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RENATO MIRANDA – VÁRIOS TEXTOS

REUNIDOS

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou

Atualizado até 02-08-2008


(organizado por Nelson)

Sumário:
1. Entrevista - Pan 2007: Estado mental de fluidez (flow-feeling)
favorece vitória
2. Dualidade entre corpo e mente não existe, somos unos
3. Qual esporte é ideal para o meu filho? Ele deve competir?
4. Por que esportes radicais atraem tanto?
5. Emoções agradáveis também provocam estresse
6. Sem motivação para atividade física? Saiba o que fazer
7. Os cinco elementos essenciais à concentração
8. Nível de concentração pode fazer a diferença para atingir o sucesso
9. O que passa pela mente do atleta que utiliza doping?
10. Como deve ser a participação dos pais na vida esportiva dos filhos?
11. Talento e potencial psicofísico não bastam para consagrar-se no
esporte
12. Até onde meu filho poderá consagrar-se no esporte?
13. Para ser campeão no esporte é preciso...
14. 10 razões para fazer atividade física e o que fazer para ter uma
ótima motivação
15. Como lidar com o sofrimento no dia-a-dia
16. Para enfrentar um dia-a-dia exigente, é preciso manter o bom
humor; saiba como
17. Cansaço pode ser útil; saiba por quê
18. Entenda o estado mental de fluidez: flow-feeling
19. Entenda o estado mental de fluidez: flow-feeling - Parte II
20. Entrevista: Como ser um atleta vencedor e como vencer na vida a
partir do esporte
21. Atletas profissionais e famosos têm direito a 'baladas'?
22. Competências essenciais ao treinador de jovens desportistas
23. Burnout afeta mais quem está em ascenção profissional
24. Saiba como enfrentar situações estressantes

* * *

1. Entrevista – Pan 2007: Estado mental de fluidez


(flow-feeling) favorece vitória
por Angelo Medina

Renato Miranda: "Pressão do Pan não prejudica o flow-feeling de


atletas bem preparados"

Quem já não ficou totalmente concentrado e motivado numa atividade,


sentindo-se inteiramente integrado a ela, parecendo que não havia mais
nada no mundo que pudesse interferir nessa integração? Quando você teve
essa percepção, provavelmente você estava fluindo, estava num estado de
flow-feeling. Numa tradução livre seria um estado mental de fluidez, a
percepção de fluir, sentir o fluir...

Esse inusitado conceito foi a tese de doutorado do Prof. Dr em Psicologia


do Esporte Renato Miranda que em breve estréia sua coluna no Vya
Estelar. Nesta entrevista, ele explica o que é o flow-feeling e como esse
estado mental atua no esporte e no desempenho dos atletas do Pan 2007.
Vya Estelar - O que é o flow-feeling?

Renato Miranda - É uma teoria desenvolvida pelo pesquisador em


educação, filho de húngaros naturalizado americano da Universidade de
Chicago, Mihalyi Csikszentmihalyi. Esse estudo começou na década de 70,
mas os resultados concretos surgiram somente na década de 90. O flow-
feeling reverberou em várias áreas: esporte, música, arte, educação...

Flow-feeling

É um estado mental em que as pessoas parecem fluir quando mostram


esforço produtivo e motivado. Em toda as situações de esforço produtivo a
atenção/concentração é livremente investida para alcançar os objetivos. A
atividade que a pessoa está fazendo e a consciência passam a ser únicos. A
pessoa está tão envolvida no que está fazendo, que ela não percebe ela
mesma separada da ação.

Condições para o flow-feeling acontecer

- Concentração intensa

- Feedback: controle imediato sobre as ações

- Alta percepção de satisfação

- Motivação intrínseca

- Experiência sempre autotélica: a finalidade da tarefa está nela mesma. A


pessoa simplesmente faz.

- A autoconsciência desaparece

Vya Estelar - O flow-feeling é um estado mental natural ou adquirido?

Renato Miranda – É um estado natural. Todos nós temos essa


característica de estado mental, só que ao mesmo tempo em que é natural,
existem atividades que favorecem o fluir.

Vya Estelar - Quais modalidades do Pan mais favorecem o flow-felling?

Renato Miranda - Os esportes de um modo geral favorecem o fluir.

O esporte atende algumas condições básicas para o fluir, por exemplo:


relacionar a estrutura da atividade à habilidade psicofisica da pessoa;
oferecer percepção de descobertas impulsionando a pessoa para níveis mais
elevados de desempenho; tornar a pessoa cada vez mais sofisticada e
complexa.

A final da Copa América Brasil e Argentina favoreceu o fluir. Enfrentar um


time fácil não favorece o fluir devido ao tédio. O jogo Brasil X Argentina
favorece o fluir, porque há um equacionamento entre exigência da tarefa e a
capacidade das pessoas, existe um equilíbrio.

Já o oposto, um surfista iniciante não teria condições de fluir numa grande


onda, pois, por estar além de suas condições, teria ansiedade e nervosismo.

Vya Estelar - O quanto o flow- feeling pode favorecer um atleta?

Renato Miranda - Por ser um estado mental que depende de muitas


variáveis: condicionamentos: físico, técnico, tático e psicológico; na
experiência do fluir, o ser humano é sempre visto de uma forma sistêmica
como um todo. Para ele fluir, ele tem de estar equilibrado em todos esses
aspectos. Ter uma emoção equilibrada e um bom plano mental para
executar a tarefa. Suas aptidões físicas e psicológicas têm de estar elevadas
e equilibradas. Todo atleta que tem sucesso fala que se divertiu,
possivelmente ele estava fluindo.

Vya Estelar - Pressão do Pan prejudica o flow-feeling?

Renato Miranda - Prejudica se a pessoa não estiver preparada em algum


setor. Se ela estiver preparada, essa pressão vai se tornar um elemento que
favorece o fluir; porque o esporte sem pressão não tem graça. As pessoas
gostam de ter desafios e de se sentirem pressionadas quando estão
preparadas.

Vya Estelar - A influência do flow-feeling muda no esporte individual ou


coletivo?

Renato Miranda - O que depende é a característica individual da pessoa,


se a pessoa tem característica para o individual ou coletivo.

O flow-feeling é individual e o que o caracteriza é a relação da pessoa com


o esporte. Para uma pessoa fazer montanhismo poder ser maravilhoso e
para outra pode não tem o menor sentido. Uma pessoa pode fluir no tênis e
não fluir no vôlei por exemplo

No esporte individual ela não terá o apoio e a participação de outros


companheiros e a associação às exigências é exclusivamente dela. O
esporte individual notadamente exige muita precisão e/ou velocidade. Veja
alguns exemplos: tiro, salto em distância, corrida de 100 metros...

O tênis e um esporte individual de longa duração, mas as ações que


determinam o resultado do jogo são de segundos.

Enfim, o que caracteriza o fluir é a relação da pessoa com o esporte.

2. Dualidade entre corpo e mente não existe, somos


unos
Psicologia do Esporte
Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar

por Renato Miranda

Exercícios físicos e mentais para proteger a saúde do cérebro - clique


aqui

Na estréia desta coluna no Vya Estelar, gostaria primeiramente dizer que


nosso intuito é tratar de assuntos relativos à mente e ao corpo no foco
esportivo, mas com aplicação em qualquer setor da vida. Hoje tenho a
satisfação de reverberar e estender algumas idéias de pessoas que também
acreditam na unicidade do ser, ou seja, não separam a mente do corpo. Por
isso, *Olavo Feijó, **Roberto Lent e Dráuzio Varela foram inspiração para
esse texto de estréia.

É fato que o ser humano vive cada vez mais e a expectativa de


"Nós
vida em todo mundo cresce significativamente. Se por um lado
somos o
vivemos mais, por outro as doenças ou desordens cerebrais
nosso
(demências) – por exemplo, Mal de Alzheimer - também são
corpo"
mais freqüentes.

Todos nós aparentemente queremos viver por um período de tempo maior,


mas sobretudo, com saúde física e mental. Viver com disfunção física e/ou
cerebral é algo que ninguém deseja para sua vida. Mas chegar aos oitenta
anos com o cérebro em plena saúde é possível? A resposta é sim. A questão
a ser compreendida é que tal possibilidade se consolida muitos anos antes -
e quanto mais cedo melhor. Mas afinal, como? Antes de responder, gostaria
de explicar sinteticamente sobre a relação sistêmica entre corpo e mente.

Relação sistêmica entre corpo e mente

Em minhas consultorias sobre psicologia do esporte, costumo dizer que o


bom preparo psicológico depende do treinamento físico. Isto se explica
pela simultaneidade psicofísica do homem, em outras palavras, a dualidade
entre corpo e mente não existe. Nós somos unos, corpo e mente são um
todo integrado e inseparável, de modo que tudo aquilo que acontece ou
faço com meu corpo, tem uma conseqüência simultânea em minha mente.
Da mesma maneira, todo evento mental tem uma conseqüência simultânea
em meu corpo. Não obstante, a partir de agora quando você ler a palavra
corpo leia-se corpo/mente.

Essa simultaneidade psicofísica explica,


"Uma vida com extensão e pressuposto, o porquê de você sentir-se
freqüência de estímulos físicos e muito mais calmo e mais alegre quando
mentais, estimulará em nosso faz exercícios físicos ou sentir-se mais
cérebro, o aumento do número e disposto e forte quando seus pensamentos
versatilidade de sinapses, são positivos e/ou está bem-humorado.
(variada comunicação entre os Nosso corpo (leia-se corpo/mente!)
neurônios que nos permite freqüentemente em toda a nossa vida
realizar diversas tarefas), “luta” para se proteger e recuperar as
gerando reserva cognitiva" energias geradas pelas tarefas ou
atividades do cotidiano.

Homeostasia

Faz isso de maneira autonômica, ao provocar a necessidade da alimentação


e do sono, por exemplo. É o que os especialistas chamam de homeostasia.

No entanto, podemos auxiliar a homeostasia, por meio do nosso


comportamento, e baseado nesse pensar, começo a responder
concretamente a pergunta do início do texto. Quando providenciamos uma
rotina de exercícios físicos, estimulamos em nosso corpo um
equacionamento dos problemas relativos ao corpo, eis aí a função orgânica
do exercício físico.

Para proteger integralmente nosso cérebro de futuras desordens, a prática


do exercício físico é um comportamento que deve estar acompanhado de
outro: a rotina intelectual intensa – o que significa estar sempre disposto a
aprender algo novo e sofisticar aquilo que já sabemos fazer.

Portanto, uma vida com extensão e freqüência de estímulos físicos e


mentais, estimulará em nosso cérebro, o aumento do número e versatilidade
de sinapses, (variada comunicação entre os neurônios que nos permite
realizar diversas tarefas), gerando reserva cognitiva (espécie de preservação
de habilidades adquiridas por meio de um bom desenvolvimento intelectual
e ocupacional e que protege nosso cérebro de doenças degenerativas) para
ser usada na velhice e retardando o declínio da nossa capacidade de pensar.

Exercícios físicos e mentais para proteger a saúde do cérebro

Proponho a seguir, algumas diretrizes para a prática regular de exercícios


físicos/mentais para aqueles que desejam ter um comportamento favorável
à saúde cerebral:

Primeiro – Crie um estilo de vida ativo além do trabalho

Caminhe, corra, nade, pratique esporte, faça ginástica e aquilo que não
souber procure aprender. Por outro lado, leia livros, jornais e tudo que
puder e for construtivo para você. Aprenda uma habilidade, como tocar um
instrumento musical, um novo idioma, a fotografar, a pintar, etc.

Segundo – Associe o exercício físico e mental com atitude positiva e


construtiva

Lembre-se quando você está jogando futebol ou lendo um artigo em um


jornal, esse tempo não é em vão, você está dando condições a si mesmo
para viver melhor. Isso irá ajudá-lo a pensar de maneira salutar e
conseqüentemente o otimismo irá surgir espontaneamente.

Terceiro – Não fique submisso à moda

Faça aquilo que você tem satisfação, não importa o quê “está na moda” seu
cérebro não se importa com isso. O que conta é manter-se ativo. Se você
quer ter um cérebro saudável na velhice invista naquilo que lhe dê saúde e
não se oriente por eventualidades sociais. No fundo somos herdeiros de nós
mesmos.

Quarto – Procure variar os tipos de exercícios físicos e mentais

Cuidado, quando o exercício está muito fácil e exige pouco, o tédio pode
tomar conta de você. O segredo é aumentar a exigência gradativamente da
atividade e estar aberto a novas possibilidades e aprendizagens. Por
exemplo, se você consegue correr 5km, tente correr mais rápido ou uma
distância maior. Ou então, comece a fazer algum tipo de ginástica ou
esporte novo e intercale com sua corrida. Com relação à parte mental, se
você já aprendeu a tocar um instrumento musical, aperfeiçoe essa
habilidade ou aprenda algo inusitado. Mas atenção seja paciente e tenha
limites. Aprender e fazer algo bem-feito leva tempo e afinal de contas um
pequeno rol de atividades já é o suficiente. Às vezes, um tipo de hobbie
poderá dar conta de quase tudo daquilo que precisamos para proteger nosso
cérebro.

Quinto – Procure orientação especializada

Dentro de suas possibilidades procure orientação profissional, naquilo que


você escolheu para fazer. O profissional irá estimular ainda mais suas
potencialidades e garantirá sua proteção psicofísica.

Ao investir nesse novo modo de ser, algumas pessoas me perguntam: “O


que ganharei com isso, afinal?” A resposta é simples, você se transformará
em uma pessoa mais complexa e sofisticada, tanto no modo de pensar
como na maneira de expressar sua energia - nós somos o nosso corpo.

De outra maneira, a atividade física ajudará a decifrarmos a incógnita que


somos e simultaneamente modificará nossa vida psicossocial: de um corpo
embotado surgirá um corpo ativo; daquilo que era um corpo disfuncional
emergirá um corpo equacionado; de um corpo alienado brotará um corpo
libertado; o que era um corpo limitado virá a ser um corpo sofisticado;
aquele corpo que era ignorado se tornará um corpo respeitado.

Além disso, devemos considerar a questão emocional, mas isso ficará para
depois.

*Olavo Feijó: autor do livro Psicologia para o Esporte

**Roberto Lent: médico pesquisador na área de neurobiologia

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado em
Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de Esporte
Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou

3. Qual esporte é ideal para o meu filho? Ele deve


competir?
Psicologia do Esporte
Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar

por Renato Miranda

O esporte pode ser considerado um valioso


"Quando a experiência
instrumento para o desenvolvimento dos
competitiva gera excessiva
jovens. Como tantas coisas na vida o esporte
ansiedade, saturação
por si só não tem o “poder” de promover
psicofísica, restrição ao lazer
benefícios, sejam psíquicos, físicos ou
e ao convívio familiar,
sociais. Tais benefícios serão possíveis se
pressão exacerbada dos
determinada prática esportiva for
adultos e outras, o esporte
desenvolvida através de uma excelente
competitivo se tornará um
qualidade profissional e pessoal daqueles que
empecilho ao bem-estar do
orientam e influenciam o jovem,
jovem"
especialmente pais e profissionais do esporte.

Abordarei apenas dois pontos, mas que são suficientes para muitas
discussões: O primeiro é a respeito dos fatores influenciadores para a
escolha do esporte a ser praticado pela criança e o segundo diz respeito à
competição infanto-juvenil (especialmente a partir dos 12 anos de idade).

Para os pais um dilema natural é saber qual esporte o (a) filho (a) deve
praticar. Essa questão é sempre polêmica, mas não muito difícil de resolver
quando pensamos com tranqüilidade.

Escolha do esporte depende de cinco fatores

O primeiro fator é diagnosticar se o (a) jovem tem algum problema de


saúde que o impeça de praticar esportes. Resolvido essa questão devemos
considerar que os pais podem influenciar seu filho (a) a praticar um ou
outro esporte. Afinal de contas não só o esporte, mas muitas coisas na vida
são “apresentadas” às crianças e jovens pelos pais. O que deve ser feito a
seguir é avaliar, depois de um período de prática (definido pelo profissional
em conjunto com os pais), se o filho (a) está feliz com o esporte em
questão, isso se estenderá até o período de treinamento e competições
típicos da adolescência.

O segundo fator é com relação às possibilidades sócio cultural do local


onde se vive. É óbvio que é difícil escolher praticar saltos ornamentais em
uma cidade que não há piscina para saltos e profissionais para ensinar e
treinar tal modalidade.

O terceiro fator é a condição econômica e cultural dos pais, ou seja, há


uma tendência em escolher um ou outro esporte que a família tenha acesso
ou possibilidade financeira e que tenha ao menos um sentido cultural em
suas vidas. Em outras palavras, é difícil pais incentivarem o filho ou filha a
jogar handebol se eles mal sabem o que seja, ou então praticar
automobilismo, (por exemplo, Kart) se não há nenhuma possibilidade
financeira.

O quarto fator esta relacionada à escolha pelo filho depois de algumas


vivências novas e/ou inimagináveis, nesse caso a estrutura da escola, de
clubes, da mídia e do poder público é que vão propiciar essa determinada
possibilidade. Neste caso, os pais devem estar abertos, apoiarem os filhos e
se envolverem com aquilo que será novo para eles.

O quinto fator está relacionado à tendência da coerência entre a estrutura


psicofísica da criança ou jovem e o esporte a ser praticado, em outras
palavras a coerência da altura, velocidade, comportamento emocional,
cognição e outros com as características específicas de um determinado
esporte. É por isso que meninos muito grandes por volta dos 12 anos
procuram praticar esportes como o vôlei e o basquete. Em resumo, a partir
do início da prática esportiva e das competições o que mais importa é se a
criança e posteriormente o jovem está feliz e se sua saúde psicofísica está
assegurada.

Brincar ou competir?

"Tudo é lúdico quando atende os Outro dilema que muitos adultos


requisitos da espontaneidade (auto- enfrentam é sobre as questões
expressão), funcionalidade (eficácia) relativas à competição e à
e da satisfação (alegria, bem- estar). ludicidade. Muitos enxergam esses
Quando uma atividade atende tais dois fenômenos conflitantes, embora
não sejam. Explico: Não existe
quesitos, aí sim ela pode ser
garantia que uma atividade seja
considerada uma atividade lúdica.
lúdica ou não. A ludicidade de uma
Nesse sentido até mesmo o trabalho
atividade depende da avaliação
pode ser lúdico"
subjetiva daquele que a vivencia.

Aquilo que é lúdico para alguns pode ser visto por outras pessoas como
algo aborrecedor e vice-versa.

Então, o que é lúdico? Tudo é lúdico quando atende os requisitos da


espontaneidade (auto-expressão), funcionalidade (eficácia) e da satisfação
(alegria, bem- estar). Quando uma atividade atende tais quesitos, aí sim ela
pode ser considerada uma atividade lúdica. Nesse sentido até mesmo o
trabalho pode ser lúdico. Acontece que existem atividades que carregam
consigo uma tendência natural para o lúdico muito grande, como a música,
as artes e o esporte. Assim como todas essas atividades, portanto, a
competição poderá ser lúdica ou não.

Quando a experiência competitiva gera excessiva ansiedade, saturação


psicofísica, restrição ao lazer e ao convívio familiar, pressão exacerbada
dos adultos e outras, o esporte competitivo se tornará um empecilho ao
bem-estar do jovem. No entanto, quando a competição é encarada como
divertimento, providencia o hábito de competir positivamente, proporciona
participação efetiva, incentiva à auto-realização e a auto-superação do
jovem, a experiência lúdica estará presente e o bem-estar do jovem
providenciado.

A influência do esporte na vida dos jovens (notadamente entre 12 e 18


anos) poderá ser positiva para tanto, algumas qualidades devem ser
promovidas pelo processo aprendizado-treinamento e competições:
desenvolvimento de habilidades psicofísicas gerais, experiências de
diferentes emoções, melhor auto-estima, melhoria dos níveis de aptidão
física, socialização e coragem diante desafios. Ao adquirir consciência
dessas possibilidades, pais e profissionais envolvidos no processo
competitivo infanto-juvenil terão como objetivo básico o bem-estar e o
desenvolvimento pessoal do jovem atleta. O desenvolvimento pessoal e as
vitórias serão particularidades advindas de uma experiência prazerosa e
duradoura.

Competição, diversão e espetáculo

Vários pais de atletas quando me procuram para algum tipo de consultoria,


e a princípio, escutam coisas relativas ao que está exposto acima, ficam
desconfiados por acreditarem que o esporte competitivo se resume em
perder ou ganhar, vivenciar frustração ou glória. Mas na verdade, esse
impulso emocional de desconfiança é resultado de uma ansiedade causada
pela expectativa de sucesso do filho e, por conseguinte da família. Nesse
instante, proponho a eles (os pais) que reflitam sobre a finalidade do
esporte competitivo em qualquer nível (da iniciação ao alto nível!) e
favoreço a conclusão que o valor do esporte competitivo está no
divertimento. Ou seja, a competição existe para preencher uma lacuna de
lazer para todas as pessoas (público em geral), para fazer bem às suas
almas e tornar o mundo um pouco mais alegre, assim como as artes
plásticas, a fotografia, o cinema, o teatro e a música.

"Aquilo que é lúdico Nesse contexto, profissionais, atletas e outras


para alguns pode ser pessoas envolvidas na “produção” desse espetáculo –
visto por outras competição - precisam de muito esforço e dedicação
pessoas como algo e fazem disso o seu “ganha-pão”. Mas observem
aborrecedor e vice- mesmo os grandes campeões que vivem do esporte,
versa" acabam por se divertir e muito.

É o caso de atletas que arriscam suas vidas nas pistas de automobilismo


pelo mundo afora e, no entanto não param de competir, mesmo sendo ricos
e sem necessidade da competição para viverem.

Com isso, tento convencer as pessoas envolvidas no esporte infanto-


juvenil, que o sucesso no esporte é uma possibilidade que repercute não
apenas a vitória em si ou a expectativa de se tornar um atleta profissional,
mas é sucesso também utilizar o esporte para a formação de um adulto
saudável, otimista, ético, sociável e modelo de cidadão. O que os jovens
necessitam é de uma orientação de qualidade a respeito do treinamento e da
competição. Competição não é problema, o problema é como os adultos à
“apresentam” aos jovens.

Atitudes positivas dos pais

Além disso, proponho aos pais que exercitem influências positivas para
com os filhos que estão em prática esportiva através de suas atitudes, aliás,
mais valiosas do que as palavras. E no rol dessas atitudes positivas destaco:

a) Motivação em fornecer oportunidades e condições para a prática


esportiva;
b) Mostrar que acredita nos valores positivos do esporte;
c) Ser ativo frente ao esporte atual (procurar ter conhecimento, freqüentar,
ser expectador e outros);
d) Reconhecer algum tipo de experiência positiva esportiva em suas vidas
que lhes ajudou de alguma forma (saúde, auto-estima, por exemplo);
e) Participar, em algum momento, de atividades esportivas junto com o (s)
filho(s).

Por outro lado, profissionais que trabalham com jovens no esporte


competitivo precisam exercitar as funções de serem criativos, otimistas,
conhecer bem o esporte, transmitir valores educativos e morais, mostrar
que a competição é apenas mais uma etapa na vida, valorizar o jovem e ser
um líder de alta qualidade profissional e pessoal.

Para finalizar, gostaria de dizer que o esporte competitivo pode


proporcionar valores positivos ou negativos aos jovens. Honestidade,
confiança, espiritualidade, humildade, esperança, liberdade, desonestidade,
insensibilidade, vaidade, desrespeito, individualismo e opressão. Todos
esses valores estão lado a lado no esporte, cabe aos adultos mostrarem e
exemplificarem aos jovens qual a melhor escolha.

4. Por que esportes radicais atraem tanto?


por Renato Miranda

Certa vez estava participando de um trekking (caminhar em regiões


naturais) pelas montanhas da Serra dos Órgãos no Estado do Rio de
Janeiro. Era uma travessia entre as cidades de Petrópolis e Teresópolis.
Nesse trekking as pessoas caminham entre montanhas em altitudes que
chegam a mais de dois mil metros, e passam por lugares cujos praticantes
podem sofrer sérios acidentes caso não tomem os devidos cuidados.

Esportes radicais estimulam quem está bem preparado

"Atletas de esportes radicais (pára- Ao chegarmos a um determinado


quedismo, surf, esqui, etc.) gostam ponto chamado “Pedra da Baleia”,
de sentir os efeitos da adrenalina e uma passagem feita em cima de uma
da noradrenalina (embora digam grande rocha abaulada, parecendo o
que é “adrenalina pura!”). Em dorso de uma baleia, daí o nome, um
outras palavras, gostam porque colega me perguntou o porquê ele
sabem que o medo pode ser mesmo percebendo uma grande
controlado em forma de alerta e
euforia, pois têm consciência do descarga de adrenalina, se sentia tão
plano de ação e dos movimentos que bem e motivado embora estivesse a
precisam realizar. Para eles a poucos metros de um penhasco e que
adrenalina passa a ser um em caso de acidente, qualquer tipo de
estimulante natural e o corpo fica socorro pouco adiantaria.
potencializado para a ação"

Aqui vai minha explicação, que serve para qualquer tipo de atividade ou
esporte dito radical, que mesmo com certa carga de perigo, atrai um
número considerável de pessoas.

Em primeiro lugar é bom que se diga que o nosso organismo está


freqüentemente se preparando para a ação (em qualquer tipo de estresse) ou
para a recuperação (homeostase – sono, alimentação). Essa preparação é
controlada pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA), que funciona de
maneira autonômica e é responsável pela ação de nossos órgãos viscerais
internos, coração, pulmões, intestinos, etc.

O SNA é altamente sofisticado por isso tem duas divisões: em ação o SNA
é “ajustado” pelo Sistema Nervoso Simpático (SNS), em recuperação esse
“ajuste” é feito pelo Sistema Nervoso Parassimpático (SNP).

Sabedoria do corpo

O controle automático do nosso organismo para adaptar e se regular frente


às demandas da ação e recuperação recebe o nome de homeostasia, que se
refere à permanente tendência dos organismos de manter a constância
interna. É o que o fisiologista americano Walter Cannon (1871-1945)
chamou de “sabedoria do corpo”, como nos ensina o mestre neurocientista
Roberto Lent.

Desse modo observamos que o Sistema Nervoso Simpático e


Parassimpático, na verdade, trabalham em constante harmonia e
solidariedade. Aliás, esse é o significado em grego da palavra simpatia. Em
essência, o objetivo primordial do Sistema Nervoso Autônomo é tentar
constantemente manter o organismo equilibrado internamente.

Em resumo, quando nosso colega de trekking está à beira de um penhasco


seu Sistema Nervoso Simpático é ativado para ficar em alerta e preparar
suas ações. Assim, o SNS prepara o corpo para “lutar ou fugir” diante um
desafio, tarefa ou ameaça providenciando ajustamentos fisiológicos tais
como: variação da freqüência e força dos batimentos cardíacos para que o
sangue seja bombeado mais rápido pelo corpo, variação da respiração para
fornecer oxigênio com mais eficiência, dilatação das pupilas para uma
melhor acuidade visual e ativação aguda do sistema neuromuscular para
preparar os movimentos.

Toda essa experiência interna acontece em poucos segundos e há uma


química natural para favorecer esse “estado de alerta” frente aos desafios
e/ou ameaças. Vários hormônios neurotransmissores como a noradrenalina
e cortisol são produzidos pelo organismo a fim de “agilizar” a ação
simpática. Porém a adrenalina é o hormônio neurotransmissor que melhor
representa essa química, pois seu efeito sobre o SNS é contundente,
alterando o funcionamento do coração, pulmões e participa dos demais
ajustes fisiológicos descritos anteriormente.

A produção de adrenalina é feita por glândulas que ficam acima dos rins
chamadas de supra-renais, toda vez que somos expostos a uma grande
demanda de estresse físico (exercícios árduos) ou psíquico (medo) a
adrenalina será liberada para preparar o organismo para “lutar ou fugir”.
Quando enfrentamos desafios, uma pequena variação da adrenalina
chamada noradrenalina é produzida a fim de regular nosso tônus muscular
para a ação e promover nosso comportamento de impetuosidade. Isso
acontece quando estamos preparados para enfrentar a situação ameaçadora
ou desafio.

Adrenalina e noradrenalina

Para entender melhor, voltemos ao exemplo inicial do nosso texto. Quando


o montanhista chega a um penhasco e é necessário atravessar de um lado
para o outro, andando em um espaço de largura reduzida, terá em seu
organismo produção de adrenalina combinada com noradrenalina, que fará
com que ele controle seu medo, fique em alerta, eufórico e tenha um
comportamento relativo à impetuosidade, promovendo uma ação energética
e com motivação. Mas se colocarmos uma pessoa despreparada, sem
equipamento e, portanto, com baixo nível de consciência do que deve ser
feito para enfrentar o dito perigo, a descarga de adrenalina será tão grande
que a preparação simpática produzida será para “fugir” do perigo, nesse
caso, possivelmente a pessoa ficará imóvel (congelada!) e se conseguir se
mover, será para dar meia volta e nada a fará realizar a travessia da “Pedra
da Baleia”.

Medo, controle, alerta e euforia

Isso explica por que nosso montanhista e outros atletas de esportes radicais
(pára-quedismo, surf, esqui, etc.) gostam de sentir os efeitos da adrenalina e
da noradrenalina (embora digam que é “adrenalina pura!”). Em outras
palavras, gostam porque sabem que o medo pode ser controlado em forma
de alerta e euforia, pois têm consciência do plano de ação e dos
movimentos que precisam realizar. Para eles a adrenalina passa a ser um
estimulante natural e o corpo fica potencializado para a ação.

O perigo reside na autoconfiança exacerbada, que faz o atleta esquecer os


procedimentos de segurança básicos e ignorar o perigo, desprezando os
sinais de medo que a adrenalina proporciona. O medo é importante para
lhes manter em alerta e fora dos riscos desnecessários. Nota-se que há um
número considerável de acidentes fatais registrados com excelentes atletas
que em grande parte dos casos, sucumbiram por desprezar o perigo e os
sinais do medo.

Em conclusão, poderíamos dizer que na prática de esportes radicais não é


adrenalina pura (lembre-se da noradrenalina!) e que todos os bons atletas
têm medo. Caso contrário, para que serviria a coragem?

5. Emoções agradáveis também provocam estresse


por Renato Miranda

Freqüentemente o fenômeno do estresse é abordado como uma experiência


negativa ou prejudicial para o ser humano. No entanto, no esporte como na
vida cotidiana o estresse não precisa ser sempre considerado negativo. Há
situações em que o estresse é muito bem-vindo. Isto se explica ao
admitirmos o estresse como reação psicofísica do organismo a quaisquer
estímulos (reconhecidos também como pressões ou cargas) seguidos de
reações generalizadas do organismo a fim de se adaptar a esses estímulos
presentes nas mais variadas situações de nossas vidas. Pressuposto conclui-
se que o estresse pode ser um fenômeno positivo.

Quando recebemos um estímulo físico freqüente, que nos permite de


maneira natural e funcional mobilizar todos os nossos esforços sem alterar
exageradamente nossa freqüência cardíaca, agimos com vigor muscular e
conseguimos produzir ação motora sem provocar esgotamento, esse
estresse será positivo, pois o esforço do organismo para se adaptar e resistir
a esse estímulo o tornará mais forte e eficaz. Com o passar do tempo e na
medida em que esse processo de estímulo-reação-adaptação se consagre
continuamente, ficaremos mais resistentes e fortes, física e
psicologicamente. Basicamente, é dessa maneira que ficamos em boa forma
física e com ótimo bem-estar psicológico.

Emoções agradáveis também provocam estresse


Em outra situação, quando recebemos um
Sentir motivação, alegria, estímulo emocional agradável, como um elogio
satisfação e confiaça, ou uma notícia que aguardávamos com boa
provoca uma reação de expectativa, nosso organismo desencadeia um
adaptação positiva no processo de reação psicofísica que acarreta um
organismo com estado de alarme interno, que tal como no
conseqüente estado estímulo físico, haverá variação de freqüência
psicológico favorável. cardíaca, aumento da pressão arterial, disparo de
Isso também é estresse hormônios e outras reações simpáticas típicas da
situação estressante.

No entanto, nos sentimos motivados, alegres, recompensados e confiantes,


pois, essa reação provocará uma adaptação positiva em nosso organismo
com conseqüente estado psicológico favorável. Isso também é estresse.

Um outro exemplo é o estresse provocado por um estimulo químico. Nesse


caso também poderemos vivenciar uma experiência positiva. Observe a
seguinte situação: Se ao levantarmos pela manhã e sentirmos cansaço e
com baixa ativação psicofísica (desânimo!), um estímulo químico estressor
será aconselhável, ou seja, caso não haja nenhuma restrição médica, uma
boa xícara de café sem açúcar e fresco, causará uma reação interna
simpática típica dos eventos anteriormente citados, além de ativar nossa
ação cerebral. Em conseqüência ficaremos mais excitados e todo aquele
desânimo poderá ser drasticamente reduzido. E mais, se somarmos a isso
alguns movimentos físicos intensos com os braços e pernas, como algumas
flexões e alongamentos, mesmo com poucas repetições, teremos uma ótima
experiência estressora.

Há também a possibilidade do estímulo estressor cognitivo (relacionado


aos nossos pensamentos e organização mental). Quando experimentamos
alguma forma de exigência intelectual, por exemplo, aprender alguma
habilidade lingüística (como uma expressão idiomática em uma língua
estrangeira), e nessa oportunidade a experiência é adequada, em outras
palavras o estímulo (exigência intelectual) é compatível com nossa aptidão,
estaremos mais uma vez, vivenciando um estresse positivo.

Em síntese, com esse estímulo intelectual compatível uma reação favorável


interna em nosso corpo será disparada: músculos sem espasmos (contrações
repentinas e com duração e intensidade variável), respiração ótima, vigor
psicofísico, sentimento de recompensa, autoconfiança e motivação. Esses
fenômenos irão providenciar uma adaptação favorável do nosso corpo e
assim persistindo, por determinado período, uma resistência benéfica será
verificada e estaremos cada vez mais preparados a novas aprendizagens.

Eustress

Não é comum considerarmos estresse todas essas experiências acima, visto


que a associação da palavra estresse é freqüentemente aceita para aquilo
que é desgastante, desfavorável, prejudicial ou algo do tipo. No entanto, a
reação típica do estresse pode ser provocada por meio de estímulos
positivos e/ou agradáveis. Essa possibilidade é denominada de eustress.
Com isso, podemos repercutir que o fenômeno de estresse não é por si só
negativo, o que o caracteriza é sua tipologia perante a pessoa que o
vivencia.

Distress

Aquilo que freqüentemente chamamos de estresse é o outro lado do


fenômeno, ou seja, quando vivenciamos experiências ou estímulos que
provocam reações desfavoráveis ao nosso corpo, como, por exemplo,
variação abrupta e exacerbada da freqüência cardíaca, fadiga, queda das
funções respiratórias e/ou digestivas, dores inoportunas (por exemplo,
cabeça, nuca e estômago) e disfunções psíquicas como, nervosismo,
ansiedade contínua, problemas de concentração nas tarefas cotidianas,
agressividade e outras reações tão comuns nos dias atuais, que em alguns
casos podem levar a pessoa ao esgotamento, representam, em linhas gerais
aquilo que se convencionou chamar de estresse. Mas na verdade essa é a
adaptação negativa que o corpo providencia para resistir ou “avisar” que
podemos entrar em colapso, é o que chamamos de distress.

Ocorre que nem sempre escolhemos os estímulos que provocarão estresse


(eustress ou distress), portanto precisamos aprender a buscar e usufruir do
estresse positivo (eustress) e administrar o estresse negativo (distress).
Algumas pessoas me perguntam:

Por que não evitarmos o distress e sim administrá-lo?

A resposta é simples: porque nem sempre podemos evitar os estímulos


desfavoráveis do cotidiano, desde um engarrafamento no trânsito a um
aborrecimento no trabalho. Mas é possível administrá-los.
Essa administração se dá da seguinte maneira: aquele distress que não se
pode evitar trate de criar certa resistência (tolerância), caso contrário você
ficará muito suscetível às reações negativas e em conseqüência muito
nervoso. É o caso daquelas pessoas que “não toleram nada” ou “não
engolem sapos”. Tais comportamentos são muito comuns no trânsito das
grandes cidades. Mas ao mesmo tempo não motive muito essa resistência,
pois caso contrário, ficaria insensível aos comportamentos indesejáveis, por
exemplo, ao ser muito resistente aos comportamentos violentos, você pode
achar absolutamente normal, ofender, agredir e coisas correlatas quando de
uma frustração ou desgosto qualquer.

Na verdade, quando o estímulo negativo (“ameaça”) for de origem


psicossocial é aconselhável que sejamos o mais superficial possível e não
valorizemos muito tal estímulo. Por exemplo, quando alguém é grosseiro
conosco por um motivo fútil. No entanto quando o estímulo é físico
(cansaço do dia-a-dia), portanto, inevitável, a administração se dará no
sentido de diminuir ou evitar manifestações prejudiciais ao nosso corpo.
Para tanto, a prática regular de exercícios físicos e procurar viver em
harmonia no meio ambiente são fatores intervenientes básicos.

Para usufruirmos do eustress e administrar nosso distress, proponho


os seguintes passos:

- Procure assumir o exercício físico como uma atitude positiva em sua vida
e o incorpore em sua rotina;

- Com orientação profissional, procure sempre aumentar sua resistência


física;

- Planeje sua rotina de modo a reservar um período para compartilhar


atividades junto à família;

- Melhore dia após dia a qualidade de seu relacionamento com as pessoas e


o meio ambiente;

- Descubra e aprenda uma boa técnica de relaxamento;

- Para qualquer estímulo positivo (ex.exercício físico) procure adequar o


estímulo (carga) à sua aptidão psicofísica.

- Pratique um hobbie: esporte, leitura, arte ou outra atividade positiva


qualquer;
- Vislumbre possibilidades de melhorias de atuação profissional;

- Não vivencie internamente acontecimentos futuros e suas possíveis


reações negativas;

- Aprenda a controlar-se quando começar a ficar irritado por algum motivo;

- Estabeleça um bom hábito alimentar e de descanso;

- Não sofra por qualquer evento banal.

6. Sem motivação para atividade física? Saiba o que


fazer
por Renato Miranda

Tanto no esporte, como na vida cotidiana, ao considerarmos a motivação


como energia psicofísica que dá intensidade a nosso esforço para
atingirmos nossos objetivos, podemos dizer que este é o fator de nossas
vidas que dá início, dirige e integra nosso comportamento. Portanto, tudo
aquilo que fazemos, com menos ou mais intensidade, do início ao fim da
atividade depende do nosso nível de motivação.

A qualidade dessa energia – motivação - tem duas origens: intrínseca e


extrínseca.

Motivação intrínseca

A primeira, motivação intrínseca é chamada também de pessoal ou


inconsciente visto que essa representa o desejo interior para atingir algum
objetivo ou satisfazer determinada necessidade. É a força psíquica que
todos nós possuímos que nos leva empenharmos em uma atividade por
vontade própria sem termos exata consciência daquilo que acontecerá na
prática. Isso explica o motivo de escolhermos praticar um esporte, por
exemplo, sem sabermos exatamente o porquê dessa escolha, mas não
resistimos à atração e vamos em busca de algo que nem imaginamos direito
o que é. Pergunte a um garoto futebolista, por que ele gosta de futebol,
possivelmente você terá uma resposta lacônica do tipo: “Por que eu
gosto!”.

Motivação extrínseca

A motivação extrínseca, por outro lado, é caracterizada por fatores


externos, e é reconhecida também como motivação ambiental ou
consciente. São fatores com conteúdos objetivos representados no esporte,
por exemplo, por troféus, elogios, bolsas de estudo, equipamentos
adequados, bom programa de treinamento e salários. Para todos esses
fatores terem seus efeitos motivacionais pretendidos é necessário
considerar a avaliação subjetiva daquele que está envolvido na atividade.
Assim, aquilo que pode ser muito motivante para uma pessoa para uma
segunda pode não ter o mesmo impacto. É por isso que não existe música
ou equipamento motivador, o que existe é uma tendência motivadora.

Ao avaliarmos a tipologia da motivação descrita acima, é notório que a


interação dos fatores pessoais (motivação intrínseca) e fatores ambientais
(motivação extrínseca) é que compõem um bom nível de comportamento
motivado. Como “matéria-prima” ou base da motivação, a parte intrínseca
é pré-requisito para qualquer ação, no entanto a parte extrínseca é
fundamental no sentido de auxiliar a manter o comportamento motivado.

Dessa forma, na prática de exercícios físicos e esportes, os fatores da


motivação extrínseca necessitam ser valorizados e utilizados
adequadamente pelas pessoas envolvidas como treinadores, pais e
dirigentes, pois podem colaborar na manutenção e na modificação positiva
do comportamento dos atletas. Esses, portanto, não podem depender
unicamente de fatores internos para se motivarem a treinar durante longas
horas.

Nesse pensar, imaginemos um atleta de natação que se submete a várias


sessões de treinamento diariamente. Além de estar intrinsecamente
motivado, fatores externos como o reconhecimento da família, da escola,
estrutura de treinos e auxílio ou patrocínio financeiro o auxiliariam a
manter o comportamento motivado para o rendimento. Por outro lado,
quando alguém é submetido a um programa de exercício físico e/ou
esportivo um bom nível de motivação está associado diretamente com a
compatibilidade entre a dificuldade da tarefa com a capacidade pessoal do
praticante.

Em conseqüência, quando o desempenho é demasiadamente fácil,


produzirá tédio nos praticantes. Quando o nível de exigência é muito alto,
teremos como resultado um comportamento ansioso. No entanto, quando o
desempenho é determinado por um ritmo compatível (equacionado!) de
complexidade, há um caráter de novidade presente em questão que estimula
a melhoria do rendimento. É desejado então, buscar uma complexidade
facilitadora das tarefas nas atividades para produzir motivação.

Em resumo:

Tarefa fácil: tédio


Tarefa difícil: ansiedade
Tarefa equacionada: motivação

Um dos fatores responsáveis pela manutenção de um nível ótimo de


motivação é a capacidade psíquica das pessoas para a realização da tarefa
ou do treinamento proposto (atletas, no caso do esporte e demais pessoas
no caso do exercício físico). A capacidade para a execução de uma tarefa é
verificada na medida em que a atividade a ser realizada é mantida por um
determinado período de tempo. Nessa capacidade psíquica para a tarefa, há
os fatores intervenientes externos (estrutura informativa das tarefas a serem
realizadas e as características do meio de convivência) e internos (nível de
desempenho, estabilidade emocional e características individuais).

Outro fator que deve ser considerado fundamental é o nível de prazer que a
pessoa usufrui praticando determinada atividade. O desenvolvimento do
prazer certamente levará a pessoa (atleta ou praticante de exercícios físicos)
a melhor suportar o processo de treinamentos, conseqüentemente um
melhor rendimento será observado. A melhoria constante desse rendimento
aumenta a percepção do nível de conquistas pessoais e leva o atleta a obter
um maior nível de fatores intrínsecos e extrínsecos da motivação.

Para uma ótima motivação a fim de melhorar o rendimento nos programas


de treinamento esportivo e exercícios físicos aconselho seguir os seguintes
passos:

1) Ter a clara percepção que seu esforço é produtivo. Ou seja, sua


dedicação à atividade vale a pena;

2) Manter sempre uma ótima concentração na tarefa. Quanto melhor


concentrado maior é a tendência de se manter motivado;

3) Estabelecer objetivos claros de desafios e compatíveis com a capacidade


psicofísica pessoal;
4) Desenvolver autocontrole. Tanto no aspecto de controle da excitação
emocional como no controle de execução da tarefa, em outras palavras
dominar a exigência motora com calma.

7. Os cinco elementos essenciais à concentração


por Renato Miranda

Um dos assuntos mais discutidos e estudados no esporte é sobre a


importância da concentração no rendimento do atleta. A concentração é
uma habilidade tão significativa no desempenho do atleta que extrapola o
meio esportivo. Significa que várias estratégias de orientação e melhoria da
concentração são dinamizadas além do esporte e muitos procedimentos, de
maneira pertinente, são reverberados em vários setores de nossas vidas,
como na administração de empresas, na indústria, no meio acadêmico, nas
artes, na mídia e outros.

Por se tratar de assunto muito em voga e instigante dividirei minhas idéias


em dois textos. Em um primeiro momento os componentes que formam o
conceito de concentração serão abordados e no segundo texto falaremos
sobre os fatores que auxiliam e aqueles que prejudicam a concentração. Em
suposto, no final dos textos você terá bons instrumentos para treinar e
melhorar sua concentração, ou ao menos, entender um pouco mais sobre
essa habilidade psicológica de grande relevância.

O que é concentração?

Concentração é capacidade pessoal de provocar um estado de


sensibilização para ficar em alerta, selecionando unidades importantes de
informação entre milhares disponíveis. Ao mesmo tempo, bloquear o
impacto de sinais irrelevantes e focar sinais relevantes da tarefa,
direcionando os pensamentos para o plano de ação.

Os componentes que formam o conceito de concentração podem ser assim


resumidos: sensibilização, foco seletivo, manutenção do foco, consciência
da situação e harmonia da excitação emocional.
1º) Sensibilização

Para iniciarmos o processo de uma boa concentração antes de tudo é


necessário auxiliar nosso organismo (corpo/mente) a acionar da melhor
maneira possível todos os órgãos sensoriais envolvidos na ação em questão
para ficarmos ativos. Já reparou como os atletas antes da competição fazem
exercícios respiratórios e movimentos com grande intensidade e de curta
duração (saltito, agitação de braços e mãos, pescoço e outros). Isso por que
para concentrarmos precisamos estar em alerta e perceber aquilo que é
significante para nossa ação. Nesse sentido a sensação (registro dos
estímulos feito pelos órgãos sensoriais) é considerada a primeira etapa da
percepção. Ou seja, não há uma boa percepção sem um bom registro dos
estímulos (sensação!), portanto, o primeiro passo para concentrarmos é
manter nossos órgãos sensoriais em ótimo nível de funcionamento. Por isso
é que se diz que aprender é perceber, sem percepção não há aprendizagem,
pois não há concentração.

2º) Foco seletivo

Significa selecionar, no ambiente da ação e em nossa mente, entre os vários


sinais (estímulos) disponíveis, somente aqueles que são significativos para
a nossa tarefa e ao mesmo tempo desfocar todos os sinais irrelevantes.

3º) Manutenção do foco

Não é suficiente para uma boa concentração “apenas” selecionar aquilo que
tem que ser focado, mas é necessário manter essa focalização do início ao
fim da tarefa. E aí está uma grande exigência para o sucesso, manter o foco
resistente até o fim da tarefa. Talvez seja isso que explica em parte, equipes
e atletas que vão bem durante grande parte da disputa, mas por um
momento perdem o foco o que significa dispersar energia psíquica e por
vezes, é fator determinante para a derrota e frustração.

4º) Consciência da situação

Em poucas palavras é dominar a exigência técnica e o plano de ação


(tática) daquilo que se tem a fazer ou parte do que se está aprendendo. Veja
o exemplo: Posso saber como me concentrar, mas se me disserem para
subir em um avião e saltar de pára-quedas, não terei possibilidades
nenhuma de concentrar por mais que eu saiba como fazê-lo, isso por que
não tenho consciência de quais procedimentos, técnica e demais
comportamentos que tenho a fazer e não seriam suficientes algumas
instruções. Todo um processo de aprendizagem e treinamento prévios são
condições para enfim poder concentrar.

5º) Harmonia da excitação emocional

Para atingir um bom nível de concentração além de tudo já dito, é preciso


regular o estado emocional a fim de evitar tensões, apreensões, nervosismo
e outros sentimentos correlatos. Esses sentimentos invadem a nossa mente
geram aflição e pensamento negativo, causando impedimento para
organizar e sistematizar nossas ações. Assegurar sentimentos compatíveis
com a tarefa a ser realizada é pré-requisito para liberar nossa energia
psíquica de maneira positiva e só assim será possível concentrarmos de
fato. Portanto, nível adequado de relaxamento, controle do estado de
ansiedade, confiança e motivação adequada, por exemplo, fazem com que a
mente tenha condições favoráveis de “trabalhar suavemente”, com precisão
e com pensamentos positivos.

É preciso uma ótima harmonização do estado de excitação emocional, a


fim de focar pensamentos positivos e desfocar pensamentos negativos.

Quando entendemos esses elementos que compõem o conceito de


concentração damos o primeiro passo para melhorarmos nossa capacidade
de agir com eficácia. Os esportistas altamente especializados sabem
exatamente o valor e como melhorar a concentração. Tanto é assim que
muitos especialistas em esporte freqüentemente são convidados a
auxiliarem profissionais de outras áreas que enfrentam competição e uma
exigente rotina de trabalho.

Para finalizar, é válido refletir que sem concentração não conseguimos


realizar nenhuma atividade de alto rendimento. Uma atividade sem
concentração ideal é uma atividade sem intensidade e sem coerência,
portanto, sem qualidade.

8. Nível de concentração pode fazer a diferença para


atingir o sucesso
por Renato Miranda
No último texto, falamos sobre o conceito e os componentes da
concentração no esporte que são úteis também para vários setores de nossas
vidas.

"Ao disponibilizar, em alta


Hoje trataremos como convencionamos, da
qualidade, todos os órgãos
parte prática da concentração, que se resume
sensoriais envolvidos na ação
em como manter a concentração e
você tem a chave para a
posteriormente algumas estratégias para um
concentração pelo tempo que
bom nível de concentração.
for necessário"

Como manter a concentração:

Para mantermos nossa concentração pelo tempo que for necessário,


basicamente precisamos de:

a) Controlar a consciência (foco) – Significa ter em mente o controle de


todos os elementos (estímulos) relevantes para a realização da tarefa. Deste
modo tudo aquilo que tiver ligado à execução técnica e comportamento
tático, na medida do possível, deve ser rapidamente percebido para garantir
o melhor modo de realização de movimentos. Como exemplo pode-se
destacar um atleta de futebol que controla todos os fundamentos do jogo
(passe, condução de bola, chute etc.) e funções táticas específicas
(marcação à zona, individual, etc.). Em conseqüência, ele mobiliza sua
consciência para tudo que possa vir acontecer em um jogo e para cada
situação e tem boa estratégia de ação e adaptação frente aos
acontecimentos. Muitas vezes, essa capacidade é o que diferencia um atleta
de alto nível de um outro de nível mediano.

b) Saber o significado estratégico de cada detalhe – É usual escutarmos


na mídia quando de transmissões esportivas, que o fator de definição do
resultado de uma competição está no “detalhe” visto que a tendência,
principalmente no alto rendimento, é a equivalência de desempenho entre
os participantes. Se você reparar, qualquer atividade que fazemos em nível
de excelência, cada detalhe é importante para que possamos manter a
concentração e, por conseguinte obtermos sucesso. Portanto, para manter-
se concentrado depende, e muito, se você sabe e admite a importância de
dominar as sutilezas de cada detalhe da tarefa. Imagine como um escalador
de montanhas precisa saber da conseqüência de cada pequeno movimento
que ele faz com o corpo e a quantidade de procedimentos de segurança que
precisa checar a todo instante.

c) Mobilizar os órgãos sensoriais de maneira ótima – É considerar,


fundamentalmente que esse é o pré-requisito para manter-se alerta e
pressuposto, em condições de perceber a todo instante, tudo que é
relevante.

Ao disponibilizar, em alta qualidade, todos os órgãos sensoriais envolvidos


na ação você tem a chave para a concentração pelo tempo que for
necessário.

Por isso, é fundamental preservar nossos órgãos sensoriais e saber utilizá-


los da melhor maneira possível. Certa vez um atleta de voleibol da seleção
brasileira adulta me procurou para melhorar sua manutenção de
concentração, já que com o passar do jogo sua qualidade na recepção de
saque piorava significativamente. Lembro-me que logo na primeira sessão
de treino já obtivemos um grande sucesso. Não fiz mágica alguma,
simplesmente antes do primeiro treino, pedi que fosse ao oftalmologista.
Depois da correção visual meu trabalho ficou mais fácil.

d) Mobilizar toda a energia psicofísica (mental, física e emocional) –


Procurar reunir em nível ótimo, todas as possibilidades cognitivas para o
planejamento de ações, as capacidades físicas concretas envolvidas na
atividade e a regulação da excitação emocional pertinente ao desafio. Essa
mobilização permite um esforço econômico e eficaz para manter-se
concentrado. Observe como atletas bem preparados, parecem antecipar as
ações do adversário e conseqüentemente escolhem o melhor plano de ação,
ao mesmo tempo temos a percepção que fazem tudo sem esforço físico e
não se abalam frente às tensões da competição, além disso, agem como se
fossem pessoas frias, mas na verdade são atletas altamente treinados.
Atualmente, o tenista suíço Roger Federer é o melhor exemplo desse item,
basta vê-lo jogar para entender na prática o que é mobilização da energia
psicofísica.

Abaixo relaciono algumas estratégias que podem ajudar todos àqueles


que querem manter um bom nível de concentração não só no esporte,
mas em qualquer setor da vida:

• Memorizar um amplo repertório de tomada de decisões – representa


ter de maneira clara na mente “soluções” para os problemas surgidos até
mesmo, para aqueles que nos pegam de surpresa;

• Equacionar emoções – ajustar o nível de excitação emocional frente às


exigências apresentadas é o que nos permite pensar em como agir melhor e
evitar que a aflição invada a nossa mente e nos perturbe.
• Estar motivado e bem condicionado fisicamente – essa é a lógica para
um bom nível de concentração. Avalie a seguinte seqüência; se você quer
melhorar seu desempenho é preciso concentração, mas para tal é preciso ter
energia intensa e direcionada ao objetivo, é o que chamamos de motivação,
porém sem um bom condicionamento físico essa energia é facilmente
dispersada e como resultado a manutenção de sua concentração será
prejudicada.

• Alegria e vivência na atividade – por mais exigente que seja a ação,


quando fazemos o que tem que ser realizado com alegria nossa mobilização
da energia psicofísica é facilitada, bem como nosso vigor e disposição para
concentrarmos. Por outro lado, quando maior o número de vivências na
atividade, melhor será nossa capacidade de avaliação de diferentes
situações para a escolha de tomada de decisões, é o que se convencionou
chamar de experiência pessoal.

• Estabelecer e envolver-se com rotinas – estamos acostumados a avaliar


rotinas como algo aborrecedor e monótono. De fato, uma rotina sem
qualidade tende a ser uma experiência desestimulante. Todavia, quando
freqüentemente você é solicitado a fazer tarefas exigentes nada melhor que
estabelecer e envolver-se com procedimentos específicos e repetidos.
Assim será assegurada precisão, eficácia, autoconfiança e economia de
energia psicofísica, favorecendo sua motivação e uma consistente memória
para tomar decisões de maneira concentrada.

• Bom nível de autoconhecimento – quanto mais você conhecer seus


limites e potencial maior será a possibilidade de se manter concentrado.
Encontrar seu próprio “ponto” de controle emocional, suas possibilidades
de ações e disposição de enfrentamento são advindos particularmente do
seu nível de conquistas individuais, frustrações e vivências diversas.

Por fim, faça um esforço e lembre-se que toda vez em que você fez algo e
obteve sucesso, certamente estava concentrado do início ao fim da
atividade, motivado, e emocionalmente bem equilibrado, portanto, pense o
quanto vale a pena investir em sua capacidade de manter-se concentrado ao
realizar algo.

9. O que passa pela mente do atleta que utiliza doping?


por Renato Miranda

Nos últimos dias, todos aqueles que apreciam o esporte foram


surpreendidos pela notícia de um suposto caso de doping envolvendo a
atleta Rebeca Gusmão da natação brasileira. Em duas importantes
competições, uma delas os Jogos Pan-americanos, há evidências de
ingestão do hormônio masculino testosterona, o que é proibido pelo Comitê
Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Natação
(FINA). O controle, estudos, pesquisas e demais ações relativas ao doping
são feitos pela WADA (do inglês, Agência Mundial de Antidoping).
Portanto, os eventos de doping no esporte, são tratados de maneira rigorosa
e por muita gente especializada no assunto.

Sem querer fazer juízo de valor no caso da


Atleta do tipo ego tem por atleta Rebeca Gusmão, aproveitamos os fatos
objetivo a vitória a qualquer para escrever ao nosso leitor sobre o porquê de
custo, sua motivação é a de ser pessoas se motivarem tanto para atingir seus
reconhecido socialmente como objetivos, seja por meios ilícitos ou ainda se o
o melhor. Para ele basta 'ser' o seu comportamento vai prejudicar uma ou
melhor e não simplesmente mais pessoas envolvidas na ação. Isso vale
fazer o melhor tanto para o esporte como para os desafios de
uma vida comum.

Orientação Tarefa e Orientação Ego

Ao considerarmos a motivação como uma energia psicofísica que nos


impulsiona em direção a um determinado objetivo a fim de satisfazer uma
necessidade pessoal (entenda necessidade como tudo aquilo que é
importante para alguém), podemos inferir que essa energia – motivação – é
orientada pelos valores pessoais da vida da pessoa, nesse caso, temos dois
tipos de orientação: a primeira é a Orientação Tarefa, a segunda é a
Orientação EGO.

As pessoas do Tipo Tarefa, ao executarem as tarefas de maneira


corretamente, se sentem realizadas. Para elas não basta fazer algo
importante, é preciso que seja de maneira correta, sem ferir regras sociais.
No caso do esporte, significa fazer o que tem de ser feito da forma
tecnicamente perfeita e de maneira limpa, o COI e a FIFA chamam esse
comportamento de fair-play (jogo limpo, em inglês).

Se por ventura encontram obstáculos ou dificuldades, não desanimam,


muito pelo contrário, sentem-se encorajadas e motivadas a se esforçarem,
para enfrentar direito o desafio. São aqueles esportistas, por exemplo, que
enquanto não conseguem desenvolver alguma técnica de maneira excelente
não param de treinar até que tenham a clara percepção que estejam fazendo
o gesto perfeito ou ao menos aceitável pelo técnico e/ou por elas mesmas.

As pessoas orientadas pela Tarefa ao vislumbrarem a possibilidade de usar


meios ilícitos ou agressivos, para conseguir a vitória no esporte ou sucesso
na vida, não utilizam desses meios, porque consideram não ter sentido
atingir objetivos dessa maneira. Essa característica é representada desde
cedo pelas crianças através da frase: “... assim não tem graça!”.

Sentimento autotélico

Por último, pessoas orientadas pela Tarefa fazem atividades com um


sentimento autotélico muito forte. Autotélico (a) é uma palavra originada
da união de duas palavras gregas, auto que significa por (ou de) si mesmo,
e telos que significa finalidade. Daí a idéia de que uma experiência
autotélica refere-se a uma atividade auto-suficiente, envolvente, realizada
sem a expectativa de algum benefício futuro, mas simplesmente porque
realiza-la é a própria recompensa. O interessante no esporte competitivo é
que esse sentimento antes de afastar o atleta da vitória, já que sua energia
motivadora não está direcionada para a vitória, mas para a tarefa que ele
tem que fazer, muito pelo contrário, cria relaxamento, torna a pressão pela
vitória menos intensa e suas atitudes fluem naturalmente em direção ao
sucesso. Toda essa idéia pode ser resumida na seguinte frase proferida por
vários atletas antes de competições: “... vou dar o meu melhor!”.

Pessoas do Tipo Ego se realizam quando conquistam algo ou vencem


alguém, o que aproxima a idéia de ser o melhor e não fazer o melhor. Para
elas, auto-realização significa vencer alguém e mais, alimentam a idéia de
que as pessoas só têm valor quando derrotam os outros e o referencial de
avaliação é sempre externo, ou seja, o reconhecimento social é o que mais
importa. No esporte, atletas do tipo Ego se preocupam excessivamente em
obter vitória a qualquer custo e o seu sucesso está acima da equipe, do
grupo de trabalho e até mesmo das conseqüências de suas atitudes para
obter a glória.

Além disso, quando percebem ou se deparam com severas dificuldades ou


adversários com melhor desempenho perdem a motivação, ficam com
medo ou desistem do desafio. É aquele atleta que mediante uma situação
adversa, como superar novas exigências de treinamento, simula contusões,
cria ambiente hostil e desenvolve comportamento indisciplinado, ademais
quando esse atleta é bom, mas não consegue superar as dificuldades, coloca
a culpa na arbitragem, no comportamento do adversário, nos companheiros
ou em outro motivo qualquer.

Assumir atitudes ilegais e injustas é natural

Pessoas do tipo Ego, ao terem possibilidades em usar recursos ilícitos ou


agressivos, não pensam duas vezes, para vencer adversários ou superar
adversidades, aceitam naturalmente assumir atitudes ilegais e injustas. No
esporte o exemplo típico dessa característica é o uso de substâncias ilegais
para a melhoria do desempenho (doping). São vários os casos já revelados
sobre atletas que se doparam para tentarem obter sucesso, mesmo pagando
um “alto preço”, como prejudicar sua saúde por causa dos efeitos colaterais
do doping ou problemas que poderá criar para as outras pessoas, desde
colegas de equipe até a família.

Decerto conhecemos no esporte e na de vida de cada um de nós, pessoas


com orientação Ego e Tarefa que obtiveram sucesso independentemente de
sua orientação da motivação. No entanto, a orientação para a Tarefa
identifica uma vida mais exemplar e de melhor proveito, afinal vencer no
esporte ou na vida cotidiana através de comportamentos socialmente
indesejáveis ou por meio de recursos ilícitos perde toda a graça e o sentido
da vida. Se o caminho do sucesso no esporte é treinar e competir
honestamente, assim será e se formos realmente o melhor a vitória chegará
se não, a busca honesta pelo sucesso, a dedicação e a disciplina já serão
suficientes para nos engrandecer e servirão como base para outras e novas
conquistas.

Talvez esse texto ajude a entender o porquê de atletas se doparem, talvez


não. O fato é que o doping além de ser ilegal ilude e prejudica as pessoas.
Se a hipótese de doping da Rebeca Gusmão se confirmar avalie apenas o
lado do resultado esportivo: Perderá todas as medalhas conquistadas no Pan
2007, suas companheiras do revezamento também perderão as suas, os
Jogos perderão o status dos Jogos mais limpos dos últimos tempos, Rebeca
poderá ser banida do esporte. Além disso, mesmo com o doping, isso não
seria garantia de sucesso nos Jogos Olímpicos.

Por fim, uma coisa é certa: o doping no esporte de alto nível cria nos
torcedores e adversários a realidade do engano e para o atleta dopado a
fantasia de um sucesso, que na verdade, é uma grande mentira. Uma
mentira sem graça!
10. Como deve ser a participação dos pais na vida
esportiva dos filhos?
por Renato Miranda

Muito se discute sobre a participação dos pais na vida esportiva dos filhos
principalmente a partir dos doze anos de idade, quando geralmente começa
o envolvimento dos jovens nas competições e treinamentos mais rigorosos.
Muitos profissionais do esporte acreditam que os pais atrapalham no
desenvolvimento esportivo dos filhos, seja pela constante expectativa de
sucesso que gera uma pressão psicossocial muito grande ou por seus
comportamentos indevidos nos treinos e competições além de outros
motivos de ordem diversa.

Esse pensar é apenas um lado da realidade, pais de filhos esportistas nessa


faixa etária são agentes influenciadores por natureza e a repercussão desse
fenômeno pode ser positiva, afinal de contas são os pais que muitas vezes
“apresentam” o esporte aos filhos e dão as condições básicas para o
ingresso nessa etapa da vida.

A questão para ser refletida é que pressuposto, e de modo geral, os pais


ajudam mais do que atrapalham, todavia quando isso ocorre, o impacto é
contundente, daí o preconceito de que a influência dos pais é prejudicial no
esporte infanto-juvenil.

Genética e comportamento

Por outro lado, é bom lembrar que as influências não são apenas de ordem
psicossocial. As influências das atitudes (comportamento) são
acompanhadas pelas estruturas *psicofísicas (genes) dos pais. Nesse
âmbito, tanto a genética quanto o comportamento dos pais ao serem
observados com atenção, promoverão possíveis relações causais no
desempenho esportivo do jovem atleta, bem como no seu nível de
satisfação no esporte.

Ao considerar influência como a capacidade da pessoa manifestar sua


energia psicofísica de maneira ampla e intensa frente determinada situação
provocando adaptações e/ou modificações no comportamento de outros,
fica fácil entender como é fundamental a participação dos pais na vida
esportiva dos filhos.
A influência pode ser mais ou menos impactante, dependendo da
capacidade de expansão e intensidade dessa energia que a pessoa
influenciadora possui.

Portanto, pais podem influenciar muito ou pouco na atividade esportiva do


filho, depende fundamentalmente de como esses avaliam o esporte, suas
experiências esportivas pregressas, das suas avaliações a respeito da
importância do esporte na formação das pessoas e as expectativas de futuro
da vida dos filhos.

Conforme a força da energia influenciadora dos pais, nem mesmo a


presença física é necessária para atingir o jovem. Em outras palavras,
aquele que recebe uma influência significativa já está “impregnado” pela
energia influenciadora. Não obstante, a presença física do influenciador
(pais) poderá trazer conforto ao jovem atleta, mas essa presença não é pré-
requisito para que uma desejada influência seja estabelecida.

Procedimentos para uma ótima influência na vida esportiva dos filhos

Pais podem ter uma ótima influência na experiência esportiva de seus


filhos, para tanto é valioso que levem em conta as seguintes atitudes:

a) Motivação em fornecer oportunidades e condições para a prática


esportiva

Nem sempre a condição financeira é o grande obstáculo para oportunizar a


prática esportiva. A motivação em procurar qual o melhor e possível
caminho para a prática esportiva é pré-requisito para uma participação
positiva dos pais no esporte infanto-juvenil.

b) Tendência em acreditar nos valores positivos do esporte

O esporte é uma parte da vida, que poderá auxiliar muito na formação dos
jovens, mas os valores positivos do esporte devem ser inicialmente
destacados pelos pais. Com isso, confiança e alegria serão sentimentos
advindos naturalmente.

c) Reconhecer algum tipo de experiência esportiva precedente em


sua(s) vida(s) – do pai, da mãe ou dos dois – que lhe (s) ajudou de
alguma forma

Contar estórias pessoais aos filhos é uma tarefa gratificante tanto para os
pais como para os filhos. Nessa experiência, ao reconhecer fatos esportivos
que permitiram amadurecimento e vivências positivas, como por exemplo,
auto-estima e autodisciplina fica mais fácil identificar como o esporte pode
ser um bom caminho a ser percorrido.

d) Comportamento ativo dos pais frente ao esporte atual (práticas, ter


conhecimento, procurar ter informações atualizadas, freqüentar, ser
expectador)

Ao demonstrar interesse e ações frente ao esporte, os pais oferecem aos


filhos exemplo de comportamento positivo e de dinamismo, essenciais para
um ambiente favorável ao esporte.

e) Manter uma boa saúde através da prática de esportes (ou exercício


físico) e alimentação saudável

Com esse comportamento são despertadas percepções sobre as


conseqüências positivas do esporte na saúde das pessoas.

f) Participar, em algum momento, de atividades esportivas junto com o


(s) filho (s):

Ao compartilhar atividades em conjunto, fora do ambiente de treinamento e


competição, cria-se uma relação de respeito e confiança que facilitam a
harmonia e a relação entre pais, filhos e o esporte.

Em resumo, a combinação das estruturas psicofísicas (genes) do pai e da


mãe sugere as possíveis influências que seu (s) filho (s) herdará (ão) na
construção de um tipo pretensamente esportivo. As atitudes, desde a
infância, e adaptações psicofísicas para aumentar as aptidões do jovem
atleta têm uma grande influência dos pais.

Por conseguinte, as possibilidades funcionais, as inter-relações psicológicas


com o esporte e o nível de desenvolvimento das capacidades psicofísicas
(motivação, concentração, força, resistência e outras) dependem da
complexa influência comportamental e genética dos pais.

*Numa forma coloquial pode traduzir-se por corpo e mente


11. Talento e potencial psicofísico não bastam para
consagrar-se no esporte
por Renato Miranda

Este é o primeiro artigo de uma série de três sobre as metas reais e irreais
no esporte.

"Entre o potencial Quando o esporte entra na vida das pessoas ainda


psicofísico da criança e/ou em tenra idade, por volta dos 12 anos e às vezes
adolescente e a um pouco mais cedo, dependendo da modalidade
consagração desse e das influências do meio ambiente em que se
potencial em sucesso vive, é freqüente o despertar de possibilidades de
esportivo há uma distância fazer da prática esportiva um meio de ascensão
muito grande" social ou de realização de sonhos diversos.

Ao falar que o esporte entra na vida das pessoas, não estou dizendo
somente daqueles que por ventura estão no início da experiência esportiva,
mas também da família, principalmente pai e mãe. São vários os aspectos
de estudos e discussões a respeito desse tema, mas hoje tratarei de abordar
o caso de crianças e adolescentes que ao possuírem, algumas qualidades
físicas que chamam a atenção dos adultos, como alta estatura, ótima
definição muscular, agilidade e, além disso, entre outras qualidades são
bastante resistentes aos esforços.

Por outro lado, esses iniciantes no esporte possuem características


psíquicas que impressionam muita gente (principalmente a família): fazem
atividades físicas e esportivas com grande concentração, estão sempre
motivados a exercitar o corpo, resistem às possíveis tensões da prática
esportiva e sentem prazer constantemente quando são exigidos diante
tarefas diversas.

É natural, portanto, que os pais se encham de orgulho, alegria e vislumbrem


um possível futuro de profissionalismo e não muito raro, sucesso, fama,
dinheiro e tudo o mais que o esporte competitivo pode proporcionar.
Acontece que entre o potencial psicofísico da criança e/ou adolescente e a
consagração desse potencial em sucesso esportivo há uma distância muito
grande.

Variáveis
Por mais que as condições psicofísicas desses novos esportistas encham os
olhos de pediatras, pais, professores etc., temos de considerar que diversas
variáveis influenciam e poderão determinar o futuro esportivo dos garotos e
garotas com potenciais atléticos. Ademais, algumas considerações a
respeito da prática esportiva também deveriam ser levadas em conta.

Primeiramente muita calma ao avaliarmos o potencial psicofísico do (a)


jovem (que está intimamente ligado à herança genética dos pais), pois, não
basta um corpo atlético é preciso que esse corpo seja adequadamente
preparado e treinado. A escolha do profissional ou daqueles profissionais
que vão orientar, preparar, sofisticar e acompanhar o desenvolvimento
psicofísico do atleta é tão importante quanto às oportunidades de competir
e apoio familiar, para citar apenas dois fatores.

Por vezes o (a) jovem se destaca com ótimos resultados no meio ambiente
em que este se relaciona, é o caso típico do (a) atleta que compete em sua
cidade e regionalmente. Isso não basta, é preciso colocá-lo (a) em prova
com os outros esportistas de outras regiões do país (ou de outros países),
que certamente terão características psicofísicas semelhantes.

12. Até onde meu filho poderá consagrar-se no esporte?


por Renato Miranda

No artigo anterior, o primeiro de uma série de três sobre as metas reais e


irreais no esporte, expliquei por que talento e potencial psicofísico não
bastam para consagrar-se no esporte. Neste mostrarei como avaliar a
dimensão de destaque (local, regional, nacional, internacional) que um
garoto talentoso poderá atingir.

"É preciso então, além das Certa vez, estava em um ginásio de uma
condições de infra-estrutura cidade do interior ao lado de pais dos
básica para a prática do esporte, atletas locais de voleibol. Durante a entrada
reconhecer a realidade, definir na quadra todos eles (os atletas) por volta
uma trilha coerente com o dos 16 anos, chamavam a atenção pela alta
objetivo a seguir e focar esforços estatura, eram considerados verdadeiros
e objetivos preliminares (curto e gigantes. No entanto, quando a equipe da
médio prazos) para que deixemos capital entrou em quadra, aqueles gigantes
que as coisas aconteçam em um voltaram a ser considerados pessoas
curso natural" “normais”.

Quando um (a) garoto (a) começa a ter bons resultados esportivos, não é
aconselhável fazer previsões ou planos concretos em longo prazo e ter
expectativas exageradas. Basta uma lesão grave em um treino, uma
experiência marcante qualquer (frustrações em seqüência, uma namorada
(o) que não gosta de esporte, um despertar para uma outra atividade e sem
falar nos fenômenos negativos do estresse no treinamento, como o
overtraining e o burnout, que podem ocorrer por um motivo ou outro), para
mudar todo o curso daquilo que foi pretensamente planejado, ou
simplesmente nada daquilo que foi esperado acontecer.

Não é só no esporte que os possíveis talentos podem se destacar desde


cedo; na música, artes plásticas, literatura e outros. No entanto, é oportuno
admitir a dimensão do destaque desse talento (se é local, regional, nacional
ou internacional) e também levar em conta que este (a) jovem promissor (a)
possivelmente não está só, há de existirem muitos outros jovens brilhantes
espalhados por esse mundo afora.

Em uma ocasião, estava reunido com um pai de um tenista de 14 anos de


idade e muito promissor. Era minha primeira conversa com o pai do garoto
que naquele instante não estava presente por motivos óbvios. As
características psicofísicas e os resultados regionais enchiam os olhos de
muita gente, a ponto de, preverem que ele seria o novo fenômeno do tênis
nacional em um futuro não muito distante. Dessa forma, o objetivo era
alcançar o profissionalismo em nível internacional.

Foi aí então que, sinceramente, despertei o pai do garoto para a realidade.


Perguntei a ele quantos garotos na idade do filho, disputavam com ele o
ranking nacional. Ele afirmou que ele era o décimo do Brasil em sua faixa
etária, mas era o mais novo de todos. A partir daí, pedi que fizesse, embora
em uma previsão grosseira, quantos garotos poderiam existir em mesmas
ou melhores condições na Argentina, Chile, Estados Unidos, Espanha,
França, Alemanha, Europa Oriental, Rússia e Austrália, só para
sintetizarmos o número de países de destaque no tênis mundial. Quando
chegamos por volta de 700 atletas, paramos a contagem. Foi aí que o pai
“caiu” na real e percebeu o quão distantes estávamos de tal meta.

É claro que podemos conhecer um (a) jovem com potencial atlético


internacional e acreditar que o sonho de se tornar uma referência esportiva
é possível, a questão é que quando acreditamos por nós mesmos, sem
fazermos as devidas avaliações da realidade, comparar rendimentos
esportivos com outros atletas e, portanto, não sabemos ao certo qual
caminho a trilhar e só enxergamos o objetivo sonhado acabamos
simplesmente sonhando acordados.

É preciso então, além das condições de infra-estrutura básica para a prática


do esporte, reconhecer a realidade, definir uma trilha coerente com o
objetivo a seguir e focar esforços e objetivos preliminares (curto e médio
prazos) para que deixemos que as coisas aconteçam em um curso natural.

Chamo de curso natural as vivências da rotina de treinamentos,


competições e a formação de uma mente disciplinada e motivada para as
exigências do esporte conforme o passar dos anos. Assim, saberemos se
talento e índole atléticos pertencem concretamente à vida do (a)
adolescente.

Treinar com satisfação, intensamente, viver cada dia e superar cada desafio
com alegria e persistência, esses são alguns dos fatores que levam os (as)
atletas vislumbrarem alguma chance internacional.

13. Para ser campeão no esporte é preciso...


por Renato Miranda

Este é o terceiro e último artigo da série sobre as metas reais e irreais no


esporte, os artigos anteriores são:

Talento e potencial psicofísico não bastam para


consagrar-se no esporte

Até onde meu filho poderá consagrar-se no esporte?

Bem... vamos agora à conclusão da série.

Nos anos 80, eu era preparador físico de voleibol em um clube em Juiz de


Fora (MG). Naquele tempo havia um garoto que se destacava dos demais,
não por ser o melhor, embora estivesse no grupo dos melhores das
categorias infantil e posteriormente infanto-juvenil.
"Talento não é uma dádiva em si, é,
Realmente o que chamava a atenção de
na verdade, uma possibilidade
todos era sua resistência psicofísica aos
peculiar e especial que as pessoas têm
treinamentos, sua concentração e o
para manifestar toda sua energia. As
prazer em treinar e competir. Não era
conquistas que poderão advir é
raro, alguém do clube ligar para seus
resultado de luta e muita dedicação.
pais e avisá-los que o treino já havia
Descobrir qual é o nosso talento em
terminado há horas, mas ele insistia em
potencial e colocá-lo no rumo certo,
treinar com as categorias superiores
para triunfarmos, é um grande
(juvenil e adulto).
desafio"

Acabo de relatar exatamente aquilo que respondo ao me perguntarem o que


mais me impressionava no ex-jogador Giovane da seleção brasileira
masculina de voleibol, quando este era apenas um dos inúmeros jovens
promissores de sua época.

Essa sua característica foi tão marcante que anos mais tarde, quando
Giovane já era da seleção masculina adulta e o Brasil se preparava para o
Campeonato Mundial no Rio de Janeiro (1990), todos os fins de semana de
folga, Giovane se encontrava comigo para a realização de treinos
psicofísicos.

Outra consideração relevante é a respeito do desejo do (a) atleta em


realmente se dedicar ao esporte competitivo com vistas ao rendimento
superior e tentar ingressar no alto nível da prática esportiva. Muitas vezes,
a força que impulsiona o (a) atleta na carreira esportiva se justifica
prioritariamente mais pelo desejo dos pais do que do (a) filho (a), embora,
como já vimos em texto anterior (Pais e esporte infanto-juvenil), como a
influência dos pais pode ser positiva. O problema é quando os pais
assumem as atividades dos filhos como se fossem as suas e passam a
acreditar que seus desejos (dos pais) são os mesmos do filho (a).

Em uma outra ocasião, no início dos anos 2000, quando o tenista Gustavo
Kuerten, o Guga, era consagrado nas quadras de Roland Garros, na França,
encontrei-me com o experiente técnico de tênis e ex-jogador profissional
Carlos Aberto Kymair. Falávamos como os resultados do Guga haviam
motivado a prática do tênis no Brasil. Foi quando, em tom de preocupação,
disse: “O número de praticantes tem aumentado muito, o problema é que
tem pai de garotos iniciantes ‘gastando dinheiro por conta’ ”. O que
significa dizer que esses sãos os pais que por impulso acreditam piamente
que seus filhos chegarão ao topo do sucesso.

Quando estivermos diante de uma criança ou adolescente que tem amplas


condições psicofísicas e de infra-estrutura para almejar algo mais
contundente no esporte, primeiramente não devemos esquecer que o
esporte não é uma atividade fim, mas um dos mais variados meios que
pode assegurar saúde, bem-estar e auxílio na formação de uma
personalidade plena.

Personalidade equilibrada

Fico feliz, quando pais de atletas na tenra idade me escutam ao explicar-


lhes que se depois de alguns anos de treinamento, no final da adolescência,
nossos esforços, auxiliaram na construção de uma personalidade
emocionalmente equilibrada, responsável, saudável, com hábitos
edificantes e desde cedo um exemplo a ser seguido, independentemente do
(a) atleta ter se tornado (a) um (a) profissional de sucesso, poderíamos dizer
que obtivemos sucesso.

Apoio familiar, influência positiva dos pais, treinamentos de qualidade,


respeito ao jovem, descanso, oportunidade e sinceridade de todos os
envolvidos no processo de treinamento, são elementos fundamentais tanto
para se obter resultados reais ou ao menos, servir para que o (a) atleta, em
determinado momento tenha condições de fazer uma boa auto-avaliação, a
fim de decidir exatamente qual rumo sua vida deverá seguir.

Busca pelo sucesso fácil

Muita gente quer usufruir do sucesso no esporte, mas nem tantos querem se
dedicar o quanto é necessário. Observo freqüentemente atletas que almejam
o profissionalismo e crêem absolutamente que vão conseguir, no entanto,
ao observar a rotina de vida desses atletas, rapidamente avalio que
dificilmente lograrão êxito.

Não há mágica nesse processo, olhemos para o lado e descobriremos que


em qualquer atividade ou profissão do ser humano, aqueles que alcançam
níveis de excelência são em sua grande maioria os que dedicaram parte de
suas vidas à própria atividade.

Sucesso só com dedicação integral

Em resumo, o que gostaria de dizer àqueles que querem preparar metas


reais em vez de metas irreais é que o atleta promissor é um especialista, é
livre em escolher seu caminho e por tudo isso sua vida é limitada. Explico:
a partir do momento em que o talentoso (a) atleta decide, livremente, pela
possível carreira esportiva, ele se torna um sujeito limitado, principalmente
socialmente.
Sua rotina de treinos não permitirá flexibilidade de atividades, horários e
lazer noturno. O círculo de amizades tende a ser reduzido, sua alimentação
é regulada, o calendário de competições impõe sacrifícios na escola e
pouco usufruto social durante férias e descansos nos fins de semana e
feriados. Enfim, uma série de exigências naturais, para aqueles que
almejam a excelência, terão obrigatoriamente de serem atendidas.

Durante algumas de minhas consultorias, há por vezes, alguém a afirmar


que determinados atletas consagrados dizem não abrirem mão de uma vida
comum e com direito a noitadas e etc. Argumento da seguinte maneira; é
preciso checar se realmente isso é fato ou apenas um “jogo” de cena do (s)
atleta (s), se for verdade, avaliar o quanto ele (s) poderia (m) ser ainda
melhor (es) se tivesse (m) uma vida limitada e por último, será que esse
atleta faria o mesmo antes da consagração? Ou seja, pensaria e agiria da
mesma forma quando era jovem e apenas um aspirante ao
profissionalismo? Não sei!

Para terminar, gostaria de registrar que talento não é uma dádiva em si, é,
na verdade, uma possibilidade peculiar e especial que as pessoas têm para
manifestar toda sua energia. As conquistas que poderão advir é resultado de
luta e muita dedicação. Descobrir qual é o nosso talento em potencial e
colocá-lo no rumo certo, para triunfarmos, é um grande desafio para todos;
todavia vale lembrar um dito popular chinês que diz: “No mundo, há
sucesso para todo mundo!”.

14. 10 razões para fazer atividade física e o que fazer


para ter uma ótima motivação
por Renato Miranda

Muitas vezes pessoas me procuram para obter “dicas” para iniciar e/ou
manter-se em um programa de exercício físico. Em linhas gerais explico
que para descobrir o quanto é valioso se exercitar, nós devemos pensar em
três palavras: necessidade, satisfação e auto-realização.

Quando temos em nossa mente de forma clara e objetiva alguma


necessidade, mobilizamos toda nossa energia para tentar satisfazê-la. Como
conseqüência, quando satisfazemos uma necessidade ocorre um forte
sentimento de auto-realização. Todo esse processo, que culmina na auto-
realização, nos faz bem e gera prazer e logo nos motivaremos a repetir ou
procurar comportamentos relacionados à auto-realização.

Depois dessa breve explicação, voltemos ao desafio inicial:

“Como me motivar para iniciar e manter o meu programa de


exercícios físicos?”

Embora os benefícios psicofísicos de um programa regular de exercícios


físicos já estejam quase que totalmente divulgados e muitas vezes
entendidos pelas pessoas. O primeiro passo é avaliar se temos claro em
nossa mente o quanto nós necessitamos de exercícios para termos saúde.

Ao considerar a motivação como energia pessoal que dá início, sustenta e


integra o comportamento do ser humano, fica fácil entender que é a
motivação que nos impulsiona em direção aos nossos objetivos, e em
conseqüência, se não há motivação, não há como iniciar algum desafio.

Para que a motivação para a prática de exercícios físicos seja despertada,


necessário se faz mobilizar as necessidades da pessoa. Admitimos que
necessidades sejam tudo aquilo que é importante para alguém. Em seguida
(e isso pode levar algum tempo), o interesse da pessoa por exercitar-se irá
surgir espontaneamente. Isso porque interesse é uma relação de
conveniência estabelecida entre o objeto (ou fenômeno) capaz de satisfazer
uma necessidade e a pessoa que busca determinada satisfação.

Elementos de uma boa saúde psicofísica

10 razões para fazer uma atívidade física

Assim sendo, quando alguém descobre que uma boa saúde psicofísica é
traduzida como:

1ª) Tendência de inoculação de vários tipos de doenças orgânicas (pressão


alta, diabetes e outras);

2ª) Melhor disposição física para as atividades do dia-a-dia;

3ª) Melhor força muscular;

4ª) Estética corporal “atlética”;


5ª) Regulação do sono;

6ª) Recuperação mais rápida dos esforços rotineiros;

7ª) Auto-imagem positiva;

8ª) Maior autoconfiança; otimismo frente os desafios;

9ª) Regulação do humor,

10ª) Sentimento freqüente de recompensa, e muitos outros que poderiam


esgotar esse texto.

Com esses elementos a pessoa tende a avaliar um programa de exercícios


físicos como o “objeto” que irá satisfazer sua (s) necessidade (s). Com isso,
terá grandes possibilidades de iniciar um comportamento motivado para a
prática e manutenção de um programa regular de exercícios físicos e tudo o
mais que for necessário para se manter saudável, longe de doenças e feliz
com seu corpo.

Ao dar continuidade aos primeiros passos de um comportamento motivado,


é fundamental sustentá-lo e integrá-lo aos fatores extrínsecos (ambientais)
juntamente com os fatores intrínsecos (pessoais). Significa então, que um
forte apoio profissional e de alta qualidade pessoal e profissional devem
fazer parte desse desafio - manter-se em boa forma psicofísica.

Além disso, um ambiente seguro, agradável e com infra-estrutura


compatível com os objetivos favorecem um bom nível de motivação. Por
outro lado, tudo o que for feito em termos de treinamento deve ter uma
conseqüência positiva em relação aos objetivos pessoais. E mais, a partir do
momento em que cada etapa ou meta for atendida outros desafios precisam
ser vislumbrados e/ou mobilizados para que a motivação não perca
intensidade.

Nível de prazer é fundamental

Outro fator que deve ser considerado fundamental é o nível de prazer que a
pessoa usufrui praticando determinada atividade. O desenvolvimento do
prazer certamente levará a pessoa (atleta ou praticante de exercícios físicos)
a melhor suportar o processo de treinamentos, conseqüentemente um
melhor rendimento será observado. A melhoria constante desse rendimento
aumenta a percepção do nível de conquistas pessoais e leva a pessoa a obter
um maior nível de fatores intrínsecos e extrínsecos da motivação.
O que fazer para ter uma ótima motivação?

Para uma ótima motivação a fim de melhorar o rendimento nos programas


de treinamento esportivo e exercícios físicos aconselho seguir os seguintes
passos:

1º) Ter a clara percepção que seu esforço é produtivo. Ou seja, sua
dedicação à atividade vale a pena;

2º) Manter sempre uma ótima concentração na tarefa. Quanto melhor


concentrado maior é a tendência de se manter motivado;

3º) Estabelecer objetivos claros de desafios e compatíveis com a


capacidade psicofísica pessoal;

4º) Desenvolver autocontrole. Tanto no aspecto de controle da excitação


emocional como no controle de execução da tarefa, em outras palavras
dominar a exigência motora com calma.

15. Como lidar com o sofrimento no dia-a-dia


por Renato Miranda

Tanto atletas amadores e profissionais com uma rotina árdua de treinos e


competições, como as demais pessoas que têm um ritmo de vida intenso
fazem parte de um grupo social em que seu bom rendimento constante é
condição básica para manter seu padrão de bem-estar.

Portanto, treinamentos, pressões externas como as da instituição que


representa mídia, família, torcida e pressões internas como expectativa
pessoal, preocupações, assimilações de críticas e outras formas de pressões
fazem com que a dinâmica de trabalho do atleta, seja cada vez mais
sofisticada com o propósito de resistir às demandas psicofísicas do dia-a-
dia.

Por mais que o atleta (ou indivíduo com intenso ritmo profissional), seja
preparado, é fundamental que fora de sua atuação – treinamento e
competição – em sua rotina destinada à vida particular, desenvolva
processos de comportamentos que possam inocular ou, na pior das
hipóteses, auxiliá-lo a manter uma ótima condição psicofísica de bem-estar.
Esse bem-estar (caracterizado pela harmonia biopsicossocial) é na verdade
conhecido como estado funcional do organismo para a manutenção da
saúde e do desenvolvimento das atividades pessoais do dia-a-dia.

Nesse texto, proponho alguns passos simples de entender e nem sempre


fácil de serem colocados em prática, mas possíveis, se a persistência for
exercitada. São eles: Não sofrer, manter sempre o bom humor e recuperar
as forças a tempo de uma nova tarefa. Falarei agora sobre o primeiro.

Não sofrer

O primeiro pensamento que nos ocorre quando dessa assertiva vem em


forma de pergunta: Como não sofrer? Se o sofrimento é uma característica
da vida do homem e que surge, por vezes de forma inesperada, seja através
de uma doença, incidente ou simples aborrecimento. No entanto o sofrer
que me refiro não é o sofrimento inevitável, como por exemplo, a perda de
uma amizade ou uma intercorrência grave qualquer. Estou me referindo ao
sofrimento “banal” do dia-a-dia: uma “fechada” no trânsito, a camisa que
você gostaria de vestir e não achou uma crítica que recebeu de alguém,
uma “birra” do filho logo de manhã, e outros acontecimentos corriqueiros
que não têm conseqüência concreta nenhuma em nossas vidas e mesmo
assim sofremos, mesmo que por um instante.

Para entender ainda melhor o que quero dizer com o não sofrer faça o
seguinte exercício mental:

Tente lembrar de algo corriqueiro que te aborreceu e/ou causou sofrimento,


nesse mesmo período o ano passado, possivelmente você não se lembrará.
No entanto, provavelmente alguém ou algum fato lhe “tirou do sério” ou
algo do tipo, e você sofreu por isso. Esse exercício bastará para aceitarmos
que não vale a pena sofrer por algo que não nos ameaçará ou prejudicará
concretamente. Ademais, observe o que acontece quando sofremos:

Quando sofremos, todos nossos órgãos e sistemas funcionam mal. Há


espasmos cardíacos, os músculos ficam debilitados e a respiração
dificultada. Interessante notar que os espasmos cardíacos (contrações
repentinas do músculo cardíaco com duração e intensidade variáveis) nem
sempre são percebidos, pois não são constantemente intensos, no entanto
eles (os espasmos) estão acontecendo e nos prejudicando.

Da mesma maneira acontece com a debilitação dos músculos e nossa


respiração dificultada, nós não conseguimos perceber apesar do nosso
organismo absorver todo esse malefício. Possivelmente alguma dor
muscular “injustificável” ou um cansaço exacerbado no final do dia, sejam
conseqüências de sofrimentos que poderiam ser facilmente evitados.

A seguir algumas dicas para evitarmos o sofrimento do dia-a-dia:

1) Avalie se aquilo que te faz sofrer é fruto apenas de uma ameaça ou


acontecimento social (ex. uma pessoa que evitou cumprimentá-lo, uma
atitude de desprezo de um colega, etc.). Se for o caso, simplesmente,
esqueça!

2) Sabemos que é difícil tirar o sofrimento de nossa mente, então tente


substituir seu pensamento com imagens agradáveis ou acontecimentos
passados com conteúdo positivo e de alegria.

3) Desvie seu olhar e desfoque seu pensamento do motivo principal que


gera o sofrimento.

4) Envolva-se intensamente com suas atividades profissionais (em nosso


caso, os atletas devem fazer seus exercícios físicos de maneira altamente
concentrados).

5) Experimente exercícios de relaxamento utilizando a criação de imagens


mentais e respiração.

Técnica de respiração de Lindemann

- Inspirar profundamente;

- Expirar profundamente sem fazer nenhum intervalo entre a inspiração e


expiração;

- Fazer logo após a expiração completa uma apnéia de 2";

- Após a apnéia, reiniciar o ciclo, no entanto o tempo de apnéia deverá ser


de 4";

- E assim sucessivamente (de 2 em 2 segundos) até chegar a uma apnéia de


8";

- Término do ciclo;
- Repetir o ciclo por 3 vezes.

A imagem mental pode ser qualquer imagem que concretamente trouxe ou


remete a um estado de alegria e tranqüilidade como uma cena na natureza;
um acontecimento; uma pessoa que te leve a sentir esse tipo de
tranqüilidade, etc

6) Lembre-se: o que está te fazendo sofrer hoje, possivelmente em pouco


tempo não terá nenhum significado para você.

No próximo texto daremos nosso segundo passo para um bom nível de


saúde cíclica: manter sempre o bom humor!

16. Para enfrentar um dia-a-dia exigente, é preciso


manter o bom humor; saiba como
por Renato Miranda

Essas dicas valem tanto para atletas como para qualquer pessoa que tenha
uma jornada diária exigente

Na segunda parte desta série de textos sobre bem-estar (caracterizado pela


harmonia biopsicossocial), conhecido como estado funcional do organismo
para a manutenção da saúde e do desenvolvimento das atividades pessoais
do dia-a-dia, escreverei sobre o segundo passo: manter sempre o bom
humor. Lembro a todos que esse estado de bem-estar no cotidiano do atleta
é fundamental para que ele desenvolva suas atividades em excelente nível
de rendimento. E isso serve para todos aqueles que enfrentam uma jornada
diária exigente.

Quando o atleta consegue manter o bom humor, nas diversas situações do


dia-a-dia, ele sente seus músculos mais fortes, seus órgãos funcionam
melhor, não há espasmos cardíacos, sua respiração é mais eficiente. Mesmo
em regime de competição, no qual a alta tensão emocional e o alto desgaste
físico estão presentes, é preciso manter o bom humor, pois a competição
deve ser encarada como divertimento.
O bom humor funciona como um elemento básico para a manutenção do
otimismo perante os desafios que todo atleta se submete quase diariamente.
Somente com freqüente bom humor é que se poderá encontrar a presença
do otimismo, que por sua vez agirá como grande motivador. Em resumo,
estar de bom humor é estar equilibrado emocionalmente.

Pode-se dizer que essa é a parte teórica desse importante passo para um
bem-estar desejado no dia-a-dia do atleta e de todos nós. A parte prática
funciona basicamente em promover os pré-requisitos psicofísicos para a
manutenção do bom humor.

É senso comum que uma boa alimentação, exercícios físicos e uma boa
noite de sono são bases para quase tudo que pretendemos atingir em termos
de saúde. Mas, além disso, para manter o bom humor é necessário exercitar
o comportamento frente às diversas circunstâncias diárias: desde o
tradicional bom dia que damos à primeira pessoa que encontramos no
treino (ou trabalho) até a maneira como estamos preparados para interpretar
uma situação desagradável qualquer.

Portanto, a manutenção do bom humor depende também de ações que


fazemos constantemente frente aos acontecimentos diários e elas (as ações)
se forem positivas criam um mecanismo inoculador do mau humor e do
sofrimento banal.

Oito dicas para manter o bom humor no dia-a-dia

Independentemente de acontecimentos pessoais, quando encontrar-se no


ambiente de treino (trabalho), com colegas (técnicos, atletas, etc.) exercite
a mais alta educação sorria e abrace as pessoas.

1. Por mais exigente que seja a modalidade esportiva o técnico não


deve ser grosseiro e tampouco menosprezar o atleta.

2. Técnicos não devem xingar o atleta. O perfil do técnico brucutu está


superado.

3. Atletas e técnicos devem exercitar a formalidade no tratamento


pessoal. Formalidade não que dizer distanciamento ou relação
pernóstica, mas, sobretudo, criar ambiente para o exercício da boa
educação e respeito. O esporte já tem uma característica informal
muito grande por natureza. Portanto, essa informalidade tem que ser
mediada pela formalidade.
4. Quanto mais se envolverem com alegria durante os treinamentos, os
atletas terão menos possibilidades de reclamar e mais chances de se
sentirem recompensados.

5. Quando em tristeza, antes de qualquer reação, pense um pouco no


ritmo da natureza. Nenhuma noite dura para sempre e como diz o
velho dito popular, depois de cada tempestade vem a bonança.

6. Técnicos não podem perder a chance de elogiar o atleta, quando esse


elogio for merecido. O elogio faz bem à alma das pessoas e gera
confiança e tranqüilidade.

7. Colegas podem a todo instante, exercitar o altruísmo (se colocar no


lugar do outro e oferecer tudo de bom em benefício do próximo sem
quere nada em troca).

Essas dicas comportamentais permitem criar uma base sólida para o


constante bom humor e este auxiliará no próximo passo: restabelecer as
forças a tempo de uma nova tarefa. Mas isso é conversa para o próximo
texto.

Essas dicas valem tanto para atletas como para qualquer pessoa que tenha
uma jornada diária exigente

Na segunda parte desta série de textos sobre bem-estar (caracterizado pela


harmonia biopsicossocial), conhecido como estado funcional do organismo
para a manutenção da saúde e do desenvolvimento das atividades pessoais
do dia-a- dia, escreverei sobre o segundo passo: manter sempre o bom
humor.

Lembro a todos que esse estado de bem-estar no cotidiano do atleta é


fundamental para que ele desenvolva suas atividades em excelente nível de
rendimento. E isso serve para todos aqueles que enfrentam uma jornada
diária exigente.

Quando o atleta consegue manter o bom humor, nas diversas situações do


dia-a-dia, ele sente seus músculos mais fortes, seus órgãos funcionam
melhor, não há espasmos cardíacos, sua respiração é mais eficiente. Mesmo
em regime de competição, no qual a alta tensão emocional e o alto desgaste
físico estão presentes, é preciso manter o bom humor, pois a competição
deve ser encarada como divertimento.
O bom humor funciona como um elemento básico para a manutenção do
otimismo perante os desafios que todo atleta se submete quase diariamente.
Somente com freqüente bom humor é que se poderá encontrar a presença
do otimismo, que por sua vez agirá como grande motivador. Em resumo,
estar de bom humor é estar equilibrado emocionalmente.

Pode-se dizer que essa é a parte teórica desse importante passo para um
bem-estar desejado no dia-a-dia do atleta e de todos nós. A parte prática
funciona basicamente em promover os pré-requisitos psicofísicos para a
manutenção do bom humor.

É senso comum que uma boa alimentação, exercícios físicos e uma boa
noite de sono são bases para quase tudo que pretendemos atingir em termos
de saúde. Mas, além disso, para manter o bom humor é necessário exercitar
o comportamento frente às diversas circunstâncias diárias: desde o
tradicional bom dia que damos à primeira pessoa que encontramos no
treino (ou trabalho) até a maneira como estamos preparados para interpretar
uma situação desagradável qualquer.

Portanto, a manutenção do bom humor depende também de ações que


fazemos constantemente frente aos acontecimentos diários e elas (as ações)
se forem positivas criam um mecanismo inoculador do mau humor e do
sofrimento banal.

Oito dicas para manter o bom humor no dia-a-dia

Independentemente de acontecimentos pessoais, quando encontrar-se no


ambiente de treino (trabalho), com colegas (técnicos, atletas, etc.) exercite
a mais alta educação sorria e abrace as pessoas.

8. Por mais exigente que seja a modalidade esportiva o técnico não


deve ser grosseiro e tampouco menosprezar o atleta.

9. Técnicos não devem xingar o atleta. O perfil do técnico brucutu está


superado.

10.Atletas e técnicos devem exercitar a formalidade no tratamento


pessoal. Formalidade não que dizer distanciamento ou relação
pernóstica, mas, sobretudo, criar ambiente para o exercício da boa
educação e respeito. O esporte já tem uma característica informal
muito grande por natureza. Portanto, essa informalidade tem que ser
mediada pela formalidade.
11.Quanto mais se envolverem com alegria durante os treinamentos, os
atletas terão menos possibilidades de reclamar e mais chances de se
sentirem recompensados.

12.Quando em tristeza, antes de qualquer reação, pense um pouco no


ritmo da natureza. Nenhuma noite dura para sempre e como diz o
velho dito popular, depois de cada tempestade vem a bonança.

13.Técnicos não podem perder a chance de elogiar o atleta, quando esse


elogio for merecido. O elogio faz bem à alma das pessoas e gera
confiança e tranqüilidade.

14.Colegas podem a todo instante, exercitar o altruísmo (se colocar no


lugar do outro e oferecer tudo de bom em benefício do próximo sem
quere nada em troca).

Essas dicas comportamentais permitem criar uma base sólida para o


constante bom humor e este auxiliará no próximo passo: restabelecer as
forças a tempo de uma nova tarefa. Mas isso é conversa para o próximo
texto.

17. Cansaço pode ser útil; saiba por quê


por Renato Miranda

Na terceira parte da *série de textos sobre bem-estar (caracterizado pela


harmonia biopsicossocial) escreverei sobre o terceiro passo para a
manutenção da saúde cíclica (estado psicofísico ótimo para a realização das
atividades cotidianas): restabelecer as forças a tempo (antes de uma nova
tarefa).

"A superação do cansaço é o Atletas e pessoas que buscam sua auto-


objetivo do esporte. Por isso, realização e, portanto, estão em constante
medidas de homeostase são atividade, naturalmente têm um grande
condições básicas para a auto- desgaste de energia em suas rotinas, o que
realização. Nesse ponto, não provoca uma desorganização no organismo
podemos confundir cansaço psicofísico. Essa desorganização é
com esgotamento" representada, por exemplo, pelo cansaço (e em
muitos casos, esgotamento) físico, mental, e
também emocional.

Homeostase

Este fenômeno é vivenciado constantemente e temos que aceitá-lo como


um processo natural da vida do ser humano, que pode (e deve) ser bem
administrado. Para tanto, é necessário uma atividade que seja mobilizadora
para manter ou reorganizar nosso equilíbrio corporal e mental (psicofísico).
Essa atividade é denominada homeostase. Ex. alimentação e descanso.

De princípio parece que estamos falando de algo muito óbvio: depois de


uma atividade física ou psíquica intensa, é fundamental o descanso, a
alimentação e a hidratação. No entanto, com as exigências para um alto
desempenho nos dias atuais em que a competição por melhoria de
resultados é constante, reorganizar (recuperar) as energias se transformou
para o atleta em algo não muito simples, e muitas vezes o mesmo acontece
em outras atividades da vida humana além do esporte propriamente dito.

Quando as forças não são restabelecidas a tempo para o início de uma nova
tarefa há uma queda inevitável de rendimento. Técnicos distraídos, ao invés
de permitirem uma recuperação adequada, aumentam ainda mais os
estímulos dos treinamentos em busca do desempenho desejado. Nesse caso,
é necessário refletir sobre o conceito de simultaneidade psicofisiológica, ou
seja, qualquer atividade pode carregar consigo tanto aspectos desgastantes
(entrópicos) quanto de (re) equilíbrio (homeostáticos).

Por exemplo:

A atividade física realizada por um atleta pode funcionar como um


excelente meio restaurador das forças e do equilíbrio do bom-humor. No
entanto, esta mesma atividade, com o decorrer da tarefa, irá provocar
desníveis ou desgastes enérgicos, tais como: a sede e o cansaço,
caracterizando um estado de entropia.

Então, é necessário favorecer um outro processo homeostático. Neste caso,


água para restabelecer o nível hídrico e descanso para recuperar as forças.
Este processo é contínuo e requer um sucessivo desdobramento de ações.
Ou seja, não se consegue ficar tomando água, nem descansando
indeterminadamente, caso contrário a homeostase perderá seu sentido.

Cansaço útil
Logo, o restabelecimento das forças é um processo de homeostase que
permite a facilitação da manutenção da qualidade de vida positiva do atleta.
É bom lembrar que o cansaço é útil para o atleta, porque ao superá-lo
utilizará as reservas energéticas do organismo proporcionando novas e
efetivas adaptações ao treinamento e, por conseguinte, melhores
desempenhos.

A superação do cansaço é o objetivo do esporte. Por isso, medidas de


homeostase são condições básicas para a auto-realização. Nesse ponto, não
podemos confundir cansaço com esgotamento. O esgotamento é prejudicial
ao organismo, pois, as células do cérebro que impulsionam os músculos são
as mais prejudicadas. A tarefa do técnico, então, é não fazer o cansaço do
treino passar ao esgotamento. O restabelecimento das forças, a tempo para
se fazer uma nova atividade, é tão importante que talvez seja por isso que
passamos um terço de nossas vidas dormindo.

18. Entenda o estado mental de fluidez: flow-feeling


por Renato Miranda

Quando um atleta está totalmente envolvido em sua atividade, com alta


motivação intrínseca, não sente o tempo passar e sua concentração é tão
intensa que ele não percebe a atividade separada de seu corpo, como se
fossem uma mesma coisa, possivelmente o atleta estará fluindo.

Flow-feeling - O flow-feeling é um Para esse fenômeno mental, um


sentimento que pode ser estudioso da Universidade de Chicago
experimentado em outras áreas da chamado Mihalyi Csikszentmihalyi,
vida como nas artes e no trabalho por após várias pesquisas na década de 70,
exemplo. Um músico no momento de com posteriores publicações nas
seu improviso, provavelmente estará décadas seguintes, deu o nome de
fluindo, pois ele não consegue pensar flow-feeling. Traduzido como
em mais nada além de sua ação sentimento de fluidez ou percepção de
(“tarefa”) e estará aliando habilidade fluidez, é também conhecido como,
(técnica e experiência musical) com o fluir fluxo, experiência ótima e
desafio de cada vez mais se superar experiência máxima, todavia a
tecnicamente e musicalmente, criando expressão flow-feeling ficou
frases cada vez mais sofisticadas consagrada no mundo.

No estado do fluir (flow-feeling), a consciência do atleta está totalmente


absorvida pela ação que qualquer tipo de outro pensamento ou emoção é
totalmente excluído.

Nesses próximos artigos trataremos das características do fluir. Para


começar escreverei sobre as seguintes dimensões:

1º) Equilíbrio, desafio e habilidade

No esporte toda atividade deve ser desafiante para o atleta, contudo ele
precisa ter potencial para realizá-la com sucesso. Desafios técnicos, táticos,
físicos e psicológicos precisam ser incluídos nos treinamentos e
competições buscando sempre elevar o nível de desempenho dos atletas.
Portanto, o desafio dos treinadores, a fim do atleta fluir, é equacionar o
grau de dificuldade da tarefa com a capacidade psicofísica do atleta.

Em outras palavras, é proporcionar atividades que exijam um devido


investimento de energia psicofísica e que não poderiam ser realizadas sem
as aptidões adequadas. Qualquer atividade contém uma gama de
oportunidades de ação ou desafios, que exigem aptidões relativas à sua
realização. Para aqueles que não possuem as aptidões devidas, a atividade
não é desafiadora; é apenas inexpressiva.

2º) Objetivos claros e feedback imediato

O atleta necessita receber retro informações internas (ex. pensamentos)


e/ou externas (ex. informações do técnico) sobre seu rendimento para poder
ajustar seus movimentos, ações, metas, intensidades, etc. Em outras
palavras, tentar com essas informações atingir o fluir.

É fundamental que o atleta desenvolva a percepção de que suas aptidões


são adequadas para lidar com desafios imediatos, para avaliar
constantemente seu desempenho. É o caso, por exemplo, de um jogador de
voleibol que durante um jogo recepciona a bola depois do saque do
adversário e sempre sabe o que fazer: seja passar a bola para o levantador e
correr para atacar uma bola rápida, ou passar a bola o mais preciso possível
para o levantador jogar com facilidade para o jogador ponta concluir a
jogada. Cada vez que ele executa um passe, sabe se o fez bem ou não.

O feedback imediato é um elemento claro para se alcançar o êxito. Atletas


que percebem, interpretam e avaliam seus próprios movimentos com tudo
aquilo que importa e está em torno da atividade, são capazes de manterem-
se concentrados (conectados) com o que estão fazendo e controlar-se em
direção aos seus objetivos.

3) Perda da autoconsciência

Quando o atleta passa a vivenciar uma liberação de preocupações sobre ele


mesmo, fica estimulado e energizado. Perceber estar bem preparado supera
preocupações comuns como “Será que estou bem para competir?” e “O que
pensarão de mim se eu for mal?”. Dessa maneira, todo o foco de atenção
estará voltado somente para a ação esportiva.

Em outras palavras, quando o atleta flui, ele está absorvido pela atividade.
Não há disponibilidade da atenção suficiente para que o atleta leve em
conta qualquer outro estímulo temporariamente relevante. Em outras
palavras, o atleta perde a percepção da consciência de si mesmo (posição
do corpo no espaço se está com fome, se está sujo, etc.). Em resumo, toda
sua energia é disponibilizada para a ação e, por conseguinte não há espaço
para se pensar em mais nada.

Não deixe de ler a próxima parte com as outras características do fluir no


esporte.

19. Entenda o estado mental de fluidez: flow-feeling -


Parte II
por Renato Miranda

FLOW- FEELING - "Ao No texto anterior, definimos o fenômeno do


vivenciar o fluir facilitamos fluir no esporte (flow-feeling) e as três
nossas realizações e o primeiras dimensões do fluir. O flow-feeling
desenvolvimento pessoal, tanto nos ajuda a entender o porquê de atletas
em relação às nossas realizarem certas tarefas em alto nível de
atividades (esportivas ou não!) concentração e motivação. Lembramos que
como no intuito de melhorar qualquer pessoa pode encontrar as mesmas
nossa qualidade de vida" possibilidades de fluir em atividades diversas,
embora nossa intenção particular seja focar o
esporte.
No texto de hoje trataremos das seguintes dimensões do fluir: concentração
na tarefa e fusão entre ação e atenção, perda da noção do tempo e controle
absoluto das ações, experiência autotélica e alegria espontânea e
experiência intrinsecamente compensadora.

1) Concentração na tarefa e fusão entre ação e atenção

Essa dimensão significa que o atleta percebe seus movimentos como se


estivessem fundidos em si mesmo, como se cada movimento fizesse parte
de seu corpo, em uma fusão corpo e mente. O atleta quando fluir na
perspectiva dessa dimensão tem o controle interno e total de seus
movimentos. Na verdade, ele realiza seus movimentos (gestos técnicos) e
comportamentos táticos sem perder tempo em pensar como fazê-los,
simplesmente os realiza da melhor maneira possível. Além disso, a
concentração do atleta não é abalada por ações externas (adversários,
arbitragem, torcida, etc.).

Isso explica porque atletas de alto desempenho executam movimentos e


realizam tarefas em condições extremas (ex. movimentos complexos e
perigosos na ginástica olímpica, arriscar um saque forçado em um tie break
de voleibol, correr velozmente na parte final de uma maratona, executar
uma jogada arriscada em uma final de campeonato de futebol e outros).
Parece que tudo ocorre de maneira automática e sem esforço psicofísico.
Na verdade, esse automatismo é o reflexo dessa fusão (ação – atenção) e
um equilibrado sentido de coordenação de movimentos.

2) Perda da noção do tempo

Durante o fluir o sentido de tempo tem pouca relação com a medida


absoluta como conhecemos (marcado pelo relógio). Nesse caso o tempo
incorpora outro significado. Por exemplo, uma partida de voleibol pode
parecer muito rápida para um atleta que esteja fluindo. O que de fato é
relevante é o ritmo ditado pela tarefa e não pelo registro do tempo
propriamente dito. Para você entender melhor, pense quando estava lendo
um livro (concentrado e motivado) ou assistindo um filme no cinema e ao
fim dessa experiência você não conseguiu perceber o tempo real em que
ficou envolvido. Para você se passaram apenas alguns minutos.

3) Controle absoluto das ações

Ao vivenciar a experiência do fluir, o atleta sente uma grande possibilidade


de controle sobre seu corpo, tornando-se confiante para realizar uma
determinada tarefa. Desta maneira, percepções de medo, fracasso e tensão
são simplesmente descartados.

A percepção de controle é típica do estado do fluir. Esta percepção é fruto


da falta de preocupação com a perda do controle. Isto se dá pelo fato da
autoconfiança que o atleta tem de suas habilidades (boas e concretas) para a
realização da tarefa e conseqüentemente pela dissipação dos pensamentos
negativos que o liberta do medo do fracasso. Em conseqüência, surge um
sentimento de poder, confiança e calma. Ou seja, um sentimento de poder
fazer tudo com harmonia e precisão e na intensidade emocional adequada.

4) Experiência autotélica: finalidade da experiência está em si mesma

O que caracteriza uma experiência autotélica é a finalidade. Ou seja, a


finalidade da experiência está em si mesma. As conseqüências ou
resultados não são objetos da concentração da pessoa. Toda energia
psicofísica despedida é liberada exclusivamente para a execução da
atividade. Isso não quer dizer que os objetivos a serem alcançados não
sejam importantes, acontece que o envolvimento (esforço) da pessoa com a
experiência não dá “espaço” em sua mente para preocupações com os
resultados futuros, com isso executar a tarefa presente é o que realmente
importa. As conseqüências serão naturalmente o produto desse esforço.

5) Alegria espontânea e intrinsecamente compensadora

O atleta que flui interpreta o processo de treinamento (treinar e competir) e


suas conseqüências, vencer e perder como eventos naturais do próprio
esporte. Ele é impulsionado a absorver os fatos com serenidade e investe no
aprimoramento de suas qualidades psicofísicas Alegria espontânea é sua
característica marcante e tudo aquilo que ele faz para seu desenvolvimento
pessoal é avaliado como compensador.

O atleta não se preocupa prioritariamente com recompensas externas (ex.


elogios e prêmios). Na verdade, tudo aquilo que é externo, é tratado como
uma conseqüência natural de seu envolvimento com o esporte. Por outro
lado, o resultado dessa alegria é a percepção dos acontecimentos esportivos
que geram alta pressão, medo, insegurança, raiva e outras emoções
negativas como um fenômeno a serem adaptados de maneira a não
repercutirem um comportamento indesejável. Em outras palavras, o atleta
absorve e diminui o impacto dessas emoções disfuncionais.

Para finalizar essa breve descrição sobre o fenômeno do flow-feeling,


poder-se dizer que ao vivenciar o fluir facilitamos nossas realizações e o
desenvolvimento pessoal, tanto em relação às nossas atividades (esportivas
ou não!) como no intuito de melhorar nossa qualidade de vida.

20. Entrevista: Como ser um atleta vencedor e como


vencer na vida a partir do esporte
por Angelo Medina

Renato Miranda: "Esporte favorece a vivência de diversas experiências


individuais e coletivas que auxiliam a formação de uma ótima
personalidade"

O dr. em Psicologia do Esporte Renato Miranda acaba de lançar o livro


Construindo um Atleta Vencedor (Editora Artmed) em parceria com
Maurício Bara também com doutorado na disciplina. Nesta entrevista ao
Vya Estelar, ele explica como o esporte pode ajudar uma pessoa a se tornar
vencedora na vida. Ele fala sobre motivação, concentração, preparação
psicofísica e flow-feeling - o estado mental de fluir na vida e no esporte.

Renato dá conselhos para os atletas brasileiros que irão disputar os Jogos


Olímpicos de Pequim, fala sobre a condução de vida e carreira tanto para
atletas amadores como veteranos, sobre o preparo físico e mental do atleta
brasileiro e dopping.

Vya Estelar – Por que escrever um livro com essa abordagem sobre a
elaboração de um atleta vencedor?
Renato Miranda – Nossa idéia original foi a de promover um
conhecimento em esportes que ultrapassa os âmbitos tradicionais do
treinamento esportivo, embora não os neguemos. É levar ao leitor conceitos
e vivências relacionados com o bem-estar do ser humano sem desprezar o
desempenho atlético. atleta vencedor para nós, é aquele que se envolve
com os valores humanos positivos durante sua formação profissional.

Vya Estelar - De que forma o esporte (e atividade física) podem ajudar


uma pessoa a se tornar vencedora na vida?

Renato Miranda – Vencer na vida para nós é investir no difícil


treinamento da vida interior do ser humano, a fim de harmonizar emoções e
conseqüentemente harmonizar sua vida perante os outros e contribuir,
através de suas ações, para um mundo melhor. Nesse sentido, o esporte e a
atividade física funcionam como um excelente instrumento dinamizador
dessas possibilidades reais.

Vya Estelar – Neste objetivo há diferença - (mais ou menos eficiência - em


relação a esportes individuais e coletivos?

Renato Miranda – Na verdade a raiz esportiva é a mesma, tanto para


esporte individual como coletivo. Ou seja, o esporte existe para nos auxiliar
na construção de uma personalidade socialmente desejável e providenciar
divertimento para uma vida melhor. O esporte pode auxiliar a nos
tornarmos nobres.

Vya Estelar – De que forma o esporte nos transforma em pessoas


emocionalmente ou psicologicamente melhores?

Renato Miranda - O esporte favorece a vivência de diversas experiências


(individuais e coletivas) que auxiliam a formação de uma ótima
personalidade. Ou seja, treinamentos, competições, viagens, eventos locais,
nacionais, internacionais... enfim, tudo isso auxilia o amadurecimento
emocional através de tensões, alegrias, tristezas, sucesso, frustrações e
outras experiências vivenciadas que exigem participação, envolvimento,
tomada de decisões, companheirismo, enfrentamento de desafios e muitas
outras oportunidades de manifestação pessoal que é pertinente ao ser
humano.

Esporte é metáfora da vida

O esporte auxilia as pessoas a se tornarem nobres porque funciona como


uma metáfora da própria vida e, portanto, desde cedo uma pessoa aprende
que os valores pessoais positivos como honestidade, reconhecimento e
solidariedade entre outros, são aquilo que realmente marcam nossa
existência. Decerto, há sempre alguém a afirmar que isso tudo é bobagem,
pois no esporte profissional vemos atitudes totalmente discrepantes a tudo
isso e, no entanto, são atitudes que não evitam o sucesso e a glória. Em
minha opinião tal fato não é regra é exceção, ademais como eu disse, o
esporte favorece a construção desses valores (nobreza), mas não possui
certificado de garantia.

O primeiro passo para que o esporte nos traga esse benefício está na
iniciação esportiva e durante a especialização - fase que coincide com a
pré-adolescência e a adolescência propriamente dita. Se nesse momento o
esporte for liderado por uma pessoa de alta qualidade pessoal e
profissional, é bem possível que o esporte sirva como instrumento de
formação de personalidades de alto nível. Não é à toa que em nosso livro
há um capítulo que se dedica ao esporte infanto-juvenil.

Vya Estelar - Na correria dos dias hoje como uma pessoa deve fazer para
motivar-se a iniciar uma atividade física e depois mantê-la?

Renato Miranda – Costumo dizer o seguinte em meus escritos sobre esse


assunto: Tudo que nós consideramos importante em nossa vida, nós
valorizamos e conseguinte nos interessamos (providencia a motivação!).
Muito bem, quando aceitamos que nossa saúde psicofísica é o que de mais
valioso possuímos e é na atividade física e esportiva que encontramos uma
de suas bases, logo nada mais interessante do que um bom programa de
atividades esportivas /ou físicas. Ou seja, o comportamento esportivo gera
motivação porque vai ao encontro de nossos interesses pessoais de bem-
estar.

Vya Estelar – O que é a experiência do fluir (flow-feeling), o que ela


possibilita e o que é necessário para vivenciá-la?

Renato Miranda – Vou tentar sintetizar a resposta a essa pergunta, que no


livro foi feita em um capítulo, pois, é um tema muito intrigante, altamente
sofisticado e novo nos estudos sobre esporte e comportamento humano. O
flow-feeling é um estado mental em que as pessoas parecem fluir, quando
mostram um esforço produtivo e motivado. No estado de flow (fluir) a
pessoa realiza tarefas com alto grau de desempenho, associado às várias
emoções relacionadas a comportamentos positivos funcionais. O fluir
possibilita realizações e o desenvolvimento pessoal, tanto no esporte como
na vida de modo geral. Além disso, cria autoconfiança e harmonia, gera
satisfação, motivação, libera energia psíquica e entre outras possibilidades
a vida se torna mais dinâmica, mais envolvente e significativa. Para a
pessoa fluir basicamente é preciso: relacionar a estrutura da atividade à
habilidade do atleta (pessoa!), oferecer percepção de descoberta,
impulsionar o atleta para padrões mais elevados de desempenho e ampliar
aptidões para um nível de consciência jamais imaginado pelo atleta.

Vya Estelar – É possível atingir a vitória em competições sem a


experiência do fluir?

Renato Miranda – Essa é uma pergunta que alguns pesquisadores


americanos e australianos vêm tentando responder nos últimos anos.
Embora as pesquisas ainda não sejam conclusivas, têm-se detectado que há
uma grande possibilidade dessa hipótese ser confirmada. Portanto,
possivelmente quando atletas conquistam sucessos concretos o flow-feeling
está presente.

Vya Estelar – Até que ponto a concentração influencia no desempenho de


uma atleta numa competição? Tem como melhorá-la?

Renato Miranda – Em nosso capítulo sobre concentração no esporte há o


seguinte destaque sobre a importância da concentração e o desempenho
atlético: o investimento na melhoria da capacidade de concentração é pré-
requisito para se obter sucesso em um nível de exigência qualquer e,
principalmente, no alto rendimento esportivo. Assim, podemos concluir que
tudo aquilo que queremos fazer com alta qualidade só é possível se
disponibilizarmos nossa concentração.

Técnicas para melhorar a concentração

Ela é (a concentração) nossa melhor energia para melhorarmos nossa


qualidade de execução de tarefas. Sendo assim, propomos que é possível
melhorar a concentração desde que, de princípio, atentemos para os
seguintes fatores:

- Ter um bom nível de autoconhecimento;

- Reconhecer estratégias e táticas variadas de atuação;

- Controlar interferências do meio ambiente;

- Memorizar um amplo repertório de tomadas de decisão e detectar detalhes


que precisam ser focalizados com o máximo de atenção

Vya Estelar – O que você aconselha aos atletas brasileiros para lidar com o
estresse e a ansiedade nos Jogos Olímpicos em Pequim?
Primeiro: Lembrar que o esporte existe para divertir as pessoas, portanto,
o atleta de alto nível precisa entender que mesmo sendo profissional, o
produto de seu esforço é o divertimento, logo, disputar as competições com
alegria, entusiasmo, satisfação e motivado. Aceitar que a tensão faz parte
do ”jogo”, aliás, se você retira a tensão da disputa ela fica sem graça. Em
outras palavras, nos Jogos Olímpicos quanto mais presente o elemento
competitivo, mais apaixonante será a disputa;

Segundo: Fazer durante o descanso, exercícios de mentalização e


relaxamento;

Terceiro: Acreditar em seus treinamentos e técnico (gera autoconfiança e


com isso inocula os efeitos negativos do estresse e a ansiedade);

Quarto: Mobilizar todos seus esforços (físicos, mentais e emocionais) até o


fim da competição.

Vya Estelar – Como você avalia hoje o preparo psicológico do atleta


brasileiro frente à condução de sua carreira, treinos e competições? Existe
algum elemento que precisa ser mais aprimorado?

Renato Miranda – Contrário ao que muitos pensam o atleta brasileiro não


deve nada aos outros em termos de pré-requisitos psicológicos. O problema
é que nossos atletas não treinam a parte psicológica, é como se fosse uma
questão de menos valor em relação à parte física, técnica e tática. Na
verdade, todos esses conteúdos, por si só, contêm aspectos psicológicos
fundamentais para seu desenvolvimento. Em resumo, falta aos nossos
atletas treinamento psicológico de qualidade, permanente e coerente com a
atuação do atleta, ou seja, treinos que realmente tenham conseqüências
positivas na melhoria do desempenho esportivo.

Vya Estelar – Para os atletas profissionais em - ascensão e veteranos – qual


conselho você daria para cada um deles em relação à condução de
vida/carreira?

Renato Miranda – Para esses atletas dou o seguinte conselho: a liberdade


de escolha que eles tiveram em ter uma vida de atleta, naturalmente impõe
limites em suas vidas. Aceitar esses limites é saber viver melhor suas
carreiras. Naturalmente um atleta de alto desempenho deverá ter uma vida
social limitada e disciplinada. Toda profissão para se ter sucesso exige
sacrifícios, aceitá-los conscientemente e feliz é dar passos para vitórias. E
sempre é bom lembrar, a carreira esportiva é curta!
Vya Estelar – Quer dizer então que tanto iniciantes como veteranos devem
conduzir vida/carreira do mesmo modo?

Renato Miranda – Sem dúvida. É claro que um veterano (profissional)


tem maior responsabilidade porque ele acaba sendo um modelo para os
mais jovens, mas desde a tenra idade valores como disciplina, liberdade e
limite devem ser estimulados. Afinal de contas, com perdão da metáfora, é
na raiz de uma árvore que a qualidade de um fruto é definida, embora a raiz
esteja no subsolo. Isso talvez explique as atitudes (boas ou ruins) de muitos
atletas adultos. Muitas vezes a explicação está lá na raiz (iniciação) A
diferença básica do esporte infantil para o profissional está em sua
dimensão, mas as emoções e valores pessoais envolvidos estão presentes
em ambas as situações.

Vya Estelar - Sabemos que o dopping é uma praga. De que forma o atleta
pode se motivar para não recorrer a essa prática ou não ser influenciado em
utilizá-la?

Renato Miranda – Conscientizá-lo de que não basta vencer, é preciso que


seja de maneira correta, sem ferir regras esportivas. É fazer o que tem de
ser feito da forma tecnicamente perfeita e de maneira limpa. Atletas que
sabem encarar os adversários considerando seus próprios limites e
reconhecer a realidade tendem a construir uma ética relacionada ao espírito
universal do esporte. Ou seja, acreditam que só se atinge o sucesso
pretendido por meio das vias legítimas e isso é exatamente o que se
convencionou chamar de fair-play. (jogo limpo, em inglês).

Por fim, uma coisa é certa: o doping no esporte de alto nível cria nos
torcedores e adversários a realidade do engano e para o atleta dopado a
fantasia de um sucesso que na verdade é uma grande mentira. Uma mentira
sem graça!

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física
da UFJF e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

Fonte: vya estelar


http://www1.uol.com.br/vyaestelar/psicologiadoesporte_artigos.htm
Maio de 2008 –
21. Atletas profissionais e famosos têm direito a
'baladas'?
Psicologia do Esporte
Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar

por Renato Miranda,

"Atletas em formação, amadores ou profissionais não deveriam


participar das ditas 'baladas' e sim, se preservarem o máximo possível,
pois, o desempenho esportivo está intimamente ligado com o estado físico
e psicológico do atleta. Assim sendo, descanso e conservação de uma
rotina social amena são pré-requisitos essenciais na vida esportiva que
visa níveis superiores de rendimento"

Freqüentemente pessoas me perguntam sobre acontecimentos que


envolvem atletas de futebol profissional fora dos gramados. Jogadores
famosos, talentosos e com sucessos reconhecidos pela mídia, torcedores e
órgãos internacionais do esporte como a FIFA, por vezes, são objetos de
de discussões a respeito da vida noturna ('baladas') e fatos relacionados a
esta: bebida, mulheres, supressão de sono e outros.

Em todos os casos divulgados pela mídia a questão central é se na vida


pessoal do atleta e em suas horas de folga é pertinente fazer tudo que se
queira, como beber, dormir tarde, etc. Ou se, por outro lado, ter uma vida
regrada e limitada socialmente é recomendado.

Alguns atletas se gabam quando contam suas 'escapadas' e aventuras


noturnas e afirmam que nada disso prejudica seus desempenhos. Além
disso, quando algum imprevisto acontece nessas horas (por exemplo,
punição do clube ou desgaste da imagem pessoal pela mídia), esses
mesmos atletas afirmam que têm o direito de fazer o que quiserem em suas
horas de folga.

Minha opinião a respeito dessa situação muito freqüente hoje em dia, não
se restringe àquilo que é certo ou errado ou se é de direito do atleta ou não
fazer o que bem entende em sua vida privada. Minha abordagem é a
respeito das relações psicofísicas do comportamento humano e o
desempenho atlético. Em outras palavras: proteção da saúde física,
desempenho esportivo, amadurecimento pessoal, preparação mental,
modelo de comportamento social desejável e valor do esporte para formar
gerações de atletas e pessoas melhores em todos os sentidos possíveis.

Portanto, em minha opinião não resta dúvidas: atletas em formação,


amadores ou profissionais não deveriam participar das ditas 'baladas' e sim,
se preservarem o máximo possível, pois, o desempenho esportivo está
intimamente ligado com o estado físico e psicológico do atleta. Assim
sendo, descanso e conservação de uma rotina social amena são pré-
requisitos essenciais na vida esportiva que visa níveis superiores de
rendimento.

Rigor, alto padrão e competição

De princípio, pode parecer muito rigor. No entanto, se formos observarmos


o mundo ao lado do esporte competitivo, veremos que em todo setor da
vida em que desempenhos de alto padrão são esperados de pessoas de alta
qualidade, essas mesmo acabam por ter, digamos, uma vida mais limitada
em termos sociais e distantes de determinados “exageros”, como ficar na
noite até altas horas e muitas das vezes, animada pelo álcool. Portanto, tal
como atletas, professores, médicos, jornalistas, aeronautas, pesquisadores e
outros tantos profissionais, precisam de seus corpos e mentes sempre em
ótimo estado, prontos a atenderem a demanda da sociedade e suas próprias
expectativas.

Por outro lado, no caso de atletas profissionais, fama, dinheiro,


reconhecimento e influência exigem uma contrapartida natural em relação
ao comportamento social. Chega ser certa imaturidade, aquele atleta que
quer usufruir de tudo isso e além do mais querer ter uma vida social como
qualquer assalariado e cidadão desconhecido. A fama e o dinheiro impõem
administração e aceitação de certos sacrifícios, um deles é não poder
aproveitar as vantagens de ser desconhecido pela multidão.
Ser livre é ser limitado

"A partir do momento que eu tenho a total liberdade de escolher a minha


profissão ao fazê-lo, coloco limites em minha vida. Portanto, quando eu
aceito os limites da vida que eu próprio escolhi (livremente!), eu consigo
viver com mais liberdade"

Por todas essas circunstâncias, aquele que escolhe o esporte como


atividade e/ou carreira deveria aprender desde cedo que se quer praticá-lo
intensamente pode preparar-se para viver uma rotina de limitações e certo
isolamento.

E isso também não é difícil explicar: basta entender que ser livre é ser
limitado. Parece um paradoxo, mas na verdade não é, pois, a partir do
momento que eu tenho a total liberdade de escolher a minha profissão ao
fazê-lo, coloco limites em minha vida.

Portanto, quando eu aceito os limites da vida que eu próprio escolhi


(livremente!), eu consigo viver com mais liberdade. Para tanto, o exercício
da autodisciplina é fundamental para vivenciar esse sofisticado “jogo” da
vida. Caso contrário, se a pessoa partir do princípio que pode fazer tudo o
que quiser sem considerar os limites daquilo que ela própria escolheu (em
nosso caso, uma profissão), então viverá em permanentes conflitos internos
e sociais, em um processo desgastante e ao mesmo tempo inútil, pois
sempre estará insegura e/ou insatisfeita.

'Bad boy' e mentiras

Alguns atletas, depois de ganhar fama e muito dinheiro afirmam que a vida
noturna, a bebida e tudo o mais, não o prejudicaram em nada. No entanto,
nunca escutei um atleta em formação ou batalhando para ser alguém na
vida dizer o mesmo. Na verdade, acredito que esse é um discurso para
angariar certa imagem de rebelde, onipotência ou simplesmente mostrar
que pode ser diferente. E em alguns casos, esses mesmos atletas famosos,
agem como adolescentes imaturos e inventam certas “aventuras” que
possivelmente nunca aconteceram. Ademais, atletas que julgam não serem
prejudicados por comportamentos sociais incompatíveis não percebem que
poderiam obter muito mais sucesso e glória se se comportassem como
atletas de fato.

Além de tudo isso, a questão do compromisso social é muito séria. Atletas,


admitindo ou não, sempre serão modelos para as crianças e adolescentes
em formação. Embora, alguns atletas façam questão de afirmar que não
querem ser modelos de nada. Na verdade, aceitar essa situação é um dever
social do atleta que em contrapartida recebe uma remuneração, que é
inimaginável pela maioria da população. Em outras palavras, é um retorno
que o atleta dá principalmente aos jovens.

Alguém pode dizer: mas o atleta tem que ter um comportamento social
irretocável? Não pode cometer deslizes como qualquer um? Não é bem
assim, claro. Muito pelo contrário, é simplesmente saber que a atividade
esportiva é incompatível com a vida noturna e que atletas famosos e
endinheirados podem perfeitamente ter uma vida mais recatada sem muitos
sacrifícios. Afinal de contas, ser famoso e rico e ainda por cima querer
viver socialmente como o “João” da esquina é demais, não é mesmo?

A conscientização de que a vida esportiva impõe naturalmente certos


limites na vida, principalmente sociais, é adquirida a partir do esporte
infanto-juvenil, quando noções de desenvolvimento próprio, saúde,
desempenho e ética são aprendidos com técnicos e professores de alta
qualidade profissional e pessoal. Se não for assim, possivelmente vamos
escutar por algum tempo muitas tolices a respeito de comportamento
atlético fora do esporte.

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física
da UFJF e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

Livro lançamento:
Renato Miranda e Maurício Bara
'Construindo um Atleta Vencedor'- Editora Artmed

Fonte:
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/psicologiadoesporte.htm
22. Competências essenciais ao treinador de jovens
desportistas
por Renato Miranda

Muito se diz sobre a importância da fase de inicial e formativa de jovens no


esporte. Os momentos da iniciação, formação e posteriormente da
especialização no esporte combina com a fase da vida que vai desde a
infância até o final da adolescência, por volta dos 18 anos. Portanto, um
período de grande importância na vida de qualquer pessoa,
independentemente se o jovem seguirá carreira esportiva ou não. Assim
sendo, a participação dos profissionais do esporte nesse momento da vida
de garotos (as) é de suma importância.

Como proposta para o sucesso eu proponho aos especialistas do esporte, as


seguintes dicas que poderão auxiliar suas funções nos diferentes momentos
da vida dos jovens esportistas:

1ª) Ser bom modelo de comportamento e liderança para os jovens


atletas

Naturalmente aquele que inicia ou já possui certa vivência no esporte,


necessita de apoio e referência de comportamento que o estimule a
vislumbrar metas e quais os “caminhos” que o levarão a atingi-las através
de vivências de reconhecimento, auto-realização, desenvolvimento de
capacidades físicas e outras em um ambiente com segurança e afetividade.
Nesse sentido, o profissional é a pessoa que interfere em todos esses
quesitos por meio de suas atitudes de relacionamento pessoal e
desempenho profissional.

2ª) Ser autêntico

Significa, em poucas palavras, ser diferente. É fugir da aplicação de


padrões de comportamento e ações práticas sem levar em conta as
características de cada atleta (ou aluno) e do meio ambiente. Adaptar
treinamentos às pessoas e a realidade ambiental, gerar um modo específico
de agir positivamente para atingir objetivos, desenvolver uma mente
concentrada e pronta para agir positivamente e estar sempre aberto para
entender o ritmo de cada jovem para aprender e se desenvolver.

3ª) Ser criativo


Para ser criativo é necessário aprender a detectar sutilezas nas mais
diferentes situações do dia-a-dia. No esporte infanto-juvenil em que a auto-
expressão dos jovens atletas está em desenvolvimento é fundamental para
os profissionais interpretarem cada palavra, gesto e silêncio como uma
possibilidade de “feedback” que os jovens nos dão freqüentemente nas
atividades esportivas. Ao detectar sutilezas surgem espontaneamente, idéias
de novos exercícios, treinamentos, atitudes, desafios e tudo o mais que
compõem a atividade esportiva.

4ª) Ter senso de humor e atitude positiva

O bom senso de humor ou bom humor (veja textos sobre saúde cíclica -
clique aqui) funciona como um elemento básico para a manutenção do
otimismo perante os desafios, que por sua vez agirá como grande
motivador. Em resumo, estar de bom humor é estar equilibrado
emocionalmente. O equilíbrio emocional permitirá ao profissional do
esporte avaliar melhor qual a atitude tomar para vencer os obstáculos
naturais da aprendizagem e do treinamento e, além disso, criar um
ambiente de segurança e harmonia. Em conseqüência surgirão atitudes
positivas durante os treinos e competições. Com isso, haverá repercussão
de satisfação e alegria e todos os envolvidos no processo desportivo (atletas
ou alunos, pais, profissionais e outros) e os mesmos avaliarão que formam
um grupo importante para suas vidas.

5ª) Ter idéias próprias

Somente aquele que tem idéias próprias, consegue ser autêntico. Idéias
próprias, na verdade é o redimensionamento e a transcendência do
conhecimento adquirido. Em outras palavras é ir além daquilo que é
referenciado como conhecimento padrão de um procedimento, técnica ou
fenômeno. Por exemplo, no caso do esporte, um profissional que tem idéias
próprias ao planejar um treinamento de habilidade motora para jovens,
consegue vislumbrar as implicações que esse treino terá além do aspecto
sinestésico, como: aspectos da concentração, da motivação, do estresse,
fisiológicos, sociais e outros, como também projeções futuras de
movimentos. O resultado de tudo isso será um treinamento de qualidade e
promissor.

6ª) Dividir atenções e esforços igualmente por todos da equipe

É comum em uma equipe de treinamento esportivo (coletivo ou individual)


a presença de diferentes personalidades, estilos de atuação, competências,
desempenho, etc. No entanto, para que haja harmonia e consigamos atingir
objetivos positivos, é necessário que o profissional disponha de atenção
para todos os participantes, pois cada atleta tem seu ritmo e maneira própria
para perceber tudo àquilo que é proposto e que acontece em treinos e
competições. Dar atenção a todos é uma homenagem que o profissional faz
ao esforço de cada um, é tratar todos de forma igual quando possível e cada
um de modo diferente quando a situação e/ou as características pessoais
exigirem. Muitas vezes a equanimidade no tratamento está justamente nas
diferenças e não nas similitudes.

No próximo texto vamos entender melhor como pequenas atitudes tornam


excelentes dicas para que a experiência esportiva seja gratificante.

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física
da UFJF e e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

Fonte:
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/psicologiadoesporte.htm

23. Burnout afeta mais quem está em ascenção


profissional
Psicologia do Esporte
Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar

por Renato Miranda

"Burnout um fenômeno que atualmente acomete trabalhadores e atletas


de maneira relativamente comum, principalmente em uma faixa de
pessoas que estão em ascensão profissional e precisam melhorar seu
desempenho continuadamente, pois estão freqüentemente sendo
avaliadas"

O estresse causado pela rotina do treinamento esportivo ou do trabalho é


um fenômeno natural. A regulação do estresse se dá naturalmente pelo
equilíbrio entre a habilidade psicofísica da pessoa realizar tarefas e o nível
de exigência das mesmas.

Em outras palavras, quando minhas habilidades emocionais e cognitivas,


como por exemplo: controle dos níveis de excitação nervosa, capacidade de
concentração, automotivação, resistência física, força e demais aptidões
estão compatíveis com os níveis de exigências (tarefas) do treinamento ou
do trabalho da pessoa, o estresse, tanto físico como psíquico, pode ser bem
administrado e não há maiores problemas paras as pessoas.

Quando esse equilíbrio entre habilidade e tarefas é rompido ou inexiste, é


preciso diminuir o grau de exigência da tarefa ou aumentar as habilidades
da pessoa. No entanto, nem sempre é tão simples assim. A partir do
momento em que uma pessoa já atingiu certo nível de habilidades
psicofísicas e tem uma rotina prevista pelo programa de treinamento ou de
trabalho, resta à pessoa somente a possibilidade de aumentar sua resistência
a esse estresse diário. Dificilmente cargas de trabalho (exigências de
tarefas) são ajustadas ao potencial da pessoa. O que é lamentável, pois,
aumentar habilidades e/ou diminuir cargas de trabalho deveria fazer parte
harmoniosamente da rotina das pessoas.

Como resultado do processo de se exigir cada vez mais da pessoa, temos


um estresse exagerado que gera uma adaptação negativa da rotina diária.
Ou seja, a pessoa consegue resistir ao estresse, mas fatalmente irá sucumbir
algum dia. É como se a resistência ao estresse diário tivesse um destino
certo: o esgotamento, e este fosse uma questão de tempo.

Burnout

O esgotamento psicofísico do organismo (burnout), representado como um


colapso nervoso, é uma síndrome psicológica de exaustão emocional com
reduzida percepção de satisfação, baixo nível de motivação e desinteresse
pela atividade e por mais que esforços pessoais sejam freqüentes para
melhorar o desempenho, geralmente são ineficazes e há uma queda
significativa do mesmo.
Sintomas do burnout

Para que possamos identificar o burnout algumas características no


comportamento da pessoa devem ser observadas como:

- Aumento da freqüência cardíaca em repouso;

- Distúrbios no sono e alimentação;

- Aumento dos níveis de ansiedade;

- Problemas de concentração;

- Insatisfação com a atividade (esporte, trabalho etc.);

- Distanciamento emocional e social da pessoa em relação ao grupo que


pertence;

- Queda no desempenho e outras.

Prevenção

Em uma possível prevenção sugiro que líderes (treinadores esportivos,


dirigentes de instituições, chefias de trabalho em geral e outros) e atletas de
um modo geral, bem como trabalhadores, orientem suas atuações da
seguinte maneira: lembre-se: onde estiver a palavra atleta/treinador
substitua por trabalhador/dirigente, quando for o caso.

Procedimentos

- Fixar objetivos de desempenho progressivos e decididos entre treinadores


e atleta, conjuntamente, para direcionar e sustentar a motivação;

- O atleta reconhecer que está em “burnout” e aumentar a comunicação


com técnicos, família e psicólogos;

- Ensinar aos atletas estratégias de cuidados com a saúde (veja textos


anteriores);

- Melhorar a comunicação (manter diálogos com alto nível de educação e


respeito) entre técnico e atleta;

- Tornar os treinamentos/trabalho, apesar de árduos, em momentos alegres;


- Variação dos métodos de treinamento para combater a monotonia;

- Forte suporte social da família, técnicos e companheiros;

- Treinamento psicofisiológico (ex.: técnicas de relaxamento – clique


aqui).

Com essas orientações podemos de certa maneira providenciar prevenção


ao burnout um fenômeno que atualmente acomete trabalhadores e atletas
de maneira relativamente comum, principalmente em uma faixa de pessoas
que estão em ascensão profissional e precisam melhorar seu desempenho
continuadamente, pois estão freqüentemente sendo avaliadas.

Para começar, reflita a seguinte situação: imagine que no ano passado nessa
mesma semana do ano, possivelmente você ficou nervoso, se aborreceu ou
aconteceu algo parecido e isso fez mal à sua saúde. Agora, tente descobrir
qual motivo foi a causa desse estado. Dificilmente você irá lembrar.
Portanto, cuidado com o estresse do dia-a-dia e avalie o quanto vale a pena
sofrer por um ou outro desempenho.

Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física
da UFJF e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

Fonte:
Vya estelar UOL

24. Saiba como enfrentar situações estressantes


Psicologia do Esporte
Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar

Renato Miranda,
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado
em Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de
Esporte Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física
da UFJF e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

"Principal problema dos atletas/pessoas é o de reproduzir as mesmas


ações (estressantes) sem a presença do “leão” (qualquer de tipo de
desafio ou ameaça). Deveríamos ser mais superficiais: agir como uma
zebra que só se estressa diante um leão, ao usar toda sua força para
fugir"

No artigo anterior, expliquei que mesmo em condições de alta exigência e


de desempenho constante, é possível administrar o estresse - clique aqui.

Agora, recomendo três atitudes básicas e fáceis de entender, mas


sofisticadas para colocar em prática, que o ajudarão a administrar o
estresse:

1ª) Evite que o estresse se desenvolva de forma exagerada. Para exercitar


essa atitude tente se acalmar no início do processo estressor (por exemplo,
quando se sentir pressionado por algo). Não antecipe resultados negativos
diante de alguma tarefa e não se esqueça que o tempo “consome” tudo,
portanto, cedo ou mais tarde as demandas negativas do estresse perderão
força. Ou seja, mesmo em resultados negativos concretos, com o passar do
tempo, a força desses resultados negativos (frustração, tristeza, angústia,
etc) se dissipará naturalmente, visto que novos desafios e vivências
ocuparão o espaço dessa experiências negativas em nossas vidas

2ª) Quando em situação de estresse, aprenda a controlá-la. Esse controle


requer o exercício da tranqüilidade e do relaxamento através, por exemplo,
de técnicas (clique aqui) e da prática de um hobbie, procurar descansar
adequadamente e não se irritar por qualquer motivo.

3ª) O estresse não precisa ser sempre considerado negativo. Relativizar os


acontecimentos estressantes é um bom passo para começar. Em outras
palavras, por vezes, em uma situação estressante podemos focar algo
positivo ou até mesmo considerar que alguns eventos estressantes podem
ser positivos, como por exemplo, a pessoa acordar uma hora mais cedo
para poder se exercitar ou perceber que está mais forte psicologicamente
depois de ter feito uma tarefa muito exigente.

Por último, no capítulo sobre estresse e ansiedade de nosso livro


Construindo um atleta vencedor, com base em SAPOLSKI (2006),
propomos como esportistas podem conviver melhor com o estresse e que
reproduzo aqui, pois, serve como uma ótima analogia para nossas vidas:
Como enfrentar situações estressantes?

- Seja mais superficial. Aja como uma zebra que só se estressa diante um
leão, ao usar toda sua força para fugir.

Problema dos atletas/pessoas: reproduzem as mesmas ações (estressantes)


sem a presença do “leão” (qualquer de tipo de desafio ou ameaça).

Por que isso acontece?

Porque somos inteligentes o suficiente para pensar em situações


estressantes, antecipá-las muito antes que elas realmente aconteçam, se é
que vão realmente acontecer. Podemos supor que antecipá-las
neuroticamente, quando elas nunca vão acontecer de verdade, destrói
neurônios particularmente sensíveis à ação produzidos pelas glândulas
supra-renais (ex. adrenalina e o cortisol – hormônios produzidos nas
situações de estresse.

Solução

Atletas e treinadores (e todos nós) deveriam (mos) ser mais superficiais e


menos cerebrais. Como? Paradoxalmente, sendo mais cerebrais. Como? Ao
pensar científica e constantemente, o atleta/pessoa conseguirá discernir o
que lhe está estressando, se é uma realidade física (motivo concreto) ou
psicossocial. Se a realidade for física, o atleta pode estressar, pois isso é a
garantia de sua autodefesa (Ex. um atleta quando está preste a receber uma
entrada violenta no futebol). Se o motivo for psicossocial (ex. críticas da
imprensa), simplesmente ESQUEÇA!

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Renato Miranda
é graduado em Educação Física (UFJF) e possui mestrado e doutorado em
Psicologia do Esporte com especializações: Escola Superior de Esporte
Alemã e Instituto de Cultura Física de Moscou, prof. de Ed. Física da UFJF
e coordenador da Pós-Graduação da UFJF

Fonte:
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/psicologiadoesporte.htm