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TÉCNICAS DE INSPEÇÃO EM TANQUES DE ARMAZENAMENTO

ÁREA: 3. Processos de fabricação, instrumentação, metrologia, automação, robótica e mecatrônica

Jancler Adriano Pereira Nicácio Petróleo Brasileiro S.A – Refinaria Gabriel Passos – REGAP Inspeção de Equipamentos e Instalações jancler@petrobras.com.br (31) 3529-4583 Rodovia Fernão Dias BR-381 Km 427 Bairro Pintados Betim-MG CEP: 32.510-000

Resumo

Com o objetivo de melhorar a disponibilidade e a continuidade do processo produtivo, minimizar a duração e a freqüência das paradas de manutenção, reduzir custos, minimizar perdas e maximizar a operação da planta com segurança, as metodologias de inspeção visam em identificar pontos críticos nos processos e nos equipamentos e desenvolver uma programação de inspeção voltada à confiabilidade operacional de forma a garantir a integridade dos equipamentos com menor custo de manutenção. Propõem-se o levantamento das melhores práticas de inspeção em tanques de armazenamento atmosféricos na indústria petrolífera, utilizando os ensaios não destrutivos disponíveis: inspeção visual, ensaio de emissão acústica, medição de espessura por ultra-som, MFL, Ultra Long Range Ultrasonics (Lorus), aliado ao API 581 (Inspeção baseada em risco-RBI).

Palavras-chave: Inspeção, Tanques, Integridade, Ensaios.

2 1. INTRODUÇÃO A inspeção de tanques de armazenamento e cercada de grande transtorno tanto

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1. INTRODUÇÃO

A inspeção de tanques de armazenamento e cercada de grande transtorno tanto da parte operacional, na logística para a transferência dos produtos, quanto econômica, pois o custo de um tanque parado é bastante elevado, deve-se sempre priorizar aqueles tanques de histórico ruim de inspeções. A grande dificuldade na avaliação de um tanque seria a determinação das condições do estado de seu fundo, pois não temos seu acesso em condições normais. Este trabalho abordará diversas técnicas e métodos de ensaios não destrutivos para está avaliação da integridade e das condições físicas de um tanque de armazenamento na indústria petrolífera, será feita a priorização na avaliação do fundo do tanque e o levantamento das melhores práticas adotadas de inspeção para a referida situação.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. A INSPEÇÃO VISUAL

Conforme a norma CONTEC Petrobras N-1597 (2008) a inspeção visual é um ensaio não-destrutivo por meio de visão, auxiliado ou não por dispositivo ótico. Sendo de fundamental importância o controle da iluminação ambiente ou artificial da peça a ser inspecionada ou do local de inspeção, e da correta preparação superficial para a realização do ensaio, de modo a eliminar sujeiras, óxidos, carepas, e demais contaminantes. A inspeção visual pode ser remota, quando geralmente o inspetor não possui acesso ao local de inspeção, neste caso podem ser adotadas ferramentas de inspeção remota como na figura 1, abaixo.

ferramentas de inspeção remota como na figura 1, abaixo. Figura 1: Método de inspeção visual remota
ferramentas de inspeção remota como na figura 1, abaixo. Figura 1: Método de inspeção visual remota

Figura 1: Método de inspeção visual remota em tubulações de grande diâmetro.

2.2 – EMISSÃO ACÚSTICA

Emissão acústica é um fenômeno que ocorre quando uma descontinuidade é submetida à solicitação térmica ou mecânica. Uma área portadora de defeitos é uma área de concentração de tensões que, uma vez estimulada, origina uma redistribuição de tensões localizadas. Este mecanismo ocorre com a liberação de ondas de tensões na forma de ondas mecânicas transientes. A técnica consiste em captar esta perturbação no meio, através de transdutores piezelétricos instalados de forma estacionária sobre a estrutura, ver figura 2.

3 Figura 2. Método de emissão acústica. FONTE: (SOARES, 2006) Segundo Soares (2006) o objetivo

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3 Figura 2. Método de emissão acústica. FONTE: (SOARES, 2006) Segundo Soares (2006) o objetivo é

Figura 2. Método de emissão acústica. FONTE: (SOARES, 2006)

Segundo Soares (2006) o objetivo é o de avaliar a condição de integridade, localizando e classificando

as áreas ativas quanto ao grau de comprometimento que eventuais descontinuidades impõem à integridade

estrutural. Áreas ativas classificadas como severas deverão ser examinadas localmente por técnicas de ensaios não destrutivos, como o ultra-som e partículas magnéticas, para caracterização da morfologia e dimensionamento dos defeitos presentes. A possibilidade de localização das descontinuidades sem a

necessidade de movimentação dos sensores permite o ensaio global de estruturas mesmo em áreas de difícil acesso.

Este trabalho se baseia no método de ensaio da emissão acústica para a determinação da condição de integridade do fundo. O procedimento TankPac: Tank Floor Test Procedure. Documento que disciplina e execução do ensaio, e a aplicação de critérios de análise fundamentados no histórico de ensaios em 1.000 tanques de armazenamento.

2.3 – MEDIÇÃO DE ESPESSURA POR ULTRA-SOM

Santin (2003) afirma que a medição de espessuras é a utilização mais freqüente do ensaio por ultra-

som. A importância da medição de espessuras por ultra-som deve-se primeiro ao fato do ensaio não necessitar

o acesso à parede oposta para a sua execução, o que permite o acompanhamento do desgaste de um

equipamento sem a necessidade da interrupção do seu funcionamento. Isto é extremamente importante no caso de uma refinaria de petróleo, por exemplo, aonde os equipamentos chegam a operar durante anos sem interrupções, com a segurança garantida pelo ensaio de ultra-som de medição de espessuras. Outro motivo importante é a rapidez na sua execução e obtenção dos resultados, onde o inspetor em poucos segundos pode determinar a espessura de uma peça, em geral, é utilizado o cabeçote duplo-cristal.

2.4 – VAZAMENTO DE FLUXO MAGNÉTICO (MFL)

Conforme Silva (2006) o método da medição de fluxo magnético, mais conhecido como Magnetic Flux Leakage – MFL é muito usado em refinarias de petróleo, onde é muito comum a corrosão em equipamentos como tanques de armazenamento. Consiste na aplicação de um campo magnético ao material a

ser testado, e na medição das distorções do fluxo magnético causadas por falhas no material. As aplicações deste método estão restritas a materiais ferromagnéticos e incluem a detecção de trincas e falhas provocadas por corrosão, a medição de mudanças dimensionais e a observação de variações na permeabilidade magnética.

A figura 3 abaixo ilustra como a distribuição das linhas do fluxo magnético é afetada devido à presença de um

defeito em uma barra metálica. As linhas de fluxo atravessam a superfície do material, isto é, o fluxo

magnético “vaza” para fora da amostra. Associado a este fenômeno surgem pólos magnéticos nos lados opostos do defeito.

4 Figura 3. Método de Magnetic Flux Leakage – MFL aplicado a uma barra metálica

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4 Figura 3. Método de Magnetic Flux Leakage – MFL aplicado a uma barra metálica defeituosa.

Figura 3. Método de Magnetic Flux Leakage – MFL aplicado a uma barra metálica defeituosa. FONTE: (SILVA, 2006)

2.5 – ULTRA LONG RANGE ULTRASONICS (LORUS)

A técnica LORUS (Long Range Ultrasonic System) foi desenvolvida para a detecção de corrosão em

locais de difícil acesso, como por exemplo:

- regiões em tubulações ou vasos sob suporte (selas);

- tubulações isoladas térmicamente;

- chapas da região anular de tanques;

- nas regiões dos suportes;

- sob chapas de reforço em bocais juntas de geometria complexa

Segundo Carneval et al (2002) trata-se de uma técnica pulso-eco melhorada em termos de cabeçote, sistema eletrônico e software, para permitir a inspeção à distância considerável, tipicamente 1m, conforme mostrado na figura 5. O cabeçote empregado pela técnica produz ondas ultra-sônicas internas para propiciar uma pequena atenuação. O sistema de armazenamento de dados foi desenvolvido especialmente para emprego com essa técnica. Uma das principais aplicações da técnica LORUS e a detecção de corrosão em chapas anulares de fundo de tanque. Esta região é considerada crítica, devido estar sustentando todo costado do tanque, logo está sujeita a alta tensão e possíveis falhas podem acarretar em derrame de produto, colocando em risco pessoas e o meio ambiente. As técnicas não-destrutivas convencionais, magnética e ultra-sônica, requerem acesso interno para serem realizadas (somente durante as paradas de manutenção) e necessitam de limpeza da chapa para sua realização (implicando em altos custos). Dessa forma a vantagem da aplicação da técnica LORUS é que ela permite que o tanque fique em operação.

LORUS é que ela permite que o tanque fique em operação. Figura 5. Desenho esquemático da

Figura 5. Desenho esquemático da propagação das ondas na inspeção do fundo de tanques de armazenamento. FONTE: (CARNEVAL et al, 2002)

A técnica LORUS tem restrições tais como: condições da chapa anular podem diminuir a área de

inspeção; a superfície de varredura deve esta livre de impurezas, soldas, corrosão, revestimento, não descrimina o lado onde esta havendo corrosão, não permite o dimensionamento preciso dos alvéolos de corrosão, mas a reflexividade da área corroída é usada para estimar a gravidade da corrosão.

5 2.6 – INSPEÇÃO BASEADA EM RISCO (RBI) Conforme Eckstein et al (2002) a inspeção

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2.6 – INSPEÇÃO BASEADA EM RISCO (RBI)

Conforme Eckstein et al (2002) a inspeção baseada em risco (RBI) tem como princípio a quantificação das conseqüências de uma falha estrutural que cause um vazamento, bem como o cálculo da probabilidade deste evento ocorrer. Com estes parâmetros calculados é possível plotar em uma matriz do tipo “Conseqüência versus Probabilidade” de cada equipamento, e assim determinar o risco que eles representam. De posse dos riscos individuais dos equipamentos, é possível determinar planos de inspeção adequados às características de acumulo de dano que cada um apresenta, permitindo assim administrar o risco em cada planta industrial, ver figura 6.

o risco em cada planta industrial, ver figura 6. Figura 6. Representação da matriz de probabilidade

Figura 6. Representação da matriz de probabilidade de falha versus conseqüência da falha no cálculo do RBI. FONTE: (ECKSTEIN et al, 2002)

O Documento API 581 – Risk Based Inspection é, até o momento, a única metodologia publicada em seus detalhes, formando um conjunto de procedimentos de cálculo que permitem a determinação tanto das conseqüências quanto da probabilidade de uma falha estrutural, em função das características de projeto, operação e de inspeção dos equipamentos.

3. METODOLOGIA

No decorrer deste trabalho foi ensaiado usando as técnicas acima descritas um tanque de armazenamento de petróleo, mostrado na figura 7. Os dados técnicos do tanque estão citados na tabela 1 abaixo.

Tabela 1. Dados técnicos do tanque de armazenamento ensaiado.

TAG

27-TQ-01M

Fluído

Petróleo

Pressão

Atmosférica

Temperatura

Ambiente

Modelo

Teto flutuante

Código de projeto

API 650 - 1973

Ano de fabricação

1976

Proteção catódica

Possui

6 Material ASTM A283 GR. C Volume 87.000 m³ Diâmetro 86.500 mm Altura 12.000 mm
6
Material
ASTM A283 GR. C
Volume
87.000
Diâmetro
86.500
mm
Altura
12.000
mm
Isolamento térmico
Não possui

FONTE: (PETROBRAS S.A. Arquivo de dados técnicos de equipamentos, 2007)

S.A. Arquivo de dados técnicos de equipamentos, 2007) Figura 7. Tanque de armazenamento de petróleo objeto

Figura 7. Tanque de armazenamento de petróleo objeto de estudo.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

No ensaio visual no teto nas chaparias e juntas soldadas em bom estado de conservação, com algumas deformações em chapas nas regiões leste e oeste. Bocas de visita e conexões em bom estado físico e sem vazamentos. Nas chaparias do costado não foram detectadas anormalidades relevantes estando em boas condições físicas, a pintura encontra-se com falhas generalizadas e aparecendo a tinta de fundo. Na inspeção visual interna do fundo as chapas e juntas soldadas apresentaram boas condições físicas, porém na região central houve uma corrosão alveolar generalizada com alvéolos de maior profundidade devido à falha na pintura (ver ensaio de emissão acústica), removidas 05 (cinco) bolachas para avaliação da chaparia externa não sendo detectadas anormalidades. No ensaio de medição de espessura foi utilizado um transdutor DA301 com freqüência de 5MHZ, com o escovamento da superfície e na temperatura ambiente. Foram medidos 06 (seis) pontos ao longo do costado do tanque, 01 (um) ponto por anel, e 05 (cinco) pontos do teto nas coordenadas: norte, sul, leste, oeste e central. Observa-se que as medidas estão próximas as da nominal. No ensaio de emissão acústica foi adotado o método TankPac na empresa “PASA – Physical Acoustics South América”, onde a instrumentação utilizada consta de: Sensores: LDS-1, ganho de pré-amplificação: 30 dBs, Limite de referência: 35 dBs, acoplante dos transdutores: graxa, tipo de fixação dos sensores:

magnéticos. O resultado do ensaio mostra que o tanque está no nível C-4, classificação III. Com a recomendação TankPac: Não retirar do serviço e reavaliar em 01 (um) ano. Assim o ensaio de emissão acústica não mostrou que o tanque esteja com um processo corrosivo acentuado. Porém indicou sinais de atividade mais localizados na região central, conforme indicado na inspeção visual interna do fundo. O resultado da inspeção baseada em risco (RBI) com base no API 581, com os seguintes resultados:

Risco atual: 2C – Médio. Risco futuro sem inspeção: médio-alto 4C (até 2017). Risco futuro com inspeção: médio 3C (efetividade D em 2016).

7 Programação pelo software API-RBI para a próxima intervenção interna: Junho de 2011 O software

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Programação pelo software API-RBI para a próxima intervenção interna: Junho de 2011

O software utiliza um modelamento matemático para avaliação da probabilidade e da conseqüência de

falha do equipamento, neste modelamento são considerados os mecanismos de danos, características do fluido armazenado, características de projeto do equipamento, histórico de inspeções, reparos realizados, taxas de corrosão e características na base e do solo. As técnicas de inspeção Lorus e MFL não foram aplicadas na avaliação deste equipamento.

5. CONCLUSÃO

Diante do exposto das técnicas de inspeção em tanques atmosféricos de armazenamento de petróleo, verificamos que a técnica mais eficiente na avaliação da integridade do fundo do tanque é a inspeção visual, porém a que requer a liberação e parada do mesmo. As técnicas onde não se requer a parada do equipamento são indicativas da presença de descontinuidades, sendo necessárias na grande maioria das vezes auxilio de outras técnicas de inspeção ou mesmo a parada do equipamento.

O ensaio de medição de espessura foi uma grande ferramenta para a previsão de acompanhamento da

vida residual da chaparia do tanque, servindo de um alarme para nas condições de exposição atuais do tanque,

planejamento das freqüências de inspeção.

O ensaio de emissão acústica revelou áreas ativas na chaparia do fundo, porém não quantificou essa

atividade, o que foi confirmado pela inspeção interna do tanque, novamente sendo necessária a parada do

equipamento.

A metodologia do RBI foi aplicada para a previsão de um plano de inspeção para o tanque, sendo que

seus resultados resultam na próxima inspeção interna em 2011. Podemos verificar que nenhum método de inspeção, substitui a inspeção interna, sobretudo das condições de integridade das chapas do fundo, as técnicas hoje adotadas fornecem subsídios e orientações de em uma impossibilidade de abertura do tanque para a inspeção, termos uma previsão das condições físicas do fundo do tanque.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARNEVAL, R. O.; RAMOS, J. G.; HENRIQUES, J. R. F.; GALLO, F. Método rápido para detecção de processo corrosivo por ultra-som. COTEQ 198, 6º COTEQ, Salvador, 2002, 21p;

CONTEC. Norma Petrobras N-1597 Revisão E. Ensaio Não-Destrutivo Visual. Rio de Janeiro, 2008. 12p;

ECKSTEIN, C. B.; JATKOSKI, E.; ETTER, J. A. N. Inspeção baseada em risco segundo API 581, aplicação do API-RBI Software. COTEQ 161, 6º COTEQ, Salavador, 2002, 10p;

PETROBRAS S.A. Relatórios de inspeção de tanques de armazenamento. Prédio da inspeção de equipamentos da REGAP, sala 02, armário 04, gaveta 01, U-27, pasta 15, 2007;

SANTIN, J. L. Ultra-som: Técnicas e Aplicação. 2º edição. Curitiba. Paraná, 2003. 255p;

SILVA, M. A. TUS, R. The use of high resolution magnetic flux leakage for life prediction. NDT. 2006.

6p;

SOARES, S. D. Apostila do curso de formação de técnicos de inspeção da Petrobras. São José dos Campos, 2006. 66p

7. DIREITOS AUTORAIS 8 Os autores são os únicos (e inteiramente) responsáveis pelo conteúdo deste

7. DIREITOS AUTORAIS

8

Os autores são os únicos (e inteiramente) responsáveis pelo conteúdo deste trabalho.

Techniques of inspection in tanks of storage

Abstract. With the objective to improve the availability and the continuity of the productive process, to minimize the duration and the frequency of the maintenance stops, to reduce costs, to minimize losses and to maximize the operation of the plant with security, the inspection methodologies aim in identifying critical points in the processes and the equipment and developing a programming of inspection directed to the operational trustworthiness of form to guarantee the integrity of the equipment with lesser cost of maintenance. They consider the survey of best the practical ones of inspection in atmospheric tanks of storage in the petroliferous industry, using the available non destructive testings: visual inspection, emission acoustics, measurement of thickness for ultrasound, MFL, Extreme Long Range Ultrasonics (Lorus), ally to API 581 (Inspection based on risk-RBI).

Keywords: Inspection, Tanks, Integrity, Assays.