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A “Nega Maluca”, o bulling e o Gestor Escolar

Edinéia Firmino Gonçalves Lana 1 Shênia Soraya Soares Louzada 2

Resumo: Este artigo discute a responsabilidade do gestor escolar em relação à prevenção e combate ao bullyng. Bullying é um fenômeno com manifestação da violência que prejudica alguém no aspecto físico, psicológico e social. Este artigo conceitua gestão escolar e discute seu papel diante do aumento da violência nos espaços escolares e a responsabilidade da escola com a formação do cidadão. Por fim, propõe a busca de alternativas para se fazer um trabalho voltado para a Cultura da Paz, com projetos voltados para a prevenção diante da manifestação da violência. Ressalta que esse trabalho precisa contar com apoio e participação de pessoas, instituições e outros órgãos a fim de enfrentar o problema.

Palavras-chave: Bullying. Violência. Responsabilidade

Abstract: This article discusses the responsibility of the school manager in relation to preventing and combating bullyng. Bullying is a phenomenon with manifestation of violence that harms someone in physical, psychological and social aspects. This article conceptualizes school management and discusses their role in the rise in violence on school premises and school's responsibility with the individual development. Finally, we propose the search for alternatives to make a working towards a Peace’s Culture, with projects aimed at prevention before the outbreak of violence. Emphasizes that this work must have the support and participation of people, institutions and other bodies to address the problem.

Keywords: Bullying. Violence. Responsibility

Introdução

Nega Maluca

Tava jogando sinuca, uma nega maluca me apareceu Vinha com um filho no colo e dizia pro povo que o filho era meu,

Meu senhor, tome que o filho é seu, ô senhor Pegue o que Deus lhe deu, não senhor

(Fernando Lobo / Evaldo Ruy, 1950)

Essa marchinha de carnaval me fez pensar na forma que determinados

assuntos são tratados na escola. Cada um entende que o outro é quem deve

lidar com ele quando todos são responsáveis. Esse é, muitas vezes o caso do

1 Aluna do curso de Especialização em Gestão Educacional da Faculdade Cenecista de Vila Velha-FACEVV. neia_lana@hotmail.com 2 Profª da Faculdade Cenecista de Vila Velha/ES – FACEVV. Psicóloga. Psicopedagoga. Dranda em Psicologia. s3louzada@terra.com.br

bullyng. Pensa-se que o professor, o pedagogo, a família e até o Conselho Tutelar devem gerir o assunto e dificilmente se concorda que o problema é de todos, incluindo o gestor institucional. Se a mulher da marchinha queria entregar o filho ao pai é porque ele não havia assumido a sua responsabilidade. Entretanto, ele fugia da responsabilidade chamando-a de maluca como se não a conhecesse. Mas o fato era que o filho não era só dele, a tarefa de cuidar cabia aos dois.

Em muitos lugares ainda se pensa que o gestor escolar deve se preocupar apenas com a parte considerada administrativa e, no máximo, quando há um “problema de indisciplina” que ninguém consegue resolver, então o “indisciplinado” vai parar na sala da direção. Nesse caso, o diretor considerado a parte burocrática, legal e de cunho administrativo aplica as sanções explicitadas no Regimento Interno que vão da advertência verbal até a transferência. Acontece que essa visão tem mudado. O diretor que passou a ser considerado administrador e agora é gestor não só administra recursos financeiros, funcionamento legal, mas também responde pelo processo educacional que conta com a ação direta dos professores e pedagogos.

Acredito que em muitos casos e especificamente, na prevenção e combate ao bullying, não há como entregar o problema e a solução nas mãos de uma pessoa só. Embora cada um tenha sua função torna-se imprescindível a participação de todos. O gestor como alguém que responde por tudo o que ocorre na instituição também tem responsabilidade nesse caso.

Com esse entendimento optei por fazer uma reflexão sobre o papel do gestor e da escola diante do bullying. Para tanto, devo descrever características do bullying, apropriando-me de idéias manifestadas por alguns autores que o consideram um fenômeno de violência intencional. Para que episódios de violência possam ser chamados de bullying há que se ter em mente que o fenômeno envolve uma ou mais pessoas que agridem outra com o objetivo de intimidá-la por se mostrar, em dado momento, incapaz de se defender. A razão dessa não-defesa, quase sempre é o medo ou a sensação de impotência, embora os relatos mais recentes revelem que num ato de fúria, numa tentativa de libertação, as vítimas podem acabar cometendo atos de agressão extrema.

Fato é que o fenômeno em questão tem se tornado cada vez mais frequente no meio escolar e nem sempre, os educadores e os pais já tomaram conhecimento desse mal, da sua proporção e consequências. Em face desta realidade, é prudente repensar as posturas adotadas pelo gestor escolar quanto às relações interpessoais de seus alunos.

Acredita-se que a Gestão Escolar precisa ser repensada no que diz respeito ao seu raio de ações pedagógicas, administrativas e sociais que possam apoiar de todas as maneiras a quem tenta coibir tais atos. Para esse intento, após ratificar o conceito do Bullying como um tipo de violência; descrevo Gestão Escolar e em seguida, aponto a necessidade de buscar alternativas que poderão contribuir para o combate ao bullying.

O Bullying como Violência

Seja por desconhecimento, comodismo ou falta de mecanismos para o enfrentamento, muitos ainda tratam o bullying como brincadeira de mau gosto e

sua manifestação como episódios naturais que “[

agressivos ou danosos. Especificamente no que concerne a xingamentos, insultos e apelidos de mau gosto, os participantes encararam esse tipo de comportamento como brincadeiras, mesmo que desencadeassem agressões físicas em altas proporções.” 3 Ou seja, um fenômeno de violência que se manifesta como intimidação, de forma intencional e com consequências físicas, psicológicas e sociais não é levado a sério em muitos espaços. Essa forma de (não) encarar a situação como um problema tende a aumentá-la, embora seja o que muitos têm feito. Encarar o problema e decidir enfrentar “as variáveis envolvidas em comportamentos violentos sempre representa um desafio” 4 para os governos, para a sociedade, para as diversas instituições, e no caso da escola, para todos os envolvidos, dentre eles, os educadores. O enfrentamento da situação não pode ser mais adiado em nenhum setor da sociedade, incluindo a escola,

não são vistos como

]

3 ZAINE, Disponível em www.scielo.br. Acesso em 04/01/2011. p. 01. 4 Idem.

que por muitos anos foi tida como espaço dedicado à área cognitiva. Hoje se sabe que a escola reflete e é refletida na sociedade. O que acontece em uma, acontece em outra, seja com crianças, adolescentes ou adultos. Prova disso é que a violência, “nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas as sociedades. O que a torna questão preocupante é a grande incidência de sua manifestação em todos os níveis de escolaridade.5

Encarar qualquer tipo de violência é sempre difícil. Os mais conhecidos e de conceitos mais claros já têm definidos seus caminhos de enfrentamento pela própria sociedade e suas leis. Já em relação ao bullying, os estudos são mais recentes, identificá-lo não é tão fácil e lutar contra ele traz muita insegurança. Ele traz sofrimento pelas condutas impiedosas na escola, na família e em outros grupos sociais. Manifesta-se de forma diferente das brigas provocadas por motivos eventuais. Caracterizam-se em agressão velada, comportamentos cruéis, “intimidadores, prolongadamente, contra a mesma vítima, e cujo poder destrutivo é perigoso à comunidade escolar e à sociedade como um todo, pelos danos causados ao psiquismo dos envolvidos. 6

Devido às características do fenômeno, Francisco e Libório escrevem que “[ ] as pessoas veem e preferem não tomar parte, ou até mesmo, não se sentem preparadas para tal, inclusive os professores”. 7 Esses autores consideram que os debates acerca do assunto são fundamentais “na área da educação visando uma conscientização sobre os efeitos do bullying, os quais não ficam restritos às vítimas, agressores e espectadores, mas à sociedade de uma forma geral”. 8

A escola não pode se furtar a fazer debates e programar ações de combate ao fenômeno porque ela é uma instituição social e educacional sobre a qual também pesa a responsabilidade de dar conta do pleno desenvolvimento do educando 9 e do apreço à tolerância 10 . A agressividade é uma forma de intolerância que degrada o ser humano. Portanto,

5 Ibidem.

6 FANTE, 2003. p. 119.

7 FRANCISCO, 2009. Disponível em www.scielo.br. Acesso em 04/01/2011. p. 02.
8

9 Brasil, LDB 9394/96, art 2º 10 Idem, art 3º, inciso IV

Idem.

“Seja em forma de brincadeira, ou não, a violência e a agressividade humilham o ser humano, estão presentes na escola e só contribuem para a degradação da sociedade. Embora, nem toda agressividade e nem toda violência seja bullying, a recíproca não é verdadeira, pois todo bullying é agressividade e violência, sendo, portanto uma negação dos direitos humanos”

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Outra característica do bullying, além de ser uma negação dos direitos fundamentais do ser humano é o fato de contribuir para baixar a auto-estima da vítima a ponto de conduzi-lo ao isolamento, à queda do rendimento escolar, à depressão e aos pensamentos de vingança.

O agressor sempre pretende fazer sofrer seja na forma presencial ou usando outros veículos como a internet. Esse último tipo de ação é chamado cyberbullying”. O agressor utiliza fotos comprometedoras, altera perfis do alvo, espalha fofocas com o objetivo de humilhar a vítima.

Virtual ou real esse desrespeito ocorre nas relações interpessoais, em que há

]

caracterizado por alguém que está em condições de exercer o seu poder através da intimidação, humilhação e atitudes agressivas sobre outra pessoa

uma aparente ou real desigualdade “[

uma vez que, um lado da relação será

ou até mesmo um grupo [ mais fraco.

]”

12 que de alguma maneira se apresente como

No caso de ser recorrente, pode acompanhar tanto o alvo quanto o agressor até sua vida adulta, com manifestação de episódios de explosão de violência.

Gestão Escolar

O gestor escolar é, diante da lei, o responsável pela instituição e pelo seu bom funcionamento. É responsável também pela melhoria da qualidade na educação e por todo processo educacional seja nas ações diretas e pessoais ou nas que são, por ele, delegadas.

11 LOUZADA, 2008. Disponível em < www.facevv.edu.br> Acesso em 12/02/2011. p. 78 12 LEÃO, 2010. Disponível em Disponível em < www.facevv.edu.br> Acesso em 12/02/2011.

p.122

Enfocar gestão é referir-se a dirigir, direcionar, administrar e à Gestão Escolar é indicar a forma como a escola é administrada, dirigida, tanto técnica como pedagogicamente. Porém, estudar gestão escolar não é tão simples. Há uma série de fatores envolvidos, tais como: concepções administrativas, filosofia a ser adotada, concepções políticas e democráticas, eficácia financeira, dentre outros aspectos.

A escola reflete a sociedade em que está inserida e suas organizações sociais

e econômicas. Ela contribui para a formação do sujeito que irá atuar nesta

sociedade. Porém, não é um caminho fácil, nem há soluções tão práticas para

as transformações exigidas pelo mercado de trabalho e demais organizações sociais cujo imperativo atual é a corresponsabilidade numa gestão participativa

e democrática.

“As políticas de descentralização dominantes estimulam a revisão dos conteúdos escolares para adequá-los aos novos conhecimentos científicos e tecnológicos e mantê-los sensíveis aos problemas da sociedade contemporânea. Vinculado a isso, propõe-se também uma renovação metodológica e o fortalecimento das relações da escola com seu meio social imediato.” 13

Comumente se fala em Gestão Democrática, expõe-se tal afirmação nos Projetos Político-Pedagógicos das escolas, mas as práticas administrativas continuam centralizadoras. A grande questão a ser trabalhada nesta mudança são as relações de poder existentes no interior do sistema educativo e da instituição escolar. Ou seja, no setor público, exercer uma gestão democrática envolve também ter um Estado que ofereça autonomia para a Escola nas suas tomadas de decisões e posicionamentos, uma vez que cada instituição está inserida numa comunidade com características próprias, com necessidades peculiares, atendendo uma demanda específica e assim, uniformizar a gestão

é engessar a atividade pedagógica.

A escola deve ser um espaço que sirva de ponto de apoio e de encontro entre

13 KRAWCZYK, 1999. Disponível em www.scielo.br. Acesso em 04/11/2011. p. 01.

o Estado e a sociedade civil. Deve refletir as construções sócio-filosóficas do grupo que utiliza tal espaço. Assim, a escola cumpre seu papel. Deixa de se limitar a um espaço onde a principal atividade seja a construção do saber científico, para algo mais abrangente, que conceba questões pedagógicas como todas as questões que envolvam o desenvolvimento pessoal social e político do sujeito.

] [

especificidade da instituição escolar e a necessidade de entender a gestão escolar com base em seus fins pedagógicos. No campo da pesquisa sobre a administração escolar - sendo administração definida como a utilização racional dos recursos para a realização de determinados fins -, destaca-se a necessidade de fazer penetrar os

objetivos pedagógicos nas formas de alcançá-los.” 14

“Das diferentes perspectivas de análise, tenta-se resgatar a

A boa gestão é aquela que percebe todas as suas atividades como pedagógicas e zela por isso, razão pela qual a escola precisa cada vez mais criar uma identidade própria, desenvolver sua autonomia, seu compromisso social, sua função acadêmica e um modelo de gestão que

] [

capacidade de tomar decisões, elaborar projetos institucionais vinculados às necessidades e aos interesses de sua comunidade, administrar de forma adequada os recursos materiais e escolher as estratégias que lhe permitam chegar aos resultados desejados e que, em seguida, serão avaliados pelas autoridades centrais.”

“faz questão de propor a construção de instituições autônomas com

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Com o modelo proposto para a Gestão Escolar, os projetos serão, de fato, voltados para o interesse e necessidade da comunidade acadêmica. O resgate da autonomia com liberdade responsável dirigirá as ações adotadas na gestão escolar, sejam elas no planejamento ou na execução das ações que visarão educar na concepção da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB. 16

A nova identidade da gestão escolar será então o resultado dos interesses coletivos da comunidade e sua realidade que têm como um dos seus desafios

14 EZPELETA (1992); BALL (1993) Apud KRAWCZYK,1999.

Acesso em 04/11/2011. p. 03.

KRAWCZYK, 1999. Disponível em www.scielo.br. Acesso em 04/11/2011. p. 04. 16 Brasil, 1996, art. 3º.

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Disponível em www.scielo.br.

lutar contra qualquer tipo de violência, seja novo ou velho como aquele descrito na obra O Ateneu, de Raul Pompéia, observa-se uma “escola hipócrita, estratificada, com garotos dominantes e dominados, 'másculos' e 'emasculados', por meio de um currículo oculto muito mais importante que o formal” 17 . Se essa obra fosse escrita hoje, certamente iria se referir ao bullying, como um dos tipos de violência capaz de exigir da gestão um cuidado e atenção especiais. Haveria de apontar os aspectos que a gestão deveria investir forças, sendo a prevenção e o combate ao bullying.

A Gestão e Bullying

Se bullying é um problema na escola contemporânea, se a responsabilidade de lidar com ele não é apenas do professor ou dos pedagogos, uma questão que desponta é: pode o gestor alegar que esse é um assunto pedagógico e portanto, não compete à gestão?

De acordo com a concepção de gestão democrática a resposta é não. Se a convicção político-pedagógica adotada pela escola é de cooparticipação e corresponsabilidade também não. Se o Projeto Político e Pedagógico deixa claro que a gestão escolar norteará todas suas ações de forma democrática e participativa, já indica que todos são corresponsáveis pela educação que ocorre ali, incluindo o gestor. Não há como agir da mesma forma que os personagens da marchinha toma que o filho é teu. O problema da violência diz respeito a todos os envolvidos no processo educacional.

Se a gestão é democrática e se zela pela boa educação há de valorizar, e incentivar iniciativas que tendem a desenvolver uma Cultura de Paz. Acolherá projetos que estimulem as boas relações, o respeito mútuo e a dignidade humana. A Gestão Escolar assume aqui um papel fundamental, no que tange oferecer recursos materiais, físicos e pedagógicos para o desenvolvimento de projetos que visem diminuir a ocorrência de bullying e outras manifestações de

17 GOMES, 2010. Disponível em www.scielo.br/scielo. Acesso em 04/01/2011. p. 01

violência no espaço escolar.

Na mesma direção, a abertura da escola para a comunidade nos finais de semana, denominada “Escola Aberta”, ou qualquer outro nome que se dê, é uma forma de interação e de incentivo á convivência pacífica. As várias atividades oferecidas para a comunidade em geral, sejam cursos de artesanato, atividades de lazer, palestras tendem a aproximar as pessoas, devolver-lhes o sentimento de importância e de valor no meio social.

Ações preventivas são sempre mais eficazes do que as de combate, de enfrentamento. Alguns pontos devem ser pensados e observados na implantação de ações no combate à violência. Mas não devem ser permeadas pela emoção lançadas no calor de um ou mais episódios de violência. Devem ser planejadas, estudadas, analisadas, aplicadas e constantemente avaliadas em sua eficácia.

“A Cultura de Paz é definida como um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados no respeito pleno à vida e na promoção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, propiciando o fomento da paz entre as pessoas, os grupos e as nações (ONU, 1999), podendo assumir-se como estratégia política para a transformação da realidade social.” 18

A escola como espaço formador de um ser consciente e comprometido socialmente, deve igualmente desenvolver este conjunto de valores, atitudes, tradições, entre outros, baseados no respeito mútuo e na defesa da liberdade individual.O gestor não pode transferir a sua responsabilidade e nem os outros profissionais. Todos são igualmente responsáveis, mas cabe ao gestor assumir uma postura que deixe clara a intolerância com a violência na escola por que

“A violência está presente em todos os colégios, afirma a psicóloga Mayra Gaiato, que trabalha com grupos terapêuticos para vítimasde bullying. O importante, ressalta ela, é que o colégio esteja aberto a tomar medidas pedagógicas para combater essa prática nefasta.- Uma boa escola não é aquela que finge não existir bullying ou que encara a prática com normalidade. é necessário explorar o talento dos alunos para que eles possam se posicionar contra os agressores Mayra

18 CHRISPINO, 2008. Disponível em www.scielo.br. Acesso em 04/01/2011. p. 02.

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também chama a atenção para a necessidade de discutir sobre o tema na sala de aula. Para ela, episódios de bullying devem ser debatidos geral e individualmente com frequência.” 19

Dessa reportagem podem originar-se várias ações como: abertura a novas medidas, encarando o fenômeno como prejudicial; aproveitando o talento dos alunos em teatro, música, dança, pintura e outras formas de arte; desencadeando discussões em todos os espaços escolares e não só na sala

de aula; criação de grupos de apoio e ajuda; criação de comunidades virtuais para defesa da amizade e do respeito e inúmeras outras ações que o interesse,

a seriedade e a criatividade puderem pensar.

Por fim, correndo o risco de ser repetitiva, vale lembrar que ações podem ser tomadas na prevenção e combate ao bullying, incentivando uma maior interação com a família, associações de moradores e diversos órgãos públicos; equipando melhor as escolas; envolvendo os alunos nos diversos processos que acontecem na escola; promovendo a formação continuada de professores

e buscando informação e apoio em outros órgãos e instituições.

Atividades extracurriculares como participação em eventos culturais e artísticos, atividades de lazer e aquelas que desenvolvam a afetividade interpessoal também são opções que podem tanto prevenir quanto combater atos de violência física e psicológica dos discentes contra seus pares. Todas devem fazer parte da política de gestão da escola.

Muitas ações poderão servir de instrumento para a prevenção do bullyng desde que a gestão da escola tenha como política atender a LDB no que tange a formação para a cidadania e o enfrentamento da violência como conseqüência

da busca por essa formação cidadã.

Julgo não ser necessário discutir a importância da afetividade nesse processo

e prefiro destacar que as ações, aparentemente, apenas administrativas

concorrem para o enfrentamento da questão. Desde a forma de advertir um aluno indisciplinado mesmo que seja na foram do Regimento, a elaboração do

19 BULLYNG PODE

Disponível em www.folhavitoria.com.br. Acesso em 10/04/2011.

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horário dos funcionários, a adoção de um manual de direitos e deveres de cada um, o tratamento dado aos conteúdos das reuniões, a compra, o preparo e distribuição da merenda, a confecção de normas de funcionamento até a promoção de eventos podem gerar insatisfações e desencadear um processo de bullyng. Se qualquer uma dessas ações for executada de forma autoritária, privilegiando uns e prejudicando outros, poderão suscitar sentimento de revolta ou de vingança mesmo que velada. Decorre daí, que tanto uma quanto outra é passível de se transformar em violência do tipo bullyng, ou não.

Considerações Finais

Voltada para a existência de bullying na escola e responsabilidade de todos os membros da comunidade acadêmica essa discussão se propôs a ter o foco na atuação do gestor escolar para prevenir e combater o fenômeno junto com todos os envolvidos na escola.

.

Se os agressores não tratam o bullying como episódios de violência, mas brincadeira com os colegas a escola precisa mostrar que não é assim. A Gestão Escolar democratizada que busca uma maior autonomia e um compromisso com a comunidade, com a realidade social em que está inserida não pode se omitir nesse aspecto. Não é uma tarefa fácil, pois paradigmas antigos precisam ser quebrados para que se vença a burocratização das instituições escolares. O aumento da violência nos espaços escolares reflete as transformações sociais, familiares e econômicas vivenciadas pela comunidade local e o gestor torna-se cada vez mais responsável e corresponsável pelos resultados na vida das pessoas que ali estão.

Creio que a escola precisa pensar em um trabalho efetivo no combate às manifestações de violência, como apoio, postura definida e comprometimento com a implantação de projetos da Cultura da Paz, que buscam planejar, executar e avaliar ações preventivas diante do quadro apresentado nas escolas. Precisa eleger a prevenção e o combate á violência como política

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institucional que busca alternativas em todas as instâncias que estiverem ao

seu alcance.

E, finalmente, volta-se à marchinha de carnaval para uma reflexão: assim como

um filho não é responsabilidade de uma pessoa só e não convém transferir a

responsabilidade para outro, do mesmo modo, o enfrentamento do fenômeno

bullying é questão de todos.

Referências

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Análise

das

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