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ESCOLA DE HOTELARIA E TURISMO DE SANTARM

2008 / 2009

III

I Leia o poema que se segue.


[Sem ttulo] No sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei. De tanto ser, s tenho alma. Quem tem alma no tem calma. Quem v s o que v, Quem sente no quem , Atento ao que eu sou e vejo, Torno-me neles e no eu. Cada meu sonho ou desejo do que nasce e no meu. Sou minha prpria paisagem, Assisto minha passagem Diverso, mbil e s, No sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como pginas, meu ser. O que segue no prevendo, O que passou a esquecer. Noto margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: Fui eu? Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa, Novas Poesias Inditas

1. No poema que acabou de ler, o sujeito potico reflecte acerca de si prprio tentando responder questo Quem sou eu?. 1.1. Saliente, nas duas primeiras estrofes, os versos que revelam: a fragmentao do sujeito potico; o seu desconhecimento em relao a si prprio; o sentimento de despersonalizao; o seu papel de espectador de si; a sua constante inadaptao. 2. Relacione, na primeira estrofe, a alternncia temporal presente/passado com o valor expressivo do advrbio de modo continuamente (v.3). 3. Nos trs ltimos versos da primeira estrofe, o sujeito potico passa, abruptamente, da primeira para a terceira pessoa.

3.1. Prove que com essa alterao o sujeito potico procede a uma generalizao. 3.2. Interprete o sentido do verso 8. 3.3. Explicite o sentido dos versos 7 e 8 tendo em conta a relao que o sujeito potico estabelece entre ver/sentir/ser. 4. Na segunda estrofe, o sujeito potico volta a centrar-se em si prprio. 4.1. Indique os adjectivos usados nessa autocaracterizao. 4.2. Esclarea o sentido dessa tripla adjectivao. 5. A terceira estrofe, que podemos considerar um segundo momento do poema, encerra uma espcie de explicao. 5.1. Explique-a, considerando: o significado do adjectivo alheio, a comparao pginas/ser e a metfora livro/vida. 5.2. Sinalize os versos em que o sujeito potico se define como um ser sem passado nem futuro. 5.3. Explique por que razo os dois ltimos versos so um desfecho lgico para o poema.

Bom trabalho!
Prof. Ana Pinheiro