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Cássia Avanci, Rita de; Ferreira Furegato, Antonia Regina; Morais Scatena, Maria Cecília; Pedrão, Luiz Jorge RELAÇÃO DE AJUDA ENFERMEIRO-PACIENTE PÓS-TENTATIVA DE SUICÍDIO SMAD Revista Electrónica Salud Mental, Alcohol y Drogas, Vol. 5, Núm. 1, 2009, pp. 115 Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Brasil
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SMAD Revista Electrónica Salud Mental, Alcohol y Drogas rev_smad@eerp.usp.br Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Brasil

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www.redalyc.org Proyecto académico sin fines de lucro, desarrollado bajo la iniciativa de acceso abierto

∗ Trabalho elaborado na disciplina Relacionamento Interpessoal Enfermeiro-Paciente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica. estimulou a expressão. perceiving her participation and performing selfreflection. Patient hospitalized in Emergency Unit due to caustic soda ingestion. Se inició un proceso empático.verbalizou sua experiência (tentativa de suicídio). Maria Cecília Morais Scatena2. Paciente internada en Unidad de Emergencia por ingestión de soda cáustica. Cuidado.usp. Relações interpessoais. El análisis presentó cuatro etapas: 1) El examen: La enfermera escuchó a la paciente. Projeto apoiado pelo CNPq nº 305698/2006-0. A análise apresentou quatro etapas: 1) O exame .a paciente expressou sentimentos sobre a casa e familiares. La interacción de ayuda en el modelo humanista fue grabada y transcrita.RELAÇÃO DE AJUDA ENFERMEIRO-PACIENTE PÓS-TENTATIVA DE SUICÍDIO∗ Rita de Cássia Avanci1.br SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2..eerp.a enfermeira escutou a paciente. Luiz Jorge Pedrão2 Resumo Este estudo objetivou apresentar a análise de uma relação terapêutica enfermeiropaciente. NURSE-PATIENT HELP RELATION AFTER SUICIDE ATTEMPT Abstract This study aimed to present an analysis of a therapeutic relation between nurse and patient following suicide attempt. realizando una auto-reflexión. Suicide. clarifying technical procedures. Antonia Regina Ferreira Furegato2. Suicídio. Mestre em Enfermagem Psiquiátrica. e-mail: furegato@eerp. 3) Tentativa de Suicidio: Verbalizó su experiencia (tentativa de suicidio). estimuló la expresión esclareciendo los procedimientos técnicos. Iniciou-se um processo empático. 4) O cotidiano . 2 Professores Doutores do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP/USP. 4) El cotidiano: Expresó otros sentimientos y sus actividades en el cotidiano. RELACIÓN DE AYUDA ENFERMERO-PACIENTE TRAS TENTATIVA DE SUICIDIO Resumen La finalidad de este estudio fue presentar el análisis de una relación terapéutica enfermero-paciente. 4) The daily routine: Expressed other feelings in her daily routine. Key Words: Psychiatric nursing. Care interaction according to the humanist model was taped and transcribed. 1 Enfermeira da Unidade de Emergência do HCRP da FMRP. percebendo sua participação.USP. 2) Saudade de Casa: La paciente expresó sentimientos sobre la casa y familiares. 3) Tentativa de suicídio .br/resmad/artigos. Interpersonal relations. Suicidio. de confiança. esclarecendo os procedimentos técnicos. após tentativa de suicídio de paciente internada em Unidade de Emergência por ingestão de soda cáustica. después de tentativa de suicidio. 2) Saudade de casa .expressou outros sentimentos em suas atividades no cotidiano. 3) Suicide Attempt: Verbalized her experience (suicide attempt). percibiendo su participación. Cuidado. Relaciones interpersonales. Care. realizando uma autoreflexão.asp . Palavras chave: Enfermagem psiquiátrica. de confianza. Palabras-clave: Enfermería psiquiátrica. A interação de ajuda no modelo humanista foi gravada e transcrita. The analysis presented four stages: 1) The exam: The nurse listened to the patient and stimulated expression.usp. 2) Homesickness: Patient expressed feelings regarding home and family. An empathic process of trust was initiated.

asp 2 . c) suicídio .qualquer ação autodirigida. culminando na reversão do tudo ao nada. São dois extremos de um continuum.INTRODUÇÃO Suicídio é tema complexo e digno de reflexões por parte de profissionais de várias áreas de atuação.br/resmad/artigos. Estudos epidemiológicos sobre suicídio evidenciam que. onde o primeiro conduz à vida. empreendida pela própria pessoa e que poderá culminar em morte. enquanto que o segundo se refere ao inerte. Assim. A tentativa de suicídio é uma das causas mais frequentes de atendimento em urgências psiquiátricas(6). O comportamento suicida pode ser compreendido em três categorias: a) ameaças de suicídio . Quando a pulsão da morte se sobrepõe à pulsão da vida. encarado como enfermidade multidimensional. ocorre o suicídio ou as tentativas desse intento(2).são as advertências indicando que a pessoa tem a possibilidade de se suicidar. Suas causas ainda são motivo de curiosidade e de investigação. Segundo a psicanálise. pois o paciente que tentou é vulnerável a novas tentativas. Na psiquiatria clínica. com maior risco para o grupo de meia-idade. ao crescimento.eerp. é SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. talvez pela subnotificação dos casos(5). a tendência ao suicídio é crescente e apresenta aumento significativo entre as mulheres. representa a “melhor” solução para uma situação carregada de muita ansiedade e intenso sofrimento(3-4). b) tentativas de suicídio . a natureza humana funciona sob duas tendências essenciais: Eros (pulsão que conduz à vida) e Tanatos (pulsão que conduz à morte). caso não seja interrompida. Países em desenvolvimento apresentam taxas baixas. à pulsão de morte.usp. o suicídio é considerado ato consciente de aniquilação autoinduzida. em países desenvolvidos como a Dinamarca. ao amadurecimento. O serviço de urgência desempenha papel importante na intervenção e prevenção do suicídio.é a efetivação da intenção suicida(1). O suicídio não é um ato aleatório ou sem finalidade.

importante o estabelecimento de vínculos interpessoais com o paciente.eerp. Na medida da boa comunicação consigo mesmo. o desenvolvimento. a pessoa pode conhecer os recursos que possui e perceber com acerto as diversas necessidades para seu desenvolvimento. maior autonomia e capacidade de enfrentar a vida(10). o crescimento. sobre seu crescimento. na orientação não diretiva. Simbolizando corretamente suas experiências. adquirindo atitudes e comportamentos mais construtivos. melhor funcionamento e maior capacidade para enfrentar a vida. Muitos processos de desajustamento são consequência de falhas de comunicação onde o indivíduo deixou de comunicar-se bem consigo e com os outros(8-9).asp 3 . A ajuda é um ato de capacitação da parte de quem busca e um ato de doação da parte de quem oferece ajuda. através da relação profissional de ajuda e de seus vínculos familiares e sociais. A relação de ajuda é definida. através da qual o cliente tem oportunidade de passar pela experiência de uma boa comunicação consigo mesmo para se compreender melhor. a comunicação é uma “conversa” estruturada e tecnicamente reconhecida(7). espera-se que a atenção focalize não o problema da pessoa. tanto em plano fisiológico. A ajuda terapêutica promove. como psicológico e cultural.br/resmad/artigos. A comunicação consigo mesmo é o processo através do qual o indivíduo vai representando adequadamente na consciência tudo o que ele sente e percebe em si. Segundo a orientação não-diretiva. No enfoque não diretivo. melhor funcionamento. a maturidade. entrar no processo de congruência ou melhorá-lo. desenvolvimento. adequados e satisfatórios para si mesmo nas suas relações com os outros(7-8). na relação de ajuda. no outro. mas a própria pessoa.usp. O homem é o único ser vivo capaz de tomar consciência de si. maturidade. como situação relacional criada e mantida pelo profissional. o homem busca SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2.

OBJETIVO Este estudo teve por objetivo analisar a interação de um enfermeiro com um paciente que tentou o suicídio.eerp.br/resmad/artigos. mantendo a capacidade de relacionar-se com o paciente para ajudá-lo a sair amadurecido desse episódio(11). a relação de ajuda é um instrumento essencial para o planejamento do cuidado e a humanização da assistência. segundo seu próprio ponto de vista.asp 4 . para tentar ajudar a resolvê-los. ou seja. Dessa forma. Perceber o outro. comprometida com o paciente sob seus cuidados. em qualquer área de atuação da enfermagem. PERCURSO METODOLÓGICO É pesquisa descritiva com análise de uma interação enfermeiro-paciente. tolerar seus desvios de comportamento e estimular suas atitudes positivas. pois simples gestos. é uma forma de respeito e compreensão(7). estabelece uma aliança terapêutica. É preciso ouvi-lo para entrar no mundo dos seus sentimentos e concepções pessoais. bem como os outros podem confiar nele(8). em processo de transformação. O profissional deve estar atento às suas expressões.o seu equilíbrio biopscicossocial.usp. A enfermeira. Desenvolver uma relação profissional empática significa procurar conhecer os problemas do outro o mais claramente possível. no momento presente (aqui e agora). ele pode confiar em si. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. aceitá-lo totalmente. embasada no referencial teórico compreensivo da relação de ajuda. olhares ou palavras podem ser interpretados pelo outro como ameaçadores.

Sujeito Paciente com 47 anos. 2 .1 . a paciente sentou-se em uma cadeira ao lado do seu leito e a enfermeira sentou-se à sua frente. A paciente concordou e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.eerp. manicure. A interação durou 45 minutos. 4 .Local Setor de observação da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. A enfermeira do setor de Observação da Unidade de Emergência do HCFMRP-USP escolheu a paciente de forma aleatória. Previamente foram explicados os objetivos e técnicas da pesquisa na relação de ajuda. apresentado e discutido pelos docentes e alunos do curso de pós-graduação.Análise dos resultados O conteúdo transcrito na íntegra. 5 . natural de cidade do interior de São Paulo. Hipótese diagnóstica médica de tentativa de suicídio por Distimia ou Transtorno de Personalidade. 3 . reflete o caráter terapêutico do relacionamento interpessoal enfermeiro-paciente.usp.br/resmad/artigos. enriquecidas pelas experiências SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2.Projeto aprovado por Comitê de Ética da EERP-USP (Protocolo nº 0151/01). As análises foram baseadas no referencial bibliográfico sobre não diretividade e no conhecimento das relações interpessoais.asp 5 . Para a interação de ajuda.Procedimentos de coleta dos dados Atividade de campo foi proposta durante uma disciplina de pós-graduação. amasiada. Nome fictício do sujeito na apresentação e análise deste estudo: Ana.

a enfermeira estimulou a paciente para continuar a se expressar verbalmente. a tentativa de suicídio e o cotidiano).eerp. P (PACIENTE) Pode perguntar. pois. Referiu ter ingerido soda cáustica para se matar. a maior parte dos alunos é composta por profissionais atuantes em áreas assistenciais ou acadêmicas.Mas. Foram extraídos alguns trechos comentados de acordo com sua significância em cada uma das categorias.O exame E (ENFERMEIRA) Então. E . se quiser falar alguma coisa pode ficar à vontade. 1 .Você acha que não? Nesse trecho. Foi submetida à endoscopia digestiva alta.interpessoais de cada um.História clínica da internação A paciente foi admitida na Unidade de Emergência (UE) por tentativa de suicídio.Não. saudade de casa.usp. devido a problemas conjugais. RESULTADOS APRESENTAÇÃO DA INTERAÇÃO E ANÁLISE CRÍTICA A . E . é uma relação de ajuda. LB . que eu possa te ajudar ainda? Nesse tempo que você está aqui. após ter ingerido soda cáustica. por apresentar esofagite e úlcera gástrica. alguma coisa está faltando? P . O diagnóstico médico indicava Distimia ou Transtorno de Personalidade. Foi passada uma SNE gástrica. tem alguma coisa. assim.asp 6 .br/resmad/artigos.Interação enfermeiro-paciente A interação enfermeiro-paciente foi agrupada em quatro etapas para melhor análise e compreensão (o exame. não. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2.

não sei se eu estava desmaiada. Não é possível.Na hora. ajuda o cliente a descobrir o sentido para a sua experiência e a manter-se na posse dos significados que lhe são apresentados.. você está preocupada com esse exame? P . E aí. E . por um visor. parece que foi de lado que eu fiquei. E . depois que passou o anestésico.Não.asp . mas não é nada além disso. por uma televisãozinha. autoritária e de quem domina o saber. ele mesmo. dada pelo terapeuta não diretivo. porque a filmadora está filmando tudo. sabe aqueles spray que espirram em garganta? P .Sei.Sei. Esse utiliza o informe para efetuar. E .É um exame um pouco desconfortável. se é deitada se é.Ah é !! Então não precisa ficar esperando? E . P . A resposta compreensiva. Durante a primeira etapa da interação.Já mostra o resultado. então.. acho que eu vou embora. Isso vem de encontro à característica da profissão de enfermagem. com ênfase numa visão tecnicista(6). porque no dia que eu cheguei.. tem uma câmara.Esse exame é o seguinte: eles vão dar um tipo de um anestésico de espirrar.Mas..usp. ele já vê como está.Eu estou um pouco com medo. vai até o estômago [mostra o estômago na paciente]. já faz quatorze dias que eu estou aqui.. também.br/resmad/artigos. como se fosse essa sonda nasoentérica que você tem aí.P . observa-se a disposição da enfermeira para escutar a paciente bem como a introdução de estímulos para que a paciente se expressasse verbalmente.eerp.. a atividade estruturante(7). P . Atividades informantes são intervenções que visam o esclarecimento do cliente. uma filmadora na pontinha do aparelho. P . a paciente apresentou desconhecimento e medo em relação ao exame e a enfermeira usou a oportunidade para esclarecê-la. Observa-se. E .Nem muito demorado? A enfermeira continua esclarecendo as dúvidas apresentadas pela paciente sobre o exame que vai realizar e sobre a possibilidade de alta. que nasce num modelo biomédico.Também eu acho que amanhã depois desse exame.. como que tá?? E . Nesse momento. P . a fim de Número Artigo 7 Volume Volumen SMAD 2009 5 Numero Number 1 Artículo Article 05 http://www2. no momento que ele passa. a “necessidade sentida pela enfermeira” de esclarecer a paciente sobre os procedimentos técnicos do exame.Entendi. Ele passa devagarzinho. P . não sei nem como faz agora esse exame.

asp 8 .Hum. A enfermeira mostrou-se atenta quanto à verbalização e estimulou a paciente a falar sobre sua casa. mas precisou levar embora. Você não viu a cesta que eles me trouxeram? Que linda! E .De flor. Nessa etapa. P . porque [incompreensível] não podia deixar aqui.estou com saudade da minha casa. Trouxeram um monte de coisas. Em uma relação de ajuda. P . a paciente demonstrando maior confiança na enfermeira. o mês que vem. A enfermeira mostrou-se atenta.É uma cesta de flor natural. uma bolsa. acompanhando com interesse sua comunicação.usp.Tenho. ficou o dia inteiro. sabe aquelas begônia? Tanta coisa! E .Você gosta de flores? SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2.Está com saudade? Você mora aonde? P . 2 . E . dos meus filhos. Nesse primeiro contato. um livro. P .Já me libera porque olha. né. No dia das mães. Na sequência.. estabeleceu-se uma relação de empatia e confiança. violeta. até à noite. E . após a intervenção da enfermeira ao esclarecer sobre o exame. esse deverá responder. E .. escutando a paciente.br/resmad/artigos.Numa cidade aqui perto. a paciente realizou várias perguntas sobre o assunto e pôde expressar seus medos e preocupações.De flor natural mesmo.eerp.Eu não trabalhei no dia das mães. já faz tempo que eu estou aqui. esclarecer e informar.Saudade de casa P . verbalizou sentimentos mais profundos como sentir saudade de casa e de membros da sua família. eles vieram. A paciente ia falando sobre seus familiares até que a enfermeira perguntoulhe se vinham visitá-la.Ontem meu marido veio. se o paciente faz alguma pergunta ao enfermeiro.explorá-los.To com saudade dos meus netos. P . E .Você já tem neto? P . tenho um que vai fazer nove anos.

É necessário verificar com o outro o significado de sua mensagem e estar atento à compreensão da mensagem do outro. e sim de seus familiares. pois esse era o ponto que mais a incomodava no momento.A enfermeira interrompeu o discurso provocando. Não se preocupou tanto com seu diagnóstico ou com condutas estabelecidas por um modelo. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2.br/resmad/artigos. A paciente reafirmou seu desejo de ir para casa. o enfermeiro precisa estar atento e sensibilizado quando o paciente expressa algum sentimento.Então. a relação de confiança e empatia continuava sendo construída. carregando grande expectativa por trás dessas palavras. Ana? P . A enfermeira mostrou-se disposta a escutar a paciente. evitando intervenções precoces e desnecessárias. tem mais alguma coisa que te preocupa aqui. as quais poderão funcionar como bloqueios para a comunicação. saudade de casa. sensibilizando-se com o sentimento expresso. tal como ele os vê(6). Cabe ao enfermeiro. silêncio prolongado. a enfermeira retomou o problema inicial.usp. a enfermeira não compreendeu a mensagem. considerando que é importante estar-se sensível aos sentimentos e reações que o outro experimenta no momento da interação e apreendê-las de dentro. tendo em vista que retornará para casa após ter tentado o suicídio. Aí a enfermeira retomou com a seguinte pergunta: E .asp 9 . Nesses trechos. interrompeu o discurso. contudo. pois a paciente não queria falar das flores. Só estou preocupada. posteriormente. tanto do conteúdo psicológico das mensagens associado à comunicação verbal como o não-verbal(7. tornando-se inadequada e provocando o silêncio da paciente. porque eu acho que meu caso depende desse exame. Por isso.Não.eerp. A paciente expressava um sentimento importante “saudade de casa”. durante uma relação de ajuda. do afeto do seu marido em ter-lhe trazido flores. A enfermeira retomou o sentimento já expresso anteriormente pela paciente. Nessa etapa. estar atento e se sensibilizar com a mensagem que a paciente transmite. Em alguns trechos.9-10).

. Aconteceu..De eu tentar suicídio? A paciente afirma que seu ato foi uma tentativa de suicídio. ia acordar e ia ficar em casa.. que é perigoso mas não sei por quê eu tomei..Não.. pros meus netos. uma mágoa.Não. Parece que uma coisa me puxou pela mão. E . meu marido e meu filho já tinham saído pra trabalhar. Afirma não saber porquê praticou o ato.. não.br/resmad/artigos.É.. entendeu? A depressão me dá isto. não imaginava. E .Não.Você. Então eu já senti que eu já não tava muito bem.. E o pior é que eles ficam me cobrando. peguei e tomei a soda. Ao invés de eu fazer sabão. E . entendeu. eu não tinha brigado com ninguém.. pra mim eu ia tomar aquilo.Você ficou arrependida? P . tinha feito todo meu serviço e ia fazer sabão.Você imaginava que tinha essas consequências? P .. Número Artigo 10 Volume SMAD 2009 Volumen 5 Numero Number 1 Artículo Article 05 http://www2. P .Mas.Primeira vez? P . Realiza uma autoreflexão e julgamento de si própria..Lembro que era soda. Até hoje eu não sei por quê eu fiz isso.3 . você não lembra? A paciente foi estimulada a verbalizar sua experiência e perceber sua participação nela.Hum.A tentativa de suicídio E . mostra-se confusa em relação à pergunta da enfermeira sobre arrependimento. só que eu não sei por quê. que mata. E .. E .Você ia fazer sabão! Você se lembra que aquilo era soda? P . porquê você fez isso? Fala pra mim. mesma coisa. E . Mas é porque eu tenho depressão.. Silêncio longo.Não? P .De ficar todo esse tempo no hospital? P .Primeira vez. com uma certa angústia. todos os dias eu peço perdão a Deus por eu ter feito isso.. E . o que que tá ti. Ana. assim.Senti que eu estava com vontade de chorar.Nossa! Eu arrependi demais. porque eu tenho dois filhos maravilhosos. A paciente.eerp.asp . dá vontade de ficar no quarto deitada na minha cama e chorando. Eu sinto uma angústia. Acho que eu dei mau exemplo pros meus filhos.usp. Mas nunca que esperava de eu fazer isto.Lembro tudo. né..Infelizmente. ia desmaiar. no peito. E . e do que aconteceu sobre você. Estava numa boa. E .. Me arrependi muito. não a ponto de fazer isso.Já tinha acontecido com você outras vezes? P .-Você sentiu que não estava. E . Ontem meu marido perguntava pra mim: bem.Não. Essa eu não entendi até agora. P . P . sabe? Mas. P .

eerp.É importante a gente saber que a gente precisa de ajuda. igual você sentiu quando foi fazer sabão.. E . Se eu soubesse que eu ia sofrer tudo isso.É minha mãe mora uma rua pra baixo da minha casa. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. tentando resolver seu conflito interior.Você tava sozinha? P . E . Invés de abrir a geladeira pra tomar as coisas. P . Então. é importante você fazer esse acompanhamento e no momento que você sentir essa angústia. Engraçado que na minha geladeira tinha de tudo. minha sobrinha. É difícil porque eu não sei explicar o porquê que eu fiz isso. é 20 minutos. eu e Deus. tinha Bhrama. aí zangou o sabão. E .É aquele sabão que não vai ao fogo. Aí eu falei: já que todo mundo saiu.Sai.Sozinha.Você foi fazer o sabão. quando sentir necessidade. outro dia eu fui fazer à noite. Através da comunicação que se seguiu.usp. né? E . A enfermeira mostra-se atenta e respeita o que a paciente expressa. A paciente retoma e conta com maiores detalhes o dia da tentativa de suicídio.Então. também .Hum.asp 11 . tinha de tudo. coca tinha.É difícil.Silêncio curto. já terminei o serviço. começou chegar muita gente na minha casa. né? E . P . P .. Porque se eu soubesse eu não teria feito né.Procura alguém da sua família ou vai lá no posto. dessa experiência que você teve. meus neto.É difícil. Ao invés de abrir a geladeira. P . Eu devia ter saído e procurado qualquer pessoa pra conversar e tomasse qualquer outra coisa. E . porque tinha sido o aniversário do meu filho no dia 25 que ele fez 22 anos. tinha vinho branco. acho que vou fazer o sabão porque não vai chegar ninguém. né. E . Não vai adiantar eles ficar me perguntando a vida inteira. P . fala: "tô precisando de ajuda!" P .. fui tomar a soda.. que eu estou sofrendo.. tinha skol. P . porque eu não sei se você sabe o segredo desse sabão..Ele endureceu.. Fui fazer o sabão pus a soda no copo e tomei. se bate frio.br/resmad/artigos. E . porque eu não sei também. A enfermeira mostrou-se sensível ao conflito que a paciente expressava e procurou não manifestar juízos de valor. Ana.E ser ajudado né.Ah! tá. meu sobrinho. você procura alguém. ajudou a paciente a tomar consciência do acontecido.É eu queria aproveitar fazer cedo.. Ana? P . A enfermeira realiza uma intervenção e orienta Ana a procurar ajuda.O por quê.Tinha champagne.

mas. escutou atentamente a paciente proporcionou espaço para a paciente realizar uma autoreflexão. Essa exteriorização da agressividade pode ser um sinal positivo. dando valor aos seus receios. numa relação de ajuda deve-se permitir que o paciente encontre a resposta para seus conflitos. O ser humano está sempre fazendo avaliações. uma “explicação” sobre o fato ocorrido. Para ajudar a transformação de alguém. nem mesmo ensinar-lhe o caminho a seguir ou guiá-lo pela inteligência.) Se alguém tenta agir diretivamente sobre uma pessoa.9-10). juízos de valor.usp. interpretando o que ocorre consigo e ao seu redor. aceitando seus sentimentos e aflições. fica evidente a relação de confiança. o melhor é aceitar. a obter uma visão objetiva sobre seu próprio problema.. evitando interferências. indicando que a paciente está em processo de melhora(11). o melhor não é pressioná-lo na direção da mudança. tende a assumir uma atitude oposta à que se desejava”(8). aprofundando no tema e concretizando a realidade. pois afirma ter tentado o suicídio. A enfermeira mostrou-se adequada. fazendo julgamento ou dando-lhe conselhos. A enfermeira estimula a paciente a verbalizar sua experiência e a perceber sua participação nela. A enfermeira auxiliou na busca de detalhes que ajudaram a paciente a tomar consciência dos fatos.. ela procura reagir à pressão que se exerce. Portanto. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. preconceitos ou cobranças. A paciente expôs a vivência de conflitos.eerp. que não sabe explicar e sua família quer uma resposta. Um dos objetivos do cuidado de enfermagem junto a pacientes com tendência suicida é ajudá-los a exteriorizar sua agressividade. que tem sua parcela de responsabilidade. às suas angústias. seus sentimentos e a suportar suas experiências. O centro do julgamento está dentro de nós mesmos(7.br/resmad/artigos. O paciente precisa ter consciência de que ele é um elemento ativo. às resistências e a tudo aquilo que o impede de mudar. inclusive decidindo pelo melhor caminho da autoajuda(7).Nessa etapa. “(.asp 12 .

Olha.. Silêncio curto.. eu peço prá ninguém nunca fazer isso.Nossa. vendo cachorro-quente.Sou manicure. porque isso é muito triste. eu que limpo a casa da minha mãe. P . muito arrependida. tadinhos! E – É? E .. E . aparentemente por fora eu tô ótima. suas atividades.4 .E por dentro? P . salgado. Não sabia que tinha tanta consequência assim..É. agora em vista eu tô ótima. E ..E por dentro.asp .Agora você já sabe.. (risos)] E .Você tava precisando de ajuda e não percebeu. A paciente retoma a autoreflexão sobre a tentativa de suicídio. Não sei como que eu fui fazer isso.. Então ela disse que domingo ele Número Artigo 13 Volume Volumen SMAD 2009 5 Numero Number 1 Artículo Article 05 http://www2.Supera. faz bastante coisa. falei prá mãe não falar. vamo no forró”. acabou. P . a enfermeira. a família cresceu. ajudou a aclarar o que estava sendo comunicado(6). P . eu que olho meu irmão que é doente e minha mãe que é doente.br/resmad/artigos.Tem os netinhos. tenho carrinho de lanche. Eu que lavo e passo prá minha menina. Porque de vez em quando eu desmaio.O cotidiano A paciente relatou sobre sua família.eerp..Fora isso o que faz na sua casa? P . Ele pensa que eu tô desmaiada.. P . Mas você tem bastante atividade.. sugerindo que esclarecesse com alguma colocação a dificuldade de compreensão.Tem vez que cê tá ali pra sair é umas 10:30. E . falo “bem vamo sair. aí começa filme. Nesse trecho. Meu netinho não sabe que eu tomei soda. Por isso também não pode. P .Na alma eu tô assim sabe arrependida.Por dentro? Agora né [(aponta o estômago)..É isso é uma questão de conversar com seu marido. Parece uma coisa mandada viu! E . não vejo a hora de ver eles.Tem que sair um pouco dessa rotina porque se não tá perdido. na alma? P .usp. maçã do amor. pega fita na locadora põe no vídeo. E ..Meus filhos são uns anjos. por causa de uns problema. Aí a gente toma banho pra sair.Faço. eu não tenho tempo de pensar bobeira. sempre retomando a autoreflexão sobre a tentativa de suicídio. mas supera né. faço cocada. se acomoda muito no quarto.. E . né.. muito atenta. tô com saudades deles. E .É não percebi. qualquer tipo de doce. eu não deixei. Agora ainda tô bem. P .. A enfermeira mostrou-se adequada estimulando as atitudes positivas da paciente. mas no começo quando eu cheguei aqui. P .

a enfermeira escutou com atenção a paciente que falou sobre suas atividades cotidianas e sobre sua família. E -. Alguma coisa. SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. a paciente retomou várias vezes à experiência da tentativa de suicídio. CONCLUSÕES A interação enfermeiro-paciente foi positiva. Mas agora já foi e espero que Deus me ilumine que tira isso da minha cabeça né. Gostei da tua entrevista.falô prá ela “ô mamãe a vovó não acordou ainda do desmaio. É ouvir a mensagem emitida através das comunicações verbais e nãoverbais.Não. que estamos seguros e somos consistentes(7.. suas ansiedades puderam ser trabalhadas.Obrigado você. Então você sabe quem dá dinheiro todo dia. “mas eu to com saudade da minha avó”. considerando-se um primeiro contato. Nessa interação. indignando-se e tentando compreender seu próprio ato. seus limites e as forças que interagem dentro de si.asp 14 . prá eu te ajudar? P . alcançando os significados que ele dá à realidade tal como ele a entende(7). A paciente realizou uma autoreflexão sobre a tentativa de suicídio. retomando em alguns trechos a autoreflexão sobre a tentativa de suicídio. Numa relação de ajuda. deve-se transmitir ao outro que somos merecedores de confiança. É muito mais. que ela tá desmaiada”. né. Me tranqüilizou mais.eerp. P . o que a ajudou a se compreender melhor. Dessa maneira. A enfermeira apoiou e estimulou as atitudes positivas da paciente. só mesmo esse arrependimento deu ter feito isso. A escuta é muito importante durante uma relação de ajuda porque ouvir alguém não é o mesmo que escutar intelectualmente o que é dito. monstrando maior confiança e empatia.usp. Na interação apresentada. E . Ele estuda e vende as coisas na cantina. faz dias heim. diz que ela falou prá ele “não filho ela já acordou ela ta recuperando”. compreender o que o outro expressa. algum sentimento. agora tá tudo bem. Nessa etapa. a manifestação de afeto familiar veio acompanhada pelos questionamentos sobre seu ato.Então obrigada. né.9)..br/resmad/artigos. gerando ansiedades em relação à volta ao lar.

Sadock VA. 9 . 6.usp.asp 15 . 2001. 1999. Grossi R. [Tese]. São Paulo: Martins Fontes. Relações interpessoais terapêuticas na enfermagem. J Bras Psiquiatr 2000. Colômbia: Carvajal AS. Laraia MT. Petrópolis (RJ): Vozes. Suicídio e a depressão.59(1):17-28. 2007. Stuart GW.br/resmad/artigos. Recebido em: 05/2008 Aprovado em: 01/2009 SMAD 2009 Volume Volumen 5 Número Numero Number 1 Artigo Artículo Article 05 http://www2. Sadock BJ. Rudio FV. Furegato ARF. 10 . Tornar-se pessoa. Vansan GA. Compêndio de Psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 7. Intervention en enfermería psiquiatrica. Rio de Janeiro(RJ): Reichmann & Affonso. São Paulo (SP): Martins Fontes.(6):193-200. Epidemiologia do suicídio: Uma revisão da literatura. 3. 8. Tentativas de suicídio admitidas em um serviço de urgências psiquiátricas de um hospital geral. Ribeirão Preto (SP): Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP.Rogers CR. 1982. Ribeirão Preto (SP): Scala. Enfermagem Psiquiátrica.eerp. Bastos O. no aconselhamento e na psicoterapia. Neurobiologia 1995. Porto Alegre (RS): ARTMED. 2002.Travelbee J.58(2):37-44. 1999. 5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. A entrevista de ajuda. 2. Neurobiologia 1996. 1998. Marturano EM. Vansan GA. 11 . Ficher AMFT. 2000. Orientação não diretiva na educação. Tentativas de suicídio de adolescentes atendidos no setor de urgências psiquiátricas de um hospital geral.Benjamin A. 4.

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