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Curso de História da Arte

A mulher na Arte
ministrado pela Profa. Catarina Landim

LIVRARIA EXÓTICA
2007
Um outro olhar sobre a História da Arte

“A mulher forte não deve ser mais que um símbolo, ela apavora quando é vista em realidade”.
Balzac

A necessidade de um curso que refaça o percurso da arte através da obra de grandes artistas mulheres, hoje,
em pleno século XXI, é indício que a luta feminista pela revisão da História da Arte Ocidental, uma história masculina
que relegou as mulheres apenas ao papel de inspiradoras, iniciada na década de 1970, ainda não se completou.
Afinal, quando se pensa em grandes artistas o que vem a mente são nomes como Michelangelo, Leonardo da Vinci,
Rubens, Rembrandt, Picasso, Van Gogh. E entre eles nenhuma artista, nenhuma mulher!
A proposta desse curso é lançar um olhar na produção feminina, mas não pensando em uma História da Arte
das Mulheres, pois acredito que não devemos fazer a diferenciação sexual com olhar masculino, que relega a mulher
a apenas uma categoria, o “gênero”. O objetivo aqui é apresentar uma História da Arte a partir da obra de algumas
das mais importantes artistas que constroem dia-a-dia o espaço da mulher nas artes, sem perder de vista o
relacionamento humano entre homens e mulheres e o desenvolver das artes visuais. Estabelecer uma história de
relação e não de exclusão.
Para tanto, apresentaremos de início os principais conceitos que norteiam a produção feminina nas artes. As
questões da representação das mulheres na arte e do imaginário masculino, os debates acerca do espaço concedido
às mulheres artistas e os preconceitos em torno da produção delas, além da apresentação de um panorama da
participação das mulheres nas artes visuais a partir do século XVII, são os temas que serão discutidos na primeira
aula.
Na segunda aula, apresentaremos a produção de algumas artistas que atuaram no século XIX e início do século
XX, tais como Berthe Morrisot, Mary Cassat, Suzanne Valladon, Camille Claudel, Käthe Kollwitz, Sonia Delaunay e
Hanna Höch, discutindo os principais aspectos da obra dessas artistas e o contexto artístico onde elas se inserem.
A arte e as artistas brasileiras serão o tema da terceira aula. Uma situação política e social diferente levou a um
contexto artístico onde os maiores expoentes das artes visuais, sobretudo após a década de 1920, são mulheres
como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Maria Helena Vieira, Lygia Clark, Tomie Otake e Leda Catunda. Serão
apresentadas ainda as obras das primeiras artistas profissionais brasileiras, Nicolina Vaz, Julieta França e Georgina
de Albuquerque.
Para finalizar, trataremos da produção visual feminina e da arte do pós-guerra, época onde a participação
feminina tornou-se decisiva e se fez ouvir na Europa e, sobretudo, nos EUA.
Que, ao final, possamos reavaliar a nossa maneira de ver a História da Arte e as noções cristalizadas acerca
das artes visuais, e que tenha sido despertado o interesse pela obra dessas artistas e pela arte.

Catarina Landim
Graduanda em Artes Plástica pela UNICAMP
Prof. de História da Arte e História da Arte Brasileira

Curso A mulher na arte 01


A sexualidade em questão: representações e a criação de práticas sociais
“Nas artes visuais, em especial na história da arte ocidental, proliferam representações do corpo nu feminino, que
manifestam através de olhares para um fictício espectador a submissão ao próprio artista e ao proprietário da obra”.
Thomas Laquer (1994)
A figura feminina é um dos mais constantes temas da história da arte, seja como Madona, Anjo ou Demônio.
Sempre a partir da imaginação masculina, do desejo do homem, é que se criaram imagens que fortalecem alguns dos
conceitos sobre as relações entre homens e mulheres que temos até hoje.

Foi durante a Idade Média que a mulher teve reconhecido seu status de pessoa, por causa do cristianismo
(Gênese 1,27: “E criou Deus à sua imagem: macho e fêmea os criou”). Depois de vários séculos relegada à uma
categoria inferior, que só servia para a reprodução durante a Antiguidade Clássica, as mulheres conquistaram o direito
à dignidade, e puderam se envolver com artes como a tapeçaria e a iluminação de livros. É nesse período que
surgem as primeiras representações sacras da Virgem Maria.

No Renascimento, o resgate da Antiguidade Clássica leva à multiplicação de representações de mulheres e à


exploração do corpo feminino como objeto de desejo ou objeto de devoção. Essas representações formam a base da
tradição pictórica ocidental. Sejam mulheres sensuais ou Madonas, como as de Rafael, que até hoje são encontradas
reproduzidas em vários lares, as mulheres encarnam a imagem da fragilidade, da passividade e da procriação. E ao
homem, que se considera o centro de tudo, fica a aura da energia, da força e da criatividade.

Mesmo em alguns momentos onde as mulheres tentaram reverter a situação histórica e social se colocando à
frente de eventos importantes, como em algumas batalhas à época da Revolução Francesa, a sociedade masculina
conseguiu enfraquecer e até diluir a emancipação crescente das mulheres através de posições da medicina, do direito
e da religião que criam a idéia de que a mulher é um ser frágil, que não pode se envolver na vida social, devendo ficar
em casa e cuidar da família.

A essa tradição de representação da mulher se ligam os maiores nomes da História da Arte Ocidental. Existem
várias pesquisas que se questionam sobre o motivo de todas as vanguardas do século XX serem encabeçadas por
homens. Após a constatação de que não é pelo fato de não existirem mulheres artistas, descobre-se que o fator
determinante é a posição machista desses mesmo artistas. Declarações como as de Edgar Degas sobre Mary Cassat:
“Ela desenha como um homem” ou de Picasso: “ Pintar é em realidade como fazer amor”, só confirmam o que as
representações de dançarinas e prostitutas evidenciam. É interessante imaginar como seria a reação da sociedade se
o quadro Les Demoiselles d´Avignon, quadro que representa cinco prostitutas da rua Avignon, em Paris, tivesse sido
pintada por uma mulher, sobretudo se ela se envolvesse publicamente com vários homens, como Picasso fazia com
suas mulheres. A produção artística moderna associa de forma escancarada o fazer artístico com a energia sexual
masculina.

Enquanto a idéia de mulher frágil e cada vez mais adornada e produzida de acordo com o gosto da sociedade é
difundido através da exaustiva representação de mulheres-objetos desde o século XV, algumas mulheres lutam,
desde o século XVII, para serem artistas. Se de início as primeiras artistas eram filhas de artistas, mulheres que
tinham que sustentar a casa sozinhas e pintavam por necessidade ou filha de aristocratas que pintavam por lazer, a
liberação do acesso feminino ao estudo nas Academias de Artes e em ateliês particulares fez surgir a partir do final do
século XIX mulheres que escolhiam ser artistas. É nesse momento que as restrições de temas para mulheres (que só
podiam pintar temas religiosas, naturezas-mortas, retratos e paisagens) são superadas e elas passam a representar o
próprio corpo nu, as relações entre homens e mulheres, os desejos femininos.
É interessante a comparação entre as diferentes
representações da mulher em obras masculinas e femininas.
Podemos citar algumas.

A primeira é a representação do tema Susanna e os


anciões. Cena em que dois velhos abordam Susanna tomando
banho e depois a violentam. Na figura 1, vemos a obra
Fig.1 Tintoretto. renascentista de Tintoretto, de 1557, onde a mulher olha
Susanna e dois velhos, 1557.
passivamente e parece aguardar a violência dos dois homens. Já
Fig.2 Artemísia Gentilleschi.
na obra de Artemisia Gentilleschi (figura 2), primeira artista
Susanna e os velhos, 1610.
profissional que se tem relato, de 1610, temos Susanna
espantada tentando se defender.

As diferenças do tratamento do corpo da mulher são


explicitadas na contraposição da obra Nu ao sol de Renoir, um
dos maiores nomes do impressionismo francês, na qual se
observa uma bela mulher tomando sol, passiva, exibindo seu
corpo e provocando desejo e na obra Banhistas de Suzanne
Valadon, de 1923, onde duas mulheres, fora dos padrões de Fig.4 Suzana Valladon
Fig.3 Renoir
Nú ao sol, fim do séc. XIX. beleza, posam se relacionando entre si e com o meio onde estão. Banhistas, 1923
Curso A mulher na arte 02
O exemplo mais apontado é o confronto da representação da
sexualidade nas obras de Auguste Rodin e Camille Claudel, que
eram amantes. A obra de Claudel foi esquecida durante muitas
décadas pelo fato da artista ser vista apenas como a mulher que
provocava o desejo de Rodin. Muito além disso, seu trabalho foi
decisivo para a inserção das mulheres nas artes. Foi ela quem
representou, pela primeira vez, a sexualidade da mulher, seu desejo
e seu poder de atração sobre os homens. Quando nos deparamos
com a obra Sakountala ou Çacountala ou L’Abandon ou Vertumne et
Pomone, de 1905, é nítida a relação de dependência em que a
Fig.5 Camille Claudel artista retrata o homem ajoelhado aos pés da amada/amante. Já na
Fig.6 Auguste Rodin
Sakountala ou Abandon obra de Rodin, O eterno ídolo, do início do século XX, observa-se O eterno ídolo
1905 uma mulher que supre as necessidades do homem, sem dar sinal de Década de 1900
desejo ou satisfação.
A partir desse momento, as mulheres começaram a usar a representação do próprio corpo e, por vezes, até o
corpo como meio de expressão para questionar valores cristalizados que fazem nossa sociedade olhar para o corpo
feminino como se a mulher não fosse capaz de pensar, de conduzir sua própria vida e ter direito à sua sexualidade.
Acima de tudo, a mulher artista não deveria continuar a ser vista como apêndice dos homens, sempre como a esposa,
ou amante, ou filha de alguém. O que costuma levar a uma aproximação estreita com a obra dessas artistas, as
fofocas em torno da vida pessoal delas, passam a ser mais importantes que o desenvolvimento de sua própria obra.
Foi assim que se desenvolveu uma arte moderna/contemporânea feminina que defende o debate e os estudos acerca
da participação das mulheres na História, como agente ativo e não como modelo inspirador apenas.

Curso A mulher na arte 04


Mulheres na história da arte: Uma história ainda mal contada

O início pouco estudado


O início da produção artística feminina será aqui apresentado pela produção de três artistas, que se estende por um
período de quase três séculos: Artemísia Gentileschi está entre os principais artistas do barroco italiano do século XVII,
com sua obra vigorosa superou a produção de seu pai e foi bem aceita pela sociedade da época, Angélica Kauffmann,
suíça que se estabeleceu em Londres conquistou renome sobretudo pela pintura de retratos em fins do século XVIII e
Rosa Bonheur pintora francesa, exímia pintora de animais, pertence ao período chamado naturalista/realista da metade do
século XIX.
Através da obra dessas três artistas é possível traçar algumas das características desse início da produção das mulheres
artistas, tais como a influência decisiva de parentes, em geral o pai, para a formação técnica dessas artistas, os temas
aceitos pela sociedade, como retratos, temas religiosos, paisagens e naturezas mortas, já que muitas delas ainda não
podiam freqüentar a academia e as aulas de nus e sobretudo o esquecimento de suas produções ao longo da história,
tendo sido resgatada há poucas décadas.

Artemisia Gentileschi (1593 – 1652/3)


(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Individualidade formidável foi uma das maiores personalidades artísticas a adotar o estilo
caravaggesco. De talento precoce, logo assegurou grande reputação em toda a Europa e
levou uma vida independente, rara para uma mulher da época. Nascida em Roma,
trabalhou principalmente lá e em Florença, até fixar-se em Nápoles em 1630. Viajou para a
Inglaterra entre 1638 e 1640. Seu estilo poderoso encontra sua melhor expressão nas
pinturas Judith e Holofernes, tema em que Artemísia especializou-se. Sua predileção pelo
tópico sangrento já foi explicada com base em fatos de sua própria vida. À idade de 19
anos, Artemísia alegou ter sido estuprada por Agostino Tassi (que foi absolvido da
acusação) e foi torturada no decorrer dos processos legais; assim a ferocidade de suas
representações de decapitação de um homem por uma mulher tem sido visto como uma
“vingança” pictórica por seus sofrimentos.
Judite matando Holofernes
Algumas obras: Susanna e os velhos (1610), Judite e sua criada (c.1613-14 - Palazzo
1612-21 Palace, Florence), Judite matando Holofernes (1612-21 - Galleria degli Uffizi, Florence),
Galleria degli Uffizi, Florence Lucrecia (1621- Palazzo Cattaneo-Adorno, Genova) e Auto retrato como alegoria da pintura
(c.1630 - The Royal Collection, St James Palace.)

Angelica Kauffmann (1741-1807)


(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora Suíça. Desde muito nova acompanhava o pai, o pintor Joseph Johann Kauffmann,
em viagens pela Suíça e pela Itália e formou seu estilo em Roma. Em 1766 mudou-se para
Londres, onde era ampla a admiração por sua obra e sua pessoa. Angélica começou sua
carreira na Inglaterra como retratista das rodas elegantes, mas gradualmente passou a
dedicar-se mais à pintura de cenas históricas que aos projetos decorativos. Embora sua
obra deva muito à tradição neoclássica, por certo encanto pode ser relacionada ao rococó.
De grande beleza em suas melhores manifestações, a produção de Angélica podia ser
também bastante insípida, sendo muito mais bem-sucedida em vinhetas decorativas de
Miranda e Ferdinand na caráter feminino que na pintura de cenas retiradas de Homero e Shakespeare. Foi
Tempestade
1782 membro-fundadora da Royal Academy (1768). Em 1871 seu casou om o pintor Antonio
Zucchi e se estabeleceu em Roma.
Algumas obras: Retrato de Mulher (1795 - Museum of Fine Arts, Budapest), Miranda e
Ferdinand na Tempestade (1782) e L´Allegra (1779)

Rosa Bonheur ( 1822-1899)


(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora francesa especialista na representação de animais. Estudou com seu pai,
Raymond Bonheur, e expôs regularmente no Salon de Paris a partir de 1841, onde suas
pinturas de leões, tigres, lobos, etc., tornaram-se logo muito populares. O Leilão de
Cavalos (1853 – Metropolitan Museum de Nova York) deu-lhe reputação internacional.
Rosa Bonheur foi uma figura alegre e formidável, bastante explícita em sua atitude de
mulher independente (fumava cigarros e vestia calças). Em 1865 foi a primeira mulher
condecorada com a Grande Cruz da Legião de Honra, entregue pela Imperatriz.
Veaux Algumas obras: The Horse Fair (1853-1855), Ploughing in the Nivernais (1855),
1879 Veaux (1879).

Curso A mulher na arte 05


O gênio não é feminino: mulheres nas artes do século XIX
A partir da metade do século XIX temos algumas artistas decisivas para o andamento da História da arte, pertencentes ao
Impressionismo e Pós-Impressionismo, essas artistas são vistas ainda como coadjuvantes, mesmo tendo desempenhado
papel fundamental para o desenvolvimento desses movimentos artísticos.
Berthe Morrisot (1841 – 1895)
(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora impressionista francesa . Neta de Fragonnard, Berthe foi criada em uma atmosfera de
cultura, e embora tenha sido aluna de Corot, a principal influência formativa sobre seu estilo
veio de Manet, a quem conheceu em 1868 e com cujo irmão se casou em 1874. Diz-se que
ela, por sua vez, persuadiu Manet a utilizar a “pintura arco-íris” dos impressionistas e a
experimentar a pintura ao ar livre. Após a morte de Manet, em 1883, caiu sob a influência de
Renoir. Suas pinturas foram regularmente aceitas pelo Salon, mas a artista opunha-se
energicamente aos ensinamentos acadêmicos convencionais e advogava as idéias
impressionistas. Especializou-se na pintura de tranqüilas cenas domésticas, pintadas numa
técnica delicada e leve, e foi também excelente pintora de cenas marítimas.
Algumas obras: Balcão (1872), Na sala de jantar (1875 - National Gallery of Art, EUA),
Wiege Wiege (1873 - Musée d’Orsay, Paris), Campo de trigo (1875 - Musée d’Orsay, Paris), Modelo
1873 no repouso (1887 – coleção particular).
Musée d’Orsay, Paris
Mary Cassat (1844-1926)
(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora e gravadora americana, que trabalhou principalmente em Paris no círculo
impressionista. Degas, por quem nutria grande admiração, persuadiu-a a expor com os
impressionistas; não obstante, o caráter extremamente pessoal de sua arte não se modificou,
e suas afinidades com os franceses davam-se menos no campo da técnica e da teoria do que
na atitude comum de reabilitação das cenas e dos gestos cotidianos como tema da arte.
Mary tinha uma habilidade especial para o desenho e manejava muito bem pastéis,
ferramentas de gravador e tintas a óleo. Tinha mais de 50 anos quando sua vista começou a
fraquejar, e em 1914 já havia praticamente parado de trabalhar. De família rica, Mary Cassat
influenciou muito o gosto americano, encorajando seus amigos abastados a adquirirem obras
impressionistas.
Margot em azul Algumas obras: Margot em azul (1902), Mãe e criança (1908), O banho (1891).
1902
Suzanne Valladon (1865-1938)
(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora Francesa. Na infância trabalhou como acrobata em um circo, mas uma queda forçou-a
a trabalhar depois como modelo, tornando-se a grande beldade do bairro de Montmartre, em
Paris. Suzanne também desenhava e incentivada por Degas tornou-se pintora de sucesso. É
pequena em sua obra a influência do estudo formal e do trabalho dos artistas com que se
associou, como Renoir, Toulouse Lautrec e Degas, e sua pintura expressa um olhar renovado
e pessoal. Dedicou-se à pintura de retratos, naturezas-mortas e, sobretudo figuras humanas,
que freqüentemente destacam-se pelo esplêndido vigor natural e pelo emprego surpreendente
Quarto azul de contornos e cores planas.
1923 Algumas obras: Jeune fille faisant du crochet (vers 1892), Quarto azul (1923), As duas
Banhistas (1923), Banho das crianças no jardim (1923)

Camille Claudel (1864-1943)


Camille Claudel nasceu em 8 de dezembro de 1864 na França. Convencida de sua vocação
artística, Camille se mudou em 1881 para Paris onde estudou, primeiro na Académie
Colarossi, com Alfred Boucher e depois com Auguste Rodin, que a contrata como aprendiz
em seu ateliê, em 1885. Por causa do amor e da devoção à Rodin, Camille abandonou sua
família e trabalhou muitos anos para o mestre, deixando de lado sua própria produção. Por
causa da indefinição de Rodin quanto ao relacionamento dos dois, já que ele não queria
abandonar a esposa Rose Beuret, e das críticas que apontavam suas obras como tendo sido
executadas pelo mestre, Camille Claudel se distanciou de Rodin e tentou uma autonomia
perceptível nas obras produzidas entre 1890 e 1897, como La Petite Châtelaine. Em 1898
ocorreu o rompimento definitivo entre os dois, situação retratada na obra Idade Madura,
La Petite Châtelaine concluída em 1899. Desorientada Camille Claudel desenvolveu um estado de paranóia que se
1897 agravou com o passar dos anos e não permitiu que ela gozasse o apoio e o reconhecimento
de críticos da época como Octave Mirbeau, Mathias Morhardt e Louis Vauxcelles ou do
curador Eugène Blot, que organizou duas grandes exposições para tentar o reconhecimento
moral e financeiro para Camille. Em 1905, seu estado clínico se agravou e ela passou a
afirmar que Rodin se apossou de algumas de suas esculturas e as assinou como sendo de
autoria dele, o que não foi confirmado na época, já que o diretor do Salão de Belas Artes era
Curso A mulher na arte 06
aliado do artista. A artista deixou de se alimentar e passou a desconfiar de todos, mesmo aqueles que queriam ajudá-la.
Uma semana após a morte de seu pai, que sempre a apoiou, Camille Claudel foi internada no dia 10 de março de 1913,
em uma clínica psiquiátrica pela família, permanecendo lá até sua morte, em 19 de outubro de 1943.

A importância da obra de Camille Claudel está na coragem de romper com a tradição existente e retratar a mulher, o
feminino através de obras que falam de seu amor, de suas decepções e de seus desejos. Pela primeira vez, uma mulher
se atreve a sair dos temas tradicionais permitidos para as artistas e apreciados pela burguesia. A partir da obra de Camille
Claudel as artistas passam a refletir sobre a mulher na sociedade e o uso do corpo feminino como objeto de satisfação
dos homens, abordando isso em suas obras.

Artistas por escolha: mulheres nas artes do século XX


No século XX temos um período de grande efervescência artística provocada pelas experimentações e pesquisas das
vanguardas. Dentre os principais movimentos, tais como o Cubismo, o Expressionismo Alemão, o Dadaísmo e o
Surrealismo, temos a presença de artistas que ainda merecem maiores estudos para podermos colocar nos devidos
lugares a importância de suas produções delas. Existem muita outras, mas apresentaremos aqui três delas, das quais
conseguimos maiores informações.
Sonia Delaunay (1885-1979)
(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Pintora e designer de tecidos russa. Chegou à Paris em 1905, casou-se com o artista Robert
Delaunay em 1910 e associou-se a ele no desenvolvimento do orfismo, derivação mais lírica
do cubismo. Durante a década de 1920 trabalhou, sobretudo com tecidos e tapeçarias
estampados à mão; como designer, exerceu forte impacto no mundo internacional,
concebendo tecidos para mulheres famosas como Nancy Cunard e Gloria Swanson. Em 1930
voltou-se para a pintura e tornou-se membro do grupo Abstracion-Création. Em 1964, uma
doação de 49 obras de Robert e 58 obras dela ao Musée d´Art Moderne, Paris, foi exposta no
Musée du Louvre, e ela se tornou assim a primeira mulher a ter em vida sua obra exposta
nesse museu.
Desenho de padrão de tecido
Algumas obras: Rythme et couleurs (1939 Lille, Palais des Beaux-Arts),

Käthe Kollwitz (1867-1945)


(extraído do Dicionário Oxford de Arte)
Artista gráfica e escultora alemã. Nasceu em uma família de fortes convicções sociais e
morais; em 1891 casou-se com o médico Karl Kollwitz e passou a viver em um dos bairros
mais pobres de Berlim setentrional, entrando em contato direto com as terríveis condições de
vida do proletariado urbano. Boa parte de sua obra foi concebida como protesto contra as
condições de trabalho na época, e Käthe conheceu a notoriedade com a série de águas
fortes Revolta dos camponeses (1897-8) e Guerra dos camponeses (1902-8). Concentrou-se
nos temas mais trágicos e pungentes da vida humana (especialmente a mãe e a criança), e
muitas de suas obras tardias tiveram motivação pacifista (seu filho foi morto na Primeira
Guerra Mundial e seu neto na Segunda). Defensora dos ideais de esquerda, visitou a União
Soviética em 1927, mas desiludiu-se com o comunismo daquele país. Em 1929 tornou-se a
primeira mulher a filiar-se a Academia Prussiana em Berlim, mas foi explusa em 1933, sendo
A lamentação perseguida pelos nazistas. Eliminando todo o acidental e capturando intuitivamente o
1938-40
essencial, sua obra representa, na forma mais pura e mais tocante, o elemnto de crítica social
que constituiu boa parte da arte expressionista alemã. “Gostaria de exercer influência nesta
época em que os seres humanos estão perplexos e necessitados de ajuda”, escreveu Käthe
em 1922.
Algumas obras: Os sobreviventes (1923), A lamentação (1938-40), Insurreição (1940)

Hanna Höch (1889-1978)


Artista alemã, de 1912 a 1914, estudou no Colégio das Artes em Berlim, sobre a orientação
de Harold Bergen. Estudou desenho em vidro e artes gráficas. Em 1915, Hannah começou
uma influente relação com Raoul Hausmann, um membro do movimento Dada de Berlim.
Assim, em 1919, Hoch, começou a envolver-se com o Dadaísmo, tornando-se pioneira, na arte
da fotomontagem.
Ela refletiu nas suas obras a justaposição entre a mulher alemã moderna e a mulher alemã
colonial. Ao fazê-lo desafiou as representações culturais das mulheres, levantando questões
relativamente à sexualidade das mulheres e aos seus papéis de género na nova sociedade.
Com as suas imagens Hoch abordou os medos, possibilidades e as novas esperanças para
as mulheres na Alemanha moderna.
Hannah passou os anos do terceiro Reich na Alemanha, tentando permanecer quieta e no
plano de fundo. Casou, em 1938, com o muito mais novo homem de negócios e pianista Kurt
Matthies, divorciando-se em 1944. Embora, durante a sua vida, o seu trabalho nunca tivesse
Dada-Ernest
sido verdadeiramente aclamado, ela continuou a produzir as suas fotomontagens e a exibi-las
1920
até à data da sua morte.
Algumas obras: Dada-Ernest (1920), The beautiful girl (1920), Tamar (1930) e Dançarina
Indiana (1930)
Mulheres na história da arte brasileira
Mulheres corajosas
A história da arte produzida pelas brasileiras profissionalmente inicia-se em fins do século XIX, mais precisamente em
1898, data do ingresso das primeiras mulheres na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), no Rio de Janeiro. A
instituição de ensino artístico superior foi fundada em 1826, por artistas franceses como Debret e Nicolas Taunay vindos
ao Brasil com a Missão Artística Francesa em 1816, com a função de instituir o ensino de arte na colônia portuguesa nos
moldes franceses. A primeira leva de artistas formados na AIBA era principalmente de pintores de temas históricos, como
Pedro Américo e Victor Meirelles, que criaram algumas das mais importantes obras que relatam a história do Brasil, como
Independência ou morte (1888) e Primeira Missa no Brasil (1886) respectivamente. A preparação desses artistas durante o
curso era bem intensa e tinha grande ênfase no desenho e no conhecimento da anatomia, indispensável para um
representação fiel da realidade. Foram formados na AIBA grandes artistas da História da Arte brasileira como Almeida
Júnior e Henrique Bernadelli. A permissão do acesso feminino à instituição se deu em 1879, mas foi apenas em 1898 que
algumas artistas tiveram a coragem de enfrentar todos os preconceitos da sociedade e se tornarem artistas profissionais,
entre elas podemos citar Nicolina Vaz e Julieta França. Às artistas que ingressavam na AIBA, não era permitida a
freqüência das aulas de nu, deixando, dessa forma, a formação dessas artistas comprometida, sobretudo no que diz
respeito aos gêneros artísticos que dependem de conhecimento da anatomia como a pintura histórica. É nesse contexto
que podemos estudar a obra de Georgina de Albuquerque, primeira mulher a pintar um tema histórico e a dirigir a Escola
Nacional de Belas Artes (antiga AIBA).
Georgina de Albuquerque (1885 - 1962)
A artista iniciou seus estudos artísticos ainda na cidade natal, Taubaté, em aulas particulares
dadas pelo pintor italiano Rosalbino Santoro, radicado em São Paulo e professor do Liceu de
Artes e Ofícios local. Em uma viagem à capital paulista, teve a oportunidade de ver uma
exposição de Antonio Parreiras que muito a teria impressionado. Em 1904, com apenas 19
anos, decidida a se tornar artista profissional, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a
estudar na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), como aluna de Henrique Bernardelli. Na
Escola, conheceu e se apaixonou pelo pintor Lucílio de Albuquerque, com quem logo se
casaria.
Quando, em 1906, Lucílio conquistou o Prêmio de Viagem á Europa oferecido aos alunos
regularmente inscritos na ENBA, o casal mudou-se para a França. Em Paris, permaneceram
durante cinco anos. Na École des Beaux-Arts, Georgina foi aluna de Paul Gervais e Adolph
Déchenaud; também cursou, como era usual entre os brasileiros, a Academia Julian, onde foi
orientada por, entre outros, Henri Royer e teve acesso à uma formação mais completa que
inclui também o estudo de nus.
Dia de verão Em 1911, o casal voltou ao Brasil, já formado artisticamente e pronto para enfrentar o
1920 mercado, instalando-se em um ateliê no Rio de Janeiro. A partir de 1927, Georgina passou a
integrar o corpo de professores da ENBA, primeiro como livre-docente, depois como
catedrática-interina e, finalmente, ocupando como titular a cátedra de Desenho. Em 1952,
tornou-se diretora da Escola, tendo sido a primeira mulher a ocupar tal cargo.
Seu marido Lucílio faleceu em 1939, quando Georgina tinha 54 anos, ocasião em que ela teve
de assumir sozinha as responsabilidades familiares. O casal possuía então mais de uma
centena de quadros e, orientada por amigos e colegas, a artista tomou a decisão de montar,
em sua própria casa, o Museu Lucílio de Albuquerque, ao qual incorporou todo o acervo
familiar; paralelamente, fundou uma escola de desenho e pintura, destinada a ensinar a
crianças os primeiros passos na arte.
Além dos inúmeros prêmios recebidos nos “salões” anuais, participou de exposições
internacionais, nas quais conquistou várias medalhas. Georgina percorreu todos os gêneros
de pintura: entre seus quadros figuram retratos, naturezas-mortas, nus, cenas do cotidiano,
paisagens e marinhas. Ela mesmo definia sua pintura como “impressionista”, resultado em
pare de seu contato com artistas franceses, nos cinco anos que morou em Paris. Sua obra
está representada nos principais museus brasileiros, em especial no Museu Nacional de
Belas-Artes do Rio de Janeiro e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Algumas obras: Dia de verão (1920), Canto do Rio (1920) e Sessão do Conselho do Estado
que decidiu a independência (1922)
O modernismo: arte de mulheres e imigrantes?
No início do século XX São Paulo começa a se desenvolver, o processo de industrialização alavancado pela imigração,
sobretudo de italianos, transforma a cara da cidade, que cresce e aos poucos se torna importante para o desenvolvimento
do país. Nessa cidade a maior parte dos artistas eram imigrantes, que traziam as influências das vanguardas que se
desenvolviam na Europa, e mulheres da classe mais abastada, cujas famílias tinham tempo e dinheiro, já que os homens
deveriam formar-se profissionais liberais para atender as demandas da sociedade. Foi nessa nova sociedade, mais
permeável as transformação já que não tinha uma tradição em artes, que um grupo de artistas começou a se mobilizar
para trazer para o Brasil uma nova arte que rompesse com as regras do ensino acadêmico e passassem a tratar das
questões nacionais seguindo as tendências Européias.
Para a formação desse grupo de artistas foi fundamental a exposição de uma artista paulistana que havia chegado de
viagem há pouco. Trata-se da exposição de Anita Malfatti, em 1917.
A partir dessa exposição formou-se o grupo de Modernistas que desenvolveram uma arte de temática Nacional,
preocupada em produzir uma arte genuinamente brasileira. À frente desse movimento temos a participação fundamental de
Tarsila do Amaral.
Anita Malfatti (1889 - 1964)
(extraído da enciclopédia visual do Itaú Cultural)
Pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora. Inicia seu aprendizado artístico com
a mãe, Bety Malfatti (1866 - 1952). Devido a uma atrofia congênita no braço e na mão direita,
utiliza a esquerda para pintar. No ano de 1909, pinta algumas obras, entre elas a chamada
Primeira Tela de Anita Malfatti. Reside na Alemanha entre 1910 e 1914, onde tem contato
com a arte dos museus, freqüenta por um ano a Academia Imperial de Belas Artes, em
Berlim, e posteriormente estuda com Fritz Burger-Mühlfeld (1867 - 1927), Lovis Corinth (1858
- 1925) e Ernst Bischoff-Culm. Nesse período também se dedica ao estudo da gravura. De
1915 a 1916 reside em Nova York e tem aulas com George Brant Bridgman (1864 - 1943),
Dimitri Romanoffsky (s.d. - 1971) e Dodge, na Arts Students League of New York, e com
Homer Boss (1882 - 1956), na Independent School of Art. Sua primeira individual acontece
em São Paulo, em 1914, no Mappin Stores, mas é a partir de 1917 que se torna conhecida
quando em uma exposição protagonizada pela artista - em que também expunham artistas
Auto retrato norte-americanos - recebe críticas de Monteiro Lobato (1882 - 1948) no artigo A Propósito da
1922 Exposição Malfatti, mais tarde transcrito em livro com o título Paranóia ou Mistificação? Em
sua defesa, Oswald de Andrade publica, em 1918, artigo no Jornal do Comércio. Estuda
pintura com Pedro Alexandrino (1856 - 1942) e com Georg Elpons (1865 - 1939) exercita-se
no modelo nu. Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna expondo 20 trabalhos, entre
eles O Homem Amarelo (1915/1916) e integra, ao lado de Tarsila do Amaral (1886 - 1973),
Mário de Andrade (1893 - 1945), Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Menotti Del Pichia (1892
- 1988), o Grupo dos Cinco. No ano seguinte, recebe bolsa de estudo do Pensionato Artístico
do Estado de São Paulo e parte para Paris, onde é aluna de Maurice Denis (1870 - 1943),
freqüenta cursos livres de arte e mantém contatos com Fernand Léger (1881 - 1955), Henri
Matisse (1869 - 1954) e Tsugouharu Foujita (1886 - 1968). Retorna ao Brasil em 1928 e
leciona desenho e pintura no Mackenzie College, na Escola Normal Americana, na
Associação Cívica Feminina e em seu ateliê. Na década de 1930, em São Paulo, integra a
Sociedade Pró-Arte Moderna - SPAM, a Família Artística Paulista - FAP e participa do Salão
Revolucionário. A primeira retrospectiva acontece em 1949, no Museu de Arte de São Paulo
Assis Chateaubriand - Masp. Em 1951, participa do 1º Salão Paulista de Arte Moderna e da
1ª Bienal Internacional de São Paulo.

Tarsila do Amaral (1886 - 1973)


(extraído da enciclopédia visual do Itaú Cultural)
Pintora, desenhista. Estuda escultura com William Zadig (1884 - 1952) e com Mantovani, em
1916, na capital paulista. No ano seguinte tem aulas de pintura e desenho com Pedro
Alexandrino (1856 - 1942), onde conhece Anita Malfatti (1889 - 1964). Ambas têm aulas com
o pintor Georg Elpons (1865 - 1939). Em 1920 viaja para Paris e estuda na Académie Julian e
com Emile Renard (1850 - 1930). Ao retornar ao Brasil forma em 1922, em São Paulo, o
Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti, Mário de Andrade (1893 - 1945), Menotti del Picchia
(1892 - 1988) e Oswald de Andrade (1890 - 1954). Em 1923, novamente em Paris, freqüenta
o ateliê de André Lhote (1885 - 1962), Albert Gleizes (1881 - 1953) e Fernand Léger (1881 -
1955). Entra em contato como o poeta Blaise Cendrars (1887 - 1961), que a apresenta a
Constantin Brancusi (1876 - 1957), Vollard, Jean Cocteau (1889 - 1963), Erik Satie, entre
Auto retrato outros. No ano seguinte, já no Brasil, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado
1923 (1872 - 1934), Mário de Andrade e outros, acompanha o poeta Blaise Cendrars em viagem às
cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços
feitos durante a viagem. Nesse período, inicia a chamada fase pau-brasil, em que mergulha
na temática nacional. Em 1925 ilustra o livro de poemas Pau-Brasil, de Oswald de Andrade,
publicado em Paris. Em 1928, pinta Abaporu, tela que inspira o movimento antropofágico,
desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp (1898 - 1984). Em 1933, após viagem à
União Soviética, inicia uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª
Classe. Em 1936 colabora como cronista de arte no Diário de São Paulo. A convite da
Comissão do IV Centenário de São Paulo faz, em 1954, o painel Procissão do Santíssimo e,
em 1956, entrega O Batizado de Macunaíma, sobre a obra de Mário de Andrade, para a
Livraria Martins Editora. A retrospectiva Tarsila: 50 Anos de Pintura, organizada pela crítica de
arte Aracy Amaral e apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e
no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP, em 1969, ajuda
a consolidar a importância da artista.
O pós modernismo: um cenário igualitário
Após um longo período de predomínio dos ideais modernos temos a abertura do país para a arte estrangeira na década de
1950, através de ações como a Fundação dos Museus de Arte Moderna do Rio e de São Paulo e a instituição da Bienal
de São Paulo. A partir desse momento a preocupação com o tema nacional é deixada de lado e os artistas passam a se
preocupar com as questões relativas à própria obra, dessa maneira a abstração, geométrica e lírica, começa a ser
produzida e discutida no país, em agrupamentos, como os concretistas e os neoconcretos, ou em produções isoladas.
Citaremos aqui o trabalho de algumas, dentre muitas artistas que atuaram e atuam a partir dessa época.
Maria Helena Vieira da Silva (1908-1922)
Nascida em Portugal, Maria Helena Vieira da Silva estuda na Escola de Belas Artes de
Lisboa. Muda-se para Paris em 1928, onde estuda escultura. Passa a dedicar-se à pintura
e gravura, estudando com Fernand Léger (1881 - 1955). Em 1930, casa-se com o artista
húngaro Arpad Szenes (1897 - 1985). Suas obras situam-se entre figuração e abstração. A
pintura da artista apresenta uma preocupação em revelar ambigüidades do espaço e da
profundidade representados sobre uma superfície plana. Predomina em seus quadros o
emprego de uma rede quadriculada, obtida por meio das linhas e de suas interseções, que
formam planos semelhantes a quadrados coloridos, como ocorre em La Chambre à
Carreaux [O Quarto Quadriculado], de 1935. No quadro L’Atelier Lisbonne [O Ateliê
Biblioteque en feu Lisboa], de 1940, pequenos quadrados giram para constituir um interior em perspectiva.
1974
No centro da composição, figuras fazem um círculo, lembrando A Dança de Matisse, em
um registro espectral. A artista revela também a importância de obras de Bonnard (1867 -
1947), em especial o quadro Le Nappe à Carreaux [A Toalha Quadriculada], que vê ao
chegar em Paris, e das composições abstratas de Torres Garcia (1874 - 1949).
O casal Arpad Szenes e Vieira da Silva vem para o Brasil em 1940, devido à Segunda
Guerra Mundial, instalando-se no antigo Hotel Internacional, no Rio de Janeiro. Lá convive
com intelectuais e pintores, como Cecília Meireles (1901 - 1964), Murilo Mendes (1901 -
1975) e Carlos Scliar (1920 - 2001). Em 1941, Vieira da Silva pinta La Forêt des Erreurs [A
Floresta dos Errantes], quadro que apresenta um ritmo visual quase vertiginoso e uma
gama cromática rebaixada, com predomínio de amarelos e verdes. O casal funda o Ateliê
Silvestre, que se transforma em centro de discussões artísticas. Traz ao Brasil a novidade
da abstração que, no caso de Vieira da Silva, evoca formas de associação entre cores,
texturas, ritmos e intervalos.
Vieira da Silva, ao longo de sua carreira, mantém uma trajetória coerente e independente
das correntes artísticas com as quais se deparou. Na opinião do historiador da arte Nelson
Aguilar, o impacto de sua obra pode ser reconhecido no Brasil, por exemplo, nos painéis
de azulejos realizados para projetos paisagísticos de Burle Marx (1909 - 1994) e também
na obra de Carlos Scliar e Athos Bulcão (1918).

Lygia Clark (1920 – 1988)


Lygia Clark trabalha com instalações e body art. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1947 e
inicia aprendizado artístico com Burle Marx (1909 - 1994). Entre 1950 e 1952, em Paris,
prossegue os estudos de pintura com Fernand Léger (1881 - 1955), Isaac Dobrinsky (1891
- 1973) e Arpad Szenes (1897 - 1985). No Rio de Janeiro, entre 1954 e 1956, integra o
Grupo Frente. Em 1954, incorpora como elemento plástico a moldura em suas obras
como, por exemplo, em Composição nº 5. Suas pesquisas voltam-se para a “linha
orgânica”, que aparece na junção entre dois planos, como a que fica entre a tela e a
moldura. Entre 1957 e 1959, realiza composições em preto-e-branco, formadas por placas
de madeira justapostas, recobertas com tinta industrial aplicada a pistola, nas quais a
linha orgânica se evidencia ou desaparece de acordo com as cores utilizadas.
Para a pesquisadora de arte Maria Alice Milliet, Lygia Clark é entre os artistas vinculados
Bicho
ao concretismo, quem melhor compreende as relações espaciais do plano. A radicalidade
1960 com que explora as potencialidades expressivas dos planos, leva-a a desdobrá-los, como
nos Casulos (1959), que são compostos de placas de metal fixas na parede, dobradas de
maneira a criar um espaço interno. No mesmo ano, participa da 1ª Exposição
Neoconcreta. O neoconcretismo define-se como tomada de posição com relação à arte
concreta exacerbadamente racionalista e é formado por artistas que pretendem continuar
a trabalhar no sentido da experimentação, do encontro de soluções próprias, integrando
autor, obra e fruidor. Inicia, em 1960, os Bichos, obras constituídas por placas de metal
polido unidas por dobradiças, que lhe permitem a articulação. As obras são inovadoras:
encorajam a manipulação do espectador, que conjugada à dinâmica da própria peça,
resulta em novas configurações. Em 1963, começa a realizar os Trepantes, formados por
recortes espiralados em metal ou em borracha, como Obra-Mole (1964), que, pela
maleabilidade, podem ser apoiados nos mais diferentes suportes ocasionais como troncos
de madeira ou escada.
Sua preocupação volta-se para uma participação ainda mais ativa do público. Caminhando
(1964) é a obra que marca essa transição. O participante cria uma fita de Moebius [August
Ferdinand Moebius (1790 - 1868), matemático alemão]: corta uma faixa de papel, torce uma das
extremidades e une as duas pontas. Depois a recorta no comprimento de maneira contínua e,
na medida em que o faz, ela se desdobra em entrelaçamentos cada vez mais estreitos e
complexos. Experimenta um espaço sem avesso ou direito, frente ou verso, apenas pelo prazer
de percorrê-lo e, dessa forma, ele mesmo realiza a obra de arte. Inicia então trabalhos voltados
para o corpo, que visam ampliar a percepção, retomar memórias ou provocar diferentes
emoções. A poética de Lygia Clark caminha no sentido da não representação e da superação do
suporte. Propõe a desmistificação da arte e do artista e a desalienação do espectador, que
finalmente compartilha a criação da obra. Na medida em que amplia as possibilidades de
percepção sensorial em seus trabalhos, integra o corpo à arte, de forma individual ou coletiva.
Finalmente, dedica-se à prática terapêutica. Para Milliet, a artista destaca-se sobretudo por sua
determinação em atravessar os territórios perigosos da arte e da terapia.

Yolanda Mohalyi (1909 - 1978)


Pintora, desenhista. Na Hungria estuda pintura na Escola Livre de Nagygania e, em 1927, ingressa
na Real Academia de Belas Artes de Budapeste. Em 1931, vem para o Brasil e fixa-se em São Paulo,
onde leciona desenho e pintura. Foram seus alunos, entre outros, Maria Bonomi (1935) e Giselda
Leirner (1928). A partir de 1935, começa a freqüentar o ateliê de Lasar Segall (1891 - 1957), com
quem identifica-se. Por volta de 1937, integra o Grupo 7, ao lado de Victor Brecheret (1894 - 1955),
Antonio Gomide (1895 - 1967) e Elisabeth Nobiling (1902 - 1975), entre outros. Sua primeira exposi-
ção individual ocorre em 1945 no Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB/SP. Em 1951 realiza suas
primeiras xilogravuras, com Hansen Bahia (1915 - 1978). Em 1958, recebe o Prêmio Leirner de Arte
Abertura Contemporânea. Entre as décadas de 1950 e 1960, executa em São Paulo vitrais para a Fundação
1971 Armando Álvares Penteado - Faap e murais para as igrejas Cristo Operário e São Domingos, além
de mosaicos para residências particulares. Mais tarde, executa também vitrais para a Capela de São
Francisco, em Itatiaia. Entre 1960 e 1962, leciona no curso de desenho e plástica da Faap. É tam-
bém nesse ano que a artista representa o Brasil na 1ª Bienal Americana de Arte, na Argentina, tendo
alguns de seus trabalhos escolhidos pelo crítico Sir Herbert Read para uma exposição itinerante nos
Estados Unidos. Em 1963, recebe o prêmio de melhor pintor nacional na 7ª Bienal Internacional de
São Paulo

Leda Catunda (1961)


Pintora, gravadora. Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São
Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 -
2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu
ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e
cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o
Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003,
defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio
Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásti-
Onça pintada cas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o
1984 livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.

Renina Katz (1925)


No início da carreira, Renina Katz dedica-se à pintura e realiza retratos e paisagens do Rio de
Janeiro. Na década de 1950 sua obra denota preocupações sociais com um caráter de
denúncia. Revela o universo dos trabalhadores urbanos e de personagens marginalizados, como
nas várias gravuras que tratam do tema dos retirantes (1948/1956) ou no álbum Favelas (1956).
Suas xilogravuras apresentam um caráter realista, uma mensagem direta e grande concisão de
elementos formais e têm grande requinte técnico, sendo comparadas, por alguns críticos, com a
Retirantes produção da gravadora alemã Käthe Kollwitz (1867 - 1945). A emoção é expressa graficamente
s.d
na contundente oposição entre os pretos e brancos que confere às cenas o aspecto dramático,
como ocorre em Retirantes (s.d.).
Renina Katz deixa os temas ligados ao realismo social a partir da metade da década de 1950,
quando sua obra passa gradualmente a adquirir um caráter não figurativo, embora permaneça
nela a relação com a paisagem. A artista passa a enfatizar, cada vez mais, o jogo de
transparências em suas obras. Inicia a produção em litogravura na década de 1970. A maioria de
suas gravuras são sugestões de paisagens, concebidas como lugares da memória. Na opinião
do crítico Roberto Pontual, quando suas gravuras pendem para o caráter lírico, Katz aproxima-se
da atmosfera transparente e musical das obras de Fayga Ostrower (1920 - 2001).
As Mulheres na Arte Contemporânea
A arte contemporânea é marcada pela participação de mulheres artistas que trabalham as diversas possibilidades da
representação do feminino, da crítica as diferenças sexistas e a representação das autobiografias. Influenciadas pelas
idéias feministas da década de 1970, e tendo como obra fundamental a intalação de Judy Chicago A festa do Jantar
(1974), essas artistas passaram a fazer novas leituras do mundo a partir de uma ótica feminina, a partir de experiências
que são apenas das mulheres.
Tamara de Lempicka (1898 - 1980)
Pintora do período Art déco, estudou na Academie de la Grande Chaumière, a partir de 1920, onde teve
aula com Maurice Denis e André Lothe. Se interessava tanto pelo Cubismo como pela obra de Ingres
ou de Pontormo, do qual ela copiou obras na Itália. Tem um estilo decorativo, elegante e escultural.
Teve uma vida luxuosa e escandalosa e se tornou uma das boemias mais conhecidas da noite
parisiense, freqüentando cabarés e retratando dançarinas e garçonetes.
Seus retratos se caracterizam por olhares questionadores e sensuais, bocas carnudas para as
mulheres e contraídas para os homens, mãos dobradas, cores vivas, violentas, ressaltadas pelos
fundos acinzentados. Utiliza processos pictóricos que ressaltam a estilização das formas, buscando a
descontrução/reconstrução das formas. Procurou sempre construir uma obra que fosse reconhecida de
imediato como sendo dela, o que alcançou sobretudo com a produção das décadas de 20 e 30.

Frida Khalo y Caldéron (1907 – 1954)


Artista mexicana, filha de artista, começou a pintar sem o compromisso profissional. Frequentou a
Escola Nacional preparatória do Distrito Federal do México, onde assiste a aulas de desenho e
modelado. Um grave acidente em 1925, a deixa de cama por muito tempo. Em 1928, quando Frida
Kahlo entra no Partido comunista mexicano, ela conhece o muralista Diego Rivera, com quem se casa
no ano seguinte. Entre 1931 e 1934 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com
Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive em sua casa de Coyoacan. Em 1938 André Breton qualifica
sua obra de surrealista em um ensaio que escreve para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de
Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declara mais tarde: “Acreditavam que eu era surrealista, mas
Auto retrato com não o era. Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade”. Em 1939 expõe em Paris na
cabelo cortado
galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México). Em 1953 a
Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua
honra.

Georgia O´Keeffe (1887 – 1986)


Pintora norte-americana. Uma das pioneiras do modernismo em seu país integrou o grupo liderado por
Stieglitz, a quem conheceu em 1916 e desposou em 1924. É conhecida, sobretudo, por suas pinturas
quase abstratas baseadas na ampliação de flores e vegetais, obras de grande elegância e vitalidade
rítmica cujas formas sensuais comportam frequentemente uma sugestão sexual. Suas demais obras
incluem vistas da cidade de Nova York, pintadas num estilo próximo ao dos precisionistas, e
paisagens elaboradas com formas simples e amplas. Na década de 1930 passou a viajar para o Novo
México a cada inverno, estabelecendo-se aí após a morte de Stieglitz, em 1946; desde então suas
pinturas representam com freqüência a paisagem desértica local. Geórgia viajou muito na década de
1950, e grande parte de suas obras tardias forma inspiradas pelas imagens da terra, do céu e das
1923
nuvens vistas de avião.

Judy Chicago
Artista, escritora, feminista, educadora e intelectual cuja carreira data de quatro décadas. Renomada
pela natureza anti-convencional de sua obra , Chicago tem sido reconhecida como pioneira de uma
definição mais ampla de arte, um papel mais relevante para a artista, e dos direitos da mulher quanto à
sua liberdade de expressão. Seu trabalho seminal, “A Festa do Jantar” (1974-79), criado em
A Festa do Jantar
colaboração, é um monumental tributo, em técnica mista, às mulheres que em março de 2007 foi
1974-79
instalado na nova sede permanente do Centro para a Arte Feminista “Elizabeth A. Sackler”, do Museu
do Brooklyn. Seus dez livros, publicados em várias línguas, tem levado arte e filosofia para os leitores
de todo o mundo.

Ana Mendieta (1948 – 1985)


Artista cubana. Aos 12 anos se mudou para os Estados Unidos. Foi aluna de Hans Breder, na
Universidade de Iowa, num dos primeiros cursos interdisciplinares daquela instituição, entrando em
contato com a vanguarda artística do início dos anos 1970 e com o movimento feminista.
Em 1972, Mendieta começa a fazer performances e earth-body works. Sua série Silueta, feita no
México e em Iowa de 1973 a 1980, é seu trabalho mais comentado. São mais de cem obras em que
Mendieta faz a silhueta de seu corpo aparecer em meio à natureza: no chão gramado, de terra batida
ou molhada, na areia, num solo rochoso, entre uma vegetação rasteira ou na água. A artista também
utilizava o fogo, demarcando os limites de seu corpo com pólvora e acendendo. Muitos de seus filmes
mostram as silhuetas sendo queimadas e as cinzas que depois sobram. Morte e vida, em seus
aspectos naturais e culturais, são temas recorrentes. Alguns de seus earth-body works e de
suas performances foram gravados e fotografados. Quer seja reproduzindo com seu corpo uma
cena de estupro ou inscrevendo símbolos femininos na paisagem, seus trabalhos marcaram a
história da arte recente.
Ghada Amer

Niki de Saint Phalle (1930 – 2002)


Artista francesa, começa a pintar em 1952 sem freqüentar o ensino formal de artes. Tornou-se
conhecida na década de 1960 sobretudo por suas assemblages e por esculturas que
incorporavam recipientes cheios de tintas conebidos para serem estourados com tiros de pistola.
Trabalhou a representação artística do papel da mulher realizando grandes esculturas muito
coloridas com formas femininas, chamadas Nanas, instaladas em espaços públicos. Uma de
suas maiores obras é a escultura Hon (ela em sueco), em colaboração com Tinguely. Trata-se de
Nana
uma escultura de mais de 25 metros de comprimento cujo interior gigantesco é aberto ao público
1996 por uma entrada localizada entre as pernas da figura.

Anette Messager (1943)


Artista francesa, representativa de uma arte cotidiana qie mescla real e fantástico, colocando em
evidência a condição feminina de forma ironica. Sua obra é estruturada por diferentes projetos,
concebidos como facetas da artista, que se interligam em ciclos como Anette Messager Artista,
Anette Messager colecionadora ou Anette Messager mulher prática. Influenciada pelo surealismo
Torturas voluntarias de andré Breton e pelo feminismo da década de 1970, seu trabalho se inscreve na corrente dita
das « mitologias individuais », que marca o interesse pela autobiografia e pela narração.

Louise Bourgeois (1911)


Escultora franco-americana, nascida em Paris, onde estudou por certo tempo com Léger.
Bourgeois começou sua carreira como pintora e gravadora, e voltou-se para a escultura só no
final da década de 1940. Obteve reconhecimento nos anos 1950 por suas construções de
madeira pintadas uniformemente de branco ou negro, que precederam as obras similares de
Luise Nevelson. Desde então Bourgeois tem trabalhado com diversos materiais incluindo pedra,
metal e látex; adquiriu a reputação de ser uma das maiores escultoras americanas
contemporâneas. Embora sua obra seja abstrata, sugere muitas vezes figuras humanas; alguns
não exitam em traibuir-lhes um significado sexual.

Vanessa Beecroft
Artista contemporânea italiana. Começou como pintora. Estudou arte em Milão e tem uma
relação íntima com o circuito da moda. A partir de 1994, ficou conhecida por suas performances
com mulheres nuas que usavam apenas acessórios assinados por designers de alta-costura: “O
público sempre acha que verá um grupo de garotas lindas mas, quando está diante da
VB 45 performance, começa a ver as imperfeições. O glamour não existe, e as modelos mostram o
2001 desconforto a que estão expostas durante horas”, afirma a artista. Nessas performances o
essencial é a visão pessoal de cada espectador.

Essas foram algumas das mulheres que ajudaram a construir a História da Arte no Brasil e no Mundo, ainda são poucos
nomes, dada o pouco espaço que temos aqui para trabalhar e o pouco material escrito sobre a maior parte delas. Mas esse
pode ser um começo de um novo olhar, assim eu espero. Um olhar sobre o femininocaptado tão bem pelas mãos dessas
mulheres tão corajosas. Gostaria de terminar com uma declaração de Louise de Bourgeois, sobre uma de suas esculturas
instalada no Jardin de Tuileries, em Paris, que exprime de forma contundente essa maneira singular dessas mulheres
artistas captarem o mundo.

“As mãos de boas vindas: são mãos amigáveis. Vocês vêem


essas mãos abertas, esse entrelaçamento de formas e essa
pegada firme. Essas mãos são vulneráveis e acolhedoras. É o
desejo de tocar e de ser tocado, de ninar e de acariciar. Elas
exprimem a maneira como um adulto tem a mão de uma criança,
com um sentimento de proteção e de afeto. As mãos são
generosas, elas revelam ‘nós amamos, qualquer um que chegue’.
Cada um tem sua importância, cada um tem papel, cada um é
bem vindo”.
Louise Bourgeois
Sugestões de leitura e pesquisa

Livros

COSTA, Cristina. A imagem da mulher : um estudo da arte brasileira. São Paulo : Senac.

FRAISSE, Geneviève; PERROT, Michelle (orgs). História das mulheres no ocidente. Porto: Afrontamento, 1991.

GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 1993.

LAQUEUR, Thomas. La construcción del sexo: cuerpo y género desde los griegos hasta Freud. Madrid: Cátedra,
Universitat de València, Instituto de la Mujer, 1994.

PRIORE, Mary del (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo : Contexto, 2002. 6 ed.

TELES, Maria A. De Almeida. Breve História do Feminismo no Brasil. Sâo Paulo: Brasiliense, 1993, col. Tudo é História.

Textos na internet

Pratiques féministes et Arts éléctroniques: Origines, féminismes, perspectives. Disponivel em: http://
www.artsnumeriques.com/dotclear/index.php?Art-and-feminism. Consultado em 03/2007.

BOUGUERET, Florence. Femmes artistes e images de femmes.

MARCO, Edina De; SCHMIDT, Simone Pereira. Além de uma tela só para si . Revista Estudos Feministas. Disponível em
: http://www.scielo.br. Consultado em 03/2007.

TOULZE, Marielle. A influência dos feminismos em artistas da França e do Ultramar nos anos 70.

Sites para pesquisa de imagens e conteúdo

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_IC/ Enciclopédia de arte visuais do Itaú Cultural. Ótima referência


para consultar imagens, informações sobre períodos artísticos, artistas e termos empregados em artes plásticas, além de
textos críticos.

http://www.photo.rmn.fr/cf/htm/ (em francês) Banco de imagens da organização dos museus franceses com mais de
200.000 obras. Para procurar um artista, clique em recherche no menu a esquerda, depois que carregar, digite o nome do
artista no espaço texte libre. Abrirá uma ou mais páginas com várias imagens do artista procurado. È possível clicar na
imagem para ampliá-la.

http://www.pt.wikipedia.com Enciclopédia virtual escrita pelos usuários. Contém textos biográficos e diversas imagens.

http://www.musee-elise-rieuf.org/femmes_artistes.html (em francês) Breve história das mulheres nas artes.


http://www.csupomona.edu/~plin/women2/part1.html (em inglês). Página sobre mulheres nas artes, com pequenas
biografias e imagens.
http://www.scielo.br Banco de dados de teses, dissertações e periódicos científicos. Entre os periódicos está a Revista de
Estudos feministas com vários textos utilizados para consulta.
Sites de museus

Museu de Arte de São Paulo. Com programação e textos críticos sobre as exposições que ocorrem e ocorreram lá.
www.masp.uol.com.br
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Excelente site de arte moderna e contemporânea com bons textos
sobre os principais movimentos artísticos e artistas do acervo. www.mac.usp.br e www.macvirtual.usp.br (Visita virtual)
Museu de Arte Moderna de São Paulo. Tem excelente programação de cursos. www.mam.org.br
Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Abriga o acervo da Academia Imperial de Belas Artes. Tem uma
amostra do acervo para visita virtual. www.mnba.gov.br
Museu Oscar Niemayer, em Curitiba. Tem bons textos e imagens sobre o acervo e as exposições.
www.museuoscarniemeyer.org.br
Museu virtual de arte brasileira com obra de vários artistas contemporâneos. www.museuvirtual.com.br