Textos de apoio de

Topografia
MENOR EM ENGENHARIA GEOGRÁFICA MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
2007 / 2008

Cidália M. P. Costa Fonte

Departamento de Matemática Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra

Textos de apoio de Topografia - Índice

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Índice
1. 2. Introdução.......................................................................................................................... 3 Fundamentos de representação cartográfica ........................................................................ 5 2.1. Representação Plana da Terra .................................................................................... 5 2.1.1. Modelos da forma da Terra.................................................................................. 5 2.1.2. Sistemas de coordenadas ..................................................................................... 8 2.1.3. Projecções cartográficas .....................................................................................12 2.2. Sistemas de referência ................................................................................................15 2.2.1. Data geodésicos .................................................................................................15 2.2.2. Sistemas de projecção cartográfica .....................................................................15 2.3. Cartografia Nacional..................................................................................................18 2.3.1. Noções gerais sobre cartografia ..........................................................................18 2.3.2. As séries do IGeoE e do IGP...............................................................................20 2.4. Infra-estruturas cartográficas ....................................................................................20 2.4.1. A Rede Geodésica ..............................................................................................20 2.4.2. Adensamento da rede de apoio ...........................................................................21 3. Levantamentos topográficos ..............................................................................................22 3.1. Introdução.................................................................................................................22 3.2. Equipamento Topográfico .........................................................................................23 3.2.1. Teodolitos..........................................................................................................23 3.2.2. Distanciómetros Electrónicos .............................................................................24 3.2.3. Estações Totais..................................................................................................24 3.2.4. Níveis ................................................................................................................24 3.3. Medição de ângulos ....................................................................................................25 3.3.1. Constituição e funcionamento de um teodolito ...................................................25 3.3.2. Condições para a medição de ângulos..................................................................29 3.4. Medição de distâncias.................................................................................................34 3.4.1. Medição directa de distâncias .............................................................................35 3.4.2. Estadimetria......................................................................................................38 3.4.3. Medição electrónica de distâncias .......................................................................42 3.5. Métodos de determinação de coordenadas...................................................................44 3.5.1. Irradiação..........................................................................................................45 3.5.2. Triangulação......................................................................................................45 3.5.3. Intersecções .......................................................................................................46 3.5.4. Poligonação .......................................................................................................50 3.6. Nivelamento ..............................................................................................................56 3.6.1. Noções de altimetria ..........................................................................................56 3.6.2. Curvatura terrestre e refracção atmosférica ........................................................57 3.6.3. Nivelamento Trigonométrico .............................................................................59 3.6.4. Nivelamento Geométrico....................................................................................60 3.6.5. Nivelamento barométrico...................................................................................68 4. Outros métodos de aquisição de dados topográficos ............................................................69 4.1. Sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite................................................69 4.1.1. Introdução.........................................................................................................69 4.1.2. Sistemas Globais de Navegação por Satélite .......................................................69 4.1.3. O Serviço Internacional GNSS (IGS)..................................................................72 4.2. Fotogrametria ...........................................................................................................72 4.2.1. Aquisição e processamento de fotografias aéreas.................................................73 4.2.2. Escala de uma fotografia aérea...........................................................................73 4.2.3. Estereoscopia.....................................................................................................74 4.2.4. Paralaxe estereoscópica......................................................................................75 4.2.5. Produtos obtidos a partir de fotografias aéreas ...................................................75
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

.............................................. Formas fundamentais do relevo .....1....4......... 80 5................1.. Construção de um MDT.................................................................................................................. 85 6..............................3................................ Detecção Remota ............................................ 84 5........ Casos em que se utilizam pontos cotados .2.............1......................................................................................................................................... 75 4................................................... Representação Topográfica.............................. 87 Referências....... Sistemas de Varrimento Laser...................... 77 5.........................................ii Textos de apoio de Topografia ........ 88 Anexo1 ......................4...........................3........................................................................................................................................................................ Curvas de nível ............4.................................................................................................. 83 5........................2............ 82 5................................................. Modelos digitais de terreno ....................Formulário .................. 80 5..............3...........................2.......................................................1...................................... 1 Anexo 2 – Exercícios ............... Pontos cotados .............................................................................. 1 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra ........... Exemplos de aplicação dos MDT ...................................................... 84 5............................................................................. Altimetria ............Índice 4.........................4............................ 80 5............................. Aplicações ...... 81 5.

tratamento e representação da informação geo-referenciada ser a área de estudo dos Engenheiros Geógrafos. isto é. por introduzir algumas noções fundamentais para a compreensão da problemática de representação plana da Terra. na implantação e apoio à construção de obras. e em particular os Engenheiros Civis. Começa-se. uma vez que ela é indispensável em muitas áreas da sua actividade. No final. por exemplo. tais como barragens e pontes. indicando-se em que situações são aplicáveis. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . São apresentados os fundamentos da modelação da forma da Terra. o conceito de projecção cartográfica e os sistemas de projecção cartográfica mais usados em Portugal. etc. Assim. Por fim. onde são apresentados os equipamentos. No Capítulo 4. Introdução Designa-se por informação geo-referenciada toda a informação que está associada a uma localização no espaço geográfico. incluem-se dois anexos. apresentam-se outros métodos de aquisição de dados topográficos. No Anexo 1 faz-se um resumo das principais fórmulas utilizadas no Capítulo 3 e no Anexo 2 são disponibilizados exercícios referentes à execução de levantamentos topográficos clássicos. como nos meios disponíveis para o seu processamento e representação. nomeadamente a Fotogrametria. faz-se referência às várias formas de fazer a representação dos dados e informação topográfica planimétrica e altimétrica. na auscultação do comportamento de grandes obras de Engenharia. procedimentos e métodos mais utilizados para a execução de levantamentos planimétricos e altimétricos. Faz-se uma descrição sumária de cada um deles. no Capítulo 5. No Capítulo 3 faz-se o estudo dos métodos clássicos de execução de levantamentos topográficos. que se encontra posicionada sobre a superfície da Terra (ou na sua vizinhança imediata). os sistemas de coordenadas utilizados. bem como das infra-estruturas cartográficas disponíveis no país. É feita uma apresentação sumária da cartografia nacional e de algumas noções de cartometria. Nas últimas décadas houve grandes desenvolvimentos. Detecção Remota. tenham algumas noções básicas sobre como obter e utilizar este tipo de informação. tanto nos equipamentos e métodos utilizados para a aquisição de dados geo-referenciados. No presente curso de Topografia apresentam-se os conceitos básicos necessários à utilização de informação geográfica e recolha de dados geo-referenciados. Apesar do estudo detalhado dos vários aspectos relacionados com a aquisição. no capítulo 2. este tipo de informação tem vindo a ser cada vez mais utilizado em variadas áreas de actividade. é indispensável que outros profissionais. Sistemas Globais de Navegação por Satélite e Sistemas de Varrimento Laser. como. em trabalhos de urbanismo e hidráulica. na concepção de projectos.Textos de apoio de Topografia – Introdução 3 1.

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1.1. Pode considerar-se que a forma da Terra corresponde à sua superfície física. pode ser definida pela superfície do nível médio das águas do mar. é nalguns casos substituída por um elipsóide de revolução ou uma esfera. a utilização de um método que permita representar a superfície curva da Terra sobre um plano. chamada Geóide. A esta superfície chama-se Géoide e é utilizada em várias situações. Representação Plana da Terra Modelos da forma da Terra O modelo utilizado para representar a forma da Terra varia com a dimensão da zona que se pretende representar e com a exactidão pretendida. quando comparadas com as dimensões do geóide. diferindo dela devido à existência de ondulações desigualmente distribuídas.1.1). dá a direcção do campo gravítico terrestre e é muito importante em Topografia pois é essa direcção que orienta os instrumentos de medida. é uma superfície mal conhecida. como é uma superfície difícil de trabalhar matematicamente. como pela influência das forças gravitacionais dos corpos celestes mais próximos. Mostraremos ainda que. a forma da Terra é definida com base no campo gravítico terrestre.1. por ser normal às superfícies de nível do geóide. Fundamentos de representação cartográfica A representação da superfície da Terra em cartas ou mapas requer. O Geóide Uma das abordagens consideradas para modelar a forma da Terra consiste em considerar que ela corresponde a uma superfície equipontencial. que permita fazer a sua representação sobre um plano. suposta prolongada debaixo dos continentes.1. campo este fundamentalmente resultante da força de atracção newtoniana e da força centrífuga. O conjunto destas escolhas corresponde à definição de um sistema de referência. mas. é suficiente considerar a Terra plana. Aquelas ondulações são pouco significativas. 2. Ao ângulo formado pela vertical do lugar (normal ao geóide) e pela normal ao elipsóide (normal) chama-se desvio da vertical (Figura 2.1. Sabe-se que a forma do geóide é bastante próxima da forma de um elipsóide de revolução achatado. que são aparelhos que medem a aceleração da gravidade. normalmente designado por sistema de projecção cartográfica. não ultrapassando geralmente algumas dezenas de metros o afastamento vertical entre o geóide e o elipsóide que dele mais se aproxima. A sua forma é calculada utilizando gravímetros. devida ao movimento de rotação da Terra. a representação plana da Terra implica a escolha de um modelo para a forma da Terra. tanto devido aos deslocamentos de terras que ocorrem sobre a superfície terrestre. nomeadamente a superfície correspondente ao nível médio das águas do mar. 2. Assim. não definida matematicamente. 2. quando a zona de estudo é pequena. este ângulo mede a inclinação do geóide relativamente ao elipsóide e o seu valor não ultrapassa normalmente os 10 segundos centesimais. a utilização de sistemas de coordenadas que permitam posicionar pontos sobre a sua superfície e a adopção de uma projecção cartográfica. o posicionamento de pontos sobre a sua superfície e. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . A sua superfície. no entanto.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 5 2. por outro lado. A vertical do lugar. provocadas por uma desigual repartição das massas na crosta terrestre. esta superfície é extremamente complexa e altera-se continuamente. Assim. por um lado. cujo estudo é do âmbito da Geodesia. Outra forma de modelar a forma da Terra consiste em considerar que ela corresponde a uma superfície equipotencial. nomeadamente o Sol e a Lua. abstraindo das ondulações do terreno. Esta superfície de nível.

O elipsóide WGS-84 é adoptado como elipsóide de referência para as medições feitas com o GPS (Global Positioning System). Clarke.2 . entre outros. se têm dedicado à determinação do comprimento dos semi-eixos do elipsóide que melhor se adapta ao geóide.1. Um elipsóide de revolução é o sólido gerado pela rotação de uma semi-elipse em torno de um dos seus eixos. Hayford. foi inicialmente utilizado o elipsóide de Bessel. em diferentes partes do globo.Elipsóide de revolução com semi. Vários têm sido os geodetas que. Estas determinações permitiram concluir que.2). O Elipsóide Dada a complexidade do geóide. O ângulo δ representa o desvio da vertical. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . GRS80 e o WGS-84 com as características indicadas na Tabela 2. Por este motivo. sendo a e b respectivamente o semi-eixo equatorial e o semi-eixo polar (Figura 2. 2.Representação do elipsóide e do geóide numa dada região.2.1. se obtêm elipsóides diferentes. Para o caso em estudo a rotação é feita em torno de eixo polar N-S. Elipsóide Bessel (1841) Clarke (1866) Hayford (1909) GRS80 (1980) WGS84 (1984) Semi-eixo maior (a) 6377397 m 6378301 m 6378388 m 6378137 m 6378137 m Semi-eixo menor (b) 6356079 m 6356584 m 6356912 m 6356752 m 6356752 m achatamento = 1/299 1/294 1/297 1/298 1/298 a −b a Em Portugal.1 .1 – Características de vários elipsóides utilizados como superfície de referência para representar a Terra. O elipsóide de Clarke foi adoptado em França e nos Estados Unidos e o GRS80 é utilizado na América do Norte. Tabela 2. tendo-se mais recentemente optado pelo de Hayford. Assim. a escolha do elipsóide que melhor se adapta à forma da Terra tem de ter em consideração a região que se pretende representar.1. z N b a a b y a S x Figura 2.eixo maior a e semi-eixo menor b. para diferentes regiões do globo. é usual utilizar como superfície de referência um elipsóide de revolução.6 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Vertical do lugar δ Normal ao Elipsóide Geóide Superfície física Elipsóide Figura 2. temos. os elipsóides de Bessel.

substitui-se o elipsóide de referência por um plano que lhe é tangente no ponto central da região a representar. Por isso. o achatamento dos elipsóides considerados é muito pequeno.3.3 – Substituição da superfície curva da Terra por um plano tangente a esta no ponto central da zona a representar.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 7 Como se pode ver na Tabela 2. ∆D = D '− D = R ( tgα − α ) Quando ∆D puder ser considerado nulo. para valores de D da ordem dos 20 km. 10km.1.1. Assim. Considerando a Terra como esférica.2 indica-se o valor de ∆D correspondente a um valor de D respectivamente igual a 5km. Modelo plano Quando se pretende representar uma zona pouco extensa da superfície da Terra é muitas vezes suficiente considerar a Terra como plana.1. sobre a superfície de referência. pode-se substituir a superfície de referência (neste caso uma esfera) pelo plano que lhe é tangente no ponto central da zona a representar. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . nos trabalhos em que não se exige grande exactidão. uma vez que a influência da sua curvatura é desprezável. 2. 20km e 30km. seja D a maior das distâncias. As projecções ortogonais dos pontos A e B sobre a superfície de referência são respectivamente a e b. de centro O e raio médio R = 6400 km.3) e a fronteira de uma região a representar (ponto B). sendo b' o ponto de intersecção da recta projectante de B com o plano tangente à superfície de referência no ponto a. pelo que a forma da Terra se aproxima de uma esfera. B A M D' b' b a D R α O Figura 2. a influência da curvatura da Terra sobre a distância entre dois pontos já é da ordem dos centímetros e para valores de D da ordem dos 30 km é da ordem dos decímetros. Na Tabela 2. entre o ponto central A (Figura 2. Note-se que. o elipsóide é substituído por uma esfera de raio igual à média dos seus semi-eixos. Determinem-se agora as distâncias D e D': D = ab = Rα (com α em radianos) (1) D ' = ab ' = R tgα deste modo.

003125 0.1. 2. A latitude ϕ de um ponto é o ângulo formado pela normal à esfera.1.2. Coordenadas Geográficas As coordenadas geográficas podem referir-se a uma esfera. α ( rad ) 10 20 30 0. ou ao geóide.0651m = 6.1. em virtude de serem determinadas por via astronómica.0000651 30.2. A posição de qualquer ponto da superfície da Terra fica perfeitamente definida através das suas coordenadas geográficas e da sua altitude relativa à superfície de referência.81cm 0.97cm Como em trabalhos de Topografia não são normalmente consideradas áreas com diâmetros (maior distância entre pontos dessa região) superiores a 6 km (correspondendo a D 3km ).1.0002197 ∆D (km) 0.51cm 0. positivamente no hemisfério Norte e negativamente no hemisfério Sul. ao elipsóide. Pode tomar valores entre -180° e +180°. As coordenadas geográficas quando determinadas sobre o elipsóide são denominadas de Coordenadas Geodésicas e quando determinadas sobre o geóide.000781 0. Sistemas de coordenadas Podem considerar-se vários sistemas de coordenadas para posicionar pontos à superfície da Terra. excepcionalmente 10 km (correspondendo a D 5km ). que no caso desta ser o elipsóide se designa por altitude geodésica e no caso de ser o geóide por altitude ortométrica. a um elipsóide ou ao geóide. entre os quais temos as coordenadas geográficas e as coordenadas rectangulares. N P ϕ O Equador λ Meridiano que passa por P E -90º ≤ ϕ ≤ +90º -180º ≤ λ ≤ +180º Meridiano de Greenwich S Figura 2.0000081 0. sendo positiva para Este do meridiano de referência e negativa para Oeste. Coordenadas Rectangulares Ao fazer-se a representação plana da Terra. os lugares à sua superfície podem ser posicionados recorrendo a coordenadas rectangulares.2.004688 D ' ( km ) 5. os erros cometidos na substituição do elipsóide de referência por um plano que lhe seja tangente no ponto central da região a cartografar são insignificantes.0000081 20.0000651 0.4 .8 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos D ( km ) 5 Tabela 2. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .0002197 ∆D 0.10cm 0.Representação das coordenadas geográficas (latitude ϕ e longitude λ) de um ponto P. 2. Por acordo internacional adoptou-se para meridiano de referência o meridiano do Observatório de Greenwich em Inglaterra. são denominadas Coordenadas Astronómicas ou Naturais.0081m = 0.001563 0. A longitude λ é o ângulo diedro formado pelo plano do meridiano do lugar com o plano do meridiano de referência. nesse ponto e pelo plano do equador (ver Figura 2.0010m = 0.2197m = 21. Estas coordenadas são escolhidas de modo que o eixo das ordenadas (designada por meridiana origem ou apenas por meridiana) coincida com o meridiano central da zona a representar e o eixo das abcissas (designada por perpendicular origem ou apenas por perpendicular) seja normal à meridiana origem no ponto próximo do centro da região a representar.4). Conta-se de -90° a +90° a partir do equador.2.0000010 10. 2.0000010 0.2 – Cálculo de ∆D em função do valor de D.

tendo vértice no ponto A. M e P são as coordenadas rectangulares que definem a posição do ponto A. o ângulo AÊB e o ângulo BÊA.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 9 designado por Ponto Central (ver Figura 2.5 . Uma direcção qualquer [AB] pode ser posicionada relativamente ao sistema de coordenadas rectangulares através do ângulo que forma com a direcção da recta meridiana. Note-se que AEB + BEA = 400 g A A BÊA E AÊB E B B Figura 2.7.Os ângulos AÊB e BÊA.6 . descritos no sentido retrógrado. ˆ ˆ definem dois ângulos distintos. que se representa por (AB). Meridiana M<0 P>0 P A M>0 P>0 Perpendicular C M M<0 P<0 M>0 P<0 Figura 2. Deste modo. N. como as semi-rectas EA e EB representadas na Figura 2.7 . (AB) A B Figura 2. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . são os ângulos indicados na figura.5). Nota: Os ângulos em Topografia são sempre descritos no sentido retrógrado. até à direcção definida pelos pontos A e B (Figura 2. duas semi-rectas com a mesma origem. Este ângulo chama-se azimute cartográfico ou rumo da direcção [AB]. As coordenadas rectangulares são as coordenadas M e P. O ponto C é o ponto central. que correspondem respectivamente à distância do ponto à meridiana e à perpendicular.C. O rumo de uma direcção varia entre zero e quatrocentos grados. conta-se no sentido retrógrado (sentido dos ponteiros do relógio) a partir da direcção definida pela meridiana. representa-se por (AB) e.6).Representação plana de uma região da superfície terrestre. que corresponde à direcção do Norte Cartográfico. sendo M a distância à meridiana e P a distância à perpendicular.Rumo da direcção definida pelos pontos A e B.

Ou seja: Conhecido: (AB). Observando a Figura 2. A A a) b) (AB) Figura 2. (BA) B (AB) (BA) B N.C. Pedido: (BA) N.C.8a) pode-se concluir que: ( BA) = ( AB ) + 200 g Se os pontos A e B estiverem na posição indicada na Figura 2.C. ( BA) = ( AB ) ± 200 g considerando-se "+" quando (AB) < 200g e "-" quando (AB) > 200g.Transmissão de Rumos a) Cálculo do Rumo Inverso Suponhamos que se conhece o rumo da direcção [AB] no sentido de A para B e se pretende conhecer o rumo da mesma direcção. mas agora no sentido de B para A.8b) tem-se que ( BA) = ( AB ) − 200 g Logo.10 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Principais problemas com coordenadas rectangulares 1 . B (AB) (AC) A Pedido: (AC) C Figura 2. Conhecido: (AB) N.CÂB) e pretende-se calcular o rumo da direcção [AC]. Ou seja.9 . b) Transporte de Rumos Conhece-se o rumo da direcção [AB] e o ângulo BÂC ou CÂB (BÂC = 400g . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .8 a) e b) .Transporte de rumos.C. N. BÂC ou CÂB N.C.Rumo de uma direcção (AB) e rumo inverso (BA). conhece-se (AB) e pretende-se conhecer (BA).

B (AB) PB PA O A P MA MB Figura 2. PA. Observando a Figura 2.Transporte de Coordenadas O problema de transporte de coordenadas permite determinar as coordenadas de um ponto B a partir das coordenadas de outro ponto A. uma vez que o numerador tem o sinal do seno de (AB) e o denominador o sinal do coseno de (AB). PB N. AB . conhecendo a distância AB entre os dois pontos e o rumo da direcção que definem. Conhecido: MA. Conhecido: MA.10 pode-se concluir que: sin ( AB ) = deste modo: MB = MA + AB sin (AB) 3 .Cálculo de Rumos MB − MA AB e cos ( AB ) = PB − PA AB e PB = PA + AB cos (AB) Pretende-se calcular o rumo de uma direcção definida por dois pontos com coordenadas rectangulares conhecidas.CÂB 2 . (AB) M Pedido: MB. como BAC = 400 − CAB (AC) = (AB) +400 .10 pode-se concluir que: tg ( AB ) = MB − MA PB − PA Expressão que permite determinar o rumo (AB) sem ambiguidade.9 pode-se concluir que: (AC) = (AB) + BÂC ˆ ˆ ou. PA.Transporte de coordenadas. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . PB Pedido: (AB) Observando a Figura 2.10 .Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 11 Observando a Figura 2.C. MB.

10 também se pode concluir que: AB = (MB . Ou seja. é necessário adoptar modelos de representação plana do elipsóide ou da esfera. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . como por exemplo um plano. calculando o rumo de (AB). 2. latitude ϕ e longitude λ em coordenadas rectangulares M e P. definidos por coordenadas rectangulares.1. Assim. Como a forma do geóide não é definida matematicamente considera-se.Cálculo de distâncias Pretende-se.PA)2 Ou. Assim. Podem distinguir-se dois métodos diferentes de construir uma projecção. sendo o ponto obtido sobre este o local onde o ponto da superfície da Terra é representado no mapa. cónicas ou cilíndricas.3. as projecções cartográficas consistem em transformar as coordenadas geográficas. Nas projecções geométricas de perspectiva selecciona-se uma superfície planificável. para simplificar o problema.MA)2 + (PB . as projecções cartográficas correspondem a funções matemáticas da seguinte forma: M = f M (ϕ . 2) projecções geométricas analíticas. o que dificulta a sua representação sobre uma superfície plana. Projecções cartográficas Quando se pretende representar zonas extensas da superfície terrestre é necessário ter em consideração a sua curvatura. que dão origem às: 1) projecções geométricas de perspectiva. Escolhe-se então um ponto como centro de projecção e consideram-se linhas que unem o centro de projecção com os pontos da superfície da Terra. λ ) No estudo de algumas projecções cartográficas que se segue. prolongando essas linhas até que intersectem a superfície do mapa. Conhecido: MA. pode-se obter AB através de uma das expressões seguintes: AB = MB − M A sin ( AB ) AB = PB − PA cos ( AB ) 2. uma vez que estas figuras não são planificáveis. PA. que a Terra tem a forma de um elipsóide de revolução ou de uma esfera. vamos considerar a Terra esférica. Isto consegue-se recorrendo a projecções. de modo que intersecte a Terra ou lhe seja tangente.3. dando origem a projecções diferentes. para este efeito. Tipos de projecções As projecções cartográficas são obtidas calculando os valores de M e P correspondentes a cada par de valores ϕ e λ de pontos dos paralelos e meridianos. PB Pedido: AB Observando a Figura 2. conhecidas as coordenadas rectangulares de A e B.1. definidos pelas suas coordenadas geográficas. que permitem estabelecer uma correspondência biunívoca entre os pontos do elipsóide ou esfera. determinar a distância entre estes pontos. As projecções geométricas podem ser azimutais. um cone ou um cilindro.1. e os pontos do plano. λ ) P = f P (ϕ . Projecções azimutais A projecção cartográfica mais fácil de visualizar é a projecção em que a superfície de projecção é um plano tangente à Terra num ponto.12 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 4 . usando funções fM e fP. MB. O centro de projecção pode ser considerado em várias localizações.

11 – Projecções azimutais considerando diferentes centros de projecção. As distorções de escala aumentam à medida que os pontos estão mais para norte ou sul do paralelo padrão.12 . Projecções geométricas analíticas Nas projecções analíticas a projecção sobre as superfícies de projecção é feita recorrendo a funções fM e fP que permitem calcular os valores de M e P correspondentes a cada par ϕ.Sul. uma projecção pseudo-cónica ou pseudo-cilíndrica. Quando se utiliza um cone como superfície de projecção com o vértice sobre o eixo polar. λ. No primeiro caso. Projecções cónicas e cilíndricas Ao contrário de uma esfera. nas projecções cilíndricas quando o eixo do cilindro é coincidente com o eixo Norte . tanto um cone como um cilindro são figuras que se podem planificar sem quaisquer distorções. O cone ou o cilindro podem ser tangentes ou secantes à esfera.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 13 C' B' C B D O A D' A C'' C C' B'' B B' T D'' D' D A A'C' B' A C B T D' E' D E P a) b) c) Figura 2.a) Um cone tangente a uma esfera com um paralelo padrão. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . que se chama paralelo padrão (Figura 2. De forma semelhante.12). as linhas padrão também são paralelos e designam-se por paralelos padrão. Por exemplo. intersectam-na ao longo de uma linha e no segundo ao longo de duas linhas. As projecções analíticas podem apresentar características semelhantes às projecções geométricas de perspectiva. para minimizar as distorções de escala.12). respectivamente. muitas das projecções cónicas utilizam um cone que intersecta a esfera em dois paralelos padrão (ver Figura 2. b) Um cone secante a uma esfera com dois paralelos padrão. Estas linhas são representadas em verdadeira escala na projecção e designam-se por linhas padrão. Por esta razão. sendo por isso utilizadas em projecções cartográficas. as projecções cartográficas deveriam satisfazer as seguintes condições: 1) todas as distâncias e áreas representadas no mapa deveriam ter uma magnitude relativa correcta. ao colocar-se o cone tangente à esfera ele fica apoiado sobre um paralelo. Idealmente. uma projecção analítica que tenham características de uma projecção cónica ou cilíndrica diz-se. a) b) Figura 2.

Podem-se assim considerar algumas classes de projecções cartográficas: 1) Projecções conformes ou ortomórficas . Apesar de ser impossível satisfazer todas estas condições num mesmo mapa. Algumas das projecções cartográficas usadas em Portugal são: Projecção de Lambert: projecção cónica conforme. Sendo assim. 3) todos os círculos máximos da Terra deveriam aparecer no mapa como linhas rectas. b) Projecção azimutal equivalente. embora estas áreas tenham uma forma muito diferente da correcta e os mapas tenham ainda outros defeitos.dão origem a mapas que representam correctamente os ângulos entre quaisquer pares de pequenas linhas que se intersectem. No entanto.A escala (e portanto as distâncias) são conservadas ao longo de algumas linhas (círculos máximos meridianos ou paralelos). com dois paralelos padrão (Figura 2.14). qualquer que seja o método usado para representar sobre um plano uma parte da superfície da Terra. Figura 2. da mesma forma que não é possível planificar a casca de uma laranja sem a rasgar. 3) Projecções equidistantes . haverá sempre deformações.14 – Projecção de Lambert cónica e conforme Projecção de Bonne: projecção analítica pseudo-cónica equivalente. c) projecção cilíndrica equidistante.resultam em mapas em que as áreas são representadas nas suas dimensões relativas correctas. 4) as latitudes e longitudes geodésicas dos pontos deveriam aparecer correctos no mapa. 2) Projecções equivalentes . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . fazendo com que pequenas áreas apareçam no mapa com a sua forma correcta. Como a escala varia de ponto para ponto a forma de grandes áreas é representada incorrectamente.13 – a) Projecção de Mercator (projecção cilíndrica conforme). podem satisfazer-se algumas delas. O cone cartográfico é disposto em posição normal e tangente ao paralelo que passa no Ponto Central.14 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 2) todos os azimutes e ângulos deveriam estar correctamente representados no mapa. não é possível representar exactamente num plano a superfície de uma esfera (ou elipsóide). Figura 2. competindo à Cartografia o seu estudo e a escolha dos sistemas de projecção mais convenientes para cada caso.

De entre os sistemas de projecção cartográfica utilizados em Portugal. Sistemas de referência Data geodésicos Um datum (no plural data) é um conjunto de quantidades numéricas ou entidades geométricas que são utilizadas como referência para a definição de outras quantidades. à escala 1:100 000. Concretamente.806′′ As correspondentes coordenadas rectangulares são relativas à projecção pseudo-cónica de Bonne.730′′. As posições geodésicas elipsoidais (latitudes.2.862′′ Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .2.2. um ponto central (cruzamento da recta meridiana e perpendicular) uma origem para as coordenadas rectangulares um factor de escala associado ao meridiano central (próximo da unidade) ou a localização das linhas padrão. com fixação no vértice Lisboa ( Castelo de S. 2. com origem no vértice Lisboa.1. λ = −9o 07′ 54.2. Figura 2. os data geodésicos são usados para definir um sistema de coordenadas geográficas e incluem a escolha de um elipsóide de referência e o seu posicionamento relativamente ao globo terrestre. salientamos: Sistema Puissant-Bonne: As coordenadas geográficas da rede geodésica são calculadas sobre o elipsóide de Puissant.15 – Projecção de Mercator transversa 2. Jorge) de coordenadas ϕ = 38o 42′ 43. 2.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 15 Projecção de Gauss ou Gauss Krüger (projecção de Mercator transversa quando a superfície de referência é um elipsóide): é uma projecção conforme. λ = −9o 07′54. Sistemas de projecção cartográfica Por sistema de projecção cartográfica entende-se um conjunto formado por: • • • • um datum geodésico (inclui a escolha do elipsóide e o ponto de fixação). Jorge) de coordenadas ϕ = 38o 42′56.15). As coordenadas geográficas da rede geodésica são calculadas sobre o elipsóide de Bessel. cujo levantamento decorreu na segunda metade do século XIX. a “Carta Geral do Reyno”. fixado no vértice Lisboa ( Castelo de S. Este sistema de projecção foi utilizado na primeira carta topográfica de Portugal executada em moldes científicos modernos. longitudes e altitudes geodésicas) e rectangulares dos pontos do terreno são dependentes dos data geodésicos escolhidos.631′′. sobre um cilindro tangente à Terra no meridiano central (Figura 2. Sistema Bessel-Bonne : Nos finais do século XIX foi adoptado o sistema Bessel-Bonne.

16 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos As correspondentes coordenadas rectangulares são relativas à projecção pseudo-cónica de Bonne. deriva do sistema anterior por uma translação da origem das coordenadas rectangulares para o ponto fictício. o que significa que todos os pontos têm coordenadas militares positivas.16). Deve notar-se que. a origem das coordenadas cartográficas do SHG73 sofre uma pequena translação relativamente ao ponto central: M HG 73 = M HG 73_ OPC + 180. também conhecido por sistema do Datum 73 (SHG73). Neste sistema.990m Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .862′′ O sistema Hayford-Gauss Militar (HGM).598m PHG 73 = PHG 73_ OPC − 86. embora o ponto central dos SHGA e SHGM seja definido pelas mesmas coordenadas geodésicas elipsoidais do que o ponto central do SHG73. aquelas coordenadas não identificam o mesmo ponto do terreno. Para minimizar globalmente as diferenças entre as coordenadas cartográficas SHG73 e SHGA. as coordenadas geográficas da rede geodésica são calculadas sobre o elipsóide de Hayford. com origem no vértice Lisboa (Castelo de S.16 – Origem das coordenadas no Sistema Hayford Gauss Militar (Ponto Fictício) 0.631′′. Após 1973 foi considerado o sistema Hayford-Gauss Moderno. Tem-se então que as coordenadas militares MHGM e PHGM são obtidas através de: M HGM = M HGA + 200km. com origem no ponto central. Jorge) de coordenadas ϕ = 38o 42′43. Vicente e distanciado 200 km para Oeste e 300 km para Sul do Ponto Central e com eixos paralelos aos do Sistema HGA (Figura 2. λ = −8o 07′54.862′′ As correspondentes coordenadas rectangulares são relativas à projecção de Gauss. Esta deslocação tem como consequência imediata colocar todo o território de Portugal Continental no primeiro quadrante. com origem no Ponto Central. λ = −9o 07′54. devido à mudança do ponto de fixação do elipsóide de Hayford de Lisboa para o Ponto Central. PHGM = PHGA + 300km Meridiana Fictícia Meridiana Origem Perpendicular Perpendicular Fictícia O Figura 2. Os sistemas Hayford-Gauss No sistema Hayford-Gauss Antigo (HGA) as coordenadas geográficas da rede geodésica são calculadas sobre o elipsóide de Hayford. situado a S-W do Cabo de S. com coordenadas ϕ = 39o 40′. com fixação no Ponto Central.

em cada um dos fusos é considerado um sistema de coordenadas rectangulares de forma que a recta meridiana seja coincidente com o meridiano central do fuso e recta perpendicular com o equador. A representação plana de cada um dos fusos é obtida através da projecção do fuso sobre um cilindro secante à Terra ao longo de dois círculos menores paralelos ao meridiano central e distanciados deste 180km (projecção conhecida por projecção Universal Transversa de Mercator). correspondente ao fuso. Ficam assim definidas 1200 zonas. para a representação das zonas no hemisfério Norte. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Estas 20 zonas são identificadas através das letras C. Coincide com o sistema ITRS (International Terrestrial Reference System) na época de 1989. a) O sistema Bessel-Bonne. Para regiões situadas no hemisfério sul a origem das coordenadas é considerada situada 500km à esquerda da recta meridiana e 10 000km a sul do equador.0 e é fixado à parte estável da placa Euro-Asiática. que corresponde à zona entre o paralelo 72ºN e o paralelo 84ºN. A origem das coordenadas rectangulares é considerada. Para a representação plana. cada uma identificada de forma única através de um número. indicando entre que paralelos se encontra. b) o sistema Hauford Gauss Antigo c) o sistema Hayford Gauss Moderno. excluindo as letras I e O.Associação Internacional de Geodesia) desde 1990 e estabelecido através de técnicas espaciais de observação. sobre o equador. sendo a numeração iniciada no fuso situado imediatamente a Este do meridiano com longitude 180º. e uma letra. tendo a última zona considerada uma amplitude de 12º. Desta forma. O sistema UTM No sistema UTM (Universal Transverse Mercator) a Terra é representada por um elipsóide e a sua superfície. a X. sendo a origem das coordenadas rectangulares no ponto ϕ = 39o 40′05. é dividida em 60 fusos.19′′ . por convenção. Utiliza como elipsóide de referência o GRS80 e o sistema de projecção adoptado utiliza a projecção de Mercator Transversa. com uma amplitude de 6º. O triângulo assinala o ponto de fixação do elipsóide e O a origem das coordenadas rectangulares 0.Sistemas portugueses de coordenadas rectangulares. Cada um dos fusos é subdividido considerando uma rede de paralelos espaçados de 8º a partir do paralelo 80ºS até ao paralelo 72ºN.. O sistema ETRS89 O ETRS89 (European Terrestrial Reference System) é um sistema global de referência recomendado pela EUREF (European Reference Frame. M>0 P<0 M<0 P<0 M<0 P>0 M>0 P>0 M<0 P>0 M>0 P>0 M>0 P>0 M<0 P>0 M<0 P<0 M>0 P<0 M<0 P<0 M>0 P<0 a) b) c) Figura 2.17 . 73′′ . λ = −8o 07′59. as diferenças entre as duas coordenadas são inferiores a poucos metros em todo o território. Como o sistema UTM não permite representar as zonas polares. todos os pontos do fuso têm coordenadas positivas. situada entre os paralelos 84º N e 80º S. este sistema é completado com o sistema UPS (Universal Polar Stereographic) [Casaca et al. subcomissão da IAG .Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 17 Assim. 500km à esquerda da recta meridiana e. Os fusos são numerados de 1 a 60. 2005].

como por exemplo as cartas geológicas. que podem utilizar uma esfera para substituir o geóide como superfície de referência.18). que indicam a correspondência entre os comprimentos medidos na carta e os comprimentos seus equivalentes no terreno (Figura 2.. e as cartas obtidas a partir das cartas de base. Diz-se que a escala 1 1 é superior à escala se E1 < E2 . 2. com ou sem redução destas. constituída por um segmento de recta dividido em segmentos mais pequenos. As cartas que derivam directamente de um levantamento denominam-se de cartas de base. são chamadas cartas derivadas. a grandeza e posição relativa dos objectos.1. etc. humana.2.18 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos O estabelecimento do ETRS89 em Portugal Continental foi efectuado com base em campanhas internacionais (realizadas em 1989. construções. uma escala gráfica. etc.3. pluviosidade. vias de comunicação. qualitativa e quantitativa.Escala gráfica de uma carta. etc. tanto quanto possível.. As representações cartográficas são classificadas em três categorias: os mapas geográficos.3. que tiveram como objectivo ligar convenientemente a rede portuguesa à rede europeia. As plantas topográficas são representações de âmbito local. etc. Se o comprimento na carta for representado por e o mesmo comprimento no terreno por L. Cartas A informação. que se distribuem espacialmente sobre a superfície terrestre. 2.3. as cartas e as plantas topográficas. Nos anos subsequentes. relativa aos fenómenos de natureza física.1. florestais. nomeadamente o relevo. razão a que se chama escala. linhas de água. de hidráulica..3. entre as quais se contam algumas cartas temáticas. a escalas iguais ou superiores a 1:10 000. 2. As folhas da Carta de Portugal à escala 1:50 000 do Instituto Geográfico Português produzidas a partir de 2002 estão referidas ao sistema ETRS89.1. Designam-se por mapas geográficos as representações de informação topográfica a escalas inferiores a 1:500 000. a escala será dada por L = 1 . é designada por informação geográfica. E sendo E normalmente um múltiplo de 10. 2. A cartografia topográfica tem como objectivo a representação plana da informação geográfica designada por informação topográfica. etc. Cartografia Nacional Noções gerais sobre cartografia Noção de escala Para efectuar a representação do terreno de forma a manter.1. aptidão para construção. São de grande utilidade para o engenheiro em estudos gerais de vias de comunicação. para uma mais fácil visualização da magnitude das distâncias. exposição solar.) é designada por informação temática e a sua representação sobre uma base topográfica é designada por cartografia temática. toda a Rede Geodésica de 1ª ordem do Continente foi observada com GPS. redes de transporte de energia. demografia. 1995 e 1997). As cartas topográficas são representações nacionais ou regionais a escalas iguais ou superiores a 1:500 000 e geralmente inferiores a 1:10 000. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 1000 m 500 m 0m 1 2 3 4 Quilómetros Figura 2. vegetação.18. E1 E2 Em muitas cartas é representada. considera-se uma razão constante entre o comprimento de uma linha representada na carta e a sua homóloga no terreno. A informação geográfica não topográfica (por exemplo.

M.C. Numa carta estão traçados os meridianos e os paralelos. o azimute Geográfico.C.19). e também as linhas rectas paralelas aos eixos rectangulares. Ν. Ν. C.G.20). Ν. Sendo o Norte Cartográfico (N. Por planimetria entende-se a representação bidimensional da posição dos pontos na carta e por altimetria a representação do relevo. a convergência dos meridianos é o ângulo formado pelo N.. chama-se declinação magnética.C. formado pelas direcções do N. elementos que são destinados a permitir a orientação de direcções quando se conhece o rumo Cartográfico. cujo conjunto constitui a quadrícula da carta. as rectas paralelas à meridiana formam com as linhas que representam os meridianos um ângulo que aumenta à medida que nos afastamos do meridiano origem(ver Figura 2. sem grande erro.G.G. G.) a direcção definida pelo meridiano central e o Norte Geográfico (N. Ao ângulo γ. chama-se convergência de meridianos. G.Μ. Usualmente indica-se na margem das folhas as direcções do Norte Geográfico. e pode. e pela recta tangente ao N.M. Numa carta. Os meridianos e os paralelos são representados por linhas rectas ou curvas. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . no ponto considerado. Esta última é normalmente feita por intermédio de curvas de nível ou pontos cotados (ver capítulo 0). que se denominam rectas meridianas e rectas paralelas. é a declinação relativamente à quadrícula da carta. e do N.20 . formado pelas direcções do N. denominado de convergência dos meridianos. a representação do terreno é feita tanto em planimetria como em altimetria. (NC) (NG) (NC) γ Perpendicular C Meridiana γ .C.Convergência dos meridianos Figura 2. δ γ a) b) Figura 2.).19 – Quadrícula de uma carta e representação do ângulo formado pelo Norte Cartográfico e Norte Geográfico. sendo sempre uma linha recta o meridiano que passa pelo ponto central da zona considerada. Este ângulo designa-se por convergência dos meridianos.Ao ângulo δ.. δ1 Ν. O ângulo δ1. C. a) Ponto a Este do meridiano origem.G.. formado pela direcção do N. ser considerado constante nas zonas em que se divide a carta de um país. δ1 δ γ Ν. e do N. Ν.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 19 Nas cartas e nas plantas.) a direcção definida pelos outros meridianos representados na carta. do Norte Cartográfico e do Norte Magnético (N.Μ. b) ponto a Oeste do meridiano origem.M. e do N. ou o azimute ou rumo Magnético (Figura 2.

de evacuação de esgotos e de energia eléctrica. Quanto às cartas de maiores escalas.materializados por sinais estáveis. Resumidamente. através de cartas ou mapas em papel.4. tem-se que a declinação relativamente à quadrícula da carta δ1 é dada por: δ1 = δ ± γ aplicando-se o sinal positivo (negativo) quando o ponto considerado estiver situado a Este (Oeste) do meridiano origem. 2. Finalmente são calculadas as coordenadas ajustadas dos vértices dos triângulos. nos levantamentos de povoações usamse. levantamentos nas escalas 1:1 000 e 1:2 000. 1:500 000. O IGP dispõe da cobertura de Portugal continental nas escalas 1:50 000 (disponível também para os Açores). 1:200 000 (disponível também para os Açores). O IGeoE possui as cartas militares nas escalas 1:25 000 de todo o território português (incluindo Madeira e Açores). medem-se os seus ângulos internos. Até à relativamente pouco tempo o método utilizado na determinação das coordenadas dos vértices era a triangulação geodésica. 2. que deriva do primeiro através da aplicação de convenções cartográficas. O ajustamento da rede pode incluir a observação das coordenadas astronómicas noutros pontos (pontos de Laplace) e a medição de novas bases. no entanto. 1:1 000 000 (disponível também para a Madeira e Açores) e 1:2 500 000. existindo. e o Instituto Geográfico do Exército (IGeoE). apoiados num conjunto de pontos de coordenadas geodésicas conhecidas . Não há normas rígidas para a escolha da escala das cartas a utilizar. nos estudos de pormenor de obras usam-se cartas com escalas de 1:100 a 1:500. 1:50 000 e 1:250 000. a triangulação geodésica consiste em medir o azimute e o comprimento de um lado de um triângulo a que pertence o ponto astronómico fundamental (comprimento este designado por base).1. denominada rede geodésica.2. Assim. Infra-estruturas cartográficas A Rede Geodésica Os levantamentos topográficos são. 1:2 000. para estudos de urbanização. nomeadamente das Câmaras Municipais.4. designados por vértices geodésicos. em geral. não é disponibilizada apenas em formato analógico. redes de distribuição de águas. a cartografia. Este conjunto de pontos é representado graficamente por uma malha triangular.3.cuja determinação pertence ao domínio da Geodesia . e o modelo numérico cartográfico (MNC). 1:100 000. e a informação geográfica em geral. facilmente visíveis. A execução de cartografia em escalas grandes é da responsabilidade das administrações regionais. competindo ao Engenheiro a sua escolha de acordo com a natureza do trabalho a realizar. as mais usadas são as de 1:5 000. casos em que a escala está mais ou menos consagrada.20 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Se δ for a declinação magnética (ângulo formado pela direcção do Norte Magnético e pela direcção do Norte Geográfico) e γ a convergência dos meridianos. A cobertura de Portugal continental na escala 1:10 000 encontra-se ainda em fase de execução e é também da responsabilidade do IGP. Actualmente. o Modelo Numérico Topográfico (MNT) que se destina principalmente a utilizadores que necessitem da informação para construir um sistema de informação geográfica. Actualmente as coordenadas dos Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . que consiste na medição dos ângulos internos dos triângulos da malha e na propagação das coordenadas astronómicas (ou naturais) do ponto astronómico fundamental para os outros pontos da rede. estacionando um teodolito em todos os vértices dos triângulos. As séries do IGeoE e do IGP Os principais produtores portugueses de cartografia topográfica são o Instituto Geográfico Português. formado em 2002 e integrando os entretanto extintos Instituto Português de Cartografia e Cadastro (IPCC) e o Centro Nacional de Informação Geográfica (CNIG). 2. o que permite o seu processamento computacional e a sua introdução em Sistemas de Informação Geográfica. de seguida. mas fundamentalmente em formato digital. Esta carta inclui dois modelos. 1:1 000 e 1:500.

As redes geodésicas podem ser classificadas em três ordens. A escolha da sua posição é evidentemente condicionada pelo método utilizado para o cálculo das sua coordenadas. ou rede primordial. Na rede de primeira ordem. Por este motivo. que é o alcance máximo dos instrumentos de medida. por isso. No entanto. e.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 21 pontos da rede geodésica são calculadas com levantamentos feitos com receptores do Sistema Global de Navegação por Satélite (que inclui o GPS). aumenta-se a densidade de pontos da rede utilizando novos vértices. podendo. não é possível utilizar apenas os vértices geodésicos para apoio dos levantamentos. Figura 2.4.Marcos dos vértices da rede geodésica. pois as distâncias entre eles são demasiado grandes. Os vértices desta rede estão ainda muito distantes e. Esta última operação é de extrema importância. e que formam com aqueles a rede geodésica de segunda ordem.atribuir coordenadas a um vértice (de preferência um dos vértices da base). .21 . portanto. Ao estabelecer-se uma rede de apoio com métodos clássicos é sempre conveniente fazer-se a sua ligação aos vértices geodésicos. O cálculo das coordenadas destes vértices pode ser feito recorrendo a métodos clássicos da Topografia ou com observações feitas com o Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS). Para a sua construção é necessário: . A rede geodésica de primeira ordem é adensada com novos vértices. antes de se iniciarem os trabalhos necessários ao adensamento da rede. para que o trabalho fique ligado à rede geodésica nacional e se enquadre na referência global. A construção e manutenção das três primeiras ordens de vértices da rede geodésica é da responsabilidade exclusiva do Instituto Geográfico Português (IGP).atribuir um rumo a uma direcção (de preferência a base). . deve fazer-se um projecto da mesma e o reconhecimento do terreno. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 2. pois dela depende em grande parte a rapidez e facilidade de execução do trabalho e a precisão dos resultados obtidos. ir até 100 ou 200 km. se construa uma rede sem apoio nos vértices geodésicos.2. pode acontecer que. A rede assim obtida. introduzem-se novos vértices apoiados nos anteriores formando malhas cujos vértices estão distanciados de 5 a 10 km. a distância entre os vértices varia entre 30 e 60 km. devido aos pontos de apoio se encontrarem muito distantes e o tipo de trabalho não justificar a construção de pontos de apoio mais próximos. pelo que o trabalho realizado fica automaticamente ligado à rede nacional. é constituída por malhas onde se podem já aplicar os métodos topográficos. rede geodésica de terceira ordem. afastados entre si e dos primeiros cerca de 20 a 30 km. Adensamento da rede de apoio Como em topografia interessa fundamentalmente o pormenor. A utilização do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) permite fazer o cálculo das coordenadas desses pontos relativamente aos sistemas de referência utilizados na rede geodésica.medir uma base (um comprimento). em condições excepcionais.

quer para a execução de levantamentos quer para a implantação de pontos. que. o ângulo formado pelas projecções dessas direcções sobre o plano horizontal. nomeadamente o Sistema de Posicionamento Global. Assim. O Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS – Global Navigation Satellite Systems). são ângulos horizontais e verticais. Ângulo horizontal ou azimutal de duas direcções que passam por um ponto é o rectilíneo do diedro formado pelos planos verticais que contêm essas direcções. Os ângulos que interessa medir.22 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 3.1. Métodos fotogramétricos. É contada a partir da vertical e varia entre zero e 200 grados. tem-se: 1) Altura de uma direcção é o ângulo que essa direcção forma com o plano horizontal. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Levantamentos topográficos 3. no caso dos métodos clássicos de levantamentos topográficos e da utilização dos GNSS. a que se chama usualmente trabalho de gabinete. Para se definir o ângulo vertical de uma direcção emergente de um ponto temos que distinguir os casos em que o elemento de referência é o plano horizontal ou a vertical que passa nesse ponto. 2) Distância zenital de uma direcção é o ângulo que essa direcção faz com a vertical que passa pelo ponto de onde emerge. que utiliza receptores dos sinais emitidos pelos satélites da constelação GPS. teodolitos e níveis. corresponde normalmente à recolha de dados. • A utilização de quaisquer destes métodos requer a execução de trabalho de campo. isto é. mais conhecido por GPS (Global Positioning System). ou imagens numéricas recolhidas por sensores instalados em satélites artificiais da Terra. sendo a informação obtida a partir de fotografias aéreas métricas. recorrendo a instrumentos tais como estações totais. B A E AÊB Figura 3. e a posterior execução de ajustamentos e cálculos necessários à obtenção das quantidades pretendidas.1 – Ângulo horizontal ou azimutal de duas direcções concorrentes num ponto E. É contada a partir do plano horizontal de onde emerge a direcção e varia entre -100 e +100 grados. que se baseiam fundamentalmente na medição de ângulos e distâncias. que se baseiam na medição de ângulos e distâncias. Os levantamentos topográficos podem ser executados utilizando: • • Os métodos clássicos da Topografia. Neste capítulo serão estudados os métodos clássicos de aquisição de dados topográficos. permitindo a determinação precisa das coordenadas dos locais onde são colocadas as antenas dos receptores. Introdução As operações de recolha de dados topográficos são designada por levantamentos topográficos.

Os instrumentos utilizados em Topografia para medir ângulos horizontais e ângulos verticais são chamados de teodolitos. b) Teodolito electrónico. para a maioria dos métodos.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 23 Vertical z α O Plano horizontal A A' Figura 3. depois do estacionamento do teodolito. a) b) Figura 3. 3. o que exige. Os teodolitos são estacionados no terreno em tripés. ou a adaptação dos métodos de medição para a medição de distâncias horizontais. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . As distâncias medidas com o equipamento utilizado em Topografia são normalmente distâncias reais entre pontos.O ângulo α é a altura de direcção [OA] e o ângulo z a sua distância zenital. ficará colocado na posição vertical (eixo principal) e outro que ficará na posição horizontal (eixo secundário). 3) nivelas . Tem-se desta forma que z = 100 g − α . de forma que os seus centros existam teoricamente sobre os eixos atrás mencionados. fios-de-prumo.2 . Teodolitos Os teodolitos são instrumentos construídos com a finalidade de medir ângulos horizontais e verticais. Os ângulos horizontais medidos têm o vértice num ponto do terreno. como tripés.cuja finalidade é colocar vertical o eixo principal do teodolito.destinados a medir os ângulos e que estão colocados na posição horizontal e vertical. 3. 2) dois limbos . fitas.cujo eixo óptico materializa as direcções. é necessário conhecer as distâncias horizontais e não as reais.1. podendo tomar todas as posições no espaço com movimentos em torno de um eixo que. ou em pilares e têm como componentes fundamentais: 1) uma luneta .3 .– a) Teodolito clássico.2. Equipamento Topográfico Faz-se de seguida um breve resumo do principal equipamento utilizado em Topografia clássica. etc.2. Este equipamento é utilizado juntamente com outros acessórios. e são definidos por duas direcções visadas utilizando a luneta do instrumento. Os ângulos verticais têm vértice no centro do aparelho e são definidos apenas por uma direcção visada. onde é estacionado o aparelho. ou a conversão das últimas nas primeiras. No entanto.

São normalmente utilizados juntamente com miras. Normalmente exigem a utilização de um reflector. que envia o raio emitido de volta para o aparelho. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . ou seja operações de cálculo de diferenças de altitude entre pontos do terreno. 3.4. 3. embora.2. alguns distanciómetros possam medir distâncias relativamente pequenas sem reflector.24 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 3.2.2.4 – a) Distanciómetro electrónico independente. ângulos verticais e distâncias com muita eficiência.5 – Estação Total. Estes aparelhos são utilizados para fazer operações de nivelamento. Distanciómetros Electrónicos Os distanciómetros electrónicos são instrumentos que permitem medir distâncias através da emissão de um raio laser e da sua recepção depois de ser reflectido no outro ponto que define a distância a medir.3. Níveis Os aparelhos que têm como objectivo definir linhas de visada horizontais são chamados de níveis. b) Distanciómetro electrónico integrado num teodolito (Estação Total).2. a) b) Figura 3. actualmente. Figura 3. Estações Totais Designa-se por Estação total um equipamento que engloba um teodolito e um distanciómetro electrónico. Estes equipamentos são muito versáteis pois permitem medir ângulos horizontais.

3. onde se apoia o instrumento. 3.6 – a) Nível.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 25 a) b) Figura 3. chamada alidade. b) Observações de uma linha de nivelamento geométrico utilizando um nível e respectiva mira. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . É um eixo supostamente perpendicular ao eixo principal e que o deve intersectar num ponto chamado centro do teodolito. Nivelas Existem dois tipos de nivelas: as nivelas tóricas e as nivelas esféricas. chamada base. A luneta dispõe ainda de um eixo óptico. H o eixo secundário.7 Constituição de um teodolito: V representa o eixo principal. Associado ao eixo principal existe o limbo azimutal ou horizontal e associado ao eixo secundário existe o limbo vertical (que na maior parte dos instrumentos tem como finalidade medir ângulos zenitais. S o eixo óptico do teodolito e O o centro do teodolito.3. 3. Medição de ângulos Constituição e funcionamento de um teodolito O teodolito dispõe de uma parte fixa.1.3. susceptível de rodar em torno do eixo principal do teodolito. sendo portanto chamado de limbo zenital).1. Eixo principal Objectiva Eixo secundário ulo Âng Eixo óptico Ocular Limbo zenital Ângulo Limbo azimutal Figura 3.3. O eixo em torno do qual bascula a luneta chama-se eixo secundário ou eixo dos munhões. que deve passar pelo centro do teodolito. e outra móvel.1.

a tangente ao toro no meio da bolha será horizontal.8) Equador Círculo de gola Círculo gerador Eixo Círculo director Figura 3.9): o plano médio da nivela. Directriz da nivela é a tangente à linha média da nivela no seu ponto médio. Directriz da nivela Centro da nivela Linha média da nivela Raio de curvatura Centro de curvatura Figura 3. Centro da nivela Centro da bolha Centro da bolha Nivela descalada Nivela calada Figura 3. traduzir.26 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Nivelas tóricas São formadas por um tubo de vidro com a forma de uma porção de um toro de revolução (ver de grande raio (o círculo gerador tem em média 1 cm de raio e o equador entre 15 e 200 m). Figura 3. Chama-se sensibilidade (ver Figura 3.8 . a bolha ocupará sempre a parte mais elevada do toro.Uma nivela tórica calada e descalada. Os elementos geométricos de uma nivela tórica são (ver Figura 3. quando se bascula o seu plano médio em torno do eixo. através de deslocamentos da bolha. Diz-se que uma nivela está calada quando o centro da bolha coincide com o centro da nivela. que é o plano do equador e corta o toro segundo dois arcos de circunferência concêntricos. Em virtude dos princípios de equilíbrio dos fluidos. sendo o restante espaço ocupado por vapores desse líquido que formam a bolha da nivela. de modo que se o plano do equador for vertical.9 .Toro de revolução.Elementos geométricos de uma nivela tórica.11) de uma nivela à propriedade de esta. pequenas variações de inclinação da sua directriz. designandose o exterior por linha média da nivela e o seu raio por raio de curvatura da nivela. chamado centro da nivela.10 . É expressa pelo ângulo α de que roda a directriz quando a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . O centro da nivela é definido pela sua graduação. não sendo na maior parte das vezes gravado na nivela. quase cheio de um líquido não viscoso (normalmente éter).

as três nivelas seguintes com sensibilidade decrescente: = 2 mm = 2 mm = 2 mm α = 1’’ α = 20’’ α = 30’’ R = 1273 m R = 63 m R = 42 m D C α D' R α Figura 3.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 27 bolha se desloca de um determinado arco expressão: . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . isto é.A sensibilidade de uma nivela é caracterizada pelo ângulo α que roda a directriz quando a bolha se desloca de um arco . 2) Rodar esses dois parafusos em sentidos contrários até calar a nivela. O eixo principal é suportado por uma base triangular munida de três parafusos nivelantes. Uma nivela é caracterizada pelo valor do ângulo α correspondente a uma divisão da graduação. Montagem das nivelas tóricas nos instrumentos Nos teodolitos as nivelas estão normalmente solidárias com o eixo principal.12): 1) Colocar a nivela de modo que a directriz desta fique aproximadamente paralela ao plano vertical que passa por dois dos parafusos nivelantes. 4) Voltar a calar a nivela rodando agora apenas o terceiro parafuso nivelante.11 . os procedimentos a seguir são (Figura 3. por exemplo. o seu valor em segundos centesimais é dado pela α= R ρ em que ρ é o valor de um radiano em segundos centesimais (ρ = 636620”). 3) Rodar a alidade (e consequentemente a nivela) de 100 grados em torno do eixo principal. Desta forma. Temos assim. quanto maior for o raio de curvatura R. Partindo do princípio de que a nivela está rectificada. que permitem variar a inclinação conjunta do eixo e da nivela. quando isto não acontecer diz-se que a nivela está desrectificada. tendo como finalidade colocá-lo vertical. Uma nivela é tanto mais sensível quanto maior for o deslocamento da bolha para um dado α. o plano médio da nivela deve ser paralelo ao eixo a que a nivela é solidária e a sua directriz deve ser perpendicular a este eixo. parafusos estes que vão ser utilizados para calar a nivela.

tal como as nivelas tóricas. A ocular vai funcionar em relação a esta imagem como uma lupa. Podemos então afirmar que a luneta origina uma imagem virtual. ou se rectifica a nivela ou adoptam-se outros procedimentos para verticalizar o eixo principal. quase completamente cheia de um líquido de baixa viscosidade.13). que não serão estudados neste curso. limitado superiormente por uma calote esférica. as imagens observadas através da ocular são imagens direitas.Representação esquemática dos parafusos nivelantes de um teodolito e da nivela tórica durante o procedimento de verticalização do eixo principal. a ocular e a objectiva. Está. A luneta A luneta de um teodolito é composta fundamentalmente por dois sistemas ópticos. usando os três parafusos nivelantes. pelo que esta vai ter que se formar entre o centro óptico e o foco da ocular. funcionando qualquer deles como uma lente convergente.2.14). Nos teodolitos a nivela esférica é normalmente solidária ao eixo principal.1. Nivelas esféricas Uma nivela esférica é um recipiente com a forma de um cilindro. Depois de efectuadas estas operações o eixo principal deve estar vertical e. 3. ficando então o plano director horizontal. invertida e com um aumento considerável do diâmetro do objecto. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . A bolha ocupa a parte mais elevada da calote esférica e o plano tangente ao centro da bolha é sempre horizontal. Como o objectivo é verticalizar este eixo. graças a um conjunto de prismas incorporado no corpo da luneta. Chama-se plano director da nivela esférica ao plano tangente à calote no centro do círculo de referência.Representação de uma nivela esférica. Como o objecto a focar está sempre situado muito além do foco da objectiva. Figura 3.3. A nivela está calada quando a bolha estiver concêntrica com a circunferência de referência. Nas lunetas de fabrico moderno. e inferiormente por uma superfície qualquer (ver Figura 3.12 .13 . As nivelas esféricas são nivelas de baixa precisão e são utilizadas apenas para fazer uma verticalização aproximada do eixo principal. esta vai originar uma imagem real e invertida (ver Figura 3. Se isso acontecer a nivela não está rectificada e neste caso.28 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Figura 3. com uma circunferência de referência gravada no seu centro. a nivela está rectificada quando o seu plano director lhe for perpendicular. a bolha da nivela tórica não se deve deslocar. sendo essa verticalização depois refinada com a nivela tórica. ao rodar-se o teodolito em torno deste.

Podemos ainda diferenciar pontarias em azimute e pontarias em altura.Objecto. 3. Diz-se que se está a apontar em altura quando a imagem do ponto se situar apenas sobre o fio horizontal do retículo. A´´B´´ . entre a ocular e a objectiva. Condições para a medição de ângulos Para que com um teodolito se possam medir realmente ângulos horizontais e verticais com vértice no ponto onde o teodolito está estacionado.Imagem obtida com o conjunto das duas lentes. Figura 3.Esquema de uma luneta. Para se definirem linhas de pontaria existe.Objectiva.Focos da ocular. Ob . além de algumas condições de construção que serão expostas mais à frente. no corpo da luneta.15). Chama-se linha de pontaria ou linha de visada ao lugar geométrico dos pontos do espaço cujas imagens se formam sobre o ponto de cruzamento dos fios do retículo. F´ob e F´´ob .3.15 .Dois possíveis aspectos do retículo. as seguintes condições de estação: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Um observador constata a existência ou não de paralaxe da imagem deslocando a vista em frente da ocular. finamente gravadas. Para referenciar a posição da imagem do objecto relativamente aos fios do retículo convém que essa imagem se forme no plano do retículo. Fazer pontaria a um ponto equivale a obrigar que a linha de pontaria da luneta passe por esse ponto. Diz-se que se está a apontar em azimute para um determinado ponto quando a imagem desse ponto se situar apenas sobre o fio vertical do retículo. Oc . 2) focagem do objecto.14 . a que se dá o nome de retículo (ver Figura 3.2. devem verificar-se. AB . quando observado através da luneta. Se a imagem do objecto e a imagem do retículo se deslocarem uma relativamente à outra existe paralaxe da imagem.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 29 Ocular Objectiva B F’’oc A’ F’ oc F’’ob B’ A’’ F’ob A B’’ Figura 3.Focos da objectiva. Diz-se que há paralaxe da imagem quando a imagem do objecto dada pela objectiva não se forma sobre esse plano.Ocular. Para se evitar a existência de paralaxe a focagem deve constar de duas operações: 1) focagem do retículo. uma lâmina de vidro com um sistema de linhas cruzadas. F´oc e F´´oc .

É feita pontaria para B obtendo-se a leitura AB no limbo azimutal. 300 0 A A 200 100 Figura 3. de seguida faz-se pontaria para C obtendo-se a leitura no limbo azimutal correspondente a esta pontaria AC. o que se consegue. em cada uma das pontarias.17 .30 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 1) o eixo principal deve estar vertical. 2) o eixo principal deve passar pelo ponto estação. B (Ponto estação) A BÂC C Figura 3. variando as leituras com as pontarias feitas para as várias posições. Medição de ângulos azimutais: O limbo azimutal de um teodolito está solidário com a base deste e portanto permanece fixo durante as observações. 3. 4) por fim faz-se a verticalização rigorosa do eixo principal com o auxílio da nivela tórica.2. Em primeiro lugar é feita uma centragem aproximada no ponto estação com um fio de prumo e depois uma centragem rigorosa com um prumo óptico ou uma haste prumada. Estas condições têm de ser satisfeitas quando do estacionamento do teodolito no ponto estação. Para medir o ângulo azimutal formado pelas direcções [AB] e [AC]. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .Limbo azimutal de um teodolito.AB. O ângulo BÂC = AC . A graduação do limbo azimutal é normalmente feita em grados e no sentido retrógrado (sentido dos ponteiros do relógio). com o auxílio da nivela esférica.o centro do teodolito e o ponto estação devem ficar sobre a mesma vertical.Medição de um ângulo azimutal. estaciona-se o teodolito no ponto A. À pontaria para o ponto A corresponde a leitura azimutal A.1. A diferença das duas leituras dá o valor do ângulo azimutal. uma leitura no limbo azimutal. com o auxílio de nivelas e dispositivos de centragem. b) Verticalização do eixo principal .esta verticalização é feita com o auxílio de nivelas solidárias com o eixo principal. 2) depois coloca-se o instrumento no tripé e faz-se uma verticalização aproximada do eixo principal. faz-se uma centragem aproximada deste com um fio de prumo. mediante as seguintes operações: a) Centragem do teodolito . aponta-se a luneta sucessivamente para B e C e faz-se. Na prática o estacionamento de um teodolito sobre um tripé é feito por fases: 1) antes de colocar o teodolito sobre o tripé.16 .3. 3) em seguida refina-se a centragem do teodolito com recurso a um prumo óptico ou uma haste prumada.

Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 31 Para que. Quanto ao erro de inclinação do eixo principal sobre o plano do limbo. por vezes existam pequenos erros residuais. sendo portanto atenuado o seu efeito utilizando os mesmos métodos. o sistema electrónico de leitura do limbo deve ser exacto. pois só são utilizados quando se pretende medir ângulos com grande precisão. 5) O eixo óptico da luneta deve ser perpendicular ao eixo secundário. Na Tabela 3. embora. 4) O eixo secundário deve ser normal ao eixo principal. Leitura feita com o círculo zenital à esquerda (posição directa) → Leitura feita com o círculo zenital à direita (posição inversa) → A leitura correcta é obtida através de = 1 1 2 + 2 ± 200 2 . se meçam realmente ângulos azimutais o teodolito deve satisfazer as seguintes condições de construção: Condições de construção para medição de ângulos horizontais 1) O eixo principal do teodolito deve ser normal ao plano do limbo horizontal e passar pelo seu centro. é um erro normalmente muito pequeno e de natureza semelhante ao erro de graduação. 3) O eixo óptico deve intersectar o eixo principal. rodando o teodolito de 200 grados em torno do eixo principal e basculando a luneta em torno do eixo secundário. depois de estacionado o teodolito. métodos que não vão ser aqui expostos. pode-se eliminar o efeito dos erros através de métodos de observação.Erros resultantes das condições de construção não se verificarem perfeitamente Condição de construção não satisfeita Perpendicularidade entre o eixo principal e o plano do limbo horizontal Passagem do eixo principal pelo centro do limbo azimutal Graduação ou codificação do limbo exacta Intersecção do eixo óptico com o eixo principal Perpendicularidade entre o eixo secundário e o eixo principal Perpendicularidade entre o eixo óptico da luneta e o eixo secundário Erro resultante Erro de inclinação do eixo principal sobre o plano do limbo Erro de excentricidade da alidade Erro de graduação Erro de excentricidade do eixo óptico Erro de inclinação do eixo secundário Erro de colimação do eixo óptico Quando se pretenderem fazer observações com grande precisão. no caso de teodolitos electrónicos.1 . Com a utilização de observações conjugadas consegue-se eliminar o efeito do erro de excentricidade da alidade. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Faz-se uma leitura azimutal correspondente a cada uma das pontarias ( 1 e 2).1 indica-se a designação dos erros resultantes da sua não verificação. leituras que devem diferir de aproximadamente 200 grados. existem métodos próprios para a atenuação do seu efeito sobre as medições. Tem-se assim numa das pontarias o círculo zenital à esquerda e na outra o círculo zenital à direita. na prática. do erro de excentricidade do eixo óptico. do erro de inclinação do eixo secundário e do erro de colimação do eixo óptico. 2) A graduação do limbo deve ser exacta ou. Sempre que se detecte que a amplitude dos erros é significativa. Tabela 3. Quanto ao erro de graduação. Estas condições devem ser satisfeitas. estes devem ser enviados à casa construtora para rectificação. Observações conjugadas Fazer observações conjugadas consiste em fazer duas pontarias para um mesmo ponto.

32 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 3. definida pelo centro do teodolito e pelo ponto A. Para que a leitura obtida seja correcta é necessário que o índice esteja numa posição bem determinada. a que se faz pontaria. que orienta automaticamente o índice. Para orientar o índice existe nos aparelhos mais antigos uma nivela que lhe está associada e que se chama nivela de calagem zenital.19 . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Vertical do lugar Linha de visada ZA C A E Figura 3. 2) A graduação do limbo zenital deve ser exacta. A não verificação das duas primeiras condições origina erros análogos aos seus homólogos na medição de ângulos horizontais. numa visada horizontal.18 – Leitura zenital da estação E para o ponto A.Em virtude do índice de leitura se encontrar na posição indicada pela seta e não na vertical.2. no caso dos teodolitos electrónicos.18). determina-se com uma só leitura no limbo zenital (ver Figura 3. V 100 z0 z1 0 200 V' 300 Figura 3. 3) O erro de índice deve ser nulo. Se tal não suceder diz-se que o teodolito tem erro de índice. Nos teodolitos mais modernos a nivela de calagem zenital foi substituída por um dispositivo pesado chamado dispositivo de colimação vertical automático. posição essa que. dê origem a uma leitura zenital de exactamente 100 grados. existe erro de índice z0.2.3. o sistema de leitura deve originar leituras exactas. Condições de construção para medição de ângulos zenitais 1) O eixo secundário deve ser perpendicular ao plano do limbo zenital e passar pelo seu centro. Ao medir-se um ângulo zenital tem de se ter o cuidado de calar sempre a nivela antes de fazer a leitura. Medição de ângulos zenitais: A distância zenital da direcção [CA]. ou. Tal como para a medição de ângulos azimutais também existem condições que devem ser satisfeitas para a correcta medição de ângulos zenitais.

20 – A refracção dos raios luminosos na atmosfera provoca a curvatura da linha de visada. Estudo do erro de índice Vamos de seguida provar que o efeito do erro de índice se elimina com leituras conjugadas. O facto da densidade da atmosfera aumentar à medida que nos aproximamos da superfície da Terra. Linha de visada real Figura 3. V representa a vertical. 100 V 300 0 V z0 z1 z0 0 200 V' 200 300 z2 V' 100 Posição directa Posição inversa Figura 3. os efeitos dos erros resultantes da não verificação das duas primeiras condições de construção são desprezáveis. em que o limbo está fixo e é o índice de leitura que se desloca com a alidade. devido ao efeito da refracção atmosférica. que a medição de ângulos zenitais é menos precisa do que a medição de ângulos horizontais. Sendo assim. V I 100 Z 0 A C 200 300 Figura 3. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .22 . ao contrário do que acontece nas observações azimutais.20).Limbo zenital.21 . o limbo está graduado no sentido directo e a linha 0 → 200 grados tem a direcção da linha de pontaria.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 33 Note-se. quando existe erro de índice z0. Consideremos que. faz com que a linha de visada não seja uma linha recta mas sim uma curva com a concavidade voltada para baixo (ver Figura 3. no entanto.Medição da distância zenital na posição directa e inversa. I a posição do índice e z o ângulo zenital da direcção [CA]. o índice de leitura é fixo e é o limbo que se desloca com a luneta. Por este motivo.

.1 ou 2 cm por 100 metros …………….34 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Seja z1 a amplitude da distância zenital obtida com o instrumento na posição directa.( z2 + z0 ) (3. pode ser obtida através de: z = z1 + z0 (3.2) obtém-se z1 + z0 = 400 - ( z2 + z0 ) Donde se pode deduzir que z0 = 400 − ( z2 + z1 ) 2 Somando membro a membro (1) e (2) vem z= z1 + (400 − z2 ) 2 índice. média e alta precisão.1) z = 400 . 2) medições por via electromagnética. a distância zenital correcta z. Dentro da alta precisão podemos distinguir ainda a alta precisão topográfica e a muito alta precisão ou alta precisão geodésica. A alta precisão topográfica utiliza-se na medição de bases em triangulações topográficas independentes. Fundamentalmente existem dois processos de medição de distâncias: medição directa. A média precisão utiliza-se em poligonação e excepcionalmente em levantamento de pormenor (em zonas urbanas onde os terrenos sejam muito caros). Medição de distâncias Na medição de distâncias podemos considerar.4... A alta precisão geodésica utiliza-se na medição de bases de triangulações geodésicas. Erros Toleráveis Baixa precisão Média precisão Alta precisão Topográfica Geodésica ……………. Assim.1 ou 2 mm por 1000 metros Vejamos agora como se distribuem as diferentes precisões nos trabalhos topográficos correntes: A baixa precisão utiliza-se normalmente em levantamentos de pormenor e excepcionalmente em poligonação (poligonais expeditas ou de baixa precisão). caracterizada pela aposição à distância a medir de um escalão de medida e medição indirecta que consiste em medir outras grandezas relacionadas com a grandeza a medir e calcular esta a partir dessas grandezas. Expressão que permite calcular o valor do ângulo zenital não afectado do eventual erro de 3. quanto à precisão. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .2) Igualando os segundos membros de (3.1) Na posição inversa tem-se que:(3. medidas de baixa.1 ou 2 mm por 100 metros ……………. Nas medições indirectas podemos ainda distinguir: 1) medições por via trigonométrica.1 ou 2 dm por 100 metros ……………. z2 o valor obtido na posição inversa e z0 o erro de índice.1) e (3..

Medição directa de distâncias A medição directa de uma distância entre dois pontos faz-se comparando esta com o comprimento de um instrumento de medição (fita ou fio).Um óculo para os alinhamentos.Dinamómetro para medir a tensão na fita. O material fundamental a utilizar é constituído por fitas ou fios com características que diferem consoante a precisão a atingir.Termómetro. Os alinhamentos devem ser feitos com um óculo e definidos por meio de estacas. os métodos directos exigem material mais simples e mais barato do que os métodos indirectos. . que na parte superior devem ter uma placa metálica com uma referência.Tripés com referências metálicas. Até à relativamente pouco tempo.Um óculo para os alinhamentos. Isto é feito recorrendo a hastes de madeira ou metal denominadas de bandeirolas. . Deve ainda medir-se a temperatura da fita na altura da medição com um termómetro.1.Fios de aço. Para baixa precisão o material a necessário consiste em: . em certas circunstâncias. Em média precisão as fitas devem ser suspensas e a sua tensão medida com um dinamómetro.Dispositivos tensores. Além disso. Se a distância a medir for demasiado grande para ser medida apenas com uma fitada. na altura da medição. pelo que estes se tornaram de uso corrente. de modo que o observador veja sempre duas bandeirolas olhando para trás ou para a frente. no entanto.Estacas com referências metálicas para definir os alinhamentos. As distâncias entre as bandeirolas devem ser sempre que possível aproximadamente o comprimento da fita. Para média precisão o material a necessário consiste em: .Termómetro. como por exemplo em terrenos muito acidentados ou em zonas de grande movimento. é necessário traçar o alinhamento definido pelos pontos que definem a distância. .Bandeirolas para os alinhamentos. .Fitas ou fios de ínvar. . a tensão seja a recomendada pelo construtor. A colocação das bandeirolas que definem os extremos dos troços a medir é feita à vista desarmada. . apenas os métodos directos permitiam atingir alta precisão.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 35 Para se atingir a mesma precisão. contudo estes são de mais rápida execução.4. . os métodos indirectos são mesmo os únicos de utilização possível. 3. . Actualmente a medição de distâncias com os distanciómetros electrónicos substituiu quase totalmente todos os outros métodos de medição de distâncias. pois a medição é muito rápida. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . obrigando a que. podem obter-se exactidões elevadas e o custo deste tipo de aparelhos tem descido consideravelmente. actualmente os distanciómetros electrónicos permitem atingir a alta e mesmo a muito alta precisão.Fitas de plástico ou pano. . dividindo-a em vários troços. Para alta precisão o material a necessário consiste em: .

medida por métodos directos. chamada ínvar.36 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Os fios ou fitas a utilizar são de uma liga metálica de aço e níquel.1. sendo portanto muito menos sensíveis às variações de temperatura do que as fitas de aço.4.D representa a distância horizontal entre os pontos A e B.22. h Se o terreno não tiver todo a mesma inclinação e o comprimento a medir tiver sido dividido em vários troços. de modo que os pontos que delimitam os vários troços do comprimento a medir fiquem definidos com precisão. por outro lado.24. Correcções na medição directa de distâncias Correcção de inclinação Como a distância que se pretende calcular não é a distância medida no terreno (L) mas sim a distância horizontal (D). As diferenças de nível entre as diferentes referências são calculadas com nivelamento de precisão. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . com dois ou mais fios. Cada troço deve ser medido quatro vezes. Isso pode ser feito considerando o ângulo δ representado na Figura 3. Para definir com mais precisão os pontos que definem os vários troços.1. é necessário calcular o valor de δ para cada troço. é necessário converter a distância inclinada na distância horizontal. sendo depois δ = 100g .z. D = L cos δ Determinação de δ: Em medições de baixa precisão faz-se com um teodolito uma visada para um ponto na vertical de B a uma distância de B igual à altura do instrumento colocado em A. que representa a inclinação da distância medida relativamente à horizontal. Os fios ou as fitas são estendidos. Os fios e as fitas não devem no entanto ser torcidos ou sofrer choques.23 . de modo que a extremidade inferior fique exactamente sobre os pontos que definem a distância. e mede-se a distância zenital z. pode utilizar-se um fio de prumo. e L a distância inclinada. que tem um baixo coeficiente de dilatação. Assim. B L δ A D Figura 3. ou a diferença de nível entre os pontos A e B que delimitam a distância a medir. sendo o valor adoptado para cada troço a média das medidas feitas. Em trabalhos de baixa precisão pode-se utilizar o processo indicado na Figura 3. pois isso altera o seu comprimento e não devem ser enrolados em espiras pequenas para não se produzirem deformações. 3. sendo mantidos esticados através de dispositivos de tensão (normalmente massas tensoras) Os alinhamentos são feitos com um óculo e com tripés de referência. estes têm a vantagem de denunciar mais facilmente qualquer torção. em que se mede directamente a distância horizontal de cada troço. Os fios têm sobre as fitas as vantagens de serem menos sensíveis à acção do vento mas.

Como L2 = D2 + h 2 temos que D = L2 − h 2 Correcção de curvatura Quando a fita usada para a medição da distância for apoiada em estacas. estão ao mesmo nível. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . a forma de uma curva. com a forma de uma parábola) e à corda que lhe corresponde. a correcção deve ser calculada com rigor. existindo tabelas para esse fim em que o valor da correcção é dado em função do desnível entre os pontos. sempre negativa. No entanto. Seja AB a distância a medir e suponha-se que a fita é suspensa em dois suportes situados ao mesmo nível e submetida a uma tensão T. em medições de alta precisão. Ela toma. Como o ângulo δ nunca se consegue determinar com grande precisão. devido à curvatura da fita.23). utiliza-se sempre esta expressão. chamada catenária. em trabalhos de média e alta precisão determina-se a distância horizontal a partir do desnível h entre A e B (ver Figura 3. para o cálculo da correcção.24 . por estar sujeita ao seu próprio peso.Medição do comprimento L com uma fita apoiada nos pontos A e B. é necessário aplicar ao valor medido uma correcção. que definem os extremos do comprimento. onde é apoiada a fita. Esta expressão foi deduzida para o caso em que os pontos A e B. Normalmente. é dada por: L ⎛ pL ⎞ Cc = ⎜ ⎟ 24 ⎝ T ⎠ 2 sendo L o comprimento medido e p o peso da fita por metro. correspondente à diferença entre o valor do comprimento do arco medido (considerado.25 . Figura 3.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 37 D1 A D2 D3 D4 B Figura 3. A correcção C a subtrair ao valor medido L. ficando portanto suspensa.Método de medição directa de distâncias que só pode ser utilizado quando é exigida baixa precisão. desde que a diferença de nível não seja muito grande.

O W Eixo da estádia Figura 3. sendo o valor dessas correcções calculadas através de tabelas fornecidas pelas casas construtoras. Princípio da estádia: a distância do centro de analatismo a uma mira colocada perpendicularmente ao eixo da estádia é directamente proporcional ao comprimento do segmento determinado na mira pelas linhas estadimétricas (Figura 3. K o coeficiente de dilatação do metal de que é feita a fita e L o comprimento medido. 1 3 4 2 Figura 3.26).38 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Correcção de temperatura Como a temperatura a que se efectua a medição é normalmente diferente da temperatura de aferição da fita.Luneta estadiada. Chama-se estádia a qualquer dispositivo óptico que permita definir duas linhas de visada concorrentes num ponto conhecido. t a temperatura da fita no momento da medição.27. Pode-se definir uma estádia com a luneta de um teodolito. Os traços (1) e (2) são utilizados para miras verticais e os traços (3) e (4) para miras horizontais. chamado centro da estádia ou centro de analatismo e formando um ângulo conhecido.26 . Como o triângulo [ AOB ] é semelhante ao triângulo [ A' OB'] D D' = =k S S' Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Nas medições de baixa precisão não é necessário ter em consideração a correcção de temperatura.27 . como por exemplo os traços (1) e (2) ou (3) e (4) representados na Figura 3.4. 3. à medida obtida é necessário aplicar uma correcção que é dada pela fórmula: Ct = KL ( t – t0 ) onde t0 é a temperatura de aferição da fita.28). Um teodolito com uma luneta que permita definir uma estádia (luneta estadiada) chama-se um taqueómetro.2. Estadimetria Este tipo de medição é realizado com o auxílio de uma estádia. Existem ainda outras correcções a utilizar quando se fazem medições de alta precisão.O ponto O é o centro da estádia representada na figura e o ângulo w o ângulo de analatismo ou ângulo paralático. chamado ângulo de analatismo ou ângulo paralático (ver Figura 3. desde que o seu retículo disponha de referências simétricas relativamente ao seu centro.

Representação de uma mira colocada perpendicularmente a uma estádia em duas posições a distâncias diferentes D e D’. É então necessário deduzir fórmulas que se possam aplicar a este caso. e portanto a mira vertical. logo: 1 ⎛ w⎞ K = cotg ⎜ ⎟ 2 ⎝2⎠ Normalmente os teodolitos são construídos de modo que K = 100 o que implica que w = 0.28 pode-se concluir que: D w = cotg S /2 2 ⇒ 1 ⎛ w⎞ D = cotg ⎜ ⎟ S 2 ⎝2⎠ Mira Mira A A’ S’ O W S D’ B’ B D Figura 3. para o que se pode utilizar uma nivela esférica adaptada à mira e que deve ser mantida calada enquanto o observador visa a mira.6366 g.1. Fórmula taqueométrica da distância para mira vertical O modo como foi enunciado o princípio da estádia implica a perpendicularidade entre o eixo da estádia e a mira.28 . sendo mais fácil colocar a mira vertical. pois normalmente o eixo da estádia não fica perpendicular à mira.4.29). No entanto não é cómodo cumprir esta condição. que deve ter o cuidado de manter a nivela calada durante a medição. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 39 sendo k a constante estadimétrica. tem-se então que: D = KS Observando a Figura 3. segura por um ajudante. Estaciona-se um taqueómetro em A e coloca-se uma mira em B.2. Vamos supor que se pretende determinar a distância horizontal D entre os pontos A e B do terreno. Aponta-se a luneta do taqueómetro para a mira e a estádia determina nela o segmento MN (ver Figura 3. 3. Para ser possível aplicar o princípio da estádia vamos considerar uma mira fictícia perpendicular em O ao eixo da estádia e seja M ' N ' o segmento que seria determinado pela estádia nessa mira fictícia.

O comprimento S é obtido através das leituras na mira correspondentes aos traços superior ( e inferior ( i ) do retículo. Então: s ) S= − s i Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . sendo G=KS e K=100 tem-se: D = G sin2z que se designa por fórmula taqueométrica da distância para mira vertical. No entanto.Taqueómetro estacionado em A e uma mira colocada verticalmente no ponto B. Note-se que o triângulo [NON’] é aproximadamente rectangular em N’ ( N ' = 100g + habitualmente w .29 . Deste modo. sendo 2 w = 0.40 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Ter-se-ia então: D' = K M ' N ' Mira fictícia N’ N VA O M’ D’ M B z w h Mira i A D Figura 3. sendo as leituras feitas na mira verdadeira. contudo pode-se determinar M ' N ' em função de MN e do ângulo zenital z.30).3183g ) podemos então escrever: 2 M ' N ' MN sin z donde: D ' k MN sin z e como D = D'sin z pode-se escrever D = k MN sin 2 z Na prática designa-se usualmente o segmento MN por S e o produto KS por G (número gerador). o segmento que se obtém é MN e não M ' N ' . que definem a estadia (ver Figura 3.

Erros na medição estadimétrica Analisemos as possíveis causas de erro para o cálculo da distância através de estadimetria.Erros em S: ⎨Erro de ondulação da imagem ⎪Erro de mobilidade da mira ⎪ ⎪Erro de falta de verticalidade da mira ⎩ Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . se bem que esta possibilidade seja reduzida na maior parte dos instrumentos modernos.2. não só porque a mira oscila durante a medição.4.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 41 Pode ainda fazer-se uma leitura na mira correspondente ao traço médio do retículo.30 . pode acontecer que a constante estadimétrica passe a não ter o valor dado pelo construtor. no entanto o erro daí resultante é desprezável. Podemos ter: . Quando o operador suspeite de um erro em K deve enviar o instrumento à casa construtora para rectificação. podemos ainda calcular S através de: S = 2( com: s − m ) ou S = 2( m − i) m = s + 2 i s m i Nivela Figura 3. 3.Erro na medição do ângulo zenital z (já estudado). .Miras verticais e imagem de uma mira vista através da luneta de um taqueómetro. mas também porque normalmente a graduação da mira não tem divisões inferiores ao centímetro. Sendo assim. normalmente designada por leitura média ( m ).Erro em K Com o uso. ⎧Erro de paralaxe da imagem ⎪Erro de refracção atmosférica ⎪ ⎪ . Em rigor OM ≠ ON .2. Nota: O erro resultante de considerar recto o ângulo em N’ é muito menor do que o que resulta dos erros que se cometem na medição de z e na leitura de MN .

sendo a distância medida com base no comprimento de onda λ de uma modulação do feixe emitido. o tempo não é medido directamente. O seu grande automatismo reduz a importância do observador. A maior parte dos instrumentos electro-ópticos modernos utilizam luz visível de lasers HélioNéon com λ = 0. quando se faz a leitura do fio inferior a leitura correspondente ao fio superior seja a mesma que foi feita) pode resultar um erro para o valor de S. e é feita de modo a variar de zero (correspondente aos 0º) até um máximo de luz aos 90o.1. Deste modo. que o reflecte de volta ao emissor.3.4. o que introduz um erro na leitura de S.9 µm. 3. o instrumento emite um feixe luminoso. entre o distanciómetro e o reflector. Por este motivo deve evitarse fazer leituras na mira junto ao solo. deriva da relação que existe entre a distância. A ondulação da imagem resulta da subida de ar quente. Medição electrónica de distâncias Com a utilização de distanciómetros consegue-se. uma vez que este se limita praticamente a orientar a direcção do feixe emitido pelo instrumento e a disposição dos reflectores. mais a parte fraccionária p. o tempo de trajecto (t) e a velocidade (v) de uma onda electromagnética que a percorra. especialmente em dias de vento. que é medida através da diferença de fase entre o sinal modulado transmitido e o sinal recebido. onde é convertido num sinal eléctrico. temos (ver Figura 3.63 µm. A verticalidade da mira consegue-se com o auxílio de uma nivela esférica que lhe é solidária. rápida e comodamente. Na maioria dos sistemas electro-ópticos. Deste modo. que enviará a onda electromagnética emitida pelo distanciómetro de volta ao aparelho.31). como as leituras na mira não são efectuadas simultaneamente. As miras vulgares são normalmente seguras por um operador (porta . 3. (nada garante que.miras) que as não consegue manter rigorosamente fixas. obter alta e muito alta precisão na medição de distâncias curtas ou longas. por exemplo. que origina variações de densidade e provoca uma ondulação da imagem da mira.42 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos As precauções a tomar para obter maior precisão no processo estadimétrico incidem essencialmente na medição de S. pode acontecer que esta não esteja calada quando são feitas as leituras e consequentemente a mira não esteja vertical. permitindo fazer uma comparação de fase entre o sinal emitido e recebido. sendo D=t ×v No entanto. Funcionamento de um distanciómetro electrónico A medição de distâncias com distaciómetros electrónicos é feita colocando o aparelho numa das extremidades da distância a medir e na outra extremidade um reflector. nos instrumentos modernos. no entanto. Quanto à influência da refracção atmosférica. Esta modulação sinusoidal da intensidade da luz é equivalente a ligar e desligar uma luz com um interruptor.32): Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . O princípio teórico de medição da distância (D). cuja intensidade é modulada electronicamente. devido às diferenças de temperatura entre as camadas de ar mais próximas do solo e as camadas mais altas.3.4. O distanciómetro transmite o feixe de luz modulado para o reflector. a um segundo máximo aos 270º e a zero aos 360º (ver Figura 3. A distância é obtida determinando o número inteiro m de vezes que o comprimento de onda da modulação cabe na distância percorrida pelo feixe. um raio visual rasante e outro mais elevado têm curvaturas diferentes. Deste modo. não permitindo fazer leituras com precisão. como a distância a medir é percorrida duas vezes. pelo processo já conhecido. voltando novamente a zero aos 180º. deve ter-se o cuidado de verificar se não existe paralaxe da imagem. ou luz infravermelha não visível de díodos de Arsenieto de Gálio com λ = 0.

.Princípio de medição de distâncias com distanciómetros (extraído de Davis et. al. 1981). sendo f a frequência da modulação.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 43 D= 1 ( mλ + pλ ) 2 (3.32 .3) λ pelo valor encontrado. Sendo c a velocidade da luz durante a medição e T o período da modulação temos: λ = cT Como T = 1 .31 . pressão e humidade atmosférica e do comprimento de onda da portadora.4) A velocidade de propagação da luz é obtida utilizando o índice de refracção n da atmosfera no instante da medição.3) Figura 3. através de: n= co c sendo co = 299792.5 km/s a velocidade da luz no vazio. D Distanciómetro λ Reflector pλ Figura 3. O índice de refracção é determinado em função da temperatura.Modulação do sinal emitido pelo distanciómetro (extraído de Davis et. a medir. a equação (3. temos: f λ= c f (3. al. a expressão: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .. 1981). Desta forma.4) pode ser rescrita da forma: λ= co fn Substituindo em (3. obtemos para a distância D.

2. z Dinc.Poligonação Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .. Dhor. = Dincl.5. a distância horizontal (Dhor) e vertical (Dver) do distanciómetro ao reflector através das expressões: Dhor. Alguns distanciómetros permitem medir distâncias relativamente curtas (até cerca de 1000m) sem a utilização de reflectores. Dver. principalmente. de três causas: • • • dificuldade em estabelecer o ponto exacto. Métodos de determinação de coordenadas Os métodos para a determinação de coordenadas de pontos do terreno são basicamente: . Cálculo de distâncias horizontais e verticais As distâncias medidas com os distanciómetros são distâncias inclinadas. Para a obtenção destas últimas é necessário ter em consideração as alturas do distanciómetro e do reflector. Dver. por forma a evitar a existência de erros sistemáticos na medição da distância. sin z Dver.). Note-se que é importante utilizar o tipo adequado de reflector para um dado instrumento.Distâncias que se podem obter directamente numa estação total. e não as distâncias entre os pontos onde estes são colocados.Triangulação .Irradiação . variação das condições atmosféricas ao longo do trajecto percorrido pela onda electromagnética. pelo que é necessário entrar com a inclinação da visada para se obterem distâncias horizontais e verticais. 3.33 . = Dincl.4. tijolo ou metal. no interior do instrumento. 3. incerteza associada ao processo de medição. Os reflectores utilizados têm a forma de um canto de cubo de faces planas. resultantes das diferentes densidades do vidro utilizado no reflector e do caminho óptico nele percorrido.Intersecções .44 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos D=m co c +p o 2 fn 2 fn As fontes de erro neste processo de medição são resultantes. a partir do qual é efectuada a medição. para além da distância inclinada (Dincl. e Dincl indicadas são definidas pelo centro do distanciómetro e pelo reflector. Esta capacidade é muito útil quando é necessário medir distâncias a pontos não acessíveis. visando apenas uma superfície como madeira. para que a onda reflectida seja paralela à onda emitida.3. cos z Nota: As distâncias Dhor. Figura 3. A utilização de uma estação total (distanciómetro incorporado num teodolito) permite obter imediatamente.

34 – Irradiação das coordenadas de B para C. Conhecido: MB. São conhecidas as coordenadas dos pontos B e C e mediram-se os ângulos Â. As coordenadas de A e B permitem obter o rumo ( BA ) e a distância AB . Conhecido: MA. B 1) Cálculo de (BC) e de BC . Irradiação Dadas as coordenadas de dois pontos A e B pretende determinar-se as coordenadas do ponto C. da distância BC e do rumo ( BC ) (ver Figura 3. Triangulação Neste método. em seguida. É então calculado o rumo ( BC ) adicionando a ( BA ) o ângulo ABC . PA.5.1. B *. uma compensação dos valores angulares obtidos.35).Determinam-se as coordenadas do ponto pretendido.Faz-se a compensação dos valores angulares obtidos. Pretendem-se calcular as coordenadas do ponto A. MB. Finalmente.34). . PB. as coordenadas de C são obtidas a partir das coordenadas de B. distribuindo o erro igualmente pelos três ângulos. PB ˆ Elementos medidos: ABC . PC B Figura 3. estacionam-se todos os vértices dos triângulos.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 45 3. B e C . . C * A Pedido: MA. PA C Figura 3. MC. O procedimento a seguir é: .2. BC A Pedido:MC.Estacionam-se todos os vértices do triângulo e medem-se os seus três ângulos internos.35 . determina-se o ângulo azimutal ABC .Triângulo [ABC]. estacionando um teodolito no ponto B e fazendo pontarias para A e C. BC = ( M − M )2 + ( P − P )2 C B C B tg ( BC ) = M −M C B P −P C B 2) Compensação angular Calcula-se o erro de fecho angular εa através de: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . efectuando-se. C 3. PC Medido: Â*.5. Para esse efeito mede-se a distância BC e. Considere-se então um triângulo [ABC] (ver Figura 3.

5. o ajustamento dos triângulos tem de ser feito em conjunto.1.. 3. Para mais pormenores consultar. estacionando-se dois vértices de coordenadas conhecidas A e B e medindo-se os ângulos azimutais α e β .. Intersecção directa e lateral Na intersecção directa não se estaciona o vértice a determinar Q .3. Davis et al.3. tal que: a1 a2 a3 εa 3 obtendo-se então os ângulos compensados: A = A * + a1 B = B * + a2 C = C * + a3 3) Determinação de BA e CA BA = BC sin C sin A CA = BC sin B sin A 4) Determinação de (BA) e (CA) ( BA) = ( BC ) + B 5) Determinação das coordenadas de A a) a partir de B (CA) = (CB) − C b) a partir de C M A = M B + BA sin( BA) PA = PB + BA cos( BA) M A = M C + CA sin(CA) PA = PC + CA cos(CA) Quando se observa uma rede de triângulos com lados adjacentes. utilizando-se normalmente o método dos mínimos quadrados.. por exemplo. Intersecções Existem três tipos de intersecções: • • • intersecção directa intersecção lateral intersecção inversa 3.46 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos ε a = 200 − A * − B * − C * Divide-se depois este valor pelos 3 ângulos.. Q A’ Q B’ β B α A α β B A Figura 3. adicionando-se algebricamente a cada um deles uma correcção ai ( i = 1.5. (1981). O estudo deste tipo de ajustamentos não será feito no âmbito desta disciplina.3) .36 – Duas configurações possíveis de uma intersecção directa: a) e b) Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra a) b) .

e um dos vértices de coordenadas conhecidas.37 Caso b) da Figura 3. Na intersecção lateral estaciona-se o vértice de coordenadas a determina. estas intersecções resolvem-se normalmente recorrendo às fórmulas que a seguir se deduzem.37 .36 Caso a) da Figura 3. pois um ângulo muito agudo ou muito obtuso pode conduzir a grandes erros no posicionamento do vértice. Através das observações efectuadas determinam-se ( AQ ) e (BQ ) Intersecção Directa Intersecção Lateral Caso a) da Figura 3. que designaremos por A . no entanto.36 Caso b) da Figura 3.37 ( AQ ) = ( AB ) − α ( AQ ) = (AA' ) + α (BQ ) = (BA) + β (BQ ) = (BB ' ) − β ( AQ ) = ( AB ) − α ( AQ ) = (AA' ) + α (QB ) = (QA) − γ (QB ) = (QA) − γ Recordando que.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 47 ˆ Convém que o ângulo em BQA esteja compreendido entre aproximadamente 50 g e 150 g . Q . sendo medidos dois ângulos azimutais α e γ .Duas configurações possíveis de uma intersecção lateral: a) e b) É evidente que tanto a intersecção directa como a lateral se podem resolver através da resolução de triângulos. para dois pontos genéricos X e Y . diferendo as intersecções directas das laterais apenas na forma como são calculados os rumos dos lados. Q γ α A a) A’ γ α B Q A b) B Figura 3. se tem: M − M = P − P tg ( XY ) Y X Y X então: ( ) e P −P = M −M cotg ( XY ) Y X Y X ( ) −M B A = ⎛M − M ⎞−⎛M − M ⎞ ⎜ Q A⎟ ⎜ Q B⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ M = ⎛ P − P ⎞ tg ( AQ ) − ⎛ P − P ⎞ tg ( BQ ) ⎜ Q ⎜ Q A⎟ B⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎡ ⎤ = ⎛ P − P ⎞ tg ( AQ ) − ⎢⎛ P − P ⎞ − P − P ⎥ tg ( BQ ) ⎜ Q ⎜ Q A⎟ A⎟ B A ⎦ ⎝ ⎠ ⎠ ⎣⎝ = ⎛ P − P ⎞ ⎡tg ( AQ ) − tg ( BQ ) ⎤ + P − P tg ( BQ ) ⎜ Q ⎦ A⎟⎣ B A ⎝ ⎠ donde ( ) ( ) P −P = Q A ( M B − M A ) − ( PB − PA ) tg ( BQ ) tg ( AQ ) − tg ( BQ ) e M Q −M = ⎛ P − P ⎞ tg ( AQ ) A ⎜ Q A⎟ ⎝ ⎠ Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .

48 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Estas fórmulas não podem no entanto ser usadas quando ( AQ ) ou ( BQ ) tomarem o valor 100 g ou 300 g . calculadas a partir do ponto A . O .Três casos possíveis para a intersecção inversa.3.38 os pontos A . Esquema geral da resolução de uma intersecção inversa Na Figura 3. C e O não podem pertencer a uma mesma ˆ circunferência. nessas condições. Nestas condições. * 3.2. B e C representam os três vértices observados de coordenadas conhecidas e O o ponto de coordenadas a determinar. visando-se três vértices de coordenadas conhecidas. Intersecção inversa Neste tipo de intersecção estaciona-se o vértice de coordenadas a determinar.38 . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . sendo medidos dois ângulos azimutais α e β . B e C . B . determina-se o rumo ( BQ ) . podem substituir-se por outras em que entrem co-tangentes: P −P B A = ⎛P − P ⎞−⎛P − P ⎞ ⎜ Q A⎟ ⎜ Q B⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ = ⎛ M − M ⎞ cotg ( AQ ) − ⎛ M − M ⎞ cotg ( BQ ) ⎜ Q ⎜ Q A⎟ B⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎡ ⎤ = ⎛ M − M ⎞ cotg ( AQ ) − ⎢⎛ M − M ⎞ − M − M ⎥ cotg ( BQ ) ⎜ Q ⎟ ⎜ Q ⎟ A⎠ A⎠ B A ⎦ ⎝ ⎣⎝ = ⎛ M − M ⎞ ⎡cotg ( AQ ) − cotg ( BQ ) ⎤ + M − M cotg ( BQ ) ⎜ Q ⎦ A⎟⎣ B A ⎝ ⎠ donde ( ) ( ) M Q −M A = ( PB − PA ) − ( M B − M A ) cotg ( BQ ) e P cotg ( AQ ) − cotg ( BQ ) * Q − P = ⎛ M − M ⎞ cotg ( AQ ) A ⎜ Q A⎟ ⎝ ⎠ Verificação de cálculos: A partir das coordenadas de B e de Q . compara-se o rumo ( BQ ) com o rumo ( BQ ) calculado a * partir das observações. É de notar que os quatro pontos A .( BQ ) deve ser nula. Em seguida.5. A c B θ B θ b C B c φ A b γ α C α φ γ C γ O b θ β α c β φ β O O (a) (b) A (c) Figura 3. BAC + α + β = 200 g . A diferença ( BQ ) . a partir do qual são observados os ângulos α e β. Prova-se que. que designamos por A .

B e C. obtém-se Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .8) com as equações (3.8).7) Resolvendo as duas últimas equações em ordem à distância AO e igualando. o que pode ser feito considerando R = 400 g − (α + β + φ ) . M O = M A + AO sin ( AO ) PO = PA + AO cos ( AO ) Assim. Sendo conhecidas as coordenadas de A. De acordo com a Figura 3. neste caso. Por exemplo. pode-se afirmar que α + β + φ + θ + γ = 400 g (3. B e C podem calcular-se as distâncias AB e AC e os rumos ( AB ) e ( AC ) . AC sin γ sin α . A partir dos triângulos [OAC ] e [OBA] pode obter-se uma outra expressão onde as únicas incógnitas são os ângulos θ e γ . Os ângulos α e β são obtidos a partir das leituras azimutais feitas a partir de O para A.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 49 As coordenadas do ponto O podem ser calculadas a partir das coordenadas de um dos outros pontos de coordenadas conhecidas. AB sin β sin R cos γ − cos R sin γ = Dividindo ambos os membros por sin R sin γ .6) AO AB = sin θ sin α AC sin γ sin α AB sin β (3.8) obtém-se sin ( R − γ ) = ou seja. Desta forma Para determinar a amplitude dos ângulos θ e γ é agora apenas necessário resolver um sistema R =θ +γ e consequentemente θ = R −γ Substituindo em (3. vem sin θ = (3.5) onde as únicas incógnitas são os ângulos θ e γ .5) e (3.38 tem-se que φ = ( AB ) − ( AC ) Como a soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 400g. AB sin β AC sin γ sin α . é necessário calcular as quantidades AO e ( AO ) . Aplicando a analogia dos senos aos dois triângulos têm-se respectivamente AO AC = sin γ sin β e (3.

redes de saneamento. quando a precisão não é um factor primordial. não se podem estabelecer normas rígidas para o traçado de poligonais. Desta forma. no caso do traçado de estradas. é de execução muito mais rápida do que a triangulação e as intersecções. Uma poligonal é formada por um conjunto de segmentos de recta contíguos. uma rede de poligonais deve sempre apoiar-se numa triangulação topográfica. Assim. caminhos de ferro. No entanto. convém que a escolha dos vértices tenha em atenção os seguintes factores: 1) O comprimento dos lados deve ser tão grande quanto possível. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .7)).4. ou ser uma poligonal fechada sobre si mesma (poligonal em que o primeiro vértice coincide com o último). 3) Não são aconselhados desníveis acentuados entre vértices consecutivos de uma poligonal. da mesma ordem de grandeza. A poligonação também é normalmente utilizada em trabalhos onde é necessário fazer o levantamento de faixas de terreno compridas e estreitas. não só pelo acidentado do terreno. pode utilizar-se a poligonação para o adensamento da rede de apoio topográfico. Quando uma poligonal não for apoiada em vértices de uma triangulação deve ser apoiada em vértices de outras poligonais. como pelas características dos instrumentos utilizados. evitando-se portanto a existência simultânea de lados compridos e curtos. tanto quanto possível. Como norma. a fim de diminuir o número de vértices e. dependendo o seu traçado do acidentado do terreno e do facto de haver ou não visibilidade entre os pontos sucessivos da poligonal.5.6) (ou (3. AB sin β sin R Conhecido o ângulo γ (ou θ ) pode determinar-se o comprimento AO a partir de (3. essa rede é composta por poligonais principais (poligonais que ligam entre si vértices da triangulação) e poligonais secundárias (que ligam entre si vértices das poligonais principais ou um vértice de uma poligonal principal e um vértice de uma triangulação).50 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos cot γ = cot R + AC sin α . etc. sendo no entanto mais sujeito a erros do que estes. Normas para o estabelecimento de uma poligonal O estabelecimento de uma poligonal deve ser feito após um prévio reconhecimento da zona. para se melhorar a precisão dos resultados obtidos. que. por exemplo. A observação de uma poligonal consiste em medir o comprimento dos seus lados e a amplitude dos ângulos por eles formados. Neste caso. que formam uma linha poligonal (donde deriva o nome do método). Quanto ao rumo ( AO ) . linhas de alta tensão. como. consequentemente. atenuar a influência dos erros cometidos nas observações. Poligonação A poligonação consiste no estabelecimento. para a obtenção do mesmo número de pontos de apoio. O valor deste comprimento é evidentemente limitado. observação e cálculo de poligonais. 2) O comprimento dos lados de uma poligonal deve ser. 3. A poligonação é um método de cálculo de coordenadas. temos que ( AO ) = ( AC ) + CÂO sendo CÂO = 200 − β − γ .

5. ficando assim 3 medidas em excesso. Conhecem-se ainda as coordenadas dos vértices A’ e B’.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 51 3. d2.1. De um modo geral. tudo se passa de forma semelhante. o cálculo e o ajustamento de uma poligonal são feitos simultaneamente e em duas fases: 1ª fase: Nesta fase faz-se o cálculo dos rumos provisórios dos lados da poligonal. 2 e 3. 2. que permitem fazer o ajustamento da poligonal. nestas poligonais. também se pode utilizar um método expedito para fazer o seu cálculo e ajustamento. Nesta poligonal medem-se os ângulos α0. No caso de uma poligonal fechada sobre si mesma. α5 A≡B 1 α0 α1 O ajustamento de uma poligonal pode ser feita por processos rigorosos. no caso de uma poligonal apoiada. no total (2n-4) medidas. e α2) e 3 lados (d1.39 – Esquema de uma poligonal aberta apoiada nos vértices A e B de coordenadas conhecidas. calcula-se o erro de fecho angular. sobram 3 medidas para o ajustamento da poligonal. sendo n o número de vértices da poligonal (contando com os vértices de apoio A e B) medem-se n ângulos e (n-1) lados. A' α0 d1 A α1 α2 d2 2 d3 α3 B' α4 d4 B 1 3 Figura 3. d3 e d4 (4 lados). Como para a determinação das coordenadas dos (n-2) vértices da poligonal a calcular são suficientes (n-2) ângulos e (n-2) lados. para determinar as coordenadas dos vértices 1. α1. Note-se que. d2 e d3). nomeadamente utilizando o método dos mínimos quadrados. este é contado duas vezes na determinação de n. α2. No entanto. como o vértice final é coincidente com o vértice inicial. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 3 e B. sendo os vértices A e B vértices de coordenadas conhecidas que servem de pontos de apoio da poligonal. A’≡B’ α4 4 3 α3 2 α2 Figura 3. e finalmente os rumos definitivos. Note-se que. que será o método estudado no âmbito deste curso. obtendo-se no total (2n-1) medidas. ou os rumos (AA’) e (BB’). 1. α3 e α 4 (5 ângulos) e os lados d1. que não deve exceder determinadas tolerâncias.40 – Esquema de uma poligonal fechada sobre si mesma. α1. Neste método. eram apenas necessárias as medidas de 3 ângulos (α0. havendo igualmente três medidas em excesso para o ajustamento. Cálculo e compensação de uma poligonal Analisaremos o cálculo de uma poligonal com vértices A.4.

. 3. A adaptação deste tipo de poligonal a qualquer outro tipo (por exemplo poligonais fechadas – poligonais em que os vértices de orientação A’ e B’ são coincidentes . o erro de fecho linear. Dados: Quantidades observadas: leituras azimutais: distâncias: AA’. dividindo-se estas normalmente em três tipos: poligonais de baixa precisão ou expeditas. requerendo apenas uma adaptação em relação aos vértices inicial e final e aos ângulos a medir. PA' MB. 21. n − 1) a partir das leituras azimutais: α0 = A1 AA’ α1 = 12 - 1A α2 = 23- 21 α3 = 3B - 32 α4 = BB’- B3 1ª FASE: CáLCULO dos rumos 1) Cálculo dos rumos (AA') e (BB'): Com as coordenadas dos vértices A. PA MA'. A1 12 23 3B BB’ Pedidos: MA. PB' d1 d2 d3 d4 M1.2. poligonais de média precisão e poligonais de alta precisão. PB MB'. A’.5.. Esquema geral de resolução de uma poligonal Vamos apresentar este esquema supondo que a poligonal a resolver é uma poligonal aberta. P2 M3. que também não deve exceder determinadas tolerâncias.52 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 2ª fase: Na segunda fase calculam-se as coordenadas relativas provisórias.39). B3.. apoiada nos pontos A e B de uma triangulação (ver Figura 3.4.. e as coordenadas definitivas dos vértices da poligonal. 32. P3 Começa-se por calcular os ângulos αi ( i = 0.ou poligonais fechadas sobre si mesmas) é simples. B e B’ determinam-se os rumos (AA’) e (BB’). P1 M2. 1A. A classificação de uma poligonal quanto à precisão depende da precisão com que foram medidos os ângulos formados pelos vários segmentos da poligonal e o comprimento dos seus lados. tg ( AA ' ) = M A' − M A PA' − PA tg ( BB ' ) = MB ' − MB PB ' − PB 2) Cálculo de (BB')* Designando por (BB')* o rumo (BB') calculado utilizando as medições feitas obtém-se: (A1) = (AA') + α0 (12) = (A1) + α1 ± 200 (23) = (12) + α2 ± 200 (3B) = (23) + α3 ± 200 (BB’) = (3B)+ α4 ± 200 ( BB ' ) * = ( AA ' ) + ∑ α i − 200k i =0 4 Sendo k um número inteiro Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .

i) considerando-se. calcula-se o erro de fecho angular através da seguinte equação: εa = (BB') . Pode-se então considerar que o erro terá que ser menor do que as tolerâncias abaixo indicadas para poligonais de alta. M0 = MA . M4 = MB e P4 = PB. neste exemplo. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .i) Pi . média e baixa precisão.Mi-1 = ∆Mi = di sin(i-1. obtendo-se os ângulos compensados α i .(BB')* É agora necessário verificar se o erro angular é admissível para a precisão exigida na poligonal em questão.Pi-1 = ∆Pi = di cos(i-1. Tolerância angular: Alta precisão: Ta = ( n )' Média precisão: Ta = (2 n )' Baixa precisão: Ta = (4 n )' Se |εa| < Ta ⇒ n → número de ângulos Pode-se continuar o cálculo da poligonal! 4) Cálculo dos ângulos corrigidos Se o erro estiver dentro da tolerância distribui-se o seu valor uniformemente pelos ângulos αi. P0 = PA. α 0 = α 0 + c0 α1 = α1 + c1 α 2 = α 2 + c2 α 3 = α 3 + c3 α 4 = α 4 + c4 5) Cálculo dos rumos definitivos sendo c 0 c1 c2 c3 c4 εa 5 Finalmente. Deste modo: Mi . procede-se ao cálculo dos rumos definitivos da seguinte forma: ( A1) = ( AA ') + α 0 (12 ) = ( A1) + α1 ± 200 ( 23) = (12 ) + α 2 ±200 ( 3B) = ( 23) +α 3 ±200 ( BB') = ( 3B ) +α 4 ±200 2ª FASE: Cálculo das coordenadas Por coordenadas relativas de um vértice entende-se as coordenadas desse vértice em relação a um sistema de eixos paralelos aos do sistema principal e com origem no vértice anterior.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 53 3) Determinação do erro de fecho angular e verificação da tolerância: Como (BB') e (BB')* normalmente não são iguais.

M2 = d3 sin (23) ∆M4 = MB*-M3 = d4 sin(3B) ∑ ∆M i = M B* − M A ⇒ M B * = M A + ∑ ∆M i → Comparando os valores obtidos por cálculo com os valores conhecidos de MB. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .PA = d1 cos (A1) ∆P2 = P2 . εM = M B − M B * Da mesma forma para as coordenadas P: ∆P1 = P1 .06 L Se ε < T ⇒ L = ∑ di (comprimento da poligonal) Pode-se continuar o cálculo da poligonal! Se este valor não ultrapassar a tolerância linear aceitável.P2 = d3 cos (23) ∆P4 = PB* . pode escrever-se a equação da projecção do erro de fecho linear sobre OM (εP).01 L + 0.1 Baixa precisão: T = 0.05 Média precisão: T = 0. pode escrever-se a equação da projecção do erro de fecho linear sobre OP (εM).MA = d1 sin (A1) ∆M2 = M2 . de acordo com o tipo de poligonal.P1 = d2 cos (12) ∆P3 = P3 . ε P = PB − PB * 2) Cálculo do erro de fecho linear e verificação da tolerância: Com os valores de εM e εP calcula-se o erro de fecho linear da poligonal: ε = εM + εP 2 2 Valores da tolerância linear: Alta precisão: T = 0.54 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 1) Cálculo das coordenadas relativas provisórias: ∆M1 = M1 .005 L + 0.M1 = d2 sin (12) ∆M3 = M3 . faz-se a sua distribuição pelas coordenadas relativas provisórias ∆Mi e ∆Pi.P3 = d4 cos (3B) ∑ ∆P = P i * B − PA → ⇒ PB* = PA + ∑ ∆Pi Comparando os valores obtidos por cálculo com os valores conhecidos de PB. obtendo-se as coordenadas relativas corrigidas ∆M i e ∆Pi .

Os ângulos são medidos com um teodolito.5.42). Medição dos lados e ângulos de uma poligonal Os lados das poligonais podem ser medidos por processos directos ou por processos indirectos. para se obterem os melhores resultados.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 55 3) Cálculo das coordenadas relativas corrigidas: A distribuição de εM e εP pelas coordenadas relativas provisórias é feita proporcionalmente aos valores absolutos dessas coordenadas.3. 2' 2 1 3 Figura 3. Efectivamente. o mesmo sucedendo com um erro de pontaria ao sinal (ver Figura 3. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . devendo utilizar-se um teodolito de segundos quando se trate de uma poligonal de precisão. ∆M1 = ∆M1 + m1 ∆M2 = ∆M2 + m2 ∆M3 = ∆M3 + m3 ∆M4 = ∆M4 + m4 ∆P1 = ∆P1 + p1 ∆P2 = ∆P2 + p2 ∆P3 = ∆P3 + p3 ∆P4 = ∆P4 + p4 m3 m1 m2 m4 = = = = | ∆M 1 | | ∆ M 2 | | ∆ M 3 | | ∆ M 4 | p3 p1 p2 p4 = = = = | ∆P | | ∆P2 | | ∆P3 | | ∆P4 | 1 ∑ | ∆M | εM ⇒ m i = | ∆M i | pi = |∆Pi | ∑ | ∆M | εP εM ∑ | ∆P | εP ⇒ ∑ | ∆P | 4) Cálculo das coordenadas definitivas: De posse das coordenadas relativas corrigidas imediatamente se calculam as coordenadas definitivas: M1 = MA + ∆M1 M2 = M1 + ∆M2 M3 = M2 + ∆M3 MB = M3 + ∆M4 P1 = PA + ∆P1 P2 = P1 + ∆P2 P3 = P2 + ∆P3 PB = P3 + ∆P4 3. A precisão de medição dos ângulos na observação de uma poligonal é de grande importância e. um erro de centragem do teodolito traduz-se sempre num erro de medição do ângulo no vértice respectivo.4.41 . utilizando-se na prática uma forma simplificada e expedita de o fazer. é necessário ter o maior cuidado na centragem do teodolito e na pontaria aos sinais. devido a um erro de centragem do teodolito.41 e Figura 3.Erro na medição de um ângulo.

6. os marégrafos. 3.Erro na medição de um ângulo. A altitude geopotencial de um ponto é a diferença entre o potencial gravítico sobre a superfície equipotencial que contém o ponto e o potencial gravítico do Geóide. Como os métodos da Topografia clássica permitem apenas determinar diferenças de altitude. Note-se que. 3. devido ao facto do mar ser aí mais calmo. Se a poligonal for comprida. Se a superfície de referência for o elipsóide. as cotas designam-se por altitudes ortométricas e são medidas ao longo da direcção da linha do fio-de-prumo que passa no ponto em causa. o que interessa são as altitudes geopotenciais e dinâmicas e não as altitudes ortométricas. as cotas designam-se por altitudes geodésicas e são medidas ao longo da perpendicular ao elipsóide que passa no ponto. Um erro na medição de um dos ângulos de uma poligonal acarreta sempre uma rotação da mesma igual à amplitude do referido erro. Nivelamento Noções de altimetria Designa-se por cota de um ponto do terreno a distância desse ponto a uma superfície considerada como referência.6. Se a superfície considerada como referência for o Geóide.Rotação de uma poligonal. Para a determinação das altitudes ortométricas é necessário conhecer pontos do Geóide e. discordâncias essas devidas principalmente às correntes marítimas e às irregularidades das marés. essa rotação origina um deslocamento considerável do vértice final. Em virtude das discordâncias que se notam entre os valores do nível médio das águas do mar em diversos pontos. usualmente nos estuários dos rios. pontos com a mesma altitude ortométrica podem não estar sobre a mesma superfície equipontencial. definir o nível médio das águas do mar.42 . devido a um erro de pontaria no vértice A. portanto. por exemplo.56 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 2 1 3 3' Figura 3. Em Portugal o marégrafo de referência encontra-se em Cascais.43 . 1' 2' 1 2 A 3' B' 3 B Figura 3. Os marégrafos são colocados nas costas marítimas. A altitude dinâmica é o quociente entre a altitude geopotencial e a gravidade normal sobre o elipsóide de referência à latitude de 45º. isto é a escolha de uma datum altimétrico. que são constantes ao longo das superfícies equipontenciais. A medição de cotas implica a escolha da superfície de referência. o que se consegue através de instrumentos registadores de marés. para trabalhos de hidraúlica que se desenvolvam em grandes extensões.1. utiliza-se em cada país um único marégrafo. Isto levou à definição das altitudes geopotenciais e das altitudes dinâmicas. para se determinar a altitude de pontos do terreno é necessário ter na vizinhança pelo menos um ponto Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Como a distância vertical entre as superfícies equipontenciais não é constante. devido a um erro de pontaria.

erro tolerável ≤ 1mm/km ⎩Ordinário . é necessário tem em consideração a curvatura da superfície de referência no cálculo das diferenças de nível. pelo que o efeito da refracção atmosférica. No caso de não haver nenhum ponto nessas condições. em muitos trabalhos de Topografia. Curvatura terrestre e refracção atmosférica Os métodos de nivelamento têm como objectivo medir a diferença de cotas entre pontos do terreno. Assim. pois têm efeitos contrários. Além disso.6. por exemplo. considerada como referência. A determinação das diferenças de nível pode ser feita por três métodos diferentes.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 57 de altitude conhecida. e quando o que interessar for apenas a posição relativa dos pontos de um projecto. 1) Método trigonométrico ou indirecto → Nivelamento trigonométrico 2) Método geométrico ou directo → Nivelamento geométrico 3) Método barométrico → Nivelamento barométrico Quanto à precisão. Na Figura 3. os métodos apresentados têm as seguintes tolerâncias: Nivelamento geométrico ⎨ ⎧Alta precisao . basta adicionar às cotas obtidas a altitude da superfície considerada como referência. quando na realidade têm uma diferença de nível igual a E ' E '' . os pontos E e E’ estariam ao mesmo nível. O efeito da curvatura terrestre e da refracção atmosférica são normalmente considerados conjuntamente. dando origem respectivamente a três tipos de nivelamento. A determinação das diferenças de nível faz-se por intermédio de uma operação topográfica a que se dá o nome de nivelamento. Como a distância vertical dos pontos do terreno relativamente a uma superfície qualquer. Ao considerar-se que a superfície de referência é um plano tangente à superfície de referência real no ponto E. para se obterem as respectivas altitudes. valor que deve ser adicionado ao valor obtido para a diferença de nível entre os pontos E e E’. trabalha-se com cotas e não com altitudes. o comprimento E ' E '' representa o efeito da curvatura terrestre. pode escolher-se como superfície de referência uma superfície qualquer.erro tolerável ≤ 1m/km 3. A diferença de nível ou de altitude entre dois pontos A e B é dada por: dN AB = N B − N A Sendo NA a cota do ponto A e NB a cota do ponto B. Se a distância entre os pontos for considerável. que provoca uma curvatura da linha de visada. Depois de calcular as cotas dos pontos.erro tolerável ≤ 1dm/km Nivelamento barométrico .erro tolerável ≤ 1cm/km Nivelamento trigonométrico . e como o plano considerado é tangente à superfície de referência. temos que EE ' + R 2 = R + E ' E '' 2 ( ) 2 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . se designa por cota do ponto. a correspondente a um dos pontos do projecto.44 está representada a superfície de referência utilizada para a medição das cotas. Considerando a superfície de referência uma esfera com raio igual a 6400km (raio aproximado da Terra).2. a aplicação dos métodos de nivelamento implica a execução de visadas e a medição de quantidades que permitem determinar distâncias verticais. influência os resultados obtidos.

c= D2 ( 2R + c ) Como c é muito menor do que R. temos que: D2 + R 2 = ( R + c ) ou seja 2 D2 + R 2 = R 2 + 2Rc + c 2 D2 = c ( 2R + c ) Isto é. Designando por D a distância EE ' . e por c a correcção relativa à curvatura terrestre. isto é o comprimento E ' E '' .44 – Efeito da refracção atmosférica e da curvatura da Terra.58 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Observação correspondente à linha de visada real A Linha de visada real E’ E’’ Superfície de referência Horizontal tangente à Terra em E E R R Centro da superfície de referência Figura 3. podemos considerar c Considerando R = 6400km temos D2 2R c 0. distância horizontal entre os pontos. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .0781D2m continuando o valor de D a ser usado em quilómetros.781 × 10−5 D2 km onde o valor de D deve ser usado em quilómetros. Para se obter o valor da correcção em metros deverá multiplica-se por 1000. sendo portanto c 0.

a correcção devido ao efeito da curvatura terrestre e refracção atmosférica toma o valor c&r 0. o valor da correcção devida à curvatura terrestre e refracção atmosférica é de 0. que varia normalmente entre 0.01094 D2m D2 m 15 Assim. estejamos na realidade a fazer medições relativamente ao ponto A.5 km. mas para distâncias maiores o seu valor tem de ser tido em consideração. Da Figura 3. 3. uma vez que o seu efeito é muito pequeno. sendo r n 2 D R Considerando mais uma vez R=6400km e n = 0. para uma distância de 1km é já de 0.094 × 10−5 D2km onde o valor de D deve ser usado em quilómetros. Av = dN AB = h + i − m m e portanto: z h Av i A D B dNAB Figura 3.3. Nivelamento Trigonométrico Com este método podemos determinar o desnível entre dois pontos A e B do terreno. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .6. para que as medições efectuadas se refiram ao ponto E’. para uma distância horizontal de 0. para uma distância da ordem de 15 km é já da ordem dos 15 m e para uma distância de 150 km de 1500 m.067 m. Este valor depende do índice de refracção da atmosfera n. é necessário subtrair o comprimento r = E ' A ao valor obtido.06 e 0. conhecendo a distância horizontal D entre eles e o ângulo zenital z da linha de visada. estacionou-se um teodolito no ponto A e visou-se um ponto na vertical do ponto B.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 59 O efeito da refracção atmosférica faz com que. Assim.017 m.06716D2m Desta forma. conhecida como altura trigonométrica é dada por: h = Dcotg z e portanto a diferença de nível entre A e B é dada por: dN AB = h + i − Av Quando é visada uma mira vertical colocada em B.45 .45 conclui-se que a distância vertical h.Para a determinação da diferença de nível entre A e B (dNAB) com nivelamento trigonométrico. Assim para distâncias inferiores a aproximadamente 500m poderá ser dispensável entrar com a correcção de curvatura e refracção.08. ao visarmos o ponto E’. temos que r 0.07 temos r 1. Para que o valor da correcção apareça em metros.

de acordo com a Figura 3. no entanto.. eixo secundário. ou seja.6. Estes aparelhos não têm.46. Nivelamento Geométrico Este tipo de nivelamento utiliza instrumentos chamados níveis. Este último tipo de níveis está a substituir rapidamente os níveis de nivela solidária.2. Desta forma. é colocada horizontal automaticamente. são formados por uma base e uma alidade.4. que podem rodar conjuntamente em torno do eixo principal. Os níveis de nivela solidária dispõem de uma nivela tórica que permite colocar a linha de visada horizontal. tal como os teodolitos. tem-se: dN AB = sendo A A − B a leitura feita na mira colocada em A e B a leitura feita na mira colocada em B. que roda em torno do eixo principal.4. A diferença de nível entre os pontos A e B obtém-se através da diferença das leituras feitas com um nível estacionado em qualquer ponto do terreno.46 .1.6. uma vez que são de utilização muito mais rápida e prática. 3.Nivelamento geométrico para a determinação da diferença de nível entre os pontos A e B (dNAB). Os níveis de luneta podem classificar-se em níveis de nivela solidária e níveis de horizontalização automática.6.60 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Note-se que. enquanto que. pelo que o seu valor tem que ser tido em conta no cálculo de h. Constituição e funcionamento de um nível Os níveis. Nível bloco As principais componentes de um nível bloco são a luneta e a nivela. numa mira vertical colocada sucessivamente nos pontos A e B. nos de horizontalização automática. sendo nesse caso. Mira Mira Nível A B B dNAB A Figura 3. como o nome indica. cuja principal característica é a de definirem com grande precisão linhas de visada horizontais. h = Dcotg z + D2 15 3. h = Dcotg z + (c & r ) onde o valor de c & r é o indicado na secção 3. a linha de visada. rodando a luneta apenas em torno do eixo principal. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . quando a distância D é superior a algumas centenas de metros os efeitos da curvatura da Terra e da refracção atmosférica fazem-se sentir.

Este dispositivo. Para a horizontalização rigorosa da linha de pontaria é necessário calar. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . compensar qualquer inclinação residual do eixo da luneta após a verticalização do eixo principal. o erro de inclinação pode ser rectificado. ou por um conjunto de 2 prismas e um espelho plano.Representação esquemática de um nível bloco. cuja directriz deve ser paralela à linha de visada. Nos níveis bloco. De facto. através de procedimentos que não serão estudados neste curso. é essencialmente constituído por um conjunto de 3 prismas.48). estando a nivela calada. um dos quais de reflexão total. chamado parafuso de inclinação. quando o seu efeito sobre o valor da diferença de nível for da ordem dos milímetros Nível de horizontalização automática Os níveis deste tipo não têm qualquer nivela associada à luneta nem parafuso de inclinação. Esta condição não é em geral rigorosamente cumprida. que é o objectivo a cumprir. sendo a directriz da nivela paralela à linha de visada.Eixo principal vertical Um nível bloco está em estação quando o eixo principal estiver vertical. colocada no interior da luneta. Não se verificando a condição de construção temos o chamado erro de inclinação. uma nivela tórica de grande sensibilidade. CONDIÇÃO DE CONSTRUÇÃO: . que permitem verticalizar aproximadamente o eixo principal. quando a nivela estiver calada a linha de visada fica horizontal. Um dispositivo óptico pesado. pois a horizontalização do eixo óptico. temos as seguintes condições de construção e de estação: Directriz da nivela Linha de visada Figura 3. Condição de estação: . Um nível-bloco está construído de acordo com a sua idealização teórica quando.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 61 O nível bloco monta-se sobre um tripé e na sua base existem três parafusos nivelantes. é conseguida com o auxílio do parafuso de inclinação. verticalização essa feita com o auxílio de uma nivela esférica existente na base do nível e solidária com o eixo principal. com o auxílio de um parafuso. isto é. quando a sua amplitude tiver influência sobre o valor obtido para a diferença de nível. suspensos do corpo da luneta de modo que a sua posição relativa varie com a inclinação da luneta (ver Figura 3. ou um dispositivo de rótula.Paralelismo entre a directriz da nivela tórica e o eixo óptico da luneta. Desta forma. dando origem à horizontalização do eixo óptico. que tem o nome de compensador.47 . que será estudado mais à frente. pela acção da gravidade. a linha de pontaria fica horizontal e o fio nivelador (traço horizontal do retículo) fica também horizontal. permite.

têm a desvantagem de serem mais caros e permitirem atingir uma precisão inferior. Erro de inclinação de um nível Como já foi dito. a condição de estação de um nível de horizontalização automática é que o eixo principal esteja vertical. colocando a linha de visada horizontal. o que se consegue com três parafusos nivelantes existentes na base do nível e com uma nivela esférica solidária com o eixo principal.retículo. se a linha de pontaria descer em relação à horizontal β é negativo.objectiva.ocular. tornandose muito difícil calar a nivela de um nível bloco. 'A β A DA Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 1 .48 Representação esquemática de um nível de horizontalização automática. Nesse caso em vez de ser feita a leitura A na mira. Condição de estação: Tal como para o nível-bloco.compensador. 5 . Assim. o compensador fica encostado ao corpo da luneta e permanece bloqueado. 3 . No entanto. a nivela esférica solidária com o eixo principal deve ter sensibilidade suficiente para que o sistema compensador possa actuar. Enquanto o eixo principal não estiver sensivelmente vertical. Se a linha de pontaria estiver para cima da horizontal. excepto no caso em que o terreno seja pouco firme. Realizada esta condição. Os níveis de horizontalização automática têm a vantagem de permitirem uma considerável economia de tempo em relação ao nível bloco. existindo uma pequena inclinação em relação à horizontal que vamos designar por β ( ver Figura 3. o erro de inclinação β é positivo. para que o compensador deixe de oscilar.49). Depois de calada a nivela deve esperar-se alguns segundos antes de fazer as leituras nas miras. faz-se uma leitura 'A . 4. 2 lente de focagem interna. o compensador entra em funcionamento.62 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos Figura 3. o erro de inclinação surge do facto de a visada feita com o nível não ser rigorosamente horizontal.

51 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . obtém-se a diferença de nível correcta utilizando as leituras com erro. sendo dN AB = Α − Β Existindo erro de inclinação teremos as leituras ' A e 'B . dN AB = = A − B = ' A − DA t g β − 'B + DB tg β = ' A − 'B − DA t g β + DB tg β = (em virtude de DA = DB ) = ' A − 'B = dN ' AB Poder-se-ia ter imediatamente verificado que. Ver exemplo na Figura 3. Assim.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 63 Figura 3.Estacionamento de um nível a igual distância de A e B (DA = DB).50 a mira é colocada nos pontos A e B. Método das visadas iguais: Este método consiste em estacionar o nível a igual distância dos dois pontos onde é colocada a mira. No caso da Figura 3. No entanto. independentemente da existência ou não de erro de inclinação. teríamos as leituras na mira A e B . em P1 e P2. como o efeito do erro é igual sobre ambas as leituras.50 . temos: 'A − A = 'B − B ⇒ ' A − 'B = A − B = dN AB 'A β β 'B B A B A DA DB Figura 3.49 – O nível representado tem erro de inclinação β. Como tg β = e consequentemente: 'A − DA A então 'A − A = DA tg β A = ' − D tgβ A A Existem métodos que permitem determinar a diferença de nível correcta entre dois pontos. Método das visadas recíprocas Neste método fazem-se dois estacionamentos com o nível. Se não houvesse erro de inclinação. sendo DA = DB. Devido ao erro de inclinação a leitura na mira é 'A e não A . de forma a que PA 1 P2 B e P B 1 P2 A . como os triângulos são semelhantes.

obtêm-se as leituras na mira 3. sendo a diferença de nível correcta dada por dN AB = A1 − B1 . a linha de visada fica horizontal.53). nos pontos A e B. junto de B . obtém-se na mira as leituras valor incorrecto da diferença de nível ' A1 e 'B1 . ' A1 β 'B1 B1 A1 B A P1 Figura 3.52). Havendo erro de inclinação β.51 – Posição dos níveis relativamente aos pontos A e B quando da utilização do método das visadas recíprocas. obtendo-se na mira as leituras A1 e B1 (ver Figura 3.52 – Visadas feitas do nível estacionado em P1 para a mira colocada.64 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos P1 B A P2 Figura 3. junto ao ponto A . A diferença de nível correcta será então ' A2 e 'B2 (ver Figura dN AB = e a diferença de nível afectada do erro de inclinação A2 − B2 dN "AB = ' A2 − 'B2 . que conduzem a um ′ dN AB = ' A1 − 'B1 Estacionando de seguida em P2.Visadas feitas do nível estacionado em P2 para as miras colocadas nos pontos A e B. se não houver erro de inclinação.53 . Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . respectivamente. ' A2 A2 'B2 β B2 A B P2 Figura 3. Ao estacionar em P1.

a diferença entre as cotas do ponto inicial e final deve ser conhecida.DA tg β = 'A β β 'B B B A A DA DB Figura 3. nos pontos A e B.DA tg β ) . por princípio.2. Isto é.'B . A - B = ( ' A . Pode também utilizar-se um nivelamento fechado sobre si mesmo. que corresponde ao caso em que o ponto final do nivelamento coincide com o ponto inicial.6. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . é possível calcular o erro de inclinação do nível da seguinte forma (Figura 3. leituras estas afectadas do erro de inclinação. temos 'B1 − 'B2 − B1 B2 = ' A2 − = ' A1 − Somando membro a membro estas igualdades obtém-se dN AB = ' '' dN AB + dN AB 2 Pode então concluir-se que a diferença de nível correcta é igual à média dos desníveis obtidos com os dois estacionamentos do nível. ser fechada. Observação e cálculo de uma linha de nivelamento A operação de nivelamento geométrico é normalmente feita ao longo de linhas.4. 3. conhecendo a diferença de nível correcta entre dois pontos Conhecendo-se a diferença de nível correcta entre dois pontos e fazendo leituras numa mira colocada. chamadas linhas de nivelamento.Determinação da diferença de nível entre A e B com nivelamento geométrico. e nesse caso a diferença de nível entre o ponto final e inicial deve ser nula.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 65 Como o ângulo β se mantém invariável e como P A 1 P2 B e P B 1 A2 A1 P2 A . São feitas várias estações do nível e observações sucessivas de cada estação para o ponto anterior e seguinte.( 'B . Uma linha de nivelamento deve. respectivamente.' A + 'B DB .DA tg β + DB tg β dN AB . Determinação do erro de inclinação do nível.54): dN AB = logo.DB tg β ) dN AB = ' A . mesmo que o nível tenha erro de inclinação.54 .

2 3 1 n1 n2 2’ 3’ Figura 3.Cálculo das cotas. a distribuição do erro poderá (para maior precisão) ser feita proporcionalmente às distâncias. com vista à obtenção das cotas compensadas dos pontos. 3. a média dos dois valores obtidos será um valor mais preciso. 4. inclui os passos seguintes: 1.Execução de uma linha de nivelamento entre os pontos A e B. 3 . depois de se ter feito o nivelamento entre os pontos A e B. Exercício 1: Determine as cotas ajustadas dos pontos 1.Cálculo dos desníveis compensados. obtendo-se assim os desníveis compensados. Pode ainda fazer-se um nivelamento paralelo. 3’ e 4.Cálculo dos desníveis observados.610m. Os valores de dNAB no nivelamento e no contra-nivelamento devem coincidir. 3 e 4 e outra através do nivelamento paralelo. O erro de fecho obtido é normalmente distribuído uniformemente pelos desníveis calculados.704m e NB = 426.55 .56 . podendo então fazer-se um ajustamento. como indica a Figura 3. 5 e 6 sabendo que NA = 428.56.Esquema de um nivelamento paralelo. Obtêm-se deste modo duas medidas para dN14.66 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos B 3 2 1 A Figura 3. uma através do nivelamento considerando os pontos 1.Determinação do erro de fecho e das correcções a aplicar aos desníveis observados. 2. considerando os pontos 1. no sentido de A para B. 2 . e a diferença for aceitável. Resolução: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . n3 4 O erro de fecho de um nivelamento fechado é a diferença entre o desnível correcto e o desnível observado entre o primeiro e o último ponto do nivelamento. deve fazer-se um contra-nivelamento. No caso de se conhecerem as distâncias do nível a cada um dos pontos visados. 2’. No caso de não ser possível fazer um nivelamento fechado. agora no sentido de B para A. 2. que consiste em fazer em cada estação do nível duas niveladas atrás e duas niveladas à frente. O ajustamento e cálculo de um nivelamento geométrico. se tal não acontecer. 4 .

412 478.022 Desníveis compensados + 1.604 .003 2.094 . Exercício 2: Determine as cotas ajustadas dos pontos 1.590 1.473 0.302 481.153 0.328 1.0.[-]* = -2.150 479.799 479.004 + 0.303 1. Estes pontos são denominados de pontos intermédios e sua cota é calculada fazendo a média das cotas obtidas para o ponto considerando os dois pontos da linha de nivelamento visados durante o mesmo estacionamento em que o referido ponto intermédio foi visado.478 0. sabendo que NA = 428.805 dN AA = 0 [+] .422 1.dNAB* = 0.155 Correcções + 0.522 2.143 Cotas 428.003 + 0.442 2.0.891 1. Resolução: Pontos visados A 1 P1 2 P2 P3 P4 3 4 5 P5 P6 6 A Verificações atrás 0.462 Desníveis observados + 1.984 3.002 Desníveis compensados + 1.815 [-]* = 4.798 [a] .343 426.094 .638 2.003 + 0.419 0.905 0.617 481.0. 4.100 480. Isto pode ser feito aproveitando os estacionamentos do nível e as leituras feitas durante a observação da linha de nivelamento.114 2.328 1.063 1.174 .237 478. 3.892 1.094 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . e P6. P2.506 3.2.617m.617 1. 1.117 2.0.066 1.472 3. 4. poderá ser necessário determinar cotas de pontos situados nas proximidades de uma linha de nivelamento. mas que não lhe pertençam.347 0.306 1.0. P4.Desnível correcto (valor conhecido) = dNAB = NB . 5 e 6 e as cotas dos pontos intermédios P1.294 425.003 + 0.884 [f] = 13.116 .445 2. e portanto não lhe pertencem.NA = -2.165 2.Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 67 Pontos visados A 1 2 3 4 5 6 B Verificações Niveladas atrás à frente 1.385 1.003 ε = dNAB .167 2.952 1.736 [+]* = 5.427 2.017 [+]*.017 1.803 429.049 [-] = 7.012 [+] = 4. P2.176 Niveladas Interm.002 ε = -0.886 2.605 482.509 3. P5.478 480.544 0.[-]* = -2.226 429. Por exemplo.674 2. no caso da linha de nivelamento indicada no Exercício 2. à frente 1.116 [+] .0. P3.0.003 .908 0. Em trabalhos de nivelamento.325 1.003 . mas que são visados apenas uma vez.733 [+] = 5.094 [a] .691 0.357 424.636 0. 2.262 424.504 2.450 479.148 [a] = 11.003 + 0.610 dNAB = NB-NA =-2. assim como as cotas obtidas depois do ajustamento.064 2.[f] = 0.180 Desníveis observados + 1.2.153 481. 3.017 2.116 [+]*.423 0.014 [a] = 9. 5 e 6 pertencem à linha de nivelamento.149 0.002 0.821 [+]* = 4.[-]* = -0. P5. enquanto que os pontos P1.645 481.963 0.750 0. 2. P3.215 1.459 .[-] = .316 1.789 1.039 [-]* = 7.636 0.805 [-] = 4.747 1.988 479.[f] = [+]*.[-] = .O erro ε é distribuído uniformemente pelos desníveis.704 427. P4.165 Correcções .Desnível afectado de erro = dNAB* = [a] .002 .838 [f] = 9. os pontos A.[f] = -2.003 + 0.167 Cotas 482. e P6. são pontos cuja cota se pretende calcular.027 0.

e que atravessa toda a atmosfera. a diferença de pressões atmosféricas entre dois pontos do terreno permite determinar aproximadamente a diferença de nível entre eles.5.6. A determinação da diferença de altitudes recorrendo a este processo é sempre pouco precisa. Os instrumentos utilizados neste tipo de nivelamento são os barómetros e os altímetros. com base unitária.68 Textos de apoio de Topografia – Levantamentos topográficos 3. Assim. Nivelamento barométrico O nivelamento barométrico baseia-se no facto de a pressão atmosférica ser igual ao peso duma coluna cilíndrica vertical de ar atmosférico. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . pois a pressão atmosférica é influenciada por vários factores não controláveis.

A este sistema seguiu-se. como o astrolábio e o sextante. nos anos oitenta. O lançamento de satélites artificiais foi um passo determinante nesta área. o Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System – GPS). Cada satélite contém relógios atómicos de alta precisão e transmite continuamente sinais de rádio (em duas frequências) utilizando um código que o permite identificar. estações emissoras de dados e estações de controlo.Representação esquemática dos satélites GPS e suas órbitas. GPS GLONASS GALILEO Nº de satélites 21 + 3 suplentes 21 + 3 suplentes Previstos 27 + 3 suplentes Altitude 20 200 km 19 100 km 23 616 km Período 11h 59 min 11h15 min 14h 4 min Componente de controlo – A componente de controlo é formada por estações monitoras.1).2. assim como a sua altitude e período.1. Sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite Introdução A observação dos astros foi utilizada durante muitos séculos para determinar a posição de pontos sobre a Terra e para auxílio à navegação. Com o desenvolvimento tecnológico foi possível construir sistemas cada vez mais complexos.1. GLONASS e GALILEO. que. pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América. o sistema russo GLONASS. o GLONASS e o GALILEO. 4.1. Tabela 4.1. Nos anos 70 foi desenvolvido. Desde o início do século XXI está em desenvolvimento um sistema europeu. entre as quais se inclui a posição do satélite. 4. 4. como o LORAN-C e o VLBI. para os satélites. ao contrário dos sistemas americano e russo. o sistema GALILEO. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Estes dados são depois enviados. Componente espacial: A componente espacial dos GNSS é constituída pelo conjunto dos satélites de cada um dos sistemas (ver Figura 4.1. fornecendo dados para a estação de controlo calcular as novas posições dos satélites e as correcções a fazer aos relógios de bordo. Na Tabela 4. será controlado por entidades civis.1. pois permitiu substituir a observação de astros pela observação de satélites artificiais. Foram assim desenvolvidos vários métodos de posicionamento utilizando satélites. As estações monitoras recebem continuamente a informação enviada pelos satélites.Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 69 4.1 – Satélites dos sistemas GPS.1 . Nos sinais emitidos são enviadas várias mensagens. pelas estações emissoras. tendo sido criados vários equipamentos.1 está indicado o número de satélites dos vários sistemas. são constituídos por três componentes: a componente espacial. a componente de controlo e a componente do utilizador.2. Sistemas Globais de Navegação por Satélite Componentes dos sistemas Os sistemas globais de navegação por satélite (Global Navigation Satellite Systems – GNSS). nomeadamente o GPS. Figura 4. Outros métodos de aquisição de dados topográficos 4.

4.2. Medindo a distância simultaneamente para três satélites.1. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Este valor é determinado comparando a fase de uma modulação que é gerada no satélite e no receptor de forma sincronizada.70 Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos Componente do utilizador – A componente do utilizador é constituída por todos os receptores. o que permite concluir que o receptor se encontra no outro ponto obtido. c) três satélites e d) quatro satélites. é possível. Como a posição dos satélites é conhecida. estando um deles estacionado num ponto P1. civis e militares. podendo variar entre as dezenas de metros e alguns milímetros. quatro satélites. Posicionamento Diferencial Os GNSS não permitem obter grande exactidão no posicionamento absoluto de pontos. e o outro estacionado no ponto P2 a determinar. cuja posição é conhecida.3. o receptor fica situado sobre a intersecção de três esferas com raios e centros conhecidos. b) dois satélites. a) b) c) d) Figura 4. A exactidão do posicionamento com os sistemas de navegação por satélite depende dos receptores e dos métodos de observação utilizados. A intersecção das três esferas permite identificar dois pontos.2 – Posição do receptor considerando a) um satélite. As distâncias aos satélites são obtidas determinando o tempo que os sinais por eles emitidos demoram a chegar ao receptor.2. Como a medição deste intervalo de tempo é crítica. é necessário utilizar os dados obtidos a partir de. e existem limitações de precisão devido aos relógios do receptor serem simples relógios de quartzo e não relógios atómicos. 4.2.1. Este método de posicionamento requer a utilização simultânea de dois receptores. pelo menos. com o receptor estacionado no ponto de coordenadas conhecidas. Desta forma. que utilizam os sinais emitidos pelos satélites para calcular a sua posição.3). Princípio de funcionamento O princípio básico de funcionamento dos GNSS consiste na medição da distância da antena do receptor a um conjunto de satélites. avaliar os erros associados à medição e utilizar essa informação para determinar a posição de P2 com alta precisão (ver Figura 4. embora a precisão conseguida seja suficiente para muitas aplicações.2). a medição da distância do receptor a um satélite permite posicionar o receptor sobre uma esfera de raio e centro conhecidos (ver Figura 4. A grande precisão é conseguida apenas com posicionamento relativo ou diferencial. para determinar a posição tridimensional do ponto onde está colocada a antena do receptor. estando um deles normalmente no espaço. como os colocados nos satélites.

Os SBAS são sistemas regionais constituídos por um conjunto de estações de controlo que recebem continuamente os sinais dos satélites das constelações GPS e GLONASS. pois estes bloqueiam os sinais emitidos pelos satélites. Com os sistemas de navegação por satélite. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . provocando atrasos no sinal que influenciam a exactidão das medições. é o chamado multi-caminho. podem ser minimizados utilizando posicionamento diferencial. sendo depois enviada para um satélite geo-estacionário. por um lado. Por outro lado. diminuindo o número de satélites disponíveis para o posicionamento. o que vai provocar uma alteração da sua velocidade de propagação. Outro problema que pode surgir na determinação de posições com um sistema de navegação por satélite. Os GNSS podem ser utilizados em qualquer local do planeta e sob quaisquer condições atmosféricas. pois. No entanto. principalmente junto de edifícios. é necessário conhecer a modelação do geóide. existem vários sistemas SBAS. a precisão no posicionamento horizontal é valorizada em detrimento da precisão altimétrica. a onda emitida pelo satélite atravessa a atmosfera. O mesmo acontece em zonas arborizadas. pelo que.1. como. geralmente. Actualmente. foram desenvolvidos os sistemas de aumento baseados em satélites (Satellite Based Augmentation System – SBAS) e em estações terrestres (Ground Based Augmentation System) – GBAS). como os receptores têm que receber os sinais enviados pelos satélites. principalmente na ionosfera. normalmente. o que permite calcular os erros associados ao posicionamento em cada instante. a sua utilização é pouco conveniente em zonas urbanas. Limitações dos sistemas A medição da distância dos satélites ao receptor implica a medição do tempo que o sinal emitido pelo satélite demora a chegar ao receptor. posicionamento com precisões mais elevadas. o que faz com que a distância obtida seja maior do que a distância real do receptor ao satélite. No entanto. o posicionamento com estes sistemas é problemático. nomeadamente o sistema americano WAAS e o sistema europeu EGNOS. Este problema é particularmente importante quando se fazem observações junto de edifícios ou superfícies altamente reflectoras.5. a grande precisão obtém-se para as coordenadas bidimensionais. Estes erros.2. pelo que. que emite as correcções necessárias às observações feitas na zona coberta pelo sistema. provocados pelo atraso ionosférico. onde.1. água. para se obterem altitudes ortométricas. A altitude é sempre menos precisa.3 – Posicionamento diferencial 4. naturalmente. por exemplo. ou mesmo impossível. a altitudes são obtidas relativamente ao elipsóide. em qualquer instante.Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 71 P2 P1 Figura 4.4. 4. Sistemas de Aumento Baseados em Satélites e em estações locais Com o objectivo de aumentar a precisão do posicionamento com os sistemas de navegação por satélite. introduz erros na posição obtida para o receptor. o que. a geometria dos satélites conveniente para o posicionamento bidimensional não é conveniente para obter uma boa precisão vertical. Essa informação é processada. permitindo assim obter.4. e podem provocar reflexões do sinal. cuja cobertura está indicada na Figura 4.2. Este factor de erro deriva do sinal emitido pelo satélite sofrer várias reflexões antes de atingir o receptor.

a escala da fotografia nos pontos mais altos será maior do que a escala nos pontos mais baixos. utilizando-se técnicas fotogramétricas. a câmara fotográfica é colocada num avião e. 4. onde as imagens são analisadas qualitativamente. à medida que o avião sobrevoa a região. Por exemplo. na proximidade de aeroportos. que envolve todo o trabalho quantitativo. que emitem as correcções a aplicar às observações.IGS) é a combinação dos sistemas globais de navegação por satélite já existentes a nível mundial. sendo constituídos por estações de controlo e vários transmissores. determinação de distâncias. como a determinação da posição de pontos do terreno. de modo a aumentar a exactidão e dar maior segurança nos procedimentos de aterragem e descolagem dos aviões. além disso. Processamento das fotografias. A obtenção de um mapa a partir de fotografias requer que o terreno seja representado em pelo menos duas fotografias aéreas consecutivas e com sobreposição. quando o terreno não é perfeitamente plano e todo ao mesmo nível. Na Fotogrametria aérea. a forma do terreno e a posição da câmara introduzem distorções. uma fotografia é uma projecção cónica e não uma projecção cilíndrica e.1. e a Fotogrametria interpretativa ou fotointerpretação. áreas. etc. integrará também o sistema europeu GALILEO e terá objectivos civis. Na Fotogrametria terrestre as fotografias são tiradas de pontos fixos de coordenadas conhecidas. O Serviço Internacional GNSS (IGS) O Serviço Internacional GNSS (International GNSS Service . juntamente com os sistemas SBAS e GBAS. permitindo obter a exactidão e integridade necessária para a navegação civil. são tiradas fotografias de uma forma sistemática e organizada. A segunda geração do IGS. A Fotogrametria pode ser dividida em duas categorias: a Fotogrametria métrica. Quase todos os mapas produzidos hoje em dia são obtidos a partir de Fotogrametria aérea. permitindo a obtenção Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . nomeadamente o Sistema de Posicionamento Global (GPS) e o sistema russo GLONASS. o que permite determinar a posição planimétrica e altimétrica de pontos do terreno. 4. A partir destas. Planeamento da cobertura fotogramétrica e obtenção das fotografias. volumes. pois aqueles estão mais próximos da câmara. situados no solo ou junto dele.4 – Sistemas SBAS Os GBAS são sistemas instalados. Em primeiro lugar. A Fotogrametria métrica é normalmente dividida em Fotogrametria terrestre e Fotogrametria aérea. Note-se que uma fotografia aérea não é equivalente a um mapa.2.3. pode-se obter uma réplica tridimensional do terreno numa determinada escala. Extracção da informação a partir de modelos estereoscópicos e tratamento dos resultados com vista à obtenção do resultado final pretendido (coordenadas de pontos ou mapas). Fotogrametria A Fotogrametria dedica-se à obtenção de informação acerca de objectos a partir de fotografias destes. Os processos fotogramétricos são executados em várias fases: 1.72 Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos Figura 4. de diferenças de nível. 2. 3. por exemplo. com vista à identificação de objectos.

tem como finalidade assegurar a não existência de regiões não fotografadas entre fiadas sucessivas. de modo a obter-se a informação desejada sem lacunas. No caso de uma fotografia aérea vertical com formato quadrado (normalmente 22.8 x 22. voo H. de modo que cada duas fotografias adjacentes cubram uma área comum superior a metade da área coberta por uma só fotografia. etc. Os pontos A e B têm como imagem respectivamente os pontos A’ e B’.Geometria de uma fotografia aérea vertical. embora existam sempre movimentos indesejáveis do avião que causam inclinações de alguns graus em relação à vertical (esta inclinação é normalmente de cerca de 1º e raramente excede 5º).2. designada por sobreposição lateral. 4. Sobreposição lateral sobreposição Figura 4. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .5).5.2.Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 73 da informação necessária à construção dos mapas planimétricos e topográficos.Sobreposição e sobreposição lateral das fotografias aéreas pertencentes a duas fiadas contíguas. A linha que une o centro das sucessivas fotografias tiradas numa determinada direcção é chamada linha de voo e o conjunto dessas fotografias é normalmente referido como uma fiada.5 . e tira as fotografias da fiada seguinte de modo que exista uma sobreposição de cerca de 20% com a fiada anterior. O ponto O é o centro de projecção da fotografia. À medida que o avião vai sobrevoando o terreno são tiradas fotografias sucessivas. Esta sobreposição. de perfis do terreno. como se mostra na Figura 4.2. Aquisição e processamento de fotografias aéreas O primeiro passo da execução de um levantamento fotogramétrico é o planeamento da aquisição das fotografias. Escala de uma fotografia aérea A escala de uma fotografia aérea depende da distância focal f da câmara utilizada e da altura de B' Negativo a' f A' O Centro de projecção H a A Terreno B Figura 4.1. Quando o avião chega ao fim de uma fiada volta para trás na direcção contrária. 4.6 . Para a execução de mapas topográficos ou de ortofotomapas utilizam-se normalmente fotografias verticais. Esta área é chamada sobreposição e é normalmente 60% da área coberta por uma fotografia (ver Figura 4. Chama-se fotografia vertical àquela em que o eixo da câmara é colocado vertical. sendo f a distância focal da câmara e H a altitude de voo.8 cm) a região de terreno coberta por cada fotografia também é um quadrado.

Se a variação do relevo for considerável. Note-se que apenas teremos uma escala uniforme nas fotografias se o terreno a sobrevoar for aproximadamente plano e horizontal. o que numa grande parte dos casos não se verifica.7 . podemos dizer que a escala da fotografia é a razão entre a distância focal da câmara e a altura de voo.7) é maior do que o ângulo Φ2 o observador verá o ponto P1 mais próximo de si do que o ponto P2. por outro lado. o que é insuficiente para avaliar a distância a que este está do observador. os triângulos [AOB] e [B’OA’] são semelhantes. Olho esquerdo b Olho direito Olho esquerdo b Olho direito Φ1 P1 Φ2 P2 a) H1 H2 P1 h h P2 b) Φ1 Φ2 Figura 4. A visão binocular. não permitindo obter informação acerca da profundidade. Suponhamos que se fotografou uma torre duas vezes. b) Visão estereoscópica com um par de fotografias com sobreposição. A visão só com um olho fixa apenas a direcção a que está o objecto. Se for possível ver a primeira fotografia apenas com o olho esquerdo e a segunda apenas com o olho direito. Como o ângulo Φ1 (ver Figura 4. Pontos mais próximos do observador correspondem a maiores ângulos de convergência entre as duas direcções.74 Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos Como se pode observar na Figura 4. Estereoscopia A estereoscopia é a capacidade dos indivíduos terem uma precessão tridimensional dos objectos recorrendo a duas imagens obtidas a partir de pontos distintos (os olhos). o observador terá uma percepção tridimensional da torre. Cada olho humano permite obter uma visão monocular.a) Ângulo de convergência na visão estereoscópica. que é a razão entre a distância entre dois pontos na fotografia e a distância entre os mesmos dois pontos no terreno (se este for horizontal). fixa-se uma segunda direcção e a sua intersecção com a primeira localiza o ponto. Na Figura 4. HD a altitude de voo relativamente a um datum e hmed a altitude média do terreno relativamente a esse datum. que resulta numa perspectiva plana. Os raios Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 4. permite ver um objecto a partir de dois pontos diferentes.6. logo: a′ a a′ f = ⇒ = f H a H Se representarmos por 1/E a escala da fotografia.3. devido à separação entre os olhos. Assim. então: 1 a' f = = E a H Desta forma.2.7 pode ver-se a analogia entre a visão binocular natural e a visão estereoscópica obtida usando um par de fotografias com sobreposição. primeiro com a câmara directamente sobre esta e uma segunda vez depois de o avião se ter deslocado uma certa distância. determina-se a escala média da fotografia através da expressão: 1 f = Emed H D − hmed onde Emed é o denominador da escala média da fotografia.

Paralaxe estereoscópica O termo paralaxe é utilizado para indicar o movimento da imagem de um objecto fixo em relação a outro objecto fixo quando o ponto de observação está em movimento. A mudança de posição dos objectos de uma fotografia para a fotografia seguinte. 4. Mapas topográficos . a paralaxe dos pontos mais elevados (portanto mais próximos do avião) superior à paralaxe dos pontos mais baixos. O conjunto dos vários pixels forma uma imagem digital (ver Figura 4. nomeadamente em satélites artificiais ou aviões. logo têm uma paralaxe maior). provocada pelo deslocamento do avião.8). é chamada de paralaxe estereoscópica ou simplesmente paralaxe. que é convertida num valor numérico e é associada a um elemento quadrado da imagem (pixel). vemos os objectos mais próximos a deslocarem-se a uma velocidade maior do que os que estão mais afastados. o topo da torre aparecerá mais próximo do observador do que a sua base e o observador terá uma visão tridimensional da torre.mapas que indicam o detalhe planimétrico bem como informação altimétrica (normalmente curvas de nível). Ortofotomapas . de modo que exista sobreposição da região fotografada. Os sensores passivos apenas detectam a radiação emitida e/ou reflectida pela superfície terrestre. Os sensores podem ser activos ou passivos.mapas que contêm apenas informação acerca da posição horizontal dos pontos do terreno.2. Os métodos fotogramétricos de determinação da elevação dos pontos baseiam-se neste efeito.2. A visão estereoscópica de imagens é muito importante tanto para a fotogrametria métrica como interpretativa. ela vai registar a posição dos objectos nos vários instantes de exposição. A informação armazenada em cada pixel corresponde assim à intensidade da radiação numa banda do espectro electromagnético reflectida e/ou emitida por uma zona da superfície terrestre.5. Para obter mais informação sobre Fotogrametria consultar. Os sensores activos enviam radiação (normalmente microondas) que é reflectida pela superfície terrestre e posteriormente detectada no sensor. Os sensores podem estar em vários tipos de plataformas. Existe paralaxe em todos os objectos que aparecem em fotografias sucessivas sendo. Estes últimos são constituídos por muitos detectores. O deslocamento relativo destes objectos chama-se paralaxe (os objectos mais próximos deslocaram-se aparentemente mais do que os mais afastados. de uma forma análoga ao deslocamento de um comboio. resultando da medição da variação da paralaxe de pontos representados nas fotografias. Se olharmos através da janela de um comboio em movimento. 4. Como Φ1>Φ2. Ao utilizarmos uma câmara aérea para tirar fotografias em intervalos de tempo constantes. por exemplo. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . que a disponibilizam aos utilizadores. 4. Moffit e Mikhail (1980). Produtos obtidos a partir de fotografias aéreas As principais aplicações da Fotogrametria aérea são a construção de: Mapas planimétricos . Essa informação é depois transmitida para a Terra para as estações de recolha de dados. Detecção Remota A Detecção Remota é a ciência que trata da aquisição à distância de informação sobre a superfície terrestre. Existem sensores que não geram imagens e sensores capazes de gerar imagens.3.Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 75 visuais correspondentes ao topo da torre intersectam-se segundo um ângulo Φ1 enquanto que os raios correspondentes à base da torre intersectam-se segundo um ângulo Φ2.4.representações fotográficas preparadas de forma a que não existam as distorções normalmente existentes nas fotografias e que podem ser utilizados como mapas. Cada detector regista a energia reflectida por um pequeno quadrado da superfície da Terra.

2 estão indicadas as características de alguns sensores instalados em satélites artificiais que recolhem imagens da superfície da Terra. espécies doentes. Assim.intervalo de tempo entre a obtenção de uma imagens da mesma região.76 Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos Figura 4. por exemplo. como.dimensão do menor objecto que pode ser detectado com fiabilidade. zonas de águas. A radiação recebida pelos sensores nas várias bandas do espectro electromagnético depende dos objectos que a emitiram e/ou reflectiram. que podem ser caracterizados pela sua: • Resolução espacial . na cartografia da cobertura do solo.sensibilidade de um sensor às variações de intensidade do sinal quando regista o fluxo radiante reflectido ou emitido pela superfície terrestre. que permitem identificar objectos de pequena dimensão. Para mais informação sobre Detecção Remota consultar. Resolução radiométrica . Resolução espectral . nomeadamente na zona do visível. identificação de espécies vegetais. Os sensores colocados nos satélites artificiais apresentam características diversas.8 – Imagem obtida por um sensor remoto. em várias bandas do espectro electromagnético. Na Tabela 4. Fonseca e Fernandes (2004) ou Lillesand et al. (2004). etc. infravermelho e microondas. Com as imagens de alta resolução (por exemplo as obtidas pelos satélites IKONOS e QuickBird). • • • Cada plataforma de recolha de dados pode conter vários sensores.dimensão dos intervalos de comprimento de onda do espectro electromagnético que o sensor detecta. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . As aplicações da Detecção Remota são inúmeras. Quanto mais alta a resolução espectral (intervalos menores) mais fácil é distinguir entre diferentes objectos ou temas. por exemplo. Resolução temporal . surgem ainda novas aplicações que podem ir até à cartografia de grandes escalas. a análise da intensidade da radiação recebida nas várias bandas permite classificar o que existe à superfície do planeta. Depende das condições atmosféricas. zonas ardidas. do contraste entre os objectos e as zonas circundantes.

45-0.68 Infravermelho próximo: 0. no entanto.60 0.63-0.75 Pancromática: 0.61-0.69 Infravermelho: 0.61-0. Sistemas de Varrimento Laser Laser é um acrónimo de “Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation”.90 Pancromática: 0.59 0.08-2.60 0.90 1.69 Infravermelho: 0.63-0.69 Infravermelho: 0.89 Infravermelho: 1.68 Infravermelho próximo: 0.58-1.61 QuickBird 2001 2.75 Pancromática: 0.76-0.59 0.08-2.60 0.52-0.45-0.63-0. a sua utilização para obtenção de dados geográficos é relativamente recente. A tecnologia Laser não é recente.52-0.60 0.69 Infravermelho: 0.52-0. Os Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Satélite Lançamento Espacial (m) Resolução Espectral (µm) Visível: 0.78-0.35 Infravermelho térmico: 10.52-0.41 11 bits 3-7 dias 4.90 1. O nome “varrimento laser” resulta da forma como as medições são efectuadas.55-1.68 Visível: 0.45-0.4-12.76-0.90 Visível: 0.5 Pancromática: 0.48-0.89 Infravermelho: 1.9 dias 11 bits 4 1.5 dias 0.76-0.35 Infravermelho térmico: 10.58-1.90 Visível: 0.4.76-0.61-0.45-0.5 – 5 Spot 5 Sensor HRG 10 2002 8 bits 26 dias 20 1 IKONOS 1999 2.63-0.78-0.52 0.50-0.4-12.55-1.Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 77 Tabela 4.90 Visível: 0.90 Radiométrica Temporal 30 Landsat 5 1984 8 bits 16 dias 120 15 Landsat 7 1999 30 8 bits 16 dias 60 10 Spot 4 Sensor HRVIR 1998 20 8 bits 26 dias 2.75 2.52 0.50-0.45-0.75 2.71 Visível: 0.5 Pancromática: 0.52 0.2 – Características dos sensores de alguns dos satélites que recolhem imagens da superfície da Terra.52 0.45-0.50-0.

assim. Em muitos sistemas é acoplado ao sensor de varrimento laser uma máquina fotográfica digital métrica. determinar as coordenadas tridimensionais do ponto que o reflectiu. em cada segundo.9 – a) Levantamento de uma barragem com um sistema de varrimento laser.78 Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos sistemas de varrimento laser são também conhecidos por LIDAR. que significa “LIght Detection And Ranging”. b) Resultado do levantamento ilustrado em a) . conhecendo a distância percorrida pelo raio até ser recebido pelo sensor. construir perfis ou vectorizar informação. O princípio usado no LIDAR consiste na medição da distância entre o sensor e o ponto que reflecte cada pulso laser emitido. A posição tridimensional (coordenadas X. O Lidar é constituído por um sensor activo que emite. o que permite. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .nuvem de pontos com textura. é possível. por exemplo. que permite identificar a textura correspondente a cada ponto recolhido. a) b) Figura 4. As distâncias observadas são processadas num software proprietário e disponibilizadas como uma nuvem de pontos no formato XYZ. fazer medições sobre o modelo. Colorindo cada ponto da nuvem de pontos com a cor adequada obtém-se uma representação tridimensional muito realista do objecto de estudo (ver Figura 4. Y e Z) da plataforma onde está colocado o sensor é conhecida. obtida a partir das fotografias digitais (Artscan). conhecendo-se as coordenadas tridimensionais de todos os pontos. um feixe de luz que é composto por milhares de pulsos laser. assim como a orientação do raio emitido. Com os sistemas de varrimento laser obtém-se um modelo tridimensional das zonas levantadas.9).

nuvem de pontos com textura e grelha tridimensional (Artscan). Figura 4. Da esquerda para a direita: nuvem de pontos coloridos. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .Textos de apoio de Topografia – Outros métodos de aquisição de métodos topográficos 79 Figura 4.11 – Modelo digital de superfície obtido com LIDAR aéreo.10 – Representação tridimensional do Laboratório Chimico (Universidade de Coimbra). ou a partir de plataformas aerotransportadas (aviões ou helicópteros) para obter modelos digitais da superfície da Terra (ver Figura 4. Os sistemas de varrimento laser podem ser usados no terreno para fazer modelos digitais de obras de Engenharia ou monumentos.11).

........25 m 1/25 000 . 50 Ao valor da equidistância natural reduzida à escala da carta dá-se o nome de equidistância gráfica (e)........ deve adoptar-se uma equidistância menor.............1 ........ curvas de nível e recorrendo a modelos digitais de terreno.....................Curvas de nível Neste tipo de representação considera-se o terreno cortado por planos de nível equidistantes... das linhas resultantes da intersecção desses planos com o terreno.......... Junto a cada curva de nível é indicada a sua cota..... A representação do relevo com curvas de nível é muito sugestiva..........5 m 1/5 000 ...............1 m 1/500....... À distância constante entre as curvas de nível dá-se o nome de equidistância natural (En)... que..Representação do relevo de uma região com curvas de nível..... sendo as mais frequentes a representação com pontos cotados.. Chama-se curvas de nível à projecção.. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra ..1............1.... o relevo do terreno e o objectivo do levantamento. 5... 0.. é de 10 m....... para terrenos muito pouco acidentados.... sobre a superfície de referência... deste modo: e= En L Para escolher a equidistância natural das curvas de nível a representar numa carta é necessário ter em consideração a escala da carta. 60 En 50 40 30 60 40 30 Figura 5...... Altimetria Existem várias formas de representar o relevo do terreno......... Inversamente... o que dificulta a leitura da carta...................5 m 1/1 000 .80 Textos de apoio de Topografia – Representação topográfica 5......2............5 m Em terrenos muito acidentados deve aumentar-se o valor da equidistância para que as curvas de nível não se apresentem muito próximas..... Representação Topográfica 5.... no caso da Figura 5.......10 m 1/10 000 .............. Em Portugal são normalmente utilizadas as seguintes equidistâncias para as escalas indicadas: ESCALA En 1/50 000 .......

AB – Linha de festo ou de separação de águas A 110 100 90 80 B Figura 5. Formas fundamentais do relevo Apresenta-se de seguida a representação de formas básicas do relevo com curvas de nível. Tergo .Textos de apoio de Topografia .3 . 5.2.1.Representação de um tergo com curvas de nível. A linha de maior declive é perpendicular às curvas de nível. A noção de declive pode também aplicar-se a pontos das curvas de nível e chama-se linha de maior declive à linha do terreno que forma o maior ângulo com o plano horizontal.É a forma de relevo constituída pela intersecção de duas superfícies com a concavidade voltada para baixo. consequentemente. entre dois pontos A e B é designada por declive e o seu valor é dado por: ∂ AB = tgδ = dN AB AB B A δ horizontal Figura 5. em relação à horizontal.Representação topográfica 81 A tangente trigonométrica da inclinação δ do terreno.2 – Declive entre A e B. A identificação imediata destas formas quando representadas em cartas topográficas facilita a leitura das cartas. a observação das curvas de nível dá uma ideia da forma do relevo. Na representação de um vale as curvas de nível aparecem com a concavidade voltada para a base do terreno. Vale – A representação de um vale é constituída pela intersecção de duas superfícies com a concavidade voltada para cima. Na representação dum tergo as curvas de nível aparecem com a concavidade virada para a zona mais elevada do terreno. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . É evidente que quanto menor for a distância entre as curvas de nível maior é o declive do terreno nessa zona.

82

Textos de apoio de Topografia – Representação topográfica

100 90 80 70
C

D

CD – Talvegue ou linha de junção de águas

Figura 5.4 - Representação de um vale com curvas de nível

Todas as outras formas de relevo aparecem como uma associação de tergos e vales. Assim:

Colina, outeiro ou monte é uma associação de dois tergos.

110 100 90 80 70
Figura 5.5 - Representação de uma colina com curvas de nível.

Bacia ou covão é uma associação de dois vales.

80 90
Figura 5.6 - Representação de uma bacia ou covão com curvas de nível.

100 110

Colo, portela ou garganta é uma combinação adequada de dois tergos e dois vales.

Figura 5.7 - Representação de um colo, portela ou garganta com curvas de nível.

5.3.Pontos cotados
A representação do relevo com pontos cotados consiste em representar a posição planimétrica e altimétrica de um conjunto de pontos do terreno. Estes pontos são assinalados na carta, sendo a sua cota impressa junto ao ponto.

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Textos de apoio de Topografia - Representação topográfica

83

Os pontos escolhidos para representar o relevo devem defini-lo perfeitamente. Assim, os pontos devem ser escolhidos de modo que entre cada ponto e os pontos mais próximos se possa considerar constante a inclinação do terreno, dentro da precisão exigida. Tais pontos chamam-se pontos notáveis do terreno. Assim, a inclinação do terreno entre dois pontos notáveis A e B é a inclinação da recta que passa por eles.

5.3.1.

Casos em que se utilizam pontos cotados

Como a representação do relevo com pontos cotados é pouco sugestiva não é muito usada, embora, em certas situações, se torne útil. São a seguir expostos alguns casos em que isso acontece.
5.3.1.1. Representação de zonas urbanas

Nos arruamento escolhem-se para pontos cotados os pontos de mudança de declive e os pontos dos cruzamentos dos eixos das vias (ver Figura 5.8).

Figura 5.8 - Representação do relevo de uma região urbana com pontos cotados.

5.3.1.2. Representação de regiões pouco acidentadas

No caso de o terreno ser quase plano pode fazer-se a representação do relevo com pontos cotados. A densidade dos pontos a representar é função da precisão exigida.
5.3.1.3. Completagem do traçado das curvas de nível

Quando o relevo é representado por curvas de nível, os pontos com maior e menor altitude são sempre pontos notáveis do terreno e são representados como pontos cotados (ver Figura 5.9). Podem ainda representar-se outros pontos de interesse especial para o trabalho em questão.

76 86 78

Figura 5.9 – Representação do relevo com curvas de nível e pontos cotados.
Pontos cotados Curvas de nível

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Textos de apoio de Topografia – Representação topográfica

5.4.Modelos digitais de terreno
Um modelo digital de terreno (MDT) é uma representação numérica e matemática do relevo do terreno. A partir de um conjunto discreto de pontos, com coordenadas planimétricas ( x, y ) e cota z conhecidas, é possível construir, utilizando métodos de interpolação, uma superfície z = f(x, y) . Esta superfície é uma modelação digital do terreno e permite estimar o valor da altitude em qualquer ponto. Note-se que, sendo os valores de z obtidos através de uma função, a cada ponto do terreno ( x, y ) apenas pode ser atribuído um valor de z, não sendo portanto possível representar, por exemplo, cavernas ou paredes verticais. A aquisição de informação para a construção de um MDT pode ser feita por processos fotogramétricos, curvas de nível de mapas já existentes, trabalhos taqueométricos, dados obtidos através de detecção remota ou varrimento laser, ou qualquer outro tipo de métodos ou sistemas que permitam a obtenção de coordenadas planimétricas e altitude de pontos do terreno.

5.4.1.

Construção de um MDT

O processo de recolha de dados dá origem a um conjunto de pontos de cota conhecida. Para a construção de um modelo digital de terreno coerente é necessário estabelecer relações topológicas entre estes pontos e escolher um método de interpolação que origine uma superfície que se aproxime da forma do terreno. As estruturas de dados utilizados para a modelação do terreno são as grelhas rectangulares de pontos (GRID), ver Figura 5.10a), e as redes irregulares de triângulos (Triangulated Irregular Network TIN), ver Figura 5.10b). As vantagens e desvantagens de ambas as estruturas de dados são expostas na Tabela 5.1.

a)

b)

Figura 5.10 - a) Grelha rectangular (GRID). b) Rede irregular de triângulos (TIN).

Tabela 5.1 Vantagens e desvantagens das grelhas regulares e das redes irregulares de triângulos.

Vantagens
• Grelhas rectangular (GRID) • • O seu manuseamento em computador é simples; É mais simples construir modelos de interpolação para grelhas rectangulares. Permitem representar o terreno com maior fiabilidade. São necessários menos pontos para se construir um MDT com determinada precisão. • •

Desvantagens
A densidade de pontos não pode ser aumentada para se adaptar à complexidade do relevo; É necessário um grande número de pontos para ser possível fazer a representação do relevo com determinada precisão; Não conseguem descrever características estruturais do terreno como características topográficas . São mais complexos e mais difíceis de manusear; É mais difícil construir o modelo de interpolação.

Rede Irregular de Triângulos (TIN)

• •

• •

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Figura 5. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .Modelo tridimensional do terreno obtido a partir de um MDT.Textos de apoio de Topografia . por exemplo.12 – Representação tridimensional do terreno com curvas de nível obtidas a partir de um MDT.Representação topográfica 85 5.11 – Representação tridimensional do relevo utilizando uma rede irregular de triângulos (TIN).13 . visualizar o terreno a três dimensões. representá-lo recorrendo a diagramas de blocos.4. regiões de visibilidade. sendo portanto de muita utilidade em muitas áreas de Engenharia Civil. calcular volumes de aterro e escavação. Exemplos de aplicação dos MDT Os modelos digitais de terreno permitem. mapas de sombreados ou com as tradicionais curvas de nível. Figura 5. Figura 5.2. declives ou orientação de encostas.

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .14 – Mapa de relevo sombreado construído a partir de um MDT.86 Textos de apoio de Topografia – Representação topográfica Figura 5.

onde: • • a implantação de obras consiste na transferência para o terreno do projecto de uma obra.Textos de apoio de Topografia . torna-se necessário. por exemplo. sendo utilizados métodos análogos aos utilizados nos levantamentos topográficos. no planeamento e ordenamento do território e na área da construção de infra-estruturas. arquitectura. que têm como objectivo verificar se a obra está a ser executada de acordo com o projecto. por exemplo. ambiente. como medida de segurança.Representação topográfica 87 6. etc. arqueologia. engenharias. a construção de obras de grande dimensão tem de ser acompanhada com operações topográficas. Aplicações A Informação Geográfica é cada vez mais utilizada em muitas áreas. em obras de grande responsabilidade e após a sua conclusão. No âmbito da Engenharia Civil este tipo de informação é importante. • Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . em hidráulica. estudar periodicamente o seu comportamento. como.

João. Fernandes.. Heller.Curso Geral ". Oxford University Press. Publicação do Instituto Geográfico do Exército. Harper & Row. (2000) “Cartas e Projecções Cartográficas”. (2005) “GPS . Burrough. F. Mikhail. Segante. John Wiley & Sons. A. J. Instituto Geográfico do Exército (1998) “Sistemas de Referenciação”. Canadian GPS Associates. Gaspar. R. J. P. Paulo C. Baio. Library of Congress Cataloging in Publication Data.Sistema de Posicionamento Global”. Inc. David (1987) “Guide to GPS Positioning”. T. Arthur H.. Inc. Peixoto (1991) "Topografia .. EESC/USP. Lidel. A. Mikhail. Moffit. M. A. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . E.88 Textos de apoio de Topografia – Aplicações Referências Antunes.Lisboa.. John Wiley & Sons. (1991) “Digital Terrain Modeling”. Instituto Geográfico do Exército (2004) “Manual de leitura de cartas”. (1985) “Elements of Cartography”. Chipman.. (2005) “Topografia Geral”. Lillesand. Matos. Davis.Theory and Practice". Francis. . New York.Revista de Engenharia. Publishers. Associação dos estudantes do I.S. Fonseca. (2004) “Detecção Remota”. Lidel. (1998) “Principles of Geographical Information Systems”. Xerez. Weibel. R. John Wiley & Sons.. (1983) “Electronic Surveying in Practice”. John Wiley & Sons. Robinson. J. Casaca. Kiefer. In: Geographical information Systems: principals and applications. F. (1980) “Photogrammetry”. Departamento de Matemática da FCTUC. Lidel. New York. Técnica . Laurila. (1978) "Topografia Geral". R.. E. Publicação do Instituto Geográfico do Exército. McDonnell R.A.(1981) "Surveying . S. M. A. Wells. (2004) “Remote Sensing and Image Interpretation”.T. J.

Textos de apoio de Topografia –Anexo 1: Formulário A1 .Formulário BC CA AB = = ˆ sin B sin C ˆ ˆ sin A 2 2 2 ˆ AB = AC + BC − 2ACBC cos C A b c C a B MB = M A + AB sin ( AB ) PB = PA + AB cos ( AB ) tg ( AB ) = MB − M A PB − PA AB = E R0 = ( EA) − ( MB − MA ) + ( PB − PA ) 2 EA 2 R zero de uma estação Fórmula taqueométrica da distância para mira vertical Nivelamento D = G sin2 z G = KS dN AB = N B − N A Nivelamento trigonométrico dN AB = h + i − Av H = D ( cotg zT − cotg zB ) Nivelamento geométrico h = D cotg z dN AB = A − B A = ' A − DA tg β Intersecção directa e lateral PQ − PA = ( MB − M A ) − ( PB − PA ) tg ( BQ ) tg ( AQ ) − tg ( BQ ) MQ − M A = ( PQ − PA ) tg ( AQ ) PQ − PA = ( MQ − M A ) cotg ( AQ ) MQ − M A = ( PB − PA ) − ( MB − MA ) cotg ( BQ ) cotg ( AQ ) − cotg ( BQ ) Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .1 Anexo1 .

por exemplo. Calcular o rumo ( AO ) = ( AC ) + CAO . depois de calcular θ = R − γ ) sin α ˆ ˆ 7. sendo CAO = 200 g − γ − β 8. Calcular os ângulos α e β a partir das leituras azimutais: α = OA − OB e β= OC − OA . determinar γ utilizando cot γ = cot R + 6. Determinar o ângulo φ . 2. Tendo em atenção que 0 < γ < 200 g .A1 . 3. B e C. Calcular MO = M A + AO sin ( AO ) e PO = PA + AO cos ( AO ) Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . ( AC ) e ( AB ) a partir das coordenadas de A. a diferença entre rumos: φ = ( AB ) − ( AC ) . Determinar R = 400 g − (φ + α + β ) . 5. 4. AB . Determinar a distância AO utilizando AO = de AO = b sin α c sin β sin R AC sin γ (pode confirmar-se o resultado através sin β AB sin θ . Calcular as quantidades AC .2 Textos de apoio de Topografia – Anexo 1: Formulário Intersecção Inversa A c B θ B θ b C B c φ A b γ α C α φ γ C γ O θ β b α c β φ β O O (a) (b) A (c) 1. utilizando.

3 Poligonação A' α0 d1 A 1ª FASE: CÁLCULO DOS RUMOS α1 α2 d2 2 d3 α3 B' α4 d4 B 1 3 1) Cálculo dos rumos ( AA ' ) e ( BB ' ) : tg ( AA ' ) = M A' − M A PA' − PA tg ( BB ' ) = MB ' − MB PB ' − PB 2) Cálculo de ( BB ' ) * : ( A1) = ( AA ' ) + α 0 (12) = ( A1) + α1 ± 200 g ( 23 ) = (12) + α 2 ± 200 g ( 3B ) = ( 23 ) + α 3 ± 200 g ( BB ' ) = ( 3B ) + α 4 ± 200 g ( BB ' ) * = ( AA ' ) + ∑ α i − 200k i =0 4 (k inteiro) 3) Determinação do erro de fecho angular e verificação da tolerância: ε a = ( BB ' ) − ( BB ' ) * Tolerância angular: Alta precisão: Ta = n → número de ângulos ( n )' Média precisão: Ta = 2 n ' ( ) Baixa precisão: Ta = 4 n ' ( ) 4) Cálculo dos ângulos corrigidos 5) Cálculo dos rumos definitivos α 0 = α 0 + c0 α1 = α1 + c1 α 2 = α 2 + c2 α 3 = α 3 + c3 α 4 = α 4 + c4 c0 c1 c2 c3 c4 ( A1) = ( AA ' ) + α 0 (12) = ( A1) + α 1 ± 200 g ( 23 ) = (12) + α 2 ± 200 g ( 3B ) = ( 23 ) + α 3 ± 200 g ( BB ' ) = ( 3B ) + α 4 ± 200 g εa 5 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .Textos de apoio de Topografia –Anexo 1: Formulário A1 .

05 Média precisão: Tl = 0.01 L + 0.A1 .06 L L = ∑ di (comprimento da linha poligonal) 3) Cálculo das coordenadas relativas corrigidas: ∆M1 = ∆M1 + m1 ∆M2 = ∆M2 + m2 ∆M3 = ∆M3 + m3 ∆M4 = ∆M4 + m4 m1 m2 m3 m4 = = = = ∆M1 ∆M2 ∆M 3 ∆M 4 p p1 p p = 2 = 3 = 4 = ∆P1 ∆P2 ∆P3 ∆P4 4) Cálculo das coordenadas definitivas: ∆P1 = ∆P1 + p1 ∆P2 = ∆P2 + p2 ∆P3 = ∆P3 + p3 ∆P4 = ∆P4 + p4 ∑ ∆M i εM m j = ∆M j i ∑ ∆M ∑ ∆P εP i εM i ∑ ∆P εP p j = ∆Pj M1 = M A + ∆M1 M2 = M1 + ∆M2 M 3 = M 2 + ∆M 3 M B = M 3 + ∆M 4 P1 = PA + ∆P1 P2 = P1 + ∆P2 P3 = P2 + ∆P3 PB = P3 + ∆P4 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .2 Textos de apoio de Topografia – Anexo 1: Formulário 2ª FASE: CÁLCULO DAS COORDENADAS 1) Cálculo das coordenadas relativas provisórias: ∆M1 = M1 − M A = d1 sin ( A1) ∆M2 = M2 − M1 = d2 sin (12 ) ∆M3 = M3 − M2 = d3 sin ( 23 ) * ∆M4 = MB − M3 = d4 sin ( 3B ) * M B = M A + ∑ ∆M i * ε M = MB − MB ∆P1 = P1 − PA = d1 cos ( A1) ∆P2 = P2 − P1 = d2 cos (12 ) ∆P3 = P3 − P2 = d3 cos ( 23 ) * ∆P4 = PB − P3 = d4 cos ( 3B ) * PB = PA + ∑ ∆Pi * ε P = PB − PB 2) Cálculo do erro de fecho linear e verificação da tolerância: 2 2 εl = εM + εP Tolerância linear: Alta precisão: Tl = 0.005 L + 0.1 Baixa precisão: Tl = 0.

154 m Calcular os restantes lados do triângulo. b) Determinar a área do triângulo. o b) Converter o ângulo dado no sistema sexagesimal 265 15´ 32´´ para o sistema centesimal. Resolva o triângulo [ABC] de que se conhecem: BC = 31.94 m.1 Anexo 2 – Exercícios 1.90 m.0407 g AB = c = 275. 1797. b = 597.90 m. 8.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .8315 g ˆ B = 53. Calcule a altura de um poste vertical.70 g AB = 18. Os lados de um triângulo medem 1046. sabendo que: AB = 200. Efectuar as seguintes conversões: g a) Converter o ângulo do sistema centesimal 125.12 m ˆ B = 32. No triângulo [ABC] conhecem-se os elementos: CA = 27. 2. 4. 443g Nota: Ter em atenção que AB é o maior lado do triângulo [ABE]. quando a inclinação dos raios solares é de 40. a) Determinar a projecção de b sobre a. 5. 7. No triângulo [ABC] sabe-se que a = 543.54 m e 1318. 20 m BC = 56. b) Calcular a área do referido triângulo.35 g.3475 para o sistema sexagesimal.30 m ˆ B = 30. No triângulo [ABC] conhecem-se os seguintes elementos: ˆ A = 35.77 m ˆ B = 41. Determine a distância de um ponto E ao alinhamento definido pelos pontos A e B. a) Calcular os ângulos do triângulo ao segundo.20 m. 9.95 m 6.260 m determine qual o comprimento dos arcos correspondentes aos seguintes ângulos ao centro: o a) 146 25´ 40´´ g b) 146 25` 40`` 3. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .60 m e c = 625. Num círculo de raio 276.16 g Determine os valores possíveis para a medida do lado AB .45 m. 41 m AE = 111. sabendo que a sua sombra projectada num terreno horizontal mede 2.

08 m e que [CD] é o maior lado do triângulo [ADC]. 16.20 g (CB ) = 257.46 g 15. 421g AB = 40. Calcule as distâncias AB e AC .16 m ˆ CDA = 32. AC = 35.A2 -2 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 10.72 m M D = −4607. 421g ˆ BAC = 42. Sabendo que: M C = −3804.54 m AC = 574. Para a execução de um determinado projecto mediu-se o comprimento do segmento AC tendo-se obtido 1210.75 m M C = −2416. Foram depois estacionados dois teodolitos nos pontos B e D do terreno.50m ( AB ) = 257. determine as coordenadas de A. determine as coordenadas de B e C. (CA) e (BC).27 m PD = 162514 m . sabendo que: BC = 468.08 m PD = − 3942. 26 m M A = 12604. (AC).125g PC = − 4696.25 g Sabendo que (AC) é um rumo do 4º quadrante. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .13 m 13. sabendo que: ( AB ) = 247. determine (CD) e CD . sabendo que os quatro pontos definem o quadrilátero [ABCD]. Sabendo que: PA = − 9063.01g ( AC ) = 139. situados em lados opostos de AC . 2577 g ˆ ADB = 70.46 m.36m ( BA) = 379.27 m M A = 572. tendo-se observado os seguintes ângulos: ˆ DBA = 49.3605 g ˆ BDC = 32. 14.9414 g Calcular o comprimento BD .625 g AB = 2041.6478 g ˆ CBD = 75. No triângulo equilátero [ABC] sabem-se as coordenadas de A: PA = −1085. Sabendo que: rumo ( AB ) = 346. 11. Determine as coordenadas do ponto B. PC = 4082.85 m e ainda: AB = 72.53 m M D = 324327 m .00 m e determine os rumos (BA).00 m 12.

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .28 P (m) 536.970 g F 220.136 g C 150. A.27 g ˆ E1 AB = 256.00 g . Calcular (BC). determine os rumos (EF) e (AE).30 P (m) -6538.59 g .3 17. No triângulo [ABC] são conhecidos os seguintes elementos: Vértices A C M (m) 8420. 20.42 g 23.82 g ˆ E BA = 76.70 -7642.000 g .004 g Sabendo que E1 E2 = 539. ˆ ˆ ˆ 18. b) Sabendo que (CE) = 124. A′ AB = 17.12 g 121. sabendo que ( AA′ ) = 200. No terreno encontram-se definidos os seguintes pontos: E1. as seguintes observações: Estação B Vértices Visados A C Leituras Azimutais 163. 420 g e (CB ) = 100.683 g.10 ( AB ) = 130.95 1336. determine E 2 E 3 e E 3 E1 .93 g .505 g Vértices Visados E2 113.61m .750 g a) Determine os ângulos AEB.18 g e ACB = 55.50 7648. 21.950 g --- E3 175. BEF e DEB .Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 . 19.34 Calcular o raio da curva circular passando pelos três pontos. No campo foi efectuado o seguinte registo de observações: Estações E1 E2 E1 --66. 22. AB = 18. Sabendo que: ( E1 A) = 64. BAC = 99. Estacionou-se um teodolito num ponto E do terreno e fizeram-se as seguintes observações: Vértices Visados Leituras Azimutais A 85. Resolva o triângulo [ABC] sabendo que BC = 3177 m. FED.246 g B 54. E2 e B. 44 g 2 determine (E2B). Calcular as coordenadas do ponto B. As coordenadas de dois pontos B e C relativamente a um referencial com origem no ponto A são: Vértices B C M (m) 449.95 m e que no vértice B se fizeram .177 g 13.23 692.001 g D 320.

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .47 g D 151. Para isso mediu-se um troço PQ = 10832 m e efectuou-se o seguinte registo de observações: .83 g São ainda conhecidos: M A = −2850.369g C D 142.24 g.427g B 68.00 426. EB = 860. b) (EA).A2 -4 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 24.17 g 157.91 g 86.60 m PA = 5346.64 g 226. 20 m AE = 640.95 g 398. determine CE .30 m a) Determine as coordenadas do ponto B.48 g --- Efectue o cálculo da referida distância.758g C 326. determine: a) R0E. b) Sabendo que (BC) = 60.140g A 2.25 g 364. 27. A e B são dois pontos inacessíveis do terreno.652 g Sabendo que C D determine AB . No campo fizeram-se as seguintes observações azimutais: M (m) 500.37 P (m) 800.70 g. 25. Estações P Q Vértices Visados (leituras azimutais) A B P Q 94. 23g 26.45 Estação E A 207. C e D são outros dois pontos na margem oposta.35 g --198. sabendo que os quatro pontos definem o quadrilátero [ABQP].75 g 96. A e B são dois pontos do terreno numa das margens de um curso de água.71 g Sabendo que (EC) = 284.96 g Vértices Visados B C 329.62 m ( CE ) = 240.00 328. Estacionaram-se dois teodolitos em C e D e obteve-se o seguinte registo de observações: Estações Pontos visados Leituras azimutais A 36. Com um teodolito estacionado em E fizeram-se as seguintes observações: Estação E Pontos Visados A B C Leituras azimutais 148. (EB) e (ED).394 g D B 41. cuja distância se pretende determinar.21 g 18.

31. 287 g .30 m A -6836. se 2 obtiveram as seguintes leituras azimutais: Vértices Visados Estação A B C D E 282.70 m C determine as leituras azimutais a fazer nos dois teodolitos. por intersecção de visadas.5 28. determine o R0E . Sabe-se que (BC) = 154. pretende implantar-se.287 64.32 g 154. determina as quantidades necessárias para implantar no terreno os pontos A. num dos pontos estacionados muniu-se o teodolito de uma declinatória e efectuou-se a seguinte leitura para o norte magnético: 204 g . Sabendo que o teodolito estacionado em B visa A com uma leitura de 100. C e D.26 g e que EC = 3 EB . com observações feitas no campo.50 m B -6524. Sabendo que. virada a Norte. 235 .62m 922. B e C são: M P -6480. C e D. A parte da frente de um terreno rectangular. 32. Para orientar aproximadamente um levantamento de pormenor. A e B são dois pontos do terreno referenciados por estacas. b) A leitura azimutal a efectuar para definir a pontaria para o ponto X tal que ( EX ) = 240. Admitindo que o norte magnético faz um ângulo de 7o W com o norte cartográfico. b) Considerando um teodolito estacionado no ponto médio de AB .00 m PB = 100. que R0 A = 232. alinhamento que é paralelo a AB .00m 500.54 g 90. 30.40 m 8366.70m determinar: a) ( EB ) .00m A 204. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . utilizando um ângulo e uma distância.969 302. Duma estação E visaram-se os pontos A. (EA) e (ED). obtendo-se o seguinte registo de observações azimutais: Pontos visados Estação A B C D 32. 29. 452 g e que as coordenadas de A. ( EC ) e ( ED ) a partir de R0 E . Com dois teodolitos estacionados nesses pontos. visando B a zeros.18 g 346.462 E Sabendo que as coordenadas de E e A são: M P E 500. que se destina a ser dividido em 5 lotes quadrados iguais.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 . 21 m M B = 241.25 g calcule R0E.000g. que definem o alinhamento posterior dos referidos lotes.80 m 8842.283 11.00 m PA = 188.00 m a) Determinar as coordenadas de duas estacas C e D. um ponto C.20 m 8494. é definida por duas estacas A e B que têm as seguintes coordenadas locais: M A = 100. B.

Com um teodolito estacionado em A e outro em B pretende definir-se.00 g e outro estacionado em C visando A com 0g. A e B são os pontos extremos de um alinhamento recto.325 g B A 100.000 g Determine a leitura a fazer em cada um dos teodolitos. admitindo que se visam mutuamente a zeros.00 m . sendo AB = 200. por intersecção de visadas. tem origem num ponto A definido no terreno por uma estaca. 36. O eixo de um túnel recto. e o seu ponto de saída vai ser o ponto S situado no segmento definido pelos pontos B e C do terreno.542 g C 46. 37. situados para lados opostos em relação ao alinhamento AC .00 m 35.80 m -6524. Para a demarcação das extremidades C e D e das marcas de grande penalidade X e Y de um campo de futebol. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . AB = BC .00 g e que a distância de B a [ AC ] é 16.00 m e PB = −100. B e C: A B C M -6480. para se definirem por intersecção de visadas os citados pontos.50 m .00 m . vai colocar-se uma estaca no ponto médio do alinhamento BC .30 m 8842.00 m . PA = −100.00 m 100.00 g.00 m . São conhecidas as coordenadas de A. que se encontra fora do segmento [AB]. sabendo que: M A = 100. Indique quais as leituras azimutais a fazer em cada um dos instrumentos.00. de tal modo que AE = 80. sabendo que se visam mutuamente a 100. tal que BS = BC . utilizando um teodolito estacionado em A e que visa B a zeros.20 m -6836. pretende definir-se. estacionaram-se dois teodolitos em A e em B. 34. No alinhamento definido por estes dois pontos está um ponto E. por intersecção de visadas. Sabendo que: ˆ AC = 50. dois outros pontos B e D. em projecto. No campo estacionaram-se dois teodolitos em A e B e fez-se o seguinte registo: Estações Vértices Visados Leituras azimutais B 300. Com um teodolito estacionado em A visando C com 100.00 m .00 m .70 m 1 3 Determine as quantidades necessárias para implantar no terreno o ponto S.00 m X Y 70. 11.A2 -6 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 33.40 m P 8494. AD = 20.00 m . Determine as leituras a fazer em cada um dos teodolitos. Por intersecção de visadas. determine quais as leituras azimutais a efectuar nos dois teodolitos quando visam B e D. sendo C um ponto inacessível.50 m 8366.000g A C 8.00 m . A e C são dois pontos do terreno. M B = −300. dois pontos C e D situados na mediatriz de [AB] e tais que CE = DE = 300. ADC = 100.

92 m 63403. SIMÃO EIRAS MATO --49. por intersecção de visadas.00 m B 608.173 g 47. Determine as coordenadas de B.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 . SIMÃO EIRAS MATO Vértices Visados (leituras azimutais) S.3836 g 0. nos cruzamentos A e B dos eixos dos arruamentos.000 g C 174. Estacionando dois teodolitos.7 38.00 m MB = 0. atendendo a que a largura dos arruamentos é 10.026 g B A 223.078 g 311.0725 g --- Calcule as coordenadas planimétricas do referido vértice.567 g 93.00 m Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .72 m -23643.471 g D 120.113 g --M -24328. C e D são dois pontos do terreno que distam entre si 200. b) 39.687 g --24. que se visam mutuamente a zeros. os pontos E e F. SIMÃO 41.00 m PB = 0.0493 g 50. Determine as leituras a efectuar nos dois teodolitos.00 m PA = 0.00 m e que A E D a) F C B MA = 50.950 g A C 0.0074 g 117.725 g C B 72.132 g 398. Observações de campo conduziram ao seguinte registo: Estações V. pretende implantar-se. sabendo que: M P -24426.18 m P 56490. 00 m . Para se determinarem as coordenadas do vértice MATO fez-se o seguinte registo: Estações S.30 m 40.53 m 1000.26 m S.47 m 1000.29 m 56112. Calcule as coordenadas de E e de F.0662 g 382. Na urbanização de um terreno pretende definir-se o lote rectangular [CFED].254 g A 368.00 m.86 m 64292.51 m EIRAS -26637.932 g Determinar as coordenadas de C e D sabendo que: M P A 1596. representado na figura. Visados L. azimutais B 352.4172 g --200. atendendo ao seguinte registo: Estações R B V e sabendo que: R V Vértices Visados (leituras azimutais) R B V --230. com uma frente CF = 70.00 m.

47 m 1596.00 m no sentido de S3 → E .308 g 205. que facilite a entrada das embarcações.572 g 59.626 g --384. Castro e Rosa são três vértices de uma triangulação topográfica independente. Para isso.60 m Estações Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .254 g --174.873g Efectue a referida determinação sabendo que: M P Moinho -12604.648g X 254.762 g 265.80 m 24406.000 --Sabendo que: M P Castro 608. a uma distância de E de 5000. é o ponto mais favorável para a entrada das embarcações na baía.00 m 1000. Pretende determinar-se as coordenadas dum ponto X do terreno.40 m S1 -9546.80 m 20408.026 g g g Monte 352.30 m Pico -11547. onde se localizam dois sinais luminosos nos pontos S1 e S2. determine (ES3).317 g Pico Moinho 203. Monte. utilizando os vértices de uma triangulação local. Vértices Visados (leituras azimutais) Estações Rosa Castro Monte Rosa --368. sendo X o ponto médio do lado Castro-Rosa. X ) .20 m 24783.A2 -8 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 42. situado a uma distância de S1 igual a 1/3 da distância S1S 2 e sobre o alinhamento definido pelos pontos S1 e S2.30 m 20785.950 0. A costa de uma baía é limitada por dois promontórios.53 m Monte 1000. 44. Observações de campo conduziram ao seguinte registo de leituras azimutais. c) Determine as coordenadas planimétricas de um ponto O (de orientação). azimutais) S1 S2 S3 --125.471 g Castro 223. fizeram-se as seguintes observações: Vértices Visados (l. fizeram-se as seguintes observações: Vértices Visados Leituras azimutais Pico 47. de coordenadas: M P -10605.80 m S2 Para construir um novo sinal luminoso num ponto S3 da costa da referida baía.231 g 190.904 g Moinho X 373. b) Sabendo que o ponto E. situado sobre o alinhamento definido pelos pontos S3 e E.124 g --- Estações S1 S2 S3 a) Determine as coordenadas planimétricas ajustadas do ponto S3. 43.00 m determine ( Monte.725 g 72.

00 150.00 125.00 -50.00 P (m) 100.92 m determine as coordenas planimétricas de Vala.125 346.906 g 140. M (m) −12604.904 373. Atendendo a que não era possível estacionar nesse ponto.00 46.308 47.959 e que os vértices E. Pretendem determinar-se as coordenadas de um ponto P situado no topo de um edifício. Atendendo ao seguinte registo de observações: Estações A Moinho e sabendo que: Vértices Visados Moinho Pico Pico A Leituras azimutais (g) 104.60 47. tendo-se efectuado o seguinte registo de observações Estações E D Vértices Visados R A R A Leituras azimutais (g) 80. 20 −11547.80 P (m) 24783. Determine as coordenadas do vértice A. D e R têm as coordenadas planimétricas indicadas.74 m 64918.874 g 208. tendose obtido o seguinte registo de observações: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .52 m Rocha −28209.648 Moinho Pico determine as coordenadas de A.08 m Barco −25808. E D R M (m) 100. estacionou-se um teodolito nos pontos C e D. sabendo que foi estacionado um teodolito nos pontos E e D.608 g Vértices visados Rocha Cova Barco 312. 48.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .411 12.16 m 66722.112 g e às coordenadas planimétricas: M P Cova −27504.145 179.30 24406.04 m 68404.00 50.626 29. Atendendo às seguintes observações azimutais: Estações Cova Vala Vala 30.9 45.

41 m 9189.9466 g Mouroços -27090.0915 g 42. Para coordenar o ponto A.374 363. estacionou-se no vértice T0 dessa triangulação e fizeram-se as seguintes observações azimutais: Estação V. Bernardo 5259.A2 -10 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios Estações C D Pontos Visados P B B P Leituras Azimutais (g) 138.84 -2 417.92 m 63403.92 -2 329.4842 g Determinar as coordenadas planimétricas de A sabendo que: M P S.33 m 61047. Para se efectuar a ligação de uma triangulação local à rede topográfica da cidade de Coimbra.46 m Azenha 6218.17 P (m) 5 428. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .2868 g 183.71 m a) Determinar as coordenadas planimétricas de T0 .65 m 56933.45 m 8984. b) Calcular o rumo (T0T1 ) .8710 g 65. C e D são: B C D M (m) -2 380.036 60.26 m Olivais -23218.94 m 50.4654 g 250. Simão -26637.7814 g Bernardo A Azenha Moinho 368.18 49. azimutais 0. Simão Olivais Sabendo que: M P S. 140.92 5 543.36 m Moinho 6169.06 5 690.89 m 9931. visados L.528 250. visados Morouços T1 L.260 Determine as coordenadas do ponto P sabendo que as coordenadas dos pontos B.60 m T0 S. azimutais S. um operador utilizou um teodolito por meio do qual obteve o seguinte registo de observações: Estação V.

15 m B -18906. sabendo que observações de campo conduziram ao seguinte registo: Vértices A 1 2 3 B P.2969 g M 7282.72 m 63986.8618 g 314.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .39 m 106.13 m 64132.64 m 147.08 m 7188.35 g 110. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . azimutais 247.24 m 90.67 m 63494.2090 g 149.98 m Determine as coordenadas planimétricas ajustadas dos vértices 1.66 m 106.73 g 349. Entre os pontos A e B de uma triangulação estabeleceu-se uma poligonal expedita.88 g 146. Visados A’ 1 A 2 1 3 2 B 3 B’ L.25 g 16. E e S são os pontos de encontro com o terreno de uma conduta aérea a construir numa dada região. Uma poligonal de precisão apoiada nos vértices A e B conduziu ao seguinte registo de observações: Estações A E S B Atendendo a que: V.3486 g 112.79 g Distâncias 90.40 m 52. azimutais 236.39 m determine as coordenadas ajustadas de E e de S.68 m Distâncias 153.60 g 369.96 m 52.12 g 15.94 g 226.32 m -3875.9323 g 397.80 m 100.62 g 386.2736 g 57. Visados B E A S E B S A L.72 g 100. Conhecem-se as coordenadas: M P A -18662.84 m 64.75 m B’ -18803.3280g 176.46 m A’ -18268.08 m 99. 2 e 3.18 m 52.28 m 63752.30 m 153.11 51.45 m A B P -3642.34 m 147.1802 g 181.46 m 64.

sabendo que M A = −10240.6393 18.4578 257. dN AB = 5. Determine o comprimento da projecção horizontal da referida distância. determine as coordenadas planimétricas ajustadas dos vértices A2. Qual a distância inclinada a que corresponde. 46 m. 67 m .60 92.A2 -12 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 53.1979 330.3162 Distâncias (m) 98. uma distância horizontal de 228.58 108.2596 25. 00 m e a distância de B ao ponto médio de [AC] é metade do comprimento deste lado.04 m 109. 58. A3.900 g Distância 117. Determinar o declive de A para C. PA = 6408.07 m . azimutais 168.033 g 226.06 92.04 81.79 106.00m e PA1 = 600. dN BC = −2.3350 167. A4 e A5. 2.376 g 279. A e B são pontos de cotas conhecidas: N A = 74.1915 188.787 g 119. A distância foi medida ao longo da encosta. Para o levantamento de um terreno estabeleceu-se a seguinte poligonal de média precisão: Estações A 1 2 3 4 V.382 g 22.181 g 56. PB = 5792.3964 150.56 106. determine dN BC . 3 e 4. Na observação de uma poligonal de média precisão obteve-se o seguinte registo de campo: Estações A1 A2 A3 A4 A5 V.93 m e que M B = −9816. Sabendo que dN AC = 12.90 98. 40 m .18 m 150.60 m? 57. Visados A5 A2 A1 A3 A2 A4 A3 A5 A4 A1 L.823 g 36.582 g 194.26 m 34. 55. numa encosta de declive 6%.81 108.62 81.88 m Sabendo que na estação A1 o instrumento apontou a zeros para o Norte Cartográfico. tendo-se obtido o valor de 440.289 g 124.82 m.18 m.7782 120. 56. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Visados B 1 4 A 2 1 3 2 4 3 A Leituras Azimutais (g) 338.32 m 34. 54.00m .584 g 215. No triângulo [ABC] do terreno sabe-se que o declive de A para B é de 18%.92 Determinar as coordenadas planimétricas ajustadas dos vértices 1. 62 m . o declive de B para C é de -5%.9257 109.45 m.18 m e N B = 115. sabendo que a diferença de cotas entre os pontos que a definem é de 17. e que M A1 = 600.2511 11. Mediu-se a distância entre dois pontos situados numa encosta de declive constante.

82 g 92.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 . b) Determine dN E1E2 . Para se determinar a altura de uma igreja estacionou-se um teodolito a 46.31 g 96. Para determinar a altura de um pára-raios situado no telhado de uma casa.13 59. Para se determinarem as cotas dos pontos B e C. 60. Num ponto A do terreno estacionou-se um teodolito à altura de i = 1. Com os teodolitos fizeram-se as seguintes observações zenitais: Estações E1 i = 1.58 m a) Efectue o cálculo pedido. Pontos Visados Topo Base Topo Base Leituras zenitais 87. colocada em B.29 m Efectue a referida determinação. 61.62 g Determine a diferença de nível entre A e B. 46 m E2 i = 1.23 g Efectue a referida determinação. estando a estação E2 mais próxima desta.64 g 100. 42 m e fizeram-se as seguintes observações zenitais para uma vara vertical. visados B Leituras zenitais Topo 96.42 m 104.00 m de altura: Estação A V. Visados A B C L.71 m 94.43 g 96. 62. 28m de uma empena vertical e fizeram-se observações zenitais ao topo e à base dessa empena Ponto visado Leituras zenitais Base 102.00 m.15 g 90. com 3.24 g Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . sabendo que a cota de A é NA = 220.40 g Empena Topo 85.58 g Distâncias 122. fizeram-se as seguintes observações: Estação E P.85 g Base 104. alinhados com o objecto a medir e distanciados de 15. zenitais 102. estacionaram-se dois teodolitos nos pontos E1 e E2 do terreno. As estações E1 e E2 encontram-se ambas localizadas do mesmo lado da casa.00 m.

utilizando uma vara de 2.44 g g 346.276 g 368.49 g Determinar a altura de cada coluna e a diferença de nível entre A e B.01 g --97. Em dois pontos A e B do terreno.430 g g 96.16 94.A2 -14 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 63.28 107.154 g 94.70 m . Pretende determinar-se a distância real entre os pontos A e B. a) Determine a capacidade do depósito (em litros). 65. Para tal. distanciados de 80.28 m 64. encontram-se duas colunas verticais onde assenta uma plataforma horizontal. determine o comprimento real do túnel.68 g 47. estacionou-se um teodolito num ponto E do terreno e. zC = 93. de onde são simultaneamente visíveis os pontos E e S. Com um teodolito estacionado num ponto C fizeram-se as seguintes observações: Pontos visados Coluna Topo em A Fundo Coluna Topo em B Fundo Leituras azimutais zenitais --95. 0. A figura representa. um depósito cilíndrico suspenso e centrado no ponto E do terreno e um teodolito estacionado num ponto P à altura 1. 51.00 m de altura. determine a cota da base do depósito. 24 m e AS = 52. situados em margens opostas de um rio. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . E e S são.74 g .00 m.19 101. o ponto de entrada e de saída de um túnel e encontram-se referenciados no terreno por estacas.26 g 102. 66.81g . fizeram-se as seguintes observações: Estação A Pontos Visados E S Leituras azimutais zenitais g 304.154 g 98.510 g 86g908 Efectue a referida determinação. obteve-se o seguinte registo de observações: Estação E Vértices Visados A Topo da vara em A B Topo da vara em B Leituras azimutais zenitais 368.18 m . b) Sabendo que N P = 208.39 m Observações zenitais para os pontos A e C conduziram aos seguintes valores z A = 87. De um ponto A.64m. respectivamente. em corte.25 g Sabendo que AE = 40.85 g g 52.104 g 86g908 g 98.

32 Leituras azimutais (g) 100.00 Cotas (m) 36. 42 m Pontos Visados Topo do pau da bandeira Estação B Topo do pau da bandeira L.832 18. B e C são três pontos de um alinhamento recto definido no terreno.120 --54.364 98. Para medir a altura da Torre da Universidade de Coimbra.00 300.00 m. estacionaram-se dois teodolitos nos pontos A e B.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 . visados Leituras zenitais (g) 98.18 g Base 103. determine a distância entre A e B.18 g Base 100.15 67.72 872.051 38. 69. Com um teodolito estacionado em E. Com um teodolito estacionado num ponto E fez-se o seguinte registo de observações: Estações A B C Determine o comprimento BC . tendo-se obtido o seguinte registo de observações: Estações A i = 1. Nos pontos A e B do terreno estão situadas duas colunas verticais de betão cujos topos se encontram ao mesmo nível.28 B Sabendo que: A B M (m) 528. sabendo que o terreno é plano na referida zona.53 C A i=1.240 98. distanciados exactamente de 10. leituras azimutais (g) 0.04 P (m) 647. 00m .30 m.05 g Coluna B 146. fizeram-se as seguintes observações: Leituras azimutais zenitais Topo 98. azimutais (g) 38.121 Efectue o referido cálculo.051 --- L.04g Coluna A 346.000 15. 70. B e C são três pontos de uma plataforma horizontal com AB = 30.15 725.852 68. A.18 44.32 determine as coordenadas planimétricas e a cota de C.55 m B i = 1. zenitais (g) 61.48 95.850 Leituras zenitais (g) 98.97g Topo 99. A. Com um teodolito estacionado em C obteve-se o seguinte registo de observações Estação V.68 g Sabendo que dNAB = 1. desde o terreno até ao topo do pau da bandeira. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .

73. Visados A B C Leituras azimutais zenitais 305.260 g Sabendo que EA = 92.60 g 103. 48m 2 96.499 g E i = 1.273 g 3 109.268 g na mira 2.000 --1.28 m determine: a) as cotas dos pontos 1.282 g 99. b) qual será a escavação. com i = 1. Pretende-se prolongar a estrada até ao ponto C do terreno.00 m. Estacionando-se um teodolito em E.222 --0. também a 40.74 m e EB = 98. A e B são dois pontos do eixo dum troço recto de uma estrada com declive constante.300 --2. b) o declive entre 1 e 2 e o declive entre 2 e 3.28 g E P2 206.64 g na mira 1.85 m . Para a construção de uma estrada fez-se o seguinte registo de observações: Estação Pontos Visados P1 Leituras azimutais zenitais 68. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .520 g 100.900 3. a efectuar em C. Considere o seguinte registo extraído de uma caderneta taqueométrica: Estação Pontos Visados 1 azimutais 78.402 g g 51.920 ---2. tendo já sido colocada no terreno uma estaca num ponto E. De um destes postes (poste nº 17 ) pretende derivar-se uma nova linha . fez-se o seguinte registo de observações: Estação E P. determine: a) o declive de A para B.100 Sabendo que NE = 33. Com um teodolito estacionado em E.136 1.400 Determinar o declive do troço [P1P2]. alinhado com A e B.372 g 20. 74.128 g 104. ou o aterro. 28 g .991 1.00 m do referido poste.034 g Leituras zenitais 87.226 101. Determinar a altura dos postes.720 --1. obtendo-se as seguintes leituras zenitais: z16 = 91.00 g 92.50 m . Numa zona plana passa uma linha de postes de alta tensão.A2 -16 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 71. 72. todos com a mesma altura e intervalados de 40.934 g 98. fizeram-se pontarias aos topos dos postes nº 16 e nº 18. mas de forma a manter o declive.39 g e z18 = 89. 2 e 3.

Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .706 369.500 ------1. linha C. b) Calcule a altura dos pilares a construir em A.56 m B D L.886 ------1.48 g 132.12 g L. cujo eixo em planta é a linha poligonal [ABCD]. Azimutais (g) A E B C Leit. b) Calcule a distância da linha de alta tensão ao terreno. Para isso.500 97.T. Com um taqueómetro estacionado em C fizeram-se as seguintes observações: Estação P. sabendo que a conduta entra no reservatório num ponto de cota 248.40 m.230 1.000 --1. Visados mira linha A. que se destina a transportar água para um reservatório situado em D. B e C do terreno. Visados A L. determine a altura da escavação a fazer em C. A conduta necessita de ter um declive constante de -2% no sentido de A para D. azimutais 125. Zenitais (g) 96.162 0.34 g --- L. a conduta deverá ser prolongada até ao depósito mantendo o mesmo declive. Uma linha de alta tensão e uma linha de telecomunicações cruzam-se a alturas diferentes.17 75.12 g 125. azimutais 160.000 1. A e B são pontos do eixo duma conduta e C é um ponto do terreno onde se pretende construir um depósito de distribuição de água que vai ser abastecido pela conduta. na mira 2. Na vertical do ponto de cruzamento colocou-se uma mira vertical e com um taqueómetro estacionado nas proximidades fizeram-se as seguintes observações: P.15 g 104.T.326 mira 2. em planta.000 a) Determine o comprimento da conduta. L.32 g 100.23 g 97.962 52.698 298.75m.740 --1.912 --2. zenitais 102.T. assente em três pilares verticais a construir nos pontos A. Sabendo que no campo se fizeram as seguintes observações: Estação Pontos Visados Leit.489 102.200 a) Determine a distância entre as duas linhas. Pretende estabelecer-se uma conduta aérea. zenitais 96.12 g 125.12 g 92.26 m e que o ponto A tem cota 248.44 g L. 77. por gravidade. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra .800 e que a altura do depósito vai ser 7.18 g C i = 1.400 1. 76. B e C.758 --1.930 ------2. na mira 1.

originou o seguinte registo de observações: Estação B Pontos Visados A C azimutais 163.785 1. na mira 1.510 --2.84 g na mira 1.73 g Leituras zenitais 105. zenitais 102.26 g 96. Um taqueómetro estacionado em B.000 0.878 Sabendo que a cota N1 = 100.42 g 153.78 g 202. Y e Z. azimutais 325.500 --1.932 1. 470m .321 0.025 1. à altura de 1.943 --1. determinar as cotas ajustadas de X.200 2.065 1.43 g 96.000m e a cota N 2 = 97.25 g 286.64 g 100. B e C. Num terreno com forma triangular foram definidos os vértices A. 79.644 --0.54 m. Para se efectuar o estudo de uma rede de saneamento fizeram-se as seguintes observações taqueométricas: Estação P. 80.25 m determinar N1.426 --0.64 g L.000 a) Sabendo que N3 = 254. b) Determinar o comprimento real da linha poligonal que passa nos vértices 1. b) Sabendo que NA = 204. 2 e 3.58 g C i = 1.53 m determinar as cotas de B e C.200 a) Determinar a área do terreno. Visados 1 L.56 m 2 3 L.457 --1.505 1. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . Y e Z duma linha de nivelamento fez-se o seguinte nivelamento geométrico apoiado nas marcas 1 e 2: Posições da mira 1 X Y Z 2 Niveladas (m) Atrás Adiante 1.842 --1. Para cotar três estacas X.A2 -18 Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios 78.

923 horizontalização 1. Procedeu-se a um nivelamento para determinar as cotas de duas marcas X e Y. obtendo-se o seguinte registo: Mira em A 1. apoiada na marca M com cota 202.172 1.140 m 0.536 m 1. determine NC .275 0.092 1.626 automática 1.289 ------A 1.987 m 1.173 1. visaram-se miras situadas em vários pontos do terreno.688 Determine as cotas ajustadas dos referidos vértices.459 1.852 B 1.960m .056 m 0. Mira em B 2.645 m.199 2.806 M ------0.812 1.703 m 1. Utilizando o registo de observações presentes na seguinte tabela e sabendo que as cotas dos pontos A e B são respectivamente N A = 60.048 0.548 m .567 m 1.548 m 1.293 2.292 Nível de 1.845 m 1. b) Sabendo que a cota de D é 248.240 83.844 m 0.268m.454 m 1.632 C 1.854 m 1.779 m 1. Pontos visados 82. determine as cotas ajustadas dos referidos pontos.355 m mira em C 1.655 2.706 2.138 X Y B 2.455 1.642 m a) Mostre que este nível tem erro de inclinação.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .19 81.732 m 1.632 m mira em B 1. Pontos A P1 P2 atrás 1.891 2.329 Sabendo que N A = 246.048 m 0.026 Mira em C 1. Com um nível de horizontalização automática obteve-se o seguinte registo de campo: Estações do nível 1 2 mira em A 1. necessárias para determinar a altura de uma ponte.954 Niveladas intermédias à frente 2. estabeleceu-se uma linha de nivelamento fechada. tendo-se obtido o registo: Niveladas atrás à frente M 1.913 84.493 1.184 0.694 Nível bloco 1.372 2. Com dois níveis estadiados. Para determinar a cota dos vértices A. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . B e C do terreno. um bloco e outro de horizontalização automática. determine NC.218 m ------ mira em D -----1. 276m e N B = 59.

A2 -20

Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios

85. Os pontos A, B, C e D definem um rectângulo com AB = DC = 20,00 m e AD = BC = 48,00 m . O

ponto E pertence a AD e AE = 15,00 m . Estacionando um nível em E e apontando para uma mira colocada em A e B, obtiveram-se as leituras 1,735 e 0,688, respectivamente. Em seguida, passou-se o nível para o ponto D e registaram-se as leituras 2,307; 1,248 e 1,546 para A, B e C, respectivamente. Admitindo que a cota de A é 100,000 m, determine as cotas de B e de C.
86. A e B são duas marcas de nivelamento de precisão de cotas respectivamente N A = 145,336 m e N B = 143,612 m . Com um nível bloco estadiado fizeram-se as seguintes observações sobre uma mira vertical colocada nos pontos A, B, e P: Mira em Leituras (m) 1,096 A 0,872 0,648 2,962 B 2,616 2,270 1,542 P 1,184 0,826 Determinar N P a partir de A e verificar o resultado obtido, a partir de B.

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Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios

A2 - 21

Soluções
1. a) 112º 48´ 45,9´´; b) 294g 73`21`` 2. a) 706,023 m; b) 634,667 m 3. 2,16 m 4. 5.

AC = 206,782m ; BC = 149,091 m

AC = 20,34 m;

ˆ ˆ A = 119,87 g ; C = 38, 43g

ˆ ˆ ˆ 6. a) A = 39,0712 g ; B = 109, 2238 g ; C = 51,7050 g ; b) Área = 682 455 m2
7.
AB = 50,59m ou AB = 47,63 m

8. a) proja b = 240,12m ; b) Área = 148 821 m2 9.

53,207m

10. BD = 991,97m 11. ( BA) = 146,421g ; ( AC ) = 388,842 g ; (CA) = 188,842 g ; ( BC ) = 79,747 g 12. M B = 11215,58 m

PB = −10559,97 m

13. (CD) = 126,075g; CD = 6170,16m 14. AB = 767,42m ; AC = 754,71m 15. M B = 516,09 m 16. M A = −4377,31 m 17. (E2B) = 44,65g 18. (BC) = 372,70g 19. M B = 10551,17 m 20. Raio = 1170,40 m

PB = −1130,38 m e M C = 505, 41 m

PC = −1058,67 m

PA = − 4654,71 m

PB = −7642,10 m

ˆ ˆ ˆ ˆ 21. a) AEB = 368,890 g ; FED = 100,220 g ; BEF = 166,614 g ; DEB = 133,166 g ; b) (EF) = 395,432g; (AE)
= 59,928g

ˆ ˆ ˆ 22. AC = 20,34m ; A = 119,87 g ; B = 41,70 g ; C = 38, 43g
23. E1E3 = 412,96m ; E2 E3 = 454,70m 24. AB = 103,51m 25. a) M B = −3474,85 m 26. AB = 1686,70m 27. a) R0E = 187,77g; b) (EA) = 395,73g; (EB) = 117,52g e (ED) = 339,48g 28. R0E = 41,83g; (EA) = 324,01g e (ED) = 196,08g 29. R0E = 187,987g 30. a) R0 E = 328,885 g ; ( EB ) = 393,854 g ; ( EC ) = 231,168 g ; ( ED ) = 340,347 g ; b)
EX

PB = 5963,69 m ; b) CE = 1633,37m

= 311, 402 g

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

A2 -22

Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios

31.

AC

= 388,777 g ;

BC

= 113,772 g

32. a)

M C = 223,36 m
MC

PC = 71,80 m ;
g

M D = 82,36 m
MD

PD = 160,01 m
g

b)

MA

= 200,00 g

e

MA = 83,16m ;

= 24,22 e MC = 89,56m ;
= 46,325 g
AD

= 175,78 e MD = 89,56m

33. 34. 35. 36. 37.

AM

= 364,633 g ;

BM

AC
AY AB

= 61,12 g ;
= 76,15 g ; = 62,86 g ;

BC
BY CB

= 300,00 g ;

= 100,00 g ;

BD

= 338,88 g ;

AX

= 19,39 g ;

BX

= 380,61g ;

= 323,85 g = 37,14 g ;
AD

= 173,80 g ;

CD

= 373,80 g

AC

= 25,13 g ;

BC

= 174,87 g ;

AD

= 174,87 g ;

BD

= 25,13 g

AS

= 391,77 g e AS = 315,73m
AE

38. a) ME = 45,00 m ; PE = 75,00m ; MF = 5,00 m ; PF = 75,00m ; b)
AF

= 95,76 g ;

BE

= 334, 40 g ;

= 65,60 g ;

BF

= 304,24 g

39. M B = −23891, 26 m 40. M MATO = −25587,14 m 41. M C = 1085,57 m 42. a)

PB = 56919,79 m
PMATO = 65802,38 m PD = 1463,17 m
(ES3) = 205,116g; c)

PC = 1465,55 m ; M D = 885,58 m PS3 = 19516,73 m ;
b)

M S3 = −10344,54 m

M O = −9851,09 m ;

PO = 25643,73 m
43. ( Monte, X ) = 343,857 g 44. M X = −12018,11 m 45. M A = 130,00 m

PX = 25416,33m

PA = 125,00m

46. M A = −12018,34 m 47. M VALA = −28288,80 m 48. M P = −2484,52 m

PA = 25416,08m
P = 66317,13m VALA PP = 5655,10m

49. M A = 5850, 28 m ; PA = 9744,64m ; 50. a) M T0 = −26556,78 m ; PT0 = 59093,32m ; b) (T0T1 ) = 257, 6230 g 51. M 1 = −18726,97 m ; P3 = 64042, 42m

P = 64069,72m ; 1

M 2 = −18776,50 m ;

P2 = 64086,98m ;

M 3 = −18823,60 m ;

52. M E = 7362,64 m ; PE = −3772,81m ; M S = 7291,61 m ; PS = −3902, 25m 53. M 1 = −10317,06 m ; P = 6470,69m ; M 2 = −10398,06 m ; 1 P3 = 6526,59m ; M 4 = −10220,83 m ; P4 = 6516,12m

P2 = 6467,17 m ;

M 3 = −10327,08 m ;

54. M A2 = 663, 25 m ; PA2 = 698,58m ; M A3 = 734,58 m ; PA3 = 566, 46m ; M A4 = 629, 27 m ; PA = 537, 47 m ;

M A5 = 616, 40 m ; PA5 = 569, 25m
55. 440,47 m 56. 229,01 m

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

dN BC = −28. b) N B = 211.29 m 76. HB = 4.66m 80.43m .067m .02 m. a) 4. a) N1 = 48.09m .046m Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra . 22 m . NY = 59. 435m 85. dN AB = 2. a) 1727 m2.00m .36m 61. b) 9.50m 63.905m 82. N P = 145.67 m 65.Textos de apoio de Topografia – Anexo 2: Exercícios A2 .99 m 72. a) N1 = 251. a) 174.281m 81. ∂ 23 = −33% 74.00 m 73.705m = dN AB 1 ≠ dN AB 2 = −0. AB = 98.82m 62. NC = 100.707m .250m . N Z = 100. PC = 688.030m 83.01m 68. NC = 223. b) H A = 3. N X = 99. H A = 6. BC = 60. NC = 201. HC = 5.35m . 4. M C = 709. N3 = 20. a) −0.6% 75.57 m. b) Aterro de 0.68 m 60. b) 297.34m .23 57. N B = 101. 36. N B = 230. HB = 6.55 m 71. a) ∂ AB = −2% .77m 58.723m . NY = 100. NC = 246. N 2 = 33.73m 77.10 m . ∂ AC = 7% 59. b) NC = 248. N X = 58.00m 67.00m . b) dN E1E2 = 4.496m . 83.48 m 66.88 m 78. NC = 30. N A = 201.985m Nível Nível 84. H = 12. 80.705m 86.45 m.285m .14m .673m . dN AB = −0.59m 70. N B = 201. NC = 214.15 m 79. b) ∂12 = −12% .43m 69.24m 64.86m . a) 15 394 b) NC = 215. ∂ P1P2 = 9.21m .99m . a) 4. 10.

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