CONTRIBUIÇÃO DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA NO APOIO ESTRATÉGICO A SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS

Por Glauber Nóbrega da Silva (glauber@limpel.com.br)

INTRODUÇÃO Qualquer projeto exige um planejamento prévio para ser executado de forma eficiente e eficaz. E os pertencentes ao nicho ambiental, além de possuírem os componentes dos projetos tradicionais, ainda devem considerar o ambiente externo (espaço geográfico) e a interação das ações sobre o espaço (externalidades). Nesse sentido, o planejamento não deve limitar-se a representação estática do meio ambiente, mas a dinâmica de relacionamento de suas variáveis, principalmente as que interagem de forma direta com projeto a ser desenvolvido. A base dessa metodologia é a correta manipulação das informações e de suas variáveis. CONCEITOS BASILARES DA INFORMAÇÃO A informação é o principal insumo a ser empregado no planejamento e nas demais fases necessárias ao êxito do projeto. Contudo, a informação não é um fim e si, mas uma forma de adquirir um novo insumo, o conhecimento (Kent, 1949). A partir do uso desse elemento é que as ações podem ser corretamente planejadas. Para entender o significado desse termo é necessário avaliar quais os seus insumos, quais sejam: Dado e Informação. O dado é forma a menor partícula do saber científico. São primários, ou seja, não sofreram nenhuma modificação ou interpretação. São compostos por números, estados ou descrições diversas. Um exemplo é a letra grega α (alfa). A informação surge da análise primária desses dados, ou seja, de sua manipulação para que o mesmo adquira algum significado. A letra alfa pode ser empregada, por exemplo, num mapa para indicar quais as regiões com maior probabilidade de receber resíduos clandestinos de hotéis durante o mês de janeiro. Assim, a símbolo indica algo, possui função e por isso é dotado de significado. E o conhecimento? Este surge da manipulação da informação. É pessoal e depende do seu utilizador. Para um leigo, a presença de muitos alfas em determinada região de um mapa pode ter um significado simples ou até mesmo irrelevante (apenas que é previsto haver disposições clandestinas de resíduos). Mas para um profissional corretamente reinado, a mesma informação pode significar que será necessário executar medidas preventivas (educação, fiscalização, orientação ao turista etc) ou mitigadores (aplicação de multas, planejamento de sistemas de limpeza). Ou seja, o mesmo produto (um mapa com regiões marcadas com a letra alfa) possui apenas um conteúdo mas diferentes interpretações (Platt, 1974). No contexto representado a ciência das informações e seus axiomas possuem quatro características: A informação é um meio de se adquirir conhecimento; Trata-se de um processo cíclico (um conhecimento pode gerar outros conhecimentos); Depende de mão de obra especializada; E deve ser aplicada objetivamente, ou seja, para obter resultados.

PLANEJAMENTO DE DESENVOLVIMENTO DE BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS Se considerarmos os conceitos acima expostos, torna-se factível descrever que um banco de dados não possui serventia, a menos que o mesmo seja desenvolvido com um ou vários fins específicos. O banco deve então ser planejado e estruturado levando em consideração o objetivo proposto e utilizar apenas dados ou informações relevantes a esse fim (Silva, 2004). Nesse contexto, a obtenção dos insumos informacionais só deve ocorrer após a delimitação do projeto e da definição de seus produtos. O mesmo ocorre para um sistema de informações geográficas que nada mais é do que um banco de dados onde cada elemento da informação estará associado a uma representação geográfica. Todos os competentes interagem para subsidiar o processo decisório.

Figura 1 - Interações presentes num SIG

Dessa forma, o sistema de informações geográficas – SIG também não é um fim em si, mas um meio para subsidiar um planejamento, e por fim, para o desenvolvimento de uma estratégia adequada para se atingir o(s) objetivo(s) do projeto. METODOLOGIA TRADICIONAL VERSUS METODOLOGIA PROPOSTA O caso em questão considera-se que praticamente qualquer informação está disponível para o uso, bastando que se saiba a onde buscá-la. Atualmente cerca de 95% (noventa e cinco per cento) da informação necessária a qualquer projeto está disponível de forma gratuita (Félix, 2005) seja via internet, bibliotecas ou demais meios de comunicação. Trata-se de um das características da atual Sociedade da Informação. Numa metodologia tradicional, a montagem do banco de dados pode ser definida em duas etapas (ocorridas após e delimitação dos objetivos do projeto): A análise de dados; e o desenvolvimento em si. A análise consiste nas atividades de prospecção de dados ou informações e modelagem preliminar

da estrutura ser desenvolvida. Utiliza a lógica1 para desenvolvimento dos diagramas de relacionamento. Após a validação é iniciado o desenvolvimento em ambiente SIG para posterior extração dos produtos. A vantagem do uso dessa metodologia está na velocidade (inicial) de confecção do SIG, contudo, suas desvantagens são ignorar as demais etapas de projeto e tratar o sistema como um fim e não como um meio.

Análise de dados

Desenvolvimento de BD

Figura 2 - Metodologia tradicional de desenvolvimento de SIG (desenvolvido pelo autor)

Na metodologia proposta, a análise preliminar dos dados é realizada mas somente após uma apresentação do projeto, de seus objetivos e análise dos dados disponíveis para consulta imediata. Nessa apresentação devem estar todos, ou ao menos, os principais responsáveis pelo projeto para discussão e eliminação de possíveis dúvidas. Em seguida deve ser utilizado um software estatístico com funções de dataminer2 para tratamento de dados e auxilio ao desenvolvimento de hipóteses lógicas.

Análise secundária (validação de hipóteses) Análise preliminar de dados

Desenvolvimento de BD

Dataminer
(desenvolvido pelo autor)

Analista de informações

Figura 3 - Metodologia sugerida para desenvolvimento de SIG

O dataminer indicará qual a relação entre as variáveis (influência, forma de interação e correlação) e os padrões criados existentes nos grupos de dados. Os resultados das informações processadas
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Na maioria dos projetos em desenvolvimento encontra-se a predominância da tentativa e erro e da máxima “quanto mais melhor”. Assim, é comum encontrar erros causados pela e ausência ou excesso de informações, o que causa vários “remendos” ou confusão no banco, o que causa perda de tempo, desempenho e subutilização de informações relevantes que, de outra forma, poderiam ser empregadas de forma mais racional. 2 Mineração de dados. Utilizada modelos matemáticos e algoritmos diversos para identificar padrões existentes num grande conjunto de dados.

(diagramas, grafos e tabelas de relacionamento) devem ser enviados a um profissional especializado em análise de informações e as demais partes envolvidas no projeto para avaliação, manipulação e desenvolvimento de hipóteses e diálogo. Após a análise deve ser definido se mais (e quais) informações devem ser inseridas ou retiradas no SIG. Assim, poderá existir novas análises até que todos os objetivos sejam previamente atingidos. Só então dado início a confecção do SIG será propriamente realizada.

Figura 4 – Exemplo de diagrama criado a partir de banco de dados sobre resíduos sólidos do RN

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As principais vantagens dessa metodologia são que: Os dados e informações são pré-analisados, o que reduz os erros; Há participação (e valorização da interação) dos principais atores do projeto em questão; a análise gera novas informações que podem ser empregadas em outras fases do projeto; e cria hipóteses para testes prévios ao a confecção do SIG. As desvantagens estão na análise subjetiva; Necessidade de mais tempo para início do sistema; e apoio de pessoal técnico especializado. Contudo, tais desvantagens são relativas uma vez que a tendência é de reduzir o tempo necessário para confecção dos produtos, e portando, de uma segunda fase do projeto (que já está parcialmente integrada a confecção do SIG). CONCLUSÕES A metodologia prioriza a qualidade dos dados e da informação e é orientada aos macro-objetivos dos projetos e não apenas uma de suas atividades. È prática, uma vez que auxilia no desenvolvimento de sistemas mais eficientes e a formulação de planejamento estratégico adequado a demanda específica do projeto. É racional já que os resultados e as hipóteses são incorporados ao SIG e aos demais produtos do projeto. É estratégica, uma vez que contempla todas as fases do projeto e auxilia na disseminação do conhecimento e fomenta a interação entre os atores do projeto. O SIG passar a ser uma ferramenta de obtenção de conhecimento e fomenta a avaliação crítica dos dados. Também adquire uma arquitetura dinâmica e simples (o desenvolvedor sabe o significado de cada informação inserida em seu banco de dados) o que permite consultas mais objetivas e dinâmicas. O retorno é imediato uma vez que alguns resultados são gerados ainda na fase de análise preliminar e a relação custo-benefício torna-se melhor, provocada principalmente pela racionalização dos recursos.

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No exemplo, criado a partir do banco de dados do Programa Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do RN (2010) fica clara que a presença de catadores em lixões esta condicionada exclusivamente a produção per capta de resíduos sólidos e se existe empresas privadas executando os serviços públicos de limpeza. Apenas essas duas variáveis (de um total de mais de quatrocentas) são suficientes para atender as análises relativas ao tema.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS  FELIX, Jorge Armando. Afinal, o que faz a ABIN? São Paulo. 2005. Reportagem da Folha de São Paulo, 14 agosto. Disponível em http://www.defesanet.com.br/intel/abin_14_ago_05.htm. Acesso em: 29 de maio de 2009.  KENT, Sherman. Strategic Intelligence for American World Policy. Princeton. Princeton University Press, 1949.  PLATT, Washington. A produção de informações estratégicas. Rio de Janeiro, 1974. Editora Agir.  SECRETARIA ESTDUAL DE MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS DO RN. Programa Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do RN. Natal, 2010.  SILVA, Glauber Nóbrega da. Aplicação de SIG para análise dos padrões de disposição de resíduos sólidos no Pólo de Turismo Costa da Dunas/RN. Monografia de conclusão de curso de graduação. CEFET/RN. Natal 2004. 

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