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Funções hiperbólicas

directas e
inversas
C. Funções hiperbólicas directas
Vamos agora introduzir as funções hiperbólicas, apresentar algumas das suas proprieda-
des e esboçar os seus gráficos.

C1. Seno hiperbólico


O seno hiperbólico é a função

sh : R −→ R
ex − e−x (15)
x 7−→ .
2
Trata-se de uma função contı́nua, ı́mpar e estritamente crescente, logo injectiva. Possui
um único zero, a origem. Além disso, lim sh x = +∞, lim sh x = −∞.
x→+∞ x→−∞

y
y

x
2

y = sh x, x ∈ R, CDsh = R y = ch x, x ∈ R, CDch = [1, +∞[

C2. Cosseno hiperbólico


O cosseno hiperbólico é a função

ch : R −→ R
ex + e−x (16)
x 7−→ .
2
Trata-se de uma função contı́nua e par. Logo, não é injectiva. Não possui zeros e atinge
um mı́nimo na origem, com valor ch 0 = 1. Além disso, lim ch x = lim ch x = +∞.
x→+∞ x→−∞

C3. Tangente hiperbólica


A tangente hiperbólica é a função definida por

th : R −→ R
sh x (17)
x 7−→ ,
ch x
ou seja, por
ex − e−x
th x = , x ∈ R. (18)
ex + e−x

4
Trata-se de uma função contı́nua, ı́mpar e estritamente crescente, logo injectiva. Possui
um único zero, em 0. Além disso,
1
ex − e−x e2x − 1 1 − 2x
lim th x = lim x = lim 2x = lim e = 1, (19)
x→+∞ x→+∞ e + e−x x→+∞ e + 1 x→+∞ 1
1 + 2x
e
pelo que o gráfico da th possui uma assı́mptota horizontal de equação y = 1, para
x → +∞. Da imparidade da th, existe outra assı́mptota horizontal de equação y = −1,
para x → −∞. Tem-se ainda CDth = ] − 1, 1[ .
y

y
1
1
x

x
-1

-1

y = th x, x ∈ R, CDth = ] − 1, 1[ y = coth x, x ∈ R\{0}, CDcoth = R\[−1, 1]

C4. Cotangente hiperbólica


A cotangente hiperbólica é a função definida por

coth : R\{0} −→ R
ch x (20)
x 7−→ ,
sh x
ou seja, por
ex + e−x
coth x = , x ∈ R\{0}. (21)
ex − e−x
Trata-se de uma função contı́nua, ı́mpar e sem zeros. Apesar de não ser monótona, é
estritamente decrescente para x > 0, onde toma valores positivos, e para x < 0, onde
toma valores negativos. Logo é injectiva. Da definição (21), sai que

lim coth x = +∞ , lim coth x = 1, (22)


x→0+ x→+∞

pelo que o gráfico da coth possui uma assı́mptota horizontal de equação y = 1, para
x → +∞, e uma assı́mptota vertical de equação x = 0. Da imparidade da coth , existe
outra assı́mptota horizontal de equação y = −1, para x → −∞. Tem-se ainda CDcoth =
R\[−1, 1] .

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C5. Algumas propriedades
A partir das definições (15), (16), (18) e (21) das funções hiperbólicas, com manipulações
algébricas simples, é fácil verificar que estas funções verificam as seguintes propriedades:

(i) ch2 x − sh2 x = 1 , ∀x ∈ R;

(ii) ch x + sh x = ex , ∀x ∈ R;

(iii) sh(−x) = − sh x , ∀x ∈ R;

(iv) ch(−x) = ch x , ∀x ∈ R;

1
(v) th2 x + =1, ∀x ∈ R;
ch2 x
1
(vi) coth2 x − =1, ∀x ∈ R\{0};
sh2 x

(vii) sh(x + y) = sh x ch y + ch x sh y , ∀x, y ∈ R;

(viii) ch(x + y) = ch x ch y + sh x sh y , ∀x, y ∈ R;

(vii) sh(x − y) = sh x ch y − ch x sh y , ∀x, y ∈ R;

(viii) ch(x − y) = ch x ch y − sh x sh y , ∀x, y ∈ R.

Demonstração
(i) Seja x ∈ R, qualquer. Então
 2  2
ex + e−x ex − e−x
ch2 x − sh2 x = −
2 2
1 2x
e + 2 + e−2x − e2x + 2 − e−2x = 1.

=
4

(viii) Sejam x, y ∈ R, quaisquer. Então

ex + e−x ey + e−y ex − e−x ey − e−y


ch x ch y + sh x sh y = · + ·
2 2 2 2

ex+y + ex−y + e−x+y + e−x−y ex+y − ex−y − e−x+y + e−x−y


= +
4 4

ex+y + e−x−y
= = ch(x + y).
2

As restantes alı́neas demonstram-se de maneira semelhante.

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D. Funções hiperbólicas inversas
Vamos agora definir as funções hiperbólicas inversas. Como vimos na subsecção C, as
funções sh, th e coth são injectivas, enquanto que a função ch não é injectiva e, portanto,
não será invertı́vel. Para esta última, iremos considerar uma restrição apropriada.

D1. Argumento do seno hiperbólico


A função sh definida em (15) é contı́nua, bijectiva e possui inversa contı́nua. Trata-se
da função argumento do seno hiperbólico, que se define por

argsh : R −→ R
(23)
y 7−→ argsh y,

onde
x = argsh y , y ∈ R ⇐⇒ y = sh x , x ∈ R. (24)

Mas, para x ∈ R , tem-se

ex − e−x
y = sh x ⇐⇒ y =
2
e2x − 1
⇐⇒ y = ⇐⇒ e2x − 2yex − 1 = 0. (25)
2ex
A última condição em (25) traduz uma equação do segundo grau na incógnita ex .
Tratando-a com a fórmula resolvente, sai
p
ex = y ± y2 + 1 ,

sendo a solução com o sinal + a única admissı́vel, uma vez que


p
ex > 0 , ∀x ∈ R e y− y 2 + 1 < 0 , ∀y ∈ R.

Mas  
p p
ex = y + y 2 + 1 ⇐⇒ x = log y + y 2 + 1 ,

donde  
p
argsh y = log y + y 2 + 1 , ∀y ∈ R. (26)

As expressões (23) e (26) definem completamente a função argsh.

D2. Argumento do cosseno hiperbólico


A função ch definida por (16) não é injectiva, logo, não é invertı́vel. Como tal, definire-
mos a inversa da seguinte restrição bijectiva e contı́nua

ch : [0, +∞[ −→ [1, +∞[


(27)
x 7−→ ch x,

7
y

x
1

y = argsh x, x ∈ R, CDargsh = R y = argch x, x ∈ [1, +∞[ , CDargch = [0, +∞[

que se designa por argumento do cosseno hiperbólico e que é também uma função
contı́nua. Representa-se por

argch : [1, +∞[ −→ [0, +∞[


(28)
y 7−→ argch y,

onde
x = argch y , y ∈ [1, +∞[ ⇐⇒ y = ch x , x ∈ [0, +∞[ . (29)

Mas, para x ≥ 0 , tem-se


ex + e−x
y = ch x ⇐⇒ y =
2
e2x + 1
⇐⇒ y = ⇐⇒ e2x − 2yex + 1 = 0. (30)
2ex
A última igualdade de (30) traduz uma equação do segundo grau em ex , donde
p
ex = y ± y 2 − 1 .

Como x ≥ 0 =⇒ ex ≥ 1, a solução com o sinal + é a única admissı́vel (a solução com o


sinal − corresponderia à inversa da restrição do ch para x ≤ 0). Mas
p  p 
ex = y + y 2 − 1 , x ≥ 0 , y ≥ 1 ⇐⇒ x = log y + y 2 − 1 , x ≥ 0 , y ≥ 1,

donde  
p
argch y = log y + y 2 − 1 , y ∈ [1, +∞[ . (31)

A função argumento do cosseno hiperbólico fica completamente definida por (28) e (31).

D3. Argumento da tangente hiperbólica


A função tangente-hiperbólica definida em (17) é injectiva mas não é sobrejectiva. Para
poder inverter, basta considerar

th : R −→ ] − 1, 1[
(32)
x 7−→ th,

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que é bijectiva e, portanto, é invertı́vel. Sendo contı́nua num intervalo, a sua inversa é
contı́nua. Trata-se da função argumento da tangente hiperbólica, que se define por

argth : ] − 1, 1[ −→ R
(33)
y 7−→ argth y,

onde
x = argth y , y ∈ ] − 1, 1[ ⇐⇒ y = th x , x ∈ R. (34)

Para x ∈ R , y ∈ ] − 1, 1[ , tem-se

ex − e−x e2x − 1
y = th x ⇐⇒ y = ⇐⇒ y =
ex + e−x e2x + 1
r 
2x 1+y
⇐⇒ e (1 − y) = 1 + y ⇐⇒ x = log ,
1−y
donde r 
1+y
argth y = log , y ∈ ] − 1, 1[ , (35)
1−y
completando-se a definição do argumento da tangente hiperbólica com (33) e (35).

1
x
-1 1
x
-1

y = argth x, x ∈] − 1, 1[, y = argcoth x, x ∈ R\[−1, 1] ,


CDargth = R CDargcoth = R\{0}

D4. Argumento da cotangente hiperbólica


A função cotangente-hiperbólica definida em (20) é injectiva mas não é sobrejectiva.
Consideremos então
coth : R\{0} −→ R\ [−1, 1]
(36)
x 7−→ coth
que é bijectiva e, portanto, é invertı́vel. A sua inversa é contı́nua. Trata-se da função
argumento da cotangente hiperbólica, que se define por

argcoth : R\ [−1, 1] −→ R\{0}


(37)
y 7−→ argcoth y

9
onde
x = argcoth y , y ∈ R\ [−1, 1] ⇐⇒ y = coth x , x ∈ R\{0}. (38)

Para x ∈ R\{0} , y ∈ R\ [−1, 1] , tem-se


r 
y+1
y = coth x ⇐⇒ x = log ,
y−1
pelo que r 
y+1
argcoth y = log , y ∈ R \ [−1, 1], (39)
y−1

ficando assim completa a definição da função argumento da cotangente hiperbólica,


através das expressões (37) e (39).

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