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SURDEZ: CONQUISTAS E DESAFIOS

EDMARCIUS CARVALHO

edmarciuscarvalho.blogspot.com

E DESAFIOS EDMARCIUS CARVALHO edmarciuscarvalho.blogspot.com 10° CONHECER ES Aracruz – 04 de setembro de 2011

10° CONHECER ES Aracruz 04 de setembro de 2011

EDMARCIUS CARVALHO Bacharel em Direito. Especialista em Docência para o Ensino Superior. Cursou disciplina isolada

EDMARCIUS CARVALHO

Bacharel em Direito. Especialista em Docência para o Ensino Superior. Cursou disciplina isolada de

Mestrado em Lingüística: Variações Lingüísticas em

Libras na UFMG. Pós-graduando em Direito Público; Administração Pública e Gestão de Cidades; Educação e Inclusão: Libras.

Gerente da CAAD - Coordenadoria de Apoio e

Assistência à Pessoa com Deficiência de Governador

Valadares

Palestrante sobre Direitos Humanos, Inclusão Social Direitos das Pessoas com Deficiência, Libras, Educação Inclusiva.

Autor do livro: “SURDOS: Educação, Direito e Cidadania” (WAK Editora, 2010).

Blog:

www.edmarciuscarvalho.blogspot.com

SURDEZ: CONQUISTAS E DESAFIOS

1. QUEM É O NOSSO PÚBLICO ALVO?

Pessoa surda, que se reconhece como surda,

PÚBLICO ALVO? Pessoa surda, que se reconhece como surda, possui uma cultura surda, vive na comunidade

possui uma cultura surda, vive na comunidade

surda e utiliza a Língua Brasileira de Sinais

como surda, possui uma cultura surda, vive na comunidade surda e utiliza a Língua Brasileira de

para se comunicar.que se reconhece como surda, possui uma cultura surda, vive na comunidade surda e utiliza a

como surda, possui uma cultura surda, vive na comunidade surda e utiliza a Língua Brasileira de

SURDEZ: CONQUISTAS E DESAFIOS

1. QUEM É O NOSSO PÚBLICO ALVO?

Entre os surdos, o que diferencia o sujeito surdo é “o

pertencimento ao grupo usando a língua de sinais e a cultura surda, que ajudam a definir as suas identidades surdas”.

surda, que ajudam a definir as suas identidades surdas” . Cultura Surda é “o jeito de

Cultura Surda é “o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de se torná -lo acessível e habitável ajustando-os com as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das almas das comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua, as idéias, as crenças, os costumes e os hábitos de povo surdo” (STROBEL, 2008 , p . 24 )

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1. QUEM É O NOSSO PÚBLICO ALVO?

Comunidade surda é “um grupo de pessoas que vivem

num determinado local, partilham os objetivos comuns dos seus membros, e que por diversos meios trabalham no sentido de alcançarem estes objetivos” (PADDEN e

HUMPHIRES, 2005 , p . 5 ) .

estes objetivos” (PADDEN e HUMPHIRES, 2005 , p . 5 ) . Identidade Surda surge por
estes objetivos” (PADDEN e HUMPHIRES, 2005 , p . 5 ) . Identidade Surda surge por
estes objetivos” (PADDEN e HUMPHIRES, 2005 , p . 5 ) . Identidade Surda surge por

Identidade Surda surge por intermédio de transmissão coletiva de comportamentos pelo povo surdo nas

comunidade surdas, ocorrendo naturalmente quando

os membros surdos se encontram nestas comunidades

(NOVAES, 2010 , p . 58 ) . pelo povo surdo nas comunidade surdas, ocorrendo naturalmente quando os membros surdos se encontram nestas comunidades

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1. QUEM É O NOSSO PÚBLICO ALVO?

A necessidade de se transmitir a identidade e a

cultura surdas é que “os sujeitos surdos, quando se identificavam com a comunidade surda, estão mais motivados a valorizar a sua condição cultural e, assim, passariam a respirar com mais orgulho e

autoconfiantes na sua construção de identidade e autoconfiantes na sua construção de identidade e ingressariam em uma relação intercultural (com os ouvintes), iniciando uma caminhada sendo respeitado

como sujeito „diferente‟ e não como „deficiente‟ (inserção

nossa) (STROBEL, 2008 , p . 31 ) .

como sujeito „diferente‟ e não como „deficiente‟ (inserção nossa) ” (STROBEL, 2008 , p . 31
como sujeito „diferente‟ e não como „deficiente‟ (inserção nossa) ” (STROBEL, 2008 , p . 31

SURDEZ: CONQUISTAS

1. RECONHECIMENTO LEGAL DA LIBRAS COM SUA

REGULAMENTAÇÃO

- Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002.

- Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005.

de 2002. - Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Ratifica a diferenciação lingüística

Ratifica a diferenciação lingüística desta comunidade e em razão disto,

direitos específicos, como por exemplo, o atendimento por meio de

profissionais que dominam tal língua, a criação do curso de graduação de

Letras-Libras e a aplicação de exames nacionais de proficiência em instrução e

interpretação/tradução, para certificação e reconhecimento profissional dos

que já dominavam o uso da língua de sinais.de proficiência em instrução e interpretação/tradução, para certificação e reconhecimento profissional dos

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2. EDUCAÇÃO ESPECIAL INCLUSIVA

Hoje se dá com o acompanhamento de profissionais tradutores-

intérpretes de Libras. Mesmo existindo posicionamentos contrários

de Libras. Mesmo existindo posicionamentos contrários – entende que a educação básica das pessoas surdas deve

entende que a educação básica das pessoas surdas deve ser num

espaço

próprio

e

não

integrativo

com

pessoas

ouvintes

a

possibilidade do ajuda técnica destes profissionais é uma Política

Pública no sentido de reconhecer a existência de uma diferenciação

lingüística. É a garantia do direito à educação a partir de uma

realidade diferenciada existente, e desta forma, reconhecida.de reconhecer a existência de uma diferenciação lingüística. É a garantia do direito à educação a

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3. INCLUSÃO NO MERCADO DE TRABALHO

- Lei n° 8.213/91

- Garante uma porcentagem de vagas em empresas com determinado números

de funcionários para pessoas com deficiência .

- As pessoas surdas são as preferidas pelas empresas que necessitam cumprir

são as preferidas pelas empresas que necessitam cumprir essa legislação. - Além de significar a não

essa legislação.

- Além de significar a não penalização com multas por descumprimento, tais

empresas entendem que incluir nos seus quadros de funcionários pessoas

surdas é mais fácil do que pessoas de outras categorias de deficiência, como os

físicos, sobretudo cadeirantes .

- Na verdade, a inclusão destas pessoas surdas faz com que a rotina das

empresas se altere somente linguisticamente. É um profissional que utiliza decadeirantes . - Na verdade, a inclusão destas pessoas surdas faz com que a rotina das

outra língua para se comunicar .

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4. ACESSIBILIDADE COMUNICATIVA PARA PESSOAS

SURDAS EM CONCURSOS PÚBLICOS

- Resolução n° 01, de 15 de junho de 2010, do CONADE Conselho

Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Recomendação para garantir a aplicação do princípio da acessibilidade à pessoa surda ou

do princípio da acessibilidade à pessoa surda ou com deficiência auditiva em concursos públicos, em

com deficiência auditiva em concursos públicos, em igualdade de condições com os demais

candidatos .

Todas essas ações, na realidade, visam garantir a autonomia produtiva para essas pessoas

surdas, na perspectiva de que não vivam com a quantia até então recebida pela concessão

do beneficio socioassistencial BPC Beneficio de Prestação Continuada, operacionalizado

pela Previdência Social . Este mesmo, recentemente passou por alterações significativas,

que podem beneficiar pessoas surdas que já tiveram a solicitação indeferida . A partir de

agora, a análise para a concessão do BPC passa a ser médica e socioassistencial, pois os

candidatos a perceberem tal benefício precisam passar por perícia médica e também por

Assistente Social .

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5. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO À SAÚDE

AUDITIVA

- Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005.

Em seu artigo 25 , garante o atendimento por profissionais da saúde

25 , garante o atendimento por profissionais da saúde que saibam Libras - Portaria n° 2703/GM,

que saibam Libras

- Portaria n° 2703/GM, de 28 de dezembro de 2004:

Libras - Portaria n° 2703/GM, de 28 de dezembro de 2004: Garante o atendimento integral, com

Garante o atendimento integral, com ações de atenção básica (prevenção eLibras - Portaria n° 2703/GM, de 28 de dezembro de 2004: identificação precoce de problemas auditivos)

identificação precoce de problemas auditivos) e de média e alta complexidade integral, com ações de atenção básica (prevenção e (triagem, diagnóstico, tratamento clinico e reabilitação

(triagem, diagnóstico, tratamento clinico e reabilitação com fornecimento de

aparelhos auditivos e terapia fonoaudiológica) .

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6. RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO DO

TRADUTOR-INTÉRPRETE DE LIBRAS

- Lei n° 12.319, de 1° de Setembro de 2010:

Regulamenta a profissão determinando sua atuação, formação,

a profissão determinando sua atuação, formação, atribuições, princípios éticos, Vetou a criação a

atribuições, princípios éticos,

Vetou a criação a necessidade de se ter curso superior para atuar e a criação

de se ter curso superior para atuar e a criação de Conselhos de Classe, considerando existir

de Conselhos de Classe, considerando existir pessoas com outras formaçõesprincípios éticos, Vetou a criação a necessidade de se ter curso superior para atuar e a

capacitadas.

superior para atuar e a criação de Conselhos de Classe, considerando existir pessoas com outras formações

SURDEZ: DESAFIOS

1. MAIOR ENVOLVIMENTO COM AS DISCUSSÕES DA

AGENDA POLÍTICA PARA A INCLUSÃO DA PESSOA

COM DEFICIÊNCIA

O segmento da pessoa com deficiência possui inúmeras especificidades,

entretanto, é necessário que as pessoas surdas atuem coadunando com

os interesses de toda essa coletividade, porque, quando da luta de

direitos específicos, todo um segmento atuará para que a especificidade

de determinada categoria seja reconhecida . A maior prova disto é a

aprovação da Resolução n° 01 / 2010 do CONADE, que regulamentacategoria seja reconhecida . A maior prova disto é a benefícios específicos para a comunidade surda

benefícios específicos para a comunidade surda . A atuação em conjunto a aprovação da Resolução n° 01 / 2010 do CONADE, que regulamenta produz melhores efeitos do

específicos para a comunidade surda . A atuação em conjunto produz melhores efeitos do que atuação
específicos para a comunidade surda . A atuação em conjunto produz melhores efeitos do que atuação

produz melhores efeitos do que atuação a parte .

SURDEZ: DESAFIOS

2. CONHECER E ATUAR NOS ESPAÇOS PÚBLICOS

DE CONTROLE SOCIAL

É preciso que as pessoas surdas se envolvam nas questões que

precisam ser discutidas . Políticas Públicas precisam ser enfrentadas

discutidas . Políticas Públicas precisam ser enfrentadas pela sociedade a partir de espaços de controle social

pela sociedade a partir de espaços de controle social existentes, como

os Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais . É necessário que

as pessoas surdas sejam atuantes ativos dos Conselhos de Pessoas

com Deficiência de todas as instâncias, assim como de outros . É

necessária atuação, enquanto cidadãos, de pessoas surdas em

Conselhos de debatam temáticas como educação, trabalho e geraçãoÉ necessária atuação, enquanto cidadãos, de pessoas surdas em de renda, saúde, organização urbana, dentre outros

de renda, saúde, organização urbana, dentre outros .

SURDEZ: DESAFIOS

3. AVALIAR UMA POLÍTICA EDUCACIONAL QUE GARANTA A

OPÇÃO DE ESCOLAS ESPECIAIS PARA PESSOAS SURDAS NA

EDUCAÇÃO BÁSICA, SEM O CARÁTER COMPLEMENTAR AEE

Escolas especiais são espaços próprios para que pessoas surdas possam adquirir sua

língua maternal : Libras . É necessária a análise do papel da escola : educar ou

socializar . A inclusão de pessoas surda na escola precisa, reconhecer de fato a

de pessoas surda na escola precisa, reconhecer de fato a diferenciação lingüística . Não há como

diferenciação lingüística . Não há como se formar uma identidade onde a língua

materna não é a referencial . As escolas especiais para surdos ou classes específicas

para surdos têm a sua importância na história da educação de pessoas surdas, com

seus efeitos, positivos.

de pessoas surdas, com seus efeitos, positivos . É necessário que as pessoas surdas ou seus

É necessário que as pessoas surdas ou seus responsáveis possam optar qual modelo pessoas surdas ou seus responsáveis possam optar qual modelo

surdas ou seus responsáveis possam optar qual modelo de educação desejam ter ou dar aos seus

de educação desejam ter ou dar aos seus filhos surdos : educação especial em escolas

especiais para surdos ou inserção na rede regular de ensino, onde esse aluno surdo

será educado na Língua Portuguesa.

SURDEZ: DESAFIOS

4. DEFESA DO CUMPRIMENTO DE LEGISLAÇÃO QUE

GARANTA A ACESSIBILIDADE COMUNICATIVA NOS

MEIOS DE COMUNICAÇÃO

- Norma da ABNT 15290 de 2005 que garante a acessibilidade

- N orma da ABNT 15290 de 2005 que garante a acessibilidade comunicativa na televisão. É

comunicativa na televisão.

É necessária a luta para o cumprimento desta regulamentação . A

acessibilidade comunicativa nos programas de televisão, além do uso de

closed caption, deve acontecer com o uso de interpretação em Língua

Brasileira de Sinais de todos os programas . Isso produzirá na sociedade o

interesse pela língua, pela comunidade surda, com efeitos positivos para de todos os programas . Isso produzirá na sociedade o a popularização desse segundo idioma brasileiro

a popularização desse segundo idioma brasileiro e para a concessão de

outros direitos para as pessoas surdas .

SURDEZ: DESAFIOS

5. FORTALECIMENTO DAS ASSOCIAÇÕES DE SURDOS

COMO INSTITUIÇÕES DE DEFESA DE DIREITOS

As associações de pessoas surdas podem, dependendo de seus estatutos,

representarem as pessoas surdas em questões judiciais . Todos estes

direitos, quando não conseguidos amigavelmente, por meio do diálogo e

não conseguidos amigavelmente, por meio do diálogo e de procedimentos administrativos, precisam ser garantidos

de

procedimentos

administrativos,

precisam

ser

garantidos

judicialmente . Ações coletivas é o caminho para isto . As associações de

pessoas surdas, juridicamente assessoradas, podem atuar no pólo ativo

destas ações, que produzirão efeitos judiciais a favor das pessoas surdas .

Assim, é necessário que as associações de surdos possuam também outro

caráter, não apenas de conhecimento da língua dos surdos, de discussões

internas, atividades esportivas, dentre outras, todas importantes,outro caráter, não apenas de conhecimento da língua dos surdos, de discussões entretanto, é necessário avançar

entretanto, é necessário avançar .

REFLEXÃO “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são

REFLEXÃO

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que

são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode

levá-los para onde quiser. Pássaros

engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O

que elas amam são pássaros em vôo.

Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado.

Só pode ser encorajado.” (Rubem Alves)Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.

EDMARCIUS CARVALHO

EDMARCIUS CARVALHO E-mail: edmarcius@hotmail.com Blog: www.edmarciuscarvalho.blogspot.com TT: @edmarcius

E-mail:

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