LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Tubarão 2008

LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof. Fábio Borges, Esp.

Tubarão 2008

LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovada em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Tubarão, 23 de junho de 2008. ______________________________________________________ Professor e orientador Fábio Borges, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina ______________________________________________________ Prof. Wilson Demo, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina ______________________________________________________ Prof. Greyce Ghisi Luciano Cabreira, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina

.Aos meus pais. Antônio e Terezinha. pelo esforço na minha formação.

. Aos meus irmãos pela lição de vida e pelo apoio e incentivo. a Deus pelo Dom da vida. Ao meu orientador. Aos amigos pela lealdade e companheirismo. pela atenção e sabedoria. e por me contemplar a cada dia com um novo amanhecer.AGRADECIMENTOS Agradeço. em especial a minha colega de trabalho Claudinéia Onofre Assunção Motta pela colaboração e sugestões para aprimoramento do trabalho. que me prestaram e continuam a prestar. sobretudo.

” (Wittgenstein). .“os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo.

Ainda. caput. Constatou-se que. da Constituição Federal de 1988 e aqueles inerentes ao processo administrativo fiscal. Igualmente. especialmente quando o Código Tributário Nacional determina a suspensão do prazo prescricional enquanto o recurso administrativo não estiver sido julgado. fundamentado no princípio da legalidade. direcionada especialmente à análise de livros e artigos científicos. Visa analisar os principais aspectos do referido instituto. Já pelos que não a reconhecem. a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. comparação entre as inter-relações da prescrição intercorrente do processo judicial tributário ao âmbito do processo administrativo fiscal. Ainda assim. Percebeu-se haver maior solidez nos fundamentos tendentes a afastar a ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. está o fato de não haver lei prévia definindo regras para sua ocorrência de prescrição intercorrente a esse âmbito. também. o método utilizado para elaboração deste trabalho foi o dedutivo. exigibilidade e extinção do crédito tributário. distinguindo aqui o instituto da prescrição com a decadência. . tratou-se dos princípios constitucionais da Administração.RESUMO O presente trabalho tem por objeto o estudo da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. pelos que defendem a aplicabilidade desse instituto. outros são os princípios que trazem fatos impeditivos de sua ocorrência. ora consagram-lhe pela tese da perempção ora da decadência. foram delineadas as regras jurídicas reguladoras da constituição até a extinção do crédito tributário. buscando esclarecer as razões pelas quais não se tem a aplicação deste no processo administrativo fiscal. Prescrição Intercorrente. arrolados no artigo 37. monográfico quanto ao procedimento e bibliográfico no que diz respeito à pesquisa. seria impossível reconhecê-la sem que haja lei o que defina ou mesmo por contrariar os princípios constitucionais da administração pública e os princípios específicos do processo administrativo fiscal. efetuando. Palavras-chave: Tributário. Processo Administrativo Fiscal. Crédito Tributário. Para compreensão. conhecer a natureza estrutural das regras de formação. Teve como objetivos específicos. defendem que ela não pode ser alegada enquanto o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa em face de recurso interposto pelo sujeito passivo. Por outro lado. Com efeito.

to know the structural nature of the formation rules. Still. Lapse. caput.ABSTRACT The objective of the present paper is to study the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. In the same way. Intercurrent. doing also the comparison between the inter-relation of the intercurrent lapse of the tributary judicial process in the ambit of the fiscal administrative process. . It was established that those who defend the relevance of this institute sometimes render sacred the lapse theses. there is the fact that there wasn't a previous law defining the rules for its intercurrence lapse occurrence. especially when the National Tributary Code orders the suspension of the limitation period while the administrative appeal is not judged. or even because it contradicts the constitutional principles of public administration and the specific principles of the fiscal administrative process. monographic for the procedure and bibliographic when it comes to research. defend that it cannot be alleged while the tributary credit is with its chargeability suspended against the interposed appeal by the passive subject. It will analyze the main aspects of the above-mentioned institute. based upon the principle of legality. others are the principles that bring impending facts to its occurrence Keywords: Tributary. which is directed especially to the analysis of books and scientific articles. Tributary Credit. Fiscal Administrative Process. chargeability and the tributary extinction. To better comprehend this. It was perceived that there is more firmness in the principles that tend to dismiss the occurrence of the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. distinguishing here the lapse institute with the decadence. the judicial regulation rules of the constitution were outlined until the tributary extinction. the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. Those who do not recognize it. Also. the Administration constitutional principles. seeking clarification for the reasons why there are no applications of it in the fiscal administrative process. the decadence. On the other hand. The specific objectives are. other times. That is why the method used on the execution of this paper was deductive. found in the article 37. it would be impossible to recognize it without there being a law that defines it. of the 1988 Federal Constitution and those inherent to the fiscal administrative process were analyzed.

......................................................................................3 FORMAS DE SUSPENSÃO .............. 21 3..........................................2...........................................................2 FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.......................................3 Princípio da moralidade............4 Princípio da ampla instrução probatória ...............................................8 Princípio da oficialidade ....... 24 3................................2 Fase Litigiosa ..........................1............1..... 45 4.................1.... 34 3....................3................................................1 CONCEITO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO..........................................1 Fase administrativa...........................................7 Princípio da ampla competência decisória................................ 17 2..............................6 Princípio julgador competente ...................2 Natureza do processo administrativo fiscal .2................ 15 2.................................................................................................................................................. 31 3.........4 FORMAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ......... 42 4.......................................................... 22 3..2 Princípio do contraditório ......... 12 2........................................... 12 2.............................. 26 3......1.................................................................................. 40 4......1 Legislação aplicável ao processo administrativo fiscal ....................................................................2............................1...................................1 CONCEITO DE PRINCÍPIO..............................1.......................................................................................................1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ..............4 Princípio da publicidade .......... 27 3.....................2..1 Princípio da legalidade.............5 Princípio do duplo grau de cognição ............... 38 3..........2 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ..................... 48 ................................1...........................................................................................................3 Fases do processo administrativo fiscal................................................. 44 4...................................... 13 2..1 Reclamações e recursos administrativos ................................................................ 40 4.............................3.......................................1 Lançamento............................2.. 35 3............................ 11 2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.......................... 31 3......................................... 21 3....... 33 3....................1............................................2.................................1 Princípio do devido processo legal ........................................................... 37 3....................................................................................................................4 Julgamento da lide fiscal............................... 36 3.........................................5 Princípio da eficiência .2............1..................... 24 3.....................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................1............. 39 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO............................. 18 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E SEUS PRINCÍPIOS ........ 42 4...................................................................... 14 2..........................2.................................1............3 Princípio da ampla defesa........................2................................................2 Princípio da impessoalidade ou finalidade.............................. 21 3...................................................3..............

................................................. 61 6 CONCLUSÃO .........................................................................................1.......... 59 5.................................. 68 REFERÊNCIAS .......................................................................... 59 5................................5 Suspensão da prescrição ............5.........................1 CONCEITO ........2 Diferença entre prescrição e decadência ..........................................5...............1........ 60 5......... 55 4...................................... 48 4...............5 FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ..........5................5................................ 49 4.............................3 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL...............................................5.....1 Prescrição ..............................................................................3 Termo inicial e final para a prescrição ........ 52 4............... 49 4........................ 53 4....................................................................1 Conceito de prescrição ............................................. 70 ....2 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO JUDICIAL.............................. 56 5 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL ...................................................................................1................................................4..1.......5.................4 Interrupção da prescrição .................................................1........

qual seja. o método utilizado foi o dedutivo. propiciar uma melhor análise e compreensão do tema em comento. em prol de uma duração razoável do processo administrativo. de possibilitar que os conflitos de natureza tributária sejam solucionados diretamente entre cidadão e Estado. A atividade administrativa fiscal não objetiva usurpar a competência ou excluir a possibilidade acesso ao Poder Judiciário. O trabalho dividir-se-á. face à exigência fiscal. direcionada para análise de diversos autores que tratam sobre o tema. a ele lhe seja aplicado o instituto da prescrição.1 INTRODUÇÃO O presente trabalho versa sobre a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. como se analisará adiante. monográfico quanto ao procedimento e bibliográfico no que diz respeito à pesquisa. sobretudo. em quatro capítulos. se focalizará como objetivo central da presente monografia. para o desenvolvimento do trabalho. visando assim. Para tanto. E. visando demonstrar os fundamentos para sua inaplicabilidade na seara administrativa Fiscal. se tem defendido que. a análise dos principais aspectos do instituto da prescrição intercorrente. de modo que atualmente ele encontra-se cercado por uma gama de princípios e regras que o orientam. em determinado momento. Ressalta-se oportuno que o processo administrativo fiscal é um mecanismo posto à disposição do sujeito passivo para possibilitar sua insurgência. . foram incorporadas ao processo administrativo uma série de prerrogativas. ao longo do tempo. bem como da legislação pertinente. a doutrina não é unânime ao definir se existe ou não prescrição intercorrente no processo administrativo. É voltada à realização de um outro interesse. A importância do tema está exatamente no fato de que interfere na rotina da Administração Pública e. para o próprio cidadão. A par disso. já reconheceu a possibilidade de ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. sem a necessidade de instaurar uma discussão judicial. Desse modo. sistematicamente. neste contexto. Como forma de atribuir mais uma garantia ao sujeito passivo. ainda na esfera administrativa. como tratado adiante. A questão assume maior relevância. ao se constatar que o Poder Judiciário.

Isto posto. a partir dos temas trabalhados anteriormente.Neste viés. bem como seu campo normativo e os princípios que lhe são inerentes. será analisada a estruturação do processo administrativo fiscal. o enfoque dar-se-á sobre o crédito tributário. detalhando suas características. caput. No terceiro. no primeiro capítulo serão abordados os princípios informadores da Administração Pública. o presente trabalho tem como intuito apresentar razões pelas quais não se tem a aplicação do instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. E por fim. o instituto da prescrição intercorrente direcionada ao âmbito do processo administrativo fiscal. No segundo. até sua extinção. da Constituição Federal de 1988. desde a constituição. o quarto capítulo se preocupará em estudar. . os quais se encontram arrolados no artigo 37.

Celso Antônio Bandeira de. bem como na feitura dos atos atinentes. Curso de direito administrativo. Neste aspecto. examinar as características de alguns destes princípios. 58. . chamando à colação Di Pietro. permitindo à Administração e ao Judiciário estabelecer o necessário equilíbrio entre os direitos dos administrados e as prerrogativas da Administração. MELLO. os princípios representam papel relevante nesse ramo do direito. Desta feita. senão vejamos: Sendo o direito administrativo de elaboração pretoriana e não codificado. São Paulo: Malheiros. ed.” Logo. pois eles possuem substancial importância na atuação do Administrador Público. tem sentido de “aquilo que vem antes de outro. São Paulo: Atlas. subversão de seus valores fundamentais. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. começo.2 1 2 DI PIETRO.” “origem. impõe-se a identificação de parâmetros gerais que norteiam toda a Administração Pública e. mas a todo o sistema de comandos. dominado pela idéia de princípio. conforme o escalão do princípio violado. p. a disciplina do processo administrativo.12 2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Antes de iniciar um estudo específico sobre a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ed. 20. a prima facie. 23. contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. 2. porque representa insurgência contra todo o sistema. Maria Sylvia Zanella. urge. 927. e atual. por conseqüência. oportuna a análise dos princípios constitucionais que orientam a Administração Pública.1 CONCEITO DE PRINCÍPIO A palavra “princípio. 2007. 2007. rev. p. pois.” na linguagem vulgar.1 Enfatizando a importância dos princípios no ordenamento jurídico ensina Mello violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma. pode-se compreender que o Direito Administrativo é. Direito administrativo.

gov.4 Estes princípios. Tem-se. 101. por ser a Administração Pública informada por diversos princípios. São Paulo: Max Limonad. Constituição (1988).: BUENO. as quais constituem um bloco sistemático e harmônico. Acesso em: 23 abr. 2001. como se verá.1. MEIRELLES. toda a Administração. 5 de outubro de 1988. Cf. caput. c) direitos fundamentais e mais alguns outros pressupostos que decorrem do princípio democrático. DF. compreende-se princípios como sendo normas gerais e abstratas. Direito administrativo brasileiro. Vera Scarpinella et al. só poderão fazer o que o preceito normativo determina ou permite 3 4 5 O Estado Democrático de Direito . Ao cabo disso. o da publicidade e o da eficiência. pode-se afirmar que este ramo do conhecimento que é fundamentado por uma série de proposições diretivas. o agente público. ed.3 deve respeito.. Brasília. a saber: princípio da justiça social. enfim. o da moralidade. 87. 2007. Disponível em:<http://www. vez que consagra a idéia de que a Administração Pública só pode ser exercida na conformidade da lei. 2008. as autoridades. a submissão do Estado à lei. p. Trazendo tal acepção para o Direito Administrativo. é tido que “enquanto na Administração particular é lícito fazer tudo que a Lei não proíbe.. c) constitucionalidade. o que. porém às quais todo ordenamento jurídico que se construa com a finalidade de ser um Estado Democrático de Direito.13 Assim. BRASIL. São Paulo: Malheiros. p. então.planalto. em especial os expressos no seu artigo 37.”5 Em decorrência disso. em sentido material. 33. Constituição da República Federativa do Brasil. Assim. não necessariamente positivadas. será informado por princípios que o constituirão.contém. Hely Lopes. 2. nas lições de Meireles.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao. destinam-se de um lado.estabelecido em nosso Sistema Constitucional . a orientar a ação do administrador na prática de seus atos e.1 Princípio da legalidade Este é o princípio capital para configuração do regime jurídico-administrativo do Estado Brasileiro. Devido processo legal na administração pública. . na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. atual. é conveniente examinar aqueles arrolados na Constituição Federal Brasileira de 1988.].htm>. na Administração Pública não há espaço para qualquer exacerbação personalista dos governantes. princípio da igualdade [. quais sejam: o da legalidade. na sua essência os pressupostos materiais subjacentes ao Estado de direito: a) judicidade. de outro lado a garantir a boa administração. o da impessoalidade.

da Constituição Federal e na seqüência outros remédios específicos. Ainda. inciso XXXV. o ato do administrador público deve conformar-se com a moralidade e a finalidade administrativas para dar legitimidade à sua atuação. 2. o habeas data. isto tudo sem falar no controle pelo Legislativo. de grupos ou particulares.14 expressamente. 6 Observa-se. é de se pontuar que. Entretanto. em decorrência do qual "a Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão". visando garantir a sua observância pelos agentes administrativos. decisões e interesses individuais. como bem enuncia Meireles. sob 6 DI PIETRO. o habeas corpus. 2007.2 Princípio da impessoalidade ou finalidade A Impessoalidade ou Finalidade relaciona-se ao preceito que impõe a cada autoridade pública. visando unicamente satisfazer interesses privados. porquanto preocupa-se o princípio da finalidade em almejar o interesse público: O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração. 59. ainda que a mesma decorra de ato da Administração. além de retratar as regras principiológicas. cujos aspectos serão alhures demonstrados. o mandado de segurança e o mandado de injunção. a importância do princípio dantes apresentado. Não pode a Administração agir por interesses políticos.1. por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais. como bem retrata Di Pietro. a sopesação de vários interesses. como a ação popular. portanto. não podendo prevalecer frente a estes. p. devendo agir de acordo com a lei. A observância do referido preceito constitucional é garantida por meio de outro direito assegurado pelo mesmo dispositivo. . além de atender à legalidade. E a Constituição ainda prevê outros remédios específicos contra a ilegalidade administrativa. no exercício da atividade administrativa. editou o legislador constitucional mecanismos que assegurassem a sua efetivação. sempre com intuito de atingir a finalidade que resguarde interesse público. destacando inicialmente o artigo 5º. e no controle pela própria Administração. em seu inciso XXXV. diretamente ou com auxilio do Tribunal de Contas.

loc. 29 ed. sob fundamento de que os atos são do órgão e não do agente público. revela-se lúcida a ponderação feita pelo referido autor vez que as realizações administrativo-governamentais não são do funcionário ou autoridade. Tanto que. 7 Dá sentido diverso ao referido princípio Silva. refere-se tal princípio a uma espécie de moral diferenciada. 92. por entender “que os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica. quando se reconhece validade aos atos praticados para o funcionário irregularmente investido no cargo ou função. p.”8 Nesse quadrante. conforme artigo 37. MEIRELLES. portanto.. Neste sentido. cit. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder.15 a forma de desvio de finalidade. por sua vez retrata as duas interpretações explanadas acima. senão vejamos: Outra aplicação desse princípio encontra-se em matéria de exercício de fato. 2. Direito Constitucional Positivo. SILVA. José Afonso da. MEIRELLES. mas da entidade pública. por exemplo.1. 92. . § 6º. p. cit. este poderá vir a ser invalidado. 667.”9 Na seqüência. 2007. 10 Tem-se.3 Princípio da moralidade Não obstante a semelhança existente entre a idéia de moral comum. também chamada de moral jurídica. afirma Di Pietro citando Brandão que: 7 8 9 10 MEIRELLES. mas ao órgão ou entidade administrativa em nome da qual age o funcionário. nos casos de dano a terceiros quem responde é Administração e não o funcionário. conhecida por moral administrativa. 2007. apresenta a mesma autora uma forma especifica de aplicação desse princípio. imposta à Administração Pública como um pressuposto de validade de seus atos. p. Di Pietro. pontuando que “exigir impessoalidade da Administração tanto pode significar que esse atributo deve ser observado em relação aos administrados como à própria Administração. a idéia de que. da Constituição Federal. op. São Paulo: Malheiros. em não sendo o ato do administrador praticado de forma impessoal.

16 faz um estudo da evolução da moralidade administrativa. percebe-se que violá-lo implicará transgressão ao próprio Direito. fato que enseja sua destituição do cargo. 11 Neste caminho. mostrando que foi no direito civil que a regra moral primeiro se imiscuiu na esfera jurídica. atentar contra a “probidade na administração” é hipótese prevista como crime de responsabilidade do Presidente da República. 2007. sem prévia e publica notícia.” ou seja. A este respeito. configurando ilicitude que comina a invalidação da conduta viciada. FRANCO SOBRINHO apud MEIRELLES. 14 (Grifo do Autor) 11 12 13 14 BRANDÃO apud DI PIETRO. por meio da doutrina do exercício abusivo dos direitos e. Acresça-se que. “é àquele que usando de sua competência legal. mas também pela moral comum. 2007. loc. . p. na forma e gradação previstas em lei. compreendem-se em seu âmbito os chamados princípios da lealdade e boa–fé. Falando. assim. 37. V. Com efeito. dão valor jurídico à vontade psicológica do administrador. de tal sorte que só se aplicam aos casos ocorridos depois de tal notícia. cit. p. nos termos do art. §4º). é para admitir a lei como regra comum e medida ajustada. comenta Mello: Por força mesmo destes princípios da lealdade e boa-fé.115 . as fronteiras do lícito e do ilícito. encontra-se ligada à moralidade administrativa ao conceito de “bom administrador.69. E explica o mesmo autor. de uma maneira ou de outra. contudo de boa administração. 85. De resto. referimo-nos subjetivamente a critérios morais que. FRANCO SOBRINHO apud MEIRELLES. em especial no direito administrativo. 68 . in verbis: Quando usamos da expressão nos seus efeitos. p. a perda da função pública a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. depois. se determina não só pelos preceitos vigentes." 13 Há que conhecer. porquanto referido princípio assumiu foros de pauta jurídica (artigo 37. Essa mesma intromissão verificou-se no âmbito do direito público. utilizando-se das lições de Franco Sobrinho.”12 (grifo do autor) Na aferição de Meireles. agravar a situação dos administrados ou denegar-lhes pretensões. os atos de improbidade administrativa dos servidores públicos “importarão a suspensão dos direitos políticos. 2007. 90. firmou-se o correto entendimento de que orientações firmadas pela Administração em dada matéria não podem.116. MELLO. Constituição Federal). ser modificadas em casos concretos para fins de sancionar. pelas doutrinas do nãolocupletamento à custa alheia e da obrigação natural. da Constituição. do justo e do injusto nos seus efeitos. no qual penetrou quando se começou a discutir o problema do exame jurisdicional do desvio de poder. sem prejuízo da ação penal cabível (art.

Com efeito. faz-se necessário abordar as formas de divulgação dos atos e decisões administrativos. a de que a publicidade deve se dar por meio de órgão oficial. com exceção das situações de sigilo previstas em lei. 16 (grifo do autor) 15 16 BRASIL. A publicação oficial é exigência da executoriedade do ato que tenha que produzir efeitos externos.1. 670. 2007. Destaca-se que. para propiciação de conhecimento do público em geral e início de produção de seus efeitos. E para que seja possível o seu estudo. vem reforçada pelo inciso XXXIII do artigo 5º da Constituição Federal. em seu inciso LXXII. passa-se ao estudo do princípio da publicidade. um outro aspecto do princípio em tela merece ser abordado. p. que asseguram a todos o direito de obter dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral. e muito menos em relação aos sujeitos afetados por alguma medida.15 Além desses. confere a garantia do habeas data assegurando ao administrado o direito de conhecer e retificar informações pessoais constantes de entidades governamentais ou de caráter público. Só com a transparência é que poderão os indivíduos aquilatar a correção ou não dos atos e grau de eficiência de que se revestem. SILVA. cit. Tem-se como regra básica. qual seja: a sua produção de efeitos jurídicos. como bem informa Silva a publicidade se faz pela inserção do ato no jornal oficial ou por edital afixado no lugar de divulgação de atos públicos. Ademais. loc. e pelo inciso XXXIV que reconhece o direito à obtenção de certidão dos órgãos públicos para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. o mesmo artigo 5º.17 Apresentados estes principais aspectos do princípio ora analisado. 2. Em alguns casos ao interessado no ato ou quem o ato prejudica. aos administrados.4 Princípio da publicidade Fundamenta-se este princípio em propiciar a divulgação e transparência dos atos da Administração entre os administrados. a regra da transparência administrativa. . 1988. dos assuntos que a todos interessam. não pode haver ocultação.

p. apresenta-se atualmente sobre diferentes interpretações pela doutrina. 95. não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos como também de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade. § 1º. perfeição e rendimento funcional. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados. bem como os comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes. vedando promoção pessoal de autoridades ou agentes públicos. os despachos intermediários e finais. 17 Um outro ponto que marca esse princípio encontra-se delineado no artigo 37. os processos em andamento. do texto constitucional18. ao apresentar inicialmente dois de seus respectivos aspectos: pode ser considerado em relação ao modo de atuação do agente público. para integrar como mais um dos princípios constitucionais da Administração Pública. segundo o qual se tem por dever da Publicidade Oficial. 1988. MEIRELLES. 19 Realça mais este princípio Di Pietro.. .18 Acrescenta Meireles a idéia de que o princípio da publicidade visa. os atos-concluídos e em formação. segundo a referida autora. loc. e outro lado relacionado ao modo de 17 18 19 MEIRELLES. ressaltando que o princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza. art. abrange toda atuação estatal. 2007. espera-se o melhor desempenho possível de suas atribuições. propiciar a divulgação da conduta interna dos agentes Estatais: A publicidade. Meirelles trata-o como um dos deveres da Administração Pública. do qual. cit. exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. 96.1. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. como princípio de Administração Pública (CF. informativo ou de orientação social. op. Essa publicidade atinge. para lograr os melhores resultados. BRASIL. assim.cit. É o mais moderno princípio da função administrativa.. inclusive.5 Princípio da eficiência Acrescentado ao corpo do texto Constitucional pela Emenda Constitucional nº 19 de 1998. 37. apresentar caráter educativo. p. 2. caput).

MELLO. Dentro dessa idéia de eficiência nos gastos de recursos públicos. 2007. sobretudo do Direito Americano. José dos Santos. o qual aparenta simplesmente dizer que a Administração deveria agir com eficácia. e ampl. in verbis: 20 21 22 23 DI PIETRO. absolutamente diferente do Direito Brasileiro. 23 (Grifo do Autor) Sob ótica diversa. Rio de Janeiro: Lumen Juris. . São Paulo: Malheiros. no que tange à eficiência na execução orçamentária. há que se respeitar as diretrizes e prioridades dos administradores públicos. característica que para ele sempre foi esperada dos administrados.19 organizar. Manual de direito administrativo. 2007. ed. bem como os recursos financeiros disponíveis e. CARVALHO FILHO. Lúcia Valle. 64. p. mas econômico. “o Poder Judiciário não pode compelir a tomada de decisão que entende ser de maior grau de eficiência. estruturar. 21 De forma um pouco mais radical Mello assevera que de toda sorte.” nem invalidar atos administrativos invocando exclusivamente o princípio da eficiência. entretanto. ed.. Silva define eficácia não num conceito jurídico. p. hodiernamente. 7. FIGUEIREDO. de outro. 74 e 70 da Lei Maior. sofre limitações e só pode incidir quando se tratar de comprovada ilegalidade.20 Na acepção de Figueiredo. 21 . do texto constitucional. causando. nos artigos 70 ou 74. atual. 75. inclusive se coligada ao que já previa o legislador constitucional. 2004. Curso de direito administrativo. observa Carvalho Filho sua forma de controle administrativa e judicial: de um lado. 12.118. também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do serviço público. p. mas sim evitar que a atuação dos juizes venha a retratar devida intervenção no círculo de competência constitucional atribuída aos órgãos da Administração. e atual. O controle judicial. Note-se que a idéia não pretende excluir inteiramente o controle judicial. muito trabalho aos juristas para tentar compreender tais figuras emprestadas.22 Merece guarida a ponderação do doutrinador supra. disciplinar a Administração Pública.22. pois jamais uma suposta busca de eficiência justificaria postergação daquele que é o dever administrativo por excelência. respectivamente. Os controles administrativo (de caráter interno e processado pelos próprios órgãos administrativos) e legislativo são reconhecidamente legítimos e indubitáveis à luz dos arts. rev. p. rev. Como tem consagrado corretamente a doutrina. não se pode admitir que o princípio constitucional deixe de ser respeitado e aplicado. 2005. pouco se extrai de substancial da inclusão do referido princípio no corpo do artigo 37 da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 19. o fato e que tal princípio não pode ser concebido (entre nós nunca é demais fazer ressalvas óbvias) senão na intimidade do princípio da legalidade.

Na Administração Pública as condições de eficiência são diferentes por que. enquanto no caso dos bens privados cada um consome diversas quantidades ao mesmo preço. 2007. SILVA. pela regra da consecução do maior benefício com o menor custo possível. o princípio da eficiência. orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dispõe e a menor custo. o que implica medir os custos que a satisfação das necessidades públicas importam em relação ao grau de utilidade alcançado. p. 24 25 26 SILVA. que lhe são inerentes. . 2007. a defesa nacional).25 Por fim. Rege-se. em relação aos bens públicos. no caso dos bens públicos (p. como ocorre nos preços de bens privados. o princípio da eficiência administrativa tem como conteúdo a relação meios e resultados. vale o princípio de não-exclusão. [.”26 Isto ponderado.20 Numa idéia muito geral. no capítulo seguinte o processo administrativo fiscal e os princípios de maior importância. todos consomem a mesma quantidade atribuindo-lhes valores diferentes. isto é. especialmente ao da legalidade. segundo a qual “a eficiência é princípio que se somam aos demais princípios impostos a Administração. eficácia significa fazer acontecer com racionalidade.]. DI PIETRO... 37 da Constituição pela EC-19/98. materiais e institucionais para a prestação de serviços públicos de qualidade. 76. sob pena de sérios riscos à segurança jurídica e ao próprio Estado de Direito. cit. É que o financiamento do custo dos bens públicos decorre normalmente de imposição tributária. loc. cujo montante é independente das preferências individuais. 24 (Grifo do Autor) E completa afirmando que o princípio da eficiência administrativa consiste na organização racional dos meios e recursos humanos. 671.. não podendo sobrepor-se a nenhum deles.ex. traz-se a baila as lições de Di Pietro. p. Portanto. introduzido agora no art. Assim. o consumo da parte de um agente econômico não exclui a possibilidade que outros consumam contemporaneamente o mesmo bem. pois. com maior economia de recursos possível.

21 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E SEUS PRINCÍPIOS Para melhor compreender o processo Administrativo fiscal. ainda na época atual. dentre estes os insculpidos nos .1 Legislação aplicável ao processo administrativo fiscal Vários quadrantes compõem o sistema positivado do processo administrativo fiscal. ao lado do artigo 37. da Constituição Federal. 3. descrever o processo administrativo fiscal. sobre quais se debruça o presente trabalho a partir deste momento. Sendo assim. de modo a possibilitar a discussão que se agigantará o último capítulo. direito processual penal. tomando como referência o processo administrativo fiscal em nível federal. convém estudá-lo tanto sob seu aspecto legal. Tem-se em diferentes níveis do Processo administrativo fiscal o respeito às normas regulamentadoras. não com o intuito de esgotar o tema. este capítulo objetiva. Sob o prisma constitucional.1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Diante dos limites de espaço impostos ao presente trabalho monográfico imprescindível uma apreciação sistematizada sobre o processo administrativo fiscal. não está dotado. num primeiro momento.1. como por exemplo. como dos princípios que o informam. O ordenamento jurídico brasileiro. caput. convergem outros princípios. 3. com a promulgação da primeira Constituição Republicana. mas apenas de apresentar a sua essência a toque dos preceitos legais e doutrinários. embora tenha começado a conviver com o processo administrativo tributário desde 1889. retratado no capítulo anterior. para em segundo plano analisá-lo sob a ótica dos princípios que lhes são específicos. de elementos consolidados a elevá-lo ao patamar em que encontram outras entidades jurídicas de direito formal. o direito processual civil.

urge apreciar um outro aspecto ligado ao tratamento conferido ao processo e ao procedimento administrativo fiscal. procedimento é o modo de realização do processo. impõe-se asseverar que o processo administrativo fiscal atua na solução administrativa das lides tributárias. regras processuais são traçadas pelo Código Tributário Nacional. encontra-se este regido hoje pela Lei nº 9. os quais estendem alguns direitos fundamentais do cidadão ao processo administrativo fiscal. especialmente a impugnação ao lançamento (artigo 145). 3.784/99. o Código Tributário Nacional. Instituídas por lei complementar geral.784/99. o Decreto nº 70. consoante a natureza da questão a decidir e os objetivos da decisão. suspensão por reclamações ou recursos da exigibilidade do crédito tributário (artigo 151) e relacionado à extinção do crédito tributário via decisão administrativa (artigo 156). distrital e municipal.235/72. ainda. regulamenta o procedimento e processo administrativo tributário federal o Decreto nº 70. o rito processual. que não há processo sem procedimento. portanto pode realizar-se por diferentes procedimentos. que disciplinam o processo e o procedimento administrativo tributário. compõem-se estes de inúmeras leis estaduais e municipais em todo o País. . como se verá.22 incisos do artigo 5º. quanto ao âmbito ordinário estadual. que serão tratadas adiante.1. com suas alterações posteriores. No plano ordinário federal. em especial a Constituição Federal de 1988. bem como. nas legislações estaduais e municipais. Por fim.235/72 e Lei 9. Observamos. O processo. Adstrito ao nível ordinário geral do processo administrativo federal. Ainda que a discussão entre processo e procedimento não seja imprescindível para o presente trabalho. para o qual processo é o conjunto de atos coordenados para a obtenção de decisão sobre uma controvérsia no âmbito judicial ou administrativo. dada a autonomia que a Constituição conferiu a tais entes. Antes de apontar qualquer definição da natureza desse instituto.2 Natureza do processo administrativo fiscal Sob o exame das normas processuais citadas na seção anterior. acrescem-se as definições expostas por Meirelles. ou seja.

MARINS. p.] a atividade administrativa pública outorga à Carta Magna. ao menos teoricamente. 2007. como por exemplo. nos dias de hoje. retirá-lo ou emendá-lo (prerrogativas denominadas ora de “poderes” ora de “potestades”) com a finalidade de realizar a apuração e a arrecadação tributária. apenas.isto é. 162.. Sob este enfoque. de modo explicito. harmonizando-se com conotação judicial do princípio do monopólio da jurisdição – torna jurídico e por isso mais seguro o relacionamento conflituoso entre Estado e contribuinte. Marins tem que: o fenômeno processual. formalizando o vínculo com a celeridade que. São Paulo: Malheiros. qual seja o da ordem jurídica. 2005.3 Confere-se que.. 160.1 (grifo do autor) Escreve também Marins que no âmbito fiscal direciona-se o procedimento e o Processo Administrativo para o delicado campo da autotutela tributária do Estado.. A autotutela. Hely Lopes. 614. James. [. Direito administrativo brasileiro. [. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. ed. sem com isso afastar a ampla e efetiva cognição judicial . Ibid. mas vinculada. de forma mais clara e eficaz. de forma a enfrentar o arbítrio que com freqüência contamina as regiões vizinhas ao poder político.2 (grifo do autor) Tecidas tais explanações. a discrição. no âmbito do Poder Judiciário. Voltada sim.23 mas há procedimentos administrativos que não constituem processo. à realização de um interesse maior. Do ponto de vista da Administração tributária. e sujeita ao Direito. a atividade administrativa fiscal não tem por objetivo usurpar a competência ou excluir a possibilidade acesso ao Poder Judiciário. não pode ser visto como desenvolvendose. São Paulo: Dialética. o reconhecimento da peculiar dimensão processual do fenômeno litígio no plano administrativo é garantia que se deve assegurar ao cidadãocontribuinte. os de licitação e concursos. . Por outro ângulo.. p. atual. destaca-se que a Constituição Federal assegura ao contribuinte o direito subjetivo de buscar o acertamento de sua relação tributária com o Fisco. tende a processualizar-se e com esta mutação deixa de representar exercício unilateral de poder e passa a significar mero exercício de prerrogativas procedimentais ou processuais legais pois não se afigura como atividade discricionária. em que se afigura com mero exercício de estritas prerrogativas legais de praticar o ato impositivo (lançamento). contudo. informa a atividade administrativa.. a admissão de que se desenvolvam funções julgadoras no seio da Administração é decorrente da inquestionável necessidade que o Estado tem de se instrumentalizar adequadamente em sua ação de exigir tributos. ed. no âmbito do processo administrativo. p. 135 – 138.] O processo. 1 2 3 MEIRELLES. função julgadora para solucionar os choques tributários que têm os cidadões como figuras centrais. 4. ao penetrar e fincar raízes no sítio da atividade administrativa. 33.

o primeiro ato de ofício. com aplicação conjugada em caráter subsidiário com a Lei nº 9.24 Para tanto.3 Fases do processo administrativo fiscal Considerando os pontos já abordados. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Disponível em: <http://www. Tais ponderações.1.planalt o.784 . 3. nos termos do artigo 7º do Decreto nº 70. ou ainda uma mera descrição. sob a ótica da legalidade e justiça na atividade de exigência fiscal. de todo esse conjunto de normas. dada à possibilidade de cada ente regular. inciso LIV). tem início nas seguintes hipóteses: I . seria inviável a análise. em especial. Duas são as fases do processo administrativo fiscal consoante tratamento conferido pelo referido Decreto. convergem ao reconhecimento da natureza jurídica processual do processo administrativo fiscal. dentro da idéia de imparcialidade nos julgamentos e imprescindibilidade de um devido processo legal (inciso LIV do artigo 5º). a saber: fase administrativa e litigiosa.4 que lhe introduziu grande abrangência principiológica. o seguido no âmbito federal. no Decreto nº 70. Diário Oficial da União: Brasília.3. controlar seus atos internos (lançamento). já que. cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. 11 de março de 1999. praticado por servidor competente.br/Ccivil_03/LEIS/L9784.1 Fase administrativa A fase administrativa. por meio de um processo administrativo (artigo 5º.gov.235/72. adotar-se-á como modelo. a sistemática do processo. que lhe permitem. conferiu-lhe a Carta Magna peculiaridades. 3. Lei nº 9. de 29 de janeiro de 1999. E para tanto.a 4 BRASIL. Acesso em: 18 maio 2008 .784/99. por lei própria. O procedimento administrativo tributário contencioso federal encontra-se alicerçado.235/72.1. II . DF. ligadas a garantia Constitucional de solução de conflitos com a administração.htm >. importa ao presente trabalho apresentar as etapas do processo administrativo fiscal. escrito.

br/CCIVIL/decreto/D70235Compilado. . Embora os autos de infração ou notificação de lançamento devam ser separados para cada tributo. Decreto n. 5 6 7 8 BRASIL. III . o contribuinte. rev. a descrição do fato. 2007. p. após ações prévias de apuração do valor que seria devido. Como se constitui a intimação ao contribuinte. o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação.6 A exigência do crédito tributário é formalizada em Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. BRASIL. e estando formalizada a pretensão tributária através do ato de lançamento e regularmente notificado. e dá outras providências. a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal. 1972. BRASIL. excetuado quanto feito por meio eletrônico. faz com que o trâmite se dê num único processo (artigo 9º). a data e a hora da lavratura. cit. SLIWKA. Ingrid Schroder. Porto Alegre: Livraria do Advogado. loc. 4. a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Rene Bergmann. a comunicação daquele ao contribuinte. de 6 de março de 1972. se for o caso. Este último. os quais distinguem Auto de Infração e Notificação esclarecendo que “O primeiro é a própria exigência (lançamento). 39. 70.”7 A luz de tal apontamento urge apresentar os incisos do artigo 11.25 apreensão de mercadorias. ed. Avila e Sliwka ao artigo 11 do Decreto supra. PAULSEN. Convém destacar o comentário de Paulsen.cit. 1972. Leandro. para formalização. Acesso em: 6 maio 2008.5 Convém reparar que neste mesmo dispositivo encontra-se gravada a exigência de que.235. Disponível em: <http://www. Diário Oficial da União: Brasília. os quais têm como requisitos da notificação de lançamento: a qualificação do notificado.htm>.8 Assim.235/72 exige que a lavratura do auto de infração se faça constando obrigatoriamente: a qualificação do autuado. O artigo 10 do Decreto nº 70.g ov. documentos ou livros. a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. AVILA. distinto para cada espécie de tributo. DF. deverá obrigatoriamente conter os requisitos previstos nos incisos I a IV.o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. e a segunda. e atual. op. a disposição legal infringida. 7 de março de 1972. Direito processual tributário: Processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. os diversos atos devem ser obrigatoriamente escritos. a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias. dá-se início a fase seguinte.planalto. através de fiscalização ou aferição por documento/informação originada do sujeito passivo. a identidade dos fatos de que decorrem. o local.

26 3. Impugnação.10 O mecanismo de processamento de primeira instância. A primeira. indicar as diligências ou perícias que pretenda ver realizadas. Com o pagamento. as provas que possui. defesa ou reclamação são termos utilizados para designar a peça pelo qual o contribuinte manifesta-se em desacordo com a exigência formulada. com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. cit. no caso de perícia). e assim ocorrendo.2 Fase Litigiosa Concretizada a fase administrativa. o endereço e a qualificação profissional do seu perito. aliás as justifiquem. de competência da autoridade julgadora.9 Nos termos do § 4º do artigo 16 de Decreto nº 70. Tal impugnação deve atender aos pressupostos formais indicados nos artigos 15 e seguintes do Decreto nº 70. a autoridade preparadora declarará sua revelia e o processo permanecerá no órgão preparador. parágrafo único. em nível federal.3.235/72. uma fase de instrução. Nos casos em que a impugnação seja 9 10 BRASIL.1. 18 e 19 do Decreto nº 70.235/72. no caso da perícia deve ser consignado o nome. loc. Se o sujeito passivo não apresentar impugnação. quais sejam: indicar a autoridade julgadora a quem é dirigida. foi segmentado em duas etapas distintas. extingue-se a obrigação tributária (artigo 156. cit.235/72. ainda. pelo prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável do crédito tributário. a decisão. (assim como. BRASIL. . E. abre-se prazo de 30 dias para pagamento ou impugnação (artigo 15 do Decreto nº 70. se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial. 1972. A autoridade preparadora poderá determinar a realização de diligências atendendo solicitação do impugnante ou ex officio. a teor do disposto no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. loc. declarar sua qualificação. com a impugnação devem ser apresentados todos os documentos que fundamentem suas razões. 1972. sob pena de preclusão. a cargo de quem o Decreto denominou autoridade preparadora. devendo ser juntada cópia da petição. I. Instruir a petição com os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância. atenderá aos artigos 17.235/72). do Código Tributário Nacional) e com a impugnação instaura-se a fase litigiosa do procedimento.

8. estas criadas pelo artigo 2º da Lei. Disponível em:<http://www. . o órgão preparador declara o sujeito passivo devedor e o processo será encaminhado à autoridade competente para promover a inscrição do valor na dívida ativa da Fazenda Pública (artigos 201 a 204 do Código Tributário Nacional) e realizar a cobrança executiva.htm>.planalto. O art. órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal. de 6 de março de 1972. 2º São criadas dezoito Delegacias da Receita Federal especializadas nas atividades concernentes ao julgamento de processos relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Medida Provisória n. e dá outras providências. 2.27 parcial. 64. 27 de agosto de 2001. daqueles processos Cf. Altera a legislação das Contribuições para a Seguridade Social .748. 3.PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda. DF.11 O julgamento dos processos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não mais se dá pelos Delegados. Esgotado o prazo sem que o crédito tributário tenha sido pago.1.COFINS.235/72). O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I . Art. uma vez que. o processo será remetido à autoridade julgadora para decisão em primeiro grau. Lei n.em primeira instância. e após a produção das provas requeridas pelo sujeito passivo. Diário Oficial da União: Brasília.Disponível em:< http://www. de 24 de agosto de 2001. 8. para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público . às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. de 09 de dezembro de 1993. Acesso em: 14 maio 2008.gov. passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. Altera a legislação reguladora do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da união. com composição em câmaras compostas por auditores fiscais. e dá outras providências. assessoradas por suas Divisões de Julgamento. DF. Havendo impugnação.748.: BRASIL. o lançamento torna-se definitivo sobre a parte incontroversa (artigo 17 do Decreto nº 70. 10 de dezembro de 1993. de 9 de dezembro de 1993. e não mais pela decisão do delegado.planalto.htm>.4 Julgamento da lide fiscal Neste ponto.235. sendo de competência dos respectivos Delegados o julgamento. Acesso em: 14 maio 2008. Diário Oficial da União: Brasília. que será realizada nos âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (artigo 25.br/ccivil_03/MPV/215835. com a redação dada pela Lei no 8. 25. inciso I do Decreto nº 70.: Id. Cf.br/Ccivil_03/LEIS/L8748. após a edição da Medida Provisória nº 2. em primeira instância.748/93..235/72). que alterou a redação do artigo 25 do Decreto 70.235/72 as delegacias de julgamento deixaram de ser órgãos monocráticos e passaram a ser órgãos colegiados.158-35/2001.12 11 12 Art.gov.158-35. dá-se início a fase de julgamento em primeira instância da impugnação. 25 do Decreto no 70. As decisões são tomadas por maiorias de votos.

ou quando a decisão deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens. são recebidos com prioridade pelas Delegacias de Julgamento (artigo 27 do Decreto 70.784) e ordem de intimação.]. [.14 Em não sendo apreciado o recurso de ofício não se tem decisão definitiva. Portaria Ministério da Fazenda n. O Recurso de Ofício. Diário Oficial da União: Brasília. cit. não se pode considerar como definitiva a decisão enquanto não apreciado encaminhado o processo para conhecimento do mesmo. veio a Portaria do Ministério do Estado da Fazenda nº 258/2001. SLIWKA.”15 Já o Recurso Voluntário é cabível no prazo de trinta dias após a ciência do sujeito passivo da decisão proferida no primeiro grau. PAULSEN. O respectivo ato decisório.235/72).br/legislacao/Portarias/2001/MinisteriodaFazenda /portmf258. ou ainda na hipótese descrita no artigo 2º do Anexo I da Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda. 1972. Após tramitação interna.00 (quinhentos mil reais).28 Neste norte. 258. in verbis: O recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. loc.235/72.235/72). Disponível em:<http://www. Acesso em: 20 maio 2008. 1972. é empregado pela autoridade de primeira instância sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário de valor total superior a R$ 500. de 27 de agosto de 2001. 91. de 24 de agosto de 2001: Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. AVILA. p. o referido Decreto prevê a possibilidade de interposição Recurso de Ofício e de Recuso Voluntário.htm >. BRASIL.235/72)16.. os processos envolvendo elevados valores ou os que contiverem circunstâncias de crime contra a ordem tributária.gov. Desta decisão.fazenda. a liberdade de apreciação das provas (artigo 29 do Decreto 70. cominada à infração denunciada na formalização da exigência. DF. BRASIL. com efeito suspensivo (artigo 33 do Decreto 70.13 disciplinar a constituição das turmas (cada uma delas constituída por cinco julgadores) e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. quando interposto da decisão de Câmara de Conselho de Contribuinte. contado da ciência do acórdão. é o que esclarecem Paulsen. Avila e Sliwka: “quanto submetida por lei a recurso de ofício. deverá devidamente ser motivado com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos (artigo 50 da Lei nº 9. Em condições para julgamento. loc. . da decisão de Câmara de Conselho de Contribuintes. que prover recurso de ofício. será apresentado na repartição preparadora. no prazo de trinta dias. 2007. cit. haverá decisão praticada pela autoridade competente. nos termos do artigo 34 do Decreto 70.000.receita. em 13 14 15 16 BRASIL..

Joaquim Barbosa. Supremo Tribunal Federal. DF. Relator: Min. com sede em Brasília – DF. salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal.976. observada a seguinte competência por matéria: I . instituídas.ORGA. Brasília. Imposto sobre a 17 18 BRASIL. Diário Oficial da União: Brasília. convertida na Lei nº 10.2° Conselho de Contribuintes: Imposto sobre Produtos Industrializados. de 25 de maio de 1982. e pela Lei Complementar nº 70.&l=0&p=1&u=/netahtml/sijut/Pesquisa.%20E%2019980317. O Conselho dos Contribuintes é formado por quatro conselhos.. 55.17 Esclarece-se que. 25. pelo Decreto-Lei nº 1.235/1972.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. o qual nos incisos do seu parágrafo primeiro.350/31. § 1° Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos. in verbis: Art. consoante dispõe o artigo 25 do Decreto 70. de 16 de março de 1998. para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP).1º Conselho de Contribuintes: Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza. § 2º.DDOU.. 28 de março de 2007.CH AT.]. de 7 de setembro de 1970. hoje regrado por normas regimentais internas. III . (Finsocial) e para o financiamento da Seguridade Social (Cofins).4° Conselho de Contribuintes: Imposto sobre a Importação. Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS). o condicionamento do recurso voluntário ao depósito de trinta porcento do débito em discussão ou arrolamento de bens. pela Lei Complementar nº 8. restou declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIN nº 1. Ação direta de inconstitucionalidade n. para o Fundo de Investimento Social. Acesso em: 21 maio 2008.29 petição fundamentada dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contribuição sobre o Lucro Líquido. de 30 de dezembro de 1991. Criados pelo Decreto nº 20. 1976. Imposto sobre Lucro Líquido (ISLL). Disponível em: <http://www.3° Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais. DF. (entre) representantes da Fazenda Nacional (Auditores Fiscais do Tesouro Nacional) e representantes dos contribuintes (indicados por entidades de classe de nível nacional). . respectivamente.htm&r=0&f=S&d= SIAT&SECT1=SIATW3 >.699-41/1998.%20E%20MF. IV . pela Lei Complementar nº 7. que reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 32 da Medida Provisória nº 1.gov.stf. de 3 de dezembro de 1970. Acesso em: 16 maio 2008.gov. com as alterações posteriores. distingue ordenadamente suas competências por matéria..235.fazenda. 17 de março de 1998. de ofício e voluntário. Disponível em: <http://sijut.940. Aprova os Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de contribuintes. II . de decisão de primeira instância. 18 O julgamento dos recursos dá-se pelos Conselhos de Contribuintes. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: [. do Decreto nº 70. são os Conselhos de Contribuintes integrados paritariamente por especialistas em assuntos tributários. que deu nova redação ao artigo 33.522/2002.br/netacgi/nph-brs?s1=P0000000551998031601$. Id.asp? numero=1976&classe=ADI> . Portaria do Ministério da Fazenda n.

aquele possui a seguinte composição: Pleno.235/72). privativamente pelo Procurador da Fazenda Nacional. Aprova os Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de contribuintes.&l=0&p=1&u=/netahtml/sijut/Pesquisa. 1972.fazenda. de 16 de março de 1998.br/netacgi/nph-brs?s1=P0000000551998031601$. Diário Oficial da União: Brasília. .%20E%20MF.br/CCIVIL/decreto/Antigos/D83304. tem por finalidade o julgamento administrativo em instância especial dos litígios fiscais incluídos na competência definida em seu Regimento.235/72 c/c Decreto 83.planal to.%20E%2019980317. DF. Sendo integrado pelos membros definido o artigo 3º de seu Regimento Interno. Da decisão definitiva do Conselho.30 Exportação e demais tributos aduaneiros. nos termos do artigo 37. quando for contrária à lei ou à evidência da prova. 29 de setembro de 1979. Portaria do Ministério da Fazenda n. Institui a Câmara Superior de Recursos Fiscais e dá outras providências. O Pleno compõe-se dos Conselheiros integrantes das Turmas. Disponível em: <http://sijut. sujeito passivo e Procurador da Fazenda Nacional. bem como julga recurso especial interposto. § 2º.gov. loc. No mais. inciso I do Decreto nº 70. contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (artigo 26. § 4º do Decreto 70.ORGA..gov.304/7921. 17 de março de 1998. Criada pelo Decreto nº 83. Disponível em: <http://www. 55. 19 20 BRASIL. e infrações cambiais relacionadas com a importação ou a exportação. Acesso em: 16 maio 2008. .Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda. do Decreto 70. é órgão colegiado judicante diretamente subordinado ao Ministro de Estado. no caso de decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes. Primeira Turma. Acesso em: 16 maio 2008. Consoante o artigo 2º do seu Regimento Interno . salienta-se que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia os recursos voluntários interpostos contra decisões das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes provenientes do julgamento de recurso de oficio – recursos providos – (artigo 25.htm>. Diário Oficial da União: Brasília.htm&r=0& f=S&d=SIAT&SECT1=SIATW3 >.304. 83. com as devidas ressalvas impostas por seu § 3º.304/79 e artigo 5º da Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda). Decreto n. Segunda Turma e Terceira Turma. a autoridade preparadora dá ciência ao sujeito passivo para cumprir a decisão em 30 (trinta) dias.. Id.235/72. de 28 de março de 1979.DDOU.C 21 HAT. DF. no prazo de 15 (quinze) dias. Id. a Câmara Superior de Recursos Fiscais.19 (grifo nosso) Tanto os Conselhos de Contribuintes quanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais são regulados pela Portaria do Ministério de Estado da Fazenda nº 55/9820 que aprovou seus respectivos Regimentos Internos. cit.

br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao. No mais. 3. 2008.2. inicia-se uma abordagem dos principais princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Brasília. inclusive os limites à atuação estatal. cujo tratamento será dado no capítulo seguinte.htm>. Sendo assim. devem ser rigorosamente observados idealizando o interesse de afastar o arbítrio.”22 E como princípio fundamental.planalto. Neste passo. a ponto de serem definidos como fundamentos do conhecimento. Constituição da República Federativa do Brasil. Constituição (1988). Acesso em: 23 abr. . DF. dele decorrem todos os demais princípios processuais insculpidos no Texto Constitucional. inciso LIV que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.31 A decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais é final e encerra o processo administrativo fiscal. como focalizado no capítulo anterior. 22 BRASIL. os quais se constituem num conjunto de postulados que orientam o desenvolvimento e a formação dos processos administrativos fiscais.gov. são os princípios indispensáveis a todas as ciências.2 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS Buscar-se-á retratar aqui os princípios mais relevantes aplicáveis especificamente ao processo administrativo fiscal. 5 de outubro de 1988. omitir-se-á.1 Princípio do devido processo legal O sistema da vigente Constituição de 1988 elenca como garantia do cidadão o devido processo legal ao expressar em seu artigo 5º. O referido princípio garante que as formalidades legais. Por representarem verdadeiros alicerces de sustentação. o exame dos mais importantes princípios vinculados ao processo administrativo fiscal será realizado nos tópicos que seguem: 3. nesta etapa. Disponível em:<http://www. a formalização do crédito tributário.

).”24 Face à importância do processo administrativo tributário como forma e sede de discussão desse tributo.) IV. Os direito e garantias individuais. pois vedada a sua supressão por força do artigo 60.25 (grifo do autor) 23 24 25 BRASIL. apesar de não dotadas das garantias atribuídas aos Magistrados. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa. que no inciso LIV. loc. assim redigido: “§4. com agentes públicos competentes para dar andamento processo administrativo fiscal. seja administrativo ou judicial (. da obediência a esse princípio no âmbito do processo administrativo.. biparte-se nos princípios do devido processo legal substancial (substantive due process) e do devido processo legal processual (procedural due process). sequer por Emenda Constitucional. apesar de serem agentes públicos. e julgadores administrativos. exige-se.188 . Buscando definir o que seria então o devido processo legal. § 4º. não podendo mais ser retirado. BRASIL. de amplíssimo valor. as garantias concernentes ao princípio da legalidade. no Direito Tributário por exemplo. mais especificamente. do artigo 5º. Nesse aspecto. MARINS. como explica Marins: A conhecida cláusula do due process of law. inciso IV da Constituição Federal. princípio da isonomia. em relação à decisão dos agentes administrativos com função de decidir e julgar as controvérsias instauradas no processo administrativo. cit. Em sua vertente substantiva a cláusula do devido processo legal compreende os postulados de direito material. devem ser independentes e decidirem interpretando os atos tendo como parâmetro a lei. vários apontamentos feitos na primeira metade desse capítulo com maior ênfase a estrutura do processo administrativo fiscal no âmbito Federal. . Com efeito. como decorrência do devido processo legal.32 Assim o é. que sejam imparciais e. o legislador trata.189. como. 1988. prevendo que “aos litigantes. p. o princípio do devido processo legal expressa as garantias elementares das quais derivam inumeráveis princípios do processo. loc. é preciso que a Administração possua uma estrutura funcional adequada.. em processo judicial ou administrativo. 2005. princípio da capacidade contributiva.” 23 Tal princípio é cláusula pétrea. pode-se asseverar que sua origem histórica provem do due processo of law do direito anglo-norte-americano. Em seu sentido estritamente processual (procedural due process).. princípio do não-confisco etc.. 1988. cit.º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: (. princípio da anterioridade.

nos moldes do que se aplica no direito americano. que se vise assegurar ao litigante o direito a notificação dos interessados. no processo administrativo fiscal. tem-se que este princípio é direito de todos os litigantes no exercício dos processos administrativos e judiciais. Entretanto. por vezes. bem como o direito de ser representado por advogado. ligado a outros fatores. funcionais e organizacionais. na medida em que a Constituição Federal assegura ao contribuinte o direito de se manifestar e impugnar o lançamento tributário. direito de ter uma decisão motivada exclusivamente nas provas produzidas. o direito ao contraditório é manifestação do princípio do devido processo legal. independente da natureza da acusação. Em especial. Seu primado é o de conferir a oportunidade aos litigantes em um processo.2 Princípio do contraditório Como se constata. em síntese. o respeito ao devido processo legal não pode faltar em processo algum. Assim também. direito de produzir provas ou mesmo de conhecer e contraditar as produzidas pela outra parte. em virtude do grande número de processos e. oportunidade de defesa. não é lícito que a Administração atue sem que seja concedido ao administrado. inalcançável a materialização das garantias focalizadas por esse princípio em prol dos sujeitos litigantes. não há como desconsiderar a notória dificuldade que passa a Administração Fiscal. deverá ser em relação ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário. e traz indiretamente a idéia de garantia processual. como: precariedades econômicas. o contraditório é elemento essencial . de alguns dos entes tributantes. Em face disso. igualmente previsto no artigo 5º da Constituição Federal. 3. de pronunciar-se ou defender-se de manifestação da parte contrária. oportunidade de se manifestar e ser ouvido durante a prática de atos de instrução processual. de modo mais amplo possível. julgamento efetuado por órgão imparcial. seja qual for o estágio.33 Assim.2. Logo. revelando-se.

na fase da apuração do quantum tributário. de produzir prova de ser direito. sendo que nas duas. 3. Desta feita. 543. Manual de processo administrativo tributário. a observância de rito adequado. a. de acompanhar a prática de atos da instrução e de utilizar-se de todos os recursos administrativos em lei ou regulamento. possibilitar que o interessado se utilize plenamente de todas as formas lícitas de provas e meios. Em não havendo observância desse princípio se caracteriza nulidade do processo em razão de cerceamento de defesa. um sistema que não permite a exacerbação da força do Estado que imponha ao particular limitações ao seu direito de insurgência em face da ação Estatal. com o conhecimento de todos os autos praticados pela fiscalização.34 da formação da decisão administrativa. a partir da obediência desse princípio pelos agentes públicos considerados competentes para atuar no processo administrativo tributário. vistorias. PIGATTI JÚNIOR. a res litigiosa será solucionada por intermédio do processo.2. Depreende-se. Focalizam a questão Watanabe e Pigatti Júnior: A garantia de defesa ou o devido processo legal assegura o contraditório. portanto. primeiramente. de Oliveira. perícias. 26 WATANABE. Luiz. São Paulo: J. que também trata do princípio do contraditório.3 Princípio da ampla defesa Assegurado constitucionalmente no inciso LIV do artigo 5º. Ippo. 26 Criou-se. o princípio da ampla defesa apresenta-se admitido assim no âmbito judiciário. só então. p. para que. então que tal prerrogativa quando não exercida transforma-se em ônus para o contribuinte. a oportunidade para oferecer esclarecimentos e/ou para contestar a acusação. para impor o cumprimento da exigência tributária fica a Administração obrigada. a notificação do procedimento de lançamento ou do início do ato de fiscalização (princípio do auto-executoriedade ou da autotutela da administração tributária). 2000. como no da esfera administrativa de litígios. juntadas de documentos. . de requerer diligências. por determinação da Carta Magna. possa a Administração decidir.

br/netacgi/np h-brs?s7=&s9=DRJ/$.”27 Conferindo especial atenção ao direito de prova. Rio de Janeiro: Forense. proferida com fundamento em cerceamento do direito de defesa. 2. por conseguinte. p.” ou seja. como se tratou acima. o direito de consulta dos atos procedimentais. devem ser admitidos todos os meios lícitos para provar a verdade dos fatos em que se funda o litígio. como manifestação de um princípio de publicidade e de “transparência de função judicante. Relator. Acórdão n.&s10=&n=-DTPE&d=DECW&p=1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ. Finalmente. p.Brasília. Alberto. 2005. Preliminar de nulidade acolhida. o direito à impugnação da prova produzida pela Administração Fiscal. 318.SIGL. e o dever de fundamentação expressa dos atos de indeferimento do pedido de diligências ou perícia (art. Consa Sueli Efigênia Mendes de Britto. DF. Do lançamento: teoria geral do ato do procedimento e do processo tributário. 194 . 2008. colaciona-se um julgado da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte que destaca a importância e aplicação do direito de produção de provas: “nulidade da decisão de Primeira Instância – nula é. 2001. ou ainda meios pessoais. Conselho de Contribuintes.htm&r =1&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=acordao+&s6nº106_10_701=&s8= >. tais como direito de vista (direito de consulta dos atos procedimentais).195. de 9 de dezembro de 1993).35 3.28 (grifo do autor) Com efeito. como a apresentação de documentos técnicos – a produção de perícias contábeis ou a apresentação de pareceres jurídicos -. BRASIL. 106-10. ed. assevera Xavier que este se desdobra em três direitos que deles são corolários: O direito de acesso à prova envolve o “direito de vista. 28 do Decreto nº 70.701. conforme demandar a natureza da lide. XAVIER. na nova redação do art. 27 28 29 MARINS. 26 de fevereiro de 1999. . 6ª Câmara do 1º. como corolário.4 Princípio da ampla instrução probatória O direito à prova está inserido entre as garantias da defesa e do contraditório. em duas conseqüências: a ilegalidade de decisão.2. por sua vez. a decisão de primeira instância que deixe de motivar a não aceitação dos documentos juntados ao expediente impugnatório. a título de ilustração. por cerceamento do direito de defesa. elucida Marins que “estes meios de prova poderão ser matérias. testemunhais. observa-se nos mecanismos de prova que a norma que rege o processo administrativo tributário possibilitou ao sujeito passivo. Neste aspecto. e.” O direito à apreciação expressa da prova desdobra-se. o direito à prova tem ainda.gov.fazenda. 1º da Lei nº 8. Acesso em: 05 jun.235/72. ref.”29 A materialização deste princípio. e atual. Disponível em: <http://decisoes.748.

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direito à apreciação expressa da prova e o direito à impugnação da prova produzida pela Administração Fiscal. Tal direito, no entanto, não é absoluto, eis que o artigo 5º, inciso LVI, da Constituição Federal estipula limites à obtenção da prova ao referir que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.”30 Entretanto, a própria Constituição não estabelece de forma explícita, a conseqüência que deriva da circunstância de a prova ilícita, apesar da proibida, vir a ingressar no processo. Todavia esse enfoque, quanto às provas ilícitas, não se estudará neste trabalho monográfico. Por fim, deve ainda ser assegurada igualdade de condição entre a Fazenda Pública e o contribuinte, no que concerne aos meios de prova disponíveis, ocupando ambas as partes uma posição igual na instrução do processo, apresentando as suas razões em termos de controvérsia formal.

3.2.5 Princípio do duplo grau de cognição

De acordo com esse princípio a parte sucumbente no processo tem o direito de ver a lide fiscal reapreciada e julgada novamente por Órgão Jurisdicional de hierarquia superior. Tal preceito visa atender as necessidades de qualidade e segurança da prestação Estatal julgadora. Sobre a importância da existência de revisão hierárquica dos processos administrativos, justamente como forma de disponibilizar ao contribuinte demonstração de impessoalidade e imparcialidade da decisão proferida, observa Feitosa que os órgãos julgadores administrativos de segunda instância, formados, em regra, por uma composição paritária – representantes do órgão lançador e de seus segmentos da sociedade – dão garantia da impessoalidade e imparcialidade necessária e imprescindível à aplicação da Justiça Fiscal Administrativa.31

30 31

BRASIL, 1988, loc. cit. FEITOSA¸ Celso Alves. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Dialética, 1998, v. 3, p. 40.

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3.2.6 Princípio julgador competente

No direito brasileiro, o julgamento da impugnação administrativa do lançamento compete ou a funcionários integrantes da Administração Fiscal ou órgãos colegiais, de composição paritária, integrados, também, por representantes do setor privado. A par disso, enuncia Maris que

tais órgãos devem ser dotados de julgadores administrativos imparciais, competência julgadora previamente estabelecida na legislação e adequados mecanismos prévios de determinação de competência para cada caso concreto que lhes for submetido à apreciação.32

Acerca do referido princípio, acrescenta Xavier um importante aspecto que diz respeito à imparcialidade do Fisco enquanto representante nos julgamentos do interesse substancial de justiça, in verbis:

No exercício da atividade do lançamento, o Fisco é órgão de justiça, inobstante ser parte na relação jurídica tributária, cuja função consiste na aplicação objetiva da lei. E ainda que o Fisco é uma parte imparcial, pois – apesar de ser parte em sentido substancial da relação jurídica tributária – no procedimento administrativo de lançamento o “interesse formal” do Estado é irrelevante, prevalecendo sempre o “interesse substancial”de justiça, ou seja, de aplicação objetiva da lei.33 (grifo do autor)

Evidentemente, o distanciamento existente entre a prática do lançamento e a sua revisão contenciosa, é verificada pela diferenciação de funções, no âmbito do Fisco, entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento. Uma outra idéia expressa nesse princípio é a de que não será o administrado sujeito à tribunal de exceção, garantia essa esculpida explicitamente da dicção dos incisos XXXVII e LII do artigo 5º da Constituição Federal, segundo os quais “não haverá Juízo ou tribunal de exceção e ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”.34
32 33 34

MARINS, 2005, p. 197. XAVIER, 2001, p. 290. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 5 de outubro de 1988. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 23 fev. 2008.

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Neste caminho, a atribuição de competência julgadora condiciona as esferas administrativas, de qualquer um dos entes tributantes, a prover estrutura jurídica e funcional apta para que a lide tributária possa ser conhecida por julgador competente, pré-constituído pela lei.

3.2.7 Princípio da ampla competência decisória

Por este princípio, toda matéria de defesa produzida pelo contribuinte deve ser conhecida e apreciada pelo órgão da Administração encarregado do julgamento do conflito fiscal. Logo, em se tratando de matéria fiscal, à Administração Judicante lhe é imposto o dever de analisar a pretensão que é apresentada, seja qual for a matéria em debate. Nesse sentido, tratando a impossibilidade da autoridade julgadora escusar-se de apreciar determinadas matérias, assevera Marins:
Quer se tratem de questões concernentes à mera alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma jurídica tributária, toda a matéria de defesa deve ser formalmente apreciada. Não se realiza a ampla defesa sem o direito à cognição formal e material ampla, pois em se recusando a Administração a apreciar qualquer dos elementos fáticos ou jurídicos que estejam contidos na impugnação formulada haverá restrição do direito de ampla defesa, a macular o processo administrativo fiscal.35

Partindo dessa perspectiva, de estar os órgãos julgadores atrelados ao princípio Constitucional da ampla defesa, brota a inteligência de que em não sendo apreciada determinada matéria posta em discussão, estar-se-ia, em tese, incorrendo em cerceamento de defesa, o que, por conseqüência, poderia tornar nulo o processo administrativo fiscal. Em complemento ao estudo do regime do procedimento e do processo administrativo, urge observar a relevância que determinados princípios comuns em ambas as fases do caminho percorrido pela Administração, desde a formalização da pretensão até o julgamento da eventual lide tributária. Face à relevância, passa-se a abordagem conceitual de apenas um deles, nominado princípio da oficialidade.

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MARINS, James, 2005, p. 193.

p. . 2000. o seu produto resulta em outro princípio – o da verdade material. vez que. mesmo nos casos em que este tenha sido iniciado pelo contribuinte.36 36 WATANABE.2. PIGATTI JÚNIOR. Pontuam Watanabe e Pigatti Júnior que por meio deste a autoridade fiscal teria o dever de dirigir o procedimento administrativo recursal. colhendo os elementos de fáticos necessários para a determinação correta do tributo devido e de concluir por um ato jurídico administrativo que expresse a vontade da lei. se devido o tributo ou não.39 3. 540.8 Princípio da oficialidade Estampa este o princípio a idéia do dever obrigacional da Administração em promover o impulso oficial ao procedimento e ao processo administrativo fiscal.

Ambos (obrigação e crédito) têm origem comum no fato gerador. que. guardando a mesma natureza desta. necessitar-se-á dos conceitos e regras referentes à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 2007. p. a qual numa segunda etapa. 475.br/ccivil_03/leis/l5172.planalto. Código tributário nacional: comentários. adquirindo individualização. origina-se) da obrigação de pagar (tributo ou multa). ed. 3. em seu artigo 139.1 CONCEITO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Consoante dispõe o Código Tributário Nacional. com a ocorrência do fato gerador. doutrina. estabelece-se imediatamente a obrigação tributária. DF. uma vez que para o presente trabalho. para que se possa fazer relação com o trâmite do processo administrativo fiscal. 2 de outubro de 1966.172 de 25 de outubro de 1966: Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União. vê-se que a noção de crédito tributário relaciona-se a idéia de um direito que o sujeito ativo (fisco) tem para exigir do sujeito passivo (contribuinte ou responsável) o cumprimento desta obrigação. isto é. consoante o artigo 135 do Código Tributário Nacional. Acesso em: 15 maio 2008.” 1 Do referido artigo. jurisprudência. como o autor supracitado aduz. Lei n. aí esta o crédito tributário. A diferença básica entre os dois é que. qualificação e quantificação. 5. A obrigação tributária. instala-se uma relação jurídica tributária. São Paulo: Saraiva. Diário Oficial da União: Brasília. se formaliza através do lançamento. Disponível em: <https://www. de certa forma define. 4. se define. a acessória. . Constituído.40 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO Cumpre agora tecer alguns apontamentos acerca do crédito tributário. o crédito tributário só se formaliza após a obrigação tributária estar devidamente lançada. em última análise. por sua vez. OLIVEIRA.2 Do exposto. tendo de um lado a obrigação principal e. é a obrigação tributária lançada (é exigível). como se tratará adiante. rev. Ainda. recebe classificações fracionadas. em seu último capítulo. Oliveira comenta que o crédito decorre (deriva. e atual.htm>.gov. 1 2 BRASIL. “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. José Jayme de Macêdo. Estados e Municípios. de outro quadrante.

Alexandre Barros. em não havendo pagamento voluntário.. 2000. 3. p. que surge com a prática do fato abstratamente previsto em lei. 42. e nem. quando se sabe quem é devedor. Com o lançamento [. E com a inscrição se faz para.. a obrigação.4 (grifo do autor) Como mencionou o autor acima. . v. passando a denominar-se crédito tributário. 46. qualificada e quantificada. p. cuja cobrança. MACHADO. elucida Machado que no Direito Tributário. na clareza das lições de Machado abrange créditos de qualquer natureza do poder público. nem certa. Dívida ativa.41 Nas lições de Castro a obrigação principal é aquela tem por objeto entregar certo montante em dinheiro para os cofres públicos. ou seja. com a respectiva certidão. nem devidamente quantificado o seu objeto. São Paulo: Saraiva.] a obrigação tributária acessória tem por objeto deveres instrumentais ou formais que propiciam ao Poder Público o fiel cumprimento da prestação tributária e sua conseqüente fiscalização: tem por escopo facilitar a obtenção da obrigação principal. A obrigação existe. A obrigação. por isto mesmo exigível. a fim de esclarecer o que se denomina de crédito tributário.] tem-se identificado o sujeito passivo da obrigação e devidamente quantificado o seu conteúdo econômico. exatamente porque ainda não identificado o seu sujeito passivo.. quanto ele deve.. como se estudará no tópico que segue. a ocorrência do fato gerador do tributo faz nascer o vínculo obrigacional tributário. É dívida ativa o crédito como tal inscrito no órgão competente da pessoa jurídica de direito público credora. Hugo de Brito. não é líquida. é relação jurídica entre o Estado e determinada pessoa..5 3 4 5 CASTRO. Teoria e prática do direito processual tributário. 2005. p. necessariamente só se realiza após sua inscrição em dívida ativa. promover a cobrança judicial. Comentários ao código tributário nacional. O vínculo obrigacional então muda de nome. 817. Ibid. constitui o ato de pagar o tributo. [. O que caracteriza o crédito com dívida ativa é a inscrição como tal. que ocorre com o lançamento. no órgão competente para promover sua cobrança judicial. mas ainda não é exigível. diz-se que o inadimplemento do devedor é condição essencial para que a mesma seja efetuada. sendo que a exigibilidade só acontece com a constituição definitiva do crédito tributário.3 Neste compasso. Esse vínculo surge mas fica a depender da identificação de seu sujeito passivo e da quantificação de seu objeto ou conteúdo econômico. A obrigação necessita ser individualizada. que o Código Tributário Nacional denomina obrigação. Trata-se de conceito formal. São Paulo: Atlas. física ou jurídica. de entregar dinheiro ou realizar algum dever instrumental.

que fulmina na regular constituição de crédito em favor da Fazenda Pública. aponta o artigo 142 do Código Tributário Nacional a definição de lançamento como sendo o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. CARVALHO. imprescindível adentrar na esfera do instituto chamado lançamento. 4. que a dívida ativa nada mais é que o resultado de todo um procedimento da autoridade administrativa competente. Curso de direito tributário.2 FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Ao tentar apresentar o modo pelo qual o crédito tributário é constituído. a fim de possibilitar sua cobrança judicial. 18. passa-se a tratar das formas de constituição do crédito tributário. formalizando o crédito e estipulando os termos de sua exigibilidade. São Paulo: Saraiva.1 Lançamento Pelo lançamento a Administração Tributária constitui o crédito tributário. Nesse sentido.2. da categoria dos simples. in verbis: Lançamento é o ato jurídico administrativo.7 6 7 BRASIL. modificativos ou assecuratórios e vinculados. ed. em crédito tributário. já que o ato de lançar é único e não procedimento. 1966. propor a aplicação da penalidade cabível. cit. identificar o sujeito passivo e. loc. porque é através desse instituto que se opera a transformação da obrigação tributária. 260. Paulo de Barros. rev. antes ilíquida e tampouco certa e exigível.”6 Carvalho trata o lançamento como ato e não como procedimento. 4. e atual. 2007. Retrocedendo aos estágios acima descritos. sendo caso. se identifica o cálculo e a alíquota aplicável. p. . calcular o montante do tributo devido. então. mediante o qual se declara o acontecimento do fato jurídico tributário.42 Vê-se. determinar a matéria tributável.

com a atribuição ao contribuinte do dever de apurar o valor do tributo e fazer o pagamento deste. ainda. somente se dá o autolançamento quando o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento que estará sujeito à condição resolutória concernente à posterior homologação. mas que merece respeito. São Paulo: Dialética. 2005. Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas. isto é. Partindo da obra de Marins. e o lançamento por homologação (denominado pela doutrina de autolançamento) equivale à antecipação de pagamento. São Paulo: Saraiva.). James. se utilizado de fórmula inteligente ao definir que o lançamento é privativo de autoridade administrativa. 4. lançamento de ofício e lançamento por homologação. Complementa-se o enfoque aos lançamentos efetivados por homologação. 2007. independentemente da colaboração do contribuinte. independentemente de manifestação daquela. 149 e 150 do Código Tributário Nacional. 207. o lançamento dar-se-á por homologação. Hugo de Brito. . p. elucida o mesmo autor que esta fórmula é fruto salutar do Professor Rubens Gomes de Souza. prestadas para fins de formalização tributária pelo sujeito passivo ou por terceiro. no Direito Tributário Brasileiro. antecipando o pagamento do valor que ele próprio apura. o denominado lançamento por declaração (também conhecido por lançamento misto) tem como condição o oferecimento de informações.43 Com efeito. MACHADO. realizar o pagamento se for o caso. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. Aspectos do lançamento tributário. definindo-os como lançamento por declaração. Noutro vértice. p. e. Eurico Marcos Diniz de (Coord. diante de casos em que a lei estabelece para o sujeito passivo o dever de apurar o valor do tributo. cuidou o legislador de descrever nos artigos 147. a qual fica sempre assegurada a possibilidade de 8 9 MARINS. 836. sem prévio exame da autoridade administrativa. três espécies de lançamento. In: SANTI. ed. valendo-se das lições de Machado o qual afirma ter o legislador.8 No lançamento por homologação há para o sujeito passivo o dever de identificar o fato tributável. calcular o valor devido. porque equaciona a idéia de lançamento como atividade privativa da autoridade administrativa. 9 A respeito dessa homologação tácita. incompreendida e injustamente criticada por vários doutrinadores. informar o Fisco. ainda que apenas tácita. pode-se sintetizar que o lançamento de ofício ou lançamento direto corresponde ao ato formalizador que é realizado por incitativa da autoridade administrativa. contudo.

por exemplo. notifica-se o sujeito passivo para que tome ciência da efetivação do lançamento. ou seja. 10 MACHADO in SANTI. sua constituição definitiva pela eficácia preclusiva do lançamento. não se cabe reexame. Em consonância. aperfeiçoa o enfoque Oliveira. Nessa fase contenciosa. no terreno dos fatos. da situação prevista na parte final do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional.10 Sem a sistemática do lançamento por homologação. Por fim. para que o lançamento tributário surta seus efeitos é imprescindível que o devedor seja devidamente notificado e. até que cesse a causa suspensiva. asseverando que a exigibilidade. p. configurando-se. o nascimento do crédito tributário. A partir de então. não ocorra uma das formas de alteração do lançamento previstas nos incisos do artigo 145 do Código Tributário Nacional. Por outro lado. ainda que a obrigação tributária nasça no exato momento em que se verifica. a autoridade tributária fica impedida. 4. a exemplo. Seria extremamente difícil se supor que o Fisco Federal pudesse realizar lançamento de ofício para todos os contribuintes e responsáveis que recolhem tal exação. depois de completa a fase administrativa de apuração. durante o período de 05 (cinco) anos. de promover medidas administrativas ou judiciais para a cobrança do crédito. proceder o lançamento de ofício das possíveis diferenças. . alguns tributos teriam sua arrecadação comprometida. nos casos previstos em lei.3 FORMAS DE SUSPENSÃO Consoante se expôs acima. como. as diferenças que eventualmente forem constatadas. assim.44 rever aquela apuração. 2007. temporariamente. o crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa. e cobrar se for o caso. só nasce com o lançamento tributário. sendo que neste. se houver discussão sobre o acerto do lançamento. que autoriza a Administração revisar o lançamento feito pelo sujeito passivo e havendo discordância desse. portanto. a hipótese prevista na lei como capaz de dar-lhe origem. 836. inicia-se a fase contenciosa. salienta-se que esta modalidade de lançamento comporta ressalvas. decorrido o prazo legal. por regra. dando-se o lançamento. nos quais. o imposto sobre a renda.

em princípio. se suspenderá a exigibilidade do crédito tributário. vez que apenas as reclamações e recursos administrativos têm pertinência com o presente tema. I . BRASIL. 151. cit. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada.11 Adotando uma postura contestatória. pois aplicável ou relacionadas apenas ao processo judicial.3. IV . como coloca o autor supra citado. [.].. poderia o contribuinte valer-se de uma das causas suspensivas do crédito tributário.as reclamações e os recursos. IX e X.a concessão de medida liminar em mandado de segurança. procurando demonstrar a exigência de erro em qualquer dos seus elementos. 156. de modo que. deixando simplesmente de efetuar o pagamento. sendo certo que este. 12 Equacionando a necessidade do estudo das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. a discussão de todas as formas de suspensão seria inviável para a proposta traçada inicialmente. III . nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. b) omitir-se. todos deste CTN). p. ou se terá sua extinção. limitar-se-á a abordagem ao exame da modalidade prevista no inciso III. . 2007. a irresignação do contribuinte (quanto aos termos do lançamento) deve levá-lo a submeter aos órgãos administrativos judicantes ou ao Poder Judiciário sua pretensão de anular ou reduzir a exigência às suas verdadeiras e legais dimensões (com o que.moratória. via lançamento tributário. algumas das formas de suspensão sequer dizem respeito à fase administrativa. o crédito da Fazenda Pública é desde logo exigível do sujeito passivo. II . VI – o parcelamento.475.o depósito do seu montante integral.] na terceira.1 Reclamações e recursos administrativos 11 12 OLIVEIRA. ou c) contestar a sua certeza qualitativa e quantificativa. cf. pode adotar uma de três posturas: a) conformar-se com a exigência. quitando-a através do pagamento. loc. art. 4. art. definidas no Código Tributário Nacional cujo rol de hipóteses apresenta-se definida nos incisos I a VI do artigo 151. 1966. cf. 474 . convocado a satisfazêlo.. Por outro lado.. em outras espécies de ação judicial..45 Assim materializando. quais sejam: [.

todos do Decreto 70. restabelece-se a exigibilidade.. XXXV. nessa mesma hipótese. ora recursos ou até mesmo defesa. ora reclamação. Além de consagrar sua previsão no artigo do Código Tributário Nacional acima citado. tendo. pois. temporário. 15 e 16. quanto no judicial. o resultado final do procedimento administrativo tem efeito vinculativo somente em relação ao Fisco. ao final.. Apresentada a reclamação ou o recurso aguarda-se a decisão da autoridade ou do tribunal administrativo a que caiba seu exame.235/72. acarretando um impedimento. Salienta-se que no plano Federal. o sujeito passivo um prazo para satisfazer a obrigação. Retratando com perfeição as principais características apresentadas até aqui. vez que. da autoridade tributária de promover qualquer medida para a cobrança do crédito. o direito do contribuinte apresentar recurso voluntário para decisão em segundo grau pelo Conselho de Contribuintes (artigo 33 do Decreto 70. sendo assegurado. inclusive. A mesma sistemática é comumente adotada nos procedimentos administrativos no âmbito estadual e municipal. O ponto chave desse capítulo está no efeito principal que o manejo desse instrumento acarreta. ora designando como impugnação. bem como. [. inicialmente. até que cesse a causa suspensiva.]. por meio deste. a reclamação também é amparada na legislação de cada um dos entes tributantes. Se desfavorável. que trata de forma despreocupada a sua terminologia. IX). seja no âmbito administrativo. a possibilidade de apresentar recurso especial para Câmara Superior de Recursos Fiscais (artigo 3º do Decreto nº 83. ou seja. sem que com isso tenha suprimido a possibilidade de rediscutir em Juízo a decisão administrativa. prevêem os artigos 14.304/79). o questionamento perante o Poder Judiciário decorre da regra gravada no artigo 5º. de outro lado. Se a decisão definitiva for favorável ao reclamante. a impugnação como meio de defesa do contribuinte contra a exigência fiscal. nos termos das suas legislações específicas. jurídica) a possibilidade de. opor-se à exigência fiscal. à luz do que já veio sendo abordado. sob pena de o Fisco atuar no sentido da cobrança (com a inscrição em dívida. o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. art. da Constituição Federal.46 Partindo do estudo feito no capítulo anterior. a exigência fiscal se extingue (Código Tributário Nacional.235/72). nasce desde a interposição da impugnação. independentemente de depósito garantidor da discussão. e a execução judicial). Amaro sintetiza que as reclamações e os recursos no procedimento administrativo têm. 156. o sujeito . e. pode se dizer que a existência do processo administrativo fiscal assegura ao contribuinte (pessoa física. o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário. em regra. é óbvio que. Essa suspensão.

tanto a impugnação como os recursos voluntário e especial. que não é penalidade. rev. Inicialmente. não há mora e. no período da suspensão da exigibilidade do crédito tributário a prestação não é devida. São Paulo : Dialética: 2004. o prazo de prescrição para a propositura pela Fazenda Pública da respectiva ação de execução Para resguardar-se da fluência de acréscimos legais moratórios durante o período em litígio. p. 13 14 AMARO. Direito tributário brasileiro. portanto. bem como de acréscimos legais moratórios (artigo 161 do Código Tributário Nacional). bem como impossibilidade oposição do crédito ao mesmo ou como fundamento para o indeferimento de certidão de regularidade de fiscal (artigos 205 a 208 do Código Tributário Nacional). Neste sentido López e Neder colocam que: A impugnação suspende. porque não exigível. previstos no Decreto nº 70. 13. Luciano.47 passivo também pode ingressar em juízo. ed.14 Ainda sim. ed. também. Processo administrativo fiscal federal comentado. Maria Teresa Martínez. NEDER. LÓPEZ. senão a ocorrência da suspensão. . a ocorrência temporária de vedação de cobrança. São Paulo: Saraiva. 2. Impede ainda a fluência do prazo prescricional para propositura da ação de cobrança (artigo 174 do Código Tributário Nacional). Marcos Vinicius. 2007. não poderia ser outro o resultado esperado nos procedimentos administrativo-tributários no âmbito estadual e municipal. é facultado ao contribuinte efetuar o depósito da quantia objeto da exigência fiscal. 13 No mais. pontua-se que estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 383. disciplina o Código Tributário Nacional algumas conseqüências. como já restou dito.235/72. Assim. suspendem a exigibilidade do crédito tributário.. p. 237. mas a atualização do valor do principal. não é possível exigir juros de mora e multa moratória. não há violação da norma que determina a obrigação de pagar o tributo e. Com efeito. antecipando-se à ação do Fisco. e atual. até o trânsito em julgado da decisão administrativa. não há ofensa ao direito do sujeito ativo da relação jurídica tributária. Ainda assim. Será possível exigir correção monetária. cujos os principais enfoques serão tratados no capítulo que segue. que são penalidades.

1991 apud DIFINI. . ou vir. atual. que alguns autores entendem que isenção é uma dispensa de tributo. 2006. Manual de direito financeiro & direito tributário. ed. 548. loc. 3. ed. São Paulo: Saraiva. como se verá de forma sucinta.15 Distingue Rosa Júnior que “na isenção o crédito tributário não se constitui porque fica suspensa a eficácia da norma impositiva. e outros. 578. corresponde a um perdão. vez que sua abordagem não constitui objeto ou requisito para o enfoque do presente trabalho. Luiz Felipe Silveira. p. Rio de Janeiro: Renovar. enquanto a anistia implica no perdão de infrações cometidas à legislação tributária”.48 4. p. podendo passar por diversas etapas (como a suspensão da exigibilidade). entendendo o referido autor que esta ultima seria a posição mais acertada de isenção. 2005. Walter Paldes.18 15 16 17 18 BRASIL. como causas de exclusão do crédito tributário a “isenção" e a “anistia”. cit.. 19. no artigo 175. enquanto que para outros é uma forma de não-incidência legalmente qualificada. ROSA JÚNIOR. Define o Código Tributário Nacional. 1966. 2006. Luiz Emygdio Franco da. 285. 4. a ser excluído.4 FORMAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Até o presente estágio. a anistia regulada pelo Código Tributário Nacional em seus artigos 180 a 182. equivalendo a cumprimento da prestação e conseqüente desaparecimento da obrigação respectiva. que dispensa o contribuinte de pagar as penalidades pecuniárias devidas por prática de infração à legislação tributária. Hugo de Brito. doutrina.16 Salienta Machado. consideram uma exceção à hipótese de incidência tributária. p.17 De outro lado.5 FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Retrata Valério ser a extinção do crédito tributário ato ou fato que liberte o devedor da sujeição ao poder jurídico do credor. jurisprudência e legislação a. MACHADO. ainda. viu-se que o crédito tributário nasce. Manual de direito tributário. com base em lei previamente editada. até mesmo. VALÉRIO.

o parágrafo único do artigo 156 do Código Tributário prescreve ainda que a lei deve dispor quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito. nos termos do disposto no § 2º do artigo 164. assim entendida a definitiva na órbita administrativa. enfocar as principais características e pressupostos da prescrição.5. a consignação em pagamento. 4. em seguida. por acréscimo. a decisão administrativa irreformável. e. remissão. a prescrição e a decadência. 4.1 Prescrição Ao iniciar o estudo dessa modalidade de extinção de crédito tributário faz necessário compreender o seu conceito.49 O artigo 156 do Código Tributário Nacional. o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. a dação em pagamento em bens imóveis.19 Considerando todas as hipóteses de extinção do crédito tributário elencadas acima. elenca as formas de extinção do crédito tributário como sendo: o pagamento. sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição. importa ao presente trabalho efetivar uma abordagem apenas acerca do instituto da prescrição.1 Conceito de prescrição 19 BRASIL. . De outro lado. 1966.1.5. a conversão de depósito em renda. determinado pela Lei Complementar nº 104/2001. observado o disposto nos artigos 144 e 149. a decisão judicial passada em julgado. cit. a compensação. loc. na forma e condições estabelecidas em lei. a transação. que não mais possa ser objeto de ação anulatória. para.

Disponível em: <http://michaelis. indicação. 4 Fato de se esgotar o prazo que alguém teria para pleitear seu direito ou reclamar um interesse qualquer. Aduz ainda que.. pela inércia do titular do direito. 2007.br/moderno/po rtugues/index. a prescrição seria um instrumento contra o titular do direito que deixou de protegê-lo por meio da ação. Manual de direito tributário.]. ainda que analisado. se consubstancia mesmo com a ação já distribuída. 174. É o que ressalta Machado in verbis: As palavras geralmente têm mais de um significado e nisso reside uma das grandes dificuldades na compreensão do Direito.php?lingua=portugues-portugues&palavra=prescrição>. segundo aduzem.”22 Ocorre que. durante um determinado lapso de tempo. 6 Dir Extinção de direito ou obrigação por não se ter exigido oportunamente o cumprimento dela: Prescrição de dívida. ed. a qual.com.. Tal concepção. face seu efeito extintivo. 7 Dir Extinção da responsabilidade criminal do acusado. p. com o efeito de extinguir o direito à ação penal ou os efeitos da condenação: Prescrição de ação penal [. 8 Dir Decurso de tempo predeterminado em lei. ou do credor da obrigação. Muitas controvérsias a respeito de importantes teses jurídicas a rigor não se situam propriamente nas teses.21 Frente a tal colocação. . passa esta a ser definida como causa de extinção do crédito tributário. § 20 21 22 sf (lat praescriptione) 1 Ato ou efeito de prescrever. 3 Ditame. MARTINS. o instituto da prescrição está relacionado com a ação. p. passa-se a colher na doutrina posicionamentos que retratem o instituto da prescrição em seu significado jurídico. divergindo da simples perda do direito de ação judicial concebida pelo direito civil. guarda consonância com o entendimento de Carvalho e Jobim. para os quais o direito tributário consagra uma formatação diferenciada no que atine a prescrição. harmonizando-se com concepção de “prescrição” conferida pelo artigo 156 do Código Tributário Nacional. mesmo na linguagem jurídica especializada tem mais de um significado. 5 Dir Maneira pela qual. MACHADO. Sérgio Pinto. se opera a aquisição de um direito ou a liberação de uma obrigação. sob as condições que a lei estabelece. a hipótese de interrupção da prescrição pelo despacho que ordena a citação do devedor em ação de execução fiscal. 2 Ordem expressa. 562. 2005. 2008. de prescrição. pelo aspecto jurídico. com a evolução a prescrição passou a significar “extinção da ação pela expiração do prazo de sua duração (exercício tardio da ação). ligada a idéia de perda da pretensão ao crédito tributário. Para tanto mencionam como exemplo.: MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. A palavra prescrição. Acesso em: 04 jun. São Paulo: Atlas. por exemplo. ou seja. 6. preceito. consoante os termos do art. disposição. Cf. somente. 218. mas no significado das palavras utilizadas em seus enunciados.50 O instituto da prescrição20 pode assumir diferentes significados.uol. por se achar findo o prazo legal da punição que lhe fora imposta por sentença judiciária: Prescrição de pena. Pelas lições de Martins.

O Código Tributário Nacional define no caput do artigo 174 que a “ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos.29 23 24 25 26 27 28 29 CARVALHO. contando-se o seu respectivo prazo (cinco anos) da constituição definitiva do crédito (pelo lançamento)”.51 único. cit.28 A propósito. 1966. Agnelo apud CARVALHO. ressaltam que das várias tentativas de se definir a prescrição. seria a de Amorim Filho. inciso I. ou seja. não é objeto do presente trabalho alcançar tal abordagem. seria “distinto ou pouco proveitoso o trato com conceitos civilísticos. n. São Paulo.23 Nesse passo. tendo em vista novo traço ou desenho da prescrição para o Direito Tributário”. Bem assim que foi incluída no capítulo pertinente às disposições gerais sobre Direito Tributário (artigo 146. 2006. Cristiano. v. Antônio Luiz da Câmara apud CARVALHO. BRASIL. maio/ jun.” 26 Analisado sob o plano constitucional consagra-se. LEAL. da Lei de Execuções Fiscais inserido pela Lei 11051/2004. 2007. como sendo: “a inexistência de uma ação exercitável. JOBIM. 68. alinea “b”. da Constituição Federal). JOBIM. A polêmica esta evidenciada em consulta às obras pesquisadas neste trabalho. Revista tributária e de finanças públicas. § 4º. 31. p. que deixa expirar o prazo fixado em lei. loc. cit. cit.24 Ainda assim. do Código Tributário Nacional.”25 No enfoque das condições elementares à ocorrência da prescrição define Leal. a ocorrência de inércia da ação pelo seu não exercício. no que tange a reserva à Lei Complementar para estabelecer normas gerais sobre prescrição em matéria tributária. loc. Revista dos Tribunais. loc. AMORIM FILHO. por ultimo a ausência de fato ou ato. contados da data da sua constituição definitiva”. Não obstante a existência de discussão doutrinária27 a respeito da aplicabilidade do artigo supra. Eduardo. inciso III. Neste sentido as regras sobre prescrição somente podem ser fixadas ou alteradas mediante lei. 634. . sem exercê-lo. Oliveira retrata prescrição como sendo “figura de natureza processual que implica a perda do direito de ação de cobrança do crédito tributário. a mais aceita. p. 40. a prescrição. onde claramente já existe ação e ainda se fala em prescrição. CARVALHO. como norma geral de direito material. JOBIM. devem guardar respeito ao princípio da legalidade. por ser a mais lógica. o lapso de tempo da referida inércia e. sucede a decadência. por entender que “haverá prescrição quanto se der a perda do direito de ação (ação que nasce ‘quando o direito material e violado’) pela inércia de seu titular. OLIVEIRA. cit. 14. Da Prescrição Intercorrente de Créditos Tributários e o Art. a que a lei atribua eficácia impeditiva ou interruptiva do curso prescricional. JOBIM. loc.

RIO GRANDE DO SUL.52 Neste ínterim. é a extinção do direito de ação pelo decurso do tempo.º. possível reconhecer de ofício a prescrição em sede tributária. 146..[. 4. EXECUÇÃO FISCAL. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. contados da data da sua constituição definitiva. pois extinta está a própria relação de direito material. "b". de receber o crédito tributário depois de ocorrida a prescrição. A palavra prescreve. Apelação Cível n.rs. Assim.. Segundo o art. em cinco anos. é a extinção do direito do direito processual de ação da Fazenda Pública. é o que visualiza-se na Apelação Cível nº 70023222094. [. ou seja. sendo que por disposição constitucional. nesse dispositivo. Henrique Osvaldo Poeta Roenick. Ocorre no prazo fixado pela lei. só a Lei Complementar (CTN) pode dispor a respeito. 70001436607. para haver do sujeito passivo da obrigação tributária o pagamento correspondente. § 1.. retirando do Estado qualquer possibilidade de exigir. convém retratar as principais diferenciações existentes entre prescrição de decadência no direito brasileiro. V. mas atingindo o próprio direito material em si. concebe-se que a prescrição em matéria tributária atinge o direito em toda a sua inteireza. do CTN (relação material tributária). Relator: Des. POSSIBILIDADE.br/site_php/consulta/exibe _documento. o sentido de que a prescrição tributária teria o condão de ir além da extinção crédito. 174 do Código Tributário Nacional diz que a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos. 156. tendo em vista que o relator Henrique Osvaldo Poeta Roenick baseia seu posicionamento no entendimento predominante do Superior Tribunal de Justiça. que tem o mesmo efeito da decadência. p. conforme regra do art. em matéria de prescrição e decadência (art. aí estabelecida. 26 de março de 2008. E por extinção do crédito tributário.php?ano=2008&codigo=315496 >. III. portanto. 562. PRESCRIÇÃO CARACTERIZADA.2 Diferença entre prescrição e decadência P 30 31 MACHADO. Primeira Câmara Cível. V. 31 Vencido tais abordagens. Cf. 174 do Código tributário Nacional. resta extinta a própria obrigação tributária (art.113. . TRIBUTÁRIO.5.]APELAÇÃO CÍVEL.]. Tribunal de Justiça. no contexto destes comentários. Código Tributário Nacional. No direito tributário a prescrição extingue o próprio crédito. Machado discorre que o art. A prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário. A exemplo de tal compreensão conferem alguns tribunais brasileiros ao artigo 156. da CF).gov. do CTN).1. 30 (grifo nosso e do autor) Sob outro olhar. Regras próprias do Direito Tributário a serem observadas. 2005.tj. quer dizer extingue-se. a própria relação material tributária. Disponpivel em: <http://www. Rio Grande do Sul. Acesso em: 31 maio 2008. Prescrição. da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul..

5. Por fim. 2005. cit. é imprescindível definir o sentido da expressão “contados da data de sua constituição definitiva”. o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. 4. capaz de explicar por que a primeira atinge o próprio direito material.53 P Por serem a decadência e a prescrição caracterizadas.32 Pode-se. a definição do termo inicial e final para contagem do prazo prescricional mostra-se relevante ao enfoque do trabalho em si. 1966. da extinção do direito de lançar. p. vale dizer. reside na própria natureza do direito material que. enquanto que a segunda atinge a ação que o protege. vez que cuida. de que trata o artigo 174 do Código Tributário Nacional. a teor do Código Tributário. importa apresentar suas principais diferenciações.306. Com efeito. A decadência atinge o direito de lançar. Assim.305 . o primeiro. a fronteira entre a decadência e a prescrição é precisamente o lançamento. da extinção do direito de cobrar o crédito tributário. no segundo. indiretamente. loc. decadência se cuida antes do lançamento. 33 que alude o referido artigo. pela forma com que são definidas pelos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional. é afetado diretamente. então. distinguir decadência e prescrição. como formas de extinção do crédito tributário decorrentes da inatividade da Fazenda Pública em determinado prazo fixado em lei. e. que tanto a decadência.3 Termo inicial e final para a prescrição Para se ter definido o dies a quo para a contagem do prazo de prescricional. e o segundo. Em que Direito Tributário. . Reporta Machado que a distinção essencial entre a decadência e prescrição. afigura-se como regra especial no Direito Tributário pátrio. enquanto que prescrição se cuida depois do lançamento. Já a prescrição atinge o direito de ação ou direito de cobrar o crédito tributário. em Direito Tributário. no primeiro caso. quanto a prescrição extinguem o crédito tributário. BRASIL. 32 33 MACHADO.1.

540. o dies a quo para contagem do prazo prescricional. O sujeito passivo é notificado do lançamento sem que o impugne no prazo legal. PAULSEN. não mais sujeita a recurso. o crédito tributário só estará definitivamente constituído após o decurso do prazo legal. em conseqüência. é que constitui o marco para o início da contagem do prazo prescricional. 2007. 201). Se o sujeito passivo não se conformar com o lançamento. Não basta a efetivação do lançamento. e. 8. 1280. que não possa mais ser modificado na via administrativa. p. portanto não poderá se falar em prescrição. o processo administrativo fiscal. mas a necessidade de regular notificação ao sujeito passivo e do decurso do prazo fixado em lei para pagamento ou impugnação ao lançamento. A esse enfoque salienta Rosa Júnior que tal expressão significa crédito tributário em condições de ser exigido. 2006. rev. É o que ensina Amaro ao pronunciar expressamente não ser possível a análise da prescrição quando se tratar de lançamento por homologação. p. afirma que se essa modalidade pressupõe o pagamento prévio uma vez realizada a homologação do lançamento não haverá o que cobrar e. art. em conformidade com a determinação do artigo 42. art. III).”35 Com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por Homologação.34 Referidas lições apresentam conformidade com o entendimento de Paulsen. Leandro. Decreto nº 70. fica igualmente suspenso o prazo prescricional até a decisão definitiva proferida no processo administrativo fiscal. .54 Valendo-se dos ensinamentos colhidos no presente trabalho e. 2006. não é compreendida de modo unânime pelos tributaristas. Uma parcela da doutrina alude não ser possível a fixação de um termo inicial nos casos em que lançamento é feito por homologação.236/72. Pronuncia expressamente não ser possível a análise da prescrição quanto se tratar de lançamento por homologação. p. 151. pode-se constatar que a constituição definitiva do crédito tributário só ocorre quando se esgotarem todas as possibilidades de interposição de recurso administrativo ou quando notificado o contribuinte transcorra o prazo in albis sem impugnação. ou seja. afirmando que se essa modalidade pressupõe o pagamento prévio uma vez realizada a homologação do lançamento não haverá o que cobrar e. Cf.. ato administrativo.36 34 35 36 ROSA JÚNIOR. portanto não poderá se falar em prescrição. a constar da notificação ao sujeito passivo dando ciência da decisão definitiva (CTN. Relembre-se que a reclamação ao sujeito passivo e a interposição de recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário (CTN. 417. levando em conta apenas a constituição feita pelo lançamento. ao afirmar que “a intimação do contribuinte acerca da decisão final do processo administrativo. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. para que se considere o crédito tributário como definitivamente constituído.: AMARO. iniciando. portanto. Porto Alegre: Livraria do Advogado. e atual. ed.

Brasília. a regra para identificação do termo inicial será a mesma descrita no início.stj. Na Declaração do Imposto de Renda. 413457.55 Contrapondo tal raciocínio. 1. da entrega da Declaração. 2007. 02 de dezembro de 2003.1. p. o prazo prescricional de cinco anos tem seu começo a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Superior Tribunal de Justiça. 4. ou seja.jus. 174 do CTN. 3. definidas nos incisos I à IV de seu parágrafo único. este ocorrerá no quinto ano subseqüente a data da constituição definitiva do crédito tributário. Huberto Gomes de Barros. Precedentes do STJ. TERMO "A QUO". são as causas de interrupção do prazo prescricional.488. assim. A prescrição tributária segue os termos do art.br/revistaeletronica/ita. Relator: Min. observa-se que ocorrendo a situação descrita no inciso V. Carvalho salienta que tal posicionamento deriva de um equívoco de parte da doutrina em não reconhecer o contribuinte como legitimado pelo sistema jurídico para expedir a norma individual e concreta. 487 . a autoridade competente estará legitimada a efetuar o lançamento de ofício. 37 Demonstrando o posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 413457. do art. Neste caso. Disponível em: < https://ww2.4 Interrupção da prescrição Outro aspecto contemplado pelo artigo 174 do Código Tributário Nacional. ART. tem-se pela contagem do prazo prescricional a partir da data em que o contribuinte constituiu o crédito tributário: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PRAZO PRESCRICIONAL. constituindo. quanto ao termo final da prescrição. contados de seu dies a quo. a contar de sua constituição definitiva. ou seja. isto é. a regra de fixação do termo inicial traçada inicialmente. tem o Fisco cinco anos para a cobrança do crédito tributário. o crédito tributário. 174 DO CTN. 149 do Código Tributário Nacional. Noutro lado. 37 38 CARVALHO. RECURSO ESPECIAL. . como o próprio artigo 174 do Código Tributário Nacional prevê. Recurso Especial n. BRASIL. seguindo. Acesso em: 30 maio 2008.asp?registro=2 00200184335&dt_publicacao=19/12/2003 >. então.38 Por fim. 2.5. DF.

40 Os três primeiros casos de interrupção envolvem atos praticados pelo Poder Judiciário. mediante agir prévio da Fazenda Pública (no sentido de cobrança) e.56 Antes de examiná-las. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal.5 Suspensão da prescrição 39 40 OLIVEIRA. esquecendo-se o período de tempo decorrido entre o termo inicial e a data do acontecimento que levou à interrupção. cumpre esclarecer que interrupção e a suspensão se diferem. providência assumida pelo sujeito passivo da obrigação tributária. já que computa o lapso entre o termo inicial e o acontecimento determinante da suspensão. recomeçando-se a contagem. findo este. 2007. Parágrafo único.]. 1966.39 Partindo de tais colocações. já na suspensão. . a última.por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. razão pela qual receberam tratamento sincrético.pelo protesto judicial. as causas interruptivas da prescrição. As causas interruptivas da prescrição mencionadas nos incisos I à IV do parágrafo único do artigo 174 do Código Tributário Nacional atribuem como termo inicial para sua interrupção as seguintes hipóteses: [. loc. até completá-lo. o prazo deixa de ser contado durante a subsistência do evento suspensivo. cit.5. p.. III . que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. II .por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial. 4. Ao contrário das causas suspensivas. não encontram liame ao foco temático do presente trabalho. IV . BRASIL.. pode-se se afirmar que interrompida da prescrição o prazo começa a correr integramente desde seu início. como explica Oliveira interrupção difere da suspensão. porquanto naquela a contagem do prazo recomeça por inteiro (desde o início).1. 641. que serão trabalhadas na seqüência.

TAMPOUCO O DE DECADENCIA. JA SUPERADO PELO AUTO. TRIBUTO. 10 de abril de 1984. A PARTIR DAI. EM PRINCIPIO. Acesso em: 30 maio 2008. PRESCRIÇÃO. especialmente quanto ao manejo da reclamação ou recurso administrativo. Relator: Min. Id. os artigos 174 e 155 do Código Tributário Nacional cumulam-se. Tribunal Federal de Recursos.gov. Rafael Mayer. ATE QUE SEJAM DECIDIDOS OS RECURSOS ADMINISTRATIVOS. três assentes jurisprudenciais que enfocam esse raciocínio..272 do Supremo Tribunal Federal.272. Supremo Tribunal Federal. NO INTERVALO ENTRE A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E A DECISÃO DEFINITIVA DE RECURSO ADMINISTRATIVO DE QUE TENHA SE VALIDO O CONTRIBUINTE NÃO CORRE AINDA O PRAZO DE PRESCRIÇÃO (CTN.stj. Francisco Rezek. Disponível em: <http ://www.gov. CORRE DESDE ENTÃO O PRAZO PRESCRICIONAL. a título ilustrativo. EXIGIBILIDADE . sendo eles: a súmula 153 do extinto Tribunal Federal de Recursos. 151.stf. Relator: Min. PRESCRIÇÃO E DECADENCIA. Brasília. Id. ou seja.. Agravo regimental :nº 96616. Disponível em: <http://www.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. FICA EM SUSPENSO.br/SCON/juritfr/doc. CONSTITUIDO. Brasília.jus. 95.41 Recurso Extraordinário nº. FLUINDO. ART-142). ART-151-III). NA CONFORMIDADE DO ART. 02 de janeiro de 1982. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. 153. QUE IMPORTA LANCAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN. tem-se que nas hipóteses em que há a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DF.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. O PRAZO PRESCRICIONAL.42 Agravo regimental nº 96616 do Supremo Tribunal Federal: TRIBUTÁRIO. 27 de abril de 1984. Recurso Extraordinário n.43 41 42 43 BRASIL. LANCAMENTO. ocorre também a suspensão do prazo prescricional.jsp?livre=AUTO+DE+INFRA%C7%C3O+&&b=STFR&p=true&t=&l=20&i= 1>. colaciona-se inicialmente.asp?numero=96616&cl asse=AI-AgR>.EXIGIVEL O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUIDO PELO LANCAMENTO. Com intuito de mostrar esse efeito que a suspensão da exigibilidade causa em relação à prescrição. QUE. DF. Brasília. Acesso em: 30 maio 2008. Súmula n.57 Como relatado em etapas anteriores desse trabalho. . DF. NO QUINQUENIO. SALVO SE SUSPENSA A EXIGIBILIDADE.stf. DO CTN. Disponível em: <http://www. Acesso em: 30 maio 2008. III. O CREDITO TRIBUTARIO.asp?numero=9527 2&classe=RE>. TODAVIA. ATRAVES DE AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. 95. Supremo Tribunal Federal. NÃO HA FALAR EM DECADENCIA.

contudo. do período que faltava para consumar o prazo. pára de correr temporariamente. mas não se desconsidera o período já decorrido. 306 – 307. 487 .44 Vindo de encontro ao posicionamento supra. manifestando que tal coincidência só se daria em momento subseqüente àquele que o sujeito ativo teve condições de acesso à ação judicial de cobrança. 2007. quando esta se inicia. quando mantido o lançamento. p. da mesma forma que os textos legais do Código Tributário. uma vez que a prescrição não teria sequer iniciado. Carvalho expõe que a interposição de Recurso administrativo vem a suspender a exigibilidade do crédito tributário não alcançando. 2006.45 44 45 DIFINI. pois seu prazo somente começa a fluir da data da decisão administrativa final. E finaliza. são no sentido de não há o que se falar em prescrição como regra.58 Percebe-se que a orientação dos julgados. o prazo prescricional se suspende. reinicia-se a contagem considerando o período já decorrido antes da causa suspensiva. . cessando a causa de suspensão. a suspensão do curso do prazo prescricional. CARVALHO. p. ou seja.488. Outra característica da suspensão está no fato de que. no todo ou em parte.

146. como se estudará. “b”). buscar-se-á retratar sua essência a partir do temas trabalhados nos capítulos anteriores. de um lado. em virtude de sua paralisação injustificada por determinado período legalmente preestabelecido. Difini consegue apresentar a essência do que viria a ser a prescrição intercorrente. in verbis: A prescrição intercorrente é aquela que flui no curso da ação: só se consuma se o processo fica paralisado. 5. A principal delas diz respeito ao fato do legislador constitucional ter destacado competência absolutamente reservada à lei complementar para criação. Salienta-se que apesar desse instituto não ser tratado de forma exauriente por grande parte da doutrina que foi objeto de pesquisa nesse trabalho. sem a prática de qualquer ato. apontam fatores impeditivos à aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. não por eventual demora na sua tramitação. enquanto o autor pratica atos processuais .59 5 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL Enfoques relevantes têm sido levantados pelos doutrinadores.1 CONCEITO Como visto nos capítulos anteriores. esclarece-se que ela se consagra nos casos estritos de inércia do autor. enquanto outros. a característica essencial desse fenômeno extintivo está no fato dele ocorrer e ser argüível no curso de um processo em tramitação. tal forma de prescrição pode surgir em Direito Tributário devido a circunstâncias processuais distintas. a prescrição em Direito Tributário encontra peculiaridades que lhes foram atribuídas pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional. Por outro lado. Nas demais esferas do ordenamento jurídico positivado. que. inciso III. pelo prazo prescricional. ainda que com ênfase ao âmbito judicial. alteração e supressão das hipóteses de prescrição em matéria tributária (art. fundamentam suas teses visando o reconhecimento do instituto em tela.

830 de 22 de setembro de 1980: Dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. BRASIL. Luiz Felipe Silveira. p.br/ccivil_03/LEIS/L6830.2 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO JUDICIAL A Lei nº.830/80. . Disponível em: <http://planalto. o juiz. ed.051/04. 2006. Com a edição da lei 11. no seu artigo 40. BRASIL.60 para seu impulsionamento. e dá outras providências. 6. vindo dispor sobre as formalidades para o reconhecimento da prescrição intercorrente aos feitos judiciais. não encontrados bens do executado.htm>. 24 de setembro de 1980. DF. 2 Decorrido este prazo.830/80. São Paulo: Saraiva.3 Acerca dos pressupostos necessários à existência da prescrição salienta Martins: 1 2 3 DIFINI. rechaçando a ocorrência de prescrição intercorrente nos casos em que o processo tenha seu regular trâmite. Acesso em: 29 maio 2008. o processo pode ser suspenso por um ano sem que corra a prescrição. § 2º da Lei nº 6. 5. Para que melhor se compreenda tal instituto. 3. extinguindo o feito. importa destacar sua ocorrência no processo judicial. depois de ouvida a Fazenda Pública. 1980.gov. sofreu recente modificação. cit. em especial. iniciando a partir de então a contagem do prazo de prescrição intercorrente. o referido artigo teve inserido em seu corpo o § 4°. que trata dos processos de execução fiscal.051/2004. ainda que seu termino venha a ser demorado. o juiz ordenará o arquivamento dos autos. atual.830/80. Com tal reforma. Findo este prazo. reconhece de ofício a prescrição intercorrente. especialmente no processo executivo fiscal forma de aferir se a situação é idêntica a que ocorre no processo administrativo fiscal. Lei no 6. Manual de direito tributário. Diário Oficial da União: Brasília. discussões surgiram entre os doutrinadores acerca da aplicabilidade ou não do referido instituto aos processos administrativos fiscais. conforme disposto no artigo 40. 310. loc.1 Da referida citação nota-se também uma segunda característica. sem que tenha havido a localização do devedor ou de bens. na redação que lhe conferiu a Lei nº 11. nos termos do § 4º do artigo 40 da Lei nº 6. Na atual sistemática.

ausência de ato ou fato a que a lei atribua uma função impeditiva (suspensiva ou interruptiva) do curso do prazo prescricional. de modo a espancar as dúvidas e perplexidades geradas pela sua atual disciplina. passa-se a análise do instituto da prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. com a única condição de ser previamente ouvida a Fazenda Pública. Ibid.830/80). 221. Manual de direito tributário. nesses casos. Sérgio Pinto. 5. . para se decretá-la. independentemente de requerimento da parte interessada. § 4º. sem que seja localizado o devedor ou encontrado bens penhoráveis. a qualquer tempo.5 Diante de tais fatos. numa primeira percepção do instituto em tela. Decorrido o prazo máximo de um ano. o devedor ou os bens serão desarquivados os autos para prosseguimento da execução. permitindo-lhe argüir eventuais causas suspensivas ou interruptivas do prazo prescricional (artigo 40. nada mais é do que se aguardar o transcurso de um período superior a cinco anos (artigo 174 do Código Tributário Nacional). enfoca que o juiz suspenderá o curso da execução. será aberta vista dos autos a representante judicial da Fazenda Pública. mister se faz a existência dos seguintes pressupostos: existência de uma ação exercitável pelo titular de um direito.4 Na seqüência.840). o juiz ordenará o arquivamento dos autos. Pontua-se. e. sem impulsionamento válido na execução pelo credor. Vencidos tais apontamentos. 6. p. não correrá prazo de prescrição (art.. 40 da lei 6. inércia desse titular em relação ao uso da ação durante certo tempo.61 Para que ocorra a prescrição. assevera-se que recebe a denominação de prescrição intercorrente o fenômeno extintivo da ação que ocorre e é argüível no curso de um processo judicial em tramitação. enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora. por fim. da Lei nº 6.3 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL No Brasil. poucos doutrinadores tratam com ênfase da prescrição intercorrente no âmbito fiscal. ed. p. 4 5 MARTINS. Suspenso o curso da execução. São Paulo: Atlas. Encontrados que sejam. 219. que a sistemática que vem sendo aplicada na prescrição intercorrente no âmbito judicial. 2007.

17 de abril de 1996. Primeira Câmara Cível. No primeiro deles. NAO HA COMO DEIXAR DE RECONHECER A PRESCRICAO. Disponível em: <http://www.62 Ante as considerações expostas nos capítulos anteriores. NAO E POSSIVEL AO FISCO FECHAR OS OLHOS A 6 RIO GRANDE DO SUL. 596038166. sob a relatoria do Desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa. IMPUGNACAO. Apelação Cível nº 597200054. ART.rs. CONTRARIADAS POR CONFIAVEL PROVA DOCUMENTAL. A AUTUACAO DECORREU DE PRESUNCOES DOS AGENTES FISCAIS.php?nome_comarca=Tribunal+de+Justi% E7a&versao=&versao_fonetica=1&tipo=1&id_comarca=700&num_processo_mask=596038166&num_proc esso=596038166>. DURANTE A RECLAMACAO OU RECURSO ADMINISTRATIVO. PENA DE DECADENCIA. III. QUANDO SE ESTA DIANTE DE INCOMUM INERCIA. não foi tolerada a paralisação de um processo administrativo pelo prazo de sete anos. Relator: Des. condizentes a servirem de base para análise e interpretação do tema em enfoque. NAO CORRENDO PRESCRICAO. COM A PARALIZACAO INCOMPREENSIVEL DO PROCEDIMENTO DURANTE SETE ANOS. em casos isolados. Bem assim que. aspira-se com a identificação dos fundamentos teóricos existentes. O ESTADO TEM CINCO ANOS PARA CONSTITUIR DEFINITIVAMENTE O CREDITO TRIBUTARIO. No segundo. DECADENCIA. 151. relatado pelo Desembargador Romeu Elias de Souza. por sua Colenda 1ª Câmara Cível. examinando o tema sob o prisma da decadência. Tupinambá Miguel Castro do Nascimento. decidiram que os processos administrativos fiscais não podem ficar paralisados indefinidamente. SOB PENA DE SE ACEITAR A PROPRIA IMPRESCRITIBILIDADE. CASO EM QUE. Apelação Cível n. sob o enfoque da prescrição intercorrente. ESTA SUSPENSA A EXIBILIDADE DO CREDITO ADMINISTRATIVO.gov. Rio Grande do Sul. regras que possibilitem a ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. concluiu que o Estado tem o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. ENTRETANTO. Tribunal de Justiça. como o do Rio Grande do Sul. APELACAO PROVIDA6 PRESCRICAO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. O QUE EQUIVALE DIZER QUE. no ordenamento jurídico tributário.tj. DEVE JULGAR A IMPUGNACAO HAVIDA. A discussão assume maior relevo em razão de Tribunais de Justiça. CTN.br/site_php/consulta/consulta_processo. Eis as ementas dos referidos arrestos: DIREITO TRIBUTARIO. em dois acórdãos. terem admitido à ocorrência de prescrição em âmbito administrativo fiscal. . retratar as razões pelas quais se revelarão insubsistentes. DE RESTO. Acesso em: 31 maio 2008. NO PRAZO DE CINCO ANOS. instado a se pronunciar a respeito dessa questão. Apelação Cível nº 59603816-6.

e há a extinção apenas do direito de propor a ação de execução fiscal (prescrição). Consideramos que não pode haver 7 8 RIO GRANDE DO SUL. APELO PROVIDO POR AMBOS OS MOTIVOS7 O entendimento acima. justificável exatamente porque não era o prazo para a conclusão do processo administrativo o problema que se lhe estava sendo submetido. efetivamente. a ocorrência da chamada prescrição intercorrente. corroboram com no delineamento desse nexo temporal qualificado pela omissão do Fisco. p. Pode-se. Tribunal de Justiça.. É certo que o oferecimento da impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário.rs.php?nome_comarca=Tribunal+de+Justi% E7a&versao=&versao_fonetica=1&tipo=1&id_comarca=700&num_processo_mask=597200054&num_proc esso=597200054>. possui o seguinte posicionamento: A necessidade de uma delimitação temporal ao processo administrativo fiscal levou doutrinadores de respeito a vislumbrarem. poder-se-ía admitir o emprego do termo prescrição intercorrente. que é um dos poucos a encarar esse instituto de frente. ou seja. expõe seu posicionamento contrapondo o entendimento acima: Demarcar o fato prescricional. por conta dos já transcritos pronunciamentos do STF. apenas adota outra nomenclatura para uma mesma realidade jurídica. afirmar que os citados julgados laboraram – neste ponto – em equívoco. Note-se. Acesso em: 31 maio 2008. 23 de dezembro de 1998. 205. MACHADO SEGUNDO. já não se pode dizer que é o simples oferecimento de uma impugnação que o está impedindo de propor a execução fiscal: é o abandono do processo – que implica a indevida não-apreciação da impugnação – que enseja a demora na propositura da execução. o crédito já foi constituído. São Paulo: Atlas. Disponível em: <http://www. a nosso ver. Apelação Cível n. Machado Segundo. porém. por inércia do exeqüente (precisamente o abandono do processo administrativo). ou em imprecisão. Hugo de Brito. acerca da matéria.]. portanto. e. A tese é consistente. principalmente porque. .8 Santi. Mas se o Fisco abandona o processo por mais de cinco anos. nessa situação de abandono. Primeira Câmara Cível. COMO ESTOQUE DE PRODUTO E SUA MOVIMENTACAO. Relator: Des.63 A DADOS PLENAMENTE CONFIAVEIS E OBJETIVOS. apenas. sendo plenamente cabível falar-se. Preferimos o termo perempção. adota solução que se opõe ao ordenamento tributário positivado. [. inibindo a exigibilidade do crédito. Assim. Armínio José Abreu Lima da Rosa. a data da conclusão do processo administrativo correspondente.tj. PREFERINDO FIAR-SE EM SUPOSICOES. o prazo prescricional só se convalidará quando completada a extensão temporal de suporte fático previsto na regra. nos quais se afirma que o termo inicial do prazo prescricional é a constituição definitiva do crédito tributário. suspendendo também o curso da prescrição. supõe a exigibilidade do crédito tributário.gov.. 597200054. faz-se necessário apresentar alguns posicionamentos doutrinários sobre o tema. Assim. a determinação legal do prazo e de seu termo inicial e o conhecimento de eventuais circunstâncias jurídicas que. Rio Grande do Sul. Processo tributário. 2004.br/site_php/consulta/consulta_processo. no caso. sim em prescrição intercorrente.

14-14645. o próprio artigo 174 do Código Tributário Nacional estabelece como termo a quo do prazo prescricional a constituição definitiva do crédito tributário.&s10=&n=-DTPE&d= DECW&p=1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ.fazenda. 12. 151 do Código Tributário Nacional . porque.1. além do que. ed. atual. Disponível em: <http://decisoes. Eurico Marcos Diniz de. Por isso. 219.htm&r=1&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=Process o+Administrativo+Fiscal&s5=prescri%E7%E3o+intercorrente&s6=&s8=>. 302. TORRES. Se o crédito está suspenso. no Processo Administrativo Fiscal. do artigo 151 do Código Tributário Nacional.”10 Nota-se assim que. o qual afirma que “inexiste prescrição intercorrente no processo tributário administrativo. p. 9 Igual orientação é apresentada por Torres. São Paulo: Max Limonad. Ricardo Lobo. até 2005. noutro viés. nos termos do inciso III do art. 3. Várias decisões já foram exaradas no âmbito administrativo fiscal no sentido do descabimento da contagem do prazo prescricional no curso do processo administrativo fiscal. como demonstrado nos item nº 4.64 prescrição intercorrente no processo administrativo. o que simplesmente impede a fixação do início do prazo prescricional. só ocorre com a decisão final do processo administrativo fiscal. sendo que tal constituição. não teria como se iniciar o prazo prescricional. Secretaria da Receita Federal. Refletem tal dicção os acórdãos que ilustrativamente passa-se a colacionar. há quem considere aplicável a prescrição no curso processual administrativo. pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. dado que a Fazenda estaria impedida de acionar o contribuinte para a cobrança judicial.CTN.”11 Em igual instância. Acesso em: 05 jun. Enquanto suspensa a exigibilidade do crédito. restou assim ementado: “prescrição intercorrente. suspende-se a exigibilidade do crédito. 9 10 11 SANTI. prevista no inciso III. RIBEIRÃO PRETO.br/netacgi/nph-brs?s7=&s9=DRJ/$.3 do presente. . em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 2004. 239. BRASIL. p. Decidido em primeiro grau. não há que se falar em prescrição intercorrente. a prescrição intercorrente. 18 de Janeiro de 2007. em virtude de tramitação do processo administrativo fiscal.5. destaca-se o acórdão nº 05-2809: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE . Curso de direito financeiro e tributário.Não se configura. enfatizando as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário.SIGL. ed.gov. certos juristas apontam fatores impeditivos à aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo. Acórdão n. o acórdão nº 14-14645. Rio de Janeiro: Renovar. não há que se falar em prescrição. o que significa que entre o lançamento e a decisão definitiva não corre o prazo prescricional. quando há impugnação no processo administrativo durante o prazo de pagamento do tributo. 2005. de um lado. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. 2008.

br/domino/Conselhos/QuadroConselheiros. Id. DF. ambas com o seguinte ementa: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Campinas. a matéria restou. SÚMULA 153 DO TFR.12 Ainda. AGRAVO REGIMENTAL. não havendo que se falar. entretanto. Secretaria da Receita Federal.fazenda.. 28 de maio de 2006. Acesso em: 05 jun. Sumula n. Disponível em: <http://www.pdf>. em prescrição intercorrente. inclusive. II . Disponível em: <http://www.nsf/viewSumula/4BCFF C7377564EE38325719A004BA287?OpenDocument>. FRANCISCO FALCÃO. quando a Administração é instada para decidir sobre controvérsias fiscais não pode ela ficar adstrita somente ao preceito informado pelo artigo 5º.65 pois.fazenda. 577. Relator: Min. portanto. 11. 2008.gov. PROCESSO ADMINISTRATIVO.conselhos. Disponível em: < http://decisoes.gov. Id. Acesso em: 05 jun. pelo primeiro e segundo Conselhos de Contribuintes. 04 de Dezembro de 2002. sumulada sob os nº 1113 e 7. INOCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DF. que se revelarão essenciais para a solução do problema proposto nesta monografia. MULTA FISCAL.htm&r=15&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=&s5=prescri%E7 %E3o+intercorrente&s6=&s8=>. Conselho de Contribuintes. III . 2008. Brasília.stj.gov..br/domino/Conselhos/QuadroConselheiros. Brasília. DF. que apesar de focalizados. 174 do CTN só tem início com a decisão definitiva do recurso administrativo (Súmula 153 do TFR). principalmente a respeito da possibilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.&s10=&n=-DTPE&d=DECW&p 13 14 15 =1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ.conselhos. Agravo Regimental no Recurso Especial n. Brasília.br/revistaeletronica/ita. .jus. 7. Acesso em: 05 jun. Supremo Tribunal Federal. Conselho de Contribuintes. inciso 12 BRASIL. apreciando o instituto da prescrição intercorrente à luz dos objetivos traçados para este trabalho. necessário pronunciar-se acerca da referida indagação.808.O prazo prescricional previsto no art. 05-2809. não se pode admitir que se fizera consumada a condição necessária à argüida prescrição.. 28 de maio de 2006. I . Primeira Câmara. 23 de março de 2004. Sumula n.Agravo regimental improvido.14 respectivamente. ilustra-se o acórdão nº 577808: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. deixa de promover a cobrança do crédito tributário.” Na seara do Superior Tribunal de Justiça. se a mesma decorre da inação do fisco que. Com efeito. 2008. Segunda Câmara.. podendo. No mais. Disponível em: <https://ww2. Acórdão n.SIGL. os precedentes jurisprudenciais foram mencionados apenas para contextualizar o estudo da prescrição intercorrente no âmbito processual administrativo fiscal.nsf/a0179fb4ae2ef5c9832571 9a004b9629/3bede41fb8d1a7c28325735b003cfabf/$FILE/_2aehmqtbcc5pi0cl7411k6ba49tag_.asp?regi stro=200301297825&dt_publicacao=17/05/2004 >. partindo dos aspectos a seguir referenciados.br/netacgi/nph-brs?s7=&s9=DRJ/$. Acesso em: 30 maio 2008.Precedentes.fazenda. 15 (grifo nosso) Ressalva-se. Id.

Destaca-se. Em face do grande número de demandas. DF. em função da precariedade econômica.gov. no sentido de que o processo administrativo deva ter uma duração razoável. ou seja. independentemente de ter sido efetivamente decidido ou não. não há razão que justifique a fixação de um prazo certo para término do processo administrativo fiscal. que é por demais subjetiva. uma vez que este tem por objetivo garantir o uso dessa prerrogativa. escolheu-se para serem impulsionados com maior celeridade aqueles processos que enquadrarem como preferenciais. Disponível em:< http://www. sopesadamente. ignorando-se.planalto. de 2004). dentre os abordados nos capítulos anteriores. 16 [. ou mesmo adequá-la ao que entende devido. o qual não fixa mais prazo para julgamento das lides tributárias.a todos. Acesso em: 23 fev. no âmbito judicial e administrativo. a gama de princípios que prevalecem quando se procura estruturar um processo com o devido respeito aos direitos dos sujeitos da relação. devem preponderar. que também passa o Poder Judiciário. Cf. optou o legislador em definir critérios à tramitação dos feitos administrativos fiscais. Constituição (1988). totalmente.. Em contrapartida.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.. não merece prevalecer o entendimento que o processo seria somente uma seqüência de atos em vista de obstáculos a um limite temporal. Ademais. 5 de outubro de 1988. bem como pela sistemática lenta no julgamento dos processos em virtude do rol de garantias postas a disposição do contribuinte para solução de seus conflitos. fica o Fisco impossibilitado de praticar qualquer ato que vise satisfazer seu direito até que se decida a controvérsia instaurada pelo contribuinte.: BRASIL.235/72.]. 2008. por meio do processo administrativo fiscal procura o contribuinte/impugnante a desconstituição do lançamento de modo a eximi-lo da obrigação que lhe foi imposta.66 LXXVIII da Constituição Federal16. encontra a Administração dificuldades em solucionar todas essas controvérsias de modo célere. com data certa para acabar. é que. Constituição da República Federativa do Brasil. possibilitando a revisão do ato da Administração frente à insurgência do contribuinte. Diante de tal impossibilidade. pois a compreensão da expressão “duração razoável”. Brasília. funcional de alguns de seus entes tributantes. . o do devido processo legal em consonância com o do contraditório e com o da ampla defesa.htm>. a exemplo do que ocorre no Decreto nº 70. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45. Com observância a essa ótica. são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Ressalta-se que. não pode preterir à princípios que. princípios estes informadores do desenvolvimento seqüencial e regular do processo.

do Código Tributário Nacional). também não impugna. Por fim. pode-se depreender que somente a lei pode determinar requisitos para reconhecimento da prescrição no curso do processo administrativo fiscal. como representante do Estado. na prescrição judicial há um título executivo líquido. reconhecendo o débito imputado contra si. Outrossim. Ligada a isso. advém a noção de impossibilidade de se declarar a reconhecimento da prescrição intercorrente no curso do processo administrativo fiscal. o que atualmente inexiste. Destes. é notadamente inaplicável ao processo administrativo fiscal. não há como se penalizar. a existência de crédito devidamente constituído. um outro fator a ser destacado. Porquanto. devendo sim. a sistemática de aplicação da prescrição intercorrente no processo judicial. adquire tal exigibilidade quando o Contribuinte além de não pagar. que afasta a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Além disto. ou seja. exige para o reconhecimento da prescrição. inciso III. por meio do reconhecimento desse instituto. Por outro lado. e não um crédito temporariamente suspenso. apresenta-se intimamente ligado ao princípio da oficialidade em conjunto com o da legalidade e o da eficiência. . De outro lado.67 Logo. o que pressupõe a existência de um crédito devidamente constituído. não há como se determinar um termo inicial necessário ao cômputo do prazo prescricional a teor do artigo 174 do Código Tributário Nacional que. a suspensão do prazo prescricional ao exercício de ação a contar da impugnação (artigo 151. certo e exigível. fator que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade outorgado aos contribuintes pela Constituição Federal de 1988. como visto anteriormente. quem estava impedido de agir para cobrar seu crédito (Fisco). penalizar (responsabilização funcional) quem deu causa à paralisação processual injustificada. que define necessariamente as hipóteses de reconhecimento da prescrição do processo frente à inércia processual do exeqüente em localizar o réu para ser citado ou seus bens para satisfação de seu crédito (art. vez que com a suspensão dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário. inclusive assegurando a este. criou o legislador mecanismos hábeis a resguardar os interesses do contribuinte e do Fisco. naquele tem-se o respeito estrito ao princípio da legalidade. 40 da Lei de Execução Fiscal). no processo administrativo fiscal inexiste lei que admita a prescrição durante seu curso. em especial o de execução fiscal.

Enfatizou-se que sua ocorrência em virtude da falta de impulsionamento do autor. se abordou as regras do processo administrativo tomando como modelo o vigente no âmbito federal. que norteiam a Administração Pública. que. condição imprescindível à atuação do Estado. também. Partindo do Decreto 70. dada a impossibilidade de analisar todas as legislações de cada ente federado. está adstrita à previsão legal. sua forma de constituição. se analisou o crédito tributário. produção de provas. e não por eventual demora na sua tramitação. para que. por força do Código Tributário Nacional.235/72. instrumentos de defesa. no segundo capítulo. Nesta última. e é a mesma lei que se revela como instrumento de limitação de sua própria ação. No terceiro capítulo. que se dá através do lançamento. inclusive. bem como as hipóteses de extinção. as formas de suspensão. que para o Direito Tributário. No ultimo capítulo. se destaca o da legalidade. . bem como a possibilidade de recursos à instâncias superiores. a lei é que legitima a cobrança de tributo. como no direito tributário. conforme se observou no desenvolvimento do estudo. Dessa forma. Este remete à regra de que o agir da Administração. inclusive no que se refere à sua atuação no âmbito fiscal. restou traçada uma gama de diretrizes ao longo do presente trabalho monográfico. Identificou-se. se verificou que a Constituição Federal estabeleceu princípios. em virtude de sua paralisação injustificada por determinado período legalmente preestabelecido. pôde-se inicialmente compreender que prescrição intercorrente é aquela que flui no curso da ação. a aplicabilidade do instituto acima referido em pouco se alinha com o direito administrativo fiscal. como visto. extingue o próprio crédito. se enfatizou a prescrição. é a perda do direito de uso de meio processual para a cobrança do crédito. restassem fundamentos firmes e convincentes sobre sua aplicabilidade ou não neste âmbito de atuação tributária. só assim. a prescrição. tanto no direito administrativo. lhe sendo conferido. Com efeito. se aferiu que a norma em questão previu mecanismos para o contribuinte se opor ao lançamento realizado pela Fazenda Pública. como visto.68 6 CONCLUSÃO Ao instituto da prescrição intercorrente estudado em sede do processo administrativo fiscal. Posteriormente. Assim. dentre os quais. Isto porque. inicialmente. o princípio da legalidade assume.

reconhecendo em seu desfavor o instituto em tela. frente à sistemática que atualmente existe. . ambos do Código Tributário Nacional). estar-se-ia justificada uma das teses de inaplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. tem-se que. 156. Noutro lado. inciso III cumulado com artigo 174. a priori. É necessário que esta adote alternativas que viabilizem a solução rápida para esses conflitos. Logo. uma vez que. porquanto. analisado sob o aspecto do princípio da oficialidade em conjunto com o da legalidade e eficiência. Viu-se também que. Contudo. em contraposição a reserva feita pelo texto constitucional. não se justificaria penalizar quem estava impedido de cobrar seu crédito (Fisco). não se tem um termo inicial para contagem do prazo prescricional (art. autorize a contagem de prazo prescricional. senão por lei. o instituto da prescrição intercorrente não pode ser utilizado para tanto. conclui-se inexistir fundamento para ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. não há como admiti-la. também atento às orientações do princípio constitucional da legalidade. não havendo um crédito devidamente constituído. Assim. Isto não significa que o processo administrativo possa e deva permanecer eternamente sem qualquer solução por parte da Administração. inexistindo qualquer norma regulamentando a prescrição em seu curso. enquanto o processo administrativo fiscal estiver tramitando a exigibilidade do crédito permanece suspensa. Revelando-se devido por meio da aplicação dos referidos princípios apurar-se a responsabilidade funcional do sujeito que deu causa injustificada à inércia processual.69 Partindo de tal pressuposto. afigura-se como incorreto procurar fundamento que.

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