ESTÁGIO SUPERVISIONADO: tecendo fios no desenvolvimento profissional de professore s de ciências Elaine Cristina Vieira Paim¹

RESUMO: O presente texto traz algumas reflexões e objetiva mostrar como ocorre a t roca de saberes e conhecimentos no processo formativo mútuo no estágio supervisionad o no 1º semestre de 2011 do curso de Ciências Biológicas do ISED/FUNEDI/UEMG. Pensando nas dificuldades que os estagiários do curso de licenciatura apresentam em lecion ar os conteúdos de Ciências para a Educação Básica foi proposta a realização de um trabalho nculado entre as escolas concedentes e a feira do ISED. Sendo a modelagem, utili zada como principal ferramenta para a aprendizagem significativa dos conteúdos em Ciências. O resultado e avaliação pela escola concedente de estágio foram bastante satis fatórios. PALAVRAS-CHAVE: Formação de Professores, Educação em Ciências, Estágio Supervisionado. 1. INTRODUÇÃO

O presente artigo se propõe apresentar algumas reflexões feitas a partir de algumas propostas dirigidas e executadas ao longo do Estágio Supervisionado no curso de Ciên cias Biológicas do ISED/FUNEDI/UEMG no 1º semestre de 2011. A vida profissional dos futuros estagiários em cursos de formação de professores tem s ido muito discutida nestes últimos anos e como consequência disso, o estágio supervisi onado ampliou suas discussões a cerca do foco da docência (OLIVEIRA, 2009). As Diret rizes Curriculares para a Formação de Professores da Educação Básica orientam como devem s er a prática de ensino e o estágio supervisionado em licenciatura (BRASIL; CNE/CP, 2 /2002). Segundo elas, o estágio passou a ser um componente essencial na matriz cur ricular dos cursos de licenciatura perfazendo um total de 400 horas. Segundo Bianchi et al (2005) o Estágio Supervisionado é uma atividade em que o aluno revela sua criatividade, independência e caráter, proporcionando-lhe oportunidade p ara perceber se a sua escolha profissional corresponde com sua aptidão técnica. Esta atividade é temporária e ela é oferecida nos cursos de licenciatura a partir do 5º períod o, pois, o graduando encontra-se inserido nas discussões acadêmicas para a formação doce nte. Há alguns anos acompanhando o estágio supervisionado na licenciatura, deparamos com algumas observações e reflexões dos estagiários na escola concedente e que estas eram tr azidas a tona na graduação como sendo um dos parâmetros para a legitimação da formação doce . O nosso ponto de partida foi uma inquietação que sempre se formou durante as discussõe s com os acadêmicos de Ciências Biológicas no Estágio Supervisionado. Essa inquietação surg a da constatação de que os alunos na escola concedente, muitas vezes, não estão motivado s em aprender ou o conteúdo didático não é suficientemente significativo para o aluno da Educação Básica. Compreende-se assim, a necessidade de criar espaços que discutam e per meiam a busca de soluções para o enfretamento de tais questões. O curso de Ciências Biológicas ofereceu espaço para promovermos um entrelaçamento da nos sa pesquisa-atuação, pois, a partir da proposta de estágio supervisionado é que foi dese nvolvido o trabalho interdisciplinar do 5º e 7º período no 1º semestre de 2011e este foi apresentado na Feira do ISED para a comunidade de Divinópolis – MG. O curso também apresentou uma referência de experiência, pois foi a partir dos trabalh os anteriores é que pudemos avaliar a nossa trajetória enquanto Formadores de Profis sionais em Educação e alçar novos voos para perspectivas futuras. Chamaremos aqui de professores-alunos, os estudantes de graduação em Ciências Biológicas , estagiários na Educação Básica e de escola concedente, aquela que os alunos-professore s fizeram estágio, sendo esta municipal ou estadual. 1. Contextualizando saberes/ Primeiros fios e enlaces

Quando iniciamos o nosso primeiro contato com a sala de aula, ficamos muito inse guros, com medo, com receio de não conseguir desenvolver um projeto de ensino, uma

sequência didática ou até mesmo um plano de aula. E quando somos alunos-professores e observadores buscamos criticar o trabalho do outro sem muitas vezes, propor sit uações que sanem problemas. Dentro dessas concepções, buscamos discutir e refletir em no ssos encontros de estágio, a dinâmica da sala de aula propondo alternativas para tai s problemas. Para construir o nosso trabalho, buscamos apresentar aos professores-alunos a Te oria da Aprendizagem Significativa pelo olhar de Ausubel nas aulas de orientação de estágio. Ausubel é um representante do cognitivismo, sendo assim, buscou clarear os mecanismos internos do processo de ensino-aprendizagem. A Teoria Ausubeliana vai em oposição à teoria comportamentalista Behavorista onde prev alece a memorização e a transmissão de conhecimentos sem a participação efetiva do aluno. O princípio norteador da teoria de Ausubel é a ideia de que para que a aprendizagem ocorra é necessário partir de conhecimentos prévios que o aluno já possui. Segundo ele, descobrir o conteúdo e a organização das ideias dos alunos em determinada área particula r de conhecimentos que se pretende ensinar, é o primeiro passo em direção ao sucesso d a aprendizagem (BRAGA, 2010). É mais fácil para o ser humano aprender por subordinação do que por superordenação. Em razã isso, na organização conceitual e proposicional do que vai ser ensinado, o trabalho escolar sempre deve partir do geral para o particular. Nesse sentido, seguindo o princípio da diferenciação progressiva, quando da seleção dos aspectos mais relevantes de um determinado conteúdo, devem ser privilegiados os conceitos/ideias mais gerais, que poderão servir como âncoras para futuras aprendizagens (AUSUBEL, citado por BRA GA, 2010).

Dando sequência às discussões e reflexões, passamos para uma nova etapa de que foi a con strução do fio metodológico para a execução dos projetos de estágio nas escolas concedentes O fio metodológico foi a Modelagem no Ensino de Ciências. Segundo Braga (2010), a capacidade de modelar atividades e situações que possibilitem interpretar e explicar os fenômenos está entre os esforços intelectuais empreendidos pelos cientistas. Isso funciona como uma estratégia real da abstração. Um exemplo clássico de modelização foi o mo elo tridimensional sugerido por Watson e Crick em 1953 para a estrutura molecula r do DNA. No caso, a representação foi decisiva para testar suas hipóteses. No ensino de ciências, o modelo desempenha um importante papel de transposição didática. A partir das reflexões e bibliografia a cerca da estratégia de modelagem é que foram construídos os projetos de ensino na escola concedente e apresentados na feira do ISED.

Partindo do pressuposto de que a confecção e o uso de modelos para o Ensino de Ciência s levará ao aluno um estudo de ciências de forma dinâmica e mais concreta, formulamos algumas hipóteses: 1ª) A construção e a utilização de modelos didáticos auxiliam na aprendi em significativa dos conteúdos de ciências no Ensino Fundamental; 2ª) A confecção de model os permite ao aluno passar de um conhecimento particular para uma percepção mais tot alitária e lógica do conteúdo. Após as discussões, os alunos-professores elaboraram seus p rojetos de trabalho e aplicaram nas escolas concedentes e levaram seus resultado s para a feira do ISED. Considerando a avaliação dos alunos da Escola Básica, o trabalho objetivou tornar a ap rendizagem dos conteúdos de ciências mais significativa, além de proporcionar novas fe rramentas de ensino para professores de ciências.

Referência: BIANCHI, Anna Cecília de Moraes et al . Orientações para o Estágio em Licenciatura. São Pa ulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. BRAGA, Cleonice Miguez da Silva. O Uso de Modelos no Ensino da Divisão Celular na Perspectiva da Aprendizagem Significativa.2010.139 f. Dissertação (Mestrado Profissi onal em Ensino de Ciências) Universidade de Brasília, Brasília, 2010. BRASIL. MEC. CNE. Resolução CNE/CP 2, de 19 de setembro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores d

a Educação Básica em nível superior. FILHO, Agnaldo Pedro. O Estágio Supervisionado e sua importância na formação docente. P@ rtes. Dezembro de 2009. Disponível em: <htttp://www.partes.com.br/educacao/estagio supervisionado.asp>Acesso em 25 de maio/2011. GUERRA, M., D., S., Reflexões sobre um processo vivido em estágio supervisionado: do s limites às possibilidades. UFMS, 1999. MINAS GERAIS. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. O Ensino de Ciências por meio de proje tos. In: MINAS GERAIS. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Guia Curricular de Ciências: ciclo. Belo Horizonte, SEE/MG, 1997. v. 1. OLIVEIRA, Lindamir Cardoso Vieira. AS Contribuições do Estágio Supervisionado na Formação Do Docente-Gestor Para a Educação Básica. Ensaio – Pesq. Educ. Ciênc., dez. 2009, v.11, n. 2.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful