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Reabitar no porto

Maria de Fátima Castro, Nuno Valentim Lopes

O Porto encontra-se há já alguns anos, tal como muitas das cidades históricas europeias, a perder população de forma gradual e constante. O abandono do centro histórico e a fuga da população local para zonas periféricas ou terciárias da cidade, resultam das profundas transformações económicas e culturais, verificando-se simultaneamente alguma inadaptabilidade dos modelos antigos de habitação, que preenchem a cidade, aos novos modos de vida. Estas novas formas de habitar assentam principalmente em exigências, crescentes, de conforto que hoje se afincam com relevante significado e importância no desenvolvimento do projecto de uma habitação. Falamos de uma sociedade global, do século XXI, informatizada e comunicante, que vive na era das novas tecnologias, numa era feita de desconcertantes dicotomias entre o distante e o próximo, entre o exterior e o interior, e que procura na repetição a singularidade. Sendo hoje consensual que a reabilitação das cidades ultrapassa o âmbito de intervenções superficiais efectuadas de modo mais ou menos intensivo nos edifícios de valor patrimonial, torna-se necessário trazer para primeiro plano a reabilitação e reutilização do edificado habitacional que cobre toda a imagem da cidade. À consciência da importância de manter o carácter e a identidade da cidade histórica, soma-se a vontade de estudar o modelo da casa portuense, corrente do século XIX, enquanto habitação actual. Assim, centrado no tema REABITAR, o propósito deste estudo é demonstrar a vitalidade, capacidade de regeneração e adaptabilidade que apresenta o edificado habitacional portuense corrente deste século. A par desta realidade, preocupação e interesse crescente, acrescenta-se a inquietação e consequente atracção pelas questões relacionadas com a temática do habitar, a forma como a habitação espelha a personalidade de cada um, e de um grupo, e a relaciona com a actividade do arquitecto. A casa funciona como que uma segunda pele, um reflexo do indivíduo no mundo físico e visível para outros. Esta mostra a identidade e individualidade de cada um, dentro de um todo comum, que se integra, relaciona e se adapta às mutantes mentalidades de uma sociedade em constante movimento. O arquitecto, por sua vez, enquanto manipulador e materializador da arquitectura, interfere na definição, organização e distribuição do espaço habitado pelo Homem, sendo no desenvolvimento do projecto da casa que mais contacta directamente com as necessidades e exigências individuais. Se por um lado a necessidade de um habitat seguro e estável acompanhou, desde sempre, a evolução humana, por outro vivemos hoje num período marcado por fortes dinâmicas globais, onde a relação entre o espaço e o Homem é definida por mudanças constantes e imprevisíveis. Os novos hábitos sociais, os novos grupos sociais, as novas tecnologias, as necessidades crescentes, os ritmos de vida acelerados, são aspectos que alteram, forçosamente, a nossa expectativa de habitação.

Dissertação de Mestrado em reabilitação do património edificado.Sendo a realidade escolhida. Falamos de conforto espacial. mas sobretudo de conforto. retomando a função para a qual foi projectada. pretende-se apresentar como é que esta poderá responder e se adaptar hoje às novas exigências habitacionais que se verificam. que se encontrava em expansão urbana para fora da muralha e na sequência dos grandes alinhamentos radiais definidos pelos Almadas. 76 [2] Lopes. FEUP. A partir de 1951 “o rosto do Porto mudou e a cidade adquiriu características urbanas completamente novas e uma nova imagem urbana que definiria. Porto. p. na passagem da “Cidade Iluminista” à “Cidade Liberal” [1] . Falamos de boas acessibilidades. a construção. dali para a frente. falamos de conforto térmico. Faup Publicações.” [2] Referências [1] Fernandes. p. de adaptabilidade e flexibilidade do espaço interior e da sua relação com o exterior. a nossa ideia do Porto. Francisco Barata (1999) Transformação e permanência na habitação portuense: as formas da casa na forma da cidade. portanto. Reabilitação de caixilharias de madeira em edifícios do século XIX e início do século XX: do restauro à selecção exigêncial de uma nova caixilharia: o estudo do caso da habitação corrente portuense. no conjunto edificado do Porto do século XIX. a tipologia e a organização da habitação portuense nascida há quase quatro séculos. paisagem adjacente. Nuno Valentim (2006). Porto. O objecto de estudo centra-se. localização. acústico e de novas tecnologias. 2 .