DADOS PESSOAIS

ESCOLA PAULISTA DE RADIOLOGIA

ANDRÉ FERREIRA DE VASCONCELOS, 02 DANIEL DO NASCIMENTO CIRIACO, 10 ELIZABETE MARIA DE ARAÚJO, 16 LUCIMARA FERREIRA DE CARVALHO, 27

PROFESSORA ANDREZA

1|Página

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ......................................................................................................................................... 3 DOSIMETRIA PESSOAL ........................................................................................................................ 4 CONDIÇÕES DE PROTEÇÃO RADIOLOGICA EM RADIODIAGNÓSTICO .................................... 8 ACIDENTE RADIOLÓGICO EM GOIANIA ........................................................................................ 13 EFEITOS BIOLOGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES ............................................................... 20 PRINCIPIO DA OTIMIZAÇÃO ............................................................................................................. 27 PRINCIPIO DA JUSTIFICAÇÃO .......................................................................................................... 30 PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM RADIODIAGNOSTICO ............................................................ 32 LIMITAÇÃO DE DOSE EM TRABALHADORES COM RADIAÇÃO .............................................. 33 BLINDAGEM EM SALAS DE RADIODIAGNOSTICOS ................................................................... 35 RADIAÇÃO NATURAL E AMBIENTAL ............................................................................................ 38 CONTROLE DE QUALIDADE EM EQUIPAMENTOS RADIOLÓGICOS ....................................... 39 LEVANTAMENTO RADIOMETRICO AMBIENTAL ........................................................................ 41 AVALIAÇÃO DE FUGA DE RADIAÇÃO ATRAVES DO CABEÇOTE ........................................... 42 NOÇÕES DE BIOSSEGURANÇA......................................................................................................... 43 CONCLUSÃO ......................................................................................................................................... 47 QUESTIONÁRIO .................................................................................................................................... 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 49

2|Página

INTRODUÇÃO

O cenário atual em ambientes hospitalares mostra que, apesar dos esforços em investimento para o aprimoramento de profissionais, processos e equipamentos, pouco tem sido feito para prevenir o surgimento de lesões e enfermidades ocupacionais e de impactos ambientais também causadores de doenças ou outros danos. Em tais locais de trabalho são encontrados diversos tipos de riscos, que podem ser classificados como: desprezíveis, marginais, críticos ou catastróficos. No serviço de diagnóstico por imagem, um dos mais importantes instrumentos de apoio a inúmeras áreas da medicina, são observados atos e condições ambientais inseguras para o profissional, para o paciente, para o ambiente entre outros, dentre eles:  Preparação e manuseio de soluções tóxicas sem utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs);  Ajuda a pacientes deficientes com doenças contagiosas sem utilização de EPI;  Trabalhadores em ambientes onde há insalubridade resultante da presença de agentes químicos tóxicos fora dos limites estabelecidos por lei;  Trabalhadores e pacientes em ambientes onde há periculosidade, resultante da detecção de níveis de radiações ionizantes acima dos limites estabelecidos por lei;  Trabalhadores em ambientes com ventilação inadequada;  Aspectos ergonômicos em postos de trabalho em desacordo com as normas regulamentadoras;  Equipamentos defeituosos ou mal calibrados em operação, com conseqüentes riscos a trabalhadores e pacientes;  Salas com móveis, equipamentos e acessórios localizados inconvenientemente à segurança do trabalhador e à sua satisfação para realização de tarefas, dentre outros. Todos esses aspectos estão relacionados à biossegurança, que é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisas, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, tendo por finalidade a saúde do homem e dos animais, a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados. Este trabalho tem por objetivo apresentar as condições de trabalho de profissionais de serviços de radiologia estabelecendo medidas de segurança de acordo com as normas vigentes no Brasil bem como amenizar radiações desnecessárias ao paciente otimizando e justificando a prática de exames e apresentar como exemplo de negligencia, falta de informação, descaso, abandono, etc, o maior acidente radiológico do país.

3|Página

DOSIMETRIA PESSOAL

A Dosimetria Pessoal monitora a dose de radiação recebida por pessoa que trabalha rotineiramente com radiações em reatores ou técnicos em radiodiagnóstico e radioterapia em hospitais por um determinado período de tempo. A sua utilização é exigida para operadores de equipamentos emissores de radiação em Clínicas Radiológicas tanto Odontológicas como Médicas, Indústrias, Laboratórios, etc... A radiação ionizante absorvida fora dos limites admissíveis poderá acarretar danos biológicos e portanto deve ser precisamente monitorada. Uma das maneiras de medir a radiação é através de Dosímetros. Dosímetros são equipamentos utilizados para detecção de radiação e não necessitam estar associados com circuitos eletro-eletrônicos. Umas das maiores vantagens dos Dosímetros são as suas pequenas dimensões e o fato de não necessitarem de cabos ou equipamentos auxiliares durante a medida da dose. Como conseqüência disso, eles são adequados para um grande número de aplicações. O Dosímetro individual é a maneira mais utilizada para detectar exposições em operadores. A radiação ionizante provoca alterações físicas ou químicas em materiais que compõem um dosímetro permitindo avaliar se a dose está ou não abaixo dos níveis de restrição. Um dos tipos mais usados é o Dosímetro Termoluminescente
(TLD).

Alguns materiais cerâmicos, quando aquecidos após serem expostos à radiação ionizante, apresentam a propriedade de emitir luz. Este fenômeno é conhecido como radiotermoluminescência, ou simplesmente, termoluminescência, e o material que apresenta esta característica é denominado material termoluminescente. A dosimetria termoluminescente é a medida de doses de radiação por meio desses materiais. A importância no desenvolvimento de um material para dosimetria está associada ao grau de complexidade que envolve as várias aplicações onde são necessárias medidas de energia por unidade de massa (dose). O objetivo da dosimetria termoluminescente é determinar quanto de energia por unidade de massa do material (dose) foi absorvida durante a irradiação. Determina-se essa dose pelo acompanhamento da emissão da energia do material previamente exposto, durante o seu aquecimento. Os dosímetros termoluminescentes têm sido aplicados na dosimetria das radiações de diferentes tipos e qualidades:  Fótons de energia alta (raios - X e gama)  Fótons de energia baixa (raios - X moles)  Partículas carregadas de baixa transferência linear de energia -LET (partículas beta e prótons de energias altas)  Partículas carregadas pesadas (partículas alfa, prótons de energia baixa e fragmentos de fissão)  Nêutrons (rápidos e térmicos)  Radiações não ionizantes (UV e Laser) Os materiais Termoluminescentes que compõem um dosímetro e mais utilizados na monitoração individual são o LiF:Mg, Ti, o LiF:Mg,Cu,P e o Al2O3 , por possuírem número atômico efetivo próximo ao do tecido, e o CaF2 e o CaSO4:Dy, por sua alta sensibilidade projetado para medir radiações do tipo X e Gama. Os dosímetros devem ser acondicionados em Porta-Dosímetros plásticos, contendo filtros metálicos, que permitem a discriminação do 4|Página

tipo e da energia radiação incidente.Um Porta-Dosímetro é construído em ABS de alta resistência e baixo peso molecular, sendo completamente a prova de UV, possui lacre de segurança contra violação e modelos corpo inteiro e pulseira. Sua calibração é realizada através de sensores calibrados individualmente e tratamento de dados em EXCEL. O Sistema de Filtros:     Filtros hemisféricos que anulam a dependência angular Filtro n.º 1 - ABS Filtro n.º 2 - Cobre Filtro n.º 3 - Chumbo/Cobre

Leituras:  Os sensores são processados em Leitora Teledyne 310 totalmente operada em ambiente Windows  Sistema interno de código de barras que identifica o usuário e os sensores utilizados  As curvas geradas pelo ciclo térmico de cada sensor são gravadas em arquivo, permitindo futuras análises Intervalo de Energia:  20 keV a 1.250 keV Intervalo de Dose:  0,20 mSv a 2,00 Sv Algoritmo:  Combinação linear de três leituras que minimiza a dependência energética  Correção do "background"  Possibilita a estimativa da Energia Efetiva Média graficamente Relatórios:  Dose Mensal  Dose de extremidade  Dose Acumulada Anual Dimensões:  Altura: 55 mm  Comprimento: 34 mm  Largura: 12 mm Peso:  20g

Dentre várias outras opções de medição temos a Caneta Dosimétrica, desenvolvida para permitir a avaliação da dose recebida por um trabalhador durante a realização de um trabalho.
5|Página

 Nível de Intervenção : (4. Em período de férias é responsabilidade do usuário entregar o seu dosímetro aos responsáveis pelo controle dosimétrico. Limites de Doses Anuais Trabalhador  DOSE EFETIVA 20 mSv/ano* Público 1 mSv/ano** *Valor médio por um período de 5 anos. **Em casos especiais. extravio ou acidente com danos físicos ao dosímetro.Níveis de Referência  Nível de Registro : (0. não ultrapassando 50 mSv em um único ano.2 mSv). Relativo a um só evento.  DOSE EQUIVALENTE Cristalino Pele Extremidades 150 mSv/ano 500 mSv/ano 500 mSv/ano 15 mSv/ano 50 mSv/ano ------------- COMO UTILIZAR O DOSÍMETRO CORRETAMENTE/CUIDADOS.  O dosimetro não deve ser exposto a radiação solar.0 mSv) interfere com a cadeia normal de responsabilidades.  O dosímetro é de uso pessoal e intransferível. Interdição do serviço.  O uso do dosímetro não substitui a utilização de qualquer outro dispositivo de proteção pessoal.  Profissionais quando expostos a radiação decorrente de exames ou tratamento médico não devem utilizar o dosímetro durante estas intercorrências.  Deve o usuário observar o período de troca dos dosímetros em geral evidenciado pela cor dos porta-dosímetros.2 mSv) valor acima do qual justifica-se investigação.  No caso de irradiação acidental. pode ser usado um limite maior desde que o valor médio não ultrapasse 1 mSv/ano.  O dosímetro deve ser utilizado ao nível do tórax sobre a proteção (em caso de uso de avental de chumbo e/ou protetor de tireóide) para avaliação da dose equivalente na região do corpo em que é colocado.  Nível de Investigação : (1.  Não deve o mesmo dosímetro ser utilizado em duas instituições ou dois locais de trabalho.  O dosímetro deve ser mantido em local seguro afastado da fonte de radiação. 6|Página . e não transportado para fora da instituição. O usuário deve possuir um dosímetro para cada local de trabalho. o fato deve ser comunicado imediatamente aos responsáveis pelo controle dosimétrico. após o término do período de trabalho. afastamento do profissional para investigação. (aplicado no programa de monitoração individual).

As principais aplicações atuais podem ser agrupadas da seguinte maneira: 7|Página . uma vez que a TLD é uma técnica com imensa versatilidade.Muitas outras aplicações têm surgido nos últimos anos.

CONDIÇÕES DE PROTEÇÃO RADIOLOGICA EM RADIODIAGNÓSTICO Princípios Básicos de Proteção Radiológica No setor saúde. seus descendentes e seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados por radiação ionizante proveniente de fontes produzidas pelo homem e de fontes naturais modificadas tecnologicamente. Fontes de radiações ionizantes Durante toda a vida. onde a radiação ionizante encontra o seu maior emprego e como conseqüência. que a proteção radiológica pode ter um papel importante. de pouco domínio. 8|Página . os seres humanos estão expostos diariamente aos efeitos das radiações ionizantes. todo esforço deve ser direcionado no sentido de controlar e reduzir estes valores. Quanto à proteção radiológica. É neste aspecto. dentro desta categoria. os benefícios e riscos de técnicas alternativas disponíveis com o mesmo objetivo. o radiodiagnóstico é o que possui a maior porcentagem. todo esforço deve ser direcionado a fim de controlar seus efeitos nocivos. mesmo entre os profissionais da área. o que pode ser atingido através da aplicação efetiva dos preceitos de proteção radiológica. a maior exposição em termos de dose coletiva. A exposição médica deve resultar em um benefício real para a saúde do indivíduo e/ou para a sociedade. No entanto. é também onde mais são realizadas pesquisas no sentido de se produzir o maior benefício com o menor risco possível. Apesar dos esforços de alguns órgãos governamentais em difundir conhecimentos voltados para as atividades de Proteção Radiológica é ainda. Devido a esta constatação. Deve-se considerar a eficácia. Estas radiações podem ser de origem natural ou artificial. o conhecimento a respeito dos efeitos maléficos produzidos por exposições que ultrapassam os limites permitidos. Proteção radiológica Segundo a norma da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é o conjunto de medidas que visam proteger o homem. pouco podemos fazer para reduzir os efeitos das radiações de origem natural. Pode-se observar que a maior contribuição deve-se às irradiações médicas e. no que diz respeito às fontes artificiais. Essas medidas estão fundamentadas em três princípios básicos:  Justificação  Otimização  Limitação de doses individuais Justificação da Prática Nenhuma prática deve ser autorizada a menos que produza suficiente benefício para o indivíduo exposto ou para a sociedade. mas que envolvam menos ou nenhuma exposição a radiações ionizantes.

 É proibida a exposição ocupacional de menores de 16 anos.  As condições de trabalho devem garantir que a dose na superfície do abdômen não exceda 2mSv durante todo o período restante da gravidez. em estágio de treinamento profissional a dose efetiva anual não deve exceder o valor de 6mSv. Tais atividades devem ser planejadas. Limitação de doses individuais As doses de radiação não devem ser superiores aos limites estabelecidos pelas normas de radioproteção de cada país. sem que isso implique na perda de qualidade de imagem. Os métodos descritos a seguir podem ser adotados visando à redução de exposição às radiações. Esse princípio se aplica a todas as atividades que demandam exposições às radiações ionizantes.  A dose efetiva anual de indivíduos do público não deve exceder a 1mSv. exceto em treinamentos.     Tempo. Incide sobre o indivíduo considerando todas as exposições. Esse princípio não se aplica para limitação de dose ao paciente. Estudantes com idade entre 16 e 18 anos. A proteção radiológica é otimizada quando as exposições empregam a menor dose possível de radiação. Monitoração. 9|Página . o controle deve ser feito de maneira que:  A dose efetiva anual não deve exceder 20mSv em qualquer período de 5 anos consecutivos. não podendo exceder 50mSv em um ano. Exposições ocupacionais Nas exposições ocupacionais normais. Hábitos de trabalho. Para mulheres grávidas devem ser observados os requisitos adicionais:  A gravidez deve ser notificada ao titular do serviço tão logo seja constatada. Sinalização. blindagem e distância. Métodos de redução de exposição às radiações.Otimização da proteção radiológica O princípio da otimização implica em que as exposições devem manter o nível de radiação o mais baixo possível. decorrentes de todas as práticas que o indivíduo possa estar exposto. analisando-se em detalhe o que se pretende fazer e como será feito. nas práticas abrangidas pela Portaria 453. mas sim para trabalhadores ocupacionalmente expostos à radiação ionizante e para o público em geral.  Menores de 18 anos não podem trabalhar com raios-X diagnósticos.

blindagem e distância). é a maneira mais prática para se reduzir a exposição à radiação ionizante e quanto mais distante da fonte de radiação. para uma determinada técnica de exames. Sinalizações Monitoração O uso do dosímetro individual por parte dos Tecnólogos e Técnicos constitui o principal meio de avaliação da eficiência de um programa de controle de dose estabelecido e dos procedimentos adotados no serviço de radiodiagnóstico.Tempo. blindagem e distância A redução do tempo de exposição ao mínimo necessário.  Sempre utilizar acessórios plumbíferos e o dosímetro por fora do avental nos exames em que seja necessário permanecer próximo ao paciente.  O Tecnólogo e o Técnico deverão sempre utilizar seu dosímetro pessoal durante a jornada de trabalho. O dosímetro individual é de uso exclusivo do usuário no serviço para o qual foi designado.  As portas de acesso de instalações fixas devem ser mantidas fechadas durante as exposições. Hábitos de trabalho  Utilizar sempre as técnicas adequadas para cada tipo de exame. evitando a necessidade de repetição e reduzindo o efeito da radiação espalhada sobre o profissional das técnicas radiológicas.  Usando aparelhos móveis de raios X o profissional das técnicas radiológicas deve aplicar. 10 | P á g i n a .  Sempre posicionar-se atrás do biombo ou na cabine de comando durante a realização do exame. da melhor maneira os conceitos de radioproteção (tempo. menor a intensidade do feixe.

 Utilizar o dosímetro pessoal durante a jornada de trabalho. Proteção dos indivíduos ocupacionalmente expostos:  Efetuar rodízio na equipe durante os procedimentos de radiografia em leito e UTI.  Usando aparelhos móveis de raios X deve-se aplicar.por possuir um influência direta na qualidade e segurança da assistência aos pacientes. blindagem e distância).  Utilizar sempre as técnicas adequadas para cada tipo de exame.  Informar corretamente ao paciente os procedimentos do exame.  Otimizar seus fatores de técnica (tempo. exceto quando tais blindagens excluam ou degradem informações diagnósticas importantes.  Efetuar uma colimação rigorosa à área de interesse do exame. Portanto todo meio de proteção radiológica deve ser utilizado para que as doses. deve-se ter em mente que é o paciente que obtém o benefício do exame.  Sempre fazer uso de protetor de gônadas e saiote plumbífero em pacientes. principalmente nos trabalhadores.  Sempre utilizar acessórios plumbíferos e o dosímetro por fora do avental nos exames em que seja necessário permanecer próximo ao paciente. mA e kV) para uma redução de dose. Proteção dos pacientes O paciente busca e deve obter um benefício real para a sua saúde em comparação com detrimento que possa ser causado pela radiação. sejam tão baixas quanto razoavelmente exeqüível. evitando a necessidade de repetição.  Sempre buscar a repetição mínima de radiografias. evitando a necessidade de repetição. Deve-se dar ênfase à otimização nos procedimentos de trabalho. mantendo a qualidade radiográfica. da melhor maneira os conceitos de radioproteção (tempo.  As portas de acesso de instalações fixas devem ser mantidas fechadas durante as exposições. reduzindo o efeito sobre ele da radiação espalhada. 11 | P á g i n a .  Posicionar-se atrás do biombo ou na cabine de comando durante a realização do exame.Procedimentos de proteção radiológica Na utilização dos raios X nos procedimentos em radiodiagnóstico para atingir o objetivo radiológico.

substituir a observação das medidas de proteção e segurança.  Manter as instalações e seus equipamentos de raios-X nas condições exigidas pela Portaria 453. em hipótese alguma. devendo prover serviço adequado de manutenção periódica.  Compensações ou privilégios especiais para indivíduos ocupacionalmente expostos não devem. 12 | P á g i n a .Prevenção de acidentes Deve-se desenvolver os meios e implementar as ações necessárias para minimizar a contribuição de erros humanos que levem à ocorrência de exposições acidentais.  Evitar a realização de exposições médicas desnecessárias.

que permitia a passagem da radiação para o exterior. quando um aparelho utilizado em radioterapias das instalações de um hospital abandonado foi encontrado. Área que abrigava o ferro-velho da Rua 26-A. pela empresa italiana Barazetti e Cia. nos Estados Unidos da América. Foi desmontado e repassado para terceiros.093 kg e a sua radioatividade era. de 50. erguido sobre as ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia.ACIDENTE RADIOLÓGICO EM GOIANIA O acidente radiológico de Goiânia foi um grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido no Brasil. A contaminação teve início em 13 de setembro de 1987. que entenderam tratar-se de sucata. no interior da Escola de Instrução Especializada (EsIE). em Realengo na cidade do Rio de Janeiro. na zona central de Goiânia. e.. Essa caixa de proteção continha também uma janela feita de irídio. dentro deste. capital. Não se pôde conhecer ao certo o número de série da fonte radioativa. mas pensa-se que a mesma tenha sido produzida por volta de 1970. Localização atual do equipamento Poucas pessoas sabem. Foi projetado. bem como para controlar a sua intensidade. Eventos Centro de Cultura e Convenções. pelo Laboratório Nacional de Oak Ridge. A cápsula radioativa era parte de um equipamento radioterapêutico.[1] O equipamento radioterápico em questão era do modelo Cesapam F-3000. nos anos 1950. encontrava-se revestida por uma caixa protetora de aço e chumbo. contida num contentor giratório que dispunha de um colimador.um sal obtido do radioisótopo 137 do elemento químico césio. irresponsavelmente deixado no hospital. Este servia para direcionar o feixe radioativo. A natureza da fonte contaminadora A contaminação em Goiânia originou-se de uma cápsula que continha cloreto de césio . 13 | P á g i n a . à época do acidente. e comercializado pela empresa italiana Generay SpA. A caixa contendo a cápsula radioativa estava. O instrumento. mas o objeto onde encontrava-se a cápsula de césio foi recolhido pelos militares do Exército. por sua vez. da Seção hoje conhecida como DQBN (defesa química biológica e nuclear) e encontra-se exposto atualmente como um troféu em agradecimento aos que participaram da limpeza da área contaminada. o qual afetou seriamente a saúde de centenas de pessoas. O material radioativo contido na cápsula totalizava 0. foi encontrado por catadores de papel.9 Terabecquerels (TBq) ou 1375 Ci. gerando um rastro de contaminação.

O dono do ferro-velho expôs ao ambiente 19.A origem do acidente O Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) era um instituto privado. Ele mostrou a descoberta para a mulher Maria Gabriela. considerada o retrato da tragédia. Alarmados. pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida. Devair ficou encantado com o pó que emitia um brilho azul no escuro. 14 | P á g i n a . no Rio de Janeiro. localizado na Avenida Paranaíba. no Rio de Janeiro. desconfiou que aquele pó que emitia um brilho azul era o responsável pelos sintomas que ocorriam na sua família. a esposa do dono do ferro velho relatou para a junta médica que os vômitos e diarreia se iniciaram depois que seu marido desmontou aquele "aparelho estranho". Devair passou pelo tratamento de descontaminação no Hospital Marcílio Dias. e morreu sete anos depois. Só então. O equipamento que gerou a contaminação na cidade entrou em funcionamento em 1971. mas que emite um brilho azulado quando em local desprovido de luz. ingeriu involuntariamente pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. onde a cápsula de Césio 137 começou a ser desmontada. Foi a primeira vítima da contaminação.inclusive aquela em que se localizava o aparelho . A menina de seis anos foi a vítima com a maior dose de radiação do acidente.foram mantidas em ruínas. ele facilmente adere à roupa. foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas. alguns procuraram postos de saúde e foram encaminhados para hospitais. A exposição à radiação Tão logo expostas à presença do material radioativo. quando o IGR deixou de operar no endereço mencionado. Maria Gabriela foi uma dos pacientes tratados no Hospital Marcílio Dias. Leide das Neves Ferreira. absorver a umidade do ar. as pessoas em algumas horas começaram a desenvolver sintomas: náuseas. medicando os doentes em conformidade com os sintomas descritos. no Centro de Goiânia.26 g de cloreto de césio-137 (CsCl). falecendo no dia 23 de outubro de 1987 de complicações relativas à contaminação com césio. mas algumas salas . os familiares dos contaminados foram inicialmente a drogarias procurar auxílio. Os profissionais de saúde. esposa do dono do ferro velho. jogada. Ela e um empregado do ferro-velho do marido levaram a cápsula de césio para a Vigilância Sanitária. A maior parte das edificações pertencentes à clínica foi demolida. podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente. tendo sido desativado em 1985. que ainda permaneceu durante dois dias sobre uma cadeira. Pelo fato de esse sal ser higroscópico. Durante a entrevista com médicos. Maria Gabriela. seguidas de tonturas. com vômitos e diarreias. Outra vítima. bem como o distribuiu para familiares e amigos. vendo os sintomas. pele e utensílios. o equipamento de teleterapia foi abandonado no interior das antigas instalações. um sal muito parecido com o sal de cozinha (NaCl). no dia 29 de setembro de 1987. Com a mudança de localização. ou seja. A demora na detecção O que restou do terreno na Rua 57. O desmonte do equipamento radiológico Foi no ferro-velho de Devair que a cápsula de césio foi aberta para o reaproveitamento do chumbo.

foi usada uma mistura de ácido e tintas azuis. hoje pertencente ao município de Abadia de Goiás. em seguida. O que foi recolhido com a limpeza foi transferido para o Parque Estadual Telma Ortegal. O imóvel ficou conhecido como "casa da fossa". erguido por um guindaste. Porém. Para uma melhor identificação. revestida de uma parede de aproximadamente um metro de espessura de concreto e chumbo. por causa das altas taxas de radiação. sendo construída com cisterna. Outra razão é que Goiânia sediava. essas pessoas não oferecem. Destas. Depois de dias de impasse. que. Entretanto. em que o césio foi distribuído. entre as Ruas 57. que foi submetida a uma "seleção" no Estádio Olímpico Pedro Ludovico. Rua 70 e Avenida Goiás. Assim. O governo da época tentou minimizar o acidente escondendo dados da população. Para armazenar esse lixo atômico e atendendo às recomendações do IBAMA. que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos. destas. dizendo ser apenas um vazamento de gás. A contaminação A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mandou examinar toda a população da região. Telhados foram limpos a vácuo. deveriam ser distribuídos pelo governo. para a população não pensar que a água da cidade estaria hipoteticamente contaminada. as várias pessoas contaminadas pela radioatividade reclamam por não estarem recebendo os medicamentos. a residente. mas duas casas tiveram seus telhados removidos. sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo. Dentro destes estão 1. No total 112 800 pessoas foram expostas aos efeitos do césio. Rua 74.4 toneladas de lixo atômico. muitas com contaminação corporal externa revertida a tempo. a SANEAGO alegou que a casa não possuía fossa. Leide das Neves foi enterrada em um caixão de chumbo lacrado para que a radiação não fosse transmitida. Muitas casas foram esvaziadas. Avenida Paranaíba. mas sim cremada para que os seus restos mortais não contaminassem o solo do cemitério e as outras covas. Em uma casa. esposa do comerciante vizinho à Devair. onde se encontra uma "montanha" artificial. mais nenhum risco de contaminação à população. todos os contaminados ainda desenvolvem enfermidades relativas à contaminação radioativa. Terreno onde estava edificado o Estádio Olímpico Pedro Ludovico (foto de 30-04-2010). Foi enterrada em um caixão blindado. os rejeitos foram enterrados em uma vala de aproximadamente 30 (trinta) metros de profundidade. fato este muitas vezes não noticiado pela mídia brasileira. Rua 80. Lixo atômico A limpeza produziu 13. Objetos como brinquedos. duas horas depois da tia.900 tambores. 15 | P á g i n a . e sobre a vala foi construída a montanha. o Parque Estadual Telma Ortegal foi criado em Goiânia. deu descarga. fotografias e utensílios domésticos foram considerados materiais de rejeito. que aterrorizada procurava por auxílio. e limpadores a vácuo foram usados para remover a poeira antes das superfícies serem examinadas para detecção de radioatividade. o GP Internacional de Motovelocidade no Autódromo Internacional Ayrton Senna e o Governo do Estado Iris Rezende não queria que o pânico fosse instalado nos estrangeiros. O seu enterro virou uma briga judicial.Não conseguiu sobreviver e morreu no dia 23 de outubro de 1987. 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta. que necessitou ser acondicionado em 14 contêineres que foram totalmente lacrados. da CNEN e da CEMAm. pois os coveiros e a população da época não aceitavam que ela fosse enterrada em um caixão.200 caixas e 2. quatro não resistiram e acabaram morrendo. 49 foram internadas. contudo. segundo leis instituídas. os governantes da época escondiam a tragédia da população. Até a atualidade. Após vinte e três anos do desastre radioativo. jogou o elemento radioativo no vaso sanitário e. vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. na época. E muitas pessoas contaminadas ainda vivem nas redondezas da região do acidente.

Cinema O acidente radioativo é mencionado no premiado curta-metragem Ilha das Flores. Somente no final dos anos 90. Em questão de poucos anos. Repercussão do acidente O acidente foi descrito em vários documentários internacionais. com a presença de autoridades municipais e estaduais. através de ações do governo municipal e estadual para a revitalização da região. os imóveis em volta do acidente radiológico tiveram os seus valores reduzidos a preços insignificantes. Aos poucos. por possuir uma feira gastronômica todas as sextas-feiras à noite. sendo reinaugurado em novembro de 2006 com a edição 2007 da Casa Cor Goiás. além de filmes. a prefeitura municipal de Goiânia resolveu revitalizar o antigo Mercado Popular. onde antes eram apenas casebres abandonados. canções e livros. Revitalização da região Mercado Popular da Rua 57 após a reforma. Em 1990. pois quem morava na região queria sair daquele lugar. 16 | P á g i n a . dificultando o acesso aos serviços. No início de 2006. a região começou a passar uma imagem menos "assustadora" para os novos inquilinos. Em fevereiro de 2007. por muito tempo a população local passou por uma certa discriminação devido ao medo de passar a radiação para outras pessoas.O Pesadelo de Goiânia. Muitas lojas e o comércio que existiam antes do acidente acabaram fechando ou mudando. sempre acompanhada de música ao vivo. que faz uma dramatização do acidente. sobrando alguns poucos comerciantes que ainda resistiam em continuar na região. revalorizando as casas que estavam nas mediações do acidente. aumentando o interesse de grandes empreiteiras construírem prédios de luxo. mas o medo da população da existência de radiação no ar impedia a compra e construção de novas habitações.Consequências Após o acidente. Roberto Pires dirigiu o filme Césio 137 . Além das desvalorizações dos imóveis. escrito e dirigido por Jorge Furtado. educação e viagens. programas de televisão. o Mercado Popular passou a ser um ponto turístico da cidade. a região atingida pelo acidente vem sendo valorizada. o valor das casas da região central já era entre duas a três vezes maior do que na época do acidente.

M. Em 1992. o cantor e compositor italiano Angelo Branduardi lançou a canção "Miracolo a Goiania" no álbum Pane e Rose. Descontaminação Dez anos depois. São roupas. descreve os acontecimentos a partir de depoimentos e relatos colhidos in loco pelo autor. Música Em 1988. o acidente não foi esquecido. Esta canção conta uma história que teria ocorrido com um dos protagonistas do acidente. restos de solo.000 toneladas de lixo radioativo estão no depósito de Abadia de Goiás. Um episódio do desenho animado The New Adventures of Captain Planet foi escrito fazendo um paralelo com o incidente.Livros O livro Blindfold Game de Dana Stabenow faz uma menção ao incidente.D. que completava vinte anos. contaminam-se. apresenta algumas similaridades ao acidente. A descontaminação produziu aproximadamente dez toneladas de lixo contaminado. muitos dos personagens foram criados a partir de um artigo que a autora leu sobre o incidente. animais. O conto "Witch Baby" de Francesca Lia Block menciona o acidente. O episódio do dia 9 de agosto de 2007 do programa Linha Direta da Rede Globo teve como tema o acidente. árvores. apresenta uma trama similar à do incidente. por ignorarem a periculosidade do conteúdo. que receberam altas doses 51 atingidas por doses consideradas médias 600 que receberam doses baixas ou nem tiveram contaminação comprovada. Quatorze indivíduos mais atingidos pela radiação foram encaminhados ao Hospital Naval Marcílio Dias. A cápsula do césio possuía três cm de comprimento e 90 gramas de massa. Os envolvidos no acidente. móveis. que foi ao ar em 14 de fevereiro de 1994. abrangendo área superior a 2. Esta canção conta o diálogo que teria ocorrido entre as pessoas envolvidas no acidente. consequentemente. Nele. 17 | P á g i n a . distribuíram suas partes e porções do pó radioativo entre várias pessoas e locais da cidade. o cantor e compositor panamense Rubén Blades lançou a canção "El Cilindro" no álbum Amor y Control. do jornalista Fernando Pinto. um grupo de crianças encontraram um fonte radioativa em um equipamento médico abandonado e.000 m2. O episódio "Daddy's Boy" do seriado americano House. Televisão O episódio "Thine Own Self" de Star Trek. paredes de casas e partes da pavimentação de ruas contaminadas que estão enterrados e protegidos por paredes de 40 cm de espessura. mas ficaram expostos aos riscos da radiação.  Grupo I  Grupo II  Grupo III 55 vítimas. O livro "Goiânia rua 57 o nuclear na terra do sol" de Fernando Gabeira faz uma analise do ocorrido. O livro "A Menina que Comeu Césio". embora os heróis intervenham antes que as mortes ocorram. localizada no centro de Goiânia. no Rio de Janeiro. 6. O restante foi atendido em Goiânia.

quatro banhos por dia com solução de vinagre. fica com excesso de energia que precisa liberar para tornar-se estável novamente. 137.Toda a assistência prestada às vítimas do Césio 137 seguiu normas internacionais de isolamento. O urânio absorve o nêutron. liberando radioatividade (raios gama) e vários nêutrons (esses nêutrons vão bombardear outros átomos. que ingeriu partículas de 137Cs. Para recuperar a estabilidade. ele emite raios gama. a equipe da Proteção Radiológica fazia descontaminação com material abrasivo. Cada um dos dois pedaços é um novo elemento. O isolamento dos pacientes. Mais de 100 elementos se formam como resultado da fissão. 29 anos. repetindo todo o processo. Continua a ser chamado de bário 137. bem como na avaliação de quantidade de material radioativo eliminado pela urina e fezes.  Ingestão de altas doses de ferrocianeto férrico. no Rio de Janeiro. às 18 horas de 23 de outubro Israel Batista dos Santos. às 11h55 Leide das Neves Ferreira. Para recuperar a estabilidade. O núcleo do césio 137 é constituído por 55 prótons e 82 nêutrons. Para recuperar a estabilidade. Diariamente. 18 anos. morreu aos 6 anos de idade. ocupava um andar e era dividido em três diferentes áreas. Ingestão de líquidos em abundância (3. Esta partícula constitui a radioatividade do césio 137. também empregado do ferro-velho. eram efetuadas medidas de descontaminação na área crítica. Uma mulher.  Rejeitos foram estocados em tonéis de aço e considerados lixo radioativo. morreu no dia 27 de outubro. O césio 137 começa a perder sua radioatividade em aproximadamente 30 anos. água. eram monitorizados. mas é inofensivo. Os procedimentos visando a acelerar a eliminação do Césio 137 foram satisfatórios. portanto. até surgirem filósofos como Demócrito (filósofo grego) que denominou “átomo” a forma fundamental da matéria. O bário 137 também é instável e. Métodos cirúrgicos para remoção de partes desvitalizadas de acordo com cada um dos casos. todos os materiais. Os átomos classificados são exibidos em uma tabela conhecida como Tabela Periódica. Essa classificação permaneceu por muito tempo. ele se transforma em outro elemento: bário 137. onde se encontravam os quartos dos pacientes. uma criança e dois jovens morreram cerca de um mês após receber altas doses de radiação. entre água e sucos de frutas ricas em potássio. precisa liberar excesso de energia. Contaminado. tratamento e descontaminação. sanitários. chamada partícula beta. Maria Gabriela Ferreira. foi a primeira vítima a morrer. Diante de qualquer alteração. no que se chama de reação em cadeia). O acidente radiológico afetou a saúde de centenas de pessoas que tiveram algum contato com o elemento químico e provocou quatro mortes.  Utilizou-se também métodos abrasivos para descontaminação da pele e aplicação de resinas de trocas iônicas. sala de exercícios e a de lazer. Hoje em dia sabemos que o átomo é o menor elemento capaz de exibir características físicas e químicas.  Exercícios físicos e banhos de sauna para eliminação através do suor. terra e fogo. Após fazer isso.000 mL/dia). 18 | P á g i n a . isto é. enfermagem. ele se quebra em dois pedaços (fissão nuclear). Um filtro de ar funcionava ininterruptamente para que se soubesse o grau de contaminação do ar. feito no Hospital Geral de Goiânia.  Os pacientes tomavam três. as quais eram colocadas em luvas e botas plásticas para descontaminação de mãos e pés. Na área considerada crítica. Um deles é o césio 137. Ela foi a óbito no dia 23 de outubro de 1987. passa a ser urânio 236 e fica instável. Ao liberar esta radioatividade. Um grupo de átomos forma a “molécula”. conhecido como azul-da-Prússia. O processo começa com a inserção de um nêutron em um reator abastecido com urânio 235. que também é instável. deixa de ser radioativo. 18 anos. Essa composição dá instabilidade ao núcleo do césio. inclusive vestimentas. um dos nêutrons vira próton (o núcleo fica com 56 prótons e 81 nêutrons) e uma partícula com carga negativa. Admilson Alves de Souza. morreu em 28 de outubro As primeiras tentativas do homem de classificar a matéria levaram-no a acreditar na existência de quatro divisões gerais: ar. O césio 137 é um elemento resultante da fissão nuclear do urânio. radioativo. A soma desse números é a massa atômica. isto é.  Os dejetos dos pacientes eram coletados em frascos plásticos e analisados rotineiramente em laboratório de Radioquímica. dependendo do número de prótons e nêutrons que recebeu. trabalhava no ferro-velho onde foi aberta a cápsula. é expulsa. pois contribuíram para a diminuição da contaminação verificada no contador de corpo inteiro.

19 | P á g i n a . Sem entrar no mérito da semântica entre "radiológico" e "nuclear". depois atinge a camada de gordura. O presente título desta página foi tema de notícia do jornal Folha de São Paulo (Todo dia uma fonte de radiação é perdida no mundo. posteriormente a derme e a epiderme. a legislação brasileira exigiu por várias décadas que todo trabalhador brasileiro fosse "abreugrafado" a cada seis meses é evidente que a repercussão radiológica populacional desta estupidez anula o título desta notícia. o acidente de Chernobyl dentre inúmeros outros acidentes foram muito mais importantes do que o de Goiânia. Se considerarmos como acidente da ignorância humana as duas explosões atômicas lançadas a poucos metros da cabeça da população civil de Hiroshima e Nagasaki então o acidente de Goiânia foi imensamente menor! Nesta mesma linha. diz perito. os primeiros experimentos com as explosões das bombas atômicas nas ilhas de Biquíni. edição de 31 de outubro de 1997). Há um exagero em denominar o acidente de Goiânia como o maior acidente radiológico do planeta. Começa a destruir as células de dentro para fora: primeiro a camada muscular seguido dos vasos sanguíneos.A radioatividade pode ter efeito devastador no organismo humano.

 Efeitos físicos: 10-13 s  Efeitos químicos: 10-10 s  Efeitos biológicos: minutos-anos. Há dois mecanismos pelos quais as alterações químicas nas moléculas são produzidas pela radiação ionizante: efeitos diretos e indiretos. leucemia. A severidade é constante e independente da dose. Tumores altamente malignos podem ser causados por doses baixas e outros benignos por doses altas. não constitui necessariamente em doença. Efeitos da radiação ionizante nos serem humanos Classificação dos efeitos Biológicos:  Classificação segundo a Dose Absorvida: Estocásticos ou Determinísticos  Classificação segundo ao Tempo de Manifestação: Imediatos ou Tardios  Classificação segundo ao Nível de dano: Somáticos ou Genéticos Efeito Estocástico:  Leva à transformação celular. Ex: redução de leucócitos.  São difíceis de serem medidos experimentalmente.  Efeitos orgânicos: são as doenças. efeitos genéticos ou hereditários podem ocorrer.  A probabilidade de ocorrência é função da dose. tumores sólidos de 15 a 10 anos ou mais). Exemplos: câncer. é a resposta natural do organismo a um agente agressor. Incapacidade de recuperação do organismo devido à freqüência ou quantidade dos efeitos biológicos.  Não apresenta limiar de dose: o dano pode ser causado por uma dose mínima de radiação. câncer. O dano mais importante é o que ocorre no DNA. Quando o dano ocorre em célula germinativa. 20 | P á g i n a . Ex: catarata. (leucemia de 5 a 7 anos. devido ao longo período de latência. No processo de interação da radiação com a matéria ocorrem ionização e excitação dos átomos e moléculas provocando modificação (ao menos temporária) nas moléculas. Sua causa deve-se a alteração aleatória no DNA de uma única célula que continua a se reproduzir. efeitos genéticos.EFEITOS BIOLOGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES Os efeitos biológicos da radiação são a conseqüência de uma longa série de acontecimentos que se inicia pela excitação e ionização de moléculas no organismo.

catarata Efeitos Somáticos e Genéticos Efeitos Somáticos são aqueles que ocorrem no próprio indivíduo irradiado. além de câncer e tumores malignos em alguns órgãos. o câncer. nenhum outro efeito estocástico é induzido pela radiação. Os resultados até o momento parecem indicar que.  Geralmente aparecem num curto intervalo de tempo.: cânceres. leucopenia. esterilidade temporária ou permanente. hemorragia. dependendo do tecido irradiado. anemia. mas sim.  A probabilidade de ocorrência e a gravidade do dano estão diretamente relacionadas com o aumento da dose. a anemia aplástica. Cd. etc. Acima de um valor de dose (limiar). o número de indivíduos manifestando o efeito aumentará rapidamente até atingir o valor unitário (100%). náuseas. em indivíduos expostos. nenhum indivíduo apresentará dano para doses de até centenas ou milhares de miliSieverts. que são essenciais ao nosso organismo porem se tornam letais se presentes em altas doses no nosso organismo. leucemia EFEITO DETERMINÍSTICO A gravidade depende da dose -------------------Ex.  Efeitos tardios: quando os efeitos ocorrem vários meses ou anos após a exposição à radiação. eritema e necrose. esterilidade. Efeito Determinístico:  Leva à morte celular  Existe limiar de dose: os danos só aparecem a partir de uma determinada dose. Hormese Hormese significa algum evento que é perigoso em altas doses. No entanto esses são apenas estudos epidemiológicos. pelo tipo e localização da condição maligna.A severidade de um determinado tipo de câncer não é afetada pela dose. Isto decorre das diferenças de sensibilidade entre os indivíduos. necrose de tecido. não se transmitindo para seus descendentes. Nos Efeitos Genéticos os danos provocados nas células que participam do processo reprodutivo de indivíduos que foram expostos à radiação. Exemplos dos efeitos crônicos são: o aparecimento de catarata. 21 | P á g i n a . O quadro a seguir resume os conceitos acima: EFEITO ESTOCÁSTICO A probabilidade depende da dose EFEITO HEREDITÁRIO EFEITO SOMÁTICO Ex. Como exemplos de efeitos agudos provocados pela ação de radiações ionizantes pode-se citar eritema. Exemplos: catarata. Para indivíduos saudáveis. Os efeitos somáticos classificam-se em:  Efeitos imediatos: aqueles efeitos que ocorrem em um período de horas até algumas semanas após a irradiação. queda de cabelos.: anemia. Os exemplos mais comuns são os elementos químicos presentes no corpo humano tais como Li. podem resultar em defeitos ou malformações em indivíduos de sua descendência. o sistema imunológico ficaria ativado. Os Efeitos Somáticos das radiações são aqueles que afetam apenas os indivíduos irradiados.: anormalidades hereditárias Ex. etc. A morte de um pequeno número de células de um tecido. mas torna-se benéfico em baixas doses. resultante de exposição à radiação. Se. esterilidade. Os estudiosos que apoiam essa teoria acreditam que a Hormese vale para as radiações ionizantes. radiação UV. normalmente não traz nenhuma conseqüência clínica observável. De acordo com essa teoria. em baixas doses. alterações no sistema sangüíneo. Podem ser divididos em efeitos Imediatos e efeitos Tardios.

 Transmissividade: o dano biológico não se transmite.  Prevenir os efeitos estocásticos fazendo uso de todos os recursos disponíveis de proteção radiológica. Fonte: ICRP 57 (1990) 3 semanas em diante 8-15 semanas 16-25 semanas Toda a gravidez Propriedades dos sistemas biológicos  Reversibilidade: mecanismo de reparo das células é muito eficiente. • redução de 30 pontos de QI/Sv. Época da Gestação 0-3 semanas Efeito mais provável • falha de fixação do embrião. Mesmo danos mais profundos são capazes de ser reparados ou compensados. considera-se que os efeitos biológicos produzidos por radiações ionizantes sejam Cumulativos. 22 | P á g i n a . Para uma mesma quantidade de radiação os efeitos biológicos resultantes podem ser muito diferentes. O tipo de exposição nos seres humanos pode ser:  Exposição única: radiografia  Exposição fracionada: radioterapia  Exposição periódica: rotina de trabalho com materiais radioativos Sistema de Proteção Radiológica  Evitar os efeitos determinísticos.000). • retardo mental severo. sexo e estado físico. • redução < que 30 pontos de QI/Sv.  Câncer é a principal preocupação de Proteção Radiológica. Fatores de Influência: pessoas que receberam a mesma dose podem não apresentar o mesmo dano. morte. O efeito biológico é influenciado pela idade. Estudos baseados nas explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki demonstraram as seguintes correlações entre efeitos mais prováveis e a fase de gestação quando ocorreu a irradiação. O que pode ser transmitido é o efeito hereditário em células reprodutivas danificadas. uma vez que existe um limiar de dose. • retardo mental severo. E difícil se distinguir se o câncer foi. • redução do QI. • câncer infantil (1/50.Efeitos da exposição pré-natal A exposição pré-natal pode ser perigosa para o embrião ou feto devido a sua alta radiosensibilidade.  Para efeito de segurança em proteção radiológica. Manter as doses abaixo do limiar. • má formação no órgão que estiver se desenvolvendo na época da exposição • maior probabilidade de ocorrência de câncer no recém nascido. ou não induzido por radiação.

capazes de lesar o DNA. Terapia médica: radioterapia (cervical. Chernobyl. A quantidade de energia depositada por uma radiação ionizante ao atravessar um material depende da natureza química do material e de sua massa específica. no contexto biológico.Evidências que as Radiações Ionizantes causam câncer nos seres humanos     Ocupacional: Trabalhadores das minas de Urânio. Na água o processo pode ser descrito como: H2O + radiação ® H2O+ + e 23 | P á g i n a . químicos e biológicos da interação da radiação com os seres vivos Os processos que conduzem ao dano pela radiação podem ser classificados em quatro estágios:  Estágio Físico Inicial: Dura somente uma fração de segundo (10-16 s). As radiações ionizantes de natureza eletromagnética são os raios-X (originado nas camadas eletrônicas) e os raios-g (originados no núcleo atômico). É importante ressaltar que a absorção de radiações ionizantes pela matéria é um fenômeno atômico e não molecular. Diagnóstico médico: irradiação pré-natal. Bombas atômicas: sobreviventes japoneses de Hiroshima e Nagasaki. são aquelas capazes de ejetar os elétrons orbitais dos átomos de C. O e N. ingestão de Radio (pintores). Dados do Reino Unido em 1971. nêutrons e prótons. Causa Fumar 20 cigarros por dia Causas naturais após 40 anos de idade Acidentes em estradas Acidentes domesticos Acidentes de trabalho Exposição à radiação (1mSv por ano) Risco de morte por ano 105 pessoas 500 200 20 10 5 1 Efeitos biológicos das radiações ionizantes Radiações ionizantes.). fluoroscopias repetidas. Estágios físicos. etc. radiologistas. injeções de Thorotrast. A energia de uma radiação pode ser transferida para o DNA modificando sua estrutura.. as partículas alfa. Risco médio anual de morte devido a causas comuns e de câncer potencialmente induzido entre pessoas altamente expostas. É definida como "a quantidade de energia dissipada por unidade de comprimento da trajetória" e pode ser expressa em KeV/mm. mama. em que a energia é depositada na célula e causa ionização. o que caracteriza o efeito direto. H. As radiações ionizantes de natureza corpuscular mais utilizadas são os elétrons. Efeitos indiretos ocorrem em situações em que a energia é transferida para uma molécula intermediária (água por exemplo) cuja radiólise acarreta a formação de produtos altamente reativos.. Ilhas Marshall. A transferência linear de energia (TLE) é a grandeza utilizada para caracterizar a interação das radiações ionizantes com a matéria.

Apesar de não causar ionização. As radiações que não causam ionização na molécula de DNA também produzem danos. estabelecer algumas regras gerais sobre a radiossensibilidade ao longo do ciclo mitótico: 24 | P á g i n a .® H2OH2O. Respostas do DNA às radiações Os efeitos das radiações ionizantes no DNA dependem de fatores como tipo de radiação. OH e H2O2. teor de oxigênio. Entre os efeitos estão:  alterações estruturais das bases nitrogenadas e das desoxirriboses  eliminação de bases  rompimento de pontes de hidrogênio entre duas hélices  rotura de uma ou duas cadeias  ligações cruzadas entre moléculas de DNA e proteínas. que é o elétron. Estudos realizados a partir da irradiação de culturas bacterianas permitiram comparar a radiossensibilidade em diferentes momentos ao longo do crescimento celular. é possível. OH-. impedindo a divisão celular. Apesar das eventuais divergências observadas. pH do meio. Os radicais livre (H. H. criando assim um meio altamente reativo. OH) e os agentes oxidantes (H2O2) podem atacar as moléculas compostas que formam o cromossomo. em que os produtos da reação interagem com as moléculas orgânicas mais importantes da célula.  Estágio Químico: Dura uns poucos segundos. temperatura. podendo ocasionar a quebra de cadeias da molécula de DNA por ação de outras moléculas ativadas pela radiação. dissociando-a: H2O + e. para a maior parte das células de mamíferos.  Estágio Biológico: Dura de dezenas de minutos a dezenas de anos. Estágio Físico-Químico: Dura cerca de 10-16 segundos. presença de aceptores de radicais livre. ataca uma molécula neutra de água. é mais resistente à radiação que a pele normal. ocasionando mutagênese etc. O íon positivo se dissocia: H2O+ ® H+ + OH e o íon negativo. características do próprio DNA e a possibilidade de reparação dos produtos induzidos pela radiação. Radiossensibilidade Os diferentes tipos de tecidos do corpo humano possuem diferentes respostas à radiação.® H + OHOs produtos destas reações são H+. dependendo dos sintomas. citadas acima. provocando a sua morte prematura. As alterações químicas. por exemplo. a radiação ultravioleta pode excitar a molécula de DNA ou outras moléculas que absorvam na mesma faixa de energia. Um sistema biológico é mais radiossensível quando irradiado em presença de oxigênio (efeito oxigênio) que em sua ausência (anoxia). podem danificar a célula de várias maneiras. em que os íons interagem com outras moléculas de água resultando em novos produtos. A pele humana com reduzida irrigação sanguínea (isquemia).

 Glândula Tireóide: Essa glândula não é considerada sensível à radiação externa. tecidos neuronais e os ossos plenamente desenvolvidos são os menos sensíveis.  Sistema urinário: A existência de sangue na urina. A radiosensibilidade também depende da eficiência dos mecanismos de reparação celular no DNA e a ação de outros agentes químicos. 25 | P á g i n a . provocando leucopenia e reduzindo a imunidade do organismo. dos órgãos genitais. Uma semana após uma irradiação severa as plaquetas começam a desaparecer. um resumo dos sintomas clínicos. Os tecidos mais sensíveis à radiação são os da medula óssea. o metabolismo basal é diminuído e os tecidos musculares deixam de absorver o oxigênio necessário. ou nas suas proximidades  a resistência é maior ao final da fase S  quando a fase G1 é relativamente longa. após uma exposição. As células linfáticas são extremamente sensíveis à radiação e podem ser danificadas ou mortas quando expostas. embora esta regra tenha exceções. Como consequência. acarretando anemia e enfraquecimento do organismo. tecido linfóide. Os sintomas são náuseas. Sete semanas após começa a perda de células vermelhas. ás vezes comparável á observada na fase M A comparação da radiossensibilidade de diferentes linhagens celulares indica que as células que se dividem rapidamente são mais radiossensíveis que as de reprodução lenta (lei de Bergonié e Tribondeau). e o sangue não coagula. é uma indicação de que os rins foram atingidos severamente. Danos menores nos rins são indicados pelo aumento de aminoácidos na urina. ocorre um período de radiorresistência ao seu início.  Sistema linfático: O baço constitui a maior massa de tecido linfático. seguido de um período de maior sensibilidade  a fase G2 caracteriza-se por elevada sensibilidade. vômitos e úlceras no caso de exposição muito intensa. mas concentra internamente iôdo-131 (radioativo) quando ingerido. os do sistema gastro-intestinal e do baço. Respostas às radiações em diferentes sistemas do corpo humano A ação das radiações no organismo humano produzem uma série de efeitos. o que causa o decréscimo da produção de tiroxina. com doses agudas de radiação:  Sangue: Os glóbulos brancos do sangue são as primeiras células a serem destruídas pela exposição. A pele e os pulmões mostram sensibilidade média.  Canal alimentar: Os primeiros efeitos da radiação são a produção de secreção e descontinuidade na confecção de células. e sua principal função é a de estocar as células vermelhas mortas do sangue. relativos aos efeitos biológicos imediatos mais prováveis na irradiação de corpo inteiro. as células são bastantes sensíveis na fase M. que representam danos diferentes para cada região afetada. enquanto que os músculos. A seguir.

 Órgãos reprodutores: Doses grandes de radiação podem produzir esterilidade. Ossos: A radiação externa tem pequena influência sobre as células dos ossos. Quando estas células são danificadas ou morrem. houve um aumento significativo de partos retardados e mortes prematuras. Os nêutrons e raios g são os maiores indutores de catarata. mas afeta fortemente a medula vermelha. 26 | P á g i n a . Nas mulheres grávidas que foram expostas às radiações no Japão durante o episódio em que duas bombas atômicas foram lançadas sobre aquele país. ocorrendo perda de transparência dessas células. tanto temporariamente como permanente. A sensibilidade de gestantes é maior entre o 7o e o 9o mês de gestação. há formação de catarata. fibras e sais de cálcio. as das lentes dos olhos não são autorecuperáveis.  Olhos: Ao contrário de outras células.

As exposições ocupacionais e as exposições do público decorrentes das práticas de radiodiagnóstico devem ser otimizadas a um valor tão baixo quanto exeqüível . no processo de otimização de exposições médicas deve-se considerar:      A seleção adequada do equipamento e acessórios.º 12. A afirmação é que cada dose de radiação de qualquer magnitude pode produzir algum nível de efeito prejudicial que pode se manifestar como um risco aumentado de mutações genéticas e câncer. Os níveis de referência de radiodiagnóstico para pacientes. implantadas e executadas de modo que a magnitude das doses individuais. o número de pessoas expostas e a probabilidade de exposições acidentais sejam tão baixos quanto razoavelmente exeqüíveis. compatível com os padrões aceitáveis de qualidade de imagem. Bases para ALARA A filosofia atual de segurança da radiação é baseada no pressuposto conservador de que a dose de radiação e seus efeitos biológicos sobre os tecidos vivos são modelados por uma relação conhecida como “hipótese linear”.PRINCIPIO DA OTIMIZAÇÃO O princípio de otimização estabelece que as instalações e as práticas devem ser planejadas. observando-se:  As restrições de dose estabelecidas neste Regulamento. e nos procedimentos de trabalho. além das restrições de dose aplicáveis. por possuir uma influência direta na qualidade e segurança da assistência aos pacientes. deve-se dar ênfase à otimização da proteção nos procedimentos de trabalho.  O coeficiente monetário por unidade de dose coletiva estabelecido pela Resolução-CNEN n. Principio ALARA ou Principio de Otimização ALARA (As Low As Reasonably Achievable) é um acrônimo para a expressão “tão baixo quanto razoavelmente exequível”. No emprego das radiações em medicina e odontologia. As diretrizes e regulamentos não exigem apenas aderência aos limites de dose legal para o 27 | P á g i n a . com o objetivo de minimizar as doses a pacientes e trabalhadores e os lançamentos de resíduos de materiais radioativos empregando todos os métodos razoáveis. durante a realização do procedimento radiológico. de 19/07/88. os projetos de instalações dos equipamentos de irradiação e os procedimentos de proteção. no apoio e conforto de um paciente. nos projetos e construções de equipamentos e instalações. Este é um princípio de segurança de radiação. Para tanto. As restrições de dose para indivíduo que colabore. Os procedimentos de trabalho. fora do contexto de sua atividade profissional. Implementação do programa ALARA Um programa ALARA eficaz só é possível quando um compromisso com a segurança é feito por todos os envolvidos. levando-se em conta fatores sociais e econômicos. A otimização da proteção deve ser aplicada em dois níveis. quando se tratar de processos quantitativos de otimização. O principio ALARA é usado como base para orientar todas as etapas do uso médico de radiação. As exposições médicas de pacientes devem ser otimizadas ao valor mínimo necessário para obtenção do objetivo radiológico (diagnóstico e terapêutico). A garantia da qualidade. conscientemente e de livre vontade.

para indicar a combinação de doses diferentes para diversos tecidos.é o fator de ponderação do tecido T. Os limites máximos são promulgados de acordo com o quanto o trabalhador deverá ser exposto à radiação a ser aplicada e se isso resulta em um nível de exposição seguro. a exemplo dos efeitos hereditários. já o limite para o público é de 1mSv/ano (em casos especiais. levam à transformação celular. Em circunstâncias especiais.5 – 6 Gy). de tal modo que fique bem relacionada com os efeitos estocásticos devido a todos os órgãos.  Blindagem: materiais de absorção utilizando plexiglas para as partículas beta e chumbo para raios X e raios gama são uma forma eficaz de reduzir a exposição à radiação. ∑ wT = 1 (de acordo com o ICRP 103. pode ser usado um limite maior sem ultrapassar 1mSv/ano). não exceda a 1mSv por ano. a severidade do dano aumenta com a dose. a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) poderá autorizar um valor de Dose Efetiva de até 5 mSv em um ano. É necessário definir a nova grandeza.  Distância: dobrando a distância entre o corpo e a fonte de radiação. com alteração aleatória no DNA de células que continuam a reproduzir-se. derivada do equivalente de dose. mas também a investigação das doses que servem como pontos de alerta para o início de uma revisão do trabalho prático de um trabalhador de radiação. 28 | P á g i n a . Já em 1977. Depende também do tecido irradiado. Como são os limites de doses anuais ocupacionais relacionados com o conceito ALARA? Os limites de dose anuais de trabalho foram derivados de um estudo sobre os efeitos biológicos de radiação observados nos seres humanos e animais durante o século 20. Redução de Exposições de Radiação Externa Os três princípios fundamentais para auxiliar na manutenção de doses ALARA são:  Tempo: minimizando o tempo de exposição direta. desde que a Dose Efetiva média em um período de 5 anos consecutivos. 2008) O limite de dose efetiva do trabalhador é 20 mSv/ano. HT – é o equivalente de dose a ele atribuído. A dose efetiva é estimada pela seguinte equação: wT . a exemplo da esterilidade (na faixa de 2. reduz-se a dose de radiação. Já os efeitos determinísticos têm limiar de dose. Dose Efetiva A dose efetiva (E) é a relação entre a probabilidade de efeitos estocásticos e o equivalente de dose. a ICRP introduziu o conceito de “equivalente de dose efetiva” como uma dose média ponderada por fatores de peso derivados do risco de morte para trabalhadores causados por câncer nos órgãos irradiados.cumprimento regulamentar. segundo a International Comission on Radiological Protection (ICRP 2266) Os efeitos estocásticos dependem da dose e não têm limiar. Efeitos da Radiação. a exposição à radiação será dividida por um fator quatro.

...... valor acima do qual justifica-se investigação relativa a um determinado evento............ (NN 3.6 mSv/mês para dose efetiva).........Limites máximos de dose anual ocupacional: De corpo inteiro. deve-se..... aplicado no programa de monitoração individual.....01/004)  Nível de registro (0. Os limites primários anuais de Equivalente de Dose são estipulados pelas Diretrizes Básicas de Radioproteção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)....... 29 | P á g i n a ........ é enviada uma notificação para o trabalhador e as suas doses passam a ser monitoradas de perto durante o restante do ano civil......6....0.....01 ítem 2.. Níveis de risco..  Toda trabalhadora gestante deve ser afastada das áreas controladas (MT NR 32 item 32..01).......4.15 Sv Os indivíduos do Público em Geral..05 Sv Extremidades..........2 mSv/mês para Dose Efetiva).... discutir os métodos de trabalho para limitar a dose potencial...3).. então.. que é ainda mais restritivo do que o limite máximo de dose legal da tabela acima......5 Sv Cristalino.......001 Sv O conceito ALARA impõe menor limite de dose ocupacional. Isso garante um fator de segurança reforçada para os já considerados níveis seguros de doses anuais para os trabalhadores contra a radiação..........0.. O que acontece se um trabalhador ultrapassar a dose ALARA de investigação? Se a dosimetria de radiação de um trabalhador indicar que um nível de investigação tenha sido excedido........... segundo a CNEN – ( Posição Regulatória 3.......0.....  Recomenda-se um máximo de 1mSv na superfície do abdômen da mulher durante toda a gravidez (CNEN NN 3....... ALARA e os cuidados com a trabalhadora grávida....22)........ interfere na cadeia normal de responsabilidades com o afastamento do profissional para a investigação..0....  Nível de intervenção (1..... Os limites de dose de radiação têm como objetivo impedir os efeitos determinísticos e limitar efeitos probabilísticos..... Cada caso deve ser analisado cuidadosamente.....  Nível de investigação (para Dose Efetiva 6 mSv/ano ou 1 mSv/qualquer mês)....

 Exames radiológicos para rastreamento em massa de grupos populacionais.  A eficácia.  Justificação da exposição individual  todas as exposições médicas devem ser justificadas individualmente.  Justificação genérica   todos os novos tipos de práticas que envolvam exposições médicas devem ser previamente justificadas antes de serem adotadas em geral. em um benefício líquido positivo para o paciente.PRINCIPIO DA JUSTIFICAÇÃO O princípio da justificativa da prática é o princípio básico de proteção radiológica. Isso quer dizer que os critérios para indicação de um exame ou terapia devem ser rígidos e precisos. tendo em conta a totalidade dos benefícios potenciais em matéria de diagnóstico ou terapêutica que dela decorram. seja daquele que prescreve. a partir de um diagnóstico clínico minucioso e outros exames. os benefícios e riscos de técnicas alternativas disponíveis com o mesmo objetivo. Na área da saúde existem dois níveis de justificação: justificação genérica da prática e justificação da exposição individual do paciente em consideração. ou para melhorar o estado de saúde da população. exceto quando o Ministério da Saúde julgar que as vantagens esperadas para os indivíduos examinados e para a população são suficientes para compensar o custo econômico e social. Fica proibida toda exposição que não possa ser justificada. Um exame radiológico ou terapia só devem ser executados se forem realmente úteis para melhorar o estado do paciente. Assim. exceto quando as informações a serem obtidas possam ser úteis à saúde do indivíduo examinado. portanto. incluindo o detrimento 30 | P á g i n a . As exposições médicas de pacientes devem. de modo a compensar o detrimento que possa ser causado.  Exames radiológicos para fins empregatícios ou periciais. em comparação com o detrimento que possa ser causado pela radiação ao indivíduo. O princípio da justificação em medicina e odontologia deve ser aplicado considerando:  Que a exposição médica deve resultar em um benefício real para a saúde do indivíduo e/ou para sociedade. treinamento ou outros fins que contrariem o princípio da justificação. mas que envolvam menos ou nenhuma exposição a radiações ionizantes. os tipos existentes de práticas devem ser revistos sempre que se adquiram novos dados significativos acerca de sua eficácia ou de suas conseqüências. incluindo:  Exposição deliberada de seres humanos aos raios-x diagnósticos com o objetivo único de demonstração. tendo em conta os objetivos específicos da exposição e as características do indivíduo envolvido. sob qualquer hipótese. até que se conclua pela necessidade dos recursos em radiação. seja daquele que conduz o processo. que estabelece que qualquer atividade que envolve a radiação com uso diagnóstico deve ser justificada em relação a outras alternativas não-invasivas de exames como meio de garantir que a técnica escolhida resultará. A justificação é o princípio básico de proteção radiológica que estabelece que nenhuma prática ou fonte adscrita a uma prática deve ser autorizada a menos que produza suficiente benefício para o indivíduo exposto ou para a sociedade. considerando-se o efetivo benefício pretendido e o risco envolvido pela radiação em relação a outras alternativas técnicas. ser justificadas. a justificação de uma exposição médica individual é de responsabilidade dos médicos e cirurgiões-dentistas.

Deve-se levar em conta. exceto quando houver justificativa no contexto clínico. 31 | P á g i n a . exceto quando estiver de acordo com a Declaração de Helsinque. revisada em 1975 na 29ª Assembléia. adotada pela 18ª Assembléia Mundial da OMS de 1964. considerando-se os métodos alternativos.  Exames de rotina de tórax para fins de internação hospitalar. também.radiológico.  Exposição de seres humanos para fins de pesquisa biomédica. o potencial de detecção de doenças e a probabilidade de tratamento efetivo dos casos detectados. em 1983 na 35ª Assembléia e em 1989 na 41ª Assembléia. devendo ainda estar de acordo com resoluções específicas do Conselho Nacional de Saúde.

devendo prover serviço adequado de manutenção periódica. em hipótese alguma. Deve-se também:  Manter as instalações e seus equipamentos de raios-X nas condições exigidas pela Portaria 453.  Compensações ou privilégios especiais para indivíduos ocupacionalmente expostos não devem. substituir a observação das medidas de proteção e segurança. 32 | P á g i n a .  Evitar a realização de exposições médicas desnecessárias.PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM RADIODIAGNOSTICO Deve-se desenvolver os meios e implementar as ações necessárias para minimizar a contribuição de erros humanos que levem à ocorrência de exposições acidentais.

O limite de dose efectiva para os trabalhadores expostos é fixado em 100 mSv por um período de cinco anos consecutivos. Esse princípio não se aplica para limitação de dose ao paciente.  O limite de dose equivalente para a pele é fixado em 500 mSv por ano. são fixados os seguintes limites:  O limite de dose equivalente para o cristalino é fixado em 50 mSv por ano. aplicam -se os limites de dose fixados para membros do público. são ainda fixados os seguintes:  O limite de dose equivalente para o cristalino é fixado em 150 mSv por ano. decorrentes de todas as práticas que o indivíduo possa estar exposto. Incide sobre o indivíduo considerando todas as exposições.  Limites de dose para aprendizes e estudantes.  O limite de dose equivalente para as extremidades é fixado em 150 mSv por ano. Sem prejuízo deste limite. O limite de dose efectiva para aprendizes e estudantes com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos que.  O limite de dose equivalente para a pele é fixado em 150 mSv por ano. desde que a dose média ao longo de cinco anos consecutivos não exceda 1 mSv por ano. mas sim para trabalhadores ocupacionalmente expostos à radiação ionizante e para o público em geral.  O limite de dose equivalente para a pele é fixado em 50 mSv por ano. sejam obrigados a utilizar fontes de radiação. 33 | P á g i n a . Limites de dose para membros do público O limite de dose efectiva para membros do público é fixado em 1 mSv por ano. A dose acumulada no feto durante o período de gestação não deve exceder 1 mSv. é igual ao limite de dose fixado para trabalhadores expostos. podendo ser excedido num determinado ano. no âmbito dos seus estudos. na condição de esse valor não ultrapassar uma dose efectiva máxima de 50 mSv em cada ano. sejam obrigados a utilizar fontes de radiação. Sem prejuízo do limite anterior. no âmbito dos seus estudos. Para os aprendizes e estudantes não mencionados.  O limite de dose equivalente para as extremidades é fixado em 500 mSv por ano.LIMITAÇÃO DE DOSE EM TRABALHADORES COM RADIAÇÃO As doses de radiação não devem ser superiores aos limites estabelecidos pelas normas de radioproteção de cada país. O limite de dose efectiva para aprendizes ou estudantes com idade igual ou superior a 18 anos que. Sem prejuízo dos limites acima referidos. é fixado em 6 mSv por ano. Limites de dose para os trabalhadores expostos. são fixados os seguintes limites:  O limite de dose equivalente para o cristalino é fixado em 15 mSv por ano.

Essas barreiras devem ser feitas e orientadas por especialistas para que não se corra nenhum risco.Fatores:  Tempo: Deve haver rigorosamente limitação de tempo de exposição. Quando um material radioativo é completamente absorvido pelo organismo. inalação ou absorção através da pele.  Área controlada: área restrita na qual as doses equivalentes efetivas anuais podem ser iguais ou superiores a 3/10 do limite para trabalhadores.  Área livre: área isenta de regras especiais de segurança onde as doses anuais não ultrapassem o limite para o público (1mSv). garantindo que os limites de tolerância não sejam ultrapassados. ou seja. Esta medida é eficaz e muito simples de ser aplicada. É comum o uso de barreira de chumbo ou concreto cuja espessura é dimensionada em função do tipo de radiação da qual se quer livrar. Isto significa que o trabalhador pode realizar suas tarefas sem risco nenhum de ser atingido pelas radiações. No entanto pode ser controlados os riscos das radiações internas. pouco ou nada pode ser feito para eliminá-lo da região onde se depositou . o espaço mantido entre o trabalhador e a fonte de radiação. impedindo-se a assimilação de fontes radioativas pelo corpo humano ou controlá-la a níveis mínimos. porque se encontra numa distância segura.  Distância: Vamos entender como distância. a fim de que o indivíduo não receba doses acima dos limites de tolerância estabelecidos.  Blindagens: Corresponde à utilização de barreiras feitas de materiais que sejam capazes de absorver radiações ionizantes. seja por ingestão. aquelas cuja fonte já se encontra depositada no interior do organismo. 34 | P á g i n a .

Capela de Chumbo Carrinhos para Transporte de material Radioativo Produtos sob Encomenda (a espessura da blindagem depende de análise de projeto) Projetos Especiais de Blindagem Sala de Raios-X Convencional De acordo com a Portaria 453:  Os ambientes do estabelecimento de saúde que emprega os raios-x diagnósticos devem estar em conformidade com as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. observando-se os níveis de restrição de dose estabelecidos neste regulamento.Ministério da Saúde e Normas da A. Comissão Nacional de Energia Nuclear .              Barita .  As salas de raios-x devem dispor de:  Paredes.N. Dupla .(Argamassa Plumbifera) Visores Radiológico Plumbifero .Simples . ou a que vier a substituí-la.BLINDAGEM EM SALAS DE RADIODIAGNOSTICOS A Blindagem da sala é executada em todos os detalhes para que cumpra todas as exigências e determinações da C. vigente até o momento. Agencia Nacional da Vigilância Sanitária .N. Portaria n° 453 e RDC .T. Castelo . Portaria 1884 de 11/11/94. . de Correr e Automática Lençol de Chumbo – Em qualquer medida . piso.Nacional e Importado Portas Radiológica Plumbifera . teto e portas com blindagem que proporcione proteção radiológica às áreas adjacentes. de acordo com os requisitos de otimização.50 da ANVISA.E.N. Deve-se observar ainda: 35 | P á g i n a . conforme solicitação do cliente Placas de Barita Cortinas Radiológica Plumbifera Divisórias Plumbiferas Biombos Radiológico Plumbiferos .Médico e Odontológico Lixeiras e Câmaras Blindadas para rejeitos Tijolos de Chumbo .B.

contendo o símbolo internacional da radiação ionizante acompanhado das inscrições: "RAIOS-X. quando o comando estiver dentro da sala de Raios-x. conforme estabelecido neste Regulamento. a Cabine deve estar posicionada de modo que. a entrada é proibida". Alternativamente. acompanhada do seguinte aviso de advertência: "Quando a luz vermelha estiver acesa. ENTRADA PROIBIDA A PESSOAS NÃO AUTORIZADAS". na posição de disparo. eficaz comunicação e observação visual do paciente mediante um sistema de observação eletrônico (televisão) ou visor apropriado com. deve haver um sistema de reserva ou sistema alternativo para falha eletrônica. Quadro com as seguintes orientações de proteção radiológica. é permitido que a Cabine seja aberta ou que seja utilizado um biombo fixado permanentemente no piso e com altura mínima de 210 cm. ENTRADA RESTRITA" ou "RAIOS-X. pintura ou outro material adequado. equipe e acompanhantes. salvo quando estritamente necessário e autorizado". "Acompanhante. Vestimentas de proteção individual para pacientes. Deve-se observar ainda os seguintes requisitos:  a Cabine deve permitir ao operador. exija e use corretamente vestimenta pumblífera para sua proteção". nenhum indivíduo possa entrar na sala sem ser notado pelo operador. e todos acessórios necessários aos procedimentos previstos para a sala. diretamente conectado ao mecanismo de disparo dos raios-x. em lugar e tamanho visível ao paciente. pode ser adotado um sistema de acionamento automático da sinalização luminosa. a blindagem das paredes pode ser reduzidas acima de 210 cm do piso. Sinalização luminosa vermelha acima da face externa da porta de acesso. no caso de sistema de observação eletrônico. durante as exposições.     as blindagens devem ser contínuas e sem falhas. A sinalização luminosa dever ser acionada durante os procedimentos radiológicos indicando que o gerador esta ligado e que pode haver exposição. em lugar visível:   "Não é permitida a permanência de acompanhantes na sala durante o exame radiológico. Cabine de comando com dimensões e blindagem que proporcione atenuação suficiente para garantir a proteção do operador. pelo menos. a mesma atenuação calculada para a Cabine. desde que a área de comando não seja atingida diretamente pelo feixe espalhado pelo paciente. quando houver necessidade de contenção de paciente.   Quando no interior da sala. com o seguinte aviso: "Nesta sala somente pode permanecer em paciente de cada vez". particular atenção deve ser dada à blindagem da parede com "bucky" mural para exame de tórax e as áreas atingidas pelo feixe primário de radiação. desde que devidamente justificado. 36 | P á g i n a .       Sinalização visível na face exterior das portas de acesso. toda superfície de chumbo deve estar coberta com revestimento protetor como lambris. Deve haver suportes apropriados para sustentar os aventais pumblíferos de modo a preservar a sua integridade.

Sistema de iluminação de segurança com lâmpadas e filtros apropriados aos tipos de filmes utilizados. incluindo avisos de advertências como: "Mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez: Favor informarem ao médico ou ao técnico antes do exame". Distância foco-filme. Piso anticorrosivo.  O serviço de radiodiagnóstico deve implantar um sistema de controle de exposição médica de modo a evitar exposição inadvertida de pacientes grávidas.  As instalações moveis devem ser projetadas e utilizadas observando-se os níveis de restrição de dose estabelecidos neste Regulamento. localizado a uma distância não inferior a 1. Paredes com revestimento resistente à ação das substâncias químicas utilizadas. Vedação apropriada contra luz do dia ou artificial. parâmetros para o controle automático de exposição. 37 | P á g i n a .  Deve ser previsto local adequado para armazenamento de filmes radiográficos.2 m do local de manipulação. Junto ao painel de controle de cada equipamento de raios-x deve ser mantido um protocolo de técnicas radiográficas (tabela de exposição) especificando. para cada exame realizado no equipamento. as seguintes informações:       tipo de exame (espessura e partes anatômicas do paciente) e respectivos fatores de técnica radiográfica. Tamanho e tipo de combinação tela-filme. Tipo e posicionamento da blindagem a ser usada no paciente. impermeável e antiderrapante.  A câmara escura para revelação manual deve ser provida de cronômetro. Quando determinado pela autoridade sanitária local.  A câmara escura deve ser planejada e construída considerando-se os seguintes requisitos:        Dimensão proporcional à quantidade de radiografias e ao fluxo de atividades previstas no serviço. Quando aplicável. junto aos locais onde possam ocorrer repingos destas substâncias. Afastados de fontes de radiação.  A iluminação da sala de interpretação e laudos deve ser planejada de modo a não causar reflexos nos negatoscópios que possam prejudicar a avaliação da imagem. passa chassis e sistema de exaustão. restrições de operação do equipamento e procedimentos de segurança. Atenção especial deve ser dada à porta. de forma que estes filmes sejam mantidos:    Em posição vertical. termômetro e tabela de revelação para garantir o processamento nas condições especificadas pelo fabricante dos produtos de revelação.  Não é permitida a instalação de mais de um equipamento de raios-x por sala.  A sala de raios-x deve dispor somente do equipamento de raios-x e acessórios indispensáveis para os procedimentos radiológicos a que se destina. Sistema de exaustão de ar de forma a manter uma pressão positiva no paciente. Em condições de temperatura e umidade compatíveis com as especificações do fabricante. O (s) interruptor(es) de luz clara deve(m) estar posicionado(s) de forma a evitar acionamento acidental.

gás natural e granito. A radiação natural (não produzida ou modidficada pelo homem) é responsável por mais da metade da exposição a que uma pessoa está sujeita. e outras também apresentam um alto índice de radioatividade natural. Esta quantidade varia de acordo com o local de origem do material.7 bilhões de anos um reator natural. Somos constantemente bombardeados por raios cósmicos e esta aumenta quando viajamos de avião.45 Efluentes de Instalações nucleares 0. Guarapari. Na África. contêm uma pequena quantidade de substâncias radioativas naturais que emitem radiação. 38 | P á g i n a . Fonte de radiação % Radiação Natural 67. estimada pela Agência Internacional de Energia Atômica. No Brasil há 124 cidades como Araxá. devido ao decaimento do urânio através de milhões de anos. a radiação natural não é tão nociva quanto uma fonte localizada.7 Precipitação 0. por exemplo.RADIAÇÃO NATURAL E AMBIENTAL Alguns materiais como argila. existiu há cerca de 1. Hoje em dia. Depósitos naturais de urânio transformam água em vapor. gerando vários quilowatts de energia por séculos. estes reatores não são mais encontrados. mas difundida no planeta.5 Exposição ocupacional 0. Poços de Caldas.15 Tabela I – Exposição relativa do homem à radiação ionizante média no ano de 1981.6 Fontes diversas 0. Devido ao fato de não ser localizada.6 Irradiação médica 30.

linearidade da taxa de kerma no ar com o mAs. vedação da câmara escura. tamanho do ponto focal. 39 | P á g i n a . as processadoras dos filmes. além dos procedimentos diagnósticos. Valores representativos da taxa de dose dada ao paciente em fluoroscopia e do tempo de exame ou produto dose-área. O Controle de Qualidade é sempre apresentado em forma de um Relatório Técnico acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao CREA regional.CONTROLE DE QUALIDADE EM EQUIPAMENTOS RADIOLÓGICOS Todo o equipamento de radiodiagnóstico deve ser mantido em condições adequadas de funcionamento e submetido regularmente a verificações de desempenho.  Testes anuais             condições mecânicas e de movimento. Para isso é realizado um Controle de Qualidade dos Aparelhos. condições dos negatoscópios. medida da camada semi-redutora. serão feitas recomendações à direção da instalação no Laudo de Controle de Qualidade. são avaliados os equipamentos envolvidos na produção da imagem radiográfica. integridade das telas e chassis. a Sensitometria da Processadora.  Testes semestrais      exatidão no sistema de colimação. Levantamento Radiométrico e Teste de Fuga de Cabeçote. integridade dos acessórios de Proteção Individual (EPIs). reprodutibilidade do sistema automático de exposição. bem como os aspectos de Proteção Radiológica. alinhamento do eixo central do feixe de raios-X. Neste relatório são fornecidas instruções que devem ser observadas para que a Instalação Radiológica se adéqüe às condições impostas pela Legislação. de forma a proceder a correções dos itens anômalos e enquadrá-los aos valores considerados seguros ou adequados pela Portaria 453/98 do MS. Como partes do programa para Garantir a Qualidade. exatidão do tempo de exposição. rendimento do sistema (mGy/mA min) a 1 m. Se a instalação apresentar alguma não adequação. exatidão do indicador de tensão (kVp). quando aplicável. em um Serviço de Radiodiagnóstico. Testes realizados para o controle de qualidade  Testes bianuais   Valores representativos de dose dada aos pacientes em radiografia e CT realizadas no serviço. contato tela – filme. reprodutibilidade da taxa de kerma no ar. alinhamento da grade.

Constância e uniformidade dos números da CT  Outros testes   Mamografia – Em cada equipamento de mamografia deve ser realizada. acrescido de:   Tamanho do campo radiativo. Odontologia – O Controle de Qualidade previsto no programa da Garantia de Qualidade. e Sensitometria do Sistema de Processamento. Dose na entrada da pele do paciente. deve incluir um conjunto semelhante de testes aos já citados para Raios-X diagnóstico. uma avaliação da qualidade de imagem com um fantoma mamográfico equivalente ao adotado pela ACR (American College of Radiology). 40 | P á g i n a . Testes semanais:   Controle da Processadora – Medida da temperatura dos produtos de revelação. mensalmente.

realizadas no intuito de avaliar os níveis de radiação nas vizinhanças da sala de exames. Estes pontos dentro da sala de Raios . simulando para estas medidas a presença de paciente através do uso de fantoma. O Levantamento Radiométrico Ambiental realizado pela SAPRA inclui as medidas relativas a verificação da blindagem do cabeçote. com as instruções de quais documentos deverão ser anexados pela instituição a este Plano para que o mesmo seja enviado à Vigilância Sanitária. contendo:     a descrição da instalação em relação à proteção radiológica.X e das salas ou áreas vizinhas. de acordo com a Portaria 453 de 01. pacientes e o público em geral.X. arquitetura interna. O objetivo do Levantamento Radiométrico Ambiental é avaliar a blindagem oferecida pelas paredes. a descrição dos equipamentos inspecionados. tendo como anexos: os laudos de Levantamento Radiométrico Ambiental. As medidas de Levantamento Radiométrico Ambiental e Teste de Radiação de Fuga são válidas por quatro (4) anos. cabina de comando. Neste relatório são fornecidas instruções sobre Proteção Radiológica a serem observados pelos profissionais que trabalham com raios X. pacientes e indivíduos do público.X a serem realizadas as medidos referem-se aos locais de maior ocorrência de irradiação e/ou da permanência de pessoas. deverão ser enviados a Vigilância Sanitária para que a instituição obtenha o Alvará de Funcionamento. o Teste de Radiação de Fuga do equipamento. Estas medidas verificam o desempenho mecânico. técnicos em radiologia e médicos durante a realização de exames de rotina. janelas e biombos das salas de Raios . em pontos definidos anteriormente. na carga de trabalho semanal ou nas características da vizinhança imediata. O Laudo Radiométrico tem validade de 04 anos. portas.LEVANTAMENTO RADIOMETRICO AMBIENTAL São um conjunto de medidas de exposição. tetos. dos níveis de radiação nas salas onde estão instalados os aparelhos de Raios . no aparelho de Raios-X. atrás do biombo de proteção e demais blindagens e compará-los com os Limites de Doses estabelecidos pelas Normas vigentes.98 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. O Plano de Radioproteção. visores. O Levantamento Radiométrico é apresentado em forma de Relatório Técnico acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao CREA da sua região. desde que não haja mudanças na sala. ou seja. O Levantamento Radiométrico Ambiental é executado através de medidas. portas. pisos. Em anexo ao laudo de Levantamento Radiométrico Ambiental segue um modelo de Plano de Radioproteção a ser revisado e assinado pelo médico Radiologista Responsável. mensurações. avaliações. desta maneira avaliar os níveis de radiação a que estão submetidos os operadores. análises e conclusões com a emissão de relatórios das condições de Segurança Radiológica oferecidas pelas paredes. a serem adotadas de modo a garantir a segurança dos operadores. elétrico e de proteção radiológica do equipamento. 41 | P á g i n a . Também são realizadas inspeções. caso sejam necessárias. etc.06. Teste de Radiação de Fuga e os documentos indicados nas instruções para completar este Plano. as conclusões e recomendações. janelas. Os resultados obtidos no Levantamento Radiométrico Ambiental e Teste de Radiação de Fuga serão apresentados em forma de um Relatório Técnico para cada sala e equipamento. descrição da instrumentação de medidas utilizadas.

Os já instalados devem ser avaliados por um especialista em física de radiodiagnóstico ou certificação equivalente. 42 | P á g i n a . os requisitos para radiação de fuga. a certificação de blindagem. quando observadas a distância de 2 m e a posição adequada. deverão ter entre os documentos acompanhantes. quando operado em condições de ensaio de fuga.25 mGy/h a 1m do ponto focal. fora do feixe primário.AVALIAÇÃO DE FUGA DE RADIAÇÃO ATRAVES DO CABEÇOTE Em radiografias intra-orais o cabeçote deve estar adequadamente blindado de modo a garantir um nível mínimo de radiação de fuga. que acima do valor referenciado. limitada a uma taxa de kerma no ar máxima de 0. são os mesmos estabelecidos para radiodiagnóstico médico. O mesmo não ocorre quanto à radiação de fuga. em no máximo um ano. no prazo máximo de três anos. tem um comportamento idêntico ao do feixe primário. Os aparelhos novos. A blindagem desse tipo de equipamento deve garantir um nível mínimo de radiação de fuga. existe a proteção contra a radiação secundária (espalhada). revelando falha na blindagem do cabeçote. restringida a uma taxa de kerma no ar de 1 mGy/h a um metro do ponto focal. Este mesmo requisito se aplica à radiação de fuga através do sistema de colimação. Para outros equipamentos emissores de raios-x. quando operado em condições de ensaio de fuga.

as mulheres com idade ao redor de 40 anos. que receberam alta dose de radiação.  utilizar luvas e roupas especiais. 43 | P á g i n a .  Por outro lado. para limitar os riscos e prevenir acidentes.  Sabe-se que qualquer tipo de ca induzido por radiação é indistinguível daquele devido a outros fatores.  Entre outras fontes de informação podem ser citados: sobreviventes de bombardeios atômicos das cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaqui em 1945. ensino.0 Gy. Algumas Curiosidades:  Muito do que se conhece em nossos dias provém de experiências feitas com animais. a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados. são extremamente resistentes. sabe-se que. entre 0. e trabalhadores de minas de urânio e tório. estão apresentando índices crescentes de câncer de mama. os invertebrados são menos sensíveis á radiação do que os vertebrados. Para diminuir exposições externas três fatores devem ser levados em consideração:  permanecer o tempo mínimo possível próximo à fonte de radiação.  Os dados acumulados e usados para formular modelos teóricos são de doses razoavelmente altas. minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisas. entre os vertebrados. por exemplo.  Os riscos carcinogênicos devidos à baixa dose de radiação. Para evitar a contaminação interna. pois alguns produtos podem ser absorvidos pelo organismo através da pele. quando crianças. as seguintes precauções devem ser tomadas pelos trabalhadores com radiação:  usar máscaras para não inalar gases radioativos.  trabalhar à máxima distância possível da fonte. não colocar dedos na boca. De uma forma geral. para atenuar a radiação ao máximo. sobrevivem após uma dose absorvida de 640 Gy e os organismos unicelulares.  não pipetar com a boca.  Além disso. produção. pessoas expostas à radiação acidental ou ocupacionalmente como médicos radiologistas.  Hoje. tendo por finalidade a saúde do homem e dos animais. nos quais estamos atualmente interessados. Hoje. são estimados através de uma extrapolação nesses dados.NOÇÕES DE BIOSSEGURANÇA Biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção. moças que pintavam mostradores de relógios. pacientes com ca irradiados terapeuticamente.  lavar as mãos sempre que necessário. mais sensível ele é a radiação. e não fumar nos locais de trabalho.  As moscas de frutas (Drosophila melanogaster). como a ameba.5 a 2. elas perdem o medo e aí é que começam os problemas de contaminação e irradiação. Todos devemos tomar muita precaução ao lidar com radiação. isto é. precisando de pelo menos 1. Como a radiação não é sentida nem vista pelas pessoas. desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços. com água abundante e sabonete.000 Gy para morrer.  usar blindagens adequadas. em Hiroxima e Nagasáqui. os peixes e os répteis. tais estudos se tornam extremamente complicados por causa das incertezas nas estimativas de doses absorvidas pelas pessoas irradiadas. cuja sensibilidade à radiação pode ser muito diferente da do ser humano. como o intervalo de tempo entre o aparecimento do efeito e a exposição é em geral muito grande. quanto mais jovem o indivíduo. principalmente os trabalhadores. os mamíferos são mais sensíveis a radiação do que as aves. cientistas.

quanto mais diferenciada for a célula. Um organismo complexo exposto às radiações sofre determinados efeitos somáticos. correspondente a 1 Joule por quilograma de matéria. por exemplo. que ocorre algumas horas após a exposição ou no máximo. que lhe são restritos e outros. As células têm uma incrível capacidade de reparar danos. adotado por convenção. a célula pode ser afetada de tal forma que não morre e é modificada.sensíveis. as células são capazes de reparar qualquer dano e funcionarem normalmente. químicos e biológicos. convulsões. distúrbios respiratórios. A radiação causa ionização dos átomos. O mais importante dos efeitos imediatos das radiações após exposição do corpo inteiro a doses relativamente elevadas é a Síndrome Aguda de Radiação (SAR). as células vivas podem ser classificadas segundo suas taxas de reprodução: Linfócitos (glóbulos brancos) e células que produzem sangue estão em constante reprodução e são as mais sensíveis. provocam a morte em poucos minutos. as doses absorvidas podem ser diferentes em cada tecido. perda de apetite. Em seguida surge desidratação. por exemplo: perda das propriedades características dos músculos. possivelmente em decorrência da destruição de macromoléculas e de estruturas celulares indispensáveis à manutenção dos processos vitais. Nem todas as células vivas têm a mesma sensibilidade à radiação. finalmente. Em alguns casos. Células nervosas e musculares são as mais lentas e. as da pele. No entanto. que podem afetar moléculas.De acordo com o conteúdo apresentado em Efeitos Biológicos das Radiações. são extremamente radio . um ou dois dias mais tarde. A morte ocorre poucos dias mais tarde. O efeito retardado de maior relevância é a cancerização radio induzida. quando na verdade. os danos biológicos começam em conseqüência das interações ionizantes com os átomos formadores das células. Em uma explosão nuclear ou em certos acidentes com fontes radioativas. perda de coordenação motora. definido como a quantidade de radiação absorvida. pois a divisão celular requer que o DNA seja corretamente reproduzido para que a nova célula possa sobreviver. perda de peso e infecções graves. observa-se síndrome gastrointestinal. mas. Entendem-se como variações morfológicas as alterações em certas funções essenciais ou a morte imediata da célula. Doses muito elevadas. as células quando expostas à radiação sofrem ação de fenômenos físicos. Em outros casos. É assim que as funções metabólicas podem ser modificadas ao ponto das células perderem sua capacidade de efetuar as sínteses necessárias à sua sobrevivência. Cada órgão reage de certa forma. O corpo humano é constituído por cerca de 5 x 1012 células. Em muitos casos. Os fenômenos biológicos da radiação. Células reprodutivas e gastrointestinais não se reproduzem tão rápido. as pessoas expostas recebem radiações em todo o corpo. Uma exceção significativa a essa lei geral é dada pelos linfócitos. que. Por isto. mas ainda assim consegue se reproduzir. diarréia intensa e apatia. isto é. vômito. tende-se a avaliar os efeitos da radiação em termos de efeitos sobre as células. de 60 dias. isto é. Finalmente. transmissíveis às gerações posteriores. decorrente da inativação das 44 | P á g i n a . Quanto maior o grau de especialização. que só aparecem vários anos após a irradiação. O quadro clínico apresentado por um irradiado em todo o corpo depende da dose de radiação absorvida. Assim. portanto. As células modificadas se reproduzem e perpetuam a mutação. são uma conseqüência dos fenômenos físicos e químicos. As células filhas terão falta de algum componente e morrerão. caracterizada por náuseas. Doses da ordem de 100 Gy produzem falência do sistema nervoso central. no entanto. Assim são. enquanto que em outra célula o efeito pode ter menor conseqüência. e órgãos. muitas das quais altamente especializadas para o desempenho de determinadas funções. do revestimento intestinal ou dos órgãos hematopoiéticos. a célula é danificada. estado de coma e. nem todos os efeitos da radiação são irreversíveis. A unidade para expressar a dose da radiação absorvida pela matéria é o Gray (Gy). mais lentamente ela se dividirá. Estas constituem as primeiras reações do organismo à ação das radiações e surgem geralmente para doses relativamente baixas. células. Doses da ordem de alguns grays acarretam a síndrome hematopoiética. Os fenômenos químicos sucedem aos físicos e provocam rupturas de ligações entre os átomos formando radicais livres num intervalo de tempo pequeno. portanto. Alteram as funções específicas das células e são responsáveis pela diminuição da atividade da substância viva. dano na estrutura celular. de que resultam: desorientação espaço-temporal. a radiação interage somente com os átomos presente nas células e a isto se denomina ionização. Uma interação direta da radiação pode resultar na morte ou mutação de tal célula. Assim. Além destas alterações funcionais os efeitos biológicos caracterizam-se também pelas variações morfológicas. são menos sensíveis. o dano é sério demais levando uma célula à morte. As células que tem mais atividade são mais sensíveis do que aquelas que não são. embora só se dividam em condições excepcionais. apresentando tolerâncias diferenciadas em termos de exposição à radiação. genéticos. da ordem de centenas de grays. o que poderá significar o começo de um câncer. Quando a dose absorvida numa exposição de corpo inteiro é de dezenas de grays. morte. Os efeitos somáticos classificam-se em imediatos e retardados com base num limite. as menos sensíveis.

Utilizado onde o profissional fica exposto por um tempo prolongado ou onde há utilização do intensificador de imagem. Na área veterinária é utilizada para segurar animais de médio e grande porte.  Protetor de Órgãos Genitais Protetor para região genital. proteção para acompanhantes e técnicos de raios-X. de acordo com as normas do CNEM e AMVISA. Sem proteção nas costas. uso de blindagens e dosímetro. como diversos agentes químicos.  Avental de Chumbo .50 mmPb.25 mm ou 0. Utilização: Este avental é utilizado onde o tempo de exposição do profissional é muito prolongado. também têm efeito teratogênico. Utilização: Para centros cirúrgicos.  Dosímetros Aparelho individual de medição de radiação corporal. Para procedimentos cirúrgicos. utilização do símbolo internacional de presença de radiação nos acessos controlados. exceto para radiografia odontológica panorâmica. Utilização: Acompanhar os níveis de radiação absorvidos pelo corpo.  Óculos plumbífero com Proteção Frontal e Lateral Óculos com lentes plumbíferas. leucócitos e plaquetas) e.25 mm ou 0.25 mm ou 0. Pode ser colocado e removido facilmente. Para doses inferiores a 10 Gy. com cinto e fecho regulável para ajuste. Equivalência em chumbo de 0.50 mm de chumbo. utilizado por técnicos e pacientes em exames que impossibilitam o uso de outros protetores. Para angiografia ou hemodinâmica. O serviço de proteção radiológica deve possuir equipamentos de proteção individual. Salientamos que a região da tireóide é uma das partes do nosso corpo mais atingida pela radiação.50 mm de chumbo. isto é. manter um registro individual do trabalhador.  Luvas Plumbíferas Luvas de proteção com equivalência em chumbo de 0. Para proteção radiológica do operador de raios x. Proteção para o técnico de raios-X.  Avental de Chumbo – Padrão Avental de Proteção Radiológica é fabricado com borracha plumbífera flexível com equivalência de 0.  Conjunto de Saia e Blusa Fabricados com borracha plumbífera flexível com equivalência de 0.25 mm ou 0. 45 | P á g i n a . dos tecidos responsáveis pela produção dessas células (medula). O serviço de proteção radiológica deve estar localizado no mesmo ambiente da instalação radioativa.  Protetor de Tireóide Fabricados com borracha plumbífera flexível com equivalência de 0. O protetor de tireóide é um acessório de proteção utilizado em todos os tipos de exames. as possibilidades de uma assistência médica eficiente são maiores. Esse conjunto foi desenvolvido com o objetivo de dividir o peso e proporcionar ao usuário maior conforto.50 mmPb. bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.  Avental de Chumbo Centro Cirúrgico Avental de Proteção Radiológica é fabricado com borracha plumbífera flexível com equivalência de 0.50 mmPb.50 mm de chumbo. acompanhantes e auxiliares envolvidos nos exames onde o tempo de exposição não é prolongado. provocam alterações significativas no desenvolvimento de mamíferos irradiados quando ainda no útero materno. hospitais e clínicas radiológicas. ou durante a utilização do intensificador de imagem.Proteção nas Costas (Tipo Casaco) Avental de Proteção Radiológica é fabricado com borracha plumbífera flexível com equivalência de 0. com proteção frontal e lateral (180 ) equivalência em chumbo de 0. Tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde. Equipamentos de Proteção Individuais e Ambientais. bem como informações relativas aos riscos biológicos e proteções. As radiações.50 mm de chumbo.50 mm de chumbo.25 mm ou 0. Quando houver risco radiológico deve se manter medidas de proteção coletiva. principalmente.células sanguíneas (hemácias.

Limitação de Dose. tomada as devidas precauções. desde que. assim proporcionando uma melhor qualidade de vida ao homem. aos animais e ao meio ambiente sem desrespeitá-los. Blindagens.Alguns fatores como os já mencionados Princípio de Otimização e de Justificação. 46 | P á g i n a . Controle de Qualidade em Equipamentos. Avaliação de Fuga através do Cabeçote dentre outros também colaboram na prevenção e minimização de altas doses e/ou doses desnecessárias recebidas pelo paciente e pelo profissional e até na eliminação de riscos acidentais relacionados à radiação.

e ele possa usufruir dos benefícios dessa radiação com segurança. como a distância à fonte. Até chegue a se tornar insignificantes os riscos de radiação ao ser humano. em geral feitos de chumbo para o pacientes e os trabalhadores. através dos seus sentidos. alguns importantes critérios de proteção radiológica devem ser observados. visando práticas que dão origem a exposições radiológicas para que sejam efetuadas em condições otimizadas de proteção a saúde. As radiações provocam alterações em estruturas de importância biológica e podem levar à morte celular. e acompanhantes com equipamentos de proteção (EPIs).CONCLUSÃO A proteção Radiológica engloba várias medidas de proteção. são utilizados para impedir a incidência de radiação em regiões desnecessárias. Para evitar os efeitos nocivos da radiação ionizante. Regiões do corpo dos próprios pacientes precisam ser protegidas. Em geral. Por tanto a Proteção Radiológica é muito importante e deve ser seguida corretamente. com exceção das reações causadas pelas radiações. as radiações são invisíveis e dificilmente detectáveis pelas pessoas. o tempo de exposição e a justificação da prática. 47 | P á g i n a . e estabelece as diretrizes básicas de proteção. a blindagem. especialmente daquela proveniente de fontes externas.

Luvas . mAs. O que é Biossegurança? A ( ) É o princípio básico de proteção radiológica que estabelece que nenhuma prática ou fonte adscrita a uma prática deve ser autorizada a menos que produza suficiente benefício para o indivíduo exposto ou para a sociedade. Otimização. que representam danos diferentes para cada região afetada. Argamassa Baritada 48 | P á g i n a . Avental Pumblífero ) Biombo. D ( ) É um elemento resultante de fontes naturais modificadas tecnologicamente causando uma fissão nuclear do urânio 2. Luvas. de modo a compensar o detrimento que possa ser causado. Distância e Hábitos de Trabalho ) N. Óculos Blindado ) Avental . Biombos. utilizam durante os exames? A( B( C( D( ) Argamassa Baritada. Porta Blindada. Óculos.A. B ( ) É o conjunto de ações voltadas para a prevenção. Óculos Blindado. quando necessário. Tempo ) Justificação. 5. os acompanhantes e os pacientes. tendo por finalidade a saúde do homem e dos animais. C ( ) É ação das radiações no organismo humano produzindo uma série de efeitos. Quais os equipamentos de proteção individual (EPIs) o Profissional em Radiodiagnósticos. Portas Blindadas ) Protetor de Gônadas. Paredes Blindadas ) Otimização da Prática.QUESTIONÁRIO 1. Quais os métodos de redução de exposição às radiações? A( B( C( D( ) kV. Otimização e Limitação de Doses Individuais ) Justificação da Prática. Blindagem. minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades ocupacionais. a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados.D. Ampola de Raios-X ) Tempo. Limitação de Doses Individuais 4. Qual o aparelho utilizado para medir/controlar a quantidade de radiação mensal de um Profissional em Radiodiagnóstico? A( B( C( D( ) Histerossalpingógrafo ) Ampola de Raios-X ) Cone Cilindrico ) Dosímetro 3. Protetor de Tireóide e Protetor de Gônadas ) Protetor de Tireóide. Dosímetro. Qual o conjunto de medidas que visam proteger o homem contra possíveis efeitos indevidos causados por radiação ionizante proveniente de fontes produzidas pelo homem? A( B( C( D( ) Justificação.

gov.br/barreiras_blindagens.biossegurancahospitalar.html http://queimson.com/2010/10/principio-alara-ou-principio-de.html http://www.br/~canzian/intrort/efeitos.taherbran.br/ http://www.com/2010/10/biosseguranca-aplicada-radiologia.fsc.answers.pdf CONTROLE DE QUALIDADE EM EQUIPAMENTOS DE RADIODIAGNÓSTICO http://www.blogspot.htm NOÇÕES DE BIOSSEGURANÇA http://radiologia-e-imagem.com/materia_princ_prot_radiol.com.com/materia_deteccao.br/rx/Curso_de_Biosseguranca_cap_5_Efeitos_Biologicos_das_Radiacoes_Ionizantes.grx.br/~canzian/port453/ambientes.ufsc.br/scielo.php?pid=S0366-69131998000600007&script=sci_arttext&tlng=es CONDIÇÕES DE PROTEÇÃO RADIOLOGICA EM RADIODIAGNÓSTICO http://www.htm EFEITOS BIOLOGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES http://www.gov.com.tecnologiaradiologica.asp http://www.pt/aaaDefault.pdf http://www.htm http://www.br/legis/portarias/453_98.prorad.br/legis/portarias/453_98.htm http://www.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DOSIMETRIA PESSOAL http://www.com.com.html PRINCIPIO DA OTIMIZAÇÃO http://ensinodefisicamedica.br/servicos_em_radiologia.anvisa.html RADIAÇÃO NATURAL E AMBIENTAL http://omnis.rhos.com.br/~mms/lab4/FontesDeRadiacao_Cap%C3%ADtulo%209.htm PRINCÍPIO DA JUSTIFICAÇÃO http://www.usp.htm http://www.wikipedia.gov.ufsc.saude.tecnologiaradiologica.tecnologiaradiologica.htm http://www.com.br/base-odonto-periferico-raiox-semi.br/dosimetria_pessoal.html PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM RADIODIAGNOSTICO http://www.ufrj.com.com/question/index?qid=20090828080833AAc3R8r http://www.aspx?f=1&codigono=55205552557763086315AAAA BLINDAGEM EM SALAS DE RADIODIAGNOSTICOS http://www.com.blogspot.sapraassessoria.br/servicos/pub/levantamento.html LEVANTAMENTO RADIOMÉTRICO AMBIENTAL http://www.tec-rad.html http://www.anvisa.com/materia_princ_prot_radiol.fsc.prorad.yahoo.blogspot.scielo.tecnologiaradiologica.br/gestores/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_08/03_05_09_01.html 49 | P á g i n a .fcf.dgs.htm ACIDENTE RADIOLÓGICO EM GOIANIA http://pt.html AVALIAÇÃO DE FUGA DE RADIAÇÃO ATRAVÉS DO CABEÇOTE http://www.htm LIMITAÇÃO DE DOSE EM TRABALHADORES COM RADIAÇÃO http://br.com/materia_princ_prot_radiol.if.com/2009/04/aula-053-biosseguranca-em-diagnostico.br/Ensino/Graduacao/Disciplinas/LinkAula/My-Files/acidente_radiologico-Goiania.sc.org/wiki/Acidente_radiol%C3%B3gico_de_Goi%C3%A2nia http://www.br/servicos_em_radiologia.

Comentários da Professora Obrigado!!! 50 | P á g i n a .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful