MÓDULO DE

:

DIDATICA E METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR

AUTORIA:

SANDRO LUIZ DA SILVA MARIZINHA COQUEIRO BORGES KATIA GOMES CARDOSO

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: Didática e Metodologia do Ensino Superior Autoria: Sandro Luiz da Silva Marizinha Coqueiro Borges Kátia Gomes Cardoso

Primeira edição: 2008

CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste Módulo. Mais do que simplesmente listar esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir logotipos, o autor declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos. Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente a aplicação didática, beneficiando e divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas de autenticidade de sua utilização e direitos autorais. E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram analisados em pesquisas de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram expostas ao comércio livre editorial.

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040 Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 2
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A

presentação

Este material apresenta um referencial teórico sobre a Didática e Metodologia do Ensino Superior, cujo objetivo é apresentar a importância do planejamento e da organização da ação didática. Partindo da ideia de que o Professor é o orientador, o coordenador e o facilitador do processo ensino-aprendizagem e que, a finalidade de sua intervenção é contribuir para que o aluno desenvolva sua capacidade de construir seus conhecimentos, com base nas abordagens pedagógicas. Entende-se que: Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e assim, tornarem-se cidadãos realizados e produtivos. Possibilitando ao aluno um fazer pedagógico capaz de lhe impulsionar e lhe motivar a buscar novos valores, novas ações e novas posturas educacionais. Urge, pois lembrar, que o compromisso do educador reflete-se na sua corporeificação atitudinal e no seu comprometimento dialético entre os pares educativos. Lembrando que “ensinar e recordar ao outro que ele sabe tanto quanto você”. A emoção e o prazer que permeiam esta ação estarão refletidos em nossas conversas; ainda que on-line. Suas Educadoras, Professora Marizinha Coqueiro Borges Professora Ana Maria Ribeiro Furtado

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em face de situações didáticas concretas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . procedimentos e formas de direção. Compreensão da relação: objetivos/conteúdos/métodos. . O Planejamento Escolar. Desenvolver habilidades técnicas de ensino com vistas à melhoria do desempenho docente. E menta O Papel Social e Educacional da Didática. enquanto base das tarefas docentes de planejamento. As interações em sala de aula: o papel dos professores e dos alunos. O Professor e seu trabalho. organização e controle do ensino.O bjetivo Proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que possibilitem ao Educador: . Os objetivos de ensino. Trabalhar o planejamento e utilização dos procedimentos de ensino e aprendizagem em suas várias modalidades. . A Organização e o Desenvolvimento do Processo ensino-aprendizagem: os planos de aula e os programas de aprendizagem. os conteúdos escolares as estratégias de ensino-aprendizagem. no seu contexto histórico e social. Percepção e compreensão reflexiva e crítica das situações didáticas. O domínio de métodos. . Compreensão crítica do processo de ensino. Perspectivas teóricas e práticas da Didática. . 4 Copyright © 2007. .

pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de 1º Grau pela Associação Brasileira de Tecnologia Educacional Graduação em Pedagogia com Especialização em Orientação Educacional. Professora e Tutora em Ensino a Distância 5 Copyright © 2007.S obre o Autor Professora Marizinha Coqueiro Borges Mestrado em Educação pela Universidade São Marcos Pós-Graduação em: Administração Escolar. pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Supervisão Escolar. pela Parceria UVV/Universidade Estácio de Sá Planejamento Educacional. pela Universidade Federal do Espírito Santo. pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Psicopedagogia. pela Universidade Federal do Maranhão Consultora Educacional e Palestrante Motivacional e Educacional. pela Rede Pitágoras. Professora Katia Gomes Cardoso Graduada em Geografia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Especialista em Educação: Novos Paradigmas.

Tutoria e Mentoria em EAD. pela Universidade Federal de Minas Gerais. 6 Copyright © 2007. Pedagogia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Profissional na área de Ensino de Línguas Estrangeiras (Língua Espanhola). Professor Sandro Luiz da Silva Graduação e Licenciatura em Letras. Teatro e Ensino a Distância. Software Livre. Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais.Palestrante Educacional. Formação de Professores. Pesquisador e Consultor com ênfase em Teorias da Instrução. Letramento Digital. EAD.

..................................... 16 UNIDADE 3 .... 45 UNIDADE 10 ........................................................................................................... 49 UNIDADE 11 ..................................................... 64 7 Copyright © 2007.............................................. 60 Educação como Dialética e Práxis Social ....... 10 UNIDADE 2 ...............S UMÁRIO UNIDADE 1 ..................... 27 UNIDADE 6 .......................................................................................................... 16 A Didática e sua Relação com o Currículo......................................................................................................................................................................... os Procedimentos e as Técnicas de Ensino................................................................. 20 Desenvolvimento Histórico da Didática e as Tendências Pedagógicas ..................................................................................................................................................................................................................................................................... a Metodologia Específica.......................................................................................................................................................................... 60 UNIDADE 13 ................................................................................................................... 23 Os Pensadores da Pedagogia ............................................................ 27 Tendências Pedagógicas no Brasil e a Didática ....................................................... 45 Características da Aprendizagem Escolar.......................................................................................... 38 UNIDADE 8 ............................................................................................................................................................ 54 UNIDADE 12 ......................................................................................................... 23 UNIDADE 5 ..... 10 Tendências Atuais no Desenvolvimento da Didática ................................................................................................................................................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ..................................................................................................................... 49 Dinâmica do Processo de Ensino ................................................ 20 UNIDADE 4 ......................... 33 UNIDADE 7 .......................................................... 54 Prática Educativa e Sociedade .................... 41 Aprendizagem: um processo de assimilação ..... 33 O Progresso das Tendências Pedagógicas e a Didática .. 38 Processo Didático na Concepção da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos: ....................... 41 UNIDADE 9 ..................................................

................ 106 UNIDADE 24 ........... 98 UNIDADE 22 ....................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ................................................................................................................................................................. 120 Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo ........................................................................... 115 Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares....... 98 Planejamento de Ensino e suas Etapas .................................. 68 O Professor e a Sua Vivência no Processo de Produção de Conhecimento ................................................................................................................................................................................................................................... 76 A Estrutura do Trabalho Docente ......................................................................... 115 UNIDADE 26 .......................... 80 UNIDADE 18 ... 64 UNIDADE 14 ....................................................... 83 UNIDADE 19 ..................................................................................................................... 127 8 Copyright © 2007.................... 68 UNIDADE 15 ........................................................................................................................................................................ 88 UNIDADE 20 ......................................... 83 Tendências Teóricas............................. 93 Prática escolar: componentes básicos ............................................................................. 88 Sobre Concepções de Ensino ........ 76 UNIDADE 17 ............................................................................................................................................................................................................................................................ 101 O Planejamento da Ação Didático-pedagógica: .......................................................................................................... 106 Ainda Falando sobre o Planejamento da Ação Didático-pedagógica: ......................................................................... 127 Modalidades de Ensino-Aprendizagem ....................................................................... 101 UNIDADE 23 .......... Metodológicas e de Ensino: as abordagens do processo ....... 111 UNIDADE 25 .................................................. 71 UNIDADE 16 .......................................................................................................................................................................................................................................................... 93 UNIDADE 21 .................................................... 71 Componentes do Processo Didático e do Processo de Ensino ........................................................... 120 UNIDADE 27 ........................................O Processo de Ensino-aprendizagem e seus Componentes Fundamentais .................................................................................................. 80 O Caráter Educativo do Processo de Ensino e o Ensino Crítico ...............................................................................................................

.................................................................... 140 Qualidade Educativa ........................................................... 140 GLOSSÁRIO .................................................................................................UNIDADE 28 ...... 131 Estratégias de Ensino-Aprendizagem ....................................................................................................................................................................... 131 UNIDADE 29 ........... 143 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................. 135 UNIDADE 30 ........................................................................................... 135 Procedimentos de Ensino e Aprendizagem........... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ....................................................................................................... 144 9 Copyright © 2007..........................................

uma vez que esta reúne em seu campo de conhecimentos objetivos e modos de ação pedagógica na escola. de uma Pedagogia Política etc. de uma Pedagogia Escolar. e. nos meios de comunicação de massa. nas organizações políticas e sindicais. sendo a Educação uma prática social que acontece numa grande variedade de instituições e atividades humanas (na família. também. os meios e as condições do processo de ensino. em primeiro lugar. de estudos indispensáveis à formação teórica e prática dos professores. O trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil a atividade principal do 10 . Nesse caso. a Sociologia. Além disso. a Pedagogia recorre à contribuição de outras ciências como a Filosofia. Esses estudos acabam por convergir na Didática. que o processo de ensino objeto de estudo da Didática . tendo em vista finalidades educacionais. os conteúdos. entre outras. Para compreender a importância do ensino na formação humana. na escola. nas igrejas.não pode ser tratado como atividade restrita ao espaço da sala de aula. Nesse conjunto. Considerando-se que Copyright © 2007. é a Pedagogia. Sendo a Didática o ramo desta ciência que estuda os objetivos. a Didática ocupa um lugar especial. a História. se constitui em uma disciplina propriamente pedagógica.U NIDADE 1 Tendências Atuais no Desenvolvimento da Didática Objetivo: Conhecer a Didática como uma atividade pedagógica norteadora do fazer educacional. a Economia. pode-se falar em uma Pedagogia Familiar. etc. em seus vínculos com a prática social global.). políticos. A ciência que investiga a teoria e a prática da Educação. Ao estudar a Educação. que sempre são sociais. psicológicos. para descrever e explicar o fenômeno educativo. Deve ser considerado. no trabalho. em seus aspectos: sociais. a Psicologia. é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas educativas exigidas pela vida em sociedade. econômicos.

mediando os objetivos e conteúdos do ensino. conteúdos e métodos da Educação se modificam conforme as concepções de homem e da sociedade que. as metodologias apropriadas para a formação dos indivíduos. traduz objetivos sociais e políticos em objetivos de ensino. é sempre uma concepção da direção do processo educativo subordinado a uma concepção político-social. através de instituições próprias. se quer dizer que: o entendimento dos: objetivos. tendo em vista o seu desenvolvimento humano para tarefas na vida em sociedade. na sua dimensão políticosocial e técnica sendo. Nesse sentido. orientando-o para finalidades sociais e políticas e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo no âmbito da escola. no seio de uma determinada sociedade. a Didática assegura o fazer pedagógico na escola. organizar. caracterizam o modo de pensar e de agir. que consiste em: dirigir. Ou seja. A Didática. cabe à Pedagogia intervir nesse processo de assimilação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . uma disciplina eminentemente pedagógica. e os interesses das classes e grupos sociais de uma determinada sociedade. A Didática como Atividade Pedagógica Escolar A Pedagogia investiga a natureza das finalidades da Educação como processo social. visa à assimilação dos conhecimentos e experiências humanas. A Pedagogia. Quando se fala das finalidades da Educação. em cada contexto econômico e social de um momento histórico. portanto. 11 Copyright © 2007. por isso. no seio de uma determinada sociedade. ao mesmo tempo. culturais. investiga as condições e formas que vigoram no processo da aprendizagem e. tendo em vista a formação dos indivíduos enquanto ser social. a Educação Escolar é uma atividade social que. políticos. bem como. orientar e estimular a aprendizagem escolar dos alunos.profissional da Educação é o ensino. Como. psicossociais) condicionantes das relações entre a docência e a aprendizagem e ainda. os fatores reais (sociais.

a Didática da Química. 12 Copyright © 2007. Em outras palavras. Esse conjunto de tarefas não visa outra coisa senão o desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. tanto do Ensino Médio quanto aos professores do Ensino Superior. Jose Carlos Libâneo: “Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia”. de modo que assimilem ativa e independentemente os conhecimentos sistematizados. E o professor Libâneo trouxe como tema para sua fala “Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia”. “reflexão” de cada educador. História. que este tema está diretamente relacionado aos professores. Pode-se dizer. Tudo isso leva um distanciamento entre o conteúdo das didáticas e os conteúdos das didáticas específicas. Geografia. outros já dizem que para aprender basta colocar o aluno com a pesquisa e neste caso as pessoas entendem que existe um processo de identidade entre o processo de ensino e o processo de iniciação científica. o processo didático de transmissão/assimilação de conhecimentos e habilidades tem como culminância o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. Há anos se ouve pessoas afirmando que para ensinar qualquer matéria basta apenas conhecer o “conteúdo”. que cuida de procedimentos didáticos. Por outro lado a Pedagogia faz da Didática. etc. Física.seleciona e organiza os conteúdos e métodos e. ao estabelecer as conexões entre ensino e aprendizagem. O Colóquio chamou-se o “pensar”. e este diz respeito a dois interesses: o primeiro é a questão das didáticas específicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou seja. Este é o relato de um colóquio apresentado pelo autor Carlos Libâneo. com vista à sua preparação para a vida social. portanto. O segundo é a perspectiva de encontrar nos cursos de graduação a disciplina Didática Geral e também as didáticas específicas. enquanto disciplina algo normativo e prescritivo. indica princípios e diretrizes que irão regular a ação didática.

o ensino diz respeito ao aspecto docente do conhecimento e nas duas disciplinas as formas de ensinar dizem respeito à forma de compreender.). 13 Copyright © 2007. O fato é que se torna preciso buscar uma integração entre as didáticas e as didáticas específicas. os professores afirmam que os pedagogos não conhecem o conteúdo específico e. porém. e apresentou algumas premissas dessa teoria. do outro lado. que de uma certa forma terminam sintetizando o conhecimento. tais como:  Condicionamento histórico-social da formação humana. E este é compreendido pelo conteúdo entre “professor e aluno”.Portanto. Libâneo afirma que: “Nenhum professor de Didática.Neste contexto pode-se dizer que o que se vê é uma “briga de braço” entre os professores de Didática Específica e os Pedagogos onde. ou das didáticas específicas. uma vez que as didáticas são as principais matérias de formação de professores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Um dos argumentos ditos para a unidade da didática e da didática específica é que o ato de aprender torna o ser como ser pensante. Então nessa perspectiva entendi que a integração dessas didáticas é o conhecimento” . Essa briga vem ocasionando um dilema muito grande na formação desses professores. vale ressaltar que tanto a Didática Geral quanto a Didática Específica necessitam reavaliar seus conteúdos enquanto disciplina de formação de professores. Este é um tema crucial. o papel do ensino e as condições materiais favoráveis a aprendizagem(. com fundamento em Vygotsky.. os pedagogos afirmam que o necessário é conhecer o aluno. pode ser um professor que se preze se este não compreender que as formas de ensinar dependem da forma de aprender”.. “Quais seriam os principais argumentos que justificam a integração dessas didáticas? E podemos perceber que ambas as didáticas possuem como objeto de estudo o mesmo tema “ensino”. Aprender á ajudar o aluno a desenvolver seus próprios processos de pensamentos Para uma melhor compreensão dessa temática Libâneo trouxe a perspectiva da Teoria histórico-cultural.

e a partir daí que se inicia o processo de ensino. segundo Daydov. Libâneo apresentou ainda outra perspectiva. Libâneo diz que o processo de ensino começa onde termina o processo de investigação. O papel histórico-cultural e coletivo do individuo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . este tem que considerar o que se passa na mente de cada aluno. deve-se considerar que o papel da escola é ensinar a pensar.  As importâncias das relações intersubjetivas nas atividades de ensino e aprendizagem. da formação. um determinado conteúdo. Neste sentido. é legitimo dizer que o conhecimento está relacionado como resultado das ações mentais que implicitamente abarcam o conhecimento. Em relação ao processo de ensino. que de modo geral o pensar por conceitos significa dominar os processos mentais. das funções mentais superiores. a Teoria do Ensino Desenvolvimentista. depois que foi realizado uma pesquisa sob aquele determinado tema.  O ensino como apropriação das capacidades formada historicamente e objetivada na cultura material e espiritual (atividade externa). que vem ajudar ao desenvolvimento mental. que os seus questionamentos podem ser. Portanto. 14 Copyright © 2007. ou não. Pode-se dizer que. passa a ser utilizado como conteúdo de conhecimento.  A forma de desenvolvimento proximal. só resta entender que eles não são as mesmas coisas. expresso pela mediação cultural no processo do conhecimento. que coloca o conhecimento como processo mental. Ou seja.  O papel central do ensino na formação do desenvolvimento mental pela interiorização (atividade interna). ou seja. Uma vez que o processo de investigação é fundamental para o processo de ensino. quando o professor utiliza o processo de investigação para ensinar. e é esse tipo de ensino que. os mesmos do cientista.

consiga tornar seu conteúdo prático. Geografia. com as tecnologias. LIBANÊO. serve para ajudar os professores a se preparar de forma competente para formar alunos como sujeitos pensantes e críticos. Com essa aula. José Carlos: “Didática”. os saberes e conhecimentos do mundo da comunicação e informação. a Didática se caracteriza como uma “ponte” entre as bases teóricas e científicas. Tem. Ou seja. Outra dica de leitura: MORIN. Matemática. nesse contexto. São Paulo: Cortez. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 15 Copyright © 2007. a Didática converte os objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino. e a prática (do Professor) em sala de aula. tornar o “aprendido” em saber. o Professor precisa saber qual o objeto de estudo de cada disciplina (História. A substituição da palavra pela imagem (no sentido de que a imagem sobrepõe a leitura e a escrita) termina influenciando o trabalho dos educadores. se pode perceber a extrema ligação das crianças com a televisão. Assim. 1994. etc. A Didática. analisadas pela Pedagogia. reformar o pensamento. 2003. ajudar o aluno a interiorizar os modos de pensar. Português. é que o mundo atual é cheio de desafios e. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. enquanto a Pedagogia investiga a teoria e a prática pedagógica. então.) e seus métodos de investigação. seleciona conteúdos e métodos próprios de cada disciplina. Edgar. Libâneo ressaltou que cada professor precisa organizar e estudar os conceitos para que. como primeira característica. para que possa ajudar o aluno a pensar e investigar. A cabeça bem feita: repensar a reforma. Dessa forma. Lembrete: Procure ampliar seus saberes com a leitura do capítulo I do livro. na mediação com o aluno.Outro questionamento levantado nessa fala de Libâneo. de raciocinar e de investigar.

A Metodologia compreende o estudo dos métodos. Métodos Ativos. Método de Solução de Problemas etc.) 16 Copyright © 2007.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em decorrência da necessária ligação com o desenvolvimento da sociedade e com as condições reais em que ocorre o trabalho docente. para formular diretrizes orientadoras do processo de ensino. Métodos da Descoberta. A Metodologia pode ser: . organização. O Núcleo da Instrução são os conteúdos das matérias. Nessa ligação é que a Didática se fundamenta. nas matérias de cada grau do Processo de Ensino. quanto aos seus fundamentos e validade. O Ensino consiste no planejamento. Concretizando as tarefas da instrução. os Procedimentos e as Técnicas de Ensino. Tanto a Instrução como o Ensino se modificam. Em torno das matérias se desenvolve o processo de assimilação dos conhecimentos e habilidades. No campo da Didática. A Instrução se refere ao processo e ao resultado da assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e ao desenvolvimento das capacidades cognitivas.Geral (por ex. direção e avaliação da atividade didática. Métodos Tradicionais. em relação ao currículo.U NIDADE 2 OBJETIVO: Relacionar a Didática com a adequação de metodologias e procedimentos de ensino. a Metodologia Específica. e o conjunto dos procedimentos de investigação das diferentes ciências. há uma relação entre os métodos próprios da ciência que dá suporte à matéria de ensino e os métodos de ensino. distinguindo-se das técnicas que são a aplicação específica dos métodos. O Currículo expressa os conteúdos da Instrução. o Ensino inclui tanto os conteúdos das disciplinas quanto a direção da atividade de estudo dos alunos. A Didática e sua Relação com o Currículo.

os métodos de ensino e de aprendizagem. e a que se refere aos setores da Educação Escolar ou Extra Escolar (Educação de Adultos. A Didática tem muitos pontos em comum com as metodologias específicas de ensino. Matemática. Educação Sindical etc.). Técnicas. inclui: os conteúdos dos programas e dos livros 17 Copyright © 2007. Mas. campo principal da Educação Escolar.Específica. são temas fundamentais da Didática: os objetivos sociais. Educação Especial. desde os recursos da informática. englobando técnicas de ensino diversificadas. assim. os conteúdos escolares. Em síntese. recursos ou meios de ensino são complementos da metodologia. colocados à disposição do professor para o enriquecimento do Processo de Ensino. etc. Elas são as fontes da investigação Didática. ao se constituir como teoria da Instrução e do Ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que se subdivide em: a que se refere aos procedimentos de ensino e estudo das disciplinas do currículo (Alfabetização. os princípios didáticos. Na medida em que o Ensino viabiliza as tarefas da Instrução. políticos e pedagógicos da Educação Escolar. o controle e a avaliação da aprendizagem. O Objetivo de Estudo da Didática: o processo de ensino O objetivo de estudo da Didática é o processo de ensino. História. o Processo de Ensino que.). abstrai das particularidades de cada matéria para generalizar princípios e diretrizes para qualquer uma delas. ele contém a Instrução. Pode-se. a expressão “tecnologia educacional” adquiriu um sentido bem mais amplo. ao lado da Psicologia da Educação e da Sociologia da Educação. dos meios de comunicação e os audiovisuais até os de instrução programada e de estudo individual e em grupos.. as formas organizativas do ensino. Atualmente. o uso e aplicação de técnicas e recursos. delimitar como o objetivo da Didática. considerado no seu conjunto.

é necessário dizer como fazê-lo. Ora. mas também o meio de organizar a atividade de estudo dos alunos. as atividades do professor e dos alunos e as diretrizes que regulam e orientam esse processo. a importância da Didática. investigar objetivos e métodos seguros e eficazes para a assimilação dos conhecimentos. Esta é a função da Didática. 18 Copyright © 2007. a Educação Escolar é uma tarefa eminentemente social. Mas. análise. não é suficiente disser que os alunos precisam dominar os conhecimentos. observação. Pode-se definir Processo de Ensino como: uma sequência de atividades do professor e dos alunos. porque estudar o Processo de Ensino? Anteriormente foi abordado que. O Ensino somente é bem sucedido quando os objetivos do professor coincidem com os objetivos de estudo do aluno e é praticado tendo em vista o desenvolvimento das suas forças intelectuais. Daí. Quando se menciona que a finalidade do Processo de Ensino é proporcionar aos alunos os meios para que assimilem ativamente os conhecimentos é porque a natureza do trabalho docente é mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. os métodos e formas organizativas do ensino. através das quais os alunos aprimoram capacidades cognitivas (pensamento independente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao estudar o Processo do Ensino. Isto quer disser que o ensino não é só transmissão de informações. pois a sociedade necessita prover as gerações mais novas daqueles conhecimentos e habilidades que vão sendo acumulados pela experiência social da humanidade. isto é. tendo em vista a assimilação de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades.didáticos. síntese e outras).

2004. 19 Copyright © 2007. Capítulo II O QUE SIGNIFICA APRENDER. (Re)encantar a educação rumo à sociedade aprendente. Vale a pena! Sugestão: ASSMANN.Dica: Faça uma pesquisa na bibliografia sugerida. RJ: Vozes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Hugo. Petrópolis. procurando as múltiplas definições existentes para os termos: Educação e Ensino.

O termo. Entretanto. embora ainda não esteja presente o "didático".no decorrer do desenvolvimento da sociedade. também. “Didática”. Estabelecendo-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino. Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e no Período Medieval. tendo em vista a adequação às possibilidades das crianças. 20 Copyright © 2007. que sistematize o pensamento didático e os estudos científicos das formas de ensinar. Sabe-se. igrejas. como forma estruturada de Ensino. até meados do século XVII não se pode falar de Didática como Teoria de Ensino. Desde os primeiros tempos existem indícios de formas Objetivo: Compreender a evolução histórica da Didática e seus expoentes mais importantes Desenvolvimento Histórico da Didática e as Tendências Pedagógicas elementares de Instrução e Aprendizagem. aparece quando os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do Ensino. mosteiros. às idades e ritmo de assimilação dos estudos. que nas comunidades primitivas os jovens passavam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. a Escola se torna uma instituição. da produção e das ciências . por exemplo. universidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 3 A História da Didática esta ligada ao aparecimento do Ensino . se desenvolveram formas de ação pedagógica. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica. em escolas.como atividades planejadas e intencionais dedicada à Instrução. ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes. o processo de ensino passa a ser sistematizado conforme níveis.

a educação é um direito natural de todos. para o registro das impressões na mente do aluno. A Didática de Comênio e seus princípios:  A finalidade da Educação é conduzir à felicidade eterna com Deus. porque todos. um pastor protestante. o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor. como o reflexo num espelho. Primeiramente 21 Copyright © 2007. pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos.  A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente. assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e suas leis. ainda incipiente. ocorrem no século XVII. de acordo com a ordem natural das coisas. já influenciava a organização da vida social. isto é. O sistema de produção capitalista. de acordo com as características e os métodos de ensino correspondentes. quando João Amós Comênio (1592-1670). Portanto. das coisas. política e cultural. O ensino. Ele foi o primeiro Educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e a criar princípios e regras do ensino. a moralidade e a religião. utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos.  O método intuitivo consiste. ao invés disso. tem um papel decisivo à percepção sensorial das coisas.A formação da Teoria Didática para investigar as ligações entre Ensino e Aprendizagem. Todos os homens merecem a sabedoria. numa época em que surgiam novidades no campo da Filosofia e das Ciências e grandes transformações nas técnicas de produção. realizam os desígnios de Deus. escreve a primeira obra clássica sobre Didática: a Didacta Magna. ao realizarem sua própria natureza. Comênio desenvolveu ideias avançadas para a prática educativa nas escolas.  Por ser parte da natureza. pelos órgãos dos sentidos. da observação direta. em contraposição às ideias conservadoras da nobreza e do clero.

ainda predominaram práticas escolares da Idade Média: Ensino intelectualista. No século. O Ensino era separado da vida. XVII. Comênio não escapou de algumas crenças usuais na época sobre o Ensino. depois as palavras. porque já existe uma experiência social acumulada de conhecimentos sistematizados que não necessitam ser descobertos novamente. Na História. Nessas escolas não havia espaços para as ideias próprias dos alunos. por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor. e nos séculos seguintes. mantinhase o caráter transmissor do ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . frequentemente. não somente porque se empenhou em desenvolver métodos de instrução mais rápidos e eficientes. verbalista e dogmático. em que viveu Comênio. 22 Copyright © 2007. principalmente quando é um impulso ao surgimento de uma teoria do ensino. Além disso. Comênio desempenhou uma influência considerável. principalmente quando são muito inovadoras para a época. mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social. sua ideia de que a única via de acesso dos conhecimentos é a experiência sensorial com as coisas não foi suficiente. Apesar da grande novidade nestas ideias. Portanto.as coisas. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. as ideias. Partindo da observação e da experiência sensorial. embora procurando adaptar o Ensino às fases do desenvolvimento infantil. enganam segundo. Entretanto. mas também porque desejava que todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento. mantinha-se o método único e o ensino simultâneo a todos. Primeiro porque as percepções. deve-se partir do conhecido para o desconhecido. costumam demorar em terem efeito prático. O planejamento de ensino deve obedecer ao curso da natureza infantil.

disputando o poder econômico e político com a nobreza. ao mesmo tempo. no panorama educacional Os Pensadores da Pedagogia Intensas mudanças nas formas de produção provocaram um grande desenvolvimento da ciência e da cultura. propondo uma concepção nova de ensino às necessidades e interesses imediatos da criança. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na medida em que esta se fortalecia como classe social. Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burguesia. um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidades e interesses individuais. As ideias mais importantes de Rousseau são as seguintes: 23 Copyright © 2007. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações.U NIDADE 4 Objetivo: Proporcionar conhecimentos sobre a importância e contribuição deste pensador para a práxis pedagógica. ia crescendo também a necessidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e dos negócios e.

como cultivo do sentimento. a experiência e o sentimento. devido a manutenção desta prática nas salas de aula brasileiras. elas têm uma tendência natural para se desenvolverem. Suas ideias precisam ser estudadas. 2. Deu uma grande importância ao Ensino como meio de Educação e desenvolvimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Essa tarefa coube a outro. elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. 24 Copyright © 2007. Henrique Pestalozzi (1746-1827). Os verdadeiros professores são a natureza. Também atribuía importância fundamental à Psicologia da criança. Rousseau e Pestalozzi influenciaram muitos outros pedagogos. A preparação da criança para a vida futura deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. As crianças são boas por natureza. análise dos objetos e fenômenos da natureza e a capacidade da linguagem. em instituições dirigidas por ele próprio. porém. Em resumo: são os interesses e necessidades imediatas do aluno que determinam à organização do estudo e seu desenvolvimento. das capacidades humanas. como fonte do desenvolvimento do Ensino. Nisto consistia a Educação Intelectual. o Pedagogo suíço. Pedagogo alemão que teve muitos discípulos e que exerceu influência relevante na Didática e na prática docente. da mente e do caráter. através da qual se expressa em palavras o resultado das observações. levando os alunos a desenvolverem o senso de observação. A educação é um processo natural. foi Johann Friedrich Herbart (1766-1841). Pestalozzi atribuía grande importância ao Método Intuitivo. As ideias de Comênio. Rousseau não colocou em prática suas ideias e nem elaborou uma teoria de ensino. ela se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. conforme será visto posteriormente. Foi e continua sendo inspirador da Pedagogia Conservadora. que viveu e trabalhou até o fim da vida com a educação de crianças pobres. O mais importante deles.1. Antes de ensinar as ciências. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que desperta o interesse e suas potencialidades naturais.

generalização e aplicação. Segundo Herbart. que denominou Clareza. -Quarto: a aplicação. a exigência de 25 Copyright © 2007. Educar o homem significa instruí-lo para querer o bem. assim.Junto com uma formulação teórica dos fins da Educação e da Pedagogia como ciência. A principal tarefa da Instrução é introduzir ideias corretas na mente dos alunos. o professor vai construindo uma massa de ideias na mente. Controlando os interesses dos alunos. na mente da criança. Ele deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas mentes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desenvolveu uma análise do processo psicológico e didático de aquisição de conhecimentos. de modo que aprenda a comandar a si próprio. ordenando-os em cinco: Preparação.trouxe esclarecimentos válidos para a organização da prática docente. O sistema pedagógico de Herbart e seus seguidores . que denominou Método. Estabeleceu. o uso dos conhecimentos adquiridos através de exercícios. -Terceiro: a sistematização dos conhecimentos. como por exemplo: a necessidade de estruturação e ordenação do processo de ensino. tendo em vista a generalização. Fórmula esta que ainda é utilizada pela maioria dos professores. Herbart estava atrás da formulação de um método único de ensino. apresentação. assimilação. O método de ensino consiste em provocar a acumulação de ideias. quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente seguidos: . em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. os discípulos de Herbart desenvolveram mais a proposta dos passos formais. O professor é um arquiteto da mente. -Segundo: as associações entre as ideias antigas e as novas. sob a direção do Professor.chamados de Herbartianos . o fim da Educação é a moralidade. Posteriormente. que por sua vez vai favorecer a assimilação de ideias novas. atingida através da instrução educativa.Primeiro: a preparação e apresentação da matéria nova de forma clara e completa.

reflita sobre a ação educadora da personagem do filme “O sorriso de Mona lisa”e construa um texto dissertativo. 26 Copyright © 2007. difundindo-se depois por todo o mundo.compreensão dos assuntos estudados e não simplesmente memorização.além de outros foram as bases do pensamento pedagógico europeu. de no mínimo uma lauda. a reflexão e o pensamento independente e criativo dos alunos. demarcando as concepções pedagógicas que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. Rousseau. os alunos devem compreender o que o professor transmite. Entretanto. Pestalozzi e Herbart . e não mobilizando a atividade mental. Sugestão: Objetivando o seu pensar crítico e reflexivo sobre a práxis educativa. Com isso. mas apenas com a finalidade de reproduzir a matéria transmitida. a aprendizagem se torna mecânica. automática. o Ensino é entendido como repasse de ideias do professor para a cabeça do aluno. o significado educativo da disciplina na formação do caráter. As ideias pedagógicas de Comênio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . associativa.

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Objetivo: Adquirir conhecimentos específicos sobre as principais tendências pedagógicas adotadas no Brasil e a aplicação da Didática sobre estas concepções de aprendizagem.

Tendências Pedagógicas no Brasil e a Didática Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à História da Didática no Brasil, suas relações com as tendências pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos. Os autores, em geral, concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: As de cunho Liberal - Pedagogia Tradicional, Pedagogia Renovada e Tecnicismo Educacional e as de cunho Progressista - Pedagogia Libertadora e Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. Certamente existem outras correntes vinculadas a uma ou outra dessas tendências, mas essas são as mais conhecidas. Para a Pedagogia Tradicional: A Didática é uma disciplina normativa, um conjunto de princípios e regras que regulam o Ensino. A atividade de ensinar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. Às vezes, são utilizados meios como a apresentação de objetos, ilustrações, exemplos, mas o recurso principal é a palavra, a exposição oral. Supõe-se que ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os alunos "gravam” a matéria para depois, reproduzi-la; através das interrogações do professor e das provas. Para isso, é importante que o aluno "preste atenção", porque ouvindo facilita-se o registro (do que é transmitido) na memória. O aluno é, assim, um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. Os objetivos explícitos ou implícitos referem-se à formação de um aluno ideal, desvinculado de sua realidade concreta. O professor tende a encaixar os alunos num modelo idealizado de homem totalmente desvinculado da vida presente e futura. A matéria de Ensino é tratada isoladamente, isto é, sem relação com os interesses dos alunos ou com os problemas reais da sociedade e da vida. O Método é dado pela lógica e sequência da matéria; é o meio utilizado pelo professor para comunicar a matéria e não dos alunos para aprendê-la.
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A presença dos métodos intuitivos, que foram incorporados ao ensino tradicional, ainda é bastante forte. Baseiam-se na apresentação de dados sensíveis, de modo que os alunos possam observá-los e formar imagens deles em sua mente. Muitos professores ainda acham que "partir do concreto" é a chave do ensino atualizado. Mas esta ideia já fazia parte da Pedagogia Tradicional porque o "concreto" (mostrar objetos, ilustrações, gravuras etc.) serve apenas para gravar na mente o que é captado pelos sentidos. O material concreto é mostrado, demonstrado, manipulado, mas o aluno não lida mentalmente com ele, não o repensa, não o (re)elabora com o seu próprio pensamento. A aprendizagem, assim, continua receptiva, automática; não mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. A Didática Tradicional tem resistido ao tempo, continua prevalecendo na prática escolar. É comum nas escolas brasileiras atribuir-se ao Ensino a tarefa de mera transmissão de conhecimentos; sobrecarregar o aluno de conhecimentos que são decorados sem questionamento; trabalhar com exercícios repetitivos; impor externamente a disciplina e usar castigos. Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas intenções da Pedagogia Tradicional que pretendia, com seus métodos, a transmissão da cultura geral, isto é, das grandes descobertas da humanidade, e a formação do raciocínio; o treino da mente e da vontade. Os conhecimentos ficaram

estereotipados, insossos, sem valor educativo vital, desprovidos de significados sociais, inúteis para a formação das capacidades intelectuais e a compreensão crítica da realidade. O intento de formação mental, de desenvolvimento do raciocínio, ficou reduzido a práticas de memorização. A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: A Progressivista, (que se baseia na teoria educacional de John Dewey), a não diretiva (principalmente inspirada em Carl Rogers), a ativista-espiritualista (de orientação Católica), a Culturalista, a Piagetiana, a

Montessoriana, entre outras. Todas, de alguma forma, estão ligadas ao movimento da Pedagogia Ativa que surge no final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional.
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Entretanto, segundo estudo feito por Castro (1984), os conhecimentos e a experiência da Didática brasileira pautam-se, em boa parte, no movimento da Escola Nova, inspirado principalmente na corrente Progressivista. Aqui, será destacada apenas a Didática Ativa inspirada na corrente Didática Moderna de Luís Alves de Mattos; incluída na Corrente Culturalista. A Didática da Escola Nova ou Didática Ativa é entendida como "direção da aprendizagem", considerando o aluno como sujeito da aprendizagem. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimulando interesses, possa buscar, por si mesmo, conhecimentos e experiências. A ideia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio. Não se trata apenas de aprender fazendo, no sentido de trabalho manual, ações de manipulação de objetos. Trata-se de colocar o aluno em situações que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta em atividades intelectuais, atividade de criação, de expressão verbal, escrita, plástica. O centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria; é o aluno ativo e investigador. O Professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de características individuais dos alunos. Por isso, a Didática Ativa dá grande importância aos métodos e técnicas como: o trabalho de grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações etc.; bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos. Tanto na organização das experiências de aprendizagem como na seleção de métodos, importa o Processo de Aprendizagem e não diretamente o Ensino. O melhor método é aquele que atende às exigências psicológicas do aprender. Em síntese, a Didática Ativa dá menos atenção aos conhecimentos sistematizados, valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios que possibilitam o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais dos alunos. Por isso, os adeptos da Escola Nova costumam dizer que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a aprender. Ou seja, a Didática não é a direção do Ensino, é a orientação da
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para orientá-lo e incentivá-lo na sua Educação e na sua Aprendizagem. na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendizagem. estudo do meio. da mesma forma que se faz no Ensino Tradicional. no estudo e na pesquisa. O Professor é o incentivador. onde se encontram os valores lógicos e sociais a 30 Copyright © 2007. Seu livro Sumário de Didática Geral foi largamente utilizado durante muitos anos nos cursos de formação de professores e exerceu considerável influência em muitos manuais de Didática. Com isso. da investigação. são alguns métodos e técnicas. discussões. publicados posteriormente. estudo dirigido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O que sobra. sem levar em conta seu objetivo principal que é levar o aluno a pensar. falta de condições materiais. pedem matéria decorada. o objeto ao qual se aplica o ato de aprender. Por falta de conhecimento aprofundado das bases teóricas da Pedagogia Ativa. visando à formação de um pensamento autônomo.Aprendizagem. uma vez que esta é uma experiência própria do aluno através da pesquisa. principalmente quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alunos. pelas exigências de cumprimento do programa oficial e outras razões. A matéria e o conteúdo cultural da aprendizagem. tendo em vista desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalidade. Esse entendimento da Didática tem muitos aspectos positivos. surge a partir dos anos 50 a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos. Entretanto. orientador e controlador da aprendizagem organizando o Ensino em função das reais capacidades dos alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão. A Didática Moderna é inspirada na Pedagogia da Cultura. corrente pedagógica de origem alemã. a desenvolver sua capacidade de reflexão e a independência de pensamento. a raciocinar cientificamente. é muito comum os professores utilizarem procedimentos e técnicas como trabalho de grupo. em função dele giram as atividades escolares. Assim. Em paralelo à Didática da Escola Nova. é raro encontrar professores que apliquem inteiramente o que propõe a Didática Ativa.. Mattos identifica sua Didática com as seguintes características: o aluno é o fator pessoal decisivo na situação escolar. etc.

É o método em "ação".serem assimilados pelos alunos. por isso. em certo sentido. razão pela qual. nos anos 60. que é o Método Didático em ação. na Pedagogia Renovada. Definindo a Didática como disciplina normativa. é definido como "o conjunto de atividades exercidas. está condicionado pela natureza da matéria e relacionar-se com a Psicologia do aluno. em sucessão ou ciclicamente. Quanto ao Tecnicismo Educacional. está a serviço do aluno para formar suas estruturas mentais e. autonomia quando se constituiu especificamente como tendência. à sombra do Progressivismo ganhando. dosagem e apresentação vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . existe em função da aprendizagem. 31 Copyright © 2007. inspirada na Teoria Behaviorista da Aprendizagem e na Abordagem Sistêmica do Ensino. sua seleção. isto é. O Ciclo Docente. abrangendo as fases de planejamento. levando-o a bom termo". Mattos propõe a Teoria do Ciclo Docente. embora seja considerada como uma tendência pedagógica inclui-se. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50. técnica de dirigir e orientar eficazmente a aprendizagem das matérias tendo em vista objetivos educativos. pelo professor. orientação e controle da aprendizagem e suas subfases. O Método representa o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem. para dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus alunos.

o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Com isso. ainda hoje predomina nos cursos de formação de professores o uso de manuais didáticos e cunho tecnicista. 2006 . em uso nas escolas. O professor é um administrador e executor do planejamento. no uso de meios são técnicas mais eficazes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por ser compatível com a orientação econômica. são elaborados com base na Tecnologia da Instrução. São Paulo: Ática. A Didática Instrumental está interessada na racionalização do ensino. Boa parte dos livros didáticos. política e ideológica do regime militar então vigente.Esta orientação acabou sendo imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das décadas de 60 e 70. HAIDT. Crise na Educação: Por quê? O papel da educação na humanização. avaliação. conteúdo estratégias. Curso de Didática Geral. O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: Objetivos. 32 Copyright © 2007. de caráter meramente instrumental. Regina Célia Cazaux.

Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. com a incipiente modificação do quadro político repressivo. Muitos dos integrantes do movimento dos pioneiros da Escola Nova tinham reais interesses em superar a educação elitista e discriminadora da época. que não tenham existido antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular.U NIDADE 6 Objetivo: Apropriar-se dos conhecimentos e aplicabilidade Didática e Pedagógica das tendências progressistas. Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da Escola. no entanto. refundindo-se princípios e práticas em 33 Copyright © 2007. Não. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . levando em conta essa crítica. configurando a tendência que veio ser denominada de Pedagogia Libertadora. na sociedade capitalista. No início dos anos 60 surgiram os movimentos de Educação de Adultos que geraram ideias pedagógicas e práticas educacionais de Educação Popular. Já no começo do século formaram-se movimentos de renovação educacional por iniciativa de militantes socialistas. Na segunda metade da década de 70. em decorrência de lutas sociais por maior democratização da sociedade. preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível uma Escola articulada com os interesses concretos do povo. São também denominadas teorias criticas da educação. tornou-se possível a discussão de questões educacionais e escolares numa perspectiva de crítica política às instituições sociais capitalistas. Outros. A primeira retomou as propostas de Educação Popular dos anos 60. O Progresso das Tendências Pedagógicas e a Didática As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80.

função das possibilidades do seu emprego na Educação Formal em escolas públicas, já que inicialmente tinham caráter extraescolar e não oficial, voltadas para o atendimento da clientela adulta. A segunda, inspirando-se no Materialismo Histórico Dialético; constituiu-se como movimento pedagógico interessado na Educação Popular, na valorização da Escola Pública e do trabalho do professor; no ensino de qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância do domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos científicos do Ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos sociais e culturais). Duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma Educação Escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto, diferem quanto aos objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns. A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e muitos dos seus seguidores, entendendo que toda Didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto, há uma Didática implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na realidade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades.

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O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata. Nesse processo de discussão, relatos de experiências vividas; da assembléia; pesquisa participante; do trabalho de grupo etc., vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação de conhecimentos. É uma Didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador ou animador das atividades, que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos. A Pedagogia Libertadora tem sido empregada, com muito êxito, em vários setores dos movimentos sociais, como, por exemplo, em sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses populares. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no Ensino Fundamental, os representantes dessa tendência não chegaram a formular uma orientação Pedagógica e/ou Didática, especificamente escolar, compatível com a idade, o desenvolvimento e as características de aprendizagem das crianças e jovens. Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos a Escola Pública cumpre a sua função social e política, assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos, como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo escolar a problemática social cotidiana, pois somente com o domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os alunos organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida, em função dos interesses de classe.

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O que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências socioculturais e a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista didático, o Ensino consiste na mediação de objetivos, conteúdos e métodos que assegure o encontro formativo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da Aprendizagem. A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à Didática, cujo objeto de estudo é o Processo de Ensino em suas relações e ligações com a Aprendizagem. As ações de ensinar e aprender formam uma unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos; tal direção, entretanto, converge para promover a autoatividade dos alunos. Com isso, a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Postula para o Ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais; mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares articulando, no mesmo processo, a aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a autoatividade e a busca independente e criativa das noções. Mas trata-se de uma síntese superadora. Com efeito, se a Pedagogia define fins e meios da prática educativa, a partir dos seus vínculos com a dinâmica da prática social, importa um posicionamento em face de interesses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os vínculos entre o pedagógico e a docência; fazem à ligação entre o "para quê" (opções políticas e pedagógicas) e o "como” da ação educativa escolar (a prática docente).

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atribuindo à Instrução e ao Ensino o papel de proporcionar aos alunos o domínio de conteúdos científicos. Cap. no conjunto das lutas sociais. a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios. II 37 Copyright © 2007. José Carlos.A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários da sociedade. de modo a irem formando a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio científico. Didática. Dica de Leitura: LIBANÊO. 1994. São Paulo: Cortez.

a escrever. aprende a manipular um brinquedo. estão 38 Copyright © 2007. e continua aprendendo por toda sua vida. o Ser humano está aprendendo. Um aluno maior aprende habilidades de lidar com as coisas. O professor planeja dirigir e controlar o Processo de Ensino. tendo em vista estimular e suscitar a atividade própria dos alunos para a Aprendizagem. a ler.. discutem problemas e aprendem a fazer opções.U NIDADE 7 Objetivo: Adquirir conhecimentos acerca da Pedagogia crítico-social dos conteúdos e sua relação com uma aprendizagem transformadora. aprende a andar. Para compreender corretamente a dinâmica desse processo é necessário analisar separadamente cada um dos seus componentes A Aprendizagem A condução do Processo de Ensino requer uma compreensão clara e segura do Processo de Aprendizagem. como as pessoas aprendem. Desde que nasce. Ensino e Aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo. nadar. andar de bicicleta. Em sentido geral. a pensar. aprende a contar. através do Processo de Ensino. qualquer atividade humana praticada no ambiente em que se vive pode levar a uma aprendizagem. aprendem uma profissão. Processo Didático na Concepção da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos: Ensino e Aprendizagem A tarefa principal do professor é garantir a unidade didática entre Ensino e Aprendizagem. Pessoas. portanto. etc. a trabalhar junto com outras crianças. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Uma criança pequena aprende a distinguir determinados barulhos. Jovens e adultos aprendem processos mais complexos de pensamento. Em que consiste aprender. etc. quais as condições externas e internas que influenciam.

A Aprendizagem Casual é quase sempre espontânea. O tema da aula é "As plantas". seja memorizando. leituras. pela convivência social. normas de convivência social. analisam as possibilidades. depois de certo tempo. é na escola que são organizadas as condições específicas para a transmissão e assimilação de conhecimentos e habilidades. cada aluno escolheu uma plantinha. o que acontecerá? Os alunos discutem. na escola.sempre aprendendo. planejada e sistemática das finalidades e condições da aprendizagem escolar é tarefa específica do Ensino. mas não tenha luz. Ou seja. Surge uma conversação. Os alunos aprendem as partes da planta e suas funções. A Aprendizagem Organizada é aquela que tem por finalidade específica aprender determinados conhecimentos. elas murcham? Se a planta for colocada em um lugar que tenha terra e água. A conversa se amplia: Por que as plantas crescem? Por que. na verdade. no trabalho. pelo contato com os meios de comunicação. Pode-se distinguir a Aprendizagem em: casual e organizada. mas. O aluno recebe o "conteúdo" da história. nas múltiplas experiências da vida. habilidades. Aparentemente a atitude do aluno é passiva. os exercícios. as 39 Copyright © 2007. na rua. A professora pede para observarem o que ela tem nas mãos. Esta organização intencional. Está aprendendo. Depois há o estudo no livro. os alunos perguntam. seja captando a sua mensagem. assimila-o. adquirindo conhecimentos. a professora vai organizando essas ideias para sistematizar os conhecimentos. Em casa. a professora explica. a consolidação das coisas aprendidas.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Embora isso possa ocorrer em vários lugares. está “trabalhando” a história na sua mente. Alguns exemplos de Aprendizagem Escolar: A professora conta uma história. formando atitudes e convicções. pela observação de objetos e acontecimentos. surge naturalmente da interação entre as pessoas e com o ambiente em que vivem. as pessoas vão acumulando experiências. ligando a história com seu imaginário (experiência vivida). conversas etc. No pátio da escola.

conceitos. senso crítico frente aos objetos de estudo e à realidade.). destacar propriedades e relações das coisas. síntese e são capazes de aplicar os conhecimentos.relações entre terra. valores humanos e sociais. um processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental. dominam o conceito de "fuso horário". modos de convivência social. comparação. perseverança e responsabilidade no estudo. compreendem a importância das plantas na vida social. Os resultados da aprendizagem se manifestam em modificações na atividade externa e interna do sujeito. métodos de conhecimento. nas suas relações com o ambiente físico e social. organizados no Processo de Ensino. etc. Com isso estão adquirindo conhecimentos e habilidades. princípios. -Atitudes e valores. formam estruturas mentais. Isto significa que se pode aprender: . -Habilidades e hábitos intelectuais e sensório motores (observar um fato e extrair conclusões. por exemplo.Conhecimentos sistematizados (fatos. interesse pelo conhecimento. escrever e ler. água e luz. A Aprendizagem Escolar é. uso adequado dos sentidos. espírito de camaradagem e solidariedade. interiorizam conceitos. dominarem procedimentos para resolver exercícios.). convicções. modo científico de resolver problemas humanos. Aprendem a localizar os estados brasileiros no mapa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 40 Copyright © 2007. memorizam o nome das capitais. etc. As crianças estão estudando História e Geografia. desenvolvem capacidades de observação. manipulação de objetos e instrumentos. etc. aprendem as diferenças de horário de um lugar para o outro. assim.

e a aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais. mediados pela ação do Professor. pela influência do professor. Conhecimentos. É o que se denomina de: Processo de Assimilação Ativa.U NIDADE 8 Objetivo: Conhecer os princípios do processo de assimilação. motivacionais e atitudinais. mentalmente. modos de agir não são coisas físicas que podem ser transferidas da cabeça do professor para a cabeça do aluno. ao mesmo tempo. conteúdos e métodos. da natureza e da sociedade. A aprendizagem efetiva acontece quando. as propriedades do objeto atuam no sujeito. Aprendizagem: um processo de assimilação No Processo de Ensino estabelecem-se objetivos. atitudes. modificando e 41 Copyright © 2007. mas a assimilação desses é consequência da atividade mental dos alunos. compreensão e reflexão. habilidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O Processo da Assimilação Ativa Entende-sse por Assimilação Ativa ou Apropriação de Conhecimento e Habilidades o processo de percepção. Nesse sentido. através do estudo das matérias de Ensino. os fatos. pode-se dizer que Aprendizagem é uma relação cognitiva entre o sujeito e os objetos de conhecimento. Permite o entendimento de que o ato de aprender é um ato de conhecimento pelo qual se assimila. Há uma atividade do sujeito em relação aos objetos de conhecimento para assimilá-los. O conceito de Processo de Assimilação Ativa é fundamental para a Teoria da Instrução e do Ensino. do próprio aluno. fenômenos e relações do mundo. sob a direção e orientação do professor. são mobilizadas as atividades físicas e mentais próprias dos alunos no estudo das matérias.

Nenhum aluno nasce com essas capacidades cognoscitivas prontas. acabadas. nas situações didáticas ocorrem fatores externos e internos. por sua vez. Os níveis de aprendizagem Os meios internos pelos quais o organismo psicológico aprende são bastante complexos. Elas vãose desenvolvendo no decorrer da vida e. tendo em conta características dos alunos e da sua prática de vida. físico e psicológico. meios esses que constituem o conjunto de suas capacidades cognoscitivas.). mutuamente relacionados. o Ensino e seus componentes: objetivos. Esquematicamente. Estas aprendizagens são responsáveis pela formação de hábitos sensório-motores e são as que predominam na fase inicial de desenvolvimento da criança (por exemplo. dispõem em seu organismo. pois podem ser aprendidas no Processo de Assimilação de Conhecimentos.enriquecendo suas estruturas mentais. tendo em vista necessidades e interesses humanos e sociais. tais como: percepção. Para que se realize. Os alunos. isto é. O Nível Reflexo se refere às sensações pessoais. de meios internos de assimilação ativa. o desenvolvimento das forças cognoscitivas dos alunos. compreensão. memória. pelas quais as pessoas desenvolvem processos de observação e percepção das coisas e as ações motoras (físicas) no ambiente. o Processo de Assimilação Ativa de novos conhecimentos e. conhecimentos já disponíveis. particularmente. O professor propõe objetivos e conteúdos. atenção. na Escola. Por esse processo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . motivação. é preciso a ação externa do professor. andar etc. pode-se dizer que há dois níveis de aprendizagem humana: O Reflexo e o Cognitivo. agarrar objetos. Em síntese. distinguir cores. conteúdos. formas e sons. Muitas delas são obtidas de forma 42 Copyright © 2007. atitudes. métodos e formas organizativas. pelos quais se aplicam a compreensão da realidade para transformála. no decorrer do Processo de Ensino. por meio dele. formam-se conhecimentos e modos de atuação.

o Nível Cognitivo se refere à aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais. Momentos interligados do processo de Assimilação Ativa O desenvolvimento das forças cognoscitivas. como instrumentos da linguagem.automática e inconsciente. bem como pela aquisição de modos de ação e aplicação referentes a essas propriedades e relações. a vida na cidade e no campo . os seres vivos. Entrelaçado com o Nível Reflexo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .a primeira atividade é a observação sensorial das coisas. Isso significa que. 43 Copyright © 2007. ilustrações. seja de forma indireta pelo uso das palavras. se verifica no Processo de Assimilação Ativa de Conhecimento. caracterizada pela apreensão consciente. as palavras constituem importante condição para a aprendizagem. A transformação da percepção ativa para um nível mais elevado de compreensão implica a atividade mental de tomar os objetos e fenômenos estudados nas suas relações com outros objetos e fenômenos. demonstrações). na sala de aula. propriedades.por exemplo. pois formam a base dos conceitos com os quais se pode pensar. As situações didáticas devem ser organizadas para o aluno perceber ativamente o objeto de estudo. para ir formando ideias e conceitos mais claros e mais amplos. semelhanças e diferenças que as distinguem externamente. seja de forma direta (ações físicas com as coisas do ambiente. Frente a determinado objetivo de ensino . Esse nível de aprendizagem continua ocorrendo durante toda a vida humana. os indivíduos aprendem tanto em contato direto com as coisas no ambiente quanto com as palavras que designam coisas e fenômenos do ambiente. compreensão e generalização das propriedades e relações essenciais da realidade. No Nível Cognitivo.

passam pela análise e síntese pela abstração. Em outras palavras. nos quais se verifica a consolidação e a aplicação prática de conhecimentos e habilidades. com representações verbais do professor. o professor e os alunos trabalham com conceitos já elaborados. 44 Copyright © 2007.Não se trata de uma etapa separada da anterior. pois esta é como que o instrumento que traduz. Os conceitos científicos e o desenvolvimento dos instrumentos linguísticos do pensamento. Neste momento. para a "ideia" do conteúdo.embora deva ser empregada a experiência direta sempre que possível (pesquisas). ou seja. Nos vários momentos do processo. a atividade mental evolui da apreensão do conteúdo da matéria. os objetos e fenômenos. agora. O processo se completa com as atividades práticas em várias modalidades de problemas e exercícios. Não se quer dizer com isso que nos outros momentos não haja atividades práticas. o aluno pode operar mentalmente com os conteúdos assimilados. Quaisquer que sejam os métodos e modos de assimilação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . predomina a via indireta de ensino. propiciam a habilidade de verbalização e ampliam a capacidade de raciocinar. aperfeiçoam a comunicação. se desprendendo da coisa concreta do ambiente para torná-la uma coisa pensada. há um permanente entrelaçamento entre a atividade mental e a linguagem. por meio das palavras. Na sala de aula. ou o texto do livro didático . o aluno vai. em qualquer nível de ensino. exterior. gradativamente. mas que o Processo de Assimilação Ativa culmina com a consolidação e aplicação. a linguagem é fundamental tanto para o professor que explica os conceitos científicos quanto para o aluno que os utiliza para construir seu conhecimento. suas relações e a ideia desse objeto. De modo que o conteúdo visível se transforma num conteúdo do pensamento. Neste processo. mas de uma transformação e um aprimoramento das primeiras percepções que. assimilados com base na experiência sociocultural dos alunos. na sua forma visível. generalização e sistematização.

A atividade cognoscitiva do aluno é a base e o fundamento do Ensino. Por isso. Aprendizagem e Ensino formam uma unidade. métodos. problemas. os que interferem nas disposições emocionais dos alunos para enfrentar as tarefas escolares. Aprendizagem e Ensino. A organização lógica se refere à sequência progressiva dos conceitos. d) Os conteúdos e as ações mentais que vão sendo formados dependem da organização lógica e psicológica das matérias de ensino. que são o seu conteúdo.U NIDADE 9 Objetivo: Conhecer as características envolvidas na Dialética. os que contribuem ou dificultam a formação de atitudes positivas dos alunos frente às suas capacidades e frente aos problemas e situações da realidade e do Processo de Ensino e Aprendizagem. a atividade de ensino não pode restringir-se a atividades práticas. e este dá direção e perspectiva àquela atividade por meio dos conteúdos. ideias. b) O processo de assimilação de conhecimentos resulta da reflexão proporcionada pela percepção prática e sensorial. mas não são atividades que se confundem uma com a outra. habilidades. Mas a apreensão dos dados da realidade requer ações mentais. em nível crescente de 45 Copyright © 2007. procedimentos organizados pelo professor em situações didáticas específicas. c) Na Aprendizagem Escolar há influência de fatores afetivos e sociais. não é algo casual e espontâneo. de modo a estes lidarem com elas através dos conhecimentos sistematizados que vão adquirindo. e pelas ações mentais que caracterizam o pensamento. Elas somente fazem sentido quando suscitam a atividade mental dos alunos. tais como: os que suscitam a motivação para o estudo. os que afetam as relações professor/aluno. Todo conhecimento se baseia nos dados da realidade. intencional e dirigida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Características da Aprendizagem Escolar a) A Aprendizagem Escolar é uma atividade planejada.

no trabalho. A consolidação dos conhecimentos depende do significado que eles carregam em relação à experiência social dos alunos na família. Tudo isto requer tempo e trabalho incessante do professor. A organização psicológica se refere à adequação ao nível de desenvolvimento físico e mental que. que desenvolveram operações mentais ou que dominaram habilidades de estudo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 46 Copyright © 2007. da capacidade do aluno lidar. com os conhecimentos que assimilou. mas como ponto de partida para a atividade docente. por sua vez. sua aplicação em situações de aula ou do dia a dia e. O vínculo aprendizagem/meio social traz implicações.complexidade. A ideia de progressividade no desenvolvimento escolar se aplica também à organização das unidades didáticas nas aulas. são portadores de desvantagens sociais e culturais. Os professores devem estar preparados para buscar procedimentos didáticos que ajudem os alunos a enfrentarem suas desvantagens. de modo independente e criativo. também ao grau de compreensividade das matérias em relação às possibilidades reais dos alunos que. mas também sua relação com a Escola e o Estudo. é condicionado pelas características socioculturais dos alunos. outras têm boa capacidade de memorização. Os alunos aprendem tudo numa só aula. Estas não devem ser consideradas negativamente. Entretanto. principalmente. pois a Aprendizagem é um processo garantido. a elevar suas expectativas de um futuro melhor para si e sua classe social. efetivamente. A sólida aprendizagem decorre da consolidação de conhecimentos e métodos de pensamento. no meio social. Alguns alunos têm facilidade de "pegar" uma ideia de relance. e) A aprendizagem escolar tem um vínculo direto com o meio social. sua percepção e compreensão das matérias. a adquirirem o desejo e o gosto pelos conhecimentos escolares. Circunscreve não só as condições de vida dos alunos. não significa que tenham assimilado a matéria. quanto às exigências escolares.

costumes. como a satisfação de necessidades orgânicas ou sociais. a atenção e o envolvimento dos alunos no trabalho docente. a motivação intrínseca precisa ser apoiada. A atividade do aluno consiste no enfrentamento da matéria por suas próprias forças cognoscitivas. crenças. a curiosidade. dirigida e orientada de fora pelo professor. Na Aprendizagem Escolar. muito frequentemente. com base nas suas necessidades e interesses imediatos e não na transmissão de conhecimentos sistematizados. como as exigências da escola. na motivação extrínseca. porém. principalmente. do professor ou dos demais colegas. f) A aprendizagem escolar se vincula também com a motivação dos alunos. é.Outro aspecto fundamental da aprendizagem em relação ao meio social é a Linguagem. As formas de linguagem expressam as condições sociais e culturais de vida das pessoas (modalidades de relacionamento entre as pessoas. A Linguagem é o veículo para a formação e expressão dos nossos pensamentos. Esta concepção de aprendizagem escolar difere daquela na qual o Ensino é uma atividade unidirecional do professor. aluno como objeto da prática docente. A motivação é intrínseca quando se trata de objetivos internos. quando a ação do aluno é estimulada de fora. a fim de manter de pé o interesse. Também difere de outra concepção segundo a qual o Ensino consiste apenas na organização das experiências do aluno. a expectativa de benefícios sociais que o estudo pode trazer a estimulação da família. pela via da linguagem que os alunos podem assimilar os conhecimentos sistematizados. modos de pensar sobre o mundo e a vida etc. realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo. são extrínsecas. isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que indicam os objetivos que procuram. pelo processo de transmissão/assimilação ativa de conhecimentos. 47 Copyright © 2007. g) O trabalho docente é a atividade que dá unidade ao binômio ensino/aprendizagem.). a aspiração pelo conhecimento. Não é difícil compreender a importância da combinação entre a linguagem do professor e linguagem dos alunos. transferindo conhecimentos para a cabeça do aluno. Por outro lado.

conhecimentos que já dominam as motivações e expectativas.A inter-relação entre os dois momentos do processo de Ensino.supõe a confrontação entre os conteúdos sistematizados (trazidos pelo professor) e a experiência sociocultural concreta dos alunos. 48 Copyright © 2007. Transmissão e Assimilação Ativa . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a percepção que eles têm da matéria de ensino.

tem como resultado principal aquisição do saber escolar e o melhoramento progressivo das funções intelectuais. recreação. tendo em vista a preparação para a vida social e para o trabalho. não um aluno ideal. O Ensino. mas o benefício da sua responsabilidade direta é o Ensino.. e a Assimilação Ativa como atividade autônoma e independente do aluno. o Processo de Ensino é uma atividade de mediação pela qual são providas as condições e os meios para os alunos se tornarem sujeitos ativos. Deve transformar a matéria em desenvolvimentos significativos compreensíveis. mas inclui outras tarefas. saber empregar os métodos mais eficazes para ensinar. pelo qual se democratiza o Saber e se desenvolvem as Forças Intelectuais. “puxar” dos alunos os conhecimentos que eles já dominam e estimulá-los no desejo de conhecer a matéria nova.U NIDADE 10 Objetivo: Perceber através deste estudo os Fundamentos do Ensino e sua correlação com o ato: ensinar e aprender. é uma combinação adequada entre o Processo de Ensino. mas alunos concretos que ele tem à sua frente. assistência à saúde etc. 49 Copyright © 2007. Em outras palavras. na assimilação de conhecimentos. A aprendizagem que os alunos adquirem na escola. relacionamento social entre elas. Os alunos vão à escola para dominarem conhecimentos e habilidades e desenvolverem operações mentais. pelo estudo das matérias. explicar a matéria. pelo professor. Dinâmica do Processo de Ensino O Processo de Ensino abrange a assimilação de conhecimentos. saber detectar o nível da capacidade cognoscitiva dos alunos. assim. o professor deve: antecipar os objetivos de ensino. A Escola Pública pode oferecer muitos benefícios aos alunos: merenda. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Para assegurar a Assimilação Ativa.

c) Dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendizagem. o Ensino é condicionado por outros elementos situacionais do processo ensino-aprendizagem. está indissociavelmente ligado à vida social mais ampla. Seja pela melhoria das condições de vida. de forma que os alunos possam ter uma relação subjetiva com eles. Essa mediação significa tanto a explicitação dos objetivos de formação escolar. Além disso. seja pela luta conjunta para a transformação social. 50 Copyright © 2007. com suas características socioculturais. Um Pedagogo escreveu que ensinar é colocar a matéria no horizonte interrogativo do aluno. nesse sentido. os livros didáticos e o material escolar. b) Ajudar os alunos a conhecerem as suas possibilidades de aprender. com os conhecimentos e experiências que trazem para a sala de aula. tais como a organização do ambiente escolar. os mecanismos de gestão da escola. a unidade de propósitos do grupo de professores etc. Transmitir a matéria. o que se chama de Prática Social. indicar métodos de estudo e atividades que os levem a aprender de forma autônoma e independente. o Ensino exerce a mediação entre o indivíduo e a sociedade.O ensino tem três funções inseparáveis: a) Organizar os conteúdos para a sua transmissão. frente às exigências do contexto social. o conselho de pais. político e cultural de uma sociedade marcada pelo conflito de interesses entre os grupos sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . orientar suas dificuldades. nível de preparo para enfrentar a matéria nova. quanto o entendimento de que o domínio de conhecimentos e habilidades é um instrumento coadjuvante para a superação das condições de origem social dos alunos. Em sentido amplo. A atividade de ensino. é traduzir didaticamente a matéria para alunos determinados. o sistema de organização das classes. por outro lado.

o de dar um rumo definido para o Processo Educacional que se realiza na Escola. mas na relação com a Aprendizagem. O Ensino visa estimular. o papel de impulsionar à aprendizagem e. a precede. quando não suscita o desenvolvimento ativo dos alunos. muitas vezes. mobilizem suas energias. para compreendê-los e aplicá-los consciente e autonomamente. Esta atitude não faz parte do sentido que se tem dado ao papel de dirigente do professor. deve estabelecer exigências e expectativas que os alunos possam contribuir e. Ao contrário. dirigir. A Aprendizagem é a assimilação ativa de conhecimentos mentais. 51 Copyright © 2007. O Processo de Ensino. pois. incentivar. com o pretexto de que o professor somente deve facilitar a aprendizagem e não ensinar. ao contrário. Tem. com isso. O Ensino não existe por si mesmo. impulsionar o processo de aprendizagem dos alunos.A unidade entre ensino e aprendizagem Pode-se sintetizar dizendo que a relação entre Ensino e Aprendizagem não é mecânica.relação cognitiva entre aluno e matéria de estudo . A Aprendizagem é uma forma do conhecimento humano . é uma relação recíproca na qual se destacam o papel dirigente do professor e a atividade dos alunos. Daí. sua tarefa básica ser a seleção e organização do conteúdo de ensino e dos métodos apropriados a serem trabalhados. pois não leva a empenhar as atividades mentais dos alunos. quando o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria. não é uma simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende. Por outro lado. Conforme já estudado anteriormente. A unidade entre Ensino e Aprendizagem fica comprometida quando o Ensino se caracteriza pela memorização. também se quebra a unidade quando os alunos são deixados sozinhos.desenvolvendo-se sob as condições específicas do Processo de Ensino. ou seja. O Ensino tem a tarefa principal de assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos sistematizados legados pela humanidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em um processo organizado na sala de aula. o Ensino tem um caráter eminentemente pedagógico.

o Ensino e a Aprendizagem. a sua apropriação. O processo didático se explicita pela ação recíproca de três componentes: Os Conteúdos. fazendo a mediação escolar de objetivos sociopolíticos e pedagógicos. habilidades e atitudes dos alunos. que operam em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sociopolíticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação didática concreta (fatores sociais circundantes. Componentes e Dinâmicas do Processo de Ensino. conhecimentos. nível socioeconômico dos alunos. relações professor/aluno etc. portanto. Esses componentes formam uma unidade. o Ensino é inseparável das condições concretas de cada situação didática: o meio sociocultural em que se localiza a escola. subordinam-se ao conteúdo de cada matéria e ao mesmo tempo às características de aprendizagem dos alunos (conhecimentos e experiências que trazem suas expectativas. organização escolar.). cultural etc. etc. as atitudes do professor.Estrutura. implicam métodos. Os objetivos correspondem aos conteúdos (conhecimentos. Os métodos. as condições de vida. seu nível de preparo de desenvolvimento mental. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os materiais didáticos disponíveis. por sua vez orienta o trabalho docente tendo em vista a inserção e atuação dos alunos nas diversas esferas da vida social . habilidades. nenhum deles podendo ser considerado isoladamente. política. recursos materiais e didáticos.profissional.). por sua vez. seu nível de preparo para enfrentar a matéria. 52 Copyright © 2007. hábitos) e métodos. A Didática. Os conteúdos são selecionados de forma didaticamente assimilável. Além disso.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 53 Copyright © 2007.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES.

crenças. Tais influências se manifestam através de conhecimentos.U NIDADE 11 Objetivo: Desenvolver habilidades de compreensão e análise sobre a práxis educativa e social. ao assimilarem e recriarem essas influências. tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. em função de necessidades econômicas. modo de agir. pois os membros da sociedade são preparados para a participação na vida social. sociais e políticas da coletividade. experiências. valores. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade. Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos e estes. transformá-lo. a Educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. mas também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e. Prática Educativa e Sociedade O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos. Em sentido amplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação é um fenômeno social e universal. prepará-los para a participação ativa e transformadora. nos quais os indivíduos estão envolvidos de modo necessário e inevitável 54 Copyright © 2007. técnicas e costumes acumulados por muitas gerações. sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais. transmitidos. nas várias instâncias da vida social. assimilados e recriados pelas novas gerações.

no trabalho. São muitas as formas de Educação Intencional e. ou adultos em geral. e de Educação Formal que se 55 Copyright © 2007. ideias. Como é o caso de movimentos sociais organizados. Em sentido estrito. espontâneas. variam os meios. na comunidade. uma consciência por parte do educador quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir.pelo simples fato de existirem socialmente. etc. do computador. a prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica. Esses. atitudes. lugares e condições específicas prévias criadas deliberadamente para suscitar ideias. casuais. invisíveis atrás de um canal de televisão. embora influam na formação humana. a Educação ocorre em instituições específicas. técnicas. escolares ou não. conhecimentos. experiências. É o caso. conforme o objetivo pretendido. dos grupos de convivência humana. política e legal de uma sociedade. das relações humanas na família. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente. que não estão ligados especificamente a uma instituição e nem são intencionais e conscientes. não organizadas. o professor. por assim dizer. também denominadas de educação informal. deliberada e planificada. dos meios de comunicação de massa. Os estudos que tratam das diversas modalidades de educação costumam caracterizar as influências educativas como não intencionais e intencionais. Pode-se falar de Educação Não formal. por exemplo. valores. valores. embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais. do clima sociocultural da sociedade. Há métodos. Neste sentido. Tais influências. Há uma intencionalidade. comportamentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . das formas econômicas e políticas de organização da sociedade. correspondem a processos de aquisição de conhecimentos. São situações e experiências. muitas vezes. práticas. do cartaz de propaganda. etc. A Educação Intencional refere-se a influências em que há intenções e objetivos definidos conscientemente. do rádio. quando se trata de atividades educativas estruturadas fora do sistema escolar convencional. seja ele o pai. A Educação não intencional refere-se às influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. como é o caso da Educação Escolar e Extra-escolar.

Cumpre acentuar. Que significa a expressão "a educação é socialmente determinada"? Significa que a prática educativa. sistematização. determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação. que a Educação Escolar se destaca entre as demais formas de Educação Intencional. Desde o inicio da história da humanidade. O Processo Educativo. partidos. Com efeito. é a escolarização básica que possibilita aos indivíduos aproveitar e interpretar.realiza nas escolas ou outras agências de instrução e educação (igrejas. procedimentos didáticos. os indivíduos e grupos travavam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência. e com o peso cada vez maior de outras influências educativas. a prática educativa que ocorre em várias instâncias da sociedade – assim como os conhecimentos da vida cotidiana. as finalidades e meios da educação subordinam-se a estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais.é determinada por valores. Com efeito. sindicatos. É impossível. a Educação é um fenômeno social. com o progresso dos conhecimentos científicos e técnicos. no entanto. Assim. é sempre contextualizado social e politicamente. ou seja. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por ser suporte e requisito delas. há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências. implicando em ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos. políticas e ideológicas. consciente e criticamente. estão determinados por fins e exigências sociais. normas e particularidades da estrutura social a que está subordinada. na sociedade atual. os fatos políticos e econômicos etc. onde quer que se dê. . empresas). a participação efetiva dos indivíduos e grupos nas decisões que permeiam a sociedade sem a educação intencional e sistematizada provida pela educação escolar. e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente. Conforme foi dito. outras influências educativas. 56 Copyright © 2007. são socialmente determinados.

de modo a existir uma divisão das atividades entre os envolvidos no processo de trabalho. assim. Entretanto nas etapas seguintes da História da sociedade. à qual pertencem cerca de 70% da população brasileira. Com isso. A classe social proprietária dos meios de produção retira seus lucros da exploração do trabalho da classe trabalhadora. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . vão surgindo nas relações sociais a desigualdade econômica e de classes. que é ao mesmo tempo uma alienação espiritual. A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos trabalhadores.Essas relações vão passando por transformações. não apenas as condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos. Com efeito. os indivíduos têm igualdade usufruto do trabalho comum. ocupações. A desigualdade entre os homens. da satisfação de suas necessidades espirituais e culturais. uma divisão do trabalho conforme sexo. nem sempre houve uma distribuição por igual dos produtos do trabalho. criando novas necessidades. Nas formas primitivas de relações sociais. a classe social dominante retém os meios de produção material como 57 Copyright © 2007. também. especificamente. determina. que na origem é uma desigualdade econômica no seio das relações entre as classes sociais. é obrigada a trocar sua capacidade de trabalho por um salário que não cobre as suas necessidades vitais e fica privada. determina desigualdade social e consequências decisivas nas condições de vida da grande maioria da população trabalhadora. Na História da sociedade. idade. Esta. cada vez mais se acentua a distribuição desigual dos indivíduos em distintas atividades bem como do produto dessas atividades. tanto materiais quando espirituais. Este é o traço fundamental do sistema de organização das relações sociais em nossa sociedade. onde capitalistas e trabalhadores ocupam lugares opostos e antagônicos no processo de produção. novas formas de organização do trabalho e. fortemente marcadas pela divisão da sociedade em classes. As relações sociais no capitalismo são. mas também a diferenciação no acesso à Educação.

Além disso. o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. as agências de formação profissionais. O sistema educativo. etc. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . são as que se costumam denominar de ideologia. valores. pois lhes cabe escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser traduzida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessária à compreensão da realidade social e à atividade prática na profissão. capazes de participar nas lutas pela transformação social. práticas sobre a vida. Tais tarefas representam uma significativa contribuição para a formação de cidadãos ativos. onde ele deve assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades. ao seu modo. o sistema de relações sociais que caracteriza a sociedade capitalista. para atitudes conformistas. crítico e criativo. O campo específico de atuação profissional e política do professor é a Escola. Ao mesmo tempo em que cumpre objetivos e exigências da sociedade. incluindo as escolas. na política. desde a Educação Infantil a Universidade. o Ensino cria condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de 58 Copyright © 2007. tendendo a colocá-la a serviço dos seus interesses. as relações humanas. os meios de comunicação de massa. criativos e críticos. Portanto.) para justificar. de pensamento independente. as igrejas. a Educação que os trabalhadores recebem visa principalmente prepará-los para trabalho físico. valores e práticas apresentados pela minoria dominante como representativos dos interesses de todas as classes sociais. Tal como a Educação também o Ensino é determinado socialmente.também os meios de produção cultural e da sua difusão. devendo contentar-se com uma escolarização deficiente. a maioria dominante dispõe de meios de difundir a sua própria concepção de mundo (ideias. a responsabilidade dos professores é muito grande. nos movimentos sociais. conforme interesses de grupos e classes sociais que o constituem. é um meio privilegiado para o repasse dessa ideologia dominante. o trabalho. Assim. Tais ideias.

conhecimentos e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sociais. Sugestão: Para sua reflexão e tomada de postura educacional assista ao filme Sociedade dos Poetas Mortos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 59 Copyright © 2007.

que de pouco valem as formulações teórico-progressistas da Educação se não se encontrarem as formas de praticá-las. a Educação é uma ação que se desenvolve segundo a intenção específica de uma classe social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É na Didática que se encontra a possibilidade de fazer da Educação uma prática social (progressista ou conservadora). 60 Copyright © 2007. a possibilidade que tem a classe de "vanguarda" para exercer a hegemonia na sociedade. ou não. pois é através dos componentes didáticos da ação educativa que se passa. sendo própria de uma classe social e até da sociedade inteira.U NIDADE 12 Objetivo: Perceber a Dialética como influência na práxis de uma ação educadora social. e nisso está sua especificidade. Acredita-se. toda a área já está tratando de ação. Nesse pressuposto. é uma práxis social. Sendo a intenção específica. Educação como Dialética e Práxis Social Como práxis social. a práxis educativa cuida de realizar sua apropriação. Porém os aspectos mais práticos compõem a Didática. Sendo seu objeto o saber. Na Educação. ainda que não seja possível encontrarem-se estas formas sem aquelas formulações. é uma práxis. e a Didática vem trabalhar sobre a questão do método pelo qual se realiza a apropriação do saber pelas pessoas. a apropriação do saber é uma intenção específica da classe. A Pedagogia vem então trabalhar sobre a questão de como se realiza a apropriação do saber pela sociedade. portanto.

também. Ao entrar no espaço da sala de aula. através de suas crenças.O Espaço da Sala de Aula O espaço da sala de aula não se limita às quatro paredes que a cercam. ao resultado da ação pedagógica. com alguma apreensão sobre quem serão seus professores. expectativas vindas das famílias dos alunos em relação aos professores. recebe seus alunos. cruzam-se pessoas únicas e singulares que interagem por certo período de tempo. A Direção da Escola. a despeito da sua experiência. ao diretor. Nele se entrecruzam diferentes histórias de vida. também. no início do ano letivo cheio de expectativas. O espaço da sala de aula é. portanto. de respeito mútuo. professores e alunos estabelecem relações numa interação que pode ou não estar permeada pelo diálogo e compreensão. Dentro deste espaço podem ou não ocorrer relações cooperativas. projetos e desejos sobre a atuação de professores e alunos. entra na relação com o aluno impregnado de uma história de vida própria. Enfim. 61 Copyright © 2007. Também. Ele. O aluno chega à sala de aula cheio de expectativas e curiosidades e. um espaço de construção de conhecimentos e valores. de professores e alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O espaço da sala de aula é. portanto. neste espaço. o professor. É um espaço vivo. solidárias. uma experiência singular. também. Encontram-se ainda. está presente no espaço da sala de aula. um espaço de interação que oferece aos alunos oportunidades para uma relação pessoal com outros sujeitos que não os do seu círculo familiar. às formas de avaliação. no espaço da sala de aula. O espaço da sala de aula é um espaço pleno de tensões. ao se encontrarem pela primeira vez. nem se pode defini-lo por suas características físicas.

como todo ambiente vivo. Aprofundando estas reflexões consigo mesmo. 62 Copyright © 2007. psicomotor) dos alunos. famílias. de gênero. desafios. atualizando seus objetivos. socioafetivo. não deve se constituir em lugar de imobilismo. num tempo e espaço em constante transformação. que cada professor tenha a possibilidade de refletir sobre as suas convicções e desejos. É fundamental. de qualidade. intelectual. em qualquer etapa da Educação. É preciso defender e lutar por uma escola. autocrítica e autoavaliação. individualmente e/ou em equipe. hoje. A construção de relações afetuosas e mais humanas é o resultado de um esforço coletivo de alunos. os professores precisam descobrir respostas individuais para cada ambiente. portanto. com seus problemas. pois cada situação escolar é única.A transformação de um espaço de relações afetuosas e harmônicas Reverter os altos índices de evasão e repetência na escola. para todos. pressupõe constantes transformações e correções de rota. comprometida com o desenvolvimento pleno (físico. Todos precisam estar preparados e disponíveis para se avaliarem e a seus papéis. O espaço da sala de aula. para cada aluno. sempre. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . interpretar e transformar o meio ambiente. Lugar onde se cruzam diferenças étnicas. As dificuldades só podem ser vencidas com alianças e cumplicidade de todos os envolvidos no ambiente escolar que. e com o seu grupo de alunos. impasses e vitórias. professores. da cultura e das linguagens. Se a busca é uma Educação mais abrangente. visando. afetos. escrever. é um lugar em que são compartilhadas emoções. na sua tarefa de ensinar a ler. que os expressam. buscando o sucesso. discutindo alternativas. calcular. a melhoria da qualidade de vida na instituição educacional. funcionários e direção. que é contínuo e infinito. é o desafio da Educação. nem descrença. relacionando-os à sua prática escolar. Este processo. com uma identidade própria. o mundo do trabalho. o professor irá descobrir algumas de suas próprias respostas.

Mas em todas as classes há um tipo de atitude que predomina! PERRENOUD. sociais.A comunicação na sala de aula: onze dilemas. 2001. Texto. levando todos a um convívio solidário é um dos desafios da Educação. Ensinar: agir na urgência. Nem todos os alunos têm o mesmo comportamento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 63 Copyright © 2007. Artmed. como maturidade dos alunos. Sinta o pulso e planeje A interação entre classe e professor tem características muito próprias. tamanho da turma e uma soma de características que se pode chamar de personalidade da classe. Harmonizar as diferenças dentro deste espaço. decidir na incerteza. Dependem de vários fatores. Philippe. Porto Alegre. seu grau de informação.culturais.

implicaram o uso da linha tecnicista em todos os setores do Ensino no Brasil. em suas diversas tendências. surge a necessidade da indagação: Por que nas relações do trabalho educativo. As reformas e inovações que se processaram no Brasil. após a Reforma do Ensino Superior em 1968. A Teoria Funcionalista propugna que a Educação contribui diretamente para o crescimento e desenvolvimento econômico dos países. de acordo com as necessidades da produção. O Processo de Ensino-aprendizagem e seus Componentes Fundamentais Da análise conjunta das informações disponibilizadas por professores e alunos. Analisando-se as tendências teórico-metodológicas que embasam os diferentes processos da prática pedagógica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Segundo o Funcionalismo. como principal finalidade. constitui uma das tendências importantes de explicação das principais razões pelas quais os governos decidiram destinar (ou não) montantes significativos de verbas a esse setor. 64 Copyright © 2007. a Educação tem.U NIDADE 13 Objetivo: Compreender os aspectos da prática no cotidiano escolar e sua relação com o processo ensino aprendizagem. A Escola e as Universidades convertem-se em agências provedoras de recursos humanos para o mercado de trabalho. que impulsionam os estudiosos a buscar novas alternativas para a prática educativa. servir de mecanismo social de acumulação e transmissão de conhecimentos. podem-se distinguir duas grandes correntes de interpretação do pensamento social em Educação: o Funcionalismo e as teorias do Conflito. permeiam tantos antagonismos. tantas contradições entre a teoria e a prática docente? É a identificação das contradições do processo de ensino. das relações que o permeiam e do movimento que está por trás de suas representações aparentes.

a necessidade da inter-relação entre o objeto e o método de conhecimento. Deve ser capaz. sociopolítica. por meio do micro ensino. como um dos promotores do processo de mudança. apesar de reconhecerem esse caráter de reprodução atribuem à Educação à possibilidade de ser um espaço de transformação social. a Educação constitui uma das instâncias de reprodução social da força de trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Daí. Alguns teóricos. Nessa abordagem. com o fim de aumentar a eficiência do processo ensinoaprendizagem. Privilegia-se a utilização de técnicas. instrumentos e meios educativos. buscando a indissociabilidade entre conteúdos e método. de planejar atividades individualizadas e desenvolver a aprendizagem. ao mesmo tempo.Como se pode inferir. da docência. relacionados com sua matéria. tais como a contextualização histórica. os programas de Ensino Tecnicista concebem o professor como um elemento a mais entre outros meios de transmissão de conhecimento e. assim. o conteúdo do método. para desenvolver com êxito as aulas expositivas. ainda. Já para as teorias do conflito. e para distanciar a problemática didática das questões pedagógicas. enraizados numa tecnologia supostamente neutra. econômica e cultural do professor. Deve ser treinado nas habilidades técnicas. entre a matéria de ensino e o 65 Copyright © 2007. esses programas tecnicistas. Proclama-se a exigência do trabalho docente se vincular as ações do ensino cujos marcos teóricos permitam uma compreensão sólida e global do processo educativo. históricas e sociais. da divisão das classes sociais e é inculcadora da ideologia da classe dominante. destacam-se alguns princípios comuns à prática universitária. conhecer a metodologia apropriada para desenhar e avaliar os objetivos de seu curso em termos de taxonomias. Ou seja. da implementação de novas técnicas e da solução de problemas específicos. segundo diferentes princípios da Psicologia. contribuíram para dissociar a teoria da prática. O professor é o eixo fundamental do desenvolvimento de novos sistemas de instrução. no entanto. inserido na realidade social. dos conteúdos da relação professor/aluno e dos processos de ensinoaprendizagem. O docente deve.

As teorias do Conflito têm avançado. iniciativas. de modo a ultrapassar o nível empírico. e a situação de trabalho docente. Assinala Martins (1985) que. com a organização dos trabalhadores. Isto é. teórico. com programas de desenvolvimento comunitário. e com inovações educativas produzidas graças aos movimentos de organização popular e aos movimentos de resistência ao sistema social. (Re)inventar a prática. os professores começam a apresentar certas proposições. Pode-se dizer que a mesma situação que destituiu o professor do controle de processo e do produto de seu trabalho. ou seja. tendo em vista o seu aluno e fugindo do modelo imposto. tornando-o simples executor de tarefas. Tudo isso só será possível se estabelecer um vínculo que intente cobrir os aspectos epistemológico. evidenciam a contradição da prática educativa do Ensino. junto com experiências de planejamento participativo na formação de adultos. pelas contradições que experimenta entre aquilo que se espera de um professor. o professor . Em última análise. gera o seu contrário. e aprofundar a análise das 66 Copyright © 2007. numa perspectiva de ação crítica e compromissada politicamente.pressionado pela resistência dos seus alunos. Essas teorias do conflito explicam o porquê dos depoimentos de professores e alunos mencionados anteriormente e.conteúdo pedagógico e didático e ainda. atividades práticas. o educador está-se formando nesse mesmo processo e construindo um novo processo educativo. Compreender esse movimento instaura uma nova postura em face da prática. gera uma "Didática Prática". Ao gerar essa "Didática Prática". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .busca alternativas e cria novas situações. novos procedimentos didáticos. metodológico e instrumental da formação do professor o que constitui em uma mudança no Ensino Superior. supõe a compreensão dessa prática no nível de totalidade. Perceber essa contradição é perceber o movimento histórico da direção política da referida prática. buscar seus determinantes. a eliminação de ações puramente técnicas e instrumentais.

A fim de gerar uma nova ação educativa que faça mediação entre a prática individual e a social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .determinações históricas e sociais. 67 Copyright © 2007.

vai dando sentido ao conteúdo. reflitam e sistematizam coletivamente esse novo processo de trabalhar a prática. conforme as estudam Saviani.reflexão – ação.  Parte para refazer sua prática de modo qualitativamente diferente. de tal modo que os agentes vivenciam a descrição e a análise. o professor vivencia um processo de produção de conhecimento. Altera-se o processo na própria prática. tomando como referência as teorias pedagógicas. tornando-se mais senhor dos processos de organização e de controle do trabalho docente. no qual ele:   Descreve a sua prática de modo empírico. no nível de totalidade.  Busca entender o movimento contraditório que permeia essa referida prática. O Professor e a Sua Vivência no Processo de Produção de Conhecimento Um dos pontos-chave da nova prática pedagógica visa resgatar o controle do processo de ensino rompendo com o eixo de transmissão .U NIDADE 14 Objetivo: Analisar sua prática e buscar ações capazes de promover reflexões e paradigmas sociais. tendo como ponto de partida e ponto de chegada a prática social. Explica essa prática. 68 Copyright © 2007. Gadotti e outros. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em suas múltiplas relações sociais. para assumir o eixo da ação . Libâneo. Na investigação da prática pedagógica. de forma coletiva e mais consciente. caracterizado pela busca da unidade entre a teoria e a prática. porque já entende os espaços e as brechas em que a estrutura lhe permite agir criticamente. A forma vai-se definindo.assimilação.

no nível individual. Mas esta mudança não tem sentido individualmente. isto é:  Aproximar-se do objeto de estudo. 69 Copyright © 2007. e caminham nas pistas que brotam do cotidiano. No nível do coletivo. Pois. em face da sua própria prática precisa inquirir analisar. e precisa mais ainda. com os agentes que atuam nela. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que já tem todo um protocolo legal que a relaciona junto com as normas legais. o professor atua numa escola.Na perspectiva dialética.  Ir (re)organizando o objeto de investigação constituído pelas múltiplas relações. visando a produzir uma síntese criadora de referido objeto. nesses espaços de organização. toda forma de conhecimento e de atividade prática supõe uma marcha comum. O professor tem que observar o povo se organizando nas mais diferentes modalidades. o professor. visando a produzir e construir novas relações sociais que as sociedades vão costurando a sua unidade com a prática social. como com as organizacionais (trabalha dentro de regras rígidas do trabalho . levam o professor inovador ou ao abandono da carreira ou a acomodar-se aos padrões tradicionais.racionalidade eficiência). problematizar o seu trabalho. considerando-o como um conjunto de relações em que tudo muda e está inter-relacionado. para ressaltar diferentes facetas e estudar seus elementos. com o correr dos semestres.  Aprofundar-se na análise do objeto ou da atividade vivida. as inúmeras aulas e decepções. e constituinte delas a partir de análises de sínteses provisórias. como com as do mercado de trabalho que vai receber o seu aluno. historicizar no tempo e situar-se no espaço. Assim. E entender que: São nas lutas coletivas. nas suas relações globais com a estrutura.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . porque é um aprender a compartilhar os problemas de uma luta por uma proposta diferente e descobrir a força de caminhar juntos. Agir na urgência. de transformar o real. é preciso refazer a caminhada. PERRENOUD. pode-se concluir que a metodologia de análise crítica supõe e reafirma que:  Professor que aprende a partir da prática apropria-se do saber e da técnica de organizar o trabalho docente com maior consistência lógica e compreensão crítica. Porto Alegre: Artmed. nesse aprender sente-se afeto. Assim. para se refazer o caminho. prazer. na busca daqueles pontos dessa mesma caminhada que entram em conflito com a realidade em movimento. o que significa a criação de um novo espaço educativo. 2001. constituído da ação participativa e comprometida de alunos e professores com uma nova ordem no trabalho docente. SUGESTÃO DE LEITURA.  A elaboração de uma proposta alternativa de metodologia já traz em seu bojo o germe de sua própria negação e de uma nova afirmação. Considerando-se o exposto. 70 Copyright © 2007. leitura essa que deve tornar as pessoas capazes de avaliar e criar. Ao mesmo tempo.Aprender é realizar coletivamente uma leitura crítica da realidade. Philippe. Dez não ditos ou a face oculta da profissão de professor. Tema.  A socialização de experiências de trabalho exige novas condições de prática escolar. Ensinar. decidir na incerteza.

que afetam as decisões didáticas. vincula-se a determinantes econômico e socioculturais a objetivos e formas estabelecidos. Portanto. tradicionalmente se consideram como componentes da ação didática: a matéria. De fato. Cada situação didática. Componentes do Processo Didático e do Processo de Ensino Quem circula pelos corredores de uma escola. por mais simples que possa parecer à primeira vista é uma atividade complexa: Envolve tanto condições externas como condições internas das situações didáticas. o professor e o aluno ocorrem relações recíprocas. Internamente. implicando relações bem mais abrangentes. acentuando mais um ou outro. o quadro que observa é o professor frente a uma turma de alunos. mas a ideia corrente é a de que o professor transmite a matéria ao aluno. o professor. o Ensino. sentados ordenadamente ou realizando uma tarefa em grupo. a inter-relação entre professor e alunos não se reduz à sala de aula. Quais sejam: 71 Copyright © 2007. para “aprender” uma matéria. com o objetivo de apropriar-se dela com a mediação do professor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os alunos. porém. Entretanto. mas essa atuação depende das condições internas dos alunos alterando o modo de lidar com a matéria.U NIDADE 15 Objetivo: Organizar as ações didáticas a partir dos conhecimentos envolvidos no processo didático e pedagógico. O professor tem propósitos definidos no sentido de assegurar o encontro direto do aluno com a matéria. a ação didática se refere à relação entre o aluno e a matéria. Conhecer essas condições e lidar acertadamente com elas é uma das tarefas básicas do professor para a condução do trabalho docente. Pode-se combinar estes componentes. Entre a matéria. conforme interesses da sociedade e seus grupos.

orientado para a confrontação ativa do aluno com a matéria sob a mediação do professor. Nada disso existe isoladamente do contexto econômico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde reina a paz e a harmonia. da sua satisfação profissional em trabalhar com alunos etc. aluno. os objetivos educativos da escola e dos professores. Escola. O aluno.  As teorias da educação e as práticas pedagógicas. assim. tem uma determinada idade. pode-se identificar entre os seus elementos constitutivos: os conteúdos das matérias que devem ser assimilados pelos alunos de um determinado grau. membro de sindicato. as modalidades de comunicação docente. não existe apenas como aluno. pois o que acontece com cada pessoa tem relação com o que acontece na sociedade. de partido político. filho. Considere-se. das características da sua vida familiar. a relação professor-aluno. Tudo isto. mas amplo e que afetam as condições reais em que se realizam o ensino e a aprendizagem. ou de um grupo religioso. há antagonismo e interesses distintos entre grupos e classes sociais que se refletem nas finalidades e nos papéis atribuídos à escola. os conteúdos escolares. A sociedade não é um todo homogêneo. Faz parte de um grupo social. social e cultural. É branco. também. pertence a uma família que vive em determinadas condições de vida e de trabalho. não é só uma questão de traços individuais do professor. do seu preparo profissional. ao trabalho do professor e dos alunos.  A eficácia do trabalho docente depende da filosofia de vida do professor e de suas convicções políticas. Ao contrário. Esses contextos se referem uns ao outros e afetam a atividade prática do professor. professor. negro. pai. ele participa de outros contextos de relações sociais onde é. da sua personalidade. que o processo didático está centrado na relação fundamental entre o ensino e a aprendizagem. aluno. por sua vez. possui uma linguagem para expressar-se conforme o meio em que vive tem valores e aspirações condicionados pela sua prática de vida etc.  Professor não é apenas professor. do salário que recebe. pais estão inseridos na dinâmica das relações sociais. entretanto. Com isso. a ação de ensinar em que o professor atua como mediador entre o 72 Copyright © 2007.

também. tais como objetivos e exigências postos pela sociedade e seus grupos e classes. Haveria uma contradição entre essa ideia de um ensino estruturado e dirigido e a atividade e independência de pensamento do aluno como sujeito ativo da aprendizagem? Muito se tem discutido sobre os fatores e as condições que asseguram o bom ensino e resultados satisfatórios de aprendizagem dos alunos. pedagógicas. o domínio pelos alunos de conhecimentos. dirige. a articulação entre estes depende da avaliação das condições concretas implicadas no ensino. Desse modo. habilidades e hábitos e o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. desenvolve-se mediante a ação recíproca dos componentes fundamentais do ensino: os objetivos da educação e da instrução. os métodos. o ensino. Além disso. Muitas pessoas afirmam que o 73 Copyright © 2007. o Ensino é um processo social. O processo de ensino é impulsionado por fatores ou condições específicas já existentes ou que cabe ao professor criar. isto é. frente às quais se formulam objetivos conteúdos e métodos conforme opções assumidas pelo educador. integrante de múltiplos processos sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O processo didático. os conceitos fundamentais que formam base de estudos da Didática. as formas e meios de organização das condições da situação didática. Entre outras palavras. a relação cognitiva entre o aluno e a matéria de estudo. controla e avalia o ensino com endereço certo: a aprendizagem ativa do aluno. assim. éticas. cuja realização está na dependência de condições. os objetivos gerais e específicos são não só um dos componentes do processo didático. os conteúdos. a avaliação. a aprendizagem. nos quais estão implicadas dimensões políticas. mas também determinantes das relações entre os demais componentes. ideológicas. a ação de aprender em que o aluno assimila consciente e ativamente as matérias e desenvolve sua capacidade e habilidades. organiza. a fim de atingir os objetivos escolares.aluno e as matérias. Esses são. O professor planeja. Sejam aquelas que o educador já encontra sejam as que ele precisa transformar ou criar.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao mesmo tempo. esses fatores não podem ser considerados isoladamente. a detectar as dificuldades enfrentadas pelos alunos na assimilação ativa dos conteúdos e a encontrar os procedimentos para que eles próprios superem tais dificuldades e progridam no desenvolvimento intelectual. Há. de: objetivos. no seu domínio do conteúdo. A força motriz do processo de ensino. As dificuldades ou impasses que o aluno encontra no enfrentamento da matéria de estudo expressam a contradição entre as tarefas colocadas pelo professor (conteúdos. leva a uma lógica do processo didático que consiste na colocação. ainda. O professor. pelo professor. exercícios etc. bem como suas atitudes frente ao estudo.) e seu nível de conhecimentos. na dinâmica do processo de ensino é a relação contraditória entre as exigências do processo didático e o trabalho ativo e mental dos alunos. de fato. na aprendizagem. desencadeada por essa contradição básica. Outras entendem que bons métodos e técnicas seriam suficientes. Mas é uma contradição que pode ser superada didaticamente. Entretanto. Quando se diz que o Processo de Ensino consiste. na medida em que o Ensino não ignore as exigências da autoatividade do aluno. significativos e compreensíveis para os alunos.principal papel está no Professor. é responsável pelas tarefas de ensino. O fator predominante. de desenvolvimento mental. mas tudo isso é feito para encaminhar o estudo ativo dos alunos. Não se trata de uma tarefa fácil. de modo que estes possam mobilizar suas capacidades físicas e intelectuais para assimilação consciente e ativa dos conhecimentos. conteúdos. 74 Copyright © 2007. A contribuição mais importante da Didática é precisamente ajudar a resolver a contradição entre o ensino e a aprendizagem. passa-se uma contradição. as que encontram esse fator no atendimento das necessidades e interesses espontâneos das crianças. na condução do estudo e na autoatividade do aluno. dificuldades que sejam instigantes. suas explicações sobre a matéria e no seu traquejo em conduzir a classe. problemas. problemas. pois.

atividade e exercícios devem estar em correspondência com as condições prévias dos alunos (capacidades. trata-se de: verificar previamente um nível de conhecimentos já alcançados por eles e sua capacidade potencial de assimilação. Tomar consciência significa colocar a dificuldade como um desafio vencido. então.Em outras palavras. Pode-se dizer. que o essencial do processo didático é coordenar o movimento de vaivém entre o trabalho produzido pelo professor e a percepção e o raciocínio dos alunos frente a esse trabalho. suscitando e mobilizando a sua atividade. 75 Copyright © 2007. A primeira condição é dos alunos tomarem consciência das dificuldades que aparecem quando se defrontam com um conhecimento novo que não dominam. de modo que o professor saiba qual dificuldade (desafio. experiências. a fim de avançar na aprendizagem. a força motriz fundamental do processo didático é a contradição entre as exigências de domínio do saber sistematizado e o nível de conhecimento. não é suficiente passar os conteúdos ou colocar problemas. organizar as atividades de assimilação e chegar gradativamente à sistematização e aplicação dos conhecimentos e habilidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Para que essa contradição se converta em força desencadeadora da atividade dos alunos. Em decorrência disso. frente a um conjunto de conhecimento e habilidades. atitudes e características sócio-culturais e individuais dos alunos. problema) apresentar e como trabalhá-la didaticamente. Entre outras palavras. a serem necessariamente dominados pelos alunos. A terceira condição é a correspondência entre as exigências do ensino e a condição prévia dos alunos seja prevista no planejamento. isto quer dizer que o nível e o volume de conhecimentos. É preciso colocá-los de modo que se convertam em problemas e desafios para o aluno. são necessárias certas condições.). A segunda condição é a sensibilidade das tarefas cognoscitivas postas pelo professor. nível de preparo etc.

Administração Ciências. sequência e inter-relação dos momentos do processo de ensino. Toda atividade humana implica um modo de ser realizada. etc. História. Filosofia.U NIDADE 16 Objetivo: Desenvolver uma prática pedagógica estruturada em objetivos individuais e sociais. tendo em vista a assimilação consciente e sólida de conhecimentos. Matemática. Sociologia. habilidades e hábitos pelos alunos e. A estruturação da aula é a organização. formas e procedimentos de docência e aprendizagem. Língua Portuguesa. como algo externo e isolado que não mobiliza a atividade mental dos alunos. sob a direção do professor. uma sequência de atos sucessivos e inter-relacionados para atingir seu objetivo. A Didática. a organização da situação de ensino. A estruturação da aula deve refletir o entendimento sobre o Processo de Ensino: um trabalho ativo e conjunto do professor e dos alunos. os métodos. 76 Copyright © 2007. por esse mesmo processo. os seguintes elementos: os movimentos (ou passos) do processo de ensino no decorrer de uma aula ou unidade didática. prova). visando uma aprendizagem interativa. o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. O trabalho docente é uma atividade intencional. planejada conscientemente visando atingir objetivos de aprendizagem. A metodologia do trabalho docente inclui. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . disciplina que estuda as tarefas da instrução e do ensino. Por isso precisa ser estruturado e ordenado. os materiais didáticos e as técnicas de ensino. A Estrutura do Trabalho Docente Boa parte dos professores entende o trabalho docente como manter o ensino preso à sequência da matéria (exposição verbal. cuida de extrair dos diversos campos de conhecimento humano (por exemplo. exercícios. pelo menos.) aqueles conhecimentos e habilidades que devem constituir o saber educativo para fins de ensino.

Para isso, é fundamental ter em conta o campo de conhecimentos de cada matéria e seus métodos de investigação e estudo. No entanto a lógica da matéria de estudo é insuficiente para determinar a estruturação do ensino, sendo necessário recorrer à Didática, que investiga os elementos do processo de ensino comuns a todas as matérias. A estruturação do trabalho docente tem uma ligação estreita com a metodologia específica das matérias, porém não se identifica com ela tendo em conta: o grau escolar, as idades dos alunos, as características do desenvolvimento mental, as especificidades de conteúdo e metodologia das matérias. Mas podem indicar cinco momentos da metodologia do ensino na aula, articulados entre si: 1. Orientação inicial dos objetivos de ensino e aprendizagem - O professor procura incentivar os alunos no estudo da matéria, colocando - os objetivos e os resultados que devem ser conseguidos. Estimula nos alunos o desejo de dominar um novo conhecimento para novos progressos, indica as habilidades que podem ser aprendidas para a aplicação dos conhecimentos na prática. Para isso usa de vários procedimentos: põe um problema, conversa com os alunos, incita sua curiosidade, analisa exercícios já resolvidos, enlaça os conhecimentos anteriores com a matéria nova, usa ilustrações, pede uma redação rápida, dá breves exercícios que indicam o tipo de assunto que será estudado etc. 2. Transmissão / Assimilação da matéria nova - Uma vez suscitada à atenção e a atividade mental dos alunos, é o momento destes se familiarizarem com a matéria que vão estudar. Dependendo do grau de proximidade que têm em relação ao assunto novo e do nível de pré-requisitos, o primeiro contato com a matéria deve fazer-se, havendo condições objetivas, pela observação direta e trabalhos práticos. O objetivo desta fase é que os alunos formem ideias claras sobre o assunto e vão juntando elementos para a compreensão. Aqui é imprescindível que haja uma permanente ligação com o que o aluno já sabe uma aproximação dos conteúdos com experiência de vida, estimulação do

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pensamento dos alunos para que expressem os resultados da sua observação e de sua experiência. Não faz sentido à observação, experimentos, os exercícios, etc., se não mobilizam a atividade pensante dos alunos. É pelo exercício de pensamento, sempre com a ajuda do professor, que os alunos vão progredindo na formação de conceitos e no desenvolvimento das suas capacidades cognoscitivas. A percepção ativa e compreensão da matéria possibilitam, assim, ao aluno operar mentalmente com os conhecimentos. Para isso, é necessário: o "amarramento" do estudo por meio da sistematização, sínteses e lançamentos entre os assuntos. Esta organização dos conhecimentos tem várias funções: reprodução dos conhecimentos e habilidades em exercícios de fixação, produção de conhecimentos na aplicação em situações novas, recordação, consolidação. 3. Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e hábitos - No processo de percepção e compreensão da matéria já vai ocorrendo a assimilação de conhecimentos; mas para que se tornem instrumentos do pensamento independente e da atividade mental é necessária a consolidação e o aprimoramento. Isto se obtém principalmente pelos exercícios práticos, onde são aplicados conhecimentos e habilidades e se cumprem os objetivos de ensino estabelecidos. Isso quer dizer que os exercícios cumprem um papel muito mais amplo do que o de simples treinamento ou memorização de regras, definições e fórmulas. 4. Aplicação de conhecimentos, habilidades e hábitos - Os exercícios práticos não determinam que ocorreu a aprendizagem, o coroamento do processo de ensino se dá quando os alunos, independentemente, utilizar os conhecimentos em situações diferentes daquelas anteriormente trabalhadas. Aqui a assimilação dos conhecimentos deve ser comprovada mediante tarefas que se liguem à vida, que estimulem capacidades de análise, síntese, crítica, comparação, generalização.

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5. Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades - A verificação e avaliação dos resultados da aprendizagem ocorrem em todos os momentos do processo de ensino. Na etapa de orientação inicial, no tratamento da matéria nova, na consolidação e aplicação dos conteúdos, o professor está sempre colhendo informações e avaliando o progresso mental dos alunos. As exigências da prática escolar, entretanto, requerem um momento especial de comprovação dos resultados obtidos. Assim, uma avaliação final deve ser a oportunidade de verificar o nível de assimilação conseguido pelos alunos, a qualidade do material assimilado, bem como o progresso obtido no desenvolvimento das capacidades cognoscitivas.

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o sentimento de solidariedade e do bem coletivo. no convívio social e no mundo do trabalho O caráter educativo do ensino está relacionado com os objetivos do ensino crítico. o professor deve ter em mente a formação intelectual dos alunos. forneceram as bases teóricas para uma Didática crítica e social. afetivo e profissional. Assim. mas. políticas e pedagógicas da Educação. os vínculos dos princípios. Como resultado do trabalho escolar. A unidade instrução/educação se reflete. O Caráter Educativo do Processo de Ensino e o Ensino Crítico O Processo de Ensino é um processo de Educação. a dedicação aos estudos. 80 Copyright © 2007.. mostrando a ligação da Didática com a Pedagogia. assim. a força de vontade etc. os alunos vão formando o senso de observação. isto é. condições e meios de direção e organização do ensino com as finalidades sociais. a capacidade de exame objetivo e crítico de fatos e fenômenos da natureza e das relações sociais. na formação de atitudes e convicções frente à realidade da vida. habilidades de expressão verbal e escrita etc.U NIDADE 17 Objetivo: Desenvolver postura crítica dentro do processo de ensino aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . comprova-se que não há como especificar objetivos imediatos do processo de ensino fora de uma concepção de mundo. Portanto. Os estudos dos capítulos anteriores. vão desenvolvendo o senso de responsabilidade. de métodos de investigação da realidade e de uma concepção determinada de práxis pedagógica. justamente por ser ensino. É claro que o processo didático se refere ao ensino das matérias. a partir da apropriação das leituras realizadas nesta unidade. a ele se sobrepõem objetivos e tarefas mais amplos determinados social e pedagogicamente. mas também nos aspectos: moral. a firmeza de caráter. no desempenho da sua profissão. não somente no aspecto escolar.

a fim de que desenvolvam o pensamento independente. formam-se atitudes e disciplina intelectual. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no decurso das quais se formam processos mentais.Fala-se em ensino crítico quando as tarefas de ensino e aprendizagem. em face de problemas da realidade social disciplinado pela razão científica. É preciso antes de tudo. ao professor crítico. Princípios orientadores da atividade prática humana frente a problemas desafios da realidade social. conteúdos e métodos escolhidos e organizados mediante determinada postura frente ao contexto das relações sociais vigentes na prática social. em outras palavras. na condição de agentes ativos na transformação das relações sociais. ganhem convicções pessoais e meios de ação prática nos processos de participação democrática na sociedade. Mas o ensino crítico. que dê conta de traduzir esses objetivos em formas concretas de trabalho docente que levem ao domínio sólido e duradouro de conhecimentos pelos alunos. expressão do caráter educativo do Ensino. são encaminhadas no sentido de formar convicções. Ou. é nesse processo que se vai formando a consciência crítica. que esteja engajado num sindicato ou partido ou que explicite o caráter ideológico dos conteúdos escolares. que se desdobra em fases didáticas coordenadas entre si que vão do conhecimento dos conceitos científicos ao exercício do pensamento crítico. dentro do processo de ensino. desenvolve-se a imaginação. a coragem de duvidar e. que não é outra coisa que o pensamento independente e criativo. É engendrado no processo de ensino. no entanto. não possui fórmulas miraculosas que se distingam daquilo que é básico na conceituação do processo de ensino. Que promovam a ampliação de suas capacidades mentais. Isso significa que. 81 Copyright © 2007. não basta que denuncie as injustiças sociais. na sua especificidade. Ele se realiza. O Ensino é crítico porque implica em objetivos sociais. políticos e pedagógicos. com isso. quando a aquisição de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento das capacidades intelectuais propiciam a formação da consciência crítica dos alunos.

meios culturais para se buscar respostas criativas a problemas postos pela realidade.Nessas condições. os conteúdos deixam de ser apenas matérias a serem repassadas da cabeça do professor para a cabeça dos alunos. antes são meios de formar a independência de pensamento e de crítica. por isso mesmo podem ser questionados. Na medida em que os conteúdos se articulam ao desenvolvimento de capacidades e habilidades mentais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em função de valores e critérios de julgamento em que se acredita. confrontados com a realidade física e social. 82 Copyright © 2007. reelaborados.

As teorias de conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . emocional. Não se trata de mera justaposição das referidas dimensões. Apesar. a relação interpessoal é o centro e a dimensão humana passa a ser o núcleo do processo ensino-aprendizagem. devem ser analisadas. da aceitação de suas múltiplas implicações e relações. por exemplo. se não em sua totalidade. apesar de muitas variações e 83 Copyright © 2007. em que são baseadas as escolas psicológicas e de onde provêm as tomadas de posições. Nele estão presentes tanto as dimensões humanas quanto a: técnica. sociopolítica e cultural. De acordo com determinada teoria/proposta ou abordagem do processo ensinoaprendizagem privilegia-se um ou outro aspecto do fenômeno educacional. de constituírem formas de reducionismo. histórico e multidimensional. que permitem explicá-lo. mensuráveis e controláveis do processo são enfatizados. Diferentes formas de aproximação do fenômeno educativo podem ser consideradas como mediações historicamente possíveis. sim. ou seja. por isto.U NIDADE 18 Objetivo: Compreender a importância do estudo das tendências teórico metodológicas para uma ação educativa libertadora. Tendências Teóricas. Por sua própria natureza. se verificam vários tipos de reducionismo: numa abordagem Humanista. contextualizadas e discutidas criticamente. já em uma abordagem Comportamentalista. É um fenômeno humano. estas propostas são explicativas de determinados aspectos do processo ensino-aprendizagem. mas. Metodológicas e de Ensino: as abordagens do processo Há várias formas de se conceber o fenômeno educativo. podem ser consideradas. não é uma realidade acabada que se dá a conhecer de forma única e precisa. os aspectos objetivos. em detrimento dos demais. Dessa forma. cognitiva. a dimensão técnica é privilegiada. pelo menos em alguns de seus aspectos. não podendo ser desconsideradas. no entanto.

onde todo conhecimento fica reduzido a uma aquisição exógena. a partir de experiências. sociológica. verbalizações ou recursos e materiais audiovisuais que são simplesmente transmitidos. Do ponto de vista Pedagógico. de acordo com três características: primado do sujeito. do meio. portanto ênfase na importância do objeto. deriva de uma tomada de posição epistemológica em relação ao sujeito do meio. Do ponto de vista pedagógico. para as quais toda estimulação sensorial é canalizada. sendo o conhecimento uma cópia de algo dado no mundo externo. 84 Copyright © 2007. em grande parte. Há. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O conhecimento é uma "descoberta" e é novo para o indivíduo que a faz. psicológica etc. quer seja biológica.combinações possíveis. O Nativismo. incluindo-se tanto as tendências que advogam um pré-formismo absoluto quanto àquelas que admitem um processo de atualização. resulta de uma relação sujeito/ambiente. Enquanto no primeiro caso nota-se ênfase numa pré-formação exógena do conhecimento. Ocorre ênfase na importância do sujeito. voltada para o que Piaget denominou de “exercício de uma razão já pré-fabricada". a ênfase encontrada é numa pré-formação endógena. essa posição é orientada por um associacionismo empirista. Apriorismo ou Inatismo (primado do sujeito) afirma que as formas de conhecimento estão predeterminadas no sujeito. primado do objeto e interação sujeito/objeto. a preocupação estaria. Não há construção de novas realidades. quer se leve em conta o indivíduo como uma "tábua rasa". O que foi descoberto já se encontrava presente na realidade exterior. Os empiristas (primado do objeto) consideram o organismo sujeito às contingências do meio. no segundo. Toda interpretação do fenômeno vital. isto é. categorias de conhecimento "já prontas". quer não se seja tão ortodoxo e se admita a maturação de alguma atividade cognitiva.. Atribuem-se ao sujeito. ao organismo humano.

quer se apresente como um processo caracterizado pelo Construtivismo Sequencial. o que. por exemplo. mas um desenvolvimento contínuo de elaborações sucessivas que implicam a interação de ambas as posições. conhecimento. Subjacente a esta ação. etc. sociedade. das crianças. 85 Copyright © 2007. Em decorrência disso. desvinculado de um engajamento contextual de qualquer espécie. enfatizam os momentos sociopolíticos e econômicos. Incluem-se aqui as tendências em que este Interacionismo aparece quer na modalidade Apriorística da "Gestalt". condiciona conceitos diversos de homem. espontâneas ou não. O conhecimento humano. que não existiam anteriormente no indivíduo.Do ponto de vista Interacionista (interação sujeito/objeto) o conhecimento é considerado como uma construção contínua e.um referencial teórico que compreendesse conceitos de homem. etc. é explicado diversamente em sua gênese e desenvolvimento. de forma articulada ou não . dependendo dos diferentes referenciais. partindo-se do pressuposto de que a ação educativa exercida por professores em situações planejadas de ensino-aprendizagem é sempre intencional. é possível haver abordagens diversas. cultura. mundo.). estaria presente implícita ou explicitamente. consequentemente. Outras. educação. dá-se grande importância às atividades. etc. mundo. nem endógena (inata). histórico. social. Diferentes posicionamentos pessoais deveriam derivar diferentes arranjos de situações ensino-aprendizagem e diferentes ações educativas em sala de aula. não há pré-formação. em sua interação com o mundo (físico. cultura. pois. pedagogicamente falando. ora do sujeito. A passagem de um nível de compreensão para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas. por sua vez. tendo em comum apenas os diferentes primados: ora do objeto. Enfatiza-se uma relação dinâmica entre a bagagem genética hereditária e sua adaptação ao meio em que se desenvolve. ora da interação de ambos. sociedade. Algumas das abordagens. Nessa última tendência. a invenção e a descoberta são pertinentes a cada ato de compreensão. dentro de um mesmo referencial. em certa medida. consideram apenas o homem em abstrato. nem exógena (empirista). numa palavra. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

aqui denominadas abordagens. Sobre a Educação. conhecimento. Humanista. Cumpre justificar a não inclusão de uma sexta abordagem que provavelmente teve e tem como as demais. mundo. por outro. tenham sido cinco as abordagens que mais possam ter influenciado os professores. neste trabalho. influência na formação de professores e em seu posicionamento frente ao fenômeno educacional. geralmente possibilitam ao futuro professor contato com um corpo organizado de ideias que procura subsidiar e justificar a prática educativa. Cognitivista e Sociocultural. filtra tal ideário a partir de suas próprias condições e vivências. abordar diferentes linhas pedagógicas ou tendências no ensino brasileiro. Trata-se da abordagem Escolanovista. Algumas abordagens apresentam claro referencial filosófico e psicológico. devido à grande importância atribuída aos aspectos didáticos. serão consideradas aqui as seguintes abordagens: Tradicional. ao passo que outras são intuitivas ou fundamentadas na prática. mesmo considerando-se que a elaboração que cada professor faz delas é individual e intransferível. Este conjunto. sua não inclusão. ou na imitação de modelos. em situações brasileiras. Tal como a repercussão do Movimento da Escola Nova na prática educacional brasileira. No entanto. como abordagem. etc. Partindo-se do pressuposto de que. constituído pelas teorias pedagógicas ou psicopedagógicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que poderiam estar fornecendo diretrizes à ação docente. Daí. neste trabalho. por sua vez. é denominado por Mello de ideário pedagógico. apesar 86 Copyright © 2007. e. Cada professor. pelo fato das demais abordagens aqui analisadas apresentarem justificativa teórica ou evidência empírica. provavelmente. por um lado. Comportamentalista.As disciplinas pedagógicas dos cursos de Licenciatura. cuja introdução no Brasil está diretamente relacionada com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. o que implica diferentes conceituações de homem. a não inclusão desta tendência como uma abordagem a ser analisada se justifica. essa possível abordagem poderia igualmente ser denominada de Didaticista. Interessa. pelo fato dela advogar diretrizes incluídas em outras abordagens. Diferentemente dessa.

metodologicamente. aluno. optou-se. mundo. pela técnica de sistematização. cultura. 87 Copyright © 2007. sociedade. escola. ensino-aprendizagem. excluindo-se a discussão e/ou crítica de conceitos e/ou práticas didáticas e pedagógicas decorrentes.de sua possível influência na formação de professores brasileiros num determinado momento histórico. educação. conhecimento. Para a realização deste trabalho. em seus pressupostos e em decorrências: homem. pois se objetiva condensar ideias e conceitos em forma de ideário pedagógico. descritiva. professor. metodologia e avaliação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A análise de cada uma das abordagens foi realizada a partir de categorias (conceitos) consideradas básicas para a compreensão de cada uma.

U NIDADE 19 Objetivo: Estabelecer e analisar criticamente o quadro sobre as concepções de ensino levando em conta: a visão de homem. Sobre Concepções de Ensino Serão analisadas. 88 Copyright © 2007. as cinco abordagens propostas. sociedade. Na análise de cada uma delas. mundo. pressupostos e determinantes. no sentido de que ele se conscientizasse de sua ação. superá-la constantemente. análise dos dez conceitos e considerações finais. a seguir. além de interpretá-la e contextualizá-la. o roteiro adotado implica: características gerais. Um estudo sobre metodologia e didática deve possibilitar ao aluno a análise do próprio fazer pedagógico. para que possa. de suas implicações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . estratégias e avaliações.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Abordagem Tradicional 89 Copyright © 2007.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Abordagem Comportamentalista 90 Copyright © 2007.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 91 .Abordagem Humanista Copyright © 2007.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 92 .Abordagem Sociocultural Copyright © 2007.

pois. o ato de planejar o ensino. por meio de sua ação educativa. distanciar-se dessa intenção política e. E ainda. portanto. por conseguinte. No entanto. É por estas razões que. o planejamento do ensino não pode perder de vista o tipo de homem que a sociedade pretende atingir através da Educação. "uma visão histórica da educação. para não incorrer na arbitrariedade educacional do ato educativo. é político. Os tipos de homem variam de acordo com as diferentes exigências das diferentes épocas". de metodologias de ensino.30).U NIDADE 20 Objetivo: Conhecer as etapas necessárias para a elaboração de um Planejamento de Ensino e aplicá-las com eficácia nas práticas pedagógicas. no tempo e no espaço. A ação educativa quando consciente não poderá. 1979. estará sempre ligado à “concepção que se tenha do homem e da interpretação que se faça do momento histórico (em) que vivemos" (Nidelcoff. O ato de planejar o Ensino é sempre um ato pedagógico. o tipo de homem que a Escola pretende promover. Para Saviani. p. a partir do momento em que se faz a previsão de conteúdos programáticos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 93 . no planejamento. Prática escolar: componentes básicos Planejamento de Ensino: um ato político-pedagógico Planejar o Ensino revela sempre uma intenção da prática educativa que se quer desenvolver para um grupo situado num determinado momento histórico. além de ser pedagógico. de processos de avaliação de Copyright © 2007. social e educacional. mostra como esta esteve sempre preocupada em formar determinado tipo de homem. uma vez que este na sua essência é sempre intencional. o ato de planejar reflete a visão (verdadeira ou falsa) que o educador possui sobre os mundos.

os objetivos propostos para a aula. os conteúdos.  Domínio do conteúdo das matérias que leciona e sua relação com a vida e a prática.. cada uma delas desdobrada em tarefas ou funções didáticas. em suma a prática educativa em todos os seus momentos.  Capacidade de desmembrar a matéria em tópicos ou unidades didáticas. Para o planejamento é preciso que o professor possua:  Compreensão segura das relações entre a educação escolar e os objetivos sociopolíticos e pedagógicos. sempre e em todos os casos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 94 . a serem desenvolvidos. mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito. partindo das situações concretas da escola e da classe. bem como dos métodos de investigação próprios da matéria. revelam sempre a postura educativa do educador que contém. ou seja.aprendizagem. São elas: o planejamento. a fim de poder fazer uma boa seleção e organização do seu conteúdo. uma postura política. a partir da sua estrutura conceitual básica. a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação. Em outras palavras. etc. é necessário que realize um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. O Planejamento e a Ação do Professor Para que o professor possa atingir efetivamente os objetivos. Copyright © 2007. a direção do Ensino e da Aprendizagem. ligando-os aos objetivos de ensino das matérias. de selecionar os conteúdos de forma a destacar conceitos e habilidades que formam a espinha dorsal da matéria. já é possível perceber a dimensão política da ação educativa. as atividades de aprendizagem.

 Conhecimento das possibilidades intelectuais dos alunos. procedimentos.  Conhecimento e domínio dos vários métodos de ensino e procedimentos didáticos.  Conhecimento dos programas oficiais para adequá-los às necessidades reais da escola e da turma de alunos. falar de modo acessível à compreensão dos alunos partindo de sua linguagem corrente. conforme os temas a serem tratados. Para a direção do ensino e da aprendizagem é necessário:  Conhecimento das funções didáticas ou etapas do processo de ensino.  Saber problematizar os conteúdos de forma que levem os alunos a pensarem por si mesmo. Conhecimento das características sociais. técnicas e recursos auxiliares. referindo-os aos conhecimentos e experiências que os alunos trazem para a aula. seu nível de desenvolvimento. reais. experiências da vida que trazem. bem como o nível de preparo escolar em que se encontram. tirarem conclusões.  Habilidade de tornar os conteúdos de ensino significativos. a fim de poder escolhê-los. domínio de métodos do ensino. conhecimento dos princípios gerais da aprendizagem e saber compatibilizá-los com conteúdos e métodos próprios da disciplina. suas condições prévias para o estudo de matéria nova. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 95 .  Acesso a outros livros didáticos da disciplina para manter-se bem informado sobre a evolução dos conhecimentos específicos da matéria e poder fazer as analogias e adaptações necessárias. culturais e individuais dos alunos.  Habilidade de expressar ideias com clareza.

 Provimento de métodos de estudo e hábitos de trabalho intelectual independente: ensinar o manejo do material didático e indicar paradidáticos. para a participação democrática na vida profissional. traços que devem aliar-se à firmeza de atitudes dentro dos limites da prudência e respeito. manifestar interesse sincero pelos alunos nos seus progressos e na superação das suas dificuldades.  Domínio de meios e instrumentos de avaliação didática. que formam o campo de estudo da Didática. Estes são alguns dos requisitos para o desempenho dos docentes e alunos.  Adoção de uma linha de conduta no relacionamento com os alunos que expresse confiabilidade. As mesmas expectativas que o professor tem em relação ao desenvolvimento intelectual dos alunos aplicam-se a ele próprio. segurança. Para a avaliação é importante:  Verificação contínua do rendimento das atividades. verificar dificuldades. para tomar decisões sobre o andamento do trabalho docente.  Estimular o interesse pelo estudo. colher dados relevantes sobre o rendimento dos alunos. isto é. mostrar a importância da Educação Escolar para a melhoria das condições de vida. reformulando-o quando os resultados não são satisfatórios. política e cultural. seja em relação aos alunos.  Conhecimento das várias modalidades de elaboração de provas e de outros procedimentos de avaliação de tipo qualitativo. Copyright © 2007. seja em relação ao trabalho do próprio professor. coerência. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 96 .

do caráter político e ideológico da Educação. Sociologia. A Didática. os acontecimentos. ao mesmo tempo. pois. do papel da escolarização no processo de democratização da sociedade. é preciso uma formação teórica e política que resulte em convicções profundas sobre a sociedade e as tarefas da Educação. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES.A dimensão educativa do ensino implica que os resultados da assimilação de conhecimentos e habilidades se transformem em princípios e modos de agir frente à realidade. E uma estreita relação com as disciplinas sociais. como por exemplo. a vida do dia a dia estão carregados de significados sociais que não são "normais". intimamente vinculado com a educação e. entre outras. mais globalizante. Para além. em convicções. História da Educação. dos requisitos profissionais específicos. neles estão implicados interesses sociais diversos e muitas vezes antagônicos dos grupos e classes sociais. porque os fatos. Filosofia. É preciso desenvolver o hábito de desconfiar das aparências e da normalidade das coisas. isto é. sintetizando. Copyright © 2007. o professor precisa permanentemente desenvolver a capacidade de avaliar os fatos. no seu conteúdo. a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino. No seu trabalho cotidiano como profissional e como cidadão. os conteúdos da matéria de um modo mais abrangente. provendo os conhecimentos específicos necessários para o exercício das tarefas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 97 . oferece uma contribuição indispensável à formação dos professores. assim. Requer do professor uma compreensão clara do significado social e político do seu trabalho. os acontecimentos.

ao conjunto de fatos que representa esse fenômeno. a partir da observação das etapas que compõem um Planejamento de Ensino. constitui-se em etapa indispensável dessa atividade (educativa e política) que fornecerá pistas para o desenvolvimento do processo do ensino-aprendizagem. Copyright © 2007. sobre o fenômeno educacional e ser realizada de forma global. Analisar. município. etc. etc. elite.. e esta é a sua razão de ser. deve superar a “visão focalista” que a escola tem hoje. percebidos como essenciais. rural. examinando suas partes sempre em relação ao todo. Planejamento de Ensino e suas Etapas Escola e Comunidade Este momento parte da premissa. a Escola. deve ser preocupação prioritária dos educadores tratarem de entender a realidade social onde tal processo se viabiliza”. que: “se o processo educacional é social e politicamente determinado pelos atores que dirigem e organizam uma dada sociedade. pois.). rede privada. (entidade que mantém a escola: união. periferia. urbana. porém. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 98 . nas suas relações com a realidade social para a qual o Planejamento do Ensino será desenvolvido. Que elementos. considerar para a realização da análise da Escola? (inserida sempre num determinado tipo de sociedade) Abaixo alguns desses elementos: a) Comunidade onde a Escola está inserida (pobre. estado. Essa análise. não participativa.U NIDADE 21 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial.). b) Sistema de administração adotado pela escola: administração participativa. etc. Analisando-a a partir da realidade social.

educandos. O pensamento crítico e autocrítico. uma vez que o processo de aprendizagem é um fenômeno altamente internalizado e. d) Recursos materiais. pais e pessoas da comunidade. Cabe também. ambientais e humanos que a escola dispõe (em caráter afetivo. envolvendo educadores. etc. Retrato sociocultural do educando O retrato sociocultural do aluno reflete o seu mundo sociocultural. juntamente com os educandos. sua história e suas inquietações. assim. torna-se praticamente impossível ao educador determinar a atividade didática mais adequada para a área de conhecimento em estudo e para aqueles que intentam assimilá-las. Também aqui. mediado pelo diálogo problematizador constitui-se em elemento permanente no desenvolvimento e (re)planejamento de atividades Copyright © 2007. Neste momento é preciso superar a etapa de simples identificação do nível socioeconômico dos educandos que frequentam a Escola e atingir concretamente a análise das contradições sociais do mundo dos educandos. médicos. merenda. o ponto de partida do ato de planejar as aulas. nesta etapa. o projeto de aprendizagem de sua disciplina. Em termos metodológicos. eventual. delinear outro fator relevante: as características de aprendizagem dos educandos que estão diretamente ligadas ao retrato sociocultural dos mesmos. A percepção crítica da realidade socioeducativa torna-se. Tal procedimento torna-se importante. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 99 . a estruturação de propostas de ação educativa pode ser desenvolvida através de diálogos crítico. etc. É a partir dos resultados dessa análise que se inicia a estruturação de propostos de ação educativa.. Observando as especificidades citadas anteriormente. a metodologia pode pautar-se a partir do diálogo crítico entre educador e educandos. sem o auxílio do próprio aluno. onde a Escola está inserida.). Faz-se necessário que o educador estruture.c) Serviços oferecidos pela escola: pedagógicos.

Regina Célia Cazaux. com características sempre intencionais. Superar e temporizar o conhecimento acadêmico veiculado pela Escola e ir além da reprodução desse conhecimento. O que caracteriza o ato educativo como concreto. HAIDT. 2006. é o que se pretende com a metodologia (caminho) aqui sugerida. Tema: O Planejamento da Ação Didática Copyright © 2007. Curso de Didática Geral. São Paulo: Ática.educativas simultâneas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 100 .

Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 101 .U NIDADE 22 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial. O Plano é o resultado. a fim de verificar se o pretendido foi atingido”. a culminância do processo mental do Planejamento. planejar é uma atividade tipicamente humana. o que e como se deve fazer.A Distinção entre o Planejamento e o Plano O Planejamento é um processo mental que supões análise. Nesse sentido. como analisar a situação. O Planejamento da Ação Didático-pedagógica: 1. reflexão e previsão. Planejar consiste em prever e decidir sobre:      que se pretende realizar. 1. nos mais variados momentos. e está presente na vida de todos os indivíduos. há vários níveis de planejamento. a partir da observação das etapas que compõem um Planejamento de Ensino. o que se vai fazer. que variam em abrangência e complexidade: a) Planejamento de um Sistema Educacional.1 Tipos de Planejamento Na esfera da Educação e do Ensino. como vai fazer.

Planejamento de um Sistema Educacional É feito em nível sistêmico nacional. para delimitar suas dificuldades e prever alternativas de solução.  Planejamento de Aula. Levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis. para o bom funcionamento da Escola.  Planejamento de Unidade Didática ou de Ensino. d) Planejamento Didático de Ensino:  Planejamento de Curso. Avaliação da Escola como um todo no ano anterior. Sondagem e diagnósticos da realidade da escola: Características da comunidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 102 . tanto pedagógicas como administrativas. c) Planejamento de Currículo. Planejamento Escolar É o processo de tomada de decisão quanto aos objetivos a serem atingidos e a previsão das ações.b) Planejamento Geral das Atividades de uma Escola. Suas etapas são: 1. Copyright © 2007. Consiste no processo de análise e reflexão das várias facetas de um Sistema Educacional. que devem ser executadas por toda a equipe escolar. estadual e municipal. Características da clientela escolar. Reflete a Política De Educação adotada.

Definição do sistema de avaliação. O professor deverá distinguir. os conteúdos significativos. Atribuição de funções a todos os participantes da Equipe Escolar: direção. b. corpo docente. recuperação. de mera informação sem outro objetivo que o de ser memorizado por tanto tempo quanto possível. corpo discente. funcionais. Quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do Currículo. Planejamento Curricular É a previsão dos diversos componentes curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso. Definição dos objetivos e prioridades da escola. Calendário Escolar. d. equipe administrativa. equipe pedagógica. contendo normas para a adaptação. ao elaborar um Currículo. Elaboração de Plano de Curso contendo as programações das atividades curriculares. 4. reposição de aulas. Critérios de agrupamento dos alunos. 3. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 103 . dos conteúdos carentes de significados e de funcionalidade. compensação de ausência e promoção dos alunos. Proposição da organização geral da escola no que se refere a: a. com a definição dos objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada componente. 5. Elaboração do Sistema Disciplinar da Escola.2. c. Copyright © 2007. equipe de limpeza e outros.

Planejamento de Aula Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 104 . Prever e organizar os procedimentos do professor.  Prever os procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos. Definir os objetivos educacionais considerados mais adequados para a clientela em questão. Tipos de Planejamento de Ensino    Planejamento de Curso/Programa de Ensino. e a organização das atividades discentes e das experiências de aprendizagem. Prever e escolher os recursos de ensino mais adequados para estimular a participação dos alunos nas atividades de aprendizagem. Refletir sobre os recursos disponíveis. do CFE( Conselho Federal de Planejamento Didático ou de Ensino É a previsão das ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos.    Selecionar e estruturar os conteúdos a serem trabalhados. CEE(Conselho Estadual de Educação). visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos. Planejar é:    Analisar as características da clientela. Planejamento de Unidade Didática ou de Ensino.O Plano Curricular deve seguir normas emanadas Educação).

Propor objetivos gerais e definir os objetivos específicos a serem atingidos durante o período letivo estipulado. Copyright © 2007. Levantar dados sobre as condições dos alunos. fazendo uma sondagem inicial. 2. É um desdobramento do Plano Curricular. Segue a seguinte orientação: 1. Escolher e determinar as formas de avaliação mais coerentes com os objetivos definidos e os conteúdos a serem desenvolvidos. Indicar os conteúdos a serem desenvolvidos durante o período. 4. geralmente durante o ano ou semestre letivos. Estabelecer as atividades e procedimentos de ensino e aprendizagem adequados aos objetivos e conteúdos propostos. Selecionar e indicar os recursos a serem utilizados.Planejamento de Curso É a previsão dos conhecimentos a serem desenvolvidos e das atividades a serem realizadas em uma determinada classe. 5. 3. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 105 . durante certo período de tempo. 6.

 estabelece como será feita a avaliação das atividades. Copyright © 2007. livros. objetos variados) que vão ser usados durante a aula para despertar o interesse. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 106 . mapas. atitudes). constituindo uma porção significativa da matéria.  indica os recursos (cartazes.   especifica os itens e subitens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula. Ainda Falando sobre o Planejamento da Ação Didático-pedagógica: Planejamento de Unidade “Reúne várias aulas sobre assuntos correlatos. que deve ser dominada em suas inter-relações”. facilitar a compreensão e estimular a participação dos alunos. habilidades. jornais. Planejamento de Aula O professor especifica e operacionaliza os procedimentos diários para a concretização dos planos de Curso e Unidade.U NIDADE 23 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial. a partir da observação das etapas que compõem Um Planejamento de Ensino. Ao planejar uma aula o professor:  prevê os objetivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos. define os procedimentos de ensino e organiza as atividades de aprendizagem de seus alunos (individuais e em grupo).

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 107 . de simplesmente listar uma série de tópicos para estudos com seus respectivos objetivos de aprendizagem. Tem função de:  prever as dificuldades que podem surgir durante a ação docente.    evitar a repetição rotineira e mecânica de cursos e aulas. adequar o trabalho didático aos recursos disponíveis e às reais condições dos alunos. não podem ser ignoradas pelo educador/planejador. Não se trata.A função do Planejamento das Atividades Didáticas Contribui para:    atingir os objetivos desejados. a seguir. A intenção da aula (objetivo – conteúdo) Os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos de uma disciplina são definidos num só momento e devem se repensados (crítica e autocrítica) durante todo o desenvolvimento do curso.  garantir a distribuição adequada do trabalho em relação ao tempo disponível. as atividades e os procedimentos de avaliação aos objetivos propostos. Copyright © 2007. para poder superálas com economia de tempo. Também nesta etapa. adequar os conteúdos. as necessidades suscitadas pelo momento histórico e cultural que escola e sociedade estejam vivendo. controlar a improvisação. superar dificuldades. como se verá. porém.

ser esquecida. ou seja. a única recomendação universalmente válida é que os mesmos sejam comunicados (não importa a forma) àqueles que participam da aula ou atividade didática. Para que essa superação ocorra à Escola necessita trabalhar o objetivo/conteúdo de forma significativa e concreta. onde a escola e os educandos estão inseridos. em hipótese alguma. Não deve existir dicotomia entre aquilo que se propõe a alcançar. Ocorrendo a relação dialética texto/contexto. Assim. independente e 108 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . seu conteúdo (concreto). Além da ordenação vertical. Daí. e o conhecimento a ser assimilado. da logicidade e da inter-relação da estrutura da matéria de ensino a ser desenvolvida. que estará sempre ligado a uma operação mental que leve o educando ao desvelamento do conhecimento de forma crítica e criativa. todo objetivo de aprendizagem (operação mental + conteúdo programático concreto + realidade social) deve-se preocupar com o objetivo maior de todo Sistema Educacional: proporcionar meios para a formação do homem crítico e criativo. A unidade objetivo/conteúdo deve superar seu enfoque acadêmico. Quando o Planejamento de Ensino é realizado de forma não participativa. buscando . Um objetivo de ensino concreto só tem valor se ligado a um conteúdo programático também concreto.É muito mais que isso. em uma busca inacabada à sua transformação. não se esquecendo de seu elemento substancial. Um objetivo/conteúdo é significativo e concreto quando está diretamente relacionado a um contexto social determinado. A realidade sociocultural e econômica não pode. a ligação "fins pedagógicos e fins sociais" ser um ato relevante a considerar na definição dos objetivos e dos conteúdos do ensino. Esse contexto deve ser uma realidade concreta ou seja. problematizando e questionando. no sentido de uma contínua aproximação de uma aprendizagem que atenda às necessidades da comunidade social. faz-se necessário que o conteúdo procure evidenciar as contradições do próprio sistema social vigente. uma realidade socioeducacional em transformação. em termos de operações mentais e atividades.

poder e dominação. Desenvolvimento: 3. A inserção crítica do educador e do educando na realidade. Revela a não completeza onde a completeza é afirmada. Avaliação: 5.. O pensamento dialético parece ser uma das maneiras consistentes que o educador e educando podem usar para que essa inserção crítica faça parte no papel da escola. MODELO DE PLANO DE AULA Instituição: Curso: Disciplina: Período/Semestre/Ano: Professor: 1.. O principal objetivo da crítica deve ser o do pensamento crítico torna-se a precondição para a liberdade humana. O pensamento dialético liga-se tanto à crítica como à reconstrução teórica.. O domínio do conhecimento de forma precisa e profunda é ponto de partida para o crescimento pessoal e condição essencial para a intervenção no educacional e no social. que contribua para a libertação de seus semelhantes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O pensamento dialético argumenta que há um vínculo entre conhecimento. desvela valores que são frequentemente negados pelo objeto social sob análise. Estratégias 4. Objetivos: Geral Específico 2. proporcionará meios para a assimilação de conhecimentos que contribuirão para que essas transformações ocorram de modo mais constante..competente.. 109 Copyright © 2007. Encerramento Ponha algo mais em sua aula: Os especialistas avisam: entrar na sala e tentar dar uma aula de improviso não leva a lugar nenhum. A noção de dialética é critica por revelar as insuficiências e as imperfeições dos sistemas de pensamento 'acabados'. “Toma partido ao lado da luta por um mundo melhor”. em contraposição à inserção alienante. Como uma forma de crítica. que domine um corpo de conhecimentos que reflita a problematicidade do contexto social e da ciência e ainda..

Avaliar a cada momento o aprendizado dos alunos. Adequar a aula à personalidade da classe. talento. uma enorme dose de planejamento. Verificar se o conteúdo está sendo assimilado pela classe. Despertar o interesse da turma para o assunto a ser ensinado. Sugestões para uma boa aula:    Use os fatos do cotidiano. 4. (Josiane Lopes) Para uma boa aula é preciso superar alguns desafios. 5. 2. Esteja pronto para mudar. especialmente. adequação á realidade dos alunos e. sensibilidade. Copyright © 2007. São eles: 1. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 110 . Manter o interesse ao longo da aula.Uma boa aula mistura: disposição. 3. Faça a turma trabalhar.

Tipos de Objetivos Os objetivos podem ser Educacionais ou Instrucionais. não pode avaliar de maneira correta o resultado de sua atividade de ensino e não tem condições de escolher os procedimentos de ensino mais adequados. A Importância dos Objetivos: O professor precisa determinar. Se o professor não define os objetivos.U I. que serão atingidos gradativamente no processo de ensino-aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 111 . b. sobre os processos de aprendizagem. Decorrem da Filosofia da Educação e surgem do estudo da sociedade contemporânea e do estudo sobre o desenvolvimento do aluno e. Copyright © 2007. o que o aluno será capaz de fazer ao final do aprendizado. Objetivos Instrucionais: São proposições específicas sobre mudanças no comportamento dos alunos. II. ainda. A definição dos objetivos tem um caráter norteador da atenção do professor no processo de interação com o aluno. A isso se chama definir objetivos. a. NIDADE 24 Objetivo: Compreender a importância dos objetivos nas ações de planejamentos e organização didática. no início. Objetivos Educacionais (ou gerais) São proposições gerais sobre mudanças comportamentais desejadas.

objetos. Sugestões para definir objetivos específicos. em sua própria mente. às habilidades para manipular materiais. 112 Copyright © 2007. até ideias. ás apreciações e aos interesses. ás atitudes. Compreendendo desde simples informações e conhecimentos intelectuais.” Orientar o professor na escolha dos demais componentes de um sistema de organização de ensino IV. O domínio cognitivo Refere-se à razão. isto é. igrejas. ou comunicar a outros as mudanças desejadas no aprendiz. Segundo Bloom “a formulação de objetivos tem por finalidade classificar o professor. sindicatos e outros. por sua vez podem referir-se aos domínios cognitivo. Ex: Conhecer os princípios essenciais envolvidos na aprendizagem. ii. III. i. Alguns autores utilizam a palavra taxonomia (do grego táxis= ordem e nómos= lei) para indicar essa classificação. afetivo ou psicomotor.Os objetivos educacionais e instrucionais. habilidades mentais de análise e aos interesses. O domínio afetivo Refere-se aos valores. princípios. Funções dos Objetivos Instrucionais. Ex: Moldar um boneco de barro ou consertar um relógio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ex: Valorizar a função social das diferentes instituições da comunidade: escolas. Domínio Psicomotor Refere-se às habilidades operativas ou motoras. instrumentos ou máquinas. iii. a inteligência e a memória.

Quando o objetivo específico descreve apenas um comportamento por vez. Sugestões que podem auxiliar o professor na elaboração dos objetivos educacionais: a) Desdobrar os objetivos gerais em vários objetivos específicos. e se torna. o critério de avaliação. a serem alcançados em curto prazo. isto é. desdobrados ou decompostos em comportamentos observáveis. Para que possam realmente nortear a ação de professores e alunos. É aconselhável que cada objetivo específico seja elaborado de modo a incluir apenas um resultado de aprendizagem por vez e não uma combinação de vários resultados ao mesmo tempo. c) Formular cada objetivo de modo que ele descreva apenas um comportamento por vez. mas o do educando. 113 Copyright © 2007.A linguagem usada para expressar um objetivo específico deve ser clara e precisa. que sirvam de parâmetros para o processo ensino-aprendizagem. ele próprio. pouco ou nada contribuindo para o trabalho didático. Quando as palavras usadas para exprimir um objetivo são ambíguas e imprecisas. Ele descreve o comportamento que se espera observar no aluno em decorrência da experiência educativa que lhe é proporcionada. Objetivos Gerais: Eles são úteis no delineamento inicial de um curso e tem o seu valor em longo prazo. ele se torna vago e obscuro. os Objetivos Gerais devem ser operacionalizados. O objetivo específico não se refere ao comportamento do professor. ele se identifica com o conteúdo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no final do processo educativo. b) Focalizar o comportamento do aluno e não do professor. Um objetivo bem definido torna mais fácil a tarefa do professor em selecionar as atividades docentes e discentes.

mas também. valorizando os mecanismos mais complexos do pensamento. os processos mentais superiores. Copyright © 2007. que envolvam não apenas conhecimento (memorização de informação). mas devem focalizar. principalmente. isto é. e principalmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 114 . Os objetivos instrucionais não devem dar ênfase apenas ao conhecimento de fatos específicos.d) Formular objetivos instrucionais relevantes e úteis. habilidades cognitivas e operações mentais superiores.

mas é também por meio do conteúdo que praticam as operações cognitivas. antes de tudo. O movimento da Escola Nova. NIDADE 25 Objetivo: Conhecer os procedimentos para selecionar e organizar conteúdos curriculares Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares. tenta conciliar essas duas posições. devidamente selecionadas e organizadas pela escola.. (. É. valorizou mais os métodos e as técnicas de ensino. ser. um processo de aquisição de novos modos de perceber. A importância do conteúdo. pensar e agir. de forma sistematizada. Ele diz que o conteúdo é importante porque “a aprendizagem só se dá em cima de um determinado conteúdo. os valores tidos como desejáveis na formação das gerações. Copyright © 2007. em oposição à Escola Tradicional.U I. o conhecimento. Mas os conteúdos são importantes à medida que constituem a tessitura básica sobre o qual o aluno constrói e reestrutura o conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 115 . mas também as experiências educativas no campo desse conhecimento. e também trabalha. na prática cotidiana de sala de aula. Quem aprende. Convém lembrar que a aprendizagem não é apenas um processo de aquisição de novas informações. desenvolvendo hábitos e habilidades e trabalhamos as atitudes.) Convém lembrar que o conteúdo não abrange apenas a organização do conhecimento.. Claudino Piletti. aprende alguma coisa. É através do conteúdo e das experiências de aprendizagem que a Escola transmite. em detrimento do conteúdo a ser ensinado. em seu livro: Didática Geral. É por meio dos conteúdos transmitidos que os alunos assimilam conhecimentos.

II. mensal ou semanal. o professor deve basear-se nos seguintes critérios: i. Programa escolar oficial É o guia que traça em linhas gerais os fins e os conteúdos da ação educativa para uma determinada etapa de ensino. que pode ser anual. Programa pessoal de cada professor. pode-se dizer que o conteúdo é o conhecimento sistematizado e organizado de modo dinâmico. de acordo com as reais condições de cada classe. de acordo com o nível de desenvolvimento e as aprendizagens anteriores dos alunos. b. Ao selecionar os conteúdos. Portanto. de acordo com o seu nível de operacionalização: a. os conteúdos são válidos quando estão inter-relacionados com os objetivos educacionais propostos.Portanto. definindo os conceitos básicos e as habilidades fundamentais a serem desenvolvidos. isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 116 . sob a forma de experiências educativas. É o Plano de Ensino de cada professor. Esse Plano operacionaliza as diretrizes curriculares do Sistema de Ensino e especifica os objetivos e conteúdos da ação educativa. Validade Deve haver uma relação clara e nítida entre os objetivos a serem atingidos com o Ensino e os conteúdos trabalhados. é através do desenvolvimento dos conteúdos programáticos que se atinge os objetivos propostos para o processo instrucional. Critérios para a seleção de conteúdos Existem duas modalidades de organização do conteúdo. Copyright © 2007. em primeiro lugar. Portanto. É sobre ele que se apóia a prática das operações mentais.

iii. a fim de ajudá-los ou adaptá-los às reais condições. A Organização do conteúdo Os conteúdos devem apresentar uma sequência. os conteúdos são válidos quando há uma atuação dos conhecimentos do ponto de vista científico. Os conteúdos curriculares são considerados úteis quando estão adequados ás exigências e condições do meio em que os alunos vivem satisfazendo suas necessidades e expectativas.Em segundo lugar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno. necessidades e interesses do grupo de alunos. III. Significação Um conteúdo será significativo e interessante para o aluno quando estiver relacionado ás experiências por ele vivenciadas. Flexibilidade O critério de flexibilidade estará sendo atendido quando houver possibilidade de fazer alterações nos conteúdos selecionados. O conteúdo selecionado deve respeitar o grau de maturidade intelectual do aluno e estar adequado ao nível de suas estruturas cognitivas. ii. A ordenação dos conteúdos é feita em dois planos: 117 Copyright © 2007. v. Utilidade O critério de utilidade está presente quando há possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido em situações novas. Devem também se reforçar mutuamente. suprimindo itens ou acrescentando novos tópicos. iv. Isto é conseguido através da organização do conteúdo.

a sequência e a integração.a) No plano temporal. mas a transcende. Além desses critérios. visando garantir a unidade do conhecimento. levando em conta suas estruturas cognitivas e as de aprendizagens anteriores. há dois princípios básicos que necessitam ser considerados na ordenação dos conteúdos: o lógico e o psicológico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 118 . Copyright © 2007. A continuidade e a sequência estão relacionadas à ordenação vertical. vinculadas à realidade do aluno. A sequência está relacionada com a continuidade. O princípio Psicológico Indica as relações. b) No plano de uma mesma série. O princípio lógico estabelece relações entre seus elementos. A continuidade refere-se ao tratamento de um conteúdo.   Partir de problematizações. ao organizar os conteúdos para desenvolvê-los na sala de aula. É a organização horizontal do currículo. tais como são vistas por um especialista na matéria. repetidas vezes em diferentes fases de um curso. dispondo os conteúdos ao longo das séries. Portanto. tal como podem aparecer ao aluno. A integração está ligada à ordenação horizontal e se refere ao relacionamento entre diversas áreas do currículo. fazendo a relação de uma área com a outra. cabe ao professor:  Considerar o nível de desenvolvimento dos alunos. Há três critérios orientadores básicos na organização dos conteúdos: a continuidade. É a organização vertical do currículo. Fazer a relação dos novos conteúdos transmitidos com os conhecimentos e as experiências anteriores doa alunos.

 Sistematizar as ideias principais. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 119 . dando condições para que os alunos possam organizar e aplicar os conhecimentos assimilados.

emerge o objetivo principal deste estudo que é: Desvendar a teia de fatos e aspectos patentes e latentes que delimitam os processos didáticos e. esta análise e subsequente proposição de um modo de agir que possa significar um avanço para além dos limites dentro dos quais se encontra demarcada hoje a prática da Avaliação Educacional em sala de aula. delimitadas pela teoria e pela prática que as circunstancializam. Nesta perspectiva. hoje. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 120 . traduzindo-se em prática pedagógica. a Avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual. Copyright © 2007. Postura esta que indica uma defasagem no entendimento e na compreensão da prática social. Está a serviço de uma Pedagogia. Para compreender adequadamente o tema abordado. em seguida. deste modo. como se ela fosse uma atividade neutra. de forma mais orgânica e adequada. estando. que por sua vez. são meios e não fins. importa o reconhecimento de que a Avaliação Educacional em geral e a Avaliação da Aprendizagem Escolar.como se ela não estivesse a serviço de um modelo teórico de sociedade e da educação. mas sim dimensionada por um modelo teórico do mundo e da Educação. se exercita a atual prática da Avaliação da Aprendizagem Escolar . é certo que o atual exercício da Avaliação Escolar não está sendo efetuado gratuitamente. Deste modo. traduz uma concepção teórica da Sociedade. que nada mais é do que uma concepção teórica da Educação. AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: PARA ALÉM DO AUTORITARISMO Pretendemos ordenar e sistematizar. em específico.U NIDADE 26 Objetivo: Compreender a avaliação como uma relação dialética de reconstrução de saberes possibilitando momento de pesquisa e aprendizagem significativa. mostrar um caminho. Desse delineamento inicial. O que está ocorrendo é que.ingênua e inconscientemente .

Tomando por base esta tessitura introdutória. daí. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 121 . a seguir discriminados. colocar a Avaliação Escolar a serviço de uma Pedagogia que entenda a Educação como mecanismo de transformação social. a prática da avaliação manifestar-se autoritária. hoje. serão apontadas algumas indicações de saída para esta situação.A prática escolar predominante hoje está se dando dentro de um modelo teórico da compreensão que vê a Educação como um mecanismo de conservação e reprodução da Sociedade. é necessário situá-la num outro contexto pedagógico. nascido da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminaram na Revolução Francesa. será situada a Avaliação Educacional Escolar dentro dos modelos pedagógicos: Conservador e Transformador. Na medida em que se uniu ás camadas populares na luta contra os privilégios da nobreza e do clero feudal. A burguesia foi revolucionária. tomada in genere. está a serviço de uma pedagogia dominante que. com o movimento de 1789. em sua fase constitutiva e de ascensão. Para propor o rompimento desses limites. Por último. tentando (des)ocultar suas latências autoritárias e conservadoras. Em primeiro lugar. está a serviço de um modelo social dominante. a partir do entendimento da Educação como instrumento da transformação da prática social. a Fenomenologia da atual prática de Avaliação Escolar. O autoritarismo é elemento necessário para a garantia deste modelo social. Contextos Pedagógicos para a Prática da Avaliação Educacional A Avaliação da Aprendizagem Escolar no Brasil. que. genericamente. Num segundo momento. a Avaliação Educacional Escolar ainda se encontra a serviço de um entendimento teórico conservador da Sociedade e da Educação. Em muitas escolas. porém desde que se instalara vitoriosamente no poder. ou seja. na Copyright © 2007. por sua vez. pode ser identificado como Modelo Social Liberal Conservador. este Módulo trabalhará o tema seguindo os três passos consecutivos.

a participação dos educandos é imprescindível. O "como" desenvolver o objetivo/conteúdo não é tarefa que cabe exclusivamente ao educador.. sim. assim como as intenções da aula. os ideais e os caracteres do entendimento Liberal que nortearam as ações revolucionárias da burguesia. com seu próprio esforço. Para que essa atividade atinja o seu verdadeiro nível de significância. Aqui.França. Toda atividade de aprendizagem deve se constituir num desafio e num desequilíbrio permanente. concreta. buscar sua auto-realização pessoal. Cada indivíduo (esta é outra categoria fundamental do pensamento liberal) pode e deve. Ou atividade de aprendizagem Estabelecidos os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos. Estar em estado de desequilíbrio. Ação: reflexão. os entendimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou seja. através da conquista e do usufruto da propriedade privada e dos bens. a realidade social em desenvolvimento. No entanto. uma vez que são eles os principais interessados na assimilação e redescoberta dos objetivos/conteúdos da disciplina em estudo. As atividades de aprendizagem. permaneceram e hoje definem formalmente a sociedade atual. livremente. com vistas à transformação do modelo social vigente na época. não se podem resumir à reprodução de conhecimentos de forma puramente acadêmica memorizar para depois repetir e. ação. torna-se necessário a introdução do elemento mediador indispensável. caminhar no sentido de atingir a produção do conhecimento ou no sentido da redescoberta ou redefinição do mesmo. faz-se necessário saber como colocá-los em ação. contando com a formalidade da lei. tendo em vista garantir e aprofundar os benefícios econômicos e sociais que havia adquirido. (inacabada. Assim. tornara-se reacionária e conservadora. a sociedade atual prevê e garante (com os percalços conhecidos de todos) os direitos do cidadão de igualdade e liberdade perante a lei. historicamente determinada).. no sentido pedagógico que aqui se lhe está 122 Copyright © 2007.

Para se avaliar concretamente a Aprendizagem é preciso que a própria escola redefina sua visão atual do que seja educação. avaliação.. onde o pensar para repensar é o início de toda a ação que se preocupa com o agir depois do pensar para repensar. agir para transformar. necessita também. portanto. representa trabalhar a verdade (sentir. A Aprendizagem é.. aprendizagem. o que se observa é justamente o contrário. das ideias do educador. porém. para simples constatação e atendimento as normas. e. Portanto. Todo e qualquer educador defende a ideia de que a Avaliação da Aprendizagem Escolar deve ser encarada como um processo. enfim. Copyright © 2007. diretrizes e documentos legais.. cuja finalidade objetiva e material será transformar algo situado a partir do agir". Da reprodução que o educador faz durante as aulas. avaliada sistematicamente de dois em dois meses. desafiar e desequilibrar o educador e a própria verdade (corpo de conhecimentos da disciplina em estudo nas suas relações com a realidade sociocultural em desenvolvimento). na maioria das escolas e universidades. repensar para agir. Na prática. sim verificar (analisar. não significa verificar "o que ficou" em nível de reprodução de conhecimentos do livro.sendo dado. compreender a verdade) como inacabada (o mundo social e o mundo educacional estão em constante movimento). o posicionamento e a postura do educando. frente às relações entre o conhecimento existente numa determinada área de estudo e a realidade socioeducacional. etc. problematizar) a produção do conhecimento.. O objetivo maior deste momento do processo educacional pode ser resumido na seguinte premissa: "Pensar para repensar. toda atividade de aprendizagem além de desafiar e desequilibrar o educando. do que seja também o Homem Educado. a redefinição pessoal. conhecimento. Avaliar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 123 .

o que significa obrigatoriamente uma tomada de posição sobre o objeto avaliado. para aceitá-lo ou para transformá-lo. uma tomada de decisão quando se trata de um processo. Qualquer um dos três elementos pode ser perpassado pela posição autoritária. Esse julgamento se faz com base nos caracteres relevantes da realidade. 2º. É um juízo de valor. Portanto. A definição mais comum e adequada estipula que a Avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade. como é o caso da Aprendizagem. apesar de qualitativo. desemboca num posicionamento de "não indiferença". 3º. a Avaliação conduz a uma tomada de decisão. E ainda. 1º. a seleção dos "sinais" que fundamentarão o juízo de valor dependerá da finalidade a que se destina o objeto que deverá ser avaliado.Manifestação do Autoritarismo na Avaliação A Avaliação pode ser caracterizada como uma forma de ajustamento da qualidade do objeto avaliado. E. É no contexto destes três elementos que compõem a compreensão constitutiva da avaliação que. O objeto avaliado será tanto mais satisfatório quando mais se aproximar do ideal estabelecido e será menos satisfatório quanto mais distante estiver da definição ideal. O juízo emergirá dos indicadores da realidade que delimitam a qualidade efetivamente esperada do objeto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 124 . tendo em vista uma tomada de decisão. e. Porém. a partir de critérios pré-estabelecidos. na prática escolar. mas não menos significativos. fator que implica numa tomada de posição a respeito do mesmo. o julgamento. o componente da Avaliação que coloca mais poder na mão do professor é o terceiro: a tomada de decisão. evidentemente. porque significa uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto. o julgamento de valor por sua constituição mesma. como protótipo ou como estágio de um processo. não será inteiramente subjetivo. Do arbitrário da tomada de decisão decorrem e se relacionam arbitrários menores. se dá com a arbitrariedade da autoridade pedagógica. Copyright © 2007. Ou seja. São os "sinais" do objeto que eliciam o juízo.

ela será um momento dialético de "senso" do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva que está colocada. a Avaliação constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 125 . do crescimento para a competência. exigindo-lhes condutas as mais variadas até mesmo as plenamente irrelevantes. para o resto da vida. estigmatizado. do ponto de vista do modelo escolar vigente. E assim.A atual prática da Avaliação Escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico. A função classificatória subtrai da prática da Avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação. ele ficará. são substituídos pelo autoritarismo do professor Copyright © 2007. quando ela está avaliando uma ação. surgem as questões para “pegar os despreparados. Os dados relevantes. Então. por diante. São frases comuns nas “salas dos mestres”. a transformação da função da Avaliação. Como diagnóstica. como sujeito humano é histórico. ela constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação. ao contrário. o julgamento de valor que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado. Na prática pedagógica. nos arquivos e nos históricos escolares. Com a função classificatória. contudo. de diagnóstica em classificatória foi péssima. passa a ter a função estática de classificar um objeto ou ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. que sustentariam a objetivação do juízo de valor. do crescimento para a autonomia. como deveria ser construtivamente. Com a função diagnóstica. pois as anotações e registros permanecerão. aparecem as “armadilhas” nos testes. O educando. como ponto a ser atingido à frente. na Avaliação. Sendo “autoridade”. julgado e classificado. A gama conservadora da Educação permite que se faça da Avaliação um instrumento nas mãos do professor autoritário para hostilizar os alunos. Ou seja. já que se transformam em documentos legalmente definidos. nascem os testes para “derrubar todos os indisciplinados“. em definitivo. etc. assume a postura de poder exigir a conduta que quiser.

Dica de Leitura: 2006.Curso de Didática Geral.São Paulo:Ática.e do sistema educacional vigente. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 126 . Regina Célia Cazaux. por dados que permitem o exercício do poder disciplinador. na sua constituição ontológica. a Avaliação é descaracterizada. mais uma vez. E assim. HAIDT. evidentemente.

definição de situações problemáticas. táticas e estruturas organizativas metodológicas.U NIDADE 27 Objetivo: Conhecer as modalidades de ensino-aprendizagem como facilitadoras de tomada de ações eficazes. em sua essência. determinação de ajustes.Retroalimentar. de uma direção estratégica.Fazer . interação escola/comunidade. Educar segundo o planejado. organização do sistema. mediante uma constante busca de possibilidades e Copyright © 2007. Definição do Plano de Ação. o que vale dizer. conformação de estratégias. variáveis incontroláveis. O núcleo central do Planejamento Estratégico é o trabalho metodológico. Etapas do Planejamento Estratégico:  Diagnosticar: análise contextual. estrutural do entorno. Este é um processo orientado a manter um equilíbrio dinâmico entre a organização e o contexto. Modalidades de Ensino-Aprendizagem O trabalho do docente.  Retroalimentar: verificação e avaliação dos efeitos da realização do trabalho planejado. implica um Planejamento Estratégico. que necessita tomar decisões antecipadas e pode resumir-se no cumprimento das seguintes etapas: Diagnosticar . mudanças e recomendações. É uma forma qualitativamente superior de direção educacional.  Planejar: definição de métodos e recursos.Planejar . é a manifestação no plano didático.  Fazer: execução da estratégia de ensino-aprendizagem concebida. estado real e alternativas de desenvolvimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 127 .

Elaborar ou planejar uma estratégia de ensino-aprendizagem deve ter como preocupação a etapa diagnóstica e a partir dela desvendar o estado inicial real e as alternativas de desenvolvimento. tendo em vista a unidade entre Teoria e Prática. é importante resgatar o papel ativo dos agentes envolvidos. Com isso. é um desafio. a preocupação central dos trabalhos de Ensino e Pesquisa tem sido o estudo de uma proposta para o Ensino de Didática tendo em vista a lógica. Ultrapassar o nível da crítica e propor mudanças concretas no Processo de Ensino. O princípio elementar e básico é que toda aprendizagem sempre se move do conhecido para o desconhecido. ampliação e reconhecimento dos esquemas cognoscitivos dos sujeitos de aprendizagem. interesses e necessidades práticas das classes trabalhadoras.recursos para adotar estratégias de ensino. tem sido alvo de preocupações de muitos educadores e estudiosos do assunto. 128 Copyright © 2007. Assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quer em nível de graduação e pósgraduação. A partir das estratégias de ensino se faz uma previsão da modificação. vem sendo desenvolvido e investigando um processo de ensino de Didática que coloca os agentes. o que abarca a identificação das estruturas de conhecimento que já possuem os alunos. nos vários níveis. se pode extrair. como e para que os estudantes aprendam. (professor e/ou futuro professor) vivenciando o processo. A formação do professor quer em nível de Ensino Médio. Nos últimos dez anos. Desse modo. a fim de saber o que. Formação do Professor: aprendizado crítico dentro da própria prática. objeto de estudo da Didática. algumas lições que possam contribuir para a discussão das bases teóricas e práticas da formação do professor. O objetivo desse trabalho é apresentar os pressupostos básicos que têm orientado esses estudos e também caracterizar os momentos fundamentais do processo metodológico que vem sendo investigando. refletindo acerca dele e sistematizando-o coletivamente.

Em primeiro lugar. Processo metodológico Fundamentado no Materialismo Histórico. organização e exposição dos fatos. no processo contraditório que enfrenta entre a formação acadêmica recebida e a prática na sala de aula. Para se chegar a uma compreensão profunda dos determinantes de uma dada realidade. presente no trabalho do professor. compreendê-la. possibilitando alterá-la e transformá-la. num processo teórico/prático. pode-se partir de dois pressupostos básicos. o que importa não é a crítica. a Dialética Materialista sustenta que o conhecimento se dá na e pela práxis. explicitados e estruturados teoricamente. mas pautar-se na vivência. o processo metodológico implica em assumir a postura de não “falar sobre” o conhecimento. Copyright © 2007. decorrente de contradições no nível dos processos sociais. então. alterações na direção pretendida. é preciso um esforço de apropriação. no sentido de explicá-la. implica pressupostos teóricos que precisam ser captados. expressando a unidade entre as duas dimensões do conhecimento: teoria e prática. para intervir no processo e transformá-lo numa determinada direção política. Isto porque. Essa Didática prática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 129 . germe de uma possível teoria pedagógica alternativa. Além disso. no processo Dialético. gera uma Didática prática. portanto. buscando.Alguns pressupostos básicos A Didática é a disciplina que busca compreender o processo de ensino em suas múltiplas determinações. de que o professor. mas a crítica que permite uma compreensão dos determinantes de uma dada realidade. reflexão e sistematização coletiva do conhecimento. tendo em vista a elaboração de propostas concretas de intervenção na prática.

chegar a uma ação transformadora. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 130 . agora compreendida em suas múltiplas determinações. chegando aos determinantes mais profundos e suas leis fundamentais. após uma releitura da realidade.Isso implica em tomar como ponto de partida os fatos empíricos que são dados pela realidade. Copyright © 2007. buscar a explicação e compreensão das representações destes fatos empíricos. Finalmente.

Estratégias de Ensino-Aprendizagem Critérios básicos para a escolha dos métodos de Ensino. processos ou comportamentos planejados pelo professor. o professor deve considerar como critério de seleção. Copyright © 2007. A Aprendizagem ocorre através do comportamento ativo do estudante: este aprende o que ele mesmo faz não o que faz o professor.U NIDADE 28 Objetivo: Refletir sobre a importância da utilização das estratégias de ensino para a construção de uma aprendizagem significativa. os seguintes aspectos básicos: a) Adequação aos objetivos estabelecidos para o ensino e a aprendizagem. Atualmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 131 . O termo Método vem do grego (méthodos = caminho para chegar a um fim). é empregado também o termo Estratégia de Ensino para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. Ao escolher um procedimento de ensino. Esses procedimentos devem contribuir para que o aluno mobilize seus esquemas operatórios de pensamento e participe ativamente das experiências de aprendizagem. em função dos objetivos previstos”. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. Método de Ensino é um procedimento didático caracterizado por certas fases e operações para alcançar um objetivo previsto. Os procedimentos de Ensino devem incluir atividades que possibilitem a ocorrência da Aprendizagem como um processo dinâmico. para colocar o aluno em contato direto com coisas. Procedimentos de Ensino são as “ações.

isso equivale à contextualização da própria estratégia. A partir desses aspectos que se estabelecem como ensinar.b) A natureza do conteúdo a ser ensinado e o tipo de aprendizagem a efetivar-se. isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 132 . toda estratégia inclui a seleção e articulação prática de todos os componentes deste processo. Ao abordar o estudo das estratégias e alternativas para uma estrutura de otimização do processo ensino-aprendizagem se requer desde o início a precisão do conceito: estratégias de ensino-aprendizagem. Com frequência se encontra ideias que reduzem este conceito a um conjunto de métodos de Ensino. Copyright © 2007. c) As características dos alunos. se interpreta como estratégias de ensino-aprendizagem a sequência integrada. Assim. de ações e procedimentos selecionados e organizados. objetivando alcançar os fins educativos propostos. pois ainda que as estratégias de ensino-aprendizagem contemplem a seleção e combinação destes métodos. mas isto não é tão simples. Se o Ensino é concebido como Processo e como Produto. A profissionalização do pessoal docente está intrinsecamente associada às decisões de estratégias de ensino-aprendizagem em condições específicas. que atendem a todos os componentes do processo. que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento. qualidade que aponta diretamente para a sua funcionalidade. então a ele está associado o termo "Estratégia". d) As condições físicas e os tempos disponíveis. mais ou menos extensas e complexas.

a prática. Cada Estratégia de Ensino se corresponde com o como se aprende. se produz. o Processo. isso ocorre em virtude da unidade entre Ensinar e Aprender. a aplicação reflexiva de um sistema sequencial de ações e procedimentos para o Ensino pressupõe necessariamente uma Estratégia de Aprendizagem. de maneira permanente. Este critério de unidade do processo de ensinoaprendizagem implica que as estratégias expressam diferentes maneiras de ensinar e se concebem sobre equivalentes maneiras de se aprender. Sem dúvida. ajustes. A determinação de estratégias de ensino-aprendizagem pressupõe a consideração de três condições:  A possibilidade de recursos e procedimentos que permitam sua seleção e combinação na busca da realização dos fins e objetivos propostos. leva às interrogantes. pois toda Estratégia é flexível às mudanças do contexto que. O próprio caráter contextual das estratégias exige a identificação de condições e possibilidades.  A seleção e combinação sequencial de procedimentos didáticos em correspondência com os fatores e componentes do processo de ensino-aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 133 . incluindo o contexto em que se realiza.A determinação de toda estratégia de ensino-aprendizagem incorpora o Diagnóstico como Produto e Processo. para conformá-la à necessidade de seu melhoramento. ratificações ao primariamente concebido.  As possibilidades e mecanismos de avaliação da própria estratégia segundo os parâmetros que se tiver em consideração. com marcado caráter problemático: por que é possível que não se manifeste total Copyright © 2007. que sempre é muito mais rica que a teoria. isso permite adequações. Partindo deste critério. assim como o sistema de ações que controla. como resultado de sua própria aplicação. É evidente que esta condição é muito importante porque se sustenta na correspondência estreita entre condições e ações.

Enquanto que as primeiras são planos globais que se concebem para alcançar os objetivos do processo de ensinoaprendizagem em geral. O método marginal separa o Ensino de Táticas e Estratégias de Conteúdo. pelo que oferece instruções sobre operações. A primeira destas variantes compreende a compreensão das táticas e estratégias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 134 . porém aplicar essa variante não proporciona uma imagem realista da aprendizagem de Táticas e Estratégias. Copyright © 2007. portanto. combinação e sequenciação das ações conformam estilos de Ensino e de Aprendizagens. ainda que não possa este ser totalmente ignorado. então deve perguntar-se: Como trabalhar pelo ensino de táticas e estratégias de aprendizagens? No plano mais geral este ensino pode ser "cego" ou "informado". faz com que o estudante seja consciente de sua utilidade.correspondência entre o como se ensina e como se aprende? Qual deve ser a atitude do docente quando identifica que esta correspondência não se apresenta na realidade? Não é possível ignorar a relação entre estratégias e táticas. o conjunto de estratégias com certa similitude na seleção. Aspecto que se contempla quando são ensinadas sob a modalidade "informada" e que. porém omite a razão da eficácia que as mesmas originam. Uma tática é um procedimento específico que se aplica e tributa a todo o processo. Se o docente admitir a unidade do ensinar e o aprender e sua manifestação em estratégias. O método incorporado inclui o adestramento de táticas e estratégias como parte de um conteúdo específico de Ensino. As táticas e as estratégias podem ser ensinadas incorporadas ao conteúdo ou a margem dele. Se um conjunto de táticas interrelacionadas conforma uma Estratégia.

Tempo disponível. Copyright © 2007. Para se determinar à escolha de um Procedimento de Ensino. construtivismo operacional e cognitivo. tais como:      Adequação aos objetivos.U NIDADE 29 Objetivo: Conhecer os principais procedimentos de ensino-aprendizagem norteadores de práticas educativas libertadoras. Procedimentos de Ensino e Aprendizagem Podem ser considerados procedimentos de Ensino todas as ações desenvolvidas pelo professor para colocar o aluno em contato direto com os fatos. De acordo com Jean Piaget os métodos de ensino são assim classificados:     Métodos verbais tradicionais. Características do aluno. Métodos ativos. Esses procedimentos devem incluir atividades que possibilitem a Aprendizagem. são necessários alguns critérios de seleção. Condições físicas. Métodos intuitivos e audiovisuais. no qual o aluno torna-se um participante ativo de todo o processo. associacionistas. Ensino programado. Gestalt. Natureza do conteúdo. de acordo com os objetivos propostos. Behaviorista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 135 .

Claparède. e é através dele que o aluno deverá se preparar para viver coletivamente. Os trabalhos de equipe favorecem em muito o desenvolvimento das habilidades de comunicação. através de um interagir com seus semelhantes que estará formando uma consciência democrática. reforçando a autoestima. Maria Montessori e Freinet. Pestalozzi. Todos sabem que viver é fácil. Dewey. tanto do ponto de vista individual como grupal. Os Métodos de Ensino são classificados. É vivenciando situações de vida com o grupo que o educando estará preparado para uma conduta social adequada. a interação social do indivíduo. O ambiente social favorecerá aprendizagens significativas e variadas. Os mentores dos métodos foram: Kerchensteiner. por Irene Carvalho. Froebel e Herbart. incentivando-a. principalmente. Métodos fundados sobre a vida social da criança. Trata-se de um procedimento que possibilita. é ainda. inclui também a reflexão.Métodos ativos são aqueles que recorrem á atividade dos alunos. adquirindo uma visão libertadora. Copyright © 2007. Piaget divide os métodos ativos em:   Métodos fundados sobre os mecanismos individuais do pensamento. Decroly. Os precursores dos métodos ativos foram Rousseou. da seguinte forma: Métodos socializantes de ensino: Valorizam a interação social fazendo a Aprendizagem efetivar-se em grupo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 136 . reflexão. contribuindo com suas experiências e se beneficiando com as de seus companheiros. O grupo representa uma mostra da sociedade. conviver é que é difícil. segurança. participação.

apresentando as seguintes vantagens: 1. número de alunos na turma. uso de jogos. Propicia o desenvolvimento da criatividade. Incluem técnicas de trabalho em grupo. tipo de liderança predominante no grupo. a adequação do local. Métodos individualizados de Ensino: valorizam o atendimento às diferenças individuais e fazem a adequação do conteúdo ao nível de maturidade. à capacidade intelectual e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. Os métodos de ensino individualizado procuram. Por isso registram-se aqui técnicas socializantes de ensino-aprendizagem. a dramatização. As técnicas individualizantes encontram-se nas teorias dos educadores: Jean Piaget. ajustar o Ensino à realidade de cada educando. fundamentalmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 137 . dramatização. James E. 5. O educando passa a trabalhar com o máximo de liberdade. O educando passa a ser. 4. Possibilita a motivação e o incentivo individuais. Copyright © 2007. os pré-requisitos da classe quanto à maturidade. 3. o que favorece o crescimento pessoal. integração e tantas outras coisas mais. estudo do meio e conselho de classe. Smith Stone e outros que comprovam a necessidade de explorações e situações individuais estimuladoras para melhor desempenho do aluno. 2. faixa etária. conhecimentos. que deverá levar em consideração os objetivos que pretende alcançar. mas sob condições que lhe permitam desenvolver o senso da responsabilidade.respeito mútuo. O ensino é adequado às condições pessoais de cada educando. centro da ação educativa. A escolha caberá ao professor. expectativas e critérios de avaliação. realmente. o estudo de casos. experiências. Weigand.

que uma tarefa seja enfrentada em grupo e a seguir. Procura encarar o educando em seus dois aspectos fundamentais. estudo dirigido. que toma as suas decisões com base no seu próprio raciocínio. A vida corrente exige que o indivíduo enfrente situações sozinho. questionário. que só trabalham numa só direção. São exemplos: Métodos de solução de problemas. Não favorece a socialização do educando. método da descoberta. quais sejam. uma vez que este deve trabalhar sozinho. Esta modalidade de método de ensino é relativamente recente. como exige que enfrente situações de grupo. 138 Copyright © 2007. Assim. formar os cidadãos conscientes. pois. Pode-se citar como exemplo: aula expositiva. de indivíduo o de membro de uma comunidade ou de um grupo. procura oferecer oportunidade de trabalho individual e oportunidades de trabalho em grupo. individualmente e assim. o método sócio individualizante.As críticas que podem ser feitas ao ensino individualizado são: 1. 3. unidades didáticas e unidades de experiência. método Montessori. para que o aluno possa crescer nessas duas dimensões da sua personalidade. encontrando – se ainda na fase de “especulações pedagógica”. Não engrossando a fila dos engajados. método de projeto e recuperação. tem se um ensino muito caro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2. durante o estudo de uma mesma unidade. recomenda. Métodos socioindividualizados: Combinam duas atividades didáticas e as unidades de experiência. Os resultados obtidos nem sempre são proporcionais aos custos. Neste procedimento são considerados os aspectos individuais de sociais de grupo. isto é. sejam quais forem outros argumentos que não aqueles aos que se escravizou. Não oferece situações de estudo compatíveis com a realidade.

Recursos de Ensino É preciso que o professor tenha uma visão tão ampla que o faça: “Ir além das paredes da sala de aula”. Data show. 2. Gravuras. CD. O que são Recursos de Ensino? São componentes do ambiente da aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno.  Recursos Audiovisuais: Cinema.  Recursos auditivos: Rádio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 139 . Classificação dos Recursos de Ensino. etc. Televisão. Cartazes. Gravações. DVD. 1. Copyright © 2007. Tradicionalmente os recursos de ensino são classificados da seguinte maneira:  Recursos Visuais: Projeções. Episcópio.

é conveniente definir sobre que perspectiva busca-se compreender o Processo de Ensino como "ótimo". outra pedra angular é o critério da unidade dialética entre o Ensinar e o Aprender. Uma vez reconhecidas estas categorias se pode chegar a descobrir e argumentar o que fazer e a que se deve prestar atenção. Um critério básico e inicial em relação com a otimização do processo de ensinoaprendizagem é o enfoque sistêmico e dialético deste processo. planejamento e melhoramento científico. pois as ideias da otimização deste processo estão ligadas a sua concepção. Aqui. qual é o critério básico de qualidade e os fundamentos teóricos dos processos que estão dirigidos à otimização do Ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 140 . Qualidade Educativa Uma importante e problemática faceta didática do Processo de Ensino é conseguir determinar a estruturação do processo cognitivo mais conveniente para chegar a alcançar os objetivos propostos. Não obstante. com caráter sistemático e harmônico todos os componentes do processo. O assunto abordado requer uma precisa definição de termos. Questão que é intrínseca ao problema da qualidade de ensino. O que se entende por "ótimo" e por "ideal" no processo de ensino aprendizagem? Copyright © 2007. para a construção do caráter social. A otimização deste Processo de Ensino implica a organização científica do trabalho do docente e dos estudantes. procurando assim as estratégias e alternativas para a estruturação ótima do processo de ensino.U NIDADE 30 Objetivo: Refletir sobre a práxis pedagógica revestida de conceitos de qualidade. Uma fundamentação lógica para chegar à estrutura do Processo de Ensino seria uma metodologia geral condizente a um planejamento argumentado e que contemple.

As ideias de otimização do processo de ensino implicam as ideias de qualidade. a maior efetividade possível para resolver as tarefas da educação e instrução dos escolares. Tomando como critérios do ótimo. se entende por otimização do processo docente/educativo. em condições específicas. com os esforços encaminhados à melhoria das condições para o funcionamento do processo docenteeducativo. a Copyright © 2007. ou determinados grupos. Quando se fala de ótimo.  Quanto consegue articular o planejamento e as estratégias de ensino com os objetivos propostos. o conceito de ótimo significa o que é melhor do ponto de vista de determinados critérios. da melhor variante de estruturação deste processo. Neste caso. num determinado tempo. se destaca. obrigatoriamente.  Quando há uma combinação dos métodos que demandam uma atividade reprodutiva com aqueles que provocam a criatividade e autonomia dos alunos. não de forma geral. orientada a fim de assegurar. a seleção por parte dos pedagogos. A busca das variantes ótimas deve combinar-se simultaneamente. o ritmo da atividade docente e o êxito da aplicação do autocontrole. se tem em conta um conjunto de possibilidades com as quais contam os alunos e os professores. ou seja. haja uma determinação clara de quais são os critérios de efetividade e qualidade pretendida. a efetividade e o tempo de solução das tarefas planejadas. Diversos são os critérios sobre quando o ensino está organizado de forma ótima.Aqui. senão nas condições concretas da escola. É necessário que em todas as ações que se pretendem o melhoramento do processo. Eis aqui alguns deles:  Quando se contemplam plenamente as particularidades individuais dos estudantes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 141 . que se trata dos melhores resultados possíveis.

Hugo. Petrópolis. 2004. Copyright © 2007. é possível selecionar as melhores variantes de estratégias e estilos de ensinoaprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 142 . do autor: ASSMANN.partir daí. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES. (Re)encantar a educação: rumo à sociedade aprendente. RJ: Vozes. Leia o capítulo REENCANTAR A EDUCAÇÃO.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 143 .social. mediatizado pela realidade histórico . que provisoriamente formam unidades. na qual educador-educando estão inseridos. rouba ao homem a possibilidade de uma ação autêntica sobre esta realidade. referente à aquisição de um determinado conhecimento. Práxis: ação social fundamentada na ação-reflexão-ação. Diálogo Crítico: relação horizontal entre educador e educando. estabelecendo a dinâmica das transformações. num constante "vir-a-ser". faz com que o homem não perceba a realidade como totalidade. Dialética: processo gerado por aposições.G LOSSÁRIO Cognoscitivo: que tem a faculdade de conhecer. Visão Focalista: significa uma percepção parcializada da realidade. na qual se encontram as partes em processo de interação. Copyright © 2007.

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