz que se o motivo fútil qualifica o que dizer a ausência de motivos. CUIDADO: HC 71582 que é bem antigo e é difícil dizer se ainda mantém essa decisão. pois o que interessa é o que o leva a prática do delito. desproporcional. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido Página 8 de 76 . se enquadrando no inciso V . já na tortura qualificada pelo resultado morte a sua intenção era a de torturar. Ciúme é um motivo fútil? Não. E se por acaso depois de ter a confissão pratica-se o homicídio. fogo. neste acórdão o STF diz que se aplica tanto ao mandante como o executor e se refere ao inciso I como uma elementar. III – com emprego de veneno . Para a corrente majoritária essa promessa de recompensa deve ter natureza econômica. qual seja a ausência de motivo. IV – à traição. E se por acaso essa promessa de recompensa não for cumprida? Mesmo assim o homicídio será qualificado? Sim.  CUIDADO: para que o delito seja qualificado pelo emprego de veneno a vitima não pode saber que está sendo envenenada. a insuficiência que é o motivo fútil qualifica o crime. tortura (CUIDADO: não confundir o homicídio qualificado pela tortura com o delito de tortura qualificada pelo resultado morte – Lei 9455/97 art.  OBS. – PREDOMINA o entendimento de que a natureza da recompensa é econômica. já a ausência (que deveria ser mais censurável) não o qualifica. é o que causa desprezo). pois o veneno deve ser por meio dissimulado). de emboscada. explosivo.Renato Brasileiro Penal Especial CP 121 §2° “Se o homicídio é cometido: I (este inciso é conhecido como homicídio MERCENÁRIO. coage a pessoa para tomar o veneno senão a matará entra no meio cruel e não emprego de veneno.). sem importância. ou por MANDATO REMUNERADO – é um delito de concurso necessário ou bilateral)– mediante paga ou promessa de recompensa (não precisa ser de natureza patrimonial. mas há divergências na doutrina) – motivo fútil não deve ser confundido com o motivo injusto: Este é elemento integrante do crime. A Ausência de motivos qualifica o delito de homicídio? Sim. II – por motivo fútil (Não tem interpretação analógica.

: Banco central de Fortaleza) – hipótese de conexão entre o crime de homicídio e outro delito. mas sim características inerentes a própria vítima. de seu representante legal. se o agente: I – não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação. de um a três anos”. Se for praticada uma contravenção penal não tem qualificadora. isoladamente não qualificam o delito de homicídio. III – deixar de prestar socorro. Crime com pena mínima de um ano comporta suspensão do processo art. 89 da lei de juizados. à vítima do acidente.Renato Brasileiro Penal Especial (qual homicídio será qualificado: Pelas costas ou nas costas? Pelas costas. Há doutrinadores entendem que as demais qualificadoras serão consideradas como agravantes.: CP 121 §2° I. (CTB 302 “Praticar homicídio culposo na direção do veículo automotor: Penas – detenção. V – para assegurar a execução. CUIDADO: se o delito for praticado na direção de veiculo automotor não vai para o CP e sim para o CTB. só terá se for crime. Assim no CP cabe suspensão condicional do processo e em tese Página 9 de 76 . ” ANALOGIA ≠ INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA – analogia é um método de interpretação para suprir lacunas. pois se trata de uma formula casuística. seguida de uma formula genérica. Essa interpretação é admitida no direito penal? Sim e muito utilizada. quando possível fazê-lo sem risco pessoal. assim a pessoa não será processada. a ocultação. Quando se fala em “outro crime” é porque pode ser de autoria do próprio homicida ou pessoa diversa. de dois a quatro anos. Matar alguém maior de 80 anos qualifica o delito? A idade avançada ou eventual deficiência da vitima não são recursos procurados pelo agente. o homicídio premeditado por si só não qualifica o delito de homicídio). IV – no exercício de sua profissão ou atividade. só será qualificado por um motivo. Ex. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor. a pena é aumentada de um terço à metade.”. e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Homicídio premeditado será qualificado? Não. a impunidade ou vantagem de outro crime (Ex. HOMICIDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO Tecnicamente não é correto dizer. estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros”). aplica-se dispositivo legal para um caso semelhante não regulado por lei. HOMICIDIO CULPOSO Está previsto no CP 121 §3° “Se o homicídio é culposo: Pena – detenção. portanto. quando incapaz. Na verdade. II – praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada. devendo as demais qualificadoras ser levadas em consideração na analise das circunstâncias judiciais. exemplificativa.: CP 128 II “Não se pune o aborto praticado por médico: II – se a gravidez resulta de estupro (e se for atentado violento ao pudor? Entra também neste caso) e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. Parágrafo único. Já a interpretação analógica é um método de interpretação. Ex.

Quando o agente se afasta do local por temor de represálias (no livro do Rogério fala sobre isso na pág. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. mas não o emprega no caso concreto) e a imperícia (falta de aptidão técnica). Para a doutrina essa majorantes não se aplica em três hipóteses: 1. é mais potencialmente lesivo. O que justifica essa diferença de tempo? Desvalor da conduta + Desvalor do resultado. onde a pena será de 6 a 20 anos com diminuição de 1/6 a 1/3. No CP 121 § 1o “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. não procura diminuir as conseqüências do ato ou foge para evitar prisão em flagrante. HOMICIDIO CULPOSO QUALIFICADO CP 121 §4° 1° parte – será majorado quando ocorrer à inobservância de regra técnica de arte. O fato de o homicídio culposo ser dirigido com veiculo tem maior desvalor na conduta do que o homicídio culposo do CP. Será que existe algum critério que justifique isso? Será que eu não posso aplicar esta pena do CP ao CTB? A título de p.Renato Brasileiro Penal Especial no CTB não cabe. Morte instantânea da vitima (*) – um caso desses chegou ao STF e disse que o autor do delito não é dotado de poderes adivinhatórios para prever se a vitima vai ou não morrer. 28. sem dúvida. quando eu pratico homicídio qualificado a pena será de 12 a 30 anos. quando diz “foge para evitar a prisão em flagrante”. Qual é a justificativa dada pela júris dessa pena maior? O que justifica essa pena mais grave do CTB é o desvalor da conduta. ou sob o domínio de violenta emoção. Quando a vitima for socorrida por terceiros 3. o comportamento mais negligente no transito é. logo em seguida a injusta provocação da vítima. pois geralmente o resultado será o mesmo. abordando se é ou não constitucional. HOMICIDIO DOLOSO MAJORADO PRATICADO CONTRA MENOR DE 14 ANOS E MAIOR DE 60 ANOS (CP 121 §4° 2° parte) Página 10 de 76 . pois se o agente fica no local depois de socorrer a vítima estaria produzindo prova contra si mesmo).” – homicídio privilegiado. 2. ou seja. da isonomia não é possível que o julgador aplique a pena do homicídio culposo do CP ao homicídio culposo do CTB. profissão ou oficio ou quando o agente deixa de prestar imediato socorro a vitima. O que mais pesa é a conduta. Qual é a diferença entre inobservância de regra técnica (o agente tem o conhecimento técnico.

na justificativa do veto dizia-se que o perdão judicial já está previsto no CP. ilícita e culpável. De acordo com o CP 4° adota a teoria da atividade “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. Ou seja. IX “Extingue-se a punibilidade: IX – pelo perdão judicial. mas apesar de ter praticado o juiz lhe dá o perdão judicial. CP 107.Renato Brasileiro Penal Especial Sua pena deverá sofrer um aumento de 1/3. Como provo a idade de alguém? Exige prova por meio de certidão de nascimento. assim perdão judicial também se aplica ao CTB)” O que é perdão judicial? Instituto pelo qual o juiz. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária” – Em relação ao perdão judicial não cabe analogia pois a própria lei já diz no casos previsto em lei e se a lei não previu o perdão judicial não pode se valer de analogia – LUIS REGIS PRADO – somente se aplica ao homicídio culposo. nos casos previstos em lei (é possível analogia nas hipóteses de perdão judicial? O CP 121 §5° “Na hipótese de homicídio culposo.”. Se a execução se dá quando a vítima está com 13 anos e o resultado morte se dá quando está com 15 anos. sob pena de responsabilizá-lo objetivamente. Qual é o momento para a concessão do perdão judicial? Existem duas correntes: Página 11 de 76 . PERDAO JUDICIAL Sua natureza jurídica é causa extintiva da punibilidade. não pode ser executada no juízo cível para a reparação do dano. pois as conseqüências da infração já são suficientes Natureza Jurídica da Sentença Concessiva do Perdão Judicial Trata-se de decisão declaratória da extinção da punibilidade (Sumula STJ 18 “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. ainda que outro seja o momento do resultado. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. E no CTB será que o legislador colocou o perdão judicial? Surge o problema em que não estando previsto o perdão judicial não caberia. não subsistindo qualquer efeito condenatório”). aplica-se essa causa de aumento de pena? O que nos interessa é o momento da ação/ omissão. não obstante a prática de um injusto penal por um agente culpável deixa de lhe aplicar a pena nas hipóteses taxativamente previstas em lei. Lembrando que é indispensável que a idade do ofendido ingresse na esfera de conhecimento do agente. porém se for feito uma pesquisa sobre o assunto descobre-se que o perdão judicial estava previsto no CTB. Essa decisão que concede o perdão judicial pode ser liquidada no cível? Como essa decisão não é condenatória. mas foi vetado. reconhece que o agente praticou uma conduta típica.

E se a vitima for menor de idade. a capacidade de resistência” SUICÍDIO – a tentativa de suicídio é uma conduta atípica. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Se a vitima for suprimida sua capacidade de resistência vai para o CP 121.Renato Brasileiro Penal Especial 1) Perdão judicial para ser concedido pressupõe. II – se a vítima é menor ou tem diminuída. Parágrafo único. o reconhecimento de uma conduta típica. A pena é duplicada: I – se o crime é praticado por motivo egoístico. que funcionam como condição objetiva de punibilidade. II – se a vítima é menor ou tem diminuída. Não é possível a intervenção em atos executórios de matar alguém. CONSUMAÇAO E TENTATIVA CP 122 “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão. sob pena do agente responder pelo crime de homicídio. a capacidade de resistência”. de um a três anos. a instigação e o auxilio. ficando a punibilidade condicionada ao implemento do resultado morte. ilícita e culpável. ou reclusão. A tentativa de suicídio é uma conduta ilícita. ou reclusão. nesse caso. O crime consuma-se com o induzimento. Se a vitima for menor de 14 anos o delito será do CP 121. Assim. § único II). INDUZIR = MORTE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = LESAO GRAVE – CP 122 CONSUMADO Página 12 de 76 . só pode ser concedido ao final do processo sob pena de violação do p. se a vitima tem sua capacidade diminuída será participação do suicídio (CP 122. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave” Se a pessoa não pula ou sofre lesão corporal leve. de dois a seis anos. ADEQUAÇAO e UTILIDADE (qual seria a utilidade de se levar adiante um processo referente a um caso concreto no qual estivesse patente uma hipótese de perdão judicial? Se não há utilidade não há interesse de agir e conseqüentemente não há condição da ação ) (DIREITO PROCESSUAL PENAL) PARTICIPAÇAO EM SUICIDIO (=AUTOQUIRIA/AUTOCIDIO) CP 122 “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão. por qual crime respondo? CP 122 § único “Parágrafo único. se o suicídio se consuma. Qual é o tipo objetivo do delito do CP 122? Existem três verbos: INDUZIR (criar uma ideia até então inexistente). A vítima precisa ser certa ou determinada no instigar ou auxiliar. INSTIGAR (é reforçar uma ideia preexistente) E AUXILIAR (ajudar materialmente). por qualquer causa. de um a três anos. não tem um tipo penal que se aplique. se a vitima é maior de 14 anos e menor de 18 anos entra no CP 122. por qualquer causa. (DIREITO PENAL) 2) Essa corrente já começa dizendo que a condição da ação “INTERESSE DE AGIR” se subdivide em um trinômio”: NECESSIDADE. se o suicídio se consuma. de dois a seis anos. § único II e se a vitima for maior de 18 anos configura-se no CP 122. A pena é duplicada: I – se o crime é praticado por motivo egoístico. o que acontece? Três correntes: 1. da presunção de inocência.

Se ocorrer lesão corporal grave estaremos diante de um crime tentado (tentativa sui generis). Página 13 de 76 . A B A B Aqui B abre a torneira e A morre. 3. instigação e auxilio não configuram consumação. PACTO DE MORTE A pessoa que sobrevive vai responder pelo CP 122. Induzimento. que se consuma com a produção do resultado morte. INDUZIR = MORTE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = LESAO GRAVE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = NÃO SOFRE NADA – FATO ATIPICO Não se admite tentativa. se o B abriu a torneira ele teve atos executórios que só não se consumaram por vontade alheia e responde pelo CP 121 c/c 14 II e o A não responde é atípica A R B Aqui é o caso de que R salva os dois. mas sim execução do delito. instigação e auxilio configuram execução do delito. Na verdade o crime se consuma com o resultado morte ou lesão corporal grave. assim B responde pelo CP 121. (PREVALECE) Induzimento.Renato Brasileiro Penal Especial INDUZIR = NÃO HÁ RESULTADO – CONDUTA IMPUNIVEL Não se admite tentativa 2. O crime do CP 122 com resultado lesão grave é exemplo de um crime material plurissubsistente que não admite tentativa. Se você induz e não há resultado o fato é considerado fato atípico.

temporal (deve ser praticado durante o parto ou logo após). sob a influência do estado puerperal. E se a mãe matar o filho errado? Encontra-se o erro sobre a pessoa e assim responde como se tivesse atingido a pessoa que pretendia ofender. quando não constituem ou qualificam o crime” AULA 3 DIA 06/03/09 ABORTO Art. 124. 125. 126. ou se o consentimento é obtido mediante fraude. sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção. de dois a seis anos” É um homicídio com elementos especializantes. o próprio filho.Renato Brasileiro Penal Especial INFANTICIDIO CP 123 “Matar. Quais são os elementos? Parturiente (crime próprio). ou é alienada ou débil mental. de um a três anos. Art. Aplica-se a pena do artigo anterior. Parágrafo único. se a gestante não é maior de quatorze anos. da especialidade. durante o parto ou logo após: Pena – detenção. Aplica-se o p. Art. Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – reclusão. sob a influência do estado puerperal (elementar do CP 123. logo se comunica ao terceiro desde que ele tenha consciência). O infantício somente é punido a titulo de dolo direto ou eventual. de um a quatro anos. grave ameaça ou violência • Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento • Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante • Aborto provocado com o consentimento da gestante Página 14 de 76 . Provocar aborto. de três a dez anos. praticado contra o nascente ou neonato. CP 61 na incide neste crime “São circunstâncias que sempre agravam a pena.

A lei de drogas também trouxe algumas exceções. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. vender. concorre para o crime incide nas penas a este cominadas. mas em razão dela. o delito permanece único e indivisível. é punido com reclusão ou detenção.” I. ainda que gratuitamente. art. 33 (“Importar. de um a três anos”). tradutor ou intérprete. não sendo casado. por exemplo. 124. perito. sendo casado. CP 29 “Quem. 37 (“Colaborar. omitir ou retardar ato de ofício”). Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque (. como informante. organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. ter em depósito. 36 (“Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. com grupo. o art. transportar. mas a pena ficará na medida de sua culpabilidade (juízo de reprovação). a quarta exceção é o CP 235 (“Contrair alguém. tradutor ou intérprete em processo judicial. ou administrativo. O CP adota a teoria Monista. fabricar. cálculos. ou em juízo arbitral: § 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço. conhecendo essa circunstância. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”). e 34 desta Lei”). III. oferecer. para fazer afirmação falsa. onde um crime seria para co-autores e um para os participes. negar ou calar a verdade em depoimento. se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal. ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta”). contrai casamento com pessoa casada. trazer consigo. remeter. ministrar. novo casamento: § 1o Aquele que. exportar. oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha. II. perícia. 33 caput e § 1º. preparar. direta ou indiretamente. na medida de sua culpabilidade. para si ou para outrem. e 34 desta Lei”). Art. produzir. inquérito policial. DUALISTICA – De acordo com esta teoria haveria dois crimes. vantagem indevida. art. contador. de qualquer modo. entregar a consumo ou fornecer drogas. perito. para determiná-lo a praticar. Essa teoria monística teria sido adotada de forma absoluta ou tem exceções? Alguns doutrinadores dizem que é uma teoria monística temperada/ moderada. a segunda exceção é a corrupção do funcionário público (CP 317 “Solicitar ou receber. 33. ou negar ou calar a verdade como testemunha... As exceções são: CP 124 e 126 porque a mulher que vai ate uma clinica clandestina e paga 5 mil reais para o medico ela responde pelo CP 124 e o medico que faz o aborto responde pelo CP 126. MONISTICA – independentemente de numero de co-autores ou participes. prescrever. contador.Renato Brasileiro Penal Especial Teorias Sobre O Concurso De Pessoas São três teorias: PLURALISTICA – de acordo com essa teoria existem tanto crimes quantos forem os coautores e participes. expor à venda. a terceira é o CP 343 (“Dar. tradução ou interpretação”) e o CP 342 (“Fazer afirmação falsa. adquirir.) Página 15 de 76 . caput e § 1º. ou aceitar promessa de tal vantagem”) e do particular (CP 333 “Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público. guardar.

lhe sobrevém a MORTE”. O medico responsável pela pratica do aborto. A morte do feto para caracterizar o aborto pode ocorrer dentro ou fora do útero.Renato Brasileiro Penal Especial Esse crime do CP é um crime comum (não exige qualidade especial do agente). Ex: falso testemunho. Crime próprio admite tanto a co-autoria quanto a participação) ou de mão própria (também exige uma qualidade especial do agente. se. próprio (exige uma qualidade especial do agente. só que o detalhe é que como o próprio nome já diz é o delito cuja execução não pode ser delegada. Figuras Majoradas Do Aborto CP 127 “As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. Conceito de Aborto É a interrupção voluntária da gravidez com a morte do produto da concepção dentro ou fora do útero.: peculato. esse resultado acabou ocorrendo. Art. Ex. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo. pois só posso executar com minhas próprias mãos. mas a mulher acaba falecendo. caput 2° parte. Provocar aborto. A figura do CP 127 é exemplo de crime PRETERDOLOSO. de três a dez anos. E se um tiro causar a morte da gestante e do feto? Responde pelo CP 121 e pelo CP 125 na forma do CP 70. por qual delito ele responde? Nesse exemplo. e são duplicadas. As três modalidades de aborto não são punidas a titulo de culpa somente a titulo doloso. porém nada impede a participação)? Assim o CP 124 é exemplo de um crime de mão própria enquanto os outros crimes de aborto são crimes comuns. o dolo do agente era em relação ao aborto. Página 16 de 76 . Este crime não admite a co-autoria. Aborto de gêmeos? Se houve o abortamento de gêmeos temos dois crimes e o concurso é formal impróprio. Esse artigo somente se aplica ao CP 125 e 126. CP 19 “Pelo resultado que agrava especialmente a pena. por qualquer dessas causas. É o CP 126 com o resultado morte do CP 127 ultima parte. não consegue interromper a gravidez. O CP 124 admite concurso de pessoas? É perfeitamente possível o concurso de pessoas no CP 124 porém somente na modalidade de participação. sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão. a gestante sofre LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE. se. mas não conseguiu abortar (forma tentada). porém o resultado morte da gestante é atribuído a ele a titulo culposo. assim nesse caso há duas correntes: • • Aborto provocado com o consentimento da gestante com a causa de aumento do CP 127 última parte em sua modalidade consumada. porém na modalidade tentada. 125. só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”.

mas não seria culpável em virtude da presença de uma causa excludente da culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa).: É o aborto do feto anencefálico (sem atividade cerebral).Renato Brasileiro Penal Especial Seria possível a tentativa em crime preterdoloso? Não se admite tentativa em crime preterdoloso quando o que ficar frustrado for o resultado atribuído ao agente a titulo de culpa. A gravidez deve ser resultante de estupro (de acordo com a doutrina majoritária entra o atentado violento ao pudor). de seu representante legal”.E se for o delito praticado por enfermeira? A doutrina diz que essa excludente de ilicitude somente se aplica ao medico. Esse aborto não depende de autorização judicial. Inexistência de outro meio para salva-la. Risco de morte da gestante b.. Conferir a ADPF 54. Para a doutrina o fato seria típico e ilícito. Depende de consentimento da gestante ou de seu representante legal. quando incapaz. Para a doutrina deve o medico dentro do possível certificar-se da ocorrência do crime sexual. LESAO CORPORAL CP 129 “Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem (.. ABORTO SENTIMENTAL (= humanitário ou ético) – CP 128 II “Não se pune o aborto praticado por médico: II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. Quais são os requisitos? a. Deve ser praticado por medico b. Há um PL criando essa permissão de aborto.)”. será possível tentativa em crime preterdoloso. Aborto Eugênico Ex. c. Ocorre devido ao ESTADO DE NECESSIDADE. Excludentes De Ilicitude No Crime De Aborto I. Praticado por medico . Página 17 de 76 . II. Quais são os requisitos? a. praticada a titulo doloso. Porém quando o que ficar frustrado for à conduta do agente. c. mas teoricamente para a enfermeira usa a regra geral do estado de necessidade do CP 24. ABORTO NECESSÁRIO (= terapêutico) – CP 128 I “Não se pune o aborto praticado por médico: I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante”. Precisa de autorização da vitima e judicial? Não é necessária autorização judicial e não é necessária autorização da gestante. Aborto Miserável/ Economico-Social Dá-se nos casos de incapacidade financeira. Este aborto não faz parte do rol dos abortos permitidos do CP 128. Não há falar em momento algum de excludente da culpabilidade.

total ou parcialmente. Espécies de lesão corporal Página 18 de 76 . Quais são os requisitos para o consentimento do ofendido? Para ser valido deve o consentimento ser prévio ou concomitante a ação. mediante artifício. ou lesa o próprio corpo ou a saúde. essa conduta acaba sendo ATIPICA. Autolesão Não configura crime. é o que acontece quando uma prostituta joga acido no rosto de uma pessoa e esse é um exemplo de tentativa de lesão corporal grave. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro.” e o CPM 184 “Criar ou simular incapacidade física. em prejuízo alheio. ou oculta coisa própria. A integridade corporal é um bem disponível. o consentimento deve ser dado por pessoa capaz. afastará a tipicidade. Tipo Objetivo Tapa no rosto e corte de cabelo configuram qual delito? Qual é a conduta do agente? A depender do elemento subjetivo o corte ou o tapa seria injuria real (CP 140 §2° “Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. Não há necessidade de dor nem de efusão de sangue. para si ou para outrem. vantagem ilícita. ou agrava as conseqüências da lesão ou doença. CUIDADO: Com a tentativa de vitriolagem. Esse é o mesmo raciocínio as lesões desportivas. desde que a lesão corporal seja de natureza leve. diferente que na segunda posição é exercício regular do direito. induzindo ou mantendo alguém em erro. se considerem aviltantes”). que inabilite o convocado para o serviço militar:” Cirurgia transexual Alguns doutrinadores dizem que quando o medico faz a cirurgia não age com dolo. Observar o CP 171 §2° V “Obter. por sua natureza ou pelo meio empregado. ardil. É possível tentativa no crime de lesão corporal? É um crime plurissubsistente e assim admite tentativa. outros dizem que o médico age no estrito cumprimento do dever legal e por outros falam que na verdade por meio da teoria da imputação objetiva como esse medico cria um risco permitido e tolerado pela sociedade. que. o consentimento deve recair sobre bem disponível. Consentimento do Ofendido Qual é natureza jurídica do consentimento do ofendido? Em regra o consentimento funciona como uma causa supralegal excludente da ilicitude. Porém quando o dissentimento estiver inserido no tipo penal.Renato Brasileiro Penal Especial O bem jurídico tutelado é a integridade corporal ou saúde de outrem. ou qualquer outro meio fraudulento: V – destrói.

V – aborto:” CP 129 §3° tem-se a lesão corporal seguida de MORTE “Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado. III – perda ou inutilização de membro. porque nesse caso a transmissão de doença incurável Assim a transmissão dolosa configura o delito de TENTATIVA DE HOMICIDIO por causa do animus necandi. por mais que tenha havido a transmissão a conduta do agente produziu um risco permitido ou tolerado portanto. Criança também pode ser vitima desse delito). deve ser feito o exame complementar (de diagnostico e não de prognostico) depois dos 30 dias.Renato Brasileiro Penal Especial CP 129 caput tem-se a lesão corporal LEVE – “Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”. sentido ou função (pode ser atribuído a titulo de dolo ou culpa). II – enfermidade incurável. Subtrair. nem assumiu o risco de produzi-lo” AULA 4 DIA 06/04/09 CRIMES CONTRA O PATRIMONIO FURTO Art. mas e se não for feito? A ausência desse exame complementar pode ser suprida por prova testemunhal. independentemente da pena prevista. não se aplica a Lei nº 9. e multa. II – perigo de vida (pode ser atribuído somente a titulo de culpa. por mais de trinta dias (pode ser atribuído a titulo de dolo ou culpa – atividades ilícitas não são abrangidas. ao agente não pode ser imputado o resultado lesivo). IV – deformidade permanente. CP 129 §1° tem-se a lesão corporal GRAVE “Se resulta: I – incapacidade para as ocupações habituais. cabe lembrar que por conta do art. Crime preterdoloso – tem dolo na conduta e culpa no resultado (CP 129 §3°). III – debilidade permanente de membro. 88 da lei de juizados temos crime de ação penal publica condicionada a representação. Crime qualificado pelo resultado – Esse resultado pode ter sido produzido tanto a titulo doloso como culposo. coisa alheia móvel: Pena – reclusão. 155. Transmissão dolosa de vírus HIV configura qual delito? Alguns doutrinadores chegam a dizer que essa transmissão seria lesão gravíssima. assim a ação penal desta lei é incondicionada. De acordo com o art. sentido ou função.099. 41 da lei Maria da penha (art. de um a quatro anos. 41 da Lei 11340/06 – “Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. esse prazo de 30 dias é um prazo penal. se o crime é praticado durante o repouso noturno. de 26 de setembro de 1995”). Página 19 de 76 . para si ou para outrem. IV – aceleração de parto (pode ser atribuído somente a titulo de culpa)”. § 1o A pena aumenta-se de um terço. CP 129 §2° tem-se a lesão corporal GRAVISSIMA “Se resulta: I – incapacidade permanente para o trabalho (é para toda e qualquer atividade laborativa).

Fazer justiça pelas próprias mãos. ou mediante fraude. o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. de seis meses a dois anos. se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. § 2o Não é punível a subtração de coisa comum fungível. ou aplicar somente a pena de multa. co-herdeiro ou sócio. § 1o Somente se procede mediante representação. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas. cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente” – esse crime depende de representação. Sujeitos ativo e passivo Em relação ao sujeito ativo trata-se de crime comum. ou multa. II – com abuso de confiança. § 4o A pena é de reclusão de dois a oito anos. Parágrafo único. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. CP 345 e CP 346 “Art. delito esse que está previsto no CP 156 “Subtrair o condômino. suprimir. e multa. o problema diz respeito à figura do proprietário. para satisfazer pretensão.” Será que o possuidor da coisa pode ser autor do crime de furto? Se já estou na posse da coisa é apropriação indébita. a coisa comum: Pena – detenção. Página 20 de 76 . somente se procede mediante queixa. de seis meses a dois anos. diminuí-la de um terço a dois terços. 346. 345. ou multa. e multa. III – com emprego de chave falsa. que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção: Pena – detenção. Se não há emprego de violência. a quem legitimamente a detém. Tirar. § 5o A pena é de reclusão de três a oito anos. a posse e também a detenção. § 3o Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Bem jurídico tutelado Prevalece o entendimento de que o CP 155 tutela a propriedade. Art. para si ou para outrem. Será que o proprietário do bem pode ser sujeito ativo do crime de furto? O proprietário não pode ser sujeito ativo do crime de furto. e é de pequeno valor a coisa furtada. escalada ou destreza.Renato Brasileiro Penal Especial § 2o Se o criminoso é primário. Ele responderá: • • Responde por furto de coisa comum. além da pena correspondente à violência. de quinze dias a um mês. salvo quando a lei o permite: Pena – detenção. Se você proprietário tem uma disputa contratual e resolve pegar o bem subtraindo o objeto configura em exercício arbitrário das próprias razoes. embora legítima. destruir ou danificar coisa própria.

Será que a subtração de objeto que tenha valor meramente sentimental caracteriza-se furto? Todo e qualquer bem podem apresentar valores de troca (economicamente apreciável) ou de uso (é o valor sentimental do objeto). 3.: Portanto para os tribunais não há falar em aplicação deste p. assim quem furta de ladrão também responde pelo crime. Funcionário público pode ser sujeito ativo do crime de furto? Ex. portanto quem furta de um ladrão responde normalmente pelo delito. mas ao de valor de uso não se aplica o p. embora não tendo a posse do dinheiro. Ai surge fazer uma breve análise ao p. Aos de valor de troca se aplica o p. ao reincidente (STJ RHC 24326 – está em um dos últimos informativos) e também nas hipóteses de furto qualificado (STF HC 94765). Na apropriação indébita o dolo é posterior à posse. valor ou bem. responde pelo crime? É irrelevante qualquer consideração relativa à qualidade do sujeito passivo. Página 21 de 76 . desde o primeiro momento já agia com dolo.: um determinado soldado do exercito e outro colega no alojamento foi dormir. ou concorre para que seja subtraído. Tipo objetivo Em relação ao bem que pode ser objeto diz o código “subtrair coisa alheia móvel”. da insignificância é a exclusão da tipicidade material.Renato Brasileiro Penal Especial Uma coisa é quando estou na posse da coisa e resolvo inverter o titulo querendo passar a agir como se dono fosse é por isso que diferencia do estelionato em que o seu dolo é o dolo ab initio. se o funcionário público. Quem furta de ladrão. A conseqüência do p. em proveito próprio ou alheio. Mínima ofensividade da conduta do agente Nenhuma periculosidade social da ação Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento Inexpressividade da lesão jurídica provocada. insignificância. 2. e esse soldado vai e pega essa pistola e entrega essa arma para um civil. o subtrai. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário” Funcionário público: • Se agente se valer da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário responderá pelo crime de PECULATO – FURTO. insignificância. Principio da insignificância (de minimis non cura pretor) PRESSUPOSTOS (STJ HC 84687) 1. ou seja. • Caso contrário responde pelo crime de FURTO. OBS. 4. mas guarda sua pistola com certo descuido. Esse militar que pegou a arma responde pelo CP 312 §1° “Aplica-se a mesma pena. insignificância.

insignificância. até cinco anos” (HC 94685) – 5 X 1 contrários a aplicação do p. insignificância no crime de roubo Não é possível a aplicação do p. insignificância. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão. a Turma decidiu submeter ao Plenário julgamento de habeas corpus em que se discute a aplicação ou não do princípio da insignificância a militar condenado pela prática do crime de posse de substância entorpecente em lugar sujeito à administração castrense (CPM. preparar. 89 “Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano. insignificância (STF HC 88393) P. vez que o roubo é um crime complexo. o Ministério Público.” CPM 290 “Receber. Essa coisa móvel deve ser ALHEIA. mas também a integridade da pessoa (STF RE 454394).” ela é possível para todo e qualquer crime cuja pena mínima seja igual ou inferior a um ano. ainda que gratuitamente. P. 290 do CPM e Princípio da Insignificância . pois não há risco potencial a liberdade de locomoção. O que devo entender por coisa móvel? É tudo que pode ser objeto de deslocamento. Já para o STF diz que o fato de o acusado ter aceitado a suspensão condicional do processo não impede a impetração de HC buscando o trancamento do processo em virtude do p. por dois a quatro anos. moralidade e não o valor da coisa (não basta ser honesto é preciso que mostrar ser honesto). caput em que apena prevista é de um a quatro anos. insignificância ao crime de peculato. produzir. podendo ser transportado de um local para o outro sem destruição.Ante a divergência entre as Turmas sobre a matéria. ao oferecer a denúncia. Isso é por conta do CP 155. ministrar ou entregar de qualquer forma a consumo substância entorpecente. insignificância aos crimes contra a Administração Pública? Para provas tradicionais. Agora para o STF. presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (artigo 77 do Código Penal). Ex. vender. 290). P. a qual é aceita pelo acusado e defensor. insignificância e suspensão condicional do processo Está prevista na lei 9099/95 art. Porque nestes crimes o que está em jogo são os p. desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime. art. insignificância. insignificância e porte de drogas em organização militar O informativo STF 519 “Art.Renato Brasileiro Penal Especial Posso aplicar o p. em lugar sujeito à administração militar. não estando em jogo não só o patrimônio. guardar. Página 22 de 76 . o MP oferece denúncia. transportar. abrangidas ou não por esta Lei. Neste caso será que o acusado pode impetrar com HC pedindo o trancamento do processo? O STJ diz que não cabe HC. trazer consigo. ou que determine dependência física ou psíquica. fornecer.: um cara furta uma lata de leite. não se aplica o p. ter em depósito. porém com a proposta de suspensão. é possível a aplicação do p. da probidade. ainda que para uso próprio. poderá propor a suspensão do processo.

nem podia de outro modo evitar.: Bicicleta. Em relação a coisa perdida tem o crime de apropriação de coisa achada. CP 169 § único II “quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria. dentro no prazo de quinze dias” – nesse crime de coisa achada eu não posso saber quem é o dono. direito próprio ou alheio. se souber é furto. que não provocou por sua vontade. TIPO SUBJETIVO Em relação ao crime de furto terá a presença do dolo (vontade livre e consciente de subtrair) + especial fim de agir (dolo específico). Não é objeto do crime de furto. O problema está no “furto de uso”. responde o agente pelo crime de furto caso a coisa não seja devolvida no local em que estava e no mesmo estado. Ex. CONSUMAÇAO E TENTAIVA Existem 4 correntes quanto à consumação dos crimes de furto e de roubo: Página 23 de 76 . vem a ser imediatamente restituída ou reposta no lugar onde se achava”. Para a júris apesar do furto de uso não ser tipificado. O furto de uso não é tipificado no CP. nas circunstâncias. cujo sacrifício.  Res nullius – é a coisa sem dono. a seguir. Subtração de cadáver Furto famélico CP 24 “Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual. não era razoável exigir-se”.Renato Brasileiro Penal Especial Deve observar:  Res desperdictae – é a coisa perdida. mas sim no CPM 241 “Se a coisa é subtraída para o fim de uso momentâneo e. A coisa abandonada não pode ser objeto do crime de furto. deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregála à autoridade competente. total ou parcialmente. Não é admitido pelos tribunais como estado de necessidade. Esse especial fim de agir é o chamado PARA SI OU PARA OUTREM.  Res derelictae – é a coisa abandonada. pois a coisa deve ser alheia.

III(*) – é perseguido. Teoria da apprehensio/ amotio – consuma-se o delito quando a coisa passa para o poder do agente. ainda que por curto espaço de tempo. pela autoridade. mas o grande problema disso é porque enquanto a pessoa não passa pelo caixa não posso dizer pelo crime. E no caso quando a pessoa consome objeto do supermercado. 3. mas bem antigo adotando a teoria da ablatio.Renato Brasileiro Penal Especial 1. tem que esperar passar o caixa. Os mecanismos de segurança são sinônimos de crime impossível? Para a júris a utilização de dispositivos de segurança não caracteriza crime impossível. em situação que faça presumir ser autor da infração. É violação de domicilio (CP 150). objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. logo após. com instrumentos. IV(*) – é encontrado.” (*) Nas hipóteses de flagrante impróprio e presumido (incisos III e IV) é possível a caracterização do furto consumado (STF HC 92450).3: Subtração com destruição. Ex. Quando houver a destruição ou perda do bem subtraído o delito de furto estará consumado. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. trata-se de crime impossível por absoluta impropriedade do objeto.a consumação ocorre com o simples contato entre o agente e a coisa alheia. 4. Agora se o agente enfia a mão no bolso errado do cidadão trata-se de circunstância acidental. Ex. respondendo então por tentativa de furto. Na júris brasileira a teoria que tem preferência é a Teoria da apprehensio/ amotio. 2. pois a ineficácia do meio seria apenas relativa. Ex. logo depois. dispensando-se posse mansa e pacifica. Teoria da ilatio – exige para a consumação que a coisa seja levada ao local desejado pelo agente. se consumiu entra na linha de destruição. o agente é surpreendido antes de se apoderar de qualquer objeto.2: após entrar numa residência. Ex. Teoria da ablatio – consuma-se o delito quando a coisa além de apreendida entra na posse mansa e pacífica do agente. II – acaba de cometêla (nesse caso furto tentado). Se a vítima não traz nenhum objeto em seu poder. Página 24 de 76 . Teoria da contrectatio . armas. Tinha julgados da 6° turma. Crime impossível Ineficácia absoluta do meio.: Se o agente é surpreendido no interior de um supermercado ocultando objetos trata-se de atos preparatórios enquanto não passar pelo caixa. Prisão em flagrante e furto consumado são incompatíveis? CPP 302 “Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal (nesse caso furto tentado).: Punguista. prevalecendo nos tribunais superiores (STJ Resp 931733). Em relação à execução adota-se a teoria objetivo formal (o agente ingressa na fase executória quando dá inicio à prática do verbo núcleo do tipo).

coisa que sabe ser produto de crime. Venda fraudulenta de coisa subtraída Subtraio o veiculo e depois pego este veiculo e vendo. em proveito próprio ou alheio. pois aqui é posse vigiada. ou influir para que terceiro. Furto. Posse vigiada e posse desvigiada O melhor exemplo é o livro da biblioteca. Neste caso é furto ou roubo? Para prova o ideal é dizer que a violência é dirigida contra a coisa e não contra a pessoa. este crime é um crime de furto. é quando a pessoa puxa o relógio ou a corrente. assim responde o agente pelo crime de favorecimento real se sua conduta aderir a do autor da subtração após a subtração. fora dos casos de co-autoria ou de receptação. Diferentemente do delito de receptação a sua intenção é de agir em proveito próprio ou de terceiro (esse terceiro pode ser qualquer pessoa à exceção do criminoso). Página 25 de 76 . conduzir ou ocultar. assim teríamos o crime de roubo. a adquira.Renato Brasileiro Penal Especial DISTINÇAO Subtração por arrebatamento e trombada A subtração tem como exemplo a subtração de correntes. receber. CPP 155 §1° “A pena aumenta-se de um terço. Agora se antes responde como participe do delito de furto. se o crime é praticado durante o repouso noturno”. auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime” Se entrar no crime antes de praticar o autor sendo participe do crime de furto. Sendo considerado mero exaurimento do delito de furto (p. Aqui a violência é dirigida contra a pessoa e o delito não exige a produção de gradação de lesão. receba ou oculte”. O favorecimento real está no CP 349 “Prestar a criminoso. A trombada geralmente é muito usada contra pessoas idosas. receptação e favorecimento real A receptação está no CP 180 “Adquirir. Para a júris a venda fraudulenta da coisa subtraída será absorvida pelo delito de furto. A receptação difere do favorecimento real em que no favorecimento presta auxilio ao criminoso. então sua intenção não é de assegurar o crime e sim o interesse do criminoso. Não há falar em crime de roubo e sim delito de furto. de boa-fé. já na posse desvigiada é crime de apropriação indébita. relógio. consunção). Se estiver dentro da biblioteca estou consultando e resolvo levar pra casa. transportar.

habitada ou desabitada. os costumes podem funcionar como fonte de direito penal? Não posso utilizar para cria o direito. bem como o fato de a vítima estar ou não efetivamente repousando (STJ HC 29153). ele é colocado no regime semi-aberto e no dia 21/05/05 esse agente pratica um delito de furto e acaba subtraindo objeto avaliado em R$ 45. trata-se de direito subjetivo do acusado. Subtração de sinal de TV a cabo é equiparado a coisa móvel. AULA 5 DIA 08/04/09 Página 26 de 76 . podendo ser objeto material de furto. Alteração do medidor caracteriza o delito de estelionato . o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. Furto privilegiado CP 155 §2° “Se o criminoso é primário.É fraude de modo a obter medição incorreta. nesse caso o juiz pode reconhecer o furto privilegiado? Cuidado com este exemplo é acusado primário e terá direito ao furto privilegiado. Não se aplica a majorante do §1° ao furto praticado durante o repouso diurno. No caso do “gato” é furto de energia. Para o STJ é irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de residência. Presentes os pressupostos.: duas pessoas subtraíram R$125. Encontra-se sob a tutela penal a energia genética subtraída de reprodutores. entendem que é possível. Ou seja. para o STF é possível o chamado furto qualificado privilegiado. Furto qualificado e privilegiado Ex. mas como valor e ambos são primários e inferior a um salário mínimo nada impede que seja privilegiado (STF HC 96843 e STJ HC 96140). diminuí-la de um terço a dois terços. ou aplicar somente a pena de multa” Requisito: 1. de acordo com a júris é um crime permanente (STJ HC 17867). Pequeno valor da res (deve ser aferido tudo aquilo que for inferior a um salário mínimo) Ex. sob pena de analogia in mala partem. Primariedade (não é reincidente) 2. mas será importante para a interpretação de alguns tipos penais. Furto de energia CP 155 §3° “Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico”.: No dia 10/03/04 o agente pratica crime de estupro. e é de pequeno valor a coisa furtada.Renato Brasileiro Penal Especial Costuma-se dizer em relação aos costumes.

O STJ tem desconsiderado o §1° e utilizando o caput (STJ HC 101531). proporcionalidade e da isonomia não pode o poder judiciário exercer juízo de valor sobre o quantum da sanção penal estipulada pelo legislador sob pena de violação ao p. receber. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. ou influir para que terceiro. deve se aplicar ao crime de receptação qualificada a pena prevista no CP 180 caput. ou mediante fraude. remontar. assim é todo objeto empregado pela pessoa para proteger a coisa sobre a qual pode recair a conduta. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. ter em depósito. § 2o A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. escalada ou destreza.: CP 180 “Adquirir. receber. no exercício de atividade comercial ou industrial. II – com abuso de confiança. Em relação a esse obstáculo tem entender algum detalhes: o que seria esse obstáculo? Seria uma tranca do carro. ou de qualquer forma utilizar. Para o STJ. ocultar. em proveito próprio ou alheio. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. mediante grave ameaça ou violência à pessoa. transportar. ou depois de havê-la.” Esse §1° foi modificado pela lei 9426/96. OBS. conduzir ou ocultar. Qualificadoras do crime de furto 1. se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. a adquira. por qualquer meio. restringindo sua liberdade” CP 155 caput . desmontar. em proveito próprio ou alheio. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas” CP 157 “Subtrair coisa móvel alheia. e multa. coisa que sabe ser produto de crime (dolo direto). de quatro a dez anos. transportar. conduzir. coisa que deve saber ser produto de crime (dolo eventual): Pena – reclusão.Renato Brasileiro Penal Especial FURTO QUALIFICADO CP 155 §4° “A pena é de reclusão de dois a oito anos. expor à venda. e multa. da separação dos poderes (STF RE 358315). montar.Pena de um a quatro anos CP 155 §4° IV pena de dois a quatro anos CP 157 caput – pena de 4 a 10 anos CP 157 §2°II – pena: aumento de pena de 1/3 a 1/2 A título de p. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. para si ou para outrem. vender. e multa. de boa-fé. Destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa – Primeiro ponto importante é definir o que seria “obstáculo”. receba ou oculte: Pena – reclusão. grade colocada no chão? Página 27 de 76 . IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. de três a oito anos. § 1o Adquirir. III – com emprego de chave falsa. e multa. de um a quatro anos.

Renato Brasileiro Penal Especial Se a violência for exercida contra o próprio objeto visado não incide a qualificadora. seja quando subtrai o carro seja quando subtrai um objeto do interior do veiculo.: Pessoas que fingem serem funcionários da NET e lá dentro é furtado. Caso contrário são necessários dois peritos. induzindo ou mantendo alguém em erro. Esse crime cometido pelo empregado doméstico é conhecido como famulato. a fim de que a vítima possa subtraí-la. essa qualificadora não deve incidir. ou mediante fraude. 2. será que incide a qualificadora? Quando usa as pedras para estilhaçar o vidro e subtrair o objeto que está dentro do veiculo. o delito de furto consuma-se no local em que a coisa é Página 28 de 76 . ou qualquer outro meio fraudulento”). ardil. FURTO MEDIANTE FRAUDE – Não deve ser confundido com o ESTELIONATO (CP 171 “Obter. Deve lembrar que há necessidade de EXAME PERICIAL. a vítima não é a PF e sim a instituição bancaria. Ex. para si ou para outrem. Isso dará origem ao ponto mais questionado dessa qualificadora que é quando quebra ou destrói o quebra vento de um veiculo. CUIDADO: Uma coisa é quando você tem aluguel de veiculo em que tem a posse desvigiada da coisa e resolvo dela apropriar-se é claro o crime de apropriação indébita. Aqui a transferência da posse é unilateral. No estelionato você induz a pessoa a erro e ela lhe entrega a coisa. mas não é todo e qualquer crime praticado por doméstico. se for a CEF será competente a justiça federal. escalada ou destreza ABUSO DE CONFIANÇA – melhor exemplo é o cometido pelo empregado doméstico. CUIDADO: Ligação Direta – quanto a este assunto tem controvérsia. deve observar se o empregado já tinha ou não a confiança do patrão. e ai depois começam a efetuar saques. em prejuízo alheio. uma primeira posição diz que não incide nenhuma qualificadora (júris) já há doutrinadores que dizem que a ligação direta seria incidida no CP 155 §4° I. diferentemente do doméstico que tem contato com os pertences de uma casa em que não é considerado como posse desvigiada. incide a qualificadora? A doutrina diz que por uma questão de equidade e proporcionalidade. No furto qualificado pela fraude o meio fraudulento serve para afastar a vigilância exercida sobre a coisa. A júris entende que a subtração de objetos que se encontram no interior do veiculo mediante rompimento de obstáculo faz incidir a qualificadora do inciso I (STJ Resp 983291 e STF HC 77675). OBS. Abuso de confiança. Já o estelionato a fraude é usada para enganar a vítima.: Fraude por meio da internet – Configura qual delito? Furto qualificado pela fraude ou estelionato? Se eu quero comprar um abadá que custa R$400 e na internet custava R$250 em plena véspera do carnaval configura-se o delito de estelionato. mediante artifício. basta um. Esse exemplo de saque fraudulento é entendido pela júris que o sujeito passivo é a instituição bancária. fazendo com que esta entregue a coisa ao agente de maneira voluntária. Aqui a transferência da posse é bilateral. que tem o seu sistema de vigilância burlado pelo agente. Mas cuidado com o exemplo de programas de vírus (Trojan) que captam a senha. Se perito oficial. vantagem ilícita.

em quadrilha ou bando.: arames. corromper ou facilitar a corrupção de pessoa menor de dezoito anos. punido com a pena de reclusão de um a quatro anos e multa de mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. Para a júris esse crime é FORMAL. incidindo a qualificadora em qualquer hipótese de concurso de pessoas. 1° “Constitui crime. para o fim de cometer crimes: Pena – reclusão. E se o inimputável for um menor de 12 anos. 3. Emprego de chave falsa – “CHAVE FALSA” é todo o instrumento com ou sem a forma de chave utilizada como dispositivo para abrir fechadura.: punguista. haverá o crime de corrupção de menores (Lei 2252/54 art. Ex. ESCALADA – A escalada tem como pressuposto o ingresso do infrator no local por meio anormal. 1° c/c CPP 155 §4° IV). DESTREZA – Meio de peculiar habilidade física ou manual. gazua. com ela praticando infração penal ou induzindo-a a praticá-la” CRIME DE QUADRILHA CP 288 “Associarem-se mais de três pessoas. 4. O correntista seria um mero prejudicado. pois na destreza não se percebe) o crime seria a tentativa de furto simples.: Deve a vítima trazer o bem junto ao corpo. Ex. leia-se onde está localizada a conta corrente (STJ CC 86641 e CC 86862). A chave verdadeira é chave falsa? NÃO.Renato Brasileiro Penal Especial retirada da esfera de disponibilidade da vítima. Página 29 de 76 . Lei 2252/54 art. Mediante concurso de duas ou mais pessoas – Será que eu preciso das duas pessoas executando o delito ou será que se tiver um autor intelectual e um executor já qualifica? Não é necessária a presença de dois executores.: O caso do BACEN de fortaleza é um exemplo de escalada (cavar um túnel). pois é uma via anormal (STJ Resp 759039). mixa. mas cuidado se por acaso faço cópia da chave ai sim essa cópia é fraudulenta podendo ser entendida como chave falsa (STJ Resp 906685). OBS. É formal porque não depende da demonstração de efetiva e posterior corrupção do menor (STJ Resp 1043849). de um a três anos” – é a associação estável e permanente de mais de três pessoas com o fim de praticar uma série indeterminada de crimes. De acordo com a júris servem para qualificar o crime de furto. E se é um terceiro que percebe a situação é diferente em que se configura o delito de tentativa de furto qualificado pela destreza. Se a vítima percebe (teoricamente não teria havido destreza. Ex. Nessas duas ou mais pessoas entram o inimputável ou preciso de dois imputáveis? Nessas duas pessoas pode entrar o inimputável. O agente é extremamente habilidoso.

Duas correntes: • • Para evitar uma dupla punição pela mesma circunstância ou você joga o agente no fCP 155. logo depois de subtraída a coisa. Só incide se o veiculo tiver transposto os limites do Estado ou do território nacional. QUADRILHA ARMADA Basta que um só esteja portando a arma. FURTO DE VEICULO AUTOMOTOR CP 155 §5° “A pena é de reclusão de três a oito anos. quando se tratar de crimes hediondos. possibilitando seu desmantelamento. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. para si ou para outrem. QUADRILHA PARA PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS E EQUIPARADOS Art. em virtude da autonomia e independência dos delitos (STF HC 84669 e STJ HC 54773). tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. caput + CP 288 ou no CP 155 §4° IV Trabalha com base de que o crime de quadrilha é um crime autônomo/ Independente que consuma-se bem antes dos outros delitos. § 2o A pena Página 30 de 76 . prática da tortura. Se porventura tais delitos forem praticados. por qualquer meio. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. CUIDADO: CP 288 § único com o CP 157 §2° I.Renato Brasileiro Penal Especial Consuma-se o delito de quadrilha independentemente da prática dos delitos para os quais os agentes se associaram. mediante grave ameaça ou violência à pessoa. § 1o Na mesma pena incorre quem. Parágrafo único. Para os tribunais não configura bis in idem a condenação por crime de quadrilha armada e roubo majorado pelo emprego de arma. Subtrair coisa móvel alheia. ou depois de havê-la. os agentes deverão responder por esses crimes e pelo delito de quadrilha em concurso material. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. de quatro a dez anos. terá a pena reduzida de um a dois terços”. 8° da Lei 8072 “Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no artigo 288 do Código Penal. ROUBO “Art. e multa. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior”. Foi seqüestrada uma criança por um bando – CP 159 §$1° + CP 288 (com a pena do Art. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. por isso não há problema algum em responder pelo CP 155 §4° IV + CP 288 (na forma do CP 29) – PEVALECE. 8°da LCH) na forma do CP 69. 157.

e multa” – de modo algum se confunde com o delito de roubo impróprio que está no CP 157 §1° “Na mesma pena incorre quem. o crime será o de furto. mediante grave ameaça ou violência à pessoa. Página 31 de 76 . ou depois de havê-la.: simulação do emprego de arma. Ex. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. neste caso é o delito de roubo. Essa grave ameaça deve ser analisada sob a perspectiva da vítima (vis compulsiva).: dar alucinógeno para a pessoa.Renato Brasileiro Penal Especial aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. já no impróprio a violência e a grave ameaça são exercidas APÓS da subtração.: No ônibus interestadual o cara tranca a porta do banheiro pela chave de fora e enquanto isso ele vai lá e subtrai a sua carteira. reduzido à impossibilidade de resistência”). II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro”. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. por qualquer meio. Admite arrependimento posterior e a aplicação de pena restritiva de direito ao crime de roubo? CP 16 “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. Trata-se de um crime complexo. a reclusão é de vinte a trinta anos. de quatro a dez anos. pois se trata de fusão de duas figuras típicas (CP 155 + CP 146) – furto + constrangimento ilegal. ou depois de havê-la. para si ou para outrem. se resulta morte. ELEMENTARES DO ROUBO PROPRIO Caracteriza-se: • • Grave ameaça – é a promessa de fazer mal a vítima. CUIDADO: No caso do bêbado é furto. Este é o caso de violência imprópria essa violência se caracteriza por qualquer meio que retire a possibilidade de resistência da vítima (“Subtrair coisa móvel alheia. reparado o dano ou restituída à coisa. Mediante o emprego de violência a pessoa – Nada mais é que o emprego de força física sobre o corpo da vitima (vis corporalis). No roubo próprio a violência e a grave ameaça são exercidas ANTES da subtração. ROUBO PRÓPRIO CP 157 caput “Subtrair coisa móvel alheia. até o recebimento da denúncia ou da queixa. mediante grave ameaça ou violência à pessoa. Ex. além da multa. Porque se a própria se coloca em condições incapacidade de oferecer resistência. logo depois de subtraída a coisa. Ex. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. a pena será reduzida de um a dois terços”. a pena é de reclusão. de sete a quinze anos. Diferentemente quando você dá bebida para a pessoa em que neste caso será roubo. sem prejuízo da multa”. § 3o Se da violência resulta lesão corporal grave. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. por ato voluntário do agente. por qualquer meio. para si ou para outrem. restringindo sua liberdade.

ROUBO DE USO Para grande maioria da doutrina e para o STF. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. Quanto à tentativa é possível em relação ao crime de roubo próprio. Quanto maior o numero de circunstancias no caso concreto.Renato Brasileiro Penal Especial É possível o arrependimento posterior em relação ao crime de roubo próprio praticado mediante violência imprópria. A sua pena sofrerá um aumento de 1/3 até a ½. Se não preciso o crime é de roubo. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. ROUBO MAJORADO CP 157 §2° “A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. só que alguns doutrinadores em uma posição minoritária (ALEXANDRE DE CARVALHO E ROGERIO GRECO) que na verdade este caso seria constrangimento ilegal. pois aqui temos duas correntes: 1. anuncia o assalto com a mão sobre ela. Segundo critério: Prescindibilidade do comportamento da vítima. Página 32 de 76 . A discussão é se é possível a tentativa com relação ao crime de roubo impróprio. É possível – ROGERIO GRECO DISTINÇAO ENTRE ROUBO E EXTORSAO Primeiro critério: No delito de roubo o mal é iminente e a vantagem contemporânea. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. Não é possível 2. 1. esse roubo de uso configura o crime de ROUBO. CONSUMAÇAO E TENTATIVA Para a júris o delito de roubo se consuma quando o agente se torna possuidor da coisa alheia móvel (teoria da amotio). Violência ou ameaça é exercida com emprego de arma – incide a majorante tanto para aquele que aponta a arma quanto para aquele que sem retirá-la da cintura. restringindo sua liberdade”. No crime de extorsão o mal prometido e a vantagem a que se visa são futuros. mais próximo da metade deve ser o aumento. Se eu preciso da vítima o crime seria o delito de extorsão.

mas pode ser utilizada para tanta). essa manutenção da vítima em poder do agente deve se dar por um breve espaço de tempo. é quando você está andando com dinheiro e é assaltado onde o bandido entra dentro do carro te mantendo retido durante período necessário para ter sucesso com a subtração do seu dinheiro. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância (O sujeito passivo desta causa de aumento de pena não pode ser o proprietário dos valores transportados. Hoje se cair na prova o crime cometido por arma de brinquedo será o CP 157 caput. o delito será o de extorsão.). mas através de prova testemunhal tenho como suprir a ausência do exame direto. É imprescindível a apreensão da arma? Cuidado com a arma branca (faca). no caso de arma branca eu não posso fazer exame pericial.).Renato Brasileiro Penal Especial Arma própria (tem o fim precípuo de ataque ou defesa) ≠ Arma imprópria (não tem o fim de ataque. A antiga lei do porte de armas (lei 9437/97) trazia o crime do artigo 10 §1° II que era para usar arma de brinquedo para cometer crimes. mas a vítima e demais testemunhas afirmam de forma coerente que houve disparo com a arma de fogo. § 3o(*) Se da violência resulta lesão corporal grave. Posição do STJ – é indispensável à apreensão da arma de fogo para que possa incidir a majorante. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. a Página 33 de 76 . Arma de brinquedo é capaz de incutir o temor/ grave ameaça. ou seja. melhor exemplo. mas hoje a sumula STJ 174 foi cancelado pelo Resp 2135. Concurso de duas ou mais pessoas – IDEM AO FURTO! AULA 6 DIA 15/04/09 (CONTINUAÇAO) CP 157 §2° “A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. A lei 10926/03 em relação a esse crime teria havido abolitio criminis. restringindo sua liberdade (foi inserida pela lei 9426/96 – em se tratando de seqüestro relâmpago com a realização de saques em caixas eletrônicos. a apreensão da arma é para fazer o exame pericial. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. não é necessária a apreensão para constatar-se que a arma possuía potencialidade lesiva (STJ HC 99762 E HC 89518). Nos casos em que não há a apreensão. basta chamar a vítima (exame de corpo de delito indireto – STJ HC 96407). Se a arma de fogo não foi apreendida? Posição do STF – não é necessária a apreensão e realização de pericia na arma de fogo desde que por outros meios de prova reste demonstrado o seu potencial lesivo (STF HC 96009). Por muito tempo o STJ entendeu que era majorado. 2. Se por acaso o delito for o de roubo. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. onde não há previsão da causa de aumento de pena prevista no CP 157 §2° V. porque se for mantido em poder durante um longo espaço de tempo muda a situação.

aplica-se a regra do artigo 70 deste Código”). esse resultado morte pode ser atribuído ao agente a titulo de culpa ou dolo). não seria possível atribuir ao agente a produção do resultado morte nem ao menos culposamente. por acidente ou erro no uso dos meios de execução.” (*) Se a vítima morrer por conta da ameaça? Deve resultar da violência para incorrer no CP 157 §3°. atendendo-se ao disposto no § 3o do artigo 20 deste Código. além da multa. É desnecessário saber qual dos co-autores o disparo. ainda que o disparo tenha sido efetuado só pelo comparsa (o resultado pode ser atribuído a título de dolo e culpa). de sete a quinze anos. esse é o exemplo de aberratio ictus (CP 73 “Quando. se resulta morte. pela teoria da imputação objetiva. o agente. Concurso de agentes – O resultado morte ou lesão grave pode ser atribuído tanto a título de dolo quanto ao de culpa.: O co-autor que participa do roubo armado responde pelo delito de latrocínio.Renato Brasileiro Penal Especial pena é de reclusão. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender. Morte de um dos comparsas – imagine que durante o crime de roubo um dos agentes vem a morrer. A doutrina entende que o crime será o de roubo simples em concurso formal com o delito de homicídio. a reclusão é de vinte a trinta anos. Morte de um dos comparsas após a subtração – para que se tenha latrocínio à violência deve ser empregada durante o assalto (fator temporal) e em razão do assalto. atinge pessoa diversa. responde como se tivesse praticado o crime contra aquela. Aqui responderá pelo CP 157 §2° I c/c CP 121 §2° V Matador de aluguel que subtrai valores após a morte da vítima – Ele responderá pelo delito CP 121 §2° I Pluralidade de morte e subtração única – aqui houve o crime único de latrocínio. Se a morte decorrer da ameaça não pode incorrer neste artigo. CONSUMAÇAO E TENTATIVA Morte tentada e subtração tentada = latrocínio tentado. sem prejuízo da multa (aqui traz o roubo seguido de lesão grave e o roubo seguido de morte essa segunda parte é o chamado latrocínio – lembrando que latrocínio é um crime hediondo. OBS. Morte consumada e subtração consumada = latrocínio consumado Morte consumada e subtração tentada = Há várias correntes: Página 34 de 76 . ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender. Para uma prova de defensoria. doloso ou culposo a depender do caso concreto.

§ 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas.  Classificação como latrocínio tentado. facilitando a libertação do seqüestrado.  Há tentativa de homicídio qualificado (minoritária) Subtração consumada e morte tentada com a produção de lesão corporal grave = há três possibilidades:  Classificação como roubo qualificado pela lesão corporal grave. responde pelo delito de roubo qualificado pela lesão grave. Ou se evidenciado que a intenção seria a de matar a vitima. salvo quando não Página 35 de 76 . EXTORSAO MEDIANTE SEQUESTRO CP 159 “Seqüestrar pessoa com o fim de obter. Esse caso foi decidido pelo STF no HC 91585 e nesse HC o STF falou que: Se considerado que o agente não tinha a vontade de matar. de dezesseis a vinte e quatro anos. Ex. § 4o Se o crime é cometido em concurso. qualquer vantagem.” A extorsão mediante seqüestro é permanente (cuja consumação se prolonga no tempo). entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência”). devendo ser desentranhadas do processo. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha: Pena – reclusão.  De acordo com o STF prevalece a caracterização de latrocínio consumado (Sumu STF 610 “Há crime de latrocínio. se o seqüestrado é menor de dezoito ou maior de sessenta anos. de oito a quinze anos. § 1o Se o seqüestro dura mais de vinte e quatro horas.  Classificação como homicídio qualificado na forma tentada em concurso material com o delito de roubo qualificado pelo emprego de arma.: quadrilha também é um crime permanente (CPP 303 “Nas infrações permanentes. de vinte e quatro a trinta anos. para si ou para outrem. § 3o Se resulta a morte: Pena – reclusão. § 2o Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão. as provas ilícitas. É o caso do Gerson Brenner. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”). Mas mesmo assim poderá ser condenado (CPP 157 §1° “São inadmissíveis. pois é um crime complexo (PREVALECE). terá sua pena reduzida de um a dois terços. o delito será o de homicídio qualificado na forma tentada em concurso material com o delito de roubo. Como cai na prova? Exemplos: • Furto um carro e deixo na minha casa por duas semanas e a policia pega o carro sem mandado – é prova lícita? O delito de furto não é um crime permanente assim não haverá situação de flagrância e conseqüentemente a prova é ilícita. Morte tentada e subtração consumada = Há várias correntes:  Trata-se de crime de tentativa de latrocínio. se o crime fim (subtração) não restou consumado haveria tentativa de latrocínio (ROGERIO GRECO). o concorrente que o denunciar à autoridade. quando o homicídio se consuma. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.Renato Brasileiro Penal Especial  Como o delito de latrocínio é um crime complexo. É importante saber que este crime é permanente porque a prisão em flagrante pode ser efetuada a qualquer momento. de doze a vinte anos. como condição ou preço do resgate: Pena – reclusão.

Tipo objetivo Tipo subjetivo = Matar alguém Animus Necandi CP 148 “Privar alguém de sua liberdade.é prova lícita? Você manter droga é crime permanente podendo ser efetuada a prisão e a prova é lícita.Renato Brasileiro Penal Especial • • evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. STF 711 “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. No CP 159 exige a presença do dolo especifico (tipo incongruente ou congruente assimétrico) enquanto no CP 148 tem um tipo congruente (= congruente simétrico). qualquer vantagem. Tipo objetivo Tipo subjetivo ≠ Matar alguém Dolo especifico CP 159 “Seqüestrar pessoa com o fim de obter. mediante seqüestro ou cárcere privado” O tipo incongruente caracteriza-se pela presença do dolo especifico ou especial fim de agir. mas por mais que o crime tenha começado na vigência de pena mais branda aplicará a lei mais grave porque é um crime permanente (Sum. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”) A polícia pega em casa 10 kg de maconha . portanto essa vantagem deve ter natureza econômica. Seqüestro . “Com o fim de obter vantagem como condição ou preço do resgate” – Como se chama esse fim que o agente possui? Dolo específico ou especial fim de agir. O tipo congruente é quando há uma perfeita adequação entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo penal. Agora se a vantagem. um ano depois em 10/02/04 ocorre a libertação da vitima. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou permanência”). Seqüestrar pessoa para si ou para outra para obter qualquer vantagem – a vantagem pode ser de qualquer espécie ou tem que ser econômica/ patrimonial? O CP 159 está inserido no capitulo dos crimes contra o patrimônio. como condição ou preço do resgate” Página 36 de 76 . por exemplo. para si ou para outrem. é para obter vantagem diversa (manter conjunção carnal) o crime é de seqüestro e cárcere privado e estupro. Lembrando que é bom ter o mandado de busca porque vai que não encontra a droga. Como se diferencia o crime do CP 159 que demanda esse dolo do crime do CP 148. depois dessa data no dia 10/02/03 (um ano depois) entra em vigor um Lex gravior trazendo a pena de 20 a 30 anos. neste caso é cometido o crime de abuso de autoridade.dia 10/02/02 pratica o seqüestro cometido contra menor de 14 anos com a pena de 12 a 20 anos.

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O caso de tráfico de drogas denota a ideia de mercancia, não preciso demonstrar que tinha finalidade de comercializar essa droga, assim o delito de tráfico de droga é um tipo CONGRUENTE. Já para o porte de drogas é INCONGRUENTE.

O CP 159 é um crime formal de consumação antecipada, aonde somente irá se consumir quando houver o seqüestro da pessoa.

É possível a tentativa no crime de extorsão mediante seqüestro? Se visualizar que este crime é plurissubsistente será possível a tentativa.

CAUSA DE AUMENTO DE PENA PELA LEI 8072/90 ART. 9° “As penas fixadas no artigo 6º para os crimes capitulados nos artigos 157, § 3º, 158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput, e sua combinação com o artigo 223, caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com o artigo 223, caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de metade, respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima em qualquer das hipóteses referidas no artigo 224 também do Código Penal” – Ex.: CP 159 §3° diz que se resulta morte a pena será de 24 a 30 anos, mas aqui o aluno esquece que existe uma causa de aumento de pena na LCH art. 9° em que serão acrescidos de metade respeitado o limite superior de reclusão de 30 anos.

Para prova de defensoria essa pena de 30 anos é a única pena possível aplicada pelo juiz e coaduna com muitos doutrinadores que dizem que nesse caso (CP 159 §3°) há uma violação do p. individualização da pena porque só tem uma pena com ou sem aumento de pena será de 10 anos.

Cuidado para não confundir o Art. 9° da LCH com a unificação de penas do CP 75 (“O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a trinta anos. § 1o Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a trinta anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo”) – Sum STF 715 “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução” – Para concluir se o agente for matando as pessoas ele continuará cumprindo 30 anos? O cara foi condenado a 200 anos ai começa a cumprir pena no ano de 2002, neste ano você começa a cumprir pena e faz a unificação, assim de 2002 em diante terá que cumprir 30 anos no ano de 2012 ele mata alguém, teoricamente para ele faltava 20 anos e é condenado por novo delito e é condenado por mais 30 anos, neste caso ele ficará até 2032? Se após a unificação ele vem a praticar novo delito despreza os ano e faz nova somatória, ignorando os 10 anos assim pego os 20 faltantes e mais o novo delito de 30 anos, mas como tem que unificar
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ele vai terminar de cumprir, caso não tenha mais condenações, em 2042 (CP 75 §2° “Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido”).

ESTELIONATO CP 171 “Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 1o Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no artigo 155, § 2o. § 2o Nas mesmas penas incorre quem: I – vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; II – vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; III – defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;` IV – defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; V – destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. § 3o A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência” Sujeito passivo O sujeito enganado pode ser diferente do titular da coisa sobre a qual recaiu a conduta de obtenção de vantagem ilícita. Ex.: empregado de um estabelecimento comercial que é induzido a erro. Porque o empregado foi induzido a erro, mas quem era sofrer o desfalque patrimonial será o empregador (cheque sem fundo).

E se por acaso essa vítima for uma pessoa incapaz ou alienada? O delito será de abuso de incapaz do CP 173 “Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro. Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa” E no caso da balança adulterada? O delito de estelionato tem como pressuposto inafastável e a existência de um sujeito passivo determinado. Se for indeterminado não máximo terá um crime contra a economia popular ou contra as relações de consumo (Art. 2° XI da LEI 1521/51).

E se a fraude for praticada no comercio em virtude do credor? A fraude em face do credor no comércio, apesar de haver prejuízo patrimonial tem que entender que neste caso tem um crime específico prevalecendo o art. 168 da lei de falências.
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COLA ELETRONICA Para o STF (IP 1145), decidiu que a cola eletrônica não configura estelionato e nem falsidade ideológica. Não deve confundir com a substituição do candidato que pode visualizar crimes contra a administração pública. Sobretudo o raciocínio do STF é de que não haveria vantagem patrimonial certa e vítima determinada. No mesmo sentido tem o julgado do STJ RHC 7376.

Torpeza bilateral - é basicamente quando tanto o agente como a vítima do delito estão agindo de má-fé. Será que o fato da vítima estar agindo de má-fé afasta o delito? Negativo. A torpeza bilateral não afasta a caracterização do estelionato, ou seja, a boa-fé da vítima não é elemento do crime (CP 171 “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício (consiste na utilização de um aparato que modifica o aspecto material da coisa ou da situação. O próprio silêncio desde que INTENCIONAL a cerca de préexistente erro da vítima constitui meio fraudulento para a prática de estelionato), ardil (se caracteriza pela utilização da forma intelectual, você não usa aparato e sim da sua inteligência para induzir erro à vítima), ou qualquer outro meio fraudulento (esse tipo de construção se chama de INTERPRETAÇAO ANALÓGICA)”).

Para que haja estelionato esse meio fraudulento deve ser IDONEO. Mas como analiso essa idoneidade? Essa idoneidade deve ser analisada a luz da vítima e não de acordo com o chamado homem médio.

Quando você durante o curso do contrato não tem condições de pagamento, será que posso dizer que é estelionato? Qual é a diferença entre a fraude CIVIL e a PENAL? O critério diferenciador é que na fraude penal você tem o dolo ab initio, ou seja, na hora do estelionato desde o primeiro momento já atua com essa intenção.

CONSUMAÇAO E TENTATIVA Em relação à consumação se dará com a obtenção da vantagem ilícita. É possível a tentativa. Quando se consuma o delito de estelionato praticado mediante falsificação de cheque e quando se consuma o delito de estelionato praticado mediante cheque sem provisão de fundos? O crime de estelionato praticado por meio de fraude no pagamento por meio de cheque (CP 171 §2° VI “Nas mesmas penas incorre quem: VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento”) – neste caso o delito se consuma no LOCAL EM QUE SE DÁ A RECUSA DO PAGAMENTO, leia-se onde está localizada a agencia bancária (Sum. STF 521 “O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado”) E no caso de crime cometido mediante
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não obsta ao prosseguimento da ação penal” AULA 7 DIA 02/07/09 CRIMES CONTRA ADMINISTRAÇAO RAUL MACHADO ROCHA dizia a CF/88 é uma CF plástica. Esse delito se consuma onde é OBTIDA A VANTAGEM (Sum. extingue a punibilidade.Renato Brasileiro Penal Especial falsificação de cheque? É o CP 171.” O momento é até o transito em julgado de sentença condenatória. significa dizer que os crimes contra administração deu quase nenhuma importância/valor destes crimes. reduz de metade a pena imposta. Se eu transportar essa expressão para o direito penal e dizer que o CP também é plástico. Cheque pré-datado é crime? Sum. Já no capítulo II temos os Página 40 de 76 . você tem como beneficio que é a extinção da punibilidade. STJ 48 “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crimes de estelionato cometido mediante falsificação de cheque”). a reparação do dano. São crimes gravíssimos com penas desproporcionais. se lhe é posterior. após o recebimento da denúncia. se precede à sentença irrecorrível. lembrando que este arrependimento não pode ser praticado com violência ou grave ameaça. não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos”. CP 312 a CC 327. CP 312 §3° “§ 2o Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena – detenção. § 3o No caso do parágrafo anterior. Além disso. A reparação do prejuízo até o RECEBIMENTO da peça acusatória tem a extinção da punibilidade. Reparação do prejuízo Qual é a regra geral em reparação do prejuízo? Configurará o arrependimento posterior. de três meses a um ano. Sum STF 554 “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. Quando fala em crimes contra administração o capítulo trata de crimes praticados por funcionários públicos. Trazendo uma diminuição da pena de acordo com o CP 16 de 1/3 a 2/3. quase que insignificantes. São os chamados crimes FUNCIONAIS. porque os artigos estão colocados em ordem de importância. caput. STF 246 “Comprovado não ter havido fraude.

desacato. O Brasil tem que tutelar administração pública estrangeira? Cada um deve cuidar da sua administração. embora cometidos no estrangeiro: I – os crimes: c) contra a administração pública. ESQUEÇA! Concentrar todas as energias no capítulo I. CRIMES FUNCIONAIS São crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral.Renato Brasileiro Penal Especial crimes praticados por particulares contra a administração (desobediência. 7o Ficam sujeitos à lei brasileira. Ou seja. CP 33 §4° Reclusão e detenção Página 41 de 76 . por isso doutrinadores falam que o bem jurídico tutelado não é esse e sim é a regularidade na transação comercial internacional – CC 337-B a CC 337-D. etc. E por fim. Em dois momentos o legislador deu atenção razoável a estes crimes: 1. esses crimes estão no 359-A a 359-H. mas não impede que o particular possa concorrer. II e III.  O sujeito passivo constante fatalmente é a administração pública. comunicação falsa de crime. NO capítulo III temos os crimes contra a administração da justiça. Extraterritorialidade Art. o Capítulo II-A traz os crimes praticados contra administração pública estrangeira. por quem está a seu serviço. Capítulo II-A. principalmente ao capitulo. IV raramente cai. são exemplos) – CC 328 a 337-A. em regra o sujeito ativo será sempre funcionário público. Daqui extraem-se duas conclusões:  No sujeito ativo sempre terei funcionário público. 2. é aqui que encontraremos denunciação caluniosa. o que era simples infração a lei de responsabilidade fiscal virou crime. CP 7° I alínea “c” – estes crimes estão sujeitos a uma extraterritorialidade incondicionada. no capítulo IV temos os crimes contra as finanças públicas.

. para os efeitos penais. Assim não serve o conceito de direito administrativo. § 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou. em regime semi-aberto.2: Concussão – pode ter uma extorsão O correto é o direito penal buscar o conceito de funcionário público no direito administrativo. Ex. empresa pública ou fundação instituída pelo poder público (traz majorante. A de detenção. porque se aplicar por analogia esta será in mala partem). SO TENDO A QUALIDADE DE AGENTE PRA PRATICAR.Renato Brasileiro Penal Especial Art. exerce cargo. Impróprios (impropriamente dito) – faltando a qualidade de servidor do agente o fato deixa de configurar crime funcional. § 2o A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. E lembrando que não abrange a autarquia. Se fosse particular. D. embora transitoriamente ou sem remuneração. C. mas permanece crime comum. ou à devolução do produto do ilícito praticado. E. já outros em sentido estrito. Tem administrativistas que dão ao termo funcionário público um sentido amplo. e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública (traz funcionário público atípico ou por equiparação). Ex. salvo necessidade de transferência a regime fechado. PQ SE PERMANECE O CRIME COMUM. 2. com isso o direito penal faz um próprio conceito de funcionário público PARA EFEITOS PENAIS que está no CP 327 CP 327 Funcionário público Art. quem. Temos duas espécies de crimes funcionais: 1. emprego ou função em entidade paraestatal. ou aberto. mas não o encontrou. 327. semi-aberto ou aberto. com os acréscimos legais. § 1o Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo.: prevaricação . ACONTECE UMA ATIPICIDADE RELATIVA. Considera-se funcionário público. emprego ou função pública. Próprios (propriamente dito) – faltando a qualidade de servidor do agente o fato passa a ser um indiferente penal. poderia ocorrer a demissão por justa causa o que não é crime. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado.: peculato – em que posso ter apropriação indébita ou furto. 33. Ex. sociedade de economia mista. Página 42 de 76 .

A partir de 2000 a onda de DESESTATIZAÇÃO (so se concede o serviço e não os bens) fomentou este artigo. porque terá uma prescrição maior. de que tem a posse em razão do cargo. inventariante da ativa. não eh funcionário publico para fins penais. Até o ano de 2000 o CP 327 o §1° não tinha “e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública”. Administrador Judicial (antigo sindico de falência): exerce um ENCARGO PÚBLICO que não se confunde com Função publica. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. repetitivo! Já o STF não tem posição definida como o STJ. É o funcionário PUBLICO ATIPICO Será que toda crime funcional praticado pelo PR vem com aumento? A posição do STF é a de que o PR.apropriação – CP 312 caput 1° parte CP 312 caput 1° parte Peculato Art. governador e prefeito exercem função de direção.desvio e apropriação.Renato Brasileiro Penal Especial Encargo público não se confunde com função pública. Estagiário é funcionário público? é funcionário público para fins penais. E o advogado dativo? Ele pratica encargo ou função? O STJ vem decidindo que é funcionário público para fins penais. em proveito próprio ou alheio: Página 43 de 76 . Impróprio é sinônimo peculato-furto. ou desviá-lo. Isso vai ser importante na prescrição. PECULATO O que é peculato próprio e o que é impróprio? O próprio é gênero de quais são espécies o peculato. valor ou qualquer outro bem móvel. como por exemplo. Quem tem encargo não necessariamente é funcionário público para fins penais. Logo. logo jamais escaparam do aumento (interpretação compreensiva). foi acrescentada pela lei 9983/00. É inclusive enfadonho. Peculato. 312. público ou particular. Temos seis tipos: A.

nem típico nem equiparado. julgado e punido na conformidade da legislação penal (sem equiparar pessoa. Quem é vítima do peculato? Administração em geral (protege-se a moralidade que é o bem tutelado) e secundariamente o particular. pois o decreto é norma especial e norma especial prevalece sobre a geral. de dois a doze anos. Tem doutrinadores dizendo que este artigo não foi recepcionado pela CF e concluem que é apropriação indébita (SERGIO PINTO MARTINS).. 552. Mesmo assim. ele pratica devido ao CLT 552 CLT 552 Art.Renato Brasileiro Penal Especial Pena – reclusão. Diretor de sindicato que se apropria de dinheiro pratica o que? Diretor de sindicato não é funcionário público. Secundariamente tutela-se o patrimônio seja público ou particular. Mas o STJ entende que este artigo foi recepcionado pela CF.. É apropriar no sentido amplo do CP 327 Página 44 de 76 . Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327. de que tem a posse em razão do cargo4(.) em proveito próprio ou alheio5”: 1. Os atos que importem em malversação ou dilapidação do patrimônio das associações ou entidades sindicais ficam equiparados ao crime de peculato. pois o fato que ele praticou é equiparado e deve ser punido). e multa. equiparou o fato. esses outros podem ser particulares. O que significa apropriar-se? Significa apoderar-se de coisa de que tem a posse. O peculato apropriação é a expressão “Apropriar-se1 o funcionário público de dinheiro. Podendo ser praticados sozinhos ou com outros. ai se não se enquadrar no decreto vai para o CP. Se se deparar com o sujeito ativo relacionado a prefeito municipal a 1° coisa que deve ser feito é analisar o decreto 201/67. Inverter a posse agindo arbitrariamente como se dono fosse. Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa. É uma equiparação objetiva. valor ou qualquer outro bem móvel2. público ou particular3.

o 2° corrente . F. a posse da coisa tem que ser inerente as atribuições do agente. A adotada pelo STJ é a 2° corrente. Deve haver nexo funcional. É considerado subtração. 4. Finalidade essa particular! Elemento objetivo . dar a coisa outra finalidade. Art. ou desviá-lo.A expressão POSSE não se confunde com mera detenção.Renato Brasileiro Penal Especial 2. I. é crime? Temos um Página 45 de 76 . Posse em razão do cargo – a expressão posse abrange detenção? Há duas correntes: o 1° corrente – a expressão POSSE foi utilizada no sentido amplo abrangendo mera detenção.: CP 168 – aqui fala posse e detenção. ou seja. tem que se apropriar e jamais intencionar devolver a administração. valor ou qualquer outro bem móvel. público ou particular. Mas se ele agir como animus de uso. Apropriar-se de coisa alheia móvel. Ex. de que tem a posse em razão do cargo. 5. H. de que tem a posse ou a detenção. 168. CONCLUSÃO: apropriar-se de coisa que tem mera detenção é peculatoapropriação.O crime de peculato do caput não importa se desvio ou apropriado é cometido por dolo. O direito penal não empresta o conceito de direito civil. Não basta uma posse por ocasião do cargo. Bem móvel é coisa capaz de ser transportada. em proveito próprio ou alheio: Pena – reclusão. Aqui somente muda DESVIAR do peculato – apropriação. CONCLUSÃO – apropriar-se de coisa de que tem a mera detenção configura peculato-furto. 312. Público ou particular – se for particular o dono figura como vítima secundária. G. 3. Peculato-desvio – CP 312 caput 2° parte Peculato Art. de dois a doze anos. ou seja. Tem que agir para si ou para outrem B. Dolo de apoderamento ou desvio definitivo. Quando o legislador quer abranger mera detenção ele o faz expressamente. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. ou seja. Tem que estar nas atribuições do agente a posse da coisa. e multa. sem perder a identidade.

Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa Sujeito ativo – funcionário público no sentido amplo do CP 327 Página 46 de 76 . O STF admite o p. não se aplica! Consumação  Apropriação – consuma-se no momento em que o agente apropria-se exteriorizando poderes de proprietário. pois não tem como entregar no status quo ante) de não-consumível (não há crime). se o funcionário público. assim se não é coisa não é peculato. Isso significa que a diferenciação de crime através de coisa consumível ou não. da insignificância. da insignificância no peculato? Esta questão está bem definida nos tribunais. fez várias pesquisas e depois devolveu para a universidade. moeda falsa). como por exemplo. valor ou bem. pune o peculato. não importa se consumível ou não. Tentativa – ambos admitem a tentativa e dispensam o efetivo enriquecimento do agente. em proveito próprio ou alheio. O STJ considerando que o bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa não admite o p. E se a utilização for de mão de obra? Mão de obra é serviço e não coisa. Peculato-furto – CP 312 §1° CP 312 §1° § 1o Aplica-se a mesma pena. até mão de obra. Aplica-se o p.  Desvio .consuma-se no momento em que o age dá à coisa finalidade diversa da natural. No caso de prefeito municipal o art. C. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário (se não for facilitada pelo cargo será furto comum). 1° do decreto 201/67.Renato Brasileiro Penal Especial caso onde um famoso legista ele se apropriou de um maquinário e levou para seu consultório particular. ou concorre para que seja subtraído. será que ele praticou crime? A doutrina costuma diferenciar coisa consumível (haverá crime. o subtrai. da insignificância (não admite nos crimes contra a fé pública. embora não tendo a posse do dinheiro.

Conduta – qual é a conduta punida? No CP 312 caput. D. é possível peculato-furto de uso atípico. ano existe outro!Repare que este crime é de menor potencial ofensivo.Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito passivo – é a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. falou-se que o funcionário tem a posse e é uma posse legitima e por ter uma posse. caso contrário é furto comum. É o único crime funcional que temos. já no CP 312 §1° o funcionário não tem posse. interferindo até no procedimento. a expressão é “apropriar-se”. O furto se consuma (existem quatro teorias – teorias que foram dadas na aula do RENATO). Consumação – é o mesmo momento consumativo do furto. a teoria que adotamos é a da AMOTIO. Tipo subjetivo . consuma-se com o apoderamento dispensando a posse mansa e pacifica.O crime é punido a título de dolo + animus definitivo. assim só detém posse através da SUBTRAÇAO (subtraindo ou concorrendo para a subtração). Peculato-culposo – CP 312 §2° CP 312 §2° Peculato culposo § 2o Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena – detenção. de três meses a um ano. por isso que é chamado de peculato impróprio. ou seja. Tentativa – admite. Bem jurídico – moralidade administrativa Página 47 de 76 . OU seja. Só terei peculato-furto se for facilitado pela qualidade funcional.

extingue a punibilidade. Só existe concurso doloso em crime doloso e concurso culposo em crime culposo. É um crime de funcionário publico que negligentemente concorre para crime de outrem. se lhe é posterior.Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327 Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. se houver reparação do dano antes da sentença condenatória irrecorrível EXTINGUE a punibilidade. O peculato culposo está n CP 312 §2°. Conduta – “concorrer culposamente para o crime de outrem”. Peculato – estelionato – CP 313 Página 48 de 76 . Prevalece a 1°. reduz de metade a pena imposta Os benefícios são: a sentença condenatória irrecorrível. 2. E.O CP 312 §3° é um beneficio exclusivo de peculatoculposo § 3o No caso do parágrafo anterior. Consumação – se consuma no momento em que se aperfeiçoa o crime de outrem. a reparação do dano. Temos duas correntes: 1. Só existe concurso de agentes quando os dois agem com dolo ou culpa. Benefícios exclusivos do peculato-culposo . Dia que haverá o CP 312 §2° se ele concorre para qualquer crime de outrem. Tentativa – crime culposo não admite tentativa. então o crime de outrem somente poderá ser o CP 312 caput ou §1° (interpretação topográfica). se precede à sentença irrecorrível. Quem irá aplica o disposto será o juiz da execução. agora se a reparação do dano for depois a sentença condenatória irrecorrível haverá a DIMUNIÇAO da pena de metade. mesmo sendo furto. Porque o funcionário público responde pelo peculato culposo e o outro doloso?Não podem ser considerados co-autores porque é imprescindível homogeneidade de elementos objetivos.

por ter Não tem posse e por não ter Volta a falar em “apropriaposse o legislador fala em posse o legislador fala em se”. pois se for provocado será crime de estelionato. no exercício do cargo. Página 49 de 76 . Detalhe importante: Para configurar o CP 313 o erro tem que ser espontâneo. Consumação – quando o agente. Elemento objetivo . percebendo o erro. crime comum. não o desfaz se apropriando da coisa agindo como se dono fosse. Conduta – ver o quadro: CP 312 CAPUT CP 312 §1° CP 313 Tem posse legítima. ou seja. 313. recebeu por erro de outrem: Pena – reclusão. de um a quatro anos.Renato Brasileiro Penal Especial CP 313 Peculato mediante erro de outrem Art. ou seja. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que. Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327 Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. Tentativa – a doutrina admite.O crime é punido a título de dolo com animus definitivo. e multa. aqui ele tem posse mas é “apropria-se” “subtração” uma posse FRUTO DE UM ERRO. é uma posse ilegítima.

especial Consumação – delito é formal. pelo comportamento do agente Conduta – inserir ou facilitar a inserção de dados falsos ou alterar ou excluir DADOS corretos. Conduta – pune a modificação ou alteração o SISTEMA OU PROGRAMA (mudou o objeto material). a inserção de dados falsos. . o funcionário.: funcionário do DETRAN que está autorizado a manejar o sistema de dados entra e exclui de um amigo ou inclui para um inimigo) Pena – reclusão. Modificar ou alterar. consuma-se Consumação – delito é formal. sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: Pena – detenção. (está mais para falsidade ideológica) – ou seja. o funcionário autorizado. 313-A. CP 313-A CP 313-B Sujeito ativo – é o funcionário público Sujeito ativo – QUALQUER funcionário AUTORIZADO público Sujeito passivo – a administração em geral Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente.O crime é punido a título de Tipo subjetivo – dolo sem finalidade dolo com finalidade especial.Renato Brasileiro Penal Especial F. de dois a doze anos. Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações Art. Parágrafo único. de três meses a dois anos. e multa. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. se este artigo for praticado por uma pessoa que não seja autorizado ele responde somente por falsidade ideológica. 313-B.está mais para falsidade material. Inserir ou facilitar. Tipo subjetivo . consuma-se Página 50 de 76 . alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: (Ex. Peculato – eletrônico – CP 313-A e CP 313-B CP 313-A e CP 313-B Inserção de dados falsos em sistema de informações Art. e multa.

Exigir. para si ou para outrem. 316. Quem pode praticar concussão? Quem pode ser concussionário no Brasil? Assim sujeito ativo pode ser o funcionário público no exercício da função.exigir. para si ou para outrem. solicitar ou receber. Bem jurídico tutelado – Primário: moralidade administrativa.848. mas em razão dela. Se o que exigir for um fiscal de rendas não entra neste artigo e sim configura na lei 8137/90 art. Tentativa – admite AULA 8 DIA 03/07/09 CONCUSSÃO CP 316 Concussão Art. além dos previstos no DecretoLei nº 2. Está errado quem diz que este crime é praticado somente por funcionário público. 3° II lei 8137/90 art.: quando estiver de férias) ou o particular na iminência de assumir a função pública. o funcionário público fora da função (Ex. 3º. mas em razão dela. Secundário: patrimônio do particular constrangido pelo ato criminoso do agente. Constitui crime funcional contra a ordem tributária. direta ou indiretamente. ou aceitar Página 51 de 76 . de dois a oito anos. direta ou indiretamente. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício. Capítulo I): II .Renato Brasileiro Penal Especial independentemente da obtenção da vantagem independentemente da obtenção da vantagem ou prejuízo alheio ou prejuízo alheio Tentativa – admite. este crime pode ser praticado TAMBÉM por aquele que está na iminência de assumir a função pública. e multa. vantagem indevida: Pena – reclusão.Código Penal (Título XI. 3° II Art. vantagem indevida. de 7 de dezembro de 1940 .

 Para si ou para outrem – o para outrem pode ser inclusive uma entidade pública. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.la. Exigir. mas em razão dela. Conduta . 305. É um crime contra a ordem tributária.o crime consiste em:  Exigir – algo intimidativo. direta ou indiretamente. coercitivo.  Direta ou indiretamente – quando fala na exigência direta é a PESSOAL. já na indireta por INTERPOSTA PESSOA. A lei não diz. Agora se for um militar é o CPM 305 CPM 305 Concussão Art. Pena . Secundária: particular constrangido pelo funcionário público.Renato Brasileiro Penal Especial promessa de tal vantagem. de dois a oito anos Sujeito passivo – Primário: administração pública. Mas se a vantagem for devida? Depende: o Se a vantagem devida consistir em contribuições sociais é excesso de exação – CP 316 §1° CP 316 §1° Excesso de exação Página 52 de 76 . para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social. ainda que fora da função ou antes de assumi .reclusão. para si ou para outrem. vantagem indevida: Pena – reclusão.  Vantagem indevida – qual a natureza jurídica desta vantagem? Somente vantagem de natureza econômica patrimonial configura concussão? Prevalece que a vantagem pode ser de qualquer natureza (inclusive nos tribunais superiores). a multa. mas a doutrina alerta que ainda pode ser: o Explicita ou implicitamente – explicita é a exigência clara e implícita é a exigência velada. Porque o que importa é a moralidade e sendo econômica ou não ela fere a moralidade. ou cobrá-los parcialmente.

o que acontece? A doutrina e júris ficaram conflitando sobre isso. o Para que haja concussão é imprescindível que o funcionário publico tenha poderes/atribuição/competência para concretizar o mal futuro prometido na exigência que cometeu. Agora se ele não tiver esse competência/atribuição/poder? Praticaram o CP 158. é funcionário público? É funcionário para fins penais. Agora um médico atendendo pelo SUS e condiciona um atendimento que deve ser pago pelo paciente. 158. emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso. Se o médico exige vantagem indevida para o ato cirúrgico – não tem dúvida de que é CONCUSSAO É possível que o médico somente solicite . tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena – reclusão. Se a vantagem devida não consistir em contribuições sociais é excesso de exação ele pratica abuso de autoridade.neste caso haverá o crime de CORRUPÇAO PASSIVA. CP 158 Extorsão Art. ou.Renato Brasileiro Penal Especial § 1o Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. Página 53 de 76 . ou seja. é extorsão comum. mediante violência ou grave ameaça. e multa. e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica..  A doutrina costuma lembrar – valendo-se o funcionário do metus publicae potestatis. quando devido. Imagine o policial investigador que se passa por delegado e passa a exercer vantagem indevida. a fazer. Ex. o que ele pratica? Pratica extorsão – CP 158 O que cai muito em concurso é o medico atendendo pelo SUS. III. e multa..: ou você me dá tanto ou eu. que a lei não autoriza: Pena – reclusão. de três a oito anos. O médico pode empregar fraude simulando que o pagamento é devido – o crime será de ESTELIONATO. Constranger alguém. II. assim há três situações que podem configurar um dos três crimes: I. de quatro a dez anos.

Corrupçao passiva CP 317 Corrupção passiva Página 54 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial Elemento subjetivo – é punido a título de dolo acrescido de finalidade especial que é o ENRIQUECIMENTO ILICITO. a execução é mero exaurimento. IV – é encontrado. Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal. logo depois. 302. II – acaba de cometê-la. Tentativa – é permitido na carta concussionária interceptada. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. com a mera exigência independentemente da vantagem indevida. mas neste caso tem que representar com prisão preventiva. se exigisse e logo depois entregasse e pegasse entraria. com instrumentos. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. E o caso em que a policia prende aquele que é preso no momento da exigência e agenda a hora e local. Consumação . III – é perseguido. mas em flagrante não entra. posso prender em flagrante? CPP 302 Art. No momento em que ele está com a mala ele não comete nenhum dos casos do CPP 302. logo após.o crime é formal. em situação que faça presumir ser autor da infração. pela autoridade. ou seja. armas.

ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão.la. deixa de praticar ou retarda ato de ofício. tem doutrinadores que dizem que essa é pena é desproporcional e por isso é inconstitucional. mas em razão dela. de dois a doze anos. de dois a oito anos. e multa. vantagem indevida. direta ou indiretamente. 308.: quando estiver de férias) ou o particular na iminência de assumir a função pública desde que em razão dela. Solicitar ou receber. 317. ou antes de assumi. Sujeito ativo – é o mesmo sujeito da concussão. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão. para si ou para outrem. direta ou indiretamente. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena – detenção. CONCUSSÃO Exigência – INTIMIDATIVO PENA – dois a oito anos CORRUPÇÃO PASSIVA Solicitação – PEDIDO PENA – dois a doze anos Em suma: vê-se que é melhor exigir do que solicitar porque a pena de corrupção é maior! Com isso. para si ou para outrem. com infração de dever funcional. ainda que fora da função. Se o sujeito ativo for militar que solicita? O CPM 308 fala: Corrupção passiva Art. de três meses a um ano. vantagem indevida. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. mas em razão dela. Receber. Se o sujeito ativo for fiscal de rendas não é este artigo e sim artigo 3° II da lei 8137/90. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. ou multa. pode ser o funcionário público no exercício da função.Renato Brasileiro Penal Especial Art. se. § 2o Se o funcionário pratica. em conseqüência da vantagem ou promessa. Página 55 de 76 . § 1o A pena é aumentada de um terço. o funcionário público fora da função (Ex. ou seja.

CP 337-B Corrupção ativa em transação comercial internacional Art. ou a terceira pessoa. se. Sujeito passivo . e multa.Renato Brasileiro Penal Especial Ou seja. Página 56 de 76 . 337-B. porém dar não é crime. Parágrafo único. ou o pratica infringindo dever funcional. não tendo a palavra SOLICITAR. assim o particular é vítima. A pena é aumentada de um terço. direta ou indiretamente. Se o funcionário público recebeu alguém antes ofereceu Se o funcionário público aceitou antes ele prometeu. em razão da vantagem ou promessa. haverá a prática CP 317 sendo competência da justiça comum. O CP 333 só pune o corruptor quando a corrupção parte dele. mas no CP 337-B tem a corrupção do funcionário estrangeiro – aqui se pune o DAR também. Prometer. Secundária: pode ser particular desde que ele não seja autor de corrupção ativa. Você somente dará a vantagem se o funcionário solicitou. omitir ou retardar ato de ofício relacionado à transação comercial internacional: Pena – reclusão. Receber Aceitar promessa Temos mais três corrupções ativas no nosso ordenamento jurídico: 1) CP 333 é a corrupção comum. vantagem indevida a funcionário público estrangeiro. oferecer ou dar. Corrupção passiva – CP 317 Solicita Corrupção ativa – CP 333 Se o funcionário público solicita alguém depois DEU. de um a oito anos.Primário: administração pública. o funcionário público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício. para determiná-lo a praticar.

pois o subsequente é fato atípico. Já subsequente o funcionário primeiro realiza o ato para em um segundo momento solicitar. que também pune o DAR CP 343. É uma norma incriminadora IRRETROATIVA. O funcionário público comercializa o ato ilegítimo. Conduta do CP 317 – pune:  Solicitar ou receber  Para si ou para outrem – esse outrem pode ser a própria administração pública. Elemento subjetivo – punido a título de dolo com finalidade especifica.suborno de testemunhas. enriquecimento ilícito através da busca da vantagem indevida. O que é corrupção passiva antecedente e subsequente? Na antecedente primeiro solicita. promete visando ato futuro. o funcionário comercializa ato justo.: Está para ser aprovado o projeto para punir o DAR do CP 333. Assim.  OBS. Página 57 de 76 . recebe ou aceita promessa para no segundo momento realizar o ato comercializado.: A corrupção ativa só é punida na modalidade antecedente.  OBS.pune também o DAR. Repare que somente o CP 333 não pune o DAR. Já a corrupção passiva imprópria é a que tem por finalidade a realização de comportamento legítimo.  Direta ou indiretamente – aqui aproveitamos o que vimos na concussão o Explicita ou implicitamente  Vantagem indevida – de qualquer natureza  Ou aceitar promessa de tal vantagem Qual a diferença de corrupção passiva própria e imprópria? A corrupção passiva própria tem por finalidade a realização de ato/comportamento injusto. porque não existe motivo punir os outros três e não esse artigo. O CP 333 somente pune o corruptor quando a corrupção ativa antecedente. Nessas duas hipóteses temos CRIME. receber ou aceitar promessa de futura vantagem. §1° 3) Código eleitoral . §1° . ou seja. A corrupção ativa antecedente é aquela que você primeiro oferece. não se confundindo com a subsequente em que se tem a prática de um ato seguida de um oferecimento ou promessa.Renato Brasileiro Penal Especial 2) CP 342.

inclusive de menor potencial ofensivo. vantagem indevida. O que seria mero exaurimento gera o aumento de pena. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena – detenção.a doutrina só enxerga tentativa na solicitação por escrito. recebe ou aceita a promessa já tem o crime. punindo os famigerados favores administrativos. Página 58 de 76 . Tentativa . ainda que fora da função ou antes de assumi-la. se. mas em razão dela. CP 317 §1° Corrupção passiva Art. deixa de praticar ou retarda ato de ofício. com infração de dever funcional.: se você me der R$100 excluo dos dados de multa que havia contra você – é corrupção e peculato eletrônico. § 1o A pena é aumentada de um terço. de três meses a um ano. porque senão haverá bis in idem. Se ele pratica o ato infringindo dever funcional. Só é possível majorar pena de CORRUPÇÃO PASSIVA PRÓPRIA porque é a única que o agente infringe um dever funcional. CP 317 §2° é a corrupção passiva PRIVILEGIADA. Não se confunde o CP 317 §2° com a prevaricação (CP 319) CP 317 §2° § 2o Se o funcionário pratica. em conseqüência da vantagem ou promessa. para si ou para outrem. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão.  CUIDADO quando o ato praticado configura crime autônomo. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. Ex. O que pune aqui é o crime do “macaco gordo”. de dois a doze anos. e multa. independentemente de praticar ou retardar o ato.Renato Brasileiro Penal Especial Consumação – as modalidades solicitar ou aceitar promessa o crime é FORMAL. além do CP 317 caput terá um AUMENTO DE PENA de 1/3. 317. Quando o funcionário solicita. ou multa. Solicitar ou receber. já na modalidade receber o crime é MATERIAL. direta ou indiretamente. esquece o aumento e aplica o concurso material (CP 69).

para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena – detenção. indevidamente. Prevaricação imprópria CP 319-A Art. ou seja. Aqui é claro que fere o p. 319. de três meses a um ano. Corrupção passiva privilegiada Prevaricação O funcionário cede diante de um pedido ou O funcionário age sem influencia de outrem influencia de outrem. 319-A. da proporcionalidade e o Estado está incentivando o crime. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. e multa. para evitar excesso (permite o juiz declarar inconstitucional) e também para evitar a insuficiência da intervenção estatal (aqui não pode declarar a inconstitucionalidade devido ao p. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. voluntário) O funcionário não visa interesse ou O funcionário quer satisfazer interesse ou satisfazer sentimento pessoal (o funcionário sentimento pessoal (o funcionário quer não quer vantagem pessoal) vantagem pessoal). significa que existe um ATO INTERFERENCIA EXTERNA (ato ESPONTANEO. que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena – detenção. da proporcionalidade) Quero evitar uma punição insuficiente. de rádio ou similar. Página 59 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial CP 319 Prevaricação Art. Ex. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público. a hipertrofia da punição. ato de ofício. significa que existe ou pedido. Quando falamos em p. uso esse p. Retardar ou deixar de praticar. Bem jurídico tutelado do CP 319-A – segurança interna dos presídios e externa da sociedade em geral. da proporcionalidade.: Você foi parado no transito e pede para o guarda quebrar “um galho” incorre na corrupção passiva privilegiada.

. Elemento subjetivo . então. E se o funcionário que vê o celular entrando e não deixa de vedar a entrada e não retira o celular da mão do preso? E se o funcionário.. Página 60 de 76 . pois pratica falta grave da LEP. tem projeto de lei para incriminar que será o futuro CP 352-A com a pena de um a quatro anos. Ao contrario. Abrange diretor de manicômio judiciário? Não abrange. Sujeito passivo – é o Estado e secundariamente a sociedade que está sendo colocada em perigo. (ou seja. ao invés de apenas permitir o acesso ao aparelho. Discute-se se abrange estabelecimento de menores infratores. há divergência na doutrina. Conduta – o crime consiste em:  Deixar de . merece ser dado à expressão o seu real alcance. é crime? A doutrina tem argumentado que a expressão “acesso ao aparelho” não deve ser interpretada restritivamente. o crime é omissivo próprio) o Cumprir seu dever de vedar ao preso – significa que não será qualquer funcionário potencial autor deste crime. pois o código fala em cumprimento de pena. pois deve ter poder funcional de vedar o preso ao acesso a aparelho que permita comunicação com o mundo externo ou com outros presos. abrangendo as condutas de entregar pessoalmente ou não retirar aparelho já na posse do preso.Crime é punido a título de dolo + SEM “satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. Mas diretor de penitenciaria não é um agente público? Ou seja. Que crime pratica o particular que introduz o aparelho no ambiente prisional? O simples fato de introduzir é fato atípico.Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito ativo – diretor de penitenciaria e agente público. POR ISSO QUE SE CHAMA PREVARICAÇAO IMPROPRIA. o que o legislador quis dizer que deverá ser punido se for funcionário publico com dever de vedar o preso ao acesso. deixar de retirar do preso aparelho que já está em sua posse. pessoalmente entregá-lo ou. O preso para quem era destinado o celular e é surpreendido com o celular é o que? Ele não é autor de crime alguma.

coisa que não tem no inafiançável. 3. Havendo oportunidade de defesa durante o processo a nulidade é relativa devendo ser argüida no momento oportuno e comprovando o prejuízo (MIRABETE). Temos que analisar se o crime funcional é afiançável . O STF adota a 1° corrente que é nulidade absoluta. perde a defesa preliminar. Ocorreu o crime funcional quatro procedimentos podem ser (Crimes funcionais do CP 312 a CP 326 têm procedimento especial) I. pois é unissubsistente. participe ou co-autor. II.Aqui tem denuncia e antes do recebimento da denuncia o denunciado tem direito a uma defesa preliminar. Crime funcional é inafiançável – L. tem direito a defesa preliminar? Não tem. sendo dispensável o acesso do preso ao aparelho. K. A defesa preliminar somente é indispensável quando a denúncia não vem acompanhada por IP (súmula STJ 331). na ação penal instruída por inquérito policial. súmula STJ 330 330. Há concreta lesão a ampla defesa gerando nulidade absoluta (TOURINHO FILHO). Tentativa – crime omissivo próprio não admite tentativa. é somente para o funcionário. ou seja. É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal. Quando da denuncia não era mais funcionário público. pois é em razão do cargo.Renato Brasileiro Penal Especial Consumação – o crime se consuma com a omissão do dever. 2. Se ele estiver aposentado? Também não faz mais jus a defesa preliminar. CPP 514 Página 61 de 76 . O particular que concorreu para o crime tem defesa preliminar? Não se estende a particular. J. Qual a consequencia da omissão da oportunidade defesa preliminar para o funcionário público? há correntes: 1.

AULA 9 DIA 07/07/09 CRIMES CONTRA A HONRA Calúnia – CP 138 CP 138 Calúnia Art. Caluniar alguém.Renato Brasileiro Penal Especial Art. Difamação – CP 139 Página 62 de 76 . imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. Nos crimes afiançáveis. estando a denúncia ou queixa em devida forma. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no no I do artigo 141. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. de seis meses a dois anos. § 1o Na mesma pena incorre quem. dentro do prazo de quinze dias. IV. salvo: I – se. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. III – se do crime imputado. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. e multa. sabendo falsa a imputação. para responder por escrito. a propala ou divulga. constituindo o fato imputado crime de ação privada. 514. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. Crime de menor potencial ofensivo – o rito é da lei 9099/95 Se o sujeito ativo detentor de foro de prerrogativa de função – o rito é da lei 8038/90 ________________________________________________________________________________ _ III. embora de ação pública. 138.

140. etnia. de um a seis meses. cor. § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. e multa. 139. II – no caso de retorsão imediata. imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção. Página 63 de 76 . de três meses a um ano. Difamar alguém. provocou diretamente a injúria. que. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. por sua natureza ou pelo meio empregado. se considerem aviltantes: Pena – detenção. além da pena correspondente à violência. § 1o O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – quando o ofendido. ou multa. Injuria – CP 140 CP 140 Injúria Art. de três meses a um ano. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção. Lei de imprensa foi considerada inconstitucional pela ADPF 130. Exceção da verdade Parágrafo único. de forma reprovável. e multa. que consista em outra injúria. religião.Renato Brasileiro Penal Especial CP 139 Difamação Art. A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Apesar do STF tenha afastado a lei de imprensa continua respondendo só que não mais pelos dispositivos da lei de imprensa. de um a três anos e multa. Injuriar alguém. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça.

já na honra subjetiva é quando a própria pessoa tem conhecimento. a propala ou divulga CPM é um exemplo. O que caracteriza os crimes contra a honra é que são praticados durante a propaganda eleitoral. os crimes são de ação penal privada. conhecendo o caráter ilícito da imputação. Ou seja. de 1 a 4 anos. A lei de segurança nacional (lei 7170/83) é imprescindível uma motivação política. Bem jurídico tutelado – é a honra. Dos três crimes contra honra. o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal. imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação. são tutelados: I. Página 64 de 76 . 26 . Pena: reclusão.Caluniar ou difamar o Presidente da República. nos crimes contra a honra subjetiva. nos crimes contra a honra objetiva a imputação deve chegar ao conhecimento de terceiro. Já no código eleitoral esses crimes contra a honra são de ação penal pública incondicionada. No CP em regra. II. o do Senado Federal.Na mesma pena incorre quem. Parágrafo único .Renato Brasileiro Penal Especial Não podemos esquecer-nos do código eleitoral que também traz crimes contra a honra. Art. um capitão que começa a difamação um tenente ou soldado tem um crime militar de competência militar. Enquanto que. porém deve-se diferenciar em honra objetiva (é o conceito que a sociedade tem a respeito do individuo) e subjetiva (representa o conceito que o individuo tem de si próprio). Outro aspecto importante: se honra objetiva é o conceito que a sociedade tem a respeito de minha pessoa e a subjetiva é o que tenho sobre mim. é dispensável o desconhecimento por terceiros. Calúnia e difamação – protegem a honra objetiva Injuria – protegem a honra subjetiva. 26 da lei 7170/83 Art. quando esses crimes se consumam? Quando a sociedade tem conhecimento da calúnia ou difamação.

embora de ação pública. Página 65 de 76 . Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. que o art. salvo: I – se. 138. Na lei de imprensa o detalhe que caia em prova. mas como a ADPF 130 afastou a lei de imprensa não cairá mais em prova. Caluniar alguém. CALÚNIA CP 138 Calúnia Art. E no caso de difamação e injúria? Não é punível difamação nem injúria contra os mortos. Sujeitos do crime: I. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. Quando você calunia uma pessoa que está morta o sujeito passivo de sua conduta serão seus familiares. III – se do crime imputado. Isso era punível na lei de imprensa só que esta foi declarada inconstitucional.Renato Brasileiro Penal Especial A honra é um bem disponível ou indisponível? É evidentemente disponível. difamação e injuria contra os mortos. II. sabendo falsa a imputação. a propala ou divulga. § 1o Na mesma pena incorre quem. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no no I do artigo 141. e multa. constituindo o fato imputado crime de ação privada. Ativo . o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. 24 era punido a calúnia. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. de seis meses a dois anos.qualquer pessoa Passivo Será que um morto pode ser sujeito passivo? Os mortos podem ser caluniados (§2°).

Para que eu responda pelo crime de calúnia aquela imputação que foi feita deve ser FALSA. A autocalúnia é punível? É quando você imputa a si próprio falsamente fato punido como crime.: Apesar da PJ não poder ser sujeito passivo do crime de calúnia.  OBS. Ato infracional nada mais é que um fato definido como crime. age em erro de tipo. pode ser vítima de crime contra a honra (BITENCOURT). Tipo objetivo – Em relação ao tipo objetivo. De acordo com essa teoria a PJ pode ser responsabilizada criminalmente desde que tenha junto uma pessoa física. I. é injúria. pode ser vítima de difamação. porém não de injúria. mas sim o crime de difamação. E no caso de difamação e injúria? Também podem ser sujeito da difamação e calúnia. ou seja. Quando se emite uma qualidade depreciativa. Imputação de fato definido como crime. A PJ pode ser sujeito passivo somente de difamação e calunia. Uma pessoa desonrada pode ser vítima de calúnia? Essa pessoa por mais que seja desonrada ela preserva sempre um “Oasis moral”. ela não pode praticar. Será que a PJ pode ser vítima do crime de calúnia? Aqui tem que tomar certo cuidado porque temos duas correntes: ROGÉRIO SANCHES – Será que a PJ pode praticar fato definido como crime? Temos aqui a teoria da dupla imputação. afastando-se assim a tipicidade de sua conduta. Se o autor da imputação acredita na sua veracidade. Assim. E se por acaso imputar fato definir como crime eu impute como contravenção penal? Cuidado. ou seja. Essa autocalúnia é o crime do CP 341: CP 341 Auto-acusação falsa Página 66 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial Inimputáveis podem ser vítimas de calúnia? O menor de 18 anos não pratica crime e sim ato infracional. ROGÉRIO GRECCO E BITENCOURT – PJ pode ser vítima de calúnia. pois não há a configuração de crime de calúnia. Falsidade da imputação. II. Assim conclui-se que a PJ não pode ser sujeito passivo. ao ler o delito de calúnia. mas pode ser responsabilizada. temos como elementos: I. M. mas desde que a falsa imputação refira-se a fato definido como crime ambiental (PREVALECE). tanto os menores de 18 anos quanto doentes mentais podem ser sujeitos passivos do crime de calúnia. II. E no caso de difamação e injúria? Pode haver difamação para com os inimputáveis e também da injúria desde que tenham consciência de sua honra subjetiva. Se imputo a prática de alguém em furto? Isso é calúnia ou injúria? Tenho que dizer qual foi o fato praticado.

A crítica que recai sobre esta corrente é a de que a continuidade delitiva tem como requisito básico que os crimes sejam da mesma espécie. mas se o advogado calunia passa a responder. 142. 341. CALÚNIA/DIFAMAÇÃO E INJÚRIA (semelhanças e diferenças) o Tanto na calúnia quanto na difamação existe a imputação de fato. pela parte ou por seu procurador. pode haver concurso de crimes? Se os crimes forem praticados em contextos diferentes. na discussão da causa. todavia. ou seja. É muito comum em advogado. o A falsidade somente é elementar do crime de calúnia. programas humorísticos em que não há intenção de macular a honra de ninguém. praticados num mesmo contexto fático:  Corrente minoritária – responde pelo delito em continuidade delitiva. Acusar-se. de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena – detenção. porém estes três crimes não são de mesma espécie. por exemplo. Animus narrandi é a testemunha que narra fatos pertinentes a causa. ou multa. CP 142 I Exclusão do crime Art. Não constituem injúria ou difamação punível: I – a ofensa irrogada em juízo. de três meses a dois anos. o Será que alguém pode responder pelos três crimes.Renato Brasileiro Penal Especial Art. Animus defendendi que é a intenção de defender. Página 67 de 76 . Elemento subjetivo – animus caluniandi. o Tanto na calúnia quanto na difamação temos fato definido como CRIME. Já na injúria não existe imputação de fato e sim imputa qualidade depreciativa. No crime de difamação mesmo que a imputação se refira a um fato verdadeiro o deito estará caracterizado. Somente relaciona-se a INJÚRIA E DIFAMAÇAO. Se. Agora os outros crimes contra a honra também exigem esse elemento só que na difamação se chama animus difamandi e na injúria temos o animus injuriandi. perante a autoridade. o agente responde pelas diversas infrações penais em concurso material. Animus jocandi é a brincadeira.

já na difamação é excepcional e a única hipótese é para com o funcionário público. Página 68 de 76 . da consunção. salvo nas hipóteses dos CP 138 §3°.  OBS. sendo os crimes mais leves absorvidos pelos mais graves. embora de ação pública. III – se do crime imputado.: Apesar de não ser cabível a exceção da verdade nas hipóteses do CP 138 §3°. no entanto não impede que o querelado prove a veracidade de sua imputação. CP 138 §3° Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. demonstrando ser o querelante autor de fato definido como crime. essa limitação alcança a interposição formal do incidente. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no I do artigo 141. é cabível no crime de calúnia.Aplica-se o p. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. o que. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível.Renato Brasileiro Penal Especial  Corrente que prevalece . de presunção de inocência e da garantia da ampla defesa. Na calúnia a exceção da verdade é regra. Exceção da verdade – É um incidente processual por meio do qual o acusado de crime contra a honra (calúnia e difamação) pretende provar a veracidade do que alegou. sob pena de violação ao p.: A exceção da verdade somente cabe em relação ao crime de difamação quando o for fato ofensivo a funcionário público e relacionar-se ao exercício de suas funções. Perguntas: É cabível em todos os crimes contra a honra? Em regra. constituindo o fato imputado crime de ação privada. Em relação ao crime de injuria cabe exceção da verdade? No crime de injúria não é cabível a exceção da verdade.  OBS. salvo: I – se.

se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.Renato Brasileiro Penal Especial Para concluir: calúnia cabe exceção da verdade e se eu provo a veracidade. 523. a exceção da verdade deve ser julgada pelo respectivo tribunal em relação ao crime de calúnia. e multa. § 1o A pena é aumentada de sexta parte. o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias. podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa. se o fato é de domínio público não haveria ofensa à honra objetiva. Dar causa a instauração de investigação policial. A doutrina entende que provada à veracidade da imputação estará excluída a ilicitude da conduta. ou outras indicadas naquele prazo. Página 69 de 76 . em substituição às primeiras. e no crime de difamação a falsidade não é elementar. Mas há uma segunda corrente (Cezar Roberto Bitencourt) entende que mesmo que o fato imputado seja público e notório o crime estará caracterizado. pois ninguém tem o direito de vilipendiar a honra alheia. de dois a oito anos.  OBS. Quem vai admitir a exceção da verdade? É o respectivo tribunal.: Somente é admissível nos crimes de calúnia e difamação. Denunciação caluniosa Art. e em relação ao crime de difamação. É a oportunidade que o querelado tem de demonstrar que suas afirmações são de domínio público. qual é a consequencia? Afasta a própria tipicidade da conduta. 339. A exceção da verdade é admitida e instruída na 1° instancia. Ou seja. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado. A admissão e o processamento da exceção deverão ocorrer perante o juízo a quo. imputando-lhe crime de que o sabe inocente: Pena – reclusão. A falsidade é elementar do crime de calúnia. ou para completar o máximo legal. EXCEÇÃO DA NOTORIEDADE Art. mas somente se a imputação versar sobre fato definido como contravenção penal. instauração de investigação administrativa. É a opinião de Fernando Capez. de processo judicial. Caso o querelante seja titular de foro por prerrogativa de função. inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém.

140. além da pena correspondente à violência. § 1o Na mesma pena incorre quem. Art. de seis meses a dois anos. Podemos dizer claramente que a calúnia é o meio para a prática do crime fim de denunciação caluniosa. A conduta do § 1º também só é punida a título de dolo direto. etnia. provocou diretamente a injúria. O artigo 339 somente é punido a título de dolo direito. sabendo falsa a imputação. Injuriar alguém. a propala ou divulga. cor. Desacato Página 70 de 76 . que. que consista em outra injúria. de três meses a um ano. por sua natureza ou pelo meio empregado. de um a três anos e multa. 138. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. INJÚRIA Art. § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. se a imputação é de prática de contravenção. Caluniar alguém. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. Outra semelhança que pode diferenciar é “de que o sabe inocente”. Aqui vai tanto ao dolo direto ou eventual se referir ao caput do CP 138. ou multa. A denunciação caluniosa absorve o crime de calúnia com base no princípio da consunção. se considerem aviltantes: Pena – detenção. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. quando a lei usa essa expressão ela restringe a punição da denunciação caluniosa somente a título do dolo direto (precisa ter certeza de que a imputação é caluniosa). religião. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. § 1o O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – quando o ofendido. e multa.Renato Brasileiro Penal Especial § 2o A pena é diminuída de metade. II – no caso de retorsão imediata. de forma reprovável. de um a seis meses. e multa.

que. ofendendo sua dignidade com base na utilização de elementos referentes à raça. Quando me refiro a uma pessoa querendo ofender com relação à opção sexual. pratica dois ou mais crimes e apenas deverão ser somadas.). pois o agente. de seis meses a dois anos. de um a três anos e multa. 331. Injúria preconceituosa § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. Injúria real § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. etnia.Renato Brasileiro Penal Especial Sendo o ofendido funcionário público e tendo sido o fato praticado na sua presença e em razão de sua função caracterizar-se-á o crime de desacato. religião. cor. Página 71 de 76 . ou multa. cor. Neste ocorre uma oposição indistinta a uma raça. A injúria preconceituosa é crime de ação penal privada e o racismo é crime de ação penal pública incondicionada. Não confundir a injúria com o crime de racismo (oposição indistinta a uma raça. A melhor posição hoje da doutrina é de que se trata de um concurso formal impróprio. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. não é injúria preconceituosa o crime não é o do § 3º. e multa. mediante uma única ação. Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção. Art. etnia. por sua natureza ou pelo meio empregado. religião. etc. mas também pela violência empregada. Diante da injúria real o agente responde não só pela injúria.: Há um ataque verbal exclusivo contra a vítima. cor etc. de três meses a um ano. além da pena correspondente à violência. se considerem aviltantes: Pena – detenção. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. cor.  OBS.

Retratação significa retirar o que foi dito. No inciso I temos a imunidade judiciária – a ofensa deve ser feita em juízo / deve guardar relação com a causa em discussão. II – a opinião desfavorável da crítica literária. Nos casos dos nos I e III. O querelado que. pela parte ou por seu procurador. Parágrafo único. para a melhor doutrina. ao passo que o racismo é inafiançável e imprescritível. 142. o que pode ser considerada como uma ofensa ao princípio da proporcionalidade. Retratação Art. CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE Exclusão do crime Art. 143. A natureza jurídica do artigo 142. Essas excludentes referem-se tão-somente aos crimes de injúria e difamação. Conceito . Em regra. III – o conceito desfavorável emitido por funcionário público. em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. é de causa excludente da ilicitude. Não constituem injúria ou difamação punível: I – a ofensa irrogada em juízo. salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar. responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. antes da sentença. na discussão da causa. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação.Renato Brasileiro Penal Especial A injúria preconceituosa é um crime afiançável e prescritível. fica isento de pena. crimes contra a honra são de competência dos juizados. salvo na hipótese da injúria preconceituosa. Cuidado com o §3° com relação à pena que é de “reclusão. de um a três anos e multa”. Página 72 de 76 . Essa pena é idêntica à do homicídio culposo. artística ou científica.

AULA 10 DIA 08/07/09 Página 73 de 76 . O suposto autor da ofensa será intimado a dar explicações se ele não der explicações qual será a consequencia? Responde pela ofensa. o autor da ofensa não está obrigado a oferecer explicações e quando a lei diz: “responde pela ofensa” isso não significa que o agente seja condenado pelo crime supostamente praticado. fica parecendo que ele sai dali condenado. Ao contrário do perdão do ofendido.É uma medida preparatória e facultativa para o oferecimento da queixa quando não ficar evidente a intenção de caluniar. difamar ou injuriar. Nesse pedido de explicações o juiz não faz qualquer juízo de valor. limitando-se a entregar os autos àquele que formulou o pedido. e nem exige publicidade. não cabendo no crime de injúria. Se não houve explicações ou as dadas não foram satisfatórias não quer dizer que há presunção de culpa. quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Conceito . O MP não tem legitimidade para formular esse pedido. difamação ou injúria. 144.É causa extintiva da punibilidade. de referências. a retratação não depende de aceitação do ofendido. Fica a impressão de que se o cara não dá explicações ou não as dá de maneira satisfatória. se infere calúnia. não constituindo uma ação penal. Se. Aquele que se recusa a dá-las ou. Lembre-se: esse procedimento é de natureza cautelar. Natureza jurídica . Assim. responde pela ofensa. Pedido de explicações Art.Renato Brasileiro Penal Especial A retratação somente é cabível nos crimes de calúnia e difamação. Só o tem o ofendido (quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo). não as dá satisfatórias. a critério do juiz. alusões ou frases. Só é cabível na ação penal privada. mas nem denúncia ou queixa houver contra a pessoa.

por isso é melhor provar que a falsificação era grosseira. fabricando-a ou alterando-a. II. pois há enganação da verdade. Assim. § 2o Quem. empresta. Como se dá a falsificação? Pode se dá de duas formas: I. tendo recebido de boa-fé. cuja circulação não estava ainda autorizada. Geralmente quando apreende alguém com moeda falsa tem que fazer exame pericial. § 1o Nas mesmas penas incorre quem. moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no País ou no estrangeiro: Pena – reclusão. e multa. a restitui à circulação. cede. importa ou exporta. como verdadeira. de três a doze anos. Pela fabricação – é a produção integral de papel moeda ou de moeda metálica (é mais raro) Pela alteração – submete ao processo de lavagem Se a alteração for pra menor? Mesmo no caso da menor existe potencialidade lesiva. é punido com detenção. de seis meses a dois anos. o juiz não fica vinculado. ou fiscal de banco de emissão que fabrica. por conta própria ou alheia. 289. Cuidado há um julgado do STF admitindo o p. Falsificar. § 3o É punido com reclusão. de três a quinze anos. ainda que o valor da moeda seja vil. e sempre o perito fala: apesar da nota ser falsa é importante ressaltar que a falsificação era de boa qualidade e tinha como circular. moeda falsa ou alterada. vende. da insignificância? Para o STF e o STJ não é cabível a esse crime a aplicação do princípio da insignificância. o funcionário público ou diretor. gerente. depois de conhecer a falsidade. § 4o Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda. e multa. troca. não tem que se preocupar com o valor da nota e por isso não admite. adquire. guarda ou introduz na circulação moeda falsa.Renato Brasileiro Penal Especial DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA Moeda falsa (é o tipo do delito em que se você achar muito “espertinho” você pode cometer) Art. emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I – de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei. Nesse caso. da insignificância. A falsificação deve ter capacidade para enganar. Fé pública é a confiança que a sociedade deposita na autenticidade de documentos e moedas. e multa. Cabe a aplicação do p. Página 74 de 76 . II – de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.

Página 75 de 76 . Sumula STJ 73 e 122 73. § 2o Quem. de seis meses a dois anos. 78. cede. da competência da Justiça Estadual. em tese. aqui há conexão de crime federal e estadual irá para o tribunal do júri federal conforme a súmula STJ 122. tanto a falsificação de dólar ou real configura o crime. é punido com detenção. vende. depois de conhecer a falsidade. pois a União que emite moeda. tendo recebido de boa-fé. A utilização de papel moeda grosseiramente configura o crime de estelionato. a. A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. Ou seja. 122. A segunda diferença é que a pena do §2° é da competência do juizado especial federal. Se houver homicídio de um policial militar em que aborda um civil por estar com moeda falsa.Renato Brasileiro Penal Especial Como prova que a falsificação é grosseira? Geralmente ouvindo a pessoa que apreendeu a moeda falsa. Qual é a diferença entre o §1° e o §2° do CP 289? § 1o Nas mesmas penas incorre quem. moeda falsa ou alterada. II. como verdadeira. e multa. ainda não tinha consciência de sua falsidade. Assim prova a falsificação através da oitiva de testemunhas. por conta própria ou alheia. não se aplicando a regra do art. A primeira diferença é que no §1° quando o agente recebe a nota falsa já tem consciência de sua falsidade. geralmente tem várias moedas falsas na carteira. No §2° quando o agente recebe a nota falsa. Qual a competência para o julgamento do crime? O CP 289 é da competência da justiça federal. a restitui à circulação. Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual. troca. importa ou exporta. adquire. do Código de Processo Penal. o crime de estelionato. O agente que é preso passando a moeda em diante. empresta. guarda ou introduz na circulação moeda falsa. Mas no caso da falsificação de dólares a competência também é da justiça federal porque o BACEN é responsável pela fiscalização de moeda estrangeira. Falsificação de dólar é crime? A nota deve ser de curso legal no país ou no estrangeiro.

Renato Brasileiro Penal Especial Página 76 de 76 .

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