UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ENGENHARIA GEOTÉCNICA E DE FUNDAÇÕES

Disciplina: FUNDAÇÕES

Código: 101134

Professor: Erinaldo Hilário Cavalcante

Notas de Aula

FUNDAÇÕES SUPERFICIAIS Capítulo 5 – Recalques
Aracaju, maio de 2005.

ÍNDICE 1.0 2.0 2.1 2.2 2.3 Introdução Classificação dos Recalques Totais ou absolutos (w) de uma sapata isolada Diferenciais ou relativos (δ) entre duas sapatas vizinhas Distorção angular ou recalque diferencial específico ( δ l ): é a diferença de 3 3 3 3 3

recalques entre duas sapatas dividida pela distância entre elas 3.0 3.1 3.1.1 MÉTODOS PARA PREVISÃO DE RECALQUES DE FUNDAÇÕES DIRETAS Equações dos Métodos Teóricos Métodos diretos para estimativa de recalque imediato 6 7 7 8 10 10 11 11 11 12 14 14 16 17 18 18 18 19 20 21 21 24 6

3.1.1.1 Equação baseada na Teoria da Elasticidade 3.1.1.2 Método de Janbu 3.1.2 3.2 3.2.1 Método indireto: também chamado método de cálculo de recalque por camadas Métodos Semi-Empíricos Métodos semi-empiricos baseados no SPT

3.2.1.1 Método de Terzaghi & Peck (1948; 1967) 3.2.1.2 Método de Meyerhof (1965) 3.2.1.3 Método de Burland & Burbidge (1985) 3.2.2 3.3 3.4 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.4.4 3.4.5 4.0 5.0 6.0 Métodos semi-empiricos baseados no CPT Métodos Empíricos Prova de Carga em Placa Quanto à localização Quanto ao tipo de placa Quanto ao modo de carregamento Extrapolação dos Recalques da Placa para a Fundação Ensaio de três placas Influência de Fundações Vizinhas EXEMPLO DE APLICAÇÃO Bibliografia Consultada 3.2.2.1 Método de Schmertmann (1970; 1978)

2

Ocorrem quando as tensões aplicadas superam a tensão crítica de escoamento do terreno de fundação. por mais sofisticados que sejam. Segundo Velloso e Lopes (1996). Esse deslocamento resulta da deformação do solo sobre o qual se apóia o elemento da fundação. Indeterminados: oriundos do escoamento visco-plástico do solo de fundação. passagem de túneis. etc. deve ser encarado como uma estimativa. corrosão do aço.1 Totais ou absolutos (w) de uma sapata isolada 2.0 Classificação dos Recalques 2.3 Distorção angular ou recalque diferencial específico ( δ duas sapatas dividida pela distância entre elas. 2.0 Introdução Define-se recalque de uma sapata. Por deterioração das fundações: aprodecimento de estacas de madeira. A Figura 1 ajuda a compreender como se processa fisicamente o recalque de uma fundação superficial sob carga vertical centrada. sofrido pela base da fundação em relação ao indeformável. No caso de tubulões e estacas. deterioração do concreto.. Imprevisíveis: provocados pela execução posterior de obras vizinhas (escavações. de forma que o resultado dos cálculos. em conseqüência de erros de cálculo das cargas aplicadas ou do desconhecimento da resistência ou compressibilidade real do terreno. de galerias. rebaixamento do lençol freático) problemas na execução das fundações. a previsão de recalques é um dos exercícios mais difíceis da Geotecnia. 3 ): é a diferença de recalques entre l .1.2 Diferenciais ou relativos (δ) entre duas sapatas vizinhas Vargas (1981) ainda classifica os recalques da seguinte forma: Normais: recalques previsíveis e calculáveis provenientes da compressão do solo de fundação sob a ação das cargas do edifício. como sendo o deslocamento vertical para baixo. agressões do meio ambiente. deve-se adicionar a esta deformação a parcela de compressão elástica do fuste para obter o recalque no topo. 2.

que se processa linearmente com o logaritmo do tempo. A fórmula teórica de Terzaghi permite o cálculo do recalque final de adensamento. que se processam. o qual resulta de deformações volumétricas (diminuição do índice de vazios). deve-se limitar a tensão admissível em fundações diretas ao valor da tensão de pré-adensamento. como o decorrer do tempo.Figura 1 – Recalques de uma fundação superficial sob carga centrada (Velloso e Lopes. em tempo t. processase em tempo muito curto. pois a baixa permeabilidade das argilas dificulta a expulsão da água intersticial. Essa parcela de recalque é chamada de recalque imediato. Dessa forma. Todavia. O adensamento se processa com a dissipação das pressões neutras. em parte. Ao contrário do adensamento. Como regra geral. mesmo após da pressão neutra se aproximar de zero. imediatamente após o carregamento e. Portanto. 4 . lentamente com o decorrer do tempo. oriundo da saída água dos poros (com a conseqüente redução no índice de vazios). em condições não-drenadas em argilas e condições drenadas em areias. Há ainda uma parcela de recalque denominada de recalque secundário (ws). em parte. 1996). as sapatas e os tubulões podem ser apoiados em argilas desde que elas sejam argilas sobreadensadas. bem como os procedimentos para cálculo do recalque parcial para qualquer percentual de adensamento. por razões óbvias. o recalque total será a soma das referidas parcelas: wf = wi + wc + ws (1) O recalque de adensamento é típico das argilas saturadas sob carregamentos permanentes. Nas fundações diretas também ocorre uma parcela de recalque proveniente de deformações a volume constante (sem redução do índice de vazios). sempre que possível. teoricamente em tempo infinito. Uma fundação ao ser carregada sofre recalques. quase simultaneamente à aplicação do carregamento. devido a fenômenos viscosos (fluência). o recalque absoluto (wf) se compõe de duas parcelas: o recalque imediato (wi) e o recalque devido ao adensamento (wt).

uma vez que não há diminuição de volume (nem diminuição de vazios). mediante a comparação das curvas de carregamento e de descarregamento. em termos de compressibilidade. De fato.: Recalques absolutos elevados. OBS1. 5 .Considerando um elemento de solo sob a base da sapata ou tubulão. (a) elástico-linear. muitos autores preferem a designação de recalque de distorção. mas de mesma ordem de grandeza em todas as partes da fundação.: Se o subsolo fosse homogêneo e todas as sapatas tivessem as mesmas dimensões. em conseqüência. a denominação recalque elástico é inadequada. como o tamanho das sapatas de um edifício pode ser diferente por causa das cargas dos pilares não serem as mesmas. geralmente podem ser aceitáveis. Por isso. o recalque imediato também é chamado de recalque elástico. os solos não são materiais elásticos e. os recalques seriam praticamente uniformes. Como há muita confusão entre elasticidade e linearidade. os recalques imediatos geralmente não são recuperáveis com o descarregamento. Entretanto. Figura 2 – Comportamento tensão x deformação. (c) linear não-elástico. é preferível substituir a denominação Módulo de Elasticidade por Módulo de Deformabilidade. os recalques desiguais (diferenciais) é que preocupam. OBS3. é importante entender que um material pode ser elástico-linear. ou reversíveis apenas parcialmente. surge mais uma fonte de recalques diferenciais. (b) elástico não-linear. Por isso. Além disso. um edifício pode sofrer movimentos verticais (translação) acompanhados ou não de inclinação (rotação). elástico não-linear e linear não-elástico. como mostra a Figura 2. o recalque imediato corresponde a uma distorção desse elemento. No emprego da Teoria da Elasticidade para cálculo de recalques. OBS2.: Devido aos recalques. Mas o uso da Teoria da Elasticidade Linear justifica-se porque é bem razoável a hipótese de comportamento tensão-deformação linear até níveis de tensão inferiores à tensão admissível em fundações diretas. conforme sugere Vargas (1978). Entretanto. gera recalques desiguais. a variabilidade do solo. Por ser calculado pela Teoria da Elasticidade.

bem como as características das camadas de solo influenciadas pela placa e pela fundação. com as deformações específicas integradas posteriormente. 6 . são combinados a modelos para previsão dos recalques teoricamente exatos. obtidos em ensaios de laboratório ou de campo. Exemplos: Teoria da Elasticidade e Métodos Numéricos. de natureza estática (Cone e Pressiômetro) e dinâmica (SPT). c) Empíricos (Tabelados) Consiste no emprego de tabelas de valores típicos de tensões admissíveis com base na descrição do terreno de fundação (classificação e determinação da compacidade ou consistência por meio de investigações geotécnicas).3. são combinados a modelos de previsão de recalques teoricamente exatos ou adaptações deles.0 MÉTODOS PARA PREVISÃO DE RECALQUES DE FUNDAÇÕES DIRETAS a) Teóricos ou Racionais Os parâmetros de deformabilidade. Exemplo: cálculo de recalques por camadas. 3. b) Semi-Empíricos Os parâmetros de deformabilidade. Cálculos indiretos: o recalque é obtido à parte. obtidos por meio de correlações empíricas a partir de ensaios in situ. d) Provas de Carga Sobre Placa Métodos que utilizam os resultados do ensaio de prova de carga sobre placa. Na NBR 6122 (1996) os recalques admissíveis de fundações superficiais são da ordem de 25mm. considerando que o embutimento da fundação em solos granulares é D ≤ 1m. interpretando-os de modo a levar em conta as relações de comportamento entre a placa e a fundação real. Os recalques associados às tensões admissíveis indicadas são usualmente aceitos em estruturas convencionais.1 Equações dos Métodos Teóricos Os cálculos podem ser de duas espécies: i) ii) Cálculos diretos: o recalque é fornecido diretamente pela solução empregada.

pode ser estimado por uma equação oriunda da Teoria da Elasticidade: w = qB onde. conforme ilustrado na Figura 3. q = tensão aplicada B = menor dimensão da fundação ν = coeficiente de Poisson E = módulo de elasticidade Is = fator de forma Id = fator de profundidade Ih = fator de espessura da camada compressível. seja no mínimo igual 0. apoiada sobre argilas préadensadas. Para carregamento aplicado na superfície de um meio de espessura infinita. Sugere-se desprezar o fator Id. Id = Ih = 1. adotando-o igual a 1. com carga centrada centrada.25 (B-b). 7 . Para uma sapata em concreto armado ser considerada rígida.1 Equação baseada na Teoria da Elasticidade O recalque de uma sapata. ou seja: 1 −ν 2 IS Id Ih E (2) h≥ B−b 4 (3) Figura 3 – Critério de rigidez de uma fundação superficial.3.1. é preciso que a altura de sua base. O valor de Is pode ser obtido da Tabela 1.1. h.1.1 Métodos diretos para estimativa de recalque imediato 3.

1 −ν 2 w = µ 0 µ1σB E camada e da forma da fundação. baseado na Teoria da Elasticidade. Tabela 2 – Valores de Is. Valores de Is. 1958. 1966). 1975). considera que a camada de solo abaixo da fundação tem espessura semi-infinita. 3. o que nem sempre acontece. conforme mostrado na Figura 4. Janbu (1966) propôs um cálculo alternativo de recalque imediato considerando a espessura finita da camada. da espessura da .1.1. 8 (4) em que µ0 e µ1 são fatores dependentes do embutimento da fundação.Tabela 1 – Fatores de forma (Is) para carregamentos na superfície de um meio de espessura infinita (Perloff. Harr.Ih para carregamentos atuando na superfície (Id =1) de um meio de espessura finita (Egorov.2 Método de Janbu Como o método anterior.Ih estão propostos na Tabela 2.

de largura B e comprimento L (ou circular.Figura 4 – Fatores µ0 e µ1 para o cálculo de recalque imediato de sapata em camada argilosa fina (Janbu et al. É o caso de argilas saturadas em condições não-drenadas. 1981). apud Simons & Menziens. o recalque médio de sapatas flexíveis será: w = µ 0 µ1 σB Es (5) em que Es é o módulo de elasticidade do solo. apoiada a uma profundidade h da superfície do terreno e que a camada de solo compressível tem espessura H. de diâmetro B).50). 1956. pode-se considerar que as deformações ocorrem a volume constante (ν = 0. contada a partir da base da sapata (Figura 4). 9 .. Neste caso. No caso de uma sapata retangular.

Como se obtêm as correlações? i) ii) a partir de resultados de ensaio de penetração. iii) combinando as tensões geostáticas com o acréscimo de tensões e as propriedades da subcamada.3. obtém-se a deformação específica média da subcamada (εz). não especificamente aqueles que visam obter o comportamento tensão – deformação dos solos (triaxial. etc. As correlações permitem a estimativa de propriedades de deformação por meio de ensaios outros. Estes outros ensaios seriam o Cone de Penetração (CPT) e o ensaio de penetração padrão (SPT).). edométrico.2 Método indireto: também chamado método de cálculo de recalque por camadas Procedimentos: a) divide-se o terreno em subcamadas. a partir de propriedades obtidas de ensaios do tipo tensão-deformação executados com amostras retiradas do local do ensaio de penetração. 10 . pressiômetro. ensaio de placas.1. ∆h iv) (6) somando as parcelas de recalques das subcamadas.2 Métodos Semi-Empíricos O termo semi-empírico se deve à introdução de correlações matemáticas com respaldo estatístico para a definição de propriedades dos solos. O produto da deformação pela espessura (∆h) da subcamada fornece a parcela de recalque da subcamada. em função de: a. tem-se o recalque total: (7) w = ∑∆w 3. Proximidades da carga: subcamadas devem ser menos espessas aonde são maiores as variações no estado de tensão. usando soluções da teoria da elasticidade. ‘ ii) cálculo: no ponto médio da subcamada e na vertical do ponto onde se deseja conhecer o recalque das tensões geostáticas e do acréscimo de tensão (∆σ). Propriedades dos materiais b. ou seja: ∆w = εz .

2.1. 11 . (1974) propuseram ábacos para a estimativa da σadm para um recalque admissível de 1 polegada.2. D e do valor de Nmédio. conforme apresentado na Figura 5. propõe-se: σ adm = para B ≤ 4 pés N SPT wadm 8 e (9) wadm está em polegadas σadm é obtido em kgf/cm2 σ adm =   N SPT − wadm  B + 1´  2    12   B      (10) onde B está em pés.1. sugere-se reduzir em 50% o valor da σadm.1 Métodos semi-empiricos baseados no SPT 3. 1967)    σ adm = 4. Figura 5 – Ábacos para obtenção da σadm de sapatas em areia (Peck et al. 3. Peck et al. 1974).4 N SPT − 3  B + 1´      2 10  2B  (8) OBS.2 Método de Meyerhof (1965) Para sapatas apoiadas em areias. 3.: Se o nível d´água estiver superfície. em função de B.1 Método de Terzaghi & Peck (1948.2.iii) das propriedades de deformação obtidas através de retroanálises de medições de recalques de fundações.

3.8 (variáveis) t = tempo (em anos).71 w =  q − σ ´ . Com os fatores fs e fl dados por:    =          + 0.2.2 (cargas estáticas) e 0. 12 .7.4 SPT w = q. Ncorr =1. f s. em kgf/cm2 fs = fator de forma fl = fator de espessura de camada compressível (H) NSPT = resistência à penetração média na profundidade Z1. iii) Ocorrendo pedregulhos sugere-se usar: Figura 6 – Procedimento para obtenção da profundidade de influência da fundação. em areias finas ou siltosas submersas. em mm q = tensão aplicada pela fundação.1. f s. ii) Para NSPT > 15. usar: Ncorr = 15 + 0.7.25 NSPT iv) A estimativa do recalque com o tempo é feita incorporando o fator ft: t 3 f t = 1 + R3 + Rt log (13) R3 = 0.25 L B fs L B e H  H   se H < Z1 2 − fl =  Z1  Z1       NOTAS SOBRE APLICAÇÃO DO MÉTODO i) Areias pré-comprimidas   2 1.25    1.3 Método de Burland & Burbidge (1985) O recalque de fundações superficiais em areias é obtido pela expressão: 1.5(NSPT – 15). em que.3 (cargas estáticas) e 0. f l (11) em que w = recalque previsto.4 SPT (12) em que σ´va é a tensão de pré-compressão.71 N 1.7 (variáveis) Rt = 0.B0. f l  va    3   N 1.B0. obtido da Figura 6.

Z1. B. viii) Se H ≥ Z1. x) Admite-se que uma sapata é retangular quando a relação 1 > L B ≤ 5 . em função da largura da fundação. a média do NSPT é obtida até a profundidade correspondente a 2B ou até a base da camada menos resistente. Para L B > 5 . ix) Se a sapata for quadrada. 13 .0.v) A resistência à penetração média (NSPT) é calculada dentro da profundidade de influência. vi) Se a resistência do solo abaixo da cota de apoio da fundação for decrescente ao longo da profundidade. fs = 1. o valor de fl =1. sendo adotado o menor dos dois valores. vii) Entende-se por espessura de camada compressível (H) o solo ou pedregulho contido abaixo da cota onde a fundação se apóia até à rocha ou até o estrato impenetrável. considera-se sapata corrida.0. obtida da Figura 6. se a resistência do solo abaixo da cota de apoio da fundação for constante ou crescente com a profundidade.

ou com base nos valores sugeridos na Tabela 3 seguinte: E = 2. conforme as equações onde qc é a resistência de ponta medida no ensaio de CPT. Assim. E. pode-se obter indiretamente o valor de qc = K NSPT.3.5 x qc ⇒ para sapatas corridas. ou E = 3. o recalque da fundação pode ser previsto. ε . Schmertmann criou o índice de deformação específica. indicando que estes perfis exibiam um pico a uma profundidade da ordem de B/2.1 Método de Schmertmann (1970. O valor de ∆σ = q .σ´v0 representa o alívio de tensão vertical motivado pela escavação.2.2 Métodos semi-empiricos baseados no CPT 3.q ∑ εi z i = 1 Ei (18) em que o Índice de deformação de pico. 14 .p é calculado conforme indicações da Figura 7.5 q b) devido a deformações de origem viscosa (fluência) – efeito do tempo. incluindo os efeitos de embutimento e tempo.1 a seguir. conforme mostrado na Tabela 4.2. a equação do recalque proposta por Schmertmann. e conhecido o módulo de elasticidade. Com o perfil de deformação específica. (16) t C2 = 1 + 0. Schmertmann (1970) propôs ainda duas correções: a) para considerar o embutimento da fundação C1 = 1 − 0. Iε. 1978) Schmertmann (1970) compilou vários perfis de deformação específica (εz) medidos em baixo de placas de prova.2 log 0.d z = q n I εi ∆ z w = ∫0 ε z d z = q ∫0 B ∑ E i = 1 Ei (14) (15) em que. e que a deformação se anulava em cerca de 2B. q = tensão aplicada E = módulo de elasticidade H = espessura total. Iε.5 v0 com C1 ≥ 0.E Iε = z q H 2 Iε . Não se dispondo de ensaios de CPT. σ. (17) Os valores de E podem ser estimados a partir de correlações empíricas.2. Finalmente. toma a seguinte forma: n I ∆ w = C1C2.5 x qc ⇒ para sapatas circulares e quadradas.

silte arenoso.40 a 0.20 0.60 0.35 pedregulhos Compacta 120 Argila arenosa 30 a 40* Silte 3 a 10** Areia siltosa 7 a 20* 10 a 20 0.40 0.53 0.45 Muito compacta 90 Areia com Pouco compacta 50 70 a 170 0.60 0. Tabela 3 – Valores sugeridos para E e υ (Teixeira e Godoy.Figura 7 – Perfis de índice de deformação específica (Schmertmann. argilosa. argila arenosa Silte argiloso Argila e argila siltosa 0. em MPa.20 a 0.30 a 0. Tipo de solo Schmertmann Danziger e Velloso Areia Areia siltosa. 2000).20 a 0. Das.50 15 . 1978).40 compacta Compacta 70 35 a 55 0.48 0. 1998. silto-argilosa Silte. em função do tipo de solo propostos por Schmertmann (1970) e Danziger e Velloso (1986).50 Argila Rija 7 40 a 100 Muito rija 8 Dura 15 Fofa 2 10 a 25 0.25 a 0.30 0.15 a 0.30 a 0.40 Pouco compacta 20 Areia Medianamente 50 15 a 30 0.25 a 0.40 Tabela 4 – Valores de K. E (MPa) E (MPa) υ Consistência ou Solo Teixeira e Godoy DAS (2000) compacidade (1998) Muito mole 1 Mole 2 4 a 20 Média 5 20 a 40 0.

deve-se considerar que esse valor está associado a um recalque admissível. usando-se como fator de ponderação o acréscimo de tensão provocado pela fundação.3 Métodos Empíricos A previsão do recalque é feita com base na descrição do terreno (classificação e determinação da compacidade ou consistência através de investigações geotécnicas). Em perfis arenosos. Figura 8 – procedimento para obtenção de NSPT representativo por média ponderada (Lopes et al. é comum se encontrar a situação em que NSPT varia com a profundidade. ou seja. Esses métodos são apresentados na forma de tabelas de tensões admissíveis. pode-se fazer uma ponderação de valores até a profundidade atingida pelo bulbo de tensões. para recalques admissíveis limitados a 25mm. deve-se tomar o valor do maior B previsto para calcular o Nméd no trecho correspondente a 2B. (1994) é esquematizada na Figura 8. Para o cálculo do acréscimo de tensão em cada camada. 1994). cujos valores estão reproduzidos na Tabela 5. Embora as tabelas indiquem um valor de tensão admissível para cada tipo de solo. 3. citada por Velloso e Lopes (1996). proposta por Lopes et al.Nota: Ao aplicar um método semi-empírico baseado no SPT. A NBR 6122 (1996) propõe valores de tensões admissíveis de acordo com o tipo de solo. recomenda-se recorrer a um dos diversos métodos presentes na literatura. medido a partir da base da fundação. como por exemplo. Cabe 16 . Quando o método não indica como proceder para obtenção da média de NSPT. os ábacos de Newmark e Osterberg. usualmente aceito por estruturas convencionais. Uma sugestão apresentada por Velloso e Lopes (1996).

Esse tipo de ensaio. consiste na instalação de uma placa rígida de aço. Os resultados são apresentados na forma de curva tensão-recalque medidos (ver Figura 9). expressa em m2.50m2).: Para solos argilosos (classes 10 a 15) os dados da Tabela 5 são aplicáveis a um corpo de fundação não superior a 10m2. 1 metro.ressaltar que os valores dessa tabela são válidos para o caso da profundidade de embutimento da fundação no solo granular ser de. no máximo. OBS. também é possível o método experimental. Para áreas maiores. por meio de provas de carga sobre placa. 3. com diâmetro de 0.80m (0. deve-se reduzir os valores da tabela de acordo com a seguinte equação:  10  σ adm = σ 0   2    A   1 (19) onde A = área total da parte considerada ou da construção inteira.4 Prova de Carga em Placa Além da forma analítica ou teórica para previsão de recalques imediatos de sapatas. normalizado no Brasil pela NBR 6489 (1984). Tabela 5 – Tensões básicas da norma NBR 6122 (1996). na mesma cota de projeto das 17 .

18 . e aplicação de carga.4. Figura 9 – Arranjo típico de uma prova de carga sobre placa e curva tensão-recalque.3 Quanto ao modo de carregamento a) Carga controlada (em incrementos ou com carga cíclica) b) Deformação controlada Na prova de carga convencional. 3. conforme prescrito pela norma brasileira.1 Quanto à localização a) Em superfície b) Em cavas c) Em furos 3. esse ensaio só é aplicável para solos razoavelmente uniformes em profundidades. Como o bulbo de tensões mobilizado pela placa é bem menos profundo que o das sapatas.2 Quanto ao tipo de placa a) Convencional b) Parafuso (screw-plate) 3.4. o carregamento é incremental e é mantido até à estabilização dos recalques. ⇒ Heterogeneidade do perfil: neste caso.4. com medida simultânea dos recalques. até o dobro da provável tensão admissível. o ensaio pouco representa a fundação real. em estágios.sapatas. ⇒ Lençol d´água: o recalque de placas em areias submersas pode ser de até duas vezes maiores que os de areias secas ou úmidas.

o que pode facilmente induzir a erros grosseiros de interpretação. pode também haver grande mudança de comportamento da curva quando se atinge a tensão de pré-adensamento do solo. pode-se extrapolar os resultados da placa: a) Meio homogêneo (E é constante com a profundidade) wB = wb B I s. Figura 10 – Comparação de bulbos de tensões da placa e da fundação em solos estratificados. Podem ocorrer situações nas quais a prova de carga nada reproduz da fundação real. ⇒ Não-linearidade da curva tensão-recalque: mesmo no trecho inicial da curva. conforme mostrado na Figura 10.4 Extrapolação dos Recalques da Placa para a Fundação Muito cuidado deve ser tomado no momento da extrapolação dos resultados do ensaio de placa para a fundação real.B b I s.4.⇒ Drenagem parcial: em solos argilosos. principalmente no que se refere aos recalques. Nota-se que o bulbo de tensões da sapata atinge camadas inferiores de solo mole não atingidas pelo bulbo da placa. onde existe uma relativa estratificação do perfil.b 19 (20) . O recalque medido pode estar entre o instantâneo e o final (drenado). os recalques dependem do critério de estabilização. No caso de não haver estratificação significativa. pode haver forte não-linearidade. 3.

wb.. ou seja: wB = wb AB Ab (22) em que AB e Ab são as áreas da fundação e da placa. se o solo possui E = cte. Este gráfico permitirá obter.B e Is. tem-se: wB = wb B b (23) 3. Do gráfico também podem ser retirados os parâmetros m e n.5 Ensaio de três placas Há algumas propostas para interpretação de ensaios de placa. Dos três ensaios são retirados resultados em termos de tensões que produzem o recalque admissível e devem conduzir a um gráfico. a tensão que produzirá o recalque admissível. Tabela 6 – Valores e Is em função da forma da área carregada. A interpretação se dá em termos de p/A. respectivamente. O recalque wB é o da fundação extrapolado do da placa.b são os fatores de forma para a fundação e a placa. para a equação do recalque associado a uma tensão admissível: σ adm = n + m p A 20 (24) . para as dimensões da fundação real. conforme mostrado na Figura 10. realizados em três diâmetros diferentes. o recalque da fundação para uma mesma tensão é diretamente proporcional à área carregada. B é o diâmetro ou a menor dimensão da fundação e b é o diâmetro da placa. b) Meio em que E cresce linearmente com a profundidade wB =  wb     2B    B+b   2 (21) Portanto. Uma delas deve-se a Housel (1929).. Se a fundação e a placa tiverem mesma geometria em planta.4. onde p é o perímetro e A é área da placa. com vistas a se prever recalques de sapatas em meios linearmente heterogêneos.em que Is. respectivamente (ver Tabela 6).

O recalque calculado isoladamente para cada sapata sem a interferência da (s) vizinha (s) será menor do que considerando essa interação. o que de acordo com a expressão matemática seguinte. conforme será visto adiante.0 FUNDAÇÕES VIZINHAS Quando uma fundação está próxima de outra.Figura 10 – Interpretação de ensaio em três placas segundo Housel (1929). A influência de uma sobre a outra será tanto maior quanto mais próximas forem as sapatas e quanto maiores forem as cargas. o que denominamos de sobreposição de tensões (ver Figura 11). Figura 11 – Sobreposição dos bulbos de tensões entre sapatas vizinhas. 4. fornece o recalque total da sapata (r): r = ri (1 + ∑ α i ) 21 (25) . O recalque isolado (ri) da fundação “i” quando sofre a influência da fundação “j” será acrescido da parcela (1 + α). o bulbo de tensões desta interage com o da vizinha e vice-versa.

1981). x-1.9951 0. A obtenção do fator α decorre do gráfico da Figura 13.50 3.30 0.00 4.1273 R2 = 0.00 3.50 raiz[Lij+(3.50 0.Figura 12 – Esquema da influência de sapatas vizinhas (Velloso.10 0. 1981).14*q/Pj)] Figura 13 – Gráfico para cálculo da influência de sapatas vizinhas (Velloso.00 0.60 α = 0.20 0.50 5.  π ⋅σ Lij +   P  j   ⇒ α (gráfico seguinte)   (26) Fator alfa para influência de sapatas vizinhas 0. 22 .00 0.50 2.00 5. calculando-se o parâmetro de entrada com auxílio da Equação 26.70 Fator alfa Ajuste exponencial 0.40 α 0.5941 .50 4.00 2.00 1.50 1.

1978). p = 0.71 (índice de deformação de pico) 40.40 kN/m2 (tensão de pico.55 x (18 – 10) = 40.0 + 0.95 182 23 .40 Traçado do perfil de Iεz (ver gráfico seguinte): Cálculo do fator de correção C1 ⇒ C1 = 1 + 0. em B/2) I ε . O peso específico do solo é da ordem de 18 kN/m3. A tensão admissível estimada do terreno foi σadm = 200 kPa.0 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO 1) Fazer a previsão do recalque total que a sapata (isolada) apresentada na figura abaixo pode sofrer.0 = 18 kN/m2 (alívio de tensão devido à escavação) q = 200 kPa (tensão aplicada é a tensão admissível) ∆σ = 200 – 18 = 182 kN/m2 (tensão líquida na base da fundação) σ´vp = 18+ 18 x 1. Solução: Usando o método de Schmertmann (1970.5 + 0.5 18 = 0. Considerar o perfil de sondagem apresentado para a estimativa do módulo de elasticidade.5.1 182 = 0. σ´v0 = 18 x 1.

4 0.8 0.q ∑ εi z . publicado pela 24 .9 1 2 2 3 3 Profundidade (m) 4 4 5 5 6 6 7 8 Estimativa do módulo de elasticidade. admitindo C2 = 1. tem-se: i = 1 Ei i = 1 Ei E = 250 (NSPT + 15) Outras sugestões podem ser encontradas no livro de Fundações da PINI.Iz 0 1 0.6 0.1 0.0 e ∑ εi z = 0. E: Por exemplo: Areia siltosa e silte arenoso: E = 300 (NSPT + 6) Areia saturada: ABMS.7 0.2 0.3 0. Equação do recalque: n I ∆ n I ∆ w = C1C2.000272 .5 0.

0028 0.00 200.00 200.56 0.0112 0.00 ∆σ (kPa) 182.75E-05 Soma = 0.51cm 0. Dados: P1 = 4000 kN P2 = 5000 kN Lij = 3. que suporta a carga do pilar P2.01E-05 6.34 0.00 182.3cm r2 = 3.0018 0.26 0.30 ri (final) = 4.21E-05 1.00 200.00 200.00 18.40E-05 1.00 1.00 18.51cm Exercício proposto: 2) Resolver o problema anterior empregando a solução de Burland e Burbidge (1985).00 σ´v0 (kPa 18.Tabela para cálculo das parcelas de recalque de cada subcamada do perfil do subsolo.5 +   = 1. distante 3.5m da sapata vizinha.00 1.0021 0.0251 2.2cm Calcular α = 0.63E-05 1. CAMADA ∆z (m) 1 2 3 4 5 6 1.0024 0.90  5000  r1 = 4.3 (1+0. será: 25 .11 1.00 1.00 182.00 18.00 C1 Recalque (m) 0.000145          = 0.3) = 5.65 0.00 18. 3) Calcular o recalque final da sapata que suporta o pilar P1.00 200.00 182.00 182.00 1.0048 0.95 0.000145 0.14 ⋅ 200  3.00 18.5m σadm = 200 kPa Cálculos:  3.95 Soma = Soma = Resultado: w =  0.∆z/Ei q = σadm (kPa) 200.95 0. o recalque final da fundação 1.00 1.95 182  0.00 Ei (kPa) 28000 40000 40000 40000 4000 4000 Iz Iz.95 0.0252m = 2.41 0.50E-05 2.95 0.00 182.95 0.59 cm Portanto.

Velo 1 e 2. & Peck. R. C. F.A. R. 216p. Edgar Blücher Ltda. Exercícios de Fundações... Maciços e Obras de Terra. Introdução à Engenharia de Fundações. D. 18) Vargas. Carvalho. Aterros Sobre Solos Moles: da Concepção à Avaliação do Desempenho.Q.F. Estruturas de Fundações.-Y.V. Foundation Engineering Handbook. Frota.E. N. J. A. 2nd ed. Van Nostrand Reinhold.. M. (1996). 2a Edição. (1988 e 1987). Dimensionamento de Fundações Profundas.W. John Wiley & Sons. Editora da UFRJ.S. São Paulo.. (1991). H. Edgar Blücher Ltda. EESC/USP. E. New York. Notas de Aula. 19) do Brasil. H. Pile Foundations Analysis and Design. Soil Mechanics in Engineering Practice. John Wiley.. McGraww-Hill Book Company do Brasil. R. Niyama.P.A. (1967). R. U. A.H.. F. Ltda. M. Livros Técnicos e Científicos Editora S. SI Version. 12) 13) 14) 15) 16) Moliterno. Livros Técnicos e Científicos Editora S. Caderno de Muros de Arrimo. Poulos. Previsão e Controle das Fundações. Lopes.L. K.R. Alonso. 8) Fang. (1983). McGraw-Hill São Paulo. (1991).0 Bibliografia Consultada 1) Almeida.Teoria e Prática. (1984). Fundações Superficiais. M. Editora Pini Ltda.. Projeto e Execução de Fundações. (1983). (1994). (2000)..M.S.G. E. Ed. Caputo. Editora Interciência. (1981). B. Da Cunha. 6a Edição. Alonso. 10) Hachich. 11) Lambe. 33p. NBR 6122 (1996). Falconi. John Willey & Sons. S. Volume 1. Introdução à Mecânica dos Solos.5.Critérios de Projeto . (1979). and Davies. Uma Introdução ao Projeto de Fundações. Saes.R. H. Ed.. Barata. & Menziens. Rio de Janeiro. W. (1996). Fundações . 172p.B. Edgar Blücher Ltda. 2) 3) 4) 5) 6) 7) Das. F. Editor Edgard Blücher Ltda. Fundações . K..Investigações do Subsolo. Alonso. Fundamentals of Geotechnical Engineering. B. U. (1980). 199p. 9) Gaioto. Ed. Velloso. 17) Terzaghi. e Esther Horovitz de Beermann. U.S. Simons.. (1977). Tradução de Luciano Moraes Jr. and Whitman. R. Brooks/Cole. T. Inc. New York. N. Moraes. ABNT. (1998). (1976). Propriedades Mecânicas dos Solos. (1989). COPPE/UFRJ. Soil Mechanics. Mecânica dos Solos e suas Aplicações. 2a Edição.G. 26 . Ed.

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