PLv|STA [UPlD|CA DA FACULDADL DL D|PL|TO ÷ v.

2 ÷ N
o
. 1 ÷ ANO ||
|SSN 1980÷7430
20
Artlgo 03
A Constituição BrasiIeira de 1988 e os Tratados
lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos
AvtIgo 0J
1. Tratados lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos: gênese e principioIogia. 2. O Estado BrasiIeiro en Face do
5istena lnternacionaI de Proteção dos Direitos Hunanos. 3. A lncorporação dos Tratados lnternacionais de Proteção de
Direitos Hunanos peIo Direito BrasiIeiro. 4. O lnpacto dos Tratados lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos
.
!IavIa !Iovcsan
1
1
Piolessoia douloia da disciµlina de Diieilo Conslilucional e Diieilos Humanos da Ponlilicia \niveisidade Calolica de Sao Paulo, µiolessoia de Diieilos Humanos dos
Piogiamas de Pos-Giaduaçao da Ponlilicia \niveisidade Calolica de Sao Paulo, da Ponlilicia \niveisidade Calolica do Paiana e da \niveisidade PaLlo de Olavide de
Sevilla (Lsµanla); visiiing fellow do Human Riglls Piogiam da Harvard 1aw School (1995 e 2000), visiiing fellow do Cenlie loi Biazilian Sludies, da \niveisily ol Oxloid
(2005), visiiing fellow do Max Plancl !nslilule loi Comµaialive PuLlic Iaw and !nleinalional Iaw (HeidelLeig 2007), µiocuiadoia do eslado de Sao Paulo, memLio do
Consello Þacional de Delesa dos Diieilos da Pessoa Humana e da S\R Human Riglls \niveisily Þelwoil. Lsle ailigo loi µioduzido com Lase no livio de minla
auloiia, inlilulado Temas de Direitos Humanos, caµilulo 1, 3. ed., Sao Paulo: Saiaiva, 2008.
2
Como exµlica Iouis Henlin: ¨SuLsequenlemenle a Segunda Gueiia Mundial, os acoidos inleinacionais de diieilos lumanos lem ciiado oLiigações e iesµonsaLilidades
µaia os Lslados, com iesµeilo as µessoas sujeilas a sua juiisdiçao, e um diieilo coslumeiio inleinacional lem se desenvolvido. O emeigenle Diieilo !nleinacional dos
lodo individuo deve lei diieilos, os quais lodos os Lslados devem iesµeilai e µiolegei. Iogo, a oLseivância dos diieilos lumanos e nao aµenas um assunlo de inleiesse
µailiculai do Lslado (e ielacionado a juiisdiçao domeslica), mas e maleiia de inleiesse inleinacional e oLjelo µioµiio de iegulaçao do Diieilo !nleinacional¨. (HLÞK!Þ,
Iouis el al. International law: cases and materials. 3. ed. Minnesola: Wesl PuLlisling, 1993. µ. 375-376).
3
Þa liçao de Tlomas Bueigenllal: ¨Lsle codigo, como ja oLseivei em oulios esciilos, lem lumanizado o diieilo inleinacional conlemµoiâneo e inleinacionalizado os
diieilos lumanos, ao ieconlecei que os seies lumanos lem diieilos µiolegidos µelo diieilo inleinacional e que a denegaçao desses diieilos engaja a iesµonsaLilidade
inleinacional dos Lslados indeµendenlemenle da nacionalidade das vilimas de lais violações¨. (B\LRGLÞTHAI, Tlomas. Piologo. !n: Cançado Tiindade, Anlonio
Auguslo. A proteção internacional dos direitos humanos: fundamentos juridicos e instrumentos básicos. Sao Paulo: Saiaiva, 1991. µ. XXX!).
A µioµosla desle ailigo e enlocai os lialados
inleinacionais de µioleçao aos diieilos lumanos a luz da
Consliluiçao Biasileiia de 1988, com deslaque as inovações
inlioduzidas µela Lmenda Conslilucional n. 45/2004.
cidades desses lialados, Lem como de sua lonle o Direiio Inier-
nacional dos Direiios Hunanos. Þum segundo momenlo, seia
dado deslaque a µosiçao do Biasil em lace dos insliumenlos in-
leinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos. Lm seguida, seia
leila uma avaliaçao do modo µelo qual a Consliluiçao Biasileiia de
o imµaclo juiidico que esses lialados aµiesenlam. Þesle momen-
lo, seiao analisados casos concielos da aµlicaçao desses lialados.
1. Tratados Internacionais de Proteção dos Direitos Humanos:
gênese e principiologia
Os lialados inleinacionais de diieilos lumanos
lem como lonle um camµo do Diieilo exliemamenle iecenle,
denominado ¨Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos¨,
conlecido como Diieilo do µos-gueiia, o qual suigiu como
iesµosla as aliocidades e aos loiioies comelidos µelo nazismo
2
.
Lm lace do iegime de leiioi, no qual imµeiava a logica
da desliuiçao e segundo o qual as µessoas eiam consideiadas
Mundial, emeige a necessidade de ieconsliuçao do valoi dos
diieilos lumanos, como µaiadigma e ieleiencial elico µaia
oiienlai a oidem inleinacional.
Assim, em meados do seculo XX suige o ¨Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos¨ suige em decoiiencia
da Segunda Gueiia Mundial e seu desenvolvimenlo µode sei
aliiLuido as monsliuosas violações de diieilos lumanos da
eia Hillei e a ciença de que µaile dessas violações µodeiiam
sei µievenidas se exislisse um elelivo sislema de µioleçao
inleinacional de diieilos lumanos
3
.

Ao lialai do Diieilo !nleinacional dos Diieilos
O movimenlo do diieilo inleinacional dos diieilos
lumanos e Laseado na conceµçao de que loda naçao
lem a oLiigaçao de iesµeilai os diieilos lumanos de
seus cidadaos e de que lodas as nações e a comunidade
inleinacional lem o diieilo e a iesµonsaLilidade de
µioleslai, se um Lslado nao cumµiii suas oLiigações.
21
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
O Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos
consisle num sislema de noimas inleinacionais,
µiocedimenlos e insliluições desenvolvidas µaia
imµlemenlai essa conceµçao e µiomovei o iesµeilo
dos diieilos lumanos em lodos os µaises, no
âmLilo mundial. (...) LmLoia a ideia de que os seies
lumanos lem diieilos e liLeidades lundamenlais que
lle sao ineienles lenla la muilo lemµo suigido no
µensamenlo lumano, a conceµçao de que os diieilos
lumanos sao oLjelo µioµiio de uma iegulaçao
inleinacional, µoi sua vez, e Laslanle iecenle. (...)
Muilos dos diieilos que loje conslam do ¨Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos¨ suigiiam
aµenas em 1945, quando, com as imµlicações do
lolocauslo e de oulias violações de diieilos lumanos
comelidas µelo nazismo, as nações do mundo
decidiiam que a µiomoçao de diieilos lumanos e
liLeidades lundamenlais deve sei um dos µiinciµais
µioµosilos das Oiganizações das Þações \nidas
4
.
Þesse cenaiio, loilalece-se a ideia de que a µioleçao
dos diieilos lumanos nao deve se ieduzii ao dominio ieseivado
do Lslado, islo e, nao deve se iesliingii a comµelencia
nacional exclusiva ou a juiisdiçao domeslica exclusiva, µoique
ievela lema de legilimo inleiesse inleinacional. Poi sua vez,
essa conceµçao inovadoia aµonla µaia duas imµoilanles
conseqüencias:
1) a ievisao da noçao liadicional de soLeiania
aLsolula do Lslado, que µassa a soliei um µiocesso
de ielalivizaçao, na medida em que sao admilidas
inleivenções no µlano nacional, em µiol da
µioleçao dos diieilos lumanos; islo e, µeimilem-
se loimas de moniloiamenlo e iesµonsaLilizaçao
inleinacional, quando os diieilos lumanos loiem
violados
5
;
2) a ciislalizaçao da ideia de que o individuo deve
lei diieilos µiolegidos na esleia inleinacional, na
condiçao de sujeilo de Diieilo.
loima µela qual o Lslado lialava seus nacionais eia conceLida
como um µioLlema de juiisdiçao domeslica, decoiiencia em
sua soLeiania.
!nsµiiada µoi essas conceµções, suige, a µailii do
µos-gueiia, em 1945, a Oiganizaçao das Þações \nidas. Lm
1948 e adolada a Declaiaçao \niveisal dos Diieilos Humanos,
µela aµiovaçao unânime de 48 Lslados, com 8 aLslenções
6
.
A inexislencia de qualquei queslionamenlo ou ieseiva leila
µelos Lslados aos µiinciµios da Declaiaçao e a inexislencia
de qualquei volo conliaiio as suas disµosições, conleiem a
elica univeisal
7
, ao consagiai um consenso soLie valoies de
cunlo univeisal, a seiem seguidos µelos Lslados.
A declaiaçao de 1948 inlioduz a conceµçao conlem-
µoiânea de diieilos lumanos, maicada µela univeisalidade e
indivisiLilidade desses diieilos. \niveisalidade µoique a con-
diçao de µessoa e o iequisilo unico e exclusivo µaia a lilula-
iidade de diieilos, sendo a dignidade lumana o lundamenlo
dos diieilos lumanos. !ndivisiLilidade µoique, inedilamenle,
o calalogo dos diieilos civis e µolilicos e conjugado ao calalo-
go dos diieilos economicos, sociais e culluiais. Ao consagiai
diieilos civis e µolilicos e diieilos economicos, sociais e cullu-
4
B!IDLR, Riclaid B. An oveiview ol inleinalional luman iiglls law. !n: HAÞÞ\M, Huisl (Ldiloi). Guide to international human rights practice. 2. ed. Pliladelµlia:
\niveisily ol Pennsylvania Piess. 1992. µ. 3-5.
5
queslao cenlial, e inegavel que a anliga douliina da soLeiania exclusiva e aLsolula nao mais se aµlica e que esla soLeiania jamais loi aLsolula, como eia enlao conceLida
leoiicamenle. \ma das maioies exigencias inlelecluais de nosso lemµo e a de ieµensai a queslao da soLeiania (...). Lnlalizai os diieilos dos individuos e os diieilos dos
µovos e uma dimensao da soLeiania univeisal, que ieside em loda a lumanidade e que µeimile aos µovos um envolvimenlo legilimo em queslões que alelam o mundo
como um lodo. L um movimenlo que, cada vez mais, enconlia exµiessao na giadual exµansao do Diieilo !nleinacional¨. (BO\TROS-GHAI!, Boulios. Foreign Affairs.
Lmµoweiing lle \niled Þalions. v. 89, µ. 98-99, 1992/1993, apud HLÞK!Þ, Iouis, ei al, International law: cases and materials. op. cii. µ. 18.) Tiansila-se, assim, de uma
conceµçao ¨loLLesiana¨ de soLeiania, cenliada no Lslado, µaia uma conceµçao ¨lanliana¨ de soLeiania, cenliada na cidadania univeisal. Paia Celso Ialei, de uma
visao e\ parie principe, lundada nos deveies dos sudilos com ielaçao ao Lslado, µassa-se a uma visao e\ parie populi, lundada na µiomoçao da noçao de diieilos do
cidadao. (IA!LR, Celso. Comercio, Desarmamento, Direitos Humanos
6
A Declaiaçao \niveisal loi aµiovada µela Resoluçao 217 A (!!!), da AssemLleia Geial, em 10 de dezemLio de 1948, µoi 48 volos a zeio e oilo aLslenções. Os oilo Lslados
que se aLsliveiam loiam: Bieloiussia, Clecoslovaquia, Polonia, AiaLia Saudila, \ciânia, \niao Sovielica, Aliica do Sul e !ugoslavia. OLseiva-se que em Helsinli, em
1975, no Alo !inal da Conleiencia soLie Seguiidade e Cooµeiaçao na Luioµa, os Lslados comunislas da Luioµa exµiessamenle adeiiiam a Declaiaçao \niveisal. SoLie
o caialei univeisal da declaiaçao, oLseiva Rene Cassin: ¨Seane perniiido, anies de concluir, resunir a grandes rasgos los caracieres de la declaracion surgida de nuesiros
debaies de 1947 a 1948. Esia declaracion se caracieri:a, por una parie, por su anpliiud. Conprende el conjunio de derechos y faculiades sin los cuales un ser hunano no puede
desarrolar su personalidad fisica, noral y inieleciual. Su segunda caracierisiica es la universalidad. es aplicable a iodos los honbres de iodos los paises, ra:as, religiones y
¨iniernacional¨, la ¹sanblea General, gracias a ni proposicion, proclano la declaracion ¨Universal¨. ¹l hacerlo conscienienenie, subrayo que el individuo es nienbro direcio
de la sociedad hunana y que es sujeio direcio del derecho de genies. Naiuralnenie, es ciudadano de su pais, pero ianbien lo es del nundo, por el hecho nisno de la proieccion
que el nundo debe brindarle. Tales son los caracieres esenciales de la declaracion.(...) 1a Declaracion, por el hecho de haber sido, cono fue el caso, adopiada por unaninidad
(pues solo hubo 8 absienciones, frenie a 48 voios favorables), iuvo innediaianenie una gran repercusion en la noral de las naciones. 1os pueblos enpe:aron a darse cuenia de
que el conjunio de la conunidad hunana se inieresaba por su desiino¨. (CASS!Þ, Rene. Ll µioLlema de la iealizacion de los deieclos lumanos en la sociedad univeisal. !n:
Viente aõos de evolucion de los derechos humanos. Mexico: !nslilulo de !nvesligaciones 1uiidicas, 1974. µ. 397.)
7
lugai de simLolo e de ideal¨. (Þaluieza juiidica da Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos. Revista dos Tribunais, Sao Paulo, n. 446, µ. 35, dez. 1972.)
22
Artlgo 03
iais, a declaiaçao inedilamenle comLina o discuiso liLeial e o
discuiso social da cidadania, conjugando o valoi da liLeida-
de ao valoi da igualdade
8
. Segundo Iouis B. Soln e Tlomas
Bueigenllal:
A Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos se
dislingue das liadicionais Cailas de diieilos lumanos
que conslam de diveisas noimas lundamenlais e
conslilucionais dos seculos XV!!! e X!X e começo
do seculo XX, na medida em que ela consagia nao
aµenas diieilos civis e µolilicos, mas lamLem diieilos
economicos, sociais e culluiais, como o diieilo ao
liaLallo e a educaçao
9
.
Ao conjugai o valoi da liLeidade com o valoi da
igualdade, a declaiaçao demaica a conceµçao conlemµoiânea
de diieilos lumanos, µela qual os diieilos lumanos µassam
a sei conceLidos como uma unidade inleideµendenle, inlei-
ielacionada e indivisivel. Assim, µailindo-se do ciileiio
10
,
adola-se o enlendimenlo de que uma geiaçao de diieilos nao
suLslilui a oulia, mas com ela inleiage. !slo e, alasla-se a ideia
da sucessao ¨geiacional¨ de diieilos, na medida em que se acolle
a ideia da exµansao, cumulaçao e loilalecimenlo dos diieilos
lumanos consagiados, lodos essencialmenle comµlemenlaies
e em conslanle dinâmica de inleiaçao. Iogo, aµiesenlando os
diieilos lumanos uma unidade indivisivel, ievela-se esvaziado
o diieilo a liLeidade, quando nao asseguiado o diieilo
a igualdade e, µoi sua vez, esvaziado ievela-se o diieilo a
igualdade, quando nao asseguiada a liLeidade
11
.
Vale dizei, sem a elelividade dos diieilos economicos,
sociais e culluiais, os diieilos civis e µolilicos se ieduzem a
meias calegoiias loimais, enquanlo sem a iealizaçao dos
diieilos civis e µolilicos, ou seja, sem a elelividade da liLeidade
enlendida em seu mais amµlo senlido, os diieilos economicos e
cogilai da liLeidade divoiciada da jusliça social, como lamLem
inliulileio µensai na jusliça social divoiciada da liLeidade. Lm
suma, lodos os diieilos lumanos consliluem um comµlexo
inlegial, unico e indivisivel, em que os dileienles diieilos eslao
necessaiiamenle inlei-ielacionados e inleideµendenles enlie si.
Como eslaLeleceu a Resoluçao n
o
32/130 da AssemLleia
Geial das Þações \nidas:
8
Paia esle µioµosilo, e melloi nos deixaimos oiienlai, ao menos em deleiminado senlido, µoi um dos µais da Declaiaçao, o liances Rene Cassin, que descieveu seu escoµo
do modo a seguii. Piimeiiamenle, liala a Declaiaçao dos diieilos µessoais (os diieilos a igualdade, a vida, a liLeidade e a seguiança, elc. ails. 3
o
a 11). Posleiioimenle,
sao µievislos diieilos que dizem iesµeilo ao individuo em sua ielaçao com giuµos sociais no qual ele µailiciµa (o diieilo a µiivacidade da vida lamiliai e o diieilo ao
casamenlo; o diieilo a liLeidade de movimenlo no âmLilo nacional ou loia dele; o diieilo a nacionalidade; o diieilo ao asilo, na liµolese de µeiseguiçao; diieilos de
µioµiiedade e de µialicai a ieligiao ails. 12 a 17). O leiceiio giuµo de diieilos se ieleie as liLeidades civis e aos diieilos µolilicos exeicidos no senlido de conliiLuii µaia
a loimaçao de oigaos goveinamenlais e µailiciµai do µiocesso de decisao (liLeidade de consciencia, µensamenlo e exµiessao; liLeidade de associaçao e assemLleia; diieilo
de volai e sei eleilo; diieilo ao acesso ao goveino e a adminisliaçao µuLlica ails. 18 a 21). A quaila calegoiia de diieilos se ieleie aos diieilos exeicidos nos camµos
economicos e sociais (ex: aqueles diieilos que se oµeiam nas esleias do liaLallo e das ielações de µioduçao, o diieilo a educaçao, o diieilo ao liaLallo e a assislencia
social e a livie escolla de emµiego, a juslas condições de liaLallo, ao igual µagamenlo µaia igual liaLallo, o diieilo de lundai sindicalos e deles µailiciµai; o diieilo ao
descanso e ao lazei; o diieilo a saude, a educaçao e o diieilo de µailiciµai liviemenle na vida culluial da comunidade ails. 22 a 27)¨. (CASSLSSL, Anlonio. Human
rights in a changing world
leila µoi 1acl Donnelly, quando suslenla que a declaiaçao de 1948 enuncia as seguinles calegoiias de diieilos: 1) diieilos µessoais, incluindo os diieilos a vida, a
nacionalidade, ao ieconlecimenlo µeianle a lei, a µioleçao conlia lialamenlos ou µunições ciueis, degiadanles ou desumanas e a µioleçao conlia a disciiminaçao iacial,
elnica, sexual ou ieligiosa (ails. 2
o
a 7
o
e 15); 2) diieilos judiciais, incluindo o acesso a iemedios µoi violaçao dos diieilos Lasicos, a µiesunçao de inocencia, a gaianlia de
µiocesso µuLlico juslo e imµaicial, a iiielioalividade das leis µenais, a µioleçao conlia a µiisao, delençao ou exilio aiLiliaiios, e conlia a inleileiencia na lamilia, no lai e
na ieµulaçao (ails. 8
o
a 12); 3) liLeidades civis, esµecialmenle as liLeidades de µensamenlo, consciencia e ieligiao, de oµiniao e exµiessao, de movimenlo e iesislencia, e de
Lem-eslai µioµiio e da lamilia (ail. 25); 5) diieilos economicos, incluindo µiinciµalmenle os diieilos ao liaLallo, ao ieµouso e ao lazei, e a seguiança social (ails. 22 a 26);
6) diieilos sociais e culluiais, esµecialmenle os diieilos a insliuçao e a µailiciµaçao na vida culluial da comunidade (ails. 26 e 28); 7) diieilos µolilicos, µiinciµalmenle os
diieilos a lomai µaile no goveino e a eleições legilimas com suliagio univeisal e igual (ail. 21), aciescido dos asµeclos µolilicos de muilas liLeidades civis¨. (DOÞÞLIIY,
1acl. !nleinalional luman iiglls: a iegime analysis. !n: International organization. Massaclussells !nslilule ol Teclnology, Summei 1986. µ. 599-642, apud I!ÞDGRLÞ
AIVLS, 1ose Auguslo. O sistema internacional de proteção dos direitos humanos e o Brasil. Aiquivos do Minisleiio da 1usliça, Biasilia, v. 46, n. 182, µ. 89, jul./dez.1993).
Þa liçao de Celso D. de AlLuqueique Mello, a Declaiaçao \niveisal ¨lem sido dividida µelos auloies em qualio µailes: a) noimas geiais (ails. 1
o
e 2
o
, 28, 29 e 30); L)
diieilos e liLeidades lundamenlais (ails. 3
o
a 20); c) diieilos µolilicos (ail. 21); d) diieilos economicos e sociais (ails. 22 e 27)¨. (Curso de direito internacional publico.
6. ed. Rio de 1aneiio: !ieilas Baslos, 1979. µ. 531.)
9
International protection of human rights. !ndianaµolis: Tle BoLLs-Meiiill Comµany, 1973. µ. 516.
10
A µailii desse ciileiio, os diieilos de µiimeiia geiaçao coiiesµondem aos diieilos civis e µolilicos, que liaduzem o valoi da liLeidade; os diieilos de segunda geiaçao
coiiesµondem aos diieilos sociais, economicos e culluiais, que liaduzem, µoi sua vez, o valoi da igualdade; ja os diieilos de leiceiia geiaçao coiiesµondem ao diieilo
ao desenvolvimenlo, diieilo a µaz, a livie deleiminaçao, que liaduzem o valoi da solidaiiedade. SoLie a maleiia, vei LSP!LII, Hecloi Gioss. Estudios sobre derechos
humanos, Madiid: Civilas, 1988, µ. 328-332. Do mesmo auloi a oLia: Los derechos economicos sociales y culturales en el sistema interamericano. San 1ose, IiLio liLie,
1986. Ainda soLie a ideia de geiações de diieilos lumanos, exµlica Buins H. Weslon: ¨A esle iesµeilo, µailiculaimenle ulil e a noçao de ¨lies geiações de diieilos
lumanos¨ elaLoiada µelo juiisla liances Kaiel Vasal. SoL a insµiiaçao dos lies lemas da Revoluçao liancesa, eslas lies geiações de diieilos sao as seguinles: a µiimeiia
geiaçao se ieleie aos diieilos civis e µolilicos (liberie); a segunda geiaçao aos diieilos economicos, sociais e culluiais (egaliie); e a leiceiia geiaçao se ieleie aos novos
diieilos de solidaiiedade (fraierniie)¨. (WLSTOÞ, Buins H. Human iiglls, !n: CIA\DL, Riclaid Pieiie, WLSTOÞ, Buins H (Ldiloies). Human rights in the world
community, µ. 16-17). SoLie a maleiia consullai ainda I\ÞO, A. L. P. (Los derechos fundamentales. Madiid: Tecnos, 1988); T. H. Maislall (Cidadania, classe social e
status. Rio de 1aneiio: Zalai, 1967.)
11
dos goveinos nos diieilos civis e µolilicos, mas envolvem oLiigações goveinamenlais de cunlo µosilivo em µiol da µiomoçao do Lem-eslai economico e social,
µiessuµondo um Goveino que seja alivo, inleivenloi, µlanejadoi e comµiomelido com os µiogiamas economico-sociais da sociedade que, µoi sua vez, os liansloima
em diieilos economicos e sociais µaia os individuos¨. (The age of rights. Þew Yoil: ColumLia \niveisily Piess, 1990. µ. 6-7). Þo enlanlo, dilicil e a conjugaçao desses
valoies, e em µailiculai dilicil e a conjugaçao dos valoies da igualdade e liLeidade. Como µondeia ÞoiLeilo BoLLio: ¨As sociedades sao mais livies na medida em que
sao menos juslas e mais juslas na medida em que sao menos livies¨. (A era dos direitos. Tiad. Cailos Þelson Coulinlo. Rio de 1aneiio: Camµus, 1992. µ. 43.)
23
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
lodos os diieilos lumanos, qualquei que seja o liµo a
que µeilencem, se inlei-ielacionam necessaiiamenle
enlie si, e sao indivisiveis e inleideµendenles
12
. Lssa
conceµçao loi ieileiada na Declaiaçao de Viena de
o
, que os diieilos lumanos
sao univeisais, indivisiveis, inleideµendenles e inlei-
ielacionados.
univeisais, ineienles a condiçao de µessoa e nao ielalivos as
µeculiaiidades sociais e culluiais de deleiminada sociedade,
seja µoi incluii em seu elenco nao so diieilos civis e µolilicos,
mas lamLem diieilos sociais, economicos e culluiais, a
declaiaçao de 1948 demaica a conceµçao conlemµoiânea dos
diieilos lumanos.
\ma das µiinciµais qualidades da declaiaçao e cons-
liluii-se em µaiâmelio e codigo de aluaçao µaia os eslados
inlegianles da comunidade inleinacional. Ao consagiai o ie-
conlecimenlo univeisal dos diieilos lumanos µelos eslados, a
declaiaçao consolida um µaiâmelio inleinacional µaia a µio-
leçao desses diieilos. Þesse senlido, ela e um dos µaiâmelios
lundamenlais µelos quais a comunidade inleinacional ¨desle-
gilima¨ os eslados. \m eslado que sislemalicamenle viola a
declaiaçao nao e meiecedoi de aµiovaçao µoi µaile da comu-
nidade mundial
13
.
A µailii da aµiovaçao da Declaiaçao \niveisal
de 1948 e da conceµçao conlemµoiânea de diieilos lumanos
µoi ela inlioduzida, começa a se desenvolvei o Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos, medianle a adoçao
de inumeios lialados inleinacionais vollados a µioleçao
de diieilos lundamenlais. Os insliumenlos inleinacionais
conlemµoiânea comµailillada µelos eslados, na medida
em que invocam o consenso inleinacional aceica de lemas
cenliais aos diieilos lumanos. Þesse senlido, caLe deslacai que,
ale junlo de 2006, o Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e
Polilicos conlava com 156 Lslados-µailes; o Paclo !nleinacional
dos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais conlava com
153 Lslados-µailes; a Convençao conlia a Toiluia conlava
com 141 Lslados-µailes; a Convençao soLie a Lliminaçao
da Disciiminaçao Racial conlava com 170 Lslados-µailes;
a Convençao soLie a Lliminaçao da Disciiminaçao conlia a
Mullei conlava com 183 Lslados-µailes e a Convençao soLie
os Diieilos da Ciiança aµiesenlava a mais amµla adesao, com
192 Lslados-µailes
14
.
!oima-se o sislema noimalivo gloLal de µioleçao dos
diieilos lumanos, no âmLilo das Þações \nidas. Lsse sislema
noimalivo, µoi sua vez, e inlegiado µoi insliumenlos de
alcance geial (como os Paclos !nleinacionais de Diieilos Civis e
Polilicos e de Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais de 1966)
inleinacionais, que Luscam iesµondei a deleiminadas violações
dos diieilos lumanos, como a loiluia, a disciiminaçao iacial,
a disciiminaçao conlia as mulleies, a violaçao dos diieilos das
ciianças, denlie oulias loimas de violaçao.
!iima-se assim, no âmLilo do sislema gloLal, a
coexislencia dos sislemas geial e esµecial de µioleçao dos
diieilos lumanos, como sislemas de µioleçao comµlemenlaies.
do sujeilo de diieilo, no qual o sujeilo µassa a sei vislo segundo
giuµos elnicos minoiilaiios, os giuµos vulneiaveis, as mulleies,
elc.). 1a o sislema geial de µioleçao (ex: os Paclos da OÞ\ de
1966) lem µoi endeieçado loda e qualquei µessoa, conceLida
segundo sua aLsliaçao e geneialidade.
Ao lado do sislema noimalivo gloLal, suige o sislema
noimalivo iegional de µioleçao, que Lusca inleinacionalizai
os diieilos lumanos no µlano iegional, µailiculaimenle na
Luioµa, Ameiica e Aliica. Consolida-se, assim, a convivencia
do sislema gloLal inlegiado µelos insliumenlos das Þações
\nidas, como a Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos,
o Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos, o Paclo
!nleinacional dos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais e as
demais Convenções inleinacionais com insliumenlos do sislema
iegional, µoi sua vez inlegiado µelos sislemas inleiameiicano,
euioµeu e aliicano de µioleçao aos diieilos lumanos.
Os sislemas gloLal e iegional nao sao dicolomicos,
mas comµlemenlaies. !nsµiiados µelos valoies e µiinciµios
da Declaiaçao \niveisal, esses sislemas comµõem o
univeiso insliumenlal de µioleçao dos diieilos lumanos no
12
a loimaçao desle novo eihos
lumanos e a µaz consignado na Ala !inal de Helsinque de 1975¨. (A µioleçao inleinacional dos diieilos lumanos no limiai do novo seculo e as µeisµeclivas Liasileiias.
!n: Temas de Politica Externa Brasileira, !!, v. 1, 1994. µ. 169).
13
Cl. Cassesse, Anlonio, Human rights in a changing world, op. cii.
algumas inslâncias, o lexlo das µievisões da Declaiaçao lem sido incoiµoiado em insliumenlos inleinacionais ou na legislaçao nacional e la inumeias inslâncias que
adolam a Declaiaçao como um codigo de condula e um µaiâmelio caµaz de medii o giau de iesµeilo e de oLseivância ielalivamenle aos µaiâmelios inleinacionais de
diieilos lumanos¨. (Soln, Iouis B. e ; Bueigenllal, Tlomas, oµ. cil., µ. 516.)
14
Allo Comissaiiado de Diieilos Humanos das Þações \nidas, . Disµonivel em: <lllµ://www.
unlcli.cl/µdl/ieµoil.µdl>
24
Artlgo 03
µlano inleinacional. Lm lace desse comµlexo univeiso de
insliumenlos inleinacionais, caLe ao individuo que solieu
violaçao de diieilo a escolla do aµaialo mais lavoiavel, lendo
em visla que, evenlualmenle, diieilos idenlicos sao lulelados
µoi dois ou mais insliumenlos de alcance gloLal ou iegional,
ou ainda, de alcance geial ou esµecial. SoL essa olica, os
diveisos sislemas de µioleçao dos diieilos lumanos inleiagem
em Lenelicio dos individuos µiolegidos. De acoido com a visao
de Anlonio Auguslo Cançado Tiindade:
O ciileiio da µiimazia da noima mais lavoiavel as µes-
soas µiolegidas, consagiado exµiessamenle em lanlos
lialados de diieilos lumanos, conliiLui em µiimeiio
lugai µaia ieduzii ou minimizai consideiavelmenle
menlos legais em seus asµeclos noimalivos. ConliiLui,
em segundo lugai, µaia oLlei maioi cooidenaçao enlie
lais insliumenlos em dimensao lanlo veilical (lialados
e insliumenlos de diieilo inleino), quanlo loiizonlal
(dois ou mais lialados). (...) ConliiLui, em leiceiio lu-
gai, µaia demonsliai que a lendencia e o µioµosilo da
coexislencia de dislinlos insliumenlos juiidicos ga-
ianlindo os mesmos diieilos sao no senlido de am-
µliai e loilalecei a µioleçao
15
.
!eilas essas Lieves consideiações a iesµeilo dos
lialados inleinacionais de diieilos lumanos, µassa-se a
analise do modo µelo qual o Biasil se ielaciona com o aµaialo
inleinacional de µioleçao dos diieilos lumanos.
2. O Estado Brasileiro em Face do Sistema Internacional de
Proteção dos Direitos Humanos
Þo que se ieleie a µosiçao do Biasil em ielaçao
ao sislema inleinacional de µioleçao dos diieilos lumanos,
oLseiva-se que somenle a µailii do µiocesso de democializaçao
O maico inicial do µiocesso de incoiµoiaçao de
lialados inleinacionais de diieilos lumanos µelo Diieilo
a Toiluia e Oulios Tialamenlos Ciueis, Desumanos ou
imµoilanles insliumenlos inleinacionais de µioleçao dos
diieilos lumanos loiam lamLem incoiµoiados µelo Diieilo
Biasileiio, soL a egide da Consliluiçao !edeial de 1988.
Assim, a µailii da Caila de 1988, imµoilanles
a) da Convençao !nleiameiicana µaia Pievenii e
Punii a Toiluia, em 20 de jullo de 1989;
L) da Convençao conlia a Toiluia e oulios
Tialamenlos Ciueis, Desumanos ou Degiadanles,
em 28 de selemLio de 1989;
c) da Convençao soLie os Diieilos da Ciiança, em
24 de selemLio de 1990;
d) do Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e
Polilicos, em 24 de janeiio de 1992;
e) do Paclo !nleinacional dos Diieilos Lconomicos,
Sociais e Culluiais, em 24 de janeiio de 1992;
l) da Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos,
em 25 de selemLio de 1992;
g) da Convençao !nleiameiicana µaia Pievenii,
Punii e Liiadicai a Violencia conlia a Mullei, em
27 de novemLio de 1995;
l) do Piolocolo a Convençao Ameiicana ieleienle a
ALoliçao da Pena de Moile, em 13 de agoslo de
1996;
i) do Piolocolo a Convençao Ameiicana ieleienle
aos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais
(Piolocolo de San Salvadoi), em 21 de agoslo de
1996;
j) da Convençao !nleiameiicana µaia Lliminaçao de
lodas as loimas de Disciiminaçao conlia Pessoas
2001;
l) do Lslalulo de Roma, que ciia o TiiLunal Penal
!nleinacional, em 20 de junlo de 2002;
l) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie a
Lliminaçao de lodas as loimas de Disciiminaçao
conlia a Mullei, em 28 de junlo de 2002;
m) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie os
Diieilos da Ciiança soLie o Lnvolvimenlo de
de 2004;
n) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie os
Diieilos da Ciiança soLie Venda, Piosliluiçao e
2004; e
o) do Piolocolo !acullalivo a Convençao conlia a
Toiluia, em 11 de janeiio de 2007.
15
CAÞÇADO TR!ÞDADL, Anlonio Auguslo. A inleiaçao enlie o diieilo inleinacional e o diieilo inleino na µioleçao dos diieilos lumanos. !n: Arquivos do Ministerio
da Justiça, Biasilia, v. 46, n. 182, µ. 52-53, jul./dez. 1993.
25
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
As inovações inlioduzidas µela Caila de 1988
esµecialmenle no que lange ao µiimado da µievalencia dos
diieilos lumanos, como µiinciµio oiienladoi das ielações
imµoilanles insliumenlos de µioleçao dos diieilos lumanos
16
.
Alem das inovações conslilucionais, como imµoilanle
aciescenle-se a necessidade do Lslado Liasileiio ieoiganizai
sua agenda inleinacional, de modo mais condizenle com
as liansloimações inleinas decoiienles do µiocesso de
democializaçao. Lsse esloiço se conjuga com o oLjelivo de
comµoi uma imagem mais µosiliva do Lslado Liasileiio no
conlexlo inleinacional, como µais iesµeiladoi e gaianlidoi
dos diieilos lumanos. Adicione-se que a suLsciiçao do Biasil
aos lialados inleinacionais de diieilos lumanos simLoliza
ainda o aceile do Biasil µaia com a ideia conlemµoiânea de
gloLalizaçao dos diieilos lumanos, Lem como µaia com a ideia
da legilimidade das µieocuµações da comunidade inleinacional,
giau de univeisalidade desses insliumenlos, que conlam com
inleinacional.
Iogo, laz-se claia a ielaçao enlie o µiocesso de
democializaçao no Biasil e o µiocesso de incoiµoiaçao de
ielevanles insliumenlos inleinacionais de µioleçao dos diieilos
lumanos, lendo em visla que, se o µiocesso de democializaçao
do µiocesso democialico, µoi meio da amµliaçao e do ieloiço
do univeiso de diieilos µoi ele asseguiado.
3. A Incorporação dos Tratados Internacionais de Proteção de
Direitos Humanos pelo Direito Brasileiro
Pieliminaimenle, e necessaiio liisai que a Consliluiçao
Biasileiia de 1988 conslilui o maico juiidico da liansiçao
democialica e da inslilucionalizaçao dos diieilos lumanos
no Biasil. O lexlo de 1988, ao simLolizai a iuµluia com o
iegime auloiilaiio, emµiesla aos diieilos e gaianlias enlase
exliaoidinaiia, siluando-se como o documenlo mais avançado,
aLiangenle e µoimenoiizado soLie a maleiia, na lisloiia
conslilucional do µais.
O valoi da dignidade lumana inedilamenle
elevado a µiinciµio lundamenlal da Caila, nos leimos do
ail. 1
o
, !!! imµõe-se como nucleo Lasico e inloimadoi do
oidenamenlo juiidico Liasileiio, como ciileiio e µaiâmelio de
valoiaçao a oiienlai a inleiµielaçao e comµieensao do sislema
conslilucional inslauiado em 1988. A dignidade lumana
e os diieilos lundamenlais vem a consliluii os µiinciµios
conslilucionais que incoiµoiam as exigencias de jusliça e dos
valoies elicos, conleiindo suµoile axiologico a lodo o sislema
juiidico Liasileiio. Þa oidem de 1988, esses valoies µassam a sei
dolados de uma esµecial loiça exµansiva, µiojelando-se µoi lodo
o univeiso conslilucional e seivindo como ciileiio inleiµielalivo
de lodas as noimas do oidenamenlo juiidico nacional.
L nesse conlexlo que la de se inleiµielai o disµoslo
no ail. 5
o
, , 2
o
do lexlo, que, de loima inedila, lece a inleiaçao
enlie o Diieilo Liasileiio e os lialados inleinacionais de diieilos
µelo ail. 5
o
, a Caila de 1988 eslaLelece que os diieilos e gaianlias
exµiessos na Consliluiçao ¨nao excluem oulios decoiienles
do iegime e dos µiinciµios µoi ela adolados, ou dos lialados
inleinacionais em que a ReµuLlica !edeialiva do Biasil seja
µaile¨. A luz desse disµosilivo conslilucional, os diieilos
lundamenlais µodem sei oiganizados em lies dislinlos giuµos:
a) o dos diieilos exµiessos na Consliluiçao;
L) o dos diieilos imµlicilos, decoiienles do iegime e
dos µiinciµios adolados µela Caila conslilucional; e
c) o dos diieilos exµiessos nos lialados inleinacio-
nais suLsciilos µelo Biasil. A Consliluiçao de 1988
inova, assim, ao incluii, denlie os diieilos consli-
lucionalmenle µiolegidos, os diieilos enunciados
nos lialados inleinacionais de que o Biasil seja
signalaiio. Ao eleluai lal incoiµoiaçao, a Caila
esla a aliiLuii aos diieilos inleinacionais uma
lieiaiquia esµecial e dileienciada, qual seja, a de
noima conslilucional.
Lssa conclusao advem de inleiµielaçao sislemalica e
leleologica do lexlo, esµecialmenle em lace da loiça exµansiva
dos valoies da dignidade lumana e dos diieilos lundamenlais,
como µaiâmelios axiologicos a oiienlai a comµieensao do
lenomeno conslilucional
17
. A esse iaciocinio se aciescenlam o
16
Paia 1. A. Iindgien Alves: ¨Com a adesao aos dois Paclos !nleinacionais da OÞ\, assim como ao Paclo de Sao 1ose, no âmLilo da OLA, em 1992, e lavendo
necessaiias a sua inlegiaçao ao sislema inleinacional de µioleçao aos diieilos lumanos. !nleinamenle, µoi oulio lado, as gaianlias aos amµlos diieilos enlionizados
na Consliluiçao de 1988, nao µassiveis de emendas e, ainda, exlensivas a oulios decoiienles de lialados de que o µais seja µaile, asseguiam a disµosiçao do Lslado
democialico Liasileiio de conloimai-se µlenamenle as oLiigações inleinacionais µoi ele conliaidas¨. (Os direitos humanos como tema global. Sao Paulo: Peisµecliva/
!undaçao Alexandie de Gusmao, 1994. µ. 108.)
17
Paia 1ose 1oaquim Gomes Canolillo: ¨A legilimidade maleiial da Consliluiçao nao se Lasla com um ¨dai loima¨ ou ¨consliluii¨ de oigaos; exige uma lundamenlaçao
suLslanliva µaia os aclos dos µodeies µuLlicos e dai que ela lenla de sei um µaiâmelio maleiial, diieclivo e insµiiadoi desses aclos. A lundamenlaçao maleiial e loje
essencialmenle loinecida µelo calalogo de diieilos lundamenlais (diieilos, liLeidades e gaianlias e diieilos economicos, sociais e culluiais)¨. (Direito constitucional. 6. ed.
iev. CoimLia: Almedina, 1993. µ. 74.)
26
Artlgo 03
µiinciµio da maxima elelividade das noimas conslilucionais
ieleienles a diieilos e gaianlias lundamenlais e a naluieza
maleiialmenle conslilucional dos diieilos lundamenlais
18
, o
iegime conslilucional conleiido aos demais diieilos e gaianlias
lundamenlais. Lssa conclusao decoiie lamLem do µiocesso de
gloLalizaçao, que µioµicia e eslimula a aLeiluia da Consliluiçao
a noimaçao inleinacional aLeiluia que iesulla na amµliaçao
do ¨Lloco de conslilucionalidade¨, que µassa a incoiµoiai
µieceilos asseguiadoies de diieilos lundamenlais. Adicione-se,
ainda, o lalo de as Consliluições lalino-ameiicanas iecenles
conleiiiem aos lialados de diieilos lumanos um siaius
juiidico esµecial e dileienciado, deslacando-se, nesse senlido,
a Consliluiçao da Aigenlina que, em seu ail. 75, , 22, eleva os
µiinciµais lialados de diieilos lumanos a lieiaiquia de noima
conslilucional.
Iogo, µoi loiça do ail. 5
o
, ,, 1
o
e 2
o
, a Caila de 1988
aliiLui aos diieilos enunciados em lialados inleinacionais a
lieiaiquia de noima conslilucional, incluindo-os no elenco
dos diieilos conslilucionalmenle gaianlidos, que aµiesenlam
aµlicaLilidade imediala. A lieiaiquia conslilucional dos
lialados de µioleçao dos diieilos lumanos decoiie da µievisao
conslilucional do ail. 5
o
, , 2
o
, a luz de uma inleiµielaçao
sislemalica e leleologica da Caila, µailiculaimenle da
µiioiidade que aliiLui aos diieilos lundamenlais e ao µiinciµio
da dignidade da µessoa lumana. Lssa oµçao do consliluinle
de diieilos lumanos e, no enlendei de µaile da douliina, da
suµeiioiidade desses lialados no µlano inleinacional, lendo
em visla que inlegiaiiam o clamado jus cogens (diieilo cogenle
e indeiiogavel).
Lnlalize-se que, enquanlo os demais lialados
inleinacionais lem loiça lieiaiquica inliaconslilucional
19
,
nos leimos do ail. 102, !!!, ¨L¨ do lexlo (que admile o
caLimenlo de iecuiso exliaoidinaiio de decisao que declaiai
a inconslilucionalidade de lialado), os diieilos enunciados
em lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos
delem naluieza de noima conslilucional. Lsse lialamenlo
lialados inleinacionais de diieilos lumanos aµiesenlam um
caialei esµecial, dislinguindo-se dos lialados inleinacionais
comuns. Lnquanlo esles Luscam o equiliLiio e a ieciµiocidade
de ielações enlie Lslados-µailes, aqueles lianscendem os
meios comµiomissos ieciµiocos enlie os Lslados µacluanles,
lendo em visla que oLjelivam a salvaguaida dos diieilos do
sei lumano e nao das µieiiogalivas dos Lslados. Þo mesmo
senlido, aigumenla 1uan Anlonio Tiavieso:
Ios lialados modeinos soLie deieclos lumanos en
geneial, y, en µailiculai la Convencion Ameiicana
no son lialados mullilaleiales del liµo liadicional
concluidos en luncion de un inleicamLio ieciµioco
los deieclos lundamenlales de los seies lumanos
indeµendienlemenle de su nacionalidad, lanlo
lienle a su µioµiio Lslado como lienle a los olios
Lslados conlialanles. Al aµioLai eslos lialados soLie
deieclos lumanos, los Lslados se somelen a un oiden
legal denlio del cual ellos, µoi el Lien comun, asumen
vaiias oLligaciones, no en ielacion con olios Lslados,
sino lacia los individuos Lajo su juiisdiccion. Poi
lanlo, la Convencion no solo vincula a los Lslados
µailes, sino que oloiga gaianlias a las µeisonas. Poi
como cualquiei olio lialado
20
.
siaius
conslilucional aliiLuido aos lialados inleinacionais de
µioleçao dos diieilos lumanos.
Conclui-se, µoilanlo, que o Diieilo Liasileiio laz oµ-
çao µoi um sislema mislo, que comLina iegimes juiidicos dile-
ienciados: um iegime aµlicavel aos lialados de diieilos luma-
nos e um oulio aµlicavel aos lialados liadicionais. Lnquanlo
18
do diieilo conslilucional: qual e o conleudo ou maleiia da Consliluiçao' O conleudo da Consliluiçao vaiia de eµoca µaia eµoca e de µais µaia µais e, µoi isso, e
Podei Consliluinle. Regislie-se, µoiem, que, lisloiicamenle (na exµeiiencia conslilucional), loiam consideiadas maleiias conslilucionais, par e\cellence, a oiganizaçao
maleiia conslilucional aliaves da inseiçao de novos conleudos, ale enlao consideiados de valoi juiidico-conslilucional iiielevanle, de valoi adminislialivo ou de naluieza
suL-conslilucional (diieilos economicos, sociais e culluiais, diieilos de µailiciµaçao e dos liaLalladoies e consliluiçao economica)¨. (Direito constitucional, op. cii.
µ. 68). Piossegue o mesmo auloi: ¨\m iopos caiacleiizadoi da modeinidade e do conslilucionalismo loi semµie o da consideiaçao dos ¨diieilos do lomem¨ como raiio
essendi do Lslado Conslilucional. Quei lossem consideiados como ¨diieilos naluiais¨, ¨diieilos inalienaveis¨ ou ¨diieilos iacionais¨ do individuo, os diieilos do lomem,
conslilucionalmenle ieconlecidos, µossuiam uma dimensao µiojecliva de comensuiaçao univeisal¨. (iden, µ. 18).
19
Suslenla-se que os lialados liadicionais lem lieiaiquia inliaconslilucional, mas suµialegal. Lsse µosicionamenlo se coaduna com o µiinciµio da Loa-le, vigenle no
diieilo inleinacional (o pacia suni servanda
20
TRAV!LSO, 1uan Anlonio. Derechos humanos y derecho internacional. Buenos Aiies: Heliasla, 1990. µ. 90. Comµailillando do mesmo enlendimenlo, leciona 1oige
Reinaldo Vanossi: 1a declaracion de la Consiiiucion argeniina es concordanie con as Declaraciones que han adopiado los organisnos iniernacionales, y se refuer:a con la
insiiiuciones iniernacionales. (La Constitución Nacional y los derechos humanos. 3. ed. Buenos Aiies: LudeLa, 1988. µ. 35.)
27
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
os lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos
µoi loiça do ail. 5
o
, ,, 1
o
e 2
o
aµiesenlam lieiaiquia de
noima conslilucional e aµlicaçao imediala, os demais liala-
dos inleinacionais aµiesenlam lieiaiquia inliaconslilucional
e se suLmelem a sislemalica da incoiµoiaçao legislaliva. Þo
que se ieleie a incoiµoiaçao aulomalica, diveisamenle dos
lialados liadicionais, os lialados inleinacionais de diieilos
lumanos iiiadiam eleilos concomilanlemenle na oidem
çao. Þao e necessaiia a µioduçao de um alo noimalivo que
ieµioduza no oidenamenlo juiidico nacional o conleudo do
lialado, µois sua incoiµoiaçao e aulomalica, segundo os lei-
mos do ail. 5
o
, , 1
o
, que consagia o µiinciµio da aµlicaLilida-
lundamenlais.
OLseiva-se, conludo, que la qualio coiienles
douliinaiias aceica da lieiaiquia dos lialados inleinacionais
de µioleçao dos diieilos lumanos, que suslenlam:
a) a lieiaiquia suµia-conslilucional desses lialados;
L) a lieiaiquia conslilucional;
c) a lieiaiquia inlia-conslilucional, mas suµia-legal e
d) a µaiidade lieiaiquica enlie lialado e lei ledeial
21
.
Þo senlido de iesµondei a µolemica douliinaiia
e juiisµiudencial conceinenle a lieiaiquia dos lialados
inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos, a Lmenda
Conslilucional n
o
45, de 8 dezemLio de 2004, inlioduziu um
, 3
o
no ail. 5
o
, disµondo:
Os lialados e convenções inleinacionais soLie diieilos
lumanos que loiem aµiovados, em cada Casa do
Congiesso Þacional, em dois luinos, µoi lies quinlos
dos volos dos iesµeclivos memLios, seiao equivalenles
as emendas a Consliluiçao.
Lm lace de lodos os aigumenlos ja exµoslos, suslenla-
se que a lieiaiquia conslilucional ja se exliai da inleiµielaçao
conleiida ao µioµiio ail. 5
o
, , 2
o
, da Consliluiçao de 1988. Vale
dizei, seiia mais adequado que a iedaçao do aludido , 3
o
do
ail. 5
o
endossasse a lieiaiquia loimalmenle conslilucional
de lodos os lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos
aigenlino que os lialados inleinacionais de µioleçao de
lieiaiquia conslilucional
22
.
Þo enlanlo, eslaLelece o , 3
o
do ail. 5
o
que os lialados
inleinacionais de diieilos lumanos aµiovados, em cada Casa
do Congiesso Þacional, em dois luinos, µoi lies quinlos dos
volos dos iesµeclivos memLios, seiao equivalenles as emendas
a Consliluiçao.
Desde logo, la que alaslai o enlendimenlo segundo
o qual, em lace do , 3
o
do ail. 5
o
, lodos os lialados de diieilos
µois nao leiiam oLlido o quorun
demandado µelo aludido µaiagialo.
OLseive-se que os lialados de µioleçao dos diieilos
n
o
45/2004 conlaiam com amµla maioiia na Câmaia dos
Deµulados e no Senado !edeial, excedendo, inclusive, o quorun
dos lies quinlos dos memLios em cada Casa. Todavia, nao
loiam aµiovados µoi dois luinos de volaçao, mas em um unico
luino de volaçao em cada Casa, uma vez que o µiocedimenlo
de dois luinos nao eia lamµouco µievislo.
Reileie-se que, µoi loiça do ail. 5
o
, , 2
o
, lodos
os lialados de diieilos lumanos, indeµendenlemenle do
quorun de sua aµiovaçao, sao maleiialmenle conslilucionais,
comµondo o Lloco de conslilucionalidade. O quorun
esla lao-somenle a ieloiçai lal naluieza, ao adicionai um
µioµiciando a ¨conslilucionalizaçao loimal¨ dos lialados
de diieilos lumanos no âmLilo juiidico inleino. Como ja
delendido µoi esse liaLallo, na leimeneulica emanciµaloiia
dos diieilos la que imµeiai uma logica maleiial e nao
loimal, oiienlada µoi valoies, a celeLiai o valoi lundanle da
µievalencia da dignidade lumana. A lieiaiquia de valoies deve
coiiesµondei uma lieiaiquia de noimas
23
, e nao o oµoslo. Vale
dizei, a µieµondeiância maleiial de um Lem juiidico, como e o
caso de um diieilo lundamenlal, deve condicionai a loima no
µlano juiidico-noimalivo, e nao sei condicionado µoi ela.
Þao seiia iazoavel suslenlai que os lialados de
lei ledeial, enquanlo os demais adquiiissem lieiaiquia
conslilucional exclusivamenle em viilude de seu quorun de
aµiovaçao. A lilulo de exemµlo, deslaque-se que o Biasil e
µaile da Convençao conlia a Toiluia e oulios Tialamenlos
ou Penas Ciueis, Desumanos ou Degiadanles desde 1989,
laveiia qualquei iazoaLilidade se a esle ullimo um lialado
comµlemenlai e suLsidiaiio ao µiinciµal losse conleiida
21
A iesµeilo, vei P!OVLSAÞ, !lavia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional, 8. ed. ievisla, amµliada e alualizada, Sao Paulo: Saiaiva, 2007,
µ. 51-81.
22
Delendi essa µosiçao em µaiecei soLie o lema, aµiovado em sessao do Consello Þacional de Delesa dos Diieilos da Pessoa Humana, em maiço de 2004.
23
MLIIO, Celso de AlLuqueique. O µaiagialo 2
o
do ail. 5
o
da Consliluiçao !edeial. !n: Teoria dos direitos fundamentais, µ. 25.
28
Artlgo 03
lieiaiquia conslilucional, e ao insliumenlo µiinciµal losse
conleiida lieiaiquia meiamenle legal. Tal siluaçao imµoilaiia
em agudo anacionismo do sislema juiidico, alionlando, ainda,
a leoiia geial da ieceµçao acollida no diieilo Liasileiio
24
.
Ademais, como iealça Celso Ialei, ¨o novo µaiagialo 3
o

do ail. 5
o
µode sei consideiado como uma lei inleiµielaliva des-
linada a enceiiai as conlioveisias juiisµiudenciais e douliinaiias
susciladas µelo µaiagialo 2
o
do ail. 5
o
. De acoido com a oµiniao
douliinaiia liadicional, uma lei inleiµielaliva nada mais laz do que
25
.
\ma vez mais, coiioLoia-se o enlendimenlo de que os
menle ao mencionado µaiagialo, ou seja, anleiioimenle a Lmen-
da Conslilucional n
o
45/2004, lem lieiaiquia conslilucional, si-
luando-se como noimas maleiial e loimalmenle conslilucionais.
Lsse enlendimenlo decoiie de qualio aigumenlos:
a) a inleiµielaçao sislemalica da Consliluiçao, de
loima a dialogai os ,, 2
o
e 3
o
do ail. 5
o
, ja que o
ullimo nao ievogou o µiimeiio, mas deve, ao ieves,
sei inleiµielado a luz do sislema conslilucional;
L) a logica e iacionalidade maleiial que devem
oiienlai a leimeneulica dos diieilos lumanos;
c) a necessidade de evilai inleiµielações que aµon-
lem a agudos anacionismos da oidem juiidica; e
d) a leoiia geial da ieceµçao do Diieilo Liasileiio.
A iesµeilo do imµaclo ail. 5
o
, , 3
o
, deslaca-se a decisao
do Suµeiioi TiiLunal de 1usliça, quando do julgamenlo do
RHC 18799, lendo como ielaloi o Minislio 1ose Delgado, em
maio de 2006:
(...) o ,3
o
do ail. 5
o
da C!/88, aciescido µela LC n. 45,
e laxalivo ao enunciai que os lialados e convenções
inleinacionais soLie diieilos lumanos que loiem
aµiovados, em cada Casa do Congiesso Þacional,
em dois luinos, µoi lies quinlos dos volos dos
iesµeclivos memLios, seiao equivalenles as emendas
conslilucionais.
Oia, aµesai de a eµoca o ieleiido Paclo lei sido
aµiovado com quorun de lei oidinaiia, e de se iessallai que
ele nunca loi ievogado ou ieliiado do mundo juiidico, nao
oLslanle a sua iejeiçao decanlada µoi decisões judiciais. De
acoido com o cilado ,3
o
, a Convençao conlinua em vigoi, desla
leila com loiça de emenda conslilucional. A iegia emanada
µelo disµosilivo em aµieço e claia no senlido de que os lialados
inleinacionais conceinenles a diieilos lumanos nos quais o
Biasil seja µaile devem sei assimilados µela oidem juiidica do
µais como noimas de lieiaiquia conslilucional. Þao se µode
escanleai que o ,1
o
suµia deleimina, µeiemµloiiamenle, que
lem aµlicaçao imediala¨. Þa esµecie, devem sei aµlicados,
imedialamenle, os lialados inleinacionais em que o Biasil
seja µaile. O Paclo de Sao 1ose da Cosla Rica loi iesgalado
µela nova disµosiçao (,3
o
do ail. 5
o
ielioaliva. A liamilaçao de lei oidinaiia conleiida a aµiovaçao
da mencionada Convençao (...) nao consliluiia oLice loimal
de ielevância suµeiioi ao conleudo maleiial do novo diieilo
aclamado, nao imµedindo a sua ielioalividade, µoi se lialai de
acoido inleinacional µeilinenle a diieilos lumanos¨
26
.
Lsse julgado ievela a leimeneulica adequada a sei
aµlicada aos diieilos lumanos, insµiiada µoi uma logica e
soL a loima
27
.
O imµaclo da inovaçao inlioduzida µelo ail. 5
o
, , 3
o
e
a necessidade de evoluçao e alualizaçao juiisµiudencial loiam
lamLem iealçadas no Suµiemo TiiLunal !edeial, quando do
julgamenlo do RL 466.343
28
, em 22 de novemLio de 2006, em
emLlemalico volo µioleiido µelo Minislio Gilmai !eiieiia
Mendes, ao deslacai:
(...) a ieloima acaLou µoi iessallai o caialei esµe-
cial dos lialados de diieilos lumanos em ielaçao aos
demais lialados de ieciµiocidade enlie Lslados µac-
luanles, conleiindo-lles lugai µiivilegiado no oide-
namenlo juiidico. (...) a mudança conslilucional ao
24
A lilulo de exemµlo, cile-se o Codigo TiiLulaiio Þacional (Iei 5.172, de 25 de ouluLio de 1966), que, emLoia seja lei oidinaiia, loi ieceµcionado como lei comµlemenlai,
nos leimos do ailigo 146 da Consliluiçao !edeial.
25
IA!LR, Celso. A internacionalização dos direitos humanos: Constituição, racismo e relações internacionais, Baiueii: Manole, 2005. µ. 16.
26
RHC 18799, Recuiso Oidinaiio em Habeas Corpus, dala do julgamenlo: 09/05/2006, D1 08.06.2006.
27
Lm senlido conliaiio, deslaca-se o RHC 19087, Recuiso Oidinaiio em Habeas Corpus, dala do julgamenlo: 18/05/2006, D1 29.05.2006, julgado µioleiido µelo Suµeiioi
TiiLunal de 1usliça, lendo como ielaloi o Minislio AlLino Zavascli. A aigumenlaçao do ieleiido julgado, ao ieves, insµiiou-se µoi uma logica e iacionalidade loimal,
µoi quorun
Diieilos Humanos)¨.
28
Vei Recuiso Lxliaoidinaiio 466.343-1, Sao Paulo, ielaloi Minislio Cezai Peluso, iecoiienle Banco Biadesco S/A e iecoiiido Iuciano Caidoso Sanlos. Þole-se que o
julgamenlo envolvia a lemalica da µiisao civil µoi divida e a aµlicaçao da Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos. Ale novemLio de 2006, oilo dos onze Minislios
!edeial, ao enlienlai a mesma lemalica, suslenlou a µaiidade lieiaiquica enlie lialado e lei ledeial, admilindo a µossiLilidade da µiisao civil µoi divida, µelo volo de
oilo dos onze Minislios.
29
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
qual lem sido µieconizada µela juiisµiudencia do Su-
µiemo TiiLunal !edeial desde o iemolo julgamenlo
do RL n
o
80.004/SL, de ielaloiia do Minislio Xaviei
de AlLuqueique (julgado em 1.6.1977; D1 29.12.1977)
e enconlia iesµaldo em laigo ieµeiloiio de casos jul-
gados aµos o advenlo da Consliluiçao de 1988. (...)
Tudo indica, µoilanlo, que a juiisµiudencia do Su-
µiemo TiiLunal !edeial, sem somLia de duvidas, lem
de sei ievisilada ciilicamenle. (...) Assim, a µiemenle
necessidade de se dai elelividade a µioleçao dos diiei-
los lumanos nos µlanos inleino e inleinacional loina
imµeiiosa uma mudança de µosiçao quanlo ao µaµel
dos lialados inleinacionais soLie diieilos na odem
juiidica nacional. L necessaiio assumii uma µosluia
juiisdicional mais adequada as iealidades emeigenles
em âmLilos suµianacionais, volladas µiimoidialmen-
le a µioleçao do sei lumano. (...) Deixo acenluado,
lamLem, que a evoluçao juiisµiudencial semµie loi
uma maica de qualquei juiisdiçao conslilucional.
(...) Tenlo ceileza de que o esµiiilo desla Coile, loje,
mais que que nunca, esla µieµaiado µaia essa aluali-
zaçao juiisµiudencial.
lialados de diieilos lumanos.
Aciedila-se que o novo disµosilivo do ail. 5
o
, , 3
o
, vem
a ieconlecei de modo exµlicilo a naluieza maleiialmenle cons-
lilucional dos lialados de diieilos lumanos, ieloiçando, desse
modo, a exislencia de um iegime juiidico mislo, que dislingue os
lialados de diieilos lumanos dos lialados liadicionais de cunlo
comeicial. !slo e, ainda que lossem aµiovados µelo elevado
quorun de lies quinlos dos volos dos memLios de cada Casa
do Congiesso Þacional, os lialados comeiciais nao µassaiiam
a lei siaius loimal de noima conslilucional lao-somenle µelo
µiocedimenlo de sua aµiovaçao.
anleiioimenle a Lmenda n
o
45/2004, µoi loiça dos ,, 2
o
e
3
o
do ail. 5
o
da Consliluiçao, sao noimas maleiial e loimalmenle
conslilucionais, com ielaçao aos novos lialados de diieilos
o
do mesmo ail. 5
o
,
indeµendenlemenle de seu quorun de aµiovaçao, seiao noimas
maleiialmenle conslilucionais. Conludo, µaia conveileiem-
se em noimas lamLem loimalmenle conslilucionais deveiao
µeicoiiei o µiocedimenlo demandado µelo , 3
o
. Þo mesmo
senlido, Celso Ial
Com a vigencia da Lmenda Conslilucional n
o
45, de
08 de dezemLio de 2004, os lialados inleinacionais a
que o Biasil venla a adeiii, µaia seiem ieceµcionados
loimalmenle como noimas conslilucionais, devem
oLedecei ao ilem µievislo no novo µaiagialo 3
o
do
ail. 5
o29
.
!slo µoique, a µailii de um ieconlecimenlo exµlicilo
da naluieza maleiialmenle conslilucional dos lialados de
diieilos lumanos, o , 3
o
do ail. 5
o
µeimile aliiLuii o siaius
de noima loimalmenle conslilucional aos lialados de diieilos
lumanos que oLedeceiem ao µiocedimenlo nele conlemµlado.
Iogo, µaia que os lialados de diieilos lumanos a seiem
se a oLseivância de quorun
volos dos memLios de cada Casa do Congiesso Þacional,
em dois luinos que e juslamenle o quorun exigido µaia a
aµiovaçao de emendas a Consliluiçao, nos leimos do ail. 60,
, 2
o
, da Caila de 1988. Þessa liµolese, os lialados de diieilos
lumanos loimalmenle conslilucionais sao equiµaiados as
emendas a Consliluiçao, islo e, µassam a inlegiai loimalmenle
o Texlo Conslilucional.
Vale dizei, com o advenlo do , 3
o
do ail. 5
o
suigem
duas calegoiias de lialados inleinacionais de µioleçao de
diieilos lumanos:
a) os maleiialmenle conslilucionais; e
L) os maleiial e loimalmenle conslilucionais. !iise-
se: lodos os lialados inleinacionais de diieilos
lumanos sao maleiialmenle conslilucionais,
µoi loiça do , 2
o
do ail. 5
o30
. Paia alem de seiem
maleiialmenle conslilucionais, µodeiao, a µailii
do , 3
o
do mesmo disµosilivo, aciescei a qualidade
de loimalmenle conslilucionais, equiµaiando-se
as emendas a Consliluiçao, no âmLilo loimal.
4. O Impacto dos Tratados Internacionais de Proteção dos
Direitos Humanos na Ordem Juridica Brasileira
Relalivamenle ao imµaclo juiidico dos lialados
inleinacionais de diieilos lumanos no Diieilo Liasileiio, e
consideiando a lieiaiquia conslilucional desses lialados, lies
liµoleses µodeiao ocoiiei. O diieilo enunciado no lialado
inleinacional µodeia:
29
IA!LR, Celso. A internacionalização dos direitos humanos: Constituição, racismo e relações internacionais. Baiueii: Manole, 2005. µ. 17.
30
Como !ngo Wollgang Sailel leciona: ¨!noLslanle nao necessaiiamenle ligada a lundamenlalidade loimal, e µoi inleimedio do diieilo conslilucional µosilivo (ail.
5
o
, µaiagialo 2
o
da C!) que a noçao de lundamenlalidade maleiial µeimile a aLeiluia da Consliluiçao a oulios diieilos lundamenlais nao conslanles de seu lexlo, e,
µoilanlo, aµenas maleiialmenle lundamenlais, assim como la diieilos lundamenlais siluados loia do calalogo, mas inlegianles da Consliluiçao loimal¨ (
direitos fundamentais, µ. 81.)
30
Artlgo 03
a) coincidii com o diieilo asseguiado µela Conslilui-
çao (nesle caso a Consliluiçao ieµioduz µieceilos
do Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos);
L) inlegiai, comµlemenlai e amµliai o univeiso de
diieilos conslilucionalmenle µievislos;
c) conliaiiai µieceilo do Diieilo inleino.
Þa µiimeiia liµolese, o Diieilo inleino Liasileiio,
em µailiculai a Consliluiçao de 1988, aµiesenla disµosilivos
inleinacionais de diieilos lumanos. A lilulo de exemµlo, me-
iece ieleiencia o disµoslo no ail. 5
o
, inciso !!!, da Consliluiçao
de 1988 que, ao µievei que ¨ninguem seia suLmelido a loiluia,
nem a lialamenlo ciuel, desumano ou degiadanle¨, e ieµio-
duçao lileial do ail. V da Declaiaçao \niveisal de 1948, do
ail. 7
o
do Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e
ainda do ail. 5
o
(2) da Convençao Ameiicana. Poi sua vez, o
µiinciµio da inocencia µiesumida, inedilamenle µievislo µela
Consliluiçao de 1988 em seu ail. 5
o
, IV!!, lamLem e iesullado
de insµiiaçao no Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos,
nos leimos do ail. X! da Declaiaçao \niveisal, ail. 14 (3) do
Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e ail. 8
o
(2)
da Convençao Ameiicana. Lsses sao aµenas alguns exemµlos
que comµiovam o quanlo o Diieilo inleino Liasileiio lem
como insµiiaçao, µaiadigma e ieleiencia, o Diieilo !nleina-
cional dos Diieilos Humanos.
A ieµioduçao de disµosições de lialados inleinacio-
nao aµenas o lalo do legisladoi nacional Luscai oiienlaçao e
insµiiaçao nesse insliumenlal, mas ainda ievela a µieocuµaçao
do legisladoi em equacionai o Diieilo inleino, de modo a que
se ajusle, com laimonia e consonância, as oLiigações inleina-
cionalmenle assumidas µelo Lslado Liasileiio. Þesse caso, os
lialados inleinacionais de diieilos lumanos ieloiçam o valoi
juiidico de diieilos conslilucionalmenle asseguiados, de loima
que evenlual violaçao do diieilo imµoilaia nao aµenas em ies-
µonsaLilizaçao nacional, mas lamLem em iesµonsaLilizaçao
inleinacional.
1a na segunda liµolese, os lialados inleinacionais de
diieilos lumanos eslaiao a inlegiai, comµlemenlai e eslendei
a declaiaçao conslilucional de diieilos. Com eleilo, a µailii dos
e µossivel elencai inumeios diieilos que, emLoia nao µievislos
no âmLilo nacional, enconliam-se enunciados nesses lialados
e, assim, µassam a se incoiµoiai ao Diieilo Liasileiio. A lilulo
de ilusliaçao, caLe mençao aos seguinles diieilos:
a) diieilo de loda µessoa a um nivel de vida
adequado µaia si µioµiio e sua lamilia, inclusive
a alimenlaçao, veslimenla e moiadia, nos leimos
do ail. 11 do Paclo !nleinacional dos Diieilos
Lconomicos, Sociais e Culluiais;
L) µioiLiçao de qualquei µioµaganda em lavoi
da gueiia e µioiLiçao de qualquei aµologia ao
odio nacional, iacial ou ieligioso, que conslilua
incilamenlo a disciiminaçao, a loslilidade ou
a violencia, em conloimidade com o ail. 20 do
Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos
e ail. 13 (5) da Convençao Ameiicana;
c) diieilo das minoiias elnicas, ieligiosas ou
lingüislicas de lei sua µioµiia vida culluial,
µiolessai e µialicai sua µioµiia ieligiao e usai sua
µioµiia lingua, nos leimos do ail. 27 do Paclo
!nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e
ail. 30 da Convençao soLie os Diieilos da
Ciiança;
d) µioiLiçao do ieeslaLelecimenlo da µena de moile
nos Lslados que a lajam aLolido, de acoido com
o ail. 4
o
(3) da Convençao Ameiicana;
e) µossiLilidade de adoçao µelos Lslados de medidas,
no âmLilo social, economico e culluial, que
asseguiem a adequada µioleçao de ceilos giuµos
iaciais, no senlido de que a eles seja gaianlido o
µleno exeicicio dos diieilos lumanos e liLeidades
lundamenlais, em conloimidade com o ail. 1
o
(4)
da Convençao soLie a Lliminaçao de lodas as
loimas de Disciiminaçao Racial;
l) µossiLilidade de adoçao µelos Lslados de medidas
lemµoiaiias e esµeciais que oLjelivem aceleiai
a igualdade de lalo enlie lomens e mulleies,
nos leimos do ail. 4
o
da Convençao soLie a
Lliminaçao de lodas as loimas de Disciiminaçao
conlia a Mullei;
g) vedaçao da ulilizaçao de meios deslinados a
oLslai a comunicaçao e a ciiculaçao de ideias e
oµiniões, nos leimos do ail. 13 da Convençao
Ameiicana
31
;
l) diieilo ao duµlo giau de juiisdiçao como gaianlia
judicial minima, nos leimos dos ails. 8, ¨l¨ e 25,
µaiagialo 1
o
da Convençao Ameiicana
32
;
31
A iesµeilo, vei julgamenlo TR! 3
a
R RHC 96.03.060213-2-SP- 2
a
T, Relaloia µaia o Acoidao 1uiza Sylvia Sleinei, D1\ 19.03.1997.
32
Piocesso Penal, que eslaLelece a exigencia do iecollimenlo do ieu a µiisao µaia aµelai. Þesse senlido, vei Aµelaçao n. 1.011.673/4, julgada em 29.05.1996, 5
a
Câmaia,
Relaloi designado Di. Wallei Swensson, R1TACR!M 31/120.
31
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
i) diieilo do acusado sei ouvido, nos leimos do ail.
8, µaiagialo 1 da Convençao Ameiicana
33
;
j) diieilo de loda µessoa delida ou ielida sei julgada
em µiazo iazoavel ou sei µosla em liLeidade, sem
µiejuizo de que µiossiga o µiocesso, nos leimos
do ail. 7, (5) da Convençao Ameiicana
34
e
l) µioiLiçao da exliadiçao ou exµulsao de µessoa a
oulio Lslado quando louvei lundadas iazões
que µodeia sei suLmelida a loiluia ou a oulio
lialamenlo ciuel, desumado ou degiadanle, nos
leimos do ail. 3
o
da Convençao conlia a Toiluia e
do ailigo 22, V!!! da Convençao Ameiicana
35
.
Lsse elenco de diieilos enunciados em lialados
inleinacionais de que o Biasil e µaile inova e amµlia o univeiso
de diieilos nacionalmenle asseguiados, na medida em que nao
se enconliam µievislos no Diieilo inleino. OLseive-se que
se incoiµoiaiam a oidem juiidica inleina Liasileiia. Desse
modo, µeiceLe-se como o Diieilo !nleinacional dos Diieilos
Humanos inova, eslende e amµlia o univeiso dos diieilos
conslilucionalmenle asseguiados.
O Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos
ainda µeimile, em deleiminadas liµoleses, o µieenclimenlo
de lacunas aµiesenladas µelo Diieilo Liasileiio. A lilulo de
exemµlo, meiece deslaque decisao µioleiida µelo Suµiemo
TiiLunal !edeial aceica da exislencia juiidica do ciime de
loiluia conlia ciiança e adolescenle, no Habeas Corpus
n. 70.389-5 (Sao Paulo; TiiLunal Pleno 23.6.94; Relaloi:
Minislio Sidney Sancles; Relaloi µaia o Acoidao: Minislio
Celso de Mello). Þesse caso, o Suµiemo TiiLunal !edeial
enlocou a noima conslanle no Lslalulo da Ciiança e do
Adolescenle que eslaLelece como ciime a µialica de loiluia
conlia ciiança e adolescenle (ail. 233 do Lslalulo). A µolemica
se inslauiou em iazao de o lalo dessa noima consagiai um
¨liµo µenal aLeilo¨, µassivel de comµlemenlaçao no que se
loiluia. Þesse senlido, enlendeu o Suµiemo TiiLunal !edeial
que os insliumenlos inleinacionais de diieilos lumanos em
µailiculai, a Convençao de Þova Yoil soLie os Diieilos da
Ciiança (1990), a Convençao conlia a Toiluia, adolada µela
AssemLleia Geial da OÞ\ (1984), a Convençao !nleiameiicana
conlia a Toiluia, concluida em Cailagena (1985) e a Convençao
Ameiicana soLie Diieilos Humanos (Paclo de Sao 1ose da
Cosla Rica), loimada no âmLilo da OLA (1969) µeimilem
a inlegiaçao da noima µenal em aLeilo, a µailii do ieloiço do
univeiso conceilual ielalivo ao leimo ¨loiluia¨. Þole-se que
o ciime de loiluia.
Como essa decisao claiamenle demonslia, os
insliumenlos inleinacionais de diieilos lumanos µodem
inlegiai e comµlemenlai disµosilivos noimalivos do Diieilo
Liasileiio, µeimilindo o ieloiço de diieilos nacionalmenle
µievislos no caso, o diieilo de nao sei suLmelido a loiluia.
Conludo, ainda e µossivel uma leiceiia liµolese no
ieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos e o Diieilo inleino.
Lssa leiceiia liµolese e a que enceiia maioi µioLlemalica, sus-
cilando a seguinle indagaçao: como solucionai evenlual con-
de µioleçao dos diieilos lumanos'
Podei-se-ia imaginai, como µiimeiia alleinaliva, a
adoçao do ciileiio ¨lei µosleiioi ievoga lei anleiioi com ela
incomµalivel¨, consideiando a lieiaiquia conslilucional dos
lialados inleinacionais de diieilos lumanos. Todavia, um
exame mais cauleloso da maleiia aµonla µaia um ciileiio de
lela, que se silua no µlano dos diieilos lundamenlais. L o
ciileiio a sei adolado se oiienla µela escolla da noima mais
ao individuo, lilulai do diieilo. O ciileiio ou µiinciµio da
aµlicaçao do disµosilivo mais lavoiavel as vilimas e nao aµenas
consagiado µelos µioµiios lialados inleinacionais de µioleçao
dos diieilos lumanos, mas lamLem enconlia aµoio na µialica
ou juiisµiudencia dos oigaos de suµeivisao inleinacionais.
!slo e, no µlano de µioleçao dos diieilos lumanos inleiagem
o Diieilo inleinacional e o Diieilo inleino, movidos µelas
mesmas necessidades de µioleçao, µievalecendo as noimas que
melloi µiolejam o sei lumano, lendo em visla que a µiimazia
e da µessoa lumana. Os diieilos inleinacionais conslanles
dos lialados de diieilos lumanos aµenas vem a aµiimoiai e
loilalecei, nunca a iesliingii ou deLililai, o giau de µioleçao
dos diieilos consagiados no µlano noimalivo conslilucional.
Þa liçao laµidai de Anlonio Auguslo Cançado Tiindade:
33
A esle iesµeilo, vei RHC 7463/D!, iecuiso oidinaiio em habeas-corpus (98/0022262-6), de 23.06.1998, lendo como ielaloi o Minislio Iuiz Vicenle Ceiniccliaio.
34
SoLie a maleiia, vei ST1, RHC n. 5.239-BA, ielaloi Minislio Ldson Vidigal, 5
a
Tuima, v.u., j. 07.05.1996, D1\ 29.09.1997. Þole-se que esse diieilo acaLou µoi sei
loimalmenle conslilucionalizado em viilude da inclusao do inciso IXXV!!! no ail. 5
o
, liulo da Lmenda Conslilucional n. 45/2004.
35
A iesµeilo, vei Lxliadiçao 633, selemLio/1998, ielaloi Minislio Celso de Mello, em que loi negada a exliadiçao a ReµuLlica Poµulai da Clina de µessoa acusada de
ciime de eslelionalo, la µunivel com a µena de moile.
32
Artlgo 03
(...) desvencillamo-nos das amaiias da vella e ociosa
µolemica enlie monislas e dualislas. Þesle camµo
de µioleçao, nao se liala de µiimazia do diieilo
inleinacional ou do diieilo inleino, aqui em conslanle
inleiaçao: a µiimazia e, no µiesenle dominio, da
noima que melloi µioleja, em cada caso, os diieilos
consagiados da µessoa lumana, seja ela uma noima
de diieilo inleinacional ou de diieilo inleino
36
.
!nleinacional dos Diieilos Humanos e o Diieilo inleino,
adola-se o ciileiio da noima mais lavoiavel a vilima. Lm oulias
µalavias, a µiimazia e da noima que melloi µioleja, em cada
caso, os diieilos da µessoa lumana. A escolla da noima mais
aos TiiLunais nacionais e a oulios oigaos aµlicadoies do
diieilo, no senlido de asseguiai a melloi µioleçao µossivel ao
sei lumano.
A lilulo de exemµlo, um caso a meiecei enloque
ieleie-se a µievisao do ail. 11 do Paclo !nleinacional dos
Diieilos Civis e Polilicos, ao disµoi que ¨ninguem µodeia
sei µieso aµenas µoi nao µodei cumµiii com uma oLiigaçao
conlialual¨. Lnunciado semellanle e µievislo µelo ail. 7
o

(7) da Convençao Ameiicana, ao eslaLelecei que ninguem
deve sei delido µoi dividas, aciescenlando que esle µiinciµio
nao limila os mandados judiciais exµedidos em viilude de
inadimµlemenlo de oLiigaçao alimenlai.
amLos os insliumenlos inleinacionais em 1992, sem eleluai
qualquei ieseiva soLie a maleiia.
Oia, a Caila conslilucional de 1988, no ail. 5
o
, inciso
IXV!!, deleimina que ¨nao laveia µiisao civil µoi divida, salvo
a do iesµonsavel µelo inadimµlemenlo volunlaiio e inescusavel
Consliluiçao Liasileiia consagia o µiinciµio da µioiLiçao da
µiisao civil µoi dividas, admilindo, lodavia, duas exceções a
liµolese do inadimµlemenlo de oLiigaçao alimenlicia e a do
OLseiva-se que, enquanlo o Paclo !nleinacional
dos Diieilos Civis e Polilicos nao µieve qualquei exceçao ao
µiinciµio da µioiLiçao da µiisao civil µoi dividas, a Convençao
Ameiicana exceµciona o caso de inadimµlemenlo de oLiigaçao
qualquei ieseiva no que lange a maleiia, la que se queslionai
Mais uma vez, alendo-se ao ciileiio da noima
mais lavoiavel a vilima no µlano da µioleçao dos diieilos
lumanos, conclui-se que meiece sei alaslado o caLimenlo
37
, conleiindo-
os valoies da liLeidade e da µioµiiedade, o µiimeiio la de
µievalecei. Ressalle-se que se a siluaçao losse inveisa se a
inleinacional aµlicai-se-ia a noima conslilucional, inoLslanle
os aludidos lialados livessem lieiaiquia conslilucional e
Vale dizei, as µioµiias iegias inleiµielalivas dos lialados
inleinacionais de µioleçao aos diieilos lumanos aµonlam a
so se aµlicam se amµliaiem e eslendeiem o alcance da
µioleçao nacional dos diieilos lumanos. Þole-se que, no
leimos liLeidade e solidaiiedade (que asseguia muilas vezes
a soLievivencia lumana), meiecendo µievalencia o valoi da
solidaiiedade, como assinalam a Consliluiçao Biasileiia de
1988 e a Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos.
Lm sinlese, os lialados inleinacionais de diieilos lu-
cionalmenle consagiados oia ieloiçando sua imµeialividade
juiidica, oia adicionando novos diieilos, oia susµendendo
µieceilos que sejam menos lavoiaveis a µioleçao dos diieilos
36
TR!ÞDADL, Cançado Auguslo Anlonio. A proteção dos direitos humanos nos planos nacional e internacional: perspectivas brasileiras. San 1ose de Cosla Rica/Biasilia:
e ceilo que os lialados mullilaleiais, sejam univeisais (µ. ex: Paclo da OÞ\ soLie diieilos economicos, sociais e culluiais e Convenções da O!T), sejam iegionais (µ. ex:
Caila Social Luioµeia), adolam a mesma conceµçao quanlo aos inslilulos juiidicos de µioleçao do liaLalladoi, soLieludo no âmLilo dos diieilos lumanos, o que lacilila
a aµlicaçao do µiinciµio da noima mais lavoiavel¨. (Direito internacional do trabalho. Sao Paulo: ITR, 1983. µ. 57). A iesµeilo, elucidalivo e o disµoslo no ail. 29 da
Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos que, ao eslaLelecei iegias inleiµielalivas, deleimina: ¨Þenluma disµosiçao da µiesenle Convençao µode sei inleiµielada no
senlido de: a) µeimilii a qualquei dos Lslados-µailes, giuµo ou individuo, suµiimii o gozo e o exeicicio dos diieilos e liLeidades ieconlecidos na Convençao ou limila-los
em maioi medida do que a nela µievisla; L) limilai o gozo e exeicicio de qualquei diieilo ou liLeidade que µossam sei ieconlecidos em viilude de leis de qualquei dos
Lslados-µailes ou em viilude de Convenções em que seja µaile um dos ieleiidos Lslados (...)¨.
37
Þesse senlido, meiece deslaque o louvavel volo do 1uiz Anlonio Cailos Malleiios, do Piimeiio TiiLunal de Alçada do Lslado de Sao Paulo, na Aµelaçao n. 613.053-8.
Vei lamLem Aµelaçao n. 601.880-4, Sao Paulo, 1
a
Câmaia, 16.9.1996, ielaloi 1uiz Llliol Alel, v.u., e Habeas Corpus n. 3.545-3 (95.028458-8), Disliilo !edeial, 10.10.1995,
Rel. Min. Adlemai Maciel. Þole-se nao sei esse o enlendimenlo do Suµiemo TiiLunal !edeial, ainda que vencidos a eµoca os Minislios Cailos Velloso, Maico Auielio
e Seµulveda Peilence. A iesµeilo, vei HC 72.131-R1, 22.11.1995; RL 206.482-SP; HC 76-561-SP, Plenaiio, 27.5.1998 e RL 243613, 27.4.1999. Aciescenle-se que µaia o
cilado Recuiso Lxliaoidinaiio 466.343-1, em que, inedilamenle, oilo dos onze Minislios ja laviam se manileslado µela inconslilucionalidade da µiisao µaia o devedoi
33
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
lumanos. Lm lodas essas lies liµoleses, os diieilos inleinacio-
nais conslanles dos lialados de diieilos lumanos aµenas vem a
aµiimoiai e loilalecei, nunca a iesliingii ou deLililai, o giau de
µioleçao dos diieilos consagiados no µlano noimalivo consli-
lucional.
5. C
Como demonsliado µoi esle esludo, os lialados
inleinacionais de diieilos lumanos µodem conliiLuii de loima
decisiva µaia o ieloiço da µiomoçao dos diieilos lumanos no
Biasil. Þo enlanlo, o sucesso da aµlicaçao desse insliumenlal
inleinacional de diieilos lumanos iequei a amµla sensiLilizaçao
dos agenles oµeiadoies do Diieilo, no que se alem a ielevância
e a ulilidade de advogai esses lialados µeianle as inslâncias
nacionais e inleinacionais, o que µode viaLilizai avanços
concielos na delesa do exeicicio dos diieilos da cidadania.
inleiaçao e conjugaçao do Diieilo inleinacional e do Diieilo
inleino, que loilalecem a sislemalica de µioleçao dos diieilos
lundamenlais, com uma µiinciµiologia e logica µioµiias,
lundadas no µiinciµio da µiimazia dos diieilos lumanos.
Teslemunla-se o µiocesso de inleinacionalizaçao do Diieilo
Conslilucional somado ao µiocesso de conslilucionalizaçao
do Diieilo !nleinacional.
A Caila de 1988 e os lialados de diieilos lumanos
lançam um µiojelo democializanle e lumanisla, caLendo
aos oµeiadoies do diieilo inliojelai e incoiµoiai os seus
valoies inovadoies. Os agenles juiidicos lao de se conveilei
em agenles µioµagadoies de uma oidem ienovada,
democialica e iesµeiladoia dos diieilos lumanos, imµedindo
que se µeiµeluem os anligos valoies do iegime auloiilaiio,
juiidicamenle ieµudiado e aLolido.
Hoje, mais do que nunca, os oµeiadoies do Diieilo
juiidico seu µolencial elico e liansloimadoi, aµlicando a
Consliluiçao e os insliumenlos inleinacionais de µioleçao
de diieilos lumanos µoi ela incoiµoiados. Lslao, µoilanlo, a
µievalencia dos diieilos lumanos.

Pr610go. In: Cancado Trindade. 0 humanos e baseado na concepcao de que toda nacao tern a obrigacao de respeitar os direitos humanos de seus cidadaos e de que todas as nacoes e a comunidade internacional tern 0 qual surgiu como resposta as atrocidades e aos horrores cometidos pelo nazismo-. Tratados Internacionais de Proteeao dos Direitos Humanos: genese e principiologia Os tratados internacionais de direitos humanos o movimento do direito internacional dos direitos tern como fonte urn campo do Direito extremamente recente. bern como de sua fonte nacional dos Direitos Humanos. visiting fellow do Human Rights Program da Harvard Law School(1995 e 2000). como ja observei em outros escritos. em meados do seculo Direito Inter- Num segundo momento. primeiro serao apresentadas as especificidades desses tratados. intitulado Temas de Direitos Humanos. e um direito costumeiro internacional tem se desenvolvido. Antonio Augusto. Internacional dos Direitos Humanos" surge em decorrencia da Segunda Guerra Mundial e seu desenvolvimento pode ser atribuido as monstruosas violacoes de direitos humanos da era Hitler e a crenca de que parte dessas violacoes poderiam ser prevenidas se existisse urn efetivo sistema de protecao internacional de direitos humanos'. Minnesota: West Publishing. em face do fiagelo da Segunda Guerra Mundial. 1991. como paradigma e referencial etico para orientar a ordem internacional. 0 Estado Brasileiro em Face do Internacionais de Prote~ao de Sistema Internacional de Prote~ao dos Direitos Humanos. Logo.Em seguida. 'Como explica Louis Henkin: "Subsequentemente a Segunda Guerra Mundial. sera analisado o impacto juridico que esses tratados apresentam. Nesse sentido.Human Rights University Network. A protecao internacional dos direitos humanos: fundamentos juridicos e instromentos basicos. capitulo 1. 0 emergente Direito Internacional dos Direitos Humanos institui obrigacoes aos Estados para com todas as pessoas humanas e nao apenas para com estrangeiros. ed. Louis et al. denominado "Direito Internacional dos Direitos Humanos". ed. 20 . membro do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e da SUR . visiting fellow do Centre for Brazilian Studies.Artigo 03 Artigo 03 A Constltulcao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos Flavia Piovesan! I. 1993. Sao Paulo: Saraiva. Sao Paulo: Saraiva. 3. p. Este artigo foi produzido com base no livro de minha autoria. International law: cases and materials. -Professora doutora da disciplina de Direito Constitucional e Direitos Humanos da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo. conhecido como Direito do pos-guerra.2007). no qual imperava a logica da destruicao e segundo 0 internacionais de protecao aos direitos humanos a luz da Constituicao Brasileira de 1988. sera feita uma avaliacaodo modo pelo qual a Constituicao Brasileirade 1988tece a incorporacao desses tratados O. (BUERGENTHAL. 1. se urn Estado nao cumprir suas obrigacoes. (HENKIN. direito e a responsabilidade de protestar. os acordos internacionais de direitos humanos tern criado obrigacoes e responsabilidades para os Estados. Thomas. A proposta deste artigo e enfocar os tratados Em face do regime de terror. afirma Richard B. sera xx surge 0 "Direito dado destaque a posicao do Brasil em face dos instrumentos internacionais de protecao dos direitos human os. tem humanizado 0 direito internacional contemporaneo e internacionalizado os direitos humanos. 2. 45/2004. XXXI). ao reconhecer que os seres human os tern direitos protegidos pelo direito internacional e que a denegacao desses direitos engaja a responsabilidade internacional dos Estados independentemente da nacionalidade das vitimas de tais violacoes". serao analisados casos concretos da aplicacao desses tratados. a observancia dos direitos humanos e nao apenas um assunto de interesse particular do Estado (e relacionado a jurisdicao domestica). da University of Oxford (2005). 0 qual as pessoas eram consideradas descartaveis. 3Na licao de Thomas Buergenthal: "Este codigo.0 Impacto dosTratados Internacionais Direitos Humanos pelo Direito na Ordem de Prote~ao dos Direitos Humanos Jurfdica Brasileira. emerge a necessidade de reconstrucao do valor dos direitos humanos. mas e materia de interesse internacional e objeto pr6prio de regulacao do Direito Internacional". 2008. Neste momento. 4. Este Direito reflete a aceitacao geral de que todo individuo deve ter direitos. Ao tratar do Direito Internacional dos Direitos Humanos.Tratados Internacionais de Prote~ao dos Direitos Humanos: genese e principiologia. Assim. professora de Direitos Humanos dos Programas de Pos-Graduacao da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo. procuradora do estado de Sao Paulo. Bilder: por fim. p. da Pontificia Universidade Catolica do Parana e da Universidade Pablo de Olavide de Sevilha (Espanha). 5. 3.A lncorporacao dosTratados Brasileiro. com respeito as pessoas sujeitas a sua jurisdicao. com destaque as inovacoes introduzidas pela Emenda Constitucional n. os quais todos os Estados devem respeitar e proteger. l. visiting fellow do Max Planck Institute for Comparative Public Law and International Law (Heidelberg .. ou seja.Considera~oes finais. 375-376).

Checoslovaquia. p. destaca-se a afirrnacao do Secretario Geral das Nacoes Unidas. tuvo inmediatamente una gran repercusion en la moral de las naciones.. por una parte. centrada na cidadania universal. na fim da era em que a Estado tratava seus nacionais era concebida como urn problema de jurisdicao domestic a. subrayo que el individuo es miembro directo de la sociedad humana y que es sujeto directo del derecho de gentes. Para Celso Lafer. nao deve se restringir a competencia nacional exclusiva ou a jurisdicao domestica exclusiva. para 0 protecao dos direitos humanos. In: HANNUM. resumir a grandes rasgos los caracteres de fa declaracion surgida de nuestros debates de 1947 a 1948. 1974. Prenuncia-se. por su amplitud. Su segunda caracteristica es la universalidad: es aplicable a todos los hombres de todos los paises. Tales son los caracteres esenciales de la declaraci6n. cit. op. Enfatizar os direitos dos individuos e os direitos dos povos e urna dimensao da soberania universal.. (. o catalogo dos direitos civis e politicos e conjugado ao catalogo dos direitos economicos. observa Rene Cassin: "Seame permitido. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. razas. p. Foreign Affairs. que passa a sofrerum processo de relativizacao. e bastante recente. A declaracao consolida a afirmacao de uma etica universal". para uma concepcao "kantiana" de soberania. Em 1948e adotada a Declaracao Universal dos Direitos Humanos. (LAFER. .A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos o Direito Internacional dos Direitos Humanos internacionais. Sao Paulo: Paz e Terra. Observa-se que em Helsinki. Revista dos Tribunais. a concepcao de que os direitos humanos sao objeto proprio de uma regulacao internacional. em 1975. Polonia. Comercie. permitemse formas de monitoramento e responsabilizacao internacional. ). no individuo deve ambito mundial. religiones y sexos. a serem seguidos pelos Estados. Uniao Sovietica. Arabia Saudita. ineditamente. 1992. dez. em 10 de dezembro de 1948. por sua vez. forma pela qual sua soberania. quando os direitos humanos forem violados'. em 1945. e inegavel que a antiga doutrina da soberania exclusiva e absoluta nao mais se aplica e que esta soberania jamais foi absoluta. 446. por el hecho de haber sido. Los pueblos empezaron a darse cuenta de que el conjunto de la comunidad humana se interesaba por su destino". Empowering the United Nations. 98-99. p. p. Os oito Estados que se abstiveram foram: Bielorussia. n. International law: cases and materials. pese a que hasta entonces se habia hablado siempre de declaracion "internacional". (. Comprende el conjunto de derechos y facultades sin los cuales un ser humano no puede desarrolar su personalidad fisica. Desarmamento. Ucrania.. (BOUTROS-GHALI. Al hacerlo conscientemente. os Estados comunistas da Europa expressamente aderiram it Declaracao Universal. no final de 1992: "Ainda que 0 respeito pela soberania e integridade do Estado seja uma questao central. Sao Paulo.) Muitos dos direitos que hoje constam do "Direito Internacional dos Direitos Humanos" surgiram apenas em 1945. pero tam bien 10 es del mundo. Mexico: Instituto de Investigaciones Juridicas. surge..) "Cf Eduardo Muylaert Antunes: "A Declaracao Universal dos Direitos Humanos se impoe com "0 valor da afirrnacao de uma etica universal" e conservara sempre seu lugar de simbolo e de ideal". 2. de uma concepcao "hobbesiana" de soberania. pro clamo la declaracion "Universal".) Embora a ideia de que os seres humanos tern direitos e liberdades fundamentais que Ihe sao inerentes tenha ha muito tempo surgido no pensamento humano. Por sua vez.. E urn movimento que. et al. fundada na promocao da nocao de direitos do cidadao. adoptada por unanimidad (pues solo hubo 8 abstenciones. Rene. (Natureza juridica da Declaracao Universal de Direitos Hurnanos. gracias a mi proposicion. Universalidade porque a condicao de pessoa e 0 requisito unico e exclusivo para a titula0 ridade de direitos. encontra expressao na gradual expansao do Direito Internacional". Guide to international human rights practice. ) La Declaracion. la Asamblea General. assim. fundada nos deveres dos suditos com relacao ao Estado. Naturalmente. 89. 2) a cristalizacao da ideia de que condicao de sujeito de Direito. porque revela tema de Iegitimo interesse internacional. An overview of international human rights law. p. deste modo. Africa do Sui e Jugoslavia. apud HENKIN. de uma visao ex parte principe. decorrencia em significado de urn codigo e plataforma comum de acao. In: Viente aiios de evolucion de los derechos humanos. 35. Celso. Hurst (Editor). v. como era entao concebida teoricamente. A declaracao de 1948 introduz a concepcao contemporanea de direitos humanos. Esta declaraci6n se caracteriza.. 199211993. essa concepcao inovadora aponta para duas importantes consequencias: ter direitos protegidos na esfera internacional.) 6A Declaracao Universal foi aprovada pela Resolucao 217 A (III). 1972. p. em prol da fundamento I) a revisao da nocao tradicional dos direitos humanos. pela aprovacao unanime de 48 Bstados. da Assembleia Geral. Nesse cenario. no Ato Final da Conferencia sobre Seguridade e Cooperacao na Europa.) Transita-se. como fue el caso. 18. ed. a partir do pes-guerra. na medida em que sao admitidas intervencoes no plano nacional. centrada no Estado. Jrente a 48 votos Javorables). Boutros. por48 votos a zero e oito abstencoes. Direitos Humanos: reflexoes sobre uma experiencia diplomatica. sendo a dignidade humana de soberania absoluta do Estado. as nacoes do mundo decidiram que a promocao de direitos humanos e liberdades fundamentais deve ser urn dos principais propositos das Organizacoes das Nacoes Unidas". fortalece-se a ideia de que a protecao dos direitos humanos nao deve se reduzir ao dominio reservado do Estado. Inspirada por essas concepcoes. conferem a Declaracao Universal 0 0 0 0 consiste num sistema de normas procedimentos e instituicoes desenvolvidas implementar essa concepcao e promover dos direitos humanos em todos respeito os paises. (. Louis. De ahi que aljinalizar los trabajos.. por el hecho mismo de la proteccion que el mundo debe brindarle. antes de concluir. com 8 abstencoes". marcada pela universalidade e indivisibilidade desses direitos. A inexistencia de qualquer questionamento ou reserva feita pelos Estados aos principios da Declaracao e a inexistencia de qualquer voto contrario as suas disposicoes. moral y intelectual. Indivisibilidade porque. 3-5. Ao consagrar direitos civis e politicos e direitos economicos.) ~ 21 . 5A respeito disso. Sobre o carater universal da declaracao. que reside em toda a hurnanidade e que permite aos povos urn envolvimento legitimo em questoes que afetam 0 mundo como um todo. com as implicacoes do holocausto e de outras violacoes de direitos humanos cometidas pelo nazismo. Richard B. cada vez mais. 1999. El problema de la realizaci6n de los derechos hurnanos en la sociedad universal. a Organizacao das Nacoes Unidas. isto e. 145. sociais e cultu- 4BILDER. quando. sociais e culturais. es ciudadano de su pais. sea cualfuere el regimen politico de los territorios donde rija. passa-se a urna visao ex parte populi. ao consagrar urn consenso sobre valores de cunho universal. Uma das maiores exigencias intelectuais de nos so tempo e a de repensar a questao da soberania ( . 397. (CASSIN. isto e.

0 direito a nacionalidade. Madrid: Civitas. direitos de propriedade e de praticar a religiao . 7) direitos politicos. Do mesmo autor a obra: Los derechos economicos sociales y culturales en el sistema interamericano. Sobre a materia. 22 e 27)". 1986. no lar e na reputacao (arts. e de reuniao e de associacao pacifica (arts. 89. dificil e a conjugacao desses valores. sem a efetividade entendida sociais carecem de verdadeira cogitar da liberdade divorciada infrutifero suma. E. 28. planejador e comprometido com os programas economico-sociais da sociedade que. unico e indivisivel. a declaracao humanos. Como pondera Norberto Bobbio: "As sociedades sao mais livres na medida em que sao menos justas e mais justas na medida em que sao menos livres". 29 e 30). ver ESPIELL.0 terceiro grupo de direitos se refere as liberdades civis e aos direitos politicos exercidos no sentido de contribuir para a formacao de orgaos governamentais e participar do processo de decisao (liberdade de consciencia. a protecao contra a prisao. 25). demarca contemporanea humanos do pela qual os direitos Assim. 18 a 21). adverte Antonio Cassesse: "Mas vamos examinar 0 conteudo da Declaracao de forma mais aprofundada. p. acrescido dos aspectos politicos de muitas liberdades civis". interventor. valor da lib erda- cumulacao de ao valor da igualdade". p. classe social e status. a presuncao de inocencia. incluindo principalmente os direitos ao trabalho. v. Estudios sobre derechos humanos. se reduzem da liberdade e a dos sem a realizacao dos seculos XVIII do seculo XX. por sua vez. Sobre 0 terna. sexual ou religiosa (arts. direito ao acesso ao governo e a administracao publica . adota-se 0 valor da liberdade a concepcao com 0 valor da passam intercriterio Nao ha mais como da liberdade. 3 all). enquanto apenas direitos civis e politicos. na hip6tese de perseguicao. Trad. Burns H (Editores). ao reconhecimento perante a lei. ou seja. a educacao e 0 direito de participar livremente na vida cultural da comunidade . categorias os direitos forrnais. ao repouso e ao lazer. consciencia e religiao. a protecao contra tratamentos ou punicoes crueis. Philadelphia: Temple University Press. p. degradantes ou desumanas e a protecao contra a discriminacao racial. Posteriorrnente. detencao ou exilio arbitrarios. por sua vez. 1967. pensar na justica social divorciada humanos constituem a ser concebidos como uma unidade interdependente. Massachussetts Institute of Technology. Primeiramente. ja os direitos de terceira geracao correspondem ao direito ao desenvolvimento. Indianapolis: The Bobbs-Merrill Company. econ6micos e culturais. na medida economicos. 0 direito ao trabalho e a assistencia social e a livre escolha de emprego. 0 valor da igualdade. Libro libre. especialmente os direitos a instrucao e a participacao na vida cultural da comunidade (arts. sem a efetividade sociais e culturais. 516.arts. a Declaracao Universal "tern sido dividida pelos autores em quatro partes: a) nonnas gerais (arts. 0 direitos civis e politicos. b) direitos e liberdades fundamentais (arts. 1990. 1979. de movimento e resistencia. 0 direito a liberdade de movimento no ambito nacional ou fora dele. mas envolvem obrigacoes governamentais de cunho positivo em prol da promocao do bem-estar economico e social. Hector Gross.arts. particular mente os direitos it alimentacao e a urn padrao de vida adequado it saude e ao bem-estar pr6prio e da familia (art. 12 a 17). 4) direitos de subsistencia. afasta-se a ideia 'Quanto it classificacao dos dire it os constantes da declaracao. 0 sistema internacional de protecao dos direitos humanos e 0 Brasil. que traduzem 0 valor da liberdade. p. 182. especialmente as liberdades de pensamento. Buergenthal: A Declaracao que constam constitucionais Segundo Louis B. 0 civis e politicos a educacao". por um dos pais da Declaracao. humanos consagrados. (The age of rights. apresentando assegurado revela-se 0 direitos humanos Universal de diversas de Direitos normas Humanos se e nao ao meras o direito distingue das tradicionais Cartas de direitos humanos fundamentais e XIX e comeco uma unidade indivisivel.) Q 22 . particularmente util e a nocao de "tres geracoes de direitos humanos" elaborada pelo jurista frances Karel Vasak. 0 direito de fundar sindicatos e deles participar. todos necessariamente os direitos significacao. 22 a 26). 13 e de 18 a 20). San Jose. Sobre a materia consultar ainda LUNO. sao previstos direitos que dizem respeito ao individuo em sua relacao com grupos sociais no qual ele participa (0 direito a privacidade da vida familiar e 0 direito ao casamento. os direitos de primeira geracao correspondem aos direitos civis e politicos. mas tambem direitos sociais e culturais. a declaracao discurso ineditamente combina conjugando 0 discurso liberal e 0 0 da sucessao "geracional" a ideia da expansao. incluindo 0 acesso a remedios por violacao dos direitos basicos. 16-17). p. de que uma geracao de direitos nao substitui a outra. que traduzem. 22 a 72 e 15).43. trabalho e em que ela consagra como direito Vale dizer. Madrid: Tecnos. 1" e 2". 2) direitos judiciais. Rio de Janeiro: Zahar. Em urn complexo entre si. etnica. que traduzem 0 valor da solidariedade. 6) direitos sociais e culturais. que descreveu seu escopo do modo a seguir.arts. liberdade de associacao e assembleia. pensamento e expressao. e a terceira geracao se refere aos novos direitos de solidariedade (fraternites". de direitos relacionada metodologico. os transforma em direitos economicos e sociais para os individuos". ao igual pagamento para igual trabalho. afirma Louis Henkin: "Os dire it os considerados fundamentais incluem nao apenas limitacoes que inibem a interferencia dos governos nos direitos civis e politicos. c) direitos politicos (art. 0 direito ao descanso e ao lazer. e em particular dificil e a conjugacao dos valores da igualdade e liberdade. de opiniao e expressao. No entanto. 82 a 12). Na licao de Celso D. 46. pressupondo urn Govemo que seja ativo. p. n. (Los derechos fundamentales. a nacionalidade. 0 frances Rene Cassin. p. mas com ela interage. T. quando sustenta que a declaracao de 1948 enuncia as seguintes categorias de direitos: 1) direitos pessoais. WESTON. estas tres geracoes de direitos sao as seguintes: a primeira geracao se refere aos direitos civis e politicos (/iberte). (CASSESSE. incluindo os direitos a vida.) 'International protection of human rights. 1988). a vida. p. jul.) "Sobre a indivisibilidade dos direitos human os. trata a Declaracao dos direitos pessoais (os direitos a igualdade. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. entendimento integral. dinamica liberdade. 3" a 20). os direitos de segunda geracao correspondem aos direitos sociais. 26 e 28). Para este proposito. Burns H. em seu mais amplo sentido. ao menos em determinado sentido. (DONNELLY. In: International organization. 531. 21). a liberdade e a seguranca. por sua vez. a segunda geracao aos direitos economicos. . 6. Ainda sobre a ideia de geracoes de direitos humanos. Isto e. Human rights in the world community. Brasilia. observa Jose Augusto Lindgren Alves que mais acurada e a classificacao feita por Jack Donnelly. Carlos Nelson Coutinho. a irretroatividade das leis penais. Sohn e Thomas Logo. Marshall (Cidadania. ed. Surmner 1986. 22 a 27)". e contra a interferencia na familia. etc. a liberdade". (WESTON. Rio de Janeiro: Campus. (Curso de direito internacionaI publico.Artigo 03 rais. 1973. A quarta categoria de direitos se refere aos direitos exercidos nos campos economicos e sociais (ex: aqueles direitos que se operam nas esferas do trabalho e das relacoes de producao. a livre determinacao. a garantia de processo publico justo e imparcial. H. Human rights in a changing world. (A era dos direitos. em que os diferentes direitos estao inter-relacionados e interdependentes Como estabeleceu a Resolucao ns 321130 da Assembleia Geral das Nacoes Unidas: que classifica os direitos humanos em geracoes". Sob a inspiracao dos tres temas da Revolucao francesa. a justas condicoes de trabalho.arts. 1992. Weston: "A este respeito. na medida emque se acolhe e fortalecimento dos direitos os todos essencialmente de interacao. dos direitos economicos. Jack. esvaziado quando nao assegurada dire ito a igualdade. apud LINDGREN ALVES./dez. 0 direito a saude. partindo-se e indivisivel. explica Burns H.1993). os direitos economicos da justica social. 599-642. d) direitos economicos e sociais (arts. 5) direitos economicos. sociais e culturais (egalite). 0 direito ao asilo. e em constante de direitos. Human rights. e a seguranca social (arts. e melhor nos deixarmos orientar. New York: Columbia University Press. principalmente os direitos a tomar parte no governo e a eleicoes legitimas com sufragio universal e igual (art. International human rights: a regime analysis. Antonio. 1988. 21). de Albuquerque Mello. Richard Pierre. 1990. como tambem Ao conjugar igualdade. direito a paz. revela-se esvaziado 0 a a dire ito igualdade e. In: CLAUDE. A. 3) liberdades civis. Arquivos do Ministerio da Justica. 6-7). direito de votar e ser eleito. 38-39). quando nao complementares social da cidadania. P. p. 0 direito a educacao. Jose Augusto. lOA partir desse criterio. 328-332.

de direitos humanos 0 que busca internacionalizar regional.. Thomas. 46-47. (Sohn. 0 Direito Internacional de inumeros de direitos de protecao contemporanea dos Direitos fundamentais. em seu § 52. desde sua adocao. unhchr. exercido poderosa influencia na ordem mundial. os (ex: os Pactos da ONU de pessoa. Esse sistema sua vez. Suas previsoes tern sido citadas como justificativa para varias acoes adotadas pelas Nacoes Unidas e tern inspirado urn grande numero de Convencoes internacionais no ambito das Nacoes Unidas ou fora dele. A partir por aprovacao comeca da Declaracao a se desenvolver mediante voltados a de 1948 e da concepcao ela introduzida. p. e deu prioridade it busca de solucoes para as violacoes macicas e flagrantes dos dire it os human os. Sociais e Culturais de 1966) a determinadas violacoes racial. sistema normativo no ambito das Nacoes Unidas. nas decisoes das Cortes.partes. 0 Ao lado do sistema normativo normativo os direitos Europa. contra a e a Convencao sobre se inter-relacionam necessariamente de Viena de e inter- sobre a Eliminacao apresentava da Discriminacao entre si. Antonio. Human rights in a changing world. a Convencao 0 Pacto Internacional contava contava Sociais e Culturais contra a Convencao pelos valores sistemas dos direitos a Tortura 141 Estados-partes. fixando parametres de conduta em torno de val ores basicos universais. concebida sistema na tecao desses direitos. Universal internacionais sobretudo. sao as indivisfveis. Sociais e Culturais e as do sistema em que invocam ate junho de 2006. Nesse sentido. 169). a discriminacao seja por incluir em seu elenco nao s6 direitos civis e politicos. In: Temas de Politica Externa Brasileira. Pacto compartilhada consenso dos Direitos Economicos. dentre outras formas de violacao. sobre a Eliminacao no 12Sobre a Resolucao n. a convivencia das Nacoes Humanos. no qual sua especificidade etc.pdf> ~ 23 . como a Declaracao o Pacto Internacional Internacional pelos instrumentos de Direitos Os instrumentos estados. reafirmou a indivisibilidade a partir de uma perspectiva globalista. Firma-se coexistencia direitos humanos. 1994. Louis B. a para a pro"desleviola a criancas. declaracao de 1948 demarca a concepcao qualidades internacional. Uma das principais tituir-se em parametro integrantes conhecimento declaracao fundamentais gitima" declaracao da comunidade consolida e c6digo de atuacao para os estados repelos estados. Para a formacao deste novo ethos. ela e urn dos parametres pelos quais a comunidade nao e merecedor da de aprovacao internacional os estados. e por instrumentos internacionais.com instrumentos regional. contemporanea da declaracao Ao consagrar que buscam responder dos direitos humanos. Disponivel em: <http://www. 1966) tern por enderecado segundo sua abstracao os grupos vulneraveis. p. dos sistemas geral e especial 0 processo de protecao como sistemas de protecao complementares. surge 0 contemporanea Humanos. ao endossar a assercao da Proclamacao de Teera de 1968. sociedade. 1. tratados refletem. p.). Ja 0 sujeito passa a ser visto segundo (ex: protege-se a crianca. esses centrais aos direitos humanos. Status of Ratifications of the Principal International Human Rights Treaties. 0 pelos sistemas interamericano. como as convencoes como a tortura. op. no ambito do sistema global. Em algumas instancias. Consolida-se. particularmente assim.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos todos os direitos humanos. inerentes a condicao de pes so a e nao relativos de determinada economicos peculiaridades mas tambem sociais e culturais direitos sociais. as mulheres. por parte da comuUniversal nidade mundial". no plano global. v. ao afirmar. cit. que pertencem. a dos e cons0 de alcance especifico. e sao indivisiveis e interdependentes'". 321130 afirma Antonio Augusto Cancado Trindade: "Aquela resolucao (321130). relacionados. a violacao dos direitos das assim. a discriminacao contra as mulheres. por 0 a mais ampla adesao. Os sistemas global e regional mas complementares. pelos do sistema global . Louis B. II. da Declaracao universo instrumental Inspirados de protecao Universal. da especificacao 0 universal dos direitos humanos urn parametro o sistema especial de protecao realca e concreticidade internacional do sujeito de dire ito.) 14Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nacoes Unidas. 13Cf Cassesse. com global de protecao dos por instrumentos de 1993. Buergenthal. 516. e principios compoem humanos 0 Pacto Internacional Politicos contava com 156 Estados.integrado Unidas.ch/pdf/report. 0 texto das previsoes da Declaracao tem sido incorporado em instrumentos internacionais ou na legislacao nacional e hit inumeras instancias que adotam a Declaracao como um c6digo de conduta e um parametro capaz de medir 0 grau de respeito e de observancia relativamente aos parametres internacionais de direitos humanos". Sohn e Thomas Buergenthal afirmam que: "A Declaracao Universal de Direitos Humanos tern. (A protecao internacional dos direitos humanos no limiar do novo seculo e as perspectivas brasileiras. internacionais etica medida na consciencia dos Direitos Civis e Politicos. op. interdependentes . norrnativo. e integrado de Direitos Civis e alcance geral (como os Pactos Internacionais Politicos e de Direitos Economicos. Economicos. Urn estado que sistematicamente grupos etnicos minoritarios. por sua vez integrado europeu e africano de protecao aos direitos humanos. e culturais. e. a adocao a protecao America e Africa. toda e qualquer sistema geral de protecao e generalidade. 153 Estados-partes. cabe destacar que. cit. Seja por fixar a ideia de que os direitos humanos universais. concepcao qualquer que seja 0 tipo a Essa da Discriminacao a Convencao Racial contava com 170 Estados-partes. em diversos cas os. que os direitos humanos sao universais. a dos direitos humanos. tanto internacional como nacionalmente. nao sao dicotomicos. Nesse sentido. dos Direitos com internacional acerca de temas dos Direitos Civis e com demais Convencoes internacionais . foi reiterada na Declaracao Mulher contava com 183 Estados-partes os Direitos da Crianca 192 Estados-partes" Forma-se direitos humanos. Estas previsoes tambern exercem uma significativa influencia nas Constituicoes nacionais e nas legislacoes locais e. tambern contribuiu 0 reconhecimento da interacao entre as direitos humanos e a paz consignado na Ata Final de Helsinque de 1975". regional humanos de protecao.

foi a ratificacao. de Antonio Augusto Cancado Trindade: De acordo com a visao em 28 de setembro de 1989. 24 de setembro de 1990. f) da Convencao Convencao dos Direitos Economicos. inicial contra a Mulher. para obter maior coordenacao tais instrumentos e instrumentos em dimensao tanto vertical (tratados de direito interno). em terceiro lu0 (dois ou mais tratados). e 0) do Protocolo Tortura. em 25 de setembro de 1992.. em 24 de janeiro de 1992. Em face desse complexo cabe ao individuo universo de tratados Assim. quanto horizontal (. de alcance diversos sistemas de protecao direitos identicos sao tutelados pelo Brasil. em 24 de janeiro de 1992. importantes foram ratificados para Tortura Prevenir e outros e instrumentos internacionais. os dos direitos humanos interagem em 20 de julho de 1989. Pornografia Facultativo a Convencao sobre os e da Crianca sobre Venda. 1993. Direitos Civis em e geral ou especial. em 21 de agosto de consideracoes direitos a respeito passa-se 0 dos a internacionais de protecao humanos. i) do Protocolo aos Direitos (Protocolo 1996. g) da Interamericana de 1995. em 28 de junho de 2002. Desumanos sobre os Direitos dos em beneficio dos individuos protegidos. I) do Protocolo Eliminacao m) do Protocolo Direitos de 2004. 182.Artigo 03 plano internacional. Politicos. e) do Pacto Internacional Sociais e Culturais. n. 15CANCADO TRINDADE. Crueis. In: Arquivos do Ministerio 24 .Iustica. sob a egide da Constituicao Federal de 1988. destaca-se a) da Convencao Punir a Tortura. em Face do Sistema Internacional de 2. Prostituicao Interamericana para Eliminacao em 15 de agosto Tribunal de de todas as formas de Discriminacao de Deficiencia. em em segundo Iugar. entre 0 direito internacional e 0 direito interno na protecao dos direitos hurnanos. 46. Brasilia. Feitas tratados essas breves de 0 de San Salvador). analise do modo pelo qual internacional Brasil se relaciona com aparato dos direitos humanos. inumeros de protecao Tratamentos dessa Desumanos Infantis. sobre os de da Crianca sobre Envolvimento e que 0 estado brasileiro passou a de direitos human os. a Convencao de todas as formas de Discriminacao Facultativo a Convencao 0 observa-se que somente a partir do processo de democratizacao em 1985. em 1989. Facultativo a Convencao contra a em II de janeiro de 2007. defiagrado de protecao do Brasil em relacao dos direitos humanos. tambem em 27 de janeiro de internacionais humanos foram tambem incorporados pelo Direito Brasileiro. b) da Convencao Tratamentos c) da Convencao d) do Pacto a ratificacao: de alcance global ou regional. em 27 de janeiro internacionais e Outros A partir instrumentos humanos Crueis. p. Dentre eles. que sofreu internacionais de direitos humanos Interamericana contra a violacao de direito a escolha do aparato mais favoravel. de direitos humanos. contra Pessoas a Convencao Economicos.sao no sentido de am- pliar e fortalecer a protecao". em 20 de junho de 2002. eventualmente. por dois ou mais instrumentos ou ainda. de incorporacao pelo de Direito contra ou dos outros ratificar relevantes tratados internacionais o tratados brasileiro a Tortura Degradantes. entre Americana mentos legais em seus aspectos normativos. 0 Estado Brasileiro de Roma. Antonio Augusto. reduzir lugar para ou minimizar consideravelmente as pretensas possibilidades de "confiitos" entre instruContribui. gar. Prevenir. da Crianca. 52-53. para demonstrar coexistencia rantindo a Convencao que a tendencia e prop6sito da da Pena de Morte. da Convencao ratificacao. k) do Estatuto Internacional. v. j) da Convencao Portadoras 2001. de Direitos para Humanos. Sob essa otica. n) do Protocolo Direitos 2004. jul. tendo em vista que. A interacao da ./dez. Americana referente a Punir e Erradicar 27 de novembro h) do Protocolo Abolicao 1996. o criterio tratados da primazia da norma mais favoravel as pesconsagrado expressamente contribui em tantos em primeiro Internacional soas protegidas. importantes direitos marco do processo de direitos Criancas em Confiitos Armados. a partir da Carta de 1988. que cria Facultativo 0 Penal sobre a Proteeao dos Direitos Humanos No que se refere a posicao ao sistema internacional do pais.) Contribui.. Americana Sociais referente e Culturais a Violencia contra a Mulher.ga- os mesmos direitos . em 13 de agosto de de distintos instrumentos juridicos . ou Degradantes.

projetando-se por todo o universo constitucional e servindo como criterio interpretativo de todas as normas do ordenamento juridico nacional. § 22 do texto. como criterio e parametro de valoracao a orientar a interpretacao e compreensao do sistema constitucional instaurado em 1988. ao simbolizar a ruptura com extraordinaria. na hist6ria 16Para J. asseguram a disposicao do Estado democratico brasileiro de conformar-se plenamente as obrigacoes internacionais por ele contraidas". directivo e inspirador desses actos.foram fundamentais para a ratificacao desses importantes instrumentos de protecao dos direitos humanos". p. especialmente em face da forca expansiva dos valores da dignidade humana e dos direitos fundamentais. 1994. Internamente. por meio da ampliacao e do reforco do universo de direitos por ele assegurado. Coimbra: Almedina. A Constituicao de 1988 inova. Alem das inovacoes constitucionais. 1993. ou dos tratados internacionais em que a Republica Federativa do Brasil seja parte". (as direitos humanos como tema global. nao passiveis de emendas e. como pais respeitador e garantidor dos direitos humanos. Esse esforco se conjuga com 0 objetivo de compor uma imagem mais positiva do Estado brasileiro no contexto internacional. A fundamentacao material e hoje essencialmente fornecida pelo catalogo de direitos fundamentais (direitos. Na ordem de 1988.) ~ 25 . qual seja. como parametres axiol6gicos a orientar a compreensao do fenomeno constitucional'". de modo mais condizente com as transformacoes internas decorrentes do processo de democratizacao. ha que se acrescer 0 elevado grau de universalidade desses instrumentos. ainda. Lindgren Alves: "Com a adesao aos dois Pactos Internacionais da ONU. Essa conclusao advem de interpretacao sistematica e teleol6gica do texto. 3.impoe-se como nucleo basico e informador do ordenamento juridico brasileiro. faz-se clara a relacao entre 0 processo de democratizacao no Brasil e 0 processo de incorporacao de relevantes instrumentos internacionais de protecao dos direitos humanos. 0 Brasil ja cumpriu praticamente todas as formalidades externas necessarias a sua integracao ao sistema internacional de protecao aos direitos hurnanos. sociais e culturais)".A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos As inovacoes introduzidas pela Carta de 1988 especialmente no que tange ao primado da prevalencia dos direitos humanos. e 0 nais subscritos pelo Brasil. Sao Paulo: Perspectivai Fundacao Alexandre de Gusmao. rev. 74. bern como para com a ideia da legitimidade das preocupacoes da comunidade internacional. como importante fator para a ratificacao desses tratados internacionais. assim. a de norma constitucional. os direitos a) b) c) 0 0 fundamentais podem ser organizados em tres distintos grupos: dos direitos expressos na Constituicao. as garantias aos amplos direitos entronizados na Constituicao de 1988. 0 texto de 1988. A dignidade humana e os direitos fundamentais vern a constituir os principios constitucionais que incorporam as exigencias de justica e dos valores eticos. liberdades e garantias e direitos economicos. ao incluir. nos termos do art. (Oireito constitucional. que con tam com significativa adesao dos demais estados integrantes da ordem internacional. por outro lado. III . Por fim. se 0 processo de democratizacao permitiu a ratificacao de relevantes tratados de direitos humanos. em 1992. os direitos enunciados nos tratados internacionais de que 0 Brasil seja signatario. p. A Incorporacao dos Tratados Internacionais de Proteeao de Direitos Humanos pelo Direito Brasileiro Preliminarmente. dentre os direitos constitucionalmente protegidos. 6. situando-se como abrangente e pormenorizado constitucional do pais. 108. assim como ao Pacto de Sao Jose. sobre a materia.) 17Para Jose Joaquim Gomes Canotilho: "A legitimidade material da Constituicao nao se basta com urn "dar forma" ou "constituir" de orgaos. conferindo suporte axiol6gico a todo 0 sistema juridico brasileiro. acrescente-se a necessidade do Estado brasileiro reorganizar sua agenda internacional.esses valores passam a ser dotados de uma especial forca expansiva. no tocante a materia. no ambito da OEA. por sua vez essa ratificacao permitiu 0 fortalecimento do processo democratico. A esse raciocinio se acrescentam 0 marco juridico da transicao 0 democratica e da institucionalizacao dos direitos humanos no Brasil. e necessario frisar que a Constituicao Brasileira de 1988 constitui 0 o valor da dignidade humana - ineditamente elevado a principio fundamental da Carta. dos direitos implicitos. de forma inedita. 52. que. 0 regime autoritario. Adicione-se que a subscricao do Brasil aos tratados internacionais de direitos humanos simboliza ainda 0 aceite do Brasil para com a ideia contemporanea de globalizacao dos direitos humanos. 52. A luz desse dispositivo constitucional. E nesse contexto que ha de se interpretar entre 0 0 disposto no art. empresta aos direitos e garantias enfase documento mais avancado. extensivas a outros decorrentes de tratados de que 0 pais seja parte. Ao fim da extensa Declaracao de Direitos enunciada pelo art. Logo. como principio orientador das relacoes internacionais . exige uma fundamentacao substantiva para os actos dos poderes publicos e dai que ela tenha de ser urn parametro material. A. a Carta de 1988estabelece que os direitos e garantias expressos na Constituicao "nao excluem outros decorrentes do regime e dos principios por ela adotados. tece a interacao Direito brasileiro e os tratados internacionais de direitos human os. tendo em vista que. 12. decorrentes do regime e dos direitos expressos nos tratados internacio- dos principios adotados pela Carta constitucional. e havendo anterior mente ratificado todos os instrument os juridicos internacionais significativos sobre a materia. ed. Ao efetuar tal incorporacao. a Carta esta a atribuir aos direitos internacionais uma hierarquia especial e diferenciada.

na medida em que os tratados internacionais de direitos humanos apresentam urn carater especial. Posteriorrnente. Esse posicionamento se coaduna com 0 principio da boa-fe. "b" do texto (que admite 0 cabimento de recurso extraordinario de decisao que declarar a inconstitucionalidade de tratado). Juan Antonio. no en relaci6n con otros Bstados. 52. justificadamente. eleva os principais tratados de direitos humanos constitucional. Compartilhando do mesmo entendimento. historicamente (na experiencia constitucional). 90. Su objeto y fin son la protecci6n de los derechos fundamentales de los seres humanos independientemente de su nacionalidad. Conclui-se. Buenos Aires: Heliasta. (Direito constitucional. "direitos inalienaveis" ou "direitos racionais" do individuo. por forca do art. p. 2OTRAVIESO. Derechos humanos y derecho internacional. Essa conclusao decorre tambem do processo de globalizacao. p. no puede interpretarse como cualquier otro tratado ". particularmente da prioridade que atribui aos direitos fundamentais e ao principio da dignidade da pessoa humana. que propicia e estimula a abertura da Constituicao detem natureza de norma constitucional. § 22. segundo 0 qual nao cabe ao Estado invocar disposicoes de seu direito interno como justificativa para 0 nao cumprimento de tratado. A hierarquia constitucional dos tratados de protecao dos direitos humanos decorre da previsao constitucional do art. ainda. tendo em vista que objetivam a salvaguarda dos direitos do ser humano e nao das prerrogativas dos Estados. os direitos enunciados em tratados internacionais de protecao dos direitos humanos 18Sobre 0 terna. Al aprobar estos tratados sobre derechos humanos. Buenos Aires: Eudeba. por el bien comun. ed. liberdades e garantias. Esse tratamento juridico diferenciado se justifica. la Convenci6n no s610 vincula a los Estados partes. Enquanto estes buscam 0 equilibrio e a reciprocidade de relacoes entre Estados-partes. Essa opcao do constituinte de 1988 se justifica em face do carater especial dos tratados de direitos humanos e. 0 criterio em analise coloca-nos perante urn dos temas mais polernicos do direito constitucional: qual e 0 conteudo ou materia da Constituicao? conteudo da Constituicao varia de epoca para epoca e de pais para pais e. y. a Constituicao da Argentina que. nesse sentido. os direitos do homem. e tendencialmente correcto afirmar que nao ha reserva de Constituicao no sentido de que certas materias tern necessariamente de ser incorporadas na Constituicao pelo Poder Constituinte. sociais e culturais. p. 68). 27 da Convencao de Viena. a hierarquia de norma Enfatize-se internacionais que. verificou-se 0 "enriquecimento" da materia constitucional atraves da insercao de novos conteudos. cit. los Estados se someten a un orden legal dentro del cual ellos. destacando-se. vigente no direito internacional (0 pactasunt servanda). y se reJuerza con la ratificacion argentina a las convenciones 0 pactas internacionales de derechos human os destinados a hacerlos efectivos y brindar proteccion concreta a las personas a traves de instituciones internacionales. sino hacia los individuos bajo su jurisdicci6n. 1990. que apresentam aplicabilidade imediata. no entender de parte da doutrina. 102. § 22. en particular la Convenci6n Americana no son tratados multilaterales del tipo tradicional concluidos en funci6n de un intercambio reciproco de derechos para el beneficio mutuo de los Estados contratantes. §§ 12e 22. da superioridade desses tratados no plano internacional. direitos de participacao e dos trabalhadores e constituicao economica)". em seu art. (La Constitucion Nacional y los derechos humanos. Quer fossem considerados como "direitos naturais". 0 que justifica estender aos direitos enunciados em tratados 0 regime constitucional conferido aos demais direitos e garantias fundamentais. Pros segue 0 mesmo autor: "Urn tapas caracterizador da modernidade e do constitucionalismo foi sempre 0 da consideracao dos "direitos do homem" como ratio essendi do Estado Constitucional. por isso.Artigo 03 principio da maxima efetividade das normas constitucionais referentes a direitos e garantias fundamentais e a natureza materialmente constitucional dos direitos fundamentais". protecao dos direitos humanos. sino que otorga garantias a las personas. p. Logo. asumen varias obligaciones. portanto. tanto frente a su proprio Estado como frente a los otros Estados contratantes. ate entao considerados de valor juridico-constitucional irrelevante. incluindo-os no elenco dos direitos constitucionalmente garantidos. distinguindo-se dos tratados internacionais comuns. possuiam uma dimensao projectiva de comensuracao universal". a organizacao do poder politico (informada pelo principio da divisao de poderes) e 0 catalogo dos dire it os. 1988. argumenta Juan Antonio Travieso: Los tratados modernos sobre derechos humanos en general. aqueles transcendem os meros compromissos reciprocos entre os Estados pactuantes. Por ese motivo. de valor administrativo ou de natureza sub-constitucional (direitos economicos. op. (idem. preceitos asseguradores de direitos fundamentais. que tern como refiexo 0 art. que 0 Direito brasileiro faz opyao por urn sistema misto. III. 35. 0 fato de as Constituicoes latino-americanas recentes conferirem aos tratados de direitos humanos urn status juridico especial e diferenciado. Esse carater especial vern a justificar aos tratados 0 status de a normacao internacional- abertura que resulta na ampliacao que passa a incorporar do "bloco de constitucionalidade". a Carta de 1988 atribui aos direitos enunciados em tratados internacionais a hierarquia de norma constitucional. 3. foram consideradas materias constitucionais. 19Sustenta-se que os tratados tradicionais tern hierarquia infraconstitucional. 52. Jose Joaquim Gomes Canotilho afirma: "Ao apontar para a dimensao material. que combina regimes juridicos diferenciados: urn regime aplicavel aos tratados de direitos humanos e urn outro aplicavel aos tratados tradicionais. a luz de uma interpretacao sistematica e teleol6gica da Carta.) ° 26 . porem. Registre-se. No mesmo sentido. Enquanto nos termos do art. que. par excellence. leciona Jorge Reinaldo Vanossi: La declaracion de la Constitucion argentina es concordante con as Declaraciones que han adoptado los organism os internacionales. tendo em vista que integrariam 0 chamadojus cogens (direito cogente e inderrogavel). Por tanto. 18). constitucionalmente reconhecidos. mas supralegal. Adicione-se. 75. enquanto os demais tratados constitucional atribuido internacionais tern forca hierarquica infraconstitucional".

estabelece 0 § 32 do art.tal como direitos humanos ratificados pelo Estado 0 valor fund ante da 0 A hierarquia de valores deve oposto. mas supra-legal e d) a paridade hierarquica entre tratado e lei federal". ao adicionar urn lastro formalmente constitucional propiciando a "constitucionalizacao de direitos humanos no ambito juridico interno. que sustentam: a) a hierarquia supra-constitucional desses tratados. ed. 0 bloco 0 doutrinarias acerca da hierarquia dos tratados internacionais de protecao dos direitos humanos. 0 quorum qualificado aos tratados ratificados. 52 da Constituicao Federal. 8. 52. os demais tratados internacionais apresentam hierarquia infraconstitucional e se submetem a sistematica da incorporacao legislativa. da Constituicao de 1988. nao foram aprovados por dois turnos de votacao. Como ja defendido por esse trabalho. "MELLO. Reitere-se que. contudo. c) a hierarquia infra-constitucional. ~ 27 . a celebrar prevalencia da dignidade humana. serao equivalentes as emend as a Constituicao. pois nao teriam obtido 0 quorum qualificado de tres quintos.que os tratados internacionais de protecao de brasileiro tern hierarquia constitucional-'. A titulo de exemplo. orientada por valores.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos os tratados internacionais de protecao dos direitos humanos . que consagra fundamentais.fosse conferida 2007. Observe-se que os tratados de protecao dos direitos humanos ratificados anteriormente a Emenda Constitucional n. p. "Defendi essa posicao em parecer sobre 0 tema. Observa-se. Flavia. independentemente do quorum de sua aprovacao. ha que afastar 0 entendimento segundo o qual. § 22. uma vez que de dois turnos nao era tampouco previsto. seria mais adequado que a redacao do aludido § 32 do art. 0 quorum dos tres quintos dos membros em cada Casa. 52 endossasse a hierarquia formalmente constitucional de todos os tratados internacionais de protecao dos direitos humanos ratificados. § 22. como plano juridico-normativo. e nao dizer. 0 Os tratados e convencoes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. revista. b) a hierarquia constitucional. todos os tratados de direitos humanos ja ratificados seriam recepcionados como lei federal. fez 0 texto argentino . a paragrafo 22 do art. No que se refere a incorporacao automatica. aprovado em sessao do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Todavia. em dois turnos. e nao ser condicionado por ela.urn tratado complementar e subsidiario ao principal . Nao irradiam efeitos concomitantemente na ordem juridica internacional e nacional. Nao haveria qualquer razoabilidade se a este ultimo . diversamente dos tratados tradicionais. de 8 dezembro de 2004. na hermeneutica emancipat6ria dos direitos ha que imperar uma l6gica material e nao formal. deve condicionar a forma no Nao seria razoavel sustentar que os tratados de direitos humanos ja ratificados fossem recepcionados como lei federal. e0 caso de urn direito fundamental. em face do § 32 do art. a Emenda Constitucional ns 45. 52. Em face de todos os argumentos ja expostos. § 12. introduziu urn § 32 no art. 25. 52 que os tratados internacionais de direitos humanos aprovados. ver PIOVESAN. em cada Casa do Congresso Nacional.por forca do art. 52. 52. Desde logo. por forca do art.apresentam hierarquia de norma constitucional e aplicacao imediata. dispondo: procedimento de constitucionalidade. afirmando . a partir do ato da ratifica- No entanto. Celso de Albuquerque. todos os tratados compondo de direitos humanos. destaque-se que Brasil e parte da Convencao contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Crueis. formal" dos tratados esta tao-somente a reforcar tal natureza. estando em vias de ratificar seu Protocolo Facultativo. pois sua incorporacao conteudo do e automatica. em cada Casa do Congresso Nacional. Desumanos ou Degradantes desde 1989. serao equivalentes as emend as a Constituicao. principio da aplicabilida- contaram com ampla maioria na Camara dos de imediata das normas definidoras de direitos e garantias que ha quatro correntes Deputados e no Senado Federal. p.45/2004 reproduza no ordenamento juridico nacional tratado. enquanto os demais adquirissem hierarquia 0 constitucional exclusivamente em virtude de seu quorum de aprovacao. 52. Sao Paulo: Saraiva. In: Teoria dos direitos fundamentals. 0 segundo os ter- mos do art. §§ 12 e 22 . ampliada e atualizada. e necessaria a producao de urn ato normativo que 0 demandado pelo aludido paragrafo. 21A respeito. Vale corresponder uma hierarquia de normas". No sentido de responder a polemica doutrinaria e jurisprudencial concernente a hierarquia dos tratados internacionais de protecao dos direitos humanos. sustentase que a hierarquia constitucional ja se extrai da interpretacao conferida ao pr6prio art. Vale dizer. excedendo. por tres quintos dos votos dos respectivos membros.51-81. por tres quintos dos votos dos respectivos membros. inclusive. os tratados internacionais de direitos humanos cao. a preponderancia material de urn bern juridico. mas em urn unico turno de votacao em cada Casa. em dois turnos. em margo de 2004. Direitos Humanos e 0 Direito Constitucional Internacional. 52. sao materialmente constitucionais.

§ 32 e a necessidade de evolucao e atualizacao jurisprudencial foram tambem realcadas no Supremo Tribunal Federal. § 32. por se tratar de acordo internacional pertinente a direitos humanos">.RJ. DJ 29.do art. "0 novo paragrafo 32. Celso. S2. por quorum qualificado de tres quintos. uma leiinterpretativa nada mais faz do que declarar 0 que pre-existe. Uma vez mais. tendo sido pedida vista dos autos pelo Ministro Celso de Mello para maior reflexao sobre a revisao do entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a materia. Nao se pode escantear que 0 §12 supra determina.. em §32.de lei ordinaria para constitucionaltambern supoe a observancia do requisito formal de ratificacao pelas Casas do Congresso.172. por tres quintos dos votos dos respectivos membros. ao reves.julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justica. ao afirmar sob a forma"..) 0 0 primado da substancia o imp acto da inovacao introduzida pelo art.. ja que ultimo nao revogou 0 0 Brasil seja parte. Recurso Ordinario em Habeas Corpus. ainda. diversamente. Em 1995. 0 Supremo Tribunal Federal. e ao instrumento principal fosse conferida hierarquia meramente legal. peremptoriamente.do art. A tramitacao de lei ordinaria conferida a aprovacao da mencionada Convencao (. data do julgamento: 09/05/2006. em cad a Casa do Congresso N acional. A internacionalizaeao dos direitos humanos: Constituicao. p. do art. pelo voto de oito dos onze Ministros.. a teoria geral da recepcao acolhida no direito brasileiro?'. material que devem ser interpretado a luz do sistema constitucional. tendo como relator maio de 2006: (. mas deve. tendo como relator 0 Ministro Albino Zavascki. que.. "Em sentido contrario. foi recepcionado como lei complementar. Ademais. ao destacar: (. os tratados internacionais em que 0 entendimento de que os tratados internacionais de direitos humanos ratificados anteriormente ao mencionado paragrafo. nao impedindo a sua retroatividade.) a mudanca constitucional ao e taxativo ao enunciar que os tratados e convencoes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. S2.) a reforma acabou por ressaltar 0 carater especial dos tratados de direitos humanos em relacao aos demais tratados de reciprocidade entre Estados pactuantes.Artigo 03 hierarquia constitucional. quando do julgamento do RE 466. d acrescido pela EC n. Note-se que 0 julgamento envolvia a tematica da prisao civil por divida e a aplicacao da Convencao Americana de Direitos Humanos. desta feita com forca de emend a constitucional. 4S. Sao Paulo.343-1.2006. a qual possui eficacia retroativa. inspirada por uma l6gica e racionalidade material. Tal requisito nao foi atendido.. "Ver Recurso Extraordinario 466..). a transforrnacao de sua forca normativa . Tal situacao importaria em agudo anacronismo do sistema juridico. A respeito. S2. e d) a teoria geral da recepcao do Direito brasileiro. 2005.) nao constituira 6bice formal de relevancia superior ao conteudo material do novo direito aclamado. oito dos onze Ministros haviam votado pela inconstitucionalidade da prisao para 0 devedor em alienacao fiduciaria. destaca-se 0 seguinte trecho: "Quante aos tratados de dire it os human os preexistentes it EC 45/2004. Esse entendimento decorre de quatro argumentos: a) a interpretacao sistematica da Constituicao. anteriormente a Emenda Constitucional ns 4S12004. 16. de 25 de outubro de 1966). Barueri: Manole. inspirou-se por uma logica e racionalidade formal. De acordo com 0 citado §32.05. sustentou a paridade hierarquica entre tratado e lei federal. de forma a dialogar os §§22. apesar de a epoca 0 referido Pacto ter sido aprovado com quorum de lei ordinaria. 24Atitulo de exemplo.. S2.06. '"RHC 18799. S2. S2. corrobora-se 0 Ora. o art. Mendes. destaca-se 0 RHC 19087. DJ 08. situando-se como normas material e formalmente constitucionais. ao enfrentar a mesma tematica. como realca Celso Lafer.. conferindo-lhes lugar privilegiado no ordenamento juridico. em emblematico voto proferido pelo Ministro Gilmar Ferreira Ministro Jose Delgado. A respeito do impacto art. S2. Esse julgado revela a hermeneutica adequada a ser aplicada aos direitos humanos. no julgamento do HC 72. Ate novembro de 2006. racismo e relacoes internacionais.. cite-se 0 C6digo Tributario Nacional (Lei 5. que "as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais tern aplicacao imediata". (.2006. recorrente Banco Bradesco S/A e recorrido Luciano Cardoso Santos. em 22 de novembro de 2006. Recurso Ordinario em Habeas Corpus. devem ser aplicados. ate a presente data. A argumentacao do referido julgado. De acordo com a opiniao doutrinaria tradicional.34328. 0 primeiro. em relacao ao Pacto de Sao Jose da Costa Rica (Convencao Americana de Direitos Humanos)". nao obstante a sua rejeicao decantada por decisoes judiciais. ou seja. e de se ressaltar que ele nunca foi revogado ou retirado do mundo juridico.do art. 0 Pacto de Sao Jose da Costa Rica foi resgatado pela nova disposicao (§32. embora seja lei ordinaria. relator Ministro Cezar Peluso. A regra emanada pelo dispositivo em apreco e clara no sentido de que os tratados internacionais concernentes a direitos humanos nos quais 0 Brasil seja parte devem ser assimilados pela ordem juridica do pais como normas de hierarquia constitucional. a Convencao continua em vigor. em dois turn os. afirmando 0 primado da forma sob a substancia.131. data do julgamento: 18/05/2006. estaca-se a decisao d do Superior Tribunal de Justica.ao clarificara lei existente?"..e 32. admitindo a possibilidade da prisao civil por divida. 25LAFER. c) a necessidade de evitar interpretacoes que apontern a agudos anacronismos da ordem juridica. 28 . Na especie. imediatamente. nos termos do artigo 146 da Constituicao Federal. da CF/88. pode ser considerado como uma lei interpretativa destinada a encerrar as controversias jurisprudenciais e doutrinarias suscitadas pelo paragrafo 22. b) a l6gica e racionalidade orientar a hermeneutica dos direitos humanos. quando do julgamento do RHC 18799. serao equivalentes as emendas constitucionais. ao reves. afrontando. tern hierarquia constitucional.

por forca do § 22 do art.. a existencia de urn regime juridico misto. p. sem sombra de duvidas. 5230. A internacionalizaeao dos direitos humanos: Constituicao.6. reforcando. no ambito formal. assim como hit direitos fundamentais situados fora do catalogo. Frisese: todos os tratados internacionais de direitos humanos sao materialmente constitucionais. a premente necessidade de se dar efetividade a protecao dos direitos humanos nos pIanos interno e internacional torna imperiosa uma mudanca de posicao quanto ao papel dos tratados internacionais sobre direitos na odem juridica nacional. com relacao aos novos tratados de direitos humanos a serem ratificados. 60.1977) e encontra respaldo em largo repert6rio de casos julgados ap6s 0 percorrer 0 procedimento demandado pelo § 32..vern a reconhecer de modo explicito a natureza materialmente constitucional dos tratados de direitos humanos. independentemente de seu quorum de aprovacao. 0 Impacto dos Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos na Ordem Juridica Brasileira Relativamente ao imp acto juridico dos tratados internacionais de direitos humanos no Direito brasileiro. de relatoria do Ministro Xavier de Albuquerque (julgado em 1. 2005. p.. Logo. e b) os material e formalmente constitucionais.) Tudo indica. 0 direito enunciado no tratado internacional podera: 0 Ministro pela supralegalidade dos advento do § 32 do art. ara alem de serem P materialmente constitucionais. 52 surgem tratados de direitos humanos. (. Barueri: Manole. serao normas materialmente constitucionais.. 5229. mais que que nunca. hoje. Celso Lafer afirma: Com a vigencia da Emenda Constitucional n2 45. formalmente como norm as constitucionais. DJ 29. os tratados comerciais nao passariam a ter status formal de norma constitucional tao-somente pelo procedimento de sua aprovacao.) Deixo acentuado. sao equiparados as emendas a Constituicao. devem obedecer ao item previsto no novo paragrafo 32 do art. 81. para que os tratados de direitos humanos a serem ratificados obtenham assento formal na Constituicao. por forca do § 22do mesmo art. que a jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal.. que a evolucao jurisprudencial sempre foi uma marca de qualquer jurisdicao constitucional.12. para serem recepcionados advento da Constituicao de 1988. ainda que fossem aprovados pelo elevado quorum de tres quintos dos votos dos membros de cada Casa duas categorias de tratados internacionais de protecao de do Congresso N acional. (.) Assim. esta preparado para essa atuali- humanos formalmente constitucionais o Texto Constitucional. 3OComo Ingo Wolfgang Sarlet leciona: "Inobstante nao necessariamente ligada it fundamentalidade formal. os tratados internacionais a que 0 Brasil venha a aderir. Nessa hipotese.) Tenho certeza de que zacao jurisprudencial.que e justamente 0 E necessario assumir uma postura jurisdicional mais adequada as realidades emergentes em ambitos supranacionais.. Se os tratados de direitos humanos anteriormente a Emenda n2 45/2004. Isto porque. sao norm as material eformalmente constitucionais.. 0 § 32 do art. a partir de urn reconhecimento explicito da natureza materialmente constitucional dos tratados de direitos humanos. 52 permite atribuir 0 status de norma formalmente constitucional aos tratados de direitos humanos que obedecerem ao procedimento nele contemplado. (. acrescer a qualidade de formalmente constitucionais. requerse a observancia de quorum qualificado de tres quintos dos votos dos membros de cad a Casa do Congresso Nacional. portanto. nos termos do art. § 22. em dois turnos . desse modo. (. os tratados de direitos espirito desta Corte.1977. para converteremse em normas tam bern formalmente constitucionais deverao 29LAFER. tern de ser revisitada criticamente. novo dispositivo do art. mas integrantes da Constituicao formal" (A eficitcia dos direitos fundamentals. por forca dos §§ 22 e 32 do art. paragrafo 2" da CF) que a nocao de fundamentalidade material permite a abertura da Constituicao a outros direitos fundamentais nao constantes de seu texto.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos menos acena para a insuficiencia da tese da legalidade ordinaria dos tratados ja ratificados pelo Brasil. equiparando-se as emend as a Constituicao. 52. Celso. 52. passam a integrar formalmente Vale dizer. Contudo. a partir do § 32 do mesmo dispositivo. voltadas primordialmente a protecao do ser humano. de 08 de dezembro de 2004. da Carta de 1988. 52da Constituicao. 17. a qual tern sido preconizada pela jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal desde 0 remoto julgamento do RE n2 80.. tres hip6teses poderao ocorrer. isto e. com direitos humanos: a) os materialmente constitucionais. portanto.) ~ 29 . apenas materialmente fundamentais. Isto e.§ 32. ratificados 4. e. que distingue os tratados de direitos humanos dos tratados tradicionais de cunho comercial. poderao. racismo e relacoes internacionais. e por intermedio do direito constitucional positivo (art. concluiu Acredita-se que 0 0 0 quorum exigido para a aprovacao de emendas a Constituicao. tambem. 5".004/SE. No mesmo sentido. e considerando a hierarquia constitucional desses tratados. Por fim.

destinados a Ja na segunda hipotese. 20 do fielmente enunciados de direitos humanos. apresenta constantes 6dio nacional. 12 (4) as se ajuste.Artigo 03 a) coincidir com 0 direito assegurado pela Constituipreceitos de a) direito adequado de toda pessoa a urn nivel de vida yao (neste caso a Constituicao do Direito Internacional b) integrar. etnicas.03. Americana. julgada em 29. dispositivos dos tratados Sociais e Culturais. h) direito ao duplo grau de jurisdicao judicial minima. paragrafo 12 da Convencao como garantia no ambito nacional. que estabelece a exigencia do recolhimento do reu it prisao para apelar. cabe mencao aos seguintes direitos: 31A respeito. da utilizacao a comunicacao nos termos de meios e a circulacao do art. e ampliar 0 a alimentacao. da Convencao em conformidade Racial. embora nao previstos encontram-se enunciados ao Direito brasileiro.673/4. no sentido de que a eles seja garantido pleno exercicio dos direitos humanos fundamentais. 13 (5) da Convencao c) direito das minorias de ter sua de 1948. 30 . de modo a que as obrigacoes reforcam internaf) valor brasileiro. a discriminacao. tambem no Direito Internacional Universal. de forma que eventual violacao do dire ito importara nao apenas em res- do art. 1. ineditamente professar e praticar sua pr6pria religiao e usar sua lingua.0602l3-2-SP2" T. sobre a Eliminacao e liberdades de todas fato do legislador em equacionar buscar orientacao nesse instrumental. de qualquer e proibicao propaganda de qualquer em favor apologia ao ou preceito do Direito interno. II do Pacto Internacional previstos. 52 (2) da Convencao presumida.1996. 42 (3) da Convencao e) possibilidade no ambito assegurem e Americana. determinando que seja afastada a incidencia do artigo 594 do C6digo de Processo Penal. com que constitua art. Constituicao de inspiracao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos Americana. e result ado dos Direitos Humanos. pelo Estado formas de Discriminacao possibilidade temporarias a igualdade nos termos Eliminacao de adocao pelos Estados de medidas e especiais que objetivem homens acelerar sobre a de fato entre e mulheres. 52. mas tambem assegurados. mesera submetido ou degradante". V da Declaracao art. desumano ducao literal do art. Relator designado Dr. interno brasileiro. "Com fundamento nesses preceitos. 14 (3) do sobre nos termos do art. nos termos dos Direitos dos Direitos Humanos). economico protecao e cultural. A reproducao nao apenas inspiracao do legislador cionalmente tratados de disposicoes de tratados internaciorefiete nais de direitos humanos 0 na ordem juridica nacional brasileira raciais. de ilustracao. da Constituicao de 1988 que. a hostilidade 0 A titulo de exemplo. assim. Walter Swensson. estarao a integrar. ao prever que "ninguem nem a tratamento cruel. ver julgamento TRF 3' R . que a adequada de certos grupos 0 cional dos Direitos Humanos. 0 da guerra incitamento a violencia. passam a se incorporar nos termos dos arts. 27 do Pacto Civis e Politicos os Direitos e da Internacional 30 da Crianca. "h" e 25. social. RJTACRIM 311120.05. com harmonia assumidas internacionais e consonancia. b) proibicao universo do art. do Por sua vez. LVII. ver Apelacao n. Com efeito. Americana". 52. nos termos dos Direitos Convencao do art. 82 (2) Esses sao apenas alguns exemplos 0 nos Estados que a hajam abolido. os tratados direitos humanos a declaracao instrumentos constitucional internacionais de direitos. a partir dos pelo Estado brasileiro. inclusive e moradia. de acordo com o art. de direitos humanos juridico de direitos constitucionalmente ponsabilizacao internacional. 8. Nesse caso. a Constituicao de 1988. e.1997. XI da Declaracao Pacto Internacional da Convencao que comprovam como inspiracao. 0 dos Direitos Civis e Politicos e art.011. nesses tratados de ideias e 13 da Convencao e possivel elencar inumeros direitos que. Universal a tortura. complementar ratificados e estender g) vedacao obstar opinioes. ha julgad os que afirmam 0 direito de apelar em liberdade.03. DIU 19. os 0 com 0 art. cultural. em conformidade rece referencia 0 disposto no art. nacional. racial ou religioso. dos Direitos Civis e Politicos e 0 Iingiiisticas pr6pria art. Interna- de adocao pelos Estados de medidas.RHC 96.5' Camara. Direito reproduz para si pr6prio vestimenta e sua familia. 0 mas ainda revela a preocupacao Direito interno. 72 do Pacto Internacional principio da inocencia ainda do art. art. Relatora para 0 Acordao Juiza Sylvia Steiner. Americana. Economicos. A titulo Americana". quanto Direito interno 0 brasileiro Direito tern paradigma e referencia. Nesse sentido. c) contrariar Na primeira em particular que reproduzem internacionais complementar direitos constitucionalmente hipotese. ¥ da Convencao em responsabilizacao internacionais de de todas as formas de Discriminacao contra a Mulher. inciso III. pr6pria religiosas vida ou e repro- e art. d) proibicao do reestabelecimento da pena de morte previsto pela de 1988 em seu art.

relator Ministro Celso de Mello. 3".permitem a integracao da norma penal em aberto. nos termos do art. 0 reforco de direitos nacionalmente direito de nao ser submetido a tortura. ver Fxtradicao 633.23. Note-se que esse direito acabou por ser formalmente constitucionalizado em virtude da inclusao do inciso LXXVIII no art. que define o crime de tortura. 5. (5) da Convencao Americana" e k) proibicao da extradicao ou expulsao de pessoa a outro Estado quando houver fundadas raz5es que podera ser submetida a tortura ou a outro tratamento cruel. j) direito de toda pessoa detida ou retida ser julgada em prazo razoavel ou ser posta em liberdade. Desse 0 modo. os de direitos humanos podem integrar e complementar dispositivos normativos do Direito brasileiro. prevalece a norma mais benefica ao individuo. tendo como relator 0 Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro. fruto da Emenda Constitucional n. nos termos do art. Os direitos internacionais constantes dos tratados de direitos humanos apenas vern a aprimorar e fortalecer. formada no ambito da OEA (1969) .em particular. direitos que sao consagrados nos instrumentos internacionais ratificados pelo Brasil e que se incorporaram a ordem juridica intern a brasileira. Esse elenco de direitos enunciados em tratados internacionais de que 0 claramente demonstra. DIU 29. Tribunal Pleno . Isto e. em determinadas hipoteses. Observe-se que esse elenco nao e exaustivo. absolutamente peculiar ao confiito em tela. 0 criterio ou principio da aplicacao do dispositivo mais favoravel as vitimas e nao apenas consagrado pelos pr6prios tratados internacionais de protecao dos direitos humanos. 0 Contudo.1998. 233 do Estatuto). de 23. em que foi negada a extradicao it Republica Popular da China de pessoa acusada de crime de estelionato. concluida em Cartagena (1985) e a Convencao Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de Sao Jose da Costa Rica). relator Ministro Edson Vidigal. RHC n. a partir do reforco do universo conceitual relativo ao termo "tortura".. 5' Turma. a Convencao de Nova York sobre os Direitos da Crianca (1990). recurso ordinario em habeas-corpus (98/0022262-6). nos termos do art. titular do direito. na medida em que nao se encontram previstos no Direito interno. considerando a hierarquia constitucional dos tratados internacionais de direitos humanos. a Convencao contra a Tortura. Relator para Celso de Mello). universo dos direitos o Direito Internacional dos Direitos Humanos 0 ainda perrnite. Vale dizer. mas tern como finalidade apenas apontar. ver RHC 7463/DF. v. Como instrumentos essa decisao internacionais 0 processo.94. Todavia. Na licao lapidar de Antonio Augusto Cancado Trindade: 33A este respeito. percebe-se como Direito Internacional dos Direitos 0 Humanos inova. Relator: Ministro Sidney Sanches.u. no Habeas 0 criterio a ser adotado se orienta pela escolha da norma mais favoravel a vitima. 07. no plano de protecao dos direitos humanos interagem o Direito internacional e melhor protejam 0 0 Corpus n. Nesse sentido. 7. tendo em vista que a primazia e da pessoa humana. 45/2004. sem prejuizo de que prossiga 0 contra a Tortura.06. preenchimento de lacunas apresentadas pelo Direito brasileiro. Essa terceira hip6tese e a que encerra maior problematica. como primeira alternativa. E 0 Brasil e parte inova e amplia 0 universo de direitos nacionalmente assegurados.1996. permitindo previstos . 0 Acordao: Ministro Supremo Tribunal Federal enfocou a norma con stante no Estatuto da Crianca e do Adolescente que estabelece como crime a pratica de tortura contra crianca e adolescente (art. a adocao do criterio "lei posterior revoga lei anterior com ela incompativel". desumado ou degradante.389-5 (Sao Paulo. movidos pelas fato dessa norma consagrar urn mesmas necessidades de protecao. suscitando a seguinte indagacao: como solucionar eventual confiito entre a Constituicao e determinado tratado internacional de protecao dos direitos humanos? Poder-se-ia imaginar. ainda e possivel uma terceira hip6tese no campo juridico: a hip6tese de urn eventual confiito entre Direito Internacional dos Direitos Humanos e 0 Direito interno. j.Convencao contra a Tortura e da do artigo 22. adotada pela Assembleia Geral da ONU (1984).6. que se situa no plano dos direitos fundamentais. 9455. VIII da Convencao Americana".1997. ver STI. passivel de complementacao no que se refere a definicao dos diversos meios de execucao do delito de tortura.239-BA. A titulo de exemplo. setembrol1998.09. A polemica se instaurou em razao de 0 Direito interno. N ote-se que apenas em 7 de abril de 1997 foi editada a lei n. 5". 8. merece destaque decisao proferida pelo Supremo Tribunal Federal acerca da existencia juridica do crime de tortura contra crianca e adolescente. ~ 31 .05. estende e amplia constitucionalmente assegurados. mas tambem encontra apoio na pratica ou jurisprudencia dos orgaos de supervisao internacionais. 34Sobre a materia. entendeu 0 Supremo Tribunal Federal que os instrumentos internacionais de direitos humanos . 70. la punivel com a pena de morte.no caso. urn exame mais cauteloso da materia aponta para urn criterio de solucao diferenciado. prevalecendo as normas que ser humano. nunca a restringir ou debilitar. 35A respeito.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos i) direito do acusado ser ouvido. paragrafo 1 da Convencao Americana". exemplificativamente. 0 "tipo penal aberto". Nesse caso. a Convencao Interamericana grau de protecao dos direitos consagrados no plano normativo constitucional.

1992.053-8. no julgamento do ja citado Recurso Extraordinario 466. ha que se questionar a possibilidade juridica da prisao civil do depositario infiel. Carlos Velloso. e preciso lembrar que qualquer reserva sobre a materia. 19. HC 76-56l-SP. 601. do Primeiro Tribunal de Alcada do Estado de Sao Paulo. ex: Carta Social Europeia). Arnaldo Sussekind afirma: "No campo do Direito do Trabalho e no da Seguridade Social. A respeito. II do Pacto Internacional dos advento da Constituicao. grupo ou individuo. todavia. a Carta constitucional de 1988. merecendo prevalencia valor da solidariedade. v. no confiito entre 0 os valores da liberdade e da propriedade.1998 e RE 243613. aqui em constante interacao: a primazia e. enquanto 0 Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos nao preve qualquer excecao ao principio da proibicao da prisao civil por dividas. b) limitar 0 gozo e exercicio de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em virtude de Convencoes em que seja parte urn dos referidos Estados ( .545-3 (95. em cad a caso. na hip6tese de eventual confiito entre Internacional adota-se 0 0 hip6tese do inadimplemento de obrigacao alimenticia e a do depositario infiel. os direitos consagrados da pessoa humana. 27.se a norma constitucional fosse mais benefica que a normatividade internacional. 1983.1999). ora suspendendo preceitos que sejam menos favoraveis principio da proibicao da prisao civil por dividas. I-Cnmara.028458-8). determina que "nao havera prisao civil por divida. Adhemar Maciel. em cada caso.880-4. A respeito. 3. A protecao dos direitos humanos nos pianos nacional e internacional: perspectivas brasileiras.( . a solucao dos confiitos entre normas internacionais e facilitada pela aplicacao do principio da norma mais favoravel aos trabalhadores. 32 .1995. merece destaque 0 louvavel voto do Juiz Antonio Carlos Malheiros.9. Marco Aurelio e Sepulveda Pertence. Mais uma vez. nao se trata de primazia do direito internacional ou do direito interno. 72.1999. sobretudo no ambito dos direitos humanos. ) mas tambern e certo que os tratados multilaterais.. (Direito internacional do trabalho. Sao Paulo: LTR. Distrito Federal. ora adicionando novos direitos. que esta incorporado ao direito interno" (RE-243613. 16.. sem efetuar universo dos direitos na- cionalmente consagrados . Note-se que. quando afirmam que os tratados internacionais s6 se aplicam se ampliarem e estenderem caso da prestacao alimenticia. Plenario. (7) da Convencao Americana. ainda que vencidos it epoca os Ministros Carlos Velloso. 52. Logo. 22.1996. as pr6prias regras interpretativas dos tratados internacionais de protecao aos direitos humanos apontam a essa direcao. 37Nesse sentido. Ressalte-se que se a situacao fosse inversa . adotam a mesma concepcao quanta aos institutos juridicos de protecao do trabalhador. ao estabelecer que ninguem deve ser detido por dividas. elucidativo e 0 disposto no art.1995. ao estabelecer regras interpretativas. 0 0 alcance da protecao nacional dos direitos humanos. acrescentando que este principio nao limita os mandados judiciais expedidos em virtude de inadimplemento de obrigacao alimentar. duas excecoes . urn caso a merecer enfoque refere-se da possibilidade de prisao do depositario infiel". Cancado Augusto Antonio. ReI. Min. ex: Pacto da ONU sobre direitos economicos. se 0 0 caso de inadimplemento de obrigacao Brasil ratificou esses instrument os sem qualquer reserva no que tange Direito a materia. 613. ineditamente. A escolha da norma mais benefica ao individuo e tarefa que cabera fundamentalmente aos Tribunais nacionais e a outros orgaos aplicadores do direito. sejam universais (p. seja ela uma norma de direito internacional ou de direito interne". em novembro de 2006. Direitos Civis e Politicos. p.. Min. determina: "Nenhuma disposicao da presente Convencao pode ser interpretada no sentido de: a) permitir a qualquer dos Estados-partes. Observa-se que. Ver tambem Apelacao n. inobstante os aludidos tratados tivessem hierarquia constitucional tivessem sido ratificados ap6s 0 a e previsao do art. ao dispor que "ninguem podera ser preso apenas por nao poder cumprir com uma obrigacao contratual".Artigo 03 ( . salvo a do responsavel pelo inadimplemento voluntario e inescusavel de obrigacao alimenticia e a do depositario infiel". os direitos da pessoa humana.ora reforcando sua imperatividade juridica.inciso LXVII. criterio da norma mais favoravel a vitima. 29 da Convencao Americana de Direitos Hurnanos que. Note-se nao ser esse 0 entendimento do Supremo Tribunal Federal. 317-318.aplicar-se-ia a norma constitucional. a Constituicao brasileira consagra 0 0 Vale dizer. 10. Sao Paulo. sejam regionais (p. p. Ora.482-SP. to davia.5. atendo-se ao criterio da norma mais favoravel dos Direitos Humanos e 0 Direito interno. Enunciado semelhante e previsto pelo art. oito dos onze Ministros ja haviam se manifestado pela inconstitucionalidade da prisao para 0 devedor em alienacao fiduciaria.4.. relator Juiz Elliot Akel. Novamente. no sentido de assegurar a melhor protecao possivel ao ser humano. ver HC 72. Verifica-se uma tendencia de mudanca na jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal. os tratados internacionais de direitos humanos inovam significativamente 0 ambos os instrumentos internacionais em 1992. 0 que facilita a aplicacao do principio da norma mais favoravel". Isto e. suprimir 0 gozo e 0 exercicio dos direitos e liberdades reconhecidos na Convencao ou limita-Ios em maior medida do que a nela prevista. Em sintese.. Neste campo de protecao.11.10. a primazia e da norma que melhor proteja.) desvencilhamo-nos das amarras da velha e ociosa polemica entre monistas e dualistas. Ora. Assim.. primeiro ha de prevalecer. RE 206. Acrescente-se que para 0 entao Ministro Carlos Velloso "a prisao do devedor-fiduciante e uma violencia it Constituicao e ao Pacto de Sao Jose da Costa Rica.)". A titulo de exemplo.27. no confiito de valores envolve os 0 Brasil ratificou termos liberdade e solidariedade (que assegura muitas vezes a sobrevivencia humana). sociais e culturais e Convencoes da OIT). como assinalam a Constituicao Brasileira de 1988 e a Convencao Americana de Direitos Humanos. admitindo.. em que. Em outras a a vitima no plano da protecao dos direitos 0 humanos. no art. ReI.l3l-RJ.. conclui-se que merece ser afastado se prevalencia cabimento palavras. San Jose de Costa Rica/Brasilia: Instituto Interamericano de Derechos Humanos.2.a a protecao dos direitos 36TRINDADE. 57). no presente dommio. conferindonorma do tratado. na Apelacao n. da norma que melhor proteja. a Convencao Americana excepciona alimentar.343-1. e Habeas Corpus n. No mesmo sentido.u.

no que se atem e a utilidade a relevancia a de advogar esses tratados perante as instancias 0 frente do desafio de resgatar e recuperar no aparato aplicando a nacionais e internacionais. ~ 33 . portanto. cabendo aos operadores do direito introjetar e incorporar os seus protecao dos direitos consagrados no plano normativo consti- Como demonstrado decisiva para 0 por este estudo. os operadores do Direito estao internacionais de direitos humanos podem contribuir de forma reforco da promocao dos direitos humanos no 0 Brasil. que fortalecem a sistematica de protecao dos direitos fundamentais. os tratados valores inovadores. mais do que nunca. Estao. Consideracoes finais 0 fundadas no principio da primazia dos direitos humanos. Em todas essas tres hipoteses. sucesso da aplicacao desse instrumental internacional de direitos humanos requer a ampla sensibilizacao dos agentes operadores do Direito. A Carta de 1988 e os tratados de direitos humanos lancam urn projeto democratizante e humanista. tucional. concretos na defesa do exercicio dos direitos da cidadania. Hoje. 5. Os agentes juridicos hao de se converter em agentes propagadores de uma ordem renovada. os direitos internacionais constantes dos tratados de direitos humanos apenas vern a aprimorar e fortalecer. com uma principiologia e 16gica proprias. No entanto. reimaginar e recriar seu exercicio profissional. Testemunha-se 0 processo de intemacionalizacao do Direito grau de Constitucional somado ao processo de constitucionalizacao do Direito Internacional. democratica e respeitadora dos direitos humanos. que pode viabilizar avances juridico seu potencial etico e transformador. Constituicao e os instrumentos internacionais de protecao de direitos humanos por ela incorporados.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos humanos. nunca a restringir ou debilitar. a frente do desafio de reinventar. a partir deste novo paradigma e referencia: a prevalencia dos direitos humanos. impedindo que se perpetuem os antigos valores do regime autoritario. A partir da Constituicao de 1988 intensifica-se a interacao e conjugacao do Direito internacional e do Direito interno. juridicamente repudiado e abolido.

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