A importância da ortografia na coerência e coesão textual

Juan Pablo Simões Maytê Mendes Silva Magalhães Robson Pinheiro Messias

Resumo
A ortografia é uma invenção recente de mais ou menos 300 anos, e está em constante mudança seja ela com adaptações ou com reformas ortográficas. Na construção de textos além da ortografia ser essencial, e até mesmo ser uma parte muito importante, é preciso fazer sentido, e é exatamente nesse ponto que entra a coesão e coerência textual. O texto não é autônomo, é preciso todas as partes se relacionar umas com as outras, o que não quer dizer que o resultado seja uma soma global do seu significado, mas precisa de uma combinação geradora de sentidos. O maior problema encontrado na pesquisa foi fazer as crianças do ensino fundamental externar as idéias, utilizando a ortografia correta, pois a maior parte delas ainda escreve de forma incorreta, trocando letras e até palavras no texto, levando a um entendimento contrário do que eles gostariam.

Palavras-chave: Ortografia, texto, coesão e coerência.

Introdução
Ensinar ortografia é essencial desde as primeiras séries. Só é preciso saber quando e como. E conhecer bem as regras. O conhecimento das normas ortográficas ajuda as pessoas a superar o medo de se expressar por escrito, diferentemente do que muitos acreditam não afeta a criatividade. No momento em que se dominam as palavras com segurança, não é preciso parar a todo o momento para verificar a grafia e pode-se voltar toda a atenção para o desenvolvimento do texto.

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e muda sempre A ortografia é uma invenção mais ou menos recente. ou seja. “architetura”. concordância nominal e verbal. mas ao mesmo tempo vimos o receio e até o medo de colocar no papel o que pensam e o que querem de forma correta. para um bom entendimento. Este projeto é importante porque vai ajudar a conhecer melhor a língua portuguesa e suas regras. o intuito é trabalhar a escrita utilizando ferramentas que propiciam o uso correto das palavras. e para isso acontecer é muito importante que as palavras estejam escritas de maneira correta. Em 1971 tivemos uma minireforma que eliminou os acentos diferenciais (“tôrre” virou “torre”) e graves em palavras como “sòmente” e “fàcilmente”. dissertativos e descritivos. ortografia. línguas como o Frances e o espanhol não tinham uma ortografia. E vem sendo reformuladas de tempos em tempos. “rhinoceronte”.”encyclopedia”. tanto de quem escreve quanto de quem vai ler o texto.O domínio da escrita alfabética nem sempre é homogêneo em cada sala de aula e o número de erros em um texto nunca deve ser usado como parâmetro de avaliação. Observamos o interesse dos alunos pela produção de texto. as normas de escritas das palavras. No caso da língua portuguesa. Há trezentos anos. A ortografia da língua portuguesa combina critérios ligados à origem das palavras. escrevíamos “pharmácia”. Até a reforma ortográfica de 1940. A mais nova ortografia foi criada em 1990 após a decisão de representantes das oito nações que falam a língua portuguesa decidirem simplificar a grafia e unificar as regras. só surgiram no século XX. conjugação de verbos e produção de textos narrativos. Por isso nosso sistema ortográfico é misto: etimológico e fonético. quanto em Portugal. tais como: acentuação. tanto no Brasil. mas o acordo só entrou em vigor em 2 . Os padrões ortográficos são convenções sociais que estabelecem as regras e os critérios da grafia. Com isso. etc. a etimologia e a representação dos sons característicos da língua e dos fonemas. sua criatividade e grande vontade de escrever. A Língua é viva.

mas um processo e tem início bem cedo e não termina nunca. O conceito também muda de acordo com as épocas. as culturas e a chegada da tecnologia. que teve inicio na década de 80. o que ocorreu somente em 2006. A pessoa é alfabetizada igualmente para qualquer situação de uso da língua escrita. O prazo que os países terão para se ajustar as novas regras é até dezembro de 2012. O mesmo não acontece nos países latinos. 3 . a palavra “universo” escrita com s. pois o som é 1 Emília Ferreiro – Psicolinguista argentina. Cada um tem mais facilidade para ler determinados textos e evitam outros. Ignorar que ela pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso. Alfabetização A alfabetização não é um estado. A tradição fônica sempre foi dominante nos países anglo-saxões. “O processo de alfabetização é desencadeado com o acesso a cultura escrita. Os defensores do modo fônico não levam em conta um dado fundamental.2009 após a ratificação dos termos da proposta por três países. diversos fatores dificultam a escrita correta das palavras. um desses fatores. mas muitas vezes encontrada com “ç” em seu lugar. que é o nível de conscientização da criança sobre a escrita. professora de Centro de Investigação Politécnico Nacional. “Ado” não significa nada. discípula de Jean Piaget. Este acordo é o resultado de uma longa negociação entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras.” (Ferreiro1. relaciona-se à possibilidade de alguns fonemas admitirem diferentes grafias. por exemplo. “lado”. Revista Escola Viva p 78 – 2003) Na língua portuguesa. e lá se aprende a ler antes de aprender a escrever. nesse período as duas formas ortográficas serão consideradas corretas. e depois omitir o primeiro segmento fônico. Consciência fonológica é a possibilidade de fazer voluntariamente certas operações com a oralidade que não são espontâneas. É possível dizer uma palavra. do México. A língua tem a propriedade de ser partida em unidades de distintos tipos até chegar às letras. A divisão de sílabas se dá praticamente em todas as culturas. como por exemplo.

pressentir. as notações léxicas. auctor. e acrescentando outras para que se represente a exata pronúncia. Sistema fonético (ou sônico) é a exata figuração dos sons. onde cada letra corresponde a uma consonância. sempre que necessário. o emprego das maiúsculas. omem. reproduzindo todas as letras das palavras. em conjunto. mesmo que não sejam pronunciadas. e é a parte da gramática que estuda a escrita correta dos vocábulos. e as abreviaturas. pronto. poncto. Foi a partir do século XV que se operou a modificação gráfica mediante esforços dos latinistas. Cristo. filarmônico.parecido. o etimológico e o misto. nela se estudam: os sistemas ortográficos. practicar. Por exemplo: phthisica. escrevendo as palavras da mesma maneira que são pronunciadas. Consultar. e que esse 4 . o dicionário. Por exemplo: escrito. graphia = escrita. Sistemas ortográficos São três os sistemas ortográficos do qual pode valer-se um idioma neolatino para a escrita de seus vocábulos: o fonético. a partição dos vocábulos. oje. mactar. A palavra ortografia vem do grego órthos = correto. Este sistema é seguido pelo espanhol. ressonar. É preciso lembrar que este sistema não foi o primeiro a ser usado em português. Por este motivo há três procedimentos que. os antigos documentos da língua portuguesa trazem as palavras grafadas pelo sistema fonético. catechismo. podem diminuir as dificuldades relativas à ortografia:    Conhecer as orientações ortográficas. Sistema etimológico é a representação das palavras de acordo com a grafia de origem. excluindo da representação gráfica qualquer letra que não tenha valor na pronuncia regular. Memorizar a grafia das palavras. sancto. exgotto.

. segurança. asma (asthma).empreendimento nunca conseguiu alcançar seu intento. são os diferentes sinais que podem acrescentar aos vocábulos. escola (eschola). fleuma (phleugma). 5 . ou seja. o que facilmente ajuda na compreensão e entendimento das palavras. espátula (espathula). caráter (character). “. isento (exempto). mais conhecido hoje como “O Estado de São Paulo”. agora (haghora). e um pequeno número se grafa foneticamente. coloca-se nas vogais para indicar o som aberto ou agudo: já. Sistema misto é o sistema que resultou do choque dos dois primeiros.acento agudo. a maioria das palavras se grafa etimologicamente. autor (auctor). etc. accrescentem o abatimento do espirito publico.o insoffrivel e malefico unitarismo das instituições. Reunam a isto os males já bem conhecidos e enraizados no passado . tratar (tractar).. Que são eles: .” (Fonte Primeira página do jornal A PROVINCIA DE SÃO PAULO – 4 de janeiro de 1875) Notações Léxicas Notações léxicas. idade (edade). enthusiasmo e virilidade. fônicas ou prosódicas. mas gerado no meio do povo. em uma matéria do Jornal “A Província de São Paulo”. pé. As funções desses sinais são diversas. e entre parênteses a grafia etimológica não seguida: Anedota (anecdota). Vemos aqui alguns exemplos de palavras que são usadas no sistema misto de acordo com a fonética. reduzidos a entidades apenas nominaes sem que possam representar o grande elemento da força popular no proprio regimen estatuido e dado como vigente. e digam-nos o que jnha sociedade brasileira se póde chamar prosperidade. avó. o máo estar e a descrença creados por mil circunstancias passadas e augmentadas por mil outras recentes e actuaes. Abaixo um exemplo de como as palavras eram grafadas em 1875. esgoto (exgotto).o descallabro dos partidos politicos. ditongo (diphthongo). a impotencia ciumenta e fallaz do poder centralizado . vigor. também chamadas ortográficas. pois continua até os dias de hoje a embaralhada gráfica do português. esse sistema especificamente não foi criado por gramáticos.

ex. àquilo. não. sota. que indica o som fechado: lê. Quando o prefixo terminar por vogal e a segunda palavra começar pela mesma vogal: anti-inflamatório. quando a palavra não for ditongo: romã. açúcar. soto e vice.apóstrofo. . castiço. O uso do til não dispensa o uso de outros acentos na mesma palavra: órfão. coloca-se sob o c antes das vogais a. àquele.til.qualquer que seja a letra inicial da segunda palavra: além.acento grave. serve para indicar a supressão de uma letra ou sílaba: quedad‟água (de). àquelas. avô. Quando o prefixo terminar por consoante e a segunda palavra começar pela mesma consoante: sub-base. é a primeira das vogais que deve ser acentuada: irmã.. Nas vogais. .  Usa-se hífen também em substantivos e adjetivos compostos formados por dois elementos que mantenham o acento próprio: carta-bilhete. àquela. 6 . que marca o som nasal da vogal ou do ditongo. autoanálise.     De acordo com a nova ortografia também é usado sempre que a outra palavra começar com a letra h: aero-hidroterapia. recém. micro-ônibus. .acento circunflexo. Nos demais casos não se usa o hífen: hipermercado. empregado para indicar a crase: às. cirurgião-dentista.cedilha. põe. Em alguns casos quando não há perda de vogal e a segunda palavra começa com h pode-se ou não usar o hífen: carbo-hidrato/carboidrato. pagã. no ditongo. àqueles. . sem. bem-te-vi. o e u: castiçal.Usa-se o hífen:  determinados prefixos sempre exigirão o hífen. „ta bom (está).  Em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas: amor-perfeito. aquém. somente o a pode vir com o til. .

7 . será preciso dobrá-la para que não perca o fonema inicial: antessala. . reabastecer.    Em encadeamentos vocabulares: ponte Rio-Niterói. pois são separadas de acordo com a pronúncia das sílabas: após-trofar. -r (e obviamente. sob-. sub-reitor. -h): ab-rupção. . . ob-. relação criançaidoso. Pa-róquia. evangelho. lingüiça. paraquedas. mülleriano. as sílabas se separam de acordo com a origem da palavra. a partição se torna mais fácil e acessível. obrepção. ad-renal. etc. antirreligioso. Palavras compostas por sufixo de origem tupi-guarani: “açu”. coexistir. Partição dos vocábulos É o processo que devemos seguir no cortar um vocábulo quando não cabe todo em uma linha.Não se usa o hífen:    Em palavras de cujo processo de composição se perdeu a noção: mandachuva. reestruturar.sistema fonético. sob-roda. Palavras com elementos repetidos: blá-blá-blá. Com os prefixos co. Quando o prefixo terminar com b (ab-. capim-açu.e re-: coautor.sistema etimológico. agora (hac+hora). Esse processo é possível apenas a pessoas muito versadas em assuntos etimológicos: outrora (outra+hora). girassol. É preciso saber que existem dois processos de divisão silábica: o etimológico e o fonético. Em todos os prefixos se a palavra seguinte começar por “r” ou “s”.anajá-mirim. sub-) ou d (ad-) e a palavra seguinte começar com –b. “guaçu” e “mirim”: amoré-guaçu. O trema continua em palavras estrangeiras e seus derivados: Müller. . lenga-lenga. porém o fim do trema não modificou a pronúncia das palavras: aguentar.trema: o novo acordo ortográfico determinou o fim do uso do trema nas palavras portuguesas.

Nomes próprios. pois o mau uso da ortografia e da gramática pode criar incoerência e prejudicar a estrutura 8 . ortográfica ou gramatical. que é onde entra a aplicação da ortografia na produção de textos. Começo de versos. seja ela. nas primeiras letras e o ponto (Rev. Todo texto possui regras. e é exatamente nesse ponto que entra a coesão e coerência textual. O aluno deve dominar sua língua nativa.Emprego das iniciais maiúsculas O emprego das iniciais maiúsculas é necessário quando:     Começo de período. e até mesmo uma parte muito importante. Também pode ocorrer com uma letra seguida de barra: (m/ = meu(s). ou em algumas letras e o ponto (Exa. e a coerência é que dá origem a textualidade. o modo como as frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proporcional. que podem ser somente a primeira letra seguida de ponto (v. pois não adianta utilizar palavras "desconhecidas" de maneira errônea). Começo de citações. Abreviaturas É tradicional na língua o emprego de diversas abreviaturas. entender sua finalidade. além do ponto final. minha(s)). é preciso fazer sentido. A coesão é então a ligação entre os elementos superficiais do texto. = você). notando-se que indicam fim de período. o ponto de exclamação e o ponto de interrogação. A aplicação da ortografia na construção textual A ortografia possui uma grande importância na construção textual. (página). Na construção de textos além de a ortografia ser essencial. = reverendo). = excelência). praticar a leitura para enriquecer seu vocabulário (possuindo um dicionário consigo. Se na abreviatura aparece a letra acentuada da palavra o acento permanece: pág.

Se o produtor de um texto violar em auto grau o uso da ortografia ou da gramática seu receptor não conseguirá estabelecer o sentido do texto. 9 . o modo como frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proposital. isto é. A coesão ajuda a perceber a coerência na compreensão do texto. e entre elas a ortografia. e para saber construí-los e diferenciá-los é preciso saber ler profundamente o texto escolhido. para que o leitor do texto consiga entendê-lo na sua totalidade. principalmente se quiser escrevê-los. a ligação entre os elementos superficiais do texto. Ela é. 2002). Concluímos então que. e antes de qualquer regra ser seguida é muito importante que saibamos ler e entender o que estamos escrevendo. para um bom desenvolvimento textual é necessário haver coesão e coerência no mesmo. e para isso. A coerência depende fundamentalmente da interação entre o texto. isto é o que chamamos de coesão gramatical e coesão lexical (Koch. que explica que somente essas relações de coesão fariam do texto um texto. que lhe dariam textura ou textualidade. A coesão e coerência textual são a harmonia e a conexão entre ideias ou acontecimentos. e para que isso aconteça é necessário conhecer a língua portuguesa profundamente. sendo assim.do texto. portanto. aquele que o produz e aquele que busca compreendê-lo. Existem vários tipos de textos: narrativos descritivos e dissertativos. é muito importante que as regras ortográficas e gramaticais sejam aplicadas. é preciso utilizar a língua portuguesa e todas as suas regras. o modo como se relacionam.

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