Você está na página 1de 6

c.

As fases das políticas públicas


As fases das políticas públicas são:
I – Agenda
II – Formulação
III - Implementação
IV - Avaliação

I - A Agenda (ou “decidindo decidir”)


É o espaço em que são constituídos os problemas, assuntos ou demandas
que os “fazedores” escolhem ou são compelidos a escolher.
Partindo das indagações - por que alguns problemas e assuntos são agendados e
outros não? Por que alguns itens são selecionados para deliberação governamental e outros
não? -, segundo Kingdon apud Viana, define a existência de três tipos de agendas:
1. sistêmica ou não-governamental – com a lista de assuntos que há muito são
preocupação do País;
2. governamental – com problemas que pedem a atenção do Governo;
3. de decisão – com a lista de questões a serem decididas.

O segundo tipo – governamental – possui fatores influentes na escolha de


determinado assunto:
1. participantes ativos: a. atores governamentais: prefeitos, staff do
Executivo, políticos em cargos públicos, funcionalismo,
parlamentares e funcionários da Câmara de
Vereadores;
b. atores não-governamentais – grupos de
pressão/interesse; acadêmicos; consultores; partidos
políticos; opinião pública
2. processos : características dos órgãos e das instituições vinculados à produção
de políticas públicas que respondem pelo modo de seleção dos problemas para a
agenda.
** O reconhecimento de problemas em função de indicadores, eventos, feedback de
trabalho burocrático e da elaboração do orçamento . A inclusão de um assunto na
Agenda depende de sua factibilidade técnica, da aceitação pelos especialistas e pelo
público, do consenso que obtém.

3. o grau de fragmentação das comunidades políticas influencia a intensidade da


fragmentação da política implicando a estabilidade da Agenda.
4. As forças organizadas (grupos de pressão, elites políticas) e as mudanças
administrativas posteriores às eleições para o Executivo e o legislativo
influenciam a formação da Agenda.
5. Existem ainda os “empresários da política” que investem recursos a favor de
determinada política, atuando em qualquer fase da política, sendo burocratas,
acadêmicos, jornalistas ou políticos.

II - A Formulação de políticas (“decidindo como decidir”)

Ocorre em um espaço político de trocas e indeterminações, conflitos e


poder.
Segundo Hoppe, Van der Graaf e Van Dijk apud Viana (1996), a fase de
formulação de políticas, elaboração de alternativa s e escolha de uma delas, pode
ser desmembrada em três fases:
a. massa de dados transforma-se em informações importantes;
b. valores, ideais, princípios e ideologias combinam-se com informações fáticas
produzindo conhecimento sobre ação;
c. o conhecimento empírico e normativo se transforma em ações públicas, aqui e agora.

De ressaltar a questão crucial existente entre a formulação e a


implementação - o que os formuladores deixam para os implementadores – e a
necessidade de perfeita interação entre formuladores, implementadores e público-
alvo (das políticas) para o seu sucesso.

A Formulação das políticas públicas se desenvolve resumidamente


segundo modelos:
1. Modelo Racional
2. Modelo Incremental
1. Racional: busca clarificar objetivos, alinhar alternativas e escolher a alternativa
mais adequada para alcançar o objetivo.
2.Incremental – a informação completa para enfrentar a situação se reduz a uma situação
de melhorar um pouco o que já existe.

Fig. 2: Formulação de Políticas

RACIONALISMO INCREMENTALISMO
FORMULAÇÃO
Agenda permeável? PROCESSO DECISÓRIO Agenda controlada?

Planejamento Negociação
(concepção elitista) (co(concepção pluralista)
TOP DOWN

VALORES BOM É O
OBJETIVOS POSSÍVEL
METAS

Poder assimétrico Ajuste mútuo entre


IMPLEMENTAÇÃO partidários

Fonte: Fachin, 1997

III - A Implementação das políticas públicas

A implementação compreende as fases:


a. definição do problema em seus aspectos normativos e causais;
b. decomposição do problema;
c. demonstração de tratamento do problema e identificação de solução
alternativa;
d. estimativas brutas;
e. definição de estratégias de implementação

É central reconhecer-se quem está envolvido no processo de implementação, como


culminância de várias decisões – de rotina ou não.
De forma geral, no processo de implementação, a quantidade de mudanças
envolvidas influencia, entre os participantes, os graus de consenso ou conflito em torno de
metas e objetivos: quanto menor a quantidade de mudanças maior é o consenso obtido e
vice –versa.
O maior consenso sobre metas e objetivos está influenc iado pela
participação dos implementadores na fase de formulação, aumentando a clareza
política e reduzindo resistências. O conhecimento sobre as atividades pertinentes
a cada fase e sobre o projeto por parte dos implementadores é fundamental para
o êxito da política.

IV - A Avaliação das políticas públicas

Para James Anderson (1975), a fase de avaliação da política supõe:


avaliação do impacto (efetividade da política); avaliação da estratégia de
implementação (qual mais produtiva); monitoramento (mede a eficiência gerencial
e operacional)
A avaliação das políticas, segundo Roland Franco e Ernesto Cohen apud Viana
(1996), podem ser de quatro tipos: investigação, investigação avaliativa, avaliação e
monitoramento, conforme o momento em que é realizada (antes, durante ou depois), o
objeto, o objetivo, técnicas utilizadas e relação estabelecida com a política.
Existe uma adequação entre o tipo de estudo das políticas públicas e as suas fases:
1. a fase de construção da agenda (decidindo decidir) propicia estudos sobre
processo decisório;
2. a fase de formulação (decidindo como decidir) propicia estudo de processo
decisório e da relação custo/benefício;
3. a fase de implementação propicia estudos de processo decisório e de avaliação
do processo de implementação (avaliação do processo);
4. a fase de avaliação propicia estudos avaliativos.

O tipo de estudo chamado “avaliação” abrange a avaliação de processo (para a fase


de implementação de determinada política) e a avaliação de impacto (para o efeito do
resultado de determinada política) e são avaliações ex post (ocorrem durante e depois da
fase de implementação).
O cálculo da relação custo/benefício e do custo/efetividade de uma política são
avaliações ex ante.

Fig. 3 - Fluxograma da avaliação da política pública

Idéia diagnóstico projeto avaliação ex ante

Avaliação do implementação correção


processo

conclusão do avaliação ex post


correção projeto ou de impacto

O processo de avaliação das políticas públicas passa pela manutenção da


responsabilidade do Estado por sua eficácia, ressaltando o desafio de modificação de suas
relações com a sociedade civil, quando a apóia, não sufocando sua capacidade de negociar
as melhores opções para o seu desenvolvimento. A sociedade participa da execução de
programas e projetos sociais, pressionando e mobilizando em novas formas de interpelação
política, para a defesa de seus direitos, para o estabelecimento de critérios públicos de
utilização de recursos e bens na qualidade de vida das maiorias e introdução de assuntos na
agenda pública estatal.
É preciso aceitar-se a existência de conflito de interesses entre as partes envolvidas
em uma decisão, donde a necessidade de revisão dos modelos organizacionais da máquina
governamental. A contradição entre o modelo burocrático e as demandas de autonomia, de
eficácia e eficiência, de participação social.
Existe uma dupla exigência em relação ao Governo: reforçar seu potencial de
administração financeira, participativa e associação e criar um espaço de habilitação da
sociedade civil, sem pretender anular as fronteiras existentes entre o Estado e ela.
A participação dos cidadãos no processo de políticas públicas serve para alterá-lo e
redesenhar a destinação dos gastos públicos, não excluindo, de outra parte, que as
reivindicações da sociedade estejam presentes no discurso dos partidos políticos e no
debate público.